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MODELOS DE 
PLANTAÇÃO DE 
IGREJAS
Professor Esp. Galaor Linhares Tupan Junior
GRADUAÇÃO
Unicesumar
C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a 
Distância; JÚNIOR, Galaor Linhares Tupan. 
Modelos de Plantação de Igrejas. Galaor Linhares Tupan 
Junior. Maringá-Pr.: UniCesumar, 2017. Reimpressão - 2019
214 p.
“Graduação - EaD”.
1. Modelos 2. Plantação . 3. Igrejas 4. EaD. I. Título.
ISBN 978-85-459-0434-2
CDD - 22 ed. 254.1
CIP - NBR 12899 - AACR/2
Ficha catalográica elaborada pelo bibliotecário 
João Vivaldo de Souza - CRB-8 - 6828 
Impresso por:
Reitor
Wilson de Matos Silva
Vice-Reitor
Wilson de Matos Silva Filho
Pró-Reitor de Administração
Wilson de Matos Silva Filho
Pró-Reitor de EAD
Willian Victor Kendrick de Matos Silva
Presidente da Mantenedora
Cláudio Ferdinandi
NEAD - Núcleo de Educação a Distância
Direção Operacional de Ensino
Kátia Coelho
Direção de Planejamento de Ensino
Fabrício Lazilha
Direção de Operações
Chrystiano Mincof
Direção de Mercado
Hilton Pereira
Direção de Polos Próprios
James Prestes
Direção de Desenvolvimento
Dayane Almeida 
Direção de Relacionamento
Alessandra Baron
Head de Produção de Conteúdos
Rodolfo Encinas de Encarnação Pinelli
Gerência de Produção de Conteúdos
Gabriel Araújo
Supervisão do Núcleo de Produção de 
Materiais
Nádila de Almeida Toledo
Supervisão de Projetos Especiais
Daniel F. Hey
Coordenador de Conteúdo
Roney de Carvalho Luiz
Designer Educacional
Isabela Agulhon Ventura, Agnaldo Lorca 
Ventura
Iconograia
Isabela Soares Silva
Projeto Gráico
Jaime de Marchi Junior
José Jhonny Coelho
Arte Capa
Arthur Cantareli Silva
Editoração
Fernando Henrique Mendes
Qualidade Textual
Hellyery Agda, Danielle Loddi, Helen Braga do 
Prado
Ilustração
Bruno Cesar Pardinho
Viver e trabalhar em uma sociedade global é um 
grande desaio para todos os cidadãos. A busca 
por tecnologia, informação, conhecimento de 
qualidade, novas habilidades para liderança e so-
lução de problemas com eiciência tornou-se uma 
questão de sobrevivência no mundo do trabalho.
Cada um de nós tem uma grande responsabilida-
de: as escolhas que izermos por nós e pelos nos-
sos farão grande diferença no futuro.
Com essa visão, o Centro Universitário Cesumar 
assume o compromisso de democratizar o conhe-
cimento por meio de alta tecnologia e contribuir 
para o futuro dos brasileiros.
No cumprimento de sua missão – “promover a 
educação de qualidade nas diferentes áreas do 
conhecimento, formando proissionais cidadãos 
que contribuam para o desenvolvimento de uma 
sociedade justa e solidária” –, o Centro Universi-
tário Cesumar busca a integração do ensino-pes-
quisa-extensão com as demandas institucionais 
e sociais; a realização de uma prática acadêmica 
que contribua para o desenvolvimento da consci-
ência social e política e, por im, a democratização 
do conhecimento acadêmico com a articulação e 
a integração com a sociedade.
Diante disso, o Centro Universitário Cesumar al-
meja ser reconhecido como uma instituição uni-
versitária de referência regional e nacional pela 
qualidade e compromisso do corpo docente; 
aquisição de competências institucionais para 
o desenvolvimento de linhas de pesquisa; con-
solidação da extensão universitária; qualidade 
da oferta dos ensinos presencial e a distância; 
bem-estar e satisfação da comunidade interna; 
qualidade da gestão acadêmica e administrati-
va; compromisso social de inclusão; processos de 
cooperação e parceria com o mundo do trabalho, 
como também pelo compromisso e relaciona-
mento permanente com os egressos, incentivan-
do a educação continuada.
Diretoria Operacional 
de Ensino
Diretoria de 
Planejamento de Ensino
Seja bem-vindo(a), caro(a) acadêmico(a)! Você está 
iniciando um processo de transformação, pois quando 
investimos em nossa formação, seja ela pessoal ou 
proissional, nos transformamos e, consequentemente, 
transformamos também a sociedade na qual estamos 
inseridos. De que forma o fazemos? Criando oportu-
nidades e/ou estabelecendo mudanças capazes de 
alcançar um nível de desenvolvimento compatível com 
os desaios que surgem no mundo contemporâneo. 
O Centro Universitário Cesumar mediante o Núcleo de 
Educação a Distância, o(a) acompanhará durante todo 
este processo, pois conforme Freire (1996): “Os homens 
se educam juntos, na transformação do mundo”.
Os materiais produzidos oferecem linguagem dialógica 
e encontram-se integrados à proposta pedagógica, con-
tribuindo no processo educacional, complementando 
sua formação proissional, desenvolvendo competên-
cias e habilidades, e aplicando conceitos teóricos em 
situação de realidade, de maneira a inseri-lo no mercado 
de trabalho. Ou seja, estes materiais têm como principal 
objetivo “provocar uma aproximação entre você e o 
conteúdo”, desta forma possibilita o desenvolvimento 
da autonomia em busca dos conhecimentos necessá-
rios para a sua formação pessoal e proissional.
Portanto, nossa distância nesse processo de cresci-
mento e construção do conhecimento deve ser apenas 
geográica. Utilize os diversos recursos pedagógicos 
que o Centro Universitário Cesumar lhe possibilita. Ou 
seja, acesse regularmente o AVA – Ambiente Virtual de 
Aprendizagem, interaja nos fóruns e enquetes, assista 
às aulas ao vivo e participe das discussões. Além dis-
so, lembre-se que existe uma equipe de professores 
e tutores que se encontra disponível para sanar suas 
dúvidas e auxiliá-lo(a) em seu processo de aprendiza-
gem, possibilitando-lhe trilhar com tranquilidade e 
segurança sua trajetória acadêmica.
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Professor Esp. Galaor Linhares Tupan Junior
Doutorando em Ministério pelo Centro Presbiteriano de Pós-Graduação 
Andrew Jumper e Reformed Theological Seminary (2017). Especialista em 
Coordenação de Dinâmica de Grupo pela Sociedade Brasileira de Dinâmica 
de Grupo (2000). Bacharel em Teologia pelo Centro de Ensino Superior de 
Maringá (2015). Graduado em Teologia pelo Seminário de Educação Teológica 
Elim (2013). Pastor na Missão Cristã Elim, desde 1998.
Conferir mais detalhes em: <http://lattes.cnpq.br/2039697727145495>.
SEJA BEM-VINDO(A)!
Caro(a) aluno(a), é com grande satisfação que apresento a você as boas-vindas à disci-
plina Modelos de Plantação de Igrejas. Sou o professor Galaor Linhares Tupan Júnior, 
pastor evangélico, e tenho trabalhado pela Igreja do Senhor há mais de 25 anos, junto 
à Missão Cristã Elim. Nesse tempo, plantamos igrejas em várias cidades do território na-
cional, incluindo o interior do Amazonas. Agora, estamos também na Colômbia. Nosso 
desejo é obedecer ao mandamento inal de Jesus Cristo, avançando para a África, Ásia 
e até os conins da terra. Cristo amou sua Igreja e deu sua vida por ela. Que seja assim a 
vida daqueles que desejam segui-Lo.
Meu objetivo, ao escrever este livro, é despertá-lo(a) para a vocação missionária da Igre-
ja no mundo e instrumentalizá-lo(a) para a plantação de igrejas. No decorrer de seus 
estudos, procure interagir com os textos, fazer anotações, realizar as atividades de es-
tudo e, acima de tudo, compreender como o conteúdo do livro pode se tornar realida-
de em suas ações. De muitas maneiras, você vai observar que seus estudos podem ter 
aplicação prática em sua vida cristã, quer como um plantador de igrejas, quer como um 
teólogo, ou, simplesmente, como um discípulo do Senhor Jesus Cristo.
Estaremos juntos para abordar os princípios básicos de plantação de igrejas, compre-
endendo biblicamente esse termo e veriicando sua importância para a evangelização. 
Nossos estudos consideram a teologia bíblica do plantio de igrejas. Vamos realizar uma 
relexão crítica sobre Missio Dei e o reinado de Deus, reconhecendo sua soberania frente 
à plantação de igrejas. As citações bíblicas foram retiradas da versão Almeida Revista e 
Atualizada, da Sociedade Bíblica do Brasil. 
Cremos que as promessas que Deus concedeu a Abraão são para todas as famílias da 
terra. Reconhecemos que a Igreja do Senhor é uma só e desejamos que o evangelho 
cumpra com seu propósitoem diferentes línguas, tribos, povos e nações. Para isso, uma 
compreensão adequada do signiicado de cultura é um pré-requisito para uma comu-
nicação eicaz das boas novas do evangelho. Vamos considerar a necessidade de utili-
zação de modelos adequados de plantação de igrejas, respeitando as diferenças trans-
culturais.
Teremos um momento para identiicar qual é o peril do plantador de igrejas e como 
esse pode ser lapidado. Vemos, no chamado de Cristo, o desaio de depender daquele 
que chama, e não de quem somos. Nossas fraquezas podem tornar-se uma oportunida-
de para a manifestação do poder e da graça de Deus.
Finalizando, vamos vivenciar o desaio da plantação de uma nova igreja, considerando 
o exímio modelo do apóstolo Paulo, e estratégias essenciais para essa missão. Veremos 
que o Espírito Santo é a pessoa central para o nascimento de uma igreja, o que pode ser 
observado em Sua atuação poderosa em todo o livro de Atos dos Apóstolos. Como dis-
se o Senhor Jesus na Grande Comissão, em Mateus 28, 20: “[...] ensinando-os a guardar 
todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à 
consumação do século”.
APRESENTAÇÃO
MODELOS DE PLANTAÇÃO DE IGREJAS
Espero que, ao término desta disciplina, os conceitos aqui ensinados sejam trans-
formados em novas congregações em áreas do mundo ainda não alcançadas, ou 
sejam traduzidos no fortalecimento das congregações já existentes. “Até que todos 
cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita 
varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo” (BÍBLIA, Efésios 4,13).
Um grande abraço, bons estudos e que Deus os abençoe.
APRESENTAÇÃO
SUMÁRIO
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UNIDADE I
PRINCÍPIOS BÁSICOS DE PLANTAÇÃO DE IGREJAS
15 Introdução
16 Plantio de Igrejas - Conceitos e Termos 
20 O Plantio de Igrejas Como Processo Orgânico 
24 Elementos Presentes na Plantação de Igrejas 
28 Perspectiva Histórica do Plantio de Igrejas 
33 Considerações Finais
37 Referências 
38 Gabarito 
UNIDADE II
TEOLOGIA BÍBLICA DO PLANTIO DE IGREJAS
43 Introdução
44 Acordo Entre Teologia e Missiologia 
50 Relexão Crítica Sobre Missio Dei e Reinado de Deus 
55 Orientação Teológica Para o Plantio de Igrejas 
62 Cosmovisão e Contextualização 
68 Considerações Finais 
72 Referências 
73 Gabarito 
SUMÁRIO
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UNIDADE III
CULTURAS E MODELOS DE PLANTAÇÃO DE IGREJAS
77 Introdução
78 O Chamado de Deus é Para Todos 
82 A Cultura e as Diferenças Transculturais 
87 Diferenças Transculturais 
95 Compreendendo Culturas, Formatos e Modelos 
106 Modelos de Plantação de Igrejas 
117 Considerações Finais 
122 Referências 
123 Gabarito 
UNIDADE IV
O DESAFIO DE PLANTAR IGREJAS
127 Introdução
128 Quem Foi Chamado Para Essa Missão? 
144 O Peril do(a) Plantador(a) de Igrejas 
157 Plantadores Bivocacionais 
161 A Igreja e o Plantio de Igrejas 
164 Considerações Finais 
169 Referências 
170 Gabarito 
SUMÁRIO
11
UNIDADE V
PLANEJANDO A PLANTAÇÃO DE UMA NOVA IGREJA
173 Introdução
174 O Paradigma Paulino Para Plantação de Igrejas 
182 Estratégias Essenciais Para o Plantio de Igrejas 
199 O Papel do Espírito Santo na Plantação de Igrejas 
203 Considerações Finais 
208 Referências 
209 Gabarito 
213 Conclusão 
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Professor Esp. Galaor Linhares Tupan Junior
PRINCÍPIOS BÁSICOS DE 
PLANTAÇÃO DE IGREJAS
Objetivos de Aprendizagem
 ■ Identiicar biblicamente os termos relacionados ao plantio de igrejas.
 ■ Descrever as fases do processo de plantio de igrejas.
 ■ Conhecer os elementos presentes na plantação de igrejas.
 ■ Considerar as abordagens históricas mais comuns nos últimos 
séculos sobre plantio de igrejas.
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
 ■ Plantio de Igrejas - Conceitos e Termos
 ■ O Plantio de Igrejas como Processo Orgânico
 ■ Elementos Presentes na Plantação de Igrejas
 ■ Perspectiva Histórica do Plantio de Igrejas
INTRODUÇÃO
Olá, caro(a) aluno(a). Muita literatura tem sido escrita a respeito da Igreja e sua 
missão. Desde as primeiras páginas do Antigo Testamento, observamos que o 
pecado de Adão não abortou o plano original de Deus. Havia um caminho para 
a reconciliação; mediante o qual o homem poderia ter sua comunhão com Deus 
restaurada e reconstruída. Deus escolheu Abraão e seus descendentes para aben-
çoar o mundo. O aparente fracasso dos judeus, com a inal rejeição do Messias 
também não puderam invalidar o propósito divino. 
Na cruz, Jesus conciliou judeus e gentios, fazendo destes um só povo liberto 
do domínio do pecado e congregado na Sua Igreja, “a saber, que os gentios são 
coerdeiros, membros do mesmo corpo e coparticipantes da promessa em Cristo 
Jesus por meio do evangelho” (BÍBLIA, Efésios 3,6). 
Nesta unidade, estudaremos os princípios básicos de plantio de igrejas. Já 
de antemão deinimos que, ao utilizarmos o termo Igreja (com maiúscula), nos 
referimos ao corpo místico que é ediicado sobre o fundamento dos apóstolos e 
dos profetas, o qual é composto por todos os cristãos verdadeiros, do qual Cristo 
é a cabeça. Quando usamos o termo igreja (com minúscula), estamos falando 
das igrejas em suas localidades, constituídas de cristãos que buscam adorar, ser-
vir e pautar suas vidas nos princípios da Palavra de Deus. Biblicamente, o termo 
não pode fugir a essas duas inalidades.
Você pode se perguntar: como podemos plantar uma igreja nos dias de hoje? 
Os custos são altos e os corações estão endurecidos. Temos diiculdade de pro-
mover evangelização num mundo secularizado e religioso, em que a prioridade 
das pessoas está centralizada no prazer como bem supremo.
Deus, no entanto, tem um caminho sobrenatural, no qual os impossíveis 
podem ser superados pelo Seu poder. Ele é poderoso para fazer ininitamente 
mais do que tudo quanto pedimentos ou pensamos, conforme Sua palavra. “A 
Ele seja a glória, na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o 
sempre. Amém” (BÍBLIA, Efésios 3,21).
Introdução
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PRINCÍPIOS BÁSICOS DE PLANTAÇÃO DE IGREJAS
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PLANTIO DE IGREJAS - CONCEITOS E TERMOS
Caro(a) aluno(a), vamos, agora, entender e estudar juntos o processo bíblico 
e prático de evangelizar e plantar novas igrejas. A primeira diferenciação que 
temos a fazer é entre evangelização e plantio de igrejas. Isso é fundamental para 
o entendimento de nosso tema em estudo. Grande parte das deinições apresen-
tadas são contempladas por Ronaldo Lidório em um Treinamento Missionário 
Intensivo chamado “Capacitar”, o qual ocorre uma vez a cada ano em diferentes 
cidades do país e, também, podem ser observadas em Lidório (2011), Teologia 
Bíblica do Plantio de Igrejas. 
A evangelização é a proclamação do evangelho. Esse evangelho pode ser 
proclamado verbalmente, ou seja, você fala do Senhor Jesus e aquele que ouve 
compreende, em sua língua e ambiente cultural. Entretanto, a evangelização não 
é apenas falar, mas também viver; ou seja, não evangelizamos apenas com nossas 
palavras, mas também com nossa vida, que é o nosso testemunho. O Senhor Jesus 
chamou Sua Igreja para falar e viver; para pregar verbalmente o evangelho, por 
meio de palavras e, também, para, silenciosamente, demonstrar o amor de Deus.
Assim, concluímos que existem dois fundamentos muito relevantes na evange-
lização. São traduzidos por duas palavras de origem grega: kerygma e martyrium.
Plantio de Igrejas - Conceitos e Termos
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• Kerygma: palavra de origem grega usada no Novo Testamento com o signi-
icado de proclamação, pregação, anúncio ou mensagem. Ou seja: comuni-
cação verbal que pode ser compreendida.
• Martyrium: palavra de origem grega usada no Novo Testamento com o 
signiicado de testemunho. Ou seja: comunicar com nossas ações.
Esses dois termos caminham juntos no Novo Testamento, no qual lemos que foi 
proclamado o evangelho, sempre veriicamos que este foi depois demonstrado, 
evidenciado, manifestado por meio do testemunho de vida.
Jesus chamou sua Igreja para pregar e viver. Lidório (2011) apresenta o 
conceito de que evangelização é o ato de comunicar - seja verbalmente ou pelo 
testemunho de vida - quem é Jesus e o que Ele fez por nós. Evangelização não é 
plantio de igrejas. Plantio de igrejas é um processo.
A evangelização pode ser um ato estático ou um processo, porém o plan-
tio de igrejas é sempre um processo. Você pode comunicar, em cinco minutos, 
quem é Jesus e o que Ele fez por nós ou levar um ano para evangelizar uma pes-
soa, uma família, uma cidade ou uma nação. A evangelização é a primeira etapa 
do processo de plantio de igrejas.
“Processo é uma palavra com origem no latim procedere, que signiica mé-
todo, sistema, maneira de agir ou conjunto de medidas tomadas para atin-
gir algum objetivo. Relativamente à sua etimologia, processo é uma palavra 
relacionada com percurso, e signiica ‘avançar’ ou ‘caminhar para a frente’”.
Fonte: Signiicados ([2017], on-line)1.
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Outra diferenciação abordada por Lidório (2011), Bastos (2010) e diversos auto-
res é entre igreja e templo. Para você, qual é a diferença? 
Principalmente no Brasil, nosso conceito de igreja está atrelado a templo. 
Quando falamos sobre plantio de igrejas, algumas vezes, pensamos no aspecto 
do edifício e não em pessoas. Igreja não é estrutura, não é templo, não é insti-
tuição, mas são pessoas convertidas ao Senhor Jesus. Na África, por exemplo, 
muitas igrejas se reúnem embaixo de árvores. Quem vai plantar uma igreja não 
construirá, necessariamente, um templo, mas vai evangelizar, discipular, ajun-
tar convertidos, treinar líderes e acompanhar a igreja formada. 
Jesus, que inaugurou a plantação da Sua Igreja na Terra, não construiu 
nenhum templo. Em Atos, capítulo 2, há o relato de que a igreja louvava a Deus 
no templo e de casa em casa. Ali estavam judeus, que preferiam o templo, demons-
trando suas raízes no judaísmo, e gentios que preferiam as casas. Embora houvesse 
a preferência por lugares distintos para louvar a Deus, eles eram unânimes: os gen-
tios também iam ao templo e judeus também reuniam-se nas casas. Esse conceito 
de união como marca da Igreja primitiva também é abordado nos comentários 
de Atos, capítulo 2, da Bíblia Missionária de Estudos (2014).
Encontramos no texto de Alexandre Bastos, em Metodologia de Plantação 
de Igrejas, o mesmo princípio apresentado:
Plantio de Igrejas - Conceitos e Termos
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[...] é fundamental dizer que a palavra igreja registrada no Novo Testa-
mento e que norteia nossos princípios, nada tem a ver com os paradig-
mas que ao longo dos séculos foram sendo adquiridos. Como equivo-
cadamente sendo a expressão da instituição, denominação, estilo e até 
mesmo do prédio. Por força destes paradigmas ou até mesmo pelo ví-
cio de linguagem, as pessoas sistematicamente tem associado a palavra 
-igreja- simplesmente com o local onde os cristãos se reúnem. Outro 
fator equivocado é determinarem se um grupo de cristãos é igreja ba-
seado na existência de um prédio ou não. É muito importante lembrar 
que nos primeiros trezentos anos da história da igreja de Jesus não ha-
via “prédio de igreja” algum, mesmo assim não deixavam de ser igreja. 
Até mesmo nos dias de hoje, lugares onde ter um prédio para a reunião 
da igreja é proibido ou até mesmo grupos de cristãos que se reúnem 
sem prédio, continuam sendo a Igreja de Jesus (BASTOS, 2010, p. 8).
Bastos (2010) corrobora o entendimento de que igreja não é templo, não é o 
prédio onde os cristãos se reúnem. Ao plantarmos igrejas, não dependemos de 
instalações físicas, mas sim de que os crentes sejam congregados como pedras 
vivas, ou lavoura de Deus para que juntos possam formar um organismo vivo 
que dá glória a Deus. 
PRINCÍPIOS BÁSICOS DE PLANTAÇÃO DE IGREJAS
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O PLANTIO DE IGREJAS COMO PROCESSO 
ORGÂNICO
O conceito de plantio de igrejas como processo orgânico é apresentado pelo 
apóstolo Paulo em I Coríntios 3, 6, que diz: “Eu plantei, Apolo regou; mas o 
crescimento veio de Deus”. 
Paulo e Apolo desempenharam diferentes serviços, Paulo plantou, 
Apolo regou. A metáfora de semear e de cuidar da plantação é bem sig-
niicativa no que se refere às fases de implantação de uma igreja local. 
Os trabalhadores nada seriam sem a intervenção divina no crescimen-
to da igreja plantada. O trabalho missionário é árduo, como o é o de 
plantar e regar. A dependência de Deus é a chave para um crescimento 
constante e duradouro (BÍBLIA, 2014, p. 1172).
Plantar, regar e fazer crescer estão relacionados com aspectos vitais de cresci-
mento, de realização contínua e prolongada. A plantação de igrejas permanentes 
e verdadeiras depende, em primeira instância, do próprio Deus. Os cristãos são 
a lavoura em que o Pai é o agricultor e cultiva a Cristo. Os ministros de Cristo 
podem plantar e regar, mas somente Deus pode dar o crescimento. 
Embora, biblicamente, uma igreja plantada seja considerada “lavoura de 
Deus”, onde há o plantio, rega e o crescimento, ela também é considerada “edifí-
cio de Deus”, cujo único fundamento é Cristo Jesus. Quem O deiniu como base 
para o edifício foi Deus, em Seu supremo propósito. Programas e métodos de 
crescimento não podem ser eicazes sem Cristo, que é a vida da igreja. 
Conforme I Coríntios 3,12, simbolicamente, os materiais adequados para a 
ediicação de igrejas são ouro, prata e pedras preciosas, os quais são minerais. O 
ouro pode representar a natureza divina do Pai, com todos os seus atributos; a 
prata pode representar o Cristo Redentor, Sua morte na cruz, todas as virtudes 
O Plantio de Igrejas Como Processo Orgânico
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e atributos de Sua pessoa e obra. As pedras preciosas, por sua vez, representam 
a obra transformadora do Espírito Santo com todos os atributos de Sua pessoa.
A ideia de transformação de “lavoura de Deus” em “edifício de Deus” mani-
festa o caráter de modiicação que a experiência cristã produz em nós. Portanto, 
plantação de igrejas constitui-se integralmente num processo espiritual.
Hesselgrave (1995), apresenta, em seu livro Plantar Igrejas, um estudo 
detalhado e criterioso das etapas que envolvem o processo de plantar igrejas, 
considerando que: 
[...] a missão primária da Igreja e, portanto, das igrejas, é proclamar o 
evangelho de Cristo e reunir os crentes em igrejas locais onde podem 
ser ediicados na fé e tornados eicazes no serviço, e assim plantar novas 
congregações no mundo inteiro (HESSELGRAVE, 1995, p. 15).
Observamos nas palavras do Senhor Jesus, descritas na Grande Comissão, a 
essência do processo de plantação de igrejas:
[...] Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me 
foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as 
nações, batizando-osem nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; 
ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis 
que estou convosco todos os dias até a consumação do século (BÍBLIA, 
Mateus 28, 18-20).
Esta é a tarefa central à qual Cristo chama o Seu povo. Nela encontramos a essên-
cia e o método da missão. Quem ordena a tarefa é Aquele que tem autoridade 
para fazê-la. Após Sua obediência até a morte, morte de cruz, Deus, o Pai, con-
cede ao Filho toda autoridade nos céus e na terra. Como já foi testado por seus 
discípulos, o Espírito Santo nos concede poder e força enquanto cumprimos o 
mandamento. 
As instruções para o plantio de igrejas icam claras nas ordens de Jesus e 
são tomadas como base para o trabalho da igreja primitiva. Indicamos a seguir 
essas fases ou etapas, resumidamente, que envolvem a plantação de uma igreja:
1. Ir: levar a palavra do Senhor a campos ainda não alcançados. Aqueles 
que são comissionados a ir fazem parte da comunidade de discípulos. 
Foram salvos pela fé na palavra da pregação, batizados, testemunhando 
arrependimento e foram transformados pela obediência aos ensinamen-
tos do Senhor.
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2. Evangelizar: comunicar, seja verbalmente, ou pelo testemunho de vida, 
quem é Jesus e o que Ele fez por nós.
3. Fazer discípulos: a obediência ao Mestre é exigida não somente daquele 
que leva a mensagem, mas também daquele que a ouve e se arrepende. 
Essa etapa envolve o batismo e o contínuo ensino das Escrituras Sagradas.
4. Congregar os convertidos: aqueles que se convertem, de todas as nações, 
devem ser trazidos para dentro da Igreja do Senhor.
5. Formar líderes: dentre os convertidos, aqueles que confessarem o cha-
mado do Senhor para o ministério devem ser discipulados de maneira 
mais próxima e pessoal, com o propósito de que a nova congregação 
tenha um governo local, ou para que esses sejam enviados a novos cam-
pos ainda não alcançados.
6. Acompanhar: as novas congregações devem ser acompanhadas, con-
tinuamente, para correção de desvios, encorajamento dos irmãos e 
fortalecimento da liderança local, assim como sempre fazia o apóstolo 
Paulo. 
Certamente o apóstolo Paulo foi um homem especialmente comprometido com 
a Grande Comissão. Por onde passava, Paulo pregava a palavra, os homens eram 
convertidos e as igrejas eram estabelecidas. 
O processo de plantação de igrejas está retratado, de forma muito prática e 
impressionante, pelo apóstolo Paulo em I Tessalonicenses 1,5, que diz: 
[...] porque o nosso evangelho não chegou até vós tão somente em pala-
vra, mas sobretudo, em poder, no Espírito Santo e em plena convicção, 
assim como sabeis ter sido o nosso procedimento entre vós e por amor 
de vós (BÍBLIA, I Tessalonicenses, 1,5). 
Nesse versículo Paulo resume, dentre todas as suas cartas, o processo de plan-
tio de uma igreja local e explica aos tessalonicenses os elementos essenciais que 
izeram a igreja em Tessalônica nascer tão rapidamente. A Bíblia Missionária 
de Estudos (2014), apresenta comentários de Lidório, o qual considera o nasci-
mento da igreja um fruto da chegada do evangelho que:
1) Chega em palavra, do grego logos, ou seja, habilidade comunicacional, 
sermão comunicado de forma inteligível na língua e cultura daquele que 
está ouvindo. 
O Plantio de Igrejas Como Processo Orgânico
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2) Chega com poder, dynamis (palavra de origem grega cujo signiicado é 
poder, força). Por isso, o que traz a salvação e a plantação de uma igreja 
é o poder de Deus e não a capacidade humana. O poder é a manifesta-
ção sobrenatural de Deus que cativa os perdidos e os traz à luz de Cristo.
3) É acompanhado pela ação do Espírito Santo, que tem como função con-
vencer e converter os corações e ediicá-los para que sejam transformados 
à imagem de Cristo.
4) É motivado pela plena convicção (do grego pleroforia), que se refere à 
certeza que Paulo e os seus companheiros possuíam de estar fazendo a 
vontade do Pai. 
Em Atos, capítulo 17, Paulo e seus companheiros estavam em uma pequena cidade 
chamada Tessalônica, na qual ele pregou o evangelho apenas por três semanas. 
Aos sábados, ele evangelizava os judeus na sinagoga e, durante a semana, evange-
lizava gentios e judeus no mercado que icava na praça central da cidade. Depois 
de três a cinco semanas, nasceu uma igreja em Tessalônica, o que, mesmo para 
Paulo, foi algo sobrenatural, uma vez que a plantação da igreja de Éfeso, por 
exemplo, ocorreu em três anos. 
Sobre o processo de plantação de igrejas entre os irmãos tessalonicenses, 
Lidório (2011), faz uma paráfrase das palavras de Paulo: 
[...] meus irmãos em Tessalônica, vocês icaram impressionados com o 
meu ministério? Não foi por isso que vocês se converteram. Vocês se 
converteram porque o evangelho, que é o Senhor Jesus Cristo, chegou 
até vocês. Chegou também em palavra humana, mas não foi isso que 
transformou os seus corações, mas foi o poder de Deus e o Espírito 
Santo que operou em vocês. E quanto a mim, Paulo, e meus compa-
nheiros, nós tínhamos certeza, plena convicção, de que nós estávamos 
fazendo a vontade de Deus (LIDÓRIO, 2011, p. 7).
Compreendemos que a plantação de igrejas somente pode ser realizada pelo 
poder e autoridade do próprio Deus. O autor ainda considera que: 
[...] se o evangelho é Jesus, que é Deus. Se o poder que leva as pessoas 
a conversão, não é o poder da igreja, mas o poder de Deus. Se a ação 
não é do homem, mas é do Espírito Santo, que é Deus. Então, quem faz 
uma igreja nascer é o próprio Deus. O que nós fazemos? Paulo nos res-
ponde. Devemos estar no lugar certo, na hora certa, fazendo a vontade 
de Deus. Nós não podemos chegar ao inal do dia, da semana, do ano, 
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ou da nossa vida sem a convicção, “pleroforia”, de que estamos fazendo 
a vontade de Deus (LIDÓRIO, 2011, p. 7).
Segundo Lidório, sem tais elementos, a igreja em Tessalônica não nasceria, pois, 
dentro do processo de espalhar o evangelho e plantar igrejas, nada acontecerá 
sem o poder de Deus e a ação do Espírito Santo.
ELEMENTOS PRESENTES NA PLANTAÇÃO DE 
IGREJAS
Agora, vamos considerar oito ele-
mentos essenciais para a plantação de 
igrejas indicados por Lidório (2011), 
quais sejam: intencionalidade, opor-
tunidade, teologia, continuidade, 
prática, oração, planejamento e lide-
rança local. Esses elementos podem 
ser evidenciados no ministério do 
apóstolo Paulo e também nos minis-
térios de plantadores de igrejas ao 
redor do mundo. Vários desses 
elementos são corroborados pela 
metodologia de Hesselgrave (1995) 
para plantação de igrejas. Vamos nos deter um pouco em cada um deles:
E você? Tem procurado ter a plena certeza (pleroforia) de que está no centro 
da perfeita vontade de Deus? Se você não tem esta certeza, busque-a do 
Senhor e não deina os próximos passos da sua vida por qualquer critério 
que não seja a vontade dEle.
 (Ronaldo Lidório)
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 ■ Intencionalidade: é a intenção de se plantar uma igreja. Hesselgrave 
(1995), diz que 75% das igrejas plantadas no mundo foram plantadas 
intencionalmente. As igrejas que nascem, nascem porque alguém desejou 
e planejou seu nascimento. Alguém orou, enviou missionários, traba-
lhou, se esforçou por entrar em uma sociedadee se manteve perseverante. 
Intencionalidade diz respeito a olharmos para uma cidade carente do 
evangelho, orar por essa cidade, despertar outros para oração e desper-
tar parceiros para o projeto, enviar um plantador de igrejas para o local, 
apoiar aquele que foi enviado até que pessoas se convertam ao evangelho 
de Cristo e, assim, ver uma igreja nascer. Ninguém investe em um negócio 
indeinido, os recursos sempre seguem a visão. As pessoas se envolvem 
com aquilo que traduzem a elas convicção e paixão.
 ■ Oportunidade: há lugares onde nós temos muitas oportunidades para 
pregar o evangelho, discipular pessoas e treinar líderes. Outros lugares são 
fechados, com mínimas oportunidades. A questão não é quantas oportu-
nidades nós temos, mas quantas oportunidades nós usamos. Temos que 
pedir a Deus que os nossos olhos sejam abertos para as oportunidades. 
 ■ Teologia: ter como nosso guia a Palavra de Deus. Os projetos de cres-
cimento e plantio de igrejas não podem se afastar dos fundamentos 
teológicos. Segundo Lidório (2011, p. 13), “nem tudo o que funciona é 
Bíblico”. Existem métodos que são humanos, carnais e até mesmo malignos. 
Nós seremos cobrados por Deus se formos iniéis aos Seus ensinamentos.
 ■ Continuidade: o plantador de igrejas deve manter constância e perma-
nência no acompanhamento dos trabalhos realizados. Muitos projetos de 
plantio de igrejas são interrompidos, porque na fase do ajuntamento dos 
convertidos o plantador da nova igreja se ausenta. O momento de ajun-
tar é essencial para a consolidação da nova igreja. Mesmo depois da igreja 
plantada é necessário manter a continuidade. Isso é nitidamente obser-
vado no ministério do apóstolo Paulo. Ele plantava uma igreja, voltava 
para ajustar, mandava alguém para visitar, escrevia e enviava cartas, arti-
culava o estabelecimento de lideranças. Orava pelas igrejas plantadas e as 
acompanhava permanentemente, visando seu fortalecimento.
 ■ Prática: abundante evangelização. Um dos maiores entraves para plan-
tio de igrejas é a pouca evangelização. Apesar de haver muita expectativa 
de que as pessoas se convertam, há pouca evangelização. Lidório (2011) 
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nos alerta que Igrejas são plantadas nas ruas, nos mercados, nos bairros, 
nas casas, nas matas, nas aldeias, nos condomínios. Igrejas são plantadas 
nos lugares onde estão aqueles que ainda não conhecem pessoalmente a 
Jesus. Uma visão que o plantador de igrejas precisa ter é a de ir aos luga-
res onde as pessoas estão. 
 ■ Oração: todos os lugares e épocas em que houve grande avanço mis-
sionário foi precedido de oração. Deus ouve as orações. Oração não é 
repetição de necessidades, mas um ponto de encontro com Deus. Não é 
transmissão de ideias para o Pai, mas um convite que Deus nos traz para 
uma convivência mais próxima e íntima com Ele. A Bíblia nos ensina, 
em Mateus 18, 18 a 20, que “tudo o que ligarmos na terra terá sido ligado 
nos céus, e tudo o que desligarmos na terra terá sido desligado nos céus” 
e que, “se dois dentre vós, sobre a terra, concordarem a respeito de qual-
quer coisa que, porventura, pedirem, ser-lhe-á concedida por meu Pai, 
que está nos céus”. Isso, obviamente, não signiica, de modo algum, que 
podemos forçar Deus a fazer o que Ele não quer, mas sim que podemos 
reivindicar que faça o que Ele deseja fazer em seu perfeito conhecimento 
e soberana vontade. Na oração, também “recarregamos nossas baterias”, 
pois oração é relacionamento com Deus. Lidório (2011) relata que Jesus, 
intensamente, trabalhava, ensinava, curava, discipulava, expulsava demô-
nios e fazia amigos e, em seguida, se dirigia aos montes sozinho, ou saia 
com alguns de Seus discípulos em um barco, para estar em comunhão 
e relacionamento com Deus. Ali, Jesus reletia, descansava e encontrava 
refrigério para Sua alma. Existem líderes tão atarefados que não têm 
tempo para orar, para reletir, não têm tempo para ter amizades, para 
abrir o coração, não têm tempo para serem pastoreados. Caem em cila-
das malignas porque, no meio do cansaço, não percebem que “baixam a 
sua guarda”. Então, tudo que é carnal ganha mais força, aquilo que é do 
Espírito é colocado de lado. Assim, icam mais vulneráveis e rendem-se 
a caminhos de destruição. O plantador de igrejas deve ter uma forte vida 
de oração e vigilância em Deus. 
 ■ Planejamento: no projeto de plantio de igrejas temos que ter, de maneira 
bem clara, qual é a visão, ou seja, o que desejamos alcançar ao inal de um 
período de trabalho. Quais são os alvos principais e quais são as ativida-
des que serão desenvolvidas para se alcançar esses alvos. Na Unidade V 
trataremos esse assunto de forma especíica.
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 ■ Liderança local: o bom plantador de igrejas é aquele que pensa em ir 
embora no dia em que chega. Ele aspira estabelecer aquela obra para 
adentrar em novos campos. Por isso, ele identiica, dentre os novos con-
vertidos, pessoas que possam ser treinadas para a futura liderança local 
daquela igreja. 
Desde já, podemos perceber a grande importância que a pessoa do plantador de 
igrejas possui. Suas convicções em Deus, a clareza de um chamado ministerial, 
a coniança naquilo que Deus pode fazer, dentre outras, são características fun-
damentais para o desenvolvimento desse ministério. Suas atitudes e disposição 
farão mais diferença no processo de plantar igrejas do que suas áreas de facili-
dade e habilidade. Na Unidade IV estudaremos aspectos especíicos do peril e 
caráter desejados para o plantador de igrejas.
“Quanto a mim, longe de mim que eu peque contra o Senhor, deixando de 
orar por vós; antes, vos ensinarei o caminho bom e direito” (BÍBLIA, I Samuel 
12, 23).
A oração persistente move o coração de Deus e nos concede a chave para 
adentrarmos em novos campos missionários.
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PERSPECTIVA HISTÓRICA DO PLANTIO DE IGREJAS
A perspectiva histórica do 
plantio de igrejas, certamente, 
encontra-se entrelaçada com 
a história da missão cristã. 
Páginas incontáveis têm sido 
escritas a esse respeito. Nossa 
narrativa histórica detém-se 
ao processo seletivo de esco-
lha dos conteúdos a serem 
abordados, considerando-se 
que o volume dos aconteci-
mentos é muito vasto, em 
diferentes locais geográi-
cos. Levaremos em conta 
aqui apenas alguns pontos 
importantes. Hesselgrave, 
analisando as abordagens 
mais comuns nos últimos 
séculos, diz que: 
[...] os Reformadores dos séculos XVI e XVII recuperaram a mensagem 
da Igreja, mas (na maior parte) estavam demasiadamente preocupa-
dos com os problemas da Europa para darem muito ímpeto às missões 
noutras partes do mundo (HESSELGRAVE, 1995, p. 20).
Foram os pietistas, os morávios e um batista com o nome de William Carey que 
recuperaram a necessidade urgente de levar o evangelho até aos conins da terra.
No inal do século XVII surgiu o pietismo, um movimento de renovação 
da fé cristã na Igreja Luterana Alemã, defendendo a importância do sentimento 
e da expressão espiritual na experiência religiosa, em detrimento do raciona-
lismo religioso corrente. 
Juntamente aos pietistas, os irmãos morávios tiveram grande inluência no 
avivamento e expansão mundial do evangelho. Os morávios eram eslavos que 
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estavam escapando de sua terra natal, a região central e oriental da Europa: em 
consequência da guerra dos trinta anos, foram morar nas terras de um conde 
muito rico, chamado Zinzendorf, na parte mais oriental da República Tcheca. 
Nestas terras, eles estabeleceram a comunidade de Herrnhut, que signiica “Redil 
do Senhor”. 
Eles eram cristãos de diferentes origens denominacionais. Entretanto, no 
princípio, estes refugiados de guerra tinham muitas rivalidades entre si. No dia 
5 de agosto de 1727, depois de um período prolongado de oração, eles resolve-
ram não mais criar debates e confusões. Praticamente uma semana depois desta 
aliança, no domingo de 13 de agosto, próximo ao meio-dia, numa reunião na 
qual se celebrava a Ceia do Senhor, mudanças começaram a acontecer. 
Nessa reunião, a presença e a bênção de Deus vieram de forma poderosa. 
Tanto o grupo presente quanto o pastor caíram diante de Deus. Todos permane-
ceram prostrados até a meia noite, tomados em oração, cânticos, choro e súplicas. 
Eles se sentiram muito pecadores e também muito felizes por causa da graça de 
Deus, que os trouxe à salvação. Seus desentendimentos e conlitos foram emu-
decidos; suas paixões e orgulho foram cruciicados. 
Eles entenderam que, da mesma maneira como nunca se havia permitido 
que o fogo sagrado se apagasse no altar, eles, que eram o templo do Deus vivo, 
jamais deveriam deixar que o fogo da oração deixasse de subir a Deus, como um 
incenso santo. Com esse objetivo, 24 irmãos e 24 irmãs iniciaram reuniões de 
oração diárias que duravam 24 horas. Essas reuniões de oração começaram no 
dia 26 de agosto de 1727 e terminaram somente depois de 26 de agosto de 1827. 
Foram mais de 100 anos de oração ininterrupta. Durante esse tempo, o amor 
pelos perdidos cresceu de tal maneira que em vinte cinco anos eles enviaram mais 
missionários que todas as igrejas protestantes da época em conjunto. A vida que 
eles desenvolveram em Deus mudou o curso de toda a história. 
Durante esse período nasce William Carey - cuja biograia foi escrita por 
George Smith (1885) - que foi o pai das missões modernas, trazendo grande 
contribuição e transformação no movimento de plantio de igrejas. Era inglês e 
viveu entre 1761 e 1834. Aos 18 anos de idade, Carey recebeu a Cristo como seu 
salvador pessoal, passando a frequentar uma pequena Igreja Batista. 
Desde então, Carey começou a estudar as escrituras, idiomas e ciências, 
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embora tenha tido, na infância, uma formação modesta. Com sua dedicação 
ao Senhor e estudos da Bíblia, Carey concluiu que a evangelização mundial era 
a principal responsabilidade da Igreja de Cristo. Sua denominação não aceitou 
suas declarações, dizendo que se Deus resolvesse converter os gentios o faria 
sem a ajuda de Carey. 
Em 1792 Carey publicou um livro de 87 páginas intitulado “Uma investi-
gação sobre o dever dos cristãos de empregarem meios para a conversão dos 
pagãos”. Este se tratava de uma avaliação do mundo de seus dias, que reletia a 
necessidade urgente da proclamação do evangelho a todas as nações da terra. 
No mesmo ano ocorreu a organização da Sociedade Missionária Batista, e Carey 
se ofereceu para ser o primeiro missionário enviado. 
Menos de um ano depois, em junho de 1793, ele e sua família partiram para 
a Índia como membros da mesma sociedade. Carey chegou em Hooghly no dia 
11 de novembro de 1793, marcando o início da grande era das missões além mar, 
promovidas pela Inglaterra e Estados Unidos.
O trabalho de Carey na Índia foi excepcional e inusitado: ele tinha uma visão 
missionária muito à frente do seu tempo, dedicando-se à causa cristã sem afron-
tar os aspectos da cultura local que não feriam os valores revelados por Deus 
nas páginas da Bíblia Sagrada. Sua importância para o cristianismo na Índia 
foi extraordinária. Junto com William Ward e Joshua Marshman, missionários 
que se juntaram a ele em 1799, fundaram 26 igrejas, 126 escolas e traduziram 
a Bíblia para 44 idiomas, além da vasta contribuição social que exerceu grande 
impacto na Índia. 
Lidório comenta que William Ward, companheiro e contemporâneo de 
Carey, escreveu, em 1805, em um jornal criado pela equipe: 
[...] ao plantarmos igrejas distintas, pastores nativos devem ser escolhi-
dos […] e missionários devem preservar suas características originais, 
dedicando-se ao plantio de novas igrejas e supervisionando aquelas já 
plantadas (LIDÓRIO, 2011, p. 15).
Lidório também cita Henry Venn e Rufus Anderson que começam a delinear a 
necessidade de que as igrejas plantadas guardem autonomia e suiciência como 
um organismo vivo:
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[...] em meados do século 19, Henry Venn e Rufus Anderson direcio-
naram a Igreja através de sua intencionalidade no plantio de igrejas, 
justiicando que as mesmas deveriam, ao serem plantadas, ter três ca-
racterísticas básicas: serem autopropagáveis, autogovernáveis e autos-
sustentadas (LIDÓRIO, 2011, p. 15).
Criava-se o conceito de Igrejas Autóctones, ou seja, igrejas locais com formação e 
liderança nativa, as quais possuem autonomia de sustento, liderança e propagação.
Hesselgrave (1995), considera por demais estreita a visão de evangelização 
sem o ajuntamento dos convertidos em uma igreja local:
[...] nas últimas décadas do século XIX e no presente século, a evangeli-
zação tem sido quase totalmente identiicada com grandes campanhas 
ou cruzadas que visam ganhar os indivíduos para uma decisão por 
Jesus Cristo. De um lado, há esse fato. E do outro lado, certo núme-
ro de métodos cuidadosamente elaborados de evangelização pessoal 
(individual) foram desenvolvidos com o mesmo im em mira. Tanto a 
evangelização das campanhas, quanto a evangelização pessoal devem 
ser encorajadas. Mas, conforme são frequentemente praticadas, não 
colocam novos crentes em contato vital com as igrejas locais. Propor-
cionalmente, uma ênfase grande demais tem sido dada à multiplicação 
dos convertidos- e uma ênfase totalmente insuiciente à multiplicação 
das congregações (HESSELGRAVE, 1995, p. 21).
Não podemos deixar de considerar que muitos dos movimentos missionários 
no decorrer dos séculos nem sempre tinham clareza de seus propósitos. Muitas 
atividades sociais consistentes foram desenvolvidas, como criação de escolas, hos-
pitais, orfanatos, campanhas humanitárias em todo o mundo, a favor da saúde, 
do saneamento, até mesmo da agricultura. Ações dignas de reconhecimento e 
elogios. Entretanto, estas atividades por si só não faziam discípulos, nem esta-
beleciam igrejas.
Observaremos que o plantio de uma nova igreja não está pautado naquilo 
que a força humana pode fazer, mas que igreja é obra de Deus e manifesta-
ção poderosa do Espírito Santo. Nada pode deter vidas que encontram em 
Deus sua suiciência. 
PRINCÍPIOS BÁSICOS DE PLANTAÇÃO DE IGREJAS
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Lidório (2011) denomina alguns movimentos missionários na história da expansão 
da Igreja como “esquisitices metodológicas”. Esses devaneios não foram ocasio-
nados por inidelidade a Deus ou desejo intencional de liberar-se dos princípios 
da fé cristã verdadeira, mas decorreram da ausência de amparo bíblico e teoló-
gico para algumas metodologias adotadas ao longo do processo de proclamação. 
Observando os diversos segmentos de plantação de igrejas no mun-
do atual, podemos perceber que o enraizamento dos problemas mais 
comuns em tais processosestá ligado a alguns fatores, sobre os quais 
escrevo a seguir:
A diiculdade de se distinguir igreja e templo, perdendo o valor do dis-
cipulado e gerando mais investimento na estrutura do que em pessoas.
A demora na introdução dos convertidos à vida diária da igreja, diluin-
do o valor da comunhão e integração além de gerar crentes imaturos, 
sem funções, desaios ou envolvimento.
A despreocupação com os fundamentos teológicos e atração pelos me-
canismos puramente pragmáticos.
A ausência de sensibilidade social e cultural, pregando um evangelho 
sem sentido para o contexto receptor. Uma mensagem alienada da re-
alidade da vida.
A excessiva pressa no plantio de igrejas, gerando comunidades super-
iciais na Palavra e abrindo oportunidades reais para o sincretismo ou 
nominalismo.
O excessivo envolvimento com a estrutura da missão ou da igreja, des-
gastando pessoas, recursos, tempo e minimizando o que deveria ser o 
maior e mais amplo investimento: a proclamação do evangelho (LIDÓ-
RIO, 2011, p. 16-17).
Neste ponto de nossa disciplina, já se torna claro o íntimo relacionamento entre 
proclamação do evangelho e a plantação de igrejas, que não podem ser disso-
ciadas sem prejuízo à missão da Igreja. Outro aspecto de suprema relevância diz 
respeito à necessidade de considerarmos que também não é possível realizar o 
divórcio entre a missão da igreja e teologia da missão. Vamos continuar cami-
nhando na Unidade II, de forma a buscar uma base teológica sólida e coerente 
para a plantação de igrejas, ou seja, a glória de Deus.
Considerações Finais
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33
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Chegamos ao inal da Unidade I. Começamos falando sobre a evangelização e 
plantio de igrejas, que são ações diferentes, podendo a evangelização tratar-se 
ou não de um processo. Já o plantio de igrejas sempre será um processo. Você 
também deve ter compreendido que templo não é igreja.
Suponha agora que você decidiu iniciar o plantio de uma igreja. Quais serão 
as etapas desenvolvidas neste processo? Você se lembra? Ir, evangelizar, fazer dis-
cípulos, congregar os convertidos, formar líderes e acompanhar. Cada uma dessas 
etapas, é de fundamental importância para o plantio de igrejas. Talvez, durante 
as primeiras etapas você possa se ausentar por algum tempo.
Entretanto, a partir do momento em que os convertidos são congregados, 
sua presença será imprescindível, até o momento em que a nova igreja tenha sua 
liderança local treinada e estabelecida. Isso ocorre em pelo menos três anos. A 
partir daí você pode orar pelo desaio de um novo campo, sempre considerando 
a importância de manter o acompanhamento, assim como fazia o apóstolo Paulo.
Pois bem, e os elementos presentes na plantação de igrejas indicados por 
Lidório? Você pode enumerá-los comigo? Intencionalidade, Oportunidade, 
Teologia, Continuidade, Prática, Oração, Planejamento e Liderança Local. Cada 
um deles deve estar presente para que a nova igreja seja plantada em um fun-
damento sólido.
Por im, você deve considerar a perspectiva histórica que observamos nos 
últimos séculos, recebendo a inspiração de homens e mulheres comuns, mas 
que aprenderam a depender da suiciência e do poder de Deus e foram encon-
trados em pleroforia, a plena convicção de que estavam no lugar certo, na hora 
certa, realizando a vontade de Deus.
Tenho certeza de que, no decorrer de nossos estudos, você poderá entender 
melhor seu papel como colaborador(a) da lavoura de Deus. É Ele que nos atrai 
com seu amor e nos enche de paixão pelas almas. 
34 
1. Observamos a existência de dois fundamentos muito relevantes na evangeliza-
ção, traduzidos por duas palavras de origem grega: kerigma e martyrium. Qual o 
signiicado desses termos?
2. Nosso conceito de igreja, principalmente no Brasil, está atrelado a templo. Quan-
do falamos sobre plantio de igrejas, algumas vezes pensamos no aspecto do edi-
fício e não em pessoas. Segundo o que foi abordado ao longo da unidade, 
qual a diferença entre igreja e templo?
3. Considerando a plantação de igrejas um processo, descreva resumidamente 
duas fases ou etapas envolvidas nesse processo.
4. Descreva e comente dois dos oito elementos essenciais em plantação de 
igrejas, quais sejam: intencionalidade, oportunidade, teologia, continuidade, 
prática, oração, planejamento e liderança local. Esses elementos podem ser evi-
denciados no ministério do apóstolo Paulo e também nos ministérios de planta-
dores de igrejas ao redor do mundo.
5. Observando os diversos segmentos de plantação de igrejas no mundo atual, 
podemos perceber que o enraizamento dos problemas mais comuns em tais 
processos, indicados por Lidório estão ligado a fatores estruturais e teológicos 
da missão. Cite e explique dois desses fatores.
35 
Quando olhamos para o início da igreja vemos o quanto os irmãos viviam em oração. 
Basta lermos os capítulos iniciais do livro de Atos e saberemos o porquê de tanto poder 
em manifestação naqueles dias. Não era porque eles eram mais especiais do que nós, 
nem pelo fato da igreja estar em seu início. A causa do poder estava na vida de comu-
nhão, de uma vida de oração.
O missionário e missiólogo Patrick Johnstone, em seu livro Intercessão Mundial, diz que: 
“Quando o homem trabalha, o homem trabalha; quando o homem ora, Deus trabalha”. 
Jorge Müller costumava dizer que “Um crente pode fazer mais em quatro horas, depois 
de empregar uma em orar, que cinco sem orar”.
Precisamos entender que, para realizarmos a obra que o Senhor nos tem chamados, a 
fazer, não seremos bem sucedidos se não orarmos. O poder ou a manifestação do poder 
está numa vida de oração individual e congregacional.
No que tange à obra missionária – evangelismo de escopo mundial - temos aprendido 
que podemos fazer a diferença no curso da vida de muitas pessoas por causa da nossa 
vida de oração.
Em I Timóteo 2:4, a Bíblia nos diz que é a vontade de Deus que todos os homens sejam 
salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade. Mas isto irá acontecer só porque 
é vontade de Deus? Não!
Como já disse John Wesley: “Nos parece que Deus é limitado pela nossa vida de oração. 
Ele nada faz pela humanidade a menos que alguém o peça para fazê-lo”.
Para que a vontade de Deus, expressa em I Timóteo 2:4 se cumpra, se faz necessário duas 
ações do homem: orar e evangelizar.
Reinhard Bonnke diz em seu livro, Evangelismo por Fogo que “Evangelismo sem inter-
cessão é um explosivo sem um detonador. Intercessão sem evangelismo é um detona-
dor sem um explosivo”. Se juntarmos esses dois indispensáveis ingredientes, no entanto, 
poderemos transformar o mundo, como foi dito com respeito a Paulo e Silas em Atos 17.
Precisamos ir, precisamos evangelizar e será a nossa oração que preparará o caminho 
para nós passarmos. A nossa missão depende da nossa vida de oração!
Fonte: Verbo vida (2015, on-line)2. 
MATERIAL COMPLEMENTAR
Plantar Igrejas: um guia para missões nacionais e 
transculturais
David Hesselgrave
Editora: Vida Nova
Sinopse: o livro de Hesselgrave é um guia passo a passo para a 
plantação de igrejas numa cultura diferente da cultura do plantador. 
Embora sistemático, evita o simplismo. Pelo contrário, cada passo é explicado na prática e na teoria. 
COMENTÁRIO: considero esse um dos livros mais importante sobre plantação transcultural de igrejas 
já publicado até o momento.
Uma chama na escuridão
“Uma chama na escuridão” é daqueles i lmes que não são para 
serem esquecidos. A produção de Mike Pritchard conta a história 
de William Carey, “O pai das Missões Modernas”. É possível tomar 
conhecimento do que é a certeza de ser chamado por Deus. Mesmo 
contra a opinião daqueles à sua volta, Carey partiu para a Índia, em 
1793, para pregar a Palavra de Deus. Muitas são as dii culdades, mas 
nada o impede de perseverar. Ficou conhecido como “O amigo da 
Índia” e “i cou encarregadode traduzir mais versões da Bíblia do que 
haviam sido feitas durante a história do cristianismo até aquela época”. 
APRESENTAÇÃO: o Instituto Antropos atua nas áreas de antropologia, pesquisa sociocultural e 
missiologia aplicada sob coordenação de Ronaldo e Rossana Lidório e com a colaboração de 
diversos consultores técnicos. Encontramos disponível nesse ambiente um material consistente, 
prático e aplicável. O Instituto se compromete a prestar um serviço gratuito e acessível nas 
áreas propostas (antropologia, missiologia, linguística e cuidado missionário), fornecendo 
metodologias para a pesquisa sociocultural (étnica ou urbanizada), aquisição de língua e plantio 
de igrejas.
O Instituto Antropos é também um portal que abriga outros três sites: a “Antropos - Revista de 
Antropologia” <www.revista.antropos.com.br>, “Missionews - Revista de Missiologia” <www.
missionews.com.br> e “Plantando Igrejas” <www.plantandoigrejas.org.br>, com sua versão em 
Inglês “Church Planting” <www.churchplanting.com.br>.
Para saber mais acesse: <http://instituto.antropos.com.br/v3/>.
REFERÊNCIAS
37
BASTOS, A. C. Metodologia de Plantação de Igrejas. Uberlândia: Escola de Planta-
dores de Igrejas, 2010. 
BÍBLIA. Português. Bíblia Missionária de Estudo. Tradução: Almeida Revista e Atu-
alizada. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2014.
HESSELGRAVE, D. Plantar Igrejas: um guia para missões nacionais e transculturais. 
São Paulo: Vida Nova, 1995.
LIDÓRIO, R. Teologia Bíblica do Plantio de Igrejas. Manaus: Instituto Antropos, 
2011.
SMITH, G. The life of Willian Carey, Shoemaker & Missionary. London: Paperback, 
1885.
REFERÊNCIAS ON-LINE
1 Em: <http://www.signiicados.com.br/processo/>. Acesso em: 19 maio. 2017.
2 Em: <http://verbodavida.org.br/lista-blogs/direto-da-agencia/vida-de-oracao-2>. 
Acesso em: 19 maio. 2017.
GABARITO
1. Kerygma: palavra de origem grega usada no Novo Testamento com o signiica-
do de proclamação, pregação, anúncio ou mensagem. Ou seja, comunicação 
verbal inteligível. Martyrium: palavra de origem grega usada no Novo Testa-
mento com o signiicado de testemunho. Ou seja, comunicar com nossas ações.
2. Igreja não é estrutura, não é templo, não é instituição, mas são pessoas conver-
tidas ao Senhor Jesus. Em Atos, capítulo 2, a igreja louvava a Deus no templo 
e de casa em casa. Ali estavam judeus, que preferiam o templo, e gentios, que 
preferiam as casas. Mas eles eram unânimes, gentios estavam no templo e ju-
deus estavam nas casas. 
É muito importante lembrar que nos primeiros trezentos anos da história da 
igreja de Jesus não havia “prédio de igreja” algum, mesmo assim não deixavam 
de ser igreja. Até mesmo nos dias atuais, lugares onde ter um prédio para a reu-
nião da igreja é proibido ou até mesmo grupos de cristãos que se reúnem sem 
prédio, continuam sendo a Igreja de Jesus.
3. Indicamos a seguir essas fases ou etapas, resumidamente, que envolvem a 
plantação de uma igreja:
Ir: levar a palavra do Senhor a campos ainda não alcançados. Aqueles que são 
comissionados a ir fazem parte da comunidade de discípulos. Foram salvos pela 
fé na palavra da pregação, batizados, testemunhando arrependimento e foram 
transformados pela obediência aos ensinamentos do Senhor.
Evangelizar: comunicar, seja verbalmente, ou pelo testemunho de vida, quem 
é Jesus e o que Ele fez por nós.
Fazer discípulos: a obediência ao Mestre é exigida não somente daquele que 
leva a mensagem, mas também daquele que a ouve e se arrepende. Essa etapa 
envolve o batismo e o contínuo ensino das Escrituras Sagradas.
Congregar os convertidos: aqueles que se convertem, de todas as nações, de-
vem ser trazidos para dentro da Igreja do Senhor.
Formar líderes: dentre os convertidos, aqueles que confessarem o chamado 
do Senhor para o ministério devem ser discipulados de maneira mais próxima e 
pessoal, com o propósito de que a nova congregação tenha um governo local, 
ou para que esses sejam enviados a novos campos ainda não alcançados.
Acompanhar: as novas congregações devem ser acompanhadas, continua-
mente, para correção de desvios, encorajamento dos irmãos e fortalecimento 
da liderança local, assim como sempre fazia o apóstolo Paulo. 
4. Intencionalidade: é a intenção de se plantar uma igreja. Hesselgrave (1995), 
diz que 75% das igrejas plantadas no mundo foram plantadas intencionalmen-
te. As igrejas que nascem, nascem porque alguém desejou e planejou seu nas-
cimento. Alguém orou, enviou missionários, trabalhou, se esforçou por entrar 
em uma sociedade e se manteve perseverante. Intencionalidade diz respeito a 
39
olharmos para uma cidade carente do evangelho, orar por essa cidade, desper-
tar outros para oração e despertar parceiros para o projeto, enviar um plantador 
de igrejas para o local, apoiar aquele que foi enviado até que pessoas se con-
vertam ao evangelho de Cristo e, assim, ver uma igreja nascer. Ninguém investe 
em um negócio indeinido, os recursos sempre seguem a visão. As pessoas se 
envolvem com aquilo que traduzem a elas convicção e paixão.
Oportunidade: há lugares onde nós temos muitas oportunidades para pregar 
o evangelho, discipular pessoas e treinar líderes. Outros lugares são fechados, 
com mínimas oportunidades. A questão não é quantas oportunidades nós te-
mos, mas quantas oportunidades nós usamos. Temos que pedir a Deus que os 
nossos olhos sejam abertos para as oportunidades. 
Teologia: ter como nosso guia a Palavra de Deus. Os projetos de crescimento e 
plantio de igrejas não podem se afastar dos fundamentos teológicos. Segundo 
Lidório (2011, p. 13), “nem tudo o que funciona é Bíblico”. Existem métodos que 
são humanos, carnais e até mesmo malignos. Nós seremos cobrados por Deus 
se formos iniéis aos Seus ensinamentos.
Continuidade: o plantador de igrejas deve manter constância e permanência 
no acompanhamento dos trabalhos realizados. Muitos projetos de plantio de 
igrejas são interrompidos, porque na fase do ajuntamento dos convertidos o 
plantador da nova igreja se ausenta. O momento de ajuntar é essencial para 
a consolidação da nova igreja. Mesmo depois da igreja plantada é necessário 
manter a continuidade. Isso é nitidamente observado no ministério do apóstolo 
Paulo. Ele plantava uma igreja, voltava para ajustar, mandava alguém para visi-
tar, escrevia e enviava cartas, articulava o estabelecimento de lideranças. Orava 
pelas igrejas plantadas e as acompanhava permanentemente, visando seu for-
talecimento.
Prática: abundante evangelização. Um dos maiores entraves para plantio de 
igrejas é a pouca evangelização. Há muita expectativa de que as pessoas se con-
vertam, mas, com pouca evangelização. Lidório (2011) nos alerta que Igrejas são 
plantadas nas ruas, nos mercados, nos bairros, nas casas, nas matas, nas aldeias, 
nos condomínios. Igrejas são plantadas nos lugares onde estão aqueles que ain-
da não conhecem pessoalmente a Jesus. Uma visão que o plantador de igrejas 
precisa ter é a de ir aos lugares onde as pessoas estão. 
Oração: em todos os lugares e épocas, onde houve grande avanço missioná-
rio, esse avanço foi precedido de oração. Deus ouve as orações. Oração não é 
repetição de necessidades, mas um ponto de encontro com Deus. Não é trans-
missão de ideias para o Pai, mas um convite que Deus nos traz para uma con-
vivência mais próxima e íntima com Ele. A Bíblia nos ensina, em Mateus 18, 18 
a 20, que “tudo o que ligarmos na terra terá sido ligado nos céus, e tudo o que 
desligarmos na terra terá sido desligado nos céus” e que, “se dois dentre vós, 
sobre a terra, concordarem a respeito de qualquer coisa que, porventura, pe-
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direm, ser-lhe-á concedida por meu Pai, que está nos céus”; isso, obviamente, 
não signiica, de modo algum, que podemos forçar Deus a fazer o que Ele não 
quer, mas sim que podemos reivindicar que faça o que Ele deseja fazer em seu 
perfeito conhecimento e soberana vontade. Na oração, também “recarregamos 
nossas baterias”, pois oração é relacionamento com Deus. Lidório (2011) relata 
que Jesus, intensamente,trabalhava, ensinava, curava, discipulava, expulsava 
demônios e fazia amigos e, em seguida, se dirigia aos montes sozinho, ou saia 
com alguns de Seus discípulos em um barco, para estar em comunhão e re-
lacionamento com Deus. Ali, Jesus reletia, descansava e encontrava refrigério 
para Sua alma. Existem líderes tão atarefados que não têm tempo para orar, 
para reletir, não têm tempo para ter amizades, para abrir o coração, não têm 
tempo para serem pastoreados. Caem em ciladas malignas porque, no meio do 
cansaço, não percebem que “baixam a sua guarda”. Então, tudo que é carnal 
ganha mais força, aquilo que é do Espírito é colocado de lado. Assim, icam mais 
vulneráveis e rendem-se a caminhos de destruição. O plantador de igrejas deve 
ter uma forte vida de oração e vigilância em Deus. 
Planejamento: no projeto de plantio de igrejas temos que ter, de maneira bem 
clara, qual é a visão, ou seja, o que desejamos alcançar ao inal de um período 
de trabalho. Quais são os alvos principais e quais são as atividades que serão 
desenvolvidas para se alcançar esses alvos. 
Liderança local: o bom plantador de igrejas é aquele que pensa em ir embora 
no dia em que chega. Ele aspira estabelecer aquela obra para adentrar em no-
vos campos. Por isso, ele identiica, dentre os novos convertidos, pessoas que 
possam ser treinadas para a futura liderança local daquela igreja.
5. 
• A diiculdade de se distinguir igreja e templo, perdendo o valor do discipu-
lado e gerando mais investimento na estrutura do que em pessoas.
• A demora na introdução dos convertidos à vida diária da igreja, diluindo o 
valor da comunhão e integração além de gerar crentes imaturos, sem fun-
ções, desaios ou envolvimento.
• A despreocupação com os fundamentos teológicos e atração pelos meca-
nismos puramente pragmáticos.
• A ausência de sensibilidade social e cultural, pregando um evangelho sem 
sentido para o contexto receptor. Uma mensagem alienada da realidade 
da vida.
• A excessiva pressa no plantio de igrejas, gerando comunidades supericiais 
na Palavra e abrindo oportunidades reais para o sincretismo ou nominalis-
mo.
• O excessivo envolvimento com a estrutura da missão ou da igreja, desgas-
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Professor Esp. Galaor Linhares Tupan Junior
TEOLOGIA BÍBLICA DO 
PLANTIO DE IGREJAS
Objetivos de Aprendizagem
 ■ Assinalar a interdisciplinaridade entre Teologia e Missiologia.
 ■ Compreender a soberania do reinado de Deus na plantação de 
igrejas.
 ■ Compreender os critérios teológicos para o plantio de igrejas.
 ■ Reletir sobre cosmovisão e contextualização no processo bíblico de 
proclamação da mensagem.
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
 ■ Acordo entre Teologia e Missiologia
 ■ Relexão Crítica sobre Missio Dei e Reinado de Deus
 ■ Orientação Teológica para o Plantio de Igrejas
 ■ Cosmovisão e Contextualização
INTRODUÇÃO
Neste momento, vamos considerar um aspecto muito importante do plantio de 
igrejas: a necessidade de pautar toda obra de concepção de igrejas sob a luz da 
revelação de Deus. Toda igreja deve ter como objetivo de sua existência glorii-
car a Deus e fazê-Lo conhecido na terra. Assim, a sabedoria, o poder e a graça 
de Deus poderão ser testemunhados por todo o mundo. Nesse sentido, é preciso 
conhecimento teológico adequado para que a mensagem comunicada relita o 
querer e a vontade divina. 
Para que todas as famílias da terra sejam alcançadas pelo evangelho, neces-
sitamos plantar igrejas nas cidades, nos povoados, em lugares longínquos e nas 
tribos de diferentes etnias. Observaremos o modelo do apóstolo Paulo, que con-
siderou o desaio de evangelizar e plantar igrejas entre todos os povos, mas sem 
separar a ação missionária da doutrina bíblica correta. Apresenta-se, para nós, a 
necessária interdependência entre teologia e plantação de igrejas: uma não pode 
sobreviver sem a outra.
Faremos uma relexão crítica sobre a Missio Dei e o reinado de Deus, buscando 
conciliar Missão e Evangelização. Atualmente, sabemos que o mundo organiza-
cional aborda enfaticamente missão como a razão de ser de uma organização. 
Na missão, tem-se destacado o que a empresa produz, sua expectativa de êxito 
futuro e como espera ser identiicada pelos clientes e pelo mercado; entretanto, 
quando abordamos a Missão de Deus, não estamos falando de nenhum empre-
endimento humano, mas do propósito supremo de Deus em redimir Sua criação.
Na inalização da unidade, trataremos a relevância de conhecermos os con-
textos culturais em que a evangelização ocorre, seus objetivos, limitações e a 
necessidade de que o conteúdo teológico não se perca.
Bons estudos!
Introdução
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e 1998.
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ACORDO ENTRE TEOLOGIA E MISSIOLOGIA
Caro(a) aluno(a), iniciamos nossa abordagem sobre a teologia bíblica do plan-
tio de igrejas. Embora esse assunto seja muito vasto, vamos nos deter a alguns 
aspectos especíi cos. Primeiramente, compreendemos o plantio de igrejas como 
um ato coordenado pela suprema vontade de Deus, por meio do qual igrejas são 
estabelecidas para que homens e mulheres sejam introduzidos na vida eterna, 
Deus seja adorado e o Reino Eterno estabelecido. 
Para que você possa compreender melhor o contexto que encontramos em 
muitos campos missionários, ou mesmo no imenso volume de denominações 
existentes, considere o seguinte desai o apresentado por Wright (2012):
[...] pense numa doutrina - qualquer doutrina do período de 200 a 2000 
d.C. Multiplique-a pelas coni ssões históricas. Divida pelas variações 
denominacionais. Acrescente uma suspeita de heresia. Subtraia a dou-
trina em que pensou primeiramente. Que sobrou? Provavelmente, a 
soma aproximada do que teologia e missões têm em comum na mente 
do cristão mediano - não muito. Ai nal, teologia está na cabeça - rel e-
xões, argumentos, ensinos, credos e coni ssões de fé. Pensamos numa 
biblioteca teológica onde as ideias são estocadas. Missão ou missões 
é fazer - resultados práticos, dinâmicos e executáveis. Pensamos no 
campo missionário como um lugar onde as pessoas vão e fazem coisas 
emocionantes. Teologia e missões parecem não ter muita coisa em co-
mum; também é fácil termos a impressão de que aqueles que parecem 
ser mais interessados numa coisa, têm menos interesse na outra (WRI-
GHT, 2012, p. 25).
Acordo Entre Teologia e Missiologia
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No decorrer dos séculos, o trabalho de proclamação do evangelho tem sofrido 
muita oposição. O entendimento da ordem divina, por muitas vezes, teve inter-
pretações estanques, à vista de uma visão antropológica, ou seja, centrada no 
homem. O afastamento entre a ação missionária e uma correta teologia bíblica 
tem trazido sérios problemas à Igreja do Senhor.
Michael Green (1989, p. 7) airma que “a maior parte dos evangelistas não 
se interessa muito por teologia; e a maioria dos teólogos não se interessa muito 
por evangelização”. Quando a ação missionária não é pavimentada por um cor-
reto raciocínio teológico, corre-se o risco da ineicácia e da frustração. 
Ronaldo Lidório (2011) faz uma análise de aspectos que, historicamente, tra-
zem limitações ao processo de plantio de igrejas. Essas limitações esclarecem, de 
certa forma, a tendência do afastamento entre teologia e missiologia ocorrido 
em diversas partes do mundo. Nossa intenção é permitir a problemática, com 
vistas à construção de um entendimento teológico apropriado. Consideremos 
algumas das limitações indicadas por Lidório (2011):
a) Comoo assunto de plantio de igrejas está ligado à metodologia e pro-
cesso de campo, a tendência é avaliá-lo mais pelos resultados que produz do 
que por seus fundamentos teológicos. Lidório (2011, p. 5), classiica esse fato 
como “abordagem pragmática”, o qual traz a possibilidade de se deixar de 
lado “o que é bíblico e teologicamente evidente” por aquilo que é prático e traz 
melhores resultados; contudo, o divórcio entre teologia e missiologia não acon-
tecerá sem graves consequências e prejuízos para o plantio de igrejas. Portanto, 
teremos como premissa de nossa abordagem acadêmica as raízes teológicas do 
trabalho realizado pelos apóstolos no estabelecimento da igreja primitiva. Sua 
ação é descrita na Grande Comissão do Senhor Jesus Cristo e seu processo de 
semeadura do evangelho deve ser observado. Não devemos nos fundamentar 
por meio daquilo que funciona, mas pelo que é bíblico e teologicamente correto.
TEOLOGIA BÍBLICA DO PLANTIO DE IGREJAS
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b) Além da abordagem pragmática, Lidório (2011, p. 6) indica a “aborda-
gem sociológica” como uma limitação ligada ao conceito da missão e plantio de 
igrejas. Isso ocorre quando tomamos decisões baseadas na avaliação e interpre-
tação sociológica das necessidades humanas e não nas instruções das Escrituras. 
Nesse caso, ocorre uma lexibilização da teologia para atendimento de certos gru-
pos ou segmentos. A plantação de igrejas deve ter por base a Missão de Deus 
em sua mais pura teologia bíblica. A chegada do evangelho sempre produzirá 
avanço social, entretanto, a evangelização e o plantio de igrejas têm por objetivo 
a reconciliação do homem com Deus, a obediência a Cristo e a entrada em Sua 
Igreja em um serviço responsável no mundo, como prevê o Pacto de Lausanne. 
O serviço social está presente, mas não pode ser estabelecido como fundamento 
para realização da missão.
c) Uma terceira limitação no estudo de plantio de igrejas é a “abordagem 
eclesiológica”, a qual está ligada à nossa compreensão da própria identidade da 
Igreja. Sobre isso, consideramos as observações de Lidório:
[...] apesar da Igreja possuir um papel prioritário em termos de atua-
ção missionária, seu valor intrínseco, extramissão proclamadora, pre-
cisa ser reconhecido porque é o resultado do sacrifício de Jesus e Ele 
e a Cruz são o centro do plano de Deus. Assim, apesar da Missão ser 
uma constante prioridade bíblica na vida da Igreja, não devemos dei-
nir essa Igreja apenas a partir da proclamação do evangelho, sob pena 
de nos tornarmos extremamente funcionalistas e utilitários. Adoração, 
Pragmatismo é uma doutrina ilosóica cuja tese fundamental é que a 
ideia que temos de um objeto qualquer nada mais é senão a soma das ideias 
de todos os efeitos imaginários atribuídos por nós a esse objeto, que passou 
a ter um efeito prático qualquer.
Ser partidário do pragmatismo é ser prático, ser pragmático, ser realista. 
Aquele que não faz rodeio, que tem seus objetivos bem deinidos, que con-
sidera o valor prático como critério da verdade.
Fonte: Signiicados ([2017], on-line)1.
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doutrina, idelidade, santidade, unidade e comunhão são, também, im-
portantes aspectos que compõem a identidade da Igreja. Assim sendo, 
a Igreja não é um instrumento primariamente desenhado para evange-
lizar pessoas, mas um instrumento para gloriicar a Deus (Ef 3:10) e a 
proclamação - evangelização - é uma de suas funções e resultado de sua 
existência (LIDÓRIO, 2011, p. 6).
Lidório (2011), apresenta o risco de termos igrejas evangelizadoras que não vivem 
a palavra de Deus. Esse entendimento eclesiológico não dispensa a Igreja da 
prioridade da proclamação do evangelho. Ainda que a evangelização não seja a 
única característica procurada por Deus em Sua Igreja é uma prioridade urgente 
para a salvação de um mundo perdido que necessita ser reconciliado com Deus. 
Diante de toda problemática apresentada quanto às possíveis fragilidades na 
deinição de uma teologia correta para a prática missiológica, consideramos que 
nenhuma ação missionária deve ser tratada de forma isolada, mas deve ter sua 
prática consolidada em toda teologia bíblica. Temos como fonte e motivação o 
próprio Deus. Nesse sentido Peters (2000, p. 32), cita Webster: “[...] nós come-
çamos, então, onde a missão começa, com Deus”.
Outro teólogo contemporâneo que nos 
auxilia no entendimento da conciliação entre 
Teologia e Missiologia é Charles Van Engen 
(1996). Ele considera, em seus estudos, que as 
igrejas locais têm uma razão de serem multifa-
cetadas no que diz respeito à sua participação no 
mundo, por meio da comunhão, proclamação, 
serviço e testemunho. Devido ao grande número 
de agências missionárias sem qualquer vínculo 
denominacional, as igrejas locais, como agen-
tes missionários, icaram relegadas a celeiros de 
candidatos e fontes de suporte inanceiro. Muitas 
agências, organizações e instituições missioná-
rias são os únicos agentes missionário de Deus. 
Dessa forma, a Eclesiologia passou a não ser tratada como assunto sério na 
discussão dessas instituições. Por outro lado, as igrejas locais se divorciaram, mui-
tas vezes, da própria natureza, propósito e papel como comunidade comprometida 
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com a missão de Deus neste mundo. Ambos os aspectos não podem ser teologi-
camente admissíveis, mas, muitas vezes, se consolidaram na prática. Assim, no 
pensamento da grande maioria dos cristãos, as palavras “igreja” e “missão” pas-
saram a expressar dois tipos diferentes de sociedade. 
Van Engen (1996), tem como tese principal que à medida em que as congre-
gações locais são estabelecidas, a im de alcançar o mundo por meio da missão, 
elas se tornam de fato o que elas já são pela fé: povo missionário de Deus. Quando 
a palavra “missão” é usada no singular está se referindo a Missio Dei, e quando 
a palavra é usada no plural (missões), refere-se aos diversos meios pelos quais 
a Missio Dei é realizada.
Lidório aponta três perigos quando a Teologia e Missiologia não são perce-
bidas como parceiras:
1. Usar Deus como um instrumento para realizar nossos propósitos 
no plantio e crescimento de igrejas em lugar de servi-lo no cumpri-
mento de Seus planos na Terra (I Coríntios, 3:11).
2. Oferecer soluções simplistas para problemas complexos em relação 
à comunicação do evangelho, contextualização e plantio de igrejas.
3. Utilizar a Teologia com inalidade puramente acadêmica e não apli-
cável à Igreja, sua vida e dinâmica.
Quando analisamos os ensinos de Paulo, entendemos que seu minis-
tério estava fundamentado em suas convicções teológicas, inspirando-
-nos a reletir sobre Deus e Sua ação no mundo. Missiologia e Teologia, 
indisputavelmente, devem caminhar de mãos dadas para a glória de 
Deus, a idelidade às Escrituras e a evangelização dos perdidos (LIDÓ-
RIO, 2011, p. 10-11).
Não podemos trabalhar para Deus utilizando critérios humanos. Os obreiros 
pertencem a Deus, os campos pertencem a Deus e um dia prestaremos contas de 
tudo o que izermos. Somente o que foi ediicado em Cristo permanecerá para a 
eternidade. Toda ação missionária e de tratamento da Igreja de Cristo deve ser 
tomada com sólida base teológica. Lidório ainda nos auxilia a concluir com o 
entendimento de que:
[...] missiologia e Teologia não devem ser tratadas como áreas separa-
das de estudo, mas como disciplinas complementares. A Teologia não 
apenas coopera com a Igreja ao fazê-laentender o sentido da Missão 
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e a base para o plantio de igrejas como também provê o entendimento 
bíblico motivacional para o evangelismo. A Missiologia, por outro lado, 
dirige teólogos para o plano redentivo de Deus e os ajuda a ler as Es-
crituras sob o pressuposto de que há um propósito para a existência da 
Igreja (LIDÓRIO, 2011, p. 9).
Pacto de Lausanne - Item 4. A Natureza da Evangelização 
Evangelizar é difundir as boas novas de que Jesus Cristo morreu por nossos 
pecados e ressuscitou segundo as Escrituras, e de que, como Senhor e Rei, 
Ele agora oferece o perdão dos pecados e o dom libertador do Espírito a 
todos os que se arrependem e creem. A nossa presença cristã no mundo 
é indispensável à evangelização, e o mesmo se dá com aquele tipo de di-
álogo cujo propósito é ouvir com sensibilidade, a im de compreender. [...] 
Ao fazermos o convite do evangelho, não temos o direito de esconder o 
custo do discipulado. Jesus ainda convida todos os que queiram segui-lo e 
negarem-se a si mesmos, tomarem a cruz e identiicarem-se com a sua nova 
comunidade. Os resultados da evangelização incluem a obediência a Cristo, 
o ingresso em sua igreja e um serviço responsável no mundo. 
Fonte: Lausanne (1974, on-line)2.
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REFLEXÃO CRÍTICA SOBRE MISSIO DEI E REINADO 
DE DEUS
No tempo presente, ouvimos dizer sobre a necessidade de uma visão holística 
para entendimento da missão de Deus. Trata-se de uma percepção mais abran-
gente da revelação de Deus, na qual a construção conceitual busca considerar 
o todo da nossa missão. Entretanto, ainda há o risco de que essa visão perma-
neça muito antropocêntrica ou eclesiocêntrica e o homem continue ocupando 
um lugar deslocado, fazendo com que o objetivo do evangelismo e da ação social 
seja preencher as necessidades humanas. 
Alguns autores conceituam a igreja como missional. A ideia associada a essa 
dei nição é que tudo o que a igreja faz deve ter o aspecto missional, ou seja: pôr 
a missão em prática no local onde está a igreja. Ed Stetzer (2015, p. 37) diz que 
“ser missional signii ca ser missionário sem mudar de CEP”. Novamente corre-
mos o risco de mantermos o foco em nós e, também, colocarmos a Igreja nessa 
equação. Nessa versão da igreja missional, busca-se identii car quais aspectos 
deveriam ser incluídos dentro da missão da Igreja. 
Nos deparamos com a discussão e averiguação de argumentos válidos para 
identii car qual é a missão legítima da Igreja. Se buscarmos uma dei nição de 
missão a partir do ser humano, colocando-o como o objeto ou agente da mis-
são, nos encontraremos argumentando, e não chegando a uma resposta mais 
conclusiva. Uma das maneiras de resolvermos essa argumentação é, ao invés 
de começarmos tendo o homem como ponto de partida, reconhecermos que a 
missão deve ser compreendida teocraticamente, tendo como sua origem a reve-
lação e o conhecimento do próprio Deus.
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A relexão de Georg Vicedom (1965, p. 4) nos auxilia por aproximar-se muito 
do pensamento bíblico quando diz que “a Bíblia em sua totalidade designa ape-
nas uma intenção de Deus: salvar a humanidade”. 
Nesse ponto, percebemos a importância primordial da missão de Deus no 
estabelecimento presente e futuro do reinado de Deus. A igreja, o pastor e o teó-
logo devem aproximar-se das questões da organização da missão e do plantio 
de igrejas, pois estes não devem ser tratados como assuntos isolados e indepen-
dentes da vida da Igreja, nem mesmo como assuntos que acontecem fora das 
suas fronteiras. 
Segundo Bosch (2002), Karl Barth foi um dos primeiros teólogos a apresentar 
a missão como atividade de Deus quando, em 11 de abril de 1932, expôs um tra-
balho na Conferência Missionária de Brandemburgo, em Berlim, na Alemanha. A 
inluência de Barth no pensamento missionário atingiria seu auge na Conferência 
de Willingen, em 1952. Em Willingen, reapareceu um antigo termo: Missio Dei 
(expressão derivada do latim, que signiica missão de Deus). Foi lá que a ideia 
da Missio Dei emergiu de maneira clara, com a compreensão de que a missão é 
derivada da própria natureza de Deus, sendo colocada no contexto da doutrina 
da Trindade, e não da Eclesiologia ou da Soteriologia. Outro nome que se desta-
cou na Conferência de Willingen foi o de George Vicedom, autor da famosa obra 
“Missio Dei: An Introduction to the Science of Mission”. A ênfase de Vicedom foi 
de que Deus é o sujeito ativo da missão. Por isso, Barth diz que a Teologia enga-
ja-se em fazer o papel do anjo que lutou com Jacó, formulando e colocando as 
perguntas certas a cada momento da igreja e da sua missão.
[...] estabelecida a “diversidade”, grandeza, excelência e glória de Deus, 
tornando todas as suas obras dependentes dEle. De uma maneira es-
tranha e silenciosa, essa Teologia deixou de lado o conceito bíblico do 
Deus vivo, do propósito de Deus, do Deus da história, da ação e dos 
relacionamentos existenciais, do Deus de aqui e agora, do Deus que 
está atualmente executando seu plano e programa, do Deus que é um 
Deus sociável, um Deus de missão. Dessa forma, a Teologia se ocupou 
mais como Deus celestial do que com o Deus da criação, o Deus sem-
pre presente na salvação e em missões. Essa inadaptação naturalmente 
conduz a um divórcio entre Teologia e missões (PETERS, 2000, p. 33).
Peters airma que, apenas se a missão tiver sua fonte, sua natureza e autoridade 
no Deus trino e uno, ela pode realmente gerar uma motivação duradoura e 
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tornar-se cristã e signiicativa. Em qualquer outro nível, ela permanecerá huma-
nizada, não importa o quão “religiosa” ou “cristã” essa classiicação possa ser. O 
fracasso do expansionismo de missões e da Igreja no mundo se deve, principal-
mente, a uma Teologia incompleta e desequilibrada. 
Na Conferência de Willingen reconheceu-se que a igreja não poderia ser 
nem o ponto de partida nem o alvo da missão. A obra salvíica de Deus 
precede tanto a igreja quanto a missão. Não se deveria subordinar a mis-
são à igreja e, tampouco, a igreja à missão; pelo contrário, ambas deveriam 
ser inseridas na missio Dei que se tornou então o conceito abrangente. A 
missio Dei, missão de Deus, institui as missiones ecclesiae (missões da igre-
ja). A igreja deixa de ser a remetente para ser a remetida. A missão não é 
primordialmente uma atividade da igreja, mas um atributo de Deus. Deus 
é um Deus missionário. Compreende-se a missão, desse modo, como um 
movimento de Deus em direção ao mundo; a igreja é vista como um ins-
trumento para essa missão (BARRACA, 2010, on-line)3
.
Nessa ideia, compreendemos missão tendo início no próprio Deus. Como nos 
ediica e alegra pensar que Deus é um Deus missionário e que missão é uma 
obra essencialmente de Deus.
Participar da missão é participar do movimento de amor de Deus para 
com as pessoas, visto que Deus é uma fonte de amor que envia (BOS-
CH, 2002, p. 468).
O sentido ampliado da Missio Dei foi trazido por Bosch e nos detalha o caráter 
missionário de Deus:
[...] a doutrina clássica da Missio Dei como Deus, o Pai, enviando o 
Filho, e Deus, o Pai e o Filho enviando o Espírito, foi expandida no 
sentido de incluir ainda outro - movimento - Pai, Filhoe Espírito Santo 
enviando a Igreja para dentro do mundo (BOSCH, 2002, p. 467).
Podemos considerar as seguinte referências bíblicas, para maior compreensão 
da manifestação de Deus ao mundo, dispensando a si mesmo como Pai, Filho 
e Espírito Santo:
 ■ Deus o Pai enviou o Seu Filho: 
[...] no princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era 
Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas 
por intermédio dele, e , sem ele, nada do que foi feito se fez. A vida esta-
va nele e a vida era a luz dos homens. A luz resplandece nas trevas, e as 
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trevas não prevaleceram contra ela. [...] e o Verbo se fez carne e habitou 
entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como 
do unigênito do Pai (BÍBLIA, João 1,1-5 e 1,14).
 ■ Deus, o Pai e o Filho enviaram o Espírito Santo: “E eu rogarei ao Pai, e 
ele vos dará outro Consolador, a im de que esteja para sempre convosco” 
(BÍBLIA, João 14.16).
 ■ A Trindade envia a igreja e os crentes, em particular, para cumprir a tarefa 
da Grande Comissão. Ou seja, Pai, Filho e o Espírito Santo enviando a igreja 
para dentro do mundo: [...] mas recebereis poder, ao descer sobre vós o 
Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em 
toda a Judeia e Samaria e até aos conins da terra (BÍBLIA, Atos 1,8). [...] 
todos icaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras lín-
guas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem (BÍBLIA, Atos 2,4).
Vivemos no tempo em que a Igreja do Senhor, como corpo, do qual Cristo é o 
Cabeça, se constitui na presente dispensação de Deus para o mundo. Estamos no 
século XXI com o desaio de restabelecer paradigmas concretos para atendimento 
da missão de Deus, conforme Bosch aponta em sua obra Missão Transformadora: 
[...] desde os anos 1950 tem havido uma notável escalada no uso do 
termo “missão” entre os cristãos [...] Ela designava: a) Envio de mis-
sionários a um território especiicado; b) as atividades empreendidas 
por tais missionários; c) a área geográica em que os missionários atu-
avam; d) a agência que expedia os missionários; d) o mundo não cris-
tão ou “campo de missão”; e) o centro a partir do qual os missionários 
operavam no “campo de missão”. Num contexto ligeiramente diferente 
esse termo também podia designar: g) uma congregação local sem um 
pastor residente e que ainda dependia do apoio de uma igreja mais an-
tiga, estabelecida; h) uma série de serviços especiais destinados a apro-
fundar ou difundir a fé cristã, em geral num ambiente nominalmente 
cristão. Se estabelecermos uma sinopse mais especiicamente teológica 
de “missão”, assim como o termo tem sido usado tradicionalmente, ob-
servaremos que ela foi parafraseada como: a) a propagação da fé; b) 
expansão do reinado de Deus; c) conversão dos pagãos; d) fundação de 
novas igrejas (BOSCH, 2002, p. 17).
Nos encontramos, novamente, com Wright (2014) para o esclarecimento dos 
elementos teológicos fundamentais da teologia bíblica. O autor enfatiza que a 
missão de Deus, impreterivelmente, deve começar do ponto de vista de Deus, 
como nos revela Sua palavra: 
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[...] desvendando-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu bene-
plácito que propusera em Cristo, de fazer convergir nele, na dispensa-
ção da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as do céu como as 
da terra (BÍBLIA, Efésios 1, 9-10).
Aqui, Paulo está nos airmando que Deus fez Sua vontade conhecida a nós. Paulo 
está falando sobre o plano eterno de Deus para o universo, por meio das gera-
ções. Esse trecho das Escrituras engloba toda revelação de Deus, começando 
desde o livro de Gênesis, passando por toda a escritura, até se completar no 
livro de Apocalipse. Por meio de sua obra e obediência perfeita, Jesus alcançou 
o centro de todas as coisas. Em última análise, toda criação será unida debaixo 
do senhorio de Cristo. Não somente na terra, mas também nos céus, Cristo está 
estabelecendo ordem e perfeita sintonia por meio de Sua obra.
É muito importante atentar para a centralidade do Senhor Jesus Cristo apon-
tada pelas escrituras. Nossa missão surge a partir da missão de Deus, que está 
contemplada em toda narrativa bíblica. Temos que entender que a Bíblia não é 
um livro cheio de regras, doutrinas e promessas, embora esses pontos estejam 
presentes. Fundamentalmente, a Bíblia é a história do universo desde a criação 
até chegarmos na nova criação. Essa história a qual Paulo está se referindo é a 
missão de Deus.
E você, como tem se sentido diante do desaio de participar da missão de 
Deus? Como Igreja fomos remetidos ao mundo perdido como a última res-
posta de Deus à humanidade. Como Corpo de Cristo cada um de nós possui 
sua função com vistas a sermos ediicados em amor e, assim, haja cresci-
mento segundo a justa cooperação de cada parte. 
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ORIENTAÇÃO TEOLÓGICA PARA O PLANTIO DE 
IGREJAS
Até aqui, todo nosso estudo tem sido 
fundamentado por uma teologia 
bíblica que nos aponte para a missão 
de Deus. Percebemos, na teologia, que 
tudo fala de Deus. Buscamos informa-
ções detalhadas sobre o que as pessoas 
entenderam e escreveram sobre Seu 
caráter, Suas ações, Seu relacionamento 
com o mundo e a sociedade humana, 
sobre o envolvimento de Deus com a 
história, o presente e o futuro.
Plantar igrejas é ter uma participação naquilo que Deus está fazendo no 
mundo. Se a visão de Deus é ampla em seu alcance, também a nossa deve ser 
baseada numa compreensão correta da visão de Deus, porque a nossa missão é 
a missão de Deus.
Diante de nosso desaio de sermos participantes da missão de Deus, voltamos 
à Grande Comissão que nos envia ao mundo para levarmos o evangelho, fazendo 
discípulos de todas as nações e ensinando-os a guardar todas as coisas. Nesse 
sentido, Lidório (2011) nos auxilia a discernir nosso papel, quando airma que a 
principal diferença entre a evangelização e o plantio de igrejas é o propósito. No 
primeiro, apresentamos Cristo a uma pessoa que poderá guardar a experiência 
da salvação para si ou anunciá-la a outros. No segundo, apresentamos Cristo a 
uma pessoa, em uma dada cultura, região, cidade, tribo ou povoado, com ênfase 
no discipulado e nas Escrituras Sagradas, para que os alcançados pelo evangelho 
sejam fortalecidos em uma comunidade local. Desta forma podem participar de 
oração, comunhão e pastoreamento. Tudo isso, alinhado a uma visão de futuro 
e nova multiplicação, ou seja, as igrejas constituídas devem nascer compreen-
dendo que seu futuro será plantar novas igrejas. 
Lidório (2011) nos aponta três critérios bíblicos muito relevantes para o 
plantio de igrejas:
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1. “O plantio de igrejas não deve ser deinido em termos de treinamento 
e habilidade, mas pelo poder e desejo de Deus de salvar vidas” (LIDÓ-
RIO, 2011, p. 11). Embora o treinamento seja fundamental, não podemos 
esperar que sejam os recursos disponíveis e o planejamento realizado os 
responsáveis pelo cumprimento da missão. Homens comuns como um 
sapateiro chamado William Carey, podem se tornar servos muito usados 
pelo Senhor, assim como humildes pescadores foram responsáveis portransformar o mundo na igreja primitiva. É o poder de Deus sendo depo-
sitados em vasos de barro que nos capacita a cumprir Seus planos na terra.
2. “O plantio de igrejas não deve ser deinido em termos de resultados huma-
nos, mas pela idelidade às Sagradas Escrituras” (LIDÓRIO, 2011, p. 12). Já 
abordamos os riscos de se plantar igrejas sem o padrão bíblico das Escri-
turas. Nem sempre o que é bíblico traz grandes resultados. Nem sempre 
o que traz grandes resultados é bíblico. A falta de idelidade às Escritu-
ras é a grande responsável pelo nominalismo e sincretismo religioso. 
3. “O plantio de igrejas não deve ser uma ação deinida pelo conhecimento 
do evangelho, mas por sua proclamação” (LIDÓRIO, 2011, p. 13). A 
maior tarefa de um plantador de igrejas é a proclamação do evangelho, 
conforme airma Lidório: 
[...] trabalho social, ministério holístico e compreensão cultural jamais 
irão substituir a clara comunicação do evangelho, nem justiicar a pre-
sença da igreja. O conteúdo do evangelho exposto em todo e qualquer 
ministério de plantio de igrejas deve incluir: a)Deus como Ser Criador 
e Soberano (Efésios 1:3-6); b) O pecado como fonte de separação entre 
o homem e Deus (Efésios 2:5); c) Jesus, Sua cruz e ressurreição como o 
plano histórico e central de Deus para redenção do homem (Hebreus 
1:1-4); d) O Espírito Santo, como o cumprimento da Promessa e en-
carregado de conduzir a Igreja até o dia inal (LIDÓRIO, 2011, p. 34).
O entendimento do propósito e a inalidade da Igreja podem ser ampliados e 
melhor compreendidos quando nos deparamos com o livro de Efésios, na Bíblia 
Sagrada, em que o apóstolo Paulo busca levar-nos à maior revelação e conhe-
cimento de quem é Deus e qual é a vocação e o chamado para a Igreja. Já no 
capítulo primeiro Paulo deixa evidente que a suprema grandeza do poder de 
Deus, que ressuscitou a Cristo dentre os mortos, também opera em nós, os que 
cremos, consolidando a Igreja, que é o Seu corpo. A seguir, falaremos mais sobre 
esse assunto.
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O QUE É UMA IGREJA?
Para chegarmos a uma conclusão 
apropriada a essa pergunta temos 
que considerar, primeiramente, 
qual é o peril desejado para uma 
igreja. Muitos consideram a sua 
própria igreja como o modelo teo-
lógico ideal.
Quando olhamos cuidado-
samente para a igreja primitiva, 
observamos diversas formas, com 
diferentes ênfases e estruturas. Ott 
e Wilson relatam que “a igreja em 
Jerusalém, por exemplo, incluía membros que eram zelosos da lei e continua-
vam a observar muitas das práticas judaicas, como a participação em certos ritos” 
(OTT; WILSON, 2013, p. 19-20).
As igrejas de origem gentílica, que foram, na sua maioria, plantadas pelo 
apóstolo Paulo, se reuniam, predominantemente, nos lares e não tinham práti-
cas judaicas. Mesmo assim, “todas elas eram legítimas igrejas neotestamentárias 
inseridas em seu contexto” (OTT; WILSON, 2013, p. 20). Até mesmo igrejas mais 
problemáticas, como a igreja em Corinto, eram consideradas igrejas de Deus. O 
apóstolo Paulo escreve “a igreja de Deus que está em Corinto” (BÍBLIA, I Coríntios 
1, 2). “Muitos elementos da vida da igreja com os quais estamos familiarizados 
em nossa igreja local podem não ser biblicamente necessários, nem culturalmente 
adequados em um contexto diferente” (OTT; WILSON, 2013, p. 20).
As escrituras concedem grande liberdade nos detalhes da vida da igre-
ja e seu governo. Os plantadores de igrejas transculturais precisam ter 
um cuidado extra para não impor expressões estrangeiras na vida da 
igreja, mas desenvolver criativamente a nova igreja de forma que ela 
cumpra os propósitos bíblicos de maneira culturalmente apropriada. 
Ao mesmo tempo, a igreja deve demonstrar os valores contraculturais 
do Reino de Deus (OTT; WILSON, 2013, p. 20).
O plantador de igrejas deve entender o que é biblicamente obrigatório e essencial 
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à vida da igreja e o que não é, qual a natureza da igreja e os fundamentos que 
a norteiam. Deve ser capaz de identiicar modelos bíblicos de contextualização 
da mensagem. 
Nesse momento, já podemos airmar, segundo a Bíblia Sagrada, que igreja 
é uma entidade espiritual, concebida e abençoada pelo Pai para congregar um 
povo santo e irrepreensível, habitado pelo Espírito Santo, que vive para o louvor 
da glória de sua graça, ediicada por Cristo, sob o fundamentos dos apóstolos e 
profetas, sendo o próprio Cristo Jesus, a pedra angular.
Nesse tempo, a igreja é o principal canal de Deus para manifestar a natureza 
do Reino e cumprir a missão de Deus. Por isso, deve multiplicar-se pelo mundo. 
A seguir, apresentaremos uma quadro elaborada por Ott e Wilson (2013), 
que mostra aspectos essenciais da igreja e nos auxilia a reconhecer os elemen-
tos que devem estar presentes em uma igreja verdadeira, a qual corresponde aos 
parâmetros bíblicos.
Quadro 1 - A Essência da Igreja
Natureza
Uma
Santa
Universal
Apostólica
Marcas
Doutrina correta
Ministração iel dos sacramentos
Disciplina da igreja
Fé pessoal
Propósito
Testemunho, “martyria”
Comunhão, “koinonia”
Serviço, “diakonia”
Proclamação, “kerygma”
Adoração, “leiturgia”
Metáforas
Povo de Deus
Corpo de Cristo
Rebanho de Deus
Noiva de Cristo
Templo de Deus
Sacerdócio Real
Fonte: Ott e Wilson (2013, p. 21).
Ott e Wilson (2013), comentam que os pais da igreja primitiva referiram-se à 
igreja como a comunhão dos santos. O destaque era colocado sobre a igreja como 
um povo, em vez de uma instituição. As características essenciais da igreja foram 
resumidas no Credo de Niceia (381 d.C.) como uma (unidade), santa (vida san-
tiicada), universal (para todas as pessoas) e apostólica (baseada na doutrina dos 
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apóstolos). O entendimento dessas características ocorrem de diferentes formas 
durante a história da igreja, mas são confessados por quase todos os cristãos. 
Ott e Wilson (2013), apontam que os reformadores se concentraram mais 
nas marcas essenciais da igreja, em uma tentativa de discernir o que constitui a 
verdadeira e a falsa igreja. 
Lutero falou da correta pregação da Palavra (doutrina) e da iel minis-
tração dos sacramentos (batismo e Ceia) como as duas marcas essen-
ciais. As igrejas reformadas acrescentaram o exercício da disciplina da 
igreja. As igrejas livres enfatizaram a regeneração pessoal e piedade de 
seus membros (OTT; WILSON, 2013, p. 21).
No que diz respeito aos propósitos, vemos uma abordagem mais prática contem-
plada em Atos 2, 42, que descreve as atividades básicas da igreja. As metáforas 
apresentadas apontam o relacionamento de Cristo com a sua Igreja e são observa-
das nas páginas do Novo Testamento, principalmente no livro de Efésios. Baseado 
nessa discussão, apresentamos a deinição de Ott e Wilson de uma igreja local: 
[...] uma igreja local é uma comunhão de crentes em Jesus Cristo 
comprometidos a reunir-se regularmente para propósitos bíblicos 
sob uma liderança espiritual reconhecida (OTT; WILSON, 2013, 
p. 22).
Essa deinição básica inclui vários elementos-chave apontados por Ott e Wilson, 
quais sejam:
1. Crentes: a igreja é composta de pessoas que têm experimentado 
a salvação através do arrependimento e da fé em Jesus Cristo de 
acordo com o Evangelho, tendo confessado por meio do batismo. 
Eles desejam ser discípulos iéis de Jesus Cristo, regenerados e ca-
pacitados pelo Espírito Santo. São o povo deDeus.
2. Reunião: esses crentes estão comprometidos a reunirem-se re-
gularmente para servir a Deus e uns aos outros. São a família de 
Deus. Como povo missionário, eles se reúnem em preparação para 
serem enviados como agentes da missão de Deus no mundo.
3. Propósito: sua comunidade reúne-se para cumprir propósitos bí-
blicos que incluem oração, louvor, evangelismo, instrução, edii-
cação, serviço, celebração das ordenanças do batismo e da Ceia, 
exercício da disciplina da igreja e envio de missionários. Eles in-
corporam os valores do Reino de Deus.
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4. Liderança: eles se submetem a líderes espirituais reconhecidos. Os 
líderes oferecem uma forma mínima de estrutura sob o governo 
de Cristo. Em espírito de serviço, oferecem orientação, supervisão 
espiritual e cuidado, ensinando e capacitando o corpo de crentes 
(OTT; WILSON, 2013, p. 22 e 23).
Essas características mínimas podem ser consideradas um parâmetro teológico 
para os plantadores de igrejas, apresentando lexibilidade ao mesmo tempo em 
que qualiica uma igreja local. Crentes isolados, reuniões de interesses especiais 
ou reuniões não estruturadas não constituem igreja. 
Ott e Wilson (2013), airmam que um edifício para a igreja não é necessário, 
mas reuniões regulares são. Um pastor remunerado não é indispensável, mas líderes 
reconhecidos são. “Adesão a um credo em particular ou distintivo denominacio-
nal não é obrigatório, mas a idelidade à verdade bíblica e seus propósitos é. (OTT; 
WILSON, 2013, p. 23)”. O profundo conhecimento espiritual é um alvo, mas a 
obediência no seguir a Cristo é o compromisso mais essencial que se deve buscar. 
COMO PODEMOS DEFINIR PLANTIO DE IGREJAS?
Como abordamos na unidade anterior, plantar é um termo usado pelo apóstolo 
Paulo em I Coríntios 3, 6: “Eu plantei, Apolo regou; mas o crescimento veio de 
Deus”. Nesse texto “plantar” se refere ao ministério apostólico de Paulo, pioneiro 
em estabelecer novas igrejas em lugares onde não havia uma igreja presente. Ele 
deixa isso visível em Romanos: “esforçando-me, deste modo, por pregar o evan-
gelho, não onde Cristo já fora anunciado, para não ediicar sobre fundamento 
alheio” (BÍBLIA, Romanos 15, 20).
[...] plantação de igrejas é o ministério que, através do evangelismo e 
discipulado, estabelece comunidades reprodutivas do reino de crentes 
em Jesus Cristo que estão comprometidos em cumprir os propósitos 
bíblicos sob a orientação de líderes espirituais locais (OTT; WILSON, 
2013, p. 23).
Acompanhando essa deinição de igreja, os seguintes alvos de curto prazo são 
estabelecidos como medida de reconhecimento de que a igreja está plantada:
 ■ Pessoas da localidade ou do povo-foco foram levadas à fé em Cristo, 
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discipuladas e congregadas em uma comunhão de crentes mutuamente 
comprometidos que se reúnem regularmente.
 ■ Uma equipe qualiicada de líderes espirituais locais (de preferência que 
pertençam ao povo-foco) é chamada e reconhecida pela congregação. 
Eles orientam, ensinam e aplicam apropriadamente as Escrituras em suas 
vidas e na sociedade.
 ■ As estruturas culturalmente apropriadas para comunhão, louvor, evan-
gelismo, serviço e governo estão funcionando.
 ■ Crentes locais internalizaram valores e objetivos bíblicos. Os propósi-
tos do Reino para a igreja estão sendo progressivamente vividos (OTT; 
WILSON, 2013, p. 27).
Em todo momento que observa-se a plantação de igrejas e as estratégias que envol-
vem esse desaio, encontramos as diferentes fases que envolvem esse processo 
cíclico. Mesmo depois de sua partida, os plantadores de igrejas devem manter 
o acompanhamento com alvos de longo prazo. Esses alvos, dentre outros, são 
indicados por Ott e Wilson:
 ■ Multiplicação pela plantação de igrejas ilhas, envio de plantadores de 
igrejas e envio ou apoio de missionários.
 ■ O estabelecimento de ministérios locais que demonstram os valores do 
Reino de compaixão e justiça.
 ■ Início de ministérios especializados voltados a grupos étnicos, subcultu-
ras ou pessoas com necessidades especiais.
 ■ Criação de práticas contextualizadas relacionadas a costumes locais, tra-
dições e cerimônias.
 ■ Estar ligado a uma comunidade nacional ou regional de igrejas ou aju-
dar a formá-la.
 ■ Participação em iniciativas locais ou regionais com outras igrejas (OTT; 
WILSON, 2013, p. 28).
Esses objetivos devem ser acompanhados até que sejam alcançados, pois, ainda 
que demore algum tempo, os valores e a visão desses alvos devem estar presen-
tes desde do início da plantação da igreja.
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COSMOVISÃO E CONTEXTUALIZAÇÃO
Estamos diante do desaio de cumprirmos nossa tarefa orientados pela missão 
de Deus, fundamentados numa teologia bíblica e relevante, considerando os 
princípios bíblicos corretos do que é igreja e de plantio de igrejas. Nada disso 
poderá alcançar êxito caso não contemplemos os contextos culturais existentes.
Lesslie Newbigin inluenciou tremendamente a missiologia mundial ao 
ensinar que a Igreja apenas encontraria genuíno renovo em sua vida e 
testemunho mediante um novo encontro do evangelho com a cultura. 
Assim, para prover respostas para as perguntas missiológicas de hoje, 
precisamos desenvolver: a) uma análise sócio-cultural; b) uma relexão 
teológica; c) uma visão para a Igreja e sua missão. É o levantar da ban-
deira que conclama a Igreja a apresentar um evangelho relevante, na 
língua do povo, que responda às perguntas mais inquietantes da socie-
dade de hoje (LIDÓRIO, 2011, p. 11).
Quando um(a) missionário(a) ou um(a) plantador(a) de igreja vai a outra cultura, 
ele(a) leva o seu modelo de igreja, uma linguagem especíica e um paradigma já 
estabelecido. A tendência é implantar o modelo já experimentado no contexto 
anterior. Entretanto, cada ser humano possui uma visão e interpretação diferente 
do mundo, isso diz respeito à sua cosmovisão. As pessoas não veem as coisas 
como são, mas como elas parecem ser, por meio de suas “lentes” de observação. 
O materialista ou o naturalista, por exemplo, não vê evidência alguma do 
poder ou da presença de Deus no mundo. Sempre procurará explicações psico-
lógicas ou cientíicas para os fenômenos observados. O animista, do outro lado, 
vê deuses e espíritos em todos os lugares. Segundo o conceito dele, até mesmo 
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os fenômenos naturais devem ter explicações espirituais. Em determinados gru-
pos culturais, os homens e mulheres tendem a ter em comum certas crenças 
fundamentais ao deinirem a realidade que os cerca. Isso nos leva a entender 
que, mesmo na comunicação do evangelho em nosso bairro ou cidade, temos 
que considerar a cosmovisão e necessidade de contextualização da mensagem. 
Necessitamos compreender que quando o evangelho é comunicado, aqueles 
que o ouvem vão decodiicá-lo dentro do contexto de uma realidade apresentada 
por sua própria cultura; o missionário deve apresentar sua mensagem conside-
rando essa realidade.
Encontramos abismos gigantescos que separam as pessoas das várias tradições 
religiosas. No momento da comunicação da mensagem, a fonte missionária 
deve ter clara percepção dos aspectos da cultura daquele local para poder dei-
nir o estilo de comunicação,sem perda do conteúdo teológico a ser comunicado. 
Lidório (2011), considera necessário um trabalho de tradução na língua e 
na cultura para que o evangelho seja pregado de uma forma inteligível e com-
preensível, conforme descrito abaixo:
[...] as línguas dispõem de códigos diferentes para viabilizar a comunica-
ção e o mesmo ocorre com a cultura. Quando se expõe a um esquimó que 
o sangue de Jesus nos torna brancos como a neve, ele rapidamente nos 
perguntará qual categoria de branco, já que, em sua visão culturalizada 
de quem convive com a neve e o gelo por milênios, há 13 diferentes tipos 
de “branco”. Ignorar tal extrato cultural culminará em uma pregação rasa, 
confusa ou distorcida da Palavra de Deus (LIDÓRIO, 2011, p. 20).
Cosmovisão: é a forma como um grupo vê e interpreta o universo que o 
cerca. Geralmente grupos diferentes expressam diferentes cosmovisões 
quanto ao tempo, localização, relacionamento pessoal, princípios e valores 
da vida. Entender a cosmovisão do grupo alvo com o qual haverá um envol-
vimento missionário é um dos mais importantes pré-requisitos que antece-
dem a proclamação do evangelho.
Fonte: Lidório (1996, p. 123).
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Hesselgrave (1995), destaca que a mensagem cristã é ampla e universal, destinada 
a todos os homens, independentemente de raça, língua, cultura ou circunstâncias. 
Naturalmente, há um só Deus e Pai de todos, mas os escritores dos Evangelhos 
e os pregadores do Novo Testamento demonstraram uma notável variedade nas 
maneiras de comunicar a mensagem, não apenas quanto ao estilo, mas também 
quanto ao conteúdo. 
A base da comunicação do evangelho consiste na necessidade espiritual do 
homem em seu estado natural de pecado e alienação de Deus. Contudo, em cada 
caso, esta necessidade universal é apresentada de diferentes formas. Para que o 
sentido teológico não se perca e a comunicação seja eicaz, se faz necessário o 
processo de contextualização.
Ainda, de acordo com Hesselgrave (1995), destaca algumas perguntas que 
devem ser consideradas pelo comunicador do evangelho, as quais ajudaram na 
contextualização da mensagem, de maneira que as doutrinas bíblicas sejam comu-
nicadas numa linguagem compreensível ao auditório, sem perder sua idelidade 
às Escrituras. Apresentamos essas perguntas de forma adaptada:
1. Em que aspectos os ouvintes terão maior probabilidade de compreender 
erroneamente a mensagem?
2. Quais crenças religiosas dos ouvintes são semelhantes à doutrina cristã 
e podem formar pontes conceituais para a comunicação da mensagem? 
(Cuidado neste ponto. O que consideramos semelhanças podem ser ape-
nas aparentes semelhanças, ocasionando mal-entendidos signiicativos, 
a não ser que sejam tratadas com cuidado).
3. Quais preocupações do auditório-alvo são atingidas pela autoridade e 
clareza da mensagem de Cristo?
4. Quais adaptações da mensagem já foram realizadas com êxito para este 
tipo de auditório ou auditórios semelhantes?
Uma vez que tenhamos identiicado e caracterizado os ouvintes é natural per-
guntar como comunicaremos a eles a mensagem. Boa parte da comunicação 
cristã é espontânea, porém existem muitos momentos que devem ser bem pla-
nejadas (HESSELGRAVE, 1995). 
É preciso ter cautela quando tratamos o processo de contextualização, pois, 
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para muitos, a contextualização está ligada à adaptação da mensagem para que 
ocorra a assimilação da mesma. Nesse contexto, manifesta-se o risco da perda do 
correto conteúdo teológico comunicado, em função da adaptação do conteúdo 
da mensagem para maior entendimento, gerando comunidades fracas teologi-
camente e possuidoras de sincretismo religioso. 
Nesse caso, o indígena que se converte ao evangelho pode frequentar reuni-
ões e compreender alguns princípios bíblicos, mas quando surge um problema 
de saúde ele buscará a magia ou a pajelança como alternativa para solução do 
problema. Ou seja, o indígena passa a viver uma mistura de religiões. 
Outra questão que se apresenta é o nominalismo evangélico, em que as 
pessoas passam a confessar que são evangélicos, sem, entretanto, passar por 
uma verdadeira conversão. Alguns nem frequentam uma igreja, ou praticam os 
princípios propostos pelas Escrituras, apenas se simpatizam com o evangelho. 
Lidório nos indica o perigo da má contextualização, reconhecendo que: 
[...] o próprio termo “contextualização” foi utilizado no passado por 
Krat, a partir do relativismo de Kierkegaard, com fundamentação em 
uma teologia liberal que não cria na Palavra de Deus de forma dogmá-
tica, mas adaptada. Esses creem que a Palavra de Deus se aplica apenas 
a contextos similares de sua revelação, não sendo assim supracultural e 
nem a-temporal (LIDÓRIO, 2011, p. 21).
Nesse sentido, a teologia liberal de Kierkegaard ameaça a idelidade às Escrituras, 
uma vez que considera que a cultura não deva ser alterada e que a adaptação deve 
ocorrer na mensagem bíblica. Entretanto, consideramos que o evangelho sempre 
trará uma mensagem confrontadora, que nos desaia à mudança e transformação.
Hesselgrave (1995), indica o exemplo de Jesus como modelo de contextu-
alização a ser seguido. Embora nosso Senhor ministrasse dentro dos limites da 
cosmovisão do judaísmo, Ele, todavia, realizou abordagem em diversos contextos. 
Lidório (2011), apresenta Jesus como maior modelo de contextualização da 
mensagem. Aos judeus, Jesus falava mencionando cobradores de impostos, aos 
fariseus, Jesus falava sobre hipocrisia na adoração e práticas religiosas. A multi-
dão narrava sobre plantações, pão e trigo. 
Uma mensagem compreensível e relevante para o universo de quem a 
ouve. Impactante em seu signiicado e que apela por transformação hu-
mana e social. Ao mesmo tempo, iel às Escrituras - revelação de Deus 
- e teologicamente fundamentada (LIDÓRIO, 2011, p. 19).
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Lidório (2011), apresenta alguns pressupostos fundamentais para que a teolo-
gia da contextualização seja preservada:
• A Palavra é supracultural e atemporal, portanto viável e comu-
nicável para todos os homens, em todas as culturas, em todas as 
gerações. Cremos assim que a Palavra deine o homem, e não o 
contrário.
• Contextualizar o evangelho não é reescrevê-lo ou moldá-lo à luz 
da Antropologia, mas traduzi-lo linguística e culturalmente para 
um cenário distinto do usual ao transmissor, a im de que todo 
homem compreenda o Cristo histórico e bíblico.
• Apresentar Cristo é a inalidade maior da contextualização. A Igre-
ja deve evitar que Jesus Cristo seja apresentado apenas como uma 
resposta para as perguntas que os missionários fazem - uma solu-
ção apenas para um segmento, ou uma mensagem alienígena para 
o povo alvo (LIDÓRIO, 2011, p. 20-21).
O autor evidencia que a comunicação da mensagem bíblica contextualizada 
deve-se manter iel às Escrituras Sagradas. Uma adaptação do conteúdo da men-
sagem à cultura pode tornar sem efeito o convite à salvação. O arrependimento 
é produzido quando o homem é confrontado com sua condição de miséria e 
pecado diante de Deus.
Lidório (2011) apresenta de forma prática o processo de contextualização 
da mensagem ao pontuar momentos do ministério e da vida do apóstolo Paulo: 
• A mensagem, em um processo de comunicação contextual, jamais 
deve ser diluída em seu conteúdo. A idelidade às Escrituras deve 
ser nossa prioridade à semelhança de Paulo, que falou da ressur-
reição de Cristo noareópago mesmo sabendo que seria um tema 
controverso para a crença ilosóica presente.
• O público-alvo, seus pressupostos culturais, língua e entendimen-
to sobre Deus são fatores relevantes para a apresentação do evan-
gelho. Paulo pregou Cristo da mesma forma para seus ouvintes. 
Sua sensibilidade ao contexto conduziu sua abordagem.
• O uso de simbologias culturais explicativas das verdades bíblicas 
podem ser utilizadas, desde que apresentem claramente a relevân-
cia do evangelho. Paulo fez isso utilizando o “deus desconhecido”, 
partindo de um elemento sócio-cultural para expor, com clareza, a 
verdade do evangelho. Em outros momentos, ele o fez a partir da 
Cosmovisão e Contextualização
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criação, do contraste entre Deus e os deuses adorados e do próprio 
sentimento humano de desencontro com a vida e perdição.
• O evangelho deve ser explicado a partir de si mesmo e não da cul-
tura. O conteúdo do evangelho não é negociável. Quando Paulo 
fala aos judeus sobre o Messias e lhes apresenta Jesus, ele estava ali 
em uma linha “segura” de comunicação contextualizada. Porém, 
seu desejo por criar uma atmosfera propícia para a comunicação 
não fez com que minimizasse as verdades mais confrontadoras, 
que o levariam a ser expulso, ignorado e questionado.
• O alvo inal da apresentação da mensagem é levar o homem ao 
conhecimento de Cristo, e não simplesmente comunicá-la. A co-
municação de Paulo pavimentava o auditório para a apresentação 
da verdade, tanto para os ilhos da promessa quanto para os ilhos 
da criação.
• A contextualização da mensagem, linguística e culturalmente, é 
instrumento para uma boa comunicação, que transmita o evange-
lho de forma clara e compreensível. Paulo a utilizava abundante-
mente ao falar distintamente a judeus e gentios, escravos e livres, 
senhores e servos. Também Jesus, ao propor transformar pesca-
dores em pescadores de homens, ao utilizar em seus sermões a 
candeia que ilumina, a semente lançada em diferentes solos, o joio 
e o trigo no mesmo campo, a dracma que se perdeu, as redes abar-
rotadas de peixes, o fez para que o essencial da Palavra chegasse de 
maneira inteligível para a pessoa, sociedade e cultura que o ouvia.
• O resultado esperado da apresentação contextualizada do evange-
lho é o arrependimento dos pecados e sincera conversão. Qualquer 
apresentação do evangelho que leve o homem a sertir-se confor-
tável em seu estado de pecado é certamente inconclusiva e parcial. 
Paulo deixa isso bem claro quando lhes expõe um evangelho liber-
tador e transformador (LIDÓRIO, 2011 p. 31-32).
Quando uma pessoa ou um povo passa a ter uma experiência com Jesus e o 
conhece como salvador pessoal, encontrará uma forma de expressá-lo e adorá-lo 
em sua cultura e aplicará a palavra de Deus em sua cosmovisão. Assim nascem 
as igrejas multiculturais. Por isso, o que mais importa na vida de um(a) plan-
tador(a) de igrejas é que ele(a) proclame a palavra de salvação, considerando a 
teologia da contextualização. 
TEOLOGIA BÍBLICA DO PLANTIO DE IGREJAS
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IIU N I D A D E68
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Estamos encerrando esta unidade de estudo, considerando que muitas das infor-
mações aqui tratadas podem ser incorporadas à vida cristã diária, quer como 
teólogo, ministro do evangelho, discípulo do Senhor Jesus, quer como missio-
nário ou plantador de uma nova igreja.
Você pode entender o quanto a base teológica correta é importante para a 
plantação de igrejas. De que adianta levantarmos um grande edifício que possa 
desabar, ou ediicarmos em um fundamento não aprovado por Deus?
Por isso, todo nosso trabalho deve ser traçado pela missão de Deus. Um 
Deus missionário nos concede todo recurso e direção teológica para estabelecer-
mos seu reino e para fazermos Sua vontade. As ações missionárias consistentes 
não podem caminhar divorciadas da Teologia, bem como a Teologia Bíblica não 
pode caminhar sem forte expressão missionária.
Cabe a nós entendermos que a mensagem cristã é abrangente e universal. 
É destinada a todos os homens de todas as épocas e de todas as culturas sobre 
a face da terra. Porém, os contextos culturais em que Deus a revelou e em que 
a mensagem é levada são bem distintos. Para que o sentido da palavra não se 
perca no processo de comunicação, a contextualização se faz primordial. Temos 
que perceber e considerar as diferenças culturais e de cosmovisão para comuni-
car a mensagem do evangelho adequadamente.
Alguns aspectos da antropologia missionária foram abordados no decor-
rer dos nossos estudos. Sempre é fascinante considerarmos e aprendermos 
mais sobre as diferentes culturas, o que nos faz reletir sobre paradigmas, nos-
sos modelos e deinições. 
Na próxima unidade avançaremos nesse desaio. Vamos considerar, tam-
bém, o tema Modelos de Plantação de Igrejas, que é o nome da nossa disciplina. 
Como podemos usar modelos preestabelecidos diante de realidades culturais 
tão diferentes? Juntos, vamos encontrar essas respostas. 
69 
1. Missiologia e Teologia não devem ser tratadas como áreas separadas de estudo, 
mas como disciplinas complementares. A Teologia não apenas coopera com a 
Igreja ao fazê-la entender o sentido da Missão e a base para o plantio de igrejas, 
como também provê o entendimento bíblico motivacional para o evangelismo. 
Qual a importância da conciliação entre teologia e missiologia frente ao de-
saio de plantar igrejas?
2. Como nos ediica e alegra pensar que Deus é um Deus missionário e que missão 
é uma obra essencialmente de Deus. O sentido ampliado da Missio Dei foi tra-
zido por Bosch e nos detalha o caráter missionário de Deus. Explique qual é o 
sentido ampliado da Missio Dei, o qual engloba também o papel da Igreja.
3. Ott e Wilson (2013), dizem que: “plantação de igrejas é o ministério que, através 
do evangelismo e discipulado, estabelece comunidades reprodutivas do reino 
de crentes em Jesus Cristo que estão comprometidos em cumprir os propósitos 
bíblicos sob a orientação de líderes espirituais locais”. Acompanhando essa de-
inição de igreja, cite dois alvos de curto prazo que sinalizam que a igreja 
está plantada.
4. Cada ser humano possui uma visão e interpretação diferente do mundo, isso diz 
respeito à sua cosmovisão. Segundo o que foi abordado ao longo da unidade, o 
que é cosmovisão e qual sua implicação no plantio de igrejas?
5. Lidório (2011) apresenta Jesus como maior modelo de contextualização da men-
sagem. Aos judeus, Jesus falava mencionando cobradores de impostos, aos fari-
seus, Jesus falava sobre hipocrisia na adoração e práticas religiosas. À multidão, 
narrava sobre plantações, pão e trigo. Cite um dos pressupostos fundamen-
tais, apresentado por Lidório (2011) para que a teologia da contextualiza-
ção seja preservada.
70 
O movimento de Lausanne III, que gerou o documento conhecido como “Compromisso 
da Cidade do Cabo”, trouxe considerações relevantes para o correto posicionamento te-
ológico da missão de Deus, traduzidas nos parágrafos a seguir:
“Nós estamos comprometidos com a missão mundial, porque ela é central para nosso 
entendimento de Deus, da Bíblia, da Igreja, da história humana e do futuro inal. Toda 
a Bíblia revela a missão de Deus de trazer unidas sob Cristo todas as coisas, no céu e na 
terra, reconciliando-as através do sangue da sua cruz. No cumprimento da sua missão, 
Deus transformará a criação ferida pelo pecado e pelo mal em uma nova criação na 
qual não exista mais pecado nem maldição. Deus cumprirá sua promessa a Abraão de 
abençoar todas as nações na terra, através do evangelho de Jesus, o Messias, a semente 
de Abraão. Deus transformará o mundo partido formado pelas nações espalhadas sob o 
juízo de Deusem uma nova humanidade, de toda tribo, nação, povo e língua, redimida 
pelo sangue de Cristo, reunidos ali para adorar nosso Deus e Salvador. Deus destruirá 
o reino de morte, corrupção e violência quando Cristo voltar para estabelecer seu rei-
no eterno de vida, justiça e paz. Então, Deus, Emanuel, habitará conosco, e o reino do 
mundo se tornará o reino do nosso Senhor e do seu Cristo e ele reinará para sempre e 
sempre.”
“Nós desejamos que todos os plantadores de igreja e educadores teológicos coloquem 
a Bíblia no centro de suas parcerias, não apenas nas declarações doutrinárias, mas tam-
bém na prática. Os evangelistas devem usar a Bíblia como fonte suprema do conteúdo e 
da autoridade de suas mensagens. Os educadores teológicos devem recentrar o estudo 
da Bíblia como disciplina fundamental na teologia cristã, integrando e permeando to-
dos os outros campos de estudo e da aplicação. Acima de tudo, a educação teológica 
deve servir para preparar professores pastores para sua principal responsabilidade de 
pregar e ensinar a Bíblia.”
Para ler o texto na íntegra acesse o link:
<http://www.lausanne.org/pt-br/recursos-multimidia-pt-br/compromisso-da-cidade-
-do-cabo-pt-br/compromisso>.
Fonte: adaptado de Movimento de Lausanne… (2010, on-line)4.
Material Complementar
MATERIAL COMPLEMENTAR
Teologia Bíblica de Missões
George W. Peters
Editora: CPAD
Sinopse: esta obra oferece ao leitor uma visão genuinamente bíblica 
e de grande profundidade espiritual. O autor buscou oferecer uma 
ferramenta focada em missões para seminaristas e vocacionados em missões, refutando algumas 
alternativas liberais. Em uma ênfase teocêntrica, a obra ressalta a importância da proclamação do 
evangelho, o papel da igreja local como responsável pelas missões e o senhorio de Cristo.
O Refúgio Secreto
durante a Segunda Guerra Mundial, famílias judias na Holanda 
vivem dias de incerteza. Elas podem ser capturadas pelos nazistas 
a qualquer momento, e uma mulher cristã encontra uma saída. Ela 
passa a esconder os judeus na parte debaixo de sua casa. O i lme nos 
testemunha como é possível permanecer i el ao Senhor, mesmo em 
meio à depredação de uma cultura.
APRESENTAÇÃO: a EPI - Escola de Plantadores de Igrejas é uma escola de capacitação para 
líderes, para plantação de novas igrejas, que propõe-se a ser um centro de rel exão e aprendizado 
para uma nova geração de pensadores cristãos. Para saber mais acesse: <http://www.
plantadoresdeigrejas.org/home.php>. 
REFERÊNCIAS
BÍBLIA. Português. Bíblia Missionária de Estudo. Tradução: Almeida Revista e Atu-
alizada. Barueri-SP: Sociedade Bíblica do Brasil – SBB, 2014.
BOSCH, D. J. Missão Transformadora: mudança de paradigma na teologia da mis-
são. São Leopoldo-RS: Sinodal, 2002.
HESSELGRAVE, D. Plantar Igrejas: um guia para missões nacionais e transculturais. 
São Paulo: Vida Nova, 1995.
LIDÓRIO, R. Entre todos os povos. Vila Velha-ES: Fronteiras, 1996. 
______. Teologia Bíblica do Plantio de Igrejas. Manaus: Instituto Antropos, 2011.
OTT, C.; WILSON, G. Plantação Global de Igrejas: Princípios bíblicos e as melhores 
estratégias de multiplicação. Curitiba: Editora Esperança, 2013.
PETERS, G. W. Teologia bíblica de missões. Rio de Janeiro: CPAD, 2000.
STETZER, Ed. Plantando igrejas missionais: como plantar igrejas bíblicas, saudá-
veis e relevantes à cultura. São Paulo: Vida Nova, 2015.
VAN ENGEN, C. Povo Missionário, Povo de Deus: por uma redeinição do papel da 
igreja local. São Paulo: Vida Nova, 1996.
VICEDOM, GEORG F. The Missionof God. ST. Louis: Concordia, 1965.
______. A Missão do Povo de Deus. São Paulo: Vida Nova, 2012.
WRIGHT, C. J. H. A Missão de Deus: desvendando a grande narrativa da Bíblia. São 
Paulo: Vida Nova, 2014.
REFERÊNCIAS ON-LINE
1Em: <http://www.signiicados.com.br/pragmatismo/>. Acesso em: 22 mai. 2017.
2Em: <http://www.lausanne.org/pt-br/recursos-multimidia-pt-br/pacto-de-lausan-
ne-pt-br/pacto-de-lausanne>. Acesso em: 22 mai. 2017.
3Em: <https://estudos.gospelmais.com.br/missio-dei.html>. Acesso em: 22 mai. 
2017.
4Em: <http://www.lausanne.org/pt-br/recursos-multimidia-pt-br/compromisso-da-
-cidade-do-cabo-pt-br/compromisso>. Acesso em: 22 mai. 2017.
REFERÊNCIAS
73
1. A compreensão entre teologia e missiologia pode gerar igrejas evangelizadoras 
que vivem a palavra de Deus, anunciam o evangelho e comunicam o caráter de 
Cristo em sua vida.
2. A doutrina clássica da Missio Dei como Deus, o Pai, enviando o Filho, e Deus, o 
Pai e o Filho enviando o Espírito, foi expandida no sentido de incluir ainda outro 
movimento - Pai, Filho e Espírito Santo enviando a Igreja para dentro do mundo.
3. 
• Pessoas da localidade ou do povo-foco foram levadas à fé em Cristo, disci-
puladas e congregadas em uma comunhão de crentes mutuamente com-
prometidos que se reúnem regularmente.
• Uma equipe qualiicada de líderes espirituais locais (de preferência que 
pertençam ao povo-foco) é chamada e reconhecida pela congregação. Eles 
orientam, ensinam e aplicam apropriadamente as Escrituras em suas vidas 
e na sociedade.
• As estruturas culturalmente apropriadas para comunhão, louvor, evangelis-
mo, serviço e governo estão funcionando.
• Crentes locais internalizaram valores e objetivos bíblicos. Os propósitos do 
Reino para a igreja estão sendo progressivamente vividos.
4. Cosmovisão é a forma como um grupo vê e interpreta o universo que o cerca. 
Geralmente, grupos diferentes expressarão diferentes cosmovisões quanto ao 
tempo, localização, relacionamento pessoal, princípios e valores da vida. Enten-
der a cosmovisão do grupo alvo com o qual haverá um envolvimento missio-
nário é um dos mais importantes pré-requisitos que antecedem a proclamação 
do evangelho.
5. 
• A Palavra é supracultural e atemporal, portanto viável e comunicável para 
todos os homens, em todas as culturas, em todas as gerações. Cremos assim 
que a Palavra deine o homem, e não o contrário.
• Contextualizar o evangelho não é reescrevê-lo ou moldá-lo à luz da Antro-
pologia, mas traduzi-lo linguística e culturalmente para um cenário distinto 
do usual ao transmissor, a im de que todo homem compreenda o Cristo 
histórico e bíblico.
• Apresentar Cristo é a inalidade maior da contextualização. A Igreja deve 
evitar que Jesus Cristo seja apresentado apenas como uma resposta para 
as perguntas que os missionários fazem - uma solução apenas para um seg-
mento, ou uma mensagem alienígena para o povo alvo.
GABARITO
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Professor Esp. Galaor Linhares Tupan Junior
CULTURAS E MODELOS DE 
PLANTAÇÃO DE IGREJAS
Objetivos de Aprendizagem
 ■ Compreender a importância do chamado de Deus.
 ■ Entender o que é cultura e os impactos das diferenças transculturais.
 ■ Conciliar cultura com formatos de igrejas e modelos de plantação.
 ■ Identiicar alguns modelos de plantação de igreja.
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
 ■ O chamado de Deus é para todos
 ■ A cultura e as diferenças transculturais
 ■ Compreendendo culturas, formatos e modelos
 ■ Modelos de plantação de igrejas
INTRODUÇÃO
Seja bem-vindo(a) a mais uma unidade da nossa disciplina. Como é fascinante 
compreender a grandeza da missão de Deus e sermos colaboradores Dele!
Nesse momento, vamos estudar cultura e as diferenças transculturais. O cha-
mado de Deus é universal e, para cumpri-lo, necessitamos transpor limites de 
hábitos e costumes que se interpõem aos povos. Sermos sensíveis às diferenças 
interculturais não é tarefa fácil, pois nossa tendência é permanecer no limite da 
nossa própria cultura. 
No entanto, cremos que as bênçãos que Deus concedeu a Abraão, devido 
à sua obediência pela fé, alcançarão todos os grupos de pessoas sobre a face da 
terra. Abraão saiu de Ur dos Caldeus em direção à terra da promessa, Canaã. 
Sua saída torna real a quebra de tradições e costumes necessária para a constru-
ção de um paradigma celestial. 
O plantador de igrejas deve ter seu coração cheio do amor de Deus pelas 
almas e povosespalhados pela terra, para que possa superar as diferenças cultu-
rais. Enfatizamos que a proposta do evangelho não é agredir uma cultura, mas 
entendê-la de forma a encontrar a porta para a entrada das boas-novas.
Vamos considerar formatos de igrejas e modelos de plantação de igrejas. 
Com essa abordagem, não podemos e nem queremos apresentar um molde, ao 
qual as diferentes culturas terão que se adaptar. Não trataremos a arquitetura 
inal que cada igreja terá, pois isso é obra do Espírito Santo. Buscaremos encon-
trar caminhos bíblicos e históricos pelos quais as igrejas foram estabelecidas no 
decorrer dos séculos. 
Quando o reino de Deus chega a uma localidade produz uma modiicação 
em muitos aspectos, entretanto, o processo de plantar uma igreja não constitui 
produção em série de um produto pré-deinido. Desde que sejam estabelecidos 
os parâmetros teológicos corretos, a riqueza e a beleza de Deus manifesta uni-
dade na diversidade da Igreja. Temos muito trabalho pela frente.
Introdução
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O CHAMADO DE DEUS É PARA TODOS
“Ora, disse o Senhor a Abrão: Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de 
teu pai e vai para a terra que te mostrarei; de ti farei uma grande nação, e 
te abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu uma bênção! Abençoarei 
os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão 
benditas todas as famílias da terra.” (Gênesis 12:1-3)
“Para que a benção de Abraão chegasse aos gentios, em Jesus Cristo, a im 
de que recebêssemos, pela fé o Espírito prometido. Ora, as promessas foram 
feitas a Abraão e ao seu descendente. Não diz: E aos descendentes, como 
se falando de muitos, porém como de um só: E ao teu descendente, que é 
Cristo.” (Gálatas 3:14, 16)
“Livro da genealogia de Jesus Cristo, ilho de Davi, ilho de Abraão.” (Mateus 1:1)
“Na sua descendência serão benditas todas as nações da terra, porquanto 
obedeceste à minha voz.” (Gênesis 22:18)
“Pela fé, Abraão, quando chamado, obedeceu, a im de ir para um lugar que 
devia receber por herança; e partiu sem saber aonde ia.” (Hebreus 11:8)
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Vemos, no chamado de Deus a Abraão, uma promessa ampliada a toda raça adâ-
mica por meio de Cristo, o descendente de Abraão. A bênção de Abraão é o meio 
para que todas as famílias da terra sejam alcançadas. Dois povos estão incluídos 
nessa promessa, os ilhos espirituais - que pela fé nasceram de novo em Cristo e 
tornaram-se descendentes de Abraão pela fé - e o próprio povo judeu - a des-
cendência terrena de Abraão.
Lidório (1996), faz uma pergunta primordial para entendermos o chamado 
de Deus no Antigo Testamento: A quem Deus se revelou? Se a resposta for: ape-
nas a Israel, estaremos perante um Deus nacional. Se cremos que Deus intentou 
alcançar todas as famílias da terra, então estaremos perante um Deus que pre-
tende ser conhecido e adorado por todas as nações.
De acordo com Gálatas 3,14, a bênção prometida consiste na dispensação 
do próprio Deus concedido ao homem, por meio do Seu Espírito, nesse tempo 
e por toda a eternidade. Deus prometeu dar a Si mesmo aos descendentes de 
Abraão como uma bênção. De acordo com Gênesis, essa bênção viria a todas as 
nações por meio do descendente de Abraão, que é Cristo. 
Em Hebreus 11,8 vemos que Abraão saiu pela fé, não sabendo para onde 
estava indo, por isso tornou-se o pai de todos os que creem. Lidório (1996) relata 
uma pequena parte da grande visão transcultural de Deus descrita nas páginas 
do Antigo Testamento, na qual Abraão e seus ilhos espirituais levaram o evan-
gelho da salvação a todos os povos espalhados pela terra:
 ■ Abraão deu testemunho do Senhor aos Cananeus, Filisteus e Heteus 
(Gênesis 21:22-34; 23:1-12; 13:14-18);
 ■ José foi testemunha do Senhor entre os Egípcios (Gênesis 41:1-16);
 ■ Moisés testemunhou do Senhor aos Egípcios além de trazer consigo Jetro, 
seu sogro Midianita (Êxodo 5:1-3; 18:1-12);
 ■ Noemi testemunhou do Senhor a Rute e Orfa, que eram Moabitas (Rute 
1:3-9, 16 e 17);
 ■ Elias foi usado por Deus para ser bênção a uma viúva em Sidom (I Reis 
17:8-16);
 ■ Eliseu testemunhou a Naamã que era Sírio (I Reis 5:1-15);
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 ■ Jonas testemunhou do Senhor a Nínive (Jonas 3:1-10);
 ■ Daniel foi testemunha na Babilônia (Daniel 2:26,27);
 ■ Ester testemunhou sua fé e dependência do Senhor ao povo Persa (Ester 
10:1-3);
 ■ Os profetas profetizaram em nome do Senhor a muitas outras nações 
(LIDÓRIO, 1996, p. 15).
O livro de Salmos também nos demonstra que o povo de Israel era consciente 
da visão transcultural do seu Deus: 
Cantai ao Senhor um cântico novo, cantai ao Senhor, todas as terras. 
Anunciai entre as nações a sua glória, entre todos os povos, as suas 
maravilhas (BÍBLIA, Salmos, 96,1.3).
O Senhor fez notória a sua salvação; manifestou a sua justiça perante os 
olhos das nações (BÍBLIA, Salmos, 98,2).
Reina o Senhor, tremam os povos. Ele está entronizado acima dos que-
rubins; abale-se a terra. Celebrem eles o teu nome grande e tremendo, 
porque é santo (BÍBLIA, Salmos, 99,1.3).
Render-te-ei graças entre os povos, ó Senhor! Cantar-te-ei louvores en-
tre as nações (BÍBLIA, Salmos, 108,3).
Louvai ao Senhor, vós todos os gentios, louvai-o, todos os povos (BÍ-
BLIA, Salmos, 117,1).
Lidório (1996) cita a oração missionária de Salomão na inauguração do templo, 
pedindo que todos os povos da terra conheçam o nome do Senhor: 
[...] também ao estrangeiro, que não for do teu povo Israel, porém vier 
de terras remotas, por amor do teu nome. [...] ouve tu nos céus, lugar 
da tua habitação […] a im de que todos os povos da terra conheçam o 
teu nome (BÍBLIA, I Reis, 8,41.43).
Com os profetas do Velho Testamento essa condição não foi diferente. Eles pro-
fetizaram às terras do mar e aos povos de longe, como Isaías:
[...] ouvi-me, terra do mar, e vós povos de longe. Mas agora diz o Senhor, 
que me formou desde o ventre […] sim diz ele: pouco é o seres meu ser-
vo, para restaurares as tribos de Jacó, e tornares a trazer os remanescen-
tes de Israel; também te dei como luz para os gentios, para seres a minha 
salvação até à extremidade da terra (BÍBLIA, Isaías, 49,1-6).
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No evangelho de Mateus vemos a narração do sermão profético de Cristo aos 
discípulos, quando estes lhe perguntaram que sinal haveria antes da vinda do 
Senhor: “e será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para teste-
munho a todas as nações. Então, virá o im” (BÍBLIA, Mateus, 24,14).
Hesselgrave (1995) aponta que durante o período que compreende o livro 
de Atos, o Espírito Santo tinha um plano para cumprir a “Grande Comissão”, 
mesmo quando os apóstolos não tinham nenhum plano e, cada vez mais, aquele 
plano veio a ser uma questão de discussão e deliberação por parte do Seu povo. 
O livro de Atos apresenta uma Igreja, na qual os judeus e os gentios comparti-
lham em base igual o plano eterno de Deus. 
Da mesma forma, o livro de Mateus também narra como a Igreja partilha 
os ideais eternos sob a autoridade de Jesus. Vejamos: 
[...]Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me 
foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as 
nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; 
ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis 
que estou convosco todos os dias até à consumação do século (BÍBLIA, 
Mateus, 28,18-20).
Observamos, nas palavras de Jesus, o desejo do coração de Deus, revelando-se 
como um Deus universal a todos os povos, cumprindo a promessa de redenção de 
toda raça humana em Jesus Cristo, o qual formou a Igreja para que todos os povos 
da terra fossem alcançados. Assim se cumprirá a visão de João na ilha de Patmos:
[...] depois destas coisas, vi, e eis grande multidão que ninguém podia 
enumerar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do 
trono e diante do Cordeiro, vestidos de vestiduras brancas, com palmas 
nas mãos; e clamavam em grande voz, dizendo: ao nosso Deus, que 
se assenta no trono, e ao Cordeiro, pertence a salvação (BÍBLIA, Ap 
7,9.10).
A tarefa central à qual Cristo chama o Seu povo é a proclamação do evangelho 
de Deus a todo o mundo, fazendo discípulos e ensinando-os a guardar todas as 
coisas que foram por Ele ensinadas. Para isso é preciso planejar a tarefa e veriicar 
os desaios que ela estabelece. É preciso ter um plano abrangente e dimensionar 
os recursos necessários para sua execução. Dentre tantos desaios que se colo-
cam diante de nós, torna-se primordial um profundo conhecimento da cultura 
no momento da plantação de uma igreja. 
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A CULTURA E AS DIFERENÇAS TRANSCULTURAIS
Entendendo o que é cultura
A palavra cultura possui um sentido muito amplo na língua portuguesa. Porém, 
é preciso uma compreensão adequada de seu signiicado para que possamos 
comunicar efetivamente o evangelho a um mundo heterogêneo.
Neste momento, consideramos o estudo da cultura em seu aspecto antropo-
lógico, ou seja, observando o ser humano na totalidade de suas manifestações 
e dimensões.
Laraia (2001), refere-se ao conceito de cultura, considerando o dilema entre 
a identidade biológica e a diversidade humana. Essa preocupação existe desde há 
quatro séculos antes de Cristo, quando Confúcio dizia que a diferença entre os 
homens não é a questão biológica, mas a diferença de costumes. Por isso, base-
ado em Laraia (2001), apresentamos um provável conceito de cultura.
Cultura: conjunto de conhecimentos, crenças, leis e hábitos que as pessoas 
aprendem e que não é um elemento natural (LARAIA, 2001).
Uma das teorias importantes no processo de formulação do conceito de cultura 
apresentado por Laraia (2001), é o determinismo biológico, que preconiza que 
as pessoas nascem com características que são congênitas. Surgem as ideias de 
que os nórdicos são mais inteligentes que os negros, de que os judeus são bons 
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comerciantes e são avarentos, de que os portugueses são muito trabalhadores mas 
são pouco inteligentes e de que os brasileiros herdaram a preguiça dos negros, o 
desleixo dos índios e a luxúria dos portugueses, embora seja um povo criativo. 
Esses pensamentos ainda são muito comuns em nossa sociedade. 
Além desses elementos que o determinismo biológico traz, as relações de 
gênero também foram bastante inluenciadas por essa teoria, porque consoli-
daram papéis sociais masculinos e femininos, o que determina uma hostilidade 
contra o grupo biologicamente mais fraco em termos de força física, as mulhe-
res, o que fez com que, durante um grande período histórico, as mulheres fossem 
vistas como inferiores dentro da ótica de raciocínio do determinismo biológico.
Determinismo biológico: preconiza que as pessoas nascem com características 
que são congênitas (LARAIA, 2001).
Outra importante abordagem histórica que Laraia (2001) ocupa-se é o deter-
minismo geográico. Essas teorias foram pesquisadas por geógrafos no inal do 
século XIX e início do século XX e falam que o meio determina os comporta-
mentos dos seres humanos. 
O determinismo geográico também causa uma série de processos precon-
ceituosos, no qual pessoas que vivem nos trópicos são tidas como preguiçosas 
e pouco produtivas. Pessoas que vivem em países de clima frio são tidas como 
inteligentes, civilizadas e eicientes. Essa perspectiva gera servidão e uma série 
de conlitos e foi utilizada durante um tempo histórico muito longo. 
Ainda existem pessoas que usam essa ideia, de que o meio determina o ser 
humano, para justiicar as discriminações. Os antropólogos contestam essa teo-
ria dizendo que em regiões de climas e meio ambiente parecidos as pessoas têm 
culturas e comportamentos diferentes. 
Determinismo geográico: prega que o meio determina os comportamentos 
dos seres humanos (LARAIA, 2001).
Dentre as teorias modernas de cultura, Laraia destaca a de Ruth Benedict, que 
diz: “a cultura é como uma lente através da qual o homem vê o mundo” (LARAIA, 
2001, p. 67). Se olharmos o mundo através dessa lente, partimos dos pressupos-
tos da cultura que possuímos, que aprendemos socialmente. 
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Ao olharmos o mundo por nossa própria lente e considerarmos que a cul-
tura em que vivemos traz o padrão correto, surge uma diiculdade nas pessoas 
de aceitar o diferente, o outro. Esses processos geram um componente deinido 
como etnocentrismo, que é a diiculdade de aceitar a diferença, e pode causar 
muita hostilidade entre os povos, levando-os à guerra, rejeição, disputa pelo 
poder e até tentativa de escravizar o mais fraco. 
Percebemos que a cultura não é uma simples reunião de fundamentos, pois 
cada um de nós observa o mundo e as expressões humanas de acordo com seus 
paradigmas. Laraia (2001, p. 67) aponta que “a cultura condiciona a visão do 
mundo, interfere na existência física do ser humano, opera com uma lógica pró-
pria e se mantém dinâmica”. A cultura envolve tudo que se faz numa sociedade e 
tem inluência direta nas relações sociais, políticas e de poder. De uma maneira 
simples, é todo e qualquer tipo de manifestação do ser humano. De época em 
época a cultura sofre mudanças, que determinam novos hábitos e costumes. 
Cada sociedade apresenta uma cultura especíica com características pró-
prias que sofrem inluência do ambiente no qual esta cultura se encontra inserida. 
Roupas, comidas e até a forma de falar e se comunicar variam de cultura para 
cultura, dependendo do ambiente. Percebe-se o grande desaio estabelecido para 
plantação de igrejas.
Lloyd Kwast apresenta um modelo útil para compreensão da cultura como um 
sistema concêntrico de atributos: a visão de mundo, as crenças, os valores, o com-
portamento e o habitus, que é acrescentado por Pierre Bourdieu. Kwast adverte: 
[...] este modelo de cultura é muito simplista para poder explicar a 
variedade de componentes e relações complexas existentes em cada 
cultura, todavia, é a própria simplicidade do modelo que o recomen-
da como esboço básico para qualquer um que vá estudar a cultura 
(KWAST, 1987, p. 441).
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Figura 1 - O que é cultura?
Fonte: Kwast (1987, p. 440).
A análise do modelo inicia-se visualizando os sucessivos níveis de entendi-
mento,à medida que se aproxima da verdadeira essência da cultura. O primeiro 
elemento que se percebe no sistema é o habitus, deinido por Bourdieu como: 
[...] um sistema de disposições duráveis e transponíveis que, integrando 
todas as experiências passadas, funciona a cada momento como uma 
matriz de percepções, de apreciações e de ações - e torna possível a re-
alização de tarefas ininitamente diferenciadas, graças às transferências 
analógicas de esquemas (BOURDIEU, 1983, p. 65).
Kwast (1987) apresenta, em seguida, na construção de seu modelo, o “comporta-
mento”. Trata-se da forma como as coisas são realizadas. Isso fornece um elemento 
importante na cultura, a padronização do que se faz, o que traz entre os parti-
cipantes de determinada cultura um sentimento de identidade e continuidade 
quase impenetrável. Por isso, à medida que as sociedades se estabelecem, as pes-
soas passam a fazer escolhas comportamentais semelhantes. 
Essas escolhas são reletidas na criação de valores culturais, que se trata do 
próximo nível do modelo de Kwast. Os valores sempre dizem respeito ao que é 
bom, benéico ou o que é o melhor a ser aceito.
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Valores são decisões “pré-estabelecidas” que uma cultura toma dian-
te de escolhas que frequentemente se tem de fazer. Os valores ajudam 
aqueles que vivem dentro da cultura a saber o que deveria ser feito a 
im de se adequarem ou se conformarem ao padrão de vida (KWAST, 
1987, p. 439).
No próximo nível do modelo nos deparamos com um momento de maior com-
preensão do que é verdadeiro para uma especíica cultura, trata-se das crenças 
culturais. Kwast (1987, p. 439) diz que “numa cultura os valores não são esco-
lhidos arbitrariamente, mas invariavelmente reletem um sistema subjacente de 
crenças”. 
Na questão educacional, por exemplo, existe um critério do que é verdadeiro 
acerca do homem, sua inteligência, sua capacidade de resolver problemas. Nessa 
questão, a cultura é deinida pela maneira como as coisas são percebidas, apren-
didas e compartilhadas. 
Não descartamos a hipótese de que numa mesma sociedade pessoas dife-
rentes, embora possam possuir comportamentos e valores semelhantes, podem 
professar crenças diferentes. Nesse aspecto Kwast explica:
[...] este problema é resultante da confusão dentro da cultura entre 
crenças operacionais (crenças que afetam valores e comportamen-
to) e crenças teóricas (convicções expressas em palavras e que têm 
um impacto praticamente nulo sobre os valores e o comportamento) 
(KWAST, 1987, p. 440).
Finalmente, no âmago de qualquer cultura está a sua visão do mundo ou cosmo-
visão, a qual busca identiicar o que é real. Neste nível da cultura estão as grandes 
questões que raramente são apontadas, mas para as quais a cultura concede as 
mais relevantes respostas. Kwast (1987), conclui que quase ninguém pensa seria-
mente a respeito das pressuposições mais profundas da vida: 
[...] quem são? De onde vieram? Existe alguma outra coisa ou alguém 
mais a ocupar a realidade de modo que devesse ser levado em conta? 
Aquilo que eles vêem é realmente tudo o que existe, ou existe alguém 
mais ou alguma outra coisa? O momento de agora é o único tempo que 
é importante? Ou os acontecimentos no passado e no futuro têm algum 
impacto signiicativo em sua experiência atual? Cada cultura presume 
respostas especíicas a estas indagações e as respostas controlam e in-
tegram cada função, cada aspecto e cada componente da cultura. Esta 
compreensão da cosmovisão como sendo o cerne de cada cultura ex-
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plica a confusão que muitos experimentam em nível de suas crenças. A 
cosmovisão de uma pessoa oferece um sistema de crenças que se relete 
em seus reais valores e comportamento (KWAST, 1987, p. 440-441).
Em uma cultura, às vezes, um modelo novo ou rival de crenças é introduzido 
por meio da evangelização, mas se a cosmovisão não for confrontada a cultura 
permanecerá sem mudanças signiicativas, de modo que os valores e o com-
portamento podem permanecer no antigo sistema de crenças. Em contextos 
transculturais, essa questão não pode deixar de ser levada em conta para que 
mudanças genuínas sejam produzidas.
DIFERENÇAS TRANSCULTURAIS
Não há como desconsiderar a estranheza que um missionário ou um plantador 
de igrejas suporta quando deixa sua terra natal e encontra-se numa diferente 
cultura. A começar pela possibilidade de um idioma misterioso, bem como dife-
rença de vestuários, alimentos, crenças e valores enigmáticos. 
Hiebert (1987) apresenta o exemplo quanto ao entendimento cultural dife-
rente sobre tempo: 
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[...] quando, por exemplo, dois americanos concordam em se encontrar 
às dez horas, eles estão “na hora” se aparecerem de cinco minutos an-
tes a cinco minutos depois das dez. Se alguém aparece quinze minutos 
depois, está “atrasado” e gagueja uma desculpa esfarrapada. Ele deve 
simplesmente reconhecer que está “atrasado”. Se ele chegar com meia 
hora de atraso deve ter uma boa desculpa, e lá pelas onze nem precisa 
mais aparecer. Sua ofensa é imperdoável. Em algumas partes da Arábia, 
o povo tem um conceito ou mapa diferente do tempo. Se a hora da reu-
nião for às dez horas, só um servo aparece às dez – em obediência ao 
seu senhor. A hora apropriada para os outros é de dez e quarenta e cin-
co até onze e quinze, tempo suiciente depois da hora marcada para que 
ambos demonstrar a independência um do outro e a igualdade. Este 
arranjo funciona bem, pois quando duas pessoas iguais concordam em 
se encontrar às dez, cada uma aparece por volta das dez e quarenta e 
cinco, esperando que a outra faça o mesmo. O problema surge quando 
um americano se encontra com um árabe e marca reunião para às dez 
horas. O americano aparece às dez, a “hora certa” segundo ele. O árabe 
aparece às dez e quarenta e cinco, a “hora certa” segundo ele. O ameri-
cano acha que o árabe não tem nenhum senso de tempo (o que não é 
verdade), e o árabe é tentado a pensar que os americanos agem como 
servos (o que também é falso) (HIEBERT, 1987, p. 449).
Diante de todas as adaptações que são requeridas quando nos inserimos em um 
novo contexto cultural, Hiebert (1987) considera que uma viagem para o exte-
rior traz, no primeiro momento, vibração e euforia. Quando surgem, porém, 
os imprevistos e os conlitos com as diferenças culturais, ocorre um verdadeiro 
choque, um sentimento de confusão e desorientação. 
Esta não é uma reação contra a pobreza ou contra a falta de higiene, 
pois os estrangeiros que chegam aos Estados Unidos experimentam o 
mesmo choque. É o fato de que todos os padrões culturais que adqui-
rimos se tornam sem sentido. Sabemos menos que as crianças sobre 
a vida aqui e temos que começar novamente a aprender as coisas ele-
mentares – como falar, cumprimentar os outros, comer, fazer compras, 
viajar e milhares de outras coisas (HIEBERT, 1987, p. 450)
Como turistas, é mais fácil enfrentar as diferenças culturais, pois sabemos que, 
a qualquer momento, estaremos de volta à nossa realidade. O choque cultural 
ocorre quando percebemos que aquela será a nossa vida por um longo período, 
principalmente quando se trata de uma mudança em função de um chamado 
missionário. E, nesse caso, somente o chamado pode ser um contra-ponto para 
enfrentar o sentimento de desorientação numa cultura diferente.
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Com o passar dos dias, a adequação começa a acontecer. Podemos contar 
moedas, fazer novos amigos, utilizar o transporte local e, assim, começamos a 
nos encaixar no novo contexto cultural. Isso, se fugirmos da tentação de criar 
nosso ambiente cultural no novo país. Vencidas essas barreiras iniciais, quando 
nos moldamos à nova cultura, nos tornamos pessoas biculturalmente adaptadas. 
Observaremos em seguida como Hiebert (1987) considerou o impacto das 
diferenças culturais na transmissão do evangelho e na implantação de novas 
igrejas em outras sociedades:
a) Mal-entendidos transculturais - No Zaire, alguns missionários encontra-
ram problemas de relacionamento pessoal que foi interpretado por um habitante 
idoso do país: 
[...] quando vocês chegaram, vocês trouxeram costumes estranhos - ele 
disse - vocês trouxeram latas com alimentos. Do lado de fora havia a 
igura de espigas de milho. Quando vocês abriram, havia muito milho 
lá dentro e vocês o comeram. Do lado de fora de outra havia a igura 
de carne e dentro dela havia carne e vocês comeram. E quando vocês 
tiveram o nenê, trouxeram também latinhas. Do lado de fora dela havia 
iguras de nenéns, e vocês abriram as latinhas e alimentaram o nenê 
com o que havia dentro delas” (HIEBERT, 1987, p. 452).
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O mal-entendido estabelecido parece sem sentido, mas possui uma razão. Na 
falta de elementos suicientes para interpretação de uma determinada cultura 
fazemos nossa própria interpretação, chegando a conclusões, muitas vezes, equi-
vocadas. Podemos pensar que o atraso do árabe traduz falta de consideração ou 
compromisso e interpretamos como mentiras a tentativa de justiicar o ocorrido. 
Entretanto, não consideramos mentira quando alguém nos pergunta como esta-
mos e respondemos que está tudo bem, mesmo quando não está. 
Os mal-entendidos culturais se baseiam na ignorância sobre uma outra 
cultura. Este é um problema de conhecimento. A solução é aprender a 
conhecer como funciona a outra cultura. Nossa primeira tarefa ao en-
trarmos em uma nova cultura é estudar os seus costumes. Mesmo mais 
tarde, sempre que parecer que alguma coisa está errada, devemos pre-
sumir que o comportamento das pessoas faz sentido por elas, e reanali-
sar nossa própria compreensão de sua cultura (HIEBERT, 1987, p. 453).
b) Etnocentrismo - “A maioria das nacionalidades se arrepia quando entra 
num restaurante indiano e vê as pessoas comendo arroz e caril com as mãos. 
Imaginem participar de uma ceia de Natal e se servir com as próprias mãos” 
(HIEBERT, 1987, p. 453). A questão, aqui presente, é que sempre estamos cen-
trados no nosso próprio mundo. E não consideramos os diferentes pontos de 
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vista. “Crescemos em uma cultura e aprendemos que seus modos são os modos 
certos de fazer as coisas. Qualquer pessoa que faça de maneira diferente não é 
muito civilizada” (HIEBERT, 1987, p. 453). 
O etnocentrismo se constitui em nossa predisposição em avaliar os com-
portamentos das pessoas de outras culturas pelos padrões e valores de nossas 
próprias culturas. Mas, da mesma forma somos avaliados. O indiano também 
se choca ao perceber que usamos talheres que estiveram inúmeras vezes na boca 
de outras pessoas. Hiebert (1987) aponta que quando nos relacionamos, além de 
entender as pessoas, precisamos derrubar as barreiras que separam as pessoas 
da nossa cultura das pessoas de outra cultura. “A identiicação somente acon-
tece quando - eles - se tornam parte do círculo de pessoas que nós consideramos 
como - nosso tipo de gente” (HIEBERT, 1987, p. 453).
c) Tradução - Para o estabelecimento de uma igreja, torna-se necessário que 
a cosmovisão bíblica seja compartilhada; entretanto, muitas passagens podem se 
tornar sem sentido, caso seja mantido seu signiicado original. Por isso, o grande 
desaio que temos é levar as boas novas do evangelho às nações. Hiebert trata e 
nos apresenta esse tema.
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Como você traduziria ... cordeiro de Deus... (João 1:29) para o esquimó, 
língua na qual não existe qualquer palavra ou qualquer experiência com 
animais que nós chamamos de ovelhas? Você criaria uma nova palavra e 
acrescentaria uma nota no rodapé para descrever a criatura que não tem 
signiicado no seu pensamento? Ou será que você usaria uma palavra 
como ...foca..., que tem mais ou menos o mesmo signiicado na cultura 
deles que ...cordeiro... tem na Palestina? [...] Em outras palavras, se numa 
língua encontramos a palavra cordeiro, só precisamos encontrar a palavra 
na outra língua para um mesmo tipo de animal e as pessoas entenderão o 
que estamos querendo dizer. Mas não é isto necessariamente que aconte-
ce. Na verdade, geralmente acontece o contrário. As mesmas formas não 
carregam os mesmos signiicados nas diferentes línguas. Quanto mais li-
teralmente traduzirmos a forma, maior o perigo de perdermos o signi-
icado. Um exemplo desta variação e signiicados dados à mesma forma 
encontra-se na história do Natal. Na Palestina os pastores eram homens 
devotos e respeitados. Na Índia os pastores são os beberrões das vilas, e nas 
representações teatrais sobre o Natal mais do que uma vez eles subiram ao 
palco completamente bêbados. Neste caso a forma foi mantida, mas per-
deu-se algo do signiicado. A mesma perda pode ocorrer sempre quando 
traduzimos formas culturais tais como cultos ao redor da fogueira, árvores 
de Natal e cruzadas evangelísticas (HIEBERT, 1987, p. 453-454).
Entendemos que a salvação não está limitada a um profundo conhecimento da cosmo-
visão cristã, mas se faz quando o homem reconhece sua condição de pecado e aceita 
a Cristo como seu salvador e busca seguir seus ensinamentos. Entretanto, para que o 
futuro dessas igrejas esteja assegurado, é necessário que haja uma construção de uma 
cosmovisão bíblica eliminando possíveis desencontros ocorridos por erros de tradução.
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d) O evangelho e a cultura - Nesse sentido, Hiebert (1987) nos alerta sobre 
o cuidado que temos que ter para não vincular o evangelho ao contexto cultu-
ral do pregador. Alguém já disse, tragam as sementes do evangelho a nós e não 
o evangelho como uma planta crescida em vaso. 
A mensagem do evangelho não pode ser traduzida em bancos de igrejas, 
paredes brancas ou em terno e gravata. Muito menos em sistemas de governo ou 
usos e costumes. Em certo aspecto, a cultura deve ser respeitada. Em algumas 
culturas templos de tijolos não terão espaço e o culto só fará sentido se realizado 
debaixo de árvores ou ao ar livre. Embora encontramos na palavra de Deus abso-
lutos morais que não podem ser esquecidos. Então, em uma sociedade que aceita 
a idolatria, a poligamia ou o adultério, a Palavra de Deus deve ser ensinada até 
que condições de práticas pecaminosas sejam transformadas.
e) Sincretismo versus autoctonia - No que diz respeito a autoctonia das 
igrejas, temos que ter um profundo investimento em plantar igrejas com uma 
base teológica correta e abrangente, de forma que se estabeleça um evangelho 
com o poder de transformação. Caso contrário, as igrejas serão comunidadessincréticas que possuem sua interpretação particular e distorcida das Escrituras. 
Hilbert caracteriza o cuidado que devemos ter ao interpretar diferentes culturas.
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Não só devemos separar o evangelho de nossa própria cultura, mas de-
vemos procurar expressá-lo em termos da cultura na qual entramos. 
As pessoas podem sentar no chão, cantar hinos em ritmos e melodias 
nativas. [...] Mas, como já vimos, a tradução envolve mais do que colo-
car ideias em formas nativas, pois essas formas talvez não tragam signi-
icados adequados para a expressão da mensagem cristã. Se nós, então, 
a traduzirmos em formas nativas sem nos preocuparmos em preservar 
o signiicado, acabaremos no sincretismo – a mistura de signiicados 
antigos e novos de modo que a natureza essencial de cada um se perde. 
Se nós formos cuidadosos em preservar o signiicado do evangelho, 
mesmo quando o expressamos em formas nativas, teremos a autoc-
tonia. Isto pode envolver a introdução de nova forma simbólica, ou 
pode envolver a reinterpretação de um símbolo nativo. Por exemplo, 
as damas-de-honra, hoje associadas aos casamentos cristãos, foram 
originalmente usadas por antigos povos europeus não-cristãos para 
confundir os demônios que eles pensavam que viria para levar a noiva 
(HIEBERT, 1987, p. 458).
Nesse sentido deve sempre haver um grande cuidado na introdução da cul-
tura do evangelho, por exemplo, em comunidades onde antes a poligamia era 
comum, as mulheres devem ser orientadas para que não venham envolver-se na 
prostituição ao serem deixadas por seus antigos “maridos”. Em cada igreja plan-
tada temos que crer pela poderosa operação do Espírito Santo, conduzindo os 
homens a toda a verdade do evangelho do Reino Eterno. 
Igreja Autóctone - uma igreja é autóctone quando, a mesma, não depende 
de recursos externos para sua existência, possui uma liderança local respon-
sável por seu governo e tem a capacidade de reproduzir-se em novas igrejas. 
Fonte: o autor.
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COMPREENDENDO CULTURAS, FORMATOS E 
MODELOS
Caro(a) aluno(a), a plantação de igrejas eicazes, seja em seu próprio país ou em 
uma outra nacionalidade, é uma obra missionária. Por isso, abordamos no item 
anterior aspectos culturais e os impactos das diferenças transculturais dentro de 
uma visão de antropologia missionária.
Iniciamos, neste momento, uma relexão sobre a relação da cultura com o 
formato da igreja e modelo de plantação de igreja, que são dois elementos dife-
rentes. O primeiro diz respeito à forma inal que se espera para a igreja plantada, 
e o segundo diz respeito ao processo de plantação da igreja. Stetzer (2015) diz 
que o plantador perspicaz precisa começar por determinar sua missão - o que 
inclui o entendimento de seu chamado e convicção pessoal. Obviamente sua 
missão deve estar alinhada e submetida à missão de Deus.
Em seguida, deve buscar compreender a cultura à qual foi chamado. Como 
pensam as pessoas que vivem naquele lugar? Quais são seus valores? Que acon-
tecimentos moldaram sua história coletiva e como afetaram seu entendimento 
grupal? Qual a sua visão de mundo e o que constitui verdade para eles? 
A resposta a essas perguntas começam a delinear o formato que se vislum-
bra para a igreja e o modelo que poderá ser utilizado para sua plantação. Pode 
parecer conlitante falarmos de formatos e modelos diante de tanta diversi-
dade cultural existente, entretanto, quando abordamos esse tema, estamos nos 
referindo ao padrão basilar que será utilizado para a plantação de uma igreja, 
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considerando suas realidades culturais e necessidades de contextualização. Jamais 
poderíamos pensar em reprodução em série no que diz respeito à plantação de 
igrejas, pois cada cultura, povo e congregação terá suas características próprias 
de funcionamento.
O aspecto de avaliação cultural é apresentado por Stetzer (2015) para servir 
a vários propósitos em nossa compreensão da plantação de igreja, como cita-
dos a seguir:
 ■ Identiicar os componentes de um determinado público-alvo e pesquisar 
sua cultura, com o objetivo de levá-los a Cristo. Para que se possa obter 
bons resultados no trabalho desenvolvido, é preciso saber quem são as 
pessoas, bem como saber interpretá-las.
 ■ É importante conhecer as informações de segmentação demográica para 
tomada de decisões sobre evangelização.
 ■ Embora as culturas e as pessoas sejam diferentes, o evangelho sempre 
será o mesmo para todas elas. 
Dulles (1978) considera a Igreja, à semelhança de outras realidades teológicas, 
um mistério de Deus. Mistérios são realidades de que não podemos falar dire-
tamente. Se quisermos discorrer sobre eles, por pouco que seja, devemos lançar 
mão de analogias facultadas pela nossa experiência do mundo. Essas analo-
gias fornecem formatos e modelos. Com a atenção voltada para tais analogias 
e utilizando-as como “parâmetros” podemos crescer em direção a uma maior 
compreensão da Igreja. 
Não estamos utilizando formatos ou modelos, como ocorre na arquite-
tura, os quais são simples réplicas ou miniaturas da realidade em consideração. 
Estamos indicando pontos de referência e correspondências funcionais, como 
ocorre nas ciências físicas ou biológicas, com o objetivo de tomada de decisão 
quanto ao modelo para a plantação e o formato inal que se deseja para a nova 
igreja se reunir e trabalhar em conjunto, embora esse modelo possa sofrer trans-
formações até se consolidar. 
Não podemos apresentar um molde, ao qual diferentes culturas terão que se 
adaptar. Na Unidade II deinimos a essência da Igreja e identiicamos seus pro-
pósitos principais, os quais desejamos que sejam percebidos em qualquer igreja 
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estabelecida. Como já observamos, quem dá o crescimento para uma igreja local 
é o próprio Deus, o criador da Igreja. Ele transforma as pessoas, as acrescenta às 
comunidades, concede dons e chama novos líderes.
Quanto ao formato da igreja, genericamente Ott e Wilson (2013), indicam 
que ele pode ser público ou privado, em pequenos grupos ou em um grupo 
maior, em um tipo repetido de reunião (como o culto dominical) ou de acordo 
com um ritmo próprio, combinando vários tipos de reuniões. Entretanto, aque-
les que já visitaram comunidades cristãs em terras diferentes podem atestar a 
grande variedade de maneiras com que as igrejas se reúnem para adoração, edi-
icação e serviço. 
Hoje as celebrações maiores lorescem em algumas sociedades, en-
quanto em outras, como em regiões tribais escassamente habitadas ou 
povoadas por grupos nômades, os pequenos grupos familiares são a 
norma. E cidades com alta densidade demográica você pode encontrar 
igrejas nas prisões, igrejas de rua, nas escolas, em empresas, em bares 
e outros reunidos por ainidade. Perseguição ou liberdade, pobreza ou 
riqueza, sociedades tradicionais ou progressistas - esses fatores eram 
e permanecem importantes na formação de igrejas (OTT; WILSON, 
2013, p. 115-116).
Embora as diretrizes das escrituras sejam amplas quanto aos aspectos de forma-
ção de igrejas, as negligências em observar padrões teológicos corretos podem 
acarretar várias consequências negativas. Ott e Wilson (2013)airmam que as 
escolhas feitas pelos plantadores terão um impacto importante no estabeleci-
mento, crescimento, saúde e reprodução da igreja.
Indicamos a seguir alguns princípios relevantes, indicados por Ott e Wilson 
(2013), que norteiam a plantação de igrejas teologicamente saudáveis e que sejam 
culturalmente apropriadas, revelando a diversidade criativa de Deus:
1. Liberdade orientada pelo Espírito Santo: biblicamente, percebemos que 
as congregações possuem bastante liberdade nos parâmetros para estru-
turação das novas igrejas, conforme retratado em Atos, capítulo 15. A 
essência refere-se a princípios e valores, não recai sobre a tradição. “As 
igrejas do Novo Testamento tinham que ser lexíveis e resistentes às adver-
sidades porque, na maioria dos casos, emergiram em território hostil e 
tiveram que se adaptar às circunstâncias” (OTT; WILSON, 2013, p. 118). 
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A mesma lexibilidade é requerida em cenários multiculturais, desde os 
grandes centros urbanos às comunidades mais primitivas.
2. Compreenda a cultura antes de determinar o formato da igreja: Van 
Gelder nos alerta sobre a necessidade de considerarmos cada contexto 
cultural antes de aplicarmos os princípios da eclesiologia: 
[...] todas as eclesiologias devem ser vistas em funcionamento relativo 
a seu contexto. Não há outra maneira de ser igreja exceto dentro de um 
cenário concreto e histórico. [...] Novos contextos pedem novas expres-
sões para a compreensão da igreja (VAN GELDER, 2000, p. 40-41). 
A preferência pessoal não deve nunca estar presente na deinição do 
formato das igrejas plantadas. Desde que sejam teologicamente corre-
tas, as igrejas têm liberdade de serem adaptadas culturalmente. Líderes 
locais convertidos à Palavra de Deus são muito importantes para tradu-
ção daquilo que é relevante para a cultura local. 
3. Agentes do formato da igreja: cremos que as igrejas plantadas perten-
cem aos cristãos locais debaixo da autoridade do Cabeça da Igreja, Cristo 
Jesus. Por isso a voz da comunidade deve ser ouvida e considerada, no 
que diz respeito ao melhor formato de funcionamento da igreja para cada 
cultura. Certamente, os fundamentos ensinados devem ser bíblicos para 
que a igreja relita uma comunidade do Reino de Deus e cumpra a Grande 
Comissão. O processo de contextualização deve ser desenvolvido com 
oração, relexão e participação de informantes culturais que já são con-
vertidos e começam a desenvolver conhecimento bíblico. “O povo local, 
livre do controle externo e de designs importados pode, sob a direção do 
Espírito tornar-se a comunidade contextualizante natural” (OTT; WIL-
SON, 2013, p. 119).
Em seguida, descreveremos os formatos básicos nos quais as igrejas, em geral, se 
coniguram. Ao expor cada formato, será apresentada uma descrição, metáfora, 
exemplos, pontos fortes, possíveis pontos fracos e o contexto indicado. Foram 
selecionados os três principais formatos que dão origem a uma igreja dentro dos fun-
damentos teológicos desejáveis. Os padrões ou formatos mais comuns apresentados 
neste tópico fundamentam-se nos estudos de Ott e Wilson (2013). Ocasionalmente, 
um contexto pode exigir um ponto de partida diferente. Após esta abordagem, ini-
ciaremos o tratamento de modelos possíveis utilizados para a plantação de igrejas. 
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Quadro 1 - Formato 1- Igrejas nos lares
Descrição
Uma comunidade cristã básica.
Foco em relacionamento e missão cristã.
Reúnem-se em casas, ou locais de trabalho ou locais neutros.
Geralmente dirigida por um pastor leigo.
Geralmente pertence a uma denominação.
Metáfora
Igreja como família.
Exemplos 
Igrejas nos lares na China.
Rede Repensando o Cristianismo Autêntico, Japão.
Grupo denominado Igreja Local, Brasil.
Pontos fortes
Alta prestação de contas.
Contexto de pequenos grupos para discipulado.
Capaz de sobreviver à perseguição.
Pode penetrar em contextos urbanos. 
Não requer edifícios, nem obreiros proissionais.
Potencial para multiplicação rápida.
Possíveis pontos fracos
Espírito de independência.
Perigo de líderes controladores e falsas doutrinas.
Os relacionamentos tendem a se aprofundar somente para dentro do grupo.
Visto com desconiança, falta de credibilidade.
Os grupos geralmente têm vida curta.
Contexto indicado
Zonas rurais e onde existe perseguição.
Onde a pobreza ou restrições de zoneamento tornam um edifício inacessível.
Raramente funciona em contextos ocidentais tradicionais.
Fonte: Ott e Wilson (2013, p. 120-121).
Ott e Wilson (2013) acrescentam que as igrejas nos lares trazem à lembrança 
uma reunião familiar. Os relacionamentos são ediicados usando dons espiritu-
ais, estudo bíblico e uma abordagem para o evangelismo. Os grupos formados, 
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geralmente, não ultrapassam a quantidade de 50 pessoas. Encontram-se regu-
larmente em uma casa particular ou outro local não religioso e são dirigidas 
por uma equipe de pastores leigos, no entanto, a reunião é participativa e todos 
os membros ministram. Algumas igrejas nos lares têm se mostrado efetivas no 
evangelismo e na reprodução. Tim Chester, um líder britânico de igreja nos lares, 
cita as seguintes vantagens das igrejas do tamanho de uma família:
a família determina um tamanho no qual o discipulado e o cuidado 
mútuos podem realisticamente acontecer. Ela cria uma simplicidade 
que combate a mentalidade de manutenção: não há edifícios caros para 
manter ou programas complexos para operar. Ela determina um estilo 
que é participativo e inclusivo, espelhando o modelo de discipulado e a 
comunhão ao redor da mesa do próprio Jesus (CHESTER, 2000, p. 41).
As igrejas nos lares podem ter um rápido aumento de tamanho, sem, no entanto, 
amadurecer quanto ao ensino e formação de lideranças. O que pode ocasionar 
uma duração menor para sua existência, se comparada às congregações tradicio-
nais. Ott e Wilson (2013) sinalizam que este formato apresenta maior diiculdade 
para desenvolvimento de ministérios com crianças, jovens ou grupos de recu-
peração. A necessidade de uma cobertura espiritual se mantém decisiva para o 
futuro e saúde desse formato de igreja. 
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Quadro 2 - Formato 2 - Congregação reunida voluntariamente
Descrição
Uma unidade congregacional com agrupamentos por ainidade.
Geralmente usa um modelo baseado em um programa.
Reúnem-se em edifícios públicos.
Sociedade voluntária, aparentemente sem ins lucrativos.
Dirigida por pastores ordenados remunerados.
Metáfora
Igreja como instituição.
Exemplos
A maioria das denominações brasileiras e americanas.
Pontos fortes
Visibilidade na comunidade.
Recursos e ministérios proissionais.
Ensino e cuidado pastoral consistente.
Testada pelo tempo, familiar, estável.
Ministérios especializados com crianças, jovens, aconselhamento etc.
Possíveis pontos fracos
Vulnerável sob a perseguição e mudanças demográicas.
Dispendiosa pela expectativa de ter um pastor proissional e um edifício.
Não é facilmente adaptável a vizinhanças que passam por mudanças.
Reprodução lenta.
Contexto indicado
Adequado para áreas tradicionalmente cristãs.
Zonas rurais e comunidades pequenas.
Onde os terrenos e os imóveis são acessíveis.Fonte: Ott e Wilson (2013, p. 120-121)
No Brasil e nas Américas a maioria das igrejas protestantes fazem parte dessa 
classiicação. Ott e Wilson (2013) as identiicam como congregações simples, 
com menos de duzentas pessoas, em média. Essa estrutura tem sido formada 
por uma assembleia voluntariamente reunida, segundo apontado por Dietterich. 
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As pesquisas indicam que esse formato de igreja tem sido determina-
do mais pelas particularidades do cenário religioso do que por algu-
ma posição teológica característica. A separação legal entre a igreja e o 
Estado, o desenvolvimento de uma democracia participativa, a ênfase 
sobre a liberdade religiosa do indivíduo, a proliferação de escolas de-
nominacionais, o anseio pela associação religiosa e pelo cuidado em 
uma sociedade de imigrantes, assim como o formato de organização 
burocrática moderna têm, conjuntamente, contribuído para o avan-
ço de um modelo particular de igreja (DIETTERICH, 2004, p. 2 apud 
OTT; WILSON, 2013, p. 123).
Essas igrejas, geralmente, têm um pastor proissional, trabalhando em tempo 
integral ou parcial e voluntários que fazem o trabalho de secretaria, manutenção, 
administração, ensino bíblico e trabalhos ministeriais. A maioria gira em torno de 
um programa central e tende a ser relativamente estável e altamente estruturada. 
Essas igrejas tendem a produzir obreiros e facilitar a comunhão, mas podem, 
também, alimentar o tradicionalismo e a tomada de decisões, pode tornar-se 
burocrática e centralizada, retratando formações seculares empresariais. 
Mesmo com as aparentes desvantagens, esse tipo de igreja tem funcionado 
bem. Uma solução para combater as fraquezas desse modelo é a organização de 
grupos caseiros e o treinamento de leigos para liderá-los, facilitando o ministé-
rio mútuo baseado nos dons espirituais.
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Quadro 3 - Formato 3 - Igreja de celebração em células
Descrição
Comunidades cristãs básicas em células.
Trabalham juntas para celebração e cumprimento da missão cristã.
Encontram-se nos lares e periodicamente em um local público.
Cresce treinando líderes e multiplicando células.
Metáfora
Igreja como rede.
Exemplos
Igreja Yohido Full Gospel, Seul, Coreia do Sul.
Mission Carismática Internacional, Bogotá, Colômbia.
Pontos fortes
Benefícios de igreja grande e de grupos pequenos.
A igreja pode crescer e permanecer familiar.
Descentralização de ministérios em células.
Concede autoridade ao ministério leigo.
Possíveis pontos fracos
Células problemáticas.
Mesmos perigos das igrejas nos lares.
A celebração pode ofuscar as células.
Exige enorme energia para fazer funcionar a célula e a celebração.
Contexto indicado
Adequada para contextos urbanos.
Sociedades nas quais as reuniões grandes e pequenas são valorizadas.
Onde associações voluntárias em pequenos grupos são comuns.
Fonte: Ott e Wilson (2013, p. 120-121).
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Ott e Wilson (2013) indicam que em alguns lugares essa igreja é também cha-
mada de “igreja de duas asas” porque mantém um equilíbrio entre a célula 
(reunião pequena) e a celebração (reunião grande). O discipulado pessoal, o 
cuidado espiritual, o estudo bíblico e o evangelismo são descentralizados nas 
células - a igreja como família. A adoração, o ensino e os eventos atrativos ocor-
rem predominantemente na celebração ou na grande reunião - a igreja como 
povo de Deus. Até o batismo, a ceia e a disciplina na igreja podem ser pratica-
das no âmbito das células.
O desaio, no entanto, é mobilizar a liderança, a energia e os recursos 
para realizar ambas as asas de forma satisfatória. Em alguns movimen-
tos de igrejas em células os líderes e as células são reproduzidos por 
meio de clonagem. Cada célula tem um aprendiz e quando o grupo 
chega a certo número de pessoas, se multiplica, dividindo o grupo em 
dois e comissionando o aprendiz para liderar um dos grupos. Em cul-
turas nas quais o individualismo não é um valor forte, uma abordagem 
de clonagem e controle centralizado é mais aceitável. No entanto, em 
muitos lugares hoje, forçar a multiplicação (como no G12) vai contra 
a índole cultural e seria considerada uma atitude abusiva. Outra abor-
dagem é tornar tarefa principal do líder encontrar um aprendiz com a 
mistura certa de dons e mentoreá-lo para que a reprodução aconteça, 
seja na célula, seja na celebração. As células podem apresentar todos os 
problemas das igrejas nos lares. O desenvolvimento contínuo de for-
tes líderes de células é a chave para igrejas em células saudáveis (OTT; 
WILSON, 2013, p. 124).
Ott e Wilson (2013) consideram que o Senhor não prescreveu formatos de igre-
jas, mas permitiu que os apóstolos tivessem a orientação do Espírito Santo no 
estabelecimento de igrejas autóctones, com formação de lideranças locais. Os 
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plantadores de igrejas não devem imaginar um formato preconcebido que viram 
ou experimentaram, para que não venham a ser as únicas pessoas que se sentem 
em casa na igreja estabelecida. 
Quando as estruturas não são adequadas a um dado contexto, isso leva 
a uma igreja estrangeira que nunca está à vontade na cultura, uma igre-
ja estéril que nunca se reproduz e uma igreja sincretista que espalha 
falsas doutrinas ou práticas religiosas. Os plantadores de igrejas de-
vem estar abertos à mudança, desconsiderar seus formatos preferidos 
e servir como conselheiros enquanto os cristãos locais, que pertencem 
àquela cultura, dão forma à igreja. A igreja está sempre em formação, 
então, mesmo que o papel dos plantadores seja importante nos estágios 
de concepção e implantação da igreja, continuam a exercer inluência 
por meio de seu exemplo, ensino e orientação espiritual (OTT; WIL-
SON, 2013, p. 133). 
Usamos alguns exemplos para demonstrar como os mesmos valores e propósi-
tos bíblicos podem ser traduzidos por meio de diferentes formatos básicos de 
igrejas, dependendo de padrões já existentes de reuniões sociais determinados 
pela cultura local. 
Em última análise, consideramos que a igreja plantada não pertence aos 
líderes que a estabeleceram, nem mesmo ao povo da cultura local. A Igreja, em 
última instância, pertence ao próprio Deus. A Igreja é o corpo do qual Cristo é 
o cabeça. A noiva, que tem sido preparada para encontrar o Senhor e viver eter-
namente para Ele.
Igreja é, em primeira instância, resultado do poder de Deus, da ação do Es-
pírito Santo e da convicção de homens que sabem que estão fazendo a von-
tade de Deus. 
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MODELOS DE PLANTAÇÃO DE IGREJAS
Existem muitos princípios bíblicos eicazes para a plantação de igrejas, Deus não 
abençoa um modelo mais do que outro. Estes modelos dizem respeito às ações 
que serão desenvolvidas para que uma igreja seja plantada contextualmente 
em uma determinada cultura. Bustle e Crocker (2010) airmam que não há um 
modelo único de plantação de igrejas que se aplica a todas as culturas, contex-
tos e realidades. Alguns são mais eicazes em áreaspioneiras, enquanto outros 
são mais eicazes em áreas em que o cristianismo já existe há muito tempo, mas 
a igreja está num estado de declínio.
A recomendação é que se use os modelos que melhor se adequem ao contexto 
e realidades do ministério. Oração, reuniões e boa missiologia serão extrema-
mente úteis na determinação do melhor método a ser utilizado. Pode ser que em 
alguns casos um método puro não seja possível, mas seja necessária uma com-
binação dos métodos apresentados. 
Nesse assunto, tomou-se por base e modelo de referência os estudos, traba-
lhos de pesquisa e observações realizados por Ott e Wilson (2013), bem como 
suas nomenclaturas e terminologias, as quais apresentaremos em três tipos de 
abordagem com suas subdivisões.
1) Abordagens para a plantação pioneira de igrejas
Nesse caso, as igrejas são plantadas em lugares nos quais há poucos cris-
tãos. O trabalho será realizado, apenas, pelos plantadores e crescerá quase que 
exclusivamente por meio do evangelismo. As abordagens possíveis estão resu-
midas no quadro a seguir.
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Quadro 4 - Plantação pioneira de igrejas
ABORDAGEM CARACTERÍSTICAS
Plantador de igrejas 
pioneiro solo
Um único plantador de igrejas se muda para a região-al-
vo e começa um trabalho do zero.
Equipe de plantado-
res de igrejas
Uma equipe de plantação de igrejas é formada e prepa-
rada. Os membros da equipe possuem diversos dons, 
porém a mesma visão e o mesmo chamado.
Colonização Um grande número de pessoas (geralmente da mesma 
igreja) se muda para a região-alvo formando uma nova 
igreja.
Plantação de igrejas 
não residentes
Um plantador de igrejas ou uma equipe missionária pro-
cura plantar uma igreja ou igrejas por meio de visitas de 
curta duração e projetos sem um plantador ou equipe 
residente.
Plantação internacio-
nal de igrejas
Quando uma igreja internacional é plantada, os nacio-
nais também são alcançados, o que não seria possível 
de outra maneira (geralmente em contexto de persegui-
ção).
Plantação indireta de 
igrejas
Uma igreja é plantada como um sub-produto do traba-
lho de desenvolvimento, ministérios estudantis, tradu-
ção da Bíblia ou outros ministérios que não têm, geral-
mente, a intenção de plantar uma igreja.
Fonte: Ott e Wilson (2013, p. 136).
a) O plantador solo
Segundo Ott e Wilson (2013), esse seja talvez o modelo mais comum de 
plantação de igrejas e é a imagem típica que muitas pessoas têm do plantador 
pioneiro. Esse é o responsável pelo evangelismo, discipulado e reunião dos novos 
cristãos para formação da igreja. Pode funcionar quando o plantador está plan-
tando uma igreja na sua própria cultura e possui uma capacidade excepcional, ou 
quando o povo é altamente receptivo, ou quando há um grupo de cristãos locais 
que podem ser recrutados para ajudar. No entanto, raramente é eicaz transcul-
turalmente ou entre populações resistentes ao Evangelho. 
b) A equipe de plantação de igrejas
Nesse caso uma equipe de obreiros, com uma visão comum e vários dons, 
pode se unir no mesmo projeto. Atualmente, em missões transculturais, a abor-
dagem de equipe tem se tornado a norma para a plantação pioneira. Geralmente, 
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os membros da equipe são todos missionários vocacionados, ou alguns bivoca-
cionados. Essas equipes podem ser também multiétnicas.
A organização da equipe e sua preservação requer bastante esforço. Existe o 
risco do estabelecimento de conlitos, especialmente em equipes internacionais, 
nas quais conceitos culturais de liderança, tomada de decisões e valores podem 
confrontar-se. “Deve-se tomar o cuidado para que um grupo bem preparado de 
ministros vocacionados não tragam inibição para o trabalho voluntário de novos 
líderes leigos” (OTT; WILSON, 2013, p. 137).
c) Plantação de igrejas por colonização
Esse é um modelo diicilmente utilizado por causa do alto grau de envolvi-
mento que exige. Mesmo assim, pode ser um método de grandes resultados. Um 
grupo de pessoas, geralmente composto por famílias inteiras, da mesma igreja 
ou recrutados em várias igrejas, se muda para uma cidade ou região-alvo. Assim, 
uma igreja é praticamente transplantada para o novo local. Existem os mesmos 
riscos de conlitos encontrados na plantação em equipe e também a possibili-
dade de inibição para formação de novas lideranças locais, em função de muitos 
dons já estarem presentes no grupo de plantadores. Caso esses problemas acon-
teçam, os mesmos devem ser discriminados e tratados. 
d) Plantação não residente ou projeto de curto prazo
Caracteriza-se por visitas curtas de uma equipe de plantadores ou apenas um 
líder que se dirige a um local para estabelecimento de uma igreja. Normalmente 
há um ponto inicial de contato, uma família que já é cristã ou que traz abertura 
à pregação da Palavra. Ocorrem reuniões para evangelização, ensino básico das 
Escrituras e treinamento dos líderes locais. À medida que a igreja se estabelece, 
as visitas são menos frequentes, mas devem continuar, ainda que ocasionalmente, 
para fortalecimento e acompanhamento da nova congregação. 
e) A plantação internacional de igrejas
Nesse caso, procura-se estabelecer uma nova igreja com a evangelização e 
ajuntamento de estrangeiros que residem em outro país (estudantes, trabalhado-
res, refugiados etc.). Qualquer um dos métodos descritos anteriormente podem 
ser utilizados, tendo o diferencial de que não se busca que a nova igreja plantada 
seja autóctone, mas mantenha um caráter internacional, quanto ao idioma e a 
liderança local. Algumas igrejas internacionais acabam por alcançar cidadãos 
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locais, sendo necessário a utilização do idioma local ou da plantação de uma 
nova igreja que atenda a cultura do próprio país. 
f) Plantação indireta de igrejas
As pessoas que plantam essas igrejas raramente foram treinadas como 
plantadores e geralmente não possuem um plano de longo prazo para seu desen-
volvimento e multiplicação, mas foram ao local para trabalhos especíicos como 
tradução, organização de empresas e, hospitais e por meio de um bom testemu-
nho cristão, ocorre um interesse pela fé praticada e a plantação indireta de uma 
nova igreja. Os leigos locais, normalmente, acabam sendo forçados a tomar uma 
iniciativa maior de liderança, pois os cristãos que vieram de outra localidade estão 
ocupados com outras responsabilidades e não podem se dedicar totalmente ao 
pastorado da nova igreja. 
Em países fechados para a atividade missionária tradicional, frequen-
temente é possível que a ajuda humanitária cristã, projetos de desen-
volvimento ou educadores entrem e se envolvam indiretamente na 
plantação de igrejas. Os trabalhadores contribuem para o bem-estar do 
povo local e não são vistos como uma ameaça às religiões estabelecidas 
(OTT; WILSON, 2013, p. 141).
2) Abordagens para a reprodução de igreja
Veriicaremos agora vários métodos apresentados por Ott e Wilson (2013), 
por meio dos quais igrejas já existentes se reproduzem na mobilização de seus 
membros para a plantação de uma nova igreja na mesma cidade ou em uma loca-
lidade próxima. Um resumo dessa abordagem está no quadro a seguir.
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Quadro 5 - Reprodução de igrejasABORDAGENS CARACTERÍSITCAS
Plantação de igrejas 
mãe-ilha
Membros de uma igreja estabelecida (mãe) se separam 
para formar o núcleo de uma nova igreja (ilha).
Plantação de igrejas 
multisite ou satélite
A igreja inicia um culto adicional ou ministério (geral-
mente com sermões por vídeo). Liderança permanece 
centralizada.
Plantação de igre-
jas ilha adotiva ou 
replantação
Uma comunidade independente decide formar uma 
igreja pedindo o auxílio de uma igreja estabelecida, ou 
uma pequena igreja com diiculdades é revitalizada.
Plantação de igrejas 
multimãe ou parceria
Várias igrejas estabelecidas cedem membros para 
iniciar uma igreja-ilha comum.
Plantação de igrejas 
povo-foco ou multi-
congregação
Uma igreja estabelece uma nova congregação entre 
um grupo étnico ou social em particular, geralmente 
usando o mesmo edifício. As congregações são organi-
zacionalmente ligadas.
Rede de igrejas nos 
lares
Igrejas caseiras multiplicam-se por divisão celular, 
como estrutura mínima, e geralmente dirigidas por lei-
gos. O plantador não é um pastor, mas um orientador 
que fornece treinamento aos líderes nos lares. 
Fonte: Ott e Wilson (2013, p. 142).
a) Plantação de igrejas mãe-ilha
Plantar igrejas por esse método é comparável ao processo biológico de mul-
tiplicação por meio da divisão de células. A igreja-mãe gera uma igreja-ilha, 
destacando alguns membros para serem o alicerce da nova igreja. O número de 
membros enviados depende do tamanho da igreja-mãe, a localização da nova 
igreja e outros fatores. Os obreiros da igreja-mãe podem ser enviados para aju-
dar a começar a igreja. 
Há muitas vantagens na abordagem de multiplicação de igrejas do tipo 
mãe-ilha. Os índices de sobrevivência e crescimento são mais altos do 
que os da plantação pioneira porque os grupos de lançamento são ge-
ralmente maiores, há mais obreiros, o apoio e os recursos imediatos 
estão disponíveis por meio da igreja-mãe e o projeto pode ser cuida-
dosamente preparado e planejado com tempo (OTT; WILSON, 2013, 
p. 144).
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O fator decisivo para a multiplicação é que o grupo inicial detenha boa experiên-
cia ministerial e sejam maduros na fé, o que proporciona liderança e estabilidade 
para o trabalho realizado, o que, muitas vezes, falta em plantações pioneiras. O 
impacto da ausência de membros na igreja-mãe deve ser superado por evan-
gelização, recrutamento e treinamento de novos obreiros. Esse método tem 
trazido excelentes resultados para multiplicação em todo o mundo. A maior 
parte dos outros métodos indicados para reprodução de igrejas são variações 
dessa abordagem.
b) Plantação de igrejas multisite ou satélite
Uma das tendências mais populares entre as grandes igrejas é o conceito 
multisite ou satélite. Aqui, a igreja-ilha permanece fortemente ligada à igreja-
-mãe, sem se tornar autônoma. Surratt, Ligon e Bird (2006) apresentam o slogan 
comum desse peril de igreja: 
[...] uma igreja multisite é uma igreja se reunindo em várias localidades 
- diferentes salas e um mesmo local, diferentes locais na mesma região 
e em alguns casos em diferentes cidades, estados ou nações. Uma igreja 
multisite compartilha de uma visão, um orçamento, uma liderança e 
uma diretoria comum. (SURRATT; LIGON; BIRD, 2006, p. 18).
Ott e Wilson (2013) indicam que essa abordagem é comparável a um planeta 
com satélites que orbitam e permanecem dentro de sua força gravitacional, com 
a igreja central ou principal como o planeta e seus satélites como os vários locais 
ou sedes menores. Esse modelo tem sido desenvolvido com muitas variações. 
Algumas têm apenas cultos de adoração em várias localidade, outras oferecem 
um extenso leque de ministérios em cada local. 
É também comum que os participantes de vários locais assistam ao mesmo 
sermão dominical pregado pelo pastor titular via gravação de vídeo ou trans-
missão online ao vivo. A pregação e a liderança forte do pastor sênior muitas 
vezes servem como imã que mantém os satélites em órbita e leva à criação de 
novas sedes. 
“Compartilhando pessoal, recursos e conhecimento com a mãe, a igreja derivada 
pode imediatamente oferecer uma grande gama de ministérios de alta qualidade, 
o que não seria possível em uma igreja-ilha mais típica” (OTT; WILSON, 2013, p. 
146). Entretanto, o ministério altamente centralizado pode carecer de mobilidade 
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para se adaptar às necessidades das novas localidades. A tomada de decisão pode ser 
trabalhosa, pode-se promover um conceito de ministério proissional, que depende 
muito de pessoal remunerado e de tecnologia. Os custos iniciais podem ser altos. 
A abordagem é eicaz para a adição de igrejas, mas raramente leva à multiplicação.
c) Plantação de igrejas por adoção
Grupos formados por uma iniciativa de estudos bíblicos, grupo caseiro ou 
de discipulado podem decidir se tornar uma igreja mais formal e buscar a ajuda 
de uma igreja estabelecida para fornecer orientação e, possivelmente, recursos 
ou cuidado pastoral. 
Uma alteração da abordagem da adoção pode ser vista quando uma igreja 
que está passando por diiculdade, ou até morrendo, se aproxima de uma igreja 
sadia e pede que ela seja “adotada” a im de ser revitalizada. Algumas vezes a 
igreja adotada torna-se uma sede adicional de uma igreja multisite.
A abordagem de adoção associa a maior parte dos benefícios da plantação 
de igrejas mãe-ilha. 
No entanto, para que a adoção seja bem-sucedida, mãe e ilha precisam 
se conhecer bem antes que a parceria seja oicializada. Questões doutri-
nárias, ilosóicas e inanceiras devem ser francamente compartilhadas. 
Acima de tudo, é preciso que se desenvolva a coniança entre os dois 
grupos, e isso exige paciência e comunicação aberta (OTT; WILSON, 
2013, p. 147-148).
d) Plantação de igrejas multimães ou em parceria
“Quase da mesma forma com que ocorre a plantação de igrejas mãe-ilha - 
a mãe cedendo membros - nessa abordagem, duas ou mais igrejas-mães cedem 
membros para formar uma nova igreja” (OTT; WILSON, 2013, p. 148). Isso faz 
que o núcleo da equipe da nova igreja seja maior e a responsabilidade permanece 
compartilhada. Normalmente as igrejas-mães pertencem à mesma denomina-
ção, pois é necessário que haja uma visão comum. 
e) Plantação de igreja povo-foco ou multicongregação
“Muitas igrejas alcançam um grupo étnico, linguístico ou social em sua 
comunidade, dando início a uma congregação adicional que existe para aten-
der às necessidades particulares de um desses grupos” (OTT; WILSON, 2013, 
p. 148-149). Essa nova congregação se reúne em salas da igreja-mãe, em horá-
rio em que o templo não é utilizado. A igreja hospedeira deve esperar custos 
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adicionais, incluindo o aumento das contas de água, gás, eletricidade e telefone, 
bem como suprimentos e desgaste de equipamentos em geral.
O resultado dessa iniciativa são múltiplas congregações que se reúnem sob 
o mesmo teto. Isso exige um compromisso considerável e lexibilidade por parte 
da igreja-mãe. Os desaios não devem ser desconsiderados, pois pessoas de cul-
turas diferentes possuem opiniões distintas em relação a uma enorme variedade 
de pontos potenciais de conlito.
f) Rede de igrejas nos lares
Muitas organizações missionárias estão promovendo essa abordagem pelo 
rápido crescimento que esse modelo produz. A rede de igrejas nos lares se repro-
duz por meio de divisão celular de forma semelhanteà da plantação mãe-ilha. 
Parte dos membros de uma congregação já existente são enviados para come-
çar uma reunião nos lares, tendo uma estrutura mínima e sendo dirigidas por 
leigos. Possuem um grande potencial para a multiplicação rápida. 
Por sua pequena visibilidade ela é mais resistente à perseguição do que as 
igrejas tradicionalmente estruturadas. No entanto, pelo fato dos líderes recebe-
rem menos treinamento, podem ser suscetíveis a falsos ensinamentos e carecem 
de ministérios especiais, o que pode levar à perda de membros para outras igre-
jas com maior estrutura ministerial.
g) Divisões de igrejas ou ilhos não planejados
“Uma divisão de igreja é uma forma de reprodução que ninguém deseja ou 
planeja, mas é a fonte de muitas novas congregações em todo o mundo” (OTT; 
WILSON, 2013, p. 152). Não é necessário dizer que essa abordagem para a repro-
dução de igrejas não é aconselhada. Entretanto, da mesma forma como o conlito 
entre Paulo e Barnabé resultou em duas equipes missionárias, Deus tem usado até 
mesmo divisões de igrejas para expansão do Evangelho e alcance de mais pessoas.
3) Estratégias regionais para plantação de igrejas
Apresentamos, agora, os estudos de Ott e Wilson (2013) quanto a estraté-
gias de longo prazo para a plantação de várias igrejas em uma região geográica, 
uma área metropolitana, um bairro ou um Estado. Essas abordagens estão resu-
midas no quadro a seguir:
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Quadro 6 - Estratégias regionais para plantação de igrejas
ABORDAGEM CARACTERÍSITCAS
Plantação de igrejas 
por prioridade de 
colheita
Iniciativas evangelísticas são empreendidas em várias 
localidades e uma igreja é plantada no local de maior 
receptividade.
Plantação de igrejas 
por cabeça de ponte 
estratégica
Procura estabelecer pelo menos uma igreja em cada 
cidade ou vila não evangelizada, geralmente separadas 
por distâncias geográicas.
Plantação de igrejas 
por agrupamento
Procura estabelecer um agrupamento de igrejas relacio-
nadas em uma área geograicamente limitada.
Plantação de igrejas 
por propagação da 
videira
Igrejas são plantadas em cidades e vilas consecutivas, 
geralmente seguindo rotas de transporte importantes.
Plantação de igrejas 
espontânea ou diás-
pora
Igrejas (nos lares) são plantadas espontaneamente à 
medida que os cristãos locais (que podem ser cristãos 
de diáspora) espalham naturalmente o Evangelho.
Fonte: Ott e Wilson (2013, p. 153).
 
a) Plantação de igrejas por prioridade de colheita
Ott e Wilson (2013) indicam que nos primeiros anos de trabalho missionário 
pioneiro, os missionários pregavam o Evangelho de vila em vila e então concen-
travam igrejas nos locais onde as pessoas tinham sido mais receptivas. As igrejas 
plantadas nesses locais podem, mais tarde, evangelizar as áreas menos receptivas. 
Essa parece ser a melhor forma de usar recursos e força de trabalho limitados.
b) Plantação de igrejas por cabeça de ponte estratégica
Ott e Wilson (2013) indicam que essa abordagem busca organizar a possibili-
dade de acesso espiritual em vários centros políticos, comerciais ou educacionais. 
A partir dessas cidades estratégicas, as igrejas podem ser plantadas em subúr-
bios distantes, vilas ou aldeias.
Isso relete a preferência de Paulo por plantar igrejas em centros como 
Corinto e Éfeso, dos quais o Evangelho se espalharia para regiões ad-
jacentes. [...] A diiculdade dessa abordagem é que os recursos podem 
ser excessivamente dispersos em uma grande área. As equipes de plan-
tação e as igrejas plantadas podem estar separadas por horas de viagem, 
com pequena possibilidade de se encorajarem mutuamente, compar-
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tilharem recursos ou desenvolverem sinergia a im de imprimir um 
impacto signiicativo em qualquer uma das regiões. Nessa abordagem, 
corre-se o risco de plantar igrejas muito fracas e isoladas. Tanto as igre-
jas quanto a equipe podem facilmente desanimar caso o progresso seja 
lento (OTT; WILSON, 2013, p. 154).
c) Plantação de igrejas por agrupamento
Esse modelo se constitui no oposto da abordagem por cabeça de ponte estra-
tégica, pois estabelece várias igrejas em uma área mais debilitada. Ott e Wilson 
complementam:
[...] em vez de espalhar as equipes de plantação de igrejas em locais dis-
tantes uns dos outros, elas icam concentradas em uma só área. O ponto 
forte dessa estratégia é que os plantadores e as igrejas emergentes estão 
razoavelmente próximos para se reunirem a im de se encorajarem mutu-
amente, promoverem celebrações comuns periódicas, oferecerem treina-
mento conjunto de obreiros e auxiliarem-se uns aos outros em programas 
evangelísticos e com outros objetivos (OTT; WILSON, 2013, p. 154).
d) Plantação de igrejas por videira
Ott e Wilson (2013) usam a metáfora de plantas trepadeiras que se espa-
lham estendendo seus ramos junto ao chão, brotando e formando novos ramos 
frutíferos. Os movimentos de plantação de igrejas podem crescer também dessa 
forma, plantando uma igreja após outra, de uma cidade para outra, seguindo 
uma rota comercial importante ou uma estrada. Cada igreja plantada se torna 
um ponto de lançamento para outra igreja-ilha na próxima vila ou cidade ao 
longo de um determinado percurso. 
e) Plantação de igrejas dente de leão, espontânea ou diáspora
Essa foi a maneira com que o Evangelho se espalhou no primeiro século, 
quando a perseguição surgiu em Jerusalém, lemos em Atos 8,4: “os que haviam 
sido dispersos pregavam a palavra por onde quer que fossem” (BIBLÍA, 2014). 
Lucas continua mais tarde, em Atos 11,19: “os que tinham sido dispersos por causa 
da perseguição desencadeada com a morte de Estevão chegaram até a Fenícia, 
Chipre e Antioquia, anunciando a mensagem apenas aos judeus” (BIBLÍA, 2014). 
Isso resultou na plantação da primeira igreja predominantemente gentia em 
Antioquia. “Desde então, Deus tem continuado a usar os meios mais improváveis 
para movimentar seu povo, trazendo o Evangelho a novos lugares e plantando 
novas igrejas” (OTT; WILSON, 2013, p. 158).
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Essa distribuição do Evangelho é mais espontânea e menos planejada, 
podendo ocorrer por razões proissionais, acesso à moradia, necessidades fami-
liares, guerra, fome, migração, estudo ou várias outras crises e oportunidades. 
Os cristãos, que se encontram em diferentes lugares, compartilham sua fé e for-
mam novas comunidades, que crescem até formarem igrejas nessas localidades.
Considerações Finais
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
Nesta unidade passamos por uma longa viagem cultural, a começar por Abraão, 
em quem Deus se propôs a abençoar e revelar-se a todas a famílias da terra espa-
lhadas por diferentes povos, tribos e nações, constituídas por diferentes etnias. 
Deus chama Abraão, o abençoa e lhe dá uma instrução: ser uma bênção. A 
salvação em Cristo é a bênção prometida a Abraão, a qual ele alcançou pela fé. 
A missão de Abraão e sua descendência é levar esta bênção a todos os povos 
ainda não alcançados da terra.
Assim como foi necessário a Abraão abrir mão do limite de sua própria cul-
tura, em Ur dos Caldeus, e aprender a caminhar por fé e dependência de Deus, 
somos chamados a viver por um Reino Eterno. Entretanto, temos que discernir 
que a culturade cada povo deve ser considerada e respeitada quando o evan-
gelho é pregado. 
As nuances históricas podem ser portas para levarmos o evangelho, assim 
como Paulo, em Atenas, que fez referência ao deus desconhecido. Paulo per-
cebeu uma brecha na comunicação que, provavelmente, abriria as mentes e os 
corações daqueles ilósofos. 
Dessa forma, o teólogo e o plantador de igrejas devem superar as barreiras 
transculturais para levar os homens de volta a um relacionamento com Deus. 
Quando Cristo entra em uma vida ou em uma cultura, Ele toma em suas mãos 
aquilo que está distorcido ou sem signiicado e restaura, dá novo sentido às pala-
vras e à vida prática. 
Embora o Evangelho esteja acima das culturas terrenas, para ter sentido para 
um povo ele precisa ser incorporado de forma contextualizada, assim ele terá 
poder para transformar as pessoas.
Quanto aos formatos de igrejas e os possíveis modelos para plantação de 
igrejas, percebemos que Deus mantém Sua glória e riqueza na diversidade. Por 
meio do Espírito Santo, da pesquisa, estudo e planejamento, Ele nos mostrará 
os formatos e modelos mais adequados a serem aplicados.
Encerramos mais uma etapa de estudos, cumprindo com mais da metade do 
nosso programa. Aproveite ao máximo o que ainda veremos a seguir.
118 
1. Laraia (2001) refere-se ao conceito de cultura considerando o dilema entre a 
identidade biológica e a diversidade humana. Essa preocupação existe desde 
há quatro séculos antes de Cristo, quando Confúcio dizia que a diferença 
entre os homens não é a questão biológica, mas a diferença de costumes. 
Segundo o conceito abordado na unidade, deina o que é cultura.
2. Lloyd Kwast (1987) apresenta um modelo útil para compreensão da cultura 
como um sistema concêntrico de atributos: a visão de mundo, as crenças, os 
valores, o comportamento e o habitus, que é acrescentado por Pierre Bour-
dieu. Explique um dos elementos desse modelo.
3. Vimos nesta unidade como Hiebert (1987) considerou o impacto das di-
ferenças culturais na transmissão do evangelho e na implantação de novas 
igrejas em outras sociedades. “Crescemos em uma cultura e aprendemos 
que seus modos são os modos certos de fazer as coisas. Qualquer pessoa que 
faça de maneira diferente não é muito civilizada” (Hiebert, 1987, p. 453). A 
descrição de Hiebert refere-se ao Etnocentrismo. Explique no que se baseia 
esse conceito.
4. As igrejas nos lares podem ter um rápido aumento de tamanho sem, no en-
tanto, amadurecer quanto ao ensino e formação de lideranças. O que pode 
ocasionar uma duração menor para sua existência, se comparada às congre-
gações tradicionais. Conforme apresentado na unidade, descreva o for-
mato de igrejas nos lares.
5. Veriicamos vários métodos apresentados por Ott e Wilson (2013), por meio 
dos quais igrejas já existentes se reproduzem na mobilização de seus mem-
bros para a plantação de uma nova igreja, na mesma cidade ou em uma 
localidade próxima. Explique o modelo de plantação de igreja mãe-ilha, 
método que é comparado ao processo biológico de multiplicação por meio 
da divisão de células.
119 
O CENÁRIO INDÍGENA BRASILEIRO E A ATUAÇÃO MISSIONÁRIA 
EVANGÉLICA
Nos últimos 500 anos o pensamento coletivo brasileiro não mudou a ponto de gerar 
uma diferença visível em termos de abordagem e interação com o indígena e sua socie-
dade. No cenário leigo o índio ainda é visto por alguns como selvagem, por vezes como 
herói, ignorante ou, ainda, como representante de uma cultura superior e pura. Poucos 
pararam para escutá-lo nos últimos cinco séculos, e havia muito a ser dito.
No meio acadêmico fala-se sobre a desmistiicação da identidade indígena. Creio que 
precisamos primeiramente desmistiicar a nós mesmos, repensar nossas expectativas 
em relação a essa sociedade com a qual convivemos por séculos sem compreendê-la, 
e passar a interpretá-la de forma igualitária na dignidade e respeitosa nas diferenças.
Calcula-se que havia 1,5 milhão de indígenas no Brasil do século XVI, os quais, irrepara-
velmente, somam hoje não mais de 350 mil. Infelizmente essa realidade etnofágica vai 
muito além das estatísticas e das palavras, pois é composta por faces, vidas, histórias e 
culturas milenares, as quais têm sofrido ao longo dos séculos a devassa dos conquista-
dores, a forte imposição socioeconômica e perdas sociais tremendas. Permita-me rede-
inir os termos desta airmação. Os conquistadores não são os outros. Somos nós.
A sociedade indígena ainda vive hoje sob o perigo de extinção. Não necessariamente 
extinção populacional, mas igualmente severa, quando se perde língua, história, cultura 
e direito de ser diferente e pensar diferente convivendo em um território igual.
Segundo Lévy-Strauss, a perda linguística é um dos sinais de declínio de identidade ét-
nica e decadência de uma nação. Ao observarmos tal sinal, percebemos quão desola-
dor é o cenário. Michael Kraus airma que 27% das línguas sul-americanas não são mais 
aprendidas pelas crianças. Isso signiica que um número cada vez maior de crianças in-
dígenas perde seu poder de comunicação a cada dia.
Aryon Rodrigues estima que, na época da conquista, eram faladas 1.273 línguas, ou seja, 
perdemos 85% de nossa diversidade linguística em 500 anos. Luciana Storto chama a 
atenção para o Estado de Rondônia, onde 65% das línguas estão seriamente em perigo 
por não serem mais aprendidas pelas crianças e por terem um ínimo número de falan-
tes.
Precisamos perceber que a perda linguística está associada a perdas culturais comple-
xas, como a transmissão do conhecimento, formas artísticas, tradições orais, perspecti-
vas ontológicas e cosmológicas. No processo de transição, quando a língua materna cai 
em desuso, normalmente há o que podemos chamar de “geração perdida”: um vácuo 
cultural atinge uma geração inteira. Ou seja, no processo de perda linguística e migração 
para o português, os grupos indígenas passam por um processo de adaptação quando 
já não têm mais luência na língua materna nem aprenderam o suiciente o português 
para uma comunicação mais profunda. Tal processo em média não dura menos que três 
120 
décadas. Esse é um momento de perigo, em que a identidade indígena é questionada e 
muitos valores e, sobretudo, seu poder de comunicação e transmissão de conhecimen-
to, são perdidos. Perdem-se também os sonhos.
Na tentativa de repensar a realidade de nossos irmãos indígenas é preciso iltrar a infor-
mação sobre a atuação missionária evangélica em relação a eles. A contribuição evan-
gélica, na tentativa de relacionamento com a sociedade indígena nacional, teve início 
com a inluência holandesa no século 16 e permanece hoje representada por um grande 
número de organizações que tenta reduzir os prejuízos sofridos. Isso se traduz em um 
sem-número de biograias daqueles que deram a vida, na impossibilidade de darem 
mais, para minimizar alguns dos efeitos do extermínio social indígena de séculos.
Dentro de um vasto universo de ações sociopolíticas percebemos que a força evangéli-
ca missionária se destacou especialmente em três áreas: preservação linguística (com a 
graia e consequente preservação de diversas línguas — e muito ainda está sendo feito); 
educação (tanto na língua materna, com forte destaque, quanto na educação formal em 
programas governamentais); e saúde (tanto de base, nas comunidades, quanto também 
organizacional, em clínicas e hospitais). Permita-me pontuar: o evangelho jamais será 
motivo de alienação social ou imposição de credo. É, ao contrário, motivação para uma 
contínua tentativa de se recuperar as perdas humanas nos segmentos mais sofridos. 
Ainda há muito a ser feito. É necessário caminhar.
Fonte: Lidório (2009, on-line)1.
Material Complementar
MATERIAL COMPLEMENTAR
O Fator Melquisedeque
Don Richardson
Editora: Vida Nova
Sinopse: neste livro, Richardson conta mais de 25 histórias fascinantes, que 
mostram como Deus plantou a semente do evangelho em cada cultura do 
mundo. Esta espécie de revelação geral deDeus é chamada pelo autor de 
“O Fator Melquisedeque”, em uma alusão ao nome do sacerdote a quem Abraão prestou homenagem 
no livro de Gênesis. O Fator Melquisedeque é um livro culturalmente rico e profundamente sensível 
que mudará a visão de muitos cristãos sobre os povos pagãos e a soberania de Deus.
O totem da paz
Entre os sawis, uma tribo de canibais caçadores de cabeças, a traição 
era mais que uma i losoi a de vida. Constituía-se num ideal concebido 
e aprimorado pelas gerações passadas. Em 1962, Don Richardson e 
sua esposa Carol foram à terra dos sawis levando a história de um 
herói diferente, cuja mensagem era amor, e não traição; perdão, e não 
vingança: a história do Filho da Paz, enviado por Deus.
CTPI - Centro de Treinamento de Plantadores de Igreja
Trata-se de uma rede de pastores e igrejas, comprometidos com uma teologia cristã reformada e 
engajados no cumprimento da grande comissão de Cristo por meio da plantação de novas igrejas 
em cidades brasileiras. Para saber mais acesse: <https://www.ctpi.org.br/>.
REFERÊNCIAS
BÍBLIA. Português. Bíblia Missionária de Estudo. Tradução: Almeida Revista e Atu-
alizada. Barueri-SP: Sociedade Bíblica do Brasil – SBB, 2014.
BOURDIEU, P. Questões de sociologia. Rio de Janeiro: Marco Zero, 1983.
BUSTLE, L. E.; CROCKER, G. A. Princípios de plantação de igrejas. Brasília: Instituto 
Antropos, 2010.
CHESTER, T. Church Planting: a theological perspective. Reino Unido: Christian Fo-
cus, 2000.
DULLES, A. A Igreja e seus Modelos. São Paulo: Paulinas, 1978.
HESSELGRAVE, D. Plantar Igrejas: um guia para missões nacionais e transculturais. 
São Paulo: Vida Nova, 1995.
HIEBERT, P. G. A Cultura e as Diferenças Transculturais. In: WINTER, R. D.; HAWTHOR-
NE, S. C. Missões Transculturais: uma perspectiva cultural. São Paulo: Mundo Cris-
tão, 1987, p. 445-460.
KWAST, L. E. Entendendo o que é Cultura. In: WINTER, R. D.; HAWTHORNE, S. C. Mis-
sões Transculturais: uma perspectiva cultural. São Paulo: Mundo Cristão, 1987, p. 
437-441.
LARAIA, R, de B. Cultura: um conceito antropológico. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 
2001.
LIDÓRIO, R. Entre Todos os Povos. Vila Velha-ES: Fronteiras, 1996.
OTT, C.; WILSON, G. Plantação Global de Igrejas: Princípios bíblicos e as melhores 
estratégias de multiplicação. Curitiba: Editora Esperança, 2013.
STETZER, E. Plantando igrejas missionais: como plantar igrejas bíblicas, saudáveis 
e relevantes à cultura. São Paulo: Vida Nova, 2015.
SURRATT, G.; LIGON, G., BIRD, W. The Multi-site Church Revolution. Grand Rapids: 
Zondervan, 2006.
VAN GELDER, C. The Essence of the Church. Grand Rapids: Baker Books, 2000.
REFERÊNCIAS ON-LINE
1 Em: <http://instituto.antropos.com.br/v3/index.php?option=com_content&-
view=article&id=501&catid=35&Itemid=3>. Acesso em: 24 mai. 2017.
REFERÊNCIAS
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GABARITO
1. Cultura é o conjunto de conhecimentos, crenças, leis e hábitos que as pessoas 
aprendem e que não é um elemento natural.
2. Habitus pode ser deinido como um sistema de disposições duráveis e trans-
poníveis que, integrando todas as experiências passadas, funciona a cada mo-
mento como uma matriz de percepções, de apreciações e de ações - e torna 
possível a realização de tarefas ininitamente diferenciadas, graças às transfe-
rências analógicas de esquemas. 
Comportamento: trata-se da forma como as coisas são realizadas. Isso fornece 
um elemento importante na cultura, a padronização do que se faz, o que traz 
entre os participantes de determinada cultura um sentimento de identidade e 
continuidade quase impenetrável. Por isso, à medida que as sociedades se es-
tabelecem, as pessoas passam a fazer escolhas comportamentais semelhantes. 
Valores culturais, dizem respeito ao que é bom, benéico ou o que é o melhor a 
ser aceito. Valores são decisões “pré-estabelecidas” que uma cultura toma dian-
te de escolhas que frequentemente se tem de fazer. Os valores ajudam aqueles 
que vivem dentro da cultura a saber o que deveria ser feito a im de se adequa-
rem ou se conformarem ao padrão de vida.
Crenças culturais, numa cultura os valores não são escolhidos arbitrariamente, 
mas invariavelmente reletem um sistema subjacente de crenças. Na questão 
educacional, por exemplo, existe um critério do que é verdadeiro acerca do ho-
mem, sua inteligência, sua capacidade de resolver problemas. Nessa questão, 
a cultura é deinida pela maneira como as coisas são percebidas, aprendidas e 
compartilhadas. 
Visão do mundo ou cosmovisão, a qual busca identiicar o que é real. Neste 
nível da cultura estão as grandes questões que raramente são apontadas, mas 
para as quais a cultura concede as mais relevantes respostas. 
3. Etnocentrismo - Essa reação se baseia em nossa tendência natural de julgar o 
comportamento das pessoas de outras culturas pelos valores e pressuposições 
de nossas próprias culturas, considerando-nos mais importantes.
4. Uma comunidade cristã básica. Foco em relacionamento e missão cristã. Reú-
nem-se em casas, ou locais de trabalho ou locais neutros. Geralmente dirigida 
por um pastor leigo, pertencendo a uma denominação.
5. Plantação de igrejas mãe-ilha - A igreja-mãe gera uma igreja-ilha, enviando 
alguns membros para formar a base da nova igreja. O número de membros 
enviados pode variar de apenas alguns até centenas, dependendo do tamanho 
da igreja-mãe, a localização da nova igreja e outros fatores. Os obreiros da igre-
ja-mãe podem ser enviados para ajudar a começar a igreja. 
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Professor Esp. Galaor Linhares Tupan Junior
O DESAFIO DE PLANTAR 
IGREJAS
Objetivos de Aprendizagem
 ■ Considerar quem foi chamado para realizar a tarefa de plantar igrejas.
 ■ Analisar o peril de homens e mulheres que plantam igrejas.
 ■ Avaliar as condições de plantadores de igreja que desenvolvem duas 
vocações.
 ■ Reconhecer a importância do papel da igreja no plantio de igrejas.
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
 ■ Quem foi chamado para essa missão?
 ■ O peril do(a) plantador(a) de igrejas
 ■ Plantadores bivocacionais
 ■ A igreja e o plantio de igrejas
INTRODUÇÃO
Caro(a) aluno(a), nesta unidade conversaremos um pouco mais sobre a pessoa-
lidade do chamado de Deus, o qual ecoa desde a eternidade para que homens e 
mulheres levem a mensagem da salvação e reconciliação com Deus. Como disse 
o profeta em Isaías: “Depois disto, ouvi a voz do Senhor, que dizia: a quem envia-
rei, e quem há de ir por nós? Disse eu: eis-me aqui, envia-me a mim” (BÍBLIA, 
Isaías 6,8). 
O chamado de Deus tem como origem o próprio Deus e a motivação, a 
inalidade do chamado também é Deus, pois somos chamados para gloriicar e 
exaltar o Seu nome, como representantes da Sua justiça. 
Vamos analisar o peril de homens e mulheres que plantam igrejas. É certo 
que Deus tem nos chamado para estarmos envolvidos neste ministério de alguma 
forma. Notadamente, para alguns, Ele capacita com dons de liderança ministe-
rial para o aperfeiçoamento dos santos. 
Um plantador de igrejas em potencial deve evidenciar algumas faculdades 
especíicas, como evangelizar, capacidade de administrar e organizar, trabalhar 
em grupo com destreza e harmonia, profundo conhecimento da teologia bíblica. 
Entretanto, muitas dessas características podem ser desenvolvidas ou aprimo-
radas. Certamente o próprio Deus propôs um caminho para o aperfeiçoamento 
ministerial.
Outra consideração que teremos nesta unidade é quanto ao importante papel 
das igrejas na formação de líderes. Muitos obreiros atenderão ao chamado de 
Deus para plantar igrejas, fazendo-as crescer desde o nascimento até a maturi-
dade. A Grande Comissão apresenta um desaio abrangente, por meio do qual o 
Evangelho deve ser compartilhado, tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia, 
Samaria e até os conins da terra. 
Para isso, torna-se necessário que líderes locais sejam preparados. Dessa 
forma, eles serão enviados, ou assumirão a liderança da nova igreja para que seu 
plantador prossiga para outra tarefa. Desfrutepessoalmente dos assuntos trata-
dos nesta unidade. Bons estudos! 
Introdução
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QUEM FOI CHAMADO PARA ESSA MISSÃO?
O chamado de Deus é um tema sobrenatural e fascinante. Ninguém poderá 
desejar o ministério sem que antes tenha compreendido o chamado de Deus. 
Muitos fracassos ministeriais ocorrem pela falta de convicção do chamado, pois 
é esse que capacita o obreiro a permanecer nos campos quando surgem as dii-
culdades. Vamos considerar alguns aspectos importantes nos próximos tópicos.
A) O conlito dos vocacionados ou a missão em crise?
Green (2005) nos aponta que diicilmente estaríamos exagerando ao falar-
mos das severas mudanças ocorridas no clima espiritual das últimas décadas. 
Quando a revolução cultural dos anos 60 explodiu sobre nós, a aparência domi-
nante era a do modernismo, como ocorreu nos últimos dois séculos. 
Nosso sistema educacional foi consolidado com forte inluência do Iluminismo 
do século XVIII, o qual rejeitou amplamente a noção de Deus e O substituiu pela 
coniança na razão humana. A ciência, com toda a sua tecnologia, airmava ser 
a esperança para o futuro, pensava-se que o progresso seria inevitável. Com a 
racionalização, somente o que era visível, medido ou veriicado podia ser con-
siderado existente e verdadeiro. 
Havia uma suposição não declarada sobre a natureza humana: ninguém 
duvida que todos nós temos um coração de ouro; valores e relacionamento com 
Deus foram considerados subjetivos, sendo colocados num segundo plano. Em 
nossos dias, os pressupostos modernistas sobre a vida já perderam sua energia 
e vigor. Green (2005) destaca que os pensadores do século XIX apresentaram a 
ideia de que as pessoas não agem primeiramente com base na racionalidade. A 
teoria de Darwin sobre o nosso passado, a de Marx sobre o futuro e as teorias de 
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Freud sobre a psiquê deixaram pouco espaço para a razão humana, como fator 
determinante dos relacionamentos. 
Vivemos nitidamente tempos de mudança cultural em massa, em que a visão 
otimista do passado vai se dissipando. Estamos diante da progressiva destrui-
ção do meio ambiente - a camada de ozônio sendo afetada, as lorestas tropicais 
sendo dizimadas, o planeta Terra comprometido e mares envenenados, o acú-
mulo de armas nucleares com a capacidade de destruir o mundo inúmeras vezes, 
espalhando medo e terror entre as nações. Cerca de quarenta milhões de pes-
soas por todo o mundo estão contaminadas pelo vírus da AIDS/HIV. Novas 
epidemias que se alastram. Estamos constatando o enfraquecimento da insti-
tuição do casamento e da família, testemunhando a criação de vários milhões 
de refugiados sem lar. 
Green (2005) ainda aponta a violência constantemente presente em nossas 
ruas, indicando que a crença da bondade essencial da natureza humana e a ine-
vitabilidade do progresso não se consolidaram, principalmente à luz das terríveis 
guerras mundiais, dos atentados terroristas, da perseguição e do extermínio.
A crise da visão de mundo moderno induziu uma reação bastante forte, 
que chamamos de Pós-Modernismo (por falta de um nome melhor). 
O que aconteceu com o Liberalismo e Colonialismo é o mesmo que 
vale para Modernidade. Nós somos “pós” tudo isso. Venceu o prazo de 
validade (GREEN, 2005, p. 22).
Vivemos dias marcados pela rejeição às verdades objetivas, normas de moral, 
argumentos racionais, fé e revelação. Desenvolver um chamado ministerial sig-
niica nadar contra a maré do prazer como bem supremo. Vivemos tempos em 
que muçulmanos, hindus, budistas tratam os seus livros sagrados com mais reve-
rência e obediência do que boa parte dos que se professam cristãos.
As pessoas nos nossos dias não estão dispostas a viver debaixo de princípios 
de autoridade espiritual que regem a ação e o governo de Deus. Antes, querem 
descobrir as coisas por si mesmas, tentam descartar, amplamente, qualquer pen-
samento a respeito da morte e suas consequências e passaram a se concentrar 
nessa vida e na felicidade. Como disse o apóstolo Paulo em sua segunda carta 
a Timóteo: 
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[...] sabe, porém isto: nos últimos dias, sobrevirão tempo difíceis, pois 
os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfe-
madores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, 
implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, 
traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos 
de Deus, tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder. 
Foge também destes (BÍBLIA, II Timóteo 3,1-5).
Vivemos dias como foram os dias do povo de Israel liderado pelos Juízes: “Naqueles 
dias, não havia rei em Israel; cada um fazia o que achava mais reto” (BÍBLIA, Juízes, 
21,25). Surge, então, a gritante necessidade de líderes que possam trazer clareza quanto 
ao propósito eterno de Deus para um mundo em profunda crise espiritual. Homens 
e mulheres que possam representar a Deus e ser a própria boca de Deus falando, 
exortando, pregando a Palavra de Deus em dias de profunda decadência espiritual.
Entretanto, em todas as épocas da história da humanidade, Deus sempre 
atraiu homens para si e comissionou vidas para o exercício do ministério. Nos 
dias atuais, Deus tem levantado um grande número de homens e mulheres com 
compreensão bíblica sobre a vocação ministerial e discernimento quanto ao cha-
mado de Deus. Esses necessitam dar passos para um maior envolvimento com 
ministérios na Igreja do Senhor. 
Outros, ao completarem seus estudos teológicos, deverão buscar aperfeiço-
amento para atuação num campo missionário, para pastoreamento de igrejas já 
estabelecidos, ou para a plantação de novas igrejas. 
Lidório (2014) nos assinala o privilégio e a responsabilidade que temos 
diante do chamado de Deus: 
[...] nossa vocação em Cristo é nosso maior privilégio e também nosso 
maior desaio. Perante tal vocação, devemos louvar a Deus e lhe agrade-
cer pelo privilégio de servir a Cristo ao mesmo tempo em que devemos 
nos fortalecer no Senhor para não cair nas ciladas do diabo, resistir no 
dia mau e pregar o Evangelho de Deus (LIDÓRIO, 2014, p. 29-30). 
Não deixamos de considerar que todos os que receberam a Jesus como Senhor e 
Salvador pessoal devem estar envolvidos com a ediicação do Reino Eterno. Seja 
com a evangelização e ediicação de vidas nas escolas, no trabalho, no desenvol-
vimento da carreira proissional, em ministérios de uma igreja local, enim, em 
todo e qualquer lugar que estivermos inseridos.
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Quanto à grande necessidade de darmos atenção ao chamado de Deus, obser-
vamos que o avivamento e transformação da nação de Israel, ocorrido após o 
tempo dos Juízes, teve início quando uma mulher estéril, Ana, lançou seu cora-
ção diante da presença de Deus em constante oração (I Samuel, capítulo 1), até 
que Deus ouviu seu clamor e concedeu a ela um ilho que foi dedicado ao altar 
de Deus por toda sua vida, Samuel. A nação vivia um momento de profunda 
decadência moral e espiritual, entretanto, o ministério de Samuelfoi um instru-
mento de concerto e bênção de Deus para toda a nação. 
Assim como Ana, quando um homem ou uma mulher nega-se a si mesmo, 
ele(a) terá liberdade para mover-se em Deus, pois não será mais governado por 
suas ambições naturais ou interesses pessoais, mas pelo querer e vontade de Deus. 
Ana devolveu a Deus aquilo que dEle recebeu. 
Necessitamos que se levantem, em nossos dias, homens e mulheres compro-
metidos com a vontade de Deus, que traduzam para o mundo o amor e o poder 
transformador do evangelho. Homens e mulheres que comunicam vida a um 
mundo perdido, que transformam os lugares por onde passam, que possuem 
um testemunho de ações e não somente de palavras. As pessoas estão cansa-
das de muita fala e esperam ver a transformação que prometemos por meio do 
evangelho. Para isso, precisamos de profundo compromisso com Aquele que 
nos chama, precisamos negar-nos a nós mesmos e segui-lo. “Dizia a todos: Se 
alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-
-me” (BÍBLIA, Lucas 9,23).
Nesse momento, cabe a nós uma profunda relexão pessoal sobre a impor-
tância do chamado de Deus para a vida ministerial. E o que faremos para seguir 
a Cristo.
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B) O chamado ao ministério:
Em Marcos, a Bíblia Sagrada 
relata: “Quando ia passando, viu 
Levi, ilho de Alfeu, sentado na 
coletoria, e disse-lhe: Segue-me. 
Ele se levantou e o seguiu” 
(BÍBLIA, Marcos, 2,14). Jesus 
havia há poucos instantes sido 
questionado pelos fariseus em 
Marcos, capítulo 2, por ter dito 
a um paralítico em Cafarnaum: 
“Filho, os teus pecados estão per-
doados” Os fariseus arrazoavam que somente Deus podia perdoar pecados, então 
Jesus questionou: 
[...] qual é mais fácil? Dizer ao paralítico: Estão perdoados os teus peca-
dos, ou dizer: Levanta-te, toma o teu leito e anda? Ora, para que saibais 
que o Filho do Homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pe-
cados - disse ao paralítico: Eu te mando: Levanta-te, toma o teu leito e 
vai para tua casa. Então, ele se levantou e, no mesmo instante, tomando 
o leito, retirou-se à vista de todos, a ponto de se admirarem todos e da-
rem glória a Deus, dizendo: Jamais vimos coisa assim (BÍBLIA, Marcos 
2,9-12).
Da mesma maneira que Jesus manifestou tamanha autoridade na terra para 
perdoar pecados, curar enfermos, expulsar demônios e ressuscitar mortos, Ele 
também teve autoridade para recrutar homens e mulheres para segui-Lo. Esse 
foi seu primeiro ato ministerial: chamar discípulos. O chamado do céu, agora 
ecoava na terra, esses se tornaram, ao lado de Jesus, os personagens principais 
do Novo Testamento. Jesus os chama para segui-Lo e se juntarem à sua missão: 
“Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens” (BÍBLIA, Marcos 1,17).
Percebe-se, nas páginas no Novo Testamento, o treinamento e o vagaroso 
desenvolvimento desses discípulos. Como poderia ser diferente? Foram chamados 
para representar o Rei do Universo. No livro de Atos, aqueles que foram chama-
dos a segui-Lo são revestidos e capacitados para a missão de Deus. Mas, antes 
passaram pelo discipulado, pela prova, pelo teste de deixarem as coisas naturais 
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para adentrarem em um mundo novo e espiritual. Ministério sem chamado, sem 
discipulado, sem cruz e dependência sobrenatural de Deus não poderá ter êxito 
visível e se constituirá em pura presunção.
Porém, como é possível essa ação imediata de chamado e obediência? Levi, 
ao ouvir o chamado, imediatamente o seguiu. O texto não relata se Levi já o 
conhecia, se sabia que seria chamado, se havia razões históricas ou psicológicas 
para explicar essa atitude. Bonhoefer (2004), diz que:
[...] para esta sequência de chamado e ação só existe uma razão válida: 
o próprio Jesus Cristo. Nesse encontro é testemunhada a autoridade de 
Jesus, que é incondicional, imediata e sem explicações. Nada o precede e 
nada lhe segue senão a obediência da pessoa que foi chamada. O fato de 
Jesus ser o Cristo dá-lhe todo o poder para chamar e exigir obediência 
à sua palavra. Jesus chama ao discipulado não como ensinador e exem-
plo, mas em sua qualidade de Cristo, Filho de Deus. Assim, neste breve 
trecho, anuncia-se Jesus Cristo e o que ele espera do ser humano, e nada 
mais. Nenhum louvor cabe ao discípulo por seu cristianismo decidido. 
O olhar não deve pousar sobre ele, mas somente sobre aquele que cha-
ma e sobre sua autoridade. Não se aponta tampouco um caminho para 
a fé, para o discipulado; não há qualquer outro caminho para a fé senão 
o da obediência ao chamado de Jesus (BONHOEFFER, 2004, p. 20).
Bonhoefer (2004), em suas considerações, celebra o senhorio de Cristo. O cria-
dor tem prioridade à criatura e pode proferir palavras de ordem e autoridade. O 
próprio Senhor Jesus desenvolve seu ministério debaixo do princípio de autori-
dade e absoluta obediência. Vemos que o discipulado de Cristo tem ordenanças 
claras para todos aqueles que são redimidos. Na Grande Comissão, Jesus nos diz: 
[...] Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: toda a autoridade me 
foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as 
nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, 
Ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis 
que estou convosco todos os dias até à consumação do século (BÍBLIA, 
Mateus 28,18-20).
O texto nos ordena que façamos discípulos de todas as nações. Todos foram 
chamados para serem discípulos de Jesus, ainda que em diferentes níveis de 
funcionalidade no corpo de Cristo. Foram chamados a aprender e praticar 
suas ordenanças. Foram chamados para a oração, para ser sal da terra e luz do 
mundo, para comunhão, para obediência, para santidade, para testemunho e 
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proclamação do Evangelho. Entretanto, na Bíblia Sagrada, observamos que há 
diferentes modalidades em que o discipulado é desenvolvido. 
Jesus ensinou e discipulou a multidão, como vemos em Lucas: “E, quando 
se aproximava da descida do monte das Oliveiras, toda a multidão dos discí-
pulos passou, jubilosa, a louvar a Deus em alta voz, por todos os milagres que 
tinham visto” (BÍBLIA, Lucas, 19,37). Depois, chamou setenta: “Então, regressa-
ram os setenta, possuídos de alegria, dizendo: Senhor, os próprios demônios se 
nos submetem pelo teu nome!” (BÍBLIA, Lucas 10,17). Depois chamou os doze:
[...] tendo chamado os seus doze discípulos, deu-lhes Jesus autoridade 
sobre espíritos imundos para os expelir e para curar toda sorte de do-
enças e enfermidades. Ora, os nomes dos doze apóstolos são estes: pri-
meiro, Simão, por sobrenome Pedro, e André, seu irmão; Tiago, ilho 
de Zebedeu, e João, seu irmão; Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o 
publicano; Tiago, ilho de Alfeu, e Tadeu; Simão, o Zelote, e Judas Isca-
riotes, que foi quem o traiu (BÍBLIA, Mateus 10,1-4). 
Dentre os doze, Jesus teve um relacionamento mais próximo com três discípu-
los, que foram líderes de grande expressão na igreja primitiva: “Contudo, não 
permitiu que alguém o acompanhasse, senão Pedro e os irmãos Tiago e João” 
(BÍBLIA, Marcos 5,37). Finalmente, um discípulo teve maior aproximação e 
revelação de Jesus - João: “Ora, ali estava conchegado a Jesus um dos seus discí-
pulos, aquele a quem ele amava” (BÍBLIA, João 13,23).
O processo de discipulado foi realizado em diferentes graus, de acordo com 
a atuação ministerial de cada grupamento.Para aqueles que teriam uma lide-
rança ministerial direta na administração da economia de Deus, Jesus chamou 
para estarem com Ele, para que pudessem receber maior revelação. Esses seriam 
trabalhados teologicamente, mas também na formação de um caráter para o 
ministério, por meio do convívio com Jesus. 
Lidório (2014) fala de sua experiência pessoal, na qual teve a oportunidade de 
conviver ministerialmente com seu pai durante sua adolescência e, assim, entender 
qual era a área vocacional à qual Deus o estava chamando, bem como vemos no 
Velho Testamento, relacionamentos de serviço e discipulado, os quais foram esta-
belecidos para a formação de um caráter e ministério - Elias com Eliseu, Moisés 
com Josué, Samuel com Davi, embora, na vida de Davi, os desertos, as alições e 
perseguições tenham sido também grandes aliados em seu processo de discipulado.
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Ronaldo Lidório (2014) apresenta três característica particulares do cha-
mado de Deus para o ministério e discipulado com Cristo:
O chamado de Deus é pessoal - Deus não chama instituições e organizações, 
Ele chama pessoas. Deus lança no coração de seus ilhos uma intransferível e 
profunda convicção de chamado e propósito.
O chamado de Deus é incontestável - é uma convocação e Ele faz de forma 
clara. Na Bíblia Sagrada a voz de Deus é comparada ao som de muitas águas e 
ao trovão. Ele se faz ouvir.
O chamado de Deus é irresistível - quando Deus nos chama, somos atraídos 
por esse chamado e não teremos paz enquanto não cumprirmos a vontade do Pai.
Embora o chamado de Deus tenha seu caráter pessoal, é muito importante 
salientar que, quando Deus chama um homem ou uma mulher para o minis-
tério, esse chamado será reconhecido por sua congregação. O Espírito Santo 
concede convicção tanto ao candidato como à sua igreja local sobre o chamado 
de Deus. Certamente, o principal parâmetro que a igreja possui para discernir 
o chamado na vida de um candidato são as qualiicações ministeriais exigidas 
pela Palavra de Deus para essa função (I Timóteo 3,1-13; Tito 1,5-9). Seu teste-
munho, sua fé, sua piedade, sua generosidade e capacidade para o ensino, sua 
aptidão às disciplinas espirituais, dentre outras características, serão percebidas 
pela igreja. Alguém que não tem a conirmação da igreja sobre seu chamado não 
estará apto a desenvolver o ministério.
Cristo exerce seu governo sobre a igreja mediante os dons, os quais, por 
sua soberana graça, distribui aos membros do corpo conforme a medida do 
dom que concede a cada um. A cada um nos foi dada graça conforme a me-
dida do dom de Cristo. Graça e dom são palavras muito relacionadas entre 
si. Graça em grego é charis, e tem dois signiicados. O primeiro signiicado é 
misericórdia, e o outro, capacidade ou habilidade recebida para desempe-
nhar um ministério ou serviço determinado. Este segundo signiicado, em 
grego, pode ser expresso pela palavra charisma, que está ligada ao dom. 
Este dom ou carisma não é recebido por méritos ou por desejo próprio, mas 
depende totalmente da graça e da vontade de Deus. A palavra dom é a tra-
dução de dorea, e signiica presente. Nem todos recebem a mesma medida 
de graça, mas todos recebem alguma medida de graça para fazer a obra de 
Deus. 
Fonte: Himitian (2010, p. 151).
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C) O chamado é funcional e não geográico
No meio dos salvos por Cristo, Efésios nos diz que o Senhor Jesus distri-
bui dons e chama alguns para que a igreja seja ediicada e o Evangelho possa ser 
espalhado por toda a terra: “E Ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros 
para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres” (BÍBLIA, 
Efésios, 4,11). 
Lidório (2014) nos leva a considerar que a vocação diz respeito ao que fare-
mos e não para onde iremos. Especialmente, no contexto missionário, somos 
levados a pensar em localidades e não na função ministerial. Se nossa função se 
cumprirá em nosso país ou além do mar, entre tribos indígenas ou comunida-
des imigrantes, isso não é deinido pela vocação, mas sim pelo direcionamento 
de Deus. 
Aqueles que são vocacionados para serem pastores o serão, seja no Bra-
sil ou na Índia. Os plantadores de igrejas, se colocados em São Paulo, 
irão plantar igrejas; se enviados para a Amazônia, farão a mesma coi-
sa. Os mestres ensinarão a Palavra, seja na própria língua ou em outra 
qualquer (LIDÓRIO, 2014, p. 16-17).
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O chamado, portanto, é funcional e não geográico. Jesus nos ensina um cami-
nho e um princípio para o reconhecimento de nosso ministério. Ele nos diz em 
Mateus:
[...] assim, toda árvore boa produz bons frutos, porém a árvore má pro-
duz frutos maus. Não pode a árvore boa produzir frutos maus, nem 
a árvore má produzir frutos bons. Toda árvore que não produz bom 
fruto é cortada e lançada ao fogo. Assim, pois, pelos seus frutos os co-
nhecereis (BÍBLIA, Mateus 7,17-19).
O texto de Mateus nos mostra que, na natureza, podemos observar que cada 
árvore produz segundo a sua espécie, assim, o abacateiro produz abacates, o 
limoeiro produz limões, a macieira produz maçãs. Da mesma forma pastores 
cuidam de ovelhas; profetas indicam um caminho a seguir, pautado na Palavra 
de Deus; evangelistas levam vidas a Cristo e as discipulam; mestres ensinam com 
ciência, revelação e graça; e apóstolos estabelecem obras e são úteis ao governo 
da Igreja de Deus.
A plantação e ediicação da Igreja do Senhor necessita de todos esses minis-
térios operantes. Foi para isso que Deus concedeu a esses homens e mulheres 
verdadeiros dons ministeriais para ediicação do corpo de Cristo, que é a Igreja. 
Passaremos a considerar cada um deles individualmente, com contribuição de 
Lidório (2014) e Himitian (2010).
Apóstolos 
Essa é a categoria de dom ministerial mais abrangente quanto à necessidade 
de capacitação e maior porção da graça de Deus; entretanto a palavra nos diz que 
“a graça foi concedida a cada um de nós segundo a proporção do dom de Cristo” 
(BÍBLIA, Efésios 4,7). É escolha de Deus conceder dons ministeriais aos homens. 
Em nossos dias, a função apostólica é compreendida incorretamente por 
alguns, sendo interpretada como lugar de hierarquia eclesiástica. Entretanto, a 
Palavra nos indica que apóstolos são enviados para iniciar novos trabalhos em 
campos ainda não alcançados. Diante das palavras do Senhor Jesus, não poderia 
ser mais equivocada a interpretação de que apostolado se constitui em ostenta-
ção de poder e prioridade nas relações de subordinação:
[...] suscitaram também entre si uma discussão sobre qual deles parecia 
ser o maior. Mas Jesus lhes disse: Os reis dos povos dominam sobre 
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eles, e os que exercem autoridade são chamados benfeitores. Mas vós 
não sois assim; pelo contrário, o maior entre vós seja como o menor; e 
aquele que dirige seja como o que serve. Pois qual é maior: quem está 
à mesa ou quem serve? Porventura, não é quem está à mesa? Pois, no 
meio de vós, eu sou como quem serve (BÍBLIA, Lucas 22,24-27).
As disputas por posição sempre trazem alição e contendas no Reino de Deus. 
Entretanto, Jesus aproveita o momento para mostrar o caráter dos servos do 
Senhor, humildade e disposição ao serviço, o que estádiametralmente oposto 
a mente natural, centrada em seu egoísmo e busca dos próprios interesses. Os 
ensinamentos de Jesus devem ser aplicados em todos os segmentos do minis-
tério cristão.
Lidório nos auxilia na correta descrição e detalhamento do ministério de 
apóstolos:
[...] se referem àqueles que foram convocados diretamente por Cris-
to. [...] Porém, no sentido do envio (apostelo - enviar), toda a Igreja é 
apostólica, pois foi enviada por Cristo ao mundo. Para John Knox, os 
apóstolos possuíam um peril especíico, pois eram as pedrinhas lança-
das bem longe, onde a Igreja e o Evangelho ainda não haviam chegado. 
Eram os pioneiros de Cristo. É interessante perceber que os apóstolos 
chamados por Cristo no primeiro século alcançaram alguns dos con-
ins da terra. Mateus foi para a Etiópia (África), André alcançou os citas 
(na região da antiga URSS), Bartolomeu atingiu a Arábia e Tomé le-
vou o Evangelho à Índia. Paulo foi testemunha na Galácia, Macedônia, 
Acaia e Ásia (LIDÓRIO, 2014, p. 21-23).
Himitian considera três categorias de apóstolos encontrados no Novo Testamento:
• Os doze: eles foram testemunhas da vida, obra, morte e ressurrei-
ção de Cristo. Receberam a doutrina dele, pessoalmente, e quando 
Judas se suicidou, outro que reunia estas características ocupou o 
seu lugar (Atos 1,15-16).
• Outros apóstolos do primeiro século: depois de pentecostes, Deus 
levantou outros apóstolos, como Paulo e Barnabé. Eles, juntamen-
te com os onze, estabeleceram os fundamentos da igreja para todos 
os séculos, de acordo com a revelação que receberam do Senhor. 
• O ministério apostólico de caráter permanente: segundo Ef 4:11, 
Cristo continua concedendo à sua igreja, apóstolos, profetas, evan-
gelistas pastores e mestres (HIMITIAN, 2010, p. 153-154).
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Vemos, ainda hoje, a expressão ministerial de apóstolos que são enviados a cam-
pos ainda não alcançados para levarem a palavra de Deus. Entretanto, nem sempre 
esses ministérios são classiicados com essa designação, não invalidando, porém, 
a expressão ministerial e a funcionalidade que esse dom concede.
Profetas 
Esse dom ministerial também tem sido objeto de controvérsias. Para mui-
tos teólogos o dom ministerial de apóstolos e profetas expiraram no momento 
da inalização do texto bíblico. E entretanto, funcionalmente, podemos consi-
derar o exercício desse dom. Vejamos o entendimento apresentado por Lidório:
[...] indicam aqueles que falam da parte de Deus e comunicam a ver-
dade divina. Entendo que hoje consideraríamos profetas aqueles que 
expõem a Palavra de Deus. A exposição bíblica feita no temor e auto-
ridade do Senhor tem o poder de confrontar e transformar vidas. Os 
maiores avivamentos da história se originaram de exposições bíblicas 
feitas por cristãos apaixonados por Jesus, desejosos de profunda trans-
formação e iéis às Escrituras (LIDÓRIO, 2014, p. 22). 
Himitian cita dois tipos de profetas observados no Novo Testamento:
• Um, ao estilo de Ágabo, que recebia do Espírito, revelação especíi-
ca sobre pessoas, circunstâncias e ações (Atos 11:27-30, 21:10-11).
• Outro, ao estilo de Silas e Judas, que, inspirados pelo Espírito San-
to, ministravam palavras de consolação e ediicação aos santos 
(Atos 15:32, 11:23, 13:1) (HIMITIAN, 2010, p. 154).
Os autores concordam com a deinição do exercício do dom de profeta no que 
se refere a homens que interpretam corretamente as Escrituras, são inspirados 
por Deus e conduzem um povo no cumprimento de Sua vontade. Mais uma vez 
se conirma que a função é mais importante que a designação.
Evangelistas
Esse dom é nitidamente reconhecido pela igreja do Senhor e bem caracteri-
zado quanto a sua função. Enquanto os discípulos e os crentes no Senhor Jesus 
ganham, eventualmente, uma vida para Cristo, o evangelista tem um carisma 
especial para atrair muitas pessoas ao Reino Eterno. Podemos usar a metáfora 
do pescador que pesca com vara de pesca e o pescador que pesca com redes, 
assim como Pedro e alguns discípulos que atraíram multidões ao Senhor Jesus. 
Vejamos as observações de Lidório sobre o dom ministerial de evangelista:
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[...] referiam-se tanto aos que tinham grande facilidade para comunicar 
o Evangelho de Cristo quanto aos que moldavam outros com a forma 
do Evangelho, ou seja, os discipuladores. Apesar de todos os redimidos 
em Cristo serem chamados por Deus para a evangelização, compreen-
de-se que há alguns que o fazem com maior desenvoltura ou facilidade, 
comunicando de forma clara e acessível o Evangelho aos que ainda não 
abraçaram o Cordeiro de Deus (LIDÓRIO, 2014, p. 22-23).
Felipe e Timóteo são citados como evangelistas no Novo Testamento (Atos 21,8; 
II Timóteo 4,5). Himitian (2010) considera que: 
[...] os evangelistas funcionavam debaixo do ministério apostólico. 
Felipe estava mais relacionado a Pedro e João, e Timóteo estava liga-
do a Paulo. Tinham autoridade delegada, formavam parte da equipe 
apostólica e eram colaboradores destes. Eles evangelizavam, batizavam, 
curavam, fundavam igrejas, estabeleciam lideranças, e transmitiam a 
doutrina dos apóstolos. Notemos que o peril deles não se limitava ao 
que hoje se convencionou chamar evangelista no meio evangélico (HI-
MITIAN, 2010, p. 154-155).
Himitian amplia um pouco o campo de atuação ministerial do evangelista, 
considerando ações abrangentes na igreja primitiva. Não poderia ser diferente, 
tratando-se de discípulos que estiveram com Jesus e que tinham o entusiasmo e 
energia concedidos pelo Espírito Santo nos primeiros anos da Igreja. 
Pastores
Trata-se do dom ministerial mais difundido e que normalmente caracteriza 
o ministério sacerdotal em nosso tempo. Quanto a sua funcionalidade obser-
vamos o caráter especíico de cuidado das ovelhas do aprisco do Bom Pastor. 
Lidório acrescenta:
[...] eram os que amavam e cuidavam do rebanho de Cristo. Trata-se 
daqueles que são usados por Deus para juntar, alimentar e cuidar do 
povo do Senhor - e se sentem realizados com isto. Diversos exegetas 
enxergam na expressão “pastores e mestres” apenas uma função: pasto-
res-mestres (LIDÓRIO, 2014, p. 23).
Certamente, o pastor sempre estará envolvido com o ensino, até mesmo por sua 
condição de proximidade às ovelhas do rebanho de Deus. Entretanto, a qualiica-
ção ministerial para “mestres” sempre poderá ser percebida por uma habilidade 
especíica concedida pelo Senhor a alguns de seus servos.
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Mestres
Os mestres, normalmente, possuem dons secundários como ciência e sabe-
doria na compreensão e conhecimento da Palavra de Deus. O mestre consegue 
desvendar aquilo que parece estar nas entrelinhas das Escrituras, trazendo ali-
mento sólido para formação do caráter de Cristo nas ovelhas do Senhor. Lidório 
nos auxilia:
[...] eram os que ensinavam a Palavra de forma clara e transformadora. 
Seus ministérios não eram deinidos pela quantidade de ouvintes ou 
condições de trabalho, mas puramente pela rica experiência de abrir a 
Palavra e ensiná-la. O compromisso do mestre é a Palavra (LIDÓRIO, 
2014, p. 23).
Conjuntamente, a classiicação do ministério de pastores e mestres é tratada 
por Himitian:
[...] as palavras pastor e mestre se referem ao mesmo ministério. O ver-
sículo 11 de Efésios capítulo 4 diz - a outros, pastores e mestres, - e não 
- a outros pastores e a outros mestres - . Pastor é uma palavra alegórica, 
e o seu complemento é formado pelo conjuntodos crentes, que são as 
ovelhas dentro deste simbolismo. A palavra literal seria mestre, mas 
atualmente, devido ao amplo uso do termo “pastor”, este deixou de ter 
um signiicado simbólico e passou a designar quase literalmente este 
ministério. Em I Timóteo 3:2 Paulo airma que o dom necessário para 
que alguém seja estabelecido como presbítero na igreja é ser apto para 
ensinar (didactikos). Se compararmos Atos 20:17 e 32, podemos notar 
que a função dos presbíteros era pastorear e ensinar o rebanho. Segun-
do o dom, eles são pastores-mestres, segundo o cargo, presbíteros (HI-
MITIAN, 2010, p. 155).
Mais uma vez, vemos, nas colocações de Himitian, a indicação do exercício con-
junto do ministério de pastor e mestre, bem como a tendência de se caracterizar 
o ministério de liderança eclesiástica como “pastor”, embora seja encontrado nas 
Escrituras a designação do cargo de presbíteros para aqueles que estão à frente 
da igreja de Cristo.
Finalizando a descrição dos dons ministeriais, Lidório (2014) corrobora o 
entendimento de que o exercício de dons e ministérios jamais devem ser relacio-
nados com posição de superioridade ou notoriedade. Quem, assim, se comporta 
expressa completa falta de compreensão da vocação ministerial. Como disse 
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o Senhor Jesus, o maior deve ser aquele que serve. Quando Paulo escreve aos 
Romanos se apresenta como servo de Jesus Cristo, chamado para ser apóstolo; 
ele reconhece que é um servo do Senhor Jesus, porém com um chamado espe-
cíico: ser apóstolo.
Apresentamos, a seguir, alguns princípios bíblicos relacionados com os 
ministérios apontados por Himitian, que consolidam o entendimento da voca-
ção ministerial como serviço a Deus:
1) Princípio da soberania divina: Deus é quem escolhe, chama e dá 
dons aos homens. Ele dá diferentes dons ministeriais, a quem Ele 
quiser, e na medida que Ele próprio determina.
2) Princípio da pluralidade: o Senhor estabeleceu que os ministérios 
funcionem de forma plural. Os apóstolos eram doze, os profetas e 
mestres de Antioquia eram cinco. Os apóstolos sempre estabele-
ciam vários líderes em cada cidade (Atos 14:23). O número míni-
mo para que haja pluralidade é dois.
3) Princípio da unidade: todos os ministérios têm a única função de 
trabalhar para a ediicação do único corpo de Cristo, que é a Igreja. 
Nenhum deles recebeu a faculdade de estabelecer uma Igreja pró-
pria. Em Jerusalém, os apóstolos eram doze, mas havia uma única 
igreja, e assim também em cada cidade.
4) Princípio da autoridade: os apóstolos estavam sujeitos uns aos ou-
tros, e, naturalmente sujeitos a Cristo. Eles eram autoridade sobre 
os evangelistas e pastores.
5) Princípio do desenvolvimento gradual: estes dons ministeriais po-
dem desenvolver-se ou expandir-se. Felipe era um dos diáconos 
em Jerusalém (atos 6), mas logo depois é mencionado como evan-
gelista (Atos 21:8). Paulo e Barnabé eram profetas ou mestres em 
Antioquia (Atos 13:1), mas depois são reconhecidos como apósto-
los (Atos 14:4) (HIMITIAN, 2010, p. 156-157).
Compartilho, com você, uma experiência muito marcante vivida por Ronaldo 
Lidório em uma de suas viagens missionárias para o interior do Amazonas, que 
caracteriza a necessidade de dependência de Deus acima de toda possibilidade 
de qualiicação que pode ser alcançada:
[...] estive visitando uma região próxima a Maraã no coração do Ama-
zonas, onde vivem os kambebas, kokamas e miranhas. Eram tidos, até 
poucos anos atrás, como grupos indígenas ainda não alcançados pelo 
Quem Foi Chamado Para Essa Missão?
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Evangelho. Todavia, foi grande a minha surpresa ao chegar entre eles 
e ver ali a presença de uma forte igreja evangélica, que louva a Deus 
com fervor e amor. Procurando os autores daquele trabalho missio-
nário, apontaram-me alguns crentes ribeirinhos, especialmente o Sr. 
João, como é conhecido. Fui entrevistá-lo. Pessoa simples, quase ile-
trado, mas com tremenda paixão pelo Senhor Jesus. Com a sua famí-
lia, ele vivia em um lutuante formado por um cômodo apenas e, além 
das redes, possuíam somente uma cadeira e uma panela. Contaram-me 
como se mantinham por meio da pesca e usavam toda a energia e tem-
po para transmitir o Evangelho de Cristo aos indígenas da região. - Mas 
como vieram para aqui, em região tão distante? - Viemos ganhar a vida, 
respondeu. - E como está a vida?, indaguei. - Vai muito bem. Já planta-
mos seis igrejas. Aqueles eram missionários sem sustento, aplausos ou 
reconhecimento. Eram servos de Jesus que confundiam o ganhar da 
vida com o ganhar de almas. Pessoas que passavam privações profun-
das para que o Evangelho chegasse até o inal do rio Maraã. O que se-
gura um missionário no campo não são projetos, sustento, equipes ou 
igrejas enviadoras, mas sim a profunda, intransferível e inconfundível 
convicção de que Deus o chamou. (LIDÓRIO, 2014, p. 30-31).
A expressão de amor e paixão pelas almas perdidas deve ser nossa motivação 
para o serviço ao Senhor. A completa dependência de Deus e de Sua Palavra tor-
na-se nossa maior qualiicação ministerial.
E você? Já reletiu sobre qual é o dom ministerial que mais se identiica ou 
compreende que recebeu da parte de Deus? Certamente podemos desen-
volver e multiplicar o dom ministerial que Ele nos concedeu.
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O PERFIL DO(A) PLANTADOR(A) DE IGREJAS
Você considera que o Sr. João, citado há pouco, tem um peril adequado para 
plantar igrejas? 
Davi não foi considerado um candidato com peril apropriado aos olhos dos 
homens (BÍBLIA, I Samuel 16). Quando o profeta Samuel foi a Belém, enviado 
por Deus para ungir o novo rei, Davi não foi convidado para estar entre os can-
didatos; antes, foi deixado no campo junto ao rebanho de seu pai, pois era o 
mais jovem da família e considerado, ainda, inexperiente para aquela posição. 
Contudo, foi exatamente ele o escolhido por Deus. 
Moisés não se sentiu habilitado para o chamado de libertar o povo de Israel 
do Egito. Também Jeremias, ele mesmo, narra como foi o seu chamado: 
[...] a mim me veio, pois, a palavra do Senhor, dizendo: Antes que eu te 
formasse no ventre materno, eu te conheci, e antes que saísses da ma-
dre, te consagrei, e te constituí profeta às nações. Então lhe disse eu: ah! 
Senhor Deus! Eis que não sei falar, porque não passo de uma criança. 
Mas o Senhor me disse: Não digas: Não passo de uma criança; porque 
a todos a quem eu te enviar irás; e tudo quanto eu te mandar falarás 
(BÍBLIA, Jeremias 1,4-8). 
Temos, nessa lista, tantos outros homens preciosos que foram grandemente usa-
dos por Deus, entretanto, quando foram chamados, não se sentiam aptos para 
o cumprimento de suas tarefas.
Ao apresentarmos as competências desejadas para o plantador de igrejas, 
não queremos desconsiderar que é Deus quem realiza em nós Sua obra e nos 
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habilita. Sua graça e Seu poder se aperfeiçoam em nossas fraquezas. Mas, visto 
que nossa incumbência é a tarefa sagrada de cuidar de almas por quem Cristo 
morreu e ensinar princípios do Reino Eterno, nos reportarmos ao próprio Deus 
em tudo que fazemos, então, precisamos considerar atentamente o peril reve-
lado pela Palavra de Deus para o exercício do ministério. Quando me reiro ao 
plantador de igrejas, relita sobre sua própriavida ministerial, seja qual for seu 
envolvimento na ediicação do Reino de Deus. 
Ott e Wilson (2013) nos dão informações sobre um estudo com 528 agên-
cias missionárias, em que se concluiu que cerca de três quartos (¾) de todo o 
desgaste missionário acontecia em decorrência de causas previsíveis. Perto de 
um quarto (¼) desse desgaste previsível tinha diversas causas pessoais: 13 por 
cento (13%) relacionava-se a casamento e família e 6 a 9 por cento (6-9%) era 
resultado de problemas com a equipe. 
Concluímos que o trabalho ministerial, em geral, tem um forte impacto na 
vida pessoal, conjugal e familiar. Muitas pessoas que têm um peril altamente 
orientado pela conclusão de tarefas tendem a ignorar os problemas pessoais e 
negligenciar algumas dimensões de sua vida pessoal. Pinney (2006), coordena-
dor da Church Planting Canada, em Quebec, escreve:
[...] ao mesmo tempo em que há um crescente número de recursos di-
dáticos que enfocam a metodologia de plantação de igrejas, muito pou-
co se refere diretamente aos plantadores e às pressões pelas quais ele e 
suas famílias passam na tentativa de plantar igrejas. Embora o próprio 
plantador seja um componente essencial da plantação de igrejas, sua 
vida pessoal e espiritual ainda não recebe a atenção adequada na litera-
tura e nos treinamentos existentes. Além disso, enquanto todo o con-
ceito de mentoreamento está agora sob os holofotes e recebendo uma 
atenção considerável, tanto nos círculos cristãos quanto nos seculares, 
surpreendentemente há poucos instrumento disponíveis para auxiliar 
mentores a causarem uma mudança efetiva na vida pessoal e familiar 
do plantador (PINNEY, 2006, p. 8, tradução nossa).
Para tratar esse assunto, consideramos os estudos e pesquisas de Ott e Wilson 
(2013) na deinição de características e competências desejadas para o plantador 
de igrejas. Uma síntese de seus estudos e observações pessoais nos leva a con-
cluir que as qualidades mais importantes para a plantação eiciente de igrejas são:
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Chamado
 de Deus Disciplinas espirituais 
fortes (oração, ouvir a 
voz de Deus, jejum, 
contemplação, leitura 
e estudo da Bíblia etc.)
Dons espirituais
 adequados
para a tarefaApoio do
cônjuge
Caráter santo
Um conjunto
especial de
habilidades
para a missão
Inteligência
emocional e
adaptabilidade
Figura 1 - Qualidades para plantação 
Fonte: adaptado de Ott e Wilson (2013).
Se forem colocados esses fundamentos, Deus irá, continuamente, moldar o 
obreiro no serviço cristão. No caso de atuações ministeriais transcultural, a matu-
ridade pessoal e a adaptabilidade são fatores importantes na efetividade e na 
longevidade do ministério. Habilidades evangelísticas, capacidade de adaptação 
cultural e inclinações naturais como lexibilidade, improvisação e autodidatismo 
são importantes na liderança transcultural eicaz. Torna-se necessário ajustar o 
estilo de liderança à situação ou cultura em vez de uma personalidade deinida 
a um único padrão de comportamento. Os obreiros transculturais precisam ser 
capazes de liderar não somente à frente, mas também ao lado dos aprendizes e 
líderes locais por causa da fase de retirada e da exigência de mudanças de papéis. 
Nunca se deve esquecer que nenhum plantador de igrejas reunirá todas as 
habilidades. O conjunto de competências da equipe deve, também, ser consi-
derado. Trataremos, em seguida, alguns desses aspectos, considerando quatro 
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abordagens diferentes: fundamentos espirituais, fundamentos pessoais, vida 
familiar, e plantadores bivocacionais.
A. FUNDAMENTOS ESPIRITUAIS
Existem alguns aspectos espirituais que devem ser encontrados na vida daque-
les que seguem a Cristo como seus discípulos, como o caráter de Cristo, a vida 
de oração, a santiicação, a maturidade espiritual. Entretanto, quando se trata de 
ministros do Senhor, esses aspectos devem estar presentes de forma potenciali-
zada. Vamos considerar o chamado e sua conirmação, a maturidade espiritual, 
a oração e as disciplinas espirituais e, por último, os dons espirituais. 
A.1. Chamado e conirmação 
Como abordamos anteriormente, o chamado é o ponto de partida para o serviço 
a Cristo. Deve-se buscar tanto o tempo de Deus quanto o chamado de Deus. A 
segurança da convocação de Deus traz coniança e força para desenvolver a tarefa. 
Essa convicção pode vir no início, de forma dramática, como Paulo no cami-
nho de Damasco, ou progressivamente, por meio de um processo de estudo da 
Bíblia, de relexão e conversas como outras pessoas Greer (EMQ, 2009, on-line)1 
diz que há precedentes bíblicos para os dois: a “chamada óbvia” e a “chamada 
sutil” reletida na frase de Tiago “pareceu-nos bem e ao Espírito Santo” depois 
de muita deliberação (BÍBLIA, Atos 15,28). Os candidatos, porém, precisam ter 
uma convicção legítima, estabelecida e duradoura (que deve ser compartilhada 
pelo cônjuge, se for casado) da direção de Deus que é conirmada pelo corpo 
local da igreja, como abordado anteriormente. 
A.2. Maturidade espiritual
Ott e Wilson (2013) apontam que os plantadores de igrejas devem ser escolhidos 
entre os que já têm demonstrado maturidade espiritual, compromisso com disci-
plinas espirituais e habilidades necessárias para o desempenho do ministério. O 
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Senhor, soberanamente, prepara seus servos por meio de experiências formativas 
que servem como base espiritual para suportar as pressões de situações aleatórias. 
O isolamento é muitas vezes utilizado por Deus para ensinar importan-
tes lições de liderança que não podem ser aprendidas quando estamos 
experimentando as pressões do contexto normal do ministério (CLIN-
TON, 2000, p. 161).
Diante das provações que passamos, muitas vezes, pode haver uma grande resis-
tência, assim como Jacó em Peniel. Entretanto, esse processo resulta em uma maior 
intimidade com Deus, quando nos submetemos a Ele em temor e obediência. 
Novos padrões de submissão, maior humildade e paciência, e novas maneiras 
de reagir diante das diiculdades podem ser aprendidas. Quando falta a maturi-
dade e sensibilidade espiritual necessária, o choque inicial com uma língua ou 
cultura pode se tornar insuportável.
A.3. Oração e disciplinas espirituais
O número de tarefas relacionadas à agenda de um plantador de igrejas pode ser 
preocupante, mas sua prioridade deve ser alimentar sua própria vida espiritual, 
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como disse Paulo a Timóteo: “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Continua 
nestes deveres; porque fazendo assim, salvarás tanto a ti mesmo como aos teus 
ouvintes” (BÍBLIA, I Timóteo 4,16).
Ott e Wilson (2013, p. 313) apontam que “muitos chegarão à conclusão de 
que precisam desenvolver padrões diferentes ou mais profundos de disciplinas 
espirituais: as praticadas em seu país de origem podem não ser adequadas para 
a frente de batalha”. É nítida a inluência que a vida de oração, jejum e estudo da 
Bíblia trazem para a ediicação da Igreja do Senhor.
Os plantadores também precisam estar alertas às necessidade, as fra-
quezas de caráter e aberturas espirituais daqueles com quem estão tra-
balhando para interceder com foco e persistência. A oração também 
está ligada aoevangelismo. A intercessão não é apenas o meio para o 
serviço efetivo - é o coração e a alma de um ministério (OTT e WIL-
SON, 2013, p. 313).
A.4 Dons espirituais
A Palavra de Deus, em Efésios, nos diz que “Cristo levou cativo o cativeiro e con-
cedeu dons aos homens (BÍBLIA, Efésios 4,8). Plantar e ediicar igrejas é fruto 
do Espírito Santo de Deus em nós. Deus usa uma variedade de dons espiritu-
ais para esse serviço. Apresentaremos, a seguir, um quadro proposto por Ott e 
Wilson (2013), que nos ajuda a compreender o papel dos dons espirituais.
Quadro 1 - Funções e dons espirituais em uma equipe de plantação de igrejas
FUNÇÃO DO 
PLANTADOR
EXEMPLOS BÍBLICOS DONS ESPIRITUAIS
Fundador Paulo, Pedro, Bar-
nabé e Epafras
Apóstolo, evangelismo, pregação, lide-
rança, fé encorajamento.
Desenvolvedor Apolo, Timóteo e 
Tito
Ensino, administração, encorajamento, 
aconselhamento.
Assistente Priscila e Áquila Evangelismo, ajuda, hospitalidade, ensi-
no, encorajamento.
Fonte: Ott e Wilson, (2013, p. 314).
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• Paulo e Pedro representam o tipo “fundador” e tinham o dom de 
apóstolo. Ambos eram evangelistas que dominavam a pregação 
persuasiva. Barnabé, que trabalhou como evangelista juntamente 
com Paulo (Atos 13:2-14:28), era conhecido pelo dom de encorajar 
as pessoas (Atos 4:36). Ele acompanhava os irmãos a im de iniciá-
-los no ministério (Atos 11:25) e serviu como ponte entre pessoas 
e grupos (Atos 15:1-4, 12, 22-35). Epafras começou o trabalho em 
Colossos (Colossenses 1:7) e também é associado ao trabalho em 
Hierápolis e Laodiceia (Colossenses 4:12). Ele demonstrou o dom 
de fé através da oração intercessória (Colossenses 4:12).
• Apolo, um judeu de Alexandria foi descoberto pela equipe paulina 
em Éfeso. Ele era um aplicado estudioso do Antigo Testamento 
e um pregador eloquente que tinha aceitado Jesus como Messias. 
Com um pouco mais de instrução, ele foi preparado para usar suas 
habilidades para persuadir e instruir as pessoas na fé. Ele desen-
volveu, ou “regou”, a igreja de Corinto (I Coríntios 3:6) e aparen-
temente, auxiliou Paulo em Éfeso (I Coríntios 16:12). Parece que 
Apolo nunca se envolveu na plantação pioneira de uma igreja, mas 
dedicou suas energias a fortalecer trabalhos já estabelecidos.
• A contribuição de assistentes ou membros da equipe, embora 
pouco notada, nunca deve ser subestimada. Priscila e Áquila, pro-
vavelmente, possuíam o dom de socorro e hospitalidade, e certa-
mente de ensino e encorajamento (Atos 18:2,26; I Coríntios 16:19). 
Eles faziam o trabalho de evangelismo, mas possuíam também a 
habilidade de caminhar com as pessoas para contribuir com sua 
formação (Atos 18:26). Paulo os chama de “meus colaboradores 
em Cristo Jesus” (Romanos 16:3).
• Os dons de cada categoria devem estar presentes na equipe de 
plantação de igrejas. Aqueles que possuem dons de evangelismo, 
ensino ou pregação, liderança ou administração, apostolado de-
vem estar presentes para dar início a um projeto transcultural ou 
urbano. Deus não será limitado por uma fórmula. Ele pode acres-
centar dons trazendo novos membros ou levantando líderes na-
cionais com o que for necessário. Deus usa muitos tipos de plan-
tadores de igrejas trabalhando sinergicamente através do Espírito 
Santo (OTT; WILSON, 2013, p. 314-315).
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B) Fundamentos pessoais
Passamos agora a considerar aspectos de caráter e personalidade que são dese-
jados na vida do plantador de igrejas. As questões pessoais são vitais para que 
um obreiro possa ter um bom resultado no trabalho realizado. 
B.1. Estabilidade 
Lidório (2011, p. 12), enfatiza que “nada, a não ser Deus, Seu poder e ação, 
poderá habilitar espiritualmente a Igreja a im de concluir os planos do Senhor 
no mundo”. Entretanto, no processo de plantio de igrejas nos deparamos com 
muitos obstáculos, temos recursos limitados, em circunstâncias que às vezes nos 
parecem intransponíveis. 
Principalmente para os obreiros transculturais, onde a comunicação se dá 
em uma segunda língua, ocorre o isolamento social e geográico, a instabili-
dade política, conlitos com colegas de trabalho, amigos e família. Esses fatores 
contribuem para um estresse geral, em que a dependência de Deus para uma 
estabilidade emocional se torna fator imprescindível. 
Ott e Wilson (2013, p. 317) apontam o grande desaio encontrado em plan-
tação de igrejas: “plantar uma igreja é como iniciar um pequeno negócio com 
voluntários quando a análise do mercado indica que a maioria das pessoas não 
está interessada em seu produto”. Os plantadores, muitas vezes, se sentem inva-
sores e, frequentemente, são mal interpretados por aqueles que estão tentando 
alcançar. Por todas essas razões, e muitas outras, a plantação de uma igreja traz 
muitas incógnitas que, sendo solucionadas, nos leva a grandes recompensas, 
porém exigem muito de nossa coragem, estabilidade e inteligência emocional. 
B.2. Resistência 
Ott e Wilson (2013, p. 317) pontuam que “quando os plantadores de igrejas se 
mudam para um novo local de ministério, deixam muitas coisas para trás, incluindo 
a igreja, os parentes e outros sistemas de apoio emocional”. Por isso, uma das qua-
liicações para a plantação de igrejas é a resistência - a habilidade de se sustentar 
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emocional e isicamente em meio a adversidades, perdas, desapontamentos e 
fracassos. É preciso perseverança até que os objetivos traçados se estabeleçam.
As pessoas emocionalmente resistentes são adaptáveis e dispostas a 
aceitar mudanças com pouco amparo. Elas se ajustam ao desaio e ao 
ambiente de rápida mutação de um ministério em crescimento. Quan-
do a oposição e as diiculdades surgem, não icam arrasadas, mas rea-
gem até nas mais difíceis circunstâncias a im de continuar avançando 
encontrando forças dentro de si mesmas. Têm seus momentos de desâ-
nimo, mas são obreiros perseverantes e resolutos servos da cruz (OTT; 
WILSON, 2013, p. 317-318).
A condição de resistência apontado por Ott e Wilson é muito bem traduzida 
pelas palavras “resolutos servos da cruz”, uma vez que, a experiência substitutiva 
de Cristo na cruz em nosso lugar nos concede a oportunidade de nos conside-
rarmos mortos para muitos aspectos da vida natural, sabedores que na morte 
daquilo que é nosso, se manifesta a vida daquilo que é dEle.
B.3. Autogerência
Muitos plantadores de igrejas trabalham fora de casa sem horas regulares de tra-
balho ou responsabilidades bem deinidas. Consequentemente, têm necessidade 
de usar o seu tempo e recursos de maneira prudente e efetiva. Para que possam 
sair do lugar, necessitam ser cheios de decisão e disposição para ir aos lugares 
públicos, conhecendo pessoas e compartilhando de Cristo. 
A plantação de igrejas envolve tanto o desenvolvimento pessoal quanto 
o desenvolvimento de um projeto. É um trabalho difícil e complexo que 
requer longas horas, concentração e a disciplina de permanecer na tarefa. 
Os plantadores também precisam de alvos claros e autocontrole se dese-
jarem ver progresso real. Antes de começar sua primeira atribuição, já de-
vem ter mostrado a habilidade de gerenciar seu tempo, sua família e seus 
recursos de forma eiciente. Jesus voltou sua face para Jerusalém e nunca 
perdeu de vista a razão pela qual ele veio. Para alguns, seguir seu exemplo 
nesse aspecto é quase instintivo, mas, para a maioria, é um comporta-
mento aprendido. A autogerência exige uma avaliaçãorealista de nossos 
pontos fortes e de nossas limitações, além do cultivo de hábitos sadios e 
limites para manter-se em direção ao alvo (OTT; WILSON, 2013, p. 318).
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O ponto de partida da autogerência deve ser a prática das disciplinas espiritu-
ais, pois, por exemplo, uma profunda vida de oração modiica muitos de nossos 
hábitos, ao manifestar uma nova coniança naquilo que Deus pode fazer. 
C. Vida familiar
Esse ponto é de fundamental importância, pois a plantação de uma igreja envolve 
profundas mudanças no contexto de atividades de uma família, principalmente 
quando se trata de plantação transcultural de igrejas. Portanto, as necessidades 
e condições psicológicas de cada membro da família devem ser consideradas.
C.1. Tolerância ao estresse causado por mudanças
A plantação de uma igreja, muitas vezes, exige mudança de casa e de cultura 
para alcançar pessoas de diferentes contextos. Ott e Wilson citam que o choque 
cultural é deinido como:
[...] uma síndrome de reação ao ajuste causada por estresse múltiplo e 
interativo nos níveis intelectual, comportamental, emocional e psicoló-
gico de uma pessoa recentemente realocada a uma cultura que não lhe 
é familiar e é caracterizada por uma variedade de perturbações psicoló-
gicas. Essas mudanças, ocorrendo todas de uma vez, precipitam o pro-
cesso de adaptação, mas podem prejudicar o relacionamento conjugal. 
Os maridos e as esposas experimentam a plantação de igreja de formas 
diferentes. Geralmente, o papel do marido é bem deinido, porque todo 
o processo de seleção e preparação é concentrado nos dons e no treina-
mento dele. Se o papel da esposa não parece ser tão crítico ou claro, ela 
enfrentará mais estresse relacionado ao seu papel. Quando os cônjuges 
têm necessidades e percepções diferentes, pode ser difícil manter a har-
monia conjugal (OTT; WILSON, 2013, p. 318-319).
Frente a esses importantes aspectos, percebe-se o quanto existe uma necessidade 
de convicção do chamado, do marido e da esposa, para a mesma tarefa. Caso a 
esposa permaneça no cuidado da casa e dos ilhos, ela terá maior diiculdade no 
aprendizado da língua e da cultura em trabalhos transculturais. A esposa com 
o peril mais relacional terá um aprendizado mais rápido e poderá atuar mais 
amplamente na plantação da igreja.
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C.2. Necessidade de limites entre o lar e o ministério
Ott e Wilson (2013) apresentam outra diiculdade que é o “efeito vitrine”, quando 
as atividades do dia a dia são observadas por muitas pessoas e perde-se o senso 
de privacidade. Os ocidentais que trabalham em contextos tribais enfrentam dii-
culdade especial nesse aspecto, porque as pessoas que vivem coletivamente em 
famílias estendidas não apreciam sua necessidade de privacidade. 
Algumas vezes é muito difícil aceitar a superexposição dos ilhos. A reação 
natural seria recolher-se a um estilo de vida mais privado, mas os plantadores 
reconhecem a importância do seu exemplo e testemunho como família e dese-
jam desenvolver novos relacionamentos. Eles sabem que a hospitalidade e o 
ministério baseado no lar são essenciais para a plantação de uma igreja. A ten-
são não é de fácil solução. 
A falta de limites se manifesta, também, de outras maneiras. Se não há um 
escritório disponível, os plantadores precisam aprender a trabalhar em casa. As 
crianças precisam aprender a compartilhar seus brinquedos e seu espaço todos 
os dias de culto, caso a igreja se reúna na casa do obreiro. Problemas relacionados 
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a estabelecimento de limites parecem apenas aumentar à medida que o minis-
tério se expande. 
O tempo com a família pode se tornar um bem raro à medida que o 
trabalho com o acompanhamento de discípulos e líderes é acrescen-
tado ao evangelismo e à formação da comunidade. As famílias saudá-
veis aceitarão a necessidade de - dar um tempo - e estabelecer o hábito 
de tirar um dia de folga em família. [...] Os indivíduos que atuam em 
proissões que têm contato direto com pessoas (professores, médicos, 
assistentes sociais e pastores) e que desempenham intervenção em mo-
mentos de crise, aconselhamento familiar e atendimento em pronto so-
corro, apresentam altos níveis de estresse e ansiedade. Os plantadores 
de igrejas que cuidam de pessoas em crise, pobres, famílias com proble-
mas conjugais, dentre outros, se encaixam na condição citada. Podem 
ter que enfrentar essas emergências com pouco preparo ou treinamen-
to. Normalmente, eles veem a poderosa intervenção de Deus e conse-
guem ajudar, mas seu envolvimento pode, no entanto, cobrar um alto 
preço em sua saúde pessoal e familiar (OTT; WILSON, 2013, p. 320).
É de extrema importância o cuidado com a saúde da família de plantadores de 
igrejas, pois, dessa condição, dependerão os resultados do trabalho realizado. 
Há necessidades também de estabelecer limites na área de inanças. Cria-se um 
dilema quando existe uma desproporção econômica entre o estilo de vida do 
missionário e o da população em geral. Há muitos pedidos de ajuda inanceira, 
tanto da parte dos cristãos quanto da comunidade. 
O que um plantador de igrejas faz quando várias pessoas perdem seus empre-
gos ou quando um casal pede dinheiro emprestado para comprar remédio para 
sua ilha? Onde se traça uma linha demarcatória? Em resposta a essas pressões, 
Ott e Wilson (2013) indicam quatro áreas que devem ser consideradas pela famí-
lia do plantador de igrejas:
1. Espaço - como a casa da família será usada para o ministério? Que 
partes serão consideradas proibidas à entrada de estranhos?
2. Tempo - que noites serão dedicadas a reuniões e visitas e que noites 
serão separadas para a família? Que dia será o “sábado” da família?
3. Relacionamentos - como o cônjuge que ica em casa desenvolverá 
amizades? Os ilhos adolescentes possuem amigos cristãos? Quem 
será o conidente do casal no caso de problemas no ministério? 
Como os ilhos serão protegidos da “superexposição”?
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4. Recursos - os recursos inanceiros da família serão usados para 
auxiliar os necessitados na igreja, e se esse for o caso, sob que con-
dições? Até que ponto os membros da família estarão dispostos 
a compartilhar seu carro e pertences pessoais? (OTT; WILSON, 
2013, p. 321).
Essas respostas devem ser encontradas e acordadas em família. E, sempre que 
os limites não estiverem sendo guardados, deve haver liberdade para uma nova 
abordagem.
C.3. Mulheres na plantação de igrejas
A mulher possui um papel relevante nas equipes de plantação de igrejas, seja ela 
solteira ou trabalhando em companhia de seu marido. Entretanto, ela também 
é desaiada por diiculdades singulares. Ott e Wilson (2013) apontam alguns 
aspectos muito relevantes: 
 ■ Alguns sistemas religiosos, especialmente em culturas islâmicas ou tri-
bais, têm padrões distintos de adoração e práticas para as mulheres que 
reduzem severamente a comunicação entre os sexos. 
 ■ Paulo trabalhou em parcerias signiicativas com assistência de mulheres 
como Priscila (Atos 18-19), Evódia e Síntique (Filipenses 4) e obreiras locais 
como Lídia (Atos 16), Ninfa (Colossenses 4,15), Febe e outras (Romanos 
16), em um tempo em que as mulheres raramente eram encontradas em 
posições deliderança. Atualmente, homens e mulheres podem trabalhar 
juntos em parcerias criativas na plantação de igrejas, mas há obstáculos 
a serem superados.
 ■ Algumas vezes espera-se que as mulheres colaborem sem que lhes seja 
concedida uma voz real nas decisões da equipe. Ott e Wilson (2013, p. 
322) relatam que “uma plantadora de igrejas trocou de organização mis-
sionária porque, sendo uma mulher solteira e médica, ela tinha carga 
integral de ministério, mas não possuía voto nas reuniões da equipe”. As 
frustrações a respeito das desigualdades são agravadas quando os papéis 
públicos para mulheres são reprovados, ou em culturas patriarcais e 
machistas em que a educação, a inteligência e a opinião de uma mulher 
não são consideradas. 
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Quando surgem problemas no contexto da plantação de igrejas, tensões ou peque-
nas irritações, é necessário que os fatores causadores sejam tratados abertamente 
para que não tragam feridas dolorosas e frustrações quanto ao chamado em Deus.
Se as mulheres partilham integralmente de um ministério de plantação de 
igrejas, devem receber apoio e o mesmo treinamento que os homens, partici-
par de decisões e ter auxílio para organização de suas agendas, no caso das que 
possuem ilhos. 
Karol Downey (EMQ, 2005, on-line)2 sugere que tanto o homem quanto a 
mulher se beneiciam quando compreendem o ministério amplamente como 
serviço a Deus em todas as esferas da vida: família, igreja e o mundo exterior. 
As organizações missionárias podem contribuir também, esclarecendo suas 
expectativas quanto ao papel das mulheres, oferecendo oportunidades amplas de 
ministério de acordo com os dons individuais, conirmando a grande contribui-
ção das mulheres e mantendo, em seus quadros, mulheres experientes envolvidas 
na preparação pré-campo e em visitas de acompanhamento aos campos.
Ott e Wilson (2013) concluem que, completamente aceitas como compa-
nheiras de ministério, o impacto no Reino é multiplicado pela presença das 
mulheres, a força missionária é aumentada, mulheres em sociedades islâmicas 
e budistas podem ser alcançadas, mulheres locais são discipuladas e treinadas, 
a qualidade da tomada de decisão é ampliada pela singular percepção feminina 
e as pessoas são atraídas ao ver como homens e mulheres podem ser moldados 
à imagem de Cristo.
PLANTADORES BIVOCACIONAIS
Esse talvez seja um dos maiores empecilhos para a multiplicação de igrejas em 
nosso tempo. Um movimento de expansão de igrejas depende do grau em que 
os cristãos locais cheios do Espírito Santo têm liberdade de agir livres de estru-
turas e controles tradicionais. Como dissemos anteriormente, uma igreja em fase 
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adulta deve ter alcançado capacidade de autogoverno, autossustento e autopro-
pagação, o que classiicamos como igrejas autóctones.
No decorrer dos tempos, nunca os recursos inanceiros têm sido suicien-
tes para sustentar o número de obreiros necessários em campos missionários. 
Depender de recursos externos, como ofertas, apoio inanceiro de patrocina-
dores, doações de equipamentos ou subsídios para execução de projetos de 
construção trazem lentidão e diiculdades para o avanço da igreja. Ott e Wilson 
(2013, p. 96) citam que “o uso insensato de recursos pode inibir a multiplica-
ção da igreja de várias formas”. Os recursos externos são limitados e, mais cedo 
ou mais tarde, tendem a acabar, caso a plantação da igreja depende deles, ela 
também acabará. Outro aspecto é que as pessoas passam a pensar que é impos-
sível plantar uma igreja sem patrocinadores e recursos externos. Em último 
lugar, quando os recursos externos são usados para a plantação da igreja, pode-
-se plantar também a ideia de que se foi a missão que construiu a nova igreja, é 
a missão que deve sustentá-la.
Os recursos externos podem ajudar a plantação de igrejas e não são antiéticos. 
Ainal, no estágio pioneiro ainda não existe igreja e todos os recursos - humanos, 
estratégicos, tecnológicos e inanceiros - precisam vir de fora. No entanto, devem 
ser usados com sabedoria para que esses recursos não se tornem obstáculos para 
uma multiplicação de congregações sadias, autossustentáveis e que se reproduzem.
Ott e Wilson (2013) indicam que outro empecilho para a multiplicação diz 
respeito à educação formal dos plantadores de igrejas, que levam, normalmente, 
vários anos em uma Universidade, escola bíblica ou seminário. Isto em si não 
é ruim, entretanto, levará muito tempo e nunca haverá obreiros diplomados 
suicientes para se tornarem plantadores de igrejas em um movimento em cres-
cimento. Isso também pode criar a impressão de que os leigos sem treinamento 
não podem ou não deveriam liderar a plantação de igrejas. 
Na prática, os movimentos de plantação de igrejas contam com leigos bivoca-
cionais e com métodos de treinamento informais, como treinamentos organizados 
por igrejas, seminários oferecidos por escolas bíblicas e por organizações mis-
sionárias. Eles enfatizam o entendimento bíblico, a formação de caráter e o 
desenvolvimento de habilidades práticas de ministério em lugar do conheci-
mento teórico. 
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Mesmo aqueles que se prepararam dentro de uma instituição formal, mui-
tas vezes, possuem diiculdades em encontrar o sustento inanceiro na própria 
igreja plantada, o que os leva a um ministério bivocacional.
A expressão “ministério bivocacional” se refere não a um método de plan-
tação de igrejas em si, mas à forma como alguns missionários e plantadores de 
igrejas se sustentam inanceiramente. Os obreiros bivocacionais, algumas vezes 
chamados de fazedores de tendas, têm uma ocupação secular ou empresa para 
complementar ou inanciar integralmente seu empreendimento de plantação 
de uma igreja. 
Eles precisam ser competentes em ambas as funções, integrá-las e geren-
ciá-las juntamente com suas responsabilidades familiares. Consideraremos, a 
seguir, alguns aspectos apontados por Ott e Wilson (2013), que nos levam a 
reletir sobre o ministério bivocacional.
O apóstolo Paulo trabalhou literalmente como um fazedor de tendas. Os 
missionários morávios - a maior força missionária de seu tempo - foram todos 
bivocacionados. Hoje, fazer tendas tem se tornado um fator signiicativo em 
missões, especialmente em locais de difícil acesso, nos quais os missionários 
tradicionais não conseguem vistos de permanência. Essa modalidade tem sido 
também adotada por várias associações como uma estratégia intencional para a 
ocupação de novas cidades e zonas rurais.
As escolas bíblicas e seminários teológicos não produzirão obreiros suicien-
tes para cumprir a Grande Comissão ou sustentar os movimentos de plantação de 
igrejas. Somente igrejas locais reprodutoras comprometidas com a seara podem 
produzi-los. Para que a multiplicação aconteça, precisamos de novos modelos de 
parcerias efetivas entre as equipes de obreiros leigos e, especialmente, de obrei-
ros de tempo integral com plena formação teológica, de forma que estes ocupem 
posições de capacitadores.
Embora a bivocacionalidade seja uma realidade neotestamentária, deve-se 
ter grande cuidado para se evitar problemas como: 
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 ■ Treinamento inadequado nas áreas bíblica, teológica e deevangelismo 
transcultural, resultando em lacunas nas competências ministeriais;
 ■ Ambivalência de papéis e tensão entre as duas vocações, produzindo lutas 
de identidade e integridade;
 ■ Fracasso na condução de um negócio rentável, o que pode prejudicar 
tanto o negócio quanto o ministério.
A preocupação imediata dos ministérios bivocacionais é como administrar efeti-
vamente duas grandes vocações, mais o casamento e a família em muitos casos. 
A necessidade de um descanso semanal e de limites entre o trabalho e a famí-
lia, a obtenção de tempo para se desenvolver as disciplinas espirituais podem se 
tornar pontos conlitantes. Esses aspectos devem ser continuamente avaliados. 
Sempre que possível, o plantador bivocacional deve buscar oportunidades 
de qualiicação e treinamento. Ele deve estar debaixo de um contexto de super-
visão e acompanhamento para que áreas de limitação possam ser ajustadas e 
potencializadas. 
O plantador de igrejas em tempo integral ou bivocacional deve, em tudo, 
encontrar-se em completa dependência de Deus, quer seja na vida inanceira, 
na vida familiar, na preparação teológica ou no planejamento ministerial. O 
Deus que chama é o mesmo que sustenta e capacita para o ministério. Cada con-
texto precisa ser considerado individualmente à luz da Bíblia e da orientação do 
Espírito Santo de Deus. 
Normas culturais e uma variedade de outros fatores devem ser levados em 
conta quando determinamos o uso sábio dos recursos humanos, estruturais e 
inanceiros disponíveis.
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A IGREJA E O PLANTIO DE IGREJAS
Encontramos, neste tópico, uma perspectiva de suprema importância: a reali-
dade de que igrejas plantam igrejas. Para isso foram estabelecidas 
as igrejas do Senhor na terra, para se multiplicarem em novas 
igrejas. A grande comissão em primeira instância é dire-
cionada para a Igreja do Senhor. Muitas diiculdades são 
encontradas quando a visão de multiplicação ocorre indi-
vidualmente e não no corpo de Cristo. Entretanto, é a 
Igreja que é a remetida para o mundo, enviada até os 
conins da terra para alcançar os perdidos e plantar 
novas congregações.
Quanta perda a Igreja do Senhor tem sofrido em 
função das barreiras e divergências denominacionais. Embora 
a interpretação das Escrituras possam ser diferentes em alguns 
pontos para as denominações, isso não deve ser empecilho 
para realização de parcerias que tragam avanço à Igreja do 
Senhor. Lidório nos encoraja sobre a grande responsabilidade das igrejas 
em propagarem-se. 
O assunto plantio de igrejas deve ser observado sob a perspectiva da 
missão, ou seja, o resultado do desejo de Deus que envolve a ação da 
Igreja. Um dos maiores perigos existentes no processo de plantar igre-
jas é defrontar-se com um cenário onde a missão da Igreja está sepa-
rada da missão de Deus, a Missio Dei. E isso ocorre quando a Igreja 
segue sua própria agenda, de plantio ou crescimento, por motivações 
próprias e antibíblicas. Não para a glória de Deus, mas para a glória da 
igreja. Não para alcançar os perdidos, mas para fortalecer a denomina-
ção. Não para exaltar Jesus, mas para exaltar os seus líderes (LIDÓRIO, 
2011, p. 37).
A responsabilidade e o desejo de plantar igrejas, de anunciar a Cristo para os 
que ainda não foram alcançados, não podem ser vividos individualmente, mas 
devem fazer parte da agenda e planejamento de cada igreja. Na igreja primitiva 
quando alguém se convertia ao evangelho, prontamente Cristo era anunciado 
por esses novos cristãos. E, nos locais onde as pessoas eram alcançadas, novas 
igrejas eram estabelecidas.
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A igreja primitiva soube compreender as palavras de Jesus na grande comis-
são, considerando sua tarefa principal levar o evangelho a todas as nações. 
Quando a igreja desassocia a evangelização do plantio de igrejas tende a estag-
nar-se na multiplicação e ter poucos frutos no trabalho de evangelismo. Não é 
possível arar a terra sem pôr a mão no arado. Assim, a igreja não pode viver para 
si mesma, tendo como sua razão de ser a própria existência e perder a seu pro-
pósito, expandir-se até os conins da terra.
Vemos no ministério do apóstolo Paulo a dinâmica não somente de sua pró-
pria ação para o plantio de novas igrejas. Mas seu intenso trabalho de preparação 
de líderes, delegação de autoridade, recrutação de membros para sua equipe mis-
sionária. Exemplos disso são os cooperadores, como Timóteo de Listra (Atos 
16,1) e Apolo de Éfeso (Atos 18,24-26). O desenvolvimento, comissionamento 
e delegação de obreiros possuem um papel fundamental no processo de cresci-
mento e multiplicação de igrejas.
O próprio Senhor Jesus denunciou a necessidade de formação de obreiros 
para suprimento dos campos, em Mateus, conforme descrito a seguir:
[...] e percorria Jesus todas as cidades e povoados, ensinando nas sina-
gogas, pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de doenças 
e enfermidades. Vendo ele as multidões, compadeceu-se delas, porque 
estavam alitas e exaustas como ovelhas que não têm pastor. E, então, 
se dirigiu a seus discípulos: a seara, na verdade, é grande, mas os traba-
lhadores são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande traba-
lhadores para a sua seara (BÍBLIA, Mateus 9,35-38).
Jesus se compadecia das necessidades das pessoas e discernia que as mesmas 
padeciam alitas por não estarem sendo pastoreadas. A limitação de obreiros se 
apresenta como uma complexa realidade a ser corrigida. A resposta começa pela 
oração, para que o plano de Deus seja estabelecido, mas permanece a tarefa da 
igreja em formar obreiros para atender a carência dos campos. 
Ott e Wilson (2013) enfatizam que, conforme a igreja cresce e procura se 
reproduzir, uma ênfase prioritária deve ser colocada na capacitação dos cristãos 
locais para o ministério. Paulo deixa bem claro em Efésios que a chave para levar 
a igreja à maturidade é que os líderes treinem os santos para que esses sejam 
aperfeiçoados e desenvolvam seu serviço para ediicação do corpo de Cristo, 
“até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho 
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de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo” 
(BÍBLIA, Efésios 4,11-13).
Os líderes cristãos não surgem da noite para o dia. Eles se parecem com 
árvores frondosas que crescem em silêncio e paciência, enterrando suas raízes 
profundamente e estendendo seus longos e fortes galhos que produzirão refrigé-
rio a muitos. Árvores que caem fazem mais barulho que uma loresta que cresce, 
portanto, devemos estar bem arraigados e preparados para enfrentar os grandes 
desaios do ministério cristão. Antes de tentar desenvolver líderes, precisamos 
desenvolver discípulos iéis que amadurecem no serviço e obediência, na pie-
dade e no amor, na revelação de Deus e na manifestação do caráter de Cristo. 
Assim, cumpriremos cabalmente nosso chamado e ministério. 
Chegamos ao inal da nossa Unidade IV. Que Deus nos ajude a sermos encon-
trados iéis. Que sejamos supridos por Sua ininita graça, que produz em nós a 
riqueza da vida ressurreta de Seu ilho, o Senhor Jesus Cristo. 
 
 
 
 
 
 
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
Caro(a) aluno(a), durante a UnidadeIV abordamos aspectos pessoais que envol-
vem o homem e a mulher que foram atraídos por Deus ao ministério. Tudo começa 
pelo chamado de Deus. Assim foi na vida de Abraão, Sara, Moisés, Ester, Ana, 
Samuel, Davi e todos que foram comissionados no Novo Testamento, incluindo 
mulheres preciosas que izeram parte do ministério do Senhor Jesus e do incan-
sável trabalho do apóstolo Paulo em plantar igrejas neotestamentárias.
Se você chegou até aqui com convicção e desejo de servir a Deus, certa-
mente Ele conduzirá você às próximas etapas. A Bíblia está repleta de homens e 
mulheres que encontraram no serviço a Deus sua motivação e razão de existir. 
Deleite-se em sua leitura e Deus encherá seu coração de coniança, orientação 
e irmeza. Sirva em sua igreja local até que chegue o tempo e esteja preparado 
para assumir um novo desaio. 
Se você já tem exercido uma função de liderança ministerial, invista na for-
mação de novos obreiros, entendendo que tudo começa pelo serviço, obediência 
e disposição de realizar a vontade de Deus. 
Diante de um mundo tão conturbado, entendemos o quanto é preciso con-
quistar estabilidade emocional e uma vida espiritual centrada na vontade de 
Deus. Só assim poderemos cumprir nosso chamado e ministério. Depender 
exclusivamente de Deus deve ser o segredo de nosso ministério. Ele nos habi-
lita, segundo Sua abundante graça.
A igreja tem um papel fundamental na plantação de igrejas. E deve dar prio-
ridade para a identiicação de candidatos ao ministério, discipulá-los e enviá-los 
para novos campos.
Na próxima unidade conheceremos um pouco mais o paradigma Paulino 
para a plantação de igrejas. Que possamos nos desenvolver e amadurecer nessa 
desaiadora tarefa! 
165 
1. Green (2005) nos aponta que diicilmente estaríamos exagerando ao falarmos 
das severas mudanças ocorridas no clima espiritual das últimas décadas. Nos-
so sistema educacional foi fortemente inluenciado pelo Iluminismo do século 
XVIII. Segundo o que foi abordado ao longo da unidade, como o Iluminismo 
inluenciou o trabalho missionário?
2. Em Marcos 2,14, a Bíblia Sagrada relata: “Quando ia passando, viu Levi, ilho de 
Alfeu, sentado na coletoria, e disse-lhe: Segue-me. Ele se levantou e o seguiu”. 
Bonhoefer (2004) diz que, para esta sequência de chamado e ação, só existe 
uma razão válida: o próprio Jesus Cristo. Segundo nossos estudos, qual a ra-
zão de Bonhoefer (2004) apresentar esse entendimento? 
3. Ronaldo Lidório (2014) apresenta três característica particulares do chamado de 
Deus para o ministério e discipulado com Cristo. O chamado de Deus é pessoal, 
incontestável e irresistível. Explique cada uma dessas dimensões.
4. Ott e Wilson (2013) indicam as qualidades mais importantes para a plantação ei-
ciente de igrejas na deinição de características e competências desejadas para 
o plantador de igrejas, como inteligência emocional e adaptabilidade. Cite mais 
três características ou competências que são desejadas para o plantador de 
igrejas.
5. A grande comissão em primeira instância é direcionada para a Igreja do Senhor. 
Muitas diiculdades são encontradas quando a visão de multiplicação ocorre in-
dividualmente e não no corpo de Cristo. Entretanto, é a Igreja que é a remetida 
para o mundo, enviada até os conins da terra para alcançar os perdidos e plan-
tar novas congregações. Explique como a igreja pode atuar para cumprir sua 
missão no plantio de igrejas.
166 
COMO EU SEI QUE DEUS QUER QUE EU PLANTE UMA IGREJA?
“Como eu sei que o Senhor quer que eu vá lá?” é uma pergunta comum que eu recebo 
de jovens plantadores tentando decidir sobre plantar uma igreja. A resposta a essa per-
gunta é de extrema importância.
Um plantador de Igrejas é um chamado para um povo e um local
As pessoas têm opiniões diferentes sobre isso, mas eu vou dar-lhes a minha. Eu não acho 
que um plantador de igrejas deva ir plantar uma igreja até que ele seja chamado para 
um local e um povo especíicos. Isto é um pouco complicado, porque sinceramente eu 
não acho que as pessoas sejam genericamente chamadas para a plantação de igrejas. Eu 
acho que elas são chamadas para plantar uma igreja em um determinado povo ou um 
lugar. Você não pode construir toda a sua visão a respeito de algo em sua experiência 
pessoal, mas vou compartilhar o meu chamado como uma ilustração.
Minha Jornada
Mesmo tendo sido rejeitado pela minha agência de missões denominacionais para ser 
um plantador de igreja (ainal eu tinha apenas 20 anos de idade e não tinha tido ne-
nhum treinamento), Deus ainda falou aos nossos corações. Eu estava em Bufalo, Nova 
York, e Donna estava em casa. Voltei e disse a ela que quando eu estava na avenida 
Prospect com a rua Seventh em Bufalo, eu compreendi que o Senhor queria que eu 
plantasse uma igreja ali. Donna disse que ela estava orando e que Deus havia lhe dito a 
mesma coisa. Nós sabíamos naquele momento que deveríamos ir. Foi signiicativo, mas 
isso só aconteceu comigo uma vez. Eu plantei seis igrejas e o nível de clareza não era tão 
evidente. Mas sempre houve um senso de chamado.
A Conirmação através da Compaixão
A conirmação vinha até mim em cada local quando eu sabia que eu não podia fazer 
nada mais, exceto plantar a igreja entre as pessoas de um determinado lugar. Eu não 
podia fazer outra coisa ou fazê-lo em qualquer outro lugar.
Eu vivi no meu bairro atual durante quatro anos, antes de sair para plantar uma igreja. Eu 
estava alcançando alguns vizinhos e os convidava para irem à igreja, enquanto eu servia 
como um pastor interino em várias igrejas. Mas então Deus colocou um fardo no meu 
coração de que eu precisava plantar uma igreja para essas pessoas e para seus amigos. 
Todos os lugares em que eu plantei tinham uma coisa em comum. Eu tinha um fardo 
espiritual que envolveu um povo especíico – dos pobres urbanos em Bufalo aos meus 
vizinhos no condado de Sumner, no Tennessee, décadas mais tarde.
Apaixone-se por um grupo especíico de pessoas
A plantação de igrejas e o trabalho missionário são papéis únicos que requerem um 
chamado claramente discernido. O Apóstolo Paulo falou de forma consistente da res-
ponsabilidade que ele tinha por pessoas diferentes em locais diferentes.
167 
Um plantador de igrejas deve se apaixonar pelo local e se apaixonar pelo povo. Quando 
eu me apaixonei pela minha esposa, eu queria saber tudo sobre ela e passar o máximo 
de tempo que eu pudesse com ela. Eu fazia coisas com ela que eu não faria normalmen-
te. Eu aprendi coisas novas sobre seus interesses. Eu iz isso com fervor, porque eu estava 
apaixonado por ela.
A mesma coisa é verdadeira sobre um povo e um local onde você está indo para plantar 
uma igreja. Você deve se apaixonar por seus interesses. Você precisa aprender mais do 
que qualquer outra pessoa sobre o local e o porquê de você estar se apaixonando pelo 
local e pelo povo.
Ore e jejue por discernimento
Ore e jejue até que Deus deixe claro o seu chamado para você. Lute com o Senhor até 
que seja irrefutável. Eu não quero um chamado geral para plantar uma igreja. Eu quero 
um fardo claro para um povo especíico. Eu não posso plantar uma igreja até que meu 
coração se parta para o povo onde Deus tem me chamado para plantar uma igreja. Não 
comece uma igreja sem este chamado.
No inal do dia, eu quero um chamado do tipo Macedônico. Paulo teve uma visão, na 
qual um homem da Macedônia chamava por ele: “Venha e nos ajude” (Atos 16:9). Não 
estou dizendo que você precisa de uma visão em um sonho, e eu nunca tive um assim. 
Entretanto, eu nunca plantei uma igreja e não plantaria uma a menos que eu tivesse 
uma visão clara por um local e um povo e que eu soubesse no meu coração que Deus 
estivesse me chamando para “ir e ajudar” um certo povo em um local especíico.
Fonte: Stetzer (CTPI, 2015, on-line)3.
MATERIAL COMPLEMENTAR
Vocacionados
Ronaldo Lidório
Editora: Betânia
Sinopse: se olharmos a Palavra de forma ampla, possivelmente as 
convocações mais enfáticas sejam três: amar a Deus, amar ao próximo 
e fazer discípulos.Esse é o nosso propósito e a nossa missão. Todos os 
cristão foram chamados para fazer diferença neste mundo, portanto 
se você ama e segue a Cristo você é chamado por Ele. Deus também convoca alguns para tarefas e 
ministérios bem especí� cos, e é preciso compreensão bíblica e discernimento nesta caminhada. 
Quarto de Guerra
o i lme acerta em escolher o tema das relações conjugais para, a 
partir daí, destrinchar sua relação direta com o amor próprio, perdão 
e principalmente o amor como prova de fé ao nosso Deus. Os 
personagens foram escritos de maneira a serem críveis e rel etirem 
os tipos encontrados em igrejas por todo o mundo. É impossível não 
reconhecer a energia contagiante e a fé da senhora Clara em alguém 
que fez parte de sua igreja ou história.
Paulo, Plantador de Igrejas: Repensando Fundamentos Bíblicos da Obra 
Missionária
O que motivava o apóstolo Paulo a sair plantando igrejas, organizando comunidades ao longo 
da bacia do Mediterrâneo, apesar da rejeição dos seus patrícios e das implacáveis perseguições 
que sofria? O que o movia não eram arroubos de piedade, espírito proselitista, amor ao lucro, 
popularidade ou qualquer outra motivação similar. Essas motivações não teriam suportado as 
angústias do campo missionário por muito tempo. Paulo estava movido por suas convicções 
teológicas.
Para saber mais acesse:
<http://www.monergismo.com/textos/missoes/missoes_augustus.htm>.
REFERÊNCIAS
169
BÍBLIA. Português. Bíblia Missionária de Estudo. Tradução: Almeida Revista e Atu-
alizada. Barueri-SP: Sociedade Bíblica do Brasil – SBB, 2014.
BONHOEFFER, D. Discipulado. São Leopoldo-RS: Sinodal, 2004.
CLINTON, R. J. Etapas na vida de um líder: os padrões que Deus usa para desenvol-
ver um líder. Londrina-PR: Descoberta, 2000.
GREEN, M. Evangelismo que Funciona: redescobrindo o poder da missão. Rio de 
Janeiro: GW Editora, 2005.
HIMITIAN, J. Projeto do Eterno: um estudo de 12 semanas. São Paulo: Editora Vida, 
2010.
LIDÓRIO, R. Teologia Bíblica do Plantio de Igrejas. Manaus: Instituto Antropos, 
2011.
______. Vocacionados. Belo Horizonte: Betânia. 2014.
OTT, C.; WILSON, G. Plantação Global de Igrejas: princípios bíblicos e as melhores 
estratégias de multiplicação. Curitiba: Editora Esperança, 2013.
PINNEY, J. Essential Tools for Strengthening the Life and Ministry of Church 
Planters: A Training Manual. 2006. Tese (Mestrado) – Fuller Theological Seminary, 
Pasadena-CA, 2006.
REFERÊNCIAS ON-LINE
1 Em: <https://www.emqonline.com/node/2316>. Acesso em: 26 mai. 2017.
2 Em: <https://www.emqonline.com/node/343>. Acesso em: 29 mai. 2017.
3 Em: <http://ctpi.org.br/artigo-como-eu-sei-que-deus-quer-que-eu-plante-uma-i-
greja/>. Acesso em: 01 jun. 2017. 
GABARITO
1. Nosso sistema educacional foi fortemente inluenciado pelo Iluminismo do 
século XVIII, que dispensou amplamente a noção de Deus e substituiu-O pela 
coniança na razão humana. A ciência, com toda a sua tecnologia, prometia ser 
a chave para o futuro. A coniança no progresso tornou-se ampla e geral. Só o 
visível, o medido ou veriicado de alguma maneira empírica poderia ser consi-
derado real. Havia um pressuposto não declarado sobre a natureza humana: 
ninguém duvida que todos nós temos um coração de ouro, valores e relaciona-
mento com Deus tornaram-se subjetivos.
2. O fato de Jesus ser o Cristo dá-lhe todo o poder para chamar e exigir obediência 
à Sua palavra. Jesus chama ao discipulado não como ensinador e exemplo, mas 
em Sua qualidade de Cristo, Filho de Deus. Assim, neste breve trecho, anuncia-
-se Jesus Cristo e o que Ele espera do ser humano, e nada mais. Nenhum louvor 
cabe ao discípulo por seu cristianismo decidido. O olhar não deve pousar so-
bre ele, mas somente sobre aquele que chama e sobre Sua autoridade. Não se 
aponta tampouco um caminho para a fé, para o discipulado; não há qualquer 
outro caminho para a fé senão o da obediência ao chamado de Jesus.
3. O chamado de Deus é pessoal - Deus não chama instituições e organizações, Ele 
chama pessoas como você e eu. Deus lança no coração de Seus ilhos uma in-
transferível e profunda convicção de chamado e propósito. O chamado de Deus 
é incontestável - é uma convocação e Ele faz de forma clara. Na Bíblia Sagrada a 
voz de Deus é comparada “ao som de muitas águas” e ao trovão. Ele se faz ouvir. 
O chamado de Deus é irresistível - quando Deus nos chama, somos atraídos por 
esse chamado e não teremos paz enquanto não cumprirmos a vontade do Pai.
4. Chamado de Deus, caráter santo, disciplinas espirituais fortes (oração, ouvir a 
voz de Deus, jejum, contemplação, leitura e estudo da Bíblia), apoio do cônjuge, 
um conjunto especial de habilidades para a missão, inteligência emocional e 
adaptabilidade, dons espirituais adequados para a tarefa.
5. Conforme a igreja cresce e procura se reproduzir, uma ênfase prioritária deve 
ser colocada na capacitação dos cristãos locais para o ministério. Paulo deixa 
bem claro em Efésios 4,11-13 que a chave para levar a igreja à maturidade é que 
os líderes treinem os santos para que esses sejam aperfeiçoados e desenvolvam 
seu serviço para ediicação do corpo de Cristo, “até que todos cheguemos à uni-
dade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, 
à medida da estatura da plenitude de Cristo”.
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Professor Esp. Galaor Linhares Tupan Junior
PLANEJANDO A 
PLANTAÇÃO DE UMA NOVA 
IGREJA
Objetivos de Aprendizagem
 ■ Analisar o modelo Paulino no desenvolvimento de estratégias para o 
plantio de igrejas.
 ■ Reletir sobre as estratégias mais relevantes para o plantio de igrejas.
 ■ Compreender a essência da pessoa do Espírito Santo e Sua função na 
plantação de igrejas.
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
 ■ O paradigma Paulino para plantação de igrejas
 ■ Estratégias essenciais para o plantio de igrejas
 ■ O papel do Espírito Santo na plantação de igrejas
INTRODUÇÃO
Nesta última unidade você obterá mais informações sobre o processo de plan-
tio de igrejas. Quais etapas devem ser seguidas para o estabelecimento de uma 
sólida congregação? Quais as melhores estratégias que devem ser implementa-
das? Quais os passos iniciais que devem ser tomados? 
A Igreja era um mistério, um segredo escondido por muito tempo em Deus, 
impossível de ser conhecido por desígnios humanos. Mas o Senhor abriu com-
pletamente a cortina e, numa visão panorâmica, revelou ao apóstolo Paulo seu 
projeto eterno, o que está descrito, principalmente, nas epístolas paulinas do 
Novo Testamento. Ali encontramos as estratégias essenciais para a plantação de 
igrejas, construídas de acordo com os fundamentos missiológicos, numa pers-
pectiva bíblica, contextualizada e aplicável.
Observamos que a grande estratégia utilizada na igreja primitiva era a pro-
clamação das boas novas puras e simples que haviam transformado suas vidas. 
Envolvidas pelo testemunho de mudança de vida, comunidades inteiras eram 
alcançadas pelo evangelho. 
Nos dias de hoje, as estratégias devem ser traduzidas em formas práticas de 
evangelização bíblica, no qual uma mensagem cristocêntrica e transformadora 
seja aplicada em diferentes contextos culturais.
Veremos, ao inal, o importante papel do Espírito Santo para a plantação e 
desenvolvimento de igrejas. A compreensão teológica e os princípios e estratégias 
bem aplicadas não farão nascer uma igreja. Dependemos do Espírito Santo para 
converter os corações, congregar as pessoas no Corpo de Cristo e levar homens 
e mulheres à adoração a Deus. E, por im, inlamar e capacitar esses convertidos 
a pregar o Evangelho de Cristo. 
Vamos à nossa última unidade! 
Introdução
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O PARADIGMA PAULINO PARA PLANTAÇÃO DE 
IGREJAS
Nosso grande referencial prático e teórico para deinirmos estratégias para o 
plantio de igrejas está centrado no grande esforço missionário do apóstolo Paulo. 
Lopes (1997) airma que: 
[...] para que tenhamos uma ideia do labor do apóstolo Paulo como 
fundador de igrejas, em menos de dez anos, entre os anos de 47 e 57, 
ele plantou igrejas em quatro províncias do Império Romano: Galácia, 
Macedônia, Acaia e Ásia proconsular. Depois de dez anos plantando 
igrejas, ele escreve aos romanos que já não tem campo de atividade 
naquelas regiões (Romanos 15:23). Paulo passa para a história, então, 
como uma combinação de teólogo profundo e missionário fervoroso 
(LOPES, 1997, p. 139).
Observamos no exemplo do apóstolo Paulo uma capacidade ímpar de desenvol-
ver ações que consideram diferentes contextos culturais, sem prejuízo ao conteúdo 
teológico da mensagem; por isso, a justa airmação de Lopes, citada anteriormente, 
sobre o apóstolo Paulo. Nem sempre temos a capacidade de discernir o contexto 
cultural onde Cristo está sendo anunciado, o que pode gerar diversos conlitos na 
plantação de igrejas. Vemos o incidente ocorrido na cidade de Antioquia, quando o 
apóstolo Pedro e Barnabé se afastam dos cristãos gentios, inluenciados por alguns 
cristãos judeus. O apóstolo Paulo tem claramente estabelecido que a salvação vem 
pela graça, mediante a fé e, segundo sua clareza teológica, não permite que o inci-
dente avance, o que poderia ter causado muitos transtornos. 
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Quando, porém, Cefas veio a Antioquia, resisti-lhe face a face, porque 
se tornara repreensível. Com efeito, antes de chegarem alguns da parte 
de Tiago, comia com os gentios; quando, porém, chegaram, afastou-se 
e, por im, veio a apartar-se, temendo os da circuncisão. E também os 
demais judeus dissimularam com ele, a ponto de o próprio Barnabé 
ter-se deixado levar pela dissimulação deles (BÍBLIA, Gálatas 2,11-13).
Pedro teria se esquecido da visão que teve em Jope e da conversão da casa de 
Cornélio?
Certamente não. Em Gálatas 2 não há indicação de que Pedro tenha mudado 
de opinião. O problema é que Pedro teve medo dos cristãos judeus. “[...] quando, 
porém, chegaram, afastou-se e, por im, veio a apartar-se, temendo os da cir-
cuncisão (BÍBLIA, Gálatas 2,12). Pedro continuava crendo no evangelho, mas 
falhou na sua prática. Sua conduta não se ajustou com o evangelho, faltou cora-
gem para aplicar suas convicções.
A capacidade de um plantador de igrejas deinir estratégias culturalmente 
adequadas depende, basicamente, de três aspectos: conhecimento teológico, dis-
cernimento e intrepidez.
Lidório (2011), nos indica que a diiculdade em lidar com estratégias de 
plantio de igrejas é que existe uma abordagem apropriada para cada diferente 
contexto, sendo necessário que sejam aplicados os princípios de contextualiza-
ção. A simples reprodução de modelos de igrejas que conhecemos pode se tornar 
num fracasso, pois promoverá apenas o modelo e a aparência externa, mas não 
conterá o princípio de vida que faz nascer uma igreja.
No coração das secas savanas africanas do Norte de Gana, missionários 
coreanos iniciaram um processo de plantio de igrejas a partir do levan-
tamento de uma grande estrutura física que possibilitasse o ajuntamen-
to. Assim o templo, bem construído, poderia abrigar um bom número 
de pessoas da tribo Frafra. Suas salas de oração eram bem divididas e a 
construção poderia ser vista de longe como um marco daquele traba-
lho. Porém este templo não foi utilizado como planejado por diversos 
fatores. Primeiramente, o povo Frafra não possui o costume de ajun-
tar-se frequentemente, preferindo pequenas reuniões com poucas pes-
soas. Também jamais se reuniu em lugares fechados, o que lhes causou 
pavor. O próprio piso do templo e lindas cores nas paredes também 
reletiam o óbvio: era um lugar para os brancos. Esta experiência nos 
mostra algo simples que precisamos compreender: a reprodução do 
modelo da igreja-mãe, ou igreja enviadora, não irá, necessariamente, 
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colaborar para uma boa comunicação dos valores do evangelho. Preci-
samos distinguir o essencial do evangelho com sua roupagem cultural 
cristã moderna ocidentalizada (LIDÓRIO, 2011, p. 7).
O exemplo nos remete a uma profunda relexão sobre as estratégias que devem 
ser utilizadas para o plantio de igrejas quando um plantador é inserido numa 
nova cultura. O Senhor Jesus nos ensinou que devemos ser “prudentes como as 
serpentes e símplices como as pombas” (BÍBLIA, Mateus 10,16b). Temos que 
ter a simplicidade das pombas para conviver com uma nova cultura de forma 
objetiva e a prudência das serpentes para discernir o que é mais apropriado a 
ser aplicado em cada localidade. 
Existem alguns elementos que são fundamentais como tarefa missionária da 
vida da igreja, atividades como evangelização, pregação, discipulado, batismo e 
ensino não podem ser negligenciadas. Hesselgrave (1995) cita como o encaixe 
desses elementos pode ser melhor observado no ministério do apóstolo Paulo 
e seus colaboradores, à medida que estabelecem igrejas em todas as partes do 
Império Romano.
Lidório (2011) descreve, com muita destreza, algumas ações estratégicas 
do apóstolo Paulo que o consagram como exemplo de um plantador de igre-
jas por excelência:
[...] em Antioquia da Pisídia ele iniciou o evangelismo a partir da Si-
nagoga, pregando aos judeus. Esses icaram tão impressionados que 
convidaram os missionários a voltarem na outra semana (At. 13:13-
48). Em Icônio a mensagem comunicada na Sinagoga não convenceu a 
maioria. Paulo e Barnabé foram então usados por Deus manifestando 
Sua graça por meio de milagres e maravilhas (At. 14:1-4). Em Listra 
não há referência de Paulo pregando na Sinagoga. Usado por Deus para 
a cura de um homem, Paulo fez, deste momento, uma ponte para pre-
gar o evangelho a toda uma multidão (At. 14: 8-18). Em Tessalônica 
Paulo pregava na Sinagoga durante os sábados e na praça durante a se-
mana. Historicamente, ele se postava na “petros”, um suporte de pedra 
à saída do mercado, para ali anunciar diariamente a palavra do Senhor 
pelos que por ali passavam (At. 17: 1-14). Portanto, encontramos no 
ministério de um só homem, em uma mesma geração, diferentes abor-
dagens e estratégias. Paulo fala a multidões, mas também visita de casa 
em casa. Ele prega aos judeus na sinagoga, mas também o faz fora da 
sinagoga. Utiliza praças e mercados, jamais deixando de proclamar às 
multidões, mas se devota a indivíduos para discipulá-los e treiná-los 
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para a liderança local. Devemos, portanto, primeiramente compreen-
der que não há estratégias ixas para a proclamação do evangelho. Há, 
apenas, princípios ixos (LIDÓRIO, 2011, p. 7-8).
A ação missionária desenvolvida nas páginas do Novo Testamento pelo após-
tolo Paulo é vasta e abrangente, visitando casas, pregando para grupos grandes 
e pequenos, nas praças, em mercados e na sinagoga, sendo, grandemente, usado 
por Deus em sinais e prodígios que atraiam pessoas para ouvir a proclamação do 
evangelho. Lidório (2011, p. 8) airma que “não há estratégias ixas para a pro-
clamação do evangelho. Há, apenas, princípios ixos”.
Paulo, em sua ação missionária, tinha facilidade para utilizar diferentes 
estratégiasem cada localidade. Entretanto, surge uma dúvida: teria Paulo uma 
estratégia deinida para cada lugar ou sua ação era unicamente dirigida pelo 
Espírito Santo?
Na busca de uma resposta, vamos observar, por um instante, o quadro da 
mulher samaritana, relatado no capítulo quatro do livro de João. Sabemos que 
esse episódio envolve um momento de conlito cultural entre dois povos, os 
judeus e os samaritanos, mas está presente o Senhor Jesus, aquele que derrubou 
o muro da separação entre judeus e gentios, constituindo um só povo para si, 
conforme Efésios 2,11-14. Sabemos que Jesus é o mestre absoluto do evangelho 
contextualizado, suas palavras penetram o coração da mulher samaritana pro-
duzindo salvação e uma nova fonte de vida. 
No mesmo momento, ela deixa seu cântaro e vai anunciar a toda a cidade que 
encontrou um profeta, que talvez seja o Cristo. Não existem métodos pré-for-
matados de comunicação da mensagem, não existe ampla carga de treinamento 
evangelístico, não existem estratégias alternativas de pregação. A samaritana tão 
somente deixa seu cântaro, sua monotonia de vida, seu passado, suas dúvidas e 
sai como testemunha de seu encontro com Cristo. E muitos samaritanos daquela 
cidade creram em Jesus. Vemos na conversão da mulher samaritana a suprema 
grandeza do poder de Deus, operando nova vida naquele que recebe a mensa-
gem e a aceita. Vemos a simplicidade do quadro e a manifestação do poder de 
Deus sob a ação do Espírito Santo por meio dessa mulher. 
Porém, não chegamos ainda a uma resposta conclusiva quanto às ações desen-
volvidas pelo apóstolo Paulo; se havia estratégias deinidas e intencionais, ou se 
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sua ação era resultado da absoluta expressão do Espírito Santo. Entretanto, já 
podemos airmar que o Espírito Santo age em cristãos sinceros que são alcança-
dos pelo poder das boas notícias, como vemos no exemplo da mulher samaritana.
Hesselgrave (1995), cita as palavras de J. Herbert Kane, nos auxiliando em 
nossa relexão:
[...] podemos começar perguntando: Paulo tinha uma estratégia mis-
sionária? Alguns dizem que sim; outros dizem que não. Muita coisa 
depende da deinição de estratégia. Se “estratégia” quiser dizer um 
plano de ação deliberado, bem-formulado, e devidamente executado, 
baseado na observação e na experiência humana, então Paulo tinha 
pouca ou nenhuma estratégia; mas se entendermos que a palavra sig-
niica um modus operandi lexível, desenvolvido sob a orientação do 
Espírito Santo e sujeito à Sua orientação e controle, então Paulo real-
mente tinha uma estratégia. Nosso problema hoje é que vivemos numa 
era antropocêntrica. Imaginamos que nada pode ser realizado na obra 
do Senhor sem boa dose de maquinária eclesiástica - comissões, con-
ferências, laboratórios, seminários; ao passo que os cristãos primitivos 
dependiam menos da sabedoria e perícia humanas, e mais da iniciativa 
e orientação divinas. É óbvio que não foram mal-sucedidos. O que o 
movimento missionário moderno precisa acima de qualquer outra coi-
sa é voltar para os métodos missionários da igreja primitiva (KANE, 
1947 apud HESSELGRAVE, 1995, p. 36). 
Tomamos para nós, então, as conclusões de Hesselgrave (1995), de que Paulo 
tinha poucas referências para basear suas estratégias e agia na total dependência 
do Espírito Santo, mas, hoje, com dois mil anos de história da missão, necessita-
mos ter um plano de ação bem formulado, devidamente alicerçado na direção 
do Espírito Santo e na dependência do poder de Deus. Seria insensatez despre-
zarmos os registros da ação missionária dos cristãos primitivos, bem como a 
experiência de mais de dois mil anos de missão. Seria insensatez se o próprio 
apóstolo tivesse desconsiderado os processos de inluência da cultura grega ou 
do judaísmo nos seus próprios dias. Hesselgrave conclui:
[...] apesar disto, a advertência de Kane não deve ser desconsiderada. 
Se dependermos da estratégia global e do método na sua implementa-
ção ao invés da sabedoria e do poder do Espírito Santo, não podemos 
alegar que somos leais ao precedente neotestamentário, nem nosso 
testemunho será tão eicaz quanto foi o daqueles crentes do século I 
(HESSELGRAVE, 1995, p. 37).
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Tendo como relevante a tese de que necessitamos de estratégias sadias, bíblicas, 
executáveis e bem elaboradas para expansão e avanço do evangelho, nos voltamos 
ao pensamento de Lidório (2011) que aborda a importância da aplicabilidade das 
estratégias, sempre levando em consideração cada contexto onde serão aplicadas.
Observamos no ministério Paulino de plantio de igrejas a percepção 
de que o homem é o alvo do evangelho. As abordagens, ou estratégias, 
devem variar de acordo com a forma deste homem se agrupar e pensar, 
porém o alvo deve ser mantido de forma clara e constante. Assim, seja 
pregando a três pessoas em uma praça pouco movimentada ou a mi-
lhares em uma grande conferência evangelística, ou ainda proclaman-
do o evangelho a uma família no aconchego de sua casa, sala de aula ou 
trabalho, o alvo é relacionar-se com o homem e gerar ali um ambiente 
em que o evangelho possa ser a ele comunicado e compreendido (LI-
DÓRIO, 2011, p. 8).
No modelo Paulino de plantio de igrejas, há um ensino declarado nas Epístolas 
que seguem uma sequência lógica, apresentada por Hesselgrave (1995), tal como: 
ir para onde as pessoas estão, pregar o evangelho, ganhar convertidos, reuni-los 
nas igrejas, instruí-los na fé, escolher líderes e recomendar os crentes à graça 
de Deus. Lidório (2011), em seus estudos, traduz essas principais estratégias da 
seguinte forma: 
• Introduzir-se na sociedade local a partir de uma pessoa receptiva 
ou um grupo aberto a recebê-lo e ouvi-lo.
• Identiicar ali o melhor ambiente para a pregação do evangelho, 
seja público como uma praça ou privado como um lar.
• Evangelizar de forma abundante e intencional, a partir da Criação 
ou da Promessa, e sempre desembocando em Cristo, sua cruz e 
ressurreição.
• Expor a Palavra, sobretudo a Palavra. Expor de tal forma que seja 
ela inteligível e aplicável para quem ouve.
• Testemunhar do que Cristo fez em sua vida.
• Incorporar rapidamente os novos convertidos à igreja, à comu-
nhão dos santos, seja em uma casa ou um agrupamento maior.
• Identiicar líderes em potencial e investir neles seja face a face ou 
por cartas. 
• Não se distanciar demais das igrejas plantadas, visitando-as e se 
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comunicando com as mesmas, investindo no ensino da Palavra.
• Orar pelos irmãos, pelas igrejas plantadas e pelos gentios ainda 
sem Cristo, levando-as também a orar.
• Administrar as críticas e competitividade, sem permitir que tais 
atos lhe retirem do foco evangelístico. 
• Utilizar a força leiga e local para o enraizamento e serviço da igreja.
• Investir no ardor missionário e responsabilidade evangelística das 
igrejas plantadas (LIDÓRIO, 2011, p. 8-9).
Lidório, em sua prática ministerial, nos apresenta sua rica experiência entre os 
Konkombas em Gana, na qual, ao plantarem as primeiras igrejas, foram utiliza-
das as mais diversiicadas estratégias:
[...] as mulheres, muito ocupadas, tinham um tempo mais livre apenas 
a caminho do rio para buscar água. Os velhos sentavam-se embaixo das 
grandes árvores ao inal da tarde. Os jovens e homens casados estavam 
livres apenas durante a noite. As crianças corriam soltas o dia inteiro. 
Alios evangelizamos: a caminho do rio, embaixo das árvores, mais tar-
de, nas palhoças e brincando com as crianças. Durante anos izemos 
isso sistematicamente. Usamos histórias e ilustrações bíblicas. Encena-
mos alguns atos do evangelho. Expusemos com detalhes o plano de 
salvação. Usamos símbolos da natureza para explicar a criação, seus 
provérbios para falar sobre o pecado, suas músicas que comprovavam 
o desespero no qual viviam. O centro era o evangelho, repetido várias 
vezes. A mensagem era Cristo, sua vida e cruz. Nem todas estratégias 
funcionaram bem, ou de forma constante. Mas, muitas foram essen-
ciais e percebo que a abundância na evangelização em múltiplas estra-
tégias de comunicação facilita o processo inicial de plantio de igrejas. 
É o princípio do lançar da semente, sem saber qual germinará (LIDÓ-
RIO, 2011, p. 9-10).
Lidório (2011, p. 10) ainda nos exorta para o entendimento de que a Palavra de 
Deus foi um elemento centralizado no nascimento e crescimento da Igreja em 
Atos. Em Atos 6,7, 12-24 e 19,20 a “Palavra é o agente condutor do crescimento 
da Igreja. Em Atos 20,32 Paulo recomenda os líderes em Éfeso à Palavra de Deus”. 
Isto é, o apóstolo Paulo vê na Palavra de Deus a essência e o poder para a trans-
formação do homem, utilizando-as de forma abundante e iel. 
Uma das visíveis limitações nas atuais estratégias evangelísticas é o de-
suso da Palavra de Deus. Histórias, encenações, músicas e apelos são 
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feitos, não raramente, de forma comunicativa, descontraída e interes-
sante, mas sem o conteúdo da Palavra. As estratégias evangelísticas não 
devem estar jamais dissociadas da Palavra. Ao contrário, devem ser 
instrumentos para que a mesma seja colocada diante de todo homem. 
Devemos compreender que é a Palavra de Deus e não a capacidade 
humana que produz frutos. Toda eloqüência ou criatividade que pos-
samos ter jamais será capaz de transformar vidas. No desenvolvimento 
das estratégias evangelísticas paulinas creio que o apóstolo partia da 
seguinte pergunta: de que forma, com que expressões, com qual abor-
dagem, comunicarei a Palavra de Deus, clara e viva, a este grupo? Estra-
tégias possuem valor se elaboradas para comunicar o poder de Deus, a 
Sua Palavra (LIDÓRIO, 2011, p. 10).
Em seguida, trataremos estratégias essenciais para o plantio de igrejas. Entretanto, 
ressaltamos que toda estratégia deve ser dependente da graça que Deus deposita 
em Seus servos. Lidório (INSTITUTO ANTROPOS, 2010, on-line)1 nos consola 
ao demonstrar sua dependência da graça de Deus, que produz muitos resultados. 
Precisamos entender que o caráter do mensageiro não deine a comunicação da 
mensagem, mas facilita a sua compreensão.
Ainda nos deteremos em Lidório, que nos compartilha sua experiência, 
após três anos de trabalho missionário entre a etnia Konkombas, no interior da 
África, quando a Igreja crescia velozmente e o Evangelho atingia lugares lon-
gínquos. Ele perguntou aos líderes locais sobre a razão principal que colaborava 
para a boa comunicação estabelecida, indicando três opções:
Habilidade de falar no dialeto
local e ser entendido com facilidade
Entendimento da cultura, 
costumes e forma de vida Konkomba
Envolvimento pessoal com a sociedade
tribal, sendo aceito e aceitando-a
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Nosso plantador de igrejas entre os Konkombas se surpreende com a resposta:
[...] eles então responderam: o ponto mais importante para nosso povo 
parar para ouvi-lo é porque você sempre sorri quando nos vê, parando 
para nos cumprimentar e sempre alegre em nos escutar. Naquele dia 
eu escrevi em meu diário: caráter é mais importante que habilidade 
(LIDÓRIO, INSTITUTO ANTROPOS, 2010, on-line)1.
Conirmamos o entendimento de que nossa permanência em Cristo é o princi-
pal elemento para alcançar os perdidos e revolucionar um povo, uma cultura, 
ou uma nação. De nada valem métodos bem aplicados se não forem acompa-
nhados pelo testemunho de vida e pela ação do Espírito Santo.
A visão missionária de Paulo trouxe muitos resultados favoráveis para ex-
pansão da igreja em seus dias. Você já pensou como encontrar maneiras de 
proclamar o Evangelho de Jesus Cristo, distinguir seu chamado, concluir sua 
tarefa e lutar por transformações radicais em nossa geração?
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ESTRATÉGIAS ESSENCIAIS PARA O PLANTIO DE 
IGREJAS
A) Comunicação do Evangelho: modelos e estratégias
Certamente existem, no mundo atual, diversos modelos e contextos em que 
os movimentos de plantio de igrejas têm se desenvolvido. Veremos, a seguir, um 
levantamento apresentado por Lidório (INSTITUTO ANTROPOS, 2010, on-line)1 
baseado nos escritos de David Garrison (1999), nas pesquisas da World Mission 
e o banco de dados da WEC International, além de contribuições pessoais de 
missiólogos como Patrick Johnstone, David Barrett, Bruce Carlton J. Johnson e 
David Watson. Trata-se de alguns movimentos de plantio de igrejas onde a pre-
sença de valores bíblicos aplicados têm trazido resultados surpreendentes. 
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Quadro 1 - Movimento de plantio de igrejas no mundo atual
Movimento de plantio de igrejas entre os Khmer no Camboja no qual 3.3 milhões 
de pessoas foram mortas no regime autoritário de Pol Pot’s entre 1975-1979. 
Vários cristãos também foram mortos e em 1985 não havia mais do que 450 
evangélicos entre o povo Khmer. A partir de 1999 o número de evangélicos cres-
ceu de 600 para mais de 60.000 divididos em 700 igrejas. Hoje registram-se mais 
de 100.000 evangélicos e mais de 800 templos registrados.
Movimento de plantio de igrejas na cidade de Kanah, na China, em que um 
rápido crescimento evangélico mudou o cenário de 3 igrejas reconhecidas pelo 
Estado para 57 novas igrejas em dois anos. Em novembro de 1997, contabilizou-
-se mais de 450 igrejas em três províncias e mais de 18.000 pessoas entregaram-
-se ao Senhor Jesus. Atualmente Kanah é uma das mais inluentes regiões cristãs 
na China com mais de 500 igrejas reconhecidas.
Movimento de plantio de igrejas entre os Kekchi na Guatemala onde este grupo 
com cerca de 400.000 pessoas vivendo na região de Alta Verapaz foi impactada 
pelo evangelho. Entre 1993 e 1997, mais de 20.000 pessoas aceitaram ao Senhor 
Jesus e 245 congregações nasceram. Entre 1997 e 2000 outras 10.000 pessoas 
aceitaram ao Senhor Jesus e há entre eles hoje mais de 500 igrejas registradas.
Movimento de plantio de igrejas entre os Kui, na Índia, um grupo com 1.7 
milhões de habitantes na região de Orissa, estado na costa leste da Índia. Os pri-
meiros convertidos vieram para Cristo em 1914 com missionários ingleses. Nos 
anos 20 algumas poucas igrejas nasceram. A partir de 1988 mais de 100 igrejas 
nasceram, especialmente ligadas a missionários da Southern Baptist Mission. En-
tre 1988 e 1991 as igrejas aumentaram para mais de 200. Entretanto entre 1993 e 
1997 houve um crescimento ainda maior e mais de 900 igrejas foram registradas 
entre os Kui com cerca de 80.000 convertidos.
Movimento de plantio de igrejas entre os Giriama no Kenya onde, em 1970, 90% 
eram animistas. O movimento missionário teve início em 1974 e em 1981 um rá-
pido e impactante crescimento de igreja tomou conta dos Giriama. Emtrês anos 
foram registradas o plantio de 180 igrejas após 5 anos de preparação e treina-
mento de obreiros leigos. A cada ano, desde 1993, registram-se o nascimento de, 
em média, 28 novas igrejas entre os Giriama e províncias ao redor.
Movimento de plantio de igrejas no campo de refugiados na Europa, divisa com 
a Bulgária. Em 1995 um casal missionário começou ali um trabalho através do 
ilme Jesus. Era um campo de refugiados onde pessoas do oeste europeu mistu-
ravam-se com pessoas da China, Sudão, Congo, Camarões e Angola. Em 1998 o 
casal missionário já contabilizava cerca de 15 pequenas igrejas de reuniões e até 
1999 outras 30 novas igrejas nasceram. Hoje são mais de 60 pequenas igrejas, 
todas autóctones.
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Movimento de plantio de igrejas entre os Mizo na Índia com uma população de 
686.000 pessoas. O evangelho chegou entre eles em 1894 através de missioná-
rios britânicos. Em 1900 contavam com 120 cristãos. Resultado do avivamento 
no país de Gales em 1904, um número expressivo de missionários foi enviado 
para os Mizo na Índia. Somente a partir dos anos 50, entretanto, os resultados 
passaram a ser mais visíveis e conversões em massa eram notiicadas. Hoje 85% 
de todos os Mizo na Índia consideram-se cristãos.
Movimento de plantio de igrejas na Etiópia, África, país com mais de 60 milhões 
de habitantes. Até 1994 não havia mais do que 1% de evangélicos no país. Entre 
1994 e 1999 Great Harvest os Souls Mission registrou a conversão de cerca de 10 
milhões de pessoas em todo o país. Hoje, 16% da população considera-se cristã. 
Great Harvest mencionou o estudo de caso de uma congregação a qual, entre 
1995 e 1997 cresceu de 2.500 para 25.000 pessoas. 
Fonte: adaptado de Lidório (INSTITUTO ANTROPOS, 2010, on-line)1.
Analisando mais de 90% dos processos de plantio de igrejas mais amplos e fru-
tíferos, pode-se notar que havia uma visão intencional de desenvolver um forte 
e impactante movimento de evangelização, seja entre um povo, cidade ou país. 
Nenhum campo missionário, ou ministério pode ser maior que a sua visão. 
Perante uma quantidade expressiva de estratégias missionárias de plantio 
de igrejas, apresento aquelas que Lidório considera mais utilizadas pelos movi-
mentos no mundo atual, tornando-se verdadeiros valores para as organizações 
missionárias:
• Mapeamento etno-cultural e geograicamente deinido. Saber qual 
a extensão do desaio.
• Análise cultural e fenomenológica. Entender as vias para a com-
preensão do evangelho.
• Comunicação inteligível e comunitária do evangelho.
• Adoração e vida diária da igreja na própria língua materna e cul-
tura alvo.
• Rápida incorporação dos novos convertidos à vida da igreja. 
• Consciência de urgência evangelística já transmitida no processo 
de discipulado.
• Identiicação de líderes locais o mais cedo possível.
• Treinamento para líderes durante o processo de liderança.
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• Descentralização da autoridade eclesiástica.
• Ênfase na reprodução.
• Supervisão contínua quanto ao amadurecimento espiritual.
• Modelo missionário: Inicie, discipule, reproduza, assista, encoraje 
e parta (LIDÓRIO, on-line)2
.
Essas estratégias podem ser aplicadas nos mais diversos contextos encontrados: 
urbano, rural ou tribal. São ações relevantes que podem nortear e consolidar o 
trabalho de plantio de igrejas.
Os conceitos de Missão, Visão e Valores podem ser utilizados adequadamen-
te para a plantação de igrejas, desde que a igreja seja considerada um orga-
nismo vivo. Assim, a missão é a razão da existência da organização, sendo o 
seu DNA e deinindo a sua identidade. A visão é uma construção do futuro 
criada de uma forma pré-determinada, podendo ser modiicada ao longo 
do tempo. Possuindo uma missão e visão bem estruturadas, se originam re-
gras que deinirão os valores da organização, dos quais não podemos abrir 
mão.
Fonte: adaptado de Gilles de Paula (TREASY, 2015, on-line)3.
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B) Modelo de desenvolvimento de plantação de igrejas segundo 
David J. Hesselgrave
Ott e Wilson (2013), dizem que as plantações de igreja crescem por meio de 
fases de desenvolvimento relativamente previsíveis. Essas fases reletem um pro-
cesso luído, em vez de passos claramente deinidos. Ainda assim, compreender 
as fases de desenvolvimento e suas características é importante para identiicar 
as necessidades individuais, os desaios e as oportunidades que uma planta-
ção de igreja enfrenta. Ignorar as necessidades em constante mudança de uma 
plantação de igreja, à medida que ela se desenvolve, pode levar a diiculdades 
desnecessárias e à estagnação.
Para abrir uma nova congregação é preciso ter em mente um modelo efetivo 
de programa de trabalho. É preciso, também, que haja o mapeamento das fases 
do projeto, com suas atividades descritas. Tal planejamento serve de norteador 
para que o trabalho do plantio da igreja aconteça com segurança. 
Existem muitos modelos de plantio de igreja. Um dos autores mais respeita-
dos nesse assunto é David. J. Hesselgrave, professor e autor de muitos livros na 
área de missões. Hesselgrave (PhD) foi também o diretor da Escola de Missões 
Mundiais e Evangelização da Trinity Evangelical Divinity School. Antes, por um 
longo tempo, David tinha sido missionário no Japão, organizando muitas igrejas. 
De acordo com o Ciclo Paulino de Hesselgrave (1995), dez fases de desen-
volvimento devem ser observadas, que são: 
 ■ Missionários comissionados: devem ser selecionados com oração, enco-
rajados e treinados. É preciso ainda veriicar se haverá condições para que 
eles recebam seus suprimentos para sustento e provisão necessários. Esta 
é a primeira fase do ciclo paulino.
 ■ Auditório contatado: serão representantes relevantes da comunidade 
abordados por cortesia, pessoas que poderão ser contatadas pelos veí-
culos já existentes de assistência à sociedade, interessados no evangelho, 
descobertos por contatos missionários e o grande público atingido pelas 
ações midiáticas da campanha evangelística que será realizada.
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 ■ Evangelho comunicado: para isso, é preciso contextualizar a mensagem, 
continuar irme no método adotado, saber selecionar os veículos de comu-
nicação e implantar um sistema de medição. 
 ■ Ouvintes convertidos: a esta altura, os ouvintes estarão prontos para agora 
serem conduzidos ao processo de conversão. E para que se consiga ouvintes 
convertidos é preciso ajudá-los a passarem por quatro passos sequenciais: 
a) da instrução; b) da motivação; c) da decisão e d) da conissão. 
 ■ Crentes congregados: um novo cristão sofre um certo tipo de transfor-
mação em sua cultura, ele precisa ser levado a sentir-se integrante de sua 
nova comunidade. Nisso, não somente as funções do grupo receptor são 
importantes, mas há também um ideal de tamanho para esse grupo. E 
uma análise deverá ser feita junto com a escolha e os cuidados para com 
o local e os horários das reuniões desses cristãos.
 ■ Fé conirmada: a conversão não deve ser concebida simplesmente em 
termos de um exercício mental, explica Hesselgrave (1995). Por isto, a fé 
deve ser conirmada por meio da instrução para (e na) adoração, quanto 
aos cultos,o testemunho e a sábia administração da vida. A instrução na 
Palavra, a adoração a Deus, o serviço prestado a Cristo, o testemunho ao 
mundo, a mordomia dos bens – estes são os elementos da conirmação 
da fé do novo e de qualquer crente. 
 ■ Liderança consagrada: mas como uma nova igreja irá se desenvolver sem 
ter uma liderança? Pensar, orar, trabalhar e planejar tendo em vista a edii-
cação de uma liderança espiritual para a igreja que está sendo organizada 
deve ser da máxima prioridade. Quando emergir a liderança espiritual, a 
organização se tornará prática e essencial. Cabe salientar que nenhuma 
organização pode ser mais forte do que a sua liderança. Nesta sétima fase, 
já vislumbram-se os horizontes da repetição do ciclo.
 ■ Crentes recomendados: Hesselgrave instrui que, após a nova liderança 
ser delegada, uma retirada amigável do pioneiro da congregação estabele-
cida na melhor ocasião possível deve acontecer, para que, tão logo quanto 
possível, haja uma transição ordeira da liderança pastoral na congrega-
ção. Trata-se de uma continuação de ministérios eicazes que tenham sido 
empreendidos pelo obreiro pioneiro.
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 ■ Relacionamentos continuados: embora esta igreja que acaba de nascer 
deva continuar os seus relacionamentos com a igreja que a concebeu, ela 
não deve olhar, somente, no retrovisor. Os relacionamentos devem rece-
ber continuidade, tanto no cultivo e crescimento da fraternidade mútua 
entre os crentes desta nova igreja, quanto na busca por relacionar-se com 
novas pessoas a serem alcançadas. 
 ■ Igrejas missionárias convocadas: de igreja plantada, a nova igreja passa 
ao status das igrejas missionárias convocadas. Aqui está sendo descrita 
a igreja em sua última fase de maturidade. É quando os novos crentes, 
entendendo a missão, dispõem-se a seguir participando na missão. E agora 
passarão a ser os missionários comissionados, repetindo o ciclo paulino 
a partir de sua primeira fase.
O modelo de Hesselgrave (1995), tem a força de um exemplo bíblico e é conhe-
cido como “Ciclo Paulino”. Nas últimas décadas, tem sido o modelo mais relevante 
para plantação transcultural de igrejas. No entanto, dá menos atenção ao desen-
volvimento da igreja e sua multiplicação.
C) Modelo de desenvolvimento de plantação de igrejas segundo 
Craig Ott e Gene Wilson
Outro modelo de desenvolvimento de igrejas muito relevante é baseado nos estu-
dos de Ott e Wilson (2013) que visam a reprodução e a multiplicação da igreja 
no contexto da plantação transcultural de igrejas. Ott e Wilson (2013) enfati-
zam que é preciso dar atenção ao planejamento e às questões estruturais. Vários 
formatos de igrejas podem ser beneiciados com essa proposta de desenvolvi-
mento, como igrejas nos lares, congregação reunida voluntariamente ou igrejas 
de celebração em células. 
O modelo visa também uma reprodução dirigida por leigos, que é menos 
dependente de pastores ou plantadores com formação acadêmica. Nesse modelo, 
é necessário considerarmos os três tipos de plantadores de igreja que Ott e Wilson 
(2013) apresentam:
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Plantador de igrejas pastoral 
O objetivo é simplesmente começar uma nova igreja e pastoreá-la até que 
ela seja capaz de sustentar um pastor local para que o plantador de igrejas 
possa partir. Muitas vezes o próprio plantador de igrejas permanece como o 
pastor. Não há uma visão de multiplicação da igreja, ou quando há é muito 
lenta.
Plantador de igrejas apostólico 
Radicalmente diferente dos plantadores catalíticos e pastorais. Esse planta-
dor procura seguir o modelo do apóstolo Paulo que, até onde se sabe, nunca 
se tornou o pastor de uma igreja que tenha plantado. Em vez disso, depois 
do evangelismo inicial, ele se concentrava em capacitar os cristãos locais, 
principalmente leigos, para dar continuidade e expandir o trabalho depois 
de sua partida. Seu ministério era mais itinerante, inserindo a visão da 
multiplicação em cada igreja plantada. 
Plantador de igrejas catalítico 
O plantador permanece como obreiro na igreja plantada para se tornar um 
catalisador ou facilitador de expansão do trabalho na região. A igreja se 
torna uma base para várias plantações de igrejas.
Figura 1: 
Fonte: adaptado de Ott e Wilson (2013).
O modelo de desenvolvimento de plantação de igrejas proposto por Ott e Wilson 
(2013) visa a reprodução e a multiplicação por meio da atuação de um plan-
tador de igrejas apostólico. Prevê cinco fases diferentes de desenvolvimento, 
que são: preparação, lançamento, estabelecimento, estruturação e reprodução. 
Apresentaremos cada uma delas com base no modelo estabelecido pelos autores.
C.1. Fase de Preparação
A fase de preparação é um momento de intenso planejamento, na qual come-
çam a ser desenvolvidas ações de levantamento de dados e tomada de decisões. 
Ott e Wilson (2013) deinem que a preparação para a plantação de uma igreja 
inclui duas subfases: 
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1. escolha do alvo e recrutamento;
2. compreensão e estratégia.
A preparação é um tempo de grande antecipação. As bases foram lan-
çadas para que, quando a nova igreja for, de fato, fundada, seja constru-
ída por uma equipe de artesãos que possuem tanto as habilidades ne-
cessárias quanto um profundo conhecimento da tarefa. Ou para mudar 
a metáfora, os jogadores são recrutados, treinados e aperfeiçoados em 
equipe. Então um plano de jogo é desenhado para que, no dia do jogo, 
o time entre em campo para ganhar. Os sistemas de apoio necessários 
são também organizados (OTT; WILSON, 2013 p. 167).
Durante a primeira subfase, escolha do alvo e recrutamento, o plantador deter-
mina o local e o povo-foco do ministério da plantação de igreja. Uma equipe 
é formada e comissionada por uma igreja local ou agência enviadora. Oração, 
fundos e outros recursos necessários são providenciados. Essencialmente, isso 
envolve a deinição do alvo, a reunião dos participantes e a garantia dos siste-
mas de apoio. 
O objetivo principal dos plantadores de igrejas, nesse momento, é serem for-
madores de equipe, o que inclui não somente relacionamentos entre os membros 
da equipe de plantadores, mas também a formação de alianças estratégicas com 
outros parceiros, como as igrejas enviadoras, as comunidades nacionais de cris-
tãos e outros grupos externos.
A segunda subfase, compreensão e estratégias, envolve um planejamento 
cuidadoso em oração. O povo-foco do local é escolhido e uma rede inicial deve 
começar. Normalmente, a equipe visita o local em vista ou vive entre o povo-foco 
durante esse tempo para obter informações precisas de uma ampla variedade de 
fontes, assim, as estratégias apropriadas de evangelismo e discipulado são formu-
ladas. Vários papéis para os membros da equipe são determinados e formação 
especializada ou preparação pode ser obtida se necessário. Isso traz a equipe ao 
ponto de realmente dar início ao projeto de plantação.
Durante a segunda subfase da preparação, o papel principal dos plantadores 
é de aprendiz. Os plantadores de igrejas experientes podem cair na tentação de 
avançar precipitadamente. Porém, as abordagens contextualmente apropriadas 
devem ser reconsideradas com cada nova plantação de igreja e com cada povo-
-foco. Dentro do mesmo país ou região, as diferenças locais também podem ser 
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signiicativas. Acima de tudo, um amor profundo e apreciação pelo povo-foco 
devem crescer conforme os plantadores aprendem mais sobre ele, abraçando-o 
em oração. 
Quadro 2 - Fase 1 - Preparação de uma plantação pioneira de igreja
FASE DE PREPARAÇÃO
- Estabelecendo o alvo e comissio-
nando -
- Entendendo e delineando a estra-
tégia -
Determinar local e povo-foco a ser 
alcançado.
Deinir a visão e modelo de plantação 
de igreja.
Selecionar líder e recrutar equipe.
Garantir apoio inanceiro e de oração.
Comissionar a equipe.
Aprender a língua e a cultura 
(se necessário).
Pesquisa do contexto demográico, 
social, religioso e cultural.
Determinar estratégia de evangelismo 
e de plantação de igreja.
Construir relacionamentos e consultar 
parceiros.
Fortalecer a equipe, esclarecer papéis, 
obter treinamento.
Esboçar uma proposta de plantação 
de igreja.
Formador de equipe (papel do plan-
tador)
Aprendiz (papel do plantador)
Deinir a visão geral.
Desenvolver um sistema de apoio espi-
ritual e inanceiro.
Recrutar e formar uma equipe de plan-
tação de igreja baseada em chamado, 
dons e ainidade.
Fazer da oração uma prioridade.
Obter inspiração para um ministério 
eicaz e culturalmente apropriado.
Aprender a língua local.
Desenvolver amor e habilidade para 
trabalhar com o povo-foco.
Estagiar, se possível, sob a orientação 
de um obreiro nacional.
Fonte: Ott e Wilson (2013, p.166).
C.2. Fase de Lançamento
O lançamento é a fase onde se iniciará a implantação do projeto elaborado. É 
um momento muito esperado e emocionante para a equipe. 
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Essa fase consiste principalmente em ministérios pioneiros de evan-
gelismo e discipulado. Relacionamentos são desenvolvidos com o po-
vo-foco e programas evangelísticos são iniciados. A esperança é que 
os novos cristãos estejam em breve prontos para o batismo. Então eles 
são discipulados em pequenos grupos, geralmente encontrando-se nos 
lares (OTT; WILSON, 2013, p. 167-168).
Mesmo nesse estágio inicial, é essencial que os novos cristãos sejam treinados 
para ministrar nas formas mais básicas e mobilizados para compartilhar sua fé 
e discipular a outros. Por essa razão, é importante que, desde o início, os plan-
tadores usem métodos que possam ser facilmente imitados e reproduzidos pelo 
povo local. O plantador compartilha a liderança com o povo local, incluindo 
tarefas básicas, como organização e preparação do local para reuniões ou atua-
ção em ministérios que nascem na nova igreja. 
Durante essa fase inicial, os ministérios de misericórdia e serviço po-
dem se desenvolver para demonstrar o amor de Cristo, estabelecer re-
lacionamentos e servirem de sinal do Reino de Deus. No entanto, os 
plantadores devem dividir cuidadosamente suas energias e capacidades 
para não começar a correr em muitas direções ao mesmo tempo, pro-
vocando um esgotamento ou iniciando ministérios que não podem ser 
sustentados por um longo período de tempo (OTT; WILSON, 2013, 
p. 168).
Ott e Wilson (2013) observam que em situações pioneiras em que há poucos 
cristãos locais, ou mesmo nenhum, na equipe de plantadores, os plantadores 
apostólicos funcionam como “motores”. Por não haver cristãos locais para treinar 
e mobilizar, praticamente tudo nessa fase de lançamento é feito pelos missioná-
rios ou equipe itinerante. 
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Quadro 3 - Fase 2 - Lançamento de uma plantação pioneira de igreja
FASE DE LANÇAMENTO
- Evangelizando e discipulando -
• Desenvolver relacionamentos e iniciar evangelismo
• Combinar diversos métodos e ministérios de misericórdia
• Batizar e ensinar obediência
• Discipular novos cristãos e treiná-los a fazer o mesmo
• Formar uma comunidade fundamental
• Assimilar sabiamente o crescimento por transferência
• Começar a treinar líderes servos.
Motor e modelo (papel do plantador)
• Iniciar e moldar ministério
• Recursos externos podem ser necessários para dar a largada na plantação de 
igreja, evitando a dependência de longo prazo
• Envolver cristãos locais no ministério básico
Fonte: Ott e Wilson (2013, p. 166). 
C.3 Fase de Estabelecimento
Nesse momento, os pequenos grupos já podem se reunir para celebração ou cul-
tos públicos, estabelecendo certa periodicidade, até evoluir para cultos semanais. 
O ministério, no entanto, avança somente quando os líderes locais se apropriam 
dele e demonstram habilidade para liderança. Embora possa haver um orçamento 
e um local garantido para reuniões, as instalações e orçamentos não devem ser 
a preocupação principal da igreja em formação.
Durante a fase de estabelecimento os primeiros frutos de progresso são 
experimentados quando os cristãos locais são formados dentro de uma 
congregação de adoradores que vive cada vez mais os propósitos do 
Reino. Essa fase enfoca a congregação e o amadurecimento da igreja 
que está nascendo (OTT; WILSON, 2013, p. 168).
Uma equipe preliminar de liderança local da igreja ou do movimento emergente 
de igrejas nos lares pode ser formada. Ott e Wilson (2013) indicam que con-
forme o ministério for se expandindo e os cristãos locais forem assumindo mais 
responsabilidades para liderar esses ministérios, a maturidade espiritual deles e 
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a capacitação para o ministério devem se tornar, progressivamente, o foco cen-
tral do ministério dos plantadores de igrejas.“Geralmente, no momento em que 
os cultos públicos começam, a congregação espera que o plantador ou o missio-
nário assuma a liderança pastoral. De acordo com o modelo apostólico, deve-se 
resistir a isso” (OTT; WILSON, 2013, p. 168). Os plantadores devem colocar a 
ênfase no treinamento dos cristãos locais para essa liderança. 
De certa forma, essa é a fase mais crítica por causa dos muitos prece-
dentes que serão estabelecidos na vida da igreja. O DNA da igreja é 
determinado. São formados os padrões para o ministério que guiarão 
a igreja em seu futuro e serão difíceis de serem mudados mais tarde 
(OTT; WILSON, 2013, p. 169).
Como mobilizador e mentor, nesta fase, o plantador descobre que sua tarefa mais 
importante está cada vez mais atrás dos bastidores, capacitando, aconselhando e 
encorajando outros que terão ministérios mais visíveis e, inalmente, assumirão 
a total responsabilidade de liderança. A sólida formação dessa liderança deter-
minará o futuro da igreja plantada.
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Quadro 4 - Fase 3 - Estabelecimento de uma plantação pioneira de igreja
FASE DE ESTABELECIMENTO
- Congregando e amadurecendo -
• Desenvolver relacionamentos e iniciar evangelismo
• Combinar diversos métodos e ministérios de misericórdia
• Batizar e ensinar obediência
• Discipular novos cristãos e treiná-los a fazer o mesmo
• Formar uma comunidade fundamental
• Assimilar sabiamente o crescimento por transferência
• Começar a treinar líderes servos
Mobilizador e mentor (papel do plantador)
• Incutir visão e valores bíblicos
• Avançar o ministério somente na proporção em que os cristãos locais este-
jam dispostos e preparados
• Esperar compromisso
• Mudança deênfase do ministério direto para a capacitação de leigos para o 
ministério em todos os níveis
• Evitar estabelecer padrões altos demais
Fonte: Ott e Wilson (2013, p. 166).
C.4. Fase de Estruturação
Nessa fase, Ott e Wilson (2013) indicam que várias coisas precisam acontecer: 
em primeiro lugar, novas pessoas devem ser completamente integradas na vida 
da igreja, treinadas e mobilizadas para servir. 
Em segundo lugar, o ensino sobre mordomia deve ser aplicado a im de que 
os ministérios em crescimento sejam providos e a igreja seja autossustentável. 
“Uma igreja que está em crescimento deve vencer a tentação de continuar a agir 
como uma pequena igreja familiar, a menos, claro, que escolha se multiplicar 
em igrejas de tamanho familiar” (OTT; WILSON, 2013, p. 169).
À medida que a igreja amadurece, a fase de estruturação se torna um 
tempo de grande satisfação quando o trabalho duro começa a valer a 
pena. Seja o novo corpo de cristãos um movimento informal de igre-
jas nos lares ou uma igreja mais tradicional, uma estrutura deve ser 
providenciada para sustentar o crescimento, atender às necessidade de 
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expansão e promover o discipulado. A organização da igreja começa 
com a eleição formal de seus primeiros líderes, a incorporação legal 
da igreja (quando possível) e a criação de novos ministérios para o 
aproveitamento de novas oportunidades. Essa fase é caracterizada pela 
expansão do ministério e a capacitação dos cristãos locais para assu-
mir plena responsabilidade e autonomia no ministério e na liderança 
(OTT; WILSON, 2013, p. 169).
As estruturas de liderança não podem mais funcionar como se fossem do tama-
nho de uma família, mas devem ser expandidas, e o fardo do trabalho dividido 
entre muitos. Se a igreja que está sendo plantada recebe subsídios ou outras for-
mas signiicativas de ajuda, deve buscar uma independência inanceira neste 
ponto, evitando dependência a longo prazo.
A essa altura do desenvolvimento, o plantador apostólico de igrejas se 
prepara para deixar completamente o trabalho, entrando nos últimos 
estágios da fase de retirada. Isso é muito difícil, especialmente porque 
os plantadores estão colhendo o fruto de seu trabalho e parece haver 
tantas oportunidades de ministério. No entanto, os cristãos locais pre-
cisam assumir a responsabilidade principal da liderança e expandir, 
nessa fase, os ministérios da igreja (OTT; WILSON, 2013. p. 169).
O papel primordial dos membros da equipe nesse momento é o de serem multi-
plicadores, capacitando os líderes locais para que eles possam, no futuro, capacitar 
outros. Não somente os cristãos locais estão assumindo a responsabilidade pelo 
ministério, mas esses líderes precisam aprender a tornarem-se capacitadores a 
im de que uma verdadeira multiplicação de igrejas possa ocorrer. 
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Quadro 5 - Fase 4 - Estruturação de uma plantação pioneira de igreja
FASE DE ESTRUTURAÇÃO
- Expandindo e capacitando -
• Formalmente empossar líderes e coniar-lhes totalmente a liderança
• Iniciar novos ministérios e estruturas para atender às necessidades
• Multiplicar trabalhadores treinando líderes para treinar outros
• Assimilar novos cristãos e visitantes
• Avaliar o desenvolvimento e a saúde da igreja
• Organizar legalmente a igreja
• Obter autonomia inanceira total
Multiplicador (papel do plantador)
• Não somente empossar os cristãos locais para assumirem todas as responsa-
bilidades principais, mas capacitá-los para tornarem-se capacitadores
• Os missionários trabalham somente nos bastidores
• Descontinuar qualquer dependência de recursos externos
Fonte: Ott e Wilson (2013, p. 166).
C.5. Fase de Reprodução
Quando Ott e Wilson (2013) falam em reprodução, não têm em mente somente 
a multiplicação de igrejas-ilhas plantadas localmente, mas que a igreja se torne 
também um agente de envio de missionário, facilitando a plantação de igrejas 
entre povos não alcançados. 
A alegria de um plantador de igrejas não é muito diferente da alegria de 
um avô, quando a igreja se reproduz plantando uma nova igreja. Além 
de equipar os cristãos locais com ferramentas para o exercício do mi-
nistério e de visão para a multiplicação, a jovem igreja precisa analisar e 
avaliar novamente seu desenvolvimento: ela ainda é iel aos propósitos 
bíblicos para a igreja ou se acomodou com sua estabilidade? O impacto 
de ser sal e luz deve estar atingindo outros níveis. Essa fase pode ser 
caracterizada pela tarefa dupla de fortalecimento e envio (OTT; WIL-
SON, 2013, p. 170).
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Os plantadores apostólicos de igrejas devem permanecer por algum tempo, con-
tinuando como multiplicadores, mentoreando o movimento enquanto ele se 
reproduz, ou tornando-se capacitadores e facilitadores regionais. Finalmente, 
a equipe apostólica deve seguir em frente para continuar seu trabalho pioneiro 
em novas localidades e entre grupos não alcançados.
Quadro 6 - Fase 5 - Reprodução de uma plantação pioneira de igreja
FASE DE REPRODUÇÃO
- Fortalecendo e enviando -
• Apoiar iniciativas evangelísticas (agir contextualizadamente)
• Preparar a igreja para a reprodução
• Determinar local e abordagem da possível igreja-ilha ou plantação pioneira
• Enviar missionários transculturais
• Participar de esforços conjuntos com outras igrejas
Multiplicador (papel do plantador)
• Mentorear a igreja nas plantações de suas primeiras igrejas-ilhas
• Os cristãos locais são os plantadores de novas igrejas
• Seguir para outro local de ministério
• Permanecer como mentor e conselheiro
Fonte: Ott e Wilson (2013, p. 166).
Percebemos que na fase de reprodução o modelo de desenvolvimento de plan-
tação de igrejas já está recomeçando. O objetivo da abordagem apostólica, como 
apresentado no início, é uma igreja que cresce e se reproduz constantemente sem 
auxílio externo. Ott e Wilson (2013) enfatizam que em cada fase os plantadores 
apostólicos devem capacitar os cristãos locais a assumirem a responsabilidade 
pelos ministérios emergentes da igreja. 
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Depois das fases de lançamento da plantação da igreja, cada ministério 
ou programa deve ser liderado ou codirigido desde o princípio por um 
cristão local, que será treinado e, eventualmente, se responsabilizará 
por aquele ministério. Dessa forma, a transferência da liderança de um 
ministério do plantador para um cristão local não será problema. De-
pois de um período inicial de treinamento, os plantadores devem ser 
capazes de se retirar a qualquer momento sem ameaçar a existência 
do ministério. Além disso, em razão do treinamento estar incluído no 
princípio de cada novo ministério, um programa de treinamento e mul-
tiplicação é moldado e introduzido na nova igreja. Essa é a chave para a 
multiplicação de longo prazo (OTT; WILSON, 2013, p. 170-171).
Embora o desenvolvimento de plantação de igrejas possa ser considerado um 
processo em sequência, no qual encontramos diferentes fases previsíveis, não 
podemos nos prender a certas etapas lineares do tipo passo a passo. O Espírito 
Santo pode nos surpreender e modiicar nosso programa, e devemos estar dese-
josos que isso aconteça.
Assim realizou-se na pregaçãode Pedro em Pentecostes, na qual quase três 
mil pessoas foram acrescentadas à Igreja primitiva. Assim fez Deus em muitos 
avivamentos, em que o Espírito Santo agiu para grandes colheitas, entretanto, 
nem sempre os convertidos foram plantados adequadamente em igrejas. Aqueles 
que servem ao Senhor devem estar bem preparados para conduzir na prática o 
assunto desenvolvimento de plantação de igreja.
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O PAPEL DO ESPÍRITO SANTO NA PLANTAÇÃO DE 
IGREJAS
Tudo que vimos até aqui não seria possível sem a maravilhosa presença do Espírito 
Santo de Deus, cuja presença, no decorrer da história da igreja, tem sido respon-
sável pelos grandes avivamentos e grandes movimentos de plantação de igrejas. 
Lidório (2011), reconhecendo que o conhecimento teológico sem a presença do 
Espírito Santo não pode fazer nascer uma igreja, relata que: 
[...] se olharmos o crescimento da Igreja em um panorama mundial per-
ceberemos que o crescimento evangélico foi 1.5 % maior que o Islã na 
última década. O evangelho já alcançou 22.000 povos nestes últimos 2 
milênios. Temos já a Bíblia traduzida hoje em 2.220 idiomas. As gran-
des nações que faziam resistência ao evangelho estão sendo fortemente 
atingidas pela Palavra, como é o caso da Índia e China, que em breve 
deverá hospedar a maior Igreja nacional (e informal) sobre a terra. Um 
movimento missionário apoiado pela Dawn Ministry plantou mais de 
10.000 igrejas-lares no Norte da Índia na última década, em uma das 
áreas tradicionalmente mais fechadas para a evangelização. No Brasil 
menos evangelizado como o sertão nordestino, o norte ribeirinho e in-
dígena e o sul católico e espírita, vemos grandes mudanças na última 
década, com nascimento de novas igrejas, multiplicação de movimentos 
evangelísticos e crescimento da liderança local (LIDÓRIO, 2011, p. 60).
Lidório (2011) nos leva a reletir sobre a relação entre a expansão do evangelho e 
a pessoa do Espírito Santo e quais os critérios para uma Igreja cheia do Espírito 
envolver-se com a expansão do evangelho do Reino. Observamos abaixo suas 
conclusões:
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 ■ A essência da pessoa do Espírito e sua função na Igreja
Em Lucas 24, Jesus promete enviar-nos um consolador, que é o Espírito 
Santo, e que viria sobre a Igreja (em Atos 2) de forma mais permanen-
te. Ali, a Igreja seria revestida de poder. O termo grego utilizado para 
“consolador” é “parakletos” e literalmente signiica “estar ao lado”. É um 
termo composto por duas partículas: a preposição “para” - ao lado de - 
e “kletos” do verbo “kaleo”, que signiica chamar. Portanto vemos aqui a 
pessoa do Espírito, cumprimento da promessa, habitando a Igreja, cha-
mado para estar ao seu lado para o propósito de Deus. Segundo John 
Knox a essência da função do Espírito Santo é estar ao lado da Igreja 
de Cristo e fazê-la possuir a face de Cristo e espalhar o nome de Cristo. 
Nesta percepção, O Espírito Santo trabalha para fazer a Igreja mais pa-
recida com seu Senhor e fazer o nome do Senhor da Igreja conhecido 
na terra (LIDÓRIO, 2011, p. 61).
 ■ A essência da pessoa do Espírito e Sua função na conversão dos perdidos
Cremos que é o Espírito Santo quem convence o homem do seu peca-
do. O homem natural sabe que é pecador porém apenas com a inter-
venção do Espírito ele passa a se sentir perdido. Portanto em toda apre-
sentação do evangelho, se o Espírito Santo não convencer o homem do 
pecado e do juízo, nossa exposição da verdade de Cristo não passará 
de uma apologia humana. [...] Todos já passamos por uma experiên-
cia evangelística em que apresentamos Cristo a alguém com o coração 
endurecido. Quem sabe, observando o Cristianismo de forma crítica 
e com zombarias. E lhe apresentamos o mesmo evangelho uma, duas, 
cinco vezes. Na sexta, nada novo é falado. O mesmo evangelho é apre-
sentado. Porém neste momento, a Palavra entra em sua mente, desce 
ao coração e gera quebrantamento, consciência de que está perdido e 
precisa de Deus. Há ali uma entrega pessoal ao Senhor Jesus. A pessoa 
do Espírito Santo, Sua natureza e missão, é quem faz a diferença entre 
um ouvir acomodado do evangelho e sede de Deus, quebrantamento e 
entrega a Cristo (LIDÓRIO, 2011, p. 61-62).
 ■ A clara ligação entre os avivamentos históricos e os movimentos 
missionários
Lidório (2011), nos apresenta dados dos avivamentos ocorridos nos últimos 
séculos. A presença do Espírito Santo em cada mover de Deus foi o que determi-
nou e impulsionou os movimentos missionários. Os momentos de avivamentos 
tornam a proclamação da Palavra um efeito natural da ação do Espírito Santo.
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Quadro 7 - Dados de avivamentos ocorridos nos últimos séculos
Como resultado de um avivamento, a partir de 1730 John Wesley durante 50 
anos pregou cerca de 3 sermões por dia, a maior parte ao ar livre, tendo percorri-
do 175.000 km a cavalo pregando 40.000 sermões ao longo de sua vida.
Como resultado de um avivamento, em 1727 a Igreja moraviana passa a enviar 
missionários para todo o mundo conhecido da época, chegando a enviar, ao 
longo de 100 anos, mais de 3.600 missionários.
Como resultado de um avivamento, em 1784, após ler a biograia do missionário 
David Brainerd, o estudante William Carey foi chamado por Deus para alcançar os 
Indianos. Após uma vida de trabalho conseguiu traduzir a Palavra de Deus para 
mais de 20 línguas locais.
Como resultado de um avivamento, em 1806 Adoniran Judson tem uma forte 
experiência com Deus e se propõe a servir a Cristo, indo depois para a Birmânia, 
onde é encarcerado e perseguido durante décadas, mas deixa aquele país com 
300 igrejas plantadas e mais de 70 pastores.
Como resultado de um avivamento, em 1882 Moody pregou na Universidade de 
Cambridge e 7 homens se dispuseram ao Senhor para a obra missionária e im-
pactaram o mundo da época. Foram chamados “os 7 de Cambridge”, que incluía 
Charles Studd. Foi para a África, percorreu 17 países e pregou a mais de meio 
milhão de pessoas. Fundou A Missão de Evangelização Mundial (WEC Internatio-
nal) que conta hoje com mais de 3.000 missionários no mundo.
Como resultado de um avivamento, em 1950 no Wheaton College 500 jovens fo-
ram chamados para a obra missionária ao redor do mundo a partir da pregação 
da Palavra. E obedeceram. Dentre eles estavam Jim Elliot que foi morto tentando 
alcançar a tribo Auca na Amazônia em 1956 e do seu martírio houve um grande 
avanço missionário em todo o trabalho indígena.
Fonte: Lidório (2011, p. 62-63). 
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Podemos retirar daqui algumas conclusões bem claras:
 ■ A presença do Espírito Santo nos leva a testemunhar publicamente, com 
palavras e com ações, que somos de Cristo. Desta forma o evangelho vai 
para as ruas, para as escolas e para os lugares em que estão as pessoas que 
Deus quer alcançar. 
 ■ A presença do Espírito conirma o plano de Deus em fazer com que as 
igrejas sejam santiicadas, separadas do pecado e desenvolvam uma natu-
reza missionária.
 ■ Uma Igreja revestida do Espírito Santo terá um crescimento explosivo 
e abundante em função da contínua pregação e do testemunho de vida. 
Assim, nosso profundo desejo e oração deve ser para que Deus traga novos avi-
vamentos sobre seupovo. Para que a Igreja possa alcançar aqueles que vivem 
longe de Cristo e possa reencontrar sua verdadeira vocação: ser uma Igreja que 
relete a Jesus, que expressa ao mundo o amor de Deus e, por im, uma Igreja 
que proclama as boas novas da salvação em todas as nações da terra.
Perante o grande desaio que ainda temos diante de nós ao redor do mun-
do, creio que missiólogos nos mostrarão o caminho, mas apenas homens 
cheios do Espírito Santo alcançarão a terra.
(Ronaldo Lidório)
Considerações Finais
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
Chegamos ao inal da nossa Unidade V com o testemunho da grande contri-
buição do ministério do apóstolo Paulo para o Cristianismo e para o plantio de 
igrejas. Em Filipenses 2,5-8, Paulo retrata a humilhação de Cristo, esvaziando-se 
de si mesmo, fazendo-se servo, sendo reconhecido em igura humana e sendo 
obediente até a morte, e morte de cruz. Não foi diferente o caminho de serviço 
e renúncia que Paulo trilhou pelo Evangelho. Antes tudo aquilo que poderia ser 
lucro ele considerou perda por causa de Cristo.
Em seus pressupostos de desenvolvimento do plantio de igrejas encontra-
mos, no paradigma paulino, um caminho seguro para a ediicação de igrejas, 
teologicamente corretas e cheias do vigor do Espírito Santo. Seu alvo foi alcan-
çar o maior número possível de pessoas por meio de seu ministério. O apóstolo 
Paulo nos ensina que plantação de igrejas é obra de Deus.
Os modelos de Hesselgrave (1995) e Ott e Wilson (2013), devem ser estuda-
dos e aprofundados por meio de pesquisas e aplicação prática. Eles não encerram 
os únicos caminhos para o plantio de igrejas, mas constituem-se em referên-
cias seguras. 
Basicamente, candidatos devem ser selecionados e enviados; os planos devem 
ser feitos com cuidado; depois, contatos realizados, o evangelho comunicado, os 
convertidos congregados e batizados, a fé conirmada, a liderança consagrada, 
a igreja recomendada à graça de Deus e novos líderes enviados. Repetindo-se, 
assim, o processo de plantação de igrejas até que Cristo venha.
Vimos a relevante função do Espírito Santo, nas indicações de Lidório (2011), 
em nos conceder poder para a realização da tarefa. Como foram as últimas 
palavras do Senhor Jesus em Atos: “mas recebereis poder, ao descer sobre vós o 
Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda 
a Judeia e Samaria e até aos conins da terra” (BÍBLIA, Atos, 1,8). Que assim 
sejam os plantadores de igrejas, cheios do Espírito Santo, cheios do poder de 
Deus e bem preparados teologicamente para a tarefa! Que venham novos avi-
vamentos sobre a terra!
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1. No modelo Paulino de plantio de igrejas, há um ensino declarado nas Epístolas 
que seguem uma sequência lógica, apresentada por Hesselgrave (1995), qual 
seja: ir para onde as pessoas estão, pregar o evangelho, ganhar convertidos, reu-
ni-los nas igrejas, instruí-los na fé, escolher líderes e recomendar os crentes à 
graça de Deus. Lidório (2011) traduz essa sequência lógica em estratégias para o 
plantio de igrejas. Cite três dessas estratégias.
2. Perante uma quantidade expressiva de estratégias missionárias de plantio de 
igrejas, apresentamos as que são mais utilizadas pelos movimentos no mundo 
atual, tornando-se verdadeiros valores para as organizações missionárias. Cite 
duas dessas estratégias.
3. O modelo de Hesselgrave (1995) tem a força de um exemplo bíblico e é conhe-
cido como “Ciclo Paulino”, nele dez fases de desenvolvimento devem ser obser-
vadas. Nas últimas décadas, tem sido o modelo mais relevante para plantação 
transcultural de igrejas. Cite e explique três dessas fases do ciclo paulino.
4. Um modelo de desenvolvimento de igrejas muito relevante é baseado nos es-
tudos de Ott e Wilson (2013) que visam a reprodução e a multiplicação da igreja 
no contexto da plantação transcultural de igrejas. Cite os três tipos de plan-
tadores de igreja que Ott e Wilson (2013) apresentam em seu modelo de 
desenvolvimento de plantação de igrejas.
5. O modelo de desenvolvimento de plantação de igrejas proposto por Ott e Wil-
son (2013) visa a reprodução e a multiplicação por meio da atuação de um plan-
tador de igrejas apostólico. Cite as cinco fases de desenvolvimento previstas 
para esse modelo.
207 
Orientação Básica para Aquisição Linguística
Algumas considerações preliminares ao entrarmos no desenvolvimento de uma orien-
tação básica para a aquisição lingüística.
O método é importante, mas não determinante.
Alguns que aprendem bem uma segunda ou terceira língua, bem como aqueles que se 
frustram na tentativa, costumam atribuir tal resultado ao método. Observo, porém, que 
o método (a técnica mais amiúde) é menos importante do que julgamos. Isto porque 
todos nós nascemos com a capacidade de aprendizado de língua, a qual foi aplicada 
para nos dar luência em nossa própria língua materna. 
Desta forma freqüentemente encontramos pessoas que jamais estudaram ou aplicaram 
um método especíico aprendendo bem uma segunda ou terceira língua, apenas com 
orientações gerais. Não me reiro aqui à análise de uma língua (ato mais técnico) mas 
sim ao aprendizado de fala e compreensão de uma língua (ato mais intuitivo). O método 
é importante, porém não determinante neste processo.
Lembre-se que o aprendizado de uma nova língua não é uma atividade puramente lin-
güística, mas também cultural. Assim, devemos ter em mente que o maior valor no pro-
cesso de aprendizado está com o povo (que detém o conhecimento da própria língua) e 
não na metodologia de estudo da mesma.
Invista no método escolhido
O método tem a capacidade de lhe direcionar e não permitir que você perca o foco. O 
método escolhido (seja um método aprendido ou desenvolvido por você) deve ser cla-
ro, simples, objetivo e aplicável. Pense nestas quatro características.
Você deve ser capaz de explicá-lo de maneira objetiva, clara e prática a outra pessoa. Se 
tiver dúvidas, simpliique o processo. Se você parte da coleta de termos, composição de 
idéias e prática de luência, por exemplo, invista nisto durante um bom tempo. Se você 
utiliza a análise interativa como método, não deixe para trás na primeira diiculdade. 
Nenhum método deve ser visto como uma idéia hermética, fechada, inalterável. Cada 
pessoa tem um peril próprio. Adapte o método a você e não o contrário.
É mais fácil não aprender a língua.
Após alguns meses de ânimo no estudo da nova língua é possível que você seja tentado 
a perder o foco. Se isto acontecer tudo ao seu redor lhe parecerá mais urgente do que 
o aprendizado da língua. Pelo fato do aprendizado ser algo contínuo (e de médio ou 
longo prazo) será sempre mais fácil desistir exceto em situações em que o aprendizado 
da língua seja uma questão de sobrevivência, como é o caso de nossa língua materna. 
É certo que há alguns apaixonados pelo aprendizado de línguas, mas para a maioria será 
necessário uma boa dose de disciplina. Após chegar ao nível 1, o mais confortável será 
jamais sair deste nível. Percebo que a maior parte dos estudantes de uma nova língua 
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atinge e permanece no nível pouco acima do 1 (normalmente 1.2). Neste caso eles já 
conhecem as saudações, os termos chaves, interagem um pouco e não estão mais per-
didos no meio de uma conversa, entendendo o assunto geral. Mais de 80% dos que se 
propõe a aprender uma língua não chegam ao nível 3 (de 1 a 5) que é de luência relati-
va, transmissão e interpretação de idéias. Isto os privará de uma conversação mais pro-
funda, uma melhor compreensão do universo da língua falada bem como gerará uma 
clara limitação na apresentação de idéias, emoções, mensagens, projetos e argumentos.
Tenha um claro alvo em mente. Talvez seu alvo seja aprender uma língua no nível 1 
apenas. Mas, caso seja no nível 3, ou outro acima, mantenha este alvo claro, de forma 
constante, em sua mente

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