Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

Todas as profissões, sejam elas superiores ou técnicas, devem ser estudadas à luz 
da sua história e interpretada sob o ponto de vista humano. 
O técnico em enfermagem que conhece apenas os conhecimentos do presente deixa 
não somente de usufruir de uma fonte perene de interesse, como também se torna incapaz 
de avaliar e julgar corretamente os conhecimentos atuais que afetam sua própria carreira. 
A disciplina INTRODUÇÃO A ENFERMAGEM é a primeira disciplina do CURSO DE 
ENFERMAGEM do CDC EDUCAÇÃO/COLÉGIO MAIS DOM, quem tem uma carga horária 
de estudo de 80 horas. 
OBJETIVOS 
1- Reconhecer os principais fatos e eventos históricos sobre a Enfermagem;
2- Identificar fatores de crescimento da Enfermagem no mundo;
3- Distinguir as teorias da enfermagem;
4- Reconhecer as teorias da Enfermagem como elemento importante para a prática de
Enfermagem;
5- Identificar procedimentos éticos e não éticos na profissão;
6- Correlacionar a relação paciente e enfermeiro;
COMPETÊNCIAS 
Ao final do estudo desta disciplina o aluno deverá ser capaz de conhecer o 
desenvolvimento histórico das práticas de saúde, a história da enfermagem no Brasil e no 
mundo. Conhecer as teorias de enfermagem, entender como se deu o processo de 
profissionalização da enfermagem, as entidades de classe e a importância de cada uma 
delas. 
HABILIDADES 
Conhecer o conceito de enfermagem, a partir de uma visão histórica; 
Fazer uma retrospectiva das práticas de saúde e das suas influências no processo de cuidar; 
Conhecer o desenvolvimento histórico da enfermagem e seus avanços como profissão; 
Ter noções sobre as principais teorias de enfermagem, sabendo qual sua importância e 
finalidade no processo de cuidar; 
Conhecer um trabalho ético e a relação paciente enfermeiro e a importância de cada uma 
delas; 
Dica: “ Não procure estudar muito hoje. Procure estudar pouco todos os dias. Essa é a chave 
do aprendizado”. Bons Estudos! 
 
2 
 
1. HISTÓRIA DA ENFERMAGEM ---------------------------------------------------------------------------------3 
1.1. PERÍODO COLONIAL ---------------------------------------------------------------------------------------------3 
1.2. DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO EM ENFERMAGEM NO BRASIL -------------------------6 
1.3. PROCESSO DE ENFERMAGEM NO MUNDO -------------------------------------------------------------11 
2. TEORIA DA ENFERMAGEM ------------------------------------------------------------------------------------13 
2.1. AS TEORIAS DE ENFERMAGEM E A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO DA ÁREA----13 
3. ÉTICA DA ENFERMAGEM --------------------------------------------------------------------------------------17 
3.1. CÓDIGO DE ÉTICA DOS PROFISSIONAIS DE ENFERMAGEM ------------------------------------18 
4. RELAÇÃO PACIENTE ENFERMEIRO -----------------------------------------------------------------------21 
4.1. HUMANIZAÇÃO DO PROFISSIONAL DA SAÚDE-------------------------------------------------------21 
4.2. RELAÇÃO ENTRE PROFISSIONAL DA SAÚDE E PACIENTE -------------------------------------22 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 
 
Nosso diálogo vai começar com uma 
pergunta: O QUE É A ENFERMAGEM? 
É “uma ciência, arte e uma prática 
social” essencial para a área da saúde e 
comprometida com o cuidado ao ser humano. 
O profissional desta área é responsável por 
prestar cuidados conforme a necessidade da 
pessoa, família e coletividade. 
Agora você vai entrar nessa área, 
muito importante para a humanidade e para 
ser um excelente profissional, vai precisar 
estudar bastante. Vamos lá.... 
 
Você sabia que aos primeiros 
atendimento aos doentes foram 
realizados por um grupo que na sua 
maioria eram de escravos? 
 
Pois é, a Enfermagem como 
profissão surgiu como uma simples 
prestação de cuidados aos doentes, 
realizada por um grupo formado, na sua 
maioria, por escravos, que naquela época 
trabalhavam nos domicílios. Em Portugal, 
desde o princípio da colonização foi aberta 
as Casas de Misericórdia. 
 
1.1. PERÍODO COLONIAL 
 
Santa Casa da Misericórdia de Campos/RJ – 
Cartão Postal, 1910 
 
A organização da Enfermagem na 
Sociedade Brasileira – compreende desde 
o período colonial até o final do século XIX. 
Desde o princípio da colonização foi 
incluída a abertura das Casas de 
Misericórdia, que tiveram origem em 
Portugal. 
 
 
4 
 
A primeira Casa de Misericórdia foi 
fundada na Vila de Santos, em 1543. Em 
seguida, ainda no século XVI, surgiram as 
do Rio de Janeiro, Vitória, Olinda e Ilhéus. 
Mais tarde Porto Alegre e Curitiba, esta 
inaugurada em 1880, com a presença de 
D. Pedro II e Dona Tereza Cristina. 
Quem nunca ouviu falar do padre 
José de Anchieta nos nossos estudos de 
Literatura, no ensino médio? Pois é, ele 
não só se limitou aos estudos da 
catequese e da ciência, mas também é um 
nome muito forte a saúde do povo 
brasileiro. José de Anchieta foi além, 
atendia aos necessitados, exercendo 
atividades de médico e enfermeiro. Em 
seus escritos encontramos estudos de 
valor sobre o Brasil, seus primitivos 
habitantes, clima e as doenças mais 
comuns. 
A terapêutica empregada era à 
base de ervas medicinais 
minunciosamente descritas. Como não há 
nenhum registro, supõe-se que os Jesuítas 
faziam a supervisão do serviço que era 
prestado por pessoas treinadas por eles. 
Outra figura de destaque é Frei 
Fabiano Cristo, que durante 40 anos 
exerceu atividades de enfermeiro no 
Convento de Santo Antônio do Rio de 
Janeiro (Séc. XVIII). 
Os escravos tiveram papel 
relevante, pois auxiliavam os religiosos no 
cuidado aos doentes. Em 1738, Romão de 
Matos Duarte consegue fundar no Rio de 
Janeiro a Casa dos Expostos. Somente em 
1822, o Brasil tomou as primeiras medidas 
de proteção à maternidade que se 
conhecem na legislação mundial, graças a 
atuação de José Bonifácio Andrada e 
Silva. A primeira sala de partos funcionava 
na Casa dos Expostos em 1822. Em 1832 
organizou-se o ensino médico e foi criada 
a Faculdade de Medicina do Rio de 
Janeiro. A escola de parteiras da 
Faculdade de Medicina diplomou no ano 
seguinte a célebre Madame Durocher, a 
primeira parteira formada no Brasil. 
No começo do século XX, grande 
número de teses médicas foram 
apresentadas sobre Higiene Infantil e 
Escolar, demonstrando os resultados 
obtidos e abrindo horizontes e novas 
realizações. Esse progresso da medicina, 
entretanto, não teve influência imediata 
sobre a Enfermagem. 
Assim sendo, na enfermagem 
brasileira do tempo do Império, raros 
nomes de destacaram e, entre eles, 
merece especial menção o de Anna Nery. 
 
5 
 
ANNA NERY 
 
Aos 13 de dezembro de 1814, 
nasceu Ana Justina Ferreira, na Cidade de 
Cachoeira, na Província da Bahia. Casou-
se com Isidoro Antônio Nery, enviuvando 
aos 30 anos. Destacaram e, entre eles, 
merece especial menção o de Anna Nery. 
Seus dois filhos, um médico militar 
e um oficial do exército, são convocados a 
servir a Pátria durante a Guerra do 
Paraguai (1864-1870), sob a presidência 
de Solano Lopes. O mais jovem, aluno do 
6º ano de Medicina, oferece seus serviços 
médicos em prol dos brasileiros. 
 
 
Anna Nery não resiste à separação 
da família e escreve ao Presidente da 
Província, colocando-se à disposição de 
sua Pátria. Em 15 de agosto parte para os 
campos de batalha, onde dois de seus 
irmãos também lutavam. Improvisa 
hospitais e não mede esforços no 
atendimento aos feridos. 
Após cinco anos, retorna ao Brasil, 
é acolhida com carinho e louvor, recebe 
uma coroa de louros e Victor Meireles pinta 
sua imagem, que é colocada no edifício do 
Paço Municipal. 
O governo imperial lhe concede 
uma pensão, além de medalhas 
humanitárias e de campanha. 
Faleceu no Rio de Janeiro a 20 de 
maio de 1880. 
A primeira Escola de Enfermagem 
fundada no Brasil recebeu o seu nome. 
Anna Nery que, assim como Florence 
Nightingale, rompeu com os preconceitos 
da época quefaziam da mulher prisioneira 
do lar. 
 
 
 
6 
 
MAS QUEM FOI FLORENCE NIGHTINGALE? 
 
Foi o marco da enfermagem 
mundial Nasceu em 1820, em Florença, e 
é considerada, por todos, como a mãe da 
Enfermagem moderna no mundo. 
Não é para menos. Afinal de 
contas, Florence realizou façanhas 
marcantes, especialmente por ser mulher 
em uma realidade bem diferente da atual. 
Nascida em uma família rica e 
cheia de posses, a jovem Nightingale, que 
viveu boa parte de sua vida em Londres, 
se rebelou à ordem vigente, de que as 
mulheres deveriam se tornar esposas 
submissas, responsáveis pelas tarefas 
doméstica e cuidados dos filhos. 
1.2. DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO 
EM ENFERMAGEM NO BRASIL (SÉC. XIX) 
Ao final do século XIX, apesar de o 
Brasil ainda ser um imenso território com 
um contingente populacional pouco e 
disperso, um processo de urbanização 
lento e progressivo já se fazia sentir nas 
cidades que possuíam áreas de mercado 
mais intensas, como São Paulo e Rio de 
Janeiro. 
As doenças infecto contagiosas, 
trazidas pelos europeus e pelos escravos 
africanos, começam a propagar-se rápida 
e progressivamente. 
A questão saúde passa a constituir 
um problema econômico-social. Para deter 
esta escalada que ameaçava a expansão 
comercial brasileira, o governo, sob 
pressões externas, assume a assistência à 
saúde através da criação de serviços 
públicos, da vigilância e do controle mais 
eficaz sobre os portos, inclusive 
estabelecendo quarentena revitaliza, 
através da reforma Oswaldo Cruz 
introduzida em 1904, a Diretoria-Geral de 
Saúde Pública, incorporando novos 
elementos à estrutura sanitária, como o 
Serviço de Profilaxia da Febre Amarela, a 
Inspetoria de Isolamento e Desinfecção e 
o Instituto Soroterápico Federal, que 
 
7 
 
posteriormente veio se transformar no 
Instituto Oswaldo Cruz. 
Mais tarde, a Reforma Carlos 
Chagas (1920), numa tentativa de 
reorganização dos serviços de saúde, cria 
o Departamento Nacional de Saúde 
Pública, Órgão que, durante anos, exerceu 
ação normativa e executiva das atividades 
de Saúde Pública no Brasil. 
A formação de pessoal de 
Enfermagem para atender inicialmente aos 
hospitais civis e militares e, 
posteriormente, às atividades de saúde 
pública, principiou com a criação, pelo 
governo, da Escola Profissional de 
Enfermeiros e Enfermeiras, no Rio de 
Janeiro, junto ao Hospital Nacional de 
Alienados do Ministério dos Negócios do 
Interior. Esta escola, que é de fato a 
primeira escola de Enfermagem brasileira, 
foi criada pelo Decreto Federal nº 791, de 
27 de setembro de 1890, e denomina-se 
hoje Escola de Enfermagem Alfredo Pinto, 
pertencendo à Universidade do Rio de 
Janeiro - UNI-RIO. 
 
 
VEJA A IMPORTANCIA DA CRUZ VERMELHA 
BRASILEIRA NA SAÚDE BRASILEIRA 
 
A Cruz Vermelha Brasileira foi 
organizada e instalada no Brasil em fins de 
1908, tendo como primeiro presidente o 
médico Oswaldo Cruz. Destacou-se a Cruz 
Vermelha Brasileira por sua atuação 
durante a I Guerra Mundial (1914-1918). 
Durante a epidemia de gripe 
espanhola (1918), colaborou na 
organização de postos de socorro, 
hospitalizando doentes e enviando 
socorristas a diversas instituições 
hospitalares e a domicílio. Atuou também 
socorrendo vítimas das inundações, nos 
Estados de Sergipe e Bahia, e as secas do 
Nordeste. Muitas das socorristas 
dedicaram-se ativamente à formação de 
voluntárias, continuando suas atividades 
após o término do conflito. 
 
 
8 
 
PRIMEIRAS ESCOLAS DE ENFERMAGEM 
NO BRASIL 
1. ESCOLA DE ENFERMAGEM "ALFREDO 
PINTO" 
 
 
Selo-convite oficial dos 120 anos da Escola de 
Enfermagem Alfredo Pinto 
Esta escola é a mais antiga do 
Brasil, data de 1890, foi reformada por 
Decreto de 23 de maio de 1939. O curso 
passou a três anos de duração e era 
dirigida por enfermeiras diplomadas. Foi 
reorganizada por Maria Pamphiro, uma 
das pioneiras da Escola Anna Nery. 
2. ESCOLA DA CRUZ VERMELHA DO RIO DE 
JANEIRO 
 
Começou em 1916 com um curso 
de socorrista, para atender às 
necessidades prementes da 1ª Guerra 
Mundial. Logo foi evidenciada a 
necessidade de formar profissionais (que 
desenvolveu-se somente após a fundação 
da Escola Anna Nery) e o outro para 
voluntários. Os diplomas expedidos pela 
escola eram registrados inicialmente no 
Ministério da Guerra e considerados 
oficiais. Esta encerrou suas atividades. 
3. ESCOLA ANNA NERY 
 
A primeira diretoria foi Miss Clara 
Louise Kienninger, senhora de grande 
capacidade e virtude, que soube ganhar o 
coração das primeiras alunas. Com 
habilidade fora do comum, adaptou-se aos 
costumes brasileiros. Os cursos tiveram 
início em 19 de fevereiro de 1923, com 14 
alunas. Instalou-se pequeno internato 
próximo ao Hospital São Francisco de 
Assis, onde seriam feitos os primeiros 
estágios. 
 
9 
 
Em 1923, durante um surto de 
varíola, enfermeiras e alunas dedicaram-
se ao combate à doença. Enquanto nas 
epidemias anteriores o índice de 
mortalidade atingia 50%, desta vez baixou 
para 15%. A primeira turma de Enfermeiras 
diplomou-se em 19 de julho de 1925. 
Destacam-se desta turma as 
Enfermeiras Lais Netto dos Reys, Olga 
Salinas Lacôrte, Maria de Castro Pamphiro 
e Zulema Castro, que obtiveram bolsa de 
estudos nos Estados Unidos. A primeira 
diretora brasileira da Escola Anna Nery foi 
Raquel Haddock Lobo, nascida a 18 de 
junho de 1891. Foi a pioneira da 
Enfermagem moderna no Brasil. esteve na 
Europa durante a Primeira Grande Guerra, 
incorporou-se à Cruz Vermelha Francesa, 
onde se preparou para os primeiros 
trabalhos. De volta ao Brasil, continuou a 
trabalhar como Enfermeira. Faleceu em 25 
de setembro de 1933. 
4. ESCOLA DE ENFERMAGEM CARLOS 
CHAGAS 
 
Por Decreto nº 10.925, de 7 de 
junho de 1933 e iniciativa de Dr. Ernani 
Agrícola, diretor da Saúde Pública de 
Minas Gerais, foi criado pelo Estado a 
Escola de Enfermagem "Carlos Chagas", a 
primeira a funcionar fora da Capital da 
República. A organização e direção dessa 
Escola coube a Laís Netto dos Reys, 
sendo inaugurada em 19 de julho do 
mesmo ano. A Escola "Carlos Chagas", 
além de pioneira entre as escolas 
estaduais, foi a primeira a diplomar 
religiosas no Brasil. 
5. ESCOLA DE ENFERMAGEM "LUISA DE 
MARILLAC" 
 
Fundada e dirigida por Irmã 
Matilde Nina, Filha de caridade, a Escola 
de Enfermagem Luisa de Marillac 
representou um avanço na Enfermagem 
Nacional, pois abria largamente suas 
portas, não só às jovens estudantes 
 
10 
 
seculares, como também às religiosas de 
todas as Congregações. É a mais antiga 
escola de religiosas no Brasil e faz parte da 
União Social Camiliana, instituição de 
caráter confessional da Província 
Camiliana Brasileira. 
6. ESCOLA PAULISTA DE ENFERMAGEM 
 
Fundada em 1939 pelas 
Franciscanas Missionárias de Maria, foi a 
pioneira da renovação da enfermagem na 
Capital paulista, acolhendo também 
religiosas de outras Congregações. Uma 
das importantes contribuições dessa 
escola foi início dos Cursos de Pós-
Graduação em Enfermagem Obstétrica. 
Esse curso que deu origem a tantos outros, 
é atualmente ministrado em várias escolas 
do país. 
7. ESCOLA DE ENFERMAGEM DA USP 
 
Fundada com a colaboração da 
Fundação de Serviços de Saúde Pública 
(FSESP) em 1944, faz parte da 
Universidade de São Paulo. Sua primeira 
diretora foi Edith Franckel, que também 
prestara serviços como Superintendente 
do Serviço de Enfermeiras do 
Departamento de Saúde. A primeira turma 
diplomou-se em 1946. 
 MAIS CONHECIMENTOS 
A aula inaugural do curso de 
enfermagem na Universidade Federal do 
Acre (UFAC) aconteceu no dia 28 de 
agosto de 1976, e foi proferida pelo 
professor do Centro de Ciência da Saúde 
e do Desporto da UFAC, Creso Machado 
Lopes, natural de Ribeirão Preto. 
 
 
11 
 
Na época, o estado contava 
apenas com cinco enfermeiros. A média 
era de um enfermeiro paracada 30 mil 
habitantes. Era um desafio enorme. 
Creso conheceu o Acre em 1974, 
como membro de uma operação do projeto 
Rondon. Estudante de Enfermagem da 
Universidade de São Paulo (USP), veio 
para uma atividade de estágio e já naquele 
momento envolveu-se com aulas em um 
curso de auxiliar de enfermagem. 
De volta ao Acre, em 1975, 
novamente como integrante do projeto 
Rondon, acabou convidado pelo reitor da 
UFAC, professor Áulio Gélio, para ajudar 
na criação do curso de Enfermagem, o 
sexto da instituição, o primeiro na área de 
saúde. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1.3. PROCESSO DE ENFERMAGEM NO 
MUNDO 
Em meado do século XIX a 
expressão processo de enfermagem ainda 
não era utilizada, muito embora Florence já 
se preocupava com a precisão de ensinar 
as enfermeiras, a observar e criar um 
julgamento sobre o que foi observado. 
(CARVALHO e GARCIA, 2002). 
O processo de enfermagem foi 
descrito pela primeira vez em 1929, e se 
constituía de estudo de caso, e que depois 
de 1945 este estudo evoluiu para planos 
de cuidados. Anos que depois foram 
abandonados por se tratar apenas de 
melhoria na comunicação entre a equipe 
de enfermagem, referente à assistência do 
cliente (AMANTE, 2009). 
Só na década de 50 do século XX, 
que chegou seu ingresso formal do 
processo de enfermagem junto a profissão, 
influenciado pelo método de solução de 
problemas, tendo como alicerce o método 
cientifico de observação, mensuração e 
análise de dados. Destaca-se nesta época 
à ênfase de solução de problemas nas 
escolas de enfermagem, destacando a 
importância da coleta sistemática e análise 
de dados, com todo o rigor metodológico. 
(PESUT e HERMAN, 1999). 
LEIA O LIVRO: 
“História da Criação do Curso de 
Enfermagem da Universidade 
Federal do Acre: Memórias à 
Primeira Turma (1976-1979)” 
 
12 
 
 O exemplo deste, é a lista de 21 
problemas que necessitaria ser focado na 
enfermagem, instituído por Faye Abdellah 
em 1960, e as 14 necessidades humanas 
básicas descrita por Virgínia Henderson, 
no mesmo ano. Nesta época foram 
publicadas exemplos de instrumentos de 
coleta de dados, como o molde 
fundamentado nas 13 áreas funcionais por 
Faye McCain no ando de 1965. (GARCIA 
e NÓBREGA, 2009). 
Em 1967 Helen Yura e Mary B. 
Walsh, propôs o processo de enfermagem 
em 4 fases, sendo elas: Coleta de dados, 
planejamento, intervenção e avaliação. As 
autoras ressaltaram as desenvolturas 
intelectuais, interpessoais à pratica de 
enfermagem, e os aspectos expressivos 
para execução do processo de 
enfermagem. (GARCIA e NÓBREGA, 
2009). 
Em St. Louis localizada no Estado 
americano de Missouri no ano de 1973 
aconteceu a primeira conferência para 
classificação de diagnóstico de 
enfermagem, usando o processo de 
raciocínio dedutivo e indutivo, no qual foi 
elaborado pelas participantes a primeira 
listagem de problemas/situações, que 
eram pertinentes ao domínio independente 
da profissão. (GARCIA e NÓBREGA, 
2004). Vale lembrar que o termo 
diagnóstico estava na literatura desde 
1950, na conferência em Nova Iorque 
quando Louse McManus, mencionou a 
função do enfermeiro especifica a 
identificação ou diagnóstico do problema, 
reconhecendo seus aspectos inter-
relacionados e como deveria ser a decisão 
sobre as ações a serem implantadas para 
sua solução. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
13 
 
As teorias da enfermagem nada 
mais é que o pensamento de vários 
cientistas que fundamenta o 
desenvolvimento das práticas profissionais 
da enfermagem. 
Agora você vai conhecer a visão 
de várias teorias sobre os principais 
conceitos e pressupostos fundamentais da 
enfermagem. 
Faça uma reflexão sobre as 
possíveis contribuições da enfermagem à 
saúde das populações. 
A enfermagem não é só uma arte, 
mas uma ciência em formação, que se 
baseia em princípios científicos. Por se 
tratar de uma ciência em formação, com 
objeto ainda em busca de limitação, o 
caminho tem sido de trabalhar teorias e 
paradigmas que guiam o conhecimento da 
realidade 
O QUE É UMA TEORIA? 
 “Um construto 
composto por um 
conjunto de leis e 
princípios racionais, hierárquica e 
solidamente sistematizados, de caráter 
conclusivo, aplicado a uma determinada 
área” (Veiga-Neto, 2009, p.86) 
POR QUE É IMPORTANTE CONHECER AS 
TEORIAS DA ENFERMAGEM 
 Instrumento para realização do cuidado 
 Elucidação e construção de 
conhecimento. 
 Guiar a prática profissional 
 Processo de enfermagem 
 Aspecto científico 
 
(Tannure, Pinheiro, Barata, Fortes 2017) 
 
2.1. As teorias de enfermagem e a 
construção do conhecimento da área 
O mundo da Enfermagem, ao 
longo do tempo, vem elaborando, um 
corpo de conhecimento específico, 
aplicável em qualquer dos campos da 
prática profissional - ensino, pesquisa ou 
assistência. Esse corpo de conhecimento 
não é estático; ao contrário, ele vem se 
transformando, assumindo modos de 
expressão diversos em sua trajetória de 
construção. Um desses modos está 
representado pelas teorias de 
enfermagem. Para construir esse 
conhecimento, a área da enfermagem têm 
identificado e definido conceitos 
representativos de fenômenos que estão 
em seu campo de interesse, e inter-
relacionando esses conceitos propostos 
na teoria com as visões específicas acerca 
desses fenômenos e que determinam, 
potencialmente, inovações, evoluções 
 
14 
 
e/ou revoluções no saber e no fazer da 
Enfermagem. 
Quando falamos sobre a 
contribuição das teorias de enfermagem 
para a construção do conhecimento da 
área, não podemos esquecer de Florence 
Nightingale, cujas ações e publicações 
lhe renderam o reconhecimento como 
fundadora da Enfermagem moderna. A 
rigor, não se pode afirmar que Florence, 
em seus escritos, tenha elaborado uma 
teoria de enfermagem, mas uma filosofia 
para a prática de enfermagem, que serviu 
de base a boa parte dos modelos 
conceituais ou das teorias de enfermagem 
contemporâneas. 
Seu livro mais conhecido foi Notes 
on nursing, onde ela reúne os 
conhecimentos que havia adquirido no 
trato com doentes, enfermeiras e hospitais 
e que deveriam servir de fundamento para 
as mulheres que, "em algum período de 
sua vida", assumissem "a 
responsabilidade pessoal pela saúde de 
alguém" . 
Esses princípios se relacionam 
aos seguintes fenômenos: ventilação (ou 
ar fresco), iluminação, aquecimento, 
quietude (ou silêncio), limpeza, 
pontualidade e cuidado na administração 
da alimentação. A falta de conhecimento 
ou de atenção a esses fenômenos 
retardaria "o processo restaurador que a 
Natureza instituiu e a que nós chamamos 
doença”. 
Embora as ideias de Florence 
Nightingale tenham sido divulgadas na 
segunda metade do século XIX, foi 
somente a partir da década de 1950, que 
se começou a articular e sistematizar 
novas visões teórico-filosóficas acerca da 
Enfermagem. Esse fato coincide com a 
chegada, na década de 1950, nos Estados 
Unidos, da Enfermagem entre as carreiras 
de nível superior. Em virtude da exigência, 
na carreira universitária, de realização de 
cursos de pós-graduação, cresce naquele 
país, a partir de então, o número de 
profissionais com título de mestrado e 
doutorado. 
Conforme é sabido, o marco inicial 
para o desenvolvimento de referenciais 
teóricos próprios da área foi a publicação, 
em 1952, do livro de Hildegard Peplau 
abordando o relacionamento interpessoal 
em enfermagem. A partir de então, outras 
teóricas norte-americanas desenvolvem e 
publicam novas teorias de enfermagem, 
em que selecionam e inter-relacionam, a 
partir de diferentes pontos de vista 
filosóficos, conceitos que refletem a 
natureza e o alvo da Enfermagem. 
 
15 
 
De acordo com Meleis, a análise 
das teorias de enfermagem permite que 
sejam classificadas de dois modos 
distintos: 
 No primeiro, a classificação é feita a partir 
da identificaçãodo foco primário, o que 
possibilita distinguir quatro grupos de 
teorias de enfermagem: 
1) As centradas no cliente; 
2) As centradas no relacionamento entre o 
cliente e o meio ambiente; 
3)As centradas nos interações enfermeira-
cliente; 
4)As centradas na terapêutica de 
enfermagem. 
 No segundo modo, a classificação 
das teorias é feita tendo como base o papel 
que as enfermeiras desempenham na 
prática profissional. Nesse modo, 
distinguem-se três grupos de teorias de 
enfermagem: 
1) As orientadas para as necessidades 
dos clientes, elaboradas por teóricas 
identificadas com a escola de pensamento 
do Teacher's College da Universidade de 
Columbia, como Faye Abdellah, Virginia 
Henderson e Dorothea E. Orem; 
2) As orientadas para o processo de 
interação enfermeira-cliente, elaboradas 
por teóricas identificadas com a escola de 
pensamento da Escola de Enfermagem da 
Universidade de Yale, como Imogene M. 
King, Ida Jean Orlando, Josephine 
Paterson e Loretta Zderad, Hildegard 
Peplau, Joyce Travelbee e Ernestine 
Wiedenbach; 
3) As orientadas para os resultados das 
ações de enfermagem, elaboradas por 
teóricas identificadas com a escola de 
pensamento conhecida como Leste/Oeste 
(ou Nova Iorque/Los Angeles) e que tem 
como representantes principais Dorothy 
Johnson e Martha Rogers, além de Myra 
Estrin Levine e Sister Callista Roy. 
A partir do final da década de 
1970, ocorreu uma importante mudança na 
orientação paradigmática das teorias 
elaboradas no âmbito da Enfermagem as 
quais, ao invés de refletir a perspectiva 
funcionalista predominante nas décadas 
anteriores, passam a incorporar 
dimensões qualitativas que caracterizam o 
papel social da profissão, não a partir do 
que as enfermeiras fazem, mas a partir do 
que se pode afirmar que seja a essência da 
Enfermagem. Nesse contexto, várias 
teóricas, como Madeleine Leininger, Jean 
Watson, Patricia Benner e Judith Wrubel, 
Delores Gaut, Peggy Chinn, entre outras, 
baseadas em concepções filosóficas 
humanistas, elaboraram ou estão 
elaborando teorias do cuidado, fenômeno 
esse visto por essas teóricas como o 
 
16 
 
cerne, o coração ou a própria alma da 
Enfermagem. Essas teorias cultivam o 
reconhecimento do significado dos 
padrões estético, ético e pessoal de 
conhecimento para a Enfermagem, os 
outros três padrões fundamentais de 
conhecimento, além do empírico, que 
foram descritos por Barbara Carper em 
1978. 
No Brasil, a primeira enfermeira a 
falar sobre teoria no campo profissional foi 
Wanda de Aguiar Horta, que procurou 
despertar a Enfermagem brasileira para a 
importância do assunto. Sua obra reflete 
inicialmente o empenho na divulgação do 
conhecimento acerca de teorias 
elaboradas pelas enfermeiras norte-
americanas e do processo de 
enfermagem, entendendo-o como o 
instrumento metodológico por meio do qual 
esses referenciais seriam aplicados na 
prática profissional. 
A partir do pioneirismo da Dra. 
Wanda de Aguiar Horta, o conhecimento a 
respeito das teorias de enfermagem tem 
avançado consideravelmente no meio da 
enfermagem brasileira, e têm contribuído 
para os cursos de pós-graduação stricto 
sensu da área e a constituição de grupos 
de estudo e pesquisa sobre a 
fundamentação, tecnologia e 
instrumentação da Enfermagem. 
Para concluir esse assunto, 
podemos afirmar que as teorias de 
enfermagem colocam em nossas mãos a 
possibilidade de reflexão criativa e o 
domínio do nosso processo de trabalho, 
além de possibilitar uma ruptura com a 
tradicional execução de tarefas 
complementares ao ato médico. 
Entretanto, fazer a seleção da teoria de 
enfermagem que vai guiar a prática 
profissional nem sempre é uma tarefa fácil, 
pois, mesmo com todas as teorias 
existências, ainda é necessário muito 
estudo e dedicação. 
 Para finalizar, lembramos que a 
Enfermagem tem sido proclamada como 
uma ciência e uma arte. Da mesma forma 
que, em uma galeria de arte, não é o 
conhecimento do artista ou o instrumental 
que utilizou o que importa, mas a obra 
artística criada por ele, pode-se afirmar 
que os referenciais teóricos ou os 
instrumentos metodológicos e 
tecnológicos próprios da área não são a 
Enfermagem. Enfermagem é o que 
se cria usando esse conhecimento e 
esses instrumentos. 
Pense nisso! 
 
17 
 
Com toda certeza, de tanto ouvir, você 
já se familiarizou com a palavra “Ética”. Então, 
a palavra ética é uma destas que muitas 
pessoas usam apenas quando querem fazer 
lembrar de que elas devem ser respeitadas. 
 Vivemos no mundo da evocação do 
direito! Algumas pessoas, que fazem 
questão de desconhecer seus deveres e 
por consequência, insistem em descumpri-
los, quando percebem-se diante de alguma 
situação constrangedora (se é que algo 
constrange gente deste tipo), oculta-se no 
campo da discussão do "meu direito" ou 
“você não é ético”. 
Ética é a disciplina que trata do que 
é bom e mal ou do que é certo ou errado, 
do dever e do compromisso moral; um 
grupo de princípios morais ou uma série de 
valores. No nosso caso especificamente 
trata-se do conjunto de princípios e 
consequentes condutas que, baseados 
nas experiências mais corretas definida a 
partir do compromisso moral, social e 
técnico, regem a postura dos profissionais 
tanto em relação a aquilo que fazem como 
na relação entre si. 
A ética se propõe a compreender os 
critérios e os valores que orientam o 
julgamento da ação humana em suas 
múltiplas atividades, principalmente 
aquelas que dizem respeito ao trabalho e à 
vida humana associada. Ética aqui tratada 
como disciplina. Neste sentido, se refere à 
reflexão crítica sobre o comportamento 
humano, interpreta, discute, problematiza 
e investiga valores e princípios. Procura 
respostas ao que "deve ser feito", e não ao 
"que pode ser feito" do ponto de vista das 
razões de se fazer ou deixar de fazer, de 
aprovar ou desaprovar algo, do que é bom 
e do que é o mal, do justo e do injusto. 
Ao longo da formação das sociedades, 
pessoas, organizações, associações, 
sindicatos, entidades representativas das 
ocupações sociais (dentre outros: 
médicos, economistas, administradores, 
engenheiros, assistentes sociais, 
enfermeiros), as categorias de trabalho e a 
classe política têm estabelecido formas de 
conduta capazes de avaliarem se suas 
ações são ou não corretas. Ou seja, 
normas valorativas de conduta. Trata-se 
de formas de conduta essas que dizem 
respeito à própria condição de existência 
individual e social. Muitas são as respostas 
para esta questão, no âmbito da 
Enfermagem, várias aplicações podem ser 
visualizadas examinando-as em suas 
principais correntes de pensamento e nos 
princípios eleitos. 
 
 
18 
 
Pense em você trabalhando em uma unidade 
de saúde, você está cuidando de um paciente 
de 35 anos internada no estágio final de luta 
contra o câncer no cérebro. Ela é mãe 
solteira e tem duas crianças pequenas em 
casa. Ela recebeu tratamento convencional e 
também, tratamento experimental, mas o 
tumor continuou a crescer. A equipe médica 
concorda que a paciente está entrando em um 
estágio terminal da doença, mas decidiram 
ainda não conversar com a paciente sobre a 
sua real situação. Você então decide, por 
conta própria, chamar a família e falar do que 
ouviu da equipe médica. 
Essa é uma atitude ética? 
 
ÉTICA 
É resultado da conduta e do caráter. 
Ela está relacionada com a determinação 
do que bom ou valioso para os indivíduos, 
para grupo de indivíduos e para toda uma 
sociedade. Atos que são éticos refletem 
um comprometimento com as normas além 
das preferências pessoais. Contudo, 
quando decisões que devem ser tomadas 
sobre o cuidado á saúde de um paciente, 
mesmo que valores e opiniões sejam 
diferentes, o melhor a fazer é seguir a 
ética. 
3.1- CÓDIGO DE ÉTICA DOS 
PROFISSIONAIS DE ENFERMAGEM. 
 
O Código de Ética dos 
Profissionais deEnfermagem (CEPE) é um 
documento que reúne os princípios 
fundamentais para a conduta profissional 
de Enfermeiros, Técnicos de Enfermagem, 
Auxiliares de Enfermagem, Obstetrizes e 
Parteiras e Atendentes de Enfermagem. 
Esse CEPE foi provada e editada 
pelo Conselho Federal de Enfermagem 
(COFEN) 
Veja um resumo do Código de 
Ética dos profissionais de Enfermagem 
 
DIREITOS 
O Art. 1º do COFEN garante o 
direito de exercer a profissão com 
liberdade, segurança, autonomia, livre de 
discriminação e em consonância com os 
princípios legais, de direitos humanos e da 
ética. Aos profissionais da Enfermagem 
também deve ser dado o direito de 
trabalhar em um local que respeite sua 
dignidade humana, proteja seus direitos e 
permita que o exercício de sua função seja 
desenvolvido sem riscos à sua integridade 
física e psicológica. 
Receber todas as informações 
necessárias para o desempenho de suas 
funções também lhe é garantido, assim 
como o poder de recusar-se a revelar 
informações confidenciais que tenham 
chegado a ele nesta mesma circunstância. 
Conforme disposto no documento, o 
 
19 
 
profissional de Enfermagem pode recusar-
se a ser filmado, fotografado ou exposto 
em mídias sociais enquanto desempenha 
seu trabalho. 
Outro direito importante garantido 
no CEPE é o de negar-se a desempenhar 
atividades que estejam em desacordo com 
sua competência, que ofereçam risco à 
sua própria segurança, ou à segurança de 
terceiros. 
 
DEVERES 
O exercício da profissão de 
Enfermagem deve ser feito com “justiça, 
compromisso, equidade, resolutividade, 
dignidade, competência, responsabilidade, 
honestidade e lealdade”. As relações 
devem ser baseadas no direito, na 
solidariedade e no respeito às 
diversidades. 
Caso seja observada alguma ação 
que fira os dispositivos ético-legais da 
profissão, ele deve informar imediatamente 
ao Conselho Regional de Enfermagem e 
aos órgãos competentes. 
Outro dever a ser destacado é o de 
disponibilizar ao paciente todas as 
informações necessárias à boa 
continuidade de sua assistência, 
esclarecendo seus direitos, riscos e 
benefícios em todas as etapas de sua 
assistência. 
O exercício da função deve ser 
livre de discriminações de qualquer 
natureza. O pudor, a intimidade e a 
privacidade da pessoa devem ser 
respeitados tanto em vida, quanto em 
morte e pós morte. Também cabe ao 
profissional respeitar as diretivas 
antecipadas tomadas pelo paciente de 
forma livre e esclarecida sobre sua saúde. 
As responsabilidades aceitas pelo 
profissional devem estar sempre em 
acordo com sua capacidade técnica, 
científica e legal. 
Sua inscrição profissional precisa 
ser mantida no Conselho Regional de 
Enfermagem, bem como os dados 
cadastrais e as obrigações financeiras 
devem estar regularizados. 
 
PROIBIÇÕES 
O primeiro artigo do Capítulo III do 
CEPE informa que o profissional não deve 
executar ações que sejam contrárias ao 
estabelecido pelo próprio Código de Ética 
e à legislação vigente referente à 
Enfermagem. 
Assim como disposto nos deveres, 
reafirma-se que o profissional está proibido 
de assumir a execução de atividades que 
estejam fora de sua competência ou que 
não ofereçam segurança a si mesmo ou a 
terceiros. 
 
20 
 
Também é proibido pleitear ou 
aceitar empregos dos quais profissionais 
da área tenham se desligado pela 
necessidade do cumprimento do código de 
ética ou da legislação que rege a profissão. 
É vedada a utilização de seu cargo 
para obter qualquer tipo de vantagem em 
troca de assistência profissional, bem 
como é proibido utilizar-se de seus 
conhecimentos profissionais para praticar 
atos criminosos ou contravenções. 
Desde que não haja risco à sua 
própria integridade física, o profissional 
não deve negar assistência em situações 
de “urgência, emergência, epidemia, 
desastre e catástrofe”. 
De acordo com o disposto no Art. 
74, é proibida a participação ou prática que 
tem fim a antecipação da morte de outro 
indivíduo. 
PENALIDADES 
Ao desobedecer ou deixar de 
observar as disposições do Código de 
Ética dos Profissionais de Enfermagem e 
demais códigos regionais, o profissional 
poderá receber as seguintes penalidades: 
Advertência Verbal, Multa, Censura, 
Suspensão do Exercício Profissional e 
Cassação do direito ao Exercício 
Profissional. 
Para definir a penalidade a ser 
aplicada, será considerada a gravidade da 
infração, os agravantes e atenuantes, os 
danos e resultados, e os antecedentes do 
infrator. 
BENEFÍCIOS DO CÓDIGO 
Embora definir um conjunto de princípios a 
serem seguidos não seja fácil, é preciso 
assumir tal responsabilidade em benefício 
da conduta profissional de qualquer 
categoria. 
Por se tratar de uma área que lida 
essencialmente com o cuidado ao ser 
humano, o exercício da Enfermagem 
apresenta sempre desafios que levam à 
necessidade constante de tomada de 
decisões importantes por parte de seus 
profissionais. 
Promover uma assistência de saúde 
adequada, de qualidade e acessível exige 
ele siga princípios éticos em sua conduta. 
Ao se deparar com situações que gerem 
dúvidas durante o exercício de sua função, 
o profissional de Enfermagem poderá se 
amparar e encontrar os subsídios 
necessários nas disposições do CEPE. 
 
Para seu maior conhecimento, leia esse 
documento integralmente. Faça uma pesquisa 
pelo site: http://biblioteca.cofen.gov.br/codigo-
etica-profissionais-enfermagem/ 
 
 
21 
 
Quando se fala em pessoas 
doentes e que precisam de 
acompanhamento médico, seja no hospital 
ou em domicílio, a relação entre técnico em 
enfermagem e paciente é de suma 
importância para uma recuperação mais 
rápida e tranquila. 
Por enfrentarem o árduo desafio 
de estarem impossibilitados de realizar 
seus afazeres, os pacientes precisam 
bastante de um cuidado humano. Vale 
ainda ressaltar a importância do técnico 
em enfermagem também para os 
familiares do paciente, pois ele passa a ser 
um grande aliado de apoio humanizado e 
profissional. 
Pensando nisso, vamos iniciar 
agora, nossa conversa sobre a relação 
entre técnico em enfermagem e paciente, 
discorrendo sobre alguns pontos 
importantes dessa ligação. 
 
4.1.HUMANIZAÇÃO DO PROFISSIONAL DA 
SAÚDE. 
Como um profissional da saúde 
que você será, deve entender que seu 
trabalho vai além de cumprir horário, de 
respeitar as normas de trabalho, entre 
outras responsabilidades. Lidar com vidas 
humanas demanda, acima de tudo, um 
posicionamento individualizado com 
estima e apreço. 
Ao técnico em enfermagem 
compete respeitar a individualidade de 
seus pacientes, não os vendo somente 
como um a mais para cuidar. Esse 
profissional deve buscar uma proximidade 
ao tratar cada um, considerando sempre 
suas necessidades físicas e emocionais. 
Sendo assim, cabe a você 
reconhecer sua vocação para 
demonstrar humanização em seu 
relacionamento com os pacientes, como 
também colocar em prática todo o 
aprendizado adquirido em sua formação 
técnica. 
O contato direto com pacientes 
coloca qualquer profissional da saúde, seja 
ele médico, enfermeiro ou técnico em 
enfermagem, diante de sua própria vida, 
saúde ou doença, dos próprios conflitos e 
frustrações. Se ele não tomar contato com 
esses fenômenos, correrá o risco de 
desenvolver mecanismos de defesa que 
podem prejudicá-lo tanto no âmbito 
profissional quanto no pessoal. 
Muitos profissionais de saúde 
durante a sua atividade, desenvolvem 
tensões provenientes de várias fontes: 
contato frequente com a dor e o sofrimento 
e com pacientes terminais, receio de 
 
22 
 
cometer erros, relações com pacientes 
difíceis. Sendo assim, cuidar de quem 
cuida é condição para desenvolver 
projetos de ações em prol da humanização 
da assistência. 
Segundo Martins (2001), a 
humanização é um processo amplo, 
demorado e complexo, ao qual se 
oferecem resistências, poisenvolve 
mudanças de comportamento, que sempre 
despertam insegurança. Nesse processo 
não existe normas técnicas definidas, pois 
cada profissional, cada equipe, cada 
instituição terá que desenvolver seu 
processo singular de humanização. 
Hoje, devido à necessidade de 
mudança nas políticas de saúde, muitos 
projetos de humanização já são 
desenvolvidos, em áreas específicas da 
assistência - por exemplo, na saúde da mulher, 
na humanização do parto e na saúde da 
criança com o projeto mãe-canguru, para 
recém-nascidos de baixo peso. Atualmente 
têm sido propostas diversas ações visando à 
implantação de programas de humanização na 
assistência pediátrica, vários projetos e ações 
desenvolvem atividades ligadas a artes 
plásticas, música, teatro, lazer, recreação. 
 
Humanizar é saber promover o bem comum 
acima da suscetibilidade individual ou das 
conveniências de um pequeno grupo. 
Lepargneur (2003) 
 
FAÇA SUA PESQUISA E CONHEÇA ALGUNS 
PROGRAMAS DE HUMANIZAÇÃO DO SUS. 
Resumindo: Então, o que é humanizar? 
Humanizar é garantir à palavra a 
sua dignidade ética; ou seja, para que o 
sofrimento humano e as percepções de dor 
ou de prazer no corpo sejam humanizados, 
é preciso tanto que as palavras expressas 
pelo sujeito sejam entendidas pelo outro 
quanto que este ouça do outro palavras de 
seu conhecimento. Pela linguagem, 
fazemos as descobertas de meios 
pessoais de comunicação com o outro, 
sem o que nos desumanizamos 
reciprocamente (Buss, 2000). Sem 
comunicação não há humanização. A 
humanização depende de nossa 
capacidade de falar e ouvir, do diálogo com 
nossos semelhantes. 
 
4.2. RELAÇÃO ENTRE PROFISSIONAL DA 
SAÚDE E PACIENTE 
Como já falamos anteriormente, a 
relação entre do profissional de saúde e 
paciente, sendo positiva, traz grandes 
benefícios para a recuperação do doente. 
A humanização hospitalar começa na recepção 
do paciente, na sala de espera, até o 
atendimento médico. Todos os setores devem 
estar engajados e conscientes sobre a 
importância de uma atenção qualificada, ética 
e profissional. 
 
23 
 
No caso do técnico de enfermagem, 
mesmo em funções corriqueiras, como 
aferir a pressão arterial para o controle 
da pressão alta, o profissional pode 
transmitir afeto e carinho, os quais são 
fatores muito importantes para a cura. 
Ao exercer essa profissão, a pessoa 
precisa saber manter a calma quando, por 
exemplo, o paciente está em desespero ou 
ansioso pela sua recuperação. No caso de 
sofrimento, dar uma palavra de acalento 
pode ser bastante significativo e contribuir 
diretamente para o restabelecimento do 
enfermo. 
 
Saber compreender, gostar de 
cuidar de pessoas e ser atencioso são 
algumas características que possibilitam 
uma relação favorável e o bem-estar dos 
pacientes, levando-os a cumprir o 
tratamento designado pelo médico. 
Ou seja, a garantia do sucesso da 
recuperação do paciente está relacionado 
com à maneira pela qual são atendidas as 
demandas físicas, emocionais, sociais e 
espirituais do paciente. Para atender às 
suas reais necessidades é imprescindível 
observar a maneira como ele é recebido, 
assistido, acolhido e como se estabelece a 
relação com a equipe de enfermagem, pois 
são fatores que influenciam 
significativamente no desenvolvimento do 
processo de cura do paciente. 
Por milhares de anos, a assistência 
de enfermagem foi realizada de forma 
empírica, intuitiva e limitada, baseada em 
receber e cumprir ordens médicas, 
administrar medicação e realizar a higiene 
dos pacientes, obrigando-o a se adequar 
ao cuidado previamente estabelecido. 
Com o passar do tempo e com a evolução 
científica e tecnológica, ocorreu a 
necessidade de melhoria na prestação 
desses cuidados de enfermagem. Em suas 
palavras há muitos anos atrás , Travelbee 
(1979) já descrevia que a enfermagem é 
entendida como um processo interpessoal 
que acontece entre dois seres humanos, 
no qual um deles precisa de ajuda e o outro 
fornece ajuda. Essa relação tem como 
objetivo levar a pessoa, a família e a 
comunidade a encontrarem um significado 
para esta experiência e sentido para suas 
vidas. 
Bem, você pensa que encerrou seus 
estudos nessa primeira disciplina? 
Claro que não, agora chegou o momento 
de você estudar o material completar sobre o 
Sistema Único de saúde - SUS 
 
24 
 
1-MELEIS AI. NURSING THEORY: an elusive mirage or a mirror of reality. In: Meleis AI.Theoretical 
nursing: development and progress. 2ª ed. Philadelphia (PA): Lippincott; 1991.617p.p.249-67. 
2-DANIEL LF. Enfermagem: modelos e processos de trabalho. São Paulo: Epu;1987.117p. 
3-TRENTINI M, PAIM L. Pesquisa em enfermagem: uma modalidade convergente-assistencial. 
Florianópolis (SC): Editora da UFSC;1999. 162p. 
4- <http://biblioteca.cofen.gov.br/codigo-etica-profissionais-enfermagem/> 
5-MARTINS, M. C. F. (2001). Humanização das relações assistenciais de saúde: a formação do 
profissional de saúde. São Paulo: Casa do Psicólogo. 
6-MAZZETTI, M. (2005). Especialistas garantem benefícios de humanização de hospitais. Disponível 
em: z(Acesso em 22/12/05). 
7-PESSINI, L. & BERTACHINI, L. (2004). Humanização e Cuidados Paliativos. São Paulo: Loyola. 
8. TRAVELBEE J. INTERVENCION em enfermeira psiquiátrica. Columbia: Carvaja; 1979. 
9 -OGUISSO, T. ZOBOLI, E. Ética e bioética: desafios para a enfermagem e a saúde. São Paulo: 
Manole, 2006. 
10- PAIXÃO, W. História da Enfermagem. Rio de Janeiro: Júlio Reis,1979. 
11- DANIEL, L. F. Atitudes interpessoais em enfermagem. São Paulo: EPU,1983.

Mais conteúdos dessa disciplina