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1 A RESPONSABILIDADE SOCIAL COMO ESTRATÉGIA NA GESTÃO EMPRESARIAL Jeordon Eudrique Isidoro1 Luiz Henrique Paulino2 Resumo: Este trabalho aborda aspectos relevantes da responsabilidade social empresarial, destacando seus processos históricos e teorias que explicam essa estratégia. Destaca-se a preservação ambiental e outras teorias para a melhoria na qualidade de vida da sociedade. Da mesma forma é abordado a divulgação do balanço social das empresas e seus benefícios. As ferramentas necessárias para uma gestão empresarial ética são essenciais para a administração contemporânea. Buscando o bem estar dos clientes, fornecedores e da sociedade, tornado-se assim socialmente responsável. A nova maneira de consumir tem mudado a visão estratégica das empresas, que buscam se firmar no mercado atual. A responsabilidade social assume o papel de uma importante ferramenta de gestão que também pode resultar em inúmeros benefícios para a sociedade. Palavras-chave: responsabilidade social; estratégia; consumidor; preservação ambiental; balanço social. Abstract: This paper addresses aspects of corporate social business responsibility their historical processes and theories that explain this strategy. It addresses the environmental preservation and other theories to improve the quality of life society. Likewise is discussed in the disclosure of the social enterprises and their benefits. The tools for business management ethics are essential to contemporary management. Seeking the welfare of customers, suppliers and society, thus becoming socially responsible. The new way to consume has changed the strategic vision of the companies, seeking to establish itself in 1 Formado em administração de empresas, Administrador 2 Formado em administração de empresas, Administrador 2 the market today. Social responsibility accept the role of an important management tool that can also result in numerous benefits to society. Key words: social responsibility; strategy; consumer; environmental preservation; social report. 3 CONSIDERAÇÕES INICIAIS A administração está buscando caminhos estratégicos para a sobrevivência das empresas no mercado atual. Cada vez mais competitivo e afunilador, seja por dificuldades impostas pelo sistema tributário nacional ou pela competição por espaço que está cada vez mais difícil. Essa dificuldade, em grande parte se dá, pela mudança de conceitos e valores que, a cada dia que passa se renovam ou se transformam. Nota-se que os consumidores estão mais exigentes e conscientes na hora de adquirir um bem, serviço ou produto, portanto a empresa deve se adequar a essa nova era de consumo consciente. É com esta visão que o presente trabalho expressa ferramentas para que a empresa, no seu dia-a-dia busque melhores estratégias e, consequentemente maior lucratividade. [...] as empresas mais inteligentes já compreenderam que não devem desconsiderar a sustentabilidade em suas estratégias de gestão e relacionamento com consumidores. As que possuem produto destinado ao consumidor final não poderão, nos próximos anos, ignorar esse fator como elemento importante na construção de sua marca, sob o risco de perder sintonia com clientes cada dia mais exigentes, críticos e infiéis. As “business to business” precisarão ser sustentáveis se quiserem assegurar a sua licença para operar em comunidades, preservar ou fortalecer a reputação ou mesmo evitar potenciais focos de conflito sociais e ambientais que venham a prejudicar suas atividades (www.responsabilidadesocial.com, visitado em 26/11/09, VOLTOLINI, 2009, p. 01). O grande desafio do século atual é a sobrevivência empresarial sustentável e participativa em meio aos seus clientes, fornecedores e, principalmente a sociedade. Cabe ao administrador e/ou gestor criar meios para que a empresa esteja inserida de forma atuante no mercado, para isso destaca-se a responsabilidade social e todos os seus segmentos como uma ferramenta importante neste processo. 4 1 RESPONSABILIDADE SOCIAL EMPRESARIAL A responsabilidade social é entendida como o relacionamento ético da empresa com todos os grupos de interesse que influenciam ou são impactados pela sua atuação (stakeholders), assim como o respeito ao meio ambiente e investimento em ações sociais. É a expansão e evolução do conceito de empresa para além de seu ambiente interno. Na medida em que a empresa está inserida na sociedade, observa-se uma relação de interdependência entre ambas. Segundo Santiago (2002, p. 95) numa visão global, é desejável que a pratica do socialmente responsável por uma empresa esteja inserida em sua filosofia, na sua perspectiva e em seus objetivos empresariais. A adoção dessa prática pode ser despertada pela convicção pessoal dos dirigentes ou por concepções empresariais estratégicas como forma de atingir reais objetivos socialmente responsáveis ou seus objetivos gerados pelos eventuais benefícios produzidos pela adoção da responsabilidade social. Em 1899, Andrew Carnegie, fundador do conglomerado U.S. steel corporation, publicou um livro entitulado: O evangelho da riqueza, que estabeleceu a abordagem clássica da responsabilidade social das grandes empresas. A visão de Carnegie baseava- se nos princípios da caridade e da custodia. O principio da caridade exigia que os membros mais afortunados da sociedade ajudassem os menos afortunados, e o principio da custodio derivado da bíblia, exigia que as empresas e os ricos se enxergassem como guardiões ou zeladores, mantendo suas propriedades em custodia, para beneficio da sociedade como um todo. Nas décadas de 1950 e 1960, os princípios da caridade e da custódia eram amplamente aceitos nas empresas americanas, à medida que os gestores das empresas admitiam que “o poder traz responsabilidade” (STONNER e FREEMAN, 1985, p.72). Foi somente após os efeitos da 2ª Guerra Mundial que a idéia de que a empresa deveria se preocupar não somente com os acionistas, mas também com toda a sociedade a qual a mesma afetava. 5 Nas décadas de 70 e 80, a convergência de varias forças econômicas, como aumento nos custos de energia, aumento da inflação e da dívida nacional, fez com que alguns estudiosos reexaminassem as noções de responsabilidade social empresarial (STONNER e FREEMAN, 2006, p.46). A doutrina se difundiu pelos países europeus, tanto nos meios empresariais, quanto nos meios acadêmicos. Na Alemanha percebeu-se o rápido desenvolvimento do tema, com cerca de 200 das maiores empresas desse país, integrando os balanços financeiros aos objetivos sociais. Porém, a França é quem deu o passo oficial na formalização do assunto. Foi o primeiro país a “obrigar as empresas a fazerem balanços periódicos de seu desempenho social no tocante à mão-de-obra e às condições de trabalho”. Com maior participação de autores na questão da responsabilidade social, o final da década de 90 apresenta a discussão sobre as questões éticas e morais nas empresas, o que contribui em modo significativo para a definição do papel das organizações. 6 2 AS FUNÇÕES DAS ORGANIZAÇÕES Todas as organizações produtivas têm em comum a necessidade de organizar sua mão-de-obra, de gerir seu capital e definir seu nível tecnológico, da maneira que melhor lhe permita enfrentar a concorrência local, nacional e internacional. Nesse plano, a globalização, se de um lado acirra a competição, de outro, com sua surpreendente tecnologia de comunicação e sua sempre mais rápida mobilidade de capitais, oferece às empresasuma gama mais ampla de escolhas e um conjunto mais variado de iniciativas para permanecer no mercado. A idéia de responsabilidade social incorporada aos negócios é relativamente recente. Com o surgimento de novas demandas e maior pressão por transparência nos negócios, empresas se vêem forçadas a adotar uma postura mais responsável em suas ações. (www.responsabilidadesocial.com), consultado em 03 de outubro de 2009, p.3). Em face da concorrência, a empresa deve procurar os canais certos para se manter em sintonia com o mercado. Essa busca leva-a rapidamente a perceber que não pode manter-se como uma organização fechada, isolada e rígida. Diversos espaços de interlocução estão ao alcance das empresas contemporâneas. A empresa deve ser capaz de interagir com os atores sociais que atuam em seu interior (entidades de representação dos trabalhadores e suas centrais sindicais). Deve ser preparada a integração no campo dos negócios de forma a dialogar com as diversas entidades que a representam (sindicatos e associações empresarias, institutos e centros de pesquisas). Também manter e renovar a confiabilidade e o respeito mútuo em suas relações com grupos externos (fornecedores, clientes, agencias de publicidade e marketing, instituições públicas e privadas de crédito, organismos jurídico-legais do estado etc.) 7 Os movimentos de diversificação tecnológica, de reconversão nos setores industrial e de serviços, de descentralização das instalações produtivas, que cada vez mais exigem ação sinérgica entre empresa e sociedade (SILVA, 2001, p.34). Experiências internacionais apontam com clareza que hoje há uma crescente preocupação em combinar o sucesso empresarial, delimitados pelos desafios de reorganização produtiva, tecnológica, administrativa e organizacional, com uma conduta socialmente responsável. A possibilidade de combinar a rentabilidade com a responsabilidade social é demonstrada por estudos pelo instituto Franklin Research e Developement em 1984, os quais mostram que as 100 empresas que assumiram praticas socialmente responsáveis têm obtido globalmente melhores resultados entre as 500 empresas citadas e referendadas pela Standard e Poors nos USA (Mamou-Mani, 1995, p.39). Para Freire (2001, p.35) a lógica preponderante das empresas sempre foi a da produtividade em função da lucratividade, permanecendo oculta, ou submetida a essa lógica, a sua capacidade de responder às demandas sociais de seus interlocutores. Já Tibúrcio (2001, p.36) afirma que se o lucro de uma empresa for ameaçado por qualquer que seja o motivo, com certeza o progresso social que ela proporcionava com suas ações, consequentemente, também é afetado. Por isso muitas corporações e institutos desenvolvem e promovem projetos e estudos para minimizar os prejuízos de empresas socialmente responsáveis. Com o objetivo de torná-las “espelho” para as demais empresas do mesmo ramo e que, geralmente, são concorrentes. As funções das organizações empresariais não se limitam a representar o interesse de seus filiados, mas sempre procuram aprimorar e diferenciar suas atividades a fim de fornecer consultorias técnicas e jurídicas, proporcionar programas educativos, organizar sistemas informativos e de comunicação, elaborar atualizadas analises da situação econômica regional, nacional e internacional. 8 Estas organizações são consideradas estruturas de intermediação entre os grupos sociais e as autoridades públicas, justamente pelos elos que mantém interna e externamente com o mundo empresarial. A mudança na cultura empresarial, à medida que o empenho na agenda social comporta a abertura de novos canais, que vão muito além das clássicas funções a elas destinadas e são relativos aos desafios de modernização, inovação tecnológica e gerência administrativa (Martinelli, 1994, p.40). A percepção de que existem problemas sociais urgentes e pertinentes às atividades das empresas, leva algumas entidades a tomar iniciativas de formatar ações cooperativas, engajando seus associados na interlocução de poderes públicos. As entidades dispõem-se a atuar e alocar recursos e energias para os órgãos públicos – locais, estaduais e nacionais – e outras instituições, para implementação de programas dirigidos a algum segmento especifico da sociedade. O reconhecimento de que a empresa tem uma função social leva as entidades representativas a propor ações que visam sensibilizar os empresários a rever a organização de suas empresas com base em princípios fundamentalmente éticos, morais, aliados ao bom desempenho econômico e ao respeito das regras institucionais. Várias atividades de formação são realizadas para estimular novas posturas que permitam ampliar o respeito das regras-obrigações empresariais vigentes e que instituam alguns princípios morais fundamentais. A preocupação em promover a eficácia e a eficiência empresarial afirma-se em contraste com toda e qualquer atuação no setor social. Para essa atitude, todas as iniciativas diretas ao campo social proporcionam custos adicionais às empresas; consequentemente devem ser evitadas ou devem ser postergadas até atingir novamente o equilíbrio do setor em crise. O impacto provocado pela urgência em reorganizar o aparato tecnológico e em recompor o mercado parece assim impor uma prioridade que desestimula as preocupações com a gestão dos recursos humanos, a preservação do meio ambiente e a preocupação de interagir com o entorno social e institucional (Souza, 2001, p.49). Muitas e diferentes são as causas de depredação da natureza, da degradação do meio ambiente e da deterioração da qualidade de vida da grande maioria da população. 9 Os responsáveis diretos também são muitos e diversificados. A solução dos problemas ambientais, ou sua minimização, exige uma nova atitude dos empresários e administradores, que devem passar e considerar o meio ambiente em suas decisões e adotar concepções administrativas e tecnológicas que contribuam para ampliar a capacidade de suporte do planeta. 3 ÉTICA EMPRESARIAL De acordo com Sabino e Rocha (2004, p. 37), ética, do latim Ethica, do grego Ethiké, é definida como uma ciência moral, cujo objetivo de estudo é os julgamentos de valor, na medida em que estes se relacionam com a distinção entre o bem e o mal. Em proposta de uma definição mais atualizada, ética significa a constituição de valores e regras pela sociedade para assegurar a convivência em harmonia. Para Alonso (2006, p.3), ética é: A palavra ética deriva do grego ethos, que significa costume. Em latim, os costumes do povo designam-se com a palavra mos, moris, dela deriva a voz moral. Por isso, do ponto de vista etimológico, pode se falar indistintamente de ética ou de moral para denominar o mesmo tema. Seguindo essas definições podemos caracterizar a ética como conjunto de regras que os seres humanos, por serem racionais, devem levar em consideração nas suas relações sociais. Especificando ética e moral, é correto utilizar os dois termos para qualificar a conduta humana boa ou má, ética ou antiética, moral ou imoral. Também se pode ver a ética por outro prisma, o de uma disciplina teórica, mas ainda assim chegar-se-á ao mesmo fim, a ética sempre voltada às relações humanas suas atitudes, seus valores. [...] Como disciplina teórica, a ética sempre fez parte da filosofia e sempre definiu seu objeto de estudo como sendo a moral, o dever fazer, a qualificação do bem e do mal, a melhor forma de agir coletivamente. A ética avalia então os costumes, os aceita ou reprova-os, dizquais ações sociais são moralmente validas e quais 10 não são [...]. Define o bem moral como o ideal do melhor agir ou do melhor ser (SROUR, 2004, p. 271). A finalidade da ética é encontrar um ponto de bem comum, onde, todos agindo bem, encontrem a realidade do ser feliz. “[...] A ética exige ultrapassarmos o “eu e você” para chegarmos a lei universal, ao juízo universalizável, ao ponto de vista do espectador imparcial ou observador ideal, ou como quer que o chamemos” (SINGER, 2000, p.10). Tratando sobre o conhecimento e entendimento da ética, pode-se associá-la à ciência, que estuda e se preocupa em explicar o comportamento humano do ponto de vista de ser social, que tem seus valores de acordo com o meio em que está inserido, dessa forma pode-se dizer que a ética se relaciona diretamente com a psicologia humana. Dessa forma pode-se concluir que só se poderá confirmar a eficácia da ética no seu total através da observação do comportamento das pessoas mediante as diversas situações que estão expostas no decorrer de sua existência. A ética é responsável pela criação de uma base que garante possibilidade de convivência e sobrevivência de um grupo, uma organização, uma nação que movidos por uma consciência ética é capaz de ponderar valores, avaliar e julgar possibilidades, a falta dessa consciência ética compromete o desenvolvimento, a sustentação e a permanência de toda essa estrutura. A ética sempre esteve ligada a realidade humana, seus primeiros registros datam- se há muitos anos atrás, na historia da humanidade. Entre os anos 500 e 300 a.C., aproximadamente encontramos o período áureo do pensamento grego. È um período importante não só para os Gregos, ou para os antigos, mas um período onde surgiram muitas idéias e muitas definições e teorias que até hoje nos acompanha. Não são apenas três pensadores (Sócrates, Platão e Aristóteles) os responsáveis por esta fabulosa concentração de 11 saber, e por esta incrível analise e reflexão sobre o agir do homem, mas talvez valha e pena esquematizar rapidamente algumas das idéias dos dois últimos para termos uma imagem de como os problemas éticos eram formulados naquele tempo (VALLS, 1993, p. 24). Ao entender-se como a ética era tratada nos seus primórdios, torna-se mais fácil sua compreensão em dias tão conturbados que a humanidade está vivendo na atualidade. Para Platão, todo homem deve buscar a felicidade, essa era a preocupação central da ética naquela época, tal felicidade não era apenas voltada para um ser individual, ela deveria abranger o grupo ao seu todo. Posteriormente, Aristóteles, já mais aprofundado nos estudos devido às muitas pesquisas realizadas com pessoas, começou a verificar que cada pessoa na sua maneira de viver tinha uma concepção particular do que era “bem”. A partir dessa constatação, ele se concentra na concepção de que cada pessoa, inserida na sua realidade pessoal e social vai ter uma maneira de encarar o que lhe é bem ou mal. Então não se pode determinar um bem igual para todos. Para ele cada região, com seus costumes e valores é que vai determinar o que é bem, ou seja, o que é ético. ÉTICA NAS EMPRESAS A ética empresarial reflete sobre as normas e valores efetivamente dominantes em uma empresa, interrogam-se pelos fatores qualitativos que fazem com que determinado agir seja um agir bom. Como ética aplicada ela tem como meta estabelecer, através de acordo com as pessoas atingidas pelo agir empresarial, normas materiais e processuais que foram postas em vigor como possuindo caráter vinculante [...] Em sentido amplo este modo de pensar baseia-se na idéia de um contrato social segundo qual todos os membros da sociedade se comportem de uma maneira harmoniosa, levando em conta os interesses dos outros (LEISINGER, 2001, p. 22). Como ser ético implica em analisar todas as atitudes humanas diárias, tomar-se á 12 como base uma dessas atividades para se aprofundar os estudos, a realidade dentro das organizações, que são constituídas de pessoas que estão expostas diariamente as mais variadas situações que as levarão a tomada de decisões que poderão ser ou não ser éticas. As primeiras preocupações no sentido de encontrar a ética das organizações encontram-se a partir da Revolução Industrial no século XVIII. A observação dessa nova realidade levou ao questionamento de quem era mais importante para a organização? Se eram as máquinas que agilizavam o trabalho, ou os funcionários que as manuseavam? [...] Até os anos 50, o conceito de ética empresarial ainda não havia entrado em nosso vocabulário. Os aspectos morais das atividades econômicas, quando considerados, o eram no contexto de ética social, girando, sobretudo em torno da questão trabalhista [...] Só pelo final dos anos 60 as relações entre economia e sociedade chegaram a atingir um publico mais amplo, o que ocasionou uma implicação na faixa de interesses: passaram a estar em foco não tanto os direitos dos empregados e trabalhadores, mas, sobretudo os direitos das minorias, os direitos das mulheres, a proteção ambiental, as questões de saúde e segurança com base em novas teologias, a preocupação com os países em desenvolvimento. Tudo isso cabe hoje na rubrica da ética empresarial (LEISINGER, 2001, p.15). Ética empresarial implica em preceitos, procedimentos que devem ser acatados pelos membros de uma organização enquanto parte integrante do todo que ela constitui. Ética empresarial reflete sobre as normas e valores efetivamente dominantes em uma empresa, interrogam-se pelos fatores qualitativos que fazem com que determinado agir seja um agir “bem”. Como ética aplicada, ela tem como meta estabelecer, através de acordo com as pessoas atingidas pelo agir empresarial, normas materiais e processuais que foram postas em vigor na 13 empresa como possuído caráter vinculante (LEISINGER, 2001, p. 22). Essas ações empresariais tomadas de acordo com o pensamento em grupo não se referem apenas ao seu publico interno. Essa preocupação deve ser estendida à sociedade ao redor, aos consumidores, parceiros, e todo o público em geral que estão direta ou indiretamente sendo afetados pela organização, pois, considerando “ética” como resultado das ações humanas e que as empresas são constituídas pelas pessoas humanas, deduz-se então, que uma empresa não poderia existir sem que esteja envolvido em todos os seus processos a ética, principalmente e primeiramente no tratamento com seu patrimônio primário , os funcionários, que segundo os princípios éticos devem estar empenhados em trabalhar pelo bem comum a todos dentro da organização e com a sociedade que ela atinge. Mas o que se pode notar é que na maioria dos casos, o que se encontra nas organizações são algumas ações de boa intenção que ate se relacionam com a ética mas não são puramente éticas pois sempre estão mais atreladas com os bens materiais e principalmente com os lucros. A Ética é perfeitamente aplicável ao sucesso ou fracasso de uma organização, principalmente na atualidade, em que as pessoas, os consumidores estão cada vez mais informados e com isso, preocupados com a origem do produto ou serviço que estão adquirindo, a consciência de qualidade fez com que a ética, que por muito tempo ficou esquecida, voltasse a ser considerada em grande importância para as organizações na condução de seus negócios. Essa concepção, não atinge somente a empresa enquanto organização material, mas principalmente as pessoas que as compõem, participam e comandam. Esse comportamento ético das organizações tem reflexos muito positivosna sociedade, a valorização de sua imagem, sua marca, sua filosofia de trabalho, e isso só tem a beneficiar a organização e seus agregados. A preocupação em atuação ética nos negócios é mais notável nos EUA, sendo registrado um grande desenvolvimento. No Brasil, ainda não tem essa dimensão, pois temos certas barreiras que geralmente estão ligadas ao dar-se um jeito ou maquiar a realidade. Muitas são as preocupações que a ação ética implica no mundo empresarial: os impactos no ambiente, a realidade dos funcionários, a funcionalidade ou efeitos que seus produtos e serviços podem causar ao consumidor e assim por diante. Muitas vezes essas 14 preocupações acabam sendo atropeladas pelo anseio desesperado em lucrar e se garantir no mercado, superar a concorrência a qualquer custo. No entanto é possível sim agir eticamente sem prejudicar a lucratividade. Sem lucros as organizações simplesmente não existiriam, e o lucro também tem seu papel social. [...] Lucros empresariais não são apenas economicamente necessários, eles também possuem uma importância ético-social: o êxito econômico de uma empresa a preservação de empregos produtivos, a disponibilidade de importantes bens e serviços, bem como o desenvolvimento de novas soluções técnicas. Os lucros possibilitam também investimentos econômicos, sociais e ecológicos, e através dos recursos que resultam de sua tributação, eles realizam uma importante contribuição para o financiamento das tarefas do estado (LEISINGER, 2001, p. 24). Dessa forma a empresa que tem bons percentuais de lucros também tem bons percentuais de contribuição para a com a ética empresarial, mesmo que indiretamente ela já pode ser considerada uma empresa eticamente atuante. No entanto as organizações não podem ficar apenas ligadas ao que esta descrito e é exigido em lei, é desejável, necessário que cada uma, de acordo com suas possibilidades entenda que tem sua fatia de contribuição para oferecer para a sociedade, que na realidade é a sua razão de existir. Ser ético não tem sido uma tarefa muito fácil para as organizações, talvez por estarem muito focadas para os ganhos e não pela forma em esses são adquiridos. Se as empresas definissem sua finalidade em prestar serviços, seria mais fácil para visualizar que o lucro é o resultado, sendo assim, quanto melhor o produto ou serviço prestado, maior seria sua lucratividade, essa de maneira ética. Tomando novamente a base da ética: as pessoas humanas e a relação de sociedade, pode-se constatar que o pensamento ético não é algo que se impõe, sendo importante que cada indivíduo perceba seu valor, sua necessidade, sua importância nas ações diárias. Tomando a realidade empresarial, é necessário que as empresas provenham recursos que levem seu capital humano a agir corretamente na preocupação com o bem maior de todos sem que sejam obrigados. Que essa maneira de agir no trabalho seja algo natural e rotineiro e que todos possam se sentir responsáveis e passem a ter parte e acesso aos bons resultados que isso irá proporcionar. 15 Depois de tratar do comportamento ético nas organizações faz-se necessário relatar brevemente que algumas empresas ainda não estão tão a par deste tema o quanto deveriam. São muitos os vestígios que um comportamento antiético produz, dentre eles, os mais comuns são a despreocupação com os funcionários, o que envolve questões de remuneração, saúde, segurança, degradação ambiental, sendo esta não só da poluição de rios, mas também do impacto que causa ao seu redor, barulhos, poeira, lixo, além de corrupção e sonegações. Mediante estas considerações sobre o que é agir eticamente ou não, cabe colocar que a ética não e responsável por resolver estes dilemas, ela deve ser entendida e utilizada como meio de se desenvolver condições de se chegar a um consenso de qual a melhor ação a ser desenvolvida, para daí sim chegar a uma resolução. 16 4 O BALANÇO SOCIAL (ABORDAGEM ESTRATÉGICA) 4.1 NO MUNDO Até meados dos anos 30, a idéia de responsabilidade social e acesso à informação de cunho empresarial era virtualmente desconhecida por grandes corporações. O balanço social é o conjunto de informações com base técnico- contábil, gerencial e econômica, capaz de proporcionar uma visão da relação capital-trabalho no que diz respeito a seus diferentes aspectos econômico-sociais (SILVA, 2001, p.104). No Brasil, o movimento de apoio à responsabilidade social, ganha impulso a partir dos anos 90 e é conseqüência do surgimento de um sem-número de organizações não governamentais, assim como do crescimento não igualitário dos anos do “milagre econômico”. Diante da deficiência do Estado em suprir nossas severas demandas sociais, empresas atuam cada vez mais de forma proativa e incorporam um discurso social mais justo. Quanto ao formato do que se convencionou chamar “Balanço Social”, este pode ser o mais variado. O certo é que a divulgação do desempenho social de uma empresa interessa grupos empresariais pelas mais diversas razões. As informações contidas nele não devem ser apenas um “check-list” de requisitos sócio-ambientais, mas devem descrever de forma precisa o retrato da atividade social da empresa em determinado período de tempo. Entre as múltiplas conseqüências do processo de globalização econômica tem-se destacado a crescente exacerbação da concorrência no mercado advinda da tendência generalizada ao liberalismo comercial em nível mundial. Para tirar o melhor proveito possível do balanço social, a empresa deve reconhecê- lo como fonte da memória social da empresa e buscar utilizá-lo como elemento formal de seu sistema de informações sobre capacitação e desempenho dos recursos humanos, empregando-o como ferramenta destinada a incrementar a competitividade empresarial. “O balanço social deve ser produzido anualmente, pois, de uma forma ou de outra, será 17 uma das formas de balanço técnico-contábil, gerencial e econômico da empresa (Freire, 2001, p.105)”. A empresa deve estabelecer as informações que julga importantes para o gerenciamento social. 4.2 BALANÇO SOCIAL E A GESTÃO AMBIENTAL Para que o balanço social exerça seu papel de instrumento de gestão empresarial, é preciso que por meio dele seja possível medir e julgar fatos sociais vinculados à empresa, tanto no seu interior (empresa x funcionários), com a sua volta (empresa x comunidade). A simplicidade do modelo proposto pelo Ibase tem a vantagem de estimular todas as empresas a divulgarem seu balanço social independentemente do porte e do setor em que atuam (SILVA, 2001, p.126). O balanço social favorece a todos os grupos que interagem com a empresa. Aos fornecedores e investidores, informa como a empresa encara suas responsabilidades quanto aos seus recursos humanos, o que é um bom indicador da forma como a empresa é administrada. Aos consumidores, a idéia é que a mentalidade dos dirigentes da companhia tem a associação à qualidade do produto ou serviço que a mesma oferece. Ao Estado ajuda na formulação de políticas públicas: o balanço social apresenta subsídios para a elaboração de normas legais que regulamentem as atividades das empresas com vista ao bem estar individual e da comunidade. 18 5 METODOLOGIA E ANÁLISE DOS DADOS 5.1 O CAMINHO METODOLÓGICO No mundo globalizado atual, caracterizado por diferenças políticas, econômicas e sociais, tem sido crescente a conscientização e cobrança por parte da sociedade para que outros agentes atuem na área social. Dentre esses agentes as empresas estão cada vez mais buscando atuar com responsabilidade social. Recebendocrescentes cobranças da sociedade e diante da situação competitiva do mundo globalizado. As empresas têm buscado encontrar diferenciais que lhe permitam manter e agregar parceiros e valor ao seu negócio, considerando seus stakeholders (partes interessadas). Mediante tal problemática quais ações devem ser inseridas no contexto diário da empresa e qual o caminho para desenvolver a responsabilidade social? O tema foi escolhido devido à necessidade das empresas em se comprometerem com a sociedade de modo geral, visando uma estratégia de marketing e também o compromisso com o meio ambiente. Para tal propor a retirada das ações sociais do caráter exclusivamente assistencialista e amador. Mostrar os meios possíveis para desenvolver a responsabilidade social dentro da organização com ênfase em sua estratégia de gestão empresarial. - Detalhar métodos e estudos que estão envolvidos neste tema; - Analisar idéias e propostas relacionadas à responsabilidade social; - Revisar um estudo de caso; - Apresentar soluções, com intuito de desenvolver a responsabilidade empresarial e difundir os conceitos e práticas da utilização dos recursos privados, visando à melhoria das condições de vida da sociedade. Verifica-se, nos meses antecedentes, a necessidade, das empresas públicas e/ou privadas, de comprometerem-se a diminuir seus impactos ao meio ambiente e buscar métodos de trabalho que cooperem com a sociedade num âmbito elevado. O consumismo atual está sendo reformulado, com exigências que vão além da qualidade total do produto, no mesmo, deve estar embutido o compromisso social de seu fabricante. 19 A pesquisa é do tipo qualitativa, teórico bibliográfica, descritiva exploratória, com sustentação em pesquisa de campo. As pesquisas qualitativas envolvem a observação intensiva e de longo tempo num ambiente natural, o registro preciso e detalhado dos acontecimentos no ambiente, a interpretação e análise de dados utilizando descrições e narrativas. A pesquisa foi realizada em empresas situadas no município de Ibaiti e região no Estado do Paraná. A pesquisa foi realizada com gestores ou administradores e pessoas que tem relação direta com o tema dentro da empresa. Através de coleta bibliográfica e questionário semi-aberto. 5.2 ANÁLISE DOS DADOS Apesar da maioria das empresas possuírem algum tipo de projeto ou até mesmo vínculo, notou-se que o assunto cria certa desconfiança por se tratar de um processo a longo prazo para a obtenção de retorno financeiro para as empresas. Mas ainda há, um numero grade de empresas que não possui nenhum tipo de projeto social. Existe a preocupação visível com relação ao tema, com relação ao fato de inserir suas ações através da mídia local, pois assim seria possível agregar valor ao seu produto, ou somente, pelo marketing positivo e os efeitos que teria. A maior parte das empresas julga importante pelo fato de melhorar a imagem dos produtos e da empresa perante o consumidor (marketing), algumas disseram que seria importante para obter descontos e incentivos fiscais. O principal benefício que as empresas buscam, seria o reconhecimento da sociedade pelas ações realizadas e consequentemente aumento nas vendas. Algumas responderam, também, que gostariam de obter benefícios fiscais municipal, estadual e nacional. As empresas tem um nível alto de preocupação com a população local. A maioria das empresas tem como cliente e funcionários, pessoas que fazem parte dessa população. CONSIDERAÇÕES FINAIS 20 A empresa que busca não só a produção em quantidades elevadas, mas sim um produto de qualidade que envolva, em seu contexto, por parte da estratégia de gestão empresarial, uma atuação ativa na sociedade, terá, sem dúvidas, o seu espaço garantido no mercado. Para isso têm-se inúmeras ferramentas, citadas neste trabalho, porém que precisam estar em constante revisão teórica para adequação com o meio de atuação das empresas que se propõem a desempenhar esta tarefa. Assumir uma responsabilidade com a sociedade requer estudos minuciosos sobre suas necessidades e assim desenvolver um plano de atuação juntamente com o poder publico para conseguir alcançar os objetivos propostos. O marketing positivo para a empresa se torna uma conseqüência do trabalho desenvolvido com sucesso, e isto só acrescenta números para a empresa. Estratégias voltadas com âmbito social são cobradas de forma mais consistente, mas tendem a obter resultados satisfatórios em todos os seus quesitos. A colaboração aqui almejada serve de impulso para o desenvolvimento de novos estudos e pesquisas que relacionam tal assunto envolvendo, principalmente, a região chamada de “norte pioneiro”, pois nota-se grande necessidade, por parte da sociedade, em obter a iniciativa de empresas que se comprometam com o desenvolvimento social, proteção do meio ambiente, inclusão social entre outros fatores aqui citados. REFERÊNCIAS INSTITUTO ETHOS DE EMPRESAS E RESPONSABILIDADE SOCIAL; INDICADOR PESQUISA DE MERCADO. Responsabilidade social das empresas – percepção do consumidor brasileiro, pesquisa 2006-2007. Disponível em: <http://www.ethos.org.br>. Acesso em: 28 out. 2009. KRAEMER, M.E.P. Gestão ambiental: um enfoque no desenvolvimento sustentável. Disponível em: <http://www.ambientebrasil.com.br/gestao/des_sustentavel.doc>. Acesso em: 28 out. 2009. 21 KREITLON, M. P. A ética nas relações entre empresas e sociedade: fundamentos teóricos da responsabilidade social empresarial. Curitiba/PR, In: ENCONTRO ANUAL DA ANPAD, 28, 2004, Curitiba. Anais... Curitiba: ENANPAD, 2004, p. 1-16. LIVRO VERDE. Promover um quadro europeu para a responsabilidade social das empresas. Bruxelas, 18/07/2001. Comissão das Comunidades Européias. Disponível em: <http://www.europart.eu.int>. Acesso