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Todas as profissões, sejam elas superiores ou técnicas, devem ser estudadas à luz da sua história e interpretada sob o ponto de vista humano. O técnico em enfermagem que conhece apenas os conhecimentos do presente deixa não somente de usufruir de uma fonte perene de interesse, como também se torna incapaz de avaliar e julgar corretamente os conhecimentos atuais que afetam sua própria carreira. A disciplina INTRODUÇÃO A ENFERMAGEM é a primeira disciplina do CURSO DE ENFERMAGEM do CDC EDUCAÇÃO/COLÉGIO MAIS DOM, quem tem uma carga horária de estudo de 80 horas. OBJETIVOS 1- Reconhecer os principais fatos e eventos históricos sobre a Enfermagem; 2- Identificar fatores de crescimento da Enfermagem no mundo; 3- Distinguir as teorias da enfermagem; 4- Reconhecer as teorias da Enfermagem como elemento importante para a prática de Enfermagem; 5- Identificar procedimentos éticos e não éticos na profissão; 6- Correlacionar a relação paciente e enfermeiro; COMPETÊNCIAS Ao final do estudo desta disciplina o aluno deverá ser capaz de conhecer o desenvolvimento histórico das práticas de saúde, a história da enfermagem no Brasil e no mundo. Conhecer as teorias de enfermagem, entender como se deu o processo de profissionalização da enfermagem, as entidades de classe e a importância de cada uma delas. HABILIDADES Conhecer o conceito de enfermagem, a partir de uma visão histórica; Fazer uma retrospectiva das práticas de saúde e das suas influências no processo de cuidar; Conhecer o desenvolvimento histórico da enfermagem e seus avanços como profissão; Ter noções sobre as principais teorias de enfermagem, sabendo qual sua importância e finalidade no processo de cuidar; Conhecer um trabalho ético e a relação paciente enfermeiro e a importância de cada uma delas; Dica: “ Não procure estudar muito hoje. Procure estudar pouco todos os dias. Essa é a chave do aprendizado”. Bons Estudos! 2 1. HISTÓRIA DA ENFERMAGEM ---------------------------------------------------------------------------------3 1.1. PERÍODO COLONIAL ---------------------------------------------------------------------------------------------3 1.2. DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO EM ENFERMAGEM NO BRASIL -------------------------6 1.3. PROCESSO DE ENFERMAGEM NO MUNDO -------------------------------------------------------------11 2. TEORIA DA ENFERMAGEM ------------------------------------------------------------------------------------13 2.1. AS TEORIAS DE ENFERMAGEM E A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO DA ÁREA----13 3. ÉTICA DA ENFERMAGEM --------------------------------------------------------------------------------------17 3.1. CÓDIGO DE ÉTICA DOS PROFISSIONAIS DE ENFERMAGEM ------------------------------------18 4. RELAÇÃO PACIENTE ENFERMEIRO -----------------------------------------------------------------------21 4.1. HUMANIZAÇÃO DO PROFISSIONAL DA SAÚDE-------------------------------------------------------21 4.2. RELAÇÃO ENTRE PROFISSIONAL DA SAÚDE E PACIENTE -------------------------------------22 3 Nosso diálogo vai começar com uma pergunta: O QUE É A ENFERMAGEM? É “uma ciência, arte e uma prática social” essencial para a área da saúde e comprometida com o cuidado ao ser humano. O profissional desta área é responsável por prestar cuidados conforme a necessidade da pessoa, família e coletividade. Agora você vai entrar nessa área, muito importante para a humanidade e para ser um excelente profissional, vai precisar estudar bastante. Vamos lá.... Você sabia que aos primeiros atendimento aos doentes foram realizados por um grupo que na sua maioria eram de escravos? Pois é, a Enfermagem como profissão surgiu como uma simples prestação de cuidados aos doentes, realizada por um grupo formado, na sua maioria, por escravos, que naquela época trabalhavam nos domicílios. Em Portugal, desde o princípio da colonização foi aberta as Casas de Misericórdia. 1.1. PERÍODO COLONIAL Santa Casa da Misericórdia de Campos/RJ – Cartão Postal, 1910 A organização da Enfermagem na Sociedade Brasileira – compreende desde o período colonial até o final do século XIX. Desde o princípio da colonização foi incluída a abertura das Casas de Misericórdia, que tiveram origem em Portugal. 4 A primeira Casa de Misericórdia foi fundada na Vila de Santos, em 1543. Em seguida, ainda no século XVI, surgiram as do Rio de Janeiro, Vitória, Olinda e Ilhéus. Mais tarde Porto Alegre e Curitiba, esta inaugurada em 1880, com a presença de D. Pedro II e Dona Tereza Cristina. Quem nunca ouviu falar do padre José de Anchieta nos nossos estudos de Literatura, no ensino médio? Pois é, ele não só se limitou aos estudos da catequese e da ciência, mas também é um nome muito forte a saúde do povo brasileiro. José de Anchieta foi além, atendia aos necessitados, exercendo atividades de médico e enfermeiro. Em seus escritos encontramos estudos de valor sobre o Brasil, seus primitivos habitantes, clima e as doenças mais comuns. A terapêutica empregada era à base de ervas medicinais minunciosamente descritas. Como não há nenhum registro, supõe-se que os Jesuítas faziam a supervisão do serviço que era prestado por pessoas treinadas por eles. Outra figura de destaque é Frei Fabiano Cristo, que durante 40 anos exerceu atividades de enfermeiro no Convento de Santo Antônio do Rio de Janeiro (Séc. XVIII). Os escravos tiveram papel relevante, pois auxiliavam os religiosos no cuidado aos doentes. Em 1738, Romão de Matos Duarte consegue fundar no Rio de Janeiro a Casa dos Expostos. Somente em 1822, o Brasil tomou as primeiras medidas de proteção à maternidade que se conhecem na legislação mundial, graças a atuação de José Bonifácio Andrada e Silva. A primeira sala de partos funcionava na Casa dos Expostos em 1822. Em 1832 organizou-se o ensino médico e foi criada a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. A escola de parteiras da Faculdade de Medicina diplomou no ano seguinte a célebre Madame Durocher, a primeira parteira formada no Brasil. No começo do século XX, grande número de teses médicas foram apresentadas sobre Higiene Infantil e Escolar, demonstrando os resultados obtidos e abrindo horizontes e novas realizações. Esse progresso da medicina, entretanto, não teve influência imediata sobre a Enfermagem. Assim sendo, na enfermagem brasileira do tempo do Império, raros nomes de destacaram e, entre eles, merece especial menção o de Anna Nery. 5 ANNA NERY Aos 13 de dezembro de 1814, nasceu Ana Justina Ferreira, na Cidade de Cachoeira, na Província da Bahia. Casou- se com Isidoro Antônio Nery, enviuvando aos 30 anos. Destacaram e, entre eles, merece especial menção o de Anna Nery. Seus dois filhos, um médico militar e um oficial do exército, são convocados a servir a Pátria durante a Guerra do Paraguai (1864-1870), sob a presidência de Solano Lopes. O mais jovem, aluno do 6º ano de Medicina, oferece seus serviços médicos em prol dos brasileiros. Anna Nery não resiste à separação da família e escreve ao Presidente da Província, colocando-se à disposição de sua Pátria. Em 15 de agosto parte para os campos de batalha, onde dois de seus irmãos também lutavam. Improvisa hospitais e não mede esforços no atendimento aos feridos. Após cinco anos, retorna ao Brasil, é acolhida com carinho e louvor, recebe uma coroa de louros e Victor Meireles pinta sua imagem, que é colocada no edifício do Paço Municipal. O governo imperial lhe concede uma pensão, além de medalhas humanitárias e de campanha. Faleceu no Rio de Janeiro a 20 de maio de 1880. A primeira Escola de Enfermagem fundada no Brasil recebeu o seu nome. Anna Nery que, assim como Florence Nightingale, rompeu com os preconceitos da época quefaziam da mulher prisioneira do lar. 6 MAS QUEM FOI FLORENCE NIGHTINGALE? Foi o marco da enfermagem mundial Nasceu em 1820, em Florença, e é considerada, por todos, como a mãe da Enfermagem moderna no mundo. Não é para menos. Afinal de contas, Florence realizou façanhas marcantes, especialmente por ser mulher em uma realidade bem diferente da atual. Nascida em uma família rica e cheia de posses, a jovem Nightingale, que viveu boa parte de sua vida em Londres, se rebelou à ordem vigente, de que as mulheres deveriam se tornar esposas submissas, responsáveis pelas tarefas doméstica e cuidados dos filhos. 1.2. DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO EM ENFERMAGEM NO BRASIL (SÉC. XIX) Ao final do século XIX, apesar de o Brasil ainda ser um imenso território com um contingente populacional pouco e disperso, um processo de urbanização lento e progressivo já se fazia sentir nas cidades que possuíam áreas de mercado mais intensas, como São Paulo e Rio de Janeiro. As doenças infecto contagiosas, trazidas pelos europeus e pelos escravos africanos, começam a propagar-se rápida e progressivamente. A questão saúde passa a constituir um problema econômico-social. Para deter esta escalada que ameaçava a expansão comercial brasileira, o governo, sob pressões externas, assume a assistência à saúde através da criação de serviços públicos, da vigilância e do controle mais eficaz sobre os portos, inclusive estabelecendo quarentena revitaliza, através da reforma Oswaldo Cruz introduzida em 1904, a Diretoria-Geral de Saúde Pública, incorporando novos elementos à estrutura sanitária, como o Serviço de Profilaxia da Febre Amarela, a Inspetoria de Isolamento e Desinfecção e o Instituto Soroterápico Federal, que 7 posteriormente veio se transformar no Instituto Oswaldo Cruz. Mais tarde, a Reforma Carlos Chagas (1920), numa tentativa de reorganização dos serviços de saúde, cria o Departamento Nacional de Saúde Pública, Órgão que, durante anos, exerceu ação normativa e executiva das atividades de Saúde Pública no Brasil. A formação de pessoal de Enfermagem para atender inicialmente aos hospitais civis e militares e, posteriormente, às atividades de saúde pública, principiou com a criação, pelo governo, da Escola Profissional de Enfermeiros e Enfermeiras, no Rio de Janeiro, junto ao Hospital Nacional de Alienados do Ministério dos Negócios do Interior. Esta escola, que é de fato a primeira escola de Enfermagem brasileira, foi criada pelo Decreto Federal nº 791, de 27 de setembro de 1890, e denomina-se hoje Escola de Enfermagem Alfredo Pinto, pertencendo à Universidade do Rio de Janeiro - UNI-RIO. VEJA A IMPORTANCIA DA CRUZ VERMELHA BRASILEIRA NA SAÚDE BRASILEIRA A Cruz Vermelha Brasileira foi organizada e instalada no Brasil em fins de 1908, tendo como primeiro presidente o médico Oswaldo Cruz. Destacou-se a Cruz Vermelha Brasileira por sua atuação durante a I Guerra Mundial (1914-1918). Durante a epidemia de gripe espanhola (1918), colaborou na organização de postos de socorro, hospitalizando doentes e enviando socorristas a diversas instituições hospitalares e a domicílio. Atuou também socorrendo vítimas das inundações, nos Estados de Sergipe e Bahia, e as secas do Nordeste. Muitas das socorristas dedicaram-se ativamente à formação de voluntárias, continuando suas atividades após o término do conflito. 8 PRIMEIRAS ESCOLAS DE ENFERMAGEM NO BRASIL 1. ESCOLA DE ENFERMAGEM "ALFREDO PINTO" Selo-convite oficial dos 120 anos da Escola de Enfermagem Alfredo Pinto Esta escola é a mais antiga do Brasil, data de 1890, foi reformada por Decreto de 23 de maio de 1939. O curso passou a três anos de duração e era dirigida por enfermeiras diplomadas. Foi reorganizada por Maria Pamphiro, uma das pioneiras da Escola Anna Nery. 2. ESCOLA DA CRUZ VERMELHA DO RIO DE JANEIRO Começou em 1916 com um curso de socorrista, para atender às necessidades prementes da 1ª Guerra Mundial. Logo foi evidenciada a necessidade de formar profissionais (que desenvolveu-se somente após a fundação da Escola Anna Nery) e o outro para voluntários. Os diplomas expedidos pela escola eram registrados inicialmente no Ministério da Guerra e considerados oficiais. Esta encerrou suas atividades. 3. ESCOLA ANNA NERY A primeira diretoria foi Miss Clara Louise Kienninger, senhora de grande capacidade e virtude, que soube ganhar o coração das primeiras alunas. Com habilidade fora do comum, adaptou-se aos costumes brasileiros. Os cursos tiveram início em 19 de fevereiro de 1923, com 14 alunas. Instalou-se pequeno internato próximo ao Hospital São Francisco de Assis, onde seriam feitos os primeiros estágios. 9 Em 1923, durante um surto de varíola, enfermeiras e alunas dedicaram- se ao combate à doença. Enquanto nas epidemias anteriores o índice de mortalidade atingia 50%, desta vez baixou para 15%. A primeira turma de Enfermeiras diplomou-se em 19 de julho de 1925. Destacam-se desta turma as Enfermeiras Lais Netto dos Reys, Olga Salinas Lacôrte, Maria de Castro Pamphiro e Zulema Castro, que obtiveram bolsa de estudos nos Estados Unidos. A primeira diretora brasileira da Escola Anna Nery foi Raquel Haddock Lobo, nascida a 18 de junho de 1891. Foi a pioneira da Enfermagem moderna no Brasil. esteve na Europa durante a Primeira Grande Guerra, incorporou-se à Cruz Vermelha Francesa, onde se preparou para os primeiros trabalhos. De volta ao Brasil, continuou a trabalhar como Enfermeira. Faleceu em 25 de setembro de 1933. 4. ESCOLA DE ENFERMAGEM CARLOS CHAGAS Por Decreto nº 10.925, de 7 de junho de 1933 e iniciativa de Dr. Ernani Agrícola, diretor da Saúde Pública de Minas Gerais, foi criado pelo Estado a Escola de Enfermagem "Carlos Chagas", a primeira a funcionar fora da Capital da República. A organização e direção dessa Escola coube a Laís Netto dos Reys, sendo inaugurada em 19 de julho do mesmo ano. A Escola "Carlos Chagas", além de pioneira entre as escolas estaduais, foi a primeira a diplomar religiosas no Brasil. 5. ESCOLA DE ENFERMAGEM "LUISA DE MARILLAC" Fundada e dirigida por Irmã Matilde Nina, Filha de caridade, a Escola de Enfermagem Luisa de Marillac representou um avanço na Enfermagem Nacional, pois abria largamente suas portas, não só às jovens estudantes 10 seculares, como também às religiosas de todas as Congregações. É a mais antiga escola de religiosas no Brasil e faz parte da União Social Camiliana, instituição de caráter confessional da Província Camiliana Brasileira. 6. ESCOLA PAULISTA DE ENFERMAGEM Fundada em 1939 pelas Franciscanas Missionárias de Maria, foi a pioneira da renovação da enfermagem na Capital paulista, acolhendo também religiosas de outras Congregações. Uma das importantes contribuições dessa escola foi início dos Cursos de Pós- Graduação em Enfermagem Obstétrica. Esse curso que deu origem a tantos outros, é atualmente ministrado em várias escolas do país. 7. ESCOLA DE ENFERMAGEM DA USP Fundada com a colaboração da Fundação de Serviços de Saúde Pública (FSESP) em 1944, faz parte da Universidade de São Paulo. Sua primeira diretora foi Edith Franckel, que também prestara serviços como Superintendente do Serviço de Enfermeiras do Departamento de Saúde. A primeira turma diplomou-se em 1946. MAIS CONHECIMENTOS A aula inaugural do curso de enfermagem na Universidade Federal do Acre (UFAC) aconteceu no dia 28 de agosto de 1976, e foi proferida pelo professor do Centro de Ciência da Saúde e do Desporto da UFAC, Creso Machado Lopes, natural de Ribeirão Preto. 11 Na época, o estado contava apenas com cinco enfermeiros. A média era de um enfermeiro paracada 30 mil habitantes. Era um desafio enorme. Creso conheceu o Acre em 1974, como membro de uma operação do projeto Rondon. Estudante de Enfermagem da Universidade de São Paulo (USP), veio para uma atividade de estágio e já naquele momento envolveu-se com aulas em um curso de auxiliar de enfermagem. De volta ao Acre, em 1975, novamente como integrante do projeto Rondon, acabou convidado pelo reitor da UFAC, professor Áulio Gélio, para ajudar na criação do curso de Enfermagem, o sexto da instituição, o primeiro na área de saúde. 1.3. PROCESSO DE ENFERMAGEM NO MUNDO Em meado do século XIX a expressão processo de enfermagem ainda não era utilizada, muito embora Florence já se preocupava com a precisão de ensinar as enfermeiras, a observar e criar um julgamento sobre o que foi observado. (CARVALHO e GARCIA, 2002). O processo de enfermagem foi descrito pela primeira vez em 1929, e se constituía de estudo de caso, e que depois de 1945 este estudo evoluiu para planos de cuidados. Anos que depois foram abandonados por se tratar apenas de melhoria na comunicação entre a equipe de enfermagem, referente à assistência do cliente (AMANTE, 2009). Só na década de 50 do século XX, que chegou seu ingresso formal do processo de enfermagem junto a profissão, influenciado pelo método de solução de problemas, tendo como alicerce o método cientifico de observação, mensuração e análise de dados. Destaca-se nesta época à ênfase de solução de problemas nas escolas de enfermagem, destacando a importância da coleta sistemática e análise de dados, com todo o rigor metodológico. (PESUT e HERMAN, 1999). LEIA O LIVRO: “História da Criação do Curso de Enfermagem da Universidade Federal do Acre: Memórias à Primeira Turma (1976-1979)” 12 O exemplo deste, é a lista de 21 problemas que necessitaria ser focado na enfermagem, instituído por Faye Abdellah em 1960, e as 14 necessidades humanas básicas descrita por Virgínia Henderson, no mesmo ano. Nesta época foram publicadas exemplos de instrumentos de coleta de dados, como o molde fundamentado nas 13 áreas funcionais por Faye McCain no ando de 1965. (GARCIA e NÓBREGA, 2009). Em 1967 Helen Yura e Mary B. Walsh, propôs o processo de enfermagem em 4 fases, sendo elas: Coleta de dados, planejamento, intervenção e avaliação. As autoras ressaltaram as desenvolturas intelectuais, interpessoais à pratica de enfermagem, e os aspectos expressivos para execução do processo de enfermagem. (GARCIA e NÓBREGA, 2009). Em St. Louis localizada no Estado americano de Missouri no ano de 1973 aconteceu a primeira conferência para classificação de diagnóstico de enfermagem, usando o processo de raciocínio dedutivo e indutivo, no qual foi elaborado pelas participantes a primeira listagem de problemas/situações, que eram pertinentes ao domínio independente da profissão. (GARCIA e NÓBREGA, 2004). Vale lembrar que o termo diagnóstico estava na literatura desde 1950, na conferência em Nova Iorque quando Louse McManus, mencionou a função do enfermeiro especifica a identificação ou diagnóstico do problema, reconhecendo seus aspectos inter- relacionados e como deveria ser a decisão sobre as ações a serem implantadas para sua solução. 13 As teorias da enfermagem nada mais é que o pensamento de vários cientistas que fundamenta o desenvolvimento das práticas profissionais da enfermagem. Agora você vai conhecer a visão de várias teorias sobre os principais conceitos e pressupostos fundamentais da enfermagem. Faça uma reflexão sobre as possíveis contribuições da enfermagem à saúde das populações. A enfermagem não é só uma arte, mas uma ciência em formação, que se baseia em princípios científicos. Por se tratar de uma ciência em formação, com objeto ainda em busca de limitação, o caminho tem sido de trabalhar teorias e paradigmas que guiam o conhecimento da realidade O QUE É UMA TEORIA? “Um construto composto por um conjunto de leis e princípios racionais, hierárquica e solidamente sistematizados, de caráter conclusivo, aplicado a uma determinada área” (Veiga-Neto, 2009, p.86) POR QUE É IMPORTANTE CONHECER AS TEORIAS DA ENFERMAGEM Instrumento para realização do cuidado Elucidação e construção de conhecimento. Guiar a prática profissional Processo de enfermagem Aspecto científico (Tannure, Pinheiro, Barata, Fortes 2017) 2.1. As teorias de enfermagem e a construção do conhecimento da área O mundo da Enfermagem, ao longo do tempo, vem elaborando, um corpo de conhecimento específico, aplicável em qualquer dos campos da prática profissional - ensino, pesquisa ou assistência. Esse corpo de conhecimento não é estático; ao contrário, ele vem se transformando, assumindo modos de expressão diversos em sua trajetória de construção. Um desses modos está representado pelas teorias de enfermagem. Para construir esse conhecimento, a área da enfermagem têm identificado e definido conceitos representativos de fenômenos que estão em seu campo de interesse, e inter- relacionando esses conceitos propostos na teoria com as visões específicas acerca desses fenômenos e que determinam, potencialmente, inovações, evoluções 14 e/ou revoluções no saber e no fazer da Enfermagem. Quando falamos sobre a contribuição das teorias de enfermagem para a construção do conhecimento da área, não podemos esquecer de Florence Nightingale, cujas ações e publicações lhe renderam o reconhecimento como fundadora da Enfermagem moderna. A rigor, não se pode afirmar que Florence, em seus escritos, tenha elaborado uma teoria de enfermagem, mas uma filosofia para a prática de enfermagem, que serviu de base a boa parte dos modelos conceituais ou das teorias de enfermagem contemporâneas. Seu livro mais conhecido foi Notes on nursing, onde ela reúne os conhecimentos que havia adquirido no trato com doentes, enfermeiras e hospitais e que deveriam servir de fundamento para as mulheres que, "em algum período de sua vida", assumissem "a responsabilidade pessoal pela saúde de alguém" . Esses princípios se relacionam aos seguintes fenômenos: ventilação (ou ar fresco), iluminação, aquecimento, quietude (ou silêncio), limpeza, pontualidade e cuidado na administração da alimentação. A falta de conhecimento ou de atenção a esses fenômenos retardaria "o processo restaurador que a Natureza instituiu e a que nós chamamos doença”. Embora as ideias de Florence Nightingale tenham sido divulgadas na segunda metade do século XIX, foi somente a partir da década de 1950, que se começou a articular e sistematizar novas visões teórico-filosóficas acerca da Enfermagem. Esse fato coincide com a chegada, na década de 1950, nos Estados Unidos, da Enfermagem entre as carreiras de nível superior. Em virtude da exigência, na carreira universitária, de realização de cursos de pós-graduação, cresce naquele país, a partir de então, o número de profissionais com título de mestrado e doutorado. Conforme é sabido, o marco inicial para o desenvolvimento de referenciais teóricos próprios da área foi a publicação, em 1952, do livro de Hildegard Peplau abordando o relacionamento interpessoal em enfermagem. A partir de então, outras teóricas norte-americanas desenvolvem e publicam novas teorias de enfermagem, em que selecionam e inter-relacionam, a partir de diferentes pontos de vista filosóficos, conceitos que refletem a natureza e o alvo da Enfermagem. 15 De acordo com Meleis, a análise das teorias de enfermagem permite que sejam classificadas de dois modos distintos: No primeiro, a classificação é feita a partir da identificaçãodo foco primário, o que possibilita distinguir quatro grupos de teorias de enfermagem: 1) As centradas no cliente; 2) As centradas no relacionamento entre o cliente e o meio ambiente; 3)As centradas nos interações enfermeira- cliente; 4)As centradas na terapêutica de enfermagem. No segundo modo, a classificação das teorias é feita tendo como base o papel que as enfermeiras desempenham na prática profissional. Nesse modo, distinguem-se três grupos de teorias de enfermagem: 1) As orientadas para as necessidades dos clientes, elaboradas por teóricas identificadas com a escola de pensamento do Teacher's College da Universidade de Columbia, como Faye Abdellah, Virginia Henderson e Dorothea E. Orem; 2) As orientadas para o processo de interação enfermeira-cliente, elaboradas por teóricas identificadas com a escola de pensamento da Escola de Enfermagem da Universidade de Yale, como Imogene M. King, Ida Jean Orlando, Josephine Paterson e Loretta Zderad, Hildegard Peplau, Joyce Travelbee e Ernestine Wiedenbach; 3) As orientadas para os resultados das ações de enfermagem, elaboradas por teóricas identificadas com a escola de pensamento conhecida como Leste/Oeste (ou Nova Iorque/Los Angeles) e que tem como representantes principais Dorothy Johnson e Martha Rogers, além de Myra Estrin Levine e Sister Callista Roy. A partir do final da década de 1970, ocorreu uma importante mudança na orientação paradigmática das teorias elaboradas no âmbito da Enfermagem as quais, ao invés de refletir a perspectiva funcionalista predominante nas décadas anteriores, passam a incorporar dimensões qualitativas que caracterizam o papel social da profissão, não a partir do que as enfermeiras fazem, mas a partir do que se pode afirmar que seja a essência da Enfermagem. Nesse contexto, várias teóricas, como Madeleine Leininger, Jean Watson, Patricia Benner e Judith Wrubel, Delores Gaut, Peggy Chinn, entre outras, baseadas em concepções filosóficas humanistas, elaboraram ou estão elaborando teorias do cuidado, fenômeno esse visto por essas teóricas como o 16 cerne, o coração ou a própria alma da Enfermagem. Essas teorias cultivam o reconhecimento do significado dos padrões estético, ético e pessoal de conhecimento para a Enfermagem, os outros três padrões fundamentais de conhecimento, além do empírico, que foram descritos por Barbara Carper em 1978. No Brasil, a primeira enfermeira a falar sobre teoria no campo profissional foi Wanda de Aguiar Horta, que procurou despertar a Enfermagem brasileira para a importância do assunto. Sua obra reflete inicialmente o empenho na divulgação do conhecimento acerca de teorias elaboradas pelas enfermeiras norte- americanas e do processo de enfermagem, entendendo-o como o instrumento metodológico por meio do qual esses referenciais seriam aplicados na prática profissional. A partir do pioneirismo da Dra. Wanda de Aguiar Horta, o conhecimento a respeito das teorias de enfermagem tem avançado consideravelmente no meio da enfermagem brasileira, e têm contribuído para os cursos de pós-graduação stricto sensu da área e a constituição de grupos de estudo e pesquisa sobre a fundamentação, tecnologia e instrumentação da Enfermagem. Para concluir esse assunto, podemos afirmar que as teorias de enfermagem colocam em nossas mãos a possibilidade de reflexão criativa e o domínio do nosso processo de trabalho, além de possibilitar uma ruptura com a tradicional execução de tarefas complementares ao ato médico. Entretanto, fazer a seleção da teoria de enfermagem que vai guiar a prática profissional nem sempre é uma tarefa fácil, pois, mesmo com todas as teorias existências, ainda é necessário muito estudo e dedicação. Para finalizar, lembramos que a Enfermagem tem sido proclamada como uma ciência e uma arte. Da mesma forma que, em uma galeria de arte, não é o conhecimento do artista ou o instrumental que utilizou o que importa, mas a obra artística criada por ele, pode-se afirmar que os referenciais teóricos ou os instrumentos metodológicos e tecnológicos próprios da área não são a Enfermagem. Enfermagem é o que se cria usando esse conhecimento e esses instrumentos. Pense nisso! 17 Com toda certeza, de tanto ouvir, você já se familiarizou com a palavra “Ética”. Então, a palavra ética é uma destas que muitas pessoas usam apenas quando querem fazer lembrar de que elas devem ser respeitadas. Vivemos no mundo da evocação do direito! Algumas pessoas, que fazem questão de desconhecer seus deveres e por consequência, insistem em descumpri- los, quando percebem-se diante de alguma situação constrangedora (se é que algo constrange gente deste tipo), oculta-se no campo da discussão do "meu direito" ou “você não é ético”. Ética é a disciplina que trata do que é bom e mal ou do que é certo ou errado, do dever e do compromisso moral; um grupo de princípios morais ou uma série de valores. No nosso caso especificamente trata-se do conjunto de princípios e consequentes condutas que, baseados nas experiências mais corretas definida a partir do compromisso moral, social e técnico, regem a postura dos profissionais tanto em relação a aquilo que fazem como na relação entre si. A ética se propõe a compreender os critérios e os valores que orientam o julgamento da ação humana em suas múltiplas atividades, principalmente aquelas que dizem respeito ao trabalho e à vida humana associada. Ética aqui tratada como disciplina. Neste sentido, se refere à reflexão crítica sobre o comportamento humano, interpreta, discute, problematiza e investiga valores e princípios. Procura respostas ao que "deve ser feito", e não ao "que pode ser feito" do ponto de vista das razões de se fazer ou deixar de fazer, de aprovar ou desaprovar algo, do que é bom e do que é o mal, do justo e do injusto. Ao longo da formação das sociedades, pessoas, organizações, associações, sindicatos, entidades representativas das ocupações sociais (dentre outros: médicos, economistas, administradores, engenheiros, assistentes sociais, enfermeiros), as categorias de trabalho e a classe política têm estabelecido formas de conduta capazes de avaliarem se suas ações são ou não corretas. Ou seja, normas valorativas de conduta. Trata-se de formas de conduta essas que dizem respeito à própria condição de existência individual e social. Muitas são as respostas para esta questão, no âmbito da Enfermagem, várias aplicações podem ser visualizadas examinando-as em suas principais correntes de pensamento e nos princípios eleitos. 18 Pense em você trabalhando em uma unidade de saúde, você está cuidando de um paciente de 35 anos internada no estágio final de luta contra o câncer no cérebro. Ela é mãe solteira e tem duas crianças pequenas em casa. Ela recebeu tratamento convencional e também, tratamento experimental, mas o tumor continuou a crescer. A equipe médica concorda que a paciente está entrando em um estágio terminal da doença, mas decidiram ainda não conversar com a paciente sobre a sua real situação. Você então decide, por conta própria, chamar a família e falar do que ouviu da equipe médica. Essa é uma atitude ética? ÉTICA É resultado da conduta e do caráter. Ela está relacionada com a determinação do que bom ou valioso para os indivíduos, para grupo de indivíduos e para toda uma sociedade. Atos que são éticos refletem um comprometimento com as normas além das preferências pessoais. Contudo, quando decisões que devem ser tomadas sobre o cuidado á saúde de um paciente, mesmo que valores e opiniões sejam diferentes, o melhor a fazer é seguir a ética. 3.1- CÓDIGO DE ÉTICA DOS PROFISSIONAIS DE ENFERMAGEM. O Código de Ética dos Profissionais deEnfermagem (CEPE) é um documento que reúne os princípios fundamentais para a conduta profissional de Enfermeiros, Técnicos de Enfermagem, Auxiliares de Enfermagem, Obstetrizes e Parteiras e Atendentes de Enfermagem. Esse CEPE foi provada e editada pelo Conselho Federal de Enfermagem (COFEN) Veja um resumo do Código de Ética dos profissionais de Enfermagem DIREITOS O Art. 1º do COFEN garante o direito de exercer a profissão com liberdade, segurança, autonomia, livre de discriminação e em consonância com os princípios legais, de direitos humanos e da ética. Aos profissionais da Enfermagem também deve ser dado o direito de trabalhar em um local que respeite sua dignidade humana, proteja seus direitos e permita que o exercício de sua função seja desenvolvido sem riscos à sua integridade física e psicológica. Receber todas as informações necessárias para o desempenho de suas funções também lhe é garantido, assim como o poder de recusar-se a revelar informações confidenciais que tenham chegado a ele nesta mesma circunstância. Conforme disposto no documento, o 19 profissional de Enfermagem pode recusar- se a ser filmado, fotografado ou exposto em mídias sociais enquanto desempenha seu trabalho. Outro direito importante garantido no CEPE é o de negar-se a desempenhar atividades que estejam em desacordo com sua competência, que ofereçam risco à sua própria segurança, ou à segurança de terceiros. DEVERES O exercício da profissão de Enfermagem deve ser feito com “justiça, compromisso, equidade, resolutividade, dignidade, competência, responsabilidade, honestidade e lealdade”. As relações devem ser baseadas no direito, na solidariedade e no respeito às diversidades. Caso seja observada alguma ação que fira os dispositivos ético-legais da profissão, ele deve informar imediatamente ao Conselho Regional de Enfermagem e aos órgãos competentes. Outro dever a ser destacado é o de disponibilizar ao paciente todas as informações necessárias à boa continuidade de sua assistência, esclarecendo seus direitos, riscos e benefícios em todas as etapas de sua assistência. O exercício da função deve ser livre de discriminações de qualquer natureza. O pudor, a intimidade e a privacidade da pessoa devem ser respeitados tanto em vida, quanto em morte e pós morte. Também cabe ao profissional respeitar as diretivas antecipadas tomadas pelo paciente de forma livre e esclarecida sobre sua saúde. As responsabilidades aceitas pelo profissional devem estar sempre em acordo com sua capacidade técnica, científica e legal. Sua inscrição profissional precisa ser mantida no Conselho Regional de Enfermagem, bem como os dados cadastrais e as obrigações financeiras devem estar regularizados. PROIBIÇÕES O primeiro artigo do Capítulo III do CEPE informa que o profissional não deve executar ações que sejam contrárias ao estabelecido pelo próprio Código de Ética e à legislação vigente referente à Enfermagem. Assim como disposto nos deveres, reafirma-se que o profissional está proibido de assumir a execução de atividades que estejam fora de sua competência ou que não ofereçam segurança a si mesmo ou a terceiros. 20 Também é proibido pleitear ou aceitar empregos dos quais profissionais da área tenham se desligado pela necessidade do cumprimento do código de ética ou da legislação que rege a profissão. É vedada a utilização de seu cargo para obter qualquer tipo de vantagem em troca de assistência profissional, bem como é proibido utilizar-se de seus conhecimentos profissionais para praticar atos criminosos ou contravenções. Desde que não haja risco à sua própria integridade física, o profissional não deve negar assistência em situações de “urgência, emergência, epidemia, desastre e catástrofe”. De acordo com o disposto no Art. 74, é proibida a participação ou prática que tem fim a antecipação da morte de outro indivíduo. PENALIDADES Ao desobedecer ou deixar de observar as disposições do Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem e demais códigos regionais, o profissional poderá receber as seguintes penalidades: Advertência Verbal, Multa, Censura, Suspensão do Exercício Profissional e Cassação do direito ao Exercício Profissional. Para definir a penalidade a ser aplicada, será considerada a gravidade da infração, os agravantes e atenuantes, os danos e resultados, e os antecedentes do infrator. BENEFÍCIOS DO CÓDIGO Embora definir um conjunto de princípios a serem seguidos não seja fácil, é preciso assumir tal responsabilidade em benefício da conduta profissional de qualquer categoria. Por se tratar de uma área que lida essencialmente com o cuidado ao ser humano, o exercício da Enfermagem apresenta sempre desafios que levam à necessidade constante de tomada de decisões importantes por parte de seus profissionais. Promover uma assistência de saúde adequada, de qualidade e acessível exige ele siga princípios éticos em sua conduta. Ao se deparar com situações que gerem dúvidas durante o exercício de sua função, o profissional de Enfermagem poderá se amparar e encontrar os subsídios necessários nas disposições do CEPE. Para seu maior conhecimento, leia esse documento integralmente. Faça uma pesquisa pelo site: http://biblioteca.cofen.gov.br/codigo- etica-profissionais-enfermagem/ 21 Quando se fala em pessoas doentes e que precisam de acompanhamento médico, seja no hospital ou em domicílio, a relação entre técnico em enfermagem e paciente é de suma importância para uma recuperação mais rápida e tranquila. Por enfrentarem o árduo desafio de estarem impossibilitados de realizar seus afazeres, os pacientes precisam bastante de um cuidado humano. Vale ainda ressaltar a importância do técnico em enfermagem também para os familiares do paciente, pois ele passa a ser um grande aliado de apoio humanizado e profissional. Pensando nisso, vamos iniciar agora, nossa conversa sobre a relação entre técnico em enfermagem e paciente, discorrendo sobre alguns pontos importantes dessa ligação. 4.1.HUMANIZAÇÃO DO PROFISSIONAL DA SAÚDE. Como um profissional da saúde que você será, deve entender que seu trabalho vai além de cumprir horário, de respeitar as normas de trabalho, entre outras responsabilidades. Lidar com vidas humanas demanda, acima de tudo, um posicionamento individualizado com estima e apreço. Ao técnico em enfermagem compete respeitar a individualidade de seus pacientes, não os vendo somente como um a mais para cuidar. Esse profissional deve buscar uma proximidade ao tratar cada um, considerando sempre suas necessidades físicas e emocionais. Sendo assim, cabe a você reconhecer sua vocação para demonstrar humanização em seu relacionamento com os pacientes, como também colocar em prática todo o aprendizado adquirido em sua formação técnica. O contato direto com pacientes coloca qualquer profissional da saúde, seja ele médico, enfermeiro ou técnico em enfermagem, diante de sua própria vida, saúde ou doença, dos próprios conflitos e frustrações. Se ele não tomar contato com esses fenômenos, correrá o risco de desenvolver mecanismos de defesa que podem prejudicá-lo tanto no âmbito profissional quanto no pessoal. Muitos profissionais de saúde durante a sua atividade, desenvolvem tensões provenientes de várias fontes: contato frequente com a dor e o sofrimento e com pacientes terminais, receio de 22 cometer erros, relações com pacientes difíceis. Sendo assim, cuidar de quem cuida é condição para desenvolver projetos de ações em prol da humanização da assistência. Segundo Martins (2001), a humanização é um processo amplo, demorado e complexo, ao qual se oferecem resistências, poisenvolve mudanças de comportamento, que sempre despertam insegurança. Nesse processo não existe normas técnicas definidas, pois cada profissional, cada equipe, cada instituição terá que desenvolver seu processo singular de humanização. Hoje, devido à necessidade de mudança nas políticas de saúde, muitos projetos de humanização já são desenvolvidos, em áreas específicas da assistência - por exemplo, na saúde da mulher, na humanização do parto e na saúde da criança com o projeto mãe-canguru, para recém-nascidos de baixo peso. Atualmente têm sido propostas diversas ações visando à implantação de programas de humanização na assistência pediátrica, vários projetos e ações desenvolvem atividades ligadas a artes plásticas, música, teatro, lazer, recreação. Humanizar é saber promover o bem comum acima da suscetibilidade individual ou das conveniências de um pequeno grupo. Lepargneur (2003) FAÇA SUA PESQUISA E CONHEÇA ALGUNS PROGRAMAS DE HUMANIZAÇÃO DO SUS. Resumindo: Então, o que é humanizar? Humanizar é garantir à palavra a sua dignidade ética; ou seja, para que o sofrimento humano e as percepções de dor ou de prazer no corpo sejam humanizados, é preciso tanto que as palavras expressas pelo sujeito sejam entendidas pelo outro quanto que este ouça do outro palavras de seu conhecimento. Pela linguagem, fazemos as descobertas de meios pessoais de comunicação com o outro, sem o que nos desumanizamos reciprocamente (Buss, 2000). Sem comunicação não há humanização. A humanização depende de nossa capacidade de falar e ouvir, do diálogo com nossos semelhantes. 4.2. RELAÇÃO ENTRE PROFISSIONAL DA SAÚDE E PACIENTE Como já falamos anteriormente, a relação entre do profissional de saúde e paciente, sendo positiva, traz grandes benefícios para a recuperação do doente. A humanização hospitalar começa na recepção do paciente, na sala de espera, até o atendimento médico. Todos os setores devem estar engajados e conscientes sobre a importância de uma atenção qualificada, ética e profissional. 23 No caso do técnico de enfermagem, mesmo em funções corriqueiras, como aferir a pressão arterial para o controle da pressão alta, o profissional pode transmitir afeto e carinho, os quais são fatores muito importantes para a cura. Ao exercer essa profissão, a pessoa precisa saber manter a calma quando, por exemplo, o paciente está em desespero ou ansioso pela sua recuperação. No caso de sofrimento, dar uma palavra de acalento pode ser bastante significativo e contribuir diretamente para o restabelecimento do enfermo. Saber compreender, gostar de cuidar de pessoas e ser atencioso são algumas características que possibilitam uma relação favorável e o bem-estar dos pacientes, levando-os a cumprir o tratamento designado pelo médico. Ou seja, a garantia do sucesso da recuperação do paciente está relacionado com à maneira pela qual são atendidas as demandas físicas, emocionais, sociais e espirituais do paciente. Para atender às suas reais necessidades é imprescindível observar a maneira como ele é recebido, assistido, acolhido e como se estabelece a relação com a equipe de enfermagem, pois são fatores que influenciam significativamente no desenvolvimento do processo de cura do paciente. Por milhares de anos, a assistência de enfermagem foi realizada de forma empírica, intuitiva e limitada, baseada em receber e cumprir ordens médicas, administrar medicação e realizar a higiene dos pacientes, obrigando-o a se adequar ao cuidado previamente estabelecido. Com o passar do tempo e com a evolução científica e tecnológica, ocorreu a necessidade de melhoria na prestação desses cuidados de enfermagem. Em suas palavras há muitos anos atrás , Travelbee (1979) já descrevia que a enfermagem é entendida como um processo interpessoal que acontece entre dois seres humanos, no qual um deles precisa de ajuda e o outro fornece ajuda. Essa relação tem como objetivo levar a pessoa, a família e a comunidade a encontrarem um significado para esta experiência e sentido para suas vidas. Bem, você pensa que encerrou seus estudos nessa primeira disciplina? Claro que não, agora chegou o momento de você estudar o material completar sobre o Sistema Único de saúde - SUS 24 1-MELEIS AI. NURSING THEORY: an elusive mirage or a mirror of reality. In: Meleis AI.Theoretical nursing: development and progress. 2ª ed. Philadelphia (PA): Lippincott; 1991.617p.p.249-67. 2-DANIEL LF. Enfermagem: modelos e processos de trabalho. São Paulo: Epu;1987.117p. 3-TRENTINI M, PAIM L. Pesquisa em enfermagem: uma modalidade convergente-assistencial. Florianópolis (SC): Editora da UFSC;1999. 162p. 4- <http://biblioteca.cofen.gov.br/codigo-etica-profissionais-enfermagem/> 5-MARTINS, M. C. F. (2001). Humanização das relações assistenciais de saúde: a formação do profissional de saúde. São Paulo: Casa do Psicólogo. 6-MAZZETTI, M. (2005). Especialistas garantem benefícios de humanização de hospitais. Disponível em: z(Acesso em 22/12/05). 7-PESSINI, L. & BERTACHINI, L. (2004). Humanização e Cuidados Paliativos. São Paulo: Loyola. 8. TRAVELBEE J. INTERVENCION em enfermeira psiquiátrica. Columbia: Carvaja; 1979. 9 -OGUISSO, T. ZOBOLI, E. Ética e bioética: desafios para a enfermagem e a saúde. São Paulo: Manole, 2006. 10- PAIXÃO, W. História da Enfermagem. Rio de Janeiro: Júlio Reis,1979. 11- DANIEL, L. F. Atitudes interpessoais em enfermagem. São Paulo: EPU,1983.