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Apagar a linha entre o homem e a máquina é obscurecer a linha entre o homem e os deuses. Cap. 7 PERÍODO DE TRANSIÇÃO Humanismo Valorização do homem e suas potencialidades. TROVADORISMO Teocentrismo CLASSICISMO Antropocentrismo CONTEXTO HISTÓRICO Fim da Idade Média e início da Moderna; Divisão de poder entre a igreja, nobreza e burguesia; Renascimento comercial e urbano : Ascensão da burguesia; O pensamento torna-se mais lógico; - homem no centro das preocupações, priorização dos valores humanos sobre os religiosos; Separação entre música e poesia; O início da dinastia Avis (1383–1580). Aliança entre o rei e a burguesia mercantilista, iniciando a expansão ultramarina de Portugal (1415). Conquista de Ceuta e início das explorações da África pelos portugueses (1415- 1434). Chegada de Cristóvão Colombo à América (1492). Chegada de Vasco da Gama às Índias e de Pedro Álvares Cabral ao Brasil(1498-1500). Humanismo Foco: ser humano. Transição: Mundo medieval e o moderno. Predomínio da razão. Resgate dos valores clássicos. Base para a literatura: obras de Dante Alighieri e Francesco Petrarca. Contexto de produção: É o mesmo do Trovadorismo: cortes e palácios. Público: Nobres Linguagem: Adoção do soneto. Antropocentrismo. Características Arte renascentista. Recuperação de modelos da antiguidade. Separação entre literatura e música/ clareza /harmonia e equilíbrio. Humanismo em Portugal 1434 - marco inicial Humanismo português A produção humanista em Portugal é marcada pelo início do teatro português e pela historiografia. Esta teve início ainda no Trovadorismo, por meio dos livros de linhagens, hagiografias e cronicões; mas foi durante o Humanismo que houve um desenvolvimento historiográfico maior, a qual Fernão Lopes realizou uma construção oficial de crônicas que relatam os reinados. A hagiografia consiste na biografia ou no estudo da vida de santos. O cronicão se refere à crônica produzida na Idade Média, composta por fatos históricos e significativos. O Humanismo português (desenvolvido ao longo do século 15 e em parte do 16) produziu manifestação literária de vários gêneros: prosa, poesia e teatro. TOME NOTA! Humanismo na literatura Fernão Lopes Guarda-mor da Torre do Tombo (1418). Cronista-mor do reino de Portugal. ❑Críticas à sociedade portuguesa; ❑Vida dos reis; ❑Intrigas no palácio; ❑Recursos Literários; ❑Documentação histórica(informar o papel do povo nas guerras e rebeliões); ❑Plasticidade das cenas; ❑ Cronista-mor do reino de Portugal; ❑ Descrições detalhadas dos palácios e aldeias; ❑ Apresenta as festas populares; ❑ Verossimilhança. Continuação Crônica d’el-rei d. João I Crônicas Crônica d’el-rei d. Pedro I Crônica d’el-rei d. Fernando Humanismo na literatura Pensador e autor do mundo Clássico. Platão Mundo Inteligível x Mundo Sensível. Artistas italianos: A divina comédia, de Dante Alighieri. Viagem de Dante pelo Inferno, pelo Purgatório e pelo Céu. MATSYS, Quentin. O cambista e a sua mulher.1514. óleo sobre madeira, 71 cm x 68 cm. Museu do Louvre, Paris. Representação da classe burguesa em ascensão. Note que as moedas chamam mais atenção do que o livro religioso que a mulher folheia, aludindo às mudanças de valores daquele período. Poesia palaciana POESIA desvinculada do CANTO e da DANÇA. O TROVADOR dá lugar ao POETA. Maior apuro formal. Uso de rimas e versos isométricos. Menos idealização do amor. Amor com intimidade(os poetas são mais realistas). Surgiu dentro dos palácios, era feita por nobres e para a nobreza, retratando usos e costumes da corte. Era cultivada pela aristocracia nos serões (saraus). Poemas compilados pelo poeta Garcia de Resende em um único volume, o Cancioneiro geral, 1516. Versos com metro fixo(destaque para as redondilhas – cinco e sete sílabas métricas. Ao contrário da poesia trovadoresca, a poesia palaciana NÃO era acompanhada por música. Essa poesia era para ser apenas declamada. Meu amor, tanto vos quero, que deseja o coração mil coisas contra a razão. Porque se não vos quisesse, como poderia ter desejo que me viesse do que nunca pode ser. [...] Aires Teles. Cancioneiro geral. Exemplo CANCIONEIRO GERAL Cancioneiros são compilações manuscritas (pertencentes a vários autores) de toda a produção do Trovadorismo Português conhecidas em nossos dias. Cancioneiro Geral de Garcia de Resende ❑Mil poemas palacianos; ❑Textos em português e castelhano; ❑Versos redondilhos. Como forma de realce ao ritmo, a expressividade durante a leitura deveria exaltar a produção. A poesia palaciana apresenta uma estrofe introdutória (mote). A partir deste, desenvolve-se o sentido do texto desenvolvido (glosa). Vilancete Trova, Cantigas, Esparsas. Formas fixas Vilancete Composto de um mote (motivo de dois ou três versos) seguido de volta ou glosas(estrofes em que o mote é desenvolvido) de sete versos. A trova Composta de duas ou mais quadras de versos de sete sílabas e rimas ABAB. Cantigas Composta de um mote de quatro ou cinco versos e de uma glosa de oito ou dez versos.(Empregadas para expressar temas amorosos). Esparsas Composta de uma única estrofe de oito a dez versos de seis sílabas métricas(usadas para expressar tristeza ou melancolia). Acho que me deu Deus tudo para mais meu padecer: os olhos - para vos ver, coração - para sofrer, e língua - para ser mudo. Olhos com que vos olhasse, coração que consentisse, língua que me condenasse: mas não já que me salvasse de quantos males sentisse. [...] Exemplo de cantiga Cantiga, de Francisco de Souza Mote (Cancioneiro Geral, V, Pág.293) Ó meu bem, pois te partiste Dante meus olhos coitado, Os ledos me farão triste, Os tristes desesperado. Triste vida sem prazer Me deixas com grã cuidado, Que por meu negro pecado Me vejo vivo morrer; Meu prazer me destruíste, Meu nojo será dobrado, Porque sou cativo, triste, Do meu bem desesperado. Miranda, Diogo de. In: SPINA, Segismundo. Era medieval. 8. ed. São Paulo: Difel, 1985. p. 139-140. (Coleção Presença da Literatura Portuguesa). Ó MEU BEM, POIS TE PARTISTE Dante: diante. Ledos: alegres. Grã: grande. Nojo: sofrimento. Senhora, partem tão tristes meus olhos por vós, meu bem, que nunca tão tristes vistes outros nenhuns por ninguém. Tão tristes, tão saudosos, tão doentes da partida tão cansados, tão chorosos, da morte mais desejosos cem mil vezes que da vida. Partem tão tristes os tristes tão fora de esperar bem, que nunca tão tristes vistes outros nenhuns por ninguém. João Roiz de Castelo Branco. Cancioneiro geral. Exemplo Cantiga Sua Partindo-se Meu amor tanto vos quero, que deseja o coração mil cousas contra a razão. Porque, se vos não quisesse, como poderia ter desejo que me viesse do que nunca pode ser? Mas conquanto desespero, e em mim tanta afeição, que deseja o coração AIRES TELES MEU AMOR TANTO VOS QUERO Exemplo de Vilancete glosa