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Propriedades importantes dos materiais de moldagem: Recuperação elástica: A recuperação elástica é uma propriedade importante que os materiais de moldagem devem apresentar pois é devido a essa característica que o material garante , após a remoção da boca do paciente, a forma anatômica dos dentes. Quando se remove a moldeira com o material de moldagem da arcada moldada existe a tendência do material de moldagem apresentar estabelecer uma forma expulsiva dos dentes, pois quando este material tomou presa ele moldou áreas retentivas. Existem materiais com baixa recuperação elástica, o que significa que se deve aguardar o tempo necessário para que ocorra este fenômeno para que então seja vazado o gesso sobre o molde. Nenhum material apresenta 100% de recuperação elástica. Os melhores materiais de moldagem apresentam muito próximo de 100%. Para um material que apresente 97% de recuperação elástica, considera-se que os 3% restantes sejam de deformação permanente. Estabilidade dimensional Esta propriedade deve garantir ao material de moldagem a menor alteração em suas dimensões e formas com o passar do tempo. Materiais de moldagem que apresentam excelente estabilidade dimensional podem ser vazados em até 1 semana, pois não ocorre nenhum tipo ou pouquíssima distorção após a presa do material. Fatores como a contração de polimerização, eliminação de subprodutos de reação, sinérese e embebição estão diretamente relacionados com a estabilidade dimensional. Molhabilidade A molhabilidade é a capacidade que o material de moldagem possui para penetrar me detalhes anatômicos. Resistência ao rasgamento Materiais de moldagem que apresentam baixa resistência ao rasgamento como o alginato, devem se lançar mão de artifícios que minimizem essa característica, tais como o controle da espessura do material pela individualização da moldeira Flexibilidade e rigidez Tempo de presa e tempo de trabalho O tempo de trabalho pode ser definido como o tempo que envolve o início da mistura até a remoção da moldeira da boca do paciente. O tempo de presa é o tempo que se conta após a inserção do material de moldagem na moldeira até a remoção da moldeira da boca do paciente Características desejáveis de um material de moldagem: Copiar detalhes da área ou arcada a ser moldada Não romper ou fraturar durante a remoção Ter elasticidade e baixa deformação Ter ótima estabilidade dimensional Ser biocompatível Ser compatível com o gesso Ter tempo de trabalho e de presa compatíveis com a aplicação clínica Ter odor e sabor agradáveis Ter condições de armazenamento e de vida útil apropriadas Custo-benefício adequado Fácil manuseio Consistência e textura satisfatórias Possíveis de sofrer desinfecção sem alterar propriedades Classificação dos materiais de moldagem Irreversíveis ��� Reversíveis Elásticos Alginato (hidrocolóide irreversível) Elastômeros Ágar (hidrocolóide reversível) Inelásticos Pasta zinquenólica Godiva Materiais de moldagem inelásticos Materiais de moldagem elásticos: Hidrocolóides e elastômeros. Este conceitode materiais elásticos indica que uma vez a massa plástica inicial tenha se transformado em uma massa sólida, deve haver uma deformação elástica para que o material seja removido da boca, sem haver deformações permanentes. Na verdade estes materiais são viscoelásticos, pois a recuperação elástica que decorre após a remoção pode variar com o tempo, ou seja, não é imediata. Materiais de moldagem inelásticos: Godiva e pasta de óxido de zinco e eugenol (pasta zinco enólica). Estes materiais apresentam viscosidade variável que se tornam rígidos após a inserção dos mesmos na cavidade oral, não apresentando recuperação elástica. Isso significa que tais materiais não podem ser utilizados em áreas retentivas, ou seja, são utilizados apenas em edêntulos, para confecção de prótese total. .Hidrocolóides irreversíveis – Alginato Colóides Os colóides são freqüentemente classificados como o quarto estado da matéria, o estado coloidal, devido à sua diferenciação estrutural. Soluções coloidais são misturas de matérias. Líquido com ar, por exemplo, forma o aerosol, que é um colóide. Os materiais coloidais empregados como material de moldagem são o agar e o alginato dissolvidos em água, por este motivo são denominados hidrocolóides. Estes hidrocolóides efetuam uma reação sol-gel. Quando a reação passa de sol para gel, a fase dispersa se aglomera, formando cadeias ou fibrilas, chamadas de micelas. No caso dos hidrocolóides reversíveis, a atração entre estas fibrilas é bastante fraca, rompendo-se com o aumento da temperatura. Portanto, o aumento da temperatura (37oC por exemplo) favorece a formação do estado sol. Quando o gel perde água por evaporação a esse fenômeno denominamos sinérese e quando este absorve água chama-se embebição. Para que estes fenômenos sejam evitados, após a moldagem devemos manter o molde em ambiente de umidade relativa a 100%. Para isso pode ser utilizado um pote plástico com algodão ou gaze umedecida. Os alginatos surgiram da escassez do agar durante a II guerra mundial (o Japão era o principal fornecedor), sendo que teve uma aceitação inicial superior às expectativas, devido as suas vantagens. Quando se prepara o alginato para a moldagem, se prepara na verdade um sol coloidal de consistência apropriada para que seja levado em boca. Uma vez completado este passo é necessário que as partículas da fase dispersa do sol se unam entre si para formar fibras. Assim com o sistema convertido em um gel, pode-se retirar da boca mantendo a forma obtida na moldagem. O fenômeno sol– gel e gel-sol só é possível para os hidrocolóides reversíveis uma vez que a união entre as partículas da fase sol é bastante fraca podendo ser rompida facilmente pela ação do calor por exemplo. Os alginatos são materiais hidrofílicos, portanto a umidade tecidual não é um problema. Como é de se esperar, um hidrocolóide possui em grande parte de sua composição a água. Se o conteúdo de água em um gel for reduzido, o gel se contrairá e se o gel absorver água, irá se expandir ou inchar. Para evitar os fenômenos de sinérese e embebição, deve-se vasar o modelo o mais rápido possível (é difícil estabelecer exatamente quanto tempo pode-se manter o molde sem vasa-lo, pois depende do produto em particular que se está usando, mas certamente não convém passar de uma hora. Nos casos de armazenamento o conveniente é manter em umidade relativa a 100% para que não haja sinérese, mas também não submergida para que não haja embebição. A sinérese e a evaporação é de mais difícil controle do profissional, por isso deve-se vasar o quanto antes o molde. O exsudato que aparece na superfície do gel não é a água e sim um fluido alcalino ou ácido, depende da composição química do gel. O pó do alginato contém basicamente como componente principal um sal de ácido algínico, proveniente de algas marinhas. Mais importante do que o ponto de vista químico é o fato de que suas moléculas possuem um tamanho compatível para a obtenção de partículas de tamanho coloidal. Composição básica e reação de gelação. O pó do alginato contém um sal de ácido algínico que pode ser de sódio ou de potássio. O ácido algínico na verdade é um polímero.Quando se mistura com água forma uma massa plástica que é um sol coloidal. Para que se tenha a reação de sol para gel, o cátion monovalente (K ou Na) deve se tornar bivalente. Desta forma este cátion se liga através de uma reação iônica a dois grupos carboxílicos de diferentes moléculas formando uma trama fibrilar que transforma o sol em gel. Esta trama é impossível de se reverter e formar sol novamente, por isso serem irreversíveis. Para prover o tempo de trabalho suficiente para que o material seja aplicado à moldeira e em seguida levado a boca, o componente mais utilizado é o fosfato trisódico. Este procedimento é realizado, pois caso contrário a reação sol-gel ocorre de forma imediata tornado-o inapto para a utilização para impressões. Um outro componente também utilizado para complementar a presa do alginato é o sulfato de cálcio. O interessante é que o sulfato de cálcio reage primeiramente com o fosfato trisódico (provendo o tempo de trabalho) até que este se esgote, para depois então reagir com o alginato de sódio ou potássio. Portanto o que determina se o alginato é de presa rápida ou lenta é a quantidade de fosfato trisódico presente. Dentre outros componentes presentes nos alginatos está a terra diatomácea que não participa da reação e prove viscosidade ao material para que seja passível de ser levado em boca e para prover resistência e elasticidade necessárias ao gel. Componentes como o silicato são adicionados ao pó do alginato para combater o efeito nocivo que os colóides causam a superfície do gesso. Outros componentes ainda, são adicionados para prover sabor, tornando o material mais agradável para o paciente . Alguns corantes são adicionados ao alginato propiciar coloração, inclusive cores que indicam os passos do procedimento como o momento ideal para se levar o produto em boca e retirar o mesmo. Estes hidrocolóides são chamados alginatos cromáticos e mudam de coloração conforme a reação avança, principalmente devido a modificação de pH (uma vez que os corantes são indicadores químicos de pH). Muitos alginatos possuem seu pó tratado com algum glicol para que suas partículas estejam mais unidas entre si durante a armazenagem. Este procedimento impede que ao abrir o pote ou a lata do produto o pó flote podendo causar problemas nas vias respiratórias se inaladas. Estes alginatos são comumente chamados dustless ou dustfree (Jeltrate Plus, Hydrogum). Composição básica: Alginato de potássio : Alginato solúvel (15%) Sulfato de cálcio: Reator (16%). Aumenta também a vida útil do pó e uma estabilidade dimensional mais satisfatória. Óxido de zinco: Partículas de carga (4%) Fluoreto de potasio: Acelerador ( 3%) Terra diatomácea: Partículas de carga (60%). Dá consistência ao gel, sem ele o gel ficaria grudento. Fosfato de sódio: Reator (2%) Corantes Aromatizantes Vantagens: Fácil manipulação: Baixo custo: Não exige equipamento elaborado O tempo de trabalho do material é controlável através do ajuste da temperatura da água. O tempo requerido para a reação de presa é menor do que o tempo requerido para a maioria dos materiais de moldagem É hidrófilo, ou seja, a saliva não interfere no desempenho do material Devido à elasticidade deste material, moldagens de arcadas completas são mais fáceis de remover da boca Não mancha as roupas, como os elastômeros Confortável para o paciente, sabor e aroma agradáveis Fácil limpeza É mais barato do que a maioria dos outros materiais Desvantagens: Alteração dimensional por embebição /sinérise Pobre reprodução de detalhes Vasamento único e imediato Baixa resistência ao rasgamento Sensível a desinfecção A moldagem não pode ser estocada ou deixada ao ar livre após remoção da boca. Para melhores resultados, deve ser vazada em 10 a 12 minutos para permitir recuperação elástica. Não afasta os tecidos Exige espessura adequada Uso em odontologia: Modelo de estudo Modelo antagonista Modelo para prótese parcial removível Modelo de estudo e trabalho para odontopediatria e ortodontia Como utilizar os hidrocolóides irreversíveis da melhor forma possível? Armazenamento Basicamente a temperatura e a umidade são os principais fatores que afetam a vida útil dos alginatos. Altas temperaturas despolimerizam o áciido algínico levando-o a deterioração. A embalagem (pote, lata) deve ser mantida bem fechada para evitar que a umidade entre em contato com o pó. Antes do uso, é importante que o frasco seja agitado pois partículas de pó de maior densidade tendem a ficar no fundo do vasilhame. Manipulação Para a manipulação do alginato necessita- se um gral de borracha e uma espátula plástica ou metálica, sendo que ambos devem estar limpos. Resíduos de gesso (sulfato de cálcio) alteram a composição do alginato e conseqüentemente as propriedades do material. Deve se utilizar preferencialmente um instrumental diferente para o gesso e um para o alginato. Quanto a dosificação dos materiais (pó e água), basta seguir as recomendações do fabricante e utilizar os dosadoresa que geralmente acompanham estes produtos. A utilização de maior quantidade de água do que pó pode produzir um sol muito fluido, dificultando a aplicação deste nas zonas de reprodução, e um gel de menor resistência e elasticidade, prejudicando ainda a estabilidade dimensional. Já o excesso de pó torna o pó mais viscoso dificultando a reprodução de detalhes. Com relação à temperatura da água, esta deve ser a indicada pelo fabricante, geralmente de 20-21oC . Temperaturas elevadas reduzem o tempo de trabalho e aumentam a possibilidade de que o material seja levado em boca quando a geleificação já avançou. Se isto acontece, o material não flui livremente e se deforma pela pressão que o profissional exerce. Assim, quando se retira a impressão se produz uma recuperação dessa deformação e a moldagem não reproduz as formas e dimensões existentes no meio bucal, ocorrendo uma distorção. Já as temperaturas muito baixas, retardam a reação e impedemque o material alcance a resistência e elasticidade apropriada nos minutos em que está em boca. Ao remover a impressão pode se produzir maior deformação permanente e se obter uma impressão dimensionalmente inexata. A única forma de se alterar o tempo de presa é através da temperatura da água, nunca pela proporção água-pó. Os fabricantes disponibilizam dois tipos de alginato: os de presa rápida (1 a 2 minutos) e os de presa normal (2,5 a 4 minutos). Pela classificação número 18 da ADA os alginatos do tipo I são os de presa rápida e os do tipo II os de presa normal. Quando da mistura do pó e da água é praticamente indiferente a ordem da mistura. No entanto, devido a baixa densidade das partículas de pó estas tendem a flutuar na água e portanto recomenda-se levar a água ao pó. Em geral o tempo de mistura é de 30-60 segundos, sendo que ao final deste período a massa deve estar homogênea e sem grumos, para que as propriedades finais não sejam afetadas. As moldeiras a serem utilizadas devem apresentar retentividade do material como perfurações ou bordo espesso. Antes de se levar o material à boca, deve-se pedir para o paciente fazer um enxágüe com água para remover o excesso de saliva. A moldeira deve ser levada em boca e mantida sem forte pressão, mas suficiente para que o molde não desprenda da zona moldada. A presa do material ocorre antes em boca do que fora devido à temperatura intra-oral. Após vasado o gesso no molde é interessante que permaneça em umidade relativa a 100% para que o alginato não roube água do gesso por embebição, deixando a superfície do modelo rugosa. O alginato após removido boca, invariavelmente sofre alterações dimensionais por sinérese e evaporação (como a exposição ao ar ambiente) e embebição (com a lavagem). Há ainda a contração que ocorre quando o molde é removido da boca pois há diferença entre a temperatura intraoral e o ambiente. Roteiro para otimizar as moldagens com alginato: 1- Selecionar as moldeiras que devem ser perfuradas 2- Fazer a individualização com cera utilidade 3- Assegurar-se que tigela e espátulas estejam limpas (idealmente devem ser de uso exclusivo para o alginato) 4- Dosar a água e o pó. 5- Dar um copo com água ao paciente para que faça um bochecho 6- Incorporar a água ao pó criteriosamente com uma espátula 7- Espatular vigorosamente com movimentos em oito, amassando o material contra as paredes do gral, eliminando bolhas de ar e dissolvendo o pó completamente. 8- Manipular de 45 a 60 segundos , dependendo da marca do alginato. 9- O resultado final deve ser uma massa lisa e cremosa, que se solta da espátula quando esta é removida da cuba 10- Levar o material a uma moldeira que apresente retentividade 11- Levar o conjunto alginato-moldeira à boca e manter sob leve pressão 12- Remover o conjunto em apenas um eixo, após 3-4 minuto. 13- Lavar o molde com água corrente para a eliminação dos fluidos bucais e promover a desinfecção do molde borrifando com hipoclorito de sódio 1%. (de acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças). O molde pode ainda ser enxaguado com água gessada (caso molde venha a ser vasado logo em seguida) para que reduza a tensão superficial e a possibilidade de bolhas. Pode ser aplicado ainda soluções como o sulfato de potássio 2% que melhoram a dureza superficial do gesso do modelo, pois estas soluções agem como acelerador da presa do gesso opondo-se ao efeito retardador da superfície do alginato, podendo ainda reagir com a superfície do gel produzindo uma película que reduz ou previne a sinérese eliminando também a reação retardadora do alginato. 14- Caso não seja imediatamente vazado, o molde deve ser mantido em frasco fechado (umidificador) 15- Antes do vazamento a superfície deve estar brilhante (levemente úmida) não podendo ser demasiadamente seca para que não ocorra sinérese. Porém não pode ter gotículas. Nunca vazar após 30 minutos. O gesso deve ser deixado por 60 minutos no molde preferencialmente em local aberto, para que se evapore a água e se tenha um modelo com maior resistência. Caso o molde seja deixado por 24 horas sem ser separado do gesso, o alginato começa a reagir com o gesso, sendo que o gesso ,por sinérese, inicia a absorver água do alginato deixando a superfície do modelo rugosa e com aspecto pontilhado. Principais problemas com a utilização do alginato Material granuloso: Espatulação inadequada, espatulação prolongada, relação água pó alterada (excesso de pó). Rasgamento: Espessura inadequada, remoção prematura da boca, espatulação prolongada, material ruim ou vencido. Bolhas de ar: Incorporação de ar durante a espatulação e incorporação da água ao pó. Modelo de gesso rugoso ou purulento: Limpeza inadequada do molde, excesso de água deixado no molde, remoção prematura do modelo, remoção tardia do modelo, manipulação inadequada do gesso. Distorção: molde não foi vasado imediatamente, movimento da moldeira durante a fase da presa, remoção prematura da boca. )algumas marcas comerciais sofrem distorção quando deixadas por muito tempo em boca. Bolhas no modelo: molde excesivamente molhado, falta ou excesso de vibração Bolhas no molde: não assentamento completo da moldeira ou manipulação incorreta do alginato.