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Infância e Suas Linguagens Componentes: Fabiano Almeida de Souza Jaqueline Cardoso de Oliveira Lilian Carla Castro da Silva Maria José e Silva Cavalcante Tutor: Edson Nicácio Serrão Centro Universitário Leonardo da Vinci - UNIASSELVI Curso de Pedagogia 12 de dezembro de 2019 Introdução O presente estudo não tem a pretensão de insinuar perfeição no quesito educação infantil, mas trazer alguns questionamentos e fatos que merecem ser destacados. Muita coisa não foi explicitado neste artigo, mas futuramente pode ser elaborado. Portanto, este estudo permitiu realizar uma análise crítica para que assim possamos repensar como estão sendo desenvolvidas as práticas pedagógicas dentro das instituições de educação infantil, como também, o espaço geográfico da infância no na nossa época, como nosso modo de vida afeta as crianças em sua experiência de ser criança e o que estamos transmitindo às crianças sobre o que é a alteridade. 2. Fundamentação Teórica 2.1 O Começo da Vida Segundo o neurocientista da Universidade de Harvard, Jack Shonkoff, os primeiros anos de vida são importantes porque o que ocorre na primeira infância faz diferença por toda a vida. A ciência nos mostra o que devemos oferecer às crianças e do que devemos protegê-las para garantir a promoção de seu desenvolvimento saudável. Relacionamentos estáveis, responsivos, estimulantes e ricos em experiências de aprendizagem nos primeiros anos de vida provêm benefícios permanentes para a aprendizagem, para o comportamento e para a saúde física e mental. 2. Fundamentação Teórica 2.1 O Começo da Vida Figura 1 - Cinco filhos do rei Carlos I (Sir Anthony van Dyck, 1637) 2. Fundamentação Teórica 2.1 O Começo da Vida Para Aries (1981) houve um período da história em que não havia consideração ou sentimentos pela infância. Nas suas palavras, Na sociedade medieval, que tomamos como ponto de partida, o sentimento de infância não existia – o que não quer dizer que as crianças não fossem negligenciadas, abandonadas ou desprezadas. O sentimento da infância não significa o mesmo que afeição pelas crianças: corresponde à consciência da particularidade infantil, essa particularidade que distingue essencialmente a criança do adulto, mesmo jovem. Essa consciência não existia. Por essa razão, assim que a criança tinha condições de viver sem a solicitude constante de sua mãe ou de sua ama, ela ingressava na sociedade dos adultos e não se distinguia mais destes (p. 156). 2. Fundamentação Teórica 2.1 O Começo da Vida Ainda segundo Aries, os textos da Idade Média traziam a ideia de que a primeira idade é a infância que planta os dentes, e essa idade se dá quando a criança nascer e durar até os 7 anos, e tudo que nela nasce é chamo de enfant que significa não-falante, pois nessa idade a pessoa não fala bem e não forma ainda claramente suas palavras. 2. Fundamentação Teórica 2.1 O Começo da Vida Somente após os séculos XVI e XVII que foram criados modelos educacionais para superar os desafios estabelecidos pela sociedade europeia então em desenvolvimento, no que se referem ao progresso científico, comercial e artístico ocorridos no período do Renascimento, surgindo concepções sobre a criança e como ela deveria ser educada. Segundo PINTO, [...] a infância constitui uma realidade que começa a ganhar contornos a partir dos séculos XVI e XVII. [...] As mudanças de sensibilidade que se começam a verificar a partir do Renascimento tendem a deferir a integração no mundo adulto cada vez mais tarde e, a marcar, com fronteiras bem definidas, o tempo da infância, progressivamente ligado ao conceito da aprendizagem e de escolarização. Importa, no entanto, sublinhar que se tratou de um movimento extremamente lento, inicialmente bastante circunscrito às classes mais abastadas (1997, p. 44). 2. Fundamentação Teórica 2.1 O Começo da Vida Respeitar suas fases do desenvolvimento, compreendendo sua individualidade é também dar a ela a autonomia de ser quem é, sem comparações, sem expectativas fora da realidade. Nós adultos precisamos desenvolver o olhar para criança, ou seja, enxergar a criança como um ser que possui linguagem própria, em todos os sentidos que a palavra “linguagem” engloba. 2. Fundamentação Teórica 2.1 O Começo da Vida Em 1927, foi constituído o Código Mello Mattos – como ficou conhecido – representou o primeiro Código Sistemático de Menores do País e da América Latina. José Cândido de Albuquerque Mello Mattos foi o primeiro juiz de menores do Rio de Janeiro, destacando-se, na época, ainda, como professor do Colégio Pedro II e da Faculdade de Direito, como deputado federal e diretor do Instituto Benjamim Constant. Considerado como o “Apóstolo da Infância Abandonada”, deixou também um grande acervo bibliográfico, além de ter criado alguns estabelecimentos de assistência e proteção à infância abandonada e delinquente. 2. Fundamentação Teórica 2.1 O Começo da Vida Assim, segundo o ECA, no art. 3 Lei nº 8069/90 de 13 de julho de 1990, relata: Art. 3 A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei, assegurando-lhes, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades, a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade. 2. Fundamentação Teórica 2.1 O Começo da Vida Com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação 9394/96, a educação infantil passou a fazer parte do sistema nacional de ensino, ficando referenciado como a primeira etapa da educação básica, tendo como finalidade o desenvolvimento integral da criança de 0 a 6 anos de idade, definindo no título V, capítulo II, seção II, Art. 30 que a educação infantil será oferecida em: “I – creches, ou entidades equivalentes, para crianças de 4 a 6 anos de idade”. (LDB, 1996) 2. Fundamentação Teórica 2.2 O Que é Trabalhar com a Educação Infantil? Um dos aspectos fundamentais para a qualidade do trabalho pedagógico na educação infantil é a rotina das crianças e adultos nas escolas infantis (creche e pré-escola), pois, sabe-se da necessidade da sua existência na organização da instituição, entretanto, esta não pode ser ‘rotineira’, vazia, sem significado para as crianças de 0 a 5 anos. As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (BRASIL, 2010, p.18) descrevem que a proposta pedagógica “deve ter como objetivo garantir à criança o acesso a processos de apropriação, renovação e articulação de conhecimentos e aprendizagens de diferentes linguagens [...]. ” Deste modo, o professor precisa estar em constante reflexão diante de seu trabalho. É necessário conhecer a realidade das crianças, bem como organizar o tempo e o espaço, para que o trabalho pedagógico possa ser realizado de forma significativa. Portanto, “paralelo ao espaço e os materiais, deve-se pensar na organização da rotina, já que a ordem e a sequência das atividades contribuem para a criança sentir-se segura e compreender o contexto em que está vivenciando” (GIL, 2014, p.17). 2. Fundamentação Teórica 2.2 O Que é Trabalhar com a Educação Infantil? A rotina é uma categoria pedagógica cujo desafio é o desenvolvimento do trabalho cotidiano nas instituições de Educação Infantil, sua organização e atendimento à criança, exercendo a função de organizar o trabalho do educador, exigindo ser um momento único, mágico e de desenvolvimento pleno. Para Gonçalves (s/d, p.01), rotina é: a estrutura básica, da espinha dorsal das atividades do dia. A rotina diária é o desenvolvimento prático do planejamento. É também a sequência de diferentes atividades que acontecem no dia-a-dia da creche e é esta sequência que vai possibilitar que a criança se oriente na relação tempo-espaço e se desenvolva. Uma rotina adequada é um instrumento construtivo para a criança, pois permite que ela estruture sua independênciae autonomia, além de estimular a sua socialização. 2. Fundamentação Teórica 2.2 O Que é Trabalhar com a Educação Infantil? De acordo com Barbosa (2006, p 35), A importância das rotinas na educação infantil provém da possibilidade de constituir uma visão própria como concretização paradigmática de uma concepção de educação e cuidado. É possível afirmar que elas sintetizam o projeto pedagógico das instituições e apresentam a proposta de ação educativa dos profissionais. A rotina é usada, muitas vezes, como o cartão de visitas da instituição, quando da apresentação desta aos pais ou à comunidade ou como um dos pontos centrais de avaliação da programação educacional. 2. Fundamentação Teórica 2.2 O Que é Trabalhar com a Educação Infantil? Segundo Jaume (apud ARRIBAS, 2004, p. 34): Toda a segurança que a criança irá sentir no ambiente escolar se dá no adequado planejamento das atividades. Portanto, o tempo é fator essencial neste planejamento. São necessários pontos de referência estáveis, que se repitam diariamente. É desta forma que a criança se estrutura, tendo a segurança do que virá depois. 2. Fundamentação Teórica 2.2 O Que é Trabalhar com a Educação Infantil? Desse modo, faz-se necessário que a instituição compreenda todos estes sentimentos e que tome cuidados para que todos se sintam acolhidos. Num artigo da Revista Avisa lá, Ortiz, (s/d, p.03) relata: a adaptação pode ser entendida como o esforço que a criança realiza para ficar, e bem, no espaço coletivo, povoado de pessoas grandes e pequenas desconhecidas. Onde as relações, regras e limites são diferentes daqueles do espaço doméstico a que ela está acostumada. Há de fato um grande esforço por parte da criança que chega e que está conhecendo o ambiente da instituição, mas ao contrário do que o termo sugere não depende exclusivamente dela adaptar-se ou não à nova situação. Depende também da forma como é acolhida. 2. Fundamentação Teórica 2.2 O Que é Trabalhar com a Educação Infantil? Sendo assim, cabe aos professores contribuir em cada ação diária, com diferentes estratégias de ensinar e aprender na educação infantil. Pois, desenvolver as capacidades das crianças e incentivá-las a conquistar a autonomia é o primeiro passo para a vida em sociedade. Em seguida, competem ao professor, no ambiente escolar, responsabilidades como valorizá-las e respeita-las, para que estas possam estabelecer com outras crianças e adultos, uma relação saudável, de valorização humana. 3. Procedimentos Metodológicos Metodologicamente, desenvolvemos uma pesquisa bibliográfica, a partir da abordagem qualitativa descritiva, com o objetivo de reunir as informações e dados que serviram de base para a construção da investigação aqui feita. Partimos, também, de contextualizar o que foi a infância durante a história e, nos colocamos diante da necessidade de compreender o que é trabalhar com a Educação Infantil. Declaramos que estas concepções de educação infantil devem estar norteadas por padrões de equidade e qualidade que possam atender as crianças para a construção de sua autonomia, promovendo situações significativas de aprendizagens para alcançar o desenvolvimento de habilidades cognitivas, psicomotoras e socioafetivas da criança. 4. Resultados e Discussões A tarefa desse artigo foi buscar historicamente o diálogo entre o presente e o passado. Todo este estudo que elaboramos, teve o intento de relatar a trajetória da infância e como nos relacionamos com as crianças, e nesse momento sendo uma defesa de pesquisa de campo tivemos a oportunidade de explicitar esses fatos. 5. Considerações Finais A infância é a primeira fase da vida de um indivíduo que não pode deixar de existir, mas se sua particularidade não preservada, uma essência da infância que é brincar ou aprender brincando se perderá. Portanto, a criança deve ser trabalhada para entrar na idade adulta; pausado será socialmente, adquirindo conhecimento, desenvolvendo sua linguagem, todos os principalmente brincando, brincando, brincando, interação com outras crianças. Referências ARIÉS, Philippe. A história social da criança e da família. Rio de Janeiro: LTC, 1981. ARRIBAS, T. Educação Infantil: desenvolvimento, currículo e organização escolar. 5. Ed. Porto Alegre: Artmed, 2004. BARBOSA, Maria Carmem Silveira. Por amor e por força: rotinas na educação infantil. Porto Alegre: Artmed, 2006. BRASIL. Estatuto da Criança e do Adolescente. Lei 8069/90. Brasília. MEC 2004. BRASIL. Ministério da Educação. Diretrizes curriculares nacionais para a educação infantil. Brasília: Secretaria de Educação Básica, 2010. PINTO. M. A infância como construção social. In: PINTO. M SARMENTO, M. J. As crianças – contextos e identidades. Braga: Centro de Estudos da Criança/ Universidade do Minho – Portugal, 1997. GIL, D. B. A. Organização da rotina na educação infantil: um olhar para o tempo, o espaço e o brincar. 2014. 44 f. Monografia (Especialização em Trabalho Pedagógico na Educação Infantil) – Universidade Estadual de Londrina, Londrina, 2014. GONÇALVES, R. A rotina na educação infantil. Disponível em: <http://monografias.brasilescola.com/pedagogia/a-rotina-na-educacao-infantil.htm>. Acesso em: 1 abr. 2015. SHONKOFF J, Phillips D, Committee on Integrating the Science of Early Childhood Development, eds. From neurons to neighborhoods: The science of early childhood development. Washington, DC: National Academy Press; 2000.