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UNIVERSIDADE DA REGIÃO DA CAMPANHA RAFAELA VALENTINI SALGADO E-MAIL: rafaelasalgado@urcamp.edu.br A palavra Psicologia deriva de duas palavras Gregas, "psyche" e "logos“. Traduzidas à letra significam, o estudo da mente. Lei 4.119: Regulamentou a profissão no dia 27 de agosto de 1962. COMPORTAMENTOS E PROCESSOS MENTAIS. Comportamento é aquilo que define ações do ser humano. Processos mentais são experiências internas, como sentimentos, lembranças, afetos... A Psicologia tem um longo passado, mas uma curta história. A Psicologia e o Direito parecem dois mundos condenados a entender-se. Psicologia e Direito necessariamente têm de relacionar-se porque tratam da conduta humana. A psicologia vive obcecada pela compreensão do comportamento humano, enquanto o direito é o conjunto de regras que buscam regular esse comportamento. Psicologia do Direito: explica a essência do direito, a sua fundamentação psicológica. Seria semelhante à Filosofia do Direito. Psicologia no Direito: estuda a estrutura das normas Jurídicas enquanto estímulos dos vetores das condutas humanas: produz ou evita certos comportamentos. Psicologia para o Direito: disciplina auxiliar do direito, convocada a iluminar os fins do próprio direito. Aplicada ao seu melhor exercício. “É o estudo do comportamento das pessoas e dos grupos enquanto têm a necessidade de desenvolver-se dentro de ambientes regulados juridicamente, assim como da evolução dessas regulamentações jurídicas ou leis enquanto os grupos sociais se desenvolvem neles” (Trindade, 1998). Definição de Mira y López (2000): “Psicologia jurídica é definida como a psicologia aplicada ao melhor exercício do Direito”. A Psicologia Jurídica é a Psicologia que ajuda o Direito a atingir seus fins. Trata-se de uma ciência auxiliar do Direito, e não aquela que o questiona, nem aquela capaz de o interrogar. Dimensão restrita. Propõe apanhar as principais áreas de informação psicológica e seus instrumentos de maior utilidade. Parece não haver dúvidas de que o sistema de justiça tem se aperfeiçoado em todos os sentidos ao longo do tempo. Se pretendermos aprimorar a Justiça e as Instituições, devemos conhecer os mecanismos psicológicos do comportamento humano. Isso começa por instrumentalizar: os advogados, que são sempre o primeiro juiz de causa; os promotores de justiça, que lidam a todo instante com os conflitos individuais e sociais; os juízes, que têm a missão de resolver esses conflitos. Ressalta-se que, o Direito e a Psicologia são duas disciplinas irmãs que nascem com o mesmo fim e compartilham o mesmo objeto de estudo: o homem e seu comportamento. Ambas estão destinadas a servir o homem e a sociedade, bem como promover um mundo mais justo e melhor. Não é demasiado insistir que: O Direito e a Psicologia estão “condenados” a dar as mãos; que a Psicologia é fundamental ao Direito e, mais que isso; essencial para a Justiça. Rafaela Valentini Salgado E-mail: rafaelasalgado@urcamp.edu.br Objetivo: apresentar e discutir alguns referenciais históricos documentados que permitam relatar como a Psicologia e o Direito se aproximaram na história brasileira. Delimitar o início da Psicologia Jurídica a partir de determinados marcos históricos. Conhecer os principais campos de atuação da Psicologia Jurídica, com uma descrição das tarefas desempenhadas em cada setor. LAGO, Vivian de Medeiros et al . Um breve histórico da psicologia jurídica no Brasil e seus campos de atuação. Estud. psicol. (Campinas), Campinas , v. 26, n. 4, p. 483- 491, Dec. 2009. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_ arttext&pid=S0103- 166X2009000400009&lng=en&nrm=iso>. Durante a Antiguidade e a Idade Média a loucura era um fenômeno bastante privado. Ao “louco” era permitido circular com certa liberdade, e os atendimentos médicos restringiam-se a uns poucos abastados. ◦ Exclusão dos doentes mentais. Nau da loucura. Hieronymus Bosch. (1490-1500) O Grito. Edvard Bunch. (1893) A partir do século XVIII, na França, Philippe Pinel realizou a revolução institucional, liberando os doentes de suas cadeias e dando assistência médica a esses seres segregados da vida em sociedade. Em 1793, Couthon (uma das três maiores autoridades da revolução francesa, ao lado de Robespierre e Saint-Just) teria inspecionado pessoalmente o hospital de Bicêtre, recém- assumido por Pinel. Ah!, cidadão, você também é louco de querer desacorrentar tais animais? ... Faça o que quiser. Eu os abandono a você. Mas temo que você seja vítima de sua própria presunção. Pinel teria respondido: Tenho a convicção de que estes alienados só são tão intratáveis porque os privamos de ar e liberdade, e eu ouso esperar muito de meios completamente diferentes. Mudar o tratamento dado ao doente mental consiste em duas grandes ações: oferecer uma rede de cuidados que ajude o paciente a viver na comunidade e; construir uma atitude nova da sociedade em relação ao doente mental. Primeiros estudos na área criminal: - Adultos criminosos - Adolescentes infratores da lei. Inserção deu-se de forma gradual e lenta, muitas vezes de maneira informal, por meio de trabalhos voluntários. A partir da promulgação da Lei de Execução Penal (Lei Federal nº 7.210/84) Brasil (1984), o psicólogo passou a ser reconhecido legalmente pela instituição penitenciária. Após esse período, os psicólogos clínicos começaram a colaborar com os psiquiatras nos exames psicológicos legais e em sistemas de justiça juvenil. Psicanálise: a abordagem frente à doença mental passou a valorizar o sujeito de forma mais compreensiva e com um enfoque dinâmico. O psicodiagnóstico ganhou força, deixando de lado um enfoque eminentemente médico para incluir aspectos psicológicos Duas grandes categorias: de maior ou de menor severidade. Os pacientes menos severos eram encaminhados aos psicólogos, para que esses profissionais buscassem uma compreensão mais descritiva de sua personalidade. Os pacientes de maior severidade, com possibilidade de internação, eram encaminhados aos psiquiatras. Balu (1984) demonstrou, a partir de estudos comparativos e representativos, que os diagnósticos de Psicologia Forense podiam ser melhores que os dos psiquiatras. Psicodiagnósticos eram vistos como instrumentos que forneciam dados matematicamente comprováveis para a orientação dos operadores do Direito. Psicólogos da Alemanha e França desenvolveram trabalhos empírico-experimentais sobre o testemunho e sua participação nos processos judiciais. Estudos acerca dos sistemas de interrogatório, os fatos delitivos, a detecção de falsos testemunhos, as amnésias simuladas e os testemunhos de crianças aproximaram a Psicologia e o Direito. Atualmente, o psicólogo utiliza estratégias de avaliação psicológica, com objetivos bem definidos, para encontrar respostas para solução de problemas. A testagem pode ser um passo importante do processo, mas constitui apenas um dos recursos de avaliação. Como pode ser evidenciado, o Direito e a Psicologia se aproximaram em razão da preocupação com a conduta humana. Porém, não era apenas no campo do Direito Penal que existia a demanda pelo trabalho dos psicólogos. DIREITO CIVIL No estado de São Paulo, o psicólogo fez sua entrada informal no Tribunal de Justiça por meio de trabalhos voluntários com famílias carentes em 1979. A entrada oficial se deu em 1985, quando ocorreu o primeiro concurso público para admissão de psicólogos dentro de seus quadros. Ainda dentro do Direito Civil, destaca-se o Direito da Infância e Juventude, área em que o psicólogo iniciou sua atuação no então denominado Juizado de Menores. Apesar das particularidades de cada estado brasileiro, a tarefa dos setores de psicologia era, basicamente, a perícia psicológica nos processos cíveis, de crime e, eventualmente, nosprocessos de adoção. Estatuto da Criança e do Adolescente (1990) Juizado de Menores passou a ser denominado Juizado da Infância e Juventude. APÓS O ECA: O trabalho do psicólogo foi ampliado, envolvendo atividades na área pericial, acompanhamentos e aplicação das medidas de proteção ou medidas socioeducativas. Essa expansão do campo de atuação do psicólogo gerou um aumento do número de profissionais em instituições judiciárias mediante a legalização dos cargos pelos concursos públicos. São exemplos a criação do cargo de psicólogo nos Tribunais de Justiça dos estados de Minas Gerais (1992), Rio Grande do Sul (1993) e Rio de Janeiro (1998). Criação do Núcleo de Atendimento à Família (NAF) em 1997 implantado no Foro Central de Porto Alegre. O trabalho objetiva oferecer a casais e famílias com dificuldades de resolver seus conflitos um espaço terapêutico que os auxilie a assumir o controle sobre suas vidas, colaborando, assim, para a celeridade do Sistema Judiciário. Reordenamento Institucional da FEBEM: Lei 11.800/02: A Fundação de Atendimento Socioeducativo (FASE), responsável pela execução das medidas socioeducativas, E a Fundação de Proteção Especial (FPE), responsável pela execução das medidas de proteção. O surgimento dessas fundações se deu inicialmente no estado do Rio Grande do Sul. Elas são a consolidação do processo de adaptação aos preceitos regidos pelo ECA, iniciado nos anos 1990. Direito da Família e Direito do Trabalho vem tomando força. Em relação à área acadêmica, a Universidade do Estado do Rio de Janeiro foi pioneira em relação à Psicologia Jurídica. Foi criada, em 1980, uma área de concentração dentro do curso de especialização em Psicologia Clínica, denominada “Psicodiagnóstico para Fins Jurídicos”. Na Psicologia Jurídica há uma predominância das atividades de confecções de laudos, pareceres e relatórios, pressupondo-se que compete à Psicologia uma atividade de cunho avaliativo e de subsídio aos magistrados. O psicólogo não decide, apenas conclui a partir dos dados levantados mediante a avaliação e pode, assim, sugerir e/ou indicar possibilidades de solução da questão apresentada pelo litígio judicial. Os ramos do Direito que frequentemente demandam a participação do psicólogo são: Direito da Família, Direito da Criança e do Adolescente, Direito Civil, Direito Penal e Direito do Trabalho. Cabe observar que o Direito de Família e o Direito da Criança e do Adolescente fazem parte do Direito Civil. Porém, como na prática as ações são ajuizadas em varas diferenciadas, optou-se por fazer essa divisão. Destaca -se a participação dos psicólogos nos processos de separação e divórcio, disputa de guarda e regulamentação de visitas. O psicólogo atua nos processos em que são requeridas indenizações em virtude de danos psíquicos e também nos casos de interdição judicial. O psicólogo pode ser solicitado a atuar como perito para averiguação de periculosidade, das condições de discernimento ou sanidade mental das partes em litígio ou em julgamento. O psicólogo pode atuar como perito em processos trabalhistas. Vitimologia e Psicologia do Testemunho