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C IÊ N C IA S H U M A N A S E SU A S TE C N O LO G IA S 46 - 47 - 48 - 49 - 50 - 51 - 52 - 53 - 54 - 55 - 56 - 57 - 58 - 59 - 60 - 61 - 62 - 63 - 64 - 65 - 66 - 67 - 68 - 69 - 70 - 71 - 72 - 73 - 74 - 75 - 76 - 77 - 78 - 79 - 80 - 81 - 82 - 83 - 84 - 85 - 86 - 87 - 88 - 89 - 90 - SIMULADO ENEM 2020 - VOLUME 2 - PROVA I LI N G U A G EN S, C Ó D IG O S E SU A S TE C N O LO G IA S 01 - 02 - 03 - 04 - 05 - 06 - 07 - 08 - 09 - 10 - 11 - 12 - 13 - 14 - 15 - 16 - 17 - 18 - 19 - 20 - 21 - 22 - 23 - 24 - 25 - 26 - 27 - 28 - 29 - 30 - 31 - 32 - 33 - 34 - 35 - 36 - 37 - 38 - 39 - 40 - 41 - 42 - 43 - 44 - 45 - LINGUAGENS, CÓDIGOS E SUAS TECNOLOGIAS Questões de 01 a 45 Questões de 01 a 05 (opção inglês) QUESTÃO 01 As tirinhas da série Itchy Feet retratam, de forma cômica, situações vivenciadas por viajantes. Na tirinha anterior, o autor busca satirizar o(a) A. comportamento de turistas provenientes de nações desenvolvidas, os quais tendem a considerar exóticos os hábitos culturais de outros países. B. desinteresse de alguns viajantes pelas práticas religiosas dos países que visitam, optando por ignorar seus templos e outros locais de adoração. C. displicência típica de alguns turistas com seus objetos de valor, os quais são deixados sem supervisão, mesmo em países onde roubos são comuns. D. substituição paulatina das câmeras digitais, antes muito comuns entre viajantes, por celulares com câmera, que são menores e mais fáceis de carregar. E. diminuição gradual do entusiasmo de turistas que começam suas viagens registrando todos os detalhes, mas, eventualmente, perdem o interesse. ZLSJ ENEM – VOL. 2 – 2020 LCT – PROVA I – PÁGINA 1BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO Alternativa E Resolução: A) Não existem elementos textuais que indicam que o autor da tirinha tenha o objetivo de satirizar o comportamento de turistas provenientes de nações desenvolvidas. De fato, a personagem com a câmera mostra-se entusiasmada no primeiro quadrinho, fotografando tudo, o que sugere um certo encantamento com o novo e o exótico. Contudo, isso, por si só, não é suficiente para sustentar a afirmação contida no item. B) No segundo quadrinho, a personagem com a câmera recusa a sugestão de fotografar um templo. Contudo, a justificava dada por ela não é falta de interesse pelas práticas religiosas locais, mas sim o fato de já ter fotografado outros quinhentos templos idênticos, o que faz com que aquele já não seja mais tão especial: “Well, I’ve already got about 500 photos of other magnificent temples just like it”. Portanto, a alternativa está incorreta. C) No terceiro quadrinho, a personagem da direita afirma não saber onde está sua câmera. Isso, contudo, não é um indicador de que ele seja displicente, mas sim de que ele perdeu o interesse em tirar fotos. Por conseguinte, não é correto dizer que o autor busca satirizar, com a tirinha, a displicência típica de alguns turistas com seus objetos de valor. D) O fato de que uma das personagens está com uma câmera nos dois primeiros quadrinhos, mas não no terceiro, não indica uma substituição paulatina dessa ferramenta por celulares, muito menos uma sátira autoral desse fenômeno. Isso apenas ilustra a perda gradual do entusiasmo da personagem. Portanto, a alternativa está incorreta. E) No primeiro quadrinho, a personagem com a câmera deseja fotografar tudo, desde a grama até o banco local. No segundo, ela já se mostra menos animada, recusando-se a fotografar um templo. Por fim, no terceiro quadrinho, a personagem está com a câmera guardada, indicando que não deseja fotografar nada. Portanto, o que o autor satiriza é justamente a diminuição gradual do entusiasmo de alguns turistas. Logo, a alternativa E é a correta. QUESTÃO 02 Disponível em: <http://moviefone.tumblr.com/>. Acesso em: 16 abr. 2015. MH74 A publicidade tem como objetivo não só divulgar empresas, produtos ou serviços, mas também persuadir o público a aderir a uma ideia ou comportamento. Nessa campanha, o leitor é incentivado a A. dirigir conforme os limites de velocidade permitidos. B. telefonar para os parentes em caso de defeitos no veículo. C. respeitar a proibição do uso de telefone celular ao volante. D. utilizar o serviço de motorista do estabelecimento. E. evitar a combinação de bebida alcoólica e direção. Alternativa E Resolução: A) A expressão “go beyond your limit” não tem a ver com limite de velocidade, mas sim com a quantidade de álcool ingerida. Não há, portanto, nenhum elemento textual que sustente a afirmativa da alternativa A. B) A publicidade convoca o leitor a ligar para casa em caso de embriaguez, e não em caso de defeito no veículo. Logo, a alternativa está incorreta. C) Não existe nenhuma referência no texto à necessidade de se respeitar a proibição ao uso de celular ao volante. A expressão “Phone home” significa “Ligue para casa” e não tem nenhuma relação com a afirmação contida na alternativa. Portanto, a alternativa está incorreta. D) Não existe, nessa publicidade, a oferta de qualquer tipo de serviço de motorista. O que se sugere é que pessoas que tenham bebido demais liguem para casa em vez de voltar dirigindo. Portanto, a alternativa está incorreta. E) A alternativa está correta: a frase “If you go beyond your limit, please don’t drive” pode ser traduzida como: “Se passar do limite, por favor, não dirija”. Trata-se, portanto, de um pedido para que o leitor evite combinar álcool e direção, conforme propõe a alternativa E. QUESTÃO 03 Success is counted sweetest Success is counted sweetest By those who never succeed. To comprehend a nectar Requires sorest need. Not one of all the purple Host Who took the Flag today Can tell the definition So clear of Victory As he defeated – dying – On whose forbidden ear The distant strains of triumph Burst agonized and clear! DICKINSON, E. Disponível em: <http://www.poetryfoundation.org>. Acesso em: 18 mar. 2016. Emily Elizabeth Dickinson foi uma poetisa americana cujos poemas aparentam simplicidade, mas, na verdade, descrevem complicadas verdades psicológicas. No poema “Success is counted sweetest”, a autora afirma que as pessoas tendem a A. comemorar o sucesso alheio com mais entusiasmo. B. buscar o sentido da vida nos momentos de dificuldade. C. reclamar dos percalços que encontram em seu caminho. D. desejar de forma mais aguda aquilo que nunca possuíram. E. vangloriar-se de seus triunfos e envergonhar-se de seus fracassos. 4JGC LCT – PROVA I – PÁGINA 2 ENEM – VOL. 2 – 2020 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO Alternativa D Resolução: Para determinar a resposta à questão, podemos nos basear nos dois primeiros versos do poema: “Success is counted sweetest / By those who never succeed” (O sucesso é considerado mais doce / por aqueles que nunca foram bem-sucedidos), isto é, as pessoas valorizam mais aquilo que nunca possuíram. Com base nisso, é possível determinar que a alternativa correta é a D. A alternativa A está incorreta porque não se fala exatamente de comemorar o sucesso alheio, mas sim de saber dar a ele o devido valor, justamente por não o possuir. As alternativas B e C, por sua vez, não encontram respaldo no texto. Em nenhuma passagem do poema se faz qualquer referência à busca pelo sentido da vida ou às reclamações que as pessoas fazem contra os percalços em seu caminho. Logo, os itens estão incorretos. Por fim, a alternativa E está incorreta porque distorce aquilo que diz o texto. No poema, o eu lírico afirma que ninguém que faça parte de um exército (“Host”) vitorioso poderá dar uma definição tão clara da vitória quanto quem por ele foi derrotado. Portanto, não se trata de vangloriar-se dos próprios triunfos e envergonhar-se dos fracassos, mas sim de dar valor àquilo que não se tem, mas que se deseja. QUESTÃO 04 We teach girls to shrink themselves, to make themselvessmaller. We say to girls: You can have ambition, but not too much. You should aim to be successful but not too successful, otherwise you will threaten the man. If you are the breadwinner in your relationship with a man, pretend that you are not, especially in public, otherwise you will emasculate him. […] Because I am female, I’m expected to aspire to marriage. I am expected to make my life choices always keeping in mind that marriage is the most important. Marriage can be a good thing, a source of joy, love, and mutual support. But why do we teach girls to aspire to marriage, but we don’t teach boys to do the same? […] Our society teaches a woman at a certain age who is unmarried to see it as a deep personal failure. While a man at a certain age who is unmarried has not quite come around to making his pick. […] We raise girls to see each other as competitors – not for jobs or accomplishments, which in my opinion can be a good thing – but for the attention of men. ADICHIE, C. N. We should all be feminists. Nova Iorque: Vintage Books, 2014. [Fragmento] Chimamanda Ngozi Adichie é uma escritora nigeriana que explora, em suas obras, temas como feminismo, racismo, intolerância, religião e política, entre vários outros. Nesse excerto de seu discurso, a autora A. condena alguns hábitos culturais de seu país de origem com os quais não concorda. B. denuncia o modo díspar com que são tratados homens e mulheres na sociedade. C. declara sua oposição à imposição do casamento a meninas menores de idade. D. critica o espírito competitivo que as mulheres nutrem umas contra as outras. E. defende o direito da mulher de trabalhar fora e de ser a provedora do lar. CØ8X Alternativa B Resolução: A) Não existe nenhuma evidência textual que nos permita afirmar que a crítica feita por Adichie seja direcionada apenas à cultura nigeriana. Antes, trata-se de uma denúncia da condição da mulher no mundo. Portanto, a alternativa está incorreta. B) Esta alternativa está correta. Em todo o excerto, a autora compara exigências que são impostas às mulheres, mas não aos homens. Trechos que comprovam isso são: “But why do we teach girls to aspire to marriage, but we don’t teach boys to do the same?” e “Our society teaches a woman at a certain age who is unmarried to see it as a deep personal failure. While a man at a certain age who is unmarried has not quite come around to making his pick”. C) A autora não faz nenhuma menção à imposição do casamento a meninas menores de idade. O que ela de fato crítica é o fato de a sociedade impor o casamento como uma meta de vida para as mulheres, mas não para os homens, conforme se lê em: “But why do we teach girls to aspire to marriage, but we don’t teach boys to do the same?”. D) A crítica de Adichie não é exatamente contra o espírito competitivo feminino, mas sim ao fato de que a sociedade direciona esse espírito à competição por homens. A autora chega até mesmo a dizer que seria bom se ensinássemos as garotas a competirem entre si por empregos ou outros feitos do tipo: “We raise girls to see each other as competitors – not for jobs or accomplishments, which in my opinion can be a good thing [...]”. Portanto, a alternativa está incorreta. E) Dado que o discurso da autora argumenta pela equidade entre homens e mulheres, pode-se dizer que ele é, indiretamente, favorável ao direito da mulher de trabalhar fora e de ser a provedora do lar. Contudo, a escritora não defende esse direito diretamente. O que ela faz é afirmar que a sociedade espera que uma mulher que sustenta o seu lar não declare isso em público, para não afligir a masculinidade de seu marido: “If you are the breadwinner in your relationship with a man, pretend that you are not, especially in public, otherwise you will emasculate him”. QUESTÃO 05 Formation My daddy Alabama My mama Louisiana You mix that negro with that Creole, make a Texas-bama I like my baby hair with baby hair and afros I like my negro nose with Jackson 5 nostrils I earned all this money but they never take the country out me I got hot sauce in my bag… swag Disponível em: <http://www.beyonce.com/track/>. Acesso em: 20 out. 2016. [Fragmento] 5BJO ENEM – VOL. 2 – 2020 LCT – PROVA I – PÁGINA 3BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO A música “Formation” foi lançada pela cantora Beyoncé no ano de 2016. Por meio do uso de termos e expressões como Creole, afros, negro nose e hot sauce, além da referência aos estados do Alabama e da Luisiana, a artista busca, nessa canção, A. refrear o ódio racial nos Estados Unidos. B. enaltecer as suas raízes afro-americanas. C. revisitar a história dos negros em seu país. D. mostrar a diversidade étnica estadunidense. E. reproduzir o discurso racista do qual foi vítima. Alternativa B Resolução: A) Os termos destacados no enunciado não evidenciam uma busca por refrear o embate racial nos EUA. Na verdade, a artista apropriou-se de palavras com forte carga racial como forma de subverter o discurso racista. Portanto, a alternativa está incorreta. B) A alternativa está correta. Na primeira estrofe do excerto, a busca da autora por evidenciar suas origens negras fica clara por meio dos substantivos daddy (papai) e mama (mamãe); da referência ao Alabama e à Luisiana, que são estados americanos majoritariamente compostos por negros; e das palavras negro e Creole (“crioulo”, termo usado para descrever os descendentes de colonos e escravos da Luisiana francófona). Na segunda estrofe, a autora ainda deixa claro o orgulho que tem dessas raízes: “I like my baby [...] with [...] afros / I like my negro nose [...] / [...] they never take the country out me”. C) Embora a cantora celebre suas raízes afro-americanas, não existem elementos textuais que sustentam a afirmação de que ela busca revisitar a história dos negros nos EUA. Trata-se de uma celebração dos traços físicos e da cultura, mas não necessariamente da história. Logo, a alternativa está incorreta. D) Beyoncé não menciona nenhuma outra etnia em sua música senão a negra. Portanto, não é possível afirmar que ela esteja mostrando a diversidade étnica de seu país. A alternativa está, assim, incorreta. E) A artista de fato reproduz algumas palavras que, quando utilizadas por não negros, podem ser ofensivas. Contudo, o que é necessário fazer é determinar com qual objetivo ela utiliza os termos destacados no enunciado. O objetivo não é reproduzir o discurso racista por si só, mas sim subvertê-lo, e, com isso, celebrar sua cultura e sua raça. Logo, a alternativa está incorreta. LCT – PROVA I – PÁGINA 4 ENEM – VOL. 2 – 2020 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO LINGUAGENS, CÓDIGOS E SUAS TECNOLOGIAS Questões de 01 a 45 Questões de 01 a 05 (opção espanhol) QUESTÃO 01 LINIERS, R. Disponível em: <http://www.porliniers.com>. Acesso em: 27 out. 2016. A tirinha do argentino Liniers faz uma crítica ao(à) A. ausência de tempo das pessoas que trabalham muito. B. uso das redes sociais para reencontrar os amigos distantes. C. falta de interesse das pessoas em buscar informação nas redes sociais. D. excesso de tempo que possuem as pessoas que não utilizam as redes sociais. E. sociedade contemporânea, que prioriza as relações virtuais em detrimento das pessoais. Alternativa E Resolução: A alternativa correta é a E, pois a tirinha critica o uso excessivo das redes sociais e o crescente desenvolvimento de relações virtuais em detrimento de relações reais, não virtuais. Isso pode ser percebido na tirinha por meio do estranhamento do primeiro personagem diante do amigo que não usa redes sociais. A alternativa A é incorreta porque, com base na tirinha, não se pode afirmar que o artista julga o excesso de trabalho e a falta de tempo das pessoas. A alternativa B é incorreta porque não há nenhuma ponderação sobre o uso das redes sociais para reencontrar amigos distantes. As alternativas C e D são incorretas, uma vez que, na tirinha, há uma críticaao uso excessivo das redes sociais e ao tempo desperdiçado nelas. QUESTÃO 02 Julieta Película: Julieta Dirección y guion: Pedro Almodóvar País: España Año: 2015 Duración: 95 min Género: Drama […] Calificación por edades: No recomendada para menores de 12 años Julieta vive en Madrid con su hija Antía. Las dos sufren en silencio la pérdida de Xoan, padre de Antía y marido de Julieta. Pero el dolor a veces no une a las personas sino que las separa. Cuando Antía cumple dieciocho años abandona a su madre, sin una palabra de explicación. Julieta la busca por todos los medios, pero lo único que descubre es lo poco que sabe de su hija. La película habla de la lucha de la madre para sobrevivir a la incertidumbre. Habla también del destino, del complejo de culpa y de ese misterio insondable que nos hace abandonar a las personas que amamos, borrándolas de nuestra vida como si nunca hubieran significado nada, como si no hubieran existido. Disponível em: <http://www.labutaca.net>. Acesso em: 27 out. 2016 (Adaptação). H7G1 BKEZ ENEM – VOL. 2 – 2020 LCT – PROVA I – PÁGINA 5BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO De acordo com a sinopse, o filme do diretor espanhol Pedro Almodóvar A. aborda a questão das relações afetivas entre marido e mulher. B. procura mostrar a luta de mães que tiveram seus filhos desaparecidos. C. classifica-se como uma comédia, gênero bastante explorado pelo diretor. D. é recomendada para crianças e adolescentes por possuir classificação livre. E. trata do complexo de culpa e da obscuridade em torno do abandono de entes queridos. Alternativa E Resolução: A alternativa correta é a E. Um dos aspectos abordados pelo filme é o complexo de culpa diante do abandono das pessoas que amamos, como é possível verificar nas últimas linhas do texto-base. A alternativa A é incorreta porque o filme não aborda as relações conjugais, mas sim a relação entre mãe e filha. A alternativa B é incorreta porque a filha de Julieta não está desaparecida, e sim fugiu de casa. A alternativa C é incorreta porque, segundo o texto, o gênero do filme é drama, não comédia. A alternativa D é incorreta porque o filme não é recomendado para menores de 12 anos. QUESTÃO 03 Riñon, el órgano que más esperan los mexicanos para trasplante En el marco del Día Mundial del Donador de Órganos y Tejidos, la Secretaría de Salud dio a conocer que en México hay más de 20 mil personas en espera de recibir un trasplante y el riñon es el más solicitado. Esta conmemoración fue establecida por la Organización Mundial de la Salud (OMS) en Ginebra, Suiza, y tiene como objetivo difundir y promover la donación de órganos y tejidos para trasplantes, y sumar los esfuerzos de quienes trabajan en el mundo a favor de esta causa. Detalla que el Centro Nacional de Trasplantes y la Ley General de Salud ofrecen como alternativa para donar la firma de un documento oficial de la donación donde se manifiesta el consentimiento de las personas cuya voluntad, después de la vida, es ceder sus órganos o tejidos para que sean utilizados con fines terapéuticos. [...] Agrega que los órganos que pueden ser trasplantados son el corazón, riñones, hígado, páncreas y pulmón, mientras que entre los tejidos están la médula ósea, córneas, piel, hueso, válvulas cardíacas, cartílago, tendones, arterias y venas. Disponível em: <http://www.eluniversal.com.mx>. Acesso em: 27 out. 2016. [Fragmento] A respeito da doação de órgãos no México, a notícia informa que A. há mais de 20 mil pessoas na fila por um transplante de rim nesse país. B. há uma data exclusiva, estabelecida pela OMS, para realizar as doações de órgãos. 1T4B C. promover a doação de órgãos diminui os esforços dos que trabalham em favor da causa. D. assinar um documento oficial garante o consentimento de doação de órgãos após a morte. E. existe um estoque de órgãos como coração, rins, fígado e pulmão disponíveis para doação. Alternativa D Resolução: A alternativa correta é a D, pois o texto-base informa que é necessário assinar um documento oficial para consentir com a doação de órgãos e tecidos após a morte. A alternativa A é incorreta, pois há mais de 20 mil pessoas na fila por transplantes em geral, sendo o mais solicitado o de rim. A alternativa B é incorreta porque a OMS (Organização Mundial da Saúde) estabeleceu uma data comemorativa do Dia Mundial do Doador de Órgãos e Tecidos, mas as doações podem ser feitas a qualquer momento. A alternativa C é incorreta porque o texto afirma que promover a doação de órgãos soma esforços aos que trabalham por essa causa. A alternativa E é incorreta porque há mais de 20 mil pessoas aguardando na fila de transplante, o que torna incoerente a afirmação de que há um banco com órgãos disponíveis para doação. QUESTÃO 04 Novelas al dictado Álvaro Pombo ni escribe a mano ni aporrea un teclado. Él dicta. “Dicto todo lo que se me va ocurriendo y eso forma un bloque. Lo leo, lo corrijo, lo vuelvo a leer, me lo leen. Es un mundo de la viva voz. Yo cuento las cosas. Para una novela habitualmente dicto 300 páginas y después de esas se quitan 50 o las que sean. La gracia es quitar. Y el ordenador es más cómodo para quitar y poner. Los calcos ya son historia”. Siempre trabaja por las tardes. El autor de Contra natura o Donde las mujeres se levanta temprano. Emplea las mañanas en leer. “Leo los periódicos con gran atención y preparo un poco lo que voy a hacer por la tarde”. A mediodía se da un paseo. “La artrosis me ha martirizado y me ha inmovilizado mucho. Yo antes podía andar y andar. Ahora, que soy más lento y cojitranco, me siento más”. Está escribiendo un libro de poemas al que llama El barrio. “Yo soy muy de barrio, de este barrio (Argüelles). Se ha vuelto totalmente mestizo, se ha llenado de tailandeses y negros. Es estupendo”. Disponível em: <http://www.elmundo.es/>. Acesso em: 18 nov. 2015. Para o espanhol Álvaro Pombo, em seu ofício de escritor, o que mais lhe agrada é A. andar à tarde pelas ruas do bairro onde mora. B. retirar trechos dos romances ditados por ele. C. conviver com os mestiços do bairro onde vive. D. ler atenciosamente os jornais pelas manhãs. E. ditar as histórias para escrever um romance. Alternativa B Resolução: A alternativa correta é a B, como podemos verificar no trecho “La gracia es quitar”, no qual o autor afirma que sua parte favorita ao escrever um romance é retirar partes dele. As afirmações das demais alternativas dizem respeito às atividades realizadas pelo escritor, porém a que mais lhe agrada, segundo ele mesmo, é a citada na alternativa B. BWB9 LCT – PROVA I – PÁGINA 6 ENEM – VOL. 2 – 2020 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO QUESTÃO 05 Qué es Ni Una Menos Ni Una Menos es un grito colectivo contra la violencia machista. Surgió de la necesidad de decir “basta de femicidios”, porque en Argentina cada 30 horas asesinan a una mujer solo por ser mujer. La convocatoria nació de un grupo de periodistas, activistas, artistas, pero creció cuando la sociedad la hizo suya y la convirtió en una campaña colectiva. A Ni Una Menos se sumaron a miles de personas, cientos de organizaciones en todo el país, escuelas, militantes de todos los partidos políticos. Porque el pedido es urgente y el cambio es posible, Ni Una Menos se instaló en la agenda pública y política. El 03 de junio de 2015, en la Plaza del Congreso, en Buenos Aires y en cientos de plazas de toda Argentina una multitud de voces, identidades y banderas demostraron que Ni Una Menos no es el fin de nada sino el comienzo de un camino nuevo. Sumate. Disponível em: <http://niunamenos.com.ar>. Acesso em: 27 out. 2016. O texto informativo apresenta o movimento feminista Ni Una Menos. De acordo com o texto, A. o coletivo foi um reflexo de manifestações ocorridas na América Latina. B. a campanha representa um grito coletivo contra a violência de gênero. C. a convocatória nasceu da iniciativa de políticos do congressoargentino. D. as mulheres possuem direitos semelhantes aos dos homens na Argentina. E. os crimes contra a mulher ocorrem com pouca frequência no país rio-platense. Alternativa B Resolução: A alternativa correta é a B, como pode ser confirmado na primeira linha do texto: “Ni Una Menos es un grito colectivo contra la violencia machista.” As alternativas A e C são incorretas, pois o movimento surgiu de um grupo de jornalistas, ativistas e artistas em combate à violência de gênero na Argentina, conquistando grande adesão social. A alternativa D é incorreta porque o texto-base não discorre explicitamente sobre os direitos de homens e de mulheres na Argentina, tendo seu foco direcionado à apresentação do movimento Ni Una Menos. Por fim, a alternativa E é incorreta, porque, no texto, afirma-se que o movimento surgiu diante da necessidade urgente de combate ao feminicídio na Argentina, país onde, a cada 30 horas, uma mulher é assassinada por motivos machistas. 6WI1 ENEM – VOL. 2 – 2020 LCT – PROVA I – PÁGINA 7BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO QUESTÃO 06 Disponível em: <http://creativelife.cz/>. Acesso em: 16 dez. 2016 (Adaptação). É comum, em publicidades ou propagandas, o uso de recursos verbo-visuais para gerar reflexão ou humor. A figura de linguagem identificada no anúncio anterior também é vista em: A. Disponível em : <http://adsoftheworld.com/>. Acesso em: 14 nov. 2016. B. Disponível em: <http://image.slidesharecdn.com/>. Acesso em: 31 out. 2016. C. Disponível em: <http://pt.slideshare.net/>. Acesso em: 31 out. 2016. 884Y D. Disponível em: <https://revistavelha.wordpress.com/>. Acesso em: 06 dez. 2016. E. Disponível em: <http://antesqueanaturezamorra.blogspot.com.br/>. Acesso em: 31 out. 2016. Alternativa E Resolução: No texto-base, a figura de linguagem empregada é a metáfora, já que um peixe, animal conhecido por seu mau cheiro, toma o lugar da língua, indicando o mau hálito de pessoas que não mascam o chiclete anunciado, ou apenas que o chiclete resolve essa condição. A resposta correta a essa questão é a alternativa E, pois a metáfora é a figura de linguagem responsável pela construção de sentido da propaganda, pois é estabelecida uma comparação implícita, em que duas árvores representam os pulmões de uma pessoa, sendo essa simbologia complementada pelos dizeres: “Quer continuar a respirar? Comece a preservar.” A alternativa A está incorreta, pois, na propaganda, a figura responsável pela construção de sentido é a hipérbole, estabelecida por meio do exagero ao retratar um binóculo com capacidade de aproximação de imagem tão eficiente a ponto de fazer parecer que o animal visualizado – uma equidna – está preso à lente. A alternativa B está incorreta porque, na propaganda, a figura responsável pela construção de sentido é a elipse, construída a partir da supressão da expressão “é surpreendente”, a qual destaca o fato de o iogurte oferecido não possuir lactose. A alternativa C está incorreta, pois a figura de linguagem responsável pela atribuição de sentido na propaganda é a comparação, pois estabelece-se, de modo explícito linguisticamente – com o uso dos conectivos “tão / quanto” –, uma equiparação da bala com as brincadeiras de criança. A alternativa D está incorreta porque, na propaganda, a figura de linguagem responsável pela atribuição de sentido é a catacrese, identificada na expressão “boca da mata”. LCT – PROVA I – PÁGINA 8 ENEM – VOL. 2 – 2020 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO QUESTÃO 07 Roteiros e patrimônios tão incríveis que sua viagem também será histórica. Disponível em: <https://www.mg.gov.br/>. Acesso em: 07 dez. 2016. A palavra “que”, presente no texto publicitário do governo de Minas Gerais, está a serviço da coesão do texto. As ideias que essa conjunção traz combinadas são A. adição e comparação. B. conclusão e explicação. C. causa e adição. D. consequência e causa. E. explicação e adição. Alternativa D Resolução: A conjunção “que” usada após “tão” traz sentido de consequência. A ideia que se infere do texto, portanto, é que a consequência de os roteiros e patrimônios serem incríveis é a viagem ser histórica. Também pode-se depreender que o fato de os roteiros e patrimônios serem incríveis é a causa de a viagem ser histórica, como em “Sua viagem será histórica porque os roteiros e patrimônios são incríveis”. Nesse caso, a intenção é afirmar que a viagem será marcante, entrando para a história. A alternativa correta, dessa forma, é a D. As demais alternativas estão incorretas porque a conjunção “que” não soma duas ideias equivalentes (adição), não estabelece um paralelo (comparação) nem aponta o desfecho de um raciocínio (conclusão) ou o esclarece (explicação). QUESTÃO 08 A pátria de trompetes Nova Orleans, no estado americano da Louisiana, era no século XIX o que Paris só viria a ser mais de 100 anos depois: uma festa. [...] Dos antigos colonizadores, Nova Orleans herdara a tolerância católica a manifestações dos escravos – bem diferente do resto do país, protestante. Aos domingos, os escravos podiam exibir suas danças e cantos em Congo Square. Desde o século XVIII, ainda sob o domínio dos franceses, o carnaval, chamado de Mardi Gras, era tradicionalíssimo. Um jornal de 1838 revelava a nova mania de trompetes e cornetas que tomava conta da cidade. Nova Orleans tinha tanta fama de licenciosidade que um bairro foi criado em 1897, Storyville, para abrigar a zona de meretrício. [...] A musicalidade da cidade não se restringia aos trompetes e atingia as camadas mais miseráveis da população. Os escravos se esqueciam da expectativa de 36 anos entoando as chamadas canções de trabalho, as canções religiosas de fé ou de lamentação e um tipo de interação aprendido nas igrejas, o “chamado e resposta”, em que o pastor conclamava, e os fiéis respondiam. De uma fusão dos elementos musicais africanos com o som de bandas militares e a tradição erudita europeia, ensinada a colonos e créoles (os filhos livres dos antigos colonos europeus com suas amantes negras), nasciam os embriões de um gênero musical que tornaria a vida dos negros de lá mais feliz. SEBBA, J. Aventuras na História. São Paulo, ano 6, n. 62, p. 37-38, set. 2008. [Fragmento] 47EX YB9Z De acordo com o texto, o que tornou possível o surgimento do jazz na cidade de Nova Orleans foi o A. comportamento tolerante dos ex-colonizadores, que permitiam aos escravos expressar sua cultura e credo. B. pioneirismo cultural dos habitantes, que influenciavam os hábitos até mesmo dos colonizadores vindos de Paris. C. medo de uma morte prematura por parte dos escravos, que almejavam ser lembrados por meio da arte. D. número elevado de zonas boêmias, que funcionavam como antro da prostituição, mas também da criação artística. E. Mardi Gras, que oferecia grandes oportunidades aos artistas locais de mostrar seus trabalhos. Alternativa A Resolução: Logo no início do segundo parágrafo, é afirmado que os antigos colonizadores de Nova Orleans toleravam a religião e as manifestações culturais dos escravos. Esse traço sociocultural se manteve, sendo a fagulha para o desenvolvimento do jazz, originário das comunidades afrodescendentes. Portanto, a alternativa correta é a A. Já a alternativa B está incorreta porque influenciar outras sociedades culturais não era um objetivo dos artistas, ou mesmo das pessoas que cantavam durante o trabalho ou nas igrejas da cidade, ainda que 100 anos depois isso tenha ocorrido, como mencionado no texto. A alternativa C está incorreta porque os escravos não tinham medo da morte prematura ou pretensão de ser lembrados no futuro; seu canto era parte de rituais religiosos ou funcionava como forma de distração durante as ostensivas horas de trabalho. A alternativa D está incorreta porque o texto-base não menciona manifestações artísticas em zonas licenciosas da cidade. A alternativa E também está incorreta porque o Mardi Gras não é citadocomo o evento em que floresciam talentos artísticos na cidade, ainda que fosse uma festa bastante tradicional. QUESTÃO 09 Como se não bastasse não entendermos as letras das receitas médicas, é possível ouvir palavras que nem sabemos de onde vieram durante uma consulta. E você não está sozinho nessa situação. Dependendo do médico, fica bem difícil entender tudo o que ele diz. Mas, em qualquer circunstância, na dúvida, pergunte! Nada de ficar com vergonha. É da sua saúde que estamos falando. [...] Por mais que essa ferramenta possa ser útil, nem sempre os dados encontrados se aplicam a seu caso específico. A ideia inicial das idas tanto ao pronto-socorro quanto em uma visita a um especialista é que você saia de lá com todas as questões sanadas. Afinal, todos os médicos são treinados para isso! Cláudia Vasconcellos, professora da Faculdade de Medicina de Petrópolis (FMP), conta que “esse processo se inicia com o estudante de Medicina entendendo o novo termo e, a partir daí, ele deve fazer uma tradução para que qualquer paciente possa compreendê-lo”. Cláudia lembra que essas traduções são também exploradas durante as aulas de semiologia – que é a parte da Medicina relacionada ao estudo de sinais e sintomas de patologias –, em que o futuro médico aprende a fazer a história com o paciente e examiná-lo. Disponível em: <http://revistavivasaude.uol.com.br>. Acesso em: 29 jul. 2016. [Fragmento] UCAH ENEM – VOL. 2 – 2020 LCT – PROVA I – PÁGINA 9BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO Baseando-se no texto, pode haver, na comunicação entre médico e paciente, um problema de compreensão relacionado à A. informatividade, pois o uso da linguagem médica faz com que o paciente não receba ideias inéditas durante a comunicação. B. aceitabilidade, visto que o paciente que não tem conhecimento de termos da área da saúde pode ter dificuldade de entender as informações. C. coerência, haja vista que é inadequado que os pacientes busquem uma consulta médica sem o conhecimento de determinadas palavras. D. intencionalidade, porque o médico que utiliza o “mediquês” tem o objetivo de poupar o paciente de notícias desagradáveis sobre a sua saúde. E. situacionalidade, já que, em uma consulta, é coerente utilizar o “mediquês” quando faltam palavras que substituam termos médicos. Alternativa B Resolução: O texto fala sobre a dificuldade de alguns pacientes compreenderem a linguagem utilizada pelos médicos e sobre a orientação recebida pelos estudantes de Medicina para evitarem a falta de comunicação entre médico e paciente. Deve-se então identificar qual fator textual contribui para essa falta de comunicabilidade. A alternativa B está correta, pois, a aceitabilidade indica que se espera do paciente a busca de conhecimentos prévios sobre o assunto para fazer as inferências necessárias à compreensão das informações. Assim, o paciente que não conhecer alguns termos médicos pode ter dificuldades para compreender a mensagem. Por isso, no texto é indicado que o paciente esclareça todas as dúvidas com o médico. A alternativa A está incorreta, pois o fator informatividade não é inerente ao texto, e sim definido de acordo com o conhecimento de mundo e nível de interesse do receptor. A alternativa C está incorreta, pois a falta de conhecimento de determinadas palavras não deve ser impedimento para que o paciente procure um médico. A alternativa D está incorreta, porque não há indícios no texto que mostrem que os médicos utilizam uma linguagem técnica com a intenção proposital de que o paciente não compreenda o que está sendo dito. A alternativa E está incorreta, pois a situacionalidade está relacionada à adequação do texto à situação de fala. Para isso, os médicos são treinados para falar de maneira que os pacientes compreendam. QUESTÃO 10 Consoada Quando a indesejada das gentes chegar (Não sei se dura ou caroável), Talvez eu tenha medo. Talvez sorria, ou diga: – Alô, iniludível! O meu dia foi bom, pode a noite descer. (A noite com seus sortilégios.) Encontrará lavrado o campo, a casa limpa, A mesa posta, Com cada coisa em seu lugar. BANDEIRA, M. Consoada. In: Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2009. IYTX No texto de Manuel Bandeira, a iminência da morte é encarada de forma debochada pelo eu lírico, no entanto eufemismos são empregados para se referir a ela. O uso dessa figura de linguagem no poema se justifica pelo(a) A. apelo estético do autor, que preferiu uma expressão mais longa para caracterizar a morte. B. convocatória por parte do autor para que os leitores reflitam sobre a efemeridade da vida. C. necessidade do autor de sensibilizar seu leitor ao tratar de tema tão controverso na literatura. D. desconforto do eu lírico pela morte, ainda que demonstre alguma proximidade dela em sua abordagem. E. comparação que o eu lírico faz entre a morte e a passagem do tempo, vista na dicotomia dia / noite. Alternativa D Resolução: Eufemismos são empregados para atenuar o uso de uma palavra ou expressão que possa, por qualquer motivo, causar um impacto no ouvinte além ou aquém do pretendido pelo enunciador. Sendo a morte um tema polêmico no dia a dia, causando medo em muitas pessoas, e também no eu lírico de Manuel Bandeira, o autor se refere a essa temática por meio de vocábulos que a suavizem, como “indesejada” e “iniludível”. O fato de a voz poética apresentar alguma proximidade e aceitação em relação à morte, porém, não a impede de usar um eufemismo, dado o temor natural dos seres humanos pelo fim da vida, como visto no terceiro verso do poema: “Talvez eu tenha medo.”. Portanto, a alternativa correta é a D. A alternativa A está incorreta porque o emprego do eufemismo não se deu pelo fato de o autor escolher um termo maior ou menor, já que a necessidade de suavizar a morte tem relação direta com a temática do texto. A alternativa B está incorreta porque não há convocatória por parte do eu lírico, apenas uma reflexão quanto ao tema. A alternativa C está incorreta porque o autor não busca sensibilizar seus leitores nem é a morte tema controverso na arte da literatura, sendo abordado por diferentes autores em todas as épocas. Sobre as alternativas de A a C também deve ser acrescentado que podem ser invalidadas porque relacionam o uso do eufemismo ao autor do texto, que deve ser separado do eu lírico no poema. Por fim, E está incorreta porque a dicotomia dia / noite presente no poema representa o início e o fim da vida, o nascimento e a morte, a juventude e a velhice, e não é expressa por eufemismos, mas por uma metáfora; além disso, a comparação é uma figura de linguagem usada com outro fim. QUESTÃO 11 Disponível em: <http://www.soportugues.com.br>. Acesso em: 01 nov. 2016. VEML LCT – PROVA I – PÁGINA 10 ENEM – VOL. 2 – 2020 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO A placa apresenta erro de acentuação na palavra “proibido”. De acordo com a norma-padrão da língua, a inadequação justifica-se porque o(a) A. vocábulo classifica-se como proparoxítono. B. hiato nas vogais “o” e “i” não é tônico. C. vogal tônica no ditongo “proi” é o “o”. D. sílaba tônica dessa palavra é “-do”. E. acento diferencial não é necessário. Alternativa B Resolução: Na palavra “proibido”, há um hiato nas vogais “o” e “i”, no entanto, por não ser tônico, não deve acentuado, como é o caso de “proíbo”. Portanto, a alternativa correta é a B. A alternativa A está incorreta porque o vocábulo não é proparoxítono, mas paroxítono. C, porque não há ditongo em “proibido”. D, porque a sílaba tônica é “bi”, uma vez que a palavra é paroxítona, e não oxítona. Por fim, a alternativa E está incorreta porque não há um caso de acento diferencial. QUESTÃO 12 Todo azul do mar Daria pra beber todo azul do mar Foi quando mergulhei no azul do mar Onda que vem do azul, todo azul do mar VENTURINI, F.; BASTOS, R. Todo azul do mar. In: Flávio Venturini. Ao vivo. LP. Som Livre, 1991. [Fragmento] Umamesma palavra pode pertencer a classes gramaticais distintas, dependendo do contexto da frase em que está inserida. O trecho de música que apresenta o uso da palavra “azul” equivalente a seu uso na canção anterior é: A. Você pega o trem azul O sol na cabeça O sol pega o trem azul Você na cabeça O sol na cabeça Disponível em: <http://www.letras.com.br>. Acesso em: 12 dez. 2016. B. Mas quem sofre sempre tem que procurar Pelo menos vir a achar Razão para viver Ver na vida algum motivo pra sonhar Ter um sonho todo azul Azul da cor do mar Disponível em: <http://www.timmaia.com.br>. Acesso em: 12 dez. 2016. C. Se acaso anoitecer E o céu perder o azul Entre o mar e o entardecer Alga marinha, vá na maresia Buscar ali um cheiro de azul Disponível em: <http://www.djavan.com.br>. Acesso em: 12 dez. 2016. D. E esse amor é azul Como o mar azul Como no coração Uma doce ilusão Disponível em: <http://www.letras.com.br>. Acesso em: 12 dez. 2016. 9ØN5 E. Eu não sei Se vem de Deus Do céu ficar azul Ou virá Dos olhos teus Essa cor Que azuleja o dia... Disponível em: <https://www.vagalume.com.br>. Acesso em: 12 dez. 2016. Alternativa C Resolução: A questão traz o trecho da música “Todo azul do mar”. Nela, a palavra “azul” exerce a função de substantivo em todas as ocorrências, pois, no contexto em que está inserida, ela é tratada como um ser, e não como a cor que caracteriza algum objeto (adjetivo). Deve-se, então, identificar qual das alternativas apresenta o uso da palavra “azul” equivalente ao trecho de Venturini, ou seja, em qual das músicas a palavra é usada como substantivo. A alternativa correta é a C, pois “azul” não está caracterizando substantivos. No verso “E o céu perder o azul”, a palavra “azul” é acompanhada por um artigo, característica dos substantivos. No verso “Buscar ali um cheiro de azul”, o cheiro é de alguma coisa. “De azul”, embora seja uma locução adjetiva, apresenta a palavra “azul” com significado equivalente ao emprego na música de Venturini, já que essa expressão é formada pela junção de uma preposição (de) e de um substantivo (azul). A alternativa A está incorreta, pois “azul” está caracterizando o substantivo “trem”, portanto a palavra é um adjetivo. A alternativa B também traz a palavra “azul” como adjetivo nas duas ocorrências, pois, na música, o sonho é azul, e “azul da cor do mar” é a reiteração dessa cor. A alternativa D está incorreta porque “azul” caracteriza o amor e o mar. Por fim, a alternativa E está incorreta porque “azul” caracteriza o céu. QUESTÃO 13 Meu povo preste atenção O que agora vou contar De um homem muito valente Que morava num lugar – Até o próprio governo Tinha medo de o cercar O seu nome era Vilela Do Sertão pernambucano, E ele desde pequenino Que tinha o gênio tirano: Só com dez anos de idade Vilela mata o seu mano Os dois estavam brincando Na véspera de São João. Vilela mais o seu mano Tiveram uma discussão – Só por causa de um cachimbo Vilela mata o seu irmão. ATHAYDE, J. M. História do Valente Vilela. Ceará: José Bernardo da Silva, 1975. [Fragmento] NDVV ENEM – VOL. 2 – 2020 LCT – PROVA I – PÁGINA 11BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO O texto de João Martins Athayde é um exemplar da literatura de cordel, tipicamente nordestina. Uma característica desse gênero identificada no texto é a A. banalização da violência para retratar a difícil realidade dos sertanejos. B. incorporação da literatura como meio para alertar os leitores sobre um criminoso. C. caracterização de Vilela num texto que tem como fim biografar figuras importantes. D. reação de protesto do cordelista contra o governo, que nada faz para prender Vilela. E. apresentação da personagem Vilela como um temido herói do Sertão pernambucano. Alternativa E Resolução: No texto do cordelista João Martins Athayde, infere-se que Vilela é um homem temido por todos por causa de seu comportamento violento, no entanto, ainda assim ele não é descrito pelo eu lírico como um bandido ou vilão, como indicado por sua principal característica, a valentia. É comum na literatura de cordel a presença de figuras ambíguas, regidas pelo temor causado por crimes cometidos e pela admiração popular ao combater as injustiças da vida sertaneja, como Lampião, Maria Bonita e Antônio Conselheiro. Nesse sentido, a alternativa E descreve bem o gênero. A alternativa A está incorreta porque a violência não é tratada no texto de forma corriqueira, mas sim com temor pelas personagens, que condenam Vilela e desejam que ele seja preso. B, porque não é intenção do cordelista alertar a população sobre um criminoso, mas apenas recontar uma história de caráter fantasioso, em que não se pode atestar a veracidade dos fatos. C, porque não é objetivo da literatura de cordel biografar figuras da sociedade, mas sim recontar relatos orais em que as personagens enfrentam dilemas na resolução de problemáticas; além disso, a caracterização de personagens está presente em diversos – senão em todos – gêneros literários. D, porque o cordelista, como narrador do relato, não se pronuncia quanto ao fato de o governo não conseguir prender Vilela, assumindo uma postura neutra. QUESTÃO 14 O projeto Viva Rugby, que visa divulgar o esporte e apresentar os valores da modalidade, esteve nessa sexta-feira, 14, na Satc. O atleta Daniel Xavier, da Seleção Brasileira, conversou com os estudantes sobre a prática que vem crescendo no Brasil. O jogador falou com os estudantes durante palestra onde apresentou o esporte e a trajetória do rúgbi como esporte olímpico. “Nossa intenção com o projeto é tornar a modalidade conhecida, já que está se popularizando país afora. Além disso, queremos propagar valores importantes como respeito, amor ao próximo e disciplina”, destacou o atleta. Além de visitar a Satc, o projeto desenvolvido pelo Criciúma Rugby Clube esteve no bairro da Juventude. Os treinos da equipe criciumense ocorrem nos campos da Satc. Disponível em: <http://www.portalsatc.com>. Acesso em: 28 out. 2016. 3ZEZ Embora sua história no Brasil date do século XIX, somente nas últimas décadas o rúgbi tem se disseminado pelo país, conquistando adeptos de todas as idades. O projeto desenvolvido na cidade catarinense de Criciúma busca difundir a prática do rúgbi, mas também tem a finalidade de A. incorporar esse esporte como uma prática de prestígio perante a sociedade. B. aperfeiçoar as táticas empregadas pela equipe local durante os treinamentos. C. associar esse esporte a uma manifestação corporal necessária a um grupo social. D. levar às pessoas que praticam atividades físicas uma nova opção de lazer. E. conquistar a mesma estima associada ao futebol como esporte olímpico. Alternativa C Resolução: Na fala do jogador Daniel Xavier, estão expostos os objetivos do projeto Viva Rugby: “Nossa intenção com o projeto é tornar a modalidade conhecida, já que está se popularizando país afora. Além disso, queremos propagar valores importantes como respeito, amor ao próximo e disciplina”. Partindo daí, infere-se que o rúgbi é entendido pelos membros do projeto como uma manifestação corporal necessária a um grupo social por causa de seus princípios éticos comunitários. Portando, a alternativa C é a correta. As alternativas A e E estão incorretas porque não se fala no texto sobre elevar o prestígio desse esporte no país, mas sobre popularizá-lo. A alternativa B está incorreta porque não é objetivo do projeto treinar o time da cidade de Criciúma; da mesma forma, o projeto também não visa oferecer apenas uma nova opção de lazer aos cidadãos, mas sim difundir e profissionalizar o rúgbi, o que invalida a alternativa D. QUESTÃO 15 Capítulo III Um criado trouxe o café. Rubião pegou na xícara e, enquanto lhe deitava açúcar, ia disfarçadamente mirando a bandeja, que era de prata lavrada. Prata, ouro, eram os metais que amava de coração; não gostava de bronze, mas o amigo Palha disse-lhe que era matéria de preço,e assim se explica este par de figuras que aqui está na sala: um Mefistófeles e um Fausto. Tivesse, porém, de escolher, escolheria a bandeja, – primor de argentaria, execução fina e acabada. O criado esperava teso e sério. Era espanhol; e não foi sem resistência que Rubião o aceitou das mãos de Cristiano; por mais que lhe dissesse que estava acostumado aos seus crioulos de Minas, e não queria línguas estrangeiras em casa, o amigo Palha insistiu, demonstrando-lhe a necessidade de ter criados brancos. Rubião cedeu com pena. O seu bom pajem, que ele queria pôr na sala, como um pedaço da província, nem o pôde deixar na cozinha, onde reinava um francês, Jean; foi degradado a outros serviços. ASSIS, M. Quincas Borba. In: Obra completa. V.1. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1993. [Fragmento] Quincas Borba situa-se entre as obras-primas do autor e da literatura brasileira. No fragmento apresentado, a peculiaridade do texto que garante a universalização de sua abordagem reside K43W LCT – PROVA I – PÁGINA 12 ENEM – VOL. 2 – 2020 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO A. no conflito entre o passado pobre e o presente rico, que simboliza o triunfo da aparência sobre a essência. B. no sentimento de nostalgia do passado devido à substituição da mão de obra escrava pela dos imigrantes. C. na referência a Fausto e Mefistófeles, que representam o desejo de eternização de Rubião. D. na admiração dos metais por parte de Rubião, que metaforicamente representam a durabilidade dos bens produzidos pelo trabalho. E. na resistência de Rubião aos criados estrangeiros, que reproduz o sentimento de xenofobia. Alternativa A Resolução: A relutância de Pedro Rubião em aceitar as sugestões de seu amigo Cristiano Palha mostra o conflito que vive o protagonista do romance de Machado de Assis. Rubião sente-se incomodado por ter de tomar atitudes para aparentar ser alguém importante e que siga as tendências comportamentais da alta sociedade. Como consequência, pensa estar deixando de ser quem era quando levava uma vida humilde em Minas Gerais. Esse conflito entre o passado comedido e o presente próspero do protagonista universalizam Quincas Borba, já que é um sentimento comum a pessoas de muitos lugares e épocas, causando aproximação em leitores de diferentes perfis. A alternativa correta, então, é a A. As demais alternativas tratam temas incomuns a toda a humanidade ou apontam sentimentos que não podem ser inferidos do texto, por isso estão incorretas. QUESTÃO 16 Cidadezinha qualquer Casas entre bananeiras mulheres entre laranjeiras pomar amor cantar. Um homem vai devagar. Um cachorro vai devagar. Um burro vai devagar. Devagar... as janelas olham. Eta vida besta, meu Deus. ANDRADE, C. D. Antologia poética. 12. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1978. Para retratar a paisagem de uma cidade, o autor utiliza elementos que reforçam as características interioranas encontradas nesse lugar. Entre esses recursos, destaca-se a A. repetição do advérbio “devagar”, que dá a ideia de mesmice, rotina comum de quem vive no interior. B. representação da paisagem natural, única imagem presente nos ambientes desse tipo de cidade. C. enumeração de substantivos, que representam os pacatos habitantes de uma cidade do interior. D. reiteração do uso do artigo, que indica a quantidade reduzida de habitantes de pequenas cidades. TL7W E. reprodução da fala de um morador da cidade do interior, indicada pela marca de regionalismo. Alternativa A Resolução: O poema de Drummond “Cidadezinha qualquer” apresenta um retrato da vida em uma pequena cidade. O autor utiliza elementos que ajudam a construir a atmosfera de tranquilidade característica desses locais. No texto, a repetição do advérbio “devagar” transmite a ideia de calmaria, da monotonia do dia a dia de uma cidade do interior, onde a rotina se desenvolve de maneira lenta e repetitiva. A alternativa correta, portanto, é a A. A alternativa B está incorreta, pois a paisagem natural apresentada não é única nas cidades pequenas do interior, que podem apresentar também paisagens urbanas, como visto nas imagens da casa, da janela. A alternativa C está incorreta, pois o uso dos substantivos não se limita à apresentação dos habitantes da cidade. A alternativa D está incorreta, pois o artigo “um” não tem a função de quantificar os habitantes da cidade, mas sim a de indefinir quem são eles. A alternativa E também está incorreta, pois embora a variante regional seja um elemento marcante nas cidades do interior, o verso final do poema não retrata a paisagem, visto que o regionalismo não faz parte da paisagem visualizada pelo eu lírico. QUESTÃO 17 “Se a minha vida não vale, que produzam sem mim.” A frase no cartaz de uma manifestante nas ruas de Buenos Aires, em 19 de outubro [2016], expressa um ponto de inflexão nos protestos contra a violência sofrida pelas mulheres. Não são apenas mulheres no lado de dentro das ruas, mas mulheres fora da produção. Ao relacionar corpos violados com corpos que se recusam a produzir, pela declaração de greve geral, o potencial de questionamento e de rebelião amplia-se. Não é uma fagulha, mas um incêndio. Este não é um outubro qualquer no campo dos feminismos. BRUM, E. Disponível em: <http://brasil.elpais.com>. Acesso em: 08 nov. 2016. [Fragmento] O texto debate as manifestações de mulheres ao redor do mundo, em especial na Argentina. Sobre o excerto, depreende-se que explicita, principalmente, A. a crítica à precária situação das mulheres empregadas. B. o menosprezo governamental às mulheres que reivindicam. C. o incentivo à greve pelo aumento da violência contra mulheres. D. a ampliação dos motes e das reivindicações de protestos feministas. E. o aprofundamento da crise social das mulheres que não produzem. Alternativa D Resolução: O texto mostra que as reivindicações feministas estão indo além do protesto contra a violência que as mulheres sofrem. Um dos motes das manifestantes em Buenos Aires era o fato de as mulheres serem importantes para economia do país, já que também produzem por meio de seu trabalho, constituindo-se assim novo argumento para o tratamento igualitário na sociedade. MQ32 ENEM – VOL. 2 – 2020 LCT – PROVA I – PÁGINA 13BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO Portanto, vê-se a ampliação das questões feministas, o que torna correta a alternativa D. A alternativa A está incorreta porque o trecho não critica a situação vivenciada por mulheres que estão empregadas, mas mostra que uma greve geral de mulheres afetaria substancialmente a economia. A alternativa B está incorreta porque a autora mostra a insatisfação das mulheres com o posicionamento de toda a sociedade, não somente do governo; além disso, nada no texto denota um menosprezo governamental tangível. A alternativa C está incorreta porque a autora não conclama seus leitores a protestar nem demonstra apoio às reivindicações; ela mostra um novo ponto insurgente no feminismo, buscando apontar sua pertinência. A alternativa E está incorreta porque o texto não indica a existência de crise de mulheres desempregadas, mas mostra que, se as mulheres empregadas se rebelassem e parassem de produzir, então surgiria uma crise. QUESTÃO 18 TEXTO I Books de cachorros resgatados fazem o número de adoções aumentar Uma iniciativa simples impulsionou a adoção de cachorros resgatados pela Prefeitura de Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba. O setor de comunicação da administração municipal se mobilizou para fazer uma campanha diferente: alguns dos cães ganharam um ensaio fotográfico. Os dois books foram postados na página da prefeitura no Facebook e repercutiram rapidamente. O primeiro, divulgado em fevereiro, teve quase dez mil compartilhamentos e quatro mil curtidas, além de centenas de comentários, mais de 500. O interesse pela adoção foi tão grande que a administração municipal decidiu fazer uma campanha de adoção logo depois do lançamento do ensaiofotográfico na rede social. KANIAK, T. Disponível em: <http://g1.globo.com/>. Acesso em: 31 out. 2016. [Fragmento adaptado] TEXTO II Campanha realizada pelo shopping Golden Square, em São Bernardo do Campo. Disponível em: <http://www.abcdoabc.com.br/>. Acesso em: 31 out. 2016. VTGV A notícia e o cartaz tratam da adoção de cachorros. Quanto à abordagem, o texto II apresenta um posicionamento que A. invalida o texto I, pois, se aumentam as adoções, as campanhas tornam-se desnecessárias. B. desvirtua o texto I, pois é uma campanha de iniciativa privada, visando, portanto, ao lucro. C. reforça o texto I, pois, bem como a notícia, o cartaz tem o objetivo de promover mais adoções. D. completa o texto I, pois o fato noticiado somente se legitima pela exposição do cartaz. E. apoia o texto I, pois a adoção de animais tende a aumentar por meio de campanhas. Alternativa E Resolução: A relação existente entre ambos os textos é de apoio, visto que o cartaz promove uma feira de adoção a ser realizada, enquanto a notícia informa a respeito de uma campanha bem-sucedida realizada pela Prefeitura de Piraquara, no Paraná. Assim, infere-se que, havendo campanhas, o ato de adotar animais também se tornará frequente, portanto a alternativa correta é a E. A alternativa A está incorreta porque o cartaz não invalida a notícia, já que as adoções aumentaram na cidade de Piraquara, ao passo que a campanha visa atingir os habitantes de São Bernardo do Campo, em São Paulo; além disso, o aumento das adoções não dispensa a existência de campanhas com esse objetivo, sendo estas o principal meio de divulgação para as pessoas encontrarem um animal de estimação para adotar. A alternativa B está incorreta porque a campanha promovida pelo shopping não busca lucro, mas sim que as pessoas adquiram um animal sem ter de comprá-lo. A alternativa C está incorreta porque nenhum dos textos tem o objetivo de promover mais adoções: a notícia tem caráter informativo e relata um acontecimento; o cartaz divulga uma campanha que se realizará num shopping de São Bernardo do Campo. A alternativa D está incorreta porque os acontecimentos por trás dos textos (o aumento da adoção em Piraquara, no texto I; e a campanha promovida pelo shopping, no texto II) não se relacionam diretamente, sendo, portanto, independentes. QUESTÃO 19 Fora da ordem Em 1588, o engenheiro militar italiano Agostinho Romelli publicou Le Diverse er Artficiose Machine, no qual descrevia uma máquina de ler livros. Montada para girar verticalmente, como uma roda de hamster, a invenção permitia que o leitor fosse de um texto ao outro sem se levantar de sua cadeira. Hoje podemos alternar entre documentos com muito mais facilidade – um clique no mouse é suficiente para acessarmos imagens, textos, vídeos e sons instantaneamente. Para isso, usamos o computador, e principalmente a Internet – tecnologias que não estavam disponíveis no Renascimento, época em que Romelli viveu. BERCITTO, D. Revista Língua Portuguesa, ano II, n. 14. O inventor italiano antecipou, no século XVI, um dos princípios definidores do hipertexto: a quebra de linearidade na leitura e a possibilidade de acesso ao texto conforme o interesse do leitor. Além de ser característica essencial da Internet, do ponto de vista da produção do texto, a hipertextualidade se manifesta também em textos impressos, como 2IU1 LCT – PROVA I – PÁGINA 14 ENEM – VOL. 2 – 2020 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO A. dicionários, pois a forma do texto dá liberdade de acesso à informação. B. documentários, pois o autor faz uma seleção dos fatos e das imagens. C. relatos pessoais, pois o narrador apresenta sua percepção dos fatos. D. editoriais, pois o editorialista faz uma abordagem detalhada dos fatos. E. romances românticos, pois os eventos ocorrem em diversos cenários. Alternativa A Resolução: Entre os gêneros textuais mencionados nas alternativas, somente o dicionário atende aos pré-requisitos do hipertexto, já que os leitores podem ler a definição dos verbetes que quiserem, quando quiserem e na ordem que quiserem. Portanto, a alternativa correta é a A. As demais alternativas apresentam gêneros cuja construção se dá somente por parte de seus autores, o que impede os leitores de romperem a linearidade da leitura e de acessarem o texto de acordo com seu interesse. QUESTÃO 20 Vambora Entre por essa porta agora e diga que me adora Você tem meia hora pra mudar a minha vida Vem vambora que o que você demora é o que o tempo leva Ainda tem o seu perfume pela casa ainda tem você na sala porque meu coração dispara quando tem o seu cheiro dentro de um livro Dentro da noite veloz CALCANHOTO, A. Vambora. In: Adriana Calcanhoto. Maritmo. CD. Sony Music, 1998. [Fragmento] Em textos literários, é recorrente o uso de figuras de linguagem para a expressão de ideias. Na letra da canção, a autora emprega a figura de linguagem A. metonímia, em “você tem meia hora”. B. antítese, em “Vem vambora”. C. sinestesia, em “Ainda tem o seu perfume pela casa”. D. metáfora, em “porque meu coração dispara”. E. prosopopeia, em “Dentro da noite veloz”. Alternativa D Resolução: Entre as alternativas propostas, a correta é a D, já que em “porque meu coração dispara” vê-se o verbo “disparar” empregado num contexto diferente de seu sentido denotativo, expandindo seu significado. Na acepção da letra, por meio de uma metáfora, é indicado que o coração do eu lírico bate muito rápido por causa das exaltações amorosas, diferentemente de “correr ou pôr-se a correr”, o sentido denotativo desse verbo. A alternativa A está incorreta porque não há metonímia em “você tem meia hora”, já que os termos são usados em seu contexto semântico regular. 21T3 A alternativa B está incorreta porque as ideias de vir para depois ir embora não são contrastantes; “vem” é usado como forma para se chamar o interlocutor. A alternativa C está incorreta porque não há fusão de sensações em “Ainda tem o seu perfume pela casa”, apenas a indicação de que o cheiro da pessoa permanece no recinto. A alternativa E está incorreta porque a menção ao livro Dentro da noite veloz, do poeta Ferreira Gullar, não apresenta prosopopeia ou personificação; a atribuição da característica “veloz” ao substantivo “noite” denota a rápida passagem do tempo. QUESTÃO 21 Alguns episódios que reforçam a sina de agosto, o mês do cachorro louco A história brasileira deu sua contribuição para reforçar a crendice em torno do “mês do desgosto”, mas sua origem vem, como boa parte das coisas boas e ruins da pátria, de Portugal. Segundo o folclorista Mário Souto Maior, as mulheres portuguesas não casavam em agosto porque este era o mês preferido para os navios deixarem o país em busca de novos territórios para o reino. Como casar neste mês significava ficar sem lua de mel ou mesmo viúva logo após o matrimônio, cunhou-se a expressão: “Casar em agosto traz desgosto”. A superstição veio para a colônia e persiste em várias regiões do país (os destemidos que ousam contrariá-la podem, inclusive, conseguir bons descontos). Em seu Dicionário do Folclore Brasileiro, Câmara Cascudo define agosto como “o mês das desgraças e das infelicidades” nos países latinos. VISEU, R. Disponível em: <http://ahistoriacomoelafoi.blogfolha.uol. com.br>. Acesso em: 27 out. 2016. [Fragmento] Ao longo do texto, que trata do misticismo que cerca o mês de agosto, muitos substantivos que carregam conotações negativas são usados para traçar a origem da crença de que esse período do ano é cercado de maus agouros. No entanto, outros vocábulos são empregados com acepção positiva no texto, como é o caso de A. “sina”. B. “cachorro”. C. “contribuição”. D. “pátria”. E. “territórios”. Alternativa C Resolução: Das palavras mencionadas nas alternativas, apenas “contribuição” carrega sentido positivo, conforme a definição do Dicionário Caldas Aulete: “Participação colaborativa numa atividade,na fundação, elaboração, construção ou resolução de algo etc.” Dessa forma, a alternativa correta é a C, já que, de acordo com o texto, a história brasileira ajudou a reforçar a crendice do mês de agosto. Entre as demais alternativas, “sina” carrega valor negativo (de acordo com o mesmo dicionário: “Fatalidade ou predestinação a que qualquer pessoa está supostamente sujeita.”); “cachorro” vem acompanhada do adjetivo “louco”; e “pátria” e “territórios” foram empregados de forma neutra, não carregando juízo de valor algum do autor. Ø3NB ENEM – VOL. 2 – 2020 LCT – PROVA I – PÁGINA 15BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO QUESTÃO 22 A curiosidade de um ouvinte belo-horizontino foi despertada após escutar o slogan de uma estação de rádio de sua cidade natal. Ele pensou, então, que haveria duas possibilidades de escrita, grafadas a seguir: I. Alvorada, 94,9 FM. Você sabe por que ouve. II. Alvorada, 94,9 FM. Você sabe, porque ouve. A diferença na escrita das palavras em destaque implica à interpretação dos slogans A. duplicidade de sentidos, pois o texto I exprime a ideia de “razão”, e o II a de explicação. B. ideia de consequência de um fato no texto I, e noção de causa no texto II. C. incoerência, posto que os pronomes relativos nos textos I e II estão mal-empregados. D. redundância, já que existe certeza do informado nos dois textos. E. semelhança de sentido, mas classificações morfológicas diferentes. Alternativa A Resolução: A frase ouvida no rádio pode ser interpretada de duas maneiras diferentes, dependendo de como transcrita. Em “Você sabe por que ouve”, o “por que” é equivalente a “motivo pelo qual”, impondo uma razão para a ação de ouvir, ou seja, os ouvintes sabem o motivo de ouvir à rádio. Já em “Você sabe, porque ouve”, o “porque” é uma conjunção coordenativa explicativa, equivalendo-se a “pois”, ou seja, a explicação de o ouvinte saber das coisas do mundo é o fato de ele ouvir à rádio. A alternativa A, portanto, está correta. A alternativa B está incorreta porque interpreta erroneamente os “porquês” em ambas as frases. C, porque sequer foram empregados pronomes relativos; na primeira frase o “que” é um pronome indefinido, e na segunda o “porque” é uma conjunção. D e E estão incorretas, porque, como exposto, os sentidos das frases são diferentes, além disso, pode-se afirmar que há redundância apenas na primeira frase, em que o ouvinte já saberia de antemão a razão de ouvir à rádio. QUESTÃO 23 Múmia de 3 mil anos passa por tomografia Como estudar uma múmia de quase 3 mil anos dentro de um sarcófago, quando só o fato de abrir o invólucro, colocando-a em contato com o ar, pode transformar em pó os restos conservados por milênios? Aliando a tecnologia médica com estudos arqueológicos, o Museu Oriental da Universidade de Chicago conseguiu obter uma imagem tridimensional da múmia Meresamun sem violar seu sarcófago. Pesquisadores supõem que Meresamun foi sacerdotisa de um templo de Tebas em 800 a.C. Sua urna funerária é decorada com elaboradas pinturas e está em ótimo estado de conservação. Por isso, depois de descoberta, passou 80 anos lacrada. Segundo os cientistas da universidade, com as informações obtidas no exame será possível estudar como Meresamun vivia, e continuar deixando-a descansar em paz dentro de seu sarcófago. BETING, G. História viva. São Paulo, ano 6, n. 66, p. 13, abril. 2009. 5FZN VUHC O texto anterior é informativo, por isso sua abordagem é objetiva, estruturada em relatos hierarquizados pelo nível de importância dentro do contexto. Com base nisso, a autora privilegia a informação de que o A. estudo das múmias deve ser feito por especialistas para que elas não se deteriorem. B. museu usou recursos tecnológicos atuais para estudar uma múmia sem degradá-la. C. sarcófago encontrado pertenceu a uma personagem de relativo destaque na sociedade egípcia. D. contato do ar com achados arqueológicos pode desgastar ou até destruir relíquias milenares. E. tempo por que ficou lacrada a urna funerária depois de descoberta denota sua conservação. Alternativa B Resolução: O título da notícia aponta qual é a informação mais importante que o texto carrega. Dessa forma, a tecnologia usada pelo museu para estudar a múmia é o foco no texto. Portanto, a alternativa correta é a B. As demais alternativas são factíveis e estão de acordo com o texto, no entanto nenhuma delas traz a principal informação que a autora leva aos leitores da revista, por isso estão incorretas. QUESTÃO 24 Guardar Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la. Em cofre não se guarda coisa alguma. Em cofre perde-se a coisa à vista. Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado. Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela, isto é, estar por ela ou ser por ela. Por isso melhor se guarda o voo de um pássaro Do que um pássaro sem voos. Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica, por isso se declara e declama um poema: Para guardá-lo: Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda: Guarde o que quer que guarda um poema: Por isso o lance do poema: Por guardar-se o que se quer guardar. MACHADO, G. In: MORICONI, I. (org.). Os cem melhores poemas brasileiros do século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. A memória é um importante recurso do patrimônio cultural de uma nação. Ela está presente nas lembranças do passado e no acervo cultural de um povo. Ao tratar o fazer poético como uma das maneiras de se guardar o que se quer, o texto A. ressalta a importância dos estudos históricos para a construção da memória social de um povo. B. valoriza as lembranças individuais em detrimento das narrativas populares ou coletivas. C. reforça a capacidade da literatura em promover a subjetividade e os valores humanos. LDNC LCT – PROVA I – PÁGINA 16 ENEM – VOL. 2 – 2020 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO D. destaca a importância de reservar o texto literário àqueles que possuem maior repertório cultural. E. revela a superioridade da escrita poética como forma ideal de preservação da memória cultural. Alternativa C Resolução: No texto, os versos “Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica, por / isso se declara e declama um poema: / Para guardá-lo: / Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:” comprovam o valor da literatura de promover, exaltar a subjetividade e os valores humanos. Isso significa dizer que, de acordo com o eu lírico, um poema é a melhor forma de se guardar uma sensação, uma lembrança, um momento, pois as palavras usadas ali preservam o mesmo sentimento experienciado no ato da escrita. A alternativa correta, portanto, é a C. As alternativas A e E estão incorretas porque o texto não fala do ato de guardar os eventos históricos de um povo ou sua memória cultural, mas sim as memórias individuais, os momentos especiais para cada uma das pessoas. Na alternativa B, a incorreção está em afirmar que o fazer poético sobrepõe-se às narrativas populares ou coletivas, já que isso não pode ser inferido do texto, que se limita a mostrar o impacto que causa um poema. Finalmente, a alternativa D está incorreta porque o poema não permite a interpretação de que o texto literário deve ser reservado à elite cultural; ao contrário, ele deve ser produzido por qualquer pessoa que queira “guardar o que quer que guarda um poema:”. QUESTÃO 25 Pacutiguibê Iaô Pacutiguibê macumba Iaê! Pacutiguibê macumba Iaô! Hoje tem festa no terreiro De Maria Cotia Pois hoje é dois de fevereiro Para felicidade minha Hoje eu vou me mandar É pra lá Já levo atabaque Afinado enfeitado inteiro Já levo zamba minha nêga Um batuque pro sinhô Já levo a fita rubro-negra Pra ofertar pra Iaô Iaô chegou pra comemorar Iaô entrou na roda de zambar bonito Iaô chegou do mar RIBAS, M. Pacutiguibê Iaô. In: Marku Ribas. Underground. LP. Copacabana,1973. [Fragmento] Uma nação é formada por aspectos sociais, econômicos e políticos, que estão diretamente relacionados às formas de expressão e à língua. A canção de Marku Ribas trata da cultura afrodescendente, empregando versos que destacam a A. dificuldade do negro de se inserir social e culturalmente hoje no Brasil. 7V7U B. oposição da crença e fé europeias em relação à religiosidade africana. C. festividade de origem negra, envolvendo dança e instrumentos musicais. D. diversidade dos idiomas africanos em relação àqueles falados na Europa. E. participação de negros em rituais conhecidos como de origem portuguesa. Alternativa C Resolução: Na letra, versos como “Hoje tem festa no terreiro”, “Já levo atabaque” e “Iaô entrou na roda de zambar bonito” empregam termos que retomam a cultura africana num ambiente festivo de dança e música, portanto a alternativa correta é a C. A alternativa A está incorreta porque a letra fala da festividade africana manifestada no Brasil, o que se opõe à dificuldade de inserção do negro social e culturalmente no país; ainda que os obstáculos enfrentados sejam reais, não é esse o tema de “Pacutiguibê Iaô”. A alternativa B está incorreta porque a letra não descreve europeus com atitude de enfrentamento à religiosidade africana. A alternativa D está incorreta porque há o enaltecimento da cultura e dos idiomas africanos sem oposição às línguas europeias. E a alternativa E está incorreta porque os rituais a que o autor se refere não são de origem europeia. QUESTÃO 26 DAHMER, André. Disponível em: <http://www.malvados.com.br/>. Acesso em: 10 dez. 2014. A tirinha aborda uma prática recorrente na contemporaneidade: a utilização das redes sociais virtuais. A fala do terceiro quadrinho contém uma crítica à(ao) A. democratização dos aparatos virtuais na contemporaneidade. B. existência da escravidão em tempos remotos. C. possibilidade de escravos terem acesso às redes sociais. D. tempo disponibilizado na utilização das redes virtuais. E. tempo gasto pelos escravos na construção das pirâmides. Alternativa D Resolução: A personagem da tirinha infere que se existisse Internet no tempo da construção das pirâmides, elas nunca terminariam de ser construídas pelos escravos, que trabalhariam pouco por acessar muito o Facebook. Para a interpretação correta do texto, é necessário contextualizar o conteúdo da tirinha com o fato de que, atualmente, muitas pessoas apresentam baixo nível de concentração ou dedicação em suas atividades diárias, como estudo e trabalho, por causa do acesso exacerbado à Internet e às redes sociais. Portanto, a alternativa correta é a D. EE8M ENEM – VOL. 2 – 2020 LCT – PROVA I – PÁGINA 17BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO A alternativa A está incorreta porque a crítica do autor não se volta para o fato de todas as camadas da população de hoje terem acesso à Internet, mas sim ao fato de como pessoas de todas as camadas a utilizam de forma exagerada; para aproximar o Egito Antigo ao leitor, ele faz uma analogia, em que os trabalhadores são os escravos. B, porque o autor problematiza o uso da Internet, não lançando olhar crítico à existência da escravidão no Egito Antigo. C, porque, como explicado, o autor não critica a inclusão digital, mas o comportamento inadequado de muitos usuários das redes sociais. Por fim, a alternativa E está incorreta porque o autor critica o tempo que supostamente os escravos despenderiam no celular, acarretando atraso na construção das pirâmides; ainda que haja relação de causa e consequência entre esses eventos, deve-se perceber que a crítica não foca o tempo de construção das pirâmides, mas aquele gasto nas redes sociais. QUESTÃO 27 GALHARDO. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br>. Acesso em: 14 nov. 2016. Com frequência, as tirinhas servem-se de poucos elementos composicionais para despertar reflexões sobre a vida humana. Nesse sentido, os recursos verbo-visuais no texto anterior apontam, simbolicamente, a A. condição das pessoas com deficiência. B. dúvida existencial de muitas pessoas. C. complexidade de questionamentos abstratos. D. hipocrisia nos julgamentos dos indivíduos. E. ignorância do sujeito sobre sua condição. Alternativa D Resolução: A tirinha começa lançando uma pergunta aos leitores: “Afinal, o que é um pescoçudo?”. Do segundo ao quarto quadrinho, três personagens surgem para respondê-la, no entanto nenhum deles sabe a resposta (e um deles diz ter medo), ainda que tenham como característica física o pescoço alongado. Pela atitude arredia das personagens, que afirmam não saber o que é um pescoçudo, mesmo o sendo, infere-se que o autor da tirinha faz uma crítica à hipocrisia que muitas pessoas demonstram ao julgar o próximo, embora apresentem a mesma característica ou comportamento. Pode-se chegar a essa interpretação mesmo que não se conheça o termo “pescoçudo”, pois a relação entre textos visuais e verbais na tirinha induzem os leitores a isso. A alternativa correta, portanto, é a D. A alternativa A está incorreta porque o texto não leva o leitor a refletir sobre a condição de pessoas deficientes, já que, no universo criado pelo autor, ter o pescoço demasiadamente longo não é deficiência. A alternativa B está incorreta porque a indagação no primeiro quadrinho não corresponde a uma dúvida existencial, mas a um questionamento simbolicamente respondido pelo próprio autor do texto. QDWF A alternativa C está incorreta porque o fato de as personagens não responderem à pergunta não aponta a complexidade de se encontrar respostas para questões subjetivas, ainda que a dificuldade em respondê-las seja real para muitas pessoas. Além disso, a tirinha não trata de assuntos intangíveis ao conhecimento. A alternativa E está incorreta porque o comportamento das personagens denota antes hipocrisia que ignorância: elas giram o pescoço, fazendo, simbolicamente, rodeios para responder à pergunta; e, no último quadrinho, o rapaz afirma ter medo, mesmo sem saber do que se trata. QUESTÃO 28 BROWNE, D. Disponível em: <http://planetatirinhas.wordpress.com>. Acesso em: 22 dez. 2016. Na tirinha, as personagens dialogam, até que, no último quadrinho, algo inesperado acontece. A atitude da personagem principal revela, supostamente, sua intenção de demonstrar a A. sabedoria dos anciãos. B. esperteza dos adultos. C. negligência dos jovens. D. humildade das crianças. E. determinação dos pais. Alternativa B Resolução: De acordo com a definição do Dicionário Michaelis para os termos empregados nas alternativas, vê-se que “esperteza” pode denotar “habilidade maliciosa”. Como Hagar é um adulto e visa ensinar a Hamlet, seu filho, a suposta malícia necessária para se encarar a vida, a resposta correta é a B. A alternativa A está incorreta porque a personagem de Hagar não representa um ancião; além disso, ainda que um dos significados de “sabedoria” seja “habilidade de enganar ou dissimular”, quando associada a pessoas mais velhas, denota “acúmulo de conhecimentos sobre assuntos diversos”. A alternativa C está incorreta porque Hamlet não se comporta com “falta de vigilância; descuido, desídia, desleixo”, mesmo que essas possam ser características atribuídas aos jovens pelo senso comum; ele foi antes ingênuo que negligente. A alternativa D está incorreta porque Hamlet não apresenta “demonstração de respeito, de submissão aos superiores”; além do mais, Hagar busca apontar uma característica de si mesmo, não de seu filho. Por fim, a atitude de Hagar não mostra a Hamlet “qualidade do que é inabalável; ânimo, firmeza, denodo”, já que se vê um pai, numa brincadeira, enganando o filho, por isso a alternativa E está incorreta. 7NØK LCT – PROVA I – PÁGINA 18 ENEM – VOL. 2 – 2020 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO QUESTÃO 29 O mundo se tornava fascista. Num mundo assim, que futuro nos reservariam? Provavelmente não havia lugar para nós, éramos fantasmas, rolaríamosde cárcere em cárcere, findaríamos num campo de concentração. Nenhuma utilidade representávamos na ordem nova. Se nos largassem, vagaríamos tristes, inofensivos e desocupados, farrapos vivos, velhos prematuros; desejaríamos enlouquecer, recolher-nos ao hospício ou ter coragem de amarrar uma corda ao pescoço e dar o mergulho decisivo. Essas ideias, repetidas, vexavam-me; tanto me embrenhara nelas que me sentia inteiramente perdido. Afligia-me especialmente supor que não me seria possível nunca mais trabalhar; arrastando-me em ociosidade obrigatória, dependeria dos outros, indigno e servil. RAMOS, G. Memórias do cárcere. São Paulo: José Olympio, 1953. Graciliano Ramos apresenta um relato sobre sua prisão durante o Estado Novo, no qual narra as situações com que se deparou naquele período. No fragmento apresentado, o autor A. denuncia o modo como o Brasil que surgia tratava os cidadãos com ideologias contrárias à Ditadura. B. expõe, com a menção a assassinatos ou suicídios, uma constante sensação de que a morte se aproxima. C. afirma que os presos eram inúteis e loucos, sem condições dignas de trabalhar e sustentar a si mesmos. D. faz uma equiparação das pessoas que se encontram em cárcere, seja em cadeias, seja em hospícios. E. reflete sobre os sentimentos de perdição e ócio causados por sua incapacidade de trabalhar na cadeia. Alternativa A Resolução: A questão apresenta um trecho da obra Memórias do cárcere, de Graciliano Ramos. Nela, o autor revela como foi o período em que esteve preso por ser acusado de estar envolvido com o Partido Comunista. A obra é um relato de sofrimento e humilhações que marcaram os presos políticos da ditadura Vargas. Portanto, deve-se relacionar o fragmento com a intenção manifestada pelo autor ao escrever suas memórias e percepções acerca da experiência vivida. A alternativa A está correta, pois o autor condena o tratamento dado aos presos, que não teriam mais função na nova sociedade que se instaurava. A alternativa B está incorreta, pois o autor se refere à morte com um possível refúgio final, já que não suportaria viver no cárcere; ainda, o autor não menciona medo do suicídio, de assassinato ou de outro tipo de morte física, apenas intelectual. A alternativa C está incorreta, pois em momento algum é afirmado que os presos são inúteis e loucos, mas que, nessa nova condição e situação do país, eles desejariam enlouquecer; além disso, o autor confessa sentir-se aflito com a possibilidade de não poder trabalhar novamente e de perder sua dignidade. A alternativa D está incorreta, pois no trecho apresentado o autor não compara o cárcere em prisões à reclusão em hospícios, mas conclui que estar louco ou morto é melhor que estar preso. A alternativa E está incorreta, pois o sentimento de perdição e ócio é decorrente da total privação de liberdade do autor; além disso, uma vez preso, ele não é incapaz de trabalhar, mas impedido de tal. VZ98 QUESTÃO 30 Fechado após ser destruído durante um incêndio no fim do ano passado [2015], o Museu da Língua Portuguesa fará exposições itinerantes do seu acervo no estado de São Paulo em 2016. A mostra de “Estação da Língua” será aberta no dia 4 de março, em Araraquara, interior paulista, e depois passará por outras cidades durante o ano, como Pirassununga. O fogo destruiu parte do prédio da Estação da Luz, onde funciona o Museu da Língua Portuguesa, região central da capital paulista, em 21 de dezembro. Segundo a Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, a exposição itinerante em 2016 seguirá o conceito central do Museu da Língua Portuguesa, propondo interatividade e tecnologia como veículos para apresentar o idioma ao público, nos seus mais variados sotaques e evoluções. Como o acervo do museu é digital, ele pode ser aplicado e adaptado para outros espaços. Disponível em: <http://g1.globo.com/>. Acesso em: 14 nov. 2016. [Fragmento] Segundo a notícia, o Museu da Língua Portuguesa destaca-se ao preservar o patrimônio linguístico nacional sobretudo por A. oferecer interatividade efetiva ao público que o visita. B. possibilitar a flexibilidade e a segurança de seu acervo. C. promover o acesso à investigação dos variados sotaques. D. retratar cronologicamente a evolução do português brasileiro. E. simbolizar a identidade brasileira por meio da língua padrão. Alternativa B Resolução: No último parágrafo da notícia, é afirmado que o acervo do museu é digital, podendo ser exposto em diferentes espaços. O texto visa destacar esse aspecto, apontando ser este o responsável por manter o museu funcionando de maneira itinerante, já que o incêndio destruiu parte do prédio da Estação da Luz. A alternativa correta, portanto, é a B. A alternativa A está incorreta porque, ainda que as exposições itinerantes ofereçam interatividade, a notícia não ressalta esse fato, já que, anteriormente, na Estação da Luz, o museu também era interativo. O foco da notícia é mostrar que o Museu da Língua Portuguesa pode funcionar independentemente de seu prédio original. As alternativas C e D estão incorretas porque os variados sotaques da Língua Portuguesa, com sua consequente investigação por parte dos visitantes e pesquisadores, e a exibição da evolução do Português brasileiro também configuram um aspecto anterior ao incêndio, não sendo a inovação proposta pela Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo. Por fim, a alternativa E está incorreta porque o texto não fala de língua padrão representando a identidade brasileira; na realidade, isso entraria em conflito com o estudo da língua, que deve respeitar todas as suas variações, mesmo que não sigam a norma estabelecida como padrão. QUESTÃO 31 “Ler para uma criança é uma atitude transformadora. Por meio da leitura, a criança desenvolve a criatividade e adquire cultura, conhecimento e valores”, afirma a educadora Ana Teberoski, professora da Universidade de Barcelona e uma das pesquisadoras mais respeitadas quando o tema é alfabetização. FLEURY, Y. Disponível em: <http://www.curtamais.com.br>. Acesso em: 07 dez. 2016. FTZ2 UXL7 ENEM – VOL. 2 – 2020 LCT – PROVA I – PÁGINA 19BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO Quanto mais cedo a leitura começar, melhor será para a criança, de acordo com a pesquisadora entrevistada na reportagem. Nessa reflexão, sua fala apoia-se em A. permitir o contato com um mundo completamente desconhecido. B. apontar para os pais quais são os interesses futuros de seu filho. C. ampliar o potencial de descobertas e a compreensão da ética pela criança. D. buscar o contato com o multiculturalismo para o futuro leitor. E. aumentar logo cedo as chances de uma alfabetização eficiente. Alternativa C Resolução: A educadora Ana Teberoski afirma que a leitura desenvolve a criatividade na criança, que adquire cultura, conhecimento e valores, portanto seu potencial de descobertas e senso ético são ampliados. A alternativa correta, então, é a C. As demais alternativas trazem afirmações factíveis, e que indicam benefícios da leitura para crianças, porém nenhuma delas pode ser extraída da fala da pesquisadora, portanto estão incorretas. QUESTÃO 32 O quereres Ah! Bruta flor do querer Ah! Bruta flor, bruta flor Onde queres comício, flíper-vídeo E onde queres romance, rock ‘n’ roll Onde queres a Lua, eu sou o Sol Onde a pura natura, o inseticídio Onde queres mistério, eu sou a luz E onde queres um canto, o mundo inteiro Onde queres quaresma, fevereiro E onde queres coqueiro, eu sou obus VELOSO, C. O quereres. In: Caetano Veloso. Totalmente demais. LP. Phillips Records, 1986. [Fragmento] Caetano Veloso utiliza na canção figuras de linguagem para falar da expectativa que pessoas afetivamente envolvidas têm uma da outra. Para construir o sentido do texto, a principal figura de linguagem presente no trecho é o(a) A. antítese, porque existe uma relação de sentidos opostos entre as palavras para reforçar a ideia das diferenças enfrentadaspelo par. B. eufemismo, pois são utilizados termos que amenizam a situação problemática que envolve a expectativa de um em relação ao outro. C. metáfora, porque as palavras permitem inúmeras possibilidades de leitura, construindo uma comparação implícita entre as pessoas. D. metonímia, porque há termos empregados no lugar de outros, com proximidade de ideias, representando as diferenças do par. E. paradoxo, pois as combinações de ideias expressas pelas palavras são inconcebíveis, sugerindo a incompatibilidade entre as pessoas. Z2QM Alternativa A Resolução: Na canção, o eu lírico fala sobre o que ele e seu par querem na relação amorosa que vivem. Os versos desdobram-se formando o sentido do todo e possibilitando a interpretação. Deve-se, então, identificar qual figura de linguagem predomina na letra. A alternativa A está correta, porque durante todo o texto as palavras usadas expressam oposição de ideias. De um lado, uma pessoa quer comício (que pode ser compreendido como politização), do outro, a outra pessoa quer flíper-vídeo (um videogame, que pode ser compreendido na música como alienação); de um lado romance (calmaria), do outro, rock’ n’ roll (agito); de um lado a Lua (noite), do outro, Sol (dia); etc. Os versos não são constituídos de palavras antônimas, mas de ideias contrárias. A alternativa B está incorreta, pois as palavras não foram usadas com o objetivo de amenizar o discurso do interlocutor. Não há razão para seu uso, pois o que está sendo dito na música não é algo agressivo, grosseiro ou desagradável a ponto de precisar ser dito de um modo mais brando. A alternativa C também é incorreta, pois, embora as vontades estejam sendo conotativamente representadas pelas palavras, não é a metáfora que constrói o sentido do texto, e sim a relação antagônica do par. A alternativa D está incorreta, pois não existe metonímia no texto, isto é, não há a substituição de uma palavra que representa uma parte pelo todo, nem relações de semelhança entre elas. A alternativa E também está incorreta, porque as oposições não são absurdas, mas contradições possíveis. QUESTÃO 33 Arrumação Josefina sai cá fora e vem vê olha os fôrro ramiado vai chovê vai trimina riduzi toda a criação das banda da lá do ri Gavião chiquêra prá cá já ronca a truvão Futuca a tuia, pega o catadô Vamo plantá feijão no pó Mãe Purdença inda num culheu o ai o ai rôxo essa lavora tardâ diligença pega panicum balai vai cum tua irmã, vai num pulo só vai colhê o ai, ai da tua avó [...] MELO, E. F. Arrumação. In: Elomar. Na quadrada das águas perdidas. LP. Seminário Música de Agora na Bahia, 1978. A letra da canção manifesta aspectos do repertório linguístico e cultural do Brasil. Para expressar melhor esse repertório o compositor faz uso de vários recursos, como a(o) A. adoção de uma ordem cronológica na narrativa, impedindo, assim, a construção de sentido da letra da canção. B. citação de vários elementos típicos da paisagem urbana para expressar a cultura regional brasileira. C. emprego da norma-padrão da Língua Portuguesa para garantir a expressão cultural do tema retratado pela canção. D. omissão de alguns elementos da narrativa, como o uso de personagens para retratar vários aspectos da cultura brasileira. E. utilização de expressões regionais que, embora possam inicialmente dificultar o entendimento, não impedem a construção de sentido da canção. TFXG LCT – PROVA I – PÁGINA 20 ENEM – VOL. 2 – 2020 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO Alternativa E Resolução: Na letra de “Arrumação”, o autor emprega elementos de um dialeto regional para manifestar a cultura nacional. As expressões escolhidas por ele, no entanto, não prejudicam a compreensão dos ouvintes, que conseguem perceber a história relatada, ainda que um ou outro termo possa lhes ser desconhecido. A alternativa correta é a E, portanto. As alternativas A e D estão incorretas porque a ordem cronológica do relato ou a omissão de alguns elementos da narrativa não são identificados como parte do repertório linguístico cultural do Brasil. B, porque não há na letra menção a aspectos urbanos, somente rurais; mesmo se houvesse, ainda assim, apenas a citação desses elementos não representaria o rico repertório linguístico do Brasil. Por fim, a alternativa C está incorreta porque a linguagem empregada pelo eu lírico na canção é informal, não se adequando, portanto, à norma-padrão; além disso, a riqueza linguística do Brasil está nos muitos dialetos existentes. QUESTÃO 34 Tá faltando eu Preciso me curtir bem mais É pena que só olho pros lados Se a alma quer um banho de sais O corpo quer me ver apaixonado O medo aguça a atração A solidão na pele arde Espero que quando eu me ver E acordar não seja tarde LEÃO, F. Tá faltando eu. In: Gusttavo Lima. Buteco do Gusttavo. CD. Som Livre, 2015. [Fragmento] Em letras de músicas, a linguagem informal é usada para aproximar a canção dos ouvintes. No entanto, ao se analisar o texto pelo viés da norma-padrão, inadequações podem ser identificadas, como visto no(a) A. colocação do pronome “me” no primeiro verso. B. ausência de um artigo indefinido antes de “pena”. C. uso da preposição que antecede “atração”. D. conjugação do verbo “ver” na segunda estrofe. E. emprego do advérbio de negação após o verbo. Alternativa D Resolução: No verso “Espero que quando eu me ver”, há uma inadequação quanto ao uso do verbo “ver”. Sua conjugação na primeira pessoa do singular do futuro do subjuntivo é “vir”, portanto o verso reescrito pela norma- -padrão fica: “Espero que quando eu me vir”. Assim sendo, a alternativa correta é a D. A alternativa A está incorreta porque o pronome oblíquo átono “me” pode vir em posição proclítica antes de verbos no infinitivo. A alternativa B está incorreta porque o artigo indefinido “um” não é obrigatório na expressão “É pena”. A alternativa C está incorreta porque o vocábulo “a”, antes de “atração”, é um artigo definido feminino, que determina o substantivo. A alternativa E está incorreta porque o advérbio de negação “não” está ligado ao verbo “seja” em uma oração diferente da qual se encontra o verbo “acordar”. KJQO QUESTÃO 35 Como as novas gerações vão expandir a energia solar O Greenpeace Brasil e a NESsT Brasil lançaram um desafio: convocar universitários de todo o país para trazerem suas ideias de como democratizar a energia solar. O concurso Desafio Solar para Negócios Sociais teve mais de 250 inscrições e mostrou que há muitos jovens com boas ideias por aí. Ao longo de cinco meses, grupos selecionados participaram de seminários, palestras e mentorias com profissionais do mercado. Assim, eles receberam informações valiosas para conseguir tirar suas ideias do papel. Segundo Rodrigo Sauaia, presidente executivo da Associação Brasileira de Energia Fotovoltaica (ABSOLAR), é muito importante ouvir esses jovens e incentivá-los, ainda mais quando o interesse é por uma fonte limpa e renovável de energia. Disponível em: <http://www.greenpeace.org>. Acesso em: 26 out. 2016. [Fragmento] Quando lançou o concurso em busca de soluções de expansão do uso de energia solar, a organização do desafio visou A. divulgar as boas ideias sustentáveis das instituições. B. chamar a atenção das universidades para o problema. C. avaliar o desempenho dos futuros profissionais da área. D. buscar investimentos em diversos eventos acadêmicos. E. convidar os jovens a contribuir com propostas atualizadas. Alternativa E Resolução: O primeiro período do texto expõe o objetivo do concurso: ouvir ideias de jovens de todo o país para uma melhor disseminação da energia solar, o que está de acordo com a alternativa E. A alternativa A está incorreta porque não é um objetivo das instituições divulgar suas ideias, mas sim trabalhar naquelas criadas pelos universitários. A alternativa B está incorreta porque não se pretende sensibilizar as universidades brasileiras; o projeto está para além disso,buscando soluções para a expansão da energia solar. A alternativa C está incorreta porque o projeto não é obrigatório a todos os estudantes, não se configurando, portanto, como método avaliativo de desempenho profissional. A alternativa D também está incorreta porque as organizações envolvidas no projeto não o criaram para atrair novos investimentos; os eventos acadêmicos serviram para informar e instruir os universitários participantes. QUESTÃO 36 Disponível em: <http://www.alwaysbrasil.com.br>. Acesso em: 27 out. 2016. DJ9M 6VP1 ENEM – VOL. 2 – 2020 LCT – PROVA I – PÁGINA 21BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO Textos publicitários exploram diferentes recursos para o convencimento do público-alvo. A mensagem transmitida pelo anúncio anterior estrutura-se pela confluência do texto verbal com o texto não verbal, uma vez que o(a) A. corte na frase e o chute na caixa refutam papéis sociais atribuídos à mulher. B. produto anunciado cessa os limites sociais historicamente impostos ao gênero feminino. C. radicalismo de movimentos feministas do século XXI é enaltecido pelo anunciante. D. estampa da camiseta denota que o produto anunciado tem respaldo científico. E. igualdade de gêneros torna-se tangível com a existência e a venda do produto. Alternativa A Resolução: A frase escrita na caixa representa um lugar comum que visa limitar o papel social da mulher na sociedade. O fato de a menina ter riscado a frase e aparecer chutando a caixa indica um posicionamento que refuta tal lugar comum, portanto A é a alternativa correta. A alternativa B está incorreta porque não é o absorvente que cessa as imposições sociais, mas sim o comportamento da garota. A alternativa C está incorreta porque o anunciante não se posiciona a respeito de movimentos feministas, limitando-se apenas a apoiar igualdades sociais para ambos os gêneros. A alternativa D está incorreta porque a estampa da camiseta da menina tem, na verdade, o objetivo de contrariar os limites impostos ao gênero feminino, mostrando que mulheres, além de corajosas, também se interessam por ciência, assunto normalmente associado a homens. Por fim, a alternativa E está incorreta porque não será o produto anunciado o responsável por pregar a igualdade de gêneros. QUESTÃO 37 Crônica da abolição [...] Toda a história desta lei de 13 de maio estava por mim prevista, tanto que na segunda-feira, antes mesmo dos debates, tratei de alforriar um molecote que tinha. [...] Disse-lhe com rara franqueza: – Tu és livre, podes ir para onde quiseres. Aqui tens casa amiga, já conhecida, e tens mais um ordenado, um ordenado que... – Oh! meu senhô! Fico. – Um ordenado pequeno, mas que há de crescer. Tudo cresce neste mundo: tu cresceste imensamente. Quando nasceste eras um pirralho deste tamanho; hoje estás mais alto que eu. Deixa ver; olha, és mais alto quatro dedos... – Artura não qué dizê nada, não, senhô... – Pequeno ordenado, repito, uns seis mil-réis: mas é de grão em grão que a galinha enche o seu papo. Tu vales muito mais que uma galinha. – Eu vaio um galo, sim, senhô. – Justamente. Pois seis mil-réis. No fim de um ano, se andares bem, conta com oito. Oito ou sete. Pancrácio aceitou tudo: aceitou até um peteleco que lhe dei no dia seguinte, por me não escovar bem as botas; efeitos da liberdade. Mas eu expliquei-lhe que o peteleco, sendo um impulso natural, não podia anular o direito civil adquirido por um título que lhe dei. Ele continuava livre, eu de mau humor; eram dois estados naturais, quase divinos. Tudo compreendeu o meu bom Pancrácio: daí para cá, tenho-lhe despedido alguns pontapés. MACHADO DE ASSIS. Crônica da abolição. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br>. Acesso em: 07 ago. de 2014. A5V4 Com um objetivo marcadamente irônico, Machado de Assis publicou essa crônica poucos dias depois da abolição da escravatura no Brasil. O discurso e a atitude do “dono” de Pancrácio, que o alforria para contratá-lo como assalariado, são os elementos que sustentam a ironia do texto. A fala que melhor revela a hipocrisia desse personagem é: A. “Toda a história desta lei de 13 de maio estava por mim prevista, tanto que na segunda-feira, antes mesmo dos debates, tratei de alforriar um molecote que tinha.” B. “Tu és livre, podes ir para onde quiseres. Aqui tens casa amiga, já conhecida, e tens mais um ordenado.” C. “Um ordenado pequeno, mas que há de crescer. Tudo cresce neste mundo: tu cresceste imensamente. Quando nasceste eras um pirralho deste tamanho; hoje estás mais alto que eu.” D. “Pequeno ordenado, repito, uns seis mil-réis: mas é de grão em grão que a galinha enche o seu papo. Tu vales muito mais que uma galinha.” E. “Pois seis mil-réis. No fim de um ano, se andares bem, conta com oito. Oito ou sete.” Alternativa C Resolução: No trecho “Um ordenado pequeno, mas que há de crescer. Tudo cresce neste mundo: tu cresceste imensamente. Quando nasceste eras um pirralho deste tamanho; hoje estás mais alto que eu.”, identifica-se ironia vinda do narrador quando este afirma que o salário de Pancrácio crescerá como um bebê cresce até se tornar adulto. A quantia paga a ele é pouca, e o trabalhador recém-liberto não conseguirá juntar dinheiro para tornar-se, de fato, um homem livre, independente; além disso, é improvável que, com o passar dos anos, o valor pago aumente. A atitude do narrador é hipócrita, portanto, porque ele mesmo sabe que o que está dizendo não é verdade e que está apenas abusando da ingenuidade de Pancrácio. Dessa forma, a alternativa correta é a C. As demais alternativas estão incorretas porque os trechos não apresentam ironia ou hipocrisia por parte do narrador. Em A, B e E, veem-se declarações de sentido denotativo, sem tom hipócrita ou irônico, já que é dito o que de fato se pretende dizer, sem falsidade. Na alternativa D, também não se vê ironia ou hipocrisia na fala do narrador, pois, por meio de uma metáfora e de uma comparação, ele faz uma declaração positiva sobre Pancrácio. QUESTÃO 38 – Aí, beleza? Você joga bola? – Jogo. – A gente tá precisando de um lateral direito pra completar o time da turma, tá afim? – Tô dentro. – Aí, gente, fechamos o time! Qual é seu nome? – É Léo. – Vem pra cá, Léo! Chega mais! – chamou um outro garoto. REBOUÇAS, T. Ela disse, ele disse. Rio de Janeiro: Rocco, 2011. Por causa de influências históricas, sociais, regionais, entre outras, a variação linguística do Brasil é rica e retrata a diversidade de seu povo. No trecho apresentado, à procura de mais um jogador de futebol, um garoto convida Léo para completar o time. A linguagem utilizada A. pertence à variedade culta da língua e está adequada ao contexto, pois os garotos acabaram de se conhecer. B. representa o modo de falar dos garotos daquela idade, pois a informalidade é comum nesse grupo de falantes. ØY7C LCT – PROVA I – PÁGINA 22 ENEM – VOL. 2 – 2020 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO C. está em desacordo com o contexto, pois a informalidade do ambiente pede que a linguagem seja coloquial. D. reforça a ideia de como os jovens se expressam mal, pois esse modo de falar não condiz com a norma-padrão. E. dificulta a compreensão dos garotos, pois as abreviações das palavras e o uso de gírias são inadequados. Alternativa B Resolução: Um diálogo entre dois garotos exemplifica a variedade linguística presente na fala das pessoas. É importante lembrar que a relação entre fala e contexto é o que define o bom uso da língua. Dessa forma, deve-se relacionar a fala à situação em que as personagens estão inseridas. A alternativa B é a correta, pois a linguagem utilizada, com expressões coloquiais, representa o modo de falar dos jovens. Além disso, o contexto em que estão inseridos (ambiente informal e descontraído) os desobriga a utilizar a norma-padrão. A alternativa A está incorreta, pois os garotos não estão falando de acordo com a variedade culta. Na conversa, termos como “tá afim” e “tô dentro” não pertencemà norma-padrão da língua. A alternativa C está incorreta, porque a linguagem não está em desacordo com o contexto, visto que a coloquialidade pode estar inserida em contexto informal. A alternativa D também está incorreta, pois falar de maneira coloquial não significa se expressar mal. Para aquele momento, a linguagem, embora fuja à norma- -padrão, estava sendo utilizada adequadamente. Além disso, é equivocado afirmar que a variedade linguística, seja qual for, interfira na qualidade da Língua Portuguesa. A alternativa E está incorreta porque as palavras “tá” e “tô” e as gírias “tá afim” e “chega mais”, além de serem adequadas para o contexto, não dificultam a compreensão dos garotos, já que essa é normalmente a forma como os jovens comunicam-se em seu grupo. QUESTÃO 39 O Brasil figura entre os países de maior diversidade linguística. Estima-se que, atualmente, são faladas mais de 200 línguas. A partir dos dados levantados pelo Censo IBGE de 2010, especialistas calculam a existência de pelo menos 170 línguas ainda faladas por populações indígenas. Embora não contabilizadas pelo Censo, pesquisas na área de linguística também apontam para outras línguas historicamente “situadas” e amplamente utilizadas no Brasil, além das indígenas: línguas de imigração, de sinais, de comunidades afro-brasileiras e línguas crioulas. Esse patrimônio cultural é desconhecido ou mesmo ignorado por grande parte da população brasileira. A historiografia do país demonstra que foi necessário considerável esforço do colonizador português em impor sua língua pátria em um território tão extenso. Trata-se de um fenômeno político e cultural relevante o fato de, na atualidade, a Língua Portuguesa ser a língua oficial e plenamente inteligível de norte a sul do país, apesar das especificidades e da grande diversidade dos chamados “sotaques” regionais. Esse empreendimento relacionado à imposição da Língua Portuguesa foi adotado enquanto uma das estratégias de dominação, ocupação e demarcação das fronteiras do território nacional, sucessivamente, em praticamente todos os períodos e regimes políticos. Da Colônia ao Império, da República ao Estado Novo e daí em diante. GARCIA, M. V. C. Disponível em: <http://www.ipea.gov.br>. Acesso em: 21 out. 2016. [Fragmento] WYS4 Em um país territorialmente tão grande como o Brasil, é impossível não haver variedade linguística. Sobre essa diversidade exposta no texto, conclui-se que A. as influências de outras culturas no país contribuíram para que a Língua Portuguesa alcançasse todos os falantes do território brasileiro. B. os sotaques interferem na compreensão e na qualidade da Língua Portuguesa, apesar de esta ser falada de norte a sul do país. C. as outras línguas, embora plenamente usadas, são irrelevantes, visto que a maioria da população usa a Língua Portuguesa. D. as línguas faladas pela minoria são desvalorizadas pela população geral, que sabe muito pouco ou nada sobre a existência e a importância delas. E. os portugueses esforçaram-se para que a Língua Portuguesa dominasse o Brasil por considerarem inferiores as outras línguas. Alternativa D Resolução: O texto fala sobre a diversidade linguística do Brasil, que, embora tenha a Língua Portuguesa como oficial, também possui várias outras línguas que são amplamente utilizadas, como as indígenas. Deve-se interpretar o texto observando sua organização e objetivo, que é esclarecer que essa diversidade se configura como importante patrimônio nacional a ser preservado, pois revela a identidade e a memória do povo brasileiro. A alternativa D é a correta, pois o texto afirma que esse patrimônio ainda é desconhecido por grande parte da população brasileira. Desse modo, é possível afirmar que essas línguas não são valorizadas. A alternativa A está incorreta, pois, de acordo com o texto, a Língua Portuguesa alcançou todo território brasileiro por causa da imposição dos portugueses, e não pela contribuição de outras culturas. A alternativa B está incorreta porque, apesar de existirem muitos sotaques regionais, a Língua Portuguesa é plenamente inteligível em todo o país, de norte a sul. A alternativa C está incorreta porque a diversidade linguística é considerada um patrimônio cultural brasileiro, ou seja, é reconhecida pela sua importância, mesmo sendo a Língua Portuguesa a mais utilizada no país. A alternativa E, por fim, está incorreta, pois os portugueses esforçaram-se para introduzir a Língua Portuguesa em todo o Brasil não por considerarem as outras línguas inferiores, e sim porque queriam dominar e ocupar o território. QUESTÃO 40 TE XT O AS SI NA TU RA = CONFIRMO MINHA PRESENÇA JANTAR DIA TRES VG QUANDO TEREI SEMPRE RENOVADO PRAZER ABRACAR VELHOS ET PREZADOS AMIGOS PRESTIGIOSO PT CORDIALMENTE = HABITUE-SE A INDICAR NO RECIBO DO SEU TELEGRAMA A HORA EM QUE O RECEBER. COM ESSA PROVIDÊNCIA, AUXILIARÁ O DEPARTAMENTO NA FISCALIZAÇÃO DA ENTREGA DOS TELEGRAMAS Disponível em: <http://www.anosdourados.blog.br>. Acesso em: 27 out. 2016 (Adaptação). M8W6 ENEM – VOL. 2 – 2020 LCT – PROVA I – PÁGINA 23BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO O telégrafo foi um meio de comunicação popular no Brasil ao longo dos séculos XIX e XX. Um dos gêneros textuais decorrentes dele era o telegrama, correspondência social caracterizada pela pronta-entrega e por seu texto curto, já que a cobrança era feita por palavra. A necessidade de compor um texto simples inovou a língua, como comprovado, no texto anterior, pela A. dispensa de todos os sinais diacríticos. B. supressão de preposições e conjunções. C. omissão do sujeito em todas as orações. D. utilização de abreviações em termos longos. E. ausência de marcadores de pausa na escrita. Alternativa B Resolução: A principal inovação na língua identificada no texto-base é a supressão de preposições e conjunções na articulação de palavras ou orações. Isso se dava para economizar dinheiro, uma vez que a cobrança do telegrama era feita por palavra. Dessa forma, preposições e conjunções não eram usadas quando a ideia pretendida pelo emissor estava subentendida. A alternativa correta, então, é a B. A alternativa A está incorreta porque a dispensa dos sinais diacríticos – acentos e cedilha – não aponta inovação na língua trazida pelo telegrama, pois já eram postas em prática anteriormente em textos informais, como bilhetes, por exemplo; além disso, esses sinais não eram usados nos telegramas por uma limitação dos aparelhos de telegrafia. A alternativa C está incorreta porque a omissão do sujeito também já existia previamente ao uso do telegrama, sendo um recurso da Língua Portuguesa, uma vez que é possível identificar o sujeito pelas desinências do verbo. A alternativa D também está incorreta porque no texto apresentado não há abreviações de termos longos; “vg” é “vírgula”, “pt” é “ponto-final”, e “et” é uma adaptação da conjunção aditiva “e” a fim de que não seja confundida com o verbo “ser” conjugado na terceira pessoa do singular do modo indicativo, “é”. Por fim, a alternativa E está incorreta porque no texto há sim marcadores de pausa: a vírgula e o ponto-final são representados, respectivamente, por “vg” e “pt”. QUESTÃO 41 Oceano Vem me fazer feliz Porque eu te amo Você deságua em mim E eu oceano Esqueço que amar É quase uma dor Só sei Viver Se for Por você DJAVAN. Oceano. In: Djavan. Djavan. LP. Luanda Edições Musicais, 1989. [Fragmento] No texto da canção, como recurso estrutural, o autor muda a classe gramatical de um dos vocábulos. Essa estratégia implica subjetividade temática, demonstrando que o compositor 5KQ9 A. identifica semelhança sonora entre o substantivo “oceano” e a desinência número-pessoal de “amo”. B. associa uma ideia de ação ao substantivo concreto “água”, inserindo-o entre dois pronomes pessoais. C. percebe a semelhança de som nos vocábulos terminados em “r”, empregando-os todos como verbos. D. impõe noção de experiênciano lugar de ação ao utilizar o verbo “viver” como um substantivo. E. trabalha a ambiguidade apresentada pelo vocábulo “por”, sendo tanto um verbo como uma preposição. Alternativa A Resolução: O substantivo “oceano”, no texto, é empregado como verbo conjugado na primeira pessoa do singular do presente do indicativo: “eu oceano”. O vocábulo que rima com “oceano” é “amo”, verbo “amar” conjugado na primeira pessoa do singular do presente do indicativo. Dessa forma, por notar a semelhança sonora entre esses vocábulos, o autor estruturou a rima dos versos em que aparecem, portanto a alternativa A é a correta. B está incorreta porque não é atribuída ação a “água”, que não é verbo, embora esteja na composição do verbo “desaguar”; além disso, o fato de esse substantivo estar entre pronomes não tem relação com a classe gramatical a que pertence. A alternativa C está incorreta porque nem todos os vocábulos terminados em “r” no trecho são verbos, já que “dor” é substantivo. A alternativa D está incorreta porque “viver” é empregado, no texto, como verbo, não como substantivo. Por fim, a alternativa E está incorreta porque não há duplo sentido no vocábulo “por”, que é uma preposição, já que há o acento diferencial na grafia do verbo “pôr”. QUESTÃO 42 Linha de frente O nó da tua orelha ainda dói em mim E Cebolinha mandou avisar Quando a “fleguesa” chegar Muitos pãezinhos há de degustar Magali faz a cadência da situação É que essa padaria nunca vendeu pão E tudo que é de ruim sempre cai pra cá Tem pouca gente na fronteira, então é só chegar O dinheiro vem pra confundir o amor O santo pesado que tá sem andor Na turma da Mônica do asfalto Cascão é rei do morro e a chapa esquenta fácil Quem tá na linha de frente Não pode amarelar O sorriso inocente Das crianças de lá Disponível em: <http://www.letras.com.br>. Acesso em: 20 out. 2016. O rapper Criolo evidencia, em seu discurso, a preocupação com o povo brasileiro, levando para suas canções a realidade das periferias. Em “Linha de frente”, o cantor refere-se à Turma da Mônica, conhecida história em quadrinhos de Mauricio de Sousa, para MI2R LCT – PROVA I – PÁGINA 24 ENEM – VOL. 2 – 2020 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO A. denunciar o trabalho infantil presente nas favelas brasileiras, em que crianças se sujeitam a empregos no comércio local em troca de um salário ínfimo, pois estão na linha de frente do sustento da família. B. refletir sobre o abandono das crianças de periferia, que vivem ociosas, observando o movimento da rua e do comércio sem fregueses, e conscientes de sua condição, sem dinheiro e assistência. C. falar da realidade das crianças envolvidas com o tráfico no Brasil, que utilizam os comércios de fachada para a venda de drogas, as quais entram facilmente no país porque as fronteiras são pouco vigiadas. D. homenagear as personagens, fazendo uma menção ao seu papel de representantes das crianças, tanto do morro quanto dos grandes centros, mesmo sendo essas realidades tão diferentes. E. mostrar como a realidade das crianças da periferia é difícil, pois, como há policiamento na fronteira, o que há de pior na sociedade vai para lá, afastando-as das pessoas que evitam frequentar esses locais. Alternativa C Resolução: A questão apresenta a música “Linha de frente”, do cantor e compositor Criolo, cujo discurso está muito ligado à situação do povo pobre, dos moradores de favelas e periferias do Brasil. Deve-se atentar para a utilização da figura de linguagem metáfora, que dá a uma palavra uma nova significação em sentido conotativo. No caso da música, ele utiliza a imagem da Turma da Mônica para retratar a realidade das crianças brasileiras que vivem em situação de vulnerabilidade social. A alternativa C é a correta, pois o autor fala sobre a realidade vivida pelas crianças no tráfico. Na música, a padaria serve de fachada para um ponto de venda de drogas (os “pãezinhos” que os fregueses vão degustar). Outro indício importante sobre o tráfico está no trecho “Tem pouca gente na fronteira, então é só chegar”, que mostra que as fronteiras do Brasil são mal vigiadas, o que facilita a entrada de drogas no país. A alternativa A está incorreta, pois, embora haja uma referência a um tipo de trabalho, este não é no comércio. A padaria citada na música não existe de fato, servindo apenas de fachada para a ação de criminosos (“É que essa padaria nunca vendeu pão”). Além disso, “linha de frente” não significa a responsabilidade pelo sustento da família, mas relaciona-se às brigadas policiais que vão enfrentar manifestações nas favelas. A alternativa B está incorreta, pois, como citado anteriormente, a música não fala sobre o comércio. A alternativa D está incorreta, pois a intenção não é homenagear a Turma da Mônica, e sim usar sua imagem para retratar as crianças do tráfico. Por fim, a alternativa E está incorreta, pois, como especificado, a fronteira refere-se às regiões de divisa do país, não à entrada da favela. QUESTÃO 43 O meu nirvana No alheamento da obscura forma humana, De que, pensando, me desencarcero, Foi que eu, num grito de emoção, sincero Encontrei, afinal, o meu nirvana! Nessa manumissão schopenhauereana, Onde a vida do humano aspecto fero Se desarraiga, eu, feito força, impero Na imanência da ideia soberana! Destruída a sensação que oriunda fora Do tato – ínfima antena aferidora Destas tegumentárias mãos plebeias – Gozo o prazer, que os anos não carcomem, De haver trocado a minha forma de homem Pela imortalidade das ideias ANJOS, A. O meu nirvana. In: Eu e outras poesias. 3. ed. São Paulo: Livraria Martins Fontes Editora, 2011. No soneto de Augusto dos Anjos, o eu lírico reflete acerca de sua imortalidade como poeta. O gênero literário em que esse poema se enquadra é o lírico, pois a voz poética A. usa da confluência de tempos, espaços, ações e vozes na construção do texto. B. busca homenagear o autor Schopenhauer por meio de linguagem grandiloquente. C. dá vazão à sua subjetividade num texto em que prevalecem rima e musicalidade. D. trabalha uma temática cotidiana numa ordem sequencial e progressiva de tempo. E. narra seus grandes feitos, citando o autor Schopenhauer, aqui visto como o herói. Alternativa C Resolução: O enunciado da questão afirma que o texto de Augusto dos Anjos enquadra-se no gênero literário lírico. Partindo daí, deve-se buscar a justificativa de tal afirmação. Como no texto o autor expõe impressões sobre si mesmo e o mundo que o cerca, confirma-se a existência de subjetividade; por fim, tratando-se de um poema estruturado num soneto, vê-se que os versos rimam, criando a musicalidade natural ao gênero lírico. Portanto, a alternativa correta é a C. A alternativa A descreve o gênero épico, mais especificamente os textos em prosa, como romance ou conto. B descreve uma elegia, que se enquadra no gênero lírico, no entanto o texto de Augusto dos Anjos é um soneto e não visa homenagear o autor alemão. D está incorreta porque, como a alternativa A, descreve os textos em prosa do gênero épico; além disso, não há, no soneto em questão, temas cotidianos apresentados em ordem cronológica. Por fim, a alternativa E está incorreta porque o gênero que apresenta os grandes feitos de um herói é o épico, mais especificamente a epopeia. KWN5 ENEM – VOL. 2 – 2020 LCT – PROVA I – PÁGINA 25BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO QUESTÃO 44 Disponível em: <www.ivancabral.com>. Acesso em: 27 fev. 2012. O efeito de sentido da charge é provocado pela combinação de informações visuais e recursos linguísticos. No contexto da ilustração, a frase proferida recorre à A. polissemia, ou seja, aos múltiplos sentidos da expressão “rede social” para transmitir a ideia que pretende veicular. B. ironia para conferir um novo significado ao termo “outra coisa”. C. homonímia para opor, a partir do advérbio de lugar, o espaço da população pobre e o espaço da população rica.D. personificação para opor o mundo real pobre ao mundo virtual rico. E. antonímia para comparar a rede mundial de computadores com a rede caseira de descanso da família. Alternativa A Resolução: O humor da charge advém da polissemia da expressão “rede social”. Uma rede social, pelos paradigmas socioculturais do século XXI, é uma estrutura social formada por pessoas ou organizações, conectadas por um ou vários tipos de relações; no entanto, a personagem na charge, associando o termo à sua realidade – uma família humilde, com muitos filhos, e sem acesso à Internet –, usa uma outra acepção da palavra “rede”: leito composto por um tecido resistente que geralmente é pendurado em paredes ou troncos de árvores. Além disso, o termo “social” é empregado pelo pai da família porque a rede é usada por muitas pessoas ao mesmo tempo, inferindo até mesmo que esse seja o único lugar disponível para a família dormir. Da polissemia usada para provocar humor o chargista faz uma dura crítica à desigual distribuição de renda no Brasil. A alternativa correta, portanto, é a A. A alternativa B está incorreta porque o termo com dois significados no texto é “rede social”; além disso, a duplicidade de sentido é não decorrente de ironia alguma. C, porque não é o termo com valor de advérbio de lugar (“aqui em casa”) que opõe ricos e pobres, mas toda a confluência do texto verbo-visual na tirinha; além disso, o caso de homonímia ocorre na palavra “rede”. Por fim, D e E estão incorretas porque não há no texto ocorrências de personificação, já que nenhum objeto inanimado recebe atributos de ser humano; ou antonímia, pois a rede de computadores e a rede de descanso não são comparadas entre si, e, caso fossem, não seria por meio de antonímia, mas de comparação. YQ7Ø QUESTÃO 45 Disponível em: <http://www.ebah.com.br>. Acesso em: 08 nov. 2016. A linguagem publicitária visa atrair vendas para o produto que anuncia usufruindo de recursos linguísticos e expressivos variados. A forma e o vocabulário apresentados no texto, que divulga um jornal impresso, têm como objetivo A. alertar os leitores sobre o problema da comunicação no país, apresentando como solução o uso de termos coloquiais na publicação. B. esclarecer que os jornalistas preferem a linguagem informal por não causar polêmicas ou distorções na intenção discursiva. C. convidar o leitor a ler o periódico, já que neste é empregada uma linguagem acessível e popular para relatar os fatos acontecidos. D. demonstrar que a informalidade, juntamente com os regionalismos, também é tema de notícias, mesmo aparentando não ser. E. divulgar que a “língua da gente” é a informal, embora haja normas e convenções em textos de outros jornais em circulação. Alternativa C Resolução: Quando emprega termos coloquiais e regionais no anúncio, com o texto saindo de uma ilustração da boca de uma pessoa, o jornal busca conquistar o leitor mostrando que fala a mesma língua que ele, ou seja, usa uma linguagem acessível, com palavras que estão na “boca do povo”. A alternativa C, dessa forma, está correta. A alternativa A está incorreta porque o anúncio não sugere haver problema de comunicação nem propõe medidas que o resolvam. Alternativa B está incorreta porque o anúncio também não levanta o posicionamento dos jornalistas a respeito de qual linguagem eles preferem usar. A alternativa D está incorreta porque a linguagem informal do jornal anunciado não é tema de uma notícia, mas o meio escolhido pelo veículo para levar os fatos a seus leitores. Por fim, a alternativa E está incorreta porque, mais uma vez, nem os jornalistas nem o jornal demonstram juízo de valor a respeito das linguagens formal ou informal; o que fazem é usar de coloquialismos para atrair um público-alvo determinado. EWTP LCT – PROVA I – PÁGINA 26 ENEM – VOL. 2 – 2020 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO TEXTO I O atual conceito de família valoriza a dignidade da pessoa humana, no momento em que tutela o afeto como o ponto central, o próprio coração de uma legítima família. A família é um vínculo de afeto e é protegida constitucionalmente, considerada como a base da sociedade. A diversidade sexual com a sua pluralidade afetiva deve ser compreendida como um elemento de integração social. SENA, M. T. C. Novas formas de família. Disponível em: <http://ambito-juridico.com.br>. Acesso em: 14 nov. 2016. TEXTO II O projeto de lei 6 583 / 13 [Estatuto da Família], de autoria do deputado Anderson Ferreira (PR-PE), [...] apresenta, logo no artigo 2º, a definição de família: “define-se entidade familiar como o núcleo social formado a partir da união entre um homem e uma mulher, por meio de casamento ou união estável, ou ainda por comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes.” A proposta está de acordo com o que diz a Constituição Federal de 1988, mas vai de encontro a uma decisão do Supremo Tribunal Federal brasileiro de 2011. [...] Neste ano, ministros do STF reconheceram por unanimidade a união entre pessoas do mesmo sexo como família, igualando direitos e deveres de casais heterossexuais e homossexuais. E, em 2013, o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) regulamentou a união homoafetiva por meio de resolução que obriga os cartórios a realizar o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. Disponível em: <http://noticias.uol.com.br>. Acesso em: 14 nov. 2016. [Fragmento] TEXTO III Composição das famílias brasileiras Casal sem filhos Casal sem filhos e com parentes Casal com filhos Casal com filhos e com parentes Mulher sem cônjuge com filhos Mulher sem cônjuge com filhos e com parentes Homem sem cônjuge com filhos Homem sem cônjuge com filhos e com parentes Outros 4,2% 6,3% 2000 2010 13% 1,9% 56,4% 7,2% 11,6% 3,7% 1,5% 0,4% 0,6% 1,8% 4% 12,2% 5,5% 49,4% 2,5% 17,7% Disponível em: <http://g1.globo.com>. Acesso em: 06 dez. 2016. TEXTO IV [...] De acordo com o IBGE, que elaborou o estudo Estatísticas de Gênero, em 2000, as mulheres chefiavam 24,9% dos 44,8 milhões de domicílios particulares. Em 2010, 38,7% dos 57,3 milhões de domicílios registrados já eram comandados por mulheres. Segundo a Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM), em mais de 42% destes lares, a mulher vive com os filhos, sem marido ou companheiro. Neste cenário de dificuldades e desafios, elas conquistaram muito, mas é preciso avançar mais. [...] Disponível em: <http://www.brasil.gov.br>. Acesso em: 14 nov. 2016. [Fragmento] R ep ro du çã o / F on te : I BG E INSTRUÇÕES PARA A REDAÇÃO 1. O rascunho da redação deve ser feito no espaço apropriado. 2. O texto definitivo deve ser escrito à tinta, na folha própria, em até 30 linhas. 3. A redação que apresentar cópia dos textos da Proposta de Redação ou do Caderno de Questões terá o número de linhas copiadas desconsiderado para efeito de correção. 4. Receberá nota zero, em qualquer das situações expressas a seguir, a redação que: 4.1. tiver até 7 (sete) linhas escritas, sendo considerada “texto insuficiente”. 4.2. fugir ao tema ou que não atender ao tipo dissertativo-argumentativo. 4.3. apresentar parte do texto deliberadamente desconectada com o tema proposto. 4.4. apresentar nome, assinatura, rubrica ou outras formas de identificação no espaço destinado ao texto. 6PJX PROPOSTA DE REDAÇÃO A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da Língua Portuguesa sobre o tema “Pluralidade familiar no Brasil: desafios e perspectivas”, apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista. TEXTOS MOTIVADORES ENEM – VOL. 2 – 2020 LCT – PROVA I – PÁGINA 27BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO A proposta de redação orienta-se por uma temática geral: PLURALIDADE FAMILIARNO BRASIL: DESAFIOS E PERSPECTIVAS Toda a coletânea apresenta informações referentes a esse tema e, de modo geral, também oferece elementos para que os alunos consigam problematizar seu enfoque. A proposição de um título não é obrigatória na redação do Enem. No entanto, caso os alunos optem por colocar um título, a correção deve penalizar apenas aqueles alunos que colocaram o tema como título (em contexto algum o TEMA deve ser usado como TÍTULO). Itens de correção de acordo com a grade Enem: I. Item destinado à avaliação da composição linguística do texto (uso da norma-padrão). Para isso, são considerados os aspectos de domínio gramatical explorados na estruturação do raciocínio: uso de concordância verbo-nominal, acentuação gráfica, ortografia, variedade vocabular, pontuação, entre outros recursos que, caso sejam mal utilizados, devem ser penalizados. Vale ressaltar que o aspecto linguístico deve ser considerado em função do conteúdo do texto. Desse modo, se o texto for claro, mas apresentar algumas falhas gramaticais, estas devem ser penalizadas de forma moderada ou não devem ser penalizadas (caso não haja prejuízos para o conjunto textual). • Número máximo de erros linguísticos para obtenção de nota total nessa competência: dois erros (acima disso, penalizar na correção). ATENÇÃO: este item é avaliado em consonância com o item IV. II. Na compreensão do tema, os alunos devem explorar as variadas composições familiares no Brasil. Para isso, é interessante que se contextualize, inicialmente, a diversidade na constituição dos núcleos familiares brasileiros contemporâneos e a complexidade prática de se definir um conceito de família. Com relação ao cumprimento do objetivo, os alunos devem perceber a necessidade de criar um enfoque problematizador do tema (desafios e perspectivas), já que é solicitada a criação de uma proposta de intervenção. Desse modo, os alunos podem propor uma tese de raciocínio relacionada, por exemplo, às tensões sociais e jurídicas derivadas do entendimento restrito do pluralismo familiar, dando especial destaque ao contexto de discriminação e luta por direitos de certos modelos que fogem à família tradicional, como os núcleos homoafetivos ou monoparentais. • Sinalizar, na correção, existência ou ausência da tese de raciocínio. Caso não haja TESE no texto dos alunos, este item deve ser penalizado com maior rigor (nota mínima ou ZERO). Penalizar também a presença de trechos mais longos que escapem às tipologias argumentativa e expositiva (como os de cunho narrativo). ATENÇÃO: este item é avaliado em consonância com o item III. III. Com relação à terceira habilidade avaliada, domínio da estrutura textual argumentativa, os alunos devem confirmar ou discutir sua tese por meio de estratégias argumentativas diversificadas, com certo grau de ineditismo e autoria, procurando fugir, ao menos parcialmente, de uma abordagem atrelada ao senso comum. No caso desta proposta, os alunos podem utilizar, por exemplo, alusões históricas que ajudem a discutir a inevitável expansão do conceito de família (a desconstrução da família patriarcal pelas conquistas feministas e dos grupos LGBTs é uma possibilidade), definições (o conceito jurídico moderno de família, como pessoas que convivem sob o mesmo lar, com laços afetivos e não necessariamente consanguíneos, é um caminho possível), dados concretos (como as estatísticas do IBGE, no texto IV, de que quase 40% dos lares brasileiros são de famílias monoparentais lideradas por mulheres, ou mesmo a menção à problemática tramitação do Estatuto da Família no Congresso Nacional). Em sua problematização, os alunos podem enfocar, especialmente, as famílias homoafetivas e as dificuldades que vivenciam na conquista efetiva de seus direitos (resistência de certos setores conservadores da sociedade, apesar das garantias legais; maior burocracia no processo de adoção e registro de seus filhos, etc.), assim como as famílias monoparentais lideradas por mulheres (pensar no preconceito e abandono que as mães solteiras ainda enfrentam, aliados à dificuldade jurídica para reconhecimento da paternidade, por exemplo). • A ausência de problematização do enfoque deve ser penalizada (nota igual ou inferior a 50%). ATENÇÃO: este item deve ser avaliado em conexão com o item II, para que não haja penalização dupla dos mesmos problemas. IV. Na quarta habilidade, domínio da estrutura linguístico-semântica, os alunos devem demonstrar uso coerente de sequências discursivas, especialmente no que diz respeito às cadeias coesivas construídas no texto, com o auxílio de determinadas ferramentas da norma-padrão (pontuação, uso correto de conectores, etc.). As relações coesivas devem ser avaliadas entre as sentenças e entre os parágrafos. • ATENÇÃO: este item deve ser avaliado em conexão com o item I, para que não haja penalização dupla dos mesmos problemas. V. Na quinta habilidade avaliada, proposta de intervenção, os alunos devem propor algumas estratégias para tentar solucionar as situações-problema apresentadas ao longo do texto. Este item é muito importante na prática de redação do Enem, portanto deve haver detalhamento e variedade nas propostas apresentadas. Os alunos podem, por exemplo, propor que ONGs que militam pela causa homoafetiva mobilizem a sociedade civil para exercer uma pressão popular contrária à aprovação do Estatuto da Família ou a qualquer outro instrumento jurídico que contribua para a diferenciação dos núcleos familiares. Também é viável que escolas e universidades, órgãos midiáticos e instituições religiosas contribuam para a discussão em defesa do respeito à pluralidade familiar, à parte de convicções ideológicas. Pode-se, além disso, mencionar a necessidade de um maior aporte financeiro, jurídico e emocional às famílias monoparentais de baixa renda por meio de políticas públicas ou de projetos sociais voluntários. • A intervenção proposta pelos alunos deve estar em conformidade com a tese e a argumentação desenvolvidas ao longo do texto. Do contrário, deve haver penalização. LCT – PROVA I – PÁGINA 28 ENEM – VOL. 2 – 2020 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO CIÊNCIAS HUMANAS E SUAS TECNOLOGIAS Questões de 46 a 90 QUESTÃO 46 Assim formou-se a Liga de Delos, com Atenas encarregando-se de garantir a proteção das cidades que dela faziam parte mediante um tributo destinado a financiar a constituição e o funcionamento da frota. MARITAIN, J. A filosofia da natureza. São Paulo: Edições Loyola. p. 27. A Liga de Delos, importante instrumento na luta contra os persas, assumiu dimensão distinta da destacada no texto, na medida em que os(as) A. cidades gregas propunham um papel agressivo na busca da formação de um império. B. pitonisas de Delfos profetizaram a ameaça proveniente da Guerra do Peloponeso. C. espartanos compreenderam o papel militar decisivo dos povos de origem dória. D. gregos foram invadidos pelas tropas militares macedônicas de Alexandre, o Grande. E. recursos arrecadados foram desviados para os interesses exclusivos da pólis ateniense. Alternativa E Resolução: A) As cidades gregas formaram a Liga de Delos com a finalidade de garantir a defesa de seus territórios, não de atacar outros povos e formar um império. B) O domínio ateniense provocou insatisfação não apenas das cidades que compunham a Liga de Delos, mas também das cidades aristocráticas do Peloponeso, que não se alinhavam com Atenas. Esse fato deu origem à Liga do Peloponeso, ou seja, uma aliança entre essas cidades- -estados insatisfeitas, sob a liderança de Esparta. Portanto, essa alteração sugerida pelo enunciado não se relaciona a profecias, mas a problemas internos. C) A dimensão da Liga de Delos foi alterada por questões internas, como os abusos que a pólis ateniense foi acusada de cometer, não pelos interesses espartanos. D) Os gregos foram invadidos pelas tropas militares macedônicas após o enfraquecimento das poleis gregas, provocado pela longa Guerra do Peloponeso.Logo, esse fato não se relaciona aos problemas internos da Liga de Delos. E) A Liga de Delos enfrentou problemas em decorrência do questionamento das cidades aliadas sobre o uso do tesouro da Liga em benefício de Atenas. Desse modo, o objetivo firmado entre as poleis não foi cumprido, assumindo, assim, uma dimensão diferente. 81KV QUESTÃO 47 Disponível em: <http://www.italiamedievale.org>. Acesso em: 19 out. 2016. A imagem retrata figuras femininas do século XIV na defesa de um castelo. Essa representação questiona a A. versão de que as mulheres eram consideradas inferiores pelos homens medievais. B. definição tradicional de sociedade estamental justificada ideologicamente pela Igreja. C. concepção de que as mulheres tinham papéis sociais ligados ao trabalho doméstico. D. interpretação historiográfica que limita aos homens a participação nos combates. E. visão que restringe os papéis sociais exercidos pelas mulheres no Período Medieval. Alternativa E Resolução: A) Apesar de as mulheres exercerem variados papéis sociais, além do tradicional papel doméstico, os homens medievais consideravam-se superiores a elas. Portanto, a imagem não problematiza essa versão histórica, isto é, combatendo ou não, as mulheres eram consideradas inferiores na sociedade medieval. B) As mulheres da Idade Média foram realmente muito diferentes da tradicional imagem difundida pela Igreja ou pela literatura, e que se perpetuou ao longo dos tempos. Contudo, apesar da possibilidade de participarem de combates, a organização estamental da sociedade medieval, que era justificada pela Igreja, não pode ser negada, sobretudo porque essa divisão tradicional não se relaciona à questão de gênero, mas sim aos grupos sociais (clero, nobreza e trabalhadores). C) As mulheres medievais exerciam papéis sociais ligados ao trabalho doméstico, seja como filhas, esposas ou mães, de modo que a participação nos combates não anula o exercício de outras funções. D) Não existe uma interpretação historiográfica que desconsidera a participação das mulheres nos combates, apesar de esse universo ser composto predominantemente pelos homens. Um exemplo clássico da História é a participação da guerreira Joana D’Arc na Guerra dos Cem Anos (1337-1453). QRZD ENEM – VOL. 2 – 2020 CH – PROVA I – PÁGINA 29BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO E) Ao longo dos tempos, foram reproduzidos estereótipos acerca da figura feminina na Idade Média, que se limita a associá-la ao papel doméstico e de mãe, completamente submissa ao homem. Entretanto, a historiografia atual destaca que as condições da mulher no plano social podiam ter muitas variações, isto é, a História rechaça qualquer generalização. Além das mulheres guerreiras retratadas na imagem, temos diversos exemplos do papel feminino medieval que extrapolam o campo doméstico: mulheres artesãs, pintoras, parteiras, cabeleireiras, artistas, rainhas, entre outros papéis. Pode-se ainda destacar que muitas esposas, na ausência do marido (como no caso das Cruzadas), tornavam-se responsáveis pela administração das propriedades. QUESTÃO 48 Talvez não haja melhor lugar para se observar o impacto inicial da queda das taxas de fertilidade da Europa nas últimas décadas que a zona rural alemã, um problema com implicações assustadoras para a economia e a psique do continente. [...] Em seu censo mais recente [2013], a Alemanha descobriu que havia perdido 1,5 milhão de habitantes. Segundo especialistas, em 2060, a população do país poderá ter encolhido outros 19%, chegando a cerca de 66 milhões. Disponível em: <http://economia.estadao.com.br>. Acesso em: 01 dez. 2015 (Adaptação). Entre as medidas adotadas por alguns países europeus para evitar a grande escassez de mão de obra, destacam-se o(a) A. redução do tempo de permanência dos trabalhadores em atividade. B. contenção do fluxo migratório proveniente de países mais pobres. C. limitação do número de mulheres no mercado de trabalho. D. estímulo à natalidade por meio de subsídios financeiros aos pais. E. geração de emprego para a população ativa em idade adulta. Alternativa D Resolução: Os países europeus têm taxas de natalidade insuficientes para manter o mesmo nível populacional. A Alemanha tem a menor taxa de natalidade do mundo, o que despertou preocupações de escassez de mão de obra e prejuízo à economia nacional. Para evitar isso, o país tem políticas governamentais de estímulo ao aumento da taxa de fecundidade com subsídios aos pais. A alternativa A está incorreta, pois a tendência em países com envelhecimento populacional é o prolongamento da idade de aposentadoria. A alternativa B está incorreta, pois a chegada de jovens imigrantes é uma maneira de preencher as lacunas no mercado de trabalho. A alternativa C está incorreta porque, nesse caso, é necessário a inserção de mais mulheres na População Economicamente Ativa. A alternativa E está incorreta, pois a geração de emprego para a população ativa em idade adulta não é uma medida para evitar a grande escassez de mão de obra. W55F QUESTÃO 49 As três viagens de que Américo [Vespúcio] participou, realizadas entre 1499 e 1503, tiveram o mérito de invalidar Colombo. Depois delas, ficou claro que as novas terras [compunham] um continente desconhecido. Mesmo sem ter sido responsável direto por essa descoberta, Américo foi recebido na Corte como autoridade na matéria. GOMES, P. F. Américo antes da América. Disponível em: <http://www.revistadehistoria.com.br>. Acesso em: 23 out. 2015. No contexto da Expansão Marítima, o continente que os europeus encontraram recebeu o nome de América, em homenagem ao florentino Américo Vespúcio, mesmo Colombo tendo sido o primeiro europeu a desembarcar oficialmente na região. Essa homenagem está relacionada com o fato de que Américo Vespúcio A. invalidou a “descoberta” de Colombo, uma vez que o florentino realizou mais viagens que o navegante genovês. B. possuía mais conhecimentos geográficos do que Colombo, pois aquele se apoiava na cartografia do geógrafo grego Ptolomeu. C. refutou, por meio de relatos detalhados, a tese de Colombo, o qual acreditava ter chegado ao Extremo Oriente. D. estudou em Florença, fato que lhe conferiu legitimidade, pois a cidade era considerada uma referência em assuntos náuticos. E. promoveu uma conquista bem-sucedida da América do Sul, ao contrário de Colombo, que fracassou nesse intento. Alternativa C Resolução: Após três viagens ao “novo mundo”, entre 1499 e 1503, Américo Vespúcio, por meio de relatos detalhados, refutou a tese de Colombo, que afirmava ter chegado ao Extremo Oriente. Os apontamentos feitos por Vespúcio renderam-lhe o reconhecimento na Corte como autoridade na matéria, e, em sua homenagem, o “novo continente” foi batizado de América, o que torna correta a alternativa C. Entretanto, contrariamente ao que afirma a alternativa A, o apontamento de Vespúcio não invalidou a “descoberta” de Colombo, pois ela foi fundamental para as viagens posteriores, que reconheceriam as terras encontradas como pertencentes a um continente até então desconhecido e para a própria colonização da América. Além disso, Colombo teria feito quatro viagens às novas terras, enquanto Vespúcio teria feito apenas três, o que corrobora para invalidar a alternativa A. Apesar de ter constatado a “descoberta” de um “novo continente”, Vespúcio não empreendeu de fato um processo de conquista da América do Sul, e Colombo, em suas viagens, não alcançou as terras correspondentes à região meridional do continente americano, o que vai de encontro à alternativa E. Por fim, não há dados históricos ou informações no texto que permitam afirmar que Vespúcio, por se apoiar na cartografia de Ptolomeu, possuía mais conhecimentos geográficos do que Colombo nem que o fato de ter estudado em Florença conferia ao florentino legitimidade, o que torna inválidas as alternativas B e D. 644X CH – PROVA I – PÁGINA30 ENEM – VOL. 2 – 2020 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO QUESTÃO 50 Eternos moradores do luzente Estelífero polo, e claro assento, Se do grande valor da forte gente De luso não perdeis o pensamento, Deveis de ter sabido claramente, Como é dos fados grandes certo intento, Que por ela se esqueçam os humanos De assírios, persas, gregos e romanos. CAMÕES, L. Os Lusíadas. Disponível em: <http://www.dominiopublico. gov.br>. Acesso em: 23 nov. 2016. [Fragmento] Um argumento baseado no trecho do poema épico de Camões e outro fundamentado pela atual Historiografia, que buscam justificar o pioneirismo português nas viagens ultramarinas, são, respectivamente: A. Capacidade técnica dos cosmógrafos / Financiamento dos grupos mercantis. B. Heroísmo de figuras públicas / Domínio português da navegação de cabotagem. C. Vocação marítima do povo português / Vasta experiência dos navegadores. D. Posição geográfica de Portugal / Desenvolvimento das ciências da navegação. E. Surgimento de novos instrumentos náuticos / Fundação da Escola de Sagres. Alternativa C Resolução: Para a solução desta questão, o aluno precisa não apenas compreender o trecho do poema de Luis de Camões como estar atento às interpretações acerca dos motivos que garantiram a primazia portuguesa na conquista dos mares durante a Expansão Marítima. Por isso, não basta que o aluno perceba que o texto-base sugere que tais feitos estariam intrinsicamente ligados a uma espécie de vocação, que condicionava o destino de todo o povo português, mas também saber reconhecer razões tradicionalmente postas como fundamentais para a concretização daquele projeto, como a importância da posição geográfica ou a atuação de grandes personagens, como D. Henrique, por muito tempo tratado como o principal responsável por esse acontecimento. Sendo assim, a única alternativa correta é a C, que apresenta a principal justificativa utilizada pelo poeta – uma espécie de vocação marítima portuguesa –, além da razão que, atualmente, a Historiografia trata como a mais plausível para justificar o sucesso português: o conhecimento dos cosmógrafos e, especialmente, a experiência de navegadores que, muitas vezes, não eram capazes de interpretar as cartas e os instrumentos de orientação náutica desenvolvidos naquela época. QUESTÃO 51 [...] Os europeus pensaram que a América lhes estava destinada. De início, o Novo Mundo constituiu um país de sonho, o Eldorado, e de aventuras. O sonho se desfez depressa, a aventura permaneceu durante muito tempo a regra. A rápida derrocada dos impérios indígenas deu aos europeus a impressão de que se encontravam diante de uma natureza virgem que poderiam modelar. Como a América oferecia menos obstáculos e mais interesses que a África, projetaram transplantar para essa região sua civilização e engrandecer sua pátria. HOT4 AG3M A América foi o continente das novas províncias: Novas Castela, Galiza, Granada, Espanha, [...]. Realmente [...], as sociedades constituídas pelos europeus diferenciavam-se sensivelmente das de seus países. CORVISIER, A. História Moderna. São Paulo: Difel, 1980. p. 256. [Fragmento] A expectativa inicial dos europeus, de que a América era um território virgem onde poderiam reproduzir fielmente sua própria civilização, não se concretizou. Um aspecto que corrobora essa originalidade da sociedade colonial que se constituiu na América Espanhola foi a A. adoção de aspectos da cultura nativa pelos colonos. B. adesão do catolicismo por parte da população ameríndia. C. rejeição dos valores europeus pelos povos nativos. D. miscigenação entre colonos e nativos incentivada pela Coroa. E. imposição de critérios elitistas de organização social. Alternativa A Resolução: A) O contato entre os colonos europeus e a população nativa promoveu um forte intercâmbio cultural entre esses povos. Apesar da imposição dos valores espanhóis à América, os colonos também receberam influência da cultura local, promovendo, assim, a formação de uma sociedade original, diferente daquela projetada pelos dominadores. B) A adesão do catolicismo pela população nativa fazia parte do projeto espanhol de “transplantar” para a América a sua civilização. Logo, esse fator não se relaciona ao fracasso desse projeto. C) Apesar de a resistência indígena estar presente durante todo o processo de conquista e de colonização da América, ela não foi capaz de superar a extrema violência que marcou esse processo. Essa violência do dominador foi responsável pela imposição da cultura europeia, que hoje se manifesta nas línguas oficiais dos países latino-americanos, na forte religiosidade cristã, nos hábitos alimentares, entre outros aspectos impostos. D) A miscigenação entre os colonos e nativos existiu, mas não foi incentivada pela Coroa. Se esse incentivo oficial tivesse ocorrido, seria uma contradição ao projeto de “transplantar” para a América a sua civilização. E) A imposição de critérios elitistas de organização social fazia parte do projeto espanhol, logo esse fator não se relaciona ao fracasso desse projeto. QUESTÃO 52 O conceito de lugar sempre esteve presente na análise geográfica, sofrendo amplas considerações em diferentes épocas. Por muito tempo, a Geografia tratou o lugar como uma expressão do espaço geográfico sob uma dimensão pontual (localização espacial absoluta). Para ultrapassar esta ideia, a discussão de lugar tem sido realizada sob duas acepções: lugar e experiência e lugar e singularidade. GIOMETTI, S.; PITTON, S. E.; ORTIGOZA, S. A. G. Leitura do espaço geográfico através das categorias: lugar, paisagem e território. Disponível em: <http://www.acervodigital.unesp.br>. Acesso em: 05 dez. 2016 (Adaptação). U6AU ENEM – VOL. 2 – 2020 CH – PROVA I – PÁGINA 31BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO A Geografia, como ciência social, utiliza, em sua análise, um conjunto de categorias que expressam sua identidade, ao discutir a ação humana no ato de ocupar, modificar e modelar a superfície terrestre. Dessa forma, a análise do lugar como experiência pessoal caracteriza-se principalmente pela A. valorização da afetividade em relação ao ambiente. B. definição do espaço como realidade socialmente construída. C. interpretação da noção coletiva da análise espacial. D. inserção da noção de território como algo particular. E. redução dos limites entre tudo que é público e individual. Alternativa A Resolução: Deve-se completar o enunciado com um aspecto fundamental da categoria lugar. Essa característica corresponde à alternativa A, que apresenta a importância da experiência pessoal de cada um na definição de lugar – um espaço vivenciado pelos seres humanos e relacionado aos significados e à afetividade. A alternativa B está incorreta, pois diz respeito à produção do espaço. A alternativa C também está incorreta, pois o enunciado cita a experiência pessoal, e não a experiência grupal de espaço. A alternativa D está incorreta porque a noção de território é diferente da de lugar. A alternativa E está incorreta, pois não se relaciona à caracterização de lugar. QUESTÃO 53 Uma das revoltas de escravos mais conhecida é a de Espártaco, ocorrida no ano 70, a partir da fuga de um grupo de gladiadores na Campânia [...]. Outras revoltas igualmente famosas foram as da Sicília de 136 a 133 [...]. Estes dois movimentos, não obstante terem provocado, pelas suas dimensões, o pânico entre os romanos, não foram capazes de ameaçar verdadeiramente a ordem estabelecida (escravista) [...]. É deste ângulo que também deve ser abordada a participação dos escravos urbanos nas lutas políticas entre os cidadãos durante o último século da República; lutas que, como se sabe, degeneraram em verdadeiras guerras civis. Os escravos que se envolveram nestes conflitos na verdade serviam de massa de manobra aos políticos ambiciosos e não apresentavam um programa político próprio. FLORENZANO, M. B. O mundo antigo: economia e sociedade.São Paulo: Brasiliense, 1982. p. 75-77. Os exemplos mencionados no texto evidenciam que as lutas escravistas ocorridas em Roma, na Antiguidade, foram A. incapazes de desestabilizar a ordem política dos governos romanos. B. fragilizadas pelo distanciamento dos demais grupos sociais subalternos. C. ineficientes em relação às conquistas de alforrias de pessoas escravizadas. D. limitadas pela falta de uma proposta alternativa à estrutura social vigente. E. irrelevantes historicamente pela incapacidade de combater o escravismo. QZAM Alternativa D Resolução: A) O texto-base mostra que as revoltas escravistas da Antiguidade “degeneraram em verdadeiras guerras civis”; logo, elas foram capazes de desestabilizar a ordem política, por isso, muitas vezes, os escravos envolvidos nas revoltas serviam de “massa de manobra aos políticos ambiciosos”. B) Geralmente, as lutas escravistas da Antiguidade contavam com a participação de outros grupos sociais, como camponeses e trabalhadores urbanos pobres. Além disso, o texto-base evidencia que o grande problema dessas revoltas era a falta de um programa político próprio. C) O texto-base não discute sobre conquistas de alforrias, mas sobre as limitações das revoltas escravistas em relação ao combate da ordem escravista vigente. Além disso, era comum, nesse contexto, as pessoas escravizadas obterem a liberdade. D) O texto-base destaca que as lutas escravistas da Antiguidade foram incapazes “de ameaçar verdadeiramente a ordem estabelecida (escravista)”, afirmando, ainda, que os escravos que se envolveram nesses conflitos “não apresentavam um programa político próprio”. Essas informações evidenciam que as revoltas eram limitadas por não apresentarem uma organização capaz de alterar a estrutura social vigente, ou, ao menos, uma proposta para isso. E) Apesar de o texto-base discutir a limitação das revoltas escravistas, em razão de elas não conseguirem combater a ordem escravista, não se pode afirmar que sejam insignificantes historicamente. Em outros aspectos, elas tiveram grande importância no mundo antigo. QUESTÃO 54 [Tom] Standage, editor de conteúdo do site da revista britânica The Economist, afirma que redes sociais como Facebook, Twitter e Tumblr podem ser as últimas encarnações de uma prática que começou por volta do ano 51 a.C., na Roma Antiga. O autor relata como Cícero usava um escravo, que posteriormente tornou-se seu escriba, para redigir mensagens em rolos de papiro que eram enviados a uma espécie de rede de contatos. Essas pessoas, por sua vez, copiavam seu texto, acrescentavam seus próprios comentários e repassavam adiante. Disponível em: <https://noticias.terra.com.br>. Acesso em: 18 out. 2016. [Fragmento adaptado] Os meios de comunicação foram fundamentais para a construção da vida social na Roma Antiga, cujos cidadãos A. compartilhavam mensagens com pessoas de outros países, da mesma forma como se faz atualmente. B. foram os precursores do uso das atuais redes sociais, utilizando-as para se comunicar com seus escravos. C. faziam uso de ferramentas de interação social por meio das quais compartilhavam mensagens entre si. D. redigiam mensagens em rolos de papiro, considerados encarnações das redes sociais utilizadas nos dias de hoje. 8C9D CH – PROVA I – PÁGINA 32 ENEM – VOL. 2 – 2020 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO E. usavam meios de comunicação similares aos atuais para enviar mensagens às suas redes de contatos. Alternativa C Resolução: Apesar de Tom Standage comparar as redes de comunicação desenvolvidas na Roma Antiga às mais hodiernas redes sociais, ele não afirma que os antigos romanos foram de fato os precursores do uso, tampouco que suas ferramentas de interação eram similares, por exemplo, ao Facebook, ao Twitter ou ao Tumblr, invalidando, assim, as alternativas B e E. Ele também não diz que a forma como os romanos compartilhavam mensagens era a mesma utilizada atualmente, o que torna a alternativa A incorreta. Por fim, o editor não diz que os antigos rolos de papiro eram encarnações das redes sociais utilizadas nos dias de hoje, invalidando, assim, a alternativa D. Mas ele relata que as atuais redes sociais podem ser encarnações das antigas ferramentas usadas pelos romanos para compartilhar mensagens entre si, o que torna a alternativa C correta. QUESTÃO 55 Mapa é a representação no plano, normalmente em escala pequena, dos aspectos geográficos, naturais, culturais e artificiais de uma área tomada na superfície de uma figura planetária, delimitada por elementos físicos, político-administrativos e destinada aos mais variados usos, temáticos, culturais e ilustrativos. IBGE. Noções de cartografia. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br>. Acesso em: 28 out. 2016 (Adaptação). Considerando os aspectos de elaboração de um mapa político, a finalidade de sua construção reside no fato de ele ser A. aplicado em trabalhos de fotointerpretação e atualização de cartas topográficas já existentes devido a seu caráter minucioso. B. útil na compreensão da correspondência entre dimensões verticais e horizontais, pois retrata elementos espaciais tridimensionalmente. C. destinado à verificação precisa de curtas distâncias, direções e localização de pontos e áreas, uma vez que prioriza a descrição de detalhes. D. eficiente na exata transposição de uma superfície esférica para uma superfície plana, visto que a técnica cartográfica dispensa distorções. E. capaz de demonstrar com clareza aspectos selecionados de um espaço delimitado, pois estabelece uma abordagem que utiliza a generalização. Alternativa E Resolução: A alternativa E é a correta. Um mapa consiste em uma representação plana de uma área delimitada por aspectos político-administrativos ou por formações naturais (hidrográfico, geológico, geomorfológico, etc.), geralmente em escala pequena, remetendo a propósitos temáticos, culturais ou ilustrativos. O mapa político indica a divisão administrativa de países, estados, províncias e cidades, ou seja, ele privilegia a generalização dos elementos a serem representados. A alternativa A está incorreta, pois descreve a fotografia aérea. Esta é usada na cartografia, sobretudo para levantamentos fotogramétricos, que são usualmente a base das cartas topográficas. OZ2N A alternativa B está incorreta, pois refere-se a um perfil topográfico, que é encontrado na carta topográfica, e não no mapa político. A alternativa C está incorreta, pois descreve as funções e características da carta. A alternativa D está incorreta, pois a representação de uma superfície esférica em um plano sempre possuirá alguma distorção, seja no ângulo, na forma ou na distância. QUESTÃO 56 TEXTO I Nosso mundo acaba de descobrir um outro, não menos povoado e organizado que o nosso. Os que o subjugaram usavam coletes de uma pele luminosa e dura e armas cortantes e resplandecentes para quem, pelo milagre da luz de um espelho ou de uma faca, iam trocando uma grande riqueza em ouro e pérolas. Quantas cidades arrasadas, quantas nações exterminadas, quantos milhões de povos passados a fio de espada: vitórias mecânicas. ENSAIOS. Tradução de Rosemary Costhek Abílio. São Paulo: Martins Fontes, 2000/2001. TEXTO II Assim, não pense que foram tirados o poder, os bens e a liberdade dos indígenas, e sim que Deus lhes concedeu a graça de pertencerem aos espanhóis, que os tornaram cristãos e que os tratam e os consideram exatamente como digo. GÓMARA, F. L. História general de las Índias: coletânea de documentos para a história da América. São Paulo: CENP, 1978. Os textos apresentam visões diferentes em relação à conquista e à colonização da América pelos espanhóis. Isso acontece porque os autores dão foco, respectivamente, A. às vitórias mecânicas e às injustiças sociais. B. à aculturação indígena e às prerrogativas religiosas. C. à imposição cultural e ao extermínio em massa. D. ao humanismo e ao podermilitar. E. à dominação militar e ao eurocentrismo. Alternativa E Resolução: A) O texto II não apresenta foco nas injustiças sociais, mas procura justificar a dominação espanhola por meio de uma concepção eurocêntrica. B) O texto I destaca a violência e o domínio militar exercidos pelos espanhóis em relação aos povos da América, isto é, seu foco não é a aculturação indígena, que também foi uma marca desse processo. C) O texto I destaca a violência e o domínio militar exercidos pelos espanhóis em relação aos povos da América, isto é, seu foco não é a imposição cultural. D) O conceito de humanismo não se aplica explicitamente ao texto I, nem o poder militar é o foco do texto II, que justifica a dominação espanhola mediante prerrogativas religiosas. E) O texto I descreve o processo de dominação militar espanhol sobre a América, enfatizando a truculência dos conquistadores. Já, no texto II, o espanhol procura justificar a dominação sob o olhar eurocêntrico, como se esse processo de conquista atendesse à vontade divina. H71J ENEM – VOL. 2 – 2020 CH – PROVA I – PÁGINA 33BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO QUESTÃO 57 Nessa projeção, os paralelos e os meridianos são linhas retas que se cruzam formando ângulos retos. Pertence ao tipo chamado conforme, porque não deforma os ângulos. Em compensação, as áreas extensas ou situadas em latitudes elevadas aparecem nos mapas com dimensões exageradamente ampliadas. Disponível em: <http://www.ead.uepb.edu.br>. Acesso em: 21 out. 2016. Qual é a projeção conforme caracterizada no texto anterior? A. Goode. B. Azimutal. C. Mercator. D. Afilática. E. Peters. Alternativa C Resolução: A projeção conforme de Mercator representa todos os ângulos sem deformação, embora haja grande distorção de áreas afastadas do Equador. Assim, a alternativa correta é a C. Goode (alternativa A) traz as massas continentais e oceânicas descontínuas, e, para ter maior exatidão, os meridianos centrais da projeção correspondem aos meridianos quase centrais dos continentes. Uma projeção azimutal (alternativa B) tem paralelos em círculos concêntricos e meridianos retos. Uma projeção afilática (alternativa D) não tem nenhuma das propriedades dos outros tipos. A projeção de Peters é equivalente, por isso não pode ser conforme, o que torna a alternativa E também incorreta. QUESTÃO 58 TEXTO I Só é possível aprender a filosofar, ou seja, exercitar o talento da razão, fazendo-a seguir os seus princípios universais em certas tentativas filosóficas já existentes, mas sempre reservando à razão o direito de investigar aqueles princípios até mesmo em suas fontes, confirmando-os ou rejeitando-os. KANT, I. Crítica da razão pura. Tradução de Valerio Rohden e Udo B. Moosburger. 2. ed. São Paulo: Abril Cultural, 1983. p. 407-408. TEXTO II A razão é, sem dúvida, um princípio ativo que não deve tomar nada emprestado da autoridade alheia e, em se tratando de seu uso puro, nem sequer da experiência. A indolência faz, porém, que um número muito grande de homens prefira seguir as pegadas de outrem ao invés de empenhar as forças da própria inteligência. Homens desse jaez só podem se tornar sempre cópias de outros, e, se todos fossem dessa espécie, o mundo permaneceria eternamente em um só e mesmo lugar. É, por isso, de alta necessidade e importância que a juventude não se mantenha, como costuma ocorrer, a imitar pura e simplesmente. KANT, I. Manual dos cursos de lógica geral. Tradução de Fausto Castilho. 2. ed. Campinas: Editora da UNICAMP, 2003. p. 155. ITTG MF88 Kant foi um importantíssimo pensador do século XVIII que, entre muitos outros temas, refletiu sobre a questão do filosofar e que formulou uma famosa concepção acerca do tema. Com base nos textos I e II, a postura própria da atitude filosófica em Kant consiste em A. rejeitar os conhecimentos de outros pensadores, já que aceitá-los significa tornar-se uma cópia intelectual de outrem. B. confiar na autoridade das experiências que levam às verdades, uma vez que o conhecimento depende da empiria. C. confirmar as tentativas filosóficas anteriores, pois são princípios universais da razão e devem ser reconhecidas como autoridades. D. duvidar da possibilidade de se alcançar verdades sobre o mundo, considerando a dificuldade de se chegar a um conhecimento certo. E. investigar criticamente as teorias filosóficas da História, evitando a aceitação irrefletida de autoridades. Alternativa E Resolução: Kant afirma que não se deve “imitar pura e simplesmente” as ideias de outros pensadores e exorta para que se faça uma crítica racional desses conhecimentos preestabelecidos, aplicando-se “as forças da própria inteligência” e evitando a aceitação irrefletida de teorias filosóficas da História, o que não implica, necessariamente, a prévia rejeição desses conhecimentos, indo, assim, ao encontro da alternativa correta E e invalidando a alternativa A. De acordo com o texto II, “a razão não deve tomar nada emprestado da autoridade alheia e nem sequer da experiência”, não sendo possível, portanto, confiar na autoridade das experiências como forma de se alcançar verdades, contrariando a alternativa B. Ainda segundo Kant, é preciso investigar as “tentativas filosóficas já existentes”, para então confirmá-las ou rejeitá-las, o que torna incorreta a alternativa C. Além disso, os textos não fornecem informações que permitam afirmar que, para Kant, haja uma impossibilidade de se alcançar verdades sobre o mundo, invalidando a alternativa D. QUESTÃO 59 Uma turista planeja visitar Meca, na Arábia Saudita, localizada no fuso 45° L. Sua viagem tem início às 13 horas do dia 22 de setembro, na cidade de Cuiabá, Brasil, localizada no fuso 60° O. A duração do trajeto é de 10 horas. Considerando o percurso e o tempo de viagem, o horário de chegada à cidade de Meca é às A. 5 horas do dia 23 de setembro. B. 6 horas do dia 23 de setembro. C. 7 horas do dia 23 de setembro. D. 13 horas do dia 23 de setembro. E. 14 horas do dia 24 de setembro. Alternativa B Resolução: A turista se deslocará de Cuiabá, a 60º O, para Meca, a 45° L. Cuiabá está a oeste do Meridiano de Greenwich; sendo assim, tem sua hora atrasada em relação à Meca, que está localizada a leste. As cidades estão em hemisférios diferentes, então os valores das longitudes são somados: 60º + 45º = 105º. Ao dividir esse somatório por 15º, o resultado é J6LZ CH – PROVA I – PÁGINA 34 ENEM – VOL. 2 – 2020 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO 7 horas. Dessa forma, a diferença horária entre Cuiabá e Meca é de 7 horas a mais: 13 h + 7 h = 20 h. A isso acrescenta-se a duração de 10 horas da viagem: 20 h + 10 h = 6 h. Portanto, a turista chegará a Meca às 6 horas do dia 23 de setembro. QUESTÃO 60 Nessa época (meados do século XX a.C.), foram chegando à região vários povos que, em ondas sucessivas, ocuparam a península. Aos poucos, fundaram dezenas de núcleos populacionais, os “genos”, que mais tarde deram origem às pólis, as cidades-estados gregas. As pólis eram autônomas, com governos locais e leis próprias. Não havia um Estado grego unificado. Cada uma possuía sua própria assembleia de cidadãos para debater e decidir questões de interesse. As Olimpíadas [...] eram festivais religiosos que reuniam, de quatro em quatro anos, atletas de todas as pólis para homenagear os deuses do Olimpo com competições esportivas. [...] As comunidades da Hélade também compartilhavam a admiração e o fascínio pelos heróis, pelos deuses e pelas batalhas narradas na Ilíada e na Odisseia, poemas épicos atribuídos a Homero. REVISTA DESVENDANDO A HISTÓRIA. São Paulo: Editora Escala, ano I, n. 1, p. 19. A descrição contida no texto sobre aspectos da Grécia Clássica destaca o seguinte fato: A. A presença de uma religião politeísta engendrou a descentralização política. B. As competições esportivas acirravam as rivalidades políticas das cidades-estados. C. O espírito guerreiro resultouno confronto expansionista das pólis. D. A diversidade cultural dos “genos” impediu a unificação política. E. A inexistência de unidade política não impediu a unidade cultural. Alternativa E Resolução: As Olimpíadas, de acordo com o texto, “eram festivais de caráter religioso que reuniam atletas de todas as pólis para homenagear os deuses do Olimpo com competições esportivas”. Assim, a religião politeísta e as competições esportivas das Olimpíadas aproximavam, em alguma medida, as poleis, não podendo, portanto, ser apontadas como causa, respectivamente, da descentralização política e do acirramento das rivalidades políticas das cidades-estados, o que invalida as alternativas A e B. Os conflitos entre as poleis, contrariamente ao que afirma a alternativa C, não resultaram do espírito guerreiro de seus povos, mas suas origens estão ligadas às hostilidades, à desconfiança entre as principais cidades-estados gregas, sobretudo Atenas e Esparta, e ao desejo de expandir seus próprios regimes de governo, respectivamente, democrático e oligárquico, que inviabilizava a unificação das poleis. O texto-base ainda afirma que “as comunidades da Hélade também compartilhavam a admiração e o fascínio pelos heróis, deuses e pelas batalhas narradas na Ilíada e na Odisseia, poemas atribuídos a Homero”. Portanto, os gregos, das diferentes poleis, reconheciam os mesmos heróis, partilhavam de uma mesma religião e participavam dos Jogos Olímpicos, o que indica que, apesar de não haver uma unidade política entre as diversas cidades-estados, havia uma unidade cultural entre elas, o que torna correta a alternativa E e invalida a alternativa D. IL8T QUESTÃO 61 Os 168 espanhóis que com tanta rapidez derrotaram e capturaram Atahualpa também contaram com muita sorte, pois tal conquista aparentemente fácil logo se transformaria numa tarefa complexa, já que agora eles tinham que aprender a governar o [Império Inca]. STERN, S. J. Los pueblos indígenas del Peru y el desafio de la conquista española. In: PORTUGAL, A. R. Mitos e fatos nas crônicas da conquista do Antigo Peru. Revista de História Unisinos, v. 20, maio 2016. A conquista da América pelos europeus é um episódio marcado por diversos relatos que, quase sempre, tendem à parcialidade. O trecho anterior considera que a conquista do Império Inca pelos espanhóis resultou na A. consolidação do poder espanhol por meio da sua capacidade bélica. B. imposição dos valores culturais ocidentais aos nativos da América. C. redução populacional dos incas em virtude de guerras e de doenças. D. criação de um desafio administrativo aos conquistadores espanhóis. E. consagração dos envolvidos na conquista após o retorno à Espanha. Alternativa D Resolução: Apesar de a conquista espanhola ser marcada pela superioridade bélica dos europeus, pela imposição dos valores culturais ocidentais, pela redução populacional dos incas e pela consagração dos envolvidos nesse processo, o texto-base não tem como foco esses fatos, mas chama a atenção para a complexidade da tarefa de governar o Império Inca. Desse modo, a alternativa D é a correta, uma vez que o texto-base destaca que os espanhóis tiveram de enfrentar o desafio de se administrar o império conquistado. QUESTÃO 62 Disponível em: <http://www.umsabadoqualquer.com>. Acesso em: 29 dez. 2016. Para a Filosofia, as perguntas apresentam-se mais importantes do que as respostas obtidas. A atitude filosófica exemplificada na charge pela figura de Sócrates mostra-se contrária ao conhecimento A. mítico, recusando qualquer ponto de convergência entre o conhecimento mítico e o filosófico. B. dogmático, pois a sabedoria está centrada na busca contínua da verdade, não em sua posse. C. científico, pois este impõe verdades que são tão inquestionáveis quanto aquelas impostas pelo mito. D. crítico, na medida em que este confia nos conhecimentos adquiridos por meio da tradição sem questioná-los. E. cético, visto que este recusa a possibilidade de se alcançar a verdade, defendendo a prática de suspensão do juízo. 714Ø DR5Ø ENEM – VOL. 2 – 2020 CH – PROVA I – PÁGINA 35BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO Alternativa B Resolução: No texto-base, a figura de Sócrates exemplifica uma atitude alinhada à corrente de pensamento filosófico conhecida como ceticismo, que tem como pressuposto a suspeição quanto à possibilidade de se alcançar o conhecimento verdadeiro. Daí a opção pela suspensão do juízo e pela dúvida permanente. Em oposição ao ceticismo, o dogmatismo afirma a viabilidade de se chegar ao conhecimento verdadeiro e confiável acerca das coisas por meio da percepção do mundo. Portanto, a resposta correta à questão é a alternativa B. QUESTÃO 63 Taxa de fecundidade total e diferença relativa, segundo as Grandes Regiões (2000 / 2010) Grandes Regiões Taxa de fecundidade total Diferença relativa 2000 / 2010 (%) 2000 2010 Brasil 2,38 1,90 –20,1 Norte 3,16 2,47 –21,8 Nordeste 2,69 2,06 –23,4 Sudeste 2,10 1,70 –19,0 Sul 2,24 1,78 –20,6 Centro-Oeste 2,25 1,92 –14,5 IBGE. Censo Demográfico 2000 / 2010. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br>. Acesso em: 26 out. 2016. Entre o Censo de 2000 e o de 2010, a mudança do principal indicador da dinâmica demográfica é notável. O declínio da taxa de fecundidade foi mais expressivo na região A. Norte, e, em 2000, esta ainda possuía taxa de fecundidade acima do nível de reposição. B. Sudeste, e, em 2010, a taxa de fecundidade estava acima do nível de reposição em duas regiões. C. Centro-Oeste, e, em 2000, todas as regiões estavam acima do nível de reposição. D. Sul, e, em 2010, a fecundidade foi insuficiente para assegurar a reposição populacional. E. Nordeste, e, em 2010, quatro regiões tinham taxas de fecundidade abaixo do nível de reposição. Alternativa E Resolução: O grau de dificuldade da questão relaciona-sebasicamente com a leitura e a interpretação da tabela do IBGE. Nota-se que o maior decréscimo na taxa de fecundidade entre 2000 e 2010, expresso na tabela pela diferença relativa (%), foi na região Nordeste. Percebe-se também que, em 2010, a taxa de fecundidade de quase todas as grandes regiões do Brasil, inclusive a taxa total do país, com exceção do Norte, estava abaixo do nível de reposição, que é de 2,1 filhos. QUESTÃO 64 Diante da fraqueza do poder público e da necessidade de segurança, desenvolveram-se as relações pessoais, diretas, sem intermediação do Estado. Estreitaram-se os laços de sangue, as relações dentro das linhagens, grupos cuja solidariedade podia proteger melhor os indivíduos dos perigos de fora. De acordo com essa forma de pensar, a morte violenta de uma pessoa atingia todo o grupo, o que punha em ação a faide, “a vingança dos parentes”. Ou seja, na falta de instituições públicas que pudessem punir o agressor, os amigos e parentes da vítima faziam justiça pelas próprias mãos. Como os laços familiares não bastavam, criaram-se laços artificiais, uns ligando homens livres entre si, outros ligando homens livres a dependentes. Este último – relação de nobre-camponês – baseava-se na desigualdade, estabelecendo complexos vínculos econômicos, políticos e religiosos; o senhor era um misto de protetor e propiciador. FRANCO JÚNIOR, H. Feudalismo: uma sociedade religiosa, guerreira e camponesa. São Paulo: Moderna,1999. A situação do poder público na sociedade medieval, retratada no texto, teve como consequência o A. alastramento das tradições populares. B. nascimento da desigualdade nobre-camponês. C. fortalecimento dos poderes locais. D. desenvolvimento da justiça social. E. desaparecimento da figura dos reis. Alternativa C Resolução: A) O texto-base não apresenta a expansão das tradições populares como consequência da fraqueza do poder público, mas sim o fortalecimento dos laços familiares e “artificiais”, que pode ser associado à ação dos poderes locais. B) O texto-base relata a relação nobre-camponês baseada na desigualdade, embora seja incorreto afirmarque essa característica nasceu nesse contexto. C) O texto-base destaca uma das características do chamado Sistema Feudal – o fortalecimento dos poderes locais, decorrente da crescente fraqueza do poder público. De acordo com o texto, “na falta de instituições públicas que pudessem punir o agressor, os amigos e parentes da vítima faziam justiça pelas próprias mãos”. ØRF6 JWFR CH – PROVA I – PÁGINA 36 ENEM – VOL. 2 – 2020 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO D) O conceito de justiça social não pode ser relacionado à ideia de “justiça pelas próprias mãos” ou de “a vingança dos parentes”. E) Apesar da descentralização do poder ou do enfraquecimento do poder público, os reis continuaram a ser figuras atuantes no Período Medieval. QUESTÃO 65 Queridos compatriotas, concidadãos, Tendo em vista a situação criada com a formação da Comunidade de Estados Independentes (CEI), concluo minha atividade como presidente da União Soviética. Tomo esta decisão por questões de princípio. [...] Impôs-se a linha de fragmentação do país e desunião do Estado, o que não posso aceitar... [...] O destino quis que, ao me encontrar à frente do Estado, já estivesse claro que nosso país estava doente. [...] Tudo devia mudar. [...] Hoje estou convencido da razão histórica das mudanças iniciadas em 1985. [...] Acabamos com a Guerra Fria, deteve-se a corrida armamentista e a demente militarização do país que havia deformado nossa economia, nossa consciência social e nossa moral. Acabou-se a ameaça de uma guerra nuclear. [...] Abrimo-nos ao mundo, e responderam-nos com confiança, solidariedade e respeito. Mas o antigo sistema desmoronou antes que o novo começasse a funcionar. [...] Deixo meu cargo com preocupação, mas também com esperança, com fé em todos vocês, na sua sabedoria e na sua força de espírito. [...] Meus melhores votos a todos. GORBATCHEV, M. Discurso de despedida. Moscou, 25 de dezembro de 1991. In: CORTÁZAR, F. G.; ESPINOSA, J. M. Historia del mundo actual (1945-1995). Madrid: Alianza Editorial, 1996. No discurso do ex-presidente da URSS, identifica-se um ponto de grande preocupação mundial durante a segunda metade do século XX. Tal ponto é caracterizado pelo(a) A. consolidação do bloco econômico CEI e pela acentuação da crise na URSS. B. finalização da Guerra Fria e pela instauração da hegemonia dos Estados Unidos. C. desmonte do socialismo e pela implantação de uma economia de mercado. D. corrida belicista das superpotências e pela utilização de armas nucleares. E. fragmentação territorial da Rússia e pela intensificação migratória na Europa. Alternativa D Resolução: O ponto de preocupação mundial durante a segunda metade do século XX, isto é, no período da Guerra Fria, mencionado no discurso de renúncia de Gorbachev, o último líder da União Soviética (URSS), são a corrida armamentista e a utilização das armas nucleares. Isso é identificado em: “Acabamos com a Guerra Fria, deteve-se a corrida armamentista e a demente militarização do país que havia deformado nossa economia, nossa consciência social e nossa moral. Acabou-se a ameaça de uma guerra nuclear.” A alternativa A está incorreta, pois a formação da Comunidade dos Estados Independentes (CEI) ocorreu nos anos 1990, com a dissolução da URSS. O desfecho da crise na URSS foi o seu término no dia seguinte à renúncia de Gorbatchev e o fim da Guerra Fria. Sendo assim, isso não era uma preocupação global durante a Guerra Fria. As alternativas B, C e E estão incorretas pelo mesmo motivo: essas apreensões não foram citadas pelo líder soviético. PX65 QUESTÃO 66 Vai, orgulhosa, querida Mas aceita esta lição: No câmbio incerto da vida A libra sempre é o coração O amor vem por princípio, a ordem por base O progresso é que deve vir por fim [...] ROSA, N.; BARBOSA, O. Positivismo. Disponível em: <https://www.letras.mus.br>. Acesso em: 24 out. 2016. [Fragmento] A canção anterior demarca a influência da corrente positivista, e sua letra remete ao(à) A. questão do progresso, linear e particular de cada sociedade. B. ideia central da religião positivista, proposta por Durkheim. C. busca por leis sociais não universais, porém regulares. D. fórmula sagrada do positivismo de Auguste Comte. E. projeto positivista de revolução social no Brasil. Alternativa D Resolução: O texto-base consiste em um trecho da canção de Noel Rosa, “Positivismo”. Nela, Noel utiliza uma frase extremamente importante da teoria de Comte. Para a solução da questão, o aluno deve ter em mente os principais ideais do positivismo de Comte, isto é: as concepções de progresso, a busca por leis universais que regem os fenômenos sociais e os elementos participantes da construção do catecismo positivista. Auguste Comte foi o maior expoente do positivismo. Para o autor, a humanidade é entendida com o grande ser e está fundada na “fórmula sagrada do positivismo: O amor por princípio, a ordem por base e o progresso por fim” (COMTE, A. Catecismo positivista. São Paulo: Abril Cultural, 1978. p. 145. Coleção Os Pensadores). Do ponto de vista comteano, o amor deve ser o princípio das ações, sejam elas individuais, sejam elas coletivas; a ordem tange a manutenção e a conservação daquilo que é belo e positivo; e, por fim, o progresso consiste em corolário da apuração e do desenvolvimento da ordem. É importante lembrar também que a busca por leis universais que regem todos os fenômenos da sociedade é característica do pensamento de Auguste Comte. Portanto, a alternativa correta é a D. QUESTÃO 67 A primeira roupa de que a América se travestiu, aos olhos do europeu, foi dada por Colombo através da palavra Índias. Colombo pensou ter chegado às Índias, e, portanto, tudo o que viu correspondia a um indício capaz de comprovar sua hipótese [...]. Colombo se esquiva de analisar a flora americana, pois não podia identificá-la com a flora das Índias ou das Moluscas. [...]. O seu imaginário era regido por inúmeras informações, trazidas por viajantes (como Marco Polo) que gostavam de contar suas façanhas, sem que os interlocutores estivessem interessados em pedir provas. O prazer de produzir uma narração, de acordo com as suas expectativas, construídas bem antes da viagem, era superior à sua capacidade de descrever um continente desconhecido. SILVA, J. T. Revista de História Brasileira. Disponível em: <www.anpuh.org>. Acesso em: 27 out. 2016 (Adaptação). 7LØT 3ABJ ENEM – VOL. 2 – 2020 CH – PROVA I – PÁGINA 37BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO O texto sugere uma incapacidade de Cristóvão Colombo de descrever as terras do Novo Mundo, uma vez que, para o navegador genovês, a “descoberta” da América A. significava uma conquista inacreditável para o europeu dotado de conhecimentos limitados. B. precisava legitimar aquilo que ele e seus contemporâneos europeus imaginavam. C. confrontava com o seu projeto baseado no conhecimento pré-existente das novas terras. D. fundamentava o discurso dos viajantes acerca das características das terras encontradas. E. invalidava a existência do paraíso terrestre ambicionado desde os tempos medievais. Alternativa B Resolução: A) A “descoberta” da América não foi considerada “inacreditável” por Colombo – que era dotado de conhecimentos revolucionários para época –, uma vez que ele idealizava esse território, mas sob a roupagem das Índias. B) A América incorporou-se ao imaginário de Colombo e de outros europeus com uma série de atributos que já haviam sido delegados ao Novo Mundo muito antes do seu “descobrimento”. Desse modo, Colombo buscou descrever as novas terras com base nos relatos medievais sobre as Índias e no imaginário europeu, procurando associar tudo o que via ao Oriente. No entanto, quando ele se deparou com características que não condiziam com o território que imaginara ter encontrado (como a flora americana), preferiu não se expressar. C) O projeto de Colombo era baseado no conhecimento pré-existente doOriente, não das novas terras, isto é, da América. D) A flora americana é um exemplo apresentado no texto de que a “descoberta” do continente não fundamentava os viajantes europeus, como Marco Polo. E) Para Colombo, as terras encontradas representavam o Paraíso Terrestre, apesar de esse “paraíso” apresentar algumas características divergentes dos relatos que inspiraram o navegador. QUESTÃO 68 O homem é não apenas como ele se concebe, mas como ele quer que seja, como ele se concebe depois da existência, como ele se deseja após este impulso para a existência; o homem não é mais que o que ele faz. [...] Mas se realmente a existência precede a essência, o homem é responsável pelo que é. Desse modo, o primeiro passo do existencialismo é o de pôr todo homem na posse do que ele é, de submetê-lo à responsabilidade total de sua existência. SARTRE, J. P. O existencialismo é um humanismo. 3. ed. São Paulo: Nova Cultural, 1987. (Coleção Os Pensadores). O tema da autodeterminação representa o cerne das discussões sobre a liberdade humana. A afirmação que caracteriza a noção de liberdade, em sentido filosófico, como o apresentado por Sartre, é: Ø7U3 A. A minha liberdade termina onde começa a do outro. B. O dinheiro não escraviza, ele torna as pessoas mais livres. C. O advogado de João está pleiteando a sua liberdade condicional. D. Júnia escolheu não estudar, mesmo sabendo do risco de fracassar nas provas. E. Considero-me uma adolescente livre, pois meus pais não me impedem de sair. Alternativa D Resolução: Para o pensamento filosófico, a noção de liberdade está associada à possibilidade de o indivíduo se autodeterminar, ou seja, as ações humanas não estariam sujeitas aos condicionamentos da natureza. Para o filósofo existencialista francês Jean Paul Sartre, a liberdade é uma condição da existência humana. O ser humano é como ele deseja ser, e suas ações são sempre intencionais e pautadas em escolhas conscientes. A liberdade de escolha do ser humano, para Sartre, implica a responsabilidade pelo que ele é e por sua existência. Portanto, para resolução da questão, é preciso identificar, entre as assertivas, aquela que estabelece uma relação entre a liberdade de escolha e a responsabilidade revelada por essa escolha. Essa relação só pode ser observada na alternativa D, sendo essa, portanto, a resposta correta à questão. QUESTÃO 69 TEXTO I A exclusão das mulheres da Igreja militante tem como base os mesmos fundamentos teóricos que a descartam da vida pública. Para alcançar plena eficácia, as orações das mulheres devem se dar no isolamento. Mosteiros e conventos mendicantes femininos são os locais apropriados. Ai daquelas que escapam a seus muros para manifestar-se em público: acabarão, não raro, na fogueira, acusadas de heresia. Disponível em: <http://www2.uol.com.br>. Acesso em: 08 nov. 2016. TEXTO II Apesar de terem vivido numa época em que a condição feminina era encarada como uma carga negativa, e com a Igreja apregoando a necessidade de enclausurar as mulheres, as monjas não se deixaram intimidar por estas teorias. A clausura jamais foi respeitada, e as cistercienses dos séculos XII e XIII faziam ouvidos surdos às interdições e ameaças. As frequentes saídas do mosteiro eram justificadas com os motivos mais variados: a administração dos domínios senhoriais, os cuidados que exigia a gerência do patrimônio pessoal das religiosas, visitas a parentes, problemas de saúde, etc. Disponível em: <http://periodicos.unb.br>. Acesso em: 08 nov. 2016. [Fragmento] O texto II, ao refutar as ideias expressas no texto I, indica que as mulheres que viveram na Idade Média estavam incluídas em contextos que negavam qualquer generalização porque A. evidencia a exclusão das mulheres na vida pública medieval imposta pelos homens, principalmente por aqueles ligados à Igreja. B. contesta a noção de que, embora as mulheres vivessem em uma sociedade machista, desrespeitavam o enclausuramento a elas imposto. 1KJW CH – PROVA I – PÁGINA 38 ENEM – VOL. 2 – 2020 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO C. afirma que as mulheres que se manifestavam em público acabavam na fogueira da Inquisição, geralmente acusadas de heresia. D. demonstra a resistência das mulheres medievais em submeter-se ao controle e às regras impostas pelos homens desse contexto. E. apresenta o papel das mulheres na sociedade medieval, já que, enclausuradas ou livres, dependiam da vontade dos homens. Alternativa D Resolução: O texto I reitera a premissa de que as mulheres medievais, coagidas pelo patriarcado e pelos dogmas católicos, reduziam-se ao espaço privado, sobretudo aquelas ligadas às instituições religiosas. Essa máxima, todavia, passa a ser questionada por meio da validação de documentos históricos que evidenciam que muitas delas não respeitavam a moral e as regras a elas impostas, mesmo que isso pudesse gerar retaliações de toda ordem, até mesmo a morte nas fogueiras da Inquisição. Nesse sentido, a alternativa D se apresenta correta, já que o texto II reflete a resistência das medievalistas aos desmandos dos homens daquela época, principalmente daqueles ligados à Igreja, expressos no texto I. QUESTÃO 70 Fazemos ciência com fatos, assim como construímos uma casa com pedras, mas uma acumulação de fatos não é ciência; assim como não é uma casa um monte de pedras. POINCARÉ, H. A ciência e a hipótese. Brasília: Editora UnB, 1984. p. 115. Uma das marcas do ser humano é a necessidade de compreender o mundo que o rodeia. Uma dessas formas de conhecimento é a ciência. Para que um conhecimento seja considerado científico, ele deve basear-se em A. argumentos sobrenaturais e na fé. B. métodos empíricos e na objetividade. C. experiências pessoais e na subjetividade. D. crenças e na aceitação acrítica de ideias. E. interpretações sensíveis e na imaginação. Alternativa B Resolução: Na tentativa de compreender o mundo, a ciência prima pela busca do conhecimento objetivo, em oposição à possibilidade de conclusões subjetivas do cientista, e utiliza métodos empíricos sistemáticos de investigação para confirmação de suas hipóteses. Portanto, a resposta correta à questão é a alternativa B. QUESTÃO 71 Uma mãe para todos os povos, que sabe falar a cada cultura: é assim que ainda hoje se apresenta a Virgem de Guadalupe, verdadeiro eixo espiritual da América Central e do Sul. O seu santuário, no México, é anualmente visitado por mais de 20 milhões de peregrinos, sendo o mais frequentado daquelas regiões. A padroeira da América Latina apareceu num local perto da cidade do México, entre 9 e 12 de dezembro de 1531, a um índio mexicano, Juan Diego Cuauhtlatoatzin, santo desde 2002. No tempo das aparições, o México era terra de conquista, mas também de afronta à dignidade humana, porque muitas vezes os colonizadores espanhóis não tiveram piedade dos índios. Disponível em: <http://www.snpcultura.org>. Acesso em: 24 out. 2016. SVZØ AGQS A cultura religiosa descrita no texto transmite uma concepção diferente da tradicional sobre o processo de colonização da América ao sinalizar que a A. constituição da religiosidade cristã no território americano foi reflexo da violência dos colonizadores. B. imposição cultural europeia provocou a eliminação das antigas e tradicionais crenças nativas. C. adesão ao cristianismo no continente ocorreu também por iniciativa dos próprios indígenas. D. transposição da cultura ibérica aos trópicos foi dificultada pelo sincretismo religioso praticado pelos índios. E. adoração aos ícones católicos pelos nativos foi decorrente da atuação dos missionários europeus. Alternativa C Resolução: A) O texto-base defende que o início do culto à Virgem de Guadalupe pelos povos latino-americanos, especialmente os mexicanos, ocorreu a partir de sua aparição a um indígena. Em outras palavras, o texto não afirma que essa crença foi decorrente da violência dos colonizadores. Alémdisso, a imposição da cultura europeia faz parte da concepção tradicional sobre o processo de colonização da América. B) Além de ser incorreto afirmar que a imposição cultural europeia eliminou as antigas crenças nativas, o texto-base não tem como foco essa questão. C) De acordo com a tradição religiosa mexicana, o culto à Virgem de Guadalupe teria se iniciado a partir de uma aparição da santa a um indígena, Juan Diego Cuauhtlatoatzin, que, a partir de então, passou a contribuir com a difusão do culto a Guadalupe. Essa tradição demonstra que a adesão ao cristianismo não ocorria só por meio da violência, mas também mediante a iniciativa dos próprios nativos. Muitas vezes, essa adesão ocorria na tentativa dos indígenas de obter melhores posições sociais ou até mesmo por acreditarem na eficácia da religião do colonizador. D) O sincretismo religioso não é o foco do texto-base; além disso, apesar da ocorrência desse sincretismo e da permanência de práticas tradicionais nativas na América, aconteceu realmente uma transposição da cultura ibérica, que pode ser identificada na própria religiosidade cristã dos povos latino-americanos, nos hábitos, na língua oficial dos países, etc. E) A ação dos missionários foi fundamental para a imposição da cultura cristã na América colonial, no entanto o texto-base não destaca esse papel dos religiosos, assim como não ressalta o fato de esse acontecimento fazer parte da versão tradicional sobre o processo de colonização. QUESTÃO 72 Queridos americanos, com grande pesar, e em necessário cumprimento do meu juramento presidencial, ordenei, e as Forças Aéreas americanas realizaram operações militares baseadas somente no uso de armas convencionais para eliminar um enorme depósito de armas nucleares no território de Cuba. Disponível em: <https://noticias.terra.com.br>. Acesso em: 31 out. 2016 (Adaptação). RQRS ENEM – VOL. 2 – 2020 CH – PROVA I – PÁGINA 39BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO As palavras anteriores são de um discurso que o ex-presidente dos Estados Unidos, John F. Kennedy, não chegou a pronunciar em 1962, sendo publicado em 2012 pela Biblioteca Presidencial John F. Kennedy, entre outros documentos inéditos dos arquivos pessoais do ex-presidente. Esse discurso foi escrito em um dos momentos mais tensos da Guerra Fria, conhecido como A. Revolução Cubana. B. Crise dos Mísseis. C. Guerra do Vietnã. D. Doutrina Truman. E. Pacto de Varsóvia. Alternativa B Resolução: A Crise dos Mísseis de Cuba (alternativa B) é considerada a grande demonstração de força do Governo Kennedy. Aviões de reconhecimento dos Estados Unidos (EUA) descobriram, em Cuba, mísseis soviéticos de médio alcance, em outubro de 1962. No mesmo dia, os EUA decretaram um bloqueio naval à ilha de Fidel Castro, exigiram que a União Soviética (URSS) retirasse os mísseis e ameaçaram invadir a ilha caso o bloqueio falhasse. Nikita Kruschev, líder da URSS à época, cedeu à pressão dos EUA, retirou os mísseis e aceitou a inspeção da Organização das Nações Unidas (ONU). A Revolução Cubana de 1959 (alternativa A) aconteceu com a queda do ditador Fulgêncio Batista e com a tomada de poder por Fidel Castro. A Guerra do Vietnã (alternativa C) estendeu-se de 1959 a 1975, e, crendo que evitariam o avanço do comunismo, os EUA entraram definitivamente nessa guerra, em 1965, sofrendo, posteriormente, sua maior derrota militar pelas forças comunistas do Vietnã do Norte. O antigo Vietnã do Sul era apoiado pelos EUA, e o Vietnã do Norte pela URSS. A Doutrina Truman (alternativa D) foi um conjunto de medidas políticas e econômicas, em vigor a partir de 1947, com as quais os EUA assumiram o compromisso de combater o comunismo no mundo. O Pacto de Varsóvia (alternativa E) foi uma aliança militar de países socialistas firmada em 1955, em oposição à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). QUESTÃO 73 A conceituação de tempo liberado, livre e de lazer faz parte da transformação pela qual a sociedade passa com a Revolução Industrial. Porém as mudanças não se restringem a uma nova organização temporal da vida do trabalhador, mas também são alteradas as relações do homem com sua mão de obra e com o produto produzido. [...] A busca do melhor padrão de vida das cidades impunha um preço duro. Isso é facilmente compreendido quando observamos as linhas de montagem e as longas jornadas de trabalho que não obedecem à ordem natural de trabalho e repouso. Além disso, os gestos artificiais e repetitivos rompem com a relação de tempo e produto do trabalho, pois esse passou a ser fragmentado e de difícil compreensão. O trabalhador não é mais responsável pelo produto, mas sim por parte dele. Podemos sugerir que, em síntese, há um tempo natural, humano, uno, integral, do campo que a indústria opôs a um tempo artificial, alienado da produção, que não se integra nem à dinâmica familiar. [...] Trabalhar, antes da Revolução Industrial, tinha um significado que extrapolava os limites da produção. G81I Na fase artesanal, a mão de obra buscava suprir apenas as necessidades; era um sistema de trocas das mercadorias, ou de produção interna do que era preciso na família e na comunidade. NETTO, A.; NETO, S.; HUNGER, D. Modernidade, transformações sociais e o desenvolvimento da cultura de tempo livre do trabalho rio-clarense. In: Efdeportes.com. Revista Digital. Buenos Aires, ano 14, n. 133, jun. 2009. Disponível em: <http://www.efdeportes.com>. Acesso em: 29 nov. 2016 (Adaptação). A Revolução Industrial converteu os aspectos relacionados ao modo de realizar o trabalho e de se relacionar com ele. Desse conjunto de transformações, oriundas da alteração do modo de produção, destaca-se a A. racionalização do conhecimento produtivo, sistematizado pelo aprendizado proveniente das relações familiares vinculadas ao trabalho. B. institucionalização do conhecimento produtivo, apreendido essencialmente por intermédio da prática da atividade laboral do proletariado. C. divisão e a racionalização da produção por meio da absorção do conhecimento familiar e de sua transmissão para as atividades laborais industriais. D. sistematização e a racionalização da produção, transformadas em conhecimento técnico, sem que o proletário tenha acesso ao resultado final do produto. E. fragmentação da produção por intermédio do conhecimento do processo produtivo, que continua sendo compreendido em sua totalidade pelo proletariado. Alternativa D Resolução: O texto-base concede informações sobre as transformações no mundo do trabalho após o advento da Revolução Industrial. Alteração do modo de produção, do tempo gasto para o trabalho e da relação do trabalhador com o produto final são mudanças abordadas no texto. Para a solução da questão, o aluno deve mobilizar seus conhecimentos sobre a Revolução Industrial, assim como sua compreensão sobre as alterações das relações de trabalho e de produção após esse período. A mudança do modo de produção, do feudalista para o capitalista, alterou a forma como se produziam as coisas. A produção tornou-se cada vez mais racionalizada e sistematizada graças às linhas de produção, afastando o trabalhador do resultado final do seu trabalho. No feudalismo, aprendia-se a produzir, normalmente, por meio da passagem do conhecimento de geração para geração, e o trabalhador tinha a consciência de todo o processo produtivo. No capitalismo, a produção passou a ser feita em larga escala, de modo que o trabalhador é responsável por uma etapa da produção. Assim, ele não tem consciência de todo o processo produtivo nem acesso ao resultado final do produto. Analisaremos as demais alternativas: A) A racionalização do conhecimento da produção é, de fato, fruto da Revolução Industrial, pois, com a racionalização da produção, o modo de como produzir também é racionalizado por meio das chamadas “linhas de produção”, por exemplo. Entretanto, tal processo não é relacionado às atividadesfamiliares, como o era no feudalismo. B) A institucionalização do conhecimento da produção não se completa por meio da prática do trabalho pelo CH – PROVA I – PÁGINA 40 ENEM – VOL. 2 – 2020 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO proletariado. Sendo assim, “o ofício deixa de ser aprendido prioritariamente através da prática, pois as habilidades passam a ser envolvidas por um conhecimento teórico.” (NETTO; NETO; HUNGER, 2009). C) Como dito anteriormente, a utilização do conhecimento familiar para a aplicação no processo de produção era característica do feudalismo. No capitalismo, suplanta-se essa particularidade, uma vez que o trabalhador não tem acesso a toda cadeia produtiva. E) Com a fragmentação da produção, o processo que envolve seu conhecimento também tornou-se fracionado. Em outras palavras, o trabalhador não conhece todas as etapas do processo de produção do produto feito por ele. Posteriormente, Marx desenvolverá o conceito de alienação para explicar o afastamento do conhecimento do trabalhador do processo de produção. QUESTÃO 74 Cientistas observam a natureza, fazem medições, e depois tentam aceitar ou rejeitar hipóteses referentes a esses fenômenos. A coleta de dados pode ocorrer diretamente no campo (chamada coleta de dados in situ ou in loco), ou a alguma distância remota do objeto em apreço (referida como sensoriamento remoto do ambiente). JENSEN, J. R. Sensoriamento remoto do ambiente: uma perspectiva em recursos terrestres. Tradução de José Carlos Neves Epiphanio. São José dos Campos, SP: Parêntese, 2011. p. 1. Os avanços do sensoriamento remoto têm acompanhado o desenvolvimento técnico-científico informacional. Um progresso científico proporcionado por essa ferramenta é o sucesso na A. exploração da estrutura interna do planeta Terra, a começar pela crosta, a camada mais fina, o manto, a camada mais espessa, e o núcleo, a maior entre as camadas. B. obtenção de informações analógicas na coleta e na interpretação de dados climáticos, em escala global, suficientes para suspender o uso das informações digitais. C. opção de um cientista fazer uma completa investigação de áreas fragmentadas, identificando o continente do qual fazem parte sem saber qual é a sua exata localização. D. possibilidade de obtenção de quaisquer informações necessárias à condução de pesquisas biológicas ou sociais a baixo custo. E. capacidade de extrair dados qualitativos de fenômenos dinâmicos, mesmo em tempo real, com a utilização de dispositivos localizados a grandes distâncias da área de interesse. Alternativa E Resolução: A alternativa E está correta, pois é possível extrair dados qualitativos de fenômenos dinâmicos, a todo momento, mesmo com captação de sensores distantes do objeto (ciclones captados por satélites, por exemplo). A alternativa A está incorreta, pois, além das limitações à exploração da estrutura interna do planeta, o manto é reconhecidamente a maior camada. A alternativa B está incorreta, pois a grande evolução do sensoriamento remoto consiste no desenvolvimento digital, isto é, aperfeiçoando o uso de imagens de radar e satélites, por exemplo, associados a equipamentos analógicos (fotografias aéreas em papel ou em vídeo). A alternativa C está incorreta, pois, IØHO para uma análise correta, é preciso saber qual é a área investigada (imagens de radar, por exemplo). A alternativa D está incorreta, pois a totalidade dos dados de sensoriamento remoto não é de livre acesso, seja pelos custos da tecnologia empregada, seja por questões geopolíticas de sigilo e de controle de informações. QUESTÃO 75 A segunda grande revolução teve início na Grã- -Bretanha em finais do século XVIII, antes de se verificar noutros locais da Europa, na América do Norte e noutros continentes. Ficou conhecido como Revolução Industrial o conjunto amplo de transformações econômicas e sociais que acompanharam o surgimento de novos avanços tecnológicos [...]. O surgimento da indústria conduziu a uma migração em grande escala de camponeses, que deixaram as suas terras e se transformaram em trabalhadores industriais em fábricas, o que causou uma rápida expansão das áreas urbanas e introduziu novas formas de relacionamento social. A Revolução Industrial mudou de forma dramática a face do mundo social, incluindo muitos dos nossos hábitos pessoais. A maior parte da comida que ingerimos e das bebidas que tomamos – o café, por exemplo, – são atualmente produzidos por meio de meios industriais. GIDDENS, A. Sociologia. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2008. p. 6 (Adaptação). O trecho destaca alguns exemplos de mudanças sociais ocorridas a partir do século XVIII. Uma das consequências que acompanharam esse processo foi o(a) A. nascimento de uma nova ciência cujo objetivo era buscar um meio para frear as mudanças inseridas por essa revolução. B. empreendimento acadêmico e intelectual inédito realizado para entender as causas e as consequências das novas relações sociais. C. surgimento do proletariado, vinculado às boas condições de trabalho que eram organizadas em torno de suas demandas. D. modernização da agricultura, com o investimento de novos capitais, o que provocou um êxodo urbano bastante expressivo. E. declínio do capitalismo no continente europeu, assim como das crenças religiosas, morais, filosóficas e jurídicas. Alternativa B Resolução: O texto-base demonstra algumas transformações inseridas no mundo social pela Revolução Industrial. Para a solução da questão, o aluno deve ter em mente o contexto de surgimento da Sociologia, assim como as transformações ocorridas por meio da inserção de novas tecnologias pela Revolução Industrial. Essa ciência nasce justamente para ser específica e apta a analisar os acontecimentos do mundo social, uma vez que, anteriormente, os fatos do domínio social eram explicados pelas ciências naturais. Analisaremos as demais alternativas: A) O nascimento de uma nova ciência refere-se à Sociologia. Contudo, o objetivo de criar uma ciência voltada ao estudo do social não era o de frear as mudanças, mas de explicá-las mediante uma análise científica. JPHS ENEM – VOL. 2 – 2020 CH – PROVA I – PÁGINA 41BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO C) O surgimento do proletariado é contemporâneo da Revolução Industrial, porém suas condições de trabalho eram extremamente degradantes e baseavam-se em uma relação de exploração por parte da classe burguesa. D) A modernização da agricultura, por meio de novos investimentos e tecnologias, não provocou um êxodo urbano, mas sim um êxodo rural, conforme demonstra o texto-base. E) O capitalismo não entrou em declínio no período determinado, mas conseguiu sustentar melhor suas bases, dada a evolução das tecnologias e da industrialização. QUESTÃO 76 Os produtos chamados de especiarias eram algo muito mais relevante e significativo nos períodos medieval e renascentista do que podemos supor hoje em dia [...]. Combinadas com o vinho, constituíam a bebida chamada hipocraz, cujas virtudes agiam de forma semelhante às chamas, não só expulsando os humores corrompidos do organismo, mas queimando-os. Essa força de comoção dos sentidos, de choque sensorial aromático e gustativo, combatia as doenças, as fraquezas, o envelhecimento, ajudava nos partos e nos coitos e servia para afastar a peste e os venenos. [...]. As especiarias eram, portanto, [...] verdadeiras joias da saúde, pois expulsavam venenos, demônios e maus humores. CARNEIRO, H. Um sabor de riqueza para o Ocidente. In: HISTÓRIA VIVA. Grandes temas: mar português. São Paulo: Editora Duetto, [s.d.]. p. 80. [Fragmento] Além das suas utilidades ainda hoje conhecidas, os europeus, ancorados no imaginário medieval, conferiam usos subjetivos às especiarias asiáticas, que, segundo o texto, A. desempenhavam papel de condimento, já que, na Europa, os alimentos eram, em sua maioria, insossos. B. tinham valor medicinal, já que eram consideradas,por exemplo, rejuvenescedoras e caloríferas. C. significavam elemento de distinção social, pois eram demasiadamente valiosas, como o ouro e a prata. D. eram utilizadas como veneno para ratos, a fim de evitar a chegada da peste à Europa vinda do Oriente. E. serviam para conservar os alimentos, sobretudo nas viagens marítimas, já que inexistiam refrigeradores. Alternativa B Resolução: As Grandes Navegações foram impulsionadas pela busca de novas rotas comerciais que levassem os europeus às áreas de produção das lucrativas especiarias asiáticas, já que, no século XV, os caminhos tradicionais estavam sob o domínio de árabes e de italianos. Além de suas utilidades pragmáticas, como temperar e conservar alimentos, descritos nas alternativas A e E, respetivamente, os europeus conferiam usos subjetivos a esses produtos, como elemento de distinção social, apresentado na alternativa C. No entanto, a única finalidade descrita no texto é o valor medicinal – “combatia as doenças, as fraquezas, o envelhecimento” –, tornando, assim, correta a alternativa B. A alternativa D é incorreta, uma vez que o texto-base não afirma que as especiarias eram usadas como veneno, o que também não é evidenciado historicamente. PKW7 QUESTÃO 77 Toda hora eu vejo, em jornais, revistas, televisão e na rua, pessoas cada vez mais “livres” de preconceitos e... E, no entanto, todas estão convencidas de que a Terra gira em torno do Sol. Por quê? Pergunte a elas e elas responderão: “Ué, Galileu provou isso há muito tempo”. Mas provou isso pra quem? O homem comum e mesmo nós, os pejorativamente chamados intelectuais, aceitamos e pronto. [...] Mas entre Galileu – de cujas provas nunca tomamos conhecimento, muito menos sabemos dizer quais são – e a realidade, que literalmente salta (gira) a nossos olhos, temos que acreditar é em nossos olhos. Nossos olhos veem, com absoluta certeza, que o Sol nasce ali [...] e morre do outro lado. FERNANDES, M. Veja, São Paulo, n. 48, p. 34, dez. 2007. A crônica apresentada faz referência aos conhecimentos A. epistemológico e artístico. B. científico e do senso comum. C. estético e racional. D. filosófico e pragmático. E. mítico e empírico. Alternativa B Resolução: Muitos são os modos de se conhecer o mundo e a si mesmo, os quais dependem das ferramentas utilizadas, sejam elas a razão ou a imaginação. O “conhecimento mítico” confere significado ao mundo por meio da fé, não obedecendo aos critérios da razão empírica ou científica, aproximando-se, assim, do mágico. O “conhecimento estético”, oriundo da arte, nasce da sensibilidade interpretativa do artista, que, ao transportar sua percepção de mundo para a obra, reitera a experiência vivida e aproxima o observador do concreto. O “conhecimento filosófico” busca, com rigor, compreender o mundo e o ser humano por meio de um exame crítico, sistemático e racional das ideias. O “conhecimento científico”, por sua vez, procurando compreender a natureza, prima pela objetividade – em oposição à subjetividade do cientista – e pela racionalidade, utilizando-se de métodos empíricos para a confirmação de suas hipóteses. Já o conhecimento adquirido pelo senso comum nasce das tradições transmitidas pelos grupos sociais aos quais pertencem os indivíduos e caracteriza-se pela ausência de crítica às afirmações herdadas. No texto-base apresentado, as ações de Galileu para a compreensão dos fenômenos astronômicos estão alinhadas, portanto, ao “conhecimento científico”, enquanto a ideia das pessoas em geral a respeito do movimento dos corpos celestes está associada ao conhecimento adquiro pelo senso comum. Portanto, a resposta correta à questão é a alternativa B. QUESTÃO 78 © WWF-Brasil. UEC2 TTJZ CH – PROVA I – PÁGINA 42 ENEM – VOL. 2 – 2020 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO A imagem refere-se a um conceito recente que aborda a atuação da sociedade sobre os recursos naturais renováveis. Observando a importância desse conceito para a temática ambiental atual, o cálculo do nível de interferência antrópica tem o intuito de demonstrar a extensão de território necessária para a A. criação de reservas extrativistas. B. manutenção de estilos de vida. C. redução do custo de produção. D. contenção do uso de água potável. E. medição do uso de agrotóxicos. Alternativa B Resolução: A alternativa B é a correta. A questão faz referência ao conceito de pegada ecológica da sociedade. A pegada ecológica contém a quantidade de recursos naturais renováveis para sustentar o estilo de vida atual. Fundamentalmente, tudo o que a humanidade utiliza para viver vem da natureza, e, mais tarde, retornará para o meio ambiente. Em outras palavras, essa é a pegada. As demais alternativas são incorretas, pois, apesar de fazerem referência a questões ambientais importantes, não correspondem ao conceito de pegada ecológica. QUESTÃO 79 Transição demográfica: a experiência brasileira A evolução das taxas de mortalidade, natalidade e fecundidade a partir de 1950 caracteriza o processo de transição demográfica no Brasil. De uma população predominantemente jovem em um passado nem tão distante, observa-se, nos dias atuais, um contingente, cada vez mais importante, de pessoas com 60 anos ou mais de idade. VASCONCELOS, A. M. N; GOMES, M. M. F. (2012). Transição demográfica: a experiência brasileira. Epidemiologia e serviços de saúde. Disponível em: <http://dx.doi.org>. Acesso em: 30 ago. 2016. [Fragmento adaptado] Considerando o processo descrito pelo texto, uma condição que propicia a mudança no perfil da população brasileira é o(a) A. incentivo governamental à fecundidade, que garante o pré-natal no Sistema Único de Saúde e as vagas nas escolas de Ensino Infantil. B. falta de controle sobre doenças infecciosas e parasitárias que acarretam altas taxas de mortalidade, sobretudo no Sudeste do Brasil. C. urbanização e a modernização da sociedade, que experimenta atualmente uma desaceleração do ritmo de crescimento demográfico. D. gestação precoce de mulheres que privilegiam a maternidade em detrimento da inserção e permanência no mercado de trabalho. E. aumento exponencial do número de jovens que se inserem no mercado de trabalho, com a consequente queda na razão de dependência. Alternativa C Resolução: O texto-base ilustra a mudança de perfil demográfico brasi leiro, que está em um estágio intermediário da transição demográfica, com uma população prioritariamente adulta, e que possuirá, em algumas décadas, um contingente populacional significativamente idoso. ØO61 Esse panorama só é possível devido aos processos de urbanização e de modernização da sociedade, com a inserção significativa das mulheres no mercado de trabalho associada ao planejamento familiar, que reduz ou posterga a maternidade. A alternativa A está incorreta, pois o Governo não garante as vagas para crianças no Ensino Infantil. A alternativa B está incorreta, pois as medidas de controle de doenças infecciosas e parasitárias têm sido mais eficientes no Sudeste do Brasil. A alternativa D está incorreta, pois o que se observa é um comportamento contrário em relação à maternidade. A alternativa E está incorreta, pois não corresponde ao movimento posterior de envelhecimento populacional descrito na situação-problema, que é caracterizado pelo aumento da razão de dependência devido ao crescimento do número de idosos. QUESTÃO 80 O fim do horário de verão, que terminou à 0h deste domingo [21/02/2016], muda o horário de funcionamento dos parques estaduais Mãe Bonifácia, Zé Bolo Flô e Massairo Okamura, em Cuiabá, que volta a ser das 6h às 18h. Esse horário estava alterado desde outubro de 2015, quando teve início o horário de verão, com os parques abrindo mais cedo e fechando mais tarde. Disponível em: <http://g1.globo.com>. Acesso em: 21 out. 2016 (Adaptação). Sabendo a época do ano e quanto tempo durou o horário de verão, qual é o motivo de os parques de Cuiabá abriremmais cedo e fecharem mais tarde? A. Aproveitar ao máximo os dias mais longos do ano proporcionados pela maior incidência de radiação solar no Hemisfério Sul. B. Aumentar a quantidade de frequentadores do parque na primavera – estação do ano em que os índices pluviométricos são os mais elevados. C. Marcar o início do verão e o dia mais longo no Hemisfério Sul e o início do inverno e o dia mais curto no Hemisfério Norte. D. Dispor da luminosidade da estação do ano em que o dia e a noite têm durações iguais tanto no Hemisfério Norte quanto no Sul. E. Utilizar o afélio, momento em que o planeta está mais distante do Sol, para gerar energia nos espaços públicos. Alternativa A Resolução: O horário de verão vigora na primavera e no verão – período em que os dias passam a ser mais longos por causa do aumento da incidência dos raios solares no Hemisfério Sul nessa época do ano (alternativa A). A estação do ano em que os índices pluviométricos são os mais elevados no clima tropical, típico da região de Cuiabá, é o verão, e não a primavera, como diz a alternativa B. Além disso, o aumento das chuvas desfavorece as visitas aos parques. A mudança do horário de funcionamento dos parques não marca o início do verão e do inverno, diferentemente do que diz a alternativa C. A duração igual do dia e da noite define os equinócios de primavera e de outono, o que torna a alternativa D incorreta. O afélio e a geração de energia nos espaços públicos não se associam como afirma a alternativa E. G93J ENEM – VOL. 2 – 2020 CH – PROVA I – PÁGINA 43BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO QUESTÃO 81 Para concorrer com eles [portugueses], os espanhóis, seguidos de perto pelos ingleses, franceses e demais, procurarão outro caminho para o Oriente; a América, com que toparam nesta pesquisa, não foi para eles, a princípio, senão um obstáculo oposto à realização de seus planos, que devia ser contornado. Todos os esforços se orientam então no sentido de encontrar uma passagem, cuja existência se admitiu a priori. Os espanhóis [...] descobrirão o México; [...] mas a passagem não será encontrada. [...]. Magalhães [...] encontrará o estreito que constituiu afinal a famosa passagem tão procurada; mas ela se revelará pouco praticável e se desprezará. [...] Enquanto isso [...] as pesquisas se ativam para o norte; a iniciativa cabe aí aos ingleses, embora tomassem para isto o serviço de estrangeiros [...]. Os portugueses também figurarão nessa exploração do Extremo Norte americano com os irmãos Corte Real, que descobrirão o Labrador. Os franceses encarregarão o florentino Verazzano de iguais objetivos. PRADO JÚNIOR, C. Formação do Brasil contemporâneo. São Paulo: Brasiliense, 1977. p. 23. O texto sinaliza que a Expansão Marítima europeia teve como motivação o interesse A. comercial. B. político. C. religioso. D. científico. E. civilizatório. Alternativa A Resolução: O texto-base informa o interesse dos reinos europeus (como os espanhóis, ingleses e franceses) de procurar “outro caminho para o Oriente” para “concorrer” com o Estado português, que iniciara de forma pioneira suas expedições marítimas em direção às Índias. Desse modo, evidencia-se, por meio dessas palavras-chaves, o interesse econômico desses reinos, uma vez que o Oriente era cobiçado devido ao rentável comércio de especiarias. Já os demais aspectos apresentados nas alternativas incorretas – político, religioso, científico e civilizatório – não podem ser identificados por meio do texto-base. QUESTÃO 82 No início do século XXI, encontramo-nos num mundo em que as operações armadas já não estão essencialmente nas mãos dos governos ou dos seus agentes autorizados, e as partes distantes não têm características, status e objetivos em comum, exceto quanto à vontade de utilizar a violência. HOBSBAWM, E. J. Globalização, democracia e terrorismo. São Paulo: Companhia das Letras, 2007. p. 23. Considerando a caracterização do período citado, são motivos recorrentes dos conflitos após o fim da Guerra Fria: A. Recursos humanos, fundamentalismo político e rivalidades tribais. B. Recursos energéticos, separação Igreja-Estado e rivalidades culturais. C. Recursos minerais, laicidade estatal e rivalidades esportivas. D. Recursos tecnológicos, liberdade religiosa e rivalidades regionais. E. Recursos naturais, fundamentalismo religioso e rivalidades étnicas. 62B3 3NXM Alternativa E Resolução: Após o fim da União Soviética, esperava-se que as lutas e as guerras teriam fim ou se reduziriam a níveis pouco significativos no panorama mundial. No entanto, os conflitos continuaram na forma de guerras civis, ações terroristas relacionadas ao fundamentalismo religioso, disputa por recursos naturais, rivalidades étnicas e nacionalismos (alternativa E). As alternativas A, B, C e D associam temas que não caracterizam as guerras atuais. QUESTÃO 83 TEXTO I Plebiscito e referendo são consultas ao povo para decidir sobre matéria de relevância para a nação em questões de natureza constitucional, legislativa ou administrativa. A principal distinção entre eles é a de que o plebiscito é convocado previamente à criação do ato legislativo ou administrativo que trate do assunto em pauta, e o referendo é convocado posteriormente, cabendo ao povo ratificar ou rejeitar a proposta. Ambos estão previstos no art. 14 da Constituição Federal e regulamentados pela Lei n. 9 709, de 18 de novembro de 1998. Disponível em: <http://www.tse.jus.br>. Acesso em: 09 dez. 2015. TEXTO II Os Tribunos da Plebe, a princípio dois e mais tarde dez, eram invioláveis. Tinham direito de poder socorrer o cidadão ameaçado por um magistrado e interceder ou anular atos ou decisões que julgassem prejudiciais aos plebeus. Podiam reunir a assembleia da plebe e fazer votar o que tinha valor de lei para os plebeus. KOSHIBA, L. História: origens, estruturas e processos. São Paulo: Atual Editora, 2000. p. 83. As análises dos textos e da História revelam a relação de herança de práticas políticas romanas na estrutura brasileira atual. Na construção de uma mentalidade cada vez mais cidadã, a semelhança entre as duas experiências se encontra no(a) A. exploração dos plebeus romanos e do povo brasileiro contemporâneo. B. conquista do direito de decisão em situações consideradas polêmicas. C. superioridade incontestável do Poder Legislativo sobre o Poder Executivo. D. restrição democrática garantida apenas aos grupos privilegiados em cada contexto. E. poder da coesão popular em manifestações pelos direitos de todos. Alternativa B Resolução: O texto I apresenta alguns instrumentos políticos que estão previstos na Constituição Federal e dos quais dispõe o povo brasileiro, o que lhe permite participar de processos decisórios sobre assuntos de interesse público. Assim, o plebiscito e o referendo, tal como os Tribunos da Plebe, que, de acordo com o texto II, eram magistrados que atuavam em defesa dos direitos e dos interesses da plebe, correspondem à conquista do direito de decidir do povo em situações consideradas polêmicas e revelam, portanto, uma relação de herança de práticas políticas romanas na estrutura brasileira atual. Logo, a única alternativa que apresenta semelhança entre a experiência romana e a brasileira é a B. G2S5 CH – PROVA I – PÁGINA 44 ENEM – VOL. 2 – 2020 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO QUESTÃO 84 População muçulmana no mundo Disponível em: <http://image.slidesharecdn.com>. Acesso em: 01 nov. 2016. A religião islâmica apresenta, nos últimos anos, grande crescimento no número de adeptos, que estão distribuídos pelo globo de maneira heterogênea. Considerando a imagem anterior e pensando no objetivo de sua representação, a anamorfose foi escolhida porque expressa A. características de diversos temas simultaneamente. B. ausência de comprovação da veracidade dos dados. C. negligência dos elementos básicos de um mapa. D. imprecisão na definiçãode distâncias latitudinais. E. deformações proporcionais aos dados apresentados. Alternativa E Resolução: A alternativa E é a correta. As anamorfoses são representações gráficas simplificadas, sem escala cartográfica e sem os demais elementos básicos de um mapa. Trata-se de um registro de comunicação, e não uma representação do mundo real. As deformidades apresentadas não são aleatórias, mas propositais e calculadas com precisão, tornando-se diretamente proporcionais à variável considerada: a população muçulmana. QUESTÃO 85 Sem a escravidão, não haveria o Estado grego; não haveria arte nem ciências gregas [...]. É muito fácil estar contra a escravidão [...], e manifestar a imoralidade dessa instituição. Infelizmente, porém, agir dessa maneira não explica e nada nos ensina de importante sobre a origem de semelhante instituição, as razões de sua duração e o papel que representou na História. ENGELS, F. A revolução na ciência de Herr Dühring. In: MARX, K.; ENGELS, F. Sobre literatura e arte. São Paulo: Global, 1979. p. 79-80 (Adaptação). De acordo com a análise anterior, na Grécia Antiga, o papel representado pela escravidão está associado à A. necessidade de garantir o povoamento das regiões conquistadas pelos gregos. B. valorização da ociosidade como condição do desenvolvimento intelectual. C. escassez de mão de obra qualificada para a produção agrária e artesanal. D. deficiência do ensino das artes e das ciências praticado pelas pessoas livres. E. indolência das camadas populares urbanas e rurais das poleis gregas. 8U2E HCZQ Alternativa B Resolução: A) O texto-base destaca a importância da prática escravista para o desenvolvimento das artes e das ciências, não a relacionando ao povoamento das regiões conquistadas pelos gregos. B) O texto-base destaca que “sem a escravidão, não haveria o Estado grego; não haveria arte nem ciências gregas”. Desse modo, o papel representado pela escravidão pode ser associado à valorização da ociosidade, isto é, os gregos, sobretudo os atenienses, consideravam o tempo livre importante para o desenvolvimento intelectual e para o exercício de outras atividades, como as políticas. C) As pessoas escravizadas na Grécia Antiga eram, sobretudo, prisioneiras de guerras, englobando, assim, diversos ofícios ou especialidades, não formando necessariamente mão de obra qualificada. D) Na Antiguidade, foi comum o aproveitamento das especialidades das pessoas escravizadas, por exemplo, alguns escravos exerciam funções na área de ensino. Entretanto, não se pode afirmar que essa situação ocorria devido a uma incapacidade das pessoas livres. E) A escravidão foi comum na Antiguidade por diversos fatores: escassez de mão de obra, necessidade de aumentar a produção e valorização do ócio – como no caso da Grécia apresentado. Desse modo, está incorreto associar o papel da escravidão à “indolência” das camadas populares, que exerciam suas atividades independente da prática escravista. QUESTÃO 86 Mas o início da Revolução Industrial contou também com o alto avanço tecnológico, que possibilitou a troca das ferramentas e da energia humana pelas máquinas. Foi uma fase de encerramento da transição entre o feudalismo e o capitalismo, em que o capitalismo se tornou o sistema financeiro e econômico vigente, e novas relações entre capital e trabalho foram impostas. A burguesia industrial buscava maiores lucros, com menores custos e uma produção acelerada. Primeiramente, a revolução afetou a produção de bens de consumo e, depois, os bens de produção. REVOLUÇÃO INDUSTRIAL. Disponível em: <http://revolucao- industrial.info>. Acesso em: 30 jan. 2017 (Adaptação). O trecho anterior descreve o período no qual foi inserida uma série de mudanças no mundo do trabalho, entre as quais se destaca a A. introdução do uso de combustíveis fósseis, concedendo dinâmica a toda a produção. B. incorporação do uso de tecnologias nucleares, modificando o processo de produção. C. inclusão da máquina a vapor, dinamizando todo o processo de produção industrial. D. redução da divisão do trabalho social, acarretando na queda do número de empregos. E. diminuição da carga horária de trabalho, fruto de disputas entre os patrões e os empregados. 57KD ENEM – VOL. 2 – 2020 CH – PROVA I – PÁGINA 45BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO Alternativa C Resolução: O texto-base aborda as mudanças provocadas pelo início da Revolução Industrial, isto é, sua primeira fase, e mostra a amplitude dessa transformação, que afetou de forma brusca o mundo ocidental, alterando as bases do trabalho, do Estado e da sociedade. Para a solução da questão, o aluno deve saber que, na Primeira Revolução Industrial, a introdução da máquina a vapor na produção foi a referência tecnológica fundamental. “Na primeira fase, entre 1750 e 1800, desenvolve-se a máquina a vapor, que vai substituir diretamente o trabalho humano e a tração animal; na segunda, entre 1850 e 1870, a eletricidade e os combustíveis fósseis passam a alimentar as novas máquinas; e já no século XX, após as duas grandes guerras, tem lugar a chamada Terceira Revolução Industrial, com o advento da energia nuclear e das tecnologias de informação.” (DELAZARI, F. Positivismo e Revolução Industrial. In: ______. Coleção Estudo 6V. Belo Horizonte: Bernoulli Sistema de Ensino, 2017. v. 1. p. 4). Analisaremos as demais alternativas: A) A introdução do uso dos combustíveis fósseis acontece na segunda fase da Revolução Industrial, em paralelo com a utilização da eletricidade, ao passo que o texto-base se refere ao início do referido processo. B) A introdução das tecnologias nucleares se dá a partir da Terceira Revolução Industrial, juntamente com o advento das tecnologias de informação, ao passo que o texto-base se refere à primeira fase da Revolução Industrial. D) Ao contrário, houve um aumento da divisão do trabalho social, conforme autores clássicos da Sociologia (Marx, Weber e Durkheim) demonstram em suas análises. E) Os operários, na primeira fase da Revolução Industrial, trabalhavam de 12 a 15 horas diárias “[...] em condições de trabalho precárias e por salários aviltantes [...]”. (MERLO; LAPIS, op. cit., p. 61). QUESTÃO 87 Era sempre assim que começava a conversa, cada um tinha algo a dizer, enquanto o querosene do candeeiro viciava o ar da sala já empesteada pelo cheiro de cebola frita. [...] trabalhavam como bestas numa coisa que antes só era feita pelos condenados às grilhetas, morriam ali, muito antes de ter chegado a sua hora, e tudo isso para nem sequer terem carne no jantar. [...] aos domingos sucumbiam, exaustos. Os únicos prazeres eram embriagar-se e fazer filhos na mulher. E ainda por cima a cerveja fazia crescer a barriga, e os filhos, mais tarde, renegavam os pais. Não, não, a vida não tinha graça alguma. ZOLA, É. Germinal. São Paulo: Martin Claret, 2001. p. 130. O processo de exclusão social que ocorre concomitantemente ao desenvolvimento industrial da Europa no século XIX reflete o A. rompimento das relações produtivas e das instituições sociais que vigoravam na sociedade europeia pré-capitalista. B. surgimento de um modo de produção que conjugava o progresso tecnológico com a utilização de trabalho escravo. K4OF C. desaparecimento quase completo das garantias trabalhistas que protegiam os operários contra os efeitos da industrialização. D. envolvimento das classes trabalhadoras com teorias sociais que pregavam a desordem e a destruição das máquinas como forma de protesto. E. aumento da cobrança de impostos por parte do Estado para o financiamento da produção em detrimento de investimentos sociais. Alternativa A Resolução: Germinal, romance de Émile Zola, aborda as relações de trabalho no processo de consolidação do capitalismo. Podemos perceber, por meio da leitura do texto- -base, a situação em que os trabalhadores encontravam-se no processo de produção. Tal condição foi vivenciadapessoalmente por Zola, que, para escrever seu livro, chegou a trabalhar dois meses na extração de carvão como mineiro. Para responder corretamente, o aluno deve perceber, primeiramente, que o texto-base trata de uma questão recorrente durante a Revolução Industrial: as péssimas condições de trabalho. Paralelamente, deve-se recordar que a Revolução Industrial modificou por completo a estrutura econômica da sociedade europeia, desestruturando as bases do feudalismo. Com essa desestruturação, ocorre o rompimento com as instituições sociais e com as relações produtivas que vigoravam na sociedade pré-capitalista. Assim, o modo de produção capitalista começa a se consolidar de forma definitiva. Em outras palavras, “o desenvolvimento do sistema capitalista, ao se constituir em torno da exploração do trabalho assalariado, na posse da propriedade e da constante criação de necessidades, rompe com a lógica que até então dominava a vida em sociedade nos períodos pré-capitalistas [...]”. (DELAZARI, F. Positivismo e Revolução Industrial. In: Coleção Estudo 6V. Belo Horizonte: Bernoulli Sistema de Ensino, 2017. v. 1. p. 4). Portanto, a alternativa A é a correta. QUESTÃO 88 Se cada dia cai Se cada dia cai, dentro de cada noite, há um poço onde a claridade está presa. há que sentar-se na beira do poço da sombra e pescar luz caída com paciência. NERUDA, P. Disponível em: <http://www.poesiaspoemaseversos.com.br>. Acesso em: 30 ago. 2016. O poema do chileno Pablo Neruda descreve um fenômeno diário de natureza geográfica. Nesse contexto, considerando que a situação apresentada ocorre na cidade de Santiago, no Chile, o trecho “Se cada dia cai dentro de cada noite” é interpretado, geograficamente, como uma referência ao A. retorno da fase da Lua nova. B. surgimento da aurora boreal. C. giro oeste-leste do eixo terrestre. D. período do Sol da meia-noite. E. equinócio de verão nos trópicos. 9N3Q CH – PROVA I – PÁGINA 46 ENEM – VOL. 2 – 2020 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO Alternativa C Resolução: O verso do poema descrito no enunciado da questão refere-se a um intervalo com ausência de luz, ou seja, ao período da noite. Quando o autor diz que “cada dia cai dentro de cada noite”, refere-se a um ciclo. Em outras palavras, basta esperar, pois a luz tornará a surgir. Isso se trata do fenômeno de rotação terrestre – corretamente exposto na alternativa C –, no qual o planeta realiza um giro ao redor de seu próprio eixo, o que possibilita a existência dos dias e das noites. QUESTÃO 89 Pensando nas correntes e prestes a entrar no braço que deriva da Corrente do Golfo para o norte, lembrei-me de um vidro de café solúvel vazio. Coloquei no vidro uma nota cheia de zeros, uma bola cor rosa-choque. Anotei a posição e data: Latitude 49°49’ N, Longitude 23°49’ W. Tampei e joguei na água. Nunca imaginei que receberia uma carta com a foto de um menino norueguês, segurando a bolinha e a estranha nota. KLINK, A. Parati: entre dois polos. São Paulo: Companhia das Letras, 1998 (Adaptação). No texto, o autor anota sua coordenada geográfica, que é A. a relação que se estabelece entre as distâncias representadas no mapa e as distâncias reais da superfície cartografada. B. o registro de que os paralelos são verticais e convergem para os polos, e os meridianos são círculos imaginários, horizontais e equidistantes. C. a informação de um conjunto de linhas imaginárias que permitem localizar um ponto ou acidente geográfico na superfície terrestre. D. a latitude como distância em graus entre um ponto e o Meridiano de Greenwich, e a longitude como a distância em graus entre um ponto e o Equador. E. a forma de projeção cartográfica, usada para navegação, onde os meridianos e paralelos distorcem a superfície do planeta. Alternativa C Resolução: O enunciado é completado com a definição de coordenada geográfica, constituída por paralelos e meridianos que possibilitam o posicionamento de qualquer ponto sobre a superfície da Terra. Sabendo disso, a alternativa A está incorreta, pois descreve a noção de escala. A alternativa B também está incorreta porque a definição de paralelos e meridianos está invertida. A alternativa D está incorreta porque a definição de longitude e de latitude está invertida. A alternativa E está incorreta, pois descreve a projeção cartográfica. QUESTÃO 90 Geografia é a ciência da organização do espaço. Logo, os fenômenos, as relações, as categorias e as percepções espaciais são do interesse dos geógrafos, embora não somente deles. KALIL, T. O vinho em Andradas (MG): sabor, paisagem, lugar, memória e perspectivas na percepção dos produtores. Geograficidade, v. 6, n. 2, maio 2016. Disponível em: <http://www.uff.br>. Acesso em: 28 out. 2016. YUTP MLK2 São categorias espaciais definidas e estudadas pela Geografia: A. Espaço geográfico, modificado pela ação humana; lugar, relacionado à vivência afetiva; território, estabelecido por relações de poder. B. Espaço natural, delimitado por processos sociais; lugar, compreendido pela vivência afetiva; território, instituído por relações de poder. C. Espaço geográfico, estabelecido pelos elementos artificiais; lugar, abrangido em um lance de vista; território, marcado por relações de poder. D. Espaço natural, criado por elementos naturais e sociais; lugar, percebido por um lance de vista; território, determinado por relações de poder. E. Espaço geográfico, apropriado por certo grupo; lugar, demarcado por fronteiras políticas; território, formado por relações de poder. Alternativa A Resolução: Algumas das mais importantes categorias espaciais, que servem como instrumento à análise espacial na Geografia, são lugar, paisagem, região e território. A alternativa A define corretamente o espaço geográfico, o lugar e o território. Essas categorias são identificadas no espaço geográfico, o qual resulta das relações entre sociedade e natureza, isto é, o espaço transformado pela ação humana diferente do espaço natural em que predominam os elementos naturais não modificados pelo ser humano. O lugar pode ser definido pelo vínculo afetivo entre o sujeito e o meio em que vive. A paisagem é compreendida pela visão e pelos demais sentidos. Já o território é instituído pelas relações de poder estabelecidas, que determinam o seu uso. ENEM – VOL. 2 – 2020 CH – PROVA I – PÁGINA 47BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO