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Página do Gênesis de Viena, um
manuscrito da Septuaginta grega do
século VI
Desenvolvimento do cânone do Antigo
Testamento
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
O Antigo Testamento é a primeira das duas seções nas quais está
dividida Bíblia cristã; a segunda é o Novo Testamento. O Antigo
Testamento inclui os livros da Bíblia hebraica (Tanaque), chamados
de livros protocanônicos, e, em várias denominações cristãs, os
livros chamados "deuterocanônicos". Católicos, protestantes e
ortodoxos utilizam diferentes cânones ("conjunto de livros"), que
diferem entre si em quais textos devem ser incluídos no Antigo
Testamento.
Martinho Lutero, baseando-se no precedente judaico e em outros,[1]
excluiu os livros deuterocanônicos do Antigo Testamento de sua
tradução da Bíblia, movendo-os para uma seção que ele chamou de
"Apócrifos" ("escondidos"). Para conter a heresia de Lutero, os
católicos, na quarta sessão do Concílio de Trento (1546),
confirmaram que os livros deuterocanônicos tinham a mesma
autoridade que os protocanônicos no chamado "Cânone de
Trento",[2] publicado no ano da morte de Lutero.[3] Seguindo o
princípio "veritas hebraica" ("verdade da hebraica") de Jerônimo, o
Antigo Testamento protestante consiste nos mesmos livros da Bíblia
hebraica, mas com a divisão dos livros e a ordem deles alterada (são
39 na Bíblia protestante e 24 na hebraica[nota 1]).
As diferenças entre a Bíblia hebraica e as outras versões do Antigo Testamento, como o Pentateuco
Samaritano, a Peshitta síria, a Vulgata latina, a Septuaginta grega, a Bíblia Etíope e outros cânones são mais
substanciais. Muitos destes cânones incluem livros e seções de livros que outros descartam.
Cânone da Bíblia Hebraica
Os livros protocanônicos e deuterocanônicos
Septuaginta
Lista de Briênio
Marcião
Eusébio sobre Melito e Orígenes
Constantino
Jerônimo e a Vulgata
Agostinho e os sínodos africanos
Índice
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:ViennaGenesisPict45BlessingEphraimManasseh.jpg
https://pt.wikipedia.org/wiki/G%C3%AAnesis_de_Viena
https://pt.wikipedia.org/wiki/Septuaginta
https://pt.wikipedia.org/wiki/Antigo_Testamento
https://pt.wikipedia.org/wiki/B%C3%ADblia_crist%C3%A3
https://pt.wikipedia.org/wiki/Novo_Testamento
https://pt.wikipedia.org/wiki/B%C3%ADblia_hebraica
https://pt.wikipedia.org/wiki/Tanaque
https://pt.wikipedia.org/wiki/Livros_protocan%C3%B4nicos
https://pt.wikipedia.org/wiki/Denomina%C3%A7%C3%B5es_crist%C3%A3s
https://pt.wikipedia.org/wiki/Deuterocan%C3%B4nicos
https://pt.wikipedia.org/wiki/Igreja_Cat%C3%B3lica
https://pt.wikipedia.org/wiki/Protestantes
https://pt.wikipedia.org/wiki/Igreja_Ortodoxa
https://pt.wikipedia.org/wiki/Martinho_Lutero
https://pt.wikipedia.org/wiki/B%C3%ADblia_de_Lutero
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ap%C3%B3crifos_da_B%C3%ADblia
https://pt.wikipedia.org/wiki/Conc%C3%ADlio_de_Trento
https://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%A2none_de_Trento
https://pt.wikipedia.org/wiki/Veritas_hebraica
https://pt.wikipedia.org/wiki/Jer%C3%B4nimo
https://pt.wikipedia.org/wiki/Pentateuco_Samaritano
https://pt.wikipedia.org/wiki/Peshitta
https://pt.wikipedia.org/wiki/Vulgata
https://pt.wikipedia.org/wiki/Septuaginta
https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=B%C3%ADblia_Et%C3%ADope&action=edit&redlink=1
Página do Gênesis no Codex
Aleppo, o mais antigo manuscrito
completo da Bíblia hebraica, do
século X
Sínodo de Laodiceia
Lista de Cheltenham/Mommsen
Outros autores antigos
Concílio Quinissexto e Cânones dos Apóstolos
Reforma
Martinho Lutero
Contrarreforma: Concílio de Trento
Igreja da Inglaterra
Cânone da Igreja Ortodoxa
Notas
Referências
Ligações externas
A Bíblia hebraica (ou Tanaque) consiste nos 24 livros do texto
massorético reconhecidos pelo judaísmo rabínico.[4] Não há
consenso acadêmico sobre quando o cânone da Bíblia Hebraica foi
estabelecido, mas alguns estudiosos argumentam que ele teria sido
fixado pela dinastia dos asmoneus (140-40 a.C.)[5] enquanto outros
defendem que ele não teria sido fixado até o século II ou mesmo
depois.[6] Segundo Marc Zvi Brettler, as escrituras judaicas, com
exceção da Torá e dos Profetas, era fluida, com diferentes grupos
aceitando a autoridade de diferentes livros.[7]
Michael Barber afirma que as primeira e mais explícitas evidências
de uma lista canônica hebraica vem da obra do historiador judeu
Flávio Josefo (37-100),[8] que escreveu sobre um cânone utilizado
pelos judeus no século I. Em "Contra Apião" (I, 8), Josefo, em 95,
dividiu as sagradas escrituras judaicas em três partes: 5 livros da
Torá, 13 livros dos Profetas (Nevi'im) e 4 livros de hinos[9]:
“
Pois não temos uma incontável quantidade de
livros entre nós, discordando entre eles e se
contradizendo, [como os gregos têm] mas
apenas vinte e um livros, que contém os
registros de todo o passado; que são
justamente acreditados como sendo divinos; e
deles, cinco pertencem a Moisés, que contém
suas leis e as tradições da origem da
humanidade até sua morte. Este intervalo de
tempo corresponde a pouco menos de três mil
anos; mas para o período da morte de Moisés
até o reinado de Artaxerxes, rei da Pérsia, que
reinou depois de Xerxes, os profetas, que
vieram depois de Moisés, escreveram o que
aconteceu em suas épocas em treze livros. Os
quatro livros restantes contém hinos a Deus e
”
Cânone da Bíblia Hebraica
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Aleppo_Codex_Genesis.jpg
https://pt.wikipedia.org/wiki/G%C3%AAnesis
https://pt.wikipedia.org/wiki/Codex_Aleppo
https://pt.wikipedia.org/wiki/B%C3%ADblia_hebraica
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https://pt.wikipedia.org/wiki/Tanaque
https://pt.wikipedia.org/wiki/Texto_massor%C3%A9tico
https://pt.wikipedia.org/wiki/Juda%C3%ADsmo_rab%C3%ADnico
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https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Marc_Zvi_Brettler&action=edit&redlink=1
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https://pt.wikipedia.org/wiki/Nevi%27im
https://pt.wikipedia.org/wiki/Fl%C3%A1vio_Josefo
https://pt.wikipedia.org/wiki/Contra_Api%C3%A3o
https://pt.wikipedia.org/wiki/Mois%C3%A9s
https://pt.wikipedia.org/wiki/Artaxerxes_I
https://pt.wikipedia.org/wiki/Imp%C3%A9rio_Aquem%C3%AAnida
https://pt.wikipedia.org/wiki/Xerxes_I
preceitos para a condução da vida humana. É
verdade que a nossa história foi escrita desde a
época de Artaxerxes com muitos pormenores,
mas ela não é considerada como tendo a
mesma autoridade que a antiga dos nossos
antepassados, pois não houve uma exata
sucessão de profetas desde aquela época; e o
quão firmemente damos crédito a estes livros
de nossa nação é evidente pelo que fazemos;
pois durante as muitas eras que ela foi sendo
passada, ninguém teve a coragem seja para
adicionar alguma coisa a ela ou para remover
alguma coisa dela ou para alterar qualquer
coisa; mas se tornou natural para todos os
judeus imediatamente após o seu nascimento
considerar que estes livros contém doutrinas
divinas e persistir neles e, se for o caso, morrer
por eles.
Josefo menciona Esdras e Neemias em "Antiguidades Judaicas" (XI, 5) e Ester (durante o reinado de
Artaxerxes) no capítulo VI.[10] Por um longo período depois do reinado de Artaxerxes, a inspiração divina
de Ester, Cântico dos Cânticos e Eclesiastes esteve em dúvida.[11] Segundo Gerald A. Larue,[12] a lista de
Josefo representa o que veio a se tornar o cânone judaico, embora estudiosos ainda estivessem tentando
resolver a autoridade de certos livros na época que ele escreveu. Barber afirma que os 22 livros de Josefo
não eram universalmente aceitos, uma vez que outras comunidades judaicas utilizavam mais do que 22
livros.[8]
Em 1871, Heinrich Graetz concluiu que houve um Concílio de Jâmnia (ou Yavne em hebraico) que decidiu
sobre o cânone judaico em algum momento no século I (c. 70-90). Esta opinião se transformou no consenso
majoritário entre os estudiosos por todo o século XX. Porém, a teoria do Concílio de Jâmnia está
praticamente desacreditada atualmente.[13][14][15][16]
Os cânones da Igreja Católica e da Igreja Ortodoxa incluem livros, chamados deuterocanônicos, cuja
autoridade foi discutida porAquiba durante o desenvolvimento do cânone da Bíblia hebraica no século I,
apesar de Aquiba não ter se oposto à leitura privada deles e ter se declarado ele próprio um frequente
usuário de Siraque.[17] Um dos primeiros registros dos livros deuterocanônicos aparece na antiga tradução
das escrituras judaicas para o coiné chamada Septuaginta. Esta tradução foi amplamente utilizada pelos
primeiros cristãos e é uma das mais citadas (300 das 350 citações, incluindo muitas palavras do próprio
Jesus) no Novo Testamento quando se faz referência ao Antigo Testamento. Outros registros, em versões
mais antigas dos textos em hebraico, aramaico e grego foram descobertas mais tarde entre os Manuscritos
do Mar Morto e no Genizá do Cairo.[18]
A explicação tradicional para o desenvolvimento do cânone do Antigo Testamento descreve dois grupos de
livros, os protocanônicos e os deuterocanônicos. Segundo ela, alguns Pais da Igreja aceitavam a inclusão dos
livros deuterocanônicos com base em sua inclusão na Septuaginta (notavelmente Hipona), enquanto outros
discutiam seu status com base em sua ausência na Bíblia hebraica (notavelmente Jerônimo). Michel Barber
defende que esta reconstrução, aceita por muito tempo, é grosseiramente incorreta e que "o caso contra os
apócrifos foi exagerado".[19] Agostinho queria simplesmente uma nova versão da Bíblia latina baseada num
texto grego já que a Septuaginta já era amplamente utilizada pelas igrejas e o processo de tradução não
podia confiar num único indivíduo (Jerônimo), que podia errar; ele, na realidade, defendia que a Bíblia
Os livros protocanônicos e deuterocanônicos
https://pt.wikipedia.org/wiki/Livro_de_Esdras
https://pt.wikipedia.org/wiki/Livro_de_Neemias
https://pt.wikipedia.org/wiki/Antiguidades_Judaicas
https://pt.wikipedia.org/wiki/Livro_de_Ester
https://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%A2ntico_dos_C%C3%A2nticos
https://pt.wikipedia.org/wiki/Eclesiastes
https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Gerald_A._Larue&action=edit&redlink=1
https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Heinrich_Graetz&action=edit&redlink=1
https://pt.wikipedia.org/wiki/Conc%C3%ADlio_de_J%C3%A2mnia
https://pt.wikipedia.org/wiki/Yavne
https://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADngua_hebraica
https://pt.wikipedia.org/wiki/Circa
https://pt.wikipedia.org/wiki/Igreja_Cat%C3%B3lica
https://pt.wikipedia.org/wiki/Igreja_Ortodoxa
https://pt.wikipedia.org/wiki/Aquiba
https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Desenvolvimento_do_c%C3%A2none_da_B%C3%ADblia_hebraica&action=edit&redlink=1
https://pt.wikipedia.org/wiki/Siraque
https://pt.wikipedia.org/wiki/Coin%C3%A9
https://pt.wikipedia.org/wiki/Septuaginta
https://pt.wikipedia.org/wiki/Primeiros_crist%C3%A3os
https://pt.wikipedia.org/wiki/Jesus
https://pt.wikipedia.org/wiki/Novo_Testamento
https://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADngua_aramaica
https://pt.wikipedia.org/wiki/Manuscritos_do_Mar_Morto
https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Geniz%C3%A1_do_Cairo&action=edit&redlink=1
https://pt.wikipedia.org/wiki/Pais_da_Igreja
https://pt.wikipedia.org/wiki/Agostinho_de_Hipona
https://pt.wikipedia.org/wiki/Jer%C3%B4nimo
Página do Codex Marchalianus, um
manuscrito da Septuaginta do
século VI
hebraica e a Septuaginta eram igualmente inspiradas, como ele afirmou em "Cidade de Deus" 18.44.[20]
Para a maior parte dos primeiros cristãos, a Bíblia hebraica era a "Sagrada Escritura", mas ela deveria ser
entendida e interpretada sob a luz das convicções cristãs.[21]
Apesar de os livros deuterocanônicos serem referenciados por alguns dos Pais da Igreja como parte das
escrituras, alguns, como Atanásio, defendiam que eles eram apenas para leitura e não deviam ser utilizados
para a determinação da doutrina.[22] Atanásio incluiu o Livro de Baruque e a Epístola de Jeremias em sua
lista do cânone do Antigo Testamento e exclui o Livro de Ester.[23] Segundo a Enciclopédia Católica, "o
status inferior a que alguns deuteros foram relegados por autoridades como Orígenes, Atanásio e Jerônimo,
se deu por conta de uma concepção rígida demais de canonicidade que demandava que um livro, para ser
considerado a esta suprema dignidade, precisava ser recebido por todos, precisa da sanção da antiguidade
judaica e precisa, além disto, se adaptar não apenas à edificação, mas também à 'confirmação da doutrina
da Igreja', para tomar emprestada a frase de Jerônimo".[1]
Seguindo Martinho Lutero, os protestantes consideram os livros deuterocanônicos como apócrifos e não
canônicos. Segundo J. N. D. Kelly, "deve-se observar que o Antigo Testamento admitido como autoritativo
na Igreja ... sempre incluiu, embora com variados graus de reconhecimento, os assim chamados livros
apócrifos ou deuterocanônicos".[24]
A Igreja primitiva utilizava textos gregos,[25] uma vez que o grego
era a língua franca do Império Romano na época e era a língua da
Igreja Greco-Romana. O aramaico era a língua do cristianismo sírio,
que utilizava os Targums.
A Septuaginta parece ter sido uma fonte importante para os
Apóstolos, mas não a única. Jerônimo ofereceu, por exemplo, os
versículos Mateus 2:15, 23, João 7:38, João 19:37 e I Coríntios
2:9[26] como exemplos não encontrados na Septuaginta e presentes
nos textos hebraicos (Mateus 2:23 também não está presente na
tradição massorética, embora, segundo Jerônimo, ele está em Isaías
11:1). Os autores do Novo Testamento, quando citam as escrituras
judaicas ou quando citam Jesus fazendo isso, utilizaram a tradução
grega, implicando que Jesus, seus Apóstolos e seus seguidores a
consideravam confiável.[27][28]
No cristianismo primitivo, a presunção de que a Septuaginta havia
sido traduzida por judeus antes da era cristã e de que a Septuaginta,
em certos pontos, se apresenta mais para uma interpretação
cristológica que os textos hebraicos do século II eram tidos como
evidências de que os "judeus" haviam alterado o texto hebraico de
forma a deixá-lo menos cristológico. Por exemplo, Ireneu, tratando do versículo Isaías 7:14, afirma que a
Septuaginta claramente escreve sobre uma "virgem" (παρθένος) que irá conceber enquanto que o texto
hebraico era na época interpretado por Teodócio e por Áquila (ambos proselitistas da fé judaica) como "uma
jovem" irá conceber. Segundo Ireneu, os ebionitas usaram este fato para alegar que Flávio Josefo era o pai
(biológico) de Jesus, o que, para ele, era pura heresia facilitada por alterações anticristãs nas escrituras em
hebraico evidenciadas pela mais antiga e pré-cristã Septuaginta.[29]
Quando Jerônimo assumiu a tarefa de revisar as traduções antigas da Septuaginta para o latim (Vetus
Latina), ele também conferiu a Septuaginta contra os textos hebraicos que tinha em mãos. Ele rompeu com
a tradição da igreja e traduziu a maior parte do Antigo Testamento de sua Vulgata do hebraico e não do
Septuaginta
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Codex_Marchalianus_Pg_71.JPG
https://pt.wikipedia.org/wiki/Codex_Marchalianus
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https://pt.wikipedia.org/wiki/Texto_massor%C3%A9tico
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https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%81quila_de_Sinope
https://pt.wikipedia.org/wiki/Proselitismo
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ebionitas
https://pt.wikipedia.org/wiki/Fl%C3%A1vio_Josefo
https://pt.wikipedia.org/wiki/Heresia
https://pt.wikipedia.org/wiki/Jer%C3%B4nimo
https://pt.wikipedia.org/wiki/Latim
https://pt.wikipedia.org/wiki/Vetus_Latina
https://pt.wikipedia.org/wiki/Vulgata
Igreja do Santo Sepulcro, em
Jerusalém, o local onde foi
descoberto o Codex
Hierosolymitanus em 1873
grego. Sua escolha foi duramente criticada por Agostinho, seu contemporâneo, e uma enxurrada de críticas
ainda menos moderadas veio dos que passaram a considerar Jerônimo como um falsário. Por um lado, ele
argumentava pela superioridade dos textos hebraicos para corrigir a Septuaginta, tanto em bases filológicas
quanto teológicas, e, por outro, no contexto das acusações de heresia contra si, Jerônimo reconheceria os
textos da Septuaginta também.[30]
A Igreja Ortodoxa ainda prefere utilizar a Septuaginta como base para traduzir o Antigo Testamento para
outras línguas. Onde se fala o grego, ela é utilizada sem tradução, como é o caso na Igreja Ortodoxa de
Constantinopla, na Igreja da Grécia e na Igreja Ortodoxa Cipriota. Traduções críticas do Antigo Testamento,
apesar de utilizarem o texto massorético como base, consultam a Septuaginta e outras versões numa
tentativa de reconstruir o significado do texto hebraico sempre que este último é pouco claro,
inquestionavelmente corrompido ou ambíguo.[31][32][33]
Provavelmente a mais antiga referência a um cânone cristão é a
chamada "Lista de Briênio", encontrada por Filoteu Briênio no
Codex Hierosolymitanus na biblioteca do mosteiro da Igreja do
Santo Sepulcro em 1873. A lista está escrita em grego koiné
(transcrevendo aramaico ou hebraico) e foi datada no século I ou
II[34] por Jean-Paul Audet em 1950,[35] uma datação que não é
consensual entre os especialistas.[36] Audet lista 27 livros:
“
Gênesis, Êxodo, Levítico, Jesus Nave,
Deuteronômio, Números, Juízes, Rute, 4 de
Reis (Samuel + Reis), 2 de Crônicas, 2 de
Esdras, Salmos, Provérbios, Eclesiastes,
Cântico dos Cânticos, Jó, 12 de Profetas
menores, Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel.
”
"Jesus Nave" é um nome antigo do Livro de Josué. "2 de Esdras"
pode ser I Esdras e Esdras-Neemias, como acontece na Septuaginta,
ou Esdras e Neemias, como na Vulgata. Segundo Albert Sundberg, a
quantidade incomum de 27 livros e desconhecido nas listas judaicas.
R.T. Beckwith afirma que como a lista de Briênio "mistura os
Profetas e Hagiographa indiscriminadamente juntos, ela deve ser de
origem cristã e não judaica e, como o uso do aramaico continuou na
igreja palestina por séculos, não há razão para datá-la num período
tão antigo (século I ou II)".[35]
Marcião de Sinope foi o primeiro líder cristão a aparecer nos registros históricos (apesar de, mais tarde, ter
sido condenado como herege) a propor e delinear um cânone unicamente cristão.[37] Ele rejeitou
explicitamente o Antigo Testamento e propôs sua versão do Novo Testamento como sendo o cânone
cristão.[12][38] Nas palavras de Ireneu de Lyon:
“
Marcião [além de abolir os profetas e a Lei ] mutilou o Evangelho segundo Lucas...
Ele também persuadiu seus discípulos que ele próprio era mais digno de crédito do
que os apóstolos que nos entregaram o Evangelho, entregando aos seus ”
Lista de Briênio
Marcião
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https://pt.wikipedia.org/wiki/Livros_de_Reis
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https://pt.wikipedia.org/wiki/Livro_de_Isa%C3%ADas
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https://pt.wikipedia.org/wiki/Livro_de_Ezequiel
https://pt.wikipedia.org/wiki/Livro_de_Daniel
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https://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_Mosaica
https://pt.wikipedia.org/wiki/Evangelho_segundo_Lucas
Manuscrito do século IX da Peshitta,
a versão da Bíblia adotada pelo
cristianismo sírio
seguidores não o Evangelho, mas meramente um fragmento dele. De maneira
similar, ele desmembrou as cartas de Paulo.
— Ireneu de Lyon, Adversus Haereses 1.27.2[38].
Com uma perspectiva diferente, diz Tertuliano:
“
Como Marcião separou o Novo Testamento do Antigo, ele é necessariamente
subsequente àquilo que separou, pois apenas estava em seu poder separar o que
estava antes unido. Tendo estado unido antes de sua separação, o fato de sua
subsequente separação prova a subsequência também do homem que efetuou a
separação.
”
— Tertuliano, De praescriptione haereticorum 30[38].
Everett Ferguson afirma que "[Wolfram] Kinzig sugere que era Marcião que chamava frequentemente sua
Bíblia de 'testamentum'"[38]:308. Ele também afirma que Tertuliano criticou Marcião por causa dos nomes
dos livros em sua lista.[38] Segundo a Enciclopédia Católica, os marcionitas "foram provavelmente os mais
perigosos adversários que o cristianismo já enfrentou".[39]
Outros estudiosos afirma que foi Melito de Sardis que cunhou primeiro o termo "Antigo Testamento",[40]
uma tese geralmente associada ao supersessionismo.
A primeira lista de livros do Antigo Testamento compilada por uma
fonte cristã está na obra do historiador do século IV Eusébio de
Cesareia ao descrever uma lista preparada pelo bispo do século II
Melito de Sárdis.[41] A lista de Melito, datada de cerca de 170, o
resultado de sua viagem à Terra Santa (provavelmente à famosa
Biblioteca Teológica de Cesareia Marítima) para determinar tanto a
ordem quantoo número de livros da Bíblia hebraica, ela parece
seguir a ordem dos livros apresentada na Septuaginta. A lista de
Melito, citada por Eusébio, é a seguinte:
“
De Moisés, cinco livros: Gênesis, Êxodo,
Números, Levítico e Deuteronômio; Jesus
Nave; Juízes; Rute; de Reis, quatro livros; de
Crônicas, dois; os Salmos de David; os
Provérbios de Salomão; também a Sabedoria;
Eclesiastes; Cântico dos Cânticos; Jó; dos
Profetas, Isaías e Jeremias; dos doze profetas
menores, um livro; Daniel; Ezequiel; Esdras.[41]
”
Segundo Archibald Alexander, a lista de Melito é tida por muitos como incluindo o Livro da Sabedoria, que
é parte do Deuteronômio, o que muitos disputam.[42] O Livro de Ester não aparece na lista.
Eusébio também registrou 22 livros canônicos dos hebreus segundo Orígenes[43]:
“
Os vinte e dois livros, segundo os hebreus, são estes: o que entre nós se intitula
Gênesis, e entre os hebreus Bresith, pelo começo do livro, que é: "No princípio";
Êxodo, Ouellesmoth, que significa: "Estes são os nomes"; Levítico, Ouikra: "E
chamou"; Números, Ammesphekodeim; Deuteronômio, Elleaddebareim: "Estas são
as palavras"; Jesus, filho de Navé, Josuebennoun; Juízes e Rute, para eles um só
”
Eusébio sobre Melito e Orígenes
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Peshitta_(2).jpg
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https://pt.wikipedia.org/wiki/Livro_de_Rute
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https://pt.wikipedia.org/wiki/Livro_de_Prov%C3%A9rbios
https://pt.wikipedia.org/wiki/Sabedoria_de_Salom%C3%A3o
https://pt.wikipedia.org/wiki/Eclesiastes
https://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%A2ntico_dos_C%C3%A2nticos
https://pt.wikipedia.org/wiki/Livro_de_J%C3%B3
https://pt.wikipedia.org/wiki/Livro_de_Isa%C3%ADas
https://pt.wikipedia.org/wiki/Livro_de_Jeremias
https://pt.wikipedia.org/wiki/Profetas_menores
https://pt.wikipedia.org/wiki/Livro_de_Daniel
https://pt.wikipedia.org/wiki/Livro_de_Ezequiel
https://pt.wikipedia.org/wiki/Livro_de_Esdras
https://pt.wikipedia.org/wiki/Archibald_Alexander
https://pt.wikipedia.org/wiki/Livro_da_Sabedoria
https://pt.wikipedia.org/wiki/Deuteron%C3%B4mio
https://pt.wikipedia.org/wiki/Livro_de_Ester
https://pt.wikipedia.org/wiki/Or%C3%ADgenes
livro: Sophtein; I e II dos Reis, um só para eles: Samuel, "O eleito de Deus"; III e IV
dos Reis, em um: Ouammelchdavid, que significa "Reino de Davi"; I e II das
Crônicas, em um: Dabreiamein, isto é: "Palavras dos dias"; I e II de Esdras em um:
Ezra, ou seja, "Ajudante"; Livro dos Salmos, Spharthelleim; Provérbios de Salomão,
Meloth; Eclesiastes, Koelth; Cantar dos Cantares (e não, como pensam alguns,
Cantares dos cantares), Sirassireim; Isaías, Iessia; Jeremias, junto com as
Lamentações e a Carta, em um: Ieremia; Daniel, Daniel; Ezequiel, Iezekiel; Jó, Iob;
Ester, Esther. E além destes estão os dos Macabeus, que são intitulados
Sarbethsabanaiel.
A lista de Orígenes exclui os doze profetas menores, aparentemente por acidente, mas inclui a Epístola de
Jeremias (talvez se referindo ao Livro de Baruque como um apêndice de Jeremias) e Macabeus, em cujo
caso há uma disputa sobre se ele considera-o ou não como canônico.[44][45]
Em 331, Constantino I encomendou a Eusébio cinquenta bíblias para uso nas igrejas de Constantinopla.
Atanásio (Apol. Const. 4) relata que aproximadamente 340 escribas de Alexandria trabalhavam preparando
bíblias para Constante. Pouco mais se sabe, mas há muitas especulações sobre o tema. Por exemplo,
especula-se se este pedido teria sido a motivação para produção de listas canônicas e que o Codex Vaticanus
e o Codex Sinaiticus podem ser exemplares destas bíblias. Estes códices contém versões quase completas da
Septuaginta, com o Vaticanus faltando I-III Macabeus e o Sinaiticus, II-III Macabeus, I Esdras, Baruque e a
Epístola de Jeremias.[46]
Juntamente com a Peshitta e o Codex Alexandrinus, o Codex Vaticanus e o Codex Sinaiticus são as bíblias
cristãs mais antigas ainda existentes.[47] Não há evidências entre os cânones do Primeiro Concílio de Niceia
de qualquer determinação sobre o cânone bíblico, mas Jerônimo afirma, em sua obra "Prólogo a Judite", que
o Livro de Judite foi "considerado pelo Concílio de Niceia como devendo ser contado entre os que são das
Sagradas Escrituras".[48]
O Concílio de Roma, em 382, do papa Dâmaso I — se o Decretum Gelasianum pode ser corretamente
atribuído a ele — publicou um cânone bíblico idêntico ao da lista do Concílio de Trento.[49][50] Se não
resultado do concílio, a lista é pelo menos do século VI[51] alegando ser uma publicação do século IV.[52]
Dâmaso foi encorajado por seu secretário pessoal, Jerônimo, em sua tradução da Bíblia para o latim (a
Vulgata). A encomenda desta tradução foi instrumental para a fixação do cânone no cristianismo
ocidental.[53] A lista, supostamente endossada pelo papa Dâmaso I, é a seguinte (somente a parte do Antigo
Testamento):
“
A ordem do Antigo Testamento começa aqui: Gênesis, um livro; Êxodo, um livro;
Levítico, um livro; Números, um livro; Deuteronômio, um livro; Jesus Nave, um livro;
Juízes, um livro; Rute, um livro; Reis, quatro livros; Paralipômenos, dois livros;
Salmos, um livro; Salomão, três livros: Provérbios, um livro, Eclesiastes, um livro,
Cântico dos Cânticos, um livro; da mesma forma, Sabedoria, um livro; Eclesiástico,
um livro. Da mesma forma, a ordem dos profetas.. [16 livros dos profetas citados].
Da mesma forma a ordem das histórias: Jó, um livro; Tobias, um livro; Esdras, dois
livros; Ester, um livro; Judite, um livro; Macabeus, dois livros.[54][55]
”
Constantino
Jerônimo e a Vulgata
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https://pt.wikipedia.org/wiki/Decretum_Gelasianum
https://pt.wikipedia.org/wiki/Conc%C3%ADlio_de_Trento
https://pt.wikipedia.org/wiki/Jer%C3%B4nimo
https://pt.wikipedia.org/wiki/Vulgatahttps://pt.wikipedia.org/wiki/Cristianismo_ocidental
https://pt.wikipedia.org/wiki/Antigo_Testamento
https://pt.wikipedia.org/wiki/Paralip%C3%B4menos
https://pt.wikipedia.org/wiki/Eclesi%C3%A1stico
Jerônimo foi o responsável pela
tradução da Bíblia para o latim
utilizada no cristianismo ocidental a
partir do século VI. Ele era um
defensor da autoridade da Bíblia
hebraica na definição do cânone
Os dois livros de Esdras são uma referência o Livro de Esdras e ao
Livro de Neemias, similar ao que aparece como um livro só, Ezrā
(Esdras-Neemias), na Bíblia hebraica; Jerônimo, no "Prefácio dos
Livros de Samuel e Reis", explica que "à terceira classe pertencem
os 'hagiographa', dos quais o primeiro livro começa com Jó,... o
oitavo, Esdras, que também está dividido entre os gregos e latinos
em dois livros; o nono é Ester".[56]
Nos seus "Prólogos da Vulgata, Jerônimo defende o conceito da
veritas hebraica, a verdade do texto hebraico sobre a Septuaginta e
sobre as traduções antigas do latim. O Antigo Testamento da Vulgata
inclui livros fora da Bíblia hebraica, traduzidos diretamente do grego
e do aramaico ou derivados de versões em latim. No "Prefácio aos
livros de Samuel e Reis" está a seguinte afirmação, geralmente
conhecido como "prefácio coroado"[56]:
“
Este prefácio às Escrituras pode servir como
uma introdução "coroada" a todos os livros que
traduzimos do hebraico para o latim para que
possamos estar seguros de que o que não está
em nossa lista possa ser colocado entre os
textos apócrifos. Sabedoria, portanto, que
geralmente traz o nome de Salomão, e o livro
de Jesus, filho de Siraque, e Judite e Tobias e o
Pastor não estão no cânone. O primeiro livro de
Macabeus eu descobri ser hebraico, o segundo
é grego, como se pode provar pelo seu próprio
estilo.
”
A pedido de dois bispos,[57] porém, ele traduziu Tobias e Judite a partir dos textos hebraicos,[58] mas deixou
claro em seus prólogos que os considerava apócrifos. No caso do Livro de Judite, sem usar a palavra
cânone, ele mencionou que o livro foi considerado como escritural pelo Primeiro Concílio de Niceia.[59]
Em sua resposta a Rufino, Jerônimo afirmou que estava em concordância com a escolha da igreja sobre qual
versão das porções deuterocanônicas de Daniel deveriam ser utilizadas, que os judeus da época não
incluíam:
“
Que pecado terei cometido ao seguir o julgamento das igrejas? Mas quando eu
repito o que os judeus dizem contra a "História de Susana" e o "Hino dos Três
Jovens" e as fábulas de Bel e o Dragão, que não estão na Bíblia hebraica, aquele
que faz disto uma acusação contra mim se prova um idiota e um caluniador; pois eu
expliquei não o que penso, mas o que eles comumente dizem contra nós.
”
— Jerônimo, Contra Rufino II:33 (c. 402).[60].
Michael Barber afirma que, apesar de Jerônimo ter suspeitado por um tempo dos apócrifos, ele
posteriormente passou a considerá-los parte das escrituras. Ele argumenta que esta mudança fica clara a
partir da leitura das epístolas de Jerônimo. Como exemplo, ele cita a carta a Eustóquia, na qual Jerônimo
cita Siraque 13:2.[19] Em outro ponto ele também faz referência a Baruque, a História de Susana e ao Livro
da Sabedoria como escriturais.[61]
Agostinho e os sínodos africanos
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Agostinho patrocinou uma série de
concílios no norte da África entre 393
e 419 para afirmar o cânone do
Antigo Testamento.
1637. Por José de Ribera, atualmente no
Museu Nacional de Póznan, na Polônia.
O Sínodo de Hipona (393), seguido pelo Concílio de Cartago (397) e
o Concílio de Cartago (419), pode ter sido o primeiro concílio a ter
aceitado explicitamente um cânone que inclui livros que não fazem
parte da Bíblia hebraica.[62] Os três concílios estiveram sob forte
influência de Agostinho, que considerava o cânone como uma lista
já fechada.[63][64][65]
O cânone XXXVI do Sínodo de Hipona relata os textos que
deveriam ser considerados canônicos. No caso do Antigo
Testamento, a lista é a seguinte[66]:
“
Gênesis; Êxodo; Levítico; Números;
Deuteronômio; Josué, o filho de Nun; Juízes;
Rute; Reis, 4 livros; Crônicas, 2 livros; Jó; o
Saltério; 5 livros de Salomão; 12 livros dos
Profetas Menores; Isaías; Jeremias; Ezequiel;
Daniel; Tobias; Judite; Ester; Esdras, 2 livros;
Macabeus, 2 livros.
”
Em 28 de agosto de 397, o Concílio de Cartago confirmou o cânone
de Hipona[67] e Agostinho publicou-o em sua obra "Sobre a
Doutrina Cristã" no mesmo ano.[68] Logo depois, o Concílio de
Cartago de 419, em seu Cânone 24, lista exatamente o mesmo
cânone.[69]
Sobre os dois livros de Esdras (Ezra), Agostinho diz: "...e os dois livros de Ezra, que finalmente se parecem
mais com uma sequência à história regular contígua que termina com os livros de Reis e Crônicas".[70] Os
cinco livros de Salomão são uma referência a Provérbios, Eclesiastes, Cântico dos Cânticos, Sabedoria e
Eclesiástico (ou "Siraque").[71] Os quatro livros de Reis são uma referência aos dois livros de Samuel e os
dois livros de Reis.
Segundo a Enciclopédia Católica, o cânone destes concílios corresponde ao moderno cânone da Igreja
Católica.[72] Philip Schaff afirma que "esta decisão da igreja além-mar, porém, estava sujeita a ratificação;
e a concordância da sé de Roma foi recebida quando o papa Inocêncio I e o papa Gelásio I (414) repetiram
o mesmo índice de livros bíblicos. Este cânone permaneceu sem perturbações até o século XVI e foi
sancionado pelo Concílio de Trento em sua décima-quarta sessão".[73]
O Sínodo de Laodiceia foi um sínodo regional que reuniu aproximadamente 30 clérigos da Ásia Menor entre
363 e 364 em Laodiceia, na Frígia Pacaciana. O 59°Cânone deste sínodo proibiu a leitura de livros não
cânonicos nas igrejas. O 60°Cânone listou como canônicos os 22 livros protocanônicos mais o Livro de
Baruque e a Epístola de Jeremias.[74]
Contudo, a autenticidade deste último cânone é duvidosa[75] pois ele não é citado em vários manuscritos
antigos, o que pode significar que ele foi incluído posteriormente[74] para clarificar o mandamento do
cânone anterior.
Sínodo de Laodiceia
Lista de Cheltenham/Mommsen
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https://pt.wikipedia.org/wiki/Agostinho_de_Hipona
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https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Museu_Nacional_de_P%C3%B3znan&action=edit&redlink=1
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https://pt.wikipedia.org/wiki/Laodiceia_no_Lico
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https://pt.wikipedia.org/wiki/Livros_protocan%C3%B4nicos
https://pt.wikipedia.org/wiki/Livro_de_Baruque
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ep%C3%ADstola_de_Jeremias
Papa Dâmaso I (r. 366-
383), o patrocinador do
Concílio de Roma (382),
do qual resultou o
chamado Decretum
Gelasianum, um dos
mais antigos cânones do
Antigo Testamento
cristãos
A Lista de Cheltenham (ca. 365–90)[76][77] é uma lista latina descoberta pelo acadêmico clássico alemão
Theodor Mommsen num manuscrito do século X (majoritariamente com textos patrísticos) na biblioteca de
Thomas Phillips, em Cheltenham, Inglaterra, e publicada em 1866. Ela provavelmente é de origem norte-
africana e é de meados do século IV.
Nela constam 24 livros no Antigo Testamento,[78] Gênesis, Êxodo, Números, Levítico, Deuteronômio,
Josué, Juízes, Rute, I-IV Reinos, I-II Crônicas, I-II Macabeus, Jó, Tobias, Ester, Judite, Salmos, Salomão
(provavelmente a Sabedoria), Profetas Maiores e Profetas Menores, e 24 livros no Novo Testamento, com
contagens de sílabas e linhas, mas sem Judas, Tiago e, provavelmente, Hebreus; o autor parece ainda
questionar as epístolas de João e de Pedro além das primeiras.
Atanásio (367),[79] Cirilo de Jerusalém (c. 350)[80] e Epifânio de Salamina (c.
385)[81] listaram como canônicos os 22 livros protocanônicos mais o Livro de
Baruque e a Epístola de Jeremias.
Epifânio, em "Panarion", escreveu que os judeus mantinham entre seus livros
os deuterocanônicos Epístola de Jeremias e Baruque combinados com Jeremias
e Lamentações em um único livro.[81]
O monge Rufino de Aquileia (c. 400) nomeou como canônicos os livros
protocanônicos e os deuterocanônicos, chamados de "livros eclesiásticos" por
ele.[82] O papa Inocêncio I (405), numa carta enviada ao bispo de Toulouse,
citou como canônicos os livros protocanônicos e os deuterocanônicos.[83]
O Decretum Gelasianum, uma obra anônima escrita entre 519 e 553, contém
uma lista de livros canônicos apresentada como tendo sido resultado do
Concílio de Roma (382), realizado sob os auspícios do papa Dâmaso I (r. 366-
383). Esta lista menciona os livros protocanônicos e os deuterocanônicos como
parte do cânone do Antigo Testamento.[84]
O Concílio Quinissexto (ou Concílio in Trullo), em 691-692, que foi rejeitado pelo papa Sérgio I[85] e não é
reconhecido pela Igreja Católica, endossou as seguintes listas canônicas: os Cânones dos Apóstolos (c. 385),
o Sínodo de Laodiceia (c. 363, o Terceiro Concílio de Cartago (397) e a 39ª Carta Festiva de Atanásio
(367).[86] "Cânones dos Apóstolos" é uma coleção de antigos decretos eclesiásticos sobre o governo e a
disciplina da igreja antiga, encontrada pela primeira vez como o último capítulo do oitavo livro das
"Constituições Apostólicas".[87]
O Cânone 85 dos Cânones Apostólicos inclui 46 livros no cânone do Antigo Testamento, basicamente o
mesmo da Septuaginta.[88] A lista é a seguinte[89]:
“
Do Antigo Testamento: os cinco livros de Moisés – Gênesis, Êxodo, Levítico,
Números e Deuteronômio; um de Josué, filho de Nun, um de Juízes, um de Rute,
quatro de Reis, dois de Crônicas, dois de Esdras, um de Ester, um de Judite, três
de Macabeus, um de Jó, cento e cinquenta e um salmos, três livros de Salomão –
Provérbios, Eclesiastes e Cântico dos Cânticos; dezesseis profetas. E, além destes,
cuidem para seus jovens aprendam a Sabedoria do erudito Siraque.
”
Outros autores antigos
Concílio Quinissexto e Cânones dos Apóstolos
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Martinho Lutero, o grande
responsável pela Reforma
Protestante e autor da chamada
Bíblia de Lutero, na qual ele propôs
a sua visão do que seria o cânone
do Antigo Testamento
Karl Josef von Hefele afirma que "este é provavelmente o menos antigo cânone de toda a coleção"[89]:n.3826;
mesmo ele e William Beveridge acreditam que os textos dos Cânones Apostólicos datam do final do
século II ou início do século III, mas outros concordam que eles não podem ter sido escritos antes do Sínodo
de Antioquia (341) e nem antes do final do século IV.[87][90]
Um dos pilares da Reforma Protestante (a partir de 1517) é que as
traduções das escrituras deveriam se basear nos textos originais, ou
seja, na Bíblia hebraica ou na Bíblia aramaica para o Antigo
Testamento e nos textos gregos para o Novo Testamento), e não na
Vulgata de Jerônimo, o que era, na época, o padrão da Igreja
Católica.
Os reformadoresentendiam que os apócrifos estão em discordância
com o restante da Bíblia. Os católicos os utilizam para suportar a
doutrina do Purgatório, das orações e missas pelos mortos (II
Macabeus 12:43-45 (https://web.archive.org/web/20170628035216/
http://www.bibliacatolica.com.br/biblia-ave-maria/ii-macabeus/12/))
e para a eficácia das boas obras para a salvação (Tobias 12:9 (https://
web.archive.org/web/20170629191619/http://www.bibliacatolica.co
m.br/biblia-ave-maria/tobias/12), Eclesiástico 7:33 (https://web.archi
ve.org/web/20170615020440/http://www.bibliacatolica.com.br/bibli
a-ave-maria/eclesiastico/7)), doutrinas que, na época e hoje, os protestantes defendem que são contraditórias
com outras partes da Bíblia.
Lutero não removeu os livros deuterocanônicos do Antigo Testamento de sua tradução da Bíblia, mas
moveu-os para a seção de "apócrifos", para livros que ele não considerava como tendo o mesmo status das
Sagradas Escrituras, mas que eram "úteis e bons para leitura".[91] Lutero argumentou, sem sucesso, pela
remoção do Livro de Ester do cânone, pois o seu texto, sem as seções deuterocanônicas, este livro sequer
menciona Deus.[92] Por conta destas movimentações, católicos e protestantes continuam a utilizar cânones
diferentes para o Antigo Testamento. O próprio Lutero afirmou que seguia o ensinamento de Jerônimo sobre
a "veritas hebraica".
Há algumas evidências de que a primeira decisão para omitir os livros deuterocanônicos completamente nas
edições da Bíblia foi de leigos e não do clero protestante. Foram encontradas Bíblias editadas logo depois da
Reforma cujas tabelas de índice incluem todo o cânone católico, mas sem os textos dos livros em disputa, o
que levou alguns historiadores a sugerir que os impressores tomaram a decisão de omiti-los. Bíblias
anglicanas e luteranas geralmente ainda traziam estes livros até o século XX, mas as calvinistas não.
O Concílio de Trento, em 8 de abril de 1546, aprovou a afirmação do cânone bíblico católico, incluindo os
livros deuterocanônicos, como artigo de fé (o conteúdo deste cânone já havia sido reafirmado de forma
unânime) e a decisão foi confirmada com a votação de um anátema (24 a favor, 15 contra e 16
abstenções)[93] contra quaisquer alterações. A lista, conhecida como "Cânone de Trento", era a mesma
produzida pelo Concílio de Florença (sessão 11 de 4 de fevereiro de 1442),[94] dos concílios de Cartago de
Agostinho de Hipona (397, 419)[73] e, possivelmente, do Concílio de Roma (382) do papa Dâmaso I.[49][50]
Reforma
Martinho Lutero
Contrarreforma: Concílio de Trento
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Edição de 1612 da Bíblia do Rei
Jaime, a mais utilizada por diversas
denominações cristãs de língua
inglesa, incluindo a Igreja da
Inglaterra, a Igreja da Escócia e as
igrejas presbiterianas
Os livros em disputa foram denominados deuterocanônicos, um termo que não indica um grau inferior de
inspiração divina e sim uma data posterior de confirmação e aprovação. Além destes livros, algumas edições
da Vulgata incluem o Salmo 151, a Prece de Manassés, I Esdras (chamado de "III Esdras"), II Esdras
(chamado de "IV Esdras") e a Epístola aos Laodicenses num apêndice chamado "Apogryphi".
Em 2 de junho de 1927, o papa Pio XI decretou que o Comma Johanneum, no Novo Testamento, estava
aberto a disputas; em 3 de setembro de 1943, o papa Pio XII reiterou o ensinamento da Igreja em sua
encíclica "Divino afflante Spiritu", reafirmando que as traduções católicas da Bíblia em línguas vernaculares
com base em textos hebraicos, aramaicos e gregos eram permitidas desde a época do Concílio de Trento.[95]
A Igreja da Inglaterra se separou da Igreja Católica em 1534 e
publicou seus Trinta e nove Artigos em latim em 1563 e em inglês
elisabetano em 1571[96] O artigo 6 é chamado "Of the Sufficiency of
the Holy Scriptures for Salvation" ("Da Suficiência das Sagradas
Escrituras para a Salvação")[97]:
“
...em nome das Sagradas Escrituras
entendemos que os livros canônicos do Antigo
e do Novo Testamento cuja autoridade jamais
esteve em dúvida na Igreja. Dos nomes e
números dos livros canônicos: Gênesis; Êxodo;
Levítico; Números; Deuteronômio; Josué;
Juízes; Rute; o livro I de Samuel; o livro II de
Samuel; o I Livro de Reis; o II Livro de Reis; o I
Livro de Crônicas; o II Livro de Crônicas; o I
Livro de Esdras; o II Livro de Esdras; o Livro de
Ester; o Livro de Jó; os Salmos; os Provérbios;
Eclesiastes, ou o Pregador; Cantica ou
Canções de Salomão; Quatro Profetas Maiores;
Doze Profetas Menores. E os outros livros
(como disse Jerônimo), a Igreja os lê como
exemplo de vida e instrução dos modos; mas,
apesar disto, não os utiliza para estabelecer
nenhuma doutrina. Estes são os seguintes: o III
Livro de Esdras; o IV Livro de Esdras; o Livro
de Tobias; o Livro de Judite; o resto do Livro de
Ester†; o Livro de Sabedoria; Jesus, filho de
Siraque; Baruque, o Profeta†; o Cântico dos
Três Jovens†; a História de Susana; de Bel e o
Dragão; a Prece de Manassés†; o I Livro de
Macabeus; o II Livro de Macabeus. Todos os
Livros do Novo Testamento, como são aceitos
comumente, recebemos e os contamos como
Canônicos.
Livros marcados com † foram acrescentados em 1571.
”
A Bíblia do Rei Jaime original (1611) incluía os apócrifos, o que não acontece geralmente nas edições
modernas. Estes textos são: I Esdras, II Esdras, Tobias, Judite, Resto de Ester, Sabedoria, Eclesiástico (ou
Siraque), Baruque, Epístola de Jeremias, Cântico dos Três Jovens, História de Susana, Bel e o Dragão, Prece
de Manassés, I Macabeus e II Macabeus.[98]
Igreja da Inglaterra
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Dositeu Notaras, o patriarca grego-
ortodoxo de Jerusalém responsável
pela convocação do Sínodo de
Jerusalém (1672), que afirmou o
cânone ainda hoje utilizado pela
Igreja Ortodoxa
A Guerra Civil Inglesa irrompeu em 1642 e durou até 1649. O Long Parliament de 1644 decretou que
apenas os livros protocanônicos deveriam ser lidos pela Igreja da Inglaterra e, em 1647, a "Confissão de Fé
de Westminster[99] foi outorgado e decretou um Antigo Testamento com 39 livros e um Novo Tetamento
com 27, excluindo todos os apócrifos.
Atualmente, este decreto é uma característica comum entre igrejas protestantes, um consenso que inclui não
apenas a Igreja da Escócia, o presbiterianismo e o calvinismo, mas também as igrejas batistas e
anabatistas.[100]
Com a restauração da monarquia com Carlos II (r. 1660-1685), a Igreja da Inglaterra passou a ser governada
novamente pelos 39 Artigos conforme impressos no "Livro de Oração Comum" (1682), que exclui
explicitamente os apócrifos dos livros inspirados por serem inadequados para a formulação de doutrina, mas
irenicamente afirmando o valor deles para a educação, o que permite a leitura pública e o estudo
privado.[101]
A Igreja Ortodoxa afirma como canônicos os livros encontrados em
suas próprias tradições litúrgicas, patrísticas, greco-bizantinas. Na
época do Sínodo de Jerusalém, reunido em 1672, esta era a lista
considerada canônica (além dos livros protocanônicos):
“
... especificamente "A Sabedoria de Salomão",
"Judite", "Tobias", "A História do Dragão", "A
História de Susana", "Os Macabeus" e "A
Sabedoria de Siraque". Pois julgamos estes
também juntamente com os outros genuínos
Livros de Divina Escritura como partes
genuínas das Escrituras. Pois o costume antigo
ou, melhor, a Igreja Católica, que nos entregou
como genuínos os Sagrados Evangelhos e
outros Livros das Escrituras, também
indubitavelmente nos entregou estes como
parte das Escrituras e a negação destes é a
rejeição daqueles. E se, talvez, pareça que nem
sempre todos estes foram considerados do
mesmo nível daqueles, ainda assim estes
foram contados e reconhecidos com o resto das
Escrituras, por Sínodos e por muitos dos mais
antigos e eminentes Teólogos da Igreja
Católica. Todos estes julgamos como sendo
Livros Canônicos e os confessamos como
sendo Sagradas Escrituras.[102]
”
1. A Bíblia hebraica conta Samuel, Reis e Crônicas como um livro cada, os doze profetas
menores como um livro só e o par Esdras e Neemias como um só (Esdras-Neemias).
1. "Canon of the Old Testament" na edição
Cânone da Igreja Ortodoxa
Notas
Referências
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Ligações externas
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