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Psicologia Comunitária O PAPEL DO PSICÓLOGO COMUNITÁRIO » Devem promover a organização e conscientização da população dos setores oprimidos da sociedade, com foco na participação, detecção de alternativas de forma dialogada e promoção da autogestão ENTREVISTA E OBSERVAÇÃO » Consulta: solicitação de assistência técnica ou profissional » Anamnese: compilação de dados preestabelecidos que permite a síntese da situação presente e da história do indivíduo, de sua doença e saúde. » Entrevista = RELAÇÃO: estudo e utilização do comportamento total do indivíduo em todo o curso da relação estabelecida (no decorrer da entrevista – relações interpessoais), que procura saber o que está acontecendo e deve atuar segundo esse conhecimento. INFLUÊNCIAS PARA O DESENVOLVIMENTO DA TÉCNICA: → Psicanálise: dimensão inconsciente do comportamento → Gestalt: o entrevistador como um integrante e elemento da totalidade → Topologia: o campo e suas leis, enfoque situacional → Behaviorismo: observação do comportamento = consiste em procedimento de observação em condições controladas/conhecidas. Psicologia Comunitária: Conceito de Comunidade ➤ Pedrinho fala dessa ideia de pertencimento em 4 grandes eixos: relações sociais, grupos, tipos de relações e relações comunitárias. RELAÇÕES SOCIAIS “Uma coisa que não pode ser ela mesma se não houver outra [...] para completa-la, continuando ser ela mesma uma” ✦ Na Prática: Percebidas de forma dialética ✦ Na Filosofia: → Liberal ↳ Se veem como indivíduos ↳ Individualista → Humanista ↳ Se veem como pessoa-relação, que em si mesmos implicam outros. ↳ Singular, mas pleno de outros → Sociologismo “Crasso” ↳ Se veem como ponte da totalidade. Sua existência é dada pelo todo (coletivo, estado, instituição) ↳ Totalitarismo RELAÇÃO DE DOMINAÇÃO » Uma das partes expropria, rouba, apodera-se do poder (capacidade) de outro, e passa a trata-lo de maneira desigual = ASSIMÉTRICA ↳ A ideologia sustenta relações de dominação, pois amenizam e justificam a expropriação. → Ideologia: o emprego de formas simbólicas para criar, sustentar e reproduzir determinados tipos de relações. ↳ Irá permitir o julgo de valor (juízo). ↳ Vai estabelecer a régua do que é positivo ou negativo. Ligando qualidades à características valorativas a determinadas pessoas ou coisas (= estereótipo, preconceito, etc.) DIFERENTES FORMAS DE DOMINAÇÃO 1. Econômica: expropria a capacidade (poder) de trabalho de outra pessoa ↳ Costuma ser consequência de outras dominações, como a capacidade de sobrevivência e reprodução da vida material; 2. Política: é um conjunto de práticas e atividades humanas que envolve poder do homem sobre o homem para obter vantagem na tomada de decisão, com efeitos vinculantes para todos os membros de um determinado grupo. ↳ A dominação pressupõe o antagonismo de classes ou estratos ou castas. 3. Cultural: Conjunto de práticas, valores e gostos inculcados – naturalizados, cristalizados no corpo – por segmentos ou grupos sociais específicos, estabelecendo uma relação hierárquica e valorativa da cultura oficial. ↳ Habitus pressupõe o reconhecimento e valorização do capital simbólico. Ex: racismo étnico- racial; patriarcalismo, institucionalismo, religioso, profissional, etc. RELAÇÕES COMUNITÁRIAS » Pressuposto: a prática comunitária nos conduzirá à uma sociedade mais democrática, participativa e igualitária. » Comunidade: uma associação que se dá na participação profunda dos membros, a partilha do que são (e não somente o que tem – material, técnica, etc.) → O conceito de comunidade implica em comunhão de objetivos, mesmo que se parta de uma complexidade vivencial, dos indivíduos pertencentes a essa rede. - Segundo K. Marx: Além de possuir a sua identidade/singularidade, possui a possibilidade de participar (de ser, de falar e ser ouvido e ouvir). → Individualismo Grosseiro ↳ Fundamentado na ideia Liberal. Indivíduos isolados, autossuficientes, absortos de si ↳ Competição → Comunal (igualitário) ↳ Fundamentado na ideologia Humanista. Sujeitos singulares que necessitam do outro para sua plena realização, em cooperação cidadã ↳ Democracia → Totalitário ↳ Fundamentado na ideologia Fundamentalista (partido único). Como parte de um todo superior do individuo a serviço do Estado/Instituição ↳ Anulando Subjetividade A prática do Psicólogo Comunitário – Objetivo e Fundamentos RELAÇÃO PSICÓLOGO-COMUNIDADE » Processo longo cheio de imbricações ↳ Necessidades vividas e sentidas e os compromissos decorrentes ↳ Adoção de estratégias de intervenção guiadas pela melhoria da vida ↳ Ações e intervenções relevantes na comunidade e na vida das pessoas » A prática da psicologia comunitária deve estar fundamentada na visão de: → Sujeitos históricos como singulares que necessitam de outro para a sua plena realização; → Deve estimular a cooperação cidadã, o exercício participativo dos direitos, com igual poder de voz e vez. ◦ Práticas libertadoras na América Latina » Premissa 1: O compromisso social de transformação e libertação do povo oprimido e explorado, construindo sujeitos comunitários e autônomos ↳ Compromisso não é inato, ele também é construído assim como a consciência. ↳ Ninguém nasce com compromisso nenhum é a cultura que nos impregna. » Premissa 2: Sujeitos históricos ativos, são produto e produtor do meio. ↳ O meio nos dá conteúdos, aprendemos e herdamos na cultura que estamos inseridos, pelas relações sociais que estabelecemos, mas também produzimos relações e meios. (Herdado + compromisso de continuá-la e realizar novas saídas) » Premissa 3: Querer ser livre, é também querer livre o outro. ↳ Para se pensar em libertação, preciso reconhecer a liberdade do outro. ↳ Todo mundo é livre (só assim, estará garantida a minha liberdade). » Premissa 4: igualdade como possibilidade de se autodeterminar enquanto sujeitos dotados de poder e potência. ↳ Nós temos a mesma potência, poder, como sujeitos ativos, de transformar a nós mesmos, o grupo e a realidade. » Premissa 5: uma postura de indignação ética (recusa, inaceitável) frente a pobreza, miséria e opressão. ↳ É não aceitar que sejam naturalizadas a pobreza, miséria, opressão, violência, violação de direitos (tanto como sujeitos, mas também como sociedade). ↳ É sempre tomar o partido do oprimido, independentemente da batalha. ↳ É preciso conhecer a história, pois histórias únicas não permitem reconhecer as diferentes posições e experiências dos sujeitos. ↳ É falar somente de uma história só dos vencedores e não também dos vencidos. ↳ Somos latino-americanos e temos uma história marcada pela violência. ↳ Quando nos vemos desafiados, tendemos à recorrer ao que conhecemos, não é atoa que recorremos à violência, nós a conhecemos muito bem, sem dúvidas. ↳ Trecho do Texto: A conquista da América – Tzvetan Todorov. Este fragmento é um relato registrado em diário de um “vencedor”/”conquistador” EDUCAÇÃO LIBERTADORA (Paulo Freire) » Permitiu afastar-se das clínicas sociais » Educação seria o grande caminho para a mudança social, para a formação de sujeitos, atores e autores de seus processos históricos e cotidianos de emancipação coletiva e individual » Partindo de processo de conscientização observa-se um movimento de imersão na vivência cotidiana e leitura crítica da realidade vivida e de reinserção do sujeito em seu contexto, agora de modo crítico e propositivo, transformando essa realidade a partir da transformação desse sujeito. → Estratégias: Tirar os elementos de naturalização ou de idealização ↳ Diálogo ↳ Colocar o problema no centro (implicações – diálogo problematizador. ↳ Retorno à realidade com outros olhos = Tomada de consciência (vivência e vivido) → Conceitos presentes: ✦ Diálogo: como ampliação das possibilidades de compreensão da realidade e dos problemas ✦Problematização: começa com o diálogo e desenvolve na consciência dos indivíduos, ✦ Conscientização ✦ Círculo de cultura✦ Cisão de sujeito e de mundo ✦ Práxis ✦ Relação entre conhecimento científico e popular ✦ Tipos de consciência. → Compromisso: Coloca-se ao lado das classes ou grupos que vêm sendo historicamente negados e oprimidos, expropriados de seu valor humano, de seu direito à vida plena e generosa em possibilidades. ↳ Implica em empenhar-se em prol da mudança de um dado modelo de vida social; ↳ Da transformação profunda das estruturas coletivas sócio-históricas que engendram os processos subjetivos individuais, a identidade e sua expressividade singular. TEORIA ROGERIANA (CARL ROGERS) » Conceitos como uma possibilidade de compreender o campo fenomenal dos indivíduos e comunidades. ↳ Ampliou sua teoria voltada para a área clínica para outras relações de desenvolvimento humano com grupos nas escolas, nas comunidades e na mediação de conflitos internacionais. ↳ FOCA AS POTENCIALIDADES DOS SUJEITOS (não as fragilidades) como condições facilitadoras desse processo, pois o sujeito tende ao crescimento. ↳ O grupo, em si, é um organismo e por isso também tende à autorrealização quando há um clima favorável (cada indivíduo é parte constituinte e fundamental para o crescimento do todo) » Conceito: → Valor pessoal – sentimento de valor intrínseco que se manifesta quando a pessoa entra em contato com o seu núcleo de vida, uma tendência natural para a realização. ↳ Sentir-se capaz de viver, gostar de sim mesmo, acreditar na sua capacidade de conviver e realizar trabalho. → Poder pessoal – a capacidade de influir na construção de relações saudáveis com os outros e com a realidade. ↳ É a potência com que se vive a cada momento buscando o crescimento de si e do outro. ↳ São emoções de expressão do núcleo de vida historicamente bloqueado pelas forças dominantes da ideologia de submissão e resignação, em que o psiquismo é forjado na busca constante pela sobrevivência. → NECESSIDADE DE CLIMA PSICOSSOCIAL FAVORÁVEL A ACEITAÇÃO DE SI E DO OUTRO, a capacidade de sentir o outro, a congruência de ideias, sentimento e ações, acrescidas ainda do diálogo, da organização comunitária e da luta reivindicatória. BIODANÇA (Rolando Toro) » Abordagem de desenvolvimento humano dirigida para a promoção e integração de identidade, para a renovação orgânica, a reeducação afetiva e a reaprendizagem das funções originais de vida. » Metodologia que consistem em induzir vivências integradoras, organizadas em 5 linhas de expressão do potencial biológico: vitalidade, sexualidade, criatividade, efetividade e transcendência. ↳ E pela combinação de música, integração grupas e dança (como movimento expressivo, espontâneo e estético). ↳ Espera-se encontrar um acesso privilegiado a dimensão pré-reflexivas da identidade, as quais dificilmente podem ser acessadas pela linguagem verbal ou pela atividade racional. → Conceito: Vivência – a experiência vivida com grande intensidade por um indivíduo no momento presente, que envolve cinestesia, as funções viscerais e emocionais. → Método de facilitação: onde o paradigma da racionalidade passa a ser lente para a leitura da realidade. ↳ Faloriza as formas de relação e conhecimentos possíveis a partir do princípio biocêntrico e resgatando a sensibilidade humana como possibilidade do ser sensível, de transitar pelo mundo sensível. ↳ Facilita o processo de conscientização por vivências integradoras. PSICOLOGIA HISTÓRICO-CULTURAL (Vigotsky, Leontiev, Luria) » Noção de desenvolvimento humano que aponta para a compreensão interacionista de homem e mundo, sob o viés do materialismo histórico dialético ↳ As condições materiais definem as possibilidades de ser do sujeito: → A compreensão: teórica → Transformação – práxis - da realidade, onde o ser social determina a consciência. Vygotski ✦ Funções Psicológicas Superiores surgem como uma evolução das funções elementares do ser humano por intermédio do processo de internalização que se dá pela inscrição dos sujeitos na cultura, no universo simbólico partilhado, com os objetos e com o legado simbólico de seu contexto histórico-cultural. Teoria da Atividade de Leontiev ✦ Atividade humana pode ser entendida em termos de transformação da realidade objetiva (atividade instrumental) e transformação subjetiva (atividade comunicativa). ✦ Entende que as práticas culturais têm efeitos profundos sobre a construção do psiquismo dos sujeitos, que se constrói a partir da relação entre atividade subjetiva e objetiva. ✦ Precisam articular desenvolvimento pessoal com desenvolvimento coletivo por meio da atividade comunitária da valorização das potencialidades locais e da formação e fortalecimento das redes comunitárias. ✦ Deflagra processos como a autonomia dos sujeitos, o fortalecimento da identidade, desenvolvimento de consciência e da responsabilidade comunitária. » Ampliação da análise da relação do sujeito com signos e sentidos engendrados culturalmente, vividos no contexto das comunidades, superação das dicotomias entre individual e social, relações desenvolvidas entre morador (sujeito) e a realidade social (comunidade). PSICOLOGIA DA LIBERTAÇÃO (MARTIN-BARÓ) » Volta-se para a compreensão da atividade comunitária como atividade social significativa (consciente), própria do modo de vida (objetivo e subjetivo) da comunidade; ↳ Abarca seu sistema de significados e relações, modo de apropriação do espaço, a identidade pessoal e social, a consciência, o sentido de comunidade e os valores e sentimento aí aplicados. ↳ Tem o objetivo de construir o sujeito da comunidade pelo aprofundamento da consciência dos moradores com relação ao modo de vida da comunidade » Posiciona-se na busca de respostas para os graves problemas de injustiça estrutural e desigualdade sociais, situando seu fazer a partir das circunstâncias concretas dos latino-americanos (contra opressão, servilismo e violência estruturadas no modo de produção capitalista). » Visa a construção de sujeitos críticos para transformação das condições desiguais econômicas e opressão política, por isso propõe politica revolucionária das dimensões macro e microssocial. » É preciso DESNATURALIZAR A OPRESSÃO (enfrentar o fatalismo – advindo da consciência mágica ou semi-transitiva, quando as pessoas naturalizam os acontecimentos e não se percebem com capacidade de mudar a realidade “[...] comprometidas com a construção de uma realidade latino-america livre, autônoma e amorosa. Poder ser um sonho, mas o que seria de nbós sem nossos sonhos, principalmente este que são construídos coletivamente. Temos consciência dos problemas e das dificuldades vivenciadas pela classe oprimida e pobre, mas sabemos que possui muitas potencialidades, poder pessoal e valor pessoal para enfrentar os obstáculos e construir uma nova realidade” Princípios para atuação dos psicólogos (Martin Baró): 1. Propiciar uma forma de buscar a verdade desde as massas populares 2. A criação de uma nova práxis psicológica para transformar as pessoas e as comunidades, reconhecendo suas potencialidades negadas 3. Desfocalizar as preocupações de cientificidade e de status da produção psicológica latino-americana e dedicar-se mais aos problemas urgentes das maiorias oprimidas do continente. Isso requer um comprometimento profundo e total com um povo Regime Político: » Formas que determinam e ordenam as possibilidades de vida ↳ TERRORISMO DE ESTADO: aterroriza a população através de ações sistemáticas e violentas levadas à cabo por aqueles que deveriam ser força de segurança ✦ Ideologia = econômico ✦ Organização = Sociopolítica ✦ Regulação = Classes Sociais ✦ Historicidade = Herdado – cravado na geografia » Desideologização: desnaturalizar a opressão ✦ Dialética ✦ Decodificação ✦ Recuperar a memória ✦ Desmascarar o universo simbólico = tomada de consciência “por libertação entendemos a emancipação daqueles grupos sociais que sofrem opressão e carência, daquelas maiorias populares marginalizadas dos meios e modos para satisfazer dignamente as necessidades, tanto básica quanto complementárias e para desenvolversuas potencialidades, para se autodeterminar [...].” Conscientização – o que de psíquico há nele e que merece nossa atenção? » Pressuposto: Reconhecer a imbricação da realidade na formação do psiquismo » Definição: ↳ Tomar posse da realidade, a partir de um olhar mais crítico e possível da realidade ↳ “Desvelar” para conhecer a realidade da estrutura dominante. ✦ 3 tipos de sociedade → 3 tipos de consciência → 3 posturas dos agentes Tipos de Sociedade: » Fechada: pressupõe desigualdade extrema entre elite cada vez mais rica e maioria cada vez mais pobre, subjugada a interesses alheios a suas principais demandas. » De transição: implica na importação de modelos descontextualizados em detrimento da resolução das questões mais urgentes que compõe as contradições sociais e posturas assistencialistas. » Aberta: relação mais direta entre elite e população em geral, sendo o contexto levado em conta na efetivação das ações, em que há maior autoconfiança de seu povo e população é mais dialógica para a compreensão mais profunda de suas questões. Tipos de consciência Definição » Semi- transitiva: é a limitação de sua esfera de apreensão, o indivíduo apreende a realidade de modo quase vegetativo. Compreendida de maneira cristalizada e terminada, não estaria em relação com o mundo, mas apenas em contato com ele, numa estagnação numa realidade já acabada. Consciência mágica, onde lhe é próprio o fatalismo, a impossibilidade de fazer algo diante do poder dos fatos. » Transitiva: é predominantemente ingênua, caracteriza-se pela simplicidade na interpretação dos problemas, pela tendência a julgar que o tempo melhor foi o tempo passado e um gosto acentuado pelas explicações fabulosas, com forte teor de emocionalidade, onde não predomina o diálogo, mas a polêmica, fornece condições para que se pudesse implantar qualquer tipo de tirania contra os seres humanos, tem como apelo a emoção e a firme postura de um grande protetor, que não precisa ter algum tipo de preparo específico para administrar. » Transitiva- crítica: é caracterizada pela profundidade na interpretação dos problemas, pela substituição de explicações mágicas por princípios causais, por procurar testar os achados e se dispor sempre à revisão, por despir- se ao máximo de preconceitos na análise do problema, esforça-se em evitar deformações, funda-se na prática do diálogo e não da polêmica, pela receptividade ao novo (o velho e o novo como igualmente válidos), pressupõe uma cidadania ativa que aprofunda a problematização dos fatos, aberta, democrática, e ao mesmo tempo mais inquieta. Por uma concepção política na psicologia Tipos de Sociedade Tipos de Consciência Expectativa de atuação Fechada Semi-transitiva Assistencialista De transição Transitiva Apaziguador Aberta Transitiva-crítica Processo de construção PAPEL DO PSICÓLOGO: » “Contribuir para a transformação da realidade de opressão”; » “Processo de transformação pessoal e social que experimentam os oprimidos quando se alfabetizam em dialética com seu mundo”; » “Pessoas assumam seu destino, que tomem as rédeas de sua vida”; » Atingir um saber crítico sobre si mesma sobre seu mundo e sobre sua inserção nesse mundo Atividade comunitária e conscientização: esboço de uma relação 1. Imbricação entre realidade material e subjetiva (dialética) 2. Eticamente abandonar neutralidade 3. Epistemológico: dialética entre realidade natural, social e pensamento 4. Consciência organiza-se no ato de transformar a realidade (≠ adaptação) 5. Diálogo como exigência existencial (local de fala – dar voz e vez ao oprimido) 6. Cada um tem a possibilidade de escrever de modo coletivo a história de todos <reconhecimento do outro> 7. Trabalho coletivo como mecanismo de interiorização da realidade físico-social como mudança e expressão do indivíduo 8. Psiquismo como resultado de relações, interações reais entre sujeito material vivo, altamente organizado, e a realidade que o cerca FORTALECIMENTO » DEFINIÇÃO: “[...] entende-se o processo mediante o qual os membros de uma comunidade (indivíduos interessados e grupos organizados) desenvolvem conjuntamente, capacidades e recursos para controlar sua situação de vida, atuando de maneira comprometida, consciente e crítica para alcançar a transformação de seu entorno segundo suas necessidades e aspirações, transformando, ao mesmo tempo, a si mesmo (monteiro, 2003)” (p.65). » Processo capaz de desenvolver recursos para controlar sua situação de vida, transformando o entorno e a si mesmo conforme suas necessidades » Processo para desenvolver e potencializar capacidades e obter e administrar recursos com a finalidade de alcançar formas de bem-estar pessoal e coletivo = CAPACIDADE DAS PESSOAS DE DIRIGIR AS SUAS CIRCUNSTÂNCIAS DE VIDA » Pressupõe caráter político pela ocupação do espaço público (direitos, serviços, etc.) OBJETIVOS: 1. Gerar e facilitar ações e possibilidades para que os atores sociais adquiram controle sobre o entorno e desenvolvam os recursos necessários para realizar as transformações desejadas para obter bem-estar coletivo e pessoal em liberdade 2. Consigam superar condições marcadas pela desigualdade, opressão, submissão e exploração 3. Desenvolver ações libertadoras dessas condições 4. NÃO DEVE SER ALGO DE FORA! DEVE VIR DE DENTRO (envolvimento de cada membro) O que é DESIGUALDADE? » É definida pelo acesso diferenciado a recursos tanto de ordem material como simbólica, caracterizando o contexto no qual sujeitos se desenvolvem e constroem objetiva e subjetivamente. » Representa uma construção coletiva-histórica do acesso diferenciado aos recursos materiais e simbólicos e, ao mesmo tempo, moldam de forma diferenciada as relações sociais, os comportamentos, as identidades e as soluções para o enfrentamento. » Representa uma construção coletiva-histórica do acesso diferenciado aos recursos materiais e simbólicos ↳ ao entrelaçar as dimensões objetivas e subjetivas, molda de forma diferenciada as relações sociais, os comportamentos, as identidades e as soluções para o enfrentamento. EM QUE IMPLICA A DESIGUALDADE? » A desigualdade estrutura as relações sociais, consolidada cotidianamente nas relações estabelecidas pelos sujeitos » Naturaliza-se a partir de práticas reiteradas por crenças e valores. » Implica no reconhecimento da economia como campo LIMITADO para a superação das desigualdades » Reconhecimento da efetividade das políticas sociais, tanto de discriminação positiva como de medidas de ação afirmativa. » Segundo critérios contingentes e culturalmente assentados define-se quem pode e quem não pode ter acesso a determinados direitos, que na prática representam recursos simbólicos e materiais que se traduzem não como direitos, mas como privilégios. A cada tempo o que hoje a chama de desigualdades se manifestava e eram compreendida de forma distinta e, portanto, as respostas como políticas públicas também são diferenciadas. A ideia do sujeito de direito e a ideia do sujeito de caridade são concepções que vivem ainda em conflito. Herdamos este modelo de estado paternalista, da caridade, do dever, do doar, é difícil romper com este modelo e construir espaços de construção da cidadania ativa (que promova novas sociabilidade, mais solidárias, novas consciências, individuais e coletivas). POLÍTICAS PÚBLICAS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL » A política de Assistência Social está dividida entre graus de complexidade da proteção social: básica e especial de média e alta complexidade para melhor gestão das ofertas. » A estruturação do SUAS e de seus sistemas de proteção básica e especial são a grande porta de entrada de psicólogos na assistência social, uma vez que tanto na estrutura organizacional dos CRAS quanto no CREAS, a equipe assistencial tem o psicólogo como um dos profissionais de referência. » Os desafios para o trabalho do psicólogo na Assistência: ↳ Trabalhar de modo integrado à perspectiva interdisciplinar ↳ Intervir de forma integrada com o contexto local ↳ Agir baseado na leitura e inserção no tecido comunitário ↳ Identificare potencializar os recursos psicossociais, tanto individuais como coletivos, ↳ Atuar a partir do diálogo entre o saber popular e o saber científico da Psicologia, ↳ Favorecer processos e espaços de participação social, mobilização social e organização comunitária, contribuindo para o exercício da cidadania ativa, autonomia e controle social, evitando a cronificação da situação de vulnerabilidade; ↳ Manter-se em permanente processo de formação profissional. ↳ Deve contribuir para o fortalecimento das funções protetivas das famílias, indivíduos e comunidades, ↳ Deve oportunizar processos de emancipação social o que exige a superação das situações de vulnerabilidade e risco sociais em que as pessoas se encontram ↳ Promover o resgate do valor pessoal (autoestima) e o poder pessoal (capacidade) dos cidadãos ampliando o respeito de si e do outro, para fugir de medidas e respostas paliativas ou apaziguadoras e buscar, no diálogo, intervir nas causas. ↳ Possibilitar vivências solidárias e conscientização sócio-histórica para fortalecer os sujeitos no exercício de uma cidadania ativa ↳ As práticas psicológicas NÃO devem categorizar, patologizar e objetificar as pessoas atendidas.