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Cerebelo 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Paula Pires 
Interna Neurologia 
 
Cerebelo 
 
O cerebelo é o responsável pelo controle e regulação normal da contração muscular, ou seja, 
pela coordenação do movimento. Para que exerça a sua função correctamente é indispensável 
que receba informações proprioceptivas perfeitas, tenha informações do esquema corporal e 
estejam intactas as suas relações com o sistema extrapiramidal. Assim, o movimento será 
suave, eficiente e não excessivo. Para que um movimento tome forma, as contrações dos 
agonistas, antagonistas, sinergistas e músculos de fixação devem ser adequadamente 
coordenadas. Assim, para iniciar um movimento: os agonistas contraem-se, os antagonistas 
relaxam ou modificam o seu tónus, os sinergistas reforçam e os musculos de fixação impedem 
deslocamentos e mantêm a postura apropriada do membro. Para terminar o movimento, os 
antagonistas contraem-se e os agonistas relaxam. O cerebelo funciona como um maestro que 
dirige uma orquestra, regulando com precisão a acção de cada um. 
 
O cerebelo situa-se na parte posterior da fossa posterior, atrás do tronco cerebral ligado ao 
mesmo por três pedunculos cerebelares (superiores, médios e inferiores). Forma o tecto do IV 
ventriculo e é separado do lobo occipital pelo tentório do cerebelo. As amigdalas (tonsilas) 
cerebelosas são pequenas massas arredondadas de tecido na parte mais inferior de cada 
hemisfério cerebelar, logo acima do foramen magno. (Fig 1) 
 
 
 
Fig 1 – Corte sagital na linha média do tronco cerebral e do cerebelo 
 
Macroscopicamente podemos dividi-lo em três partes: 
 
• Hemisférios cerebelares: duas massas laterais maiores 
• Vermis: uma pequena parte mediana não pareada que liga os hemisférios 
• Lobo Floculo-nodular: uma pequena estrutura da linha média que se situa na parte 
anterior da superficie inferior 
 
Anatomicamente, o cerebelo é dividido em três lobos (cada um deles tem uma parte do 
vermis e uma parte hemisférica) (fig 2). 
 
• Anterior: situado anteriormente à cesura primária 
• Posterior: entre a cesura primaria e a cesura postero-lateral 
• Floculo-nodular: posteriormente à cesura postero-lateral 
 
 
 Fig 2 – Divisões morfologicas e funcionais 
 
 
Do ponto de vista filogenetico, de anatomia comparada e mesmo fisiológico, considera-se a 
divisão segundo Larsell (fig. 3): 
 
• Arqueocerebelo. Só existe nos seres inferiores. No homem é representado pelo lóbulo 
floculo-nodular e pelos núcleos do tecto. É sobretudo um cerebelo vestibular, tem 
funções do tipo labiríntico (equilíbrio postural e corporal; equilíbrio espacial) 
• Paleocerebelo ou lobo anterior da divisão clássica. No vermis superior distingue-se a 
língula, centralis e culmen. No vermis inferior a úvula e pyramis. Também relacionado 
com os núcleos do tecto, regula o tónus 
 e o equilibrio postural dos musculos axiais do corpo 
• Neocerebelo ou lobo posterior da divisão clássica. Compreende as formações 
medianas do vermis (monticulus ou tuber, declive e gomo terminal) e as formaçoes 
laterais ( simplex, lóbulo paramediano e os lóbulos ansiformes). Também relacionado 
com os nucleos dentados, coordena os movimentos voluntários homolaterais, 
desenvolvendo-se paralelamente à via cortico-espinhal. 
 
 
 
Fig 3 – Divisões do cerebelo, baseada na embriogénese, segundo Larssell 
 
Em termos de conexões aferentes primárias (fig 4), consideramos o cerebelo dividido em: 
 
• Vestibulocerebelo: estimulos dos nucleos vestibulares para o lobo Floculo-nodular 
• Espinhocerebelo: estímulos dos tractos espinhocerebelares para o verme anterior 
• Pontocerebelo: estimulos dos nucleos pontinos para os hemisférios 
 
 
Fig 4 – Principais conexões aferentes e eferentes do cerebelo 
 
 
O cerebelo é constituído por uma parte central de substância branca, coberta por uma fina 
camada de substância cinzenta, o cortex cerebelar. No interior da substância branca estão 4 
pares de núcleos cerebelares (substância cinzenta) 
(fig 5). A saber: 
 
a. Nucleo dentado 
b. Globosus 
c. Emboliformis (o nucleo globosus e emboliformis no seu conjunto são designados por 
nucleo interposto) 
d. Nucleo fastigial ou do tecto 
 
 
Fig. 5- Corte horizontal através do cerebelo que evidencia a distribuição da substância cinzenta e dos 
nucleos na subtancia branca 
 
Um conceito alternativo anatómico baseado nas projecções eferentes (Fig 4) a partir do 
cortex do cerebelo para os núcleos do cerebelo divide o cerebelo em três areas longitudinais: 
 
• Medial (vermis): nucleo fastigial 
• Intermediaria (para vermiana): nucleo globosus e emboliforme (nucleo interposto) 
• Lateral (hemisfério lateral): núcleo dentado 
 
Dos nucleos cerebelares profundos, fibras eferentes do nucleo fastigial são projectadas para 
nucleos vestibulares e formação reticular via pedúnculo cerebelar inferior e são responsáveis 
pelo equilibrio e movimentos oculares. 
 
Dos núcleos globoso e emboliforme (nucleo interposto) fibras eferentes partem para o tálamo 
e núcleo rubro atraves do pedúnculo cerebelar superior e estão responsáveis pela execução dos 
movimentos e marcha. 
 
Do núcleo dentado para o tálamo contralateral, area motora primária, cortex frontal/ pre-
frontal, núcleo rubro contralateral e medula espinhal através do pedunculo cerebelar superior e 
estão responsaveis pela planificação motora e coordenação dos membros. 
 
Os pedunculos cerebelosos unem o cerebelo ao tronco cerebral. De uma forma sucinta 
podemos afirmar que os pedúnculos cerebelosos médios e inferiores comportam a maioria 
das fibras aferentes e que os pedúnculos cerebelosos superiores e inferiores comportam a 
maioria das fibras eferentes. Pormenorizando: 
 
⇒ Pedunculo cerebeloso inferior (une o cerebelo à medula oblongata): 
 
• Fibras aferentes: 
 
1. Feixe espinhocerebelar dorsal 
2. Feixe cuneocerebelar 
3. Feixe olivocerebelar 
4. Feixe vestibulocerebelar 
5. Feixe reticulocerebelar 
6. Feixe arcuatocerebelar 
7. Feixe trigeminocerebelar 
 
• Fibras eferentes: 
 
1. Feixe fastigiobulbar 
2. Vias cerebeloreticulares 
 
⇒ Pedunculo cerebeloso médio (une o cerebelo à ponte) 
 
1. Feixe corticopontocerebeloso 
 
⇒ Pedunculo cerebeloso superior (une o cerebelo ao mesencefalo) 
 
• Fibras aferentes: 
 
1. Feixe espinhocerebelar anterior 
2. Feixe tectocerebelar 
3. Feixe trigeminocerebelar 
4. Feixe cerulocerebelar 
 
• Fibras eferentes: 
 
1. Feixe dentadorubro 
2. Feixe dentadotalamico 
3. Feixe uncinado de Russel 
 
 
 
Microscopicamente, o cortex é composto de três camadas: 
 
• Camada externa, nuclear ou molecular 
• Camada de células de Purkinje 
• Camada interna ou granular 
 
O cortex cerebelar é organizado somatotopicamente com dois homunculos invertidos 
 
Neurotransmissores no cerebelo: GABA, glutamato, norepinefrina, serotonina, histamina e 
acetilcolina. 
 
Irrigação arterial do cerebelo (fig 6): 
 
• Artéria cerebelar posterior inferior (PICA), 
• Artéria cerebelar anterior inferior (AICA), 
• Artéria cerebelar superior. 
 
A oclusão de um destes vasos leva a diferentes défices neurologicos e sindromes 
 
 
 
Fig 6- Trajecto das artérias cerebelosas. SCA= artéria cerebelar superior; AICA= artéria cerebelar anterior 
inferior; PICA= artéria ceebelar posterior inferior 
 
 
 
Manifestações clínicas de disfunção cerebelar 
 
As manifestações da patologia do cerebelo envolvem alterações do controlo motor, tonus e 
coordenação de movimentos. De seguida descrever-se-á alguns dos sinais caracteristicos da 
afecção do cerebelo. 
 
⇒ Ataxia (apendicular/axial) 
 
Do grego taxi (ordem), a (negação): sem ordem.O sinal cerebeloso por excelência. Refere-
se à alteração da execução harmoniosa dos movimentos voluntários causando 
incoordenação ou alteração do equilibrio. O termo ataxia é aplicável aos membros 
(apendicular), ao tronco (axial) e à marcha. A forma de apresentação pode ser aguda, 
episódica ou recorrente. É etiologia é vasta: algumas causas estão referidas nas tabelas 1, 
2 e 3. 
 
 
 
 
 
 
Causasde Ataxia Aguda 
 
Idiopática 
Metabolica (Hipoglicémia, Hiponatremia, Hiperamoniémia, Deficiencia de Biotinidase, 
Encefalopatia de Wernicke) 
Infecciosa (Meningite bacteriana, meningite virica, encefalite) 
Tóxica 
Traumática 
Hidrocefalo 
Lesões cerebelosas (neoplasias, lesões vasculares) 
Neuroblastoma 
Poliradiculoneuropatia (Sindrome de Guillain-Barré, Miller Fisher) 
Labirintite 
Tumores do tronco cerebral 
Esclerose múltipla 
 Tabela 1 
 
Causas de ataxia recorrente/episódica 
 
Canalopatias (Ataxia episódica tipo 1, Ataxia episódica tipo 2, Coreatetose paroxística 
com ataxia episódica, Ataxia vestibulocerebelar periódica) 
Migraine hemiplégica familiar 
Migraine da artéria basilar 
Vertigem paroxistica benigna da infância 
Epilepsia (status pós ictal) 
Toxinas 
Metabólica (hipoglicémia, hiperamoniémia, Distúrbios de Ac. Orgânicos, Doença de 
Hartnup, Acidémias por hiperpiruvato, deficiencia de decarboxilato piruvato, 
Doença de Refsum, Porfiria, Sindrome de Leigh, Acidose láctica congénita 
Ataxia paroxistica dominante 
 Tabela 2 
 
Causas de Ataxia Crónica 
 
Defeito fixo: Paralisia cerebral, Malformações (exº: Dandy-walker, Chiari, agenesia 
cerebelar, hipoplasia do vermis cerebelar, agenesia familiar do vermis cerebeloso, 
hipoplasia pontocerebelosa, sindrome de joubert’s, malformações corticais 
cerebelosas, macrocerebelo, etc), deficiencia de γ-glutamil-sisteíne sintetase, etc 
Autossomico dominante: SCA1-25 
Autossomico recessivo: Ataxia de Friedreich, ataxia com deficencia de vit E, 
Doença de Wilson, doença de Refsum, ataxia telangiectásica, causas metabolicas, 
etc 
Ataxia espinhocerebelosa ligada ao X 
Doenças adquiridas: Hipotiroidismo, Tóxicos, Esclerose Múltipla, Neoplasias, 
degeneração cereblosa paraneoplásica, ataxia cerebelosa auto-imune, doença de 
Creutzfeldt-Jakob, etc 
SCA= Ataxia espinhocerebelosa Tabela 3 
 
O termo ataxia inclui outras anormalidades do controlo do movimento voluntário, tal 
como: 
 Assinergia ou dissenergia: na execução de um movimento voluntário, este é 
decomposto em várias partes e executado de forma entrecortada, errática e sem 
harmonia 
 Dismetria (hiper ou hipometria): falha no cálculo da distância a percorrer na 
trajectória do movimento. Hipermetria refere-se ao ultrapassar o alvo enquanto que 
hipometria refere-se ao não atingir o alvo. Testado com a manobra dedo-nariz ou 
calcanhar-joelho-face anterior da perna. 
 Discronometria: atraso no arranque e na paragem do movimento. 
 Disdiadococinésia ou adiadococinésia de Babinski: falha na execução de 
movimentos alternados (ou minuciosos) quando executados de forma rápida. No 
indivíduo normal, o relaxamento dos músculos que passarão a ser antagonistas é 
rápido e o mesmo se passa com a contracção dos que eram antagonistas e se tornam 
agonistas. A adiodococinésia é a perda desta faculdade e representa o desajustamento 
temporo-espacial da entrada em jogo dos diferentes motoneurónios, fásicos e tónicos. 
 Braditeleocinésia: fenómeno descrito por Gordon-Holmes, está na dependência de 
assinergia e consiste na dissociação em movimentos elementares de qualquer acto ou 
movimento complexo, e até ter executado cada um daqueles completamente, o doente 
não passa ao seguinte. 
 
È importante distinguir a ataxia sensitiva da cerebelosa 
 
Na ataxia sensitiva a falta de estimulação proprioceptiva dos membros leva à 
incoordenação. Fibras sensitivas, gânglios da raiz dorsal, raízes dorsais, colunas 
posteriores, vias proprioceptivas ao nivel do tronco cerebral ou lobo parietal são os lugares 
de afecção. O doente ao fechar os olhos piora da ataxia. Marcha escarvante, ROT (reflexos 
osteotendinosos) diminuidos. O Romberg é positivo (sinal de Romberg ou Brauch-
Romberg é testado com o paciente de pé, de olhos abertos, pede-se para fechar os olhos e 
quando a estimulação visual é eliminada, o doente depende da estimulação proprioceptiva 
para manter o equilibrio, quando esta está alterada, como ocorre na tabes dorsalis, esclerose 
combinada sub-aguda da medula, neuropatia periférica etilica, diabética...o desequilibrio é 
maior e o donete pode cair). Nunca é acompanhada de nistagmus, disartria e tremor. 
Na ataxia cerebelosa o fechar os olhos não agrava a ataxia. 
 
A ataxia cerebelosa pode-se caracterizar da seguinte forma: 
 
1. Ataxia estática: perturbação da coordenação motora que altera a estática e o 
equilibrio e está na dependência de uma lesão mediana do cerebelo. O doente 
em ortostatismo apresenta-se instável e quando marcha fá-lo de forma 
semelhante a um ébrio, alargando a base de sustentação. Em decubito dorsal 
realiza todos os movimentos com os membros. Simultaneamente pode aparecer: 
nistagmo, disartria e tremor da cabeça e do tronco sobretudo evidente quando se 
põem em acção os mecanismos posturais (sentar-se, levantar-se do leito ou da 
cadeira). 
 
2. Ataxia cinética: Consiste na incoordenação dos movimentos intencionais 
soretudo evidente nos membros superiores, particularmente nas mãos. 
Pressupõe uma lesão homolateral hemisférica ou dos pedúnculos cerebelosos 
médio e/ou superior. 
 
⇒ Disartria 
 
Revela dismetria, descontinuidade de movimento e adiadococinésia. A disartria cerebelosa 
tem sido descrita como escândida e explosiva sobre um fundo de monotonia e lentidão. O 
cerebeloso “masca as palavras antes de as cuspir”. 
 
⇒ Tremor 
 
• O tremor cinético: tremor que aparece no início de um movimento, aumenta durante o 
trajecto e intensifica-se na vizinhança do alvo (tremor intencional). Aumenta com a 
rapidez do gesto, com o grau de dificuldade e com a emoção. 
• O tremor estático, embora menos importante que o tremor intencional também pode 
ser observado. É um tremor rápido e de pequena amplitude quando o individuo se 
apresenta de pé. 
Decorre de lesão das vias eferentes cerebelares ou das suas conexões com o núcleo rubro e 
talâmico 
 
⇒ Hipotonia 
 
A disfunção cerebelosa caracteriza-se por diminuição da vazão tónica dos núcleos 
cerebelares, provocando perda de facilitação cerebelar ao cortéx motor. Os músculos 
tornam-se flácidos. Os reflexos extensores apresentam-se normais ou diminuídos. Os 
reflexos são, por vezes, “pendulares”: bater no tendão patelar, com o doente sentado e o pé 
suspenso, leva a um conjunto de movimentos do pé e da perna para diante e para trás até 
ao membro ficar totalmente em repouso. Os reflexos pendulares são causados pela 
hipotonia e pela resposta anormal do arco reflexo. 
André-Thomas utilizou o termo “passividade” para designar a possibilidade de impor 
atitudes às articulações sem que o indivíduo as corrija ou ofereça a menor resistência. 
Explora-se ao nivel dos membros. No teste de sacudidela do ombro, uma lesão cerebelar 
causa aumento no limite e na duração da oscilação do braço envolvido, embora os 
movimentos possam ser arritmicos e irregulares. 
 
⇒ Alterações dos movimentos oculares 
 
Nistagmus e outros distúrbios da motilidade ocular podem decorrer na sequência de lesões 
cerebelosas. O nistagmus indica com frequência envolvimentos das vias 
vestibulocerebelosas. 
Podemos encontrar um nistagmus parético do olhar. O doente é incapaz de manter um 
olhar excêntrico e exibe sacadas repetidas no olhar conjugado lateral. Numa lesão de um 
hemisfério, os olhos em repouso podem desviar-se de 10º-30º para o lado não afectado. 
Quando o paciente tenta olhar para um determinado ponto, os olhos fazem sacadas em 
direcção ao ponto de fixação com lentos movimentos de retorno ao ponto de repouso. Os 
movimentos acentuam-se e tornam-se mais amplos quando o doente olha para o lado 
doente. 
O nistagmus de Bruns decorre, por exemplo, na presença de um tumor do ângulo 
cerebelopontino. O nistagmus é grosseiro no olhar conjugado para o lado da lesão e fino e 
rápido para o lado oposto. 
Outros distúrbios encontrados: desvio obliquo, dismetria ocular, flutter ocular e 
opsoclonia. 
 
 
Patologia docerebelo 
 
A doença cerebelar pode afectar todo o cerebelo ou parte do mesmo. De uma forma 
simplista podemos definir duas sindromes cerebelosas: uma da linha média ou do verme e 
uma sindrome lateral ou hemisférica. 
 
 Na sindrome do vérmis ou da linha média: os sintomas principais são 
anormalidades da postura e da marcha, com anormalidades variando de ligeiro 
alargamento da base ao caminhar à incapicadade total de caminhar (causas 
frequentes: degeneração cerebelar etilica e meduloblastoma) 
 
 Na sindrome hemisférica ou lateral: O envolvimento dos hemisférios cerebrais 
produz ataxia apendicular, perturbação da coordenação das extremidades 
ipsilaterais, mais do braço que da perna (causas comuns: astrocitoma cerebelar, 
esclerose multipla, acidente vascular cerebral) 
 
Algumas condições afectam difusamente o cerebelo, causando alterações da linha média e 
de ambos os hemisferios. Os doentes podem ter nistagmus, ataxia da marcha e do tronco 
e incoordenação apendicular (causas: sindromes de ataxia espinhocerebelosa hereditária, 
drogas, toxinas e degeneração paraneoplásica). 
 
 
Exame da coordenação e da função cerebelar 
 
Os sinais objectivos classificam-se, por motivos didácticos em três grandes grupos: 
 
⇒ Provas que se relacionam com perturbações do tónus 
 
1. Passividade do membro superior com a rotação alternada e sucessiva 
(direita/esquerda) do tronco ou dos ombros 
 
Com o indivíduo de pé, agarram-se os ombros ou o 
tronco acima da cintura, imprimindo, alternadamente, 
movimentos de rotação para a esquerda e para a direita. 
• No doente, observa-se que o membro superior do 
lado lesado apresenta oscilações muito maiores 
que o lado são
 
2. Diadococinésia passiva 
 
 
 Empurra-se o antebraço, mantendo o braço acima do cotovelo, ou então a mão, 
firmando-se o antebraço acima do pulso 
Ou 
Executam-se movimentos passivos sucessivos e alternantes de pronação e supinação
• No doente observa-se que os movimentos são maiores do lado lesado. 
 
 
 
3. Prova dos braços erguidos 
 
Pede-se ao indivíduo que coloque os braços na vertical, 
deixando cair as mãos livremente. 
• No doente, a mão ipsilateral do lado afectado 
cai, pesadamente para uma posião de maior 
flexão do que no lado são. 
 
 
 
4. Prova das oscilações pendulares 
 
 
 
 
 
Provoca-se, passivamente, movimentos semelhantes às respostas 
pendulares dos reflexos miotáticos (ver fig. da direita). 
• Ao testar o m.inferior, o lado afectado, produz um 
conjunto de movimentos do pé e da perna para diante e 
para trás (oscilações pendulares) até ao membro ficar 
totalmente em repouso.
 
5. Prova dos pesos 
 
 
 
 
 
 
O indivíduo de olhos fechados coloca os braços junto ao tronco e antebraços em 
ângulo recto com aqueles. O examinador coloca-se rapidamente pesos iguais 
(1kg, p.e.) em ambas as mãos. 
• No doente, o antebraço do lado afectado, cai, voltando lenta e 
tardiamente à posição inicial. No lado são, o antebraço quase não muda 
de posição. 
 
 
 
6. Prova da resistência de Stewart-Holme 
 
 
Pede-se ao indivíduo que faça a 
flexão do antebraço e o examinador 
exerce movimento oponente. 
Subitamente, o examinador solta o 
 
 
 
 
 
 
 
 No indíviduo normal, a flexão do 
antebraço só continua por escassos 
cm, logo retoma a posição inicial 
No doente, o antebraço continua o 
movimento de flexão, indo bater com 
força no ombro do próprio doente 
 
7. Fenómeno de Schilder ou de imitação cerebelosa 
 
 
 
 
 
 
Pede-se ao doente que com os olhos fechados, imite com o lado doente a posição 
de perna flectida sobre a coxa do lado são. O doente continua a flectir cada vez 
mais o lado doente, embora julgue que a posição inicial é idêntica. 
 
 
⇒ Provas que se relacionam com perturbações da coordenação estática 
 (postura e equilibrio geral docorpo) 
 
1. Estática na posição de pé 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
De pé, o doente afasta os membros inferiores para alargar a base de sustentação 
e coloca os braços como um funâmbulo para equilibrar a posição – Astasia 
cerebelosa ou impossibilidade de manter-se, em repouso, na posição de pé. 
Com os olhos abertos ou fechados, atento ou distraído em relação ao seu 
equilíbrio, o indivíduo oscila em redor de um eixo vertical imaginário 
(propulsão, lateropulsão ou retropulsão), mas raramente de maneira sistemática 
(sempre para o mesmo lado) ao contrário do indivíduo com lesão labirintica. Se 
o desequilibrio não é muito intenso, pode observar-se durante as repetidas 
oscilações, sobretudo nos pés, estiramento sucessivo dos diversos tendões 
(tibial anterior, extensor comum dos dedos, peroneais laterais, curto peronial, 
tendão de Aquiles, etc) – dança de tendões. 
O fechar os olhos não aumenta o desequilibrio, não há sinal de Romberg (só 
aparece na ataxia sensitiva) 
 
2. Prova da assinergia estática de Babinsky 
 
 
Pede-se ao indivíduo que incline o corpo para traz, que flita as 
pernas, de modo a manter na base de sustentação a projecção 
do centro de gravidade (jogo sinérgico dos musculos 
interessados).
 
 
 
O doente permanece com as pernas rígidas. 
A falta desse jogo sinérgico dos músculos 
em causa não permite a flexão e o doente cai 
 
 
 
 
3. Tremor estático 
. Desvio estático dos membros 
. Catalepsia Cerebelosa 
 
rovas que se relacionam com perturbações da coordenação cinética 
1. Dismetria 
a) Prova do dedo ao nariz 
 
 O indivíduo coloca os braços em extensão na atitude de juramento. 
ca os membros inferiores na posição da prova de Barré 
oente está de 
 Ou 
Colo
• No doente, observa-se um tremor estático (quando o d
pé, também se pode verificar na cabeça, pescoço e tronco) 
 
 
 
 
 
 
4
 
 Na mesma posição dos braços da prova anterior, pode observar-se num ou nos dois, um desvio lento, em qualquer direcção e até pode ser diferente 
nos dois braços. Este desvio traduz uma repartição desigual do tónus de 
músculos com acções opostas.
 
 
 
 
 
5
 
 Indivíduo em decúbito dorsal, com as coxas em flexão sobre a bacia, as 
 
r.
 pernas em extensão sobre as coxas e os pés algo afastados um do outro. 
• Doente cerebeloso pode manter, durante muito mais tempo que o
normal, uma posição incómoda, sem oscilações, cansaço ou tremo
 
 
 
 
 
P
 
 
 
 
Membro superior em abdução completa, pede-se 
os, 
te erra o alvo e por 
vo 
para levar o indicador à ponta do nariz ou ao 
lóbulo da orelha. Primeiro com os olhos abert
depois com eles fechados. 
• O indicador do doen
vezes bate com violência nesse local. A 
tentativa de correcção também falha o al 
 
 
 
 
 
 
 
 
Esta prova também permite avaliar a presença/ausência de: 
 de forma não 
 cional: evidenciado momentos antes do dedo tocar o 
o 
• Assinergia: o movimento é entrecortado de ressaltos,
harmoniosa 
Tremor inten•
alvo e pela falta de firmeza com que o dedo permanece sobre o alv
b) Prova do dedo (doente) ao dedo (médico) 
) Prova do calcanhar ao joelho 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Sem este caso, o alvo é o dedo do examinador. 
edo do examinador, rapidamente para outras 
Ou 
ente no seu nariz e no dedo do 
elhante à anterior, n
Pode complicar-se a prova: 
• Fazendo deslocar o d
posições, devendo o doente segui-lo e tocar-lhe 
• Doente deverá tocar alternadam
examinador. 
 
 
c
 
 
O indivíduo em decúbito dorsal levanta um 
lho 
dos membros inferiores em extensão, de 
seguida flete, toca com o calcanhar no joe
oposto e percorre com o calcanhar, de modo 
suave, toda a crista da tibia, até ao pé. 
 
 
 
No doente, o calcanhar ultrapassa o joelho 
 
 
 
 
 
 
 
 
Tal como a prova dedo-nariz, esta prova também permite avaliar: 
ento 
• ional: oscilação rotatória do calcanhar ao 
utro 
• Assinergia:Durante a prova e sobretudo durante o deslizam
sobre a tíbia 
Tremor intenc
aproximar-se do joelho, acabando por tocar o joelho ou o
ponto de forma violenta e incontrolada
 
 Nota: na ataxia sensitiva o doente levanta o calcanhar muito alto e 
 ergue a cabeça para examinar a posição relativa dos dois membros e
para corrigir os seus erros. Com os olhos fechados é praticamente 
incapaz de executar o teste: não encontra o joelho, ou só depois de 
tocar a coxa é que deslizando consegue atingir o joelho. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
d) Prova de preensão do copo de água de André-Thomas 
 
 
Ao tentar agarrar o copo, o doente, primeiro plana 
sobre o copo e subitamente abate-se sobre ele, 
virando-o muitas vezes. 
 
) Prova da inversão da mão de André-Thomas 
 
Nesta prova também é possivel avaliar a 
am-se assinergia: a mão abre-se e os dedos afast
desmedidamente, o mesmo acontece ao largar o 
copo. 
 
 
e
 
 
 Pede-se ao indiví membros superiores em 
se para 
 a mesma rapidez e 
duo que coloque os extensão com a palma das mãos para cima, e de seguida pede-
inverter as mãos simultaneamente e rapidamente. 
• No lado doente, a inversão não ocorre com
desce muito mais, sobretudo o polegar. 
 
 
 
 
 
 
f) Prova da marcha de “gatas” 
 
 
 
No lado doente, os membros superior e inferior 
levantam-se mais comparativamente ao lado são 
 
g) Prova da linha horizontal de Babinski 
 
 
 
Traçam-se duas linhas verticais com uma 
ue as 
). 
distância de 10cm. Pede-se ao indivíduo q
una por uma sucessão de linhas horizontais. 
• No doente, as linhas ultrapassam as 
verticais e não são rectas (em zig-zag
 
 
Observa-se também que a escrita é irregular, hesitante, angulosa, 
cia 
 
desigual, ora muito carregada ora demasiado leve e há uma tenden
para a macrografia 
 
2. Assinergia 
a) Marcha 
 
 
 
Ao tentar a marcha, o doente exagera a flexão da 
 coxa, o pé eleva-se demasiado, leva-o para diante,
mas não pode ir mais longe porque o tronco atrasa-
se em relação aos membros. A marcha sem apoio é 
impossivel. É conhecida como a assinergia de 
Babinski
 
 
 
) Prova da flexão do tronco 
) Prova da flexão da coxa 
) Prova de genuflexão 
 
Se ainda pode andar, a marcha é lenta, 
e à de 
o 
titubeante e cuidadosa, assemelhando-s
um ébrio. A cabeça e o tronco oscilam, o 
tronco está sempre em atraso, a base de 
sustentação alargada, braços afastados e 
doente é incapaz de caminhar em linha recta
 
 
b
 
 
Indivíduo em decúbito dorsal, com os braços cruzados sobre o 
ovimento e flete os 
 
torax e examinador ordena que se levante 
• O doente não consegue realizar o m
membros em extensão sobre a bacia.
 
 
 
 
 
c
 
 Indivíduo em decúbito dorsal, flete o membro inferior até que o 
ento: primeiro flete a coxa 
, 
 calcanhar toque a região nadegueira 
• O doente decompõe o movim
sobre a bacia, depois levanta exageradamente o calcanhar
flete a perna bruscamente e o calcanhar golpeia o leito até 
tocar violentamente a região nadegueira. 
 
 
 
 
 
 
 
d
 
 
 
Indivíduo segura-se às costas de uma cadeira e ajoelha no assento 
e levanta exageradamente o joelho do lado doente 
da mesma. 
• O d oent
 e ao abaixa-lo embate violentamente no assento. 
 
 
 
e) Braditeleocinésia 
3. Discronometria (André-Thomas) 
. Adiadococinésia ou disdiadococinésia 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Indivíduo em decúbito dorsal, pede-se para estender um braço 
e o cotovelo e toca 
 doente, primeiro baixa o braço estendido até o colocar de 
verticalmente e tocar com o indicador no nariz. 
O individuo normal baixa e flete simultaneament
o nariz. 
• O
um lado, só depois flete o cotovelo e finalmente toca o nariz 
 
 
 
 
Nas lesões unilaterais pôe-se em evidência o atraso do arranque do 
lado doente pela execução simultânea do mesmo gesto pelos dois 
lados
 
 
 
 
4
 
Prova das marionetes: realizar movimentos 
sucessivos de supinação e pronação. 
Prova de marcar o compasso
 
 
: imitar um 
tambor (arritmocinésia) 
Prova do bater palmas: bater na palma de uma 
das mãos alternadamente com a palma e o 
dorso da outra mão 
 
 
5. Tremor cinético 
 
Evidenciado durante a execução de qualquer movimento 
-se na 
 
aparece no início, aumenta durante o trajecto e intensifica
vizinhança do alvo. 
 
 
 
 
 s perturbações do Tónus, da Coordenação estática e da Coordenação cinética 
 
A
associam-se em três actos fundamentais: marcha, discurso e escrita 
 
 
 
Bibliografia 
ebenta de Neurologia da FMUC 
ion, William Wesley Campbell, Russell N. Dejong, 
rders 
 
S
Dejong's the Neurologic Examinat
Localization in Clinical Neurology Paul W. Brazis, Joseph C. Masdeu, José Biller 
American Academy of Neurology, Educational Program Syllabus, Movement Diso

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