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Pedro Landi – 09/04/2020
Origens da violência e da maldade
Quando pensamos em violência é comum pensarmos em um assassino sanguinário e nos inúmeros criminosos que agridem as pessoas e afetam o patrimônio alheio. 
Menos comum é pensarmos na violência institucionalizada pelos sistemas de exploração social, isto é, a violência cruel dos salários de fome, da falta de moradia, do de amparo à saúde pública, do descaso pela educação, do preconceito racial etc. Violências surdas que oprimem milhões de pessoas "sem vez" e ainda “sem voz”.
De modo geral, é possível identificar duas respostas antagônicas sobre as causas da violência ou da maldade, fornecidas pela psicologia e pela psicanálise:
• instintivista – afirma que a violência humana, concretizada nas guerras, nos crimes e na conduta autodestrutiva, é provocada por instintos inatos decorrentes da fisiologia básica do ser humano. Esse instinto agressivo sempre busca sua descarga e aproveita as ocasiões favoráveis para se manifestar. No grupo de pensadores que enfatizaram o aspecto instintivo da violência humana, destacam-se o austríaco Konrad Lorenz (1903-1989), criador da etologia, e Sigmund Freud (1856-1939), criador da psicanálise. 
• socioambientalista - nega que a violência seja um atributo inato do ser humano. Afirma que o comportamento individual (pacifico ou violento) é moldado pelo ambiente em que o sujeito vive, isto é, pelas condições sociais, econômicas, políticas e culturais de sua existência. Assim, as diferenças de conduta entre as pessoas seriam o resultado das distintas condições socioambientais que cada uma teria enfrentado durante sua vida. 
Para os instintivistas, o ser humano reproduz os impulsos orgânicos de sua espécie. O indivíduo repete o passado filogenético. Para os socioambientalistas, o ser humano reproduz a influência do ambiente em que vive. O indivíduo vincula-se ao padrão cultural da sociedade em que está inserido e tende a repeti-lo.
Além dos instintivistas e dos ambientalistas, a outra posição que sustenta a tese de que o ser humano não é um títere ou uma marionete, que só reage passivamente ao ambiente (socioambientalismo), nem um ser aprisionado pelos instintos filogenéticos (instintivismo). O ser humano seria mais que tudo isso: é multideterminado, é um sistema complexo. Por isso, age e reage, cria e copia sentidos para a vida.

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