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A capacidade de situar-se quanto a si mesmo e ao ambiente é o elemento básico da atividade mental.
	A avaliação da orientação é um instrumento valioso para a verificação das perturbações do nível de consciência.
	Muitas vezes verifica-se que a consciência está turva, levemente rebaixada, ao se investigar a orientação do indivíduo.
	ORIENTAÇÃO AUTOPSÍQUICA
	ORIENTAÇÃO ALOPSÍQUICA:
 
 orientação temporal
 orientação espacial
 Trata-se da orientação do indivíduo em relação a si mesmo. Revela se o paciente sabe quem é, como se chama, que idade tem, qual sua nacionalidade, profissão, estado civil, religião etc.
 Tipo de orientação que diz respeito à capacidade de orientar-se em relação ao mundo, isto é, quanto ao tempo (orientação temporal) e quanto ao espaço (orientação espacial). Subdivide-se em:
 1. Temporal
 2. Espacial 
 É um tipo de orientação mais sofisticada que a espacial e a autopsíquica. A orientação temporal indica se o paciente sabe em que momento cronológico estamos vivendo, a hora do dia, se é manhã, tarde ou noite, o dia da semana, o dia do mês, a estação do ano e o ano em que estamos.
A orientação temporal é adquirida mais tardiamente do que a espacial na evolução psicológica da criança. É uma função que exige um desenvolvimento maior do indivíduo, exige a integração de estímulos ambientais de forma mais elaborada. Por isso, a orientação temporal é mais fácil e rapidamente prejudicada pelos transtornos mentais, particularmente pelos transtornos da consciência.
*
 É investigada perguntando-se ao paciente o lugar onde ele se encontra, a instituição em que estamos, o andar do prédio, o bairro, a cidade, o estado e o país. Também pode-se investigar se o paciente consegue identificar a distância entre o hospital e a sua residência.
	Transtornos de orientação são muito frequentes em pacientes com lesões cerebrais. Exemplos:
 doença de Alzheimer
 delirium
 lesões cerebrais bilaterais
 Síndrome de Korsakoff
 patologias que afetam o tronco cerebral 
	Lesões retrorolândicas bilaterais ou unilaterais à direita (orientação topográfica e geográfica)
	Lesões em estruturas corticais do hemisfério direito (avaliação de direção e distância)
	Lesões no córtex parietoccipital (localização adequada de pontos no espaço)
	Lesões nas estruturas dos circuitos hipocampais límbicos, do córtex frontal associativa e algumas de suas conexões, participam intimamente da percepção e orientação temporal
 Distinguem-se vários tipos de desorientação, de acordo com a alteração de base que a condiciona. Deve-se lembrar que, geralmente, a desorientação ocorre primeiramente quanto ao tempo, e só após o agravamento do transtorno é que o indivíduo desorienta-se quanto ao espaço e quanto a si mesmo
	DESORIENTAÇÃO POR REDUÇÃO DO NÍVEL DE CONSCIÊNCIA
	DESORIENTAÇÃO POR DÉFICIT DE MEMÓRIA DE FIXAÇÃO
	DESORIENTAÇÃO POR APATIA/ABULIA
	DESORIENTAÇÃO DELIRANTE
	DESORIENTAÇÃO OLIGOFRÊNICA
	DESORIENTAÇÃO HISTÉRICA
	DESORIENTAÇÃO POR DESAGREGAÇÃO
	DESORIENTAÇÃO QUANTO À PRÓPRIA IDADE
	É aquela na qual o indivíduo está desorientado por turvação da consciência
	A turvação produz uma alteração da atenção, da concentração e da capacidade de integração de estímulos ambientais, impedindo que o indivíduo apreenda a realidade de forma clara e precisa, perceba e integre a cronologia dos fatos
	É a forma mais comum de desorientação
	O indivíduo não consegue fixar em sua memória as informações ambientais básicas
	Não conseguindo fixar as informações, perde a noção do fluir do tempo, do deslocamento do espaço, passando a ficar desorientado temporo-espacialmente
	A desorientação amnéstica é típica da Síndrome de Korsakoff
	O indivíduo torna-se desorientado devido a uma marcante alteração do humor e volição
	Por falta de motivação e interesse, o indivíduo, via de regra gravemente deprimido, não investe sua energia no mundo, não se atém aos estímulos ambientais, e, portanto, torna-se desorientado
	Ocorre em indivíduos que estão imersos em um profundo estado delirante, vivenciando idéias delirantes muito intensas, pelas quais crêem com convicção plena que estão habitando o lugar de seus delírios
	Ocorre em indivíduos com graves déficits intelectuais, por incapacidade ou dificuldade em compreender o ambiente e de reconhecer e interpretar as normas sociais que padronizam a orientação do indivíduo no mundo
	Ocorre em quadros histéricos graves, geralmente acompanhada de alterações da identidade pessoal (fenômeno de possessão histérica ou desdobramento da personalidade), bem como por alterações da consciência secundárias à dissociação histérica
	Ocorre em pacientes psicóticos, geralmente esquizofrênicos em estado crônico e avançado da doença, quando esse indivíduo, por uma desagregação profunda do pensamento, apresenta toda a atividade mental gravemente desorganizada, o qual impede de se orientar no ambiente e quanto a si mesmo 
	É definida como uma discrepância de 5 anos ou mais entre a idade real e aquela que o paciente relata, tem sido descrita em alguns pacientes esquizofrênicos
 As vivências do tempo e do espaço constituem dimensões fundamentais de todas as experiências humanas. O ser, de modo geral, só é possível nas dimensões reais e objetivas do espaço e do tempo. Portanto, o tempo e o espaço são, ao mesmo tempo, condicionantes fundamentais do universo e estruturantes básicos da experiência humana
	É inquestionável que a vida psíquica, além de ocorrer e se configurar no tempo, tem ela mesma um aspecto especificamente temporal e por isso é legítima a distinção do tempo em:
 tempo subjetivo interior (interior, pessoal)
 tempo objetivo (exterior, cronológico, mensurável)
 
VIVÊNCIA DO TEMPO E RITMO PSÍQUICO NAS SÍNDROMES DEPRESSIVAS E MANÍACAS
	De modo geral, a passagem do tempo é percebida como lenta e vagarosa nos estados depressivas, e rápida e acelerada nos estados maníacos
	O ritmo psíquico é também oposto nestas duas síndromes: há na mania um taquipsiquismo geral, com a aceleração de todas as funções psíquicas, e na depressão, um bradipsiquismo, com lentificação de todas as atividades mentais
	É a deformação acentuada da percepção da duração temporal. Ocorre sobre tudo nas intoxicações por alucinógenos ou psicoestimulantes, nas fases agudas e iniciais das psicoses e em situações emocionais e intensas
	Vivemos no tempo presente, em um agora que se vincula intimamente aos acontecimentos passados e às possibilidades de porvir. A alteração ou falta dessa experiência subjetiva “natural” de fluir temporal, decorrente da perda ou enfraquecimento de ambas as margens do tempo (passado e futuro), produz uma redução quase puntiforme ou atomizante do tempo, fazendo-o parecer uma sucessão de pontos presentes que não se articulam entre si 
	O indivíduo não consegue se inserir naturalmente na continuidade do devir, adere a momentos quase descontínuos. Tal fenômeno ocorre nos estados de exaltação e agitação maníaca, geralmente acompanhados da chamada fuga de idéias e de distraibilidade 
	A anormalidade da sensação do fluir do tempo corresponde à falta da sensação do “avançar subjetivo” do tempo, na qual o sujeito perde o sincronismo entre o passar do tempo objetivo, cronológico, e o fluir de seu tempo interno
	Ocorre em síndromes depressivas graves. Certos pacientes depressivos expressam a sua vivência do tempo dizendo que o tempo “encolheu”, que “não passa”, deixou de fluir, ou que está passando muito mais devagar que o normal
	No estado de êxtase há uma perda das fronteiras entre o eu e o mundo externo. Nesse caso (que pode também ser classificado como transtorno da consciência do eu), o sujeito sente-se como que fundido ao mundo exterior
	A vivência do espaço no indivíduo em estado maníaco é a de um espaço extremamente dilatado e amplo, que invade o espaço das outras pessoas
	O maníaco desconhece as fronteiras espaciais e vive como se todo o espaço externo fosse seu. O espaço externo não oferece resistência aoseu eu
	Nos quadros depressivos o espaço externo pode ser vivenciado como muito encolhido, contraído, escuro e pouco penetrável pelo indivíduo e pelos outros 
	O indivíduo em quadro paranóide vivencia o seu espaço interno como invadido por aspectos ameaçadores, perigosos e hostis do mundo. O espaço externo é, em princípio, invasivo, fonte de mil perigos e ameaças

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