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101 hemogramas - completo rev1.indd 1 05/02/2018 14:06:13 C M Y CM MY CY CMY K 101 Hemogramas (Folha de Rosto).pdf 1 02/02/2018 17:41:57 101 hemogramas - completo rev1.indd 2 05/02/2018 14:06:13 C M Y CM MY CY CMY K 101 Hemogramas (Folha de Rosto).pdf 1 02/02/2018 17:41:57 101 hemogramas - completo rev1.indd 3 05/02/2018 14:06:13 101 Hemogramas: Desafios Clínicos para o Médico Leandro Lima Felipe Cerqueira Xavier Carla Piaggio, Thalita Amorim Rafael Bacellar Aline Duarte Gomes Caio Vinicius Menezes Nunes Paulo Costa Lima Sandra de Quadros Uzêda Sheila de Quadros Uzêda Silvio José Albergaria da Silva Editora Sanar Ltda. Av. Prof. Magalhães Neto, 1856 - Pituba, Cond. Ed. TK Tower, sl. 1403. CEP: 41810-012 - Salvador - BA Telefone: 71.3497-7689 atendimento@editorasanar.com.br www.editorasanar.com.br © Todos os direitos autorais desta obra são reservados e protegidos à Editora Sanar Ltda. pela Lei nº 9.610, de 19 de Fevereiro de 1998. É proibida a duplicação ou reprodução deste volume ou qualquer parte deste livro, no todo ou em parte, sob quaisquer formas ou por quaisquer meios (eletrônico, gravação, fotocópia ou outros), essas proibições aplicam-se também à editoração da obra, bem como às suas características gráficas, sem permissão expressa da Editora. 2018 Título | Editor | Projeto gráfico | Editoração | Capa | Revisor Ortográfico | Conselho Editorial | Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Elaboração: Fábio Andrade Gomes - CRB-5/1513 C397 101 hemogramas : desafios clínicos para o médico / Ana Flávia de Holanda Veloso ... [et al.], autores ; Herivaldo Ferreira da Silva, coordenador. – Salvador : SANAR, 2018. 260 p. : il. ; 16x23 cm. ISBN 978-85-5462-015-8 1. Hemograma. 2. Sangue - Exame. 3. Sangue - Doenças - Diagnóstico. 4. Estudo de caso. I. Veloso, Ana Flávia de Holanda. II. Silva, Herivaldo Ferreira da, coord. III. Título: Desafios clínicos para o médico. CDU: 616.15-076 101 hemogramas - completo rev1.indd 4 05/02/2018 14:06:13 Autores Herivaldo Ferreira da Silva (Autor-coordenador) Doutor em Hematologia pela Universidade de Sāo Paulo. Professor de Semiolo- gia e de Hematologia do Curso de Medicina da Universidade Estadual do Cea- rá. Preceptor do Internato e da Residência Médica do Hospital Geral César Cals de Oliveira. Médico do Serviço de Hematologia do Hospital Universitário Walter Cantídio. Médico hematologista do Centro de Hematologia e Hemoterapia do Estado do Ceará. Ana Flávia de Holanda Veloso Graduanda do Curso de Medicina da Universidade Estadual do Ceará. Membro da Liga de Oncologia e Hematologia da Uece. Danielle Souza Carvalho Maciel Graduanda do Curso de Medicina da Universidade Estadual do Ceará. Membro da Liga de Oncologia e Hematologia da Uece. Deivide de Sousa Oliveira Médico graduado pela Universidade Estadual do Ceará. Residência de Clínica Mé- dica do Hospital Geral César Cals de Oliveira. Felipe Guedes Bezerra Graduando do Curso de Medicina da Universidade Estadual do Ceará. Membro da Liga de Oncologia e Hematologia da Uece. Filipe Marques de Oliveira Graduando do Curso de Medicina da Universidade Estadual do Ceará. Membro da Liga de Oncologia e Hematologia da Uece. Francisco Eliézio Tomaz Filho Graduando do Curso de Medicina da Universidade Estadual do Ceará. Membro da Liga de Oncologia e Hematologia da Uece. Gabriel Pinheiro Martins de Almeida e Souza Graduando do Curso de Medicina da Universidade Estadual do Ceará. Membro da Liga de Oncologia e Hematologia da Uece. 101 hemogramas - completo rev1.indd 5 05/02/2018 14:06:13 Gisele Nogueira Bezerra Graduanda do Curso de Medicina da Universidade Estadual do Ceará. Membro da Liga de Oncologia e Hematologia da Uece. Jéssica Bezerra Custódio Graduanda do Curso de Medicina da Universidade Estadual do Ceará. Membro da Liga de Oncologia e Hematologia da Uece. Matheus Martins de Sousa Dias Graduando do Curso de Medicina da Universidade Estadual do Ceará. Membro da Liga de Oncologia e Hematologia da Uece. Melissa Lou Fagundes de Deus e Silva Graduanda do Curso de Medicina da Universidade Estadual do Ceará. Membro da Liga de Oncologia e Hematologia da Uece. Paulo Esrom Moreira Catarina Graduando do Curso de Medicina da Universidade Estadual do Ceará. Membro da Liga de Oncologia e Hematologia da Uece. Paulo Reges Oliveira Lima Graduando do Curso de Medicina da Universidade Estadual do Ceará. Membro da Liga de Oncologia e Hematologia da Uece. Rafaell da Silva Lima Graduando do Curso de Medicina da Universidade Estadual do Ceará. Membro da Liga de Oncologia e Hematologia da Uece. Saymon Medeiros Távora Graduando do Curso de Medicina da Universidade Estadual do Ceará. Membro da Liga de Oncologia e Hematologia da Uece. 101 hemogramas - completo rev1.indd 6 05/02/2018 14:06:13 Dedico este livro à minha família, em especial a minhas duas filhas Raíssa e Ivna, espero que esta minha conquista seja um exemplo para suas vidas futuramente. Além de agradecer aos meus amigos sempre presentes e ao Prof. Dr. José Mu- rilo de Carvalho Martins pelo início da minha for- mação em Hematologia. 101 hemogramas - completo rev1.indd 7 05/02/2018 14:06:13 101 hemogramas - completo rev1.indd 8 05/02/2018 14:06:13 Prefácio Existem poucos livros sobre a abordagem clínica do hemograma, e esse as- sunto não é devidamente discutido na graduação. Durante o internato e a resi- dência médica, várias gerações entram em diversos serviços hospitalares com as mesmas dificuldades na interpretação clínica do hemograma e ainda com muitos dos vícios da graduação: anemia microcítica é sinônimo de carência de ferro; ma- crocítica é carência de B12 ou de folato ou dos dois; leucocitose ou é curada por algum antibiótico ou é uma leucemia; eosinofilia é igual à alergia ou a alguma pa- rasitose; plaquetopenia é indicação de corticoterapia; pancitopenia é indicação irrevogável de mielograma e, às vezes, até biópsia de medula óssea; dependendo do seu valor, citopenias indicam inquestionável suporte hemoterápico. Anemia, leucocitose, eosinofilia, plaquetopenia e pancitopenia não são doenças, mas sim síndromes clínicas, guardiãs de numerosos diagnósticos! Muitos médicos creem que a história clínica e os exames simples tornaram-se obsoletos pela revolução dos exames de ponta em imunologia, em citogenética, em biologia molecular e em radiologia. A verdade é que, mesmo com o avanço expo- nencial da Medicina, a arte do diagnóstico mantém-se a mesma desde tempos ime- moriais. Os autores deste livro almejam que o leitor saiba aliar a história clínica de- talhada com as vantagens que a interpretação do hemograma pode proporcionar. Em julho de 2015, a fase final da confecção desta obra se iniciou no Campus Itaperi, da Universidade Estadual do Ceará (UECE), a partir da realização de um evento denominado “Interpretação Clínica do Hemograma” junto com a Liga e com outros profissionais da área médica. A partir daí, foram estudados 98 casos reais oriundos de pacientes do Hospital Geral Dr. César Cals de Oliveira, do Hos- pital Universitário Walter Cantídio e do Centro de Hematologia e Hemoterapia do Estado do Ceará, aos quais você terá acesso nas próximas páginas. No transcorrer de um ano, vi a evolução de meus alunos colaboradores na abordagem dos casos aqui relacionados, e você, caro leitor, também poderá desfrutar dessa experiência ao ler o livro. Espero que, no final da última página, qualquer leitor seja capaz de perceber o quão mágico e inspirador pode ser se deparar com todas as possibilidades que um simples hemograma pode ensejar. Desenvolver este material não seria possível sem a colaboração de todos. Uma boa leitura! Herivaldo Ferreira da Silva Doutor em Hematologia pela Universidade de Sāo Paulo Professor de Semiologia e de Hematologia do Curso de Medicina da Universidade Estadual do Ceará Preceptordo Internato e da Residência Médica do Hospital Geral César Cals de Oliveira Médico do Serviço de Hematologia do Hospital Universitário Walter Cantídio Médico hematologista do Centro de Hematologia e Hemoterapia do Estado do Ceará 101 hemogramas - completo rev1.indd 9 05/02/2018 14:06:13 101 hemogramas - completo rev1.indd 10 05/02/2018 14:06:13 Carta aos leitores A Liga de Oncologia e Hematologia da UECE (LOUECE) foi fundada em 2005 com o nome Liga de Oncologia da UECE. A Liga Acadêmica desenvolvia ativi- dades de ensino, pesquisa e extensão na rede pública hospitalar do Estado do Ceará com enfoque oncológico, tendo o Campus do Itaperi e o Hospital Dr. Ha- roldo Juaçaba como seus locais de encontro e de prática. Teve como primeiro orientador o Professor Dr. Antônio Wilson Vasconcelos, patologista e professor da UECE, que, infelizmente, veio a falecer em 2015, deixando eternas lembran- ças para todos os seus alunos do Curso de Medicina e, principalmente, para os membros da LOUECE. Como os propósitos da vida são imponderáveis, a Liga Acadêmica buscou uma nova engrenagem para suas atividades, tendo surgido o nome do professor Dr. Herivaldo Ferreira da Silva. A ideia se concretizou quando o hematologista aceitou o convite para ser o novo orientador das atividades desenvolvidas. O professor Herivaldo sempre foi reconhecido no curso de Medicina pela sua de- dicação inconteste à aprendizagem de seus alunos e pelo cuidado minucioso com seus pacientes, não havendo nome que melhor se encaixasse ao perfil de protagonista da Liga. Urgia a necessidade de ampliar a temática da hematologia nas diretrizes de nossos estudos. Houve, assim, várias mudanças nesse período de transição, a começar pelo nome do projeto, que passou a ser Liga de Oncologia e Hemato- logia da UECE. O Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará (HEMOCE), bem como o Hospital Dr. Haroldo Juaçaba, passaram a ser núcleos de práticas e estágio dos ligantes. No início do ano de 2015, o professor Herivaldo propôs o grande desafio de escrever um livro de interpretação clínica do hemograma para acadêmicos e médicos. À época, os ligantes não poderiam imaginar o quanto esse projeto se- ria engrandecedor para a formação acadêmica de cada membro, assim como a magnitude do trabalho que seria demandada para todos. De fato, o livro não surgiu do trabalho individual dos membros da Liga escrevendo um número li- mitado de casos clínicos. Relatos verídicos foram selecionados, escritos, reela- borados e incrementados com a presença do Dr. Herivaldo e dos ligantes por extensos e múltiplos encontros durante o período de um ano de confecção. A verdade é que alunos dos mais variados semestres do curso puderam con- tribuir com a construção desta obra. A LOUECE se orgulha deste trabalho, rati- ficando que esses casos ficarão guardados para sempre nos corações daqueles 101 hemogramas - completo rev1.indd 11 05/02/2018 14:06:13 que tiveram a oportunidade de vivenciá-los. Assim como nós, esperamos que você, leitor, possa desfrutar dos conhecimentos que a interpretação atenta do hemograma pode propiciar ao médico. Liga de Oncologia e Hematologia da UECE 101 hemogramas - completo rev1.indd 12 05/02/2018 14:06:15 Sobre a leitura deste livro O hemograma é decerto o exame laboratorial mais solicitado pelos médicos. Nesse momento, muitos pacientes estão colhendo uma alíquota de seu san- gue para processamento e posterior interpretação dos valores hematimétricos. Diante do resultado, muitos médicos atentam para as variáveis e almejam obter alguma informação que direcione o diagnóstico ou que explique a sintomato- logia do paciente. A interpretação daqueles valores nem sempre é tão simples ou tão reveladora, mas pode ajudar a iluminar o caminho para o diagnóstico definitivo. Na maioria das vezes, as ferramentas para o jovem médico acessar as possi- bilidades ditadas pelo hemograma não são ensinadas nos cursos de Medicina. Deparamo-nos com o exame, tendo de retirar dele informações, apesar de não sabermos sempre a maneira adequada de enxergá-lo e como as suas variáveis funcionam. Como a própria Medicina, ler um hemograma exige técnica e arte. Na verdade, existe quase uma magia profética nesse ato, algo parecido com a quiromancia. Os dados da história clínica e do exame físico nos direcionam para as probabili- dades principais, as quais podem ser refutadas, confirmadas ou não explicadas por esse exame. O livro se propõe a expor casos desafiadores nos quais o diagnóstico pode ser acessado pela interpretação conjunta dos dados da história do paciente e da correta leitura do hemograma. Dividiram-se os casos em cinco níveis de difi- culdade, os quais vão necessitar, cada vez mais, de conhecimento das Ciências Básicas, da Semiologia, da Farmacologia e da Clínica Médica. Ao final de cada desafio, haverá um conjunto de perguntas que se propõem a aguçar o raciocínio clínico e a perspicácia do aprendiz em Medicina. Ao final do livro, estarão as respostas dos desafios. A explicação da evolução do caso e de fatos médicos a ele relacionados faz que cada hemograma apresentado se torne uma pequena lição de Clínica Médica. Os títulos de cada desafio se propõem a dar dicas a respeito dos casos. Alguns podem soar estranhos e jocosos, mas a intenção é aguçar a perspicácia e a in- tuição do leitor. Deivide de Sousa Oliveira Graduado em Medicina pela Universidade Estadual do Ceará Residência em Clínica Médica do Hospital Geral César Cals de Oliveira 101 hemogramas - completo rev1.indd 13 05/02/2018 14:06:15 101 hemogramas - completo rev1.indd 14 05/02/2018 14:06:15 Hemograma Referência Eritrograma Hemácias H: 4,5 – 6,5 / M: 4,0 – 5,0 milhões/mm³ Hemoglobina H: 13 – 18 / M: 12 – 15,5 g/L Hematócrito H: 40 – 54 / M: 36 – 45 % VCM 80 – 98 fL HCM 27 – 32 pg CHCM 32 – 36 g/dL RDW 11 – 15 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 4000 – 10000 Neutrófilos 40 – 75 1600 – 7500 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 – 1 0 – 100 Bastões 0 – 5 0 – 500 Segmentados 40 – 75 1600 – 7500 Eosinófilos 1 – 5 40 – 500 Basófilos 0 – 2 0 – 200 Linfócitos 25 – 45 1000 – 4500 Monócitos 2 – 10 80 – 1000 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 150000 - 450000 /mm³ Contagem de Reticulócitos % /mm³ 0,5 – 1,5 25000 – 75000 101 hemogramas - completo rev1.indd 15 05/02/2018 14:06:15 danie Realce Corrigir todos "g/L" para "g/dL" 101 hemogramas - completo rev1.indd 16 05/02/2018 14:06:15 Siglas Usadas AHAI Anemia hemolítica autoimune EDTA Ácido etilenodiamino tetraacético AHMA Anemia hemolítica microangiopática EGD Esofagogastroduodenoscopia ALIP Atypical localization of immature progenitor cells FA Fosfatase alcalina ALT Alanina aminotransferase FAN Fator antinuclear ANA Anticorpo antinuclear FR Fator reumatoide Anti-CCP Antipeptídeo citrulinado cítrico GGT Gamaglutamiltransferase AR Artrite reumatoide H Valor de referência para homens AST Aspartato aminotransferase HAS Hipertensão arterial sistêmica AVC Acidente vascular cerebral HbS Hemoglobina S AVCI Acidente vascular cerebral isquêmico HCM Hemoglobina corpuscular média BMO Biópsia de medula óssea HCV Vírus da hepatite C CHCM Concentraçāo de hemoglobina corpuscular média HELLP Hemolysis, elevated liver enzyme levels, and low platelet levels CKMB Isoenzima MB da creatina quinase HPB Hiperplasia prostática benigna CMV Citomegalovírus HPLC High performance liquid chromatography CREST Calcinose, fenômeno de Raynaud, esofagopatia, esclerodactilia e telangiectasias HPN Hemoglobinúria paroxística noturna CTD Ciclofosfamida, talidomida, dexametasona HTLV Vírus T-linfotrópico humano DMARD Disease-modifying antirheumatic drugs IAM Infarto agudo do miocárdio DPOC Doença pulmonar obstrutiva crônica ICC Insuficiência cardíaca congestiva DRESS Drug rash/reaction with eosinophilia and systemic symptons IgG Imunoglobulina G EBV Epstein-Barr virus IgM Imunoglobulina M ECG Eletrocardiograma LDH Lactatodesidrogenase ECO Ecocardiograma LES Lupus eritematoso sistêmico 101 hemogramas - completo rev1.indd 17 05/02/2018 14:06:15 LLC Leucemia linfocítica crônica SIDA Síndrome da imunideficiênica adquirida LRA Lesão renal aguda SMD Síndrome mielodisplásica M Valor de referência para mulheres SNC Sistema nervoso central MAT Microangiopatia trombótica TARV Terapia antirretroviral MMA Metaplasia mieloide agnogênica TC Tomografia computadorizada MMII Membros inferiores TCAR Tomografia computadorizada de alta resolução MMSS Membros superiores TEP Tromboembolismo pulmonar MO Medula óssea TGI Trato gastrointestinal MV Murmúrio vesicular THBD Trombomodulina PA Pressão arterial TMO Transplante de medula óssea PCR Proteína C reativa TP Tempo de protrombina PFC Plasma fresco congelado TSH Hormônio estimulador da tireoide PI Plaquetopenia imune UBS Unidade Básica de Saúde PSA Prostate-specific antigen UPA Unidade de Pronto Atendimento PSF Programa de Saúde da Família USG Ultrassonografia PTI Púrpura trombocitopênica imune UTI Unidade de Terapia Intensiva PTT Púrpura trombocitopênica trombótica VCD Bortezomibe, ciclofosfamida, dexametasona RCD Rebordo costal direito VCM Volume corpuscular médio RCE Rebordo costal esquerdo VDRL Venereal Disease Research Laboratory RDW Índice de anisocitose VHS Velocidade de hemossedimentação RNA Ácido ribonucleico VNI Ventilação não invasiva SHU Síndrome hemolpitica urêmica VR Valor de referência 101 hemogramas - completo rev1.indd 18 05/02/2018 14:06:15 danie Nota Adicionar nova sigla: TTPA Tempo de protrombina ativada Gabriel Nota Adicionar nova sigla: SUS - Sistema Unificado de Saúde Sumário Prefácio ______________________________________________________ 9 Carta aos leitores _____________________________________________ 11 Sobre a leitura deste livro _______________________________________ 13 Hemograma Referência ________________________________________ 15 Siglas Usadas _________________________________________________ 17 01 O mal do interno___________________________________________ _ 24 02 Do corte às plaquetas _______________________________________ 26 03 Três vacinas para três sinais __________________________________ 28 04 O estranho caso do Sr. Addison Biermer ________________________ 30 05 Algo a sempre se pensar _____________________________________ 32 06 Águas paradas não movem moinhos ___________________________ 34 07 Entre perdas e ganhos _______________________________________ 36 08 Megadieta ________________________________________________ 38 09 Idosa dengosa _____________________________________________ 40 10 Tem infecção? ______________________________________________ 42 11 Foi-se o tempo ______________________________________________ 44 12 Artralgia não reumatológica __________________________________ 46 13 Um jovem carente __________________________________________ 48 14 Cinderela do abdome ________________________________________ 50 15 Uma família premiada _______________________________________ 52 16 Da Geriatria à Hematologia ___________________________________ 54 101 hemogramas - completo rev1.indd 19 05/02/2018 14:06:15 17 Cadê minha virose? _________________________________________ 56 18 Perna ansiosa ______________________________________________ 58 19 Assim como o vinho _________________________________________ 60 20 As horas de ouro ___________________________________________ 62 21 Quanto mais alto, maior a queda ______________________________ 64 22 Anemia da ginecologista ____________________________________ _ 66 23 Aranhas gástricas ___________________________________________ 68 24 Típica atipia _______________________________________________ 70 25 Dias febris _________________________________________________ 72 26 As mil e uma hemoglobinas __________________________________ 74 27 α ou β? ___________________________________________________ 76 28 Escleras azuis, sangue pálido _________________________________ 78 29 Palidez à portuguesa ________________________________________ 80 30 Olhar suspeito _____________________________________________ 82 31 Efeito borboleta ____________________________________________ 84 32 A vegana engana ___________________________________________ 86 33 Sem delongas _____________________________________________ 88 34 Time reserva ______________________________________________ 90 35 Linfocitose na terceira idade __________________________________ 92 36 Preste atenção na prescrição _________________________________ 94 37 Calazar ou não calazar? Eis a questão! __________________________ 96 38 Te inibe! __________________________________________________ 98 39 As sete perdas ____________________________________________ 100 40 A valva esquisita __________________________________________ 102 101 hemogramas - completo rev1.indd 20 05/02/2018 14:06:15 41 Eliminando infecção________________________________________ 104 42 Nem de nenos, nem “DMARD” _______________________________ 106 43 Nos menores frascos, os piores venenos _______________________ 108 44 Picacismo ________________________________________________ 110 45 Trama plaquetária _________________________________________ 112 46 Púrpura anêmica __________________________________________ 114 47 Entre gastrites e quedas ____________________________________ 116 48 Invasores siderais _________________________________________ 118 49 A nociva rebelde __________________________________________ 120 50 Caso alfa _________________________________________________ 122 51 O triunvirato ______________________________________________ 124 52 Como diria Hobbes ________________________________________ 126 53 Fantástica hemólise ________________________________________ 128 54 “Dengue” esquisita ________________________________________ 130 55 Vestido escarlate __________________________________________ 132 56 Sangue lento _____________________________________________ 134 57 Um prurido não clássico ____________________________________ 136 58 Faça o seu julgamento ______________________________________ 138 59 Uma ligação com a infecto __________________________________ 142 60 Basta estar no Ceará _______________________________________ 144 61 Jovem tensão _____________________________________________ 146 62 Parece, mas não é! _________________________________________ 148 63 Uma bagagem febril _______________________________________ 150 64 Sopa de aveia ____________________________________________ 154 101 hemogramas - completo rev1.indd 21 05/02/2018 14:06:15 65 Chagas aberto, coração “Ferrido” _____________________________ 156 66 Oceano de plaquetas _______________________________________ 158 67 Hemorragia multinacional __________________________________ 160 68 Maquinaria da dor _________________________________________ 162 69 RO-HO __________________________________________________ 164 70 Anéis e pérolas ____________________________________________ 166 71 Manto de linfócitos _________________________________________ 168 72 MMA ____________________________________________________ 170 73 Males do Mediterrâneo _____________________________________ 172 74 Uma combinação infrutífera _________________________________ 174 75 Ele não se safou... _________________________________________ 176 76 Três em um _______________________________________________ 178 77 Uma anemia complexa _____________________________________ 180 78 Quiromancia _____________________________________________ 182 79 Nem sempre é tuberculose? _________________________________ 184 80 Esquerda ou Droit? ________________________________________ 186 81 “AVC” febril _______________________________________________ 188 82 Positividades negativas _____________________________________ 190 83 O enigma africano _________________________________________ 192 84 Esquisitos inimigos ________________________________________ 194 85 O ocaso das hemácias ______________________________________ 196 86Quente ou frio? ___________________________________________ 198 87 Combinando o teste _______________________________________ 200 101 hemogramas - completo rev1.indd 22 05/02/2018 14:06:15 88 “Chorando se foi” _________________________________________ 202 89 Duas hemoglobinas para uma mãe ___________________________ 204 90 Sangue azul ______________________________________________ 206 91 π = 3,1415… ______________________________________________ 208 92 ATRAvés do nada __________________________________________ 210 93 O mistério das plaquetas ___________________________________ 212 94 Nem tudo são flores _______________________________________ 214 95 Síndrome de Estocolmo ____________________________________ 216 96 Mosquito dá em nada! ______________________________________ 218 97 Le Festin du Macrophage ____________________________________ 220 98 Não tão normal ___________________________________________ 222 99 O último desafio __________________________________________ 224 Respostas ___________________________________________________ 226 Referências _________________________________________________ 260 101 hemogramas - completo rev1.indd 23 05/02/2018 14:06:15 CASO h e m o g r a m a 24 Apresentação do caso clínico Interno de Medicina, 24 anos, procurou preceptor com queixa de não conseguir estudar à noite por dificuldade de concentração e, às vezes, sonolência. Há cinco anos, alterou dieta por opção familiar, não fazendo ingestão de carne vermelha. An- tecedentes: sem história prévia de sangramento evidente, negou tabagismo, etilis- mo, uso de medicamentos e de drogas ilícitas. O estudante não referia alterações do hábito intestinal e do apetite. Ao exame físico, apresentava apenas discreta palidez. 1. Quais as principais alterações encontradas no hemograma? 2. Com os dados clínicos acima e as alterações do hemograma, que hipóteses diagnósticas devem ser lembradas? 3. Paciente com LDH e contagem de reticulócitos normais. Diante disso, que exames devem ser solicitados para esclarecimento diagnóstico da anemia? 4. Qual abordagem terapêutica deve ser instituída? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 01 O mal do interno 101 hemogramas - completo rev1.indd 24 05/02/2018 14:06:15 25 Eritrograma Hemácias 5,6 milhões/mm³ Hemoglobina 12,1 g/L Hematócrito 39,4 % VCM 70,3 fL HCM 21,7 pg CHCM 30,8 g/dL RDW 14,8 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 6100 Neutrófilos 67 4087 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 2 122 Segmentados 65 3965 Eosinófilos 1 61 Basófilos 1 61 Linfócitos 22 1342 Monócitos 9 549 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 241800 /mm³ Obs.: MICROCITOSE. HIPOCROMIA. NEUTRÓFILOS SEM SINAIS DEGENERATIVOS. LINFÓCITOS SEM ATIPIA. 101 hemogramas - completo rev1.indd 25 05/02/2018 14:06:15 CASO h e m o g r a m a 26 02 Do corte às plaquetas Apresentação do caso clínico Mulher, 36 anos, com diagnóstico de plaquetopenia imune há três anos. Rea- lizou vários exames laboratoriais; afastou-se LES e SAF. Abordagens terapêuticas já realizadas: corticosteroides, imunoglobulina humana, azatioprina, vincristina e dapsona. A paciente não adquiriu perfil cirúrgico adequadamente. Após trans- fusões de plaquetas e otimização da imunossupressão, uma conduta terapêuti- ca foi realizada. 1. Que medida terapêutica foi realizada? 2. Que achado no hemograma pode se esperar do paciente que realizou a me- dida terapêutica da questão 1? 3. Antes da medida terapêutica da questão 1, o paciente deve realizar imuni- zação para que agentes infecciosos? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 101 hemogramas - completo rev1.indd 26 05/02/2018 14:06:15 27 Eritrograma Hemácias 3,4 milhões/mm³ Hemoglobina 10,8 g/L Hematócrito 30,9 % VCM 89,7 fL HCM 31,4 pg CHCM 35,0 g/dL RDW 14,8 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 8950 Neutrófilos 52 4654 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 0 0 Segmentados 52 4654 Eosinófilos 5 447 Basófilos 2 179 Linfócitos 30 2686 Monócitos 11 984 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 14600 /mm³ Obs.: DISCRETA POLICROMASIA. PRESENÇA DE MACRÓCI- TOS. CORPÚSCULOS DE HOWELL-JOLLY. PONTILHA- DO BASOFÍLICO. PRESENÇA DE MACROPLAQUETAS. 101 hemogramas - completo rev1.indd 27 05/02/2018 14:06:15 CASO h e m o g r a m a 28 Três vacinas para três sinais Apresentação do caso clínico Mulher, 24 anos, há quatro dias referia cefaleia holocraniana de moderada inten- sidade, associada a náuseas, vômitos persistentes e febre (38,5ºC), sem calafrios. Fez o uso de analgésicos, antitérmicos e antieméticos, mas sem melhora. Ao exa- me físico, apresentava-se orientada, com semblante de dor, taquipneica, afebril, anictérica e pálida (+1/+4). Neurológico: paciente orientada no tempo e no espaço e com sinais de irritação meníngea (sinais de Brudzinski, Kernig e Lasègue positivos). 1. Quais são as alterações no hemograma da paciente? 2. Qual a principal hipótese diagnóstica? 3. Que exames confirmariam o diagnóstico? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 03 101 hemogramas - completo rev1.indd 28 05/02/2018 14:06:15 29 Eritrograma Hemácias 3,5 milhões/mm³ Hemoglobina 10,9 g/L Hematócrito 32,8 % VCM 92,9 fL HCM 30,8 pg CHCM 33,2 g/dL RDW 14,1 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 16200 Neutrófilos 82 13284 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 1 162 Segmentados 81 13122 Eosinófilos 1 162 Basófilos 0 0 Linfócitos 8 1296 Monócitos 9 1458 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 377000 /mm³ Obs.: ANISOCROMIA. LINFÓCITOS SEM ATIPIAS. 101 hemogramas - completo rev1.indd 29 05/02/2018 14:06:15 CASO h e m o g r a m a 30 O estranho caso do Sr. Addison Biermer Apresentação do caso clínico Homem, 90 anos, comerciante aposentado, branco, há dois meses com adi- namia progressiva, parestesia de membros inferiores e perda de peso de 2,0 kg nesse mesmo período, motivos pelos quais procurou a UPA. Realizou hemogra- ma que revelou alterações, sendo encaminhado a um centro de referência em Hematologia. Negou tabagismo e etilismo. Ao exame físico, apresentava palidez (+2/+4) e icterícia (+1/+4). Exames complementares: Bilirrubina total: 3,2mg/dl (BD=1,1 e BI=2,1). T4 livre e TSH normais. LDH=1.208 U/L. 1. Quais as alterações do hemograma? 2. Quais as principais hipóteses diagnósticas? 3. Que outros exames complementares seriam úteis para a confirmação diagnóstica, sabendo que a dosagem sérica de B12 está reduzida? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 04 101 hemogramas - completo rev1.indd 30 05/02/2018 14:06:16 31 Eritrograma Hemácias 1,7 milhões/mm³ Hemoglobina 6,1 g/L Hematócrito 19,5 % VCM 109,1 fL HCM 34,4 pg CHCM 31,5 g/dL RDW 25,5 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 2820 Neutrófilos 34,2 964 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 0 0 Segmentados 0 0 Eosinófilos 2,0 56 Basófilos 0,5 14 Linfócitos 60,2 1699 Monócitos 3,1 87 Plaquetograma Plaquetas 76000 /mm³ Obs.: HEMÁCIAS MACROCÍTICAS: 34,1%. HEMÁCIAS MICROCÍTICAS: 7,1%. HEMÁCIAS HIPOCROMICAS: 8,6%. ANISOCITOSE. ANISOCROMIA. POIQUILOCITOSE. 101 hemogramas - completo rev1.indd 31 05/02/2018 14:06:16 CASO h e m o g r a m a 32 Algo a sempre se pensar Apresentação do caso clínico Homem, 43 anos, procurou a Emergência por apresentar dor abdominal di- fusa, sem náuseas e vômitos, há aproximadamente 12 horas. Ao exame físico, apresentava sinais de irritação peritoneal. 1. Quais as principais alterações do hemograma? 2. Estamos diante de um quadro de abdome agudo: que hipóteses diagnós- ticas podemos formular? 3. Nas últimas três horas, paciente relata que a dor migrou para o quadran- te inferior direito do abdome. Foi realizado USG abdominal que confir- mou a principal hipótese diagnóstica. Qual a etiologia mais provável do abdome agudo desse paciente? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 05 101 hemogramas - completo rev1.indd 32 05/02/2018 14:06:16 33 Eritrograma Hemácias 5,2 milhões/mm³Hemoglobina 15,3 g/L Hematócrito 45,9 % VCM 87,8 fL HCM 29,3 pg CHCM 33,3 g/dL RDW 12,6 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 16880 Neutrófilos 90 15192 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 2 338 Segmentados 88 14854 Eosinófilos 0 0 Basófilos 0 0 Linfócitos 6 1013 Monócitos 4 675 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 279000 /mm³ Obs.: HEMÁCIAS MORFOLOGICAMENTES NORMAIS. 101 hemogramas - completo rev1.indd 33 05/02/2018 14:06:16 CASO h e m o g r a m a 34 Águas paradas não movem moinhos Apresentação do caso clínico Homem, 45 anos, com febre, adinamia, mialgia, exantema maculopapular e retrorbitalgia bilateral há seis dias. Negou artralgia. Relatou morar perto de ter- reno abandonado. 1. Quais as alterações do hemograma? 2. Qual a possível etiologia associada à atipia linfocitária identificada à he- matoscopia? 3. Cite três possíveis agentes etiológicos. QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 06 101 hemogramas - completo rev1.indd 34 05/02/2018 14:06:16 35 Leucograma Hemácias 5,1 milhões/mm³ Hemoglobina 15,2 g/L Hematócrito 42,8 % VCM 83,7 fL HCM 29,7 pg CHCM 35,5 g/dL RDW 12,2 % % /mm³ Leucócitos 2700 Neutrófilos 44 1188 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 10 270 Segmentados 34 918 Eosinófilos 4 108 Basófilos 0 0 Linfócitos 44 1188 Monócitos 8 216 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 21000 /mm³ Obs.: HEMÁCIAS NORMOCÍTICAS E NORMOCRÔMICAS. PRESENÇA DE 15% DE LINFÓCITOS COM ATIPIAS. 101 hemogramas - completo rev1.indd 35 05/02/2018 14:06:16 CASO h e m o g r a m a 36 Entre perdas e ganhos Apresentação do caso clínico Mulher, 42 anos, encaminhada ao serviço de Hematologia por anemia. Rela- tava palidez, astenia progressiva e episódios de hematoquezia. Negou alterações de apetite e peso. Referiu fluxo menstrual normal. Ao exame físico, apresentava sinais vitais normais, palidez acentuada e escleras azuladas. 1. Quais as alterações do hemograma? 2. Que hipóteses diagnósticas devem ser lembradas? 3. Que exames devem ser realizados para confirmação de anemia ferropriva? 4. Qual a etiologia da anemia ferropriva e qual exame a confirmaria? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 07 101 hemogramas - completo rev1.indd 36 05/02/2018 14:06:16 37 Eritrograma Hemácias 4,3 milhões/mm³ Hemoglobina 6,5 g/L Hematócrito 23,2 % VCM 53,2 fL HCM 15 pg CHCM 28,1 g/dL RDW 21,4 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 7600 Neutrófilos 66,7 5069 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 0 0 Segmentados 66,7 5069 Eosinófilos 2,0 152 Basófilos 0,3 22 Linfócitos 20,1 1527 Monócitos 10,9 828 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 445000 /mm³ Obs.: ANISOCITOSE. MICROCITOSE. HIPOCROMIA. POIQUILOCITOSE. 101 hemogramas - completo rev1.indd 37 05/02/2018 14:06:16 CASO h e m o g r a m a 38 Megadieta Apresentação do caso clínico Mulher, 62 anos, há cinco meses com história de náuseas, vômitos, hiporexia, perda de peso (11,0 kg em cinco meses) e astenia progressiva. Referia ainda dor na língua que se exacerbava ao se alimentar e episódios de “garganta aperta- da”. Antecedentes: transfusão de sangue com dois concentrados de hemácias há dois meses. Fez dieta isenta de carne por oito anos. Ao exame físico, apresen- tava-se com moderada palidez. 1. Quais são as alterações do hemograma? 2. Que hipóteses diagnósticas podem ser lembradas? 3. Que exames laboratoriais ou complementares devem ser solicitados para esclarecimento diagnóstico? 4. Qual achado à hematoscopia é bastante sugestivo do diagnóstico da pa- ciente? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 08 101 hemogramas - completo rev1.indd 38 05/02/2018 14:06:16 39 Eritrograma Hemácias 2,0 milhões/mm³ Hemoglobina 7,8 g/L Hematócrito 21,4 % VCM 105,4 fL HCM 38,4 pg CHCM 36,4 g/dL RDW 31,2 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 3910 Neutrófilos 69,7 2725 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 0 0 Segmentados 66,7 5069 Eosinófilos 2,5 97 Basófilos 0,2 7 Linfócitos 26,2 1027 Monócitos 1,4 54 Plaquetograma Plaquetas 199000 /mm³ Obs.: HEMÁCIAS MACROCÍTICAS: 30,4% HEMÁCIAS. MI- CROCÍTICAS: 5.1%. ANISOCITOSE. ANISOCROMIA. POIQUILOCITOSE. PRESENÇA DE NEUTRÓFILOS HIPERSEGMENTADOS. 101 hemogramas - completo rev1.indd 39 05/02/2018 14:06:16 CASO h e m o g r a m a 40 Idosa dengosa Apresentação do caso clínico Mulher, 77 anos, há sete dias com febre (38,5°C) e episódios de calafrios espo- rádicos, mialgia, artralgia, cefaleia frontal e adinamia. Antecedentes: HAS, DM2 e DPOC. Ao exame físico, encontrava-se orientada, eupneica, afebril (36,0°C), acia- nótica, anictérica e corada. Extremidades: petéquias em membros inferiores. 1. Quais são as alterações do hemograma? 2. Diante dos achados clínicos e do hemograma, que hipóteses diagnósticas devem ser levantadas? 3. Que exames são necessários para o diagnóstico definitivo? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 09 101 hemogramas - completo rev1.indd 40 05/02/2018 14:06:16 41 Eritrograma Hemácias 4,4 milhões/mm³ Hemoglobina 12,4 g/L Hematócrito 39,3 % VCM 89,4 fL HCM 28,2 pg CHCM 31,4 g/dL RDW 14,7 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 7000 Neutrófilos 40 2800 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 1 70 Segmentados 39 2730 Eosinófilos 3 210 Basófilos 0 0 Linfócitos Típicos 38 2660 Linfócitos Atípicos 15 1050 Monócitos 4 280 Plaquetograma Plaquetas 59000 /mm³ Obs.: HEMÁCIAS NORMOCÍTICAS E NORMOCRÔMICAS. 101 hemogramas - completo rev1.indd 41 05/02/2018 14:06:16 CASO h e m o g r a m a 42 Tem infecção? Apresentação do caso clínico Homem, 28 anos, encaminhado ao serviço de Hematologia para tratamento de leucemia linfoide aguda T. Sorologias, inclusive para HTLV-I/II, não reagen- tes. Paciente realizou quimioterapia, evoluindo com melhora clínica nos dois ciclos iniciais. Não apresentava história pregressa relevante. 1. Comente as alterações do hemograma. 2. Justifique a importância da pesquisa de HTLV neste paciente. 3. Qual medicamento utilizado em protocolos de quimioterapia para dimi- nuir o tempo de neutropenia pode explicar os achados do leucograma? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 10 101 hemogramas - completo rev1.indd 42 05/02/2018 14:06:16 43 Eritrograma Hemácias 3,3 milhões/mm³ Hemoglobina 9,0 g/L Hematócrito 26,3 % VCM 79,8 fL HCM 27,3 pg CHCM 34,2 g/dL RDW 13,5 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 15530 Neutrófilos 85 12424 Promielócitos 5 776 Mielócitos 9 1397 Metamielócitos 15 2329 Bastões 23 3571 Segmentados 33 5124 Eosinófilos 0 0 Basófilos 0 0 Linfócitos 7 1091 Monócitos 8 1242 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 91390 /mm³ Obs.: HEMÁCIAS EM ROULEAUX. ANISOCROMIA. POIQUILO- CITOSE EOSINÓFILOS EXTRACONTAGEM GRANULA- ÇÕES TÓXICAS NA MAIORIA DOS NEUTRÓFILOS. 101 hemogramas - completo rev1.indd 43 05/02/2018 14:06:16 CASO h e m o g r a m a 44 Foi-se o tempo Apresentação do caso clínico Jovem, 21 anos, apresentava dor abdominal difusa intensa, febre sem cala- frios, astenia e icterícia. Realizou exames que revelaram leucocitose, aumento de bilirrubina indireta e colelitíase, sendo levantada a hipótese de anemia hemolí- tica e infecção de sítio indeterminado. Nesse período, fez uso de ampicilina-sul- bactam por sete dias, obtendo melhora clínica. Antecedentes: primos maternos com história de anemia de etiologia não esclarecida. Ao exame físico, apresenta- va-se ictérica (+1/+4) e pálida (+2/+4). Exames: curva de fragilidade osmótica da hemoglobina e dosagem de glicose-6-fosfato-desidrogenase normais. 1. Quais as alterações do hemograma? 2. Com os achados clínicos e as alterações do hemograma, qual a principal hemoglobinopatia a ser lembrada? 3. Que exame laboratorial confirmaria o diagnóstico etiológico da anemia hemolítica? 4. Como explicar a dor abdominal difusa do paciente? 5. Como explicar a plaquetose do paciente? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 11 101 hemogramas - completorev1.indd 44 05/02/2018 14:06:16 45 Eritrograma Hemácias 2,5 milhões/mm³ Hemoglobina 8,1 g/L Hematócrito 23,8 % VCM 92,7 fL HCM 31,8 pg CHCM 34,3 g/dL RDW 15,7 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 22520 Neutrófilos 76 17115 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 2 450 Segmentados 74 16664 Eosinófilos 2 450 Basófilos 1 225 Linfócitos 15 3380 Monócitos 6 1351 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 602000 /mm³ VHS 0,4 mm/h Contagem de Reticulócitos % /mm³ 7,3 182500 Obs.: ANISOCITOSE. ANISOCROMIA. POLICROMASIA. PRESENÇA DE DREPANÓCITOS E DE HEMÁCIAS EM ALVO. PRESENÇA DE 3 ERITROBLASTOS EM 100 LEUCÓCITOS. 101 hemogramas - completo rev1.indd 45 05/02/2018 14:06:16 CASO h e m o g r a m a 46 Artralgia não reumatológica Apresentação do caso clínico Homem, 22 anos, negro, com história de palidez progressiva e episódios de icterícia desde a infância. Relatou crises álgicas em grandes e médias articula- ções. Antecedentes: episódios frequentes de infecções respiratórias, apesar da vacinação em dia. Exame físico: ictérico (+2/+4) e pálido (+2/+4). Traube livre. 1. Quais as alterações no hemograma? 2. Diante da história clínica pretérita, trata-se de uma afecção adquirida ou congênita? 3. Qual exame laboratorial e achado à hematoscopia levanta a hipótese de células imaturas eritrocitárias no sangue periférico? 4. De acordo com as respostas das questões 1 e 2, qual exame laboratorial confirma o diagnóstico? 5. A presença de plaquetose em um paciente adulto com provável hemólise nos leva a pensar em um tipo específico de hemoglobinopatia. Cite-a. QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 12 101 hemogramas - completo rev1.indd 46 05/02/2018 14:06:16 47 Eritrograma Hemácias 3,1 milhões/mm³ Hemoglobina 10,8 g/L Hematócrito 31,9 % VCM 101,9 fL HCM 34,6 pg CHCM 34,0 g/dL RDW 22,6 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 10820 Neutrófilos 66,1 7150 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 0 0 Segmentados 66,1 7150 Eosinófilos 1,7 180 Basófilos 0,8 90 Linfócitos 23,1 2500 Monócitos 8,2 890 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 652000 /mm³ Contagem de Reticulócitos % /mm³ 25,5 790500 Obs.: ANISOCITOSE. ANISOCROMIA. POLICROMASIA. DRE- PANÓCITOS. HEMÁCIAS MICROCÍTICAS: 3,4%. HEMÁCIAS HIPOCRÔMICAS: 8,7%. PRESENÇA DE 3 ERITROBLASTOS ORTOCROMÁTICOS EM 100 LEUCÓ- CITOS. AUSÊNCIA DE GRANULAÇÕES TÓXICAS NOS NEUTRÓ- FILOS. 101 hemogramas - completo rev1.indd 47 05/02/2018 14:06:17 CASO h e m o g r a m a 48 Um jovem carente Apresentação do caso clínico Homem, 22 anos, internado para investigação de bicitopenia. Relatava aste- nia progressiva, adinamia, plenitude gástrica e episódios diarreicos. Ao exame físico, mostrou-se anictérico, pálido, com glossite. 1. Quais os achados do hemograma? 2. Os exames laboratoriais demonstraram LDH 4000 U/L, Coombs não rea- gente e contagem de reticulócitos normal. À hematoscopia, houve presen- ça de neutrófilos hipersegmentados. Qual o diagnóstico mais provável? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 13 101 hemogramas - completo rev1.indd 48 05/02/2018 14:06:17 danie Realce Substituir por: Coombs direto 49 Eritrograma Hemácias 1,9 milhões/mm³ Hemoglobina 7,4 g/L Hematócrito 22,3 % VCM 113,8 fL HCM 37,8 pg CHCM 33,2 g/dL RDW 23,3 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 2190 Neutrófilos 32,7 716 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 0 0 Segmentados 32,7 716 Eosinófilos 0,1 17 Basófilos 0,7 15 Linfócitos 63,2 1386 Monócitos 2,3 56 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 126000 /mm³ Obs.: HEMÁCIAS ANISOCÍTICAS. HIPOCRÔMICAS MACRO- CÍTICAS. POIQUILOCITOSE. AUSÊNCIA DE DEGRANULAÇÃO LEUCOCITÁRIA. 101 hemogramas - completo rev1.indd 49 05/02/2018 14:06:17 CASO h e m o g r a m a 50 Cinderela do abdome Apresentação do caso clínico Homem, 34 anos, hipertenso, diabético (DM2), colecistectomizado há um ano. Há dois dias evoluindo com náuseas, vômitos incoercíveis, dor difusa em andar superior do abdome com irradiação para dorso e febre. Já havia apresentado episódio clínico semelhante por 10 vezes ao longo de três anos. Negou etilismo e tabagismo. Ao exame físico, apresentava-se eupneico, afebril, ictérico (+1/+4) e com sinais vitais normais. 1. De acordo com o quadro clínico e o hemograma, quais os principais diag- nósticos diferenciais? 2. Quais os exames necessários para elucidar o diagnóstico? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 14 101 hemogramas - completo rev1.indd 50 05/02/2018 14:06:17 51 Eritrograma Hemácias 6,0 milhões/mm³ Hemoglobina 16,2 g/L Hematócrito 48,1 % VCM 80,0 fL HCM 26,9 pg CHCM 36,6 g/dL RDW 13,3 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 20400 Neutrófilos 85 17340 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 1 204 Segmentados 84 17136 Eosinófilos 0 0 Basófilos 0 0 Linfócitos 8 1632 Monócitos 7 1428 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 318000 /mm³ Obs.: HEMÁCIAS NORMOCÍTICAS E NORMOCRÔMICAS. LINFÓCITOS SEM ATIPIAS. 101 hemogramas - completo rev1.indd 51 05/02/2018 14:06:17 CASO h e m o g r a m a 52 Uma família premiada Apresentação do caso clínico Mulher, 60 anos, procurou o Centro de Saúde referindo palidez e episódios de icterícia desde a infância. Realizou hemograma que revelou anemia, sendo enca- minhada ao serviço de Hematologia da região. Antecendentes: relatava história de esplenectomia e colecistectomia precoces na família. Ao exame físico, apre- sentava-se orientada, eupneica, afebril, ictérica (+1/+4) e pálida. Abdome: plano, flácido, indolor à palpação superficial e profunda. Discreta hepatomegalia. Baço palpável a 3,0 cm abaixo do RCE. Traube ocupado. No serviço de referência, rea- lizou novo hemograma e teste de Coombs, o qual foi negativo. 1. Comente os exames e o tipo de anemia. 2. Entre as anemias hemolíticas hereditárias e adquiridas, qual é a mais pro- vável? Por quê? 3. Para confirmar a hipótese de esferocitose hereditária, que exame deve ser solicitado? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 15 101 hemogramas - completo rev1.indd 52 05/02/2018 14:06:17 53 Eritrograma Hemácias 2,4 milhões/mm³ Hemoglobina 7,6 g/L Hematócrito 20,1 % VCM 81,9 fL HCM 31,0 pg CHCM 37,8 g/dL RDW 23,7 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 15110 Neutrófilos 80 12088 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 3 453 Bastões 7 1057 Segmentados 70 10577 Eosinófilos 1 151 Basófilos 0 0 Linfócitos 15 2268 Monócitos 4 604 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 202700 /mm³ Contagem de Reticulócitos % /mm³ 9,5 228000 Obs.: PRESENÇA DE ESFERÓCITOS. ANISOCITOSE. PO- LICROMASIA E POIQUILOCITOSE. PRESENÇA DE 4 ERITROBLASTOS EM 100 LEUCÓCITOS. 101 hemogramas - completo rev1.indd 53 05/02/2018 14:06:17 CASO h e m o g r a m a 54 Da Geriatria à Hematologia Apresentação do caso clínico Mulher, 86 anos, encaminhada da Geriatria para o ambulatório de Hemato- logia devido à alteração no hemograma. Negou outras queixas constitucionais importantes. Possuía antecedente de esplenectomia e avó natural de Portugal. 1. Que alterações podem ser encontradas no hemograma? 2. Quais as principais hipóteses diagnósticas? 3. Quais os principais exames laboratoriais para confirmar o diagnóstico? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 16 101 hemogramas - completo rev1.indd 54 05/02/2018 14:06:17 55 Leucograma Hemácias 5,7 milhões/mm³ Hemoglobina 11,9 g/L Hematócrito 34,9 % VCM 61,2 fL HCM 20,8 pg CHCM 34,0 g/dL RDW 15,9 % % /mm³ Leucócitos 8400 Neutrófilos 53 4452 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 1 84 Segmentados 52 4368 Eosinófilos 4 336 Basófilos 1 84 Linfócitos 32 2688 Monócitos 10 840 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 200000 /mm³ Contagem de Reticulócitos % /mm³ 2,3 131100 Obs.: ANISOCITOSE. ANISOCROMIA. MICROCITOSE. POI- QUILOCITOSE. HEMÁCIAS EM ALVO. LINFÓCITOS SEM ATIPIAS. 101 hemogramas - completo rev1.indd 55 05/02/2018 14:06:17CASO h e m o g r a m a 56 Cadê minha virose? Apresentação do caso clínico Mulher, 69 anos, advogada, há sete dias com febre (38,9oC), calafrios, hiporex- ia, mialgia, astenia e episódios de diarreia aquosa sem sangue e sem muco. Ao exame físico, apresentava-se febril (38,2oC) e levemente desidratada. Não apre- sentava linfadenomegalias palpáveis. Pele: exantema maculopapular dissemi- nado em troncos, MMSS e MMII. 1. Quais as alterações do hemograma? 2. Diante dos achados clínicos, das alterações do hemograma e da hematos- copia, pode-se pensar em dengue? Por quê? 3. Que outras duas etiologias virais devem ser lembradas? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 17 101 hemogramas - completo rev1.indd 56 05/02/2018 14:06:17 57 Eritrograma Hemácias 4,3 milhões/mm³ Hemoglobina 12,7 g/L Hematócrito 36,4 % VCM 84,3 fL HCM 29,3 pg CHCM 34,8 g/dL RDW 14,1 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 11800 Neutrófilos 36 4248 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 6 708 Segmentados 30 3540 Eosinófilos 0 0 Basófilos 0 0 Linfócitos 59 6962 Monócitos 5 590 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 22000 /mm³ Obs.: HEMÁCIAS NORMOCÍTICAS E NORMOCRÔMICAS. LINFÓCITOS ATÍPICOS EM TORNO DE 28%. AUSÊNCIA DE GRANULAÇÕES TÓXICAS NOS NEUTRÓ- FILOS. 101 hemogramas - completo rev1.indd 57 05/02/2018 14:06:17 CASO h e m o g r a m a 58 Perna ansiosa Apresentação do caso clínico Homem, 54 anos, branco, referia dor progressiva em MMII há dois anos, acom- panhada de “inquietude”. Apresentava ainda palidez, astenia, diminuição do apetite e perda de peso nos últimos seis meses. História de etilismo desde os 19 anos de idade. Exame físico: taquidispneico, taquicárdico, ictérico (+1/+4) e páli- do (+4/+4). Língua despapilada e queilite angular bilateral. À ausculta cardíaca, sopro sistólico pancardíaco (+1/+4). 1. Quais as principais alterações do hemograma? 2. Quais os possíveis diagnósticos diferenciais de macrocitose? 3. Que exames confirmariam a principal hipótese diagnóstica? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 18 101 hemogramas - completo rev1.indd 58 05/02/2018 14:06:17 59 Eritrograma Hemácias 1,6 milhões/mm³ Hemoglobina 5,9 g/L Hematócrito 16,0 % VCM 95,1 fL HCM 34,9 pg CHCM 36,7 g/dL RDW 30,5 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 2996 Neutrófilos 67 1947 Promielócitos 2 59 Mielócitos 2 59 Metamielócitos 4 119 Bastões 8 239 Segmentados 51 1527 Eosinófilos 0 0 Basófilos 0 0 Linfócitos 31 934 Monócitos 2 59 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 76770 /mm³ Obs.: PRESENÇA DE 4 ERITROBLASTOS EM 100 LEUCÓCI- TOS. POLICROMASIA. MACRÓCITOS. MICRÓCITOS. RAROS LINFÓCITOS ATÍPICOS. PRESENÇA DE PONTI- LHADO BASÓFILICO. EOSINÓFILOS EXTRACONTAGEM. 101 hemogramas - completo rev1.indd 59 05/02/2018 14:06:17 CASO h e m o g r a m a 60 Assim como o vinho Apresentação do caso clínico Homem, 82 anos, referia perda de peso (5,0 kg nos últimos 30 dias). Há três semanas, sentia dor na região lombo-sacra de moderada intensidade e diminui- ção da diurese, com piora da dor nos últimos três dias. Procurou odontólogo por apresentar lesão oral, sendo solicitado hemograma, o qual revelou plaquetope- nia. Antecedentes: história de doença prostática. Negou etilismo e tabagismo. Em consequência da plaquetopenia, procurou serviço de Emergência. Ao exame físico, apresentava-se orientado, eupneico, afebril, acianótico, anictérico e páli- do (2+/4+). Pele: sufusões hemorrágicas em MMSS e MMII. 1. Quais as alterações do hemograma? 2. Com base nos achados clínicos e no hemograma, qual hipótese diagnós- tica deve ser considerada? 3. Deve-se solicitar mielograma e biopsia óssea? Por quê? 4. Que exames confirmariam o diagnóstico? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 19 101 hemogramas - completo rev1.indd 60 05/02/2018 14:06:17 61 Eritrograma Hemácias 4,3 milhões/mm³ Hemoglobina 11,4 g/L Hematócrito 34,3 % VCM 79,4 fL HCM 26,4 pg CHCM 33,2 g/dL RDW 14,3 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 11140 Neutrófilos 30 3342 Promielócitos 1 111 Mielócitos 1 111 Metamielócitos 2 222 Bastões 7 779 Segmentados 19 2116 Eosinófilos 1 111 Basófilos 0 0 Linfócitos 57 6354 Monócitos 7 779 Blastos 5 557 Plaquetograma Plaquetas 13000 /mm³ Obs.: ANISOCROMIA. PRESENÇA DE 5 ERITROBLASTOS ORTOCROMÁTICOS EM 100 LEUCÓCITOS. PRESENÇA DE DACRIÓCITOS. 101 hemogramas - completo rev1.indd 61 05/02/2018 14:06:17 CASO h e m o g r a m a 62 As horas de ouro Apresentação do caso clínico Mulher, 26 anos, há quatro dias com febre alta, calafrios e polaciúria. Encon- trava-se no terceiro dia de antibioticoterapia (ciprofloxacino), mas sem melho- ra clínica. Além disso, tinha história prévia de infecções urinárias de repetição e urinocultura positiva para S. aureus, realizada há quatro meses. Ao exame físico, apresentava-se febril e taquicárdica. 1. Quais as alterações do hemograma? 2. Diante de paciente taquicárdica, FC 120 bpm, febril (38,9 ºC), leucocitose e foco bacteriano urinário, qual o diagnóstico principal? 3. Paciente evoluiu com sangramento incontrolável, plaquetopenia, alar- gamento de TAP e TTPA e consumo de fibrinogênio. Qual o diagnóstico? 4. Em quais condições podem ser observadas granulações tóxicas nos neu- trófilos à hematoscopia? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 20 101 hemogramas - completo rev1.indd 62 05/02/2018 14:06:17 63 Eritrograma Hemácias 4,5 milhões/mm³ Hemoglobina 12,7 g/L Hematócrito 38,9 % VCM 85,7 fL HCM 28,0 pg CHCM 32,6 g/dL RDW 14,4 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 26150 Neutrófilos 0 0 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 9 2354 Segmentados 82 21443 Eosinófilos 0 0 Basófilos 0 0 Linfócitos 5 1308 Monócitos 4 1046 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 275000 /mm³ Obs.: HEMÁCIAS NORMOCÍTICAS E NORMOCRÔMICAS. GRANULAÇÕES TÓXICAS GROSSEIRAS EM NEUTRÓFI- LOS. AUSÊNCIA DE EOSINÓFILOS. 101 hemogramas - completo rev1.indd 63 05/02/2018 14:06:17 CASO h e m o g r a m a 64 Quanto mais alto, maior a queda Apresentação do caso clínico Homem, 28 anos, médico, apresentou dispneia, cefaleia e tontura ao esquiar no Valle Nevado, no Chile. Ao descer, os colegas médicos que o acompanhavam obser- varam taquidispneia, palidez e discreta icterícia. Além disso, o paciente apresentava dor abdominal difusa e febre. Procurou serviço de assistência médica local, onde realizou diversos exames laboratoriais, inclusive hemograma e TC de abdome. Ao hemograma, evidenciou-se Hb 10,9g/dL; Ht 30,1%; VCM 88,8fL; CHCM 36,2 g/dL; RDW 13%; leucócitos 14210/mm³; plaquetas 79000/mm³. A TC de abdome revelou esplenomegalia. Retornou ao Brasil após seis dias e procurou, novamente, assis- tência médica. Foi solicitado novo hemograma com contagem de reticulócitos. 1. Quais as alterações do novo hemograma? 2. Sabendo que o evento ocorrido está relacionado a uma hemoglobinopa- tia, qual o melhor exame para o diagnóstico definitivo? 3. Como explicar a diferença de hemoglobina entre o primeiro e o segundo hemograma realizados no Chile e no Brasil, respectivamente? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 21 101 hemogramas - completo rev1.indd 64 05/02/2018 14:06:17 65 Eritrograma Hemácias 4,0 milhões/mm³ Hemoglobina 12,5 g/L Hematócrito 37,7 % VCM 93,4 fL HCM 31,1 pg CHCM 33,3 g/dL RDW 13,8 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 7072 Neutrófilos 79 5586 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 1 70 Segmentados 78 5516 Eosinófilos 0 0 Basófilos 0 0 Linfócitos 13 921 Monócitos 8 565 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 253100 /mm³ Contagem de Reticulócitos % /mm³ 7,0 280000 Obs.: HEMÁCIAS NORMOCÍTICAS E NORMOCRÔMICAS. EOSINÓFILOS EXTRACONTAGEM. 101 hemogramas - completo rev1.indd 65 05/02/2018 14:06:18 CASO h e m o g r a m a 66 Anemia da ginecologista Apresentação do caso clínico Mulher, 46 anos, compareceu ao serviço de Emergência com história de fadi- ga, astenia progressiva, cefaleia holocraniana e episódiosde tontura que vinham progredindo em intensidade há um mês. Referia ainda, há 15 meses, sangramen- to transvaginal, com hipermenorreia e episódios de sangramento transvaginal sem correlação com ciclo menstrual. Antecedentes: G3P3A0. Negou etilismo, ta- bagismo e transfusões prévias. No interrogatório por órgãos e aparelhos, relatava perversão do apetite (amidofagia). Ao exame físico, paciente orientada, eupneica, afebril, acianótica, pálida (+2/+4), com escleras azuladas. Extremidades: discreto edema de MMII. 1. Ao analisar o hemograma, como definir a anemia? 2. Que outras alterações podem ser encontradas no hemograma? 3. O que você espera do resultado da dosagem do ferro sérico, do índice de saturação de transferrina e da ferritina, diante dos dados clínicos e das alterações do hemograma? 4. Qual é a primeira categoria etiológica a ser pesquisada para a origem da anemia ferropriva? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 22 101 hemogramas - completo rev1.indd 66 05/02/2018 14:06:18 67 Eritrograma Hemácias 3,8 milhões/mm³ Hemoglobina 8,9 g/L Hematócrito 28,3 % VCM 72,9 fL HCM 22,9 pg CHCM 31,4 g/dL RDW 16,3 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 3510 Neutrófilos 69 2422 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 1 35 Segmentados 68 2387 Eosinófilos 1 35 Basófilos 0 0 Linfócitos 22 772 Monócitos 5 176 Blastos 3 105 Plaquetograma Plaquetas 120000 /mm³ Obs.: HIPOCROMIA. MICROCITOSE ANISOCITOSE. PRESEN- ÇA DE LINFÓCITOS ATÍPICOS. 101 hemogramas - completo rev1.indd 67 05/02/2018 14:06:18 CASO h e m o g r a m a 68 Aranhas gástricas Apresentação do caso clínico Mulher, 84 anos, relatava episódios de melena, perda de peso e astenia im- portante. Negou história de neoplasias de TGI na família. Apresentou apenas pa- lidez no exame físico. 1. Quais achados do hemograma? 2. Qual o próximo exame mais importante a ser realizado? 3. Qual doença deve ser considerada como principal hipótese diagnóstica? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 23 101 hemogramas - completo rev1.indd 68 05/02/2018 14:06:18 69 Leucograma Hemácias 3,8 milhões/mm³ Hemoglobina 9,4 g/L Hematócrito 30,3 % VCM 78,7 fL HCM 24,4 pg CHCM 31,0 g/dL RDW 16,9 % % /mm³ Leucócitos 8700 Neutrófilos 74,9 6516 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 0 0 Segmentados 74,9 6516 Eosinófilos 2,4 209 Basófilos 0,1 9 Linfócitos 14,0 1218 Monócitos 8,6 748 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 373000 /mm³ Obs.: HEMÁCIAS MICROCÍTICAS E HIPOCRÔMICAS. ANISO- CITOSE. ANISOCROMIA. 101 hemogramas - completo rev1.indd 69 05/02/2018 14:06:18 CASO h e m o g r a m a 70 Típica atipia Apresentação do caso clínico Homem, 74 anos, há cinco meses realizou gastrectomia total por adenocarci- noma gástrico. Após três dias de quimioterapia adjuvante, passou a apresentar episódios de diarreia líquida, sem sangue e sem muco por sete dias. Negou febre, calafrios, HAS, DM2 e doença prostática. Estava em uso de loperamida e capeci- tabina. Exame físico: orientado, eupneico, febril (37,9ºC), acianótico, anictérico, corado. Abdome: cicatriz cirúrgica ao nível da linha alba, plano, flácido, indolor à palpação superficial e profunda, sem hepatoesplenomegalia, Traube livre. 1. Quais as alterações do hemograma? 2. Como explicar o hemograma e o quadro clínico? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 24 101 hemogramas - completo rev1.indd 70 05/02/2018 14:06:18 71 Eritrograma Hemácias 4,1 milhões/mm³ Hemoglobina 13,0 g/L Hematócrito 37,8 % VCM 92,0 fL HCM 31,6 pg CHCM 34,4 g/dL RDW 18,7 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 1540 Neutrófilos 16 246 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 2 31 Bastões 7 168 Segmentados 16 246 Eosinófilos 1 15 Basófilos 0 0 Linfócitos 39 600 Monócitos 35 539 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 84000 /mm³ Obs.: ANISOCITOSE. 101 hemogramas - completo rev1.indd 71 05/02/2018 14:06:18 danie Nota Adicionar: LINFÓCITOS ATÍPICOS EM TORNO DE 25%. CASO h e m o g r a m a 72 Dias febris Apresentação do caso clínico Mulher, 27 anos, há sete dias apresentando náuseas, vômitos e dor epigástri- ca de moderada intensidade. No terceiro dia de sintomas, referiu artralgia, febre de 38,0ºC sem calafrios e presença de mialgia. PA de 140/90 mmHg, pulso de 72 bpm, temperatura de 36,0ºC, SATO2 98%. Pele: exantema maculopapular. Abdo- me: plano, flácido, doloroso à palpação profunda na região epigástrica e fossa ilíaca esquerda, discreta hepatomegalia, sem esplenomegalia, Traube livre. Ao exame físico, apresentava-se orientada, eupneica, apática, afebril, acianótica, anictérica e corada. Exames: AST, ALT, FA e GGT aumentadas, bilirrubina total e frações normais. USG de abdome revelou discreta hepatomegalia homogênea. 1. Quais as alterações do hemograma? 2. Diante do quadro clínico-laboratorial e do hemograma, quais as possí- veis hipóteses? 3. Foi realizada a dosagem de um componente associado à doença da pa- ciente no terceiro dia de sintomas. Que exame foi solicitado? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 25 101 hemogramas - completo rev1.indd 72 05/02/2018 14:06:18 73 Eritrograma Hemácias 4,8 milhões/mm³ Hemoglobina 12,7 g/L Hematócrito 39,1 % VCM 80,3 fL HCM 26,1 pg CHCM 32,5 g/dL RDW 15,8 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 2619 Neutrófilos 47 1242 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 1 27 Segmentados 46 1215 Eosinófilos 1 27 Basófilos 0 0 Linfócitos 43 1134 Monócitos 8 216 Plaquetograma Plaquetas 100000 /mm³ Obs.: ANISOCITOSE. PRESENÇA DE RAROS LINFÓCITOS ATÍPICOS. 101 hemogramas - completo rev1.indd 73 05/02/2018 14:06:18 CASO h e m o g r a m a 74 As mil e uma hemoglobinas Apresentação do caso clínico Homem, 28 anos, referiu histórico de palidez e adinamia desde a infância, asso- ciado a episódios de artralgia. Relatou vários internamentos pelo quadro álgico. Antecedentes: dois irmãos com história de “anemia falciforme”. Ao exame físico, encontrava-se eupneico, afebril, acianótico, anictérico, pálido (+2/+4). Coração: sopro sistólico mais audível em foco aórtico (+2/+4). Traube livre. Extremidades: cicatrizes maleolares em MMII, sem edema. 1. Quais as principais alterações do hemograma? 2. Quais os possíveis diagnósticos? 3. Que exame solicitar para confirmar o diagnóstico? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 26 101 hemogramas - completo rev1.indd 74 05/02/2018 14:06:18 75 Eritrograma Hemácias 2,9 milhões/mm³ Hemoglobina 8,0 g/L Hematócrito 23,2 % VCM 78,9 fL HCM 27,4 pg CHCM 34,7 g/dL RDW 21,7 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 7900 Neutrófilos 39 3081 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 1 79 Bastões 1 79 Segmentados 37 2923 Eosinófilos 2 158 Basófilos 1 79 Linfócitos 51 4029 Monócitos 7 553 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 475000 /mm³ Contagem de Reticulócitos % /mm³ 8,1 234900 Obs.: ANISOCITOSE. ANISOCROMIA. MICROCITOSE. HEMÁCIAS EM ALVO. POIQUILOCITOSE. POLICROMA- SIA. PRESENÇA DE DREPANÓCITOS. PRESENÇA DE 1 ERITROBLASTO EM 100 LEUCÓCITOS. 101 hemogramas - completo rev1.indd 75 05/02/2018 14:06:18 CASO h e m o g r a m a 76 α ou β? Apresentação do caso clínico Mulher, 32 anos, com história de palidez e episódios de icterícia desde a in- fância. Antecedentes de colecistectomia aos 31 anos de idade. Ao exame físico, encontrava-se orientada, eupneica, afebril, ictérica (+2/+4), pálida (+3/+4). Ab- dome: cicatriz cirúrgica em hipocôndrio direito. Baço palpável a nível do RCE, Traube ocupado. 1. Quais são as alterações do hemograma? 2. Com os dados clínicos e as alterações do hemograma, que exames labora- toriais devem ser solicitados para esclarecimento diagnóstico? 3. Qual é o diagnóstico mais provável? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 27 101 hemogramas - completo rev1.indd 76 05/02/2018 14:06:18 77 Eritrograma Hemácias 4,1 milhões/mm³ Hemoglobina 6,7 g/L Hematócrito 24,9 % VCM 60,4 fL HCM 16,4 pg CHCM27,2 g/dL RDW 23,2 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 6478 Neutrófilos 62 4016 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 0 0 Segmentados 62 4016 Eosinófilos 0 0 Basófilos 1 64 Linfócitos 28 1815 Monócitos 9 583 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 285400 /mm³ Contagem de Reticulócitos % /mm³ 12,8 524800 Obs.: POIQUILOCITOSE. ANISOCITOSE. POLICROMASIA. PRESENÇA DE HEMÁCIAS EM ALVO. LINFÓCITOS SEM ATIPIAS. EOSINÓFILOS EXTRACONTAGEM. 101 hemogramas - completo rev1.indd 77 05/02/2018 14:06:18 CASO h e m o g r a m a 78 Escleras azuis, sangue pálido Apresentação do caso clínico Mulher, 40 anos, engenheira civil, procurou serviço de referência em Hema- tologia com queixa de “anemia”. Referiu que há dois meses foi realizar exames admissionais para concurso, nos quais a anemia foi evidenciada. Relatou ter re- alizado cirurgia bariátrica há 18 meses. Sem comorbidades, negou tabagismo e etilismo, não fazia uso de medicamentos e tinha ciclos menstruais regulares (cerca de cinco dias de fluxo), sem presença de coágulos. Queixava-se de astenia e perda de 37,0 kg em consequência da cirurgia. No exame físico, encontrava-se eupneica, afebril, anictérica e pálida (+3/+4). Escleras azuladas. 1. Quais as alterações do hemograma? 2. Que hipóteses diagnósticas podem ser levantadas? 3. Que exames laboratoriais devem ser solicitados para confirmação do diagnóstico? 4. Qual é a via de reposição preferencial de componente deficitário? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 28 101 hemogramas - completo rev1.indd 78 05/02/2018 14:06:18 79 Eritrograma Hemácias 3,7 milhões/mm³ Hemoglobina 6,8 g/L Hematócrito 24,3 % VCM 65,5 fL HCM 18,3 pg CHCM 27,9 g/dL RDW 17,2 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 5430 Neutrófilos 63,1 3430 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 0 0 Segmentados 63,1 3430 Eosinófilos 1,2 70 Basófilos 0,7 40 Linfócitos 30,7 1660 Monócitos 4,3 230 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 312000 /mm³ Obs.: ANISOCITOSE. ANISOCROMIA. HEMÁCIAS HIPOCRÔMICAS: 77,5%. HEMÁCIAS MICROCÍTICAS: 25,4%. 101 hemogramas - completo rev1.indd 79 05/02/2018 14:06:18 CASO h e m o g r a m a 80 Palidez à portuguesa Apresentação do caso clínico Mulher, 20 anos, com história de palidez desde a infância, por diversas vezes procurou assistência médica, tendo realizado vários hemogramas. Fez reposição de ferro oral por tempo prolongado, mas persistia pálida e astênica. Negou al- teração do fluxo menstrual e icterícia. Antecedentes: avó de descendência por- tuguesa. Ao exame físico, apresentava apenas discreta palidez, sem icterícia e hepatoesplenomegalia. Traube livre. 1. Quais as alterações dos exames laboratoriais? 2. Com base nos dados clínicos acima e no hemograma, deve-se pensar em que hipótese diagnóstica? 3. Que exame laboratorial confirma o diagnóstico? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 29 101 hemogramas - completo rev1.indd 80 05/02/2018 14:06:18 81 Eritrograma Hemácias 5,9 milhões/mm³ Hemoglobina 10,6 g/L Hematócrito 37,3 % VCM 62,5 fL HCM 17,9 pg CHCM 28,6 g/dL RDW 13,9 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 8398 Neutrófilos 71 5962 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 1 83 Segmentados 70 5878 Eosinófilos 1 83 Basófilos 0 0 Linfócitos 21 1767 Monócitos 7 587 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 255200 /mm³ Contagem de Reticulócitos % /mm³ 2,9 171100 Obs.: MICROCITOSE. HIPOCROMIA. POIQUILOCITOSE. PRESENÇA DE HEMÁCIAS EM ALVO. 101 hemogramas - completo rev1.indd 81 05/02/2018 14:06:18 CASO h e m o g r a m a 82 Olhar suspeito Apresentação do caso clínico Homem, 39 anos, acompanhado no serviço de Gastroenterologia devido à hepatite crônica por vírus C e litíase biliar com colecistectomia prévia. Foi enca- minhado à Hematologia por apresentar reticulocitose e aumento de bilirrubina indireta, sem anemia. Antecedentes: pais consanguíneos; mãe e prima com his- tórico de litíase biliar; realizou transfusão sanguínea na infância. Exame físico: paciente ictérico (+1/+4), sem hepatoesplenomegalia palpável, Traube ocupado. 1. Quais dados da história clínica e dos exames laboratoriais falam a favor de hemólise? 2. Baseado no histórico do paciente, seu quadro hemolítico seria constitu- cional ou adquirido? Por quê? 3. O hematologista, devido a sua suspeita diagnóstica, solicitou uma revisão da hematoscopia. O que deve ser feito para confirmar a etiologia da hemólise? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 30 101 hemogramas - completo rev1.indd 82 05/02/2018 14:06:18 83 Eritrograma Hemácias 4,3 milhões/mm³ Hemoglobina 13,7 g/L Hematócrito 41,1 % VCM 95,6 fL HCM 31,9 pg CHCM 33,4 g/dL RDW 14,8 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 6403 Neutrófilos 66 4225 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 3 192 Segmentados 63 4033 Eosinófilos 1 64 Basófilos 0 0 Linfócitos 26 1666 Monócitos 7 448 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 206300 /mm³ Contagem de Reticulócitos % /mm³ 5,3 227900 Obs.: HEMÁCIAS NORMOCÍTICAS E NORMOCRÔMICAS. 101 hemogramas - completo rev1.indd 83 05/02/2018 14:06:18 CASO h e m o g r a m a 84 Efeito borboleta Apresentação do caso clínico Mulher, 49 anos, há três meses apresenta palidez, adinamia, astenia progres- siva e artralgia. Há um mês notou escleras amareladas, aftas indolores em ca- vidade oral, alopécia e cicatriz atrófica no couro cabeludo e no dorso do nariz. Ao exame físico, apresentava-se afebril, taquicárdica (110 bpm), pálida (+3/+4) e ictérica (+2/+4). Abdome: esplenomegalia a 3,0 cm abaixo do RCE. Sem hepato- megalia. Exames: ECG com alternância de amplitude de QRS, VDRL 1:4. 1. Quais as alterações no hemograma? 2. Sabendo que a contagem de reticulócitos está elevada, qual exame, dian- te da constatação de sinais e sintomas da paciente, deve ser solicitado obrigatoriamente para definir que tipo de hemólise está em questão? 3. Cite quatro exames laboratoriais imprescindíveis para selar o diagnóstico. 4. Sabendo que, dos exames laboratorias solicitados na questão anterior, três foram positivos e um consumido, qual o diagnóstico? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 31 101 hemogramas - completo rev1.indd 84 05/02/2018 14:06:18 85 Eritrograma Hemácias 1,1 milhões/mm³ Hemoglobina 4,6 g/L Hematócrito 15,5 % VCM 134,2 fL HCM 40,0 pg CHCM 29,8 g/dL RDW 15,9 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 3520 Neutrófilos 64,0 2256 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 0 0 Segmentados 64,0 2256 Eosinófilos 1,7 59 Basófilos 0,9 31 Linfócitos 29,2 1030 Monócitos 4,1 144 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 268000 /mm³ Contagem de Reticulócitos % /mm³ 17,9 196900 Obs.: HEMÁCIAS MACROCÍTICAS: 69,7%. HEMÁCIAS HIPOCRÔMICAS: 43,2%. 101 hemogramas - completo rev1.indd 85 05/02/2018 14:06:19 CASO h e m o g r a m a 86 A vegana engana Apresentação do caso clínico Mulher, 42 anos, vegana, encaminhada da UBS ao serviço de Clínica Médica de hospital terciário por relatar história, há quatro meses, de palidez, astenia, adinamia, dispneia aos moderados esforços, episódios de fezes pastosas, ano- rexia e perda de peso (5,0 kg nos últimos três meses). Antecedentes: enxaquecas frequentes, fazendo uso de dipirona e paracetamol. Sinais vitais: Pulso: 120 bpm; PA: 100x60 mmHg; FR: 18 irpm; T: 36,0ºC. Paciente orientada, eupneica, afebril, acianótica, anictérica, pálida (+4/+4), taquicárdica. Coração: discreto sopro aór- tico ejetivo (+2/+6); FC: 120 bpm. Neurológico: paciente orientada no tempo e no espaço, bastante ansiosa. 1. Quais as principais alterações do hemograma? 2. Qual índice do eritrograma mais direciona a investigação diagnóstica? 3. A EGD é indicada? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 32 101 hemogramas - completo rev1.indd 86 05/02/2018 14:06:19 87 Eritrograma Hemácias 1,3 milhões/mm³ Hemoglobina 4,9 g/L Hematócrito 15,4 % VCM 115,8 fL HCM 36,8 pg CHCM 31,8 g/dL RDW 28,5 % Leucograma% /mm³ Leucócitos 9110 Neutrófilos 56,3 5128 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 0 0 Segmentados 56,3 5128 Eosinófilos 3,3 300 Basófilos 0,8 72 Linfócitos 34,5 3146 Monócitos 5,1 464 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 242000 /mm³ Obs.: HEMÁCIAS MACROCÍTICAS: 50%. HEMÁCIAS MICROCÍTICAS: 8,6%. HEMÁCIAS HIPOCRÔMICAS: 13,1%. ANISOCITOSE. POLIQUILOCITOSE. POLICROMASIA. PRESENÇA DE 1 ERITROBLASTO ORTOCROMÁTICO EM 100 LEUCÓCITOS. 101 hemogramas - completo rev1.indd 87 05/02/2018 14:06:19 CASO h e m o g r a m a 88 Sem delongas Apresentação do caso clínico Mulher, 38 anos, relatou episódios de artralgia e infecções respiratórias de repe- tição desde a infância. Por várias vezes, procurou a emergência devido a episódios frequentes de artralgia. História familiar: pai, irmãos e sobrinhos diagnosticados com “anemia falciforme”. Ao exame físico, apresentou discreta palidez (+1/+4) e icterícia (+1/+4). Abdome: plano, flácido, sem hepatoesplenomegalia. Traube livre. 1. Quais as alterações do hemograma? Baseando-se nelas, qual o possível diagnóstico? 2. Como confirmar o diagnóstico? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 33 101 hemogramas - completo rev1.indd 88 05/02/2018 14:06:19 89 Eritrograma Hemácias 3,3 milhões/mm³ Hemoglobina 10,3 g/L Hematócrito 30,7 % VCM 92,3 fL HCM 31,0 pg CHCM 33,6 g/dL RDW 14,4 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 18870 Neutrófilos 81,4 15373 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 0 0 Segmentados 81,4 15373 Eosinófilos 0,1 28 Basófilos 0,7 144 Linfócitos 13,7 2601 Monócitos 3,8 724 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 674500 /mm³ Contagem de Reticulócitos % /mm³ 3,5 115500 Obs.: POIQUILOCITOSE. PRESENÇA DE HEMÁCIAS EM ALVO. PRESENÇA DE DREPANÓCITOS. NEUTRÓFILOS SEM SINAIS DEGENERATIVOS. LINFÓCITOS SEM ATIPIAS. 101 hemogramas - completo rev1.indd 89 05/02/2018 14:06:19 CASO h e m o g r a m a 90 Time reserva Apresentação do caso clínico Homem, 45 anos, esplenectomizado há três dias por uma ruptura traumática de baço, devido a acidente automobilístico. Observe o hemograma e responda: 1. Quais as alterações do hemograma secundárias à esplenectomia? 2. Dessas alterações, quais devem desaparecer no pós-operatório tardio? 3. Que profilaxia deve ser enfatizada nesse caso? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 34 101 hemogramas - completo rev1.indd 90 05/02/2018 14:06:19 91 Eritrograma Hemácias 5,5 milhões/mm³ Hemoglobina 14,3 g/L Hematócrito 43,5 % VCM 88,4 fL HCM 28,9 pg CHCM 34,4 g/dL RDW 13,6 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 13000 Neutrófilos 70 9100 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 0 0 Segmentados 70 9100 Eosinófilos 1 130 Basófilos 0 0 Linfócitos 20 2600 Monócitos 9 1210 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 900000 /mm³ Obs.: PRESENÇA DE CORPÚSCULOS DE HOWELL-JOLLY. 101 hemogramas - completo rev1.indd 91 05/02/2018 14:06:19 CASO h e m o g r a m a 92 Linfocitose na Terceira Idade Apresentação do caso clínico Mulher, 78 anos, encaminhada para o setor de Clínica Médica de hospital ter- ciário para investigação de alterações hematológicas. Queixava-se apenas de astenia e adinamia há um mês. 1. Qual alteração do leucograma chama mais atenção? 2. Nessa faixa etária, qual a condição que melhor explica os achados da pa- ciente? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 35 101 hemogramas - completo rev1.indd 92 05/02/2018 14:06:19 93 Eritrograma Hemácias 2,8 milhões/mm³ Hemoglobina 8,4 g/L Hematócrito 27,4 % VCM 97,9 fL HCM 30,0 pg CHCM 30,7 g/dL RDW 19,9 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 51120 Neutrófilos 15 7668 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 0 0 Segmentados 15 7668 Eosinófilos 1 511 Basófilos 0 0 Linfócitos 83 42430 Monócitos 1 511 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 103000 /mm³ Obs.: HEMÁCIAS ANISOCÍTICAS E HIPOCRÔMICAS. 101 hemogramas - completo rev1.indd 93 05/02/2018 14:06:19 CASO h e m o g r a m a 94 Preste atenção na prescrição Apresentação do caso clínico Mulher, 32 anos, internada na UTI por insuficiência respiratória aguda as- sociada a SIDA. Estava em tratamento empírico para pneumocistose com sul- fametoxazol-trimetoprima (SMX-TMP) e ácido folínico. Medicamentos em uso: vancomicina, meropenem e prednisona. Evoluiu com importantes alterações no hemograma. 1. Descreva o hemograma. 2. Qual dos fármacos pode ser responsável pelas alterações hematológicas? 3. Que outro medicamento relacionado a SMX-TMP está associado à mete- moglobinemia? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 36 101 hemogramas - completo rev1.indd 94 05/02/2018 14:06:19 95 Eritrograma Hemácias 2,1 milhões/mm³ Hemoglobina 5,9 g/L Hematócrito 17,0 % VCM 79,8 fL HCM 27,7 pg CHCM 34,7 g/dL RDW 15,1 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 200 Neutrófilos 42,6 85 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 0 0 Segmentados 42,6 85 Eosinófilos 1,8 3 Basófilos 0,6 1 Linfócitos 44,7 91 Monócitos 10,3 20 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 26000 /mm³ Obs.: HEMÁCIAS HIPOCRÔMICAS. 101 hemogramas - completo rev1.indd 95 05/02/2018 14:06:19 CASO h e m o g r a m a 96 Calazar ou não calazar? Eis a questão! Apresentação do caso clínico Homem, 24 anos, admitido na Hematologia para investigação de pancitope- nia febril. Vinha encaminhado de área endêmica de leishmaniose visceral. Re- latou que há três semanas evoluiu com pródromo gripal associado a dor abdo- minal difusa, dor torácica, evacuações diarreicas e urina “escurecida”. Relatou também disfagia desde o início dos sintomas. 1. Descreva o hemograma. 2. Sabe-se que o Coombs direto foi não reagente, a vitamina B12 normal, LDH elevada (2000 U/L), haptoglobina consumida, hemoglobinúria (2+/4+) e aspirado medular com hiperplasia eritroide. Solicitou-se D-dímero para avaliar o risco de trombose. Diante do caso, a conduta foi adequada? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 37 101 hemogramas - completo rev1.indd 96 05/02/2018 14:06:19 97 Eritrograma Hemácias 2,2 milhões/mm³ Hemoglobina 7,0 g/L Hematócrito 24,4 % VCM 107,0 fL HCM 30,7 pg CHCM 28,7 g/dL RDW 21,0 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 800 Neutrófilos 55,2 441 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 0 0 Segmentados 55,2 441 Eosinófilos 1,9 15 Basófilos 0,2 9 Linfócitos 37,6 303 Monócitos 4,1 32 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 19000 /mm³ Obs.: ANISOCITOSE. HIPOCROMIA. MACROCITOSE. 101 hemogramas - completo rev1.indd 97 05/02/2018 14:06:19 CASO h e m o g r a m a 98 Te inibe! Apresentação do caso clínico Homem, 48 anos, há oito meses evoluindo com aumento de volume abdominal e, nos últimos três meses, com plenitude gástrica e episódios de sudorese, hipo- rexia e perda de 3,0 kg. No exame físico, apresentava-se orientado, eupneico, afe- bril, acianótico e pálido (+1/+4). Abdome assimétrico, discreto abaulamento a nível de hipocôndrio e de flanco esquerdos, doloroso à palpação profunda no hipocôn- drio esquerdo e acentuada esplenomegalia. Traube ocupado. Sem hepatomegalia. 1. Quais as alterações do hemograma? 2. Diante dos achados clínicos e do hemograma, em que doença hematoló- gica deve-se pensar? 3. Como confirmar o diagnóstico sugerido? 4. Qual terapia-alvo modificou o tratamento da doença? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 38 101 hemogramas - completo rev1.indd 98 05/02/2018 14:06:19 99 Eritrograma Hemácias 4,3 milhões/mm³ Hemoglobina 11,0 g/L Hematócrito 35,4 % VCM 80,8 fL HCM 25,1 pg CHCM 31,1 g/dL RDW 14,2 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 136000 Neutrófilos 78 106080 Promielócitos 3 4080 Mielócitos 14 19040 Metamielócitos 7 9520 Bastões 10 13600 Segmentados 47 63920 Eosinófilos 0 0 Basófilos 2 2720 Linfócitos 5 6800 Monócitos 8 10880 Blastos 4 5440 Plaquetograma Plaquetas 110000 /mm³ Obs.: ANISOCROMIA. HIPOCROMIA. POIQUILOCITOSE. DISCRETA POLICROMASIA. 101 hemogramas - completorev1.indd 99 05/02/2018 14:06:19 CASO h e m o g r a m a 100 As sete perdas Apresentação do caso clínico Mulher, 38 anos, parda, encaminhada ao serviço de Cirurgia de hospital terci- ário para realizar colecistectomia em consequência de litíase biliar sintomática. Exames pré-operatórios normais, exceto hemograma, que revelou alterações, sendo solicitado parecer à Hematologia. Antecedentes: sete perdas fetais, apesar da realização de pré-natal; negou transfusões sanguíneas prévias. Ao exame físi- co, apresentava-se discretamente ictérica (+1/+4) e pálida (+2/+4). VHS 2 mm/h. 1. Quais as principais alterações do hemograma? 2. Diante dos dados clínicos, do hemograma, da contagem de reticulócitos e da velocidade de hemossedimentação (VHS), que hipóteses diagnósti- cas devem ser levantadas? 3. Qual o diagnóstico mais provável, levando em conta os achados clínicos e as alterações do hemograma e como confirmar o diagnóstico? 4. O que explica as perdas fetais da paciente? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 39 101 hemogramas - completo rev1.indd 100 05/02/2018 14:06:19 101 Eritrograma Hemácias 2,8 milhões/mm³ Hemoglobina 9,4 g/L Hematócrito 29,3 % VCM 103,4 fL HCM 33,4 pg CHCM 32,3 g/dL RDW 32,3 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 8662 Neutrófilos 44 3811 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 0 0 Segmentados 44 3811 Eosinófilos 8 692 Basófilos 1 86 Linfócitos 41 3554 Monócitos 6 519 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 356100 /mm³ VHS 2,0 mm/h Contagem de Reticulócitos % /mm³ 8,7 243600 Obs.: PRESENÇA DE DREPANÓCITOS. HEMÁCIAS EM ALVO. MACROCITOSE E POIQUILOCITOSE. ANISOCITOSE E HIPOCROMIA. LINFÓCITOS SEM ATIPIA. 101 hemogramas - completo rev1.indd 101 05/02/2018 14:06:19 CASO h e m o g r a m a 102 A valva esquisita Apresentação do caso clínico Homem, 64 anos, com história de febre reumática, tendo realizado duas vezes ci- rurgia cardíaca para implante de prótese mitral metálica. Antecedentes de HAS e de AVCI há 17 anos, apresentando como sequela hemiparesia à esquerda. Em uso de losartana e varfarina. Ao exame físico, apresentava-se orientado, afebril, eupneico, acianótico, ictérico (+1/+4), pálido (+2/+4). Coração: presença de estalido valvar em foco mitral. Neurológico: disartria e hemiparesia à esquerda. O serviço de Cardiolo- gia, onde o paciente é acompanhado, solicitou parecer à Hematologia por anemia. 1. Quais as características da anemia? 2. Diante de uma anemia hemolítica, qual exame é o mais importante para direcionar o diagnóstico? Sabendo que o paciente não tem história fami- liar de anemia e, no hemograma, não apresenta plaquetopenia, que tipo de anemia hemolítica o paciente tem? 3. Qual a explicação para a presença de esquizócitos na distensão sanguínea? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 40 101 hemogramas - completo rev1.indd 102 05/02/2018 14:06:19 103 Eritrograma Hemácias 3,4 milhões/mm³ Hemoglobina 10,3 g/L Hematócrito 32,2 % VCM 92,3 fL HCM 29,7 pg CHCM 32,1 g/dL RDW 16,4 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 5103 Neutrófilos 60 3061 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 0 0 Segmentados 60 3061 Eosinófilos 5 255 Basófilos 1 51 Linfócitos 25 1277 Monócitos 9 459 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 153400 /mm³ Contagem de Reticulócitos % /mm³ 3,37 114580 Obs.: ANISOCITOSE. ANISOCROMIA. PRESENÇA DE ESQUIZÓCITOS. LINFÓCITOS SEM ATIPIAS. 101 hemogramas - completo rev1.indd 103 05/02/2018 14:06:19 CASO h e m o g r a m a 104 Eliminando infecção Apresentação do caso clínico Mulher, 67 anos, em tratamento para linfoma não-Hodgkin difuso de grandes células B, realizou três ciclos do esquema R- CHOP (rituximabe, ciclofosfamida, doxorrubicina, vincristina, prednisona) e filgastrina (G-CSF). Exame clínico, cultu- ras, PCR e procalcitonina sem sinais infecciosos. 1. Quais as alterações do hemograma? 2. Qual medicamento pode estar relacionado com tais alterações? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 41 101 hemogramas - completo rev1.indd 104 05/02/2018 14:06:20 105 Leucograma Hemácias 3,9 milhões/mm³ Hemoglobina 10,1 g/L Hematócrito 31,4 % VCM 80,5 fL HCM 25,8 pg CHCM 32,1 g/dL RDW 16,3 % % /mm³ Leucócitos 25600 Neutrófilos 84 21504 Promielócitos 0 0 Mielócitos 1 256 Metamielócitos 2 512 Bastões 11 2816 Segmentados 70 17920 Eosinófilos 0 0 Basófilos 0 0 Linfócitos 10 2560 Monócitos 6 1536 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 70000 /mm³ Obs.: ANISOCITOSE. ANISOCROMIA POLICROMASIA. LINFÓCI- TOS SEM ATIPIAS. AUSÊNCIA DE EOSINÓFILOS. PRE- SENÇA DE GRANULAÇÕES GROSSEIRAS EM ALGUNS NEUTRÓFILOS. 101 hemogramas - completo rev1.indd 105 05/02/2018 14:06:20 CASO h e m o g r a m a 106 Nem de nenos, nem “DMARD” Apresentação do caso clínico Mulher, 52 anos, em acompanhamento ambulatorial na Reumatologia por ar- trite reumatoide. Foi encaminhada ao serviço de Hematologia para avaliação do hemograma. Não apresentava queixas e achados no exame físico. Em uso exclu- sivo de DMARD. 1. Qual DMARD melhor explicaria a macrocitose? Por quê? 2. Como se confirmou o diagnóstico da etiologia de macrocitose neste caso? 3. Qual classe de medicamento modificou o tratamento de pacientes com artrite reumatoide grave/refratária aos DMARDs? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 42 101 hemogramas - completo rev1.indd 106 05/02/2018 14:06:20 107 Eritrograma Hemácias 3,7 milhões/mm³ Hemoglobina 12,2 g/L Hematócrito 33,4 % VCM 100,5 fL HCM 32,8 pg CHCM 32,6 g/dL RDW 13,0 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 5010 Neutrófilos 49 2454 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 1 50 Segmentados 48 2404 Eosinófilos 2 100 Basófilos 0 0 Linfócitos 46 2306 Monócitos 3 150 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 250000 /mm³ Obs.: MACROCITOSE. 101 hemogramas - completo rev1.indd 107 05/02/2018 14:06:20 CASO h e m o g r a m a 108 Nos menores frascos, os piores venenos Apresentação do caso clínico Homem, 56 anos, há dois meses em tratamento com azatioprina para doença de Crohn. Há quatro dias com dor abdominal em andar superior de moderada intensi- dade, náuseas e vômitos persistentes. Negou febre e diarreia. Antecedentes: HAS e etilismo crônico, exacerbado no último mês. No exame físico encontrava-se orien- tado, eupneico, afebril, acianótico, anictérico, corado. Pulso: 100 bpm. PA: 180x110 mmHg. Abdome: doloroso à palpação profunda na região superior, sem hepatoes- plenomegalia, Traube livre. Exames: VHS 23 mm/h; PCR 12,03 mg/L (VR <0,5 mg/L). 1. Quais as alterações do hemograma? 2. Com os dados clínicos e as alterações do hemograma, devemos pensar em um quadro inflamatório infeccioso ou não infeccioso? 3. Quais drogas utilizadas pelo paciente podem explicar o quadro clínico? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 43 101 hemogramas - completo rev1.indd 108 05/02/2018 14:06:20 109 Eritrograma Hemácias 5,1 milhões/mm³ Hemoglobina 13,0 g/L Hematócrito 42,5 % VCM 82,3 fL HCM 25,1 pg CHCM 30,6 g/dL RDW 12,5 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 14420 Neutrófilos 85,7 12357 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 10,0 1442 Segmentados 75,7 10915 Eosinófilos 1,2 173 Basófilos 0,4 57 Linfócitos 8,5 1228 Monócitos 4,2 605 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 379000 /mm³ Obs.: HEMÁCIAS HIPOCRÔMICAS. 101 hemogramas - completo rev1.indd 109 05/02/2018 14:06:20 CASO h e m o g r a m a 110 Picacismo Apresentação do caso clínico Homem, 51 anos, com antecedente de gastrectomia parcial por adenocarci- noma gástrico há oito anos. Evoluiu com palidez, astenia progressiva e adinamia há seis meses. Relatou perversão do apetite (pagofagia e amidofagia), sem relato de sangramento aparente, e negou alteração do peso e do hábito intestinal. Ao exame físico, apresentava-se bastante pálido e emagrecido. Abdome: escavado e com cicatriz cirúrgica ao nível da linha alba. 1. Quais as alterações encontradas no hemograma?2. Baseado nos dados clínicos e no histórico do paciente, que exames de- vem ser solicitados? 3. Quais os possíveis diagnósticos diferenciais? 4. Com os seguintes resultados: ferro sérico 7µg/dL (60- 160µg/dL); índice de saturação de transferrina 2% (20-50%), ferritina 1,94 ng/mL (21,81- 274,6 ng/mL); LDH 122 U/L (100-190 U/L), vitamina B12, ácido fólico e EGD normais, qual o diagnóstico encontrado? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 44 101 hemogramas - completo rev1.indd 110 05/02/2018 14:06:20 111 Eritrograma Hemácias 2,5 milhões/mm³ Hemoglobina 5,0 g/L Hematócrito 17,0 % VCM 67,2 fL HCM 19,6 pg CHCM 29,2 g/dL RDW 15,5 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 6809 Neutrófilos 78 5311 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 3 204 Segmentados 75 5106 Eosinófilos 0 0 Basófilos 0 0 Linfócitos 19 1295 Monócitos 3 204 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 535100 /mm³ Contagem de Reticulócitos % /mm³ 2,5 62500 Obs.: ANISOCITOSE. MICROCITOSE. HIPOCROMIA. POIQUI- LOCITOSE. LINFÓCITOS SEM ATIPIAS. EOSINÓFILOS EXTRACONTAGEM. 101 hemogramas - completo rev1.indd 111 05/02/2018 14:06:20 CASO h e m o g r a m a 112 Trama plaquetária Apresentação do caso clínico Homem, 58 anos, casado, encaminhado da UBS ao ambulatório de Hema- tologia devido à plaquetopenia. Paciente relatou história de etilismo há vários anos. Negou HAS, DM e transfusões sanguíneas prévias. Ao exame físico, apre- sentava-se pálido (+1/+4). Pele: telangiectasias em tórax anterior e posterior, hipertricose facial, ginecomastia e lesões úlcero-bolhosas em extremidades fo- toexpostas. Extremidades: discreto edema de membros inferiores. 1. Cite dois achados, um clínico e outro laboratorial, que, quando associados, direcionam o diagnóstico. 2. Qual a causa mais provável da plaquetopenia do paciente? 3. Quais sorologias devem ser obrigatoriamente solicitadas? 4. Diante dos achados cutâneos, que doença pode estar associada à hepa- topatia? 5. Sabendo que, na tomografia, há presença de nódulos hipercaptantes no fígado, deve-se dosar um marcador. Qual seria? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 45 101 hemogramas - completo rev1.indd 112 05/02/2018 14:06:20 113 Eritrograma Hemácias 3,8 milhões/mm³ Hemoglobina 12,2 g/L Hematócrito 36,5 % VCM 94,8 fL HCM 31,9 pg CHCM 33,6 g/dL RDW 14,0 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 4225 Neutrófilos 60 2535 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 0 0 Segmentados 60 2535 Eosinófilos 2 84 Basófilos 0 0 Linfócitos 29 1226 Monócitos 9 380 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 36860 /mm³ Obs.: HEMÁCIAS EM ROULEAUX. 101 hemogramas - completo rev1.indd 113 05/02/2018 14:06:20 CASO h e m o g r a m a 114 Púrpura anêmica Apresentação do caso clínico Mulher, 20 anos, há três meses com episódios de tontura, dispneia aos mo- derados esforços, astenia progressiva e aparecimento de equimoses em mem- bros superiores e inferiores. Ao exame físico, apresentava-se com febre (38,5ºC), acentuada palidez de pele e de mucosas e equimoses em membros superiores e inferiores. Coração: discreto sopro sistólico pancardíaco; FC: 112 bpm. Paciente foi transferida da UPA para serviço de Hematologia de hospital terciário para in- vestigação diagnóstica e tratamento especializado. 1. Quais as principais alterações do hemograma? 2. Levando em conta os dados clínicos e as alterações dos exames acima, quais as duas principais doenças hematológicas a serem investigadas? 3. Quais os principais exames complementares a serem solicitados para ob- tenção de diagnóstico definitivo? 4. Como os achados da BMO poderiam explicar a fisiopatologia da pancito- penia do caso apresentado? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 46 101 hemogramas - completo rev1.indd 114 05/02/2018 14:06:20 115 Eritrograma Hemácias 1,9 milhões/mm³ Hemoglobina 5,6 g/L Hematócrito 16,8 % VCM 85,0 fL HCM 28,6 pg CHCM 33,6 g/dL RDW 11,8 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 2007 Neutrófilos 6 120 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 0 0 Segmentados 6 120 Eosinófilos 0 0 Basófilos 0 0 Linfócitos 90 1807 Monócitos 4 80 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 1252 /mm³ Contagem de Reticulócitos % /mm³ 0,2 3800 Obs.: ANISOCROMIA. POLICROMASIA. EOSINÓFILOS EXTRA- CONTAGEM. 101 hemogramas - completo rev1.indd 115 05/02/2018 14:06:20 CASO h e m o g r a m a 116 Entre gastrites e quedas Apresentação do caso clínico Homem, 68 anos, grupo sanguíneo A+, há três meses com sensação de pleni- tude gástrica e queixa de perda de peso progressiva (3,0 kg). Referiu também dor no epigástrio e hipocôndrio esquerdo de moderada intensidade há dois meses. Iniciou automedicação com ibuprofeno três dias atrás. No dia anterior à consulta, foi levado à Emergência por queda da própria altura e hipotensão. Negou náuseas e vômitos. Ao exame físico, encontrava-se orientado, acianótico, anictérico e páli- do (+2/+4). Abdome: plano, flácido, indolor à palpação superficial, mas doloroso à palpação profunda em epigástrio e hipocôndrio esquerdo, sem hepatoespleno- megalia, Traube livre. 1. Quais as alterações do hemograma? 2. Cite dois diagnósticos prováveis. 3. Que exames complementares confirmariam o diagnóstico? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 47 101 hemogramas - completo rev1.indd 116 05/02/2018 14:06:20 117 Eritrograma Hemácias 2,8 milhões/mm³ Hemoglobina 7,6 g/L Hematócrito 23,7 % VCM 82,0 fL HCM 26,3 pg CHCM 32,1 g/dL RDW 14,6 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 15030 Neutrófilos 82 12325 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 3 451 Segmentados 79 11874 Eosinófilos 1 150 Basófilos 0 0 Linfócitos 11 1653 Monócitos 6 902 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 547000 /mm³ Obs.: HEMÁCIAS NORMOCÍTICAS E NORMOCRÔMICAS. 101 hemogramas - completo rev1.indd 117 05/02/2018 14:06:20 CASO h e m o g r a m a 118 Invasores siderais Apresentação do caso clínico Homem, 35 anos, português, com diagnóstico de anemia hemolítica por defi- ciência de piruvato quinase, apresentando icterícia desde a infância e história de múltiplas transfusões sanguíneas. Referiu acidente de aviação em 2004, no qual fraturou a coluna vertebral e sofreu luxação de quadril. Após a cirurgia, passou a apresentar infecções recorrentes e abscesso do psoas recidivante. Anteceden- tes: hepatite C e hemocromatose secundária. 1. Quais as alterações do hemograma? 2. Como explicar o quadro de hemocromatose secundária e de infecção por HCV do paciente? 3. Quais germes estão mais associados ao aumento de infecções em pacien- tes com sobrecarga férrica? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 48 101 hemogramas - completo rev1.indd 118 05/02/2018 14:06:20 119 Eritrograma Hemácias 2,0 milhões/mm³ Hemoglobina 8,2 g/L Hematócrito 27,2 % VCM 131,4 fL HCM 39,6 pg CHCM 30,1 g/dL RDW 13,6 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 17190 Neutrófilos 42,8 7357 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 0 0 Segmentados 42,8 7357 Eosinófilos 2,5 428 Basófilos 1,8 309 Linfócitos 43,2 7428 Monócitos 9,7 1667 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 887000 /mm³ Obs.: HEMÁCIAS MACROCÍTICAS. AUSÊNCIA DE GRANULA- ÇÕES TÓXICAS NOS NEUTRÓFILOS. 101 hemogramas - completo rev1.indd 119 05/02/2018 14:06:20 CASO h e m o g r a m a 120 A nociva rebelde Apresentação do caso clínico Homem, 40 anos, manobrista, compareceu ao atendimento médico queixan- do-se de dispneia, episódios de diarreia pastosa, sem sangue e sem muco, e per- da de 4,0 kg há oito meses. Ao exame físico: palidez discreta, fígado palpável a 2,0 cm do RCD, consistência fibroelástica, indolor à palpação e com bordos regula- res. Traube livre. Parestesia em extremidades de membros. Exames complemen- tares: cinética do ferro normal, aumento discreto de bilirrubina indireta e LDH elevada. EGD: atrofia gástrica difusa. 1. Quais as características da anemia? 2. Pensando-se em uma doença imunomediada,que anticorpos devem ser solicitados? 3. Qual o mecanismo fisiopatológico da anemia? 4. Como explicar o aumento da bilirrubina indireta? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 49 101 hemogramas - completo rev1.indd 120 05/02/2018 14:06:20 121 Eritrograma Hemácias 2,6 milhões/mm³ Hemoglobina 11,2 g/L Hematócrito 32,4 % VCM 121,0 fL HCM 41,7 pg CHCM 34,4 g/dL RDW 14,6 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 4700 Neutrófilos 59,7 2805 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 0 0 Segmentados 59,7 2805 Eosinófilos 2 94 Basófilos 1 47 Linfócitos 33,7 1583 Monócitos 3,6 169 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 193000 /mm³ Obs.: ACENTUADA MACROCITOSE. 101 hemogramas - completo rev1.indd 121 05/02/2018 14:06:20 CASO h e m o g r a m a 122 Caso alfa Apresentação do caso clínico Homem, 65 anos, empresário, hospitalizado por agravamento de angina es- tável devido à anemia. Antecedentes: HAS e DM diagnosticados há dois anos na UBS e em uso de metformina, alfametildopa e furosemida. Ao exame físico: orientado, eupneico, afebril, acianótico, ictérico (+1/+4), com palidez mucocutâ- nea (+3/+4). Abdome plano, flácido, indolor, baço palpável ao nível do RCE. 1. Que dados do hemograma e da hematoscopia sugerem uma anemia he- molítica? Por quê? 2. Que dados clínicos sugerem uma anemia hemolítica? 3. Você solicitaria um teste de Coombs? Por quê? 4. Sabendo que o Coombs direto foi positivo, qual a etiologia da anemia he- molítica nesse caso? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 50 101 hemogramas - completo rev1.indd 122 05/02/2018 14:06:20 123 Eritrograma Hemácias 1,6 milhões/mm³ Hemoglobina 6,3 g/L Hematócrito 18,5 % VCM 107,0 fL HCM 28,9 pg CHCM 35,5 g/dL RDW 16,1 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 6500 Neutrófilos 75 4875 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 0 0 Segmentados 75 4875 Eosinófilos 0 0 Basófilos 0 0 Linfócitos 15 975 Monócitos 10 650 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 250000 /mm³ Contagem de Reticulócitos % /mm³ 23,8 380800 Obs.: ANISOCITOSE. POLICROMASIA. PONTILHADO BASO- FÍLICO. 101 hemogramas - completo rev1.indd 123 05/02/2018 14:06:20 CASO h e m o g r a m a 124 O triunvirato Apresentação do caso clínico Mulher, 34 anos, relatou dor abdominal epigástrica em queimação de mode- rada a forte intensidade, náuseas, vômitos, adinamia progressiva, hiporexia e perda de peso de cerca de 6,0 kg nos últimos seis meses. Antecedentes: diagnós- tico de DM1 há 18 anos, tireoidite de Hashimoto há 13 anos e história de trans- fusão sanguínea prévia. Exame físico: palidez (+3/+4), icterícia (+2/+4), glossite, língua despapilada; parestesias em membros inferiores. 1. Quais as alterações do hemograma? 2. Que diagnóstico contempla os achados clínicos e as alterações do hemo- grama? 3. Dentre as causas possíveis para a anemia da paciente, qual é a mais pro- vável? Por quê? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 51 101 hemogramas - completo rev1.indd 124 05/02/2018 14:06:21 125 Eritrograma Hemácias 1,8 milhões/mm³ Hemoglobina 6,2 g/L Hematócrito 19,6 % VCM 103,7 fL HCM 32,8 pg CHCM 31,6 g/dL RDW 33,8 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 2570 Neutrófilos 39,7 1020 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 2 51 Segmentados 37,7 968 Eosinófilos 0,5 12 Basófilos 0,6 15 Linfócitos 58,0 1494 Monócitos 1,2 30 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 157000 /mm³ Obs.: ANISOCITOSE. MACROCITOSE. 101 hemogramas - completo rev1.indd 125 05/02/2018 14:06:21 CASO h e m o g r a m a 126 Como diria Hobbes Apresentação do caso clínico Homem, 49 anos, internado na UTI por parada cardiorrespiratória secundária a pneumotórax hipertensivo na Enfermaria, na qual estava internado para investi- gação de artrite, infiltrados pulmonares e bicitopenia. Nos últimos dias de interna- ção, apresentou piora do quadro respiratório com TCAR, demonstrando padrão em “árvore em brotamento” em vidro fosco e cavitações em ápices. Exames laborato- riais: ANA reagente, FR não reagente, anti-CCP não reagente. Na UTI, necessitou de constantes hemotransfusões e de ventilação dificultada por hemorragia alveolar. 1. Quais os achados do hemograma? 2. Diante da contagem plaquetária, o paciente necessita de transfusão de plaquetas? 3. Diante dos achados do hemograma e ferritina acima de 2000 mg/ml, VHS 2 mm/h, fibrinogênio 20 mg/dL, C3 e C4 consumidos e proteinúria de 8g/24h, cogitou-se a hipótese de autoimunidade. Qual o diagnóstico principal? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 52 101 hemogramas - completo rev1.indd 126 05/02/2018 14:06:21 127 Eritrograma Hemácias 2,9 milhões/mm³ Hemoglobina 7,8 g/L Hematócrito 24,1 % VCM 80,1 fL HCM 26,9 pg CHCM 32,4 g/dL RDW 16,6 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 18620 Neutrófilos 92 17130 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 10 1862 Segmentados 82 15268 Eosinófilos 1 186 Basófilos 0 0 Linfócitos 4 746 Monócitos 3 558 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 20000 /mm³ Obs.: ANISOCITOSE. HIPOCROMIA. POLICROMASIA. 101 hemogramas - completo rev1.indd 127 05/02/2018 14:06:21 CASO h e m o g r a m a 128 Fantástica hemólise Apresentação do caso clínico Homem, 47 anos, caminhoneiro, procedente de São Paulo e admitido na Hematologia para investigação de provável hemólise associada a diagnósti- co prévio de SMD. Paciente vem sendo acompanhado há três anos por pan- citopenia. Realizou investigação diagnóstica, a qual, segundo o paciente, foi compatível com SMD. Foi encaminhado para TMO, o qual não pôde realizar por doença hemorroidária em atividade. Há um ano desenvolveu HAS, associada à anasarca e proteinúria. Antes de retornar para Fortaleza, realizou investigação para doença renal, na qual, segundo o paciente, foi compatível com doença de lesão mínima. Indicou-se tratamento com prednisona e ciclosporina, com melhora dos sintomas. 1. Descreva os achados do hemograma. 2. Diante de Coombs direto positivo, contagem de reticulócitos aumentada e proteinúria de 4g/24h, foi solicitado um marcador sorológico. Qual foi o marcador? 3. A BMO apresentava intensa dispoese das três linhagens com nódulos linfoi- des e ALIPs. Cariótipo pela banda G sem alterações. Esse paciente tem SMD? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 53 101 hemogramas - completo rev1.indd 128 05/02/2018 14:06:21 129 Eritrograma Hemácias 0,8 milhões/mm³ Hemoglobina 2,5 g/L Hematócrito 9,0 % VCM 102,3 fL HCM 29,5 pg CHCM 28,9 g/dL RDW 28,5 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 16770 Neutrófilos 61,5 10313 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 0 0 Segmentados 61,5 10313 Eosinófilos 0,6 100 Basófilos 5,4 905 Linfócitos 29,4 4933 Monócitos 3,1 519 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 133000 /mm³ Contagem de Reticulócitos % /mm³ 38.79 310320 Obs.: HEMÁCIAS ANISOCÍTICAS, MACROCÍTICAS E HIPOCRÔ- MICAS. POLICROMASIA. PRESENÇA DE 77 ERITROBLASTOS EM 100 LEUCÓCI- TOS. AUSÊNCIA DE DEGENERAÇÃO LEUCOCITÁRIA. 101 hemogramas - completo rev1.indd 129 05/02/2018 14:06:21 CASO h e m o g r a m a 130 “Dengue” esquisita Apresentação do caso clínico Mulher, 28 anos, encaminhada de hospital terciário onde ficou 10 dias com hipótese diagnóstica de dengue. Foi admitida na Clínica Médica e logo encami- nhada para a UTI por rebaixamento do nível de consciência e convulsões reen- trantes. Foi entubada com importante sangramento à laringoscopia. À hema- toscopia, apresentou presença maciça de esquizócitos e reticulócitos. 1. Descreva os achados do hemograma. 2. Qual o achado do hemograma que pode ter feito o primeiro médico a sus- peitar de dengue? 3. Quais achados fazem com que se pense em microangiopatia trombótica? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 54 101 hemogramas - completo rev1.indd 130 05/02/2018 14:06:21 131 Eritrograma Hemácias 2,6 milhões/mm³ Hemoglobina 8,9 g/L Hematócrito 28,4 % VCM 106,0 fL HCM 33,2 pg CHCM 31,3 g/dL RDW 20,7 %Leucograma % /mm³ Leucócitos 4920 Neutrófilos 60,0 2971 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 0 0 Segmentados 60,0 2971 Eosinófilos 2,7 132 Basófilos 0,3 14 Linfócitos 30,9 1523 Monócitos 5,7 280 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 29000 /mm³ Obs.: HEMÁCIAS ANISOCÍTICAS E HIPOCRÔMICAS. AUSÊN- CIA DE GRANULAÇÕES TÓXICAS NOS NEUTRÓFILOS. 101 hemogramas - completo rev1.indd 131 05/02/2018 14:06:21 CASO h e m o g r a m a 132 Vestido escarlate Apresentação do caso clínico Mulher, 35 anos, com histórico de exposição a medicamentos anticonvulsi- vantes, evoluiu, há duas semanas, com piora do estado geral. Ao exame físico, apresentava taquicardia, febre (38,0oC) e placas eritematosas difusas não pruri- ginosas. Exames laboratoriais: elevação de troponinas e de CKMB massa. 1. Qual é a alteração que, associada ao quadro clínico, chama mais atenção no hemograma? 2. Cite as quatro mais graves reações cutâneas adversas a drogas. 3. No caso em questão, qual o diagnóstico mais provável para a paciente? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 55 101 hemogramas - completo rev1.indd 132 05/02/2018 14:06:21 133 Eritrograma Hemácias 3,8 milhões/mm³ Hemoglobina 11,0 g/L Hematócrito 34,3 % VCM 68,4 fL HCM 26,4 pg CHCM 32,1 g/dL RDW 14,2 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 16990 Neutrófilos 72 12232 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 0 0 Segmentados 72 12232 Eosinófilos 13 2208 Basófilos 0 0 Linfócitos 12 2041 Monócitos 3 509 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 387000 /mm³ Obs.: HEMÁCIAS NORMOCRÔMICAS E NORMOCÍTICAS. AUSÊNCIA DE GRANULAÇÕES TÓXICAS NOS NEUTRÓ- FILOS. 101 hemogramas - completo rev1.indd 133 05/02/2018 14:06:21 CASO h e m o g r a m a 134 Sangue lento Apresentação do caso clínico Homem, 21 anos, admitido para investigação de acentuada esplenomegalia. Relatou astenia, adinamia e artralgias há um mês. 1. Descreva o hemograma. 2. Diante dos achados da história clínica e do hemograma, em qual grupo de doenças o paciente se enquadra? 3. Cite três alterações cromossômicas ou genéticas associadas a esse grupo de doenças. 4. Paciente evolui com dispneia, engurgitamento de vênulas retinianas, pria- pismo e alteração do nível de consciência. Qual complicação mais provavel- mente está associada a esse quadro? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 56 101 hemogramas - completo rev1.indd 134 05/02/2018 14:06:21 135 Eritrograma Hemácias 2,3 milhões/mm³ Hemoglobina 6,9 g/L Hematócrito 19,9 % VCM 86,5 fL HCM 30,0 pg CHCM 34,7 g/dL RDW 17,4 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 186700 Neutrófilos 83 154960 Promielócitos 0 0 Mielócitos 6 11202 Metamielócitos 15 28005 Bastões 7 13069 Segmentados 55 102680 Eosinófilos 3 5601 Basófilos 0 0 Linfócitos 7 13069 Monócitos 6 11202 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 352000 /mm³ Obs.: ANISOCITOSE. ANISOCROMIA. POLICROMASIA. PRESENÇA DE 1% DE CÉLULAS DE MÉDIO E GRANDE PORTE COM ALTA RELAÇÃO NÚCLEO/CITOPLASMA, NÚCLEO COM NUCLÉOLOS EVIDENTES E CROMATINA FROUXA, CITOPLASMA BASOFÍLICO. 101 hemogramas - completo rev1.indd 135 05/02/2018 14:06:21 CASO h e m o g r a m a 136 Apresentação do caso clínico Homem, 69 anos, apresentava-se com hematoquezia e prurido aquagênico generalizado há seis meses. Foi solicitado hemograma, que revelou aumento em número das três séries sanguíneas. A partir disso, foi realizada pesquisa de BCR-ABL, a qual foi negativa, e mutação V617F no gene JAK2, positiva, inician- do-se, logo em seguida, tratamento com hidroxiureia. Alguns meses depois, foi aconselhado a realizar flebotomias seriadas devido à ausência do medicamento no serviço público de saúde, realizando-se o hemograma seriado a seguir. 1. Quais as alterações do hemograma? 2. Por que foi solicitada a pesquisa de mutação do gene JAK2 e qual o seu significado clínico? 3. Sabendo que o cromossomo Philadelphia é importante para o diagnóstico das doenças mieloproliferativas crônicas, caso a pesquisa BCR-ABL fos- se positiva, em que doença hematológica deveríamos pensar? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 57 Um prurido não clássico 101 hemogramas - completo rev1.indd 136 05/02/2018 14:06:21 137 Eritrograma Hemácias 5,6 milhões/mm³ Hemoglobina 11,3 g/L Hematócrito 37,8 % VCM 68,0 fL HCM 20,2 pg CHCM 29,9 g/dL RDW 24,3 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 34200 Neutrófilos 89 30438 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 3 1026 Segmentados 86 29412 Eosinófilos 0 0 Basófilos 0 0 Linfócitos 6 2052 Monócitos 5 1710 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 1025000 /mm³ Obs.: MICROCITOSE. HIPOCROMIA. ANISOCITOSE. AUSÊNCIA DE GRANULAÇÕES TÓXICAS NOS NEUTRÓFILOS. 101 hemogramas - completo rev1.indd 137 05/02/2018 14:06:21 CASO h e m o g r a m a 138 Apresentação do caso clínico Mulher, 28 anos, advogada, com história de palidez, astenia e discreto sangra- mento transvaginal há 15 dias. Relata ainda atraso menstrual nos últimos dois meses. Ao exame físico, pálida (+2/+4). Extremidades com petéquias em MMII. Procurou assistência médica, sendo realizados hemograma e β-hCG. O primei- ro hemograma revelou alterações, β-hCG positivo. Levantou-se a hipótese diag- nóstica de gravidez e plaquetopenia imune. Iniciou-se prednisona (1mg/kg/dia). Após quatro dias, realizou segundo hemograma. Foi referenciada ao serviço de Hematologia, com solicitação de TP, TTPA, dosagem de fibrinogênio. Exames: TP e TTPA alargados, fibrinogênio diminuído. Seguem os hemogramas realizados em locais diferentes com intervalo de quatro dias. 58 Faça o seu julgamento 101 hemogramas - completo rev1.indd 138 05/02/2018 14:06:21 139 1. Comente as alterações do primeiro e do segundo hemograma. 2. Que tipo de leucemia relaciona-se com os resultados laboratoriais (TP, TTPA, fibrinogênio)? 3. Que complicação hematológica é mais temida nessa paciente? 4. Cite duas alterações cromossômicas recorrentes nesse tipo de doença he- matológica. QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 101 hemogramas - completo rev1.indd 139 05/02/2018 14:06:21 140 Eritrograma Hemácias 3,5 milhões/mm³ Hemoglobina 11,2 g/L Hematócrito 31,3 % VCM 87,6 fL HCM 31,3 pg CHCM 35,7 g/dL RDW 12,8 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 6000 Neutrófilos 24 1440 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 1 60 Segmentados 23 1380 Eosinófilos 0 0 Basófilos 0 0 Linfócitos 42 2520 Monócitos 34 2040 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 31000 /mm³ Obs.: HEMÁCIAS NORMOCÍTICAS E NORMOCRÔMICAS. LIN- FÓCITOS SEM ATIPIAS. NÃO FORAM ENCONTRADOS EOSINÓFILOS. 101 hemogramas - completo rev1.indd 140 05/02/2018 14:06:21 141 Eritrograma Hemácias 3,6 milhões/mm³ Hemoglobina 11,3 g/L Hematócrito 32,4 % VCM 90,0 fL HCM 31,4 pg CHCM 34,9 g/dL RDW 13,7 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 56370 Neutrófilos 5 2818 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 0 0 Segmentados 5 2818 Eosinófilos 0 0 Basófilos 0 0 Linfócitos 1 564 Monócitos 1 564 Blastos 93 52424 Plaquetograma Plaquetas 40000 /mm³ Obs.: HEMÁCIAS NORMOCÍTICAS E NORMOCRÔMICAS. PRESENÇA DE BLASTOS COM CITOPLASMA HIPER- GRANULAR, ALGUNS COM NÚCLEO SOBREPOSTO, OUTROS COM ASPECTO MONOCITOIDE. 101 hemogramas - completo rev1.indd 141 05/02/2018 14:06:21 CASO h e m o g r a m a 142 Apresentação do caso clínico Você recebe uma ligação de uma infectologista de 28 anos que relata apresen- tar febre há três semanas, sem calafrios, com astenia progressiva e diminuição do apetite. Ela relata nódulos dolorosos em regiões extensoras de MMSS e man- chas ungueais. Alega, também, estar febril, taquicárdica, taquipneica e pálida. Refere sopro sistólico pancardíaco (+2/+4), principalmente em foco mitral, FC: 108 bpm. A paciente ligou para o seu consultório por preocupação de possível doença hematológica grave. 1. Diante da leucocitose e do desvio escalonado até mielócitos, você indica- ria um mielograma? Justifique suaescolha. QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 59 Uma ligação com a infecto 101 hemogramas - completo rev1.indd 142 05/02/2018 14:06:21 143 Eritrograma Hemácias 3,5 milhões/mm³ Hemoglobina 9,5 g/L Hematócrito 27,6 % VCM 77,9 fL HCM 26,7 pg CHCM 34,3 g/dL RDW 12,5 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 14220 Neutrófilos 85 12087 Promielócitos 0 0 Mielócitos 2 284 Metamielócitos 8 1137 Bastões 28 3981 Segmentados 47 6683 Eosinófilos 6 853 Basófilos 1 142 Linfócitos 3 428 Monócitos 5 711 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 153600 /mm³ Obs.: POIQUILOCITOSE. PRESENÇA DE HEMÁCIAS MICRO- CÍTICAS. ANISOCROMIA. NEUTRÓFILOS SEM SINAIS DEGENERATIVOS. LINFÓCITOS SEM ATIPIA. PRESENÇA DE MACROPLAQUETAS. 101 hemogramas - completo rev1.indd 143 05/02/2018 14:06:21 CASO h e m o g r a m a 144 Apresentação do caso clínico Homem, 50 anos, vendedor ambulante, apresentando história de febre alta vespertina (39,0ºC) sem calafrios, com início há quatro meses, associada à perda de peso progressiva e astenia. Não relatou alteração do apetite. Negou criação de animais domésticos. Ao exame físico, apresentava-se orientado, eupneico, fe- bril, acianótico, anictérico, emagrecido e pálido (+1/+4). Abdome: discretamen- te abaulado em hipocôndrio esquerdo, flácido, indolor à palpação superficial e profunda. Fígado palpável a 3,0 cm abaixo do RCD, baço palpável a 5,0 cm do RCE, Traube ocupado. Exame complementar: VHS = 76 mm/h. 1. Quais as principais alterações do hemograma? 2. O que devemos pensar diante dos achados clínicos e do hemograma? 3. Quais exames seriam os mais apropriados para confirmar a hipótese diag- nóstica principal? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 60 Basta estar no Ceará 101 hemogramas - completo rev1.indd 144 05/02/2018 14:06:22 145 Eritrograma Hemácias 4,2 milhões/mm³ Hemoglobina 11,1 g/L Hematócrito 34,5 % VCM 81,2 fL HCM 26,2 pg CHCM 32,3 g/dL RDW 15,5 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 2180 Neutrófilos 60,1 1310 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 0 0 Segmentados 60,1 1310 Eosinófilos 0 0 Basófilos 0,7 15 Linfócitos 31,7 692 Monócitos 7,5 163 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 70000 /mm³ Contagem de Reticulócitos % /mm³ 2,35 98700 Obs.: HEMÁCIAS MICROCÍTICAS: 4,3%. HEMÁCIAS HIPOCRÔMICAS: 5,3%. HEMÁCIAS EM ROULEAUX. 101 hemogramas - completo rev1.indd 145 05/02/2018 14:06:22 CASO h e m o g r a m a 146 Apresentação do caso clínico Homem, 17 anos, compareceu à Emergência com queixa de episódios de dor torácica anterior de caráter opressivo, de moderada intensidade e desconforto respiratório. Negou febre, tosse, expectoração e história de infecção respirató- ria nas últimas semanas. Antecedentes: uso prévio de antiplaquetário (AAS) por orientação médica, sem história de etilismo, tabagismo e uso de drogas ilícitas. Ao exame físico, paciente apresentava-se orientado, ansioso, taquipneico, acia- nótico, anictérico, taquicárdico, normocorado. Coração: RCR em 2T, B2 palpável e hiperfonética, sem sopros, FC: 124 bpm. Neurológico: paciente bastante an- sioso, inquieto, orientado no tempo e no espaço, sem sinais de irritação menín- gea. Procurou a Emergência por quatro vezes no período de uma semana pelas mesmas queixas. 1. Quais as alterações do hemograma? 2. Quais as hipóteses diagnósticas para o caso acima? 3. Quais achados do exame clínico direcionam para a principal hipótese diag- nóstica? 4. Qual exame de imagem solicitar para confirmar o diagnóstico? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 61 Jovem tensão 101 hemogramas - completo rev1.indd 146 05/02/2018 14:06:22 147 Eritrograma Hemácias 5,3 milhões/mm³ Hemoglobina 15,8 g/L Hematócrito 45,8 % VCM 85,2 fL HCM 29,4 pg CHCM 34,4 g/dL RDW 12,0 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 17200 Neutrófilos 78 13416 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 1 172 Segmentados 77 13244 Eosinófilos 1 172 Basófilos 0 0 Linfócitos 10 1720 Monócitos 11 1892 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 220000 /mm³ Obs.: HEMÁCIAS NORMOCÍTICAS NORMOCRÔMICAS. LIN- FÓCITOS SEM ATIPIAS. 101 hemogramas - completo rev1.indd 147 05/02/2018 14:06:22 CASO h e m o g r a m a 148 Apresentação do caso clínico Mulher, 61 anos, parda, relatava desde a infância episódios de “hepatite”, ar- tralgia e palidez. Nos últimos seis meses, apresentava inquietude nos membros inferiores. Antecedentes: história de anemia na família e repetidas transfusões sanguíneas com concentrados de hemácias. Ao exame físico, encontrava-se eupneica, afebril, acianótica, ictérica (+/+4) e pálida (+2/+4). Abdome: plano, flácido, indolor à palpação superficial e profunda, sem hepatoesplenomegalia e Traube livre. Extremidades: ausência de edema ou varizes. 1. Quais as principais alterações do hemograma? 2. Como conduzir o raciocínio clínico? 3. Que exames poderiam ser solicitados para a elucidação diagnóstica? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 62 Parece, mas não é! 101 hemogramas - completo rev1.indd 148 05/02/2018 14:06:22 149 Eritrograma Hemácias 1,9 milhões/mm³ Hemoglobina 8,4 g/L Hematócrito 23,9 % VCM 120,1 fL HCM 42,6 pg CHCM 35,5 g/dL RDW 19,0 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 6850 Neutrófilos 15 1027 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 0 0 Segmentados 15 1027 Eosinófilos 12 822 Basófilos 1 68 Linfócitos 64 4385 Monócitos 8 548 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 205500 /mm³ Contagem de Reticulócitos % /mm³ 19,29 366510 Obs.: PRESENÇA DE DREPANÓCITOS. MACROCITOSE. ANISOCITOSE E ANISOCROMIA. HEMÁCIAS EM ALVO. POIQUILOCITOSE. NEUTRÓFILOS SEM SINAIS DEGE- NERATIVOS. LINFÓCITOS SEM ATIPIAS. 101 hemogramas - completo rev1.indd 149 05/02/2018 14:06:22 CASO h e m o g r a m a 150 Apresentação do caso clínico Homem, 17 anos, apresentou-se à Emergência queixando-se de “dengue”. Há sete dias, relatava febre (40,0oC), calafrios e dor abdominal difusa de mode- rada intensidade associada a náuseas, vômitos e episódios de diarreia líquida sem sangue ou muco. Negou artralgia. Residiu por um mês em Rondônia, re- tornando já sintomático há uma semana. Ao exame físico, encontrava-se orien- tado, eupneico, febril (38,0ºC), anictérico e hipocorado (+/+4). Abdome: plano, flácido, doloroso à palpação profunda, sem hepatoesplenomegalia. USG abdo- minal normal. Os três hemogramas apresentados foram realizados em dias con- secutivos para a avaliação diagnóstica. 1. Analise a série de hemogramas. 2. Paciente, após 15 dias, apresentou febre com calafrios e episódios de icte- rícia flutuante a cada três dias, associada à dor abdominal importante. Qual o principal diagnóstico infeccioso? 3. Que exames laboratoriais e complementares confirmariam o diagnóstico? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 63 Uma bagagem febril 101 hemogramas - completo rev1.indd 150 05/02/2018 14:06:22 151 Eritrograma Hemácias 4,7 milhões/mm³ Hemoglobina 14,3 g/L Hematócrito 39,1 % VCM 83,0 fL HCM 30,3 pg CHCM 36,5 g/dL RDW 13,9 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 5900 Neutrófilos 57 3362 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 1 59 Segmentados 56 3304 Eosinófilos 7 413 Basófilos 0 0 Linfócitos 30 1770 Monócitos 6 354 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 65000 /mm³ Obs.: HEMÁCIAS NORMOCÍTICAS E NORMOCRÔMICAS. LINFÓCITOS SEM ATIPIAS. 101 hemogramas - completo rev1.indd 151 05/02/2018 14:06:22 152 Eritrograma Hemácias 4,8 milhões/mm³ Hemoglobina 14,4 g/L Hematócrito 40,8 % VCM 83,7 fL HCM 29,5 pg CHCM 35,2 g/dL RDW 14,3 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 4500 Neutrófilos 57 2565 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 1 45 Segmentados 56 2520 Eosinófilos 1 45 Basófilos 0 0 Linfócitos 37 1665 Monócitos 5 225 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 61000 /mm³ Obs.: HEMÁCIAS NORMOCÍTICAS E NORMOCRÔMICAS. RAROS LINFÓCITOS ATÍPICOS. 101 hemogramas - completo rev1.indd 152 05/02/2018 14:06:22 153 EritrogramaHemácias 4,0 milhões/mm³ Hemoglobina 11,9 g/L Hematócrito 34,7 % VCM 84,8 fL HCM 29,0 pg CHCM 34,2 g/dL RDW 14,8 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 2500 Neutrófilos 41 1025 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 1 25 Segmentados 40 1000 Eosinófilos 1 45 Basófilos 0 0 Linfócitos 49 1225 Monócitos 10 250 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 58000 /mm³ Obs.: HEMÁCIAS MORFOLOGICAMENTE NORMAIS. RAROS LINFÓCITOS ATÍPICOS. NÃO FORAM ENCONTRADOS EOSINÓFILOS EXTRACONTAGEM. 101 hemogramas - completo rev1.indd 153 05/02/2018 14:06:22 CASO h e m o g r a m a 154 Apresentação do caso clínico Homem, 60 anos, assistente de mecânico, referia tosse não produtiva pro- gressiva com duração de três meses, a qual evoluiu com escarros hemoptoicos há uma semana. Relatou moderada perda de peso, que não soube mensurar. An- tecedentes: tabagista ativo há 30 anos. Pulmões: murmúrio vesicular rude com sibilos expiratórios esparsos. Extremidades: baqueteamento digital. Exame com- plementar: PCR 7,57 g/dL (VR: 0,3 g/dL). 1. Quais as alterações do hemograma? 2. Considerando os achados clínicos e as alterações do hemograma, qual é a principal hipótese? 3. Que exames complementares devem ser solicitados para confirmação diag- nóstica? 4. O achado da baciloscopia foi de pequenas células agrupadas, com citoplas- ma escasso e evidentes nucléolos. As células, na opinião do patologista, lembravam linfócitos. Qual a doença neoplásica mais provável? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 64 Sopa de aveia 101 hemogramas - completo rev1.indd 154 05/02/2018 14:06:22 155 Eritrograma Hemácias 4,6 milhões/mm³ Hemoglobina 12,0 g/L Hematócrito 40,0 % VCM 85,0 fL HCM 25,7 pg CHCM 30,0 g/dL RDW 15,5 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 15530 Neutrófilos 62 9628 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 1 155 Segmentados 61 9473 Eosinófilos 5 777 Basófilos 0 0 Linfócitos 25 3883 Monócitos 8 1242 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 449000 /mm³ Obs.: ANISOCITOSE. HIPOCROMIA. 101 hemogramas - completo rev1.indd 155 05/02/2018 14:06:22 CASO h e m o g r a m a 156 Apresentação do caso clínico Homem, 55 anos, admitido em hospital terciário, com história de astenia pro- gressiva, episódios de artralgia, em pequenas e médias articulações, e impotência sexual. Antecedentes: história de úlcera purulenta e refratária em membro inferior esquerdo, associada à DM2. Negou etilismo, tabagismo, transfusões sanguíneas prévias e banhos de açude. Ao exame físico, paciente apresentava-se eupneico, afebril, acianótico, anictérico, corado. Pele: seca, leve hiperpigmentação genera- lizada, rarefação de pelos e telangiectasias em tórax anterior e posterior. Gineco- mastia bilateral. Traube livre. Discreto edema de MMII. 1. Quais as alterações encontradas no hemograma? 2. Qual a principal hipótese diagnóstica para o caso? 3. Quais os exames mais importantes para diagnóstico de perda de função hepática? 4. Diante de ferritina acima de 1000 ng/mL, IST de 88 %, HbA1c de 11%, do- sagem reduzida de gonadotrofinas e ECO demonstrando espessamento septal, qual o diagnóstico provável? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 65 Chagas aberto, coração “Ferrido” 101 hemogramas - completo rev1.indd 156 05/02/2018 14:06:22 157 Eritrograma Hemácias 4,4 milhões/mm³ Hemoglobina 14,1 g/L Hematócrito 41,9 % VCM 94,8 fL HCM 31,9 pg CHCM 33,8 g/dL RDW 13,8 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 3880 Neutrófilos 56,2 2180 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 0 0 Segmentados 56,2 2180 Eosinófilos 2,8 108 Basófilos 0,2 7 Linfócitos 35,2 1368 Monócitos 5,6 217 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 96000 /mm³ Obs.: HEMÁCIAS NORMOCÍTICAS E NORMOCRÔMICAS. 101 hemogramas - completo rev1.indd 157 05/02/2018 14:06:22 CASO h e m o g r a m a 158 Apresentação do caso clínico Mulher, 46 anos, encaminhada da UBS ao ambulatório de Hematologia por apresentar importante alteração no hemograma. Relatava apenas episódios de dor intensa em queimação nas extremidades de quirodáctilos. Antecedentes: HAS não tratada. Exame físico: Pulso = 86 bpm; PA = 150x100 mmHg; FR: 18 irpm; Temperatura = 36,8°C. Eritromelalgia em quirodáctilos. 1. A alteração do hemograma sugere uma plaquetose reacional? Por quê? 2. Que hipóteses diagnósticas devem ser levantadas? 3. Que exames laboratoriais devem ser realizados para confirmação diag- nóstica? 4. Que abordagem clínica deve ser realizada de imediato? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 66 Oceano de plaquetas 101 hemogramas - completo rev1.indd 158 05/02/2018 14:06:22 159 Eritrograma Hemácias 4,7 milhões/mm³ Hemoglobina 13,8 g/L Hematócrito 42,4 % VCM 90,0 fL HCM 29,4 pg CHCM 32,7 g/dL RDW 13,1 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 8236 Neutrófilos 67,5 5565 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 0 0 Segmentados 67,5 5565 Eosinófilos 1,4 117 Basófilos 1,5 122 Linfócitos 21,5 1774 Monócitos 8 658 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 1938000 /mm³ Obs.: HEMÁCIAS MORFOLOGICAMENTE NORMAIS. LINFÓCI- TOS SEM ATIPIAS. 101 hemogramas - completo rev1.indd 159 05/02/2018 14:06:22 CASO h e m o g r a m a 160 Apresentação do caso clínico Mulher, 37 anos, cuidadora, há longo tempo apresenta anemia ferropriva. À anamnese, a paciente referiu que sua anemia foi, previamente, associada aos frequentes episódios de epistaxe bilateral. História familiar: mãe apresentava episódios de epistaxe e anemia ferropriva, avó faleceu por ICC de alto débito por anemia grave. Ao exame físico, a paciente se apresentava pálida (+4/+4) e com telangiectasias em lábios, extremidade da língua e quirodáctilos. 1. Quais as alterações do hemograma? 2. Considerando o quadro clínico da paciente e sua história familiar, em quais diagnósticos podemos pensar? 3. Cite dois diagnósticos diferenciais importantes. Diante da linfopenia, qual das duas hipóteses prevalece? 4. Qual é a complicação pulmonar mais temida dessa doença? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 67 Hemorragia multinacional 101 hemogramas - completo rev1.indd 160 05/02/2018 14:06:22 161 Eritrograma Hemácias 1,8 milhões/mm³ Hemoglobina 3,7 g/L Hematócrito 13,2 % VCM 72,3 fL HCM 20,2 pg CHCM 28,0 g/dL RDW 26,7 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 2900 Neutrófilos 72,0 2088 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 1,0 29 Segmentados 71,0 2059 Eosinófilos 4,0 116 Basófilos 0 0 Linfócitos 11,0 319 Monócitos 13,0 377 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 226000 /mm³ Obs.: ANISOCITOSE. MICROCITOSE. HIPOCROMIA. POLI- CROMASIA. POIQUILOCITOSE. HEMÁCIAS EM ALVO. LINFÓCITOS SEM ATIPIAS. 101 hemogramas - completo rev1.indd 161 05/02/2018 14:06:23 CASO h e m o g r a m a 162 Apresentação do caso clínico Homem, 32 anos, operador de máquinas, apresenta desde criança episódios de icterícia e de artralgia em punhos, joelho direito e tornozelos agravados pelo frio, sem melhora ao uso de analgésicos. Durante acompanhamento ambulatorial, evo- luiu com dor súbita em hipocôndrio esquerdo de moderada intensidade associada a náuseas, vômitos, febre e fezes pastosas. Ao exame físico, apresentava-se afebril, anictérico e pálido (+3/+4). Abdome: cicatriz cirúrgica em linha alba, com sinais de irritação peritoneal e baço palpável a 4,0 cm abaixo do RCE. Traube ocupado. 1. Pensando-se em uma complicação por hemoglobinopatia, que exames la- boratoriais confirmam o diagnóstico e qual a complicação? 2. Qual a fisiopatologia do “abdome agudo” da doença em questão? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 68 Maquinaria da dor 101 hemogramas - completo rev1.indd 162 05/02/2018 14:06:23 163 Eritrograma Hemácias 2,9 milhões/mm³ Hemoglobina 9,2 g/L Hematócrito 27,9 % VCM 95,8 fL HCM 31,8 pg CHCM 33,1 g/dL RDW 18,1 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 5628 Neutrófilos 94 52903 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 10 5628 Segmentados84 47275 Eosinófilos 0 0 Basófilos 0 0 Linfócitos 4 2252 Monócitos 2 1125 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 319800 /mm³ Contagem de Reticulócitos % /mm³ 9 261000 Obs.: ANISOCITOSE. ANISOCROMIA. POIQUILOCITOSE. PRESENÇA DE HEMÁCIAS EM ALVO E DREPANÓCITOS. NEUTRÓFILOS SEM SINAIS DEGENERATIVOS. LINFÓCI- TOS SEM ATIPIAS. PRESENÇA DE MACROPLAQUETAS. 101 hemogramas - completo rev1.indd 163 05/02/2018 14:06:23 CASO h e m o g r a m a 164 Apresentação do caso clínico Mulher, 29 anos, professora, com febre alta recorrente (39,0ºC) e calafrios há seis meses. Relatava astenia, anorexia e perda de 10,0 kg nos últimos seis meses. Além disso, referiu dores abdominais e no linfonodo supraclavicular direito após ingestão de chocolate de rum. Negou antecedentes relevantes. Ao exame físico, apresentava-se bastante emagrecida, fácies de sofrimento, febril, desidratada, ic- térica (+4/+4) e pálida (+2/+4). Notou-se gânglio supraclavicular direito de 4,0 cm, de consistência fibroelástica, aderente a planos profundos e indolor à palpação. Pulmões: MV presente, mas diminuído na base esquerda, sem ruídos adventícios. Abdome: escavado, flácido, doloroso à palpação profunda, principalmente em epi- gástrio e hipocôndrios, com hepatoesplenomegalia moderada. Traube ocupado. 1. Quais as alterações do hemograma? 2. Diante do número de linfócitos, qual sorologia solicitar? 3. Que exame você solicitaria para possível elucidação da etiologia da icterícia? 4. Que exames confirmariam o diagnóstico do caso apresentado? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 69 RO-HO 101 hemogramas - completo rev1.indd 164 05/02/2018 14:06:23 165 Eritrograma Hemácias 3,9 milhões/mm³ Hemoglobina 10,6 g/L Hematócrito 33,7 % VCM 84,3 fL HCM 26,7 pg CHCM 31,6 g/dL RDW 15,3 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 11100 Neutrófilos 88 9768 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 1 111 Segmentados 87 9657 Eosinófilos 2 222 Basófilos 0 0 Linfócitos 3 333 Monócitos 7 777 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 409000 /mm³ Obs.: ANISOCITOSE. ANISOCROMIA. HIPOCROMIA. LINFÓ- CITOS SEM ATIPIAS. 101 hemogramas - completo rev1.indd 165 05/02/2018 14:06:23 CASO h e m o g r a m a 166 Apresentação do caso clínico Homem, 75 anos, agricultor, há três anos com palidez e, nos últimos seis me- ses, evoluiu com dispneia aos moderados esforços. Realizou hemogramas seria- dos que revelaram anemia progressiva. Fez uso de vários medicamentos (ferro oral, complexos vitamínicos), mas sem resposta satisfatória. Antecedentes: mani- pulava inseticidas e pesticidas; ex-etilista e ex-tabagista (suspendeu há 30 anos); sem história de transfusão sanguínea prévia. Ao exame físico, sinais vitais sem al- terações, apresentando apenas palidez (+3/+4). 1. Quais os achados do hemograma e que exames iniciais podem ser realiza- dos para investigação da anemia do paciente? 2. Quais os possíveis diagnósticos diferenciais? 3. Que exame confirma o diagnóstico mais provável? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 70 Anéis e pérolas 101 hemogramas - completo rev1.indd 166 05/02/2018 14:06:23 167 Eritrograma Hemácias 3,1 milhões/mm³ Hemoglobina 8,2 g/L Hematócrito 24,1 % VCM 76,5 fL HCM 26,0 pg CHCM 34,0 g/dL RDW 34,4 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 7400 Neutrófilos 59 4366 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 1 74 Segmentados 58 4292 Eosinófilos 3 222 Basófilos 0 0 Linfócitos 30 2220 Monócitos 8 592 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 531000 /mm³ Obs.: ANISOCITOSE. MICROCITOSE. HIPOCROMIA. 101 hemogramas - completo rev1.indd 167 05/02/2018 14:06:23 CASO h e m o g r a m a 168 Apresentação do caso clínico Homem, 53 anos, servente de obras. Há oito meses, observou o crescimen- to progressivo de “caroços” na região cervical, axilar e inguinal bilateralmente. Relatou que, há 15 dias, apresentou febre vespertina intermitente sem calafrios, associada a intensa astenia e episódios de tontura. Antecedentes: tabagismo há 35 anos e história de transfusão de dois concentrados de hemácias pela doença atual. Ao exame físico encontrava-se orientado, eupneico, febril, (38,9oC), acianó- tico, anictérico, pálido (+4/+4). Pescoço: linfonodos palpáveis, indolores, móveis, de consistência fibroelástica, o maior de 3,0 cm de diâmetro. Coração: RCR em 2T, bulhas hiperfonéticas, sopro sistólico pancardíaco (+3/+6); frequência cardía- ca: 82 bpm. Abdome: discretamente abaulado no hipocôndrio esquerdo, flácido, indolor à palpação superficial e profunda, fígado palpável a 4,0 cm abaixo do RCD. Baço palpável a 5,0 cm abaixo do RCE, indolor, de consistência fibroelástica e de bordas rombas. Traube ocupado. Linfonodos inguinais palpáveis, indolores e fibroelásticos, o maior medindo 5,0 cm. 1. Diante de um paciente com linfonodomegalia generalizada e linfocitose de longa data, qual a principal hipótese a ser considerada? 2. Qual exame auxilia o diagnóstico do caso? 3. Qual hábito está associado à linfocitose? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 71 Manto de linfócitos 101 hemogramas - completo rev1.indd 168 05/02/2018 14:06:23 169 4. Qual é a principal doença linfoproliferativa que deve ser excluída no diagnóstico da doença do paciente? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? Eritrograma Hemácias 1,9 milhões/mm³ Hemoglobina 5,4 g/L Hematócrito 18,4 % VCM 97,9 fL HCM 28,7 pg CHCM 29,3 g/dL RDW 20,3 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 71100 Neutrófilos 11 7887 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 0 0 Segmentados 11 7887 Eosinófilos 0 0 Basófilos 0 0 Linfócitos 87 62379 Monócitos 2 1439 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 63000 /mm³ Obs.: RARAS CÉLULAS ATÍPICAS APRESENTANDO BASO- FILIA MODERADA COM NUCLÉOLOS. PRESENÇA DE MANCHAS DE GUMPRECHT. 101 hemogramas - completo rev1.indd 169 05/02/2018 14:06:23 CASO h e m o g r a m a 170 Apresentação do caso clínico Homem, 70 anos, com indicação de cirurgia urológica por HPB, realizou exa- mes pré-operatórios, dentre os quais o hemograma revelou alterações. Por conta da alteração do hemograma, foi solicitado parecer ao serviço de Clínica Médica. Paciente relatava adinamia, plenitude gástrica e episódios de dor no hipogástrio de moderada intensidade. Negou alteração do apetite e do peso. Ao exame físi- co, apresentava sinais vitais normais, acentuada esplenomegalia de consistência endurecida, não dolorosa e com sonda vesical instalada. 1. Quais as alterações do hemograma? 2. Quais as principais alterações do esfregaço periférico? 3. Você indicaria a realização de apenas mielograma ou de mielograma e bi- ópsia de medula óssea? Por quê? 4. Sabendo que a pesquisa do BCR-ABL não foi positiva e JAK2 presente, qual o provável diagnóstico? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 72 MMA 101 hemogramas - completo rev1.indd 170 05/02/2018 14:06:23 171 Eritrograma Hemácias 3,4 milhões/mm³ Hemoglobina 10,1 g/L Hematócrito 31,5 % VCM 92,0 fL HCM 29,5 pg CHCM 32,1 g/dL RDW 17,7 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 9200 Neutrófilos 76,5 7040 Promielócitos 0 0 Mielócitos 7,0 644 Metamielócitos 5,0 460 Bastões 14,0 1288 Segmentados 50,5 4648 Eosinófilos 3,0 270 Basófilos 2,6 240 Linfócitos 12,2 1130 Monócitos 5,7 520 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 83000 /mm³ Obs.: ANISOCITOSE. ANISOCROMIA. HEMÁCIAS “EM LÁGRIMA”. NEUTRÓFILOS HIPERSEG- MENTADOS. AUSÊNCIA DE GRANULAÇÕES TÓXICAS NOS NEUTRÓFILOS. PRESENÇA DE 1 ERITROBLASTO ORTOCROMÁTICO EM 100 LEUCÓCITOS. 101 hemogramas - completo rev1.indd 171 05/02/2018 14:06:23 CASO h e m o g r a m a 172 Apresentação do caso clínico Homem, 66 anos, com mieloma múltiplo IgG/kappa estádio II (ISS), diagnós- tico em fevereiro de 2014. Realizou seis ciclos do protocolo CTD (ciclofosfamida, talidomida, dexametasona), apresentando resposta mínima. Posteriormente, realizou sete ciclos do protocolo VCD (bortezomibe, ciclofosfamida, dexameta- sona), obtendo reposta parcial. RealizouTMO autólogo há quatro meses. Encon- trava-se com doença em progressão pós-transplante. Eletroforese de proteínas com pico monoclonal: 3,5 g/dL (VR: 0,51 – 1,29 g/dL). 1. Quais as alterações do hemograma? 2. Que exames laboratoriais devem ser solicitados para explicar a alteração do hemograma? 3. Sabendo que o estudo do ferro foi normal e a hemólise não autoimune con- firmada, o que explicaria o padrão microcítico hipocrômico da anemia do paciente? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 73 Males do Mediterrâneo 101 hemogramas - completo rev1.indd 172 05/02/2018 14:06:23 173 Eritrograma Hemácias 4,5 milhões/mm³ Hemoglobina 9,6 g/L Hematócrito 31,4 % VCM 68,7 fL HCM 21,1 pg CHCM 30,7 g/dL RDW 15,8 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 4439 Neutrófilos 33 1464 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 0 0 Segmentados 33 1464 Eosinófilos 1 44 Basófilos 1 44 Linfócitos 57 2532 Monócitos 8 355 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 225400 /mm³ Obs.: HEMÁCIAS EM ALVO E EM ROULEAUX. ANISOCROMIA. ANISOCITOSE. HIPOCROMIA MICROCITOSE. NEUTRÓ- FILOS SEM SINAIS DEGENERATIVOS. LINFÓCITOS SEM ATIPIAS. 101 hemogramas - completo rev1.indd 173 05/02/2018 14:06:23 CASO h e m o g r a m a 174 Apresentação do caso clínico Homem, 56 anos, com o diagnóstico de plaquetopenia imune há sete anos. Compareceu à Emergência por apresentar petéquias no abdome e MMII. Negou febre e calafrios. Antecedentes: uso crônico de corticoesteroides, suspenso por orientação médica há seis meses, e múltiplas transfusões com concentrados de plaquetas. Relatou uso de AAS 500 mg (dois comprimidos nas últimas 24 horas) e ingestão de álcool nas últimas 12 horas. Ao exame físico: FC = 90 bpm, PA = 180x100 mmHg, FR = 20 irpm, T= 36,3°C. Pele e fâneros: petéquias difusas na re- gião abdominal e MMII. Sem hepatoesplenomegalia. Traube livre. 1. Qual a principal alteração do hemograma? 2. Qual seria a causa da plaquetopenia imune do paciente? 3. Que fatores presentes na história podem sugerir a piora da plaquetopenia? 4. Qual a conduta terapêutica diante do quadro clínico apresentado? 5. Você indicaria transfusão de concentrados de plaquetas? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 74 Uma combinação infrutífera 101 hemogramas - completo rev1.indd 174 05/02/2018 14:06:23 175 Eritrograma Hemácias 4,4 milhões/mm³ Hemoglobina 15,1 g/L Hematócrito 42,2 % VCM 88,5 fL HCM 31,7 pg CHCM 35,8 g/dL RDW 13,1 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 5170 Neutrófilos 71,5 3697 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 0 0 Segmentados 71,5 3697 Eosinófilos 0,6 31 Basófilos 0,2 10 Linfócitos 20,3 1050 Monócitos 7,4 383 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 8000 /mm³ Obs.: HEMÁCIAS NORMOCÍTICAS E NORMOCRÔMICAS. 101 hemogramas - completo rev1.indd 175 05/02/2018 14:06:23 CASO h e m o g r a m a 176 Apresentação do caso clínico Homem, 19 anos, relata que, há dois anos, teve evento tromboembólico pulmo- nar, o qual foi confirmado por angiotomografia. Seguiu tratamento com anticoagu- lante oral (varfarina) até episódio de hematêmese ocorrido uma semana antes da internação. Realizou EGD, a qual revelou erosões esofágicas. Paciente apresentava à internação edema periorbitário bilateral, edema de MMII, artrite de pequenas articulações da mão e hematúria. À investigação laboratorial, apresentava TTPa alargado, ureia e creatinina aumentadas e proteinúria maciça (12g/24h). 1. Descreva os achados do hemograma. 2. Sabendo que o Coombs direto foi reagente, a LDH aumentada, o C3 con- sumido e o C4 indetectável, qual marcador autoimune está associado à lesão renal aguda do paciente? 3. Diante do evento trombótico grave inicial e da plaquetopenia, deve-se investigar que doença? Que marcadores autoimunes podem ajudar a selar o diagnóstico? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 75 Ele não se safou... 101 hemogramas - completo rev1.indd 176 05/02/2018 14:06:23 177 Eritrograma Hemácias 1,7 milhões/mm³ Hemoglobina 5,0 g/L Hematócrito 16,0 % VCM 90,9 fL HCM 28,4 pg CHCM 31,3 g/dL RDW 14,8 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 1260 Neutrófilos 50,2 632 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 0 0 Segmentados 50,2 632 Eosinófilos 1,0 12 Basófilos 0,5 6 Linfócitos 42,4 536 Monócitos 5,9 74 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 46000 /mm³ Obs.: ANISOCITOSE. HIPOCROMIA. POLICROMASIA. 101 hemogramas - completo rev1.indd 177 05/02/2018 14:06:23 CASO h e m o g r a m a 178 Apresentação do caso clínico Mulher, 49 anos, internada na Clínica Médica, oriunda de hospital de atenção secundária, com o diagnóstico de “anemia, dengue e esquizofrenia”. Familiares relataram que a paciente começou a apresentar alterações do comportamento três dias antes do internamento no hospital secundário. Realizou transfusão de plaquetas por hipótese de dengue grave, com agravamento patente do quadro neurológico. Coombs direto não reagente, FAN e anti-HIV 1 e 2 não reagentes. 1. Descreva o hemograma. 2. À hematoscopia, hematologista visualizou abundante quantidade de esqui- zócitos. Qual o diagnóstico mais provável? 3. Qual a deficiência enzimática está associada ao desenvolvimento da do- ença descrita no item anterior? 4. Diante desse caso, qual conduta terapêutica mudou drasticamente a so- brevida? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 76 Três em um 101 hemogramas - completo rev1.indd 178 05/02/2018 14:06:24 179 Eritrograma Hemácias 2,1 milhões/mm³ Hemoglobina 6,5 g/L Hematócrito 19,5 % VCM 90,3 fL HCM 30,1 pg CHCM 33,3 g/dL RDW 22,2 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 5180 Neutrófilos 65,4 3387 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 0 0 Segmentados 65,4 3387 Eosinófilos 0,3 15 Basófilos 0,9 46 Linfócitos 24,8 1287 Monócitos 8,6 445 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 16000 /mm³ Obs.: ANISOCITOSE. HIPOCROMIA. POLICROMASIA. AU- SÊNCIA DE DEGENERAÇÃO LEUCOCITÁRIA. PRESENÇA DE 27 ERITROBLASTOS EM 100 LEUCÓCI- TOS. 101 hemogramas - completo rev1.indd 179 05/02/2018 14:06:24 CASO h e m o g r a m a 180 Apresentação do caso clínico Mulher, 65 anos, acompanhada por câncer de mama no serviço de Mastolo- gia, de onde foi encaminhada ao hematologista. Negou queixas neurológicas. Exames: função renal e bilirrubinas normais, LDH elevada, Coombs direto posi- tivo e sorologias virais não reagentes. 1. Diante de um paciente com anemia hemolítica e plaquetopenia, qual hi- pótese devemos descartar primeiro? 2. Cite duas outras condições que possam estar associadas à neoplasia ma- ligna mamária. 3. Das três hipóteses diagnósticas principais, qual explica todosos achados do hemograma, da bioquímica e do mielograma? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 77 Uma anemia complexa 101 hemogramas - completo rev1.indd 180 05/02/2018 14:06:24 181 Eritrograma Hemácias 2,9 milhões/mm³ Hemoglobina 8,9 g/L Hematócrito 26,3 % VCM 88,6 fL HCM 30,0 pg CHCM 33,8 g/dL RDW 22,3 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 12470 Neutrófilos 37,6 4688 Promielócitos 0 0 Mielócitos 3,0 374 Metamielócitos 1,0 124 Bastões 5,0 623 Segmentados 28,6 3566 Eosinófilos 2,3 286 Basófilos 1,4 174 Linfócitos 53,2 6635 Monócitos 5,0 623 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 29000 /mm³ Contagem de Reticulócitos % /mm³ 4,7 136300 Obs.: ANISOCITOSE. MACROCITOSE. ANISOCROMIA. POLICROMASIA. POIQUILOCITOSE. PRESENÇA DE 25 ERITROBLASTOS EM 100 LEUCÓCITOS. LINFÓCITOS SEM ATIPIAS. 101 hemogramas - completo rev1.indd 181 05/02/2018 14:06:24 CASO h e m o g r a m a 182 Apresentação do caso clínico Jovem, 12 anos, relatava fadiga e adinamia com início há cerca de seis meses. Mãe referiu que, aos oito anos, as unhas do filho começaram a cair, apresentou lacrimejamento excessivo e foi constatada "língua geográfica” pelo médico do PSF. Antecedentes: irmão com "histiocitose benigna" e outro com "leucopenia". Negou consanguinidade na família. Cabeça e pescoço: placas esbranquiçadasem dorso da língua, petéquias no palato duro e sinais de sangramento gengi- val prévio. Pele e fâneros: hipopigmentações esparsas em tronco, pele xerótica, adermatoglifia, onicólise e onicodistrofia. 1. Descreva os achados do hemograma. 2. Sabendo que a BMO apresentou 90% de substituição adiposa, cite três prin- cipais causas que explicam tal achado nessa faixa etária. 3. Qual agente infecioso está relacionado à aplasia da série eritroide apenas? 4. Após o transplante de MO, o paciente evoluiu com hipertricose associada ao uso de um medicamento. Que fármaco ele utilizou? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 78 Quiromancia 101 hemogramas - completo rev1.indd 182 05/02/2018 14:06:24 183 Eritrograma Hemácias 1,5 milhões/mm³ Hemoglobina 5,0 g/L Hematócrito 15,0 % VCM 94,9 fL HCM 31,6 pg CHCM 33,2 g/dL RDW 15,0 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 1500 Neutrófilos 31 465 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 1 15 Segmentados 30 450 Eosinófilos 0 0 Basófilos 1 15 Linfócitos 56 840 Monócitos 12 180 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 1000 /mm³ Contagem de Reticulócitos % /mm³ 0,8 12000 Obs.: ANISOCITOSE. ANISOCROMIA. DISCRETA POLICROMASIA. 101 hemogramas - completo rev1.indd 183 05/02/2018 14:06:24 CASO h e m o g r a m a 184 Apresentação do caso clínico Homem, 47 anos, há 20 dias com história de febre (39,0ºC) sem calafrios, as- sociada a dor abdominal difusa, náuseas, vômitos e episódios de diarreia líquida sem sangue e sem muco. Relata ainda hemoptise e episódios de síncope. Teve diagnóstico recente de SIDA. Negou transfusão sanguínea prévia. Ao exame fí- sico, encontrava-se orientado, eupneico, febril (39,0ºC), taquicárdico (110bpm), ictérico (+2/+4) e pálido (+2/+4). Abdome: plano, flácido, difusamente doloroso à palpação profunda, sem sinais de irritação peritoneal. Moderada hepatoesple- nomegalia. Traube ocupado. Exame laboratorial: LDH elevada. 1. Quais as alterações do hemograma? 2. Diante dos achados clínicos e do hemograma, que hipóteses diagnósticas podem ser levantadas? 3. Como se confirmou o diagnóstico? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 79 Nem sempre é tuberculose? 101 hemogramas - completo rev1.indd 184 05/02/2018 14:06:24 185 Eritrograma Hemácias 2,4 milhões/mm³ Hemoglobina 7,4 g/L Hematócrito 20,7 % VCM 85,2 fL HCM 30,7 pg CHCM 36,0 g/dL RDW 13,8 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 15600 Neutrófilos 77 12012 Promielócitos 1 156 Mielócitos 8 1248 Metamielócitos 10 1560 Bastões 18 2808 Segmentados 41 6393 Eosinófilos 0 0 Basófilos 0 0 Linfócitos 12 1872 Monócitos 10 1560 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 282000 /mm³ Contagem de Reticulócitos % /mm³ 6,72 161280 Obs.: PRESENÇA DE 82 ERITROBLASTOS EM 100 LEUCÓCI- TOS. ANISOCITOSE. POLICROMASIA. HEMÁCIAS EM ROULEAUX. EOSINÓFILOS EXTRA- CONTAGEM. PRESENÇA DE PONTILHADO BASÓFILO. NEUTRÓFILOS SEM SINAIS DEGENERATIVOS. 101 hemogramas - completo rev1.indd 185 05/02/2018 14:06:24 CASO h e m o g r a m a 186 Apresentação do caso clínico Mulher, 47 anos, internada em hospital terciário em 1991, com náuseas, sen- sação de plenitude gástrica, adinamia e sufusões hemorrágicas em MMII. Ante- cedentes: G5P5A0, história de hemorragia moderada durante partos vaginais. Cirurgia oftalmológica por catarata, apresentando complicação por hematoma retrorbitário. Banhos de açude e quatro parentes com história de “barriga gran- de”. Exame físico: palidez (+2/+4), deficiência visual bilateral, acentuada hepato- esplenomegalia, sem ascite. 1. Quais as alterações do hemograma? 2. Avaliando o histórico familiar da paciente, deve-se pensar em doença he- reditária ou adquirida? 3. Qual o diagnóstico mais provável? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 80 Esquerda ou Droit? 101 hemogramas - completo rev1.indd 186 05/02/2018 14:06:24 187 Eritrograma Hemácias 4,4 milhões/mm³ Hemoglobina 12,6 g/L Hematócrito 39,4 % VCM 88,7 fL HCM 28,3 pg CHCM 32,0 g/dL RDW 13,4 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 2700 Neutrófilos 60 1620 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 0 0 Segmentados 60 1620 Eosinófilos 4 108 Basófilos 1 27 Linfócitos 26 702 Monócitos 9 243 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 88000 /mm³ Contagem de Reticulócitos % /mm³ 1,3 57200 Obs.: HEMÁCIAS MORFOLOGICAMENTE NORMAIS. LINFÓCITOS SEM ATIPIAS. 101 hemogramas - completo rev1.indd 187 05/02/2018 14:06:24 CASO h e m o g r a m a 188 Apresentação do caso clínico Mulher, 29 anos, HIV positivo sem TARV, há 30 dias com cefaleia holocrania- na de moderada intensidade associada a períodos de desorientação. Há 24 ho- ras com piora das alterações neurológicas. Apresentou epistaxe à direita. Negou náuseas e vômitos. Ao exame físico, apresentava sinais vitais normais, estava eupneica, febril (38,3ºC), acianótica, anictérica e pálida (+2/+4). Neurológico: pa- ciente afásica, sonolenta, orientada no tempo e no espaço, com diminuição de força em dimídio direito e sem sinais de irritação meníngea. 1. Quais as alterações do hemograma? 2. Considerando a história clínica da paciente e os achados do hemograma, quais os possíveis diagnósticos diferenciais infecciosos? 3. Considerando o diagnóstico principal da segunda questão, qual o exame de imagem mais importante na elucidação do caso? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 81 “AVC” febril 101 hemogramas - completo rev1.indd 188 05/02/2018 14:06:24 189 Eritrograma Hemácias 3,6 milhões/mm³ Hemoglobina 10,4 g/L Hematócrito 32,0 % VCM 88,9 fL HCM 28,9 pg CHCM 32,5 g/dL RDW 14,6 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 3370 Neutrófilos 73,9 2490 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 0 0 Segmentados 73,9 2490 Eosinófilos 0,9 30 Basófilos 0 0 Linfócitos 19 640 Monócitos 6,2 209 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 135000 /mm³ Obs.: HEMÁCIAS NORMOCÍTICAS E NORMOCRÔMICAS. 101 hemogramas - completo rev1.indd 189 05/02/2018 14:06:24 CASO h e m o g r a m a 190 Apresentação do caso clínico Homem, 40 anos, brasileiro, procedente da Itália, onde residiu por 10 anos, apresentou-se à Emergência referindo febre vespertina (39,0oC), calafrios recor- rentes, adinamia, astenia e mialgia há 13 dias. Relatou, quando questionado, perda de 20,0 kg nos últimos três meses e tosse não produtiva. Hábitos: etilis- ta crônico. Ao exame físico, apresentava-se orientado, afebril (37,4oC), pálido (+2/+4), emagrecido. Sem linfonodomegalias. Abdome: baço palpável a 3,0 cm do RCE. Realizou exames para LES e sorologias para dengue e calazar, todos positivos. Eletroforese de proteínas séricas: pico policlonal em gamaglobulina. Apresentava linfocitopenia persistente em hemogramas seriados. 1. Qual infecção viral pode explicar as alterações no hemograma? 2. Qual a explicação para a positividade dos exames acima? 3. Na fase aguda da doença, como se faz o diagnóstico? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 82 Positividades negativas 101 hemogramas - completo rev1.indd 190 05/02/2018 14:06:24 191 Eritrograma Hemácias 3,5 milhões/mm³ Hemoglobina 10,6 g/L Hematócrito 30,6 % VCM 86,7 fL HCM 30,0 pg CHCM 34,6 g/dL RDW 13,6 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 3390 Neutrófilos 65,0 2220 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 0 0 Segmentados 65,0 2220 Eosinófilos 0 0 Basófilos 0,9 31 Linfócitos 28,3 959 Monócitos 5,3 180 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 63000 /mm³ Obs.: HEMÁCIAS NORMOCÍTICAS E NORMOCRÔMICAS. SEM ATIPIAS LINFOCITÁRIAS. 101 hemogramas - completo rev1.indd 191 05/02/2018 14:06:24 CASO h e m o g r a m a 192 Apresentação do caso clínico Mulher, 28 anos, negra, africana, oriunda da Guiné-Bissau, evoluiu, na primeira semana pós-aborto espontâneo, com alteração do estado de consciência, con- vulsão, anúria e púrpura. Ao ser admitida na UTI, evoluiu com necessidade de suporte ventilatório, de terapia de reposição renal e de plasmaférese por quadro hematológico. Evoluiu com piorado estado geral e infecção pulmonar. Na inves- tigação diagnóstica, constatou-se anti-cardiolipina positiva para IgM. Não houve melhora do quadro renal mesmo após sete sessões de plasmaférese. Os jornais da época noticiavam epidemia de uma terrível febre hemorrágica africana. 1. Que tipo de anemia o hemograma sugere? 2. Qual o diagnóstico da paciente? 3. Diante das alterações hematológicas, qual proteína de atividade plasmá- tica deve ser pesquisada? 4. Qual alteração dos fatores de coagulação está associada à MAT genética com lesão renal aguda? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 83 O enigma africano 101 hemogramas - completo rev1.indd 192 05/02/2018 14:06:24 193 Eritrograma Hemácias 3,2 milhões/mm³ Hemoglobina 9,4 g/L Hematócrito 27,6 % VCM 85,7 fL HCM 29,3 pg CHCM 34,2 g/dL RDW 15,6 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 81800 Neutrófilos 89 72802 Promielócitos 0 0 Mielócitos 2 1636 Metamielócitos 2 1636 Bastões 5 4090 Segmentados 80 65440 Eosinófilos 0 0 Basófilos 0 0 Linfócitos 6 4908 Monócitos 5 4090 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 39000 /mm³ Contagem de Reticulócitos % /mm³ 2,6 83200 Obs.: ANISOCITOSE. ANISOCROMIA. DISCRETA POLICRO- MASIA. PRESENÇA DE ESFERÓCITOS E ESQUIZÓCI- TOS (2,6%). 8 ERITROBLASTOS EM 100 LEUCÓCITOS. GRANULAÇÕES TÓXICAS EM 40% DOS NEUTRÓFILOS. LINFÓCITOS SEM ATIPIAS. 101 hemogramas - completo rev1.indd 193 05/02/2018 14:06:24 CASO h e m o g r a m a 194 Apresentação do caso clínico Mulher, 42 anos, com história de púrpura, síndrome anêmica e dor abdominal recorrente em andar superior. Foi internada com hipótese diagnóstica de ane- mia hemolítica autoimune, com alteração do estado de consciência, icterícia e desconforto respiratório, sendo transferida para a UTI por piora do quadro res- piratório e neurológico. À investigação, Coombs direto negativo e lesão gástrica ulcerada (BORRMANN III) à EGD. 1. Quais os achados que o hemograma demonstra? 2. Qual o diagnóstico principal? 3. Diante da principal hipótese do caso, qual a abordagem terapêutica deve urgentemente ser realizada? 4. No mielograma, havia presença maciça de células anômalas em mitose fla- gra. Sabendo da lesão gástrica da paciente, qual a possível associação fi- siopatológica entre os achados do hemograma e a MO? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 84 Esquisitos inimigos 101 hemogramas - completo rev1.indd 194 05/02/2018 14:06:24 195 Eritrograma Hemácias 1,04 milhões/mm³ Hemoglobina 3,3 g/L Hematócrito 9,3 % VCM 89,1 fL HCM 31,8 pg CHCM 35,7 g/dL RDW 38,4 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 14670 Neutrófilos 72 10562 Promielócitos 0 0 Mielócitos 2 293 Metamielócitos 7 1026 Bastões 10 1467 Segmentados 53 7775 Eosinófilos 5 733 Basófilos 0 0 Linfócitos 21 3083 Monócitos 2 293 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 67000 /mm³ Contagem de Reticulócitos % /mm³ 19,9 258700 Obs.: POIQUILOCITOSE. POLICROMASIA. ANISOCITOSE. ESQUIZÓCITOS. 59 ERITROBLASTOS EM 100 LEU- CÓCITOS. LEUCÓCITOS. NEUTRÓFILOS SEM SINAIS DEGENERATIVOS. LINFÓCITOS SEM ATIPIAS. 101 hemogramas - completo rev1.indd 195 05/02/2018 14:06:24 CASO h e m o g r a m a 196 Apresentação do caso clínico Mulher, 61 anos, encaminhada do interior ao serviço de Clínica Médica por “pancitopenia”. Realizou reposição diária de vitamina B12 por três semanas, sem melhora clínica. À internação, realizou BMO, a qual demonstrou hiperplasia das três séries. Relatava crises de dor abdominal difusa, disfagia e urina “escura”. Ne- gou acolia e alterações cutâneas. Exames complementares: LDH de 1500 U/L; B12 sérica normal; Coombs direto negativo. 1. Quais os achados do hemograma? 2. Qual exame confirma o diagnóstico? 3. Nesse caso, apesar da hemólise, por que o paciente não tem esplenomegalia? 4. Qual a principal causa de óbito nesses pacientes? 5. Qual tratamento, instituído para a paciente após a confirmação diagnósti- ca, revolucionou a sobrevida da patologia em questão? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 85 O ocaso das hemácias 101 hemogramas - completo rev1.indd 196 05/02/2018 14:06:25 197 Eritrograma Hemácias 2,8 milhões/mm³ Hemoglobina 8,5 g/L Hematócrito 28,6 % VCM 101,0 fL HCM 30,3 pg CHCM 30,0 g/dL RDW 24,0 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 1806 Neutrófilos 31 559 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 1 18 Segmentados 30 541 Eosinófilos 2 36 Basófilos 0 0 Linfócitos 59 1067 Monócitos 8 144 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 68710 /mm³ Contagem de Reticulócitos % /mm³ 4,9 137200 Obs.: MACROCITOSE. HIPOCROMIA E ANISOCITOSE. ANI- SOCROMIA E POLICROMASIA. 101 hemogramas - completo rev1.indd 197 05/02/2018 14:06:25 CASO h e m o g r a m a 198 Apresentação do caso clínico Mulher, 50 anos, casada, há dois anos com dor em membros inferiores, pares- tesia em pododáctilos e adinamia. Procurou UBS, onde realizou hemograma que revelou anemia, sendo solicitado suporte hemoterápico. Todavia, a transfusão de hemácias não pôde ser efetuada, e a paciente foi encaminhada ao Centro de Referência em Hematologia. Realizou-se nova anamnese, confirmando hiporexia e perda de 4,0 kg em um período de um mês. Ao exame físico, encontrava-se ic- térica (+1/+4), emagrecida e pálida (+2/+4). Pescoço: gânglios cervicais palpáveis (menores que 2,0 cm, móveis, fibroelásticos e indolores). Abdome: plano, fláci- do, indolor à palpação e sem visceromegalias. Traube ocupado. 1. Quais as alterações do hemograma? 2. Como pesquisar a causa da anemia diante dos dados clínicos e do hemo- grama? 3. Quais são as possíveis etiologias da AHAI? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 86 Quente ou frio? 101 hemogramas - completo rev1.indd 198 05/02/2018 14:06:25 199 Eritrograma Hemácias 2,6 milhões/mm³ Hemoglobina 10,7 g/L Hematócrito 29,0 % VCM 108,7 fL HCM 40,1 pg CHCM 36,9 g/dL RDW 14,4 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 6500 Neutrófilos 58 3770 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 0 0 Segmentados 58 3770 Eosinófilos 1 65 Basófilos 0 0 Linfócitos 36 2340 Monócitos 5 325 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 424000 /mm³ Contagem de Reticulócitos % /mm³ 5,9 153400 Obs.: MACROCITOSE. ANISOCROMIA POLICROMASIA. LIN- FÓCITOS SEM ATIPIAS. 101 hemogramas - completo rev1.indd 199 05/02/2018 14:06:25 CASO h e m o g r a m a 200 Apresentação do caso clínico Mulher, 41 anos, há 10 dias com cefaleia holocraniana de moderada inten- sidade, sem náuseas, vômitos e febre. Há cinco dias, passou a apresentar tam- bém episódios de tontura, astenia, palidez, icterícia, edema palpebral bilateral e sensação de dormência perilabial. Procurou Emergência, onde se considerou o diagnóstico de AVC, realizando TC de crânio sem contraste (sem alterações). Ao exame físico, encontrava-se orientada, taquidispneica, afebril, acianótica, ictéri- ca (+2/+4) e pálida (+3/+4). Coração: sopro sistólico pancardíaco (+2/+6). Abdo- me: discreta esplenomegalia, sem hepatomegalia. Traube ocupado. 1. Quais são as alterações do hemograma? 2. Quais dados do eritrograma e da hematoscopia apontam a provável causa da anemia? 3. Qual o exame laboratorial mais importante na abordagem inicial de uma hemólise? 4. Qual agente etiológico de pneumonia adquirida na comunidade está, clas- sicamente, associado à AHAI por anticorpos frios (IgM)? 5. Se a hemólise fosse precipitada pelo resfriamento da amostra do sangue em EDTA e a atividade hemolítica fosse cessada ao aumento da tempera- tura, que infecção bacteriana deveria ser pesquisada? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 87 Combinando o teste 101 hemogramas - completo rev1.indd 200 05/02/2018 14:06:25 201 Eritrograma Hemácias 2,3 milhões/mm³ Hemoglobina 7,2 g/L Hematócrito 22,7 % VCM 97,4 fL HCM 30,9 pg CHCM 31,7 g/dL RDW 20,2 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 6994 Neutrófilos 76 5315 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 3 209 Segmentados 73 5105 Eosinófilos 0 0 Basófilos 0 0 Linfócitos19 1331 Monócitos 5 349 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 183800 /mm³ Contagem de Reticulócitos % /mm³ 15 345000 Obs.: POIQUILOCITOSE. ANISOCITOSE. HIPOCROMIA. ANI- SOCROMIA. POLICROMASIA. PRESENÇA DE 3 ERITROBLASTOS EM 100 LEUCÓCITOS EOSINÓFILOS EXTRACONTAGEM. 101 hemogramas - completo rev1.indd 201 05/02/2018 14:06:25 CASO h e m o g r a m a 202 Apresentação do caso clínico Mulher, 62 anos, branca, arquiteta. História de fezes de consistência líquido- -pastosa sem sangue e sem muco, dois episódios ao dia, ao longo dos últimos 6 meses. Relatou perda de peso progressiva (não soube especificar) e aumento de volume abdominal. Sem antecedentes relevantes. Exame físico: emagrecida e páli- da (+3/+4). Abdome: abaulado, assimétrico, com presença de circulação colateral, moderada hepatomegalia e acentuada esplenomegalia de consistência pétrea. 1. Quais as principais alterações do hemograma? 2. Diante da esplenomegalia pétrea, dos achados do hemograma e da he- matoscopia, qual a principal síndrome da paciente? 3. Que exames confirmariam o diagnóstico? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 88 “Chorando se foi” 101 hemogramas - completo rev1.indd 202 05/02/2018 14:06:25 203 Eritrograma Hemácias 1,9 milhões/mm³ Hemoglobina 7,4 g/L Hematócrito 23,0 % VCM 126,4 fL HCM 46,7 pg CHCM 32,2 g/dL RDW 23,0 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 7970 Neutrófilos 64,6 5148 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 1,0 79 Bastões 4,0 318 Segmentados 59,6 4750 Eosinófilos 1,8 143 Basófilos 1,7 135 Linfócitos 25,7 2051 Monócitos 6,2 494 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 81000 /mm³ Obs.: AUSÊNCIA DE GRANULAÇÕES TÓXICAS NOS NEUTRÓ- FILOS. HEMÁCIAS MACROCÍTICAS: 59,1%. HEMÁCIAS HIPOCRÔMICAS: 16,7%. ANISOCITOSE. ANISOCRO- MIA. DACRIÓCITOS. POLICROMASIA. PRESENÇA DE 1 ERITROBLASTO ORTOCROMÁTICO EM 100 LEUCÓCI- TOS. PRESENÇA DE ALGUNS NEUTRÓFILOS HIPER- SEGMENTADOS. 101 hemogramas - completo rev1.indd 203 05/02/2018 14:06:25 CASO h e m o g r a m a 204 Apresentação do caso clínico Mulher, 46 anos, com antecedente de colecistectomia há 15 anos, queixando- se de astenia e adinamia. Possui duas filhas, uma com traço talassêmico e outra com doença falciforme (traço falciforme). Realizou eletroforese de hemoglobina por HPLC do cônjuge, a qual foi normal. 1. Qual o tipo de herança envolvida em tais hemoglobinopatias? 2. Qual o genótipo da mãe? 3. Qual o epônimo que descreve a condição materna? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 89 Duas hemoglobinas para uma mãe 101 hemogramas - completo rev1.indd 204 05/02/2018 14:06:25 205 Leucograma Hemácias 2,9 milhões/mm³ Hemoglobina 6,5 g/L Hematócrito 21,5 % VCM 74,1 fL HCM 22,5 pg CHCM 30,4 g/dL RDW 21,3 % % /mm³ Leucócitos 9900 Neutrófilos 57 5643 Promielócitos 0 0 Mielócitos 3 297 Metamielócitos 1 99 Bastões 3 297 Segmentados 50 4950 Eosinófilos 1 99 Basófilos 1 99 Linfócitos 25 2475 Monócitos 16 1584 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 328000 /mm³ Contagem de Reticulócitos % /mm³ 11,8 342200 Obs.: ANISOCITOSE. MICROCITOSE. HIPOCROMIA. POLI- CROMASIA. POIQUILOCITOSE. HEMÁCIAS EM ALVO. PRESENÇA DE DREPANÓCITOS E PONTILHADO BA- SOFÍLICO. 17 ERITROBLASTOS EM 100 LEUCÓCITOS. LIINFÓCITOS SEM ATIPIAS. LEUCÓCITOS CORRIGIDOS EM RELAÇÃO AO NÚMERO DE ERITROBLASTOS. 101 hemogramas - completo rev1.indd 205 05/02/2018 14:06:25 CASO h e m o g r a m a 206 Apresentação do caso clínico Mulher, 57 anos, com anemia e diarreia crônicas, relatava episódios de disp- neia aos médios esforços, tontura e lipotimia. Comorbidade: hipotireoidismo. Ao exame físico apresentava-se pálida (+2/+4), com pressão arterial e pulsos nor- mais. Pele: placas eritematopruriginosas encimadas por vesículas em tronco e membros. 1. Diante dos dados clínicos e do hemograma, quais as possíveis hipóteses diagnósticas? 2. Como investigar laboratorialmente o tipo de anemia? 3. Qual o provável diagnóstico dermatológico da paciente? Sabendo que hou- ve episódio de dispneia e de cianose periférica após uso de medicamento prescrito para a doença cutânea, qual o fármaco foi usado? Qual a compli- cação citada? 4. Qual o tratamento para a complicação hematológica citada? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 90 Sangue azul 101 hemogramas - completo rev1.indd 206 05/02/2018 14:06:25 207 Eritrograma Hemácias 4,4 milhões/mm³ Hemoglobina 10,0 g/L Hematócrito 30,9 % VCM 69,8 fL HCM 22,6 pg CHCM 32,4 g/dL RDW 16,8 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 5500 Neutrófilos 38 2090 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 0 0 Segmentados 38 2090 Eosinófilos 7 365 Basófilos 2 110 Linfócitos 44 2420 Monócitos 9 495 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 431000 /mm³ Obs.: MICROCITOSE. HIPOCROMIA. ANISOCITOSE. LINFÓCITOS SEM ATIPIAS. 101 hemogramas - completo rev1.indd 207 05/02/2018 14:06:25 CASO h e m o g r a m a 208 Apresentação do caso clínico Mulher, 55 anos, com história de plaquetopenia imune crônica refratária, com- pareceu ao serviço de Hematologia com petéquias em MMII há cinco dias. Atual- mente, em tratamento com micofenolato mofetil. Antecedentes: uso crônico de corticoesteroides e esplenectomia prévia. Ao exame físico, encontrava-se orien- tada, eupneica, afebril, acianótica, anictérica, corada. Discreta gengivorragia es- pontânea. Abdome: cicatriz cirúrgica em RCE, plano, flácido e indolor à palpação. Sem hepatomegalia, Traube livre. 1. Quais as alterações do hemograma? 2. Qual bactéria está associada à plaquetopenia imune refratária? 3. A presença de Coombs positivo levaria a pensar em que diagnóstico? 4. A refratariedade da plaquetopenia levou o médico assistente da paciente a iniciar terapia anti-CD20. Qual infecção viral cerebral está mais associa- da a esse medicamento? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 91 π = 3,1415… 101 hemogramas - completo rev1.indd 208 05/02/2018 14:06:25 209 Eritrograma Hemácias 4,7 milhões/mm³ Hemoglobina 13,3 g/L Hematócrito 40,9 % VCM 86,1 fL HCM 28,2 pg CHCM 32,7 g/dL RDW 14,8 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 10590 Neutrófilos 55,9 5926 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 0 0 Segmentados 55,9 5926 Eosinófilos 0,1 9 Basófilos 0,6 67 Linfócitos 29,8 3159 Monócitos 13,5 1429 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 11050 /mm³ Obs.: HEMÁCIAS MORFOLOGICAMENTE NORMAIS. LINFÓCI- TOS SEM ATIPIAS. 101 hemogramas - completo rev1.indd 209 05/02/2018 14:06:25 CASO h e m o g r a m a 210 Apresentação do caso clínico Mulher, 25 anos, em tratamento para leucemia promielocítica aguda, evoluin- do pós-quimioterapia com astenia, adinamia, febre (39,0ºC) e importante odino- fagia. Ao exame físico, apresentava hiperemia e hipertrofia de amígdalas. 1. Qual é o principal achado do hemograma? 2. O tratamento antibioticoterápico nessa paciente deve ser amplo ou restrito? 3. Qual medicamento revolucionou o tratamento desse grupo de leucemias? 4. Qual é o produto quimérico que o medicamento da questão anterior pos- sui que diminui a atividade intracelular? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 92 ATRAvés do nada 101 hemogramas - completo rev1.indd 210 05/02/2018 14:06:25 211 Eritrograma Hemácias 3,2 milhões/mm³ Hemoglobina 7,5 g/L Hematócrito 26,1 % VCM 80,3 fL HCM 23,1 pg CHCM 28,7 g/dL RDW 19,4 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 257 Neutrófilos 0 0 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 0 0 Segmentados 0 0 Eosinófilos 0 0 Basófilos 1 3 Linfócitos 98 251 Monócitos 1 3 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 24540 /mm³ Obs.: ANISOCROMIA. LINFÓCITOS SEM ATIPIAS. 101 hemogramas - completo rev1.indd 211 05/02/2018 14:06:25 CASO h e m o g r a m a 212 Apresentação do caso clínico Mulher, 37 anos, dona de casa, encaminhada ao serviço de Hematologia com história de anemia macrocítica persistente há seis meses. Relatava astenia, disp- neia aos moderados esforços e perda de 6,0 kg nos últimos seis meses.Negou al- terações de hábito intestinal. Ao exame físico, apresentava-se orientada, eupneica, afebril, anictérica, pálida (+3/+4). Coração: sopro sistólico pancardíaco (+2/+6). Exames laboratoriais: AST 25 U/mL, ALT 23 U/mL, bilirrubina total 0,6 mg/dL (BD 0,2 mg/dL, BI 0,4 mg/dL), LDH 219 U/L (VR = 150-500 U/L). Eletroforese de hemoglobina por HPLC (HbA1 = 91,4%, HbF = 6,0%, HbA2 = 2,6%). 1. Quais as principais alterações do hemograma? 2. Diante desses achados citológicos de MO, qual alteração cromossômica explicaria os achados da paciente? 3. Cite a deficiência vitamínica mais associada à importante displasia na MO? 4. A doença da paciente responde satisfatoriamente ao tratamento com me- dicamento que é derivado de fármaco teratogênico. Cite os dois medica- mentos referidos. QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 93 O mistério das plaquetas 101 hemogramas - completo rev1.indd 212 05/02/2018 14:06:25 213 Eritrograma Hemácias 1,6 milhões/mm³ Hemoglobina 6,0 g/L Hematócrito 18,0 % VCM 112,5 fL HCM 37,5 pg CHCM 33,1 g/dL RDW 22,9 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 2810 Neutrófilos 39,9 1121 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 0 0 Segmentados 0 0 Eosinófilos 3,8 106 Basófilos 1,8 50 Linfócitos 47,9 1348 Monócitos 6,6 185 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 575000 /mm³ Obs.: ANISOCITOSE. PERCENTAGEM DE HEMÁCIAS MACRO- CÍTICAS: 31,6%. 101 hemogramas - completo rev1.indd 213 05/02/2018 14:06:25 CASO h e m o g r a m a 214 Apresentação do caso clínico Mulher, 73 anos, com lesões eritematodescamativas e pruriginosas generali- zadas há oito meses. Atribuiu-se inicialmente o diagnóstico de eczema de con- tato. Posteriormente ao uso de vários medicamentos tópicos sem melhora, foi orientada a procurar um serviço de referência em Dermatologia, onde se realizou biópsia com imunohistoquímica de pele, confirmando o diagnóstico de doença linfoproliferativa de células T. 1. Que doenças linfoproliferativas de células T devem ser lembradas? 2. Qual achado dermatológico mais comum em pacientes com síndrome de Sézary? 3. Qual achado do hemograma é relativamente comum em pacientes porta- dores de doenças T leucemizadas? 4. Qual retrovírus se deve sempre pesquisar em pacientes com de doenças linfoproliferativas T? 5. No Brasil, qual é a linhagem de linfócitos mais associada a doenças hema- tológicas? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 94 Nem tudo são flores 101 hemogramas - completo rev1.indd 214 05/02/2018 14:06:25 215 Eritrograma Hemácias 4,1 milhões/mm³ Hemoglobina 11,6 g/L Hematócrito 35,6 % VCM 85,7 fL HCM 27,8 pg CHCM 32,5 g/dL RDW 16,8 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 10604 Neutrófilos 50 5320 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 0 0 Segmentados 50 5320 Eosinófilos 12 1276 Basófilos 1 106 Linfócitos 21 2234 Monócitos 8 851 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 261300 /mm³ Obs.: CÉLULAS DE SÉZARY (8%). ANISOCITOSE. ANISO- CROMIA. 101 hemogramas - completo rev1.indd 215 05/02/2018 14:06:26 CASO h e m o g r a m a 216 Apresentação do caso clínico Homem, 74 anos, relatando dispneia aos médios esforços há quatro anos e aos pequenos esforços há um ano. Apresentou episódios de síncope há seis me- ses, concomitante à ocorrência de febre e de diarreia pastosa, sem sangue e sem muco. A diarreia cessou temporariamente após tratamento para infecção por E. coli, que foi diagnosticada nesse período. Referiu acentuada perda de peso, vertigem, epistaxe bilateral, cefaleia holocraniana, intensa fraqueza e parestesia em MMII. Exame físico: paciente orientado, eupneico, febril (38,8ºC), taquicárdico (112 bpm), anictérico, acianótico, pálido (+3/+4) e caquético. Pele: equimoses em locais de venóclise. Coração: discreto sopro sistólico pancardíaco. Abdome: sem alterações. VHS elevada (141 mm/h). 1. Quais as alterações dos exames laboratoriais? 2. Qual condição deve ser sempre pensada num paciente com 74 anos, ane- mia e VHS elevada? 3. À fundoscopia óptica, foi evidenciado engurgitamento venoso, o qual fez o interno se lembrar de “salsichas”. Cite duas doenças que se enqua- dram melhor nesses achados. QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 95 Síndrome de Estocolmo 101 hemogramas - completo rev1.indd 216 05/02/2018 14:06:26 217 4. Se o paciente apresentasse lesão renal com glicosúria, fosfatúria, uricosú- ria e bicarbonatúria, o diagnóstico ficaria mais fácil. Cite a síndrome que foi referida, o tipo de gamopatia associada e a maneira de ser diagnosticada. QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? Eritrograma Hemácias 2,2 milhões/mm³ Hemoglobina 6,4 g/L Hematócrito 19,7 % VCM 88,7 fL HCM 29,0 pg CHCM 32,4 g/dL RDW 16,8 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 3290 Neutrófilos 67 2204 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 2 65 Segmentados 65 2138 Eosinófilos 3 98 Basófilos 0 0 Linfócitos 22 723 Monócitos 8 263 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 191000 /mm³ Obs.: ANISOCITOSE. ANISOCROMIA. HEMÁCIAS EM ROULEAUX. 101 hemogramas - completo rev1.indd 217 05/02/2018 14:06:26 CASO h e m o g r a m a 218 Apresentação do caso clínico Homem, 33 anos, agricultor, referiu que há quatro meses apresentou febre e mialgia. Procurou atendimento médico, e foi confirmado o diagnóstico de den- gue (IgG+/IgM+). Já hospitalizado em sua cidade, recebeu quatro concentrados de hemácias. Referiu também episódio isolado de epistaxe bilateral e, atualmen- te, persistia com anemia, leucopenia e plaquetopenia. Pela persistência da pan- citopenia, foi encaminhado ao serviço de Hematologia. Ao exame físico, apre- sentava-se com moderada palidez e sufusões hemorrágicas em cavidade oral e em membros. Sem outras alterações ao exame físico. 1. Como explicar a persistência da pancitopenia após quatro meses do diag- nóstico de dengue? 2. Quais exames devemos solicitar diante desse quadro? Qual o resultado esperado? 3. Cite dois exemplos de doenças genéticas associadas à aplasia medular primária. QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 96 Mosquito dá em nada! 101 hemogramas - completo rev1.indd 218 05/02/2018 14:06:26 219 Eritrograma Hemácias 2,0 milhões/mm³ Hemoglobina 7,4 g/L Hematócrito 20,8 % VCM 102,6 fL HCM 36,5 pg CHCM 35,6 g/dL RDW 20,6 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 3082 Neutrófilos 38,7 1191 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 0 0 Segmentados 38,7 1191 Eosinófilos 0,1 3 Basófilos 1,0 32 Linfócitos 53,1 1639 Monócitos 7,0 217 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 7154 /mm³ Contagem de Reticulócitos % /mm³ 1,1 22000 Obs.: MACROCITOSE. ANISOCITOSE. ANISOCROMIA. POIQUI- LÓCITOS. DISCRETA POLICROMASIA E EOSINÓFILOS EXTRACONTAGEM. PRESENÇA DE 2 ERITROBLASTOS EM 100 LEUCÓCITOS. 101 hemogramas - completo rev1.indd 219 05/02/2018 14:06:26 CASO h e m o g r a m a 220 Apresentação do caso clínico Mulher, 34 anos, com história de febre há dois meses, admitida para investigação de pancitopenia. Ao exame físico, lesões pápulo-verrucosas disseminadas na região perineal. Sem linfonodomegalias. Exames laboratoriais: TP e TTPa alargados, fibri- nogênio consumido, ferritina acima de 600 mg/dL e LDH acima de 6000 U/L. 1. Quais achados do hemograma? 2. À fundoscopia, houve presença de lesões hemorrágicas. Diante dessa in- formação, quais sorologias são indispensáveis? 3. Sabendo que o aspirado medular apresentava intensa histiocitose com moderada atividade hemocatarética macrofágica, cite uma causa viral, uma autoimune e uma neoplásica associada a tal doença. 4. A paciente possuía CD4 de 91/mm³ e carga viral de 600.000 cópias de RNA do HIV. Qual medicamento utilizado para o tratamento da infecção por esse retrovírus está associado à lesão renal aguda? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 97 Le Festin du Macrophage 101 hemogramas - completo rev1.indd 220 05/02/2018 14:06:26 221 Eritrograma Hemácias 3,3 milhões/mm³ Hemoglobina 8,7 g/L Hematócrito26,6 % VCM 78,5 fL HCM 25,7 pg CHCM 32,7 g/dL RDW 12,6 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 3620 Neutrófilos 74,1 2682 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 0 0 Segmentados 74,1 2682 Eosinófilos 0,5 18 Basófilos 1,0 36 Linfócitos 20,7 751 Monócitos 3,7 133 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 194000 /mm³ Obs.: HEMÁCIAS MICROCÍTICAS. HIPOCRÔMICAS. AUSÊNCIA DE DEGENERAÇÃO LEUCOCITÁRIA. 101 hemogramas - completo rev1.indd 221 05/02/2018 14:06:26 CASO h e m o g r a m a 222 Apresentação do caso clínico Mulher, 24 anos, uma semana pós-parto cesárea, evoluiu com picos hiperten- sivos, síndrome anêmica e púrpura. Foi admitida na UTI com edema agudo de pulmão, necessitando de VNI e terapia de reposição renal por lesão renal aguda. Não apresentou alteração de consciência e sinais ou sintomas de foco infeccioso. Recebeu alta da UTI e evoluiu na Enfermaria com edema agudo pulmonar re- corrente, alteração da fração de ejeção cardíaca e necessidade de diálise diária. Exames realizados: FAN, anticardiolipina e beta-2-glicoproteína-1 não reagentes; anticoagulante lúpico ausente. Presença de esquizócitos à admissão. Paciente iniciou tratamento com plasmaférese, diálise diária e terapêutica anti-hiperten- siva. Após duas semanas de tratamento, realizou o hemograma exposto. 1. Quais os achados do hemograma? 2. Existiria possibilidade de biópsia renal nesse caso para elucidação diagnós- tica? 3. Qual o principal diagnóstico? 4. No caso da doença em questão, quais alterações do complemento são mais comuns? QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? 98 Não tão normal 101 hemogramas - completo rev1.indd 222 05/02/2018 14:06:26 223 Eritrograma Hemácias 4,0 milhões/mm³ Hemoglobina 12,0 g/L Hematócrito 36,8 % VCM 91,6 fL HCM 29,9 pg CHCM 32,7 g/dL RDW 14,3 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 7734 Neutrófilos 68 5259 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 2 154 Segmentados 66 5104 Eosinófilos 2 154 Basófilos 0 0 Linfócitos 22 1704 Monócitos 8 618 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 174900 /mm³ Contagem de Reticulócitos % /mm³ 4,7 188000 Obs.: ANISOCROMIA. NEUTRÓFILOS SEM SINAIS DEGENE- RATIVOS. LINFÓCITOS SEM ATIPIAS. 101 hemogramas - completo rev1.indd 223 05/02/2018 14:06:26 CASO h e m o g r a m a 224 Apresentação do caso clínico Homem, 75 anos, há oito meses com astenia progressiva, sensação de pleni- tude gástrica associada à diminuição do apetite e perda de 6,0 kg. Negou febre e calafrios, assim como antecedentes relevantes. Ao exame físico, apresentava-se orientado, eupneico, afebril, acianótico, anictérico e pálido (3+/4+). Sem linfono- domegalias palpáveis. Abdome: assimétrico, com abaulamento em hipocôndrio esquerdo, baço indolor palpável a 8,0 cm do RCE (Boyd 4) de consistência en- durecida e sem hepatomegalia. Por não apresentar melhora da sintomatologia, procurou várias vezes a UPA, onde recebeu quatro concentrados de hemácias. Após a realização do hemograma a seguir, foi encaminhado ao serviço de Hema- tologia para investigação diagnóstica. 1. Considerando que existem limitadas etiologias que cursam com espleno- megalia de grande monta, cite um exemplo de doença onco-hematológi- ca, de depósito e infecciosa. 2. Considerando o achado à hematoscopia de projeções citoplasmáticas lin- focitárias, quais as possíveis etiologias? 3. Sabendo que muitas infecções podem estar associadas à oncogênese, cite quais microorganismos estão associados a linfoma MALT gástrico, linfoma de órbita e linfoma de zona marginal esplênica. QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO ? O último desafio 99 Você, que até aqui chegou, o último desafio a terminar Para saber o que você ganhou ao este livro desfrutar. 101 hemogramas - completo rev1.indd 224 05/02/2018 14:06:26 225 Eritrograma Hemácias 2,6 milhões/mm³ Hemoglobina 6,1 g/L Hematócrito 20,8 % VCM 78,7 fL HCM 23,0 pg CHCM 29,2 g/dL RDW 18,4 % Leucograma % /mm³ Leucócitos 38600 Neutrófilos 5,9 2270 Promielócitos 0 0 Mielócitos 0 0 Metamielócitos 0 0 Bastões 0 0 Segmentados 5,9 2270 Eosinófilos 0,1 50 Basófilos 1 390 Linfócitos 92,2 35600 Monócitos 0,8 290 Blastos 0 0 Plaquetograma Plaquetas 83000 /mm³ Obs.: ANISOCITOSE. ANISOCROMIA. HEMÁCIAS HIPO- CRÔMICAS: 60%. HEMÁCIAS MICROCÍTICAS: 8,8%. PRESENÇA DE 10% DE LINFÓCITOS COM PROJEÇÕES CITOPLASMÁTICAS. 101 hemogramas - completo rev1.indd 225 05/02/2018 14:06:26 226 1. O mal do interno 1. Anemia microcítica hipocrômica. 2. Anemia ferropriva, anemia da inflamação, talassemia, anemia sideroblástica. 3. Perfil do ferro (ferro sérico, índice de saturação de transferrina e ferritina). O perfil do ferro revelou ferro sérico, índice de saturação de transferrina e ferritina baixos, confirmando o diagnóstico de anemia ferropriva. Vale res- saltar que em pacientes com anemia ferropriva refratária à reposição de fer- ro oral deve-se investigar infecção por H. pylori via EGD e biópsia gástrica e, em alguns casos, doença celíaca. 4. Deve retornar-se à ingestão de carne vermelha e reposição de sulfato ferro- so oral por no mínimo seis meses. 2. Do corte às plaquetas 1. Esplenectomia. 2. Corpúsculos de Howell-Jolly e plaquetose. 3. Pneumococo, meningococo e hemófilo. Respostas 101 hemogramas - completo rev1.indd 226 05/02/2018 14:06:26 danie Nota A púrpura trombocitopênica imune (PTI) ou plaquetopenia imune (PI) é uma doença imunomediada, caracterizada pela formação de anticorpos dirigidos contra antígenos do sistema plaquetário humano (HPA). É uma doença que possui como principal apresentação clínica a presença de petéquias, equimoses e hematomas muitas vezes espontâneos ou associados a traumas pequenos. Ao hemograma, a trombocitopenia isolado é um dos achados mais importantes. Costumeiramente, o índice PTW também se demonstra elevado, o que é interpretado como liberação de formas jovens de plaquetas no sangue periférico. Por definição, a PTI é um diagnóstico de exclusão, o qual deve ser realizado após se excluir outras causas, especialmente HIV, alterações hepáticas, autoimunidades e infecções. Após a exclusão de causas associadas à trombocitopenia, o diagnóstico de PTI pode ser realizado. O tratamento é baseado em linhas terapêuticas específicas e bem desenhadas, que devem ser seguidas com o intuito de melhor cuidado ao paciente com essa enfermidade. Para os pacientes com plaquetometria abaixo de 30000/mm³, o tratamento é preconizado. A terapia de primeira linha é feita com dexametasona em altas doses. Após 21 dias, deve-se avaliar a plaquetometria e definir se houve aumento da contagem plaquetária. Se houver resposta, o paciente deve repetir os ciclos de dexametasona em altas doses por quatro a seis ciclos. Se houver recaída ou não resposta adequada ao corticoide, as outras abordagens terapêuticas devem ser ofertadas ao paciente, dentre elas esplenectomia, rituximabe e agonistas da trombopoetina, especialmente o eltrombopag. É importante ressaltar, em pacientes pediátricos, a exclusão do diagnóstico de leucemia linfoblástica aguda, pelo fato de a corticoterapia nesses pacientes está associada a alterações na resposta ao tratamento quimioterápico a longo prazo. Nesse sentido, alguns autores advogam a realização de aspirado medular na população pediátrica antes de se iniciar o tratamento com corticoide. 227 3. Três vacinas para três sinais 1. Anemia normocítica normocrômica, leucocitose, neutrofilia e monocitose. 2. Meningite aguda. 3. TC de crânio para excluir efeito de massa e estudo do líquor com bacterios- copia. No caso em estudo, a agudicidade sugere um diagnóstico de menin- gite viral ou bacteriana. O estudo do líquor revelou presença de hemácias (10/mm³) e leucócitos (517/ mm³), com diferencial de linfócitos (24%), mo- nócitos (9%) e neutrófilos (67%). A bioquímica revelou glicose de 5 mg/dL e proteínas totais de 275,4 mg/dL. Por fim, a bacterioscopia mostrou pe- quena quantidade de bacilos Gram negativos, confirmando o diagnóstico de meningitebacteriana. 4. O estranho caso do Sr. Addison Biermer 1. Anemia macrocítica, hipocrômica, anisocitose, leucopenia, neutropenia e plaquetopenia, configurando, assim, pancitopenia. 2. Diante da pancitopenia, deve-se pensar em: anemia megaloblástica, sín- drome mielodisplásica, mielopatia infiltrativa, hepatopatia, hipotireoidis- mo, entre outras. 3. EGD (com pesquisa de H. pylori e biópsia de mucosa gástrica) e anticorpos antifator intrínseco/anticélula parietal. Confirmou-se o diagnóstico de ane- mia perniciosa. 5. Algo a sempre se pensar 1. Leucocitose, neutrofilia e anaeosinofilia. 2. Apendicite aguda, úlcera péptica perfurada, pancreatite aguda, colecistite, diverticulite, entre outras etiologias. 3. Confirmou-se o diagnóstico de apendicite aguda com ultrassom abdominal. 6. Águas paradas não movem moinhos 1. Leucopenia, neutropenia e plaquetopenia. 101 hemogramas - completo rev1.indd 227 05/02/2018 14:06:26 danie Nota A macrocitose é um dos importantes achados no eritrograma, especialmente pela complexidade dos diagnósticos sobrejacentes. Nesse quesito, é essencial se avaliar a presença de sinais de uma medula hipo ou hiperfuncionante. A primeira geralmente se manifesta por LDH normal, contagem de reticulócitos normal ou reduzida e ausência de sinais de hemólise. A segunda é caracterizada por LDH aumentado, contagem de reticulócitos elevado e presença de sinais de hemólise. A deficiência de vitamina B12 pode confundir a análise baseada nessas informações, pois o LDH nessa enfermidade está aumentado como sinal de elevado turnover medular, associado a eritropoese ineficaz, e não à hemólise. 228 2. Infecção viral aguda. 3. Dengue, zika e chikungunya. Confirmou-se o diagnóstico de dengue com sorologia positiva para IgM. 7. Entre perdas e ganhos 1. Anemia microcítica hipocrômica e moderada anisocitose. 2. Anemia ferropriva, anemia da inflamação e talassemia. 3. Perfil do ferro: apresentava ferro sérico, ferritina e índice de saturação bai- xos, o que confirma a ferropenia. 4. Doença hemorroidária, que foi confirmada por anuscopia. 8. Megadieta 1. Anemia macrocítica hipercrômica e anisocitose. 2. Deficiência de B12 ou folato, anemia perniciosa e SMD. Vale ressaltar outras causas menos comuns de macrocitose, como hipotireoidismo, hepatopa- tias e quadros hemolíticos. 3. Na abordagem inicial de um paciente com macrocitose e com idade acima de 60 anos, devemos investigar deficiência de B12 e ácido fólico. Ambas as vitaminas foram dosadas, sendo confirmado que B12 estava reduzida e áci- do fólico normal, favorecendo a hipótese diagnóstica de anemia perniciosa. A EGD com biópsia de mucosa gástrica revelou pangastrite atrófica, o que confirmou a hipótese diagnóstica. Colonoscopia foi realizada, achando-se, apenas, varizes hemorroidárias. 4. Neutrófilos hipersegmentados. 9. Idosa dengosa 1. Presença de linfócitos atípicos (15%) e plaquetopenia. 2. Dengue, zika, chikungunya, CMV, EBV. 3. Devem ser realizadas sorologias para as infecções virais acima. Realizou-se sorologia para dengue (IgG e IgM reagentes), confirmando o diagnóstico. 101 hemogramas - completo rev1.indd 228 05/02/2018 14:06:26 danie Nota Define-se hipersegmentação neutrofílica a presença de mais de 5% de neutrófilos com mais de cinco lobos ou mais de 1% com mais de seis lobos por campo. É importante ressaltar que outras condições podem estar associadas à hipersegmentação, como síndromes mieloproliferativas crônicas. 229 10. Tem infecção? 1. Anemia microcítica normocrômica, leucocitose com desvio escalonado, neu- trofilia, monocitose e plaquetopenia. 2. O HTLV-I está associado a doenças linfoproliferativas do tipo T. 3. Fatores estimuladores de colônia de granulócitos, dentre eles a filgastrina. 11. Foi-se o tempo 1. Anemia normocítica normocrômica, leucocitose, neutrofilia, monocitose e plaquetose. 2. HbSS. 3. Estudo de hemoglobina por HPLC (HbS: 82,6%; HbF: 11,8%; HbA2: 3,4%), confirmando diagnóstico de anemia falciforme. 4. Possivelmente, decorrente da colelitíase e de processo vasoclusivo da do- ença de base. 5. Estamos diante de uma plaquetose reacional, que pode ser explicada pela asplenia (perda de função esplênica). 12. Artralgia não reumatológica 1. Anemia macrocítica e normocrômica, plaquetose e discreta leucocitose. 2. Congênita. 3. Contagem de reticulócitos aumentada, policromasia e eritroblastos circu- lantes. 4. Estudo da hemoglobina por HPLC. Levando em conta a provável origem congênita da doença e os achados compatíveis com hemólise, tem-se de pensar em anemias hemolíticas constitucionais (membranopatias, hemo- globinopatias, eritroenzimopatias). Nesse caso, o HPLC solucionará parte de nossos problemas, pois membranopatias devem ser pesquisadas por testes de fragilidade da membrana, e eritroenzimopatias por pesquisa da proteína alterada. 5. Anemia falciforme. 101 hemogramas - completo rev1.indd 229 05/02/2018 14:06:26 danie Nota O uso de fatores estimulantes de granulócitos é preconizado em esquemas de quimioterapia cujo risco de neutropenia (neutrófilos < 1500/mm³) é maior do que 20%. Geralmente, utiliza-se em esquemas de indução de remissão em leucemias agudas ou poliquimioterapia de linfomas. Como efeito, pode se esperar leucocitose após recuperação neutrofílica, podendo estar associado à febre e à dor óssea, por estimulação medular. lucas Nota Adicionar: A hemoglobinopatia decorrente da homozigose da HbS é uma das mais comuns, bem como a que apresenta mais manifestações clínicas e índices de morbidade a longo prazo. As manifestações se iniciam na infância, através de fenômenos vasoclusivos e crises de hemólise. O diagnóstico dessa doença pode ser feito através do teste do pezinho e posterior eletroforese de hemoglobina. lucas Nota Adicionar: Decorrente de eventos isquêmicos na vasculatura esplênica, os pacientes com HbSS desenvolvem uma hipoesplenia/asplenia funcional por volta dos seis anos de idade, proporcionando maior chance de infecções por germes encapsulados. Motivo pelo qual esses pacientes devem fazer uso de penicilina profilática e vacinação contra pneumo/meningococo. danie Realce Adicionar espaço danie Nota Para maiores informações sobre as hemoglobinopatias, consultar as respostas dos casos 33 e 68. 230 13. Um jovem carente 1. Anemia macrocítica normocrômica, anisocitose, leucopenia, neutropenia, eosinopenia, monocitopenia e plaquetopenia. 2. Deficiência de vitamina B12. 14. Cinderela do abdome 1. Pancreatite aguda. 2. Dosagem de amilase e lipase séricas. Dosagens de amilase (165,3 U/L) e li- pase (6102 U/L) confirmaram o diagnóstico de pancreatite aguda. 15. Uma família premiada 1. Anemia normocítica hipercrômica, presença de esferócitos e reticulocitose. 2. Trata-se de anemia hemolítica não autoimune e, à hematoscopia, os nume- rosos esferócitos, associados à história familiar de anemia hemolítica, levan- tam a hipótese de esferocitose hereditária. Vale ressaltar que a presença de esferócitos no esfregaço periférico pode ser observada em recém-nascidos, em indivíduos com anemia hemolítica autoimune e em grandes queimados. 3. Curva de fragilidade osmótica de hemácias, a qual está desviada para a es- querda, confirmando o diagnóstico de anemia esferocítica hereditária. 16. Da Geriatria à Hematologia 1. Anemia microcítica normocrômica, anisocitose. Vale ressaltar a presença de anemia com o número de hemácias normais. 2. Anemia ferropriva, talassemia, anemia da inflamação e anemia sideroblástica. 3. Perfil do ferro: ferro sérico, índice de saturação de transferrina e ferritina. Estudo da hemoglobina por HPLC revelou HbA 92,8%; HbF 0,3%; HbA2 5,1% e confirmou o diagnóstico de talassemia. 101 hemogramas - completo rev1.indd 230 05/02/2018 14:06:26 danie Nota Essa doença faz parte do grupo das anemias hemolíticas associadas a alterações de membrana eritrocitária, principalmente das proteínas que fazem parte do arcabouço de sustentação da membrana citoplasmática. As principais proteínas envolvidas sãobanda 3.4, anquirina e espectrina. Essas alterações estão associadas a menor deformabilidade do eritrócito nos sinusoides esplênicos, levando a hemocatarese acelerada. danie Realce Substituir por: Deficiência de vitamina B12, a qual está associada a inúmeras causas, dentre as quais as principais são: deficiência secundária a gastrite atrófica imune, denominada de anemia perniciosa; e deficiência nutricional. Classicamente, a anemia perniciosa é uma doença de pacientes mais idosos, caucasianos e de países industrializados, apesar de dados nacionais demonstrarem alteração na epidemiologia local. Essa enfermidade é caracterizada por ataque autoimune das células produtoras de fator intrínseco, o qual faz parte do metabolismo de absorção da vitamina B12. Deste modo, pacientes com essa condição evoluem com depleção dos níveis de B12, sem adequada reposição. As manifestações clínicas dessa deficiência são variadas e envolvem muitos sistemas orgânicos, principalmente hematológico, digestório e neurológico. É essencial para o diagnóstico dessa enfermidade a suspeita clínica baseada nos achados do exame físico, como alterações do trofismo da língua, alterações cutâneas e neuropsiquiátricas. O tratamento consiste na reposição da vitamina deficiente e na investigação da causa subjacente. Nos países em desenvolvimento, nos quais o adequado suporte nutricional ainda é deficitário, é importante também pensar em origem carencial de B12. Vale ressaltar que com o aumento do não consumo de carne e derivados, associados a práticas alimentares como vegetarianismo e veganismo, essa deficiência deve ser avaliada nesse grupo de indivíduos. Medicamentos também são associados à alteração no metabolismo da B12, especialmente as biguanidas, antiretrovirais, anticonvulsivantes e alguns anticoncepcionais. Pela localização ileal da absorção da B12, doenças que causem modificações nesse epitélio podem também ser causa de deficiência dessa vitamina, como tuberculose ileal, linfoma, doenças inflamatórias intestinais e cirurgia bariátrica com exclusão intestinal (Y de Roux). lucas Nota Adicionar: Quando estamos diante de um paciente com anemia microcítica, devemos levar em consideração alterações na produção da hemoglobina, seja por defeitos na síntese do grupo heme (anemia sideroblástica, ferropenia e anemia da inflamação); e das cadeias globínicas (talassemias). Desse modo, os pacientes com talassemia apresentam-se com microcitose e, pela cristalização das hemoglobinas não ligadas, hemocatarese acelerada. Tipicamente, esses pacientes podem passar despercebidos se a hemólise for controlada (talassemia minor). Nesses pacientes, o exame mais importante para o diagnóstico é a eletroforese de hemoglobina pelo HPLC, que demonstrará um aumento de HbA2 acima de 3,5%. lucas Nota 231 17. Cadê minha virose? 1. Leucocitose com desvio à esquerda, linfocitose, anaeosinofilia e plaque- topenia. Vale ressaltar a presença de 28% de linfócitos atípicos à hematos- copia. 2. Diante da linfocitose sem hemoconcentração, o diagnóstico de dengue se torna mais improvável, uma vez que tais achados são incomuns na doença. 3. CMV e EBV. O diagnóstico foi confirmado com sorologia IgM positiva para CMV. 18. Perna ansiosa 1. Anemia normocítica, acentuada anisocitose, leucopenia, linfocitopenia e plaquetopenia. 2. Anemia megaloblástica, síndrome mielodisplásica, mielopatia infiltrativa, hipotireoidismo, hepatopatia etílica crônica e alguns medicamentos como anticonvulsivantes, antitireoideanos, sulfas etc. 3. Dosagem de vitamina B12 e de ácido fólico, EGD com pesquisa de H. pylori e dosagem de anticorpos antifator intrínseco e anticélula parietal. Confir- mou-se o diagnóstico de anemia perniciosa, pois o paciente apresentava B12 diminuída, gastrite atrófica e anticorpo antifator intrínseco positivo. 19. Assim como o vinho 1. Anemia microcítica normocrômica, leucocitose com desvio à esquerda não escalonado, presença de blastos, linfocitose, acentuada plaquetopenia e presença de eritroblasto ortocromático (5 em 100 leucócitos). 2. Mielopatia infiltrativa por provável neoplasia maligna de próstata. 3. Sim, devem ser solicitados os dois exames para confirmar a hipótese de uma mielopatia infiltrativa. O mielograma revelou presença de células em “ca- cho de uva”, sugerindo células extra-hematopoéticas. 4. Toque retal, PSA, biópsia de próstata. Resultado do PSA: 14,04 ng/mL (VR: >70 anos até 4,4 ng/mL). Com o resultado dos exames (PSA e mielograma), confirmou-se hipótese de mielopatia infiltrativa neoplásica. 101 hemogramas - completo rev1.indd 231 05/02/2018 14:06:26 danie Realce Colocar em itálico danie Nota Para mais informações, consultar resposta do caso 13. 232 20. As horas de ouro 1. Leucocitose, neutrofilia com desvio à esquerda, anaeosinofilia e discreta monocitose. 2. Sepse. 3. CIVD secundária à sepse. 4. Gravidez, medicamentos (corticosteroides, fatores estimuladores de granu- lócitos), processos inflamatórios e infecções, principalmente bacterianas. 21. Quanto mais alto, maior a queda 1. Discreta anemia normocítica normocrômica, linfopenia e reticulocitose. 2. Estudo da hemoglobina por HPLC. O exame mostrou: HbA: 58,4%; Hb fetal: 0%; HbA2: 3,9%; HbS: 37,7%. Conclui-se, pois, que o paciente apresenta traço falciforme. 3. O paciente possivelmente apresentou hemólise em grandes altitudes nas regiões montanhosas do Chile quando esquiava com os amigos. Vale res- saltar que a pressão atmosférica de O2 está associada à fração desse gás na altitude em questão. Elevadas altitudes possuem menor PO2, logo, me- nos oxigênio será absorvido pela hematose, resultando, assim, em menor pressão arterial de oxigênio. Sabe-se que hemoglobinas instáveis, espe- cialmente a HbS, diminuem ainda mais a afinidade pelo O2 em baixa PaO2, desencadeando alteração morfológica das hemácias em sinusoides de bai- xa pressão. A estase precipita a hemólise extravascular. 22. Anemia do ginecologista 1. Anemia microcítica e hipocrômica. 2. Leucopenia com linfocitopenia e presença de linfócitos atípicos. 3. Todos diminuídos. 4. Perda sanguínea de origem ginecológica. 101 hemogramas - completo rev1.indd 232 05/02/2018 14:06:26 danie Nota As principais causas de CIVD são as infecções. O desequilíbrio entre o estímulo inflamatório do agente infeccioso, com hiperativação da cascata da coagulação e mudança do perfil do endotélio, gera microtrombos em arteríolas e vênulas, ocasionando isquemia tecidual e produção de substâncias vasoplégicas, podendo ocasionar choque séptico. O consumo de fatores de coagulação e deposição de fibrina justaposta a agregados plaquetários dão origem às manifestações mais comuns da CIVD, como anemia hemolítica microangiopática, trombocitopenia de consumo e alargamento de TP e TTPA. danie Nota A deficiência de ferro é a principal causa de anemia na mulher em idade fértil, especialmente por perdas menstruais. Vale ressaltar que em média a mulher chega a perder três a quatro vezes mais ferro que o homem, em termos proporcionais. É importante que na abordagem da mulher em idade fértil com anemia que se valorize a história ginecológica e que se considere o bloqueio da menstruação, caso essa seja a etiologia da anemia ferropriva. danie Nota Para maiores informações sobre hemoglobinopatias, consultar resposta do caso 33. 233 23. Aranhas gástricas 1. Anemia microcítica e hipocrômica. 2. Esofagogastroduodenoscopia com biópsia. 3. Considerando a provável hemorragia digestiva alta associada à perda de peso, não se deve esquecer a hipótese de neoplasia gástrica, especialmen- te acima de 45 anos. Entretanto, ao ser realizada a EGD, foi encontrada angiectasia gástrica com sinais de sangramento recente, sendo realizada escleroterapia para tratamento. 24. Típica atipia 1. Anisocitose, leucopenia, linfopenia, neutropenia, eosinopenia, plaqueto- penia e presença de linfócitos atípicos. 2. Possivelmente as alterações são justificadas pelo tratamento quimioterápi- co e/ou por uma possível infecção viral, devidoà presença de atipia linfoci- tária e linfopenia. 25. Dias febris 1. Leucopenia às custas de neutropenia, eosinopenia e plaquetopenia. 2. Arboviroses (dengue, zika e chikungunya) e síndromes mono-likes, princi- palmente. 3. NS1, o qual deve ser solicitado até cinco dias de início dos sintomas. No caso desse paciente, foi feito o IgM para dengue, o qual foi reagente. 26. As mil e uma hemoglobinas 1. Anemia microcítica normocrômica, moderada anisocitose e plaquetose. 2. Com os achados do esfregaço periférico, poderíamos lembrar de anemia falciforme (SS), hemoglobinopatia SC, hemoglobinopatia SD, S-beta talas- semia, S-alfa talassemia. 101 hemogramas - completo rev1.indd 233 05/02/2018 14:06:26 danie Nota Não é esperado que homens adultos e mulheres pós-menopausa possuam anemia ferropênica. O principal sítio de perda de ferro nessa população, que deve ser investigada, é o TGI, pelas causas graves associadas a esse órgão, dentre elas neoplasias malignas. É importante ressaltar que, a despeito da literatura internacional, na nossa realidade ainda é comum anemia ferropênica pós-menopausa, tanto por não diagnóstico prévio dessa anemia na idade fértil, bem como pelo não acesso a serviços de saúde da mulher nesse grupo etário. Causas que devem ser avaliadas no grupo feminino, além da perda pelo TGI, seriam sangramentos transvaginais de origem não menstrual, como miomatose uterina e neoplasia intraepitelial cervical. 234 3. O estudo da hemoglobina pelo HPLC revelou HbS: 47,1%, HbD: 43,8%, HbF: 2% e HbA2: 1,6%, confirmando, assim, o diagnóstico de hemoglobinopatia SD. Vale salientar que a presença de drepanócitos na distensão sanguínea não significa necessariamente o diagnóstico de anemia falciforme, deven- do-se solicitar, portanto, o estudo da hemoglobina pelo HPLC. 27. α ou β? 1. Anemia microcítica hipocrômica e moderada anisocitose. 2. Estudo do perfil do ferro (ferro sérico, índice de saturação de transferrina, ferritina), AST, ALT, fosfatase alcalina, gama-GT, bilirrubinas (total e frações), LDH, estudo da Hb pelo HPLC. 3. Talassemia. A história clínica da paciente já apresentava um forte indicativo para anemia hemolítica hereditária (episódios de icterícia desde a infância e colecistectomia). No hemograma, a presença de hemácias em alvo e reti- culocitose é mais um dado que fortalece o diagnóstico, que foi confirmado pela eletroforese de hemoglobina pelo HPLC, revelando HbA: 69,7%, HbF: 20%, HbA2: 6%. 28. Escleras azuis, sangue pálido 1. Anemia microcítica hipocrômica, com discreta anisocitose. 2. Anemia multicarencial, especialmente ferropênica. 3. Perfil do ferro (ferro sérico, índice de saturação de transferrina e ferritina), dosagem de vitamina B12 e folato. Resultados: dosagem de folato e B12 nor- mais, ferro sérico de 16 µg/dL (VR: 150 µg/dL), índice de saturação de trans- ferrina de 4% (VR: 20-50%), ferritina de 3,1 ng/mL (VR: 4,6-204 ng/mL), con- firmando o diagnóstico de anemia ferropriva secundária à cirurgia. 4. Endovenoso. Uma vez que a paciente apresenta deficiência de ferro rela- cionada a não absorção gástrica, indica-se a reposição parenteral, prefe- rencialmente endovenosa. 101 hemogramas - completo rev1.indd 234 05/02/2018 14:06:26 lucas Nota Adicionar: Do ponto de vista genético, existe grande diferença entre a alfatalassemia e a betatalassemia. A primeira é definida por alterações nos alelos produtores da cadeia alfaglobina no cromossomo 16, no qual existem quatro alelos para produção dessa proteína. Desse modo, podemos ter, a depender do tipo de mutação, pacientes com apenas um alelo funcionante a três. É incompatível com a vida extrauterina a total ausência dos quatro alelos da alfaglobina (hidropsia fetal). A cadeia beta possui apenas dois alelos, proporcionando, assim, uma maior vulnerabilidade dessa região gênica a alterações. Os pacientes com betatalassemia possuem grande variedade de expressão da doença a depender dos inúmeros tipos de mutações que podem ocorrer na região produtora da cadeia beta, como frameshift, missense, nonsense e deleções. A clínica do paciente com betatalassemia vai depender mais do tipo de mutação do que exclusivamenta da quantidade de cadeias alteradas. 235 29. Palidez à portuguesa 1. Anemia microcítica hipocrômica, sem anisocitose, mas com discrepância do número de hemácias e hemoglobina. Há presença de hemácias em alvo e reticulocitose. 2. Talassemia. 3. Estudo da hemoglobina por HPLC. Resultado: Hb A: 94,1%; Hb F: 0%; Hb A2: 5,9%. O aumento da hemoglobina A2 confirma o diagnóstico de talassemia. 30. Olhar suspeito 1. Colecistectomia prévia, cosanguineidade parental, história familiar, icterí- cia, Traube ocupado e reticulocitose. 2. Constitucional, em virtude do histórico de pais consanguíneos e de mãe e prima com litíase biliar, existindo, portanto, grandes indícios de caráter con- gênito para a hemólise. 3. A revisão do esfregaço sanguíneo periférico evidenciou a presença de es- ferócitos. A partir disso, foi solicitado HPLC e curva de fragilidade osmótica da hemoglobina. Dados encontrados: HPLC normal, revisão da lâmina cons- tatando presença de esferócitos e curva de fragilidade osmótica desviada para direita (0,56%; Ref: 0,40-0,445%), confirmando-se, assim, um quadro de hemólise constitucional por esferocitose hereditária. 31. Efeito borboleta 1. Anemia macrocítica e hipocrômica. 2. Teste de Coombs. 3. FAN, estudo do complemento (C3, C4, CH50), Anti-dsDNA, Anti-Sm. 4. LES. A paciente apresenta alopécia, lúpus discoide, úlceras aftoides, artral- gia/artrite e sinais de derrame pericárdico (alternância de amplitude de QRS). Tais achados nos fazem, obrigatoriamente, pensar em LES. Os exames da questão 3 são importantes para os critérios laboratoriais da doença. A au- toimunidade nos é sugerida pelo VDRL positivo 1:4 num paciente sem lues. A paciente em questão apresentava os seguintes resultados: FAN (padrão 101 hemogramas - completo rev1.indd 235 05/02/2018 14:06:27 danie Realce Substituir: consanguinidade danie Nota Ver comentário da resposta do caso 15. lucas Nota Adicionar: As talassemias são um grupo de doenças microcíticas e hemolíticas decorrentes de alterações quantitativas na produção das cadeias da Hb. São tipicamente doenças mais comuns em países do mediterrâneo. Pelo quadro hemolítico crônico, esses pacientes têm mais chances de desenvolverem colelitíase, esplenomegalia e retardo do crescimento. Por esse motivo, devem fazer reposição contínua de folato. O tratamento depende do grau de sintomatologia e de necessidade transfusional do indivíduo, sendo, em casos graves, indicada análise de transplante de medula óssea. Clinicamente, pode-se classificar os portadores de talassemia em três subtipos: talassemia minor, caracterizada por anemia leve e não necessidade de transfusões; talassemia intermedia, caracterizada por anemia moderada e pouca necessidade transfusional; e talassemia major, caracterizada por anemia grave, esplenomegalia, alterações ósseas e necessidades transfusionais frequentes. 236 nuclear homogêneo 1:320), anti-dsDNA e anti-Sm reagentes, confirmando- -se diagnóstico de LES. 32. A Vegana engana 1. Anemia macrocítica hipocrômica. 2. O VCM que, quando aumentado, direciona a investigaçāo para anemia me- galoblástica, hepatopatias crônicas, SMD e ocupação medular. 3. Sim, a EGD com biópsia e teste da urease. A realização da EGD na investiga- ção de anemia macrocítica está indicada pelo fato de anemia perniciosa também ser causa de macrocitose. A presença de atrofia gástrica corpo-an- tral, associada a anticorpos positivos, direciona o diagnóstico. A pesquisa de H. pylori é indicada, outrossim, pela sua associação com gastrite atrófica tipo A e tipo B. 33. Sem delongas 1. Anemia normocítica, normocrômica, leucocitose com neutrofilia, eosinope- nia e plaquetose. Doença falciforme. 2. Através do estudo de hemoglobina pelo HPLC na paciente, foi verificado o seguinte resultado: HbS: 43,2%; HbD: 42,3%; HbF: 5,0%; HbA2: 3,6%, con- firmandoo diagnóstico de doença falciforme (hemoglobinopatia SD). 34. Time reserva 1. Leucocitose, neutrofilia, plaquetose e presença de corpúsculos de Howell- -Jolly. É importante lembrar que cerca de um terço das plaquetas presen- tes no organismo estão armazenadas no baço, no qual são fagocitados os fragmentos de DNA de hemácias recém-formadas, constituindo os corpús- culos de Howell-Jolly. 2. A leucocitose e a neutrofilia tendem a regredir sua concentração com o tempo no pós-operatório, persistindo a plaquetose. 3. Vacinação para germes encapsulados (Streptococcus pneumoniae e Hae- mophilus influenzae tipo B e Neisseria meningitidis). 101 hemogramas - completo rev1.indd 236 05/02/2018 14:06:27 danie Nota Para mais informações, consultar resposta do caso 13. danie Nota Adicionar: Quando estamos diante de um paciente com hemólise, devemos avaliar a possibilidade de anemias hemolíticas constitucionais, dentre as quais hemoglobinopatias são uma das causas mais importantes. As hemoglobinopatias podem ser dividas em dois grupos, a saber defeitos quantitativos das cadeias globínicas formadoras da Hb (talassemias) ou defeitos qualitativos das cadeias globínicas, principalmente da cadeia beta. Nesse sentido, a principal hemoglobinopatia é a secundária à mutação da valina pelo glutamato na posição 6 da cadeia beta, dando origem à HbS. Outras mutações podem ocorrer, gerando outros tipos de hemoglobina alterada, como a troca da valina pela lisina na posição 6 da cadeia beta, originando a HbC. Do ponto de vista epidemiológico, a HbS é a mais importante, tanto por sua prevalência como pelo impacto clínico que ocasiona no paciente. São doenças de caráter recessivo autossômico, que, classicamente, começam a se manifestar após o declínio da hemoglobina fetal, que ocorre por volta sexto mês de vida extrauterino e pelo haplótipo associado à hemoglobinopatia. As principais manifestações clínicas são secundárias à isquemia tissular pela falcização e consequente redução do fluxo sanguíneo, bem como por hemólise. Defini-se doença falciforme todo paciente que apresente no mínimo uma Hb disfuncional, e ausência de Hb adulta normal (HbA1). Desse modo, pacientes portadores de HbS (traço falcêmico) não são considerados com doença falciforme; por outro lado, pacientes com HbSC, HbSD e HbS-beta talassemia são considerados com doença falciforme. Esses indivíduos devem ser acompanhados desde tenra idade para que se evite as complicações associadas às doenças falciformes, como eventos vasculares isquêmicos, síndrome torácica aguda, sequestro esplênico, lesão renal, retardo no desenvolvimento neuropsicológico, trombose retiniana (HbC), hipertensão de artéria pulmonar, úlceras maleolares e complicações da hemólise crônica. O SUS disponibiliza via hemocentros estaduais uma ampla oportunidade de tratamento de seguimento a longo prazo desses pacientes. 237 35. Linfocitose na Terceira Idade 1. Linfocitose. 2. A LLC, a qual é a leucemia mais comum nessa idade. Muitas vezes, o paciente com LLC procura o atendimento médico por queixas inespecíficas e, na in- vestigação subsequente, apresenta linfocitose no hemograma. O diagnós- tico de tal doença vem se tornando cada vez mais prático pela utilização da imunofenotipagem de sangue periférico, demonstrando presença de marcadores de células B maduras com CD5 positivo. O diagnóstico diferen- cial deve ser feito com outras condições que podem cursar com linfocito- se, como linfoma de células do manto. Paciente transferido à Hematologia para conduta terapêutica. 36. Preste atenção na prescrição 1. Anemia microcítica normocrômica, anisocitose, leucopenia, neutropenia, eosinopenia, linfocitopenia, monocitopenia, plaquetopenia. 2. Sulfametoxazol-trimetoprima. As sulfas são antibióticos antimetabólicos que, em altas doses, inibem a via do ácido fólico, o qual, quando deficien- te, prejudica a hematopoese. 3. Dapsona. 37. Calazar ou não calazar? Eis a questão! 1. Anemia macrocítica hipocrômica, anisocitose, leucocitopenia, neutrope- nia, eosinopenia, linfopenia, monocitopenia, trombocitopenia. 2. Está-se diante de um paciente com pancitopenia, provas de hemólise posi- tivas e hemoglobinúria. Tais achados fazem com que se considere a possibi- lidade de hemoglobinúria paroxística noturna (HPN). Citopenias inexplica- das, hemólise inexplicada, trombose sem causa aparente, aplasia medular/ SMD e Coombs não reagente suscitam a necessidade de investigação de HPN, a qual se faz com citometria de fluxo de sangue periférico. Nesse pa- ciente foi demonstrada presença de clones com deficiência total de CD55 e CD59, confirmando o diagnóstico de HPN. A principal causa de morte nes- 101 hemogramas - completo rev1.indd 237 05/02/2018 14:06:27 danie Nota Classicamente, as sulfas e sulfonas são medicamentos associados ao aumento do estresse oxidativo intracelular e formação de complexos de hemoglobina alterada. Dentro das manifestações hematológicas mais comuns da dapsona está a anemia hemolítica, leucopenia e metemoglobulinemia, a qual, em casos graves, deve ser tratada com azul de metileno. danie Nota A leucemia linfocítica crônica (LLC) é o tipo de leucemia mais comum no Ocidente. Trata-se de uma enfermidade de linfócitos B maduros, mais comum em pacientes acima de 60 anos e do sexo masculino. Há maior prevalência em pacientes caucasianos. Esse tipo de doença muitas vezes pode ser diagnosticada por acaso, especialmente em pacientes que fazem exames de sangue check-up frequentes. É importante ressaltar que muitos pacientes com LLC apresentam manifestações autoimunes associadas às alterações da tolerância imune que podem ocorrer nesses indivíduos. O diagnóstico é feito com a análise dos linfócitos do sangue periférico. A presença de mais de 5000/mm³ de linfócitos monoclonais típicos da LLC (CD5+, CD20fraco, FMC7fraco, CD23+) por mais de três meses. Nesse sentido é importante o diagnóstico diferencial com outras doenças linfoproliferativas que também podem cursar com linfocitose, especialmente o linfoma de células do manto. A principal questão no manejo desses pacientes é saber quando há indicação de tratamento, que ocorre especialmente em paciente com anemia, trombocitopenia, linfonodomegalias volumosas, esplenomegalia sintomática e sintomas constitucionais. Nesse caso, é importante a avaliação de alterações genéticas associadas a desfecho desfavorável, especialmente as associadas ao cromossomo 17, e estado mutacional dos genes das cadeias das imunoglobulinas. Atualmente o tratamento da LLC é baseado em medicamentos que ajam nas vias associadas ao receptor da célula B, especialmente o inibidor da Bruton-quinase, ibrutinibe; quimioimunoterapia, baseada em FCR (fludarabina-ciclofosfamida-ritxumabe); BR (bendamustina-rituximabe) e Clo-G (clorambucil-obinutuzumabe); e agentes inibidores da via do BCL-2, venetoclax. A evolução do conhecimento das vias moleculares associadas a fisiopatogenia da LLC são de vital importância para o entendimento das manifestações clínicas da doença, bem como para o adequado planejamento do tratamento desses pacientes. 238 ses pacientes é trombose, logo é prudente avaliar o D-dímero, que serve como marcador de risco trombogênico nesse grupo. 38. Te inibe! 1. Anemia normocítica hipocrômica, acentuada leucocitose, desvio à esquer- da não escalonado, basofilia, linfocitose, monocitose e plaquetopenia. 2. LMC, apesar de não constar no hemograma eosinofilia. 3. Realização de mielograma com pesquisa do transcrito do BCR-ABL (possí- vel de ser realizada em sangue periférico) e citogenética (se citogenética clássica, pesquisa do cromossomo Philadélfia). 4. Inibidores de tirosinoquinase, como o imatinibe, dasatinibe e nilotinibe. 39. As sete perdas 1. Anemia macrocítica, normocrômica, eosinofilia e anisocitose. 2. SAF, doença falciforme e anemia megaloblástica. 3. Anemia falciforme. A apresentação e o diagnóstico mais tardio na paciente podem estar relacionados aos seguintes achados da eletroforese de he- moglobina pelo método HPLC: HbF: 14,2% HbA2:3,5% HbS: 79,6% A HbF elevada nesse caso pode ter atenuado os efeitos vaso-oclusivos da doença. Confirmou-se o diagnóstico final de anemia falciforme com persis- tência da HbF pelo estudo da hemoglobina pelo HPLC 4. Os efeitos vaso-oclusivos da doença, inclusive na placenta. 40. A valva esquisita 1. Anemia normocítica normocrômica, presença de esquizócitos e reticulo- citose. 2. Coombs direto ou teste da aglutinina direta. Possivelmente, anemia hemo- lítica adquirida em consequência da idade do paciente e da presença de 101 hemogramas - completo rev1.indd 238 05/02/2018 14:06:27 Gabriel Nota Para maiores informações da epidemiologia e bases genéticas, consultar resposta do caso 33. danie Nota As síndromes mieloproliferativas (SMP) são doenças clonais das células-tronco da MO. São doenças que se caracterizam pela presença de mutações pontuais que, a depender da SMP, podem evoluir em menor grau para leucemia aguda. As principais mutações associadas às SMP são BCR-ABL1, V617F JAK2, calreticulina e MPL. A maioria dos pacientes são maiores de 60 anos e do sexo masculino. Podemos dividir as SMPs em dois grandes grupos a partir das mutações principais: BCR-ABL1 positivas, no caso se manifestando com LMC; e BCR-AB1 negativas, como PV, TE ou MFPI. A de se dizer que muitos preferem não classificar a LMC como SMP, mas como uma entidade à parte. Muitos pacientes com essas doenças podem não apresentar sintomatologia, o que faz com que sejam diagnosticados muitas vezes de forma incidental em exames de rotina. Os principais sinais e sintomas são astenia, adinamia, perda de peso, saciedade precoce, dores articulares e sudorese noturna; no exame físico, esplenomegalia é um achado comum. Outros sintomas incomuns são eritromelalgia (dor articular com rubor e calor de extremidades) e prurido aquagênico. 239 esquizócitos, o que nos levaria a pensar no diagnóstico de uma anemia ma- croangiopática. 3. A prótese mitral metálica desenvolvendo o cisalhamento dos eritrócitos e, em consequência, levando à hemólise. 41. Eliminando infecção 1. Anemia normocítica normocrômica, leucocitose, neutrofilia, desvio à es- querda escalonado, anaeosinofilia e monocitose. 2. Filgastrina. As alterações na série branca são devido à ação do medicamen- to, inclusive a presença de granulações grosseiras nos neutrófilos. 42. Nem de menos nem “DMARD” 1. Metotrexate. Infelizmente a paciente não estava repondo ácido fólico em associação ao medicamento. 2. Dosagem de ácido fólico sérico reduzido. 3. Fármacos anti TNF-α. 43. Nos menores frascos, os piores venenos 1. Leucocitose e neutrofilia com desvio à esquerda. 2. Inflamatório não infeccioso. 3. Azatioprina e etanol. O diagnóstico de pancreatite aguda foi confirmado por amilase e lipase elevadas: 464,0 U/L (VR: 30 a 118 U/L) e 1214,0 U/L (VR: 6 a 51 U/L), respectivamente. Ultrassom de abdome normal. 44. Picacismo 1. Anemia microcítica hipocrômica e plaquetose. 2. Estudo do perfil do ferro (ferro sérico, índice de saturação de transferrina e ferritina), LDH, dosagem de vitamina B12 e ácido fólico, além de EGD. 101 hemogramas - completo rev1.indd 239 05/02/2018 14:06:27 danie Nota O uso de agentes estimulantes de colônia aumenta a produção de granulócitos e acelera sua liberação na corrente sanguínea. danie Nota Na via da produção da timina, que faz parte do DNA humano, a enzima que converte folato em tetrahidrofolato é inibida pelo metrotexate. Deve-se manter a reposição de ácido fólico em pacientes usando tal medicamento, com o intuito de diminuir a chance de anemia megaloblástica por carência de B9. lucas Nota Adicionar: O alto fluxo vascular em hemangiomas e a presença de próteses metálicas valvares podem levar à hemólise intravascular. Geralmente, as manifestações clínicas são leves e não há trombocitopenia, diferenciando-as das MATs. Para maiores informações sobre MATs, consultar resposta da questão 54. 240 3. Anemia ferropriva secundária à gastrectomia prévia, anemia megaloblásti- ca e anemia da inflamação. 4. Anemia ferropriva secundária à gastrectomia prévia. 45. Trama plaquetária 1. Telangiectasias e plaquetopenia. 2. Hepatopatia crônica. 3. HBsAg, anti-HBs e anti-HCV. Após a investigação, confirmou-se o diagnós- tico de hepatopatia crônica por vírus C pelo HCV reagente (RNA viral acima de 600000 cópias). 4. Porfiria cutânea tarda. 5. Alfafetoproteína. 46. Púrpura anêmica 1. Pancitopenia. 2. Aplasia medular e leucemia aguda aleucêmica. 3. Para o diagnóstico de anemia aplásica, são necessários mielograma e BMO inicialmente. Pensando-se em leucemia aguda, o mielograma com imuno- fenotipagem e cariótipo são indispensáveis para o diagnóstico e o prognós- tico da doença. 4. Em casos de leucemia aguda, a BMO revela infiltração por blastos; já na ane- mia aplástica, ocorre infiltração por tecido adiposo, alteração a qual foi en- contrada no exame da paciente. 47. Entre gastrites e quedas 1. Anemia normocítica normocrômica, leucocitose, neutrofilia e plaquetose. 2. Úlcera e neoplasia gástricas. 3. EGD com pesquisa de H. pylori e biópsia de mucosa gástrica. Realizou-se EGD, que evidenciou lesão úlcero-infiltrativa em corpo compatível com ne- oplasia gástrica avançada (BORRMANN III). 101 hemogramas - completo rev1.indd 240 05/02/2018 14:06:27 danie Nota A aplasia medular é uma doença caracterizada pela substituição gordurosa do estroma da medula óssea secundária a vários fatores, dentre os quais podemos citar síndrome de falência medular (vide resposta do caso 78), ataque imune mediado por células T, medicamentos (cloranfenicol), autoimunidades (LES) e infecções virais (hepatites, CMV, parvovírus e arboviroses). O diagnóstico dessa condição é feito através da análise do hemograma (Hb abaixo de 10 g/dL, neutrófilos abaixo de 1500/mm³ e plaquetas abaixo de 100000/mm³), reticulocitopenia (contagem de reticulócitos abaixo de 30000/mm³) e BMO com celularidade abaixo de 20%. Pacientes com necessidade transfusional e/ou neutrófilos abaixo de 500/mm³ devem ser avaliados para tratamento, que consiste em, para pacientes menores de 40 anos e doador aparentado, TMO alogênico; e, para pacientes acima de 40 anos e sem doador aparentado, imunossupressão com ciclosporina e timoglobulina antilinfócitos. Atualmente, o uso de agonistas da trombopoetina, eltrombopag, tem sido preconizado em pacientes com doença refratária ou recaída não candidatos ao transplante alogênico. 241 48. Invasores siderais 1. Anemia macrocítica hipocrômica, leucocitose, linfocitose, monocitose, ba- sofilia e plaquetose. 2. As múltiplas transfusões sanguíneas realizadas. 3. Vibrio vulnificus, Yersinia enterocolitica e Salmonella spp. 49. A nociva rebelde 1. Macrocítica e normocrômica. 2. Anticorpos antifator intrínseco e anticélula parietal. A pesquisa dos dois an- ticorpos e EGD compatível confirma o diagnóstico de anemia perniciosa, doença mediada pelo ataque linfocítico às estruturas produtoras de fator intrínseco e suco gástrico. Vale a pena salientar o fator de risco permanente para câncer gástrico. 3. Defeito na síntese do DNA, levando à acentuada dispoese dos precursores medulares. 4. Hemólise intramedular aumentada em consequência da eritropoese inefi- caz por defeito na síntese do DNA. 50. Caso alfa 1. Macrocitose, anisocitose, policromasia e pontilhado basofílico (reticulóci- tos?). A contagem de reticulócitos foi compatível com a hipótese de que o pontilhado basofílico representasse células jovens. Os reticulócitos têm maior tamanho que as hemácias, o que explica a macrocitose em casos de hemólise com medula funcionante. 2. Palidez (lembre-se: anemia é diagnóstico laboratorial), icterícia (bilirrubi- nemia) e esplenomegalia (hemólise extravascular). 3. Não se discute anemia hemolítica sem o teste de Coombs. Diante de uma anemia hemolítica adquirida, deve-se sempre afastar a possibilidade de AHAI, logo, deve-se pedir a prova de Coombs. 4. O uso da alfametildopa, clássico exemplo de anemia hemolítica autoimu- ne induzida por fármacos.101 hemogramas - completo rev1.indd 241 05/02/2018 14:06:27 danie Nota As drogas podem causar anemia hemolítica autoimune por três mecanismos distintos, a saber adsorção do medicamento no eritrócito (geralmente teste de Coombs direto fraco); formação de haptenos (imunogenicidade secundária à associação de epítopos dos eritrócitos e do medicamento); e formação de anticorpos. No presente caso, o alfametildopa é um dos medicamentos mais associados ao estímulo imunogênico com formação de autoanticorpos. danie Realce Substituir por teste danie Realce Substituir por Na avaliação da anemia hemolítica, é de suma importância solicitar o teste de Coombs danie Nota Para mais informações, consultar resposta do caso 13. lucas Nota Sabe-se que um concentrado de hemácias contém, em média, 200mg a 250mg de ferro. Uma suscetibilidade aumentada para doenças infecciosas podem ser encontradas em pacientes politransfundidos com concentrado de hemácias (hemocromatose secundária) e outras formas de sobrecarga de ferro (hemocromatose primária), especialmente para infecções com certos microrganismos, incluindo Vibrio vulnificus, Listeria monocytogenes, Yersinia enterocolitica, Escherichia coli, Candida spp. e Mycobacterium tuberculosis. As múltiplas transfusões podem causar complicações iatrogênicas como no caso apresentado, infecção pelo Vírus C e hemocromatose secundária. 242 51. O triunvirato 1. Anemia macrocítica e hipocrômica, leucopenia e neutropenia. 2. Considerando a sintomatologia da paciente (palidez, glossite, parestesias) e os achados hematológicos, o diagnóstico mais provável consiste em ane- mia megaloblástica. 3. Anemia perniciosa, devido às comorbidades de etiologia autoimune da pa- ciente. Vale lembrar também que a causa mais comum de deficiência de B12 é a anemia perniciosa. Confirmou-se o diagnóstico com EGD, revelando atro- fia de mucosa gástrica, e anticorpo antifator intrínseco presente. 52. Como diria Hobbes 1. Anemia normocítica normocrômica, anisocitose, leucocitose, neutrofilia com desvio à esquerda, linfopenia e trombocitopenia. 2. No contexto de um paciente gravemente enfermo com sangramento ati- vo, a transfusão de plaquetas está indicada. O uso de hemocomponentes deve ser o mais restrito e cauteloso possível. A transfusão sanguínea está associada, quando não bem indicada, a desfecho desfavorável em muitas condições. A meta para o paciente em questão é manter as plaquetas aci- ma de 20.000/mm³. 3. LES. O paciente em questão desenvolveu sinais laboratoriais de hemofa- gocitose, a qual foi relacionada à autoimunidade e a uma provável TB. Re- alizou tratamento empírico para TB, bem como uso de metilprednisolona e imunoglobulina humana para controle da diátese imunológica. 53. Fantástica hemólise 1. Anemia macrocítica hipocrômica, anisocitose, leucocitose, neutrofilia, lin- focitose, basofilia, trombocitopenia. 2. O marcador sorológico foi o FAN, o qual foi reagente pontilhado fino denso e, na complementação diagnóstica, anti-Sm e anti-RNP reagentes. 3. Não. A SMD é um diagnóstico de exclusão. A LES possui uma miríade de apre- sentações medulares, podendo, muitas vezes, causar intensa dispoese. No paciente em questão, as provas de autoimunidade direcionaram o diag- 101 hemogramas - completo rev1.indd 242 05/02/2018 14:06:27 lucas Nota As doenças autoimunes têm forte componente genético, em consequência de características poligênicas complexas, as quais também interagem com fatores ambientais. Em suma, a base genética dessas doenças consiste principalmente em: genes HLA, em que padrões de subtipos HLA estão fortemente associados com certas doenças, pois há maior risco de apresentar um autopeptídeo e ativar células T; genes não-HLA, de certo padrão polimórfico (não patogênico), estão associados a algumas doenças, apesar de alguns genes não terem seu papel claramente estabelecido; genes anormais únicos herdados (mendelianos) que influenciam fortemente à manutenção da tolerância de autoantígenos. Vale reforçar que os genes HLA são somente fatores que podem contribuir para a autoimunidade, servindo de fator diagnóstico, mas não de diagnóstico definitivo. 243 nóstico para uma AHAI associada à LES, a qual melhorou com o tratamento da doença de base. Vale ressaltar que a lesão renal desse paciente pode ter sido causada pela SAF, o que foi corroborado pela melhora da função renal com a terapia anticoagulante. 54. “Dengue” esquisita 1. Anemia macrocítica hipocrômica, anisocitose, plaquetopenia. 2. Plaquetopenia. 3. Anemia hemolítica com presença de esquizócitos direciona o diagnóstico para anemia hemolítica microangiopática (AHMA), a qual, quando associa- da à plaquetopenia e à lesão de órgão-alvo (SNC, rim, fígado etc.), sugere a hipótese de microangiopatia trombótica. A descrição clássica de MAT com a pêntade de Moschcowitz (febre, AHMA, plaquetopenia, lesão renal e alte- ração neurológica) está presente em menos de 20% dos pacientes. As MATs são doenças graves e potencialmente fatais quando não diagnosticadas de forma precoce. De tal modo, é importante que o diagnóstico seja realizado e as medidas terapêuticas iniciadas prontamente, a depender do tipo de MAT. Na PTT, o tratamento se faz com corticoterapia e plasmaférese, a qual deve ser mantida até a normalização plaquetária e o controle de LDH. Na HELLP, o tratamento é resolução da gestação e do suporte hemoterápico e clínico (em casos extremamente graves, a plasmaférese pode ser indicada). Na SHU associada à verotoxina/shigatoxina, o tratamento se faz com su- porte dialítico e hemoterápico quando necessário. Na MAT associada à al- terações do complemento, o tratamento é suporte dialítico, hemoterápico, bloqueio do complemento e transplante renal quando indicado. 55. Vestido escarlate 1. Eosinofilia. 2. Em ordem crescente de gravidade: pustulose exantemática generalizada aguda (PEGA), síndrome DRESS (drug rash with eosinophilia and systemic symptoms), Stevens-Johnson e necrólise epidérmica tóxica (NET). 3. Síndrome DRESS, que é caracterizada por rash, eosinofilia e sintomas sis- têmicos, principalmente nefrite, cardite, hepatite e pneumonite. No caso 101 hemogramas - completo rev1.indd 243 05/02/2018 14:06:27 danie Realce Retirar danie Nota Para maiores informações sobre AHAI, consultar resposta do caso 87. 244 em questão, o aumento das troponinas e CKMB massa pode estar associa- do à cardite secundária à DRESS. 56. Sangue lento 1. Anemia normocítica normocrômica, anisocitose, leucocitose, neutrofilia com desvio à esquerda não escalonado, eosinofilia, linfocitose, monocitose. 2. Doenças mieloproliferativas crônicas. 3. Cromossomo Philadélfia t (9;22), JAK2, calreticulina e MPL (Myeloprolifera- tive Leukemia Protein). 4. Leucostase. 57. Um prurido não clássico 1. Anemia microcítica hipocrômica, anisocitose, leucocitose às custas de seg- mentados, desvio à esquerda, monocitose e plaquetose. 2. O aumento em quantidade das séries granulocítica e plaquetária foi sufi- ciente para gerar a hipótese clínica. A mutaçāo do gene JAK2 está presente nas doenças mieloproliferativas crônicas Philadelphia negativo, principal- mente na policitemia vera, mas também na mielofibrose primária idiopáti- ca e na trombocitemia essencial, sendo sua pesquisa importante para dire- cionamento diagnóstico. 3. Leucemia mieloide crônica. 58. Faça o seu julgamento 1. O primeiro hemograma revela anemia normocítica normocrômica, neutro- penia, anaeosinofilia, plaquetopenia e “monocitose”. O segundo, anemia normocítica normocrômica, leucocitose, linfopenia, presença de 93% de blastos e persistência da plaquetopenia. Conclui-se que, no primeiro hemo- grama, a monocitose era, na realidade, blastos com aspecto monocitoide. 2. Leucemia promielocítica aguda (LPM). Os dados de TP e TTPA alargados re- lacionados a consumo de fibrinogênio estão associados à coagulopatia de consumo, um achado característico da LPM. 101 hemogramas - completo rev1.indd 244 05/02/2018 14:06:27 danie Nota A leucemiapromielocítica aguda (LPA) é um tipo específico de LMA, caracterizada por intensa fibrinólise, levando a um quadro CIVD-like. Essa enfermidade era uma das mais terríveis até a década de 80, quando o tratamento com o ácido all-transretinoico (ATRA) melhorou de modo contundente a sobrevida desses pacientes. A doença é mais comum em pacientes hispânicos (5-13% em caucasianos contra 28% em latinos) e em homens. A mediana de idade é de 40 anos. Esse tipo de LMA possui elevada taxa de cura, especialmente se o ATRA for iniciado assim que a suspeita for aventada. O início do agente retinoico é associado à melhora importante das taxas de sangramento e de coagulopatia. Além do início precoce do ATRA, é de vital importância que pacientes com LPA sejam manejados com metas transfusionais específicas, a saber manter fibrinogênio acima de 150mg/dL (através da transfusão de crioprecipitado), manter plaquetas acima de 30-50 000/mm³ (através de transfusão de concentrado de plaquetas), e TP/TTPa abaixo de 1.5 em suas relações. O correto manejo transfusional e o início da terapia com o ATRA conseguem melhorar a sobrevida global de pacientes com LPA. Atualmente esse um dos subtipos mais curáveis de LMA. danie Nota A LMC é caracterizada pela presença da mutação BCR-ABL1 que produz a hiperativação de várias quinases, dando origem a uma célula com estado mitogênico acelerado. A MO fica hipercelular em todas as linhagens, ocorrendo esplenomegalia pelo acúmulo de células já maduras. Na maioria das vezes essa enfermidade é diagnosticada de maneira incidental, apesar de muitos pacientes, especialmente na realidade brasileira, já chegarem nas unidades de emergência com complicações da LMC, especialmente leucostase. No hemograma, classicamente esses indivíduos se apresentam com eritrocitose, leucocitose (especialmente com eosinofilia e basofilia) e trombocitose. Ao exame físico, a esplenomegalia é um achado frequente. A base do tratamento desses pacientes são os inibidores de tirosinaquinase (TKI), principalmente o imatinibe, que bloqueia a enzima quimérica produzida pela t(9;22), gene BCR-ABL1. O tratamento é, até então, contínuo. Atualmente a sobrevida de pacientes com LMC em tratamento com TKI é elevada e poucos pacientes necessitam de tratamentos sequenciais, especialmente se adesão ao imatinibe for adequada. danie Nota A leucostase é uma complicação de pacientes com elevada contagem de leucócitos, especialmente blastos mieloides. As principais doenças associadas a essa complicação são as leucemias agudas, dentre elas a LMA, uma das que mais evoluem para essa manifestação. Pode-se dizer que um valor absoluto de mais de 50000 blastos/mm³ é relacionado a maior chance de leucostase. Blastos linfoides, por serem menores, geralmente podem evoluir com essa complicação com contagens acima de 100000/mm³. É importante que estejamos familiarizados com a clínica dessa manifestação que se caracteriza por cefaleia, tinnitus, alteração do estado mental, engurgitamento de veias retinianas, dor precordial, alterações pulmonares e priapismo. Deve-se reconhecer tais achados rapidamente para que sejam realizadas manobras de citorredução, dentre elas a leucaférese e a citorredução farmacológica com hidroxiureia ou citarabina em casos de LMA ou com corticosteroides em LLA. 245 3. Coagulopatia de consumo. 4. Alteração do tipo t (16;16) e t (8;21). São descritas LMAs geralmente de prog- nóstico favorável associadas a inv (16) e t(15;17). 59. Uma ligação com a infecto 1. Os achados não levariam a uma indicação imediata da realização de mie- lograma. É interessante para o leitor valorizar a história clínica, além dos achados do hemograma. A presença de leucocitose com desvio escalonado até mielócitos levantou a hipótese diagnóstica de leucemia aguda. Porém, com os achados do exame físico, é importante o médico solicitar outros exames. O sopro encontrado é sugestivo de anemia, mas pode também ser indicativo de endocardite, sendo corroborado pela persistência da febre. Diante disso, foi solicitado um ecocardiograma que confirmou o diagnósti- co de endocardite infecciosa. 60. Basta estar no Ceará 1. Anemia normocítica normocrômica, leucopenia, neutropenia, anaeosino- filia, linfocitopenia e plaquetopenia. 2. Diante de um caso de hepatoesplenomegalia febril e pancitopenia, deve- mos pensar em leishmaniose visceral, endobacteriose entérica complica- da e endocardite subaguda. 3. K-39 e mielograma. K-39 positivo e mielograma revelou presença de Leishma- nia ssp. e macrófagos apresentando hemofagocitose, concluindo, assim, o diagnóstico de calazar. 61. Jovem tensão 1. Leucocitose, neutrofilia e monocitose, sugerindo um processo inflamató- rio ou infeccioso. 2. São possíveis hipóteses diagnósticas: IAM por uso de cocaína, pneumotó- rax, pericardite, costocondrite, dor psicogênica e TEP. 101 hemogramas - completo rev1.indd 245 05/02/2018 14:06:27 danie Nota As LMAs são o tipo mais comum de leucemia aguda no adulto. A mediana de idade dos pacientes é de 70 anos, sendo mais comum em pacientes do sexo masculino. Fatores associados ao aumento da chance dessa condição são algumas enfermidades prévias, como SMD, síndromes de falência medular, tratamento prévio com agentes quimioterápicos e radioterapia. Há presença, outrossim, de mutações hereditárias associadas a risco elevado de LMA, como RUNX1 e P53. O tratamento é baseado na avaliação de dois fatores: o paciente, se ele é candidato à terapia de indução de remissão; e a doença, através da análise da citogenética, podemos definir a necessidade de transplante alogênico de células-tronco com intuito curativo, especialmente em pacientes de alto risco. As principais mutações associadas à LMA são translocações balanceados, especialmente a t(15;17), dando origem ao gene quimérico PML-RARa; t(8;21), t(16;16) e inv(16), associadas ao core binding factor (CBF-leukemias). Outras alterações como a presença da mutação do FLT3 podem alterar o prognóstico e o desenho do tratamento desses pacientes. O diagnóstico desse tipo de condição é feito segundo os critérios da OMS 2016, os quais são: presença de mais de 20% de blastos no sangue periférico ou no aspirado medular (mielograma); ou presença de mutações definidoras de doenças, a saber t(15;17), t(8;21), t(16;16) e inv(16). A presença de aglomerados blásticos extramedular, a qual denominamos sarcoma mieloide, também é diagnóstico de LMA. O tratamento de indução em pacientes com LMA é baseado em agentes antracíclicos, classicamente a daunorrubicina, e arabinosídeo-C. A depender do risco citogenético do paciente, o tratamento sequencial será baseado em quimioterapia ou transplante de células-tronco hematopoéticas alogênico. O outro subtipo de leucemia aguda é a leucemia linfoblástica aguda (LLA), a qual é a hemopatia maligna mais comum na infância, onde corresponde a 80% do total das neoplasias. No adulto, apenas 20% das leucemias agudas são LLA. Podemos dividir os dois grupos imunofenotípicos de LLA em B e T. As LLAs-B são mais comuns que as LLA-T. A análise citogenética dos pacientes adultos com essa enfermidade demonstra a presença de alterações desfavoráveis mais comuns que na população pediátrica. Dentre as principais mutações de prognóstico desfavorável na LLA do adulto, temos a t(9;22), dando origem ao gene quimérico BCR-ABL1. Esse gene ocasiona uma ativação constitucional de várias vias metabólicas e mitogênicas na célula linfoide, causando, assim, intensa atividade mitótica nas células que possuam essa alteração. Os pacientes com LLA podem apresentar sintomas decorrentes do acúmulo de blastos na MO, ocasionando sinais e sintomas de insuficiência medular, como astenia, adinamia, equimoses e aumento da frequência de infecções. Por outro lado, outros sintomas como dores ósseas, febre e linfonodomegalias são mais comuns nesse grupo de leucemias agudas que nas LMAs. Cerca de 3-5% dos pacientes com LLA podem se apresentar ao diagnóstico com acometimento do SNC, sendo, por esse motivo, obrigatório durante o tratamento o uso de quimioterapiaintratecal. O manejo desses pacientes é baseado em quimioterapia, a qual na maioria dos esquemas atuais é baseado em agentes antracíclicos (daunorrubicina, doxorrubicina), agentes alquilantes (ciclofosfamida), L-asparaginases, alcaloides da vinca (vincristina) e corticosteroides. Em pacientes com a t(9;22) o uso do inibidor de tirosinoquinase imatinibe tem sido eficaz na melhoria do desfecho, especialmente quando se realiza o transplante em tempo hábil. O acréscimo de agentes imunoterápicos nos esquemas de indução, como o rituximabe, e nos resgate de pacientes recaídos/refratários, como blinatumomabe, tem proporcionado melhores taxas de resposta a longo prazo, especialmente nos pacientes candidatos a transplante alogênico de células-tronco hematopoéticas. 246 3. B2 palpável e hiperfonese de B2 que, no contexto de uma síndrome aguda, podem indicar hipertensão pulmonar associada à TEP. 4. Angiotomografia de tórax multislice, que revelou tromboembolismo pul- monar submaciço. D-dímero de 25.598 ng/mL (VR: < 500 ng/mL) e pro-BNP menor que 100 pg/mL (VR: 0 a 70 pg/mL). Após confirmação do diagnóstico, mãe relatou deficiência de proteína S em 2 filhos (Proteína S = 37% / VR: 55-160%). 62. Parece, mas não é! 1. Anemia macrocítica, hipercrômica, anisocitose, neutropenia, eosinofilia e linfocitose. 2. Diante dos dados clínicos e do hemograma, deve-se pensar em anemia he- molítica hereditária. Possivelmente os episódios de "hepatite" sejam crises hemolíticas. Vale salientar também a história de anemia na família e a ocor- rência de várias transfusões de concentrados de hemácias sem sangramen- tos evidentes. Com relação ao hemograma, chama a atenção a macrocitose e a presença de hemácias em alvo, drepanócitos e reticulocitose, devendo- -se pensar no diagnóstico de hemoglobinopatias. 3. A abordagem de um provável quadro hemolítico se baseia em excluir AHAI (teste de Coombs negativo) e outras provas de hemólise positivas. Exames solicitados: enzimas hepáticas (AST, ALT, bilirrubinas), dosagem de vitami- na B12 e folato, LDH, sorologias para hepatite B, C, HIV 1 e 2, VDRL, estu- do de hemoglobina pelo HPLC, perfil do ferro (ferro sérico, IST, ferritina). Confirmou-se o diagnóstico de anemia falciforme. Níveis elevados de fer- ritina e IST estão associados à hemocromatose secundária a frequentes hemotransfusões. Nessa paciente, a sorologia para HTLV pelo Western Blot também foi positiva. 63. Uma bagagem febril 1. Evolução para pancitopenia e presença de linfócitos atípicos. Linfócitos atípi- cos são encontrados em infecções virais agudas, protozoóticas, como malá- ria e Chagas agudo, e bacterianas, por exemplo a brucelose. 2. Malária. 101 hemogramas - completo rev1.indd 246 05/02/2018 14:06:27 247 3. Realizou-se o exame de gota espessa e foi confirmada a hipótese da ques- tão anterior, com presença de Plasmodium spp. 64. Sopa de aveia 1. Anemia normocítica normocrômica, leucocitose, neutrofilia, eosinofilia e monocitose. 2. Tuberculose pulmonar. Nesse caso, pela importante exposição tabagística, é de suma importância excluir neoplasia pulmonar. 3. Baciloscopia (duas amostras)/gene XPERT, TC e, no caso de lesão sugestiva de neoplasia, broncoscopia com biópsia guiada por TC. 4. Câncer de pulmão de pequenas células. 65. Chagas aberto, coração “Ferrido” 1. Leucopenia sem neutropenia e plaquetopenia. 2. Hepatopatias crônicas. 3. Albumina e TP/INR. Para avaliar lesão hepática, solicita-se transaminases. O diagnóstico etiológico da hepatopatia exige mais exames laboratoriais e de imagem. 4. Hemocromatose. Por não apresentar histórico de transfusões sanguíneas, provavelmente estamos diante de uma causa primária. No caso, o pacien- te realizou a pesquisa das mutações do gene HFE, a saber, principalmente, C282Y e H63D, sendo homozigoto para a primeira. 66. Oceano de plaquetas 1. Não, pela plaquetose acentuada, história de HAS e presença de eritromelalgia. 2. Síndromes mieloproliferativas crônicas, entre elas a trombocitemia essencial. 3. Mielograma, BMO com coloração para reticulina, BCR-ABL e JAK-2. Confir- mou-se o diagnóstico de trombocitemia essencial. 4. Controle da pressão arterial e da eritromelagia com o uso de AAS (100 - 200mg ao dia). 101 hemogramas - completo rev1.indd 247 05/02/2018 14:06:27 danie Nota Para maiores informações sobre SMP em geral e SMP não-LMC, consultar respostas dos casos 38 e 72, respectivamente. lucas Nota A hemocromatose é uma doença autossômica recessiva que se caracteriza por absorção excessiva do ferro no intestino, levando ao acúmulo de ferro (ferritina e hemossiderina) em vários órgãos. No decorrer do tempo, o acúmulo de ferro causa fibrose em órgãos envolvidos, em consequência dos radicais livres de hidroxila. Os principais órgãos envolvidos são: fígado, pâncreas, coração, articulações, pele, tireoide, gônadas e hipotálamo. Inicialmente, muitos pacientes são assintomáticos. Manifestações clínicas incluem sinais de doença hepática, fadiga, artralgia, arritmia, dor abdominal, amenorreia e impotência sexual. Como complicações da hemocromatose podemos ter: cirrose, cardiomiopatia, diabetes mellitus, artrite, hipogonadismo, hipotireoidismo e hiperpigmentação. O diagnóstico é confirmado pelo estudo do perfil do ferro (aumento do ferro sérico, IST, ferritina e diminuição da capacidade total de ligação do ferro), biópsia hepática e teste genético para alterações cromossômicas e mutações. O tratamento consiste em flebotomias de repetição. Esse é o tratamento de escolha e melhora de sobrevida do paciente se iniciado precocemente no curso da doença. Devemos, ainda, considerar o transplante hepático como tratamento em casos avançados da doença. lucas Nota Ressalta-se que, em países endêmicos, o diagnóstico preciso e oportuno da malária é importante para superar riscos de resultados fatais. O esfregaço de sangue periférico é uma técnica simples que, algumas horas após a coleta de sangue, pode mostrar se o Plasmodium está presente e, em grande parte dos casos, permite a identificação das espécies envolvidas. Além disso, pode estimar a densidade do parasita. Caso a suspeita clínica seja substancial e o parasita não for detectado no primeiro esfregaço de sangue, o exame deve ser repetido a cada 12-24h, por um total de três séries. Se todos os três resultados forem negativos, esse diagnóstico pode ser descartado. 248 67. Hemorragia multinacional 1. Anemia microcítica hipocrômica, leucopenia e linfopenia. 2. Diante do quadro clínico de hemorragia e da história familiar, poderia-se pensar em distúrbios da coagulação. No entanto, a presença de telangiec- tasias e a história familiar apontam para um diagnóstico raro, de etiologia autossômica dominante, conhecido como teleangiectasia hemorrágica he- reditária ou síndrome de Osler-Weber-Rendu. 3. Síndrome de CREST e ataxia telangiectasia. CREST, que é definida como cal- cinose, Raynaud, esofagopatia, esclerodactilia e telangiectasia, sendo uma forma variante da esclerodermia. Doenças autoimunes podem estar asso- ciadas à linfopenia, especialmente LES. 4. Hemorragia pulmonar por shunts intrapulmonares. 68. Maquinaria da dor 1. Hemograma, contagem de reticulócitos, estudo da hemoglobina pelo HPLC (HbS: 84,6%; HbF: 10,3%; HbA2: 3,5%). Sequestro esplênico, apesar de ser incomum em idade adulta. 2. Crise vaso-oclusiva intra-abdominal. Pacientes com anemia falciforme são mais susceptíveis a crises álgicas abdominais associadas a fenômenos de redução do fluxo arterial e venoso por crise vaso-oclusiva, as quais, muitas vezes, simulam abdome agudo. Entretanto, no caso em questão, a segun- da laparotomia foi secundária a divertículo de Meckel, o qual não possui relação com a anemia falciforme. 69. RO-HO 1. Anemia normocítica hipocrômica, leucocitose, neutrofilia e acentuada lin- fopenia. 2. Anti-HIV 1 e 2. 3. Ultrassonografia de vias biliares, a qual demonstrou compressão extrínse- ca de vias biliares, confirmada por TC de abdome. 4. Diante das síndromes febril e consumptivahá seis meses e da presença de gânglio supraclavicular direito e linfonodomegalia retroperitoneal, associa- 101 hemogramas - completo rev1.indd 248 05/02/2018 14:06:27 Gabriel Nota As principais complicações graves associadas à anemia falciforme são: acidente vascular cerebral isquêmico, o qual pode acontecer em pacientes jovens sem fatores de risco cardiovasculares; síndrome torácica aguda, que é definida pela presença de novo infiltrado radiográfico, hipoxemia e dor torácica, sendo necessário nesse contexto adequado suporte hemoterápico, controle álgico, oxigenioterapia e antibióticos, se necessário; sequestro esplênico, que é definido por esplenomegalia dolorosa e citopenias periféricas, sendo uma manifestação mais comum na infância do que na fase adulta; crises álgicas, ocasionadas por vaso-oclusão; necrose de papila renal, definida por dor lombar aguda, de forte intensidade e hematúria. No seguimento de pacientes com anemia falciforme, reposição de ácido fólico, o tratamento com hidroxiureia e avaliação seriada das artérias cerebrais por dopplervelocimetria estão associados a melhores desfechos e à diminuição de complicações. O adequado manejo transfusional também se faz importante para a diminuição das complicações clínicas graves e do fenômeno de aloimunização. 249 das a sinal de Rosman, solicitou-se biópsia e imuno-histoquímica do gânglio supraclavicular direito, confirmando o diagnóstico final de linfoma de Hod- gkin clássico do subtipo esclerose nodular. 70. Anéis e pérolas 1. O hemograma revelou anemia microcítica normocrômica, o que explica a sintomatologia do paciente. Deve-se avaliar as reservas de ferro: o ferro e a ferritina encontram-se elevados: 779,0 mg/dL (VR: 60-160 mg/dL) e 469,3 ng/ml (VR: 21,8-274,6 ng/mL), respectivamente. A contagem de plaquetas está elevada, mas não podemos correlacionar com anemia ferropriva dian- te do perfil do ferro. 2. Podemos pensar em anemia sideroblástica, mielodisplasia, hemocromato- se, talassemia e anemia hemolítica constitucional. 3. Deve-se realizar mielograma com coloração para ferro. O paciente está na oitava década de vida, com anemia crônica, microcítica e normocrômica e uma tendência à sobrecarga de ferro. O complemento com a coloração de Perls confirma o diagnóstico, o qual marca ferro dentro da célula. O mie- lograma revelou hipercelularidade moderada, alguns macro e microeritro- blatos, 80% de sideroblastos em anel, hipossegmentação e hipogranulação em 48% dos neutrófilos, megacariócitos hipolobados e 2% de blastos. Con- firmamos com o mielograma e a coloração de Perls o diagnóstico de ane- mia sideroblástica. 71. Manto de linfócitos 1. Leucemia linfocítica crônica. 2. Imunofenotipagem de sangue periférico. 3. Tabagismo. 4. Linfoma não-Hodgkin subtipo manto. A citometria de fluxo é um exame que auxilia no diagnóstico de LLC. CD5 e CD23 positivos e FMC7 negativo confi- guram o imunofenótipo padrão da LLC. No linfoma do manto, tem-se CD5 e FMC7 positivos e CD23 negativo. Os dois podem se apresentar inicialmen- te com linfocitose e linfonodomegalia generalizada. 101 hemogramas - completo rev1.indd 249 05/02/2018 14:06:27 danie Nota O linfoma de Hodgkin (LH) é uma doença neoplásica de células B, caracterizada pela presença de intensa inflamação pericélula neoplásica, com infiltrado pleomórfico no linfonodo acometido. Classicamente, esse tipo de neoplasia se caracteriza por linfonodomegalias e sintomas constitucionais, como perda de peso, febre e sudorese noturna. A doença possui dois picos principais de incidência, por volta dos 20-25 anos e 60-70 anos. Pode-se classificar os LH em dois grandes grupos: o clássico, que morfologicamente possui as células binucleadas de Reed-Sternberg, não apresenta os marcadores de superfície típicos das células B (CD79a, CD19, CD20 e CD22), apresenta positividade para o CD30 e CD15, e que pode ser subclassificado em quatro entidades (esclerose nodular, celularidade mista, rico em linfócitos, depleção linfocitária); o não-clássico (nodular com predominância linfocitária), presença das células com núcleo em pipoca (popcorn) na análise morfológica, com presença dos marcadores típicos da célula B, negatividade para o CD30 e CD15. O tratamento dos pacientes com LH depende do grau da disseminação da doença. Classicamente, o esquema básico quimioterápico é o ABVD (adriamicina, bleomicina, vimblastina e dacarbazina). É uma doença com elevada taxa de cura quando diagnosticada precocemente e tratada adequadamente. Em pacientes refratários ou recaídos, o transplante autólogo faz parte do desenho do tratamento com boas respostas a longo prazo. Outros tratamentos em voga são o brentuximabe-vedotina (anticorpo anti-CD30 conjugado com droga antimicrotúbulos), e inibidores do checkpoint imune, como o nivolumabe. danie Nota Para maiores informações diagnósticas sobre LLC, consultar resposta do caso 35. 250 72. MMA 1. Anemia normocítica normocrômica, desvio não escalonado e plaquetopenia. 2. Hemácias em lágrimas (dacriócitos), eritroblástico ortocromático (1/100 leucócitos), neutrófilos hipersegmentados e presença de precursores mie- loides, configurando reação leucoeritroblástica. 3. Deve ser solicitado mielograma e BMO com coloração para reticulina por presença de hemácias “em lágrima” e reação leucoeritroblástica. 4. Mielofibrose primária idiopática ou metaplasia mieloide agnogênica (MMA). 73. Males do Mediterrâneo 1. Anemia microcítica hipocrômica e discreta neutropenia. 2. Dosagem de ferro sérico, índice de saturação de transferrina, ferritina sé- rica, estudo da hemoglobina, contagem de reticulócitos, LDH e Coombs. 3. Anemia da inflamação e/ou talassemia. A última foi confirmada pelo méto- do HPLC (HbA2: 4,5%; VR: até 3,5%). 74. Uma combinação infrutífera 1. Plaquetopenia (8000/mm³). 2. A púrpura trombocitopênica imune (PTI) ou plaquetopenia imune (PI) pode ser primária ou idiopática, quando não há uma causa identificada para seu aparecimento, ou secundária (infecções, fármacos, malignidades, doenças autoimunes, entre outros). No caso mostrado, não há dados que levem a uma possível causa da PI do paciente, mas provavelmente foi realizada uma investigação clínica detalhada e exames, como sorologias para HIV, HCV, HBC e H. pylori. Excluindo-se as causas possíveis, estaríamos diante de uma PI primária. 3. O uso de ácido acetilsalicílico e a ingestão alcoólica. 4. Pulso de metilprednisolona. Reavaliar resposta e próximos passos terapêu- ticos. 5. Não, pois o paciente não demonstrava sinais e/ou sintomas de comprome- timento neurológico, hemorragia grave ou necessidade de procedimento 101 hemogramas - completo rev1.indd 250 05/02/2018 14:06:27 lucas Nota Adicionar: Pelo fato de os pacientes com talassemia se apresentarem com microcitose, infelizmente não é incomum a reposição de ferro de maneira inadequada. Sob esse aspecto, os portadores de talassemia devem ser avaliados com cuidado, pois existe um aumento na captação de ferro intestinal nesse grupo. Portanto, há maior tendência de hemocromatose secundária, especialmente nos pacientes que estão em suporte hemoterápico. Desse modo, é importante que o paciente com talassemia seja continuamente avaliado acerca de seus estoques de ferro tissular, através da ferritina, IST e imagem de ressonância magnética ponderada para ferro hepático e cardíaco. Além da avaliação contínua a respeito do risco de hemocromatose, é importante que esses pacientes sejam transfundidos, quando necessário, com hemocomponentes fenotipados, com o intuito de diminuir o risco de aloimunização, caracterizada, resumidamente, pela produção de anticorpos do receptor contra antígenos eritrocitários do doador. danie Nota As SMPs não-LMC são entidades com apresentação clínica muitas vezes parecidas; no entanto, a MFPI é a que classicamente pode evoluir com citopenias a longo prazo e hematopoese extramedular, especialmente no baço. As principais complicações a longo prazo desses pacientes são a piora dos sintomas constitucionais, riscode eventos tromboembólicos e evolução clonal para leucemia aguda. Nesse sentido, o controle citostático, especialmente com hidroxiureia, é preconizado em alguns pacientes. Dentre os subtipos de SMPs não-LMC, a mutação da JAK2 V617F é uma das mais prevalentes, sendo comum em 95% dos pacientes com PV, 50-80% dos pacientes com TE e 30-50% dos pacientes com MFPI. Outras mutações como a calreticulina e a MPL são comuns em TE e em MFPI JAK2 negativa. danie Nota Para maiores informações sobre PTI, consultar resposta do caso 02. 251 cirúrgico. Além disso, apresentava histórico de múltiplas transfusões de con- centrados de plaquetas, contraindicando essa conduta. 75. Ele não se safou... 1. Anemia normocítica hipocrômica, leucopenia, neutropenia eosinopenia e linfocitopenia. 2. Anti-dsDNA. Tal marcador está associado à progressão e ao controle da do- ença renal em pacientes com nefrite lúpica. Sabe- se que ele é bastante es- pecífico para LES e, em alguns pacientes, pode surgir até dois anos antes da doença manifesta. 3. Síndrome do anticorpo antifosfolípide. A propedêutica diagnóstica se faz com a pesquisa do anticoagulante lúpico, anticardiolipina e anti-β2-glico- proteína-I. 76. Três em um 1. Anemia normocítica normocrômica, anisocitose, eosinopenia e tromboci- topenia. 2. PTT. A presença de anemia hemolítica microangiopática, plaquetopenia e alterações neurológicas corrobora a hipótese. 3. A enzima ADAMTS13, a qual é relacionada à clivagem dos multímeros endo- teliais do FvW. A relação entre a produção de anticorpos contra a ADAMTS13 e a diátese microangiopática é algo recente na prática médica, sendo rela- cionada à forma adquirida da PTT. 4. Plasmaférese. 77. Uma anemia complexa 1. Microangiopatia trombótica (MAT). 2. Anemia hemolítica autoimune (AHAI) e mieloftise (mielopatia infiltrativa). Realizou-se mielograma, o qual demonstrou presença de células aglome- radas de grande porte com núcleos e nucléolos evidentes. 101 hemogramas - completo rev1.indd 251 05/02/2018 14:06:27 lucas Nota Adicionar: Esse procedimento consiste na troca plasmática do paciente e reposição de plasma de doador normal. Na PTT, o primeiro tratamento baseado em plasmaférese ocorreu na década de 70, com melhor desfecho nos pacientes com a doença. A plasmaférese deve ser iniciada tão logo a suspeita de PTT seja aventada. No manejo inicial, a corticoterapia também deve ser instituída, especialmente quando se leva em conta o mecanismo imune na produção de anticorpos anti-ADAMTS13. Cerca de 20% dos pacientes com PTT podem recair após resposta inicial à plasmaférese e à corticoterapia. Nesses casos, o tratamento com rituximabe (anticorpo monoclonal anti-CD20) pode ser útil. É importante lembrar da reposição de folato em pacientes com hemólise. Vale ressaltar que, a partir de 2016, estudos com o medicamento caplacizumabe têm diminuído o tempo e a gravidade da trombocitopenia. lucas Nota Adicionar: Outro índice que pode nos ajudar no diagnóstico de PTT, especialmente quando se leva em conta a necessidade de plasmaférese de urgência, é o PLASMIC escore. Pacientes com mais de seis pontos nesse escore têm elevada chance de serem portadores de PTT. O escore é definido como: plaquetas abaixo de 30 mil, índices de hemólise presentes (reticulócitos acima de 2%, BI aumentada, LDH elevada e haptoglobina consumida), ausência de história de neoplasia em atividade, não realização de transplante de órgãos sólidos ou medula óssea, VCM abaixo de 90fL, INR abaixo de 1,5 e creatinina abaixo de 2mg/dL. Cada um dos itens supracitados corresponde a um ponto no escore. 252 3. Neoplasias malignas estão associadas à produção de autoanticorpos an- tieritrócitos, especialmente neoplasias onco-hematológicas e tumores sóli- dos de origem epitelial, como mama e pulmão. É importante ressaltar o fato de tumores sólidos malignos, especialmente mama, pulmão, TGI e próstata, estarem outrossim associados à mielopatia infiltrativa. Desse modo, confor- me indica o mielograma, a paciente em questão apresenta infiltração me- dular por células neoplásicas de provável origem mamária. Além disso, vale salientar que o fato de o Coombs direto ser positivo pode estar relacionado à provável AHAI secundária à neoplasia de mama. 78. Quiromancia 1. Anemia normocítica normocrômica, leucopenia, neutropenia, anaeosiofi- lia, linfocitopenia, plaquetopenia. 2. Anemia de Fanconi, disceratose congênita e Schwachman-Diamond. Os acha- dos clínicos do paciente são patognomônicos de disceratose. 3. Eritrovírus (ou Parvovírus) B19. 4. Ciclosporina. 79. Nem sempre é tuberculose? 1. Anemia normocítica normocrômica, leucocitose, neutrofilia, desvio à es- querda escalonado, reação leucoeritroblástica e monocitose. 2. Mielopatia infiltrativa, a qual pode ser associada à infecção ou doença on- cohematológica. 3. O diagnóstico de mielopatia infiltrativa por histoplasmose foi confirmado através do creme leucocitário e mielograma. 80. Esquerda ou Droit? 1. Linfopenia, leucopenia e plaquetopenia. 2. Hereditária, uma vez que quatro parentes apresentaram quadro semelhan- te, além do sangramento recorrente nos partos e da complicação pós-ci- rúrgica. 101 hemogramas - completo rev1.indd 252 05/02/2018 14:06:27 danie Nota As síndromes de falência medular podem ser divididas em hereditárias e adquiridas. As primeiras são de surgimento precoce e possuem potencial variável de evolução clonal. As adquiridas têm como principais doenças a aplasia medular, SMD hipoplásica e HPN. Os pacientes com falência medular hereditária se apresentam geralmente com pancitopenia reticulocitopênica e manifestações clínicas associadas a cada doença específica, como alterações estaturais de ossos e membros superiores na anemia de Fanconi; insuficiência pancreática exócrina na síndrome de Schwachman-Diamond; e alterações cutâneas e de fâneros na disceratose congênita. Esses pacientes devem ser acompanhados continuamente, pois possuem alta taxa de evolução da doença para SMD/LMA ou outras neoplasias sólidas. É importante ressaltar que algumas dessas doenças podem ser oligossintomáticas até a fase adulta, manifestando-se como aplasia medular, fato que justifica todo paciente com anemia aplástica ser investigado para síndrome de falência medular hereditária. danie Nota Para maiores informações sobre AHAI, consultar resposta do caso 87. 253 3. Esquistossomose, todavia doença de Gaucher foi confirmada por dosagem da atividade enzimática da beta-glicosidase ácida. Outras doenças asso- ciadas a deficiências enzimáticas do lisossomo: doença de Fabry, doença de Niemann- Pick e mucopolissacaridoses. 81. “AVC” febril 1. Anemia normocítica, normocrômica, leucopenia, anaeosinofilia, linfocito- penia e plaquetopenia, configurando pancitopenia. 2. Considerando que a paciente apresenta SIDA, os principais diagnósticos diferencias são neurotoxoplasmose, tuberculose, criptococose, CMV, ence- falite herpética e vírus JC (agente causador da leucoencefalopatia multifo- cal progressiva). 3. RNM de crânio com contraste. No serviço de Emergência, foi confirmado diagnóstico de toxoplamose, por meio do achado de realce anelar pós-in- fusão de gadolíneo. 82. Positividades negativas 1. HIV. 2. Reação cruzada. Sabe-se que infecções podem estar associadas à produ- ção de imunoglobulinas, interleucinas, citocinas e fatores pró-inflamató- rios, os quais, muitas vezes, podem positivar testes ELISA. Esse fenômeno é especialmente comum no anti-ANA (para LES) e no rK39 (para Calazar). É importante que o clínico esteja ciente desses fenômenos para direcionar a investigação diagnóstica. 3. Carga viral e contagem de linfócitos T CD4. Na infecção aguda pelo HIV, os testes diagnósticos baseados na pesquisa de anticorpos antivírus costu- mam positivar cerca de quatro semanas após a infecção, impossibilitando o seu uso para diagnóstico. 83. O enigma africano 1. Anemia hemolítica microangiopática. 101 hemogramas - completo rev1.indd 253 05/02/2018 14:06:27 danie Nota As doenças de depósitosão enfermidades raras caracterizadas por defeitos nas vias de mobilização, função ou fagocitose dos lisossomos, ocorrendo assim acúmulo de substâncias, a depender da enzima deficiente. Pode-se dividir esse grupo de doenças em: acúmulo de esfingolipídeos (esfingolipidoses) e acúmulo de mucopolissacarídeos (mucopolissacaridoses). As primeiras podem ser divididas em três principais entidades, a saber doença de Fabry, a qual está associada à deficiência da alfagalactosidase A, levando a alterações cardíacas, renais e cutâneas; doença de Gaucher, a qual está associada à deficiência da betaglucosidase, acarretando alterações metabólicas ósseas, hepatoesplenomegalia, pancitopenia e deficiência de fatores de coagulação (fator XI); doença de Niemann-Pick, associada à deficiência da esfingomielina, causando organomegalias, alterações hematológicas e neurológicas, a depender do subtipo. As mucopolissacaridoses são doenças da infância, as quais estão associadas a infecções de repetição e organomegalias. O tratamento dessas enfermidades é baseado na reposição das enzimas deficientes, especialmente no caso de Gaucher e Fabry. 254 2. O achado de anemia hemolítica microangiopática associado à plaqueto- penia sugere bastante o diagnóstico de microangiopatia trombótica, cujas possíveis etiologias são PTT, SHU, HELLP, entre outras. 3. ADAMTS13, proteína contra a qual o anticorpo responsável pela PTT adqui- rida é dirigido. 4. Alteração da trombomodulina (THBD). 84. Esquisitos inimigos 1. Anemia normocítica normocrômica, leucocitose, neutrofilia, eosinofilia, des- vio escalonado, plaquetopenia e esquizócitos (à hematoscopia). Sendo as- sim, o conjunto dos achados sugere anemia hemolítica microangiopática. 2. Microangiopatia trombótica. Nesse caso, pela alteração do estado neuro- lógico, o principal diagnóstico é PTT. 3. Plasmaférese. 4. Adenocarcinomas são associados a um tipo muito raro de MAT, denomina- da CA-TMA (cancer-associated thrombotic microangiopathy). Esse grupo de doenças possui prognóstico desfavorável. 85. O ocaso das hemácias 1. Anemia macrocítica hipocrômica, leucopenia, neutropenia, plaquetopenia, configurando, assim, pancitopenia. 2. Citometria de fluxo com pesquisa de clone HPN (referente a hemoglobinú- ria paroxística noturna) em sangue periférico (CD59, CD55, CD16, CD14). 3. Por tratar-se de uma hemólise intravascular. 4. Tromboembolismo pulmonar secundário à trombose venosa profunda. 5. Anticorpo humanizado bloqueador do C5, eculizumabe. 86. Quente ou frio? 1. Anemia macrocítica hipercrômica e reticulocitose. 2. Diante da anemia macrocítica e da reticulocitose, deve-se pensar em anemia hemolítica, possivelmente anemia hemolítica adquirida, considerando-se a 101 hemogramas - completo rev1.indd 254 05/02/2018 14:06:27 lucas Nota Adicionar: A HPN é uma doença hemolítica caracterizada por elevada sensibilidade das hemácias ao ataque do sistema complemento, a qual é secundária a uma mutação no gene PIG-A. Esse gene produz uma proteína de membrana da hemácia que é ligada a substâncias que bloqueiam o ataque do sistema complemento, a saber CD55 (DAF) e CD59. Desse modo, os pacientes com essa mutação, a depender do tipo de alteração genética, podem expressar quantidades deficientes desses bloqueadores do complemento. Além da alteração das hemácias, esses pacientes também são susceptíveis a risco elevado de falência medular. Trata-se de uma enfermidade rara, acometendo pacientes jovens (20 a 30 anos), e caracterizada por elevado risco de trombose venosa e arterial. A sintomatologia caracteriza-se por astenia, adinamia, espasmos esofagianos e dores abdominais em decorrência das crises de hemólise, e, se presença de neutropenia, infecções. Classicamente, a colúria está presente em cerca de um quarto dos pacientes com HPN. A longo prazo, a principal causa de mortalidade nesse grupo é a trombose venosa (TEP). Outras complicações são: doença renal crônica, hipertensão de artéria pulmonar, evolução para aplasia medular e evolução clonal (SMD/LMA). Houve intensa melhoria no manejo desses pacientes a partir de 2007, quando a terapia do bloqueio do complemento foi instituída. Atualmente, esses pacientes podem ter uma sobrevida global semelhante a de indivíduos não enfermos. lucas Realce Substituir por: , a qual é caracterizada pela destruição dos eritrócitos no lúmen vascular. As causas principais desse tipo de hemólise são: AHAI por crioaglutininas, hemoglobinúria paroxística a frio, MATs e HPN. Outras causas menos comuns são: doença de Wilson, síndrome de Zieve e intoxicação por toxina A do clostrídio. lucas Nota Adiconar: Para maiores informações, consultar resposta da questão 76. lucas Nota Adicionar: O diagnóstico diferencial das MATs é complexo e exige intensa investigação de causas subjacentes. Podemos dizer que a principal MAT a ser pensada inicialmente é a mediada por anticorpos anti-ADAMTS13 (PTT). Esse tipo de enfermidade não costuma se apresentar com lesão renal aguda. Desse modo, a presença ou ausência de lesão renal vai nos guiar para os principais tipos de MAT. Se estamos diante de uma criança com diarreia enterohemorrágica e lesão renal aguda, o diagnóstico de SHU mediada por verotoxina é proeminente (geralmente autolimitada). No adulto, a presença de lesão renal e hemólise microangiopática pode suscitar várias hipóteses diagnósticas, especialmente a SHU mediada pelo complemento. Várias mutações de fatores reguladores solúveis do sistema complemento estão envolvidas na ativação microangiopática. Dentre eles: fator H, fator I, MCP e ganho de função do C3/CFB. Pela intrínseca e insolúvel relação entre a coagulação e o sistema complemento, a hiperativação de qualquer dos dois pode causar anemia hemolítica microangiopática. Nesse quesito, mutações que diminuam a sensibilidade da trombomodulina (THBD) à retroalimentação da trombina podem desencadear a ativação endotelial com consequente microangiopatia trombótica. Há pesquisadores que corroboram com o entendimento de que a coagulação é a quarta via de ativação do sistema complemento. lucas Nota Adicionar: Para maiores informações sobre o procedimento, consultar a resposta da questão 76. lucas Nota Adicionar: As CA-TMAs são um grupo raro de microangiopatias. Os principais tumores associados são: neoplasias epiteliais (adenocarcinoma gástrico, de mama e do TGI), neuroblastoma e sarcomas. Não existe padronização no manejo desses pacientes, o que dificulta o tratamento a longo prazo. Vale ressaltar que o principal mecanismo secundário à ativação microangiopática ainda não está esclarecido, mas a invasão da MO, carcinomatose endotelial e intensa angiogênese tumoral são fatores associados. lucas Nota Adicionar: Para maiores informações sobre a abordagem dos pacientes com MATs, ver resposta da questão 54. 255 idade da paciente. Deve-se solicitar teste de Coombs direto, o qual, nesse caso, confirmou o diagnóstico de anemia hemolítica autoimune (AHAI) por anticorpo quente. 3. LLC, LES, AR, fármacos (alfametildopa, ácido mefenâmico, penicilinas, ce- falosporinas, entre outros) e infecções, como malária, micoplasmose e HIV/ SIDA. Realizou-se investigação laboratorial para as possíveis etiologias acima, sendo confirmado o diagnóstico de HIV pelos métodos ELISA e Western Blot. 87. Combinando o teste 1. Anemia normocítica hipocrômica, anisocitose e anaeosinofilia. 2. Ao eritrograma, visualiza-se anisocitose, a qual, no contexto de uma ane- mia, pode estar associada à presença de células de forma alterada (reticuló- citos?). À hematoscopia, a presença de policromasia e de eritroblastos nos leva a considerar provável solicitação medular da série eritroide, o que con- figura hemólise. 3. Teste de Coombs direto (resultado encontrado: IgG +3; C3c +1; C3d +4; IgM +3). 4. Mycoplasma spp. 5. Sífilis, classicamente descrita na hemoglobinúria paroxística a frio. 88. “Chorando se foi” 1. Anemia macrocítica normocrômica e plaquetopenia. 2. Ocupação medular. 3. Abordagem de um paciente com sinais de ocupação medular envolvea ex- clusão de causas infecciosas, neoplásicas (extrínsecas e intrínsecas), doen- ças de depósito etc. Foram excluídas causas infecciosas e de depósito. Nesse aspecto, restam as doenças neoplásicas. A investigação segue com mielo- grama e BMO com coloração de reticulina, a qual revelou intensa fibrose de medula óssea. A propedêutica diagnóstica se faz com exclusão de LMC (BCR- -ABL negativo) e investigação de outras doenças mieloproliferativas crôni- cas, como policitemia vera, trombocitemia essencial e a principal hipótese para o caso: metaplasia mieloide agnogênica. 101 hemogramas - completo rev1.indd 255 05/02/2018 14:06:27 danie Nota Para maiores informações sobre SMP não-LMC, consultar resposta do caso 72. danie Nota A anemia hemolítica autoimune (AHAI) é uma doença adquirida secundária à destruição autoimune dos eritrócitos mediada por anticorpos. Esses anticorpos são direcionados contra antígenos da hemácia, ocasionando deposição de proteínas do sistema complemento, o que resulta em hemocatarese acelerada dessas células, especialmente quando o anticorpo for do subtipo IgG, ou hemólise intravascular, quando IgM. O paciente com essa enfermidade se apresenta com sinais e sintomas de anemia. Pode haver icterícia em alguns casos. Ao hemograma, a anemia macrocítica com RDW aumentado pode ser vista, demonstrando a liberação de formas mais jovens de eritrócitos (reticulócitos) no sangue periférico. Durante a investigação, outros exames demonstram a hemólise, especialmente a contagem de reticulócitos aumentada, LDH aumentada, bilirrubina indireta aumentada e, principalmente, haptoglobina consumida. Posteriormente, o teste de Coombs direto ou teste da antiglobulina direta (TAD) vão ajudar no diagnóstico de uma causa imune da anemia em questão. Classicamente, o TAD vai definir se há deposição de imunoglobulinas ou de proteínas do sistema complemento no eritrócito. À análise do TAD, que deve ser feita com muito cuidado e atenção, podemos nos deparar com dois grandes grupos de AHAI, a saber a por anticorpos quentes e por anticorpos frios. A primeira é derivada do ataque mediado, principalmente, por IgG com ou sem participação do complemento no TAD, especialmente contra antígenos de alta frequência como os associados ao sistema RH. A segunda, por reagir à temperatura ambiente, geralmente demonstra apenas a presença de proteínas do complemento, fato que suscita outros estudos imuno-hematológicos para confirmar o tipo de imunoglobulina depositada, se IgM ou se IgG bifásico. Quando estamos diante de uma AHAI mediada por IgM, a presença de criaglutininas é confirmada e a associação com doenças onco-hematológicas deve ser extensivamente investigada, geralmente a resposta imune é dirigida contra antígenos do sistema I/i. Na presença de IgG bifásico, que se deposita a temperaturas baixas e causa hemólise mediada pelo complemento quando a temperatura se eleva, estamos diante de um tipo raro de AHAI, a qual denominamos de hemoglobinúria paroxística a frio, muitas vezes a resposta imune é dirigida contra antígenos do sistema P. A forma principal e mais comum de AHAI é a mediada por IgG. Aproximadamente metade dos casos está relacionada a doenças autoimunes ou neoplásicas, especialmente LES, AR, LLC e outros linfomas. É importante no manejo desses pacientes a reposição de folato e a terapia imunossupressora. No subtipo de AHAI mediada por IgG, o uso de corticosteroides na dose de prednisona de 1mg/kg/dia por 6-8 semanas é eficaz no controle da doença de muitos pacientes. Recaídas e corticodependência podem ocorrer. Nesse caso, o uso de outros medicamentos como o anticorpo monoclonal anti-CD20, rituximabe, pode ser efetivo no controle da enfermidade. É importante ressaltar que pacientes com AHAI secundária a doenças autoimunes necessitam do controle da doença de base para que haja adequada resposta ao tratamento da AHAI. A doença de criaglutininas possui, além dos sinais e sintomas de síndrome anêmica, outras manifestações especialmente associadas ao frio, como fenômeno de Raynaud e acrocianose. 256 89. Duas hemoglobinas para uma mãe 1. Autossômica recessiva. 2. Hemoglobina Sβ. 3. Doença de Silvestroni-Bianco (HbS/β-talassemia). 90. Sangue azul 1. Anemia ferropriva, talassemia, anemia da inflamação, anemia sideroblástica. 2. Perfil do ferro (ferro sérico, saturação de transferrina e ferritina), eletrofo- rese de hemoglobina. Na paciente em questão, constatou- se anemia fer- ropriva diante do perfil do ferro (ferro sérico baixo: 22ug/dL; saturação da transferrina baixa: 5% e ferritina baixa: 4,74ng/mL). 3. Dermatite herpetiforme. Dapsona. A complicação foi metemoglobulinemia. 4. Suspensão da dapsona e uso de azul de metileno. 91. π = 3,1415… 1. Leucocitose discreta, eosinopenia, monocitose e plaquetopenia. 2. Helicobacter pylori. 3. Síndrome de Evans, que consiste na associação de plaquetopenia imune e AHAI. 4. Vírus JC, associado à leucoencefalopatia multifocal progressiva. 92. ATRAvés do nada 1. Agranulocitose. 2. Por se tratar de uma neutropenia febril, o tratamento deve ser amplo, pre- ferencialmente com cobertura antipseudomonas. 3. Ácido all-transretinóico (ATRA). 4. O ATRA bloqueia a atividade da proteína quimérica oriunda da t (15; 17), PML-RARα. 101 hemogramas - completo rev1.indd 256 05/02/2018 14:06:27 danie Nota Ver comentário da resposta do caso 36. Gabriel Nota Inicialmente, pode parecer difícil entender uma HbS-β-talassemia; no entanto, basta se lembrar de que a Hb no indivíduo normal é constituída por duas cadeias alfaglobina e duas cadeias betaglobina. Nesse caso, a paciente em questão possui uma cadeia betaglobina tipo S e não possui a outra cadeia. Esse tipo de hemoglobinopatia é especialmente comum na região mediterrânea, onde existe elevada prevalência da betatalassemia e, pelos fluxos migratórios africanos, presença de HbS. danie Nota Para maiores informações sobre LPA e outras leucemias agudas, consulte a resposta do caso 58. danie Nota Para maiores informações sobre PTI e AHAI, consultar resposta dos casos 02 e 87, respectivamente. 257 93. O mistério das plaquetas 1. Anemia macrocítica normocrômica, anisocitose, leucopenia, neutropenia e plaquetose. 2. Deleção do braço longo do cromossomo 5 (5q-). Tal deleção está associada principalmente à síndrome mielodisplásica. 3. Vitamina B12. 4. Talidomida e lenalidomida. 94. Nem tudo são flores 1. Micose fungoide, síndrome de Sézary e linfoma cutâneo de células T peri- féricas. 2. Eritrodermia esfoliativa. 3. Eosinofilia, devido à hipersecreção de IL-5. 4. O vírus HTLV-1. 5. Linfócitos B. 95. Síndrome de Estocolmo 1. Anemia normocítica e normocrômica, leucopenia, linfopenia, hemácias em Rouleaux e VHS elevado. 2. Gamopatias monoclonais. 3. Macroglobulinemia de Waldenström e mieloma múltiplo. 4. Síndrome de Fanconi, gamopatia com produção de cadeias leves (mieloma de cadeia leve), imunofixação urinária. 96. Mosquito dá em nada! 1. Por falência medular em consequência da provável autorreatividade imu- ne secundária à infecção viral. 2. Mielograma e BMO. A biópsia revelou substituição da medula óssea por te- cido adiposo, configurando anemia aplástica. 101 hemogramas - completo rev1.indd 257 05/02/2018 14:06:27 danie Nota As síndromes mielodisplásicas são um tipo de neoplasia onco-hematológica mais comuns em homens acima de 60 anos de idade. O diagnóstico dessas doenças é baseado na exclusão de outras enfermidades que possam mimetizar os achados no hemograma, avaliação morfológica por aspirado medular e biópsia de MO, bem como análise citogenética. Por definição, a SMD é uma doença clonal, que possui risco variável de evolução para LMA (30%) a depender das alterações citogenéticas da doença. A classificação da OMS (2016) reconhece cinco principais subtipos de SMD: citopenia refratária (geralmente anemia); citopenia refratária com sideroblastos em anel (principalmente anemia; presença da mutação do SF3B1); citopenia e displasia de múltiplas linhagens; síndrome da deleção do 5q (mais comumem mulheres jovens e associada à plaquetose); e citopenia refratária com excesso de blastos (tipo I de 6-10% de blastos; tipo II de 11-19%). Entende-se também que existem subtipos não classificáveis nas definições supracitadas e o subtipo pediátrico. Os pacientes com SMD se apresentam geralmente com citopenias periféricas, displasia na linhagem granulocítica e/ou macroplaquetas e/ou macrocitose e medula hipercelular. O tratamento dessa doença depende do risco citogenético e da necessidade transfusional do paciente, e incluem opções como suporte transfusional, eritropoetina recombinante, agentes hipometilantes e transplante alogênico de células tronco hematopoéticas (em casos selecionados). danie Nota Quando falamos de gamopatias monoclonais, devemos ter em mente um grupo bastante heterogêneo de enfermidades, as principais são as já citadas. Porém, é importante também citar amiloidose, doenças de cadeias leves e doenças de cadeias pesadas. Outras manifestações mais raras são a síndrome POEMS (polineuropatia, organomegalia, endocrinopatia, proteína monoclonal e lesões de pele) e síndrome TEMPI (telangiectasias, eritrocitose, proteína monoclonal, abscessos perinefréticos e shunts intrapulmonares). danie Nota Os linfomas cutâneos são os tipos de neoplasias onco-hematológicas caracterizadas pela invasão do tegumento com níveis diferentes de acometimento sistêmico, a depender do subtipo de linfoma. Dentre eles, os mais comuns são os linfomas de células T periféricas, dentre os quais a micose fungoide (MF) corresponde a mais de 80% dos casos. A apresentação da MF é variada e muitas vezes o diagnóstico é difícil pelo fato de poder mimetizar outras dermatopatias como dermatite de contato ou atopia. Nesse sentido, a presença de linfócitos na epiderme (microabscessos de Pautrier) e o estudo da imuno-histoquímica demonstrando clonalidade das células T é de vital importância para o diagnóstico correto. A síndrome de Sézary (SS) é uma forma leucêmica desse tipo de LNH. Classicamente, a SS é uma doença grave com presença linfócitos clonais (mais de 1000/mm³) no sangue periférico. O tratamento dessas enfermidades é baseado no estadiamento clínico, que, nesse caso, segue o TNM e não o estadiamento clássico dos linfomas, o Ann-Arbor. danie Nota A macroglobulinemia de Waldeström (MW) é uma doença clonal de linfoplasmócitos, caracterizada pela produção de IgM monoclonal. A doença muitas vezes se manifesta como síndrome de hiperviscosidade, secundária às alterações reológicas à IgM. Classicamente, níveis acima de 4 g/dL de IgM podem cursar com sinais de hiperviscosidade, que são alterações do sistema nervoso central, engurgitamento de veias retinianas, alterações pulmonares e alterações nos exames de coagulação. O tratamento dessa manifestação grave é baseado no uso de aférese terapêutica para diminuir os valores de imunoglobulina. Nesses casos, como a IgM é uma susbstância cuja maior parte do pool circula intravascular, poucas sessões de aférese são necessárias para controle dos sintomas. A principal alteração genética associada a MW é MYD88. Atualmente, o tratamento é baseado no uso de imunoquimioterapia com ciclofosfamida, dexametasona e rituximabe. É de vital importância atentar para o fato que geralmente não se faz o anticorpo anti-CD20 na primeira sessão de quimioterapia pelo risco de piorar a viscosidade. No caso de recaída da doença, outros tratamentos são baseados em transplante autólogo ou em inibidores da Bruton-quinase, ibrutinibe. 258 3. Anemia de Fanconi e disceratose congênita. As três doenças mais associa- das à aplasia medular primária são as duas citadas anteriormente e a sín- drome de Shwachman-Diamond, doença caracterizada por insuficiência pancreática exócrina, neutropenia intermitente ou persistente e alterações esqueléticas. 97. Le Festin du Macrophage 1. Anemia microcítica, leucopenia, linfocitopenia, eosinopenia. 2. Anti-HIV 1 e 2; anti-CMV IgG e IgM. 3. O vírus Epstein-Barr, doença de Still e linfoma não-Hodgkin. 4. Tenofovir (TDF). A paciente em questão desenvolveu franca hemofagocitose, a qual foi empiricamente tratada com anfotericina B deoxicolato, pensando- -se nas hipóteses de leishmaniose visceral e histoplasmose. À investigação diagnóstica, a paciente apresentou dois rK-39 não reagentes, pesquisa de Leishmania spp. na medula óssea negativa e antígeno urinário de histoplas- ma reagente. Realizou 21 dias de anfotericina-B e ganciclovir (retinite por CMV), recebendo alta com antirretroviral (tenofovir, lamivudina, efavirenz) e itraconazol de manutenção. 98. Não tão normal 1. O hemograma está normal, evidenciando apenas reticulocitose. 2. Não, uma vez que a biópsia renal não é específica para o diagnóstico etio- lógico de MAT (microangiopatia trombótica). 3. SHU. Na paciente, devemos levantar a hipótese principal de SHU não asso- ciada à verotoxina, SHU atípica. Vale ressaltar que, no Brasil, temos poucos dados a respeito de HELLPs e lesão renal aguda. Existem estimativas de que até 20% de pacientes com HELLP possam evoluir para dano renal agudo. Não se sabe a real prevalência de casos de SHUa nem de LRA secundária a HELLP. 4. Déficit funcional do fator H e fator I (aproximadamente 40 a 50% das SHUas). 101 hemogramas - completo rev1.indd 258 05/02/2018 14:06:27 danie Nota Ver comentário da resposta do caso 78. lucas Nota Adicionar: A lesão vascular das MATs é a presença de trombos hialinos no lúmen do vaso. Desse modo, a rigor, todas podem apresentar o achado descrito na biópsia renal. lucas Nota Adicionar: Para maiores informações sobre a fisiopatologia da doença, consultar a questão 83. 259 99. O último desafio 1. Doenças mieloproliferativas crônicas (LMC, policitemia vera e trombocite- mia essencial); doença de Gaucher e malária crônica. 2. Tricoleucemia, tricoleucemia variante e linfoma esplênico de zona margi- nal. O paciente foi submetido à esplenectomia por persistência do descon- forto abdominal e para elucidação diagnóstica. A biópsia com imunohisto- química confirmou o diagnóstico de linfoma de zona marginal esplênico. 3. H. pylori, Clamydia psittaci e HCV, respectivamente. A oncogênese é um pro- cesso caracterizado por ativação de genes, os quais proporcionam à célu- la neoplásica a capacidade de evasão do sistema imune, vantagem prolife- rativa e, especialmente nas leucemias, parada de maturação. Sabe-se que infecções estão associadas à ativação constitutiva de genes promotores de crescimento celular ou bloqueio de genes supressores tumorais. É impor- tante ressaltar que, nos casos supracitados, o tratamento da infecção está associado a melhores desfechos, o que não é alcançado, por exemplo, na neoplasia associada ao HPV e ao HTLV-1. 101 hemogramas - completo rev1.indd 259 05/02/2018 14:06:27 260 1. CECIL, R. L.; GOLDMAN, L.; SCHAFER, A. I. Goldman’s Cecil medicine. [s.l: s.n.]. 2. DOUGLAS, G. et al. Macleod's clinical examination. Tradução 13. ed. [s.l.] Churchill Livingstone Elsevier, 2013. 3. ELLIOTT, M. A. et al. Cancer-associated microangiopathic hemolytic anemia with thrombocyto- penia: an important diagnostic consideration. 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