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FACULDADE DE TECNOLOGIA E CIÊNCIAS – FTC
ASPECTOS EMOCIONAIS ENVOLVIDOS NA DIFICULDADE DA APRENDIZAGEM EM CRIANÇAS
Feira de Santana
2012
RESUMO
A ideia desta investigação foi concebida como forma de uma metodologia de trabalho com pesquisa bibliográfica, teóricos e profissionais que se valem dos métodos e princípios teóricos da Psicologia com objetivo de analisar e entender os aspectos emocionais envolvidos nas dificuldades de aprendizagem em crianças. Além disso, busca averiguar possíveis causas e consequências das dificuldades de aprendizagem. Desse modo, o presente trabalho caracteriza-se como um estudo qualitativo e está sistematizado de forma que a revisão da literatura permita aos interessados pelo assunto manter contato com a extensão do problema e o contexto em que a pesquisa está inserida. O momento é mais do que adequado para se rever conceitos lançados na literatura, no tocante a esta problemática, e ainda alude para pesquisa, reflexão, e comparação entre as opiniões dos autores que escreveram sobre o assunto de maneira a sinalizar caminhos a serem percorridos, procurando soluções atinentes ao enfoque Os Aspectos Emocionais Envolvidos na Dificuldade de Aprendizagem em Crianças. Além disso, por meio de uma revisão da literatura, a importância da socialização para o desenvolvimento cognitivo com a ênfase recaindo sobre as relações estabelecidas na correlação entre dificuldades de aprendizagem e baixa sociabilidade. Este estudo, também, trata da afetividade e aprendizagem enquanto processo definido como resultado imprescindível a atender os anseios das crianças na aprendizagem. Uma vez que, entende-se por afetividade o processo no qual os elementos são reconhecidos como indivíduos autônomos em busca de suas emoções, o que dinamiza a condição do binômio ensino-aprendizagem. As pesquisas bibliográficas discorrem, também, quanto ao termo conceito de Dificuldades de Aprendizagem e as várias possibilidades de linhas de pesquisa assim optaram por investigar a dimensão do tema e suas várias significações.
PALAVRAS-CHAVE: Aprendizagem; Dificuldades de aprendizagem; emoções; socialização.
ABSTRACT
The idea of ​​this research was conceived as a form of methodology of work with literature, theorists and practitioners who use the methods and theoretical principles of psychology in order to analyze and understand the emotional aspects involved in learning difficulties in children. Moreover, it seeks to ascertain possible causes and consequences of learning disabilities. Thus, this work is characterized 
as a qualitative study and is systematized so that the review of the literature allows interested in the subject to keep in touch with the extent of the problem and the context in which research is embedded. The moment is more than adequate to review concepts introduced in the literature regarding this issue, and also refers to research, reflection, and comparison between the opinions of the authors who wrote about it in a way to signal paths to be followed, looking for solutions relating to the focus Emotional Aspects Involved in Learning Difficulty in Children. In addition, through a literature review, the importance of socialization to cognitive development with the emphasis falling on the relationships established in the correlation between learning difficulties and low sociability. This study also deals with the affection and learning as a process defined as a result essential to meet the wishes of children in learning. Once, we understand the process by affectivity in which elements are recognized as autonomous individuals in search of his emotions, which streamlines the condition of the binomial teaching and learning. The bibliographic discourse, too, about the concept of thermo-Learning Difficulties and the various lines of research opportunities as well have chosen to investigate 
the size of the theme and its various meanings.
KEYWORDS: Learning; Learning difficulties; emotions; socialization.
SUMÁRIO
	1
	INTRODUÇÃO
	08
	2
	O PROCESSO DE APRENDIZAGEM
	10
	2.1
	Um Contínuo Fazer-se
	10
	2.1.2
	Diferença Entre Transtornos, Distúrbios e Dificuldades de Aprendizagem
	11
	2.1.3
	Transtornos de Aprendizagem
	13
	2.1.4
	O Que é Distúrbio de Aprendizagem?
	14
	2.1.5
	Dificuldades de Aprendizagem
	17
	3
	POSSÍVEIS CAUSAS DAS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM 
	21
	3.1
	Consequências das Dificuldades de Aprendizagem
	22
	4
	ASPECTOS EMOCIONAIS ENVOLVIDOS NAS DIFICULDADES DA
APRENDIZAGEM
	25
	5
	ASPECTOS AFETIVO-EMOCIONAIS PRESENTES NA DIFICULDADE DE APRENDIZAGEM
	27
	5.1
	Aprendizagens, Dificuldades de Aprendizagem e Afetividade
	28
	5.2
	Dificuldades de Aprendizagem e a Família
	31
	6
	CONSIDERAÇÕES FINAIS
	32
	
	REFERÊNCIAS
	34
1 INTRODUÇÃO
O presente trabalho se propõe a estudar aspectos emocionais envolvidos nas dificuldades da aprendizagem em crianças e tem como objetivo principal identificar as possíveis causas e consequências presentes no processo de aprendizagem em crianças.
Sabe-se que a aprendizagem é um processo dinâmico que determina uma mudança, com a particularidade de que o processo supõe um processamento da realidade e de que a mudança no sujeito é um aumento qualitativo na sua possibilidade de atuar sobre ela. Por meio da aprendizagem, o sujeito se incorpora ao mundo cultural, com uma participação ativa ao se apropriar de conhecimentos e técnicas, construindo em sua interioridade um universo de representações simbólicas.
Segundo Fernández (1991) todo o indivíduo tem a sua modalidade de aprendizagem, ou seja, meios, condições e limites para conhecer. Cada ser humano é uma criação única, possuem uma série de talentos, capacidades e maneiras de aprender. Cada um apóia em diferentes sentidos para captar e organizar a informação, para aproximar dos objetos de conhecimento. 
 A aquisição do aprendizado e do conhecimento depende da capacidade para suportar tensão e frustração na aquisição do novo. Portanto, é fundamental que se tenha a preocupação de procurar entender a gênese do fenômeno: se as dificuldades apresentadas pela criança são expressões de conflitos emocionais da criança, da família, do meio sócio-cultural ou uma resultante de um conjunto no qual a criança é o emergente, o sintoma de uma rede complexa de relações perturbadoras que interferem no processo de aprendizagem.
As dificuldades de aprendizagem podem ter causas específicas que levam a problemas emocionais. Mas o inverso também é verdadeiro, questões emocionais gerando dificuldades específicas. As dificuldades de aprendizado podem ser a expressão de sintomas de conflitos psíquicos inconscientes decorrentes de inibições, repressões, cisões, projeções, ansiedades, fobias que interferem nos processos de aprendizagem. Há casos cuja dificuldade de aprendizagem é consequente a não aquisição ou à aquisição deficitária ou distorcida na construção do mundo interno. Os distúrbios da aprendizagem se manifestam, com frequência, sobre aquelas funções em amplo desenvolvimento por estarem recebendo maior investimento afetivo. Dessa forma, mesmo sabendo que a capacidade de aprendizagem do indivíduo é ilimitada, a dificuldade em aspectos como inteligência, motivação, maturação, percepção, que também estão ligados ao seu estado orgânico e emocional, acaba por com prometer o potencial de aprendizado da criança, levando-o a apresentar dificuldades nesse processo.
As crianças com quadro emocional abalado apresentam comportamentos que lhe são bastante peculiares. Elas mostram sinais de dependência e de instabilidade emocional (insegurança, ansiedade, fragilidade de autoconfiança). Sua conduta social apresenta muitas dificuldades de ajustamento à realidade e problemas de comunicação, assim como também experimentam problemas de organização do tempo e do espaço e raramente pensam antes de agir. O encorajamento e a estimulação são essenciais para que haja mudança de comportamento. 
Portanto, para que haja aprendizagem, o ser humano precisa estar em condições de fazer um investimento pessoal em direção ao conhecimento. Esse investimento,por sua vez, está diretamente ligado aos recursos pessoais mesclados às possibilidades afetivas. Desta maneira, não basta a criança ser saudável para que haja aprendizagem, esta vai acontecendo proporcionalmente também à medida em que ela constrói uma série de significados que resultam das interações que ela faz e continua fazendo em seu contexto socioafetivo. 
Desse jeito, a problemática emocional está ligada aos conflitos interiores e dispersão do indivíduo, o que dificulta sua interação com o meio, prejudica sua capacidade de atenção, concentração e de relacionamento interpessoal. Na maioria dos casos não são as falhas do ponto de vista cognitivo, mas sim a ausência de um bem-estar emocional que cria a indisponibilidade interior para manter vivo o desejo de conhecer e o prazer de aprender.
Nesse contexto, este estudo pretende destacar alguns elementos considerados de grande relevância, visto que envolvem os aspectos emocionais no concernente às dificuldades de aprendizagem. Nesse ângulo de visão encadeia-se a pesquisa e investigação para o estudo questionando de que modo os problemas emocionais interferem no processo de aprendizagem.
2 O PROCESSO DE APRENDIZAGEM
 2.1 Um Contínuo Fazer-se
Falar de aprendizagem é sempre uma tarefa árdua dada à complexidade do tema em questão. Sendo assim, não se tem neste estudo a pretensão de esgotar as discussões acerca deste assunto. O que se pretende aqui é levantar dados que ajudem a compreender a necessidade da conquista da aprendizagem significativa. 
Na teoria vygotskyana, a aprendizagem se dá por meio da relação direta e indireta que a criança tem com o meio em que vive. Vygotsky (1991, p.97) diz que: “O nível de desenvolvimento potencial é determinado através de solução de problemas sob a orientação de um adulto ou em colaboração de companheiros mais capazes”. 
Vê-se assim que a aprendizagem é um fenômeno extremamente complexo, envolvendo aspectos cognitivos, emocionais, orgânicos, psicossociais e culturais. 
A aprendizagem ou ato de aprender é conceituado por vários autores e teóricos como o objetivo final da assimilação de algo intimamente ligado ao individuo que se propõe a estar aprendendo, para Cunha e Ferla (2002), os objetivos da aprendizagem vão bem além do ato de aprender, significa a ligação direta entre o processo de transformação pessoal ao objetivo final de cada individuo, ou melhor,a aprendizagem é resultante do desenvolvimento de aptidões e de conhecimentos, bem como da transferência destes para novas situações. A aprendizagem está envolvida em múltiplos fatores, que se implicam mutuamente e que embora possamos analisá-los separadamente, fazem parte de um todo que depende, quer na sua natureza, quer na sua qualidade, de uma série de condições internas e externas ao sujeito. Embora se tente definir e especificar o que é uma Dificuldade de Aprendizagem, não existe ainda uma definição consensual acerca dos critérios e nem mesmo do termo. O termo Dificuldade de Aprendizagem é definido pelo Instituto Nacional de Saúde Mental (EUA) da seguinte forma:
Dificuldade de Aprendizagem é uma desordem que afeta as habilidades pessoais do sujeito em interpretar o que é visto, ouvido ou relacionar essas informações vindas de diferentes partes do cérebro. Essas limitações podem aparecer de diferentes formas: dificuldades específicas no falar, no escrever, coordenação motora, autocontrole, ou atenção. Essas dificuldades abrangem os trabalhos escolares e podem impedir o aprendizado da leitura, da escrita ou da matemática. Essas manifestações podem ocorrer durante toda a vida do sujeito, afetando várias facetas: trabalhos escolares, rotina diária, vida familiar, amizades e diversões. Em algumas pessoas as manifestações dessas desordens são aparentes. Em outras, aparece apenas um aspecto isolado do problema, causando impacto em outras áreas da vida. Cunha e Ferla (2002, p.127).
Em nossos dias, as Dificuldades de Aprendizagens ocorrem considerando as alterações e os distúrbios em qualquer aspecto - biológico psicológico e social - de certas crianças.
Dessa maneira, os comportamentos e as perturbações que acompanham o insucesso no processo de aprendizagem são tão diversos e múltiplos que a procura do seu sentido nunca é fácil. Contudo, quando esse insucesso é profundo, quando se mostra resistências às ajudas personalizadas, temos a impressão de voltar sempre à mesma razão, que não podemos dizer única, mas sim essencial: algumas crianças perante a situação de aprendizagem veem despertar medos e emoções que as desestabilizam. Estas crianças organizaram-se psiquicamente face às condições de vida em que se deu o seu desenvolvimento, e essa organização pessoal cheia de carências ao nível afetivo, não é compatível com o processo de aprendizagem. Seria louvável, partir também para premissa de que a própria criança, suas interpretações, seus comentários e seus questionamentos fornecem a chave para o entendimento da construção da aprendizagem. Em vista disso, (PIAGET, 2000) asseverou que “a criança, e não as perguntas formuladas é a fonte primária de dados para o estudo de seu desenvolvimento intelectual”. Vale ressaltar, que o processo ensino-aprendizagem é um processo construído sociointeracionalmente, entre ensinante/aprendente/meio, a fim de que todos os componentes possam desfrutar do processo cognitivo, que é o processo de aprendizagem. 
2.1.2 Diferença Entre Transtornos, Distúrbios e Dificuldade de Aprendizagem 
A criança com dificuldades de aprendizagem apresenta diferentes características como identificar, discriminar e interpretar estímulos. Em relação ao processo perceptivo envolve processos de recepção, transdução e integração de informação. Para que ocorra a percepção é necessário que se opere uma estimulação sensorial que está em causa. A percepção é resultante de processos de seleção e de interpretação operados no cérebro. O desenvolvimento perceptivo-visual normal emerge da multiintegração de processos sensório-motores.
Segundo Moojen (1999), os termos distúrbios, transtornos, dificuldades e problemas de aprendizagem têm sido utilizados de forma aleatória, tanto na literatura especializada como na prática clínica e escolar, para designar quadros diagnósticos diferentes. A relação entre os processos de dificuldades de aprendizagem estão interligados, pois a criança ao demonstrar problemas de aprendizagem acaba afetando outro sistema. Ao referir-se a essas diferenças Campos (2002, p.147) diz que:
Observa-se na própria vida, pessoas que aprendem mais depressa do que outras; que apreciam mais as aulas de línguas do que as de matemática; que precisam mais atenções do professor ou dos pais do que os outros; que revelam qualidade de liderança, ao passo que outros preferem ser liderados; que são mais motivados para as tarefas escolares ou para a luta da vida que outros; enfim,pessoas que diferem, não só em funções e atividades especiais, como nas formas globais de comportamento, nas reações da personalidade.
O estudo do processo de aprendizagem humana e suas dificuldades são desenvolvidos nessa pesquisa bibliográfica, levando-se em consideração as realidades interna e externa, utilizando-se de vários campos do conhecimento, integrando-os e sintetizando-os. Procurando compreender de forma global e integrada os processos cognitivos, emocionais, orgânicos, familiares, sociais e pedagógicos que determinam à condição do sujeito e interferem no processo de aprendizagem, possibilitando situações que resgatem a aprendizagem em sua totalidade. Nesse panorama, sendo a aprendizagem um processo constituído por diversos fatores, é importante ressaltar que além do aspecto fisiológico referente ao aprender, como os processos neurais ocorridos no sistema nervoso, as funções psicodinâmicas do indivíduo necessitam apresentar certo equilíbrio, sob a forma de controle e integridade emocional para que ocorra a aprendizagem. Entretanto, "o desenvolvimento harmonioso da aprendizagem representa um ideal, uma norma utópica, mais do que uma realidade. Dessa forma, o normal e opatológico na aprendizagem escolar, assim como no equilíbrio psicoafetivo, não podem ser considerados como dois estados distintos um do outro, separados com rigor por uma fronteira ou um grande fosso” (AJURIAGUERRA E MARCELLI IN MOOJEN, 2001). 
Apesar disso, é importante estabelecer uma diferenciação entre o que é um Transtorno de Dificuldade de aprendizagem e o que é um quadro de Distúrbio de Aprendizagem e dificuldade de aprendizagem.
2.1.3 Transtornos de Aprendizagem
Em uma literatura especializada a palavra transtorno:
O termo “transtorno” é usado por toda a classificação, de forma a evitar problemas ainda maiores inerentes ao uso de termos tais como “doença” ou “enfermidade”. “Transtorno” não é um termo exato, porém é usado para indicar a existência de um conjunto de sintomas ou comportamentos clinicamente reconhecível associado, na maioria dos casos, a sofrimento e interferência com funções pessoais (CID - Comportamento da Classificação Internacional de Doenças 10, 1992: 5).
O termo Transtorno de Aprendizagem situa-se na categoria dos transtornos geralmente diagnosticados pela primeira vez na infância ou adolescência, a origem dos transtornos ou problemas de aprendizagem não se relaciona apenas à estrutura individual da criança, mas também à estrutura social a que a criança está vinculada. A verdadeira etiologia dos Transtornos de Aprendizagem ainda não foi esclarecida pelos cientistas, embora existam algumas hipóteses sobre suas causas:
· Falta de oportunidade de aprender;
· Descontinuidades educacionais resultantes de mudanças de escola;
· Traumatismos ou doença cerebral adquirida;
· Comprometimento na inteligência global;
· Comprometimentos visuais ou auditivos não corrigidos;
Atualmente, acredita-se na origem dos Transtornos de Aprendizagem a partir de distúrbios na interligação de informações em várias regiões do cérebro, os quais podem ter surgido durante o período de gestação. Assim, é necessário que ao se fazer uma avaliação de um quadro de Transtorno de Aprendizagem, o profissional esteja atento para identificar se existem fatores psicológicos que contribuem para a manutenção do problema.
2.1.4 O Que é Distúrbio de Aprendizagem?
Etimologicamente, a palavra distúrbio compõe-se do radical turbare e do prefixo dis. O radical turbare significa “alteração violenta na ordem natural” e pode ser identificado também nas palavras turvo turbilhão, perturbar e conturbar.
Acerca da evidência concreta de organização relacionada ao distúrbio de aprendizagem, estudiosos afirma que, apesar de não ser necessário que tal evidência esteja presente, é necessário que, pelo menos, uma disfunção do sistema nervoso central seja a causa suspeita para que o distúrbio possa ser diagnosticado.
Designam-se crianças que apresentam dificuldades de aquisição de matéria teórica, embora apresentem inteligência normal, e não demonstrem desfavorecimento físico, emocional ou social. Segundo essa definição, as crianças portadoras de distúrbio de aprendizagem não são incapazes de aprender, pois os distúrbios não é uma deficiência irreversível, mas uma forma de imaturidade que requer atenção e métodos de ensino apropriados. Os distúrbios de aprendizagem não devem ser confundidos com deficiência mental.
Considera-se que uma criança tenha distúrbio de aprendizagem quando: 
a) Não apresenta um desempenho compatível com sua idade quando lhe são fornecidas experiências de aprendizagem apropriadas;
b) Apresenta discrepância entre seu desempenho e sua habilidade intelectual em uma ou mais das seguintes áreas; expressão oral e escrita, compreensão de ordens orais, habilidades de leitura e compreensão e cálculo e raciocínio matemático.
Além disso, costuma-se considerar quatro critérios adicionais no diagnóstico de distúrbios de aprendizagem. Para que a criança possa ser incluída neste grupo, ela deverá: 
a) Apresentar problemas de aprendizagem em uma ou mais áreas;
b) Apresentar uma discrepância significativa entre seu potencial e seu desempenho real;
c) Apresentar um desempenho irregular, isto é, a criança tem desempenho satisfatório e insatisfatório alternadamente, no mesmo tipo de tarefa;
d) O problema de aprendizagem não é devido a deficiências visuais, auditivas, nem a carências ambientais ou culturais, nem problemas emocionais.
Principais distúrbios de aprendizagem:
DISLEXIA
Refere-se à falha no processamento da habilidade da leitura e da escrita durante o desenvolvimento, é um atraso no desenvolvimento ou a diminuição em traduzir sons em símbolos gráficos e compreender qualquer material escrito. São de três tipos: visual, mediada pelo lóbulo occipital fonológica, ediada pelo lóbulo temporal; e mista, com mediação das áreas frontal, occipital, temporal e pré-frontal. Para bem definir o que é Dislexia, é preciso que melhor se possa entender o ser humano, como ele aprende e o porquê de seu modo peculiar de aprender. Isto também acontece porque o profissional engajado em diferentes áreas da educação e da saúde e envolvido em pesquisas sobre facilidades e dificuldades de aprendizado, aborda o problema sob ângulos diferenciados e pelo enfoque de sua área específica de análise, acrescido de seu grau pessoal de conhecimento e sensibilidade,
... a dislexia é um termo que se refere às crianças que apresentam sérias dificuldades de leitura e, consequentemente de escrita, apesar de seu nível de inteligência ser normal ou estar acima da média. Por outro lado, a criança dislexia não apresenta distúrbios a nível sensorial ou físico, a nível emocional, ou desvantagens sócio-econômicas, culturais ou instrucionais, que possam ser causas das dificuldades para aprender a ler (MORAIS, 1997, p.24).
Esta síndrome pode ser entendida por um conjunto de sintomas, em geral de origem hereditária ou poucas vezes adquirida, que acarreta a aprendizagem de leitura no seu desenvolvimento, afetando também a aprendizagem da escrita: ortografia; gramática; produção textual. Os meninos são os mais afetados em relação às meninas. A dislexia apresenta-se de forma leve ou severa de acordo com a incidência dos sintomas. Percebe-se então, que existem cerca de 40 definições propostas para responder o que é Dislexia, porém nenhuma delas universalmente aceita.
Uma das melhores definições sobre Dislexia é a do Comitê da Internacional Dyslexia Association de abril de 1984 (IDA), apud Rita de Cássia Rocha Soares Chardelli, 2005, 
Dislexia é um dos muitos distúrbios de aprendizagem. É um distúrbio específico da linguagem, de origem constitucional, caracterizado pela dificuldade de decodificar palavras simples. Mostra uma insuficiência no processo fonológico. Estas dificuldades de decodificar palavras simples não são esperadas em relação à idade. Apesar de submetida à instrução convencional, adequada inteligência, oportunidade sócio-cultural e não possuir distúrbios cognitivos e sensoriais fundamentais, a criança falha no processo de aquisição da linguagem. A dislexia é apresentada em várias formas de dificuldades com as diferentes formas de linguagem, freqüentemente incluídos problemas de leitura, em aquisição e capacidade de escrever e soletrar.
A dislexia também afeta a criança emocionalmente, fazendo com que a mesma se sinta triste, deprimida e culpada, devido o temor de fracassar mediante as dificuldades, outras características apresentadas neste aspecto são: agressividade diante seus professores e colegas; antipatia e repulsa a leitura. Todos estes sintomas emocionais levam a uma baixa autoestima por parte do disléxico, afastando-se da aprendizagem (CORRÊA E CORRÊA, 2004).
DISGRAFIA
É uma deficiência na linguagem escrita, mais precisamente na qualidade do traçado gráfico, sem comprometimento neurológico e/ou intelectual. Nas disgrafias, também encontramos níveis de inteligência acima da média, mas por vários motivos, apresentam escrita ilegível ou lenta. A ‘letra feia’ (disgrafia) está ligada à dificuldades para recordar a grafia correta para representar um determinado som ouvido , ou elaborado mentalmente.A criança, escreve devagar, retocando as letras, e realizando de forma inadequada as uniões entre as mesmas.
Normalmente as amontoa, com o objetivo de esconder os erros ortográficos. Assim como a dislexia, a disgrafia também está relacionada à má organização de espaço temporal, fazendo com que uma organização de caderno, por exemplo, seja ‘inexistente’, (usa espaços inadequados entre as palavras, margens inexistentes, letras deformadas, escrita ascendente ou descendente, etc.). (CORRÊA E CORRÊA, 2004).
DISCALCULIA 
A discalculia é a dificuldade ou a incapacidade de realizar atividades aritméticas básicas, tais como quantificação, numeração ou cálculo. 
A discalculia é causada por disfunção de áreas têmporo–parietais, muito compatível com o exame clínico do TDAH.
Vale lembrar que alguns indivíduos têm menos aptidão para matemática do que outros, e nem por isso pode-se diagnosticá-los como se tivessem discalculia.
A discalculia está quase sempre associada à quadros de dislexia e do TDAH. (onde se encontram indivíduos com QI acima da média.) (CORRÊA E CORRÊA, 2004).
2.1.5 Dificuldades de Aprendizagem
Sabe-se que "aprendizagem é a aquisição de conhecimentos ou de especialização" Mas qual é o processo de aprender? Refere que a aprendizagem é "uma mudança permanente de comportamento, resultante de exposição a condições do meio ambiente” Prestar atenção, compreender, aceitar, reter, transferir e agir são alguns dos componentes principais da aprendizagem. (TRAISVERS, 1977, p.41). Às vezes, esse processo não transita como deveria então se dá o que os estudiosos chamam de Dificuldades de Aprendizagem. A expressão dificuldades de aprendizagem é atualmente usada para descrever uma perturbação que interfere com a capacidade para guardar, reter, processar ou produzir informação.
De acordo com Luiz de Miranda Correia (1983),
O termo 'dificuldade de aprendizagem' começou a ser usado na década de 60 e até hoje - na maioria das vezes - é confundido por profissionais como uma simples desatenção em sala de aula ou 'espírito bagunceiro' das crianças. Mas a dificuldade de aprendizagem refere-se a um distúrbio - que pode ser gerado por uma série de problemas cognitivos e/ou emocionais - que pode afetar qualquer área do desempenho escolar. Segundo especialistas, as crianças com dificuldades de aprendizagem podem apresentar desde cedo um maior atraso no desenvolvimento da fala e dos movimentos do que o considerado 'normal'. 
Na compreensão do estudo das grandes dificuldades, Perrenoud (2009, p.132) aponta para a criança com dificuldade como aquele que não construiu ou que construiu mal as operações, as estruturas lógicas ou as abstrações que constituem seu pensamento. Assim, quando não há acompanhamento ou intervenção pedagógica, o aluno corre o risco de fixar a dificuldade, transformando-a em um problema complexo de difícil solução. A dificuldade de aprendizagem, não tem causa única que a determine, mas há uma conjugação de fatores que agem frente a uma predisposição momentânea da criança. Alguns estudiosos enfatizam os aspectos afetivos, outros preferem apontar os aspectos perceptivos, muitos justificam esse quadro alegando existir uma imaturidade funcional do sistema nervoso. Ainda há os que sustentam que essas crianças apresentam atrasos, demonstrando fatores como a falta de interesse, perturbação emocional ou inadequação metodológica.
Pain (1981, citado por RUBINSTEIN, 1996) considera a dificuldade de aprendizagem como um sintoma, que cumpre uma função positiva tão integrativa como o aprender, e que pode ser determinado por:
Fatores orgânicos: relacionados com aspectos do funcionamento anatômico, como o funcionamento dos órgãos dos sentidos e do sistema nervoso central;
Fatores específicos: relacionados às dificuldades específicas do indivíduo, os quais não são passíveis de constatação orgânica, mas que se manifestam na área da linguagem ou na organização espacial e temporal, dentre outros;
Fatores psicógenos: é necessário que se faça a distinção entre dificuldades de aprendizagem decorrentes de um sintoma ou de uma inibição. Quando relacionado ao um sintoma, o não aprender possui um significado inconsciente; quando relacionado a uma inibição, trata-se de uma retração intelectual do ego, ocorrendo uma diminuição das funções cognitivas que acaba por acarretar os problemas para aprender;
 Fatores ambientais: relacionados às condições objetivas ambientais que podem favorecer ou não a aprendizagem do indivíduo.
A crença de que as dificuldades comportamentais prejudicam o autoconceito das crianças requer uma análise mais detalhada do contexto de inserção social destas. Assim, ressalta-se a importância de instrumentar as intervenções junto às crianças com recursos que viabilizem o processo de ensino-aprendizagem, de modo a potencializar os resultados quanto ao desempenho de crianças que possuam certas dificuldades (MIRANDA, 2000, p.201). 
Segundo Silvia Ciasca (2003), a Dificuldade de Aprendizagem é compreendida como uma “forma peculiar e complexa de comportamentos que não se deve necessariamente a fatores orgânicos e que são por isso, mais facilmente removíveis”. Ela ocorre em razão da presença de situações negativas de interação social. Caracteriza-se fundamentalmente pela presença de dificuldades no aprender, maiores do que as naturalmente esperadas para a maioria das crianças e por seus pares de turma e é em boa parte das vezes, resistente ao esforço pessoal e ao de seus professores, gerando um aproveitamento pedagógico insuficiente e autoestima negativa. O termo dificuldade de aprendizagem tem se mostrado um assunto que ainda gera discussões e dificuldades na sua conceituação, visto que as diferenças físicas e psicológicas são perceptíveis em qualquer lugar que olhamos. Assim, uma dificuldade de aprendizagem – seja ela acadêmica ou não – é definida quando a criança não se ajusta aos padrões de comportamento de outras crianças da mesma faixa etária.
Pela análise da literatura existente neste campo, acredita-se que as dificuldades de aprendizagem surgem, por exemplo, a partir de:
- Mudanças repentinas de escola, de cidade, de separações;
- Problemas sócios culturais e emocionais;
- Desorganização na rotina familiar, excesso de atividades extracurriculares, pais muito ou pouco exigentes);
- Envolvimento com drogas, separações;
- Efeitos colaterais de medicações que causam hiperatividade ou sonolência, diminuindo a atenção da criança;
- encontramos assim crianças com baixo rendimento em decorrência de fatores isolados ou em interação.
Pode ser percebida pela professora e diagnosticada por profissionais especializados já na pré-escola. Pode ser evitada tomando-se cuidado em respeitar o nível cognitivo da criança e permitindo que esta possa interagir com o conhecimento: observar, compreender, classificar, analisar, etc.
No Transtorno de aprendizagem, há a presença de uma disfunção neurológica, que pode envolver imaturidade, lesões específicas do cérebro, fatores hereditários e ou disfunções químicas. Devido à forma irregular que as habilidades mentais se desenvolvem, aparecem discrepâncias marcantes entre a capacidade e a execução nas tarefas acadêmicas.
3. POSSÍVEIS CAUSAS DAS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM
A literatura sobre a dificuldade de aprendizagem foi escassa durante muitos anos devido à falta de recursos. Porém, atualmente investigação mais detalhada atem-se a avaliar com mais precisão os problemas associados à dificuldade de aprendizagem no que concerne os aspectos emocionais que envolvem este processo.
Ainda que a Dificuldade de Aprendizagem em criança, seja leve, moderada ou grave precisa ser reconhecida com suas necessidades e possibilidades, uma vez que hoje é muito comum vermos crianças e adolescentes sendo rotulados com estas dificuldades apenas porque apresentam alguma agitação, nervosismo e inquietação, fatores que podem advir de causas emocionais. Nesse universo, os professores são sem dúvida profissionais muitoimportantes no processo de identificação e descoberta destes problemas, porém não possuem formação específica para fazer tais diagnósticos, que devem ser feitos por médicos especialistas ou psicólogos. 
Em vista disso, há de se saber determinar as causas por detrás dos problemas de aprendizagem, e concomitante a isto ter as ferramentas corretas para corrigir essas causas. Nessse decurso, ao ser detectada uma dificuldade de aprendizagem, a criança deve ser avaliada por um profissional, a fim de detectar a causa do problema. Se a etiologia da dificuldade de aprendizagem for algum quadro psicológico e/ou psiquiátrico, é esse problema que deverá ser tratado prioritariamente. Em alguns casos, a dificuldade de aprendizagem tende a ser solucionada à medida que ocorre a superação do problema psicológico. No entanto, as pesquisas ressaltam que os problemas de dificuldades, não são impossíveis de solucionar, porém devem ser encarados da melhor forma possível reconhecendo as possíveis causas das dificuldades que podem advir de fatores orgânicos ou mesmo emocionais sendo importante a descoberta a fim de auxiliar o desenvolvimento do processo de forma contextualizada. 
Portanto, antes de procurar um profissional para identificar o tipo de Dificuldade de Aprendizagem, os pais devem refletir sobre possíveis causas apresentadas pelos filhos, que podem ser desde um problema familiar, escolar, social, genético, orgânico da própria criança como também pelas combinações destes fatores. Além do mais, caso a criança necessite realmente de uma opinião profissional sobre suas dificuldades no processo de ensino e aprendizagem os pais, em um primeiro momento, devem procurar uma equipe multidisciplinar para uma investigação ampla sobre o conhecimento da criança. Esta equipe multidisciplinar normalmente é composta por diferentes profissionais como psicólogo, neuropsicólogo, fonoaudiólogo, psicopedagogo, pediatra, neuropediatra, oftalmologista e, se necessário, um neurologista.
Como diz Scoz (2007), os desafios colocados para a criança devem ser uma forma de contribuição, para que ela passe pelo processo de ensino-aprendizagem sem nenhuma espécie de sofrimento.
As possíveis causas das Dificuldades de Aprendizagem específicas do desenvolvimento das habilidades não são conhecidas, mas se supõe que exista a predominância de fatores biológicos, os quais interagem com fatores não biológicos, como oportunidade para dificultar o binômio ensino-aprendizagem.
Dessa maneira, quanto antes for obtido o diagnóstico de identificação da possível causa da dificuldade apresentada pela criança melhor, pois pelas intervenções adequadas se alcançam significativos avanços no processo cognitivo e consequentemente no processo aprendizagem. Nesse contexto, apesar das divergências teóricas e/ou práticas, devem ser encontrados planos de ações interativos que auxiliem a criança na sua integridade como ser humano, para que possa interagir com o meio social sendo sujeito de sua história.
3.1 Consequências das Dificuldades de Aprendizagem
A aprendizagem se tece pelo princípio da vinculação do conhecimento, com a criança e desta com o meio social, seguindo um ideal condicionado pela vida social, devendo desenvolver uma política capaz de formar cidadãos com capacidade crítica dos acontecimentos em sociedade. Nesse entendimento quando não há uma sequência favorável desse processo apresenta-se assim o que se convenciona chamar de Dificuldade de Aprendizagem, entretanto é bom ressalvar que a não aprendizagem da criança não pode ser simplesmente associada à ausência de interesse pelos estudos, mas deve ser compreendida como um problema cujas causas podem ser diversas e que influi, consideravelmente, na capacidade de aprender das mesmas, ou melhor, as dificuldades de aprendizagem constituem um dos principais entraves para o desenvolvimento infantil. Nessa perspectiva, como se pode falar do processo de aprendizagem sem compreender que cada criança tem seu ritmo? E mais do que isso, o que é que determina esse ritmo diferenciado? Dentro desses questionamentos procurar conhecer o padrão de pensamento pessoal da criança e saber como usá-lo é o primeiro passo para transformá-los em participante ativo no processo de aprendizagem. A compreensão de como se pode lidar com certas características pessoais ajudará a criança a identificar, mobilizar e utilizar suas características criativas e intuitivas, pois cada um aprende no seu próprio ritmo e se adequa a sua maneira.
Para autores como Piaget e Vygotsky, entre outros, o desenvolvimento infantil é visto como fenômeno do processo de vida que, como na maturidade ou velhice, denotam mudanças biopsicossociais específicas implicadas no crescimento individual. Trata-se de um processo universal, mas individual, próprio de cada pessoa, passando por situações comuns, que exigem diferentes maneiras de lidar com as diversidades. Ainda assim, não devemos tratar as Dificuldades de aprendizagem como se fossem problemas insolúveis, mas, antes disso, como desafios que fazem parte do próprio processo da aprendizagem, uma vez que as crianças cujos problemas são detectados precocemente e que, por essa razão, são submetidas a intervenções adequadas, podem desenvolver estratégias que compensem as suas dificuldades e que lhes permitam ter sucesso. Caso contrário, a criança com dificuldades de aprendizagem terá uma linha desigual em seu desenvolvimento com repercussão da baixa estima e daí ao fracasso escolar que é um dos fatores que mais prejudicam a autoestima. Em vista disso, crianças idade escolar a capacidade de aprendizagem é uma das primeiras a ficar afetada sempre que haja uma perturbação emocional da criança. Dois tipos de perturbação emocional podem ocorrer:
Transitória: como alterações reativas a circunstâncias sentidas como adversas, como o nascimento de um irmão ou a separação conflitual dos pais. 
 Permanente: quando as dificuldades são mais estruturais
A maioria destas crianças tem estruturas depressivas do seu funcionamento psíquico, isto é, são:
· Desvalorizadas na sua autoimagem (são vulgares expressões do tipo: “sou burro”, “não sou nada bom”, “não faço nada bem”) 
· Inseguras (são vulgares expressões do tipo: “não sei se consigo, faço isto ou faço aquilo?”) 
· Têm pouca tolerância à frustração, desistindo rapidamente à primeira contrariedade ou respondendo agressivamente contra os outros,
· Antecipam negativamente as situações escolares; 
· Têm dificuldades em interpor pensamento entre o sentir e o agir, pelo que a alteração dos comportamentos. 
Nesse panorama, estão assim criadas as condições para um círculo vicioso negativo, já que as dificuldades na escola reforçam a má imagem que as crianças têm de si próprias. De forma recíproca o aprendizado também é afetado pelas emoções: 
aprendizagem então é um processo profundamente emocional – dirigido, inibido e guiado por diferentes emoções, incluindo medo e esperança, excitamento e desespero, curiosidade e ansiedade. Ou seja, existe uma relação dialógica entre emoção e aprendizagem (ANTONACOPOULOU; GABRIEL, 2001 p. 83).
 Além disso, as crianças não só têm dificuldades de adaptação à escola como são suscetíveis de perturbar o ambiente escolar e prejudicar o aproveitamento e bem-estar das restantes. Dessa maneira, trabalhar a afetividade, socialização e as relações emocionais, visando resgatar a autoestima e despertar o interesse do educando em aprender proporciona condições para que todas as crianças sejam capazes de possuir autonomia frente ao conhecimento construído socialmente.
Desse modo, diversificar as situações de aprendizagem é adaptá-las às especificidades dos alunos, é tentar responder ao problema da heterogeneidade das aprendizagens, que muitas vezes é rotulada de dificuldades de aprendizagens.
4. ASPECTOS EMOCIONAIS ENVOLVIDOS NO PROCESSO DE APRENDIZAGEM
A aprendizagem segundo a neurociência ocorre quando o indivíduo consegue formar as chamadas sinapses (fenômeno neurológico, onde ocorre a passagem do potencial de ação do neurônio pré para o pós - sináptico),pois, memoriza-se separadamente diversas experiências que quando associadas darão significado as coisas, ocorrendo a aprendizagem.
Alguns fatores podem agir de forma negativa mediante ao processo de ensino-aprendizagem, todavia é necessário que a aprendizagem se dê de forma natural, significativa e conjunta mediante a importante atuação da aprendizagem junto a criança na busca da produção e construção do saber, onde as trocas de experiências possam ser constantes fazendo assim com que as crianças sintam se importantes no processo de ensino.Vale destacar que o presente estudo não pretendeu esgotar as relações existentes entre as duas variáveis em questão,ou pelo contrário, ele se propôs aventar pontos de reflexões acerca da temática, relacionados indicadores emocionais, tomados separadamente, de crianças com muitos e poucos problemas emocionas, que conseqüentemente apresentaram, de modo geral, a mesma tendência em relação às dificuldades de aprendizagem. Essa analise possibilitou, de certa forma, a composição de um perfil dessas crianças.
Fatores emocionais são reconhecidos como geradores de alguns problemas de aprendizagem. Na maioria das vezes, são manifestados pela criança, por conta da falta de estrutura familiar, ou seja, os conflitos dos pais e que são tratados na presença da criança; os processos de separação mal administrados; mudanças de cidade, todas essas situações vivenciadas pela criança contribuem para que ela torne-se ansiosa, insegura e mesmo infeliz, o que, evidentemente refletirá no seu processo de aprendizagem.
Nessa perspectiva, o estudo consiste em analisar as dificuldades de aprendizagem em crianças, procurando possíveis associações com os problemas emocionais. Aventou-se como hipótese que as crianças com dificuldades de aprendizagem apresentarão características emocionais mais comprometidas, que irão se agravando conforme aumentam os níveis de dificuldade de aprendizagem. Assim,quando a aprendizagem não se desenvolve conforme o esperado para a criança, para os pais e para a própria escola, ocorre o que é sempre chamado de "dificuldade de aprendizagem".  E antes que a situação tome proporções exacerbadas, pelo acúmulo de situações conflitantes e não claramente esclarecidas, torna-se imprescindível, em primeiro lugar, a identificação e reconhecimento do problema por um profissional adequado, com treino específico da dificuldade apresentada.
A capacidade de aprender está presente em todos os indivíduos sendo que para alguns ocorre uma relativa dificuldade de assimilação e manutenção de seu conhecimento, ligando o processo de absorção daquilo que se quer aprender a fatores muito mais relevantes do que o simples fato de necessitar fixar aquilo que é ensinado. Permeando toda e qualquer relação que o indivíduo faça ou venha a fazer consigo mesmo ou com o mundo exterior, o fator emocional e sua estrutura não devem ser desprezados. Levando-se em conta a estrutura familiar, social e as relações estabelecidas entre si e o meio e a forma com que estas relações são feitas, influenciam, sem dúvida, o desenvolvimento do processo de aprendizagem.       A maneira de encarar novas informações, a relação com este "novo" e a disponibilidade da criança para permitir-se a aprender, estão intrinsecamente ligadas com suas condições psicológicas. 
E, assim, torna-se latente um redirecionamento que parta, fundamentalmente, da consideração dos próprios agentes humanos envolvidos, ou seja, que reconsidere os próprias, suas condições de concentração, absorção e processamento do conhecimento, e seus próprios estilos de aprendizagem, para que, de fato, sejam incluídos e considerados no processo de ensino/aprendizagem.
5. ASPECTOS AFETIVO-EMOCIONAIS PRESENTES NA DIFICULDADE DE APRENDIZAGEM
Certamente as dificuldades de aprendizagem nem sempre se dá por desinteresse da criança e sim por este não ser trabalhado de forma adequada e na idade certa acarretando um elevado índice de desestímulo, apresentando dificuldades em aprender a aprender.
A origem de um problema de aprendizagem pode ser multifatorial, podendo estar no educando ou em seu ambiente. Sendo o estudo das emoções fator preponderante na descoberta da relação homem e mundo, necessário se faz integrar a esse contexto reflexões a cerca de como o processo de aprendizagem pode ser mais bem trabalhado quando priorizada a utilização de meios e metodologias que viabilizem sua inserção no processo emocional da pessoa, buscando assim a fixação do conhecimento enquanto parte integrante da vivência de cada um. As crianças com dificuldades de aprendizagem que estejam com problemas emocionais apresentam, na opinião de Fonseca (1995), sinais de regressões, oposições, narcisismos e negativismos. A literatura sobre as dificuldades de aprendizagem se caracteriza por um conjunto desestruturado de argumentos contraditórios.
Apesar do conceito de dificuldades de aprendizagem apresentar diversas definições e ainda ser um pouco ambíguo, é necessário que se tente determinar a que fazemos referência com tal expressão ou etiqueta diagnóstica, de modo que se possa reduzir a confusão com outros termos tais como “necessidades educativas especiais”, “inadaptações por déficit socioambiental”. 
A teoria piagetiana do desenvolvimento da afetividade é relembrada com seu paralelismo com o desenvolvimento cognitivo e a definições e implicações no desenvolvimento infantil. Dentre esses fatores as autoras destacam as regra e apresentam um estudo de caso clínico no qual se observam as implicações da afetividade em tarefas de teor cognitivo. Existem diferenças importantes na capacidade individual para responder a situações de esforço e tensão. Sentimentos como alegria, tristeza, medo e coragem se relacionam com essa capacidade. Gisele A. Patrocínio Bazi e Fermino Fernandes Sisto discutem essa influência no capítulo Alegria, tristeza, medo e coragem em crianças com dificuldades de aprendizagem. Quando se fala em dificuldades de aprendizagem, não se pode deixar de considerar que, historicamente, a atenção nesse campo era mais voltada para as crianças, devido ou à defasagem em todas ou algumas matérias específicas ou a um comportamento considerado inadequado.
É necessário refletir que cada indivíduo apresenta um conjunto de estratégias cognitivas que mobilizam o processo de aprendizagem, em outras palavras, cada criança aprende a seu modo, estilo e ritmo. Embora haja discordâncias entre os estudiosos, estes são quatro categorias representativas dos estilos de aprendizagem. O conhecimento pode ainda ser aprendido como um processo ou como um produto. Quando nos referimos a uma acumulação de teorias, idéias e conceitos o conhecimento surge como um produto resultante dessas aprendizagens, mas como todo produto é indissociável de um processo, pode-se então olhar o conhecimento como uma atividade intelectual através da qual é feita a apreensão de algo exterior à criança. Acredita-se que toda nossa potencialidade está guardada em nosso cérebro, nesse entendimento desvalorizamos os aspectos emocionais envolvidos no processo de aprendizagem, por isso é preciso que se aprender significa incorporar os conhecimentos em um saber pessoal, único, diferente em cada sujeito na sua totalidade.
A estrutura de aprendizado se refere à qualidade e quantidade de informações que são repassadas as crianças, para que se tenha eficácia neste aprendizado: as expectativas devem ser demonstradas, ajudar quando houver necessidade.
5.1 Aprendizagens, Dificuldades de Aprendizagem e Afetividade
É a afetividade a parte do psiquismo de mais abrangente domínio da atividade pessoal, sendo mesmo a base do psiquismo, o que há de mais fundamental na conduta e reações individuais.
Os afetos, sejam emoções ou sentimentos, também têm uma função importante na motivação da conduta e para a aprendizagem. Para Piaget o afeto é uma importante energia para o desenvolvimento cognitivo. Todos nós temos experiência de nos dedicarmos com mais empenho aos assuntos deque gostamos e que nos são agradáveis. Outras vezes, pelos mais variadosmotivos, tomamos tamanha aversão a certas matérias, as quais se tornam impossíveis de aprender. São situações em que observamos como o afeto pode interferir na nossa capacidade racional de agir. Piaget (1980) nos diz:
[...] a afetividade constitui a energética das condutas, cujo aspecto cognitivo se refere apenas às estruturas. Não existe, portanto, nenhuma conduta, por mais intelectual que seja, que não comporte, na qualidade de móveis, fatores afetivos; mas, reciprocamente, não poderia haver estados afetivos sem a intervenção de percepções ou compreensão, que constituem a estrutura cognitiva. A conduta é, portanto, uma, mesmo que, reciprocamente, esta não tome aquela sem consideração: os dois aspectos afetivo e cognitivo são, ao mesmo tempo, inseparáveis e irredutíveis. (PIAGET, 1980, p.54).
Damásio (1996) informa que a etimologia da palavra emoção sugere corretamente uma direção externa a partir do corpo: emoção significa literalmente movimento para fora (p.168). Afirma também que há uma diferenciação entre emoção e sentimento não devendo ser utilizados como sinônimos: todas as emoções originam sentimentos, se se estiver desperto e atento, mas nem todos os sentimentos provêm de emoções (p.172).
Para Wallon, não há porque se fazer confusão entre emoção e sentimento. A emoção é a própria expressão da afetividade, sendo a manifestação de um estado subjetivo com componentes fortemente orgânico, revelando um estado fisiológico efêmero (ALMEIDA, 1999). Já o sentimento, é psicológico, duradouro e ideativo, é mais um tipo de reação afetiva.
Segundo Rogers (1988), as dificuldades de aprendizagem, pode significar uma alteração no aprendizado causada por alterações genéricas nesse processo. Compreender a presença e as implicações da dimensão afetiva presente aos processos de aprendizagem, desempenha importante função em na pesquisa sobre as Dificuldades de Aprendizagem. Existem inúmeras causas das dificuldades de aprendizagem dentre elas a lesão cerebral, há alguns anos em alguns casos nos dias de hoje se assimilava a dificuldade de aprendizagem só a crianças com lesões cerebrais, como se todos que tivessem dificuldades eram lesionados cerebralmente.
Conforme Galvão (1995, p.61) – que se fundamenta em Wallon – "a afetividade é um conceito mais abrangente no qual se inserem várias manifestações”. As emoções, os sentimentos, e os desejos são manifestações da vida afetiva. Para (PIAGET, 1981), observa que apesar de diferentes em sua natureza, a afetividade e a cognição são inseparáveis, indissociadas em todas as ações simbólicas e sensório-motoras. O papel da afetividade é fundamental na inteligência, uma vez que ela é a fonte de energia de que a cognição utiliza-se para seu funcionamento: 
Na relação do sujeito com os objetos, com as pessoas e consigo mesmo, existe uma energia que direciona seu interesse para uma situação ou outra, e a essa energética corresponde uma ação cognitiva que organiza o funcionamento mental. Nessa linha de raciocínio, diz Piaget, “é o interesse e, assim, a afetividade que fazem com que uma criança decida seriar objetos e quais objetos seriar” (ibidem. p.10). 
As emoções estão presentes quando se busca conhecer, quando se estabelecem relações com objetos físicos, concepções ou outros indivíduos. Afeto e cognição constituem aspectos inseparáveis, presentes em qualquer atividade, embora em proporções variáveis. A afetividade e a inteligência se estruturam nas ações e pelas ações dos indivíduos.
As crianças vão construindo sua maneira de ver o mundo e ver o outro a partir de relações que vivenciam. Este processo se dá ao longo de toda sua evolução, é um processo contínuo e permanente. Davis e Oliveira (1994, p.84), salientam que "o afeto pode ser entendido como a energia necessária para que a estrutura cognitiva passe a operar”. E ainda de acordo com Perrenoud et al. (ob.cit., p. 69), “a diversidade do mundo,o desenvolvimento afetivo e intelectual responde com a diferenciação dos conceitos,dos esquemas de pensamento, de percepção e de ação, dos modos de comunicação e de relação, dos investimentos relacionais, das emoções”.
 Ao fazer uma reflexão sobre as relações entre afetividade e aprendizagem buscou-se o entendimento do papel da afetividade nesse processo e respostas para os problemas explanando sobre o desenvolvimento afetivo e como este se dá paralelamente ao desenvolvimento cognitivo, as características mentais de cada uma das fases do desenvolvimento serão determinantes para a construção da afetividade.
[...] a afetividade pode ser conceituada como todo o domínio das emoções, dos sentimentos das emoções, das experiências sensíveis e, principalmente, da capacidade de entrar em contato com sensações, referindo-se às vivências dos indivíduos e às formas de expressão mais complexas e essencialmente humanas. (BERCHT, 2001, p. 59)
Entretanto, não adianta estudar as dificuldades de aprendizagem sem considerar os aspectos afetivos das crianças, por meio de suas atitudes evidenciar suas dificuldades 
É importante considerar que fatores emocionais e afetivos influenciam a aprendizagem em dois pontos importantes: a atenção e a interação, podendo ser a causa ou a consequência dos problemas e que interferem na concentração e no comportamento. Sentimentos, emoções, afetividade ainda não estão presentes no cotidiano das escolas; os conteúdos não trazem exercícios de conhecimento e vivência pessoal. Porém, com este trabalho percebeu-se que é possível uma educação voltada para a criança como um todo, através de práticas que contemple o aspecto cognitivo, motor e afetivo e promova seu desenvolvimento em todos os níveis. “Aprender é necessariamente enfrentar dificuldades, superar os momentos desejáveis, de dúvida ou mesmo de desencorajamento que toda a aprendizagem comporta” (CHABOT, 2005, p. 237).
A afetividade é atribuída como uma condição inevitável na construção da inteligência, mas também não é suficiente. A afetividade é defenida como todos os movimentos mentais conscientes e inconscientes não racionais, sendo ao afeto um elemento indiferenciado domínio da afetividade.
5.2 Dificuldades de Aprendizagem e a Família
A família desempenha um papel importante na formação da criança, pois permite e possibilita a constituição de sua essencialidade. É nela que o homem concebe suas raízes e torna-se um ser capaz de elaboração alargador de competências próprias. A família é, portanto, a primeira instituição social formadora da criança. Dela depende em grande parte a personalidade do adulto que a criança virá a ser.
Segundo Marturano (1998), a influência do ambiente familiar no processo de aprendizagem é amplamente reconhecida. Porém, não se deve atribuir a ela toda a carga de responsabilidade pelo desenvolvimento da criança. As características da criança influem na escolha de uma abordagem qualitativa
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este trabalho foi desenvolvido com o intuito de refletir e compreender os aspectos emocionais no processo de aprendizagem, as Dificuldades de aprendizagem e a importância das relações intrínsecas em ambas. No decurso do trabalho percebeu-se uma variedade de conceitos sobre o tema Aspectos Emocionais Envolvidos nas Dificuldades de Aprendizagem onde cada autor enfatiza um determinado aspecto, fica claro que, por ser um tema complexo com consequências em diversas áreas da aprendizagem, dessa maneira, acredita-se que este trabalho foi de extrema valia para minha prática, pois o conhecimento adquirido foi enorme. Pude entender quais são as metodologias utilizadas para cada caso.
Para Fonseca (1995), a criança com dificuldade de aprendizagem não deve ser “classificada” como deficiente. Trata-se de uma criança normal que aprende de uma forma diferente, a qual apresenta uma discrepância entre o potencial atual e o potencial esperado. Não pertence a nenhuma categoria de dificuldade, não sendo sequer uma deficiência mental, pois possui um potencial cognitivo que não é realizado em termos de aproveitamento da aprendizagem.
Essa mudança de visão é um processo lento e longo, mas quese faz necessário e, para isto, percebe-se a necessidade de mais estudos sobre o papel do psicólogo escolar frente às dificuldades de aprendizagem.
Os fenômenos afetivos são manifestações de nossas tendências e de nossas inclinações. É evidente que, na falta dessas tendências, poderia existir, no ser vivo, em resposta a uma excitação externa, uma reação mecânica moldada nesta ação, mas não esta manifestação, tão variável nas suas expressões, de sentimentos e de emoções, que definem a vida afetiva do animal. Pino (2000, p. 128) destaca que tais fenômenos referem-se às experiências subjetivas, que revelam a forma como cada sujeito “é afetado pelos acontecimentos da vida, ou melhor, pelo sentido que tais acontecimentos têm para ele”.
O estudo da afetividade, também foi explanado nessa pesquisa, bem como dos processos cognitivos, que são tratados nesse enfoque trabalho realizados, e que ainda apresentam lacunas nas pesquisas realizadas, nos últimos anos tem evoluído bastante.
Salientamos que este trabalho não teve a pretensão de esgotar o tema proposto, antes, manifestou a intenção de provocar um debate e instigar novas pesquisas, mais profundas e abrangentes, sobre As dificuldades de Aprendizagem, o que recaiu em reflexões producentes, principalmente, no campo da Psicologia. Portanto foram aventadas soluções não a efeito de receitas ou fórmulas prontas, mas sim como tópicos que buscou suscitar possibilidades para uma investigação mais arraigada no concernente a feitura do trabalho. Nesse compêndio, o estudo ainda pretendeu cumprir o objetivo maior ao divulgar e caracterizar amplamente uma realidade presente no mundo infantil que não pode ser encarada como um incidente desprezível. Dessa forma, desejo que em futuros estudos, sejam falados do binômio ensino-aprendizagem se tratando da subjetividade e complexidade que envolvem a vida humana.
Desse modo, o estudo apresentado aqui e as análises decorrentes suscitam reflexões que permitem delinear alguns fios que tecem as complexas relações entre a aprendizagem e as possíveis dificuldades encontradas durante esse processo.
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