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Edição para assinantes Téchne Educação Tecnologia 
15 de Março de 2018 
Sistemas construtivos inovadores para 
habitação: procedimentos para avaliação pós-
ocupação à luz da NBR 15575 
Autores: 
Márcio Minto Fabricio, 
coordenador-geral da rede de pesquisa Inovatec-Finep e professor associado do Instituto de 
Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP) 
Sheila Walbe Ornstein, Fabiana Lopes de Oliveira e Rosaria Ono, 
professoras titulares da FAU-USP Mena Cristina Marcolino Mendes, doutoranda do Programa de Pós-
Graduação em Arquitetura e Urbanismo do Instituto de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de 
São Paulo 
Lucas Melchiori Pereira, 
doutorando do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo do Instituto de Arquitetura e 
Urbanismo da Universidade de São Paulo 
O aumento expressivo de empreendimentos habitacionais promovidos pelo programa Minha Casa 
Minha Vida (MCMV), observado de 2007 até recentemente, impulsionou a adoção de tecnologias não 
convencionais na construção de Habitações de Interesse Social (HIS), que, por sua vez, por 
envolverem recursos públicos para subsidio e financiamento, também impulsionaram um 
movimento voltado à certificação destas tecnologias, de forma a garantir condições de 
habitabilidade, operabilidade e manutenção. Hoje, com o arrefecimento de investimentos em 
políticas habitacionais, os avanços institucionais, técnicos e metodológicos para promover uma 
avaliação ampla e consistente de tecnologias inovadoras são um importante legado para o setor de 
arquitetura, engenharia e construção (AEC). 
O projeto Inovatec-Finep envolveu pesquisadores de várias instituições brasileiras de ensino 
superior, que contribuíram com propostas de aprimoramento para o Sistema Nacional de Avaliações 
Técnicas de sistemas inovadores e convencionais (Sinat). 
Dentre as metas estabelecidas para este projeto será apresentado a seguir parte dos resultados do 
subprojeto desenvolvido por pesquisadores da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e do Instituto 
https://techne.pini.com.br/category/edicao-assinantes/
https://techne.pini.com.br/category/techne-educacao/
https://techne.pini.com.br/category/tecnologia/
https://techne.pini.com.br/2018/03/sistemas-construtivos-inovadores-para-habitacao-procedimentos-para-avaliacao-pos-ocupacao-a-luz-da-nbr-15575/
https://techne.pini.com.br/wp-content/uploads/sites/10/2018/03/1-5.jpg
de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, que aborda o uso e manutenção de 
sistemas construtivos inovadores (metas 44 e 45). 
Uso e Manutenção de Sistemas Construtivos Inovadores 
O desenvolvimento destas metas envolveu a elaboração de instrumentos de Avaliação Pós-
Ocupação (APO), embasados nas normas técnitechne cas pertinentes, discussão da adequação destes 
instrumentos com especialistas em reuniões de trabalho e workshops, aplicação de pré-testes em 
empreendimentos habitacionais, aplicação integrada em um conjunto habitacional de 336 moradias 
construídas com painéis pré-moldados de concreto preenchidos com blocos cerâmicos, 
aprimoramento dos instrumentos e validação dos procedimentos metodológicos para a replicação 
em escala. 
Figura 1. Instrumentos dos procedimentos metodológicos integrados de avaliação de 
desempenho do uso e manutenção. Fonte: (ORNSTEIN et. al., 2017, p. 297) Adaptado pelos 
autores 
As avaliações técnicas no âmbito do Sinat estão normalmente embasadas em ensaios laboratoriais 
normatizados, que são importantes para garantir os padrões mínimos de qualidade, segurança, 
habitabilidade, entre outros requisitos estabelecidos pela Norma Técnica NBR 15575 – Edificações 
Habitacionais – Desempenho (ABNT, 2013). Contudo, a normativa do Sinat também prevê inspeções 
técnicas in loco, que não possuem uma norma específica, sendo desenvolvida pelas Instituições 
Técnicas Avaliadoras – ITAs de acordo com protocolos internos próprios. A consolidação e o 
aperfeiçoamento de um protocolo de avaliação de desempenho em uso que possa servir de base para 
padronização de uma normativa Sinat para esta finalidade é uma contribuição significativa para a 
padronização do processo de homologação, conferindo maior transparência e estabilidade ao 
sistema. 
Além disso, a introdução em escala de tecnologias inovadoras na produção de HIS, como ocorreu no 
MCMV, estabeleceu uma variável importante a ser considerada na avaliação destas tecnologias, 
ligadas aos aspectos culturais e comportamentais dos futuros moradores, que, devido à conformação 
do programa, são na prática os responsáveis pelos procedimentos de operação e manutenção das 
unidades habitacionais. Desta forma, além dos roteiros para inspeção técnica em uso, foram 
desenvolvidos questionários para avaliação da percepção e interação dos usuários com a tecnologia 
construtiva de sua habitação. 
A adoção dos instrumentos de APOs, empregados sistematicamente em pesquisas das últimas 
décadas na avaliação de conjuntos habitacionais em uso (ORNSTEIN, et al., 2017), foi proposta para a 
avaliação de sistemas construtivos inovadores, pois permite identificar não apenas as características 
técnicas inerentes ao sistema, mas avaliar por meio da percepção dos moradores, as variáveis que 
impactam a capacidade de uso e manutenção real, que abrangem a disponibilidade de uma cadeia de 
fornecimento, difusão do domínio técnico e especificações da tecnologia etc. 
Assim, a proposta de avaliação apresentada adiciona aos instrumentos baseados em testes 
laboratoriais não apenas um padrão de inspeção predial que responda à normativa do Sinat, mas 
expande o processo de avaliação, ao introduzir instrumentos capazes de reconhecer a percepção dos 
moradores e considerá-la no processo de homologação destas tecnologias, durante a renovação dos 
Documentos de Avaliações Técnicas (DATecs). 
Instrumentos de Avaliação de Operação, Uso e Manutenção A pesquisa, ocorrida no período de 2011 
a 2017, empregou estratégias multi-instrumentos de APO para aprimorar e padronizar os 
instrumentos de inspeção predial previstos pela normativa do Sinat. Estes instrumentos estão 
disponíveis no site do Projeto Inovatec-Finep e oferecem às Instituições Técnicas Avaliadoras (ITAs), 
responsáveis pelos DATecs, uma base mínima de avaliação dos requisitos de desempenho das 
edificações habitacionais, definidos segundo normas técnicas vigentes. A avaliação considera as 
necessidades dos usuários, a flexibilidade e as manutenções preventivas e corretivas do sistema 
construtivo ao longo de vida útil, observadas em casos de uso real do produto/sistema inovador. 
O conjunto de instrumentos proposto abrange a avaliação de especialistas, a captura da percepção 
dos usuários e do síndico/zelador (quando pertinente), envolvendo atividades de análise pré-campo, 
baseada em documentos de projeto e outros, e análise em campo (FABRÍCIO, ONO, 2015; ONO et. al., 
2015), organizadas em seis procedimentos metodológicos distintos e integrados, conforme 
esquematizado na Figura 1. 
Mais detalhes da discussão que subsidiou estes instrumentos encontram- se disponíveis para 
consulta nos capítulos quatro e sete do livro Avaliação de Desempenho de Tecnologias Inovadoras: 
Manutenção e Percepção dos Usuários (FABRICIO; ONO, 2015), acessível pelo link 
<http://dx.doi.org/10.4322/978-85- 
89478-42-7>; e nos capítulos oito a onze do livro Avaliação de Desempenho de Tecnologias 
Inovadoras: Conforto Ambiental, Durabilidade e Pós-Ocupação (ORNSTEIN, et. al, 2017), acessível 
pelo link http://dx. doi.org/10.26626/978-85-5953-029-2.2017 B0001. 
A íntegra dos instrumentos está acessível pelo link https://inovatecfinep. iau.usp.br/meta_fisica_44-
45- -instrumentos; além disso uma breve descrição dos objetivos de cada instrumento, estruturados 
em atividades ré-campo e atividades em campo, é apresentada no Quadro 1. 
O conjunto de instrumentos é acompanhado de um manual que orienta tanto sua aplicação em 
campo quanto a forma de análise dos resultados, para que este apresente o equilíbrio de pesos 
esperado paraensurar o desempenho da tecnologia avaliada. 
Aplicação Piloto dos Instrumentos Os procedimentos de APO seguiram a ordem das seguintes 
atividades: (1) análise dos documentos e projetos arquitetônic os e urbanísticos, fornecidos pela 
empresa produtora do sistema construtivo; seguidas de (2) entrevistas com pessoas-chaves, como o 
profissional de assistência técnica; o levantamento de campo, que se possível, deve ter início com a 
(3) aplicação das fichas de vistorias técnicas, Figura 2. 
Os instrumentos possuem uma estrutura geral de aplicação que permite a replicação em diferentes 
sistemas construtivos, de casas térreas a edificações 
de múltiplos pavimentos. Contudo, a partir da aplicação dos instrumentos em escala verificou-se a 
necessidade de adequá-la às especificidades de diferentes tipologias de casos, pela complexidade e 
extensão dos mesmos. 
A aplicação dos instrumentos em campo subsidiou levantamentos relacionados ao sistema 
construtivo avaliado, ao projeto da unidade habitacional e ao instrumento em teste. 
Os resultados da percepção dos moradores respondentes (104 questionários aplicados de um total 
de 336 unidades habitacionais) indicaram um nível de satisfação com tendência positiva em relação 
à residência e ao sistema construtivo empregado. Entre as necessidades apontadas, as questões de 
ampliação de ambientes, a inadequação do tamanho da cozinha e a insatisfação com a área de 
serviço são questões oriundas do projeto específico e do modelo de provisão de habitação social em 
geral, característico da padronização do projeto com área mínima. Ainda, a única customização 
verificada foram as dimensões dos banheiros das unidades acessíveis a pessoas com deficiência. 
Foram verificadas algumas “fissuras perceptíveis em painéis” (vistoria da fachada – áreas externas) e 
o “funcionamento correto das esquadrias” (vistoria da esquadria e vidraçaria – áreas internas), 
conforme Figura 3. 
Os instrumentos elaborados tiveram como objetivo aperfeiçoar e validar os procedimentos 
metodológicos para a avaliação de desempenho para homologação de tecnologias inovadoras, 
proposto ao Sinat. 
A síntese dos resultados da aplicação em um caso de estudo piloto da ficha de Avaliação da 
Manutenção referentes aos aspectos internos e externos das unidades habitacionais avaliadas pode 
ser consultada na íntegra no 3o Livro da Rede de Pesquisa Inovatec-Finep, nos capítulos oito a 11 e 
acessados pelo link http://dx.doi.org/10.26626/978-85-5953-029-2.2017B0001>. 
Figura 2. Ao lado, medição da iluminância; e acima, medição do pé-direito da edificação. Foi 
aplicada ficha de verificação da obra in loco 
 
 
 
Proposta de Aprimoramento do Sinat 
Para o Sinat, a incorporação sistemática de APO na homologação definitiva de tecnologias deve ser 
vista como um incremento importante aos testes laboratoriais e ensaios de desempenho técnico já 
exigidos (FABRICIO; ONO, 2015). Essa incorporação sistemática deve ser entendida como a aplicação 
da APO em empreendimento piloto com um dado sistema construtivo com vistas ao melhor 
atendimento das necessidades dos usuários e, portanto, a qualidade no processo de projeto, de 
construção e de manutenibilidade de futuros empreendimentos a serem executados com o mesmo 
sistema construtivo e à luz da NBR 15755 (ABNT, 2013). 
A importância da APO para o incremento das avaliações do Sinat proporciona a possibilidade de 
fechar o ciclo avaliativo (realimentador) das novas tecnologias, uma vez que foi possível identificar 
falhas sistemáticas, originárias do projeto e do processo de construção, conforme consta da Figura 4. 
Os procedimentos metodológicos de APO propostos, a partir do projeto Inovatec-Finep, permitiram 
identificar a satisfação dos usuários com o sistema construtivo, avaliar o uso, os aspectos de 
manutenção e apontar as falhas para serem consideradas pelas ITAs responsáveis pelas avaliações 
do sistema construtivo e pela renovação do Documento de Avaliação Técnica (DATec). 
Conclui-se que os procedimentos de APO propostos complementam o sistema de avaliação técnica 
do Sinat e as diretrizes de uso, operação e manutenção obtidas podem ser considerada sem futuras 
comissões elaboradoras de normas técnicas. 
Reforça-se, assim, que as necessidades dos usuários devem ser consideradas nos programas 
habitacionais e igualmente tratadas em empreendimentos construídos com sistemas construtivos 
inovadores, para que não somente custo e a rapidez na execução sejam os parâmetros mais 
relevantes.Ou seja, embora se verifique empenho por parte das empresas proponentes e do setor da 
construção em alavancar o desenvolvimento de novas tecnologias, não se pode partir de um projeto 
arquitetônico obsoleto, sob o risco de frustrar os ganhos de eficiência e qualidade potenciais. 
Adicionalmente, os agentes envolvidos no processo de provisão da certificação dos sistemas 
construtivos devem considerar a interação entre o projeto e a habitação, o usuário, o sistema 
construtivo e a cidade, reconhecendo a influência do desenho urbano obre o desempenho 
tecnológico, sob o risco de comprometer a inserção desta tecnologia no mercado imobiliário em 
decorrência de uma atenção inadequada ao contexto socioespacial. 
À direita, vistoria da fachada – fissuras perceptíveis. À esquerda, vistoria das esquadrias e 
vidraçaria – funcionamento e vidraçaria apresentando rupturas 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Edificações Habitacionais -Desempenho 
(NBR 15575) Partes 1 a 5. Associação Brasileira de Normas Técnicas. Rio de Janeiro. 2013. 
FABRICIO, M. M.; ONO, R. (Org.). Avaliação de Desempenho de Tecnologias Construtivas 
Inovadoras: Manutenção e Percepção do Usuário. Porto Alegre: ANTAC/Caboverde, 2015. v.1, 
159 p 
ONO, R. et. al. Avaliação de desempenho em uso e manutenção de habitações em sistemas 
construtivos inovadores. In: FABRICIO, M. M.; BRITO, A. C.; VITTORINO, F. (Orgs.). Avaliação de 
desempenho de tecnologias construtivas inovadoras: conforto ambiental, durabilidade e pós-
ocupação. 3.ed. Porto Alegre: ANTAC, 2017. v.3, p.195-304 
ONO, R. et. al. Avaliação de desempenho em uso e manutenção de habitações em sistemas 
construtivos inovadores. In: FABRICIO, M. M.; BRITO, A. C.; VITTORINO, F. (Orgs.). Avaliação de 
desempenho de tecnologias construtivas novadoras: conforto ambiental, durabilidade e pós-
ocupação. 3.ed. Porto Alegre: ANTAC, 2017. v.3, p.217-257. 
ONO, R. et. al. Percepção dos usuários e avaliação de desempenho em uso de habitações em 
sistemas construtivos inovadores. In: FABRICIO, M. M.; BRITO, A. C.; VITTORINO, F. (Orgs.). 
Avaliação de desempenho de tecnologias construtivas inovadoras: conforto ambiental, 
durabilidade e pós-ocupação. 3.ed. Porto Alegre: ANTAC, 2017. v.3, p.259-291 
ONO, R. et al. Avaliação Pós-Ocupação: pré-teste de instrumentos para verificação do 
desempenho de empreendimentos habitacionais em sistema construtivos inovadores. Gestão 
& Tecnologia de Projetos. São Carlos: Instituto de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São 
Paulo. v.10. n1. 2015. pp. 64-78. 
ORNSTEIN, S. W. et al. Avaliação Pós- Ocupação em sistemas construtivos inovadores: 
considerações finais. In: FABRICIO, M. M.; BRITO, A. C.; VITTORINO, F. (Orgs.). Avaliação de 
desempenho de tecnologias construtivas inovadoras: conforto ambiental, durabilidade e pós-
ocupação. 3.ed. Porto Alegre: ANTAC, 2017. v.3, p.293-304. 
ORNSTEIN, S. W. Avaliação Pós- Ocupação (APO) no Brasil, 30 anos: o que há de novo? Revista 
PROJETAR. Projeto e Percepção do Ambiente. v.2, n.2, agosto, 2017.

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