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Mononucleose infecciosa Doenças Infecciosas e Parasitárias Monitor: Aldrin Pinheiro 2019.2 CASO CLÍNICO 1 Paciente do sexo masculino, 28 anos, dá entrada no PA com queixa de cefaleia intensa, mal-estar e fadiga há 15 dias. Relata história de múltiplos parceiros sexuais. Nega relações sexuais desprotegidas. Ao exame físico: BEG, levemente desorientado, acianótico, pálido, presença de leucoplasia pilosa oral, levemente febril. Tax: 37,8º C. Linfonodos cervicais e submandibulares palpáveis, simétricos, móveis e dolorosos bilateralmente. Restante da auscuta cardiopulmonar sem alterações. Abdome flácido (RA presentes) e fígado dolorosos à palpação. Manobra de Schuster positiva. Teste rápido para HIV: reagente. CASO CLÍNICO 2 Paciente sexo feminino, 8 anos, chega com queixa de “garganta doendo” há 5 dias. Ao exame físico Tax: 36,7º Linfonodos cervicais anteriores e posteriores e axilares palpáveis bilateralmente, simétricos e dolorosos. Síndrome da mononucleose infecciosa Geralmente benigna e auto-limitada Comum em adolescentes e adultos jovens (entre os 15 e 25 anos) Incidência maior de infecçao em crianças até 5 anos de idade É incomum a extremamente rara a doença em > 30 anos. Soroprevalência em > 90% da população em países desenvolvidos, e ainda maior nos subdesenvolvidos Transmissão: saliva Contato íntimo Via oral (“doença do beijo”) Fômites (alimentos e utensílios) Síndrome Mono-Like: Febre, Linfadenopatia, Faringite e linfocitose atípica Agente etiológico Vírus Epstein-Barr (EBV) ou HHV-4 EBV-1 – mais comum EBV-2 - África Família Herpesviridae Característica de latência por toda a vida! Muitos portadores assintomáticos Associado ao Câncer: Linfoma de Burkitt (EUA), Linfoma de Hodgking e não Hodgkin, carcinoma gástrico e nasofaríngeo, Linfoma Primário de SNC (Aids) Outras doenças: Esclerose Múltipla, LES, Artrite reumatóide, doença linfoproliferativa Período de incubação: 4 a 6 semanas (1 mês). Período de eliminação: 6 meses – 1 ano. Fisiopatologia Transmissão Infecção dos linfócitos B Fase latente Vírus infecta epitélio da orofaringe Replicação aguda (sintomática) Imortalização Incorporação ao DNA Fase de Replicação Ativação clonal Linfócitos T CD4/CD8+ Células B de memória Plasmócitos patogênese A infecção latente passa por períodos de reativação, em que o vírus volta a se replicar ativamente. As reativações ocorrem em pessoas saudáveis, mas são mais frequentes e intensas em imunodeprimidos. Na presença de imunidade íntegra, os clones infectados são prontamente eliminados da corrente sanguínea. Situações variadas de imunodepressão podem permitir a sobrevivência dessas células e induzir a doenças linfoproliferativas. Manifestações clínicas Depende da faixa etária Crianças Assintomáticas Faringite/Amigdalite Adolescentes Manifestação clássica (SML) Idosos Quadro mais atípico Febre prolongada, fadiga, mal-estar, mialgias Raros: faringite, linfadenopatia, linfocitose atípica Sinal de Hoagland - edema de pálpebras ou periorbitário Leucoplasia pilosa oral - HIV Fadiga, mal-estar, mialgia Febre baixa (até 1 mês) Linfadenopatia - 2 sem. Linfonodomegalia cervical (anteriores/posteriores) e/ou submandibulares e axilares aumentados, simétricos, móveis, hipersensíveis Faringite – 2 sem. Esplenomegalia (50%) Exantema (5% - 90% penicilina) Hepatomegalia (10-15%) Até 3 semanas Fadiga e mal-estar podem persistir por meses complicações Anemia Hemolítica Auto-imune Pancitopenia Rotura Esplênica 2ª semana Sempre suspeitar em dor abdominal, queda do hematócrito e instabilidade hemodinâmica Síndrome de Guillan-Barré Pancreatite Vasculite Encefalite (1%) DIAGNÓSTICO Leucocitose (10.000 a 20.000) durante a segunda ou terceira semana; linfocitose relativa ou absoluta Linfócitos atípicos = ou >10% (células de Downey) CD8 elevado (INVERSÃO CD4/CD8) Neutropenia discreta e trombocitopenia Alteração da função hepática: aumento das aminotransferases (TGO e TGP 2-3x aumentados) e fofatase alcalina; aumento das bilirrubinas DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DIAGNÓSTICO TESTE HETERÓFILO > 40 - infecção aguda por EBV Positivo a partir da 2 semana em 90% das pessoas Permanece positivo por 3 meses TESTE ANTI-EBV IgM e IgG elevados PCR Atipia linfocitária tratamento Repouso, analgesia, antipirético Evitar atividade física intensa (até 3 semanas) Risco de ruptura esplênica Prednisona em casos de hipertrofia de amigdalas muito graves (obstrução), trombocitopenia, AHAI, convulsões, meningite Aciclovir não mostrou resultados satisfatórios de melhora do quadro, então não é utilizado. Sobre a mononucleose infecciosa, assinale a alternativa correta. Na maioria dos casos de mononucleose infecciosa, a febre não ultrapassa duas semanas. O período de incubação da mononucleose infecciosa é de uma a três semanas. A mononucleose infecciosa é caracterizada clinicamente por febre, amigdalofaringite, linfadenomegalia generalizada e hepatoesplenomegalia. Na mononucleose infecciosa, a faringe encontra-se muito hiperemiada, e o exsudato de amígdalas invade os tecidos adjacentes à loja amigdaliana, diferentemente do que ocorre na difteria. A linfadenomegalia é indolor. Está presente no final do quadro clínico da doença