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Vigília & Sono Todos os vertebrados dormem: Privação do sono: Vigília: A vigília está associada com três efeitos principais: (1) Aumento do grau de atividade do cérebro, (2) transmissão aumentada de sinais do sistema reticular ativador (3) excitação do sistema nervoso simpático. O aumento da função cerebral é causado pelo grande número de impulsos que são transmitidos do centro da vigília do sistema, reticular ativador para o córtex cerebral e tálamo. Funções: Ramo Simpático: Quando uma pessoa é exposta a uma situação estressante, o sistema nervoso simpático é ativado, produzindo resposta conhecida como “luta ou fuga”, na qual se inclui a elevação da pressão arterial, aumento (+) do fluxo de sangue para os músculos ativos, + do metabolismo, + da concentração sangüínea de glicose, + da atividade mental e estado de alerta mais intenso. Embora essa reposta de “luta ou fuga” só seja utilizada raramente, o sistema nervoso simpático atua constantemente para modular e adaptar o funcionamento de diversos sistemas orgânicos, como o coração, os vasos sangüíneos, o trato gastrointestinal, os brônquios e as glândulas sudoríparas. Sistema reticular ativador (SARA): Tálamo BULBO PONTE MESENCÉFALO Visão dorsal do tronco encefálico humano. O cerebelo foi removido. Sistema Reticular Ativador (SARA): regula o tono cortical, estado de vigília-sono Sistema reticular ativador: =Noradrenalina =Serotonina Noradrenalina – locus ceruleus: Noradrenalina: Serotonina – núcleos da rafe: O núcleo dorsal da rafe (DR) foi tradicionalmente considerado como uma estrutura homogênea com um modo global de operação. The DR is a highly heterogeneous structure with distinct subregions differentially involved in stress paradigms and affective disorders (Lowry et al. 2008; Hale & Lowry (2011). Grupamentos colinérgicos no tegmento mesopontino: Ativação do córtex via uma via direta (Noradrenalina, Serotonina) e uma via indireta sobre o tálamo (Acetilcolina) e em particular o núcleo reticularis do tálamo. Eletroencefalograma- Ondas Cerebrais durante vigília e sono: O eletroencefalograma (EEG) primeiramente descrito pelo psiquiatra austríaco Hans Berger em 1929 é uma medida que permite de visualizar a atividade generalizada do córtex cerebral. Berger já observou que o EEG do sono e da vigília eram nitidamente diferentes. Hoje o EEG é usado principalmente para auxiliar no diagnóstico de certas condições neurológicas , especialmente crises de epilepsia e para investigar a qualidade do sono. Eletroencefalograma (EEG): EEG: Ondas parecem corresponder à somatória de milhares de potenciais pós-sinápticos em dendritos de neurônios piramidais do córtex cerebral. Durante uma crise epiléptica generalizada o EEG torna-se sincronizada de forma extrema: Lesão das vias leminiscais Lesão da FRM COMA VIGÍLIA / SONO 2 ritmos eletroencefalográficos fundamentais Sincronizado: Ondas de alta voltagem, baixa freqüência Dessincronizado: Ondas de baixa voltagem, alta freqüência vigília sono • Estimulação elétrica da FR Dessincronização do EEG Vigília, estado de alerta • Lesão da FR Coma Preparação cérebro isolado: Lesão A: Não há alterações do ciclo vigília-sono Lesão B: causa sincronização do EEG e Coma “Stimulation of the brain stem reticular formation evokes generalized desynchronization of the EEC, simulating the arousal reaction of sensory stimuli. The electrocortical arousal is mediated by an ascending system, which is still active after mid- brain interruption of the classical sensory path.” Giuseppe Moruzzi & Horace W. Magoun (1949) “Brain Stem Reticular Formation and Activation of the EEG” Resumo desses experimentos: - A lesão bilateral da formação reticular mesencefálica, localizada na região central do mesencéfalo, causa sincronização do EEG e Coma. - A estimulação elétrica da formação reticular mesencefálica em um animal sob anestesia local provoca o seu despertar acompanhado de dessincronização do EEG. -A lesão bilateral de regiões laterais do mesencefálo, por onde trafegam importantes vias sensoriais, não afeta o ciclo vigília-sono nem o EEG. 1. O sono não é um processo passivo, causado pela diminuição de influxos sensoriais, como proposto por Bremer 2. O sono é um processo ativo como mostrado por Moruzzi, Magoun e colaboradores. O sono: Durante distintas fases da vigília e do sono predominam distintos ritmos (alfa, beta, teta, delta) no EEG: Alpha (8-13 Hz) Theta (4-7 Hz) Delta (< 4 Hz) Stage 1 Stage 2 Stage 3 Stage 4 REM NREM O sono não é uniforme: Existem fases distintos, que podem ser categorizados como sono não-REM e sono REM no EEG. Eletroencefalograma: Vigilia: baixa voltagem, alta freqüência Sono não-REM: alta voltagem, baixa freqüência Sono REM: baixa voltagem, alta freqüência Fases do sono: Sono REM ou sono paradoxal: Movimentos oculares: freqüente Atividade muscular: muito baixo Batimentos cardíacos: alto Atividade respiratória: alto Ereção peniana: persistente Variação das fases ao longo da noite Variação ontogenética Acetilcolina alto 0 muito alto Noradrenalina muito alto alto 0 Serotonina muito alto alto 0 GABA/Galanina 0 alto alto Vermelho: Serotonina, Noradrenalina Azul: Acetilcolina Mecanismo da indução do sono REM See Saper lab Nature 2006 Sistema ativador: Doença de Narcolepsia: O hipotálamo como mediador entre as sistemas: Os sistemas ativador e desativador: VLPO = Ventrolateral preoptic nucleus TMN = Tuberomammilary nucleus LDT = Laterodorsal tegmental nucleus PPT = Pedunculopontine tegmental nucleus Estruturas envolvidas em mecanismos de vigília e sono: VLPO = Ventrolateral preoptic nucleus TMN = Tuberomammilary nucleus LDT = Laterodorsal tegmental nucleus PPT = Pedunculopontine tegmental nucleus O sistema desativador: Amines (locus coeruleus, dorsal raphe, tuberomammillary nucleus) Acetylcholine (LDT/PPT, basal forebr.) Orexin/Hypocretin GABA (ventrolateral preoptic nucleus) Wake Non-REM REM O O O O O Atividade de centros regulatórios do sono Orexin – Birth of a new neurotransmitter: HIPOTÁLAMO Corte transverso do hipotálamo Zona periventricular: neuroendócrina e autonômica Zona medial: comportamentos motivados Zona lateral: ciclo vigília-sono Núcleo arqueado III fórnix Eminência média amígdala Orexin: The orexins (also named hypocretins) were described by two groups in 1998, and comprise two distinct peptides (A and B, which are 33 and 28 amino acids in length, respectively) that have two distinct receptors. Orexin-expressing neurons are predominantly located in the posterior hypothalamus and extend dorsally, medially and laterally from the fornix. Although small in number, orexin neurons have extensive projections throughout CNS and affect a variety of homeostatic functions. Mutations in the genes encoding either prepro-orexin or the OXR2 receptor result in narcoleptic symptoms in mice and canines. In addition, narcoleptic patients have low or undetectable orexin levels in cerebrospinal fluid, and few if any orexin neurons. These results indicate that orexin neurons have roles in sleep–wake regulation, feeding and drug reward. Impaired orexin signaling and narcolepsy Daytime sleepiness Fragmented sleep Cataplexy Sleep paralysis Hypnagogic hallucinationsLoss of orexin neurons Humans Mice/Rats/Dogs Lack of orexin Loss of orexin neurons Lack of orexin receptors Narcolepsy Polysomnograms in control and untreated narcolepsy patient Adapted from Rogers et al. Sleep. 1994;17:590. Time of day C o n tr o l U n tr e a te d n a rc o le p s y Time of day 2000 2400 0400 0800 1200 1600 W REM 1 2 3/4 2000 2400 0400 0800 1200 1600 W REM 1 2 3/4 MT MT Loss of orexin in human narcolepsy Crocker, et al, 05 As orexinas inervam e ativam estruturas do sistema reticular ativador: Orexin may stabilize sleep/wake behavior Distúrbios do sono: 1. Insônia 2. Apnéia do sono 3. Síndrome das pernas inquietas 4. Narcolepsia O QUE É INSÔNIA? Caracteriza-se de diversas maneiras, podendo ser uma dificuldade em iniciar o sono, ter muitos despertares durante a noite, despertar muito cedo e não conseguir mais dormir, ou até mesmo, dormir uma quantidade normal porém acordar pela manhã mal, como se o sono não tivesse sido suficiente ou restaurador. Muitas pessoas referem acordar cansadas, com dores no corpo, irritadas, desanimadas e mal humoradas. POR QUE ALGUMAS PESSOAS DORMEM MAL? A insônia é a ponta de um enorme iceberg. Na realidade, a insônia é um sintoma e deve ser analisada sob três aspectos: físico, psicológico e social. Doenças físicas, assim como situações de ansiedade, depressão e ingestão de bebidas alcoólicas podem ocasionar noites mal dormidas. Problemas familiares, econômicos e profissionais podem prejudicar o sono. Freqüentemente as insônias são agravadas ou podem ser decorrentes de hábitos errados que adquirimos durante a vida. Geralmente é o conjunto de fatores que provocam dificuldades para dormir, sem falar na predisposição para se ter insônia. Freqüentemente quem sofre de insônia tem familiares com o mesmo problema. Awake Move REM Stg 1 Stg 2 Stg 3 Stg 4 SLEEP EFFICIENCY: 79.2% REM LATENCY: 49.0 min SLEEP LATENCY: 6.0 min % REM: 16.9 % STAGE 1: 17.0 % STAGE 2: 46.0 % STAGE 3: 0.0 % STAGE 4: 0.0 SOS: 01:04:00 TIME OF NIGHT WUT: 08:51:30 DEPRESSED PATIENT O receptor de GABA A: Sítio de ação dos benzodiazepinas Exemplos: Diazepam (Valium), Lorazepam Ritmos biológicos • Existem variações cíclicas de fenômenos geofísicos ambientais. • Como forma de adaptação aos fatores cíclicos ambientais os seres vivos desenvolveram uma distribuição temporal de suas funções. - Ritmos circadianos: período ~ 24h - Ritmos ultradianos: período < 24h - Ritmos infradianos: período > 24h • Esses ritmos são gerados por osciladores endógenos ou relógios biológicos. Existem ritmos circadianos para diversas funções fisiológicas: Bear et al., 2008 Temperatura corporal Hormônio de crescimento Alerta Cortisol Potássio Ritmos circadianos Podem ser sincronizado por fatores ambientais (Zeitgeber) O claro-escuro é o principal agente sincronizador. P = 24h A ritmicidade circadiana também existe quando as variações ambientais são removidas (em livre curso). P ~ 24h. Ritmo circadiano do ciclo vigília-sono Bear et al., 2008 A ordem temporal interna (relação temporal estável entre todas as funções) e a sincronização com o meio ambiente é necessário para a expressão funcional normal. Implicações: Trabalhadores em turno noturno, turno alternado, viagens frequentes transmeridianas. Ritmos Circadianos: Papel do núcleo supraquiasmático do hipotálamo como principal relógio biológico NSQ Luz Via retinohipotal. Regiões hipotalâmicas Glândula pineal Melatonina O hipotálamo: Papel do núcleo supraquiasmático Genes-relógio Alça de retroalimentação negativa: No NSQ e outras áreas do cérebro existem genes relógio produzindo proteínas que inibem transcrição adicional de si próprias. Um sistema de núcleos hipotalâmicos interligados é responsável para nossos principais ritmos circadianos: From: Saper (2013) Porque dormir ? Privação do sono: Nas fase de sono não-REM atividade elétrica reverberrante relacionado com eventos recentes. Na fase REM, ativação de fatores de transcrição e síntese protéica, o que induz plasticidade a longo prazo. Sono e consolidação de memória: Increase in Arc RNA expression in the CA1 pyramidal cell layer, 30 min after spatial water-task training. a and b show Arc RNA staining for a spatial water-task trained rat (A) and a caged control (B) Correlatos moleculares da aprendizagem: Expressão de genes de ativação imediata (immediate early genes): Arc, C-fos: Correlatos moleculares da aprendizagem: Formação de fatores de transcrição como o CREB A síntese protéica acontece principalmente durante o sono: Sidarta Ribeiro et al. Learn. Mem. 2004; 11: 686-696 Figure 3. (A) Experience-dependent up-regulation of zif-268 brain expression during REM sleep Qual é a função dos sonhos? Freud: Realização de desejos ocultos Hobson e McCarley: Associações e memórias do córtex cerebral causadas por descargas aleatórias da ponte durante o sono REM 2 tipos de sonhos: Fase REM Fases não-REM Sonhos – Fatos e Mitos: Fatos: A maioria dos sonhos acontece durante as fases REM. Os sonhos das fases REM são mais intensivos que os das fases não-REM, que tratam mais de aspetos cotidianas. Os sonhos de uma noite muitas vezes têm um único tópico. Lesões na parte ventral do córtex pré-frontal e no córtex parieto-temporal impedem todos os sonhos. Lesões no córtex de associação visual mas não no córtex visual primário impedem os componentes visuais dos sonhos A amigdala têm um papel chave nos sonhos que envolvem ansiedade. Mitos: Teorias de Freud ? Durante o sono REM, estruturas do sistema límbico estão fortemente ativadas: Possível papel dos sonhos: REM sleep benefits learning: