A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
9 pág.
ABDOME AGUDO OBSTRUTIVO - Tutoria gastro

Pré-visualização | Página 1 de 5

Ádila Cristie Matos Martins 	 UCXIV 	 	 	 	 Problema 2, TUTORIA
t
“Coitada de mim!” - abdome agudo OBSTRUTIVO 
1. DEFINIR ABDOME AGUDO OBSTRUTIVO
2. ESTUDAR A EPIDEMIOLOGIA, ETIOLOGIA, FISIOPATOLOGIA, COMPLICAÇÕES E QUADRO 
CLÍNICO DO ABDOME AGUDO OBSTRUTIVO
3. CONHECER O DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO CLÍNICO E CIRÚRGICO DO ABDOME AGUDO 
OBSTRUTIVO
4. REVISAR O ESTADIAMENTO DO CA COLORRETAL
5. CONHECER A DEFINIÇÃO, TIPOS E INDICAÇÃO DAS OSTOMIAS
Abdome agudo obstrutivo 
- É a segunda maior causa de abdome agudo 
- É causado pela presença de obstáculo mecânico ou obstrução funcional que 
impede a progressão normal do conteúdo ilumina do intestino 
- É uma impossibilidade, parcial ou completa, de propagação do conteúdo gastro-
êntero-cólico até o reto e de ser fisiologicamente eliminado 
- A obstrução intestinal compreende dois grandes grupos, segundo a causa da 
interrupção do trânsito: causa mecânica (quando existe uma barreira física, 
anatômica dificultando a passagem do conteúdo intestinal), que leva aos quadros 
de obstrução mecânica, e distúrbio da motilidade intestinal, que leva aos quadros 
de íleo adinâmico ou paralítico ou neurogênico (pseudo-obstrução) 
- As causas mecânicas: ocorrem pela presença de obstáculos intraluminares, como 
cálculos biliares, corpo estranho e bolo de áscaris, ou por fatores extraluminares, 
tais como as obstruções intrínsecas (de parede) causadas por tumores, 
hematomas, estenose (Crohn) etc. ou pelas compressões extrínsecas, como, por 
exemplo, as aderências, hérnias, volvos, tumores etc 
- Classificações distintas são utilizadas para diferenciar as causas mecânicas:
1. Alta, quando o obstáculo ao trânsito situa-se no delgado proximal, ou baixa, 
quando o obstáculo situa-se no delgado distal ou no colo
2. Parcial, quando a oclusão da luz intestinal é incompleta, ou completa, quando a 
oclusão é total
3. Aguda, quando de instalação abrupta, ou crônica (geralmente parcial), quando 
de instalação lenta, com períodos de melhora e piora que se estendem por 
vários dias ou meses (p. ex., nas doenças inflamatórias intestinais ou nas 
aderências)
4. Simples, quando o suprimento de sangue ao intestino encontra-se íntegro, não 
havendo comprometimento da vitalidade da alça, ou estrangulada, quando há 
comprometimento do suprimento sanguíneo, podendo levar à isquemia e mesmo 
à necrose do intestino já obstruído mecanicamente 
5. Em alça fechada (p. ex., hérnias, volvos, obstrução colônia com válvula 
ileocecal competente), quando existe obstáculo em dois níveis, impedindo tanto 
a progressão quanto o refluxo do conteúdo da alça; nessas condições, pode 
ocorrer grande distensão e sofrimento da alça
INCIDÊNCIA 
- Podem acontecer desde a idade prematura até a nona década de vida, tendo seu 
pico máximo aos 50 anos
- A idade do paciente torna-se importante, pois certas causas têm sua maior 
frequência em determinadas faixas etárias
- Neonato: atresias, volvo, íleo meconial, imperfuração anal e a doença de 
Hirchsprung (megacolon congênito)
- Lactentes: invaginação intestinal, hérnias complicadas e obstruções por 
complicações do divertículo de Meckel
- Adulto jovem e na meia-idade: aderências, hérnias e a doença de Chron. Quanto 
mais idoso, maior a possibilidade de tratar-se de neoplasias, seguida pelas 
aderências, hérnias, diverticulites e fecalomas
- Cerca de 20% das internações em serviços de cirurgia por acometimento agudo 
abdominal são devidas as obstruções intestinais
- As causas mais comuns (80%) são: aderências, hérnias inguinais complicadas e 
neoplasias intestinais
- Cerca de 80% são no intestino delgado e 20% no intestino grosso 
- No Brasil, a maior incidência de abdome agudo obstrutivo é por hérnia
ETIOPATOGENIA 
- As causas da obstrução intestinal mecânica podem ser classificadas de acordo 
com o modo como a obstrução acontece. Assim, pode ocorrer a obstrução da luz 
intestinal, como no íleo biliar, a redução da luz por retração e o espessamento da 
parede da alça por doença intrínseca do intestino, como ocorre na enterite ou no 
Ádila Cristie Matos Martins 	 UCXIV 	 	 	 	 Problema 2, TUTORIA
t
câncer, e a obstrução por compressão extrínseca do intestino, como acontece na 
oclusão por aderências. Por outro lado, as causas decorrentes dos distúrbios da 
motilidade intestinal levam aos quadros de íleo paralítico ou neurogênico
- Assim, podemos enumerar:
1. Obstrução da luz intestinal: intussuscepção intestinal, íleo biliar, impactação 
(bário, bezoar, áscaris, corpo estranho)
2. Doenças parietais: congênitas: atrevias e estenoses, duplicações, divertículo de 
Meckel; traumáticas; inflamatórias: doença de Crohn, diverticulites; neoplásicas; 
miscelânea: estenose por irradiação, endometriose
3. Doenças extrínsecas: aderências; hérnias; massas extrínsecas (pâncreas anular, 
vasos anômalos, abscessos, hematomas, neoplasias, volvo)
4. Alterações da motilidade do intestino delgado: íleo paralítico, íleo espástico, 
oclusão vascular 
FISIOPATOLOGIA 
Obstrução intestinal mecânica simples: 
- As principais alterações fisiológicas são o acúmulo de líquido e gás acima do ponto 
de obstrução e a alteração da motilidade intestinal, que, somados, levam a 
alterações sistêmicas importantes 
- Alguns autores demostraram que o fator tóxico da obstrução intestinal mecânica é 
a perda de líquidos e eletrólitos por vômito e sequestro na alta intestinal obstruída
- O movimento de líquidos entre a luz intestinal e o sangue ocorre de duas maneiras: 
absorção (movimento de líquido da luz intestinal para o sangue) e secreção 
(movimento de líquido do sangue para a luz intestinal)
- Após 48 horas de obstrução intestinal, o movimento de l íquido é 
predominantemente do sangue para a luz intestinal, aumentando muito a 
Ádila Cristie Matos Martins 	 UCXIV 	 	 	 	 Problema 2, TUTORIA
t
quantidade de líquido no intestino obstruído. O mesmo acontece com sódio e 
potássio
- Acredita-se que a distensão abdominal aumenta a secreção de prostaglandina, que, 
por sua vez, produz um aumento na secreção intestinal
- O segmento proximal à obstrução fica repleto de líquido e eletrólitos, o que provoca 
mais distensão e compromete a circulação 
- O conteúdo caminha em sentido proximal, chegando a segmentos intestinais que 
ainda possuem a capacidade absortiva. Caso a obstrução não se resolva, esses 
segmentos também ficam distendidos e com circulação e absorção comprometida
- A parede intestinal pode ficar bastante edemaciada a ponto de perder líquido 
através da serosa para a cavidade peritoneal
- A perda mais óbvia de líquidos e eletrólitos é através do vômito ou do débito da 
sonda nasogástrica
- A soma dessas perdas repleta o fluido do espaço extracelular, produzindo 
hemoconcentração, hipovolemia, insuficiência renal, choque e morte — a não ser 
que o tratamento seja instituído rapidamente
- O acúmulo de gás no interior do intestino constitui um evento marcante e é 
responsável pela distensão, que faz parte do quadro clínico da doença
- O peristaltismo intestinal aumenta como resposta do intestino a fim de resolver a 
obstrução. Após algum tempo, o peristaltismo contínuo é substituído por períodos 
intermitentes de peristaltismo aumentado, intercalados com períodos de acalmia. 
Os períodos de acalmia variam de acordo com o nível da obstrução (sendo de 3 a 4 
minutos para a obstrução alta e de 10 a 15 minutos para obstrução distal)
* A distensão intestinal proximal à obstrução provoca uma inibição do peristaltismo 
distal a ela
* Pela lei de LaPlace (pressão = tensão x diâmetro), o ceco é o local de maior risco a 
ruptura, provocando manifestações

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.