Custeio margem de produçao
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Custeio margem de produçao

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Plano	de	Aula:	Custeio	Variável
CONTABILIDADE	E	ANÁLISE	DE	CUSTOS	-
GST1468
Título
Custeio	Variável
Número	de	Aulas	por	Semana
Número	de	Semana	de	Aula
7
Tema
Sistema	de	Custeio	Variável
Objetivos
Ao	final	desta	aula	o	aluno	deverá	ser	capaz	de:
Entender	a	problemática	da	alocação	arbitrária	dos	custos	indiretos
fixos
Explicar	o	conceito	de	margem	de	contribuição
Apresentar	o	Custeio	Variável	e	sua	utilidade	como	ferramenta	gerencial
Aplicar	o	conceito	do	Custeio	Variável
Diferenciar	o	Custeio	Variável	do	Custeio	por	Absorção
Estrutura	do	Conteúdo
Introdução
	
Até	 agora,	 vimos	 os	 procedimentos	 da	 contabilidade	 e	 apuração	 de	 custos
para	 a	 avaliação	 de	 estoques,	 especialmente	 como	 devem	 ser	 tratados	 os
custos	de	produção	de	bens	fabricados	e/ou	serviços	prestados.
Contudo,	 também	 verificamos	 que	 existem	 diversos	 problemas	 envolvidos	 na
alocação	 arbitrária	 de	 custos	 indiretos	 (fixos,	 especialmente)	 aos	 produtos,
podendo	assim	resumi-los:
Elevado	grau	de	subjetividade	no	rateio	dos	custos	indiretos;
Grande	chance	de	distorção	no	custo	de	determinados	produtos	(ou	de
todos);
Confusão	para	tomada	de	decisões	gerenciais,	entre	outros.
Assim,	 como	 forma	 de	 minimizar	 esses	 problemas	 surgiu	 o	 custeio	 variável.
Nesse	 método,	 somente	 são	 alocados	 aos	 produtos	 os	 custos	 variáveis,	 ou
seja,	aqueles	custos	que	variam	em	função	do	volume	de	produção,	enquanto
os	custos	 fixos	 são	considerados	 como	despesas	do	período	e	 são	 lançados
diretamente	para	o	resultado	do	exercício.
Antes	 de	 tudo,	 vamos	 relembrar	 a	 diferença	 entre	 custos	 variáveis	 e	 custos
fixos.
Custos	 variáveis	 são	 aqueles	 que	 variam	 diretamente	 em	 função	 do	 volume
produzido,	 como	 por	 exemplo,	 os	 materiais	 diretos.	 Já	 os	 custos	 fixos	 são
aqueles	 que	 não	 têm	 relação	 direta	 com	 o	 volume	 produzido.	 É	 o	 caso	 do
aluguel	da	fábrica,	que	não	varia	em	função	da	quantidade	produzida.
Ainda	nesta	aula	 iremos	utilizar	um	exemplo	prático	com	o	uso	da	 ferramenta
do	 sistema	 de	 acumulação	 de	 custos	 direto	 ou	 variável	 versus	 o	 sistema	 de
custeio	por	absorção,	a	 fim	de	destacarmos	as	suas	diferenças	em	relação	à
forma	de	apuração	dos	custos	bem	como	o	reflexo	no	resultado	do	exercício.
7.1	Conceito	de	margem	de	contribuição
A	 margem	 de	 contribuição	 (MC)	 representa	 a	 quantia	 gerada	 pelas	 vendas
capaz	 de	 cobrir	 os	 custos	 fixos	 e	 ter	 como	 resultado	 o	 lucro.	 A	 margem	 de
contribuição	 é	 expressa	 em	unidades	monetárias	 (reais	 (R$),	 por	 exemplo)	 e
pode	ser	apresentada	na	forma	unitária	ou	total.
A	margem	de	contribuição	(MC)	é	calculada	pela	diferença	entre	a	receita	e	os
custos	e	despesas	variáveis.	Acompanhe:
	 UNITÁRIA TOTAL
Receita	de	Vendas Unidade Unitária	x	quantidade
(	-	)	Custos	e	despesas	variáveis Unidade Unitária	x	quantidade
(	=	)	Margem	de	contribuição	(MC) Unidade Unitária	x	quantidade
(	-	)	Custos	e	despesas	fixas 	 Custos	e	despesas	fixos
(	=	)	Resultado	do	exercício 	 Resultado	do	exercício
Podemos	perceber	que	a	margem	de	contribuição	torna	mais	claro	o	potencial
de	 cada	 produto,	 serviço	 ou	 até	 mesmo	 de	 departamentos,	 unidades	 etc.
demonstrando	 como	 cada	 um	 contribui	 (daí	 o	 nome	 contribuição)	 para	 a
amortização	 dos	 custos	 (e	 despesas)	 fixos	 e,	 depois,	 para	 a	 geração	 do
resultado.
BOX	EXPLICATIVO
Margem	 de	 Contribuição	 representa	 a	 potencialidade	 de	 um	 ou	 vários
produtos	em	cobrir	os	gastos	fixos	(custos	e/ou	despesas)	de	uma	empresa,
e	ainda	contribuir	para	a	geração	de	resultados.
Vamos	fazer	um	exemplo	de	aplicação	do	conceito	de	Margem	de	Contribuição.
A	Shoes	SA	é	uma	indústria	de	calçados	responsável	pela	fabricação	de	botas
e	sapatos	na	região	de	São	Paulo.	O	gesto	da	empresa	apresentou	a	você	em
determinado	período	os	seguintes	dados:
	 Botas Sapatos
Quantidade	produzida	e	vendida 5.000 4.000
Preço	de	venda $	100/un. $	80/un.
Material	Direto $	40/un. $	30/un.
Mão-de-Obra	direta $	5,5/un. $	5,5/un.
Custos	fixos $	2,1/un. $	1,5/un.
O	gestor	possui	uma	verba	para	aplicar	no	marketing	nos	produtos,	mas	não
pode	aplicar	nos	dois,	precisa	escolher	apenas	um	deles.	Com	base	nos	dados
anteriores	o	gestor	pediu	que	você	lhe	ajudasse	a	definir	qual	produto	deveria
ter	a	venda	 incentivada	pela	campanha	de	Marketing.	Para	 isso,	 responda	as
seguintes	questões:
a)	Calcule	a	Margem	de	Contribuição	unitária	de	cada	produto.
b)	Calcule	a	Margem	de	Contribuição	Total	de	cada	produto.
c)	Qual	produto	deve	ter	sua	venda	incentivada?	Por	quê?
Seguindo	a	metodologia	de	cálculo	da	Margem	de	Contribuição,	temos:
a)						Margem	de	Contribuição	unitária	de	cada	produto:
	 Botas Sapatos
Preço	de	venda $	100/un. $	80/un.
(-)	Custos	Variáveis $	-	45,5/un. $	-	35,5/un.
Material	Direto $	-	40/un. $	-30/un.
Mão-de-Obra	direta $	-	5,5/un. $	-	5,5/un.
(=)	Margem	de	Contribuição	unitária $	54,5/un. $	44,5/un.
b)						Margem	de	Contribuição	Total	de	cada	produto:
Para	encontrar	a	Margem	de	Contribuição	Total,	basto	multiplicar	os	valores	de
Margem	de	Contribuição	unitária	pela	quantidade	produzida	e	vendida.
	 Botas Sapatos
Preço	de	venda 500.000 320.000
(-)	Custos	Variáveis -	227.500 -	142.000
Material	Direto -	200.000 -	120.000
Mão-de-Obra	direta -	27.500 -	22.000
(=)	Margem	de	Contribuição	Total. 272.500 178.000
c)	 Diante	 dos	 resultados	 você	 poderia	 dizer	 ao	 gestor	 para	 ele	 incentivar	 a
venda	 das	 Botas,	 pois	 é	 o	 produto	 com	maior	 potencialidade	 para	 contribuir
com	 a	 absorção	 dos	 custos	 fixos	 e	 gerar	 resultado	 (maior	 margem	 de
contribuição!).
	7.2	Custeio	Variável
Vimos	 até	 agora	 que	 a	 grande	 diferença	 com	 os	 sistemas	 tradicionais	 é	 a
atenção	 voltada	 para	 a	 alocação	 dos	 custos	 indiretos.	 Na	 metodologia	 do
Custeio	por	Absorção,	os	custos	 indiretos	são	alocados	por	meio	de	critérios
de	 rateio	 subjetivos	 e	 o	 ABC	 propõe	 o	 uso	 do	 Rastreamento	 por	 meio	 dos
direcionadores.	 O	 ABC	 surge	 com	 a	 idéia	 de	 reduzir	 a	 arbitrariedade	 dos
critérios	 de	 rateio	 do	 Custeio	 por	 Absorção,	 visto	 como	 uma	 ferramenta
importante	para	a	gestão	da	empresa,	mas	que	ainda	é	um	critério	 criticado
pelo	 fato	 de	 rastrear	 os	 custos	 fixos	 e	 que	mesmo	os	direcionadores	podem
ainda	conter	grau	de	subjetividade.
Contudo,	 para	 fins	 gerenciais	 eles	 podem	 não	 ter	 grande	 utilidade,
principalmente	por	motivos	como	envolver	a	questão	da	alocação	dos	custos
fixos,	os	quais	existem	independentemente	da	fabricação	das	unidades	e	pelo
fato	de	a	alocação	de	tais	custos	ser	arbitrária	com	base	em	critérios	de	rateio
o	que	pode	confundir	a	empresa	e	levá-la	a	tomar	decisões	de	modo	errôneo.
Em	 função	 destes	 aspectos	 surgiu	 o	 Custeio	 Variável,	 o	 qual	 filtra	 alguns
aspectos	criticados	do	sistema	por	Absorção	e	do	ABC,	conforme	ilustração	a
seguir:		
Figura	16-		Surgimento	do	Custeio	Variável
(Ver	quadro	em	anexo)
	
O	custeio	variável	é	o	método	de	custeio	em	que	somente	os	custos	variáveis
de	 produção	 são	 considerados	 nos	 custos	 inventariáveis	 (estoques).	 Assim,
todos	 os	 custos	 de	 produção	 fixos	 são	 excluídos	 dos	 custos	 inventariáveis:
eles	são	custos	do	período	em	que	ocorreram.
BOX	EXPLICATIVO	-	REGRA	DO	CUSTEIO	VARIÁVEL:
Apropriar	os	CUSTOS	VARIÁVEIS,	e	somente	estes!
Portanto	NÃO	inclui	os	CUSTOS	FIXOS	OU	DESPESAS!
Ou	seja,	no	Custeio	Variável	somente	os	custos	variáveis	de	produção	(aqueles
que	variam	com	a	produção)	são	considerados	custos	do	produto.	Isto
normalmente	abrange	materiais	diretos,	mão-de-obra	direta	e	a	parte	variável
dos	custos	indiretos	de	fabricação.	Nesse	método,	o	custo	indireto	de
fabricação	fixo	não	é	considerado	custo	do	produto,	mas	sim	custo	do	período
e	é	confrontado	integralmente	com	as	receitas	do	período	(como	é	feito	com
as	despesas	no	custeio	por	absorção).
BOX	EXPLICATIVO:	Mas	e	os	Custos	Fixos?
São	lançados	totalmente	no	resultado	do	período!
Algumas	empresas	e	autores	denominam	este	custeio	como