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DESCRIÇÃO DA DOENÇA: 
LEPTOSPIROSE 
A leptospirose é uma doença infecciosa febril aguda que resulta da exposição direta ou indireta a 
urina de animais (principalmente ratos) infectados pela bactéria Leptospira; sua penetração ocorre 
através da pele com lesões, pele íntegra imersa por longos períodos em água contaminada ou através de 
mucosas. 
O período de incubação, ou seja, tempo entre a infecção da doença até o momento que a pessoa 
leva para manifestar os sintomas, pode variar de 1 a 30 dias e normalmente ocorre entre 7 a 14 dias após 
a exposição a situações de risco. As manifestações clínicas variam desde formas assintomáticas e 
subclínicas até quadros graves, associados a manifestações fulminantes. 
São divididas em duas fases: fase precoce e fase tardia. A doença apresenta elevada incidência em 
determinadas áreas além do risco de letalidade, que pode chegar a 40% nos casos mais graves. Sua 
ocorrência está relacionada às condições precárias de infraestrutura sanitária e alta infestação de 
roedores infectados. 
QUAIS SÃO OS SINTOMAS DA LEPTOSPIROSE? 
Os principais da fase precoce são: 
- Febre 
- Dor de cabeça 
- Dor muscular, principalmente nas panturrilhas 
- Falta de apetite 
- Náuseas/vômitos 
Podem ocorrer diarreia, dor nas articulações, vermelhidão ou hemorragia conjuntival, fotofobia, 
dor ocular, tosse; mais raramente podem manifestar exantema, aumento do fígado e/ou baço, aumento 
de linfonodos e sufusão conjuntival. Em aproximadamente 15% dos pacientes com leptospirose, ocorre a 
evolução para manifestações clínicas graves, que normalmente iniciam-se após a primeira semana de 
doença. Nas formas graves, a manifestação clássica da leptospirose é a síndrome de Weil, caracterizada 
pela tríade de icterícia (tonalidade alaranjada muito intensa - icterícia rubínica), insuficiência renal e 
hemorragia, mais comumente pulmonar. Pode haver necessidade de internação hospitalar. 
Manifestações na fase tardia: 
- Síndrome de Weil - tríade de icterícia, insuficiência renal e hemorragias 
- Síndrome de hemorragia pulmonar - lesão pulmonar aguda e sangramento maciço 
- Comprometimento pulmonar - tosse seca, dispneia, expectoração hemoptoica 
- Síndrome da angustia respiratória aguda – SARA 
- Manifestações hemorrágicas – pulmonar, pele, mucosas, órgãos e sistema nervoso central 
SITUAÇÃO EPIDEMIOLÓGICA DA LEPTOSPIROSE 
No Brasil, a leptospirose é uma doença endêmica, tornando-se epidêmica em períodos chuvosos, 
principalmente nas capitais e áreas metropolitanas, devido às enchentes associadas à aglomeração 
populacional de baixa renda, às condições inadequadas de saneamento e à alta infestação de roedores 
infectados. 
Existem registros de leptospirose em todas as unidades da federação, com um maior número de 
casos nas regiões sul e sudeste. A doença apresenta uma letalidade média de 9%. Entre os casos 
confirmados, o sexo masculino com faixa etária entre 20 e 49 anos estão entre os mais atingidos, embora 
não exista uma predisposição de gênero ou de idade para contrair a infecção. Quanto às características 
do local provável de infecção (LPI), a maioria ocorre em área urbana, e em ambientes domiciliares. Segue 
abaixo tabela atualizada com o número de óbitos por causa da doença no Brasil em 2019: 
 
Fonte: https://www.saude.gov.br/images/pdf/2020/fevereiro/07/obito-mes-lepto-2019.pdf 
 
PROFISSÕES ENVOLVIDAS 
Pode ocorrer exposição ocupacional a Leptospira icterohaemorrhagiae (e outras espécies), em 
trabalhos expondo ao contato direto com águas sujas, ou efetuado em locais suscetíveis de serem sujos 
por dejetos de animais portadores de germes; trabalhos efetuados dentro de minas, túneis, galerias, 
esgotos em locais subterrâneos; trabalhos em cursos d’água; trabalhos de drenagem; contato com 
roedores; trabalhos com animais domésticos, e com gado; preparação de alimentos de origem animal, de 
peixes, de laticínios, etc. 
Algumas profissões facilitam o contato com as leptospiras, como trabalhadores em limpeza e 
desentupimento de esgotos, garis, catadores de lixo, agricultores, veterinários, tratadores de animais, 
pescadores, militares e bombeiros, dentre outros. Contudo, a maior parte dos casos ainda ocorre entre 
pessoas que habitam ou trabalham em locais com infraestrutura sanitária inadequada e expostas à urina 
de roedores. 
MEDIDAS PREVENTIVAS 
A prevenção da Leptospirose ocorre por meio de medidas como: 
Obras de saneamento básico (drenagem de águas paradas suspeitas de contaminação, rede de 
coleta e abastecimento de água, construção e manutenção de galerias de esgoto e águas pluviais, coleta 
e tratamento de lixo e esgotos, desassoreamento, limpeza e canalização de córregos), melhorias nas 
habitações humanas e o controle de roedores. 
Evitar o contato com água ou lama de enchentes e impedir que crianças nadem ou brinquem 
nessas águas. Pessoas que trabalham na limpeza de lama, entulhos e desentupimento de esgoto devem 
usar botas e luvas de borracha (ou sacos plásticos duplos amarrados nas mãos e nos pés). 
A água sanitária (hipoclorito de sódio a 2,5%) mata as leptospiras e deve ser utilizada para 
desinfetar reservatórios de água: um litro de água sanitária para cada 1.000 litros de água do reservatório. 
Para limpeza e desinfecção de locais e objetos que entraram em contato com água ou lama contaminada, 
a orientação é diluir 2 xícaras de chá (400ml) de água sanitária para um balde de 20 litros de água, 
deixando agir por 15 minutos. 
Controle de roedores - acondicionamento e destino adequado do lixo, armazenamento apropriado 
de alimentos, desinfecção e vedação de caixas d´água, vedação de frestas e aberturas em portas e 
paredes, etc. O uso de raticidas (desratização) deve ser feito por técnicos devidamente capacitados. 
 Utilização de água potável, filtrada, fervida ou clorada para consumo humano, pois durante as 
enchentes é comum ocorrerem rompimentos na canalização. 
 Limpeza de reservatórios domésticos de água (caixas d’água) – Para limpar e desinfetar o reservatório 
(caixa d’água), principalmente em situações de enchentes. 
 Cuidados com os alimentos - é fundamental que as ações de vigilância sanitária relativas a produção, 
armazenamento, transporte e conservação dos alimentos sejam continuadas e que esses locais sejam 
inacessíveis a roedores. No caso de enchentes, os alimentos que entraram em contato com as águas de 
enchentes deverão ser descartados, pois é perigosa qualquer tentativa de reaproveitamento. O ideal, 
como prevenção, é armazená-los em locais elevados, acima do nível das águas, antes do início das chuvas. 
 Desassoreamento, limpeza e canalização de córregos. 
 Emprego de técnicas de drenagem de águas livres supostamente contaminadas. 
 Construção e manutenção permanente das galerias de águas pluviais e esgoto em áreas urbanas. 
 
COMO SE PREVENIR E QUAIS OS CUIDADOS EM REGIÕES COM ENCHENTES 
Para quem trabalha com profissões de risco, é crucial usar todos os equipamentos de proteção 
individual (EPIs) que a ocupação pede: bota de borracha, uniforme impermeável, luvas. Agora, se o local 
for atingido por uma enchente, deve-se fazer de tudo para não tocar na água. Só permanecer na área em 
situações de extrema necessidade e, sempre que tiver contato com a água da enchente, lave as áreas do 
corpo expostas. 
 Quando a sujeira baixar, deve-se descartar alimentos, roupas e colchões que molharam, pois são 
coisas que não se consegue higienizar por completo. Agora, móveis e superfícies impermeáveis devem 
ser limpados com derivados de cloro, pois esta substância mata a bactéria da leptospirose. Não 
existe vacina para a infecção, em caso de qualquer sintoma suspeito, deve-se ir imediatamente ao pronto-
socorro, pois quando diagnosticada no início, a doença é mais fácil de curar. 
 
AÇÕES DE PREVENÇÃO EM SITUAÇÕES EMERGENCIAIS 
I – Vacinação 
Não existe uma vacina para uso humano contra a leptospirose no Brasil. A vacinaçãode animais 
domésticos e de produção (cães, bovinos e suínos) evita o adoecimento e transmissão da doença por 
aqueles sorovares que a vacina protege. Está disponível em serviços particulares, ficando a critério do 
proprietário vacinar ou não o animal, sendo válida como estratégia de proteção individual. 
II - Quimioprofilaxia para leptospirose 
Qualquer indivíduo que entrou em contato com água ou lama de enchente está suscetível à 
infecção e pode manifestar sintomas da doença, configurando-se uma situação em que não há indicação 
técnica para realizar quimioprofilaxia contra a leptospirose, como medida de saúde pública. Nas áreas 
com ocorrência de enchentes, as medidas a serem adotadas são as seguintes: 
- Divulgar ações de proteção entre a população vulnerável; 
- Manter vigilância ativa para identificação oportuna de casos suspeitos de leptospirose; tendo em vista 
que o período de incubação da doença pode ser de 1 a 30 dias (média de 5 a 14 após a exposição); 
- Notificar imediatamente todo caso suspeito da doença, conforme a Portaria do MS de consolidação Nº 
4 de 03 de outubro de 2017; 
- Realizar tratamento oportuno dos casos suspeitos. 
COMO É FEITO O DIAGNÓSTICO DA LEPTOSPIROSE? 
- Diagnóstico laboratorial 
- Exames específicos 
O método laboratorial de escolha depende da fase evolutiva em que se encontra o paciente. 
Fase precoce: 
- Exame direto 
- Cultura 
- Detecção do DNA pela reação em cadeia da polimerase (PCR) 
Fase tardia: 
- Cultura 
- ELISA-IgM 
- Microaglutinação (MAT) 
Esses exames devem ser realizados pelos Lacens, pertencentes à Rede Nacional de Laboratórios de Saúde 
Pública. 
Exames inespecíficos 
- Hemograma 
- Bioquímica (ureia, creatinina, bilirrubina total e frações, TGO, TGP, gama-GT, fosfatase alcalina e CPK, 
Na+ e K+) 
- Radiografia de tórax 
- Eletrocardiograma (ECG) 
- Gasometria arterial 
FORMAS DE TRATAMENTO 
Os principais medicamentos utilizados no tratamento da leptospirose incluem: 
Antibióticos, como Doxiciclina, Amoxicilina, Penicilina ou Ampicilina, por exemplo, por 5 a 7 dias, 
ou de acordo com a recomendação do médico. É importante que o tratamento seja iniciado assim que 
surgirem os primeiros sinais e sintomas da doença, isso porque o tratamento é mais eficaz, combatendo 
a infecção mais facilmente e prevenindo complicações; 
Analgésicos e antitérmicos, como Paracetamol ou Dipirona. Deve-se evitar medicamentos que 
contenham AAS na sua composição, pois podem aumentar o risco de sangramento, e os anti-inflamatórios 
também devem ser evitados por aumentarem as chances de sangramentos digestivos; Antieméticos, para 
aliviar as náuseas, como Metoclopramida ou Bromoprida, por exemplo. 
Além disso, é muito importante a realização de hidratação com líquidos, como água, água de coco 
e chás ao longo do dia para todos os portadores da doença. O soro de reidratação oral pode ser útil em 
muitos casos, principalmente para as pessoas com sinais de desidratação. 
Medidas de Suporte 
Reposição hidroeletrolítica, assistência cardiorrespiratória, transfusões de sangue e derivados, 
nutrição enteral ou parenteral, proteção gástrica, etc. O acompanhamento do volume urinário e da função 
renal é fundamental para se indicar a instalação de dialise peritoneal precoce, o que reduz o dano renal e 
a letalidade da doença. 
Quando é necessário internar 
O médico pode indicar a necessidade de permanecer hospitalizado sempre que surgirem sinais e sintomas 
de alerta, como: 
- Falta de ar; 
- Alterações urinárias, como diminuição da quantidade de urina; 
- Sangramentos, como pela gengiva, nariz, tosse, fezes ou urina; 
- Vômitos frequentes; 
- Queda da pressão ou arritmias; 
- Pele e olhos amarelados; 
- Sonolência ou desmaio. 
Estes sinais e sintomas sugerem a possibilidade de complicações que comprometem a vida da 
pessoa afetada, sendo, por isso, importante que a pessoa permaneça no hospital para ser monitorada. 
Algumas das principais complicações da leptospirose incluem hemorragia, meningite e alterações no 
funcionamento de órgãos como rins, fígado, pulmões e coração.

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