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Telejornalismo Material Teórico Responsável pelo Conteúdo: Prof. Dr. Rodrigo Maia dos Santos Revisão Textual: Prof.ª Dr.ª Selma Aparecida Cesarin Redação: O Texto do Telejornalismo • Introdução; • Conhecendo o Texto; • O Texto Jornalístico; • O Texto Jornalístico para a TV; • Entrevista. • Identifi car as características de um texto jornalístico para a TV; • Analisar o texto jornalístico televisivo e relacioná-lo com a linha editorial do telejornal; • Capacitar o aluno a produzir textos jornalísticos televisivos. OBJETIVOS DE APRENDIZADO Redação: O Texto do Telejornalismo Orientações de estudo Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem aproveitado e haja maior aplicabilidade na sua formação acadêmica e atuação profissional, siga algumas recomendações básicas: Assim: Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e horário fixos como seu “momento do estudo”; Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo; No material de cada Unidade, há leituras indicadas e, entre elas, artigos científicos, livros, vídeos e sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você tam- bém encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão sua interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados; Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discus- são, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e de aprendizagem. Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte Mantenha o foco! Evite se distrair com as redes sociais. Mantenha o foco! Evite se distrair com as redes sociais. Determine um horário fixo para estudar. Aproveite as indicações de Material Complementar. Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma Não se esqueça de se alimentar e de se manter hidratado. Aproveite as Conserve seu material e local de estudos sempre organizados. Procure manter contato com seus colegas e tutores para trocar ideias! Isso amplia a aprendizagem. Seja original! Nunca plagie trabalhos. UNIDADE Redação: O Texto do Telejornalismo Introdução Chegamos a um momento de extrema importância para você, estudante: a redação do texto para TV, ou, se preferir, a etapa de produção de conteúdo de uma reportagem. Após a pauta levantar, apurar e checar as informações; depois de acontecer uma reunião para a pauta ser aprovada e a produção planejar e organizar a matéria; chega o momento no qual a reportagem é realizada, ou seja, o momento de se produzir o conteúdo da reportagem, do texto, oral e escrito, que será exibido pelo Telejornal. Quais as características de um texto jornalístico? E quando esse texto é voltado para a realidade da TV, a reportagem muda? Como escrever para a TV: é a mesma coisa que escrever para o jornal impresso ou para o rádio? O texto é o mesmo? Estas e outras perguntas sobre o tema serão respondidas por meio de teorias, reflexões, provocações e, ainda, por meio de uma excelente entrevista feita com um dos principais repórteres em atividade da TV: o jornalista e repórter especial do Jornal da Record, Fabio Menegatti. Conhecendo o Texto O grande escritor português Fernando Pessoa, no livro Língua Portuguesa (1999:37) disse: “Quem não vê bem uma palavra não pode ver bem uma alma.” Por mais literária e poética que possa ser a frase, ela revela uma relação interessante que o ser humano pode ter com a palavra: enxergar a alma. Para produzir um texto, a escolha de cada palavra pode fazer a diferença. A pa- lavra certa, no contexto certo, transforma uma simples informação em uma notícia altamente relevante para o telespectador. Quando o jornalista consegue a forma adequada de dizer aquilo que a pessoa do outro lado da tela quer ouvir, diante de uma informação correta e apurada, a relação se torna ainda mais próxima, e a cre- dibilidade começa a ser construída. Por essa razão, mais do que simplesmente selecionar uma palavra, o jornalista precisa enxergar a alma de seu público; por meio do jornalismo, a sociedade se enxerga, enxerga o outro e o mundo no qual está vivendo. A palavra importa: é muito mais do que uma simples escolha. Neste sentido, aparece o seguinte questionamento: o que é um texto jornalístico e como esse texto pode ser escrito para a realidade da TV? 8 9 Conceito de Texto Para iniciar o diálogo sobre o texto jornalístico, é importante verificar, de manei- ra breve e objetiva, o conceito de texto, em geral. A palavra texto é originada da Língua Latina, proveniente do vocábulo textere, um verbo latino que também gerou, em Língua Portuguesa, o substantivo tecido. Dessa forma, entendemos que texto e tecido são palavras que possuem a mesma origem em relação a seu radical – estrutura vocabular que dá o significado à palavra. Parte-se do entendimento de que, segundo o Dicionário Aulete (2009), tecido é um produto têxtil feito de fios cruzados artesanal ou industrialmente; é uma trama feita com um conjunto de fios entrelaçados. Em qualquer tecido, os fios são entrelaçados horizontal e verticalmente e estão, direta ou indiretamente, relaconionados. Formam, portanto, uma peça. Nas lojas, compramos um camisa, uma calça, uma blusa e não um emaranhado de fios soltos. Se traçarmos um paralelo entre os vocábulos tecido e texto, é coerente entender que o texto também é um conjunto de “fios” entrelaçados entre si que, direta ou indiretamente, formam um todo, isto é, uma trama. Entretanto, estamos falando de uma “trama” linguística; e não de lã ou algodão. Enxergar o texto em um sentido global, como uma imensa (inter) relação de fios linguísticos é ter um conceito mais amplo de produção textual. Quebra-se a ideia de que o usuário faz uma frase, uma oração, um período, um parágrafo e, em seguida, por consequência natural, um texto. Texto não é, necessariamente, um conjunto de parágrafos previamente estrutu- rados e logicamente definidos. A produção de um texto requer algo a mais do que uma simples expansão de palavras e de organizações. O Texto Jornalístico Para iniciar a reflexão sobre o texto jornalístico, leia o que três autores apresen- taram sobre o conceito de jornalismo e sua respectiva associação com a produção de conteúdo. Segundo o respeitado jornalista Alberto Dines (1986), jornalismo é a busca de circunstâncias, e o texto jornalístico é a constante busca de situações, condições ou particularidades, que serão passadas pelo veículo de comuni- cação a um determinado leitor. Para Fernando Cascais (2001) jornalismo é a atividade de recolha, trata- mento e difusão de informação por meio de todos os tipos de comunicação social. O jornalismo é uma atividade de coleta e difusão de informações que serão passadas para os leitores ou ouvintes, por meio de textos, orais ou escritos. 9 UNIDADE Redação: O Texto do Telejornalismo No Dicionário de Comunicação de Carlos Alberto Rabaça e Gustavo Guimarães Barbosa (2001), o jornalismo é entendido como uma atividade profissional que tem por objetivo a apuração, o processamento e a trans- missão periódica de informações da atualidade para o grande público ou para determinados segmentos desse público, por meio de texto veiculados em difusão coletiva. Se falarmos especificamente sobre as características de um texto jornalístico, Nilson Lage (2005:73) afirma que: O que caracteriza o texto jornalístico é o volume de informação factual. O texto jornalístico é o resultado da apuração e tratamento dos dados e pretende informar; não convencer. Isso significa que o relato, por de- finição, está conforme o acontecimento – este sim, passível de crítica e capaz de despertarreações distintas nos formadores de opinião e entre os receptores da mensagem em geral ( ...) O texto jornalístico é a notícia, que expõe um fato novo ou desconhecido, ou uma série de fatos novos ou desconhecidos do mesmo evento, com suas circunstâncias. A notícia, por sua vez, é um relato de acontecimentos atuais, de interesse e im- portância para a comunidade, capaz de ser compreendido pelo público. Vale ressaltar que o texto jornalístico, além da característica da informação, deve ter a do apartidarismo, ou seja, o jornal não deve atrelar-se a um grupo, tendência ideológica ou partido político. Sobre esse assunto, Nilson Lage (2006: 46) diz: Não existe objetividade em jornalismo. Ao escolher um assunto, redigir um texto e editá-lo, o jornalista toma decisões em larga medida subjetivas, influenciadas por suas posições pessoais, hábitos e emoções. A partir dessas considerações, surge uma questão polêmica em jornalismo: a imparcialidade. Como dissociar a subjetividade e as influências pessoais do redator no momento da produção textual? É uma tarefa complexa. Nilson Lage (2006:15) traça um paralelo entre sensacionalismo e imparcialidade: A par do sensacionalismo, e no esforço para superá-lo, os jornalistas conseguiram empresar rigor às técnicas de apuração e tratamento de informações. Foram buscar no espírito científico o respeito pelos fatos empíricos e o cuidado para não avançar além daquilo que os fatos per- mitem ao senso comum inferir. O ideal de imparcialidade é parte dessa postura, que se contrapôs ao modelo sensacionalista nos grandes jornais. O texto jornalístico, seja em veículo impresso ou eletrônico, precisa ser claro, conciso, direto, preciso, simples e objetivo. Estes são padrões universais, de absoluto consenso nas redações de TV, rádio, internet, jornal impresso ou revista impressa ou eletrônica. Algumas regras, no entanto, devem ser seguidas em cada mídia e, também em cada veículo, para que a missão de conquistar o telespectador, ouvinte ou leitor seja alcançada. 10 11 Após a sequência de conceitos, conseguimos, em um primeiro momento, enten- der que o texto jornalístico tem como características principais: • a apuração dos fatos – informações; • a busca pela imparcialidade, • a opção por frases curtas; • a adequação desse texto ao veículo no qual a notícia será transmitida. O texto jornalístico obedece a uma estrutura particular para a transmissão da informação. Há, inicialmente, o que é chamado de lead (do inglês), que significa conduzir, comandar, dirigir. Lead: é a introdução do texto jornalístico. É a ferramenta que os jornalistas utilizam para situar o leitor, para trazê-lo ao texto e para indicar qual será o assunto específico que a ma- téria vai abordar. Ex pl or Em jornalismo impresso, por exemplo, lead é o primeiro parágrafo da notícia, no qual o jornalista introduz ao leitor o assunto que será tratado no texto. Este pri- meiro parágrafo permite um resumo da informação mais relevante sobre o aconte- cimento. O conteúdo do lead condiciona fortemente o corpo da notícia e do título. A origem do lead está relacionada ao uso oral da língua, ou seja, à maneira pela qual alguém relata algo a que assistiu; às condições e intenções que uma pessoa tem em tornar a comunicação eficaz. Após o lead há, obviamente, o desenvolvimento do texto. Sobre esse ponto cabe ao próprio jornalista, a partir dos fatos, com a imparcialidade que já citamos, produzir o texto e dividi-lo de acordo com o grau de importância de cada tópico. Em uma matéria de um crime, por exemplo, após o lead, o jornalista pode con- siderar cada papel temático como um tópico. Assim, o primeiro tópico poderia ser o crime; o segundo o assassino; o terceiro a vítima etc. É a partir do texto jornalístico, por exemplo, que a sociedade pode partilhar experiências e discutir idéias, mesmo sem contato físico. É pelo jornalismo, enquanto meio de transmissão de fatos sociais, que ocorre a integração e o diálogo em uma sociedade. Ex pl or O Texto Jornalístico para a TV Vamos começar a falar sobre o texto jornalístico para a TV assistindo a uma matéria. Veja ao vídeo: Número de cidades que vão usar biometria supera regiões sem a tecnologia: https://youtu.be/LXbH6J3VJeYE xp lo r 11 UNIDADE Redação: O Texto do Telejornalismo Após ver o vídeo, repare nos seguintes detalhes em relação ao texto. • Cabeça apresentadores: No domingo, muitas cidades brasileiras vão usar o sistema de biometria durante a votação. Em São Paulo, 100 municípios só aceitam eleitores com a digital cadastrada; • Abertura da reportagem Urnas Eletrônicas (Angélica Sattler): Urnas bio- métricas prontas para a votação de domingo. Só deste cartório de Guarulhos, a segunda maior cidade paulista, vão sair mais de 400 urnas eletrônicas. Para iniciar a análise, é importante conceituarmos o que é “cabeça” de um VT. Segundo o Dicionário de Comunicação de Carlos Alberto Rabaça e Gustavo Guimarães (2001), a cabeça de uma matéria é o lead, ou seja, é a introdução ou abertura de uma notícia ou reportagem. Conforme apresentado no item anterior des- ta unidade, o lead, em geral, é elaborado no primeiro parágrafo do texto jornalístico. No caso do contexto de um telejornal, vale apontar que a cabeça (lead) da matéria é feita pelos apresentadores, no estúdio, antes de a matéria feita pelo repórter ser exibida. Neste sentido, repare que a cabeça (lead) narrada pelos apresentadores foi: No domingo, muitas cidades brasileiras vão usar o sistema de biometria durante a votação. Em São Paulo, 100 municípios só aceitam eleitores com a digital cadastrada. Fica evidenciada a introdução ao assunto, no trecho: “muitas cidades brasilei- ras vão usar o sistema de biometria durante a votação.” Prova disso é o texto inicial da repórter, já na matéria: Urnas biométricas prontas para a votação de domingo. Só deste cartório de Guaru- lhos, a segunda maior cidade paulista, vão sair mais de 400 urnas eletrônicas. A reportagem segue com o mesmo fio condutor. As informações sempre são complementares à ideia: “muitas cidades brasileiras vão usar o sistema de bio- metria durante a votação.” Antes do próximo comentário de análise, vale o registro de dois conceitos bási- cos de telejornalismo: sonora e passagem. Sonora: É a fala do entrevistado durante a matéria. É o momento em que a pessoa escolhida pela pauta e pela produção aparece e emite sua opinião, seu parecer, seu comentário. Passagem: é a gravação feita pelo repórter em um local que seja dentro do contexto da matéria. O texto da passagem precisa conter informações importantes e relevantes para o assunto. É o momento em que o repórter aparece para destacar algum aspecto da matéria. Ex pl or 12 13 Agora que você já sabe os conceitos, repare que as sonoras exibidas e a passa- gem da repórter giram em torno do mesmo assunto apresentado no lead: “muitas cidades brasileiras vão usar a biometria durante a votação.” Na passagem, por exemplo, a repórter apresenta como deve ser feito o voto, em caso do uso de bio- metria. Após a passagem, entra uma sonora com pessoas que fizeram a biometria. Isso é o que chamamos de encaminhamento. Lembre-se do que conversamos na primeira unidade sobre a pauta. A matéria vai seguir sempre a linha proposta desde a aprovação. Agora, vamos assistir a outra reportagem. Série JR: China tem a maior ponte de vidro do mundo: https://youtu.be/WAO5HIrfOX4 Ex pl or Agora, vamos analisar os detalhes em relação ao texto. Lembre-se de que você já sabe o que é lead, cabeça, sonora e passagem, no contexto do telejornalismo. • Cabeça apresentadores: A China é conhecida pelas tradições milenares, mas, também, pela modernidade. Um povo que desafia a engenharia para construir obras que chamam a atenção do mundo todo. É por isso mesmo que o Jornal da Record conheceu de perto uma dessas novidades. A maior ponte de vidro do planeta que custou mais de um bilhão e meio de dólares. Essa é a primeira vez que uma emissora de TVda América Latina chega até lá. A reportagem é de Fábio Menegatti e Fábio Ribeiro; • Abertura da reportagem Ponte da China (Fábio Menegatti): O espetáculo da engenharia moderna sobre um precipício. Uma obra única construída pelos chineses para ficar na historia. Conhecer a maior ponte de vidro do mundo é mais do que uma aventura, é um desafio. Na China comunista, de regime fechado, jornalista de uma emissora de TV estrangeira só chega até aqui com autorização oficial do governo. Perceba que na cabeça (lead) dos apresentadores, ainda no estúdio, o assunto (encaminhamento) já foi determinado: Um povo que desafia a engenharia para construir obras que chamam a atenção do mundo todo. É por isso mesmo que o Jornal da Record conheceu de perto uma des- sas novidades. A maior ponte de vidro do planeta que custou mais de um bilhão e meio de dólares. Fica evidenciado que a matéria vai falar sobre a maior ponte de vidro do mundo, construída por meio de uma engenharia de altíssima qualidade e com um custo elevado. O texto inicial do repórter, quando a matéria já começou a ser exibida reforça essa questão. Ele diz: “Uma obra única construída pelos chineses para ficar na historia. Conhecer a maior ponte de vidro do mundo é mais do que uma aventura, é um desafio.” 13 UNIDADE Redação: O Texto do Telejornalismo Depois desse texto, o repórter fala: “Nossa viagem começa...”. Daí pra frente, o foco é a viagem até a ponte, justamente para mostrar todo o caminho que leva até a ponte. No caminho, o repórter vai apresentando dados sobre a China para dar ainda mais importância ao tamanho e à importância da ponte. Ao chegar no local, a imagem mostra a dimensão, a trilha traz a sensação de grandiosidade e o texto mostra ainda mais expectativa. Tudo isso para passar a ideia apresentada na cabeça (lead): “Um povo que desafia a engenharia para construir obras que chamam a atenção do mun- do todo. É por isso mesmo que o Jornal da Record conheceu de perto uma dessas novidades. A maior ponte de vidro do planeta que custou mais de um bilhão e meio de dólares.” Aos poucos, com essas e outras análises que você pode fazer, seu entendimento sobre o conteúdo de uma matéria jornalística para TV vai melhorando. A televisão tem a característica da imagem e da instantaneidade. Isso obriga o jornalista (repórter) a fazer com que a matéria seja entendida pelo telespectador no exato momento em que a imagem é exibida. Ao analisar centenas de matérias, percebe-se que o texto, na TV, precisa ser coloquial e dialógico, ou seja, o jornalista precisa ter a consciência de que está contando uma história para alguém, e essa história, além de narrada, é exibida com imagens. É a sensibilidade e o profissionalismo do jornalista que vão fazer essa união entre texto e imagem atingir o objetivo de levar ao telespectador uma infor- mação que seja fácil de ser compreendida. Dicas Sobre o Texto Jornalístico para a TV Depois de conhecer e entender o conceito de texto; estudar as características do texto jornalístico; analisar a estrutura de um texto para a TV, fique atento para ler algumas dicas pontuais e importantes sobre o tema dessa unidade. Anote, entenda, guarde e consulte sempre que precisar. 1. Para que você possa escrever um texto de telejornalismo, é preciso, como primeiro passo, conhecer as imagens que podem ser usadas na edição da reportagem. É necessário saber usar a palavra adequada para determinada imagem. Por isso, tome cuidado para não escrever no texto exatamente o que mostra a imagem. Evite a redundância; 2. Como vimos durante toda esta unidade, o texto de um telejornal come- ça com o lead, normalmente colocado na cabeça da matéria, na voz dos apresentadores do telejornal. Portanto, o jornalista deve procurar o eixo condutor da matéria, a principal novidade sobre o assunto ou o fato que atualiza a notícia e escrever o lead para o telespectador; 3. Em um telejornal, preferencialmente, o texto deve ser escrito em ordem direta, do ponto de vista da Língua Portuguesa. Isso quer dizer: sujeito + verbo + predicado (objeto ou complemento); 14 15 4. Ainda na questão da Língua Portuguesa, no texto de um telejornal, evite o uso excessivo de adjetivos. Essa prática não traz credibilidade ao texto. Pode parecer que o telejornal quer agradar ou desagradar algo ou alguém. Nesta perspectiva, verbos na voz ativa são boas opções, pois reforçam o impacto no telespectador. O texto de um telejornal também deve ser colo- quial, mas sem apelos a gírias, clichês e expressões desgastadas; Importante! Dispositivo eletrônico, situado perto de uma câmera de cinema ou televisão, mas fora do alcance da câmera, que vai rodando (conforme o caso) o roteiro ou os dizeres de um programa, a notícia etc., para servir de “ponto” ou assistir a fala do/a ator/atriz ou apresentador/a. Referido, no meio dos usuários, pela sigla TP: “Tudo o que é escrito pelo diretor num terminal, vai direto para o teleprompter (TP) do apresentador, no estúdio”. Importante! 5. Se você escrever o texto para ser lido pelo apresentador do telejornal por meio do teleprompter, fi que atento para a pontuação. O uso de sinais or- tográfi cos pode facilitar, e muito, a entonação da voz, a interpretação e a respiração do apresentador. Em frases interrogativas, por exemplo, você pode colocar o sinal de interrogação no início da frase para que o apresen- tador já saiba que se trata de uma pergunta. Exemplo: (?) Em 2019, qual time é o favorito para se tornar o campeão brasileiro de futebol (?); 6. Outra dica importante para quem vai escrever texto no teleprompter: evite sentenças longas, pois difi cultam a respiração e o entendimento do apre- sentaor. Uma frase, uma ideia, com ritmo; frases curtas. Evite frases inter- caladas, como apostos, por exemplo; 7. Sobre o texto de teleprompter, outra dica importante: redija os números por extenso para facilitar a leitura pelo apresentador. Exemplos: setenta e quatro mil pessoas; dois terços da população; dezenove por cento; três milhões e quinhentos mil reais; quinze de setembro de dois mil e um; cento e oitenta quilômetros por hora; dez da manhã; 8. Sobre a repetição de palavras, fi que atento e “use com moderação”. Se a repetição for proposital para enfatizar a ideia, pode ser bem-vinda. No en- tanto, use o bom senso para não deixar seu texto com pouca informação. Ainda no tema “repetição, muito cuidado com o “queísmo”, isto é, o uso excessivo do “que”. Principalmente em uma mesma frase, o uso do que prejudica o ritmo do texto; 9. Não comece o texto com palavras que podem dar o sentido de assunto sem novidades ou superado. Um bom exemplo são as palavras continua e per- manece. Começar o texto com elas não é uma boa opção, no jornalismo; 10. Muito cuidado com os“efeitos sonoros” na narração de um texto, em tele- visão. Palavras com a mesma terminação, em repetição, na televisão, sem organização não são boas, não. Além da repetição escrita neste item, veja 15 UNIDADE Redação: O Texto do Telejornalismo outro exemplo: “Mais um temporal alaga a marginal, na capital”. Ainda neste item, outro bom exemplos são os cacófatos, ou seja, o encontro de sílabas de palavras diferentes que podem formar som desagradável ou até de palavras obscenas. Veja: » ela tinha; » marca gol de novo; » boca dela; » confisca gado; » ela tinha; » nunca ganhou; 11. Em texto de telejornal, muita atenção com os gerúndios em excesso. Eles deixam as frases longas e de difícil compreensão no contexto da TV. Pro- cure não iniciar uma frase com gerúndio; 12. Pense bem nos significados ao usar verbos em declarações; » Informar significa relatar um fato; » Garantir é assegurar, dar certeza absoluta; » Declarar significa pronunciar; » Admitir tem sentido de confessar; » Advertir tem sentido de censurar ou de chamar a atenção; 13. Evite construções de frases como: “O time viajará amanhã para dispu- tar a partida.” Prefira: “O time vai viajar amanhã para disputar a partida.Lembre-se: em televisão, o texto que será ouvido precisa “soar bem” aos ouvidos do telespectador. Por isso, prefira o uso de verbos no presente no indicativo e no futuro composto, quando a referência for a algo que vai acontecer; 14. Fique atento com o uso dos verbos dever e poder. Eles são ambíguos: in- dicam capacidade e possibilidade, respectivamente. O verbo querer indica intenção; e não uma decisão; 15. Se um número ou dado estatístico for a informação principal de uma maté- ria, não faça arredondamentos. O aumento da gasolina foi de 5,94%. Então, jamais diga que o aumento no preço da gasolina vai ser de seis por cento; 16. Sempre que possível, no texto, identifique os lugares. O telespectador não é obrigado a saber onde fica cada cidade, estado ou país. Exemplo: Afeganistão, na Ásia Central, São Sebastião, no litoral norte de São Paulo; 17. Tenha muito critério para usar os estrangeirismos. Consulte a linha edito- rial da empresa de comunicação que vai exibir a matéria jornalística. Ainda que sejam de uso freqüente, as palavras estrangeiras não são conhecidas de todos os telespectadores; 16 17 18. Indique para o apresentadores como é a pronúncia correta de palavras estrangeiras, principalmente em casos de nomes próprios. O ideal é que a pronúncia seja narrada de acordo com o país de origem; 19. Avalie bem o uso de termos técnicos. Eles devem ser bem explicados. Há expressões que são conhecidas apenas pelos profi ssionais da área, como professores, economistas, médicos e advogados; 20. Mesmo sendo uma prática considerada “antiga”, a revisão do texto em voz alta ainda é a melhor maneira de evitar que equívocos de pronúncia do repórter ou do apresentador. Com a leitura em voz alta é possível des- cobrir problemas com a sonoridade das palavras, concordância, cacófatos e frases sem sentido que podem comprometer a qualidade da informação; Entrevista Após a teoria apresentada nesta unidade, chegou o momento de conversarmos com um profissional da área. Mais do que confrontar a teoria para ver o que se aplica ou não, é preciso ter maturidade para entender que cada emissora, cada programa, cada jornal, cada linha editorial trabalha de uma forma diferente. A base sempre é a informação e o telespectador, mas a forma de trabalhar pode sofrer adaptações. É para o telespectador que um telejornal é editado. Portanto, para cada público há um forma especial de se fazer jornalismo. Não há padrões estabelecidos de ma- neira a prender os veículos jornalísticos para trabalharem de uma forma única. Há uma base e, a partir dela, os jornais são organizados. Agora, veja o vídeo da entrevista gravada pela nossa equipe com o jornalista Fábio Menegatti, repórter especial do Jornal da Record, da TV Record. Confira no seu Ambiente Virtual de Aprendizagem. Ex pl or Com certeza, escutar as experiências dele foi muito importante para que você, estudante de jornalismo, tenha uma base sobre como a notícia é produzida, na prá- tica. Ideias, produção, gravação, edição, apresentação: um verdadeiro produtor de jornalismo participa de todas as etapas, sem exceção. 17 UNIDADE Redação: O Texto do Telejornalismo Material Complementar Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Leitura Técnicas e práticas para elaborar reportagens telejornalísticas XAVIER, A; RODRIGUES, L. Técnicas e práticas para elaborar reportagens telejornalísticas. In: Congresso de Ciências da Comunicação na Região Norte– Intercom (Vol. 12) 2013. http://bit.ly/2IdUKpW O texto na reportagem de televisão EMERIM, C. O texto na reportagem de televisão. In: En Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação (Vol. 33) 2010. http://bit.ly/2Icak5b Cobertura ao vivo em televisão: o improviso e o testemunho em situações de tragédia MOTTA, J; RUBLESCKI, A. Cobertura ao vivo em televisão: o improviso e o testemunho em situações de tragédia. V Seminário Internacional de Pesquisa em Comunicação-Sipecom, 1-15 2013. http://bit.ly/2IeJV6Y Texto Jornalístico de Rádio e TV com Objetividade e Clareza http://bit.ly/2IdDn8P 18 19 Referências BISTANE, L; BACELLAR, L. Jornalismo de TV. São Paulo: Contexto, 2005. (e-book) CASCAIS, F. Dicionário de Jornalismo: as palavras dos media. Lisboa: Verbo, 2001. CARVALHO, A. et al. Reportagem na TV: como fazer, como produzir, como editar. São Paulo: Contexto, 2010. (e-book) DINES, A. O Papel do Jornal: uma releitura. São Paulo: Summus, 1986. LAGE, N. Ideologia e técnica da notícia. Rio de Janeiro: Vozes. 1982 ________. Teoria e Técnica do Texto Jornalístico. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006. PATERNOSTRO, V. I. O texto na TV: manual de telejornalismo. 2.ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006. PESSOA, F. A Língua Portuguesa. São Paulo. Companhia das Letras, 1999. RABAÇA, C. A; BARBOSA, G. G. Dicionário de Comunicação. 2ª ed. Rio de Janeiro. Elsevier, 2001. 19