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já ocorrem mudanças no ambiente. Nesse ecossistema já se 
observa um processo de importação energética, com os fertilizantes químicos, combustível 
para movimentação de máquinas, plantio e colheita, importação de água. Ocorre também 
a importação de espécies vegetais e animais de outras regiões, além da retirada de 
vegetação primária.
No ecossistema urbano, as alterações ocorridas já se apresentam de forma bem mais 
significativa, evidenciando características bastante alteradas em relação aos ambientes 
primitivos. Nos ecossistemas urbanos, temos como principais características a alta densidade 
demográfica, elevado volume de resíduos, alterações significativas da diversidade biológica 
natural, impermeabilização do solo, alterações de cursos de água, etc.
Os diversos estudos mostram diferenças importantes entre um ambiente natural e um ambiente 
urbano. Como exemplo, podemos citar a poluição atmosférica, responsável pelo maior risco de 
problemas de saúde e pela piora da qualidade de vida da população.
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O homem está submetido não só à exposição obrigatória à natureza, ar, água, solo e radiações 
solares como também à exposição provocada por outros agentes, como os aditivos alimentares, 
pesticidas, agrotóxicos e hormônios. Nas indústrias, moradias e transportes, temos os dejetos, 
contaminando solo, ar e água e afetando o meio ambiente e a saúde humana.
Os processos de industrialização e de urbanização desencadearam processos de alteração 
do equilíbrio sociedade-natureza e homem-ambiente. Os avanços tecnológicos e os modos 
de produção após a Segunda Guerra, com o uso da química e petroquímica, aumentaram 
a nocividade ambiental. 
O desequilíbrio socioecológico contemporâneo está distribuído de maneira diferente no 
planeta. Nos países desenvolvidos, concentra-se a poluição da riqueza, como usinas nucleares, 
chuva ácida, montanhas de lixo, doenças provocadas por excesso de alimentos, álcool, drogas 
e medicamentos. Nos países em desenvolvimento, concentra-se a poluição da pobreza, como 
escassez de água potável, falta de rede de esgoto, lixo sem disposição adequada, com doenças 
provocadas por esses desequilíbrios, como diarreias, malária e dengue.
Países desenvolvidos, poluição da riqueza – usina nuclear. | Países em desenvolvimento, poluição da pobreza – população sem rede de esgoto. 
Fontes: Thinkstock/Getty Images
O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD –, no entanto, sustenta que 
o desenvolvimento humano tem consequências diretas sobre a proteção do meio ambiente e 
adverte que a pobreza é uma das piores ameaças ao meio ambiente e à sustentabilidade da vida.
A Comissão Mundial sobre Meio Ambiente, chamada Comissão BRUNDTLAND, em 1987, 
conceituou desenvolvimento sustentável como “aquele que atende às necessidades do presente 
sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem às suas próprias necessidades”
O Conceito de ECODESENVOLVIMENTO, que tem como foco o desenvolvimento 
econômico, a sustentabilidade social e humana e a biosfera, possui um conjunto de seis 
dimensões da sustentabilidade:
a) Sustentabilidade Social, apoiada nos princípios de distribuição de renda e solidariedade 
dos laços sociais;
b) Sustentabilidade Ecológica, apoiada no princípio da solidariedade com o planeta e 
suas riquezas e a biosfera;
c) Sustentabilidade Econômica, apoiada no desenvolvimento menos agressivo ao meio 
ambiente com base na organização da vida material;
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Unidade: Conceitos e Correlação entre Saúde e Meio Ambiente
d) Sustentabilidade Geográfica ou Espacial, apoiada no princípio da equanimidade 
nas relações inter-regionais e na distribuição espacial mais equilibrada dos assentamentos 
humanos e das atividades econômicas;
e) Sustentabilidade Cultural, baseada em uma pluralidade de soluções locais, adaptadas 
a cada ecossistema e a cada cultura.
Vale a pena ressaltar que o conceito de desenvolvimento sustentável engloba não só o 
crescimento econômico mas também a igualdade social e o equilíbrio ecológico. Esses princípios 
apontam para uma nova forma de ver o mundo, focando na responsabilidade presente e na 
qualidade de vida das futuras gerações.
As condições ambientais em que vivem as pessoas têm grande influência na saúde e 
contribuem para a incidência de muitas doenças, incluindo câncer, doenças respiratórias e 
distúrbios mentais. Em áreas carentes e densamente habitadas, o próprio ambiente de moradia 
constitui um risco para a saúde, resultado da falta de saneamento e abastecimento de água 
inadequado, disposição do lixo e drenagem impróprias, condições de higiene precárias, entre 
outros fatores. Pequenas melhorias nesse ambiente e no entorno exerceriam grandes impactos 
na redução do sofrimento humano, na melhoria da qualidade de vida e na diminuição de 
doenças como diarreias e infecções respiratórias.
Nesse contexto, as concepções de saúde, meio ambiente e desenvolvimento adquirem 
novas dimensões: a saúde ambiental, além de envolver aspectos da saúde humana, inclui 
qualidade de vida, determinada pelos fatores ambientais físicos, químicos, biológicos e sociais. 
Para a construção de um processo sustentável de desenvolvimento econômico e social, o 
meio ambiente e os efeitos nocivos desse ambiente na saúde humana e nos desequilíbrios 
ambientais devem ser considerados.
Para tratarmos dos desafios envolvendo saúde, meio ambiente e desenvolvimento sustentável, 
são fundamentais ações integradas e estratégicas intra e intersetoriais para uma abordagem 
integral e interdisciplinar. Só assim teremos resultados mais efetivos.
O desenvolvimento sustentável inclui, entre outros aspectos, abastecimento seguro de água, 
coleta, tratamento e destino sanitário dos dejetos e resíduos sólidos, controle dos riscos derivados 
do processo de desenvolvimento, como a contaminação por produtos tóxicos utilizados nas 
atividades humanas, redução da poluição do ar e do desmatamento, a qual gera o desequilíbrio 
dos ciclos de vida dos vetores, aumentando a incidência de outras doenças.
Meio Ambiente e Saúde
A relação saúde e meio ambiente sempre esteve presente no discurso e nas práticas de saúde 
pública, mas foi a partir do século XX que a preocupação com as questões ambientais tornou-se 
evidente em diversos países. Algumas publicações, como Primavera Silenciosa (Silent Spring), de 
Rachel Carson e o relatório Limites de Crescimento (Limits to Growth), e duas grandes conferências 
mundiais sobre o tema, realizadas em Estocolmo (1972) pelas Nações Unidas e no Rio de janeiro, 
em 1992, colocaram um holofote sobre a necessidade de dar atenção aos problemas ambientais.
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Esquema do crescimento da população e as consequências no desequilíbrio ambiental
Concomitantemente, uma nova saúde pública despontou com um enfoque na saúde 
preventiva, passando a direcionar as ações para as dimensões ambientais da saúde. Com essa 
ideia mais abrangente de saúde, podemos perceber a importância da qualidade de vida. Entre 
essas ações, podemos destacar a educação relativa aos problemas de saúde e os métodos de 
prevenção, o aporte de alimentos e nutrição adequada, o abastecimento de água potável e 
saneamento básico, a imunizações contra enfermidades infecciosas, o tratamento apropriado 
das enfermidades e a disponibilidades de medicamentos.
Essa nova concepção de promoção da saúde, no campo da medicina preventiva e social, 
inclusive com aumento das pesquisas no campo das ciências sociais aplicadas à saúde, trouxe 
um novo enfoque calçado nos fatores sociais e ambientais. De uma forma mais abrangente, 
podemos colocar o entorno físico e social como determinante na condição da saúde. Aspectos 
como a violência, acidentes, contaminação da água e do ar, má alimentação, falta de habitação 
e hábitos higiênicos, consequências de ambientes totalmente desfavoráveis, exigem uma ação 
efetiva que inclua a responsabilidade do indivíduo

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