Prévia do material em texto
Direito do consumidor
O código é responsável por definir os objetivos da chamada política nacional das relações de consumo, que é o conjunto de ações de governo que buscam proteger o consumidor
ela é composta pelo consumidor e pelo fornecedor, a partir de uma relação que envolve sempre um produto ou um serviço e tudo o que está relacionado a eles. Mas, então, quem seriam esses agentes? É exatamente isso que aprenderemos
1. Dentre os direitos que o consumidor tem na relação de consumo está o de que os fornecedores têm a obrigação de prestar todas as informações que o consumidor precisa sobre um produto ou serviço. Diante dessa afirmação, assinale a alternativa que contém o direito relacionado a ela.
Resposta: direito a informação
O CDC, em seu art. 2º, descreve o que é consumidor, afirmando que é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final. Vimos que o CDC utiliza os verbos "adquirir" ou "utilizar" produto ou serviço, o que significa dizer que é consumidor final mesmo aquele que utiliza o bem ou serviço sem tê-lo adquirido.
Exemplificativamente temos o caso de um consumidor que adquire algumas caixas de cerveja e as serve em sua festa de aniversário, dessa forma, todos os que consumiram as cervejas são também considerados consumidores, pois de alguma forma, participaram da relação de consumo.
o conceito de "destinatário final". Ele é aquele consumidor, pessoa jurídica ou física, que retira o bem do mercado ao adquirir ou simplesmente por utilizá-lo, pondo um fim na cadeira de produção.
parágrafo único do art. 2º do CDC equipara também o consumidor à coletividade de pessoas que tenha intervindo nas relações de consumo, ou seja, um conjunto de pessoas, mesmo que não se constituam em pessoa jurídica. Como exemplo, podemos citar um condomínio quando contrata serviços a serem realizados, ou seja, uma coletividade que é equiparada a consumidor.
a figura do fornecedor, constante do art. 3º que o define como: [...] toda pessoa física ou jurídica, estrangeira ou nacional, pública ou privada, bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem atividade de produção, montagem, criação, construção, transformação, importação, exportação, distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços (Lei nº 9.008, 1990).
O art. 3º, §1º e 2º traz a definição de produto e serviço. Produto é concebido como qualquer bem, móvel ou imóvel, material ou imaterial. Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária. Os serviços, objeto da relação de consumo, podem ser de três tipo, são eles:
• Financeiros: são aqueles que estão relacionados a serviços como: seguro, crédito, financiamento;
• Materiais: estão ligados a serviços voltados para manutenção, reparação, hotelaria, transporte;
• Intelectuais: são serviços como os de médicos, advogados, dentistas etc.
De acordo com Miragem (2012), o CDC reconhece os direitos básicos do consumidor, bem como os direitos da personalidade dos mesmos em uma relação de consumo, cuidando-se de preservá-lo em suas relações jurídicas e concretas, protegendo seus interesses legítimos no mercado de consumo.
Os direitos básicos do consumidor estão descritos no artigo 6º do CDC e merecem nossa atenção. O primeiro deles, o "direito à vida", constante do Inciso I, indica a proteção da integridade física e moral, e dessa forma, o elo de dependência da efetividade desse direito com os demais de "proteção da saúde e da segurança", igualmente previstos no CDC
Azevedo (2015 p. 32): O Direito do Consumidor, um ramo derivado do direito civil e do direito empresarial, surgiu da necessidade de proteger a parte hipossuficiente - o consumidor, este entendido como todo aquele que adquire para si ou para outrem, como destinatário final, bens ou serviços. Do outro lado dessa relação jurídica têm-se o fornecedor, como aquele que fornece bens e serviços para o consumidor.
Questão de fixação 2 - A relação de consumo é composta por fornecedor e consumidor, sendo que para que a relação ocorra ainda teremos a presença do produto ou do serviço. Levando em consideração a importância desses elementos, discorra sobre os conceitos de cada um destes atores do direito do consumidor.
Resposta: Para produto de acordo com a teoria finalista mitigada, utilizada pelo Superior Tribunal de Justiça, o consumidor não é simplesmente aquele que compra o produto ou o serviço, mas quem o usufrui, de modo que está recebem um presente ou doação, pois é esse o destinatário final. Caso o presente não o agradou, não serviu ou não era da cor esperada, não há direito de troca do produto recebido. Deve-se destacar que, se o fornecedor ceder um prazo de troca do produto independentemente da substância de um vício, como regularmente se faz, a fim de obter clientes, nascerá a obrigação de troca do produto, já que a oferta/publicidade, associa ao mesmo. “Produto é concebido como qualquer bem, móvel ou imóvel, material ou imaterial.”
Roberta Densa (2014 p.28) elucida que :Conforme a doutrina, bem é tudo aquilo que, de algum
modo, nos traz satisfação. Os bens jurídicos que interessam ao Direito do Consumidor são aqueles que
detêm valor econômico e podem ser objeto da relação de consumo. Não há dúvidas de que muitos são os bens almejados pelos consumidores e que podem, licitamente, ser colocados no mercado de consumo pelos
Fornecedores.
Já o serviço gratuitos, só são afastados se forem pura ou inteiramente gratuitos. Se houver uma remuneração indireta (serviços aparentemente gratuitos), impõe-se a incidência do CDC, sendo eles aparentemente gratuitos. “Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária. Os serviços, objeto da relação de consumo, podem ser de três tipo, são eles: Financeiros: são aqueles que estão relacionados a serviços como: seguro, crédito, financiamento; Materiais: estão ligados a serviços voltados para manutenção, reparação, hotelaria, transporte; Intelectuais: são serviços como os de médicos, advogados, dentistas etc.”
Princípio da precaução: o consumidor deverá ser protegido de quaisquer riscos relativos ao desconhecimento relativo a produtos ou serviços;
Princípio da dimensão coletiva: o interesse coletivo deverá ser superior ao interesse individual;
Princípio da boa-fé: em uma relação de consumo, as partes devem agir com boa fé. Este princípio está descrito no Art.4º do CDC: III - harmonização dos interesses dos participantes das relações de consumo e compatibilização da proteção do consumidor com a necessidade de desenvolvimento econômico e tecnológico, de modo a viabilizar os princípios nos quais se funda a ordem econômica (art. 170 da Constituição Federal), sempre com base na boa-fé e equilíbrio nas relações entre consumidores e fornecedores. (Lei nº 9.008, 1990).
Princípio da proteção: os bens jurídicos mais relevantes devem ser protegidos, entre eles: incolumidade física, psíquica e econômica
Princípio da boa-fé objetiva os interesses de consumidores e fornecedores, porquanto a harmonia e o equilíbrio são fatores indispensáveis para que haja a tão esperada justiça. Quanto a boa fé, é necessário que você entenda que não se faz necessário verificar o elemento volitivo do agente, mas sim a sua conduta de acordo com um padrão de comportamento que se espera do "homem médio" ou seja, homem que siga devidamente os padrões éticos da sociedade.
O Direito do Consumidor é responsável por garantir que os cidadãos sejam protegidos dentro de suas relações de consumo. Quando falamos em relação de consumo, existem diversas partes presentes nessa relação. Assinale a alternativa que apresenta essas partes.
Resposta: “Consumidor e fornece”
O Princípio (do latim principiu) significa o início, fundamento ou essência de algum fenômeno. Também pode ser definido como a causa primária, o momento, o local ou trecho emque algo, uma ação ou um conhecimento tem origem. Sendo que o princípio de algo, seja como origem ou proposição fundamental, pode ser questionado. Outro sentido possível seria o de norma de conduta, seja moral ou legal.” (MORAES, 2012, p. 21).
Após analisar a afirmação, assinale a alternativa que contenha de forma correta um princípio do direito do consumidor.
Resposta: Princípio da dimensão coletiva. O interesse coletivo deverá sempre ser observado primeiro no direito do consumidor. Os interesses individuais são deixados em segundo plano para que a coletividade seja atendida.
Questão de fixação 5 - em consumidor chega a um supermercado e compra uma caixa de leite. A caixa apresenta, em letras miúdas, a informação de que a tampa da caixa pode cortar se mal utilizada. Sobre o fato de as letras estarem miúdas e sobre a possibilidade de o consumidor se machucar caso maneje incorretamente, quais os princípios estão sendo desrespeitados?
Resposta: Podemos citar o principio da precaução sendo o consumidor devendo ser protegido de quaisquer risco ao desconhecimento relativo a produto e serviços, o princípio da boa – fé pois foi consumido o produto sem percebe a informação na caixa de leite, e elencar o artigo 4ª do CDC com o principio da vulnerabilidade, dever governamental, harmonização dos interesses, garantia de adequação e equilíbrio nas relações de consumo entre consumidor e fornecedor.
CDC reconhece os direitos básicos do consumidor, bem como os direitos da personalidade dos mesmos em uma relação de consumo, cuidando-se de preservar o consumidor em suas relações jurídicas e concretas, protegendo seus interesses legítimos no mercado de consumo.
Os direitos básicos do consumidor estão descritos no artigo 6º do CDC e merecem nossa atenção. O primeiro deles é o "direito à vida", constante do Inciso I, indica a proteção da integridade física e moral, e dessa forma, o elo de dependência da efetividade desse direito com os demais de "proteção da saúde e da segurança", igualmente previstos no CDC.
Que a finalidade do contrato será a preservação ou melhoria de vida do consumidor, o direito à vida, proteção à saúde e à segurança ficam em evidência, seja em relação às expectativas legítimas do mesmo a serem satisfeitas com aquele contrato, ou ainda na forma de uma proteção geral contra os riscos da contratação.
Como exemplos, podemos citar a comercialização de medicamentos ou a contratação de planos de saúde, onde a expectativa do consumidor é exatamente a conservação, preservação e melhoria de sua condição de vida. Com relação à segurança, este direito está intimamente ligado à questão de proteção contra riscos decorrentes do mercado de consumo, protegendo o consumidor de riscos decorrentes do oferecimento do produto ou serviço.
Direito básico do consumidor que merece muito a nossa atenção é o "direito à informação", previsto no art. 6º, inciso III do CDC. Este direito traduz-se na necessidade e imposição aos fornecedores de prestarem todas as informações relativas a um produto ou serviço, e este dever de informar decorre exatamente do princípio da boa-fé objetiva. que as informações consideradas relevantes para um produto ou serviço sejam fornecidas ao consumidor, é preciso também que tais informações sejam claras, precisas, eficientes e verdadeiras, ou seja, transmitidas de modo adequado.
No inciso IV do art. 6º do CDC, temos o "direito à proteção contra práticas e cláusulas abusivas" e o "direito ao equilíbrio contratual", ambos de extrema importância nas relações de consumo. As práticas abusivas, cometidas por alguns fornecedores são aquelas que desrespeitam o consumidor, podendo ser tanto decorrentes da oferta de produtos ou serviços como também na execução de contratos de consumo, ou ainda na fase pós-contratual.
Quanto ao "direito ao equilíbrio contratual", Miragem (2012, p. 171) descreve que ele é, antes de tudo, "o equilíbrio dos interesses dos contratantes, consumidor e fornecedor".
O Superior Tribunal de Justiça (STJ), em julgamento ocorrido em 25/11/2014, reconheceu a hipervulnerabilidade de um consumidor, prevista no art. 39, Inciso IV do CDC, derivada do manifesto desequilíbrio entre as partes, condenando um fornecedor ao pagamento de indenização por danos morais a um consumidor que adquiriu um produto denominado "Cogumelo do Sol", acreditando que era eficiente na cura do câncer.
"direito à manutenção do contrato" e "direito de revisão" previstos no art. 6º, V do CDC juntamente com o art. 51 § 2º. Ao analisarmos o inciso V do art. 6º do CDC, constatamos que é direito básico do consumidor a "modificação das cláusulas contratuais que estabeleçam prestações desproporcionais ou sua revisão em razão de fatos supervenientes que as tornem excessivamente onerosas", e isto decorre justamente dos princípios da boa-fé e do equilíbrio (art. 4º, III), da vulnerabilidade do consumidor (art. 4º, I) e do princípio constitucional da isonomia (art. 5º, caput, da CF).
O "direito à prevenção e reparação de danos" está previsto no art. 6º, VI, e garante ao consumidor que vá a juízo requerer todas as medidas que forem necessárias, inclusive as tutelas de urgência com pedido de liminar, a fim de evitar que ocorra o dano material e/ou moral. De qualquer forma, sempre que houver um dano, seja ele material ou moral, sua reparação deve ser integral.
O "direito de acesso à justiça", previsto no Inciso VII do art. 6º, traduz a possibilidade de o consumidor recorrer à justiça, inclusive, quando for o caso, com isenção de taxas e custas, nomeação de procuradores para representá-lo, atendimento preferencial, entre outros
no inciso VIII do art. 6º do CDC diz respeito ao "direito à facilitação da defesa dos direitos do consumidor e inversão do ônus da prova". Isso significa que, tendo em vista a hipossuficiência do consumidor, sua vulnerabilidade e ausência de domínio do conhecimento sobre o produto ou serviço, ou ainda sobre o processo de produção e fornecimento do mesmo, o juiz inverterá o ônus da prova, condicionando à verificação da efetiva hipossuficiência do consumidor e da verossimilhança das alegações, a serem identificados, em acordo com as regras ordinárias de experiência.
Os direitos básicos do consumidor, temos o inciso X do art. 6º que se refere à adequada e eficaz prestação de serviços públicos, significando que além de adequada, a prestação de serviços públicos deve ser eficiente, ou seja, cumprir sua finalidade.
1. Para entender as relações de consumo, é importante conhecer os conceitos previstos no CDC, bem como os direitos básicos do consumidor, para que a aplicação dos mesmos seja feita de forma correta e legal. Sobre os conceitos do CDC, assinale a alternativa correta:
Resposta:
2. O Código de Direito do Consumidor (CDC) é uma das mais importantes leis brasileiras e a mais utilizada, tendo em vista que apresenta os direitos e deveres relacionados com as relações de consumo, prevendo indenizações e reparações para aqueles que cometerem danos, sempre visando a proteção do consumidor. Sobre o CDC assinale a alternativa correta:
Resposta:
3. A partir de 1990 passamos a ter no Brasil uma real proteção às sociedades de consumo, proteção essa que vem sendo amplamente divulgada para que todos tenham acesso a seus direitos como consumidor. Neste ano, entrou em vigência nossa lei maior de proteção ao consumidor. Assinale a alternativa que contém a Legislação referida no trecho acima:
Resposta:
4. Previsto no inciso VII do art. 6º, traduz a possibilidade de o consumidor recorrer à justiça, inclusive, quando for o caso, com isenção de taxas e custas, nomeação de procuradores para representá-lo, atendimento preferencial, entre outros. Assinale a alternativa que contenha o direito ao qual o trecho se refere.
Resposta:
5. Segundo Moraes (2014, p.21), “os princípios jurídicos podem ser definidos como sendo um conjunto de padrões de conduta presentes de forma explícita ou implícita no ordenamento jurídico. Os princípios, assim como as regras, são normas”. O Direito do Consumidor também possui seus princípios.Assinale a alternativa que contém um princípio do direito do consumidor.
Resposta:
A2 Atividade Avaliativa - O artigo 4º do CDC nos traz a seguinte previsão:
“Art. 4º – A Política Nacional de Relações de Consumo tem por objetivo o atendimento das necessidades dos consumidores, a respeito a sua dignidade, saúde e segurança, a proteção de sua qualidade de vida, bem como a transferência e harmonia das relações de consumo, atendidos os seguintes princípios:
III – harmonização dos interesses dos participantes das relações de consumo e compatibilização da proteção do consumidor com a necessidade de desenvolvimento econômico e tecnológico, de modo a viabilizar os princípios nos quais se funda a ordem econômica (art. 170 da Constituição Federal), sempre com base na boa-fé e equilíbrio nas relações entre consumidores e fornecedores”.
O inciso III apresentado traz em seu corpo a previsão de um dos princípios consumeristas. Descreva a qual princípio se refere.
Resposta:Estamos falando do principio da boa – fé pelo artigo 4ª CDC entre uma relação de consumo, podemos também discorrer dentro deste artigo 4ª do CDC o princípio da vulnerabilidade do consumidor, o principio de dever governamental proteger efetivamente o consumidor e o principio da harmonização dos interesses dos participantes na relação de consumo sendo eles consumidor e fornecedor , o principio da garantia da adequação é um atendimento dos eventuais problemas dos consumidores ao respeito a sua dignidade, saúde e segurança , a proteção de seus interesses econômicos e sua qualidade de vida, e principio equilibro nas relações de consumo buscando a verdade igualdade substancial entre o consumidor e fornecedor .
Direito do Consumidor e Direito das Obrigações - O Direito das Obrigações é um ramo do direito civil que trata dos vínculos entre credor e devedor. Ele rege as relações jurídicas de ordem patrimonial, tendo por objeto prestações de um sujeito em proveito de outro. Como em alguns desses casos encontramos relações de consumo, ele está diretamente ligado ao direito do consumidor, por isso a importância de estudá-lo melhor
Na obrigação de dar, o devedor compromete-se a entregar ou restituir ao credor alguma coisa, podendo ser ela "certa" ou "incerta". A "coisa certa" a que se refere o Código Civil é a determinada, perfeitamente individualizada e se distingue das demais por características próprias.
segundo Azevedo (2011, p.34) "o devedor, que se obrigou a entregar ou a restituir coisa certa determinada ao seu credor, deve cumprir sua obrigação de dar, entregando ou restituindo essa mesma coisa, sem que haja qualquer alteração no objeto da prestação jurídica." Como exemplo, podemos citar a venda de um automóvel, que se distingue de outros pelo seu número de chassi, motor e placa.
O Código Civil determina em seu art. 313 "que o credor de coisa certa não pode ser obrigado a receber outra, ainda que mais valiosa ou mesmo de valor inferior."
obrigação de "dar coisa certa", a obrigação de "dar coisa incerta" se caracteriza por não ser única ou singular a coisa, mas sim uma coisa genérica, que, no entanto, deverá ser determinável pelo gênero e pela quantidade (art. 243 do Código Civil), faltando somente se determinar sua qualidade. Podemos citar como exemplo, cem sacas de café; dez cabeças de gado etc. A "coisa incerta" é indicada apenas pelo gênero e pela quantidade, e no momento do pagamento é que deverá ser determinada através da escolha.
que a "coisa incerta" não pode ser interpretada como qualquer coisa, porém, ela fica sujeita a determinação futura. Então, por exemplo, se João deve cem pés de alface a Joaquina, para que estes pés de alface sejam entregues, eles precisam ser escolhidos no momento da colheita e do pagamento.
Dentro da obrigação de dar, podemos ainda citar a obrigação de restituir ou obrigação de devolver. Neste tipo de obrigação, a coisa que deve ser restituída não pertence ao devedor, não é sua a propriedade, mas apenas a sua posse, tendo em vista que o credor a transferiu temporariamente. Exemplos disso são: contrato de comodato de uma chácara e locação de jogos.
A obrigação de fazer tem por objeto um serviço, e é considerada uma obrigação positiva. Através da obrigação de fazer, o devedor se compromete a efetuar algum serviço lícito em benefício de outrem (o credor).
obrigações de fazer fungível ou infungível, quando ocorrer o inadimplemento da obrigação por culpa do devedor, o credor poderá optar pela conversão da obrigação em perdas e danos.
o artigo 249 do Código Civil, "se o fato puder ser executado por terceiro, será livre ao credor mandá-lo executar à custa do devedor, havendo recusa ou mora deste, sem prejuízo da indenização cabível". Isso se aplica quando a obrigação é fungível.
a obrigação for infungível não há como obrigar o devedor, de forma direta, a satisfazê-la, podendo, contudo, o credor, cumular o pedido de perdas e danos a uma fixação de multa diária que incidirá até a data do efetivo cumprimento da obrigação.
Na obrigação de não fazer, o devedor se compromete a não praticar determinado ato. Só pode ser cumprida pelo próprio devedor, sendo assim, personalíssima.
A obrigação contraída pelo locatário de não sublocar a coisa;
A obrigação do inquilino de não levar animal de estimação para o imóvel locado, por ter se comprometido a isto;
A obrigação de não construir um muro maior que a altura determinada no contrato de compra e venda de um terreno;
A obrigação de não divulgar segredo comercial.
em que só resta ao credor requerer a indenização por perdas e danos, tendo em vista que não há como se pretender a restituição das partes ao estado anterior, como no caso de revelação de segredo industrial, no qual após a divulgação nada mais poderá ser feito em relação ao segredo.
A proteção do direito do consumidor é um tema de grande importância, no entanto, a sua discussão ainda é recente no direito em todo o cenário mundial. No Brasil, a Constituição Federal de 1988 trouxe tratamento especial à defesa do consumidor, que pode ser visto em seus artigos que se referem expressamente à proteção e defesa do consumidor, tais como os artigos 5º, inciso XXXII, 170, inciso V, e 48 do ato das disposições constitucionais transitórias, conforme veremos abaixo:
[...] Art. 5º. [...] XXXII - o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do consumidor.
[...] Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos a existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios:
[...] V- defesa do consumidor
[...] Art. 48 ADCT. O Congresso Nacional, dentro de cento e vinte dias da promulgação da Constituição, elaborará código de defesa do consumidor. (BRASIL, CF, 2004).
É importante ressaltar que não são apenas estes artigos que constituem esta proteção; a Constituição Federal possui outros que ajudam diretamente nesta finalidade
Todos os delitos que foram devidamente previstos tiveram como objetivo de sua criação a proteção ao consumidor; outros objetos tutelados, tais como o direito à vida, à saúde, ao patrimônio, são tutelados imediatamente ou de forma reflexa através da proteção dos demais. Uma peculiaridade desses crimes é que o resultado previsto na figura típica é, sobretudo, um resultado jurídico e a repercussão material pode não existir. Isso nos leva a perceber o quão difícil é a tipificação dos crimes contra o consumidor.
O Código de Defesa do consumidor dedica o título II - das Infrações Penais, para esclarecer e enumerar os crimes contra as relações de consumo previstas no mesmo, alertando ainda que isso não prejudica o disposto no Código Penal e nas leis especiais relativas ao assunto.
O legislador inseriu no CDC algumas condutas delituosas que, como tal, sujeitam o infrator ao cumprimento de determinadas penas, isto porque muitos abusos são cometidos por alguns fornecedores que colocam no mercado produtos ou serviços que podem lesar a integridade física e a saúdedos consumidores, não podendo estes ficar sem punição.
Estas condutas delituosas estão descritas no CDC a partir do artigo 61 até o artigo 74 e cada uma delas tem sua pena estipulada no próprio Código. Vejamos alguns artigos que abordam esse tema e, portanto, algumas condutas delituosas:
Art. 63. Omitir dizeres ou sinais ostensivos sobre a nocividade ou periculosidade de produtos, nas embalagens, nos invólucros, recipientes ou publicidade:
Pena Detenção de seis meses a dois anos e multa.
§ 1° Incorrerá nas mesmas penas quem deixar de alertar, mediante recomendações escritas ostensivas, sobre a periculosidade do serviço a ser prestado.
§ 2° Se o crime é culposo: Pena Detenção de um a seis meses ou multa" (Lei Nº 8.078, 1990).
O artigo citado trata da questão da omissão dos fornecedores de produtos e serviços dos dizeres e dos sinais necessários nos produtos sobre a sua nocividade e sobre a periculosidade de produtos e serviços prestados, deixando, portanto, o consumidor totalmente desinformado das consequências que podem ocorrer pelo uso do produto.
Art. 64. Deixar de comunicar à autoridade competente e aos consumidores a nocividade ou periculosidade de produtos cujo conhecimento seja posterior à sua colocação no mercado:
Pena Detenção de seis meses a dois anos e multa.
Parágrafo único. Incorrerá nas mesmas penas quem deixar de retirar do mercado, imediatamente quando determinado pela autoridade competente, os produtos nocivos ou perigosos, na forma deste artigo (Lei Nº 8.078, 1990).
O artigo 64 também prevê a omissão do fornecedor, mas, nesta situação, da omissão em comunicar as autoridades, bem como os consumidores também da nocividade ou periculosidade de produto. No entanto, no caso deste artigo a previsão se trata para os casos quando estes produtos já tiverem efetivamente em circulação no mercado, e seu conhecimento seja posterior, bem como quando de deixa de retirar do mercado quando determinado pela autoridade competente.
Também pode ocorrer em alguns casos de o fornecedor não estar ciente de que o produto realmente representa algum tipo de risco, no entanto, assim que tomar conhecimento do defeito deve imediatamente comunicar às autoridades e os consumidores para que estejam cientes, o que pode ser realizado por meio dos denominados recalls. Direito do Consumidor e o Direito Penal.
Todos os delitos que foram devidamente previstos tiveram como objetivo de sua criação a proteção ao consumidor; outros objetos tutelados, tais como o direito à vida, à saúde, ao patrimônio, são tutelados imediatamente ou de forma reflexa através da proteção dos demais. Uma peculiaridade desses crimes é que o resultado previsto na figura típica é, sobretudo, um resultado jurídico e a repercussão material pode não existir. Isso nos leva a perceber o quão difícil é a tipificação dos crimes contra o consumidor.
O Código de Defesa do consumidor dedica o título II - das Infrações Penais, para esclarecer e enumerar os crimes contra as relações de consumo previstas no mesmo, alertando ainda que isso não prejudica o disposto no Código Penal e nas leis especiais relativas ao assunto.
Observamos que Miragem (2010, p.639) entende que a função do direito penal do consumidor é:
A função do direito penal do consumidor, assim, é de proteção de toda a sociedade com respeito aos crimes relativos às relações de consumo, e à proteção do bem jurídico relação de consumo, a partir do reconhecimento da vulnerabilidade do consumidor no mercado e a determinação constitucional de sua proteção.
O legislador inseriu no CDC algumas condutas delituosas que, como tal, sujeitam o infrator ao cumprimento de determinadas penas, isto porque muitos abusos são cometidos por alguns fornecedores que colocam no mercado produtos ou serviços que podem lesar a integridade física e a saúde dos consumidores, não podendo estes ficar sem punição.
Estas condutas delituosas estão descritas no CDC a partir do artigo 61 até o artigo 74 e cada uma delas tem sua pena estipulada no próprio Código. Vejamos alguns artigos que abordam esse tema e, portanto, algumas condutas delituosas:
Art. 63. Omitir dizeres ou sinais ostensivos sobre a nocividade ou periculosidade de produtos, nas embalagens, nos invólucros, recipientes ou publicidade:
Pena Detenção de seis meses a dois anos e multa.
§ 1° Incorrerá nas mesmas penas quem deixar de alertar, mediante recomendações escritas ostensivas, sobre a periculosidade do serviço a ser prestado.
§ 2° Se o crime é culposo: Pena Detenção de um a seis meses ou multa (Lei Nº 8.078, 1990).
O artigo citado trata da questão da omissão dos fornecedores de produtos e serviços dos dizeres e dos sinais necessários nos produtos sobre a sua nocividade e sobre a periculosidade de produtos e serviços prestados, deixando, portanto, o consumidor totalmente desinformado das consequências que podem ocorrer pelo uso do produto.
Art. 64. Deixar de comunicar à autoridade competente e aos consumidores a nocividade ou periculosidade de produtos cujo conhecimento seja posterior à sua colocação no mercado:
Pena Detenção de seis meses a dois anos e multa.
Parágrafo único. Incorrerá nas mesmas penas quem deixar de retirar do mercado, imediatamente quando determinado pela autoridade competente, os produtos nocivos ou perigosos, na forma deste artigo (Lei Nº 8.078, 1990).
O artigo 64 também prevê a omissão do fornecedor, mas, nesta situação, da omissão em comunicar as autoridades, bem como os consumidores também da nocividade ou periculosidade de produto. No entanto, no caso deste artigo a previsão se trata para os casos quando estes produtos já tiverem efetivamente em circulação no mercado, e seu conhecimento seja posterior, bem como quando de deixa de retirar do mercado quando determinado pela autoridade competente.
Com o objetivo central de preservar mais uma vez a segurança do consumidor, o artigo 68 comina também pena cumulativa, exatamente como o artigo anterior (63).
Art. 68. Fazer ou promover publicidade que sabe ou deveria saber ser capaz de induzir o consumidor a se comportar de forma prejudicial ou perigosa a sua saúde ou segurança: Pena Detenção de seis meses a dois anos e multa: Parágrafo único. (Vetado) (LEI Nº 8.078, 1990).
O sujeito ativo dos crimes do artigo são os publicitários ou os responsáveis pela veiculação da comunicação propriamente dita que causou o dano à saúde ou segurança dos consumidores. Já os sujeitos passivos serão sempre os consumidores que estejam em estado de vulnerabilidade e, portanto, se deixem influenciar, além daqueles sujeitos de direitos difusos.
Art. 71. Utilizar, na cobrança de dívidas, de ameaça, coação, constrangimento físico ou moral, afirmações falsas incorretas ou enganosas ou de qualquer outro procedimento que exponha o consumidor, injustificadamente, a ridículo ou interfira com seu trabalho, descanso ou lazer:
Pena Detenção de três meses a um ano e multa (LEI Nº 8.078, 1990).
O artigo 71 veio para regular as cobranças de dívidas, que são referentes às relações de consumo, na qual o consumidor era cobrado de forma vexatória, em seu trabalho, através de seus amigos ou familiares etc., o que feria a preservação de todos os direitos advindos destes atos ilegais por parte dos formadores quando da cobrança das dívidas, criminalizando suas condutas.
Já há previsão sobre a ocorrência no art. 42, porém a criminalização só ocorre no artigo 71 conforme dispõe: "[...] Art. 42. Na cobrança de débitos, o consumidor inadimplente não será exposto a ridículo, nem será submetido a qualquer tipo de constrangimento ou ameaça" (LEI Nº 8.078, 1990).
A existência da criminalização das condutas praticadas contra o consumidor é necessária para que a tutela deste sujeito seja devidamente garantida, já que como dissemos, ele se trata do elo mais fraco na relação de consumo.
1. O artigo 5º da Constituição Federal traz em seu texto a clara exigência da atuação estatal na defesa do consumidor na relação de consumo e na sua abstenção como colocado pelo liberalismo.
Sobre o direito do consumidor e a constituição federal assinalea alternativa correta:
Resposta:
2. Aplicada em: 2016
Banca: CESPE
Órgão: TJ-DFT
Prova: Juiz
Sobre as condutas penalmente tipificadas no rol dos crimes contra as relações de consumo, conforme previsão do CDC, assinale a opção correta:
Resposta:
3. A Constituição Federal posiciona a defesa do consumidor como princípio geral da atividade econômica (art. 170, V), e a considera como princípios basilares para o modelo político-econômico brasileiro, como o da soberania nacional, da propriedade privada, da livre concorrência e outros.
Sobre o direito do consumidor e a Constituição, assinale a alternativa correta:
Resposta:
4. Diversas serão as áreas do direito que estarão relacionadas com o direito do Consumidor. Uma destas áreas, é responsável por tratar dos vínculos entre devedor e credor.
Assinale a alternativa que contenha esta área do direito:
Resposta:
5. O artigo 5º da Constituição Federal traz em seu texto a clara exigência da atuação estatal na defesa do consumidor na relação de consumo e na sua abstenção como colocado pelo liberalismo.
Sobre o direito do consumidor e a constituição federal assinale a alternativa correta:
Resposta:
Os princípios contratuais gerais estabelecidos no Código de Defesa do Consumidor (CDC) para proteção do consumidor são indispensáveis para orientar a criação e celebração dos contratos. Segundo Cavalieri (2011, p.39) compõem esse rol de princípios: o princípio geral da boa-fé;
o princípio da obrigatoriedade da proposta; o princípio da intangibilidade das convenções; o princípio da onerosidade excessiva.
Princípio da boa-fé – art. 51, inciso IV, do CDC, em que, no caput do artigo, o legislador afirma que são nulas de pleno direito as cláusulas relativas ao fornecimento de produtos e serviços que: "[...] IV - estabeleçam obrigações consideradas iníquas, abusivas, que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada, ou sejam incompatíveis com a boa-fé ou a equidade [...]" (BRASIL, 1990)
princípio é considerado como norteador de todos os contratos previstos pelo direito civil como um todo, não apenas aqueles existentes nas relações de consumo.
A boa-fé é definida por Azevedo (2014, p. 51) como
[...] uma atuação refletida, uma atuação refletindo, pensando no outro, no parceiro contratual, respeitando seus interesses legítimos, seus direitos, respeitando os fins do contrato, agindo com lealdade, sem abuso da posição contratual, sem causar lesão ou desvantagem excessiva, com cuidado com a pessoa e o patrimônio do parceiro contratual cooperando para atingir o bom fim das obrigações, isto é, o cumprimento do objetivo contratual e a realização dos interesses legítimos e contribuindo para a segurança das relações negociais... é um standard de comportamento leal, com base na confiança.
A afirmação do autor nos permite concluir que essa boa-fé exige determinadas condutas corretas e éticas por parte dos contratantes e contratados, mesmo que não estejam expressamente previstas em contrato, como, por exemplo: lealdade, respeito ao patrimônio e integridade física e moral, fomentando a realização da expectativa do contrato.
A boa-fé é dividida em objetiva e subjetiva, sendo uma delas a consciência de que um determinado comportamento é correto e a outra a regra criada para que o comportamento seja devidamente previsto.
Princípio da obrigatoriedade da proposta - Princípio é encontrado no art. 51, inciso VIII, do CDC, que nos diz: [...] São nulas de pleno direito, entre outras, as cláusulas contratuais relativas ao fornecimento de produtos e serviços que: [...] VIII - imponham representante para concluir ou realizar outro negócio jurídico pelo consumidor [...]. (BRASIL, 1990).
Este princípio será observado no momento da formação dos contratos, mais especificamente na fase da proposta. Diniz (1999, p. 211) afirma que uma proposta se trata de "uma declaração receptícia de vontade, dirigida por uma pessoa a outra (com quem pretende celebrar um contrato), por força da qual a primeira manifesta sua intenção de se considerar vinculada, se a outra parte aceitar".
O Código de Defesa do Consumidor trata "proposta" nos artigos 30 a 35, que abordam, assim como já é observado pelo Código Civil, que a oferta deve ser clara, séria e precisa. Vale destacar que, no direito do consumidor, o público ao qual esse tipo de proposta se destina, acaba por gerar os chamados contratos em massa.
cabe ao proponente, ao realizar a divulgação de uma oferta ou mera publicidade, estabelecer os limites do contrato, como, por exemplo, o limite de estoque e afins, sob pena de ser responsabilizado por suas omissões, conforme previsto no art. 35 do CDC, através da seguinte redação:
[...] Art. 35. Se o fornecedor de produtos ou serviços recusar cumprimento à oferta, apresentação ou publicidade, o consumidor poderá, alternativamente e à sua livre escolha: [...] I - exigir o cumprimento forçado da obrigação, nos termos da oferta, apresentação ou publicidade; II - aceitar outro produto ou prestação de serviço equivalente; III - rescindir o contrato, com direito à restituição de quantia eventualmente antecipada, monetariamente atualizada, e a perdas e danos. (BRASIL, 1990).
A divulgação também deverá deixar clara a forma de apresentação e a aparência do produto
Princípio da intangibilidade das convenções - Chamado também de princípio da obrigatoriedade das convenções, trata da força vinculante dos contratos e é previsto no Código de Defesa do Consumidor para evitar que o consumidor possa sofrer abusos por parte dos fornecedores.
O art. 51, incisos X, XI e XIII do CDC, traz em seu texto uma vedação ao fornecedor em estabelecer cláusulas que:
[...] X - permitam ao fornecedor, direta ou indiretamente, variação do preço de maneira unilateral; XI - autorizem o fornecedor a cancelar o contrato unilateralmente, sem que igual direito seja conferido ao consumidor; [...] XIII - autorizem o fornecedor a modificar unilateralmente o conteúdo ou a qualidade do contrato, após sua celebração; [...]. (BRASIL, 1990).
Todas essas proibições demonstram que os ajustes feitos no momento da celebração do contrato devem necessariamente ser cumpridos, com exceção de algumas poucas possibilidades como, por exemplo, na onerosidade em razão de fato superveniente ou cláusula contratual, expresso no CDC, artigo 6º: "[...] São direitos básicos do consumidor:
[...] V - a modificação de cláusulas contratuais que estabeleçam prestações desproporcionais ou sua revisão em razão de fatos supervenientes que as tornem excessivamente onerosas" (BRASIL, 1990).
De acordo com Cavalieri (2015, p. 58),
[...] o princípio da força obrigatória dos contratos ou das convenções que leva à intangibilidade dos contratos é aquele segundo o qual o contrato faz lei entre as partes (pacta sunt servanda). Isto é, uma vez aperfeiçoado o contrato e preenchido os requisitos de validade, as obrigações geradas devem ser fielmente cumpridas.
Concluímos, portanto, que o contrato consumerista deverá ser cumprido à risca.
Princípio da onerosidade excessiva - A onerosidade pode ser conceituada como o desequilíbrio contratual causador da desproporcionalidade de prestação entre fornecedor e consumidor. É o que afirma Grinover (2012 p. 119) "uma recusa à entrega da prestação tal como prevista originariamente no contrato, em virtude da superveniência de um desequilíbrio entre a dita prestação do devedor e a contraprestação incumbente ao credor".
Segundo a chamada teoria da imprevisão, a onerosidade excessiva pode ser conceituada como um fato ocorrido depois que o contrato já foi celebrado e que torna a obrigação muito mais penosa para uma das partes - no caso, o consumidor -, e o ganho exagerado para outra - no caso, o fornecedor.
O art. 51, §1º do CDC traz a lista das vantagens exageradas:
[...] § 1º Presume-se exagerada, entre outros casos, a vantagem que: I - ofende os princípios fundamentais do sistema jurídico a que pertence; II - restringe direitos ou obrigações fundamentais inerentes à natureza do contrato, de tal modo a ameaçar seu objeto ou equilíbrio contratual; III - se mostraexcessivamente onerosa para o consumidor, considerando-se a natureza e conteúdo do contrato, o interesse das partes e outras circunstâncias peculiares ao caso. (BRASIL, 1990).
Quando observadas situações de vantagem exagerada no curso da execução do contrato, a relação contratual entre consumidor e fornecedor pode ser modificada ou simplesmente encerrada. Isso ocorre porque o contrato é celebrado com cláusulas que expressam a vontade das partes, bem como com a situação real da relação contratual, portanto, se algo inesperado ocorrer e alterar essa relação em que se contratou, a base e a motivação para a contratação desaparece, o que só pode ser resolvido com a revisão do contrato. Entretanto, é importante rever o documento levando em consideração a simulação da possibilidade de contratação pelo consumidor caso ele pudesse antever tal acontecimento modificador. Caso o consumidor entenda que não contrataria em tais condições, a solução é a resolução.
Cláusula geral de boa-fé - cláusula geral de boa-fé, acolhida pelo Código do Consumidor, atua como critério definidor da abusividade do exercício do Direito. O art. 51, inciso IV, considera abusiva "a cláusula contratual que seja incompatível com a boa-fé ou a equidade".
Atenção. Equidade e boa-fé são conceitos distintos. Segundo Aristóteles, "equidade é a justiça do caso concreto".
Para aplicação da cláusula de boa-fé, segundo Requião (2010, p. 321):
[...] o Juiz parte do princípio de que toda a interrelação humana deve pautar-se por um padrão ético de confiança e lealdade, indispensável para o próprio desenvolvimento normal da convivência social. A expectativa de um comportamento adequado por parte do outro é um componente indissociável da vida de relação, sem o qual ela mesma seria inviável. Isso significa que as pessoas devem adotar um comportamento leal em toda a fase prévia à constituição de tais relações (diligência in contrahendo); e que devem também comportar-se lealmente no desenvolvimento das relações jurídicas já constituídas entre eles. Este dever de comportar-se segundo a boa-fé se projeta, a sua vez, nas direções em que se diversificam todas as relações jurídicas: direitos e deveres. Os direitos devem exercitar-se de boa-fé; as obrigações têm de cumprir-se de boa-fé.
Finalizando, a cláusula geral de boa-fé tem como função trazer equilíbrio ao contrato que envolva relação de consumo e que esteja em desequilíbrio em razão de cláusulas que estabeleçam direitos e obrigações abusivas, ou que coloquem o consumidor em posição desvantajosa em relação ao fornecedor.
Direito de arrependimento - arrependimento se trata da mudança de opinião, a desistência de fazer algo que anteriormente foi aceito. O direito de arrependimento consiste, basicamente, em assegurar ao consumidor o direito de se arrepender de alguma contratação realizada, sem que essa decisão lhe cause qualquer tipo de ônus ou, ainda, sem que seja necessário apresentar algum tipo de justificativa.
No Código de Defesa do Consumidor, o direito de arrependimento está expresso no artigo 49, que nos diz:O consumidor pode desistir do contrato, no prazo de 7 dias a contar de sua assinatura ou do ato de recebimento do produto ou serviço, sempre que a contratação de fornecimento de produtos e serviços ocorrer fora do estabelecimento comercial, especialmente por telefone ou a domicílio.
Juntamente com o direito de arrependimento temos a garantia da devolução do valor pago pelo produto ou serviço do qual se desistiu. Toda cláusula que determine o pagamento de indenização pelo exercício desse direito será considerada abusiva e, portanto, nula de pleno direito.
Vejamos o disposto no parágrafo único do artigo 49 do CDC: "[...] Parágrafo único - Se o consumidor exercitar o direito de arrependimento previsto neste artigo, os valores eventualmente pagos, a qualquer título, durante o prazo de reflexão, serão devolvidos, de imediato, monetariamente atualizados".
Mas fique atento, pois o direito de arrependimento somente será possível caso a contratação tenha ocorrido fora do estabelecimento contratual do fornecedor, de modo a proteger o consumidor dos abusos normalmente cometidos pelo fornecedor nesse tipo de negócio.
No caso da venda "porta a porta", a iniciativa do negócio é do fornecedor, que se utiliza de métodos agressivos de marketing para conseguir fechar o negócio e efetuar a venda, posto que, normalmente, os produtos vendidos dependem desse tipo de tática, evitando que o consumidor possa pensar calmamente para decidir entre contratar ou não.
Resumindo, a aplicação do direito de arrependimento está condicionada ao preenchimento de dois requisitos, como nos diz Cavalieri (2011), a contratação deve ter sido feita fora do estabelecimento comercial do fornecedor, como, por exemplo, vendas realizadas "porta a porta" ou por telefone. E a manifestação do arrependimento deverá ser feita em até 7 dias após a contratação.
A doutrina inclui ainda a venda realizada por "time sharing", que nada mais é do que as contratações as quais, embora realizadas dentro do estabelecimento comercial, não dão ao consumidor a possibilidade de análise cuidadosa do contrato e do produto. Normalmente são contratos firmados em eventos de promoção de empreendimentos. Assim, o consumidor acaba por firmar o contrato em uma situação em que se encontra empolgado, possibilitando que, após análise pormenorizada se arrependa de haver realizado a contratação em si.
Atualmente, são inclusas nessa mesma interpretação, inclusive já de forma pacificada pela doutrina, as contratações pela internet, pendentes de regulamentação específica. O fato dessas contratações estarem inclusas se dá pois, mesmo com liberdade de pesquisa antes de realizar a contratação, o consumidor não tem efetivo acesso ao produto que irá adquirir. Quando a compra é realizada o consumidor vê apenas a imagem divulgada pelo fornecedor, e ao receber o produto que comprou, ele pode acabar se sentindo lesado, pois o produto é diferente daquele que foi adquirido no site de venda. Assim, é aplicável o direito de arrependimento nesses casos, lembrando que o prazo para manifestação do arrependimento terá início no momento exato do recebimento do produto que foi comprado.
Contrato de adesão - Os contratos de adesão possuem esse nome porque suas cláusulas são estipuladas unilateralmente (no caso, pelo fornecedor), cabendo à outra parte (o consumidor) concordar com seus termos, aderindo a eles. No contrato de adesão não há autonomia para discutir o conteúdo das cláusulas contratuais, e o uso do termo "adesão" terá como significado a concordância de ambas as partes, com tudo que foi previamente colocado.
Os contratos de adesão e suas peculiaridades estão no artigo 54 do CDC, e devem ser redigidos com linguagem simples e clara, e sem nenhum tipo de obscuridade, ou seja, não podem ser impressos em letras miúdas difíceis de serem lidas, como é o caso dos contratos de abertura de conta corrente bancária, passagem aérea com cláusulas impressas etc.
O contrato de adesão é classificado como um negócio jurídico bilateral ou plurilateral, no qual apenas uma das partes - proponente ou estipulante - decide antecipadamente quais as cláusulas serão efetivamente inseridas no contrato, de modo que a outra parte - aderente - apenas anui ou não, com o que já está estabelecido, ficando esta, impedida de modificar substancialmente as condições do contrato.
Diniz (2012, p. 119) define o contrato de adesão como
[...] aquele em que a manifestação da vontade de uma das partes se reduz a mera anuência a uma proposta da outra, como nos ensina R. Limongi França. Opõe-se a ideia de contrato paritário, por inexistir a liberdade de convenção, visto que exclui qualquer possibilidade de debate e transigência entre as partes, pois um dos contratantes se limita a aceitar as cláusulas e condições previamente redigidas e impressas pelo outro [...], aderindo a uma situação contratual já definida em todos os seus termos.
Por outro lado, Cavalieri (2011, p. 650) afirma que "o contrato de adesão não é uma categoriaautônoma, nem um tipo contratual, mas sim uma técnica diferente de formação de contrato, podendo ser aplicada a inúmeras categorias contratuais". Essa restrição à autonomia de vontade suportada por uma das partes é a principal característica que diferencia o contrato de adesão do contrato tradicional.
Contrato tradicional - O contrato tradicional é chamado contrato paritário, isto é, ocorre quando as partes estabelecem as condições contratuais conjuntamente, de modo igualitário.
Todavia, vale dizer que Requião (2012, p. 31) discorda que o contrato de adesão não se trataria de contrato, segundo ele
a doutrina vem empregando tradicionalmente o termo paritário, em vez de negociável. Não concordo, porém. Paritário é o que se forma por elementos pares para estabelecer igualdade. A expressão contrato paritário deixa a entender, erroneamente, que os contratos de adesão seriam leoninos, por conferir a uma das partes vantagem exagerada, em prejuízo da outra.
Geralmente, encontraremos contratos de adesão em negócios com grandes empresas, de direito público ou privado. Como, por exemplo, no fornecimento de água, energia e gás, ou seja, sempre que envolva uma relação de consumo. Como os instrumentos contratuais já ficam prontos, sua adesão ocorre em massa por um grande número de pessoas.
É importante ressaltar que, na maioria das vezes, há uma visível diferença econômica entre as partes, sendo que de um lado temos o chamado proponente, que fica no polo mais forte da relação jurídica contratual, e, de outro lado, temos o chamado aderente, a parte que está sempre em condição inferior quanto à força contratual e, portanto, precisa ser protegida.
Ainda de acordo com as questões citadas, tudo que fica previsto se relacionado ao desejo de apenas uma das partes, que é sempre o lado mais forte da relação, já que o aderente não pode discutir, modificar ou não aceitar alguma das cláusulas. Dessa forma, mesmo que seja um ato bilateral, uma parte colocará suas condições e a outra apenas aceitará ou não.
O contrato de adesão vem tipificado nos seguintes documentos: Arts. 423 e 424 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002; Código Civil (CC); Artigo 54 da Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990; Código de Defesa do Consumidor (CDC).
Legislações - Os dispositivos encontrados no Código Civil, assim como no CDC, dão uma maior proteção ao polo mais fraco da relação contratual, ou seja, ao aderente. Destaca-se que ambos os instrumentos preveem que, havendo cláusulas ambíguas ou contraditórias, deverá ser adotada obrigatoriamente a proteção ao aderente. Ressalta-se também que as cláusulas que determinam a renúncia antecipada ao direito resultante da própria natureza do contrato serão tidas como nulas.
O CDC estipula de que forma se dará o vínculo contratual entre as partes. Por esse instrumento legislativo, fica difícil conseguirmos imaginar exemplos de contrato de adesão que não sejam consumeristas, já que são contratos aderidos por uma grande massa populacional.
O art. 54, do CDC, define o contrato de adesão como aquele em que as cláusulas tenham sido aprovadas pela autoridade competente ou estabelecidas unilateralmente pelo fornecedor de serviços ou produtos, sem que o consumidor possa discutir ou modificar substancialmente o teor do contrato, conforme o quanto se segue:
[...] Art. 54. Contrato de adesão é aquele cujas cláusulas tenham sido aprovadas pela autoridade competente ou estabelecidas unilateralmente pelo fornecedor de produtos ou serviços, sem que o consumidor possa discutir ou modificar substancialmente seu conteúdo. § 1º A inserção de cláusula no formulário não desfigura a natureza de adesão do contrato. § 2º Nos contratos de adesão admite-se cláusula resolutória, desde que a alternativa, cabendo a escolha ao consumidor, ressalvando-se o disposto no § 2º do artigo anterior. § 3º Os contratos de adesão escritos serão redigidos em termos claros e com caracteres ostensivos e legíveis, de modo a facilitar sua compreensão pelo consumidor. (Redação dada pela nº 11.785, de 2008) § 4º As cláusulas que implicarem limitação de direito do consumidor deverão ser redigidas com destaque, permitindo sua imediata e fácil compreensão [...]. (BRASIL, 1990).
O artigo 54 apresenta quatro parágrafos, no qual destacaremos o último, que determina que quaisquer cláusulas que limitem ou modifiquem o direito do consumidor, ou seja, do aderente, deverão ser redigidas de forma clara e de fácil visualização.
É importante ressaltar que a possibilidade de inserção de cláusula no contrato de adesão não acarretará na desconfiguração de sua natureza, já que continua sendo um contrato quase que integralmente aderido e que é utilizado para que seja assinado por massas de contribuintes específicos. Os contratos de administradoras de cartão de crédito são um exemplo desse tipo de contrato.
O Código de Defesa do Consumidor permitiu, ainda, segundo Cavalieri (2012 p. 119), "a inclusão de cláusula resolutória pelo estipulante do contrato, desde que seja alternativa e desde que a escolha entre a manutenção ou a resolução do contrato seja do aderente".
O contrato de adesão, diferentemente dos contratos tradicionais, não dará ao aderente qualquer espaço para uma contraproposta, uma vez que as condições da proposta são estipuladas unilateralmente pelo proponente. Assim, o aderente aceita ou não aquilo que está posto, pois a possibilidade de que alterações instrumentais ou de conteúdo aconteçam no contrato não é existente nesse tipo de contrato.
Por ser o contrato de adesão um negócio jurídico consensual, para que nasça o vínculo contratual basta que o aderente manifeste sua aceitação, expressa ou tácita, de se submeter às condições dadas pelo estipulante.
Contrato de adesão e os cartões de créditos - O contrato de adesão pode ser muito penoso ao consumidor caso ele não tenha total ciência das cláusulas. Alguns contratos, principalmente bancários, são essencialmente de adesão e o cliente acaba aderindo a elementos que não sabe por sua falta de conhecimento. Para que você entenda melhor esse tipo de contrato, leia o artigo "As peculiaridades do contrato de cartão de crédito"
Cláusulas abusivas e controle judicial dos contratos de consumo - estabelece como sanção cominada às cláusulas contratuais abusivas, sua nulidade de pleno direito, conforme o seu artigo 51. Para Miragem (2012, p. 289), "no regime do CDC, a nulidade de pleno direito decorre de ofensa à ordem pública de proteção do consumidor, devendo ser reconhecida judicialmente mediante ação ou exceção oposta pelo consumidor, ou ainda reconhecida de ofício pelo juiz".
Podemos considerar como abusiva a cláusula que, pré-redigida pela parte considerada mais forte, cria um desequilíbrio em relação à parte mais fraca. Também estão presentes no artigo 51 e em seus incisos, o elenco de cláusulas consideradas abusivas pelo legislador. O fundamento da abusividade dessas cláusulas contratuais encontra-se na teoria da lesão, à boa-fé objetiva ou ao caráter moral da proteção do contratante mais fraco. Vejamos o Art. 51 do CDC:[...] Art. 51. São nulas de pleno direito, entre outras, as cláusulas contratuais relativas ao fornecimento de produtos e serviços que: I - impossibilitem, exonerem ou atenuem a responsabilidade do fornecedor por vícios de qualquer natureza dos produtos e serviços ou impliquem renúncia ou disposição de direitos. Nas relações de consumo entre o fornecedor e o consumidor pessoa jurídica, a indenização poderá ser limitada, em situações justificáveis; II - subtraiam ao consumidor a opção de reembolso da quantia já paga, nos casos previstos neste código; III - transfiram responsabilidades a terceiros; IV - estabeleçam obrigações consideradas iníquas, abusivas, que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada, ou sejam incompatíveis com a boa-fé ou a equidade; V - (Vetado); VI - estabeleçam inversão do ônus da prova em prejuízo do consumidor; VII - determinem a utilização compulsória de arbitragem; VIII - imponham representante para concluir ou realizar outro negócio jurídico pelo consumidor;IX - deixem ao fornecedor a opção de concluir ou não o contrato, embora obrigando o consumidor; X - permitam ao fornecedor, direta ou indiretamente, variação do preço de maneira unilateral; XI - autorizem o fornecedor a cancelar o contrato unilateralmente, sem que igual direito seja conferido ao consumidor; XII - obriguem o consumidor a ressarcir os custos de cobrança de sua obrigação, sem que igual direito lhe seja conferido contra o fornecedor; XIII - autorizem o fornecedor a modificar unilateralmente o conteúdo ou a qualidade do contrato, após sua celebração; XIV - infrinjam ou possibilitem a violação de normas ambientais; XV - estejam em desacordo com o sistema de proteção ao consumidor; XVI - possibilitem a renúncia do direito de indenização por benfeitorias necessária [...]. (BRASIL, 1990).
Perceba que existem várias cláusulas consideradas abusivas e, portanto, nulas. Além disso, temos ainda as cláusulas exageradas, que são previstas no mesmo artigo, porém nos parágrafos seguintes aos que verificamos.
O Poder Judiciário, ao se deparar com essas questões, tem dado como nulas as disposições contratuais que não sejam ostensivas.
Como vimos, o CDC cuida inclusive da confecção dos contratos, evitando que sejam elaborados de forma indevida, impossíveis de se compreender, com cláusulas desfavoráveis ao consumidor, permitindo que haja sempre a possibilidade de revisão de cláusulas abusivas e em desvantagem ao consumidor.
Compras on-line: atenção às cláusulas abusivas: Muitos de nós fazem ou farão compras ou contratações de serviços pela internet. Nesse ambiente, as cláusulas abusivas estão presentes de maneira ainda muito ampla, já que a proteção do consumidor está em fase de crescimento e a fiscalização ainda não consegue atuar de forma efetiva.
1. Para que o direito de arrependimento seja efetivado é necessário que ele seja feito em um determinado período. Sobre esse assunto, assinale a alternativa correta:
Resposta:
2. O CDC regulamenta que são nulas de pleno direito as cláusulas relativas ao fornecimento de produtos e serviços que estabeleçam “obrigações consideradas iníquas, abusivas, que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada, ou sejam incompatíveis com a boa-fé ou a equidade” (BRASIL, 1990). Assinale a alternativa que contenha o princípio contratual citado:
Resposta:
3. “[...] Art. 51: São nulas de pleno direito, entre outras, as cláusulas contratuais relativas ao fornecimento de produtos e serviços que: VIII – imponham representante para concluir ou realizar outro negócio jurídico pelo consumidor; [...]” (BRASIL, 1990). Assinale a alternativa que contenha o princípio contratual citado:
Resposta:
4. No contrato de adesão não há autonomia para discutir o conteúdo das cláusulas contratuais, e o uso do termo “adesão” não significa “manifestação de vontade” ou “decisão que implique concordância com o conteúdo das cláusulas contratuais”. Sobre os contratos de adesão, assinale a alternativa correta:
Resposta:
5. As cláusulas são estipuladas unilateralmente pelo fornecedor, cabendo ao consumidor concordar com seus termos ao aderir a eles. Assinale a alternativa que contenha o termo explicado:
Resposta:
As cláusulas abusivas podem ser encontradas em diversos contratos. A partir de seus estudos, conceitue-as e apresente como o judiciário se comporta com relação a elas.
Resposta:
Decadência e Prescrição no cdc - A decadência e a prescrição se referem a institutos jurídicos que fazem parte do Direito do Consumidor, e estão previstos nos artigos 26 e 27 da Lei no 8.078/90 - o Código de Proteção e Defesa do Consumidor.
Artigos 161 a 179 do Código Civil:
A disciplina geral dos dois termos está presente nos artigos 161 a 179 do Código Civil. Vale destacar que existem regras específicas que dependem da área do direito a serem aplicadas.
Esses institutos estão ligados ao direito do consumidor, como forma de assegurar as relações jurídicas de consumo. Todo consumidor que se deparar com produtos ou serviços com vícios, tem o direito de reclamar, porém existem prazos para isso.
Prescrição: É considerada a perda da pretensão, ou seja, a perda da possibilidade de exigir do outro o cumprimento de um dever jurídico. Para Diniz (1994, p. 202):
"esse instituto foi criado como medida de ordem pública para proporcionar segurança às relações jurídicas, que seriam comprometidas diante da instabilidade oriunda do fato de se possibilitar o exercício da ação por tempo indeterminado. Constitui-se como uma pena para o negligente, que deixa de exercer seu direito de ação, dentro de certo prazo, ante uma pretensão resistida".
Ainda conforme a autora, baseada em estudos do autor Pontes de Miranda, trata-se de "uma exceção que alguém tem contra o que não exerceu, durante um lapso de tempo fixado em norma, sua pretensão" (DINIZ, 1994, p. 202).
Decadência: Trata-se da perda do direito propriamente dito, morte da relação jurídica por falta de exercício em tempo hábil. Diniz (1994, p. 212), por sua vez, expõe que “a decadência é a extinção do direito pela inação de seu titular, que deixa escoar o prazo legal ou voluntariamente fixado para o seu exercício”.
A autora ressalta ainda que a decadência poderá ser arguida tanto pela via da ação quanto pela força da exceção.
Fonte: adaptado de Diniz (1994, p. 213).
O Código de Defesa do Consumidor apresentou uma novidade em seu parágrafo 2º do artigo 26, ao utilizar a frase "obstam a decadência", e deu partida a intensos debates sobre os efeitos dessa ordem legal, se teria efeito interruptivo ou suspensivo no prazo decadencial. Vejamos o referido artigo:
"[...] Art. 26. O direito de reclamar pelos vícios aparentes ou de fácil constatação caduca em: (...) § 2° Obstam a decadência: I - a reclamação comprovadamente formulada pelo consumidor perante o fornecedor de produtos e serviços até a resposta negativa correspondente, que deve ser transmitida de forma inequívoca; II - (Vetado). III - a instauração de inquérito civil, até seu encerramento [...]" (LEI Nº 8.078, 1990).
A chamada causa suspensiva prevista no artigo, quando ocorre, paralisa o prazo que assim permanece até que a referida causa deixe de existir, quando então, retoma o seu curso, aproveitando todo o tempo já decorrido anteriormente.
Diferente é a causa interruptiva, a qual interrompe o prazo, inutilizando todo o tempo até então decorrido, sendo que, quando a causa interruptiva termina a sua existência, o prazo é reiniciado novamente do princípio, sem nada a aproveitar do tempo anterior.
Para ficar ainda mais fácil, vamos as diferenças entre esses institutos:
A decadência poderá ser definida como a perda do direito potestativo, em função de sua não utilização dentro do prazo legal. Decorre, portanto, da inércia de seu titular, que se caracteriza como ato caducificante.
Prazo do mandado de segurança: A prescrição e a decadência possuem características diferentes, e por conta disso, vale destacar alguns tópicos que fazem parte dessas duas modalidades, mas que se apresentam de formas distintas. Analise a tabela e amplie seu conhecimento sobre o assunto.
Prazo para a Reclamação pelo Vício e Fato do Produto e do Serviço: Segundo Azevedo (2015, p.139),
"o fato do produto ou do serviço trata-se da responsabilidade pelos acidentes de consumo, ou seja, aqueles capazes de afetar a segurança e a saúde dos consumidores, tendo como seu fundamento a própria relação de consumo, independentemente da existência de um contrato ou não."
Exemplos de fato do produto: telefone celular: pode apresentar problemas na bateria, explodir e queimar o consumidor; moto: pode apresentar problema nos freios e ocasionar um acidente; batedeira: a haste pode soltar e ferir o consumidor.
Exemplo de fato do serviço: pintura: a realização do serviço pode ser feita com substância tóxica e provocar uma intoxicação no consumidor.
O chamado vício aparente ou de fácil constatação é aquele que aparece no singelo uso e consumo do produto ou serviço, aquele que é facilmente perceptível ao consumidor, como um ruído.Já vício oculto, é aquele que só aparece depois de algum uso do produto, e que, por estar inacessível ao consumidor, não é facilmente constatado na utilização diária, como um cabo com mau contato.
Compreendidos os conceitos, vejamos o que o Código de Defesa do Consumidor (CDC) nos fala sobre a decadência e, posteriormente, sobre a prescrição nesses casos. Faremos uma análise e explicaremos detalhadamente o que as leis nos dizem. Observe:
"[...] Art. 26. O direito de reclamar pelos vícios aparentes ou de fácil constatação caduca em: I - trinta dias, tratando-se de fornecimento de serviço e de produtos não duráveis; II - noventa dias, tratando-se de fornecimento de serviço e de produtos duráveis [...]" (LEI Nº 8.078/90).
O termo "caduca" é utilizado para a decadência.
Os produtos ou serviços não duráveis são aqueles que possuem um final determinado, ou seja, terminam a partir de sua utilização, seja ela única ou não. Portanto, apresentam pouco tempo de uso após a sua aquisição.
Os produtos ou serviços duráveis não podem ser confundidos sob uma ótica de serem o oposto dos não duráveis. O que acontece nesses produtos é que eles são atingidos pelo desgaste natural com a sua utilização, portanto, caracterizam-se por ter vida útil não passageira.
"[...] § 1° Inicia-se a contagem do prazo decadencial a partir da entrega efetiva do produto ou do término da execução dos serviços [...] (LEI Nº 8.078/90). No caso dos produtos, a contagem do prazo começa a ser contado de forma diferente em relação aos serviços, no primeiro é a partir da entrega e no segundo com seu término:
"[...] § 2° Obstam a decadência: I - a reclamação comprovadamente formulada pelo consumidor perante o fornecedor de produtos e serviços até a resposta negativa correspondente, que deve ser transmitida de forma inequívoca; [...] III - a instauração de inquérito civil, até seu encerramento [...]" (LEI Nº 8.078/90).
Esse parágrafo nos traz as hipóteses em que o prazo decadencial é suspenso, sendo o caso em que o consumidor já fez contato com o fornecedor, mas não obteve resposta e caso tenha ocorrido instauração de inquérito.
"[...] § 3° Tratando-se de vício oculto, o prazo decadencial inicia-se no momento em que ficar evidenciado o defeito [...] (LEI Nº 8.078/90). Como o vício oculto não é descoberto com tanta facilidade, seria de grande injustiça com o consumidor se seguisse o mesmo prazo que os demais.
A decadência contempla, portanto, dois prazos distintos:
• Trinta dias para produtos não duráveis;
• Noventa dias para produtos duráveis.
Na prática, isso significa dizer que o consumidor tem prazo definido em lei para reclamar junto ao fornecedor sobre a existência de um vício, seja ele ligado à quantidade ou à qualidade em seu produto ou serviço.
Assim, se o consumidor não realizar a reclamação no prazo legal, a consequência é a perda do direito à reparação do dano. Lembrando apenas que a identificação do prazo para perda do direito depende do enquadramento do produto ou serviço viciado como não durável ou durável.
Compreendido o instituto da decadência, vejamos agora como funciona a prescrição.
"[...] Art. 27. Prescreve em cinco anos a pretensão à reparação pelos danos causados por fato do produto ou do serviço prevista na Seção II deste Capítulo, iniciando-se a contagem do prazo a partir do conhecimento do dano e de sua autoria [...] (LEI nº 8.078/90).
O prazo do artigo 27 somente é iniciado quando o consumidor tiver conhecimento do dano e da respectiva autoria. Então, na prática, se pensarmos um pouco vamos perceber que o consumidor poderá ter um prazo maior que cinco anos para exigir a reparação do dano em caso de fato do produto ou serviço.
Existem outros casos de prescrição que são aplicados no direito consumerista, e estão previstos no Código Civil, cuja aplicação se verifica de forma subsidiária. Dessa forma, quando não houver prazo especial fixado em lei para a prescrição da pretensão consumerista, aplica-se o prazo de dez anos, previsto no artigo 205 do Código Civil.
Vale ressaltar que sendo os vícios aparentes ou ocultos, os prazos para reclamar são os mesmos, havendo distinção apenas quanto ao momento inicial de sua contagem. Sendo o vício aparente, a contagem se dá a partir da tradição do produto, ou da efetiva prestação do serviço ao consumidor (artigo 26, § 1º, do CDC). Já se tratando de vício oculto, ou seja, o vício que apenas se manifesta a partir da utilização ou fruição do produto ou serviço, o termo inicial da contagem do prazo será do momento em que esse vício é descoberto, conforme estabelece o artigo 26, § 3º, do CDC.
Já quanto à prescrição, conforme estabelece o artigo 27, o início da contagem do prazo se dará "[...] a partir do conhecimento do dano e de sua autoria [...]" (LEI nº 8.078/90).
Portanto, é necessário que seja identificado o dano e quem o causou para que comece a correr o chamado prazo prescricional do artigo 27 do Código de Defesa do Consumidor.
Cavalieri (2009, p. 408) determina que:
a norma se utiliza adequadamente da conjuntiva 'e' para determinar o início do prazo, porque pode acontecer de o consumidor sofrer dano e não conseguir de imediato identificar o responsável por ele ou, pelo menos, todos os responsáveis, uma vez que, como se viu, a Lei nº 8.078 estabelece ampla solidariedade entre os fornecedores.
Prescrição e a decadência: Os prazos de prescrição e as ocorrências ou vícios de fato do produto ou serviço são diferentes em cada um dos casos, sendo assim, vale destacar as suas diferenças. Observe o quadro comparativo entre a prescrição e a decadência.
Modalidades de Garantia Legal e Contratual: A garantia corresponde a uma das responsabilidades que o fornecedor tem ao entregar o produto ou serviço. Este não deve apresentar defeitos e deve funcionar perfeitamente. Além disso, garante que os defeitos devam ser reparados dentro de um prazo determinado (GRINOVER, 2011).
A garantia legal é aquela derivada da lei, ou seja, possui caráter de ordem pública. O ponto mais importante a ser observado é que ela não pode ser modificada e nem diminuída por normas de caráter contratual. Isso decorre exatamente da necessidade de oferecer produtos e serviços que sejam realmente capazes de atender aos desejos dos consumidores, respeitando requisitos mínimos de qualidade.
A garantia legal encontrada no art. 50 do CDC é complementar à garantia contratual, o que confirma a sua natureza de norma de ordem pública. Trata-se de uma garantia de cunho obrigatório e, portanto, não depende de termo expresso. Podemos dizer que ela é uma espécie de garantia implícita (implied warranty) decorrente da própria atividade de colocar um produto ou serviço no mercado. Ela nasce da necessidade de manter certo equilíbrio nas relações de consumo e justifica o porquê de a responsabilidade dos fornecedores ser solidária, afinal, será transmitida ao longo da cadeia produtiva do bem, de acordo com sua durabilidade.
Por outro lado, a garantia contratual é fruto de uma relação contratual entre o consumidor e o fornecedor ou distribuidor do produto ou serviço. Trata-se de uma modalidade de garantia facultativa e sempre conferida mediante termo escrito. Ela pode ser total ou parcial, visto que é proveniente da vontade dos fornecedores, no ato do contrato ou após este.
A garantia contratual é considerada um plus à garantia legal, afinal ela não pode ser retirada ou diminuída mesmo pela vontade das partes. Dessa forma, não possui prazo preestabelecido, ela sempre decorre da liberalidade do fornecedor, além de ser definida a partir das suas conveniências, atendendo ao princípio da livre iniciativa.
Vejamos os prazos das duas modalidades de garantia:
A garantia legal está prevista no CDC em seu art. 26, que define as seguintes regras:
• Trinta dias para os bens não duráveis;
• Noventa dias para os bens duráveis.
Em razão de ser uma norma de ordem pública e inderrogável, não poderá ser de forma alguma afastada por convenção / acordo entre as partes.
A garantia contratual, por sua vez,é uma modalidade decadencial e convencional e o seu prazo é concedido por liberalidade pelo fornecedor ao consumidor (DINIZ, 1999).
De acordo com o artigo 50 do Código do Consumidor, a garantia contratual, deverá ser conferida mediante termo escrito e padronizado, que deverá esclarecer de maneira adequada todos os dados da garantia, ou seja, em que consistem, se existem custos, se há quaisquer elementos do produto / serviço que não estão cobertos pela garantia etc.
Sabendo que a garantia contratual é complementar a legal, de que forma a contagem dos prazos ocorrerá? A doutrina majoritária estabelece que o prazo da garantia contratual deverá ser sempre somado ao prazo da garantia legal.
O Superior Tribunal de Justiça tem seu posicionamento definido no sentido de que os prazos decadenciais para a reclamação da garantia legal não correm enquanto não expirar todo o prazo da garantia contratual.
E, por fim, temos ainda a chamada garantia estendida, que vem sendo oferecida de forma muito comum. Atualmente a situação encontrada é a prática dos fornecedores oferecerem uma garantia extra por um preço adicional. No entanto, ainda não existe uma definição doutrinária quanto às vantagens e desvantagens dessa garantia, visto que o consumidor já está protegido por outras modalidades de garantia.
F1: Fórum: É muito comum nos depararmos com ocorrências de fatos e vícios do produto e serviço em nosso dia a dia. Vamos imaginar o seguinte caso: Pedro comprou em uma loja de eletrodomésticos um liquidificador. Após 90 dias de uso uma de suas hélices se soltou, causando cortes no braço de Pedro ao sair do copo com grande velocidade.
Considerando o caso apresentado, responda aos seguintes questionamentos:
• Você considera que Pedro ainda pode trocar o produto? Por quê?
• Sobre os prazos de decadência e prescrição, você considera que são prazos temporais justos?
Prova ead
D2 - Júlia contratou João para prestar serviço de reparos elétricos em sua residência. Dias depois, um de seus equipamentos eletrônicos, que estava ligado a uma tomada reparada por João, queimou. Júlia, então, acionou-o judicialmente, pleiteando sua responsabilização pelo ocorrido. Em contestação, João apresentou laudo técnico cuja conclusão apontava que Júlia havia ligado o equipamento em tomada com voltagem superior à capacidade do aparelho
Acerca dos direitos básicos do consumidor, do fato do produto e do serviço e da responsabilidade civil do fornecedor, julgue o que se pede a seguir:
1. No caso de danos causados aos consumidores, por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como informações insuficientes ou inadequadas sobre sua utilização e seus possíveis riscos durante o uso, qual a regra geral adotado pelo Código de Defesa do Consumidor, em relação a responsabilização civil do fornecedor? (35%)
2. Nas relações de consumo, a Responsabilidade Civil poderá ser Objetiva em casos excepcionais. Encontre na jurisprudência brasileira um caso de responsabilidade civil objetiva, que envolva uma relação de consumo (não esqueça de citar a fonte). (35%)
3. Na situação hipotética, o juiz deverá concluir pela responsabilização de João, independentemente de culpade Júlia, conforme o Código de Defesa do Consumidor? Justifique. (30%)
Resp: Ao analisar o Art. 2º – Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final.
Parágrafo único. Equipara-se a consumidor a coletividade de pessoas, ainda que indetermináveis, que haja intervindo nas relações de consumo. Como elemento fundamental para caracterizar relação de consumo, como destinação final do produto e serviço.
Neste sentido de caracterização da relação de consumo tem diferença final do produto e serviço obtido. Através da teoria finalista ou subjetiva adotando pela codificação consumerista, que estabelece que o consumidor é notável que conquiste a um produto e serviço como destinatário final fática ou econômico. A destinação final fática ou econômica não é absoluta, persiste a situação em que sua aplicação sem ponderação causa uma possível injustiça, como nos eventos das pequenas empresas, empresários individuais e profissionais liberais, que além de usarem o produto e serviço com a finalidade de lucro, não passam o caráter vulnerável e muitos vezes hipossuficiente em relação ao fornecedor, por isto conta do desiquilíbrio econômico, financeiro, proteção social, técnicos ou infracional.
“A doutrinadora Cláudia Lima Marques desenvolveu a teoria finalista aprofundada, em que nos casos de latente desequilíbrio que evidenciarem a vulnerabilidade ou hipossuficiência, haveria uma ampliação do conceito de consumidor.”
O Art. 3º - Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional ou estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem atividades de produção, montagem, criação, construção, transformação, importação, exportação, distribuição ou comercialização de produto ou prestação de serviços.
§ 1º - Produto é qualquer bem, móvel ou imóvel, material ou imaterial.
§ 2º - Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista. CDC traz conceito de fornecedor, produto e serviço.
A responsabilidade civil aplica o CDC é a objetiva, independe de culpa ou dolo, em seus arts. 12, 13, 14, 18, 19 e 20, expõe nitidamente a respondibilidade objetiva, inclusive solidaria, a meio de fornecedores de produtos e os prestadores de serviço. Quando o problema trapassa os limites do produto ou serviço, acarretaria prejuízos colaterais, cerca de danos matérias, morais ou estéticos. A responsabilidade do fornecedor evidencia no art. 12 CDC de aspectos a taxativa quais o fornecedor conserva a responsabilidade, na ocasião em que ao caso de vico e fato do serviço.
Diante disso podemos ressaltar a eliminatório responsabilidade quando ocorre culpa puramente da vítima, deixando de agir, de forma negativa ou positiva, ocasiona um dano. Sendo assim Júlia deixou a responsabilidade objetiva a ser aplicada pois o dano só ocorreu em razão da culpa do consumidor, nesta patamar qualquer atuação do categoricamente responsável em contribuir para a eventualidade do prejuízo, conduz em sua responsabilidade.
EMENTA: RESPONSABILIDADE CIVIL – PACOTE TURÍSTICO. A responsabilidade pelo fato do serviço, do art. 14 do CDC, tecida nos mesmos moldes da responsabilidade pelo fato do produto, exige acontecimentos externos causadores de dano material ou moral decorrentes de defeitos do serviço, não das atitudes do consumidor. Inexiste culpa ou falha do serviço, ou falta de informação adequada sobre os mesmo, que foi fornecida por escrito, em documento juntado pelos próprios recorrentes e também verbalmente, consoante a prova oral. Não incide responsabilidade civil. Apelação desprovida (TJRS – 9ª Câm. ApCiv 70000119768 – rel. Des. Rejane Maria Dias de Castro Bins –j. 06.10.199)
EMENTA: CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR – RESPONSABILIDADE DO FORNECEDOR – CULPA CONCORRENTE DA VÍTIMA – HOTEL – PSCINA – AGÊNCIA DE VIAGENS – RESPONSABILIDADE DO HOTEL, QUE NÃO SINALIZA CONVENIENTEMENTE A PROFUNDIDADE DA PSCINA, DE ACESSO LIVRE AOS HÓSPEDES – ART. 14 DO CDC. A culpa concorrente da vítima permite a redução da condenação imposta ao fornecedor. Art. 12, §2°, III, do CDC. A agência de viagens responde pelo dano pessoal que decorreu do mau serviço do hotel contratado por ela para hospedagem durante o pacote de turismo. Recursos conhecidos e providos em parte (STJ – 4ª T. – Resp 287849/SP – rel. Min. Ruy Rosado de Aguiar – j. 17.04.2001).
Sim pois a responsabilidade civil objetiva através do CDC, João como fornecedor se responsabilizado independente de haver culpa, pelo dano sofridos pela consumidora, o dano deverá ser ressarcir o consumidor (Júlia) sendo comprovada o dano da prestação produto e serviço realizado por João.
Oferta e Publicidade: Para adentramos ao assunto, precisamoscompreender os conceitos relacionadas a oferta, publicidade e informação.
Segundo Azevedo (2015, p.118), oferta “é a manifestação de vontade unilateral mediante a qual uma pessoa dá conhecimento de sua intenção de contratar e das condições essenciais do contrato.” A oferta está regulada no artigo 31 do Código de Defesa do Consumidor (CDC), conforme a seguir:
Art. 31 “A oferta e apresentação de produtos ou serviços devem assegurar informações corretas, claras, precisas, ostensivas e em língua portuguesa sobre suas características, qualidades, quantidade, composição, preço, garantia, prazos de validade e origem, entre outros dados, bem como sobre os riscos que apresentam à saúde e segurança dos consumidores” (BRASIL, 1990).
A publicidade representa anúncios que podem ser veiculados em qualquer meio de comunicação, abrangendo aí os rótulos, embalagens, folhetos e material existente nos pontos de venda.
A informação, por sua vez, é mais ampla, pois abrange tudo o que foi citado em relação à publicidade, somando-se a isso as informações obtidas com o gerente do banco, do funcionário do atendimento telefônico de uma empresa prestadora de serviço, do garçom do restaurante, do recepcionista do hotel, além dos dados técnicos constantes nas embalagens e rótulos dos produtos. Conforme Nunes (2009, p.415) trata-se de "qualquer informação oferecida por todo e qualquer meio de comunicação escrita, verbal, gestual, etc. que chegue ao consumidor".
Iniciando a análise da regulamentação dos três institutos no CDC temos o artigo 32, que traz os requisitos necessários para a oferta, e o CDC traz ainda outras disposições importantes nesse sentido, observe:
Art. 32. Os fabricantes e importadores deverão assegurar a oferta de componentes e peças de reposição enquanto não cessar a fabricação ou importação do produto. Parágrafo único. Cessadas a produção ou importação, a oferta deverá ser mantida por período razoável de tempo, na forma da lei (BRASIL, 1990).
Este dispositivo protege o consumidor contra os casos em que o fornecedor, abusivamente, deixa de produzir determinado produto para produzir um novo e obriga o consumidor a trocar de forma indireta ao deixar de ofertar reposição.
Art. 33. Em caso de oferta ou venda por telefone ou reembolso postal, deve constar o nome do fabricante e endereço na embalagem, publicidade e em todos os impressos utilizados na transação comercial. Parágrafo único. É proibida a publicidade de bens e serviços por telefone, quando a chamada for onerosa ao consumidor que a origina (BRASIL, 1990
Já, o artigo acima regulamenta a postagem dos produtos, para que, caso deseje desistir ou precise devolver, o consumidor consiga conhecer o endereço.
Que apresenta todos os requisitos legais da oferta previstos no CDC. Vale destacar que são requisitos obrigatórios da oferta, e sem eles ela não estará cumprindo com sua legalidade.
Além da oferta, a publicidade e a informação também precisam ser vistas de perto. O CDC determina que toda informação ou publicidade tem de ser suficientemente precisa, clara, correta, ostensiva e em língua portuguesa. Vejamos no artigo a seguir:
Art. 36. A publicidade deve ser veiculada de tal forma que o consumidor, fácil e imediatamente, a identifique como tal. Parágrafo único. O fornecedor, na publicidade de seus produtos ou serviços, manterá, em seu poder, para informação dos legítimos interessados, os dados fáticos, técnicos e científicos que dão sustentação à mensagem (BRASIL, 1990).
Assim, a publicidade precisa levar em consideração que todo tipo de pessoa irá ler, razão pela qual precisa ser a mais clara possível. É importante lembrar que a publicidade é a forma usada para atingir grandes massas populacionais. A informação, por outro lado, é usada quando o objetivo é atingir os consumidores de forma individual.
A propaganda é uma forma pela qual se faz a publicidade de um produto ou serviço.
As ofertas podem ou não serem feitas por publicidade, porquanto podem ser feitas no plano individual em uma negociação privada entre fornecedor e consumidor.
Fixação: A Oferta e a Publicidade são protegidas pelo CDC para evitar que o consumidor seja lesado. Sobre os institutos citados, assinale a alternativa correta : Resp:….
Questão: A oferta, a informação e a publicidade são tutelas pelo CDC e são instrumentos utilizados pelos fornecedores. Diferencie-os.
Resp: A oferta é um instrumento a disposição do fornecedor de potencializar a sua lucratividade, sendo ele estabelecendo o conceito no art.30,CDC. Deste modo faz a oferta ter sido manipulado pelo fornecedor de aspecto mais ampla através da publicidade que atinge de uma condição de uniformizar espaçoso aparição de potência consumerista, ou se é retornado pelo consumidor que está pretendendo pela efetivação daquele ato consumo.
Para Nelson Nery Junior oferta é:
“… qualquer informação ou publicidade sobre preços e condições de produtos ou serviços, suficientemente precisa, veiculada por qualquer forma…”.(NERY JUNIOR, Nelson.Códigode processo civil comentado e legislação processual civil extravagante em vigor.São Paulo: Revista dos Tribunais, 1999, p. 184).
A espécie de gênero publicidade, tem como especificidade notável a informação a respeito de preço e condições dos produtos e serviços, ou seja, o valor condiz ao produto ou serviço e as proporções de aquisição, pagamento, financiamento e etc. Conseguimos correlacionar e estabelecer o bem indicando, pelo menos preço e as circunstancias deste, no decorrer de qualquer dos meios de comunicação informados.
Agora a publicidade como condições dos fornecedores aproveita informações comerciais para venda de seus produtos e serviços propriamente ao publico. Caracterizando a propaganda pela inexistência de informações ideológica, as informações ligadas na publicidade são regra, absolutamente objetivas juntando a modificar consciência para que o consumidor acima de dados de funcionamento, utilidade, produtividade, segurança e eficacia do produto ou serviço exibir o anunciado.
Portanto a oferta e publicidade constituem parte de um amplo universo nomeado ao marketing que possui tal como finalidade atender os objetivos de fornecedores e consumidores consequente da influência que exerce no método de comercialização, criando dessa maneira com que os fornecedores vendam e os consumidores comprem mercadorias e serviços.
Definições de Publicidade Enganosa e Abusiva: O CDC proíbe a publicidade enganosa e a abusiva. Mas o que seria isso? Resumidamente, a propaganda enganosa é aquela que possui informações falsas ou que omite ou deixa de trazer alguma informação importante sobre um produto, o que acaba por induzir o consumidor ao erro. Essas informações podem ser sobre: quantidade, validade, periculosidade etc.
Propaganda enganosa: Um exemplo de propaganda enganosa é a de uma loja de calçados em Minas Gerais, que em 2013 divulgava em propagandas que seus produtos poderiam ser parcelados em até seis vezes no cartão de crédito. Porém, em letras miúdas, informava que o valor mínimo das parcelas deveria ser de R$ 20,00. A 16ª Câmara Cível do TJ/MG proferiu uma decisão para um caso iniciado com uma denúncia do Ministério Público, segundo o qual a propaganda traria forte indução ao erro do consumidor e, portanto, determinou que as limitações ou outras condições limitadas de pagamento dos produtos ofertados recebessem destaque de forma a ficarem claras e em letras visíveis sob pena de multa de R$ 5 mil para cada campanha veiculada. O relator acabou verificando que em todas as propagandas posteriores à ação, a empresa evitou destacar qualquer exigência de parcela mínima para o pagamento com cartão de crédito, porém ainda estava praticando a propaganda enganosa, tendo em vista que anunciava em letras muito reduzidas que as compras realizadas através de seus crediários precisariam de parcelasmínimas de R$ 12,00.
Leia mais sobre o caso apresentado no site do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, disponível em: <https://www.idec.org.br/em-acao/noticia-do-consumidor/propaganda-enganosa-tribunal-proibe-veiculaco-de-propagandas-que-induzem-ao-erro>. Acesso em: 20 mar. 2017.
Já a publicidade abusiva é aquela que pode, em razão de seu conteúdo, acabar incentivando ou gerando violência ou qualquer tipo de discriminação, por meio da imposição de medo ao consumidor, ou ainda se aproveitando da falta de experiência da criança, desrespeitando valores do meio ambiente ou ainda induzindo a um comportamento prejudicial à saúde e à segurança.
Para Nunes (2009, p. 514), "o caráter da abusividade não tem necessariamente relação direta com o produto ou serviço oferecido, mas sim com os efeitos da propaganda que possam causar algum mal ou constrangimento ao consumidor".
Publicidade abusiva: O Superior Tribunal de Justiça, em decisão proferida no ano de 2015, condenou a empresa Pandurata Alimentos (Bauducco), por considerar que houve a prática de publicidade abusiva, que se aproveita da ingenuidade das crianças, em uma campanha publicitária que condicionava a aquisição de relógios do Shrek à compra de cinco produtos da linha "Gulosos" mais o pagamento de cinco reais. A ação foi proposta pelo Ministério Público de São Paulo e o relator do processo, ministro Humberto Martins, considerou a propaganda abusiva e que o caso configurou também a venda casada. Leia a reportagem no link: <https://criancaeconsumo.org.br/acoes/pandurata-alimentos-bauducco-promocao-gulosos-shrek/>. Acesso em: 20 mar. 2017.
Antes de falarmos sobre as práticas abusivas propriamente ditas existentes no CDC, precisamos entender que a abusividade está diretamente ligada a um abuso do direito, e este é o resultado do excesso de exercício de um direito que acaba por gerar danos ao próximo.
As práticas abusivas estão elencadas no artigo 39 do CDC e são ações e/ou condutas que, uma vez existentes, caracterizam-se como ilícitas, independentemente de terem lesado algum consumidor ou não. Estas práticas são ilícitas em si, apenas por existirem. Vejamos as práticas mais importantes do artigo:
Art. 39 É vedado ao fornecedor de produtos ou serviços, dentre outras práticas abusivas: I - condicionar o fornecimento de produto ou de serviço ao fornecimento de outro produto ou serviço, bem como, sem justa causa, a limites quantitativos; II - recusar atendimento às demandas dos consumidores, na exata medida de suas disponibilidades de estoque, e, ainda, de conformidade com os usos e costumes; III - enviar ou entregar ao consumidor, sem solicitação prévia, qualquer produto, ou fornecer qualquer serviço; IV - prevalecer-se da fraqueza ou ignorância do consumidor, tendo em vista sua idade, saúde, conhecimento ou condição social, para impingir-lhe seus produtos ou serviços; V - exigir do consumidor vantagem manifestamente excessiva; VI - executar serviços sem a prévia elaboração de orçamento e autorização expressa do consumidor, ressalvadas as decorrentes de práticas anteriores entre as partes; VII - repassar informação depreciativa, referente a ato praticado pelo consumidor no exercício de seus direitos; VIII - colocar, no mercado de consumo, qualquer produto ou serviço em desacordo com as normas expedidas pelos órgãos oficiais competentes ou, se normas específicas não existirem, pela Associação Brasileira de Normas Técnicas ou outra entidade credenciada pelo Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Conmetro); IX - recusar a venda de bens ou a prestação de serviços, diretamente a quem se disponha a adquiri-los mediante pronto pagamento, ressalvados os casos de intermediação regulados em leis especiais; (Redação dada pela Lei nº 8.884, de 11.6.1994). X - elevar sem justa causa o preço de produtos ou serviços. (Incluído pela Lei nº 8.884, de 11.6.1994) (...) XII - deixar de estipular prazo para o cumprimento de sua obrigação ou deixar a fixação de seu termo inicial a seu exclusivo critério. (Incluído pela Lei nº 9.008, de 21.3.1995). XIII - aplicar fórmula ou índice de reajuste diverso do legal ou contratualmente estabelecido (Incluído pela Lei nº 9.870, de 23.11.1999) (BRASIL, 1990).
Perceba que são várias as práticas abusivas, mas nem todas elas estão ligadas a publicidade.
Consumo Responsável, Compre Essa Ideia - Lanche Frustrado: Para ampliar seu conhecimento, assista ao vídeo "Consumo Responsável, Compre Essa Ideia - Lanche Frustrado", que trata de uma forma bem didática e com linguagem simples, uma espécie de propaganda enganosa. Disponível em: <https://www.procon.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=551>. Acesso em: 18 mar. 2017.
Apesar de ser extensa a lista das práticas abusivas a que o CDC faz menção, podemos exemplificar algumas delas que estão diretamente ligadas ao assunto. Inicialmente falaremos da "venda casada", que se caracteriza pelo fato de tentar obrigar o consumidor a adquirir um produto de forma conjunta com outro que ele realmente deseja comprar. Dessa forma, podemos exemplificar o caso da seguinte forma: A empresa "Z" foi procurada por Antônio para que realizasse sua festa de casamento. Ela apresentou a ele dois diferentes instrumentos contratuais, um relativo à prestação de serviço e outro relativo à locação do espaço onde o evento ocorreria. Tendo em conta que os dois contratos foram apresentados separadamente, Antônio disse que queria contratar apenas os serviços de organização da festa, pois já tinha o local para realizar a festa. A empresa "Z" disse que isso não era possível, pois a contratação dos serviços incluía obrigatoriamente o aluguel do salão, e de outra maneira não realizaria a festa de casamento. Antônio argumentou que o aluguel do outro salão era 1/3 do cobrado pela empresa "Z", mas a empresa não cedeu, informando que só faria o evento caso fosse contratada a locação do salão, bem como a prestação do serviço. Esta prática está prevista no Inciso I do art. 39 do CDC. (Adaptado de: <https://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:fgmnxhBGvUUJ:https://www.passeidireto.com/arquivo/5073944/solucao-de-questoes-praticas/2+&cd=1&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br>. Acesso em: 20 mar. 2017.
Outro exemplo que podemos citar como um tipo de prática abusiva é o seguinte: Maria precisava ir ao shopping que ficava próximo de sua casa, porém havia acordado com uma forte dor no joelho direito, razão pela qual resolveu não o forçar e decidiu ir de táxi. Dirigiu-se então ao ponto de táxi que ficava a uma quadra da sua casa e quando adentrou no veículo e informou o seu destino, o taxista se recusou a fazer a corrida, sob o argumento de que o atendimento seria economicamente inviável para ele, por conta da pequena distância que teria que percorrer. A recusa do taxista em atender Maria configura-se com uma prática abusiva, consegue perceber ? Isso está previsto no Art. 39 , vejamos: IX - recusar a venda de bens ou a prestação de serviços, diretamente a quem se disponha a adquiri-los mediante pronto pagamento.
Por tudo o que já foi estudado, verifica-se que o CDC se preocupa em regular as relações de consumo, incluindo todas as fases que antecedem a compra propriamente dita de um determinado produto ou serviço, pois cuida também de como será feita a oferta desse produto ou serviço, bem como sua publicidade e aquisição.
A regulamentação da publicidade se dá pelo chamado princípio da identificação da publicidade, que está previsto no artigo 36 do CDC, observe:
Art. 36. A publicidade deve ser veiculada de tal forma que o consumidor, fácil e imediatamente, a identifique como tal. Parágrafo Único. O fornecedor, na publicidade de seus produtos ou serviços, manterá, em seu poder, para informação dos legítimos interessados, os dados fáticos, técnicos e científicos que dão sustentação à mensagem (BRASIL, 1990).
Vejamos como o CDC regulamenta a questão da publicidade enganosa:
Art. 37. É proibida toda publicidade enganosa ou abusiva. § 1° É enganosa qualquer modalidade de informação ou comunicaçãode caráter publicitário, inteira ou parcialmente falsa, ou, por qualquer outro modo, mesmo por omissão, capaz de induzir em erro o consumidor a respeito da natureza, características, qualidade, quantidade, propriedades, origem, preço e quaisquer outros dados sobre produtos e serviços. § 2° É abusiva, dentre outras a publicidade discriminatória de qualquer natureza, a que incite à violência, explore o medo ou a superstição, se aproveite da deficiência de julgamento e experiência da criança, desrespeita valores ambientais, ou que seja capaz de induzir o consumidor a se comportar de forma prejudicial ou perigosa à sua saúde ou segurança. § 3° Para os efeitos deste código, a publicidade é enganosa por omissão quando deixar de informar sobre dado essencial do produto ou serviço (LEI 8.078, 1990).
O Código prevê a proibição da publicidade enganosa e abusiva, diferenciando de forma taxativa a publicidade enganosa da abusiva. Além disso, deixa claro no artigo que não somente a ação é considerada enganosa, mas a omissão também é.
Fixação: [MPE-GO – 2014 – questão adaptada] A publicidade enganosa é um grande problema para os consumidores. É considerada enganosa a publicidade que: Resp: Deixe de informar sobre dano essencial do produto ou serviço. (Correta. É enganosa qualquer modalidade de informação ou comunicação de caráter publicitário, inteira ou parcialmente falsa, ou, por qualquer outro modo, mesmo por omissão, capaz de induzir em erro o consumidor a respeito da natureza, características, qualidade, quantidade, propriedades, origem, preço e quaisquer outros dados sobre produtos e serviços ).
A Responsabilidade pela publicação de Publicidade Enganosa ou Abusiva: A Responsabilidade pela publicação de Publicidade Enganosa ou Abusiva: O CDC regulamenta de forma clara a questão da responsabilidade, vejamos: "Art. 34. O fornecedor do produto ou serviço é solidariamente responsável pelos atos de seus prepostos ou representantes autônomos " Isso significa dizer por exemplo que atos dos prepostos recaem sobre o Fornecedor.I. Lembrando que quando falamos de responsabilidade solidária significa dizer que todos respondem integralmente, liberando os demais. Mas, por que essa questão é importante em nosso estudo? Porque a publicidade enganosa por parte do preposto também atingirá o fornecedor, que responderá solidariamente pelos danos causados ao consumidor.
No artigo 35, o CDC prevê a chamada força vinculante da proposta, ao estabelecer que uma vez realizada a proposta, uma vez aceita pelo consumidor, o fornecedor não poderá se negar a cumpri-la.
Art. 35. Se o fornecedor de produtos ou serviços recusar cumprimento à oferta, apresentação ou publicidade, o consumidor poderá, alternativamente e à sua livre escolha: I - exigir o cumprimento forçado da obrigação, nos termos da oferta, apresentação ou publicidade; II - aceitar outro produto ou prestação de serviço equivalente; III - rescindir o contrato, com direito à restituição de quantia eventualmente antecipada, monetariamente atualizada, e a perdas e danos (BRASIL, 1990).
A partir do artigo 35 podemos ver que o descumprimento da proposta pelo fornecedor, faz nascer ao consumidor três opções, a sua livre escolha: Pode ele exigir o cumprimento nos exatos termos da oferta; Aceitar, se assim quiser, produto ou serviço equivalente; Ou rescindir o contrato, com devolução da quantia eventualmente paga. Importante salientar que a escolha aqui caberá ao consumidor, de modo que este não pode ser forçado a aceitar uma das opções.
Segundo Mello; Moreira (2015, p.81),
[...] sendo pública a oferta publicitária (opera no plano da comunicação de massa), maiores são seus benefícios para o anunciante, e, paralelamente, maiores também são seus riscos. O anunciante, ao optar por ela, explícita ou implicitamente, assume - ou deve assumir - os encargos que acompanham as facilidades.
O que o autor quis dizer é que quando o fornecedor faz uso da publicidade para anunciar seu produto, traz para si a responsabilidade de cumprir aquilo que veiculou, e caso isso não ocorra será automaticamente considerada enganosa a publicação.
Lembrando que o anúncio do produto ou serviço precisa mostrar exatamente que tipo de produto está sendo adquirido e não pode, de forma alguma, ser ofensivo. Tendo o anúncio o caráter abusivo ou havendo discordância entre este e a realidade, o fornecedor terá que responder pelos danos que causar a moral do consumidor.
STJ - Jornal não pode ser responsabilizado por prejuízo decorrente de anúncio nos classificados:
Leia a notícia "STJ - Jornal não pode ser responsabilizado por prejuízo decorrente de anúncio nos classificados", que fala sobre como se dá a responsabilidade em caso de publicidade enganosa no jornal e veja porque o veículo de comunicação não é responsável. Disponível em: <https://www.migalhas.com.br/Quentes/17,MI115804,11049-STJ+Jornal+nao+pode+ser+responsabilizado+por+prejuizo+decorrente+de>. Acesso em: 20 mar. 2017.
O Código de Proteção e Defesa do Consumidor adotou um critério chamado finalístico, ao considerar publicidade enganosa a simples veiculação de anúncio publicitário, que seja capaz de induzir o consumidor ao erro.
O que o CDC fez, de forma direta, foi considerar apenas a potencialidade lesiva da publicidade, mesmo que o consumidor não tenha efetivamente sido enganado. Trata-se da chamada presunção juris et de jure, ou seja, que não admite qualquer tipo de prova contrária.
O que se pretende com a regulamentação é que não seja necessário que o consumidor chegue às últimas consequências e adquira, de fato, o produto ou o serviço com base na publicidade enganosa. O erro real só serve para fins de medição do grau de lesividade junto ao consumidor para fins da quantificação de uma indenização, por exemplo.
É importante diferenciar publicidade abusiva e publicidade enganosa para que não sejam confundidas
Uma publicidade pode ser, simultaneamente, enganosa e abusiva. Isso ocorre nos casos em que o anúncio tem algum tipo de abusividade e o produto ou serviço anunciado não corresponde ao que ele realmente é.
Em ambas será considerado o grau de abusividade, ainda que não tenham efetivamente gerado dano ao consumidor. Val ressaltar que neste caso apenas sua possível ocorrência já gera o dever de indenizar.
Normas sobre a oferta e a publicidade: Existem muitas normas sobre a oferta e a publicidade, mas sugerimos que leia a "Resolução ANVISA nº 24/2010 - dispõe sobre a oferta, propaganda, publicidade, informação e outras práticas correlatas cujo objetivo seja a divulgação e a promoção comercial de alimentos considerados com quantidades elevadas de açúcar, de gordura saturada, de gordura trans, de sódio, e de bebidas com baixo teor nutricional" para conhecer como precisa se dar essa ocorrência no caso de alimentos e bebidas com baixo teor nutricional. Disponível em: <https://189.28.128.100/nutricao/docs/legislacao/resolucao_rdc24_29_06_2010.pdf>. Acesso em: 23 mar. 2017.
Fixação: Acerca da publicidade, assinale a alternativa correta: Resp: O princípio da identificação da publicidade significa que o fornecedor não pode veicular a publicidade de forma dissimulada ou que não permita que os consumidores possam facilmente perceber que estão diante de uma publicidade. (Correta. Isso se dá para que se previna contra as chamadas "publicidades ocultas" e "subliminares", através da técnica do Merchandising, de frequente utilização em espetáculos, novelas, teatros, ou seja, a aparição.)
O Recall: A palavra recall significa "chamar de volta" e é um instituto muito utilizado no ordenamento jurídico para a proteção da vida e segurança do consumidor.
Vejamos a previsão legal deste instituto no CDC:
Art. 10. O fornecedor não poderá colocar no mercado de consumo produto ou serviço que sabe ou deveria saber apresentar alto grau de nocividade ou periculosidade à saúde ou segurança. § 1° O fornecedor de produtos e serviços que, posteriormente à sua introdução no mercado de consumo, tiver conhecimento da periculosidade que apresentem, deverá comunicaro fato imediatamente às autoridades competentes e aos consumidores, mediante anúncios publicitários (BRASIL, 1990) (grifo nosso).
É, com base neste artigo, que os fornecedores não apenas comunicam, mas chamam o consumidor para realizar os reparos ou trocas necessárias no produto.
Direito do consumidor - recall que não exonera o fornecedor de bens de consumo da responsabilidade por acidentes de consumo:
Leia o estudo de caso "Direito do consumidor - recall que não exonera o fornecedor de bens de consumo da responsabilidade por acidentes de consumo", e veja como se dá a questão da responsabilidade quando o consumidor não atende ao recall. Disponível em: <https://webartigos.com/artigos/estudo-de-caso-direito-do-consumidor-recall-que-nao-exonera-o-fornecedor-de-bens-de-consumo-da-responsabilidade-por-acidentes-de-consumo/114861>. Acesso em: 20 mar. 2017.
No site do Ministério da Justiça existem informações sobre o recall, que asseguram o seguinte:
Ao procedimento pelo qual o fornecedor informa o público sobre os defeitos detectados nos produtos ou serviços que colocara no mercado dá-se o nome de recall (chamamento). Os objetivos essenciais desse tipo de procedimento são o de proteger e preservar a vida, saúde, integridade e segurança do consumidor, bem como de evitar ou minimizar quaisquer espécies de prejuízos, quer de ordem material, quer de ordem moral. O recall deve ser gratuito e, para que alcance seus propósitos, deve alcançar todo o universo de consumidores expostos aos riscos decorrentes dos defeitos detectados nos produtos ou serviços objeto do chamamento. Os consumidores por sua vez, no caso de reparos, devem exigir e guardar o comprovante do serviço efetuado. No Brasil, o instituto do recall está previsto no Código de Defesa do Consumidor, que o define em seu artigo 10, § 1º" (MISTURINI, 2017).
É necessário que o consumidor compreenda a importância de se realizar o recall quando é chamado. O que o instituto visa é proteger o consumidor; garantindo não apenas a entrega de um produto dentro das especificações, mas garantir que a saúde, a segurança e até a vida do consumidor sejam preservadas de possíveis danos.
Não é uma escolha do fornecedor fazer ou não o recall, já que isso mitigaria a proteção legal a todos os institutos que citamos., só que em não fazendo assume um risco maior.
Por se tratar de um instituto relativamente novo, o número de ações judiciais o envolvendo ainda é muito grande .
Vejamos alguns julgados a respeito do assunto:
Ementa: APELAÇÃO. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. VEÍCULO QUE FOI COLOCADO NO MERCADO COM DEFEITO DE FABRICAÇÃO. RECALL. VERBA HONORÁRIA SUCUMBENCIAL. Ação de indenização proposta com base em defeito na fabricação do veículo, objeto de recall. Responsabilidade objetiva da demandada. Quantum indenizatório mantido. Readequação da verba honorária. PRIMEIRA APELAÇÃO IMPROVIDA. SEGUNDA APELAÇÃO PARCIALMENTE PROVIDA. (Apelação Cível Nº 70020140851, Décima Primeira Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Bayard Ney de Freitas Barcellos, Julgado em 16/04/2008)
Ementa: RESPONSABILIDADE CIVIL - DANOS MORAIS - VEÍCULO NOVO -RECALL TEMPESTIVIDADE APELO - LEGITIMIDADE - USUÁRIO DO BEM - EQUIPARAÇÃO - INADEQUAÇÃO AO USO - VÍCIO DE FABRICAÇÃO - INFORMAÇÃO DEFICIENTE - INDENIZAÇÃO - QUANTIFICAÇÃO. Alegação de intempestividade do apelo da Sinoscar não vinga, pois ofertado após a publicação da sentença, sendo irrelevante o posterior oferecimento de embargos de declaração e reabertura do prazo. Indevida preliminar de ilegitimidade ativa de um dos autores por não ser o adquirente do veículo, porque este fica equiparado ao consumidor direto em razão de ser atingido pelas consequências da inadequação e insegurança do produto. Pertinente à indenização pleiteada, presente a frustração do consumidor frente à aquisição de produto defeituoso, mormente veículo zero mesmo após o recall. O fornecedor responde pela qualidade do produto e sua eventual inadequação ao uso cotidiano. Fere os princípios da transparência e da boa-fé na relação contratual consumerista, fornecedor direto (concessionária de veículos) que omite informações de que algumas das peças do produto vendido vieram com defeito de fábrica. Acontecimentos que transcendem aos transtornos inerentes ao dia a dia, pois a aquisição de carro zero quilômetro com defeitos remete o consumidor para uma realidade de inconveniências, aflições e constrangimentos. Indenizações majoradas, considerando às particularidades das circunstâncias do fato e aos precedentes da Câmara, na manutenção de equivalência de valores entre lides de semelhante natureza de fato e de direito. Apelações das demandadas desprovidas e provida à apelação dos demandantes. (Apelação Cível Nº 70016262271, Décima Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Jorge Alberto Schreiner Pestana, Julgado em 31/05/2007).
Perceba que em ambos os julgados fica clara a proteção do consumidor, já que o fornecedor responde pela inadequação do produto para a utilização a qual foi comprado e responde também por eventuais danos ainda que tenha feito o recall.
Fixação - Paulo comprou um automóvel 0 km. Após duas semanas percebeu que seu freio tinha falhas constantemente. Ao ligar para a montadora foi informado de que estava ocorrendo um recall para solucionar esse problema. Conceitue o instituto do recall. Resp: O recall é o mecanismo gratuito pelo qual o fornecedor comunica o publico por ventura a informar para sanar os defeitos descobertos em produtos vendidos ou serviços provido, tem objetivo fundamental a proteger e defender a vida, a saúde a integridade e a segurança do consumidor além de impossibilitar e minimizar físicos ou morais.
O dano físico ou moral em qualidade do defeito desenvolvido no produto/ serviço é de toda responsabilidade do fornecedor, sendo assim a cautela e a reparação dos prejuizes estão intimamente relacionados, na capacidade em que o Recall deve sanar qualquer defeito que disponha em risco a saúde e a segurança do consumidor, também demanda visa a eliminação do mercado reparando o defeito do produto ou serviço defeituosos pelo fornecedor.
Atividade Avaliativa A1:
1- Sobre as disposições do Código de Defesa do Consumidor acerca da oferta e da publicidade, é correto afirmar:
resp: O fornecedor, na publicidade de seus produtos ou serviços, manterá, em seu poder, para informação dos legítimos interessados, os dados fáticos, técnicos e científicos que dão sustentação à mensagem.
2- Na oferta de produtos e serviços regulada pelo Código de Defesa do Consumidor:
resp: as informações ao consumidor oferecidas nos produtos refrigerados, devem ser gravadas de forma indelével.
3 - É abusiva a publicidade:
resp: quando discriminatória de qualquer natureza, que incite à violência ou explore o medo ou superstição.
4 - [PREFEITURA DE REGISTRO – SP/2016 – questão adaptada] O recall, é utilizado para evitar que produtos com defeitos sejam colocados no mercado. Esse instituto é muito importante para a proteção consumerista como um todo já que o chamamento evita que o produto permaneça sendo utilizado com defeitos.
Sobre o recall, assinale a alternativa que possui sua principal função:
resp: proteção á saude e segurança dos consumidores
5- [DPE-GO – 2014] Quanto ao recall ou convocação pelo fornecedor, a legislação prevê que:
resp: a prova da plena comunicação da convocação compete à montadora de veículo em que se usou peça defeituosa.
Atividade Avaliativa A2:
Analise a afirmação a seguir, indicando se ela está correta ou não, justificando, em qualquer caso, a sua resposta.
A publicidade enganosa, de acordo com o previsto no CDC, só é caracterizada quando ocorre a consumação de dano material ou moral ao consumidor. Realmente se faz necessário a consumação do dano?
Resp: Considero a informação errada, pois a publicidade enganosa é abordada no artigo 37 do CDC que qualquer modalidade de informação ou comunicação de especificidade publicitário, inteira ou parcialmente falsa, apto a induzir em erro o consumidor a respeitoda natureza, das características, da qualidade, das propriedades, da origem, do preço e de todas distinto dados a respeito dos produtos e serviços apresentados. Consegue ocorrer de aspecto omissa pelo anunciante dados importantes sobre produtos e serviços que está sendo anunciado ou até mesmo ao preço inferir; e temos comissa quando o fornecedor afirma algo que não é confere mais a qualidade ao produto/ serviço do que ele realmente possui.
Antônio Herman Benjamin conceitua:
“A publicidade será enganosa não só pela fraude ou falsidade nela contida, mas também por qualquer meio que seja potencialmente capaz de levar o consumidor a erro. Significa que não é forçoso que ele tenha sido enganado. A enganosidade é aferida em abstrato, não se exigindo o prejuízo individual. O que se busca é a capacidade de indução ao erro. A simples utilização da publicidade enganosa presume, juris et de jure, o prejuízo difuso. O erro real consumado é um mero exaurimento que é irrelevante para a caracterização da enganosidade. (BENJAMIN, 2005).”
É certa que a publicidade enganosa causal grave danos aos consumidores, desta forma a legislação estabelece penalidades das quais ocorrem medidas judiciais a ordenação ao magistrado para proteção dos consumidores.
Responsabilidade por fato do Produto e do Serviço:
O artigo 12º do Código de Defesa do Consumidor (CDC) traz a questão da responsabilidade civil imputada ao fornecedor, em razão dos danos causados por defeitos na concepção ou fornecimento de produto ou serviço, tendo em vista que o mesmo tem o dever de indenizar pela violação do dever geral de segurança inerente a sua atuação no mercado de consumo.
O fornecedor tem o dever de indenizar o consumidor no caso de violação do dever geral de segurança inerente a sua atuação no mercado de consumo.
É importante antes de tudo, entendermos o conceito de defeito. Para Nunes (2009, p.181) defeito:
É o vício acrescido de um problema extra, alguma coisa extrínseca ao produto ou serviço, que causa um dano maior que simplesmente o mau funcionamento, o não funcionamento, a quantidade errada, a perda do valor pago - já que o produto ou serviço não cumpriram o fim ao qual se destinavam.
Exemplificando o que Nunes (2009) descreve, podemos criar uma situação hipotética em que um consumidor adquire uma caixinha de creme de leite longa vida e ao chegar em casa abre-a e vê que o produto está embolorado, descartando-o integralmente. Neste caso se trata de vício, pura e simplesmente.
Agora vejamos outro exemplo: um outro consumidor adquire o mesmo creme de leite e ao chegar em casa faz um corte lateral na caixa e prepara um strogonoff para sua família que, ao comer o prato, começa a passar mal, tendo que ser hospitalizada com intoxicação alimentar. Neste caso ocorreu o defeito, estando presente o acidente de consumo. O CDC traz em seu artigo 12º, §1º a afirmação de que é defeituoso o produto que não oferece a segurança que dele legitimamente se espera. Vejamos o referido artigo na íntegra:
[...] Art. 12. O fabricante, o produtor, o construtor, nacional ou estrangeiro, e o importador respondem, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos decorrentes de projeto, fabricação, construção, montagem, fórmulas, manipulação, apresentação ou acondicionamento de seus produtos, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua utilização e riscos. § 1° O produto é defeituoso quando não oferece a segurança que dele legitimamente se espera, levando-se em consideração as circunstâncias relevantes, entre as quais: I - sua apresentação; II - o uso e os riscos que razoavelmente dele se esperam; III - a época em que foi colocado em circulação. § 2º O produto não é considerado defeituoso pelo fato de outro de melhor qualidade ter sido colocado no mercado. § 3° O fabricante, o construtor, o produtor ou importador só não será responsabilizado quando provar: I - que não colocou o produto no mercado; II - que, embora haja colocado o produto no mercado, o defeito inexiste; III - a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro [...] (LEI Nº 8.078/90).
Observe que, em regra, o CDC adota a teoria da responsabilidade civil objetiva, ou seja, aquela que independe de culpa. Assim, não há necessidade de provar que a culpa é do fornecedor, uma vez que a norma que rege a responsabilidade determina que esta será atribuída ao mesmo "independentemente de culpa", pois há verdadeira presunção de culpabilidade do agente.
O fornecedor só não será responsabilizado se conseguir provar que não colocou o produto no mercado (Inciso I, § 3º do art. 12 do CDC); que, embora haja colocado o produto no mercado, o defeito inexiste (Inciso II, § 3º do art. 12 do CDC) ou que houve culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro (Inciso III, § 3º do art. 12 do CDC).
Ao citar a expressão SÓ no parágrafo 3º do art. 12 e 14, o CDC parece criar um rol taxativo de causas excludentes do dever de indenizar, porém, o STJ tem admitido o caso fortuito ou força maior como excludente, por interpretação analógica do Código Civil.
Vejamos um precedente nesse sentido:
CONSUMIDOR. CIVIL. PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO REPARATÓRIA DE DANOS. SERVIÇO DE LAVAGEM DE VEÍCULO. ROUBO OCORRIDO EM VIA PÚBLICA DURANTE O TRAJETO DE ENTREGA DO BEM AO PROPRIETÁRIO. CASO FORTUITO/FORÇA MAIOR. RUPTURA DO NEXO CAUSAL. FATO EXCLUSIVO DE TERCEIRO. PRECEDENTES STJ. RESPONSABILIDADE CIVIL AFASTADA. RECURSO PROVIDO. SENTENÇA REFORMADA. 1. A responsabilidade civil dos fornecedores de serviços, a cujo conceito se amolda a empresa de lavagem de veículos, é objetiva, fundada no risco da atividade desenvolvida, conforme arts. 14 do CDC e 186 e 927 do CC, não se fazendo necessário perquirir acerca da existência de culpa.Em caso tais, basta a comprovação do liame de causalidade entre o defeito do serviço e o evento danoso experimentado pelo consumidor, cuja responsabilidade somente poderá ser afastada nas hipóteses de caso fortuito/força maior (CC, art. 393), inexistência do defeito (CDC, art. 14, § 3º, I) e culpa exclusiva do ofendido e de terceiros (CDC, art. 14, § 3º, II). 2.No particular, não pairam controvérsias quanto à circunstância de o consumidor ter deixado seu veículo para lavagem no estabelecimento da empresa ré, assim como em relação ao fato desta ter se comprometido a entregar o veículo ao proprietário, muito embora não seja esta sua atividade típica, tendo o aludido bem sido objeto de roubo, em via pública, durante o trajeto de entrega. 3.O roubo do veículo do consumidor, praticado por terceiro e em via pública, durante o trajeto de entrega, embora previsível, torna inevitável o ato, levando ao desaparecimento do nexo de causalidade. Isso porque o despojamento do bem decorreu da própria excepcionalidade do evento, por ação violenta de terceiro, sem que tenha sido demonstrado qualquer descuido ou participação culposa por parte do preposto da ré -responsável por sua condução -, sendo imperioso o reconhecimento da excludente da responsabilidade, por caso fortuito/força maior.4.O caso dos autos difere da ocorrência de simples furto ou de descuido por parte da empregada da empresa ré, situações em que a responsabilidade permaneceria intacta, pois o serviço prestado, afeto à lavagem do veículo, mostrar-se-ia defeituoso por não apresentar a segurança necessária esperada. 5.É certo que a empresa responsável pela lavagem do veículo, ao ofertar ao cliente, como forma de comodidade, a possibilidade de entrega do bem, deve resguardar por sua integridade material. Todavia, a garantia da segurança patrimonial é menos contundente, porquanto o serviço é prestado em via pública, não podendo responder pela ocorrência de roubo, mormente porque a segurança pública é dever do Estado, por mandamento constitucional (CF, arts. 5º e 144), e não do particular. Precedentes STJ. 6.Sendo o roubo fato de terceiro equiparável a caso fortuito/força maior, excludente do dever de indenizar, mesmo no sistema de responsabilidade civil objetiva, nos moldes dos arts.14, § 3º, II, do CDC e 393 do CC, impõe-se a reforma da sentença para julgar improcedentes os pedidos iniciais. 7. Recurso conhecido e provido para reformar a sentença e julgar improcedentes os pedidos iniciais. Sucumbência redistribuída.
No caso do precedente, o consumidor deixou seu carro para lavar em uma empresa, porém o veículo foi roubado. Neste caso, apesar de ser um fato do serviço já que a entrega foi defeituosa, foi empregada a excludente por caso fortuito/Força maior já que não há como o fornecedor arcar com algo que independe de sua vontade.
Lembrando apenas que Caso fortuito + Força maior = Fato/Ocorrência imprevisível ou difícil de prever que gera um ou mais efeitos/consequências inevitáveis.
Fixação: Paulo possui uma empresa de brinquedos infantis e fabrica bonecos para crianças de até 3 anos. Clara, comprou para a sua filha uma boneca e deu para que esta brincasse. Porém, percebeu que a mão da boneca se soltava com facilidade no momento em que sua filha estava quase engolindo a peça. Neste caso, existe responsabilidade de Paulo? Explique.
Resp: Sim a respondibilidade conforme ao conteúdo acima o fornecedor tem o dever de indenizar o consumidor quando ocorrer violação geral de segurança inerente na atuação no mercado de consumo, também podemos citar o entendimento de Nunes ( 2009,p.181): É o vício acrescido de um problema extra, alguma coisa extrínseca ao produto ou serviço, que causa um dano maior que simplesmente o mau funcionamento, o não funcionamento, a quantidade errada, a perda do valor pago - já que o produto ou serviço não cumpriram o fim ao qual se destinavam..
Além do entendimento de Nunes podemos também destacar o art. 12ª, § 1ªO produto é defeituoso quando não oferece a segurança que dele legitimamente se espera, levando-se em consideração as circunstâncias relevantes, entre as quais: I - sua apresentação; II - o uso e os riscos que razoavelmente dele se esperam; III - a época em que foi colocado em circulação, CDC, trazendo a respondibilidade do produto fabricado por Paulo.
No caso do fornecedor de serviços defeituosos a dinâmica é exatamente a mesma e está prevista no artigo 14º do CDC, observe:
[...] Art. 14. O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos. § 1° O serviço é defeituoso quando não fornece a segurança que o consumidor dele pode esperar, levando-se em consideração as circunstâncias relevantes, entre as quais: I - o modo de seu fornecimento; II - o resultado e os riscos que razoavelmente dele se esperam; III - a época em que foi fornecido. § 2º O serviço não é considerado defeituoso pela adoção de novas técnicas. § 3° O fornecedor de serviços só não será responsabilizado quando provar: I - que, tendo prestado o serviço, o defeito inexiste; II - a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro. § 4° A responsabilidade pessoal dos profissionais liberais será apurada mediante a verificação de culpa [...] (LEI Nº 8.078/90).
Observe que as regras adotadas pelo CDC para o fornecedor de serviço são praticamente as mesmas.
No caso de danos morais, vale lembrar que a prova da culpa pelo dano cometido pelo fornecedor de produto e serviço, em sua grande parte às vezes, é extremamente difícil de ser produzida pelo consumidor, em razão de sua vulnerabilidade
Assista agora a videoaula “Responsabilidade Civil por subtração de veículos nos estacionamentos e por furtos e roubos no interior dos mesmos”, e amplie seu conhecimento sobre assuntos que já trabalhamos até aqui.
Responsabilidade por Vício do Produto
O artigo 18º do CDC determina que os fornecedores são responsáveis solidariamente pelos vícios de qualidade ou quantidade dos produtos, bem como por aqueles decorrentes da disparidade com as indicações constantes do recipiente, da embalagem, da rotulagem ou mensagem publicitária, sempre respeitadas as variações decorrentes de sua natureza, podendo o consumidor exigir a substituição das partes viciadas. Vejamos o art. 18 na íntegra:
[...] Art. 18. Os fornecedores de produtos de consumo duráveis ou não duráveis respondem solidariamente pelos vícios de qualidade ou quantidade que os tornem impróprios ou inadequados ao consumo a que se destinam ou lhes diminuam o valor, assim como por aqueles decorrentes da disparidade, com a indicações constantes do recipiente, da embalagem, rotulagem ou mensagem publicitária, respeitadas as variações decorrentes de sua natureza, podendo o consumidor exigir a substituição das partes viciadas. § 1° Não sendo o vício sanado no prazo máximo de trinta dias, pode o consumidor exigir, alternativamente e à sua escolha: I - a substituição do produto por outro da mesma espécie, em perfeitas condições de uso; II - a restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais perdas e danos; III - o abatimento proporcional do preço. § 2° Poderão as partes convencionar a redução ou ampliação do prazo previsto no parágrafo anterior, não podendo ser inferior a sete nem superior a cento e oitenta dias. Nos contratos de adesão, a cláusula de prazo deverá ser convencionada em separado, por meio de manifestação expressa do consumidor. § 3° O consumidor poderá fazer uso imediato das alternativas do § 1° deste artigo sempre que, em razão da extensão do vício, a substituição das partes viciadas puder comprometer a qualidade ou características do produto, diminuir-lhe o valor ou se tratar de produto essencial. § 4° Tendo o consumidor optado pela alternativa do inciso I do § 1° deste artigo, e não sendo possível a substituição do bem, poderá haver substituição por outro de espécie, marca ou modelo diversos, mediante complementação ou restituição de eventual diferença de preço, sem prejuízo do disposto nos incisos II e III do § 1° deste artigo. § 5° No caso de fornecimento de produtos in natura, será responsável perante o consumidor o fornecedor imediato, exceto quando identificado claramente seu produtor. § 6° São impróprios ao uso e consumo: I - os produtos cujos prazos de validade estejam vencidos; II - os produtos deteriorados, alterados, adulterados, avariados, falsificados, corrompidos, fraudados, nocivos à vida ou à saúde, perigosos ou, ainda, aqueles em desacordo com as normas regulamentares de fabricação, distribuição ou apresentação; III - os produtos que, por qualquer motivo, se revelem inadequados ao fim a que se destinam [...]" (LEI Nº 8.078/90).
O CDC determina que os fornecedores são responsáveis solidariamente pelos vícios de qualidade ou quantidade dos produtos.
Podemos concluir com a leitura do artigo que ele prevê a responsabilidade solidária para os casos citados.
Vício e defeito:
Para facilitar o entendimento do artigo 18, se faz necessário lembrar o que é vício e defeito. O vício é a violação do dever de adequação, e o defeito envolve a violação do dever de segurança, segundo entendimento de Miragem (2010).
O CDC coloca todos os participantes envolvidos no ciclo de produção como diretamente responsáveis pelo vício que o produto apresentar, cabendo, portanto, ao consumidor optar e acionar diretamente qualquer um dos envolvidos, alguns ou todos eles, exigindo seus direitos.
Exemplificativamente podemos citar o caso de um consumidor que adquire um iogurte em um supermercado e constata depois que esse iogurte estava estragado. Ele poderá optar em acionar o supermercado ou o fabricante do iogurte para que substitua o produto. Neste exemplo, caso o consumidor não tenha o vício sanado em 30 dias, pode exigir, alternativamente e a sua escolha, a substituição do produto por outro da mesma espécie; a restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, ou o abatimento proporcional do preço (artigo 18º § 1º, Incisos I a III do CDC).
Consumidor tem Direito a troca imediata de celular com defeito:
Para que você entenda essa questão da responsabilidade,leia a notícia "Consumidor tem Direito a troca imediata de celular com defeito".
Disponivel em: https://www.idec.org.br/em-acao/em-foco/consumidor-tem-direito-a-troca-imediata-de-celular-com-defeito Acessado em 27/04;2017.
Responsabilidade Solidária e Subsidiária
Quando um consumidor efetua uma compra, sempre acredita que o fornecedor entregará devidamente o produto ou serviço, e que este não irá apresentar nenhuma avaria ou algum vício que diminua o valor ou que o impossibilite de utilizá-lo normalmente.
Vejamos o que nos diz o Art. 18 na íntegra:
"[...] Art. 18. Os fornecedores de produtos de consumo duráveis ou não duráveis respondem solidariamente pelos vícios de qualidade ou quantidade que os tornem impróprios ou inadequados ao consumo a que se destinam ou lhes diminuam o valor, assim como por aqueles decorrentes da disparidade, com a indicações constantes do recipiente, da embalagem, rotulagem ou mensagem publicitária, respeitadas as variações decorrentes de sua natureza, podendo o consumidor exigir a substituição das partes viciadas. § 1° Não sendo o vício sanado no prazo máximo de trinta dias, pode o consumidor exigir, alternativamente e à sua escolha: I - a substituição do produto por outro da mesma espécie, em perfeitas condições de uso; II - a restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais perdas e danos; III - o abatimento proporcional do preço [...]" (LEI Nº 8.078/90).
Glossário:Solidariedade- "S.f. Existência simultânea e interdependente de direitos, obrigações ou responsabilidades iguais para vários indivíduos numa mesma atuação ou fato; relação jurídica, estabelecida entre um ou mais credores ou mais de um devedor de um mesmo compromisso quanto à dívida toda, que é considerada una e que não pode ser dividida, sendo que cada credor ou devedor tem o direito de receber ou de pagar totalmente a prestação" (SANTOS, 2001, p. 232).
Para regulamentar o que foi dito no artigo, o legislador definiu como padrão a chamada responsabilidade civil objetiva para a maioria das relações consumeristas, fundamentado na chamada teoria do risco, que é uma das características da relação consumerista. De acordo com a referida teoria, Embora seja dispensável a comprovação da culpa, incumbe ao Autor a demonstração do nexo causal, sem o qual, a condenação indenizatória não será viável.
Responsabilidade civil objetiva:
O legislador define como padrão a chamada responsabilidade civil objetiva para a maioria das relações consumeristas.
Lembrando que temos as chamadas excludentes de responsabilidade. O Art. 12, § 2º nos traz os casos de excludentes, sendo eles:
• quando produto de melhor qualidade for colocado no mercado;
• quando o fabricante não houver colocado o produto a venda;
• quando o produto foi colocado no mercado o defeito não existia;
• quando a culpa do defeito for exclusiva do consumidor;
• quando ocorrer através de caso fortuito/força maior.
Para a isenção da responsabilidade é necessário, tanto ao fabricante quanto ao comerciante, fazer efetiva prova sobre qualquer das possibilidades descritas acima.
Questão Fixação:
1 - [PGR – 2015 – questão adaptada] O Código de Defesa do Consumidor prevê a responsabilidade civil pelo fato e pelo vício do produto e a responsabilidade solidária do causador do dano em alguns casos. Assinale o item correto:
Resp: As concessionárias de serviços rodoviários respondem objetivamente pelos prejuízos decorrentes de acidentes provocados pela presença de animais na pista.
Mas, e a responsabilidade subsidiaria, existe no CDC?
O artigo 13 do CDC regulamenta que na ocorrência de acidentes (fato do produto) causados por defeito do produto, a responsabilidade do comerciante é considerada subsidiária, e ele só será solidariamente responsável junto com o fabricante, o construtor, o produtor ou o importador se estes agentes não puderem ser identificados ou se não realizar a conservação adequada dos produtos perecíveis. Já no que se refere aos vícios de qualidade dos produtos e serviços (Artigos 18 a 20 do CDC), a solidariedade entre comerciante, prestador de serviços e fabricante é incondicional. Assim, podemos citar como exemplo de situações em que o consumidor pode acionar tanto o comerciante quanto o fabricante ou os dois: um rádio que não sintoniza ou relógio novo que atrasa.
Vejamos o que diz o artigo:
"[...] Art. 13. O comerciante é igualmente responsável, nos termos do artigo anterior, quando: I - o fabricante, o construtor, o produtor ou o importador não puderem ser identificados; II - o produto for fornecido sem identificação clara do seu fabricante, produtor, construtor ou importador; III - não conservar adequadamente os produtos perecíveis. Parágrafo único. Aquele que efetivar o pagamento ao prejudicado poderá exercer o direito de regresso contra os demais responsáveis, segundo sua participação na causação do evento danoso [...]" (LEI Nº 8.078/90).
Observe que nestes casos teremos ambos responsáveis, ou seja, o consumidor escolhe de quem cobra e posteriormente entre eles é possível que aquele que efetivamente pagou, busque a cobrança deste valor do culpado dentre os participantes da cadeia de fornecedores.
Azevedo (2015, p.81) destaca a implicação destas regras no direito processual:
Observa-se que o sistema normativo do CDC foi introduzido para tornar mais eficiente a reparação de danos dos consumidores em face dos responsáveis em primeiro e segundo plano, o que traz consequências não só no campo da responsabilidade civil, mas também na esfera processual e abarca tanto os responsáveis solidários quanto subsidiários. Assim, torna-se impossível a aplicabilidade dos institutos de intervenção de terceiros nas ações subordinadas ao CDC, a exemplo da denunciação a lide que ocorre quando o autor ou réu chama a juízo terceira pessoa para se assegurar. Enfim, conclui-se que a responsabilidade do comerciante poderá ser subsidiária ou solidária, conforme os casos expostos. Como consequência, surgirá o direito de regresso do comerciante, para impedir que o mesmo se responsabilize excessivamente. Entretanto, constata-se que os institutos de intervenção de terceiro no processo civil devem ser vistos com muita reserva e limitação nos casos em que os litigantes constituem uma relação de consumo.
O autor apenas resume aquilo que vimos nesse tópico do texto, ou seja, que encontraremos tanto a responsabilidade solidária quanto a subsidiária quando tratarmos de relações de consumo
Fixação: A responsabilidade solidária e subsidiária aparecem no âmbito consumerista em situações distintas. Entender a diferença entre os institutos é extremamente importante. Diferencie solidariedade e subsidiariedade no âmbito da responsabilidade.
Resp: No direito civil a regra de obrigação credores e devedores sua respondibilidade apenas na sua parte, a solidariedade entre os dois é exceção e obriga cada um ao pagamento de toda a divida ou permite cada um o recebimento de toda a divida, já na relação de consumo a solidariedade esta estabelecida no artigo 7ª, paragrafo único do CDC: "Tendo mais de um autor a ofensa, todos responderão solidariamente pela reparação dos danos previstos nas normas de consumo" e sendo reforçado no artigo 18ª “Os fornecedores de produtos de consumo duráveis ou não duráveis respondem solidariamente pelos vícios de qualidade ou quantidade que os tornem impróprios ou inadequados ao consumo...”,além de trazer com mais forma específica no artigo 19, §§ 1º e 2º do artigo 25, no § 3º do artigo 28 e no artigo 34, todas modalidades que representa a responsabilidade dos fornecedores de forma solidaria, sendo eles fabricantes, construtor, importador, vendedor e todos que atendem o consumidor.
A respondibilidade subsidiaria conforme o art. 13ª “o comerciante é igualmente responsável” do CDC, na hipótese de vício, será solidaria, dentro dos limites de sua participação do evento, sendo assim o comerciante está livre da responsabilidade civil no ocorrido ao dano, mostra a identificação e o domicíliodo fornecedor original para sanar o vício do produto/serviço
Fixação: [FCC – 2014 – questão adaptada] A responsabilidade tutela a possibilidade da ocorrência de vícios tanto nos produtos quanto nos serviços. Acerca da responsabilidade por vício do produto ou serviço, é correto afirmar que:
Resp: o CDC prevê a responsabilidade do fornecedor ainda que se trate de vícios chamados aparentes e que tenham como característica a fácil constatação.
Responsabilidade dos Profissionais Liberais
De acordo com o Direito Trabalhista é possível definir o profissional liberal como aquele que exerce trabalho sem vinculação hierárquica a outrem, ou melhor, expressado nos ensinamentos de Nunes (2004, p.337):
As características do trabalho desse profissional são: autonomia profissional, com decisões tomadas por cota própria, sem subordinação, prestação de serviço feito pessoalmente, pelo menos em seus aspectos mais relevantes e principais; feitura de suas próprias regras de atendimento profissional, o que ele repassa ao cliente, tudo dentro do permitido pelas Leis e em especial da legislação de sua categoria profissional.
O §4º do artigo 14, do Código de Defesa do Consumidor dispõe, especificamente, sobre a responsabilidade civil desses profissionais: "[...] A responsabilidade pessoal dos profissionais liberais será apurada mediante a verificação de culpa".
Como sabemos, o Código de Defesa do Consumidor adota como regra a responsabilidade civil objetiva, ou seja, aquela que independe da culpa do fornecedor de produtos e serviços, sendo que no caso dos profissionais liberais, o código adota uma exceção, que é a da responsabilidade civil subjetiva, havendo, portanto, a necessidade de verificação da culpa ou dolo do referido profissional para se determinar a obrigação de indenizar.
A responsabilidade do profissional liberal, no caso de haver defeito ou vício da prestação de seu serviço será apurada mediante culpa, sendo que tal fato, independe do serviço ser prestado com a característica intuitu personae, ou seja, firmado na confiança pessoal ou não.
Nota lateral: A responsabilidade do profissional liberal, no caso de haver defeito ou vício da prestação de seu serviço será apurada mediante culpa.
Intuitu personae: Intuitu personae significa que o contrato é celebrado em função de características pessoais e relevantes do contratado, o que impede que sua execução seja realizada por terceiro.
Aplicam-se aos profissionais liberais as noções de obrigação de meio e de resultado, oriundas de um contrato. Vejamos o que é cada uma dessas obrigações.
Podemos concluir então, que nos contratos de prestação de serviços advocatícios, temos que o advogado que gera algum tipo de prejuízo ao cliente está sujeito ao disposto no art. 14, §4º do CDC:
"[...] Art. 14 O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos. §4º A responsabilidade pessoal dos profissionais liberais será apurada mediante a verificação de culpa [...]" (LEI Nº 8.078, 1990).
No entanto, esta é uma exceção à regra geral do CDC, e se trata de uma responsabilidade subjetiva, caso em que o cliente que sofreu a lesão terá que provar a culpa do advogado, ou seja, terá o ônus de provar essa culpa. Tal responsabilidade somente será objetiva nas situações em que o advogado é empregado de alguma empresa; é da pessoa jurídica que se buscará a responsabilização por meio de uma ação indenizatória e não diretamente do advogado em si.
Ainda em se tratando de responsabilidade, o código de ética dos advogados nos diz o seguinte: "o advogado é responsável pelos atos que, no exercício da profissão, praticar com dolo ou culpa".
O advogado: O advogado é responsável pelos atos que, no exercício da profissão, praticar com dolo ou culpa.
Nos serviços em que o advogado tem a chamada obrigação de resultado, aplicar-se-á a chamada Teoria do Resultado, ou seja, será necessária a existência da culpa presumida do advogado, e como consequência a aplicação do art. 6º, inciso VIII do CDC, ocorrendo a inversão do ônus da prova.
Em relação à aplicabilidade desse ônus probatório nos contratos de serviços advocatícios, existem discussões acerca da sua aplicabilidade ou não, entretanto, é importante ressaltar que na maioria das vezes estaremos em frente a um grande escritório de advocacia, o qual vem a preencher os requisitos para a aplicação do ônus da prova, ou seja, a hipossuficiência do cliente lesado.
Não é incomum encontrarmos contratos de prestação de serviços advocatícios com as chamadas cláusulas de exclusão da responsabilidade civil. Esta situação também pode ser resolvida pelo CDC, que dispôs em seu art. 51, incisos I e III, a nulidade de tais cláusulas:
[...] Art. 51 São nulas de pleno direito, entre outras, as cláusulas contratuais relativas ao fornecimento de produtos e serviços que: I - impossibilitem, exonerem ou atenuem a responsabilidade do fornecedor por vícios de qualquer natureza dos produtos e serviços ou impliquem renúncia ou disposição de direitos. Nas relações de consumo entre o fornecedor e o consumidor pessoa jurídica, a indenização poderá ser limitada em situações justificáveis; III - transfiram responsabilidades a terceiros [...] (LEI Nº 8.078/90).
O legislador buscou regulamentar dessa forma para evitar que os fornecedores criem circunstâncias para não serem responsabilizados por seus produtos ou serviços ao lesarem o consumidor. Permitir a existência de cláusulas de exclusão de seria a mesma coisa que tornar o texto consumerista algo meramente teórico e sem aplicação prática.
Considerando a relevância dos serviços prestados pelo advogado à sociedade, ele terá uma carga maior de responsabilidade, já que a própria Constituição o coloca certo status de protetor social; considerando ainda que o CDC trouxe como fornecedores aqueles que prestam serviços, ou seja, os profissionais liberais, e dentre estes incluímos os advogados. É importante lembrar porém que a comprovação de culpa se faz necessária, ou da má prestação de serviços do profissional.
Diante de tudo que falamos, se faz necessário que os advogados analisem a sua responsabilização como fornecedor de serviços, para que esteja devidamente pautado em suas ações.
Legislações diferentes resolvem ações por erro médico: Existem diversos profissionais que possuem suas responsabilidades previstas no CDC. Leia o texto "Legislações diferentes resolvem ações por erro médico", e entenda como funciona a questão da responsabilidade no CDC e no CC em caso de erros médicos.
Fixação: [FCC – 2013 – questão adaptada] Os médicos possuem regulamentação própria quanto a sua atividade, portanto, a responsabilização também é vista por um ângulo diferente. Na atividade médica, a responsabilidade civil do profissional liberal:
Resp: é, em regra, apurada com base na responsabilidade subjetiva e examinada como obrigação de meio, excepcionalmente examinando-se como obrigação de resultado.
Atividade Fixação – Unidade 6
O Art.18 do CDC é responsável por regulamentar a responsabilidade pelos vícios de qualidade ou quantidade dos produtos, bem como por aqueles decorrentes da disparidade com as indicações constantes do recipiente, da embalagem, da rotulagem ou mensagem publicitária. Quanto aos responsáveis pela reparação dos danos, que tipo de responsabilidade será, em regra, utilizada nesses casos? Explique.
Resp: A respondibilidade é aquela atribuída ao fornecedor pelo vicio do produto ou de serviço por irregularidade que sem causar risco a saúde e segurando do consumidor, sendo afetado a funcionalidade do presente produto/ serviço no aspecto qualidade e quantidade tornando ele impróprios ou inadequados ao consumo.
O vício de qualidade de serviço são improprio ao consumo ou diminuem o valor, Rizzatto Nunes explica da seguinte forma:
São consideradas vícios as características de qualidadeou quantidade que tornem os produtos ou serviços impróprios ou inadequados ao consumo a que se destinam e também que lhes diminuam o valor. Da mesma forma são considerados vícios os decorrentes da disparidade havida em relação às indicações constantes do recipiente, embalagem, rotulagem, oferta ou mensagem publicitária.
Tendo o fornecedor prazo máximo de 30 dias para sanar o vício apresentado pelo serviço, sendo não sanado o vicio dentro do prazo de 30 dias surgem possibilidade para que o consumidor substitui o produto/serviço com abatimento proporcional ou restituição da quantia paga mais perdas e danos. Sílvio de Salvo Venosa ensina que independentemente destas opções, o consumidor pode sempre optar imediatamente pela ação de reparação. Transcreva-se
(...) Na verdade, como veremos a seguir, essa facultatividade para o fornecedor do produto é mais aparente do que real, pois, em regra, poderá sempre o consumidor optar imediatamente pela ação de reparação. Trata-se, como percebemos, de ação redibitória ou quanti minoris, adaptada à lei consumerista. Este trintídio estabelecido na lei pode ser modificado pelas partes, desde que não seja prazo inferior a sete dias, nem superior a 180 (art. 18, § 4º)
O consumidor deve conduzir o produto ao fornecedor assim que verificar a existência do vício. O fornecedor, diante disso, é qualquer um compreendido na cadeia de consumo, isto é, pode ser tal o fabricante, como o produtor, ou o construtor, importador ou até mesmo o comerciante. De acordo, surge o prazo de 30 dias para a correção do vício exposto, sendo capaz, a ser reduzido a 7 dias ou ampliado para 180 dia.
Ônus da Prova: A questão do ônus probatório tem enorme relevância nos tempos atuais, de modo que, há muita divergência entre doutrina e jurisprudência sobre quais seriam efetivamente o momento e o procedimento para a decretação do ônus pelo juiz. Isso acontece porque a fase probatória é um ponto muito importante em nosso sistema processual, já que é ela que irá demonstrar a veracidade dos fatos narrados pelas partes conflitantes.
Vamos compreender, então, como funcionam estes critérios para que seja decretada a inversão do ônus. Para tanto, vejamos na íntegra o que dispõe o art.6, inciso VIII, da Lei 8.078/90:
"Art. 6°. São direitos básicos do consumidor: [...] VIII - a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão do ônus da prova, a seu favor, no processo civil, quando, a critério do juiz, for verossímil a alegação ou quando for ele hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de experiências [...]" (grifos nossos).
A inversão do ônus, portanto, necessita da presença da verossimilhança e da hipossuficiência. Segundo Cavalieri (2011, p.118),
"O ônus da prova constitui uma distribuição de encargos entre as partes, cabendo a cada qual provar as alegações que formulou, para tentar convencer o juiz da sua veracidade. Sob esse ponto de vista, as regras do ônus da prova são dirigidas às partes. O legislador indica a cada uma de quem é o encargo de produzir determinada prova. A parte a quem ele compete já sabe, então, que se dele não se desincumbir a contento sofrerá as consequências negativas do descumprimento do ônus".
Os tipos de inversão judicial podem ser de origem legal e judicial. Vejamos quais são as características de cada uma:
• Origem legal: é aquela que já é determinada pela lei, não exigindo o preenchimento de requisitos legais no caso concreto, diferentemente do que acontece na hipótese de inversão judicial que está descrita no artigo 6°, VIII. Para a aplicação no caso concreto da inversão legal, basta o enquadramento na hipótese prevista legalmente, não sendo necessária decisão judicial determinando tal inversão.
De acordo com Cavalieri (2011), é visível que não há aí qualquer inversão, mas tão-somente uma exceção normativa à regra genérica do ônus da prova. É, pois, igualmente, uma norma que trata do ônus da prova, porquanto o regule abstratamente, excepcionando a regra contida no art. 373 do CPC. Por conta disso, é também uma regra de julgamento que ao fim do litígio, o juiz observará se as partes se desincumbiram dos seus respectivos ônus processuais, só que, em vez de aplicar o art. 373 do CPC (artigo já atualizado para o CPC/2015), aplicará o dispositivo legal específico.
No CDC, encontraremos alguns tipos de aplicação da origem legal, como, por exemplo, a do consumidor que busca algumas indenizações por algo causado por produto com defeito. Se a alegação do consumidor tiver como fundamento a alegação de defeito do produto, ele não precisará prová-la, e por ouro lado, terá o fornecedor que demonstrar em juízo uma das excludentes de responsabilidade sob pena de o pedido do autor ser julgado totalmente procedente, independentemente da prova produzida.
Um segundo exemplo pode ser o caso do Art. 38 do CDC, que trata sobre a questão do ônus do fornecedor provar a veracidade e correção da informação ou comunicação publicitária. Lembrando que neste caso a inversão não é obrigatória, ou seja, se está na esfera de discricionariedade do juiz, ele não precisa analisar a presença de requisitos no caso concreto, nem se manifestar sobre ela, seja no saneador ou em momento posterior.
O ônus da prova no Código de Defesa do Consumidor à luz do novo Código de Processo Civil
Leia o artigo "O ônus da prova no Código de Defesa do Consumidor à luz do novo Código de Processo Civil", disponível em: <https://www.ambito-juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=18185>. O artigo apresenta uma análise sobre os principais aspectos da teoria geral da prova no Código de Defesa do Consumidor e sua aplicação à luz das novas regras trazidas pelo Novo Código de Processo Civil. Não deixe de ler!
• Origem Judicial: diferentemente da inversão legal, aqui ela dependerá de apreciação pelo juiz, que irá verificar, se no caso concreto, existe a presença dos requisitos autorizadores, que são: verossimilhança das alegações ou hipossuficiência.
É importante ressaltar ainda que a inversão do ônus da prova obrigatoriamente dependerá da presença dos requisitos exigidos pela lei, ou seja, não ocorrerá jamais uma inversão automática, de modo que nem todo consumidor será beneficiado pela previsão do artigo 6°, inciso VIII do CDC.
Você percebeu que falamos em verossimilhança ou hipossuficiência. Esse ou, amplamente debatido pela doutrina, é interpretado como um critério não cumulativo. Basta a existência de um dos pressupostos de forma não cumulativa. Cavalieri (2011, p. 326) deixa claro que "muito já se discutiu se esses pressupostos são cumulativos ou alternativos, mas hoje a questão está pacificada no sentido da alternatividade. A própria conjunção alternativa empregada pelo legislador no texto está a apontar nesse sentido". Perceba que o autor declara que a doutrina está pacificada no sentido da alternatividade dos pressupostos, ou seja, ou um, ou outro, ou os dois.
Em se falando dos pressupostos, vamos relembrar seus conceitos de acordo com Grinover (2008, p. 94-95), "verossímil é aquilo que é crível ou aceitável em face de uma realidade fática. Não se trata de prova robusta ou definitiva, mas da chamada prova de primeira aparência, decorrente das regras de experiência comum, que permite juízo de probabilidade". Por outro lado, quanto a hipossuficiência do consumidor, há o entendimento na doutrina de que essa hipossuficiência, na origem judicial, deve ser técnica. Assim, a condição econômica do consumidor não é relevante nesse caso, sendo importante para que ocorra a inversão que o fornecedor possua superioridade técnica, que deve se manifestar no caso concreto de forma que a ele seja viável a produção da prova. Do mesmo modo, se houver casos em que é mais fácil a produção da prova pelo consumidor, a este caberá o encargo probatório, vez que a regra do artigo 6º, inciso VIII, do CDC, tem por finalidade "proporcionar uma maior facilidade na produção da prova, com que o juiz se aproximará mais da verdade e proferirá uma decisão de melhor qualidade".Vejamos alguns precedentes a respeito do ônus:
Jurisprudência
Ementa: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DANO MORAL. DIREITO DO CONSUMIDOR. FORNECEDOR. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. ACIDENTE COM CARRINHO DE SUPERMERCADO. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. ART. 6º DO CDC. REQUISITOS. HIPOSSUFICIÊNCIA DO CONSUMIDOR OU VEROSSIMILHANÇA DAS ALEGAÇÕES. REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO- PROBATÓRIO DOS AUTOS. INADMISSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7/STJ. DECISÃO MANTIDA. 1. A inversão do ônus da prova depende da aferição, pelo julgador, acerca da verossimilhança das alegações ou da hipossuficiência do consumidor, a teor do art. 6º, VIII, do CDC. Precedentes. 2. O recurso especial não comporta o exame de questões que impliquem revolvimento do contexto fático-probatório dos autos (Súmula n. 7 do STJ). 3. O Tribunal de origem examinou os elementos fáticos do caso para concluir pela ausência de verossimilhança nas alegações deduzidas pela autora. Alterar esse entendimento demandaria o reexame das provas produzidas nos autos, o que é vedado em recurso especial. 4. Agravo regimental a que se nega provimento.
Encontrado em: DE JUSTIÇA SUM:000007 FED LEI:008078 ANO:1990 CDC-90 CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR ART:00006 INC:00008... ÔNUS DA PROVA - INVERSÃO - HIPOSSUFICIÊNCIA STJ - AgRg no AREsp 527866-SP STJ - AgRg no Ag 1402436-RJ
"PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. RAZÕES DO REGIMENTAL DISSOCIADAS DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. SÚMULA 284/STF. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. REEXAME DE MATÉRIA FÁTICA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. DECISÃO MANTIDA. 1. Ao analisar o recurso especial, a decisão agravada aplicou a Súmula 284/STF quando do exame da suposta violação ao art. 535 do CPC. Nas razões do agravo regimental, a parte agravante visa afastar o referido verbete sumular, sob o argumento de que a ofensa ao art. 877 do CC foi devidamente demonstrada. 2. O argumento posto no presente agravo regimental não guarda pertinência com o fundamento do aresto atacado, atraindo a incidência da Súmula 284/STF ("É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação na permitir a exata compreensão da controvérsia."). 3. Para refutar a conclusão adotada pelo Tribunal de origem, que decidiu pelo cabimento da inversão do ônus da prova, sob o fundamento de que estão atendidos os "requisitos dispostos no inciso VIII, do art. 6º, do Código de Defesa do Consumidor, quais sejam, verossimilhança da alegação e hipossuficiência do consumidor", seria necessário o reexame do conjunto probatório dos autos, o que é vedado no âmbito do recurso especial, a teor do óbice previsto na Súmula 7/STJ. 4. Agravo regimental a que se nega provimento".
CONSUMIDOR. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. VEROSSIMILHANÇA. HIPOSSUFICIÊNCIA. FATO NEGATIVO. IMPOSSIBILIDADE. 1.
Ainda que se trate de relação de consumo, o consumidor deve comprovar sua hipossuficiência ou a verossimilhança de suas alegações, para a inversão do ônus da prova. 2. Se ausentes os requisitos para inversão do ônus da prova, aplica-se a regra processual constante do art. 333 do Código de Processo Civil. 3. Nada obstante o reconhecimento da hipossuficiência do consumidor, inexistindo qualquer elemento probatório que indique a verossimilhança de suas alegações, inviável a inversão do ônus da prova quando o seu objeto consistir em fato negativo sob a perspectiva do fornecedor. 4. Não se pode exigir da parte a produção de prova negativa, intitulada pela doutrina como prova diabólica. Destarte, inviável a inversão do ônus da prova. 5. Recurso conhecido e desprovido.
"AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ART. 273 DO CPC. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULAS 282 E 356/STF. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. MATÉRIA DE PROVA. REEXAME. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. 1. Inviável o recurso especial quando ausente o prequestionamento das questões de que tratam os dispositivos da legislação federal apontados como violados. 2. A inversão do ônus da prova, prevista no art. 6º, VIII, do Código de Defesa do Consumidor, fica a critério do juiz, conforme apreciação dos aspectos de verossimilhança das alegações do consumidor ou de sua hipossuficiência. 3. Na hipótese em exame, a eg. Corte de origem manteve a aplicação ao caso do Código de Defesa do Consumidor, e após sopesar o acervo fático-probatório reunido nos autos, concluiu pela configuração da verossimilhança das alegações da parte agravada, bem como de sua hipossuficiência. Desse modo, o reexame de tais elementos, formadores da convicção do d. Juízo da causa, não é possível na via estreita do recurso especial, por exigir a análise do conjunto fático-probatório dos autos. Incidência da Súmula 7/STJ. 4. Agravo regimental a que se nega provimento"
Fixação: [CONSULPLAN/2015. Link: <https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/questao/af25ab75-93?compartilhamento_id=580195>]. A inversão do ônus da prova é uma importante proteção dada ao consumidor pelo CDC. Sobre a inversão do ônus da prova, prevista no Art. 6º, inciso VIII do Código de Defesa do Consumidor, analise as afirmativas a seguir:
I. Se dá em favor do consumidor, exigindo-se a concomitância da verossimilhança da alegação e hipossuficiência.
II. A inversão do ônus da prova não é automática, dependendo de decisão do magistrado.
III. Pode ser concedida a requerimento da parte ou de ofício pelo magistrado.
Estão corretas as afirmativas:
Resp: II e III.
Fixação: [Prefeitura de Registro-SP/2016. Link: <https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/questoes/search?disciplina=89&assunto=18672>] É considerado direito básico do consumidor a facilitação de sua defesa em juízo, por meio da possibilidade da inversão do ônus da prova. Dentro do que dispõe o Código de Defesa do Consumidor acerca dessa disciplina, é correto afirmar que:
Resp: ficará a critério do juiz deferir a inversão do ônus da prova exclusivamente ao consumidor, sempre que o direito debatido for verossímil ou o consumidor hipossuficiente, levando-se em consideração as suas máximas de experiência.
Defesa dos Interesses e Direitos Individuais Homogêneos dos Consumidores em Juízo: Antes de adentrarmos na defesa dos direitos individuais precisamos diferenciar dentro da tutela coletiva os direitos individuais homogêneos, coletivos e difusos, com base no Art. 81, parágrafo único da Lei nº. 8078/90 temos:
"Art. 81. A defesa dos interesses e direitos dos consumidores e das vítimas poderá ser exercida em juízo individualmente, ou a título coletivo. Parágrafo único. A defesa coletiva será exercida quando se tratar de: I - interesses ou direitos difusos, assim entendidos, para efeitos deste código, os transindividuais, de natureza indivisível, de que sejam titulares pessoas indeterminadas e ligadas por circunstâncias de fato; II - interesses ou direitos coletivos, assim entendidos, para efeitos deste código, os transindividuais, de natureza indivisível de que seja titular grupo, categoria ou classe de pessoas ligadas entre si ou com a parte contrária por uma relação jurídica base; III - interesses ou direitos individuais homogêneos, assim entendidos os decorrentes de origem comum."
O artigo define de forma taxativa os tipos de interesse que nos nortearão para o entendimento de como cada grupo terá seus direitos tutelados.
A defesa do consumidor, em juízo, considerado individualmente, deve ser buscada com base no processo civil tradicional, ao que se soma alguns dispositivos específicos previstos no Código de Defesa do Consumidor, tais como:
a) Direito à inversão do ônus da prova;
b) Direito de demandar no foro do domicilio do consumidor;
c) Desconsideração da personalidade jurídica da empresa;
d) Vedação à denunciação da lide e do chamamento ao processo
Inicialmente é importante ressaltarmos quem serão os legitimados para a defesa destes direitos, que serão de forma abrangente os legitimados para a defesa do consumidor em juízo em todos os grupos de interesse. Vejamos o artigo:
"Art. 82. Paraos fins do art. 81, parágrafo único, são legitimados concorrentemente: (Redação dada pela Lei nº 9.008, de 21.3.1995) (Vide Lei nº 13.105, de 2015) (Vigência) I - o Ministério Público; II - a União, os Estados, os Municípios e o Distrito Federal; III - as entidades e órgãos da Administração Pública, direta ou indireta, ainda que sem personalidade jurídica, especificamente destinados à defesa dos interesses e direitos protegidos por este código; IV - as associações legalmente constituídas há pelo menos um ano e que incluam entre seus fins institucionais a defesa dos interesses e direitos protegidos por este código, dispensada a autorização assemblear. § 1° O r equisito da pré-constituição pode ser dispensado pelo juiz, nas ações previstas nos arts. 91 e seguintes, quando haja manifesto interesse social evidenciado pela dimensão ou característica do dano, ou pela relevância do bem jurídico a ser protegido [...].
Observe que o artigo é claro ao definir quem serão os legitimados para a defesa do consumidor, o que quer dizer que apenas estes citados no artigo possuem autorização legal para essa tutela.
Vale ressaltar que, ainda de acordo com o CDC, para a defesa dos direitos e interesses protegidos pelo próprio código são admissíveis todas as espécies de ações capazes de propiciar a adequada e efetiva tutela desses direitos.
Vamos iniciar tratando dos direitos individuais homogêneos:
Segundo Grinover (2011, p.110),
"o direito individual homogêneo é individualizado na sua essência, porque será incorporado diretamente ao patrimônio do indivíduo, sendo coletivo apenas quanto à forma de tutela. Por economia processual é utilizada uma única demanda para beneficiar inúmeras pessoas, sem os malefícios do litisconsórcio multitudinário. Cada indivíduo será beneficiado pela sentença de uma forma específica, incorporando ao seu patrimônio um determinado valor, pois é conveniente para sociedade que a defesa deles se processe nos moldes coletivos"
Esgotados os conceitos e observações iniciais, vejamos quais são as ações coletivas utilizadas para a defensa dos direitos individuais homogêneos, quais são seus requisitos, competência e outras informações, com base no que está disposto nos artigos do CDC. Vamos estudar os dispositivos um a um, tamanha sua importância:
Art. 84. Na ação que tenha por objeto o cumprimento da obrigação de fazer ou não fazer, o juiz concederá a tutela específica da obrigação ou determinará providências que assegurem o resultado prático equivalente ao do adimplemento. § 1° A conversão da obrigação em perdas e danos somente será admissível se por elas optar o autor ou se impossível a tutela específica ou a obtenção do resultado prático correspondente. § 2° A indenização por perdas e danos se fará sem prejuízo da multa (art. 287, do Código de Processo Civil). § 3° Sendo relevante o fundamento da demanda e havendo justificado receio de ineficácia do provimento final, é lícito ao juiz conceder a tutela liminarmente ou após justificação prévia, citado o réu. § 4° O juiz poderá, na hipótese do § 3° ou na sentença, impor multa diária ao réu, independentemente de pedido do autor, se for suficiente ou compatível com a obrigação, fixando prazo razoável para o cumprimento do preceito. § 5° Para a tutela específica ou para a obtenção do resultado prático equivalente, poderá o juiz determinar as medidas necessárias, tais como busca e apreensão, remoção de coisas e pessoas, desfazimento de obra, impedimento de atividade nociva, além de requisição de força policia.
O artigo é seguido à risca pela jurisprudência e será usado em todas as ações para a tutela destes tipos de obrigações. Neste artigo é possível observar a preocupação do legislador com a efetividade do processo, consagrando o instrumento de ação específica que o CPC trouxe posteriormente.
De acordo com os comentários de Cavalieri (2011, p.138) sobre o artigo:
"O legislador deixa claro que, na obrigação de fazer ou não fazer, o que importa, mais do que a conduta do devedor, é o resultado prático protegido pelo direito. E para a obtenção dele o juiz deverá determinar todas as providências e medidas legais e adequadas ao seu alcance, inclusive, se necessário, a modificação do mundo fático, por ato próprio ou de seus auxiliares, para conformá-lo ao comando emergente da sentença. Impedimento da publicidade enganosa, inclusive com o uso da força policial, se necessário, retirada do mercado de produtos e serviços danosos à vida, à saúde e segurança dos consumidores, e outros atos mais que conduzem à tutela específica das obrigações de fazer ou não fazer".
O juiz atuará, portanto, na busca de todas as medidas necessárias, como, por exemplo, ordenar um fazer sob pena de multa, na sentença ou na decisão concessiva de tutela antecipada. Assim, é inegável a possibilidade de o juiz ordenar a substituição das partes viciadas do bem, a complementação do peso ou da medida do produto e a reexecução do serviço.
Federal, é competente para a causa a justiça local: I - no foro do lugar onde ocorreu ou deva ocorrer o dano, quando de âmbito local; II - no foro da Capital do Estado ou no do Distrito Federal, para os danos de âmbito nacional ou regional, aplicando-se as regras do Código de Processo Civil aos casos de competência concorrente[...]".
O artigo mencionado define de forma taxativa a competência para processar e julgar as questões relativas a defesa do consumidor em juízo na ação coletiva para a tutela individual.
Vejamos como ocorrerá coisa julgada nas ações coletivas no CDC:
"Art. 103. Nas ações coletivas de que trata este código, a sentença fará coisa julgada: I - erga omnes, exceto se o pedido for julgado improcedente por insuficiência de provas, hipótese em que qualquer legitimado poderá intentar outra ação, com idêntico fundamento valendo-se de nova prova, na hipótese do inciso I do parágrafo único do art. 81; II - ultra partes, mas limitadamente ao grupo, categoria ou classe, salvo improcedência por insuficiência de provas, nos termos do inciso anterior, quando se tratar da hipótese prevista no inciso II do parágrafo único do art. 81; III - erga omnes, apenas no caso de procedência do pedido, para beneficiar todas as vítimas e seus sucessores, na hipótese do inciso III do parágrafo único do art. 81. § 1° Os efeitos da coisa julgada previstos nos incisos I e II não prejudicarão interesses e direitos individuais dos integrantes da coletividade, do grupo, categoria ou classe. § 2° Na hipótese prevista no inciso III, em caso de improcedência do pedido, os interessados que não tiverem intervindo no processo como litisconsortes poderão propor ação de indenização a título individual. § 3° Os efeitos da coisa julgada de que cuida o art. 16, combinado com o art. 13 da Lei n° 7.347, de 24 de julho de 1985, não prejudicarão as ações de indenização por danos pessoalmente sofridos, propostas individualmente ou na forma prevista neste código, mas, se procedente o pedido, beneficiarão as vítimas e seus sucessores, que poderão proceder à liquidação e à execução, nos termos dos arts. 96 a 99. § 4º Aplica-se o disposto no parágrafo anterior à sentença penal condenatória. Art. 104. As ações coletivas, previstas nos incisos I e II e do parágrafo único do art. 81, não induzem litispendência para as ações individuais, mas os efeitos da coisa julgada erga omnes ou ultra partes a que aludem os incisos II e III do artigo anterior não beneficiarão os autores das ações individuais, se não for requerida sua suspensão no prazo de trinta dias, a contar da ciência nos autos do ajuizamento da ação coletiva[...]".
Ao contrário do que ocorre nas demandas individuais, nas quais a coisa julgada forma-se independentemente de seu resultado, ou seja, havendo ou não a procedência do pedido, a coisa julgada material nas demandas coletivas concretiza-se segundo o resultado da demanda. Os limites objetivos da coisa julgada nas ações coletivas se diferenciam ao compararmos tais limites com as ações individuais. Nas ações coletivas,ao contrário do que ocorre nas ações individuais, os fundamentos de fato e de direito que serviram de base à conclusão final do julgado se tornam imutáveis e indiscutíveis e são transportadores "in utilibus" para as pretensões individuais.
Com relação aos limites objetivos da coisa julgada, nas ações coletivas, a regra é que a coisa julgada deve beneficiar todos os titulares de direitos ou interesses quando houver o acolhimento da demanda, então, adotou o legislador brasileiro a coisa julgada "secundum eventum litis" (segundo o resultado do processo) porque ocorre a eficácia "erga omnes". Isto ocorreu por comparação ao sistema dos norte-americanos, aos quais adotam os mesmos efeitos para a coisa julgada nas ações coletivas ("class actions") em sendo acolhida a demanda. No entanto, devemos atentar para os casos de improcedência da ação que trazem outras consequências e efeitos da coisa julgada. Chegamos a esta conclusão ao interpretarmos conjuntamente os artigos 83 e 103, ambos do CDC.
Fixação: Uma importante discussão na área consumerista está no momento da ocorrência da coisa julgada nas ações para a proteção dos direitos individuais, difusos ou coletivas. Sobre a coisa julgada nas ações coletivas, teremos em regra o efeito:
Resp: Erga ommes ( correta: Erga Omnes é uma expressão usada principalmente no meio jurídico, para indicar que os efeitos de algum ato ou lei atingem todos os indivíduos que são objeto da referida decisão. No caso dos direitos coletivos, por exemplo, atingem a toda uma coletividade de indivíduos.)
Defesa dos Interesses e Direitos Coletivos dos Consumidores em Juízo
De acordo com Cavalieri (2011, P.121),
"os direitos coletivos também têm titularidade indeterminável, todavia, os titulares são identificáveis, pois tais direitos estão identificados a um grupo, categoria ou classe de pessoas. Só são beneficiados os indivíduos pertencentes ao grupo, categoria ou classe, sendo que o resultado da demanda atinge a todos de modo uniforme. Eventual benefício ao patrimônio do indivíduo será reflexo".
Aqui, diferentemente dos direitos individuais, teremos claros grupos de determinados indivíduos como beneficiados pela proteção consumerista.
Portal de Direitos Coletivos
O Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) mantém no Portal de Direitos Coletivos informações atualizadas sobre os direitos consumeristas. Não de acessar o site e amplie seu conhecimento. Disponível em: <https://www.cnmp.gov.br/direitoscoletivos/>.
Sobre a tutela coletiva, assim como a tutela dos direitos difusos, temos regulamentações e uma base legal muito parecida. É importante que você sabia que há uma lei específica que disciplina a regra dos direitos difusos e coletivos, que é a chamada Lei de Ação Civil Pública, ou seja, a Lei 7347/1985.
Alvim (2015, p.87) fala sobre a relação entre a Lei de Ação Civil Pública e o CDC conforme veremos:
"Percebe-se, claramente, que com a edição do Código de Defesa do Consumidor acabou por crescer o âmbito de utilidade da ação civil pública. Com o disposto no seu art. 21 ela passou a abranger vasto segmento que precedentemente não encontrava cobertura normativa nem a indicação de legitimados para a tutela".
Vamos adentrar, portanto, na lei de Ação Civil Pública (7347/1985), que logo em seu Art.1º deixa clara a proteção ao consumidor: "Regem-se pelas disposições desta Lei, sem prejuízo da ação popular, as ações de responsabilidade por danos morais e patrimoniais causados: (...) ll - ao consumidor [...]" (Redação dada pela Lei nº 12.529, de 2011).
Essa mesma lei tutelará outros direitos coletivos e difusos. A ação civil pública poderá ter por objeto a condenação em dinheiro ou o cumprimento de obrigação de fazer ou não fazer. Continuando na seara desta ação, a mesma tornará possível o ajuizamento de pedido cautelar objetivando evitar dano ao consumidor.
Os legitimados para propor a ação civil pública são os mesmos legitimados que já vimos na proteção aos direitos individuais homogêneos. Neste caso, temos ainda a previsão de substitutos na ação, caso um dos legitimados a abandone por qualquer motivo.
Uma parte importante dessa previsão legal é a possibilidade de o próprio juiz comunicar ao Ministério Público (MP) ocorrências que legitimam a ação, veja: [...] Art. 7º Se, no exercício de suas funções, os juízes e tribunais tiverem conhecimento de fatos que possam ensejar a propositura da ação civil, remeterão peças ao Ministério Público para as providências cabíveis[...]". Perceba que por iniciativa própria, o juiz encaminha as peças processuais que indicam a ocorrência de prática lesiva ao MP.
Fixação: Paulo procurou seu advogado para que ele pudesse explicar do que se trata a tão falada ação civil pública. Paulo é leigo e não compreende qual o objetivo dessa ação. No papel do advogado, explique do que se trata a referida ação
Resp: A ação civil publica trata matéria de direitos difusos, coletivos e individuais homogêneos, sendo ela uma ação popular em relação ao direito metaindividual do consumidor trazendo a responsabilidade por danos morais, obrigação de fazer ou não fazer. O art. 1ª diz sobre a protteção ao consumidor que "Regem-se pelas disposições desta Lei, sem prejuízo da ação popular, as ações de responsabilidade por danos morais e patrimoniais causados: (...) ll - ao consumidor [...]"
Posso assegurar Paulo que está ação pode trazer que poderar ocorrer uma condenação por dinheiro a obrigar voce a cumprir que decorreu de vicio ao problema ao consumidor e precisar ser sanavel por está ação, decorrendo da sua omissão de cumprir o eventual erro dentro dos prazos que assegura o Sr. quanto o consumidor.
UNIDADE 7 Fixação: Muitos são os princípios que nortearão as defesas coletivas em juízo. Esses princípios serão a base para que haja uma aplicabilidade correta das ações coletivas. Sobre estes princípios, quando o MP verificar que os demais legitimados não estão realizando a execução da sentença, o que deverá ser feito?
Resp: No momento em que a procedente o consumidor tem aplicação ação coletiva em 60 dias, não fazendo m o Ministério Público poderá fazer.
Defesa dos Interesses e Direitos Difusos dos Consumidores em Juízo
De acordo com Cavalieri (2011, p.110), "a titularidadel dos direitos difusos é indeterminável. Não podem eles ser identificados, sequer, a um grupo, categoria ou classe de pessoas, pertencem a todos os indivíduos, indistintamente".
Basicamente podemos afirmar que os direitos difusos são caracterizados pela indeterminação dos titulares, indivisibilidade do direito (o objeto do direito não pode ser cindido, ou atende a toda sociedade ou não atende ninguém) e sua origem meramente factual.
Assim como nos direitos coletivos, os direitos difusos são protegidos em juízos através da ação civil pública.
Antes de adentrar nessa especificidade Cavalieri (2011, p.171) nos lembra que muitas vezes em ocorrências em que os direitos difusos são desrespeitados, os consumidores podem também individualmente buscar a tutela de seus direitos em juízo. Vejamos o exemplo usado pelo autor em seu livro:
"Digamos que um vendedor de remédios anuncie um medicamento milagroso que permita que o usuário emagreça 5kg por dia apenas tomando um comprimido, sem nenhum comprometimento à sua saúde. Seria um caso de enganação tipicamente difusa, pois é dirigida a toda comunidade. Agora, é claro que uma pessoa em particular pode ser atingida e enganada pelo anúncio: ela vai à farmácia, adquire o medicamento, ingere o comprimido e não emagrece. Ou pior, toma o comprimido e fica intoxicada. Nesse caso, esse consumidor particular tem um direito individual próprio, que também, obviamente, está protegido. Ele, como titular de um direito subjetivo, poderá exercer todos aqueles direitos garantidos na Lei n. 8.078/90. Poderá, por exemplo, ingressar com ação de indenização por danos materiais e morais".
Perceba que no caso citado, um direito difuso foi desrespeitado, porém o consumidor teve a possibilidade de ver seu direito individual ligadoa esse desrespeito devidamente tutelado, independente da propositura de demanda coletiva.
Voltando aos direitos difusos, estes também são tutelados via ação civil pública, portanto, vamos continuar estudando pontos importantes desta ação em continuidade ao que já vimos na defesa dos direitos coletivos.
Vejamos então o que ocorrerá quando o MP determinar a inexistência de fundamento para a propositura:
"Art. 9º Se o órgão do Ministério Público, esgotadas todas as diligências, se convencer da inexistência de fundamento para a propositura da ação civil, promoverá o arquivamento dos autos do inquérito civil ou das peças informativas, fazendo-o fundamentadamente. § 1º Os autos do inquérito civil ou das peças de informação arquivadas serão remetidos, sob pena de se incorrer em falta grave, no prazo de 3 (três) dias, ao Conselho Superior do Ministério Público. § 2º Até que, em sessão do Conselho Superior do Ministério Público, seja homologada ou rejeitada a promoção de arquivamento, poderão as associações legitimadas apresentar razões escritas ou documentos, que serão juntados aos autos do inquérito ou anexados às peças de informação. § 3º A promoção de arquivamento será submetida a exame e deliberação do Conselho Superior do Ministério Público, conforme dispuser o seu Regimento. § 4º Deixando o Conselho Superior de homologar a promoção de arquivamento, designará, desde logo, outro órgão do Ministério Público para o ajuizamento da ação [...]" (LEI 7.347, 1985).
Todo este procedimento que será realizado para possibilitar o arquivamento garante que as autoridades do MP não arquivem por motivos pessoais, já que a decisão de arquivamento deve ser homologada. Por outro lado, se, o MP no curso de suas funções na ação civil pública solicitar quaisquer informações ou provas, e isso foi omitido ou retardado na busca de um arquivamento, teremos aí um crime caracterizado. Vejamos a disposição legal:
"Art. 10. Constitui crime, punido com pena de reclusão de 1 (um) a 3 (três) anos, mais multa de 10 (dez) a 1.000 (mil) Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional - ORTN, a recusa, o retardamento ou a omissão de dados técnicos indispensáveis à propositura da ação civil, quando requisitados pelo Ministério Público [...]" (LEI 7.347, 1985).
Na ação civil pública, para evitar maiores danos as partes, o juiz poderá ainda conferir o chamado efeito suspensivo aos recursos, protegendo, portanto, o consumidor de danos maiores.
No que tange aos efeitos da coisa julgada, veja como a lei tratou da questão:
"Art. 16. A sentença civil fará coisa julgada erga omnes, nos limites da competência territorial do órgão prolator, exceto se o pedido for julgado improcedente por insuficiência de provas, hipótese em que qualquer legitimado poderá intentar outra ação com idêntico fundamento, valendo-se de nova prova (Redação dada pela Lei nº 9.494, de 10.9.1997) [...]" (LEI 7.347, 1985).
Isso significa dizer que os efeitos da coisa julgada atingirão a toda a coletividade do direito? Não. Esta questão sobre os efeitos é bastante discutida já que muitos entendem ainda que ela somente será válida no Estado, quando proposta pelo Ministério Público Estadual. Porém o STJ vem mostrando uma posição muitas vezes favorável a ampliação dessa questão a toda coletividade. Ressalto apenas que a questão ainda não é totalmente pacificada. Vejamos alguns precedentes a respeito em ambos os sentidos:
Agravo (§ 1º art. 557 do CPC) em Apelação Cível AC 826508 SC 2010.082650-8 (TJ-SC): AGRAVO (§ 1º DO ART. 557 DO CPC) EM APELAÇÃO CÍVEL - PEDIDO DE COMPRIMENTO DE SENTENÇA EMBASADO EM DECISÃO PROLATADA EM AÇÃO CIVIL PÚBLICA - DECISÃO MONOCRÁTICA NEGANDO SEGUIMENTO AO RECLAMO. IRRESIGNAÇÃO DA AUTORA - AUSÊNCIA DE TÍTULO EXECUTIVO JUDICIAL A BEM DA PROPONENTE - AÇÃO CIVIL PÚBLICA - COISA JULGADA ERGA OMNES, CUJOS EFEITOS ADSTRINGEM-SE AOS LIMITES DA COMPETÊNCIA TERRITORIAL DO ÓRGÃO PROLATOR - INTELIGÊNCIA DO ART. 16 DA LEI N. 7347 /85 - AUTOR RESIDENTE EM ESTADO DIVERSO DAQUELE EM QUE TRAMITOU A AÇÃO COLETIVA - PRECEDENTES DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, E DESTA EGRÉGIA CORTE - SEQÜENCIAL CONHECIDO E DESPROVIDO.
"Consoante entendimento consignado nesta Corte, a sentença proferida em ação civil pública fará coisa julgada erga omnes nos limites da competência do órgão prolator da decisão, nos termos do art. 16 da Lei n. 7.347 /85, alterado pela Lei n. 9.494 /97. Precedentes." (EREsp n. 411.529/SP)
STJ - RECURSO ESPECIAL REsp 399357 SP 2001/0196900-6 (STJ)
Ementa: PROCESSO CIVIL E DIREITO DO CONSUMIDOR. AÇÃO COLETIVA AJUIZADA POR ASSOCIAÇÃO CIVIL EM DEFESA DE DIREITOS INDIVIDUAIS HOMOGÊNEOS. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS DEVIDOS EM CADERNETA DE POUPANÇA EM JANEIRO DE 1989. DISTINÇÃO ENTRE EFICÁCIA DA SENTENÇA E COISA JULGADA. EFICÁCIA NACIONAL DA DECISÃO.
A Lei da Ação Civil Pública, originariamente, foi criada para regular a defesa em juízo de direitos difusos e coletivos. A figura dos direitos individuais homogêneos surgiu a partir do Código de Defesa do Consumidor, como uma terceira categoria equiparada aos primeiros, porém ontologicamente diversa. - Distinguem-se os conceitos de eficácia e de coisa julgada. A coisa julgada é meramente a imutabilidade dos efeitos da sentença. O art. 16 da LAP , ao impor limitação territorial à coisa julgada, não alcança os efeitos que propriamente emanam da sentença. - Os efeitos da sentença produzem-se "erga omnes", para além dos limites da competência territorial do órgão julgador. Recurso Especial improvido.
Condições da ação na defesa de direitos difusos e coletivos
Leia o artigo "Condições da ação na defesa de direitos difusos e coletivos", disponível em: <https://www.ambito-juridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=8700>. A autora apresenta um estudo sobre as condições da ação - legitimidade para a causa e interesse de agir - na tutela dos direitos difusos e coletivos, considerando a importância que este tema possui para a solução dos conflitos que envolvem as populações ou grupos de titulares na sociedade pós-moderna. É muito interessante para ampliar seu conhecimento. Não deixe de ler!
Para ampliar seu conhecimento, assista a videoaula "A legitimidade do MP para propor ação Civil Pública na defesa do consumidor".
Atividade Avaliativa - Unidade 7
1- A defesa, em juízo, do consumidor considerado individualmente, deve ser buscada com base no processo civil tradicional, ao que se soma alguns dispositivos específicos previstos no Código de Defesa do Consumidor, tais como:
Resp: direito a inversão do ônus da prova
2- Com base no que dispõe o CDC sobre a inversão do ônus da prova bem como no entendimento do STJ a respeito do tema, assinale a opção correta.
Resp: A inversão do ônus da prova fica a critério do juiz, com base em sua apreciação dos aspectos de verossimilhança da alegação do consumidor e de sua hipossuficiência, conceitos intrinsecamente ligados ao conjunto fático-probatório dos autos delineado nas instâncias ordinárias.
3- [PUC-PR/2014] Com relação à Lei nº 8.078/90, que dispõe sobre a proteção do consumidor, é CORRETO afirmar que:
I. Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire o produto ou serviço como destinatário final. Não é considerado consumidor quem adquire o bem para revenda.
II. Levando-se em consideração os direitos básicos do consumidor constantes no artigo 6º do CDC, inverte-se o ônus da prova em favor do consumidor sempre que estiver em discussão relação de consumo, ante a hipossuficiência do consumidor.
III. Conforme o artigo 6º é possível a modificação de contratos que versem sobre relação de consumo, alterando-se cláusulas que estabeleçam prestações desproporcionais, para restabelecer o equilíbrio contratual.
IV. A ausência de conhecimento pelo fornecedor de vícios no produto que fornece o exonera da responsabilidade.
Resp: Somente as proposições I e III estão corretas.
4- Sobre os princípios das ações coletivas, assinale a alternativa correta:
Resp: principio do maximo beneficio da tutela jurisdicional:a prioridade se justifica, pois, os julgamentos coletivos acabam por atingir uma enorme gama de indivíduos e de questoes, o que acaba por tornar maus célere a justica nesse sentido.
5- Ano: 2014 Banca: CESPE Órgão: TJ-DFT Prova: Juiz
No que concerne à proteção contratual, à desconsideração da personalidade jurídica e à inversão do ônus da prova, assinale a opção correta com base no CDC e na jurisprudência do STJ.
Resp: O CDC trata tanto da inversão do ônus da prova ope legis quanto da inversão do ônus da prova ope judicis.
Nota 60%
***Com relação aos direitos do consumidor, às infrações penais e à defesa do consumidor em juízo, assinale a opção correta.
Resp: A defesa do consumidor é um direito constitucional fundamental e também um dos princípios da atividade econômica.
***Interesses ou direitos __________, assim entendidos, para efeitos deste código, os transindividuais, de natureza indivisível, de que sejam titulares pessoas __________ e ligadas por circunstâncias de fato.
Resp: difusos,indeterminados
Nota 80%
Atividade Avaliativa A2 – Unidade 7
O que é verossímil?
Resp: O CDC é uma proteção de toda e qualquer pessoa (consumidor), é uma garantia que decorre da isonomia material, que institui o tratamento desigual aos desiguais na medida de sua desigualdade. Sendo o consumidor em circunstância inferior ao do fornecedor, a lei terá de determinar direito que disponham em uma posição de igualdade.
O Código de Defesa do Consumidor resultou a regra da inversão ope iudicis do ônus da prova, alencada no artigo 6ª, VIII “a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão do ônus da prova, a seu favor, no processo civil, quando, a critério do juiz, for verossímil a alegação ou quando for ele hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de experiências”, que determina ao fornecedor a obrigação de provar que os fatos não houve dá aspecto como narrados pelo consumidor, ou somente mesmo sequer existiram.
A verossimilhança das considerações é uma prova de primeira apresentar, e que se verifica por regras de experiência comum, correntemente em decorrência de acontecimentos corriqueiros, que ocorrem no cotidiano, e que assim concedem credibilidade à compreensão do consumidor. Sem danos, a verossimilhança vai se arrancar de elementos iguais dos próprios autos, que absorvem indicados de que o relato autoral, com efeito, consegue ser verdadeira, sua mera alegação sem alguma prova, ou seja, sem uma mínima garantia através de documentos ou de depoimentos de testemunhas, será incertamente capa de indicar a sua verossimilhança.
Consequentemente faz fundamentais as evidências de que os fatos pode mesmo ter se verificar, a justificar a inversão do ônus da prova, ou melhor, é preciso que existe qualquer elemento probatório mínimo que autoriza determinar àquele que não tem, o compromisso de produzir a prova, de sua produção.
Com efeito, todavia, o magistrado deferindo a inversão do ônus probandi sem algum vestígio de prova que apresente a ocorrência daquele que foi descrito pelo consumidor.
Neste caso, os fornecedores estão a frente de verdadeira prova diabólica, que coisa alguma mais é do que essa improvável, de ser formada.
Aspectos Comparativos: Brasil X Argentina e Uruguai
Como sabemos, no Brasil, a proteção ao consumidor é ampla e devidamente regulamentada em Lei própria, considerada um grande avanço na proteção aos direitos. Mas, e em outros países, será que acontece da mesma forma? De forma comparativa, vejamos a partir de agora como essa proteção se dá na Argentina e posteriormente no Uruguai.
A Argentina já possuía algumas proteções legais ao consumidor antes mesmo do Brasil, porém, tratavam-se de leis que tutelavam objetos determinados. Como exemplo, podemos citar a Lei 19.724, que regula a compra e venda de bens imóveis e a Lei 20.091, que estabelece o controle de contratos de adesão.
Diferentemente da legislação brasileira, o judiciário argentino sempre enxergou o consumidor como o elo mais frágil na relação de consumo, ainda que não houvesse uma proteção específica de forma mais geral. Passados alguns anos, em 1993 foi finalmente editada a Lei de Defesa do Consumidor com a Lei 24.240/93.
O desenvolvimento legal da questão na Argentina teve como fontes a própria Lei Brasileira e a Lei Espanhola. É importante ressaltar apenas que, segundo Perin Junior (2003), "a Lei Argentina tem a primazia no que tange à ordem pública, todavia, silencia quanto ao interesse social", diferentemente da Lei Brasileira.
Existem diversos aspectos da legislação Argentina que são importantes para o nosso estudo, vejamos eles de forma detalhada:
• Interpretação a favor do consumidor:
Segundo Cavalieri (2010, p. 201),
Lei Argentina é o fato de erigir em princípio de interpretação expressamente reconhecido no art. 3º, in fine, o in dubio pro consumptore. O Código de Defesa do Consumidor do Brasil tem dispositivo expresso de interpretação mais favorável ao consumidor, porém em relação a cláusulas contratuais. A Lei Argentina traz o dispositivo de modo a não suscitar dúvida de que o princípio se dirige a todas as relações entre fornecedor e consumidor, o que caracteriza um aperfeiçoamento não contido no Código Brasileiro.
O autor trouxe no trecho a diferença da proteção na questão da interpretação favorável ao consumidor: na legislação brasileira a proteção se resume as cláusulas contratuais e na legislação Argentina está presente em qualquer conflito em que o consumidor estiver envolvido.
• Objeto da Lei:
Assim como no Brasil, na Argentina o objeto da Lei é a defesa dos consumidores e usuários. Porém, quanto ao conceito de consumidor há uma grande diferença entre as duas legislações.
• Oferta e Publicidade:
Na legislação Argentina, a oferta e publicidade também possuem regulamentações distintas das brasileiras.
A oferta é dirigida a consumidores indeterminados e os obriga apenas durante um certo tempo, exigindo-se a data de início e a data limite da oferta, quando realizadas fora do local de comercialização, assim como outras informações como modalidade de oferta, condições e limitações. Caso a oferta seja feita no próprio local de comercialização, as datas de início e de fim da promoção se faz desnecessária. É importante frisar ainda que, neste caso, basta ser retirado o anúncio ou cartazes para que a oferta se dê por encerrada. Caso exista qualquer tipo de contradição quanto à oferta e sua interpretação, a interpretação será sempre favorável ao consumidor.
Segundo Cavalieri (2010, p. 213),
quanto à publicidade, a lei argentina não faz referência à publicidade enganosa ou abusiva, pois já há referência na Lei 22.802 - Lei de Lealdade Comercial. Todavia, o CDC brasileiro faz referência à publicidade enganosa ou abusiva expressamente.
Como existe um outro documento legal que tutela a publicidade, não foi inserida na proteção especifica ao consumidor.
Podemos citar ainda outros comparativos entre as duas legislações, como, por exemplo:
• A Lei Argentina não acolhe a chamada Desconsideração da Personalidade jurídica;
• A lei Argentina não traz tipos penais em seu conteúdo;
• A lei Argentina foi omissa na proteção ao consumidor quanto a cobrança de dívidas de forma vexatória.
Ao analisarmos as duas perspectivas, podemos concluir que o Código Brasileiro é mais abrangente no que tange os direitos consumeristas e permite uma defesa melhor em relação a legislação da Argentina. Em termos de lei, o Brasil está mais bem colocado diante do acesso à justiça e instrumentalização para a defesa dos direitos coletivos.
Fixação: O Brasil e a Argentina possuem uma série de diferenças em seu ordenamento consumerista. Cite duas delas.
Resp: Argentina: não acolhe a chamada desconsideração da personalidade jurídica e foi omissão na ´proteção ao consumidor quanto a cobrança de dívidas de forma vexatória.
Brasil: acolhe a chamada desconsideração da personalidade jurídica e é omissa na proteção ao consumidor quando a cobrança de dívida de forma vexatória, pode se falar que o CDC é mais abrangenteao defender o direito do consumidor.
Fixação: O direito brasileiro adota o nome consumidor para abranger também os usuários. Usuário é o nome específico do destinatário do serviço público. O direito argentino separa-os em:
Resp: consumidor e usuário (Correta. Considera consumidor uma figura e o usuário outra, porém com os mesmos direitos. Os consumidores ou usuários são pessoas físicas ou jurídicas que contratam a título oneroso, para consumo final, ou benefício próprio ou de seu grupo familiar ou social, desde que a oferta seja pública e dirigida a pessoas indeterminadas. )
A República do Uruguai, por sua vez, passou muitos anos sem proteção legal aos seus consumidores, pois acreditava que seria possível a criação do Regulamento Geral do Mercosul em um curto espaço de tempo, razão pela qual ficou esperando por sua efetivação.
Percebendo que a criação de uma legislação única para todo o bloco seria um pouco mais difícil do que imaginava, o país acabou por elaborar sua própria Lei em 1999: lei nº 17.189/99.
Vale destacar que o Uruguai foi o último dos países partes do Mercosul a promulgar a legislação de proteção ao consumidor. Foi publicada em 1999, entrando em vigor em 2000, com 52 artigos. Assim como a legislação Argentina e Paraguaia, é uma legislação não tão abrangente e completa como a brasileira.
Vejamos o comparativo de alguns pontos da lei uruguaia com a lei brasileira:
• A lei do Uruguai, assim como a nossa lei, também protege o consumidor para alcançar a ordem pública;
• Não apresenta em seu conteúdo a possibilidade da inversão do ônus da prova;
• A lista de práticas abusivas tem correspondência com o CDC do Brasil. Contudo, não referiu a Lei, entre outras, a exigência de vantagem manifestamente excessiva, a colocação de produto em desacordo com normas de órgão competente e nem o aumento injustificado de preços;
• É proibida a chamada publicidade abusiva. Por outro lado, não há previsões sobre publicidade enganosa;
• "A lei fixa o prazo de reclamação quanto aos vícios, que são decadenciais. Os vícios aparentes podem ser aceitos. O prazo para reclamar extingue-se em 06 meses da compra. Este prazo já constava no artigo 1726 do Código Civil. Não está esclarecida na Lei a natureza da responsabilidade pelo vício de qualidade ou quantidade" (CAVALIERI, 2010).
• A Lei uruguaia nos traz também ações coletivas para a proteção do consumidor.
Assista agora a videoaula "Legislação do Consumidor no Paraguai", e compreenda como ocorre a proteção ao consumidor nesse país.
Tratado de Assunção e Protocolo de Santa Maria
Segundo Marques (2014, p. 112),
O Tratado de Assunção foi assinado em 26/03/1991 pelo Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, instituiu o Mercosul e tem como objetivo a criação de um mercado comum visando o progresso econômico na região. Conforme o acordo, apenas em 31/12/1994 se estabeleceria um Mercado Comum. Neste sentido, é considerado um "tratado provisório" que viria a ser complementado pelo Protocolo de Brasília, de 1991 e o Protocolo de Ouro Preto, de 1994, também importantes instrumentos jurídicos deste processo de integração, e por outras legislações posteriores.
O Mercosul é considerado atualmente apenas um Mercado Comum, já que muitos de seus planos jamais saíram do papel.
Lima (1999, p. 20) nos diz o seguinte acerca desse Protocolo:
Uma vez incorporado ao ordenamento nacional, levará à revogação de garantias conquistadas no CDC brasileiro e na CF, devendo ser definitivamente recusado pelo governo brasileiro. O Mercosul é um processo de integração econômica comprometido com o desenvolvimento da região e não deve ser utilizado como pretexto para destruição das garantias fundamentais - direitos humanos - conquistadas ou para piorar a qualidade de vida, saúde e segurança do cidadão brasileiro.
Muito se tentou para que o bloco econômico pudesse ter algumas legislações e objetivos comuns,por exemplo, a defesa do consumidor, mas, poucos foram os avanços nesse sentindo. Porém, um dos bons resultados obtidos foi a criação do protocolo de Santa Maria. O referido protocolo foi responsável por criar normas sobre a resolução de conflitos consumeristas internacionais no Mercosul.
Segundo Cavalieri, (2010, p. 217), "o Protocolo de Santa Maria sobre Jurisdição Internacional em Matéria de relações de Consumo (PSM) significa um avanço em relação à tutela do consumidor no Mercosul.”
É importante observarmos que, embora tenha representado esse grande avanço, a criação do protocolo - acordado em 22/11/1996 -, ainda não está vigendo, pois aguarda a aprovação do chamado "Regulamento Comum Mercosul de Defesa do Consumidor" em sua totalidade, pelo Conselho Mercado Comum, além de sua incorporação aos ordenamentos jurídicos nacionais dos Estados Partes.
O Protocolo acabará com uma grande celeuma jurídica entre os países, que é exatamente a de identificação da jurisdição para cada conflito ocorrido. Atualmente, é usada a jurisdição de acordo com a regra do país de ocorrência, porém a ideia do protocolo é regulamentar a questão.
Vejamos alguns importantes trechos do Protocolo, como, por exemplo, o objeto de sua proteção ou o chamado âmbito material:
Artigo 1. Âmbito material. 1. O presente Protocolo tem como objeto determinar a jurisdição internacional em matéria de relações de consumo derivadas de contratos em que um dos contratantes seja consumidor, quando se tratar de: a) venda a prazo de bens móveis corpóreos; b) empréstimo a prazo ou outra operação de crédito ligada ao financiamento na venda de bens; c) qualquer outro contrato que tenha por objeto a prestação de um serviço ou fornecimento de bem móvel corpóreo. Este dispositivo se aplicará sempre que a celebração do contrato tenha sido precedida, no Estado do domicílio do consumidor, de uma proposta específica ou de uma publicidade suficientemente precisa e que o consumidor tenha realizado os atos necessários à conclusão do contrato. 2. Ficam excluídas as relações de consumo decorrentes de contratos de transportes.
Observe que o Protocolo define de forma exatas quais as relações são protegidas por sua jurisdição, excluindo apenas os contratos de transportes, pois os mesmos possuem regulamentação própria.
Uma outra informação importante está no art. 2, vejamos:
Artigo 2: Âmbito espacial. Protocolo se aplicará às relações de consumo que vinculem fornecedores e consumidores: a) com domicílio em diferentes Estados Partes do Tratado de Assunção; b) com domicílio em um mesmo Estado Parte, desde que a prestação característica da relação de consumo tenha ocorrido em outro Estado Parte.
O artigo 2 busca definir de forma clara quais as relações são vinculadas com base no domicílio dos consumidores e no local da ocorrência.
Infelizmente o protocolo ainda não se encontra em vigência, porém quando, e se sua efetividade ocorrer, os ganhos na proteção consumerista serão enormes.
Vale ressaltar que o protocolo somente não está vigendo atualmente em razão da grande polemica interna causada por seu Art. 18, que define que sua aprovação só se dará com a aprovação do Regulamento Interno Comum em sua totalidade, e o Brasil é um dos países que não o aprovou.
Apesar disso, outros avanços ocorreram na esfera consumerista no Mercosul, como, por exemplo:
• Assinatura da Resolução 42/98 que versa sobre garantias contratuais;
• Assinatura da Declaração Presidencial de Direitos Fundamentais do Consumidor do Mercosul, com o objetivo de resguardar os consumidores quanto a sua segurança.
Protocolo de Santa Maria:
Leia o Protocolo de Santa Maria sobre jurisdição internacional em matéria de relações de consumo completo, disponível em: <https://www.stf.jus.br/arquivo/cms/forumCorteSupremaNorma/forumCorteSupremaNorma_AP_75315.pdf>.
Tratado de Assunção:
Para ampliar seu conhecimento, leia o Tratado de Assunção, disponível em: <https://www.stf.jus.br/arquivo/cms/processoAudienciaPublicaAdpf101/anexo/Tratado_de_Assuncao..pdf>. Acesso em: 21 mai. 2017
Fixação: O Protocolo de Santa Maria é esperado pelos legisladores consumeristashá anos, mas infelizmente, apesar de pronto, ele ainda não foi aprovado. Explique o motivo da falta de aprovação.
Resp: é estabelecer a jurisdição internacional nas relações de consumo derivados de contratos, em que um contrata né um consumidor, quando se mencione: 1) à venda a prazos de bens móveis corporais; 2) ao empréstimo a prestações ou outra operação de crédito vinculada ao financiamento da venda dos citados bens; 3) a qualquer outro contrato que tenha por objeto a prestação de um serviço ou a provisão de objetos móveis corporais.
O consumidor no Protocolo de Santa Maria, não se avançou muito, uma vez que o direito substancial de acolhimento ao consumidor ainda não foi harmonizado no MERCOSUL. Brumana (2008, p. 65), acertadamente, critica esta situação afirmando que na prática não há razão para vincular o Protocolo ao Regulamento porque tratam de matérias distintas: o primeiro se refere à matéria processual enquanto que o segundo prevê o direito material.
Além do mais não exista um acordo em quanto ao estabelecimento do direito material para os consumidores do MERCOSUL, tal circunstância não deveria prejudicar a vigência de normas processuais que concederiam o efetivo exercício dos direitos dos consumidores, os quais são garantidos pelas leis de seus domicílios ou pelo direito indicado pela regra de conexão do MERCOSUL de aplicação do direito material do mercado de destino.
O certo é que esta circunstância se deve, principalmente, à ausência de consenso e pela inexistência de um verdadeiro mercado comum no MERCOSUL, o que impede o desenvolvimento desta inclusão regional
A busca da harmonização das Legislações do Consumidor:
Desde a assinatura do Tratado de Assunção, com o estabelecimento do chamado Mercosul, a tentativa de harmonizar as legislações consumeristas nos países signatários vem sendo amplamente debatida. A proteção do consumidor é considerada essencial para o desenvolvimento da integração no Mercosul, como afirmam o Estatuto da Cidadania do Mercosul e a Declaração Presidencial dos Direitos Fundamentais dos Consumidores do Mercosul.
De acordo com Ventura (2015, p. 123):
a harmonização legislativa tem o propósito de eliminar, ou ao menos reduzir, as assimetrias que os direitos internos dos países que fazem parte de um bloco regional podem ter. Tais assimetrias obstruem o alcance dos objetivos do bloco, tanto econômicos quanto sociais. Desta forma, a harmonização promove segurança jurídica, garantindo o funcionamento do mercado, sendo, assim necessária para a integração.
Essa redução seria um grande avanço e apoiaria e muito na melhoria do próprio bloco como um todo.
A Comissão de Comércio de Mercosul (CCM), criou em 1995 o Comitê Técnico de Defesa do Consumidor, cuja tarefa é harmonizar as legislações nacionais dos Estados - Membros do Mercosul. O Brasil é representado pelo Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor do Ministério da Justiça. Desde a sua criação, já tivemos grandes avanços, como, por exemplo, a Resolução 125/96 que dispõe sobre a Proteção à Saúde e Segurança do Consumidor. A referida Resolução estabeleceu que:
São Direitos Básicos do Consumidor: I - a proteção da vida, saúde e segurança contra os riscos provocados por práticas no fornecimento de produtos e serviços considerados perigosos ou nocivos; II - a educação e divulgação sobre o consumo adequado dos produtos e serviços, asseguradas a liberdade de escolha e o tratamento igualitário nas contratações; III - a informação suficiente e veraz sobre os distintos produtos e serviços; IV - a proteção contra a publicidade enganosa, métodos comerciais coercitivos ou desleais, no fornecimento de produtos e serviços, conforme os conceitos que se estabeleçam nos capítulos correspondentes do Regulamento Comum sobre Defesa do Consumidor; V - a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, relativos a direitos individuais e coletivos ou a interesses difusos; VI - o acesso aos órgãos judiciários e administrativos, com vistas à prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, relativos aos direitos individuais e coletivos ou aos interesses difusos, mediante procedimentos ágeis e eficazes, assegurada a proteção jurídica, administrativa e técnica aos necessitados; VII - a associação em organizações cujo objetivo específico seja a defesa do consumidor e a ser representado por elas; VIII - a adequada e eficaz prestação dos serviços públicos em geral, por fornecedores públicos ou privados [...]
Perceba que apesar de pouco, a definição comum de direitos básicos já representou um avanço inicial, além de demonstrar o real interesse do bloco em encontrar saídas para harmonizar suas legislações de forma a proteger o consumidor.
Fixação: De acordo com a Resolução 125/96, são direitos básicos do consumidor:
Resp: a proteção contra a publicidade enganosa, métodos comerciais coercitivos ou desleais, no fornecimento de produtos e serviços, conforme os conceitos que se estabeleçam nos capítulos correspondentes do regulamento comum sobre defesa do consumidor.
A tutela consumerista na União Europeia e no Mercosul:
Para aprofundar o seu conhecimento sobre as necessidades de harmonização do Mercosul, é importante que você leia o artigo "A tutela consumerista na União Europeia e no Mercosul" e possa traçar um paralelo com a forma com a qual a união europeia trata a questão. Disponível em: <https://www.ambito-juridico.com.br/site/index.php?artigo_id=4109&n_link=revista_artigos_leitura>. Acesso em: 21 mai. 2017.
Após esta Resolução, em 15 de dezembro de 2000, o maior dos avanços, até então, ocorreu com a criação e assinatura da "Declaração Presidencial dos Direitos Fundamentais dos Consumidores do Mercosul". A referida declaração trouxe as seguintes proteções:
a) à proteção eficaz da vida, da saúde e da segurança do consumidor e do meio ambiente contra os riscos provocados por práticas no fornecimento de produtos e serviços; b) ao equilíbrio nas relações de consumo, assegurado o respeito aos valores de dignidade e lealdade, com fundamento na boa fé, conforme a legislação vigente em cada Estado Parte; c) ao fornecimento de serviços - tanto públicos como privados - e produtos em condições adequadas e seguras; d) de acesso ao consumo com liberdade de escolha, sem discriminações e arbitrariedades; e) à efetiva prevenção e reparação por danos patrimoniais e extrapatrimoniais causados ao consumidor e à sanção dos responsáveis; f) à educação para o consumo e ao fomento no MERCOSUL do desenvolvimento de entidades que tenham por objetivo a defesa do consumidor; g) à informação suficiente, clara e veraz; h) à proteção contra a publicidade não permitida, conforme a legislação vigente em cada Estado Parte, de produtos e serviços; i) à proteção contra práticas abusivas e métodos coercitivos ou desleais; j) à proteção contra cláusulas contratuais abusivas, conforme a legislação vigente em cada Estado Parte; k) à facilitação do acesso aos órgãos judiciais e administrativos e a meios alternativos de solução de conflitos, mediante procedimentos ágeis e eficazes, para a proteção dos interesses individuais e difusos dos consumidores.
Perceba que já é possível compreender quais são as proteções básicas que o consumidor tem no âmbito do Mercosul e quais são as outras proteções que ele possui como sujeito da relação de consumo no bloco econômico.
Mercosul:
Para compreender melhor o assunto da unidade, leia o texto "Mercosul", disponível no site Brasil Escola, que lhe ajudará a compreender do que se trata o Mercosul. Link: <https://brasilescola.uol.com.br/geografia/mercosul.htm>. Acesso em: 21 mai. 2017.
Fixação: Órgão criado pela Comissão de Comércio de Mercosul - CCM, cuja tarefa é harmonizar as legislações nacionais dos Estados - Membros do Mercosul. O conceito apresentado se refere a:
Resp: Comitê Tecnico de defesa do Consumidor (correta: A Comissão de Comércio de Mercosul – CCM, criou em 1995 o Comitê Técnico de Defesa do Consumidor, cuja tarefa é harmonizar as legislações nacionaisdos Estados - Membros do Mercosul. O Brasil é representado pelo Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor do Ministério da Justiça)
Fixação:
1- Muito se tentou para que o bloco econômico pudesse ter algumas legislações e objetivos comuns como por exemplo a defesa do consumidor, mas, poucos foram os avanços nesse sentindo. Porém, um dos bons resultados obtidos foi a criação do
Resp: Protocolo de Santa Maria
2- Tem o propósito de eliminar, ou ao menos reduzir, as assimetrias que os direitos internos dos países que fazem parte de um bloco regional possuem. O trecho acima refere-se a:
Resp: harmonização da legislação
3- O presente Protocolo, parte integrante do Tratado de Assunção, entrará em vigor, com relação aos dois primeiros Estados Partes que o ratifiquem, trinta dias após o segundo país proceder ao depósito de seu instrumento de ratificação. Para os demais ratificantes, entrará em vigor no trigésimo dia posterior ao depósito do respectivo instrumento de ratificação. Sobre a vigência do protocolo de Santa Marina, assinale a alternativa correta:
Resp: não entrou em vigor até hoje
4- O Protocolo de Santa Maria acabará com uma grande celeuma jurídica entre os países que é exatamente a de identificação da jurisdição para cada conflito ocorrido. Atualmente, é usada a jurisdição de acordo com a regra do país de ocorrência, porém a ideia do protocolo é regulamentar a questão. Sobre as determinações previstas no protocolo, assinale a alternativa correta:
Resp; ficam excluídos da proteção do protocolo as relações de consumo decorrentes se contrato de transportes
5- A lista de práticas abusivas tem correspondência com o CDC do Brasil. Contudo, não referiu a Lei, entre outras, a exigência de vantagem manifestamente excessiva, a colocação de produto em desacordo.
Assinale a alternativa que contenha o País da Legislação acima:
Resp: Uruguai
Nota 80%
1- Não está entendido como consumidor o adquirente de coisas usadas; em relação aos imóveis, a proteção se limita aos novos, entendido como o que vai construir, está em construção ou nunca foi ocupado. Assinale a alternativa que contenha o país dos entendimentos citados acima:
resp: argentina
2- A Resolução 125/96 dispusera sobre a Proteção à Saúde e Segurança do Consumidor. A referida Resolução estabeleceu que são Direitos do consumidor:
I – a proteção contra a publicidade enganosa, métodos comerciais coercitivos ou desleais, no fornecimento de produtos e serviços, conforme os conceitos que se estabeleçam nos capítulos correspondentes do Regulamento Comum sobre Defesa do Consumidor;
II – o acesso aos órgãos judiciários com vistas à prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, relativos aos direitos individuais e coletivos ou aos interesses difusos, mediante procedimentos ágeis e eficazes, assegurada a proteção jurídica, administrativa e técnica aos necessitados, o mesmo não se aplicará aos órgãos administrativos.
III – a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, relativos a direitos individuais e coletivos ou a interesses difusos;
Assinale a alternativa que apresenta a(s) afirmativa(s) correta(s):
resp: I e III
3- Muito se tentou para que o bloco econômico pudesse ter algumas legislações e objetivos comuns como por exemplo a defesa do consumidor, mas, poucos foram os avanços nesse sentindo. Porém, um dos bons resultados obtidos foi a criação do:
resp: protocolo de santa maria
4- Na legislação Argentina, oferta e publicidade também possuem regulamentações distintas das brasileiras. Sobre a proteção da oferta e da publicidade Argentinas, analise as afirmativas a seguir:
I – A oferta é dirigida a consumidores indeterminados e os obriga apenas durante um certo tempo, exigindo-se a data de início e a data limite da oferta, quando realizadas fora do local de comercialização, assim como outras informações como modalidade de oferta, condições e limitações.
II – Caso a oferta seja feita fora do local de comercialização, a data de início e de fim da promoção se faz desnecessária.
III - Quanto à publicidade, a lei argentina não faz referência à publicidade enganosa ou abusiva, pois já há referência na Lei 22.802 – Lei de Lealdade Comercial. Todavia, o CDC brasileiro faz referência à publicidade enganosa ou abusiva expressamente.
Assinale a alternativa que contenha apenas a(s) afirmativa(s) correta(s):
Resp: I e III
5- É considerado um "tratado provisório" que viria a ser complementado pelo Protocolo de Brasília, de 1991 e o Protocolo de Ouro Preto, de 1994, também importantes instrumentos jurídicos deste processo de integração, e por outras legislações posteriores. Estamos falando do
Resp: tratado de assunção
Nota 100%