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Tecnologia Farmacêutica Prof.Msc Marcos Alves FORMAS FARMACÊUTICAS SÓLIDAS CÁPSULAS – parte 2 Representação diagramática de como um diluente hidrofílico pode aumentar a taxa de dissolução de um fármaco hidrofóbico pouco solúvel a partir de uma cápsula dura de gelatina (fonte: Aulton; Delineamento de formas farmacêuticas , 4 ed, 2016) Processo de preparação de cápsulas duras • Cálculos • Pesagem • Escolha da cápsulas Processo de pesagem ⚫Pesagem é uma operação unitária que consiste na determinação da massa de um determinado corpo Equipamento para pesagem CAPACIDADE : Peso máximo que pode comportar. SENSIBILIDADE: Menor peso que produz uma mudança no elemento de indicação. LEGIBILIDADE: Menor aumento de peso que pode ser lido em um mostrador. Ex: 0.001g. PRECISÃO: Reprodutibilidade da medida de pesagem. EXATIDÃO: proximidade do peso demonstrado ao peso real,conhecido pelo uso de peso- padrão. Cuidados durante a Pesagem Local bem iluminado; - Bancada firme ou anti-vibratória; - Local livre de poeira e correntes de ar; - Evitar excesso de umidade e calor; - No repouso deixar o equipamento sempre limpo, coberto e sem pesos acima do prato. Procedimento de Pesagem 1. Posicione a balança em uma superfície plana; 2. Verifique o nivelamento da mesma, caso haja desnível, ajustar o nivelamento conforme indicado pela bolha de nivelamento; 3. Coloque sobre o prato o recipiente para pesagem (papel, barquinho de pesagem, recipiente industrial, etc); 4.Tare a balança. 5. Pese o produto desejado sempre em ordem crescente depositando-o lentamente. 6. Após a pesagem ser realizada, retirar o recipiente de pesagem do prato e tare a balança novamente. 7. Limpe, feche e cubra a balança após toda operação. Obs: Todas as balanças deverão estar estabilizadas antes do uso, para isso ligar o equipamento, cerca de meia hora antes dos procedimentos Deve-se realizar diariamente a aferição e ajuste das balanças, utilizando se um peso padrão compatível com o modelo da balança e sua capacidade e de acordo com as instruções do fabricante Cálculos ⚫ Calcular a qde total de princípios ativos (PA’s) ⚫ Conferir a dose posológica unitária (DPU) ⚫ Conferir o número de cápsulas (n) ⚫ Multiplicar n X DPU ⚫ Aplicar os fatores de correção ou equivalência, qdo for o caso. ⚫ Conferir os cálculos Exemplo : Piridoxina ................60mg Cistina.................... 100mg Vit B12 (1:100)...........100mcg Biotina (1:10) ........... 0,2mg 100 caps Quais são os cálculos a serem feitos.? Cálculos ⚫ Considerar o fator de correção de cada sal Fluoxetina base - PM: 309,33 Fluoxetina cloridrato - PM: 345,79 FC = PM sal/ PM base - FC= 1,12 ⚫ A concentração do fármaco ⚫ Diluição de escala Obs: cápsulas “dobradas” ⚫ Hidroxido de aluminio ------300mg ⚫ Hidroxido de magnesio ----300mg ⚫ Simeticine 50%------------ 100mg ⚫ Metoclopramida -------------20mg Método volumétrico para enchimento de cápsulas ⚫ Pesar os componentes do receituário ⚫ Medir o volume em proveta (10 – 1000ml) ⚫ Bater a proveta com cuidado, assentamento do pó ⚫ Obtido o volume, utilizar o gráfico, selecionar o número da cápsula. Exemplo: Gráfico x =25ml para 30 caps 25/ 30 =0,83ml Tamanho da cápsula Volume em ml Capacidade média em mg 0,6g/ml – 1,2g/ml 000 1,37 822 – 1644mg (750mg) 00 0,95 570 – 1140mg (500mg) 0 0,68 408 – 816mg ( 400mg) 1 0,5 300 – 600mg ( 350mg) 2 0,37 222 - 444mg ( 250mg) 3 0,30 180 – 360mg ( 200mg) 4 0,21 126 – 252mg ( 150mg ) Seleção do tamanho da cápsula 0,83 ml Volume cáps 00 = 0,95ml; vol excipiente=0,95 – 0,83ml 0,83 Massa = 0,75g ; densidade 0,9 ; v = m/d = 0,83 ml Homogeneização ⚫ Tamização: ⚫ Operação farmacêutica que tem por objetivo separar frações de uma mistura pulverulenta ou granulado em função do tamanho das partículas presentes. Tem por finalidade obter pós com partículas que tenham um determinado tamanho médio (mesma tenuidade). ⚫ O instrumento para realizar a tamisação é o tamis. O tamis é constituído por um aro de diâmetro variável, apresentando uma das extremidades fechada com uma tela aplicada de modo a ficar bem esticada (foto ). ⚫ As telas utilizadas na fabricação de tamises são de natureza variada: ferro galvanizado, latão, aço inoxidável (preferível para fins farmacêuticos), seda ou fibras sintéticas. ⚫ CLASSIFICAÇÃO DOS TAMISES - Recebe ⚫ uma numeração que corresponde ao número de malhas por polegada linear (2,4 cm ) ⚫ Numeração : 10 / 20 / 40 / 60 / 80 / 100 TÉCNICA DE TAMISAÇÃO : ⚫ Verificar se o tamis é o correto para a tenuidade que se deseja ⚫ A rede do tamis e o produto a tamisar devem ⚫ ser compatíveis entre si. ⚫ Ao realizar uma tamisação poderemos usar um tamis simples ou coberto, sendo aconselhável o último quando se tratar de substâncias tóxicas ou irritantes ⚫ Colocado o produto a tamisar sobre a malha,fazer movimentos alternados para um e outro lado, procurando evitar sacudidas e solavancos. ⚫ O material deve deslizar naturalmente e sem pressão. ⚫ A tamisação é terminada quando não passar mais nada pelo tamis e em nenhum caso deve-se comprimir o pó contra a malha. Mistura / Homogeneização Operação farmacêutica cujo objetivo é conseguir que qualquer amostra da mistura tenha composição idêntica à outra amostra da mistura total. ⚫ A mistura deve ter a mesma composição em todos os seus pontos. Para obtenção de uma mistura homogênea de pós, é ideal que os pós em seu estado inicial tenham uma densidade e tamanho de partículas semelhantes (tenuidade dos componentes). ⚫ Processo Manual:Para quantidades reduzidas, como normalmente requisitadas em formulações magistrais, a mistura é realizada por espatulação ou trituração Espatulação; Trituração Quando a mistura contém vários constituintes em proporções diferentes, é necessário antes, misturar entre si os que estão em menor proporção, e depois adicionar aos poucos, os demais constituintes. ⚫ Processo mecânico: A mistura de quantidades maiores de pós deve ser realizada em misturadores de pós com corpo móvel, como o misturador em V ou misturador cúbico Adaptações para pequenas qdes. ⚫ Mistura por diluição geométrica ⚫ Esta técnica deve ser empregada para mistura de dois ou mais componentes em pó presentes em quantidades diferentes entre si em uma formulação. ⚫ O procedimento de diluição geométrica é descrito a seguir: ⚫ 1. Pesar os componentes da preparação separadamente. ⚫ 2. Verter o componente presente em menor quantidade no gral. ⚫ 3. Selecionar o próximo componente presente em quantidade maior que o primeiro e verter para o gral uma quantidade aproximadamente igual ao volume de pó do primeiro componente. ⚫ 4. Triturar bem os pós até a obtenção de uma mistura uniforme. ⚫ 5. Adicionar um volume de pó do segundo componente em uma quantidade equivalente ao volume da mistura presente no gral. Triture bem. ⚫ 6. Continuar adicionando o pó no gral desta forma, sempre acrescentando um volume equivalente ao volume da mistura de pós presente no gral até a completa adição dos componentes. ⚫ Obs: ⚫ As diluições normalmente empregadas são de 1:10, 1:100 ou 1:1000, dependendo da faixa de dosagem usual do fármaco ⚫ Um corante alimentar certificado (ex, carmim, vitamina B2) pode ser adicionado ao fármaco com o objetivo de se avaliar visualmente o progresso posterior da mistura. Normalmente, estes corantes são utilizados na proporção de 0,1 a 0,5% do peso total da diluição. ⚫ O corante pode ser utilizado na forma de pó seco ou previamente diluído em quantidade suficiente de solvente volátil . ⚫ Ex.: Triiodotironina (T3) 1,0 g diluir para 1000 g de diluente inerte: ⚫ 1,0 g de T3 + 1,0 g diluente = 2,0 g ⚫ + ⚫ 2,0 g + 2,0 g diluente = 4,0 g ⚫ + ⚫ 4,0 g + 4,0 g diluente = 8,0 g ⚫ + ⚫ etc... Encapsulação⚫ A encapsulação é o processo onde os componentes ativos e diluentes previamente misturados são acondicionados em cápsulas de tamanho adequado. (escolhido na fase anterior) ⚫ Procedimento: (1). Os componentes ativos da formulação e diluentes deverão estar previamente misturados. (2). Selecionar a placa perfurada correspondente ao tamanho de cápsula que será utilizado na elaboração da formulação. (3). Encaixar a placa sobre a base do encapsulador. Colocar uma haste para regulagem da altura da placa, de cada lado da base, de acordo com o tamanho de cápsula utilizado. (4). Caso o número de cápsulas a ser preparada seja menor que a capacidade total da placa, utilize o limitador de campo da placa para segregar o espaço correspondente à quantidade de cápsulas que será preparada. ⚫ (5). Colocar uma folha de papel manteiga sobre a bancada e sobre esta, o aparelho encapsulador. O técnico encapsulador deverá observar ordem de manipulação a especificação da cápsula que será utilizada (tamanho, cor, etc). ⚫ (6). Preencher os orifícios da placa do encapsulador com as cápsulas fechadas vazias, de acordo com a quantidade solicitada na fórmula, observando com atenção o tamanho e a cor da cápsula a ser utilizada. ⚫ A cápsula deverá ser inserida introduzindo o corpo (a parte maior da cápsula) desta no orifício. Desta forma o corpo da cápsula fica em contato com a base do encapsulador. ⚫ (7). Remover manualmente a tampa da cápsula (parte menor da cápsula). ⚫ Adicionar a mistura de pós (fórmula), previamente pesada e homogeneizada, vertendo-a gradualmente sobre a placa com as c.ápsulas vazias abertas. ⚫ (8).Espalhar cuidadosamente, com a ajuda da espátula, o pó sobre a placa até que o conteúdo esteja uniformemente distribuído entre as cápsulas, bata a placa sobre a bancada de maneira ritmada (ou utilize uma base vibratória) mantenda-a na posição horizontal para que os pós se acomodem uniformemente (não bater de forma angulada). ⚫ (9).Após o preenchimento das cápsulas, os bastões reguladores da altura da placa deverão ser abaixados. Em seguida, recolocar as tampas das cápsulas. ⚫ (10).Travar a tampa ao corpo da cápsula, exercendo uma pressão com a palma da mão (encapsulador manual) ou com o sistema de travamento (encapsulador semi- automático ou automático). A pressão não deverá ser exercida em excesso, pois existe o risco de se deformar as cápsulas. ⚫ (11). Após o travamento das cápsulas, retirar os bastões reguladores da altura da placa. Em seguida, as cápsulas deverão ser retiradas da placa e limpas (deve-se retirar o pó aderido na cápsula) e ⚫ acondicionadas na embalagem. Os potes de plástico (embalagem) para o acondicionamento das cápsulas serão escolhidos em função da quantidade e do tamanho das mesmas. ⚫ (12). Conferencia: ⚫ Avaliar visualmente as cápsulas (deformação, limpeza, amolecimento, quebra, pintas e manchas). ⚫ Verificar o travamento das cápsulas. A tampa da cápsula deve estar completamente atachada ao corpo da cápsula. ⚫ Avaliar o peso médio das cápsulas, observando se as mesmas atendem aos requisitos farmacopeicos Capacidade de produção: 1500 a 11000 cápsulas/h Encapsuladora Semi-automática Controle de Qualidade ⚫ uniformidade de peso (peso médio); ⚫ uniformidade de conteúdo; ⚫ teor; ⚫ teste de desintegração; ⚫ teste de dissolução.