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Enfermidades dos Cavalos - Armen Thomassian-ilovepdf-compressed.pdf

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de eli-
minar a urina fetal para a cavi-
dade alant6idea, formando 0 li-
quido alant6ide.
A persistencia ou a nao-re-
gressao do conduto urinario fetal,
que em condic;:6es normais se
oblitera logo ap6s 0 nascimento,
possibilita a eliminac;:aoda urina
atraves do umbigo. A urina es-
corre gota a gota pelo coto umbi-
lical que em sua base esta sen-
sivel,quente e umido. Ocasional-
mente a afecc;:aoreg ride espon-
taneamente ap6s alguns dias; no
entanto, e conveniente que se
inicie 0 tratamento imediatamen-
te, aplicando-se tintura de iodo
2% a 5% ou nitrato de prata 1%
em torno do anel umbilical, uma
vez ao dia.
Quando a cura nEW ocorre
pelo metodo conservador, 0 pro-
cesso inflamat6rio que se insta-
la em torno do anel umbilical pre-
disp6e a instalac;:aode bacterias
que podem agravar 0 quadro, de-
sencadeando bacteremia e .00-
liartrite. A intervenc;:aocirurgica,
constando de laparotomia e la-
queadura do uraco junto a bexiga
urinaria, e 0 tratamento radical e
definitivo para os casos rebeldes
ao tratamento convencional.
1.10. Ruptura da bexiga -
uroperit6nio.
Ocorre devido a compressao
que sofre a bexiga urinaria do .00-
tro durante os esforc;:osde expul-
sac realizados pela egua no mo-
mento do parto, ou a extrema
tensao que sofre 0 cordao umbi-
lical, fazendo com que, conse-
quentemente,o uraco tracione e
rompa a bexiga repleta de urina.
Os sinais c1inicos iniciam-se
12 a 24 horas ap6s 0 nascimen-
to caracterizando-se por depres-
sac e desconforto. 0 animal apre-
senta ainda: tenesmo, manifesta-
c;:6esde desconforto abdominal,
aumento das frequencias respi-
rat6rio e cardiaca, conjuntivas pa-
lidas, estranguria, letargia e con-
vulsao nas fases finais da afec-
c;:ao.Oabdomen apresenta abau-
lamento progressivo causado pe-
10 acumulo de urina, assim como
podem surgir sinais gerais de in-
toxicac;:ao,levando alguns potros
a coma e morte por uremia.
o quadro de desconforto ab-
dominal (c6Iica) apresentado pe-
Joanimal decorre, principal men-
te, devido a instalac;:aode perito-
nite irritativa (asseptica), desen-
cadeada pela presenc;:ade urina
na cavidade abdominal.
o diagn6stico tem por base a
manifestac;:ao c1inica, podendo
ser consubstanciado por exames
laboratoriais, Raios-X (urografia
excretora ou retr6grada) e ultra-
sonografia da bexiga, uraco e
ureteres. A percussao digito-di-
gital da parede abdominal abau-
lada pode mostrar a formac;:aode
ondas caracteristicas da presen-
c;:ade IIquido cavitario.
Laboratorialmente, os potros
com uroperitonio podem apre-
sentar leucocitose com neutrofi-
lia (> 15.000/ ml), hiponatremia,
hipocloremia, hipercalemia e aci-
dose metab6lica. A ureia e crea-
tinina geralmente encontram-se
em niveis acima de 66 mg/dl e
4,1 mg/dl respectivamente, sen-
do a relac;:ao ureia/creatinina
> 11,4:1.Outro dado laboratorial
importante e a relac;:aocreatinina
serica/creatinina peritoneal, .00-
dendo-se obter valores > 1 : 2.
Sob 0 ponto de vista pratico,
e na presenc;:ade uroperitonio de-
corrente de ruptura de bexiga, 0
teste da infusao de azul de meti-
lena a 1% par via uretral retr6gra-
da, antes da paracentese abdo-
minai, possibilita 0 diagn6stico da
afecc;:ao.Infundindo-se cerca de
10 ml de azulde metileno a 1%, e,
em havendo ruptura vesical, a pa-
racentese abdominal Ira revelar
liquido peritoneal tingido.
a tratamento deve ser institui-
do 0 mais precocemente possi-
vel, consistindo de sustentac;:ao
do animal com fluidoterapia po-
li6nica e correc;:ao do equillbrio
acido-base. A laparotomia segui-
da de cistorrafia deve ser realiza-
da imediatamente ap6s a estabi-
lizac;:aodo quadro c1inicodo ani-
mal, e se constitui no metodo de-
finitivo de resoluc;:ao.
Tratamentos conservadores,
com base na sustentac;:aometa-
b61ica e drenagem abdominal
por paracentese, raramente for-
necem resultados satisfat6rios.
Eo processo inflamat6rio que
acomete 0 cordao umbilical dos
potros neonatos, resultante da
falta de higiene ambiental, de
cuidados gerais e de tratamento
do umbigo, no momento do nas-
cimento e nos dias seguintes.
A instalac;:aodo processo ori-
gina-se por invasao bacteriana,
lesando os tecidos do cordao
umbilical, produzindo inicialmen-
te tumefac;:aoquente e dolorosa.
Na contingencia da patogenici-
dade do microorganismo ou do
estado imunitario do potro, que
pode estar comprometido pela
falta de ingestao de colostro e
por imuno-incompetencia, pode-
ra ocorrer invasao bacteriana
produzindo bacteremia, e os mi-
croorganismos instalarem-se
nas articulac;:6es,ocasionando a
poliartrite dos potros.
a organismo do animal po-
dera responder a infecc;:aopro-
duzindo um tecido reacional em
torno da afecc;:ao,encapsulando-
a. Este quadro e 0 mais frequen-
te, sendo observado, na regiao
umbilical, um aumento de volu-
me de diametro variavel, frio, in-
sensivel a palpac;:aoe flutuante
por conter pus em seu interior,
que pode ser colhido atraves de
punc;:ao para ser submetido a
cultura e antibiograma.
Tendo em vista as peculia-
ridades anat6micas do cordao
umbilical, composto por duas ar-
terias que se conectam com a
arteria iliaca interna; uma veia
que interliga a placenta ao f1ga-
do, e 0 uraco que comunica a be-
xiga fetal a cavidade alant6ide,
a infecc;:ao podera se estender
atingindo principalmente 0 f1ga-
do atraves da veia umbilical.
Figura 1.7
Onfaloflebite - umbigo aumentado de volume.
Figura 1.8
Onfaloflebite atingindo 0 figado.
Nestas condi<;i5es, a avaliac;:ao
somente paden§. ser realizada
atraves de ultra-sonografia au
mesmo durante a ato cirurgico.
o tratamento, na fase inicial,
deve ser feito pela aplica<;ao de
tintura de iodo 2%, diariamente
no coto do umbigo, e cobertura
antibi6tica com penicilina G ben-
zatina na dose de 30.000 UI/kg,
pela via intramuscular, au genta-
micina na dose de 2 mg/kg, pela
via intramuscular au subcutanea
a cada 8 horas, pelo menos du-
rante 5 dias. Eventualmente, po-
de-se drenar a conteudo e tratar
a "balsa" atraves de infusoes de
anti-septicos com ac;:aodeter-
gente e tintura de iodo a 2%,
concomitantemente a antibioti-
coterapia.
Nos casas em que a processo
ja esta organizado, pela forma<;ao
da capsula fibrosa, a tratamento
deve ser cirurgico, com a retirada
da "bolsa" purulenta sem que haja
ruptura e extravasamento do pus.
Ouando a processo se estende
ao segmento abdominal do cor-
dao umbilical, e ate a interior do
fig ad0, devido a nao regressao
neonatal da veia umbilical, fre-
quentemente a progn6stico tor-
na-se extremamente grave e a
eutanasia a unica indicac;:ao.
As septicemias sao caracte-
rizadas par um estado de inva-
sao de microorganismos na cor-
rente sangulnea, determinando
lesoes generalizadas em prati-
camente todos os 6rgaos, cons-
tituindo causa comum de morta-
lidade em potros neonatos.
Os potros podem estar expos-
tos a invasao de bacterias pato-
genicas, virus e, raramente, fun-
gas, principalmente devido a:
a. Problemas com a egua ges-
tante, tais como processos
placentarios, infecc;:oesvagi-
nais, c61icasno terc;:ofinal da
gestac;:ao,endotoxemias,esta-
dos febris e perdas significati-
vas de colostro antes do parto.
b. Problemas com a parto, como
distocias e parto induzido.
c. Problemas com 0 potro, nos
casas de reflexo de succ;:ao
ausente ou deficiente, ges-
ta<;ao prolong ada, prematu-
ridade e imaturidade.
d. Fatores ambientais em con-
dic;:aode falta de higiene du-
rante 0 parto, pouca venti la-
c;:ao,superpopulac;:ao e can-
tata com animais enfermos.
A maior incidencia de proces-
sos septicemicos ocorre em po-
tros prematuros que nascem fra-
cas, assim como em potros que
nao mamaram colostro au softe-
ram falencia parcial na transfe-
rencia passiva de imunoglobuli-
nas.Alguns potros prematuros e
estressados podem, eventual-
mente, apresentarem deficiencia
em adquirir nlveis imunol6gicos

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