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231 ARTIGO ________________________________________________________ Educação Física como Auxiliar no Desenvolvimento Cognitivo e Corporal de Autistas. Maycon Cleber Tomé Professor de Educação Física, Especialista em Fisiologia do Exercício e Técnico de Atletismo Nível I da IAAF. Resumo Segundo LÉO KANNER, um psiquiatra austríaco, que em 1943 descreveu sobre a síndrome de aspecto autistíco como sendo um distúrbio do desenvolvimento caracterizado por: incapacidade para estabelecer relações com pessoas, um amplo conjunto de atrasos e alterações na aquisição e uso de linguagem e insistência obsessiva em manter o ambiente sem mudança, acompanhada da tendência a repetir uma gama limitadas de atitudes ritualizadas, ressaltou que os sintomas fundamentais o isolamento autistico. As formas de tratamento para o individuo autista podem ser desde a utilização de medicamentos a acompanhamento pedagógico, fonoaudiólogo, psicológico e físico. O tratamento em geral tem como objetivo o desenvolvimento cognitivo afetivo e social dos autistas. Ao trabalhar com crianças autistas deve ter como principal objetivo ensinar, e a persistência é uma grande aliada, o ensino tem como prioridade as atividades de vida prática, independência e à socialização, através de atividades para uma normalização do convívio social e o método TEACCH, criado pela Escola Norte Americana ASA, pode auxiliar. A implantação da educação física, também é um grande auxiliar no desenvolvimento cognitivo do autista, possibilita um melhor desenvolvimento das habilidades sociais, da coordenação motora e melhora na qualidade de vida. No inicio da aprendizagem é necessário conhecer cada aluno individualmente, suas habilidades motoras, interesses e capacidades comunicativas. Palavras-chave: Autismo - Educação Física Abstract According to LÉO KANNER, an Austrian psychiatrist, whom in 1943 described on the syndrome of autist’s aspect as being a riot of the development characterized for: incapacity to establish relations with people, an ample set of delays and alterations in the acquisition and use of language and obsessive insistence in keeping the environment without change, followed by the trend to repeat a limited gamma of ritualized attitudes, standed out that the basic symptoms the autist’s isolation. The forms of treatment for individual autist’s can be from medicine use to pedagogical, phonoaudilogical, psychological and physical accompaniment. The treatment in general has as objective the affective and social cognitive development of the autism. When working with autism children it must have as main objective to teach, and the persistence is a great allied, education has as priority the activities of practical life, Movimento & Percepção, Espírito Santo do Pinhal, SP, v. 8, n. 11, jul/dez 2007– ISSN 1679-8678 232 independence and to the socialization, through activities for a normalization of the social conviviality and method TEACCH, created for the American School North (ASA), can assist. The implantation of the physical education, also is great an assistant in the cognitive development of the autism, it makes possible a better development of the social skills, the motor coordination and improves in the quality of life. In the beginning of the learning it is necessary to know each pupil individually, its motor abilities, interests and communicative capacities. Key-Words: Autism - Physical Education Introdução A definição do autismo segundo a ASA (Autism Society of American 1978) “é um inadequado desenvolvimento que se manifesta de maneira grave por toda a vida”. Segundo LÉO KANNER, um psiquiatra austríaco, que em 1943 foi o primeiro a caracterizar a síndrome descreveu que o autismo é um distúrbio do desenvolvimento caracterizado por: incapacidade para estabelecer relações com pessoas, um amplo conjunto de atrasos e alterações na aquisição e uso de linguagem e insistência obsessiva em manter o ambiente sem mudança, acompanhada da tendência a repetir uma gama de atitudes ritualizadas. O autismo é considerado um Transtorno Global do Desenvolvimento (TGD) afeta 1% da população brasileira, acomete cerca de 20 entre cada 10 mil nascidos, é quatro vezes mais comum no sexo masculino do que no feminino e aparece tipicamente nos três primeiros anos de vida. Não se conseguiu até agora provar qualquer causa psicológica no meio ambiente dessas crianças, que possa causar a doença (GAUDERER, 1997). O autismo segundo Wing (1981) envolve três tipos de áreas afetadas comumente denominadas de tríade: deficiências sociais, comunicativas e comportamentais. Para Labanca (2000) é um prejuízos de interação social, prejuízo de comunicação e prejuízo de entendimento e imaginação. O autor Nilsson (2003), descreve que os autistas podem apresentar dificuldades cognitivas e atraso no desenvolvimento caracterizado como Autismo Clássico, outros autistas podem apresentar Transtorno de Asperger, que trará consigo uma ilha de aperfeiçoamento em determinada área especifica, mas manterá o perfil da síndrome do espectro autistíco. Os indivíduos que apresentam o autismo podem apresentar inteligência e fala intacta ou retardos intelectual. O retardo mental pode se apresentar de forma Movimento & Percepção, Espírito Santo do Pinhal, SP, v. 8, n. 11, jul/dez 2007– ISSN 1679-8678 233 moderado ou severo no qual poderá desencadear um comportamento autistíco mais grave. Outro aspecto importante é que alguns parecem fechados e distantes outros presos a comportamentos restritos e rígidos padrões de comportamento (VATAVUK, 1996; NILSSON, 2003). De acordo Vatavuk (1996) os uns dos primeiros passos para o desenvolvimento de uma boa e significativa habilidade motora é conhecer com detalhes as habilidades motoras dos autistas os interesses e as capacidades comunicativas, para ter segurança de que a pessoa será absolutamente bem sucedida nas tarefas propostas para construção da motivação, obediência, auto-estima e desempenho independente. Os “elementos estruturais” têm um papel importante neste jogo, os professores têm que saber distrair e divertir, mantendo uma relação positiva com cada aluno, pares, grupo de alunos, colegas não deficientes, irmãos, irmãs e os pais. Em terceiro lugar, recomendamos atividades compatíveis com a cultura de cada comunidade em particular (LABANCA 2000; VATAVUK 1996). O principal objetivo deste artigo de caráter revisão literária é descrever um pouco da minha vivencia como professor de educação especial para autistas da escola NESA (Núcleo de Ensino e Socialização de Autistas), apresentar e definir alguns princípios e considerações práticas a respeito do desenvolvimento e da implantação da educação física e programas de exercícios para pessoas com autismo, destacando as possibilidades do uso social das habilidades, estimulando assim um aumento da qualidade de vida destes indivíduos. Revisão Literária Diagnóstico do Autismo Muitas vezes, o autismo é confundido com outras TGD, pelo fato de não ser diagnosticado através de exames laboratoriais ou de imagem, por não haver marcador biológico que o caracterize, nem necessariamente aspectos sindrômicos morfológicos específicos, seu processo de reconhecimento penoso, o que dificulta sua identificação (APA, AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION, 2000). O diagnóstico de identificação do transtorno de autismo preciso deve ser realizado, por um profissional qualificado e é baseado no comportamento, observação clínica do indivíduo e anamnese. O autismo pode ocorrer isoladamente, ou apresenta- Movimento & Percepção, Espírito Santo do Pinhal, SP, v. 8, n. 11, jul/dez 2007– ISSN 1679-8678234 se associado, razão pela qual é extremamente importante a identificação de co- morbidades bioquímicas, genéticas, neurológicas, psiquiátricas, entre outras (APA, 2000; OMS, ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE). Uma das síndromes que mais se associa ao autismo é o Retardo Mental 70% a 85%, sendo essencial à avaliação adicional do RM que pode variar de leve a profundo no qual poderá desencadear um comportamento autistíco mais grave (NILSSON, 2003). Há também casos associados de epilepsia nos indivíduos com autismo varia de 11% a 42%. Um bom diagnostica nos primeiros anos de vida pode auxiliar o individuo e a família a um convívio melhor e também um bom desenvolvimento da criança e segundo AMA (ASSOCIAÇÃO DE AMIGOS DO AUTISTA) no diagnóstico os pais são os primeiros a notar algo diferente nas crianças com autismo. O bebê desde o nascimento pode mostrar-se indiferente a estimulação por pessoas ou brinquedos, focando sua atenção prolongada mente por determinados itens. Por outro lado certas crianças começam com um desenvolvimento normal nos primeiros meses ou anos de vida para repentinamente ocorrer transformações no comportamento como o isolamento, contudo podem se passar anos antes que a família perceba que há algo errado. Nessas ocasiões os parentes e amigos muitas vezes reforçam a idéia de que não há nada errado, dizendo que cada criança tem seu próprio jeito, infelizmente isso atrasa o início de uma educação especial, pois quanto antes se inicia o tratamento, melhor é o resultado. Não há testes laboratoriais ou de imagem que possam diagnosticar o autismo. Assim o diagnóstico deve ser feito clinicamente, pela entrevista e histórico do paciente, sempre sendo diferenciado de surdez, problemas neurológicos e retardo mental. Uma vez feito o diagnóstico a criança deve ser encaminhada a um profissional especializado em autismo, este se encarregará de confirmar ou negar o diagnóstico. Apesar do diagnóstico do autismo não poder ser confirmado por exames as doenças que se assemelham ao autismo podem. Assim vários testes e exames podem ser realizados com a finalidade de destacar outros diagnósticos (APA, 2000; ASA, 2002). Dentre vários critérios de diagnóstico da síndrome de autismo três não podem faltar: 1 manifestação social, 2 habilidades de comunicação, 3 comportamentos e interesses a atividades, são comuns estes sintomas aparecer antes dos três anos de idade (APA, 2000; ASA, 2002). Movimento & Percepção, Espírito Santo do Pinhal, SP, v. 8, n. 11, jul/dez 2007– ISSN 1679-8678 235 Características do Autismo Interação Social Nilsson (2003) caracteriza a interação social como sendo um prejuízo acentuado no uso múltiplo de comportamentos não verbais como, contato visual direto, expressão facial, postura corporal e gestos, falta-lhe tentativa espontânea de compartilhar prazer, interasses ou realizações pessoas, por exemplo, não mostra prazer ou apontar objetos de interesses; falta de reciprocidade social ou emocional, alegria, tristeza, medo e dor. Fracasso em desenvolver relacionamentos com seus pares apropriados ao nível de desenvolvimento (KUPERSTEIN). Para a escola de educação especial CEMA (Centro Municipal do Autista de Limeira), e ASA as características marcantes neste aspecto são. FIGURA 1 – Retirado CEMA (2006) e ASA (2002), adaptado pelo autor. Não mantém contato visual Dificilmente demonstra tristezas alegria ou dor Não se mistura com outras crianças Age como se fosse surdo mesmo quando ouve Modo e comportamento indiferente e Resiste ao contato físico Movimento & Percepção, Espírito Santo do Pinhal, SP, v. 8, n. 11, jul/dez 2007– ISSN 1679-8678 236 arredio Estas características não devem ser generalizadas, em alguns casos podem apresentar-se de forma severa moderada ou ausente. Características de Comunicação Social Segundo Labanca (2000) os autistas podem apresentar uma memória curta ou longa, tendo uma comunicação restrita às necessidades pessoais, falando sem parar e sem perceber a resposta do outro, demonstra distorções no uso da linguagem. Para Nilsson (2003) Atraso ou ausência total de desenvolvimento da linguagem falada (não acompanhado por uma tentativa de compensar por meio de modos alternativos de comunicação, tais como gestos ou mímica) normalmente desenvolve uma comunicação própria para obter vinculo com as pessoas. Nos autistas com comunicação adequada, podem ocorrer prejuízo na capacidade de iniciar ou manter uma conversação, linguagem estereotipada (ecolalia, momentânea ou tardia) ou linguagem idiossincrática a ausência de jogos ou brincadeiras de imitação sociais variadas e espontâneos, próprios do nível de desenvolvimento (VATAVUK, 1996). Os aspectos comunicativos são muito oscilantes, depende do momento e do interesse em relação a atividades em questão, em muitos casos de autistas apresentam um dos aspectos, com características severas ou moderadas. Movimento & Percepção, Espírito Santo do Pinhal, SP, v. 8, n. 11, jul/dez 2007– ISSN 1679-8678 237 FIGURA 2 – Retirado CEMA (2006) e ASA (2002), adaptado pelo autor. Usa as pessoas como ferramentas, linguagem própria. Tem dificuldades em responder a perguntas ou orientações simples Modo e comportamento indiferente e arredio Fala com atraso ou não fala Repetes sons ou palavras sem sentido. Gestos poucos comunicativos criativo ou imitativo. Características de Imaginação e Comportamento A autora Kuperstein descreve que há uma preocupação insistente com um ou mais padrões estereotipados e restritos de interesse, anormais em intensidade ou foco. Segundo Nilsson (2003) adesão aparentemente inflexível à rotina ou rituais específicos e não-funcionais, maneirismos motores estereotipados e repetitivos, por exemplo: agitar ou torcer as mãos ou dedos, ou movimentos repetitivos de todo o corpo, preocupação persistente com partes de objetos, são característicos. Movimento & Percepção, Espírito Santo do Pinhal, SP, v. 8, n. 11, jul/dez 2007– ISSN 1679-8678 Labanca (2000) descreve que tende também dificuldades em imaginar o futuro, desconhecimento das normas sociais e dificuldade em generalizar conceitos, 238 apresentando inflexibilidade de pensamento, como copiar sem entender seu significado, ou entender ao pé da letra o que foi dito, por exemplo: se disser que a pessoa é cara de pau, o autista entendera que essa pessoa tenha cara de madeira. Umas das características marcantes dos autistas é a oscilação de comportamentos inexplicáveis, alternando de ataques de rios para crises de choros e auto e hétero agressões, que em alguns casos são causados por mudanças na rotina e vida prática do autista, sendo todas as atividades do dia organizadas em horários específicos, por toda a vida do autista (VATAVUK, 1996; KUPERSTEIN). FIGURA 3 – Retirado CEMA (2006) e ASA (2002), adaptado pelo autor. Risos e movimentos não apropriados Explora objetos de forma inadequada, agressiva e destrutiva Acentuada hiperatividade física Interesses exagerado e não apropriado por objetos Resiste a mudanças de rotina Resistente ao aprendizado As atividades que interessam aos autistas devem se muito bem utilizada pelo professor, como forma de troca mutua de comunicação, atividades ou reforço há uma ordem obedecida, para melhoriado ensino. Um dado muito interessante a respeito do autismo é que pesquisadores da universidade de YALE, nos ESTADOS UNIDOS, vêm investigando por meio de um aparelho de ressonância magnética especial o que acontece no celebro de um autista Movimento & Percepção, Espírito Santo do Pinhal, SP, v. 8, n. 11, jul/dez 2007– ISSN 1679-8678 239 quando ele ou ela entra em contato com outras pessoas. Os resultados são surpreendentes as imagens mostram que, enquanto as pessoas normais usam determinada área do celebro para reconhecer faces humanas e outras para identificar objetos, os autistas acionam a mesma região para ambas as funções, isso explica a falta de reciprocidade no contato humano, pois associam as pessoas como parte de objetos, quase sempre eles olham para boca das pessoas, nunca enquadram os olhos ou o rosto inteiro, ou seja, ele tem dificuldade para interpretar faces humanas, focando o olhar no que mais chama a atenção por alguns segundos “o movimento dos lábios”. Sem habilidades de interpretação de aspectos afetivos tristeza ou alegria, o convívio social fica seriamente comprometido, afinal como fazer ou manter um amigo se você tem dificuldades em perceber se ele esta feliz ou triste? Formas de Tratamento das Crianças Autista As formas de tratamento para o individuo autista podem ser desde a utilização de medicamentos a acompanhamento pedagógico, fonoaudiólogo, psicológico e físico. O tratamento em geral tem como objetivo o desenvolvimento dos autistas. Tratamento Medicamentoso Na utilização de medicamento para indivíduos autista, é importante salientar que não há medicações que tratem da síndrome, eles são usadas para combater efeitos específicos como agressividade ou os comportamentos repetitivos, por exemplo. Até bem pouco tempo usava-se o neuroléptico para combater a impulsividade e agitação, mais recentemente antidepressivos inibidores da receptação da serotonina vêem apresentando bons resultados, proporcionando, maior tranqüilidade aos pacientes. As medicações testadas e com bons resultados foram a fluoxetina, a fluvoxamina, a sertralina e a clomipramina. Dentre os neuroléptico a clorpromazina, o haloperidol e a tioridazina, entre outras (VATAVUK, 1996). Movimento & Percepção, Espírito Santo do Pinhal, SP, v. 8, n. 11, jul/dez 2007– ISSN 1679-8678 240 Tratamento Pedagógico Para o autismo não há propriamente um tratamento, o que há é um treinamento para o desenvolvimento de uma vida tão independente quanto possível. Basicamente a técnica mais usada é a comportamental, além de programas de orientação aos pais. Os pais são os primeiros professores, uma das principais tarefas dos pais é a escolha de um local para o treinamento do filho. Vatavuk (1996) apresenta algumas dicas para que a escolha seja a mais acertada possível. → Os locais a serem selecionados apresentam sucesso no treinamento que realiza? → Os profissionais dos locais são especialmente treinados com esse fim? → Como são planejadas e organizadas as atividades? → As atividades são previamente planejadas e rotineiras? → Como o progresso é medido? → Como cada criança é observada e registrada quanto a evolução? → O ambiente é planejado para minimizar as distrações? → O programa irá preparar os pais para continuar o treinamento em casa? Segundo Lopes (1995), os processos de aprendizagem das crianças autistas apresentam duas características básicas: A primeira ocorre pela associação; segunda a crianças autistas não generalizam, com espontaneidade conhecimento adquirido ou ensinado, é necessário que se faça um trabalho especifico neste sentido. O professor ao trabalhar com crianças autistas deve ter como principal objetivo ensinar, e a persistência é uma grande aliada, o ensino tem como prioridade as atividades de vida prática à socialização, através de atividades para uma normalização do convívio social (LABANCA, 2000). Para Lopes (1995) as crianças autistas aprendem e entendem melhor vendo do que ouvindo, sendo assim a melhor forma de ensinar as crianças autistas é através da demonstração do que ira fazer, até que consiga executar a atividade sem ajuda do professor, pois este deve estimular o aluno a adquira a independência mesmo que, Movimento & Percepção, Espírito Santo do Pinhal, SP, v. 8, n. 11, jul/dez 2007– ISSN 1679-8678 241 após muitas tentativas eles não consiga no momento, pois a persistência e o amor pela criança é a grande aliada no ensino. O professor ao atuar com seus alunos autistas, deve estar muito atento a todas as formas de comunicação do aluno, pois ao solicitá-lo ele esta tendo um grande avanço na interação, e o dialogo deve ser estimulado e reforçado com elogios sem exagero. Os estimulo e o reforço pode ser utilizado todas as vezes que o aluno mostrar progresso, após o trabalho bem executado, a utilização correta de um objeto, uma ordem ou resposta a um estimulo forem obedecidas (VATAVUK 1996; LOPES, 1995). A relação do professor com o aluno deve ser de controle, segurança, confiança, e amor, o professor deve buscar conhecer e descobrir a criança, suas capacidades e limitações é essencial que o aluno crie um vinculo mesmo que seja de um modo sem ou pouca comunicação verbal ou afeto, gradativamente vá ajudando o aluno a controlar seus impulsos, a fim de que ela adquira auto confiança e tome iniciativas (LOPES 1995; AMA). O inicio da atividade de estimulo cognitivo e de vida pratica deve ser feito de maneira a auxiliar os próprios cuidados pessoais como: comer sozinho, ir ao banheiro sozinho, lavar as mãos, tomar banho ou atividades de vida prática, para que o aluno adquira sua independência e melhore o convívio familiar e social (LOPES 1995; NILSSON, 2003). Nas atividades de estimulo cognitivo como trabalho de sala e comunicação que desenvolve no aluno compreensão de formas, tamanhos, textura e cores no inicio deve ser atividades simples da esquerda para a direita, ordem da escrita e também utilizada como forma de organização de objetos, estas atividades devem ser simples para que o aluno não erre se isto acontecer o professor deve intervir imediatamente auxiliando o aluno a executar atividade de maneira adequada através de demonstração, mais tarde através de auxilio verbal até que o aluno execute a atividade de forma adequada sem erros, após a aprendizagem o professor deverá trocar a atividade para que não torne desestimulador (AMA). Método Teacch como Alternativa de Metodologia. O método teacch, (Treatment and Education of Autistic and Related Communication Handicapped Children), foi criado pela escola norte americana ASA, Movimento & Percepção, Espírito Santo do Pinhal, SP, v. 8, n. 11, jul/dez 2007– ISSN 1679-8678 242 com um meio de organização e construção da independência autística, através de qualquer coisa constituída de pares (TEACCH, 1991; apud VATAVUK, 1996). Baseado neste conceito, educação para a independência é construído um ensino estruturado adequando o ambiente a características do aluno. Segundo o método teacch, existem três características estruturais: organização física, programação, método (TEACCH, 1991; apud VATAVUK, 1996). Organização física: Individualização das características de autistas para programação de sistema de educação adaptado a aprendizagem e independência, esta proposta auxilia o autista a compreender a atividade que ira executar e como será a execução, ensinando a organizar, explorar o objeto ou ambiente de forma adequada. Programação: Tem como principal característica a diminuição da ansiedade, através daorganização de atividade a ser executada e duração, uma organização sistematizada da rotina dos dias da semana, pois a imposição de uma atividade pode causar rejeição e crises de comportamento inadequado. Método: O método tem como característica auxiliar a compreensão da atividade a ser executada, o auxilio pode será través de ajuda verbal, com quantidade mínima de palavras, com ordens simples e objetivas, pode também ser utilizado o gesto para uma melhor compreensão, ajuda visual e contextual ordem visual de tarefas através de figuras, símbolos, objetos e escrita, demonstração, demonstrar como se executa a atividade para a realização da imitação, ajuda física, tem como característica evitar o erro e permitindo que este seja fixado. Movimento & Percepção, Espírito Santo do Pinhal, SP, v. 8, n. 11, jul/dez 2007– ISSN 1679-8678 243 O reforço do tipo elogio, satisfação intrínseca e recompensa também auxiliam a aprendizagem, pois este é um meio de motivação e recompensa a execução de uma atividade que ele precisa executar, também demonstra que a atividade esta certa. Exemplo de como utilizar o método: O aluno chegara a escola as 13:00 horas terá um sala especifica onde encontra um cadeira, ficara sentado, à sua frente estará um painel de comunicação pode ser utilizado fotos, figuras, símbolos, objetos e ordem escrita, que vai estar afixado as atividades do dia como ir ao banheira, beber água, trabalho, educação física, lanche despedida e entre outras atividades, se o professor entender que seu aluno compreende melhor fotos ira utilizar fotos como por exemplo: da privada, do bebedouro, da atividade de trabalho, do professor de educação física, do refeitório e da família. A Atividade Física e o Professor de Educação Física como Auxiliar no Desenvolvimento Cognitivo e Corporal A implantação da educação física, no programa de ensino para autistas possibilita um melhor desenvolvimento das habilidades sociais, melhora na qualidade de vida. No inicio da aprendizagem é necessário conhecer cada aluno individualmente, suas habilidades motoras, interesses e capacidades comunicativas. Vatavuk (1996) elaborou algumas questões a respeito do autismo e educação física. Os problemas na coordenação motora são centrais no autismo? O conhecimento especifico da coordenação motora e a concentração neste aspecto será suficiente para o desenvolvimento significativo de programas de educação física e de exercício? E qual poderá ser o papel da atividade motora para pessoas com autismo?. Estas questões nos leva a pensar não só no desenvolvimento das capacidades motoras, temos que nos preocupar, nas sim no desenvolvimento do todo do aluno, física cognitiva e afetiva. O profissional que atua com educação especial para autistas tem que elaborar um ensino reestruturado com características para desenvolver a independência, Movimento & Percepção, Espírito Santo do Pinhal, SP, v. 8, n. 11, jul/dez 2007– ISSN 1679-8678 244 também manter uma relação positiva com o aluno saber distrair e divertir, respeitar a rotina de atividades. A utilização de atividades não coerentes com a cultura da comunidade e complexa como, jogos desportivos com regras, gincanas e jogos imaginário dificultam a aprendizagem e causa frustração no aluno, em função da tríade autistíca. O professor pode utilizar atividades cíclicas como natação, cooper, bicicleta ergométrica, musculação, atividades em circuito, ginásticas, atividade de relaxamento, utilização de musicas e atividades coerentes com a cultura da social da comunidade em que os alunos vivem. O local de atividade física poderá ser aberto, mas com algumas restrições, pouco estimulo visual e auditivo para que o aluno não se distraia e perca o interesse na atividade, e ideal sala com paredes claras, com dicas para que o aluno se oriente como: Um painel com foto e ticktis com indicação da atividade a ser feita e duração, por exemplo. O aluno deverá ir em direção ao painel destacar o ticket, caracterizar a atividade a ser feita e executa-la, colocar a foto ou ticket em um local determinado ao acabar todos os ticktis encera a atividade. Ao termino ou intervalo de cada atividade é necessário que o aluno tenha um momento dele dentro de um espaço indicado podendo ficar sentado, fazendo uma atividade de interesse (AMA; VATAVUCK 1996). Alguns sujeitos com autismo segundo Vatavuk, (1996) mostraram menores pontuações na medida de aptidão indicada a seguir: graça corporal força de apreensão nas mãos, força e flexibilidade abdominal especialmente para flexão do tronco. O programa de educação física não deve somente se concentrado no ensino do movimento técnico, mas na aprendizagem social no auxilio para o avanço motor e qualidade de vida é essencial conversar com a família para compartilhar interesses e expectativas em relação a atividades, saber como o aluno se comporta em casa o que gosta de fazer e como se movimenta, obtendo uma avaliação do comportamento em sua casa e proporcionar situações na escola para coleta de informações como: exploração da capacidade motora do aluno o estimulo cognitivo, os níveis de segurança em resolver problemas motores, níveis estruturais necessários para outra orientação, grau e atenção sem muita ajuda do instrutor, níveis de pensamento concreto motivação e interesses direto (LABANCA 2000; VATAVUK 1996). Movimento & Percepção, Espírito Santo do Pinhal, SP, v. 8, n. 11, jul/dez 2007– ISSN 1679-8678 245 A seleção de atividades deve ser adequada á idade cronológica, resultados das avaliações e compatível com a cultura social, o método de circuito com obstáculo como subida e decida, transposição de objetos (plintom, pneu e arcos), mudanças de direção, equilíbrio dinâmico e estático, saltos, lançamentos, jogos de bolas (chute ao gol, arremesso a sexta de basquete, arremesso ao gol do handebol, vôlei, rolar, agarrar, esquivar e quiquar entre outras) com começo meio e fim indicados auxiliam na aquisição de habilidades motoras (LABANCA 2000). A resolução de problemas do ambiente, percepção visual, auto percepção e estimulo cognitivo e outros métodos, com características a desenvolver e estimular a aprendizagem devem ser inseridos no ensino como: situações em grupos e proximidade com o professor, cooperação, situações livres com exploração de materiais, estimulo a comunicação e sensações é necessário para auxiliar no desenvolvimento (NILSSON, 2003). O professor de educação física para pessoas com autismo esta envolvido no processo de aprendizagem e socialização, não deve priorizar questões de aprimoramento físico, mas auxiliar no vasto conjunto de interações sociais, comunicação e comportamento. Para Vatavuk (1996) o professor deve ser alguém que divida suas experiências com os alunos, um facilitador que ajuste suas comunicação para cada situação particular. O programa de ensino são oportunos para desenvolver a astúcia e avanços no desempenho combinações variadas de habilidades motoras, cognitivas e afetivas. As seqüências estabelecidas para á educação física segue um principio técnico básico: aquecimento (cardiovascular, articular e muscular), atividade principal (mais extensa) e relaxamento (volta a calma, massagem, alongamento), processo de aprendizagem deve suprir as necessidades de movimento por meios de combinações, repetições para fixação, é importante colocar novos desafios para superação de limites, aplicar sabotagem com características a diminuir a rigidez. Com o objetivo de obter um melhor desenvolvimento social e condição física do autista á educação físicaauxilia também outros aspectos muito importante para um avanço significativo no convívio social e comportamental, beneficiando uma melhora no estado emocional, diminuição das estereotipias, melhora na atenção e concentração (diminuição da hiperatividade), diminuição da agressividade devido ao aumento do nível da substancia B-Endorfina e Adrenalina plasmática aumentando o apetite, melhora no somo e aumenta a sensibilidade dos agentes farmacológicos. Movimento & Percepção, Espírito Santo do Pinhal, SP, v. 8, n. 11, jul/dez 2007– ISSN 1679-8678 246 È importante à elaboração de projetos cultural de datas comemorativas como: páscoa, dia das mães, festa junina, dia dos pais, dia das crianças e natal entre outras para que o aluno obter um conhecimento da cultural social de sua região. Há avaliação física também dever estar inserida, para obtenção de características: peso altura, dobras cutânea (ICM), ritmo cardíaco pressão arterial basal e pós atividade e algum distúrbio fisiológico ou motor como diabetes e doenças cardiorespiratorias, bradinesia, aquinesia, distonía, hipotonia, problemas de coordenação motora, é essencial também que o professor tenha um conhecimento fisiológico para a elaboração de exercícios: como a Musculação, Cooper, Natação, assim como para a prevenção de acidentes, tratamento e procedimentos de emergência. É de extrema importância o acompanhamento evolucional do aluno para á elaboração de novos métodos de ensino/aprendizagem coerentes com os resultados. Considerações Finais O programa de educação física e atividade não devem se concentrar no ensino de movimentos, mas na utilidade de seu aprendizado, destacando as possibilidades de avanços em adaptação, usos sociais das atividades promovidas, e aumento na qualidade de vida. O professor deve adequar o plano de aula as necessidades particulares de cada indivíduo para uma vida mais independente em comunidade. O cooper, treinamentos em circuitos em ambientes internos e externos, patinação, natação, ginástica, brincadeiras de imitações, relaxamento, massagem, música, exercícios aeróbicos intensos é uma ferramenta preciosa na redução de comportamentos estereotipados e não adaptativos, facilitando assim a integração da comunidade. A exploração das capacidades motoras, do estilo cognitivo, do nível de segurança em resolver problemas motores, níveis estruturais necessários para auto- orientação, grau de atenção sem muita ajuda do instrutor, nível de pensamento concreto, motivadores e interesses diretos, o resultado serão absolutamente bem sucedida nas tarefas propostas para construção da motivação, obediência, auto- estima e desempenho independente. Os professores têm que saber distrair e divertir, mantendo uma relação positiva com: cada aluno, pares de alunos, o grupo, os alunos e seus colegas não deficientes, Movimento & Percepção, Espírito Santo do Pinhal, SP, v. 8, n. 11, jul/dez 2007– ISSN 1679-8678 247 irmãos, irmãs e os pais, deve ser alguém que divida suas experiências com os alunos, um facilitador, que ajuste sua comunicação para cada situação particular, sendo econômico e concreto na linguagem e priorizar os modos de comunicação utilizados por cada aluno, gestos instrumentais, posturas corporais, expressões faciais. Com a evolução das pesquisas científicas, concluiu-se que o autismo não é um distúrbio do contato afetivo, mas sim um distúrbio do desenvolvimento. Referências Bibliográficas ASSOCIAÇÃO DE AMIGOS DO AUTISTA (AMA); Disponível em htp: // www.ama.org.br/html>. Acesso em jan. 2007. AMERICAM PSYCHIATRIC ASSOCIATION (APA); Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. DSM-IV-TR. 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