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ENSINO MÉDIO GRAMÁTICA 9 Capa_Humanas_cad9_gramatica.indd 2 06/12/16 18:14 G R A M ÁT IC A Morfossintaxe I G R A M ÁT IC A G R A M ÁT IC A Morfossintaxe I GRAMÁTICA Fábia Alvim Leite MORFOSSINTAXE I 1 Substantivo / Artigo / Adjetivo. . . . . . . . . . . . . . . . . . 4 As classes gramaticais e suas funções . . . . . . . . . . . . . .4 Morfossintaxe do substantivo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .6 Substantivo e semântica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .7 O substantivo na construção do texto . . . . . . . . . . . . . . .7 Morfossintaxe do artigo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .11 A referenciação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .12 A remissão textual . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .12 Morfossintaxe do adjetivo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .13 Adjetivo e semântica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .13 O adjetivo na construção do texto . . . . . . . . . . . . . . . . .14 2 Interpretação de Texto I. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25 Texto e linguagem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .26 Para uma interpretação de texto eficiente . . . . . . . . . . .27 Texto verbal e não verbal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .27 A imagem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .30 O símbolo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .31 Textos em diálogo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .32 Revisão Obrigatória | 1 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47 Revisão Obrigatória | 2 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 48 2137858 (PR) MÓDULO Morfossintaxe I LA SS ED ES IG N EN / S H U TT ER ST O CK REFLETINDO SOBRE A IMAGEM Nossa interpretação do mundo depende de muitos fatores, sejam eles físicos, como, por exemplo, a necessidade dos óculos para en- xergar com nitidez, ou cognitivos, que dizem respeito ao nosso processo mental de percep- ção e raciocínio. E nesse processo mental está também o reconhecimento da linguagem, para o qual precisamos conhecer os elementos da materialidade linguística que a compõem e que, quando relacionados entre si, produzem sentido. Por isso, precisamos da morfossinta- xe: é através da análise morfológica (do nível da palavra) e sintática (do nível da frase) que compreendemos os elementos que compõem a variedade brasileira do português. Nesta uni- dade, você estudará o substantivo, o artigo e o adjetivo, e suas funcionalidades no texto. www.sesieducacao.com.br Objetivos: c Identificar os substan- tivos, os artigos e os adjetivos como instru- mentos linguísticos – classes de palavras – usados para objetivar a existência e a carac- terização das coisas no mundo. c Analisar as funções de substantivos, artigos e adjetivos em estru- turas ampliadas como a frase, a oração e o período, ou seja, à luz da morfossintaxe. c Reconhecer as varia- das funções sintáticas assumidas pelos subs- tantivos quando estes são núcleos, essências da significação nos períodos, para com- preender os sentidos de seu emprego nos textos. c Empregar os artigos definidos e indefinidos adequadamente, de acordo com a refe- renciação, a remissão textual e a interlocução desejada. c Identificar as funciona- lidades dos adjetivos na oração e aplicá-los adequadamente para promover os sentidos desejados na constru- ção textual. 4 Morfossintaxe I CAPÍTULO Para expressarmos de maneira completa, clara e (por que não?) surpreendente as características do que compõe uma imagem e tudo o que ela nos leva a perceber e sentir, precisamos de várias classes de palavras, como os substantivos e os adjetivos. Quando ainda não sabemos nomear tudo o que está inserido no mundo a nossa volta, mostra- mos (ou apontamos para) aquilo a que gostaríamos de nos referir. E essa impossibilidade se deve ao fato de desconhecermos muitos substantivos (“água”, “cachorro”, por exemplo) que fazem parte desse mundo que objetivamos apresentar e que surgem, tantas vezes, acompanhados pelos artigos: “a água”, “o cachorro”. Mais tarde, vendo ampliado o nosso vocabulário, então refi namos o modo de nos referir a tudo, porque já somos capazes de qualifi car ou caracterizar cada um daqueles substantivos que passamos a conhecer, e o fazemos por meio de adjetivos: “água fresca”, “cachorro peludo”. Surpreende a forma como a aquisição da linguagem acompanha uma crescente capacida- de de nos conectarmos ao mundo. E isso é só mais uma prova do quanto a nossa língua é versátil! Observe a tirinha para, em seguida, responder ao que se propõe. a) A palavra “vida”, que aparece no primeiro e no segundo quadrinhos, é usada, na tirinha, para nomear ou qualifi car? b) A mesma palavra, “vida”, tem sentidos diferentes para Messias e para seu pai. Quais são esses sentidos, com base nos quais se constrói o humor da tirinha? AS CLASSES GRAMATICAIS E SUAS FUNÇÕES Já tratamos do estudo da morfologia (em especial, das classes de palavras) e da sintaxe (perío- dos simples e compostos, concordância e regência). A partir de agora, estudaremos as classes de palavras sob um novo enfoque, analisando as funções que cada uma delas pode ter em estruturas A palavra é usada para nomear. Para o pai de Messias, “vida” tem um sentido mais amplo, referindo-se à vivência humana, desde o nascimento até a morte. Para Messias, “vida” tem um signifi cado ligado aos jogos de videogame, apenas. 1 Substantivo / Artigo / Adjetivo LA ER TE Professor, nesta atividade pode-se trabalhar a habilidade 1 da matriz de referência do Enem, em que temos como “identificar as diferentes linguagens e seus recursos expressivos como elementos de caracteri- zação dos sistemas de comunicação”, pois existem na comunicação diferentes interpretações dadas à mesma palavra. 5 G R A M ÁT IC A Morfossintaxe I que se ampliam — na frase, na oração, no período. Esse enfoque recebe o nome de morfossinta- xe, assunto explorado, em maior ou menor grau, nos vestibulares. É importante observarmos que, ao desenvolvermos estudos de morfossintaxe, conheceremos as possibilidades de uso das classes gramaticais na composição dos textos. Desse modo, compreen- der todas as questões que envolvem a semântica e a estilística é apropriar-se da possibilidade de construir ideias mais claras, amplas e completas. Leia, para começar, o quadro a seguir, que é uma síntese dessa apresentação morfossintática. Classes Flexões Características Funções sintáticas V A R I Á V E I S Substantivo Gênero Número Grau Nomeia o que é nomeável. Pode ser simples ou composto, primitivo ou derivado, comum ou próprio, concreto ou abstrato, coletivo. Núcleo do sujeito, do predicativo, do objeto, do complemento nominal, do adjunto adnominal, do agente da passiva, do adjunto adverbial, do aposto e do vocativo. Artigo Gênero Número Antecede mediata ou imediatamente o substantivo. Pode ser defi nido ou indefi nido. É quase exclusivamente adjunto adnominal. Adjetivo Gênero Número Grau Modifi ca o substantivo ou qualquer palavra no lugar do substantivo, com a função de caracterizá-lo. Pode ser simples ou composto, primitivo ou derivado, pátrio. Adjunto adnominal, predicativo do sujeito e predicativo do objeto. Numeral Gênero Número Quantifi ca o substantivo ou qualquer palavra no lugar do substantivo. Pode ser cardinal, ordinal, fracionário ou multiplicativo. Desempenha funções substantivas e adjetivas. Pronome Gênero Número Pessoa Caso Acompanha o substantivo (pronome adjetivo) ou o substitui (pronome substantivo). Pode ser pessoal (reto, oblíquo ou de tratamento), possessivo, demonstrativo, relativo, indefi nido e interrogativo. Desempenha funções substantivas e adjetivas. Verbo Modo Tempo Número Pessoa Voz Gênero (particípio) Expressa processos (ações, fenômenos, ocorrências, desejos etc.) e estados. Flexiona-se nos modos indicativo, subjuntivoe imperativo. Apresenta três formas nominais: infi nitivo, gerúndio e particípio. Intransitivo, transitivo direto, transitivo indireto, transitivo direto e indireto, de ligação, núcleo do predicado verbal. I N V A R I Á V E I S Advérbio Invariável Modifi ca o verbo, o adjetivo, o próprio advérbio e enunciados inteiros, atribuindo-lhes circunstâncias (de modo, lugar, intensidade, tempo etc.). Quase sempre é adjunto adverbial. Preposição Invariável Comumente une termos da mesma oração ou orações subordinadas à principal. Sem função sintática. Conjunção Invariável Comumente une orações — coordenadas e subordinadas — ou termos da mesma oração. Sem função sintática. Interjeição Invariável Expressa desejos, sentimentos, emoções: ah!, oh!, ei!, credo!, céus!, hein!? etc. Sem função sintática. 6 Morfossintaxe I MORFOSSINTAXE DO SUBSTANTIVO O substantivo pode ter várias funções sintáticas, sendo o núcleo de todas elas a essência de sua significação. Observe os exemplos que seguem, tomando por base o nome “Tiago”. Tiago ganhou o concurso de literatura. (sujeito) O novo morador da república era Tiago. (predicativo do sujeito) Passaram a chamá-lo simplesmente de Tiago. (predicativo do objeto) Os rapazes da escola não viram Tiago na sala de aula. (objeto direto) A mãe precisava de Tiago naquele momento. (objeto indireto) A mãe de Tiago procurou-o por toda parte. (adjunto adnominal) Na festa, a aniversariante fez alusão a Tiago. (complemento nominal) Os desenhos foram feitos por Tiago. (agente da passiva) Ela chegou à festa com Tiago. (adjunto adverbial) O novo aluno, Tiago, perdeu metade das provas. (aposto) Meu Deus, Tiago, tire essas roupas do caminho! (vocativo) “Tiago”, na morfologia, é um substantivo próprio, simples, concreto e primitivo; na sintaxe, pode ter todas as funções mencionadas. Isso comprova que uma palavra pode pertencer a uma única classe gramatical, mas, por estabelecer as mais diversas relações numa oração, pode ter funções sintáticas diferentes. Observe o título e o subtítulo deste anúncio. Repare como os substantivos sempre ocupam a posição de núcleos, constituindo-se como essência das ideias. Além do nome do produto, que aparece em destaque no texto do anúncio, outros dois subs- tantivos cooperam para a compreensão de que se trata de um produto gostoso e prático: “sabor” e “lugar”. Esses substantivos, com o adjetivo “inconfundível” e o pronome “qualquer”, mostram ao leitor que se trata de um alimento que pode ser ingerido onde se deseja e que, principalmente, não decepciona no sabor. RE PR O D U ÇÃ O 7 G R A M ÁT IC A Morfossintaxe I SUBSTANTIVO E SEMÂNTICA Da mesma forma que qualquer palavra pode ser substantivada, o substantivo pode, por vezes, pertencer a outra classe gramatical, dependendo do contexto e de sua posição na frase. Leia com atenção este fragmento de “Ode ao burguês”, de Mário de Andrade. Eu insulto o burguês! O burguês-níquel, o burguês-burguês! A digestão benfeita de São Paulo! O homem-curva! o homem-nádegas! O homem que sendo francês, brasileiro, italiano, é sempre um cauteloso pouco a pouco! Eu insulto as aristocracias cautelosas! Os barões lampiões! os condes Joões! os duques zurros! que vivem dentro de muros sem pulos, e gemem sangues de alguns mil-réis fracos para dizerem que as fi lhas da senhora falam o francês e tocam o “Printemps” com as unhas! […] Nos termos destacados na primeira estrofe, o segundo elemento, normalmente substantivo, caracteriza o primeiro, funcionando, portanto, como adjetivo. Essa construção atribui ao texto uma conotação especial, principalmente se considerados o contexto e o momento artístico da época. O SUBSTANTIVO NA CONSTRUÇÃO DO TEXTO Leia a letra da composição de Arnaldo Antunes. Cultura O girino é o peixinho do sapo O silêncio é o começo do papo O bigode é a antena do gato O cavalo é pasto do carrapato O cabrito é o cordeiro da cabra O pescoço é a barriga da cobra O leitão é um porquinho mais novo A galinha é um pouquinho do ovo O desejo é o começo do corpo Engordar é a tarefa do porco A cegonha é a girafa do ganso O cachorro é um lobo mais manso O escuro é a metade da zebra As raízes são as veias da seiva O camelo é um cavalo sem sede Tartaruga por dentro é parede O potrinho é o bezerro da égua A batalha é o começo da trégua Papagaio é um dragão miniatura Bactérias num meio é cultura Nesse texto, percebe-se que o autor emprega, no início de cada verso, um substantivo (na maioria dos versos, antecedido de artigo). Também, em cada verso, o autor apresenta um conceito criativo e diferente para os substantivos escolhidos. O uso de substantivos empresta, por vezes, às ideias, um estilo econômico, conciso, como é o caso de Graciliano Ramos em sua obra Vida secas. Leia um fragmento. Ora, daquela vez, como das outras, Fabiano ajustou o gado, arrependeu-se, enfi m deixou a transação meio apalavrada e foi consultar a mulher. Sinha Vitória mandou os meninos para o barreiro, sentou-se na cozinha, concentrou-se, distribuiu no chão sementes de várias espé- cies, realizou somas e diminuições. No dia seguinte Fabiano voltou à cidade, mas ao fechar o negócio notou que as operações de Sinha Vitória, como de costume, diferiam das do patrão. Reclamou e obteve a explicação habitual: a diferença era proveniente de juros. 8 Morfossintaxe I Não se conformou: devia haver engano. Ele era bruto, sim senhor, via-se perfeitamente que era bruto, mas a mulher tinha miolo. Com certeza havia um erro no papel do branco. Não se descobriu o erro, e Fabiano perdeu os estribos. Passar a vida inteira assim no toco, entre- gando o que era dele de mão beijada! Estava direito aquilo? Trabalhar como negro e nunca arranjar carta de alforria! O patrão zangou-se, repeliu a insolência, achou bom que o vaqueiro fosse procurar ser- viço noutra fazenda. Aí Fabiano baixou a pancada e amunhecou. Bem, bem. Não era preciso barulho não. Se havia dito palavra à toa, pedia desculpa. Era bruto, não fora ensinado. Atrevimento não tinha, conhecia o seu lugar. Um cabra. Ia lá puxar questão com gente rica? Bruto, sim senhor, mas sabia respeitar os homens. Devia ser ignorância da mulher, provavelmente devia ser igno- rância da mulher. Até estranhara as contas dela. Enfim, como não sabia ler (um bruto, sim senhor), acreditara na sua velha. Mas pedia desculpa e jurava não cair noutra. O amo abran- dou, e Fabiano saiu de costas, o chapéu varrendo o tijolo. Na porta, virando-se, enganchou as rosetas das esporas, afastou-se tropeçando, os sapatões de couro cru batendo no chão como cascos. [...] Note como o substantivo, muitas vezes, ajuda a caracterizar as personagens: “mas a mulher tinha miolo” (tinha esperteza, inteligência). Textos figurativos e temáticos Os substantivos concretos e abstratos têm especial importância na construção dos textos, a ponto de se classificarem os textos em figurativos ou temáticos, dependendo de qual substantivo predominar. Leia esta fábula de La Fontaine. Uma ratinha ingênua e inexperiente, ao sair da sua toca, teve a infelicidade de cair nas garras de um velho gato sabido. Mas, julgando que podia enternecê-lo, com sua vozinha flébil e mimosa, implora clemência. — Deixa-me viver; será acaso pesada a carga para esta despensa uma ratinha tão insignifi- cante como eu, que tão pouco se alimenta? Vê, um simples grão de trigo é bastante para meu estômago e uma pequenina noz já me engorda; achas que com isso matarei de fome o dono, a dona e demais gente dessa casa? Não creio! Deixa-me viver mais algum tempo, agora estou muito magra ainda, mas, quando crescer e ficar mais gordinha, terás em mim um delicioso petisco para teus senhores filhos; reserva pois esta regalia! Esta e outras coisas dizia a pobre ratinha, pensando comover o velho gatão; mas este respondeu: — Não há dúvida que te enganaste. Justamente a mim é que se dizem tais coisas? É o mesmo que falar a um surdo! Gato e velho, perdoar alguém! Isto jamais aconteceu. De acordo com a lei em vigor nestemundo, vais morrer e passar para meu bucho; vai discursar lá dentro, que não te faltará ensejo. Quanto aos meus filhos, não terão dificuldade em encontrar outros manjares por aí, não lhes falta estofo. Assim dizendo, abocanhou a ingênua, tragando-a de uma só vez. Eis o sentido moral conveniente a esta fábula: “A mocidade ilude-se que pode conseguir tudo, pois não se dá conta de que a velhice é implacável”. Se tivéssemos de levar a uma criança esse ensinamento, com certeza escolheríamos o texto, e não a moral, porque as figuras presentes nele representam melhor ações e comportamentos que ela apreende de forma inconsciente. O texto é chamado figurativo por conter substantivos concre- tos, que remetem a algo presente no mundo natural e produzem um efeito de realidade: ratinha, gato, toca, grão de trigo, estômago etc. A moral constitui-se de palavras abstratas, ou seja, de ideias que interpretam e concei- 9 G R A M ÁT IC A Morfossintaxe I tuam a realidade, como forma de explicar o texto e o contexto. Palavras como “mocidade” e “velhice” trazem com elas uma gama de signifi cados, e é necessário um nível de abstração (entenda-se reelaboração do pensamento e da linguagem), o que vem explicar por que provér- bios e ditos populares têm suas “mensagens” captadas com mais rapidez do que conceitos e teses. ATIVIDADES de expressão não intuitivas ou menos espontâneas e mais sutis, mantendo um constante diálogo com a história. A linguística contribui, assim, para uma compreensão do fenômeno linguístico como parte indissociável da cultura. CAMARGO, Th aís Nicoleti de. Folha de S.Paulo, 22 ago. 2002. 1 (UFPE) Assinale a alternativa em que as palavras destacadas são semanticamente equivalentes. a) “a faz sair de relativa obscuridade” (§ 1) — sair de relativa dormência b) “a defesa intransigente da norma culta” (§ 4) — a defesa descabida da norma culta c) “se apoia em certos cânones” (§ 5) — em certas regras d) “afi ança-se na tradição” (§ 5) — desenvolve-se na tradição e) “parte indissociável da cultura” (§ 6) — imprescindível da cultura 2 (UFPE) Conforme o texto, “a linguística elabora uma gramática descritiva em lugar de uma gramática prescritiva”. Essa ideia é apresentada, com outras palavras, em uma das alternativas se- guintes. Assinale-a. a) A linguística objetiva investigar os fenômenos linguísticos e descobrir o seu funcionamento, não se preocupando com as noções de “certo” e de “errado”. b) A linguística é uma ciência e, como tal, objetiva orientar a elaboração das gramáticas prescritivas, para que os falantes dominem as normas que regem sua língua. c) A preocupação precípua da linguística é a de manter a tradição da língua, para preservação dos modelos fornecidos pelas formas clássicas da literatura. d) É interesse da linguística defender os padrões da norma culta e elaborar as regras que defi nem a ma nutenção dos estratos sociais mais aceitos e bem-sucedidos. e) A linguística investiga os conteúdos oriundos da história e da cultura, com o objetivo de estabelecer as normas que regulam o melhor uso da língua. 3 +Enem [H21] Leia, a seguir, o início de um artigo escrito por Evanildo Bechara, membro da Academia Brasileira de Letras, em que ele emite sua opinião sobre a adoção, no Brasil, do acordo ortográfi co de 1990. ABL reage às críticas ao acordo Para imortal da Academia, adiamento da obrigatoriedade Nas alternativas a, b, d e e há signifi cativa alteração de sentido. Alternativa c. As questões 1 e 2 têm como referência o texto a seguir. Língua é objeto de investigação científi ca A cada dia os estudantes têm demonstrado mais curio- sidade pelo campo de estudo da linguística. O interesse vem revelar tanto o desconhecimento dessa área do saber como o seu crescente prestígio, que já a faz sair de relativa obscuridade. A linguística lança sobre o idioma, seu objeto de estudo, o olhar da ciência, com seu método investigativo de ob- servação dos fenômenos e total ausência de preconceito, condições preliminares para a busca do conhecimento. Essa isenção, aliada à disposição de descobrir o real funcionamento das línguas e os fatores intralinguísticos e extralinguísticos que o regem, faz que a linguística não trabalhe com os conceitos de “certo” e “errado”. Elabora uma gramática descritiva em lugar de uma gramática prescritiva. Por ser uma ciência, a linguística não é sensível às preo- cupações com o suposto risco de “decadência“ do idioma, visto que, por sua natureza, a língua só assimila as trans- formações que lhe são úteis e necessárias. Assim, a defesa intransigente da norma culta — o padrão dos estratos mais bem-sucedidos na sociedade — entendida como o único modelo de correção, pode levar ao reforço de certos pre- conceitos associados a usos linguísticos próprios de cama- das economicamente desfavorecidas. A linguagem espontânea é igualmente alvo do interesse da linguística, pois ela representa a língua viva, em ação. Já a norma tida como culta é preservada graças a uma atitude disciplinadora que se apoia em certos cânones. Afi ança-se na tradição, explicação última para a escolha de uma forma em detrimento de outra. Mas a própria literatura — forne- cedora dos modelos de realização linguística — incorporou defi nitivamente elementos da linguagem oral. Diante disso, o estudo das possibilidades oferecidas pela norma culta conserva sua importância em virtu- de de a expressão, sobretudo, de conteúdos complexos e racionais, servir-se das estruturas que a história e a cul- tura nos põem à disposição. Não se trata de abandonar o passado — como se fosse possível renegar a história — tampouco de substituir uma construção por outra como mera afi rmação de um saber como valor em si. Trata-se antes de acrescentar à capacidade linguística alternativas 2. Elaborar uma gramática “descritiva” no lugar de “prescritiva” signifi ca dizer que não há separação entre o que está certo e o que está errado, mas que, pelo contrário, se pretende simplesmente observar como a língua se comporta em seu uso, independentemente de regras preestabelecidas. Alternativa a. 10 Morfossintaxe I da reforma ortográfi ca é “lamentável” e protestos, “inconsis- tentes” Volta e meia aparecem críticas [...] ao acordo ortográfi co de 1990. Agora que um inócuo e lamentável decreto [...] pror- roga até o fi m de 2015 o prazo da transição de suas bases no Brasil, acreditamos que aproveitem esses críticos o in- tervalo para, estudando-as melhor, não lancem tantas injú- rias desconexas a um texto preso a uma tradição mais que centenária. [...] Disponível em: http://revistalingua.uol.com.br (acesso em 01 dez. 2016) Sobre o texto e sua organização, pode-se afi rmar corretamente que: a) o adjetivo “imortal”, empregado no subtítulo, indica que, espiritualmente, por motivos religiosos, considera-se que alguns membros da Academia Brasileira de Letras não são susceptíveis a doenças ou à morte. b) no subtítulo do artigo não aparecem artigos, o que é uma regra rígida à qual não se pode fugir, já que o uso dessa classe de palavras, ainda que raramente, leva à impossibilidade de compreensão desses subtítulos. c) os adjetivos “lamentável” e “inócuo”, empregados pelo autor para caracterizar o decreto de que trata o texto, mostram o apoio de Evanildo Bechara em relação a essa decisão. d) o substantivo “injúrias”, empregado pelo autor do texto para se referir às ideias disseminadas por alguns críticos a respeito das bases do acordo, deixa claro que Evanildo Bechara não considera tais ideias confi áveis. e) as palavras “tradição” e “centenária” anulam-se semantica- mente, já que o substantivo tem uma acepção positiva e o adjetivo que o segue uma acepção totalmente negativa. Leia o texto a seguir para responder às questões que seguem. Consoada Quando a Indesejada das gentes chegar (Não sei se dura ou caroável), Talvez eu tenha medo. Talvez sorria, ou diga: — Alô, Ineludível! O meu dia foi bom, pode a noite descer. (A noite com seus sortilégios.)Encontrará lavrado o campo, a casa limpa, A mesa posta, Com cada coisa em seu lugar. Manuel Bandeira 4 (Iesville-SC, adaptada) Em “Consoada”, a expressão “Indesejada das gentes” e o termo “Ineludível” referem-se a que fenômeno? a) Ao nascimento. Ao longo de todo o poema, Bandeira refere-se à morte, tanto por meio de expressões metafóricas quanto por meio de adjetivos, como “dura” e “caroável”. Alternativa c. b) À velhice. c) À morte. d) À loucura. e) À adolescência. 5 (Iesville-SC, adaptada) Talvez o sentido de “caroável” não seja muito diretamente perceptível, por se tratar de um adjetivo não muito comum. Pelo contexto, porém, seria possível determinar seu sentido? Qual seria ele? PARA PRATICARCOMPLEMENTARES 6 (UFAL) Considere o poema seguinte, para responder à questão. Erro de português Quando o português chegou Debaixo duma bruta chuva Vestiu o índio Que pena! Fosse uma manhã de sol O índio tinha despido O português. Identifi que a função sintática da palavra “índio”, em cada uma das ocorrências no texto. 7 (UFBA, adaptada) Universidade sem luz A metáfora não poderia ser mais perfeita: por falta de verbas, a universidade fi cou sem luz. [...] Por atrasos nos pagamen- tos, a Light cortou o fornecimento de energia elétrica para diversos prédios da UFRJ, incluindo centros hospitalares. A associação mais clara entre universidade e luz remonta ao iluminismo (ou fi losofi a das luzes), o movimento que surgiu na França do século XVIII e que se caracterizava pela confi ança no progresso e na razão, pelo desafi o à tra- dição e à autoridade e pelo incentivo à liberdade de pen- samento. [...] Essa matriz de pensamento lançou as bases do racionalis- mo ocidental contemporâneo, e alguns de seus princípios constituem o núcleo dos direitos políticos das democracias. Uma universidade sem luz simboliza, portanto, a negação de tudo o que uma universidade deve ser. Folha de S.Paulo. São Paulo, 7 ago. 2002. Opinião, p. A2. Editorial. Identifique os sentidos da palavra “luz”, destacada no tex- to mais de uma vez, considerando-a em seu contexto. 8 (Fatec-SP) “Sonham com bife a cavalo, batata frita. E a sobremesa é goiabada-cascão com muito queijo.” Os substantivos “sobre- mesa” e “goiabada-cascão”, respectivamente, têm a função de É possível determinar seu sentido por meio da palavra “ou”, que, embora tenha um sentido de alternância, induz à ideia de contrariedade, de oposição. Com isso, o leitor é levado a pensar no adjetivo “caroável” como algo oposto a “dura”. Logo, o sentido seria o de algo amável, doce. 3. O adjetivo “imortal”, empregado comumente para se referir aos membros da ABL, não tem relação direta com questões espirituais nem indica que eles não fi quem doentes, o que invalida a; o problema em b é que aparecem, sim, artigos no subtítulo (embora, de fato, esse uso seja feito com muita parcimônia), ainda que estejam unidos a preposições; c está errada porque Bechara, ao contrário de apoiar tais ideias, escolheu os adjetivos citados para mostrar que não concorda com elas; a afi rmativa contida em e é equivocada porque substantivo e adjetivo, neste caso, somam-se em seus sentidos. Alternativa d. 11 G R A M ÁT IC A Morfossintaxe I Tarefa proposta 1-13 MORFOSSINTAXE DO ARTIGO O artigo é a classe gramatical que acompanha somente o substantivo, especifi cando-o ou ge- neralizando-o, precedendo-o imediatamente ou por um intermediário. Qualquer palavra associa- da a um artigo é substantivo. Sua única função sintática é a de adjunto adnominal, a não ser que apareça transformado em um substantivo. Os artigos defi nidos e indefi nidos aparecem em sua forma simples, contraídos ou combinados com preposição. Veja a seguir. Preposições Artigos defi nidos o a os as a ao à aos às de do da dos das em no na nos nas por (per) pelo pela pelos pelas Preposições Artigos indefi nidos um uma uns umas de dum duma duns dumas em num numa nuns numas Repare que, em alguns casos, os artigos se unem às preposições sem que haja modifi cações fo- néticas, ou seja, sem perda de sons (a + o = ao, a + os = aos). A esse tipo de junção damos o nome de combinação. Em outros casos, porém, o que ocorre é uma contração, com o desaparecimento de sons, porque os artigos se unem às preposições ajustando-se o som da palavra formada (de + o = do, em + a = na). a + o = ao a + os = aos combinação de + o = do em + a = na contração Conforme prescrição gramatical, quando o artigo preceder o substantivo com função de sujeito, não poderá estar contraído com preposição. Exemplos: Gostaria de ir embora antes do diretor chegar. (incorreto) Gostaria de ir embora antes de o diretor chegar. (correto) É hora dele partir. (incorreto) É hora de ele partir. (correto) O uso do artigo é sempre obrigatório após “ambos” e “ambas”, seguidos de nomes. Exemplos: Ambas escolas eram excelentes e foi dif ícil escolher uma delas. (incorreto) Ambas as escolas eram excelentes e foi dif ícil escolher uma delas. (correto) Não se deve usar artigo depois de “cujo” e suas variações. Exemplo: Era aquele o homem cujas as fi lhas estavam voltando no próximo voo. (incorreto) Era aquele o homem cujas fi lhas estavam voltando no próximo voo. (correto) 1 núcleo: a) do predicativo e do sujeito. b) do objeto direto e do sujeito. c) do sujeito e do objeto indireto. d) do vocativo e do predicativo. e) do sujeito e do predicativo do sujeito. CURIOSIDADE 1 Particularidades sobre os artigos. Existe diferença entre o emprego de “todo” e “todo o”, “toda” e “toda a”. Essa diferença reside exatamente no emprego e na omissão do artigo. Atribui-se a “todo”, “toda”, o sentido de qualquer, cada um(a), e a ”todo o”, “toda a”, o sentido de inteiro(a). Observe estes exemplos: Meu avô costumava ler todo livro que lhe caía nas mãos. (= Meu avô costu- mava ler qualquer/cada livro que lhe caía nas mãos.) Ele leu todo o livro com rapidez. (Ele leu o livro inteiro com rapidez.) O pronome indefi nido plural “todos” será empregado sem artigo quando um numeral substantivo for o seu subsequente. Observe: Todos seis pertencem à mesma fa- mília. Se o numeral vier seguido de substan- tivo, o artigo é obrigatório. Observe: Todas as seis pessoas pertencem à mesma família. 12 Morfossintaxe I A REFERENCIAÇÃO A operação de referenciação na língua portuguesa realiza-se tanto por meio de substantivos (que referenciam ao nomearem) quanto por signos de valor pronominal (em função substantiva ou adjetiva). Observe os enunciados a seguir. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 Naquele quarto, Bruna, en�m, o descobriu: Márcio estava sob a minha cama. — Ou você sai já desse lugar, ou eu vou te pegar!, ameaçou ela. Note que os termos destacados estão inter-relacionados e se referem a outros termos do texto. À exceção dos substantivos “Bruna” e “Márcio”, os demais termos numerados denominam-se fóricos (palavra de origem grega com os sentidos de “levar”, “trazer”). As palavras fóricas remetem sempre a algum elemento (anterior ou posterior a ele) e constituem uma teia de referenciação em que se fundamentam a remissão textual e a interlocução. Veja que “naquele” (1) se refere a “quarto”. “Eu” (9) e “ela” (11) se referem a “Bruna” (2). “Már- cio” (4), “você” (7) e “te” (10), por sua vez, ligam-se a “o” (3), assim como “o” (3), “você” (7) e “te” (10) se relacionam com “Márcio” (4). Outras palavras, no exemplo dado, também têm essa função de fóricos, como “a” (5) e “minha” (6), que se referem a “cama”. Em todos os textos há elementos que se ligam a outros. Esse mecanismo é imprescindível para a clareza e compreensão de um texto. A REMISSÃO TEXTUAL Na remissão textual, empregam-se palavras fóricas que fazem referência aos elementos envol- vidos numa situação de que se fala no texto. Para isso, há um sistema referencial fundado numa bipolarização que inclui o referenciador textual (o termo que faz referência a outro) e o refe- rente textual (o termo ao qual o outro se refere). Têm o papel de referenciadores textuais: os artigos defi nidos; os pronomes pessoais de terceira pessoa; os pronomes possessivos; os pronomes demonstrativos. 1 Observe atentamente, no texto a seguir, a presença dos artigos defi nidos, referenciadores, que estão destacados. Também com o Renascimento surge pela primeira vez a ideia de gênio, que trouxe consi- go uma outra, a de propriedade intelectual. Na Idade Média, faltando essa ideia, não havia a preocupação de ser original. Sendo a arte concebida como manifestação da ideia de Deus, o artista era apenas um instrumento pelo qual se fazia visível a ordem eterna […]. Enquanto na Idade Média a obra tinha apenas o valor de objeto, sem a valorização da au- toria, no Renascimento, ela passa a ser considerada também pela personalidade que, através dela, fala […]. No Renascimento […] o público passa a julgar a arte não somente do ponto de vista da vida e da religião, mas também a partir do ponto de vista da própria arte [seus aspectos for- mais: construção, estilo etc.]. Lígia Cademartori Os termos destacados no texto citado são endofóricos; além disso, tais referenciadores são todos da terceira pessoa e não se relacionam a interlocutor algum, isto é, seus referentes não são nem o emissor nem o receptor da mensagem. OBSERVAÇÃO 1 Se o referente figura no segmento de texto anteriormente ao referen- ciador, realiza-se uma referenciação anafórica, ou, simplesmente, uma anáfora. Por exemplo: “Estou des- confi ada de você”, foi isso que ela me disse. Um termo como “isso” é anafó- rico, pois recupera semanticamente um referente já mencionado (“Estou desconfi ada de você”) e acumula todas as afi rmações relacionadas a ele. De outro modo, quando o referente é posterior ao referenciador, opera- -se uma referenciação catafórica, ou, apenas, uma catáfora. Por exemplo: Então, ela me disse isto: “Estou des- confi ada de você”. Diferentemente, o termo “isto” é catafórico, ao sinalizar a presença de um referente que ainda não foi citado. A referenciação num diálogo, ou interlocução, acarreta o emprego de palavras fóricas que aludem aos agentes do discurso, os interlocutores, ou seja, o emissor (ou o falante) e o receptor (ou o ouvinte). Na interlo- cução, um falante (primeira pessoa) introduz os locutores, os participantes de um ato de fala (ou elocução). Em outras palavras, o falante introduz seu interlocutor (segunda pessoa) e a si mesmo, por meio de: pronomes pessoais de primeira pessoa (falante); pronomes pessoais de segunda pessoa (ouvinte). Tais pronomes, na interlocução, são palavras exofóricas porque remetem a referentes exteriores ao texto e envolvidos na situação de discurso. Quando um termo se refere a ele- mentos implicados dentro do texto, é chamado de endofórico. 13 G R A M ÁT IC A Morfossintaxe I Os referenciadores catafóricos Os artigos defi nidos (o, a, os, as) são referenciadores sempre catafóricos e podem ser empregados na sua forma simples ou contraídos (ou combinados) com preposição. Veja este anúncio: Na chamada do anúncio, há quantificadores (“Mais de 15.000 itens”, “um exemplo”) e referenciadores endofóricos (“Este”, que remete ao enunciado anterior, “o” em “do respeito”, e “a” em “a Renault”). Com humor, o referenciador exofórico “você” é substituído respeitosamente por “Vossa Senhoria”. MORFOSSINTAXE DO ADJETIVO Adjetivo é toda palavra que, ao se associar a um substantivo, indica qualidade, defeito, estado ou condição. Exerce as funções sintáticas de adjunto adnominal, predicativo do sujeito e pre- dicativo do objeto. Veja estes exemplos: Uma noite morna chegou de repente. (adjunto adnominal de “noite”) Naquela manhã, ele estava bastante abatido. (predicativo do sujeito “ele”) Achei Geraldo meio triste ontem. (predicativo do objeto direto “Geraldo”) Chamaram a Juarez de panaca. (predicativo do objeto indireto “Juarez”) ADJETIVO E SEMÂNTICA Alguns adjetivos, em virtude de sua posição em relação ao substantivo, mudam de signifi ca- do. Observe: AP L/ RE N AU LT B RA SI L 14 Morfossintaxe I A pobre criança agarrou-se ainda mais à mãe. (infeliz) A criança pobre agarrou-se ainda mais à mãe. (sem recursos) Você não pode responder a uma simples pergunta? (mera) Você não pode responder a uma pergunta simples? (fácil) Embora os adjetivos em destaque tenham significados diferentes, têm a mesma função sintá- tica: todos são adjuntos adnominais. Quando associado ao artigo definido, no grau superlativo relativo — especialmente de supe- rioridade —, o adjetivo adquire sentido especial, como no exemplo a seguir. Nesta peça publicitária, texto e imagem constroem a alusão ao mito de Narciso. A expressão “o mais belo” não deixa dúvidas quanto ao sentido que se quer produzir. Adjetivo com valor de advérbio Um adjetivo pode vir modificado por um advérbio, como neste exemplo: “Os garotos mostra- vam-se pouco confiantes na palavra do líder”. Nessa frase, o advérbio “pouco” modifica (intensi- fica) o adjetivo “confiantes”. Pode ocorrer, porém, de o adjetivo, ou melhor, de sua forma adjetiva, aparecer com valor de advérbio, ou seja, ser um adjetivo adverbializado. Observe: Apesar de pequena, a garota escreve correto. (= corretamente) Não sei como você consegue comer tão rápido. (= rapidamente) Em ambos os casos, os termos destacados não qualificam um substantivo, mas indicam o modo como se escreve e como se come, portanto estão ligados ao verbo, modificando-o. O ADJETIVO NA CONSTRUÇÃO DO TEXTO Leia os três textos a seguir, prestando atenção nos adjetivos empregados. Texto I Hostal Martín Calle Atocha 43, 1o izq, 28012 (91 429 95 79/www.hostalmartin.com). Metrô Antón Martín. Preço € 39 solteiro; € 48 duplo; € 60 triplo. M CC AN N /G M D O B RA SI L 15 G R A M ÁT IC A Morfossintaxe I Cc AmEx, DC, MC, V. Mapa pág. 328 H13. Este simpático e aconchegante hostal de apenas um andar tem agradável ar familiar. To- dos os 26 apartamentos têm ar condicionado, pé-direito alto, banheiro e uma ótima ducha. O casal de proprietários fala vários idiomas e pode fazer reservas em outros hotéis caso você esteja indo para outras regiões do país. O café da manhã farto inclui frutas frescas e café de excelente qualidade. TV (satélite). O Estado de S. Paulo, 2008, p. 64. Guia Time Out. Coleção Guias Estadão. Texto II Certa manhã, ao despertar de sonhos intranquilos, Gregor Samsa encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso. Estava deitado sobre suas costas duras como couraça e, quando levantou a cabeça, viu seu ventre abaulado, marrom, dividido em segmen- tos arqueados, sobre o qual a coberta, prestes a deslizar de vez, apenas se mantinha com difi - culdade. Suas muitas pernas, lamentavelmente fi nas em comparação com o volume do resto de seu corpo, vibravam desamparadas ante seus olhos. KAFKA, Franz. A metamorfose. Tradução de Marcelo Backes. Porto Alegre: L&PM, 2001. Texto III Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema. Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna e mais longos que seu talhe de palmeira. O favo da jati não era doce como seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado. Mais rápida que a ema selvagem, a morena virgem corria o sertão e as matas do Ipu, onde campeava sua guerreira tribo, da grande nação tabajara. O pé grácil e nu, mal roçando, alisava apenas a verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras águas. Um dia, ao pino do sol, ela repousava em um claro da floresta. Banhava-lhe o corpo a sombra da oiticica, mais fresca do que o orvalho da noite. Os ramos da acácia silvestre esparziam flores sobre os úmidos cabelos. Escondidos na folhagem os pássaros amei- gavam o canto. José de Alencar. Iracema. Repare como os adjetivos ajudam na construção dos textos. No texto I, eles têm o objetivo de qualifi car o albergue Martín como um lugar agradável para se hospedar. O hostal é elogiado por meio dos adjetivos “simpático” e “aconchegante”,com um ar “agradável” e “familiar”. A ducha, segundo o autor, é “ótima”. No café da manhã, que é “farto”, as frutas são “frescas” e o café tem uma qualidade “excelente”. Ou seja, segundo o autor da descrição, vale a pena hospedar-se no Hostal Martín. O que ocorre com o texto de Franz Kafka, no entanto, é o extremo oposto. Nada é qualifi- cado positivamente, mas, sim, de modo a causar certo asco no leitor, que, com isso, se sente compadecido em relação à situação do pobre Gregor Samsa, que, de repente, pela manhã, acorda transformado em um “monstruoso” inseto, depois de haver tido sonhos “intranquilos”. O monstro em que Gregor havia se transformado tem as costas “duras”, o ventre “abaulado” e “marrom”, em segmentos “arqueados”, e as pernas “fi nas”. Para desespero de Samsa, partes de seu corpo vibravam “desamparadas”. Vemos, então, que os adjetivos, ao se relacionarem com os substantivos que qualifi cam, aju- dam a construir o sentido do texto. No texto III, na descrição e caracterização de Iracema e seus predicados, o autor faz uso abun- dante do adjetivo, principalmente no grau comparativo. A exploração do adjetivo é uma caracterís- tica do Romantismo, que necessitava desse recurso estilístico para expressar sentimentos, emoções das personagens ou do eu lírico. Agora, observe como, na poesia de Álvares de Azevedo, o eu lírico supervaloriza seus sentimentos. 16 Morfossintaxe I Adeus, meus sonhos! Adeus, meus sonhos, eu pranteio e morro! Não levo da existência uma saudade! E tanta vida que meu peito enchia Morreu na minha triste mocidade! Misérrimo! votei meus pobres dias À sina doida de um amor sem fruto E minh’alma na treva agora dorme Como um olhar que a morte envolve em luto. Que me resta, meu Deus?!… morra comigo A estrela de meus cândidos amores, Já que não levo no meu peito morto Um punhado sequer de murchas fl ores! Usando o grau superlativo absoluto sintético (“Misérrimo!”), o eu lírico engrandece exagerada- mente o que sente. O BLEND LEXICAL O fenômeno do blend lexical é classifi cado como um tipo de formação de palavras, característico por unir duas palavras que adquirem um sen- tido diferente das duas bases individuais. Normalmente, tais construções são mais recorrentes nas expressões musicais, literárias, jornalísticas e, obviamente, nos momentos de espontaneidade do falante. O quadro seguinte exemplifi ca os itens lexicais individualmente e unifi cados, tomando como parâmetro o que se encontra no dicionário e o sentido adquirido após o cruzamento. 1 Item 1 Item 2 Blend lexical Abraço – envolvimento com os braços Beijo – carinho com os lábios Abreijo – contração de abraço e beijo Chá – infusão com plantas Café – bebida do fruto do cafeeiro Chafé – café fraco; café com aparência de chá Craque – exímio esportista Caquético – com grande enfraquecimento Craquético – craque pouco capaz Mato – lugar com plantas não cultivadas Motel – hotel, normalmente, usado para encontros amorosos Matel – motel no mato Namorado – pessoa a quem se namora Marido – homem unido a uma mulher pelo casamento Namorido – viver junto sem “papel passado” Pai – genitor Mãe – mulher que deu à luz Pãe – pai e mãe ao mesmo tempo A despeito dos cruzamentos anteriormente apresentados, determinadas construções já se tornaram categóricas na língua de tal forma que não são mais percebidas como cruzamentos e estão nos dicionários, como mostra o quadro a seguir. Motel Motor + hotel w hotel com estacionamento para veículos motorizados, em que se tem acesso aos quartos diretamente da área em que fi cam os veículos. Futivôlei Futebol + vôlei w jogo parecido com o vôlei, em que os jogadores usam, no lugar das mãos, os pés e a cabeça, assemelhando-se ao futebol. Portunhol Português + espanhol w português mesclado com palavras e elementos fonéticos do espanhol. Showmício Show + comício w reunião em praça pública, com números musicais e discursos de caráter social ou político. Sacolé Saco + picolé w picolé preparado dentro de sacos plásticos. Adaptado de http://linguaportuguesa.uol.com.br (acesso em 01 dez. 2016). 1 Em que medida o blend de uísque se relaciona ao blend lexical? 2 Em sua opinião, a criação de blends contribui para o enriquecimento da língua ou é um problema, já que gera palavras não dicionarizadas? 3 Crie outros blends, não citados no texto como exemplos, e dê seus respectivos signifi cados. CONEXÕES CURIOSIDADE 1 Blend, termo de origem inglesa, que signifi ca “mistura, combinação”, designa também uma variação de uísque. Um blended whisky é produzido por meio de uma mistura (blend) de vários uísques fabricados por meio da destilação de grãos e malte, ao contrário do puro escocês, que é fabricado apenas pela destila- ção do malte.. 17 G R A M ÁT IC A Morfossintaxe I ATIVIDADES 9 (UFAL) Identifi que o fato linguístico que ocorre em cada um dos pares de palavras destacadas nas frases abaixo. a) Era devoto de São Jorge. Via-se que ali estava um homem são. b) A exposição atraiu um fl uxo permanente de visitantes. Os visitantes surgiam de modo intermitente, sem qualquer previsão. Observe o outdoor para, em seguida, responder às questões 10 e 11. 10 A palavra “um”, que aparece duas vezes no texto do anúncio, é artigo indefi nido. Considerando a mensagem que aponta para a direção segura, esse artigo funciona como adjunto adnomi- nal de qual palavra, que está implícita propositadamente, para gerar ambiguidade? O artigo precede a palavra “táxi”, que está implícita no texto. 11 (UFBA, adaptada) Faça uma análise do outdoor, considerando a construção do texto e o contexto em que ele se insere. No outdoor, há uma ambiguidade proposital, causada pela elipse da palavra “táxi”. Isso gera um aparente paradoxo, que seria o de um outdoor recomendar que o motorista ingira bebidas alcoólicas antes de dirigir. A foto à esquerda do texto, porém, mostra que, na verdade, a recomendação é a de que se utilizem táxis, para evitar que se dirija antes e depois de beber. Em a, a palavra “São” é substantivo na primeira frase e adjetivo na segunda; em b, as palavras são antônimas. CO T 12 (U. São Judas Tadeu-SP) Em: “No momento da iniciação às drogas, o adolescente não vê os amigos morrendo, sendo pressionados por trafi cantes nem se acabando nas sarjetas”, os substantivos destacados exercem respectivamente as funções sintáticas de: a) complemento nominal, agente da passiva, adjunto adverbial. b) adjunto adnominal, sujeito, complemento nominal. c) objeto indireto, objeto indireto, adjunto adverbial. d) complemento nominal, objeto indireto, objeto indireto. e) adjunto adnominal, agente da passiva, objeto indireto. 13 +Enem [H27] Os adjetivos, muito comumente, classifi cam-se como adjuntos adnominais de substantivos, ligando-se direta- mente a eles. Leia os trechos do romance Iaiá Garcia, de Ma- chado de Assis, e assinale a alternativa em que isso ocorre em relação às palavras destacadas. a) Oxalá não viesse a ter outras de mais alto voo! b) Era alto e magro, um começo de calva, barba rapada, ar circunspecto. c) Iaiá leu-a; eram duas páginas escritas de alto a baixo, e por letra desconhecida. d) É grande demais; e depois, fi ca muito longe da cidade. Se fosse mais para baixo... e) Luzia-lhe nos olhos alguma coisa que espreitava a alma da outra por baixo das pálpebras descidas. PARA PRATICARCOMPLEMENTARES Leia a matéria a seguir para responder às questões 14 e 15. Tsunami no Japão pode ter matado 15 mil só na região mais atingida, diz polícia Os números não incluem as fatalidades que também estão sendo contabilizadas nas áreas atingidas ao norte e ao sul, ra- zão pela qual já se fala em 20 mil mortos na maior tragédia a atingir o Japão desde a Segunda Guerra Mundial. Por ora, as estatísticas ofi ciais não param de subir. O nú- mero confi rmado de mortos já se aproxima de 8,5 mil e o de desaparecidos, de 13 mil. Cerca de 360 mil pessoas abando- naram suas casas e 26 mil foram resgatadas. As autoridades deram início à construçãode casas tem- porárias para atender parte das centenas de milhares de pessoas — incluindo 100 mil crianças — atualmente abrigadas nos centros de emergência montados pelo governo. 4 Como ocorre a formação do blend “mautorista”? 5 Qual é o efeito de sentido do blend citado no item anterior? 12. Reconhecer o complemento nominal do substantivo “iniciação” não apresentará grandes difi culdades nesse caso. O agente da passiva pode ser visto de forma mais clara caso se transforme em voz ativa: “os trafi cantes pressionam os amigos”. O adjunto adverbial em questão é de lugar. Alternativa a. 13. Trata-se da única alternativa em que o adjetivo se liga diretamente a um substantivo — nesse caso, “voo”, classifi cando-se como adjunto adnominal. Alternativa a. 18 Morfossintaxe I Tarefa proposta 14-24 Os sobreviventes estão enfrentando temperaturas abaixo de zero e carência de água, eletricidade, combustível e até ali- mentos. Para fazer uma ligação gratuita de um minuto para familiares, eles têm de enfrentar horas na fi la, porque a rede de telefonia móvel entrou em colapso. Disponível em: www.estadao.com.br (acesso em 01 dez. 2016) 14 Repare que, no título da matéria, não há emprego de artigos, a não ser em contrações (no, na). Qual é o efeito desse recurso para o leitor? 15 Em “Os sobreviventes estão enfrentando temperaturas abaixo de zero”, os substantivos “sobreviventes” e “temperaturas” são núcleos, respectivamente, de quais termos da oração? a) Objeto direto e sujeito. b) Sujeito e predicativo. c) Sujeito e objeto direto. d) Objeto direto e predicativo. e) Objeto direto e objeto direto. 16 (UFBA) JO AQ U ÍN S AL VA D O R LA VA D O (Q U IN O ). TO D A M AF AL D A. M AR TI N S FO N TE S, 1 99 1. JO AQ U ÍN S AL VA D O R LA VA D O (Q U IN O ). TO D A M AF AL D A. M AR TI N S FO N TE S, 1 99 1. QUINO. Toda Mafalda. Tradução de Andrea Stahel M. da Silva et al. São Paulo: Martins Fontes, 1993. p. 16. Nas falas das personagens Filipe e Mafalda, estabelece-se um diálogo refl exivo e questionador sobre dinheiro e cultura. No último quadrinho da tira, uma terceira personagem — Manolito — interfere e expõe uma nova visão. Faça uma avaliação crítica dos pontos de vista de cada personagem, ressaltando o signifi cado do julgamento das ideias de Filipe como “ingênuas” e “perigosas”. TAREFA PROPOSTA 1 (UFAL, adaptada) Analise as relações de sentido apresentadas a seguir e julgue-as (V ou F). I. “O contato com a literatura não é apenas benfazejo…” (O ter- mo que expressa o sentido contrário do destacado é “nocivo”.) II. “Na literatura nacional, não se passa incólume…” (O termo destacado signifi ca “ileso”.) III. “… cujas folhas já traziam as manchas indeléveis do tem- po.” (A expressão destacada equivale a “marcas que não se podem destruir”.) Leia o texto para responder às questões de 2 a 4. Antes de começar a aula — matéria e exercícios no quadro, como muita gente entende —, o mestre sempre declamava um poema e fazia vibrar sua alma de tanta empolgação e os alunos fi cavam admirados. Com a sutileza de um sábio foi nos ensinando a linguagem poética mesclada ao ritmo, à melodia e a própria sensibilidade artística. Um verdadeiro deleite para o espírito, uma sensação de paz, harmonia. OSÓRIO, T. Meu querido professor. Vale Paraibano, 15 out. 1999. 2 (ITA-SP) Qual a interpretação que pode ser dada à ausência da crase no trecho “a própria sensibilidade artística”? 3 (ITA-SP) Qual seria a interpretação caso houvesse a crase? 4 (ITA-SP) Reescreva o trecho “… fazia vibrar sua alma de tanta empolgação e os alunos fi cavam admirados”, substituindo o substantivo “empolgação” e o adjetivo “admirados” por sinôni- mos e fazendo as adaptações necessárias. 5 (UFMG) “Ele observou-a e achou aquele gesto feio, grosseiro, mas- culinizado.” Os termos destacados são: a) predicativos do objeto. b) predicativos do sujeito. c) adjuntos adnominais. d) objetos diretos. As respostas encontram-se no portal, em Resoluções e Gabaritos. 19 G R A M ÁT IC A Morfossintaxe I 15 Em “Os sobreviventes estão enfrentando temperaturas abaixo de zero”, os substantivos “sobreviventes” e “temperaturas” são núcleos, respectivamente, de quais termos da oração? a) Objeto direto e sujeito. b) Sujeito e predicativo. c) Sujeito e objeto direto. d) Objeto direto e predicativo. e) Objeto direto e objeto direto. 16 (UFBA) JO AQ U ÍN S AL VA D O R LA VA D O (Q U IN O ). TO D A M AF AL D A. M AR TI N S FO N TE S, 1 99 1. e) adjuntos adverbiais de modo. 6 +Enem [H12] As fábulas de Esopo são um conjunto de histórias cuja autoria se atribui a um escravo, Esopo, que viveu alguns sé- culos antes de Cristo na Grécia Antiga. Há, nesse conjunto, fábulas que tratam de comportamentos exemplares, que são louváveis ou passíveis de críticas. Observe a reprodução de uma das primeiras ilustrações para o livro Fábulas de Esopo. O autor da ilustração é Arthur Rackhan. Disponível em: www.dominiopublico.gov.br (acesso em 01 dez. 2016) Sobre a ilustração e o conteúdo que ela representa, assinale a alternativa correta. a) A presença de palavras em língua estranha ao português brasileiro, mas original das fábulas de Esopo, impede que um observador das imagens compreenda a que se referem tais desenhos. b) Os desenhos remetem a animais que fazem parte, como personagens, das histórias; assim como as imagens são re- presentações dos animais, os substantivos que os nomeiam também os representam, embora, nesse caso, a representação se dê de maneira arbitrária. c) A maneira como os animais são representados por ima- gens mostra, com clareza, quais deles atuam de maneira D O M ÍN IO P Ú BL IC O positiva, servindo como exemplo para as crianças que leem as histórias, e quais atuam de maneira controversa, oferecendo exemplo negativo. d) A presença de animais na capa do livro é uma contradição, já que as fábulas são textos em que, raramente, aparecem animais como personagens. e) O uso da língua empregada por Esopo para formar a capa do livro, juntamente com as imagens, é uma maneira de ser fi el à escrita do autor, embora, no miolo da publicação, a língua usada seja o português brasileiro. 7 (UFAL) A escola, como transmissora da cultura e geradora de co- nhecimentos, deve interpelar os fatos numa perspectiva da dinâmica do dia a dia, estampada nos meios de comunica- ção, devendo, portanto, a educação e a comunicação cami- nhar juntas na construção de uma democracia mais plena. KUWSCH, R. Pedagogia da comunicação. São Paulo: Martins Fontes, 1998. Substitua os termos em destaque por sinônimos, fazendo as adaptações necessárias. 8 Leia o seguinte soneto, de Camões, para responder à questão. Alma minha gentil, que te partiste tão cedo desta vida descontente, repousa lá no céu eternamente, e viva eu cá na terra sempre triste. Se lá no assento etéreo, onde subiste, memória desta vida se consente, não te esqueças daquele amor ardente que já nos olhos meus tão puro viste. E se vires que pode merecer-te alguma causa a dor que me fi cou da mágoa, sem remédio, de perder-te, roga a Deus, que teus anos encurtou, que tão cedo de cá me leve a ver-te, quão cedo de meus olhos te levou. Analise as afi rmações e julgue-as verdadeiras (V) ou falsas (F). I. A palavra “alma”, no primeiro verso, exerce função sintática de núcleo do sujeito. II. A função que exerce a palavra “vida”, no segundo verso, é a mesma que exerce “eu” no quarto verso. III. A expressão “assento etéreo” remete a vida, a nascimento, em oposição a “céu”. IV. Os versos tratam da melancolia do eu lírico em relação à morte precoce da pessoa amada. V. O eu lírico deseja que, para reencontrar a pessoa amada, também ele se vá cedo da vida. 9 (UFMA) O texto publicitário produzido para a divulgação do Especial Chico Buarque, que enfoca o romance Budapeste, explora a noção 20 Morfossintaxe I de polissemia em relação à palavra“prosa”. Veja, 5 out. 2005, p.33. Quais são os sentidos (explícitos e implícitos) da palavra “prosa” no texto? 10 (ITA-SP, adaptada) Em “Mães que se orgulham de vestir a roupeta da fi lha adolescente, de frequentar os mesmos lugares e até de conquistar os colegas delas são patéticas. Pais que se consideram parceiros apenas porque bancam os garotões, idem”, o uso do substantivo “roupa” acrescido do sufi xo “eta” ajuda a construir uma ideia que se refere: a) à falta de atitudes autoritárias dos pais atuais. b) à necessidade de acompanhar os fi lhos na sua adolescência. c) à imaturidade de comportamento de alguns pais. d) ao excesso de liberdade que causa problemas na família atual. e) à anulação de papéis distintos de pai e fi lho na família atual. Leia com atenção um fragmento do poema extraído do livro A rosa do povo, de Carlos Drummond de Andrade, e responda às questões 11 e 12. A fl or e a náusea Preso à minha classe e a algumas roupas, vou de branco pela rua cinzenta. Melancolias, mercadorias espreitam-me. Devo seguir até o enjoo? RE PR O D U ÇÃ O Posso, sem armas, revoltar-me? Olhos sujos no relógio da torre: Não, o tempo não chegou de completa justiça. O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações [e espera. O tempo pobre, o poeta pobre fundem-se no mesmo impasse. Em vão me tento explicar, os muros são surdos. Sob a pele das palavras há cifras e códigos. O sol consola os doentes e não os renova. As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem [ênfase. [...] Uma fl or nasceu na rua! Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do [tráfego. Uma fl or ainda desbotada ilude a polícia, rompe o asfalto. Façam completo silêncio, paralisem os negócios, garanto que uma fl or nasceu. Sua cor não se percebe. Suas pétalas não se abrem. Seu nome não está nos livros. É feia. Mas é realmente uma fl or. Sento-me no chão da capital do país às cinco horas [da tarde e lentamente passo a mão nessa forma insegura. Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se. Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas [em pânico. É feia. Mas é uma fl or. Furou o asfalto, o tédio, o nojo [e o ódio. 11 (UFABC-SP) O termo “enjoo” usado no quarto verso: a) está usado em sentido literal e expressa a indiferença da multidão na rua por um anônimo que não se sente bem. b) está usado em sentido literal e expressa a saúde precária dos menos favorecidos. c) é utilizado em sentido fi gurado e signifi ca que o eu lírico deseja ter acesso a mercadorias que não pode comprar. d) é utilizado em sentido fi gurado e expressa a difi culdade de o eu lírico assumir decisões sobre sua vida pessoal. e) é utilizado em sentido fi gurado e expressa a aversão do eu lírico à realidade opressiva em que vive. 12 (UFABC-SP, adaptada) Sabendo que “fl or” alcança sentido meta- fórico no texto, a leitura atenta do poema permite inferir que: a) sendo “feia”, simboliza o futuro, com toda sua carga de opressão e violência. 21 G R A M ÁT IC A Morfossintaxe I b) sendo “frágil”, simboliza a impossibilidade de transformação social, a não ser por meio da passividade. c) sendo “frágil” e “feia”, simboliza a facilidade de lutar por uma vida melhor. d) sendo “frágil”, mostra que lutar por dias melhores não é impossível, ainda que seja difícil. e) simboliza a certeza de que dias de maior igualdade social chegarão em breve. 13 (Fuvest-SP, adaptada) E não há melhor resposta que o espetáculo da vida: vê-la desfi ar seu fi o, que também se chama vida, ver a fábrica que ela mesma, teimosamente, se fabrica, vê-la brotar como há pouco em nova vida explodida; mesmo quando é assim pequena a explosão, como a ocorrida; mesmo quando é uma explosão como a de há pouco, franzina; mesmo quando é a explosão de uma vida severina. João Cabral de Melo Neto. Morte e vida severina. A fi m de obter um efeito expressivo, o poeta emprega, em “a fá- brica” e “se fabrica”, um substantivo e um verbo que têm o mes- mo radical. Cite da estrofe outro exemplo desse mesmo recurso. Leia com atenção estes textos, para responder às questões 14 e 15. Texto I Folha de S.Paulo, 11 set. 2005, p. E9. Texto II À glória sucede o que sucede à água: 20 15 K IN G FE AT U RE S SY N D IC AT E/ IP RE SS . por mais água que beba, qual lhe sacia a sede? Diverso o sucesso, basta-lhe um verso para essa desgraça que se chama dar certo. LEMINSKI, Paulo. Distraídos venceremos. São Paulo: Brasiliense, 1995. p. 95. Texto III Gastei uma hora pensando um verso que a pena não quer escrever. No entanto ele está cá dentro inquieto, vivo. Ele está cá dentro e não quer sair. Mas a poesia deste momento inunda minha vida inteira. ANDRADE, Carlos Drummond de. Alguma poesia. Rio de Janeiro: Record, 2003. p. 65. 14 (UFES) Existe uma ideia de sucesso, sobretudo econômico, que circula, sem perspectiva crítica, nos meios de comunicação de massa. De que modo os dois poemas citados e os quadrinhos podem problematizar essa ideia? Argumente. 15 (UFES) Comente o efeito expressivo na tirinha, gerado pelo uso dos adjetivos. Leia o texto para responder às questões de 16 a 18. Dinossauros em tempos dif íceis A sobrevivência da espécie (dos escritores) e da cultura é uma boa causa Minha vocação nasceu com a ideia de que o trabalho lite- rário é uma responsabilidade que não se limita ao lado ar- tístico: ela está ligada à preocupação moral e à ação cívica. Até o presente, esses fatores animaram tudo o que escrevi e, por isso, vão fazendo de mim, nesta época da realidade virtual, um dinossauro que usa calças e gravata, rodeado de computadores. [...] Em nossa época se escrevem e publicam muitos livros, mas ninguém à minha volta — ou quase ninguém, para não discriminar os pobres dinossauros — acredita mais que a literatura sirva de grande coisa, a não ser para evitar que as pessoas se aborreçam muito no ônibus ou no metrô, e para que, adaptada para o cinema e a televisão, a fi cção literá- ria — se for sobre marcianos, horror, vampirismo ou crimes sadomasoquistas, melhor — se torne televisiva ou cinema- tográfi ca. Para sobreviver, a literatura tornou-se light — é um erro tra- duzir essa noção por “leve”, porque, na verdade, ela signifi ca “irresponsável” e, muitas vezes, idiota. [...] Se o objetivo é apenas o de entreter e fazer com que 20 15 K IN G FE AT U RE S SY N D IC AT E/ IP RE SS . 22 Morfossintaxe I os seres humanos passem momentos agradáveis, perdidos na irrealidade, emancipados da sordidez cotidiana, do in- ferno doméstico ou da angústia econômica, em descon- traída indolência intelectual, as fi cções da literatura não podem competir com as oferecidas pelas telas, sejam de cinema ou de TV. As ilusões forjadas com a palavra exigem a participação ativa do leitor, um esforço de imaginação, e, às vezes — quando se trata de literatura moderna —, complicadas operações de memória, associação e criação, algo de que as imagens do cinema e da televisão dispensam os espectadores. E, por isso, os espectadores se tornam cada vez mais preguiçosos, mais alérgicos a um entreteni- mento que requeira esforço intelectual. Digo isso sem a menor intenção beligerante contra os meios audiovisuais, e a partir de minha condição confessa de apreciador de cinema — vejo dois ou três fi lmes por semana — que também desfruta com prazer um bom pro- grama de TV (essa raridade). Mas, justamente por isso, com o conhecimento de causa necessário para afi rmar que nenhum dos fi lmes que vi, e me divertiram tanto, me aju- dou a compreender o labirinto da psicologia humana como os romances de Dostoievski — ou os mecanismos da vida social como os livros de Tolstoi e de Balzac, ou os abis- mos e os pontos altos que podem coexistir no ser huma- no, como me ensinaram as sagas literárias de um Th omas Mann, um Faulkner, um Kafka, um Joyce ou um Proust. As ficções apresentadas nas telas são intensas por seu imediatismo e efêmeras por seus resultados. Prendem- -nos e nos desencarceram quase de imediato — das fic- çõesliterárias nos tornamos prisioneiros pela vida toda. Dizer que os livros daqueles escritores entretêm seria injuriá-los, porque, embora seja impossível não ler tais livros em estado de transe, o importante de sua boa lite- ratura é sempre posterior à leitura — um efeito deflagra- do na memória e no tempo. Ao menos é o que acontece comigo, porque, sem elas, para o bem ou para o mal, eu não seria como sou, não acreditaria no que acredito nem teria as dúvidas e as certezas que me fazem viver. Mario Vargas Llosa. In: O Estado de S. Paulo, 1996. 16 (Ibmec-SP) “... me divertiram tanto, me ajudou a compreender o labirinto da psicologia humana como os romances de Dos- toievski — ou os mecanismos da vida social como os livros de Tolstoi e de Balzac, ou os abismos e os pontos altos que podem coexistir no ser humano, como ensinaram as sagas literárias de um Thomas Mann...” Segundo o fragmento, a natureza humana é: a) insegura e instável. b) introspectiva e desequilibrada. c) solitária e imprevisível. d) efêmera e contrastante. e) complexa e ambígua. 17 (Ibmec-SP) Assinale a alternativa que melhor corresponde à ideia central do texto de Mario Vargas Llosa. a) Os meios audiovisuais diminuíram o poder da palavra escrita. b) O papel cívico da literatura está na complexidade do con- teúdo da obra e dispensa o leitor. c) O avanço da tecnologia audiovisual contribuiu para a morte da literatura. d) A literatura que não mobiliza o leitor torna-se estéril. e) A literatura light possibilita a fuga da realidade objetiva. 18 (Ibmec-SP, adaptada) A metáfora que dá título ao texto refere-se: a) ao caráter de passado que se atrela à literatura diante dos meios audiovisuais. b) à literatura que trata cientifi camente da Pré-História. c) aos escritores que negam o caráter efêmero da literatura de entretenimento. d) ao desprestígio dos autores consagrados. e) aos escritores que tentam emocionar seus leitores. 19 (PUC/Campinas-SP) Se existe uma instituição moderna que de jovem não tem nada é o restaurante. Não é tão velho como pode parecer — tal como o conhecemos, quase nada tem a ver com as estalagens da Antiguidade ou as tabernas medievais. Mas também não nasceu ontem: o perfil do restaurante moderno vem da segunda metade do século 18, portanto há quase 250 anos. MELO, Josimar. Caldo inaugura a história dos restaurantes. Folha [sinapse]. Folha de S.Paulo, 24 set. 2002, p. 34. O sentido da primeira frase do texto está corretamente repre- sentado em: a) O restaurante é uma instituição moderna, mas não recente. b) O restaurante é uma instituição atual e jovem. c) Nem todo restaurante é jovem, só o moderno. d) Como instituição, o restaurante não é nem moderno nem jovem. e) Não existe instituição moderna que seja jovem como o restaurante. 20 +Enem [H14] Observe a imagem abaixo, que é uma gravura de Mauricio Nascimento. Um artista, quando decide representar determinada cena, imagem, sensação ou ideia, pode fazê-lo de maneira livre, M AU RÍ CI O N AS CI M EN TO 23 G R A M ÁT IC A Morfossintaxe I mais fl exível em relação às regras da verossimilhança e da fi delidade aos fatos e à realidade tangível do que um jorna- lista, por exemplo, ao escrever uma notícia, ou um desenhista que faz representações do corpo humano para um livro de anatomia. Considerando essas informações, analise as afi r- mações, com especial atenção para o sentido dos adjetivos em destaque, e depois assinale a alternativa correta. a) A relação de tamanho entre o submarino e o peixe é desproporcional na gravura, considerando-se que a representação visual do peixe da gravura não é de uma espécie que possa atingir grandes proporções. b) O fato de o peixe aparecer representado em um quadro à parte mostra que, segundo as concepções do artista, submarinos são nocivos à vida marinha e devem ser banidos das águas dos mares e oceanos. c) O peixe, representado em tamanho gigantesco, mostra — de maneira metafórica — que a vida marinha pode ser prejudicial para as pesquisas e expedições científi cas realizadas por submarinos. d) O tamanho do submarino, em relação à profundidade de oceano representada, é proporcional, reproduzindo de maneira fi el a realidade; isso não ocorre, porém, com o tamanho do peixe. e) A falta de proporção entre os elementos principais que apa- recem na gravura — água, submarino, peixe e montanhas — exclui o desenho da arte, não podendo essa representação ser considerada uma manifestação artística. Leia o fragmento de texto seguinte para responder às questões 21 e 22. [...] O almocreve salvara-me talvez a vida; era positivo; eu sentia-o no sangue que me agitava o coração. Bom almocre- ve! Enquanto eu tornava à consciência de mim mesmo, ele cuidava de consertar os arreios do jumento, com muito zelo e arte. Resolvi dar-lhe três moedas de ouro das cinco que trazia comigo; não porque tal fosse o preço da minha vida — essa era inestimável; mas porque era uma recompensa digna da dedicação com que ele me salvou. Está dito, dou- -lhe as três moedas. [...] Fui aos alforjes, tirei um colete velho, em cujo bolso trazia as cinco moedas de ouro, e durante algum tempo cogitei se não era excessiva a gratifi cação, se não bastavam duas moe- das. Talvez uma. Com efeito, uma moeda era bastante para lhe dar estremeções de alegria. [...] Ri-me, hesitei, meti-lhe na mão um cruzado em prata, ca- valguei o jumento, e segui a trote largo, um pouco vexado, melhor direi um pouco incerto do efeito da pratinha. [...] Meti os dedos no bolso do colete que trazia no corpo e senti umas moedas de cobre; eram os vinténs que eu deve- ra ter dado ao almocreve, em lugar do cruzado em prata. Porque, enfi m, ele não levou em mira nenhuma recompen- sa ou virtude, cedeu a um impulso natural, ao tempera- mento, aos hábitos do of ício; acresce que a circunstância de estar, não mais adiante nem mais atrás, mas justamente no ponto do desastre, parecia constituí-lo simples instru- mento da providência; e de um ou de outro modo, o méri- to do ato era positivamente nenhum. Fiquei desconsolado com esta refl exão, chamei-me pródigo, lancei o cruzado à conta das minhas dissipações antigas; tive (por que não direi tudo?) tive remorsos. Machado de Assis. Memórias póstumas de Brás Cubas. Capítulo XXI — O almocreve. 21 (U. F. Itajubá-MG) Examine as substituições lexicais realizadas e assinale aquela em que não se manteve o sentido. a) “essa era inestimável” — essa era incalculável b) “Fui aos alforjes, tirei um colete velho” — Fui até o cofre, tirei um colete velho c) “um pouco vexado” — um pouco constrangido d) “chamei-me pródigo” — chamei-me esbanjador 22 (U. F. Itajubá-MG) Pela leitura do texto, é possível afi rmar: a) A ação do personagem é coerente do início ao fi m do acon- tecimento. b) O personagem não hesita sobre o valor da recompensa. c) O personagem sente remorsos por não ter recompensado devidamente seu salvador. d) A valoração do ato do almocreve diminui gradativamente: de fato heroico a fato sem mérito algum. Leia os textos para responder às questões 23 e 24. Texto I A cada canto um grande conselheiro, Que nos quer governar cabana e vinha, Não sabem governar sua cozinha, E podem governar o mundo inteiro. Em cada porta um bem frequente olheiro, Que a vida do vizinho e da vizinha Pesquisa, escuta, espreita e esquadrinha, Para o levar à praça e ao terreiro. Muitos mulatos desavergonhados, Trazidos sob os pés os homens nobres, Posta nas palmas toda a picardia. Estupendas usuras nos mercados, Todos os que não furtam muito pobres: E eis aqui a cidade da Bahia. MATOS, Gregório de. In: DIMAS, Antonio (org.). Literatura comentada. São Paulo: Abril Educação, 1981. p. 13. Texto II Eu nem sei si vale a pena Cantar São Paulo na lida, Só gente muito iludida 24 Morfossintaxe I Limpa o gosto e assopra a avena, Esta angústia não serena, Muita fome pouco pão, Eu só vejo na função Miséria, dolo, ferida, Isso é vida? São glórias desta cidade Ver a arte contando história,A religião sem memória De quem foi Cristo em verdade, Os chefes nossa amizade, Os estudantes sem textos, Jornalismo no cabresto, Tolos cantando vitória, Isso é glória? [...] Mas o pior desta nação É ter fábrica de gás Que donos-da-vida faz Ianques e ingleses de ação, Tudo vem de convulsão Enquanto se insulta o Eixo, Lights, tramas, Corporation, E a gente de trás pra trás, Isso é paz? ANDRADE, Mário de. Lira paulistana. In: Poesias completas. Edição crítica de Diléa Zanotto Manfi o. Belo Horizonte: Villa Rica, 1993. p. 360-361. 23 Sobre trechos dos textos, responda ao que se propõe. a) “A cada canto um grande conselheiro, Que nos quer governar cabana e vinha, Não sabem governar sua cozinha, E podem governar o mundo inteiro.” Qual adjetivo descreveria, isoladamente, uma pessoa como a descrita pelo poeta nos versos transcritos? b) “Esta angústia não serena.” Reescreva o verso de três manei- ras diferentes, substituindo “não serena” por uma palavra apenas, sem que haja modifi cação signifi cativa de sentido. 24 (Cefet-RJ, adaptada) Nos textos I e II, os sentimentos que defi nem a visão dos poetas sobre suas cidades são: a) orgulho e esperança. b) desencanto e crítica. c) desencanto e indiferença. d) apego e ufanismo. e) apreço e tédio. Escute Ouça “Cultura”, de Arnaldo Antunes, gravada no CD Canções curiosas, de 2009, do grupo Palavra Cantada. Observe como a letra da canção ajuda a construir a mensagem que você leu na teoria. Perceba como os conceitos criados por Antunes fi cam ainda mais inte- ressantes quando aparecem acompanhados da melodia. VÁ EM FRENTE ANOTAÇÕES Objetivos: c Compreender os textos verbais como a organi- zação de um sistema simbólico partilhado, que ganha sentido por meio da intencionalida- de pretendida na inte- ração e comunicação. c Reconhecer a exis- tência de textos não verbais, tais como a imagem e os símbo- los, e compreender suas formas de leitura características. 25 G R A M ÁT IC A Morfossintaxe I CAPÍTULO Todos nós, seres humanos, nos comunicamos de formas muito diferentes. Ainda bem! Mas essa diferença também tem suas desvantagens porque, embora existam símbolos que apresentam uma linguagem universal, algumas vezes gostaríamos de compreender o que as pessoas falam em outras línguas ou simplesmente decifrar algum símbolo que não conhecemos, quando o vemos em uma placa, por exemplo. Assim também ocorre com os textos, sejam eles verbais ou não ver- bais. Algumas vezes parece haver uma barreira entre eles e a nossa realidade que não nos permite compreendê-los de forma completa e clara. Isso porque nasceram de alguém diferente de nós, às vezes, num lugar muito distante. Passamos a perceber, então, que, para se compreender um texto, só há uma saída: tornar-se íntimo dele, aproximar-se da realidade que ele nos apresenta. E para isso, também, só existe uma solução: ampliar, cada vez mais, o nosso universo de leitura. Observe o seguinte poema. O poema citado é exemplo de um tipo de poesia chamada de “poesia concreta”. Em que medida esse nome se relaciona com esse texto? Como você interpreta o poema apresentado? A poesia concreta é aquela em que a estrutura mais tradicional do poema, com versos e estrofes, se perde para dar lugar a uma poesia que se assemelha quase a um objeto, algo que ocupa o espaço do papel de maneira diferente, sugestiva e cheia de signifi cação. Resposta pessoal. Algumas observações são importantes, como a de que a disposição das datas, desde a primeira linha horizontal, indicando o início da construção das torres gêmeas, até seu “desaparecimento” (letras mais claras), após o 11 de setembro de 2001. 2 Interpretação de Texto I JO ÃO G RA N D O Professor, nesta atividade pode-se trabalhar a habilidade 18 da matriz de referência do Enem, em que o aluno deve “identifi car os elementos que concorrem para a progressão temática e para a organização e estruturação de textos de diferentes gêneros e tipos”, pois todo o texto se constrói em uma imagem, como se faz nos poemas concretos. 26 Morfossintaxe I TEXTO E LINGUAGEM Já há algum tempo, os vestibulares e concursos públicos vêm privilegiando, em suas provas, como forma de avaliar o nível de conhecimento de seus candidatos, questões voltadas ao estudo e à interpretação da linguagem presente em textos diversos, cuja elaboração se pode considerar, em algumas delas, bastante sofisticada. Por meio dos mais variados tipos de texto (em prosa, em versos, charges, tirinhas, fotos, resenhas, editoriais etc.), analisam, avaliam e selecionam candi- datos a uma vaga em uma universidade ou que pleiteiam um emprego no mercado de trabalho. Dominar a palavra escrita ou oralizada (“penetrar profundamente em seu reino”), principalmente as sutilezas do idioma, é tarefa árdua, que exige paciência, estudo e dedicação. Para isso há várias explicações. Uma delas é que cada texto é fruto de um tempo, de um lugar e de um conjunto de crenças e tradições. E tais características podem ter mudado muito desde a época em que o texto foi escrito até o momento em que ele é lido. Até mesmo a linguagem varia com o tempo, e não é pouco. O modo de escrever de outra época é uma barreira para compreendermos um texto. Não nos parece comum e simples, hoje, um texto de alguns séculos atrás. Assim, para que o leitor consiga desvendar o que o texto, às vezes, teima em manter es- condido, é preciso não somente saber ler o que se apresenta sobre suas linhas (palavras e frases), mas também conhecer o mundo e as diferentes realidades que permeiam cada texto. Logo, é preciso aproximar-se do texto escrito, chegar cada vez mais perto da mensagem que ali se pretende comunicar. E isso só é possível por meio da leitura, o treino mais eficiente para a interpretação de textos. O leitor assíduo torna-se exigente e crítico, passando a des- vendar aquilo que lê de forma cada vez mais profunda e complexa. Há pouco mais de uma década, a criação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) apre- sentou uma nova forma de avaliar o conhecimento do aluno, revolucionando não só os vesti- bulares, mas também o ensino na sala de aula. A avaliação é feita por meio das habilidades e competências que uma pessoa deve adquirir (pressupõe-se) até terminar o ensino médio. Observando o estilo da prova do Enem ou buscando uma adaptação dessa prova, os vesti- bulares mudaram, e o texto (verbal e não verbal) passou a ter lugar de honra nas avaliações. O que se valoriza, hoje em dia, é a diversidade. As provas trazem textos dos mais variados gê- neros e fontes, que vão desde as bulas de remédio até as charges divulgadas mais recentemente e que se referem a temas da atualidade. Ou seja, saber o que acontece no mundo, hoje, é o primeiro passo para a interpretação de textos das provas. O ensino e a avaliação, modernamente, estão divididos em três grandes áreas: linguagens, có- digos e suas tecnologias, ciências da natureza, matemática e suas tecnologias. Os textos não verbais também estão cada vez mais presentes nas provas. Isso porque eles es- tão cada vez mais presentes no mundo. Basta repararmos como há símbolos que nos rodeiam, desenhos, grafites nos muros das grandes cidades, bandeiras, cores que representam ideologias e empresas conhecidas. Quantas vezes não reconhecemos uma rede de lojas ou restaurantes sim- plesmente porque avistamos seus símbolos, a distância? Para compreender melhor como a interpretação de textos tem-se apresentado nas provas atuais, leia, a seguir, um fragmento dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), parte de uma proposta de inovação para o ensino. […] Não há linguagem no vazio; seu grande objetivo é a interação, a comunicação com um outro, dentro de um espaço social, como, por exemplo, a língua, produto humano e social que organiza e ordena de forma articulada os dados das experiências comuns aos membros de determinada comunidade linguística. Nas práticas sociais, o homem cria a linguagem verbal, a fala. Na e com a linguagem, o homem reproduze transforma espaços produtivos. A linguagem verbal é um sementeiro infi- nito de possibilidades de seleção e confrontos entre os agentes sociais coletivos. A linguagem verbal é um dos meios que o homem possui para representar, organizar e transmitir de forma específica o pensamento. O poder da linguagem globalizada das marcas de certos produtos é tão grande que consegue ultrapassar as barreiras dos diversos idiomas falados no mundo. VO LK SW AG EN AG ÊN CI A EV EF 27 G R A M ÁT IC A Morfossintaxe I Na interação verbal, os sinais e suas combinações socialmente partilháveis organi- zam os dados perceptivos, em sistemas simbólicos, por atributos e intencionalidade. A fala como mediadora entre as relações humanas gera sistemas de linguagens, sentidos hu- manos que se expressam, se concretizam e proliferam em múltiplos espaços simultâneos de forma relacional. No campo dos sistemas de linguagem, podemos delimitar a linguagem verbal e não verbal e seus cruzamentos verbovisuais, audioverbovisuais etc. A estrutura simbólica da comunica- ção visual e/ou gestual como da verbal constitui sistemas arbitrários de sentido e comunica- ção. A organização do espaço social, as ações dos agentes coletivos, as normas, os costumes, rituais e comportamentos institucionais infl uem e são infl uenciados na e pela linguagem, que se mostra produto e produtora da cultura e da comunicação social. Podemos assim falar em linguagens que se confrontam, nas práticas sociais e na história, e fazem com que a circulação de sentidos produza formas sensoriais e cognitivas diferenciadas. Nas interações, relações comunicativas de conhecimento e reconhecimento, códigos, símbolos que estão em uso e permitem a adequação dos sentidos partilhados, são gerados e transformados e representações são convencionadas e padronizadas. Os códigos se mostram no conjunto de escolhas e combinações discursivas, gramaticais, lexicais, fonológicas, gráfi - cas etc. [...] Parâmetros Curriculares Nacionais Todas essas mudanças e transformações são bem-vindas, porque, no mínimo, desfi zeram dois conceitos: se a língua portuguesa passou a ter importância fundamental nas provas, em contra- partida não se considera apenas a norma culta da língua — daí a se falar de linguagens, códigos e tecnologias —, antes, ela é um instrumento que pode e deve ajudar os falantes a se expressarem de forma coerente e clara. A nova forma de avaliar requer dos alunos não apenas conhecimentos gramaticais, mas o do- mínio dessa linguagem (e de outras) nas mais diversas situações. 1 PARA UMA INTERPRETAÇÃO DE TEXTO EFICIENTE Uma vez de posse das habilidades e competências mencionadas (ou pelo menos de parte de- las), surge um texto a nossa frente, e então temos de lidar com ele. Uma boa interpretação depende, de início, de uma leitura benfeita, atenta, provida de repertório linguístico e de conhecimento de mundo, como já afirmamos anteriormente. A partir daí, o texto é o protagonista, e alguns pontos são importantes para compreendê-lo cor- retamente. É sempre bom enfatizar que o hábito da leitura reduz em muito os erros na interpretação, já que o leitor vai encontrando, ele mesmo, os caminhos, fáceis ou não, que mais lhe são úteis para interpretar o texto. Sabendo interpretar o que lê, o estudante organiza as ideias e produz bom texto. O resto é conversa, falsa teoria. Lygia F. Telles TEXTO VERBAL E NÃO VERBAL Já reparou como cada vez mais existem várias opções de consumo, de entretenimento a nossa disposição? Produtos variados, oferta de serviços, espetáculos de arte, livros que merecem ou preci- sam ser lidos, apresentação de programas de TV. E, para ganharem o público, as empresas, as redes de TV e as instituições tendem, cada vez mais, a se apresentarem de forma direta, empregando um OBSERVAÇÃO 1 No que diz respeito ao ensino de lín- gua portuguesa, essa rede complexa de interação, algumas competências são necessárias. Veja a seguir. Compreender e empregar os sis- temas simbólicos das diferentes linguagens, ou seja, é preciso saber por meio de que linguagem o texto se constrói. Analisar, interpretar e aplicar os recursos expressivos das lingua- gens − é preciso ver como cada linguagem diz o que pretende, como cada uma cria os signi cados dos textos. Confrontar opiniões e pontos de vista − reconhecer que os textos podem tratar de assuntos muito semelhantes ou completamente opostos. Respeitar e preservar as diferentes manifestações da linguagem − é necessário, mais do que nunca, aprender a valorizar as variações que a linguagem tem. É claro que cada indivíduo tem uma maneira de se expressar, e as diferenças não são, necessariamente, erros. Empregar as linguagens como meio de expressão, informação e comunicação − ser a personagem principal do processo de produção e recepção da linguagem, sa- bendo adequá-la a cada situação especí fi ca. Compreender e usar a língua portu- guesa como língua materna − ter a capacidade de confrontá-la com as outras línguas e de compreender os detalhes que, muitas vezes, só são completamente decifrados por seus falantes nativos. 28 Morfossintaxe I D U KE número menor de palavras e maior de imagens. Quando há palavras, elas são arquitetadas de um modo astuto, sedutor, surpreendendo-nos ou chamando nossa atenção. Não são poucos os que reclamam das difi culdades para interpretar um texto escrito, e estas au- mentam quando se tem de “ler” imagens, ou seja, aquilo que não está escrito, que denominamos de texto não verbal, quase sempre desprovido de palavras. Esses textos, os não verbais, como produções humanas, também comunicam muitas ideias, por isso é preciso fazer deles uma leitura cuidadosa e muitas vezes profunda. ATIVIDADES 1 (UFRN, adaptada) Esta questão refere-se ao folheto que segue. No folheto, constata-se uma ambiguidade intencional quanto ao emprego da palavra: a) “ligação”, que pode ser interpretada como combinação ou telefonema. b) “direção”, que pode ser interpretada como volante ou orien- tação. c) “perigosa”, que pode ser interpretada como arriscada ou RE PR O D U ÇÃ O 1. Para construir o efeito de sentido, baseado na ambiguidade, que ajuda a chamar a atenção do leitor para o aviso, emprega-se a palavra “ligação” em um contexto no qual ela pode ser interpretada de duas formas: trânsito e celular são uma combinação de risco, ou fazer telefonemas no trânsito é muito arriscado. Vale notar que ambas as interpretações são válidas e fazem sentido no contexto. Alternativa a. deliberada. d) “celular”, que pode ser interpretada como telefone ou tecnologia. e) “direção”, que pode ser interpretada como caminho ou comando. 2 (UFAL) Leia o poema para responder à questão. Erro de português Quando o português chegou Debaixo duma bruta chuva Vestiu o índio Que pena! Fosse uma manhã de sol O índio tinha despido O português. Observe o título: “Erro de português”. Haverá alteração de sentido se esse título passar a “Erro do português”? Justifi que sua opinião. 3 +Enem [H21] Leia o texto a seguir para responder à questão. Depois da necessidade de afeto, de ser aceita, nenhuma outra é tão intensa, na criança, como a necessidade do jogo. Através dele desenvolvem-se a espontaneidade, a inteligência, a linguagem, a coordenação, o autocontro- le, o prazer de realizar algo, a autoconfi ança. É a via para a criança experimentar, organizar suas experiências, es- truturar a inteligência para construir, aos poucos, a sua Haverá, sim, alteração de sentido. Enquanto “Erro de português” permite as interpretações de que ocorreu um problema em relação à língua portuguesa ou que um cidadão português cometeu um erro, o uso de “do” se limitaria à segunda interpretação. Repare como, na charge de Duke, linguagem verbal e linguagem não verbal atuam em conjunto para a construção dos sentidos e do humor. Nela, aparecem dois símbolos: à esquerda, o escudo do Cruzeiro Esporte Clube, time de futebol do estado de Minas Gerais; àdireita, o símbolo da montadora de automóveis Volkswagen. Visualmente, as imagens se aproximam: são circulares, em azul e branco. O texto verbal contém a palavra “gol”, que é tanto um automóvel produzido pela Volkswagen quanto o objetivo dos times de futebol, para vencer os jogos. 29 G R A M ÁT IC A Morfossintaxe I personalidade. RAMOS, Maria da Conceição A. L. Jogar e brincar —representando papéis, a criança constrói o próprio conhecimento e, consequentemente, sua própria personalidade. Disponível em: www.icpg.com.br (acesso em 01 dez. 2016) Com base nas informações do texto, é correto afi rmar que, para as crianças, a prática do jogo ou da brincadeira: a) consiste em uma manifestação corporal que envolve intenso dinamismo e prazer, sendo fruto de uma necessidade de muita importância. b) é de grande relevância para o desenvolvimento de sua in- teligência, linguagem e autoconfi ança, mas pouco auxilia na tarefa de conhecer seu corpo. c) apresenta vários benefícios ao seu aprimoramento físico e moral, consistindo, na maioria dos casos, em uma atividade nociva ao seu desenvolvimento intelectual. d) deve ser estimulada, desde que contenha atividades que priorizem o afeto e o uso da linguagem oral entre seus participantes. e) pode ser prejudicial para a construção de sua personalidade, caso as crianças não recebam afeto ou apoio de algum adulto durante a atividade lúdica. 4 (UECE, adaptada) Leia o texto para responder à questão. Na parede caiada se desenhava, enorme, o emblema azul da Virgem Maria. Ao centro do pátio fi cava o caramanchão cheiroso do jasmineiro e dentro dele, no fresco e no som- brio do verde, a imagem de uma moça de vestido branco e pés nus — uma Nossa Senhora bonita e triste. Em redor do pátio as classes vazias, mudas, fechadas. O ruí- do dos passos crescia, ressoava pelos corredores, o terço da cintura da Irmã tilintava, cheio de medalhas. E eu tinha medo. A Irmã era velha, de olhar morto, fala incolor e surda. Parecia feita de papel pálido, ou de linho engomado semelhante à corneta que trazia à cabeça e que se agitava a cada movimento seu, como uma ave. Parecia uma boneca de cera, uma fi gura, uma santa, só não pare- cia gente. Também não parecia gente a porteira seca, toda osso e nervo, nem a outra Irmã que passou silenciosa e de cabeça baixa, sem um interesse, sem um olhar. Moça, jovem, só a Virgem Mãe adolescente do caramanchão; e, sendo de louça, tinha mais ar de vida e de humanidade que aquelas outras mulheres de carne, junto de mim. Rachel de Queiroz. As três Marias. O texto transcrito abre o romance As três Marias, que apresen- ta a trajetória de vida de Maria Augusta, a Guta, dos 12 aos 20 anos, e de suas companheiras mais chegadas, Maria José e Maria da Glória. A história transcorre na década de 1930, dividindo-se a ação das personagens entre o Ceará e o Rio de Janeiro. O capítulo inicial, do qual extraímos o excerto em es- tudo, focaliza o momento do ingresso de Guta no internato de um colégio de freiras. Nas expressões usadas para descrever as duas freiras: “A Irmã era velha, de olhar morto, fala incolor e surda” (l. 11 e 12), “e a porteira seca, toda osso e nervo (l. 17)”, a autora realça, por meio da caracterização física, o seguinte aspecto psicológico: a) a religiosidade. b) a negatividade. c) a sensibilidade. d) a fragilidade. 5 (Fuvest-SP, adaptada) Verão excessivo Eu sei que uma andorinha não faz verão, fi losofou a andori- nha-de-barriga-branca. Está certo, mas agora nós somos tantas, no beiral, que faz um calor terrível, e eu não aguento mais! Carlos Drummond de Andrade. Contos plausíveis. Com base na queixa da andorinha-de-barriga-branca, reformu- le o provérbio “Uma andorinha não faz verão”. PARA PRATICARCOMPLEMENTARES 6 (UFMA) No trecho seguinte: “O presidente Tancredo Neves fez duas operações cirúrgicas. Uma no intestino, supostamente para resolver uma diverticulite aguda. Outra em São Paulo, onde se concentrou a maior parte dos políticos para discutir a sucessão”, há uma imprecisão que difi culta a compreensão do sentido glo- bal do texto. Identifi que-a e explique, justifi cando-a. 7 (U. F. São Carlos-SP) Leia o texto seguinte e responda ao que se pede. Precisamos de um novo software para acessar o mundo. As soluções que serviam há 30 anos já não valem mais. Os jo- vens atuais não copiam nada, pelo contrário: são fi lhos da era pós-industrial e estão criando uma nova cultura. Os to- ques foram dados pelo psicanalista lacaniano Jorge Forbes, durante a palestra “Édipo, adeus: o enfraquecimento do pai”. Há uma nova ordem social no mundo. Muitos pais, edu- cadores, psicanalistas, pensadores, todos ainda apresentam velhas soluções para novos problemas, mas é o momento de observar as mudanças, de agir de acordo com elas. Forbes As características citadas cooperam para o fato de a personagem sentir medo. Alternativa b. Uma andorinha não faz verão, mas muitas andorinhas juntas podem fazê-lo. Há outras possibilidades, desde que a resposta dê a ideia de que o conjunto de andorinhas é capaz de fazer o que apenas uma não é. No caso, o verão. 3. Segundo o texto, a prática de jogos e brincadeiras traz diferentes benefícios à criança, desde desenvolvimento físico até intelectual. Alternativa a. 30 Morfossintaxe I Tarefa proposta 1-12 lembrou que, antigamente, o jovem reclamava por não ter liberdade de escolha. Hoje, ele tem essa liberdade e se sente completamente perdido. […] O jovem moderno é diferente daquele da geração de 1968, que levantava bandeiras e pregava planos de reforma da edu- cação e da sociedade. A globalização provocou mudanças. Antes, as pessoas queriam pertencer a grandes corporações ou ter pro� ssões reconhecidas. Não é mais uma honra � car no mesmo emprego por mais de cinco anos e acabou essa história de “sujar a carteira”, ter- mo usado para quem � cava pouco tempo num só trabalho. A globalização pulverizou os ideais e exige de cada pessoa uma escolha meio angustiante: será que realmente queremos o que desejamos? No lugar do papel contestador da geração de 1968, temos hoje uma geração jovem que exibe fracas- so escolar, menosprezo e desinteresse pelo saber orientado. O jovem não vê razão em se formar, em ser doutor, bússola da geração dos seus pais. Vivemos uma vida que foi despadroni- zada. “Somos passageiros de um novo mundo”, acrescentou o psicanalista. Adaptado de Janete Trevisan. Jornal do Cambuí. a) Explique a relação entre a expressão “o enfraquecimento do pai”, empregada pelo psicanalista no título de sua palestra, e o conteúdo apresentado pela autora do texto. b) O que quer dizer a expressão “saber orientado”, presente no último parágrafo do texto? c) A que se refere a palavra “toques”, em “Os toques foram dados pelo psicanalista lacaniano Jorge Forbes”? 8 (Fuvest-SP, adaptada) Diálogo ultrarrápido — Eu queria propor-lhe uma troca de ideias… — Deus me livre! Mario Quintana No diálogo anterior, a personagem que responde “— Deus me livre!” cria um efeito de humor com o sentido implícito de sua frase fulminante. Continue a frase “— Deus me livre!”, de modo que a personagem explicite o que estava implícito nessa fala. A IMAGEM A imagem pode ser considerada sob dois aspectos na arte literária: num sentido amplo, é qualquer construção verbal e estética de uma realidade; num sentido estrito, é a construção verbal e estética de uma realidade específi ca e que opera por analogia clara (símile) ou suben- tendida (metáfora). Desse modo, a imagem engloba implicitamente o símile e a metáfora, e, por isso, muitos estudiosos não se preocupam em distinguir a imagem do símile, assim como fazem com a comparação e a metáfora. Em geral, a imagem fundamenta-se num componente visual. Entretanto, nem toda imagem é visual. Observe: O mar lambe o branco da areia. A infl ação subiu. Vou desligar-me do mundo. (= Ficarei alheio a tudo.) No primeiro caso há uma imagem concreta; no segundo, uma abstrata e, no terceiro, uma imagemafetiva. Muitas imagens evoluem para a frase feita ou lugar-comum: de tão reiteradas, tornam-se ver- dadeiros clichês ou chavões: precioso líquido, vitória esmagadora, astro rei, aurora da liberdade, momento solene, esperança da pátria, calo de estimação, dúvida atroz, do Oiapoque ao Chuí, mal necessário etc. 31 G R A M ÁT IC A Morfossintaxe I Num sentido mais amplo, as imagens constroem-se por meio de diversos recursos. Podem ser fundamentadas numa sinédoque: as velas singram o oceano, braços para a lavoura etc.; em construções metonímicas: entregar-se aos braços de Morfeu, ver Portinari em Brodowski etc.; em construções hiperbólicas: mar de afetos, rios de sangue etc.; em construções marcadas por sines- tesias: coração frio, palavras amargas, doce sonho, lágrimas ardentes etc.; em prosopopeias: os dias correm, o vento geme, a brisa sussurra, o tempo voa etc. O SÍMBOLO Variante da imagem, o símbolo tem valor de um sinal, ou seja, trata-se de uma unidade lin- guística empregada referencialmente. Por exemplo, no contexto do cristianismo, o “cordeiro” e a “cruz” são símbolos que remetem de imediato a essa religião, assim como “a foice e o martelo”, Observe que os planos verbal e não verbal constroem um efeito expressivo fundamentado numa imagem com alusão ao “ovo de Colombo”, o qual metaforiza algo difícil, mas que se torna fácil depois que alguém demonstra como fazer. Em outras palavras, o texto e a imagem enfatizam que o anunciante é capaz de realizar o mais difícil dos sonhos de seus clientes. BA N CO S AN TA N D ER B AN ES PA BA N CO S AN TA N D ER B AN ES PA 32 Morfossintaxe I a “cruz suástica” e a “estrela de Davi” são símbolos respectivamente do socialismo, do nazismo e do judaísmo. Grandes autores da literatura forjaram personagens que se tornaram referências simbólicas dos humores humanos. Tais são os casos de Balzac: Bette (maldade), Gambarra (melomania), Grandet (avareza); Camões: Adamastor (gigante), Velho do Restelo (mau agouro); Cervantes: Dom Quixote (idealista generoso e ingênuo); Conan Doyle: Sherlock Holmes (detetive); Dumas: mosqueteiros (heróis aventureiros); Eça de Queirós: Conselheiro Acácio (mediocridade); Victor Hugo: Quasímodo (monstro); Monteiro Lobato: Jeca (abúlico, apático); Shakespeare: Hamlet (loucura), Otelo (ciúme), Romeu e Julieta (amor impossível e trágico) etc. O símbolo pode provir também de outras fontes, como a religião (Moisés, calvário, fariseu, samaritano, Canaã, Matusalém, Babel, Golias, Jó etc.), a mitologia (Baco, Hércules, Narciso, Vênus etc.), a história (Alexandre, César, Napoleão, Nero, Colombo, Waterloo etc.). TEXTOS EM DIÁLOGO Observe: A tirinha acima dialoga com a letra de uma canção. Veja: O anúncio combina o recurso fonolexical de quatro metágrafos com o recurso semântico de quatro símbolos correspondentes que sintetizam imageticamente o subtítulo do filme (Muitas paixões numa só vida): a vida atribulada de uma mulher judia que se apaixona por uma ideologia e por um líder comunista. GL O BO F IL M ES LI N IE RS 33 G R A M ÁT IC A Morfossintaxe I Casa no campo Eu quero uma casa no campo Onde eu possa compor muitos rocks rurais E tenha somente a certeza Dos amigos do peito e nada mais. Eu quero uma casa no campo Onde eu possa fi car no tamanho da paz E tenha somente a certeza Dos limites do corpo e nada mais. Eu quero carneiros e cabras pastando so- lenes No meu jardim Eu quero o silêncio das línguas cansadas Eu quero a esperança de óculos E um fi lho de cuca legal Eu quero plantar e colher com a mão A pimenta e o sal. Eu quero uma casa no campo Do tamanho ideal, pau a pique, sapé Onde eu possa plantar meus amigos Meus discos e livros E nada mais. Tavito e Zé Rodrix Você pode observar que, na lista de “prós” e “contras” que aparece sobre a mesa, na tirinha, estão anotados elementos que são citados nos versos da canção (rocks rurais, carneiros e cabras, fi lho de cuca legal, pau a pique e sapé). Nota-se, então, que os elementos escritos no papel não são aleatórios. Percebe-se também que, para compreender a tirinha de maneira completa, é desejável que se co- nheçam, previamente, os versos de “Casa no campo”. Eis, então, mais uma razão para que se amplie cada vez mais o universo de leitura de textos variados, para que se possa aproveitar o maior número possível de novos textos, da maneira mais completa. Agora leia com atenção o fragmento de texto apresentado a seguir. As produções humanas, embora aparentemente desconexas, encontram-se em constante inter- -relação. Na verdade, constrói-se uma grande rede, com o trabalho de indivíduos e grupos, onde os fi os são formados pelos bens culturais. Se se considerar toda e qualquer produção humana como texto a ser lido, reconstituído por nós, a sociedade pode ser vista como uma grande rede intertextual, em constante movimento. O espaço da cultura é, pois, intertextual. Essa ideia não implica harmonia como característica defi nidora da cultura, mesmo porque não existe um, mas vários grupos culturais dentro de uma mesma sociedade. Pode haver a impressão de que a transformação cultural se dá apenas quando ocorrem as consideradas invenções ou “descobertas”. Mas cada “descoberta” só acontece com a apropriação de conhecimentos anteriores. Se assim não fosse, o caminho do homem teria de ser todo nova- mente construído a cada nova conquista. Por exemplo, a bússola foi fundamental não só para viagens marítimas no século XVI, como também para as viagens espaciais, pois, sem os prin- cípios básicos em que aquela aparentemente simples descoberta se baseava, não seria possí- vel a sofi sticada tecnologia espacial contemporânea. A moda, outra manifestação da cultura, também se alimenta de contínuas retomadas do passado, além de inspirar-se em outros domínios culturais, tais como fi lmes, artes plásticas, conquistas científi - cas etc. Não se pode esquecer, igualmente, das determinações econômicas do mercado de tecidos para o tamanho das saias, o tipo de fi bras ou cores utilizadas. Pensemos, por analogia, numa simples receita de bolo. Uma mistura de leite e farinha, num primeiro momento, vai se transformando em bolo de chocolate, de laranja ou de coco. Cada cozinheira, dando tratos à bola, pode recriar a receita anterior produzindo alguma coisa nova. Seu bolo será assim, simultaneamente, outro e o mesmo bolo da receita inicial. Tais exemplos são já sufi cientes para compreendermos a cultura como um processo intertextual, em que cada produção humana dialoga necessariamente com as outras. […] PAULINO, Graça; WALTY, Ivete e CURY, Maria Zilda. Intertextualidades: teoria e prática. 2. ed. Belo Hori- zonte: Lê, 1997. p. 12-13. Pela leitura anterior, fi ca claro que tudo na cultura, incluindo os textos (verbais e não verbais), 34 Morfossintaxe I mantém um diálogo entre si, algumas vezes mais explícito, outras mais sutil. Dialogar com outros textos é mais comum do que se possa imaginar, pois geralmente apro- veitamos as ideias e as palavras que ouvimos e lemos, e outros aproveitam as nossas e as re- passam. Não estamos falando de plágio ou cópia imprudente. Ocorre que, no dia a dia, a in- terferência do outro em nossa vida é presente e constante, mesmo que seja pela televisão, pelo rádio, pelo jornal etc. Leia os textos a seguir e observe como poema e canção dialogam entre si. Quadrilha João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém. João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento, Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia, Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes que não tinha entrado na história. Carlos Drummond de Andrade Flor da idade Carlos amava Dora que amava Lia que amava Lea que amava Paulo Que amava Juca que amava Dora que amava Carlos que amava Dora Que amava Rita que amava Dito que amava Rita que amava Dito que amava Rita que amava Carlos amava Dora que amava Pedro que amava tanto que amava afilha que amava Carlos que amava Dora que amava toda a quadrilha Chico Buarque No Brasil, talvez o caso de intertextualidade mais explorado seja o do poema “Canção do exílio”, de Gonçalves Dias, que, no mesmo texto, se inspirara em outro, do escritor alemão Goethe. Leia: Texto I Canção do exílio Kennst du das Land, wo die Citronen blühn, Im dunkeln Laub die Gold-Orangen glühn, Kennst du es wohl? — Dahin, dahin! Möcht’ich… Ziehn. Goethe Minha terra tem palmeiras Onde canta o sabiá; As aves que aqui gorjeiam Não gorjeiam como lá. Nosso céu tem mais estrelas, Nossas várzeas têm mais flores, Nossos bosques têm mais vida, Nossa vida mais amores. […] Gonçalves Dias Texto II Minha terra tem macieiras da Califórnia, Onde cantam gaturamos de Veneza. […] Ai quem me dera comer uma carambola de verdade e ver um sabiá com certidão de idade. Murilo Mendes Texto III Minha terra tem palmeiras onde canta o tico-tico. Enquanto isso o sabiá vive comendo o meu fubá. […] Cacaso 35 G R A M ÁT IC A Morfossintaxe I Na charge de Caulos, também há intertextualidade com a “Canção do exílio”. O diálogo entre textos não é recurso exclusivo da literatura; nela ele pode ser mais fecundo, mas não único. Observe estes títulos: Os títulos fazem alusão à célebre frase da peça Hamlet, de Shakespeare, modifi cada pelo recurso da paronomásia na construção de dois trocadilhos. “Tupy or not tupy” foi também usada por Oswald de Andrade no Manifesto Antropofágico, em 1928. A intertextualidade, nesta e nas próximas unidades, vai ser uma constante nos exercícios, visto que é um assunto bastante explorado nas provas de vestibulares. CA U LO S RE PR O D U ÇÃ O 36 Morfossintaxe I Arte Moderna: uma nova maneira de ver o texto Fato histórico de maior repercussão entre aqueles que infl uenciaram no mundo o surgimento da arte moderna talvez tenha sido a Guerra Mundial de 1914-1918, embora vários outros acontecimentos tenham surtido efeito, em momentos diferentes, nas transformações pelas quais a arte passou na época, e continuou sofrendo, durante todo o período em que estava em fase dinâmica. Com a guerra, houve grandes mudanças não só na indústria e na economia, mas também na forma de ver a educação e as artes. A Revolução Russa é outro exemplo de fato histórico que coopera para uma mudança de visão de mundo, já que instala outras formas de relacionamento entre cidadãos e entre povo e poder. Mais tarde, a grande crise de 1929 inaugura uma década inteira de depressão. No Brasil, especifi camente, ocorre a criação do Partido Comunista Brasileiro, mudando a política de massas e iniciando uma radicalização da política tanto para a direita quanto para a esquerda. É nesse contexto histórico que a arte moderna, antes vista como um movimento apenas do capricho de alguns revolucionários, passa a tomar parte num mundo sen- sivelmente mudado, cujos padrões anteriores estão rompidos. Aqui, no Brasil, em meio a tamanhas transformações políticas, econômicas e culturais, o Modernismo hospeda-se em nossa literatura e sintetiza-se, ao mesmo tempo, em um evento, uma estética e um período. O evento é a Semana de Arte Moderna de 1922. A estética, uma bandeira de não unifi cação ou padronização, mas, sim, a tentativa de defi nir uma renovação tanto da literatura quanto do escritor. O período, se é que se pode fazer tal limitação aproximada, segue desde a década de 1920 até algo em torno de 1945. As marcas deixadas, no entanto, permanecem a infl uenciar escritores e seus escritos. A arte moderna nasce como uma tentativa de libertação. A emoção pessoal ganha espaço na produção literária, e a arte sai de seu patamar de contemplação distante e mitificação. O que se quer, agora, da arte, é que ela seja o lúdico, o liberto, o próximo. O academicismo parnasiano é deixado de lado, e a expressão e a criação deveriam, a partir de então, ser livres. Os padrões do português europeu são substituídos por um falar brasileiro que vinha com expressões mais coloquiais e vocabulário característico. Os gêneros literários, principalmente durante a primeira fase dinâmica do Modernismo no Brasil, entre 1922 e 1930, são praticamente subvertidos, já que se percebe na poesia o abandono das formas engessadas de anteriormente, num movimento que a aproxima da prosa, enquanto esta última inicia caminhada em direção contrária, absorvendo faces da linguagem poética e do modo de fazer da poesia. Isso se abranda no momento posterior, entre 1930 e 1945, sem, no entanto, haver um regresso total. A arte moderna não pode ser defi nida em pequenos espaços. E é sem limites − como sua forma de criar − que ela se espalha e se fortalece, depois da difi culdade inicial que qualquer revolução sente antes de instalar-se defi nitivamente, antes de ser compreendida e abraçada por quem não esperava sua força. 1 No título, lê-se que a arte moderna inaugura uma nova maneira de ver o texto. Depois da leitura, pode-se perceber que essa “visão do texto” se refere aos escritores, aos leitores ou a ambos? 2 Segundo o texto, quais são as características do novo tipo de texto que surge com a arte moderna? 3 A poesia concreta, como aquela lida no início deste capítulo, é uma manifestação da arte moderna. O estilo que ela representa é adequado às características citadas no texto? 4 Na sua opinião, a arte moderna ainda se refl ete nos textos contemporâneos e nos autores atuais? CONEXÕES D I C AV AL CA N TI . S EM AN A D E AR TE M O D ER N A, 1 92 2 Cartaz de divulgação da Semana de 1922, criado por Di Cavalcanti. 37 G R A M ÁT IC A Morfossintaxe I ATIVIDADES 9 (Unicamp-SP, adaptada) Alguém menos tolerante no que se re- fere a imprecisões de linguagem poderia dizer que a notícia a seguir (publicada no jornal Folha de S.Paulo de 26 de maio de 2001) faz referência a alguma coisa impossível. Façanha. Erik Welhenmayer, 32, escala o monte Everest: ele se tornou ontem o primeiro cego a escalar a montanha mais alta do mundo e pretende repetir o feito em outros continentes. Que “coisa” é essa e por que é impossível? D EE TR AK V IA C O M PF IG H T CC A “coisa” é escalar o monte Everest em outros continentes, já que existe apenas um monte Everest e ele só pode ser escalado em um local. Professor, talvez não seja fácil reconhecer a imprecisão numa primeira leitura. Nesse tipo de exercício, é bom lembrar que a resposta é sempre mais clara do que parece à primeira vista. 10 (UFAL) Explique os recursos persuasivos desta mensagem publicitária, identifi cando a relação entre linguagem verbal e imagem. 11 (UFMT) A fi gura seguinte consta na capa do manual do candidato a um dos processos seletivos da UFMT. RE PR O D U ÇÃ O Na imagem vemos um alvo. Ela, então, se relaciona com o texto verbal, que menciona termos como “mira” e “pontaria”, além da expressão “acertou em cheio”, todas relacionadas a um tiro ao alvo. Além disso, o informe publicitário promove uma aproximação com o leitor, ao se dirigir diretamente a ele, pedindo que ele “mostre que é bom de negócio e de pontaria”. 38 Morfossintaxe I A partir da análise da fi gura, responda: que leitura é possível fazer da fi gura e seus componentes? 12 (UFES) Observe esta imagem. Considerando o efeito pretendido pelo texto apresentado, jul- gue (V ou F) as afi rmativas a seguir. ( V ) Envolver a população no combate à dengue. ( F ) Obrigar a população a seguir a campanha de combate à dengue. ( F ) Usar “dar mole” e “pro” para atingir apenas pessoas desin- formadas. ( F ) Usar a expressão “dar mole” para atingir exclusivamente o público jovem. ( V ) Usar o registro coloquial para obter adesão da população. 13 +Enem [H21] Leia com atenção o seguinte texto. Voltava hoje de moto para casa, quando parei em um si- nal e fui abordado por uma moça numa Honda Biz, que me perguntou como chegar a uma praça próxima. Estávamos numa avenida onde um riacho separa as pistas de sentidos contrários. Falei para ela que pegasse a pistado outro lado, A fi gura compõe-se de uma espécie de chave, que, por sua vez, tem em sua formação um lápis, uma espécie de chip ou circuito, além de elementos tra- dicionais das chaves comuns. Ela representa, portanto, a atividade intelectual posta em prática, por meio do lápis, além da tecnologia, que começa a fazer parte do universo escolar, cada vez mais de perto. Juntas, essas duas frentes seriam a “chave” para abrir algumas portas metafóricas. É possível fazer outras análises, paralelas. O importante é esclarecer que, juntos, estudo tradicional e moderno são capazes de abrir portas. RE PR O D U ÇÃ O e estávamos justamente num ponto onde havia como passar para o outro lado, só que era contramão. [...] ela me pergun- tou onde era o retorno. Disse que era bem mais à frente, o sinal abriu, lá foi ela com sua moto entre os carros, eu atrás, já que iria mesmo pra aqueles lados. No primeiro cruzamento que dava mão para ela passar para o outro lado, ela não teve dúvida, entrou e fez o retorno. Só que ali, bem visíveis, tinham [sic] duas placas penduradas, proibido virar à esquerda e/ou fazer o retorno. Fiquei pen- sando, será que ela desrespeitou as placas, convicta do que fazia? Então por que ela não fez o retorno lá atrás, onde estava fácil de fazer? Disponível em: http://autoentusiastas.blogspot.com (acesso em 01 dez. 2016) As placas que a motociclista deixou de respeitar são, respecti- vamente: a) b) c) d) e) PARA PRATICARCOMPLEMENTARES Leia a notícia e a charge para responder às questões 14 e 15. Texto I Caminhoneiro bêbado mata uma pessoa em Campinas São Paulo — Bêbado e ao volante de um Ford Cargo, da Transportadora Rodo Import, Ronilson Barbosa Correia, de 37 anos, atingiu de frente dois veículos de passeio, por volta As placas que representam, simbolicamente, “proibido virar à esquerda e/ou fazer o retorno” são aquelas que aparecem na alternativa d. É importante notar que a ideia de “proibido” é transmitida, visualmente, pelo traço que aparece diante do símbolo. Alternativa d. 12. Não se pode obrigar a população a seguir a campanha, mas, no máximo, persuadir as pessoas. As expressões coloquiais não se dirigem exclusivamente a jovens ou à população desinformada, mas a todas as pessoas falantes do português que, em algum momento, empregam sem dúvida a linguagem coloquial. 39 G R A M ÁT IC A Morfossintaxe I Tarefa proposta 13-24 das 19 h de ontem, ao trafegar por pelo menos 3,5 quilôme- tros na contramão da pista sentido interior-capital da rodovia Adalberto Panzan, estrada que faz a ligação entre as rodovias Anhanguera e Bandeirantes. O acidente ocorreu na altura do quilômetro 4,5, em Campinas, interior de São Paulo. Dirceu Domingues, de 44 anos, que dirigia um Gol, com pla- ca de Indaiatuba, morreu no local. Já Ademilson Barbieri, de 33 anos, que ocupava um Renault Clio, também de Indaiatu- ba, sofreu ferimentos graves. O caminhoneiro fez o teste do bafômetro e o resultado deu 1,3 mg de álcool por litro de ar expelido. Pela lei, a partir de 0,11 mg, o condutor já é considerado alcoolizado. Correia, que mal conseguia falar, disse que não teve culpa pelo ocorri- do e que não estava na contramão. No 4o Distrito Policial de Campinas, o motorista do caminhão foi autuado por dirigir embriagado e indiciado por homicídio e lesão corporal culpo- sos. Só será liberado para responder pelo crime em liberdade caso pague uma fi ança, que varia de R$ 300 a R$ 1.200. Disponível em: http://noticias.uol.com.br (acesso em 01 dez. 2016) Texto II 14 (UFPI, adaptada) De acordo com a notícia e a charge, assinale a opção incorreta. a) Na notícia, fi ca claro que o autor acha exagerada a punição do motorista com privação de liberdade. b) Na notícia, são dados detalhes técnicos a respeito do que representam as quantidades de álcool citadas para o orga- nismo humano, ou seja, explicam-se as consequências da presença dessa substância nas ações humanas do dia a dia. c) Na charge, a inscrição presente na camisa do taxista indica um misto de recursos linguísticos e icônicos para expressar o sentimento do profi ssional em relação à lei seca. d) Dentro da charge, aparece um gênero textual comercial, um anúncio, que orienta o leitor a respeitar a lei seca, negando- -se ao consumo de álcool. e) Na charge, sugere-se que a categoria dos taxistas seria prejudicada com a aplicação da lei de tolerância zero à combinação de bebida alcoólica e condução de automóveis. 15 Julgue (V ou F) cada uma das afi rmações, sobre a notícia e a charge. I. A notícia e a charge apresentam uma visão semelhante — de desaprovação — em relação à mistura de bebida alcoó- lica e direção. II. Pode-se compreender, pela charge, que a classe dos taxistas se sente benefi ciada pela lei seca, tanto que, além de mos- trar tal satisfação por meio de sua camiseta, o profi ssional da charge ainda tenta atrair clientes com a oferta de cerve- ja gelada. III. A mistura de idiomas, na camiseta do taxista, impossibili- ta a compreensão da mensagem; logo, percebe-se que os estrangeirismos devem ser evitados, em respeito à língua portuguesa. IV. A palavra “táxi”, que aparece sem acento gráfi co na charge, deveria ser acentuada, já que se trata de uma paroxítona terminada em “i”, como “júri”. 16 (U. F. Juiz de Fora-MG, adaptada) Leia, com atenção, o seguinte poema. Quadrilha João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém. João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento, Raimundo morreu de desastre, Maria fi cou para tia, Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes que não tinha entrado na história. ANDRADE, Carlos Drummond de. Alguma poesia. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1992. Com base na leitura do poema, discuta a concepção de amor nesse texto de Drummond. ANOTAÇÕES 40 Morfossintaxe I TAREFA PROPOSTA 1 (UFAL) A Folha de S.Paulo de 9 de novembro de 2003, Mundo A24, traz o seguinte comentário: Poucos, brasileiros fazem trabalho importante Existem pouco mais de 200 brasileiros em Timor Leste, in- cluindo os soldados da força de paz e uns poucos policiais militares. Mas, apesar de poucos, os brasileiros, tanto civis quanto militares, exercem funções vitais no novo país. Observe a seguinte forma alterada da manchete: “Poucos bra- sileiros fazem trabalho importante”. Explique, com suas pala- vras, se houve ou não alteração de signifi cado e por quê. Leia o texto para responder às questões 2 e 3. A eternidade ao alcance de todos Carta de Micael dos Reis a um primo de São José do Monte, o mecânico Manuel Bastos: Manequinho, não precisa mandar mais carta para a ofi - cina de lanternagem de Zuzu Tavares, uma vez que mu- dei de of ício e abracei a carreira de escultor moderno. Sei como o pessoalzinho de São José do Monte vai rir ao saber que o fi lho de Santinho Reis está fazendo nome a poder de ferro-velho e coisa destorcida. Peguei inclinação pelo ramo no dia em que vi nos jornais um para-lama de suca- ta que pegou o primeiro prêmio numa demonstração de esculturagem no estrangeiro e mais depois em São Pau- lo. Aí, primo, meti os peitos. Nem retirei o macacão de lanterneiro. E de macacão, todo lambuzado de óleo e sujo de graxa, pulei para o negócio de lata velha. Peguei de um jeito uma porta de automóvel, meti o maçarico nela, furei e bordei. Em seguimento, lasquei por cima uma pá de ventilador e arrematei a obra com uma antena de te- levisão. Parti para a IV Exposição da Primavera com esse trabalho que chamei de Ventos outonais nas rosas do meu coração. Não tirei o primeiro prêmio porque um cretino teve a ideia genial de aparecer com um fogão econômico de 1917 soltando fumaça por todos os buracos. Começo e fi m da criação, como era o nome do dito fogão econô- mico, venceu de ponta a ponta. Uma dona fi cou tão esfo- gueteada que comeu três quilos de fumaça e foi esvaziar o estoque no hospital. Em todo o caso, meu Vento outonal tirou o segundoposto e uma braçada de palmas nos jor- nais. Agora, na próxima vez, vou aparecer de macacão, barba escorrida no peito e de boné listrado na cabeça, de modo a fi car nas evidências do mundo. Vou entupigaitar a praça com o Jarro do barão, um penico que muni de uma trombeta de gramofone e um vidro de magnésia leitosa. Primo, em matéria de invencismo eu sou fogo selvagem. E para despedir, recomendações aos tios, principalmente um grande abraço na prima Noca. E não deixe de ver se compra em São José do Monte e redondezas uma caixa de descarga antiga, daquelas de puxar por uma correntinha, porque pretendo concorrer a uma exposição na Bahia que vai render uma nota bonita. Uma caixa desse tipo não é só folclorítica como fotografática. Calha muito bem em recantos de sala de visita por baixo daqueles quadros de família em feitio oval. José Cândido de Carvalho. Ícaro. 2 (UECE, adaptada) O propósito do texto é: a) fazer uma crítica positiva a um tipo de arte que se desen- volvia no início do século XX. b) discorrer sobre a ânsia de eternidade do ser humano. c) transmitir a alguém notícias de um parente que está distante. d) criticar ironicamente a linguagem do homem simples. e) transmitir, nas entrelinhas do texto, informações históricas acerta da Revolução de 1917. 3 (UECE) Atente para a seguinte passagem do texto: “Peguei incli- nação pelo ramo no dia em que vi nos jornais um para-lama de sucata que pegou o primeiro prêmio numa demonstração de esculturagem no estrangeiro e mais depois em São Paulo. Aí, primo, meti os peitos. Nem retirei o macacão de lanterneiro. E de macacão, todo lambuzado de óleo e sujo de graxa, pulei para o negócio de lata velha”. Dela pode-se inferir que Micael dos Reis: a) dedicou-se à arte por um impulso de ordem estética. b) deixou a profi ssão de mecânico por um imperativo fi nan- ceiro. c) agiu num rompante, guiado pelo senso de oportunidade. d) trocou de profi ssão porque não gostava do que fazia. 4 (Fuvest-SP) Capitulação Delivery Até pra telepizza É um exagero. Há quem negue? Um povo com vergonha Da própria língua Já está entregue. Luis Fernando Verissimo a) O título dado pelo autor está adequado, tendo em vista o conteúdo do poema? Justifique sua resposta. b) O exagero que o autor vê no emprego da palavra delivery se aplicaria também a “telepizza”? Justifi que sua resposta. As respostas encontram-se no portal, em Resoluções e Gabaritos. 41 G R A M ÁT IC A Morfossintaxe I 5 (UFES) A Gazeta, 26 jul. 2002. O pedido que obrigatoriamente levaria Tarzonça a atender à expectativa de Leo está na alternativa: a) Quero um shampoo para cabelos fracos. b) Quero um shampoo de queda de cabelos. c) Quero um shampoo para queda de fi os de cabelos. d) Quero um shampoo contra queda de cabelos. e) Quero um shampoo para nascer cabelos. Leia os textos para responder às questões de 6 a 8. Texto I O medo Em verdade temos medo. Nascemos escuro. As existências são poucas: Carteiro, ditador, soldado. Nosso destino, incompleto. E fomos educados para o medo. Cheiramos fl ores de medo. Vestimos panos de medo. De medo, vermelhos rios vadeamos. Somos apenas uns homens e a natureza traiu-nos. Há as árvores, as fábricas, doenças galopantes, fomes. ANDRADE, Carlos Drummond de. A rosa do povo. 25. ed. São Paulo: Record, 2002. Texto II Congresso internacional do medo Provisoriamente não cantaremos o amor, que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos. Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços, não cantaremos o ódio porque esse não existe, existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro, o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos, o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das [igrejas, cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos [democratas, cantaremos o medo da morte e o medo de depois da [morte, depois morreremos de medo e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e [medrosas. ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1979. 6 (UFPB, adaptada) Períodos de guerras e de governos ditatoriais alimentaram o medo e abalaram os sonhos da humanidade. Drummond, sensível aos problemas do seu tempo, revelou profundo sentimento de solidariedade ao ser humano, em seus momentos de frustrações e esperanças. Há, nos textos transcritos, imagens que podem ser lidas como referências a esse contexto de medo e de frustrações. Identifi que, no texto II, duas imagens que mostrem os efeitos danosos do medo. 7 (UFPB) Explique, justifi cando com passagens dos textos, a crítica que o eu lírico faz ao medo. 8 Releia: “e sobre nossos túmulos nascerão fl ores amarelas e me- drosas”. Explique em que medida a imagem, empregada no poema, é efi ciente na função de transmitir, de maneira concen- trada, a ideia do que representa o medo para o eu lírico. Aponte, ainda, os elementos que contribuem para a construção dessa ideia. 9 +Enem [[H4] Leia com atenção este fragmento de entrevista do linguista Marcos Bagno à revista Discutindo Língua Portuguesa, para responder à questão. DLP: Pode-se afi rmar que a língua portuguesa é um instru- mento de exclusão social? MB: Não. A língua portuguesa assim, com artigo defi nido e no singular, não exclui ninguém. Talvez só os brasileiros fa- lantes de línguas indígenas e de outras que não têm o portu- guês como língua materna. Ela [a língua portuguesa] é o ele- mento mais importante da identidade nacional da imensa maioria dos brasileiros. A exclusão social é provocada pela identifi cação dessa “língua portuguesa” com um modelo muito restrito de língua, uma idealização e ideologização da escrita literária de um punhado de escritos selecionados a dedo por meia dúzia de gramáticos. Quando o aluno che- ga na escola (“na escola”, porque na gramática do português brasileiro as pessoas chegam “em” algum lugar), se vê con- frontado com uma coisa chamada “português” que não cor- responde em nada a sua intuição linguística, nem mesmo ele sendo oriundo das classes médias urbanas. Ali ele vai descobrir que é preciso dizer “chegar à escola”, ou que vendem-se casas (como se as casas pudessem vender a si 42 Morfossintaxe I mesmas!) e outras regras que compõem um modelo anti- quado de português correto, que não corresponde sequer à pratica dos nossos melhores escritores dos últimos cem anos ou mais. O que exclui é querer convencer alguém que é errado dizer “eu custo a crer”, quando isso aparece em textos de José de Alencar (que morreu em 1877!) ou que é preciso “imitar os clássicos”, mas que, ao mesmo tem- po, é errado usar, como Machado de Assis usou, o advér- bio “meia” no feminino (“Filomena era meia sem-graça”), como se faz na língua há mais de mil anos! Discutindo Língua Portuguesa, ano 1, n. 1, p. 28. Marcos Bagno faz algumas críticas quanto ao fato de haver um modelo de língua portuguesa a ser usado pelos falantes. Infere-se de sua entrevista: a) O modelo de língua portuguesa que promova a inclusão social deve ser tarefa de meia dúzia de gramáticos. b) Não é a língua portuguesa que exclui socialmente, mas o modelo de língua imposto por uma minoria. c) É incorreto usar o advérbio “meia”, ainda que Machado de Assis o tenha usado. d) O português que o aluno aprende na escola condiz com seus conhecimentos linguísticos intuitivos. e) A idealização e a ideologização da língua portuguesa mini- miza a exclusão social. 10 (Fuvest-SP, adaptada) “O Brasil já está à beira do abismo. Mas ainda vai ser preciso um grande esforço de todo mundo pra co- locarmos ele novamente lá em cima.” (Millôr Fernandes) Em seu sentido usual, a expressão destacada signifi ca “às vés- peras de uma catástrofe”. Tal signifi cado se confi rma no texto? Justifi que sua resposta. 11 (PUC-MG, adaptada) Gare do infi nito Papai estava doente na cama e vinha um carro e um homem e o carro fi cava esperando no jardim. Levaram-me para uma casa velha que fazia doces e nos muda- mos para a sala do quintal onde tinha uma fi gueira na janela. No desabafar do jantar noturno a voztoda preta de mamãe ia me buscar para a reza do anjo que carregou meu pai. Oswald de Andrade. Memórias sentimentais de João Miramar. Todas as alternativas seguintes contêm afi rmações relaciona- das a esse texto, exceto: a) A linguagem inusitada provoca impacto no leitor e singula- riza a percepção de mundo. b) O texto apresenta uma sintaxe, um vocabulário e uma visão de morte próprios de uma criança. c) O texto, relatando a morte do pai, pode ser sintetizado no título “Gare do infi nito”. d) A escrita oswaldiana é densa e bem elaborada: carrega um máximo de imagens num mínimo espaço verbal. e) A ausência de pontuação empresta lentidão e afastamento das imagens enumeradas. 12 (UFPE) Leia o texto e, em seguida, julgue (V ou F) as afi rmações. É um mito a pretensa possibilidade de comunicação igua- litária em todos os níveis. Isso é uma idealização. Todas as línguas apresentam variantes: o inglês, o alemão, o francês, etc. Também as línguas antigas tinham varia- ções. O português e outras línguas românicas provêm de uma variedade do latim, o chamado latim vulgar, muito diferente do latim culto. Além disso, as línguas mudam. O português moderno é muito distinto do português clássico. Se fôssemos aceitar a ideia de estaticidade das línguas, deveríamos dizer que o português inteiro é um erro e, portanto, deveríamos voltar a falar latim. Ade- mais, se o português provém do latim vulgar, poder-se-ia afirmar que ele está todo errado. A variação é inerente às línguas, porque as sociedades são divididas em grupos: há os mais jovens e os mais velhos, os que habitam numa região ou noutra, os que têm esta ou aquela profi ssão, os que são de uma ou outra classe social e assim por diante. O uso de determinada variedade linguís- tica serve para marcar a inclusão num desses grupos, dá uma identidade para seus membros. Aprendemos a distin- guir a variação. Quando alguém começa a falar, sabemos se é do interior de São Paulo, gaúcho, carioca ou português. Sabemos que certas expressões pertencem à fala dos mais jovens, que determinadas formas se usam em situação in- formal, mas não em ocasiões formais. Saber uma língua é conhecer variedades. Um bom falante é “poliglota” em sua própria língua. Saber português não é aprender regras que só existem numa língua artificial usada pela escola. As variantes não são feias ou bonitas, erradas ou certas, deselegantes ou elegantes; são simplesmente diferentes. Como as línguas são variáveis, elas mudam. “Nosso ho- mem simples do campo” tem dificuldade de comunicar- -se nos diferentes níveis do português não por causa da variação e da mudança linguística, mas porque lhe foi barrado o acesso à escola ou porque, neste país, se ofere- ce um ensino de baixa qualidade às classes trabalhadoras e porque não se lhes oferece a oportunidade de participar da vida cultural das camadas dominantes da população. FIORIN, José Luiz. In: Atas do I Congresso Nacional da Abralin. Excertos. Pela compreensão global do texto, podemos afi rmar que o autor: I. critica, no português moderno, o fato de ele ter-se modi- fi cado ao longo do tempo, distanciando-se de sua forma clássica. II. considera que o bom falante do português é aquele que, tendo frequentado a escola, domina as regras da gramática normativa. III. estabelece uma relação entre um fato linguístico — a exis- tência de variantes linguísticas — e um fato social — a di- 43 G R A M ÁT IC A Morfossintaxe I visão das sociedades em grupos. IV. considera a variação linguística como um fenômeno típico das línguas românicas, o que as diferencia das outras línguas. V. percebe o uso de determinada variante linguística como um dos meios através dos quais o indivíduo se identifi ca como membro de um grupo. 13 (UFCE, adaptada) Texto I Em cima do carro se junta a família chega o triste dia já vão viajar a seca é terrível que tudo devora lhe bota pra fora do torrão natá ASSARÉ, Patativa do. A triste partida. In: Cordéis e outros poemas. Fortaleza: Edições UFC, 2006. Texto II Terminado o curso no Colégio Cearense, no mesmo ano que meu irmão Batista, lá se foram os dois no rumo do sul, a iniciar a luta pela conquista do título de engenheiro, lá se mandaram no mesmo avião, tomando o destino de Ouro Preto. […] Lembra que uma vez me hospedei em Juiz de Fora — lá onde [Waldir] morou algum tempo, entre os anos de Ouro Preto e os de Curitiba […]. Durante os dias em que fi quei, pude ver como Waldir rapi- damente fi zera tantas vinculações de amizade […]. Escutei dele mesmo um esplêndido relatório verbal da sua movi- mentada vida universitária […]. DIAS, Milton. O menino Valdir. In: Entre a boca da noite e a madrugada. Fortaleza: Edições UFC, 2007. Sobre os dois textos, analise as afi rmações e dê a soma dos números dos itens corretos. (01) Ambos apresentam a temática da migração sob ópticas distintas. (02) O texto I apresenta a migração como decorrente de intem- péries climáticas. (04) Ambos destacam o sentimento do homem nordestino em relação ao Nordeste. (08) Defendem, ambos, o desejo do homem nordestino de aventurar-se por terras alheias. (16) O texto I equipara o campo e a cidade em condições de vida. 14 (U. F. Juiz de Fora-MG) Leia, com atenção, os dois textos a se- guir. O texto I é a quarta estrofe da Lira 34, de Tomás Antônio Gonzaga. O texto II é a Ode 357, de Ricardo Reis. Texto I Ornemos nossas testas com as fl ores, e façamos de feno um brando leito; prendamo-nos, Marília, em laço estreito, gozemos do prazer de sãos amores. Sobre as nossas cabeças, sem que o possam deter, o tempo corre; e para nós o tempo que se passa também, Marília, morre. GONZAGA, Tomás Antônio. Poesias e cartas chilenas. Rio de Janeiro: Instituto Nacional do Livro, 1957. Texto II Quão breve tempo é a mais longa vida E a juventude nela! Ah!, Cloe, Cloe, Se não amo, nem bebo Nem sem querer não penso, Pesa-me a lei inimplorável, dói-me A hora invita, o tempo que não cessa, E aos ouvidos me sobe Dos juncos o ruído Na oculta margem onde os lírios frios Da ínfera leiva crescem, e a corrente Não sabe onde é o dia, Sussurro gemebundo. PESSOA, Fernando. Obra poética. 14. ed. Rio de Janeiro: Aguilar, 1995. Uma leitura comparativa entre os dois textos permite afi rmar que, em ambos: a) há uma recusa em se tratar da inevitabilidade da morte. b) está retratada a instabilidade da natureza. c) há um compromisso exclusivo com os aspectos positivos da vida. d) está explícita a passagem inexorável do tempo. e) há exemplos de maneiras ociosas para se passar o tempo com a amada. 15 (Umesp) Considere o excerto que segue para responder à questão. Sextilhas românticas Paisagens da minha terra, Onde o rouxinol não canta — Mas que importa o rou- xinol? Frio, nevoeiros da serra Quando a manhã se levanta Toda banhada de sol! Sou romântico? Concedo. Exibo, sem evasiva, A alma ruim que Deus me deu. Decorei “Amor e medo”, “No lar”, “Meus oito anos”… Viva José Casimiro Abreu! Manuel Bandeira Além de haver no poema referência clara a escritor e obras do Romantismo brasileiro, pode-se ainda verifi car que há uma intertextualidade com o poema: a) “Canção do exílio”, de Gonçalves Dias. b) “Paisagens da minha terra”, de Casimiro de Abreu. c) “O canto do rouxinol”, de Álvares de Azevedo. d) “O navio negreiro”, de Castro Alves. e) “A minha pátria”, de Junqueira Freire. 16 (UFPE) “No Brasil as palavras envelhecem e caem como folhas secas.” Com essa afi rmação, o autor corrobora uma das carac- 44 Morfossintaxe I terísticas presentes em todas as línguas, que é: a) a difi culdade de sua nomenclatura. b) a instabilidade de sua ortografi a. c) a efemeridade de seu vocabulário. d) a longevidade de sua estrutura. e) a precariedade de suas regras. Do texto, pode-se depreender que: a) a mãe de Mafalda faz uma queixa formal aos comerciantes, intermediários e autoridades, a respeito do alto custo de vida. b) de acordo com Mafalda, a interlocução entre os comercian- tes, intermediários, autoridades e a suamãe não se realiza. c) há uma possibilidade de que sua mãe concretize a sua intenção de comunicação, ao reclamar dos preços. d) o enunciado “Você que pensa, mãe”, no último quadrinho, revela que Mafalda concorda com a mãe. e) para Mafalda, só a mãe pensa que adianta reclamar do custo de vida. 19 (UFPI) Considere o texto a seguir, extraído de um blog, e em seguida assinale a alternativa correta. Aliás e a propósito Uma dúvida. Vocês, meus queridos e sagazes leitores, acham, digamos, “perigoso” colocar fotos de Mathilde no blog, acessíveis a quem quer que seja? Ainda que eu não coloque o nome real dela ou meu, levando em conta a quantidade de ma- lucos que habitam a internet, vocês acham uma exposi- ção desnecessária e até quase irresponsável? Porque, por exemplo, no Orkut, aquele criadouro de loucos, não tem foto e nem menção a ela no meu perfi l — que eu acesso uma vez por mês, mais ou menos, nem sei bem pra quê. Então não sei. É uma questão que me ocorre de vez em quando, e resolvi perguntar a opinião de vocês que me leem. 17 (Fuvest-SP) Compare o provérbio “Por fora bela viola, por dentro pão bolorento” com a seguinte mensagem publicitária de um empreendimento imobiliário: Por fora as mais belas árvores. Por dentro a mwelhor planta. a) Os recursos sonoros empregados no provérbio mantêm-se na mensagem publicitária? Justifi que sua resposta. b) Aponte o jogo de palavras que ocorre no texto publicitário, mas não no provérbio. Fonte: http://terapiazero.blogspot.com (acesso em 01 dez. 2016) A dúvida da autora refl ete: a) falta de domínio das ferramentas virtuais, pois ela não sabe como fazer para colocar fotos no blog. b) desconhecimento da língua portuguesa, pois ela não sabe como usar “aliás” e “a propósito”. c) insegurança em relação à internet, pelo risco que a exibição de fotos poderia representar. d) desinteresse pelo mundo virtual, pois pouco utiliza a internet. e) interesse pela opinião dos leitores de seu blog, demonstrando preocupação com eles. 20 (Fuvest-SP, adaptada) Observe este anúncio, com foto que retrata um depósito de lixo. SE BA ST IÃ O S AL GA D O 18 (U. Uberaba-MG) Leia atentamente a tirinha e, em seguida, responda à questão. JO AQ U ÍN S AL VA D O R LA VA D O (Q U IN O ). TO D A M AF AL D A. M AR TI N S FO N TE S, 1 99 1. QUINO. O mundo da Mafalda. São Paulo: Martins Fontes, 1999. 45 G R A M ÁT IC A Morfossintaxe I Considere a seguinte afi rmação: Da associação entre a frase “Filho, um dia isso tudo será seu.” e a imagem fotográfi ca de- corre um sentido irônico. A afi rmação aplica-se ao anúncio? Justifi que resumidamente sua resposta. 21 (UFRN, adaptada) A charge que segue revela um ponto de vista a respeito do desarmamento. Como se constrói o humor, na charge? Justifi que sua resposta fundamentando-a na interpretação coerente dos elementos verbais e não verbais que compõem a charge em análise. 22 +Enem [H21] Além dos objetos utilitários, o ser humano sempre pro- duziu e se cercou de artefatos sem utilidade evidente ou imediata. Ao vê-los, é inevitável que nos perguntemos: por que e para que teriam sido feitos? A busca por respostas nos leva a uma constatação: o ser humano, seja de que épo- ca for, cria objetos não apenas para se servir deles, mas também para se expressar. PROENÇA, Graça. História da arte. São Paulo: Ática, 2009. Qual dos objetos a seguir apresenta simultaneamente uma função utilitária e expressiva? a) Guindaste moderno AL EX KZ /S H U TT ER ST O CK b) Estátua grega BR IA N M AU D SL EY /S H U TT ER ST O CK c) Máscara funerária D EB O RA H M CC AG U E/ SH U TT ER ST O CK d) Paleta de pintura RT IM AG ES /S H U TT ER ST O CK e) Quadro com autorretrato VI N CE N T VA N G O GH . S EL F PO RT RA IT , 1 88 7. 46 Morfossintaxe I 23 (UFES) Texto I LA LO D E AL M EI D A/ SA M BA PH O TO A criança deve benefi ciar-se de proteção especial e dispor de oportunidades e serviços assegurados por lei ou por ou- tros meios, a fi m de poder desenvolver-se f ísica, mental, moral, espiritual e socialmente de modo sadio e normal, em condição de liberdade e dignidade. Na adoção de leis com esse objetivo, a consideração fundamental deve ser o inte- resse superior da criança. Artigo 2o da Declaração dos Direitos da Criança aprovada pela Assembleia Geral da ONU, 20 nov. 1959. Texto II VL AD IM IR M EL N IK /S H U TT ER ST O CK Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equili- brado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia quali- dade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e fu- turas gerações. Artigo 225 da Constituição da República Federativa do Brasil, 5 out. 1988. Nas palavras e nas imagens apresentadas, entre o que é prescrito e o que se observa na prática, há uma relação de: a) contradição. b) condição. c) explicação. d) concessão. e) conclusão. 24 (UFRN) Os cartuns denunciam, com humor, problemas sociais e políticos, constituindo, assim, um poderoso instrumento de refl exão e formação de consciência crítica. Explicite qual o pro- blema social denunciado no cartum abaixo, justifi cando sua resposta com base em elementos apresentados, principalmente, no último quadrinho. Adaptado de BARBOSA, Gilmar. Cartuns & Humor − Ossos do ofício. São Paulo: Escala, 2002. p. 66. GI LM AR . Escute Ouça a música “Casa no campo”, gravada por Elis Regina, e repare como letra, música e voz se unem num conjunto harmônico. Depois, escute mais uma vez, dando especial atenção à letra, notando como os versos são delicados e, ao mesmo tempo, marcantes. VÁ EM FRENTE 47 G R A M ÁT IC A Morfossintaxe I REVISÃO OBRIGATÓRIA | 1 Substantivo / Artigo / Adjetivo Observe os quadrinhos para responder ao que se pede. a) Explique o que Hagar pretendia dizer com “segurar as pontas”. b) A confusão na compreensão de Eddie se concentra no sentido de um dos substantivos da tirinha. Qual é esse substantivo? c) Como, então, Eddie compreende a fala de Hagar? d) Reescreva a fala de Hagar no primeiro quadrinho, de maneira a evitar o erro de interpretação do amigo. 20 15 K IN G FE AT U RE S SY N D IC AT E/ IP RE SS Hagar pretendia dizer a Eddie que aguentasse fi rme por algum tempo, mesmo em meio ao ataque inimigo. O substantivo é “pontas”. Eddie compreende que deve segurar as fl echas atiradas pelos inimigos. Você permanece na ponte, defendendo-se das fl echas, enquanto eu vou na frente e preparo o barco. Há outras possibilidades. H18 – Identifi car os elementos que concorrem para a progressão temática e para a organização e estruturação de textos de diferentes gêneros e tipos. 48 Morfossintaxe I REVISÃO OBRIGATÓRIA | 2 Interpretação de Texto I Observe. a) No cartum de Quino, há exclusivamente linguagem não verbal. Por meio dela, é pos- sível compreender a postura do pai em relação ao filho e, ainda, como se sente o filho diante do pai. Descreva esses sentimentos, com base na observação da linguagem não verbal. b) Qual é a crítica feita por Quino por meio do cartum? Como ele faz isso? Q U IN O , P O TE N TE S, P RE PO TE N TE S E IM PO TE N TE S. E T AL . L IS BO A: P U BL IC AÇ Õ ES D O M Q U IX O TE , 1 99 0. P G2 9 O pai está insatisfeito com o filho, pois ele parece ter feito algo que lhe desagradou, e o repreende ener- gicamente. O filho mostra-se triste e envergonhado pelo que fez. Quino critica a postura daqueles que rejeitam tudo o que é diferente, alheio ao seu universo. Ele faz isso por meio das imagens: na casa do casal, onde tudo é quadrado, uma manifestação de pensamento diferente (o desenho do filho é inovador, espiralado, arredondado) não foi bem aceita. H21 – Reconhecer, em textos de diferentes gêneros, recursos ver- bais e não verbais empregados com a finalidade de criar e mudar comportamentos e hábitos. Diretor de negócios editoriais: MaurícioPereira Fanganiello Diretor editorial: Fernando Almeida Diretora pedagógica: Francisca Paris Coordenador de produção: Manoel Medeiros Lima Elaboração de originais: Linguagens, códigos e suas tecnologias: Alexandre Azevedo, Fábia Alvim Leite, Roseli Aparecida de Sousa, Sheila Pelegri de Sá, Walfrido Vianna Vital da Silva Equipe de produção editorial e gráfica: Alan Carlos Barbosa, Ana Lúcia Alves Vidal, Beatriz Elena Meirelles Nogueira, Camila Tákyla Felix Batista, Daniel Alves Da Silva, Daniel de Paula Elias, Denise Cristina Morgado, Francis Yoshida de Mattos, José Ângelo Góes Mattei Júnior, José Segura Garcia Junior, Juliana Aparecida Puga, Leiliane Coimbra de Oliveira, Luciano Costa de Oliveira, Luiz Rafael Gomes, Marcelo de Almeida, Marcos Diego Dos Santos, Maria Cecília Rodrigues de Oliveira, Maria Clarisse Bombonato Prado, Mateus Galhardo Grizante, Miriam Margarida Grisolia, Mouses Sagiorato Prado, Patrícia Mariani Gallo Pantoni, Paulo Sérgio Fritoli, Priscila Martesi Galan, Rafael Zattoni, Regilaine Ferreira Dos Santos, Renato Kikugava Calura, Rodrigo Donizete Borges, Sandra Hostina Bordini, Sonia Giselda de Araújo Sato, Vanessa Paula Togniolo, Viviane Saraiva de Lima, Yara Ferreira Neves Produção editorial complementar: Denise Favaretto e Diagrama – Soluções Editoriais Projeto gráfico de miolo: Daniela Amaral, Talita Guedes Colaboraram para esta Edição do Material: Projeto Sistema SESI de Ensino Gestão do Projeto: Thiago Brentano Coordenação do Projeto: Cristiane Queiroz Coordenação Editorial: Simone Savarego, Rosiane Botelho e Valdete Reis Revisão: Juliana Souza Diagramação: lab 212 Capa: lab 212 Ilustrações de capa: Macrovector/ Sentavio/ Golden Sikorka/ Shutterstock Consultores: Coordenação: Dr. João Filocre Língua Portuguesa: Dra. 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Gramática : Português : Ensino médio 469.507 2016 ISBN 978 85 08 18282 4 (AL) ISBN 978 85 08 18284 8 (PR) 3ª edição 1ª impressão Impressão e acabamento Uma publicação PROFESSOR Capa_Humanas_cad9_gramatica.indd 1 06/12/16 18:14 Capa_Humanas_cad9_gramatica_portal Miolo-SESI_CAD9_GRAM_PR-Portal-v2