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APOSTILA DIGITAL Linguagem Movimento 2 UNIDADE 1 Definições Professora Eliza Loechel Sviontek Professor Fabricio Kupczik Ementa Compreensão da importância do movimento na comunicação e na expressão das crianças de 0 a 5 anos. Prática e/ou vivência de movimentos na Educação Física. Relação existente entre espaço físico e movimento. Definição de movimento A Educação Infantil como primeira etapa da educação básica deve garantir a prática de atividades educativas, contribuindo assim para o desenvolvimento integral das crianças, de suas identidades, bem como a capacidade de crescimento como cidadãos, pela socialização e ampliação dos conhecimentos referentes à realidade social e cultural na qual estão inseridas. O movimento humano sempre foi objeto de estudo como uma função. Tanto que algumas obras chegaram a criar uma diferença de categorias entre movimento e ação motora. Diante desse conceito, o movimento é compreendido como o aspecto externo e visível de uma atividade física, e a ação motora envolve o caráter interno ou as modificações que foram processadas para que aquele movimento fosse possível. A evolução nos estudos mudou essa compreensão sobre o movimento e deu origem a uma visão pessoal-situacional. O movimento não é apenas a reprodução de uma ação motora, mas um acontecimento reacional e dialógico. Trata-se de uma relação entre o ser humano e o ambiente em que ele se encontra, com o intuito de realizar uma ação ou uma mudança. A compreensão dessa subjetividade do movimento é fundamental para o entendimento da relação de seu estudo com o esporte. Inicialmente utilizada nos esportes individuais, a análise da ação motora foi uma adição da preparação de atletas para aprimorar sua atuação funcional e harmonizar cada uma de suas decisões durante um jogo. Assista ao Vídeo , publicado em 25/07/2012. O Doutor em Educação Física Marco Santoro fala sobre corpo e movimento nas instituições escolares. Objetivo geral da Educação Infantil Promover a interação do desenvolvimento das capacidades de ordem física, afetiva, cognitiva, saúde, ética, estética, de relação interpessoal e inserção social das crianças, considerando-se os diferentes interesses e as maneiras de aprender no desenvolvimento de cada habilidade. Competências a serem adquiridas na Educação Infantil A criança comunica e expressa conhecimentos, emoções, sentimentos e desejos por meio de múltiplas linguagens. Nesse sentido, o trabalho educativo na Educação Infantil, que tem por finalidade o desenvolvimento integral da criança, precisa considerar e valorizar as diferentes linguagens utilizadas por ela na expressão e comunicação com o outro e com o meio em que está inserida. Dentre essas linguagens, destacamos o movimento do corpo, que propicia conhecimento de mundo, expressão do pensamento da criança, suas ações e as relações com pessoas e objetos. Competências em linguagem e movimento • Ampliação das possibilidades expressivas do próprio movimento, utilizando gestos diversos e o ritmo corporal em brincadeiras, danças, jogos e demais situações de interação; • Exploração de diferentes qualidades e dinâmicas do movimento, com força, velocidade, resistência e flexibilidade, conhecendo gradativamente os limites e as potencialidades do seu corpo; • Controle gradual do próprio movimento, aperfeiçoando-se aos recursos de deslocamento e ajustando suas habilidades motoras para utilização em jogos, brincadeiras, danças e demais situações; • Utilização dos movimentos de preensão, encaixe, lançamento para ampliar suas possibilidades de manuseio de diferentes materiais e objetos; • Apropriação progressiva da imagem global do seu corpo, conhecendo e identificando seus segmentos e elementos, e desenvolvendo cada vez mais uma atitude de interesse e cuidado com o próprio corpo. Conceito de Educação Física Área do conhecimento que, no contexto escolar, aborda elementos da cultura corporal, entendendo-se por esse termo os conhecimentos acerca do movimento historicamente construído e socialmente transmitido. O principal questionamento quando trabalhamos com o planejamento curricular é o seguinte: Como organizar os conteúdos da educação física escolar? O primeiro passo ao qual devemos no dedicar é o de uma visão macro da área. Os Parâmetros Curriculares Nacionais definem como blocos (a) esportes, jogos, lutas e ginásticas; (b) atividades rítmicas e expressivas e (c) conhecimento sobre o corpo. Ou seja, os eixos norteadores da educação podem ser: jogos, ginásticas, lutas, dan- ças, conhecimento sobre o corpo. 3 Educação Infantil (PCN) A educação infantil tem como finalidade o desenvolvimento integral de crianças até seis anos de idade em seus aspectos físicos, psicológicos, intelectuais e sociais, a fim de complementar a ação da família e da comunidade. (Lei 9394/96 artigo 29). Com base nessa lei a Educação Infantil vem evoluindo tanto em conhecimento como em atendimento fora do ambiente familiar. A educação na pré-escola cada vez mais se torna um investimento para o desenvolvimento da criança desde os primeiros anos de vida até o ingresso da escolarização no 1º ano. As características da educação infantil condicionam as atividades das crianças às rotinas, às dimensões relacionais, ao domínio da língua falada, à cultura e como são criados. A proposta pedagógica na pré-escola deve ser interpretada aos interesses imediatos das crianças e aos saberes já construídos por elas, além de garantir o direito à infância da criança. A Lei das Diretrizes e Bases promulgada em 20 de Dezembro de 1.996 busca transformar o caráter que a Educação Física assumiu nos últimos anos, no art. 26, “a Educação Física ajustando-se às faixas etárias e às condições da população escolar, sendo facultativa nos cursos noturnos”, ou seja, a Educação Física deve ser exercida em toda a escolaridade e proporcionar a integração a um projeto pedagó- gico em todas as faixas etárias e em todas as escolas. Os Parâmetros Nacionais Curriculares para Educação Infantil se constituem num referencial de qualidade em todo o País. Configuram uma proposta flexível e respondem às necessidades regionais, a partir das quais o sistema educacional do país se organize para garantir que sejam respeitadas as diversidades culturais, religiosas, étnicas e políticas. Concepção – processos O trabalho na área da Educação Física tem seus fundamentos e suas concepções de corpo e movimento, considerando as dimensões sociais, políticas e afetivas que irão se interagir no desenvolvimento social e como cidadão. A proposta dos Parâmetros Curriculares Nacionais adotou um sistema fisiológico que se relaciona dentro de um contexto sociocultural entendendo-se a Educação Física como uma cultura corporal. Cultura é um conjunto de códigos simbólicos reconhecíveis pelo grupo, ou seja, um indivíduo é formado por esses códigos durante sua infância, apreende os valores desse grupo e mais tarde o introduz nas obrigações da sua vida adulta. A concepção dessa cultura corporal incorporada pela Educação Física tem como conteúdos jogos, esportes, danças, ginástica e lutas, tendo em comum a representação corporal com características lúdicas. Cada uma dessas manifestações age como benefício fisiológico e psicológico e suas possibilidades como instrumentos de comunicação, expressão, lazer e cultura formulam as propostas pedagógicas para a Educação Física escolar. É de fundamental importância esclarecer os objetivos da Educação Física escolar e os objetivos no esporte, na ginástica, nas lutas, pois servirão apenas como instrumentos de trabalho e como referências. O profissionalismo jamais deve ser meta principal da escola. A educação Física terá que dar oportunidades a todos os alunos e isso se deve também aos alunos portadores de deficiências físicas, os quais não poderão ser privados das aulas. Portanto, a Educação Física escolar tem como tarefa garantir que o aluno tenha práticas de cultura corporal e contribuir para a construção do cidadão. Concepção – constituição de vínculos Com a Educação Física, as práticas corporais permitem que a crianças experimenteme se expressem num conjunto de características de personalidade e estilo pessoal. Brincar, jogar, correr e dançar são práticas por meio das quais as crianças podem interagir umas com as outras para se conhecerem. Esses vínculos constituídos darão origem a um conjunto de características de personalidade, como um é e o outro é, o que um gostaria de ser, como outro imaginaria ser. A interação entre os adultos é muito importante, pois as crianças acabam copiando tudo o que os adultos fazem. Os cuidados com o conforto e as trocas de vestuário vão atribuir referências básicas sobre o próprio corpo, e na faixa de zero a seis anos os cuidados essenciais assumem um caráter prioritário na educação da criança. Em relação à postura diante dos adversários, valorizam-se atitudes de solidariedade, respeito e dignidade, levando em conta sempre a humildade, principalmente nas vitórias, e o saber lidar com as derrotas. A Educação Física escolar possibilita uma análise crítica de valores sociais como beleza e saúde que se tornam dominantes na sociedade – exclusão social – ajuda e possibilita atuação no meio social. Com as práticas corporais o educador consegue trabalhar com a exclusão e discriminação social e as faz interagir por meio do esporte, da dança e das lutas, sempre com respeito ao próximo. Concepção – expressão da sexualidade Em sua concepção de consciência corporal a criança começa a reconhecer a imagem de seu corpo principalmente por meio dessas interações entre brincadeiras e jogos. Nessas situações as crianças apreendem a reconhecer suas características físicas, o que é de fundamental importância para a própria identidade. Nas brincadeiras do faz de conta o professor de Educação Física desenvolve importante papel, uma vez que observa as crianças e suas diferentes situações, pois revivem cenas e gestos que acabam vivenciando em diferentes lugares. Nessa situação a observação desempenha um importante papel. O conhecimento sobre o corpo é um processo natural da criança e o desenvolvimento das práticas corporais vai ajudá-las no cultivo de bons hábitos a lidar com elas mesmas. A formação de autocuidado e de construção de relações pessoais colabora para que a dimensão da sexualidade seja integrada de maneira prazerosa e segura. As convivências entre meninos e meninas faz com que aprendam uns com os outros e compreendam a diferenças entre eles. O professor de Educação Física tem que estar atento a tudo e tomar cuidado, principalmente com jogos e brincadeiras que compõem o repertório infantil, pois essa fase é muito delicada para a criança. 4 A recepção dos adultos diante das curiosidades e das perguntas ligadas à sexualidade podem suscitar diferentes reações nas crian- ças, desde atitudes de provocação e exibicionismo até atitudes de extremo retraimento e culpa. Nos jogos, nas lutas e na dança as crianças interagem umas com as outras e desenvolvem o respeito mútuo, buscando participar sempre de forma amigável. Aprendizagem Na educação básica, os jogos motores e as brincadeiras que completam a progressiva coordenação dos movimentos e o equilíbrio são de extrema importância. Os jogos apresentam regras e oportunidades de aprendizagem, principalmente culturais e sociais, pois atividades físicas e jogos lúdicos fazem com que as crianças colaborem umas com as outras, respeitem as regras e aprendam a competir de forma saudável e amigável. A atividade física envolve descoberta e exploração, capacitando-as fisicamente, gera também emoções, afetos, sentimentos e prazer. O educador deve proporcionar sempre experiências, organizando um ambiente que proporcione às crianças experiências e descobertas, desenvolva capacidades corporais de equilíbrio e coordenação além de desenvolver habilidades. É importante levar em consideração a cultura que envolve o redor da criança, pois são inúmeros os jogos existentes nas diferentes regiões do Brasil. Cabe ao professor fazer um levantamento desses jogos para obter um interesse certo na criança. Objetivos A prática educativa deve ser organizada e dividida por faixas etárias. 0 a 3 anos • Desenvolver expressão, sensações e ritmos corporais por meio de gestos, posturas e linguagem oral; • Explorar capacidades motoras e de equilíbrio explorando atitudes de autoconfiança e interação com as demais crianças; • Familiarizar-se com sua imagem e descobrir sua identidade. 4 a 5 anos • Ampliar as possibilidades expressivas do próprio corpo; • Conhecer habilidades na utilização de jogos lúdicos, brincadeiras, danças, lutas e demais situações; • Desenvolver atitudes de interesse e cuidado com o próprio corpo; • Explorar qualidades de movimento como força, velocidade, resistência e flexibilidade, conhecendo limites e potência do próprio corpo. Conteúdos Aprender a conhecer o próprio corpo Favorecer o acesso a práticas pedagógicas relacionadas ao movimento para que a criança tenha oportunidades de conhecimento de seu corpo e das possibilidades de sua movimentação, desenvolva sua autonomia e identidade corporal. Explorar as possibilidades de gestos e ritmos corporais e utilizá-los em situações de interação Possibilitar a utilização do movimento como forma de linguagem da criança, propiciando expressão, comunicação e socialização. Relação da leitura e escrita com o universo da Educação Física Promover a apropriação, produção e ampliação de saberes sobre as manifestações da cultura infantil, por meio de práticas de movimento. Organização pedagógica do movimento na Educação Infantil Partindo do pressuposto de que a prática pedagógica com o movimento deverá proporcionar à criança o conhecimento de seu corpo e das suas possibilidades de movimentação, o domínio de formas de expressão e comunicação e, como consequência, a apropriação/ampliação de saberes das práticas de movimento da cultura infantil, propomos a organização deste trabalho em torno de três eixos, os quais são sugeridos por Garanhani (2002): 1. Autonomia e identidade corporal Refere-se às aprendizagens que envolvem o corpo em movimento para o desenvolvimento físico-motor, proporcionando assim o domínio e a consciência do corpo, condições essas necessárias para a autonomia e a formação da identidade corporal infantil. 2. Socialização Implica na compreensão de movimentos do corpo como uma forma de linguagem, utilizada na e pela interação com o meio social. 3. Ampliação do conhecimento das práticas corporais infantis Envolve aprendizagens das práticas de movimentos que constituem e ampliam a cultura infantil na qual a criança se encontra inserida. Os três eixos citados se integram no fazer pedagógico da educa- ção infantil, em que há predominância de um sobre o outro, conforme as características de cuidado/educação presentes em cada idade. Portanto, um eixo não exclui o outro, eles se complementam, conforme orientação de GARANHANI (2004) representada nesta imagem: DON PABLO/SHUTTERSTOCK Movimento Autonomia e identidade corporal Ampliação do conhecimento das práticas corporais infantis Socialização Cadernos Pedagógicos Curitiba Educação Infantil – Linguagem Movimento. Página 14. 5 Para levar as crianças à descoberta dos movimentos fundamentais – fases: inicial, elementar e madura (GALLAHUE e OZMUN, 2003, p. 100), deve-se desenvolver o maior número possível de vivências e variações e procurar levar os alunos a perceber as condições motoras. RIVAN MEDIA/SHUTTERSTOCK Os Estágios do Desenvolvimento Motor Períodos aproximados de idade de desenvolvimento Utilização recreacional vitalícia Utilização competitiva vitalícia Utilização diária vitalícia Fase Motora Especializada 14 anos de idade e acima Estágio de utilização vitalícia 1 a 2 anos de idade Nascimento até 1 ano de idade 4 meses a 1 ano de idade Dentro do útero até 4 meses de idade 6 a 7 anos de idade 4 a 5 anos de idade 2 a 3 anos de idade 11 a 13 anos de idade 7 a 10 anos de idade Estágio pré-controlado Estágio de decodificação de informações Estágio de inibição de reflexos Estágio de codificação de informações Estágio maduro Estágio de transição Estágio inicial Estágio de aplicação Fase MotoraFundamental Estágio elementar Fase Motora Rudimentar Fase Motora Reflexiva Modelo Desenvolvimentista de Gallahue (2003) Componentes relacionados à aprendizagem de movimentos Físicas (Força, velocidade, flexibilidade, equilíbrio, coordenação, ritmo, agilidade, entre outros) Perceptivomotoras (Percepções sensoriais – visual, auditiva, olfativa e cinestésica. Lateralidade, esquema corporal, organização e orientação espacial, organização e orientação temporal organização e orientação espaçotemporal, entre outros) Capacidades (Desenvolvimento) Habilidades (Aprendizagem) Locomoção (Andar, correr, saltar, rastejar, subir, descer, entre outros) Equilíbrio (Apoiar, empurrar, girar, entre outros) Manipulação (Pegar, lançar, chutar, rebater, entre outros) Cadernos Pedagógicos Curitiba Educação Infantil – Linguagem Movimento. Página 17. 6 UNIDADE 2 Habilidades motoras básicas Nesta unidade veremos algumas Habilidades Motoras Básicas, e para começar, que tal ver esse quadro com as categorias das habilidades fundamentais de movimento? HABILIDADES MOTORAS MANIPULATIVAS HABILIDADES MOTORAS DE LOCOMOÇÃO HABILIDADES MOTORAS DE EQUILÍBRIO Arremessar Andar Curvar-se Quicar Correr Alongar-se Chutar Saltar Contorcer-se Lançar Saltitar Virar Rebater Escorregar Balançar Cabecear Escalar Apoios invertidos Agarrar Rolar-se Rolamento do corpo Rolar Desviar Cair/parar Pegar Pular em um pé só Esquivar-se Receber Galopar Equilibrar-se Voleio com as mãos e pés Impulsionar-se Segundo Luiza Andrade, da revista Nova Escola, para crianças entre 2 e 3 anos, a vivência lúdica é o ponto forte. O importante é deixar os pequenos se divertirem, oferecendo desafios adequados à faixa etária. O controle motor ainda é restrito. Dá para brincar de caracol, por exemplo, porém sem exigir pulos em um pé só ou percursos muito longos, diz Ana Paula Yazbek, capacitadora de professores do Centro de Estudos da Escola da Vila, em São Paulo. A mesma autora nos diz que na Educação Infantil, embora a ênfase no movimento siga dando o tom do trabalho, as regras também ganham destaque. Já é possível pedir o cumprimento de normas elaboradas, que necessitem de mais concentração e raciocínio. É importante, contudo, sempre considerar o nível da turma e ficar atento à diversidade. Se o jogo ou as regras forem muito fáceis ou difíceis demais, o interesse da turma cairá. É preciso encontrar o equilíbrio e saber que algumas crianças não responderão de pronto a todas as regras, explica Marcelo Jabu, educador e autor dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) de Educação Física. Desenvolvimento motor É a contínua alteração no comportamento motor ao longo do ciclo da vida, proporcionada pela interação entre as necessidades da tarefa, a biologia do indivíduo e as condições do ambiente. (GALLAHUE; OZMUN, 2005). Portanto, o desenvolvimento motor • é uma área de estudo que está situada nos procedimentos adotados na Linguagem Movimento; • auxilia na utilização de técnicas embasadas no processo de evolução do ser humano; • fornece dados e conhecimento para a aplicação de programas motores para todas as atividades; • relaciona o amadurecimento do ser humano com a evolução dos padrões motores; • Explica as diferenças motoras entre os sujeitos. Pirâmide do desenvolvimento motor – modelo desenvolvimentista proposto por Gallahue (2003) ALEKSANDR BRYLIAEV/SHUTTERSTOCK Fase Motora Especializada 01 de 7 a 14 anos 02 03 04 Fase Motora Fundamental de 2 a 7 anos Fase Motora Rudimentar de 0 a 2 anos Fase Motora Refl exiva de 0 a 1 ano Fase motora refl exiva (de 0 a 1 ano) Envolve as primeiras formas de movimento humano. São os movimentos involuntários, controlados subcorticamente – formam a base para as fases do desenvolvimento motor. Por meio 7 dos reflexos a criança recém-nascida obtém informações sobre o ambiente imediato (toque, luz, sons, etc.). Esses movimentos involuntários e a maturação do sistema nervoso, nos primeiros meses de vida, ajudam a criança a aprender sobre seu corpo e sobre o mundo. Os reflexos podem ser classificados em dois grupos: 1. Primitivos: agrupam informações, buscam alimentos e rea- ções protetoras. Exemplos: sugar, pesquisar pelo olfato. 2. Posturais: servem como equipamentos de teste neuromotores para os mecanismos estabilizadores, locomotores e manipulativos. Exemplos: reflexo primário de pisar, arrastar. Esses reflexos estão intimamente ligados ao comportamento voluntário, mais tarde serão conscientes. Fase motora rudimentar (de 1 a 2 anos) Caracteriza-se pelo aparecimento dos primeiros movimentos voluntários – é a fase dos movimentos rudimentares. Os movimentos rudimentares são determinados de forma maturacional e caracterizam-se por uma sequência de aparecimento previsível. O nível com que essas habilidades aparecem varia de acordo com a criança e depende de fatores biológicos, ambientais e da tarefa. O controle é o encéfalo caudal, em que a criança sustenta a cabeça e levanta os pés, depois passa para o estágio do pré-controle, com a preensão intencional, o gatinhar e o andar. Envolvem movimentos estabilizadores como o controle da cabeça, pescoço; tarefas manipulativas de alcançar, agarrar e soltar e movimentos locomotores de arrastar-se, engatinhar e andar. Pode ser dividida em dois estágios: 1. Inibição de reflexos: inicia-se com o nascimento. A partir daí os movimentos do bebê começam a ser influenciados pelo córtex. Então os reflexos começam a ser inibidos gradativamente, até que sejam substituídos por movimentos voluntários, mas descontrolados e grosseiros (o processo de movimentar-se é voluntário, mas apresenta falta de controle). 2. Pré-controle: por volta de 1 ano de idade, a criança começa a ter maior precisão e controle de seus movimentos. Com isso, aprende a obter e manter seu equilíbrio, manipular objetos e locomover-se com maior eficiência e controle. A fase de movimentos rudimentares desempenha um importante papel na vida da criança, pois é quando ela passa a desenvolver as habilidades motoras fundamentais. Fase fundamental (de 2 a 7 anos) A criança em idade pré-escolar desenvolve movimentos básicos que serão necessários para o desenvolvimento posterior de outras habilidades motoras. Essa fase é o período mais crítico para que as formas motoras básicas sejam desenvolvidas corretamente. Os padrões de movimento não são inatos, mas sim adquiridos com o tempo e a vivência. Esse processo inicia-se em casa, nas brincadeiras realizadas no dia a dia e, portanto, a criança chega à escola dominando-os parcialmente. Para que ela possa se aperfeiçoar, as atividades realizadas devem buscar o desenvolvimento desses padrões por meio de jogos e brincadeiras que envolvam os movimentos fundamentais. É importante salientar que a acelera- ção do processo de aprendizagem de um movimento básico (desenvolvimento precoce) pode causar insucessos futuros. Deve-se respeitar os limites das crianças e jamais forçá-las a fazer alguma atividade sem que estejam preparadas para isso. Um ambiente planejado adequadamente, no lar, num centro de aprendizagem infantil ou num jardim de infância, pode assegurar o domínio das formas motoras básicas num estágio ótimo. Mas se esse nível ótimo do desenvolvimento não for alcançado, uma aprendizagem terapêutica terá que ser planejada, consequentemente, não haverá garantia quanto ao comportamento motor da criança em ser tão completo quanto eficiente no futuro. Padrões fundamentais do movimento Padrões de locomoção Permitem a exploração de todo o ambiente e incluem atividades como andar, correr, saltar e suas variações, além de todos os movimentos que deslocam o corpo no espaço. Padrões de manipulação Envolvem o relacionamento do indivíduo com os objetos que estão à sua volta. Podemos dividi-los em dois tipos de ações: no primeiro, o objeto aproxima-se do corpo da pessoa e esta deve interromper a sua trajetória. No segundo, o objeto deve ser afastado do corpo da pessoa, com o auxílio do próprio corpo ou com a utilização de outro objeto. Estão incluídos nesse grupo atividades como receber, pegar, arremessar, rebater, chutar, entreoutras. Padrões de equilíbrio Permitem às pessoas manter a postura do corpo no espaço e estão relacionados com as forças que a gravidade exerce sobre o corpo. Embora suas posições sejam estáticas, esses padrões são importantes para os padrões de locomoção e manipulação, porque o equilíbrio auxilia na coordenação do movimento durante uma ação. Como exemplos de padrões de equilíbrio, podemos citar ficar em pé, sentar, equilibrar-se, etc. Os movimentos estão divididos em 3 estágios: 1. Inicial Representa as primeiras tentativas da criança orientadas para o objetivo de desempenhar uma habilidade fundamental. O movimento é caracterizado por elementos que faltam ou que são sequenciados e restritos, pelo uso exagerado do corpo e por falhas na coordenação e no ritmo. Os movimentos locomotores, manipulativos e estabilizadores da maioria das crianças de 2 anos, estão nos níveis iniciais. 8 2. Elementar Envolve maior controle e melhor coordenação rítmica dos movimentos fundamentais. Melhora a sincronia espaço-temporal, mas os movimentos ainda são restritos ou exagerados, embora mais coordenados. Muitas crianças de 3 a 4 anos de idade apresentam movimentos no estágio elementar. Muitos adultos e crianças não vão além do estágio elementar em muitos padrões de movimento. 3. Maduro É caracterizado por desempenhos eficientes, coordenados e controlados. A literatura sugere que as crianças atinjam o estágio maduro por volta de 5/6 anos. As habilidades manipulativas desenvolvem um pouco mais tarde em função das exigências visuais e motoras mais sofisticadas. A) Atividades de locomoção Atividade 01 – pega-pega com fantoches As crianças iniciarão a atividade com uma música que falará sobre animais e elegerão um deles, o lobo, como o primeiro a pegar os demais. A criança que estiver de posse desse fantoche será o pegador. Em seguida, o professor modificará a história, devendo inserir progressivamente outros personagens por meio dos fantoches. As crianças passarão a participar do jogo, interagindo com os colegas e com o material. Neste momento, o desafio é possibilitar outras descobertas de movimento, além do contato corporal entre as crianças. Objetivos • Interagir com as demais crianças por meio do jogo pega-pega; • Vivenciar diferentes possibilidades de movimentar-se; • Identificar os movimentos dos personagens inseridos nas histórias. Recursos Aparelho de som, CDs com músicas infantis, fantoches. Atividade 02 – pegador do cavaleiro O cavaleiro deverá utilizar um arco como cavalo, posicionando-se dentro de um gol. Ao sinal do professor, ele sairá galopando em direção aos outros, tentando alcançar um aluno, que retornará junto ao primeiro cavaleiro para dentro do gol, pegando outro arco que se transformará em cavalo. Objetivos • Interagir com as demais crianças por meio do jogo pega-pega. • Vivenciar diferentes possibilidades de movimentar-se. • Identificar os movimentos dos personagens inseridos nas histórias. Recursos Arcos Atividade 03 – macaco Simão Inicialmente realizar uma roda de conversa para apresentar o fantoche de um macaco e explicar como ocorrerá a atividade. Posteriormente, o professor, com auxílio do fantoche, dará alguns comandos, que deverão ser representados corporalmente pelas crianças, por exemplo, macaco Simão mandou... • ... bater os pés. • ... erguer as mãos. • ... bater palmas. • ... abraçar o colega. • ... engatinhar. • ... colocar as mãos na cabeça. • ... colocar as mãos nos joelhos. • ... formar uma roda. • ... esconder as mãos. Objetivos • Vivenciar e descobrir novas possibilidades de movimento do próprio corpo. • Interagir com outras crianças por meio do movimento. Recursos Fantoche de macaco B) Atividades de manipulação Atividade 01 – brincadeiras com bexigas As crianças se espalharão pela sala com suas bexigas e realizarão o reconhecimento e a livre exploração do material. Num segundo momento, executar movimentos que elas próprias e o educador sugerirem, tais como: • lançar para cima. • chutar com um pé e depois com o outro. • bater a bexiga com a cabeça. • jogar para outra criança. • girar a bexiga segurando com uma mão e depois com a outra. • indicar as partes do corpo utilizando a bexiga. • andar com a bexiga entre as pernas. • dançar livremente segurando ou lançando a bexiga para cima. • equilibrar a bexiga em diversas partes do corpo. • alongar músculos do corpo segurando a bexiga. 9 Objetivos • Conhecer e realizar movimentos com as diferentes partes do corpo; • Desenvolver o equilíbrio, a lateralidade, a coordenação motora ampla e o ritmo. Recursos Bexigas, aparelho de som, CDs com músicas infantis. Atividade 02 – brincadeiras com saquinhos Primeiramente, possibilitar às crianças a exploração dos saquinhos. Desse modo, a vontade delas em manipular o material poderá ser contornada, o que contribuirá para o aproveitamento da atividade. As crianças deverão brincar livremente, reconhecendo e descobrindo as possibilidades de movimento com esse material. Esse primeiro contato deverá ser um momento de descoberta. As crianças irão querer saber o que tem dentro do saquinho, perceber o peso, o tamanho, o cheiro, entre outros questionamentos, será um momento muito importante da atividade, principalmente como estratégia didática de reconhecimento e exploração do material por elas. Em seguida, desenvolver as seguintes propostas de movimentação: • lançar o saquinho com as duas mãos e pegar com as duas. • lançar o saquinho com uma mão e pegar com as duas. • lançar o saquinho com uma mão e pegar com ela mesma. • lançar o saquinho com uma mão e pegar com a outra. • lançar o saquinho para cima e dar um giro antes de pegá-lo. • lançar o saquinho para cima e bater palma antes de pegá-lo. • lançar o saquinho para frente, para trás e por debaixo das pernas. • equilibrar o saquinho em partes do corpo solicitadas. • com o auxílio de música, tocar diferentes partes do corpo. Objetivo • Reconhecer as partes de próprio corpo, adquirindo consciência das possibilidades de sua movimentação e descobrindo outras. Recursos Saquinhos de TNT ou tecido preenchidos com sementes de pain- ço, areia, etc., aparelho de som, CDs com músicas infantis. Atividade 03 – batata quente As pessoas formarão uma roda e alguém ficará de fora, de costas (o importante é não ver com quem está a “batata”). Enquanto isso, os participantes vão passando de mão em mão algum objeto, que pode ser uma bola, de forma bem rápida, simulando uma “batata quente”. O aluno que estiver fora do círculo deverá falar: “Batata quente, quente, quente”. Quando a criança que estiver de fora gritar: “Queimou!”, a criança que estiver com o objeto substituirá o aluno que estiver fora da roda. . C) Atividades de equilíbrio Atividade 01 – desafio do banco Explorar os bancos disponíveis na escola fazendo diversas movimentações (de pé, de costas, arrastando-se, de joelhos, etc.). Tomar cuidado sempre com a segurança dos alunos. Colocá-lo também num dos lados, sobre uma carteira, dificultando a atividade. Objetivo • Equilíbrio no banco, adquirindo consciência das possibilidades de sua movimentação e descobrindo outras. Recursos Bancos, colchão ou colchonete Atividade 02 – desafio da corda Com diversas cordas, montar circuitos, dificuldades e trabalhar várias habilidades como equilíbrios estáticos e dinâmicos, saltos, cambalhotas, etc., que surgem de acordo com o desafio dos obstáculos. http://revistaescola.abril.com.br/educacao-infantil/4-a-6-anos/ riscar-aprender-432200.shtml Atividade 03 – desafio da escada 1. Colocar a escada inicialmente no chão. 2. Colocar um dos lados em cima de uma carteira. 3. Colar os dois lados em cima de duas carteiras. 4. Colocar a escada na tabela de basquete, na qual o aluno levará uma bola, fará a cesta e saltará no colchão. 5. Colocar gradativamente dificuldades, sempre dando segurança, cuidando para que os alunos não caiam ou se machuquem. Objetivo • Equilíbrio, adquirindo consciência das possibilidades de sua movimentação e descobrindo outras. Recursos Escada, colchão ou colchonete Atividade 04 – desafios com escada, banco, cordas,arcos, etc. Unir todos os desafios e dificuldades em um ou vários circuitos. 10 UNIDADE 3 Dança e expressividade – atividades rítmicas e expressivas Objetivo Compreender a capacidade e o funcionamento do corpo para usá-lo com expressividade, inteligência, harmonia, responsabilidade e sensibilidade. Definição É o ato de se expressar, sendo sentimentos, emoções e desejos. Esteban Levin, psicólogo argentino e pesquisador em psicomotricidade, nos diz que as descobertas feitas com o corpo deixam marcas, são aprendizados efetivos, incorporados. Na verdade, são tesouros que guardamos e usamos como referência quando precisamos ser criativos em nossa profissão e resolver problemas cotidianos. Os movimentos são saberes que adquirimos sem saber, mas que também ficam à nossa disposição para serem colocados em uso. Como a ação física é a primeira forma de aprendizagem, é importante que essas atividades estejam sempre presentes na escola. A criança estimulada a se movimentar explora com mais frequência e espontaneidade o meio em que vive, aprimora a mobilidade e se expressa com mais liberdade. Geralmente, nos primeiros sete anos de vida, os pequenos têm um vocabulário gestual muitas vezes maior do que o oral. De acordo com pesquisas recentes feitas na área da neurociência, é cada vez maior a relação entre o desenvolvimento da inteligência, os sentimentos e o desempenho corporal. Fica para trás, portanto, aquela visão tradicional que separava corpo e mente, razão e emoção. A dança pode ser uma das formas de movimento que desenvolve e explora a expressividade das crianças, principalmente nos anos iniciais. Quem dança tem mais facilidade para construir a imagem do próprio corpo, o que é fundamental para o crescimento e a maturidade do indivíduo e a formação de sua consciência social. A dança surgiu com a função de permitir ao homem adorar os deuses e a natureza. Nas cavernas de Lascaux (França), Altamira (Espanha) e serra da Capivara (no Piauí) é possível observar desenhos com cenas de pessoas em roda, saltando e se comunicando com o corpo. É como se nossos antepassados quisessem reproduzir graficamente os sentimentos proporcionados por uma boa caça e uma colheita frutífera, a alegria causada pela chuva ou o medo provocado por um predador. A primeira coreografia que os estudiosos imaginam ter sido criada é a do homem que veste uma pele de animal e tenta imitar seus ataques ou fugas. Trata-se de uma expressão artística baseada no movimento corporal. Ela aparece em duas formas: a teatral e a social. No primeiro caso, é executada num palco, tendo como estilos principais o medieval e o balé (clássico, moderno e contemporâneo). No outro, ela é praticada ao ar livre ou em clubes de baile. Nesse grupo estão os gêneros populares – frevo, forró, carimbó, etc. – e as danças de salão, do ventre e de rua. Nos dois casos, os passos cadenciados são acompanhados de música e transmitem sensa- ções e sentimentos por meio de um conjunto ordenado (teatral), chamado coreografia. Do ponto de vista corporal, a dança é uma forma de integração e expressão individual e coletiva: exercitam-se a atenção, a percepção e a colaboração entre os integrantes do grupo. Quem a pratica tem mais facilidade para construir a imagem do próprio corpo – fundamental para o crescimento e a maturidade do indivíduo e a formação de sua consciência social. Atividades Rítmicas e Expressivas como conhecimento da Linguagem Movimento no ensino escolar caracterizam-se por mais um conteúdo educacional a ser proposto para os discentes, possibilitando-os expressar-se corporalmente de acordo com suas necessidades e interesses de momento, pois as vivências relacionadas martinlubpl/Shutterstock 11 a esse conteúdo objetivam converter o corpo em um instrumento onde vibra o ritmo. Sendo assim, a finalidade essencial torna-se estimular e desenvolver o ritmo físico, educar o ritmo emocional e proporcionar conhecimentos indispensáveis do ritmo musical, sendo indispensáveis á formação do ser humano, além de serem atividades prazerosas, que estimulam a criatividade e as relações socioafetivas em qualquer idade e contexto. Assim sendo, compreende-se que as Atividades Rítmicas e Expressivas como conhecimento da Educação Física devem enfatizar movimento com sons e música, para inspirar vivências e experiências diversas, no sentido de possibilitar a expressão corporal e a educação rítmica, desenvolvendo de forma simultânea o domínio motor, cognitivo e afetivo-social. Segundo Galhahue e Donnelly (2008, p. 588), a dança é uma forma de movimento expressivo por meio do qual as crianças são estimuladas a comunicar seus pensamentos, sentimentos e suas ideias. Um programa de Educação Física elementar bem equilibrado oferece às crianças oportunidades variadas para se expressar pela dança. Dança e movimento na Educação Infantil Desenvolver a musicalidade e a expressão corporal na educação infantil é muito importante não só para trabalhar atividades que envolvam música e dança, mas também para o reconhecimento de seu corpo, de suas possibilidades e limitações espaciais, temporais e laterais. É perceptível que as atividades que envolvem música e dança são de fundamental importância como também uma forma de inserção de cultura e lazer. As crianças veem nessas atividades a oportunidade de brincar e acredita-se que não há nada mais interessante do que aprender brincando. Mas não é somente esse o papel da música na educação, ela vai muito além de uma gostosa brincadeira. Diante disso, vale salientar que ao trabalhar com a música e com a dança há certo favorecimento do desenvolvimento corporal da criança tendo o objetivo de combinar movimento e ritmo adequado de acordo com a estrutura rítmica da música. Além de facilitar a socialização e contribuir para o relaxamento muscular e psicológico de cada criança, a dança desenvolve estímulos tais como: • tátil: sentir os movimentos e seus benefícios para o corpo; • visual: ver os movimentos e transformá-los em atos; • auditivo: ouvir a música e dominar o seu ritmo; • afetivo: emoções e sentimentos transpostos na coreografia; • cognitivo: raciocínio, ritmo, coordenação; • motor: esquema corporal, coordenação motora associada ao equilíbrio e à flexibilidade. Objetivos educativos • Vivenciar a dança, reconhecendo-a como uma manifestação cultural. • Construir outras possibilidades de movimentar-se, reelaborando e criando movimentos e coreografias simples. • Desenvolver a expressão por meio da dança, reconhecendo o corpo como meio de comunicação. • Interagir, dentro do ambiente escolar, adotando atitudes de respeito, na tentativa de superar inibições e/ou atitudes de preconceito/discriminação. Conteúdos da dança escolar • Elementos básicos da dança: saltos, quedas, giros, deslizamentos, balanceios, rolamentos, movimentação dos braços, em diferentes planos, apoios, direções e tempos • Atividades rítmicas e expressivas • Brinquedos cantados • Cantigas de roda • Danças Folclóricas • Danças populares • Dança criativa Como pudemos perceber, o movimento é o meio de expressão fundamental das crianças na Educação Infantil, isto porque o espaço entre a emoção e ação é menor quanto mais jovem for a criança. Considerar todas essas dimensões do movimento nos permite uma visão mais ampla para a preparação de atividades, projetos e conteúdos que melhor contemplem o movimento dentro das escolas de Educação Infantil. No mundo ocidental a “Dança Criativa”, “Dança Educativa” ou “Dança Educação” são modalidades similares na área de Dança no contexto escolar. No Brasil, essa modalidade foi também batizada de “Expressão Corporal”, “Dança Expressiva” ou até mesmo de Método Laban (Marques). Então seja a Dança como for chamada, ela permite que a criança se aproprie de seu corpo, possibilitando uma comunicação corporal. Para Laban, a criança tem o impulso inato de realizar movimentos similares à Dança. Essa vontade é uma forma inconsciente de extroversão e exercício que a introduz ao mundo da influência de movimento e fortifica suas faculdades espontâneas de expressão. Portanto, nadamais pertinente que o trabalho de dança seja explorado dentro das escolas de Educação Infantil, pois ela supõe na educação um aprendizado que integra o conhecimento intelectual e a livre expressão do aluno, visando não apenas a proporcionar a vivência do corpo e diminuir tensões, mas favorecer a criatividade da criança, em que o trabalho com o seu corpo gere uma maior 12 consciência corporal e ela possa compreender o que se passa consigo e ao seu redor, tornando-a mais espontânea e conseguindo expressar seus desejos de modo mais natural. Planejamento aula de expressividade infantil Objetivo • Explorar a percepção de estruturas rítmicas para expressarem-se corporalmente por meio da dança, brincadeiras e de outros movimentos. Conteúdo procedimento Exploração da percepção de estruturas rítmicas para expressarem-se corporalmente por meio da dança, brincadeiras e de outros movimentos. Recuros didáticos Bolinha de papel, Som e CD’s. Avaliação Realização das atividades propostas. Sugestão de vídeo: . Atividades Atividade 1 – Tecidos Objetivos • Conhecer e valorizar as possibilidades expressivas do próprio corpo; • Comunicar, por meio do movimento, emoções e estados afetivos. Material necessário Pedaços de tecido leve (quadrados de 50 x 50 cm) e aparelho de som. Espaço Uma sala grande. Se não houver um espaço sem móveis, prepare a sala antes, afastando mesas e cadeiras, privilegiando o espaço central. A música é muito importante e a cada momento da atividade vamos apresentar uma sugestão. Desenvolvimento 1ª Etapa Introdução Não há dúvida de que as crianças pequenas adoram se movimentar. Elas vivem e demonstram seus estados afetivos com o corpo inteiro: se estão alegres, pulam, correm e brincam ruidosamente. Se estão tímidas ou tristes, encolhem-se e sua expressão corporal é reveladora do que sentem. Henri Wallon nos lembra que a criança pequena utiliza seus gestos e movimentos para apoiar seu pensamento, como se ele se projetasse em suas posturas. O movimento é uma linguagem que comunica estados, sensações, ideias: o corpo fala. Assim, é importante que na Educação Infantil o professor possa organizar situações e atividades em que as crianças possam conhecer e valorizar as possibilidades expressivas do próprio corpo. As crianças, e você também, devem estar descalças e usando roupas confortáveis. Comece reunindo-as. A música pode ser alegre, como A Canoa Virou (Palavra Cantada, CD Cantigas de Roda). Sentados no chão numa grande roda, com as pernas estendidas, proponha que brinquem de massa de pés: todos devem chegar para frente arrastando o bumbum até que os pés de todos se toquem. Os pés se agitam e se acariciam, ora mais lentamente, ora mais rapidamente. Você pode enriquecer a brincadeira sugerindo: • O meio da roda é uma piscina! • O meio da roda é uma grande gelatina! • O meio da roda é um tapete de grama! 2ª Etapa Peça que todos se deitem no chão. Coloque uma música no aparelho de som. É importante que seja uma música alegre, que estimule as crianças a se movimentar, porém sem excitá-las demais. Sugestão: Loro (Egberto Gismonti, CD Circense). Lembre-se de que, para as crianças pequenas, o entorno simbólico é muito importante para a atividade. Diga a eles que a sala vai se transformar numa grande floresta e todos serão habitantes dela. Todos os bichos estão dormindo. Aos poucos, vão acordar. Primeiro todos serão aranhas, que andarão com o apoio dos pés e das mãos no chão. Depois se transformarão em minhocas, arrastando-se pelo chão com a lateral do corpo. Logo serão cobras, arrastando-se pelo chão com o apoio da barriga. Tatus-bola, que com um movimento de abrir e fechar sua casca, percorrerão a floresta. Leões, tigres, leopardos, de quatro patas pelo chão... Coelhos que andam pelo espaço com pulos pequenos e cangurus que percorrem a floresta com pulos grandes e largos... Passarinhos que batem suas asas bem pequeninas e águias que voam lá do alto com suas asas enormes e bem abertas. 3ª Etapa Distribua para as crianças os pedaços de tecido coloridos, um para cada um. É importante que eles sejam leves e que produzam movimento ao serem agitados pelas crianças. Deixe que elas explorem a sala manipulando os pedaços de tecido. Sugira que as crianças pintem a sala com os tecidos, como se fossem pincéis. A sala toda tem que ficar pintada o chão, as paredes, o teto. Diga às crianças que nenhum pedaço da sala pode ficar sem pintar. Sugestão de música: Peixinhos do Mar (Milton Nascimento, CD Sentinela). 13 4ª Etapa Sempre ao som de uma música (por exemplo, Fome Come, da Palavra Cantada, CD Canções de Brincar), sugira uma brincadeira que as crianças adoram: peça que joguem os tecidos para cima e a os peguem, a cada vez, com uma parte diferente do corpo: cabeça, barriga, braço, cotovelo, pés, costas, bumbum, palmas das mãos etc. 5ª Etapa Para terminar, um gostoso relaxamento. Sugestão de música: Palhaço (Egberto Gismonti, CD Circense). Organize as crianças em duplas e ofereça a elas uma bolinha de algodão ou mesmo um rolinho de pintura, como os usados nas atividades de Artes Visuais. Enquanto uma criança fica deitada, a outra deve acariciar seu rosto e as partes do seu corpo com o algodão ou o rolinho. Isso deve ser feito com suavidade e cuidado, e possibilita uma interação muito especial das crianças, que, assim, cuidam umas das outras após uma atividade movimentada. Atividade 2 – Marcha soldado historiada Cantando a música Marcha soldado, cabeça de papel. Quem não marchar direito, vai preso pro quartel. O quartel pegou fogo, a polícia deu sinal. Acode, acode, acode a bandeira nacional, um atrás do outro, as crianças vão marchando no ritmo da música. Marcha soldado, cabeça de papel. Quem não marchar direito, vai preso pro quartel. O quartel pegou fogo, a polícia deu sinal. Acode, acode, acode a bandeira nacional. Atividade 3 – Estátua As crianças devem caminhar em várias direções, ao som de uma música e mexendo o corpo de muitas maneiras. Quando a música cessar, param como uma estátua, escolhendo um nível no espaço: baixo (no chão), médio (agachados) ou alto (de pé). Atividade 4 – A canoa virou Cantando e dançando a música A canoa virou. Enquanto cantam: A canoa virou, pois deixaram ela virar (o corpo gira), Foi por causa de Maria, que não soube remar (os braços remam). Se eu fosse um peixinho, e soubesse nadar (os braços nadam), Eu tirava a Maria, do fundo do mar. Siri pra cá (o corpo pula para a direita), Siri pra lá (o corpo pula para a esquerda), Maria é bela, e quer casar. Atividade 5 – Escravos de jó Cantando a música Escravos de Jó, Jogavam caxangá, Tira, põe, deixa o Zé Pereira ficar Guerreiros com guerreiros, fazem zigue-zigue-zá, Guerreiros com guerreiros, fazem zigue-zigue-zá, em roda, sentados no chão, cada um coloca uma bolinha de papel à sua frente. Enquanto canta, pega a sua bolinha de papel e coloca na frente do colega sentado à sua direita. Nos versos Tira, põe / Deixa ficar!, tira a bolinha de papel da frente do colega, coloca na sua frente e a deixa ali por alguns segundos. Quando cantam Guerreiros com guerreiros, retomam os movimentos até o verso Fazem zigue, zigue, zá!. Nesse momento, segura a bolinha de papel, movimentando-a de lá para cá e deixando-a. Atividade 6 – Dança do jornal Desenvolve Socialização, expressão corporal e percepção de espaço. Material Jornal, som, CDs com músicas de diferentes ritmos. Organização Em duplas. Como brincar Afaste as cadeiras e mesas e distribua as folhas de jornal pelo chão. Cada dupla fica em cima de uma folha. Coloque a música e as crianças começam a dançar. Não vale sair de cima do papel, nem rasgá-lo. Se isso acontecer, o par sai da brincadeira. Vence quem cumprir o objetivo. Se algumas crianças não toparem dançar por timidez, convide-as para serem juízes com você e observar se os colegas não infringem as regras. Uma maneira de incrementar a atividade é variar os ritmos musicais tocando músicas mais lentas e outras mais agitadas. Atividade 7 – A floresta Representar uma história. As crianças devem imaginar que a sala é uma grande floresta e elas serãohabitantes desse lugar. Todos os bichos estão dormindo. Aos poucos, vão acordar lentamente, sendo tartarugas, aranhas e minhocas. Logo serão tatus-bola, leões, coelhos, cangurus, passarinhos e águias que percorrem a floresta rapidamente. UNIDADE 4 Jogo Quem nunca brincou de jogar? Pode ser com os tradicionais jogos de tabuleiro, sons, cores, jogos de cartas, usando o corpo ou o computador, com papel e escrita ou até mesmo matemáticos. Não importa qual o tipo, todos eles são sempre interessantes e instigam os jogadores. Antes de começarmos esta unidade, veja o vídeo com o professor Lino de Macedo, da Universidade de São Paulo (USP): . O ser humano, independentemente do estágio cultural em que se encontra, tem o jogo como uma das manifestações mais importantes do seu comportamento. Constata-se que desde as épocas mais primitivas existiam atividades em forma de jogo que cumpriam um papel social relevante. 14 Na escola, os professores de Educação Física devem ver os jogos como valiosa contribuição no desenvolvimento global do ser humano, ajudando o aluno a ser um indivíduo mais crítico e responsável dentro dela. Os objetivos que o educador quer atingir por meio deles não devem ser impostos, mas fazer parte de algo agradável, promovendo, assim, uma participação ativa, voluntária e prazerosa. Jogar e aprender são ações estreitamente inter-relacionadas, pois, na medida em que nos desafiamos, jogamos com nossas possibilidades, estabelecemos nossos limites, defrontamo-nos com situações novas, experimentamos nossa capacidade de auto-organização na autopercepção dos fatos, modificando nossas experiências anteriores, adquirindo conceitos, consequentemente, aprendendo. (MESQUITA, 1986, p. 127). Explorando a ideia de Mesquita (1986), constatamos que, a cada jogo praticado e aprendido, as crianças aprendem novas situações e novos experimentos que podem ajudá-las a compreender melhor o seu dia a dia. Os jogos são como um laboratório, em que o indivíduo aplica novos conhecimentos, aprendidos num contexto mais significativo, isto é, a partir do conteúdo proposto pelo professor com a experiência vivenciada pelo aluno. Saber jogar e criar novos jogos é muito importante para a crian- ça, pois, quanto mais numerosas forem as experiências vividas, maiores serão as oportunidades de aprendizado para a vida. Seria muito bom que o período da infância continuasse a ser dominado pelo lúdico, o jogo e a brincadeira. Mas o que se presencia em determinados momentos é a diminuição dessas atividades, que aos poucos estão sendo retiradas do cotidiano da criança, chegando a ponto de uma atividade característica da infância, o brincar, ser recomendada por especialistas, para que pais e professores observem e a estimulem. Talvez o principal motivo para que ocorra o furto do lúdico da infância esteja baseado na crença de que a criança seja considerada adulto em miniatura, que tem como finalidade única de sua existência a preparação para o futuro e, desde cedo, começa a competir na vida com outras crianças. Por outro lado, atualmente, os pais têm se preocupado em preencher o tempo livre das crianças com atividades sistemáticas e escolhidas por eles, em função do tempo reduzido de convívio. Muitos critérios utilizados para a escolha dessas atividades não são coerentes com os interesses das crianças, mas sim com as necessidades dos próprios pais. Temendo que seus filhos fiquem para trás, começam a prepará-los para a competição que a vida nos apresenta. Histórico O jogo é considerado patrimônio cultural da humanidade, pois, segundo Darido e Rangel (2005), desde a Antiguidade as pessoas jogavam e brincavam. Dessa forma, observa-se que faz parte da natureza humana e está presente em todas as faixas etárias, assumindo diferentes características ao longo do desenvolvimento do indivíduo. Há indícios de que em todos os povos e civilizações e em todos os tempos sempre existiu o jogo. Porém, pela crescente tendência de racionalização das ações humanas, no processo civilizatório, especialmente das sociedades ocidentais, as características de jogar foram mudando radicalmente. Segundo Kunz (1994), nos estudos da Educação Física, as atividades lúdicas da criança são muitas vezes analisadas com vistas à melhoria do rendimento do aluno, seja nas atividades esportivas de competição no futuro, seja nas demais atividades escolares. O jogo e o lúdico Os jogos, as brincadeiras e os brinquedos fazem parte da vida das crianças, portanto, devem ter presença em seu dia a dia, em seu ambiente familiar ou escolar. Segundo Souza (1996, p. 339), é através do lúdico que as pessoas conseguem relacionar-se com o próprio corpo, com o outro e com o mundo, onde o imaginário se transforma em real, provocando-lhe uma sensação de poder e domínio sobre o mundo. Esse é um dos recursos utilizados para auxiliar no desenvolvimento da criança, tornando mais fácil seu aprendizado. A integração dos alunos, sua fantasia, as regras a serem estabelecidas, modificadas e respeitadas e habilidades básicas a serem trabalhadas deverão colaborar para um desenvolvimento global da criança, porque é no ato de jogar e brincar que ocorrem importantes mudanças no desenvolvimento psicomotor da criança. Suas características lúdicas se perdem se for sujeito a regras rígidas, que não possam sofrer alterações. A criança, ao jogar, cria suas próprias regras e apresenta-as aos membros do grupo para julgamento, aceitação ou adaptação à sua criação. Utiliza-se do jogo como uma estratégia importante e frequente, e o brincar torna-se uma atividade séria para a criança na medida em que se mobilizam possibilidades intelectuais e afetivas para sua realização na construção do saber. Por isso deve-se incentivar as interações criança/criança como fonte de desenvolvimento, visto que o que leva a criança a se interessar é a atividade em si e não o processo. (LIMA, 1989, p. 24) É por isso que a criança não percebe o que está aprendendo e acontecendo, pois, para ela, é apenas uma diversão, já que essas atividades lúdicas a serem trabalhadas pelo professor tornam-se motivantes para a criança. Segundo Rizzi e Haydt (1991, p. 1), jogar é uma atividade natural do ser humano, em que a criança fica tão envolvida com o que está fazendo que coloca na ação seu sentimento e sua emoção. O jogo é um elo integrador entre os aspectos motores, cognitivos, afetivos e sociais. Por isso, partimos do pressuposto de que é jogando que a criança ordena o mundo à sua volta, assimila experiências e informações e, sobretudo, incorpora atividades e valores, reproduz e recria o meio circundante. (Rizzi e Haydt, 1991). 15 Em todos os jogos, atividades e experiências, a criança se educa, aumenta a sua capacidade de ação, facilita e controla os movimentos, enquanto o espírito de observação, a tensão, os sentidos, o raciocínio são conjuntamente solicitados pelo próprio indivíduo que pratica as atividades. O professor terá que satisfazer a esse conjunto sempre, mas, acompanhando a criança que se desenvolve, deverá fornecer-lhe momentos diversos que possam influir, isto é, variar o ambiente, a fim de que o grupo encontre ocasião para ativar essas capacidades. (PIMENTEL; RABELO, s.d.) Na idade infantil os jogos são muito apreciados pelas crianças em seu divertimento. Por isso, procuramos utilizar essas atividades lúdicas como um instrumento educacional que irá auxiliar em seu desenvolvimento, mesmo que para ela possa parecer apenas ser um divertimento. As atividades lúdicas se destacam como a principal estratégia utilizada pelo professor para transmissão de seus conteúdos. Elas configuram um caminho de transição para um novo e mais elaborado nível de desenvolvimento, uma vez que seu conteúdo é selecionado da realidade da criança. O jogo deve ser trabalhado por ser uma ferramenta educacional de grande auxílio na formação de nossas crianças e contribuir para o crescimento e desenvolvimento delas, por meio da cooperação e/ou competição. Outro aspecto importante a ser comentado é que transformar as atividades lúdicas do jogar em momentos pedagógicos àsvezes torna-se muito difícil. Na maioria das vezes, a escola é vista como uma “coisa séria” e, quando nas aulas de Educação Física dá-se ênfase ao lúdico, as próprias crianças têm dificuldade de compreender que nessas atividades também se aprende, e que não é apenas o brincar por brincar. Aos poucos as crianças vão percebendo o quanto a Educação Física é importante para a sua vida. A presença da competição nas aulas de Educação Física é polê- mica. Muito se discute em torno de sua aplicação ou não, bem como a melhor forma de aplicá-la. A competição existe, é inerente ao ser humano e, portanto, é preciso estudá-la para não simplesmente negá-la no processo educacional (FREIRE, 1992). A cooperação está sendo cada vez mais presente nessas aulas, nas quais se procura colocar que o jogo possui certas regras e que é preciso obedecê-las, enfatizando honestidade, perseverança, trabalho em grupo, humildade para reconhecer suas falhas e aceitar a supremacia dos outros. Com paciência para aceitar a inabilidade dos colegas, e conseguindo alcançar estes quesitos, molda-se o caráter de um indivíduo (BROTTO, 1999). Bem conduzidos, dão autoconfiança por mostrarem que as metas podem ser atingidas com o sucesso de e para todos. Definição de jogo Hudson Teixeira (1995, p. 33) diz que jogos são atividades em que nos exercitamos brincando, distraindo-nos, de maneira alegre e prazerosa, até mesmo sem saber – ou seja, sem que haja algum compromisso e nenhuma responsabilidade. Consiste numa atividade espontânea ao admitirmos regras livremente escolhidas e que devem ser observadas, ou também como obstáculo deliberadamente estabelecido e que deve ser superado. Por meio do jogo, a criança aprende a se conhecer, a conhecer a natureza, as relações sociais e papéis que as pessoas assumem ao realizá-lo. Quando considerada uma atividade natural e espontânea da criança, pois desde pequena está jogando, a interferência do professor deverá ocorrer de forma gradual, orientando para não tirar a liberdade dos alunos, respeitando sua individualidade. O esforço exigido no jogo não ultrapassa os limites em que as crianças podem desenvolvê-lo com alegria e prazer, sem que haja sobrecarga, ou seja, cada criança participa com a intensidade que lhe é própria e possível. O jogar na escola deve ter características diferentes do jogar na rua, pois o professor, ao utilizar o jogo como um recurso pedagógico, fará o papel de orientador, visando a atingir os objetivos educacionais. No contexto escolar, o educando pode se relacionar e entender que a ajuda mútua na formulação de valores é necessária a uma autêntica participação social. Vinícius Cavallari (1995) diz que, entre as diversas discussões sobre terminologia, uma delas é sobre a diferença entre brincadeiras e jogos. Toda atividade recreativa, qualquer que seja, sempre será ou uma brincadeira ou um jogo, não fugindo a isso. Existem diversos aspectos a serem considerados: a) Vencedor: se uma atividade recreativa permite alcançar vitória, ou seja, pode haver um vencedor, estamos tratando de um jogo, pois se busca um vencedor ou vencedores. b) Final: seu final é sempre previsto por pontos, tempo, número de repetições ou tarefas cumpridas. c) Regras: sempre terá regras, nem que seja pelo menos uma. d) Ápice: sempre há um ponto alto a ser atingido, como, por exemplo, marcar o ponto ou cumprir uma tarefa. e) Evolução: todo jogo apresenta uma evolução regular, com começo, meio e fim. Consequentemente, existem maneiras formais de se proceder. f) Modificações: se pretendermos fazer uma modificação nas regras, ele deverá ser interrompido e depois reiniciado. g) Consequências: podemos tentar prever algumas conclusões dos jogos. Bettelheim (1990, p. 48) analisa os termos “brincadeira” e “jogo” da seguinte forma: a primeira é caracterizada por uma liberdade total de regras, envolta na fantasia da própria criança, enquanto o último pode ser caracterizado por uma exigência de usar instrumentos da atividade, de modo pelo qual foram criados, e não como a imaginação ditar, ou seja, a brincadeira e o jogo são distintos. 16 Araújo (1992, p. 14) afirma que a intervenção do adulto no jogo da criança torna-se necessária se esta se apresentar na forma de orientação e incentivo às atividades exercidas por ela, fazendo-a empenhar-se cada vez mais naquilo que é proposto ou descoberto por ela mesma, servindo unicamente à pessoa inserida no ato de jogar, porque aí sua atitude é sempre autônoma e não regida exclusivamente por sentimentos exteriores. Por isso, o papel do professor deve ser de orientador das crian- ças, com sugestões em suas brincadeiras. Na realidade, é uma maneira de divertir-se, de expressar-se. Para a criança, é uma forma de vida e para o adulto, uma liberação. Para Chateau (apud ROSAMILHA, 1979, p. 53), o jogo no adulto não tem as mesmas características do infantil, pois o infantil define a infância. Já no adulto, o jogo é uma distração, luta contra a monotonia, o estresse do dia a dia. O adulto joga para fugir ou compensar o trabalho, mas a criança não. supparsorn/Shutterstock O jogo é um fator de socialização que favorece a construção do conhecimento. Assim, é preciso vê-lo como uma atividade que faz parte do cotidiano infantil. Teixeira (1995, p. 33) diz que jogos são atividades em que nos exercitamos brincando, distraindo-nos, de maneira alegre e prazerosa, até mesmo sem saber, ou seja, sem que haja algum compromisso e nenhuma responsabilidade. A criança, enquanto está jogando, está “trabalhando” para entender a realidade, compreender o mundo, perceber como são as outras pessoas e ela mesma; está ganhando experiências que serão fundamentais em sua vida. O importante é que a criança tenha experiências, que vivencie todo tipo de situação. Desta forma, à medida que as enfrenta, estará em melhores condições de resolver situa- ções mais complicadas. Chateau (apud ROSAMILHA, 1979, p. 52), numa tentativa de caracterizar e definir o conceito de infância, diz que a conduta mais característica desta fase da vida é o jogo. Para a criança, os objetivos imediatos e não longínquos; triunfar em jogos é vencer a dificuldade implícita neles. Objetivos do jogo • Entendê-lo e vivenciá-lo como elemento da cultura corporal. • Entender a importância das regras, bem como respeitá-las e modificá-las de acordo com a necessidade ou interesse. • Respeitar a diversidade cultural, participando de jogos trazidos pelos colegas. • Oportunizar a socialização e o desenvolvimento de valores. • Proporcionar o desenvolvimento e/ou aprimoramento de capacidades físicas e de habilidades motoras e cognitivas. • Resolver situações de conflito. Definição de brincadeira Brincar é um verbo sinônimo de ser criança. Quando falamos em brincar, vem à nossa mente uma criança brincando com uma boneca, com uma bola etc. Por isso a infância é o tempo da brincadeira, da fantasia, da imaginação, sem responsabilidades, e o único “trabalho” é o brincar. A criança é sábia o suficiente para descobrir brinquedos e brincadeiras onde quer que ela esteja. Faz parte do mundo de cada criança. Neste contexto é que todas as fantasias infantis se baseiam. Na infância, ela tem conhecimento do mundo por meio de relações com os outros que fazem parte do seu mundo. A autoconcentração é característica da criança que entra na escola já na primeira infância, pois ela concentra sua brincadeira nas atividades por ela determinadas. As brincadeiras estão sempre presentes na vida diária da criança, aperfeiçoando o acervo motor, com várias possibilidades encontradas em prol do seu divertimento e aprendizagem. Faz pouca distinção de faixas etárias e prima pela espontaneidade. A socialização é palavra de ordem, pois tudo é coletivo. Ensina a criança a esperar a sua vez, a respeitar os outros, aprender a se frustrar, pois ela sabe que é uma brincadeira. Vários papéis são propostos, o que se assemelha bastante às situações com as quais a criança vai ter de lidar na vida adulta. Freire (1989, p. 116) nos diz que o brinquedo e a brincadeira em si proporcionarão à criança imaginar,refletir, raciocinar, conferindo-lhe essa aquisição de um saber físico e mental, um novo poder, o qual, se posto em ação, tornar-se-á estimulante. 17 Como já dissemos, a brincadeira é o trabalho da criança e deve ser valorizada, pois elas aprendem as regras da sociedade e aprendem a se sociabilizar com as outras crianças. A brincadeira é um assunto muito sério. É uma das ocupações mais sérias da infância, porque, por meio dela, a criança come- ça aprender o que é a vida, a descobrir esse mundo aos poucos. E como ela vai aprendendo e conhecendo tudo isso? Brincando. Brincar é uma maneira de aprender, principalmente de encarar a vida de um modo gostoso, prazeroso, saudável e feliz, em que a alegria aconteça. Rosamilha (1979, p. 49) cita algumas teorias de autores mais ligados à área da Psicologia sobre o “brincar”: As crianças brincam porque têm excesso de energia. (Spencer) As crianças brincam porque esse é um instinto que as leva a preparar-se para a vida futura. (GROSS) As crianças brincam porque a hereditariedade e o instinto as levam a recapitular as atividades ancestrais importantes para o indivíduo. (Stanley HALL) As crianças brincam porque é agradável. (HURLOCK; SUTTON-SMITH) O brincar é um aspecto de todo comportamento. Ele está implícito na assimilação que o indivíduo realiza em relação à realidade. (PIAGET) Tizuko Kishimoto (1996, p. 70-74) nos diz que a brincadeira tem um fim em si mesma e que essa atividade não busca fins outros que o prazer de realizá-la. Materializa-se em ações analógicas, configurando-se nas situações imaginárias. Em qualquer brincadeira, a criança distingue a realidade da fantasia, materializa seus projetos, ideias e desejos, relaciona-se com parceiros. Continuando, Kishimoto explica que, nos tempos atuais, concebe-se a criança a partir de novos paradigmas no campo da Psicologia e Educação, incluindo duas grandes orientações: o modelo acadêmico, em que o professor transmite conteúdos escolares, e outro, que prioriza o desenvolvimento infantil por meio de brincadeiras infantis. A segunda opção permite à criança manipular seu corpo livremente, proporciona a autonomia, a consciência da criança para projetos que comandam o corpo, proporcionando o prazer e, concomitantemente, outras aprendizagens. Finalizando, Kishimoto diz que a brincadeira oportuniza o desenvolvimento corporal, competências motrizes sem exigência de performances, oferecendo oportunidades para experiências variadas, autonomia, segurança e domínio corporal; que propicia a passagem da criança por várias etapas de desenvolvimento e que deve ser seriamente considerada como elemento para educá-la. No artigo A Brincadeira e o Desenvolvimento Infantil, Zilma de Oliveira (1996, p. 140-144) comenta que ao brincar a criança tem oportunidade de trabalhar os conteúdos por ela vividos. Neste processo, reconstrói o cenário necessário para que sua fantasia fique mais próxima da realidade vivida, transformando objetos e assumindo personagens. A autora afirma também que a brincadeira constitui o recurso privilegiado de desenvolvimento da criança, em que afeto, motricidade, linguagem e percepção, representação, memória e outras funções cognitivas são aspectos profundamente interligados. A brincadeira cria condições para uma transformação significativa da consciência infantil, por exigir das crianças formas complexas de relacionamento com o mundo. É por meio do brincar que a criança passa a compreender as características dos objetos, seu funcionamento, os elementos da natureza e os acontecimentos sociais. Ao mesmo tempo, ao tomar o papel do outro na brincadeira, ela começa a perceber as diferentes perspectivas de uma situação, o que lhe facilita a elaboração do diálogo interior característico de seu pensamento. As crianças fazem da brincadeira uma ponte para o seu imaginário, um meio pelo qual externam suas criações e emoções. Elas querem sonhar, exercitar todos os sentidos com suas brincadeiras e, junto a elas, explorar, sentir e conhecer o mundo. Então, vemos que, para a criança, o brincar é extremamente importante, e que o não acontecimento dessa atividade levaria a limites que interfeririam no processo evolutivo dela. Pinto (1995, p. 15) relata que proibir a criança de brincar, opor-se ao livre desenvolvimento da função natural (e das possibilidades, aptidões e disposições nela contidas em potencial) significaria contrariar esse processo de expansão, cercear na criança o jogo da própria natureza. Toda criança gosta de brincar e cada uma tem o seu jeito. Se a criança não brinca, é sinal de algum problema. Pode não ser um problema da própria criança, mas sim do ambiente em que esteja vivendo, fazendo com que acabe refletindo problemas que estão a afetando – e, com isso, ela está se fechando em seu mundo. Todo jogo ou brincadeira é educativo, ou seja, sempre há um conjunto de mensagens implícitas ou explícitas a serem assimiladas ou transformadas. Criança sadia é aquela que brinca; assim, a família e os professores, ao transmitirem as brincadeiras tradicionais às suas crianças, estão contribuindo para uma convivência feliz, porque esse é o trabalho, sua tarefa, a sua forma de aprender a viver. Bomtempo (1986) relata que, a partir da década de 1970, pesquisadores começaram a descobrir que, para as crianças, é muito mais fácil aprender brincando do que copiando as lições que o professor transcreve no quadro em sala de aula. Brincar é importante para o desenvolvimento da linguagem e para a socialização. Logo, as brincadeiras viraram coisa séria. Hoje as melhores escolas são aquelas que usam a brincadeira, os jogos e os brinquedos como recurso pedagógico. Brincar, para as crianças, sempre foi algo muito sério. Os adultos é que só estão descobrindo isso agora. 18 Complementando, Leontiev (1991, p. 113) diz que brincando a criança vai, pouco a pouco, organizando suas relações sociais, aprendendo a se conhecer melhor, como também a conhecer e aceitar a existência dos outros. Assim, podemos dizer que, por meio do jogo e da brincadeira, a criança expressa, assimila e constrói a sua realidade. Como vimos, no lúdico, por meio de jogos e brincadeiras, é que a criança irá desenvolver suas capacidades físicas e sociais, valores, conhecimentos, atitudes e regras, vitórias e derrotas, que contribuirão para a formação de um homem consciente, crítico à realidade que o envolve. Poderemos visualizar nas aulas com a Educação Infantil que a ludicidade pode ter resultados positivos, levando os alunos ao seu desenvolvimento integral como ser humano, com um bom planejamento de aulas e conteúdos adequados a cada faixa etária. Atividades lúdicas levam a criança a experimentar as coisas, estabelecer o domínio do corpo e a percepção sensorial. Tais aprendizagens são importantes para o desenvolvimento corporal e para a socialização. É com base nessas citações que cremos ser possível trabalhar o jogo, a brincadeira e os brinquedos nas aulas com a Educação Infantil, tornando-as mais educativas, além de uma atividade gostosa e que dá prazer, contribuindo, assim, para o desenvolvimento infantil. Metodologia do jogo na Educação Infantil Aplicação de jogos de baixa organização nos quais as crianças vivenciem de forma variada e estimulante as formas básicas de locomoção e ampliar o leque motor. A predisposição das crianças em participar de atividades dan- çantes e expressivas deve ser explorada ao máximo. Nesta fase as cantigas de roda, brincadeiras cantadas, festivais, teatrinhos, mostras de danças, contos e outras formas de explorar a capacidade rítmica e expressiva devem ser utilizadas. As crianças ampliarão as capacidades coordenativas e rítmicas ao vivenciarem estas ações e, com isso, solidificarão um arcabouço motor de base. Trata-se de uma fase na qual os princípios básicos de higiene e cuidados com o corpo devem ser estimulados. Os conteúdos devem ser lembrados e cobrados constantemente nas ações dos alunos. A importância da água, das frutas, do lavar as mãos, das roupas e de alguns cuidados em relação a quedas, pequenas escoriações e outros se colocamcomo temas importantes de serem observados neste período escolar. O movimento na Educação Infantil O movimento é um dos fatores que contribuem com desenvolvimento e com a cultura humana, pois as crianças estão em contato com ele desde que nascem, adquirem cada vez mais controle sobre o próprio corpo e se apropriam das possibilidades de interação com o mundo em que vivem. As inúmeras possibilidades de movimento (engatinhar, caminhar, manusear objetos, saltar, correr, brincar sozinha ou em grupo) que uma criança pode experimentar possibilitam uma linguagem que a permite agir sobre o meio físico e atuar sobre ele de maneira significativa. Isto foi percebido pelas pessoas engajadas na Educação Infantil: a necessidade das atividades de Movimento para as crianças. No entanto, muitas vezes isso se restringe a brincadeiras nos aparelhos do parque, em jogos de correr, brincadeiras livres nos espaços internos e externos da escola e brincadeiras de rua, todas elas permeando o objetivo de recreação: [...] É importante que o aspecto lúdico seja desenvolvido nas crian- ças, com a finalidade de recrear-se. Entretanto, os objetivos do componente curricular “Movimento” para a Educação Infantil não podem resumir-se na visão de recreação. (MELLO) Ao analisar o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil, é possível verificar que o Movimento é, ainda, concebido numa visão orgânica: [...] As capacidades de ordem física estão associadas à possibilidade de apropriação e conhecimento das potencialidades corporais, ao autoconhecimento, ao uso do corpo na expressão das emoções, ao deslocamento com segurança. As capacidades cognitivas estão associadas ao desenvolvimento dos recursos para pensar, o uso e apropriação de formas de representação e comunicação envolvendo resolução de problema. (MELLO) É como se o movimento estivesse relacionado apenas ao corpo, e o pensamento não fizesse parte dele. E isso está presente nos objetivos de toda a proposta de Educação Infantil, tanto para zero a três anos, como para quatro a seis anos. Entretanto, a Educação Física que vem sendo discutida atualmente, como já fora citado, não tem como único objetivo o desenvolvimento das habilidades e capacidades físicas. Ela tem como componente curricular educar a criança para a vida, desenvolvendo habilidades necessárias para a inserção desta criança nos diferentes ambientes da sociedade. Ainda que os objetivos educacionais apresentados no Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil (1998) privilegiem a ampliação das possibilidades expressivas do próprio movimento utilizando gestos diversos e o ritmo corporal nas suas brincadeiras, danças, jogos e demais situações de interação, além da exploração de diferentes qualidades e dinâmicas do movimento, como força velocidade, resistência e flexibilidade, ainda assim buscam o desenvolvimento de habilidades e capacidades físicas. Não basta uma Educação Física sob a visão de apenas movimentar-se. Ela tem que ir mais além do desenvolvimento das capacidades físicas. Segundo Le Boulch, toda a educação pressupõe tomar decisões enquanto à finalidade da ação educativa. O objetivo é favorecer o desenvolvimento de um homem capaz de atuar num mundo em constante transformação por meio de um melhor conhecimento e aceitação de si mesmo, melhor ajuste de sua conduta e verdadeira 19 autonomia, com acesso às suas responsabilidades no marco de sua ação social, possibilitando por meio de sua ação atitudes e movimentos corporais. A Educação pelo Movimento não ocorre isoladamente, mas no homem como um todo, com o movimento dentro de um contexto de jogo, trabalho e/ou expressão para adquirir significado. Conteúdos • Jogos psicomotores • Jogos de interpretação • Jogos recreativos • Jogos tradicionais • Jogos sensoriais • Jogos cooperativos Atividades Atividade 1 – macaco Simão (jogo de interpretação) Objetivos • Vivenciar e descobrir novas possibilidades de movimento do próprio corpo. • Interagir com outras crianças por meio do movimento. Material Fantoche de macaco Fazer uma roda de conversa para apresentar o fantoche de um macaco e explicar como ocorrerá a atividade. Iniciar alguns comandos, que deverão ser representados corporalmente pelas crianças, como: Macaco Simão mandou... bater os pés, erguer as mãos, bater palmas, abraçar o colega, engatinhar, colocar as mãos na cabeça, colocar as mãos nos joelhos, formar uma roda, esconder as mãos etc. Atividade 2 – acorda, Seu Urso (jogo recreativo) Um aluno/professor será o Urso, que ficará distante do restante da turma e deitado. Os alunos se aproximarão, silenciosamente, para acordar Seu Urso. Ao chegarem perto, gritam: Acorda, Seu Urso! O urso acorda e todos saem correndo em direção ao pique. Quem for pego será urso também. Atividade 3 – esconde-esconde do sino (jogos sensoriais) Material Sino O professor se esconde, toca o sino e os alunos procuram o objeto. Fazer com que um aluno se esconda e toque o sino. Usar sua criatividade. Atividade 4 – algodão no copo (jogos sensoriais) Materiais Algodão e copo plástico Assoprar o algodão para cima e acertar dentro do copo. Fazer diversas variações de posições: sentado, deitado, etc. Variar mão direita e esquerda. Atividade 05 – aspirador humano (jogos sensoriais) Materiais Canudinho e papel pequeno. Com um canudinho, aspirar o papel e transportá-lo. Atividade 6 – assoprar bolinhas de isopor (jogos sensoriais) Materiais Canudinho e bolas pequenas de isopor Com o canudinho, deslocar as bolinhas para outro lugar. Atividade 7 – caça aos bichos (jogos sensoriais) Mostrar desenhos de animais aos alunos e orientá-los a repetir os movimentos que o animal retratado realiza. Cada aluno deve encontrar seu grupo. Atividade 8 – sons com o corpo (jogos sensoriais) Coçar sobrancelhas, estalar dedos, nariz, dente, língua, palmas, etc. Usar a criatividade do aluno. Atividade 9 – tapetinhos (jogos sensoriais) Desenhar em cartolinas ou semelhantes: mãos, pés, partes do corpo. Fazer circuitos para que os alunos realizem a movimentação corporal de apoio conforme solicitação: pés, cabeça, mãos, bumbum, cotovelos, joelhos, etc. Atividade 10 – dança da cadeira cooperativa (jogos cooperativos) Um aluno sem cadeira e o restante dos alunos, com a sua. Ao tocar a música, todos dançam em volta da roda de cadeiras. Ao parar a música, cada um deve tentar sentar numa cadeira. Aquele que sobrar senta no colo de um colega. Tira-se outra cadeira e recomeça a música. E assim, sucessivamente, até sobrar uma cadeira e todos sentarem no colo do aluno que sentou nela. Atividade 11 – caminho motor (jogos psicomotores) Criar caminhos com cordas, desenhando no chão com giz, linhas da quadra ou qualquer linha que a escola tenha no chão, colocando diversos obstáculos e desafios. Pode-se usar arcos, bolas, diversos materiais para os desafios. 20 Atividade 12 – mãe cola (jogos tradicionais) Num grupo, um é o pegador, ou seja, a mãe, e o resto está livre. Quem o pegador tocar (dos participantes livres) está colado e não poderá sair do lugar, terá que ficar na mesma posição em que foi colado, até que outro participante que está livre o toque, então poderá se mexer novamente e voltar a brincar. O objetivo é não se deixar pegar. É possível correr, desviar-se, etc. e descolar os participantes que estão colados. O objetivo do pegador é colar todos os participantes. Observação: se o grupo for muito grande o número de pegadores pode ser aumentado. Atividade 13 – gato e rato (jogos tradicionais) O gato, inimigo do rato, correrá atrás deste para tentar pegá-lo. Os alunos farão uma roda, de mãos dadas, e duas delas serão escolhidas, sendo que uma será o gato e a outra o rato. O gato ficará fora da roda e o rato, dentro. O gato dará voltas em torno da roda e perguntará: O rato está em casa? As crianças responderão: Não! A que horas ele chega? – perguntará o gato. As crianças dirão uma hora qualquer. O gato então pergunta: Que horas são? As crianças responderão as horas em que elas disseram que o rato estaria em casa. Daí iniciará a perseguição. O gato entrará na roda,quando as crianças permitirem, e o rato sairá da roda quando as crianças assim desejarem, até que o gato pegue o rato. Então serão escolhidas outras duas crianças e o jogo reiniciará. O jogo termina quando todas as crianças tiverem participado do jogo. Atividade 14 – lenço atrás (jogos tradicionais) As crianças farão uma roda, sentadas ou em pé, e uma criança ficará de fora com um lenço na mão. As crianças que estiverem na roda só poderão olhar para trás depois que aquela que leva o lenço tiver passado. A criança que tem o lenço na mão correrá por fora da roda até que resolva depositar o lenço no chão atrás de uma criança que estiver na roda. Esta começará a correr atrás da criança que colocou o lenço; se ela pegar a criança, esta irá para o centro da roda e a criança que pegou irá iniciar o jogo novamente; se a criança que corre na frente conseguir alcançar o espaço vazio que a outra deixou está salva, e começará o jogo novamente. O jogo termina quando ficar apenas um jogador que não tenha sido apanhado. Atividade 15 – coelinho sai da toca e variações (jogos tradicionais) Os integrantes de cada grupo (3) serão numerados (1 a 3) e, conforme as ordens do professor, a brincadeira é realizada: se o professor falar o número 1 o aluno do lado direito é quem troca de toca; se falar o 2, o aluno do meio troca; se falar 3, o aluno da esquerda troca; se falar 4, a toca troca de coelho e se falar o número 5, todos trocam de lugar. Podemos colocar a matemática conjuntamente, colocando soma e subtração. Exemplo: 1 + 1 = 2, 3 – 2 = 1, etc. Contas simples e de forma concreta. UNIDADE 5 Ginástica Definição Você sabe a origem da palavra e o que é Ginástica? A palavra ginástica vem do grego gymnastiké, arte de fortificar o corpo e dar-lhe agilidade, e gimnos, que significa nu. Uma forma particular de exercitação por meio da qual, com ou sem uso de aparelhos, abre-se a possibilidade de atividades que provocam valiosas experiências corporais enriquecedoras da cultura corporal em particular, e do homem como um todo. Como trabalhar ginástica na educação infantil? A modalidade de ensino em que grande parte dos professores começa sua carreira e pela qual a grande maioria expressa maior admiração é a Educação Infantil, pois são eles, os primeiros alunos, que ajudam na busca pela formação em Educação Física. Estudando sobre o quanto o movimento é importante para o desenvolvimento deles que percebe-se que continuar a estudar é no mínimo obriga- ção de cada professor, e que o prazer pelo crescer desses alunos de maneira saudável e com confiança faz com que o professor entenda sua função na sociedade. Na Educação Infantil, a brincadeira é o mais importante, inclusive durante as atividades corporais. Qualquer que seja o conteúdo, como a Ginástica, por meio de tarefas lúdicas os alunos experimentam diferentes maneiras de andar, correr, pular e se esticar, aprendendo inclusive a interagir com os colegas. A Ginástica na Educação Física Escolar se apresenta como um conteúdo de caráter formativo que propicia a vivência de atividades de movimentos de locomoção, manipulação, equilíbrio e utiliza como procedimento metodológico vivências de formas variadas de movimentos, com ou sem o uso de materiais auxiliares. Dentro dessa perspectiva de estudos em relação à ginástica, nota se que: • os movimentos dos animais são empolgantes e uma ginástica natural adaptada à Educação Infantil é certamente eficaz. • como as crianças são pura energia, é preciso que estejam calmos para entender bem os comandos do professor. É preciso acalmá-los para depois iniciar a atividade. • os comandos do professor precisam ser claros e repetidos quantas vezes forem necessárias. Não é prontamente que a criança percebe o comando, pois como ela está ligada em tudo e prestando atenção no mundo a sua volta, pode ser que, por exemplo, um passarinho na árvore esteja lhe chamando mais atenção que o comando do professor. 21 Certamente isso não indica hiperatividade ou qualquer outra dificuldade de aprendizagem, mas sim inteligência e capacidade acima da nossa. • nessa faixa etária a criança não fica longos períodos concentrada na mesma atividade, portanto utilizar várias atividades com curta duração é mais recomendável que uma de longa duração. Sempre ter outras atividades planejadas para o caso de uma delas ficar sem motivação. Oksana Kuzmina/Shutterstock • é importante propor atividades de subir e/ou descer, em cima e/ou embaixo, de localização (em cima da cadeira, embaixo do banco, entre colegas, ao lado da bola, etc.), dentro e/ou fora, grande e/ou pequeno, maior e/ou menor, curto e/ou comprido, fazer caminhos retos com giz colorido, curto e/ou comprido, esticar pedaços de barbante curto e/ou comprido, balões com cordões curto e/ou comprido, alto e/ou baixo, aberto e/ ou fechado, abrir e fechar, com o intuito de desenvolver a orientação espacial. • é necessário planejar atividades do dia a dia, como abrir e fechar garrafa pet, pendurar pregadores de roupa, pendurar a roupa, abrir o botão da blusa, fechar o zíper da calça, abrir ou fechar a tampa da caixa, etc. • para ter sucesso com os alunos é preciso conquistá-los a ponto de obter uma relação de cumplicidade para que o envolvimento seja total durante as atividades. • é importante permitir que as crianças fiquem no comando da brincadeira, percebam-se seguras e tenham a oportunidade para recriá-la, inventar outras regras, produzir novos conhecimentos. • é importante perguntar se as crianças têm ideia de outras atividades, de outros exemplos de movimento diferentes. Elas sempre apresentam ótimas sugestões. Objetivos da ginástica na escola • Vivenciar os elementos das várias formas de ginástica; • Construir outras formas de movimentar-se corporalmente; • Reconhecer suas possibilidades de movimentação corporal, compreendendo e respeitando as diferenças individuais; • Aplicar os conhecimentos adquiridos na resolução de desafios corporais; • Reconhecer algumas das alterações fisiológicas ocorridas no corpo durante e após a ginástica. Importância da ginástica na escola Os elementos fundamentais são a base para os demais elementos da cultura corporal. O aluno deve aprender a ter conhecimento dos limites e possibilidades do próprio corpo, permitindo um trabalho com desafios corporais. Exemplos de movimentos da ginástica: marchar, subir, descer, saltar, levantar, transportar, correr, lançar, atacar, defender, quadrupedar, equilibrar etc. Cada um tem seu ritmo Segundo DIDONÊT (2006), durante as atividades deve-se fazer avaliações individuais. Esse acompanhamento é essencial para conhecer cada um e respeitar seus limites. Sabe-se que com 3 meses o bebê sustenta a cabeça; com 5 vira o corpo no berço; com 6 já fica sentado; e com 1 ano começa a andar. Mas isso não é regra. Quem não se encaixa nesse padrão não tem necessariamente um problema. Por isso, é importante saber se os pequenos moram em casa ou apartamento, se são levados para passear no parque ou se tiveram algum tipo de doença que possa ter afetado seu desenvolvimento. Assim, o professor compreende as necessidades de cada um e pensa em estímulos para favorecer a evolução deles. A competição ensina O momento da brincadeira é ideal para incentivar o respeito entre os colegas, principalmente quando há a ideia de competição. As crianças precisam perceber que estão dando o seu melhor, independentemente de estarem numa competição. Numa das disputas que mais fazem sucesso, dois grupos, de pés descalços, têm de correr até o outro lado do corredor para colocar os sapatos antes do adversário. Se alguém está muito lento, precisa ouvir gritos de estímulo e nunca vaias. Na etapa em que é preciso carregar água num copo descartá- vel, o desafio é aliar rapidez e equilíbrio. Divididos em duas filas adversárias, os pequenos levam o líquido até o outro lado da sala, despejam-no em um recipiente e voltam correndo, dando a vez a 22 outro colega. É necessário deixar que eles experimentem várias velocidades. Dessa forma, percebem que, quando correm muito, a água pode ser derrubada. A práticaadequada pede que o professor corrija sem apontar o erro como algo negativo. Como cada um aprende de um jeito, é preciso modificar as formas de orientação. Além de reproduzir um movimento feito pelo adulto, às vezes a criança precisa ouvir, passo a passo, como fazê-lo. Todos participam Observar as crianças brincando na hora do recreio é uma boa maneira de conhecer melhor o grupo. Se alguém nunca participa de uma atividade, pode estar acontecendo uma exclusão pelos colegas. Além disso, tanto o educador quanto a família precisam informar quando uma criança apresenta-se frequentemente triste e reclusa para que ambos possam ajudá-la. A falta de estímulo ocorre também por dor ao repetir determinados movimentos. O que pode causar mais problemas são as atividades de impacto, como correr e pular. A orientação é alinhar o pé, o joelho e o quadril da criança. Se ela corre com o pé para fora, pode forçar o joelho para dentro. Para correr com conforto, o ideal é olhar para frente e alternar os braços. É importante evitar a repetição de um só movimento na mesma aula e não permitir que os pequenos carreguem caixas e brinquedos que estejam acima de 10% do próprio peso. Com esses requisitos atendidos, eles terão um bom desenvolvimento muscular e motor e, acima de tudo, uma infância bem vivida. Atividade permanente: desafio corporal Não existe uma fórmula para criar um ambiente corporalmente desafiador. No entanto, bons exemplos podem ajudar, mostrando como o espaço deve ser organizado para favorecer a pesquisa de movimentos e a estimulação dos sentidos das crianças. Observe que a diversidade deve ser contemplada para além do tipo de objeto. A disposição e o tamanho de cada um são pensados pelos educadores para possibilitar a participação diária de todos sem colocar em risco a segurança e a autoconfiança dos pequenos. Essa preocupação, de acordo com o livro Educação de Bebês em Infantários, de Jacalyn Post e Mary Hohmann, é importante para incentivar diversas interações. Objetos grandes e pequenos, colocados no alto e mais próximos ao chão, permitem que os bebês investiguem meios de alcançar todos eles. Além disso, garantir que na sala existam peças grandes, como as de mobiliário, evita que eles vejam o adulto como um gigante. Além de garantir um bom trabalho com movimento, essas intervenções rendem frutos para a construção e o desenvolvimento da autonomia e da identidade, outro eixo fundamental na Educação Infantil. Atividades Atividade 1 – movimento natural – andar Com a voz de comando do professor, a criança deve andar pelo espaço da sala, andar mais lento, andar rápido, andar de lado, andar na ponta do pé, andar com um pé só, andar pulando com os dois pés juntos (coelho). Andar por entre os obstáculos, andar com as mãos na cabeça, andar com um dedo no nariz, com as mãos na cintura, andar marchando, com as mãos no joelho, com um pé na frente do outro. Repetir os comandos mais de uma vez. Para descontrair: em roda, realizar as brincadeiras morto-vivo e estátua. Atividade 2 – conhecendo o corpo • Estando os alunos organizados numa grande roda, utilizando uma só bola, sentados, devem passar a bola para o colega ao seu lado (sem jogar). Iniciar a atividade com a execução lenta e aumentar a velocidade gradativamente. Adicionar aos poucos mais bolas na brincadeira. Trocar de sentido, de horário para anti-horário. • Cada aluno, com uma bola de pano, deve rolar a bola na perna, do pé para a coxa e da coxa para o pé. No braço, na barriga. • Sentados em roda, com as pernas estendidas e unidas, pedir aos alunos que encostem as mãos nos pés e retornem com os braços acima da cabeça. • Para a próxima sequência de exercícios, explore todas as possibilidades de movimento. Movimentar os pés, os joelhos, os ombros, a cabeça, a cintura. • Sentados em roda, com as pernas afastadas, executar os movimentos da seguinte forma: mão direita no pé direito, mão esquerda no pé esquerdo, mão direita no pé esquerdo, mão esquerda no pé direito, as duas mãos no pé esquerdo, e em seguida no pé direito. • Ainda em roda, porém em pé, brincar de Morto-vivo, em que morto é a posição agachada e vivo, a posição em pé. Variação: colocar um aluno para o comando da brincadeira. Sugestão: aproveitando a organização em roda, trabalhe a música a seguir com gestos. Ensine e repita a letra e a melodia algumas vezes. Cabeça, ombro, joelho e pé Cabeça, ombro, joelho e pé, joelho e pé. Cabeça, ombro, joelho e pé, joelho e pé. Olhos, ouvidos, boca e nariz. Cabeça, ombro, joelho e pé, joelho e pé. (Cantiga popular) 23 Para acalmar as crianças, pedir que deitem e estendam os braços para cima em direção ao teto, movimentando os dedos. Ao seu comando, diminuir a velocidade do movimento até parar. Descer as mãos até o coração e fechar os olhos. Permaneça assim pelo tempo que os alunos permitirem, mas pelo menos 45 segundos. Atividade 3 – coordenação motora ampla Estando os alunos à sua frente, trabalhe primeiramente as posturas: • estando os alunos em pé, posicione-se de forma a ficar com a coluna ereta, pernas e pés unidos, braços ao longo do corpo, queixo para frente; • estando os alunos sentados no chão, posicione-se de forma a ficar sentado com as pernas cruzadas (como na ioga), coluna ereta e mãos sobre os joelhos; • realize gestos em pé, lentamente, e incentive as crianças a acompanha-lo, imitando seus gestos, como: • rotação, flexão e extensão do pescoço, flexão lateral do pescoço (para esquerda e para direita) • flexão frontal e lateral do tronco com as mãos na cintura • elevação e depressão, rotação dos ombros, em ambos os sentidos • elevação frontal dos braços estendidos e rotação das articulações do ombro (simultaneamente e alternadamente) • elevação frontal dos braços estendidos e rotação das articulações do ombro (simultaneamente e alternadamente) • circundação do quadril (da direita para a esquerda e da esquerda para a direita) • elevação frontal da perna alternadamente, estendida e flexionada • elevação lateral da perna alternadamente, estendida e flexionada • flexão simultânea dos joelhos • dar um passo à frente e voltar • dar um passo para trás e voltar • dar um passo lateral e voltar • balançar o corpo • balançar os braços • movimentar os braços imitando uma tesoura, nado e voo • pés unidos, flexionar o tronco para frente, em ângulo reto, e em seguida em ângulo agudo • pés separados, flexionar o tronco para frente, em ângulo reto, e em seguida em ângulo agudo Em outro momento, pode-se adaptar esses movimentos para a postura sentada, deitada etc. Use sua criatividade para tornar a aula divertida. Movimentos com as mãos • Abrir e fechar as mãos (alternadas e depois as duas ao mesmo tempo). • Rotados punhos. • Movimentos dos dedos, um de dada vez e simultaneamente. • Mãos fechadas, abrir um dedo de cada vez. • Movimento de supinação e pronação. • Mãos frente à frente, abrir e fechar os braços. • Gesto de lavar as mãos. • Fazer sinal de “positivo” (polegar para cima). • Fazer sinal de “negativo” (polegar para baixo). • Acenar (como dizendo “adeus”). • Balançar as mãos. • Colocar as mãos juntas, postas como para uma prece (primeiro com os dedos esticados, depois com os dedos cruzados). • Acariciar o colega ao lado. • Cumprimentar o colega ao lado. Movimentos com os pés • Realizar a Flexão Plantar – Flexão Dorsal. • Realizar a Inversão e Eversão. Abrir os pés (para fora). • Movimentar os tornozelos (alternados). • Movimentar os dedos (quando descalços). • Movimentos com os pés (em pé). • Tocar uma ponta do pé no chão (alternar). • Tocar um calcanhar no chão (alternar). • Ficar na ponta dos dois pés. • Ficar sobre os dois calcanhares. • Afastar a ponta dos pés. • Afastar os calcanhares. • Ficar sobre um pé só (alternar). • Permanecer sobre a ponta dos pés. Atividade 4 – sincronismo Orientar as crianças para andar livremente pela sala, depois proponha a realização de exercícios diferentes. Movimentos de pernas e braços, sincronizados, ajudam no desenvolvimento da coordenação motora. 24 Em pé • Com a perna direita e o braço direito, realizar movimentos comoelevar à frente, ao lado ou atrás do corpo. Movimentos de rotação com amplitude pequena. Movimentos de Flexão e extensão. Repetir com o lado esquerdo. • Mover livremente pernas e braços do lado direito depois lado esquerdo. • Tocar o pé direito com a mão direita, repetindo com a esquerda. • Tocar a mão direita no pé esquerdo. • Tocar a mão esquerda no pé direito. • Elevar uma perna por vez e abraçar as duas. • Estando de joelho, levantar-se sem a ajuda das mãos. • Em duplas e de mãos dadas as crianças levantam da posição de cócoras, levantam-se simultaneamente e na sequência, alternadamente. Deitados • Elevação das pernas (alternadas). • Elevação das pernas (simultaneamente). • Flexão das pernas, trazendo os joelhos até o peito (alternadas, depois simultaneamente). • Elevar as pernas e fazer movimentos de tesoura. • Elevar as pernas e fazer movimentos de bicicleta. • Flexionar as pernas fechadas sobre o corpo. Atividade 5 – equilibrando Movimentos na ponta dos pés Consiste em manter-se na ponta dos pés e realizar as seguintes posturas: com os olhos abertos, olhos fechados, braços abertos, braços ao longo do corpo, pés juntos, pés separados, etc. Caminhar Sobre uma corda estendida no chão, uma escada da madeira colocada no chão ou de pé, arcos (bambolês) postos sobre o chão, pode-se criar um circuito para os movimentos. Atividade 6 – movimentos faciais Em roda, explorar os movimentos faciais o máximo possível. Proponha os seguintes movimentos: • piscar: com um olho, com o outro, alternando direito/esquerdo, simultaneamente direito/esquerdo, arregalar os olhos. • olhar: através de um canudo formado com uma das mãos (alternar mão e olho), através de um binóculo formado com duas mãos, sem virar a cabeça olhar para o colega da direita e depois da esquerda, para o chão sem abaixar a cabeça e para o teto sem elevar a cabeça. • abrir e fechar a boca. Abrir a boca ao máximo. Fechar a boca ao máximo. • com a boca aberta, movimentar a língua para o lado direito, para o esquerdo, fazer movimentos rotatórios com a língua. Com a boca fechada, pressionar as bochechas com a língua (alternar). • encher as bochechas de ar (alternar e depois as duas juntas). • estalar a língua. • assoprar. • assobiar. • franzir o nariz. • sorrir. • fazer expressões de tristeza, espanto, preocupação, brabo, pensativo. • movimentar os lábios. • mastigar. Fazer caretas, além de divertido, estimula a criatividade. Propor que as crianças criem e compartilhem outras caretas. Atividade 7 – gestos diários Pode ser realizado em pé ou sentado. Assim que as crianças desenvolverem a percepção desses movimentos pode-se também utilizar mímicas para tornar mais lúdica a atividade. Espreguiçar, bocejar, esfregar os olhos, coçar a cabeça, lavar as mãos, lavar a cabeça, lavar o rosto, escovar os dentes, pentear os cabelos, limpar as orelhas, tomar banho, coçar a barriga, calçar os sapatos, abotoar o casaco, comer, mastigar, beber, engolir, fazer carinho, dar beijos, dar abraços, tossir, espirrar, dormir, acordar, abrir a boca, rebolar, fechar os olhos, etc. Atividade 8 – em duplas Orientar as crianças para realizar as atividades com as mãos dadas. Braços para frente, braços para baixo, inclinar o tronco para frente, inclinar o tronco para trás, marchar no mesmo lugar, balan- çar os braços, dar um passo para frente, dar um passo para trás, andar para a direita, andar para a esquerda, colocar um pé para frente (alternar), flexionar o joelho (alternar), ficar sobre um pé só (alternar), agachar, ajoelhar, sentar, deitar, etc. Atividade 9 – memória de movimentos Criar uma sequência de movimentos simples e aumentar o grau de dificuldade de acordo com a resposta das crianças. • Tampar os ouvidos, cruzar os braços, erguer uma perna e elevar os ombros. • Dar um passo a frente, flexionar e estender os joelhos, abrir os braços e ficar na ponta dos pés. • Bater uma palma, dar um chute no ar, abrir e fechar as mãos e mexer a cabeça. 25 Atividade 10 – ginástica com faz de conta Em creches e pré-escolas, o trabalho corporal é acompanhado de muita brincadeira. Só assim faz sentido para os pequenos. Sou a dona Aranha! Vou pegar essas mosquinhas e prendê-las na minha teia!. Este é um bom começo para iniciar a brincadeira com as crianças, pois a fantasia é com certeza o melhor fator motivacional para os pequenos, para que corram e se remexam pela sala. Com um bicho feito de cordas nas mãos, pode-se brincar de pega-pega com os “insetos”. Quem é capturado acompanha a dona Aranha para onde ela for. Afinal, fica grudado em sua teia. Para crianças maiores, variar a brincadeira. Formar uma roda com todos sentados no chão e, com um rolo de barbante na mão, apontar para alguém e falar: Se eu fosse uma aranha, subiria até o céu. Vai desenrolando o fio até chegar à criança, que diz: Eu iria até o fundo do mar... e aponta para outro colega. Assim, atravessando a roda de lá para cá, o barbante forma uma grande teia, fixada em diferentes pontos da sala. Cantarolando a música Dona Aranha, as crianças engatinham por baixo da teia e passam entre os fios, dançando e se equilibrando. Assim, todos aprimoram a destreza nos movimentos. Brincadeira com movimento... • Aprimorar gestos e ritmos corporais. • Estimular a descoberta dos limites do corpo. • Sensibilizar para o convívio com os colegas. O elefante na teia de aranha Um elefante Se pendurou Numa teia de aranha Mas quando viu Que a teia resistiu Foi chamar outro elefante... (Repetir a letra com dois elefantes, depois com três, sucessivamente, até alcançar o número de crianças da classe). Acompanhando a cantiga, todos formam uma roda, sacodem os braços, as pernas e a cabeça, giram sobre o próprio eixo, põem a mão na cintura e rebolam. Numa animação só, a turma levanta um dos braços e grita “hey!” para finalizar o remelexo. Apesar de acharem divertido, nem todos conseguem fazer os movimentos. Alguns só observam antes de participar. Para encorajá-los, pode-se chamar cada um pelo nome e mostrar como se faz, de maneira divertida e com respeito às individualidades. Inclusão – dicas para não deixar ninguém de fora Uma adaptação para que deficientes visuais participem da atividade da teia de aranha, desenvolvida nas aulas, é a seguinte: o professor pode pegar na mão da criança e ajudá-la a sentir os fios e se movimentar entre eles, bem como orientá-la a erguer a perna para pulá-los ou se abaixar para passar por baixo deles. Depois de algum tempo, ela ganha autonomia na atividade. A etapa do circuito com água pode ser adaptada ao cadeirante. Se ele se movimenta bem com a cadeira, pode movê-la com uma mão e carregar o copo com a outra. Se isso não for possível, ele leva o copo e um colega empurra a cadeira. Mesmo nesse caso, a habilidade do equilíbrio é desenvolvida. O colega que empurra, por sua vez, precisa observar se a velocidade é adequada. Além disso, o trabalho conjunto pede o diálogo durante a brincadeira. Os dois interagem para encontrar a melhor fórmula de acelerar sem perder o equilíbrio. Eu danço rock’n’roll Eu danço rock’n’roll, Eu danço rock’n’roll, Assim é bem melhor, hey! (Dançar em círculo, girar no próprio eixo e bater uma palma) Eu boto a mão direita dentro, Eu boto a mão direita fora, Eu boto a mão direita dentro E eu sacudo, ela agora. (Sacudir a mão dentro e fora do círculo. Repetir a letra e a dança com mão esquerda, pé direito, pé esquerdo, cabeça e bumbum.) Atividade 11 – teia de aranha Providencie uma fita adesiva e jornais amassados para uma brincadeira de teia de aranha pegajosa. Esticar a fita em uma parede/ teto e a criança deverá arremessar o jornal na teia. Atividades baratas oara fazer com seu filho. Disponível em: . Acesso em: 19 de maio de 2016. Atividade 12 – cama de gato Fios amarrados entre paredes, carteiras, etc. As crianças deverão passar entre eles. Pode-se colocar um “prêmio” ao final da aventura. Outra variação é colocar sininhos para que, quando o aluno mexer o barbante, faça um barulho e ele deverá retornar ao ponto de partida. Atividade 13 – escorregador maluco Transforme uma caixa velha num escorregador.Usar uma escada que tenha na escola. Atividade 14 – pegadas malucas Pintura com pegadas, utilizando plástico bolha. Atividade 15 – tiro ao alvo Tiro ao alvo usando giz e esponjas. Marcar vários círculos com pontuação. A certa distância a criança deverá arremessar a esponja molhada no alvo. Pode-se variar a distância, mão direita e esquerda, de costas, etc. Atividade 16 – pista de corrida Pistas de corrida com fitas coloridas no chão, com carrinhos pequenos. 26 UNIDADE 6 Motivação Motivação Conjunto de fatores psicológicos (conscientes ou inconscientes) de ordem fisiológica, intelectual ou afetiva, os quais agem entre si e determinam a conduta de um indivíduo. (Novo Aurélio Século XXI – Dicionário Digital da Lígua Portuquesa) Desenvolvimento cognitivo São vários os caminhos que conduzem à compreensão de como se dá o desenvolvimento da inteligência na criança. Vejamos três interpretações: 1. A primeira enfatiza o meio. Todo conhecimento consiste em aquisições que partem de fora. 2. A segunda é a pré-formada. A inteligência é inata. 3. A terceira é a interação, ou seja, o conhecimento é construído durante as interações com o mundo. Nos jogos, a novidade qualitativa reside no fato de que é o processo de aprendizagem em si e não a realização de um ato consumatório que fornece motivação. Konrad Lorenz Atividades motivadoras no desenvolvimento cognitivo da criança Atividade 1 – saída diferente 1 • Formar filas misturadas de meninos e meninas. • Sair da sala diferente: bumbum no chão, “sem” os braços, sem colocar as mãos no chão, em duplas um puxando o outro pelas mãos, pés, rolando, etc. Usar sua imaginação e criatividade. Observações: verificar o chão e certificar-se de que não há nada que possa machucar os alunos ou rasgar a roupa. Solicitar autorização da direção e da pedagoga para essa atividade. Atividade 2 – saída diferente 2: fantasma mudo Sair em fila, cantando, realizando movimentos simples, brincando de fantasma mudo, desde que se tenha noção de que o respeito e a conservação do ambiente sadio para toda escola é um dever dos alunos. Atividade 3 – roda da novidade Você pode se utilizar de um objeto que passará de mão em mão, para que todos possam contar uma novidade e explorar a vontade de falar, bem como desenvolver o saber ouvir. Essa prática não precisa ser feita em todas as aulas, porém é bem provável que os alunos peçam para que a roda da novidade aconteça em todas as aulas. Atividade 4 – cumprimento amigo Caminhar e cumprimentar com as partes do corpo. Trabalhar todo esquema corporal, desinibição, integração. Atividade 5 – mãe-cola abraço I e II • Quem for colado, salva dando um abraço. • Salvar levantando o colega. Atividade 6 – mãe-cola salva com partes do corpo Para salvar quem for colado, encostar no outro a parte do corpo que você solicitar. Atividade 7 – mãe-cola estátua Quem for colado, fica em posição de estátua bem criativa. Para salvar, o colega deve imitar a estátua do que está colado. Atividade 8 – corpo humano Desenhar o corpo do colega no chão com giz. Andar por cima das linhas do corpo, posicionar-se sobre as partes após o seu comando. Atividade 9 – elefante colorido Um participante é escolhido para comandar. No caso de crian- ças mais novas o ideal é que seja um adulto. Ele fica à frente dos demais e diz: Elefante colorido!. Os outros respondem: Que cor?. O comandante então grita o nome de uma cor e os jogadores correm para tocar em algo que tenha aquela tonalidade. Quanto mais longe o acesso à cor, mais difícil o jogo fica. Para os mais velhos a brincadeira ficará mais divertida se o comandante perseguir os outros participantes e tentar capturá-los antes que eles cheguem à cor. O primeiro capturado vira o próximo comandante. Atividade 10 – barra manteiga Formar dois times que devem ficar em fila, frente a frente, com as mãos estendidas. Um integrante de uma equipe vai até os colegas da outra e começa a bater nas mãos de um por um, enquanto todos cantam. Quando disserem a última sílaba, quem estiver prestes a levar o tapa deve tentar retirar a mão antes de apanhar. Se conseguir, sua equipe ganha. Se não, ela precisa correr atrás de quem bateu. Se o pegar, leva o ponto. Caso contrário, quem marca é a equipe adversária. Os adversários estendem a mão com a palma para cima e ele bate em cada uma seguindo o ritmo da música: Barra manteiga, na fuça da nega Minha mãe mandou bater nesta daqui 1, 2, 3! Atividade 11 – aviãozinho Construir aviãozinho de papel com papel de rascunho (usado). Para aprender a construir diversos tipos de aviõezinhos, visite o blog: . 27 Atividade 12 – lençol amigo Com um lençol, não deixar a bola cair. Diversas variações. Atividade 13 – dança da cadeira cooperativa Um aluno sem cadeira e o restante dos alunos, cada um com a sua. Ao tocar a música, todos dançam em volta da roda de cadeiras. Ao parar a música, cada um tentar sentar numa cadeira. Aquele que sobrar senta no colo de um colega. Tira-se outra cadeira e recomeça a música. E assim, sucessivamente, até sobrar uma cadeira e todos sentarem no colo do aluno que sentou nela. Atividade 14 – bexigas malucas I e II 1. Dançar conforme os ritmos musicais e trabalhar partes do corpo. 2. Dançar conforme a música e todos jogando as bexigas para cima. Você dirá a cor de uma bexiga e os alunos que tenham essa cor devem largá-las no ar. Atividade 15 – pega-pega com tinta Objetivos • Vivenciar o jogo pega-pega interagindo com as demais crianças; • Compreender as regras do jogo adaptando-se às exigências dele. Recursos Tinta, camisetas, recipiente para a tinta. Variação do jogo pega-pega, que consiste, num primeiro momento, na organização do espaço e das crianças. No local, colocar um recipiente com tinta. As crianças vestirão camisetas de adulto para não sujarem suas roupas. O pegador deve colocar as mãos na tinta e correr em direção a um colega para deixar sua impressão marcada na camiseta. Esse, por sua vez, quando pego, tornar-se-á o pegador e, então, cumprirá as mesmas regras. Atividade 16 – telefone sem fio Em uma coluna, um aluno fala uma palavra ou pequena frase no ouvido do colega da frente e este passa a palavra para o pró- ximo, até que o último aluno fale em voz alta a palavra ou frase dita pelo primeiro. Atividade 17 – colchão de bexigas Objetivos • Explorar e conhecer as possibilidades de movimento do corpo; • Vivenciar diversas formas de movimento que envolvam deslocamento e equilíbrio; • Adquirir confiança na movimentação corporal, superando desafios. Recursos Capa para edredom, ou para colchão, e bexigas. Dentro de uma capa, colocar bexigas em número suficiente para encher o espaço interno e, assim, formar um colchão de bexigas. Primeiramente, colocar o colchão num espaço amplo e de superfície lisa, em que as crianças possam explorar livremente os movimentos. Em seguida, propor novos desafios às crianças: andar sobre o colchão de diferentes formas, rolar lateralmente e para frente, engatinhar, pular, entre outros. Após esses desafios, as crianças criam outras formas de explorar o material, adquirindo confiança em suas movimentações. REFERÊNCIAS ANDRADE, Luiza. Riscar e aprender. Disponível em: . Acesso em: 18 de maio 2016. ARAÚJO, R.; VALADARES, S. Educação física no cotidiano escolar: 88 jogos ao ar livre. Belo Horizonte: Fapi, 1999. ARAÚJO, V. C. de. O jogo no contexto da educação psicomotora. São Paulo: Cortez, 1992. BARRETO, Débora. Dança, ensino, sentido e possibilidades na escola. Campinas: Autores Associados. BERTAZZO, Ivaldo. Espaço e corpo – guia de reeducação do movimento. 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