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DISTÚRBIOS HEMODINÂMICOS Prof. Dr. Alexandre Duarte Baldin CIRCULAÇÃO Toda irrigação sanguínea, equilíbrio hídrico, nutrientes e bons níveis de oxigênio depende de uma boa circulação sanguínea. É a partir dela que todos os suprimentos chegam até as células. Se não fosse pelo sangue, todas as células do corpo humano morreriam. Normalmente, a água está presente em: 50% dentro da célula / 40% interstício / 5% vasos / 5% ossos Perante algumas alterações hídricas, alguns quadros patológicos podem se instalar, como: Em relação à ambiente Intersticial: edema Em relação a Volemia: hiperemia e isquemia Em relação à Obstrução: embolia, trombose e isquemia PRESSÕES HIDRODINÂMICAS Algumas pressões controlam a quantidade de água nestes ambientes. São elas que fazem com que a água se desloque de um ambiente para outro, de acordo com a necessidade, garantindo o equilíbrio hidrodinâmico do corpo humano, ou seja, a quantidade de água adequada nos devidos ambientes. Invariavelmente, estas pressões podem se alterar e desencadear algumas patologias. Estas pressões são: Pressão Hidrostática : É aquela que envia água de dentro para fora do vaso. Pressão Oncótica ou Osmótica: É aquela que envia água de fora para dentro do vaso. PRESSÕES HIDRODINÂMICAS Enquanto estas duas pressões estão equilibradas, a quantidade de água nos ambientes estão adequadas, como podemos verificar na ilustração abaixo: Uma vez desequilibradas, estas pressões podem desencadear alguns quadros, como veremos a seguir: EDEMA Acúmulo anormal de líquido no espaço intersticial (fora da célula), sendo assim, houve algum desequilíbrio entre as pressões para que acontecesse este acúmulo de água fora da célula ou vaso. Sabendo que a pressão hidrostática envia água de dentro do vaso para fora e a oncótica envia água de fora para dentro, percebe-se que houve aumento da pressão hidrostática e diminuição da pressão oncótica. A pressão oncótica (enviar água de fora para dentro do vaso) diminuída, não conseguiu vencer a pressão Hidrostática (enviar água de dentro para fora), sendo assim, a água se acumulou fora do vaso. Se a pressão oncótica não estivesse diminuída, talvez não se instalasse o edema, pois tal pressão iria enviar a água para o interior do vaso, diminuindo o edema. O excesso de água do sangue, é encaminhado para os rins. HIPEREMIA Aumento do volume de sangue em uma região por intensificação do aporte sanguíneo ou diminuição do escoamento venoso, este quadro faz com que haja vasodilatação e: Aumento do calor local Aumento da pulsação local, por conta do aumento de sangue local Eritema: Vermelhidão local, por conta da intensificação da circulação Oposto de isquemia (diminuição da oferta de sangue local) Está presente na Inflamação e em processos alérgicos, pois há a necessidade de aumentar a quimiotaxia local e combater o agressor. A hiperemia é dividida em: Arterial Venosa HIPEREMIA ARTERIAL Aumento da presença de fluxo sanguíneo arterial (sangue vermelho vivo, rico em oxigênio, nutrientes e ferro) Em virtude da hiperemia, o corpo promove a vasodilatação local, para que o órgão ou tecido receba adequadamente aquele volume aumentado de sangue e distribua adequadamente suas substâncias. Exemplos de Hiperemia Arterial: Musculatura durante exercício físico Estômago durante a digestão Cérebro em dia de prova ou situações difíceis Perceba que são situações onde há a necessidade de mais oxigênio e nutrientes, por isso, SANGUE ARTERIAL. HIPEREMIA VENOSA Impedimento do fluxo venoso por causas obstrutivas locais ou por causas gerais, ou seja, o sangue venoso não consegue seguir em frente, ou retornar ao coração, se instalando em determinada região. Isso faz com que haja o aumento da quantidade de sangue venoso no local. Algumas Causas para que haja Hiperemia venosa: o Compressão venosa (muito tempo sentado na mesma posição) Exemplos: Perna cruzada e muito tempo sentado ou em pé na mesma posição. o Vôos longos, é necessário levantar-se, mudar de posição, auxiliar o retorno venoso, impedir com que o sangue venoso se instale no local. o Todas essas causas podem desencadear acúmulo de sangue arroxeado (pobre em oxigênio e nutrientes) no local. o Tudo isso pode induzir ao aumento da taxa de coagulação sanguínea, aumentando a formação de coágulos e esses desencadearem outros quadros, como veremos a seguir: COÁGULO / TROMBO / ÊMBOLO Com o aumento da hiperemia venosa, aumenta as chances de coagulação sanguínea, formando coágulos. COÁGULO = forma sólida do sangue, advinda da coagulação sanguínea Aumento da coagulação sanguínea = aumento de coágulos Esses coágulos podem, em qualquer momento, aderir à parede do vaso, como fazem, também, as placas de gordura (ateromas). Quando esses coágulos aderem à parede do vaso e ali se instalam são chamados de TROMBO e não mais coágulos. Instalando-se na parede do vaso, ele vai obstruir a passagem do sangue, aumentando a pressão que o mesmo exerce para passar. Com o aumento da pressão que esse sangue exerce, pode fazer com o que o trombo se desloque (se desgrude) e caia na corrente sanguínea. Quando esse trombo se desloca ele é chamado de ÊMBOLO RESUMO Aumento da coagulação sanguínea: formação de COÁGULO Coágulos que aderem a parede do vaso: TROMBO Trombo que se desloca e segue na corrente sanguínea: ÊMBOLO TROMBOSE aumento da formação de coágulos Aumento da formação de trombos induzindo o sangue venoso a permanecer no local Retorno Venoso diminuído Hiperemia venosa Início VÁLVULAS / CÚSPIDES DA VEIAS As veias desempenham função primordial na propulsão do sangue venoso para cima, até o coração graças ao correto funcionamento das válvulas venosas. Cada válvula é formada por duas metades (cúspides) cujos bordos fazem contacto entre si. O sangue (que vem de baixo para cima) empurra as cúspides, que se abrem como um par de portas vai e vem; mas quando o sangue tende a regressar na direção oposta (de cima para baixo), forçado pelo gravidade, empurra as cúspides de modo que estas se fechem e impeçam o refluxo de sangue e para que não haja Hiperemia venosa. VÁLVULAS VENOSAS VEIAS As veias apresentam válvulas e são essas válvulas que, também podem apresentar dificuldade no seu funcionamento. Elas se abrem para o retorno do sangue e após a sua passagem, elas se fecham impedindo o retorno do sangue, Quando ela não se fecha mais, ela possibilita o retorno do sangue, facilitando o acúmulo deste sangue no local, induzindo à coagulação sanguínea. Isso é mais comum em membros inferiores. VARIZES Varizes – Deformidade na parede dos vasos, dificultando mais ainda o retorno venoso. Quando olhamos para as pernas de alguém com varizes, verificamos que os vasos apresentam coloração mais escura, azulada ou enegrecida (por conta do sangue venoso). Enquanto as veias estão suportando aquela quantidade grande de sangue venoso no local, suas paredes se mantém intactas. Porém, quando elas não suportam mais aquela quantidade aumentada de sangue no local, ela vai se deformando e é quando aparecem as Varizes. EMBOLIA / AVC Acontece quando um trombo se desloca e cai na corrente sanguínea deslocando-se ao longo do sistema vascular. Dependendo do tamanho desse êmbolo, ele encontra passagem no calibre do vaso, porém, quanto mais estreito for o vaso, maiores são as chances desse êmbolo parar, obstruindo drasticamente ou totalmente a passagem de sangue no local, induzindo à vários quadros: Se o êmbolo parar no pulmão: Embolia Pulmonar. Se parar no cérebro, pode causar: AVC – Acidente Vascular Cerebral, neste caso AVC Isquêmico. O AVC é classificado como: Isquêmicoe Hemorrágico O Hemorrágico é quando há rompimento do vaso tendo extravasamento de sangue para a massa encefálica. O Isquêmico é causado pela falta de sangue (isquemia), o que pode ser causado por um êmbolo, que obstruiu a passagem de sangue para aquele local. TROMBOEMBOLISMO ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL / ENCEFÁLICO Isquêmico Hemorrágico Isquêmico NÃO FUNCIONAMENTO DAS VÁLVULAS Perceba que o não fechamento adequado nas válvulas (quando elas não se tocam ou encostam) facilita o refluxo do sangue (retorno do sangue para baixo) aumentando a hiperemia venosa, causando: Varizes Inchaço nas pernas Edemas Facilita a coagulação sanguínea, aumentando as chances de Trombose, Embolia e AVC