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Telejornalismo
Material Teórico
Responsável pelo Conteúdo:
Prof. Dr. Rodrigo Maia dos Santos
Revisão Textual:
Prof.ª Dr.ª Selma Aparecida Cesarin
Redação: O Texto do Telejornalismo
• Introdução;
• Conhecendo o Texto;
• O Texto Jornalístico;
• O Texto Jornalístico para a TV;
• Entrevista.
• Identifi car as características de um texto jornalístico para a TV;
• Analisar o texto jornalístico televisivo e relacioná-lo com a linha editorial do telejornal;
• Capacitar o aluno a produzir textos jornalísticos televisivos.
OBJETIVOS DE APRENDIZADO
Redação: O Texto do Telejornalismo
Orientações de estudo
Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem 
aproveitado e haja maior aplicabilidade na sua 
formação acadêmica e atuação profissional, siga 
algumas recomendações básicas: 
Assim:
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte 
da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e 
horário fixos como seu “momento do estudo”;
Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma 
alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo;
No material de cada Unidade, há leituras indicadas e, entre elas, artigos científicos, livros, vídeos 
e sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você tam-
bém encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão sua 
interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados;
Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discus-
são, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o 
contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e de 
aprendizagem.
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte 
Mantenha o foco! 
Evite se distrair com 
as redes sociais.
Mantenha o foco! 
Evite se distrair com 
as redes sociais.
Determine um 
horário fixo 
para estudar.
Aproveite as 
indicações 
de Material 
Complementar.
Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma 
Não se esqueça 
de se alimentar 
e de se manter 
hidratado.
Aproveite as 
Conserve seu 
material e local de 
estudos sempre 
organizados.
Procure manter 
contato com seus 
colegas e tutores 
para trocar ideias! 
Isso amplia a 
aprendizagem.
Seja original! 
Nunca plagie 
trabalhos.
UNIDADE Redação: O Texto do Telejornalismo
Introdução
Chegamos a um momento de extrema importância para você, estudante: a 
redação do texto para TV, ou, se preferir, a etapa de produção de conteúdo de 
uma reportagem.
Após a pauta levantar, apurar e checar as informações; depois de acontecer uma 
reunião para a pauta ser aprovada e a produção planejar e organizar a matéria; chega 
o momento no qual a reportagem é realizada, ou seja, o momento de se produzir o 
conteúdo da reportagem, do texto, oral e escrito, que será exibido pelo Telejornal.
Quais as características de um texto jornalístico? E quando esse texto é voltado 
para a realidade da TV, a reportagem muda? Como escrever para a TV: é a mesma 
coisa que escrever para o jornal impresso ou para o rádio? O texto é o mesmo? 
Estas e outras perguntas sobre o tema serão respondidas por meio de teorias, 
reflexões, provocações e, ainda, por meio de uma excelente entrevista feita com 
um dos principais repórteres em atividade da TV: o jornalista e repórter especial do 
Jornal da Record, Fabio Menegatti.
Conhecendo o Texto
O grande escritor português Fernando Pessoa, no livro Língua Portuguesa 
(1999:37) disse: “Quem não vê bem uma palavra não pode ver bem uma 
alma.” Por mais literária e poética que possa ser a frase, ela revela uma relação 
interessante que o ser humano pode ter com a palavra: enxergar a alma. 
Para produzir um texto, a escolha de cada palavra pode fazer a diferença. A pa-
lavra certa, no contexto certo, transforma uma simples informação em uma notícia 
altamente relevante para o telespectador. Quando o jornalista consegue a forma 
adequada de dizer aquilo que a pessoa do outro lado da tela quer ouvir, diante de 
uma informação correta e apurada, a relação se torna ainda mais próxima, e a cre-
dibilidade começa a ser construída. 
Por essa razão, mais do que simplesmente selecionar uma palavra, o jornalista 
precisa enxergar a alma de seu público; por meio do jornalismo, a sociedade se 
enxerga, enxerga o outro e o mundo no qual está vivendo. A palavra importa: é 
muito mais do que uma simples escolha. 
Neste sentido, aparece o seguinte questionamento: o que é um texto jornalístico 
e como esse texto pode ser escrito para a realidade da TV?
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Conceito de Texto
Para iniciar o diálogo sobre o texto jornalístico, é importante verificar, de manei-
ra breve e objetiva, o conceito de texto, em geral.
A palavra texto é originada da Língua Latina, proveniente do vocábulo textere, 
um verbo latino que também gerou, em Língua Portuguesa, o substantivo tecido. 
Dessa forma, entendemos que texto e tecido são palavras que possuem a mesma 
origem em relação a seu radical – estrutura vocabular que dá o significado à palavra.
Parte-se do entendimento de que, segundo o Dicionário Aulete (2009), tecido é 
um produto têxtil feito de fios cruzados artesanal ou industrialmente; é uma trama 
feita com um conjunto de fios entrelaçados. 
Em qualquer tecido, os fios são entrelaçados horizontal e verticalmente e estão, 
direta ou indiretamente, relaconionados. Formam, portanto, uma peça. Nas lojas, 
compramos um camisa, uma calça, uma blusa e não um emaranhado de fios soltos.
Se traçarmos um paralelo entre os vocábulos tecido e texto, é coerente entender 
que o texto também é um conjunto de “fios” entrelaçados entre si que, direta ou 
indiretamente, formam um todo, isto é, uma trama. Entretanto, estamos falando de 
uma “trama” linguística; e não de lã ou algodão.
Enxergar o texto em um sentido global, como uma imensa (inter) relação de fios 
linguísticos é ter um conceito mais amplo de produção textual. Quebra-se a ideia de 
que o usuário faz uma frase, uma oração, um período, um parágrafo e, em seguida, 
por consequência natural, um texto.
Texto não é, necessariamente, um conjunto de parágrafos previamente estrutu-
rados e logicamente definidos. A produção de um texto requer algo a mais do que 
uma simples expansão de palavras e de organizações.
O Texto Jornalístico 
Para iniciar a reflexão sobre o texto jornalístico, leia o que três autores apresen-
taram sobre o conceito de jornalismo e sua respectiva associação com a produção 
de conteúdo. 
Segundo o respeitado jornalista Alberto Dines (1986), jornalismo é a busca 
de circunstâncias, e o texto jornalístico é a constante busca de situações, 
condições ou particularidades, que serão passadas pelo veículo de comuni-
cação a um determinado leitor.
Para Fernando Cascais (2001) jornalismo é a atividade de recolha, trata-
mento e difusão de informação por meio de todos os tipos de comunicação 
social. O jornalismo é uma atividade de coleta e difusão de informações 
que serão passadas para os leitores ou ouvintes, por meio de textos, orais 
ou escritos.
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UNIDADE Redação: O Texto do Telejornalismo
No Dicionário de Comunicação de Carlos Alberto Rabaça e Gustavo 
Guimarães Barbosa (2001), o jornalismo é entendido como uma atividade 
profissional que tem por objetivo a apuração, o processamento e a trans-
missão periódica de informações da atualidade para o grande público ou 
para determinados segmentos desse público, por meio de texto veiculados 
em difusão coletiva.
Se falarmos especificamente sobre as características de um texto jornalístico, 
Nilson Lage (2005:73) afirma que:
O que caracteriza o texto jornalístico é o volume de informação factual. 
O texto jornalístico é o resultado da apuração e tratamento dos dados 
e pretende informar; não convencer. Isso significa que o relato, por de-
finição, está conforme o acontecimento – este sim, passível de crítica e 
capaz de despertarreações distintas nos formadores de opinião e entre 
os receptores da mensagem em geral ( ...) O texto jornalístico é a notícia, 
que expõe um fato novo ou desconhecido, ou uma série de fatos novos ou 
desconhecidos do mesmo evento, com suas circunstâncias.
A notícia, por sua vez, é um relato de acontecimentos atuais, de interesse e im-
portância para a comunidade, capaz de ser compreendido pelo público.
Vale ressaltar que o texto jornalístico, além da característica da informação, deve 
ter a do apartidarismo, ou seja, o jornal não deve atrelar-se a um grupo, tendência 
ideológica ou partido político. Sobre esse assunto, Nilson Lage (2006: 46) diz:
Não existe objetividade em jornalismo. Ao escolher um assunto, redigir 
um texto e editá-lo, o jornalista toma decisões em larga medida subjetivas, 
influenciadas por suas posições pessoais, hábitos e emoções.
A partir dessas considerações, surge uma questão polêmica em jornalismo: a 
imparcialidade. Como dissociar a subjetividade e as influências pessoais do redator 
no momento da produção textual? É uma tarefa complexa. Nilson Lage (2006:15) 
traça um paralelo entre sensacionalismo e imparcialidade:
A par do sensacionalismo, e no esforço para superá-lo, os jornalistas 
conseguiram empresar rigor às técnicas de apuração e tratamento de 
informações. Foram buscar no espírito científico o respeito pelos fatos 
empíricos e o cuidado para não avançar além daquilo que os fatos per-
mitem ao senso comum inferir. O ideal de imparcialidade é parte dessa 
postura, que se contrapôs ao modelo sensacionalista nos grandes jornais.
O texto jornalístico, seja em veículo impresso ou eletrônico, precisa ser claro, 
conciso, direto, preciso, simples e objetivo. Estes são padrões universais, de 
absoluto consenso nas redações de TV, rádio, internet, jornal impresso ou revista 
impressa ou eletrônica.
Algumas regras, no entanto, devem ser seguidas em cada mídia e, também em 
cada veículo, para que a missão de conquistar o telespectador, ouvinte ou leitor 
seja alcançada.
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Após a sequência de conceitos, conseguimos, em um primeiro momento, enten-
der que o texto jornalístico tem como características principais:
• a apuração dos fatos – informações;
• a busca pela imparcialidade, 
• a opção por frases curtas; 
• a adequação desse texto ao veículo no qual a notícia será transmitida.
O texto jornalístico obedece a uma estrutura particular para a transmissão da 
informação. Há, inicialmente, o que é chamado de lead (do inglês), que significa 
conduzir, comandar, dirigir.
Lead: é a introdução do texto jornalístico. É a ferramenta que os jornalistas utilizam para 
situar o leitor, para trazê-lo ao texto e para indicar qual será o assunto específico que a ma-
téria vai abordar. 
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Em jornalismo impresso, por exemplo, lead é o primeiro parágrafo da notícia, 
no qual o jornalista introduz ao leitor o assunto que será tratado no texto. Este pri-
meiro parágrafo permite um resumo da informação mais relevante sobre o aconte-
cimento. O conteúdo do lead condiciona fortemente o corpo da notícia e do título. 
A origem do lead está relacionada ao uso oral da língua, ou seja, à maneira pela 
qual alguém relata algo a que assistiu; às condições e intenções que uma pessoa 
tem em tornar a comunicação eficaz.
Após o lead há, obviamente, o desenvolvimento do texto. Sobre esse ponto 
cabe ao próprio jornalista, a partir dos fatos, com a imparcialidade que já citamos, 
produzir o texto e dividi-lo de acordo com o grau de importância de cada tópico. 
Em uma matéria de um crime, por exemplo, após o lead, o jornalista pode con-
siderar cada papel temático como um tópico. Assim, o primeiro tópico poderia ser 
o crime; o segundo o assassino; o terceiro a vítima etc.
É a partir do texto jornalístico, por exemplo, que a sociedade pode partilhar experiências e 
discutir idéias, mesmo sem contato físico. É pelo jornalismo, enquanto meio de transmissão 
de fatos sociais, que ocorre a integração e o diálogo em uma sociedade. 
Ex
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O Texto Jornalístico para a TV
Vamos começar a falar sobre o texto jornalístico para a TV assistindo a uma 
matéria. Veja ao vídeo:
Número de cidades que vão usar biometria supera regiões sem a tecnologia:
https://youtu.be/LXbH6J3VJeYE
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UNIDADE Redação: O Texto do Telejornalismo
Após ver o vídeo, repare nos seguintes detalhes em relação ao texto.
• Cabeça apresentadores: No domingo, muitas cidades brasileiras vão usar 
o sistema de biometria durante a votação. Em São Paulo, 100 municípios só 
aceitam eleitores com a digital cadastrada;
• Abertura da reportagem Urnas Eletrônicas (Angélica Sattler): Urnas bio-
métricas prontas para a votação de domingo. Só deste cartório de Guarulhos, 
a segunda maior cidade paulista, vão sair mais de 400 urnas eletrônicas.
Para iniciar a análise, é importante conceituarmos o que é “cabeça” de um VT. 
Segundo o Dicionário de Comunicação de Carlos Alberto Rabaça e Gustavo 
Guimarães (2001), a cabeça de uma matéria é o lead, ou seja, é a introdução ou 
abertura de uma notícia ou reportagem. Conforme apresentado no item anterior des-
ta unidade, o lead, em geral, é elaborado no primeiro parágrafo do texto jornalístico.
No caso do contexto de um telejornal, vale apontar que a cabeça (lead) da matéria 
é feita pelos apresentadores, no estúdio, antes de a matéria feita pelo repórter ser 
exibida. Neste sentido, repare que a cabeça (lead) narrada pelos apresentadores foi:
No domingo, muitas cidades brasileiras vão usar o sistema de biometria durante a 
votação. Em São Paulo, 100 municípios só aceitam eleitores com a digital cadastrada.
Fica evidenciada a introdução ao assunto, no trecho: “muitas cidades brasilei-
ras vão usar o sistema de biometria durante a votação.”
Prova disso é o texto inicial da repórter, já na matéria: 
Urnas biométricas prontas para a votação de domingo. Só deste cartório de Guaru-
lhos, a segunda maior cidade paulista, vão sair mais de 400 urnas eletrônicas.
A reportagem segue com o mesmo fio condutor. As informações sempre são 
complementares à ideia: “muitas cidades brasileiras vão usar o sistema de bio-
metria durante a votação.” 
Antes do próximo comentário de análise, vale o registro de dois conceitos bási-
cos de telejornalismo: sonora e passagem.
Sonora: É a fala do entrevistado durante a matéria. É o momento em que a pessoa escolhida 
pela pauta e pela produção aparece e emite sua opinião, seu parecer, seu comentário. 
Passagem: é a gravação feita pelo repórter em um local que seja dentro do contexto da 
matéria. O texto da passagem precisa conter informações importantes e relevantes para o 
assunto. É o momento em que o repórter aparece para destacar algum aspecto da matéria.
Ex
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Agora que você já sabe os conceitos, repare que as sonoras exibidas e a passa-
gem da repórter giram em torno do mesmo assunto apresentado no lead: “muitas 
cidades brasileiras vão usar a biometria durante a votação.” Na passagem, por 
exemplo, a repórter apresenta como deve ser feito o voto, em caso do uso de bio-
metria. Após a passagem, entra uma sonora com pessoas que fizeram a biometria. 
Isso é o que chamamos de encaminhamento. Lembre-se do que conversamos 
na primeira unidade sobre a pauta. A matéria vai seguir sempre a linha proposta 
desde a aprovação.
Agora, vamos assistir a outra reportagem.
Série JR: China tem a maior ponte de vidro do mundo: https://youtu.be/WAO5HIrfOX4
Ex
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Agora, vamos analisar os detalhes em relação ao texto. Lembre-se de que você 
já sabe o que é lead, cabeça, sonora e passagem, no contexto do telejornalismo. 
• Cabeça apresentadores: A China é conhecida pelas tradições milenares, mas, 
também, pela modernidade. Um povo que desafia a engenharia para construir 
obras que chamam a atenção do mundo todo. É por isso mesmo que o Jornal 
da Record conheceu de perto uma dessas novidades. A maior ponte de vidro 
do planeta que custou mais de um bilhão e meio de dólares. Essa é a primeira 
vez que uma emissora de TVda América Latina chega até lá. A reportagem é 
de Fábio Menegatti e Fábio Ribeiro;
• Abertura da reportagem Ponte da China (Fábio Menegatti): O espetáculo 
da engenharia moderna sobre um precipício. Uma obra única construída pelos 
chineses para ficar na historia. Conhecer a maior ponte de vidro do mundo 
é mais do que uma aventura, é um desafio. Na China comunista, de regime 
fechado, jornalista de uma emissora de TV estrangeira só chega até aqui com 
autorização oficial do governo.
Perceba que na cabeça (lead) dos apresentadores, ainda no estúdio, o assunto 
(encaminhamento) já foi determinado: 
Um povo que desafia a engenharia para construir obras que chamam a atenção do 
mundo todo. É por isso mesmo que o Jornal da Record conheceu de perto uma des-
sas novidades. A maior ponte de vidro do planeta que custou mais de um bilhão e 
meio de dólares.
Fica evidenciado que a matéria vai falar sobre a maior ponte de vidro do mundo, 
construída por meio de uma engenharia de altíssima qualidade e com um custo elevado.
O texto inicial do repórter, quando a matéria já começou a ser exibida reforça 
essa questão. Ele diz: “Uma obra única construída pelos chineses para ficar 
na historia. Conhecer a maior ponte de vidro do mundo é mais do que uma 
aventura, é um desafio.”
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UNIDADE Redação: O Texto do Telejornalismo
Depois desse texto, o repórter fala: “Nossa viagem começa...”. Daí pra frente, o 
foco é a viagem até a ponte, justamente para mostrar todo o caminho que leva até 
a ponte. No caminho, o repórter vai apresentando dados sobre a China para dar 
ainda mais importância ao tamanho e à importância da ponte. Ao chegar no local, 
a imagem mostra a dimensão, a trilha traz a sensação de grandiosidade e o texto 
mostra ainda mais expectativa. 
Tudo isso para passar a ideia apresentada na cabeça (lead): “Um povo que 
desafia a engenharia para construir obras que chamam a atenção do mun-
do todo. É por isso mesmo que o Jornal da Record conheceu de perto uma 
dessas novidades. A maior ponte de vidro do planeta que custou mais de um 
bilhão e meio de dólares.”
Aos poucos, com essas e outras análises que você pode fazer, seu entendimento 
sobre o conteúdo de uma matéria jornalística para TV vai melhorando. 
A televisão tem a característica da imagem e da instantaneidade. Isso obriga o 
jornalista (repórter) a fazer com que a matéria seja entendida pelo telespectador no 
exato momento em que a imagem é exibida. 
Ao analisar centenas de matérias, percebe-se que o texto, na TV, precisa ser 
coloquial e dialógico, ou seja, o jornalista precisa ter a consciência de que está 
contando uma história para alguém, e essa história, além de narrada, é exibida 
com imagens. É a sensibilidade e o profissionalismo do jornalista que vão fazer essa 
união entre texto e imagem atingir o objetivo de levar ao telespectador uma infor-
mação que seja fácil de ser compreendida.
Dicas Sobre o Texto Jornalístico para a TV
Depois de conhecer e entender o conceito de texto; estudar as características do 
texto jornalístico; analisar a estrutura de um texto para a TV, fique atento para ler 
algumas dicas pontuais e importantes sobre o tema dessa unidade. Anote, entenda, 
guarde e consulte sempre que precisar. 
1. Para que você possa escrever um texto de telejornalismo, é preciso, como 
primeiro passo, conhecer as imagens que podem ser usadas na edição da 
reportagem. É necessário saber usar a palavra adequada para determinada 
imagem. Por isso, tome cuidado para não escrever no texto exatamente o 
que mostra a imagem. Evite a redundância;
2. Como vimos durante toda esta unidade, o texto de um telejornal come-
ça com o lead, normalmente colocado na cabeça da matéria, na voz dos 
apresentadores do telejornal. Portanto, o jornalista deve procurar o eixo 
condutor da matéria, a principal novidade sobre o assunto ou o fato que 
atualiza a notícia e escrever o lead para o telespectador;
3. Em um telejornal, preferencialmente, o texto deve ser escrito em ordem 
direta, do ponto de vista da Língua Portuguesa. Isso quer dizer: sujeito + 
verbo + predicado (objeto ou complemento);
14
15
4. Ainda na questão da Língua Portuguesa, no texto de um telejornal, evite 
o uso excessivo de adjetivos. Essa prática não traz credibilidade ao texto. 
Pode parecer que o telejornal quer agradar ou desagradar algo ou alguém. 
Nesta perspectiva, verbos na voz ativa são boas opções, pois reforçam o 
impacto no telespectador. O texto de um telejornal também deve ser colo-
quial, mas sem apelos a gírias, clichês e expressões desgastadas;
Importante!
Dispositivo eletrônico, situado perto de uma câmera de cinema ou televisão, mas fora 
do alcance da câmera, que vai rodando (conforme o caso) o roteiro ou os dizeres de 
um programa, a notícia etc., para servir de “ponto” ou assistir a fala do/a ator/atriz ou 
apresentador/a. Referido, no meio dos usuários, pela sigla TP: “Tudo o que é escrito pelo 
diretor num terminal, vai direto para o teleprompter (TP) do apresentador, no estúdio”.
Importante!
5. Se você escrever o texto para ser lido pelo apresentador do telejornal por 
meio do teleprompter, fi que atento para a pontuação. O uso de sinais or-
tográfi cos pode facilitar, e muito, a entonação da voz, a interpretação e a 
respiração do apresentador. Em frases interrogativas, por exemplo, você 
pode colocar o sinal de interrogação no início da frase para que o apresen-
tador já saiba que se trata de uma pergunta. Exemplo: (?) Em 2019, qual 
time é o favorito para se tornar o campeão brasileiro de futebol (?);
6. Outra dica importante para quem vai escrever texto no teleprompter: evite 
sentenças longas, pois difi cultam a respiração e o entendimento do apre-
sentaor. Uma frase, uma ideia, com ritmo; frases curtas. Evite frases inter-
caladas, como apostos, por exemplo;
7. Sobre o texto de teleprompter, outra dica importante: redija os números 
por extenso para facilitar a leitura pelo apresentador. Exemplos: setenta 
e quatro mil pessoas; dois terços da população; dezenove por cento; três 
milhões e quinhentos mil reais; quinze de setembro de dois mil e um; cento 
e oitenta quilômetros por hora; dez da manhã;
8. Sobre a repetição de palavras, fi que atento e “use com moderação”. Se a 
repetição for proposital para enfatizar a ideia, pode ser bem-vinda. No en-
tanto, use o bom senso para não deixar seu texto com pouca informação. 
Ainda no tema “repetição, muito cuidado com o “queísmo”, isto é, o uso 
excessivo do “que”. Principalmente em uma mesma frase, o uso do que 
prejudica o ritmo do texto;
9. Não comece o texto com palavras que podem dar o sentido de assunto sem 
novidades ou superado. Um bom exemplo são as palavras continua e per-
manece. Começar o texto com elas não é uma boa opção, no jornalismo;
10. Muito cuidado com os“efeitos sonoros” na narração de um texto, em tele-
visão. Palavras com a mesma terminação, em repetição, na televisão, sem 
organização não são boas, não. Além da repetição escrita neste item, veja 
15
UNIDADE Redação: O Texto do Telejornalismo
outro exemplo: “Mais um temporal alaga a marginal, na capital”. Ainda 
neste item, outro bom exemplos são os cacófatos, ou seja, o encontro de 
sílabas de palavras diferentes que podem formar som desagradável ou até 
de palavras obscenas. Veja: 
 » ela tinha;
 » marca gol de novo;
 » boca dela;
 » confisca gado;
 » ela tinha;
 » nunca ganhou;
11. Em texto de telejornal, muita atenção com os gerúndios em excesso. Eles 
deixam as frases longas e de difícil compreensão no contexto da TV. Pro-
cure não iniciar uma frase com gerúndio;
12. Pense bem nos significados ao usar verbos em declarações;
 » Informar significa relatar um fato;
 » Garantir é assegurar, dar certeza absoluta;
 » Declarar significa pronunciar;
 » Admitir tem sentido de confessar;
 » Advertir tem sentido de censurar ou de chamar a atenção;
13. Evite construções de frases como: “O time viajará amanhã para dispu-
tar a partida.” Prefira: “O time vai viajar amanhã para disputar a partida.Lembre-se: em televisão, o texto que será ouvido precisa “soar bem” aos 
ouvidos do telespectador. Por isso, prefira o uso de verbos no presente 
no indicativo e no futuro composto, quando a referência for a algo que 
vai acontecer;
14. Fique atento com o uso dos verbos dever e poder. Eles são ambíguos: in-
dicam capacidade e possibilidade, respectivamente. O verbo querer indica 
intenção; e não uma decisão;
15. Se um número ou dado estatístico for a informação principal de uma maté-
ria, não faça arredondamentos. O aumento da gasolina foi de 5,94%. Então, 
jamais diga que o aumento no preço da gasolina vai ser de seis por cento;
16. Sempre que possível, no texto, identifique os lugares. O telespectador 
não é obrigado a saber onde fica cada cidade, estado ou país. Exemplo: 
Afeganistão, na Ásia Central, São Sebastião, no litoral norte de São Paulo;
17. Tenha muito critério para usar os estrangeirismos. Consulte a linha edito-
rial da empresa de comunicação que vai exibir a matéria jornalística. Ainda 
que sejam de uso freqüente, as palavras estrangeiras não são conhecidas 
de todos os telespectadores;
16
17
18. Indique para o apresentadores como é a pronúncia correta de palavras 
estrangeiras, principalmente em casos de nomes próprios. O ideal é que a 
pronúncia seja narrada de acordo com o país de origem;
19. Avalie bem o uso de termos técnicos. Eles devem ser bem explicados. Há 
expressões que são conhecidas apenas pelos profi ssionais da área, como 
professores, economistas, médicos e advogados;
20. Mesmo sendo uma prática considerada “antiga”, a revisão do texto em 
voz alta ainda é a melhor maneira de evitar que equívocos de pronúncia 
do repórter ou do apresentador. Com a leitura em voz alta é possível des-
cobrir problemas com a sonoridade das palavras, concordância, cacófatos 
e frases sem sentido que podem comprometer a qualidade da informação;
Entrevista
Após a teoria apresentada nesta unidade, chegou o momento de conversarmos 
com um profissional da área. Mais do que confrontar a teoria para ver o que se aplica 
ou não, é preciso ter maturidade para entender que cada emissora, cada programa, 
cada jornal, cada linha editorial trabalha de uma forma diferente. A base sempre é a 
informação e o telespectador, mas a forma de trabalhar pode sofrer adaptações.
É para o telespectador que um telejornal é editado. Portanto, para cada público 
há um forma especial de se fazer jornalismo. Não há padrões estabelecidos de ma-
neira a prender os veículos jornalísticos para trabalharem de uma forma única. Há 
uma base e, a partir dela, os jornais são organizados. 
Agora, veja o vídeo da entrevista gravada pela nossa equipe com o jornalista Fábio 
Menegatti, repórter especial do Jornal da Record, da TV Record. Confira no seu Ambiente 
Virtual de Aprendizagem.
Ex
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Com certeza, escutar as experiências dele foi muito importante para que você, 
estudante de jornalismo, tenha uma base sobre como a notícia é produzida, na prá-
tica. Ideias, produção, gravação, edição, apresentação: um verdadeiro produtor de 
jornalismo participa de todas as etapas, sem exceção. 
17
UNIDADE Redação: O Texto do Telejornalismo
Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:
 Leitura
Técnicas e práticas para elaborar reportagens telejornalísticas 
XAVIER, A; RODRIGUES, L. Técnicas e práticas para elaborar reportagens 
telejornalísticas. In: Congresso de Ciências da Comunicação na Região Norte–
Intercom (Vol. 12) 2013.
http://bit.ly/2IdUKpW
O texto na reportagem de televisão
EMERIM, C. O texto na reportagem de televisão. In: En Congresso Brasileiro de 
Ciências da Comunicação (Vol. 33) 2010.
http://bit.ly/2Icak5b
Cobertura ao vivo em televisão: o improviso e o testemunho em situações de tragédia
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