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Maria Beatriz Machado ATENÇÃO BÁSICA – ELETROCARDIOGRAMA 1. SOBRE AS DERIVAÇÕES Sabemos que a despolarização cardíaca parte da direita para a esquerda. Os eletrodos são colocados no paciente da seguinte maneira: Quando Einthoven criou as derivações, a primeira delas foi a D1. A derivação D1 tem um eletrodo negativo na mão direita e um positivo na mão esquerda. Por esse motivo a onda P, o complexo QRS e a onda T são POSITIVOS nessa derivação (porque os eletrodos colocados respeitam o sentido da despolarização). Se invertermos e colocarmos o eletrodo positivo do lado direito e o negativo do lado esquerdo, todas as ondas dessa derivação ficarão negativas. Dessa derivação D1, Einthoven criou uma derivação perpendicular (que vai na direção do pé), sendo chamada de AVF. Derivação D2: Na derivação D2, Einthoven utilizou um eletrodo negativo na mão direita (como em D1), e um positivo no pé direito, e por isso nessa derivação a onda P, o complexo QRS e a onda T também são POSITIVOS (porque respeitam o sentido da despolarização). Dessa derivação D2, Einthoven criou uma derivação perpendicular (que vai na direção da mão esquerda), sendo chamada de AVL. Derivação D3: Por fim, na derivação D3, Einthoven utilizou um eletrodo positivo na perna esquerda, e um eletrodo negativo no braço esquerdo. Por isso nessa derivação a onda P é negativa Dessa derivação D3, Einthoven criou uma derivação perpendicular (que vai na direção da mão direita), sendo chamada de AVR. Somando as derivações D1, D2 e D3, temos o primeiro triângulo de Einthoven. E somando as derivações D1, D2 e D3 às suas respectivas perpendiculares AVF, AVL e AVR, temos a rosa dos ventos Maria Beatriz Machado Outras derivações: V1: 4º espaço intercostal à direita do esterno (paraesternal) - VERMELHO V2: 4º espaço intercostal à esquerda do esterno (paraesternal) - AMARELO V3: Entre V2 e V4 - VERDE V4: 5º espaço intercostal esquerdo, na linha hemiclavicular - MARROM V5: 5º espaço intercostal esquerdo, na linha axilar anterior - PRETO V6: 5º espaço intercostal esquerdo, na linha axilar média – ROXO E quanto as derivações V3R e V4R? Só são feitas quando temos infarto de parede inferior (supra de ST em D2, D3 e AVF) Servem para verificar se está tendo infarto de VD. É importante fazer essas derivações porque caso o paciente esteja tendo infarto de VD, a conduta terapêutica muda. Não podemos utilizar medicamentos como: Nitrato Morfina E quanto as derivações V7 e V8? Essas derivações quase não são feitas porque elas apenas determinam se está tendo infarto de parede posterior, mas esse tipo de infarto não altera a conduta. Ou seja, mesmo que o paciente tenha infarto de parede posterior, podemos dar todos os medicamentos que damos no infarto de parede anterior, lateral, septal, etc. 2. ELETROCARDIOGRAMA 2.1. PAPEL DO ELETROCARDIOGRAMA Em qual velocidade o ECG roda? 25mm/segundo = 25mm/1000 milissegundos (ms) 25 quadradinhos/segundo Em qual velocidade roda cada quadradinho (1mm) do ECG? Se 25mm/1000 ms, então 1mm/40 ms 2.2. ONDAS NO ELETROCARDIOGRAMA Onda P: 100 ms = 2,5 quadradinhos É a onda de despolarização dos átrios É a soma da despolarização dos dois átrios, o desenho ficaria assim: É importante entender isso porque adiante explicaremos as possíveis alterações dessa onda, e porque elas ocorrem. Maria Beatriz Machado Se a onda P estiver alargada (> 2,5 quadradinhos): Quer dizer que estamos tendo uma sobrecarga atrial. Se o átrio direito estiver aumentado (devido à sobrecarga): Teremos uma onda P apiculada (onda P pulmonale) Se o átrio esquerdo estiver aumentado (devido à sobrecarga): Teremos uma onda P com dois picos (onda P mitrale) Parece uma corcova de camelo Causas da sobrecarga atrial esquerda: Hipertensão arterial, patologias da válvula mitral Intervalo PR: Representa a passagem do estímulo elétrico pelo nó AV. Ele é isoelétrico (ou seja, é uma linha reta), porque não temos músculo cardíaco no nó AV. 120 ms a 200 ms = 3 a 5 quadradinhos Se o intervalo PR estiver alargado (> 5 quadradinhos): Quer dizer que estamos tendo um atraso na condução do estímulo pelo nó AV, e isso geralmente ocorre devido aos bloqueios atrioventriculares. BAV 1º grau: PR fica alongado, porém todas ondas P conduzem um complexo QRS BAV 2º grau e BAVT: Nem todas ondas P conduzem um complexo QRS, porém precisamos olhar as características entre a onda P e o intervalo PR para determinar se é BAV 2º grau ou BAVT. Complexo QRS: É a onda de despolarização dos ventrículos Para que o complexo QRS ocorra, é preciso despolarizar os ramos direito e esquerdo dos ventrículos. Por isso podemos entender que quando temos um bloqueio de ramo direito/esquerdo, isso irá interferir diretamente com o complexo QRS. 100 ms – 110 ms = 2,5 quadradinhos Se o complexo QRS estiver alargado (> 2,5 quadradinhos): Quer dizer que estamos tendo atraso na despolarização por algum motivo, e isso geralmente ocorre devido ao bloqueio do ramo direito/esquerdo (distúrbio da condução intraventricular) Se o complexo QRS estiver com sua amplitude aumentada: Quer dizer que estamos tendo uma sobrecarga ventricular É aqui que tentamos verificar se o paciente possui critérios de Cornell e Sokolov Sokolov: Observamos as derivações: V1 (mais negativa de todas) e V6 (mais positiva de todas) Onda S em V1 + Onda R em V6 = NÃO pode exceder 30 quadradinhos na mulher, e 35 no homem Se exceder, sugere que tem hipertrofia ventricular Cornell: Observamos as derivações: AVL e V3 Onda R em AVL + Onda S em V3 = NÃO pode exceder 20 quadradinhos na mulher e 28 no homem Se exceder, sugere que tem hipertrofia ventricular Maria Beatriz Machado 3. COMO CALCULAR A FREQUÊNCIA CARDÍACA? FC = 1500/Número de quadradinhos entre dois complexos QRS OU FC = 1500/Número de quadradinhos entre duas ondas P OBS: Se o paciente tiver uma bradicardia ou taquicardia, precisamos verificar a FC das duas maneiras, porque podemos ter uma frequência diferente para os átrios e ventrículos nesses casos. 4. CONFIGURAÇÕES DO ELETROCARDIÓGRAFO Antes de configurar o eletrocardiógrafo, precisamos ter certeza que colocamos os eletrodos nas posições corretas. Não podemos inverter os eletrodos porque teremos eixos desviados A configuração clássica do eletrocardiógrafo é: Modo: Automático Temos registro de todas as derivações + D2 longo Filtro: Ligado Ajuda a diminuir interferências Velocidade: 25mm Ganho (amplitude do ECG): N 4.1. ALTERAÇÕES QUE PODEMOS TER SE MUDARMOS AS CONFIGURAÇÕES DO ELETROCARDIÓGRAFO Ganho: O ganho pode ser: N/2, N, 2N N/2 = Sai metade do tamanho EX: Se rodar o ECG em N/2, o paciente que tinha 40 de sokolov em N, fica com 20 Ou seja, fica parecendo que o paciente não tem hipertrofia quando na verdade ele tem 2N = Sai o dobro do tamanho EX: Se rodar o ECG em 2N, quem estava com 20 de sokolov em N, fica com 40 Ou seja, fica parecendo que o paciente tem hipertrofia quando na verdade ele não tem OBS: O Dr disse que na prova pode cair uma questão pedindo para explicarmos o que ocorre com o ECG quando o ganho é colocado em 2N, ou N/2 Portanto, se os ganhos 2N e N/2 acabam causando alterações no ECG, para que eles são usados? Esses ganhos são importantes para conseguirmos verificar algumas coisas quando já rodamos o ECG com ganho N e não temos certeza. EX: No ECG com ganho em N eu não consegui ter certeza se a onda que eu estava vendo era realmente uma onda P, então posso rodar o ECG com ganho 2N para aumentar essa onda e conseguir visualizar se é mesmo uma onda P EX: No ECG com ganho em N o paciente tinha uma hipertrofia ventricular muito grande que não estava cabendo no papel, então possorodar o ECG com ganho N/2 para diminuir a amplitude do QRS e verificar seu tamanho Velocidade: A velocidade pode ser: 100, 50, 25 ou 10 mm/seg Quando colocamos a velocidade em 50 ou 100 mm/seg, o ECG fica com todas as ondas distanciadas, ou seja, elas aumentam sua duração e a distância entre elas também aumenta. Isso faz parecer que o paciente tem sobrecarga atrial, BAV, bloqueio intraventricular e bradicardia. Quando passamos a velocidade de 25 para 50, a onda P, intervalo PR e complexo QRS dobram sua duração. EX: Em 25mm/seg a FC era de 60 bpm, então quando passamos para 50mm/seg, a FC passa a ser 30 bpm. Maria Beatriz Machado Quando colocamos a velocidade em 10mm/seg, o ECG fica com todas as ondas encurtadas, ou seja, elas diminuem sua duração e a distância entre elas diminui também. Isso faz parecer que o paciente tem taquicardia. Modo: Modos: Automático, ritmo Modo ritmo: Serve para registrarmos um trecho longo de determinada derivação Esse modo é muito utilizado quando precisamos verificar como é a arritmia de um paciente, então precisamos de um trecho longo de determinada derivação para conseguir analisar. OBS: O Dr disse que se fosse uma questão de ECG no OSCE, nós deveríamos entrar na sala, verificar se o aparelho estava com as configurações corretas (falando alto as configurações corretas) e colocar os eletrodos no paciente (explicando onde estávamos colocando cada eletrodo).