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Estrongiloidíase Anne Caroline Santos Ramos Biomédica Esp. Em Citologia Clínica Mestranda no PPG em Biologia Parasitária Características gerais • Geohelminto do filo Nematoda; • Das 52 espécies existentes, 2 são infectantes para o homem: • Strongyloides stercoralis; • S. fuelleborni. • Epidemiologia: • Prevalente em regiões tropicais e subtropicais; • 30 a 100 milhões de infectados no mundo; • Além do homem, a espécie pode infectar cães, gatos e macacos; • Parasito monoxênico com ciclo indireto e direto; • Habitat: Intestino delgado (criptas da mucosa); • Forma de transmissão: Penetração de pele e mucosas. Relembrando... Esôfago rabtidoide • Possui 3 partes: • Corpo (alongado); • Istmo (estreitado); • Bulbo (globoso). Esôfago filarioide • Longo e fino; • Chega até metade do corpo. Morfologia - Ovos • Não são encontrados nas fezes; • A larva eclode ainda no intestino; • São elípticos, de parede fina e transparente; • Idênticos aos de Ancilostomídeos; • Em casos raros, podem ser encontrados em fezes diarreicas (forma grave) e após uso de laxativos. Morfologia – Larvas Larvas rabditoides (L1 e L2) • Apresentam cutícula fina e hialina; • O esôfago é do tipo rabditoide; • Medem até 0,3mm; • Vestíbulo bucal curto; • Primórdio genital nítido; • Cauda pontiaguda; • Podem ser encontradas nas fezes e líquidos biológicos (urina, escarro, bile, etc); • Forma não infectante. Larvas filarioide (L3 a L4) • Possuem cutícula fina e hialina; • O esôfago é tipo filarioide; • Medem até 0,5mm; • O vestíbulo bucal é curto; • Primórdio genital nítido; • Cauda entalhada; • Encontrada nas fezes, intestino ou no solo; • Infectante. Morfologia – Adultos de vida livre Fêmea de vida livre (2n) • Fusiforme, com anterior arredondada e posterior afilada; • Esôfago com aspecto rabditoide; • Mede até 1,2mm; • Menor que a fêmea partenogenética; • Libera até 28 ovos/dia; • Vive no ambiente. Macho de vida livre (n) • Fusiforme com anterior arredondada e posterior curvada ventralmente; • Esôfago rabditoide; • Menor que a fêmea (0,7mm); • Possui espículos na cauda para auxílio da copulação; • Encontrado no ambiente. Morfologia – Fêmea partenogenética (3n) • Possui corpo cilíndrico medindo até 2,5 mm; • Encontrada no intestino delgado; • Possui boca com 3 lábios; • Finaliza em ânus; • Libera entre 30-40 ovos larvados/dia; • Se reproduz por partenogênese (agamia); • Forma diagnóstica. Ciclo Biológico • Ciclo monoxênico; • Possui necessidade de maturação ambiental para ambos os ciclos; • A depender da ploidia, o ciclo é direto ou indireto;] • Realizam ciclo pulmonar. Tipos de infecção • Hetero ou Primoinfecção: • Primeiro contato com o patógeno; • Autoinfecção interna: • A congestão de fezes permite que as larvas rabditoides realizem a muda para larva filarioide e estas invadam a mucosa intestinal; • Uma das causas de cronificação da infecção; • Pode levar a hiperinfecção. • Autoinfecção externa: • A falta de asseio permite que larvas rabditoides presentes no períneo cresçam para larva filarioide e invadam a pele; • Pode ocorrer no uso de fraldas, roupas sujas e deficiência de higiene; • Pode levar a hiperinfecção. Patogenia • A infecção pode ser assintomática ou sintomática; • Sintomatologia: • Depende da fase de vida do parasito e localização no hospedeiro. • Causas dos sintomas: • Ação tóxica; • Ação mecânica; • Ação obstrutiva; • Ação traumática; • Ação irritativa. Patogenia • Cutânea: • Penetração das larvas; • Larvas mortas ativam reação inflamatória local (larva currens). • Pulmonar: • Presença de larvas pelos bronquíolos e alvéolos; • Tosse, muco, febre, dificuldades para respirar, hemorragia de vias aéreas inferiores, infiltração de eosinófilos. Patogenia • Intestinal: • Enterite catarral: • parasito localizado nas criptas glandulares; • inflamação leve; • aumento do número de células que secretam mucina responsáveis pelo aumento na produção de muco. • Enterite edematosa: • parasitos localizados em todas as túnicas da parede intestina; • reação inflamatória com edema; • desaparecimento do relevo mucoso; • Síndrome de má-absorção. • Enterite ulcerosa: • Inflamação com intensa eosinofilia; • Ulceração, produção de tecido fibrótico e alteração do peristaltismo (íleo paralítico); • Invasão bacteriana; • Sintomas: diarreia, náusea, vômito, esteatorreia, desidratação, emagrecimento, choque hipovolêmico, que associado a outras condições, pode ser fatal. Patogenia • Disseminada: • Rins(larvas na urina); • Coração(larvas no líquido pericárdico); • Cérebro (LCR); • Pâncreas; • Adrenais; • Linfonodos; • Tireoide; • Próstata • Complicações decorrentes de infecções bacterianas secundárias Hiperinfecção e Imunossupressão • A possibilidade de infecção por S. stercoralis deve sempre ser investigada em casos de uso de imunossupressores; • Hiperinfecção descreve a síndrome de autoinfecção acelerada, geralmente o resultado de uma alteração no estado imunitário; • Indivíduos mais acometidos: • Pacientes com neoplasia hematológica; • Infecção por HTLV-I; • Hipogamaglobulinemia; • Desnutrição severa; • Uremia; • Diabetes melitus; • Pacientes que receberam imunossupressores, principalmente corticoide. • O corticoide precipita a muda de larvas rabditóides intestinais a filariformes invasoras. Diagnóstico • Liberação de larvas nas fezes é irregular; • Utilização de 3 a 5 amostras colhidas em dias alternados; • Pesquisa de larvas em fezes sem conservantes; • Métodos baseados em hidro e termotropismo: • Técnica de Rugai e Baermann-Moraes; • Coprocultura: • Desenvolvimento do ciclo indireto. Diagnóstico • Imunológico: • ELISA; • Nem sempre disponível; • Pode ter reação cruzada com Ancilostomídeos e Ascaris lumbricoides. • Líquidos corporais: • Pesquisa de larvas em líquidos ascítico, pericárdico, bile, urina. • Biopsias e endoscopia. Diagnóstico diferencial • Ancilostomídeos: • Vestíbulo bucal longo; • Primórdio genital vestigial; • Cauda pontiaguda. • S. stercoralis: • Vestíbulo bucal curto; • Primórdio genital nítido; • Cauda entalhada (macho). Tratamento e Profilaxia Tratamento • Tiabendazol; • Cambendazol; • Albendazol; • Ivermectina. – Atuam sobre as fêmeas partenogenéticas e larvas; – Nos casos de constipação intestinal, associar um laxativo para impedir a evolução das larvas rabditóides e causar uma auto-infecção interna. Profilaxia • Tratamento dos indivíduos parasitados; • Uso de calçados; • Higiene alimentar; • Higiene pessoal; • Cuidado com contaminação do solo.