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O Circo RESUMO PARASITOLOGIA Assunto: Leishmaniose Visceral 1 Introdução É uma doença causada por parasitos do complexo Leishmania donovani na África, Ásia, Europa e nas Américas. Na américa latina é chamada de leishmaniose visceral americana ou calazar neotropical. A doença é crônica, grave, de alta letalidade se não tratada, e apresenta aspectos clínicos e epidemiológicos diversos e característicos, para cada região onde ocorre. Os fatores de risco para o desenvolvimento da doença incluem a desnutrição, o uso de drogas imunossupressoras e a co-infecção com HIV. Incialmente era uma zoonose de transmissão silvestre em localidades rurais. Atualmente é uma antropoonose com transmissão em periferias das cidades, com características pero e intradomiciliar. Rondônia não tem casos de leishmaniose visceral atualmente, porém já foi encontrado o mosquito transmissor. Casuística o Distribuída em 19 estados. o 92% do Nordeste o 1900 casos/ano. o 10% de letalidade. o Para combater recomenda-se diminuir a quantidade de cachorros. o Quantidade de casos no brasil (gráficos com o tempo). Agente etiológico A leishmaniose visceral é causada, em todo o mundo, por parasitos do complexo L. donovani que inclui três espécies de Leishmania: o Leishmania (Leishmania) donovani; o Leishmania (Leishmania) infantum; o Leishmania (Leishmania) chagas. Nas Américas, Leishmania (Leishmania) chagasi é a espécie responsável pelas formas clínicas da leishmaniose visceral. (A única que transmite aqui na américa é a chagasi). Reservatórios: o Marsupiais, raposa, lobo... Reservatório urbano da Leishmania visceral o Cães com lesos cutâneas. o Raposas. o Homem não é um reservatório. Importância A leishmaniose visceral ou calazar é uma doença infecciosa sistêmica, de evolução crônica, caracterizada por febre irregular de intensidade média e de longa duração, esplenomegalia, hepatomegalia, acompanhada dos sinais biológicos de anemia, leucopenia, trombocitopenia, hipergamaglobulinemia e hipoalbuminemia. A linfoadenopatia periférica é comum em alguns focos da doença. O emagrecimento, o edema e o estado de debilidade progressiva contribuem para a caquexia e o óbito, se o paciente não for submetido ao tratamento específico. Algumas pessoas podem se apresentar apenas com quadro assintomático. AIDS e outras condições imunossupressoras aumentam o risco da infecção por Leishmania e a co-infecção por HIV é extremamente séria devido as dificuldades de diagnóstico e do tratamento das pessoas infectadas. Outro aspecto relevante nesse contexto é a associação de casos ao uso de drogas injetáveis, devido ao hábito, entre alguns grupos de usuários, de compartilhar seringas e agulhas descartáveis. O Circo RESUMO PARASITOLOGIA Assunto: Leishmaniose Visceral 2 Ciclo biológico No hospedeiro vertebrado, as formas amastígotas de L. chagasi são encontradas parasitando células do sistema mononuclear fagocitário (SMF), principalmente macrófagos. o No homem, localizam-se em órgãos linfóides, como medula óssea, baço, fígado e linfonodos, que podem ser encontrados densamente parasitados. o Raramente é encontrado no sangue. No hospedeiro invertebrado, Lutzomyia longipalpis (flebotomineo), são encontradas no intestino médio e anterior nas formas paramastígota, promastigota e promastígota metacíclica. o Vetor Flebotomineo São várias espécies (só em Rondônia são mais de 115) Flebotomineo especifico da Leishmania visceral LUTZOMIA LONGIPALVIS. o Quando a fêmea, por meio da alimentação, ingere células infectadas, ocorre a ruptura dessas células no intestino e liberação de amastigotas. o Amastigotas se transformam em promastígotas arredondadas. o Migração para o intestino anterior. o As formas chamadas de promastigotas metacíclicos são as formas rápidas do parasita e logo, as infectantes. o A transmissão do parasito ocorre quando as fêmeas infectadas se alimentam em vertebrados susceptíveis. o A presença do maxidilam, um dos mais potentes vasodilatadores conhecidos, na saliva do mosquito, parece ser muito importante para os eventos que se seguem na modulação da resposta imune, determinantes da infecção. No hospedeiro vertebrado o Ao adentrar ao fagócito, é envolvido por um fagossomo. o Dentro do fagossomo, no interior destas células, o parasito se diferencia em amastigota para a sua sobrevida fisiológica e inicia o processo de sucessivas divisões binárias. o Quando os macrófagos estão densamente parasitados, rompem-se liberando as amastigotas que irão parasitar novos macrófagos tornando o hospedeiro infectado. o A leishmaniose visceral é caracterizada pela incapacidade do macrófago em destruir as amastígotas. o Incubação no homem varia 10 dias a 24 meses (4 meses média). o Ocorre principalmente em crianças. O Circo RESUMO PARASITOLOGIA Assunto: Leishmaniose Visceral 3 Mecanismos de transmissão Através da picada da fêmea de L. longipalpis. Uso de drogas injetáveis o Cerca de 80% dos casos de leishmaniose visceral, em portadores de HIV na Europa (Espanha, França, Itália e Portugal), entre 1997 e 1999 ocorreram em usuários de droga. Transfusão sanguínea o Sete casos foram descritos na literatura, incluindo quatro crianças que receberam múltiplas transfusões. Transmissão congênita e acidentes de laboratório. Patogenia A L. chagasi é um parasito de células do SMF, principalmente do baço, fígado, linfonodo e medula óssea. No curso da infecção outros órgãos e tecidos podem ser afetados, como intestino, sangue, pulmões, rins e pele. o Nas fases mais avançadas da doença são raros os órgãos onde não se encontra o parasito. A inoculação das formas infectantes é acompanhada da saliva do inseto vetor, que é rica em substâncias com atividade inflamatória. Nas vísceras, os parasitos induzem uma infiltração focal ou difusa de macrófagos não-parasitados, além de infiltrado de linfócitos e células plasmáticas, com focos de plasmacitogênese A via de disseminação de Leishmania pode ser a hematogênica elou linfática. A patogenia da doença é determinada por múltiplos fatores que envolvem os hospedeiros os parasitos, além de fatores genéticos determinantes da susceptibilidade para a infecção e para a cura, o estado imunológico e nutricional do indivíduo. Alterações esplênicas o Esplenomegalia é o achado mais importante e frequente no calazar. o Na fase inicial da doença, a esplenomegalia pode não ocorrer ou ser pouco acentuada, mas na doença estabelecida e crônica toma-se uma característica invariável. Alterações hepáticas o Ocorre hiperplasia e hipertrofia das células de Kupffer (macrófagos do fígado), em geral densamente parasitadas. Alterações na medula óssea o É em geral encontrada com hiperplasia e densamente parasitada o Durante as fases mais adiantadas da infecção, ocorre desregulação da hematopoese, caracterizada pela diminuição da produção celular, com reflexo no quadro hematológico em períodos sucessivos. o A anemia é o achado mais frequente nos indivíduos doentes Alteração renal o A deposição de imunocomplexos, além do complemento e fibrinogênio, na matriz mesangial determina um quadro de glomerulonefrite mesangioproliferativa. Alteração de linfonodos o Frequentemente aumentados Os parasitos podem, por vezes, ser encontrados na pele normal. Quadro clinico O Circo RESUMO PARASITOLOGIA Assunto: Leishmaniose Visceral 4 Os sinais sistêmicos típicos estão associados a febre intermitente palidez de mucosas, esplenomegalia associada ou não a hepatomegalia, e progressivo emagrecimento com enfraquecimento geral do hospedeiro. Caquexia Anemia o Devido a destruição anormal de hemácias. Tosse, dor abdominal e diarreia. Na doença abruptae nos pacientes portadores de HIV, o óbito pode ocorrer, antes que os sintomas sejam desenvolvidos. A relação parasito/hospedeiro no calazar assume caráter espectral e é possível atribuir diversas formas clínicas, variando de uma forma silenciosa assintomática, considerada subclínica, ou oligossintomáticas, forma aguda até a forma crônica ou de evolução clássica. o Essa em negrito são as 4 formas características da leishmaniose visceral. Assintomática o Os indivíduos podem desenvolver sintomatologias pouco frequentes se manifestam Dor febre baixa recorrente, tosse seca, diarreia, sudorese, prostração e apresentar cura espontânea ou manter o parasito, sem nenhuma evolução clínica por toda a vida. Forma aguda o Período inicial da doença. o Observam-se febre alta, palidez de mucosas e hepatoesplenomegalia discretas. o Nas formas aguda, clássica e refratária é quando a criança começa a realmente ter os sintomas como hepatoesplenomegalia. Forma sintomática crônica ou calazar clássico o Caracterizada por febre irregular e associada ao contínuo agravamento dos sintomas. o O emagrecimento é progressivo e conduz o paciente para desnutrição protéico-calórica, caquexia acentuada, mesmo com apetite preservado. o Uma vez que o calazar é uma doença de caráter debilitante e imunodepressivo, as infecções bacterianas são especialmente importantes na determinação do óbito. o A leishmaniose visceral é considerada infecção oportunista para indivíduos com AIDS e em portadores de HIV. Leishmaniose dérmica pós calazar o A leishmaniose dérmica pós-calazar (LDPK) é uma manifestação cutânea da leishmaniose causada pela Leishmania donovani, que ocorre após o tratamento da forma visceral. Diagnóstico Diferencial o Esquistossomose associada com salmonelose ou enterobactérias. o Doenças febris: malária, brucelose, febre tifoide, chagas, linfomas, anemia falciforme. Clinico o Baseia-se nos sinais e sintomas apresentados pelos pacientes associados a história de residência em área endêmica. Laboratorial O Circo RESUMO PARASITOLOGIA Assunto: Leishmaniose Visceral 5 o Específico: RIFI (Reação de Imunofluorescência Indireta) e Elisa o O diagnóstico parasitológico baseia-se na observação direta do parasito em preparações de material obtido de aspirado de medula óssea, baço, fígado e linfonodo. o A pesquisa de DNA de Leishmania em amostras clínicas através da reação em cadeia da polimerase, PCR, têm sido avaliadas em diferentes centros para o diagnóstico de leishmaniose visceral, com base na alta sensibilidade e especificidade da técnica. o Reação de Fixação do Complemento (RFC) o Teste Rápido Imunocromatográfico (TRALD; i RICH) Hemograma o Pancitopenia e eosinoenofilia. o Inversão dosagem albumina / proteína. Tratamento Glugantime e anfotericina B No Brasil, a droga de escolha é o Glucantime, que é de distribuição gratuita na rede de saúde pública. Em casos de resistência usa-se a anfotericina B. Instrumentos de controle o Eliminação de reservatórios o Controle vetorial o Coleira com piretróide o Tratamento de casos humanos. o Educação em saúde. Curiosidades: Grande quantidade de animais sinantrópicos e transmissores da doença. O brasileiro é o que possui mais “pets” do que filhos. Grande abandono de cachorros não castrados na rua, sem vermifugar e sem vacinar. No caso específico da leishmaniose visceral, antes ela ficava na floresta, mas após algum tempo ela se adaptou a infectar outros animais como cachorros. Presente em cerca de 20 estados brasileiros. Zoonose (doença de animais). Espécie que causa é chamada de “chagazi”. Leishmaniose visceral tem características mais “agressivas” que a tegumentar. O Circo RESUMO PARASITOLOGIA Assunto: Leishmaniose Visceral 6