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PRATICA DE ENS DE PROTUGUES I - materia

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Prática de ensino de português I - Aula 1 
Muitos não acreditam que alguém, possa ter optado, por ser professor. São muitos desafios por que passam as pessoas no exercício de sua profissão. E o professor passa tanto por dificuldades profissionais como por momentos de realização.
Muitas vezes, ele enfrenta dois ou três turnos de aula por dia, com turmas mais cheias do que o recomendado, para buscar o sustento ou um maior conforto para si e para sua família. Isso sem contar que as férias dos alunos nem sempre significam férias dos professores.
Mesmo considerando a Educação um dos pilares da sociedade, esquecem-se do que o professor é parte integrante do processo educacional, é um dos grandes responsáveis pela movimentação do saber.
Todos somos chamados a sermos educadores, mas o professor é aquele que escolheu exercer esse ato de educar profissionalmente. O professor estuda, pesquisa, planeja, avalia e reavalia sua prática em diferentes momentos, baseado em estudos das mais diferentes áreas do conhecimento (didática, psicologia, linguística, sociologia).
A matéria-prima do trabalho do professor é o conhecimento. Não é conseguir que o aluno faça isto ou aquilo, mas conseguir que ele compreenda, por reflexionamento próprio, como fez isto ou aquilo. Se uma criança desmontou e remontou corretamente um brinquedo, não significa que ele tenha progredido em termos de conhecimento. Este “conhecimento prático” constitui a matéria-prima do conhecimento; mas não é sobre ele que se debruça Piaget.
Reflexionamento consiste em não só repetir uma atividade que se tenha aprendido, mas também refletir sobre ela e saber explicá-la.
Para se transmitir um conteúdo é necessário que se tenha domínio sobre ele e, se este conteúdo estiver no campo do científico, do intelectual, é necessário também que se tenha clareza sobre como o ser humano, adquire o conhecimento e como ele consegue passar do concreto para o simbólico. 
Um dos maiores desafios é conseguir fazer com que o aluno aprenda o que é ensinado, ou seja, aprenda a buscar e construir seu próprio conhecimento. É evidente que o educando, seja ele da idade que for, só buscará e construirá seu conhecimento, em sala de aula ou fora dela, se o assunto a ele apresentado fizer algum sentido. 
 
Bruno Bettelheim ao falar sobre a importância da leitura dos contos de fadas originais, nos afirma que “a tarefa mais importante e também mais difícil na criação de uma criança é ajudá-la a encontrar significado na vida.”
Ao professor cabe ajudar ao aluno, seja ele criança, adolescente, jovem, adulto ou idoso, a buscar o sentido do que lhe é apresentado e explicado em sala de aula e na escola como um todo.
A tarefa de ajudar o aluno a buscar o sentido exige do professor diferentes habilidades, diferentes estudos, como mencionado.
Ao observar um profissional em ação, fica-nos a impressão dele ele estar desempenhando aquela atividade com tanta naturalidade que não tem dificuldade alguma para executá-la.
Toda essa desenvoltura e facilidade em lidar com as diferentes situações que um professor transmite no exercício de sua profissão não é algo que surge nele como um passe de mágica, mas sim como resultado de sua vivência, como resultado de diferentes leituras, estudos e reflexões.
Pensando na questão das habilidades necessárias ao professor, vemos que, em Pedagogia da autonomia, Paulo Freire nos fala que “a reflexão crítica sobre a prática se torna uma exigência da relação teoria/prática sem a qual a teoria pode vir virando blábláblá e a prática, ativismo”.
O livro, Pedagogia da Autonomia, é bem interessante aos que estão desempenhando ou pensam desempenhar um trabalho sério e comprometido na área de Educação. 
“A questão da formação docente ao lado da reflexão sobre a prática educativo-progressiva em favor da autonomia do ser dos educandos é a temática central (...). Temática a que se incorpora a análise de saberes fundamentais àquela prática e aos quais espero que o leitor crítico acrescente alguns que me tenham escapado ou cuja importância não tenha percebido (FREIRE)
Freire nos mostra que a prática educativa deve estar “em favor da autonomia do ser dos educandos”. Como pensar na autonomia do professor? Como interferir, auxiliar, estimular a construção de seres autônomos se não for ele próprio um ser autônomo, capaz de refletir sobre sua prática, capaz de colocar-se na sociedade e com a sociedade como um ser autônomo?
É evidente que um ser só poderá trabalhar na constituição de outros seres autônomos e críticos se ele também o for.
A política da instituição em que se trabalham, às vezes, não é desenvolvida no sentido de possibilitar esta autonomia. Às vezes, o que se encontra é autoritarismo no lugar do exercício da autoridade; ou negligencia e acomodação no lugar de democracia.
Só conseguirá trabalhar na formação de seres autônomos e críticos aquele que em sua prática, em sua vivencia, for efetivamente autônomo e crítico.
A dinâmica de oferecer ao outro o que, de verdade, há em si: ensinar o conteúdo que domina, apresentar e criticar o livro ou autor que tenha realmente lido, propor a redação ou o exercício que, de fato, vá corrigir e comentar.
Todas essas atitudes mencionadas envolvem ética e respeito. Não é legítimo, nem viável, cobrar do outro o que não se tem capacidade de executar. Sobre essa questão, podemos remeter o nosso pensamento a uma atitude simples e necessária ao andamento da aula de qualquer turma de estudantes: a atitude de ouvir.
É como que qualquer professor durante a aula peça silêncio. Entretanto, é surpreendente como vemos diferentes grupos de professores assumindo a mesma postura de seus alunos quando estão não posição de ouvintes em uma palestra, seminário ou congresso.
Quando nos referimos à realidade mencionada, estamos apenas chamando a atenção que, como seres humanos que somos, temos as nossas limitações, as nossas dificuldades e que a dificuldade de ouvir faz-se presente em diferentes grupos de pessoas. 
Precisamos, nos colocar sempre no lugar do outro, precisamos enxergar o outro como ser humano, como ser capaz de acertos e erros. Afinal, supõe-se que quem escolhe trabalhar na área da Educação, é alguém que gosta de lidar com pessoas, que gosta de gente. E aluno é gente, assim como o professor também é. 
Pensando no aluno como elemento central na ação de aprender e de aprender a aprender, é que o professor e a professora devem optar pela democracia em sala de aula. 
O educador democrático não pode negar-se o dever de, na sua prática docente, reforçar a capacidade crítica do educando, 
sua curiosidade, sua insubmissão. Uma de suas tarefas primordiais é trabalhar a rigorosidade metódica. (...) Ensinar não se esgota no “tratamento” do objeto ou do conteúdo, superficialmente feito, mas se alonga à produção das condições em que aprender criticamente é possível. 
E essas condições implicam ou exigem a presença de educadores e educandos criadores, instigadores, inquietos, rigorosamente curiosos, humildes e persistentes. Faz parte das condições em que aprender criticamente é possível a pressuposição por parte dos educandos de que o educador já teve ou continua tendo experiência da produção de certos saberes e que estes não podem a eles, os educandos, ser simplesmente transferidos.
Pelo contrário, nas condições de verdadeira aprendizagem, os educando vão se transformando em reais sujeitos da construção e da reconstrução do saber ensinado, ao lado do educador, igualmente sujeito do processo. Só assim podemos falar realmente de saber ensinado, em que o objeto ensinado é aprendido na razão de ser e, portanto, aprendido pelos educandos.
Ser democrático não significa deixa de ensinar ou submeter-se passivamente aos caprichos de alunos que se colocam na posição do não aprender. O educador democrático é aquele que se coloca na posição de eterno aprendiz e que assim interage positivamente como o educando. Esta deve ser a postura do professor. 
Seu relacionamento com o aluno não deve se esgotar no tratamento do conteúdo que domina, deve ir além,