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TCC BALANÇO SOCIAL - PÓS CONTROLADORIA E FINANÇAS SENAC

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o público-alvo, e além disso, garantir que se quantifique a satisfação dos funcionários da organização, que são imprescindíveis na geração de valores para a empresa.
A medição da satisfação ainda é um desafio que precisa ser superado, devendo ter o mesmo tratamento que as avaliações realizadas sobre o capital intelectual e do goodwill agregados a outros tipos de valores que devem ser analisados com o uso de técnicas específicas. A avaliação do nível de satisfação utiliza uma linguagem própria que tem a missão de traduzir em algo mensurável, fatos e ações que ainda se mantenham no empirismo.
Os fundamentalistas da BSA salientam que a metodologia a ser aplicada deve permitir que a empresa verifique continuamente a sua performance social, fazendo uso de indicadores padrões levantados junto a agentes econômicos internos (acionistas, empregados), mas também junto a agentes econômicos externos (fornecedores, clientes, Governo, entidades de classe).
Deve-se ter o cuidado em elencar os agentes a serem investigados e o aprofundamento da investigação determinam a abrangência do balanço, o que permite ter-se uma visão do papel social da empresa tanto no âmbito interno quanto no externo.
Uma metodologia que pode ser utilizada é a enquête, considerada como ponto de partida para a elaboração do BSA. Deve-se examinar os agentes econômicos externos, e delinear quais deles devem ser utilizados no processo de avaliação, tais como, clientes, fornecedores, representantes de classe e entidades sociais, os quais manifestariam através de pesquisa, o grau de satisfação perante a atuação social da empresa.
Destaca-se que os indicadores devem ser capazes de refletir: o bem estar no emprego; a satisfação em ir para a empresa e produzir bons resultados; política de remuneração; plano de carreiras; planos de incentivos e reconhecimentos; capacitação e treinamento; a imagem institucional da entidade; relações interpessoais; benefícios médicos; clima organizacional; prevenção de acidentes e ergonomia no trabalho; e participação em atividades solidárias.
Desta forma destacam-se algumas características do BSA:
a) A sua preparação vincula-se aos métodos das partidas dobradas, isto é, procura demonstrar o superávit ou déficit social numa relação ativo-passivo, de modo a configurar um demonstrativo de caráter contábil;
b) Procura aferir a performance social mediante a análise de indicadores construídos a partir de enquetes;
c) Avalia a performance social da entidade junto a sua comunidade, mediante uma verificação analítica do grau de satisfação dos agentes;
d) Levanta um diagnóstico da qualidade de vida dos trabalhadores da entidade;
e) Permite o conhecimento das expectativas dos agentes econômicos internos e externos quanto ao papel social da empresa;
Alguns estudiosos avaliam que existem vários fatores restritivos presentes na análise da atuação social da empresa, apresentando inúmeras conseqüências diretas que influenciam os aspectos formais e do caráter técnico gerencial limitado com que os balanços sociais são preparados atualmente.
Este limite decorre dentre outros aspectos, fruto da influência do “metodismo” que está presente na contabilidade patrimonial, que faz muitas vezes subverter o legado da essência sobre a forma.
3.3 Obrigatoriedade da publicação do Balanço Social
Neste ponto depara-se com um grande conflito de posições, pois existem os defensores que se deve lutar para que estes demonstrativos sociais tenham publicação obrigatória e, portanto, precisando de uma Lei que realize esta regulação.
Associação Brasileira de Companhias Abertas (Abrasca) repudia esta idéias da obrigatoriedade, explica sua posição: 
Discorda totalmente dos pressupostos do Projeto de Lei. A função da empresa privada é atender aos desejos dos consumidores, oferecendo ao mercado produtos e serviços, com qualidade e segurança, ao menor preço, empregando de forma eficiente os recursos postos à sua disposição por seus acionistas. Para tal, a empresa precisa continuamente reduzir riscos e investir na melhoria do capital físico e humano. Em vista desse fato, não vê qualquer razão para a obrigatoriedade da publicação do Balanço Social pelas empresas privadas, opinando pela total rejeição dessa obrigatoriedade (ABRASCA, 1998,p.2). 
Nota-se, observando as opiniões nos mais variados segmentos sociais e também com base em um estudo bibliográfico, que não há um consenso sobre a obrigatoriedade do Balanço Social. Assim evidencia-se posicionamentos e justificativas de sociólogos, políticos, professores, diretores de empresas e empresários, com o intuito subsidiar o processo reflexão sobre o tema. 
Verifica-se que no Brasil o Balanço Social tem o apoio de diversas empresas e entidades públicas e filantrópicas tais como: Glaxo, Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Xerox do Brasil, Sindicato das Indústrias Químicas e Farmacêuticas, Gife, Câmara Municipal de Porto Alegre e de São Paulo, da deputada federal Marta Suplicy, de Betinho e outros. Porém nem todos estes apóiam a sua obrigatoriedade. 
Na posição do sociólogo Herbert de Souza (Betinho) verifica-se que este considerava que o Balanço Social deveria ser obrigatório, devido: 
(...) a vantagem de uma lei é representar legitimidade institucional, embora concorde que a divulgação espontânea seria a solução ideal. (...) reflete uma disposição extremamente positiva por parte das empresas, uma das condições para que essa idéia dê certo. No entanto, a vantagem de uma lei é representar a legitimidade institucional (SOUZA, 1999,p.4).
Já os professores da USP, Maísa de Souza Ribeiro e Lázaro Plácido Lisboa, em um dos seus artigos, salientam que: “o Balanço Social talvez não devesse se tornar obrigatório por lei, mas ser divulgado de forma generalizada por princípios morais, éticos, de respeito e responsabilidade social” (RIBEIRO e LISBOA, 1999,p.23).
A posição do empresário Ricardo Young, representando o Pensamento Nacional de Bases Empresariais, defende um comprometimento voluntário das empresas pelo Balanço Social, mas a obrigatória deveria ser feita pelas empresas e entidades pertencentes ao governo uma vez que faz parte de obrigação inicial o de tornar transparente suas ações sustentadas pelos recursos públicos. E continua: “obrigar as empresas a publicar um Balanço Social representaria um gasto extra a impactar a iniciativa privada”. 
No Seminário “Balanço Social: Cidadania e Transparência Pública das Empresas”, realizado no Rio de Janeiro em 1998, o empresário Guilherme Bittencourt, da Xerox do Brasil, se posicionou da seguinte forma sobre o Balanço Social: “Somos favoráveis a sua publicação, porém de forma voluntária. Consideramos que tudo que é obrigatório perde o espírito altruístico que existe em cada um de nós e fica sujeito a uma série de burocracias”.
Já a contadora e professora Yumara Lúcia Vasconcelos, expressa que: “Em meu entendimento, não é a obrigatoriedade de sua publicação que deve nortear as discussões, mas sim, a otimização da estrutura qualitativa da peça às necessidades informativas da empresa, visando alicerçar o processo de tomada de decisão”.
Kroetz (2000, p.56) salienta que:
A divulgação espontânea seria, com certeza, o ideal, porém existe o temor de que isso jamais venha a ocorrer, pois muitos empresários não têm interesse em publicar o Balanço Social. Cabe à sociedade organizada e aos Contadores discutir e resolver esse impasse, buscando de forma obrigatória ou não, oferecer aos usuários mais esse instrumento de acompanhamento e fiscalização sobre as ações desenvolvidas pelas entidades, cada vez mais autônomas. 
É importante salientar que a divulgação do Balanço Social assume um papel relevante para a sociedade, pois garante que as empresas invistam mais em ações de maior impacto social e assumindo um papel ativo perante sua postura em ajudar a comunidade que a acolhe e lhe confere a possibilidade de manter-se ativa no mercado.
Mesmo sem contar-se com a obrigatoriedade da publicação do Balanço Social, cada dia mais a sociedade vem assumindo uma

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