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CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 1 
 
 
APRESENTAÇÃO.............................................................................................................................. 16 
TEORIA GERAL DA EMPRESA........................................................................................................ 17 
1. FONTES DO DIREITO EMPRESARIAL .................................................................................... 17 
1.1. PRIMÁRIAS ......................................................................................................................... 17 
1.1.1. Constituição Federal .................................................................................................... 17 
1.1.2. Código Civil .................................................................................................................. 17 
1.1.3. Código Comercial......................................................................................................... 17 
1.1.4. Leis Extravagantes ...................................................................................................... 17 
1.1.5. Tratados internacionais................................................................................................ 17 
1.2. SECUNDÁRIAS................................................................................................................... 17 
1.2.1. Costumes ..................................................................................................................... 17 
1.2.2. Princípios Gerais do Direito ......................................................................................... 18 
1.2.3. Doutrina ........................................................................................................................ 18 
1.2.4. Jurisprudência .............................................................................................................. 18 
2. CARACTERÍSTICAS .................................................................................................................. 18 
2.1. COSMOPOLITISMO ........................................................................................................... 18 
2.2. FRAGMENTÁRIO ............................................................................................................... 18 
2.3. INFORMALISMO OU SIMPLICIDADE ............................................................................... 19 
2.4. ELASTICIDADE................................................................................................................... 19 
2.5. ONEROSIDADE .................................................................................................................. 19 
3. PRINCÍPIOS ............................................................................................................................... 19 
3.1. LIVRE INICIATIVA .............................................................................................................. 19 
3.2. FUNÇÃO SOCIAL DA EMPRESA ...................................................................................... 20 
3.3. LIBERDADE DE COMPETIÇÃO ........................................................................................ 20 
3.4. LIBERDADE DE ASSOCIAÇÃO ......................................................................................... 20 
3.5. MAXIMIZAÇÃO DOS ATIVOS DO FALIDO ....................................................................... 20 
3.6. PRESERVAÇÃO DA EMPRESA ........................................................................................ 21 
3.7. AUTONOMIA DA VONTADE .............................................................................................. 21 
3.8. CAMBIÁRIOS ...................................................................................................................... 21 
4. TEORIA DOS ATOS DE COMERCIO (francesa) ...................................................................... 22 
4.1. HISTÓRICO ......................................................................................................................... 22 
4.2. DEFINIÇÃO DO “COMERCIANTE”: ATOS DE COMÉRCIO ............................................. 22 
4.3. REVOGAÇÃO DO CÓDIGO COMERCIAL DE 1850 ......................................................... 24 
5. TEORIA DA EMPRESA (italiana)............................................................................................... 24 
6. EMPRESA E EMPRESÁRIO ..................................................................................................... 26 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 2 
 
6.1. EMPRESÁRIO..................................................................................................................... 26 
6.1.1. Conceito de empresário: da caracterização e da inscrição ........................................ 26 
6.1.2. O que NÃO se considera empresário?........................................................................ 29 
6.2. EMPRESA ........................................................................................................................... 31 
6.2.1. Conceito de empresa. .................................................................................................. 31 
6.2.2. Microempresa e Empresa de Pequeno Porte ............................................................. 31 
7. EMPRESÁRIO INDIVIDUAL ...................................................................................................... 32 
7.1. CONCEITO .......................................................................................................................... 32 
7.2. REQUISITOS ...................................................................................................................... 32 
7.2.1. Requisito I: pleno gozo da capacidade civil ................................................................ 32 
7.2.2. Requisito II: ausência de impedimentos legais ........................................................... 34 
7.3. RESPONSABILIDADE DO EMPRESÁRIO INDIVIDUAL .................................................. 38 
7.4. CASADO.............................................................................................................................. 38 
8. EMPRESA INDIVIDUAL DE RESPONSABILIDADE LIMITADA - EIRELI ................................ 39 
8.1. NOÇÕES GERAIS .............................................................................................................. 39 
8.2. CONCEITO .......................................................................................................................... 40 
8.3. VANTAGEM DA EIRELI ...................................................................................................... 40 
8.4. A FIGURA DO EMPRESÁRIO INDIVIDUAL ACABOU COM A LEI 12.441/2011? ........... 40 
8.5. EMPRESA COMO TITULAR DE DIREITOS ...................................................................... 41 
8.6. NATUREZA JURÍDICA ....................................................................................................... 41 
8.7. RESPONSABILIDADE ........................................................................................................ 42 
8.8. NOME EMPRESARIAL ....................................................................................................... 42 
8.9. REQUISITOS PARA A CONSTITUIÇÃO DA EIRELI ........................................................ 42 
8.10. QUEM PODE SER TITULAR? ........................................................................................ 43 
8.11. QUAIS AS ATIVIDADES PODEM SER EXERCIDAS PELA EIRELI ............................. 44 
8.12. ONDE É REGISTRADA A EIRELI? ................................................................................ 44 
8.13. ADMINISTRAÇÃO DA EIRELI ........................................................................................ 45 
8.14. CAPITAL SOCIAL DA EIRELI .........................................................................................45 
8.15. TRANSFORMAÇÃO ........................................................................................................ 46 
8.15.1. Alteração de empresário individual para EIRELI ........................................................ 46 
8.15.2. Alteração de sociedade para EIRELI pelo fim da pluralidade de sócios .................... 46 
8.16. EIRELI ORIGINÁRIA X EIRELI DERIVADA ................................................................... 47 
8.17. REGRAS SUBSIDIÁRIAS ............................................................................................... 47 
8.18. QUADRO COMPARATIVO ............................................................................................. 47 
9. OBRIGAÇÕES DO EMPRESÁRIO ............................................................................................ 48 
9.1. REGISTRO .......................................................................................................................... 48 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 3 
 
9.1.1. Previsão legal e órgão encarregado ............................................................................ 48 
9.1.2. Atos de registro ............................................................................................................ 50 
9.1.3. Exceção ao Registro (art. 971 do CC)......................................................................... 50 
9.1.4. Natureza jurídica do Registro ...................................................................................... 50 
9.1.5. Inatividade da empresa................................................................................................ 51 
9.1.6. Consequências da ausência de registro ..................................................................... 52 
9.1.7. Registro da Cooperativa .............................................................................................. 52 
9.2. ESCRITURAÇÃO DOS LIVROS COMERCIAIS OBRIGATÓRIOS ................................... 53 
9.2.1. Livros obrigatórios x Livros facultativos ....................................................................... 53 
9.2.2. Consequências da não escrituração do Livro Diário................................................... 54 
9.2.3. Dispensados da escrituração ...................................................................................... 54 
9.2.4. Princípio da sigilosidade .............................................................................................. 56 
9.2.5. Consequências da ausência de apresentação dos livros ........................................... 57 
9.3. REALIZAÇÃO DE DEMONSTRATIVOS CONTÁBEIS PERIÓDICOS .............................. 57 
9.4. MANTER EM BOA GUARDA E CONSERVAÇÃO A ESCRITURAÇÃO E 
DOCUMENTAÇÃO ........................................................................................................................ 58 
9.5. ESQUEMA GRÁFICO ......................................................................................................... 58 
10. NOME EMPRESARIAL........................................................................................................... 58 
10.1. PREVISÃO CONSTITUCIONAL ..................................................................................... 58 
10.2. CONCEITO ...................................................................................................................... 59 
10.3. ESPÉCIES ....................................................................................................................... 59 
10.4. FIRMA .............................................................................................................................. 59 
10.4.1. Composição da firma individual ................................................................................... 59 
10.4.2. Composição da firma social (razão social) .................................................................. 59 
10.5. DENOMINAÇÃO .............................................................................................................. 60 
10.5.1. Composição da denominação ..................................................................................... 60 
10.6. ESQUEMAS..................................................................................................................... 61 
10.7. PROTEÇÃO AO NOME EMPRESARIAL ....................................................................... 62 
10.8. NOME EMPRESARIAL ≠ MARCA .................................................................................. 63 
10.9. NOME EMPRESARIAL ≠ TÍTULO DE ESTABELECIMENTO ....................................... 63 
10.10. PRINCÍPIOS DO NOME EMPRESARIAL....................................................................... 63 
10.10.1. Princípio da veracidade (autenticidade) .................................................................. 63 
10.10.2. Princípio DA NOVIDADE ......................................................................................... 64 
11. ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL .................................................................................. 64 
11.1. PREVISÃO LEGAL .......................................................................................................... 64 
11.2. CONCEITO ...................................................................................................................... 65 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 4 
 
11.3. COMPRA E VENDA DO ESTABELECIMENTO ............................................................. 66 
11.3.1. “Trespasse” .................................................................................................................. 66 
11.3.2. Produção de efeitos perante terceiros......................................................................... 66 
11.3.3. Penhora do estabelecimento ....................................................................................... 67 
11.3.4. Dívidas anteriores (art. 1.146) ..................................................................................... 68 
11.3.5. Trespasse X cessão de cotas ...................................................................................... 69 
11.3.6. Cláusula de não restabelecimento → não concorrência ............................................ 69 
11.3.7. Sub-rogação nos contratos .......................................................................................... 70 
11.3.8. Aviamento / Goodwill of trade/ Achalandage .............................................................. 71 
12. BENS DO ESTABELECIMENTO COMERCIAL .................................................................... 71 
12.1. INCORPÓREOS .............................................................................................................. 71 
12.1.1. Ponto Comercial........................................................................................................... 71 
12.1.2. Propriedade industrial .................................................................................................. 74 
12.2. ESQUEMA GRÁFICO AÇÃO RENOVATÓRIA – RENOVAÇÃO COMPULSÓRIA....... 74 
PROPRIEDADE INDUSTRIAL .......................................................................................................... 75 
1. ALOCAÇÃO DA PROPRIEDADE INDUSTRIAL NO DIREITO ................................................. 75 
2. OBJETO DE PROTEÇÃO DA LEI DE PROPRIEDADE INDUSTRIAL ..................................... 75 
3. UTILIZAÇÃO EXCLUSIVA DO BEM .......................................................................................... 76 
3.1. TEMPO ................................................................................................................................ 76 
3.2. TERMO INICIAL .................................................................................................................. 76 
3.3. PRORROGAÇÃO DO PRAZO ...........................................................................................76 
3.4. INVENÇÃO .......................................................................................................................... 77 
3.5. MODELO DE UTILIDADE ................................................................................................... 78 
3.6. REQUISITOS DA PATENTEABILIDADE ........................................................................... 78 
3.6.1. Novidade ...................................................................................................................... 79 
3.6.2. Atividade inventiva ....................................................................................................... 79 
3.6.3. Aplicação industrial ...................................................................................................... 80 
3.6.4. Não impedimento ......................................................................................................... 80 
3.7. LICENCIAMENTO DA PATENTE: LICENÇA VOLUNTÁRIA ............................................ 80 
3.8. LICENCIAMENTO DA PATENTE : LICENÇA COMPULSÓRIA ........................................ 81 
3.8.1. Abuso de direito ou de poder econômico e não exploração ou não satisfação das 
necessidades do mercado.......................................................................................................... 81 
3.8.2. Emergência nacional ou interesse público .................................................................. 82 
3.8.3. Interesse da defesa nacional ....................................................................................... 83 
3.9. PATENTE PIPELINE........................................................................................................... 84 
3.10. NULIDADE DA PATENTE ............................................................................................... 86 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 5 
 
3.10.1. Disposição legal ........................................................................................................... 86 
3.10.2. Processo administrativo de nulidade de patente ........................................................ 86 
3.11. EXTINÇÃO DA PATENTE............................................................................................... 87 
4. REGISTRO ................................................................................................................................. 88 
4.1. DESENHO INDUSTRIAL (“DESIGN”) ................................................................................ 88 
4.1.1. Novidade ...................................................................................................................... 88 
4.1.2. Originalidade ................................................................................................................ 89 
4.1.3. Impedimentos ............................................................................................................... 89 
4.1.4. Nulidade do registro do desenho de utilidade art. 112 ............................................... 89 
4.1.5. Extinção do REGISTRO do desenho de utilidade ...................................................... 90 
4.2. MARCA ................................................................................................................................ 90 
4.2.1. Espécies de Marca (art. 123) ....................................................................................... 91 
4.2.2. Requisitos para registro de marca ............................................................................... 91 
4.2.3. Nulidade do registro marca .......................................................................................... 95 
4.2.4. Extinção do REGISTRO da marca .............................................................................. 96 
5. ASPECTOS PROCESSUAIS DA LPI ........................................................................................ 97 
6. PRESCRIÇÃO ............................................................................................................................ 98 
7. FORMAS DE EXTINÇÃO DA PROPRIEDADE INDUSTRIAL .................................................. 99 
DIREITO SOCIETÁRIO ................................................................................................................... 100 
1. QUADRO SOCIETÁRIO EMPRESARIAL................................................................................ 100 
1.1. SOCIEDADE NÃO PERSONIFICADA ............................................................................. 100 
1.2. SOCIEDADE PERSONIFICADA ...................................................................................... 100 
2. SOCIEDADES NÃO PERSONIFICADAS ................................................................................ 100 
2.1. SOCIEDADE EM COMUM ................................................................................................ 100 
2.1.1. Responsabilidade dos sócios .................................................................................... 100 
2.2. SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO ............................................................... 102 
2.2.1. Sócio Ostensivo ......................................................................................................... 102 
2.2.2. Sócio Participante ...................................................................................................... 102 
3. SOCIEDADES PERSONIFICADAS ......................................................................................... 103 
3.1. VISÃO GERAL .................................................................................................................. 103 
3.2. REGISTRO DA SOCIEDADE ........................................................................................... 104 
3.3. CLASSIFICAÇÃO DAS SOCIEDADES PERSONIFICADAS ........................................... 104 
3.3.1. Quanto ao objeto........................................................................................................ 104 
3.3.2. Quanto à forma (tipo societário) ................................................................................ 105 
Sociedade em nome coletivo ........................................................................................................... 105 
Sociedade em comandita simples ................................................................................................... 105 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 6 
 
Sociedade em comandita por ações (C/A) ...................................................................................... 105 
Sociedade anônima (S/A) ................................................................................................................ 105 
Sociedade LTDA .............................................................................................................................. 105 
Sociedade em nome coletivo ........................................................................................................... 105 
Sociedade em comandita simples ................................................................................................... 105 
Sociedade LTDA .............................................................................................................................. 105 
Cooperativas .................................................................................................................................... 105 
Simples/simples (S/S – simples pura – não sofre influência de nenhum outro tipo societário)¹ ... 105 
3.3.3. Quando ao grau de dependência às qualidades dos sócios .................................... 107 
3.3.4. Quanto à constituição e dissolução ........................................................................... 109 
3.3.5. Quanto à responsabilidade do sócio pelas obrigações sociais ................................ 109 
4. SOCIEDADE EM NOME COLETIVO .......................................................................................110 
4.1. PREVISÃO LEGAL ........................................................................................................... 110 
4.2. SÓCIOS ............................................................................................................................. 111 
4.3. RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS .............................................................................. 111 
4.4. NOME EMPRESARIAL ..................................................................................................... 112 
4.5. ADMINISTRAÇÃO DA SOCIEDADE ................................................................................ 112 
4.6. LIQUIDAÇÃO DA QUOTA ................................................................................................ 112 
5. SOCIEDADE EM COMANDITA SIMPLES .............................................................................. 112 
5.1. PREVISÃO LEGAL ........................................................................................................... 112 
5.2. SÓCIOS ............................................................................................................................. 113 
5.2.1. Sócio comanditado .................................................................................................... 113 
5.2.2. Sócio comanditário .................................................................................................... 114 
6. SOCIEDADE LIMITADA ........................................................................................................... 115 
6.1. CARACTERÍSTICAS ......................................................................................................... 115 
6.2. CONSTITUIÇÃO DA SOCIEDADE LIMITADA ................................................................. 115 
6.2.1. Requisitos gerais de validade do contrato social (TRÊS) ......................................... 115 
6.2.2. Requisitos específicos de validade dos contratos sociais (DOIS) ............................ 116 
6.2.3. Pressupostos de existência da sociedade (Fábio Ulhôa Coelho) ............................ 118 
6.2.4. Cláusulas Essenciais do contrato da Sociedade limitada (art. 997 do CC) ............. 119 
6.3. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO NA SOCIEDADE LIMITADA (ART. 1.052 DO CC) . 119 
6.4. LEI 13.874/2019 E A CRIAÇÃO DA SOCIEDADE UNIPESSOAL LIMITADA ................ 123 
6.5. COTAS SOCIAIS .............................................................................................................. 124 
6.5.1. Natureza jurídica: ....................................................................................................... 124 
6.5.2. Transferência de cotas (cessão de cotas) ................................................................ 124 
6.6. DEVERES DOS SÓCIOS ................................................................................................. 125 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 7 
 
6.7. DIREITOS DOS SÓCIOS ................................................................................................. 125 
6.8. DELIBERAÇÕES SOCIAIS ............................................................................................... 126 
6.8.1. Assembleia X Reunião ............................................................................................... 127 
6.8.2. Regras de votação nas deliberações ........................................................................ 127 
6.8.3. Dispensa de assembleia ou reunião ......................................................................... 127 
6.9. DIREITO DE RETIRADA (DIREITO DE RECESSO) ....................................................... 127 
6.10. DIREITO DE FISCALIZAÇÃO ....................................................................................... 128 
6.11. DIREITO DE PREFERÊNCIA (ART. 1.081 DO CC) .................................................... 128 
6.12. ADMINISTRADOR DA SOCIEDADE LIMITADA .......................................................... 128 
6.12.1. Responsabilidade do Administrador .......................................................................... 130 
6.12.2. Teoria “ultra vires” (Além das forças) ........................................................................ 130 
6.12.3. Teoria da Aparência. .................................................................................................. 131 
6.13. DISSOLUÇÃO DA SOCIEDADE LIMITADA ................................................................. 132 
6.13.1. Casos de dissolução parcial: ..................................................................................... 132 
6.13.2. Casos de dissolução total .......................................................................................... 134 
7. SOCIEDADE ANÔNIMA (LEI 6.404/76) .................................................................................. 135 
7.1. PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS ................................................................................... 136 
7.2. ESPÉCIES DE SOCIEDADE ANÔNIMA (ART. 4º DA LSA)............................................ 136 
7.3. CONSTITUIÇÃO DA SOCIEDADE ANÔNIMA ................................................................ 138 
7.3.1. Requisitos preliminares (art. 80 da LSA) ................................................................... 138 
7.3.2. Constituição propriamente dita (arts. 82 a 93 da LSA) ............................................. 139 
7.3.3. Regras gerais acerca do procedimento de subscrição ............................................. 140 
7.3.4. Formalidades complementares ................................................................................. 140 
7.4. ÓRGÃOS DA S/A .............................................................................................................. 140 
7.4.1. Assembleia Geral ....................................................................................................... 140 
7.4.2. Conselho de Administração ....................................................................................... 141 
7.4.3. Diretoria ...................................................................................................................... 143 
7.4.4. Conselho fiscal ........................................................................................................... 143 
7.5. VALORES MOBILIÁRIOS ................................................................................................. 146 
7.6. AÇÃO ................................................................................................................................. 146 
7.6.1. Formas de integralização .......................................................................................... 146 
7.6.2. Classificação das ações quanto à espécie ............................................................... 148 
7.6.3. Acionista controlador e o “Acordo de Acionistas” ..................................................... 150 
7.6.4. Valor das ações ......................................................................................................... 152 
7.6.5. Responsabilidade do acionista de uma sociedade anônima (art. 1º) ....................... 153 
7.6.6. Deveres e direitos essenciais do acionista ............................................................... 154 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 8 
 
7.7. DEBÊNTURES .................................................................................................................. 155 
7.8. COMMERCIAL PAPER ..................................................................................................... 156 
7.9. BÔNUS DE SUBSCRIÇÃO ............................................................................................... 156 
7.9.1. Partes beneficiárias ................................................................................................... 157 
8. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA ...........................................................................................157 
8.1. TRANFORMAÇÃO ............................................................................................................ 158 
8.2. FUSÃO .............................................................................................................................. 158 
8.3. INCORPORAÇÃO ............................................................................................................. 158 
8.4. CISÃO ................................................................................................................................ 158 
9. SOCIEDADES COLIGADAS (ARTS. 1.097 e seguintes do CC) ............................................ 158 
10. DESCONSIDERAÇÃO DA PESSOA JURÍCA ..................................................................... 159 
10.1. ORIGEM ........................................................................................................................ 159 
10.1.1. Caso Bank of United States X Deveaux .................................................................... 159 
10.1.2. Caso Salomon X Salomon CB................................................................................... 159 
10.2. TERMINOLOGIA ........................................................................................................... 159 
10.3. CLASSIFICAÇÃO .......................................................................................................... 160 
10.3.1. Teoria Maior ............................................................................................................... 160 
10.3.2. Teoria Menor .............................................................................................................. 160 
10.3.3. Teoria Inversa ............................................................................................................ 161 
10.3.4. Teoria Indireta ............................................................................................................ 162 
10.3.5. Teoria expansiva ........................................................................................................ 163 
10.4. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA E O NCPC ....................... 163 
10.5. A DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA E A MP DA LIBERDADE 
ECONÔMICA ............................................................................................................................... 164 
TÍTULOS DE CRÉDITO................................................................................................................... 168 
1. NOÇÕES GERAIS DE TÍTULOS DE CRÉDITOS ................................................................... 168 
1.1. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL ............................................................................................... 168 
1.2. CONCEITO DE TÍTULOS DE CRÉDITO ......................................................................... 168 
2. CARACTERÍSTICAS DOS TÍTULOS DE CRÉDITO ............................................................... 169 
2.1. DOCUMENTOS FORMAIS ............................................................................................... 169 
2.2. BENS MÓVEIS .................................................................................................................. 169 
2.3. TÍTULOS DE APRESENTAÇÃO ...................................................................................... 169 
2.4. TÍTULO EXECUTIVO EXTRAJUDICIAL .......................................................................... 169 
2.5. OBRIGAÇÕES QUESÍVEIS.............................................................................................. 169 
2.6. TÍTULO DE RESGATE ..................................................................................................... 169 
2.7. TÍTULO DE CIRCULAÇÃO ............................................................................................... 169 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 9 
 
3. PRINCÍPIOS DOS TÍTULOS DE CRÉDITO ............................................................................ 170 
3.1. PRINCÍPIO DA CARTULARIDADE (PRINCÍPIO DA INCORPORAÇÃO, “DOCUMENTOS 
DISPOSITIVOS”) .......................................................................................................................... 170 
3.2. PRINCÍPIO DA LITERALIDADE ....................................................................................... 171 
3.3. PRINCÍPIO DA AUTONOMIA ........................................................................................... 171 
3.3.1. Subprincípio da inoponibilidade de exceções pessoais a terceiros de boa-fé ......... 172 
3.3.2. Subprincípio da abstração ......................................................................................... 172 
3.4. CONCLUSÃO .................................................................................................................... 172 
4. CLASSIFICAÇÃO DOS TÍTULOS DE CRÉDITO .................................................................... 173 
4.1. QUANTO ÀS HIPÓTESES DE EMISSÃO: CAUSAL E NÃO CAUSAL ........................... 173 
4.1.1. Causal ........................................................................................................................ 173 
4.1.2. Não-causal (abstratos) ............................................................................................... 173 
4.2. QUANTO AO MODELO: VINCULADO OU LIVRE........................................................... 173 
4.2.1. Modelo Livre ............................................................................................................... 173 
4.2.2. Modelo Vinculado....................................................................................................... 173 
4.3. QUANTO À SUA CIRCULAÇÃO (DUAS CLASSIFICAÇÕES) ........................................ 173 
4.3.1. Classificação clássica/tradicional: ao portador ou nominativo. ................................. 174 
4.3.2. Classificação moderna (CC/2002): ao portador, nominativo e nominal ................... 175 
4.4. QUANTO À ESTRUTURA: ORDEM DE PAGAMENTO OU PROMESSA DE 
PAGAMENTO ............................................................................................................................... 175 
4.4.1. ORDEM de pagamento.............................................................................................. 175 
4.4.2. PROMESSA de pagamento ...................................................................................... 176 
5. LETRA DE CÂMBIO (REGRAS GERAIS DOS TÍTULOS DE CRÉDITOS) ............................ 176 
5.1. INTRODUÇÃO .................................................................................................................. 176 
5.2. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL ............................................................................................... 176 
5.3. CONCEITO ........................................................................................................................ 176 
5.4. SAQUE E ACEITE ............................................................................................................ 177 
5.4.1. Noções gerais ............................................................................................................ 177 
5.4.2. Efeitos da recusa do aceite (total ou parcial) ............................................................ 177 
5.4.3. Efeitos do aceite......................................................................................................... 178 
5.4.4. Prazo de respiro ......................................................................................................... 178 
6. ENDOSSO: TRANSFERÊNCIA DO DIREITO DO TÍTULO DE CRÉDITO ............................ 179 
6.1. CONCEITO ........................................................................................................................ 179 
6.2. EFEITOS DO ENDOSSO .................................................................................................179 
6.3. MODALIDADES DE ENDOSSO ....................................................................................... 179 
6.3.1. Endosso em branco ................................................................................................... 179 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 10 
 
6.3.2. Endosso em preto ...................................................................................................... 180 
6.3.3. Endosso póstumo ...................................................................................................... 180 
6.3.4. Endosso impróprio ..................................................................................................... 182 
6.3.5. Endosso “sem garantia” ............................................................................................. 183 
7. AVAL: GARANTIA DO PAGAMENTO DO TÍTULO DE CRÉDITO ......................................... 183 
7.1. CONCEITO ........................................................................................................................ 183 
7.2. COMO É FEITO O AVAL? ................................................................................................ 184 
7.3. ESPÉCIES DE AVAL ........................................................................................................ 184 
7.4. AUTORIZAÇÃO DO CONJUGE ....................................................................................... 185 
7.5. AVAL X FIANÇA ................................................................................................................ 186 
8. EXIGIBILIDADE DA LETRA DE CÂMBIO ............................................................................... 187 
9. TIPOS DE VENCIMENTO DE UMA LETRA DE CÂMBIO ...................................................... 187 
10. PROTESTO DA LETRA DE CÂMBIO .................................................................................. 188 
11. GRÁFICO: LETRA DE CÂMBIO........................................................................................... 188 
12. NOTA PROMISSÓRIA .......................................................................................................... 188 
12.1. CONCEITO .................................................................................................................... 188 
12.2. NÃO HÁ ACEITE NA NOTA PROMISSÓRIA ............................................................... 189 
12.3. FORMAS DE VENCIMENTO DA NOTA PROMISSÓRIA ............................................ 189 
12.4. SÚMULA 258 DO STJ: NOTA PROMISSÓRIA E CONTRATO DE ABERTURA DE 
CRÉDITO ..................................................................................................................................... 189 
12.5. SÚMULA 504 DO STJ ................................................................................................... 190 
12.6. GRÁFICO: NOTA PROMISSÓRIA................................................................................ 190 
13. DUPLICATA (Lei 5.474/68) .................................................................................................. 191 
13.1. CONCEITO .................................................................................................................... 191 
13.2. ACEITE DA DUPLICATA .............................................................................................. 192 
13.2.1. Obrigatoriedade do aceite ......................................................................................... 192 
13.2.2. Hipóteses legais que permitem a recusa do aceite (art. 8º) ..................................... 192 
13.2.3. Categorias de aceite (em virtude do caráter obrigatório) .......................................... 192 
13.3. ENDOSSO NA DUPLICATA ......................................................................................... 193 
13.4. AVAL NA DUPLICATA .................................................................................................. 193 
13.5. VENCIMENTO DA DUPLICATA ................................................................................... 193 
13.6. MODALIDADES DE PROTESTO DE UMA DUPLICATA (ART. 13) ............................ 193 
13.7. PERDA OU EXTRAVIO DE DUPLICATA (ART. 23) .................................................... 194 
13.8. FURTO OU ROUBO DE DUPLICATA .......................................................................... 194 
13.9. É POSSÍVEL EXECUÇÃO DE DUPLICATA SEM ACEITE? ....................................... 194 
13.10. DUPLICADA VIRTUAL E SUA EXECUTIVIDADE ....................................................... 195 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 11 
 
13.11. GRÁFICO: DUPLICATA ................................................................................................ 198 
14. CHEQUE (LEI 7.357/85) ....................................................................................................... 198 
14.1. CONCEITO .................................................................................................................... 198 
14.2. REQUISITOS DO CHEQUE (ART. 1º, 2º E 3º) ............................................................ 198 
14.3. ACEITE DO CHEQUE ................................................................................................... 199 
14.4. CHEQUE PRÉ-DATADO (PÓS-DATADO) ................................................................... 200 
14.5. ENDOSSO DO CHEQUE .............................................................................................. 200 
14.6. AVAL NO CHEQUE ....................................................................................................... 201 
14.7. PRAZO DE APRESENTAÇÃO DO CHEQUE .............................................................. 202 
14.7.1. Noção geral ................................................................................................................ 202 
14.7.2. Inobservância do prazo de apresentação do cheque ao sacado ............................. 202 
14.7.3. Protesto ...................................................................................................................... 203 
14.8. CONTA CONJUNTA...................................................................................................... 204 
14.9. DEVOLUÇÃO INDEVIDA .............................................................................................. 204 
14.10. SUSTAÇÃO DE CHEQUE ............................................................................................ 205 
14.10.1. Contraordem/revogação (art. 35) ........................................................................... 205 
14.10.2. Sustação/oposição (art. 36) ................................................................................... 205 
14.11. CHEQUE SEM FUNDOS .............................................................................................. 206 
14.12. AÇÃO MONITÓRIA E CHEQUE ................................................................................... 207 
14.13. JUROS MORATÓRIOS ................................................................................................. 209 
14.14. GRÁFICO: CHEQUE ..................................................................................................... 211 
15. ESQUEMA TÍTULOS DE CRÉDITO EM ESPÉCIE ............................................................. 211 
16. PRAZO PRESCRICIONAL PARA EXECUÇÃO DOS TÍTULOS DE CRÉDITO ................. 212 
16.1. GRÁFICO 01.................................................................................................................. 212 
17. OUTROS TÍTULOS DE CRÉDITO ....................................................................................... 213 
17.1. TÍTULOS DE CRÉDITO COMERCIAL ......................................................................... 214 
17.2. TÍTULOS DE CRÉDITO INDUSTRIAL ......................................................................... 214 
17.3. TÍTULOSDE CRÉDITO RURAL ................................................................................... 214 
17.4. TÍTULOS DE CRÉDITO IMOBILIÁRIO ......................................................................... 215 
17.5. NOVOS TÍTULOS IMOBILIÁRIOS ................................................................................ 215 
17.6. TÍTULOS DE CRÉDITO BANCÁRIO ............................................................................ 215 
17.7. LETRA DE ARRENDAMENTO MERCANTIL ............................................................... 217 
CONTRATOS EMPRESARIAIS ...................................................................................................... 218 
1. CONTRATO DE ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA ............................................................................ 218 
1.1. CONCEITO ........................................................................................................................ 218 
1.2. REGRAMENTO ................................................................................................................. 218 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 12 
 
1.3. ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA DE BENS MÓVEIS NO ÂMBITO DO MERCADO 
FINANCEIRO E DE CAPITAIS (DL 911/69) ................................................................................ 218 
1.4. APLICAÇÃO DAS REGRAS DO DL 911/69 AO LEASING ............................................. 224 
1.5. ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA REGIDA PELO CÓDIGO CIVIL ............................................ 225 
1.6. ALIENAÇÃO FIDUCIÁRA DE BENS IMOVEIS ................................................................ 226 
1.7. OUTROS PRONTOS IMPORTANTES ............................................................................. 227 
1.7.1. CONTRATO INSTRUMENTAL.................................................................................. 227 
1.7.2. PROPRIEDADE RESOLÚVEL E ‘AD TEMPUS’ (DIREITOS REAIS) ...................... 227 
1.7.3. PROPRIEDADE FIDUCIÁRIA x RESERVA DE DOMÍNIO....................................... 227 
2. CONTRATO DE ARRENDAMENTO MERCANTIL (“LEASING”) ........................................... 228 
2.1. CONCEITO ........................................................................................................................ 228 
2.2. MODALIDADES DE LEASING ......................................................................................... 229 
2.2.1. Leasing financeiro ...................................................................................................... 229 
2.2.2. Leasing operacional ................................................................................................... 229 
2.2.3. “Lease back” (leasing de retorno) .............................................................................. 230 
2.2.4. Quadro resumo .......................................................................................................... 230 
2.3. INADIMPLEMENTO DAS PRESTAÇÕES DO LEASING ................................................ 231 
2.4. PURGAÇÃO DA MORA .................................................................................................... 231 
3. CONTRATO DE FRANQUIA (franchising) .............................................................................. 232 
3.1. CONCEITO ........................................................................................................................ 232 
3.2. CONTRATANTES ............................................................................................................. 232 
3.3. OBJETOS DO CONTRATO .............................................................................................. 233 
3.4. INEXISTÊNCIA DA RELAÇÃO DE CONSUMO ENTRE FRANQUEADOR E 
FRANQUEADO ............................................................................................................................ 233 
3.5. INEXISTÊNCIA DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO ............................................................. 233 
3.6. COF - CIRCULAR DE OFERTA DE FRANQUIA ............................................................. 233 
3.6.1. Conceito ..................................................................................................................... 233 
3.6.2. Prazo legal e obrigatoriedade .................................................................................... 235 
3.6.3. Novidades da COF trazidas pela Lei 13.966/2019 ................................................... 236 
3.7. RESPONSABILIDADE ...................................................................................................... 237 
4. CONTRATO DE FACTORING OU FOMENTO MERCANTIL ................................................. 237 
4.1. CONCEITO E CARACTERÍSTICAS ................................................................................. 237 
4.2. ESPÉCIES DE CONTRATO DE FACTORING ................................................................ 239 
4.2.1. Factoring tradicional ................................................................................................... 239 
4.2.2. Factoring de vencimento............................................................................................ 239 
4.3. JURISPRUDÊNCIA ........................................................................................................... 240 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 13 
 
5. REPRESENTAÇÃO COMERCIAL ........................................................................................... 241 
5.1. INTRODUÇÃO .................................................................................................................. 241 
5.2. CONTRATO DE REPRESENTAÇÃO X CONTRATO DE AGÊNCIA (ART. 710 DO CC)
 242 
5.3. EXCLUSIVIDADE NA REPRESENTAÇÃO COMERCIAL ............................................... 242 
5.3.1. Exclusividade de zona geográfica (art. 31 da Lei) .................................................... 242 
5.3.2. Exclusividade de representação (art. 31, parágrafo único) ...................................... 243 
5.4. RESCISÃO DO CONTRATO ............................................................................................ 243 
5.4.1. Contrato com prazo INDETERMINADO .................................................................... 243 
5.4.2. Contrato com prazo DETERMINADO ....................................................................... 244 
DIREITO FALIMENTAR (Lei 11.101/05) ......................................................................................... 245 
1. INTRODUÇÃO .......................................................................................................................... 245 
2. ÂMBITO DE INCIDÊNCIA DA LEI ........................................................................................... 245 
3. JUÍZO COMPETENTE ............................................................................................................. 247 
4. DA FALÊNCIA .......................................................................................................................... 248 
4.1. CONCEITO ........................................................................................................................ 248 
4.2. PROCESSO FALIMENTAR (VISÃO GERAL) .................................................................. 248 
4.3. LEGITIMIDADE ATIVA DO PEDIDO DE FALÊNCIA ....................................................... 248 
4.3.1. Próprio devedor (art. 97, I: empresário ou sociedade empresária) .......................... 249 
4.3.2. Cônjuge sobrevivente, herdeiro e inventariante (art. 97, II) ...................................... 249 
4.3.3. Sócio ou acionista da empresa (art.97, III) ................................................................ 250 
4.3.4. Qualquer credor (art. 97, IV) ...................................................................................... 250 
4.4. LEGITIMIDADE PASSIVA DA FALÊNCIA .......................................................................251 
4.5. FUNDAMENTOS JURÍDICOS DA FALÊNCIA ................................................................. 251 
4.5.1. Impontualidade injustificada (art. 94, I)...................................................................... 251 
4.5.2. Execução frustrada (art. 94, II) .................................................................................. 252 
4.5.3. Atos de falência (art. 94, III) ....................................................................................... 253 
4.5.4. Esquema Gráfico da Insolvência do Devedor (art. 94) ............................................. 254 
4.6. COMPORTAMENTO DO DEVEDOR APÓS A SUA CITAÇÃO ...................................... 255 
4.6.1. Apresentar contestação (art. 98) ............................................................................... 255 
4.6.2. Depósito elisivo + contestação .................................................................................. 256 
4.6.3. Depósito elisivo (impeditivo) ...................................................................................... 256 
4.6.4. Requerer a recuperação judicial ................................................................................ 257 
4.7. SENTENÇA e RECURSOS .............................................................................................. 257 
4.7.1. Natureza jurídica ........................................................................................................ 257 
4.7.2. Legitimidade recursal ................................................................................................. 259 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 14 
 
4.7.3. Prazo do recurso ........................................................................................................ 259 
4.8. SENTENÇA DECLARATÓRIA ......................................................................................... 260 
4.8.1. Determinações que devem constar da sentença (art. 99 da Lei) ............................. 260 
4.8.2. Efeitos jurídicos da sentença declaratória de falência quanto ao FALIDO 
(DEVEDOR) .............................................................................................................................. 264 
4.8.3. Efeitos da sentença declaratória quanto aos CREDORES ...................................... 265 
4.8.4. Efeitos da sentença declaratória de falência quanto aos CONTRATOS (art. 117) . 267 
4.8.5. Efeitos da sentença declaratória de falência quanto aos ATOS (ineficácia objetiva e 
ineficácia subjetiva dos atos - art. 129 e art. 130) ................................................................... 267 
4.9. FASE FALIMENTAR PROPRIAMENTE DITA ................................................................. 268 
4.9.1. Arrecadação ............................................................................................................... 268 
4.9.2. Avaliação .................................................................................................................... 270 
4.9.3. Venda judicial dos bens ............................................................................................. 271 
4.9.4. Ordem de preferência na realização do ativo (venda dos bens) .............................. 274 
4.9.5. Pagamento dos credores: Ordem de preferência. .................................................... 274 
4.9.6. Resumo da ordem de pagamento ............................................................................. 279 
4.10. SENTENÇA DE ENCERRAMENTO ............................................................................. 279 
4.11. REABILITAÇÃO ............................................................................................................. 279 
4.11.1. Hipóteses de extinção das obrigações do falido (art. 158) ....................................... 280 
5. DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL ............................................................................................... 280 
5.1. INTRODUÇÃO .................................................................................................................. 280 
5.2. FINALIDADE DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL (art. 47) ................................................... 281 
5.3. REQUISITOS DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL (Art. 48) ................................................. 282 
5.3.1. Somente o DEVEDOR empresário ou sociedade empresária pode pedir a 
recuperação judicial .................................................................................................................. 282 
5.3.2. O devedor deve ser empresário ou sociedade empresária que esteja em atividade 
regular há mais de 02 anos. ..................................................................................................... 283 
5.3.3. Não ser falido ............................................................................................................. 283 
5.3.4. Não ter, há menos de 05 anos, obtido concessão de outra recuperação judicial. ... 284 
5.3.5. Não ter, há menos de 05 anos, obtido concessão de recuperação judicial especial
 284 
5.3.6. Não ter sido condenado por crime falimentar ........................................................... 284 
5.4. CRÉDITOS SUJEITOS AOS EFEITOS DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL ....................... 284 
5.5. PROCEDIMENTO DA RECUPERAÇÃO .......................................................................... 290 
5.5.1. Petição inicial ............................................................................................................. 290 
5.5.2. Despacho de processamento .................................................................................... 291 
5.5.3. Publicação do despacho (art. 52, §1º) ...................................................................... 292 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 15 
 
5.5.4. Comunicado ............................................................................................................... 294 
5.5.5. Composição da Assembleia-Geral de Credores (AGC) ........................................... 294 
5.5.6. Trabalhando com a hipótese de homologação da aprovação do plano de 
recuperação .............................................................................................................................. 296 
5.5.7. Decisão concessiva (art. 59) ..................................................................................... 297 
5.5.8. Prazo da recuperação judicial ................................................................................... 297 
5.6. GRÁFICO DO PROCEDIMENTO DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL ................................ 298 
6. DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL ESPECIAL (art. 70 e seguintes) .......................................... 298 
6.1. PREVISÃO LEGAL ........................................................................................................... 298 
6.2. DIFERENÇAS PARA A RECUPERAÇÃO JUDICIAL COMUM ....................................... 298 
7. DA RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL .................................................................................. 299 
7.1. CONSIDERAÇÕES ........................................................................................................... 299 
7.2. DEVEDOR (QUEM PODE REQUERER) ......................................................................... 300 
7.3. ÓRGÃOS DA RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL .......................................................... 301 
7.4. EFEITOS JURÍDICOS DA RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL...................................... 301 
7.4.1. Efeitos restritos .......................................................................................................... 301 
7.5. PROCEDIMENTO DA RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL ............................................ 302 
7.6. GRÁFICO DO PROCEDIMENTO DA RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL .................... 304 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 16 
 
APRESENTAÇÃOOlá! 
Inicialmente, gostaríamos de agradecer a confiança em nosso material. Esperamos que 
seja útil na sua preparação, em todas as fases. A grande maioria dos concurseiros possui o hábito 
de trocar o material de estudo constantemente, principalmente, em razão da variedade que se tem 
hoje, cada dia surge algo novo. O ideal é você utilizar sempre a mesma fonte, fazendo a 
complementação necessária, eis que quanto mais contato temos com determinada fonte de 
estudo, mais familiarizados ficamos, o que se torna primordial na hora da prova. 
O Caderno Sistematizado de Direito Empresarial possui como base as aulas do Prof. 
Juan Vasquez (CERS) e do Prof. Alexandre Gialluca (G7), com o intuito de deixar o material mais 
completo, utilizados o livro de Direito Empresarial – Volume Único (9ª Ed) do André Santa Cruz. 
Na parte jurisprudencial, utilizamos os informativos do site Dizer o Direito 
(www.dizerodireito.com.br), os livros: Principais Julgados STF e STJ Comentados, Vade Mecum 
de Jurisprudência Dizer o Direito, Súmulas do STF e STJ anotadas por assunto (Dizer o Direito). 
Destacamos é importante você se manter atualizado com os informativos, reserve um dia da 
semana para ler no site do Dizer o Direito. 
Como você pode perceber, reunimos em um único material diversas fontes (aulas + 
doutrina + informativos + + lei seca + questões) tudo para otimizar o seu tempo e garantir que 
você faça uma boa prova. 
Por fim, como forma de complementar o seu estudo, não esqueça de fazer questões. É 
muito importante!! As bancas costumam repetir certos temas. 
Vamos juntos!! Bons estudos!! 
Equipe Cadernos Sistematizados. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 17 
 
TEORIA GERAL DA EMPRESA 
1. FONTES DO DIREITO EMPRESARIAL 
Aqui, para fins didáticos, utilizamos a classificação proposta por Ricardo Negrão 
1.1. PRIMÁRIAS 
1.1.1. Constituição Federal 
O Direito Empresarial deve ser interpretado à luz da CF, sempre. Há vários princípios na 
parte da Ordem Econômica. 
1.1.2. Código Civil 
Em seus arts. 966 a 1.195 trata do Direito de Empresa, são as normas que conceituam 
empresário, estabelecem requisitos para o exercício do direito de empresa individualmente, regem 
as sociedades empresárias, etc. 
1.1.3. Código Comercial 
Para o Direito Marítimo. 
1.1.4. Leis Extravagantes 
Como exemplo, citam-se a Lei de Falência, a Lei das Duplicadas, a Lei do Cheque, dentre 
outras. 
1.1.5. Tratados internacionais 
Segundo André Santa Cruz, os tratados internacionais são uma fonte primária de suma 
importância, a exemplo da Convenção da União de Paris e os Acordos TRIPS, que orientam a 
nossa Lei de Propriedade Industrial, bem como a Lei Uniforme de Genebra 
1.2. SECUNDÁRIAS 
1.2.1. Costumes 
Devem ser uniformes, constantes, utilizados de acordo com a boa-fé. Além disso, devem 
observar a lei e a boa-fé, podem estar assentados na Junta Comercial. 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 18 
 
Ex.: Cheque pós-datado. 
A Lei 8934/94 estabelece que o costume pode ser assentado na Junta Comercial, podendo 
ser provado através de certidão emitida pela Junta. 
1.2.2. Princípios Gerais do Direito 
Segundo Aroldo Malheiros, é necessário seguir uma ordem de preferência, prevista no art. 
4º da LINDC. 
Obs.: Tartuce afirma que, na atual ordem jurídica, não se aplica, pois, os princípios seriam 
a última hipótese. 
1.2.3. Doutrina 
Segundo Juan Vasques, apesar de ser considerada por parcela de autores, não é fonte 
secundária. 
1.2.4. Jurisprudência 
Com o CPC/15, que consagra os precedentes, ganhou força o entendimento de que a 
jurisprudência é fonte secundária e não apenas em relação às súmulas vinculantes. 
CESPE - DPE/ES - Questão: Cabe à junta comercial, de ofício ou por provocação da sua procuradoria ou 
de entidade de classe, reunir ou assentar em livro próprio os usos e práticas decorrentes (costumes) em 
sua jurisdição? Correto! 
Art. 8º Às Juntas Comerciais incumbe 
VI - O assentamento dos usos e práticas mercantis 
2. CARACTERÍSTICAS 
2.1. COSMOPOLITISMO 
As regras de Direito Empresarial devem ser uniformes, independente da barreira 
geográfica que separa os países (internacionalidade e globalização). 
Ex.: Lei Uniforme de Genebra. 
CESPE - DPE/ES: O cosmopolitismo, uma das características do direito empresarial, deu origem a usos e 
costumes comuns a todos os comerciantes, independentemente de sua nacionalidade (caráter 
internacional, transcende barreiras geográficas), a exemplo da criação, pela Convenção de Genebra, de 
uma lei uniforme para a letra de câmbio e a nota promissória. Correto! 
2.2. FRAGMENTÁRIO 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 19 
 
O Direito Empresarial divide-se em Direito de Empresa, Direito Cambiário, Direito 
Falimentar e Direito Societário, para cada um desses ramos há leis esparsas que o 
regulamentam. 
2.3. INFORMALISMO OU SIMPLICIDADE 
Segue a dinâmica das relações empresarias, que afastam o caráter formal, presente no 
Direito Civil. 
2.4. ELASTICIDADE 
O Direito Empresarial sofre constantes mudanças, muitas vezes não conseguem ser 
acompanhadas pela lei. 
2.5. ONEROSIDADE 
A atividade empresarial visa o lucro. 
3. PRINCÍPIOS 
O Direito Empresarial é norteado por vários princípios, a seguir um fluxograma e após a 
análise. 
 
3.1. LIVRE INICIATIVA 
Norteia o Direito Empresarial. 
Princípios
Livre 
Iniciativa
Autonomia 
da Vontade
Cambiários
Preservaçã
o da 
Empresa
Maximizaçã
o dos ativos 
do Falido
Liberdade 
de 
Associação
Função 
Social da 
Empresa
Liberdade 
de 
Competição
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 20 
 
De acordo com Fábio Ulhôa Filho, o princípio da livre-iniciativa se desdobra em quatro 
condições fundamentais para o funcionamento eficiente do modo de produção capitalista: 
• Imprescindibilidade da empresa privada para que a sociedade tenha acesso aos bens 
e serviços de que necessita para sobreviver; 
• Busca do lucro como principal motivação dos empresários; 
• Necessidade jurídica de proteção do investimento privado; 
• Reconhecimento da empresa privada como polo gerador de empregos e de riquezas 
para a sociedade. 
É um dos fundamentos da República, igualmente, está prevista na ordem econômica. No 
entanto, não é absoluta, há cláusulas de não concorrência. 
Segundo Eros Grau, gera uma obrigação de fazer para empresa e uma obrigação de não 
fazer (não causar danos a terceiros). 
3.2. FUNÇÃO SOCIAL DA EMPRESA 
Previsto na Lei de S/A. 
Art. 116, Parágrafo único. O acionista controlador deve usar o poder com o 
fim de fazer a companhia realizar o seu objeto e cumprir sua função social, 
e tem deveres e responsabilidades para com os demais acionistas da 
empresa, os que nela trabalham e para com a comunidade em que atua, 
cujos direitos e interesses deve lealmente respeitar e atender. 
 
Art. 154. O administrador deve exercer as atribuições que a lei e o estatuto 
lhe conferem para lograr os fins e no interesse da companhia, satisfeitas as 
exigências do bem público e da função social da empresa. 
 
Salienta-se que empresa não deve apenas atender os interesses individuais do empresário 
individual, a EIRELI ou dos sócios da sociedade empresária, mas também os interesses difusos e 
coletivos de todos aqueles que são afetados pelo exercício dela (trabalhadores, contribuintes, 
vizinhos, concorrentes, consumidores), conforme ensina André Santa Cruz. 
3.3. LIBERDADE DE COMPETIÇÃO 
Está relacionado ao princípio da livre iniciativa, concretiza o primeiro princípio. 
3.4. LIBERDADE DE ASSOCIAÇÃO 
Compreende a liberdade de associar-se e de não se associar, bem como o direito de 
retirada para os sócios que assim queiram. 
3.5. MAXIMIZAÇÃO DOS ATIVOS DO FALIDO 
Previsto no art. 75 e 117 da Lei de Falências. Além disso, ampara o art. 141, II. 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 21 
 
Art. 75. A falência, ao promover o afastamento do devedor de suas 
atividades,visa a preservar e otimizar a utilização produtiva dos bens, ativos 
e recursos produtivos, inclusive os intangíveis, da empresa. 
Parágrafo único. O processo de falência atenderá aos princípios da 
celeridade e da economia processual. 
 
Art. 117. Os contratos bilaterais não se resolvem pela falência e podem ser 
cumpridos pelo administrador judicial se o cumprimento reduzir ou evitar o 
aumento do passivo da massa falida ou for necessário à manutenção e 
preservação de seus ativos, mediante autorização do Comitê. 
§ 1o O contratante pode interpelar o administrador judicial, no prazo de até 
90 (noventa) dias, contado da assinatura do termo de sua nomeação, para 
que, dentro de 10 (dez) dias, declare se cumpre ou não o contrato. 
§ 2o A declaração negativa ou o silêncio do administrador judicial confere ao 
contraente o direito à indenização, cujo valor, apurado em processo 
ordinário, constituirá crédito quirografário. 
 
Art. 141. Na alienação conjunta ou separada de ativos, inclusive da empresa 
ou de suas filiais, promovida sob qualquer das modalidades de que trata 
este artigo: 
I – todos os credores, observada a ordem de preferência definida no art. 83 
desta Lei, sub-rogam-se no produto da realização do ativo; 
II – o objeto da alienação estará livre de qualquer ônus e não haverá 
sucessão do arrematante nas obrigações do devedor, inclusive as de 
natureza tributária, as derivadas da legislação do trabalho e as decorrentes 
de acidentes de trabalho. 
§ 1o O disposto no inciso II do caput deste artigo não se aplica quando o 
arrematante for: 
I – sócio da sociedade falida, ou sociedade controlada pelo falido; 
II – parente, em linha reta ou colateral até o 4o (quarto) grau, consanguíneo 
ou afim, do falido ou de sócio da sociedade falida; ou 
III – identificado como agente do falido com o objetivo de fraudar a 
sucessão. 
§ 2o Empregados do devedor contratados pelo arrematante serão admitidos 
mediante novos contratos de trabalho e o arrematante não responde por 
obrigações decorrentes do contrato anterior. 
 
Utilizar o ativo para reduzir o passivo. 
3.6. PRESERVAÇÃO DA EMPRESA 
Tem sido amplamente difundido, seja pela legislação (a exemplo da Lei de Falências) seja 
fundamentando inúmeras decisões judiciais em matéria de dissolução de sociedades, de 
falências, de recuperação judicial. 
3.7. AUTONOMIA DA VONTADE 
Relacionado aos contratos empresariais, ver enunciados da I Jornada. 
3.8. CAMBIÁRIOS 
Serão analisados no estudo do Direito Cambiário. 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 22 
 
4. TEORIA DOS ATOS DE COMERCIO (francesa) 
4.1. HISTÓRICO 
A codificação napoleônica divide claramente o direito privado: de um lado o direito civil; de 
outro o direito comercial. O CC/FRA atendia fundamentalmente aos interesses da burguesia 
fundiária (direito de propriedade), já o CCom/FRA encarnava o espírito da burguesia comercial e 
industrial, valorizando a riqueza mobiliária. 
Função essencial: atribuir a quem praticasse os denominados “atos de comércio” a 
qualidade de comerciante, o que era pressuposto para a aplicação das normas do CCom. 
Doutrina afirma que a codificação napoleônica operou uma objetivação no direito 
comercial. É relacionada à formação dos Estados Nacionais da Idade Moderna que impõem sua 
soberania ao particularismo que imperava na ordem jurídica anterior e se inspiram no princípio de 
igualdade, sendo, por conseguinte, avessos a qualquer tipo de distinção de disciplinas jurídicas 
que se baseiem em critérios subjetivos. 
 
 
Influência no Código Comercial do Brasil de 1850 
a) Parte I - Do Comércio em geral. 
b) Parte II - Do Comércio marítimo. (Ainda vigora) 
c) Parte III - “Das quebras” → revogado pelo decreto lei 7.666/45 → revogado pela 
11.101/05 Lei de Falências 
Comerciante (pessoa física) 
Sociedade Comercial (pessoa jurídica) 
4.2. DEFINIÇÃO DO “COMERCIANTE”: ATOS DE COMÉRCIO 
Fases do Direito 
Empresarial 
Corporações de Ofício
Idade Média
Sistema fechado
e protetivo
Teoria dos Atos de 
Comércio
Sistema frances
Revolução Francesa
Código Comercial 1807
Teoria da Empresa
Sistema italiano
Revolução Industrial
Código Civil de 1812
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 23 
 
Para estabelecer quem se submetia à disciplina do CCom era feita uma análise objetiva: 
se praticava “ato de comércio” ou não. Só poderia chamar alguém de comerciante (pessoa 
física) ou de sociedade comercial (pessoa jurídica) estando presentes os elementos: 
• Habitualidade; 
• Finalidade lucrativa; 
 “Atos de comércio” – quem tratava não era o Código e sim um regulamento – 
737/1850. 
Esses atos de comércio eram elencados taxativamente no Regulamento 737/1850, em seu 
art. 19 (primeiro ato normativo de caráter processual do Brasil). Vejamos quais eram esses atos: 
• Compra e venda de bens móveis e semoventes para revenda ou locação; 
• Câmbio (troca de moeda estrangeira); 
• Bancos (comerciante nato: surge junto com o comércio; bancos podem falir, como 
qualquer comerciante, além de sofrer liquidação extrajudicial ou intervenção 
extrajudicial pelo Banco Central; nestes dois últimos casos, não poderá falir, exceto se 
requerido pelo liquidante ou interventor). 
• Transportes de mercadorias (atividade vinculada ao comércio); 
• Fabricação, consignação e depósito de mercadorias (industrial em geral); 
• Espetáculos públicos (teatro, cinema, etc.); 
• Contratos marítimos em geral; 
• Fretamento de navios; 
• Títulos de créditos em geral (os títulos de créditos rurais eram reputados civis); 
Eram atividades excluídas da Mercancia: 
• Especulação imobiliária; 
• Agricultura e pecuária (produtor rural); 
• Prestação de serviços; 
• Profissões intelectuais; 
O inconveniente desse sistema era a taxatividade das atividades consideradas de 
comércio, de forma que aqueles que não constavam da lista ficavam sem direito ao tratamento 
dispensado aos comerciantes, especialmente no que se refere à concordata. 
Crítica: este regulamento pecava por não abranger todas as atividades comerciais, por 
exemplo, a imobiliária, visto que ele preconizava compra e venda de bens móveis. Compra e 
venda de serviços também não era prevista, não sendo considerada sociedade comercial. O 
problema disso, era que não sendo sociedade comercial, não teria direito a concordata no caso de 
problemas financeiros. 
Rubens Requião: não tem como definir satisfatoriamente o que são atos de comércio. 
Santa Cruz: e os atos mistos (unilateralmente comerciais)? Aplicam as normas do 
CCom para solução de controvérsia, era a chamada vis atractiva do Direito Comercial. 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 24 
 
Preocupava o fato de o cidadão ser submetido a normas distintas em razão da qualidade da 
pessoa com quem contrata. 
4.3. REVOGAÇÃO DO CÓDIGO COMERCIAL DE 1850 
O CC revogou parcialmente ou totalmente o Código Comercial? Parcialmente, 
revogou a parte I, a parte III já havia sido revogada pelo decreto lei 7.666/45, que por sua vez 
também já foi revogado pela lei 11.101/05 (nova lei de falências). Restando apenas a parte II, que 
trata do COMÉRCIO MARÍTIMO. 
“Arribada forçada”: o navio normalmente não pode parar em lugares não previstos, caso 
ocorra, em situações excepcionais justificadas, é chamado de arribada forçada. 
Art. 741 do C. Comercial – temor fundado de inimigo ou pirata. 
Art. 740 - Quando um navio entra por necessidade em algum porto ou lugar 
distinto dos determinados na viagem a que se propusera, diz-se que fez 
arribada forçada (artigo nº. 510). 
 
Art. 741 - São causas justas para arribada forçada: 
1 - Falta de víveres ou aguada; 
2 - Qualquer acidente acontecido à equipagem, cargo ou navio, que 
impossibilite este de continuar a navegar; 
3 - Temor fundado de inimigo ou pirata. 
5. TEORIA DA EMPRESA (italiana) 
Agora temos: 
• Empresário individual (pessoa física). 
• Sociedade empresária (pessoa jurídica). 
Aqui fazemos uma análise subjetiva, ou seja, uma análise da estrutura.Com a entrada em vigor do CC/2002 foi revogada expressamente a Parte I (somente ela) 
do Código Comercial, abandonando a Teoria Francesa dos Atos de Comércio e passando a 
adotar a chamada TEORIA DA EMPRESA. Essa teoria surgiu na Itália fascista de Mussolini, em 
meados de 1942, tendo como objetivo o alargamento do âmbito de incidência do Direito 
Comercial. O corporativismo fascista se contraponha a ideia de um código de comércio autônomo 
e de um regime jurídico especial das relações travadas pelos agentes econômicos. Caráter 
ideológico + natureza político-econômica advindas da experiência fascista. 
 Fala-se agora em empresário, sendo este o que exerce profissionalmente atividade 
econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços. 
Art. 966. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade 
econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de 
serviços. 
 
Santa Cruz: o direito comercial não se limita a regular apenas as relações jurídicas em 
que ocorra a prática de um determinado ato definido em lei como ato de comércio. A Teoria da 
Empresa faz com que o direito comercial não se ocupe apenas com alguns atos, mas com uma 
forma específica de exercer uma atividade econômica: a forma empresarial. 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 25 
 
O empresário individual tem CNPJ apenas para ter o mesmo tratamento tributário que a 
sociedade empresária, a fim de não violar a igualdade, a pessoa física não conseguiria concorrer 
com a sociedade empresária. 
Em 2011, foi inserida a EIRELI (empresa individual de responsabilidade limitada) no nosso 
sistema. Trata-se de uma “sociedade” de um só indivíduo, isso serve para que o empresário 
blinde o seu patrimônio particular, o separe do patrimônio empresarial no exercício da atividade 
empresária, pois apenas como empresário individual, todo seu patrimônio (estando ligado ou não 
à atividade empresarial) responde pelas dívidas da atividade empresária, ele responderia 
ilimitadamente. Isso será estudado adiante. 
Há desconsideração da pessoa jurídica para EMPRESÁRIO INDIVIDUAL? Não há que 
se falar em desconsideração da PJ, visto que não há pessoa jurídica, não se desconsidera o que 
não existe. EXCETO quando se tratar de EIRELI. 
CESPE DPE/ES: No Código Comercial do Império do Brasil, adotou-se, por influência dos códigos francês, 
espanhol e português, a teoria dos atos de comércio, no que se refere à sua abrangência e aplicação. 
Errado. O Código Comercial foi influenciado pelos códigos francês, espanhol e português. No 
entanto, não trouxe a definição de atos de comércio, nem sua abrangência, que foi definida no 
Regulamento 737. 
TJ/MG: Com a vigência do CC/02, à luz do art. 966, é correto afirmar que o Direito brasileiro concluiu a 
transição para a: Teoria da empresa, de matriz italiana 
Brasil CC/02: Busca de uma unificação, ainda que apenas formal do direito privado. 
 
PARA MEMORIZAR! 
 
A EVOLUÇÃO DO DIREITO COMERCIAL NO MUNDO 
1ª FASE ➔ Idade Média: renascimento mercantil e ressurgimento das cidades. 
➔ Monopólio da jurisdição mercantil a cargo das Corporações de Ofício 
➔ Aplicação dos usos e costumes mercantis pelos tribunais consulares 
➔ “Codificação Privada” do direito comercial; normas “pseudo sistematizadas”. 
➔ Caráter subjetivista: mercantilidade da relação jurídica definida pelos seus sujeitos. 
➔ “Direito dos Comerciantes”. 
2º FASE ➔ Idade Moderna: formação dos Estados Nacionais monárquicos 
➔ Monopólio da Jurisdição mercantil a cargo dos Estados 
➔ Codificação Napoleônica 
➔ Bipartição do direito privado 
➔ “Teoria dos atos de comércio” como critério delimitador do âmbito de incidência do regime 
jurídico comercial 
➔ Objetivação do direito comercial: mercantilidade da relação jurídica definida pelo seu objeto. 
3ª FASE: ➔ CC Italiano 1942 
➔ Unificação formal do direito privado 
➔ “Teoria da Empresa” como critério delimitador do âmbito de incidência do regime jurídico 
empresarial 
➔ A empresa vista como atividade econômica organizada. 
A EVOLUÇÃO DO DIREITO COMERCIAL NO BRASIL 
As 
ordenações 
➔ Aplicação das leis de Portugal 
➔ Inspiração do direito estatutário italiano 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 26 
 
do reino 
CCom/1850 ➔ Inspiração do Code de Commerce napoleônico 
➔ Adoção da Teoria dos Atos de Comércio. 
➔ Regulamento nº737: rol dos atos de comércio. 
CC/02 ➔ Transição da Teoria dos Atos de Comércio para a Teoria de Empresa 
➔ Tentativa de unificação formal do direito privado 
➔ Definição do empresário como aquele que exerce profissionalmente atividade econômica 
organizada. 
6. EMPRESA E EMPRESÁRIO 
São características fundamentais do direito empresarial que o diferenciam sobremaneira 
do direito civil: 
• Cosmopolitismo (integração entre os povos); 
• Onerosidade (caráter econômico); 
• Informalismo (devido ao dinamismo); 
• Fragmentarismo (série de sub-ramos, exemplo: direito falimentar, societário...) 
6.1. EMPRESÁRIO 
6.1.1. Conceito de empresário: da caracterização e da inscrição 
Art. 966. Considera-se empresário (gênero) quem exerce 
profissionalmente (habitualidade, continuidade) atividade econômica 
(finalidade lucrativa) organizada para a produção ou a circulação de 
bens ou de serviços. 
 
O art. 966 do CC incide sobre a pessoa física e sobre a pessoa jurídica. 
• PESSOA FÍSICA = empresário individual 
• PESSOA JURÍDICA = sociedade empresaria ou empresa individual de 
responsabilidade limitada (EIRELI) 
 
EMPRESÁRIO
PESSOA 
JURÍDICA
SOCIEDADE 
EMPRESÁRIA
EIRELI
PESSOA 
FÍSICA
EMPRESÁRIO 
INDIVIDUAL
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 27 
 
Dentro do conceito legal de empresário, destacam-se alguns subconceitos: 
1) “Profissionalismo” 
Está ligado aos conceitos de habitualidade/continuidade (para ser profissional a atividade 
não pode ser esporádica), pessoalidade (empresário deve contratar empregados) e monopólio 
das informações (o profissional deve ter amplo conhecimento do produto que está 
comercializando). 
Por exemplo, não é porque eu vendi meu carro para o meu vizinho que serei considerado 
um empresário do ramo de venda de automóveis. 
2) “Atividade” 
A empresa é a atividade e o empresário é o sujeito de direito que a explora. É ele, por 
exemplo, que compra ou importa mercadorias e não a sua empresa. Ela é tão somente atividade 
de produção ou circulação de bens ou serviços. 
3) “Econômica” 
Finalidade lucrativa. É a característica que falta às associações. 
CESPE: Conforme entendimento dominante do STJ, a finalidade lucrativa não é um requisito para que 
determinada atividade seja considerada empresária. ERRADA! A finalidade lucrativa é elemento intrínseco à 
atividade empresarial. 
4) “Organizada” 
Fábio Ulhôa Coelho: organização é a reunião dos 4 fatores de produção. Sendo eles: 
• Mão de obra; 
• Matéria prima; 
• Capital; 
• Tecnologia. 
Dica: “mamacate” 
Na ausência de um deles, não se fala mais em organização. Exemplo: mão de obra. 
Se não tem mão de obra contratada (CLT, regime autônomo...) não se tem organização, e 
não tendo organização não pode ser considerado empresário. Este contexto se aplica tanto para o 
empresário individual como para a sociedade empresária. 
Exemplo1: pessoa que vende trufas, faz, embrulha etc. Não tem mão de obra contratada, 
sendo assim não pode ser considerada empresária. 
Exemplo2: dois irmãos, bar, cada um fica um dia. Não há sociedade empresária, pois não 
há mão de obra contratada. 
Hoje, em face da automação (em virtude do avanço tecnológico), entende-se não ser 
imprescindível a mão de obra. 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 28 
 
O entendimento atual é o seguinte: a organização ocorre quando a atividade-fim não 
depender exclusivamente da pessoa física empreendedora ou do sócio da sociedade (pode 
depender de pessoas ou bens). 
Santa Cruz: Essa ideia fechada de que a organização dos fatores de produção é 
absolutamente imprescindívelpara a caracterização do empresário vem perdendo força no atual 
contexto da economia capitalista. Exemplo: microempresários (trabalho próprio), empresários 
virtuais. 
Exemplos de sociedade empresária: 
• Banco – habitualidade, finalidade lucrativa, organização (mão de obra, matéria prima 
etc.), produz serviços bancários. É sociedade empresária. 
• Loja de roupas no shopping, habitualidade, finalidade lucrativa, organização (vendedor, 
matéria prima = roupas), circulação de bens – sociedade empresária. 
• Agência de turismo, habitualidade, finalidade lucrativa, organização, circulação – 
sociedade empresária. 
OBS: não será considerada “empresa”, para efeitos jurídicos, a atividade cujos benefícios sejam 
exclusivamente para uso próprio ou, ainda, com sentido mutualístico, tal como ocorre com as 
cooperativas. 
5) “Produção ou circulação de bens ou serviços” 
No Código Comercial somente se falava em produção e circulação de bens. Bens têm 
“corpo”, são materiais; já os serviços são imateriais, não têm “corpo”. 
• Produção de bens: É a fabricação das mercadorias industrialmente (montadoras 
de veículos, confecção de roupas etc.) 
• Produção de serviços: É a própria prestação de serviços (bancos, hospitais, 
escolas etc.). 
• Circulação de bens: O comércio é a atividade que circula bens, faz uma 
intermediação quando busca o bem no produtor para repassar ao consumidor. 
Exemplo: Loja de venda de roupas. 
• Circulação de serviços: Nada mais é do que intermediar a prestação de 
serviços, como as agências de turismo que não prestam serviços de transporte, 
mas montam um pacote de viagem para o turista. 
RESUMINDO: 
 
OBS: O conceito de empresário aplica-se tanto para o empresário individual quanto para a 
sociedade empresária, haja vista o conceito legal de sociedade empresária contido no art. 982 do 
CC, in verbis: 
Produção e 
circulação 
de bens ou 
serviços 
Reunião 
dos fatores 
de 
produção
Empresário
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 29 
 
Art. 982. Salvo as exceções expressas, considera-se empresária a 
sociedade que tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário 
sujeito a registro (art. 967); e, simples, as demais. 
 
A pessoa física, sócia de sociedade empresária, não é, tecnicamente, empresária, pois 
quem exerce a atividade empresária, é a sociedade. 
Empresário é o titular da empresa? CORRETO. Empresa não é o sujeito de direito e sim a 
atividade econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou serviços. 
Sistematizando o art. 982 do CC temos: 
 
6.1.2. O que NÃO se considera empresário? 
Em primeiro lugar: quem não possui organização empresarial. 
 
Art. 966 CC: Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce 
profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o 
concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão 
constituir elemento de empresa. 
a) “Profissão intelectual” 
Científica: São os chamados profissionais autônomos: médico (não é empresário, sua 
atividade é intelectual e científica), contador (ciências contábeis), advogado. 
Exemplo: sociedade entre médicos (não é empresária também), sociedade entre 
advogados (não é empresária também). 
Literária: escritor/jornalista. 
PROVA ORAL MAGISTRATURA: Candidato, jornalista é considerado empresário? Excelência, o jornalista 
não é considerado empresário, tendo em vista que desempenha profissão intelectual literária. Portanto, nos 
termos do CC não é considerado empresário. 
Artística: desenhista, artista plástico, cantor, ator, dançarino. 
b) “Ainda que tenha o concurso de auxiliares ou colaboradores” 
NÃO É
EMPRESÁRIO
PESSOA 
JURÍDICA
SOCIEDADE 
SIMPLES
EIRELI 
PESSOA FÍSICA
PROFISSIONAL 
LIBERAL 
(AUTONOMO)
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 30 
 
As atividades intelectuais são prestadas de forma pessoal, e ainda que contenha auxiliares 
ou colaboradores o personalismo prevalece. Na profissão intelectual a exclusão decorre do papel 
secundário que a organização assume nessas atividades. 
Exemplo da clínica: mesmo que contrate enfermeira e secretária não será sociedade 
empresária. Ou seja, será uma sociedade simples. 
c) “Salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa” 
Caso a profissão intelectual se torne apenas um dos vários elementos que formam uma 
empresa, haverá uma sociedade empresária. Em outras palavras: a atividade intelectual leva o 
seu titular a ser considerado empresário se ela estiver integrada em um objeto mais complexo, 
próprio da atividade empresarial. 
III JDC En.195 - Art. 966: A expressão “elemento de empresa” demanda 
interpretação econômica, devendo ser analisada sob a égide da absorção 
da atividade intelectual, de natureza científica, literária ou artística, como um 
dos fatores da organização empresarial. 
 
Exemplo1: a clínica, para atender melhor os pacientes, terá uma cafeteria e lanchonete. A 
clínica tem uma UTI (serviço de hospedagem). Agora tem uma sala de cirurgia tão moderna que 
todos os médicos da região alugam para realizar procedimentos. Os médicos são meros 
elementos dentro de um grande complexo empresarial, deixou de ser uma atividade científica, 
literária ou artística pura para ser um elemento de empresa. Podemos afirmar por isso, que 
hospital é uma sociedade empresária. 
Exemplo2: Veterinário com clínica. Se eu começo a vender ração de cachorro, brinquedo 
para cachorro etc.? A clínica passa a ser uma sociedade, pois a minha atividade intelectual 
(veterinário) passa a ser só mais um dos elementos da empresa. 
Santa Cruz: quando o prestador de serviços profissionais se ‘impessoaliza’, e os serviços 
até então pessoalmente prestados, passam a ser oferecidos pela organização empresarial, 
perante a qual se torna um mero organizador, será considerado empresário. 
Dois médicos resolvem abrir uma clínica de ortopedia chamada “Só ossos”, contrataram 
uma secretária, faxineira e empregada. É sociedade empresária? NÃO. “Ainda com o concurso de 
auxiliares ou colaboradores” art. 966 § único CC, salvo se, o exercício da profissão constituir 
elemento de empresa. 
CESPE TJ/PI: é considerada empresária a pessoa que, exercendo profissão intelectual de natureza 
artística, contrate empregados para auxiliá-la no trabalho. Errada! Ainda que tenha colaboradores e 
auxiliares, não será considerado empresário. 
Melhor seria substituir a redação equivocada por ‘‘salvo se o exercício da profissão 
constituir parte do objeto da empresa’’. 
Além do profissional intelectual, NÃO É EMPRESÁRIO: a sociedade de advogados o 
profissional rural não registrado e os empresários de cooperativas, que veremos adiante. 
Vejamos abaixo: 
Sociedade de advogados 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 31 
 
A sociedade de advogados, nos termos do art. 15 da Lei 8.906/94, estão excluídos do 
conceito de empresário, tendo em vista que se trata de uma sociedade simples. Não sendo 
admitidos registros e nem podem funcionar quando apresentem forma ou características de 
sociedade empresária (art.16). 
Art. 15. Os advogados podem reunir-se em sociedade simples de prestação 
de serviços de advocacia ou constituir sociedade unipessoal de advocacia, 
na forma disciplinada nesta Lei e no regulamento geral. (Redação dada 
pela Lei nº 13.247, de 2016) 
 
Art. 16. Não são admitidas a registro nem podem funcionar todas as 
espécies de sociedades de advogados que apresentem forma ou 
características de sociedade empresária, que adotem denominação de 
fantasia, que realizem atividades estranhas à advocacia, que incluam como 
sócio ou titular de sociedade unipessoal de advocacia pessoa não inscrita 
como advogado ou totalmente proibida de advogar. (Redação dada pela 
Lei nº 13.247, de 2016) 
Exercente de atividade rural sem registro na junta comercial 
Por força do art. 971 do CC, o registro para o rural é facultativo. Contudo, apenas, após a 
inscrição, será considerado empresário.Art. 971. O empresário, cuja atividade rural constitua sua principal profissão, 
pode, observadas as formalidades de que tratam o art. 968 e seus 
parágrafos, requerer inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis 
da respectiva sede, caso em que, depois de inscrito, ficará equiparado, para 
todos os efeitos, ao empresário sujeito a registro. 
Sociedade cooperativa 
Por disposição legal expressa (art. 982, parágrafo único), é considerada sociedade 
simples, portanto, excluída, do conceito de empresário. 
Art. 982, Parágrafo único. Independentemente de seu objeto, considera-se 
empresária a sociedade por ações; e, simples, a cooperativa. 
6.2. EMPRESA 
6.2.1. Conceito de empresa. 
Não confundir a atividade com o praticante da atividade. 
É a ATIVIDADE econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou de 
serviços. 
Sociedade empresária – pessoa jurídica: não é porque sou sócio de uma empresa que 
serei empresário; empresário é quem pratica, organiza a atividade empresarial sozinho, na 
sociedade empresária, quem pratica a atividade é a pessoa jurídica. 
Exemplo: a empresa de uma farmácia é a comercialização de remédios. 
6.2.2. Microempresa e Empresa de Pequeno Porte 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2016/Lei/L13247.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2016/Lei/L13247.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2016/Lei/L13247.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2016/Lei/L13247.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406.htm#art968
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 32 
 
Art. 3º da LC 123/06 
Art. 3º Para os efeitos desta Lei Complementar, consideram-se 
microempresas ou empresas de pequeno porte a sociedade empresária, 
a sociedade simples, a empresa individual de responsabilidade limitada e o 
empresário a que se refere o art. 966 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 
2002 (Código Civil), devidamente registrados no Registro de Empresas 
Mercantis ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, conforme o caso, 
desde que: 
I - No caso da MICROEMPRESA, aufira, em cada ano-calendário, RECEITA 
BRUTA IGUAL OU INFERIOR A R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil 
reais); e 
II - no caso de empresa de pequeno porte, aufira, em cada ano-
calendário, receita bruta superior a R$ 360.000,00 (trezentos e 
sessenta mil reais) e igual ou inferior a R$ 4.800.000,00 
(quatro milhões e oitocentos mil reais). (Redação dada pela Lei 
Complementar nº 155, de 2016) Produção de efeito 
 
Podem ser ME ou EPP: empresário individual, sociedade empresária, sociedade simples. 
Essa qualificação diz respeito à tributação. 
7. EMPRESÁRIO INDIVIDUAL 
7.1. CONCEITO 
É a pessoa natural (pessoa física), que individualmente, de forma profissional exerce uma 
atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços. 
7.2. REQUISITOS 
Encontram-se no art. 972 do CC. 
Art. 972. Podem exercer a atividade de empresário os que estiverem em 
pleno gozo da capacidade civil e não forem legalmente impedidos. 
 
Conforme o art. 972 do CC, dois são os requisitos: 1) pleno gozo da capacidade civil; 2) 
ausência de impedimento legal. 
7.2.1. Requisito I: pleno gozo da capacidade civil 
Não pode ser empresário o menor de 18 anos não emancipado, ébrios habituais, viciados 
em tóxicos, deficientes mentais, excepcionais, pródigos e, nos termos da legislação própria, os 
índios. 
Art. 3o São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da 
vida civil os menores de 16 (dezesseis) anos 
 
Art. 4o São incapazes, relativamente a certos atos ou à maneira de os 
exercer: (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência) 
I - os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos; 
II - os ébrios habituais e os viciados em tóxico; (Redação dada pela Lei nº 
13.146, de 2015) 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406.htm#art966
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406.htm#art966
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp155.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp155.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp155.htm#art11
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm#art114
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm#art127
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm#art114
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm#art114
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 33 
 
III - aqueles que, por causa transitória ou permanente, não puderem 
exprimir sua vontade; (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015) 
IV - os pródigos. 
Parágrafo único. A capacidade dos indígenas será regulada por legislação 
especial. (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência) 
 
Ressalte-se que o menor emancipado tem plena capacidade civil, logo é apto para o 
exercício de empresa. 
Art. 974. Poderá o INCAPAZ, por meio de representante ou devidamente 
assistido, continuar a empresa antes exercida por ele enquanto capaz, por 
seus pais ou pelo autor de herança. 
 
 Menor NÃO emancipado: Iniciar a atividade, ele não pode. No entanto, ele pode continuar 
uma empresa (atividade), antes exercida por seus pais ou por autor de herança da qual é 
sucessor. É uma regra de preservação da empresa. 
Incapacidade civil superveniente: Aquele a quem sobreveio incapacidade também é 
permitida a continuidade do exercício empresarial. 
Essas regras excepcionais estão previstas no art. 974 do CC, que apresenta dois 
requisitos para a continuidade da empresa: 
• Assistência ou representação (a depender do grau de incapacidade); 
• Autorização judicial (realizada pelo chamado alvará judicial). A qualquer tempo 
o juiz poderá revogar a autorização. 
Art. 974. Poderá o incapaz, por MEIO DE REPRESENTANTE ou 
DEVIDAMENTE ASSISTIDO, continuar a empresa antes exercida por ele 
enquanto capaz, por seus pais ou pelo autor de herança. 
§1º Nos casos deste artigo, PRECEDERÁ AUTORIZAÇÃO JUDICIAL, 
após exame das circunstâncias e dos riscos da empresa, bem como da 
conveniência em continuá-la podendo a autorização ser revogada pelo juiz, 
ouvidos os pais, tutores ou representantes legais do menor ou do interdito, 
sem prejuízo dos direitos adquiridos por terceiros. 
 
 RELEMBRANDO 
 
Bens individuais X Bens empresariais 
Empresário individual possui uma distribuidora de bebida. Na distribuidora existem bens 
(bens empresariais). As dívidas da distribuidora (dívidas empresariais) somente atingem os bens 
empresariais ou também recaem sobre os bens pessoais? 
Atingem também os bens pessoais, pois no Brasil se adotou o PRINCÍPIO DA UNIDADE 
PATRIMONIAL: o patrimônio da pessoa (seja pessoa física, seja pessoa jurídica) é ÚNICO. 
O inverso também é verdadeiro: as dívidas pessoais também atingem os bens 
empresariais. 
Frise-se: Isso quando a empresa é realizada por empresário individual (e não EIRELI). 
Diferente ocorre quando se trata de sociedade empresária ou EIRELI. Nesse caso, os 
bens empresariais estão em nome de uma Pessoa Jurídica, ao passo que os bens pessoais estão 
em nome de uma Pessoa Física. Como são duas pessoas distintas, não há que se falar em 
unicidade patrimonial. Fala-se em: PRINCÍPIO DA AUTONOMIA PATRIMONIAL. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm#art114
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm#art114
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm#art127
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 34 
 
Aqui vai existir um patrimônio da pessoa física e um patrimônio da pessoa jurídica. As 
dívidas de um não recaem sobre as do outro, EM REGRA. Adiante veremos situações 
excepcionais em que as dívidas de uma pessoa atingem o patrimônio de outra, como nos casos 
de desconsideração da personalidade jurídica (os bens pessoais respondem peladívida social) ou 
de desconsideração inversa (quando os bens sociais respondem pela dívida pessoal). 
 
TJ/PI: O menor com dezesseis anos de idade que não seja emancipado somente poderá dar início a 
empresa mediante autorização do juiz. ERRADO! Com 16 anos de idade, mesmo que não esteja 
emancipado, pode dar início a atividade empresarial, sendo desnecessária a autorização do juiz. A 
constituição da empresa dará ao menor a sua emancipação. 
Se o menor continua a atividade empresarial, teoricamente, seus bens passariam a 
responder pelas dívidas empresariais. Entretanto, o art. 974, §2º traz uma proteção ao patrimônio 
do incapaz, in verbis: 
Art. 974, § 2o Não ficam sujeitos ao resultado da empresa os bens que o 
incapaz já possuía, ao tempo da sucessão ou da interdição, desde que 
estranhos ao acervo daquela, devendo tais fatos constar do alvará que 
conceder a autorização. 
 
Ou seja, os bens que o incapaz já possuía não respondem pelas dívidas empresariais, 
desde que tais bens fiquem consignados no alvará de autorização. Este artigo traz um 
patrimônio de afetação. 
FCC TJ/GO: Thiago, titular de uma empresa individual do ramo de padaria, veio ser interditado 
judicialmente e declarado absolutamente incapaz para os atos da vida civil por conta de uma doença mental 
que lhe sobreveio. A Thiago, nesse caso, é permitido continuar a empresa por meio de representante, 
mediante prévia autorização judicial, que poderá ser revogada, também judicialmente, sem prejuízo dos 
direitos de terceiros. 
O menor não poderá iniciar como empresário individual. Contudo, poderá iniciar como 
sócio de uma sociedade, a exemplo de uma sociedade limitada, desde que preenchidos os 
requisitos do §3º do art. 974 do CC. 
§ 3o O Registro Público de Empresas Mercantis a cargo das Juntas 
Comerciais deverá registrar contratos ou alterações contratuais de 
sociedade que envolva sócio incapaz, desde que atendidos, de forma 
conjunta, os seguintes pressupostos: (Incluído pela Lei nº 12.399, de 2011) 
I – o sócio incapaz não pode exercer a administração da sociedade; 
 (Incluído pela Lei nº 12.399, de 2011) 
II – o capital social deve ser totalmente integralizado; (Incluído pela Lei nº 
12.399, de 2011) 
III – o sócio relativamente incapaz deve ser assistido e o absolutamente 
incapaz deve ser representado por seus representantes legais. (Incluído 
pela Lei nº 12.399, de 2011) 
7.2.2. Requisito II: ausência de impedimentos legais 
São impedidos de ser empresário: 
• Membros do Ministério Público; 
• Magistrados; 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12399.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12399.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12399.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12399.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12399.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12399.htm#art2
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 35 
 
• Membros da Defensoria Pública; 
• Empresários falidos; 
• Leiloeiros; 
• Despachantes aduaneiros; 
• Cônsules, nos seus distritos; 
• Médicos, para o exercício simultâneo de farmácia, e farmacêuticos no exercício 
simultâneo da medicina; 
• Pessoas condenadas à pena que vede, ainda que temporariamente, o acesso a cargos 
públicos; 
• Servidores públicos civis da ativa; 
• Servidores militares da ativa das Forças Armadas e das Polícias Militares; 
• Os deputados e senadores não poderão ser proprietários, controladores ou diretores 
de empresa, que goze de favor decorrente de contrato com pessoa jurídica de direito 
público; 
• Estrangeiros (sem visto permanente), em certos casos; 
• Estrangeiro (com visto permanente), em certos casos. 
Vejamos: 
1) Membros do Ministério Público para exercer o comércio individual ou participar de 
sociedade comercial (art.128, § 5º, II, “c”, da CF), salvo se acionista ou cotista, obstada 
a função de administrador (art. 44, III, da Lei 8.625/1993 - LOMP); 
CF, Art. 128. O Ministério Público abrange: 
§ 5º - Leis complementares da União e dos Estados, cuja iniciativa é 
facultada aos respectivos Procuradores-Gerais, estabelecerão a 
organização, as atribuições e o estatuto de cada Ministério Público, 
observadas, relativamente a seus membros: 
II - As seguintes vedações: 
c) participar de sociedade comercial, na forma da lei; 
 
LOMP, Art. 44. Aos membros do Ministério Público se aplicam as seguintes 
vedações: 
III - exercer o comércio ou participar de sociedade comercial, exceto como 
cotista ou acionista; 
 
Assim, o membro do MP, por exemplo, poderá ter franquia da Cacau Show, desde que 
seja sócio. 
 
2) Magistrados (art. 36, I, Lei Complementar n. 35/1977 – Lei Orgânica da Magistratura) 
nos mesmos moldes da limitação imposta aos membros do Ministério Público; 
LOM, Art. 36 - É vedado ao magistrado: 
I - exercer o comércio ou participar de sociedade comercial, inclusive de 
economia mista, exceto como acionista ou quotista; 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 36 
 
 
3) Membros da Defensoria Pública (art. 46, IV, da LC 80/94 - DPU; art. 91, IV da LC 80/94 
– DPDFT; art. 130, IV – DPE) mesmos moldes do MP e Magistratura. 
Art. 46. Além das proibições decorrentes do exercício de cargo público, aos 
membros da Defensoria Pública da União é vedado 
IV - Exercer o comércio ou participar de sociedade comercial, exceto como 
cotista ou acionista 
 
Art. 91. Além das proibições decorrentes do exercício de cargo público, aos 
membros da Defensoria Pública do Distrito Federal e dos Territórios é 
vedado: 
IV - Exercer o comércio ou participar de sociedade comercial, exceto como 
cotista ou acionista; 
 
Art. 130. Além das proibições decorrentes do exercício de cargo público, 
aos membros da Defensoria Pública dos Estados é vedado: 
IV - Exercer o comércio ou participar de sociedade comercial, exceto como 
cotista ou acionista; 
 
4) Empresários falidos, enquanto não forem reabilitados (Lei de Falências, art. 102); 
LF, Art. 102. O falido fica inabilitado para exercer qualquer atividade 
empresarial a partir da decretação da falência e até a sentença que extingue 
suas obrigações, respeitado o disposto no § 1o do art. 181 desta Lei. 
Parágrafo único. Findo o período de inabilitação, o falido poderá requerer ao 
juiz da falência que proceda à respectiva anotação em seu registro. 
 
5) Leiloeiros (art. 36 do Decreto n° 21.891/32 – proíbe os leiloeiros de exercerem a 
empresa direta ou indiretamente, bem como constituir sociedade empresária, sob pena 
de destituição); 
Decreto n° 21.891/32 - Art. 36. É proibido ao leiloeiro: 
a) sob pena de destituição: 
1º, exercer o comércio direta ou indiretamente no seu ou alheio nome; 
2º, constituir sociedade de qualquer espécie ou denominação; 
3º, encarregar-se de cobranças ou pagamentos comerciais; 
 
6) Pessoas condenadas à pena que vede, ainda que temporariamente, o acesso a cargos 
públicos, ou por crime falimentar, de prevaricação, peita ou suborno, concussão, 
peculato ou contra a economia popular, contra o sistema financeiro nacional, contra as 
normas de defesa da concorrência, contra as relações de consumo, a fé pública ou a 
propriedade, enquanto perdurarem os efeitos da condenação; 
7) Servidores públicos civis da ativa (Lei nº 1.711/52) e servidores federais (Lei nº 
8.112/90, art.117, X, inclusive Ministros de Estado e ocupantes de cargos públicos 
comissionados em geral). É importante observar que o funcionário público pode 
participar como sócio cotista, comanditário ou acionista, sendo obstada a função de 
administrador; 
8) Servidores militares da ativa das Forças Armadas e das Polícias Militares (Código 
Penal Militar, arts. 180 e 204 e Decreto-Lei nº 1.029/69; arts 29 e 35 da lei nº 6.880/80), 
neste caso, também poderão integrar sociedade empresário, na qualidade de cotista 
ou acionista, sendo obstada a função de administrador; 
http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/anotada/2606877/art-36-do-decreto-21981-32CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 37 
 
9) Os deputados e senadores não poderão ser proprietários, controladores ou diretores 
de empresa, que goze de favor decorrente de contrato com pessoa jurídica de direito 
público, nem exercer nela função remunerada ou cargo de confiança, sob pena de 
perda do mandato – (arts. 54 e 55 da Constituição Federal). 
Conforme bem observa Ricardo Negrão, a lei não inclui alguns outros agentes políticos, 
como o Presidente da República, ministros de Estado, secretários de Estado e prefeitos 
municipais, no âmbito do Poder Executivo, mas menciona as mesmas restrições dos senadores e 
deputados federais aos deputados estaduais e vereadores (art.29, IX, da Constituição Federal). 
Ademais, o prestigiado autor também afirma que por se tratar de norma de caráter 
restritivo, não há como estender a relação para englobar esses outros agentes políticos, quando a 
lei, podendo fazê-lo, não o fez. 
A esses membros do Executivo a lei não restringiu o exercício da atividade empresarial, e, 
assim, não cabe ao intérprete incluí-los na proibição, sob pena de estabelecer privação de direito 
não prevista em lei. Observa-se, contudo, que seus atos de administração deverão pautar-se 
pelos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e demais regras previstas 
no art. 37 da Constituição Federal. Ao contratar, portanto, aplica-se-lhe as mesmas restrições do 
art. 54, II, da Constituição Federal. 
Art. 54. Os Deputados e Senadores não poderão: 
II - Desde a posse: 
a) ser proprietários, controladores ou diretores de empresa que goze de 
favor decorrente de contrato com pessoa jurídica de direito público, ou nela 
exercer função remunerada; 
b) ocupar cargo ou função de que sejam demissíveis "ad nutum", nas 
entidades referidas no inciso I, "a"; 
c) patrocinar causa em que seja interessada qualquer das entidades a que 
se refere o inciso I, "a"; 
d) ser titulares de mais de um cargo ou mandato público eletivo 
 
10) Estrangeiro (com visto permanente), para o exercício das seguintes atividades: 
pesquisa ou lavra de recursos minerais ou de aproveitamento dos potenciais de 
energia hidráulica; atividade jornalística e de radiodifusão sonora e de sons e imagens, 
com recursos oriundos do exterior; atividade ligada, direta ou indiretamente, à 
assistência à saúde no País, salvo nos casos previstos em lei; serem proprietários ou 
armadores de embarcação nacional, inclusive nos serviços de navegação fluvial e 
lacustre, exceto embarcação de pesca; serem proprietários ou exploradores de 
aeronave brasileira ressalvada o disposto na legislação específica. 
Entenda-se bem: empresário não é quem, pessoalmente, produz os bens ou presta os 
serviços. Empresário é quem organiza a atividade de produção ou circulação de bens ou serviços. 
ORGANIZAÇÃO é a palavra-chave do conceito. Para realizá-la, ele dispõe de determinado capital, 
vale-se da contratação de empregados ou de prestadores de serviço, utiliza insumos e emprega 
tecnologia. 
Numa grande indústria automobilística, por exemplo, empresários não são os metalúrgicos 
responsáveis por operar as imensas prensas ou soldas, e assim produzir os carros. Empresário é 
a pessoa física ou jurídica que os contratou, que adquiriu as máquinas e os insumos, que 
escolheu a tecnologia utilizada e que é, portanto, quem organiza a atividade humana da produção 
dos veículos. 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 38 
 
OBS: a proibição para o exercício de empresa não se estende, a princípio para ser sócio de 
sociedades empresárias, afinal quem exerce neste caso é a PJ. Entretanto, a possibilidade de 
participarem de sociedades empresárias não é absoluta, somente pode ocorrer se forem sócios 
de responsabilidade limitada e não exercerem funções de gerência e administração. 
7.3. RESPONSABILIDADE DO EMPRESÁRIO INDIVIDUAL 
A responsabilidade do empresário individual é ilimitada. Ou seja, a pessoa do empresário 
individual responde com seus bens pessoais por dívidas empresariais contraídas. 
SITUAÇÃO HIPOTÉTICA: Imagine que João da Silva, empresário individual, possui um posto 
de gasolina. Sem sombra de dúvidas, o posto possui bens (bomba de gasolina, 
equipamentos, maquinários, imóvel em que se localiza), destinados à sua atividade. 
Igualmente, João da Silva possui bens particulares, a exemplo de imóveis, veículos, ações, 
ouro. Diante da crise, o posto de gasolina não consegue pagar as dívidas no prazo que foi 
contratado. O credor poderá pegar os bens destinados ao posto de gasolina. Contudo, não 
sendo suficientes para saldar a dívida, o credor poderá requerer que a cobrança recaia sobre 
os bens particulares de João da Silva, tendo em vista que sua responsabilidade é ilimitada. 
 
A ordem de preferência, primeiro os bens do posto depois bens de João da Silva, não está 
prevista no CC. Mas podemos utilizar o En. 5 da Primeira Jornada de Direito Comercia (IJDCom). 
Enunciado 5 IJDCom: Quanto às obrigações decorrentes de sua atividade, 
o empresário individual tipificado no art. 966 do CC responderá 
primeiramente com os bens vinculados à exploração de sua atividade 
econômica, nos termos do art. 1.024 do CC. 
CC Art. 1.024. Os bens particulares dos sócios não podem ser executados 
por dívidas da sociedade, senão depois de executados os bens sociais. 
 
Este entendimento deriva do princípio da unidade patrimonial. Tanto a pessoa física quanto 
a pessoa jurídica possuem apenas um patrimônio. 
Não se pode, com isso, por exemplo, afirmar que João da Silva possui dois patrimônios: 
um pessoal e um empresarial, e que as dívidas só poderiam recair sobre o patrimônio 
empresarial. O patrimônio é único e irá responder pelas dívidas empresariais e pelas dívidas 
pessoais. 
7.4. CASADO 
Pode o empresário individual casado vender um bem empresarial sem a outorga conjugal? 
Regra Geral do CC: 
Art. 1.647. Ressalvado o disposto no art. 1.648 (suprimento da outorga via 
judicial), nenhum dos cônjuges pode, sem autorização do outro, exceto no 
regime da separação absoluta: 
I - Alienar ou gravar de ônus real os bens imóveis; 
 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 39 
 
Regra especial do empresário: 
Art. 978. O empresário casado pode, sem necessidade de outorga 
conjugal, qualquer que seja o regime de bens, alienar os imóveis que 
integrem o patrimônio da empresa ou gravá-los de ônus real. 
 
Art. 979. Além de no Registro Civil, serão arquivados e averbados, no 
Registro Público de empresas Mercantis, os pactos e declarações 
antenupciais do empresário, o título de doação, herança, ou legado, de 
bens clausulados de incomunicabilidade ou inalienabilidade. 
 
Art. 980. A sentença que decretar ou homologar a separação judicial do 
empresário e o ato de reconciliação não podem ser opostos a terceiros, 
antes de arquivados e averbados no Registro Público de Empresas 
Mercantis. 
 
Assim, se estes atos não forem devidamente registrados na Junta Comercial, o empresário 
não poderá opô-los contra terceiros. 
En. 58 da II JDC - O empresário individual casado é o destinatário da norma 
do art. 978 do CCB e não depende da outorga conjugal para alienar ou 
gravar de ônus real o imóvel utilizado no exercício da empresa, desde que 
exista prévia averbação de autorização conjugal à conferência do imóvel ao 
patrimônio empresarial no cartório de registro de imóveis, com a 
consequente averbação do ato à margem de sua inscrição no registro 
público de empresas mercantis. 
8. EMPRESA INDIVIDUAL DE RESPONSABILIDADE LIMITADA - EIRELI 
8.1. NOÇÕES GERAIS 
Foi introduzida pela Lei 12.441/11, que criou o art. 980-A do CC. 
Art. 980-A. A empresa individual de responsabilidade limitada será 
constituída por uma única pessoa titular da totalidade do capital social, 
devidamente integralizado, que não será inferior a 100 (cem) vezes o maior 
salário-mínimo vigente no País. 
§ 1º O nome empresarial deverá ser formado pela inclusão da expressão 
"EIRELI" após a firmaou a denominação social da empresa individual de 
responsabilidade limitada. 
§ 2º A pessoa natural que constituir empresa individual de responsabilidade 
limitada somente poderá figurar em uma única empresa dessa 
modalidade. 
§ 3º A empresa individual de responsabilidade limitada também poderá 
resultar da concentração das quotas de outra modalidade societária num 
único sócio, independentemente das razões que motivaram tal 
concentração. 
§ 4º ( VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.441, de 2011) (Vigência) 
§ 5º Poderá ser atribuída à empresa individual de responsabilidade limitada 
constituída para a prestação de serviços de qualquer natureza a 
remuneração decorrente da cessão de direitos patrimoniais de autor ou de 
imagem, nome, marca ou voz de que seja detentor o titular da pessoa 
jurídica, vinculados à atividade profissional. 
§ 6º Aplicam-se à empresa individual de responsabilidade limitada, no que 
couber, as regras previstas para as sociedades limitadas 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Msg/VEP-259.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12441.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12441.htm#art3
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 40 
 
§7º Somente o patrimônio social da empresa responderá pelas dívidas da 
empresa individual de responsabilidade limitada, hipótese em que não se 
confundirá, em qualquer situação, com o patrimônio do titular que a 
constitui, ressalvados os casos de fraude. (Incluído pela Lei nº 13.874, de 
2019) 
 
Os primórdios das pessoas jurídicas sempre estiveram ligados à ideia de coletividade 
(Orlando Gomes justificava a existência das pessoas jurídicas afirmando que o ser humano é 
gregário por natureza), no entanto, essa noção não é mais verdadeira. Como dito, a EIRELI é uma 
pessoa jurídica formada por uma única pessoa natural, que a compõe. Antes da EIRELI, se "José" 
quisesse abrir uma loja no centro da cidade para vender vestuário, ele teria duas opções: 
1ª) explorar essa atividade econômica como empresário individual; 
2ª) encontrar um outro indivíduo para ser seu sócio e constituir uma sociedade empresária. 
A desvantagem de explorar como empresa no individual era o fato de que "José" iria 
responder com seus bens pessoais e de forma ilimitada por todas as dívidas que contraísse na 
atividade econômica. 
Tal situação fazia com que muitas pessoas arranjassem um "laranja" para figurar como 
sócio em uma sociedade limitada, normalmente com capital social de 1%. Obviamente que tal 
realidade não era simples nem correta, servindo como desestímulo à livre iniciativa. 
Com a nova previsão legal, "José" poderá, sozinho, constituir uma EIRELI para 
desempenhar sua atividade empresarial, com a vantagem de que, na EIRELI, a responsabilidade 
de "José" pelas dívidas será limitada ao valor do capital social. 
8.2. CONCEITO 
A EIRELI é uma nova forma de pessoa jurídica composta por uma SÓ pessoa física, nos 
termos do art. 44, VI do CC. Portanto, NÃO se confunde com a sociedade empresária que é a 
pessoa jurídica formada por mais de uma pessoa física. 
8.3. VANTAGEM DA EIRELI 
Como explicado, a vantagem da EIRELI é o fato de que o empreendedor que optar pela 
EIRELI não mais responderá ilimitadamente pelas dívidas contraídas no exercício da atividade 
econômica. Ele responderá de forma limitada ao valor do capital social que já estará 
obrigatoriamente integralizado. O capital estará BLINDADO! 
Perceba que a Lei 13.874/2019, também chamada de Lei da Liberdade Econômica, 
reforçou tal ideia ao incluir o §7º ao art. 980-A 
8.4. A FIGURA DO EMPRESÁRIO INDIVIDUAL ACABOU COM A LEI 12.441/2011? 
NÃO. Persiste a possibilidade de a pessoa exercer a atividade econômica como 
empresário individual. No entanto, apesar de existir na teoria, a figura do empresário individual 
deve ser cada vez mais rara, considerando que é muito mais segura a constituição de uma 
EIRELI. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13874.htm#art7
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13874.htm#art7
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 41 
 
O empresário individual continuará existindo nos casos em que o empreendedor não tiver 
recursos para integralizar capital social igual ou superior a 100 salários mínimos para a 
constituição da EIRELI, tendo em vista que este é um dos requisitos. 
8.5. EMPRESA COMO TITULAR DE DIREITOS 
Antes da lei, a doutrina explicava que a "empresa" não era sujeito de direitos sendo 
apenas uma atividade econômica organizada. O sujeito de direitos era o empresário, ou seja, a 
pessoa que exercia a atividade econômica organizada. 
Com a nova previsão, o legislador transformou a EIRELI em pessoa jurídica, ou seja, titular 
de direitos. A empresa individual é pessoa jurídica de direito privado, prevista no art. 44, do 
CC/02. Seria tecnicamente mais correto, como observa André Luiz Santa Cruz Ramos, que o 
legislador tivesse optado por criar a figura da "sociedade unipessoal" (o que ocorreu com a Lei 
13.874/2019) ou então do "empresário individual de responsabilidade limitada", com 
patrimônio de afetação destinado ao exercício da atividade, e que não se confundiria com seu 
patrimônio pessoal. 
8.6. NATUREZA JURÍDICA 
1ª corrente: A EIRELI seria uma nova ESPÉCIE DE SOCIEDADE. Baseia-se no fato de 
que o art. 980-A do CC e seus parágrafos, incluídos pela Lei 12.441/2011, falam em "capital 
social", "denominação social" e "patrimônio social", expressões ligadas às sociedades. É a 
posição de Armando Luiz Rovai; Fabiano D. Del Masso; Graciano Pinheiro de Siqueira. 
2ª corrente: A EIRELI não é uma sociedade, mas sim um novo ENTE JURÍDICO 
PERSONIFICADO, ou seja, uma NOVA PESSOA JURÍDICA. Agora teremos três formas de se 
exercer a atividade empresarial: 
• Empresário individual (com responsabilidade ilimitada); 
• Sociedades empresárias; 
• EIRELI. 
Trata-se da posição adotada no Enunciado 469 da V Jornada de Direito Civil do CJF e no 
Enunciado 3 da I Jornada de Direito Comercial. 
Enunciado 469 VJDC: a empresa individual de responsabilidade limitada 
(EIRELI) não é sociedade, mas novo ente jurídico personificado. 
Enunciado 3. A Empresa Individual de Responsabilidade Limitada – EIRELI 
não é sociedade unipessoal, mas um novo ente, distinto da pessoa do 
empresário e da sociedade empresária. 
Importante destacar que a 2ª corrente é a que prevalece até mesmo porque representa o 
texto expresso do Código Civil, alterado pela Lei 12.441/2011: 
Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: 
VI - as empresas individuais de responsabilidade limitada. 
 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 42 
 
Se fosse intenção do legislador considerar a EIRELI como uma sociedade, não haveria 
necessidade de incluir o inciso VI ao art. 44 do CC tendo em vista que as sociedades já estão 
previstas no inciso II do mesmo artigo. 
8.7. RESPONSABILIDADE 
Trata-se de responsabilidade limitada. Assim, as dívidas da EIRELI recairão sobre os bens 
da empresa e não da pessoa física. 
Nesse sentindo, o §7º acrescentado pela Lei 13.874/2019. 
Art. 980-A §7º Somente o patrimônio social da empresa responderá pelas 
dívidas da empresa individual de responsabilidade limitada, hipótese em 
que não se confundirá, em qualquer situação, com o patrimônio do titular 
que a constitui, ressalvados os casos de fraude. (Incluído pela Lei nº 
13.874, de 2019) 
 
Importante destacar que o §7º possui redação bem semelhante à redação do vetado §4º, 
do art. 980-A, do CC, segundo o qual apenas o patrimônio social iria responder pelas dívidas da 
empresa, não se confundindo, em qualquer situação, com o patrimônio da pessoa natural que a 
constitui. 
As razões do veto justificam-se pela expressão “em qualquer situação”, tendo em vista que 
retirava eventual possibilidade de desconsideração da personalidade jurídica. 
Portanto, a partir da Lei 13.874/2019 que incluiu o §7ºao art. 980-A é possível afirmar que 
a desconsideração não seja aplicada à EIRELI, ficando restrita apenas “aos casos de fraude”. 
8.8. NOME EMPRESARIAL 
O nome empresarial deverá ser formado pela inclusão da expressão "EIRELI" após a firma 
ou a denominação social da empresa individual de responsabilidade limitada. O titular poderá 
optar por firma ou denominação. 
Quando adotar FIRMA: esta será formada com o seu próprio nome, que deverá figurar de 
forma completa, podendo ser abreviados os prenomes. Poderá aditar se quiser ou quando já 
existir nome empresarial idêntico, designação mais precisa de sua pessoa ou de sua atividade. 
Ex: José da Silva Siqueira EIRELI ou José da Silva Siqueira comércio de roupas infantis EIRELI. 
Quando adotar DENOMINAÇÃO: A denominação deve designar o objeto da empresa, de 
modo específico, não se admitindo expressões genéricas isoladas, como: comércio, indústria, 
serviços. Havendo mais de uma atividade, poderão ser escolhidas uma ou mais dentre elas. A 
denominação poderá conter o nome do titular da EIRELI. 
Ex: Moda Bonita comércio de roupas infantis EIRELI ou José Siqueira Moda Bonita 
comércio de roupas infantis EIRELI. 
8.9. REQUISITOS PARA A CONSTITUIÇÃO DA EIRELI 
a) Uma única pessoa natural, que é o titular da totalidade do capital social; 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 43 
 
Enunciado 62, II Jornada de Direito Comercial. O produtor rural, nas 
condições mencionadas do art. 971 do CCB, pode constituir EIRELI. 
b) O capital social deve estar devidamente integralizado; 
c) O capital social não pode ser inferior a 100 (cem) vezes o salário-mínimo; 
Enunciado 4 da I JDC - Uma vez subscrito e efetivamente integralizado, o 
capital da empresa individual de responsabilidade limitada não sofrerá 
nenhuma influência decorrente de ulteriores alterações no salário mínimo. 
d) A pessoa natural que constituir EIRELI somente poderá figurar em uma única empresa 
dessa modalidade. Assim, para evitar fraudes, ninguém pode ser titular de duas empresas 
individuais de responsabilidade limitada. 
8.10. QUEM PODE SER TITULAR? 
Há duas correntes acerca do tema na doutrina, vejamos: 
1ª CORRENTE: é restritiva, entende que a pessoa natural é que pode ser titular de EIRELI, 
excluindo-se a pessoa jurídica. Seus argumentos são: 
a) A Instrução Normativa 117 do antigo DNRC e a Instrução Normativa 10 do DREI 
previam que apenas à pessoa natural como titular de EIRELI. 
IN 10 DREI – (...) não pode ser titular de EIRELI a pessoa jurídica, bem 
assim a pessoa natural impedida por norma constitucional ou por lei 
especial. 
 
b) Ademais, a redação do §2º do art. 980-A afirma que cada CPF poderá dar origem 
apenas a uma EIRELI, o que comprava que o legislador restringiu à pessoa natural. 
Caso contrário, haveria um tratamento desigual, eis que seria possível mais de uma 
EIRELI por CNPJ; 
c) A ideia central da EIRELI é acabar com a informalidade do empresário individual, 
limitando sua responsabilidade. 
d) Tanto a redação do §2º quanto do §4º referem-se à pessoa natural. 
O enunciado abaixo consagra a primeira corrente. 
Enunciado 468, VJDC: a empresa individual de responsabilidade limitada só 
poderá ser constituída por pessoa natural. 
2ª CORRENTE: é ampliativa, entende que tanto a pessoa jurídica quanto a pessoa natural 
podem ser titulares de uma EIRELI, utiliza os seguintes argumentos: 
a) O caput do art. 980-A do CC refere-se à pessoa, não restringe à pessoa natural. Assim, 
tanto a pessoa física como a pessoa jurídica podem constituir uma EIRELI 
b) Embora a Instrução Normativa 117, do antigo DNRC e Instrução Normativa do DREI 
impeçam que uma pessoa jurídica seja titular de EIRELI, a lei não traz tal previsão. 
Assim, não pode uma instrução normativa determinar tal proibição, pois, conforme art. 
22, I, da CF cabe a União legislar sobre direito comercial. 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 44 
 
c) O art. 980-A, §6º prevê a aplicação subsidiária das regras da sociedade ilimitada, a 
qual poderá ter como titular a pessoa jurídica. 
O DREI, em mudança de posicionamento, na IN 38/17 passou a entender que a pessoa 
jurídica nacional ou estrangeira, desde que não haja impedimento legal, pode ser titular de 
EIRELI, assim como o maior de 18 anos, nacional ou estrangeiro, que estiverem em pleno gozo 
de sua capacidade civil e o menor emancipado. Vejamos: 
IN 38/17 - 1.2.5 CAPACIDADE PARA SER TITULAR DE EIRELI 
Pode ser titular de EIRELI, desde que não haja impedimento legal: 
a) O maior de 18 (dezoito) anos, brasileiro (a) ou estrangeiro (a), que 
estiverem em pleno gozo da capacidade civil; 
b) O menor emancipado; 
c) Pessoa jurídica nacional ou estrangeira. 
 
Em provas objetiva, deve-se adotar a segunda corrente, com base na explicação acima. 
A jurisprudência, a exemplo do MS 00174394720144036100 (2ª Vara Federal de SP) já 
vinha admitindo a pessoa jurídica como titular de EIRELI. 
OBS1: E o produtor rural poderá ser titular de EIRELI? Inicialmente, vamos relembrar que o 
produto rural, nos termos do art. 971 do CC, poderá ou não ter registro na junta comercial, 
consiste em uma faculdade. Todavia, o Direito Empresarial só irá considerá-lo empresário quando 
efetivar seu registro. Assim, quando o Enunciado 62 da II JDC, afirma que o produtor rural poderá 
constituir EIRELI, está tratando do produtor rural que efetuou o registro na junta comercial, pois, 
novamente, apenas este receberá o tratamento de empresário. 
 
OBS2: E o funcionário público poderá ser titular de EIRELI? Como visto, a ideia central da EIRELI 
é acabar com a informalidade do empresário individual, limitando sua responsabilidade. Desta 
forma, não poderá o funcionário público ser titular de EIRELI, uma vez que está impedido de ser 
empresário empresárial. É decorrência lógica. 
8.11. QUAIS AS ATIVIDADES PODEM SER EXERCIDAS PELA EIRELI 
A EIRELI somente pode ser constituída para desempenhar atividades empresariais 
ou também atividades civis (não empresariais). Ou seja, pode uma EIRELI ter natureza 
simples? A lei não é clara, mas a maioria da doutrina tem defendido que a EIRELI pode ser 
constituída para desempenhar atividades civis, ou seja, não empresariais. 
Assim, por exemplo, um médico, um dentista, um advogado, um contador, entre outros 
profissionais não empresários poderão constituir uma EIRELI para exercerem suas atividades, 
com a vantagem de terem menos riscos de perderem seu patrimônio pessoal por conta das 
dívidas da profissão. 
8.12. ONDE É REGISTRADA A EIRELI? 
O órgão de registro irá variar de acordo com o tipo de atividade desempenhada: 
a) Se a EIRELI for constituída para desempenhar atividades empresariais: será registrada 
na Junta Comercial; 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 45 
 
b) Se for constituída para exercer atividades civis: será registrada no Registro Civil de 
Pessoas Jurídicas - RCPJ. 
OBS: Vale ressaltar que esse foi o entendimento adotado administrativamente pela Receita 
Federal (Nota Cosit nº 446, de 16/12/2011). 
Enunciado 470 da V Jornada de Direito Civil do CJF: Os atos constitutivos 
da EIRELI devem ser arquivados no registro competente, para fins de 
aquisição de personalidade jurídica. A falta de arquivamento ou de registro 
de alterações dos atos constitutivos configura irregularidade superveniente. 
8.13. ADMINISTRAÇÃO DA EIRELI 
O art. 980-A não trata do assunto, por isso, mais uma vez, aplica-se as regras da 
sociedade limitada (arts. 1.060 e 1.061 do CC) de forma subsidiária (art. 980-A, §6º). 
A administração da EIRELI será exercida por uma ou mais pessoas designadas no ato 
constitutivo. A EIRELI poderá ser administrada pelo titular e/ou por não titular. O administrador 
não titular considerar-se-á investido no cargo mediante aposição de sua assinatura no ato 
constitutivo em que foi nomeado. A PESSOA JURÍDICA não pode ser administradora da EIRELI. 
É possível que a EIRELI tenha administrador estrangeiro, que deverá,contudo, ter visto 
permanente e não estar enquadrado em caso de impedimento para o exercício da administração. 
8.14. CAPITAL SOCIAL DA EIRELI 
Professor denomina de PJ100. 
Alguns apontamentos sobre o capital social da EIRELI: 
a) Por ser detido por apenas um titular, o capital da EIRELI não precisa ser dividido em 
quotas; 
b) A constituição da EIRELI exige capital mínimo igual ou superior a 100 (cem) vezes o 
valor do salário mínimo; 
c) O capital da EIRELI deve estar inteiramente integralizado na constituição ou em 
aumentos futuros; 
d) O DNRC permite que sejam utilizados para integralização de capital dinheiro e 
QUAISQUER bens (móveis ou imóveis), desde que suscetíveis de avaliação em 
dinheiro; 
ATENÇÃO, principalmente para Concurso de Cartório! 
Situação hipotética: Imagine que João resolva constituir uma EIRELI. Como forma de 
integralização o capital, decide usar um terreno registrado em seu nome (pessoa física). Nota-se 
que João irá transferir o seu imóvel para a PJ. Neste caso, haverá a incidência de ITBI? 
R: A indagação pode ser respondida com base na CF (art. 156, §2º, I), a qual afirma que não 
haverá a incidência de ITBI quando houver transmissão de bens para integralizar o capital, salvo 
se a atividade preponderante for compra/venda, locação de bens imóveis. 
Ressalta-se que é vedada a contribuição ao capital que consista em prestação de 
serviços, nos termos do art. 980-A, §6º c/c art. 1.055, §2º, ambos do CC. 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 46 
 
Art. 980-A, § 6º Aplicam-se à empresa individual de responsabilidade 
limitada, no que couber, as regras previstas para as sociedades 
limitadas. 
 
Art. 1.055, § 2o É vedada contribuição que consista em prestação de 
serviços. 
 
 
Vale salientar, ainda, que, conforme o Enunciado 4 da I Jornada de Direito Comercial: 
“uma vez subscrito e efetivamente integralizado, o capital social da empresa individual de 
responsabilidade limitada não sofrerá nenhuma influência decorrente de ulteriores alterações no 
salário mínimo”, em nome da segurança jurídica. GRANDE INCIDÊNCIA EM PROVAS! 
Por fim, lembrem-se do Enunciado 473 da V Jornada de Direito Civil: 
473) Art. 980-A, § 5º. A imagem, o nome ou a voz não podem ser utilizados 
para a integralização do capital da EIRELI. 
Obs.: Subscrito é diferente de integralizado, tendo em vista que se trata de capital prometido, 
ainda não integralizado. 
8.15. TRANSFORMAÇÃO 
8.15.1. Alteração de empresário individual para EIRELI 
É possível que o empresário individual se torne uma EIRELI, mantendo, inclusive, o 
mesmo número de CNPJ. É mudança de forma, ou seja, o tipo empresarial deixará de ser 
individual e passará a ser uma EIRELI (será seu titular). 
OBS.: O fato de o empresário individual possuir CNPJ não o torna pessoa jurídica, apenas lhe 
garante o mesmo tratamento tributário conferido às PJs. 
É possível, igualmente, transformar uma EIRELI em um empresário individual. 
8.15.2. Alteração de sociedade para EIRELI pelo fim da pluralidade de sócios 
Um dos requisitos de constituição e existência das sociedades é que ela tenha pluralidade 
de sócios (duas ou mais pessoas). Única exceção a essa regra: sociedade subsidiária 
integral. 
O que acontece quando uma sociedade passa a ter apenas um sócio? (ex: a sociedade 
limitada X possuía, como sócios, José e João. João morre. O que acontece com essa sociedade?) 
A sociedade terá que, no prazo de 180 dias, optar por uma das seguintes medidas: 
a) Acrescentar outro sócio, voltando à pluralidade acionária; 
b) Transformar o registro da sociedade para empresário individual; 
c) Transformar o registro da sociedade para EIRELI. 
Se não tomar nenhuma dessas providências no prazo de 180 dias, a sociedade é 
dissolvida. 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 47 
 
Nesse sentido, é a nova redação do Código Civil: 
Art. 980-A (...) 
§ 3 - A EMPRESA INDIVIDUAL DE RESPONSABILIDADE LIMITADA 
também poderá resultar da concentração das quotas de outra modalidade 
societária num único sócio, independentemente das razões que motivaram 
tal concentração. 
 
Art. 1.033. Dissolve-se a sociedade quando ocorrer: 
IV - a falta de pluralidade de sócios, não reconstituída no prazo de cento e 
oitenta dias; 
( .. .) 
Parágrafo único. Não se aplica o disposto no inciso IV caso o sócio 
remanescente, inclusive na hipótese de concentração de todas as cotas da 
sociedade sob sua titularidade, requeira, no Registro Público de Empresas 
Mercantis, a transformação do registro da sociedade para empresário 
individual ou para empresa individual de responsabilidade limitada, 
observado, no que couber, o disposto nos arts. 1.113 a 1.115 deste Código. 
8.16. EIRELI ORIGINÁRIA X EIRELI DERIVADA 
A EIRELI originária é aquela que, desde a sua constituição, respeitou e cumpriu todos os 
requisitos para sua formação. 
A EIRELI derivada é aquela que se constituiu de outra forma (empresário individual ou 
sociedade) e foi transformada em uma EIRELI. 
8.17. REGRAS SUBSIDIÁRIAS 
Aplicam-se à EIRELI, no que couber, as regras previstas para as sociedades limitadas 
(LTDA) (§ 6º do art. 980-A do CC). 
Art. 980-A, § 6º Aplicam-se à empresa individual de responsabilidade 
limitada, no que couber, as regras previstas para as sociedades 
limitadas. 
 
 
Como exemplo, cita-se a vedação de integralização do capital por meio de prestação de 
serviços, bem como as regras de administração (vistas acima). 
ATENÇÃO! É recorrente nas provas de concurso a troca de “sociedades limitadas” por 
“sociedade anônima”, por “sociedade simples”. 
8.18. QUADRO COMPARATIVO 
Para finalizar, vamos sistematizar as principais diferenças entre sociedade empresária, 
empresário individual e EIRELI. 
 
 
 
 
 
 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 48 
 
EMPRESÁRIO INDIVIDUAL SOCIEDADE EMPRESÁRIA EIRELI 
Pessoa natural (física) Pessoa Jurídica Pessoa Jurídica 
Tem responsabilidade ilimitada 
Depende do tipo societário 
adotado (pode ser limitada ou 
ilimitada) 
Tem responsabilidade limitada 
Não precisa de capital mínimo Não precisa de capital mínimo 
Capital mínimo de 100 salários 
mínimos. 
 
9. OBRIGAÇÕES DO EMPRESÁRIO 
Antes de analisarmos cada uma das obrigações, pertinente salientar que deverão ser 
cumpridas pelo empresário individual, pela sociedade empresária e pela EIRELI. 
9.1. REGISTRO 
9.1.1. Previsão legal e órgão encarregado 
Art. 967. É obrigatória a inscrição do empresário no Registro Público de 
Empresas Mercantis da respectiva sede, antes do início de sua atividade. 
 
O art. 967 do CC prevê que o empresário deve se inscrever no Registro Público de 
Empresas Mercantis, antes mesmo do início da atividade. 
 
Esse Registro Público de Empresas, estruturado de acordo com a Lei 8.934/94 (LRE – Lei 
de Registros Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins), é dividido em dois órgãos: 
 
1) DREI (Departamento de Registro Empresarial e Integração) – órgão central do SINREM: 
Sistema Nacional de Registro de Empresas Mercantis): É um órgão federal, de caráter 
normatizador e fiscalizador. 
2) Junta Comercial: É um órgão estadual, de caráter executor. É na junta comercial que se 
procede ao registro do empresário. 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 49 
 
 
 
A junta comercial tem subordinação hierárquica híbrida: 
a) Subordinação técnica: Em questões de Direito Comercial se subordina ao DREI 
(órgão federal). 
b) Subordinação administrativa: Em questões de Direito Administrativo e Financeiro se 
subordina ao Governo do Estado. Ou seja, quem paga o salário de quem trabalha 
na Junta Comercial é o estado. 
Conforme entendimento do STF, contra ato denegatório de registro na Junta Comercial, 
cabe a impetração de MS junto à Justiça Federal, dada a vinculação técnica da Junta ao DREI, 
órgão federal. Em outras palavras, o ato de registro diz respeito ao aspecto técnico, e sendo a 
Junta subordinada tecnicamente a órgão federal, a impetração deve serna JF. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Informativo 536 STJ – Competência 
 
Junta Comercial 
DREI ( âmbito federal, 
normativa e fiscalizadora 
– subordinação técnica) 
Estado 
(subordinação 
administativa) 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 50 
 
9.1.2. Atos de registro 
1) Matrícula: Ato de inscrição dos profissionais de atividades “paracomerciais”. Se refere a 
alguns profissionais específicos. A grosso modo: regula algumas profissões. 
2) Arquivamento: Ato de inscrição do empresário individual, bem como atos de inscrição, 
dissolução e alteração das sociedades empresárias, cooperativas, consórcios de 
empresas, grupos de sociedades, empresas mercantis estrangeiras, assim como 
declarações de microempresa e de empresa de pequeno porte, EIRELI. 
3) Autenticação: É ligada aos demais instrumentos de escrituração, são os livros comerciais e 
as fichas escriturais. Requisito extrínseco de validade da escrituração. 
Art. 1.154 CC: ato sujeito a registro não pode ser oposto a terceiros antes 
do cumprimento das formalidades exigidas, salvo se houver prova que o 
terceiro o conhecia. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AGU: A lei determina que o arquivamento dos instrumentos de escrituração das sociedades 
empresárias seja feito na junta comercial. ERRADO! O erro está na parte inicial da questão, como 
se refere à escrituração não é caso de arquivamento, mas sim de AUTENTICAÇÃO. 
9.1.3. Exceção ao Registro (art. 971 do CC) 
Art. 971. O empresário, cuja atividade rural constitua sua principal 
profissão, pode, observadas as formalidades de que tratam o art. 968 e 
seus parágrafos, requerer inscrição no Registro Público de Empresas 
Mercantis da respectiva sede, caso em que, depois de inscrito, ficará 
equiparado, para todos os efeitos, ao empresário sujeito a registro. 
 
Para o empresário rural o registro é facultativo. No entanto, enquanto não feito o registro, 
não recebe tratamento de empresário. 
CESPE TJ/PB: A inscrição no registro público de empresas mercantis é obrigatória ao empresário cuja 
atividade rural constitua sua principal profissão. ERRADA! 
FCC TJ/AL: Renato, empresário cuja atividade rural constitui sua principal profissão, tem a faculdade de se 
inscrever no Registro de Empresas, mesmo depois de iniciadas as suas atividades. CORRETA! 
ATENÇÃO: é questão recorrente em provas a indagação acerca do registro do empresário 
rural. 
9.1.4. Natureza jurídica do Registro 
Atividades “Paracomerciais” Inscrição individual/sociedade Escrituração de livros e fichas 
Matrícula Arquivamento Autenticação 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 51 
 
Para o empresário comum o registro é mera condição de regularidade, conforme os 
Enunciados 198 e 199 do Conselho da Justiça Federal. Ou seja, o empresário sem registro não 
deixa de ser empresário (o que torna o sujeito empresário é a atividade por ele empreendida), 
mas o é de forma irregular, ficando tolhido de uma série de benefícios assegurados aos 
empresários regulares, conforme veremos a seguir. 
Art. 967. É obrigatória a inscrição do empresário no Registro Público de 
Empresas Mercantis da respectiva sede, antes do início de sua atividade. 
 
198 – Art. 967: A inscrição do empresário na Junta Comercial não é 
requisito para a sua caracterização, admitindo-se o exercício da empresa 
sem tal providência. O empresário irregular reúne os requisitos do art. 966, 
sujeitando-se às normas do Código Civil e da legislação comercial, salvo 
naquilo em que forem incompatíveis com a sua condição ou diante de 
expressa disposição em contrário. 
199 – Art. 967: A inscrição do empresário ou sociedade empresária é 
requisito delineador de sua regularidade, e não da sua caracterização. 
Entretanto, para o empresário rural o registro tem natureza constitutiva, ou seja, é 
condição “sine qua non” para que o sujeito receba o tratamento legal de empresário. 
Art. 971. O empresário, cuja atividade rural constitua sua principal profissão, 
PODE, observadas as formalidades de que tratam o art. 968 e seus 
parágrafos, requerer inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis 
da respectiva sede, caso em que, depois de inscrito, ficará equiparado, para 
todos os efeitos, ao empresário sujeito a registro. 
 
Art. 984. A sociedade que tenha por objeto o exercício de atividade própria 
de empresário rural e seja constituída, ou transformada, de acordo com um 
dos tipos de sociedade empresária, pode, com as formalidades do art. 968, 
requerer inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis da sua sede, 
caso em que, depois de inscrita, ficará equiparada, para todos os efeitos, à 
sociedade empresária. 
Parágrafo único. Embora já constituída a sociedade segundo um daqueles 
tipos, o pedido de inscrição se subordinará, no que for aplicável, às normas 
que regem a transformação. 
 
202 – Arts. 971 e 984: O registro do empresário ou sociedade rural na Junta 
Comercial é facultativo e de natureza constitutiva, sujeitando-o ao regime 
jurídico empresarial. É inaplicável esse regime ao empresário ou 
sociedade rural que não exercer tal opção. 
Ou seja, a sociedade rural que não fizer o registro, não será sociedade empresarial e sim 
sociedade simples. O ‘empresário’ rural, não será empresário e sim profissional liberal autônomo. 
9.1.5. Inatividade da empresa 
O empresário individual e a sociedade empresária que deixam de proceder a qualquer 
arquivamento no prazo de 10 anos, se não comunicam à Junta que ainda se encontram em 
atividade, serão considerados inativos. A inatividade da empresa autoriza a Junta a proceder ao 
cancelamento do registro, perdendo assim, a proteção do nome empresarial pelo titular inativo. A 
lei exige a comunicação da Junta ao empresário antes do cancelamento, atendendo a 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 52 
 
comunicação se desfaz a inatividade, não atendendo, efetua-se o cancelamento do registro, 
informando o fisco. 
Vale lembrar que o cancelamento do registro não implica em dissolução da sociedade, só 
sua irregularidade na hipótese de continuar funcionando. 
Art. 60. A firma individual ou a sociedade que não proceder a qualquer 
arquivamento no período de dez anos consecutivos deverá comunicar à 
junta comercial que deseja manter-se em funcionamento. 
§ 1º Na ausência dessa comunicação, a empresa mercantil será 
considerada inativa, promovendo a junta comercial o cancelamento do 
registro, com a perda automática da proteção ao nome empresarial. 
§ 2º A empresa mercantil deverá ser notificada previamente pela junta 
comercial, mediante comunicação direta ou por edital, para os fins deste 
artigo. 
§ 3º A junta comercial fará comunicação do cancelamento às autoridades 
arrecadadoras, no prazo de até dez dias. 
§ 4º A reativação da empresa obedecerá aos mesmos procedimentos 
requeridos para sua constituição. 
9.1.6. Consequências da ausência de registro 
A ausência de registro gera algumas consequências ao empresário ou sociedade 
empresária: 
1) Não tem legitimidade para pedir a falência de outro empresário; 
2) Não pode requerer a recuperação judicial; 
3) Não pode participar de licitação. 
4) Tratando-se de sociedade empresária: a responsabilidade do sócio será ilimitada. O 
mesmo vale para EIRELI. 
QP = a sociedade empresária irregular não tem legitimidade ativa para pleitear a falência de outro 
comerciante, mas pode requerer recuperação judicial, devido ao princípio da preservação da empresa. 
ERRADO! 
9.1.7. Registro da Cooperativa 
Art. 982. Salvo as exceções expressas, considera-se empresária a 
sociedade que tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário 
sujeito a registro (art. 967); e, simples, as demais. 
Parágrafo único. Independentemente de seu objeto, considera-se 
empresária a sociedade por ações; e, simples, a cooperativa. 
 
Não se utiliza o critério material previsto no art. 966 CC, mas um critério legal, estabelecido 
no 982. A cooperativa é sempre uma sociedade simples, não importa se exerceuma atividade 
empresarial de forma organizada com o intuito de lucro. 
Desta feita, onde é feito o REGISTRO da cooperativa? 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 53 
 
Uma primeira corrente, tradicional do direito brasileiro, com amparo na Lei 5.764/71, bem 
como no enunciado 69 da I JDC, afirma que a cooperativa deve ser inscrita na junta comercial. Lei 
8934/94, art. 32. 
Art. 32. O registro compreende: 
I - a matrícula e seu cancelamento: dos leiloeiros, tradutores públicos e 
intérpretes comerciais, trapicheiros e administradores de armazéns-gerais; 
II - O arquivamento: 
a) dos documentos relativos à constituição, alteração, dissolução e extinção 
de firmas mercantis individuais, sociedades mercantis e cooperativas; 
b) dos atos relativos a consórcio e grupo de sociedade de que trata a Lei nº 
6.404, de 15 de dezembro de 1976; 
c) dos atos concernentes a empresas mercantis estrangeiras autorizadas a 
funcionar no Brasil; 
d) das declarações de microempresa; 
e) de atos ou documentos que, por determinação legal, sejam atribuídos ao 
Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins ou daqueles que 
possam interessar ao empresário e às empresas mercantis; 
III - a autenticação dos instrumentos de escrituração das empresas 
mercantis registradas e dos agentes auxiliares do comércio, na forma de lei 
própria. 
 
Enunciado nº69 da CJF: “as sociedades cooperativas são sociedades 
simples sujeitas à inscrição nas Juntas Comerciais”. 
Uma segunda corrente (defendida por autores como Pablo Stolze, MHD, Paulo Restiffe, 
Nílson Reis Júnior, André Ramos Santa Cruz), sustenta que o registro da cooperativa deve ser 
feito no CRPJ. Argumentos: 
As disposições legais acima devem ser reinterpretadas a partir da entrada em vigor do 
CC/02, que atribuiu às cooperativas natureza de sociedade simples, afirmando ainda que as SS 
devem ser registradas no CRPJ. 
Art. 18 da Lei do Cooperativismo não foi recepcionada pela CF/88, eis que cuida da 
autorização estatal para criação das cooperativas, visto que é vedada intervenção pelo Estado de 
acordo com a CF. 
Prova objetiva: responder que o registro deve ser feito na Junta Comercial. 
9.2. ESCRITURAÇÃO DOS LIVROS COMERCIAIS OBRIGATÓRIOS 
9.2.1. Livros obrigatórios x Livros facultativos 
É mais uma obrigação comum a todos empresários. Antes de adentrarmos no tema, cabe 
uma diferenciação entre livros obrigatórios e facultativos. 
1) Livro obrigatório: Trata-se de exigência legal, cuja inobservância traz consequências 
sancionadoras para o empresário, conforme veremos a seguir. 
a) Especial: Exigido somente em casos excepcionais. Exemplo: Livro de registro de 
duplicatas. Só é obrigado a escriturar esse livro o empresário que emite 
duplicatas. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6404.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6404.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 54 
 
b) Comum: Exigido sempre. Atualmente existe apenas um livro obrigatório no Direito 
Empresarial brasileiro: trata-se do chamado Livro Diário (Art. 1.180 do CC). Esse 
livro pode ser substituído por fichas em caso de escrituração mecanizada ou 
eletrônica. 
Art. 1.180. Além dos demais livros exigidos por lei, é indispensável o 
Diário, que pode ser substituído por fichas no caso de escrituração 
mecanizada ou eletrônica. 
 
2) Livro facultativo: Aquele que não está exigido em lei. A não escrituração não gera 
qualquer consequência. Exemplo: Livro Caixa e Livro conta corrente. 
9.2.2. Consequências da não escrituração do Livro Diário 
A não escrituração ou a irregularidade da escrituração sujeita o empresário a sanções de 
órbita civil e penal, mas no campo empresarial não sofre nenhuma sanção. 
Na órbita civil, a consequência mais severa é que o empresário não terá direito a eficácia 
probatória que o Código de Processo Civil dá aos livros empresariais (art. 418 do CPC/2015); na 
esfera penal, essa ausência ou irregularidade na escrituração de livro obrigatório está sintetizada 
no art. 178 da Lei de Falências, podendo constituir crime falimentar (isso somente no caso de ele 
entrar em crise e for decretada falência). 
CPC Art. 418. Os livros empresariais que preencham os requisitos exigidos 
por lei provam a favor de seu autor no litígio entre empresários. 
 
 Art. 178. Deixar de elaborar, escriturar ou autenticar, antes ou depois da 
sentença que decretar a falência, conceder a recuperação judicial ou 
homologar o plano de recuperação extrajudicial, os documentos de 
escrituração contábil obrigatórios: 
Pena – detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos, e multa, se o fato não constitui 
crime mais grave. 
 
Vale lembrar ainda que a falsificação do livro diário configura crime de falsificação de 
documento público, conforme previsão do art. 297 do CP, § 2º. 
Art. 297 - Falsificar, no todo ou em parte, documento público, ou alterar 
documento público verdadeiro: 
Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa. 
§ 2º - Para os efeitos penais, equiparam-se a documento público o emanado 
de entidade paraestatal, o título ao portador ou transmissível por endosso, 
as ações de sociedade comercial, os livros mercantis e o testamento 
particular. 
 
Por fim, de acordo com o art. 417 do CPC, os livros serão provas contra o empresário. 
Art. 417. Os livros empresariais provam contra seu autor, sendo lícito ao 
empresário, todavia, demonstrar, por todos os meios permitidos em direito, 
que os lançamentos não correspondem à verdade dos fatos. 
9.2.3. Dispensados da escrituração 
O pequeno empresário está dispensado da escrituração (1.179, § 2º do CC). 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 55 
 
Art. 1.179. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir 
um sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com base na 
escrituração uniforme de seus livros, em correspondência com a 
documentação respectiva, e a levantar anualmente o BALANÇO 
PATRIMONIAL e o de RESULTADO ECONÔMICO. 
§ 2o É dispensado das exigências deste artigo o pequeno empresário a 
que se refere o art. 970. 
 
Art. 970. A lei assegurará tratamento favorecido, diferenciado e simplificado 
ao empresário rural e ao PEQUENO EMPRESÁRIO, quanto à inscrição e 
aos efeitos daí decorrentes. 
 
OBS: A Lei Complementar 123/06, em seu art. 3º estabelece que MICROEMPRESA (ME) será 
quando auferir receita bruta anual igual ou inferior a R$ 360.000,00 e EMPRESA DE PEQUENO 
PORTE (EPP) quando auferir receita bruta anual superior a R$ 360.000,00 e igual ou inferior a R$ 
4.800.000,00. 
Art. 3º Para os efeitos desta Lei Complementar, consideram-se 
microempresas ou empresas de pequeno porte, a sociedade empresária, a 
sociedade simples, a empresa individual de responsabilidade limitada e o 
empresário a que se refere o art. 966 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 
2002 (Código Civil), devidamente registrados no Registro de Empresas 
Mercantis ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, conforme o caso, 
desde que: 
I - no caso da microempresa, aufira, em cada ano-calendário, receita bruta 
igual ou inferior a R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais); e 
II - no caso de empresa de pequeno porte, aufira, em cada ano-calendário, 
receita bruta superior a R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais) e 
igual ou inferior a R$ 4.800.000,00 (quatro milhões e oitocentos mil reais). 
 
Mas aqui não se trata de ME ou EPP e sim, PEQUENO EMPRESÁRIO. 
No entanto, o conceito e características de pequeno empresário estão disciplinados nos 
arts. 68 c/c 18 – A, ambos da LC 123/06, que sofreu recentes alterações pela LC 139/11, pela LC 
147/14 e LC 155/2016 
Art. 68. Considera-se PEQUENO EMPRESÁRIO, para efeito de aplicação 
do disposto nos arts. 970 e 1.179 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 
(Código Civil), o EMPRESÁRIO INDIVIDUAL caracterizado como 
microempresa na forma desta Lei Complementar que aufira receita bruta 
anual até o limite previsto no § 1o do art. 18-A. 
 
Art. 18-A. O Microempreendedor Individual - MEI poderá optar pelo 
recolhimentodos impostos e contribuições abrangidos pelo Simples 
Nacional em valores fixos mensais, independentemente da receita bruta por 
ele auferida no mês, na forma prevista neste artigo. 
§ 1º Para os efeitos desta Lei Complementar, considera-se MEI o 
empresário individual que se enquadre na definição do art. 966, do CC, ou o 
empreendedor que exerça as atividades de industrialização, 
comercialização e prestação de serviços em âmbito rural, que tenha 
auferido receita bruta, no ano calendário anterior, de até 81.000,00, que seja 
optante pelo Simples Nacional e que não esteja impedido de optar pela 
sistemática prevista neste artigo (LC 155/2016) 
 
Conclusão: Assim, só pode ser Pequeno Empresário, chamado de Microempreendedor 
Individual (MEI), a Pessoa Física (empresário individual) que aufira receita bruta, no ano 
calendário anterior, de até R$ 81.000,00. 
Esquematizando: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406.htm#art966
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406.htm#art966
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 56 
 
MICROEMPRESA (ME) 
EMPRESA DE PEQUENO 
PORTE (EPP) 
MICROEMPREENDEDOR 
INDIVIDUAL (MEI) 
Pode ser: 
- Empresário individual; 
- Sociedade Empresária; 
- EIRELI 
- Sociedade Simples 
Pode ser: 
- Empresário Individual 
- Sociedade Empresária 
- EIRELI 
- Sociedade Simples 
APENAS o empresário 
individual. 
Igual ou inferior a R$ 
360.000,00 
Superior a R$ 360.000,00 e 
igual ou inferior 4.800.000,00. 
Igual ou inferior R$ 81.000,00 
9.2.4. Princípio da sigilosidade 
Os livros comerciais são regidos pelo princípio da sigilosidade (art. 1.190 do CC), não 
podendo ser feita a exibição dos mesmos por simples vontade das partes ou por decisão do juiz 
que não esteja dentre as hipóteses previstas em lei. A intenção do sigilo é evitar concorrência 
desleal. 
Art. 1.190. Ressalvados os casos previstos em lei, nenhuma autoridade, juiz 
ou tribunal, sob qualquer pretexto, poderá fazer ou ordenar diligência para 
verificar se o empresário ou a sociedade empresária observam, ou não, em 
seus livros e fichas, as formalidades prescritas em lei. 
 
Exceções à sigilosidade: 
a) Exibição PARCIAL do livro: Extração de pequena parte do livro que interessa ao juízo e 
restituição imediata do livro ao empresário. É possível em qualquer ação judicial, 
podendo ser decretada de ofício. Nesse sentido: 
Súmula 260 do STF - O exame de livros comerciais, em ação judicial, fica 
limitado às transações entre os litigantes. 
CPC - Art. 421. O juiz pode, de ofício, ordenar à parte a exibição parcial dos 
livros e dos documentos, extraindo-se deles a suma que interessar ao litígio, 
bem como reproduções autenticadas. 
 
b) Exibição TOTAL (INTEGRAL) do livro: Retenção do livro em cartório durante 
andamento da ação, não se assegurando o sigilo de seus dados e dificultando o 
acesso do empresário. Só é possível nas hipóteses do art. 1.191 do CC, mediante 
requerimento das partes. Não pode o juiz de ofício (art. 420 CPC). 
Art. 1.191. O juiz só poderá autorizar a exibição integral dos livros e papéis 
de escrituração quando necessária para resolver questões relativas a 
sucessão, comunhão ou sociedade, administração ou gestão à conta 
de outrem, ou em caso de falência. 
 
Art. 420. O juiz pode ordenar, a requerimento da parte, a exibição integral 
dos livros empresariais e dos documentos do arquivo: 
I - na liquidação de sociedade; 
II - na sucessão por morte de sócio; 
III - quando e como determinar a lei. 
 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 57 
 
c) Autoridades fazendárias: Art. 1.193 do CC, in verbis: 
Art. 1.193. As restrições estabelecidas neste Capítulo ao exame da 
escrituração, em parte ou por inteiro, não se aplicam às autoridades 
fazendárias, no exercício da FISCALIZAÇÃO do pagamento de 
impostos (TRIBUTOS), nos termos estritos das respectivas leis especiais. 
 
Uma vez exibido em juízo, o livro possui a carga probatória conferida pelo art. 417 e 418 
do CPC, podendo ser usado tanto a favor como contra o seu titular (princípio da comunhão da 
prova). 
Art. 417. Os livros empresariais provam contra seu autor, sendo lícito ao 
empresário, todavia, demonstrar, por todos os meios permitidos em direito, 
que os lançamentos não correspondem à verdade dos fatos. 
 
Art. 418. Os livros empresariais que preencham os requisitos exigidos por 
lei provam a favor de seu autor no litígio entre empresários. 
 
Vunesp TJ/SP: quando preencherem os requisitos legais, os livros contábeis fazem prova a favor de seu 
titular, nos litígios entre empresários. Correta! 
9.2.5. Consequências da ausência de apresentação dos livros 
Caso o empresário negue-se a apresentar os livros, após a determinação do juiz, haverá 
busca e apreensão, bem como haverá presunção relativa de veracidade do que for alegada pela 
parte contrária, nos termos do art. 1.192 do CC. 
Art. 1.192. Recusada a apresentação dos livros, nos casos do artigo 
antecedente, serão apreendidos judicialmente e, no do seu § 1o, ter-se-á 
como verdadeiro o alegado pela parte contrária para se provar pelos livros. 
Parágrafo único. A confissão resultante da recusa pode ser elidida por prova 
documental em contrário. 
9.3. REALIZAÇÃO DE DEMONSTRATIVOS CONTÁBEIS PERIÓDICOS 
O empresário é obrigado a fazer dois tipos de balanço: 
1) Balanço Patrimonial (1.188 CC) – apura o ativo e o passivo (que compreende todos os 
bens, débitos e créditos da empresa). “PAssivo” 
Art. 1.188. O BALANÇO PATRIMONIAL deverá exprimir, com fidelidade e 
clareza, a situação real da empresa e, atendidas as peculiaridades desta, 
bem como as disposições das leis especiais, indicará, distintamente, o ativo 
e o passivo. 
Parágrafo único. Lei especial disporá sobre as informações que 
acompanharão o balanço patrimonial, em caso de sociedades coligadas. 
 
2) Balanço econômico (1.189 CC) – apura o resultado, ou seja, a conta dos lucros e 
perdas. 
Art. 1.189. O BALANÇO DE RESULTADO ECONÔMICO, ou demonstração 
da conta de lucros e perdas, acompanhará o balanço patrimonial e dele 
constarão crédito e débito, na forma da lei especial. 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 58 
 
9.4. MANTER EM BOA GUARDA E CONSERVAÇÃO A ESCRITURAÇÃO E 
DOCUMENTAÇÃO 
CC, Art. 1.194. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a 
conservar em boa guarda toda a escrituração, correspondência e mais 
papéis concernentes à sua atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou 
decadência no tocante aos atos neles consignados. 
9.5. ESQUEMA GRÁFICO 
 
 
 
 
 
 
v 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
10. NOME EMPRESARIAL 
10.1. PREVISÃO CONSTITUCIONAL 
O art. 5º, XXIX consagra a proteção ao nome empresarial. 
Art. 5º, XXIX - a lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio 
temporário para sua utilização, bem como proteção às criações industriais, à 
propriedade das marcas, AOS NOMES DE EMPRESAS e a outros signos 
distintivos, tendo em vista o interesse social e o desenvolvimento 
tecnológico e econômico do País; 
Escrituração dos Livros Comerciais 
Obrigatórios 
Facultativos 
Especiais 
Comum 
P. da Sigilosidade 
EXCEÇÕES: 
*Exibição total (provocada) 
*Exibição parcial (ofício) 
*Autoridades fazendárias 
(tributo) 
Exceção: MEI (até 
R$60.000,00). 
Demonstrativos Periódicos 
Balanço patrimonial – ativo/passivo 
Balanço econômico - resultado 
Ex: Livro de duplicadas 
Obrigatório: Livro diário 
Ex: Livro conta corrente, Livro Caixa 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 59 
 
10.2. CONCEITO 
É o elemento de identificação do empresário individual, da sociedade empresária e da 
EIRELI. 
10.3. ESPÉCIES 
O art. 1.155 do CC traz duas espécies e diz que o nome empresarial pode ser na 
modalidade de firma ou denominação. A firma se subdivide em firma individual e firma social. 
Art. 1.155. Considera-se nome empresarial a firma ou a denominação 
adotada, de conformidade com este Capítulo, para o exercício de empresa. 
Parágrafoúnico. Equipara-se ao nome empresarial, para os efeitos da 
proteção da lei, a denominação das sociedades simples, associações e 
fundações. 
 
1) FIRMA 
a) Individual: Só o empresário individual. 
b) Social (Razão Social): Sociedade empresária, em que os sócios tenham 
responsabilidade ilimitada. 
2) DENOMINAÇÃO: sociedade empresária, em que os sócios tenham responsabilidade 
limitada. 
A firma DEVE conter o nome do empresário e PODE ter a designação do gênero de 
atividade; a denominação DEVE ter a designação da atividade e PODE ter um nome 
(homenagem) ou um elemento fantasia. 
10.4. FIRMA 
10.4.1. Composição da firma individual 
Obrigatório: Nome do empresário (completo ou abreviado). 
Facultativo: Acrescentar uma designação mais precisa de sua pessoa ou do gênero de 
atividade. 
Exemplo: A. Barros, o anjinho barroco, comércio de miniaturas. 
Art. 1.156. O empresário opera sob firma constituída por seu nome, 
completo ou abreviado, aditando-lhe, se quiser, designação mais precisa 
da sua pessoa ou do gênero de atividade. 
10.4.2. Composição da firma social (razão social) 
Obrigatório: Nome (s) do (s) sócio (s) somente. Só pode conter na firma social nome de 
sócio, ou seja, não pode haver designação mais precisa da pessoa. Exemplo: Pedro Henrique e 
Rogério Faustino; P. Henrique e R. Faustino; R. Henrique e CIA. 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 60 
 
Facultativo: Colocação de designação da atividade executada. A essa designação a 
doutrina dá o nome de ramo de atividade ou designação do objeto social. 
OBS: A expressão CIA significa que tem outros sócios na sociedade, mas SOMENTE se utilizada 
no fim do nome empresarial. Se colocar CIA no início ou no meio do nome empresarial muda todo 
o sentido. Vai significar que se trata de uma SOCIEDADE ANÔNIMA. Exemplo: CIA Vale do Rio 
Doce. 
 A firma social só é aplicada às sociedades com sócios com responsabilidade ILIMITADA 
(art. 1.157). Exemplo: Sociedade em nome coletivo. Ou seja, sócios que respondem com seu 
próprio patrimônio pelo passivo da sociedade. 
Exceção: A sociedade limitada (apesar de ser de responsabilidade limitada) também pode 
usar a firma social (além de poder usar a denominação). Sempre deverá trazer ao final do nome a 
expressão limitada (art. 1.158). 
Art. 1.157. A sociedade em que houver sócios de responsabilidade ilimitada 
operará sob firma, na qual somente os nomes daqueles poderão figurar, 
bastando para formá-la aditar ao nome de um deles a expressão "e 
companhia" ou sua abreviatura. 
Parágrafo único. Ficam solidária e ilimitadamente responsáveis pelas 
obrigações contraídas sob a firma social aqueles que, por seus nomes, 
figurarem na firma da sociedade de que trata este artigo. 
 
Art. 1.158. Pode a sociedade LIMITADA adotar firma ou denominação, 
integradas pela palavra final "limitada" ou a sua abreviatura. 
10.5. DENOMINAÇÃO 
10.5.1. Composição da denominação 
Regra geral: Designação do nome através de uma “Expressão linguística” (elemento 
fantasia). Exemplo: Globex; Fandangos, OMO, Samsung. 
Obrigatório: Inserção do ramo da atividade ou objeto social (art. 1.158, §2º). Exemplo: 
Globex distribuidora de alimentos. 
É possível colocar nome de sócio na denominação? Excepcionalmente, pode na S/A, 
conforme o art. 1.160, parágrafo único. Como forma de homenagem. 
Art. 1.160. A SOCIEDADE ANÔNIMA opera sob DENOMINAÇÃO 
designativa do objeto social, integrada pelas expressões "sociedade 
anônima" ou "companhia", por extenso ou abreviadamente. 
Parágrafo único. pode constar da denominação o nome do fundador, 
acionista, ou pessoa que haja concorrido para o bom êxito da formação da 
empresa. 
 
A DENOMINAÇÃO só é utilizada quando se tratar de sociedade com responsabilidade 
LIMITADA. Exemplo: Sociedade LTDA e Sociedade Anônima. 
A S/A (sempre limitada) só pode ter denominação. 
A LTDA (sempre limitada) é exceção, pois ter tanto denominação quanto firma social, 
como vimos acima. 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 61 
 
A sociedade em comandita por ações é outra exceção: pode ter firma social ou 
denominação. 
10.6. ESQUEMAS 
 
 
 
 FIRMA SOCIAL DENOMINAÇÃO 
SOCIEDADE 
Com responsabilidade ILIMITADA 
Exceção: Sociedade limitada (deve vir ao 
fim: ‘LTDA’). 
Com responsabilidade LIMITADA 
(S/A ou LTDA). 
COMPOSIÇÃO Nome do empresário ou dos sócios. 
Expressão linguística (elemento 
fantasia) 
Exceção: Nome do sócio como 
homenagem na S/A. 
ASSINATURA 
É o nome empresarial. Não pode colocar 
assinatura pessoal. Deve ser escrito o nome 
empresarial. 
É a assinatura pessoa do 
representante legal. 
OBJETO SOCIAL Facultativo Obrigatório 
 
A sociedade empresária de qualquer tipo que esteja recuperação judicial deve adotar 
também a expressão “em Recuperação Judicial”. 
EMPRESÁRIO NOME EMPRESARIAL 
Empresário individual Firma individual 
Sociedade em nome coletivo e 
sociedade em comandita 
simples 
Firma coletiva ou razão social 
Sociedade anônima Denominação 
Sociedade limitada, sociedade 
em comandita por ações e 
EIRELI 
Podem escolher entre firma ou 
denominação 
Sociedade em conta de 
participação 
Não tem nome empresarial. 
 
Para que não restem dúvidas, mais um quadro esquemático. 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 62 
 
 FIRMA DENOMINAÇÃO 
Empresário individual 
(ilimitada) 
TEM NÃO TEM 
Sociedade em comandita 
simples (ilimitada/limitada) 
TEM NÃO TEM 
Sociedade em nome coletivo 
(ilimitada) 
TEM NÃO TEM 
S/A NÃO TEM TEM 
Cooperativa NÃO TEM TEM 
Sociedade LTDA1 TEM TEM (art. 1.158 do CC) 
EIRELI2 TEM TEM (art. 980-A, §1º) 
*Sociedade em comandita por 
ações3 
TEM TEM 
Sociedade em conta de 
participação4 
NÃO TEM NÃO TEM 
 
OBSERVAÇÕES: 
1) A lei concede a possibilidade de adotar denominação. Deve constar LTDA ou limitada 
expresamente no nome, sob pena de responsabilidade. 
2) A lei concede a possibilidade de adotar denominação. 
3) A lei concede a possibilidade de adotar firma. 
4) A sociedade em conta de participação é chamada de despersonificada, pois não possui 
personalidade jurídica. Desta forma, não poderá ter firma ou denominação. 
10.7. PROTEÇÃO AO NOME EMPRESARIAL 
A Lei 8.934/94 (Lei de Registro Público de Empresas Mercantis), em seu art. 33, fala que a 
proteção ao nome empresarial decorre automaticamente do registro (ARQUIVAMENTO) do 
empresário ou da sociedade empresária no respectivo Registro Público (Junta Comercial). 
Art. 33. A proteção ao nome empresarial decorre automaticamente do 
arquivamento dos atos constitutivos de firma individual e de sociedades, ou 
de suas alterações. 
 
A proteção do nome empresarial se restringe ao âmbito estadual, uma vez que a junta 
comercial é de âmbito estadual, nos termos do art. 1.166 do CC. 
Art. 1.166. A inscrição do empresário, ou dos atos constitutivos das pessoas 
jurídicas, ou as respectivas averbações, no registro próprio, asseguram o 
uso exclusivo do nome nos limites do respectivo Estado. 
Parágrafo único. O uso previsto neste artigo estender-se-á a todo o território 
nacional, se registrado na forma da lei especial. 
 
Atenção para o parágrafo único do art. 1.166. Não há lei especial, portanto, a proteção se 
limita ao nível estadual. 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 63 
 
Se o empresário quiser proteger o nome comercial em todas as unidades da federação, 
deve fazer devido registro em todas as respectivas juntas comerciais. 
10.8. NOME EMPRESARIAL ≠ MARCA 
O NOME é elemento que identifica o empresário ou sociedade. A MARCA é elemento de 
identificação de um produto ou serviço, registrada no INPI, e tendo aplicação a todo o território 
nacional. 
10.9. NOME EMPRESARIAL ≠ TÍTULO DE ESTABELECIMENTO 
Nome empresarial (ex.: CIA Brasileira de distribuição) é diferente de título de 
estabelecimento (exemplo: Pão de Açúcar). Esse último é o apelido comercial dado a um 
estabelecimento empresarial. 
Outro exemplo: 
Globex distribuição e comércio S/A → Identificação de sociedade → Denominação(pois é 
S/A). 
Título de estabelecimento → Ponto frio. 
Alguns autores costumam chamar o título de estabelecimento de nome fantasia. 
Mais um exemplo: 
Pedro Almeida e Renata Franco Sorveteria LTDA → Nome empresarial. (Firma social – 
exceção Ltda.) 
Beijo gelado → Título de estabelecimento. 
Produto Panegel® → Marca. 
Como se protege o título de estabelecimento? Não tem proteção. A única proteção legal 
é a do art. 195, VI da Lei 9.279/96, que diz que o uso indevido de título de estabelecimento 
configura crime de concorrência desleal. 
Por isso, que os títulos de estabelecimento são comumente também registrados como 
marcas, a fim de serem protegidos indiretamente. 
10.10. PRINCÍPIOS DO NOME EMPRESARIAL 
O art. 34 da Lei 8.934/94 diz que o nome empresarial obedecerá aos princípios da 
veracidade e da novidade. 
 
Art. 34. O nome empresarial obedecerá aos princípios da veracidade e da 
novidade. 
10.10.1. Princípio da veracidade (autenticidade) 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 64 
 
Impõe que a firma individual ou firma social seja composta a partir do nome do 
empresário ou dos sócios, respectivamente. Por conta desse princípio, se um dos sócios morre, 
seu nome deve ser retirado da firma. 
Quanto à denominação, esse princípio não se aplica integralmente, haja vista a 
possibilidade de as sociedades anônimas levarem o nome de um ex-sócio na denominação como 
forma de homenagem. 
Se for caso de elemento fantasia (denominação), impõe o referido princípio que a 
expressão linguística não induza o consumidor a erro, guardando, assim, alguma correspondência 
do nome para com a atividade desempenhada. 
10.10.2. Princípio DA NOVIDADE 
Não poderão coexistir, na mesma unidade federativa (estado), dois nomes empresariais 
idênticos ou semelhantes, prevalecendo aquele já protegido pelo prévio arquivamento (registro). 
Se sobrevier um nome igual ou parecido, cabe àquele que primeiro registrou o nome 
propor a chamada ação anulatória de nome empresarial, que segundo o art. 1.167 do CC é 
imprescritível. 
Art. 1.167. Cabe ao prejudicado, a qualquer tempo, ação para anular a 
inscrição do nome empresarial feita com violação da lei ou do contrato. 
 
OBS: O nome empresarial, ao contrário do nome civil, não admite homonímia, nem semelhança 
que possa causar confusão. 
O nome empresarial pode ser objeto de alienação? Conforme o art. 1.164 do CC, o nome 
empresarial é INALIENÁVEL → Resposta para primeira fase. 
Art. 1.164. O nome empresarial não pode ser objeto de alienação. 
Parágrafo único. O adquirente de estabelecimento, por ato entre vivos, 
pode, se o contrato o permitir, usar o nome do alienante, precedido do 
seu próprio, com a qualificação de sucessor. 
 
No entanto, em caso de alienação de sociedade empresária denominada por elemento 
fantasia, não ofenderia o princípio da veracidade a manutenção do nome. Em assim sendo, há 
quem admita que nesse caso haveria a alienação do nome empresarial. 
O nome empresarial é um direito de personalidade? O art. 52 do CC estendeu os 
direitos de personalidade à pessoa jurídica. Doutrina majoritária: o nome empresarial é um direito 
de personalidade. 
Art. 52. Aplica-se às pessoas jurídicas, no que couber, a proteção dos 
direitos da personalidade 
11. ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL 
11.1. PREVISÃO LEGAL 
Previsão legal: Art. 1.142 a 1.149 do CC. 
ATENÇÃO: Cai pelo menos uma questão disso em prova. Basta ler esses artigos. 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 65 
 
CC, Art. 1.142. Considera-se estabelecimento todo complexo de bens 
organizado, para exercício da empresa, por empresário, ou por sociedade 
empresária. 
 
Art. 1.143. Pode o estabelecimento ser objeto unitário de direitos e de 
negócios jurídicos, translativos ou constitutivos, que sejam compatíveis 
com a sua natureza. 
 
Art. 1.144. O contrato que tenha por objeto a alienação, o usufruto ou 
arrendamento do estabelecimento, só produzirá efeitos quanto a 
terceiros depois de averbado à margem da inscrição do empresário, ou 
da sociedade empresária, no Registro Público de Empresas Mercantis, e de 
publicado na imprensa oficial. 
 
Art. 1.145. Se ao alienante não restarem bens suficientes para solver o seu 
passivo, a eficácia da alienação do estabelecimento depende do pagamento 
de todos os credores, ou do consentimento destes, de modo expresso ou 
tácito, em trinta dias a partir de sua notificação. 
 
Art. 1.146. O adquirente do estabelecimento responde pelo pagamento dos 
débitos anteriores à transferência, desde que regularmente contabilizados, 
continuando o devedor primitivo solidariamente obrigado pelo prazo de um 
ano, a partir, quanto aos créditos vencidos, da publicação, e, quanto aos 
outros, da data do vencimento. 
 
Art. 1.147. Não havendo autorização expressa, o alienante do 
estabelecimento não pode fazer concorrência ao adquirente, nos cinco anos 
subsequentes à transferência. 
Parágrafo único. No caso de arrendamento ou usufruto do 
estabelecimento, a proibição prevista neste artigo persistirá durante o 
prazo do contrato. 
 
Art. 1.148. Salvo disposição em contrário, a transferência importa a sub-
rogação do adquirente nos contratos estipulados para exploração do 
estabelecimento, se não tiverem caráter pessoal, podendo os terceiros 
rescindir o contrato em noventa dias a contar da publicação da 
transferência, se ocorrer justa causa, ressalvada, neste caso, a 
responsabilidade do alienante. 
 
Art. 1.149. A cessão dos créditos referentes ao estabelecimento transferido 
produzirá efeito em relação aos respectivos devedores, desde o momento 
da publicação da transferência, mas o devedor ficará exonerado se de 
boa-fé pagar ao cedente. 
 
Doutrina majoritária: Estabelecimento comercial = Fundo de comércio = Azienda = Fundo 
Empresarial. 
11.2. CONCEITO 
Conforme o art. 1.142 do CC, estabelecimento comercial é o complexo de bens 
organizado, reunidos pelo empresário, para o exercício da atividade econômica. 
Oscar Barreto Filho: é o complexo de bens, materiais e imateriais, que constituem o 
instrumento utilizado pelo empresário para a exploração de uma determinada atividade de 
empresa. 
Bens: Podem ser corpóreos (móveis, maquinários, imóvel, equipamentos) ou incorpóreos 
(ponto comercial, marca, patente, título de estabelecimento). 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 66 
 
Atentar: a palavra-chave é ORGANIZAÇÃO. 
Os bens devem estar DIRETAMENTE relacionados com a atividade empresarial. Muitas 
vezes o bem pode integrar o patrimônio da sociedade empresária ou empresário, mas isso não 
implica em considerá-lo parte do estabelecimento comercial, se não houver um vínculo direto com 
a atividade. De acordo com André Luiz Santa Cruz, pode, portanto, ser considerado um 
“patrimônio de afetação”. 
Exemplo: Uma padaria tem dois imóveis. O imóvel ‘A’ funciona a padaria, o imóvel ‘B’ é 
alugado e o dinheiro é utilizado para comprar mercadorias para o seu funcionamento. Esse imóvel 
‘B’ não faz parte do estabelecimento, e sim do patrimônio. Não podemos confundir! Às vezes o 
estabelecimento está acompanhado de outros bens, que não fazem parte dele. Vimos que os 
bens para fazer parte do estabelecimento, devem estar diretamente relacionados com a atividade 
empresarial. 
O estabelecimento é essencial ao exercício da atividade empresarial. 
Esses bens formam uma universalidade. Trata-se de universalidade de fato ou de 
direito? 
Universalidade de direito: São os bens reunidos por vontade da lei, como, por exemplo, 
herança e massa falida. 
Universalidade de fato: São aqueles bens reunidos pela vontade das partes, como ocorre 
com o estabelecimento, que é uma reunião de bens formada pela vontade do empresário ou 
sociedade empresária. Prevalece. 
Estabelecimento é SUJEITO de direito? Não. O sujeito de direito é o empresário ou a 
sociedade empresária. 
Estabelecimento é OBJETO de direito (art. 1.143 – “objeto unitário de direitos e de negócios 
jurídicos”), vale dizer, pode ser vendido, arrendado,dado como usufruto etc. 
11.3. COMPRA E VENDA DO ESTABELECIMENTO 
11.3.1. “Trespasse” 
O contrato de compra e venda de estabelecimento comercial recebe uma denominação 
específica: TRESPASSE. 
OBS: cessão de quotas não ocorre transferência de estabelecimento, mas sim modificação do 
quadro social. 
11.3.2. Produção de efeitos perante terceiros 
Conforme o art. 1.144, o contrato de trespasse só produz efeitos perante terceiros se for 
averbado no Registro Público de Empresas Mercantis (Junta Comercial) e publicado na Imprensa 
Oficial. 
 
Art. 1.144. O contrato que tenha por objeto a alienação, o usufruto ou 
arrendamento do estabelecimento, só produzirá efeitos quanto a terceiros 
depois de averbado à margem da inscrição do empresário, ou da 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 67 
 
sociedade empresária, no Registro Público de Empresas Mercantis, e de 
publicado na imprensa oficial. 
 
 
 
Além disso, de acordo com o art. 1.145, a venda do estabelecimento depende do prévio 
pagamento dos credores da empresa ou, pelo menos, da anuência destes, podendo esta ser 
expressa ou tácita (falta de manifestação nos 30 dias posteriores à notificação implica em 
anuência tácita). 
Art. 1.145. Se ao alienante não restarem bens suficientes para solver o seu 
passivo, a eficácia da alienação do estabelecimento depende do pagamento 
de todos os credores, ou do consentimento destes, de modo expresso ou 
tácito, em trinta dias a partir de sua notificação. 
 
O estabelecimento empresarial, por integrar o patrimônio do empresário, é garantia dos 
seus credores. Assim, a alienação do estabelecimento empresarial tem cautelas específicas que a 
lei criou com vistas para a tutela dos interesses dos credores de seu titular, sujeitando a alienação 
à anuência dos seus credores. 
Somente em uma hipótese resta dispensada a obrigatoriedade da anuência ou do 
pagamento dos credores: no caso de o alienante ter bens suficientes para cobrir o passivo da 
empresa. 
Exemplo: Se a “Kipão” possui 02 unidades, uma no valor de 20.000 e outra por 50.000,00, 
se houver credores com crédito de 80.000,00, por exemplo, não pode vender a unidade sem que 
haja autorização dos credores. 
A falta dessas cautelas torna o contrato de TRESPASSE ineficaz. Poderá ser pedida a 
ineficácia, voltando ao estado anterior, caso no qual o comprador terá que devolver o 
estabelecimento ao alienante devedor. 
E mais, de acordo com a Lei de Falências, (art. 94, III, c), se o empresário sem patrimônio 
suficiente para solver o passivo aliena seu estabelecimento sem observar as cautelas necessárias 
(pagamento ou consentimento dos credores) poderá ter decretada sua falência. 
 
Art. 94. Será decretada a falência do devedor que: 
III – pratica qualquer dos seguintes atos, exceto se fizer parte de plano de 
recuperação judicial: 
... 
c) transfere estabelecimento a terceiro, credor ou não, sem o consentimento 
de todos os credores e sem ficar com bens suficientes para solver seu 
passivo. 
11.3.3. Penhora do estabelecimento 
STJ - Súmula 451 É legítima a penhora da sede do estabelecimento 
comercial. 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 68 
 
 
Entretanto, se o empresário comprovar que o imóvel é essencial ao exercício da atividade 
empresarial ele não pode ser penhorado. Exemplo: distribuidora de bebidas não pode ter seu 
depósito penhorado. 
Destarte, é de se concluir que a regra contida na Súmula 451 do STJ é relativa, cuja 
aplicabilidade dependerá da análise de cada caso, não podendo, assim, ser utilizada para 
julgamento de processos em massa, já que comporta exceções. Por fim, uma vez amparado na 
orientação jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça, nossa conclusão é de que ―é legitima 
a penhora da sede do estabelecimento comercial‖ desde que (i) inexistam outros bens passíveis 
de penhora e (ii) não seja servil à residência da família. 
Tanto FCC (TJ/AL) quanto CESPE (TJ/PB) cobraram o entendimento sumulado do STJ. 
Vejamos: 
CESPE TJ/PB: De acordo com entendimento sumulado pelo STJ, é vedada a penhora da sede do 
estabelecimento comercial. Errada! 
FCC TJ/AL: É legítima a penhora da sede do estabelecimento comercial. Correta! 
11.3.4. Dívidas anteriores (art. 1.146) 
Art. 1.146. O adquirente do estabelecimento responde pelo pagamento 
dos débitos anteriores à transferência, desde que regularmente 
contabilizados, continuando o devedor primitivo SOLIDARIAMENTE 
obrigado pelo prazo de um ano, a partir, quanto aos créditos vencidos, da 
publicação, e, quanto aos outros, da data do vencimento. 
 
O adquirente do estabelecimento responde pelas dívidas anteriores ao trespasse, DESDE 
QUE a dívida esteja regularmente contabilizada, podendo até abater do preço da transação. 
Essa regra se aplica para toda e qualquer dívida QUE NÃO SEJA: dívida trabalhista - art. 
10 e 448 da CLT ou dívida tributária - art. 133 do CTN. Estas dívidas têm regras próprias. 
CLT, Art. 10 - Qualquer alteração na estrutura jurídica da empresa não 
afetará os direitos adquiridos por seus empregados 
 
Art. 448 - A mudança na propriedade ou na estrutura jurídica da empresa 
não afetará os contratos de trabalho dos respectivos empregados. 
 
CTN, Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de 
outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, 
industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma 
ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos 
TRIBUTOS, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à 
data do ato: 
I - INTEGRALMENTE, se o alienante cessar a exploração do comércio, 
indústria ou atividade; 
II - SUBSIDIARIAMENTE com o alienante, se este prosseguir na exploração 
ou iniciar dentro de seis meses a contar da data da alienação, nova 
atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão. 
 
Vale lembrar que o alienante também responde por essas dívidas, de forma solidária, mas 
apenas pelo prazo de UM ANO. 
 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 69 
 
Em se tratando de DÍVIDA VENCIDA: conta-se o prazo a partir da PUBLICAÇÃO do 
trespasse na Imprensa. 
Em se tratando de DÍVIDA VINCENDA: conta-se da data do VENCIMENTO DA DÍVIDA. 
 
 
 
Vale lembrar que o adquirente não responde pelas dívidas do alienante quando a compra 
do estabelecimento se deu em leilão judicial promovido em processo de recuperação judicial ou 
falência (LF, art. 60, parágrafo único; art. 141, II). Trata-se de um incentivo à compra do bem. 
 
LF Art. 60 Parágrafo único. O objeto da alienação estará livre de qualquer 
ônus e não haverá sucessão do arrematante nas obrigações do devedor, 
inclusive as de natureza tributária, observado o disposto no § 1o do art. 141 
desta Lei. 
 
Art. 141. Na alienação conjunta ou separada de ativos, inclusive da empresa 
ou de suas filiais, promovida sob qualquer das modalidades de que trata 
este artigo: 
II – o objeto da alienação estará livre de qualquer ônus e não haverá 
sucessão do arrematante nas obrigações do devedor, inclusive as de 
natureza tributária, as derivadas da legislação do trabalho e as decorrentes 
de acidentes de trabalho. 
11.3.5. Trespasse X cessão de cotas 
No trespasse ocorre a transferência da titularidade do estabelecimento comercial. 
Cessão de cotas é o contrato que se faz para a transferência de cotas sociais. Na cessão 
de cotas, não ocorre a mudança da titularidade do estabelecimento, mas apenas a titularidade das 
cotas da sociedade (alteração do quadro social). 
No caso da cessão, o cedente também continua respondendo (solidariamente) pelas 
dívidas, só que por um prazo maior: Dois anos (parágrafo único do art. 1.003 do CC). 
Art. 1.003. A cessão total ou parcial de quota, sem a correspondente 
modificação do contrato social com o consentimento dos demais sócios, não 
terá eficácia quanto a estes e à sociedade. 
Parágrafo único. Até dois anos depois de averbada a modificação do 
contrato, respondeo cedente solidariamente com o cessionário, 
perante a sociedade e terceiros, pelas obrigações que tinha como sócio. 
11.3.6. Cláusula de não restabelecimento → não concorrência 
Essa cláusula, implícita em todos os contratos de trespasse, impõe ao alienante a 
vedação de restabelecer-se em ramo idêntico de atividade empresarial nos cinco anos 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 70 
 
subsequentes à alienação, salvo se de modo diverso consta em contrato, nos termos do art. 1.147 
do CC, in verbis: 
Art. 1.147. Não havendo autorização expressa, o alienante do 
estabelecimento não pode fazer concorrência ao adquirente, nos cinco 
anos subsequentes à transferência. 
Parágrafo único. No caso de arrendamento ou usufruto do estabelecimento, 
a proibição prevista neste artigo persistirá durante o prazo do contrato. 
 
O art. 1.147 do CC prevê um prazo de 5 anos para a cláusula de não concorrência. 
Esse prazo poderá ser ampliado? SIM, é possível que seja ampliado, mas ele não pode ser 
fixado em prazo indeterminado e, no caso concreto, é possível que tal ampliação seja considerada 
abusiva se ampliar demais a restrição. Nesse sentido, confira o Enunciado 490 da Jornada de 
Direito Civil do CJF: 
 
Enunciado 490: A ampliação do prazo de 5 (cinco) anos de proibição de 
concorrência pelo alienante ao adquirente do estabelecimento, ainda que 
convencionada no exercício da autonomia da vontade, pode ser 
revista judicialmente, se abusiva. 
 
 Informativo 554 STJ: 
 
11.3.7. Sub-rogação nos contratos 
Quando ocorre a venda do estabelecimento (do complexo de bens), de acordo com o art. 
1.148, haverá uma sub-rogação do adquirente nos contratos estipulados pelo alienante (de 
fornecimento de matéria prima, por exemplo). 
 
Art. 1.148. Salvo disposição em contrário, a transferência importa a sub-
rogação do adquirente nos contratos estipulados para exploração do 
estabelecimento, se não tiverem caráter pessoal, podendo os terceiros 
rescindir o contrato em noventa dias a contar da publicação da 
transferência, se ocorrer justa causa, ressalvada, neste caso, a 
responsabilidade do alienante. 
 
Exceção à sub-rogação: Contrato de locação. Pela regra do art. 1.148 poderíamos dizer 
que o adquirente se sub-roga na condição de locatário do imóvel, vale dizer, ocorreria uma 
transferência do ponto. No entanto, a doutrina, a jurisprudência e o art. 13 da Lei de Locação 
(8.245/91) dizem diversamente: O locador deve autorizar a cessão do contrato (cessão de 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 71 
 
posição contratual - civil). Mais recentemente, na I Jornada de Direito Comercial, foi aprovado o 
Enunciado 8. 
Lei de locação - Art. 13. A cessão da locação, a sublocação e o empréstimo 
do imóvel, total ou parcialmente, dependem do consentimento prévio e 
escrito do locador. 
§ 1º Não se presume o consentimento pela simples demora do locador 
em manifestar formalmente a sua oposição. 
§ 2º Desde que notificado por escrito pelo locatário, de ocorrência de uma 
das hipóteses deste artigo, o locador terá o prazo de trinta dias para 
manifestar formalmente a sua oposição. 
 
Enunciado 234 do CJF - Art. 1.148: Quando do trespasse do 
estabelecimento empresarial, o contrato de locação do respectivo ponto não 
se transmite automaticamente ao adquirente. Fica cancelado o Enunciado n. 
64. 
En. 8 da I JDE - 8. A sub-rogação do adquirente nos contratos de 
exploração atinentes ao estabelecimento adquirido, desde que não 
possuam caráter pessoal, é a regra geral, incluindo o contrato de locação. 
Santa Cruz: A matéria, como se pode perceber, é deveras polêmica. Na minha opinião, 
pela legislação brasileira (art. 13 da Lei 8.245/1991), o contrato de locação tem caráter pessoal 
(intuitu personae). Portanto, na interpretação do art. 1.148 do Código Civil, deve-se entender 
necessária a concordância prévia do locador do imóvel onde se situa o ponto de negócio para que 
o adquirente do estabelecimento suceda o alienante como locatário. 
11.3.8. Aviamento / Goodwill of trade/ Achalandage 
Oscar Barreto Filho: aviamento é o potencial de lucratividade do estabelecimento. 
A articulação dos bens que compõem o estabelecimento na exploração de uma atividade 
econômica agregou-lhes um valor, este é chamado de aviamento. Em outras palavras, é um 
atributo do estabelecimento, ele diz que o aviamento está para o estabelecimento, assim como a 
saúde para o corpo, assim com a velocidade está para o carro. Não há como vender 
separadamente, ele é inerente ao estabelecimento. O atributo entra no cálculo do valor de venda 
do estabelecimento. 
OBS: clientela não é elemento do estabelecimento, não se pode vender cliente, pois ele é uma 
mera situação de fato, obviamente que quanto maior a clientela, maior será o valor agregado ao 
estabelecimento, acaba gerando maior potencial de lucro, entretanto, ainda assim, não faz parte 
dele, não se confunde com aviamento. 
12. BENS DO ESTABELECIMENTO COMERCIAL 
12.1. INCORPÓREOS 
12.1.1. Ponto Comercial 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 72 
 
É localização específica do estabelecimento empresarial, que, por vezes, pode significar 
um acréscimo substancial em seu valor (exemplo: quando uma pessoa em um imóvel alugado 
conquista um ponto, através do trabalho, do enriquecimento do lugar, conquista da clientela etc.). 
Em virtude disso, a lei dispensa proteção especial ao ponto comercial. 
No caso do ponto de propriedade do empresário, a proteção se dá pela tutela genérica da 
propriedade do direito civil. No caso de ponto alugado, a proteção se dá através da renovação 
compulsória do contrato, prevista no art. 51 da Lei do Inquilinato (Lei 8.245/91). 
Art. 51. Nas locações de imóveis destinados ao comércio, o locatário terá 
direito a renovação do contrato, por igual prazo, desde que, 
cumulativamente: 
I - o contrato a renovar tenha sido celebrado por escrito e com prazo 
determinado; 
II - o prazo mínimo do contrato a renovar ou a soma dos prazos 
ininterruptos dos contratos escritos seja de cinco anos; 
III - o locatário esteja explorando seu comércio, no mesmo ramo, pelo 
prazo mínimo e ininterrupto de três anos. 
 
Ação Renovatória: O objetivo é renovação compulsória do contrato de locação 
empresarial. Para que a empresário tenha direito à renovação compulsória, é necessário o 
preenchimento de alguns requisitos cumulativos (art. 51): 
1) Contrato escrito e com prazo determinado (se o contrato tem prazo indeterminado, 
não cabe renovatória, exemplo: 20 anos de aluguel); 
2) O contrato ou a soma ininterrupta dos contratos tem que totalizar prazo contratual 
mínimo de 05 anos. 
3) É necessário que o locatário esteja explorando o mesmo ramo de atividade econômica 
nos três anos anteriores à data da propositura da ação, ininterruptamente. 
OBS1: Do direito a renovação decai aquele que não propuser a ação no interregno de um ano, no 
máximo, até seis meses, no mínimo, anteriores à data da finalização do prazo do contrato em 
vigor. 
§ 5º Do direito a renovação decai aquele que não propuser a ação no 
interregno de um ano, no máximo, até seis meses, no mínimo, anteriores à 
data da finalização do prazo do contrato em vigor. 
 
E na sublocação, quem ajuíza a renovatória? A lei protege o ponto comercial, portanto, a 
ideia é de que será o sublocatário o legitimado a propor a renovatória, isto porque ele que está 
explorando o ponto comercial. 
Lei 8245/91 Art. 51, § 1º O direito assegurado neste artigo poderá ser 
exercido pelos cessionários ou sucessores da locação; no caso de 
SUBLOCAÇÃO total do imóvel, o direito a renovação somente poderá ser 
exercido pelo sublocatário. 
 
OBS: A renovação COMPULSÓRIA só é possível quando não restringir o direito constitucional de 
propriedade garantido ao locador. A própria lei do inquilinato (art. 72) aponta um rol exemplificativo 
de casos onde o direito de renovação do contrato de locação não prevalece sobre o direito 
constitucional de propriedade.Vejamos: 
 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 73 
 
Lei 8245/91, Art. 72. A contestação do locador, além da defesa de direito 
que possa caber, ficará adstrita, quanto à matéria de fato, ao seguinte: 
I - Não preencher o autor os requisitos estabelecidos nesta lei; 
II - Não atender, a proposta do locatário, o valor locativo real do imóvel na 
época da renovação, excluída a valorização trazida por aquele ao ponto ou 
lugar; 
III - ter proposta de terceiro para a locação, em condições melhores; 
IV - Não estar obrigado a renovar a locação (incisos I e II do art. 52). 
 
Art. 52. O locador não estará obrigado a renovar o contrato se: 
I - por determinação do Poder Público, tiver que realizar no imóvel obras 
que importarem na sua radical transformação; ou para fazer modificações 
de tal natureza que aumente o valor do negócio ou da propriedade; 
II - o imóvel vier a ser utilizado por ele próprio ou para transferência de 
fundo de comércio existente há mais de um ano, sendo detentor da maioria 
do capital o locador, seu cônjuge, ascendente ou descendente. 
1º Na hipótese do inciso II, o imóvel não poderá ser destinado ao uso do 
mesmo ramo do locatário, salvo se a locação também envolvia o fundo de 
comércio, com as instalações e pertences. 
2º Nas locações de espaço em shopping centers, o locador não poderá 
recusar a renovação do contrato com fundamento no inciso II deste artigo. 
3º O locatário terá direito a indenização para ressarcimento dos prejuízos 
e dos lucros cessantes que tiver que arcar com mudança, perda do lugar e 
desvalorização do fundo de comércio, se a renovação não ocorrer em 
razão de proposta de terceiro, em melhores condições, ou se o locador, 
no prazo de três meses da entrega do imóvel, não der o destino 
alegado ou não iniciar as obras determinadas pelo Poder Público ou que 
declarou pretender realizar. 
 
O locatário também terá direito a indenização no caso do §1º. 
 
ATENÇÃO! 
 
 
 
Se a ação renovatória for julgada procedente: a locação é renovada. 
Se a ação renovatória for julgada improcedente: Sendo julgada improcedente a ação, a 
locação comercial não será renovada e o juiz determinará a desocupação do imóvel alugado no 
prazo de 30 dias, desde que haja pedido na contestação: 
Art. 74. Não sendo renovada a locação, o juiz determinará a expedição de 
mandado de despejo, que conterá o prazo de 30 (trinta) dias para a 
desocupação voluntária, se houver pedido na contestação. (Redação dada 
pela Lei nº 12.112, de 2009) 
 
A partir de quando é contado este prazo de 30 dias? 
O termo inicial deste prazo é a data da intimação pessoal do locatário, realizada por meio 
de mandado de despejo. 
Segundo o STJ, a Lei n. 12.112/2009, que alterou o prazo previsto no art. 74 da Lei de 
Locações, possui natureza processual, incidindo, portanto, sobre os processos em andamento no 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 74 
 
estado em que se encontram quando do início da vigência da lei, ainda que se refiram a contratos 
anteriores à alteração legislativa. 
Súmula 370 do STF - “Julgada improcedente a ação renovatória da locação, 
terá o locatário, para desocupar o imóvel, o prazo de seis meses, acrescido 
de tantos meses quantos forem os anos da ocupação, até o limite total de 
dezoito meses.” Desatualizada! 
Este enunciado, apesar de não ter sido formalmente cancelado, não é mais aplicado 
porque se baseava na Lei n. 1.300/1950, que foi revogada há tempos. Portanto, trata-se de 
súmula completamente desatualizada e que deve ser ignorada. 
12.1.2. Propriedade industrial 
Veremos abaixo em tópico próprio. 
12.2. ESQUEMA GRÁFICO AÇÃO RENOVATÓRIA – RENOVAÇÃO COMPULSÓRIA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ação Renovatória 
(renovação compulsória) 
Escrito + prazo determinado 
Explorar ininterruptamente mesma atividade: 03 anos. 
Renovação mínima ou soma de prazos: 05 anos. 
Locador poderá evitar alegando 
Não preenche requisitos da lei 
 Proposta não atende o valor do 
imóvel à época da renovação 
 Proposta de 3º melhor 
 Não estar obrigado a renovar 
Determinação do poder público ou 
obras que aumente valor 
Transferência de estabelecimento de + 
1 ano, sendo sócio ou do cônjuge, 
ascendente ou descendente 
*Não pode ser usado para mesmo ramo 
*Em shopping Center não pode alegar. 
*Se não der destino em 3 meses, locatário 
terá indenização. 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 75 
 
PROPRIEDADE INDUSTRIAL 
1. ALOCAÇÃO DA PROPRIEDADE INDUSTRIAL NO DIREITO 
A propriedade intelectual (GÊNERO) engloba: 
a) Direito autoral (estudado pelo direito civil) 
b) Propriedade Industrial (direito empresarial) – Lei 9.279/96. 
Quatro são os bens imateriais protegidos pelo Direito Industrial na lei 9.279/96: 
• Patentes de invenção; 
• Patentes de modelo de utilidade; 
• Registro de marcas; 
• Registro de desenho industrial. 
OBS: programa de computador não é assunto de propriedade industrial e sim direito autoral. 
A propriedade industrial faz parte do estabelecimento comercial. 
2. OBJETO DE PROTEÇÃO DA LEI DE PROPRIEDADE INDUSTRIAL 
A Lei visa proteger o uso desses bens por seu titular, com total exclusividade, ou seja, só o 
empresário titular desses bens tem o direito de explorar economicamente o objeto. 
Outra pessoa que não for titular do bem, só poderá explorá-lo com autorização ou licença 
do titular (caso no qual deverá pagar ao titular do bem os famosos royalties), entretanto as 
patentes e os registros podem ser alienados por ato inter vivos ou mortis causa. 
Bens (imateriais) protegidos pela lei de propriedade industrial: 
• Invenção; 
• Modelo de utilidade; 
• Desenho Industrial; 
• Marca. 
Dica (para quem utiliza mnemônicos): “Ih, Me Dei Mal”. 
A lei de propriedade também abriga: 
a) Repressão à concorrência desleal; 
b) Repressão às falsas indicações de lugar (geográficas). 
Invenção e Modelo de utilidade só terão exclusividade de uso se tiverem uma PATENTE, 
que possui o escopo de proteção ao desenvolvimento tecnológico, bem como de incentivar a 
pesquisa. 
 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 76 
 
Desenho industrial e marca, para terem exclusividade, hão de ter REGISTRO. 
Tanto a patente quanto o registro são feitos no INPI – Instituto Nacional de Propriedade 
Industrial, que é uma autarquia federal. 
3. UTILIZAÇÃO EXCLUSIVA DO BEM 
3.1. TEMPO 
A invenção terá o prazo máximo de 20 anos, deve respeitar o prazo mínimo de 10 anos. 
Já o modelo de utilidade terá prazo máximo de 15 anos, devendo respeitar o prazo mínimo 
de 7 anos. 
Art. 40. A patente de invenção vigorará pelo prazo de 20 (vinte) anos e a de 
modelo de utilidade pelo prazo 15 (quinze) anos contados da data de 
depósito. 
Parágrafo único. O prazo de vigência não será inferior a 10 (dez) anos para 
a patente de invenção e a 7 (sete) anos para a patente de modelo de 
utilidade, a contar da data de concessão, ressalvada a hipótese de o INPI 
estar impedido de proceder ao exame de mérito do pedido, por pendência 
judicial comprovada ou por motivo de força maior. 
 
Por outro lado, tanto o desenho industrial (art. 108) quanto a marca (art. 133) terão o prazo 
de 10 anos. 
Art. 108. O registro vigorará pelo prazo de 10 (dez) anos contados da data 
do depósito, prorrogável por 3 (três) períodos sucessivos de 5 (cinco) anos 
cada. 
 
Art. 133. O registro da marca vigorará pelo prazo de 10 (dez) anos, 
contados da data da concessão do registro, prorrogável por períodos iguais 
e sucessivos. 
3.2. TERMO INICIAL 
Invenção, Modelo e Desenho: conta-se a partir do DEPÓSITO do projeto no INPI. Para 
posterior concessão da patente. 
Marca: conta-se a partir da CONCESSÃO do registro. 
3.3. PRORROGAÇÃO DO PRAZO 
A patente é improrrogável, portanto, após o prazo de 20 (invenção) ou 15 anos (modelo de 
utilidade), a patente cai em domínio público. 
O registro é prorrogável, tendo os seguintes prazos: 
• Desenho industrial: Prorrogávelpor até 03 vezes, tendo o prazo de 05 anos cada 
prorrogação (após as 03 prorrogações o desenho industrial cai em domínio público). 
Então, temos: 10+05+05+05. 
 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 77 
 
• Marca: Não tem limite de prorrogação, podendo sempre ser prorrogável por igual 
período (ou seja, de 10 em 10 anos). 
Desta forma, temos: 10+10+10...ad infinitum 
3.4. INVENÇÃO 
Art. 8º É patenteável a INVENÇÃO que atenda aos requisitos de novidade, 
atividade inventiva e aplicação industrial. 
 
Art. 13. A invenção é dotada de atividade inventiva sempre que, para um 
técnico no assunto, não decorra de maneira evidente ou óbvia do estado da 
técnica. 
 
A invenção não é definida pela lei. 
Para Fábio Ulhôa Coelho, a invenção é o ato original de gênio, pelo qual se cria algo até 
então desconhecido. Já André Santa Cruz afirma que “trata-se de um ato original decorrente da 
atividade criativa do ser humano”. 
A lei limita-se a dizer o que NÃO é invenção e nem modelo de utilidade (art. 10). A saber: 
• Programa de computador. 
• Métodos cirúrgicos (importante, despenca em concurso!). 
• Regras de jogo. 
• Planejamento tributário. 
• Obras científicas, literárias ou artísticas. 
• Métodos matemáticos. 
OBS: não confundir o art. 10 (o que não é invenção nem modelo de utilidade), com o art. 18 (o 
que não pode ser patenteado, pois ilícito). 
Art. 10. Não se considera INVENÇÃO nem MODELO DE UTILIDADE: 
I - Descobertas, teorias científicas e métodos matemáticos; 
II - Concepções puramente abstratas; 
III - esquemas, planos, princípios ou métodos comerciais, contábeis, 
financeiros, educativos, publicitários, de sorteio e de fiscalização; 
IV - As obras literárias, arquitetônicas, artísticas e científicas ou qualquer 
criação estética; 
V - Programas de computador em si; 
VI - Apresentação de informações; 
VII - regras de jogo; 
VIII - técnicas e métodos operatórios ou cirúrgicos, bem como métodos 
terapêuticos ou de diagnóstico, para aplicação no corpo humano ou animal; 
IX - O todo ou parte de seres vivos naturais e materiais biológicos 
encontrados na natureza, ou ainda que dela isolados, inclusive o genoma ou 
germoplasma de qualquer ser vivo natural e os processos biológicos 
naturais. 
 
Observe a redação do art. 18: 
 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 78 
 
Art. 18. Não são patenteáveis (leia-se: não podem ser patenteados, pois 
ILÍCITOS): 
I - o que for contrário à moral, aos bons costumes e à segurança, à ordem e 
à saúde públicas; 
II - as substâncias, matérias, misturas, elementos ou produtos de qualquer 
espécie, bem como a modificação de suas propriedades físico-químicas e 
os respectivos processos de obtenção ou modificação, quando resultantes 
de transformação do núcleo atômico; e (lembrar: tudo que for resultado 
de transformação do núcleo atômico não poderá ser patenteado) 
III - o todo ou parte dos seres vivos, exceto os micro-organismos 
transgênicos que atendam aos três requisitos de patenteabilidade - 
novidade, atividade inventiva e aplicação industrial - previstos no art. 8º e 
que não sejam mera descoberta. 
Parágrafo único. Para os fins desta Lei, micro-organismos transgênicos são 
organismos, exceto o todo ou parte de plantas ou de animais, que 
expressem, mediante intervenção humana direta em sua composição 
genética, uma característica normalmente não alcançável pela espécie em 
condições naturais. 
3.5. MODELO DE UTILIDADE 
Art. 9º É patenteável como MODELO DE UTILIDADE o objeto de uso 
prático, ou parte deste, suscetível de aplicação industrial, que apresente 
nova forma ou disposição, envolvendo ato inventivo, que resulte em 
melhoria funcional no seu uso ou em sua fabricação. 
 
O art. 9º da Lei trata do “objeto de uso prático, ou parte deste, suscetível de aplicação 
industrial, que apresente nova forma ou disposição, envolvendo ato inventivo, que resulte em 
melhoria funcional no seu uso ou em sua fabricação”. 
É algo que traz uma utilidade maior para algo que já é considerado invenção (assim como 
a contravenção é um crime anão, pode-se dizer que o modelo de utilidade é uma invenção anã). 
É uma invenção melhorada. Algumas provas cobram como “mini invenção”, o CESPE já 
cobrou como “invenção anã” e “micro invenção”. Deve haver melhoramento de uma invenção. 
Segundo André Santa Cruz, “o modelo de utilidade tem que ser um objeto de uso prático, e 
não meramente artístico ou ornamental; tem que apresentar nova forma ou disposição, 
diferenciando-se, assim, do que já existe no mercado. E precisa, necessariamente, produzir uma 
melhoria no uso ou na fabricação da coisa” 
STF já reconheceu que churrasqueira sem fumaça é modelo de utilidade, o dispositivo que 
retira a fumaça é modelo de utilidade, agregado à churrasqueira. 
3.6. REQUISITOS DA PATENTEABILIDADE 
• Novidade; 
• Atividade inventiva; 
• Aplicação industrial; 
• Não impedimento (licitude); 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 79 
 
 
3.6.1. Novidade 
Aquilo que não está compreendido no estado da técnica (art. 11), vale dizer, a criação 
deve ser desconhecida pela comunidade científica, técnica ou industrial. 
Art. 11. A invenção e o modelo de utilidade são considerados NOVOS 
quando NÃO compreendidos no estado da técnica. 
§ 1º O estado da técnica é constituído por tudo aquilo tornado acessível ao 
público antes da data de depósito do pedido de patente, por descrição 
escrita ou oral, por uso ou qualquer outro meio, no Brasil ou no exterior, 
ressalvado o disposto nos arts. 12, 16 e 17. 
 
Art. 12. Não será considerada como estado da técnica a divulgação de 
invenção ou modelo de utilidade, quando ocorrida durante os 12 (doze) 
meses que precederem a data de depósito ou a da prioridade do pedido de 
patente, se promovida: 
I - pelo inventor; 
II - pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial - INPI, através de 
publicação oficial do pedido de patente depositado sem o consentimento do 
inventor, baseado em informações deste obtidas ou em decorrência de atos 
por ele realizados; ou 
III - por terceiros, com base em informações obtidas direta ou indiretamente 
do inventor ou em decorrência de atos por este realizados. 
 
Destaca-se que, conforme ensina André Santa Cruz, a Lei de Propriedade Industrial 
adotou o critério da novidade absoluta de modo que para ser privilegiável, a invenção deve ser 
nova de maneira absoluta. Ela não possuirá está característica se, antes da patente, houver sido 
conhecida mesmo no pais mais longínquo ou nos tempos mais recuados. 
3.6.2. Atividade inventiva 
Não basta que a criação seja original (conceito subjetivo). A invenção deve despertar nos 
técnicos da área o sentido de um real progresso, ou seja, não pode a criação decorrer de maneira 
óbvia do estado da técnica (art. 13). Quanto ao modelo de utilidade, não pode decorrer de 
maneira comum ou vulgar do estado da técnica, segundo parecer de experts no assunto (art. 14). 
 
Requisitos de 
patenteabilidade
Novidade (art. 11)
Não compreendido no 
estado de técnica
Atividade inventiva
(art. 13)
A criação não decorre 
de maneira óbvia do 
estado de técnica
Aplicação Industrial
(art. 15)
Possa ser 
industrializado
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 80 
 
Art. 13. A invenção é dotada de ATIVIDADE INVENTIVA sempre que, para 
um técnico no assunto, não decorra de maneira evidente ou óbvia do estado 
da técnica. 
 
 Art. 14. O modelo de utilidade é dotado de ATO INVENTIVO sempre que, 
para um técnico no assunto, não decorra de maneira comum ou vulgar do 
estado da técnica. 
3.6.3. Aplicação industrial 
Somente criações com aproveitamento industrial podem ser patenteadas. 
Exemplo de Fábio Ulhôa Coelho: um carro com o motor mais rápido do mundo que só 
funciona com um combustível que não existe na terra, não tem aplicação industrial, logo não pode 
ser considerado uma invenção. 
Art. 15. A invenção e o modelo de utilidade são considerados suscetíveis de 
APLICAÇÃO INDUSTRIAL quando possam ser utilizados ou produzidosem 
qualquer tipo de indústria. 
3.6.4. Não impedimento 
Salienta-se que para André Santa Cruz trata-se de licitude do objeto da patente. 
O art. 18 traz exemplos de criações não patenteáveis. 
Art. 18. Não são patenteáveis: 
I - o que for contrário à moral, aos bons costumes e à segurança, à ordem e 
à saúde públicas; 
II - as substâncias, matérias, misturas, elementos ou produtos de qualquer 
espécie, bem como a modificação de suas propriedades físico-químicas e 
os respectivos processos de obtenção ou modificação, quando resultantes 
de transformação do núcleo atômico; e (intenção do legislador: evitar o 
incentivo às armas atômicas) 
III - o todo ou parte dos seres vivos, exceto os microrganismos transgênicos 
que atendam aos três requisitos de patenteabilidade - novidade, atividade 
inventiva e aplicação industrial - previstos no art. 8º e que não sejam mera 
descoberta. 
 
Novamente, destacamos que o art. 18 não se confunde com o disposto no art. 10, que 
arrola, em diversos incisos, o que a lei não considerada invenção e nem modelo de utilidade. 
Nos dizeres de André Santa Cruz: “o art. 18 da LPI trata de casos que, em tese, podem ser 
considerados uma invenção ou um modelo de utilidade, porque preenchidos os requisitos de 
novidade, de atividade inventiva e da aplicação industrial. Todavia, o ordenamento jurídico prefere 
não lhes conferir proteção, em homenagem a valores supostamente mais elevados, como a moral, 
a segurança, entre outros ” 
3.7. LICENCIAMENTO DA PATENTE: LICENÇA VOLUNTÁRIA 
Os arts. 61 a 63 da LPI disciplinam a licença voluntária 
Art. 61. O titular de patente ou o depositante poderá celebrar contrato de 
licença para exploração. 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 81 
 
Parágrafo único. O licenciado poderá ser investido pelo titular de todos os 
poderes para agir em defesa da patente. 
 
Art. 62. O contrato de licença deverá ser averbado no INPI para que 
produza efeitos em relação a terceiros. 
§ 1º A averbação produzirá efeitos em relação a terceiros a partir da data de 
sua publicação. 
§ 2º Para efeito de validade de prova de uso, o contrato de licença não 
precisará estar averbado no INPI. 
 
Art. 63. O aperfeiçoamento introduzido em patente licenciada pertence a 
quem o fizer, sendo assegurado à outra parte contratante o direito de 
preferência para seu licenciamento 
 
Destaca-se, conforme as lições de André Santa Cruz, que “para celebrar o contrato de 
licença voluntária, obviamente, o titular da patente vai exigir do licenciado uma contraprestação, 
chamada royalty. No caso de licenciamento do pedido de patente, embora a lei não vede 
expressamente a cobrança de royalties, o INPI não tem admitido tal prática, negando pedidos de 
averbação que contenham tal previsão. Assim, os royalties só são admitidos nos casos d 
licenciamento de patente, mas nos casos de licenciamento de pedido de patente ” 
3.8. LICENCIAMENTO DA PATENTE : LICENÇA COMPULSÓRIA 
Aqui, o titular da patente fica obrigado a licenciá-la, contra sua vontade. Será determinada 
como forma de sancionar o titular da patente, bem como para atender imperativos de ordem 
pública. 
3.8.1. Abuso de direito ou de poder econômico e não exploração ou não satisfação das 
necessidades do mercado 
Perceba que, aqui, a licença compulsória da patente decorre de condutas do seu próprio 
titular, as quais não se coadunam com os princípios que justificam a concessão de um privilégio 
legal que lhe assegura um direito de exploração exclusiva do seu invento. Assim, configurada uma 
dessas situações, como o exercício abusivo dos direitos decorrentes da patente, poderá um 
interessado (um concorrente, por exemplo) requerer ao INPI a licença compulsória (André Santa 
Cruz). 
Art. 68. O titular ficará sujeito a ter a patente licenciada compulsoriamente 
se exercer os direitos dela decorrentes de forma abusiva, ou por meio 
dela praticar abuso de poder econômico, comprovado nos termos da lei, 
por decisão administrativa ou judicial. 
§ 1º Ensejam, igualmente, licença compulsória: 
I - a não exploração do objeto da patente no território brasileiro por falta de 
fabricação ou fabricação incompleta do produto, ou, ainda, a falta de uso 
integral do processo patenteado, ressalvados os casos de inviabilidade 
econômica, quando será admitida a importação; ou 
II - a comercialização que não satisfizer às necessidades do mercado. 
§ 2º A licença só poderá ser requerida por pessoa com legítimo interesse e 
que tenha capacidade técnica e econômica para realizar a exploração 
eficiente do objeto da patente, que deverá destinar-se, predominantemente, 
ao mercado interno, extinguindo-se nesse caso a excepcionalidade prevista 
no inciso I do parágrafo anterior. 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 82 
 
§ 3º No caso de a licença compulsória ser concedida em razão de abuso de 
poder econômico, ao licenciado, que propõe fabricação local, será garantido 
um prazo, limitado ao estabelecido no art. 74, para proceder à importação 
do objeto da licença, desde que tenha sido colocado no mercado 
diretamente pelo titular ou com o seu consentimento. 
§ 4º No caso de importação para exploração de patente e no caso da 
importação prevista no parágrafo anterior, será igualmente admitida a 
importação por terceiros de produto fabricado de acordo com patente de 
processo ou de produto, desde que tenha sido colocado no mercado 
diretamente pelo titular ou com o seu consentimento. 
§ 5º A licença compulsória de que trata o § 1º somente será requerida após 
decorridos 3 (três) anos da concessão da patente. 
Art. 69. A licença compulsória não será concedida se, à data do 
requerimento, o titular: 
I - justificar o desuso por razões legítimas; 
II - comprovar a realização de sérios e efetivos preparativos para a 
exploração; ou 
III - justificar a falta de fabricação ou comercialização por obstáculo de 
ordem legal. 
 
Art. 70. A licença compulsória será ainda concedida quando, 
cumulativamente, se verificarem as seguintes hipóteses: 
I - ficar caracterizada situação de dependência de uma patente em relação a 
outra; 
II - o objeto da patente dependente constituir substancial progresso técnico 
em relação à patente anterior; e 
III - o titular não realizar acordo com o titular da patente dependente para 
exploração da patente anterior. 
§ 1º Para os fins deste artigo considera-se patente dependente aquela cuja 
exploração depende obrigatoriamente da utilização do objeto de patente 
anterior. 
§ 2º Para efeito deste artigo, uma patente de processo poderá ser 
considerada dependente de patente do produto respectivo, bem como uma 
patente de produto poderá ser dependente de patente de processo. 
§ 3º O titular da patente licenciada na forma deste artigo terá direito a 
licença compulsória cruzada da patente dependente. 
 
Art. 72. As licenças compulsórias serão sempre concedidas sem 
exclusividade, não se admitindo o sublicenciamento. 
 
OBS: não existe licença voluntária e compulsória para REGISTRO, somente para patentes. 
3.8.2. Emergência nacional ou interesse público 
Art. 71. Nos casos de emergência nacional ou interesse público, 
declarados em ato do Poder Executivo Federal, desde que o titular da 
patente ou seu licenciado não atenda a essa necessidade, poderá ser 
concedida, de ofício, licença compulsória, temporária e não exclusiva, 
para a exploração da patente, sem prejuízo dos direitos do respectivo titular. 
Parágrafo único. O ato de concessão da licença estabelecerá seu prazo de 
vigência e a possibilidade de prorrogação. 
 
Art. 73. O pedido de licença compulsória deverá ser formulado mediante 
indicação das condições oferecidas ao titular da patente. 
§ 1º Apresentado o pedido de licença, o titular será intimado para 
manifestar-se no prazo de 60 (sessenta) dias, findo o qual, sem 
manifestação do titular, será considerada aceita a proposta nas condições 
oferecidas. 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 83 
 
§ 2º O requerente de licença que invocar abuso de direitos patentáriosou 
abuso de poder econômico deverá juntar documentação que o comprove. 
§ 3º No caso de a licença compulsória ser requerida com fundamento na 
falta de exploração, caberá ao titular da patente comprovar a exploração. 
§ 4º Havendo contestação, o INPI poderá realizar as necessárias 
diligências, bem como designar comissão, que poderá incluir especialistas 
não integrantes dos quadros da autarquia, visando arbitrar a remuneração 
que será paga ao titular. 
§ 5º Os órgãos e entidades da administração pública direta ou indireta, 
federal, estadual e municipal, prestarão ao INPI as informações solicitadas 
com o objetivo de subsidiar o arbitramento da remuneração. 
§ 6º No arbitramento da remuneração, serão consideradas as circunstâncias 
de cada caso, levando-se em conta, obrigatoriamente, o valor econômico da 
licença concedida. 
§ 7º Instruído o processo, o INPI decidirá sobre a concessão e condições da 
licença compulsória no prazo de 60 (sessenta) dias. 
§ 8º O recurso da decisão que conceder a licença compulsória não terá 
efeito suspensivo. 
 
Art. 74. Salvo razões legítimas, o licenciado deverá iniciar a exploração do 
objeto da patente no prazo de 1 (um) ano da concessão da licença, admitida 
a interrupção por igual prazo. 
§ 1º O titular poderá requerer a cassação da licença quando não cumprido o 
disposto neste artigo. 
§ 2º O licenciado ficará investido de todos os poderes para agir em defesa 
da patente. 
§ 3º Após a concessão da licença compulsória, somente será admitida a 
sua cessão quando realizada conjuntamente com a cessão, alienação ou 
arrendamento da parte do empreendimento que a explore. 
 
É o que vulgarmente se conhece por “quebra de patente”. Ocorre quando o titular da 
patente não exerce o seu direito de exclusividade satisfatoriamente, caso no qual, por razões de 
interesse público ou emergência nacional, o titular é obrigado a licenciar sua criação a terceiros, 
sendo por isso remunerado (LPI, art. 68, §§ 1º e 5º - acima). 
Requisitos: 
• Em caso de interesse público ou emergência nacional; 
• Deve ser dada pelo poder executivo federal; 
• Temporária; 
• Não exclusiva; 
• O titular não terá prejuízo (será remunerado pelo licenciamento). 
O Decreto 6.108/07, que trata da licença compulsória de patentes referentes ao Efavirenz 
(medicamento contra o HIV), apresenta todos esses requisitos. 
Outro exemplo, é o Decreto que quebrou a patente do Viagra. 
3.8.3. Interesse da defesa nacional 
Previsto no art. 75 da LPI, vejamos: 
Art. 75. O pedido de patente originário do Brasil cujo objeto interesse à 
defesa nacional será processado em caráter sigiloso e não estará sujeito 
às publicações previstas nesta Lei. (Regulamento) 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 84 
 
§ 1º O INPI encaminhará o pedido, de imediato, ao órgão competente do 
Poder Executivo para, no prazo de 60 (sessenta) dias, manifestar-se sobre 
o caráter sigiloso. Decorrido o prazo sem a manifestação do órgão 
competente, o pedido será processado normalmente. 
§ 2º É vedado o depósito no exterior de pedido de patente cujo objeto tenha 
sido considerado de interesse da defesa nacional, bem como qualquer 
divulgação do mesmo, salvo expressa autorização do órgão competente. 
§ 3º A exploração e a cessão do pedido ou da patente de interesse da 
defesa nacional estão condicionadas à prévia autorização do órgão 
competente, assegurada indenização sempre que houver restrição dos 
direitos do depositante ou do titular. (Vide Decreto nº 2.553, de 1998) 
3.9. PATENTE PIPELINE 
É quando o depósito internacional é válido como interno, por conta do acordo de TRIPS. 
Também chamada de patente de revalidação, prevista nos arts. 230 e 231 da LPI, vejamos: 
Art. 230. Poderá ser depositado pedido de patente relativo às substâncias, 
matérias ou produtos obtidos por meios ou processos químicos e as 
substâncias, matérias, misturas ou produtos alimentícios, químico-
farmacêuticos e medicamentos de qualquer espécie, bem como os 
respectivos processos de obtenção ou modificação, por quem tenha 
proteção garantida em tratado ou convenção em vigor no Brasil, ficando 
assegurada a data do primeiro depósito no exterior, desde que seu objeto 
não tenha sido colocado em qualquer mercado, por iniciativa direta do titular 
ou por terceiro com seu consentimento, nem tenham sido realizados, por 
terceiros, no País, sérios e efetivos preparativos para a exploração do objeto 
do pedido ou da patente. 
§ 1º O depósito deverá ser feito dentro do prazo de 1 (um) ano contado da 
publicação desta Lei, e deverá indicar a data do primeiro depósito no 
exterior. 
§ 2º O pedido de patente depositado com base neste artigo será 
automaticamente publicado, sendo facultado a qualquer interessado 
manifestar-se, no prazo de 90 (noventa) dias, quanto ao atendimento do 
disposto no caput deste artigo. 
§ 3º Respeitados os arts. 10 e 18 desta Lei, e uma vez atendidas as 
condições estabelecidas neste artigo e comprovada a concessão da patente 
no país onde foi depositado o primeiro pedido, será concedida a patente no 
Brasil, tal como concedida no país de origem. 
§ 4º Fica assegurado à patente concedida com base neste artigo o prazo 
remanescente de proteção no país onde foi depositado o primeiro pedido, 
contado da data do depósito no Brasil e limitado ao prazo previsto no art. 
40, não se aplicando o disposto no seu parágrafo único. 
§ 5º O depositante que tiver pedido de patente em andamento, relativo às 
substâncias, matérias ou produtos obtidos por meios ou processos químicos 
e as substâncias, matérias, misturas ou produtos alimentícios, químico-
farmacêuticos e medicamentos de qualquer espécie, bem como os 
respectivos processos de obtenção ou modificação, poderá apresentar novo 
pedido, no prazo e condições estabelecidos neste artigo, juntando prova de 
desistência do pedido em andamento. 
§ 6º Aplicam-se as disposições desta Lei, no que couber, ao pedido 
depositado e à patente concedida com base neste artigo. 
 
Art. 231. Poderá ser depositado pedido de patente relativo às matérias de 
que trata o artigo anterior, por nacional ou pessoa domiciliada no País, 
ficando assegurada a data de divulgação do invento, desde que seu objeto 
não tenha sido colocado em qualquer mercado, por iniciativa direta do titular 
ou por terceiro com seu consentimento, nem tenham sido realizados, por 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 85 
 
terceiros, no País, sérios e efetivos preparativos para a exploração do objeto 
do pedido. 
§ 1º O depósito deverá ser feito dentro do prazo de 1 (um) ano contado da 
publicação desta Lei. 
§ 2º O pedido de patente depositado com base neste artigo será 
processado nos termos desta Lei. 
§ 3º Fica assegurado à patente concedida com base neste artigo o prazo 
remanescente de proteção de 20 (vinte) anos contado da data da 
divulgação do invento, a partir do depósito no Brasil. 
§ 4º O depositante que tiver pedido de patente em andamento, relativo às 
matérias de que trata o artigo anterior, poderá apresentar novo pedido, no 
prazo e condições estabelecidos neste artigo, juntando prova de desistência 
do pedido em andamento. 
 
Foi o que aconteceu com o Viagra. Para o Brasil, é válido esse primeiro depósito 
internacional. 
Explicação Dizer o Direito 
Em palavras muito simples, porque o tema é bem complexo, a patente “pipeline”, também 
chamada de “patente de importação” ou “patente de revalidação”, é aquela em que em fica 
demonstrado que já houve expedição de patente no exterior, razão pela qual o INPI registra no 
Brasil essa patente exigindo menores formalidades. 
O sistema pipeline de patentes, disciplinado no art. 230 da Lei 9.279⁄96, 
desde que cumpridos requisitos e condições próprias, reconhece o direito a 
exploração com exclusividade ao inventor cujo invento – embora não 
patenteável quando da vigência da Lei 5.772⁄71 – seja objeto de patente 
estrangeira.” (STJ. 3ª Turma. REsp nº 1.092.139/RJ, Rel. Min. Paulo de 
Tarso Sanseverino, julgado em 21/10/2010). 
 
Outra característicada patente do tipo “pipeline” é que ela se refere a substâncias, 
matérias ou produtos que farão parte da fórmula de produtos finais que ainda estão em fase de 
desenvolvimento, ou seja, não se encontram disponíveis para o comércio. Como o produto ainda 
não está pronto, não poderia ser protegido, mas, mesmo assim, a legislação abre uma exceção e 
aceita a patente da substância. 
Segundo o STJ, a concessão da patente “pipeline” representa uma mitigação ao princípio 
da novidade. Além disso, nesse sistema de patente não são examinados os requisitos usuais de 
patenteabilidade. Trata-se, portanto, de um sistema de exceção, não previsto em tratados 
internacionais, que deve ser interpretado restritivamente, seja por contrapor ao sistema comum de 
patentes, seja por restringir a concorrência e a livre iniciativa (STJ. 3ª Turma. REsp nº 
1.145.637/RJ, Rel. Desembargador Convocado Vasco Della Giustina, julgado em 15⁄12⁄2009). 
 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 86 
 
 
3.10. NULIDADE DA PATENTE 
3.10.1. Disposição legal 
Art. 46. É nula a patente concedida contrariando as disposições desta Lei. 
 
Art. 47. A nulidade poderá não incidir sobre todas as reivindicações, sendo 
condição para a nulidade parcial o fato de as reivindicações subsistentes 
constituírem matéria patenteável por si mesmas. 
 
Art. 48. A nulidade da patente produzirá efeitos a partir da data do depósito 
do pedido. 
 
Art. 49. No caso de inobservância do disposto no art. 6º, o inventor poderá, 
alternativamente, reivindicar, em ação judicial, a adjudicação da patente. 
3.10.2. Processo administrativo de nulidade de patente 
Art. 50. A nulidade da patente será declarada ADMINISTRATIVAMENTE 
quando: 
I - não tiver sido atendido qualquer dos requisitos legais; 
II - o relatório e as reivindicações não atenderem ao disposto nos arts. 24 e 
25, respectivamente; 
 
Art. 24. O relatório deverá descrever clara e suficientemente o objeto, de 
modo a possibilitar sua realização por técnico no assunto e indicar, quando 
for o caso, a melhor forma de execução. 
Parágrafo único. No caso de material biológico essencial à realização 
prática do objeto do pedido, que não possa ser descrito na forma deste 
artigo e que não estiver acessível ao público, o relatório será suplementado 
por depósito do material em instituição autorizada pelo INPI ou indicada em 
acordo internacional. 
 
Art. 25. As reivindicações deverão ser fundamentadas no relatório 
descritivo, caracterizando as particularidades do pedido e definindo, de 
modo claro e preciso, a matéria objeto da proteção. 
 
III - o objeto da patente se estenda além do conteúdo do pedido 
originalmente depositado; ou 
IV - no seu processamento, tiver sido omitida qualquer das formalidades 
essenciais, indispensáveis à concessão. 
 
Prazo para o processo ADMINISTRATIVO requerendo a nulidade da patente: Art. 51: 06 
meses da concessão. 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 87 
 
Art. 51. O processo de nulidade poderá ser instaurado de ofício ou mediante 
requerimento de qualquer pessoa com legítimo interesse, no prazo de 6 
(SEIS) MESES contados da CONCESSÃO da PATENTE. 
 
OBS: para declaração de nulidade no âmbito administrativo do REGISTRO (desenho industrial ou 
marca) o prazo é de 05 anos. 
Parágrafo único. O processo de nulidade prosseguirá ainda que extinta a 
patente. 
 
Art. 52. O titular será intimado para se manifestar no prazo de 60 (sessenta) 
dias. 
 
Art. 53. Havendo ou não manifestação, decorrido o prazo fixado no artigo 
anterior, o INPI emitirá parecer, intimando o titular e o requerente para se 
manifestarem no prazo comum de 60 (sessenta) dias. 
 
Art. 54. Decorrido o prazo fixado no artigo anterior, mesmo que não 
apresentadas as manifestações, o processo será decidido pelo Presidente 
do INPI, encerrando-se a instância administrativa. 
 
Art. 55. Aplicam-se, no que couber, aos certificados de adição, as 
disposições desta Seção. 
 
Prazo para pleitear JUDICIALMENTE requerendo a nulidade: art. 56. Não tem prazo 
Art. 56. A AÇÃO DE NULIDADE poderá ser proposta a qualquer tempo da 
vigência da patente, pelo INPI ou por qualquer pessoa com legítimo 
interesse. 
§ 1º A nulidade da patente poderá ser arguida, a qualquer tempo, como 
matéria de defesa. 
§ 2º O juiz poderá, preventiva ou incidentalmente, determinar a suspensão 
dos efeitos da patente, atendidos os requisitos processuais próprios. 
 
Art. 57. A ação de nulidade de patente será ajuizada no foro da Justiça 
Federal e o INPI, quando não for autor, intervirá no feito. 
§ 1º O prazo para resposta do réu titular da patente será de 60 (sessenta) 
dias. 
§ 2º Transitada em julgado a decisão da ação de nulidade, o INPI publicará 
anotação, para ciência de terceiros 
3.11. EXTINÇÃO DA PATENTE 
O art. 78 da LPI prevê as hipóteses em que haverá a extinção da patente. 
Art. 78. A patente extingue-se: 
I - pela expiração do prazo de vigência; 
II - pela renúncia de seu titular, ressalvado o direito de terceiros; 
III - pela caducidade; 
IV - pela falta de pagamento da retribuição anual, nos prazos previstos no § 
2º do art. 84 e no art. 87; e 
V - pela inobservância do disposto no art. 217. 
Parágrafo único. Extinta a patente, o seu objeto cai em domínio público. 
 
Art. 79. A renúncia só será admitida se não prejudicar direitos de terceiros. 
 
Conforme o art. 80, terminado o prazo do licenciamento compulsório e permanecendo a 
situação que ensejou a medida (exploração insatisfatória da invenção, por exemplo), ocorrerá a 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 88 
 
caducidade da patente, perdendo o inventor todos os direitos industriais que possuía, caindo a 
invenção em domínio público. 
 
Art. 80. Caducará a patente, de ofício ou a requerimento de qualquer 
pessoa com legítimo interesse, se, decorridos 2 (dois) anos da concessão 
da primeira licença compulsória, esse prazo não tiver sido suficiente para 
prevenir ou sanar o abuso ou desuso, salvo motivos justificáveis. 
§ 1º A patente caducará quando, na data do requerimento da caducidade ou 
da instauração de ofício do respectivo processo, não tiver sido iniciada a 
exploração. 
§ 2º No processo de caducidade instaurado a requerimento, o INPI poderá 
prosseguir se houver desistência do requerente. 
 
Art. 81. O titular será intimado mediante publicação para se manifestar, no 
prazo de 60 (sessenta) dias, cabendo-lhe o ônus da prova quanto à 
exploração. 
 
Art. 82. A decisão será proferida dentro de 60 (sessenta) dias, contados do 
término do prazo mencionado no artigo anterior. 
 
Art. 83. A decisão da caducidade produzirá efeitos a partir da data do 
requerimento ou da publicação da instauração de ofício do processo. 
4. REGISTRO 
4.1. DESENHO INDUSTRIAL (“DESIGN”) 
Art. 95. Considera-se DESENHO INDUSTRIAL a forma plástica ornamental 
de um objeto ou o conjunto ornamental de linhas e cores que possa ser 
aplicado a um produto, proporcionando resultado visual novo e original 
na sua configuração externa e que possa servir de tipo de fabricação 
industrial. 
 
 Conforme o art. 95 é “a forma plástica ornamental, de um objeto ou o conjunto ornamental 
de linhas e cores, que possa ser aplicado a um produto, proporcionando resultado visual novo e 
original na sua configuração externa e que possa servir de tipo de fabricação industrial”. 
Expressões: visual novo, configuração externa, estética, design, visual arrojado. 
Doutrina: desenho industrial é elemento fútil, pois não traz nenhum tipo de utilidade, só 
está preocupado com a configuração externa. 
Preservativo com sabor é o que? Modelo de utilidade. Diferentemente de preservativo 
colorido, como muda a estética, é desenho industrial. 
André Ramos sujeita o desenho industrial aos seguintes requisitos: NOVIDADE - art. 96 
§3º, ORIGINALIDADE (ao invés da ‘atividade inventiva’ da patente) – art. 97, APLICAÇÃO 
INDUSTRIAL e LICITUDE (ou desimpedimento). - “NOA” 
4.1.1. Novidade 
Estará atendida quando o desenho industrial não for compreendido no estado de técnica.CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 89 
 
Art. 96. O desenho industrial é considerado NOVO quando não 
compreendido no estado da técnica. 
§ 1º O estado da técnica é constituído por tudo aquilo tornado acessível ao 
público antes da data de depósito do pedido, no Brasil ou no exterior, por 
uso ou qualquer outro meio, ressalvado o disposto no § 3º deste artigo e no 
art. 99. 
§ 2º Para aferição unicamente da novidade, o conteúdo completo de pedido 
de patente ou de registro depositado no Brasil, e ainda não publicado, será 
considerado como incluído no estado da técnica a partir da data de 
depósito, ou da prioridade reivindicada, desde que venha a ser publicado, 
mesmo que subsequentemente. 
§ 3º Não será considerado como incluído no estado da técnica o desenho 
industrial cuja divulgação tenha ocorrido durante os 180 (cento e oitenta) 
dias que precederem a data do depósito ou a da prioridade reivindicada, se 
promovida nas situações previstas nos incisos I a III do art. 12. 
 
Art. 12. Não será considerada como estado da técnica a divulgação de 
invenção ou modelo de utilidade, quando ocorrida durante os 12 (doze) 
meses que precederem a data de depósito ou a da prioridade do pedido de 
patente, se promovida: 
I - pelo inventor; 
II - pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial - INPI, através de 
publicação oficial do pedido de patente depositado sem o consentimento do 
inventor, baseado em informações deste obtidas ou em decorrência de atos 
por ele realizados; ou 
III - por terceiros, com base em informações obtidas direta ou indiretamente 
do inventor ou em decorrência de atos por este realizados. 
4.1.2. Originalidade 
Trata-se da necessidade de o desenho industrial apresentar um caráter distinto em relação 
aos demais já existentes. 
Art. 97. O desenho industrial é considerado original quando dele resulte 
uma configuração visual distintiva, em relação a outros objetos 
anteriores. 
Parágrafo único. O resultado VISUAL ORIGINAL poderá ser decorrente da 
combinação de elementos conhecidos 
4.1.3. Impedimentos 
Art. 100. Não é registrável como desenho industrial: 
I - o que for contrário à moral e aos bons costumes ou que ofenda a honra 
ou imagem de pessoas, ou atente contra liberdade de consciência, crença, 
culto religioso ou ideia e sentimentos dignos de respeito e veneração; 
II - a forma necessária comum ou vulgar do objeto ou, ainda, aquela 
determinada essencialmente por considerações técnicas ou funcionais. 
4.1.4. Nulidade do registro do desenho de utilidade art. 112 
Art. 112. É NULO o registro concedido em desacordo com as disposições 
desta Lei. 
§ 1º A nulidade do registro produzirá efeitos a partir da data do depósito do 
pedido. 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 90 
 
§ 2º No caso de inobservância do disposto no art. 94, o autor poderá, 
alternativamente, reivindicar a adjudicação do registro. 
 
Prazo para o processo administrativo: art. 113 – 05 anos da concessão. 
Art. 113. A nulidade do registro será declarada administrativamente quando 
tiver sido concedido com infringência dos arts. 94 a 98. 
§ 1º O processo de nulidade poderá ser instaurado de ofício ou mediante 
requerimento de qualquer pessoa com legítimo interesse, no prazo de 05 
(cinco) anos contados da CONCESSÃO do registro, ressalvada a 
hipótese prevista no parágrafo único do art. 111. 
 
OBS: para declaração de nulidade no âmbito administrativo da PATENTE (invenção ou 
modelo de utilidade) o prazo é de 06 meses. 
 
§ 2º O requerimento ou a instauração de ofício suspenderá os efeitos da 
concessão do registro se apresentada ou publicada no prazo de 60 
(sessenta) dias da concessão. 
 
Prazo judicial (ação de nulidade): art. 56/57 - sem prazo. 
Art. 118. Aplicam-se à ação de nulidade de registro de desenho industrial, 
no que couber, as disposições dos arts. 56 e 57. 
 
Art. 56. A ação de nulidade poderá ser proposta a qualquer tempo da 
vigência da patente, pelo INPI ou por qualquer pessoa com legítimo 
interesse. 
§ 1º A nulidade da patente poderá ser arguida, a qualquer tempo, como 
matéria de defesa. 
§ 2º O juiz poderá, preventiva ou incidentalmente, determinar a suspensão 
dos efeitos da patente, atendidos os requisitos processuais próprios. 
 
Art. 57. A ação de nulidade de patente será ajuizada no foro da Justiça 
Federal e o INPI, quando não for autor, intervirá no feito. 
§ 1º O prazo para resposta do réu titular da patente será de 60 (sessenta) 
dias. 
§ 2º Transitada em julgado a decisão da ação de nulidade, o INPI publicará 
anotação, para ciência de terceiros. 
4.1.5. Extinção do REGISTRO do desenho de utilidade 
Art. 119. O registro extingue-se: 
I - pela expiração do prazo de vigência; 
II - pela renúncia de seu titular, ressalvado o direito de terceiros; 
III - pela falta de pagamento da retribuição prevista nos arts. 108 e 120; ou 
IV - pela inobservância do disposto no art. 217. 
 
Não haverá extinção por caducidade. 
4.2. MARCA 
Art. 122. São suscetíveis de REGISTRO como marca os sinais distintivos 
visualmente perceptíveis, não compreendidos nas proibições legais. 
 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 91 
 
A marca é um sinal visualmente perceptível que serve como meio distintivo. Um sinal 
sonoro não pode ser registrado como marca, pois não é visual. 
4.2.1. Espécies de Marca (art. 123) 
Art. 123. Para os efeitos desta Lei, considera-se: 
 I - marca de produto ou serviço: aquela usada para distinguir produto ou 
serviço de outro idêntico, semelhante ou afim, de origem diversa; 
 
ATENÇÃO: NÃO se confunde com nome empresarial (designativo do empresário ou 
sociedade) nem com título do estabelecimento (designativo do próprio do estabelecimento 
empresarial). 
II - marca de certificação: aquela usada para atestar a conformidade de um 
produto ou serviço com determinadas normas ou especificações técnicas, 
notadamente quanto à qualidade, natureza, material utilizado e metodologia 
empregada; e 
 
Exemplo: INMETRO, ISO. 
III - marca coletiva: aquela usada para identificar produtos ou serviços 
provindos de membros de uma determinada entidade. 
 
Exemplo: Lata de café = Associação Brasileira dos Produtores de Café, serve para trazer 
maior credibilidade ao produto. 
4.2.2. Requisitos para registro de marca 
• Novidade (Relativa); 
• Originalidade (Não colidência com marca notória); 
• Não impedimento legal. 
Vejamos: 
1) Novidade (Relativa) 
Não se exige novidade absoluta, ou seja, não se exige que o sinal distintivo tenha sido 
criado pelo empresário. O que deve ser nova é a utilização daquele sinal em relação àquele tipo 
de produto ou serviço (princípio da especificidade ou especialidade). Ex: Produtos com a 
marca “Sol”, existem vários, desde cerveja a bronzeador. 
A novidade está relacionada à classificação do INPI. Se não estiver presente na lista do 
INPI, pode ser utilizada. 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 92 
 
 
 
DIREITO EMPRESARIAL. DIREITO DE USO EXCLUSIVO 
DE MARCA REGISTRADA. O uso, por quem presta serviço de ensino 
regular, da mesma marca anteriormente registrada, na classe dos 
serviços de educação, por quem presta, no mesmo Município, serviços 
de orientação e reeducação pedagógica a alunos com dificuldades 
escolares viola o direito de uso exclusivo de marca. O registro da 
marca, embora garanta proteção nacional à exploração exclusiva por parte 
do titular, encontra limite no princípio da especialidade, que restringe a 
exclusividade de utilização do signo a um mesmo nicho de produtos e 
serviços. Assim, uma mesma marca pode ser utilizada por titulares distintos 
se não houver qualquer possibilidade de se confundir o consumidor. Para se 
verificar a possibilidade de confusão na utilização da mesma marca por 
diferentes fornecedores de produtos e serviços, deve ser observada, 
inicialmente, a Classificação Internacional de Produtos e de Serviços, 
utilizada pelo INPI como parâmetro para concessão ou não do registro de 
uma marca. É verdade que a tabela de classes nãodeve ser utilizada de 
forma absoluta para fins de aplicação do princípio da 
especialidade, servindo apenas como parâmetro inicial na análise de 
possibilidade de confusão. Porém, na hipótese, embora os serviços 
oferecidos sejam distintos, eles são complementares, pois têm finalidades 
idênticas, além de ocuparem os mesmos canais de comercialização. REsp 
1.309.665-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 
4/9/2014. 
d) Originalidade (não colidência com marca notória) 
Marca notória é aquela ostensivamente pública e conhecida, de popularidade internacional, 
que é protegida independentemente de registro no INPI, devido à Convenção da União de 
Paris, da qual o Brasil é signatário. 
Atenção: MARCA NOTÓRIA é somente protegida no seu ramo de atividade (ou seja, 
protegida em relação a produtos idênticos ou similares), diferentemente da MARCA DE ALTO 
RENOME, que após ser registrada no INPI e ter reconhecida essa qualificação especial (alto 
renome), passa a ser protegida em TODOS OS RAMOS da atividade econômica, conforme o art. 
125 da LPI (proteção em todos os itens da classificação do INPI). 
Não confundir: 
 
 
 
http://www.stj.jus.br/webstj/processo/justica/jurisprudencia.asp?tipo=num_pro&valor=REsp1309665
http://www.stj.jus.br/webstj/processo/justica/jurisprudencia.asp?tipo=num_pro&valor=REsp1309665
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 93 
 
MARCA DE ALTO RENOME MARCA NOTÓRIA 
Precisa de registro Não precisa de registro (Convenção da 
União de Paris) 
Proteção em todos os itens de 
classificação 
Apenas no ramo de atividade 
Brasil Internacional 
 
Art. 125. À marca registrada no Brasil considerada de ALTO RENOME será 
assegurada proteção especial, em todos os ramos de atividade. 
 
Em relação à marca de alto renome, importante conhecer a decisão do STJ: 
 
A 3ª Turma do STJ alterou, em parte, seu entendimento. 
O STJ decidiu que o titular da marca possui legítimo interesse em obter, por via direta, uma 
declaração geral e abstrata de que sua marca é de alto renome. Veja alguns argumentos 
veiculados pela Min. Nancy Andrighi: 
• O reconhecimento do alto renome só pela via incidental (de defesa) imporia ao titular 
um ônus injustificado de ficar constantemente acompanhando todos os pedidos de 
registro de marcas a fim de identificar eventuais ofensas ao seu direito marcário; 
• Ademais, acontece muitas vezes de a pessoa que está utilizando indevidamente a 
marca de alto renome nem sequer tentar fazer o registro no INPI por saber que seria 
questionado. Ex: a pessoa possui uma confecção de roupas Natura (com o mesmo 
símbolo da marca registrada). Logo, ela nem vai tentar registrar esta marca porque tem 
consciência de que haveria oposição por parte da empresa de cosméticos. Nesses 
casos, a controvérsia não chega ao INPI, impedindo que o titular da marca adote 
qualquer medida administrativa incidental visando à declaração do alto renome. 
• Verifica-se, portanto, haver efetivo interesse do titular em obter uma declaração geral e 
abstrata de que sua marca é de alto renome. 
• Os atos do INPI relacionados com o registro do alto renome de uma marca, por 
derivarem do exercício de uma discricionariedade técnica e vinculada, encontram-se 
sujeitos a controle pelo Poder Judiciário, sem que isso implique violação do princípio da 
separação dos poderes. 
O STJ decidiu, no entanto, que o Poder Judiciário não poderá declarar diretamente que a 
marca é de alto renome por meio de uma decisão judicial. O que o Judiciário pode fazer é 
determinar que o INPI examine, em um certo prazo, se a marca é realmente de alto renome. 
Art. 126. A marca notoriamente conhecida em seu ramo de atividade nos 
termos do art. 6º bis (I), da Convenção da União de Paris para Proteção da 
Propriedade Industrial, goza de proteção especial, independentemente de 
estar previamente depositada ou registrada no Brasil. 
§ 1º A proteção de que trata este artigo aplica-se também às marcas de 
serviço. 
§ 2º O INPI poderá indeferir de ofício pedido de registro de marca que 
reproduza ou imite, no todo ou em parte, marca notoriamente conhecida. 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 94 
 
 
Lembrar de processo civil: fato notório não precisa ser provado, assim como a marca 
notória não precisa de registro no INPI para ser protegida. 
A proteção de marca notória registrada no INPI produz efeitos ex nunc, 
não atingindo registros regularmente constituídos em data anterior. O 
direito de exclusividade ao uso da marca em decorrência do registro no 
INPI, excetuadas as hipóteses de marcas notórias, é limitado à classe para 
a qual foi deferido, não abrangendo produtos não similares, enquadrados 
em outras classes. O registro da marca como notória, ao afastar o princípio 
da especialidade, confere ao seu titular proteção puramente defensiva e 
acautelatória, a fim de impedir futuros registros ou uso por terceiros de 
outras marcas iguais ou parecidas, não retroagindo para atingir registros 
anteriores. Precedente citado: REsp 246.652-RJ, DJ 16/4/2007. AgRg 
no REsp 1.163.909-RJ, Rel. Min. Massami Uyeda, julgado em 2/10/2012. 
e) Não impedimento legal 
Os signos impedidos por lei de serem registrados como marcas estão previstos no art. 124 
da LPI (ler todos), desatando-se como os mais importantes: 
• Símbolo oficial e monumentos nacionais ou internacionais não podem ser registrados 
como marca. Exemplo: Não é possível registrar a bandeira do Brasil como marca de 
um produto. 
• A marca não pode representar falsa indicação geográfica. Exemplo: Se fiz um 
perfume em Campinas, não posso registrar como francês; se faço um chocolate em 
Santo André, não posso chamar de Gramado, sendo assim estaria induzindo o 
consumidor a erro. 
• Designação ou sigla de entidade ou órgão público, quando não requerido o registro 
pela própria entidade ou órgão público. Exemplo: Não posso abrir um cursinho jurídico 
com nome de STF, STJ. 
Art. 124. Não são registráveis como marca: 
I - brasão, armas, medalha, bandeira, emblema, distintivo e monumento 
oficiais, públicos, nacionais, estrangeiros ou internacionais, bem como a 
respectiva designação, figura ou imitação; 
II - letra, algarismo e data, isoladamente, salvo quando revestidos de 
suficiente forma distintiva; 
III - expressão, figura, desenho ou qualquer outro sinal contrário à moral e 
aos bons costumes ou que ofenda a honra ou imagem de pessoas ou atente 
contra liberdade de consciência, crença, culto religioso ou idéia e 
sentimento dignos de respeito e veneração; 
IV - designação ou sigla de entidade ou órgão público, quando não 
requerido o registro pela própria entidade ou órgão público; 
V - reprodução ou imitação de elemento característico ou diferenciador de 
título de estabelecimento ou nome de empresa de terceiros, suscetível de 
causar confusão ou associação com estes sinais distintivos; 
VI - sinal de caráter genérico, necessário, comum, vulgar ou simplesmente 
descritivo, quando tiver relação com o produto ou serviço a distinguir, ou 
aquele empregado comumente para designar uma característica do produto 
ou serviço, quanto à natureza, nacionalidade, peso, valor, qualidade e 
época de produção ou de prestação do serviço, salvo quando revestidos de 
suficiente forma distintiva; 
VII - sinal ou expressão empregada apenas como meio de propaganda; 
http://www.stj.jus.br/webstj/processo/justica/jurisprudencia.asp?tipo=num_pro&valor=REsp1163909
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 95 
 
VIII - cores e suas denominações, salvo se dispostas ou combinadas de 
modo peculiar e distintivo; 
IX - indicação geográfica, sua imitação suscetível de causar confusão ou 
sinal que possa falsamente induzir indicação geográfica; 
X - sinal que induza a falsa indicação quanto à origem, procedência, 
natureza, qualidade ou utilidade do produto ou serviço a que a marca se 
destina; 
XI - reprodução ou imitação de cunho oficial, regularmente adotada para 
garantia de padrão de qualquer gênero ou natureza;XII - reprodução ou imitação de sinal que tenha sido registrado como marca 
coletiva ou de certificação por terceiro, observado o disposto no art. 154; 
XIII - nome, prêmio ou símbolo de evento esportivo, artístico, cultural, social, 
político, econômico ou técnico, oficial ou oficialmente reconhecido, bem 
como a imitação suscetível de criar confusão, salvo quando autorizados 
pela autoridade competente ou entidade promotora do evento; 
XIV - reprodução ou imitação de título, apólice, moeda e cédula da União, 
dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios, dos Municípios, ou de país; 
XV - nome civil ou sua assinatura, nome de família ou patronímico e 
imagem de terceiros, salvo com consentimento do titular, herdeiros ou 
sucessores; 
XVI - pseudônimo ou apelido notoriamente conhecidos, nome artístico 
singular ou coletivo, salvo com consentimento do titular, herdeiros ou 
sucessores; 
XVII - obra literária, artística ou científica, assim como os títulos que estejam 
protegidos pelo direito autoral e sejam suscetíveis de causar confusão ou 
associação, salvo com consentimento do autor ou titular; 
XVIII - termo técnico usado na indústria, na ciência e na arte, que tenha 
relação com o produto ou serviço a distinguir; 
XIX - reprodução ou imitação, no todo ou em parte, ainda que com 
acréscimo, de marca alheia registrada, para distinguir ou certificar produto 
ou serviço idêntico, semelhante ou afim, suscetível de causar confusão ou 
associação com marca alheia; 
XX - dualidade de marcas de um só titular para o mesmo produto ou 
serviço, salvo quando, no caso de marcas de mesma natureza, se 
revestirem de suficiente forma distintiva; 
XXI - a forma necessária, comum ou vulgar do produto ou de 
acondicionamento, ou, ainda, aquela que não possa ser dissociada de efeito 
técnico; 
XXII - objeto que estiver protegido por registro de desenho industrial de 
terceiro; e 
XXIII - sinal que imite ou reproduza, no todo ou em parte, marca que o 
requerente evidentemente não poderia desconhecer em razão de sua 
atividade, cujo titular seja sediado ou domiciliado em território nacional ou 
em país com o qual o Brasil mantenha acordo ou que assegure 
reciprocidade de tratamento, se a marca se destinar a distinguir produto ou 
serviço idêntico, semelhante ou afim, suscetível de causar confusão ou 
associação com aquela marca alheia. 
 
OBS: pode-se utilizar para divulgação, para marketing o que é não registrável. 
4.2.3. Nulidade do registro marca 
Administrativo: art. 169. 06 meses da concessão. 
Art. 169. O processo de nulidade poderá ser instaurado de ofício ou 
mediante requerimento de qualquer pessoa com legítimo interesse, no 
prazo de 180 (cento e oitenta) dias contados da data da expedição do 
certificado de registro. 
 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 96 
 
Destaca-se que para declaração de nulidade no âmbito administrativo da PATENTE 
(invenção ou modelo de utilidade) o prazo também é de 06 meses. 
Judicial: art. 174: 05 anos da concessão. 
Art. 174. Prescreve em 5 (cinco) anos a ação para declarar a nulidade do 
REGISTRO, contados da data da sua concessão. 
 
Para declaração de nulidade no âmbito judicial da PATENTE (invenção ou modelo de 
utilidade) e do REGISTRO de desenho industrial não há prazo. 
 
PATENTE (invenção 
e modelo de 
utilidade) 
REGISTRO do 
desenho de utilidade 
REGISTRO da marca 
Prazo para declaração 
de nulidade no âmbito 
administrativo 
06 meses 05 anos 180 dias (06 meses) 
Prazo para ação de 
nulidade (âmbito 
judicial) 
Enquanto vigente Enquanto vigente 05 anos 
4.2.4. Extinção do REGISTRO da marca 
Caducidade: 05 anos (art. 143). 
Art. 142. O registro da marca extingue-se: 
I - pela expiração do prazo de vigência; 
II - pela renúncia, que poderá ser total ou parcial em relação aos produtos 
ou serviços assinalados pela marca; 
III - pela caducidade; ou 
IV - pela inobservância do disposto no art. 217. 
 
Art. 143 - Caducará o registro, a requerimento de qualquer pessoa com 
legítimo interesse se, decorridos 5 (cinco) anos da sua concessão, na data 
do requerimento: 
I - o uso da marca não tiver sido iniciado no Brasil; ou 
II - o uso da marca tiver sido interrompido por mais de 5 (cinco) anos 
consecutivos, ou se, no mesmo prazo, a marca tiver sido usada com 
modificação que implique alteração de seu caráter distintivo original, tal 
como constante do certificado de registro. 
§ 1º Não ocorrerá caducidade se o titular justificar o desuso da marca por 
razões legítimas. 
§ 2º O titular será intimado para se manifestar no prazo de 60 (sessenta) 
dias, cabendo-lhe o ônus de provar o uso da marca ou justificar seu desuso 
por razões legítimas. 
 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 97 
 
 
5. ASPECTOS PROCESSUAIS DA LPI 
Ações de Nulidade do registro ou patente: Tanto pode ser ação judicial quanto ação 
administrativa. 
 
a) Patente (invenção / modelo de utilidade) 
Prazo administrativo: 06 meses contados da CONCESSÃO da patente. 
Prazo judicial: Pode ingressar com a ação enquanto a patente for vigente. 
 Art. 51. O processo de nulidade poderá ser instaurado de ofício ou 
mediante requerimento de qualquer pessoa com legítimo interesse, no 
prazo de 6 (seis) meses contados da concessão da patente. 
Parágrafo único. O processo de nulidade prosseguirá ainda que extinta a 
patente. 
 
b) Desenho industrial 
Prazo administrativo: 05 anos contados da CONCESSÃO do registro. 
Prazo Judicial: Enquanto permanecer o registro. 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 98 
 
 
Art. 113. A nulidade do registro será declarada administrativamente quando 
tiver sido concedido com infringência dos arts. 94 a 98. 
§ 1º O processo de nulidade poderá ser instaurado de ofício ou mediante 
requerimento de qualquer pessoa com legítimo interesse, no prazo de 5 
(cinco) anos contados da concessão do registro, ressalvada a hipótese 
prevista no parágrafo único do art. 111. 
§ 2º O requerimento ou a instauração de ofício suspenderá os efeitos da 
concessão do registro se apresentada ou publicada no prazo de 60 
(sessenta) dias da concessão. 
 
 
c) Marca 
Prazo administrativo: 180 dias contados da EXPEDIÇÃO do certificado de registro. 
Prazo judicial: 05 anos contados da concessão. 
 
Art. 169. O processo de nulidade poderá ser instaurado de ofício ou 
mediante requerimento de qualquer pessoa com legítimo interesse, no 
prazo de 180 (cento e oitenta) dias contados da data da expedição do 
certificado de registro 
 
Art. 174. Prescreve em 5 (cinco) anos a ação para declarar a nulidade do 
registro, contados da data da sua concessão. 
 
A ação de nulidade (seja de marca/patente) deve ser ajuizada na JF. Se o INPI não for o 
autor da ação, ele deverá intervir no processo. 
O prazo de resposta do réu é de 60 dias, tanto nas ações judiciais quanto administrativas 
(art. 175, §1º). 
Art. 175. A ação de nulidade do registro será ajuizada no foro da justiça 
federal e o INPI, quando não for autor, intervirá no feito. 
 § 1º O prazo para resposta do réu titular do registro será de 60 (sessenta) 
dias. 
 
 INVENÇÃO MODELO DE U. 
DESENHO 
INDU. 
MARCA 
ADMINISTRATIVO 06 meses 06 meses 05 anos 180 dias 
JUDICIAL - - - 05 anos 
6. PRESCRIÇÃO 
Art. 225 da LPI, será de cinco anos. 
Art. 225. Prescreve em 5 (cinco) anos a ação para reparação de dano 
causado ao direito de propriedade industrial. 
 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 99 
 
 
Esse prazo começa na data da violação do direito à propriedade industrial e se renova 
enquanto houver o indevido uso. Isso porque o prazo prescricional começa a correr tão logo nasça 
a pretensão, a qual tem origem com a violação do direito subjetivo (o direito de propriedade 
industrial). No entanto, considerando que a citada violação é permanente, enquanto o réu 
continuar a utilizar marca alheia registrada, diariamente o direito será violado, nascendo nova 
pretensão indenizatória. 
7. FORMAS DE EXTINÇÃO DA PROPRIEDADE INDUSTRIAL 
1) Expiração do prazo de vigência (cai em domíniopúblico). 
 
2) Renúncia (que somente poderá ser feita se não houver prejuízo para terceiros, como 
licenciados, por exemplo). 
 
Art. 79. A RENÚNCIA só será admitida se não prejudicar direitos de 
terceiros. 
 
3) Caducidade: Falta de uso da propriedade ou uso insatisfatório. Exemplo: art. 143, ambos 
da LPI. 
 
Art. 143 - Caducará o registro, a requerimento de qualquer pessoa com 
legítimo interesse se, decorridos 5 (cinco) anos da sua concessão, na data 
do requerimento: 
I - o uso da marca não tiver sido iniciado no Brasil; ou 
II - o uso da marca tiver sido interrompido por mais de 5 (cinco) anos 
consecutivos, ou se, no mesmo prazo, a marca tiver sido usada com 
modificação que implique alteração de seu caráter distintivo original, tal 
como constante do certificado de registro. 
 
Tem-se uma marca e não utiliza por 5 anos, haverá caducidade da marca. 
 
4) Falta de pagamento da retribuição anual (taxa anual devida ao INPI) 
 
5) Inobservância do art. 217 da LPI: 
 
Art. 217. A pessoa domiciliada no exterior deverá constituir e manter 
procurador devidamente qualificado e domiciliado no País, com poderes 
para representá-la administrativa e judicialmente, inclusive para receber 
citações. 
 
 
 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 100 
 
DIREITO SOCIETÁRIO 
1. QUADRO SOCIETÁRIO EMPRESARIAL 
Quadro geral das sociedades (empresárias): 
1.1. SOCIEDADE NÃO PERSONIFICADA 
Aquela que não possui personalidade jurídica, divide-se em: 
a) Sociedade em comum 
b) Sociedade em conta de participação 
1.2. SOCIEDADE PERSONIFICADA 
Possui personalidade jurídica, são as: 
a. Sociedade em nome coletivo (1.039 a 1.044 CC) 
b. Sociedade em comandita simples (1.045 a 1.051 CC) 
c. Sociedade limitada (1.052 a 1.087 CC) 
d. Sociedade anônima (1.088 a 1.089 CC e Lei 6.404/76 - LSA) 
e. Sociedade em comandita por ações (1.090 a 1.092 CC) 
2. SOCIEDADES NÃO PERSONIFICADAS 
2.1. SOCIEDADE EM COMUM 
Muitos a chamavam de irregular ou sociedade de fato, não existe mais esta denominação, 
quando uma sociedade não tem registro, se chama sociedade em comum. Sociedade que ainda 
não inscreveu seus atos constitutivos no órgão de registro competente, qual seja, a Junta 
Comercial. 
O entendimento majoritário é no sentido de se tratar de sociedades contratuais em 
formação. 
Art. 986. Enquanto não inscritos os atos constitutivos, reger-se-á a 
sociedade, exceto por ações em organização, pelo disposto neste Capítulo, 
observadas, subsidiariamente e no que com ele forem compatíveis, as 
normas da sociedade simples (= não empresária). 
2.1.1. Responsabilidade dos sócios 
A responsabilidade do sócio é ilimitada. 
Não basta só saber que a sociedade é ilimitada, a responsabilidade que o sócio tem 
perante a sociedade é subsidiária. 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 101 
 
Enunciado 212 da JDC - Embora a sociedade em comum não tenha 
personalidade jurídica, o sócio que tem seus bens constritos por dívida 
contraída em favor da sociedade, e não participou do ato por meio do qual 
foi contraída a obrigação, tem o direito de indicar bens afetados às 
atividades empresariais para substituir a constrição. 
O sócio tem o chamado benefício de ordem (ordem a ser seguida: 1º bens da sociedade, 
2º bens dos sócios, art. 1.024 CC). 
Art. 1.024. Os bens particulares dos sócios não podem ser executados por 
dívidas da sociedade, senão depois de executados os bens sociais. 
 
Regra 2: responsabilidade que sócio tem perante os demais sócios → solidária. 
Aquele que contratou pela a sociedade não pode alegar benefício de ordem, somente 
podem alegar os demais sócios. Art. 990 cc. 
Art. 990. Todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas 
obrigações sociais, excluído do benefício de ordem, previsto no art. 1.024, 
aquele que contratou pela sociedade. 
 
Art. 988 do CC chama o patrimônio da sociedade comum de patrimônio especial e diz que 
quem vai ser o titular deste patrimônio serão os sócios desta sociedade, serão cotitulares deste 
patrimônio. Não é da sociedade pois ela não tem personalidade jurídica, consequentemente não 
tem autonomia patrimonial. 
Art. 987. Os sócios, nas relações entre si ou com terceiros, somente por 
escrito podem provar a existência da sociedade, mas os terceiros podem 
prová-la de qualquer modo. 
 
 Art. 988. Os bens e dívidas sociais constituem patrimônio especial, do 
qual os sócios são titulares em comum. 
 
Perceber: 
Sócio → Sociedade. Responsabilidade subsidiária. 1.024 CC. 
Sócio → Sócio(s). Responsabilidade solidária. 990 CC. 
Art. 1.024. Os bens particulares dos sócios não podem ser executados por 
dívidas da sociedade, senão depois de executados os bens sociais. 
 
Art. 990. Todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas 
obrigações sociais, excluído do benefício de ordem, previsto no art. 1.024, 
aquele que contratou pela sociedade. 
 
 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 102 
 
 
 
 Responsabilidade subsidiária 
 perante a sociedade 
 
 
 
2.2. SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO 
Art. 991. Na sociedade em conta de participação, a atividade constitutiva do 
objeto social é exercida unicamente pelo sócio ostensivo, em seu nome 
individual e sob sua própria e exclusiva responsabilidade, participando os 
demais dos resultados correspondentes. 
 
Aqui, então temos duas categorias de sócio: 
2.2.1. Sócio Ostensivo 
Exerce o objeto social. 
Responsabilidade exclusiva (responde perante terceiros). 
Agir em seu nome individual 
Obs.: como ela não tem personalidade jurídica, não terá nome empresarial. Tudo que o sócio 
ostensivo faz, faz em favor da sociedade, mas em seu nome individual e não em nome da 
sociedade. 
2.2.2. Sócio Participante 
Participa dos resultados. 
André Santa Cruz diz que na verdade não se trata, propriamente de uma sociedade, mas 
de um contrato especial de investimento. 
Mais de 90% dos “FLATs” no Brasil são em conta de participação. Temos uma construtora 
com equipamentos e funcionários suficientes para levantar uma obra, entretanto não há dinheiro 
suficiente para levantar uma obra, faço uma sociedade em conta de participação, eu serei o sócio 
ostensivo, e vocês os participantes, me concederão o capital e eu farei a obra. Em decorrência da 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 103 
 
administração, peço ainda uma parcela do rendimento mensal dos aluguéis, e apartamentos. 
Caso caia este prédio, a priori, somente eu responderei. 
Tudo que eu faço tenho que fazer em meu nome individual, visto que a sociedade não tem 
nome empresarial. Se sofre uma ação, quem figura no polo passivo é o sócio ostensivo, e 
não a sociedade. 
Quando se leva o contrato para registro na Junta Comercial do Estado se está querendo 
obter a sua personalidade jurídica. Logo, não tem justificativa registrar este contrato. Por esta 
razão, o sócio é chamado de “oculto” ou “participante”, pois não se tem como tomar ciência do 
contrato. Logo, para quem está vendendo móveis está vendendo para a construtora (sócio 
ostensivo) e não para a sociedade em conta de participação. 
Art. 985. A sociedade adquire personalidade jurídica com a inscrição, no 
registro próprio e na forma da lei, dos seus atos constitutivos (arts. 45 e 
1.150). 
 
Entretanto: 
Exceção da Sociedade em Conta de Participação: 
Art. 993. O contrato social produz efeito somente entre os sócios, e a 
eventual inscrição de seu instrumento em qualquer registro não confere 
personalidade jurídica à sociedade. 
Parágrafo único. Sem prejuízo do direito de fiscalizar a gestão dos negócios 
sociais, o sócio participante não pode tomar parte nas relações do sócio 
ostensivo com terceiros, sob pena de responder solidariamente com este 
pelas obrigações em que intervier. 
3. SOCIEDADES PERSONIFICADAS 
3.1. VISÃO GERAL 
Art. 982. Salvo as exceções expressas, considera-se empresária a 
sociedade que tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário 
sujeito a registro(art. 967); e, simples, as demais. 
 
Quanto ao objeto, a sociedade personificada pode ser uma sociedade empresária ou uma 
sociedade simples. 
 
 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 104 
 
 
3.2. REGISTRO DA SOCIEDADE 
Sociedade empresária: Registro na Junta Comercial (art. 1.150) (que como já vimos é a 
‘faceta’ estadual do Registro Público de Empresas Mercantis, ver acima). 
Sociedade simples: Registro no Registro Civil de Pessoa Jurídica (art. 1.150) → Cartório. 
Art. 1.150. O empresário e a sociedade empresária vinculam-se ao Registro 
Público de Empresas Mercantis a cargo das Juntas Comerciais, e a 
sociedade simples ao Registro Civil das Pessoas Jurídicas, o qual deverá 
obedecer às normas fixadas para aquele registro, se a sociedade simples 
adotar um dos tipos de sociedade empresária 
 
Exceções: 
• Sociedade de advogados (sociedade simples) é registrada na OAB para adquirir 
personalidade jurídica. 
• Cooperativa, que apesar de sempre ser sociedade simples (mesmo se desenvolver 
atividade empresária), deve ser registrada na Junta Comercial (Lei 8.934/94, art. 32). 
Art. 32. O registro compreende: 
I - a matrícula e seu cancelamento: dos leiloeiros, tradutores públicos e 
intérpretes comerciais, trapicheiros e administradores de armazéns-gerais; 
II - O arquivamento: 
a) dos documentos relativos à constituição, alteração, dissolução e extinção 
de firmas mercantis individuais, sociedades mercantis e cooperativas; 
3.3. CLASSIFICAÇÃO DAS SOCIEDADES PERSONIFICADAS 
3.3.1. Quanto ao objeto 
a) Sociedade empresária 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 105 
 
É aquela que tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário, sujeito a 
registro. 
Organização empresarial e produção ou circulação de bens ou serviços. 
b) Sociedade simples 
Tida por não empresária. Não classificada como de empresário, se a sociedade simples 
tem como atividade uma profissão intelectual (de natureza científica, literária ou artística – ver 
início do caderno), como diz o código civil, será uma sociedade simples. 
A sociedade não deve possuir também, organização empresarial. 
Profissão intelectual + sociedade que não possui organização empresarial. 
3.3.2. Quanto à forma (tipo societário) 
Sociedade Empresária (DEVE constituir-se 
por alguma dessas formas – 982 CC primeira 
parte) 
Sociedade Simples (PODE constituir-se por 
alguma dessas formas – 982 CC segunda 
parte) 
Sociedade em nome coletivo 
Sociedade em comandita simples 
Sociedade em comandita por ações (C/A) 
Sociedade anônima (S/A) 
Sociedade LTDA 
 
 
*não pode ser cooperativa, assim como não 
pode ser “empresária/simples”. 
Sociedade em nome coletivo 
Sociedade em comandita simples 
Sociedade LTDA 
Cooperativas 
Simples/simples (S/S – simples pura – 
não sofre influência de nenhum outro 
tipo societário)¹ 
 
*perceber, só não pode constituir-se em 
sociedade por ações (C/A e S/A)! 
Registro: Junta Comercial Registro: Registro Civil de Pessoa Jurídica. 
Art. 983. A sociedade empresária deve 
constituir-se segundo um dos tipos regulados 
nos arts. 1.039 a 1.092; a sociedade simples 
pode constituir-se de conformidade com um 
desses tipos, e, não o fazendo, subordina-se às 
normas que lhe são próprias. 
Art. 982. Salvo as exceções expressas, 
considera-se empresária a sociedade que tem 
por objeto o exercício de atividade própria de 
empresário sujeito a registro (art. 967); e, 
simples, as demais. 
Exceções: 
Sociedade de Advogados é simples, sendo o 
registro feito na OAB. 
 
Cooperativa – ainda que seja sociedade 
simples, deve ser registrada na Junta Comercial 
(lei 8934/94). 
Art. 982 - Parágrafo único. 
Independentemente de seu objeto, considera-
se empresária a sociedade por ações; e, 
simples, a cooperativa. 
 
¹Assim, a “sociedade simples” pode ser: 
 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 106 
 
- Natureza jurídica da sociedade (não empresária) 
- Tipo societário (simples pura) 
- Regras gerais de direito societário (dispositivos referentes a outros tipos remetem a este, 
de maneira suplementar). 
Exemplos (regra geral): art. 1.040, 1.053. 
Art. 1.040. A sociedade em nome coletivo se rege pelas normas deste 
Capítulo e, no que seja omisso, pelas do Capítulo antecedente (capítulo da 
sociedade simples). 
 
Art. 1.053. A sociedade limitada rege-se, nas omissões deste Capítulo, 
pelas normas da sociedade simples. 
 
Muito importante é estudar a estrutura das Sociedades Simples, pois será a base de quase 
todos os tipos societários no caso de omissão. 
Portanto, o mais interessante foi perceber que alguns institutos previstos para as 
sociedades simples não aparecem nas demais sociedades, assim, no momento de estudo 
precisamos sempre compará-los, porque poderão ser aplicados supletivamente quando previsto 
em lei. 
OBS: Tendo em vista que as S/A são formalizadas por Estatuto com regramento próprio, as 
regras das sociedades simples são, na maioria das vezes, aplicadas em grande quantidade as 
LTDA. Sendo assim, iremos confrontar os dois institutos para trabalharmos apenas com as 
diferenças, pois é assim que vem sendo cobrado em provas. 
Assim, após as confrontações chegamos às seguintes conclusões: As seguintes seções 
das sociedades simples são de leitura OBRIGATÓRIA, pois nas provas eles pedem esse 
conteúdo nas LTDA. 
Seção I Do Contrato Social (art. 997 a 1.009); 
Seção II Dos Direitos e 
Obrigações dos Sócios; Seção IV Das Relações com Terceiros (art. 1.022 a 1.27). 
 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 107 
 
 
3.3.3. Quando ao grau de dependência às qualidades dos sócios 
Critério: Leva em conta o grau de dependência da sociedade em relação às qualidades 
subjetivas dos sócios (competência, honestidade etc.). 
a) Sociedade de pessoas 
Quando os atributos dos sócios são relevantes para o sucesso da atividade empresarial, 
estamos diante de sociedade de pessoas. Ex.: Sociedade de conserto de computadores. 
Nesses casos, os integrantes da sociedade precisam ter garantias acerca do perfil de 
quem pretenda integrar o quadro social. Por isso, a alienação de uma cota ou ação dessa 
sociedade depende de prévia anuência dos demais sócios. 
Ou seja, na sociedade de pessoas os sócios têm o direito de vetar o ingresso de estranho 
no quadro associativo. É o caso da sociedade em nome coletivo (N/C) e em comandita simples 
(C/S). 
É em razão disso que se entende que as cotas sociais das sociedades de pessoas são 
impenhoráveis, ou seja, para garantir que um terceiro não venha a fazer parte da sociedade sem 
a anuência dos demais integrantes. 
O STJ, no entanto, já decidiu de modo diverso ao dizer que as cotas da sociedade limitada 
são penhoráveis, mesmo que seja sociedade de pessoa. Argumentos do STJ: 
 
• Princípio da ordem pública (art. 789 do CPC/2015): 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 108 
 
 
Art. 789. O devedor responde com todos os seus bens presentes e futuros 
para o cumprimento de suas obrigações, salvo as restrições estabelecidas 
em lei. 
 
• O CPC/2015 (art. 833) estabelece quais são os bens impenhoráveis, não estando as 
quotas sociais entre eles. Temos ainda no art. 835, IX do CPC/2015 a possibilidade 
penhora de ações e cotas de sociedades empresária. 
Art. 835. A penhora observará, preferencialmente, a seguinte ordem: 
IX - ações e quotas de sociedades simples e empresárias; 
 
Entretanto, ao credor, hoje o mais interessante é a utilização do art. 1.026 do CC: 
Art. 1.026. O credor particular de sócio pode, na insuficiência de outros bens 
do devedor, fazer recair a execução sobre o que a este couber nos lucros 
da sociedade, ou na parte que lhe tocar em liquidação. 
 
Ou seja, nem precisa penhorar a cota, não entra nessa discussão. 
Nesse sentido, o STJ entende que a penhora sobre as quotas sociais não deve ser a 
primeira opção porque esta medida poderá acarretar o fim da pessoa jurídica e nosso Direito 
consagra os princípios da conservaçãoda empresa e da menor onerosidade da execução. 
Assim, não se pode autorizar desde logo a penhora sobre as quotas sociais. Cabia ao exequente 
requerer, antes disso, a penhora dos lucros relativos às quotas sociais correspondentes à 
meação do devedor, não podendo ser deferida, de imediato, a penhora das cotas sociais de 
sociedade empresária que se encontra em plena atividade, o que poderia causar prejuízo a 
terceiros, como funcionários, fornecedores etc. Somente se não houvesse lucros é que poderia 
ser feita a penhora das quotas com a liquidação da sociedade (art. 1.026 do CC). 
b) Sociedade de capital 
Por outro lado, quando as características subjetivas dos sócios forem irrelevantes para o 
sucesso da empresa, ou seja, quando somente tem importância o capital investido, nesse caso 
estaremos diante de sociedade de capital. 
Quanto à sociedade de capital, vige o princípio da livre circulação na participação 
societária, ou seja, os integrantes sociais não têm o direito de vetar o ingresso de terceiro 
estranho. É caso da sociedade anônima (S/A) e da sociedade em comandita por ações (C/A). 
Esta classificação é importante para falarmos em 03 assuntos: 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 109 
 
 
3.3.4. Quanto à constituição e dissolução 
 
Critério de distinção: Regime de constituição e dissolução do vínculo societário. 
a) Contrato Social 
Na sociedade contratual o ato constitutivo é o contrato social. É o caso da sociedade em 
nome coletivo, comandita simples e limitada (LTDA). Além da despersonificada sociedade em 
conta de participação. 
b) Estatuto Social 
Na sociedade institucional o ato constitutivo é o estatuto social. É o caso da sociedade 
em comandita por ações e sociedade anônima. 
Estatuto X Contrato 
Sobre o contrato incidem os princípios contratuais. Sobre o Estatuto não incidem princípios 
contratuais, mas sim a lei de sociedades por ações (Lei 6.404/76). 
As sociedades contratuais são constituídas em função de interesses particulares, por isso, 
a interferência do legislador é mínima, entretanto, nas sociedades institucionais o vínculo dos 
sócios não é contratual, mas estatutário, estes cuidam de interesse geral da sociedade como 
instituição. Por isso, a intervenção do legislador é importante, principalmente pelo fato destas se 
dedicarem, na maioria dos casos, à macro empreendimento. 
Exemplos: 
• Sociedade limitada é contratual. Se morrer um sócio, o herdeiro só assume a posição 
se quiser (ninguém é obrigado a contratar). 
• Sociedade anônima é institucional. Se morrer um acionista, os herdeiros 
automaticamente têm as ações, como manda a lei. 
3.3.5. Quanto à responsabilidade do sócio pelas obrigações sociais 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 110 
 
Critério: Responsabilidade do sócio pelas obrigações sociais. 
a) Responsabilidade ilimitada 
Se o patrimônio social é insuficiente, o sócio responde ilimitadamente pelas dívidas sociais 
com seu patrimônio pessoal. Ex.: sociedade em nome coletivo. 
b) Responsabilidade limitada 
O sócio só responde pelo valor das suas cotas ou ações, não recaindo a dívida sobre seu 
patrimônio pessoal, salvo se houver cotas subscritas e não integralizadas. Ex.: Sociedade 
anônima. 
c) Responsabilidade mista 
Presença de Sócios com responsabilidade limitada e sócios com responsabilidade 
ilimitada. Ex.: Sociedade em comandita simples. 
3.3.6. Quanto à nacionalidade 
Pouco importa a nacionalidade dos sócios ou a origem do capital. Para a sociedade ser 
considerada brasileira deve preencher os dois requisitos do art. 1.126 do CC: 
• A sociedade deve ser organizada de acordo com a lei brasileira. 
• Sede da administração deve ser no Brasil. 
Art. 1.126. É nacional a sociedade organizada de conformidade com a lei 
brasileira e que tenha no País a sede de sua administração. 
 
O CC não traz definição de sociedade estrangeira. Assim, faltando qualquer dos requisitos, 
a sociedade é considerada estrangeira. 
OBS: o art. 1.134 é importantíssimo, fala da sociedade estrangeira: não importa que tipo de 
atividade a sociedade estrangeira exerça, ela somente poderá ser constituída no Brasil, se o 
poder executivo federal autorizar. 
Art. 1.134. A sociedade estrangeira, qualquer que seja o seu objeto, não 
pode, sem autorização do Poder Executivo, funcionar no País, ainda que 
por estabelecimentos subordinados, podendo, todavia, ressalvados os 
casos expressos em lei, ser acionista de sociedade anônima brasileira. 
 
Vamos agora ao estudo pormenorizado de cada um dos tipos societários (de sociedades 
empresárias). 
4. SOCIEDADE EM NOME COLETIVO 
4.1. PREVISÃO LEGAL 
Art. 1.039 ao 1.044 do CC. 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 111 
 
Art. 1.039. Somente pessoas físicas podem tomar parte na sociedade em 
nome coletivo, respondendo todos os sócios, solidária e ilimitadamente, 
pelas obrigações sociais. 
Parágrafo único. Sem prejuízo da responsabilidade perante terceiros, 
podem os sócios, no ato constitutivo, ou por unânime convenção posterior, 
limitar entre si a responsabilidade de cada um. 
 
Art. 1.040. A sociedade em nome coletivo se rege pelas normas deste 
Capítulo e, no que seja omisso, pelas do Capítulo antecedente. 
 
Art. 1.041. O contrato deve mencionar, além das indicações referidas no art. 
997, a firma social. 
 
Art. 1.042. A administração da sociedade compete exclusivamente a sócios, 
sendo o uso da firma, nos limites do contrato, privativo dos que tenham os 
necessários poderes. 
 
Art. 1.043. O credor particular de sócio não pode, antes de dissolver-se a 
sociedade, pretender a liquidação da quota do devedor. 
Parágrafo único. Poderá fazê-lo quando: 
I - a sociedade houver sido prorrogada tacitamente; 
II - tendo ocorrido prorrogação contratual, for acolhida judicialmente 
oposição do credor, levantada no prazo de noventa dias, contado da 
publicação do ato dilatório. 
 
Art. 1.044. A sociedade se dissolve de pleno direito por qualquer das causas 
enumeradas no art. 1.033 e, se empresária, também pela declaração da 
falência. 
4.2. SÓCIOS 
Pode ser simples ou empresária. 
É uma sociedade contratual, ou seja, constituída na forma de contrato social, obedecendo 
às regras do CC. 
Apenas pessoas físicas podem ser sócias, nos termos do art. 1.039 do CC. 
Art. 1.039. Somente pessoas físicas podem tomar parte na sociedade em 
nome coletivo, respondendo todos os sócios, solidária e ilimitadamente, 
pelas obrigações sociais. 
 
Não admite incapaz como sócio, eis que os sócios têm contribuição não só pessoal como 
patrimonial e os incapazes não podem se obrigar. 
Sócios tem ampla liberdade para disciplinar suas relações sociais, desde que não 
desnaturem o tipo societário. 
É uma sociedade de pessoas, o que significa que depende do consentimento dos demais 
sócios a entrada de estranhos ao quadro social. 
4.3. RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS 
A responsabilidade é solidaria, todos responderão de forma ilimitada. 
Ressalta-se que é subsidiária, pois há o benefício de ordem. Ou seja, primeiro cobra-se a 
sociedade e, havendo saldo remanescente, demanda-se os sócios. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406.htm#art997
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406.htm#art997
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406.htm#art1033
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 112 
 
Parágrafo único. Sem prejuízo da responsabilidade perante terceiros, 
podem os sócios, no ato constitutivo, ou por unânime convenção posterior, 
limitar entre si a responsabilidade de cada um. 
4.4. NOME EMPRESARIAL 
Firma social, pois é sociedade com responsabilidade ilimitada. Como todos sócios têm 
responsabilidade ilimitada, o nome de qualquer um pode constar da firma social (art. 1.157). 
Art. 1.157. A sociedade em que houver sócios de responsabilidade ilimitada 
operará sob firma, na qual somente os nomes daqueles poderão figurar, 
bastando para formá-la aditar ao nome de um deles a expressão "e 
companhia" ou sua abreviatura.4.5. ADMINISTRAÇÃO DA SOCIEDADE 
De acordo com o art. 1.042 do CC, a administração só poderá ser feita por sócios. 
Art. 1.042. A administração da sociedade compete exclusivamente a sócios, 
sendo o uso da firma, nos limites do contrato, privativo dos que tenham os 
necessários poderes. 
 
Não pode ser administrada por pessoa jurídica, já que só pessoa física pode ser sócia. 
4.6. LIQUIDAÇÃO DA QUOTA 
Em regra, não se admite pedido de liquidação de quota na sociedade em nome coletivo. 
Somente após a dissolução da sociedade (art. 1.043 do CC). 
Art. 1.043. O credor particular de sócio não pode, antes de dissolver-se a 
sociedade, pretender a liquidação da quota do devedor. 
Parágrafo único. Poderá fazê-lo quando: 
I - a sociedade houver sido prorrogada tacitamente; 
II - tendo ocorrido prorrogação contratual, for acolhida judicialmente 
oposição do credor, levantada no prazo de noventa dias, contado da 
publicação do ato dilatório. 
 
Porém, há duas exceções: 
• Prorrogação tácita da sociedade: após o prazo estipulado, pode-se requerer. 
• Juiz acolhe oposição do credor, em até 90 dias, contra a prorrogação contratual 
É um tipo societário muito raro atualmente, exatamente por não trazer proteção ao 
patrimônio pessoal dos sócios. 
5. SOCIEDADE EM COMANDITA SIMPLES 
5.1. PREVISÃO LEGAL 
Está prevista nos arts. 1.045 a 1051 do CC. 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 113 
 
Art. 1.045. Na sociedade em comandita simples tomam parte sócios de 
duas categorias: os comanditados, pessoas físicas, responsáveis solidária e 
ilimitadamente pelas obrigações sociais; e os comanditários, obrigados 
somente pelo valor de sua quota. 
Parágrafo único. O contrato deve discriminar os comanditados e os 
comanditários. 
 
Art. 1.046. Aplicam-se à sociedade em comandita simples as normas da 
sociedade em nome coletivo, no que forem compatíveis com as deste 
Capítulo. 
Parágrafo único. Aos comanditados cabem os mesmos direitos e obrigações 
dos sócios da sociedade em nome coletivo. 
 
Art. 1.047. Sem prejuízo da faculdade de participar das deliberações da 
sociedade e de lhe fiscalizar as operações, não pode o comanditário praticar 
qualquer ato de gestão, nem ter o nome na firma social, sob pena de ficar 
sujeito às responsabilidades de sócio comanditado. 
Parágrafo único. Pode o comanditário ser constituído procurador da 
sociedade, para negócio determinado e com poderes especiais. 
 
Art. 1.048. Somente após averbada a modificação do contrato, produz 
efeito, quanto a terceiros, a diminuição da quota do comanditário, em 
consequência de ter sido reduzido o capital social, sempre sem prejuízo dos 
credores preexistentes. 
 
Art. 1.049. O sócio comanditário não é obrigado à reposição de lucros 
recebidos de boa-fé e de acordo com o balanço. 
Parágrafo único. Diminuído o capital social por perdas supervenientes, não 
pode o comanditário receber quaisquer lucros, antes de reintegrado aquele. 
 
Art. 1.050. No caso de morte de sócio comanditário, a sociedade, salvo 
disposição do contrato, continuará com os seus sucessores, que designarão 
quem os represente. 
 
Art. 1.051. Dissolve-se de pleno direito a sociedade: 
I - por qualquer das causas previstas no art. 1.044; 
II - quando por mais de cento e oitenta dias perdurar a falta de uma das 
categorias de sócio. 
Parágrafo único. Na falta de sócio comanditado, os comanditários nomearão 
administrador provisório para praticar, durante o período referido no inciso II 
e sem assumir a condição de sócio, os atos de administração. 
 
*Pode ser simples ou empresária. 
5.2. SÓCIOS 
Possui duas categorias de sócios, é uma característica peculiar. 
É essencial que haja as duas categorias, na ausência de uma delas, o prazo será de 180 
dias para regularizar. 
5.2.1. Sócio comanditado 
Somente pessoa natural poderá ser sócia comanditada. 
A responsabilidade é ilimitada e solidária. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406.htm#art1044
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 114 
 
Poderá ser administrador, é o único, em verdade, que pode administrar. 
Seu nome poderá constar no nome empresarial. 
Exemplo: 
 
O nome empresarial, na espécie firma, só poderá usar Bernardo e Bruno, jamais os nomes 
de Sabrina e Saulo, podendo ser: 
• Bernardo, Bruno & Cia livros jurídicos; 
• Bernardo & Cia livros jurídicos 
• Bruno & Cia livros jurídicos 
Comanditado → Advogado (com responsabilidade maior). 
5.2.2. Sócio comanditário 
Tanto a pessoa natural quanto a pessoa jurídica poderão ser sócias, não há restrição aqui. 
Possui responsabilidade limitada ao preço de sua quota. 
Não poderá administrar a sociedade e nem emprestar seu nome ao nome empresarial. 
Caso o faça, sua responsabilidade será ilimitada. 
RELEMBRANDO: Neste tipo de sociedade, é necessário SEMPRE ter as duas categorias 
de sócio. A ausência de uma das categorias implica que, em 180 dias, seja recomposta a 
categoria faltante. 
Faltando a categoria comanditado, não poderá o comanditário exercer a administração, 
haverá a necessidade de designação de um administrator provisório. 
Parágrafo único. Na falta de sócio comanditado, os comanditários nomearão 
administrador provisório para praticar, durante o período referido no inciso II 
e sem assumir a condição de sócio, os atos de administração 
 
Comanditário → Estagiário (responsabilidade menor). 
Entre os comanditados a sociedade é “de pessoas”; entre os comanditários é “de capital”; 
salvo se o contrato dispuser de modo diverso (ver acima). 
 
Sociedade em 
comandita 
simples
Comanditados
Bernardo
Bruno
Comandatários
Sabrina
Saulo
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 115 
 
6. SOCIEDADE LIMITADA 
*Simples ou empresária. 
6.1. CARACTERÍSTICAS 
• Sociedade simples ou empresária 
• Sociedade contratual (ato constitutivo é um contrato social). É uma das três sociedades 
personificadas contratuais, junto com a sociedade em nome coletivo e sociedade em 
comandita simples. 
• Pode assumir feição personalista ou capitalista. 
• Legislação aplicável: CC, arts. 1.052 e seguintes. Quando o capítulo específico do CC 
for omisso, aplicam-se as regras de sociedade simples. 
Art. 1.053. A sociedade limitada rege-se, nas omissões deste Capítulo, 
pelas normas da sociedade simples. 
 
E a regência supletiva da LSA (Lei 6.404/76 - Lei de sociedades por ações), é 
aplicável? É aplicável, desde que o contrato social assim preveja (art. 1.053, parágrafo único do 
CC). Ou seja, em havendo essa previsão expressa, as regras da sociedade simples são afastadas 
para a aplicação supletiva das regras da LSA (especificamente as regras da sociedade anônima). 
Parágrafo único. O contrato social poderá prever a regência supletiva da 
sociedade limitada pelas normas da sociedade anônima. 
 
É a situação que Ulhôa Coelho chama de “duas limitadas”, pois o CC permite que a 
limitada seja regida supletivamente pelas regras da sociedade simples (limitada de vínculo 
instável) ou pelas regras da LSA (limitada de vínculo estável). Essa instabilidade decorre da 
possibilidade de na sociedade simples o sócio se retirar imotivadamente, o que não ocorre nas 
S/A. 
6.2. CONSTITUIÇÃO DA SOCIEDADE LIMITADA 
É constituída por meio de contrato social, que exige, para ter plena validade, o 
preenchimento de certos requisitos e pressupostos. 
*OBS: Os requisitos e pressupostos que veremos a seguir se referem a todos os contratos sociais, 
ou seja, aos atos constitutivos de todas as sociedades contratuais e não somente da sociedade 
limitada (+ comandita simples e em nome coletivo). 
6.2.1. Requisitos gerais de validade do contrato social (TRÊS) 
São os mesmos requisitos de validade do negócio jurídico. 
a) Agente capaz 
 
Menor pode ser sócio de sociedade limitada? 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 116 
 
SIM. O CC prevê de forma expressa que para que o menor (incapaz) seja sócio de 
sociedade limitada são necessários três requisitos: 
- Devidamente assistido ou representado 
- Menornão pode exercer a administração; 
- Capital social deve estar totalmente integralizado (ver adiante). Do contrário ele pode 
ser responsabilizado solidariamente pela cota não integralizada de outro sócio. 
Art. 974, § 3o O Registro Público de Empresas Mercantis a cargo das Juntas 
Comerciais deverá registrar contratos ou alterações contratuais de 
sociedade que envolva sócio incapaz, desde que atendidos, de forma 
conjunta, os seguintes pressupostos: (Incluído pela Lei nº 12.399, de 2011) 
I – o sócio incapaz não pode exercer a administração da 
sociedade; (Incluído pela Lei nº 12.399, de 2011) 
II – o capital social deve ser totalmente integralizado; (Incluído pela Lei nº 
12.399, de 2011) 
III – o sócio relativamente incapaz deve ser assistido e o absolutamente 
incapaz deve ser representado por seus representantes legais. (Incluído 
pela Lei nº 12.399, de 2011) 
 
b) Objeto lícito 
 
Ex.: Sociedade para exercer atividade de prostituição ou bingo. O ato constitutivo dessas 
sociedades é nulo, pois ilícito o objeto (art. 166, II do CC). 
 
c) Forma legal 
 
A forma legal pode ser um instrumento particular ou instrumento público (escritura pública). 
Em regra, o instrumento (particular ou público) exige o visto do advogado, sob pena de 
nulidade absoluta do contrato (EAOB - Lei 8.906/94). 
EXCEÇÃO: Ato constitutivo de ME ou EPP não precisa do visto. 
6.2.2. Requisitos específicos de validade dos contratos sociais (DOIS) 
Os requisitos específicos são extraídos do próprio conceito de contrato social previsto no 
art. 981 do CC, in verbis: 
Art. 981. Celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente 
se obrigam a contribuir, com bens ou serviços, para o exercício de atividade 
econômica e a partilha, entre si, dos resultados. 
 
a) Contribuição do sócio: Todos os sócios devem contribuir com a formação do capital 
social, seja com bens, créditos ou dinheiro. 
 
Capital social é o valor destinado para a exploração da atividade, provindo da contribuição 
dos sócios. 
Subscrição: É o comprometimento do sócio a contribuir. 
Integralização: Efetivo pagamento da contribuição. 
 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12399.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12399.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12399.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12399.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12399.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12399.htm#art2
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 117 
 
Formas de integralização (Crédito, Dinheiro e Bens – CDB): 
- Dinheiro; 
- Créditos: Quem integraliza com créditos fica responsável pelo pagamento (solvência, pró 
solvendo) desse título. 
IMPORTANTE: Art. 1.055, §2º do CC: 
Art. 1.055. O capital social divide-se em quotas, iguais ou desiguais, 
cabendo uma ou diversas a cada sócio. 
§ 2º É vedada contribuição que consista em prestação de serviços. 
 
Obs.: na sociedade simples – não empresária – pode prestação em serviço. 
- Bens (móveis ou imóveis): Quem integraliza com bens responde pela evicção. 
IMPORTANTE: art. 1.055, §1º do CC: 
Art. 1.055, § 1º Pela exata estimação de bens conferidos ao capital social 
respondem solidariamente todos os sócios, até o prazo de cinco anos da 
data do registro da sociedade. 
 
 
Ex.: Sócio que integraliza sua cota de 30mil com uma casa que diz valer 30mil. 
Posteriormente, verifica-se que o valor da casa é de 10mil. Nesse caso, todos os sócios 
respondem solidariamente pelos 20mil faltantes. 
OBS: Quando o sócio integraliza com bem imóvel, em tese deveria incidir o ITBI sobre a 
operação (art. 156, II da CF). Entretanto, o §2º traz uma hipótese de imunidade para esse caso 
específico. → vide imunidades, tributário. 
§ 2º - O imposto previsto no inciso II: 
I - não incide sobre a transmissão de bens ou direitos incorporados ao 
patrimônio de pessoa jurídica em realização de capital, nem sobre a 
transmissão de bens ou direitos decorrente de fusão, incorporação, cisão ou 
extinção de pessoa jurídica, salvo se, nesses casos, a atividade 
preponderante do adquirente for a compra e venda desses bens ou direitos, 
locação de bens imóveis ou arrendamento mercantil; 
 
OBS: O que é Capital Aguado? É quando os sócios integralizam com bens 
supervalorizando esses bens. 
OBS: E se integralizar com bem imóvel, ele será transferido para a sociedade e por 
disposição constitucional não haverá incidência do ITBI se for feita como forma de integralização 
de sua quota social (art. 156, II c/c §2º, I, CF/88). 
 
b) Distribuição dos resultados (art. 1.008 do CC) 
 
Art. 1.008. É nula a estipulação contratual que exclua qualquer sócio de 
participar dos lucros e das perdas. 
 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 118 
 
Todos os sócios devem participar dos resultados da sociedade, positivos ou negativos. 
Uma cláusula contratual que exclua algum sócio dos lucros ou perdas é nula de pleno direito. 
ATENÇÃO: Excluir não é o mesmo que limitar. Assim, nada impede que um sócio tenha 
0,001% de participação. 
6.2.3. Pressupostos de existência da sociedade (Fábio Ulhôa Coelho) 
a) Pluralidade de sócios 
 
A sociedade precisava de dois ou mais sócios para sua constituição. 
Esse pressuposto decorria da inexistência de sociedades unipessoais no Direito brasileiro 
(até Lei 13.874/2019), salvo duas exceções: subsidiária integral e unipessoalidade incidental 
temporária, bem como a EIRELI (para doutrina minoritária). 
OBS: A unipessoalidade temporária que exceder 180 dias enseja à dissolução da 
sociedade (CC, art. 1.033, IV). 
Art. 1.033. Dissolve-se a sociedade quando ocorrer: 
[...] 
IV - a falta de pluralidade de sócios, não reconstituída no prazo de cento e 
oitenta dias; 
 
Ex.: Dois sócios constituem sociedade limitada. Se um dos sócios morre, a limitada 
continua tornando-se unipessoal (unipessoalidade incidental temporária). Entretanto, se a falta de 
pluralidade de sócios não for desfeita em 180 dias a sociedade é dissolvida. 
PROVA: É possível sociedade entre cônjuges (sociedade marital)? Sim, SALVO quando 
o regime for o de comunhão universal de bens ou de separação obrigatória (CC, art. 977). 
Art. 977. Faculta-se aos cônjuges contratar sociedade, entre si ou com 
terceiros, desde que não tenham casado no regime da comunhão universal 
de bens, ou no da separação obrigatória. 
 
Quanto à comunhão universal, o objetivo dessa vedação é impedir a confusão 
patrimonial, pois o credor da sociedade não teria como saber as cotas de cada sócio. 
Quanto à separação obrigatória, o objetivo é evitar o que se popularmente chama-se de 
“golpe do baú”. Ex.: Sociedade entre “A” de 90 anos e “B” de 20 (casados no regime de separação 
obrigatória). “B” com 1%; “A” com 99%. Quando “A” morre, todo o capital social vai para a “B”. 
A sociedade entre cônjuges era permitida antes do CC/2002. O parecer jurídico n. 125/03 
do DNRC (Departamento Nacional de Registro de Comércio), bem como o Enunciado 204 da 3ª 
Jornada, afirmam que a proibição prevista no art. 977 só se aplica a sociedades constituídas após 
a entrada em vigor do CC/2002. As sociedades já constituídas nessa forma podem assim 
permanecer, em razão da proteção ao ato jurídico perfeito e ao direito adquirido. 
JDC CJF204 Art. 977: A proibição de sociedade entre pessoas casadas sob 
o regime da comunhão universal ou da separação obrigatória só atinge as 
sociedades constituídas após a vigência do Código Civil de 2002. 
DNRC PJ 125/03 [...]De outro lado, em respeito ao ato jurídico perfeito, essa 
proibição não atinge as sociedades entre cônjuges já constituídas quando 
da entrada em vigor do Código, alcançando, tão somente, as que viessem a 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 119 
 
ser constituídas posteriormente. Desse modo, não há necessidade de se 
promover alteração do quadro societário ou mesmo damodificação do 
regime de casamento dos sócios-cônjuges, em tal hipótese. 
OBS: é possível a alteração do regime de bens no art. 1.639, §2º CC/02, desde que seja 
motivadamente. Portanto, é possível a constituição da sociedade, desde que alterado o regime. 
 
OBS: MINORIA doutrinária dizia que a regra do art. 977 só se aplica à sociedade empresária, não 
se aplicando a sociedade simples. Isto porque o artigo estava dentro do capítulo do direito de 
empresa. Entretanto, no REsp 1058165/RS foi pacificado que se aplica a todas sociedades. 
 
b) “Affectio Societatis” 
 
Conforme Ulhôa Coelho, a “affectio societatis” é a disposição dos sócios em formar e 
manter a sociedade uns com os outros. Quando não existe ou desaparece esse ânimo, a 
sociedade não se constitui ou deve ser dissolvida. 
Trata-se da vontade comum entre os sócios. O ajuste de vontade entre os sócios. 
6.2.4. Cláusulas Essenciais do contrato da Sociedade limitada (art. 997 do CC) 
Art. 997. A sociedade constitui-se mediante contrato escrito, particular ou 
público, que, além de cláusulas estipuladas pelas partes, mencionará: 
I - nome, nacionalidade, estado civil, profissão e residência dos sócios, se 
pessoas naturais, e a firma ou a denominação, nacionalidade e sede dos 
sócios, se jurídicas; 
II - denominação, objeto, sede e prazo da sociedade; 
III - capital da sociedade, expresso em moeda corrente, podendo 
compreender qualquer espécie de bens, suscetíveis de avaliação 
pecuniária; 
IV - a quota de cada sócio no capital social, e o modo de realizá-la; 
V - as prestações a que se obriga o sócio, cuja contribuição consista em 
serviços; 
VI - as pessoas naturais incumbidas da administração da sociedade, e seus 
poderes e atribuições; 
VII - a participação de cada sócio nos lucros e nas perdas; 
VIII - se os sócios respondem, ou não, subsidiariamente, pelas obrigações 
sociais. 
Parágrafo único. É ineficaz em relação a terceiros qualquer pacto separado, 
contrário ao disposto no instrumento do contrato. 
 
As demais cláusulas são chamadas de acidentais. São aquelas prescindíveis. 
Exemplo de cláusula acidental é a que define o ‘pro labore’. 
Pro labore é diferente de lucro. Este decorre do investimento na sociedade. Aquele decorre 
do trabalho em favor da sociedade. Só tem ‘pro labore’ quem labora em favor da sociedade. O 
lucro independe do trabalho, pois decorre do investimento feito. 
6.3. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO NA SOCIEDADE LIMITADA (ART. 1.052 DO CC) 
 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 120 
 
Art. 1.052. Na sociedade limitada, a responsabilidade de cada sócio é 
restrita ao valor de suas quotas, mas todos respondem solidariamente pela 
integralização do capital social. 
 
A responsabilidade dos sócios é limitada, ou seja, exaurido o patrimônio social, os 
credores só podem executar o patrimônio pessoal dos sócios até um certo montante. 
O limite da responsabilidade do sócio, na sociedade limitada, é o total do capital subscrito 
e não integralizado. Ou seja, o sócio é responsável pela integralização. Uma vez integralizado o 
total do valor subscrito, a responsabilidade pessoal do sócio termina. 
OBS: Capital subscrito é aquele que o sócio se compromete a entregar à sociedade. Capital 
integralizado é o capital efetivamente entregue à sociedade. 
Ex: Sociedade com capital social de 100mil (totalmente integralizado) e com dívidas de 
200mil. Os 100mil faltantes não podem atingir o patrimônio pessoal dos sócios. Cada sócio será 
responsável apenas pelo valor que integralizou. 
Situação diferente ocorre com o chamado SÓCIO REMISSO, que é aquele que não 
integraliza total ou parcialmente suas cotas sociais (aquele que não integraliza o total do capital 
subscrito). 
 
PARÊNTESES 
Art. 1.004. Os sócios são obrigados, na forma e prazo previstos, às 
contribuições estabelecidas no contrato social, e aquele que deixar de fazê-
lo, nos trinta dias seguintes ao da notificação pela sociedade, responderá 
perante esta pelo dano emergente da mora. 
Parágrafo único. Verificada a mora, poderá a maioria dos demais sócios 
preferir, à indenização, a exclusão do sócio remisso, ou reduzir-lhe a quota 
ao montante já realizado, aplicando-se, em ambos os casos, o disposto no 
§ 1o do art. 1.031. 
Art. 1.031: § 1o O capital social sofrerá a correspondente redução, salvo se 
os demais sócios suprirem o valor da quota. 
 
Conforme o art. 1.004, parágrafo único do CC, caso os sócios não queiram exigir o 
pagamento de indenização pelos danos emergentes decorrentes da mora na integralização 
(apuráveis em ação de conhecimento), podem tomar outras três medidas face do sócio remisso: 
a) Exclusão do sócio; 
b) Cobrança do valor não integralizado: Ação de execução, sendo o contrato social o título 
executivo, desde que assinado por duas testemunhas. 
c) Redução da cota, reduzindo-se o capital social: Se o ‘C’ integraliza apenas 10mil dos 
24mil subscritos, sua cota baixa de 24 para 10mil. 
 
Ou ainda, podem tomar a atitude prevista no art. 1.058: 
 
Art. 1.058. Não integralizada a quota de sócio remisso, os outros sócios 
podem, sem prejuízo do disposto no art. 1.004 e seu parágrafo único, tomá-
la para si ou transferi-la a terceiros, excluindo o primitivo titular e 
devolvendo-lhe o que houver pago, deduzidos os juros da mora, as 
prestações estabelecidas no contrato mais as despesas. 
Se um dos sócios deixa de integralizar suas cotas, os demais respondem solidariamente 
sobre o que foi subscrito e não integralizado pelo sócio remisso. Há direito de regresso contra o 
sócio remisso. 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 121 
 
Ex.: Sociedade limitada entre ‘A’ (50%) e ‘B’ (50%), com capital social de 100mil. ‘A’ 
integraliza 50mil (total das quotas); ‘B’ integraliza apenas 25mil (sócio remisso). Se a sociedade 
tem dívida de 100mil, os 25mil faltantes podem ser cobrados tanto de ‘A’ quanto de ‘B’, pois a 
responsabilidade pela integralização do capital social é solidária. Obviamente, se ‘A’ pagar os 
25mil faltantes, poderá cobrar o valor em ação de regresso contra ‘B’. 
É por isso que o CC só permite que o incapaz seja sócio em sociedade limitada com 
capital totalmente integralizado, pois do contrário poderia ser cobrado pelo valor não integralizado 
pelo sócio remisso. 
Esquematizando: 
 
1º CONTEXTO 
LTDA 
2º CONTEXTO 
CREDORES DA LTDA 
Cada sócio responderá por suas quotas Solidariedade pela integralização do capital 
social. 
Ao tornar-se sócio de uma LTDA, o sócio 
possui o dever de integralizar o capital social. 
Assim, a LTDA será credora do sócio remisso 
(está em mora com a contribuição). 
Os credores da LTDA podem cobrar de 
qualquer sócio a integralização do capital. 
 
 
Exemplos: 
O sócio B comprometeu-se a integralizar 30% 
do capital social, em três parcelas de 10%. 
Contudo, integralizou apenas 10%, ficando em 
aberto 20% do valor do capital social. No caso 
apresentando, B é chamado de sócio remisso, 
eis que está em mora com a sociedade LTDA. 
Neste caso, a LTDA poderá fazer a cobrança, 
APENAS, do sócio B. Nos termos do art. 1.004 
(constituição em mora “ex persona” – depende 
de notificação), assim a sociedade notificará o 
sócio para que, no prazo de 30 dias, o sócio 
integralize o capital faltante, é o que a doutrina 
chama de CHAMADA DE CAPITAL. 
 
Na situação hipotética apresentada, como regra 
geral, não pode o credor cobrar diretamente 
dos sócios, mesmo que a LTDA não pague o 
débito. Desta forma, o credor Marcelo não 
poderá cobrar a NP dos sócios, mas sim de 
exigir de qualquer sócio a integralização do 
capital. 
 
 
CREDOR (Marcelo)
NP: emitente é a LTDA
R$ 100.000,00
Cobrou da LTDA, mas 
não recebeu nada!
Sociedade 
Limitada
Sócio A
70%
Sócio B
30% (3 parcelas de 
10%)
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 122 
 
A regra da limitação da responsabilidade dos sócios da sociedade limitada comporta 
EXCEÇÕES, vale dizer, existem situações em que o sócio da limitada tem responsabilidadeILIMITADA, respondendo com seu patrimônio pela totalidade das dívidas sociais. São as 
seguintes situações: 
Dívidas trabalhistas: Nesse caso, a dívida não se restringe ao valor da cota, mas também 
atinge o patrimônio pessoal dos sócios. 
a) Dívidas com o INSS; 
b) Casos de desconsideração da personalidade jurídica; 
c) Quando a sociedade não for levada a registro ou este tiver sido cancelado; 
d) Violação da regra do art. 977 do CC (limitação da sociedade entre cônjuges); 
Nessas hipóteses, TODOS OS SÓCIOS respondem de forma subsidiária (benefício de 
ordem), mas ilimitadamente. 
Em outras situações, também há mitigação da regra que limita a responsabilidade dos 
sócios, entretanto, nesses casos a responsabilidade não recairá sobre a totalidade de sócios. 
Vejamos quais são essas situações: 
• Art. 1.080 do CC. A responsabilidade ilimitada não é de TODOS os sócios, mas só 
daqueles que deliberaram contra a lei ou contra o contrato. 
 
Art. 1.080. As deliberações infringentes do contrato ou da lei tornam 
ilimitada a responsabilidade dos que expressamente as aprovaram. 
 
Ex.: Contrato veda a prestação de fiança e aval. Na assembleia aprovam o aval. Nesse 
caso, somente aqueles que aprovaram responderão ilimitadamente pelas dívidas do avalizado. 
• No caso de dívidas tributárias (art. 135, III do CTN), a responsabilidade ilimitada recai 
pessoalmente sobre o Administrador da Sociedade (somente ele). Não é tecnicamente um caso 
de desconsideração de pessoa jurídica, mas sim de imputação direta de responsabilidade. 
(Santa Cruz) 
 
Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a 
obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de 
poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: 
III - os diretores, gerentes ou representantes (ADMINISTRADOR) de 
pessoas jurídicas de direito privado. 
 
A regra é a mesma para a dívida tributária resultante da Seguridade Social (lei 8.620/93 
tentou criar regra específica ampliando a responsabilidade dos administradores etc., entretanto 
STJ considerou desprovida de aplicabilidade). 
Mas a falta de pagamento de tributo não seria, por si só, uma infração à lei, de modo à 
sempre ensejar a responsabilidade ilimitada do administrador? 
STJ: Quando a sociedade deixa de pagar a dívida por não ter recursos suficientes, diz que 
há INADIMPLÊNCIA. Nesse caso, o Administrador não responde pessoalmente pela dívida. 
Quando a sociedade tem recursos, mas não paga os tributos por outros motivos, diz que 
há SONEGAÇÃO. Nesse caso, o Administrador responde pessoalmente. 
 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 123 
 
Ressalta-se que a Súmula 435 do STJ acrescentou como mais uma hipótese: a dissolução 
irregular da sociedade. Desta forma, pode-se afirmar que o mero inadimplemento tributário NÃO 
acarreta a responsabilidade do sócio. 
Súmula 435 STJ - Presume-se dissolvida irregularmente a empresa que 
deixar de funcionar no seu domicílio sem comunicação aos órgãos 
competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o 
sócio-gerente. 
*CDA: se o nome do sócio consta também da CDA, não se trata de típico 
redirecionamento, e o ônus da prova de inexistência de infração de lei, contrato social ou estatuto 
é do sócio, eis que a CDA goza de presunção de liquidez e certeza. 
• Art. 1.003, parágrafo único. Cessão de cotas. 
 
Art. 1.003, Parágrafo único. Até dois anos depois de averbada a 
modificação do contrato, responde o cedente solidariamente com o 
cessionário, perante a sociedade e terceiros, pelas obrigações que tinha 
como sócio. 
 
• Art. 1.025. O sócio, admitido em sociedade já constituída, não se exime das dívidas 
sociais anteriores à admissão. 
Art. 1.025. O sócio, admitido em sociedade já constituída, não se exime das 
dívidas sociais anteriores à admissão. 
 
Quando o sujeito entra na sociedade, deve estar ciente das dívidas, pois certamente irá 
responder por elas, nos limites de suas cotas, obviamente. 
6.4. LEI 13.874/2019 E A CRIAÇÃO DA SOCIEDADE UNIPESSOAL LIMITADA 
A Lei 13.874/2019 (fruto da MP 881/2019), também chamada de Lei da Liberdade 
Econômica, acrescentou os parágrafos 1º e 2º ao art. 1.052 do CC, disciplinando acerca da 
Sociedade Unipessoal Limitada. Observe o dispositivo legal: 
Art. 1.052, 
§ 1º A sociedade limitada pode ser constituída por 1 (uma) ou mais 
pessoas. (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019) 
§ 2º Se for unipessoal, aplicar-se-ão ao documento de constituição do sócio 
único, no que couber, as disposições sobre o contrato social. (Incluído 
pela Lei nº 13.874, de 2019) 
 
De acordo com Flávio Tartuce1, a Lei inclui uma nova modalidade de sociedade limitada, 
tratada pelo art. 1.052, segundo o qual nessa pessoa jurídica a responsabilidade de cada sócio é 
restrita ao valor de suas quotas, mas todos respondem solidariamente pela integralização do 
capital social. 
Continua o Civilista, cria-se, portanto, a sociedade limitada unipessoal, o que já era 
defendido por alguns juristas. Há uma crítica no sentido de que a inovação poderá esvaziar a 
 
1 Disponível em: https://flaviotartuce.jusbrasil.com.br/artigos/705118554/a-medida-provisoria-881-2019-e-as-
alteracoes-do-codigo-civil-segunda-parte-teoria-geral-dos-contratos-direito-de-empresa-e-fundos-de-investimento 
 
https://flaviotartuce.jusbrasil.com.br/artigos/705118554/a-medida-provisoria-881-2019-e-as-alteracoes-do-codigo-civil-segunda-parte-teoria-geral-dos-contratos-direito-de-empresa-e-fundos-de-investimento
https://flaviotartuce.jusbrasil.com.br/artigos/705118554/a-medida-provisoria-881-2019-e-as-alteracoes-do-codigo-civil-segunda-parte-teoria-geral-dos-contratos-direito-de-empresa-e-fundos-de-investimento
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 124 
 
EIRELI, então a única opção para a constituição de pessoas jurídicas formadas apenas por um 
sujeito. Chega-se a afirmar que o legislador criou um bis in idem societário. 
Para Tartuce, a nova modalidade de sociedade não cria qualquer problema, apenas 
valoriza a autonomia privada e representa mais uma saudável tentativa de redução de burocracias 
para a constituição de pessoas jurídicas no Brasil. Além disso, há, no seu entender, qualquer 
lesão à norma de ordem pública no texto proposto pela Medida Provisória. E mais, a sociedade 
limitada unipessoal não sofrerá restrições existentes para a EIRELI, como a exigência de capital 
social mínimo de 100 salários mínimos e de vedação de uma mesma pessoa intitular mais de uma 
pessoa jurídica dessa forma (art. 980-A, caput e § 1º, CC). 
6.5. COTAS SOCIAIS 
6.5.1. Natureza jurídica: 
Conforme Rubens Requião, a natureza jurídica é de direito de duplo aspecto. A cota 
confere um direito patrimonial e também um direito pessoal. 
Direito patrimonial: Identificado como um crédito consistente em percepção de lucros 
durante a existência da sociedade e, em particular, na partilha da massa residual, decorrendo de 
sua liquidação final. 
Direito pessoal: É aquele decorrente do status de sócio. Nessa ordem, podemos alinhar o 
direito de participar das deliberações sociais, o direito de fiscalização dos atos da administração e 
o direito de preferência para a subscrição de cotas no caso de aumento de capital social. 
6.5.2. Transferência de cotas (cessão de cotas) 
É o contrato social que define se é possível ou não a transferência de cotas. Na omissão 
do contrato social, aplica-se a regra do art. 1.057 do CC, in verbis: 
Art. 1.057. Na omissão do contrato, o sócio pode ceder sua quota, total ou 
parcialmente, a quem seja sócio, independentemente de audiência dos 
outros, ou a estranho, se não houver oposição de titulares de mais de um 
quarto do capital social. 
 
Ou seja: 
• Cessão de cotas para um sócio: Não é necessária a autorização de ninguém. 
• Cessão de cotas para um estranho: Só é possível se não houver a oposição de 
mais ¼ do capital social. 
 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 125 
 
 
 
De acordocom o art. 1.055 do CC, as cotas podem ser iguais ou desiguais quanto ao 
valor. 
Ex: Sociedade com capital social de 100mil dividido em cotas no valor de 1real. 
Sócio ‘A’ tem 60%. 60mil cotas 
Sócio ‘B’ tem 40%. 40mil cotas. 
Aqui as cotas têm o mesmo valor. É a forma mais comum, até pela facilidade. 
Ex2: Sociedade com capital social de 100mil. 
Sócio A tem 60%. 1 cota no valor de 60mil. 
Sócio B tem 40%. 1 cota no valor de 40mil. 
Aqui as cotas são desiguais. 
6.6. DEVERES DOS SÓCIOS 
Basicamente dois deveres: 
a) Dever de integralização do capital social. 
 
b) Dever de lealdade: É o dever de o sócio colaborar com o desenvolvimento da 
sociedade, abstendo-se de praticar atos que possam prejudicar a sociedade. Dever de 
portar-se com lealdade, não podendo, portanto, tumultuar o ambiente da sociedade ou 
concorrer com esta. 
6.7. DIREITOS DOS SÓCIOS 
a) Participação nos lucros sociais: Que além de direito é um requisito específico de 
validade do contrato social. 
 
b) Fiscalização da Administração 
 
c) Direito de retirada (CC, art. 1.029) 
 
Art. 1.029. Além dos casos previstos na lei ou no contrato, qualquer sócio 
pode retirar-se da sociedade; se de prazo indeterminado, mediante 
notificação aos demais sócios, com antecedência mínima de sessenta dias; 
se de prazo determinado, provando judicialmente justa causa. 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 126 
 
Parágrafo único. Nos trinta dias subsequentes à notificação, podem os 
demais sócios optar pela dissolução da sociedade. 
 
d) Participação nas deliberações sociais 
 
Art. 1.072. As deliberações dos sócios, obedecido o disposto no art. 1.010, 
serão tomadas em reunião ou em assembleia, conforme previsto no 
contrato social, devendo ser convocadas pelos administradores nos casos 
previstos em lei ou no contrato. 
§ 1o A deliberação em assembleia será obrigatória se o número dos sócios 
for superior a dez. 
 
OBS1: No entanto, se a Ltda. possuir mais de 10 sócios, é obrigatória a realização de Assembleia. 
OBS2: Se a Ltda. for microempresa ou empresa de pequeno porte é o quórum do art. 70 da LC 
123/06. 
Art. 70. As microempresas e as empresas de pequeno porte são 
desobrigadas da realização de reuniões e assembleias em qualquer das 
situações previstas na legislação civil, as quais serão substituídas por 
deliberação representativa do primeiro número inteiro superior à metade do 
capital social. 
 
e) Direito de preferência. 
6.8. DELIBERAÇÕES SOCIAIS 
Art. 1.071. Dependem da deliberação dos sócios, além de outras matérias 
indicadas na lei ou no contrato: 
I - a aprovação das contas da administração; 
II - a designação dos administradores, quando feita em ato separado; 
III - a destituição dos administradores; 
IV - o modo de sua remuneração, quando não estabelecido no contrato; 
V - a modificação do contrato social; 
VI - a incorporação, a fusão e a dissolução da sociedade, ou a cessação do 
estado de liquidação; 
VII - a nomeação e destituição dos liquidantes e o julgamento das suas 
contas; 
VIII - o pedido de concordata. 
 
Conforme o art. 1.072 do CC, as deliberações dos sócios, obedecido o disposto no art. 
1.010 (que traz as regras de votação), serão tomadas em reunião ou em assembleia, conforme 
previsto no contrato social, devendo ser convocadas pelos administradores nos casos previstos 
em lei (art. 1071) ou no contrato. 
REGRA: Deliberações PODEM ser tomadas em assembleia ou em reunião, conforme 
previsão contratual. 
EXCEÇÃO: Se forem mais de 10 sócios (11 ou mais - um time de futebol), as deliberações 
só podem ser tomadas em assembleia (Art. 1.072, §1º). 
Art. 1.072. As deliberações dos sócios, obedecido o disposto no art. 1.010, 
serão tomadas em reunião ou em assembleia, conforme previsto no 
contrato social, devendo ser convocadas pelos administradores nos casos 
previstos em lei ou no contrato. 
§ 1o A deliberação em assembleia será obrigatória se o número dos sócios 
for superior a dez. 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 127 
 
6.8.1. Assembleia X Reunião 
A grande diferença entre assembleia e reunião diz respeito às disposições legais. O CC, a 
partir do art. 1.074 dispõe sobre uma série de regras relativas às Assembleias. Doutro lado, o art. 
1.079 permite que o contrato social disponha livremente sobre as reuniões, sendo-lhes aplicadas 
as regras das assembleias somente quando da omissão contratual (é o que mais acontece na 
prática). 
Art. 1.079. Aplica-se às reuniões dos sócios, nos casos omissos no contrato, 
o estabelecido nesta Seção sobre a assembleia, obedecido o disposto no § 
1o do art. 1.072. 
 
E mais: art. 1.072§5º 
§ 5o As deliberações tomadas de conformidade com a lei e o contrato 
vinculam todos os sócios, ainda que ausentes ou dissidentes. 
6.8.2. Regras de votação nas deliberações 
As regras de votação são previstas no art. 1.010 (regras relativas às sociedades simples), 
in verbis: 
Art. 1.010 Quando, por lei ou pelo contrato social, competir aos sócios 
decidir sobre os negócios da sociedade, as deliberações serão tomadas por 
maioria de votos, contados segundo o valor das quotas de cada um. 
§ 1º Para formação da maioria absoluta são necessários votos 
correspondentes a mais de metade do capital. 
§ 2º Prevalece a decisão sufragada por maior número de sócios no caso de 
empate, e, se este persistir, decidirá o juiz. 
§ 3º Responde por perdas e danos o sócio que, tendo em alguma operação 
interesse contrário ao da sociedade, participar da deliberação que a aprove 
graças a seu voto. 
6.8.3. Dispensa de assembleia ou reunião 
Dois são os casos onde é dispensada a instituição de reunião social ou assembleia: 
1) A deliberação pode ser por escrito, quando subscrita por TODOS os sócios (CC, art. 
1.072, §3º). 
§ 3o A reunião ou a assembleia tornam-se dispensáveis quando todos os 
sócios decidirem, por escrito, sobre a matéria que seria objeto delas. 
 
2) É dispensada a assembleia ou reunião nas deliberações das sociedades limitadas 
microempresárias ou empresárias de pequeno porte (LC 123/2006, art. 70). 
6.9. DIREITO DE RETIRADA (DIREITO DE RECESSO) 
É a possibilidade que o sócio tem de retirar-se da sociedade. Esse direito deve estar 
diretamente relacionado com a regra do art. 1.029 do CC, ou seja, tudo depende do contrato: 
a) Contrato com prazo determinado: A saída só é possível com justa causa, que deve ser 
provada em juízo. 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 128 
 
 
b) Contrato com prazo indeterminado: A saída pode ser imotivada. A lei só exige que 
ocorra a notificação dos demais sócios com antecedência mínima de 60 dias. É uma forma de não 
pegar os demais sócios desprevenidos (manifestação da boa-fé objetiva). 
 
Art. 1.029. Além dos casos previstos na lei ou no contrato, qualquer sócio 
pode retirar-se da sociedade; se de prazo indeterminado, mediante 
notificação aos demais sócios, com antecedência mínima de sessenta dias; 
se de prazo determinado, provando judicialmente justa causa. 
Parágrafo único. Nos trinta dias subsequentes à notificação, podem os 
demais sócios optar pela dissolução da sociedade. (Especial importância 
em sociedades pessoais, contrariamente ao que ocorre nas 
sociedades de capital) 
 
Exemplo: Sociedade com prazo: Lanchonete na festa do mar. Se o sócio resolvesse sair 
sem justificativa, iria ser altamente prejudicial para a sociedade e consequentemente para os 
demais sócios. 
6.10. DIREITO DE FISCALIZAÇÃO 
O sócio tem total direito de fiscalizar os atos praticados pela Administração da sociedade. 
Geralmente, é o contrato social que disciplina a forma que ocorre a fiscalização. 
IMPORTANTE: É possível na sociedade limitada a instituição de um Conselho Fiscal. 
Entretanto, não é um órgão obrigatório (como na S/A), conforme dispõe o art. 1.066 do CC, in 
verbis: 
Art. 1.066. Sem prejuízo dos poderes da assembleia dos sócios, pode o 
contrato instituir conselho fiscal composto de três ou mais membros e 
respectivos suplentes, sócios ou não, residentesno País, eleitos na 
assembleia anual prevista no art. 1.078. 
 
Composição do Conselho Fiscal: 03 ou mais membros, com um número igual de 
suplentes. Não há necessidade de o membro ser sócio. A única exigência é a residência no Brasil 
do Conselheiro. 
6.11. DIREITO DE PREFERÊNCIA (ART. 1.081 DO CC) 
Em caso de aumento de capital social, surgem novas cotas sociais. Quem tem preferência 
para adquirir as novas cotas são os sócios. 
Art. 1.081. Ressalvado o disposto em lei especial, integralizadas as quotas, 
pode ser o capital aumentado, com a correspondente modificação do 
contrato. 
§ 1o Até trinta dias após a deliberação, terão os sócios preferência para 
participar do aumento, na proporção das quotas de que sejam titulares. 
6.12. ADMINISTRADOR DA SOCIEDADE LIMITADA 
A sociedade limitada é administrada por uma ou mais pessoas designadas no contrato 
social ou em ato separado (Art. 1.060). 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 129 
 
Art. 1.060. A sociedade limitada é administrada por uma ou mais pessoas 
designadas no contrato social ou em ato separado. 
Parágrafo único. A administração atribuída no contrato a todos os sócios 
não se estende de pleno direito aos que posteriormente adquiram essa 
qualidade. 
 
Ato separado → Ex: Ata de Assembleia onde se elege o Administrador. 
O art. 1.061 do CC diz que o Administrador pode ser sócio ou não-sócio, não precisa ter 
previsão no contrato social. 
OBS: Antes do CC/2022, só o sócio poderia ser Administrador de sociedade limitada. 
 
Art. 1.061. A designação de administradores não sócios dependerá de 
aprovação da unanimidade dos sócios, enquanto o capital não estiver 
integralizado, e de 2/3 (dois terços), no mínimo, após a integralização. 
(Redação dada pela Lei nº 12.375, de 2010) 
 
Administrador não-sócio: 
 
a) Aprovação dos sócios com o seguinte quórum: 
 
- Se o capital estiver totalmente integralizado → Maioria de 2/3 do capital social. 
- Se o capital não estiver totalmente integralizado → Unanimidade. 
O mandato do administrador pode ter prazo determinado ou indeterminado, a depender da 
previsão do ato que o designou (contrato ou ato separado). 
 
 
OBSERVAÇÃO: Ler art. 1.060 e seguintes. 
Art. 1.062. O administrador designado em ato separado investir-se-á no 
cargo mediante termo de posse no livro de atas da administração. 
§ 1o Se o termo não for assinado nos trinta dias seguintes à designação, 
esta se tornará sem efeito. 
§ 2o Nos dez dias seguintes ao da investidura, deve o administrador 
requerer seja averbada sua nomeação no registro competente, 
mencionando o seu nome, nacionalidade, estado civil, residência, com 
exibição de documento de identidade, o ato e a data da nomeação e o prazo 
de gestão. 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 130 
 
Art. 1.063. O exercício do cargo de administrador cessa pela destituição, em 
qualquer tempo, do titular, ou pelo término do prazo se, fixado no contrato 
ou em ato separado, não houver recondução. 
§ 1º Tratando-se de sócio nomeado administrador no contrato, sua 
destituição somente se opera pela aprovação de titulares de quotas 
correspondentes a mais da metade do capital social, salvo disposição 
contratual diversa. (Redação dada pela Lei nº 13.792, de 2019) 
§ 2o A cessação do exercício do cargo de administrador deve ser averbada 
no registro competente, mediante requerimento apresentado nos dez dias 
seguintes ao da ocorrência. 
§ 3o A renúncia de administrador torna-se eficaz, em relação à sociedade, 
desde o momento em que esta toma conhecimento da comunicação escrita 
do renunciante; e, em relação a terceiros, após a averbação e publicação. 
 
Art. 1.064. O uso da firma ou denominação social é privativo dos 
administradores que tenham os necessários poderes. 
 
Art. 1.065. Ao término de cada exercício social, proceder-se-á à elaboração 
do inventário, do balanço patrimonial e do balanço de resultado econômico. 
 
Pessoa Jurídica pode ser Administrador de Sociedade Limitada? 
Não, somente a pessoa natural pode ser Administrador, nos termos do art. 997, VI e art. 
1.062, §2º do CC. 
Art. 997. A sociedade constitui-se mediante contrato escrito, particular ou 
público, que, além de cláusulas estipuladas pelas partes, mencionará: 
VI - as pessoas naturais incumbidas da administração da sociedade, e seus 
poderes e atribuições; 
 
Art. 1.062, § 2º Nos dez dias seguintes ao da investidura, deve o 
administrador requerer seja averbada sua nomeação no registro 
competente, mencionando o seu nome, nacionalidade, estado civil, 
residência, com exibição de documento de identidade, o ato e a data da 
nomeação e o prazo de gestão. 
 
Esse artigo só menciona caracteres das pessoas físicas. O legislador omitiu caracteres da 
pessoa jurídica intencionalmente. 
6.12.1. Responsabilidade do Administrador 
Em princípio, os atos praticados pelo Administrador são de responsabilidade da 
Sociedade. ENTRETANTO, se o administrador agir com dolo ou culpa no desempenho de suas 
funções aplica-se o art. 1.016 do CC, in verbis: 
Art. 1.016. Os administradores respondem solidariamente perante a 
sociedade e os terceiros prejudicados, por culpa no desempenho de suas 
funções. 
 
Se agir com culpa, responde solidariamente com a sociedade. 
6.12.2. Teoria “ultra vires” (Além das forças) 
Ato ‘ultra vires’ é aquele praticado pelo administrador, além das forças a ele atribuídas pelo 
contrato social, ou seja, com estrapolação dos limites de seus poderes estatutários. Segundo esta 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13792.htm#art2
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 131 
 
teoria, não é imputável à sociedade o ato ultra vires, devendo somente o administrador responder 
por eles. Trata-se da regra presente no art. 1.015, parágrafo único do CC. 
Art. 1.015. No silêncio do contrato, os administradores podem praticar todos 
os atos pertinentes à gestão da sociedade; não constituindo objeto social, a 
oneração ou a venda de bens imóveis depende do que a maioria dos sócios 
decidir. 
Parágrafo único. O excesso por parte dos administradores somente pode 
ser oposto a terceiros se ocorrer pelo menos uma das seguintes hipóteses: 
I - se a limitação de poderes estiver inscrita ou averbada no registro próprio 
da sociedade; 
II - provando-se que era conhecida do terceiro; 
III - tratando-se de operação evidentemente estranha aos negócios da 
sociedade. 
 
O excesso por parte dos administradores somente pode ser oposto a terceiros se ocorrer 
pelo menos uma das seguintes hipóteses: 
I - Se a limitação de poderes estiver inscrita ou averbada no contrato social 
Exemplo: Contrato social estabelece que o Administrador não pode prestar fiança nem 
aval. Vai o Administrador e realiza uma fiança em nome da sociedade. Se o afiançado não paga, 
quem vai arcar com a dívida é o Administrador de forma pessoal, excluindo-se a sociedade da 
relação. 
II - Provando-se que o terceiro que contratou com a sociedade sabia que o Administrador 
não tinha poderes para tanto 
Exemplo: Ex-Administrador da sociedade (agora terceiro) contrata com esta, sabendo que 
o objeto da contratação ia além dos poderes do atual Administrador. 
III - Tratando-se de operação evidentemente estranha aos negócios da sociedade. 
Redação muito criticada pela doutrina. 
Exemplo: Sócio administrador de padaria compra tintas para pintar a padaria. Esse ato é 
estranho aos negócios da sociedade. Deveria então o administrador responder pessoalmente pelo 
débito? 
Concluindo: o CC adotou expressamente a Teoria ‘ultra vires’, no entanto, conforme a 
doutrina, tal previsão legal andou na contramão da jurisprudência. A ultra vires não é adotada nem 
na Inglaterra, onde foi criada. 
A jurisprudência tem adotado outra Teoria, mesmo com o CC. 
6.12.3. Teoria da Aparência. 
Ocorre quando o Administrador age em nome da sociedade, APARENTEMENTE ele 
possui poderes para a prática do ato. Para essa Teoria, quem responde é a SOCIEDADE, pois 
elegeu mal seu Administrador.Caberá, posteriormente, à Sociedade ingressar com ação de 
regresso contra o Administrador. 
Essa Teoria tem a finalidade de proteger o terceiro de boa-fé que contratou com a 
sociedade. 
José Edivaldo Tavares Borba: culpa in eligendo. A sociedade deve saber escolher seu 
administrador. Para este doutrinador, ela responde. 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 132 
 
A dinâmica das relações contratuais (modernidade e operações em massa), a 
modernidade, e a intensificação das relações, exige a proteção do terceiro de boa-fé, razão pela 
qual a jurisprudência tem aplicado a Teoria da Aparência. 
Diante disso, alguns autores (Sérgio Campinho) dizem ser possível aplicar as duas teorias: 
 
- Para as relações de Direito de Consumidor e Direito do Trabalho se aplica a Teoria da 
Aparência. 
- Para as relações com Fornecedores ou instituições Financeiras e de crédito, aplica-se a 
Teoria Ultra Vires. 
Ex: Se o banco aceita que o Administrador abra uma conta em nome da Sociedade sem 
ter poderes, caberia ao banco ter tomado as precauções. 
Alguns TJ’s já vêm aplicando o pensamento de Sergio Campinho. 
Sociedade sem Administrador definido 
Vejamos um exemplo: 
Sociedade com 04 membros sem definição de Administrador em contrato ou ato separado. 
Quem será o Administrador? 
Conforme o art. 1.013 do CC, a administração caberá à totalidade dos sócios. 
Art. 1.013. A administração da sociedade, nada dispondo o contrato social, 
compete separadamente a cada um dos sócios. 
1o Se a administração competir separadamente a vários administradores, 
cada um pode impugnar operação pretendida por outro, cabendo a decisão 
aos sócios, por maioria de votos. 
§ 2o Responde por perdas e danos perante a sociedade o administrador que 
realizar operações, sabendo ou devendo saber que estava agindo em 
desacordo com a maioria. 
6.13. DISSOLUÇÃO DA SOCIEDADE LIMITADA 
A dissolução pode ser total ou parcial. 
Dissolução Parcial: Ocorre quando um ou mais sócios saem da sociedade, porém a 
sociedade é mantida, preservada, continua em atividade (arts. 1.028 a 1.032). 
Dissolução Total: Há a extinção da sociedade. Encerra as atividades (arts. 1.085 e 1.086 
do CC). 
6.13.1. Casos de dissolução parcial: 
a) Vontade dos sócios: Deliberação que decide pela saída não contenciosa de alguns (s) 
sócios (s). 
 
b) Falecimento do sócio: Morrendo o sócio, os herdeiros não ficam obrigados a ingressar 
na sociedade, podendo promover a liquidação das cotas do de cujus. 
 
Art. 1.028. No caso de morte de sócio, liquidar-se-á sua quota, salvo: 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 133 
 
I - se o contrato dispuser diferentemente; 
II - se os sócios remanescentes optarem pela dissolução da sociedade; 
III - se, por acordo com os herdeiros, regular-se a substituição do sócio 
falecido. 
 
c) Direito de retirada; 
 
Art. 1.029. Além dos casos previstos na lei ou no contrato, qualquer sócio 
pode retirar-se da sociedade; se de prazo indeterminado, mediante 
notificação aos demais sócios, com antecedência mínima de sessenta dias; 
se de prazo determinado, provando judicialmente justa causa. 
Parágrafo único. Nos trinta dias subsequentes à notificação, podem os 
demais sócios optar pela dissolução da sociedade. 
 
d) Falência do sócio (não da sociedade, que é caso de dissolução total); 
 
Art. 1.030, Parágrafo único. Será de pleno direito excluído da sociedade o 
sócio declarado falido, ou aquele cuja quota tenha sido liquidada nos termos 
do parágrafo único do art. 1.026. 
 
e) Exclusão de sócio 
Art. 1.030. Ressalvado o disposto no art. 1.004 e seu parágrafo único, pode 
o sócio ser excluído judicialmente, mediante iniciativa da maioria dos 
demais sócios, por falta grave no cumprimento de suas obrigações, ou, 
ainda, por incapacidade superveniente. 
 
Principais casos de exclusão de sócio 
 
• Sócio remisso (art. 1.004, parágrafo único). Pode ser realizada extrajudicialmente. 
• Falta grave do sócio, mediante decisão judicial (art. 1.030); 
Exemplo de falta grave: concorrência desleal. 
• Incapacidade superveniente do sócio, mediante decisão judicial (art. 1.030) 
OBS: Diz a doutrina que a incapacidade só é causa de exclusão nas sociedades de 
pessoais; e não nas de capitais. Ver acima. 
• Sócio minoritário, se presentes todos os seguintes requisitos (art. 1.085): 
a) Atos de inegável gravidade; 
b) Coloque em risco a empresa; 
c) Previsão expressa no contrato de exclusão por justa causa; 
OBS: A exclusão ocorre mediante simples alteração do contrato, ou seja, é uma 
medida extrajudicial. 
d) Assembleia ou reunião, especialmente, convocada para esse fim, sendo 
assegurado o direito de defesa do sócio (parágrafo único) – por maioria 
absoluta, mais da metade do capital social. 
 
Art. 1.085. Ressalvado o disposto no art. 1.030, quando a maioria dos 
sócios, representativa de mais da metade do capital social, entender que 
um ou mais sócios estão pondo em risco a continuidade da empresa, em 
virtude de atos de inegável gravidade, poderá excluí-los da sociedade, 
mediante alteração do contrato social, desde que prevista neste a exclusão 
por justa causa. 
Parágrafo único. Ressalvado o caso em que haja apenas dois sócios na 
sociedade, a exclusão de um sócio somente poderá ser determinada em 
reunião ou assembleia especialmente convocada para esse fim, ciente o 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 134 
 
acusado em tempo hábil para permitir seu comparecimento e o exercício do 
direito de defesa. (Redação dada pela Lei nº 13.792, de 2019). 
 
Salienta-se que a Lei 13.792/2019 alterou a redação do parágrafo único do art. 
13.792/2019, prevendo que se na sociedade empresária houver apenas dois sócios, a exclusão 
de um sócio não precisa ser feita em reunião ou assembleia especialmente convocada para esse 
fim. 
Em não sendo observados TODOS os requisitos, a exclusão será NULA. 
Artigos referentes, ainda à dissolução parcial: 
 
Art. 1.031. Nos casos em que a sociedade se resolver em relação a um 
sócio, o valor da sua quota, considerada pelo montante efetivamente 
realizado, liquidar-se-á, salvo disposição contratual em contrário, com base 
na situação patrimonial da sociedade, à data da resolução, verificada em 
balanço especialmente levantado. 
§ 1o O capital social sofrerá a correspondente redução, salvo se os demais 
sócios suprirem o valor da quota. 
§ 2o A quota liquidada será paga em dinheiro, no prazo de noventa dias, a 
partir da liquidação, salvo acordo, ou estipulação contratual em contrário. 
 
Art. 1.032. A retirada, exclusão ou morte do sócio, não o exime, ou a seus 
herdeiros, da responsabilidade pelas obrigações sociais anteriores, até dois 
anos após averbada a resolução da sociedade; nem nos dois primeiros 
casos, pelas posteriores e em igual prazo, enquanto não se requerer a 
averbação. 
6.13.2. Casos de dissolução total 
a) Vontade dos sócios (art. 1.033, II e III); 
 
Se for sociedade por tempo DETERMINADO, somente a unanimidade dos sócios pode 
dissolvê-la; se for por tempo indeterminado, basta a vontade da maioria absoluta. A jurisprudência 
tem admitido que apenas um sócio (ainda que minoritário) continue na sociedade (princípio da 
conservação da empresa), desde que constitua novo sócio dentro do prazo legal. 
Art. 1.033. Dissolve-se a sociedade quando ocorrer: 
II - o consenso unânime dos sócios; (prazo determinado) 
III - a deliberação dos sócios, por maioria absoluta, na sociedade de prazo 
indeterminado; 
 
b) Decurso do prazo determinado de duração da sociedade (art. 1.033, I) 
 
Se chegar ao fim do prazo e não for providenciada a dissolução (não entrar em liquidação), 
haverá a prorrogação da sociedade por prazo indeterminado. Nesse caso, entretanto, a sociedade 
passará a ser IRREGULAR, sendo-lhe aplicáveis as regras da sociedade em comum. 
Art. 1.033. Dissolve-se a sociedade quando ocorrer: 
I - o vencimento do prazo de duração, salvo se, vencido este e sem 
oposição de sócio, não entrar a sociedadeem liquidação, caso em que se 
prorrogará por tempo indeterminado; 
 
c) Falência da sociedade; 
 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13792.htm#art4
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 135 
 
Art. 1.044. A sociedade se dissolve de pleno direito por qualquer das causas 
enumeradas no art. 1.033 e, se empresária, também pela declaração da 
falência. 
 
d) Extinção de autorização para funcionamento (art. 1.033, V) 
 
Art. 1.033. Dissolve-se a sociedade quando ocorrer: 
V - a extinção, na forma da lei, de autorização para funcionar. 
 
Art. 1.037. Ocorrendo a hipótese prevista no inciso V do art. 1.033, o 
Ministério Público, tão logo lhe comunique a autoridade competente, 
promoverá a liquidação judicial da sociedade, se os administradores não o 
tiverem feito nos trinta dias seguintes à perda da autorização, ou se o sócio 
não houver exercido a faculdade assegurada no parágrafo único do artigo 
antecedente (transformação de sociedade empresária em empresário 
individual). 
 
É o único caso onde o MP interfere. 
 
e) Unipessoalidade por mais de 180 dias (art. 1.033. IV). 
 
Art. 1.033. Dissolve-se a sociedade quando ocorrer: 
IV - a falta de pluralidade de sócios, não reconstituída no prazo de cento e 
oitenta dias; 
Parágrafo único. Não se aplica o disposto no inciso IV caso o sócio 
remanescente, inclusive na hipótese de concentração de todas as cotas da 
sociedade sob sua titularidade, requeira, no Registro Público de Empresas 
Mercantis, a transformação do registro da sociedade para empresário 
individual ou para empresa individual de responsabilidade limitada, 
observado, no que couber, o disposto nos arts. 1.113 a 1.115 deste Código. 
(Redação dada pela Lei nº 12.441, de 2011) 
 
f) Anulação do ato constitutivo. 
 
Art. 1.034. A sociedade pode ser dissolvida judicialmente, a requerimento 
de qualquer dos sócios, quando: 
I - anulada a sua constituição; 
 
g) Exaurimento ou inexequibilidade do objeto social: Exaurimento se dá no caso da 
sociedade constituída exclusivamente para realizar determinada obra, operação ou serviço. 
Exaurido seu objeto, desaparece a razão para a continuidade da pessoa jurídica. (Art. 1.034, II). 
 
Inexequibilidade nada mais é do que a ausência de mercado. Ex: Loja que vende antena 
VHF. 
Art. 1.034. A sociedade pode ser dissolvida judicialmente, a requerimento 
de qualquer dos sócios, quando: 
II - exaurido o fim social, ou verificada a sua inexequibilidade. 
 
Além dessas hipóteses, o próprio ato constitutivo pode prever outras causas de dissolução 
total da sociedade. 
7. SOCIEDADE ANÔNIMA (LEI 6.404/76) 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 136 
 
É a sociedade cujo capital está divido em ações. É também chamada de “Companhia”. 
Rege-se pela Lei 6.404/76 (Lei das Sociedades por Ações – LSA), aplicando-se o CC apenas na 
omissão desta. 
7.1. PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS 
• Sociedade institucional, ou seja, o seu ato constitutivo não é um contrato, mas sim 
um estatuto social (mais formal que um contrato). 
• Sociedade empresária (sempre!), nos termos do art. 982, parágrafo único do CC. 
Art. 982. Salvo as exceções expressas, considera-se empresária a 
sociedade que tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário 
sujeito a registro (art. 967); e, simples, as demais. 
Parágrafo único. Independentemente de seu objeto, considera-se 
empresária a sociedade por ações; e, simples, a cooperativa. 
 
• Sociedade de capital, ou seja, os títulos sociais são livremente negociáveis, não 
sendo dado aos sócios (acionistas) vetar o ingresso de terceiros no quadro social 
(diferentemente da limitada que pode ser de capital OU assumir uma feição 
personalista). 
O capital social é fracionado em unidades denominadas AÇÕES. Por isso, os sócios são 
também chamados de acionistas, respondendo pelas dívidas sociais até o limite do que falta para 
a integralização total das ações que sejam titulares (“a responsabilidade dos sócios ou acionistas 
será limitada ao preço de emissão das ações subscritas ou adquiridas”). 
A Sociedade anônima adota Denominação, obrigatoriamente. Deve constar do nome 
empresarial a expressão Sociedade Anônima (S/A) ou a expressão Companhia (Cia). Essa última 
só pode estar presente no início ou meio da denominação (para não confundir com as demais 
sociedades). Exceção: pode ter, em homenagem, nome de sócio. 
7.2. ESPÉCIES DE SOCIEDADE ANÔNIMA (ART. 4º DA LSA) 
A companhia é aberta ou fechada conforme os valores mobiliários de sua emissão estejam 
ou não admitidos à negociação no mercado de valores mobiliários. 
Art. 4o Para os efeitos desta Lei, a companhia é aberta ou fechada conforme 
os valores mobiliários de sua emissão estejam ou não admitidos à 
negociação no mercado de valores mobiliários. 
§ 1o Somente os valores mobiliários de emissão de companhia registrada na 
Comissão de Valores Mobiliários podem ser negociados no mercado de 
valores mobiliários. 
§ 2o Nenhuma distribuição pública de valores mobiliários será efetivada no 
mercado sem prévio registro na Comissão de Valores Mobiliários. 
§ 3o A Comissão de Valores Mobiliários poderá classificar as companhias 
abertas em categorias, segundo as espécies e classes dos valores 
mobiliários por ela emitidos negociados no mercado, e especificará as 
normas sobre companhias abertas aplicáveis a cada categoria. 
§ 4o O registro de companhia aberta para negociação de ações no mercado 
somente poderá ser cancelado se a companhia emissora de ações, o 
acionista controlador ou a sociedade que a controle, direta ou indiretamente, 
formular oferta pública para adquirir a totalidade das ações em circulação no 
mercado, por preço justo, ao menos igual ao valor de avaliação da 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 137 
 
companhia, apurado com base nos critérios, adotados de forma isolada ou 
combinada, de patrimônio líquido contábil, de patrimônio líquido avaliado a 
preço de mercado, de fluxo de caixa descontado, de comparação por 
múltiplos, de cotação das ações no mercado de valores mobiliários, ou com 
base em outro critério aceito pela Comissão de Valores Mobiliários, 
assegurada a revisão do valor da oferta, em conformidade com o disposto 
no art. 4o-A. 
§ 5o Terminado o prazo da oferta pública fixado na regulamentação 
expedida pela Comissão de Valores Mobiliários, se remanescerem em 
circulação menos de 5% (cinco por cento) do total das ações emitidas pela 
companhia, a assembleia-geral poderá deliberar o resgate dessas ações 
pelo valor da oferta de que trata o § 4o, desde que deposite em 
estabelecimento bancário autorizado pela Comissão de Valores Mobiliários, 
à disposição dos seus titulares, o valor de resgate, não se aplicando, nesse 
caso, o disposto no § 6o do art. 44. 
§ 6o O acionista controlador ou a sociedade controladora que adquirir ações 
da companhia aberta sob seu controle que elevem sua participação, direta 
ou indireta, em determinada espécie e classe de ações à porcentagem que, 
segundo normas gerais expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários, 
impeça a liquidez de mercado das ações remanescentes, será obrigado a 
fazer oferta pública, por preço determinado nos termos do § 4o, para 
aquisição da totalidade das ações remanescentes no mercado. 
 
Companhia aberta: É aquela em que seus valores mobiliários (ações) são admitidos à 
negociação no mercado de valores mobiliários (bolsa de valores). 
Companhia fechada: É aquela em que seus valores mobiliários NÃO são admitidos à 
negociação do mercado de valores mobiliários. 
Não se quer dizer que as ações não são negociáveis. Somente não o são em mercado de 
valores mobiliários. 
O mercado de valores mobiliários se subdivide em: 
Bolsa de valores: São entidades privadas constituídas sob a forma de associações civis 
ou sociedades anônimas, tendo por membros corretoras de valores mobiliários. Conquanto sejam 
privadas, sua criação depende de autorização do Banco Central, bem como seu funcionamento é 
supervisionadopela CVM (Comissão de valores mobiliários). Esse controle se explica pelo fato de 
as Bolsas de Valores exercerem um serviço público de grande relevância na economia interna. 
Fábio Ulhôa: Se alguém quer comprar ou vender veículos, é mais fácil ir até um feirão, 
onde só existem interessados nesses negócios, do que negociar por fora. A bolsa de valores é 
como um feirão de valores mobiliários. A função da bolsa é aumentar o fluxo de negociação de 
valores mobiliários. 
CVM: É uma entidade autárquica federal com qualidade de agência reguladora, vinculada 
ao Ministério da Fazenda. É dotada de autoridade administrativa. 
Mercado de balcão: Compreende todas as operações realizadas fora da bolsa de valores. 
Ocorre quando o sujeito compra ações diretamente de uma corretora de valores ou de uma 
instituição financeira autorizada. O mercado de balcão pode realizar tanto mercado primário 
quanto mercado secundário. Vejamos: 
• Mercado primário: Quando a operação ocorre entre a CIA emissora e o investidor 
(ações compradas diretamente da S/A). 
• Mercado secundário: Quando a operação ocorre entre investidores. 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 138 
 
IMPORTANTE: O mercado primário só ocorre com o mercado de balcão; já o mercado 
secundário pode ser tanto de balcão quanto na bolsa de valores. Ou seja, na Bolsa de Valores só 
existe o mercado secundário, em que um investidor emite um título para outro investidor. 
7.3. CONSTITUIÇÃO DA SOCIEDADE ANÔNIMA 
7.3.1. Requisitos preliminares (art. 80 da LSA) 
Art. 80. A constituição da companhia depende do cumprimento dos 
seguintes requisitos preliminares: 
I - subscrição, pelo menos por 2 (duas) pessoas, de todas as ações em que 
se divide o capital social fixado no estatuto; 
II - realização, como entrada, de 10% (dez por cento), no mínimo, do preço 
de emissão das ações subscritas em dinheiro; 
III - depósito, no Banco do Brasil S/A., ou em outro estabelecimento 
bancário autorizado pela Comissão de Valores Mobiliários, da parte do 
capital realizado em dinheiro. 
Parágrafo único. O disposto no número II não se aplica às companhias para 
as quais a lei exige realização inicial de parte maior do capital social. 
 
1) Subscrição, pelo menos por duas pessoas, de todas as ações em que se divide o 
capital social fixado no Estatuto. 
A subscrição é o contrato pelo qual uma pessoa se torna titular de ação emitida por uma 
S/A. 
Exceções em que se admite a unipessoalidade: Empresa pública (Ente político como único 
acionista) ou Subsidiária integral. 
Subsidiária integral (art. 251 da LSA): É um tipo de sociedade anônima que admite um 
único acionista, que necessariamente será uma sociedade nacional. Ex: Transpetro. Subsidiária 
integral. Tem como único acionista a Petrobras. Itaú S/A, tem como único acionista Itaú Holding. 
Art. 251. A companhia pode ser constituída, mediante escritura pública, 
tendo como único acionista sociedade brasileira. 
§ lº A sociedade que subscrever em bens o capital de subsidiária integral 
deverá aprovar o laudo de avaliação de que trata o artigo 8º, respondendo 
nos termos do § 6º do artigo 8º e do artigo 10 e seu parágrafo único. 
§ 2º A companhia pode ser convertida em subsidiária integral mediante 
aquisição, por sociedade brasileira, de todas as suas ações, ou nos termos 
do artigo 252. 
 
2) Integralização, em dinheiro, de pelo menos 10% do preço das ações subscritas. 
Exceção: Em sendo instituição financeira, esse percentual passa para 50%, nos termos da 
Lei 4.595/64. 
3) Depósito dessa quantia no Banco do Brasil ou em outro estabelecimento bancário 
autorizado pela CVM. Quem realiza esse depósito é o fundador da CIA, em nome do subscritor e 
em favor da CIA. 
Esse valor é levantado pela Cia depois de concluído o processo de constituição. Agora, se 
em 06 meses do depósito a CIA não se constituir, o valor depositado é restituído ao subscritor. 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 139 
 
7.3.2. Constituição propriamente dita (arts. 82 a 93 da LSA) 
a) Constituição da CIA aberta (subscrição pública ou sucessiva) 
Ocorre através de uma sucessão de etapas (por isso é chamada de sucessiva): 
1ª Etapa: Registro na CVM, que analisará o Estatuto e a viabilidade econômica da S/A. 
2ª Etapa: Se autorizada pela CVM, passa-se à contratação de instituição financeira para 
intermediar a venda dessas ações no mercado de valores mobiliários (“underwriter” – a empresa 
faz os serviços de ‘underwrinting’: quais sejam, apresentação dos documentos necessários à 
CVM, assinando-os e a colocação das ações junto aos investidores, o objetivo da lei é ampliar as 
garantias dos investidores.). 
O papel da instituição financeira underwriter é extremamente importante, visto que cabe a 
ela captar os recursos no mercado, atraindo investidores para o empreendimento a ser 
desenvolvido pela cia. 
Nas cias abertas, todo capital deve ser subscrito, sob pena de cancelamento do registro 
de emissão anteriormente concedido pela CVM. 
Art. 86. Encerrada a subscrição e havendo sido subscrito todo o capital 
social, os fundadores convocarão a assembleia-geral que deverá: 
 I - promover a avaliação dos bens, se for o caso (artigo 8º); 
 II - deliberar sobre a constituição da companhia. 
 Parágrafo único. Os anúncios de convocação mencionarão hora, dia e local 
da reunião e serão inseridos nos jornais em que houver sido feita a 
publicidade da oferta de subscrição. 
 
3ª Etapa: Assembleia de fundação. (Primeira convocação, no mínimo metade do capital 
social, na segunda, com qualquer número). Estabelece o §2º do art. 87 que cada ação, 
independentemente de sua espécie ou classe, dá direito a um voto, sendo que a maioria não tem 
poder para alterar o projeto de estatuto, ou seja, é necessário para isso deliberação unânime. 
Art. 87. A assembleia de constituição instalar-se-á, em primeira convocação, 
com a presença de subscritores que representem, no mínimo, metade do 
capital social, e, em segunda convocação, com qualquer número. 
§ 1º Na assembleia, presidida por um dos fundadores e secretariada por 
subscritor, será lido o recibo de depósito de que trata o número III do artigo 
80, bem como discutido e votado o projeto de estatuto. 
§ 2º Cada ação, independentemente de sua espécie ou classe, dá direito a 
um voto; a maioria não tem poder para alterar o projeto de estatuto. 
b) Constituição da CIA fechada (subscrição particular ou simultânea) 
Aqui, o procedimento é bem mais simplificado, sem a captação de recursos junto a 
investidores no mercado de capitais. 
Os acionistas escolhem entre: 
• Escritura pública de fundação ou; 
• Assembleia de fundação. 
IMPORTANTE: Somente a CIA aberta é que precisa de autorização da CVM para sua 
constituição. É por isso que quando a CIA aberta não consegue a autorização, ela se constitui na 
forma de CIA fechada. 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 140 
 
7.3.3. Regras gerais acerca do procedimento de subscrição 
Art. 89. A incorporação de imóveis para formação do capital social não exige 
escritura pública. 
 
Art. 90. O subscritor pode fazer-se representar na assembleia-geral ou na 
escritura pública por procurador com poderes especiais. 
 
Art. 91. Nos atos e publicações referentes a companhia em constituição, sua 
denominação deverá ser aditada da cláusula "em organização". 
 
Art. 92. Os fundadores e as instituições financeiras que participarem da 
constituição por subscrição pública responderão, no âmbito das respectivas 
atribuições, pelos prejuízos resultantes da inobservância de preceitos legais. 
Parágrafo único. Os fundadores responderão, solidariamente, pelo prejuízo 
decorrente de culpa ou dolo em atos ou operações anteriores à constituição. 
 
Art. 93. Os fundadores entregarão aos primeiros administradores eleitos 
todos os documentos, livros ou papéis relativos à constituição da companhia 
ou a esta pertencentes. 
7.3.4. Formalidades complementares 
Satisfeitos esses procedimentos preliminares, deverão ainda ser observadosprocedimentos complementares, comuns a qualquer espécie de CIA, quais sejam o Registro do 
Ato Constitutivo na Junta Comercial e a sua devida publicação. 
A LSA determina uma série de documentos para o arquivamento na Junta Comercial, no 
caso de constituição da Cia que ocorre por meio de assembleia de fundação. No caso de CIA 
constituída por meio de lavratura de escritura pública em cartório, o que só pode ocorrer nas Cias 
fechadas, a LSA determina que basta o arquivamento da certidão. 
7.4. ÓRGÃOS DA S/A 
(Antes de Cristo, Depois de Cristo (ACDC) = Assembleia, Conselho de administração, 
Diretoria, Conselho fiscal) 
A - Assembleia Geral; 
C - Conselho de Administração; 
D - Diretoria; 
C - Conselho Fiscal. 
DETA: Destinação, Eleição, Tomar contas, Aprovação 
7.4.1. Assembleia Geral 
É órgão mais importante, possuindo caráter exclusivamente deliberativo, em que são 
tomadas as principais decisões da S/A. 
A assembleia geral pode ser: 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 141 
 
1) Ordinária: Competência privativa da AGO (art. 132 da LSA): 
- Deliberar sobre a destinação dos lucros; 
- Tomar as contas dos administradores (prestação de contas); 
- Eleger os administradores e membros do Conselho Fiscal. 
- Aprovar a correção da expressão monetária do capital social. 
Art. 132. Anualmente, nos 4 (quatro) primeiros meses seguintes ao término 
do exercício social, deverá haver 1 (uma) assembleia-geral para: 
I - tomar as contas dos administradores, examinar, discutir e votar as 
demonstrações financeiras; 
II - deliberar sobre a destinação do lucro líquido do exercício e a distribuição 
de dividendos; 
III - eleger os administradores e os membros do conselho fiscal, quando for 
o caso; 
IV - aprovar a correção da expressão monetária do capital social (artigo 
167). 
 
IMPORTANTE: Todo e qualquer tema que não seja esses 04 só poderá ser objeto de 
assembleia geral extraordinária. 
2) Extraordinária: Todo e qualquer tema que não seja os 04 acima. 
Ex.: Destituição de administrador (art. 122 da LSA). 
7.4.2. Conselho de Administração 
É um órgão facultativo, em regra. Trata-se de colegiado de caráter deliberativo, ao qual a 
lei atribui parte das competências da Assembleia-Geral. 
Em três situações o Conselho é obrigatório (arts. 138 e 238 da LSA): 
• CIA aberta; 
• Sociedade de capital autorizado (art. 168 da LSA) → Trata-se da sociedade onde o 
Estatuto permite previamente a alteração do capital, sem que seja necessária a sua 
modificação (do Estatuto). 
• Sociedade de economia mista. 
Por que é obrigatório? Qual a finalidade do Conselho de Administração? 
O art. 142 da LSA estabelece a competência do Conselho, dentre as principais atribuições: 
• A Eleição e destituição dos membros da diretoria. (Não confundir: à AGO compete 
eleição e destituição dos administradores e Conselho fiscal) 
• Estabelecimento das diretrizes e planejamento da S/A; 
• Supervisão dos atos da Diretoria. 
Nas três exceções percebe-se um interesse público envolvido, por isso exige-se o 
Conselho de Administração, para supervisionar os atos da diretoria. 
*Composição do Conselho de Administração 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 142 
 
Mínimo de 03 membros, devendo todos serem acionistas e pessoas naturais (nas 
limitadas o mínimo é 01) O mandato é fixado no estatuto, não podendo exceder a 03 anos, 
permitida a reeleição (nas limitadas o prazo é fixado no contrato). Não precisa ser residente no 
país. 
 
Perceba que o administrador da sociedade limitada, não precisa ser sócio, o contrato que 
define. 
OBS: a CIA aberta pode ser composta por dois acionistas? Não, pois a CIA Aberta tem que ter 
Conselho de Administração que deve ter uma composição mínima de três acionistas. 
Questão de Prova: Os órgãos de administração da S/A são o Conselho de Administração e 
a Diretoria; ou apenas Diretoria, quando o Conselho não for obrigatório. 
No art. 155 §1º temos a proibição do INSIDER TRADING = proibição do trânsito de 
informações por parte daqueles que ocupam lugar na diretoria. 
Art. 155. O administrador deve servir com lealdade à companhia e manter 
reserva sobre os seus negócios, sendo-lhe vedado: 
§ 1º Cumpre, ademais, ao administrador de companhia ABERTA, guardar 
sigilo sobre qualquer informação que ainda não tenha sido divulgada para 
conhecimento do mercado, obtida em razão do cargo e capaz de influir de 
modo ponderável na cotação de valores mobiliários, sendo-lhe vedado 
valer-se da informação para obter, para si ou para outrem, vantagem 
mediante compra ou venda de valores mobiliários. 
 
No art. 157 encontramos o dever de DESCLOSURE – dever da administração de informar 
ao mercado financeiro da saúde financeira da sua empresa. Transparecer e informar todas as 
informações econômicas e financeiras da sociedade com veracidade. 
Art. 157. O administrador de companhia aberta deve declarar, ao firmar o 
termo de posse, o número de ações, bônus de subscrição, opções de 
compra de ações e debêntures conversíveis em ações, de emissão da 
companhia e de sociedades controladas ou do mesmo grupo, de que seja 
titular. 
 
Responsabilidade do administrador: a ultra vires, que está prevista para LTDA aplica-se 
a S/A? Enunciado 219 do CJF 
219 Art. 1.015: Está positivada a teoria ultra vires no Direito brasileiro, com 
as seguintes ressalvas: (a) o ato ultra vires não produz efeito apenas em 
relação à sociedade; (b) sem embargo, a sociedade poderá, por meio de 
seu órgão deliberativo, ratificá-lo; (c) o Código Civil amenizou o rigor da 
teoria ultra vires, admitindo os poderes implícitos dos administradores para 
realizar negócios acessórios ou conexos ao objeto social, os quais não 
constituem operações evidentemente estranhas aos negócios da sociedade; 
(d) não se aplica o art. 1.015 às sociedades por ações, em virtude da 
existência de regra especial de responsabilidade dos administradores 
(art. 158, II, Lei n. 6.404/76). 
 
CC Art. 1.015. No silêncio do contrato, os administradores podem praticar 
todos os atos pertinentes à gestão da sociedade; não constituindo objeto 
social, a oneração ou a venda de bens imóveis depende do que a maioria 
dos sócios decidir. 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 143 
 
Parágrafo único. O excesso por parte dos administradores somente pode 
ser oposto a terceiros se ocorrer pelo menos uma das seguintes hipóteses: 
I - se a limitação de poderes estiver inscrita ou averbada no registro próprio 
da sociedade; 
II - provando-se que era conhecida do terceiro; 
III - tratando-se de operação evidentemente estranha aos negócios da 
sociedade. 
 
No art. 158 temos que a ultra vires não se aplica à S/A. Ela tem regra própria. 
Art. 158. O administrador não é pessoalmente responsável pelas obrigações 
que contrair em nome da sociedade e em virtude de ato regular de gestão; 
responde, porém, civilmente, pelos prejuízos que causar, quando proceder: 
I - dentro de suas atribuições ou poderes, com culpa ou dolo; 
II - com violação da lei ou do estatuto. 
7.4.3. Diretoria 
1) Composição 
O diretor é o representante legal da S.A. Ele que vai representá-la. 
Mínimo de 02 membros, acionistas ou não, devendo ser residentes no país. O mandato 
é fixado pelo Estatuto, não podendo ser superior a 03 anos, permitida a reeleição. 
Art. 143. A Diretoria será composta por 2 (dois) ou mais diretores, eleitos e 
destituíveis a qualquer tempo pelo conselho de administração, ou, se 
inexistente, pela assembleia-geral, devendo o estatuto estabelecer:... 
2) Competência da diretoria (art. 144 da LSA) 
A diretoria é órgão de representação legal da CIA e de execução das deliberações da 
Assembleia e do Conselho de Administração. Compete a qualquer diretor a representação da CIA 
e a prática dos atos necessários ao seu funcionamento regular, salvo se existir deliberação ou 
previsão estatutária prevendo tais competências a um diretor específico. 
Art. 144. No silêncio do estatuto e inexistindo deliberação do conselhode 
administração (artigo 142, n. II e parágrafo único), competirão a qualquer 
diretor a representação da companhia e a prática dos atos necessários ao 
seu funcionamento regular. 
 
PROVA: Quais os órgãos de Administração da S/A? 
Diretoria e Conselho de Administração (quando existir). 
“Sistema dualista de administração da S/A”: conselho de administração e diretoria. 
7.4.4. Conselho fiscal 
1) Composição 
Mínimo de 03 membros e máximo de 05, com igual número de suplentes, acionistas ou 
não, porém residentes no país. 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 144 
 
Art. 161. A companhia terá um conselho fiscal e o estatuto disporá sobre 
seu funcionamento, de modo permanente ou nos exercícios sociais em que 
for instalado a pedido de acionistas. 
§ 1º O conselho fiscal será composto de, no mínimo, 3 (três) e, no máximo, 
5 (cinco) membros, e suplentes em igual número, acionistas ou não, eleitos 
pela assembleia-geral. 
 
Interpretação: 
- O Conselho Fiscal é órgão de existência obrigatória, porém seu funcionamento é 
facultativo, o qual deverá ocorrer mediante deliberação dos acionistas. 
 EXCEÇÃO: Na Sociedade de economia mista o funcionamento também é obrigatório (art. 
240 da LSA). 
Art. 240. O funcionamento do conselho fiscal será permanente nas 
companhias de economia mista; um dos seus membros, e respectivo 
suplente, será eleito pelas ações ordinárias minoritárias e outro pelas ações 
preferenciais, se houver. 
 
*Perceba que a existência de tal órgão é obrigatória na S/A que não seja SEM, a outro 
giro, instituição de tal órgão é facultativa na sociedade limitada 
Cabe ao Conselho fiscalizar os órgãos da administração da sociedade (Conselho 
Administrativo e Diretoria), protegendo, assim, os interesses da companhia e de todos os 
acionistas. Sua competência é detalhada no art. 163 da LSA. 
Questão de Prova: O Conselho Fiscal é órgão de existência obrigatória, mas de 
funcionamento facultativo! 
Resuminho: 
SOCIEDADE S/A LTDA 
Regramento LSA CC 
Tipo Empresária. Simples ou empresária 
Vínculo Institucional. Contratual 
Espécie 
Capitalista. 
Capital aberto/fechado. 
Personalística ou capitalista. 
Omissão CC. 
Regras da sociedade simples, o 
contrato pode prever a LSA. 
Fábio Ulhôa: “duas limitadas”. 
Instituição 
-Assembleia de fundação (capital 
aberto/fechado). 
 
-Escritura pública (somente capital 
fechado). 
Contrato Social 
Outras do mesmo gênero Comandita por ações. 
Em nome coletivo e comandita 
simples. 
Exigências 
-Subscrição de pelo menos 2 
pessoas. 
-Integralização de 10% em 
dinheiro. 
-Depósito BB ou agência 
autorizada pela CVM. 
 
***Aberta: 
Contrato social exige: 
 
-Contribuição do sócio 
-Distribuição dos resultados 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 145 
 
-CVM avaliação. 
-Underwriter 
-Todo capital deve ser subscrito. 
-Assembléia de fundação. 
Obs: aqui, as ações só podem ser 
negociadas depois de integralizado 
30% do valor de emissão. 
 
***Fechada: 
-Escritura pública de fundação ou 
assembleia de fundação. 
Responsabilidade dos sócios 
-Restrita às ações. 
-Disregard doctrine. 
-O que couber a das limitadas(?!?) 
Restrita ao valor das quotas 
(subscritas), mas todos 
respondem solidariamente pela 
integralização. 
 
Exceções (responsabilidade 
ilimitada) 
*Crédito trabalhista 
*INSS 
*Disregard Doctrine 
*Administrador e a teoria da Ultra 
Vires. 
*Registro cancelado 
*Sociedade entre cônjuges. 
 
Todos sócios respondem de 
forma subsidiária (primeiro capital 
social) 
Cessão de ações/quotas Livre. 
-Para sócio: independe de 
consentimento. 
-Para não sócio: somente se não 
houver oposição de titulares de 
mais de ¼ do capital social. 
 
Deliberações 
Assembleia Geral: 
 
-Ordinária (AGO) 
*Deliberar sobre a destinação 
dos lucros. 
*Tomar as contas dos 
administradores (prestação de 
contas). 
*Eleger os administradores e 
membros do Conselho Fiscal. 
*Aprovar a correção da 
expressão monetária do capital 
social. 
 
-Extraordinária (AGE) 
*Tudo que não tiver acima. 
Assembleias ou reuniões. (mais 
de 10 sócios a assembleia é 
obrigatória). 
Dispensa da assembleia - 
-Deliberação subscrita por todos 
 
-ME e EPP 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 146 
 
Direito de retirada -Livre 
-Prazo determinado: justa causa, 
senão → juiz. 
 
-Prazo indeterminado: 60 dias de 
antecedência. 
Conselho fiscal 
Fiscaliza a administração da 
sociedade. 
 
-Mínimo 03, máximo 05. 
-Acionistas ou não. 
-DEVE residir no BR. 
-Existência obrigatória, 
-Funcionamento facultativo (exceto 
nas SEMs em que tanto existência 
como funcionamento são obrigatórios). 
Fiscaliza a administração da 
sociedade. 
Existência facultativa. 
Administração 
→Conselho de administração: 
-Facultativo regra. 
-Obrigatório: sociedade aberta, 
SEMs, ‘Capital autorizado’. 
-Administradores: somente sócio. 
Mínimo 03. Não precisa residir no 
BR. Prazo certo: 03 anos com 
reeleição. 
 
→Diretoria: 
-Não precisa ser sócio. Mínimo 02. 
DEVE residir no BR. 03 anos com 
reeleição. 
-Sócio. 
-Não sócio: previsão no contrato 
e exigências: 
*Capital integralizado: voto de 2/3 
do capital. 
*Capital não integralizado: 
votação unânime. 
 
-Sem administrador definido: 
cabe aos sócios. 
7.5. VALORES MOBILIÁRIOS 
Trata-se dos títulos de investimento que a sociedade emite para arrecadar recursos. São 
eles: 
• Ação; 
• Debênture; 
• “Commercial paper”; 
• Bônus de subscrição; 
• Partes beneficiárias. 
7.6. AÇÃO 
Ações são frações do capital social que conferem ao seu titular a qualidade de sócio de 
uma S/A. Quem tem ação é chamado de acionista, que é o sócio da S/A. 
7.6.1. Formas de integralização 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 147 
 
As ações subscritas podem ser pagas em dinheiro, com bens (móveis ou imóveis) ou com 
créditos (ex: nota promissória, duplicata etc.). 
Art. 7º O capital social poderá ser formado com contribuições em dinheiro 
ou em qualquer espécie de bens suscetíveis de avaliação em dinheiro. 
 
O dever principal do acionista é o de pagar o preço de emissão das ações que subscrever. 
O vencimento das prestações será o definido pelo estatuto ou pelo boletim de subscrição (art. 106 
da LSA). Se omissos tais instrumentos, os órgãos da administração procederão à chamada dos 
subscritores, por avisos publicados na imprensa, por três vezes pelo menos, estabelecendo prazo 
não inferior a 30 dias para o pagamento. 
Art. 106. O acionista é obrigado a realizar, nas condições previstas no 
estatuto ou no boletim de subscrição, a prestação correspondente às ações 
subscritas ou adquiridas. 
§ 1° Se o estatuto e o boletim forem omissos quanto ao montante da 
prestação e ao prazo ou data do pagamento, caberá aos órgãos da 
administração efetuar chamada, mediante avisos publicados na imprensa, 
por 3 (três) vezes, no mínimo, fixando prazo, não inferior a 30 (trinta) dias, 
para o pagamento. 
§ 2° O acionista que não fizer o pagamento nas condições previstas no 
estatuto ou boletim, ou na chamada, ficará de pleno direito constituído em 
mora, sujeitando-se ao pagamento dos juros, da correção monetária e da 
multa que o estatuto determinar, esta não superior a 10% (dez por cento) 
do valor da prestação. 
 
O acionista que deixar de pagar a prestação devida (o chamado acionista REMISSO), no 
prazo assim fixado, estará constituído em mora independentemente de qualquer interpelação 
(mora ex re). Nesta situação, deverá pagar o principal de seu débito, acrescido de juros, correção 
monetária e multa estatutária de, no máximo, 10%. Estas três parcelas são devidas apenas se 
existir previsão estatutária. 
A companhia poderá promover, contra o acionista remisso, a cobrança judicial do devido, 
por ação de execução, servindo o boletim de subscrição, acompanhado, se for o caso, da 
chamada, como título executivo extrajudicial. Poderá, também, optar pela venda das ações 
subscritas pelo acionistaremisso em Bolsa, independentemente de a S/A ser ou não de capital 
aberto, sendo que eventual montante já integralizado pelo acionista deve ser restituído. 
Explica-se: A referida venda em bolsa se faz mediante leilão especial, que também é 
cabível nas companhias fechadas. Do produto arrecadado nessa venda serão descontadas as 
despesas com a operação e os juros, correção monetária e multa previstos em estatuto, ficando o 
saldo à disposição do ex-acionista. 
A lei faculta à companhia promover a venda em Bolsa mesmo após o ajuizamento da 
execução judicial, assim como promover esta em caso de se revelar frustrada a venda em leilão 
especial da Bolsa. 
Baldadas, no entanto, ambas as providências, a companhia pode declarar a caducidade 
das ações, apropriando-se das entradas porventura já realizadas. Se, então, possuir fundos ou 
reservas (exceto a legal) disponíveis, poderá integralizar a ação, para vendê-la, se e quando 
desejar. Se não possuir fundos ou reservas suficientes para a integralização, terá a companhia o 
prazo de 1 ano para conseguir um comprador para as ações em questão, findo o qual, o capital 
social deverá ser reduzido, por decisão da assembleia geral, em importância correspondente. 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 148 
 
7.6.2. Classificação das ações quanto à espécie 
a) Ações Ordinárias (ON): São aquelas que conferem direitos comuns se sócio ao 
acionista. Exemplo de direitos comuns: Participação nos lucros; Fiscalização; direito de retirada 
etc. 
É a espécie de ação que obrigatoriamente deve ser emitida pela CIA, vale dizer, não existe 
S/A sem ações ordinárias. Emissão obrigatória. 
IMPORTANTE: Toda a ação ordinária confere direito de VOTO ao acionista (LSA, art. 
110). 
Art. 110. A cada ação ordinária corresponde 1 (um) voto nas deliberações 
da assembleia-geral. 
 
b) Ações Preferenciais (PN): São aquelas que conferem ao titular uma ação de direitos 
diferenciados, que podem se constituir em vantagens econômicas (maioria das vezes) ou 
políticas. 
 
Vantagem econômica: Quem tem ação preferencial PODE ter prioridade de recebimento 
de dividendos, ou seja, o acionista preferencial recebe primeiro os lucros da sociedade. Nesse 
caso, somente se sobrar dinheiro é que os acionistas ordinários receberiam. 
Outra vantagem econômica: Quem tem ação preferencial pode receber, no mínimo, 10% 
a mais de lucros que o acionista ordinário. 
Art. 111. O estatuto poderá deixar de conferir às ações preferenciais algum 
ou alguns dos direitos reconhecidos às ações ordinárias, inclusive o de voto, 
ou conferi-lo com restrições, observado o disposto no artigo 109. 
 
IMPORTANTE: A ação preferencial das duas uma: ou não tem direito a voto; ou tem o 
direito a voto limitado. É a contrapartida às vantagens recebidas. 
Vantagem política: Em caso de desestatização de empresa, o estado transfere o controle 
da S/A ao particular. Como quem tem direito a voto é o acionista ordinário, a forma de transferir o 
controle da S/A para o particular é colocá-lo na titularidade das ações ordinárias. 
Porém, para não perder totalmente o controle da S/A com a transferência das ações 
ordinárias para o particular, é facultado ao ente desestatizante a criação da chamada “golden 
share” (ação dourada), prevista no art. 17, §7º da LSA com o nome de “ação preferencial de 
classe especial”. 
Art. 17, § 7º Nas companhias objeto de desestatização poderá ser criada 
ação preferencial de classe especial (golden share), de propriedade 
exclusiva do ente desestatizante, à qual o estatuto social poderá conferir os 
poderes que especificar, inclusive o poder de veto às deliberações da 
assembleia-geral nas matérias que especificar. 
 
As ações “golden share”, que ficam obrigatoriamente na titularidade do Estado, apesar de 
terem limitação quanto ao direito de voto (pois são preferenciais e não ordinárias), podem conferir 
uma série de poderes especiais ao seu titular, conforme dispuser o Estatuto. Dentre esses 
poderes especiais se encontra o direito de VETO às deliberações sociais. 
ATENÇÃO 
Art. 111, § 1º As ações preferenciais sem direito de voto adquirirão o 
exercício desse direito se a companhia, pelo prazo previsto no estatuto, não 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 149 
 
superior a 3 (três) exercícios consecutivos, deixar de pagar os dividendos 
fixos ou mínimos a que fizerem jus, direito que conservarão até o 
pagamento, se tais dividendos não forem cumulativos, ou até que sejam 
pagos os cumulativos em atraso. 
 
Se o sujeito fica três exercícios consecutivos sem participar dos lucros (ou até mesmo um 
prazo menor, se assim dispuser o estatuto) passa a ter direito de voto. Esse direito perdura até 
que ele receba suas vantagens. Depois disso, volta a ser um mero acionista preferencial sem 
direito a voto. 
Obs.: de acordo com o art. 15, §1º, as ações preferenciais sempre podem ser divididas 
em classes, na cia fechada ou aberta (Classe A – direito tal-, Classe B – direito tal...), cabendo ao 
estatuto especificar a gama de direitos e restrições correspondente a cada uma. Já em relação as 
ordinárias, só se admite a divisão em classes na companhia fechada. 
PROVA: Qual é o número máximo de ações preferenciais sem voto que uma Cia pode 
emitir? 
No máximo de 50% do total de ações (art. 15, §2º). 
Art. 15. As ações, conforme a natureza dos direitos ou vantagens que 
confiram a seus titulares, são ordinárias, preferenciais, ou de fruição. 
§ 1º As ações ordinárias da companhia fechada e as ações preferenciais da 
companhia aberta e fechada poderão ser de uma ou mais classes. (Veja: na 
cia aberta, ação ordinária só pode ter uma classe...coerente! Aberta, 
qualquer um pode ser acionista...nada mais justo que todas ações 
ordinárias tenham os mesmos direitos...) 
§ 2o O número de ações preferenciais sem direito a voto, ou sujeitas a 
restrição no exercício desse direito, não pode ultrapassar 50% (cinquenta 
por cento) do total das ações emitidas. 
 
c) Ações de fruição/gozo (art. 44, §5º da LSA): Não tem nada a ver com usufruto de 
ação. A palavra chave para essa forma de ação é “amortização”, que significa antecipação de 
pagamento. 
 
Quando a S/A sofre uma dissolução total, ela passa pela chamada liquidação. A partir daí 
todos os bens da CIA são arrecadados. Posteriormente, os bens são vendidos, sendo a receita da 
venda utilizada no pagamento dos credores. Se após o pagamento de todos os credores sobrar 
algum dinheiro, dá-se a esse montante o nome de ACERVO. O que se faz com o acervo? Deve 
ser repartido entre os acionistas, de acordo com a proporção de cada um. 
OBS: Só se fala em acervo quando a sociedade fecha, é dissolvida. 
A ação de gozo e fruição nada mais é do que uma ação ordinária ou preferencial que já foi 
totalmente amortizada (já houve total antecipação do pagamento do acervo). É importante a 
classificação da ação como tal para que o adquirente da ação saiba desde já que não terá direito 
a nada no momento da liquidação da sociedade (art. 44, §5º da LSA). 
 
Art. 44, § 5º As ações integralmente amortizadas poderão ser substituídas 
por ações de fruição, com as restrições fixadas pelo estatuto ou pela 
assembleia-geral que deliberar a amortização; em qualquer caso, ocorrendo 
liquidação da companhia, as ações amortizadas só concorrerão ao acervo 
líquido depois de assegurado às ações não a amortizadas valor igual ao da 
amortização, corrigido monetariamente. 
 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 150 
 
Lógica: evitar o prejuízo do acionista. Imagine que não houvesse esse tipo de ação. O 
sujeito recebe os valores do acervo e vende a ação. O adquirente na liquidação se propõe a 
receber, mas é informado que a ação já foi amortizada. Prejuízo. A ação de fruição é como se 
fosse um carimbo na ação comum – “amortizada”. 
 
 
 
V 
Ordinária 
T 
O 
 Preferencial 
 
CUIDADO: o direito de voto não é essencial, tanto é que a ação PREFERENCIAL não tem 
voto ou tem de forma limitada.OBS: ação nominativa é aquela que consta o nome do acionista, de forma que nesse caso 
há expedição de certificado, seja qual for o tipo de ação. Nas ações escriturais não há tal emissão 
de certificado de acionista porque o acionista não é identificado. 
7.6.3. Acionista controlador e o “Acordo de Acionistas” 
Exemplo: 
A - 40% PN 
B - 10% PN 
C - 30% ON 
D - 20% ON 
Acionista majoritário: É o A, pois tem o maior número de ações. 
Acionista controlador: É o C, pois tem a maioria de ações com Direito de Voto. 
Conclusão: Nem sempre o acionista majoritário é o acionista controlador. 
Essa regra é prevista no art. 116 da LSA, in verbis: 
Art. 116. Entende-se por acionista controlador a pessoa, natural ou jurídica, 
ou o grupo de pessoas vinculadas por acordo de voto, ou sob controle 
comum, que: 
a) é titular de direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, 
a maioria dos votos nas deliberações da assembléia-geral e o poder de 
eleger a maioria dos administradores da companhia; e 
b) usa efetivamente seu poder (importante) para dirigir as atividades sociais 
e orientar o funcionamento dos órgãos da companhia. 
 
Requisitos para ser acionista controlador 
- Maioria de votos da CIA; 
- Poder de eleger a maioria dos Administradores da Cia. 
- Uso efetivo desse poder (PROVA). 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 151 
 
É possível que um bloco de acionistas seja controlador. Para isso, no entanto, é 
necessário que exista um “acordo de voto” que vincule esses acionistas. Não basta que eles 
cheguem na Assembleia e resolvam votar no mesmo sentido. 
O “Acordo de voto” é uma das matérias objeto do famoso acordo de acionistas, previsto 
no art. 118 da LSA. O acordo de acionistas nada mais é que um CONTRATO celebrado entre os 
acionistas, que deve tratar de uma das matérias previstas no art. 118: 
Art. 118. Os acordos de acionistas, sobre a compra e venda de suas 
ações, preferência para adquiri-las, exercício do direito a voto, ou do 
poder de controle deverão ser observados pela companhia quando 
arquivados na sua sede. 
 
Assim, quando o acordo versar sobre um dos quatro temas acima, tais acordos estarão 
sujeitos a uma proteção especificamente liberada pela legislação do anonimato, e o seu registro 
junto à companhia implicará nas seguintes modalidades de tutela: 
a) a sociedade anônima não poderá praticar atos que contrariem o conteúdo próprio do 
acordo; 
b) poderá ser obtida a execução específica do avençado, mediante ação judicial. 
Dessa forma, se um acionista fez um contrato e concedeu o direito de preferência a outro, 
porém vendeu suas ações a um outro acionista, descumprindo o acordo, a companhia não poderá 
registrar a transferência de titularidade das ações, caso o acordo se encontre averbado. 
Art. 118, § 8o O presidente da assembleia ou do órgão colegiado de 
deliberação da companhia não computará o voto proferido com infração de 
acordo de acionistas devidamente arquivado. 
 
FRISE-SE: Esse acordo de acionistas, para produzir efeitos perante a S/A, deve ser 
arquivado na sede da CIA. É chamado de contrato parassocial. 
Vejamos um exemplo: 
A - 30% ON 
B - 09% ON 
C - 21% ON 
A e B celebraram um acordo segundo o qual devem votar em João para o Conselho de 
Administração. 
Chega na Assembleia: 
A vota em João. 
C em Maria. 
B em Maria (contrariando o acordo). 
Resultado: Empate 30 a 30. 
O que ocorre? O presidente da assembleia ou do órgão colegiado de deliberação da 
companhia não computará o voto proferido com infração de acordo de acionistas devidamente 
arquivado (LSA, art. 118, §8º). 
Nesse caso, ao desconsiderar o voto daquele que infringiu o acordo, ficará 30% X 21% em 
favor do João. 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 152 
 
Outro exemplo: 
A - 31% ON 
B - 10% ON 
C - 22% ON 
Acordo entre B e C para votar em Maria (totalizando 32% do capital votante). 
A vota em João (31%). 
C vota em Maria (22%). 
B vota em João (10%). 
Resultado 
Executa-se o acordo para que o sujeito vote conforme o acordo (LSA, art. 118, §3º). 
Art. 118, § 3º Nas condições previstas no acordo, os acionistas podem 
promover a execução específica das obrigações assumidas. 
 
Essa execução específica se dá de acordo com o art. 498 do CPC/2015. 
Não comparecimento do acionista 
O não comparecimento à assembleia ou às reuniões dos órgãos de administração da 
companhia, bem como as abstenções de voto de qualquer parte de acordo de acionistas, 
assegura à parte prejudicada o direito de votar com as ações pertencentes ao acionista ausente 
ou omisso (art. 118, §9º). 
Art. 118, § 9o O não comparecimento à assembleia ou às reuniões dos 
órgãos de administração da companhia, bem como as abstenções de voto 
de qualquer parte de acordo de acionistas ou de membros do conselho de 
administração eleitos nos termos de acordo de acionistas, assegura à parte 
prejudicada o direito de votar com as ações pertencentes ao acionista 
ausente ou omisso e, no caso de membro do conselho de administração, 
pelo conselheiro eleito com os votos da parte prejudicada. 
7.6.4. Valor das ações 
*Preço de emissão 
É o valor cobrado pela sociedade anônima para a subscrição das ações emitidas. É o 
preço pago pelo acionista que subscreve a ação recém emitida. O preço de emissão tem a 
finalidade de mensurar o limite da responsabilidade social do acionista. 
O preço de emissão é fixado pelos fundadores, quando da constituição da companhia, e 
pela assembleia geral ou pelo conselho de administração, quando do aumento do capital social 
com emissão de novas ações. Se a companhia tem o seu capital social representado por ações 
com valor nominal, o preço de emissão das ações não poderá ser inferior ao seu valor nominal 
(sob pena de excessiva diluição acionária). E se for superior, a diferença, chamada ágio, 
constituirá reserva de capital, que poderá posteriormente ser capitalizada (LSA, arts. 13 e 200, IV). 
Art. 13. É vedada a emissão de ações por preço inferior ao seu valor 
nominal. 
 
Art. 200. As reservas de capital somente poderão ser utilizadas para: 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 153 
 
[...] 
IV - incorporação ao capital social; 
7.6.5. Responsabilidade do acionista de uma sociedade anônima (art. 1º) 
 
Art. 1º A companhia ou sociedade anônima terá o capital dividido em ações, 
e a responsabilidade dos sócios ou acionistas será limitada ao preço de 
emissão das ações subscritas ou adquiridas. 
 
A responsabilidade do acionista é limitada ao preço de emissão das ações, que é o valor 
cobrado pela CIA para subscrever as ações. Se um outro acionista deixa de integralizar a ação 
que subscreveu, o problema é dele (diferentemente da Sociedade Limitada, em que todos os 
sócios são solidariamente responsáveis pelo capital subscrito não integralizado). 
a) Valor nominal 
É o valor do capital social dividido pelo número de ações. 
Ex.: Capital social de 1 milhão. Dividido pelo número de ações (1 milhão), cada ação tem o 
valor nominal de 1 real. 
A Companhia poderá ou não ter ações com valor nominal, a depender do estatuto. A 
função de atribuir valor nominal reside na garantia dada ao acionista da não ocorrência de 
excessiva diluição do valor patrimonial de suas ações (ver abaixo). 
b) Valor patrimonial 
É o patrimônio líquido (ativo subtraído do passivo) dividido pelo número de ações. É o valor 
devido ao acionista em caso de liquidação ou reembolso. 
OBS: O valor nominal, quando existente, é previsto nos estatutos. Já o valor patrimonial se pode 
conhecer pelas demonstrações contábeis que a sociedade anônima é obrigada a levantar ao 
término do exercício social. Observe que o valor patrimonial pode ser maior ou menor que o valor 
nominal, dependendo do desenvolvimento experimentado pela sociedade. 
c) Ação (de mercado) 
 É o preço que o titular da ação consegue obter na sua alienação. O valor pago pelo 
adquirente é definido por uma série de fatores econômicos, como as perspectivas de 
rentabilidade,o patrimônio líquido da sociedade, o desempenho do setor em que ela atua, a 
própria conjuntura macroeconômica etc. 
O valor de negociação pode ser maior ou menor que o valor patrimonial, porquanto é de 
livre definição pelas partes envolvidas no negócio. 
d) Valor econômico 
É o valor calculado por avaliadores de ativos, através de técnicas específicas (por 
exemplo, a do "fluxo de caixa descontado"), e representa o montante que é racional pagar por 
uma ação, tendo em vista as perspectivas de rentabilidade da companhia emissora. 
*Diluição acionária 
Capital social de 100mil / 100mil ações / Patrimônio líquido é 200mil 
- Valor nominal das ações: 1 real. 
 
 
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- Valor patrimonial: 2 reais. 
E se a CIA emite mais 50mil ações = 150mil ações. 
Se a CIA pede por essas ações o preço de 2 reais (preço de emissão), em nada alterará o 
valor patrimonial das antigas ações. 
 
Agora, caso a CIA estabeleça em 1 real o preço de emissão dessas ações, o valor 
patrimonial de cada uma das 150mil ações da S/A será reduzido para 1 real. Ou seja, aqueles que 
já eram sócios vão acabar sofrendo um prejuízo. A esse prejuízo dá-se o nome de diluição 
acionária. 
Diluição acionária: É o aumento de ações da CIA com preço de emissão inferior ao valor 
patrimonial da ação. Ocorrendo isso, o resultado será a diminuição do valor patrimonial das ações. 
Essa diluição gera prejuízos ao acionista. Para que o prejuízo não seja tão grande, o art. 
13 veda a emissão de ações por preço inferior ao valor nominal. Daí a importância de se fixar o 
valor nominal no Estatuto. É uma garantia para o acionista. 
A infração dessa regra importará nulidade do ato ou operação e responsabilidade dos 
infratores, sem prejuízo da ação penal que no caso couber (art. 13, §1º). 
Por outro lado, a contribuição do subscritor que ultrapassar o valor nominal constituirá 
reserva de capital (art. 13, §2º). 
Art. 13. É vedada a emissão de ações por preço inferior ao seu valor 
nominal. 
§ 1º A infração do disposto neste artigo importará nulidade do ato ou 
operação e responsabilidade dos infratores, sem prejuízo da ação penal que 
no caso couber. 
§ 2º A contribuição do subscritor que ultrapassar o valor nominal constituirá 
reserva de capital (artigo 182, § 1º). 
7.6.6. Deveres e direitos essenciais do acionista 
Diz-se essenciais os direitos dos quais o acionista não pode ser privado nem pela 
Assembleia-geral nem pelo Estatuto social. 
Todos os direitos essenciais são previstos no art. 109 da LSA: 
 Art. 109. Nem o estatuto social nem a assembleia-geral poderão privar o 
acionista dos direitos de: 
I - participar dos lucros sociais; 
 
Participação nos lucros: O acionista tem o direito de receber o dividendo, que é a parcela 
dos lucros que lhe cabe. 
II - participar do acervo da companhia, em caso de liquidação; 
 
Participação no acervo da CIA em caso de liquidação. 
 III - fiscalizar, na forma prevista nesta Lei, a gestão dos negócios sociais; 
 
Direito de fiscalização. 
IV - preferência para a subscrição de ações, partes beneficiárias 
conversíveis em ações, debêntures conversíveis em ações e bônus de 
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2020.1 155 
 
subscrição, observado o disposto nos artigos 171 e 172; (Vide Lei nº 
12.838, de 2013) 
 
Direito de preferência: As novas ações emitidas devem ser oferecidas preferencialmente 
aos acionistas. 
V - retirar-se da sociedade nos casos previstos nesta Lei. 
 
Direito de retirada: Possibilidade que o acionista tem de retirar-se da S/A, recebendo o 
reembolso de suas ações (art. 45), baseado no valor patrimonial das suas ações. 
§ 1º As ações de cada classe conferirão iguais direitos aos seus titulares. 
§ 2º Os meios, processos ou ações que a lei confere ao acionista para 
assegurar os seus direitos não podem ser elididos pelo estatuto ou pela 
assembleia-geral. 
§ 3o O estatuto da sociedade pode estabelecer que as divergências entre os 
acionistas e a companhia, ou entre os acionistas controladores e os 
acionistas minoritários, poderão ser solucionadas mediante arbitragem, nos 
termos em que especificar. 
 
Art. 45. O reembolso é a operação pela qual, nos casos previstos em lei, a 
companhia paga aos acionistas dissidentes de deliberação da assembleia-
geral o valor de suas ações. 
7.7. DEBÊNTURES 
Estão expressamente previstas no art. 52 da LSA, in verbis: 
Art. 52. A companhia poderá emitir debêntures que conferirão aos seus 
titulares direito de crédito contra ela, nas condições constantes da escritura 
de emissão e, se houver, do certificado. 
 
Quando a S/A precisa de recursos, ela tem opções: 
- Ou procura uma instituição financeira para pegar um empréstimo bancário (com juros 
definidos pelo banco). 
- Ou emite debêntures. 
As debêntures são títulos representativos de um contrato de mútuo, em que a companhia é 
a mutuaria e o debenturista o mutuante. O empréstimo é feito e, algum tempo depois (médio e 
longo prazo) o titular da debênture recebe o valor investido, acrescido de juros e correção 
monetária. 
As debêntures conferirão aos seus titulares direito de crédito contra a CIA, nas condições 
constantes da escritura de emissão e, se houver, do certificado. 
Diferentemente dos contratos de empréstimos com bancos, nas debêntures a própria cia 
que define as taxas de juros e correção, daí porque ser considerado um meio mais vantajoso de 
arrecadar recursos para a sociedade. 
As debêntures, de acordo com a garantia oferecida aos seus titulares, podem ser de quatro 
espécies: 
a) com garantia real, em que um bem, pertencente ou não à companhia, é onerado 
 (hipoteca de um imóvel, por exemplo); 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12838.htm#art15
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12838.htm#art15
 
 
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b) com garantia flutuante, que confere aos debenturistas um privilégio geral sobre o ativo 
da companhia, pelo qual terão preferência sobre os credores quirografários, em caso de falência 
da companhia emissora; 
c) quirografária, cujo titular concorre com os demais credores sem garantia, na massa 
falida; 
d) subordinada (ou subquirografária), em que o titular tem preferência apenas sobre os 
acionistas, em caso de falência da sociedade devedora. 
Se no fim do prazo o valor não for reembolsado, o titular da debênture pode ajuizar uma 
ação de execução, porquanto a debênture é um título executivo extrajudicial (art. 784, I do 
CPC/2015). 
Art. 784. São títulos executivos extrajudiciais: 
I - a letra de câmbio, a nota promissória, a duplicata, a debênture e o 
cheque; 
 
A debênture PODERÁ ser conversível em ação da CIA, mas na maioria das vezes não é. 
Vai depender do que for estabelecido na escritura de emissão. 
Debêntures perpétuas (art. 55, § 3º3): Também conhecida como open end. Esta espécie 
de debênture não vence, como outras, em data certa, mas possui o seu vencimento condicionado 
a certas situações, como, por exemplo, ocorre o vencimento quando a companhia deixar de pagar 
juros ou ocorrer a sua dissolução. Pode ainda prever, o que é mais usual, que a debênture vence 
com a ocorrência de determinado fato, como, por exemplo, o término de construção de um parque 
industrial. 
Compete à Assembleia Geral deliberar sobre debêntures. 
7.8. COMMERCIAL PAPER 
Nada mais é que uma debênture com pagamento a curto prazo. 
A única diferença refere-se ao prazo de reembolso. Apesar de a lei não mencionar prazo, a 
Instrução Normativa n. 134 da CVM faz essa definição: 
a) Se for CIA aberta, o reembolso deve ser feito de 30 a 360 dias; 
b) Se for CIA fechada, o reembolso deve ser feito de 30 a 180 dias. 
O commercial paper é chamado também de “nota promissória da S/A”. 
7.9. BÔNUS DE SUBSCRIÇÃO 
É previsto no art. 75 da LSA, in verbis: 
Art. 75. A companhia poderá emitir, dentro do limite de aumento de capital 
autorizado no estatuto (artigo 168), títulos

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