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Bruna de Alencar Peres – Odontologia Unesp São José dos Campos (T64) Conceitos TRAJETÓRIA DE INSERÇÃO A trajetória de inserção é o caminho percorrido pela prótese parcial removível, desde o contato inicial com o dente suporte até a posição de assentamento final. Quando há ausência de paralelismo entre as estruturas rígidas, ocorrem 2 situações: 1. Instabilidade na inserção; 2. Torque em um dos suportes. A PPR deve apresentar única trajetória de inser- ção para garantir manutenção da retenção contra forças razoáveis de remoção, conseguir melhor estética e preservar a integridade do suporte e tecidos adjacentes. TRAJETÓRIA DE REMOÇÃO A trajetória de remoção é o caminho inverso à trajetória de inserção, até a total ausência de contato. TRAJETÓRIA DE ESCAPE A trajetória de escape é o caminho percorrido pela prótese parcial removível, desde a posição de assentamento final até a total ausência de contato, em direção não paralela à trajetória de inserção. POSIÇÃO DE ASSENTAMENTO FINAL É a posição em que os apoios estão integralmente contidos nos preparos para apoio e as selas e o co- nector maior estão em íntimo contato com a fibromucosa, sem compressão. PLANO DE GUIA Superfícies paralelas à trajetória de inserção da PPR, encontradas naturalmente nos dentes de su- porte, ou preparadas sobre restaurações e próte- ses. Fatores que influenciam a trajetória de inserção De acordo com Oliver Applegate, 4 fatores são de suma importância para a trajetória de inserção: INTERFERÊNCIAS Em dentes ou outras partes, devem ser mínimas na inserção e remoção. RETENÇÕES Devem ser razoáveis, bilaterais e equilibradas (ba- lanceadas). ESTÉTICA Importante quando se utiliza grampos nos dentes anteriores (devem permitir melhor forma anatô- mica). PLANOS DE GUIA Devem existir ou serem criados nos dentes supe- riores. Inclinações do plano oclusal HORIZONTAL OU ZERO A inclinação horizontal ou zero é aquela paralela ao solo. LATERAL-DIREITA LATERAL-ESQUERDA Trajetórias das Próteses Parciais Removíveis Prótese Parcial Removível Bruna de Alencar Peres – Odontologia Unesp São José dos Campos (T64) As inclinações do modelo alteram a posição da linha equatorial protética, a localização e magni- tude das áreas retentivas, a estética dos dentes anteriores e a posição de retenções indesejadas. Essas inclinações proporcionam trajetória mais fa- vorável para os desdentados anteriores, aumen- tam as retenções desejáveis e diminuem as indese- jáveis. Geralmente, os dentes posteriores orientam as in- clinações na procura pelo equilíbrio das retenções dos hemi-arcos opostos. Se não houver retenção na inclinação zero, outras inclinações não irão produzi-la. Métodos de determinação da trajetória de inserção MÉTODO DE ROACH (3 PONTOS) É o método mais fácil e mais utilizado, porém mais empírico. É baseado no princípio de que 3 pontos formam um plano, e o objetivo desse método é tornar o plano oclusal perpendicular à trajetória de inserção (haste móvel). Para isso, os pontos devem situar-se nos pontos anatômicos, tanto na maxila quanto na mandíbula: • Nas fossetas mesiais dos 1º molares direito e esquerdo e entre os incisivos centrais (pela região lingual). Quando uma das estruturas não estiver presente, esta deve ser substituída por um pequeno rolete de cera. Além disso, possui certas limitações, pois não considera isoladamente cada caso, o que muitas vezes exigiria extenso preparo de boca, o que não aconteceria caso houvesse uma trajetória de inserção mais favorável. MÉTODO DE ROTH (BISSETRIZES) É o método mais trabalhoso, e baseia-se na incli- nação dos longos eixos dos dentes de suporte. Traça-se linhas paralelas ao longo eixo dos dentes de suporte no sentido mésio-distal, obtendo-se as bissetrizes destas linhas, as quais indicam a inclinação ântero-posterior. Novamente, traça-se linhas paralelas, mas dessa vez no sentido vestíbulo-lingual, cujas bissetrizes indicam a inclinação látero-lateral. Legendas: na imagem 1), têm-se a demarcação das linhas no aentido mésio-distal (inclinação ântero- posterior); em 2), a demarcação das linhas no sentido vestíbulo-lingual (inclinação látero-lateral). MÉTODO APPLEGATE OU SELETIVO É o método mais científico, o qual baseia-se em equilíbrio das retenções, nos planos-guia, nas interferências e na estética. Deve-se selecionar a inclinação mais favorável, o melhor posicionamento será o que proporciona maiores vantagens de paralelismo (menor des- gaste dos planos-guia), maior retenção, melhor estética (principalmente em casos anteriores), e menor interferência com o rebordo. Equilíbrio das retenções Cada caso pode apresentar diversas possibilidades de trajetória de inserção. Deve-se selecionar a tra- jetória mais adequada ao preparo de boca e à eficiência mecânica da PPR. As inclinações do modelo alteram a posição da linha equatorial (linha de máxima tangência), alte- rando a posição e magnitude das áreas retentivas resultando em uma trajetória que pode ser mais ou menos favorável. Deve-se interpretar a altura da linha do equador e a quantidade de retenção existente (se é suficiente ou exagerada, ou se é ideal para o caso estudado). Com o modelo delineado, analisa-se todas as faces dos dentes (mesial, distal, vestibular e lingual). A PPR deve ser rígida e não deve se deformar. Para isso, a prótese deve se situar em zonas expulsivas ou paralelas à trajetória de inserção. Bruna de Alencar Peres – Odontologia Unesp São José dos Campos (T64) Deve-se sempre buscar o máximo de paralelismo entre os retentores, pois se o equador estiver muito alto significa que a futura prótese tocará primeiro nesse ponto do dente, aumentando as chances de gerar componentes horizontais de força na inserção e retirada, o que pode causar torque no dente suporte, ocasionando mobilidade ou desconfortos ao paciente. Planos-guia Deve-se condicionar os dentes de suporte para que as forças possam ser recebidas de forma mais fisiológica. As superfícies mais “bojudas” são determinadas planos-guia, pois “guiam” a posição de assenta- mento final e retirada, dando maior superfície de contato friccional, resultando em maior estabili- dade da prótese e do dente. Toda retenção mecânica realizada por retentores à grampo gera componentes horizontais de força. O elemento constituinte da PPR capaz de neutra- lizar esses componentes é o braço de reciproci- dade (aplicado sobre um plano-guia). As principais funções do plano-guia são: • Proporcionar único sentido e direção de inserção e remoção da prótese, segundo a trajetória de inserção predeterminada. • Eliminar forças tangenciais nocivas aos dentes de suporte durante os atos de inserção e remoção da prótese. • Proporcionar o princípio biomecânico de oposição ou reciprocidade do gram- po, quando a ponta ativa de retenção transladar a linha equatorial do dente de suporte. • Impedir a retenção ou impacção alimen- tar entre os dentes de suporte e o conec- tor menor ou selas da prótese por dimi- nuição do “espaço-morto”. Esses planos são realizados primeiro em modelo de estudo, para melhor previsibilidade do preparo de boca. Interferências dentárias e fibromucosas Com o modelo montado no delineador, deve-se avaliar a melhor posição, onde os retentores estejam o mais paralelos possível. As áreas de interferência da prótese são relaciona- das às estruturas rígidas da prótese. A seleção da trajetória de inserção visa o preparo de boca mais conservador e eficiente possível. Durante o estabelecimento da trajetória de inser- ção, deve-se observar as áreas desdentadas, as quais podem representar áreas de interferência durante a inserção e remoção, causando lesões extensas aos tecidos moles.Estética A estética é um fator que deve ser sempre levado em consideração, desde que não comprometa os fatores biomecânicos. Referências McCracken’s: Prótese Parcial Removível, 12ª edição, Parte I, Capítulo 11. Kliemann, C. e Oliveira, W: Manual de Prótese Parcial Removível, Capítulo 4.