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ARTES VISUAIS
CRÍTICA DE ARTE
Amir Brito Cadôr
Marilene Ap. de Assis
http://unar.info/ead
SUMÁRIO 
 
UNIDADE 01 01 
UNIDADE 02 05 
UNIDADE 03 11 
UNIDADE 04 16 
UNIDADE 05 21 
UNIDADE 06 26 
UNIDADE 07 31 
UNIDADE 08 36 
UNIDADE 09 41 
UNIDADE 10 46 
UNIDADE 11 50 
UNIDADE 12 55 
UNIDADE 13 59 
UNIDADE 14 63 
UNIDADE 15 68 
UNIDADE 16 73 
UNIDADE 17 78 
UNIDADE 18 82 
UNIDADE 19 87 
UNIDADE 20 92 
CRITICA DE ARTE 
Unidade 1 - PERCEPÇÃO VISUAL 
Amir Brito Cadôr 
Marilene Aparecida de Assis 
1 
CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” 
 
 
CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE 
 
Objetivos: 
Refletir e aprofundar como se dá o processo de percepção de uma imagem no 
âmbito da Arte. 
Uma obra de arte é percebida pela nossa inteligência e pela nossa sensibilidade 
simultaneamente. A informação transmitida pela obra chega até nós pelos nossos cinco 
sentidos. No caso das artes visuais, o olhar é o privilegiado, e a maneira como 
percebemos as imagens será determinada pelo funcionamento do cérebro ao 
reorganizar e interpretar aquilo que vemos. 
 
“O pintor pinta com os olhos, não com as mãos. O que quer que ele veja, se o vir com 
clareza, será capaz de pintar. O ato da pintura exige, talvez, muito cuidado e esforço, mas não 
mais agilidade muscular do que o artista necessita para escrever seu próprio nome. O importante 
é ver com clareza”. 
Maurice Grosser 
The Painter's Eye 
 
ESTUDANDO E REFLETINDO 
 
Fonte: http://conceito.de/percepcao-visual, acesso 
em 24/07/2015 
 
CONCEITO DE PERCEPÇÃO VISUAL 
 
A percepção (do latim perceptĭo) consiste em 
receber através dos sentidos, das imagens, dos 
sons, das impressões ou das sensações externas. 
Trata-se de uma função psíquica que permite ao 
CRITICA DE ARTE 
Unidade 1 - PERCEPÇÃO VISUAL 
Amir Brito Cadôr 
Marilene Aparecida de Assis 
2 
CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” 
 
organismo captar, elaborar e interpretar a informação que chega do meio. 
É importante fazer a diferença entre o estímulo, que pertence ao mundo exterior 
e produz o primeiro efeito na cadeia do conhecimento, e a percepção, que é um 
processo psicológico e que pertence ao mundo interior. Pode-se dizer que o estímulo é 
a energia física, mecânica, térmica, química ou electromagnética que excita ou ativa um 
receptor sensorial. 
A percepção visual é toda a sensação interior de conhecimento aparente, 
resultante de um estímulo ou de uma impressão luminosa registrada pelos olhos (pela 
visão). Em geral, este ato óptico-físico funciona de modo semelhante em todas as 
pessoas, já que as diferenças fisiológicas dos órgãos visuais afetam unicamente o 
resultado da percepção. 
As principais diferenças prendem-se com a interpretação da informação 
recebida, devido às dessemelhanças a nível de cultura, educação, inteligência e faixa 
etária, por exemplo. Neste sentido, as imagens podem “ler-se” ou interpretar-se da 
mesma forma que um texto literário, pelo que existe na operação de percepção visual a 
possibilidade de uma aprendizagem para aprofundar o sentido da leitura. 
 
BUSCANDO CONHECIMENTO 
 
http://www.infoescola.com/psicologia/gestalt/, acesso em 24/07/15 
 
A psicologia se consolidou, ao longo do século XIX, como uma vertente 
filosófica; neste período ela estudava tão somente o comportamento, as emoções e a 
percepção. Vigorava então o atomismo – buscava-se compreender o todo através do 
conhecimento das partes, sendo possível perceber uma imagem apenas por meio dos 
seus elementos. Em oposição a esse processo, nasceu a Gestalt – termo alemão 
intraduzível, com um sentido aproximado de figura, forma, aparência. 
 
CRITICA DE ARTE 
Unidade 1 - PERCEPÇÃO VISUAL 
Amir Brito Cadôr 
Marilene Aparecida de Assis 
3 
CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” 
 
 
Por volta de 1870, alguns estudiosos alemães começaram a pesquisar a 
percepção humana, principalmente a visão. Para alcançar este fim, eles se valiam 
especialmente de obras de arte, ao tentar compreender como se atingia certos efeitos 
pictóricos. Estas pesquisas deram origem à Psicologia da Gestalt ou Psicologia da Boa 
Forma. Seus mais famosos praticantes foram Kurt Koffka, Wolfgang Köhler e Max 
Werteimer, que desenvolveram as Leis da Gestalt, válidas até os nossos dias. Com seu 
desenvolvimento teórico, a Gestalt ampliou seu leque de atuação e transformou-se em 
uma sólida linha filosófica. 
Esta doutrina traz em si a concepção de que não se pode conhecer o todo 
através das partes, e sim as partes por meio do conjunto. Este tem suas próprias leis, 
que coordenam seus elementos. Só assim o cérebro percebe, interpreta e incorpora 
uma imagem ou uma ideia. Segundo o psicólogo austríaco Christian von Ehrenfels, que 
em 1890 lançou as sementes das futuras pesquisas sobre a Psicologia da Gestalt, há 
duas características da forma – as sensíveis, inerentes ao objeto, e a formais, que 
incluem as nossas impressões sobre a matéria, que se impregna de nossos ideais e de 
nossas visões de mundo. A união destas sensações gera a percepção. É muito 
importante nesta teoria a ideia de que o conjunto é mais que a soma dos seus 
elementos; assim deve-se imaginar que um terceiro fator é gerado nesta síntese. 
Ao olharmos um grupo de pontos próximos, temos a tendência a enxergar uma 
linha. Reconhecemos um padrão e captamos a forma como um todo. A este fenômeno 
chamamos de configuração. 
Existe uma teoria na área de Psicologia, chamada Gestalt, que estuda a maneira 
como percebemos a relação entre figura e fundo. Segundo esta teoria, é impossível 
perceber os elementos de uma imagem isolados, sempre existe uma interação entre o 
lado interno e o externo, as áreas claras e escuras, os elementos e sua posição no 
espaço. 
CRITICA DE ARTE 
Unidade 1 - PERCEPÇÃO VISUAL 
Amir Brito Cadôr 
Marilene Aparecida de Assis 
4 
CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” 
 
Um exemplo conhecido de imagem que alterna nossa percepção entre figura e 
fundo é uma imagem de dois rostos de perfil, um de frente para o outro, formando, no 
espaço entre os dois, rostos o contorno de uma taça. Veja que interessante! Esta é uma 
taça ou dois rostos? É um homem tocando saxofone ou o rosto de uma mulher? 
 
 
 
 Figuras Duplas/ Ilusão de Ótica 
http://www.carlinhosfuracao.com.br/figurasduplas.html 
 
 
 
 
CRITICA DE ARTE 
Unidade 2 - PERCEPÇÃO VISUAL: RECURSOS 
Amir Brito Cadôr 
Marilene Aparecida de Assis 
5 
CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” 
 
 
Simetria - Característica que pode ser 
observada em algumas formas geométricas, 
equações matemáticas ou outros objetos. 
 
CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE 
 
Objetivos: Refletir e aprofundar como se dá o processo de percepção de uma imagem 
no âmbito da Arte. 
 
ESTUDANDO E REFLETINDO 
 
O artista holandês, Mauritius 
Cornelius Escher, tem uma vasta 
produção, em que ele explora 
recursos de percepção visual, como simetria, semelhança e continuidade, para criar 
estruturas impossíveis. 
 Escher: "O Mundo Mágico de Escher", montagem com algumas de suas obras 
Para estudarmos melhor o 
funcionamento da percepção 
visual, vamos analisar as formas 
de organização dos elementos 
dentro de uma imagem, 
segundo a Gestalt, definidos 
como semelhança, proximidade, 
continuidade, pregnância e 
fechamento. 
 
Semelhança 
 
A semelhança atua como um princípio estrutural, como uma força de atração 
entre coisas separadas, que percebemos como pertencentes ao mesmo grupo. 
CRITICA DE ARTE 
Unidade 2 - PERCEPÇÃO VISUAL: RECURSOS 
Amir Brito Cadôr 
Marilene Aparecida de Assis 
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CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” 
 
 
Qualquer aspecto que se considere – forma, tamanho, cor, textura, valor e 
orientação – pode causar agrupamento por semelhança. 
 
Proximidade 
 
Alocalização espacial atua como fator de agrupamento. Pela vizinhança ou 
proximidade, percebemos dois elementos distintos e separados como se fosse parte de 
um único elemento. Essa tendência de agrupar elementos próximos permitiu que os 
homens identificassem constelações no céu, e possibilitando, também, a leitura correta 
de um texto (imagine como élersemespaçoentreaspalavras). 
 
Continuidade 
 
O princípio da continuidade descreve a preferência pelos contornos contínuos e sem 
quebra, ao invés de outras combinações mais complexas. O desenho de uma cruz é 
percebido como duas linhas que se cruzam ao invés de quatro linhas que se tocam. 
 
Pregnância 
 
Pregnância de forma quer dizer rapidez de leitura e interpretação. Mínimo de 
complicação, imagens sem detalhes, apenas o essencial para transmitir a mensagem 
com clareza. As placas de trânsito são bons exemplos de pregnância de forma. 
 
 
 
 
 
CRITICA DE ARTE 
Unidade 2 - PERCEPÇÃO VISUAL: RECURSOS 
Amir Brito Cadôr 
Marilene Aparecida de Assis 
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CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” 
 
Fechamento 
 
É a tendência que o nosso cérebro tem de completar uma figura que está 
parcialmente incompleta. Acontece com mais facilidade, quando a forma segue uma 
ordem estrutural que reconhecemos, quando vemos um padrão familiar. 
 
Forma 
 
A representação de formas tridimensionais (que possuem altura, largura e 
profundidade) em uma superfície bidimensional (altura e largura) é um bom ponto de 
partida, para se pensar o desenho ou pintura como forma. Diante de uma simples 
cadeira, qual o melhor ponto de vista para representá-la? A vista frontal, de topo, de 
baixo ou a vista lateral? Pode ser que o marceneiro precise de todas as vistas juntas, 
para conhecer, em detalhes, o projeto da cadeira, saber a forma do assento, do 
encosto, das pernas, detectar os ângulos e os encaixes. Mas em um desenho que não 
seja técnico, como escolher entre tantas vistas possíveis? 
Toda imagem é fruto de uma escolha: de que forma representar um objeto é tão 
importante quanto o objeto que será representado. Vale dizer que a escolha do 
material a ser utilizado pode contribuir para o sucesso ou fracasso da representação. 
Até mesmo em uma fotografia podemos perceber as escolhas do artista, evidente no 
tipo de enquadramento, na iluminação e no tempo de exposição. 
 
 
 
 
 
 
 
CRITICA DE ARTE 
Unidade 2 - PERCEPÇÃO VISUAL: RECURSOS 
Amir Brito Cadôr 
Marilene Aparecida de Assis 
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CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” 
 
Centro Geométrico- Para ser localizado, basta 
traçar uma linha do canto superior esquerdo até 
o inferior direito e do canto superior direito ao 
inferior esquerdo. O cruzamento dessas duas 
linhas é o centro geométrico. 
Centro perceptivo é o ponto em que nosso olhar 
centra-se na imagem. 
BUSCANDO CONHECIMENTO 
 
Composição 
 
Como percebemos uma imagem? Os diferentes elementos de uma imagem 
interagem e nossa percepção capta o resultado dessa interação. Cada um de nós 
percebe aspectos da imagem de modo diferente, porém, há questões de composição 
que captamos de modo muito similar. Nossa percepção humana nos aproxima, 
enquanto nossa história de vida, nosso repertório de imagens nos distancia, 
individualizando o olhar. 
Quando falamos em olhar, estamos nos referindo ao movimento visual que 
executamos, ao lermos uma imagem. Há caminhos do olhar que são comuns a todos 
nós e os artistas utilizam esse conhecimento em seu repertório, seja de maneira 
intuitiva, ou não. Por exemplo, percebemos uma imagem da esquerda para a direita e 
isso não tem a ver com nossa orientação da leitura de textos, pois mesmo povos que 
têm outra orientação de leitura textual percebem as imagens desse modo. Nosso olhar 
percorre o plano da imagem, geralmente, da borda esquerda superior desenhando um 
's' invertido e direcionando-se, portanto, pela margem esquerda inferior. 
A imagem abaixo ilustra as áreas de força presentes em um plano bidimensional. 
Veja que há um centro 
geométrico e que o centro 
perceptivo é um pouco acima 
dele. Observe a orientação de 
leitura que foi mencionada no 
parágrafo anterior. Atente, ainda, às forças de peso da base e de leveza junto ao topo. 
Se invertermos a orientação do retângulo acima, ele manterá sua forma, porém 
o esquema de percepção será totalmente alterado, ou seja, será alterado o peso visual, 
o centro perceptivo, a área de entrada e de ação. 
CRITICA DE ARTE 
Unidade 2 - PERCEPÇÃO VISUAL: RECURSOS 
Amir Brito Cadôr 
Marilene Aparecida de Assis 
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CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” 
 
A apresentação desse esquema tem como objetivo dar ferramentas para a 
leitura de imagens e para melhor compreensão dos elementos da linguagem visual no 
plano bidimensional. 
Uma imagem também pode ser lida, a partir de seus elementos formais, como 
composição, cores, texturas, técnica e materiais utilizados. É preciso levar em 
consideração, também, o seu contexto, ou seja, a época em que a obra foi produzida, 
onde foi feita, como foi realizada, o estilo do autor ou da sua época, quais as 
convenções que a obra segue, com que convenções ela rompe, a que público se 
destina. 
Ao se tratar de uma imagem figurativa, é importante identificar os personagens 
representados, se reais (nobres, burgueses, do clero, pessoas famosas ou familiares do 
artista), ou fictícios (pertencem a que narrativa conhecida?). 
Boa parte da pintura do século XIX era identificada, primeiro, pelo gênero ao 
qual pertencia: retrato, paisagem, natureza morta, pintura histórica. O título, muitas 
vezes, servia para indicar a leitura da imagem, com vistas a facilitar o reconhecimento 
de uma cena de uma narrativa bíblica ou mitológica. 
CRITICA DE ARTE 
Unidade 2 - PERCEPÇÃO VISUAL: RECURSOS 
Amir Brito Cadôr 
Marilene Aparecida de Assis 
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CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” 
 
Na arte contemporânea, cada obra cria o seu contexto e seus códigos de leitura 
estão na própria obra, mas também podem localizar-se fora dela. Para não fazer uma 
análise superficial e enganadora, é preciso conhecer as ideias do artista, que obras ele 
produziu antes, com as obras com quem ele está dialogando, se são obras do passado 
ou do presente, da arte ou da política, da religião ou da mídia. 
 
CRITICA DE ARTE 
Unidade 3 - LEITURA E ANÁLISE DA OBRA DE ARTE 
Amir Brito Cadôr 
Marilene Aparecida de Assis 
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CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” 
 
 
CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE 
 
Objetivos: 
 
Demonstrar como se faz a leitura e análise de uma obra de arte, quais as etapas 
da descrição e a metodologia utilizada. 
Nesta unidade, utilizaremos o conhecimento adquirido na unidade anterior, a 
respeito de elementos de composição e da linguagem visual para fazer a leitura e 
análise de obras de arte. 
 
BUSCANDO CONHECIMENTO 
 
A leitura de uma obra deve iniciar sempre pela descrição da obra. A descrição 
percorre quatro etapas: 
1) Dados referenciais: autor, data, tamanho, localização; 
2) Descrição material: técnica utilizada, materiais, formas e cores, configurações e 
arranjo dos motivos; 
3) Interpretação: relação formal com contextos históricos, psicológicos, sociais, 
etc.; 
4) Síntese: a compreensão geral, somando as conclusões das etapas anteriores. 
 
1) Dados referenciais 
 
Os dados referenciais fornecem-nos informações importantes a respeito da obra 
e do artista: 
- o nome do autor permite pesquisarmos e conhecermos outras obras suas, 
inserindo, assim, a obra que analisamos dentro do contexto de sua produção; 
CRITICA DE ARTE 
Unidade 3 - LEITURA E ANÁLISE DA OBRA DE ARTE 
Amir Brito Cadôr 
Marilene Aparecida de Assis 
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CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” 
 
- a data abre caminho para a contextualização dessa obras, na história da arte e, 
ainda, para sabermosde outras obras do mesmo artista que foram realizadas no 
mesmo período; 
- o tamanho nos dá uma ideia de como os elementos formais afetam o espectador, 
por exemplo, uma imagem que tem representado um cômodo de uma casa e mede 
20 x 20 cm, afeta o espectador de maneira diferente, se tiver uma dimensão de 4,0 x 
4,0 m. Na imagem maior, o espectador sente-se envolvido pelo espaço 
representado na obra. Outro exemplo é o trabalho do escultor australiano, Ron 
Mueck, que executa figuras humanas numa escala muito maior do que o corpo 
humano, cabeças, crianças gigantes. Vale dizer que a percepção que temos dessas 
figuras é muito diferente de uma escultura em tamanho natural. 
- A localização serve para pesquisas mais avançadas, que podem precisar de uma 
visita ao museu, onde se encontra a obra, para esclarecer dúvidas quanto à fatura, 
tamanho, suporte. Atualmente, essa informação pode ser útil em uma análise de 
uma obra pública que dialoga com o espaço ao redor ou no caso de um site specific 
(uma obra criada para um determinado lugar); 
 
2) Descrição material 
 
A descrição material também enriquece a análise. A técnica e o material 
utilizados podem contribuir muito para uma leitura e análise, pois cada técnica possui 
uma maneira de construção (etapas, modos de pensar) específica e os diferentes 
materiais escolhidos pelo artista estão, intimamente, ligados ao que é comunicado pela 
imagem. As informações sobre a técnica e o material podem ainda ser confrontadas 
com o contexto histórico enriquecendo a análise. 
A descrição material é o ponto de partida para a crítica formalista, que analisa os 
elementos formais da obra de arte. Para se fazer uma boa análise, é preciso reconhecer 
os meios criados pelos artistas, para obter determinados efeitos, tais como: que 
CRITICA DE ARTE 
Unidade 3 - LEITURA E ANÁLISE DA OBRA DE ARTE 
Amir Brito Cadôr 
Marilene Aparecida de Assis 
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CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” 
 
recursos de composição podem servir para destacar um personagem importante no 
meio de um grupo de pessoas? Como foi trabalhado o efeito de claro e escuro? E as 
cores? 
Um exemplo de recurso de composição é a representação da forma no espaço 
bidimensional, que pode acontecer de seis maneiras diferentes, a partir dos quais os 
artistas podem combinar alguns deles na mesma tela, com vistas a um resultado mais 
convincente: 
- planos sobrepostos; 
- variações de tamanho (quanto mais próximo do observador, maior, quanto mais 
distante, menor); 
- posição das figuras no plano do quadro; 
- perspectiva linear; 
- perspectiva aérea (perda de definição do contorno, tons mais claros no fundo); 
- mudança de cor (tonalidade azulada para os objetos mais distantes, cores mais 
intensas no primeiro plano). 
Uma das etapas iniciais da crítica de arte é a descrição. Mas será que é suficiente 
descrever a obra para compreender o seu significado? A historiadora Anne Cauqelin 
considera que a crítica de arte 
se torna um exercício difícil, para não dizer improvável: com efeito, a 
parte propriamente descritiva das críticas encolhe hoje em dia, até 
desaparecer quando se trata de arte contemporânea. É que, se é 
relativamente fácil narrar uma intriga (a istoria da Renascença), 
descrever e designar objetos reconhecíveis (um jarro, um divã, uma 
mulher, flores, um cachimbo ou a fuga do Egito) e glosar através de 
interpretações possíveis, é menos fácil, convenhamos, prolongar por 
mais de duas páginas a descrição de um quadro abstrato ou, pior, de 
um monocromo, para não falar de instalações cujos suportes são de 
naturezas diversas e cujo vazio, algumas vezes, constitui a peça 
principal...Falar-se-á, pois, em torno das obras, e o contexto adquirirá 
um lugar preponderante nos ensaios críticos: a descrição dará lugar à 
biografia do artista, à classificação de suas obras neste ou naquele 
movimento, às explicações dos litígios entre o artista e suas galerias, 
seus marchands, ou a sociedade em seu conjunto. 
CAUQUELIN, 2005, p. 135. 
 
CRITICA DE ARTE 
Unidade 3 - LEITURA E ANÁLISE DA OBRA DE ARTE 
Amir Brito Cadôr 
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CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” 
 
3) Interpretação 
 
Nesta etapa, deve-se considerar o contexto em que a obra foi produzida. Por 
exemplo, se é uma encomenda da igreja, a obra deve seguir alguns cânones de 
representação. O ambiente político, o círculo de amizades do artista, a biografia do 
artista são elementos que, dependendo da obra, podem ter influência na interpretação. 
As considerações quanto ao estilo podem facilitar o trabalho do crítico de arte, 
que um crítico pode reconhecê-los em uma pintura desconhecida. Para ele, os 
elementos já conhecidos são percebidos em outras pinturas feitas dentro do mesmo 
estilo. 
É importante lembrar que 
 
É a obra, ela mesma, que indica ao crítico o método de sua abordagem. 
Não há uma teoria prévia à obra. Cada obra pede uma interpretação 
diferente. A história de uma obra de arte é a história de seu autor e de 
sua época, mas é, também, a história das sucessivas leituras que dela 
foram feitas. 
MORAIS, 1987, p. 292. 
 
Ressalte-se que os critérios de avaliação não podem ser os mesmos para uma 
pintura renascentista, uma pintura cubista e uma pintura abstrata ou um objeto 
minimalista. 
 
4) Síntese 
A síntese é a conclusão a que se chegou, depois de analisar a obra, sob 
diferentes aspectos: algumas hipóteses de interpretação podem ser contestadas neste 
momento, quando comparamos os elementos formais com outros dados a respeito da 
obra. 
 
 
 
CRITICA DE ARTE 
Unidade 3 - LEITURA E ANÁLISE DA OBRA DE ARTE 
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BUSCANDO CONHECIMENTO 
 
Segue abaixo um exemplo de leitura de uma obra de arte. Observe com 
atenção, pois esta é uma prática importante para ser utilizada em sala de aula, pois 
instiga, cada vez mais, o nosso olhar diante da imagem como também do aluno. 
http://www.abbeville.com/interiors.asp?ISBN=0896593312&CaptionNumber=02 
 
Nesta pintura de Roy Lichtenstein, feita em 
1965, Grande Pintura nº 6, a ação do artista é 
o tema. A pintura é numerada e, por isso, 
deduzimos que faz parte de uma série. Sobre 
um fundo cinza, destacam-se quatro áreas de 
cor sobrepostas: a primeira é amarela, a 
segunda é branca, a terceira é verde e a 
quarta é vermelha, todas com uma linha de contorno grossa em preto. A área em 
vermelho é a que mais se destaca, por estar acima das outras cores, por ocupar o 
centro da tela, e porque é a única área de cor que vai de uma extremidade a outra. Não 
são pinceladas de verdade, mas um desenho que imita uma pincelada. As linhas 
paralelas, que indicam o rastro deixado pelo pincel, garantem a sensação de 
movimento. Existe até uma área em vermelho, imitando pingos de tinta que caem do 
pincel, uma referência à técnica de Jackson Pollock. O artista zomba de um tipo de 
pintura que foi considerada a legítima pintura norte-americana, o expressionismo 
abstrato surgido na década de 1950. 
 
podemos gostar ou não da piada, uma vez percebida, mas é claro que 
devemos possuir algum conhecimento de seus antecedentes – da 
tradição do artista e contra a qual está reagindo – se quisermos 
entender realmente sua obra. WOODFORD, p. 75. 
CRITICA DE ARTE 
Unidade 4 - Linguagem Visual: Luz e Cor 
Amir Brito Cadôr 
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CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” 
 
 
CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE 
 
Objetivo: 
Dando continuidade a unidade anterior, conheceremos os elementos e 
princípios que articulam a linguagem visual: luz e cor. 
 
ESTUDANDO E REFLETINDO 
 
Podemos identificar o elemento da linguagem visual, luz, a partir dos contrastes 
de claro/escuro. Vale ressaltar que esse contraste pode aparecer independentemente 
de haver um foco de luz.Em outras palavras, há determinadas cores que, 
independentemente, de receberem um foco de luz externo, por si só emanam luzes. 
Os contrastes de claro/escuro contribuem para a apreensão de uma ilusão de 
volume na representação, através das áreas de vibração/pulsação dos contrastes, eles 
imprimem um movimento visual que se desdobra no espaço da imagem através dessas 
diferentes gradações. 
No elemento luz, também ocorre um ritmo, a partir das pulsações de claro e 
escuro e esse ritmo constitui uma profundidade. Lembre que com o ponto, com a linha 
e com a superfície também temos ritmos, porém eles não contribuem para criar a ilusão 
de profundidade como ocorre com a luz. 
 
E para a cor, partimos dos dois sistemas: o subtrativo e o aditivo. 
No sistema subtrativo, a cor como pigmento. 
No sistema aditivo, a cor como luz. 
 
O estudo das cores como luz e como pigmento, as primárias e secundárias, sua 
complementariedade e as dimensões da cor (o matiz, o valor e a saturação) são 
CRITICA DE ARTE 
Unidade 4 - Linguagem Visual: Luz e Cor 
Amir Brito Cadôr 
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importantes numa leitura e análise de uma imagem. Mas há ainda um terceiro modo de 
estudarmos a cor: como as relações de cor constituem o espaço da imagem. E por 
tratar das relações entre elementos e da constituição do espaço da imagem essa 
terceira abordagem é ainda mais importante para a leitura de imagens. 
De acordo com as relações colorísticas, a mesma cor pode definir o espaço de 
maneiras diferentes: relação entre valores: linearilidade/ritmo. 
Veja o exemplo abaixo de leitura de uma obra de arte. 
Fonte: http://estoriasdahistoria12.blogspot.com.br/2013/07/analise-da-obra-impressao-
nascer-do-sol.html, acesso em 10/09/15. 
““Análise da obra:” Impressão, nascer do sol”, de Claude Monet 
Impression, soleil levant, em português, Impressão, nascer do sol, é a mais célebre 
e importante obra de Claude Monet. É um óleo sobre tela, datado de 1872 (mas 
provavelmente realizado em 1873), que representa o nascer 
da manhã no porto de Havre, com uma névoa cerrada sobre o estaleiro e os barcos e 
as chaminés ao fundo da composição. O título da obra acaba por denominar o grupo 
dos pintores impressionistas. O termo impressionismo surgiu quando foi feita uma 
crítica a esta tela pelo pintor e escritor Louis Leroy: "Impressão, nascer do Sol” – eu bem 
o sabia! Pensava eu, justamente, se estou impressionado é porque há lá uma impressão. 
E que liberdade, que suavidade de pincel! Um papel de parede é mais elaborado que esta 
cena marinha." A expressão foi usada originalmente de forma pejorativa, mas Monet e 
os seus colegas adotaram a designação de Impressionistas. 
Em Impressão, nascer do sol, Monet interessa-se pela luz e os seus efeitos na 
natureza, pinta as coisas como as vê, e não como as imagina ou pressente, e privilegia a 
rapidez e espontaneidade do traço, em detrimento da 
precisão do contorno. As cores complementares – 
tonalidades de azul e laranja são privilegiadas por Monet. 
Para os impressionistas, as cores influenciam-se 
mutuamente, e tons complementares dispostos lado a 
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lado têm um maior realce. As pinceladas não apresentam contornos definidos, as 
formas são mais sugeridas do que representadas. Em “Impressão – Nascer do Sol”, as 
pinceladas são rápidas, pois a luz muda depressa e a referência visual perde-se. Os 
impressionistas, como Monet, evitam pintar de memória. Apesar da névoa encontramos 
representados, elementos do porto, como guindastes e navios. Os reflexos mostram o 
movimento das águas, que estão crispadas. A composição de “Impressão – Nascer do 
Sol”, plana e bidimensional, é influenciada pela arte japonesa. A obra encontra-se no 
Museu Marmottan-Monet em Paris depois de ter sido roubada em 1985 e recuperada 
em 1990. 
 
BUSCANDO CONHECIMENTO 
 
Fonte: http://mut-arte.blogspot.com.br/p/teorias-da-arte.html, acesso em 09/09/15. 
 
Tipos de Leitura: 
 
Uma leitura gestáltica de uma imagem procura considerar elementos da 
linguagem visual como linha, plano, relevo, textura, volume, cor, luz, dimensão, escala, 
proporção etc. Tais elementos são considerados em separado e no todo da forma 
quanto ao equilíbrio, movimento, ritmo, repetição. Pode-se observar, também, o modo 
como tais elementos estruturam o espaço e as formas e o que esta organização 
expressa visualmente. 
Uma leitura semiótica enfocaria signos, símbolos e sinais presentes na imagem. 
A análise abordaria os sistemas de símbolos e o alto de signos construídos pelo sujeito 
como um texto visual em remissão a outros textos visuais, uma imagem em relação a 
diferentes autores e épocas. Esta relação intertextual é um modo de criar, de inventar, 
de construir imagens que citam outras imagens. 
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Uma leitura iconográfica procuraria estudar conteúdo temático, significado das 
obras de arte como algo distinto de sua forma. O tratamento dado aos temas poderia 
se apreciado em diversos artistas e épocas. 
Já uma leitura estética da imagem consideraria a expressividade, o que há de 
"eterno" e de transitório, de circunstancial de uma época no objeto a ser analisado. Por 
meio de cor, luz, formas, destaca-se a disposição destas formas no espaço e o modo 
como os elementos se relacionam. A leitura estética procura saborear a imagem de 
modo cognitiva e sensível. 
...Julgamento: Decidir acerca da qualidade de uma imagem é o foco de estágio 
do julgamento. Nem tudo que se vê atinge as pessoas do mesmo modo: alguns 
trabalhos têm um significado especial, outros parecem de má qualidade, certas 
imagens, para alguns, poderiam ser revistas, outras merecem ser comentadas e outras 
ainda podem ser esquecidas. 
Uma das questões mais importante da crítica de arte é decidir se uma imagem 
merecedora de atenção. Considerar bom trabalho é dizer que "ele tem o poder de 
satisfazer muitos observadores por um longo tempo". Esta decisão, acerca da 
excelência de uma obra ou de uma imagem, em geral é confiada às autoridades, as 
quais nem sempre concordam entre si. 
Para julgar a excelência de um trabalho é importante conhecer os fundamentos 
que críticos experientes expõem a respeito de certas imagens. "As razões para julgar a 
excelência ou a pobreza de um trabalho tem que estar baseadas numa filosofia da arte, 
não em autoridades pessoais". 
 
fonte: http://www.revistaliteraria.com.br/criticadearte.htm, acesso em 27/07/15, às 
11h46min 
A produção artística não é uma ciência, e nem está baseada em critérios objetivos, 
no entanto, a análise de uma obra pode ser considerada como tal, porque segue 
uma metodologia específica. 
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Existem críticos que analisam em função de seus gostos pessoais, mas para 
analisar tecnicamente uma obra, é preciso, além dos conhecimentos consistentes 
sobre História da Arte, estar isento. 
 
Questionamentos que podem facilitar o entendimento de uma obra de arte 
 
∑ Quem é o artista que pintou? 
∑ Quando a obra foi feita? 
∑ Há fatos históricos? 
∑ Qual era o cenário? 
∑ Quais as influências recebidas pelo artista? 
 
Há uma crítica contundente sobre o trabalho dos críticos de arte: 
principalmente quanto à arte contemporânea, que não possui distinção clara entre os 
objetos de arte dos objetos funcionais. Há casos de faxineiras demitidas por terem 
jogado fora alguma “obra de arte” pensando que era lixo. 
A críticadeve focar apenas o objeto de arte, e nunca se dirigir ao autor da obra. 
Tampouco deve alimentar discussões. A análise deve ser somente uma referência para 
o público, uma opinião profissional. A crítica profissional não procura defeitos nem 
deseja diminuir a grandeza alheia. 
 
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CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE 
 
Objetivos: Aplicar a teoria e crítica da arte em diferentes movimentos artísticos. 
 
ESTUDANDO E REFLETINDO 
 
A modernidade é marcada pelo aparecimento de diferentes movimentos 
artísticos nas primeiras décadas do século XX. Alguns destes movimentos se sucederam 
em um curto intervalo, outros foram simultâneos. Os grupos reuniam escritores, poetas, 
pintores, escultores, coreógrafos e compositores. Com frequência, os mesmos valores, 
ou em alguns casos, a mesma teoria era aplicada indistintamente a obras literárias e 
obras de artes visuais. 
Em alguns casos, os próprios artistas escreveram manifestos, teorias e 
declarações a respeito de suas obras, divulgados em jornais ou revistas especializadas. 
A teoria pode preceder as obras, ou ser posterior a elas. Entre os exemplos aqui 
mostrados, a única exceção é o cubismo, cuja teoria aparece nas pinturas. A expressão 
“cubista” aparece pela primeira de forma pejorativa, em uma crítica publicada no jornal 
a respeito de uma exposição de Georges Braque. Pablo Picasso e Georges Braque 
evitaram fazer declarações a respeito dos trabalhos e podemos acompanhar o 
pensamento visual que se desenvolve de uma obra a outra: das inscrições pintadas, até 
o surgimento da técnica de colagem, com inscrições impressas e coladas na tela. 
 
 
 
 
 
 
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BUSCANDO CONHECIMENTO 
 
Fonte: http://enciclopedia.itaucultural.org.br/termo3178/critica-de-arte, acesso 
em 01/09/2015. 
Definição: em sentido preciso, a noção de crítica de arte diz respeito a análises e 
juízos de valor emitidos sobre as obras de arte que, no limite, reconhecem e definem os 
produtos artísticos como tais. Envolve interpretação, julgamento, avaliação e gosto. A 
crítica de arte nesse sentido específico surge no século XVIII, num ambiente 
caracterizado pelos salões literários e artísticos, acompanhando as exposições 
periódicas, o surgimento de um público e o desenvolvimento da imprensa. Os escritos 
de Denis Diderot (1713-1784) exemplificam o feitio da crítica de arte especializada, que 
se firma em formulações teórico-filosóficas, mas traz a marca do comentário feito no 
calor da hora sobre a produção que se apresenta aos olhos do espectador. Nesse 
momento, observam-se as primeiras tentativas de distinguir mais nitidamente crítica de 
arte e história da arte, que aparecem como domínios distintos: o historiador voltado 
para a arte do passado e o crítico comprometido com a análise da produção do seu 
tempo. A despeito desse esforço em marcar diferenças, as dificuldades em estabelecer 
limites claros entre os dois campos se mantêm até hoje. Embora distintos, os campos 
da história e da crítica de arte encontram-se imbricados; afinal o juízo crítico é sempre 
histórico, na medida em que dialoga com o tempo, e a reconstituição histórica, 
inseparável dos pontos de vista que impõem escolhas e princípios. As meditações sobre 
o belo, no domínio da estética, alimentam as formulações da crítica e da história da 
arte. 
Num entendimento mais geral, escritos que se ocupam da arte e dos artistas são 
incluídos na categoria crítica de arte, como é possível observar nos dicionários e 
enciclopédias dedicados às artes visuais. A história da arte compreende a história da 
crítica, dos estudos e tratados que emitem diretrizes teóricas, históricas e críticas sobre 
os produtos artísticos. Os primeiros escritos sobre arte remetem à antiguidade grega. 
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Biografias de artistas (como as escritas por Duride di Samo, século IV A.C.), tratados 
técnicos sobre escultura e pintura, de Senocrate di Sicione e Antigono di Caristo, século 
III A.C., aos quais se junta, na época romana, o tratado de arquitetura de Vitrúvio, De 
Architectura, e "guias" artísticos (como o escrito por Pausaniam, século II A.C.) estão 
entre os primeiros textos dedicados à arte. Nesse contexto, o pensamento estético de 
Platão e Aristóteles levanta problemas fundamentais sobre o fazer artístico: a questão 
da fantasia (ou imaginação criadora), do prazer estético, do belo e da imitação da 
natureza (mimesis). 
O período medieval não oferece uma teoria da arte ou crítica de arte sistemática, 
dominam as meditações de ordem teológica, as formulações técnicas e os repertórios 
iconográficos, com a indicação de exemplos a seres copiados. Na Itália florentina do 
século XIV, as condições econômico-sociais renovadas se exprimem em um ambiente 
artístico mais rico e em escritos sobre arte original. Filippo Villani escreve um livro em 
homenagem a sua Florença natal, 1381-1382, em que destaca a vida de artistas da 
Antiguidade. Cenino Cennini (ca.1370-ca.1440), com descrições detalhadas da pintura a 
têmpera e do afresco, abre possibilidades para análises do material artístico. A época 
renascentista traz interpretações científicas da natureza, apoiadas na matemática e na 
geometria. Leon Battista Alberti (1404-1472) e Leonardo da Vinci (1452-1519) são os 
principais teóricos do período, notáveis pelas tentativas de conferir fundamento teórico 
e base científica às obras. Também se esboçam histórias da arte construídas pelo filão 
da vida de artista, como Comentários, de Lorenzo Ghiberti (ca.1381-1455), e As Vidas dos 
mais Excelentes Pintores, Escultores e Arquitetos, de Giorgio Vasari (1511-1574), que se 
tornam modelares para a produção de Andréa Palladio (1508-1580). 
O surgimento das academias de arte coincide com a crise dos ideais 
renascentistas expressas no maneirismo - teorizado por Giovanni Pietro Bellori (1613-
1696) e Luigi Lanzi (1732-1810) - e marca uma mudança radical no status do artista, 
personificada por Michelangelo Buonarroti (1475-1564). Não mais artesãos das guildas e 
corporações, os artistas são considerados a partir de então teóricos e intelectuais, o que 
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altera o caráter dos escritos sobre arte. As novas instituições têm papel fundamental no 
controle da atividade artística e na fixação de padrões de gosto Na academia francesa, 
fundada em 1648, observa-se uma associação mais nítida entre o órgão e uma doutrina 
particular, com base no classicismo e na obra do pintor francês Nicolas Poussin (1594-
1665). Controvérsias têm lugar no interior das academias, por exemplo, aquela que 
envolve Roger de Piles (1635-1709), admirador de Rubens (1577-1640), contra os 
defensores de Poussin. 
Nos séculos XVIII, apogeu das academias, e XIX, os teóricos do neoclassicismo 
Anton Raphael Mengs (1728-1779) e, sobretudo, Joachim Johann Winckelmann (1717-
1768) rompem definitivamente com o modelo fornecido pela "vida de artista", apoiando 
suas interpretações em testemunhos históricos e no esforço de compreensão da 
linguagem artística propriamente dita. Tanto o clássico quanto o romântico são 
teorizados entre a metade do século XVIII e meados do século XIX. O contexto em que 
as novas idéias se enraízam é praticamente o mesmo: as contradições ensejadas pela 
Revolução Industrial e RevoluçãoFrancesa. O romantismo é sistematizado histórica e 
criticamente pelo grupo reunido com os irmãos Schlegel na Alemanha, a partir de 1797, 
ao qual se ligam Novalis, Tieck, Schelling e outros. A filosofia de Jean-Jacques Rousseau 
(1712-1778) está na base das formulações românticas alemãs e tem forte impacto no 
pré-romantismo do sturm und drang [tempestade e ímpeto]. 
O século XIX assiste à expansão das exposições de arte e à ampliação do campo 
de atuação do crítico. Vale lembrar que os pintores, estão envolvidos no debate crítico 
com suas obras e escritos, por exemplo, Eugène Delacroix (1798-1863) e suas 
considerações sobre o romântico, e Gustave Courbet (1819-1877), responsável pelo 
estabelecimento de um padrão de arte realista. A partir daí, os literatos passam a 
ocupar papel de ponta nas discussões sobre arte em geral, entre eles Stendhal (1783-
1842), os irmãos Edmond Goncourt (1822-1896) e Jules Goncourt (1830-1870) e Émile 
Zola (1840-1902), o crítico do impressionismo. Mesmo nos movimentos de vanguarda 
dos primeiros decênios do século XX, escritores e poetas mantêm suas posições de 
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críticos de arte atuantes - Apollinaire (1880-1918), cujas formulações são fundamentais 
para o cubismo, e André Breton, escritor e teórico do surrealismo. A crítica de Charles 
Baudelaire (1821-1867), em especial seu célebre ensaio O Pintor da Vida Moderna, sobre 
Constantin Guys (1805-1892), mostra-se fundamental para a definição de arte 
moderna e da própria ideia de modernidade. O moderno declara Baudelaire, não se 
define pelo tempo presente - nem toda a arte do período moderno é moderna -, mas 
por uma nova atitude e consciência da modernidade. 
Acompanhar a história da crítica de arte no século XX obriga à consideração 
detida de diversas perspectivas teórico-metodológicas, que informam tanto a crítica 
propriamente dita quanto a história da arte, assim como o levantamento da crítica mais 
militante, veiculada pelos jornais e revistas especializadas. No Brasil, o surgimento da 
crítica de arte liga-se à criação da Academia Imperial de Belas Artes (Aiba), no Rio de 
Janeiro, em 1826, que inaugura o ensino artístico formal no país. Seu primeiro 
representante é o pintor, crítico e historiador de arte Manuel de Araújo Porto-Alegre 
(1806-1879), que a dirige entre 1854 a 1857. Porto-Alegre confere importância destacada 
à pintura de paisagem que deveria, segundo ele, sair da cópia de estampas e dos 
quadros da pinacoteca e voltar-se para o registro da natureza nacional, no entanto ele 
defende o estabelecimento de uma tradição de pintura histórica brasileira. 
 
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Unidade 6 - Teoria e Crítica no Movimento Estético Artístico: Cubismo 
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CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE 
 
Objetivos: Aplicar a teoria e crítica da arte nos movimentos artístico: Cubismo. 
 
ESTUDANDO E REFLETINDO 
 
O cubismo teve sua origem histórica na obra de Cézanne, como conhecemos 
anteriormente. Como vimos, para ele a pintura deveria tratar as formas imutáveis da 
natureza, como cones, esferas, cubos e cilindros. Os cubistas foram mais longe: 
representavam os objetos como se estivessem abertos, com todos os seus no plano 
frontal em relação ao observador. Essa decomposição dos objetos significou o 
abandono da intenção de representá-los em perspectiva e em três dimensões: altura, 
largura e profundidade. 
É caracterizado por uma pintura disciplinada e geométrica, com formas 
simplificadas e com o predomínio de tons de ocre, branco, preto e cinza. As primeiras 
pinturas de Picasso e Braque eram, propositalmente, muito parecidas e nenhum dos 
dois assinava, de modo a aumentar a confusão em torno da autoria. 
Os primeiros quadros cubistas eram chamados de cubismo analítico, pois havia 
uma preocupação com a decomposição da forma em seus diversos aspectos. Com a 
introdução da colagem, surge o cubismo sintético, assim chamado, porque reduzia as 
formas ao mínimo de elementos necessários. Ao invés de imitar a textura de um objeto, 
os artistas colaram direto na tela um pedaço de papel impresso com a textura desejada: 
podia ser um papel de parede, a primeira página do jornal, um rótulo de vinho ou uma 
partitura musical. 
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Georges Braque. The Emigrant, 1911- 1912. 
http://www.chess-
theory.com/ctcprd03039_pratique_echecs_reflex
ions_debs_arts.php 
 
Picasso. Pipe, Glass, Bottle of 
Vieux Marc, 1914. 
http://www.guggenheim-
venice.it/inglese/collections/artist
i/dettagli/pop_up_opera2.php?id
_opera=274&page 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Observe atentamente as pinturas de Braque e Picasso. O contorno das figuras é 
interrompido, de modo a não fazer distinção entre o espaço ao redor e o espaço 
interior. O espaço pictórico fica assim valorizado, a superfície da tela, como um todo, 
ganha destaque. A negação do espaço ilusionista criado pela perspectiva é conseguida 
pelo uso de pontos de vista simultâneos. 
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O crítico Louis Vauxcelles, trata a realidade plástica anunciada nas composições 
de Braque como uma realidade construída com "cubos", no jornal Gil Blas, 1908, o que 
batiza a nova corrente. Cubos, volumes e planos geométricos entrecortados 
reconstroem formas que se apresentam, simultaneamente, em vários ângulos nas telas. 
O espaço do quadro, sempre plano como já observamos acima, rejeita distinções entre 
forma e fundo ou qualquer noção de profundidade, ou seja, o abandono daquela ideia 
de perspectiva que temos; altura, largura e profundidade representada num plano que 
é bidimensional. 
 
BUSCANDO CONHECIMENTO 
 
Fonte: http://www.mundoeducacao.com/historiageral/a-leitura-obra-guernica-picasso-
para-estudo-historia.htm, acesso em 03/09/15. 
 
Guernica (1937) – Pablo Picasso 
 
O pintor espanhol Pablo Picasso nasceu em Málaga, Espanha. No contexto da 
obra Guernica, a Espanha sofria com os horrores da Guerra Civil Espanhola e com da 
ditadura franquista. No dia 26 de Abril de 1937 a pequena aldeia de Guernica, com 
pouco mais de sete mil habitantes, foi atacada por toneladas de bombas incendiárias 
pelas forças nacionalistas que apoiavam o General Francisco Franco. O General atacou 
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Guernica cruelmente, com o único intuito de promover a barbárie, pois aquela região 
da Espanha era desprovida de possíveis estratégias de guerra, tanto do lado dos 
republicanos quanto do exército franquista. Esse ataque foi considerado um dos piores 
da História, o símbolo da barbárie. 
Pablo Picasso, ao saber das atrocidades ocorridas nesta cidade, revoltado, pintou 
o quadro Guernica em pouco tempo. A obra foi para Picasso uma forma de protesto 
contra a guerra civil espanhola e a ditadura franquista. O desejo do artista era despertar 
nas pessoas que apreciariam a pintura o repudio à guerra. A obra permaneceu muito 
tempo em Paris, Picasso pediu que o quadro só retornasse à Espanha quando o país 
novamente fosse uma democracia. Hoje Guernica encontra-se no Museu Nacional 
Centro de Arte Reina Sofia, em Madri. O pintor foi um dos precursores do Cubismo, 
pintou a obra Guernica trintaanos após sua primeira obra Cubista, Les demoiselles 
d’Avingnon. Guernica é considerada uma pintura cubista, é possível notar na obra as 
características do cubismo ao apresentar as figuras de forma desarmoniosa, subjetivas. 
A obra de arte para um artista moderno como Picasso cumpre sempre uma 
função social. Ao observarmos a tela nos deparamos com figuras que expressam 
aflição, dor, insegurança, sofrimento, como a mulher com a criança no colo e o cavalo. 
As cores usadas pelo pintor em tons cinza e nas cores preta e branca nos remetem à 
morte, ao horror, ao desumano, à guerra e à destruição. Os aspectos simbólicos da 
obra expressados pelas figuras do touro, da flor, da mão que segura uma espécie de 
lamparina são fortes e passíveis de várias interpretações. São figuras que no conjunto 
da obra nos dão a ideia da luta, da violência acontecida no vilarejo e ao mesmo tempo 
representam o recomeço, a esperança de um povo inocente que se viu massacrado 
pela ambição de outros. 
 
Fonte: http://www.ateliearterestauracao.com.br/arte-e-politica-analise-da-obra-
guernica-de-pablo-picasso/, acesso em 03/09/15. 
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Unidade 6 - Teoria e Crítica no Movimento Estético Artístico: Cubismo 
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CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” 
 
...A crítica concluiu corretamente, que, muito tempo depois da exposição fechar as 
portas, o quadro passaria a ter vida própria e que a luta entre o estilo romântico e o 
clássico no quadro refletiam o tema violento. 
Como grande intelectual, Picasso também incomoda a ciência enviando através 
da obra o seguinte recado ao outros artistas da época:- “não traia a cultura, não 
renegue sua vocação humanista para pôr-se a serviço de um poder infame, não 
pensem que chegarão a um acordo com a tecnologia industrial, esperando redimi-la 
com finalidade social.” 
 
CRITICA DE ARTE 
Unidade 7 - Teoria e Crítica no Movimento Estético Artístico: Futurismo 
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CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE 
 
Objetivos: Aplicar a teoria e crítica da arte no movimento artístico: Futurismo. 
 
ESTUDANDO E REFLETINDO 
 
 (Fonte: http://www.historiadaarte.com.br/linha/futurismo.html., acesso em 01/09/15). 
 
Futurismo: 
 
O primeiro manifesto foi publicado no Le Fígaro de Paris, em 22/02/1909, e nele, 
o poeta italiano Marinetti, dizendo que "o esplendor do mundo enriqueceu-se com 
uma nova beleza: a beleza da velocidade. Um automóvel de carreira é mais belo que a 
Vitória de Samotrácia". O segundo manifesto, de 1910, resultou do encontro do poeta 
com os pintores Carlo Carra, Russolo, Severini, Boccioni e Giacomo Balla. Os futuristas 
saúdam a era moderna, aderindo entusiasticamente à máquina. Para Balla, "é mais belo 
um ferro elétrico que uma escultura". Para os futuristas, os objetos não se esgotam no 
contorno aparente e seus aspectos se interpenetram continuamente a um só tempo, ou 
vários tempos num só espaço. O grupo pretendia fortalecer a sociedade italiana através 
de uma pregação patriótica que incluía a aceitação e exaltação da tecnologia. 
O futurismo é a concretização desta pesquisa no espaço bidimensional. Procura-
se neste estilo expressar o movimento real, registrando a velocidade descrita pelas 
figuras em movimento no espaço. O artista futurista não está interessado em pintar um 
automóvel, mas captar a forma plástica a velocidade descrita por ele no espaço. 
Os artistas elogiavam as máquinas e o dinamismo da vida nas grandes cidades – 
o automóvel estava ganhando as ruas, substituindo as charretes e carroças, e o avião 
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ainda era uma novidade. Participaram do grupo os pintores Carlo Carrá, Giacomo Balla, 
Umberto Boccioni, entre outros. 
 
 
 
Giacomo Balla. Dinamismo de um cachorro com 
coleira, 1912 
http://www.univie.ac.at/cga/art/modern.html 
 Umberto Boccioni. Formas únicas de 
continuidade no espaço, 1913 
http://www.tate.org.uk/servlet/ViewWork?cgrou
pid=999999961&workid=1208&searchid=10614
&tabview=image 
 
Observe atentamente a pintura de Giacomo Balla e a escultura de Umberto 
Boccioni. No futurismo, os pintores procuraram registrar a velocidade e inventaram, 
para isso, um recurso que seria muito comum depois nas histórias em quadrinhos – as 
linhas paralelas que indicam o movimento. Olhe para as patas do cachorro, além de 
linhas paralelas, existe a repetição das formas para nos passar a ilusão de velocidade e 
sensação de movimento. Ainda neste movimento, nas composições, existe o 
predomínio de linhas diagonais, que dão a sensação de dinamismo. Veja que a 
escultura Boccioni. Ele nos deslumbra com seu registro do movimento numa arte por 
definição imóvel em formas únicas de continuidade no espaço. Perceba que ela está 
posicionada na diagonal e a sobreposição das muitas formas sobreposta, demarcando 
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Unidade 7 - Teoria e Crítica no Movimento Estético Artístico: Futurismo 
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o movimento na diagonal, o formato do rosto e o polimento do bronze nos passam a 
ideia de um ser que não é do nosso tempo. Poderíamos até dizer que nos dia de hoje 
continua sendo uma escultura futurista. 
 
BUSCANDO CONHECIMENTO 
 
Fonte: 
http://www.unioeste.br/travessias/DOSSIE/QUATRO%20ARTISTAS%20E%20SEUS%20PO
SICIONAMENTOS.pdf , acesso em 03/09/15. 
 
Embora iniciado por Marinetti como um movimento literário, as ideias futuristas 
expandiram-se a outras áreas, no ano seguinte cinco artistas plásticos lançaram o 
“Manifesto dos pintores Futuristas” e logo em seguida em seguida lançaram a “Pintura 
Futurista: manifesto técnico”, os artistas eram Umberto Boccioni (1881-1916), Gino 
Severini (1883-1966), Carlo Carrá (1881-1966), Luigi Russolo (1885-1947) e Giacomo Balla 
(1871 – 1958). O princípio unificador das proposições desses artistas era a paixão pela 
velocidade, pelo poder, pelas novas máquinas e o desejo de transmitir nas obras o 
dinamismo da cidade moderna e industrial. Do “Manifesto futurista: manifesto técnico” 
de onze de abril de 1910, destacamos o seguinte trecho: 
 
Tudo se move, tudo corre, tudo se volta rapidamente. Uma figura nunca se 
encontra estável diante de nós, mas aparece e desaparece incessantemente. 
Pela persistência da imagem na retina, as coisas em movimento se multiplicam, 
se deformam, sucedendo-se, como vibrações, no espaço que percorrem. 
Assim um cavalo a correr não tem quatro pernas, mas vinte, e seus 
movimentos são triangulares. (CHIPP, 1996, p.295). 
 
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Unidade 7 - Teoria e Crítica no Movimento Estético Artístico: Futurismo 
Amir Brito Cadôr 
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Giacomo Balla. Il Mani del Violista, óleo sobre tela 52X75 cm, 1912. 
 
Giacomo Balla aplica essas ideias em seu quadro intitulado Le mani del Violista 
(Ritmo de um violinista,1912), são representações sequenciais que almejam a 
decomposição do movimento, neste trabalho Balla revela a influência dos estudos 
fotográficos de locomoção humana e locomoção animal realizados em 1872 por 
Eadweard Muybridge (1830 – 1904). Portanto para Giacomo Balla e outros futuristas a 
máquina é vista como índice de velocidade, como índice de um dinamismo adorável; 
aguçados por esta percepção, passam a perceber tudo em constante movimentação e 
almejaram traduzir essa sensação de dinamismo em suas obras. 
 
 
Fonte: http://www.pco.org.br/caderno-cultural/giacomo-balla-e-o-futurismo-a-
revolucao-e-a-contrarrevolucao-na-pintura-italiana/eoje,o.html , acesso em03/09/15. 
 
Em outra tela de 1912, Balla conseguiu melhores resultados também a partir das 
ideias que lhe deram as fotografias de Marey. Era Moça Correndo em uma Varanda, 
onde a garota é apresentada em uma composição plana executada segundo as 
técnicas pontilhistas. Sua imagem, fragmentada como um mosaico se expande por 
todo o plano da tela, onde elas se interpenetram e dão uma maior unidade formal e 
uma mais clara sensação de movimento. A tela não possui um ponto central, nela a 
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Unidade 7 - Teoria e Crítica no Movimento Estético Artístico: Futurismo 
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figura aparece como uma mera impressão, um rastro de uma pessoa que já não está 
ali, e onde sua imagem se funde com a do portão de grade que aparece ao fundo. 
Outro trabalho significativo deste ano é a Lâmpada – Estudo de Luz. Executada 
também a partir do pontilhismo, a intenção de Balla repousara aí inteiramente na 
tentativa de captar a luminosidade da lâmpada de um poste de rua. Não a incidência 
da luz nos objetos, como foi tradicionalmente feita pelos impressionistas e pós-
impressionistas, mas a irradiação luminosa da lâmpada no espaço. Utilizando os 
preceitos do divisionismo de tons, ele procura representar todas as variações da luz 
elétrica em seu movimento iridescente até sua dissipação no escuro na noite, com seus 
brancos, amarelos, laranjas, azuis, verdes, vermelhos, roxos etc; relegando para um 
segundo plano a luz da lua, que aparece mergulhada e ofuscada pela luminosidade 
grandiosa da lâmpada que cresce a partir do centro da tela. Este é também um 
manifesto estético futurista, deixando aí bastante clara sua crença no poder da técnica 
humana sobre a natureza, o poder da eletricidade que subjuga tanto o escuro da noite 
quanto de sua única luz natural, agora frágil e impotente, da lua e dos astros. 
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Unidade 8 - Teoria e Crítica, Movimento: Construtivismo 
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CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE 
 
Objetivos: Aplicar a teoria e crítica da arte no movimento: Construtivismo. 
 
ESTUDANDO E REFLETINDO 
 
Para o construtivismo, a pintura e a escultura são pensadas como construções e 
não como representações, guardando proximidade com a arquitetura em termos de 
materiais, procedimentos e objetivos. O termo construtivismo liga-se diretamente ao 
movimento de vanguarda russa e a um artigo do crítico N. Punin, de 1913, sobre os 
relevos tridimensionais de Vladimir Evgrafovic Tatlin (1885 - 1953). A consideração das 
especificidades do construtivismo russo não deve apagar os elos com outros 
movimentos de caráter construtivo na arte, que ocorrem no primeiro decênio do século 
XX, por exemplo, o grupo de artistas expressionistas reunidos em torno de Wasilli 
Kandinsky (1866 - 1914) no Der Blaue Reiter [O Cavaleiro Azul], em 1911, na Alemanha; o 
De Stijl [O Estilo], criado em 1917, que agrupa Piet Mondrian (1872 - 1944), Theo van 
Doesburg (1883 - 1931) e outros artistas holandeses ao redor das pesquisas abstratas; e 
o suprematismo, fundado em 1915 por Kazimir Malevich (1878 - 1935), também na 
Rússia. Isso sem esquecer os pressupostos construtivos que se fazem presentes, de 
diferentes modos, no cubismo, no dadaísmo e no futurismo italiano. Fonte: 
http://enciclopedia.itaucultural.org.br/termo3780/construtivismo, acesso em 10/08/15. 
 
O quadro construtivista é conhecido pelas formas simples, pela economia dos 
meios e pelas áreas uniformes de cores puras. Existe uma ordem racional que tira 
partido da geometria como estrutura de composição. O dinamismo é obtido pelo uso 
de linhas diagonais, e a assimetria é uma forma de evitar a monotonia. 
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Unidade 8 - Teoria e Crítica, Movimento: Construtivismo 
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Para os construtivistas, a pesquisa deveria centrar-se em novas formas, quer 
dizer novos significados. Uma de suas premissas é a fusão de forma e conteúdo, que 
pode ser observada na arquitetura racional e nos objetos do cotidiano, que devem ser 
belos e funcionais. Neste sentido, não existe diferença entre arte aplicada e belas artes. 
O construtivismo buscava a socialização da arte e, para atingir este objetivo, os 
artistas eram também projetistas. Por exemplo, Vladimir Tatlin (1885-1953) ensinou 
fabricação em madeira e metal, desenhou roupas para operários, fez cenários para o 
teatro, interessou-se pelo cinema e fez experimentos com planadores. 
Alexander Rodchenko (1891-1956) trabalhou com tipografia, fez ilustrações para 
revistas, além de projetos de cartazes e mobiliários. 
El Lissitzky (1890-1941) ocupou-se com arquitetura e projetos de interiores, 
mobiliário, ilustração e projetos de revistas. 
 
 
 El Lissitzky. Beat the Whites with the Red 
Wedge, 1919. 
http://www.artinthepicture.com/paintings/El_
Lissitzky/Beat-the-Whites-with-the-Red-
Wedge/ 
Rodchenko, cartaz de 1924 
http://www.creativereview.co.uk/cr-
blog/2008/august/constructivism-the-ism-
that-just-keeps-givin 
 
 
 
 
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Unidade 8 - Teoria e Crítica, Movimento: Construtivismo 
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BUSCANDO CONHECIMENTO 
 
Fonte: https://comunicacaoeartes20122.wordpress.com/2013/01/25/o-construtivismo/, 
acesso em 03/09/15. 
O Construtivismo brasileiro tem suas raízes na década de 1950. De fato, em 1949, 
se situam as primeiras atividades de artistas como Waldemar Cordeiro (pesquisas com 
linhas horizontais e verticais), bem como os experimentos iniciais de Abraham Palatnick 
com a luz e a cor; de Mary Vieira com volumes; de Geraldo de Barros com “fotoformas”. 
Waldemar Cordeiro Em 1952 formula e assina o Manifesto Ruptura em parceria 
com Geraldo de Barros, Luis Sacilotto, entre outros, que tinha por fim a defesa de novos 
princípios para a prática artística, teorizando suas ideias. Emprega a proposta de arte 
industrial, inspirado nos ideais construtivos, e defende a integração do artista com a 
indústria. 
 
 
 
 
 
 
“Movimento” 
Geraldo de Barros: Sofrendo influências do movimento construtivista e da arte 
concreta, muda sua visão de representação da realidade e lhe aplica novas regras. Suas 
fotoformas representam uma nova era no processo de fotografia no Brasil, dá a ela 
novas possibilidades, onde esta deixa o campo da mera representação e passa a ser 
considerada uma nova linguagem artística. Explora ao máximo todas as possibilidades 
de manipulação do negativo. 
 
 
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Unidade 8 - Teoria e Crítica, Movimento: Construtivismo 
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“Fotoforma Pampulha” 
 
 
 
 
Amilcar Castro, 1920-2002. Sua matéria prima é chapa de aço e ferro, ele trabalha em 
suas obras com expressão e forma. É considerado pelos críticos e historiadores da arte 
um dos escultores construtivos mais representativos da arte brasileira contemporânea. 
 
 
 
 
 
 
 
“Escultura na usp” 
 
 Lygia Clark estendeu a cor até à moldura, anulando-a ou até mesmo trazendo-a 
para dentro do quadro, criando obras como Superfícies Modulares e os Contra-Relevos. 
No período de 1960 a 1964 surgiram seus Bichos: esculturas articuladas manipuladas 
pelo público. Com eles Lygia indicava sua busca: a participação do espectador em seu 
trabalho, por meio de objetos sensoriais. 
 
 
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Unidade 8 - Teoria e Crítica, Movimento: Construtivismo 
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“O Bicho” 
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Unidade9 - Teoria e Crítica, Movimento: Expressionismo 
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CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE 
 
Objetivos: Aplicar a teoria e crítica da arte no movimento: Expressionismo. 
 
ESTUDANDO E REFLETINDO 
 
O expressionismo abstrato é considerado a arte moderna americana por 
excelência. Hoje sabemos que a rápida aceitação que esse estilo de pintura teve na 
sociedade americana foi consequência do apoio do governo, que utilizou a arte 
abstrata para mostrar como seu regime apoiava a liberdade de expressão em oposição 
aos governos comunistas e suas revoluções culturais repressoras. 
Para o artista expressionista, a obra é mais do que a organização de elementos e 
cores, na superfície pictórica, a obra é sua expressão pessoal. A aparência externa, no 
caso das paisagens, é uma forma de mostrar o interior, a personalidade do artista. Os 
retratos são, muitas vezes, retratos psicológicos que mostram o estado de alma do 
pintor ou do retratado, e o sentimento mais comum no período era a angústia diante 
dos desastres da guerra. 
As pinturas se destacam pelas cores intensas, com fortes contrastes, e também 
pelo uso de cores complementares. Muitas vezes, a pincelada é aparente, enfatizando 
as linhas de composição, demonstrando espontaneidade. Outra característica é o uso 
não-natural da cor (cavalo azul, céu laranja), ou a cor emocional, a cor usada para criar 
um determinado estado de espírito no espectador. 
Os artistas se interessaram por formas consideradas primitivas ou não 
condicionadas (arte das crianças, dos lunáticos, dos povos não-europeus). Revitalizaram 
a xilogravura, técnica de reprodução de imagens, a partir de uma matriz de madeira, 
que estava quase em desuso. Faziam parte do grupo, “A ponte”, os artistas Oskar 
Kokoschka, Paula Modersohn-Becker, Ernst Ludwig Kirchner, Karl Schmidt-Rottluff. 
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Unidade 9 - Teoria e Crítica, Movimento: Expressionismo 
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Kandinsky, Paul Klee, Auguste Macke, Alexej Jawlensky e Gabriele Münter eram do 
grupo “Cavaleiro Azul”, de Munique. 
 
 
 
 
 Emil Nolde. O Profeta, 1912 
(http://www.harpers.org/archive/2008/03/hbc
-90002636 
 Franz Marc. Raposa (raposa preta e azul), 1911. 
(http://www.e-flux.com/shows/view/6553 
 
Caro aluno observe a xilogravura de Emil Nolde, O Profeta, e perceba que uso de 
ferramentas de corte (facas e goivas) contribui para o traço forte e incisivo, linhas de 
contorno grossas e o aspecto rude destas imagens, porque ao utilizarmos estes 
materiais não temos total controle da ferramenta como normalmente temos com o 
lápis ao desenharmos. Mas era com estes resultados que as goivas e facas 
proporcionam, ferramentas da gravura, que o artista expressionista consegue passar 
sentimentos de tristeza, solidão, desespero, agonia e outros. 
 
 
 
 
 
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Unidade 9 - Teoria e Crítica, Movimento: Expressionismo 
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BUSCANDO CONHECIMENTO 
 
Fonte: https://artesvisuaiscentro.files.wordpress.com/2010/05/apostilaav9a.pdf , 
acesso em 10/09/15. 
 
O Expressionismo já indica, com seu próprio nome, a principal razão de sua 
existência: expressar os sentimentos e visões de mundo dos seus artistas. 
Representado principalmente por Munch, Kirchener, Dufy, Kokoschka, o 
Expressionismo já fora anunciado pelo pintor pós-impressionista Van Gogh, seu grande 
precursor. Os artistas expressionistas estavam inconformados com a aparência vulgar e 
convencional do mundo visível e com o modo descritivo com que a arte acadêmica 
representava este mundo. Passam então a distorcer as formas naturais para expressar 
suas emoções, seus sentimentos particulares e sua visão sobre o mundo. Para isso 
fazem uso de cores fortes, de traços e linhas marcados e vibrantes, que resultam em 
uma dramaticidade e expressividade extremas. 
O expressionismo manifestou-se também no cinema alemão e russo do início do 
século. Assim como na pintura, os filmes expressionistas (o cinema ainda era em preto e 
branco nesta época) rompem também com o realismo das formas, através de imagens 
que fazem uso do exagero expressivo, imagens plenas de dramaticidade e teatralidade. 
Aí também os temas são soturnos e densos. 
 
Veja o exemplo abaixo de leitura de uma obra de arte. 
 
Fonte: http://ulbra-to.br/encena/2013/01/27/Angustia-e-desespero-existencial-O-Grito-
de-Edvard-Munch, acesso em 010/09/15. 
O Grito, de 1893, é uma das obras mais importante do movimento 
expressionista. Ele expressou o seu inferno interior e o mal-estar que a loucura 
representava em seu cotidiano. O quadro representa uma pessoa num momento de 
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Unidade 9 - Teoria e Crítica, Movimento: Expressionismo 
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profunda angústia e desespero existencial. O cenário de fundo é a doca de Oslofjord, 
em Oslo, ao pôr do sol. 
 
O Grito, 1893, óleo sobre tela, 91 x 73 cm 
A tela apresenta uma figura humana com linhas sinuosas, que nos dá a 
dimensão exata do desespero de um sujeito que se contorce sob o efeito de sua dor, 
de suas emoções. As linhas sinuosas também estão presentes no céu, na água. A linha 
diagonal da ponte direciona o olhar do espectador para a boca da figura que se abre 
num grito perturbador. A sensação é de querer extravasar a nossa dor junto com esse 
sujeito que sofre que sente que se desespera. Gritamos com ele. 
O que espantou os críticos alemães do fim do século XIX foi que o pintor 
norueguês não pintava o que via, mas “exprimia o que atormentava sua alma”. O 
próprio Munch revelou que pintava os traços e as cores que afetavam o seu olhar 
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Unidade 9 - Teoria e Crítica, Movimento: Expressionismo 
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interior. Ele pintava de memória sem nada acrescentar, sem os pormenores que já não 
via à sua frente. Talvez seja essa a razão da simplicidade das suas telas, do seu óbvio 
vazio. Ele pintava as impressões da sua infância, trazia as cores de um dia esquecido. 
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Unidade 10 - Teoria e Crítica, Movimento: Dadaísmo 
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CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE 
 
Objetivos: Aplicar a teoria e crítica da arte no movimento: Dadaísmo 
 
ESTUDANDO E REFLETINDO 
 
O Dadaísmo foi um contra movimento fundado por um grupo de artistas 
estrangeiros, refugiados da Primeira Guerra Mundial, na neutra Zurich (Suíça), em 1916. 
Alguns autores consideram o surrealismo como uma sequência do dadaísmo, 
para outros, entretanto, é entendido como um movimento completamente novo. Esse 
movimento artístico e literário, que se baseava na associação livre de ideias, como 
forma a libertar o subconsciente do realismo, surgiu em Paris na década de 1920, no 
período entre as duas guerras, mais ou menos ao mesmo tempo em que apareciam 
outros movimentos modernistas, como o expressionismo, o dadaísmo, o cubismo. 
Desde o início, Dadá é um movimento internacional: Tristan Tzara e Marcel Janco 
eram romenos, Hugo Ball, Hans Richter e Huelsenbeck eram alemães, Picabia e 
Duchamp, franceses, Man Ray norte-americano. A colagem é uma descoberta dadaísta, 
uma maneira de incorporar o acaso na produção de obras de arte. Outra invenção do 
grupo é a fotomontagem, em que se destaca o trabalho de Hannah Höch, John 
Heartfield e Raoul Hausmann. 
 
CRITICA DE ARTE 
Unidade 10 - Teoria e Crítica, Movimento: Dadaísmo 
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Francis Picabia. Parada amorosa, 1917 
(http://www.artinthepicture.com/paintings/Franc
is_Picabia/Parade-amoureuse/ 
John Heartfield. Não passarão, 1936 
(http://shuperlocodesign.wordpress.com/2008/1
0/04/d-a-d-a-i-s-m-o-john-heartfield-max-
grosz-man-ray/ 
Caro aluno perceba, nas imagens acima, que o objetivo do grupo era destruir a 
noção de obra de arte, confundir os críticos, chocar a burguesia e, com isto, criticar os 
costumes da sociedade que conduziram inevitavelmente à guerra. Não existe um estilo 
dadá, mas é antes uma atitude dos membros do grupo, uma tentativa de acabar com 
as fronteiras entre arte e vida. Picabia dizia, ironicamente, “sempre que a arte aparece, a 
vida desaparece”. Enquanto Hugo Ball e Hans Arp buscavam uma nova arte, Tzara e 
Picabia procuravam a destruição da arte pela zombaria. Enfim, a palavra dadá não tem 
sentido e os artistas ligados ao dadá se esmeravam em construir objetos desprovidos 
de significado, o que os aproxima muitas vezes do surrealismo. 
 
BUSCANDO CONHECIMENTO 
Fonte: http://noticias.universia.com.br/destaque/noticia/2012/02/06/909627/conheca-
critico-arte-raoul-hausmann.html%0A , aceso em 04/09/15. 
 
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Unidade 10 - Teoria e Crítica, Movimento: Dadaísmo 
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O Dadaísmo, em Berlim, associou-se aos movimentos dos trabalhadores e suas 
batalhas políticas. Ideologicamente alinhado com a esquerda, Rauol Hausmann 
começou a criar fotomontagens satíricas em 1918, como forma de protesto contra a 
sociedade burguesa. 
Ele usava materiais do cotidiano, como fotografias, recortes de jornal e uma 
tipografia extrema. Em O Crítico de Arte, Hausmann satirizou os jornalistas, cujas críticas 
de arte podiam ser compradas com dinheiro; como sugerido com a colocação de um 
pedaço de cédula atrás do pescoço do crítico. 
Os olhos rabiscados do jornalista simbolizam a escuridão de sua visão. Isto 
significa que o julgamento do crítico de arte, assim como o de qualquer instituição é 
ineficiente. 
A boca e os olhos do personagem principal estão cobertos por desenhos 
infantis, os olhos estão vendados e sua língua se enrola em direção à dama da 
sociedade. Além disso, a bochecha do homem está avermelhada, indicando que o 
julgamento do crítico está prejudicado por bebida. 
Raoul Hausmann faz uma autorreferência na obra. A renúncia do kaiser Wilhelm, 
em 1918, levou as classes políticas a manobrarem para conseguir o poder da Alemanha. 
Os dadaístas ridicularizaram essa ambição. O autorreferencial Hausmann inclui o seu 
próprio cartão de visitas, que o descrevia como "Presidente do SOL, da Lua e da 
Pequena Terra (superfície interna)". 
O último aspecto que chama atenção na obra é a silhueta de um homem repleta 
de notícias impressas em jornal. Nela, está a palavra "merz", em negrito. Hausmann faz 
uma alusão ao pintor Kurt Schwitters e suas colagens "Merz". O artista teve sua entrada 
rejeitada no Clube Dadaísta de Berlim porque pintava paisagens - algo burguês. 
 
 
 
 
CRITICA DE ARTE 
Unidade 10 - Teoria e Crítica, Movimento: Dadaísmo 
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Ficha Técnica - O Crítico de Arte: 
 
Autor: Raoul Hausmann 
Onde ver: Tate Collection, Londres, Reino Unido 
Ano: 1919 
Técnica: Litografia e fotocolagem em papel 
Tamanho: 32cm x 25,5cm 
 Movimento: Dadaísmo 
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Unidade 11 - Teoria e Crítica, Movimento: Surrealismo 
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CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE 
 
Objetivos: Aplicar a teoria e crítica da arte no movimento: Surrealismo. 
 
ESTUDANDO E REFLETINDO 
 
Foi o escritor André Breton(1896-1966) o primeiro a utilizar o termo, ao publicar 
o "Manifesto Surrealista", em 1924. Os artistas deste movimento acreditavam que a arte 
deveria se libertar das exigências da lógica e da razão e ir além da consciência do dia-
a-dia para poder expressar o inconsciente, a imaginação e os sonhos. Nos termos de 
Breton, autor do manifesto, trata-se de "resolver a contradição até agora vigente entre 
sonho e realidade pela criação de uma realidade absoluta, uma supra-realidade”. 
Baseavam-se também nos estudos de Sigmund Freud (1856-1939), considerado o pai 
da psicanálise. Em sua obra mais conhecida, "A Interpretação dos Sonhos", Freud 
descreve o funcionamento do inconsciente e a forma como ele aflora nos sonhos. Por 
outro lado, a relação entre o surrealismo e a psicanálise é de fundamental importância, 
os surrealistas não tinham intenção de interpretar os sonhos, somente a exteriorização 
do mesmo na forma de arte, enquanto a psicanálise tentava decifrar as manifestações 
do inconsciente pela razão, com o fim de curar o paciente de seus delírios. 
O surrealismo herdou, entretanto, muitas características do dadá, especialmente 
a crítica à sociedade burguesa e o ataque às formas tradicionais de arte. Como o 
movimento dadá, o surrealismo apresenta-se como crítica cultural mais ampla, que 
interpela não somente as artes, mas modelos culturais, passados e presentes. Na 
contestação radical de valores que essa arte empreende, faz uso de variados canais de 
expressão: revistas, manifestos, exposições e outros, mobilizam diferentes modalidades 
artísticas como escultura, literatura, pintura, fotografia, artes gráficas e cinema. 
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Unidade 11 - Teoria e Crítica, Movimento: Surrealismo 
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No surrealismo, não existe um estilo visual coerente, mas uma preocupação 
dominante com o significado está presente em todas as obras. Influenciados pelas 
teorias de Freud, sobre o inconsciente, os escritores André Breton e Philipe Soupault, 
inventaram a escrita automática, ou seja, a livre associação de ideias, como forma de 
evitar o controle e a autocensura, as restrições da moral e da religião. 
 
 
 Joan Miró. Interior holandês I, 1928 
(http://www.artinthepicture.com/paintings/Joan
_Miro/Dutch-Interior-I/ 
 Man Ray. Presente, 1921. 
(http://www.tate.org.uk/tateetc/issue12/unholyt
rinity.htm 
 
Os surrealistas inventam o objeto simbólico. Dado que a funcionalidade do 
objeto racionalmente projetado é o símbolo da eficiência operativa da sociedade 
industrial, 
 
 
 
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Unidade 11 - Teoria e Crítica, Movimento: Surrealismo 
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os objetos surrealistas não valem pelo que manifestam, mas pelo que 
implicam ou escondem: não uma racionalidade, que se considera 
abstrata, mas as motivações ocultas dos sonhos, as inconfessadas 
implicações eróticas... a intenção inconsciente de iludir, desmistificar, 
ridicularizar tudo aquilo que tem um sentido ou uma função na vida 
consciente. 
ARGAN, 1988, p. 66. 
 
Esse procedimento de associação de ideias díspares tem como resultado 
imagens absurdas e se tornaria muito comum na poesia, na pintura e em todas as 
manifestações da arte surrealista. 
 
BUSCANDO CONHECIMENTO 
 
Veja abaixo uma obra de Salvador Dali e também sua análise. 
 
 Salvador Dali: A Persistência da Memória (1931), Nova Iorque, Moma. 
 
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Subliminar é a mensagem localizada 
abaixo do limiar. Por exemplo, quando 
uma atriz dde novela vai às compras e 
chega em casa com pacote do Boticário, 
estamos dianet de uma propaganda 
subliminar. 
 
Estes relógios podem conterdois significados distintos: primeiramente, a 
relatividade do tempo e espaço (ambos maleáveis), característica notada também na 
marcação das horas, distinta nos 
três relógios e na mosca 
pousada em um deles, 
indicando que “o tempo voa”. E 
subliminarmente, o contraste 
entre macio e duro, indicando impotência e erotismo, respectivamente. Podemos ver 
então a influência da teoria freudiana nas obras de Dalí, como seus estudos sobre 
instintos, onde estes seriam canais através dos quais a energia pudesse fluir. 
As formigas podem representar a decadência e o ato de atacar o relógio como 
se este fosse um produto orgânico é outro sinal da sexualidade inserida na obra, onde 
estas buscam saciar os instintos citados acima. 
Como em muitas obras, o rosto de Dalí está presente na pintura, sendo destacado no 
fundo preto. O azul do céu e a cor de areia das rochas contrastam com o resto da 
figura. As linhas não seguem padrões estéticos nem direções significativas, traço 
marcante no surrealismo. 
 
Fonte:http://www.educacaopublica.rj.gov.br/cultura/artes/0016_02.html, acesso 
em 04/09/15. 
...“A persistência da memória” é uma obra-síntese do surrealismo, pois reúne 
elementos próprios do movimento, como o rompimento com a razão, a liberação da 
imaginação, a estética onírica etc. Por isso, as teses dos sonhos e do subconsciente, 
entre outras, de Sigmund Freud eram muito bem recebidas pelos surrealistas. Dalí 
especialmente simpatizava com as teses freudianas. Aliás, o fascínio de Dalí pelas ideias 
de Freud fez que o artista visitasse o famoso pai da psicanálise em Londres, em 1938. 
Ecos freudianos podem ser observados em “A persistência da memória”. A tela parece 
dizer que, ao contrário do que se imagina, o tempo não é rígido, imutável. Em vez 
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Unidade 11 - Teoria e Crítica, Movimento: Surrealismo 
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disso, ele é maleável, flexível, e, portanto, passado e presente – assim como sonho e 
realidade – coexistem, em pé de igualdade, na parte “não iluminada” das pessoas. 
Embora imbuída das ideias do surrealismo, a técnica de Dalí adquire contornos 
próprios e vai além da automação surrealista. Para o movimento, a escrita e a pintura 
deveriam ser “automáticas”, ou seja, deveriam sair num jorro e não poderiam passar 
pelo crivo da razão, que as corromperia ou deturparia. Desse modo, o fluxo imediato e 
não destilado estaria mais próximo do inconsciente, tão caro aos surrealistas e aos seus 
propósitos. Dalí, no entanto, aplicou à sua criação um método próprio, chamado por 
ele de “crítico-paranoico”. Esse método seria uma maneira distinta de perceber a 
realidade, na qual movimentos associativos e elementos oníricos teriam papéis 
fundamentais. Segundo suas palavras seriam “um método espontâneo de 
conhecimento irracional baseado na associação interpretativa crítica de fenômenos 
delirantes”. 
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Unidade 12 - Teoria e Crítica, Movimento: Expressionismo Abstrato 
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CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE 
 
Objetivos: Aplicar a teoria e crítica da arte no movimento: Expressionismo Abstrato. 
 
ESTUDANDO E REFLETINDO 
 
O expressionismo abstrato é considerado a arte moderna americana por 
excelência. Hoje sabemos que a rápida aceitação que esse estilo de pintura teve na 
sociedade americana foi consequência do apoio do governo, que utilizou a arte 
abstrata para mostrar como seu regime apoiava a liberdade de expressão em oposição 
aos governos comunistas e suas revoluções culturais repressoras. 
O poder expressivo de cores e formas, de pinceladas e texturas, de tamanho e 
escala pode ser sentido diante das pinturas do expressionismo abstrato. Os artistas 
perceberam que as composições abstratas podem ser tão efetivas, quantos quadros 
temáticos e, por isso, o tema foi abandonado. 
O gesto é significativo, expressa a liberdade primordial e revela a subjetividade 
do artista, é sua marca pessoal. Assim como na caligrafia japonesa, as formas podem 
transmitir valores como a improvisação e a espontaneidade. 
O pintor, Jackson Pollock, inventou uma nova maneira de pintar, deixando a tinta 
pingar do pincel, sem encostar o pincel na tela. As telas de pintores como Franz Kline, 
Joan Mitchell, Cy Twombly, Helen Frankenthaler, Mark Rothko e Robert Motherwell 
costumam ter mais de dois metros de largura, podendo atingir quatro metros. 
A pintura européia, associada ao expressionismo abstrato, era conhecida como 
arte informal ou tachismo, palavra de origem francesa para “borrão” ou mancha. 
Georges Mathieu (1921) pressionava o tubo de tinta diretamente na tela, sem o auxílio 
do pincel. Outros artistas ligados ao tachismo são Hans Hartung, Pierre Soulages e 
Henri Michaux. 
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Fotografia de Jackson Pollock em ação, por 
Hans Namuth, 1950. 
(http://www.tate.org.uk/liverpool/ima/rm4/re
sources/ 
Pierre Soulages, Composição,1959. 
(http://www.coresprimarias.com.br/ed_7/conexoes
_p.php 
 
http://www.tate.org.uk/liverpool/ima/rm4/resources/ 
 
BUSCANDO CONHECIMENTO 
Fonte: 
http://www.educacaopublica.rj.gov.br/biblioteca/educacao_artistica/0021.html, acesso 
em 04/09/15. 
“Se, por um lado, as obras de Willem de Kooning, Jackson Pollock, Hans 
Hofmann, Rothko e Barnett Newman, entre outros, causavam extrema polêmica no 
período pós-guerra, o crítico de arte Clement Greenberg denunciava os perigos de 
considerar a arte norte-americana abstrata como simples ruptura com a arte passada. 
Na década de 1950, todos os campos artísticos (música, literatura etc.) rompiam com 
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estritas regras definidas pelos cânones de seu meio e extrapolavam antigos polos de 
influência, chamando atenção para produções artísticas fora da Europa. Mas, segundo 
Meyer Schapiro, embora parecesse arbitrário ressaltar as artes visuais, era na pintura 
que se observava uma verdadeira revolução. O historiador da arte comparou as 
experiências mais intimistas e profundamente pessoais e as invenções e experimentos 
que atritavam os limites da arte às mais importantes revoluções sociais, científicas e 
tecnológicas. 
Pela leitura de críticos e historiadores da arte sobre a pintura americana do pós-
guerra, como entender as alegações dos escritores que afirmavam que a ideia de 
humanidade da arte foi enormemente ampliada nesse período? Quais as características 
dessa nova arte e suas influências e em que sentido configurava o “novo”? 
A pintura que alcançou autonomia em solo americano e hegemonia na arte na 
metade do século XX recebeu inúmeras designações: american-type painting, action 
painting e expressionismo abstrato. Estes não eram só “rótulos”, mas formas de 
identificar um determinado grupo de artistas e obras. 
Harold Rosemberg inventou a expressão action painting para designar o 
momento em que as telas apareciam como arenas abertas, ao invés de um espaço 
onde um objeto real ou imaginário era reproduzido. A pintura tornava-se o meio de se 
confrontar com a natureza problemática da individualidade moderna e, embora não 
houvesse um conceito expresso de vanguarda no movimento, a action painting levava 
consigo os pressupostos tradicionais de uma vanguarda, exigindo a demolição de 
valores preexistentes. O artista não apresentaria mais uma imagem, mas uma ação 
sobre a tela em branco, que por sua vez oferecia a oportunidade para um fazer ainda 
não engolido pela máquina da sociedadecapitalista. “O pintor americano descobria, 
portanto, uma nova função para a arte como “a ação” que pertencia a ele próprio em 
um período de guerra e colapso das esquerdas.” 
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Unidade 12 - Teoria e Crítica, Movimento: Expressionismo Abstrato 
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Fonte: http://www2.eca.usp.br/cap/ars24/v12n24a02.pdf, acesso em 08/09/15 
A pintura de Pollock escreveu ainda Greenberg, traça um percurso “que vai 
talvez para além do cavalete, para além da imagem emoldurada [...]. Talvez. Ou talvez 
não. Não sou capaz de dizer”. Não ousando elaborar a este respeito qualquer tipo de 
reflexão, o crítico demonstrou apenas perplexidade. Subjacentes às dúvidas e aos 
debates evocados ao longo deste artigo, perfilam-se questões atuais da história e da 
crítica da arte: será legítimo abdicar da referência ao inconsciente (individual ou 
coletivo), mesmo quando privilegiado pela reflexão do próprio artista sobre sua obra? 
Pollock viu na arte um processo de autodescoberta, transpondo-a por vezes para um 
contexto terapêutico. Poderá o analista ignorar este fato, ou dizer, como Rubin, que a 
autodescoberta anula o estatuto de pintor? Será a assunção da dimensão inconsciente 
um constrangimento à capacidade interpretativa? 
 
 
 
Jackson Pollock fotografado por Martha Holmes para a revista Lifeem 1949. 
 
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Unidade 13 - Teoria e Crítica, Movimento: Pop Art 
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CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE 
 
Objetivos: Aplicar a teoria e crítica da arte no movimento: Pop Art. 
 
ESTUDANDO E REFLETINDO 
 
Pop Art: é uma abreviação de popular, em alusão ao uso de imagens dos meios 
de comunicação de massa: a televisão e o cinema, o desenho animado, as histórias em 
quadrinhos, o jornal e os anúncios de revista. Andy Warhol afirmou em 1968: “no futuro, 
todo mundo será mundialmente famoso por 15 minutos”. Ele ajudou a realizar esta 
previsão, ao fazer retratos de pessoas pouco conhecidas na época: o fisiculturista 
Arnold Schwarzenegger e o ator Silvester Stalone. 
A Pop Art é uma escola que utiliza em suas representações pictóricas imagens e 
símbolos de natureza popular. Originado particularmente nos Estados Unidos e na 
Inglaterra, este movimento foi assim batizado em 1954, quando o crítico inglês 
Lawrence Alloway assim o denominou, ao se referir a tudo que era produzido pela 
cultura em massa no hemisfério ocidental, especialmente aos produtos procedentes da 
América do Norte. 
Representava um retorno da arte figurativa, contrapondo-se ao Expressionismo 
alemão que até então dominava a cena artística. Agora era a vez da cultura em massa, 
do culto às imagens televisivas, às fotos, às histórias em quadrinhos, às cenas impressas 
nas telas dos cinemas, à produção publicitária. 
Na década de 20, os filósofos Horkheimer e Adorno já discorriam sobre a 
expressão indústria cultural, para expressar a mercantilização de toda criação humana, 
inclusive a de cunho cultural. Nos anos 60 tudo é produzido massivamente, e cria-se 
uma aura especial em torno do que é considerado popular. Desta esfera transplantam-
se a simbologia e os signos típicos da massa, para que assim rompam-se todas as 
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Unidade 13 - Teoria e Crítica, Movimento: Pop Art 
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possíveis barreiras entre a arte e o povo. Há certo fascínio em torno do modo de vida 
da população dos EUA. 
Os artistas recorrem à ironia para elaborar uma crítica ao excesso de 
consumismo que permeia o comportamento social, estetizando os produtos 
massificados, tais como os provenientes da esfera publicitária, do cinema, dos 
quadrinhos, e de outras áreas afins. Eles se valem de ferramentas como a tinta acrílica, 
poliéster, látex, colorações fortes e calorosas, imitando artefatos da rotina popular. 
Estes objetos que integram o dia-a-dia da massa são multiplicados em porte 
bem maior, o que converte sua concretude real em uma dimensão hiper-real. 
Enquanto, porém, a Pop Art parece censurar o consumismo, ela igualmente não 
prescinde dos itens que integram o circuito do consumo capitalista. Exemplo disso são 
as famosas Sopas Campbell e as garrafas de Coca-Cola criadas pelo ‘papa’ deste 
movimento, o artista Andy Warhol. 
Este ícone da Pop Art inspirou-se nos mitos modernos, como o representado 
pela atriz Marilyn Monroe, símbolo do cinema hollywoodiano e do glamour 
contemporâneo, para produzir suas obras. Ele procurava transmitir sua certeza de que 
os ídolos cultuados pela sociedade no século XX são imagens despersonalizadas e sem 
consistência. Para isso o artista utilizava técnicas de reprodução que simulavam o 
trabalho mecanizado. 
Roy Lichtenstein descobriu um jeito de imitar, na pintura, as retículas do 
processo de impressão das HQ´s. Suas pinturas são detalhes selecionados e ampliados 
de páginas, incluindo o balão com as falas e as onomatopeias, elementos característicos 
deste meio. 
A Arte Pop surgiu na Inglaterra, e uma das primeiras obras conhecidas é uma 
colagem de Richard Hamilton. David Hockney, Allen Jones e Peter Blake são alguns 
artistas pop britânicos. 
 
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Unidade 13 - Teoria e Crítica, Movimento: Pop Art 
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Richard Hamilton. Just What Is It That Makes 
Today's Home So Different, So Appealing? 
1956, Collage 
http://www.moma.org/collection/browse_res
ults.php?criteria=O%3AAD%3AE%3A4397&p
age_number=18&template_id=1&sort_order=
1 
 Claes Oldenburg. Floor Cake, 
1962. Synthetic polymer paint and 
latex on canvas filled with foam 
rubber and cardboard boxes, 
148.2 x 290.2 x 148.2 cm 
http://witcombe.sbc.edu/modernism-
b/modpostmod.html 
http://www.moma.org/collection/browse_results.php?criteria=O%3AAD%3AE%3
A4397&page_number=18&template_id=1&sort_order=1 
 
BUSCANDO CONHECIMENTO 
 
Nesta salada imagética que constitui a Pop Art, o que antes era considerado de 
mau gosto se transforma em modismo, o que era visto como algo reles passa a ter a 
conotação de um objeto sofisticado. Isto porque estes artefatos ganham um novo 
significado diante do contexto em que são produzidos, e assumem, assim, uma 
valoração distinta. Fonte: http://www.infoescola.com/artes/pop-art/, acesso em 
10/08/15. 
 
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Unidade 13 - Teoria e Crítica, Movimento: Pop Art 
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Fonte: http://noticias.universia.com.br/tempo-livre/noticia/2012/10/19/975939/conheca-
latas-sopa-campbell-andy-warhol.html, acesso em 08/09/15. 
Nos Estados Unidos o movimento artístico de expressionismo abstrato era o 
dominante durante o pós-Segunda Guerra Mundial e sua base eram os valores e a 
estética das Belas Artes, bem como um lado místico. A crítica feita pela obra gerou uma 
grande controvérsia a respeito da ética e do mérito do trabalho de Warhol. 
 
 
 
Ficha Técnica - Latas de Sopa Campbell: 
Autor: Andy Warhol 
Onde ver: MOMA - Museu de Arte Moderna, Nova York, Estados Unidos 
Ano: 1962 
Técnica: Tinta de polímero sintético sobre tela 
Tamanho: 50,8cm × 40,6cm 
Movimento: Pop-Art 
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Unidade 14 - Teoria e Crítica, Movimento: Minimalismo 
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CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE 
 
Objetivos: Aplicar a teoria e crítica da arte no movimento: Minimalismo. 
 
ESTUDANDO E REFLETINDO 
 
A obra é completamente concebida antes da execução, não existe espaço para o 
improviso ou acaso. Na pintura, a eliminação da dualidaderepresentacional de figura e 
fundo é obtida por Frank Stella: “A pintura de Stella não é simbólica. Suas listras são os 
trajetos do pincel sobre a tela. Esses trajetos conduzem unicamente à pintura”. 
O rigor conceitual, a clareza e a simplicidade podem ser traduzidos pela ênfase 
em materiais industriais e neutros (ferro galvanizado, aço laminado a frio, tubos 
fluorescentes, tijolos refratários, chapas de cobre). Atribuir valor estético a objetos 
funcionais por uma simples escolha mental e não através de qualquer habilidade 
manual levou ao abandono da pintura. 
Os principais textos teóricos foram escritos pelos próprios artistas: Donald Judd, 
Sol LeWitt e Robert Morris. Carl Andre e Dan Flavin também fizeram parte do grupo. 
 
 
Robert Morris, Untitled (L-Beams), 1965 
http://www.herartmystories.com 
 Donald Judd, Untitled, 1966. 
(http://www.installationart.net/Chapter1Introductio
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Unidade 14 - Teoria e Crítica, Movimento: Minimalismo 
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n/introduction01.html#judduntitled1966 
http://www.herartmystories.com/ 
http://www.installationart.net/Chapter1Introduction/introduction01.html - 
judduntitled1966 
Perceba que na arte minimalista, surge uma nova maneira de se pensar a 
escultura: ela não é mais modelada, esculpida ou soldada, as formas são apenas 
reunidas e montadas. O que caracteriza essa escultura são as formas geométricas 
simples e o arranjo de unidades idênticas e intercambiáveis. O todo é mais importante 
do que as partes. A ordenação dos elementos também é simples: progressiva, 
permutacional ou simétrica. 
 
BUSCANDO CONHECIMENTO 
 
Fonte: https://comunicacaoeartes20122.wordpress.com/2013/01/09/minimalismo-2/, 
acesso em 08/09/15. 
...O princípio básico dessa nova arte pode ser resumido na frase “Menos é mais” – que 
se assemelha ao nome de um dos quadros de Frank Stella: More or Less, de 1964. A 
crítica que ela faz ao Expressionismo Abstrato se refere aos objetos de representação 
simbólica, subjetividade e intensidade emocional atribuído às obras de arte produzidas 
no período pós-guerra. Nele, percepção e compreensão da obra estão diretamente 
ligadas à sensibilidade do espectador e uma espécie de “conhecimento prévio” do que 
está prestes a ser visto. Já com os artistas minimalistas, essas características caem por 
terra quase completamente – nesse sentido, a palavra “quase” é usada em referência 
aos elementos geométricos presentes nas esculturas e pinturas, que não deixam de ser 
objetos de representação, mas que são de conhecimento e compreensão do mais 
variado tipo de público e espectador. A minimal art é considerada, assim, uma arte 
“limpa” por desfazer-se dos elementos excessivos no processo de produção, reduzindo 
CRITICA DE ARTE 
Unidade 14 - Teoria e Crítica, Movimento: Minimalismo 
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a obra de arte a um objeto puro e completamente inteligível, concebido na mente 
antes de sua produção. 
 
...Esteticamente, esse novo movimento trouxe muitas inovações e ao mesmo tempo 
sofreu duras críticas por sua “técnica” de produção. Na pintura e na escultura, passa-se 
a utilizar materiais industriais para compor os objetos, como ferro galvanizado, aço 
laminado a frio, cubos de poliestireno, chapas de cobre, tubos fluorescentes, tinta 
industrial, concreto e outros tipos de insumos. Além disso, o artista se retira do 
processo de produção da obra, atuando no papel de idealizador de um projeto, onde a 
finalização dela como produto é responsabilidade de terceiros. Assim acontece com 
muitos os escultores da época, como Dan Flavin e suas instalações com lâmpadas 
fluorescentes – muitas delas concluídas após sua morte – ou Donald Judd e seus 
Quinze Volumes de Concreto instalados no Texas (EUA), assim com outras de suas 
esculturas. Um exemplo mais claro dessa ausência do artista é uma obra intitulada Die, 
de Tony Smith. A obra foi originalmente idealizada em 1962, mas o objeto projetado 
pelo artista só foi produzido em 1998, após a sua morte, sob uma encomenda da viúva 
do escultor e arquiteto, e consiste pura e simplesmente em um cubo de aço que hoje 
está exposto no MoMA, em Nova Iorque. Nesse sentido, a Minimal chegou a não ser 
considerada como arte, por ser compreendida como uma arte vazia de significado e 
inovação plástica, pela utilização dos materiais e os objetos trabalhados. Essa crítica 
passou a ser desconstruída a partir de uma publicação da crítica e historiadora de arte 
Barbara Rose, esposa de Frank Stella entre 1961 e 1969, intitulada ABC Art, publicada na 
revista Art In America em Outubro de 1965. Nessa publicação, ela busca explicar o 
conceito da Minimal Art fazendo uma referência às obras de Duchamp, mas com uma 
referência mais forte a Malevich e o suprematismo. 
 
CRITICA DE ARTE 
Unidade 14 - Teoria e Crítica, Movimento: Minimalismo 
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... No Brasil, a Minimal também refletiu seus princípios, mas de um modo não menos 
canônico. No cenário nacional destacam-se artistas como Ana Maria Tavares, com 
obras como Corrimão (1996) e Desviantes (da série Hieróglifos Sociais, de 2011), Carlos 
Fajardo – com fortes referências às esculturas de John McCracken e Lary Bell – Fabio 
Miguez e Carlito Carvalhosa – que chegou a expor uma de suas obras produzidas com 
tecido TNT no MoMA, em Nova Iorque. 
 
 
Corrimão 
1996/ Ana Maria Tavares 
aço inoxidável 
Acervo Instituto Itaú Cultural 
(São Paulo, SP) 
Registro Fotográfico João L. 
Musa/Itaú Cultural. 
 
 
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Unidade 14 - Teoria e Crítica, Movimento: Minimalismo 
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Para sabe mais, acesse também: 
 
http://www.brasilescola.com/artes/minimalismo.htm 
 
http://www.musica.ufmg.br/permusi/port/numeros/11/num11_cap_03.pdf 
 
http://www.istoe.com.br/reportagens/162363_ARQUITETURAS+IMPOSSIVEIS 
 
http://www.old.diariodepernambuco.com.br/nota.asp?materia=20110824112959 
 
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Unidade 15 - Teoria e Crítica, Movimento: Arte Conceitual 
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CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE 
 
Objetivos: Aplicar a teoria e crítica da arte no movimento: Arte Conceitual. 
 
ESTUDANDO E REFLETINDO 
 
Arte conceitual é a arte como ideia, como diz o título de uma série de trabalhos 
de Joseph Kosuth. É uma arte que exige a participação mental do espectador. Sol 
LeWitt declara que “a ideia torna-se a máquina que faz a arte”. Os artistas interessam-
se por pesquisas sobre a linguagem e os sistemas linguisticamente análogos. 
As ideias são a verdadeira essência da arte e a experiência visual e o deleite 
sensorial torna-se secundário. As propostas incluem fotografias, documentos, mapas, 
vídeos. A redução da importância do objeto no minimalismo levou à eliminação do 
objeto na arte conceitual. Os artistas consideram que a obra pode ou não ser realizada 
e o projeto ou a descrição verbal substituem a obra. Como muitos dos trabalhos 
existem somente em forma impressa, com frequência combinada com a fotografia, 
prosperou uma nova categoria de obra de arte, os livros de artista. 
A arte finalmente poderia se tornar acessível, qualquer pessoa poderia possuir 
uma obra conceitual. Veja esta declaração de Lawrence Weiner: 
 
Depois que você tomar conhecimento de uma obra minha, você é 
dono dela. Não existe maneira de eu entrar na cabeça de alguém e 
retirá-la de novo. 
STANGOS, p. 185 
 
 Douglas Huebler, Robert Barry, Piero Manzoni e Cildo Meireles são artistas que 
produziram obras conceituais.CRITICA DE ARTE 
Unidade 15 - Teoria e Crítica, Movimento: Arte Conceitual 
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Joseph Kosuth, Art as Idea: Nothing, 1968 
http://www.nga.gov/education/classro
om/new_angles/popups/pop_glossary_nothin
g.htm 
 Mel Bochner, Language is Not Transparent, 
1970 
http://www.guardian.co.uk/artanddesi
gn/gallery/2009/aug/04/words-book-text-
art?picture=351205341 
http://www.nga.gov/education/classroom/new_angles/popups/pop_glossary_not
hing.htm 
 
BUSCANDO CONHECIMENTO 
 
Fonte: http://enciclopedia.itaucultural.org.br/termo3187/arte-conceitual, acesso em 
10/08/15. 
...Embora os artistas conceituais critiquem a reivindicação moderna de 
autonomia da obra de arte, e alguns pretendam até romper com princípios do 
modernismo, há algumas premissas históricas que podem ser encontradas em 
experiências realizadas no início do século XX. Os ready-mades de Marcel Duchamp, 
cuja qualidade artística é conferida pelo contexto em que são expostos, seriam um 
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Unidade 15 - Teoria e Crítica, Movimento: Arte Conceitual 
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antecedente importante para a reelaboração da crítica dos conceituais. Outro 
importante antecedente é o Desenho de De Kooning Apagado, apresentado por Robert 
Rauschenberg em 1953. Como o próprio título enuncia, em um desenho de Willem de 
Kooning, artista ligado à abstração gestual surgida nos Estados Unidos no pós-
guerra, Rauschenberg, com a permissão do colega, apaga e desfaz o seu gesto. A obra 
final, um papel vazio quase em branco, levanta a questão sobre os limites e as 
possibilidades de superação da noção moderna de arte. Uma experiência 
emblemática é realizada pelo artista Robert Barry, em 1969, com a Série de Gás Inerte, 
que alude à desmaterialização da obra de arte, ideia cara à arte conceitual. Uma de 
suas ações, registrada em fotografia, consiste na devolução de 0,5 metros cúbico de 
gás hélio à atmosfera em pleno deserto de Mojave, na Califórnia. 
O brasileiro Cildo Meireles, que participa da exposição Information, realizada no 
The Museum of Modern Art - MoMA [Museu de Arte Moderna] de Nova York, em 1970, 
considerada como um dos marcos da arte conceitual, realiza a série Inserções em 
Circuitos Ideológicos. O artista intervém em sistemas de circulação de notas de dinheiro 
ou garrafas de coca-cola, para difundir anonimamente mensagens políticas durante a 
ditadura militar. 
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Unidade 15 - Teoria e Crítica, Movimento: Arte Conceitual 
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Imagem:https://www.google.com.br/search?q=inser%C3%A7%C3%B5es+em+circuitos
+ideol%C3%B3gicos&biw=1280&bih=639&tbm=isch&tbo=u&source=univ&sa=X&sqi=
2&ved=0CBwQsARqFQoTCJXDqMTQ58cCFYWFkAodgKANog#imgrc=6GfwLTaoZxhI-
M%3A 
 
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Unidade 15 - Teoria e Crítica, Movimento: Arte Conceitual 
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Imagem:https://www.google.com.br/search?q=inser%C3%A7%C3%B5es+em+circuitos
+ideol%C3%B3gicos&biw=1280&bih=639&tbm=isch&tbo=u&source=univ&sa=X&sqi=
2&ved=0CBwQsARqFQoTCJXDqMTQ58cCFYWFkAodgKANog#imgrc=kSuO7_OW0Ew9
HM%3A 
 
 
Fonte: http://www.todamateria.com.br/arte-conceitual/, acesso em 08/09/15. 
Esse movimento artístico que critica o formalismo e propõe a autonomia da obra 
artística, foi capaz de revolucionar muitos aspectos da arte, sendo o termo “arte 
conceitual” utilizado pela primeira vez pelo artista, escritor e filósofo estadunidense 
Henry Flynt, em 1961. Sobre a arte conceitual, afirma o escultor estadunidense Sol 
LeWitt (1928-2007): “a própria ideia, mesmo se não é tornada visual, é uma obra de arte 
tanto quanto qualquer produto”. 
Para muitos estudiosos, Marcel Duchamp (1887-1968) foi um dos precursores da 
arte conceitual, na década de 50, no momento em que colocou um mictório no museu 
e o chamou de arte. Ali, a ideia dos “ready mades” (Já feito), considerado uma antiarte, 
não era o produto artístico, mas sim o conceito de arte que o artista quis demostrar, 
que levava mais ao processo reflexivo, em detrimento do visual. A grande questão da 
arte conceitual era definir os limites e fronteiras do fazer artístico, ou seja, ela é baseada 
na indagação: O que é arte? 
CRITICA DE ARTE 
Unidade 16 - A obra de Arte e o Objetivo de Arte – 1ª parte 
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CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE 
 
Objetivos: Definir o que é a obra de arte e o objeto de Arte 
Para estudarmos o objeto de arte é necessário termos contato com a obra e o 
pensamento de Marcel Duchamp (1887-1968). 
 
ESTUDANDO E REFLETINDO 
Duchamp dedicou os primeiros anos de sua carreira à pintura. Um célebre 
quadro seu, ainda sob influência impressionista e cubista é o Nu descendo a escada. 
Devido ao sucesso dessa obra, que é exposta pela primeira vez em 1913, Duchamp é 
convidado para expor, em 1917, na Sociedade dos Artistas Independentes. Ele recusa, 
pelo menos aparentemente, pois, na verdade, expõe com o pseudônimo de Robert 
Mutt, uma obra intitulada Fonte. e a assinatura R.Mutt. Duchamp defendeu o 
anticonvencional objeto de arte dizendo: “se o sr. Mutt fez ou não a fonte com suas 
próprias mãos, não importa. Ele a escolheu...criou uma nova ideia para esse objeto.” 
 
Marcel Duchamp: A Fonte (1917) 
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http://www.tate.org.uk/servlet/ViewWork?workid=26850 
 
Este é o primeiro ready made, ou seja, um objeto industrial apresentado por um 
artista como objeto de arte. O ready made inaugura um gesto antiartístico, rompendo 
com a tradição artística que valorizava a técnica, a competência e o ofício como 
qualidades essenciais ao artista. 
Um dos fatores fundamentais que contextualiza essa obra é a industrialização, 
ocorrida no século XIX, que reestrutura a relação do homem com os objetos, com as 
quantidades, com os valores e com a cultura. Assim como as inovações técnicas 
ocorridas nos meios de produção das imagens: a invenção da fotografia e da 
reprodução em cores. 
A revolução não acontece apenas no modo de produção de imagens, mas 
também no modo de percepção e apreensão. Nesse momento, era possível ter contato 
com inúmeras imagens deslocadas de seu contexto, seja o museu ou o espaço da 
igreja. Antes de se ter a experiência estética com o original já se recebia a imagem, a 
reprodução. 
Antes, as imagens eram realizadas para locais específicos, e o lugar que 
ocupavam determinava sua percepção. Primeiro nas igrejas, depois nos palácios e 
depois do século XVII, aos poucos passam a fazer parte do interior burguês. 
Foi no século XIX que se inaugurou um novo espaço de exibição da arte: o 
museu. A partir desse momento, as obras deixaram seu contexto original para serem 
apresentadas num contexto aparentemente neutro. No museu, a leitura das obras não 
depende mais de suas referências e funções iniciais: objetos sagrados de culturas 
distantes são vistos lado a lado com objetos cotidianos. 
Mas será a reprodução técnica das imagens que descontextualizará por 
completo as obras de um espaço que antes impunha um modo de aproximação. As 
reproduções permitiam manipulação e podiam, ainda, fazer parte do cotidiano das 
casas e das ruas. 
CRITICA DE ARTE 
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Duchamp também inventou a imagem ready made,ou seja, a apresentação de 
uma imagem impressa como uma obra de arte, um exemplo é a reprodução da 
Monalisa de Leonardo da Vinci com o título L.H.O.O.Q. 
 
 
 
 
http://www.mus.ulaval.ca/lacasse/cours/Seminaires/Oeuvre/intertextualite.htm 
 
Para Duchamp, o artista não se confrontava apenas com as imagens produzidas 
ao longo da história da arte, mas também com as imagens produzidas pelas técnicas 
modernas de reprodução. Para ele, não era mais possível criar uma imagem sem 
considerar que ela era dirigida a um grande público. Duchamp propõe que este público 
crie sentido no objeto industrial. Não se trata apenas de olhar e apreciar, é necessário 
também colaborar, usando a imaginação. A ação artística é engajada numa pesquisa 
que restitui à obra de arte seu estatuto de pensamento. 
 
 
 
 
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BUSCANDO CONHECIMENTO 
 
Fonte: http://www.educacaopublica.rj.gov.br/cultura/artes/0026.html, acesso em 
01/09/2015 
...Com relação ao Dada, Duchamp deu o seguinte depoimento: “O Dada foi um 
protesto extremado contra o lado físico da pintura. Foi uma atitude metafísica. Estava 
estreita e conscientemente ligado à “literatura”. Era uma espécie de niilismo com o qual 
ainda simpatizo muito” (Chipp, 1996, p. 399). Vale ressaltar, assim como Argan, que um 
movimento de arte que nega a arte é no mínimo um contrassenso. O protagonista mais 
conhecido do dadaísmo é, sem dúvida, Duchamp; mas por que sua arte é considerada 
tão revolucionária? 
O ceticismo e a radical ironia de Duchamp levaram a critica da teoria e da 
operação estética ao seu ponto mais alto com os ready-mades. Chegou até mesmo a 
negar que a arte seja o processo em que se realiza a atividade estética. 
...A crítica de arte, segundo Rosalind Krauss, comumente analisou obras artísticas 
polarizando-as em duas categorias: uma arte da concepção ou reflexão e uma arte da 
percepção sensível imediata. Tal tendência pode ser verificada nos estudos sobre a arte 
no século XX, com a oposição entre Duchamp e Picasso. 
 Como exemplos têm os escritos de Octavio Paz e de Paulo Venâncio Filho: 
“Marcel Duchamp e Pablo Picasso [...] são talvez os pintores que exerceram maior 
influência no nosso século: Picasso por suas obras, Duchamp por uma obra que é a 
própria negação da noção moderna de obra” (Paz, 1970, p. 9). Duchamp seria, portanto, 
o porta-voz de uma “obra que é a negação da obra”, uma arte que desconstruiria as 
bases da própria percepção sensível imediata, enquanto Picasso representaria o “chefe 
da escola do concreto, do sensual e do perceptivo”; “se Picasso é a personalidade 
artística do século, Duchamp é seu oposto simétrico. Picasso é a personalidade pública, 
excessiva, Duchamp é a ausência de personalidade artística enquanto imagem pública, 
é a antipersonalidade. (...) Picasso, com o quadro Demoiselles d’Avignon, inaugura o 
CRITICA DE ARTE 
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cubismo; o mais importante trabalho de Duchamp, Mariée mise à nu par sés 
celibataires, même, o encerra, ao menos enquanto experiência europeia”. 
No entanto, Krauss identifica nas obras de Duchamp um grande apelo à 
apreensão sensível e insiste que as diferenças entre ambos não estão pautadas na 
contradição entre desenho e cor, espírito e corpo, ideal e sensível, e sim na recusa de 
Duchamp de ver na pintura uma suficiência em si própria e o diálogo de suas obras 
com a fotografia. 
 
Acesse também: http://www.unicamp.br/chaa/eha/atas/2012/Caroliny%20Pereira.pdf 
 
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Unidade 17 - A obra de Arte e o Objetivo de Arte – 2ª Parte 
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CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE 
 
Objetivos: Definir o que é a obra de arte e o objeto de Arte 
 
ESTUDANDO E REFLETINDO 
Fonte: http://liberalspace.net/2009/10/04/o-que-faz-de-um-objeto-uma-obra-de-arte/, 
acesso em 02/09/2015. 
O que faz de um objeto uma obra de arte? 
Interessante a resposta de Jorge Coli na Folha de hoje (04/10/2009): 
“Quem decide que uma pintura, uma escultura, um copo d’água é arte?” 
O artista se tem algum reconhecimento, ou seja, se alguém acreditar que ele 
possui esse poder transformador. 
O crítico, que celebra e convence, ou que despreza e condena (a fórmula 
negativa mais forte, a única que de fato anula o feitiço, se alguém acreditar nela, está 
claro, é: "Isso não é arte". Muito usada, em escritos e em conversas, de preferência num 
tom de superioridade, por críticos seguros de si, contentes de vestirem a casaca e a 
cartola do mágico). 
As galerias, os museus, que aceitam tal ou qual obra e recusam outras. 
“O mercado, que gradua seus valores segundo a intensidade das crenças.” 
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/fs0410200912.htm 
Mas me lembro desde já de algo relevante. Ayn Rand, que tinha ideias muito 
bem definidas sobre arte, não poupava a suposta arte que habita nossos museus de 
(assim chamada) arte moderna. Criou em uma de suas newsletters uma seção de 
horrores. Numa das edições contou que havia desaparecido de um museu uma famosa 
peça. Ninguém imaginava o que pudesse ter acontecido, pois as portas não estavam 
arrombadas, nem havia qualquer outro indício de roubo. Desesperada, a Polícia 
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perguntou ao janitor que limpava o museu à noite se ele não havia visto a peça 
desaparecida. “Vi, sim”, disse ele… “E joguei fora. Pensei que era lixo…” 
Isso sugere que o fato de um objeto estar numa galeria ou num museu não 
garante que é obra de arte… Tampouco o garante o fato de algum louco estar disposto 
a pagar milhões de dólares pelo objeto. Sobrariam, como critérios sugeridos pelo Jorge 
Coli, o próprio artista e o crítico. 
Eu me pergunto: e a coisa em si, o objeto que se pretende seja arte? Sua 
natureza ou suas características não têm nada que ver com essa questão??? 
Tudo isso me faz lembrar também de uma famosa controvérsia de meu querido 
Monteiro Lobato com… quem mesmo???) Tem gente que fica arrepiada só de eu 
mencionar Lobato nesse contexto… 
 
BUSCANDO CONHECIMENTO 
 
A definição obra de arte é utilizada para mencionar a criação de um artista com 
objetivo simbólico que transmite uma ideia ou a representação de percepções, 
emoções ou sensações. 
Podemos citar como exemplos: pinturas, esculturas, arquitetura, criações teatrais, 
musicais, literárias, cinematográficas e tantas outras que surgem como a performance. 
A performance é uma ação artística que ocorre no espaço e, em um intervalo de 
tempo, seja numa representação medieval da Paixão de Cristo, num espetáculo 
renascentista, ou nos saraus realizados pelos artistas, na década de XX, a performance 
conferiu ao artista uma presença na sociedade. 
Foi na década de 1970, no apogeu da arte conceitual (uma arte em que as ideias 
eram mais importantes que o produto, uma arte que não poderia ser comprada ou 
vendida), que a performance passou a ser aceita como meio de expressão artística 
autônomo. 
CRITICA DE ARTE 
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Ela esteve fortemente presente em algumas vanguardas artísticas do início do 
século XX: futurismo, dadaísmo, surrealismo e construtivismo. No início desses 
movimentos, foi na performance que os artistas testaram suas ideias que, depois, se 
concretizariam em objetos.A performance ocupa, portanto, um papel importante no 
desenvolvimento da arte do século XX. 
Através da performance, o artista se dirige diretamente ao grande público e, 
através desse contato, o público tem a possibilidade de reavaliar sua concepção de arte 
e sua relação com a cultura. 
O performer é o próprio artista, raramente um personagem. Essa ação pode 
acontecer num museu, numa galeria de arte, num espaço alternativo, num teatro, num 
bar, numa esquina. A performance insere-se no espaço cotidiano e, assim, ela 
dessacraliza esse espaço e, muitas vezes, faz o mesmo com os materiais que utiliza, 
destruindo, deste modo, a barreira existente entre as belas artes e a cultura popular. 
O artista pode trabalhar só ou em colaboração com outros artistas, criando um 
espetáculo que pode ser solo ou em grupo, com iluminação, música ou elementos 
visuais criados pelo próprio artista e/ou seus colaboradores. 
A performance pode ser improvisada ou ensaiada, durar minutos ou muitas 
horas, ser representada uma vez ou repetidas vezes. Seus criadores usam livremente 
várias linguagens: teatro, dança, música, arquitetura, poesia, literatura, desenho, pintura, 
vídeo, cinema, projeções de imagens, entre outras. 
Com a presença viva do artista e o enfoque em seu corpo, as performances 
constituíram uma base para o desenvolvimento das instalações, da vídeo arte e da 
fotografia de arte no final do século XX. 
É importante sabermos que muitas das performances foram documentadas em 
vídeo ou fotografias. Apesar de negarem o objeto de arte e sua comercialização, esse 
registro material das performances foi comercializado como objeto de arte. 
 
 
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Fonte http://educacao.uol.com.br/disciplinas/artes/happening-performance-e-
body-art-artes-visuais-ultrapassam-os-suportes-classicos.htm , acesso em 02/09/2015. 
A performance como modalidade artística surgiu na década de 1960, com o 
grupo Fluxus. Um artista muito importante deste grupo foi o alemão Joseph Beuys. 
 Na performance Eu amo a 
América e a América me ama, Beuys 
ficou por três dias sob um feltro em 
uma sala com um coiote. O coiote é 
um pequeno lobo, considerado como 
um símbolo mágico por alguns povos 
indígenas norte-americanos. O contato 
que o artista tenta estabelecer com o 
animal pode levar a diversas 
interpretações e pensamentos, como, 
por exemplo, a invasão das terras 
indígenas e o extermínio dessas 
populações versus a ideia de "América, 
a terra das oportunidades"... 
 
 Joseph Beuys. Eu amo a América e a América me ama, 1974 
No Brasil, alguns dos artistas que se destacaram ou continuam se destacando 
em happenings e performances são Flávio de Carvalho, Wesley Duke Lee, José Aguilar, 
Nelson Leirner, Carlos Fajardo, entre outros. 
Veja o registro da performance de José Roberto Aguilar e Helena Ignez durante 
o evento "Satyrianas 2009" na Praça Roosevelt - SP/Centro. 
 https://www.youtube.com/watch?v=6_meLSCZiR4 
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Unidade 18 - Contextualização Social de uma Obra de Arte 
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CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE 
 
Objetivos: Mostrar e discutir alguns tipos de relações entre arte e sociedade. 
As relações entre arte e sociedade podem ser pensadas a partir de duas 
tendências: arte como um bem econômico privilegiado, destinado a um mercado de 
elite; ou arte como um fator educativo do qual toda a sociedade deveria poder usufruir, 
através de sistemas funcionais e didáticos, como o museu e a escola. 
 
ESTUDANDO E REFLETINDO 
 
Qual a função social da arte? Podemos dizer, de maneira simplificada, que a arte 
serve para impedir um comportamento mecanicista e alienante da sociedade. 
A maioria das obras de arte realizadas, na primeira metade do século XX, pode 
ser vistas como uma crítica do passado e uma projeção para o futuro. Por antecipar as 
transformações da sociedade, os artistas são chamados de artistas de vanguarda. 
Podemos perceber, entre os movimentos de vanguarda, dois polos da criação 
artística: o individual e o coletivo, tendo como principais expoentes o Dadá e o 
Surrealismo, de um lado, e o Construtivismo de outro. 
O surrealismo é caracterizado pelo impulso do inconsciente tido como impulso 
revolucionário. O dadaísmo era contra o racionalismo da sociedade, e por isso são 
associados a uma ideologia de esquerda. 
De acordo com o ideal construtivista, o artista é uma espécie de técnico 
projetista que deve criar objetos de uso corrente que sejam funcionais e belos. A arte 
associada à produção industrial e a arquitetura racional estão na origem do desenho 
industrial e do design. A ideologia de movimentos, como a Bauhaus e o De Stjil, previa 
uma sociedade sem classes, através da produção de objetos em série. O nivelamento 
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do modo de vida podia ser alcançado através de um estilo internacional, obtido pela 
racionalidade das formas e superação de todas as tradições nacionais. 
A vanguarda russa foi o único movimento de vanguarda envolvido com a 
revolução: as obras e os escritos têm uma forte carga ideológica que serviram de base 
para as transformações da estrutura e da finalidade da operação artística realizadas 
pelo construtivismo soviético. 
No intervalo entre as duas guerras, reúnem-se na França artistas provenientes de 
quase todos os países, sendo o grupo conhecido como Escola de Paris (Modigliani, 
Chagall, Picasso e Matisse são os mais conhecidos). São cosmopolitas e têm como ideal 
comum a liberdade total, absoluta, o que quer dizer sem limite moralista e contra a 
opressão política. 
Os regimes totalitários proibiram e perseguiram todas as pesquisas avançadas 
no campo das artes. Os artistas de vanguarda foram condenados pelo fascismo e 
nazismo como “subversivos e bolchevistas” e pelo stalinismo como “burgueses”. Na 
Alemanha, houve a destruição de obras dos maiores artistas modernos, com fogueiras 
em praça pública para queimar livros. Na Itália, a perseguição restringiu-se a polêmicas 
e ameaças, mas na Rússia havia a proibição de qualquer atividade que não estivesse 
prevista nas diretrizes do partido. 
A pintura oficial de países comunistas, como a Rússia e a China, ficou conhecida 
como realismo socialista, um tipo de pintura medíocre destinada à propaganda e 
ilustração de conteúdos políticos. 
Exemplo de pintura com forte conotação política sem abandonar a pesquisa 
formal pode ser encontrado nas obras do alemão George Grosz, que utilizava um tom 
satírico para ridicularizar a classe dirigente e os vícios do poder burguês. Uma das 
pinturas mais famosas de Picasso é o painel Guernica, de 1937, pintado para o pavilhão 
do governo republicano na Exposição Internacional de Paris. É uma alegoria do 
massacre de civis da cidade basca atacada por aviões nazistas a serviço de Franco. 
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A perseguição política teve como consequência o êxodo dos artistas, que 
fugiram da Europa para os Estados Unidos. Com o final da Segunda Guerra, o 
pensamento existencialista se sobressai: a angústia e o desespero diante da tragédia e a 
crise geral que afetou a todos são as marcas da filosofia existencialista de Jean Paul 
Sartre. 
Em sintonia com os novos tempos e a impossibilidade de comunicar, surge uma 
arte existencialista, em que o gesto revela ou realiza a angústia da vitalidade reprimida, 
afirmandoo puro presente da condição existencial. A pintura, chamada de action 
painting, expressionismo abstrato ou informalismo europeu, não procura representar 
nada, não tem um sentido fora da tela, apenas registra o comportamento individual, 
não condicionado do artista, que usa a matéria ao invés de espaço, gesto no lugar do 
tempo, signo em lugar de forma. 
Os artistas não estavam mais tão interessados em produzir obras para o 
mercado, para a acumulação de riqueza por parte das camadas privilegiadas, mas 
proporcionar modelos de comportamento estético (comportamento livre, em oposição 
à coação). É neste contexto que surgem obras que não podem ser vendidas: a 
intervenção artística e a improvisação conhecida com o nome happening. 
No auge da sociedade de consumo, surge a Pop Art, uma arte que se apropria 
de produtos e imagens retirados do contexto da vida cotidiana, investidos de 
significados simbólicos ou emblemáticos da mentalidade dos meios de comunicação: a 
bandeira americana, sopa enlatada, lata de cerveja, garrafa de coca-cola. O artista Claes 
Oldenburg reproduz em grandes dimensões bifes, bolos, ovos estrelados. Os alimentos 
são o símbolo materializado do consumo, a ampliação alude à maneira típica da 
sociedade de consumo que privilegia a quantidade em detrimento da qualidade. Em 
muitas obras pop, existe uma crítica à tendência da sociedade para consumir mais a 
aparência das coisas do que elas próprias. George Segal rodeia de objetos de verdade 
figuras humanas que são apenas bonecos de gesso branco, mostrando que “na 
sociedade de consumo, autênticos são apenas os produtos, as pessoas são fantoches”. 
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Existem obras que são condicionadas pelo contexto em que foram produzidas, e 
existem obras que procuram modificar o contexto social. Cândido Portinari é conhecido 
como o pintor dos temas sociais. Influenciado pelo muralismo mexicano, o pintor 
brasileiro escolheu representar o povo brasileiro (o índio, o negro, o mulato), os tipos 
regionais (como na série dos retirantes), o trabalhador e as festas populares. 
Para outros artistas, as imagens servem como denúncia da injustiça social. 
Osvaldo Goeldi, em suas xilogravuras, retrata a morte, a pobreza e a vida nos 
subúrbios. Lasar Segall fez uma série de gravuras de prostitutas, chamada de “Mulheres 
do Mangue”. 
Em São Paulo, na década de 1930, um grupo de operários, a maioria autodidata, 
alugou um apartamento na região central da cidade para servir de ateliê coletivo. O 
edíficio, chamado Santa Helena, batizou o grupo, do qual participaram Alfredo Volpi, 
Francisco Rebolo, Clóvis Graciano, entre outros. Suas pinturas tinham como tema 
paisagens, naturezas-mortas, festas e quermesses. 
O concretismo, surgido na década de 1950, época de crescimento econômico e 
início da industrialização no Brasil, procurou fazer uma arte geométrica e objetiva, que 
pudesse se comunicar imediatamente a qualquer pessoa, independente de formação, 
situação social ou econômica. O artista era tido como um operário, e as obras como um 
produto - assim como poltronas, cadeiras, cartazes, embalagens e logotipos – que 
deveria fazer parte do cotidiano das pessoas. 
Para os artistas ligados ao grupo neoconcreto, a arte deveria considerar a 
subjetividade como algo mais importante do que a objetividade das obras concretas. 
Destacam-se as obras de Lygia Clark e de Hélio Oiticica em que o público deveria 
participar efetivamente da obra: os “Bichos” de Lygia Clark são uma série de esculturas 
em folhas de metal, presas com dobradiças, que o público deve manusear para que 
tenham vida. Oiticica criou obras que devem ser vestidas, e convidou passistas da 
escola de samba Mangueira para apresentar seus trabalhos, conhecidos como 
“Parangolés”. 
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Durante a ditadura brasileira, os artistas tiveram que pesquisar maneiras de 
driblar a censura. Antonio Henrique Amaral fez uma série de pinturas em grande 
formato, em que cachos de bananas eram amarrados, presos com pedaços de ferro, 
numa alusão às torturas cometidas pelo regime militar. Arthur Alípio Barrio espalhou 
pela cidade de Belo Horizonte trouxas de pano embebidas em sangue para denunciar 
os desaparecidos políticos. Cildo Meireles utiliza estratégias de guerrilha na série 
“Inserções em Circuitos ideológicos”, de 1970. Em garrafas de Coca-Cola, ele imprimiu 
as frases “Yankees, go home” ou “Quem matou Herzog?”, referindo-se ao jornalista 
assassinado pelo regime político enquanto estava sob custódia do DOI-CODI. 
Os artistas também questionaram as instituições artísticas. Em 1967, Nelson 
Leirner envia ao 4º Salão de Arte Moderna de Brasília um porco empalhado, 
questionando os critérios que levaram o júri a aceitar a obra. Antonio Manuel teve 
recusado o trabalho “O corpo é a obra” no Salão Nacional realizado no Museu de Arte 
Moderna do Rio de Janeiro em 1970. Em protesto, no dia da abertura da mostra o 
artista apresentou-se nu. 
A Arte Correio surge, no início dos anos 1970, como uma alternativa ao sistema 
de museus e galerias e também como forma dos artistas conquistarem autonomia na 
produção e na distribuição de suas obras, que eram enviadas pelo correio para o 
mundo inteiro. Era a única forma de produzir e divulgar trabalhos artísticos sem passar 
pela censura. 
No final da década de 1970, surgem as primeiras manifestações de arte urbana 
no Brasil, com intervenções do grupo 3Nós3, e grafittis, de Alex Vallauri. Atualmente, 
um artista que se destaca nos grafittis é o paulista Zezão, conhecido pelos trabalhos 
nas paredes de galerias de esgoto. A arte urbana procura aproximar a arte do cotidiano 
das pessoas. Trata-se de uma arte que se manifesta em qualquer espaço urbano e está 
presente na periferia e no centro das grandes cidades. 
 
CRITICA DE ARTE 
Unidade 19 - Formação de Público x Formação do Espectador 
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CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE 
 
Objetivos: Mostrar como surgiu o exercício da crítica de arte, como se desenvolveu e 
como é hoje em dia. 
O espectador é um indivíduo singular, com opinião própria, que reage 
individualmente e participa criativamente do espetáculo que se dá diante de seus olhos, 
atribuindo-lhe um significado original. Um indivíduo coletivo idealmente encarnado por 
cada pessoa que entrava em uma sala de espetáculos, e da qual se esperavam reflexos 
previsíveis ao invés de reações subjetivas: o público. 
 
ESTUDANDO E REFLETINDO 
 
O público de artes visuais pode ser considerado consumidor de três formas 
distintas. 
a) O grande colecionador, que faz parte da elite econômica e, por isso, tem condições 
de comprar obras de arte com frequência. A coleção particular tem a tendência de se 
tornar pública, através da doação para um museu ou pela criação de uma fundação, 
que leva o nome de seu patrono. 
b) Outra categoria de colecionador é o diletante, pessoa bem informada que compra 
ocasionalmente, para o seu prazer pessoal ou como forma de investimento. Pode fazer 
parte deste grupo o círculo de amigos de um artista ou os próprios artistas, que trocam 
trabalhos entre si. 
c) A forma mais comum de consumidor, aquele que consome pelo olhar. É o público 
que frequenta as exposições quem dá o reconhecimento ao artista. 
O crítico de arte brasileiro Paulo Sergio Duarte afirma que “estamos cansados de 
saber que olhar obras de arte educa o artista e forma o público tanto quanto a boa 
leitura aperfeiçoa o escritor e cria o leitor”. No caso das artes plásticas, é fundamentalo 
CRITICA DE ARTE 
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contato ao vivo com a pintura, para perceber as nuances de cores que não podem ser 
reproduzidas, as pinceladas, a massa de tinta, as dimensões da tela. Não é a mesma 
coisa ver uma imagem no livro com 12 cm de largura e ficar diante de uma tela que tem 
quase dois metros e ocupa todo nosso campo de visão. O mesmo acontece com a 
escultura: as fotografias reproduzidas nos livros mostram apenas um ponto de vista, 
mas é preciso dar a volta, para compreender como a escultura se relaciona com o 
espaço que a circunda, que a envolve. 
Ouvir uma orquestra ao vivo não é o mesmo que ouvir em casa, em alta 
fidelidade. Assistindo ao concerto, podemos perceber a entrada dos instrumentos, em 
cada seção da música, e, com isso, educamos o ouvido a perceber, isoladamente, os 
timbres. Depois, quando ouvimos a mesma música reproduzida, a experiência musical 
está enriquecida, nossa apreciação se transforma. 
O contato com obras de arte – em museus, pinacotecas, teatros ou concertos – é 
parte de um processo de formação do espectador, de constituição de um repertório. O 
exercício crítico só é possível com o conhecimento. O gosto pessoal não nasce com a 
pessoa, ele é adquirido pela formação e pode mudar com o tempo, com o 
amadurecimento, com novas experiências, com a reflexão, o contato com outras obras 
de arte, as conversas com amigos... O filósofo e crítico de arte Luiz Camilo Osório 
(2005) diz que “ter um gosto é ter um quadro de referências a partir do qual cada um 
vai se habilitar a julgar”. O gosto é, portanto, a constituição de parâmetros de 
comparação. 
Uma pessoa não precisa fazer faculdade de Letras, para apreciar um poema, mas 
é claro que um estudante de Letras pode encontrar no poema sentidos diversos, 
referências a outros poemas do mesmo autor ou a clássicos da literatura, que passaram 
despercebidos ao leitor comum. 
Nossa percepção é condicionada por convenções e costumes. Como podemos 
fazer para aprender a ver? Um dos caminhos é procurar entender os critérios de 
construção da obra de arte. 
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Para demonstrar a diferença que existe entre ver e conhecer, Gombrich, em seu 
livro Arte e Ilusão, usa como exemplo a pintura impressionista e a pintura egípcia. Os 
impressionistas diziam pintar o que viam; os egípcios pintavam aquilo que conheciam. 
 
Os egípcios partiam de esquemas estabelecidos e aceitos socialmente 
para produzirem suas imagens, não havendo a necessidade de um 
“modelo natural” para ser observado. Já os impressionistas buscavam, 
fora de seus ateliês, a efemeridade da imagem às custas da 
luminosidade natural. A observação seria primordial para os 
impressionistas, enquanto que para os egípcios, não. Estes teriam 
esquemas com características que definiriam, por exemplo, estereótipos 
convencionais para a figura humana. Nas palavras desse autor, a 
bagagem cultural do sujeito estaria mediando o seu olhar e 
conseqüentemente a sua recepção. 
MENDONÇA, 2009, p. 102. 
 
BUSCANDO CONHECIMENTO 
 
Veja abaixo entrevista com a vice-presidente da Associação Brasileira dos 
Críticos de Arte, Angela Ancora da Luz, que falou sobre alguns tópicos: como o papel 
contemporâneo do crítico de arte, debatidos: num seminário internacional para discutir 
a própria crítica de arte e seus deslocamentos: 
Fonte: http://www.artrio.art.br/pt-br/entrevistas/critica-de-arte-hoje, acesso em 
10/06/15. 
 
Como você vê a relação da crítica ao longo da história da arte? 
Deve-se procurar refletir sobre a relação da crítica com seu objeto ao longo da história 
da arte, ou seja, que objeto desperta o olhar do crítico? A obra de arte sempre se fez 
presente diante do olhar de um fruidor. Sua história é a única que tem que ser escrita 
diante do objeto, e não a partir de um passado. A obra, que inscreve o homem na sua 
própria humanidade, existe como decorrência do artista e nos ajuda a compreender a 
nossa historicidade. Então sempre existiu o artista, a obra e o olhar de um crítico que 
poderia ser de qualquer um que, ao contemplar a produção refletisse sobre ela. Mas a 
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figura do crítico, como hoje se discute, esta surge num tempo mais próximo. É possível 
que o artista Vasari, no Renascimento, que foi o primeiro a escrever uma História da 
Arte a partir da vida dos artistas, tenha sido também, o primeiro crítico, e, até mesmo 
curador, ao montar uma exposição por ocasião das exéquias de Michelangelo, pela 
seleção e observação que fez junto a outros artistas da época. Mas este discurso crítico 
só começa a acontecer a partir dos salões de arte na França. A crítica nasce como 
consequência das grandes exposições e dos salões. Diderot, um dos primeiros a 
escrever sobre o assunto, sonhava com uma publicação que pudesse, não só 
apresentar as obras expostas, como publicar comentários sobre as mesmas. Durante a 
segunda metade do século XVIII este procedimento começa a se cristalizar em libretos 
explicativos que ajudavam a “mostrar” a obra através de avaliações, descrições e 
narrações da própria obra! Em 1866 Émile Zolà vai afirmar que um salão não era obra 
de artista, mas de um júri. Coloca na comissão um peso de avaliação valorativa que 
poderia instaurar a obra como arte e fazer de seu criador o artista. Baudelaire, que é 
considerado o primeiro crítico no sentido mais próximo do que pensamos hoje, 
escreveu sobre o salão de 1845, como também sobre o do ano seguinte. Ele discute 
uma relação entre a necessidade do crítico e a sua utilidade, uma vez que se pergunta 
se o crítico poderia ensinar alguma coisa ao burguês. Ele defende que a crítica deveria 
ser poética e divertida e nunca fria e algébrica. Não deveria tentar explicar o que se vê 
de uma forma racional, pois se o crítico não colocasse amor ou ódio em seu texto não 
imprimiria sua própria personalidade, afirmando que, talvez, a melhor crítica de um 
quadro viria a partir de um soneto ou de uma poesia do crítico. 
 
Na sua opinião, qual o papel da crítica hoje? 
 
Para mim o papel da crítica hoje é “crítico”. São poucos os que se abrem a obra 
desinteressadamente. Como já falei, os interesses na promoção de artistas por galerias 
e marchands deslocam o primeiro movimento do crítico, que deveria ser o da escolha, 
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para fazê-lo passar por um ritual demonstrativo da instigação deste ou daquele artista. 
Muitas vezes os textos surgem parecidos. É possível se pensar em mudar o objeto do 
qual se fala e deixar o texto que é monolítico e se mantém independente desta ou 
daquela obra. Mas, ainda assim, a crítica exerce um papel. Na apresentação em 
catálogos, colunas de jornal, comunicações em mesas, o crítico é capaz de fazer a sua 
obra tendo como estímulo a criação do artista do qual ele fala. Isto também é criação. 
 
Quais são os desafios que o crítico encontra? 
 
Os grandes desafios que o crítico enfrenta hoje começam com a própria necessidade 
de clareza de seu texto. Como escrever para um público que não tem a mesma 
formação? Para uma parte ele deveria escrever um texto de iniciação enquanto para 
outra, um mais hermético, recheado de termos filosóficos e de questões abstratizantes, 
mas que não exprimem nem a obra nem o pensamento do próprio crítico! O fruidor da 
obra não precisaser um conhecedor da história da arte, nem da filosofia, nem da 
estética. Ele só tem que ser seduzido pela obra e contemplá-la. Cabe ao crítico discutir 
o seu próprio olhar para que aquele que se interessa possa encontrar os pontos de 
afinidade, as fronteiras possíveis entre o “como ele viu” e o “como o crítico vê”. Neste 
cruzamento ele também surge como crítico, ao se colocar em juízo diante da obra, 
refletindo sobre sua primeira avaliação e sobre a que lhe foi apresentada pelo crítico. 
Hoje, no meio acadêmico, temos muitos historiadores, teóricos, curadores e críticos de 
arte. De um modo geral eles são a mesma pessoa, pois na contemporaneidade se torna 
muito difícil separar as categorias e individualizar as ações. 
 
Para saber mais, acesse também: 
http://www.revistacontemporaneos.com.br/n3/pdf/portinari.pdf 
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-40141999000300014&script=sci_arttext 
http://sociologico.revues.org/203 
CRITICA DE ARTE 
Unidade 20 - Exercício de Critica de Arte 
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CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE 
 
Objetivo: Entender o papel do crítico a respeito das obras de arte e do artista. 
No século XVI a crítica de arte aproxima-se muito da história da arte. A crítica 
restringia-se à pesquisa de notícias, registros documentais sobre a vida e s obras de 
artistas, podendo ter comentários e apreciações do crítico, que também era um artista. 
 
A tarefa de considerar aceitável ou inaceitável uma pintura inscrita no Salão 
Oficial cabia ao júri, que exercia o papel de crítico. A aceitação era importante não só 
pelo sucesso, mas porque o reconhecimento era uma forma de receber encomendas 
do Estado e assim aumentava o valor das obras. 
Em meados do século XIX, o crescente número de artistas que se inscreviam 
para participação no Salão anual tornou inviável o julgamento de milhares de obras. 
Surgem periódicos especializados em artes, o crítico era um escritor ou um jornalista 
que fazia comentários a respeito das obras e apresentava ao público os novos artistas, 
indicando para o mercado de arte quem se destaca. 
No final do século XIX, com o Impressionismo, a crítica deixa as avaliações 
normativas sobre formatos, temas e a adequação das figuras ao tema. A tentativa de 
decifrar e teorizar novas formas plásticas, a busca por critérios próprios de picturalidade 
leva a crítica a uma transformação de simples descrição literária a uma apreciação da 
forma plástica. O texto conquista certa autonomia, torna-se um gênero específico de 
texto, e o crítico torna-se um intermediário entre o artista e o público, papel que 
desempenha até hoje. 
 
 
 
 
CRITICA DE ARTE 
Unidade 20 - Exercício de Critica de Arte 
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ESTUDANDO E REFLETINDO 
 
Podemos identificar quatro tipos de crítica de arte, com abordagens e critérios 
específicos: a crítica da forma, a crítica da imagem, a crítica da motivação e a crítica dos 
signos. 
A crítica da forma, também chamada de formalista, concentra-se em fatores 
visuais apenas, não considera o conteúdo ou o tema da obra. A obra é pura visualidade 
e o que importa são os princípios estruturais: a organização de cores e linhas na 
superfície. 
A crítica da imagem procura descobrir o significado da imagem, qual a 
mensagem da obra de arte. O estudo da transmissão de significados, por meio da 
imagem e a mudança de significado da imagem, no decorrer do tempo, é conhecido 
como iconologia. 
A crítica da motivação, de linha sociológica, considera que a arte não é apenas o 
reflexo da situação social, mas também uma das forças que a determinam e, em muitos 
casos, a modificam (ARGAN, 1988). 
Mais recentemente, surgiu uma crítica que procura no signo o princípio 
estrutural da obra de arte, a semiologia (de origem francesa, com base linguística) e a 
semiótica (norte-americana). 
 
Fonte: http://docslide.com.br/documents/camila-mortari-remonattoarte-e-
critica-de-arte-resenha-2011.html, acesso em 09/09/15. 
Argan nos apresenta que na crítica dos signos a atenção recai no que passou-se 
a considerar o “fator comum o elemento não ulteriormente redutível que se pode isolar 
em todas as manifestações artísticas: o signo (p.156). Há aqui a vinculação da crítica aos 
estudos da Semiótica passando os problemas a serem vistos sobre as questões de 
redutibilidade ou irredutibilidade da arte no sistema de comunicação e a possibilidade 
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de diferenciar um nível estético no contexto da comunicação. Destaca diferentes 
autores de referência tais como C. Brandi, U. Eco, E. Garroni, G. della Volpe entre outros. 
 
BUSCANDO CONHECIMENTO 
 
...Assim como a obra do artista tem que ser original e capaz de se comunicar, o 
exercício critico deve pensar por si mesmo mas saber se colocar na posição dos outros. 
Nesse movimento entre um “eu” que pensa e um “nós” que ajuíza, vai se formando o 
que Kant denomina gosto, que nada mais é do que a constituição de parâmetros de 
comparação. Ter um gosto é ter um quadro de referencia a partir do qual cada um vai 
se habilitar a julgar. A formação do gosto vai se dar com a participação e a circulação 
no espaço publico em que se produzem os juízos; o estar disposto a discutir a 
experiência aporética da beleza traz consigo a esperança de uma comunidade de 
diferença que busca algum acordo possível. Esse acordo é uma ideia reguladora que 
faz com que os homens, em vez de conformarem com a relatividade do gosto, aposto 
que em cada juízo esteja em jogo um maneira de ser e aparecer do mundo, o destino 
de sua humanidade. Fonte: Razões da Critica/Luiz Camillo Osorio 
https://books.google.com.br/books?isbn=8537807753, acesso em 09/09/15 
 
Fonte: http://botequimcultural.com.br/o-honesto-exercicio-da-critica/, acesso 
em 08/09/15. 
A palavra “crítica” tem sua origem no grego, significa “separar”, “julgar”. Na 
nossa sociedade o exercício da crítica artística tem como função principal dar subsídios 
para pessoas que não possuem o mesmo conhecimento técnico a escolher suas opções 
de que filme, peça de teatro assistir, julgar o valor de uma obra de arte ou de um texto 
literário, por exemplo. 
Alvo da ira de artistas que se julgam perseguidos, acaba por se personificar num 
ser quase real, quando se brande contra “a crítica”, como se fosse um ser único e 
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personificado, ignorando que ela pode ser múltipla e segmentada. Mas teria ela essa 
força que lhe é impingida? Como julgar e separar o que é bom do que é ruim? Como 
ter um pensamento crítico em relação à crítica? 
 
Fonte: http://educacao.uol.com.br/disciplinas/artes/arte-contemporanea-como-
entender-o-seu-sentido.htm , acesso em 08/09/15. 
Critica de Arte: 
A arte, como resultado de análise e avaliação, pode adquirir novas dimensões e 
formas de expressão por meio da crítica. Ela colabora para que a sociedade se 
mantenha atenta aos valores da arte no passado e no presente. 
A crítica leva em conta fato de que a arte é um produto da humanidade que 
expressa suas experiências e emoções através da linguagem. 
A evolução dos conceitos artísticos, a transformação dos valores, é aplicável às 
diferentes formas: a literatura, o teatro, a dança, o cinema, a fotografia, a música e 
tantas outras que surgem, como a web arte. 
 
 
Fonte: http://www.poiesis.uff.br/PDF/poiesis15/Poiesis_15_CriticaArte.pdf, acesso em 
08/09/15. 
...A liberdade do crítico acompanha a liberdade da arte e seu poder absoluto emrelação aos meios e processos de construção de um discurso próprio. A completa 
submissão do crítico aos desvios e idiossincrasias da arte é uma exigência do seu 
compromisso com a qualidade. A tarefa do crítico é extremamente ingrata porque os 
juízos estéticos, além de serem involuntários, são irracionais. O crítico não tem poder de 
decidir se gosta da obra ou não, pois é esta que se impõe ao seu julgamento. Além 
disso, por ser também uma experiência altamente subjetiva, é muito difícil comunicar a 
leitura da obra a outras pessoas. Isto não significa, entretanto, que o campo da arte seja 
impenetrável, como demonstra a “distinção razoavelmente constante feita entre os 
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Unidade 20 - Exercício de Critica de Arte 
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valores que só podem ser encontrados na arte e aqueles que podem ser encontrados 
fora dela.” (Greenberg, 1997, p. 35) 
 
Para saber mais, acesse: 
 
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S010131062009000100016&script=sci_arttext 
 
http://www.nupea.fafcs.ufu.br/pdf/pesquisa03.pdf 
 
http://www.historiaimagem.com.br/edicao10abril2010/caravaggio.pdf 
 
http://bd.camara.leg.br/bd/bitstream/handle/bdcamara/11220/critica_arte_lins.pdf?sequ
ence=1 
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	Capa
	SUMÁRIO
	Unid 01
	Unid 02
	Unid 03
	Unid 04
	E para a cor, partimos dos dois sistemas: o subtrativo e o aditivo.
	““Análise da obra:” Impressão, nascer do sol”, de Claude Monet
	BUSCANDO CONHECIMENTO
	Unid 05
	Unid 06
	Unid 07
	Unid 08
	Unid 09
	Unid 10
	Francis Picabia. Parada amorosa, 1917
	(http://shuperlocodesign.wordpress.com/2008/10/04/d-a-d-a-i-s-m-o-john-heartfield-max-grosz-man-ray/ 
	Ficha Técnica - O Crítico de Arte:
	Unid 11
	 Joan Miró. Interior holandês I, 1928
	(http://www.artinthepicture.com/paintings/Joan_Miro/Dutch-Interior-I/ 
	Unid 12
	Unid 13
	 Claes Oldenburg. Floor Cake, 1962. Synthetic polymer paint and latex on canvas filled with foam rubber and cardboard boxes, 
	148.2 x 290.2 x 148.2 cm
	Ficha Técnica - Latas de Sopa Campbell:
	Unid 14
	Unid 15
	Unid 16
	Unid 17
	CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE
	Fonte: http://liberalspace.net/2009/10/04/o-que-faz-de-um-objeto-uma-obra-de-arte/, acesso em 02/09/2015.
	O que faz de um objeto uma obra de arte?
	Unid 18
	Unid 19
	Unid 20
	BUSCANDO CONHECIMENTO
	Capa