Prévia do material em texto
Paulo Tsuyoshi C. Takeda --- Acadêmico de medicina da UNL Turma XXXVI Semiologia do Tórax (Respiratório) INTRODUÇÃO Linhas Torácicas: Regiões Torácicas: A B C 1 Supraclavicular Supraescapular Axilar 2 Clavicular Supraespinhosa Infra- axilar 3 Infraclavicular Infraespinhosa 4 Mamária Interescapulo vertebral 5 Inframamária Infraescapular 6 Supraesternal 7 Esternal Superior 8 Esternal Inferior EXAME DAS MAMAS Ao começar o exame, adote tom tranquilizador e abordagem educada e delicada. Informe à paciente que examinará agora suas mamas. Essa pode ser uma boa ocasião para perguntar se ela percebeu algum nódulo ou outra alteração nas mamas, e se realiza o autoexame mamário mensal. Posição da paciente – começa com ela sentada em uma mesa e termina com ela deitada. Posição do examinador – em frente a paciente. O exame inicia-se com a paciente sentada numa mesa, com os braços rentes ao tórax, vestida apenas com um avental aberto na frente, com uma iluminação adequada na região. A inspeção pode ser estática ou dinâmica. INSPEÇÃO Estática Analisa: Trofismo As dimensões A forma das mamas, das papilas e das aréolas. Se há alterações da superfície (depressões, abaulamentos e retrações). Examinador: Deve sempre estar se movimentando diante do paciente. Dinâmica Realizada por meio de 2 manobras: 1. Levantamento dos braços (para aumentar a tensão dos ligamentos suspensores). 2. Contração dos músculos peitorais. Essas manobras revelam ou acentuam retrações, abaulamentos, tumores, alterações papilares e areolares. Tais alterações ocorrem, em geral, nos tumores malignos avançados da mama, sendo menos frequentes nos benignos. Para evidenciar depressões ou retrações que poderiam passar despercebidas, solicite à paciente que coloque as mãos sobre a cabeça. Em seguida, apoie com força as mãos nos quadris, para contrair os músculos peitorais. Se as mamas forem grandes ou pendulares, vale a pena pedir à paciente para ficar de pé e inclinar-se para a frente, apoiada no encosto da cadeira. PALPAÇÃO A melhor maneira de se palpar a mama é com o tecido mamário retificado. A paciente deve ficar em decúbito dorsal. Utilize as polpas do segundo, do terceiro e do quarto dedo, mantendo os dedos em discreta flexão. É importante ser sistemático. Atualmente, a técnica mais bem validada para detectar massas da mama é o padrão em faixas verticais. Palpe em pequenos círculos concêntricos em cada ponto examinado, se possível aplicando compressões suaves, médias e intensas. O exame deve englobar toda a mama, inclusive a periferia, a cauda e a axila. Examine com cuidado o tecido mamário, verificando: 1. Consistência 2. Dor a palpação 3. Nódulos Avalie e descreva a característica de qualquer nódulo encontrado: Localização Tamanho (cm) Formato (redondo, cístico, discoide ou de cont. irregular) Consistência (mole, firme, dura) Delimitação Dor a palpação Mobilidade Por fim, palpe os dois mamilos, observando sua elasticidade. Pressione com mais firmeza se houver secreção mamilar. Palpação dos linfonodos Em seguida palpam-se os grupos de linfonodos, dos quais a rede linfática das mamas é tributária. Para isso, toma-se o braço da paciente com a mão homóloga do examinador mão direita do examinador/braço direito da paciente, que é mantido em posição horizontal e apoiado sobre o braço do examinador, de modo a deixar livre o acesso ao oco axilar. Palpa-se a axila com a mão oposta, aprofundando tanto quanto possível à procura de linfonodos eventualmente aumentados. Procede-se da mesma maneira no outro lado. Em seguida, examinam-se as regiões infraclaviculares, as fossas supraclaviculares e as regiões laterais do pescoço. EXAME DOS PULMÕES Compreende a inspeção, a palpação, a percussão e a ausculta. Paciente: Sentado. Examinador: Em pé, sempre se movimentando. Obs: Se o paciente não puder ficar sentado, o exame pode ser feito com o paciente em decúbito dorsal. Inspeção Estática Compreende a forma do tórax, e a presença ou não de abaulamentos e depressões. Existem vários tipos de formatos de tórax que denotam hipóteses sugestivas de várias patologias entre as principais temos: Tórax Plano ou Chato O tórax chato é mais comum nos longilíneos e não tem significado patológico. Tórax em Tonel Caracteriza-se pelo aumento exagerado do diâmetro anteroposterior e abaulamento da coluna dorsal. Diâmetro anterolateral maior que o látero-lateral. Encontra- se em pacientes enfisema pulmonar. Tórax Cifótico Apresenta como característica principal a curvatura da coluna dorsal, formando uma gibosidade chamada cifose. Essas características podem ser congênitas, postura defeituosa ou tuberculose óssea (mal de Pott), osteomielite ou neoplasias. Tórax Infundibiliforme Caracteriza-se por uma depressão na parte inferior do esterno e região epigástrica. Em geral essa deformidade é de natureza congênita. Tórax Cariniforme Este tórax caracteriza- se por apresentar o esterno proeminente e as costelas horizontalizadas, resultando em um formato que se assemelha a uma ave. Pode ser de origem congênita ou por raquitismo na infância. Dinâmica Analisa o tipo respiratório, o ritmo e a frequência da respiração, a amplitude dos movimentos respiratórios e a presença ou não de tiragem e a expansibilidade dos pulmões. Tipo respiratório: Para o reconhecimento do tipo respiratório, observa-se atentamente a movimentação do tórax e do abdome. Em condições normais, observamos dois tipos de respiração: 1. Costal superior (Predominante em mulheres) 2. Toracoabdominal (Predominante em homens) Ritmo Respiratório: Normalmente a inspiração dura quase o mesmo tempo que a expiração, sucedendo dois movimentos com a mesma amplitude, intercalando por uma leve pausa. Quando uma dessas características modificam, surge ritmos respiratórios anormais como: Dispneia Caracteriza-se pela sucessão regular de movimentos respiratórios amplos e rápidos, quase sempre desconfortáveis para o paciente. Cheyne-Stokes Incursões respiratórias que vão se tornando cada vez mais profundas até atingirem uma amplitude máxima. Nesse momento, os movimentos começam a diminuir gradativamente, podendo ocorrer apneia. As causas mais frequentes deste tipo de respiração são as insuficiências cardíacas, a hipertensão intracraniana, acidente vascular cerebral AVC. Biot Ocorrência de períodos de apneia que interrompem a sequência das incursões respiratórias. Há também nítidas variações de amplitude dos movimentos torácicos. Indica grave comprometimento encefálico. Kussmaul Amplas e rápidas inspirações interrompidas por curtos períodos de apneia após as quais ocorrem expirações profundas e ruidosas, que, por sua vez, são sucedidas por pequenas pausas de apneia. Lembra a respiração de um peixe fora d’água. Suspirosa É aquela na qual, vez por outra, interrompendo a sequência regular das incursões respiratórias, surge uma inspiração mais profunda seguida de uma expiração mais demorada. Frequência Respiratória: Idade F. Respiratória Recém-nascidos 40 a 45 irpm Pré-escolares 20 a 35 irpm Escolares 18 a 35 irpm Adultos 16 a 20 irpm Apneia – Parada respiratória Bradipneia – Frequência respiratória baixa. Eupneia – Frequência respiratória normal. Taquipneia – Frequência respiratória alta. Tiragem: Nas regiõesaxilares e infra-axilares, os espaços intercostais apresentam ligeira depressão durante a inspiração. Essas áreas retrateis caracterizam a impossibilidade de o pulmão acompanhar o movimento expansivo da caixa torácica devido atelectasia subjacente, denominada tiragem. Podendo ser difusa ou localizada. Palpação Avaliar com o paciente em posição ortostática, investigando três parâmetros: estrutura da parede torácica, expansibilidade ou mobilidade e frêmito toracovocal. I. Estrutura da parede torácica: Ao iniciar a palpação, irei palpar cuidadosamente as regiões em que houver relato de dor ou com lesões ou equimoses evidentes. Obs: procure equimoses sobre uma costela fraturada. Após isso, irei avaliar alguma anormalidade que eu possa ter observado na inspeção, como massas ou trajetos fistulosos (estruturas tubulares inflamatórias em fundo de saco, que desembocam na pele). Obs: Os trajetos fistulosos, embora raros, indicam habitualmente infecção da pleura e do pulmão subjacentes (como na tuberculose, actinomicose). II. Expansibilidade: Avalia-se a expansão da caixa torácica tanto da região do ápice pulmonar quanto das bases pulmonares. Para avaliar a expansibilidade dos ápices, o examinador se posiciona atrás do paciente, pousando ambas as mãos sobre as regiões que correspondem aos ápices pulmonares, de tal modo que os polegares se toquem levemente, em ângulo quase sobre o tórax. Solicitamos, então, ao paciente que respire mais fundo, e, enquanto isso, o examinador observa a movimentação de suas mãos. Não é difícil reconhecer diminuição ou ausência da mobilidade, de um ou de ambos os ápices pulmonares. Isso ocorre nas pneumonias, no pneumotórax e nas pleurites. Para verificar expansibilidade da base pulmonar e caixa torácica, coloque as mãos espalmadas na região de últimos arcos intercostais de forma que o polegar apõe sobre a coluna, peça para o paciente inspirar profundamente com o nariz e expirar pela boca. Ambas avaliações o médico se posiciona atrás do paciente. A diminuição da expansibilidade pode ser: Unilateral Bilateral Localização apical traduz processo infeccioso ou cicatricial do ápice pulmonar; Localizado nos ápices indica processo infeccioso ou cicatricial; Basal ocorre no derrame pleural, nas hepatomegalias e nas esplenomegalias; Difusa no pneumotórax, no hidrotórax, na atelectasia, na pleurodinia e no traumatismo torácico Basal, gravidez, ascite, obesidade grave e derrame pleural bilateral; Difusa, enfisema pulmonar, esclerodermia e senilidade. III. Frêmito toracovocal: As vibrações percebidas na parede torácica pela mão do examinador quando o paciente emite algum som denominam-se frêmito toracovocal. Semiotécnica Com o paciente em posição ortostática e o examinador atrás, colocar a mãos espalmadas na região supraescapular esquerda peça para o paciente falar a palavra “trinta e três”. Depois contralateral no lado direito repita o mesmo passo para comparar um lado com outro, depois um ponto abaixo do lado direito e repete o “trinta e três” e contralateral no lado esquerdo repete, sempre comparando um lado com outro e o último lado a ser avaliado vai ser o primeiro a ser avaliado no ponto mais abaixo. Começa no espaço supraescapular e vai descendo até a região infraescapular e em cada ponto o paciente dizendo “trinta e três”. Percussão A percussão ajuda a determinar se os tecidos subjacentes estão cheios de ar, de líquido ou se são sólidos. Entretanto, penetra apenas cerca de 5 a 7 cm no tórax e, por conseguinte, não identifica lesões mais profundas. Primeiramente o ambiente deve estar silencioso e paciente despido, o médico fica atrás do paciente. Avaliar o som da caixa pulmonar com a técnica de flexão e extensão de punho. Com a mão esquerda com os dedos ligeiramente separados deve apoiar suavemente sobre a parede e com a mão direita digito-digital percute sobre o dedo médio, afastando-o rapidamente seu dedo percussor, para não abafar as vibrações que acabam de ser criadas. igual como vocês podem ver na imagem abaixo. É muito importante também pedir para o paciente cruzar os braços, colocando a mão sobre os ombros, pois desta forma a escápula do paciente se afasta e você acaba tendo uma área maior de percussão. Na percussão 4 tonalidades de sons podem ser encontradas: 1. Som claro atimpânico – som normal. 2. Som timpânico – Indica pneumotórax, possui um tom relativo agudo e uma intensidade relativa alta. 3. Som submaciço e maciço – Uma de suas causas mais comuns é o derrame pleural. São denominações que traduzem diminuição ou desaparecimento da sonoridade pulmonar e indica redução ou resistência oferecida pela parede torácica. Na imagem que você verá a seguir, mostra os tipos de sons obtidos na percussão do tórax normal. Ausculta Região posterior Primeiramente o ambiente deve estar silencioso para uma melhor ausculta e paciente despido, o médico fica atrás do paciente. Com o estetoscópio nos pontos de ausculta pulmonar peça para o paciente respirar profundamente com a boca entreaberta sem fazer ruído. É importante frisar que os pontos de ausculta, serão os mesmos pontos de percussão. Região anterior A imagem acima mostra os pontos de ausculta da região anterior do tórax, e iremos ausculta-la da mesma maneira que na região posterior. Os tipos de sons encontrados nos pulmões são: Ruídos fisiológicos: Murmúrio vesicular Bronco vesicular Brônquico Traqueal Ruídos adventícios: Roncos – Sons graves de baixa frequência Sibilos – Sons agudos de alta frequência Estertores crepitantes – Tem o som semelhante a um “esmagamento de papel celofane”. Mais ouvidos durante o fim da inspiração. Atrito pleural - Representa um som de duração maior e frequência baixa, de tom grave, o que torna fácil, portanto, distingui-lo dos estertores. Agora que discutimos um pouco sobre a ausculta, irei colocar agora, um exemplo de como colocar num prontuário uma ausculta pulmonar normal. “Presença de murmúrio vesicular fisiológico, sem ruídos adventícios” Achados Importantes Consolidação Derrame Pleural Frêmito Aumentado Diminuído Percussão Submaciço Maciço Ausculta Estertores Redução do MV REFERÊNCIAS PORTO, Celmo Celeno. Exame clínico: Porto & Porto. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. Bates – Propedêutica Médica – Lynn S. Bickley. 11ª Edição. 2015. Editora Guanabara Koogan