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FERRAMENTAS DA QUALIDADE | 2 ÍNDICE 1. Fluxograma ....................................................................................................................................................................................... 3 2. Diagrama de Afinidades ................................................................................................................................................................ 6 3. Recapitulação IIE – Inútil, Irregular, Excessivo ........................................................................................................................ 8 4. Folhas de Verificação ................................................................................................................................................................... 10 5. Histograma ..................................................................................................................................................................................... 11 6. Diagrama de Pareto ..................................................................................................................................................................... 13 7. Diagrama de Dispersão .............................................................................................................................................................. 16 8. Método interrogativo .................................................................................................................................................................. 21 9. Cartas de Controlo (SPC) ............................................................................................................................................................ 22 10. Brainstorming ......................................................................................................................................................................... 37 11. 5S ................................................................................................................................................................................................ 38 12. Diagrama de Causa–Efeito ................................................................................................................................................. 39 13. Análise de Problemas e Ações Corretivas – 8D ............................................................................................................ 43 14. Matriz de decisão .................................................................................................................................................................. 45 15. Análise Modal de Falhas – AMF ........................................................................................................................................ 46 16. Análise da Matriz de Forças (Positivas e Negativas) ................................................................................................... 48 17. PDCA ......................................................................................................................................................................................... 50 18. Ações Corretivas e Preventivas ......................................................................................................................................... 52 19. Diagrama de Matrizes .......................................................................................................................................................... 55 20. Matriz de Prioridade ............................................................................................................................................................. 59 EMISSÃO: Iberogestão – Gestão integrada e Tecnológica, Lda. Rua Pinto de Aguiar, 281 4400-252 Vila Nova de Gaia Tel. +351 223 770 830 Fax +351 223 770 839 ibg@iberogestao.pt www.iberogestao.pt Edição n.º 4, Revisão n.º1, novembro 2016 COORDENAÇÃO: Alfredo Azevedo A Iberogestão não autoriza a reprodução desta documentação no seu todo ou em partes FERRAMENTAS DA QUALIDADE | 3 Esta publicação da IBG pretende identificar a utilização dum conjunto de ferramentas e técnicas, usualmente evocadas no âmbito dos sistemas de Gestão e Garantia da Qualidade, fundamentais para prevenir e monitorar processos, permitindo às Organizações a busca contínua da melhoria. 1. FLUXOGRAMA SINÓNIMOS E VARIANTES Logigrama Gráficos de Fluxo Diagramas de Processo OBJETIVO Visualizar as etapas chave de um processo com a ajuda de símbolos. DESENVOLVIMENTO Os Fluxogramas são ferramentas muito importantes para a perceção e controlo dos processos, quer sejam de fabrico, quer sejam administrativos. Consiste na representação gráfica das várias fases do processo, bem como das relações que existem entre eles e é a primeira ferramenta a ser usada quando se pretende estudar um processo. A construção de um fluxograma é um trabalho de equipa e segue um conjunto de etapas básicas: 1. Definir e normalizar os símbolos que serão utilizados pelo grupo de trabalho para construir o Fluxograma 2. Traçar o Fluxograma a partir das informações existentes 3. Analisar o Fluxograma sobre uma lógica de ações e de decisões 4. Identificar os pontos menos claros que colocam problemas e que possam parecer inúteis 5. Traçar o Fluxograma definitivo NOTA: Um bom Fluxograma deverá ser suficientemente representativo e elucidativo, logo definitivo e autossuficiente por ele mesmo. O texto de acompanhamento não serve para evitar alterações nos Fluxogramas. FERRAMENTAS DA QUALIDADE | 4 EXEMPLOS Símbolos de Fluxogramas (norma AFNOR Z 67-010) Retângulo: representa uma ação; verbo da ação ou nome da operação. Losango: representa uma questão; orienta as ações em função da resposta. As setas indicam a direção a seguir mediante a resposta. Retângulo de angulos inclinados: representa um conjunto de informação que pode ser consultada para agir ou tomar uma decisão. Retângulo ondulado na base: representa um documento que é necessário à ação. Oval: é o início ou o fim de um processo Pedido de Substituição de Contadores de Água Chegada de Encomenda Inspeção e receção de materiais numa empresa de comercialização de peças. Recebimento de componentes FERRAMENTAS DA QUALIDADE | 5 Aprovação de Protótipos/ Normas de Impressão/ Cores Numa empresa fabricante de embalagens de cartão canelado entre outras, existem um conjunto de atividades importantes para o negócio que se centram na aprovação de Amostras ou Protótipos e com especial relevância para as normas de impressão e a conformidade de cores; assim, podemos apresentar o fluxograma que espelha o desenvolvimento das repetidas atividades. Fluxo produtivo, desde a recepção de matérias-primas e subsidiárias até à entrega do produto Uma empresa de produção e comercialização de produtos lubrificantes desenvolveu o seu fluxograma produtivo, desde a recepção de matérias-primas e subsidiárias até à entrega do produto acabado no cliente, da seguinte, fazendo utilização de simbologia perfeitamente perceptível e que fixa de uma forma elucidativa todos os passos relevantes. FERRAMENTAS DA QUALIDADE | 6 CONTRA-INDICAÇÕES Símbolos não definidos ou complexos Limites do processo não definidos MÉTODOS ASSOCIADOS Método de Resolução de Problemas Procedimentos 2. DIAGRAMA DE AFINIDADES SINÓNIMOS E VARIANTES Matriz de Afinidades OBJETIVO Esclarecer problemas ou situações importantes, cujo estado inicial é confuso, desordenado ou inexplorado. É uma ferramenta simples e muito interessante que permite a um grupo de pessoas, de profissionais, criar um número alargado de ideias, temas ou constataçõessobra algo que é o seu centro momentâneo de atenção; a ferramenta potencia a inventariação daquelas ideias e a sua organização por famílias ou grupos com a finalidade de melhor compreender um problema e despoletar eventuais soluções. Encoraja a permanente criatividade do grupo ao basear-se na comunicação sem barreiras entre todos os seus membros. Apoia-se portanto nas técnicas e cuidados do brainstorming. DESENVOLVIMENTO Para construir um Diagrama de Afinidades devem ser seguidos os passos seguintes: 1. Escolher o tema 2. Colecionar os dados verbais 3. Registar os dados em cartões ou folhas tipo “post-it” 4. Agrupar os cartões ou “post-it” 5. Rotular os grupos de cartões ou “post-it” (juntar por afinidades) 6. Desenhar o Diagrama EXEMPLO Para iniciar este trabalho é necessário clarificar o tema em análise para que tudo fique nítido e o grupo não se disperse Como podemos melhorar a Qualidade Global dos nossos Fornecedores? FERRAMENTAS DA QUALIDADE | 7 Prepare-se também para fazer registos de uma forma global e atrativa para todos os membros do grupo e nos quais todos possam participar, escrever, alterar os desenvolvimentos conseguidos Antes de escrever consiga consenso na expressão ou na frase utilizada Registe cada ideia num “post-it” com escrita forte, visível e apelativa por todo o grupo de trabalho; cada frase ou constatação deve ter um n.º reduzido de palavras e é natural colecionar, pelo menos, uma dúzia de ideias Os “post-it” devem ir sendo colocados à medida que o trabalho do grupo se vai desenvolvendo, logo aprofundando ideias e abordagens O desenvolvimento desta ferramenta requer agrupamentos lógicos dos “post-it” acima identificados, logo os temas neles expostos juntam-se por afinidades; entre estas, umas serão mais óbvias e lógicas do que outras e o grupo de trabalho irá considerar as sugestões que aqui se vão expressando FERRAMENTAS DA QUALIDADE | 8 Como se verifica, foi conseguido um alinhamento por afinidades, limitando um conjunto de ideias ou de constatações a um quadro de muito fácil leitura e que nos pode abrir caminho a ações que potenciem o objetivo inicialmente determinado: Como podemos melhorar a Qualidade Global dos nossos Fornecedores? A partir daqui podemos aprofundar a análise das afinidades e tomar decisões de atuações; assim vamos ter que analisar, classificar, decidir e planear. Para os próximos passos, outras ferramentas deverão ser utilizadas; reveja este manual. CONTRA-INDICAÇÕES Não aplicável MÉTODOS ASSOCIADOS Brainstorming 3. RECAPITULAÇÃO IIE – INÚTIL, IRREGULAR, EXCESSIVO SINÓNIMOS E VARIANTES Não aplicável OBJETIVO É um método muito simples e interessante para potenciar a identificação de ações, por exemplo corretivas, e que obriga um grupo de técnicos, de responsáveis ou simplesmente de colaboradores envolvidos, a analisar de uma forma profunda (“ir à raiz dos temas”) uma determinada situação; é necessário recolher um máximo de ideias e análises para sem dúvidas identificar o que é inútil, irregular e excessivo. Disponibilizar informação para potenciar melhorias contínuas, organização e métodos de trabalho bem como na reengenharia de processos. DESENVOLVIMENTO E EXEMPLO É necessário recolher um máximo de ideias e análises para sem duvida identificar o que é inútil (que está “a mais”, que não acrescenta valor, que é desnecessário), irregular (que sai fora dos padrões normais ou preestabelecidos) e excessivo (que excede os recursos que estavam definidos e consignados àquela atividade) para uma determinada situação que pretendemos analisar. Atente-se no quadro de exemplo e nas questões que lá se encontram; sem dúvida que o que se pretende é inventariar desperdícios e irregularidades. FERRAMENTAS DA QUALIDADE | 9 INÚTIL A te nç ão n. a. / i rr el ev an te IRREGULAR A te nç ão n. a. / i rr el ev an te EXCESSIVO A te nç ão n. a. / i rr el ev an te M Ã O -D E- O BR A Nº colaboradores adequados? Postura do operador? Trabalho mal distribuído entre operadores no mesmo posto? Materiais aprovados no sítio certo e no momento requerido? Existem gestos ou movimentos inúteis? Excesso de tempos mortos? Má distribuição do trabalho? Planeamento eficaz? Sequência ótima de trabalho? Existem situações descabidas na formação dos colaboradores? Momentos de muita e pouca ocupação? Percentagem adequada de pessoas experientes/novas? Absentismo e rotação são elevadas? Utilização de mão-de-obra sem respeitar o quadro de polivalências? Tarefas provocam fadiga nos trabalhadores? Tarefas feitas por pessoas que poderão ser feitas por máquinas? Existe excedente de operadores para as tarefas a realizar? M A TE RI A IS Nº produtos defeituosos excessivo? Rendimentos fracos? É utilizada matéria-prima de classe superior ao estabelecido? Sucata elevada? Nº de unidades defeituosas é excessivo? Existe inutilidade resultante da conceção? Os outputs são fracos? A eletricidade é mal gasta? Os materiais em excesso são mal aproveitados? A qualidade dos materiais é uniforme? Existem irregularidades nas propriedades dos materiais? A qualidade final é irregular? Existem variações assinaláveis no produto acabado devido à matéria- prima? Existem muitas condicionantes nos materiais comprados? Existem muitas condicionantes resultantes de más conceções? Consumos efetivos superiores ao padronizado? Desperdícios elevados? M Á Q U IN A S Todas as máquinas são utilizadas? Em que percentagem? Todas as máquinas são utilizadas com eficácia? Há perda de tempo resultante de má disposição das máquinas Existem máquinas inutilizadas? As capacidades das máquinas estão bem repartidas? Existe excesso de utilização de máquinas? Capabilidade estatística está fora de valores aceitáveis? Plano de manutenção não é cumprido? Existem meios de precisão fiáveis para o tratamento de alta precisão? A manutenção das máquinas é a mais indicada? A vida útil dos meios está reduzida por utilização desregrada? O método desenvolve-se muito simplesmente pela identificação das interrogações recapitulativas para cada área que se entende ser alvo de análise, como se mostra no quadro exemplificativo e outras áreas que se pretendam focalizar na análise IIE serão sempre importantes; atente-se que, para além de considerarmos a mão-de-obra, os materiais e os equipamentos, (análise tipicamente industrial) podem ser colocados sob os “holofotes” IIE, O sistema de informação A organização geral As infraestruturas ou, os recursos em geral A comunicação Atividades específicas e de rotina O que realmente determinante é aprofundar a avaliação de tudo quando pode constituir desperdício, incorreção e inutilidade. Uma vez mais, e para que esta ferramenta tenha utilidade e êxito, é necessário reunir os contributos de um grupo de Colaboradores que técnica e funcionalmente domine, no dia a dia, as áreas em apreciação; é sempre muito importante que o grupo envolvido seja homogéneo no que respeita aos conhecimentos profundos sobre o âmbito de análise. FERRAMENTAS DA QUALIDADE | 10 Reforçando o parágrafo anterior o grupo deve ir para o local (máquina, posto de trabalho, zona efetiva onde se desenrola a atividade) e apreciar “in loco” toda a realidade efetiva e envolvente porque só assim se podem retirar ilações e conclusões de valor acrescentado que permitam as desejadas melhorias. CONTRA-INDICAÇÕES Não aplicável MÉTODOS ASSOCIADOS Trabalho de grupo Brainstorming 4. FOLHAS DE VERIFICAÇÃO SINÓNIMOS E VARIANTES Folhas de Recolha de Dados Folha de Registo OBJETIVO Obter informação necessária para responder a respostas do tipo “quando ocorre?”, “quantas vezes ocorre?”, “quais os valores obtidos?”. DESENVOLVIMENTO As listasde verificação são uma ferramenta de fácil compreensão. Para se utilizarem é necessário dar os seguintes passos: 1. Qual a pergunta para a qual se pretende obter resposta 2. Qual o período durante o qual se vai recolher informação 3. Desenhar um formato claro e preciso, onde os dados vão ser registados 4. Obter os dados de uma forma honesta e consistente EXEMPLO Administração/Serviços: Erros de datilografia no Departamento A Erros Março Total 1 2 3 Tabulação || ||| ||| 8 Palavras erradas |||| || |||| |||| | |||| 23 Pontuação |||| |||| |||| |||| |||| |||| |||| |||| 40 Omissão de palavras || | | 4 Números errados ||| |||| ||| 10 Numeração de páginas | | || 4 Tabelas erradas |||| |||| |||| 13 TOTAL 34 35 33 102 FERRAMENTAS DA QUALIDADE | 11 CONTRA-INDICAÇÕES Recolha de dados de uma forma falsificada (fabricação de resultados) MÉTODOS ASSOCIADOS Histograma Diagrama de Pareto 5. HISTOGRAMA SINÓNIMOS E VARIANTES Gráfico de Barras Distribuição de Frequências OBJETIVO O objetivo dos histogramas é analisar graficamente situações caraterizadas por uma variável. DESENVOLVIMENTO O histograma apresenta, de uma forma gráfica, uma distribuição de dados, que evidencia visualmente a tendência central e a dispersão do conjunto de dados em estudo. É uma técnica estatística utilizada quando se pretende estudar um grande volume de dados. REGRA PRÁTICA PARA CONSTRUÇÃO DE UM HISTOGRAMA 1. Contar o número de observações, n 2. Determinar o valor máximo (Máx) e o mínimo (Mín) do conjunto de observações 3. Determinar o número de células de acordo com a tabela: Nº de Observações (n) Nº de Células (k) 20 – 50 6 51 – 100 7 101 – 200 8 201 – 500 9 501 – 1000 10 >1000 11 – 20 4. Determinar o intervalo da célula, h k MínMáx h NOTA: arredondar o valor resultante 5. Determinar as fronteira das classes: i) Subtrair ao valor Mín uma casa decimal (em relação aos valores analisados) e a terminar em 5 ii) Somar ao valor resultante de i) o intervalo da classe, h iii) Executar a tarefa anterior até à última classe, valor Máx FERRAMENTAS DA QUALIDADE | 12 6. Construir uma tabela, indicando: Fronteira das Células Valor Médio Nº de Observações Frequência 7. Construir o histograma EXEMPLO De um processo foram retiradas 30 peças, depois de medidas, obtiveram-se os seguintes resultados, em cm: 9,67 10,37 11,05 10,64 10,49 10,09 10,02 9,90 10,64 10,51 10,60 9,91 10,23 10,61 10,63 10,52 11,06 10,12 10,23 10,61 11,09 10,92 10,45 10,11 10,24 9,63 11,11 9,95 11,27 10,54 Construção do Histograma 1. nº de observações, n=30 2. Máx=11,27 e Mín=9,63 3. n=30 logo nº de células, k=6 4. intervalo da célula, h=0,3 3,027,0 6 63,927,11 h Fronteira das células Mín=9,63 9,63-0,005=9,625 9,625+0,3=9,925 9,925+0,3=10,225 ... 11,125+0,3=11,425 Fronteira das células Valor médio Nº de observações Frequência 9,625 – 9,925 9,775 |||| 4 9,925 – 10,225 10,075 |||| 5 10,225 – 10,525 10,375 |||| ||| 8 10,525 – 10,825 10,675 |||| || 7 10,825 – 11,125 10,975 |||| 5 11,125 – 11,425 11,275 | 1 CONTRA-INDICAÇÕES Não aplicável MÉTODOS ASSOCIADOS Diagrama de Pareto FERRAMENTAS DA QUALIDADE | 13 6. DIAGRAMA DE PARETO SINÓNIMOS E VARIANTES Diagrama 80/20 Diagrama ABC OBJETIVO Determinar a importância relativa das informações para fixar as prioridades de estudo. DESENVOLVIMENTO O Diagrama de Pareto é uma ferramenta gráfica de visualização de dados hierarquizados por ordem decrescente. Para construir o Diagrama de Pareto seguimos as etapas descritas seguidamente: 1. Decidir quais os problemas a investigar (por exemplo: defeitos, número de acidentes, custos, tempo desperdiçado, etc.) 2. Como ordenar os dados (por tipo de defeito, localização, processo, operário, método,...) 3. Determinar qual o método de recolha de dados 4. Definir o período durante o qual se vão recolher os dados. Podem ser horas, mas também podem ser dias ou mesmo meses 5. Elaborar a folha para registo dos dados 6. Recolher dados e registar 7. Ordenar os valores obtidos por ordem decrescente. A categoria “Outros” deverá ficar sempre em último lugar, porque representa um grupo de itens em menor número do que qualquer dos itens representados individualmente, não devendo por isso ter um valor elevado. Determinar os totais de cada item (causas dos defeitos, origem dos custos, etc.), os totais acumulados, percentagem em relação ao total de itens tratados e as percentagens acumuladas. Tipo de Defeito Nº de Defeitos Total Acumulado % do Total % Acumulada A 104 104 52 52 B 42 146 21 73 C 20 166 10 83 D 10 176 5 88 E 6 182 3 91 F 4 186 2 93 Outros 14 200 7 100 TOTAL 200 100 8. Desenhar dois eixos verticais e um horizontal: no eixo vertical da esquerda marcar a escala de 0 até ao valor obtido mais elevado no da direita marcar de 0% a 100% no eixo horizontal marcar tantas divisões como o número de itens analisados 9. Construir o diagrama de barras. A coluna com valor mais elevado fica à esquerda, e por ordem decrescente colocam-se as restantes 10. Construir a curva de acumulados, marcando os pontos correspondentes aos valores acumulados e unindo os pontos por uma curva FERRAMENTAS DA QUALIDADE | 14 11. No fim colocar a legenda, incluindo o tamanho da amostra e o período a que se referem os dados, para que todos possam interpretar o seu significado. EXEMPLO Em determinada unidade industrial, na inspeção final do curso dos produtos, detetou-se que surgiam normalmente 9 tipos diferentes de defeito. Para determinar qual o defeito que surgia com mais frequência, preparou-se a seguinte folha de recolha de dados, em que os vários tipos de defeitos foram codificados de A até H. FOLHA DE RECOLHA DE DADOS TIPO DE DEFEITO DIAS TOTAL Seg. Ter. Qua. Qui. Sex. Acessórios A Matéria Prima B Cor C Dimensões D Riscos E Pintura F Acabamentos G Verniz H Outros Outros RESULTADOS OBTIDOS 1º resultados em bruto: TIPO DE DEFEITO TOTAL Acessórios A 23 Matéria Prima B 34 Cor C 45 Dimensões D 65 Riscos E 76 Pintura F 124 Acabamentos G 2 Verniz H 3 Outros Outros 5 2º resultados por ordem decrescente: TIPO DE DEFEITO NÚMERO DE DEFEITOS TOTAL ACUMULADO % DO TOTAL % ACUMULADA F 124 124 33% 33% E 76 200 20% 53% D 65 265 17% 70% C 45 310 12% 82% B 34 344 9% 91% A 23 367 6% 97% H 3 370 1% 98% G 2 372 1% 99% Outros 5 377 1% 100% TOTAL 377 100% FERRAMENTAS DA QUALIDADE | 15 DIAGRAMA DE PARETO OBTIDO A partir dos resultados obtidos, conclui-se que o tipo de defeitos que ocorre com maior frequência é o F que corresponde a defeitos de pintura. Antes de se tomarem as ações corretivas, deve-se quantificar o problema em termos de custos. Porque pode ocorrer a situação de um defeito pouco frequente, originar custos mais elevados. Depois de implementadas as ações corretivas, pode-se também preparar um Diagrama de Pareto para evidenciar as melhorias atingidas. DEPOIS DA MELHORIA ANTES DA MELHORIA DEPOIS DA MELHORIA O efeito visual ANTES e DEPOIS da melhoria é o mesmo, isto é, dá a entender que ainda existem problemas a necessitar de melhoria contribuindo, deste modo, para a melhoria contínua. FERRAMENTAS DA QUALIDADE | 16 CONTRA-INDICAÇÕES Escolha errada do critério e da classificação dos dados (por exemplo, quantidades em vez de custos MÉTODOS ASSOCIADOS Histograma FMEA Plano de Experiências 7. DIAGRAMA DE DISPERSÃO SINÓNIMOS E VARIANTES Diagrama de Correlação OBJETIVO Determinar a existência de uma relação entre 2 grupos de dados DESENVOLVIMENTO O Diagrama de Dispersão é um gráfico entre duas variáveis que serve para verificar se existe alguma relação entre elas (direta ou inversamente proporcional). Usualmente a relação a estudaré do tipo causa-efeito, embora o diagrama não permita identificar qual das variáveis é a causa e qual é o efeito. Observando o padrão de disposição dos pontos, é possível concluir sobre a eventual relação entre as duas variáveis. As duas variáveis em questão podem ser: Uma caraterística da qualidade do produto e um fator do processo, sendo esta uma relação de causa- efeito. Dois fatores do processo, podendo-se investigar se estão relacionados entre si. Duas caraterísticas da qualidade, podendo-se investigar se existe uma caraterística da qualidade substituta. O Diagrama de Dispersão é construído de forma a que o eixo horizontal (eixo x) represente valores medidos de uma variável e o eixo vertical (eixo y) represente as medições da 2ª variável. As etapas para construir um Diagrama de Dispersão são: 1. Definir as 2 variáveis a analisar 2. Recolher os dados (mínimo 10 dados) 3. Traçar o Diagrama 4. Traçar as medianas vertical e horizontal (obtemos 4 setores: I, II, III e IV) 5. Somar o nº de pontos n1 dos setores I e IV 6. Somar o nº de pontos n2 dos setores II e III 7. Analisar a correlação FERRAMENTAS DA QUALIDADE | 17 INTERPRETAÇÃO DE UM DIAGRAMA DE DISPERSÃO Na interpretação dos diagramas de dispersão poderemos ter as seguintes situações: Correlação Positiva Quando a variável x aumenta implica um aumento da variável y. Se se controlar a variável x a variável y também é controlada. Ex: nº de horas de estudo versus classificação obtida; nº de defeitos versus horas extraordinárias Correlação Negativa Neste tipo de relação, um aumento de x significa uma diminuição de y. Ex: Idade de um equipamento versus eficiência Sem Correlação Não existe qualquer relação entre a variável x e a variável y MÉTODOS PARA DETERMINAR A CORRELAÇÃO Para determinar se existe ou não correlação entre duas variáveis, podem ser adoptados dois métodos. Para ambos será necessário seguir os seguintes passos: 1. Depois de recolher os dados calcular e representar a mediana dos valores x e y (xm e ym), traçando as duas linhas correspondentes. 2. Marcar os quadrantes – I, II, III e IV – da forma indicada na figura: MÉTODO 1 3. Determinar o número de pontos dos quadrantes I + III e dos quadrantes II + IV, e seguir a seguinte regra: FERRAMENTAS DA QUALIDADE | 18 Nº pontos I + III de relativamente a II + IV Tipo de correlação Muito superior Forte correlação positiva Superior Correlação positiva Muito Inferior Forte correlação negativa Inferior Correlação negativa Aproximadamente Igual Sem correlação 4. Analisando agora o exemplo em estudo Quadrante Nº de Pontos Quadrante Nº de Pontos I 24 I + III 46 II 1 II + IV 2 III 22 IV 1 Como o número de pontos dos quadrantes I + III é muito superior a II + IV a relação é fortemente positiva. MÉTODO 2 3. Determine o número de pontos dos quadrantes II e IV, determine o número de pontos que se encontram nas linhas medianas e calcule a diferença entre eles (N). 4. Consulte a seguinte tabela para determinar o número máximo de pontos permitidos nos quadrantes II e IV, para que haja correlação positiva e nos quadrantes I e III para o caso da correlação negativa. Tabela nº 1 N Limite do nº de pontos para I + II; III+ IV N Limite do nº de pontos para I + II; III+ IV N Limite do nº de pontos para I + II; III+ IV N Limite do nº de pontos para I + II; III+ IV 20 5 28 8 42 14 58 21 21 5 29 8 44 15 60 21 22 5 30 9 46 15 62 22 23 6 32 9 48 16 64 23 24 6 34 10 50 17 66 24 25 7 36 11 52 18 68 25 26 7 38 12 54 19 70 26 27 7 40 13 56 20 NOTA: Nível de confiança de 95% FERRAMENTAS DA QUALIDADE | 19 5. Analisando agora o exemplo em estudo: Consultando a Tabela nº1 determina-se o limite correspondente: Para N=45 o limite correspondente é 15. Quadrante Nº de Pontos I 24 II 1 III 22 IV 1 Nº de pontos nas linhas =1 N = nº pontos em I + III – nº de pontos nas linhas N = (24 + 22) – 1 = 45 Como o número de pontos dos quadrantes II e IV é 2, e como se encontra bastante abaixo do limite, conclui-se que existe correlação positiva. NOTA: Para a utilização deste método será necessária a recolha no mínimo de 50 dados. EXEMPLO O método a utilizar para a construção é o seguinte: 1. Recolher dados aos pares (x, y) que estejam potencialmente relacionados entre si (no mínimo 30), e registá-los sob a forma de uma tabela. Aluno nº Peso (Kg) Altura (cm) Aluno nº Peso (Kg) Altura (cm) 1 53 156 16 63 163 2 53 155 17 64 164 3 54 157 18 65 165 4 55 153 19 65 160 5 56 154 20 66 162 6 56 158 21 67 166 7 56 159 22 70 168 8 58 157 23 72 168 9 59 160 24 73 167 10 59 154 25 75 69 11 60 159 26 78 174 12 61 161 27 79 176 13 61 162 28 80 179 14 62 163 29 82 180 15 62 165 30 83 181 2. Procurar os valores máximo e mínimo de x e y. Determinar as escalas, horizontal e vertical, de maneira a que tenham comprimento idêntico. FERRAMENTAS DA QUALIDADE | 20 Procurar os valores máximo e mínimo: Peso (Kg) Altura (cm) Máximo Mínimo Amplitude Máximo Mínimo Amplitude 83 53 30 181 153 28 Desenhar os eixos vertical e horizontal do diagrama. Utilizar uma escala cuja diferença entre o valor máximo e mínimo seja aproximadamente igual a 30. É usual associar o eixo dos XX (horizontal) à eventual causa e o eixo dos YY (vertical) ao possível efeito. 3. Representar por pontos os pares de dados. Se houver pontos repetidos coloque círculos à volta de cada um deles “” 4. Registar também no gráfico a seguinte informação: Datas de amostragem Tamanho da amostra Título do gráfico e dos eixos CONTRA-INDICAÇÕES Confusão entre correlação e relação das causas e os efeitos. MÉTODOS ASSOCIADOS Método de Resolução de Problemas. FERRAMENTAS DA QUALIDADE | 21 8. MÉTODO INTERROGATIVO SINÓNIMOS E VARIANTES OQOQCPQ – O quê?, Quem?, Quando?, Onde?, Quanto?, Como? e Porquê? OBJETIVO Definir e pesquisar, descrever um produto, um processo, um acontecimento, uma situação, um modo de atuar, ... DESENVOLVIMENTO Trata-se de uma “ferramenta” de definição, de caraterização de um produto ou de um processo, de pesquisar e entender um situação ou uma atividade, ... O método QQOQCP consiste em colocar de forma sistemática e insistente as questões enunciadas até que consigamos obter um informação precisa e específica e sobre a qual já não tenhamos dúvidas. Trata-se de escalpelizar todos os detalhes, encontrando as respostas para todas as questões seguintes que o desenvolvimento do método determina O QUÊ? Objeto, natureza, quantidade, situação QUEM? Atores, executantes envolvidos ONDE? Lugar, local, zona QUANDO? Data, duração, frequência COMO? Matéria, material, método, atividade, tarefa, processo PORQUÊ? A cada uma das questões anteriores, associa-se sempre a gestão porquê? de modo a analisar o assunto em detalhe QUANTO? Número e/ou custo EXEMPLO Estudo de mudanças de ferramentas duma seção fabril. Contexto: Melhorar a organização da seção a fim de ganhar tempo Questão Resposta Porquê? O QUÊ? que fazemos? Para cada nova operação, devemos procurar as ferramentas e respetivos acessórios Porque as ferramentas e respetivos acessórios estão stockados quer nos postos de trabalho, quer no armazém da seção QUEM? quem o fez? Os operadores das máquinas O chefe de equipa O responsável de armazém São eles que estão encarregados pela procura das ferramentas necessárias para a realização da operação ONDE? onde o faz? Nas máquinas e no armazém da seção São os locais onde se encontram armazenadas as ferramentas e os respetivos acessórios QUANDO? No momento da mudança da ferramenta Esta operação é efetuada várias vezes ao dia Necessitamos duma ferramenta diferente da que está montada COMO? comoo executam? Mede-se com paquímetro as ferramentas para encontrar as boas; daí uma perda de tempo As ferramentas estão armazenadas numa estante, no posto de trabalho. O complemento está no armazém, em bolsas plásticas marcadas pelo diâmetro da ferramenta e não ordenado na estante. Os acessórios estão também numa estante, no posto de trabalho. FERRAMENTAS DA QUALIDADE | 22 CONTRA-INDICAÇÕES Objetivo não se encontrar definido. MÉTODOS ASSOCIADOS Métodos de resolução de problemas Método 8D, PRR (métodos de resolução de problemas) Diagrama Causa-Efeito 9. CARTAS DE CONTROLO (SPC) SINÓNIMOS E VARIANTES SPC Controlo Estatístico do Processo (CEP) OBJETIVO Verificar se a variabilidade do processo se deve à variação aleatória ou se é devido a causas comuns/individuais, a fim de determinar se o processo está sob controlo estatístico DESENVOLVIMENTO A. CARTAS X / R As cartas X / R têm como finalidade permitir a avaliação da qualidade de uma determinada produção, através da medição de algumas peças da produção em estudo. A sua utilização permite prevenir a qualidade da produção, quando num processo a qualidade tende a piorar ou quando se aproxima de produzir peças defeituosas. CARTA R A carta R quantifica a distribuição dos valores medidos. Se se analisar que a carta R é estreita podemos concluir que o produto em estudo apresenta-se uniforme ao longo do tempo. Se pelo contrário se verificar que a carta é longa (com valores muito diferentes uns dos outros) é porque o produto não é uniforme e as causas desta não uniformidade poderão ser devidas a: Deficiente reparação e manutenção do equipamento; Desgaste do equipamento; Mudança de turnos; Novos operadores; Perturbações no trabalho; Mudança do sistema de medida (novo inspetor ou novo instrumento de medida). CARTA X A carta X mostra onde o processo se encontra centrado relativamente à sua média. Se a carta for natural, o centro do processo deverá manter-se. Caso se verifique alguma tendência, esta deve-se a um FERRAMENTAS DA QUALIDADE | 23 gradual aumento ou diminuição do centro do processo. Se se verificar que a carta está instável e fora de controlo, podemos admitir que existem causas que deverão estar a alterar inconscientemente o centro. A alteração do centro de um processo é resultado de: Um ajuste no equipamento; Qualquer outro ajuste no processo; As caraterísticas dos materiais usados; Alteração de técnicas por parte de operadores, inspetores ou de sistemas de medidas; Quando a carta X se encontra fora de controlo deverão se verificar quais as causas dessa situação. Uma das causas poderá ser a situação fora de controlo da carta R que influência o comportamento da carta X . Por este motivo, quando estas duas cartas se encontrem fora de controlo, deverá analisar-se em primeiro lugar a carta R. Uma carta de controlo é constituída por linhas centrais e por limites de variabilidade provável ou aceitável. Para a construção do gráfico da carta das médias, a linha central é X e os seus limites de controlo são calculados a partir das seguintes expressões: Limite superior de controlo = X A R 2 Limite inferior de controlo = X A R 2 CARTA DAS MÉDIAS Para a construção da carta das amplitudes, a linha central é R e os limites de controlo são calculados a partir das seguintes expressões: Limite superior de controlo = D R4 Limite inferior de controlo = D R3 (não se considera o limite inferior de controlo quando a dimensão da amostra é menor que 7, porque neste caso D3 toma o valor 0) CARTA DE AMPLITUDES onde: X É a média aritmética das médias das amostras utilizadas. R é a média aritmética das amplitudes das amostras. FERRAMENTAS DA QUALIDADE | 24 A2, D3, D4 são constantes utilizadas para determinar os limites de controlo ou de variação aceitável. Estas constantes dependem do tamanho (n) da amostra utilizada e são obtidos através de uma tabela. Fórmulas para o cálculo dos limites de controlo dos gráficos X -R, e para a capacidade do processo: Para a carta das médias: LSC X A R 2 . LIC X A R 2 . Para a carta da amplitude: LSC D R 4 . A dispersão do processo é estimada por: / R d2 A capacidade do processo é dada por: 6 2. /R d Tabelas de constantes a utilizar: n A2 D4 d2 2 1.880 3.268 1.128 3 1.023 2.574 1.693 4 0.729 2.282 2.059 5 0.577 2.114 2.326 6 0.483 2.004 2.534 7 0.419 1.924 2.704 8 0.373 1.864 2.847 9 0.337 1.816 2.970 10 0.308 1.777 3.078 B. CARTAS X-Rm A carta de valores individuais e amplitude móvel é utilizada quando a dimensão da amostra é igual a 1 C. CARTAS DE CONTROLO POR ATRIBUTOS Muitas caraterísticas da qualidade não podem ser expressas numericamente. Nestes casos é vulgar inspecionar as unidades de acordo com um determinado critério e classificá-lo como “conforme” ou “não conforme” (ou “não defeituoso” e “defeituoso”). Far-se-á neste caso o controlo por atributos. A carta de atributos, ao contrário da carta de variáveis, é um gráfico que representa o número de peças não conformes (peças defeituosas) ou a proporção de peças não conformes caso a dimensão da amostra seja variável. Este tipo de controlo é bastante menos eficaz que o controlo por variáveis, e por isso é apenas utilizado quando o controlo por variáveis e é muito dispendioso e difícil de aplicar. Também são utilizados limites superiores e inferiores de controlo nesta carta, mas neste caso estes são calculados através da distribuição Binomial e da distribuição de Poisson. Os dois limites de controlo são raramente utilizados, na generalidade dos casos apenas o limite superior de controlo é utilizado. FERRAMENTAS DA QUALIDADE | 25 Poderá causar certa admiração a utilização de limites de controlo inferiores. Quando se observam pontos fora destes limites não se procede a ações corretivas, mas será bastante benéfica a investigação das causas destas variações com o objetivo de as utilizar na melhoria dos métodos de fabricação. Neste tipo de carta é considerado o valor da tendência central (média), o estudo da dispersão tem com efeito pouco interesse. A implementação de um controlo por atributos comporta duas etapas de procedimentos. A primeira etapa consiste no cálculo da estimativa da qualidade de fabricação através do número médio de peças defeituosas não conformes e da resultante proporção, numa amostra de dimensão bastante considerável. A segunda etapa consiste na implementação na fabricação do controlo por atributos, propriamente dito. A partir deste momento regista-se, na carta, o número de peças defeituosas. Sempre que se observem pontos acima do limite superior de controlo, deve-se proceder à sua exclusão, recalculando- se os limites de controlo. Neste caso deve-se também suspender a fabricação até que se tenha encontrado a causa dessa variação. As amostras devem ser extraídas com intervalos bastante reduzidos, de modo que haja senão um pequeno risco de falha entre extração. Existem quatro tipos de cartas de atributos, e são elas: Carta p - é utilizada quando se pretende fazer o controlo da percentagem de unidades não conformes ou defeituosas, para amostras de dimensão constante ou não Carta np - utiliza-se quando se pretende controlar o número de unidades não conformes em amostras de dimensão constante Carta c - é utilizada caso se queira fazer o controlo do número de defeitos por amostra, sendo esta de dimensão constante Carta u - utiliza-se quando se pretende controlar o número de defeitos por unidade, em amostras de dimensão constante ou não C.1. CARTAS p - PERCENTAGEM DE UNIDADES DEFEITUOSAS Utiliza-se este tipo de cartas quando se pretende fazer o controlo da percentagem de unidades não conformes ou defeituosas (por exemplo, a percentagem de peças defeituosas produzidas por um determinado processo), podendo a dimensão da amostraser constante ou não O método consiste em retirar periodicamente amostras da população e determinar a percentagem de unidades não conformes (defeituosas) dessas amostras. A carta permite verificar se a percentagem de defeitos se encontra ou não sob controlo estatístico. Expressões para o cálculo dos limites de controlo da carta p: 1º Cálculo do valor central p : p n p n * nº total de unid.defeituosas na amostra nº total de unid. inspeccionadas , em que n é a dimensão da amostra 2º Cálculo dos limites de controlo: a) n = constante LSC p p p n 3 1 * *( ) LIC p p p n 3 1 * *( ) FERRAMENTAS DA QUALIDADE | 26 b) n = variável LSCi p p p ni 3 1 * * ( ) LICi p p p ni 3 1 * * ( ) , em que i = nº amostra (i =1, 2, 3, ) C.2. CARTAS NP - NÚMERO DE UNIDADES DEFEITUOSAS Por vezes é mais fácil e intuitivo controlar o número de unidades defeituosas, ou não conformes, do que falar em percentagem de defeituosos. As amostras para este tipo de controlo podem constar de uma ou mais unidades do produto, mas a dimensão da amostra tem de ser constante. Expressões para o cálculo dos limites de controlo da carta np: 1º Cálculo do valor central – n p : p n p n * nº total de unid.defeituosas na amostra nº total de unid. inspeccionadas , np n p * , em que n é a dimensão da amostra 2º Cálculo dos limites de controlo: LSC np np p 3 1* *( ) LIC np np p 3 1* *( ) C.3. CARTAS C - NÚMERO DE DEFEITOS POR AMOSTRA Este tipo de carta é utilizada em casos em que diversas fontes de variação provocam vários defeitos numa unidade do produto. As amostras para este tipo de controlo podem constar de uma ou mais unidades do produto, mas a dimensão da amostra tem de ser constante. Para cada amostra conta-se o número de defeitos. Expressões para o cálculo dos limites de controlo da carta c: 1º Cálculo do valor central- c : c c n nº total de defeitos nº total de unid. inspeccionadas , em que n é o número de amostras. 2º Cálculo dos limites de controlo: LSC c c 3* LIC c c 3* C.4. CARTA U - NÚMERO DE DEFEITOS POR UNIDADE Pode haver interesse, em certas situações, em controlar o número de defeitos por unidade de produto. Um dos casos é quando todas as unidades do produto são inspecionadas tendo como resultado amostras de dimensões diferentes. A finalidade do gráfico de controlo é a vigilância de evolução de um processo de tal modo que se possa detetar rapidamente qualquer perturbação que faça com que um processo deixe de ser estável. FERRAMENTAS DA QUALIDADE | 27 Expressões para o cálculo dos limites de controlo da carta u: 1º Cálculo do valor central - u : u u n nº total de defeitos nº total de unid. inspeccionadas , em que n é a dimensão da amostra. 2º Cálculo dos limites de controlo: LSC u u n 3* LIC u u n 3* EXEMPLOS A. CARTAS X -R Valores observados Nº da amostra n1 n2 n3 n4 n5 R 1 10,23 10,00 9,23 11,34 11,21 10,40 2,11 2 11,62 9,12 11,56 10,83 9,19 10,46 2,50 3 6,58 7,02 6,64 8,51 6,46 7,04 2,04 4 6,14 6,15 7,37 7,24 6,70 6,72 1,23 5 6,29 8,34 7,13 8,56 8,28 7,72 2,27 6 6,82 7,32 8,19 8,89 8,30 7,90 2,07 7 2,38 4,28 4,51 2,72 4,44 3,67 2,13 8 5,00 2,87 3,07 4,95 4,30 4,04 2,13 9 7,28 8,43 6,17 8,19 8,90 7,79 2,73 10 12,90 11,53 7,51 9,33 4,77 9,21 8,13 11 8,79 8,30 7,04 6,07 6,62 7,36 2,71 12 6,12 6,02 6,37 7,44 6,25 6,44 1,43 13 9,77 11,10 9,19 9,51 11,99 10,31 2,79 14 9,86 10,46 9,81 10,10 11,68 10,38 1,87 15 7,74 8,04 7,17 7,73 7,36 7,61 0,87 16 10,55 5,91 8,19 11,76 11,56 9,59 5,85 17 8,39 7,00 4,89 4,02 10,97 7,05 6,95 18 11,71 9,98 11,91 10,02 10,93 10,91 1,93 19 7,87 6,23 7,51 7,15 8,64 7,48 2,41 20 7,67 6,83 5,60 12,07 5,07 7,45 6,99 21 11,08 12,60 11,06 10,19 12,61 11,51 2,42 22 8,47 6,14 6,08 7,99 6,64 7,07 2,39 23 4,89 5,76 5,00 4,86 4,17 4,94 1,59 24 5,22 4,99 5,84 5,45 5,53 5,41 0,85 25 7,71 8,53 7,56 7,53 7,33 7,73 1,19 Fórmulas e Cálculos Média de cada amostra: X x x x x x ( )1 2 3 4 5 5 Amplitude de cada amostra: R X Xmax min FERRAMENTAS DA QUALIDADE | 28 Cálculo da média das médias: X x x x x x ( ... )1 2 3 4 25 25 X ( , , , , ... , ) ,10 40 10 46 7 04 6 72 7 73 25 7 85 Cálculo da média das amplitudes: R r r r r r ( ... )1 2 3 4 25 25 R ( , , , , ... , ) ,2 11 2 50 2 04 1 23 119 25 2 78 Cálculo do limite superior de controlo da carta das médias: LSC X A R 2 . LSC 7 85 0 577 2 78 9 46, , , , NOTA: Pela tabela das constantes, para n=5, A2 toma o valor de 0,577. Cálculo do limite inferior de controlo da carta das médias: LIC X A R 2 . LSC 7 85 0 577 2 78 6 25, , , , A carta de médias indica a presença de causas especiais de variação (11 pontos situados fora dos limites superior e inferior de controlo) o que significa que o processo está fora de controlo estatístico. Depois de se proceder a ações corretivas, deverão retirar-se os pontos fora dos limites de controlo e recalcular os mesmos para posteriormente se proceder a outra análise da carta de controlo. Cálculo do limite superior de controlo da carta da amplitude: LSC D R 4 2 282 2 78 5 89. , * , , NOTA: Pela tabela das constantes, para n=5, D4 toma o valor de 2,114. FERRAMENTAS DA QUALIDADE | 29 Também a carta de amplitudes se encontra fora de controlo estatístico (três pontos fora dos limites de controlo que traduzem a presença de causas especiais de variação). B. CARTAS X-Rm Amplitude móvel é o módulo da diferença entre dois valores observados: Rm x xi i 1 Nº da amostra Valores observados Amplitude Móvel (Rm) 1 24,3 0,5 2 23,8 0,4 3 23,4 0,2 4 23,6 0,3 5 23,9 0,2 6 24,1 0,6 7 23,5 0,4 8 23,9 0,3 9 24,2 0,9 10 23,3 1,3 11 24,6 0,8 12 23,8 0,2 13 24,0 0,2 14 24,2 0,4 15 23,8 Fórmulas e Cálculos: Cálculo da média das observações: X x x x x x ( ... )1 2 3 4 15 15 X ( , , , , ... , ) ,24 3 238 23 4 23 6 23 8 15 23 9 Cálculo da média das amplitudes móveis: Rm r r r r rm m m m m ( ... )1 2 3 4 14 14 R ( , , , , ... , ) ,0 5 0 4 0 2 0 3 0 4 14 0 5 Cálculo do limite superior de controlo da carta de valores individuais: LSC X R d 3 2* / LSC 23 9 3 0 5 1128 25 2, , / , , NOTA: Pela tabela das constantes, para n=2, d2 toma o valor de 1,128. FERRAMENTAS DA QUALIDADE | 30 Cálculo do limite inferior de controlo da carta de valores individuais: LIC X R d 3 2* / LIC 23 9 3 0 5 1128 22 6, , / , , Cálculo do limite superior de controlo da carta da amplitude: LSC D R 4 3 268 0 5 1 6. , * , , NOTA: Pela tabela das constantes, para n=2, D4 toma o valor de 3,267. A carta de médias e a carta de amplitudes indicam que o processo não está sob a influência de causas especiais de variação, encontrando-se o processo sob controlo estatístico. Podemos também observar que a carta de médias é uma carta com tendência uniformizante, pois os pontos encontram-se distribuídos muito próximo da linha central. FERRAMENTAS DA QUALIDADE | 31 C. CARTAS DE CONTROLO POR ATRIBUTOS C.1. CARTAS p - PERCENTAGEM DE UNIDADES DEFEITUOSAS Nº da amostra Dimensão da amostra (n) nº unidades defeituosas (np) % unidades defeituosas (%p) 1 30 9 30 2 30 3 10 3 30 4 13 4 30 3 10 5 30 5 17 6 30 9 30 7 30 6 20 8 30 4 13 9 30 4 13 10 30 7 23 11 30 9 30 12 30 7 23 13 30 10 33 14 30 3 10 15 30 9 30 16 30 2 7 17 30 8 27 18 30 6 20 19 30 2 7 20 30 4 13 n 600 n p* 114 Fórmulas e Cálculos: p n p n * , ( 114 600 0 19 19%) LSC p p p n 3 1 0 19 3 0 19 1 0 19 30 0 40 40%)**( ) , * , *( , ) , ( LIC p p p n 3 1 0 19 3 0 19 1 0 19 30 0 03 0* *( ) , * , * ( , ) , FERRAMENTAS DA QUALIDADE | 32 Esta carta apresenta todos os pontos dentro dos limites de controlo, o que significa que o processo está em controlo estatístico. Devido aos pontos se distribuírem bastante próximo da linha central, podemos dizer que se trata de uma carta de controlo com tendência uniformizante. C.2. CARTAS np - NÚMERO DE UNIDADES DEFEITUOSAS Nº da amostra Dimensão da amostra (n) nº unidades defeituosas (np) 1 400 32 2 400 20 3 400 16 4 400 20 5 400 24 6 400 42 7 400 30 8 400 36 9 400 26 10 400 52 11 400 38 12 400 24 13 400 37 14 400 25 15 400 21 16 400 33 17 400 31 18 400 17 19 400 43 20 400 15 n 8000 n p* 582 Fórmulas e Cálculos: p n p n * , 582 8000 0 072 n p n p * * ,400 0 072 29 LSC np np p 3 1 29 3 29 1 0 072 44 6* *( ) * *( , ) , LIC np np p 3 1 29 3 29 1 0 072 13 4* * ( ) * *( , ) , FERRAMENTAS DA QUALIDADE | 33 C.3. CARTAS c - NÚMERO DE DEFEITOS POR AMOSTRA Amostra nº nº de defeitos (c) Amostra nº nº de defeitos (c) 1 3 14 5 2 4 15 26 3 0 16 0 4 10 17 0 5 11 18 9 6 7 19 0 7 3 20 1 8 5 21 4 9 8 22 2 10 13 23 3 11 20 24 3 12 5 25 4 13 4 Fórmulas e Cálculos: c c n 150 25 6 LSC c c 3 6 3 6 13* * LIC c c 3 6 3 6 1 4 0* * , FERRAMENTAS DA QUALIDADE | 34 C.4. CARTA u - NÚMERO DE DEFEITOS POR UNIDADE Nº Amostra Dimensão (m2) Nº de defeitos defeitos/ m2 LSC LIC 1 1 4 4,0 8,1 0 2 1 5 5,0 8,1 0 3 1 3 3,0 8,1 0 4 1 3 3,0 8,1 0 5 1 5 5,0 8,1 0 6 1,3 2 1,5 7,5 0 7 1,3 5 3,8 7,5 0 8 1,3 3 2,3 7,5 0 9 1,3 2 1,5 7,5 0 10 1,3 1 0,8 7,5 0 11 1,3 5 3,8 7,5 0 12 1,3 2 1,5 7,5 0 13 1,3 4 3,1 7,5 0 14 1,3 2 1,5 7,5 0 15 1,2 6 5,0 7,7 0 16 1,2 4 3,3 7,7 0 17 1,2 0 0,0 7,7 0 18 1,7 8 4,7 6,9 0 19 1,7 3 1,8 6,9 0 20 1,7 8 4,7 6,9 0 n 25 4, u 75 0, Fórmulas e Cálculos: u u n 75 0 25 4 2 95 , , , Para n=1 LSC u u n 3 2 95 3 2 95 1 8 1* , * , , LIC u u n 3 2 95 3 2 95 1 2 2 0* , * , , FERRAMENTAS DA QUALIDADE | 35 Quadros resumo da análise dos dados estatísticos CARTAS DE CONTROLO POR ATRIBUTOS Valores desconhecidos Valores conhecidos Linha Central LSC e LIC Linha Central LSC e LIC np pn nº de unidades defeituosas np np p 3 1( ) np’ np np p' ( ') 3 1 p p prop. de unid. defeituosas p p p n 3 1( ) p’ p p p n ' '( ') 3 1 c c nº de defeitos na amostra c c3 c' c c' '3 u u nº defeitos por peça u u n 3 u' u u n ' ' 3 NOTA: np’, p’, c’, u’ são valores conhecidos. Os cálculos para np e c só são possíveis para n constante CARTAS DE CONTROLO DE VARIÁVEIS Valores desconhecidos Valores conhecidos Linha Central LSC e LIC Linha Central LSC e LIC X X X A R 2 ou X A R 3 X 0 ou X A0 0 R R D R D R4 3. R0 ou d2 0 D D1 0 2 0 . s s B s B s3 4. s0 ou C4 0 B B5 0 6 0 . Individual, X X X E R 2 X 0 ou X 0 03 Amplitude Móvel, R R D R D R4 3. R0 ou d2 0 D D2 0 1 0 . Medianas Me (média das médias) M A Re 4 NOTA: X0, R0, s0 e m0 são valores conhecidos. As fórmulas para a carta de Média Móvel e Amplitude Móvel são as mesmas que para a carta X/R DISTRIBUIÇÃO NORMAL ÍNDICES DE CAPACIDADE DO PROCESSO Média n x x n i i 1 Desvio Padrão R d2 Amplitude R Max min Capacidade C U L p 6 C min C C min x L U x pk pL pU ( , ) , 3 3 Desvio Padrão x x x n i i n ( )2 1 1 Capaz C C m mK 133 133 . . NOTA: U = Limite Superior de Controlo Especificado, L = Limite Inferior de Controlo Especificado, U-L = Tolerância Total Especificada TABELA DE FATORES PARA CARTAS DE CONTROLO n 2 3 4 5 6 7 8 9 10 A 2.121 1.732 1.500 1.342 1.225 1.134 1.061 1.000 0.949 A2 1.880 1.023 0.729 0.577 0.483 0.419 0.373 0.337 0.308 A3 2.659 1.954 1.628 1.427 1.287 1.182 1.099 1.032 0.975 B3 0.000 0.000 0.000 0.000 0.030 0.118 0.185 0.239 0.284 B4 3.267 2.568 2.266 2.089 1.970 1.882 1.815 1.761 1.716 B5 0.000 0.000 0.000 0.000 0.029 0.113 0.179 0.232 0.276 B6 2.606 2.276 2.088 1.964 1.874 1.806 1.751 1.707 1.669 D1 0.000 0.000 0.000 0.000 0.000 0.204 0.388 0.547 0.687 D2 3.686 4.358 4.698 4.918 5.078 5.204 5.306 5.393 5.469 D3 0.000 0.000 0.000 0.000 0.000 0.076 0.136 0.184 0.223 D4 3.267 2.574 2.282 2.114 2.004 1.924 1.864 1.816 1.777 E2 2.660 1.772 1.457 1.290 1.184 1.109 1.054 1.010 0.975 d2 1.128 1.693 2.059 2.326 2.534 2.704 2.847 2.970 3.078 1/d2 0.8865 0.5907 0.4857 0.4299 0.3946 0.3698 0.3512 0.3367 0.3249 C4 0.7979 0.8862 0.9213 0.9400 0.9515 0.9594 0.9650 0.9693 0.9727 1/C4 1.2533 1.1284 1.0854 1.0638 1.0510 1.0423 1.0363 1.0317 1.0281 FONTE: ASTM, Philadelphia, EUA FERRAMENTAS DA QUALIDADE | 36 APLICAÇÃO E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO DAS CARTAS DE CONTROLO Gráficos de X Gráficos de R a) Ciclos repetitivos Mudanças de temperatura ou outras alterações do ambiente que se repetem Fadiga do operador Diferenças nos aparelhos de medida Rotação dos operadores Manutenção preventiva programada Fadiga do operador Ferramentas gastas b) Tendência num sentido Deterioração gradual do equipamento de medida que pode afetar todas as medidas Fadiga do operador Deterioração das condições ambientais Melhoramento ou deterioração da perícia do operador Fadiga do operador Alteração gradual na homogeneidade da matéria prima c) Saltos no nível do processo Mudança nas quantidades de materiais vindos de diferentes origens Operador novo ou máquina nova Mudança no aparelho ou método de medida Mudança de material Mudança de método Mudança de operador d) Elevada quantidade de pontos próximo ou fora dos limites Grandes diferenças na qualidade do material Grandes diferenças sistemáticas nos métodos dos aparelhos de medida Controlo de dois ou mais processos no mesmo gráfico Mistura de materiais com qualidade bastante diferente Diferentes operadores usando um único gráfico Dados de processos diferentes registados no mesmo gráfico e) Falta de variabilidade Cálculo incorreto dos limites Recolha de dados de amostras provenientes de duas populações CONTRA-INDICAÇÕES Leitura errada dos dados obtidos Mal definido o tempo de espera entre a tiragem das peças. MÉTODOS ASSOCIADOS Histogramas Folhas de Verificação 99.73 % 95.46 % 68.26 % Desvio-padrão () -3 -2 -1 µ 1 2 3 FERRAMENTAS DA QUALIDADE | 37 10. BRAINSTORMING SINÓNIMOS E VARIANTES Tempestade de ideias Agitação de meninges OBJETIVO Produzir um máximo de ideias sobre um dado tema no seio de um grupo de trabalho. DESENVOLVIMENTO O todo é maior do que a soma das partes Uma equipe pode gerar um grande número de ideias criativas num curto espaço de tempo Cada ideia pode ser o início de muitas mais Nenhuma ideia deve ser deitada fora Etapas 1. Relembrar o tema em reflexão. Relembrar as regras para avaliar as ideias (seleção e cotação) 2. Recolher as ideias num quadro numerando-as por ordem cronológica 3. Reformular as ideias mal compreendidas. Eliminar as ideias que estão fora do tema em discussão Agrupar as ideias por famílias 4. Validar as ideias escolhidas Necessidades Um animador treinado Um grupo de 8 a 10 pessoas de cada vez, exprimindo-se cada um na sua vez Um bom suporte de meios Regras básicas Não criticar as ideias transmitidas na etapa 2 Todas as ideias são anotadas mesmo as que aparentam estar fora do tema Uma ideia de cada vez e por pessoa Inspirar-se nas ideias dos outros Não discutir Ser espontâneo A quantidade das ideiasprevalece sobre a sua qualidade Respeitar todos os participantes Manter um ambiente agradável e relaxante CONTRA-INDICAÇÕES Tempestade nas mentes e não na sala MÉTODOS ASSOCIADOS Diagrama de Causa-Efeito Plano de Experiências FERRAMENTAS DA QUALIDADE | 38 11. 5S SINÓNIMOS E VARIANTES Housekeeping. OBJETIVO Melhoria do comportamento e da organização dos postos de trabalho. DESENVOLVIMENTO RESUMO (seiri) ARRUMAÇÃO Separar claramente o necessário do inútil, eliminando o desnecessário (seiton) ORGANIZAÇÃO Ter sempre à mão o que é necessário. Ordenar e organizar tudo para que todos possam utilizar. Procurar atingir um alto grau de segurança, qualidade e produtividade (seisou) ASSEIO Promover a limpeza do equipamento e local de trabalho, sem poeiras (seiktsou) MANUTENÇÃO Manter o que está limpo sempre limpo (shitsuke) RIGOR Cultivar o saudável hábito de seguir as normas, criando sempre um bom ambiente de trabalho CONTRA-INDICAÇÕES Ausência de envolvimento da Direção e das Pessoas. MÉTODOS ASSOCIADOS Kanban TPM PDCA HOSHIN Etapa 0 Preparação Etapa 1 Eliminação dos objectos inúteis Etapa 2 Organização Etapa 3 Asseio Etapa 4 Manutenção Etapa 5 Rigor Constituição de uma equipa de trabalho, escolha do sector, fixar objectivos e visualização do estado de partida (fotografia) Identificar todos os objectos com etiquetas mencionando a frequência de utilização e nome dos utilizadores. Eliminar os objectos sem frequência e/ou utilizador Definir as áreas de abrangência e organizar os locais de modo a estar sempre disponível o que for necessário Definir os métodos de asseio e limpeza e eliminar as fontes de sujidade Definir as regras visuais de trabalho e garantir a aplicação a todos os postos Envolver as pessoas para garantir a aplicação dos 4 primeiros S’s FERRAMENTAS DA QUALIDADE | 39 12. DIAGRAMA DE CAUSA–EFEITO SINÓNIMOS E VARIANTES Diagrama de Ishikawa Diagrama de Espinha de Peixe OBJETIVO Determinar todas as causas possíveis de um problema para obter as causas mais prováveis do mesmo. DESENVOLVIMENTO O diagrama Causa-Efeito, é também chamado de diagrama Ishikawa, por ter sido inventado por um japonês com este nome. Também é conhecido como diagrama de Espinha de Peixe, devido à sua forma depois de construído. Este diagrama é representado por uma figura formada por diferentes linhas e retângulos que servem para representar de uma forma organizada as relações entre um efeito observado e as suas possíveis causas. CAUSAS São variáveis ou fatores que contribuem para o problema em estudo (efeito) e podem ser, entre outras, mão de obra, máquinas, métodos, materiais, meio ambiente. EFEITO É o problema em estudo. Este efeito ou problema pode ser a frequência de acidentes ou a poluição ambiental. CONSTRUÇÃO DO DIAGRAMA CAUSA - EFEITO A sua aplicação requer a constituição de um grupo de pessoas diretamente relacionadas com o problema a solucionar, que deverão participar ativamente, e que seja seguida uma determinada metodologia: 1. Identificar bem o problema a estudar e registar no retângulo do lado direito do diagrama reservado para o Efeito. 2. Nos restantes retângulos anotar as causas principais do problema em estudo. Na maior parte dos casos as causas principais devem-se a: - Mão de obra - Materiais - Meio ambiente - Máquinas - Métodos FERRAMENTAS DA QUALIDADE | 40 3. Para cada uma das causas principais identificar as subcausas, isto é, as causas que dão origem às causas principais: Como por exemplo, a causa principal - Mão de Obra - tem como subcausas, do problema em estudo, o fato de haver um operário novo e o cansaço. Por outro lado, foi também identificado, que o fato de o operário ser novo tem influência na qualidade, por ter sido sujeito a um reduzido tempo de treino e por não ter formação especializada. Na construção de um Diagrama de Causa - Efeito, poder-se-á ter em atenção a seguinte lista, dado que poderá ajudar na identificação das causas dos problemas: Materiais Como são produzidos? Qual a sua idade? Como se verifica a qualidade antes do processo? Qual o seu nível histórico de qualidade? Como são embalados? Como são armazenados? E por quanto tempo? Mão de Obra Tem uma supervisão e apoios adequados? Conhecem aquilo que têm de fazer no seu trabalho? Estão adequadamente motivados para fazer o melhor possível? São mais ou menos produtivos conforme a hora do dia? Será que as condições de trabalho como a luz e temperatura afetam o trabalho a executar? Têm as ferramentas adequadas? Com quem contatam caso haja problema? Será que a carga de trabalho é razoável? FERRAMENTAS DA QUALIDADE | 41 Métodos Com que frequência é que os produtos são inspecionados? Como é que os instrumentos são calibrados? Todos os produtos são medidos com as mesmas ferramentas ou equipamentos? Será que os inspetores seguem procedimentos idênticos? (Existem procedimentos escritos?) Será que os inspetores sabem usar o equipamento de teste? Máquinas Qual a idade do equipamento ou maquinaria? São sujeitos a manutenção regular? São afetados pelo calor, vibração ou outros fatores físicos? Como é que o operador deve atuar durante o processo? Será que o processo sofreu recentemente alterações METODOLOGIA DO TRABALHO EM EQUIPA Para a elaboração de um diagrama de Causa-Efeito é necessário a seguinte metodologia: Início da reunião: todas as pessoas relacionadas e afetas com o problema devem participar da reunião, quer sejam operários, quer sejam gestores ou administradores. Esclarecimento do efeito: o problema deve ser esclarecido e definido de forma clara e sucinta. Quando o problema for demasiado complexo, deve proceder-se à sua divisão em vários elementos. Seguidamente constroí-se um diagrama da causa e efeito para cada elemento. Enunciar causas por associação de ideias (brainstorming): nesta etapa identificam-se os principais grupos de causas e apresentam-se na forma de ramificações da espinha principal. Seguidamente cada uma das pessoas presentes deve apontar cada causa e acrescentar sub-ramificações quando necessário. Este processo é repetido até que todas as pessoas não tenham mais sugestões a fazer. Determinar a importância das causas: procede-se à votação de todas as causas. Na primeira fase de votação, cada participante pode votar em mais do que uma causa, posteriormente selecionam-se dez causas como as mais importantes. Na segunda votação cada participante deve votar apenas uma causa. A causa com maior número de votos é escolhida e terá prioridade na sua resolução. As restantes devem ser documentadas com as respetivas prioridades para investigações adicionais. Verificação da causa: verificar se a causa selecionada afeta a caraterística principal através de experiências, recolha de dados e gráficos de controlo. Proceder a ações corretivas: o método de verificação da causa pode fornecer uma ação corretiva adequada, mas caso esse método não seja adequado sob certas condições de produção, deve realizar-se outra reunião e nova associação de ideias. FERRAMENTAS DA QUALIDADE | 42 EXEMPLO Numa fábrica de armários foi aplicado o Diagrama de Causa-Efeito para tentar solucionar o problema do elevado número de produtos com defeito. O diagrama construído encontra-se representado na seguinte figura: CONTRA-INDICAÇÕES Causas com várias subfamílias. MÉTODOS ASSOCIADOS Brainstorming Plano de Experiências FMEA FERRAMENTAS DA QUALIDADE | 43 13. ANÁLISE DE PROBLEMAS E AÇÕES CORRETIVAS – 8D Reunir um pequeno grupo de pessoas, com conhecimentos do produto/processo que tenham disponibilidade de tempo e autoridade necessária, e que estejam capacitadas tecnicamentepara resolver problemas e implementar medidas corretivas. O grupo deve escolher o Líder e começar a constituição da equipa. FERRAMENTAS DA QUALIDADE | 44 Especificar o problema do cliente interno/externo identificando “o que está mal e em quê” e descrever o problema em termos quantificáveis, procurando respostas para: o quê, de onde, quando, de que tamanho, em que quantidade, etc. Definir e implantar medidas de contenção para impedir que os efeitos do problema cheguem ao cliente interno/externo, até que se implante a medida corretiva permanente. Verificar a eficácia da medida provisória. Identificar todas as causas potenciais que podem explicar a ocorrência de determinado problema. Separar e verificar as causas principais (de raiz), contrastando cada uma das causas potenciais com a descrição do problema e dados reais. Confirmar quantitativamente, mediante programas de ensaio da pré-produção, que as medidas corretivas selecionadas, resolveram o problema ao cliente e não darão lugar a efeitos indesejáveis. Definir, se for necessário, as medidas a tomar antes de qualquer imprevisto, baseando-se na avaliação do risco. FERRAMENTAS DA QUALIDADE | 45 Estabelecer planos para implantar as medidas corretivas permanentes e definir o controlo contínuo, para assegurar que se eliminou a causa principal (de raiz). Controlar os efeitos a longo prazo e, se necessário, implantar medidas contra imprevistos. Verificar se as ação podem ter impato em outros produtos/processos. Modificar os sistemas de gestão, os sistemas de funcionamento, as práticas e procedimentos, para evitar que se reproduzam os mesmos problemas ou outros similares. Concluída a experiência da equipa, reconhecer e celebrar os esforços coletivos da mesma. 14. MATRIZ DE DECISÃO OBJETIVO Facilitar a tomada de decisões perante soluções alternativas de um problema DESENVOLVIMENTO Com este método pretende-se aumentar a possibilidade de obter o objetivo mais fatível, reduzir o risco na tomada de decisões e facilitar a obtenção de consenso. FERRAMENTAS DA QUALIDADE | 46 1. Reunir o máximo de informação sobre o assunto em análise 2. Definir os critérios para seleção. Ponderar os critérios de acordo com a importância dada 3. Cotar as soluções em relação aos critérios de seleção. A cotação poderá ser: 1 2 3 4 5 - - - 0 + + + 4. Para cada solução apresentada, efetuar o total de cotações para todos os critérios 5. Escolher a solução que apresente a cotação mais elevada EXEMPLO Opção A Opção B Opção C Opção D Critério 1 2 3 3 4 Critério 2 3 3 3 3 Critério 3 1 3 2 5 Critério 4 3 1 2 2 Total 9 10 10 14 CONTRA-INDICAÇÕES Ausência de informação MÉTODOS ASSOCIADOS Métodos de resolução de problemas 15. ANÁLISE MODAL DE FALHAS – AMF SINÓNIMOS E VARIANTES AMDEC FMEA AMFEP OBJETIVO Um grupo sistematizado de atividades técnicas procurando: Identificação e avaliação de modos e causas potenciais de falhas potenciais associados ao projeto e à execução de um produto Identificação de ações que possam eliminar ou reduzir a hipótese de ocorrência de falha potencial Documentação de todo o processo Acompanhamento e controlo das ações e respetivos resultados associados OPÇÃO ESCOLHIDA FERRAMENTAS DA QUALIDADE | 47 DESENVOLVIMENTO O AMF é uma técnica analítica utilizada por todas as áreas de engenharia como meio de garantir que, com a profundidade possível, preocupações potenciais foram consideradas e trabalhadas. A técnica AMF reporta um documento vivo que requer acompanhamento e atualização. Para uma falha Gravidade (G) Frequência (F) Deteção (D) Pontuação Não Grave Impossível Detetável em teste 1 Pouco Grave Raro (10-5) Fácil 3 Grave Fraco (10-4) Possível 5 Muito Grave Moderado (10-3) Difícil 7 Fatal Muito Provável Indetetável 10 Avaliação do Risco Para uma falha: iiii DFGR Para todas as falhas: i R n R 1 (compreendido entre 1 e 1000) A comparação dos Riscos por elemento (Ri) permitem determinar os elementos sobre os quais devem recair os esforços para melhorar a sua fiabilidade. A comparação de outros produtos ou sistemas da mesma forma permitem avaliar o risco de um projeto e o progresso da Organização no domínio da fiabilidade. EXEMPLO FERRAMENTAS DA QUALIDADE | 48 CONTRA-INDICAÇÕES Não aplicável MÉTODOS ASSOCIADOS Não aplicável 16. ANÁLISE DA MATRIZ DE FORÇAS (POSITIVAS E NEGATIVAS) SINÓNIMOS E VARIANTES Não aplicável OBJETIVO Identificar Forças ou Fatores que têm influencia direta na solução ou na análise de um problema ou de uma determinada situação; os benefícios desta análise prendem-se com a possibilidade de reforçar os pontos de sinal (++) e eliminar ou reduzir os de sinal (–-) Ao apresentar os Pontos Fortes e os Pontos Fracos de uma determinada situação, aqueles serão mais facilmente comparados entre si Esta ação pode ser desenvolvida individualmente ou em grupo; no segundo caso, existe um esforço coletivo das várias pessoas envolvidas e interessadas, forçando-as pois a análises que potenciam atuações futuras mais concertadas Encoraja as pessoas ao diagnóstico consensual, mesmo acerca de prioridades em cada um dos campos (++) e (--) Sempre que exista um desenvolvimento plural é desejável que as pessoas dominem o(s) tema(s) em causa; só desta forma se potenciam resultados encorajantes e de valor acrescentado DESENVOLVIMENTO Desenhe um T grande e no topo escreve o tema, assunto ou problema que pretende analisar Indique também a situação ideal que se pretende atingir ou que seria a situação requerida por terceiros (cliente, mercado, ...) Sobre o lado esquerdo do T comecemos a listar os pontos fortes ou as forças de sinal (+), isto é, as forças que empurram ou dirigem para a situação pretendida; a sua identificação pode ser feita através de brainstorming e atenção, aquelas podem ser internas ou externas; uma vez mais, atenção ao trabalho de grupo Sobre o lado direito do T inscrever, utilizando a mesma metodologia (ver ponto anterior) as forças que obstam ou restringem a evolução no sentido pretendido EXEMPLO Exemplo de um Mapa de Forças: Lista Esperas para cirurgias Situação ideal: Anulação de 35.000 cirurgias em atraso num período de 12 meses FERRAMENTAS DA QUALIDADE | 49 Forças de sinal (++) Forças de sinal (--) Prolongamento de turnos Aumento dos blocos Rotação do Pessoal Outsourcing temporário Revisão do quadro remunerativo Instituir planos de produtividade Falta infraestruturas físicas Falta de programação Atualização técnica dos RH’s Restrições orçamentais Inflexibilidade organizacional Um Mapa ou Quadro de Forças pode ajudar a eleger ou selecionar metas para mudanças e geralmente este desenvolvimento é mais atuante ou dinamizador se nos focarmos mais nas forças restritivas ou de sinal (--) no sentido de as anular ou de fazer baixar a sua intensidade Podemos ainda potenciar uma análise quantificada das forças que foram inventariadas e que se constituíram como forças potenciadoras da situação pretendida por um lado, e de forças que obstam ou dificultam aquela situação. Como? Graduando quer as forças (++) quer as forças (--) como a tabela seguinte sugere: Graduação do efeito ou intensidade Efeito Razoável Forte Muito forte Intensidade Baixa Significativa Elevada Tomando o exemplo atrás enunciado o mapa ou campo de Forças após análise do grupo poderia fixar-se como segue: Lista de esperas para cirurgias Forças de sinal (++) Forças de sinal (--) Prolongamento de turnos Falta infraestruturas físicas Aumento dos blocos Falta de programação Rotação do Pessoal Atualização técnica dos RH’s Outsourcing temporário Restrições orçamentais Revisão do quadro remunerativo Inflexibilidade organizacional Instituir planos de produtividade Para terminar toma-se em consideração que ao fazer avançar (desenvolver, potenciar) os fatores ou forças (++) para uma meta ou alteração prevista, pode acontecer o efeito contrário; por isso é normalmente melhor reduzir ou anular os fatores (--) do que concentrarmos a nossa atenção nos pontos fortes CONTRA-INDICAÇÕES Não aplicável MÉTODOS ASSOCIADOS QFD Brainstorming Team work FERRAMENTAS DA QUALIDADE | 50 17. PDCA SINÓNIMOS E VARIANTES Roda ou Ciclo de Deming. Ciclo de Schwart OBJETIVO Garantir a melhoria permanente de qualquer ação, atividade, processo. DESENVOLVIMENTO O PDCA (Plan, DO, Check, At) simboliza um ciclo de melhoria contínua, constituída pelas 4 etapas seguintes: 1. Preparar a Ação 2. Executar a Ação 3. Verificar os resultados da Ação 4. Melhorar a Ação FERRAMENTAS DA QUALIDADE | 51 EXEMPLO Se, por exemplo, pretendermos considerar os ciclos de revisão de um processo com a aplicação prática do ciclo PDCA e a decorrente utilização de técnicas, ferramentas ou metodologias que são bases concretas de enorme utilidade, podemos pois desenvolver o fluxo seguinte, para alteração do processo de trabalho: FERRAMENTAS DA QUALIDADE | 52 CONTRA-INDICAÇÕES Esquecimento ou aplicação parcial duma das etapas. MÉTODOS ASSOCIADOS Todas as ferramentas da Qualidade. 18. AÇÕES CORRETIVAS E PREVENTIVAS SINÓNIMOS E VARIANTES 8D Modelo de Resolução de Problemas OBJETIVO Método sistemático e organizado de resolver problemas. DESENVOLVIMENTO O tratamento ou desenvolvimento de ações corretivas e preventivas pode revestir a forma ou o fluxo PDCA porque é uma forma muito interessante de atuação que obriga responsáveis e intervenientes a aprofundar sintomas e causas, despoletando assim uma certeira definição da ação corretiva ou preventiva; atente p.f. às definições normativas (ISO 9000:2000), a saber: Ação preventiva: ação para eliminar a causa de uma potencial não conformidade ou de outra potencial situação indesejável Ação corretiva: ação para eliminar a causa de uma não conformidade detetada ou de outra situação indesejável Tenhamos em conta que um problema, um incidente nas inúmeras atividades de uma Organização constitui sempre um foco de custos adicionais que vão onerar a exploração, logo reduzir o potencial de mais valia ou, se quiserem, de lucro; assim, um problema é uma desvio entre a situação real/existente e a situação ideal, isto é, o objetivo programado; claro que existirão sempre duas componentes intrínsecas ao problema e que são: a(s) causa(s) e a(s) solução(ões); a matriz seguinte permite-nos encerrar a totalidade das situações que se podem colocar, desde a mais simples (quadrante II) até à mais complexa (quadrante III), mas de uma forma geral teremos sempre pela frente 4 tipos ou possibilidades de problemas. FERRAMENTAS DA QUALIDADE | 53 SO LU ÇÃ O D es co nh ec id a I Necessidade de fortes meios tecnológicos III Problema que merece resolução Co nh ec id a II Problema simples IV Exigência de apertada vigilância Conhecida Desconhecida CAUSA O tratamento das situações anómalas passará sempre por ações planeadas e concertadas no sentido de “estancar” o incidente e atuar sobre as causas. Um plano de ação pode revestir uma forma tradicional respondendo ao conhecido método interrogativo (Porquê? Quem? O quê? Quando? Como?) planificando de uma forma eficaz as atuações futuras; de uma forma organizada e contemplando a metodologia ou ferramenta enunciada o quadro seguinte é elucidativo, Porquê? O quê? Quem? Quando? Previsto Realizado Como? Balanço das ações precedentes; identificar o método de atuação Objetivo Ações Responsável Principal; Colabor Sem.1 Sem.2 Sem.3 Ferramenta Verificar a ocorrência Analisar a situação João Miguel Classificação Pareto FNC Melhorar a ligação entre processos Porquê a ocorrência ou a anomalia Análise das causas Miguel João Artur Diagrama de relações Ishikawa O que fazer? Como atuar? A melhoria é durável Verificar resultados das ações Artur João Paretos Pauta de Controlo Assim o desenvolvimento e o detalhe para o fluxo proposto pode revestir o quadro seguinte onde se fixam ou caraterizam suportes para cada uma das fases PDCA. Não se esqueça de potenciar o trabalho de um grupo pluridisciplinar, envolvendo pois pessoas ligadas do tema em análise e/ou que dominam tecnicamente o assunto. Fluxo PDCA Desenvolvimento Detalhe Análise do Sintoma Triagem do sintoma Localizar o problema Identificar frequência da anomalia O que é problema e o que não é Onde o problema ocorre e não ocorre Quando o problema ocorre Análise das Causas Causas potenciais Testes e Medições Execução dos Testes Identificação e Seleção Aprofundar e quantificar Condução de testes e ensaio e verificar/confirmar ou eliminar as causas potenciais Ações corretivas e preventivas Ações Corretivas e Preventivas Avaliar e Selecionar ACP através de critérios Planear e executar ACP Identificar um quadro de alternativas Decidir sobre ACP a executar Reter Melhorias ou Ganhos Meios de Controlo Implementar métodos de Controlo Monitorizar e Follow Up Identificar, detalhar e documentar Acompanhamento documentado FERRAMENTAS DA QUALIDADE | 54 EXEMPLO Porque as coisas nem sempre correm bem, é necessário analisar o que deu origem a problemas ou desvios e atuar de uma forma eficaz sobre as causas que lhes deram origem, evitando o seu reaparecimento no futuro, pelo menos devido a mesma causa. Considerar sempre que, por definição, ação corretiva determina anulação ou ataque às causas que despoletaram o problema; sempre que a atuação for no sentido do “estancar” o efeito do problema, não se pode evocar a denominação de ação corretiva. Concentremo-nos no fluxo seguinte, onde também se identificam meios ou suportes de análise e decisão, Módulo do Processo de Ação Corretiva FERRAMENTAS DA QUALIDADE | 55 E, para terminar, analise o seguinte plano de ações, concentrando metodologias e boas práticas na utilização desta ferramenta, Plano de Ações Corretivas e Preventivas Não conformidade Tipo de Ação Ação a implementar Resp Prazo Seguimento e Fecho Corretiva Preventiva Assegurar a transição para o Ano em todos os postos de trabalho X Realizar o teste em todos os postos de trabalho com software específico para a resolução do problema. PA 15/Dez DQ O Auditor constatou que a revisão do SGQ, pela Direção realizada a 8-jul não reflete a análise da necessidade de rever o SGQ, a Política e os Objetivos da Qualidade. O registo da revisão do SGQ não estabelece ações relacionadas com a revisão do SGQ. X Alterar procedimento GQM031 e ordenar metodologias de trabalhar por forma a contemplar estes aspetos e consequentemente revê-los aquando da revisão do SGQ. ZA 15/Jan DQ CONTRA-INDICAÇÕES As equipas tem que ser pluridisciplinares e com conhecimentos profundos no tema ou processos a avaliar MÉTODOS ASSOCIADOS Ferramentas de Melhoria 19. DIAGRAMA DE MATRIZES SINÓNIMOS E VARIANTES Matriz de Ponderação OBJETIVO Identificar, analisar e classificar as relações existentes entre dois ou mais conjuntos de informações. DESENVOLVIMENTO O Diagrama de Matrizes é uma ferramenta que ajuda o grupo de trabalho a concentrar-se na obtenção da decisão final. FERRAMENTAS DA QUALIDADE | 56 Esta abordagem permite uma distribuição equilibrada de responsabilidades, ajuda a chegar a consenso e melhora a disciplina do grupo de trabalho no processo de análise dos fatores importantes nas decisões. Existem vários tipos de matrizes, mas as mais comuns são: MATRIZ EM FORMA DE L: Estamatriz permite comparar diretamente dois conjuntos de itens entre si, ou comparar um único conjunto consigo mesmo. Exemplo: Promoção do Sistema da Qualidade junto dos colaboradores da Empresa Tarefas Níveis de Responsabilidades Divulgar Política da Qualidade Formação Definir Responsabilidade e Autoridade Definir Objetivos Direção Dep. Qualidade Chefes de Serviço Recursos Humanos Legenda: Responsabilidade Principal Membros do Grupo Recursos A matriz relaciona Áreas/Departamentos/Responsáveis com um conjunto de quatro tarefas muito comuns e importantes nas nossas Organizações; desta forma temos, muito claramente identificados – envolvimento, responsabilidades e disponibilização de recursos – que levam ao objetivo preestabelecido de promover e divulgar o Sistema da Qualidade a todos os Colaboradores da Empresa. Conclusão: A Direção assume o papel tradicionalmente atribuído ao Dep. Qualidade. MATRIZ EM FORMA DE T Na sequência da matriz em L, esta nova matriz em T permite acrescentar àquela mais informação e desenvolvimento da ideia, comparando ou posicionando entre si três conjuntos de itens, melhorando a identificação de relações diretas ou impates entre itens. No quadro seguinte conseguimos ter uma visualização completa do que fica dito; atente-se ao impate direto da Formação em fatores de sucesso ou objetivos para a Empresa, tais como, na Satisfação do Cliente Êxito do Negócio Motivação dos Colaboradores Melhoria da Organização Satisfação do Cliente Êxito no Negócio Motivação Colaboradores Melhorar a Organização Objetivos Tarefas Definir Política e Objetivos da Qualidade Formação Planeamento do Sistema Implementação do Sistema Recursos Direção Dep. Qualidade Chefes de Serviço Recursos Humanos Legenda: Impato Alto Impato Moderado Impato Baixo FERRAMENTAS DA QUALIDADE | 57 Releve-se o fato de que (reveja na matriz em T e assinalado com as setas) com a utilização desta matriz se consegue o posicionamento, a correlação e os impactes entre três grupos de itens, a saber: Objetivos Tarefas Recursos Como construir um Diagrama de Matrizes 1. Selecionar os fatores chave que afetam o sucesso da implementação. Esta seleção dos fatores a serem comparados é a etapa mais importante, e uma vez feita de forma adequada conduz à definição do melhor tipo de matriz. 2. Formar grupo de trabalho. O grupo de trabalho deve ser formado por pessoas que tenham influência (capacidade ou responsabilidade) para avaliar os fatores selecionados. 3. Selecionar o tipo de matriz apropriado Esta seleção deve ser baseada no número de conjuntos de itens a serem comparados e no tipo de comparações necessárias. 4. Selecionar e definir os símbolos de relação Mas ainda podemos tirar vantagens adicionais desta Matriz, sintetizando informação de uma forma quantificada, se considerarmos que os símbolos mais comuns em análise de matrizes são , , . Geralmente eles podem ser “pesados” conforme se adianta: = Alto = 9 = Médio = 3 = Baixo = 1 responsável principal (peso 9) membro do grupo (peso 3) recursos (peso 1) E assim a matriz em T pode ser evidenciada da seguinte forma: Peso do Impato 31 24 21 27 Impato Fatores Satisfação do Cliente 3 Êxito no Negócio 3 Motivação Colaboradores 9 Melhorar a Organização 9 Objetivos Tarefas Definir Política e Objetivos da Qualidade Formação Planeamento do Sistema Implementação do Sistema Recursos Direção 9 9 9 9 36 Dep. Qualidade 3 1 4 Chefes de Serviço 3 1 3 3 10 Recursos Humanos 1 3 3 7 Peso da Importância 16 14 15 12 Impato Depos e podemos retirar um conjunto de ilações quantificadas (os critérios, pesos, ..., foram predefinidos) que nos permitem retirar conclusões para ações posteriores, A Formação impata 24 pontos e aparece como a segunda tarefa mais importante A tarefa “Definir Política e Objetivos da Qualidade” foi considerada como a mais importante entre 4 tarefas identificadas No conjunto exposto, o recurso Direção foi entendido como de criticidade mais elevada para o desenvolvimento e promoção do Sistema da Qualidade junto dos Colaboradores da Empresa FERRAMENTAS DA QUALIDADE | 58 EXEMPLO CONTRA-INDICAÇÕES Não aplicável MÉTODOS ASSOCIADOS QFD Team work Brainstorming FERRAMENTAS DA QUALIDADE | 59 20. MATRIZ DE PRIORIDADE SINÓNIMOS E VARIANTES Matriz de Decisão OBJETIVO Selecionar a melhor solução ou soluções através de uma abordagem sistemática da comparação de opções através da seleção, ponderação e aplicação de critérios. DESENVOLVIMENTO As Matrizes de Prioridade são uma ferramenta que permite ao grupo de trabalho concentrar-se na melhor ou melhores opções, aumentando as probabilidades de que a implementação tenha resultado. Esta ferramenta faz com que desde o início surjam desacordos e a sua respetiva resolução, reduzindo pois as hipóteses da seleção do projeto não ser consensual, uma vez que se procura o consenso a cada etapa do processo (dos critérios até às conclusões) e limitam todas as opções paralelas fazendo com que os critérios sejam uma parte necessária do processo. Vamos desenvolver o denominado Método Completo de Critérios Analíticos. Método Completo de Critérios Analíticos Grupos pequenos (3 a 6 pessoas) Poucas opções (3 a 8 opções) Poucos critérios (2 a 5 itens) Necessário consenso total Comparações emparelhadas Descrição do Método Completo de Critérios Analíticos 1. Definir o objetivo a atingir e usar frases concisas 2. Identificar critérios usando brainstorming e consenso (Ex.: objetivo da empresa) 3. Ponderar cada critério relativamente aos outros – utilizar Matriz em forma de L (critério vs critério). 4. Comparar todas as opções relativas a cada critério ponderado (opções vs critério). Para cada critério, elaborar uma matriz em forma de L com todas as opções e critérios – haverá tantas matrizes de opções quantos critérios a serem aplicados. 5. Utilizando uma matriz-sumário em forma de L, comparar cada opção com base em todos os critérios combinados 6. Selecionar opção com melhor compromisso entre os critérios. EXEMPLOS EXEMPLO 1 1. Escolher fornecedor com melhor compromisso entre os critérios de seleção 2. Critérios: Preço Qualidade Prazo de Entrega Organização Geral e de Qualidade FERRAMENTAS DA QUALIDADE | 60 Matriz em L “Critério vs Critério” Critérios Critérios Preço Qualidade Prazo Organização Total da Linha Valor Decimal Relativo Preço 1/10 1/10 5 5.2 0.13 Qualidade 10 5 5 20 0.49 Prazos 10 1/5 5 15.2 0.37 Organização 1/5 1/5 1/5 0.6 0.01 Total Geral 41 Comparar eixo vertical com eixo horizontal Legenda: 1 = igualmente importante, 5 = mais importante, 10 = muito mais importante, 1/5 = menos importante, 1/10 = muito menos importante 3. Utilizando a Matriz em L, comparar todas as opções relativas a cada critério ponderado Haverá tantas matrizes de opção quantos critérios considerados. Para cada critério elaborar uma matriz em forma de L, indicando o respetivo critério no canto superior esquerdo e as opções nos eixos verticais e horizontais. A escala a utilizar nesta etapa deve ser a mesma da anterior adaptada ao critério. O valor decimal relativo traduz a avaliação da opção. Matriz “Opção vs Critério” Preço Fornecedor A Fornecedor B Fornecedor C Fornecedor D Total da Linha Valor Decimal Relativo Fornecedor A 1/10 5 1/5 5.3 0.13 Fornecedor B 10 5 1/5 15.2 0.37 Fornecedor C 1/5 1/5 1/10 0.5 0.01 Fornecedor D 5 5 10 20 0.49 Total Geral 41 Continuar esta etapa, elaborando mais três matrizes “Opções vs. Critério”, para os restantes critérios Qualidade Fornecedor A Fornecedor B Fornecedor C FornecedorD Fornecedor A Fornecedor B Fornecedor C Fornecedor D Prazo Fornecedor A Fornecedor B Fornecedor C Fornecedor D Fornecedor A Fornecedor B Fornecedor C Fornecedor D Organização Fornecedor A Fornecedor B Fornecedor C Fornecedor D Fornecedor A Fornecedor B Fornecedor C Fornecedor D FERRAMENTAS DA QUALIDADE | 61 3. Utilizando a Matriz em L, elaborar a matriz-sumário para comparar cada opção com base nos seguintes critérios combinados. Colocar os critérios no eixo horizontal e as opções no eixo vertical. Calcular o valor/resultado da opção, multiplicando em cada célula da matriz a ponderação de cada critério (valor decimal obtido na etapa 3) pela avaliação da opção (valor decimal obtido na etapa 4) Calcular o somatório de cada linha e dividir o respetivo total pelo total geral. Decidir a opção a desenvolver comparando os valores decimais obtidos entre si. Matriz-sumário “Opções vs. Todos os Critérios” Critérios Opções Preço (0.13) Qualidade (0.49) Prazo (0.37) Organização (0.01) Total da Linha Valor Decimal Relativo Fornecedor A 0.13x0.13 (0.02) 0.40x0.49 (0.20) 0.24x0.37 (0.09) 0.65x0.01 (0.01) 0.32 0.32 Fornecedor B 0.37x0.13 (0.05) 0.10x0.49 (0.05) 0.37x0.37 (0.14) 0.22x0.01 (0) 0.24 0.24 Fornecedor C 0.01x0.13 (0) 0.49x0.49 (0.24) 0.37x0.37 (0.14) 0.12x0.01 (0) 0.38 0.38 Fornecedor D 0.49x0.13 (0.06) 0.01x0.49 (0) 0.01x0.37 (0) 0.01x0.01 (0) 0.06 0.06 Total Geral 1.00 4. Selecionar a melhor opção com base em todos os critérios. O Fornecedor C foi o escolhido. EXEMPLO 2 Tendo em consideração o seguinte objetivo final: Escolher o colégio para a criança Escolher a melhor solução, usando a ferramenta “Matriz de Prioridade”, tendo em conta os seguinte critérios e opções: Custo Valor educativo Educadores/Professores qualificados Localização Qualidade do Ensino Qualidade das Instalações Opção A – Colégio da Água Salgada Opção B – Colégio dos Bons Samaritanos Opção C – Colégio dos Bons Malandros EXEMPLO 3 Tendo em consideração o seguinte objetivo final: Resposta rápida do pedido de licenças da reconstrução Escolher a melhor opção tendo em conta os seguintes critérios: Formar os colaboradores Custo do serviço Seriedade e Independência Opção A – Criar um serviço de atendimento Opção B – Desburocratizar o serviço Opção C – Apostar em novos colaboradores Opção D – Agilizar o processo de decisão FERRAMENTAS DA QUALIDADE | 62 CONTRA-INDICAÇÕES Não aplicável MÉTODOS ASSOCIADOS Não aplicável FERRAMENTAS DA QUALIDADE | 63