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Enfermidades dos Cavalos - Armen Thomassian-ilovepdf-compressed.pdf

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ser maior do que 1 litro
por um perfodo de 15 minutos
para um potro de 45 quilos, sen-
do que 0 ideal deveria situar-se
em tomo de 20 ml/kg/hora, 0 que
corresponderia a cerca de I litro
de plasma por hora de infusao.
A transfusao de plasma exi-
ge monitorizac;;aoconstante das
grandes func;;6es, por parte do
medico veterinario, em virtude da
possibilidade de ocorrencia de
reac;;6esadversastipo anafilaticas.
o aumento das frequencias car-
dfaca e respirat6rio, a presenc;;a
de tremores, sudorese generaliza-
da e agitac;;ao,podem ser indica-
tivos de reac;;6esao plasma,0 que
obriga a reduc;;aodo fluxo ou inter-
rupc;;aoda transfusao pelo menDs
durante 5 a 10 minutos, ate que
os sinais de incompatibilidade
desaparec;;amou fiquem reduzi-
dos de intensidade. Caso haja
persistencia dos sinais, 0 potro
devera receber imediatamente,
pela via intravenosa, cerca de
100 a 200 mg de prednisolona
e 0,5 a 1,0 mg de prometazina.
A via oral para a administra-
c;;aode plasma podera ser utili-
zada somente em situac;;6esem
que haja, comprovadamente,
deficiencia absoluta ou relativa
de IgG, em potros de alto risco e
com menDs de 12 horas de vida,
pois os nfveis da absorc;;aoente-
rica se reduzem drasticamente
com 0 tempo, podendo resultar
em baixos nfveis sericos de imu-
noglobulinas, proporcionando
falsa sensac;;ao ao profissional
que 0 animal encontra-se imuno-
logicamente protegido.
1.5. Icterfcia hemoHtica
do neonato.
Constitui processo de anemia
hemolftica resultante da isoimu-
nizac;;aoda egua contra hema-
cias do potro durante a gestac;;ao,
a semelhanc;;ada icterfcia do re-
cem-nascido por problema de
Rh no homem.
A isoimunizac;;aoe desenca-
deada pel a incompatibilidade
sangufnea feto-mae, atraves da
ativac;;aodo sistema imunitario da
egua por antfgenos provenientes
das hemacias do feto.
A maneira com que os antfge-
nos atravessam a barreira trans-
placentaria nao esta bem deter-
minada, havendo, porem, a possi-
bilidade de ocorrer atraves de pe-
quenas les6es ou descolamentos
aclfnicos da placenta, no terc;;ofi-
nal da gestac;;ao,uma vez que os
anticorpos da mae em condic;;6es
de higidez gestacional nao cau-
sariam nenhum dano ao feto, em
razaoda impossibilidade de trans-
ferencia transplacentaria.
Em eguas que nao possuem
antfgenos dos grupos Aa ou Oa,
a aloimunizac;;aopor "quebras"nas
barreiras da circulac;;aomaterno-
fetal, devidas as micro-les6es, po-
de desencadear a afecc;;ao no
potro. As sucessivas absorc;;6es
de aloanticorpos Aa e Oa, que se
acumulam no colostro, podem,
tambem, desencadear a isoeritr6-
lise. Entretanto, eguas que nao
possuem anticorpos Ca, sac me-
nos propensas a apresentarem
respostas imune do que as do
grupo sangufneo Aa.
o potro ao nascer nao apre-
senta qualquer alterac;;aoc1fnica
aparente, e mama normalmente
o colostro rico em anticorpos an-
ti-hemacias produzidos durante
a isoimunizac;;ao.Por este motivo
podera, ja a partir das 24 a 40
horasde vida,em virtude da absor-
c;;aointestinaldos anticorpos,apre-
sentar sinais de apatia ou fadiga;
desinteresse em mamar, mesmo
quando a teta Ihe e oferecida;
aumento das frequencias respi-
rat6ria e cardfaca; conjuntivas
inicialmente palidas a anemicas
e, posteriormente, adquirindo a
colorac;;aoamarelo-esverdeada,
caracterfstica da icterfcia. A uri-
na podera, em casas agudos,
com instalac;;aoda afecC;;aonas
primeiras vinte e quatro horas
de vida, apresentar ligeira des-
colorac;;ao para tornar-se aver-
melhada devido a eliminac;;aode
hemoglobina.
A confirmac;;ao da enfermi-
dade e realizada pelo teste da
aglutinac;;ao, misturando-se em
partes iguais sangue do potro
com soro sangufneo da mae, ou
1 gota de sangue do potro, com
anticoagulante, com 1 gota do
colostro. Caso ocorra aglutina-
c;;ao,realize diluic;;6esdo colostro
em soluc;;aofisiol6gico ate 1:32
e teste 0 sangue do potro para
cada uma das diluic;;6es.Tftulo
acima de 1 :8 deve ser conside-
rado positivo, sendo necessaria
a substitui<;:ao do colostro da
egua mae por colostro de outra
egua cuja rea<;:aoseja negativa
com 0 sangue do potro.
Profilaticamente, a icterlcia
hemolltica podera ser evitada
realizando-se 0 teste acima cita-
do para 0 diagn6stico da enfer-
midade no potro recem-nasci-
do, ou at raves da prova de aglu-
tina<;:aodo sangue do garanhao,
pai do potro, e do soro da mae,
duas semanas antes do parto.
Este procedimento permite, com
relativa antecedencia, que as
providencias possam ser toma-
das para a substitui<;:ao do co-
lostro, ou para que 0 aleitamen-
Figura 1.2
Mucosa oral icterica - isoeritr61ise neonatal.
to do potro que vai nascer seja
artificial.
o potro ao nascer devera ter
seu sangue testado para se evi-
tar a incompatibilidade, antes da
primeira mamada. Caso seja po-
sitivo, devera ser impedido de
mamar, portanto 0 parto prefe-
rencialmente, deve ser assistido,
e ele devera receber colostro de
outra egua ap6s 0 teste, asso-
ciado ou nao a administra<;:aode
plasma. A egua devera ser orde-
nhada a cada 2 horas durante 3
a 5 dias, possibilitando, desta for-
ma, depois de decorrido este pe-
rlodo, a amamenta<;:aodo potro
direto na mae sem que ele possa
correr 0 risco de apresentar qual-
quer problema, ja que nao mais
ocorrera a absor<;:aode anticor-
pos incompatlveis ao seu sangue.
o tratamento curativo exige
alem dos procedimentos citados,
quanto a ingestao de colostro de
doadoras sadias, transfusao de
sangue previamente testado
quando 0 hemat6crito for menor
do que 18, ou a exsangulneo
transfusao quando os nlveis de
hemacias forem menores do que
3 x 106/1-11(cerca de 1 a 2 litros
de sangue total). No combate ao
choque que se instala na maioria
dos casos, a oxigenioterapia, cor-
ticoterapia (dexametasona na
dose de 0,1 a 0,2 mg/kg) e anti-
histamlnicos (prometazina na do-
se de 0,25 mg/kg), sac vitais pa-
ra a sustenta<;:aodo potro e 0 blo-
queio do cicio do choque. Em ra-
zao do estresse e da possibilidade
de imuno-incompetencia passi-
va do potro, este podera ficar sus-
ceptlvel as infec<;:6es,sendo reco-
Figura 1.3
Icterfcia neonatal - visceras.
mendado, nestes casos, a insti-
tui<;:aode antibioticoterapia pre-
ventiva, preferencialmente com
antibi6ticos de amplo espectro
de a<;:ao.
1.6. Srndrome de
ma-adapta~o neonatal.
Conhecidos como "Iadrado-
res", "idiotas" e "convulsivos", os
potros acometidos pela sfndrome
de ma-adapta<;:aoapresentam um
conjunto de sinais que secaracte-
rizam por anormalidades de com-
portamento geral e da psique.
A causa, ou causas da sfndro-
me de ma-adapta<;:aoainda saG
desconhecidas, no entanto, pode-
se evidenciar situa<;:6esdesenca-
deantes como traumas, an6xia e
hemorragias do sistema nervoso
central. Potros com septicemias,
meningite septicemica, hipogli-
cemia, desequillbrios eletrolfticos,
desequillbrio acido-base e malfor-
ma<;:6escongenitas, podem apre-
sentar sinais e comportamentos
semelhantes a sfndrome de ma-
adapta<;:aoneonatal c1assica
o potro ao nascer apresenta
comportamento geralmente nor-
mal ate as primeiras 24 a 72
horas, mamando e se relacionan-
do bem com 0 ambiente e a mae.
Os sinais c1fnicosse iniciam com
desorienta<;:ao,andar em drcu-
los e permanecer nos cantos se
estiver estabulado na maternida-
de. Neste perfodo, 0 potro nao
reconhece a mae e parece es-
tar cego, realiza amplos movi-
mentos de pesco<;:o,dos mem-
bros e do corpo, que podem du-
rar horas e anteceder as crises
convulsivas. A convulsao se ca-
racteriza por espasmos progres-
sivos do pesco<;:o, membros e
cauda, intercalados de contra-
<;:6estonico-c1onicas, seguidas
de opist6tomo e extensao rfgida
do corpo. A dura<;:ao da crise
pode ser de ate 30 minutos, po-
dendo, inclusivo, levar 0 potro a
morte. Alguns animais podem se
recuperar entre 7 a 10 dias ap6s
a primeira crise, demonstrando
os primeiros sinais de melhora
entre 4 a 5 dias do

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