Prévia do material em texto
1 Bubalinocultura → O búfalo (Bubalus bubalis) tem sua origem na Índia, passando para a Europa, África, chegando até o Brasil. Atualmente, os rebanhos de búfalos se concentram principalmente na região Nordeste do país, com destaque no Pará, especificamente na Ilha de Marajó, a qual possui uma topografia favorável (planície) e considerada ma região alagada (quente e úmido). O sucesso da introdução desse animal nessa área se deve também, além de fatores ambientais, a fatores sociais, uma vez que o búfalo ainda, no Brasil, sofre grande preconceito. Como haviam poucas pessoas nessa região do Pará, a introdução do búfalo foi bem sucedida. → A maioria dos búfalos é criado em área tropical caracterizadas por apresentar períodos secos e chuvosos bem delimitados. Alguns consideram que nestas condições o búfalo se desenvolve melhor que os bovinos em função da maior capacidade de aclimatação, resistência às intempéries ambientais, adaptação em ambientes pantanosos e principalmente por possuir maior capacidade de digerir forragens com maior teor de fibra bruta. → Os búfalos possuem dois tipos de nomenclatura: Búfalo de rio: Bubalus bubalis, variedade bubalis – é o búfalo doméstico ou indiano, abrangendo os búfalos da Índia, Paquistão, China, Turquia e de vários países da Europa e América. Os búfalos provenientes da Itália também pertencem a esta subespécie. É denominado mundialmente de búfalo de rio ou “river buffalo”. Búfalo de pântano: Bubalus bubalis, variedade kerebau – é encontrado no Ceilão, Indochina, Ilhas da Indonésia e Filipinas. É o Carabao, que na Região Amazônica recebe a denominação de Rosilho ou búfalo de coleira. Mundialmente é conhecido como “búfalo do pântano” ou “swamp buffalo”. → Existe ainda uma terceira espécie, o Bubalus bubalis, variedade fulvus, que ainda não possui uma nomenclatura definida. É menor que a anterior e de coloração pardacenta ou avermelhada, nativo das regiões altas do nordeste da Índia, especialmente do Assam, vivendo geralmente em estado selvagem ou semidoméstico. No sul da Ásia, existem dezoito raças de búfalos de rio reunidas em cinco grandes grupos, apresentados na Tabela abaixo. Pode-se mencionar, também, como búfalo de rio o Preto ou Italiano (“Italian buffalo”) que, no Brasil, corresponde à raça Mediterrâneo. Na Tailândia, China, Filipinas, em outros países da parte leste da Ásia e no Brasil é, também, encontrada outra raça, ou seja, a Carabao ou búfalo de pântano, que no Brasil, no passado, na ilha de Marajó era denominado de Rosilho. → Origem: o búfalo de rio tem sua origem no sudoeste asiático e búfalo de pântano no sudeste deste continente. Sua origem filogenética provém da espécie selvagem Bubalus arni, o qual foi domesticado. 2 → Classificação: zoológica: zootécnica: 1. Domésticos: búfalo de rio e búfalo de pântano; 2. Selvagens: Arno, Tamaro, etc. 3. Verdadeiros: domésticos; 4. Não-verdadeiros: “búfalos” africano (Syncerus cafer cafer - 52 cromossomos), americano (Bison bison – 60 cromossomos) e europeu (Bison bonasus – considerado extinto). Esses animais não são especificamente considerados búfalos, porém, através da linguagem popular por serem bastante parecidos com os búfalos propriamente, são comumente chamados assim. → A bubalinocultura no Brasil pode ocorrer de dois tipos: Reino: Animalia Filo: Chordata Classe: Mammalia Ordem: Artiodactyla Família: Bovidae Subfamília: Bovinae Tribo: Bovini Género: Bubalus Espécie: B. bubalis 3 I. Tradicional: uso de grandes áreas (latifúndios); baixo nível de manejo; grande uso dos recursos naturais; baixa produção; II. Moderna: não se faz uso de grandes áreas; melhoria do manejo; baixo uso de recursos naturais; alta produção. → Os cruzamentos interespecíficos são possíveis. Cruzamentos entre bisão e gado europeu originou o beefalo (do inglês beef, que significa carne bovina) na década de 70, na Califórnia, EUA. Isso ocorreu através das técnicas de melhoramento genético animal, utilizando-se dois absorventes e um retrocruzamento. Por isso acredita-se que a composição genética do beefalo seja de 3/8 bisão e 5/8 boi europeu. O esquema abaixo mostra os intercruzamentos possíveis: → Características físicas: → Os búfalos são no geral negros, onde a cor da pelagem em 99% dos animais é negra e 1% rosilha e a cor tanto da pele quanto das mucosas também são negras. A epiderme é mais grossa que a de bovinos e usualmente escura, em virtude da alta concentração de melanina. Essas características, adicionadas à cabeça e aos chifres grandes quando comparados ao bovino, fazem com que esses animais sejam pela cultura popular, comparados com o demônio ou relacionados a este. → Apesar da adaptabilidade às mais variadas condições ambientais, os búfalos possuem particularidades estruturais e funcionais específicas. A epiderme é mais grossa que a de bovinos e usualmente escura, em virtude da alta concentração de melanina. Sua cor negra confere a esses animais proteção aos efeitos U.V. e grande absorção de calor (70 a 90%). Animais nascidos albinos devem ser descartados ou mantê-los somente para uso ornamental. Devido a essas características, pode-se utilizar o couro na produção e a espessura deste é maior que dos bovinos, pois aumenta conforme aumenta a área de pele do animal em desenvolvimento. 4 → O búfalo contém poucas glândulas sudoríparas, entre 100-200 / cm2 de pele, enquanto que bovinos europeus têm 800 - 1000 e zebuínos podem chegar a 3000/ cm2. Existem dois tipos de glândulas na pele, as apócrinas e as écrinas. As glândulas sudoríparas apócrinas têm um papel menor na termorregulação, estão associadas ao folículo piloso (de onde saem os pelos) e não estão envolvidas no processo de sudorese. A hipersecreção das glândulas écrinas é que causam a sudorese. As glândulas sudoríparas no búfalo são do tipo apócrinas semelhantes as dos bovinos europeus de clima temperado, ao contrário das de zebuínos que são do tipo écrina mais eficientes e iguais as do cavalo. Assim, comparativamente com os zebuínos os búfalos não perdem calor significativamente pelas glândulas sudoríparas. Mas toda espécie animal consegue se adaptar ao longo do tempo para sobrevivência em seu ambiente. Apesar de a escassez de glândulas sudoríparas fazer com que a perda de calor desses animais sejam menores do que nos bovinos, eles apresentam altas taxas de sudorese em ambientes de temperaturas elevadas, sendo a forma cutânea a principal para a termorregulação desses animais. → As glândulas sebáceas dos bubalinos são volumosas e possuem maior atividade secretória que as de bovinos. O óleo causa mais reflexão da radiação solar além de contribuir na proteção de substância tóxicas da água. → O número de pêlos/cm 2 da superfície corporal decresce com a idade, tornando o animal quase glabro na idade adulta. Os pêlos são relativamente longos e grossos e se implantam na pele. Sob reduzida densidade de pêlos, não se forma uma camada de ar isolante sobre a pele, como acontece nos bovinos, favorecendo, portanto, a dissipação do calor corporal. Por outro lado, se a pele escura protege os animais da radiação ultravioleta do sol, a ausência de uma camada de pêlos reflectiva sobre a pele torna o animal susceptível às radiações infravermelhas que são absorvidas devido à cor escura da pele. Dessa forma, o búfalo é muito sensível quando exposto à radiação solar direta mas em condições de sombra, ele atua como um típico “corpo negro” radiador de calor,pois recupera seu equilíbrio térmico rapidamente. → Em virtude das características da pele, como baixo número de glândulas sudoríparas e reduzida quantidade de pêlos, o búfalo procura a imersão na água ou charfudação na lama para manter a homeotermia e se livra do estresse pelo calor. Apesar disso, a imersão em água não é essencial para a sobrevivência dos animais dessa espécie. Esses estudos mostraram que búfalos podem crescer normalmente sem a presença de água para se banharem, desde que sombra adequada esteja disponível. O hábito desses animais de revolverem-se na lama e banharem-se na água está ligado não só a 5 dissipação excesso de calor corporal, como também a proteção contra pragas e doenças (formação de uma crosta que protege a pele do animal). → Como esses animais estão adaptados a ambientes alagados, os cascos são mais duros e por isso são menos susceptíveis a problemas relacionados a umidade, que comumente ocorrer em bovinos, principalmente quando em confinamento. → A amplitude da garupa desses animais é grande, tendo, portanto, uma grande estrutura óssea para receber tecido muscular, bem como para suportar um úbere para a produção de leite. Essa característica deve ser levada em consideração, sendo um ponto bastante positivo para o avanço da bubalinocultura. → Amplo e profundo abdômen: Os búfalos têm uma conformação expandida, um amplo e profundo abdômen, longas extremidades tornam a superfície do búfalo proporcionalmente grande, assim a perda de calor torna-se mais eficiente. → Os órgãos sexuais do búfalo são de tamanho e peso menor do que o bovino. Apesar de parecer uma característica negativa, ela confere menor probabilidade de problemas durante o parto, uma vez que animais que nascem com tamanho relativamente grande podem ocasionar hemorragia e outras complicações à fêmea gestante. → Características comportamentais: é quatro as mais importante: 1) Rusticidade; 2) Adaptação ao clima; 3) Resistência a algumas doenças; 4) Docilidade. → A rusticidade é uma característica inerente à espécie bubalina. Assim, há grandes possibilidades de sucesso na seleção de animais com maior potencial produtivo para determinada característica, sem risco para a rusticidade. Possuem uma rusticidade quanto à alimentação, ou seja, apresenta uma maior capacidade de aproveitamento dos alimentos fibrosos em relação aos zebuínos (5 a 8%) e também das fontes de nitrogênio não protéico. Essa maior capacidade em digerir a fibra dos alimentos, com forragens ricas em parede celular, sendo, portanto, animais menos seletivos nutricionalmente. Porém, isso não significa que esses animais não tenham necessidades nutricionais, minerais e vitamínicas. A rusticidade quanto á sanidade também evidente nesses animais, o que leva a maior resistência à doenças no geral. Porém, apesar dessa característica, deve manter uma sanidade adequada ao animal. A rusticidade pode ser refletida, além seletividade nutricional, os níveis hormonais, que nesses animais são diferentes no bovino. De forma geral, os búfalo possui uma resistência às condições de pastagens mais pobres e o seu rúmen é mais adaptado à transformação de alimentos mais grosseiros. → Adaptação ao clima: O búfalo é menos tolerante ao calor tropical do que o bovino, entretanto, quando à sombra elimina maior quantidade de calor corporal. Ambientes com alta umidade e luminosidade caracterizam a bubalinocultura no Brasil. No frio possuem menor adaptação e a energia da produção é deslocada para manutenção temperatura. Apesar disso, é na Europa, onde ocorrem invernos rigorosos, que há maior produtividade na bubalinocultura no mundo. Faixa de termoneutralidade é a 6 zona de temperatura ambiente na qual a taxa metabólica é mínima e a regulação de temperatura é atingida apenas por processos físicos não evaporativos. Dentro desta faixa o custo fisiológico é mínimo, a retenção da energia da dieta é máxima, a temperatura corporal e o apetite são normais e a produção é otimizada. A faixa de termoneutralidade do búfalo é de 16°C a 24°C. → Resistência à algumas doenças: Os búfalos possuem, praticamente, a mesma resistência às enfermidades que os bovinos. Entretanto, como são animais muito rústicos e, assim, facilmente adaptados ao meio em que vivem, sofrem menos os efeitos dos fatores que os predispõem às enfermidades. Os bubalinos também são susceptíveis a intoxicação através da ingestão de plantas consideradas tóxicas para os bovinos, mas apresentam maior resistência a este tipo de intoxicação para algumas espécies. São resistentes a endoparasitos, como vermes, e ectoparasitas como infestações por carrapatos. É importante salientar que essa resistência aos vermes se aplica a animais adultos, sendo os animais jovens susceptíveis e quando parasitados morrem. Por isso, é necessário vermifugar esses animais. Além disso, mesmo so animais adultos não são resistentes a todas as doenças, como a febre aftosa, que prejudica bastante a criação de búfalos, como ocorre nos bovinos, sendo, portanto, necessária a vacina. De forma geral todos os cuidados básicos (vermifugações, vacinações, combate aos ectoparasitas, etc) são necessários. A higiene das instalações, a alimentação e mineralização adequadas jamais devem ser esquecidas. → Docilidades: são considerados animais dóceis e por isso, fáceis de serem manejados quando garantidos seu bem-estar nutricional e sanitário. Na índia é comum mulheres e crianças tirarem o leite da búfala, devido a sua característica dócil. → A reprodução desses animais deve ser destacada. O período de gestação da búfala é de 10 meses (em torno de 315 dias). A estacionalidade reprodutiva dos búfalos é sem duvida a característica fisiológica que exerce o maior impacto econômico na atividade. A concentração dos partos das búfalas nos meses de março a junho na região Sudeste do território brasileiro, área de alto poder aquisitivo e demanda dos derivados lácteos, determina a concentração da produção de leite ate o mês de setembro com ausência da matéria prima nos meses festivos de verão. → As épocas de nascimento e de desmama pretendidas pelo produtor são fatores determinantes para a implantação da estação de monta, que ocorre naturalmente pelos meses de outono, diferente do bovino que são primavera e verão. Como a gestação demora em torno de dez meses, seu início deve ser programado por igual período, antes da parição. De modo geral, a monta natural concentra-se durante a estação chuvosa na qual há maior disponibilidade de pastagens de melhor qualidade, obedecendo a estacionalidade natural da espécie. Em geral, cada região tem a sua época ideal e isso deve ser respeitado pelo criador. Assim, os nascimentos ocorrem durante o período seco, época na qual são baixas as incidências de doenças (pneumonia) e de parasitoses (carrapatos, bernes, moscas e vermes). → Outros pontos importantes a favor desse período são a coincidência do período de lactação (grande demanda por nutrientes de qualidade) com a época de pastagens de boa qualidade; a redução das exigências nutricionais das búfalas, pois a desmama é efetuada no início do período seco; isto facilita a realização de descartes no início da 7 seca, de búfalas vazias e animais de baixa eficiência reprodutiva, liberando pastagens para as demais categorias de animais, como também, a realização da castração e da marcação (ferra) na idade correta e na época de baixa incidência de bicheiras. → A placenta da búfala é do tipo endotélio-corial e não permite a passagem de anticorpos para o feto durante a gestação. O sistema imune do bezerro recém nascido é funcionalmente imaturo. Assim, a ingestão de colostro após o nascimento é muito importante. O colostro é rico em imunoglobulinas, principalmente da classe IgG. Porém, para a absorção ser máxima, a primeira mamadadeve ocorrer no máximo até as primeiras seis (06) horas de vida, porque com o passar do tempo a absorção das imunoglobulinas pelas vilosidades intestinais diminui gradualmente. Após 24 horas de vida, o intestino não absorve mais as imunoglobulinas. → Alguns problemas e questões devem ser levados em consideração: a) Seleção natural: ainda é básico na bubalinocultura; b) Seleção artificial: o teste de progênie nacional não existe oficialmente; programas de melhoramento genético em fazendas possuem em torno de 1% de ganho genético; c) Migração: na bubalinocultura é misógina, não permanente e periódica; d) Consangüinidade: é alta, em torno de 12 a 14%; e) Escrituração e manejo: muitos criadores manejam á exemplo do bovino e apesar de apresentarem algumas características semelhantes, esses animais não são iguais, prejudicando a criação. → Especialização dos grupos genéticos: O búfalo é considerado por vários autores um animal de triplo propósito por estar adaptado a produção de leite, carne e trabalho. Os búfalos são tradicionalmente considerados como animais de tração e produtores de carne, porém, com a escolha de animais selecionados e a obtenção de melhores níveis de desempenho dos rebanhos, os produtores têm demonstrado um crescente interesse pela produção leiteira, com vistas, sobretudo, ao fornecimento de leite para elaboração de derivados. Países em desenvolvimento usufruem do leite, trabalho e da carne desses animais, enquanto que países desenvolvidos utilizam-se do leite ou da carne na bubalinocultura. → “Raças” ou grupos genéticos: dentro dos grupos genéticos ocorrem as raças dos búfalos, sendo classificados da seguinte maneira: Tradicionais: 24 raças na Índia e 4 raças no Brasil; Sintéticos: não considerados grupamentos de raças, sendo formados em associação de duas raças, como o Nili Ravi; Mestiços: provém de novos cruzamentos, visando novos GG’s, como o brasileira “MBL”. → Identificação dos GG’s: por serem animais aparentemente uniformes, suas diferenças a fim de identificar os diferentes grupos deve ser salientada. O perfil leva em consideração os chifres (formato, tamanho e espessura), perfil do frontal e chanfro, posição das orelhas, porte, cor da pelagem, função econômica. 8 MURRAH: significa “em espiral”. Tipo leiteiro (o que é?), caimento do úbere é 30% menor que do bovino, pois tem a característica semi-aquática, úbere “celado”, mais queratinizado, diminuindo a probabilidade de adquirir mastite. 1. Porte: médio 2. Perfil frontal: subconvexo; 3. Perfil do chanfro: subcôncavo ou retilíneo; 4. Orelha: horizontal, média, saindo abaixo do chifre; 5. Pelagem: negra (pequenas manchas brancas); 6. Função econômica: produção de leite, principalmente, e carne; 7. Chifre: em espiral pequeno. JAFARABADI 1. Porte: grande 2. Perfil frontal: ultraconvexo; 3. Perfil do chanfro: retilíneo ou subconvexo; 4. Orelha: acima do chifre, horizontal, média; 5. Pelagem: negra uniforme; 6. Função econômica: produção de carne; 7. Chifre: grande para trás e para baixo. 9 MEDITERRÂNEO 1. Porte: médio para grande 2. Perfil frontal: subconvexo; 3. Perfil do chanfro: subcôncavo ou retilíneo; 4. Orelha: abaixo do chifre; 5. Pelagem: negra ou castanha escura (preto + vermelho) 6. Função econômica: produção de leite; 7. Chifre: para trás, pra cima e ligeiramente curvado; CARABAO 1. Porte: pequeno para médio; 2. Perfil frontal: retilíneo; 3. Perfil do chanfro: retilíneo; 4. Orelha: média abaixo do chifre; 5. Pelagem: rosilho ou baio (amarelo + preto); 6. Função econômica: carne e trabalho; 7. Chifre: para trás, pra cima e ligeiramente curvado; 10 → Em resumo, as principais diferenças entre bovinos e bubalinos são: 1. Ossos; 2. Pele e pelagem negra; 3. Termorregulação diferenciada; 4. Hábitos semi-aquático; 5. Valor nutritivo do leite (baixo teor de B-caroteno) e da carne. → Instalações: as principais são: Curral de descanso, Curral de espera; Seringa; Brete; Tronco; Balança; Rampa Cocho Bebedouro. → As instalações são classificadas em: centrais e periférica/ complementar. → Ainda para a produção de búfalos de leite, poderiam ser adicionados instalações como sala de ordenha, bezerreiros e piquetes, consideradas adaptações e particularidades. → A características na instalação de búfalos são: Arejada: não deve ter paredes laterais, sendo de preferência aberto ou com parede de no máximo 50-60 cm de altura. Simples: sem azulejos e outros; Funcional: com espaço acessível a cada animal para que não se choquem constantemente; 11 Econômico; Sólido: deve haver solidez das instalações a fim de evitar acidentes e prejuízos ao produtor. → Estábulo deve ser de fila dupla, ocorrendo de dois tipos: costa a costa ou frente a frente. O mais comum é o tipo fila duplas 2x9. A cerca do curral não deve ser alta, uma vez que o búfalo não pula. O espaço por animal adulto deve ser de 3 a 4 m2, havendo necessidade de planejamento mesmo em rebanhos pequenos, uma vez que à medida que o rebanho cresce e os chifres dos animais também, é necessa´rio aumentar o espaço para cada animal. → O ideal é que o solo seja impermeabilizado com decaimento de 3% e não solo batido. → A plantação de árvores ao redor aumenta a ventilação e arejamento. Devido a isso, o curral deve ser localizado na parte alta da propriedade. → O cocho deve ser menor que a área para cada animal (1,10 de largura por 1,70 metros de comprimento). → Nas linhas de manejo é onde ocorrem as atividades em conjunto, como vacinação, medicação etc). Ocorrem dois tipos de brete: parede reta e parede inclinada. O brete inclinado é mais vantajoso uma vez que imobiliza o animal de forma mais eficiente e individualmente. A dimensão varia é de 1 metro de altura por 1,10 de distância entre as paredes. → A sala de ordenha ocorre em dois tipos: espinha de peixe (2x6), onde os animais ficam em posição diagonal, e tipo lado a lado (2x3 ou 1x3), ou tipo tandem (um animal atrás do outro), usado em instalações mais modernas. → Para facilitação de manejo, o estábulo está quase extinto, sendo substituído pela sala de ordenha. Isso porque o estábulo permite que as últimas vacas a serem ordenhadas sejam penalizadas e ocorra menor produção de leite. 12 → Os recursos hídricos podem ser: Natural: rios, lagos, etc. Artificial: represas, piscinas. → O sombreamento pode ser: 1. Natural: arborização (leguminosas arbóreas – arbusto); 2. Artificial: abrigos (com palha e madeira) e sombrites. → As cercas devem conter um arame liso, exceto em uma categoria que cosiste nos animais jovens, uma vez que por serem pequenos podem passar por baixo do fio. Não é preferível o arame farpado uma vez que pode danificar o couro dos animais e causar feridas. Como esses animais não pulam, para os adultos, um fio é suficiente. Isso reduz o custo em 70%. O mourão vivo é utilizado na bubalinocultura moderna. Este consiste na presença de árvores intercalando um espaço de arame liso conectado pelas árvores. Porém cada mourão deve ser constantemente podado, pois quanto maior a copa maior a incidência de raios. A vantagem é que as vagens podem alimentar podem ser ingeridas pelos animais contribuindo para a alimentação desses animais de forma mais sustentável. Há a opção de fazer cercas eletrificadas evitando furtos dos animais → O aceiro deve ser construído durante do outono, principalmente na presençade mourão vivo. Consiste no desbaste de um terreno em volta de propriedades para impedir propagação de incêndios. 13 → Características negativas e positivas com relação à termorregulação: Alta concentração de melanina: protege contra a radiação ultravioleta, porém retém o calor (absorção de 70 a 90%). Causa desconforto térmico. Animais albunos devem ser destinados ao abate na bubalinocultura de produção, uma vez que esses animais sofrem de grande desconforto térmico e fotossenssibilização, havendo queimaduras e queda na produção. São mantidos para exposição, e possui um custo de mantença. Glândulas sudoríparas: baixa quantidade de glândulas sudoríparas, e possui em maior quantidade as glândulas do tipo apócrinas, que é menos eficiente. Possuem baixa dissipação de calor pelas vias cutâneas. Glândulas sebáceas: alta produção de óleo na superfície corporal. Dificulta a perda de calor pela transpiração. A vantagem é que combate a desidratação e facilita a locomoção e flexibilidade na água, filtro protetos contra bactérias comensais. Densidade dos pelos: é negativo principalmente para os animais jovens, já que estes possuem maior quantidade de pelos. Os pelos são negros, o que dificulta a perda de calor. São mais espaçados, facilitando a perda de calor. A vantagem é que os pelos tendem a cair conforme o animal cresce. Epiderme: aumento da epiderme, onde os machos possuem mais queratina que as fêmeas. Funciona como um auto-isolante que dificulta a parda de calor. A vantagem é que dificulta a parasitose por carrapatos. 14 Narinas: são mais alongadas nos bubalinos, o que facilita a respiração e consequente ventilação. Costelas arqueadas: são mais arqueadas que no bovino, devido à prática de respiração. Por isso é considerado um ótimo nadador, proveniente de ambientes semi-aquáticos, tendo condições de pastejo dentro da água. → O consumo de alimentos reduz a partir de 34 °C a temperatura retal é o melhor indicador de estresse calórico, principalmente quando acima desse valor de temperatura. → A fim de garantir conforto térmico a esses animais, principalmente em instalações em que o hábito aquático do animal é dificultado, os produtores podem dispor de algumas técnicas, como: Sistema silvipastoril: combinação intencional de árvores, pastagem e gado numa mesma área ao mesmo tempo e manejados de forma integrada, com o objetivo de incrementar a produtividade por unidade de área. Neste tipo o produtor pode economizar água. Curral com sombra: a telha de barro é a mais recomendável para garantir um conforto térmico maior; pé direito de 3,5 a 4 metros; construção de árvores dentro do curral ou construção do curral ao redor de árvores ou de uma árvore grande; Sombrite artificial: no sentido norte – sul. Pode ser fixo ou móvel, e sua cor varia. Em verdade existe grande controvérsia quanto a cor do combrite, pode ser azul, verde, preto, de palha. Mourão verde: que perfazem linhas de sombras. De ser colocado no sentido norte-sul. Lagoa: construção da instalação próximos a lugares alagados, ou de rios ou lagoas, para que os animais mantenham uma vida semi-aquática. Banhos pré-ordenha: molhase o animal no dorso, próximo ao hipotálamo que tem importante papel na fisiologia central da dispersão de calor. A melhor maneira ocorre através do sistema de bico-aspersor, que pode ser do tipo que ejeta água acima dos animais ou aquelas que também possuem jatos de água que saem do chão,. Lavando o animal como um todo. Também é possível disponibilizar uma torneira para resfriar a região do dorso do animal. Climatizadores de ar: os quais reduzem o calor ambiental e aumentam a umidade ambiental, sendo eficientes em ambientes secos. → O uso de termômetro na instalação auxilia no controle da temperatura ambiental para os animais evitando o estresse térmico e problemas na produção. A faixa de neutralidade térmica é de 16°-24°C. → O canal do teto da búfala é mais estreita que no bovino (teto selado). Isso se deve a evolução em ambiente aquáticos. Sob o ponto de vista da mastite, esse aspecto é positivo, porém, com relação ao manejo é desvantajoso, uma vez que deve-se imprimir uma maior força no momento da ordenha. Além disso, o fechamento do esfíncter da 15 teta demanda maior tempo que no bovino. Isso acarreta maior probabilidade de ocorrência de mastite, mas é contrabalanceada pelo teto ser mais estreito. Uma estratégia de manejo muito usada é a disponibilidade de alimento no cocho (que normalmente é mais atrativa para os animais) logo após a ordenha, evitando o que os animais sentem e dando-lhe mais tempo para que o esfíncter da teta feche antes que eles se deitem. Essa técnica diminui a probabilidade de esses animais adquirirem mastite e disponibiliza alimento ao animal logo após a ordenha, fazendo com que ela não se estressa tanto durante o processo da retirada do leite. → No frio os búfalos possuem menor adaptação e logo a energia da produção é deslocada para manutenção da temperatura. → Um dos requisitos básicos para registros de búfalos é haver informações sobre o animal, mas principalmente a presença de chifres, principal aspecto para a identificação desses animais. Animais devidamente registrados representam animais de alto valor zootécnico e, logo, são considerados rebanho de elite. Rebanhos onde os animais são mochados não são registrados e consistem em rebanhos comerciais. Rebanhos em que os animais são parcialmente mochados não é aconselhável, uma vez que os animais obedecem a um sistema de hierarquia, podendo haver brigas, ferimentos dos outros animais, estresse e danos ao couro do animal. Nesse caso, é aconselhável ou mochar todos os animais ou manter os animais mochados separados dos animais com chifres. → O cio da búfala é silencioso, e um dos requisitos básicos para que o cio ocorre é a ausência de estresse térmico. Algumas características do cio, apesar de discreto, são secreção de muco, receptividade da fêmea (que se torna mais evidente durante a noite, diferentemente do bovino que é de dia). Para tanto, o manejo adequado consiste no uso de um rufião. O rufião é um búfalo não castrado mas que é incapaz de fecundar a fêmea. Este é solto por entre as búfalas durante a noite e possuem um dispositivo de marcação (buçal) que identifica as fêmeas que foram receptivas durante sua monta. No outro dia, as búfalas pintadas pontualmente são aquelas que foram receptivas ao macho, as quais provavelmente estão no cio. O índice de eficiência reprodutiva no Brasil é alto, sendo cerca de 85%, representando que a cada 100 fêmeas cobertas 85 emprenham. → Score corporal: parâmetro de estado físico em que se encontra um animal. E´identificado através Avaliação da condição corporal através de escores obtidos pela palpação da região lombar, auxilia no manejo nutricional e reprodutivo do rebanho. Deve-se localizar a última costela e subir com os dedos até encontrar a vértebra lombar. Isso porque somente pele e gordura cobrem a espinha dorsal e termina nas costelas,assim é local ideal para avaliar condição corporal. Varia de 1 a 5, onde: 1. Animal emaciado (muito magro); 2. Animal magro; 16 3. Animal em condição média; 4. Animal pesado; 5. Animal gordo. Leite bubalino → Em um estudo feito em 1982 da produção de leite da búfala/ano. Houve a criação do programa de melhoramento genético para bubalino (PROMENBU), onde houve a doação de subsídio para a produção de leite bubalino, que se destacou no Estado de São Paulo. → A imagem do leite bovino já está consagrada,e não há intenção de substituição do leito bovino. A ideia é acrescentar mais um produto à mesa do consumidor. O B- caroteno dá coloração amarela à cor de alguns alimentos e é precursor da vitamina A. No produto bubalino, como há pouco B-caroteno, ele costuma ser de coloração ultrabranca. Apesar disso, o leite bubalino possui quantidade considerável de vitamina A livre. Na búfala a conversão da vitamina A já está completa. A característica organoléptica (cor, sabor, odor) é boa. A manteiga e o queijo são elásticos, devido aos glóbulos de gordura, que se unem formando um complexo mais sólido, que dá maior consistência ao produto. Os produtos possuem um ótimo aspecto, rendimento e sabor, que é levemente adocicado. → Com a comercialização há problemas na legislação, onde há permissão de adição de 3% de leite bubalino no leite bovino, o que prejudica a bubalinocultura. Isso porque a concentração de gordura é maior no leite bubalino, engrossando o leite bovino. A característica do leite bovino se torna melhor, mas isso dificilmente é notado pelo mercado consumidor. → A safra e a entresafra do leite bubalino e do leite bovino são diferentes, fazendo com que haja uma oferta do produto lácteo no mercado o ano todo. Isso é desvantajoso para a bubalinocultura, uma vez que uma época específica do ano o produto não estará disponível. → A produção anual média do leite bubalino é de 4.000 a 6.000 litros/300 dias. A produtividade ou rendimento do leite é de 40 a 30% superior a de bovino, devido a rusticidade do animal (aproveita a pastagem grosseira) e maior concentração de sólidos totais. 17 → As principais características incluem: 1. 33% menos colesterol; 2. 48% mais proteína; 3. 50% mais cálcio; 4. 47% ais fósforo do que o leite bovino. → Abaixo é mostrada a relação da quantidade de leite para confeccionar 1 kg de produto: Origem do leite 1 kg de mussarela 1 kg de manteiga Bubalino 6,0 L 15,0 L Bovino 10,0 L 20,0 L → A maior taxa de gordura é devido também à sua rusticidade e essa característica faz com que a qualhada tenha menos água. O produto bubalino tem boa digestibilidade. Quantidade de vitamina A é de 204,27 UI. → Os sistemas de criação incluem: (definir) 1. Extensivo: 1.500 kg/lactação. O animal mantém solto no pasto. 2. Semi-intensivo: 2.500 kg/lactação. O animal fica determinadas horas no pasto e outras horas em determinada função. 3. Intensivo: 3.000 kg/lactação. O animal fica confinado constantemente. 18 → Apesar de o sistema intensivo levar ao melhor resultado, mas o custo é maior. O Brasil o sistema-intensivo é o mais usado. É necessário, portanto, elucidar o custo- benefício da produção. → A curva de lactação em búfalos caracteriza-se pela presença de dois grupos de animais, as búfalas jovens (1°cria ou nulíparas) e as outras (multíparas), onde a partir de 30 dias após o parto ocorre o ápice de lactação para o grupo das multíparas e as jovens levaram mais 30 dias para chegarem ao mesmo ápice. Isso se deve ao desenvolvimento das estruturas mamárias das fêmeas mais velhas, bem como toda a fisiologia dessas fêmeas. As fêmeas jovens, que estão em sua 1° cria tem certa imaturidade tanto estruturalmente (capacidade física quanto a esqueleto ósseo, glândula mamária, deposição de gordura, caixa torácica) quando fisiologicamente. À nível comportamental a búfala jovem também é afetada, uma vez que esta sofre certo estresse no processo de ordenha, já que este é novo para ela. Por isso apesar de as curvas apresentarem a mesma tendência, ou seja, depois do pico de lactação tendem a diminuir a produção, a produção da búfala jovem é ligeiramente menor. O início do processo, que representa os 60 primeiros dias de lactação, equivale a maior demanda do bufalinho. À medida que este cresce ocorre cada vez mais uma menor demanda pelo leite, contrabalanceada com o início da ingestão de alimentos sólidos, e consequentemente a produção tende a diminuir. A partir da terceira lactação a tendência é que as búfalas jovens se igualem as outras. Casso isso não ocorra elas são descartadas, uma vez que depois dos obstáculos sofrido com a 1°cria, elas ainda não tiveram aumento da produção. → Além disso, observa-se no gráfico abaixo que, a diferença na produção de leite da primeira lactação para a segunda e a terceira é grande, e entre as duas últimas quase não há diferenças. Além disso, o pico de lactação é alcançado na 3° lactação. Há uma correlação negativa entre gorduras, proteína e lipídios, pois na queda de produção há 19 um amento da concentração de gordura e proteína. Isso é vantajoso para o bufalinho, pois mesmo ingerindo alimentação sólida ele ainda é um lactente, ingerindo uma quantidade menor de leite, porém mais concentrado e suficiente para sua demanda nutricional. → Anatomia do teto: mais melanina e queratina (teto selado) confere maior dureza do teto. O canal do teto é mais espesso e musculoso, fazendo com que a passagem do leite seja mais estreita. Isso confere proteção contra a entrada de microorganismo como os causadores de mastite. Por isso, o período de ejeção maior do búfalo( 2 minutos) que o bovino (alguns segundos). Como estratégia de manejo das búfalas primíparas ou aquelas que tem potencial genético mas devido ao manejo não se expressam de forma completa, pode-se usar uma água morna no úbere e realizar massagem no úbere, que tem uma influência psíquica no animal, relacionado ao comportamento de cabeçada do bufalinho. → O número de compressões manuais 100-627 no bovino e 139-686 no búfalo. Isso significa que mais tempo será gasto para realizar a ordenha. Se o tratador não possui esse conhecimento ocorre leite residual e mastite. O leite deve ser esgotado. → Anatomia do úbere: não apresenta caimento com o passar da idade do animal, devido a maior concentração de músculos e ligamentos. Não apresenta flacidez depois da lactação, o que pode facilitar a introdução de microorganismo. Não necessariamente o tamanho do úbere terá uma correlação positiva com a produção do leite, ou seja, nem sempre quanto maior for o úbere maior será sua produção, já que sua qualidade na produção pode ser inferior a um úbere menor, produzindo menos leite que este. Isso pode ocorrer devido a fibroses, nutrição, capacidade genética, manejo. → Tipo leiteiro: O tipo leiteiro ou funcional é um termo usado para se referir à conformação do corpo associada à produção, durante a vida produtiva da búfala na fazenda. A conformação do corpo inclui características como: úbere maior, costelas mais arqueadas, narinas avantajadas, aprumos perfeitos, fortes ligamentos, tetos bem inseridos e simétricos, descarnada, garupa menos inclinada (linha dorso-lombo retilíneo), pele elástica. 20 → O leite bubalino possui uma atividade antibacteriana por si só diferentemente do leite de bovino. Isso corre devido a presença de lactoferrina, proteína que quela o ferro, impedindo que o ferro fique livre e não sirva de substrato para vários microorganismo que são agentes etiológicos de doenças. Isso faz com que o ferro fique disponível ao consumidor, mas não à bactéria. Além disso, há uma concentração maior de neutrófilo em comparação ao bovino. → Em resumo, há menor incidência de mastite, maior quantidade de gordura e proteína que o leite bovino.