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fiscais e creditícios. 
A Lei 9.790/99 traz a definição do que seria uma pessoa jurídica sem fins 
lucrativos: 
§ 1º Para os efeitos desta Lei, considera-se sem fins lucrativos a pessoa 
jurídica de direito privado que não distribui, entre os seus sócios ou 
associados, conselheiros, diretores, empregados ou doadores, eventuais 
excedentes operacionais, brutos ou líquidos, dividendos, bonificações, 
participações ou parcelas do seu patrimônio, auferidos mediante o exercício 
de suas atividades, e que os aplica integralmente na consecução do 
respectivo objeto social. 
Portanto, a entidade até pode ter lucro, mas deve revertê-lo para seu 
patrimônio, sem haver qualquer tipo de distribuição para sócios. O art. 4º da 
Lei 9.790 determina que os estatutos das pessoas jurídicas interessadas em se 
qualificar como OSCIP devem dispor, entre outras coisas, sobre: 
VI - a possibilidade de se instituir remuneração para os dirigentes da 
entidade que atuem efetivamente na gestão executiva e para aqueles que a 
ela prestam serviços específicos, respeitados, em ambos os casos, os 
valores praticados pelo mercado, na região correspondente a sua área de 
atuação; 
Assim, apenas aqueles que estejam efetivamente envolvidos com na atividade 
da OSCIP podem receber remuneração. 
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Vimos que a qualificação das OS se insere no poder discricionário dos 
Ministros, que podem não aprová-la, mesmo que a entidade preencha todos os 
requisitos. Já no caso das OSCIP, a qualificação é ato vinculado, conforme 
determina a Lei 9.790/99: 
§ 2º A outorga da qualificação prevista neste artigo é ato vinculado ao 
cumprimento dos requisitos instituídos por esta Lei. 
 
2.5 PARCERIAS PÚBLICO-PRIVADAS 
A classificação da Maria Silvia Zanella Di Pietro dos tipos de descentralização 
administrativa pode ser vista de outra forma: 
� Descentralização territorial ou geográfica. 
� Outorga, também denominada descentralização por serviços, 
funcional ou técnica; 
� Delegação, também denominada descentralização por colaboração; 
Assim, na descentralização por serviços, quando é criada uma entidade da 
administração indireta, temos a outorga, que é a modalidade de 
descentralização pela qual uma entidade política, por lei específica, transfere a 
titularidade de certa competência a uma entidade administrativa por ela criada 
precisamente com esta finalidade, em regra por prazo indeterminado. 
A delegação é a modalidade de descentralização pela qual uma entidade 
política ou administrativa, por contrato administrativo ou ato unilateral, 
transfere o exercício de certa competência (mais precisamente, a prestação de 
certo serviço público) a uma pessoa física ou a uma pessoa jurídica 
preexistente, em regra por prazo determinado e mediante prévia licitação. 
Ocorre a transferência somente do exercício da competência, e não da própria 
titularidade, a qual permanece nas mãos da entidade política ou administrativa 
Segundo a CF/88: 
Art. 175. Incumbe ao Poder Público, na forma da lei, diretamente ou sob 
regime de concessão ou permissão, sempre através de licitação, a 
prestação de serviços públicos. 
Os conceitos de permissão e concessão de serviços públicos estão na Lei 
8.987/95, art. 2º: 
II - concessão de serviço público: a delegação de sua prestação, feita pelo 
poder concedente, mediante licitação, na modalidade de concorrência, à 
pessoa jurídica ou consórcio de empresas que demonstre capacidade para 
seu desempenho, por sua conta e risco e por prazo determinado; 
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III - concessão de serviço público precedida da execução de obra pública: 
a construção, total ou parcial, conservação, reforma, ampliação ou 
melhoramento de quaisquer obras de interesse público, delegada pelo 
poder concedente, mediante licitação, na modalidade de concorrência, à 
pessoa jurídica ou consórcio de empresas que demonstre capacidade para 
a sua realização, por sua conta e risco, de forma que o investimento da 
concessionária seja remunerado e amortizado mediante a exploração do 
serviço ou da obra por prazo determinado; 
IV - permissão de serviço público: a delegação, a título precário, mediante 
licitação da prestação de serviços públicos, feita pelo poder concedente à 
pessoa física ou jurídica que demonstre capacidade para seu desempenho, 
por sua conta e risco. 
A concessão e a permissão de serviços públicos são institutos muito próximos. 
Uma diferença é que a segunda é uma modalidade menos complexa de 
delegação, adequada para os serviços públicos de porte médio, isto é, que 
exijam investimentos menores. 
A Lei 11.079/04 criou um nova espécie de concessão de serviço ou obra 
pública. José dos Santos Carvalho Filho afirma que a PPP se trata de uma 
concessão especial, já que a própria lei coloca que: 
Art. 2º Parceria público-privada é o contrato administrativo de concessão, 
na modalidade patrocinada ou administrativa. 
A exposição de motivos do projeto de Lei das PPP afirmava que: 
A parceria público-privada constitui modalidade de contratação em que os 
entes públicos e as organizações privadas, mediante o compartilhamento de 
riscos e com financiamento obtido pelo setor privado, assumem a realização 
de serviços ou empreendimentos públicos. Tal procedimento, em pouco 
tempo alcançou grande sucesso em diversos países, como a Inglaterra, 
Irlanda, Portugal, Espanha e África do Sul, como sistema de contratação 
pelo Poder Público ante a falta de disponibilidade de recursos financeiros e 
aproveitamento da eficiência de gestão do setor privado. 
As PPP têm como objetivo atrair o setor privado, seja nacional ou estrangeiro, 
para investimentos em infraestrutura, necessários ao desenvolvimento do país, 
cujos recursos envolvidos excedem a capacidade financeira do setor público. 
Segundo a exposição de motivos: 
No caso do Brasil, representa uma alternativa indispensável para o 
crescimento econômico, em face das enormes carências sociais e 
econômicas do país, a serem supridas mediante a colaboração positiva do 
setor público e privado. 
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A PPP foi criada na Inglaterra, no governo de Margareth Thatcher, que, como 
vimos, foi um dos precursores na implantação da administração pública 
gerencial. Por este vínculo com governos de cunho neoliberal, ela é criticada 
por alguns autores. Segundo Bandeira de Mello, “este instituto constitui-se na 
‘creme de La creme’ do neoliberalismo, pelo seu apaixonado desvelo na 
proteção do grande capital e das empresas financeiras”. “Creme de La creme 
pode ser traduzido como “o melhor do melhor”, usado por Mello de uma forma 
irônica. 
Já Zanella Di Pietro afirma que um dos objetivos das PPPs, “menos declarado, 
mas também verdadeiro, é o de privatizar a Administração Pública, 
transferindo para a iniciativa privada grande parte das funções administrativas 
do Estado, sejam ou não passíveis de cobrança de tarifas dos usuários”. Seria 
uma forma de fugir da rigidez do Direito Administrativo, permitindo que a 
prestação de serviços públicos ocorre de forma mais flexível. 
A principal diferença entre a PPP e a concessão comum está na 
contraprestação pecuniária que cabe à Administração Pública na PPP. Segundo 
a Lei 11.079/04: 
§ 3º Não constitui parceria público-privada a concessão comum, assim 
entendida a concessão de serviços públicos ou de obras públicas de que 
trata a Lei no 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, quando não envolver 
contraprestação pecuniária do parceiro público ao parceiro privado. 
Como