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LICENCIATURA EM ARTES VISUAIS FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II Semestre 4 Prof. Rubens de Souza UNIVERSIDADE METROPOLITANA DE SANTOS FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II� UNIMES VIRTUAL Universidade Metropolitana de Santos Campus II – UNIMES VIRTUAL Av. Conselheiro Nébias, 536 - Bairro Encruzilhada, Santos - São Paulo Tel: (13) 3228-3400 Fax: (13) 3228-3410 www.unimesvirtual.com.br Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida por qualquer meio sem a prévia autorização desta instituição. S718l SOUZA, Rubens de. Licenciatura em Artes Visuais: Fundamentos de Expressão e Linguagem Bidimensional II. (por) Prof. Rubens de Souza. Semestre 4. Santos: UNIMES VIRTUAL. UNIMES. 2007. 142 p. 1. Artes Visuais 2. Fundamentos de Expressão 3. Linguagem Bidimensional II. CDD 700 www.unimesvirtual.com.br FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II � UNIMES VIRTUAL UNIMES – Universidade Metropolitana de Santos - Campus I e III Rua da Constituição, 374 e Rua Conselheiro Saraiva, 31 Bairro Vila Nova, Santos - São Paulo - Tel.: (13) 3226-3400 E-mail: infounimes@unimes.br Site: www.unimes.br Prof.ª Rosinha Garcia de Siqueira Viegas Fundadora Prof.ª Renata Garcia de Siqueira Viegas Reitora da UNIMES Prof. Rubens Flávio de Siqueira Viegas Júnior Pró-Reitor Administrativo Prof.ª Vera Aparecida Taboada de Carvalho Raphaelli Pró-Reitora Acadêmica Prof.ª Carmem Lúcia Taboada de Carvalho Secretária Geral mailto:infounimes@unimes.br www.unimes.br FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II� UNIMES VIRTUAL EQUIPE UNIMES VIRTUAL Supervisão de Projetos Prof.ª Deborah Guimarães Prof.ª Doroti Macedo Prof.ª Maria Emilia Sardelich Prof. Sérgio Leite Grupo de Apoio Pedagógico - GAP Prof.ª Elisabeth dos Santos Tavares - Supervisão Prof.ª Denise Mattos Marino Prof.ª Danielle Oliveira da Costa Prof.ª Joice Firmino da Silva Prof.ª Márcia Cristina Ferrete Rodrigues Prof.ª Maria Eugênia de Oliveira Souza Prof.ª Maria Luiza Miguel Prof.ª Monika Nascimento Moura Prof.ª Neuza Maria de Sousa Feitoza Prof. Thiago Simão Gomes Angélica Ramacciotti Leandro César Martins Baron Grupo de Tecnologia - GTEC Luiz Felipe Silva dos Reis - Supervisão Carlos Eduardo Lopes Clécio Almeida Ribeiro Eldes da Silva Santos Filho Grupo de Comunicação - GCOM Flávio Celino - Supervisão de Operações William Souza - Supervisão de Edição Ana Paula Sandes Carolina Ferreira Gabrielle Pontes Joice Siqueira Leonardo Andrade Lílian Queirós Raphael Xavier Stenio Elias Losada Suellen Caldas Victor Ruas da Costa Grupo de Design Multimídia - GDM Alexandre Amparo Lopes da Silva - Supervisão Alexandre Luiz Salgado Prado Leonardo Correia dos Santos Lucas Thadeu Rios de Oliveira Marcelo da Silva Franco Apoio Administrativo Angélica Dias Maria Camila dos Santos Souto Carolina Faulin de Souza Izabel Steinheuser Jonia Antonia Fraiha Nunes Márcio Donizette Severo Raphael Tavares Rubia Lisboa da Silva Sabrina Santana Gonçalves Simone Cristina de Lima Simone Sales Solange Helena de Abreu Roque Vanessa Pereira FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II � UNIMES VIRTUAL AULA INAUGURAL Caro cursista, Seja bem-vindo à disciplina Fundamentos de Expressão e Linguagem Bidimensional II. Esta é uma disciplina que pretende abordar o conhecimento e os funda- mentos do processo de criação, com ênfase na pintura e nos processos pictóricos, organizando o estudo dos conceitos e teorias das cores e sua relação com os estilos artísticos. Propõe, ainda, o desenvolvimento de pesquisas com materiais artísticos a partir da linguagem e das técnicas pictóricas a fim de relacionar essa prá- tica às produções históricas, às obras e aos artistas que utilizaram esses procedimentos. Aborda a investigação das possibilidades expressivas nas técnicas artís- ticas pictóricas e as relaciona às concepções estéticas com o objetivo de propor ações de transposição didática aos conteúdos da área. Espera-se que você acompanhe cada aula e desenvolva todas as ativida- des propostas. As aulas foram planejadas com o objetivo de fazer com que você perceba as fases pelas quais uma obra de arte precisa passar até ser finalizada. Bom trabalho! Prof. Rubens de Souza FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II� UNIMES VIRTUAL FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II � UNIMES VIRTUAL Índice Unidade I - Processo de Criatividade ................................................................. 11 Aula: 01 - Processo de Criação I ................................................................................. 12 Aula: 02 - Processo de Criação II ................................................................................ 15 Aula: 03 - Círculo Cromático I...................................................................................... 18 Aula: 04 - Círculo Cromático II ..................................................................................... 23 Aula: 05 - Técnicas Expressivas I ................................................................................ 28 Aula: 06 - Técnicas Expressivas II ............................................................................... 31 Aula: 07 - Técnicas Expressivas III .............................................................................. 34 Aula: 08 - A repetição como recurso ........................................................................... 38 Resumo Unidade I ....................................................................................................... 43 Unidade II - Estética e Pesquisa ........................................................................ 47 Aula: 09 - A Importância da Pesquisa ......................................................................... 48 Aula: 10 - Impressionismo........................................................................................... 53 Aula: 11 - Gauche I ...................................................................................................... 57 Aula: 12 - Gauche II ..................................................................................................... 60 Aula: 13 - Desenho e Pintura ....................................................................................... 62 Aula: 14 - Aquarela ..................................................................................................... 64 Aula: 15 - Técnicas com Lápis de Grafite .................................................................... 69 Resumo Unidade II ...................................................................................................... 72 Unidade III - A Perspectiva na Arte ................................................................... 77 Aula: 16 - Perspectiva I ............................................................................................... 78 Aula: 17 - Perspectiva II .............................................................................................. 83 Aula: 18 - Perspectiva III ............................................................................................. 89 Aula: 19 - Vanguardas ................................................................................................. 93 Aula: 20 - Composições com texto ............................................................................. 96 Resumo Unidade III ................................................................................................... 101 Unidade IV - Recursos e Materiais Expressivos ............................................. 105 Aula: 21 - Pastel Seco ............................................................................................... 106 Aula: 22 - Pastel Oleoso ............................................................................................ 109 Aula: 23 - Textura ......................................................................................................113 Aula: 24 - Os Suportes .............................................................................................. 115 Aula: 25 - Arte Final com Tinta Nanquim ................................................................... 117 Aula: 26 - Sistema Digital .......................................................................................... 119 Aula: 27 - A Arte Digital I .......................................................................................... 122 FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II10 UNIMES VIRTUAL Aula: 28 - A Arte Digital II ......................................................................................... 125 Aula: 29 - Suporte Digital I ........................................................................................ 127 Aula: 30 - Suporte Digital II ....................................................................................... 130 Aula: 31 - Tecnologia ................................................................................................. 133 Aula: 32 - A Identidade Cultural na Pós-modernidade: Crise ou Conseqüência? ........ 136 Resumo Unidade IV ................................................................................................... 139 FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II 11 UNIMES VIRTUAL Unidade I Processo de Criatividade Objetivos Conduzir ao desenvolvimento dos processos da criatividade, da estética e da pesquisa por meio da experimentação dos recursos dos materiais expressivos. Possibilitar que o aluno utilize os recursos de modo prático e significativo. Plano de Estudo Esta unidade conta com as seguintes aulas: Aula: 01 - Processo de Criação I Aula: 02 - Processo de Criação II Aula: 03 - Círculo Cromático I Aula: 0� - Círculo Cromático II Aula: 0� - Técnicas Expressivas I Aula: 0� - Técnicas Expressivas II Aula: 0� - Técnicas Expressivas III Aula: 0� - A repetição como recurso FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II12 UNIMES VIRTUAL Aula: 01 Temática: Processo de Criação I Nesta primeira aula estudaremos os fundamentos do pro- cesso de criação. Durante muito tempo, foi considerado que pessoas inteligentes eram aque- las que ganhavam notoriedade e ignoravam a idéia de múltiplas inteligên- cias, o que inviabilizou as afirmações de que uma pessoa é mais ou menos inteligente que a outra. Gardner1 apresentou modernas teorias que desqualificaram os testes de QI usados para verificar os tipos de superdotação de indivíduos na so- ciedade ocidental e em suas escolas. A teoria das inteligências múltiplas sugere que a inteligência se assemelha a um elenco de pelo menos sete competências distintas: lingüística, lógico-matemática, espacial, corporal cinestésica, musical, interpessoal e intrapessoal. Ele acredita, apoiando- se em sua teoria, que uma pessoa pode ser superdotada em uma área, mas média ou abaixo da média em outras. Para Fayga Ostrower2, trata-se de um potencial inerente ao ser humano, e realizar este potencial é uma de suas necessidades. Essa potencialidade e os processos criativos não estão restritos, pura e tão-somente, às artes e aos artistas, pois entende que “criar” tem de ser visto no seu sentido total, ou seja, algo que está integrado ao estilo de vida do ser humano: O homem elabora seu potencial criador através do trabalho. É uma experiência vital. Nela o homem en- contra sua humanidade ao realizar tarefas essenciais à vida humana e essencialmente humanas. A criação se desdobra no trabalho porquanto este traz em si a necessidade que gera as possíveis soluções criativas. Nem na arte existiria criatividade se não pudéssemos encarar o fazer artístico como trabalho, como um fa- zer intencional produtivo e necessário que amplia em nós a capacidade de viver. Retirando à arte o caráter de trabalho, ela é reduzida a algo de supérfluo, enfeite talvez, porém prescindível à existência humana. Em nossa época, é bastante difundido este pensamen- to: arte sim, arte como obra de circunstância e de 1 GARDNER, Howard. Inteligência: múltiplas perspectivas. Porto Alegre: Artmed, 1998, p. 32. 2 OSTROWER, Fayga. Criatividade e processo de criação. 6. ed. Rio de Janeiro: Vozes, 1987. p. 26. FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II 13 UNIMES VIRTUAL gosto, mas não arte como engajamento de trabalho. Entretanto, a atividade é considerada uma atividade, sobretudo criativa, ou seja, a noção de criatividade é desligada da idéia do trabalho, o criativo tornando- se criativo justamente por ser livre solto e isento de compromissos de trabalho. Na lógica de tal pensa- mento, porém, o fazer que não fosse “livre” careceria de criatividade, passaria a ser um fazer não-criativo. O trabalho em si seria não-criador. Evidentemente, não é esse nosso critério. (OSTROWER, 1987, p. 26) Ana Mae Barbosa afirma que, para ocorrer o estímulo do pensamento cria- tivo, é preciso que sejam mobilizados aspectos emotivos e cognitivos. Sustenta que, para que sejam estimulados todos os componentes da cria- tividade, é necessário um método que oriente a seleção das atividades em função das possibilidades que elas tenham de mobilizar processos relati- vos à criatividade. Sabemos, hoje, que criatividade não significa, necessaria- mente, uma forma de inteligência, até mesmo porque cada uma das inteligências, pesquisadas por Gardner, pode gerar pessoas extremamente criativas nas competências inerentes a essas in- teligências, mas que a criatividade se manifesta pelo pensamento diver- gente. De maneira geral, considera-se que as pessoas inteligentes são pessoas convergentes, pois, com base em certos dados, chegam a uma resposta relevante, enquanto as pessoas criativas, diante de um estímulo ou de um problema, costumam divergir e assim chegar a muitas associações diferentes. Visite o site: http://en.wikipedia.org/wiki/Ren%C3%A9_Ma- gritte (último acesso em 12/09/2007) e visualize a tela The son of man, 1926, de René Magritte. É provavelmente um dos quadros mais famosos de Magritte. Ele o define desta forma: “Tudo o que vemos esconde outra coisa, e nós queremos sempre ver o que está escondido pelo que vemos”. Percepção imaginativa Segundo Gaston Bachelard, em seu livro Ensaio sobre a imaginação do movimento: http://en.wikipedia.org/wiki/Ren%C3%A9_Magritte http://en.wikipedia.org/wiki/Ren%C3%A9_Magritte FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II1� UNIMES VIRTUAL [...] pretende-se sempre que a imaginação seja a faculdade de formar imagens. Ora, ela é antes a fa- culdade de deformar as imagens fornecidas pela per- cepção, é, sobretudo, a faculdade de libertar-nos das imagens primeiras, de mudar as imagens. Se não há mudança de imagens, união inesperada das imagens, não há imaginação, não há ação imaginante. Se uma imagem presente não faz pensar uma imagem ausen- te, se uma imagem ocasional não determina uma pro- digalidade de imagens aberrantes, uma explosão de imagens, não há imaginação [...] Imaginação não é um estado de espírito. É a própria existência humana. Vamos refletir sobre isso até a próxima aula! FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II 1� UNIMES VIRTUAL Aula: 02 Temática: Processo de criação II Continuaremos a refletir sobre os fundamentos do processo de criação. O conceito de criatividade, de imprecisas definições, sempre intrigou vá- rios estudiosos. De um lado, há algumas teorias que surgiram de análises dos processos da criatividade; de outro, verifica-se que as instituições brasileiras de ensino privilegiam muito mais os conhecimentos e as ha- bilidades acadêmicas relacionadas à inteligência do que as habilidades criativas que um indivíduo possa ter. Há várias definições sobre o tema, dentre elas a de Young: Criatividade é aquela atitude pela qual nós nos realiza- mos... Criatividade é a realização do nosso potencial... É a integração do nosso lado lógico com o nosso lado intuitivo. Criatividade é mais que espontaneidade, é também uma deliberação.É pensamento divergente, pois converge em alguma solução: não apenas gera possibilidades, mas também escolhe entre elas. É mais que originalidade, que só pode expressar o bi- zarro... Criatividade é um avanço e uma mudança, como também é uma expressão de continuidade com o passado1. Via de regra, os pesquisadores consideram que a criatividade exista em algum grau em cada um de nós e pode ser aprendida; portanto, as pessoas tornam-se criativas. Em sua teoria do desenvolvimento cognitivo, Piaget a relaciona diretamente ao processo criativo. Denominou “imaginação cria- tiva” e explicou que durante o crescimento infantil haverá a evolução da imaginação criativa no decorrer das fases de seu desenvolvimento. Perce- be-se que criatividade e inteligência caminham juntas, segundo Piaget. Ousadia! Ficará mais fácil a utilização de nossa criatividade, se esti- vermos competentes para o fazer artístico. Assim, será ne- cessário conhecer e reconhecer materiais artísticos e suas aplicações nas diferentes técnicas de pintura. No entanto, algumas etapas estão ligadas à pintura. 1 YOUNG, James Webb. Técnica para produção de idéias. São Paulo: Nobel, 1994. p 45. FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II1� UNIMES VIRTUAL Sabe-se que os grandes mestres da pintura desenvolveram esboços antes de realizarem suas obras. Nesse momento, podemos desenvolver alguns estudos. Visite o site: http://www.casthalia.com.br/a_mansao/obras/ cezanne_macas.htm e visualize a tela Natureza-morta com maçãs e laranjas, 1895-1900, de Paul Cézanne. O site foi acessado em 12/09/2007. Eu escolhi um pimentão para iniciar alguns estudos, tanto de luz e sombra, quanto de técnicas que serão aplicadas. Você poderia tentar, também... Veja: Figura 2 Técnica: Lápis grafite sobre papel canson Materiais: Lápis grafite 2B, 4B e 6B, papel canson branco, formato A4 (210 X297mm), gramatura 180 grm2 e borracha. Procedimentos: Coloque o objeto escolhido próximo de uma luminária ou janela para que fique identificado o lado predominante de incidência de luz. Desenvolva o esboço sem a preocupação de retratar com fidelidade o mo- delo a ser copiado. Nessa fase, o primordial, a meu ver, será o estudo de luz e sombra que você conquistará. http://www.casthalia.com.br/a_mansao/obras/cezanne_macas.htm http://www.casthalia.com.br/a_mansao/obras/cezanne_macas.htm FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II 1� UNIMES VIRTUAL Tente usar a borracha para marcar as áreas de grande iluminação. Repare na figura 2. As áreas extremamente iluminadas foram apagadas com a borracha. Para a escura use o lápis 6B e reforce bem as sombras. Tente não esfumaçar com o dedo o meio-tom. Conquista-se o meio tom com o próprio exercício do sombreamento. Verifique se você conquistou mais de cinco tonalidades! Quanto maior for o valor tonal, melhor será o exercício. Sim! Desenvolver apenas uma vez o exercício não será suficiente. Na próxima aula, exercitaremos com tinta, certo? Até a próxima aula! FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II1� UNIMES VIRTUAL Aula: 03 Temática: Círculo cromático I O círculo cromático é um recurso muito útil. Os impressio- nistas usavam as cores complementares com muita freqü- ência. Por exemplo, quando pintavam um objeto amarelo, usavam o violeta para pintar as áreas de sombra. Da mesma forma, o vermelho está para o verde assim o laranja está para o azul. Visite o site: http://pt.wikipedia.org/wiki/A_Casa_Amarela para visualizar a tela A casa amarela de Vincent van Gogh, 1888. É muito importante que você visite o site para a com- preensão desta aula. O site foi acessado em 13/09/2007. Em sua pintura predominam as cores complementares. Figura 2 Além das cores primárias, cujas misturas produzem as outras cores, exis- tem também as cores complementares, que se anulam mutuamente, ou seja, aquelas cujas misturas produzem a branca. Por exemplo: Vermelho – verde e Amarela – azul. http://pt.wikipedia.org/wiki/A_Casa_Amarela FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II 1� UNIMES VIRTUAL Será importante desenvolvermos o estudo de cores para utilizarmos os matizes de forma planejada e intencional. No entanto, nada impede que um trabalho possa ser elaborado sem esses critérios. Sobre os materiais: Figura 3 Figura � Tinta à base de água: Os pincéis para essas tintas são lavados normal- mente com água fria. São chamados Marta Kolinsky os pêlos obtidos de pequenos animais silvestres encontrados em países de clima frio, como a Sibéria e o norte da Manchúria. Os pêlos são retirados de suas caudas e possuem pontas longas, finíssimas, além de grande suavidade e resistência. Existem outros tipos de pêlos de animais, bem como são encontrados os sintéticos. Virola é o elemento de ligação entre o pêlo e o cabo do pincel. Em geral, são feitas de alumínio polido, latão cromado, nique- lado ou cobreado. Dependendo da técnica a que se destina o pincel, o compri- mento do cabo varia em curto ou longo. O equilíbrio e a esta- bilidade de cada pincel é de vital importância, assim como a distância entre o artista e a obra. Por essas razões possuem cabos curtas para aquarela, guache e nanquim, e cabos lon- gos para pintura em tela, a óleo ou acrílica. FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II20 UNIMES VIRTUAL Tintas a base de óleo: Para essa categoria, utiliza-se terebentina ou aguarrás, que são solventes. Em seguida, lava-se com água fria ou morna para remover o solvente do pincel. Tipos de pincéis: Os pincéis pêlo de marta são feitos a partir de pequenos animais silvestres encontrados em diversos locais, principalmente nos países de clima frio. Os pêlos são retirados de suas caudas e possuem pontas longas, finas, além de grande suavidade e resistência. Há, também, pincéis que imitam o pêlo de marta, como os pêlos de orelha de boi, que são tratados, tingidos e possuem a mesma resistência, ao serem comparados aos pêlos de marta. Existem os pincéis feitos com pêlos de texugo, quati, esquilo (muito indi- cado para as técnicas de aquarela, por sua suavidade), orelha de boi (por serem finos e resistentes), camelos, pôneis, cabra (muito utilizado para maquiagem), porco (são fortes e retêm muita tinta em suas cerdas), crina de cavalo e sintéticos. Seus formatos são: Figura � Chato Redondo A - Chato Longo (Stroke) J - Redondo Curto (Spotter) B - Plano (Flat) K - Redondo (Round) C - Quadrado (Bright) L - Redondo Longo (Liner D - Chato Curto (Short Bright) M - Ponta Chata (Showcard) FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II 21 UNIMES VIRTUAL E - Língua de gato (Filbert) N - Chanfrado (Striper) F - Chanfrado (Angular) O - Pituá (Mop) G - Leque (Fan) P - Broxa / Batedor (Stencil) H - Trincha (Paint Brush) Q - Garfo (Pipe) I - Trincha Longa (Spalter) R - Pelenesa (Gilder’s Tip) Cada pincel apresenta uma utilização lógica. Vale lembrar que temos diferentes tipos de suportes, mas isso será um assunto para outra aula! Na aula anterior desenvolvermos um esboço, com técnica de lápis de grafite. Figura � Exercício desenvolvido na aula anterior, com técnica de lápis grafite s/ papel. Agora vamos buscar vivências com as tintas. Mas, antes, necessitamos dos materiais adequados: Materiais para exercício de pintura com guache: Pincéis: Qtde. Descrição 1 Redondo Curto - marca Tigre, número “0”, pêlo de marta – refe- rência 308 1 Redondo Curto - marca Tigre, número “2”, pêlo de marta – refe- rência 308.. FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II22 UNIMES VIRTUAL 1 Redondo Curto - marca Tigre, número “8”, pêlo de marta – refe- rência 308. 1 Reservatório para tinta – como mostra na figura 3. 1 Guache – Talens ou Deco – cores primárias Até a próxima aula! FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II 23 UNIMES VIRTUAL Aula: 0� Temática: Círculo cromático II Círculo cromático Figura 1 Cores primárias. Iremos traçar três quadrados de 4,0 X 4,0 cm e preenchercom as cores primárias cada um deles. Veja: Figura 2 Figura 3 FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II2� UNIMES VIRTUAL Esta é a maneira mais adequada de segurar o pincel. Deixe a mão descon- traída e segure o pincel uns 3 a 4 cm acima da virola. Somente quando houver a necessidade de pintar detalhes com precisão, é que seguramos em cima da virola. As cores secundárias serão conquistadas a partir de uma proporção de cinqüenta por cento das cores: • Amarelo + vermelho = Alaranjado • Amarelo + azul = Verde • Vermelho + azul = violeta Figura � Para as cores terciárias – são as cores que resultam das misturas entre as primárias e secundárias. Amarelo + alaranjado Amarelo + verde Vermelho + violeta Vermelho + alaranjado Azul + verde Azul + violeta FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II 2� UNIMES VIRTUAL Figura � Figura � FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II2� UNIMES VIRTUAL Algumas características das cores Vermelho: é cor quente, saliente, agressiva e estimulante. Sendo a cor do fogo e do sangue, é a cor mais importante para muitos povos, o que se per- cebe sempre nas cores das bandeiras. Esta cor é a preferida das crianças. É vastamente utilizada em decorações infantis ou ambientes esportivos. Quando associada ao verde, forma o par de cores complementares mais vibrantes. Ao ser aplicada em pequenas proporções sobre o fundo verde, chega a produzir vibrações desagradáveis. Amarelo: cor luminosa e digna, evoca dominação, riqueza material e espi- ritual. Representando o calor, energia e claridade, opõem-se à passividade do azul. Junto ao vermelho é considerada cor masculina, enquanto o verde e o violeta são femininos. Verde: é passividade, sugere imobilidade, alivia tensões e equilibra o sis- tema nervoso. Azul: é cor fria por excelência. Calmo e repousante, sugere indiferença e passividade. Sugere a sensação de frescor. Na aula anterior desenvolvemos um esboço com técnica de lápis de grafite. Figura � FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II 2� UNIMES VIRTUAL Exercício desenvolvido na aula anterior, com técnica de lápis grafite s/ papel. Agora, vamos buscar vivências com a tinta guache e caminharmos até a tinta óleo. A partir do modelo desenvolvido tente colori-lo. Figura � Até a próxima aula! FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II2� UNIMES VIRTUAL Aula: 0� Temática: Técnicas expressivas I Segundo Kandinsky, o olho experimenta as propriedades da cor de modo físico; é o veio por onde penetra a alma. O olho recebe a vibração da cor com excitação ou calma. No entanto, como toda a sensação, possui curta duração. A cor provoca uma vibração psíquica. Por exemplo, o vermelho quente tem uma ação excitante, sem dúvida, por se assemelhar ao sangue. A seguir analisaremos uma obra de Magritte: René Magritte (Lessines, Bélgica, 1898 – Bruxelas, Bélgica. 1967) é um dos principais artistas do movimento surrealista, que muito influenciou a arte latina – americana. Magritte teve especial interesse pela disfunção en- tre significante (elemento – imagem) e seu sentido. Daí sua pintura causou estranhamento pela associação de elementos contraditórios numa única pintura. As primeiras pinturas de Magritte (1920) foram influenciadas pelo Cubismo. Ele também nessa época se interessava pelas manifestações em defesa da arte pura, expressas na pintura liberada da representação ilusionista do espaço tridimensional. O interesse de Magritte por situações enigmáticas surge de seu encontro com a obra de Giorgio de Chirico. Uma outra importante referência para a produção criativa de Magritte foi o contato com as colagens de Max Ernst: ambos influenciaram a obra de Magritte, sobretudo a maneira de usar a justaposição de diversas imagens, formando um cenário surreal. Figura 1: La belle captive, de René Magritte, guache s/ papel, 1967. A B FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II 2� UNIMES VIRTUAL Ao observar a composição dos elementos na obra, imaginamos que há um total desequilíbrio. Perceba que o planejamento da cortina é maior de um lado, e está justamente no lado em que se encontra o cavalete com a tela. Há uma esfera que não está centralizada. Veja: Figura 2 Assim, temos a sensação de desequilíbrio. Mas na realidade essa obra apre- senta-se completamente equilibrada. Sua horizontalidade contribui para a assimetria, porém equilibrada. Observe que a tela justapõe com o fundo (fi- gura 4 B). A cortina atrás da tela salienta os planos (figura – fundo). A esfera organiza os pesos, que poderiam ficar discrepantes na composição. Tudo é restabelecido com as cores. Observe: Figura 3 Magritte soluciona a utilização das cores ao aplicar o contraste. O céu pintado é a parte mais emotiva do processo visual, pois é azul. A cor azul nos remete às sensações de tranqüilidade. A delicadeza do céu oscila com sua cor oposta, o alaranjado. O céu invade a tela e a sutiliza; a delicadeza prevalece, mas um elemento estranho dá outro significado (a esfera). A esfera é a situação contraditória, pois dilui os limites entre o imaginário e o real e questiona as relações entre a arte e vida. A B A B FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II30 UNIMES VIRTUAL Magritte desenvolve “colagens pintadas à mão”, ou seja, as imagens re- ferem-se ao método surrealista de criação que se apropria e descontex- tualiza diferentes imagens, o que passa a fazer parte de uma nova ordem impactante por seu aspecto enigmático. Será que a esfera representa uma bomba, já que a obra per- tence ao período da Guerra Fria, de 1965, em que a huma- nidade agonizava? O céu simbolizou a beleza? No palco está a arte e novamente o céu, ou seja, a beleza e o tempo inter- rompidos por um elemento (a esfera), um enigma, o erro do homem com seus investimentos para a Guerra... Sem pintar a anatomia humana, Magritte fala do homem. Lembrete: O Surrealismo foi a natural conseqüência ou desenvolvimento do dadaís- mo. Surgiu com um grupo de artistas franceses. Em 1924, em Paris, André Breton elaborou um manifesto público. A dife- rença entre Surrealismo e Dadaísmo, apesar de ambos terem utilizado o automatismo psíquico, é que o Dadaísmo expressa a decepção dos inte- lectuais e artistas e não possui doutrina ou princípios definidos (anarquia); o Surrealismo expressa a liberdade absoluta que escapa às limitações da vida, ou seja, o subconsciente são os princípios artísticos. Seus princípios são: os Surrealistas interessam-se exclusivamente pelo subconsciente; tudo que ocorre se caracteriza pela falta de lógica; buscavam o subconsciente, o sonho, os estados alucinatórios, o maravilhoso; pretendiam o fantástico, o irreal, a loucura e tudo que fosse oposto à lógica; Utilizaram o álcool, excitantes, sonambulismo e hipnotismo. Até o próximo encontro! • • • • FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II 31 UNIMES VIRTUAL Aula: 0� Temática: Técnicas expressivas II O efeito visual necessita da inter-relaçã entre mensagem, significado e as técnicas visuais. Assim, o contraste e har- monia são ordenações que oferecem vasta gama de opções operativas possíveis de serem ordenadas. Como vimos no exemplo da aula anterior, na obra de Magritte, forma e cor configuraram um excelente resultado. Portanto, o contraste discute as polaridades, como frio e calor. Como seria entender o fino sem a existência do grosso? Portanto, o contraste é, tam- bém, uma formulação de seus opostos, ou seja, a relação de algo apercep- tivo e sua lógica. Um exercício muito prazeroso de tais questões é a releitura da obra de arte. Haveria outras possibilidades compositivas para a obra de Magritte? Figura 1 Observe a figura 1. Ainda que você não concorde, é uma possibilidade compositiva que estabelece alguns critérios de contraste. Talvez, o fundamental nessa tentativa não seja conquistar resultados supe- riores à obra de Magritte, mas enfatizarque a visão humana parece buscar a harmonia constantemente, ou seja, reduzir as tensões, racionalizar, expli- car e resolver as confusões são coisas que parecem, todas, predominan- tes entre nossas necessidades. A B FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II32 UNIMES VIRTUAL Portanto, o contraste é uma força de oposição a essa ne- cessidade humana. Desequilibra e choca, estimula, chama a atenção. A importância do significado do contraste se dá primeiro na visão para as mensagens que são visuais. A luz é a chave de nossa força visual. Ela nos revela o tom que vai do brilho (luminosidade) à obscuridade. A presença ou a ausência da cor não afeta os valores tonais que a visão capta. Por meio do tom, percebemos padrões que simplificamos em objetos com forma, dimensão e outras propriedades visuais importantes para sua iden- tificação. Esse é um processo de decodificação e identificação. Assim, aprendemos visualmente as coisas do mundo. A partir disso, reconhecemos algumas idéias, pois inúmeras informações visuais já foram enviadas ao cérebro, o que possibilita correlações ou conhecimentos posteriores. Observe, abaixo, a figura 2 : Figura 2 Releitura de Ianelli – Rubens de Souza – 2007. Eu fiz uma releitura de uma obra do artista plástico Ianelli. A obra chama- se Superposição de retângulos, de 1976, óleo sobre tela, 180 X 130 cm. Propositadamente, deixei os contornos dos retângulos. Eles se justapõem e há transparência, ou seja, você consegue ver, em alguns momentos, o retângulo que está abaixo, e, quando não vê, o seu olhar identifica a traje- FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II 33 UNIMES VIRTUAL tória de sua continuidade. Utilizei cores predominantemente frias. Obser- ve, ainda, que suas diagonais alinham todos os retângulos. Observe: figura 3 A figura 3 ainda é a mesma composição. A figura 3 B também é a mes- ma composição. Ela foi pintada com tons de cinza e foram retirados os contornos e todas as propriedades salientadas permanecem. Portanto, a presença ou a ausência de cor não afeta os valores tonais, que são constantes e têm uma importância maior que a cor, princi- palmente para o olhar. A visão funciona com mais eficácia quando os padrões que observamos se tornam visualmente mais claros através do contraste. Tanto na natureza quanto na arte, o contraste é fundamental para o observador. Observe a figura abaixo: Figura � Por meio do contraste você observa mais elementos na figura 4 - A. Até o próximo encontro! A B A B FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II3� UNIMES VIRTUAL Aula 0� Temática: Técnicas Expressivas III Formatos orgânicos são constituídos por curvas que fluem suavemente com trajetórias tangenciais ou discrepantes. Normalmente são traçadas à mão, porém há instrumentos que possibili- tam linhas tangenciais, como a curva francesa e régua flexível. Figura 1 Observe que basicamente temos dois tipos de curvas predominantes nas formas orgânicas: em “C” e “S”. Figura 2 Na figura 2-A percebemos um formato semelhante à letra “C”, e 2-B lem- bra a letra “S”. Os formatos podem conter extremos pontiagudos ou arre- dondados. Os formatos podem ser parcialmente ligados por limites, por linhas sinuosas ou retas. A B FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II 3� UNIMES VIRTUAL Visite o site a seguir para visualizar Oro de Azur, de Juan Miró: http://animalscience.ucdavis.edu/Laboratory/AnimalGeno- mics/Art/JuanMiro.htm - último acesso em 13/09/2007. Nessa tela de Miró, percebe-se que no plano de fundo predomina o amare- lo de Nápoles, seguido de uma forma orgânica em azul ultramar, acrescido de outras formas, e grafismo em preto. Já observamos em aulas anteriores alguns pincéis que são usados na pin- tura. Agora iremos demonstrar outros materiais utilizados na técnica a óleo: Cavalete Paleta Tintas Tela Óleo de linhaça, Secante e Terebintina. Pincéis Exercício Como preparar a tinta óleo: Deposite na paleta um pouco de tinta óleo e dissolva gradativamente com óleo de linhaça até que ela fique bem pastosa. Você pode acrescentar um pouco de secante para acelerar sua secagem. http://animalscience.ucdavis.edu/Laboratory/AnimalGenomics/Art/JuanMiro.htm http://animalscience.ucdavis.edu/Laboratory/AnimalGenomics/Art/JuanMiro.htm FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II3� UNIMES VIRTUAL Em uma tela de 27 X 35 cm você deverá esboçar formas orgânicas com um lápis 6B ou lápis carvão. Após ter feito o esboço, inicie pintando o plano de fundo. Observe o exemplo ao lado. Esta maneira de colorir com camadas densas de tinta geralmente é chamada de vela- tura com tinta óleo. De outra forma, poderiam ser aplica- das cores transparentes. Verifique que você pode optar por intersecção de formas, em que cada parte poderá receber uma cor. Aproveite esta oportunidade para pensar estrategicamen- te nas cores. O exemplo ao lado utiliza as cores comple- mentares divididas, ou seja, uma cor primária junto com duas vizinhas da complementar direta. Experimente a tinta e suas possibilidades, e tente adicionar outros materiais. Veja o exemplo: Figura 3 Rubens de Souza, óleo e cimento s/ tela, 1998. FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II 3� UNIMES VIRTUAL Após ter esboçado o sapato com carvão, aplique uma aguada de tinta sé- pia para marcar as áreas mais escuras. Perceba que iniciei a pintura pela figura e não pelo fundo. Sobre a palheta, preparei as cores: vermelho de cádmio, carmim, laranja de cádmio, amarelo de Nápoles, branco e sépia. Observe que fui aplicando as cores para obter o volume necessário. Ficou mais fácil colocar meu sapato como modelo e seguir suas tonalidades marcadas pela luz. O branco realçou os brilhos e a incidência da luz. Por fim, no fundo preparei cimento e apliquei na tela, sem prejudicar a pintura do sapato que já estava seca. O grafismo em amarelo foi feito após a se- cagem do cimento. O quadro transmite a sensação de um sapato pisando na calçada. Estudamos a utilização de materiais de pintura e as formas orgânicas. Ainda desenvolvemos uma atividade prática uti- lizando uma forma orgânica para desenvolver um exercício abstrato. Surrealismo figurativo: representava o símbolo de sua mensagem por meio de imagens figurativas. Surrealismo abstrato: representava o símbolo de sua mensagem por meio de imagens abstratas, símbolos, signos ou simplesmente grafismo. Até o próximo encontro! FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II3� UNIMES VIRTUAL Aula: 0� Temática: A repetição como recurso Na aula anterior foi sugerido que você ousasse pintar com tinta a óleo. Algumas referências foram demonstradas para que possamos perceber a diversidade do universo artístico. Estudaremos agora um recurso muito usado na linguagem visual, denomi- nado repetição. A repetição corresponde às conexões visuais ininterrup- tas. Identificamos esse recurso em várias modalidades artísticas, como: cinema, publicidade, arquitetura, música e na própria arte. Figura 1 Observe que o logotipo apresenta elementos que se repetem. São vários triângulos que forma um grande triângulo eqüilátero. Visite o site a seguir para visualizar a obra 12 dias em mar- ço, 1998, técnica mista s/ papel, de Brian Maguire: http://www1.uol.com.br/bienal/24bienal/edu/brian_maguire_g1.htm - últi- mo acesso em 13/09/2007. Segundo Mc Evilley, Maguire dividiu seu tempo de trabalho, em São Paulo, entre os retratos das crianças e retratos feitos com carvão, tinta e giz pas- tel oleoso, baseados em fotografias de presidiários publicados em jornais. Nos retratos de criminosos adultos, o objetivo de Maguire é re-humanizar e revitalizar o indivíduo retratado. Ele passou doze anos dando aulas de arte http://www1.uol.com.br/bienal/24bienal/edu/brian_maguire_g1.htm FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II 3� UNIMES VIRTUAL a prisioneiros de prisões irlandesas,onde construiu várias amizades e se impressionou com a humanidade dos homens com quem trabalhou e com os misteriosos problemas pelos quais cada um deles se meteu em uma armadilha. Os prisioneiros brasileiros, cujas fotos viu nos jornais, também estavam em uma armadilha. As crianças desprovidas de recursos eco- nômicos e culturais podem ser descritas como se estivessem a caminho da armadilha ou sob o perigo de tropeçar em uma delas, se suas vidas penderem para as ruas. Como as crianças se tornam criminosas? Esta é a questão que está por de trás do projeto de Maguire. Portanto, Maguire utiliza a técnica de repetição para elaborar sua obra. A repetição envolve a reprodução do mesmo formato, assim como a or- denação de formatos a intervalos que podem ser determinados por uma malha estrutural. Figura 2 As estruturas de repetição criam composições que são identificadas, ini- cialmente, às unidades e sua ordenação elabora a seqüência. Figura 3 FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II�0 UNIMES VIRTUAL Observe que na figura 3 as unidades são idênticas e sua seqüência deter- mina a simetria a partir dos sentidos em que estão ordenados. Esse recur- so é muito utilizado em estamparia de tecidos, pisos, azulejos e outros. Podemos, no entanto, ter outras possibilidades de repetições. Veja: Figura � Perceba que na figura 4 as unidades são diferentes e a seqüência é a mesma. Figura � Mesmo com as unidades bastante distintas, a seqüência é regida por sua ordenação ou diagramação. As instâncias que determinam o trabalho de Maguire assemelham-se a este tipo de ordenação. Porém, um aspecto extremamente importante é o objetivo de seu projeto. Ou seja, percebemos que seu PROJETO ARTÍSTI- CO possui: TEMA TÍTULO JUSTIFICATIVA OBJETIVO METODOLOGIA FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II �1 UNIMES VIRTUAL Fique atento para o planejamento artístico. Tais instâncias normalmente configuram trabalhos sérios, plausíveis e de qualidade. Outro aspecto, também importante, na obra de Maguire é a técnica artís- tica utilizada. A técnica mista consiste em articular diferentes técnicas e seus resultados estéticos num mesmo trabalho. Figura �: Rubens de Souza, Mulher, técnica mista s/ papel, 2001. Exercício Elabore um desenho e aplique outra técnica em sua colorização. Busque materiais inusitados, como: terra, líquidos coloridos, colagens etc. Se sobrar um tempinho, visite os sites sugeridos abaixo. Tente observar que neles há uma linguagem visual diferen- ciada... http://varan.redgraphic.com/flash/lhooq.htm http://varan.redgraphic.com/ http://varan.redgraphic.com/html/alkahest/alkahest.htm http://varan.redgraphic.com/projects/nonsense_mutation/14.htm http://varan.redgraphic.com/projects/nonsense_mutation/19.htm http://www.pixelbreaker.com/v1/main.html Sites acessados em 13/09/2007. Pinceladas de aquarela e café ao fundo Esboço de corpo feminino a bico de pena costurado no papel de fundo. Observe que há repetição do desenho Grafismo com lápis de cor http://varan.redgraphic.com/flash/lhooq.htm http://varan.redgraphic.com/ http://varan.redgraphic.com/html/alkahest/alkahest.htm http://varan.redgraphic.com/projects/nonsense_mutation/14.htm http://varan.redgraphic.com/projects/nonsense_mutation/19.htm http://www.pixelbreaker.com/v1/main.html FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II�2 UNIMES VIRTUAL Lembrete: Sobre a obra de Maguire: Segundo Trivinho, “ao banalizar a violência e as atrocidades, a civilização atual conseguiu, com uma aptidão macabra, articular a morte olvidada no prato diário de refeição”. Pense nisso para buscar um tema para suas produções! Até o próximo encontro! FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II �3 UNIMES VIRTUAL Resumo - Unidade I Esta unidade apresentou alguns dos processos que veicu- lam a criatividade por meio de experimentação dos recursos de materiais expressivos. Iniciamos, portanto, a partir de algumas considerações acerca da percepção imaginativa, que é o veio para a criação artística. Basicamente, esta unidade teve como objetivo permitir que você pudesse se familiarizar com os recursos possíveis diante do fazer artístico. Vimos que a visão humana parece buscar a harmonia constantemente, e, por meio de telas de pintores, como Magritte, van Gogh e Paul Cézanne, vi- sualizamos algumas características das cores, bem como as noções de equilíbrio a partir do aparente desequilíbrio. O surrealismo é uma excelente demonstração dessa necessidade humana, e vimos as especificidades do surrealismo figurativo e abstrato. Em algumas telas vimos as variações de luz e sombra, assim como o contraste como recursos expressivos. Dedicamos uma aula à visualização de materiais, como cavalete, paleta, pincéis, paleta, telas e tintas. Por fim, vimos que a repetição é um recurso bastante expressivo no cine- ma, na publicidade, arquitetura, música e na própria arte. Trata-se de um recurso que corresponde às conexões visuais ininterruptas cuja seqüência deve ser regida por uma simetria. Referências Bibliográficas MOTTA, E. Iniciação à pintura. 3 ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1989. PEDROSA, I. O universo da cor. Rio de Janeiro: Senac, 2003. _________________. Da cor à cor inexistente. Rio de Janeiro: Ediouro, 1999. MAYER, R. Manual do artista. São Paulo: Martins Fontes, 1999. FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II�� UNIMES VIRTUAL GUIMARÃES, L. A cor como informação. São Paulo: Annablueme, 2000. ARNHEIM, R. Arte e Percepção Visual. 12 ed. São Paulo: EDUSP, 1998. FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II �� UNIMES VIRTUAL Exercício de auto-avaliação I 1) Aponte a alternativa correta quanto ao conceito de virola: Trata-se de um pintor brasileiro do modernismo. Faz parte do pincel. É uma técnica de pintura. É o suporte para a tinta. 2) As cores secundárias serão conquistadas a partir: Da união de duas cores primárias. Da união das cores complementares. Da união das cores análogas. De toda e qualquer cor que aparece no fundo (figura – fundo). 3) Cores terciárias são as que resultam das misturas entre: Cores primárias e secundárias. Duas cores primárias. Qualquer cor pode ser terciária. Sua conquista dependerá do tipo de pincel utilizado. �) Uma das principais características do surrealismo é: Os Surrealistas interessam-se exclusivamente pelo subconsciente. Tudo que daí ocorre se caracteriza pela falta de lógica. Tudo que daí ocorre se caracteriza pela lógica em reflexões conscientes de seus desejos. Pintaram o período pós-guerra. N. D. A. a) b) c) d) a) b) c) d) a) b) c) d) a) b) c) d) FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II�� UNIMES VIRTUAL FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II �� UNIMES VIRTUAL Unidade II Estética e Pesquisa Objetivos Pontencializar capacidades de expressão e comunicação, em arte, dando opor- tunidade ao educando de ser autor de suas próprias produções a fim de manter uma atitude de busca pessoal que articule a percepção, a imaginação, a emoção, a investigação, a sensibilidade e a reflexão ao realizar e fruir produções. Plano de Estudo Esta unidade conta com as seguintes aulas: Aula: 0� - A Importância da Pesquisa Aula: 10 - Impressionismo Aula: 11 - Gauche I Aula: 12 - Gauche II Aula: 13 - Desenho e Pintura Aula: 1� - Aquarela Aula: 1� - Técnicas com Lápis de Grafite FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II�� UNIMES VIRTUAL Aula: 0� Temática: A importância da pesquisa Na unidade anterior estudamos algumas técnicas e alguns artistas foram mencionados. Salientamos sobre a necessi- dade de se estabelecer um projeto para sua produção. Nesta unidade enfatizaremos a importância da pesquisa em artes visuais. Considero a existência de três etapas essenciais para a pesquisa em artes visuais: ver, fazer e ler. A pesquisa já é uma das etapas de um projeto, em que se pretende encon- trar perguntas geradas. O projeto nos ajuda a aprofundarnum tema, num acontecimento ou num fenômeno. O projeto prevê planejamento, organiza- ção de materiais e métodos e seus objetivos reformulam o pensamento, na medida em que conclusões e reflexões são feitas em torno do tema. Depois da escolha do tema, normalmente é feito o levantamento de dados. Etapas do projeto: O que este tema permite desenvolver? Todo projeto deve ter levantamento e comparação de hipóteses. Todas as etapas devem ser registradas. É preciso levantar hipóteses e registrá-las. Introdução do tema (histórico). Vivência do tema (que caminhos seguir?) = linguagem diferente. Vamos verificar um exemplo: Almir Mavgnier Em primeiro de maio de 1925, Almir da Silva Mavignier nasceu no Rio de Janeiro. Seus pais se chamavam Margarida da Silva, maranhense, e Mel- chizedeck Eliezer Mavignier paraibano. • • • • • • FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II �� UNIMES VIRTUAL Almir, desde o período ginasial, desenhava autodidaticamente, o que de- monstrou desde cedo seu gosto pelas artes. Aos vinte anos de idade, ingressou num curso científico e, paralelamente, era datilógrafo em uma instituição “Sociedade de Beneficência” pertencente ao Departamento Na- cional do Café (DNC). Com interesse em desenvolver mais seus desenhos, Almir buscou uma atividade profissional que pudesse lhe oferecer possibilidades de utilizar desenhos. Interessou-se em trabalhar no Serviço de Doenças Mentais na Praia Ver- melha, inicialmente como artífice diarista. Mavignier disse: “Minha função era acalmar os doentes agitados”. Paulo Elejalde, diretor do Centro Psiquiátrico Nacional, propôs à Dra. Nise da Silveira, diretora do serviço terapêutico ocupacional, que pudesse orga- nizar um ateliê de pintura para os pacientes. Dra. Nise sempre quis desenvolver tal projeto, porém não tivera, até então, alguém que pudesse coordenar o ateliê. Almir imediatamente interessou-se pelo ateliê, pois poderia cumprir dois propósitos: atender às necessidades dos internos e aos seus próprios tra- balhos. Em nove de setembro de 1946, o ateliê estava organizado para atender aos internos e oferecia aulas de pintura. Assim, o ateliê tinha como objetivo desenvolver atividades terapêuticas, porém Almir, como pintor, primava em perceber os artistas que surgiam mostrando seu talento na pintura. Almir buscou interferir somente nos conselhos técnicos das pinturas dos internos, preservando assim o caráter das imagens do inconsciente que eram retratados. Este período foi importante, pois percebera a evolução que seus alunos tiveram, não somente na pintura como também no ateliê de modelagem, onde o barro e o gesso assumiam formas criativas nas mãos dos internos do Engenho de Dentro. Outra importante atividade desenvolvida por ele foi o trabalho com modelo vivo no curso de desenho na Associação Brasi- leira de Desenho, onde conheceu Ivan Serpa e Ubi Bava. FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II�0 UNIMES VIRTUAL Visitou a exposição no Ministério da Educação, e, acompanhado por Dom Gerardo, do Mosteiro de São Bento, teve contato com Arpad Szénes, um renomado pintor húngaro. A esposa de Szènes, a artista Maria Helena Viei- ra da Silva, estimulou a tomá-lo como aluno. Assim, Szènes o aceitou em seu ateliê. Freqüentou duas vezes por semana, à tarde, o ateliê de Arpd Szènes, no Grande Hotel Internacional, em Santa Teresa, onde conheceu Frank Acha- effer e outros. Em 1947, o casal Maria Helena e Arpad Szènes regressou à Europa após a guerra. Szènes deixou o pintor Leskossheck no hotel internacional e orien- tou seus alunos. Mavignier freqüentou por algum tempo o ateliê de Henri- que Boëser. A gravadora Rennina Katz apresentou a Mavignier um amigo brasileiro re- cém-chegado de Israel, Abraham Palatnik. Em 1948, Mavignier, Ivan Serpa e Palatinik, formaram um grupo de artistas. A primeira exposição do Engenho de Dentro no Ministério da Educação atraiu o crítico Mário Pedrosa, que ficou encantado com as obras expostas. “Minha grande escola de arte foi o Engenho de Dentro, porque percebi as fontes da criatividade, o nascedouro da criação, e aprendi humanamente a respeitar as pessoas”. Com cartas de recomendação de Rubem Navarra, Santa Rosa, Alvim Cor- rêa e Antonio Bento, candidataram-se à Bolsa do Governo Francês no ano de 1949. Em outubro do mesmo ano, realizou em São Paulo, no Museu de Arte Mo- derna, na gestão de Louruval Gomes Machado, a exposição dos Alienados do Centro Psiquiátrico Nacional de Engenho de Dentro. Em 1950, Mavig- nier, Mário Pedrosa, Mary Vieira e Palatinik vieram a São Paulo para ver a retrospectiva de Max Bill no Museu de Arte de São Paulo, que influenciou a geração de jovens artistas no Brasil. Em novembro deste mesmo ano, ele elaborou sua primeira exposição in- dividual no Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), Rio de Janeiro, com pinturas figurativas e onze trabalhos abstratos, o que totalizou vinte e dois óleos, três aquarelas e um desenho e textos de Mario Pedrosa. Em 1951, realizou outra exposição individual, mas apenas com pinturas abstratas, no Museu de Arte de São Paulo com apresentação de Mário Pedrosa. FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II �1 UNIMES VIRTUAL Neste mesmo ano, participou da Bienal de São Paulo (MASP). Em novembro, Mavignier partiu para Paris com a bolsa do governo francês. Freqüentou o ateliê da Grande Chaumière. Trabalhou no ateliê do abstrato Dewasne, onde iniciou seu estilo concreto. Mavignier diria: “Não são pontos, são partículas, quantidade de pigmentos”. Figura 1 Cruzamento de duas linhas – primeira pintura com “pontos” – óleo s/ tela 90 x 90 cm 1954, coleção privada. Figura 2 Cruzamento sobre verde – óleo s/ tela 100 x 100 cm 1961,coleção privada. Mergulhar nos trabalhos de Mavignier não é uma tarefa árdua. Tentar per- correr seus momentos é extremamente difícil. Depois, observando atentamente algumas de suas obras, notamos a pre- cisão, simetria, coesão e tantos outros valores estéticos para se chegar à simplicidade. FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II�2 UNIMES VIRTUAL Assim, com a técnica da aquarela elaboram-se trabalhos inspirados em Mavignier. A tentativa de expressar vitalidade, como são as obras de Ma- vignier, mais a poesia da aquarela, por vezes as deixou orgânicas demais. Figura 3 Rubens de Souza, sem título, aquarela s/ papel, 2002. Figura � Rubens de Souza, sem título, aquarela s/ papel, 2002. Até o próximo encontro! FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II �3 UNIMES VIRTUAL Aula: 10 Temática: Impressionismo Na aula anterior observamos a história de um importante ar- tista brasileiro pouco comentado. Mavignier também atuou na área gráfica e seus cartazes são um deleite à parte. Veri- fique que há uma predominância do construtivismo na composição visual dos cartazes. Figura 1 Para ele, pintura e cartaz são objetos autônomos, independentes da natu- reza, o que justifica o fato de sua obra ser totalmente abstrata. A elabora- ção dos cartazes ocorria do mesmo modo. A tipografia assumia valor diferenciado daquilo que normalmente poderia ser visto na comunicação visual. Ela era um elemento essencial da com- posição visual. Outra curiosa particularidade é que a tipologia utilizada era sempre em “Helvética Médium”. Ao observar os cartazes de Mavignier, as tipologias serifadas parecem não encaixar. Principalmente com o advento do computador, em que se conse- gue uma infinidade de tipos de letras, percebemos que desde seu primeiro cartaz até o último elaborado, este padrão é invariável. FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II�� UNIMES VIRTUAL “Fiz uma doação de cartazes ao Museu de Arte Moderna de São Paulo. Examine-os com uma luva nas mãos...” (Mavignier) Assim, seus cartazes assumiram caráter moderno. Mavignier raramente concordaria com a palavra intervenção. Ao contrário disso, sempre se preocupou em elaborar peças gráficas que complemen- tam ao objetivoque se pretende. As repetições regulares dos pontos ou elementos visuais figurativos estão presentes também em suas obras. O pontilhismo abstrato-geométrico é vastamente explorado, ora por figuras geométricas, ora por tipologias. As cores, quando utilizadas, seguem ao mesmo propósito da economia com extrema sutileza. A justa medida é sua marca. Figura 2 Dois quadrados concêntricos, óleo s/ tela, 150 X 150 cm, de Almir Mavig- nier, 1973. Observe que, para pintar esta tela, Mavignier aplicou no fun- do a cor preta, e, somente com pontilhismo, representou dois quadrados. Reparem que, em 1888, Georges Seurat pintou uma obra denominada As modelos, e, para tanto, utilizou a técnica de pontilhismo, que era uma vertente do período do Impressionismo. Veja: FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II �� UNIMES VIRTUAL Figura 3 Georges Seurat, As modelos, óleo s/ tela, 39,4 X 48,7 cm, 1888. Salientamos que a utilização das cores não são as mesmas. Mavignier usa as cores complementares em muitos momentos e seu estilo está for- temente alicerçado no Construtivismo. Seurat procurou seguir o diagrama utilizado em sua época. Figura � Diagrama cromático de Charles Blanc (1813 – 1882) A investigação nos conduz para novas reflexões sobre as técnicas utiliza- das por Mavignier e outros artistas. A partir dos conhecimentos historica- mente acumulados é que podemos desenvolver um repertório próprio. FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II�� UNIMES VIRTUAL Vivenciar algumas técnicas é um bom exercício para a criação de novos resultados. Lembrete: Impressionismo: As raízes da arte moderna estão no Impressionismo. De quinze de abril a quinze de maio de 1874, um grupo de jovens fez uma ex- posição coletiva no atelier do fotógrafo Nadar (Felix Tounachon), no Boule- vard dos Capucines, 54, Paris. Tratava-se de Claude Monet, Pierre Auguste Renoir, Edgard Degas, Camile Pissaro, Alfred Sisley etc. A exposição não foi aceita, pois estranharam a originalidade do desenho e da cor. Louis Leroy (crítico) do Lê Charivari (jornal) criticou “Impression Soleil Levant” (quadro de Monet). “Não querem, por preguiça e incapacidade, terminar seus desenhos; contentam-se com manchas e borrões impres- sionistas...” Seus princípios foram: amplas pinceladas; a cor preta é retirada da palheta; a cor não é constante (saem do atelier para pintar ao ar livre); tudo é banho de sol; a linha não existe na natureza, a forma é dada pela cor; contraste de cor; mistura ótica das cores; não imitam modelos clássicos da antigüidade; atitude não emotiva. Procure pesquisar mais a respeito. Há muito a ser descober- to. Se houver dúvidas, envie-as para a tutoria. Até a próxima aula! FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II �� UNIMES VIRTUAL Aula: 11 Temática: Guache I Estudamos, na aula anterior, as realizações de Mavignier, sua pesquisa com a tinta a óleo e a utilização de critérios estéticos bem definidos na arte gráfica. Hoje estudaremos algumas técnicas que você poderá usar em suas criações. Um ótimo trabalho para você! Tinta guache A tinta guache pode ser usada em camadas grossas ou finas, o que vai depender da quantidade de água utilizada. Desse modo, é possível alterar a opacidade da cor e transformar camadas de cores espessas em cama- das transparentes. A tinta guache é muito versátil e pode ser utilizada em vários suportes. Qualquer superfície que não seja oleosa aceita a tinta guache. Os papéis de maior gramatura são mais aconselhados, pois suportam a água. No entanto, há papéis especiais para as técnicas molhadas. Os pin- céis utilizados na aquarela também servem para a técnica com guache. Em algum momento, ou outro, se estiver usando uma tinta muito pastosa é indicado um pincel com cerdas mais resistentes. Muitos pintores famo- sos utilizaram essa técnica. Para um primeiro trabalho com guache, escolha um motivo simples para que você possa testar várias maneiras de utilizar a tinta. Figura 1 Trabalho feito por aluno. Guache s/ papel. FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II�� UNIMES VIRTUAL Neste trabalho o aluno utilizou o guache não tão espesso, de forma que podemos enxergar as marcas das pinceladas ao depositar a tinta. Depen- dendo da proposta, isso pode apresentar um efeito interessante. Figura 2 Trabalho feito por aluna. Guache e lápis de cor s/ papel. Na figura 2, a aluna apresentou um resultado surpreendente. Utilizou uma camada mais espessa de tinta guache na cor preta para pintar o vestido. Para a pele, diluiu bem a tinta e aplicou de maneira uniforme. Depois de seco, marcou as sombras com lápis de cor, aproveitou e fez detalhes do rosto e fundo. O resultado ficou excelente. Figura 3 Trabalho elaborado por aluno. Guache s/ papel. Observamos na figura 3 que o aluno explorou a técnica de guache de ma- neira diferenciada, ou seja, trabalhou com a tinta bem diluída em água, e, com isso, conquistou um resultado “aveludado” que retirou a opacidade FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II �� UNIMES VIRTUAL da tinta e eliminou os contornos do desenho. As cores da aguada de gua- che organizam as formas do desenho. Lembrete: O guache é fabricado com pigmento em pó e goma-arábica que, atualmen- te, pode ser substituída por cola sintética. Como a aquarela, o guache pode ser diluído em água e isso permite resultados de transparências. As tintas são vendidas em tubos, frascos ou pastilhas. Existe uma grande variedade de cores. No entanto, é possível desenvolver excelentes tra- balhos com uma paleta determinada de cores. Esta paleta deve conter as seguintes cores: branco, amarelo–ocre, verde esmeralda, vermelho de cádmio, siena – queimada, sombra – natural, azul ultramar e preto. Até a próxima aula! FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II�0 UNIMES VIRTUAL Aula: 12 Temática: Guache II Vamos continuar a temática na aula anterior Figura 1 Ao escolher o tema para pintar com guache, será oportuno, antes, discutir a composição. Observe que na figura 1 os objetos estão simplesmente alinhados. Será oportuno criar uma triangulação na composição com os objetos. Observe: Figura 2 Há uma dinâmica muito maior nesta composição. O mamão é o maior ele- mento, portanto, equilibra-se com o copo (elemento mais alto) e a laranja. Figura 3 FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II �1 UNIMES VIRTUAL A tentativa é, a partir da assimetria, proporcionar equilíbrio. Observe, tam- bém, que algumas sobras foram assinaladas. Diante da composição, desenvolva o desenho. Bom trabalho! Até a próxima aula! FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II�2 UNIMES VIRTUAL Aula 13 Temática: Desenho e Pintura Agora, com o esboço já feito, iniciaremos a pintura com a tinta guache. Figura 1 Há uma dinâmica muito maior nesta composição. O mamão é o maior ele- mento, portanto, equilibra-se com o copo (elemento mais alto) e a laranja. Figura 2 No esboço, é possível deixar o sombreamento feito pelo lápis 6B, o gua- che, por ser mais espesso, tende a cobrir, ou, se usar a tinta mais transpa- rente, ele pode assumir um efeito interessante. Procure explorar a tinta guache de todas as maneiras possíveis. Pratique sua aplicação de forma opaca e também aguada transparente. Somente a prática lhe proporcionará a técnica mais adequada. Observe: FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II �3 UNIMES VIRTUAL Figura 3 Para alguma área escura do seu modelo não use a cor preta diretamente, ou seja, vá escurecendo aos poucos. Prepare uma solução de terra de sombra queimada e aplique cautelosamente com um pincel pêlo de marta número “0” ou “2”. Nesta aula verificamos os procedimentos para desenho e pintura com tinta guache. Ver em: http://www.emporiomichelangelo.com.br/canson.htm - último acesso em 13/11/2007 Até a próxima aula! http://www.emporiomichelangelo.com.br/canson.htm FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEMBIDIMENSIONAL II�� UNIMES VIRTUAL Aula: 1� Temática: Aquarela Continuação da aula anterior. Aquarela A aquarela é composta por pigmento e goma-arábica. Ela permite resulta- dos, como brilho, transparência, suavidade, luz e cor. Na aquarela, o papel é muito importante para obter resultados satisfató- rios. Existem vários fabricantes de aquarela; indicamos a marca Winsor e Newton por oferecerem vários tipos de boa qualidade e, indicamos, tam- bém, pincéis da marca tigre por serem bons e fáceis de encontrar no mer- cado. Figura 1 Alguns materiais utilizados em aquarela. Papéis para aquarela: Papel Arches Sua composição é de 100% de algodão, textura rugosa, brancura natural sem tratamento químico, ótima conservação ao longo do tempo, gramatu- ra: 300 g/m2 e disponíveis em bloco formato A4, rolos e folhas. Resistente às técnicas molhadas. FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II �� UNIMES VIRTUAL Papel Fontenay Ideal para aquarela, guache, tinta acrílica e lápis de cor. Mais indica3 de 50% de algodão, brancura natural, disponível em folhas de 55 X 75 cm com 300 g/m2. Papel Montval Ideal para técnicas molhadas, composição de 100% de celulose, textura fina, brancura natural, disponíveis em blocos formato ofício, folhas de 55 X 75 cm e rolos com 1,52 X 10 m. em gramatura de 300 g/m2. Naturalmente, há outros tipos similares, nacionais ou importados. Pinceladas básicas Tente executar diferentes tipos de pincelada: largas e finas, retas e curvas, compridas e curtas. Figura 2 Nesta aguada foi aplicado um grafismo com “vela”. A cera da vela imper- meabiliza o papel fazendo com que a tinta não penetre. Assim, é possível deixar áreas iluminadas. Figura 3 Úmido sobre úmido – Com uma esponja ou pincel limpo, molhe a folha, e, em seguida, aplique normalmente a aguada. Essa técnica requer habilida- de em que não ocorra contraste brusco. FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II�� UNIMES VIRTUAL Figura � Observe que na técnica úmido sobre úmido é conquistado um dégradé uniforme e a tinta percorre somente onde está a água. Salientamos que, quando há água em demasia, o pigmento tende a ficar nas bordas da man- cha de água. Isso pode ser um erro ou um efeito. Figura � Vincar partes do desenho com um objeto pontiagudo oferece bons resulta- dos. Ao sobrepor novamente à tinta, ela fica depositada no vinco, forman- do uma linha, um contorno. Figura � Depois de seca a aguada, você pode sobrepor o lápis aquarelável. Assim, a textura do papel ficará mais saliente. FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II �� UNIMES VIRTUAL Figura � Outro recurso é pintar com lápis aquarelável antes de umedecer ou aplicar aguada. Figura � Após ter pintado com o lápis aquarelável, passe o pincel limpo e umede- cido. Figura � Rubens de Souza, Sem título, técmica mista s/ papel 2001. Únido sobre úmido Ilustração digital de peixes (repetição de imagens) Pintura em aquarela do peixe Aguarda espessa de aquarela liquída FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II�� UNIMES VIRTUAL Verifique: http://www.charlesreidart.com/ - último acesso em 13/09/2007 Até a próxima aula! http://www.charlesreidart.com/ FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II �� UNIMES VIRTUAL Aula: 1� Temática: Técnicas com lápis de grafite O lápis de grafite oferece recursos surpreendentes, quando é possível se apropriar de algumas de suas técnicas. Inicialmente, será necessário conhecer melhor o lápis. Também chamado de grafita, sua composição provém do carbono. Além de sua utilização na indústria, por ser condutor de eletricidade e apresentar características lubrificantes, é usado dentro do lápis. Podemos classificar os lápis em: Duros, médios e macios. Duros H 2H 3H 4H 5H 6H 7H 8H Usados na litografia* ou desenhos em papéis de superfície dura, como papel vegetal. *Litografia – Processo de reprodução que consiste em imprimir sobre o papel por meio de prensa um escrito ou um desenho. Médio HB Uso comum Macio 2B 3B 4B 5B 6B 7B 8B 9B Usado para desenho e sombreamento por ter a mina de grafite macia. Materiais: Lápis de grafite, borracha limpa (tipo de máquina de escrever) ou miolo de pão, fixador e pó de grafite. FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II�0 UNIMES VIRTUAL Papel: vários papéis são indicados para desenhar com grafite, porém aconselhamos o papel Arches 300 gramas, fosco, por ter uma textura su- til. Assim, valoriza-se mais o tratamento feito com o próprio lápis. Um exercício importante será a escala tonal. Os desenhos figurativos são feitos com grafite, pois o sombreamento é um critério precioso. Figura 1 Observe que os volumes são definidos a partir do sombreamento. Uma técnica bastante eficaz é trabalhar com a máscara para aerógrafo. Essa máscara é vendida em lojas especiais de materiais artísticos e sua utilização é simples. Você deve desenhar numa folha o seu tema. Em seguida, cole a máscara sobre a folha inteira. É importante dizer que a máscara possui uma cola suficiente e não danifica a folha de papel ou mesmo o desenho que está sendo desenvolvido. Com um estilete, deve-se recortar o entorno do desenho. Atenção, o corte com o estilete deve ser preciso, ou seja, você deve cercar a linha que contor- na o desenho, e, ainda, deve ter uma pressão suficiente para cortar somente a máscara. Se houver força demais, a folha pode ser cortada junto. Retire somente a parte da máscara que está sobre o desenho feito e guarde-a. Inicie normalmente o sombreamento. Figura 2 Retire a máscara e guarde-o FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II �1 UNIMES VIRTUAL Depois de terminado o sombreamento interno, ou seja, da figura, iremos dar tratamento ao fundo. Para tanto, será necessário recolocar a máscara na figura, cuidadosamente, e retirar a máscara do fundo. Assim, você po- derá dar o tratamento ao fundo sem danificar o sombreamento da figura. Normalmente, o fundo é uma área maior e dominar o valor tonal uniforme, às vezes, é uma tarefa árdua. Com o pó de grafite deve ficar mais fácil. Aplique com uma flanela, e não com os dedos, pois a mão humana libera gordura e, em certa medida, interfere na aderência entre a grafite e o papel, o que provoca manchas. Portanto, a flanela elimina essa possibilidade. Vagarosamente, e com movimentos longitudinais, deposite o pó de grafite de modo que possa fazer um efeito tonal respeitando a direção da luz que foi determinada na figura. Terminado o fundo, retire com cautela a máscara. Com um fixador de ver- niz fosco ou brilhante, e numa distância de no mínimo 30 cm, esborrife o verniz em movimentos giratórios para que não acumule em determinados pontos. Até a próxima aula! FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II�2 UNIMES VIRTUAL Resumo - Unidade II Esta unidade apresentou a importância da pesquisa, o que pressupõe a existência de três etapas essenciais: ver, fazer e ler. Vimos, inclusive, as etapas para elaborar um bom pro- jeto a partir da decisão do tema, do levantamento de hipóteses, bem como o registro de todos os avanços e, por fim, a vivência do tema. Vimos a forte presença do construtivismo, que predominou na composi- ção de cartazes; o diagrama cromático de Charles Blanc e algumas das principais características do impressionismo. Foram citadas algumas técnicas para o uso da tinta guache, a qual pode ser aplicada em vários suportes desde que a superfície não seja oleosa. Vimos como utilizar a tinta de acordo com o efeito que se pretende atingir, ou seja, ressaltar detalhes do rosto ou do fundo, organizar as formas do desenho ou mesmo obter um resultado aveludado ou de transparências. Vimos que, numa composição, a triangulação é uma tentativa de, a partir da assimetria de formas, proporcionar equilíbrio. Vimos que a aquarela permite resultados, como brilho, transparência, su- avidade, luz e cor, bem como as indicações de papéis. Você aprendeuque algumas áreas podem se tornar mais iluminadas por meio do grafismo com vela e aprendeu também como utilizar a técnica úmido sobre úmido. Por fim, vimos algumas possibilidades de utilização do lápis grafite, bem como os materiais mais indicados para se trabalhar com essa técnica. Referências Bibliográficas MOTTA, E. Iniciação à pintura. 3 ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1989. PEDROSA, I. O universo da cor. Rio de Janeiro: Senac, 2003. _________________. Da cor à cor inexistente. Rio de Janeiro: Ediouro, 1999. FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II �3 UNIMES VIRTUAL MAYER, R. Manual do artista. São Paulo: Martins Fontes, 1999. GUIMARÃES, L. A cor como informação. São Paulo: Annablueme, 2000. ARNHEIM, R. Arte e Percepção Visual. 12 ed. São Paulo: EDUSP, 1998. FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II�� UNIMES VIRTUAL Exercício de auto-avaliação II 1) Os princípios Impressionistas foram: Amplas pinceladas; a cor preta é retirada da palheta; a cor não é constante (saem do atelier para pintar ao ar livre); tudo é banho de sol; a linha não existe na natureza, a forma é dada pela cor; contraste de cor; mistura ótica das cores; não imitam modelos clássicos da antigüidade; atitude não emotiva. Utilizar a tinta aquarelável. Utilizar o lápis 6 B e tinta aquarelável. Amplas pinceladas; a cor preta é retirada da palheta; tudo é luz, porém não é possível pintar sem traçar a linha. 2) O guache é fabricado com: Pigmentos naturais. Pigmento em pó e goma-arábica, que, atualmente, pode ser substituído por cola sintética. Pigmentos de diferentes materiais. A base de água. 3) Claude Monet, Pierre Auguste Renoir, Edgard Degas, Camile Pissaro são pintores: Impressionistas. Surrealistas. Que pintaram com tinta guache e aquarela. São escultures. �) Qual a melhor dinâmica compositiva? a) b) c) d) a) b) c) d) a) b) c) d) FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II �� UNIMES VIRTUAL �) O indicado para pintura em aquarela é: Papel de alta gramatura e pincéis de pêlo macio. Qualquer papel e pinceladas largas. Pincéis e qualquer tinta. N. D. A. a) b) c) d) FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II�� UNIMES VIRTUAL FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II �� UNIMES VIRTUAL Unidade III A Perspectiva na Arte Objetivos Permitir que o aluno perceba e domine diversas técnicas artísticas por meio de observação, releitura e produção a fim de aprimorar sua prática expressiva. Fa- zer com que o aluno reconheça as contribuições das vanguardas, bem como as composições que se utilizam de textos. Plano de Estudo Esta unidade conta com as seguintes aulas: Aula: 1� - Perspectiva I Aula: 1� - Perspectiva II Aula: 1� - Perspectiva III Aula: 1� - Vanguardas Aula: 20 - Composições com texto FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II�� UNIMES VIRTUAL Aula: 1� Temática: Perspectiva I Os psicólogos da percepção são unânimes em afirmar que a maioria absoluta das informações que o homem recebe lhe vem por imagens. O homem de hoje é um ser predominantemente visual. Alguns chegam à exa- tidão do número: oitenta por cento dos estímulos se- riam visuais. Sabe-se que a relação do olho com o cérebro é ínti- ma, estrutural. Sistema nervoso central e órgãos vi- suais externos estão ligados pelos nervos óticos, de tal sorte que a estrutura celular da retina nada mais é que uma expansão diferenciada da estrutura celular do cérebro. O anatomista norte-americano Stephen Poliak chegou a admitir a hipótese revolucionária de que o tecido ce- rebral resultou de uma evolução dos olhos em peque- nos organismos aquáticos que viveram há mais de um bilhão de anos atrás. Quer dizer: não foi o cérebro que se estendeu até a formação do órgão visual, mas, ao contrário, foi o olho que se complicou extraordi- nariamente dando origem ao córtex onde, supõe-se, estaria a sede da visualidade. (BOSI, 1998, p. 65) Ao pensar sobre as reflexões de Bosi, imagino os aspectos ilusórios que permeiam as representações bidimensionais. Portanto, tais representações são essencialmente criações do homem. O desenho, a pintura, a impressão, o tingimento ou mesmo a escrita são atividades que remetem ao elenco de imagens bidimensio- nais. Por vezes, vemos as coisas tridimensionais, como bidimensionais, como uma paisagem que apreciamos apenas por sua beleza pictórica. Com o advento das tecnologias, uma câmera capta o real que nos cerca, a par- tir de suas lentes, e o reproduz em imagens planas. Mesmo a televisão e seus conteúdos animados transmitem as imagens para uma superfície determinada. É pelo olhar humano que o mundo bidimensional ganha sig- nificado. No entanto, o mundo que vivemos é tridimensional, ou seja, há a relação de altura, largura e comprimento. O que vemos à nossa frente não é uma imagem plana, mas possui profundidade física, a terceira dimensão. Quando pegamos um objeto qualquer e o giramos, percebemos diferentes FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II �� UNIMES VIRTUAL formatos que se revelam em nossos olhos. Assim, as representações tridimensionais apresentam vários métodos de desenho. Os principais são as projeções ortogonais, a axonometria e a perspectiva. Projeção ortogonal: As diversas faces de um objeto são projetadas sobre três planos perpendiculares, o que oferece todos os elementos métricos daquele objeto. Figura 1 P. H. = Plano Horizontal; P.V. = Plano Vertical e P.L. = Plano Lateral Figura 2 As vistas que surgem a partir da perspectiva isométrica são: • Elevação • Planta • Lateral esquerda. FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II�0 UNIMES VIRTUAL Figura 3 Exemplo de projeção ortogonal Axonometria: Trata-se de um procedimento da geometria descritiva que permite definir, sobre um plano, a visão de três dimensões de um corpo sólido, orientado segundo três eixos “X”, “Y” e “Z”, sem alterações de medidas. É um método de desenho técnico indispensável para qualquer projeto. Figura � Exemplo de representação axonométrica. FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II �1 UNIMES VIRTUAL Perspectiva: Método de construção geométrica que permite representar, graficamente sobre um plano, imagem correspondente às que podem ser visualizadas diretamente a partir de um ponto de vista. Sua representação, portanto, não serve para descrever fielmente as características métricas de um objeto, mas para visualizá-lo, ou seja, mostrar como ele se coloca no espaço (para visão externas) ou o tipo de espaço que define (para visão interna). Apesar de ser um método objetivo, apresenta peculiaridades. Cada visão diz respeito à impressão volumétrica e espacial de um objeto. Este tipo de representação é muito utilizado nos projetos de arquitetura. Nas artes é utilizado para definir, normalmente, espaço figurativo, ou seja, para a organização espacial da representação pictórica na sua infinita va- riedade de temas. Conhecida e formalizada desde a Antigüidade, como revelam, por exem- plo, as escavações de Pompéia e também os tratados de Euclídes, seu estudo foi abandonado durante a Idade Média e foi retomado, de modo aprofundado, no século XV, principalmente em Florença. Além das inúme- ras pinturas de estrutura perspectiva, o Renascimento florentino nos legou obras teóricas fundamentais. Figura � Figura � Perspectiva linear com um ponto de fuga FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II�2 UNIMES VIRTUAL Figura � Perspectiva linear com 2 pontos de fuga. Estudamos a representação bi e tridimensional. Assim, a perspectiva se torna uma importante representação gráfica por identificar aspectos que mesmo a fotográfica não pode- ria mostrar. Esse tipo de representação é vastamente utilizado na lingua- gem técnica e artística. Até o próximo encontro FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II �3 UNIMES VIRTUAL Aula: 1� Temática: Perspectiva II Como foi estudada na aula anterior, a perspectivaé um método de construção geométrica que permite representar graficamente, sobre um plano, imagem correspondente à que pode ser visualizada diretamente a partir de um ponto de vista. Sua representação, portanto, não serve para descrever fielmente as caracte- rísticas métricas de um objeto, mas para visualizá-lo. Nas artes é utilizado para definir, normalmente, espaço figurativo. tUm importante artista que utilizou o recurso da perspectiva foi Maurits Cornelis Escher, artista gráfico holandês conhecido pelas suas xilogravu- ras, litografias e meios-tons, que tendem a representar construções im- possíveis, preenchimento regular do plano, explorações do infinito e as metamorfoses - padrões geométricos entrecruzados que se transformam gradualmente para formas completamente diferentes. Figura 1 Escher, Ascendente e descendente. FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II�� UNIMES VIRTUAL Figura 2 Escher, Relatividade. Figura 2 Escher, Balcony. A cor ou o valor de claro ou escuro é o que mais fácil distingue uma forma de seu meio; pode ser natural ou artificial. FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II �� UNIMES VIRTUAL Figura 3 Ilustração com dois pontos de fuga elaborada por aluno. Exercício Desenhe um sólido geométrico com um ponto de fuga, e, com lápis de colorir, pinte suas sombras. Figura � Em uma folha desenhe a linha do horizonte e marque seu ponto de fuga. Todas as linhas inclinadas sairão desse ponto de fuga. Portanto, não crie outros pontos de fuga. Figura � Linha do horizonte Ponte de fuga FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II�� UNIMES VIRTUAL Desenhe um retângulo acima da linha do horizonte e um quadrado abaixo da linha do horizonte. Os vértices dos quadriláteros unidos ao ponto de fuga. Figura � Figura � Trace a linha do horizonte, marque os dois pontos de fuga. Em seguida, desenhe uma linha perpendicular acima e abaixo da linha do horizonte. Figura � Linha do horizonte Ponte de fuga Linha do horizonte Linha do horizonte Perpendicular FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II �� UNIMES VIRTUAL Una as extremidades dos segmentos de reta aos pontos de fuga. Lembre- se de que só teremos linhas perpendiculares e linhas inclinadas. Todas as linhas inclinadas partem dos pontos de fuga. Figura � Em qualquer distância, trace uma perpendicular à direita e outra à esquer- da do segmento de reta. Observe o desenho. Atenção: as duas novas li- nhas devem ser perpendiculares. Caso contrário, o desenho sairá errado. Figura 10 Para finalizar, basta unir as extremidades superiores das últimas perpendi- culares traçadas ao ponto de fuga (as linhas representadas na cor azul), no caso do desenho abaixo da linha do horizonte. Com o desenho acima da linha do horizonte, você fará o mesmo procedimento, porém terá de unir as extremidades inferiores. Observe que você vê a base superior do sólido geométrico que está abaixo da linha do horizonte e a base inferior do sólido que está acima da linha do horizonte. Linha do horizonte Perpendicular Linha do horizonte Perpendicular FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II�� UNIMES VIRTUAL Figura 11 Este sólido geométrico servirá de estrutura para você criar diferentes objetos. Exemplo: a fachada de um prédio, o desenho de uma TV e outros. Tente criar o seu. Visite: http://www.worldofescher.com/gallery/ - último acesso em 13/09/2007. Estudamos sobre a representação bi e tridimensional. As- sim, a perspectiva se torna uma importante representação gráfica por identificar aspectos que mesmo a fotográfica não poderia mostrar. Esse tipo de representação é vastamente utilizado na linguagem técnica e artística. Até o próximo encontro! Linha do horizonte FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II �� UNIMES VIRTUAL Aula: 1� Temática: Perspectiva III Como foi estudada na aula anterior, a perspectiva é um mé- todo de construção geométrica que permite representar, graficamente sobre um plano, imagem correspondente à que pode ser visualizada diretamente a partir de um ponto de vista. Sua representação, portanto, não serve para descrever fielmente as caracte- rísticas métricas de um objeto, mas para visualizá-lo. Nas artes é utilizado para definir, normalmente, espaço figurativo. Em determinados momentos, é preciso colorizar algumas dessas ilustra- ções. Isso pode ser feito com diferentes técnicas ilustrativas. No entanto, as técnicas secas (lápis de cor, lápis de grafite, giz pastel seco, pastel ole- oso, carvão, sanguina e outros) são as mais indicadas por proporcionarem precisão na aplicação das cores. Figura 1 Linha do horizonte Estrutura Inicial FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II�0 UNIMES VIRTUAL Ilustração feita por uma aluna. O desenho foi iniciado pela perspectiva linear com dois pontos de fuga. O tratamento feito foi com lápis de grafite 4B, para as áreas mais claras, e 6B para as escuras. O lápis de cor oferece resultados excelentes quando bem aplicado. Exis- tem vários fabricantes, nacionais e importados, mas recomenda-se a mar- ca Fabber Castel. Basicamente, há dois tipos: o lápis de cor normal e os lápis de cor Albrecht Dürer têm minas aquareláveis que possuem uma formulação especialmente desenvolvida com matérias-primas que permite solubilizar por completo o traço ao ser utilizado um pincel umedecido em água, o que possibilita criar efeitos de aquarela. Sua mina possui pigmentos resistentes à luz, tem diâmetro de 3,8 mm e proporciona alta deposição de cor no papel. A resistência é indicada no corpo do lápis e algumas cores resistem mais de cem anos. Para o uso em técnica mista de desenho e pintura, os lápis de cor aquareláveis possuem, como característica, alta concentração de pigmentos e total solubilidade das cores. Figura 2 O ideal é apontar o lápis de cor com um estilete. Normalmente, sua mina é muito macia. O apontador convencional pode danificar a ponta, que pode quebrar constantemente. Assim, retire, com o estilete, farpas finas e com- pridas da madeira do lápis, golpeando com um estilete e girando para ca- var até encontrar a mina. A ponta da mina pode ser afiada ou chanfrada. Particularmente, prefiro as minas chanfradas, pois o lado do chanfro pro- porciona uma face que chapa na folha de papel e deposita a cera colorida e sua ponta permite traços finos e delicados. Chanfro FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II �1 UNIMES VIRTUAL Figura 3 Alguns professores defendem que, ao colorir com lápis de cor, é necessá- rio manter um único sentido de vai-e-vem com o lápis. Acredito que a cera da mina colorida deva ser depositada no papel sem falhas e sem riscos para que a superfície fique uniforme ou tenha graduação tonal. Para tanto, todos os sentidos feitos do movimento vai-e-vem são importantes no re- sultado. Evidentemente, preferimos o sentido longitudinal das superfícies maiores, que serão coloridas. Figura � Com a ponta do chanfro na mina é possível fazer traços finos. FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II�2 UNIMES VIRTUAL Figura � Ilustração feita com lápis de cor. Sites: http://www.worldofescher.com/gallery/ - último acesso em 13/09/2007 Até o próximo encontro! http://www.worldofescher.com/gallery/ FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II �3 UNIMES VIRTUAL Aula 1� Temática: Vanguardas No início dessa unidade fizemos algumas reflexões sobre as identidades do pós-moderno. Sendo assim, vale salientar que as vanguardas artísticas caminharam para a reconstru- ção da realidade. Esse fenômeno inicia na primeira década do século XX e apresenta a crise da representação, ou seja, a crise da figuração. Até então, tínhamos a imitação da natureza, a verossimilhança, herdada pela cultura greco-romana e egípcia. Tal costume se dá apenas no ociden- te. No islamismo, por exemplo, os valores estéticos são outros; há proibi-ção de imagens figurativas. No Japão, as tipologias desenhadas à mão, a partir de golpes gestuais, assumiam importante valor estético. Desta forma, a expressão do indivíduo gera novos movimentos, ou seja, é ingrediente subjetivo para a arte. As vanguardas promoveram uma ruptura, bem como novas linguagens e um debate cultural. Então, surgiu a autonomização do objeto de artes. As raízes dessa ruptura são encontradas na obra de Paul Cézanne. Visite o site indicado para visualizara tela Natureza morta com cebolas e garrafas de Paul Cézanne, 1895 – 1900, além de outras telas: http://blogdasabedoria.blogspot.com/2006/01/gnios-da-pintura.html - últi- mo acesso em 14/09/2007. A abstração inicia com novas reflexões sobre valor tonal e volume, linha, cor, ritmo. Esses e outros elementos da composição visual somente são importantes quando agregam valores psicológicos. Observe a obra a seguir: http://blogdasabedoria.blogspot.com/2006/01/gnios-da-pintura.html FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II�� UNIMES VIRTUAL Figura 1 Henri Matisse. Retrato com linha verde, 1905. Note que nesta obra Matisse deixa as pinceladas da tinta aparecerem de forma gestual. Ele se liberta do pontilhismo, como técnica de pintura, e sua representação já não se enquadra no estilo cubista. Matisse, que instintivamente identificava a perfeição contida na simplici- dade, recusou as lições teóricas e científicas sobre os efeitos óticos e as cores complementares; confiou unicamente em sua sensibilidade e alcan- çou resultados notavelmente bem-sucedidos. Buscar tais investigações pode ser um caminho repleto de novas possibi- lidades. Estudamos que a arte moderna e a pintura de Cézanne iden- tificam novos paradigmas nos quais as formas são simpli- ficadas e delineadas com contornos escuros, a perspectiva é “incorreta” e as distorções são deliberadas. Matisse, com ousadas ma- tizes, identificou o espírito de uma nova pintura. Lembrete: Fauvismo: 1905, Paris - jovens pintores, como Henri Matisse, Raoul Dufy, Marquet, Maurice Vlaminck e outros. FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II �� UNIMES VIRTUAL Impulsos vitais em cores puras sem misturas: vermelho, azul e verde que pareciam doer os olhos. Princípios Fauvistas: Formas simples; cores puras; modulado; arte elementar ingênua livre de intelectualismo. Envie comentários para a tutoria. Até a próxima aula! FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II�� UNIMES VIRTUAL Aula: 20 Temática: Composição com Texto A composição visual também trabalha com o texto. A im- prensa consistiu em uma grande invenção para a humani- dade, pois foi possível ampliar o número de cópias de dife- rentes temas e livros que distribuíam as informações. Estas cópias eram reproduzidas com precisão e provocaram a diminuição do analfabetismo, sobretudo nos grandes centros urbanos do mundo ocidental. Desta forma, foi possível criar folhetins, cartazes, jornais etc. O processo de composição tipográfica classifica-se em composição manu- al e mecânica. O manual fundamentalmente não mudou desde os métodos usados por Gutenberg: reúne um tipo ao outro, utilizando-se um compone- dor, um utensílio feito de madeira ou metal, que consiste numa lâmina fixa com rebordos em ângulo reto e um cursor no qual o tipógrafo vai juntando à mão, um a um, os caracteres que irão montar as linhas de composição, formando as palavras, que por sua vez constituem as linhas e os trechos de textos organizados até resultarem nas páginas. Observe a ilustração de um tipo móvel utilizado na composição: Figura 1 O tipo O tipo é um bloco de metal fundido que apresenta, em uma das faces, a gravação em relevo de determinado sinal de escrita (letra, vírgula etc.) para ser produzida por intermédio de impressão. FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II �� UNIMES VIRTUAL Os caracteres ou tipos usados na tipografia apresentam variedades de tipologia1. A composição mecânica identifica duas espécies: as máquinas que com- põem e fundem letra por letra (monotipo), e as que compõem e fundem li- nha por linha (linotipo, typograph). O monotipo foi uma máquina inventada por Ottmar Mergenthaler em 1890, na Alemanha; este sistema revolucio- nou as artes gráficas da época, pois o processo de composição de textos passou por grande impulso. Seu funcionamento necessitava de apenas um operador para obter o texto. A linotipadora divide-se em três partes distintas: composição, fundição e teclado acoplado à máquina. Suas matrizes são executadas em baixo-re- levo e correspondem a letras, algarismos, sinais etc. O comando enviado pelo teclado desloca as matrizes para o componedor que se posiciona em frente a um cadinho2 por onde corre o chumbo em fusão; este enche as matrizes e funde os tipos. Figura 2 Linotipo Máquina composta de um teclado, como o da máquina de escrever, que funde em bloco cada linha de caracteres tipográficos. 1 Coleção dos caracteres tipográficos usados em determinado trabalho gráfico. 2 Vaso de material resistente ao fogo, geralmente em formato de tronco de cone, usado para fundir. FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II�� UNIMES VIRTUAL A composição de texto a frio originou-se de um processo fotográfico denominado fotocomposição3. É vastamente utilizada, por sua rapidez e funcionalidade na composição de textos em tamanhos de letras (corpo) menores, e apresenta limitações, porém, nas composições de palavras em corpos maiores. A decalco-composição4 foi uma grande aliada da fotocomposição, princi- palmente para as palavras compostas por caracteres maiores. A partir do espacejamento óptico consegue-se maior plástica nos leiautes criados. Os milhares de conjuntos de caracteres imaginados ainda são analisados por famílias de caracteres ou tipologias, e estes novos tipos apresentam diferentes possibilidades com variação nas inclinações, espessuras e lar- guras em suas hastes. O estudo que avalia as características da tipologia é a tipometria, que tem o ponto tipográfico5 como unidade elementar de medição, que é a relação proporcional do corpo de uma tipologia. Figura 3 Os programas de edição de texto executados pelo computador permitem grandes possibilidades de uso e enorme maleabilidade de acesso à infor- mação com o advento da microinformática Lembrete: Alguns registros do surgimento da imprensa são encontrados em diferen- tes épocas na história da humanidade, mas pode-se fixar como data exata o ano de 1455, quando o primeiro livro foi produzido por prensa que usava 3 Composição mecânica a frio, mediante emprego de matrizes planas gravadas em filmes, fitas magnéticas ou perfuradas e que, por meios fotográficos ou eletrônicos, produz tex- tos destinados à impressão fornecidos em suportes de filmes ou papel. 4 Processo de transferência de letras auto-adesivas por meio de fricção sob um suporte plano de papel. 5 Unidade mínima dos sistemas tipográficos de medidas equivalentes a 0,3759 mm. FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II �� UNIMES VIRTUAL tipos móveis6 fundidos em metal. Exatamente na cidade de Mainz, na Ale- manha, Johann Gutenberg criou, de forma tosca, o meio original para fazer tipos móveis. Sua idéia nasceu a partir da criação de tipos (moldes para cada letra), elaborados minuciosamente em aço. Com liga metálica, ele conseguiu multiplicar quantidades necessárias de tipos para compor várias palavras, e, por meio de uma bandeja que era suporte para fixar e alinhar os mol- des, molhava os tipos com tinta e imprimia repetidas vezes a informação elaborada. Adaptando uma prensa de espremer uvas para vinho, imprimia-se no per- gaminho ou no papel. As imagens nítidas começaram a sair, e, a seguir, confeccionaram-se 200 exemplares da Bíblia. No século XVI, a tipografia7 proliferou, fundamentalmente, na Europa, quando foram impressos milhares de exemplares de livros. Este proces- so de impressão tornou-se relevante, não somentepelo domínio técnico como pelas informações impressas em diferentes línguas além do latim. Se, por um lado, a Igreja Romana não dominava mais os conteúdos sa- grados graças a essa nova tecnologia que os disseminou em traduções em vários idiomas, por outro lado, a sua autoridade começava a ser ques- tionada. As várias interpretações traduzidas e reeditadas abriram novos caminhos e novas formas de analisar as rígidas estruturas religiosas e sociais existentes. O clero protestante contribuiu para as grandes transformações em relação à forma de pensar, o que motivou as pessoas comuns a aprenderem a ler. O número de leitores ampliou-se cada vez mais e, conseqüentemente, mais livros foram impressos, o que movimentou também o comércio de livros publicados. Uma nova cultura literária somou-se à social e ambas ainda estavam alicerçadas em valores aristocráticos. Ao mesmo tempo em que periódicos traduziam uma mentalidade, cética e intelectualmente, superior à aristocracia, idéias sagazes e satíricas elabo- ravam conteúdos de caráter político. A idéia de um veículo de comunicação foi se consolidando com a publica- ção de diferentes tipos de noticiosos que surgiam na Europa. 6 Bloco de metal fundido, ou madeira, que apresenta, em uma das faces, gravação em relevo de determinado sinal de escrita (letra, vírgula etc.) para ser reproduzido por meio de impressão. 7 Conjunto de procedimentos artísticos e técnicos de compor e imprimir com o uso de tipos gráficos. FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II100 UNIMES VIRTUAL Desde aí apareceu uma enorme sucessão de equipamentos de impressão que se modernizaram e se atualizaram nomeando esse tempo como “A era da Impressão”8. Estudamos que a descoberta de Gutenberg revolucionou o mundo com o surgimento e aprimoramento da reprodução de originais de impressão, ou seja, a prensa de tipos móveis possibilitou novos processos e a ampliação de diferentes publicações a serem lidas. Até o próximo encontro! 8 Um dos grandes feitos da humanidade foi a criação da impressão. A partir daí, os novos meios de comunicação de massa – jornais, folhetos, cartazes, livros e revistas passaram a ser usados amplamente pela sociedade. FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II 101 UNIMES VIRTUAL Resumo - Unidade III Nesta unidade foi apresentado que o desenho, a pintura, a impressão, o tingimento ou mesmo a escrita são atividades que remetem ao elenco de imagens bidimensionais. Trata- mos, basicamente, das noções de perspectiva e projeção na arte. Vimos que na projeção ortogonal as diversas faces de um objeto são proje- tadas sobre três planos perpendiculares, o que oferece todos os elementos métricos. As visões que surgem a partir da perspectiva isométrica são: elevação, planta e lateral esquerda; a axonometria permite a visão de três dimensões de um corpo sólido orientado segundo três eixos e sem altera- ções de medidas. A perspectiva, conhecida desde a Antigüidade, descreve as característi- cas métricas de um objeto num espaço figurativo e pode ser linear com um ou dois pontos de fuga. Adiante, pudemos conhecer alguns aspectos das vanguardas que inicia- ram na primeira década do século XX e apresentaram uma crise da repre- sentação, ou seja, uma crise da figuração cuja abstração iniciava-se com novas reflexões sobre valor tonal e volume, linha, cor, ritmo, bem como valores psicológicos. Por fim, vimos que a composição visual também trabalha com o texto. A imprensa consistiu em uma grande invenção para a humanidade, pois foi possível ampliar o número de cópias de diferentes temas e livros que distribuíam as informações. Estas cópias eram reproduzidas com precisão e provocaram a diminuição do analfabetismo, sobretudo nos grandes cen- tros urbanos do mundo ocidental. Desta forma, foi possível criar folhetins, cartazes, jornais etc. Referências Bibliográficas MOTTA, E. Iniciação à pintura. 3 ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1989. PEDROSA, I. O universo da cor. Rio de Janeiro: Senac, 2003. FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II102 UNIMES VIRTUAL _________________. Da cor à cor inexistente. Rio de Janeiro: Ediouro, 1999. MAYER, R. Manual do artista. São Paulo: Martins Fontes, 1999. GUIMARÃES, L. A cor como informação. São Paulo: Annablueme, 2000. ARNHEIM, R. Arte e Percepção Visual. 12 ed. São Paulo: EDUSP, 1998. FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II 103 UNIMES VIRTUAL Exercício de auto-avaliação III 1) A projeção ortogonal é a representação de diversas faces de um objeto que são proje- tadas sobre três planos perpendiculares, oferecem todos os elementos métricos daquele objeto e são denominados: Plano de fuga, perspectiva, tridimensional. Plano de projeção, perspectiva e linha. Plano horizontal, plano vertical e plano lateral. Perspectiva. 2) As vistas que surgem a partir da perspectiva isométrica são: Elevação, planta e lateral. Lateral, perspectiva e tridimensão. Lateralidade, profundidade e vista. N. D. A. 3) A composição visual trabalha com o texto. impressão determinou novos parâmetros conhecidos como diagramação, ou seja, orde- nação de texto a serem impressos. A composição visual lida somente com a arte. A composição visual somente lida com a pintura e o desenho. A impressão consistiu numa grande invenção da humanidade, pois, além de possibilitar cópias de materiais impressos, distribuiu diferentes informações. No entanto, a compo- sição visual em nada contribuiu. �) Deixa as pinceladas da tinta aparecerem de forma gestual. Ele se liberta do pontilhis- mo, como técnica de pintura, e sua representação já não se enquadra no estilo cubista. Estamos falando de: Henri Matisse. Toulouse Lautrec. Salvador Dali. Van Gogh. a) b) c) d) a) b) c) d) a) b) c) d) a) b) c) d) FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II10� UNIMES VIRTUAL FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II 10� UNIMES VIRTUAL Unidade IV Recursos e Materiais Expressivos Objetivos Fazer com que o aluno reconheça a importância de elaborar suas criações por meio de diversas linguagens e técnicas, bem como promover adequação quanto ao tipo de suporte a ser utilizado para desenvolver cada técnica, além de permitir uma reflexão a respeito da identidade cultural. Plano de Estudo Esta unidade conta com as seguintes aulas: Aula: 21 - Pastel Seco Aula: 22 - Pastel Oleoso Aula: 23 - Textura Aula: 2� - Os Suportes Aula: 2� - Arte Final com Tinta Nanquim Aula: 2� - Sistema Digital Aula: 2� - A Arte Digital I Aula: 2� - A Arte Digital II Aula: 2� - Suporte Digital I Aula: 30 - Suporte Digital II Aula: 31 - Tecnologia Aula: 32 - A Identidade Cultural na Pós-modernidade: Crise ou Conseqüência? FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II10� UNIMES VIRTUAL Aula: 21 Temática: Pastel seco O pastel seco é confeccionado com pigmento, água e ligan- tes, e, posteriormente, são prensados e modelados em ci- lindros. Existem vários tipos de pastéis secos que são bastões de pó prensado, de cera ou à base de óleo, ou seja, para estes é adicionada substância oleosa. Originalmente, era utilizado para realçar desenhos feitos com grafite ou sanguina e recorria-se ao branco para as luzes e ao rosa para a pele. Figura 1 Rosalba Carriera (Pintora Italiana, 1675-1757 – Rococó) Durante o os séculos XIX e XX, os pastéis não foram usados com tanta freqüência, apesar de terem sido empregados pelos impressionistas. Figura 2 FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II 10� UNIMES VIRTUAL Os bastões dos pastéis podem ser usados de diversas maneiras: pena vertical, horizaontal, com traços ou podem ser esfumados. Figura 3 O esfuminho é um rolo de papel que tem a finalidade de esfumaçar. Figura � Ilustração feita por aluno. Lápis de cor e pastel s/ papel. A pintora Rosalba Carriera utilizou o pastel para retratos masculinos e fe- mininos os quais se caracterizam por sua extraordinária delicadeza; com esta técnica, a artistasoube reproduzir e intensificar a maciez da pele, a luminosidade dos veludos e o refinamento das rendas e dos bordados. Esfuminho FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II10� UNIMES VIRTUAL Figura � Edgar Degas, No palco, pastel s/ papel, 1880. Até o próximo encontro FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II 10� UNIMES VIRTUAL Aula: 22 Temática: Pastel oleoso O pastel oleoso apresenta uma qualidade inferior em seus pigmentos. Normalmente, é acrescentada parafina em sua composição, e, com isso, sua permanência não é grande e sua adaptabilidade com outras técnicas é restrita devido seu caráter gorduroso e turvo das cores. Sua superfície produz uma textura irregular. Alguns artistas profissionais utilizam, sem objeções, o pastel oleoso. Figura 1 Rubens de Souza, Sem título, pastel oleoso s/ papel, 2001. Pastel oleoso derretido Materiais: pastel oleoso, vela, fósforo, papel colorido. FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II110 UNIMES VIRTUAL Depois de ter feito o desenho em papel branco ou colorido, encoste o bastão de pastel oleoso, ligeiramente, na vela. Quando começar a derreter, com muita agilidade e cuidado, passe sobre no papel. Você conquistará relevos e texturas, onde certamente haverá áreas que irão falhar, ou seja, o pastel oleoso não preencherá. Essa pode ser uma oportunidade para preencher as áreas de falhas com outra tinta bem líquida, como aquarela líquida, ou nanquim colorido ou ainda ecoline. Figura 2 È possível traçar com o pastel oleoso ou preencher colorindo grandes áreas. Figura 3 Derretendo o bastão é possível criar relevos e texturas. Pastel oleoso dissolvido Materiais: pastel oleoso, papel de alta gramatura e solvente (removedor, água raz, gasolina etc.). FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II 111 UNIMES VIRTUAL Desenhe o tema de sua pesquisa e, com o pastel oleoso, cubra as áreas colorindo normalmente. Depois, com cotonete ou pincel molhado no sol- vente, vá dissolvendo a cera. Com essa técnica, você conquistará diferen- tes resultados e novos efeitos. É possível molhar o bastão diretamente no solvente e passar no papel. Ao final, é possível complementar com outra técnica. Figura � Colorir normalmente com o pastel oleoso. Figura � O solvente diluirá a cera, uniformizando mais sua textura. FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II112 UNIMES VIRTUAL Figura � Com uma lâmina é possível retirar a textura ou gerar novos efeitos sobre as áreas preenchidas. Ao realizar seu trabalho, consulte a tutoria para esclarecer eventuais dúvidas. Até o próximo encontro! FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II 113 UNIMES VIRTUAL Aula: 23 Temática: Textura Estudamos que a textura pode ser gerada por linhas, pon- tos, curvas, linhas longas ou qualquer combinação desses elementos. Portanto, a textura pode se apresentar como um padrão regular ou irregular, com leves variações nos formatos ou tama- nhos de elementos semelhantes. As texturas em geral apresentam variações visuais aos planos e carac- terísticas de superfícies às formas, e, ainda, pode criar valor tonal com a textura. Figura 1 Desenho de história em quadrinhos, estilo americano, normalmente utiliza muita textura. Figura 2 FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II11� UNIMES VIRTUAL A figura número 2 apresenta diferentes padrões de texturas visuais. Figura 3 Rubens de Souza, Trabalhador, técnica mista, 60 x 80 cm, 2002. Nesta pintura colei papel aleatoriamente. Depois de seco, esbocei o tema e, em seguida, apliquei a tinta óleo. Frottage Se colocarmos uma folha de papel sobre uma superfície que tenha relevo, será possível transferir esse padrão de relevo para a folha de papel, sim- plesmente, esfregando com uma substância pigmentada. Figura � A partir da frottage foi possível transferir o padrão de textura do couro. Até o próximo encontro! FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II 11� UNIMES VIRTUAL Aula: 2� Temática: Os Suportes A escolha do papel é de fundamental importância para os diferentes tipos de trabalho executados, ou seja, deve-se escolher a técnica ou o processo de reprodução para o tipo de papel adequado a ser utilizado. Este procedimento influencia o resulta- do pretendido. Neste sentido, as características técnicas dos papéis po- dem influir diretamente no resultado e na qualidade almejada. Os papéis são divididos em quatro grupos: papéis para impressão de publicações, como livros, revistas, impressos em geral; papéis para escrever, que, além de serem impressos, devem ter características próprias para receberem escritas; papéis para embalagens, que apresentam diferentes graus de resistência com o objetivo de proteger os produtos que serão embalados; e papéis artísticos, que podem assumir diferentes formatos e tamanhos vastamente utilizados para técnicas artísticas. O papel possui sua estrutura porosa e espessura regular. É constituído a partir de tramas de fibras entrelaçadas, quase sempre de natureza vegetal. Origina-se da suspensão aquosa do material fibroso, e, pelo escoamento da água por meio da malha de tela fina, é submetido a sucessivas seca- gens. O papel, ao sair da fábrica, é acondicionado em bobinas ou em resmas. Assim, padronizaram as dimensões de uma folha de papel expressas em milímetros ou polegadas. Atualmente, existem os formatos denominados especiais: papel-almaço, papel-ofício, papel-carta, cartolina e papelão. Os papéis de formatos padronizados da série “A” correspondem a uma folha de área de um metro quadrado. A partir do A0 841 X 1.189 mm, subdivide- se esta dimensão sempre pelo lado maior de cada retângulo, obtendo-se uma série de formatos derivados em que a proporção entre seus lados continua sendo a raiz de dois. Esta série vai do A0 ao A12. Os números indicam as vezes em que o formato-base foi dividido. No Brasil, adotaram-se os formatos: “AA”, que corresponde a 77 X 112 cm; o formato “BB”, igual a 66 X 96 cm; e o “AM”, 87 X 114 cm. Estes formatos possibilitam variações de cortes, originando novos formatos e diminuindo a perda de papel, o que reduz a quantidade de impressão, e, com isto, agiliza-se a reprodução gráfica de materiais impressos. FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II11� UNIMES VIRTUAL Outro fator bastante importante é a condição que muitos papéis têm de oferecer tipos de acabamento, como capa de livros, brochuras, refile, envernizamentos e tantos outros. Aliado a isso, deve-se saber que toda técnica artística requer um papel es- pecifico, ou mais adequado, bem como haverá uma tinta apropriada para o processo de impressão gráfica. Criar originais ou imprimir é, para todos os efeitos, fixar um grafismo, pre- to ou colorido, sobre um suporte. Para tanto, faz-se a distinção entre as tintas de alta viscosidade, as tintas à base de água, técnicas secas, tintas gráficas e outras. As substâncias colorantes sólidas podem ser de origem natural ou sinté- tica, formadas de partículas orgânicas ou inorgânicas, e suas característi- cas devem ser inalteradas durante a impressão até sua secagem. Assim, os pigmentos oferecem, além do valor estético, novas características aos papéis, como cor e intensidade, além de resistência à luz, resistência à água, resistência ao calor, entre outros fatores. Gramatura É o peso do papel expresso em gramas, referente a uma amostra com um metro quadrado de superfície. Vale salientar que, para as técnicas molhadas, normalmente, são exigidos papéis de alta gramatura. Para as técnicas secas é possível utilizar, inclusive, papéis coloridos, como os papéis da linha Card Set, ou Color Set, Vergê e outros. Alguns papéis produzidos com camada de cola e revestimento, tratado com agentes branqueadores, como o papel couchê e off set, são excelen- tes para tinta nanquim e para processos gráficos. Não deixe que as dúvidas se acumulem. Até o próximo encontro! FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃOE LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II 11� UNIMES VIRTUAL Aula: 2� Temática: Arte final com tinta nanquim A tinta nanquim é altamente corante e apresenta-se princi- palmente na cor preta, porém há outras cores e é emprega- da especialmente para desenhos e aguadas. Ela foi desenvolvida pelos chineses há mais de dois mil anos, e é cons- tituída de nanopartículas de carvão suspensas em uma solução aquosa. Embora, normalmente, nanopartículas dissolvidas se agreguem em um lí- quido a fim de formar micro e macro partículas que tendem a se depositar separando do líquido, os chineses antigos descobriram que era possível estabilizar a tinta nanquim pela mistura de uma cola (goma-arábica) na solução com pó de carvão e água. Para o desenho, o nanquim requer alguns materiais específicos, como: bico de pena, pincel de cerdas macias, caneta nanquim, e, para o com- passo, o tira linhas ou réguas específicas para a construção de círculos ou linhas curvas. Os desenhos técnicos, normalmente, usam nanquim sobre papel vegetal. Já para os desenhos artísticos há diferentes papéis que aceitam a tinta nanquim, o que depende do objetivo do desenhista e do resultado que se pretende conquistar. O papel couchê é indicado para a aplicação de nanquim puro. No entanto, aguadas de nanquim nesse papel dificultam a realização do trabalho. Figura 1 Desenho finalizado em tinta nanquim. FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II11� UNIMES VIRTUAL Ecoline A tinta ecoline é líquida, bem luminosa e oferece boa transparência. Anterior à década de noventa, foi muito usada na técnica de aerografia e sua utilização é semelhante à da tinta nanquim. Vale dizer que, para contornos de desenhos feitos com pin- cel, os pincéis pêlo de marta, número “0”, são os mais in- dicados. Até o próximo encontro! FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II 11� UNIMES VIRTUAL Aula: 2� Temática: Sistema Digital Os programas de edição de texto executados pelo compu- tador permitem grandes possibilidades de uso e enorme maleabilidade de acesso à informação com o advento da microinformática. A grande vantagem dos programas de computadores é a revisão com a correção ortográfica e gramatical de textos. A facilidade de substituir e alterar caracteres e parágrafos traz rapidez ao desenvolvi- mento na edição de textos. As correções e a adição de dados em um texto são facilitadas, sem que com isto seja necessário digitá-lo novamente. Pode-se, ainda, acrescentar imagens e ilustrações, independentemente da quantidade de texto produzido, pois sua visualização é imediata quando alterado. O paste-up man - profissional que elaborava montagem de páginas pelas colagens nos textos e ilustrações em suporte de papel cartonado para complementar a arte final, já não existe mais. Seu minucioso trabalho com cola e tesoura foi substituído pelo “paste / copy”1, que é uma função de qualquer software. Figura 1 Recurso de software Trata-se de um recurso existente para edição que tem como objetivo re- cortar a fim de seguir os contornos ou a seleção feita pelo usuário. Esta função substitui as operações manuais do paste-up man de separar, recor- tar e colar informações em suportes cartonados. 1 Recurso de qualquer software para manipular informações, textos ou objetos, seleciona- ndo-os para a área de transferências e anexando-os em outros documentos a partir dos conteúdos digitalizados no computador. FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II120 UNIMES VIRTUAL Essas mudanças não param por aí. A morfologia dos caracteres também pode ser alterada com um pouco de conhecimento em determinados pro- gramas de computadores, algo que só era possível com a intervenção de desenhistas específicos em técnicas tradicionais de ilustração. Na computação gráfica, em edição de textos, este formato, que até então era rígido, pôde ser alterado em todas as suas dimensões reais. Os entre- linhamentos, espacejamentos e os espaços entre palavras são maleáveis, e, mesmo no surgimento da fotocomposição, essas propriedades não ofe- reciam as mesmas facilidades que a computação gráfica proporciona. O incremento dessas atualizações significou alterações radicais nos textos originais datilografados, denominados lauda tipográfica, que até então fa- cilitavam o cálculo do espaço que ocupavam quando compostos. A lauda consiste em uma folha em formato 210 x 297 mm, com moldura retangular impressa, cuja largura equivale a um determinado número de toques, ge- ralmente setenta. O toque é qualquer caractere, letra, espaço, número ou sinal ortográfico, e a altura do texto dentro da lauda é feita de forma con- tínua, normalmente com vinte linhas. A partir dessa lauda, cálculos eram elaborados em escala de medida específica que poderiam ser o Cícero2, o Ponto3, a Pica4 (Paica) ou o centímetro. O sistema de fotocomposição, gerado na última década do século XIX, elaborou inúmeros modelos de fotocompositoras, porém, em 1923, o ame- ricano Smothers construiu uma fotocompositora que seguia o princípio da linotipo. Foram necessárias algumas décadas para que as fotocompositoras evo- luíssem para um sistema óptico-mecânico, e para que estes aparelhos pudessem comportar teclado, unidade de computador e unidade de foto- grafia. Este conjunto teclado/vídeo (CRT – Cathode Ray Tube), que proporcionou a visualização do texto, é conhecido como display visual ou terminal de vídeo (VDT – Video Display Terminal) que compreendia um leitor de fita ou cabeçote magnético. O operador poderia datilografar e corrigir um original teclando as correções numa nova fita que seria ativada pela fotocompositora a partir de processo fotográfico, dando saídas em filmes positivos ou negativos para suportes fotossensíveis. 2 Unidade de medida tipográfica equivalente a 12 pontos no sistema Didot e que cor- responde a 4,512 mm. 3 Unidade mínima do sistema Didot de medida tipográfica equivalente a 0,359 mm. 4 Medida tipográfica que equivale a 12 pontos do sistema anglo-americano. No sistema Didot corresponde a 11,22 pontos. FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II 121 UNIMES VIRTUAL Para a produção de matérias impressas em larga escala, tem-se o princípio de repulsão entre a água e a tinta que irá gravar ou imprimir os diferentes suportes, principalmente o papel. Assim, o profissional devia ter conhecimentos técnicos suficientes para prepararem originais de reprodução gráfica que eram submetidos ao pro- cesso de impressão off-set5. Esta tecnologia é a mais utilizada por oferecer melhor qualidade, como também é bastante indicada para a reprodução de impressos comerciais, como livros, impressos promocionais, embalagens, entre outros. Para essa tecnologia existe a fôrma de impressão. Atualmente, as grandes gráficas já estão adotando o sistema digital. Este processo independe de uma fôrma de impressão e permite que a informa- ção seja criada diretamente na mídia, utilizando-se um cabeçote de jato de tinta ou um cilindro fotossensível que transfere o toner6 diretamente para o suporte/mídia. Este sistema é mais indicado para pequenas tiragens. Procure ler mais a respeito disso tudo. Há muitas curiosida- des a respeito de tudo isso. Procure ler a respeito, e, caso haja dúvidas ou comentários, converse com a tutoria. Até a próxima aula! 5 Processo de impressão indireto, derivado da litografia, em que a imagem a ser impressa é gravada por sistema fotomecânico numa chapa de metal a partir da qual é transferida para um cilindro revestido de borracha e, deste, para a folha de papel ou qualquer suporte adequado. 6 Pó preto, fino e resinoso usado nos processos de reprodução eletrostática. FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II122 UNIMES VIRTUAL Aula: 2� Temática: A Arte Digital I As combinações de palavras e imagens são elaboradas para se complementarem, de modo que o observador consiga re- conhecer e entender a mensagem que determinou. Esta forma de composição visual apresenta diferentessoluções. Sua con- figuração final indica o objetivo e o significado da manifestação visual que se pretende e tem respostas imediatas do espectador que a recebe. O designer elabora logotipos, ilustrações, diagramações, entre outras cria- ções e obedece a critérios visuais que podem até não oferecer regras ab- solutas para a sua concepção. No entanto, alguns critérios são obedecidos, como identificação de for- mato, tamanho, cor e textura. Estes conjuntos de elementos visuais são fundamentais para a configuração da imagem que se pretende. A clareza, a estética, a funcionalidade e a comunicação são essenciais para o entendimento e o acesso à informação elaborada pelo designer. Os critérios de legibilidade, preocupação com a qualidade das imagens e ou- tros itens técnicos são somados à preocupação com o significado que se deseja causar no espectador que por sua vez os interpreta por intermédio de seus sentidos subjetivos. Figura 1 Exemplo de logotipo No exemplo acima se vê um logotipo criado a partir da composição de ele- mentos geométricos e tipologias que se apresentam em negativo sobre fundo azul. Esta situação figura-fundo e as formas emergem elaborando o desenho. Acima da palavra Vetor vê-se a imagem de um pássaro estilizado. FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II 123 UNIMES VIRTUAL Alguns efeitos, como os tridimensionais, são elaborados por meio das perspectivas, possibilitam grandes variações de cores e iluminação e dão caráter realista às imagens. Figura 2 Efeito tridimensional Uma das grandes dificuldades encontradas pelos designers gráficos é exa- tamente o desenvolvimento de ilustrações. Este ato de ilustrar requer um conjunto de conhecimentos para trabalhar, criar ou desenvolver imagens em técnicas específicas com o objetivo de ornamentar diferentes tipos de materiais impressos. As imagens podem ser identificadas por fotografias ou ilustrações em variadas formas de representações gráficas em duas ou três dimensões, figurativas ou abstratas. Elas se tornam importantes por reforçarem o argumento de um determinado texto ou enfatizarem deter- minada idéia. Não somente isto, como também facilitar a compreensão e intensificar os significados, o que leva a uma melhor expressão visual para a mensagem elaborada. Portanto, para o designer é de extrema impor- tância conhecer os fundamentos do desenho, como forma tridimensional, volume, profundidade, e outros, bem como os da fotografia, e juntá-los aos conhecimentos de informática. Figura 3 Tipologia desenvolvida a partir de grafitagem de rua FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II12� UNIMES VIRTUAL Apesar do emaranhado nos detalhes, o que dificulta a leitura, percebe- mos claramente o jogo de profundidade que caracteriza uma imagem tri- dimensional. Assim, os princípios fundamentais do desenho, que norteiam o desenvolvimento dessa arte de rua, são os mesmos que configuram o desenho em três dimensões elaborado pelo designer, no suporte digital. Procure observar os traços artísticos de sua cidade. Muitos deles são revelações sociais. Até a próxima aula! FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II 12� UNIMES VIRTUAL Aula: 2� Temática: A Arte Digital II Em comunicação visual, o desenho não é somente orna- mentação. Antes de tudo, é um processo de criação que tem propósitos estéticos e deve transmitir uma mensagem predeterminada. Quando bem apropriado, constitui a essência da expres- são visual. Desta forma, o desenho possui técnicas e conceitos necessários à sua uti- lização, independentemente de ser desenvolvido em uma prancheta ou em um computador. Determinadas imagens publicitárias cumprem a função de identificar, informar e instruir, apresentar ou promover determinados objetivos previamente estabelecidos. Quanto mais simples for esta imagem, muito mais rápida será a sua comu- nicação, ou seja, o seu poder de transmitir a informação será facilmente decodificado. Figura 1 Linguagem visual com desenho estilizado Exemplo de linguagem visual de fácil entendimento: sinalização de am- biente interno – escada de acesso; o desenho é estilizado e de leitura rápida. De maneira diferente, quanto se tem uma imagem com riqueza de detalhes e de grande elaboração, percebe-se que o nível de leitura requer maior análise apreciativa para decodificá-la. Observe as ilustrações a seguir: FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II12� UNIMES VIRTUAL Figura 2 Tipologia com estrutura menos regular Esta “forma verbal” apresenta suas tipologias dentro de uma estrutura me- nos regular, se comparadas à linguagem escrita convencional; sua leitura requer maior análise. Figura 3 Ilustração com elementos concentrados A ilustração apresenta organizações visuais com elementos que se encon- tram concentrados, portanto sua visibilidade fica sensivelmente prejudi- cada. Até o próximo encontro! FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II 12� UNIMES VIRTUAL Aula: 2� Temática: Suporte Digital I O suporte digital facilita a vida dos profissionais, como o de- signer. Será fácil justificar a criação de logotipos elaborados por designers. Sua busca por formas expressivas simples e de identificação rápida e criativa, normalmente para empresas comerciais, é um exercício de síntese visual. Os logotipos, assinaturas das empresas, são aplicados em diferentes veí- culos de comunicação: televisão, folhetos, jornais, correspondência etc. Sua importância está na formação gráfica, cujo tema deve ser levar seu valor de significação da empresa, produto ou serviço que ele representa, para que, ao ser visto por qualquer pessoa, lembre logo a quem pertence. Um logotipo que apresenta composições diferentes desse objetivo anula seu propósito e sua principal finalidade: identificar algo. Na concepção dos logotipos, todos os problemas devem ser minuciosa- mente estudados, sob o sentido da linguagem visual, que envolve o arran- jo dos elementos visuais verbais ou não verbais, o emprego de técnicas como colorização, tamanho, efeitos especiais, entre outras, o software mais adequado para desenvolvê-lo, a perfeita harmonia de sua função e a sua aplicabilidade. Podem-se identificar tipos de elementos diferentes utilizados na elabora- ção de materiais impressos. Há que se observar não só os logotipos e as palavras identificadas por suas tipologias e suas variações de estilos, tamanhos e combinações como também as figuras, fotos e desenhos em versões ilustrativas de vários tipos. Há também determinados materiais que necessitam de soluções adequa- das para um problema específico, assim como cada publicação difere de todas as outras com suas combinações de técnicas ilustrativas. Desta forma, podem ser elencados pelo menos dois fatores que devem estar evidentes quando “a ilustração” estiver sendo criada: a) a linha editorial a que se destina determinada ilustração, ou melhor, o responsável pelo ato de publicar qualquer mensagem verbal ou não verbal, estabelecerá critérios que determinarão a concepção filosófica da publi- cação, e, a partir daí, o responsável pelo projeto gráfico-visual deverá ter FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II12� UNIMES VIRTUAL a consciência de acrescentar, ou não, imagens (figuras) que expressem claramente a linha editorial em que se insere; b) o estilo global da publicação não deve ser invadido pela adoção de técni- cas gráficas discrepantes do projeto gráfico-visual. Desta forma, a maioria das imagens (fotografias, desenhos, gráficos, e outras) pode ser específica conforme padrões preestabelecidos. Este costume facilitará a comunica- ção da mensagem junto ao seu público alvo pela unidade gráfica que se apresenta como um todo. Ainda se verifica que grandes veículos da mídia impressa (jornais, revistas etc.), estabelecem um manual específico de estilo gráfico e tipográfico para ser utilizado nos parâmetros de sua linha editorial. Tabelas1, quadros2 e gráficos3 sãovastamente empregados para quantificar e/ou qualificar determinado tema. Eles se tornam o registro de dados ordenados ou de cálculos elaborados antecipadamente, que indicam os resultados colhidos através desse tipo de ilustração. Figura 1 Exemplo de gráfico As tabelas normalmente comparam elementos que são qualificados ou quantificados dentro de determinados temas. As imagens geradas em computador são chamadas de ambientes digitais ou numéricos. Esta denominação identifica todo o processo responsável por gerar imagens em linguagem computacional, sejam elas capturadas ou criadas dentro do computador. 1 Agrupamento coerente de cálculos elaborados previamente. 2 Composto de linhas e colunas, que, separados por filetes, formam casas em que se acham contidas palavras e algarismos. 3 Representação de dados físicos, geográficos, econômicos, sociais ou outros por meio de grandezas geométricas ou figuras, diagramas ou curvas. FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II 12� UNIMES VIRTUAL Para isso existem vários softwares capazes de gerar textos, modificar es- tilos de fontes e tamanhos a fim de editar original de impressão. Outros programas são mais adequados ao processamento de imagens e ofere- cem ferramentas e comandos para a modificação ou a transformação das imagens originais. Podem-se ajustar contrastes, tons, cores, ou adicionar efeitos especiais em uma fotografia, por exemplo. Existem ainda progra- mas que possibilitam desenhos em duas ou três dimensões. Neles encon- tramos ferramentas com inúmeras figuras geométricas, linhas e contor- nos, modelagem tridimensional capaz de estabelecer formas de volume e profundidade ilusória, entre outros recursos. O designer utiliza os recursos do computador em suas criações gráficas e na multimídia, e obtém respostas em tempo real por meio deles. Ao elaborar um estudo de cores num logotipo, ou até mesmo uma dia- gramação, basta acionar o comando desejado para estabelecer novas co- res no objeto criado ou arrastar com o mouse o bloco de texto para uma nova organização na diagramação que se pretende. Neste sentido, a idéia de leiaute se altera substancialmente. Têm-se na tela do computador os objetos (textos e imagens) disponíveis para diferentes possibilidades de configuração, dentro das possibilidades de cada software. Assim, a forma de pensar e criar diante do computador prevê esse conceito digital. Não deixe as dúvidas se acumularem. Fale com a tutoria. Até o próximo encontro! FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II130 UNIMES VIRTUAL Aula: 30 Temática: Suporte Digital II Os computadores também são capazes de gerar imagens que lembram técnicas ilustrativas, como o pastel, a aquare- la, a pintura a óleo e outros efeitos. Na realidade, os softwares organizam conteúdos no formato de arquivos vetoriais1, ou Bitmap2 (mapa de Bits), e cada arquivo recebe uma termi- nologia que se denomina extensão e que diz respeito ao tipo de programa que gerou o arquivo. Existem vários tipos de arquivo com diferentes exten- sões (txt, .jpg, .cdr, .tif). Portanto, quando o usuário está manipulando as informações de um determinado arquivo, ele está justamente criando ou alterando os bits pertencentes ao arquivo. Figura 1 Coreldraw Logotipo criado em software vetorial, denominado coreldraw. Este arqui- vo tem extensão (CDR), e, mesmo assim, é capaz de transformá-lo em 1 São imagens definidas matematicamente com uma série de pontos unidos por linhas. Essas imagens criadas são chamadas de objetos, e cada objeto é uma entidade indepen- dente com propriedades de cor, forma, contorno, tamanho e posição na tela do computa- dor. 2 Ao contrário de imagem vetorial, são gráficos compostos por pixels – pontos de uma tela do computador que se combinam para formar uma imagem. FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II 131 UNIMES VIRTUAL extensão de formato bitmap. Muitos programas conseguem compartilhar arquivos de extensões diferentes. Figura 2 Logotipo alterado O logotipo foi alterado para formato bitmap, e, a partir daí, foi possível gerar efeitos que imitam pinceladas artísticas. Tudo isso dentro do mesmo software coreldraw. Muitas vezes, o designer busca reproduzir formas em técnicas artísticas que o computador é capaz de oferecer rapidamente sem ao menos reco- nhecer que suas raízes estão nas artes plásticas. Sua preocupação imedia- ta está na conquista dos plug-ins, que são pequenos arquivos/programas que, no caso dos softwares vetoriais, de textos ou formato bitmap, geram efeitos especiais em imagens que estão sendo criadas. Ao utilizar os plug-ins sem critério estético coerente, pode-se causar um festival de efeitos com demasiadas tipologias, texturas, tridimensões etc. Desta forma, este tipo de elaboração compromete as criações por enxer- garem somente o computador e abandonarem o planejamento, a idéia e a redação. Paralelamente a isso, percebe-se a interface com o cliente, ou seja, ele participa do processo de criação, uma vez que se tornou tão fácil modificar um leiaute em sua etapa de criação. No entanto, muitos artistas desenvol- vem suas obras dentro do computador. Devemos perceber que os artefatos tecnológicos são ferramentas, como os utensílios e os materiais artísticos. Várias pesquisas são desenvolvidas com enorme sucesso por alguns obstinados pelas tecnologias. Identifica- mos diferentes formas de manipulação dos dispositivos e artefatos digitais FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II132 UNIMES VIRTUAL e virtuais. Vale lembrar Kiko Goifmam, Susete Venturelli, Diana Domingues e tantos outros. Podemos dividir inicialmente as obras desenvolvidas em suporte digital e a arte feita na rede mundial de computadores. Observe que na figura 2 foi desenvolvido um trabalho no suporte digital e não está na Internet. A partir do momento em que este ou outro trabalho é disponibilizado na rede, e, ainda, propõem interface com seu observador, torna-se uma nova modali- dade artística vinculada às tecnologias atuais. Você deve ter percebido que, para tanto, será importante que o artista conheça não somente programas específicos, mas que saiba também programar eventos capazes de inte- ragir com o humano. Até o próximo encontro! FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II 133 UNIMES VIRTUAL Aula: 31 Temática: Tecnologia Estudamos, na aula anterior, a importância do suporte di- gital para as criações que vinculam conteúdos animados e estáticos. As tecnologias atuais e a interatividade que o homem promove propiciam a humanização dos dispositivos tecnológicos. Todos nós já ouvimos falar em ambientes virtuais. Isso identifica que há comunicação entre indivídu- os por meio dos recursos digitais e virtuais. A arte, a cada dia, tenta desmistificar o princípio da interatividade num contexto artístico, cientifico e tecnológico. A arte interativa é chamada de ciberarte. Portanto, a ciberarte serve tanto para a produção quanto para fruição dos trabalhos artísticos a partir da interatividade do ciberespaço. Devemos observar que a ciberarte tenta se desvincular dos ambientes rígidos dos computadores para propor interferências na sociedade e criar dispositivos, ambientes, extensões do humano, para o humano por meio de possibilidades híbridas da interatividade, desde os mais simples re- cursos, como um mouse ou um teclado de computador, até luvas para a realidade virtual, capacetes e óculos para ver em estereoscopia e agir em realidade virtual. Meio digital A utilização de computadores para a produção, manipulação e exibição de imagens apenas se tornaram possíveis, a partir da década de 1950, graças ao surgimento de monitores capazes de exibir gráfico e de plot- ters para imprimi-los. Embora esses recursos tenham sido implementados prioritariamente para a visualização matemática e científica, muito cedo alguns artistas souberam tirar proveito deles para a exploração de uma nova visualidade dentro das artes plásticas.Os primeiros trabalhos artísti- cos produzidos com o auxílio de computadores utilizavam ainda máquinas analógicas para gerar as imagens, osciloscópios de raios catódicos para exibi-las e películas cinematográficas para registrá-las. Embora grande parte dos pioneiros da computer art, nos anos 1960 e 1970, tenha sido formada por europeus e norte-americanos, pela razão óbvia de que viviam em contextos científicos em que a pesquisa com FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II13� UNIMES VIRTUAL informática estava mais desenvolvida, um brasileiro ocupou um lugar im- portante entre os inventores desse campo de criação artística. Trata-se de Waldemar Cordeiro, artista que, ao incorporar as imagens digitais ao seu trabalho, já era reconhecido nacional e internacionalmente, sobretudo por sua produção no campo da arte concreta. Trabalhando em conjunto com o físico italiano Giorgio Moscati, Cordeiro foi importante também por ter dado uma dimensão crítica à computer art so acrescentar às imagens o comentário social. De um modo geral, entende-se por computer art um conjunto bastante diversificado de procedimentos, atitudes e estratégias da arte e do artista com relação ao computador. Num primeiro sentido, o computador pode ser encarado como uma ferramenta para a geração e o tratamento das imagens. Uma vez produzidas, modeladas (no caso das imagens tridimen- sionais) e, eventualmente, animadas e sonorizadas, as imagens são trans- feridas para outro suporte (papel, tela, filme, vídeo) e exibidas nas formas tradicionais em galerias de arte ou salas de projeção. Na verdade, são raros os casos em que o computador é utilizado estritamente como ferra- menta, como se fosse um pincel ou uma paleta mais sofisticada. Muito fre- qüentemente, o trabalho do artista acaba sendo contaminado por alguns processos formadores próprios da informática, de modo que o resultado final não poderia jamais ser obtido de outra forma. Entre os artistas brasi- leiros que poderiam ser incluídos nessa classificação, podemos citar Irene Faiguenboim, André Vallias, Julio Plaza, Walter Silveira, Lenora de Barros, Arnaldo Antunes e alguns trabalhos de Carlos Fadon Vicente. Numa segunda acepção, é o computador que cria a obra a partir de um programa de criação previamente concebido pelo artista. Nesse caso, é possível que a forma final de exibição seja também o circuito tradicional da arte, mas a diferença está no fato de as decisões, sobre o que fazer e como fazer, serem tomadas pelo próprio computador. O artista, nesse caso, ape- nas prevê um conjunto de possibilidades de comportamento do computa- dor, em geral, utilizando conceitos de inteligência artificial. Como não po- deria deixar de ser, a maioria dos realizadores deste grupo pertence a uma classe muito especial de artistas, aquela dotada também de competência científica e tecnológica, que acumula talentos ao mesmo tempo nas artes plásticas e nas ciências exatas. Emanuel Dimas de Melo Pimenta, Tânia Fraga e Suzete Venturelli poderiam ser incluídos nessa classificação. Sites http://www.itaucultural.org.br/index.cfm?cd_pagina=2014&cd_mate- ria=2229 http://www.itaucultural.org.br/index.cfm?cd_pagina=2014&cd_materia=2229 http://www.itaucultural.org.br/index.cfm?cd_pagina=2014&cd_materia=2229 FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II 13� UNIMES VIRTUAL http://www.itaucultural.org.br/index.cfm?cd_pagina=1986 http://itaulab.blogspot.com/ http://metareciclagem.org/ Sites acessados em 14/09/2007. Pesquise sobre Milton Sogabe e Abraham Palatnik. Até o próximo encontro! http://www.itaucultural.org.br/index.cfm?cd_pagina=1986 http://itaulab.blogspot.com/ http://metareciclagem.org/ FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II13� UNIMES VIRTUAL Aula: 32 Temática: A Identidade Cultural na Pós-modernidade: Crise ou Conseqüência? Para compreendermos melhor a identidade cultural do nosso tempo, é preciso, antes, definir os conceitos de modernidade e de contemporaneidade. Por isso, para esta aula, foi trans- crito um texto para que você possa refletir sobre esse vasto assunto. A identidade individual estabiliza o mundo social e dá a âncora necessá- ria para que vivamos em sociedade, já que ela define posturas, atitudes, gostos, vontades. A identidade cultural é o aspecto da identidade que de- termina nossa ligação com determinada cultura, com suas características étnicas, raciais, lingüísticas, artísticas, religiosas e nacionais. O compar- tilhar da cultura só é possível por meio da linguagem e do meio social em que os sujeitos se inserem. A modernidade a que me refiro consiste no período que vai do século XVIII a meados do século XX. Quanto à contemporaneidade, estamos ainda numa fase em que os sólidos se derreteram em conseqüência do espírito de profanação do sagrado, de destronamento da tradição e de esmaga- mento da armadura das crenças e lealdades. Como resultado desse processo, também considerado libertador, vive numa sociedade em constante transformação. Se quisermos compreender a identidade cultural da contemporaneidade, devemos ficar atentos ao uso da tecnologia para produzir e divulgar cul- tura. Em seu texto “A obra de arte na época da reprodutibilidade técnica”, Walter Benjamin nos fala do processo de reprodução técnica da arte e da cultura e nos mostra como esse processo mudou os conceitos de autoria, autenticidade e responsabilidade. Segundo Benjamim, quando a cultura é mediada pela tecnologia, tanto na sua produção quanto na sua divulgação, o produtor e o leitor/receptor da obra sentem-se desritualizados. As obras de arte reproduzidas tecnologicamente emanciparam-se do ritual, tornaram-se rotineiras, passaram a fazer parte da vida cotidiana, perderam o valor de culto. É a destruição da aura da criação cultural. No começo do século XIX, o desenvolvimento industrial englobou a cultura, e, assim, nasceram a indústria cultural, o marketing e o design, o que pro- fissionalizou o artista. Os objetos culturais produzidos pelos artistas profis- FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II 13� UNIMES VIRTUAL sionais tornaram-se informações estéticas, pequenos espetáculos cheios de significados e simbologias, com a finalidade de seduzir e convencer o consumidor a escolher um determinado produto entre tantos exatamente iguais. O que pode diferenciar um produto industrializado de outro são os símbolos que ele carrega. Além disso, a indústria cultural imprimiu um ritmo acelerado à produção de objetos culturais, influenciando a produção de arte. As mudanças e rupturas estéticas aconteceram tão rapidamente na modernidade que a profissionalização do crítico de arte tornou-se ne- cessária para tentar explicar e organizar essa profusão. Com a estetização do cotidiano, a produção de arte equiparou-se à produ- ção da indústria cultural e uniu-se às manifestações de arte popular e de massa. Isso aconteceu nas artes plásticas, na música, na dança, no teatro e na literatura. Para Stuart Hall (2001), um dos motivos para que a crise da identidade cul- tural contemporânea ocorresse foi o fenômeno da globalização. A popula- ção mundial cresceu enormemente em três séculos; as pessoas passaram a conviver com diversidades de grupos tanto em relação à idade, sexo, nacionalidade, como em relação a interesses e nível econômico. A con- temporaneidade, com sua economia sem fronteiras e sua comunicação de massa mundial, destruiu o espaço ao longo do tempo, criando fluxos cultu- rais e identidades compartilhadas, desalojadas, efêmeras e flutuantes. Assim nasceram as identidades híbridas: uma mistura de identidades lo- cais e nacionais, de culturas regionais e mundiais. A fragmentação da identidade cultural e o nascimento das identidades híbridas são caracte- rísticas da contemporaneidade. Quando a identidade cultural da sociedade moderna passou da arte para a anti-arte, da representação para o simulacro, da autenticidade para a reprodutibilidade técnica, davida eterna para a vida terrena, do nacional para o global, quando passou a se apoiar nos objetos (não no homem), na matéria (não no espírito), no momento (não no eterno) e no riso (não no sério), ela caminhou para o niilismo, para zerar a própria arte e a própria cultura, e, finalmente, para a “crise de identidade cultural” que vivemos em nossos dias, em todos os lugares do mundo. Eliana Pougy Encerramos nosso curso com as reflexões acima. Pesquise em outras fontes e tente observar a arte a sua volta. O fa- zer artístico sempre esteve diretamente relacionado com o momento social. No entanto, se você se propõe a inovar, é preciso treinar o olhar em busca do sensível para transformar os sons, os gestos, os FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II13� UNIMES VIRTUAL sabores, as percepções visuais e tudo o que toca o ser humano em ma- terial para a arte, ou seja, em linguagem multisignificativa. Está lançado o desafio. Sucesso! FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II 13� UNIMES VIRTUAL Resumo - Unidade IV Nesta unidade demos continuidade aos nossos estudos acerca dos recursos e materiais expressivos. Primeiramente, falamos sobre o Pastel Seco que era originalmente utiliza- do para realçar desenhos feitos com grafite ou sanguina e recorria-se ao branco para as luzes e ao rosa para a pele. Logo após, vimos algumas técnicas para melhor utilizar o Pastel Oleoso (dissolvido ou derretido), o qual apresenta uma qualidade inferior em seus pigmentos. Normalmente, é acrescentada parafina em sua composição, e, com isso, sua permanência não é grande e sua adaptabilidade com outras técnicas é restrita devido seu caráter gorduroso e turvo das cores. Sua su- perfície produz uma textura irregular. Alguns artistas profissionais utilizam, sem objeções, o pastel oleoso. Estudamos que a textura pode ser gerada por linhas, pontos, curvas, li- nhas longas ou qualquer combinação desses elementos. Portanto, a tex- tura pode se apresentar como um padrão regular ou irregular, com leves variações nos formatos ou tamanhos de elementos semelhantes. Vimos também que, se colocarmos uma folha de papel sobre uma superfí- cie que tenha relevo, será possível transferir esse padrão de relevo para a folha de papel, simplesmente, esfregando com uma substância pigmenta- da, e, com isso, obtém-se a técnica de frottage. Você constatou que a escolha do suporte é de fundamental importância para os diferentes tipos de trabalho executados, ou seja, deve-se escolher a técnica ou o processo de reprodução para o tipo de papel adequado a ser utilizado. Este procedimento influencia o resultado pretendido. Falamos sobre a arte final com tinta nanquim, que é altamente corante e apresenta-se principalmente na cor preta, porém há outras cores e é em- pregada especialmente para desenhos e aguadas. Abordamos as questões a respeito da utilização dos sistemas digitais em artes, bem com alguns recursos que o sistema oferece. Representamos alguns dos efeitos visuais obtidos com as contribuições tecnológicas que FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II1�0 UNIMES VIRTUAL podem tornar a comunicação mais imediata ou mais complexa dependen- do da intencionalidade. Dando continuidade, vimos que o suporte digital facilita a vida dos profis- sionais, como o designer, o que justifica a criação de logotipos elaborados por ele, pois a busca por formas expressivas simples e de identificação rápida e criativa, normalmente para empresas comerciais, é um exercício de síntese visual a fim de desenvolver uma melhor representação. Os com- putadores também são capazes de gerar imagens que lembram técnicas ilustrativas, como o pastel, a aquarela, a pintura a óleo e outros efeitos. Por fim, vimos que, embora esses recursos tenham sido implementados prioritariamente para a visualização matemática e científica, muito cedo alguns artistas souberam tirar proveito deles para a exploração de uma nova visualidade dentro das artes plásticas. Referências Bibliográficas MOTTA, E. Iniciação à pintura. 3 ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1989. PEDROSA, I. O universo da cor. Rio de Janeiro: Senac, 2003. _________________. Da cor à cor inexistente. Rio de Janeiro: Ediouro, 1999. MAYER, R. Manual do artista. São Paulo: Martins Fontes, 1999. GUIMARÃES, L. A cor como informação. São Paulo: Annablueme, 2000. ARNHEIM, R. Arte e Percepção Visual. 12 ed. São Paulo: EDUSP, 1998. FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II 1�1 UNIMES VIRTUAL Exercício de auto-avaliação IV 1) A textura se refere à superfície dos formatos. Normalmente são descritas por suaves ou ásperas etc... Por ser um elemento visual. Textura só é possível quando a percebemos pelo tato. Textura é visão. Textura visual só é conquistada pela tridimensionalidade. 2) Se colocarmos uma folha de papel sobre uma superfície que tenha relevo, será possí- vel transferir esse padrão de relevo para a folha de papel, simplesmente, esfregando com uma substância pigmentada. Isso é denominado: Pigmentação. Colagem. Couchê. Frottagem. 3) Como podemos classificar os papéis? Os papéis são divididos em quatro grupos: papéis para impressão de publicações, como livros, revistas, impressos em geral; papéis para escrever, que, além de serem impres- sos, devem ter características próprias para receberem escritas; papéis para embala- gens, que apresentam diferentes graus de resistência com o objetivo de proteger os pro- dutos que serão embalados; e papéis artísticos, que podem assumir diferentes formatos e tamanhos, vastamente utilizados para técnicas artísticas. Papel couchê, papel off set e papel jornal. Os papéis são divididos em quatro grupos: papéis para impressão de publicações, como livros, revistas, impressos em geral; papéis para escrever, que, além de serem impres- sos, devem ter características próprias para receberem escritas; papéis para embala- gens, que podem ser qualquer tipo de papel em qualquer tipo de gramatura, podendo ser, ainda, sacolas plásticas, tecido ou outro tipo de material. N. D. A. a) b) c) d) a) b) c) d) a) b) c) d) FUNDAMENTOS DE EXPRESSÃO E LINGUAGEM BIDIMENSIONAL II1�2 UNIMES VIRTUAL �) Gramatura: É a relação entre a tinta e seu peso depois de seca no suporte. É o peso do papel expresso em gramas, referente a uma amostra com um metro quadra- do de superfície. É uma unidade de medida. Refere-se à dureza do papel. a) b) c) d)