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Enfermidades dos Cavalos - Armen Thomassian-ilovepdf-compressed.pdf

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(afec<;ao
primaria) e locais,consubstancia-
dos pelo hemograma, hemocul-
tura, analise laboratorial do liquido
sinovial, cultivo do liquido sinovial,
e exames de ultra-sonografia,
Raios-X e artroscopia
A poliartrite dos potros pode
ser c1assificada em 4 tipos (S,
E, PeT) tendo como base a
anamnese, os sinais c1inicos, os
achados radiograficos, os resul-
tados da hemocultura, 0 cultivo
do liquido sinovial e os achados
anatomopatol6gicos:
a. Tipo S: Presen<;a de sinovite
infecciosa sem comprometi-
mento de cartilagem e ossos.
b. Tipo E: Artrite septica com
evidencias de infec<;aoda re-
giao epifisaria, da cartilagem
e do osso subcondral.
c. Tipo P: Infec<;ao 6ssea adja-
cente a regiao metafisaria,
estendendo-se a articula<;ao.
d. Tipo T: Infec<;aodos ossos do
tarso concomitante a de ou-
tras articula<;6es,encontradas
preferencialmente em potros
prematuros e imuno-incom-
petentes passivos. Poderao
tambem apresentar osteomie-
lite neonatal, os ossos do car-
po e a metafise das costelas.
o tratamento de elei<;ao e 0
realizado pela aplica<;aode anti-
bi6ticos intra-articular atraves
da artrocentese ou depois de la-
vado articular, associado a anti-
bioticoterapia sistemica, deven-
do-se dar preferencia a antimi-
crobianos de amplo espectro,
caso nao tenha sido possivel 0
cultivo e antibiograma (amino-
glicosideos associados a penici-
lina; cloranfenicol; cefalospori-
nas, sulfa-trimetropim etc.).
A aplica<;aode drogas antiin-
flamat6rias nao ester6ides pode
ser realizada no sentido de ali-
viar a dor, reduzir a inflama<;ao
sinovial e a lesao da cartilagem.
Preferencialmente deve-se uti-
lizar 0 flunixin meglumine na do-
se de 1,1 mg/kg, durante 3 a 5
dias, uma vez ao dia, pela via in-
travenosa, por ser 0 menos ulce-
rogenico para potros.
Em razao da redu<;ao dos ni-
veis de acido hialur6nico no li-
quido sinovial comprometido pe-
la artrite infecciosa, a institui<;ao
de tratamento adjuvante com
drogas contendo hialuronato ou
outras glicosaminoglicanas, tem
possibilitado prevenir ou tratar
a doen<;a articular degenerativa
de forma satisfat6ria.
Caso as altera<;6es que 0 li-
quido sinovial apresentar ao
exame forem significativas, com
derrame sanguineo ou de as-
pecto turvo, fibrina em suspen-
sao, presen<;a de bacterias, pro-
teina > 4 g/dl e leuc6citos >
10.000 com 70% de neutr6filos,
convem instituir-se 0 lavado ar-
ticular, que e realizado com agu-
Iha de dupla via, inserida no es-
pa<;o articular, para infusao e
drenagem de solu<;ao fisiol6gi-
ca ou ringer com cerca de 2,0 9
de c1oranfenicol ou 100 a 150
mg de gentamicina.
Como em todo processo in-
feccioso, a cultura para 0 isola-
mento do agente etiol6gico e 0
antibiograma, proporcionam con-
di<;6espara se realizar um trata-
mento mais adequado, abrevian-
do a cura, alem de se tornar
menos dispendioso. A obten<;ao
de resultado negativo no cultivo
de rotina do liquido sinovial, nao
elimina a possibilidade de infec-
<;ao, devendo-se submeter a
amostra a meios especiais para
enterobacterias e anaerobiose.
o repouso deve ser instituido
para reduzir a possibilidade de
trauma sobre as estruturas articu-
lares comprometidas, podendo
ser acompanhado de penso com-
pressivo ap6s vigorosa massa-
gem diaria com pomadas iodeta-
das ou de a<;aoantiinflamat6rias.
o tratamento sistemico deve
ser mantido durante 3 a 4 sema-
nas, e 0 repouso no minimo por
90 dias.
1.14. Pneumonia por
Rhodococcus equi
em potros.
As pneumonias constituem a
grande causa de mortalidade en-
tre potros do segundo ao sexto
mes de vida.
Dentre os agentes causado-
res de pneumonias nos potros,
o Rhodococcus equi (antigo
Corynebacterium eqUl),tem sido
o responsavel por ocorrencias de
surtos epidemicos e situat;:oes
de graves endemias causado-
ras de grandes prejurzos a equi-
deocultura empresarial. Alem da
infee<;:aorespirat6ria, caracteriza-
da pela broncopneumonia absce-
dante, 0 R. equi pode, ainda que
ocasionalmente, ser oresponsa-
vel por linfangites,abscessos sub-
cutaneos, abscessos localizados
no mesenterio, diarreias, artrites
septicas, osteomielites e polissi-
novites auto-imune secundaria a
enterocolite.
o R. equi pode ser encon-
trado no solo seco, solo areno-
so, no ar sob a forma de aeros-
s6is, e no trato intestinal. Por
estas razoes, a imunocompe-
tencia do potro, constitui fator
fundamental na defesa de seu
organismo, impedindo a insta-
lat;:aoe desenvolvimento da in-
fec<;:ao, principalmente do se-
gundo ao quarto mes de vida,
ocasiao em que a imunidade
passiva come<;:adeclinar.
A infec<;:aopulmonar no po-
tro instala-se primariamente de-
vido a inala<;:aodo agente infec-
cioso, ou, mais raramente, con-
sequente a ingestoes repetidas,
por parte de potros neonatos co-
profagicos, de grande numero de
microorganismos do solo e de fe-
zes. Esta forma de infedar-se
(alimentar) pode ocasionalmente
restringir 0 processo somente ao
trato intestinal, desencadeando
colites e tiflites que resultam em
ulcera<;:oesda mucosa. Os pul-
moes apresentar-se-ao com
broncopneumonia supurativa,
com extensa absceda<;:aoasso-
ciada a linfadenite traqueobron-
quial. A infec<;:aopulmonar pode
ser superaguda e 0 potro mor-
rer sem apresentar sinais pre-
coces que evidenciem a doen-
<;:apulmonar. Em geral, os po-
tros manifestam dispneia que os
dificultam mamar mesmo estan-
do em repouso, alem de ficarem
debilitados e desorientados.
Com a evolu<;:aodo processo, a
temperatura retal podera atin-
gir 41 Co, elevar-se a frequen-
cia cardraca, podendo-se obser-
var, tambem, corrimento nasal
bilateral com caracterrsticas
Figura 1.9.
Abscessos pulmonares - Rhodococcus equi.
mucopurulenta, A tosse e bran-
da e profunda, nao tendo carac-
teristicas de crise,
Alguns potros poderao apre-
sentar cronificac;ao da doenc;a,
com exacerbac;ao dos sinais c1i-
nicos, desconforto abdominal e
extrema intolerancia a qualquer
tipo de exerdcio, Nestas cir-
cunstancias, pode ser frequen-
te a ocorrencia de efus6es pleu-
rais e abscessos a distancia,
agravando ainda mais 0 estado
geral do animal.
o diagn6stico baseia-se na
caracteristica epidemica ou en-
demica da doenc;a e nos sinais
c1inicos e ou anatomopatol6gi-
cos, A auscultac;ao pulmonar
pode revelar estertores, chia-
dos, sibilos, estalos, roces e
areas de silencio ou apenas
ruidos respirat6rios "rudes" com
reduc;ao dos sons do murmu-
rio vesicular. E: comum a aus-
cultac;ao pulmonar nao apre-
sentar resultados compatlveis
com 0 grau de severidade das
les6es que se desenvolvem nos
pulm6es, particularmente na
fase inicial de abscedac;ao, Por
esta razao, ap6s uma primeira
auscultac;ao do t6rax, tape as
narinas do animal por 10 a 15
segundos e repita a avaliac;ao,
Esta manobra deve ser cuida-
dosa, pois causa muito descon-
forto ao potro,
Laboratorialmente, os potros
com pneumonia por R. equi, de-
monstram leucocitose com neu-
trofilia e monocitose, alem de fi-
brinogenio elevado,
o exame radiografico e de
extrema importancia e de grande
Figura 1.10
Abscesso mesenterico - Rhodococus equi.
valor na avaliac;ao da gravidade
da pneumonia e orientac;aoda te-
rapia a ser utilizada, Os achados
de Raios-X poderao revelar des-
de discreto aumento difuso da
densidade pulmonar, ate nodula-
c;6esou les6es cavitarias de abs-
cedac;ao e linfoadenopatia tra-
queobronquial.
A ultra-sonografia do t6rax
e tecnicas de imuno-diagn6stico
(ELISA), embora fornec;am re-
sultados inconsistentes, podem
se utilizados na avaliac;ao do
quadro de infecc;ao.
o lavado traqueobronquial
ou 0 bronquioalveolar eo metodo
mais importante para 0 diagn6s-
tico de pneumonia por R, equi, e
pod era revelar a presenc;a de
formac;6es pleom6rficas intra-
celulares Gram-positivas em
cerca de 61% dos casos, 0 as-
pirado traqueobronquial devera,
ainda,ser cultivado em condic;6es
aer6bias e anaer6bias,

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