A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
537 pág.
Enfermidades dos Cavalos - Armen Thomassian-ilovepdf-compressed.pdf

Pré-visualização | Página 23 de 50

co<;aram. A prin-
cipio aparecem pequenas vesi-
culas que se rompem, deixando
crostas onde os pelos caem. As
areas de alopecia aumentam ra-
pidamente pela confluencia das
les6es, podendo, nestas regi6es,
a pele se apresentar espessada
e enrugada. 0 prurido e inten-
so, 0 que mantem 0 animal in-
quieto. 0 quadro e agravado
quando 0 cavalo e mantido em
Figura 2.29
Sarna psoroptica - pescoyo e torax.
Figura 2.30
Sarna sarcoptica - cernelha.
•
estabulos quentes e nos ani-
mais cobertos com mantas.
Podera haver transmissao
para 0 homem, embora de ca-
rater benigno e facil de ser
curada.
A Sarna Psor6ptica e pro-
duzida por um acaro diferente
do anterior. A infestac;:aoocorre
sempre pelo contato com outro
animal doente.
Ataca principalmente as re-
gi6es providas de pelos longos
como na base da cauda e crina,
e nas areas desprovidas de
pelos como mamas, prepucio e
regiao axilar e inguinal.
As les6es sac formadas par
crostas grandes e espessas,
ocorre alopecia alem de in-
tenso prurido. A pele das areas
afetadas pode se apresentar
espessada devido ao animal se
coc;:ar constantemente em
mour6es ou quinas de cochos
e portas de baia. 0 Psoroptes
equi quando ataca 0 pavilhao
auricular produz intensa irrita-
c;:aoe secrec;:6es acompanha-
das por sacudidas e fricc;:ao da
cabec;:a contra objetos. Algu-
mas vezes 0 ato de coc;:arpode
ocasionar sangramento que
atrai moscas e predisp6e a in-
fecc;:6essecundarias, levando a
otite externa.
A Sarna Cori6ptica ou a sar-
na da quartela se propaga por
camas sujas e tambem, embora
menos frequente, de animal pa-
ra animal. E transmitida atraves
de materiais de limpeza como
panos, escovas e raspadeiras.
Ataca preferencialmente a face
posterior da quartela, nos mem-
bros posteriores, produzindo le-
sac semelhante a Dermatite da
Ouartela. As les6es sac em for-
ma de crostas com areas de alo-
pecia e intenso prurido local. Os
cavalos permanecem inquietos,
pateiam 0 solo com frequencia,
e, as vezes, procuram alcanc;:ar
a quartela com os dentes para
se coc;:arem.
o diagnostico, como nas de-
mais sarnas, e feito pelo ras-
pado de pele examinado ao mi-
croscopio.
o tratamento geral das sar-
nas deve ser realizado com pro-
dutos de atividade acaricida co-
mo coumaphos ou este associa-
do ao triclorfom, na concentra-
c;:aode 0,2% a 0,5%, ou 0 ami-
traz a 12,5%. Por ser bastante
toxico, 0 amitraz deve ser dilufdo
na base de 4 a 8 cm3 por litro
de agua, preparando-se ao re-
dor de 5 litros de soluc;:aopara
cada banho, ou confQrme a con-
centrac;:ao de apresentac;:ao do
produto. Independentemente do
principio ativo utilizado, de 1 ba-
nho por semana, totalizando
quatro banhos. Apos 0 segundo
banho,o pelo comec;:araa cres-
cer e a pele se recuperar. Caso
nao ocorra recuperac;:ao total,
pode-se instituir uma nova serie
de quatro banhos, iniciando-se
uma seman a apos 0 termino da
primeira serie.
Outros parasitos externos
como 0 piolho mordedor (Oa-
mal(nia equi) e 0 piolho chu-
pador de sangue (Haemato-
pinus asini) ocorrem mais rara-
mente. 0 tratamento pode ser
o mesmo.
2.12. Fotossensibilizac;ao
(dermatite solar).
A fotossensibilizac;:ao e ca-
racterizada por uma dermatite
que se desenvolve pela ac;:aode
agentes fotodinamicos ingeri-
dos pelos animais.
Muito embora 0 processo
esteja bem caracterizado e
estudado em ovinos e bovinos,
nos equinos ainda nao se tem
uma absoluta identificac;:ao de
sua etiopatogenia, acreditando-
se, entretanto, que seja seme-
Ihante a que ocorre em outras
especies. A utilizac;:ao da Bra-
chiaria humid(cola para a ali-
mentac;:aoextensiva de equinos,
em algumas regi6es do Brasil
- cerrados e regiao norte -
como unica fonte de alimento
volumoso, tem se constitufdo
como a principal causa de fo-
tossensibilizac;:ao hepatogena
nesta especie. Outros aspectos
que tambem devem ser levados
em considerac;:ao, e que a Bra-
chiaria humid(cola configura-se
como uma especie vegetal de
ma qualidade nutricional para
cavalos, com baixos teores de
protefnas e minerais, alem de
apresentar elevada concentra-
c;:aode oxalatos.
A fotossensibilizac;:ao hepa-
togena ou secundaria, desen-
volver-se quando 0 f1gado e le-
sado pela ac;:ao de toxinas -
fungos ou plantas toxicas - pre-
judicando a func;:aode desintoxi-
cac;:aodo organismo. Neste sen-
tido, a lesao hepatica instalada,
faz com que haja reduc;:aoou ate
obstruc;:aodo fluxo de bile que e
/
Figura 2.31
Dermatite solar (fotossensibiliza«ao)
- area de transi«ao de pigmenta«ao da pele -
Figura 2.32
Dermatite solar (fotossensibiliza«ao).
rica em filoeritrina, produto final
do metabolismo da c1orofila.Por
esta razao, a filoeritrina se acu-
mula no tecidos, atingindo niveis
cutaneos que tornam a pele
sensivel a luz.
Clinicamente, a fotossensi-
biliza<;ao manifesta-se em re-
gi6es despigmentadas do cor-
po do animal, principalmente no
focinho ("chanfro"), narinas, pal-
pebras, pavilhao auricular e bo-
letos, com delimita<;ao evidente
com as areas nao afetadas e
pigmentadas.
as animais apresentam, ain-
da, emagrecimento progressivo,
perda de brilho e queda de
pelos, "ressecamento" da pele,
epifora, e conjuntivas e muco-
sas idericas nos quadros carac-
teristicos. as primeiros sinais c1i-
nicos manifestam-se por eri-
tema seguido de edema e dis-
creto prurido, sendo que os ca-
sos mais graves podem evoluir
para papula, piodermite e ne-
crose da pele. as cavalos po-
dem ficar irrequietos e trauma-
tizarem as areas lesadas ao
co<;arem-se em objetos, agra-
vando ainda mais 0 quadro.
a diagn6stico e estabelecido
pela apresenta<;aoc1inicado pro-
cesso, e a possibilidade de inges-
tao de agentes fotodinamicos,
alem de provas de fun<;aohepati-
ca, como AST e GGT.
A primeira providencia a ser
tomada para que 0 tratamento
seja conduzido adequadamente,
e a de impedir que 0 animal
permane<;a exposto a luz solar
direta, alojando-o em boas con-
di<;6esde higiene, e impedindo-
II
ode ingerir substancias sabida-
mente fotossensibilizantes. Dro-
gas tr6ficas ao metabolismo he-
patico, como glicose e metioni-
na, embora de a~ao controver-
tida como hepatoprotetoras, po-
dem ser aplicadas pela via in-
travenosa, 1 vez ao dia durante
2 a 3 dias. Prometazina na dose
de 0,1 a 0,5 mg/ kg, 2 vezes ao
dia, alivia a sensa~ao de des-
conforto cutaneo e acalma 0
animal nas fases iniciais do pro-
cesso. A institui~ao de fluido-
terapia eletrolitica e de cortico-
terapia sistemica, podera ser
adotada para os casos mais gra-
ves em que haja intensa mani-
festa~ao inflamat6ria cutanea.
o tratamento local podera
ser realizado com pomadas con-
tendo cortic6ides associ ados a
neomicina, sendo prudente a
administra~ao de antibioticote-
rapia sistemica quando se tem
instalada uma piodermite.
A calcinose circunscrita ou
calcinose tumoral e caracteriza-
da pela presen~a de massa den-
sa, calcificada, que pode medir
ate 10 centlmetros de diame-
tro, localizada junto a face late-
ral da articula~ao femorotlbio-
patelar.
Muito embora a etiologia da
calcinose nao seja bem conhe-
cida, acredita-se que traumas
frequentes e repetidos sobre a
regiao podem ser os causado-
res do processo.
Clinicamente, 0 que se ob-
serva e 0 aumento de volume
localizado no subcutaneo da
face lateral da articula~ao
femorotlbio-patelar, duro a pal-
pa~ao e m6vel. 0 cavalo, nor-
malmente, nao apresenta qual-
quer sinal de c1audica~ao ou de
manifesta~ao dolorosa local,
mesmo a palpa~ao profunda.
Radiograficamente pode-se
bbservar massa oval,com bordas
irregulares, com radiodensidade
similar a camada cortical do ossa,
o tratamento consiste na re-
mo~ao cirurgica, porem,justifica-
vel somente quando a animal
venha a apresentar c1audica~ao
decorrente do processo, 0 que e
raro, ou quando a aumento de
volume possa comprometer es-
teticamente a regiao.
Figura 2.33

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.