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Gabarito 2°SIMULADO(1°Dia)

Simulado ENEM 2020 — Volume 2, Prova I: Linguagens, Códigos e suas Tecnologias. Conjunto de questões objetivas (01–45), com opção de inglês para as primeiras questões e resoluções comentadas que justificam as alternativas.

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Thalyta Sousa

em

Ferramentas de estudo

Questões resolvidas

O projeto Viva Rugby, que visa divulgar o esporte e apresentar os valores da modalidade, esteve nessa sexta-feira, 14, na Satc. O atleta Daniel Xavier, da Seleção Brasileira, conversou com os estudantes sobre a prática que vem crescendo no Brasil. O jogador falou com os estudantes durante palestra onde apresentou o esporte e a trajetória do rúgbi como esporte olímpico. “Nossa intenção com o projeto é tornar a modalidade conhecida, já que está se popularizando país afora. Além disso, queremos propagar valores importantes como respeito, amor ao próximo e disciplina”, destacou o atleta. Além de visitar a Satc, o projeto desenvolvido pelo Criciúma Rugby Clube esteve no bairro da Juventude. Os treinos da equipe criciumense ocorrem nos campos da Satc. Disponível em: . Acesso em: 28 out. 2016. Embora sua história no Brasil date do século XIX, somente nas últimas décadas o rúgbi tem se disseminado pelo país, conquistando adeptos de todas as idades. O projeto desenvolvido na cidade catarinense de Criciúma busca difundir a prática do rúgbi, mas também tem a finalidade de:

A. incorporar esse esporte como uma prática de prestígio perante a sociedade.
B. aperfeiçoar as táticas empregadas pela equipe local durante os treinamentos.
C. associar esse esporte a uma manifestação corporal necessária a um grupo social.
D. levar às pessoas que praticam atividades físicas uma nova opção de lazer.
E. conquistar a mesma estima associada ao futebol como esporte olímpico.

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Questões resolvidas

O projeto Viva Rugby, que visa divulgar o esporte e apresentar os valores da modalidade, esteve nessa sexta-feira, 14, na Satc. O atleta Daniel Xavier, da Seleção Brasileira, conversou com os estudantes sobre a prática que vem crescendo no Brasil. O jogador falou com os estudantes durante palestra onde apresentou o esporte e a trajetória do rúgbi como esporte olímpico. “Nossa intenção com o projeto é tornar a modalidade conhecida, já que está se popularizando país afora. Além disso, queremos propagar valores importantes como respeito, amor ao próximo e disciplina”, destacou o atleta. Além de visitar a Satc, o projeto desenvolvido pelo Criciúma Rugby Clube esteve no bairro da Juventude. Os treinos da equipe criciumense ocorrem nos campos da Satc. Disponível em: . Acesso em: 28 out. 2016. Embora sua história no Brasil date do século XIX, somente nas últimas décadas o rúgbi tem se disseminado pelo país, conquistando adeptos de todas as idades. O projeto desenvolvido na cidade catarinense de Criciúma busca difundir a prática do rúgbi, mas também tem a finalidade de:

A. incorporar esse esporte como uma prática de prestígio perante a sociedade.
B. aperfeiçoar as táticas empregadas pela equipe local durante os treinamentos.
C. associar esse esporte a uma manifestação corporal necessária a um grupo social.
D. levar às pessoas que praticam atividades físicas uma nova opção de lazer.
E. conquistar a mesma estima associada ao futebol como esporte olímpico.

Prévia do material em texto

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SIMULADO ENEM 2020 - VOLUME 2 - PROVA I
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LINGUAGENS, CÓDIGOS E SUAS TECNOLOGIAS
Questões de 01 a 45
Questões de 01 a 05 (opção inglês)
QUESTÃO 01 
As tirinhas da série Itchy Feet retratam, de forma cômica, situações vivenciadas por viajantes. Na tirinha anterior, o autor 
busca satirizar o(a)
A. 	comportamento de turistas provenientes de nações desenvolvidas, os quais tendem a considerar exóticos os hábitos 
culturais de outros países.
B. 	desinteresse de alguns viajantes pelas práticas religiosas dos países que visitam, optando por ignorar seus templos 
e outros locais de adoração.
C. 	displicência típica de alguns turistas com seus objetos de valor, os quais são deixados sem supervisão, mesmo em 
países onde roubos são comuns.
D. 	substituição paulatina das câmeras digitais, antes muito comuns entre viajantes, por celulares com câmera, que são 
menores e mais fáceis de carregar.
E. 	diminuição gradual do entusiasmo de turistas que começam suas viagens registrando todos os detalhes, mas, 
eventualmente, perdem o interesse.
ZLSJ
ENEM – VOL. 2 – 2020 LCT – PROVA I – PÁGINA 1BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
Alternativa E
Resolução: 
A) Não existem elementos textuais que indicam que o autor 
da tirinha tenha o objetivo de satirizar o comportamento de 
turistas provenientes de nações desenvolvidas. De fato, 
a personagem com a câmera mostra-se entusiasmada 
no primeiro quadrinho, fotografando tudo, o que sugere 
um certo encantamento com o novo e o exótico. Contudo, 
isso, por si só, não é suficiente para sustentar a afirmação 
contida no item.
B) No segundo quadrinho, a personagem com a câmera 
recusa a sugestão de fotografar um templo. Contudo, 
a justificava dada por ela não é falta de interesse pelas 
práticas religiosas locais, mas sim o fato de já ter 
fotografado outros quinhentos templos idênticos, o que 
faz com que aquele já não seja mais tão especial: “Well, 
I’ve already got about 500 photos of other magnificent 
temples just like it”. Portanto, a alternativa está incorreta.
C) No terceiro quadrinho, a personagem da direita afirma 
não saber onde está sua câmera. Isso, contudo, não é 
um indicador de que ele seja displicente, mas sim de que 
ele perdeu o interesse em tirar fotos. Por conseguinte, 
não é correto dizer que o autor busca satirizar, com a 
tirinha, a displicência típica de alguns turistas com seus 
objetos de valor.
D) O fato de que uma das personagens está com uma 
câmera nos dois primeiros quadrinhos, mas não no 
terceiro, não indica uma substituição paulatina dessa 
ferramenta por celulares, muito menos uma sátira autoral 
desse fenômeno. Isso apenas ilustra a perda gradual do 
entusiasmo da personagem. Portanto, a alternativa está 
incorreta.
E) No primeiro quadrinho, a personagem com a câmera 
deseja fotografar tudo, desde a grama até o banco local. 
No segundo, ela já se mostra menos animada, recusando-se 
a fotografar um templo. Por fim, no terceiro quadrinho, 
a personagem está com a câmera guardada, indicando 
que não deseja fotografar nada. Portanto, o que o autor 
satiriza é justamente a diminuição gradual do entusiasmo 
de alguns turistas. Logo, a alternativa E é a correta.
QUESTÃO 02 
Disponível em: <http://moviefone.tumblr.com/>. 
Acesso em: 16 abr. 2015.
MH74
A publicidade tem como objetivo não só divulgar empresas, 
produtos ou serviços, mas também persuadir o público a aderir 
a uma ideia ou comportamento. Nessa campanha, o leitor 
é incentivado a 
A. 	 dirigir conforme os limites de velocidade permitidos. 
B. 	 telefonar para os parentes em caso de defeitos no veículo.
C. 	 respeitar a proibição do uso de telefone celular ao volante. 
D. 	 utilizar o serviço de motorista do estabelecimento. 
E. 	 evitar a combinação de bebida alcoólica e direção. 
Alternativa E
Resolução: 
A) A expressão “go beyond your limit” não tem a ver com 
limite de velocidade, mas sim com a quantidade de álcool 
ingerida. Não há, portanto, nenhum elemento textual que 
sustente a afirmativa da alternativa A.
B) A publicidade convoca o leitor a ligar para casa em caso 
de embriaguez, e não em caso de defeito no veículo. Logo, 
a alternativa está incorreta.
C) Não existe nenhuma referência no texto à necessidade 
de se respeitar a proibição ao uso de celular ao volante. 
A expressão “Phone home” significa “Ligue para casa” e 
não tem nenhuma relação com a afirmação contida na 
alternativa. Portanto, a alternativa está incorreta.
D) Não existe, nessa publicidade, a oferta de qualquer tipo 
de serviço de motorista. O que se sugere é que pessoas 
que tenham bebido demais liguem para casa em vez de 
voltar dirigindo. Portanto, a alternativa está incorreta.
E) A alternativa está correta: a frase “If you go beyond your 
limit, please don’t drive” pode ser traduzida como: “Se 
passar do limite, por favor, não dirija”. Trata-se, portanto, 
de um pedido para que o leitor evite combinar álcool e 
direção, conforme propõe a alternativa E.
QUESTÃO 03 
Success is counted sweetest
Success is counted sweetest
By those who never succeed.
To comprehend a nectar
Requires sorest need.
Not one of all the purple Host
Who took the Flag today
Can tell the definition
So clear of Victory
As he defeated – dying –
On whose forbidden ear
The distant strains of triumph
Burst agonized and clear! 
DICKINSON, E. Disponível em: <http://www.poetryfoundation.org>. 
Acesso em: 18 mar. 2016.
Emily Elizabeth Dickinson foi uma poetisa americana cujos 
poemas aparentam simplicidade, mas, na verdade, descrevem 
complicadas verdades psicológicas. No poema “Success is 
counted sweetest”, a autora afirma que as pessoas tendem a
A. 	 comemorar o sucesso alheio com mais entusiasmo.
B. 	 buscar o sentido da vida nos momentos de dificuldade.
C. 	 reclamar dos percalços que encontram em seu caminho.
D. 	 desejar de forma mais aguda aquilo que nunca possuíram.
E. 	 vangloriar-se de seus triunfos e envergonhar-se de seus 
fracassos.
4JGC
LCT – PROVA I – PÁGINA 2 ENEM – VOL. 2 – 2020 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
Alternativa D 
Resolução: Para determinar a resposta à questão, podemos 
nos basear nos dois primeiros versos do poema: “Success 
is counted sweetest / By those who never succeed” 
(O sucesso é considerado mais doce / por aqueles que nunca 
foram bem-sucedidos), isto é, as pessoas valorizam mais 
aquilo que nunca possuíram. Com base nisso, é possível 
determinar que a alternativa correta é a D. 
A alternativa A está incorreta porque não se fala exatamente 
de comemorar o sucesso alheio, mas sim de saber dar a ele 
o devido valor, justamente por não o possuir. 
As alternativas B e C, por sua vez, não encontram respaldo 
no texto. Em nenhuma passagem do poema se faz qualquer 
referência à busca pelo sentido da vida ou às reclamações 
que as pessoas fazem contra os percalços em seu caminho. 
Logo, os itens estão incorretos. 
Por fim, a alternativa E está incorreta porque distorce aquilo 
que diz o texto. No poema, o eu lírico afirma que ninguém 
que faça parte de um exército (“Host”) vitorioso poderá 
dar uma definição tão clara da vitória quanto quem por ele 
foi derrotado. Portanto, não se trata de vangloriar-se dos 
próprios triunfos e envergonhar-se dos fracassos, mas sim 
de dar valor àquilo que não se tem, mas que se deseja. 
QUESTÃO 04 
We teach girls to shrink themselves, to make 
themselvessmaller. 
We say to girls: You can have ambition, but not too much. 
You should aim to be successful but not too successful, 
otherwise you will threaten the man. If you are the breadwinner 
in your relationship with a man, pretend that you are not, 
especially in public, otherwise you will emasculate him.
[…] Because I am female, I’m expected to aspire to 
marriage. I am expected to make my life choices always 
keeping in mind that marriage is the most important. Marriage 
can be a good thing, a source of joy, love, and mutual support. 
But why do we teach girls to aspire to marriage, but we don’t 
teach boys to do the same?
[…] Our society teaches a woman at a certain age who 
is unmarried to see it as a deep personal failure. While a man 
at a certain age who is unmarried has not quite come around 
to making his pick.
[…] We raise girls to see each other as competitors – not 
for jobs or accomplishments, which in my opinion can be a 
good thing – but for the attention of men.
ADICHIE, C. N. We should all be feminists. Nova Iorque: 
Vintage Books, 2014. [Fragmento]
Chimamanda Ngozi Adichie é uma escritora nigeriana que 
explora, em suas obras, temas como feminismo, racismo, 
intolerância, religião e política, entre vários outros. Nesse 
excerto de seu discurso, a autora 
A. 	 condena alguns hábitos culturais de seu país de origem 
com os quais não concorda.
B. 	 denuncia o modo díspar com que são tratados homens 
e mulheres na sociedade.
C. 	 declara sua oposição à imposição do casamento a 
meninas menores de idade.
D. 	 critica o espírito competitivo que as mulheres nutrem 
umas contra as outras.
E. 	 defende o direito da mulher de trabalhar fora e de ser 
a provedora do lar.
CØ8X
Alternativa B
Resolução: 
A) Não existe nenhuma evidência textual que nos permita 
afirmar que a crítica feita por Adichie seja direcionada 
apenas à cultura nigeriana. Antes, trata-se de uma 
denúncia da condição da mulher no mundo. Portanto, 
a alternativa está incorreta.
B) Esta alternativa está correta. Em todo o excerto, a autora 
compara exigências que são impostas às mulheres, mas não 
aos homens. Trechos que comprovam isso são: “But why do 
we teach girls to aspire to marriage, but we don’t teach boys 
to do the same?” e “Our society teaches a woman at a certain 
age who is unmarried to see it as a deep personal failure. 
While a man at a certain age who is unmarried has not quite 
come around to making his pick”.
C) A autora não faz nenhuma menção à imposição do 
casamento a meninas menores de idade. O que ela de 
fato crítica é o fato de a sociedade impor o casamento 
como uma meta de vida para as mulheres, mas não para 
os homens, conforme se lê em: “But why do we teach 
girls to aspire to marriage, but we don’t teach boys to do 
the same?”.
D) A crítica de Adichie não é exatamente contra o 
espírito competitivo feminino, mas sim ao fato de que 
a sociedade direciona esse espírito à competição 
por homens. A autora chega até mesmo a dizer que 
seria bom se ensinássemos as garotas a competirem 
entre si por empregos ou outros feitos do tipo: 
“We raise girls to see each other as competitors – 
not for jobs or accomplishments, which in my opinion can 
be a good thing [...]”. Portanto, a alternativa está incorreta.
E) Dado que o discurso da autora argumenta pela equidade 
entre homens e mulheres, pode-se dizer que ele é, 
indiretamente, favorável ao direito da mulher de trabalhar 
fora e de ser a provedora do lar. Contudo, a escritora 
não defende esse direito diretamente. O que ela faz é 
afirmar que a sociedade espera que uma mulher que 
sustenta o seu lar não declare isso em público, para 
não afligir a masculinidade de seu marido: “If you are 
the breadwinner in your relationship with a man, pretend 
that you are not, especially in public, otherwise you will 
emasculate him”.
QUESTÃO 05 
Formation
My daddy Alabama 
My mama Louisiana
You mix that negro with that Creole, make a Texas-bama
I like my baby hair with baby hair and afros
I like my negro nose with Jackson 5 nostrils
I earned all this money but they never take the country out me
I got hot sauce in my bag… swag
Disponível em: <http://www.beyonce.com/track/>. 
Acesso em: 20 out. 2016. [Fragmento]
5BJO
ENEM – VOL. 2 – 2020 LCT – PROVA I – PÁGINA 3BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
A música “Formation” foi lançada pela cantora Beyoncé no ano 
de 2016. Por meio do uso de termos e expressões como Creole, 
afros, negro nose e hot sauce, além da referência aos estados 
do Alabama e da Luisiana, a artista busca, nessa canção,
A. 	refrear o ódio racial nos Estados Unidos.
B. 	enaltecer as suas raízes afro-americanas. 
C. 	revisitar a história dos negros em seu país.
D. 	mostrar a diversidade étnica estadunidense.
E. 	reproduzir o discurso racista do qual foi vítima.
Alternativa B
Resolução: 
A) Os termos destacados no enunciado não evidenciam uma 
busca por refrear o embate racial nos EUA. Na verdade, 
a artista apropriou-se de palavras com forte carga racial 
como forma de subverter o discurso racista. Portanto, a 
alternativa está incorreta.
B) A alternativa está correta. Na primeira estrofe do excerto, 
a busca da autora por evidenciar suas origens negras fica 
clara por meio dos substantivos daddy (papai) e mama 
(mamãe); da referência ao Alabama e à Luisiana, que 
são estados americanos majoritariamente compostos por 
negros; e das palavras negro e Creole (“crioulo”, termo 
usado para descrever os descendentes de colonos e 
escravos da Luisiana francófona). Na segunda estrofe, a 
autora ainda deixa claro o orgulho que tem dessas raízes: 
“I like my baby [...] with [...] afros / I like my negro nose [...] 
/ [...] they never take the country out me”.
C) Embora a cantora celebre suas raízes afro-americanas, 
não existem elementos textuais que sustentam a 
afirmação de que ela busca revisitar a história dos negros 
nos EUA. Trata-se de uma celebração dos traços físicos 
e da cultura, mas não necessariamente da história. Logo, 
a alternativa está incorreta.
D) Beyoncé não menciona nenhuma outra etnia em sua 
música senão a negra. Portanto, não é possível afirmar 
que ela esteja mostrando a diversidade étnica de seu país. 
A alternativa está, assim, incorreta.
E) A artista de fato reproduz algumas palavras que, quando 
utilizadas por não negros, podem ser ofensivas. Contudo, 
o que é necessário fazer é determinar com qual objetivo ela 
utiliza os termos destacados no enunciado. O objetivo não é 
reproduzir o discurso racista por si só, mas sim subvertê-lo, 
e, com isso, celebrar sua cultura e sua raça. Logo, 
a alternativa está incorreta.
LCT – PROVA I – PÁGINA 4 ENEM – VOL. 2 – 2020 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
LINGUAGENS, CÓDIGOS E SUAS TECNOLOGIAS
Questões de 01 a 45
Questões de 01 a 05 (opção espanhol)
QUESTÃO 01 
LINIERS, R. Disponível em: <http://www.porliniers.com>. Acesso em: 27 out. 2016.
A tirinha do argentino Liniers faz uma crítica ao(à)
A. 	 ausência de tempo das pessoas que trabalham muito.
B. 	 uso das redes sociais para reencontrar os amigos distantes. 
C. 	 falta de interesse das pessoas em buscar informação nas redes sociais. 
D. 	 excesso de tempo que possuem as pessoas que não utilizam as redes sociais. 
E. 	 sociedade contemporânea, que prioriza as relações virtuais em detrimento das pessoais. 
Alternativa E
Resolução: A alternativa correta é a E, pois a tirinha critica o uso excessivo das redes sociais e o crescente desenvolvimento de 
relações virtuais em detrimento de relações reais, não virtuais. Isso pode ser percebido na tirinha por meio do estranhamento do 
primeiro personagem diante do amigo que não usa redes sociais. A alternativa A é incorreta porque, com base na tirinha, não se pode 
afirmar que o artista julga o excesso de trabalho e a falta de tempo das pessoas. A alternativa B é incorreta porque não há nenhuma 
ponderação sobre o uso das redes sociais para reencontrar amigos distantes. As alternativas C e D são incorretas, uma vez que, na 
tirinha, há uma críticaao uso excessivo das redes sociais e ao tempo desperdiçado nelas. 
QUESTÃO 02 
Julieta
Película: Julieta 
Dirección y guion: Pedro Almodóvar
País: España 
Año: 2015 
Duración: 95 min 
Género: Drama 
[…]
Calificación por edades: No recomendada para menores de 12 años
Julieta vive en Madrid con su hija Antía. Las dos sufren en silencio la pérdida de Xoan, padre de Antía y marido de Julieta. 
Pero el dolor a veces no une a las personas sino que las separa. Cuando Antía cumple dieciocho años abandona a su madre, 
sin una palabra de explicación. Julieta la busca por todos los medios, pero lo único que descubre es lo poco que sabe de su hija. 
La película habla de la lucha de la madre para sobrevivir a la incertidumbre. Habla también del destino, del complejo de culpa 
y de ese misterio insondable que nos hace abandonar a las personas que amamos, borrándolas de nuestra vida como si 
nunca hubieran significado nada, como si no hubieran existido. 
Disponível em: <http://www.labutaca.net>. Acesso em: 27 out. 2016 (Adaptação). 
H7G1
BKEZ
ENEM – VOL. 2 – 2020 LCT – PROVA I – PÁGINA 5BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
De acordo com a sinopse, o filme do diretor espanhol Pedro 
Almodóvar 
A. 	aborda a questão das relações afetivas entre marido e 
mulher.
B. 	procura mostrar a luta de mães que tiveram seus filhos 
desaparecidos.
C. 	classifica-se como uma comédia, gênero bastante 
explorado pelo diretor.
D. 	é recomendada para crianças e adolescentes por 
possuir classificação livre. 
E. 	trata do complexo de culpa e da obscuridade em torno 
do abandono de entes queridos.
Alternativa E
Resolução: A alternativa correta é a E. Um dos aspectos 
abordados pelo filme é o complexo de culpa diante do 
abandono das pessoas que amamos, como é possível 
verificar nas últimas linhas do texto-base. A alternativa A é 
incorreta porque o filme não aborda as relações conjugais, 
mas sim a relação entre mãe e filha. A alternativa B é 
incorreta porque a filha de Julieta não está desaparecida, 
e sim fugiu de casa. A alternativa C é incorreta porque, 
segundo o texto, o gênero do filme é drama, não comédia. 
A alternativa D é incorreta porque o filme não é recomendado 
para menores de 12 anos.
QUESTÃO 03 
Riñon, el órgano que más esperan los mexicanos para 
trasplante
En el marco del Día Mundial del Donador de Órganos y 
Tejidos, la Secretaría de Salud dio a conocer que en México 
hay más de 20 mil personas en espera de recibir un trasplante 
y el riñon es el más solicitado.
Esta conmemoración fue establecida por la Organización 
Mundial de la Salud (OMS) en Ginebra, Suiza, y tiene como 
objetivo difundir y promover la donación de órganos y tejidos 
para trasplantes, y sumar los esfuerzos de quienes trabajan 
en el mundo a favor de esta causa. 
Detalla que el Centro Nacional de Trasplantes y la Ley 
General de Salud ofrecen como alternativa para donar la 
firma de un documento oficial de la donación donde se 
manifiesta el consentimiento de las personas cuya voluntad, 
después de la vida, es ceder sus órganos o tejidos para que 
sean utilizados con fines terapéuticos.
[...]
Agrega que los órganos que pueden ser trasplantados 
son el corazón, riñones, hígado, páncreas y pulmón, mientras 
que entre los tejidos están la médula ósea, córneas, piel, 
hueso, válvulas cardíacas, cartílago, tendones, arterias y 
venas. 
Disponível em: <http://www.eluniversal.com.mx>. Acesso em: 27 out. 
2016. [Fragmento]
A respeito da doação de órgãos no México, a notícia informa 
que
A. 	 há mais de 20 mil pessoas na fila por um transplante 
de rim nesse país. 
B. 	 há uma data exclusiva, estabelecida pela OMS, para 
realizar as doações de órgãos. 
1T4B
C. 	 promover a doação de órgãos diminui os esforços dos 
que trabalham em favor da causa. 
D. 	 assinar um documento oficial garante o consentimento 
de doação de órgãos após a morte. 
E. 	 existe um estoque de órgãos como coração, rins, 
fígado e pulmão disponíveis para doação.
Alternativa D
Resolução: A alternativa correta é a D, pois o texto-base 
informa que é necessário assinar um documento oficial para 
consentir com a doação de órgãos e tecidos após a morte. 
A alternativa A é incorreta, pois há mais de 20 mil pessoas na 
fila por transplantes em geral, sendo o mais solicitado o de rim. 
A alternativa B é incorreta porque a OMS (Organização Mundial 
da Saúde) estabeleceu uma data comemorativa do Dia Mundial 
do Doador de Órgãos e Tecidos, mas as doações podem ser 
feitas a qualquer momento. A alternativa C é incorreta porque o 
texto afirma que promover a doação de órgãos soma esforços 
aos que trabalham por essa causa. A alternativa E é incorreta 
porque há mais de 20 mil pessoas aguardando na fila de 
transplante, o que torna incoerente a afirmação de que há um 
banco com órgãos disponíveis para doação.
QUESTÃO 04 
Novelas al dictado
Álvaro Pombo ni escribe a mano ni aporrea un teclado. Él 
dicta. “Dicto todo lo que se me va ocurriendo y eso forma un bloque. 
Lo leo, lo corrijo, lo vuelvo a leer, me lo leen. Es un mundo 
de la viva voz. Yo cuento las cosas. Para una novela 
habitualmente dicto 300 páginas y después de esas se 
quitan 50 o las que sean. La gracia es quitar. Y el ordenador 
es más cómodo para quitar y poner. Los calcos ya son 
historia”. Siempre trabaja por las tardes. El autor de Contra 
natura o Donde las mujeres se levanta temprano. Emplea 
las mañanas en leer. “Leo los periódicos con gran atención 
y preparo un poco lo que voy a hacer por la tarde”. A 
mediodía se da un paseo. “La artrosis me ha martirizado y 
me ha inmovilizado mucho. Yo antes podía andar y andar. 
Ahora, que soy más lento y cojitranco, me siento más”. Está 
escribiendo un libro de poemas al que llama El barrio. “Yo 
soy muy de barrio, de este barrio (Argüelles). Se ha vuelto 
totalmente mestizo, se ha llenado de tailandeses y negros. 
Es estupendo”.
Disponível em: <http://www.elmundo.es/>. Acesso em: 18 nov. 2015.
Para o espanhol Álvaro Pombo, em seu ofício de escritor, o 
que mais lhe agrada é
A. 	 andar à tarde pelas ruas do bairro onde mora.
B. 	 retirar trechos dos romances ditados por ele.
C. 	 conviver com os mestiços do bairro onde vive.
D. 	 ler atenciosamente os jornais pelas manhãs.
E. 	 ditar as histórias para escrever um romance.
Alternativa B
Resolução: A alternativa correta é a B, como podemos 
verificar no trecho “La gracia es quitar”, no qual o autor 
afirma que sua parte favorita ao escrever um romance é 
retirar partes dele. As afirmações das demais alternativas 
dizem respeito às atividades realizadas pelo escritor, porém 
a que mais lhe agrada, segundo ele mesmo, é a citada na 
alternativa B.
BWB9
LCT – PROVA I – PÁGINA 6 ENEM – VOL. 2 – 2020 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
QUESTÃO 05 
Qué es Ni Una Menos
Ni Una Menos es un grito colectivo contra la violencia 
machista. Surgió de la necesidad de decir “basta de 
femicidios”, porque en Argentina cada 30 horas asesinan a 
una mujer solo por ser mujer. La convocatoria nació de un 
grupo de periodistas, activistas, artistas, pero creció cuando 
la sociedad la hizo suya y la convirtió en una campaña 
colectiva. A Ni Una Menos se sumaron a miles de personas, 
cientos de organizaciones en todo el país, escuelas, 
militantes de todos los partidos políticos. Porque el pedido 
es urgente y el cambio es posible, Ni Una Menos se instaló 
en la agenda pública y política.
El 03 de junio de 2015, en la Plaza del Congreso, en 
Buenos Aires y en cientos de plazas de toda Argentina una 
multitud de voces, identidades y banderas demostraron que 
Ni Una Menos no es el fin de nada sino el comienzo de un 
camino nuevo. Sumate.
Disponível em: <http://niunamenos.com.ar>. Acesso em: 27 out. 2016.
O texto informativo apresenta o movimento feminista Ni Una 
Menos. De acordo com o texto, 
A. 	o coletivo foi um reflexo de manifestações ocorridas na 
América Latina. 
B. 	a campanha representa um grito coletivo contra a 
violência de gênero.
C. 	a convocatória nasceu da iniciativa de políticos do 
congressoargentino.
D. 	as mulheres possuem direitos semelhantes aos dos 
homens na Argentina. 
E. 	os crimes contra a mulher ocorrem com pouca 
frequência no país rio-platense. 
Alternativa B
Resolução: A alternativa correta é a B, como pode ser 
confirmado na primeira linha do texto: “Ni Una Menos es un 
grito colectivo contra la violencia machista.” As alternativas 
A e C são incorretas, pois o movimento surgiu de um grupo 
de jornalistas, ativistas e artistas em combate à violência de 
gênero na Argentina, conquistando grande adesão social. 
A alternativa D é incorreta porque o texto-base não discorre 
explicitamente sobre os direitos de homens e de mulheres 
na Argentina, tendo seu foco direcionado à apresentação do 
movimento Ni Una Menos. Por fim, a alternativa E é incorreta, 
porque, no texto, afirma-se que o movimento surgiu diante da 
necessidade urgente de combate ao feminicídio na Argentina, 
país onde, a cada 30 horas, uma mulher é assassinada por 
motivos machistas.
6WI1
ENEM – VOL. 2 – 2020 LCT – PROVA I – PÁGINA 7BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
QUESTÃO 06 
Disponível em: <http://creativelife.cz/>. Acesso em: 16 dez. 2016 
(Adaptação).
É comum, em publicidades ou propagandas, o uso de recursos 
verbo-visuais para gerar reflexão ou humor. A figura de 
linguagem identificada no anúncio anterior também é vista em:
A. 	
Disponível em : <http://adsoftheworld.com/>. Acesso em: 14 nov. 2016. 
B. 	
Disponível em: <http://image.slidesharecdn.com/>. 
Acesso em: 31 out. 2016.
C. 	
Disponível em: <http://pt.slideshare.net/>. Acesso em: 31 out. 2016.
884Y D. 	
Disponível em: <https://revistavelha.wordpress.com/>. 
Acesso em: 06 dez. 2016. 
E. 	
Disponível em: <http://antesqueanaturezamorra.blogspot.com.br/>. 
Acesso em: 31 out. 2016. 
Alternativa E
Resolução: No texto-base, a figura de linguagem empregada 
é a metáfora, já que um peixe, animal conhecido por seu mau 
cheiro, toma o lugar da língua, indicando o mau hálito de 
pessoas que não mascam o chiclete anunciado, ou apenas 
que o chiclete resolve essa condição. A resposta correta a 
essa questão é a alternativa E, pois a metáfora é a figura 
de linguagem responsável pela construção de sentido da 
propaganda, pois é estabelecida uma comparação implícita, 
em que duas árvores representam os pulmões de uma pessoa, 
sendo essa simbologia complementada pelos dizeres: “Quer 
continuar a respirar? Comece a preservar.” A alternativa A 
está incorreta, pois, na propaganda, a figura responsável 
pela construção de sentido é a hipérbole, estabelecida por 
meio do exagero ao retratar um binóculo com capacidade de 
aproximação de imagem tão eficiente a ponto de fazer parecer 
que o animal visualizado – uma equidna – está preso à lente. 
A alternativa B está incorreta porque, na propaganda, a figura 
responsável pela construção de sentido é a elipse, construída 
a partir da supressão da expressão “é surpreendente”, a qual 
destaca o fato de o iogurte oferecido não possuir lactose. 
A alternativa C está incorreta, pois a figura de linguagem 
responsável pela atribuição de sentido na propaganda 
é a comparação, pois estabelece-se, de modo explícito 
linguisticamente – com o uso dos conectivos “tão / quanto” –, 
uma equiparação da bala com as brincadeiras de criança. 
A alternativa D está incorreta porque, na propaganda, a figura de 
linguagem responsável pela atribuição de sentido é a catacrese, 
identificada na expressão “boca da mata”.
LCT – PROVA I – PÁGINA 8 ENEM – VOL. 2 – 2020 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
QUESTÃO 07 
Roteiros e patrimônios tão incríveis que sua viagem 
também será histórica.
Disponível em: <https://www.mg.gov.br/>. Acesso em: 07 dez. 2016.
A palavra “que”, presente no texto publicitário do governo de 
Minas Gerais, está a serviço da coesão do texto. As ideias 
que essa conjunção traz combinadas são
A. 	adição e comparação.
B. 	conclusão e explicação.
C. 	causa e adição.
D. 	consequência e causa.
E. 	explicação e adição. 
Alternativa D
Resolução: A conjunção “que” usada após “tão” traz 
sentido de consequência. A ideia que se infere do texto, 
portanto, é que a consequência de os roteiros e patrimônios 
serem incríveis é a viagem ser histórica. Também pode-se 
depreender que o fato de os roteiros e patrimônios serem 
incríveis é a causa de a viagem ser histórica, como em “Sua 
viagem será histórica porque os roteiros e patrimônios são 
incríveis”. Nesse caso, a intenção é afirmar que a viagem 
será marcante, entrando para a história. A alternativa correta, 
dessa forma, é a D. As demais alternativas estão incorretas 
porque a conjunção “que” não soma duas ideias equivalentes 
(adição), não estabelece um paralelo (comparação) nem 
aponta o desfecho de um raciocínio (conclusão) ou o 
esclarece (explicação).
QUESTÃO 08 
A pátria de trompetes
Nova Orleans, no estado americano da Louisiana, era 
no século XIX o que Paris só viria a ser mais de 100 anos 
depois: uma festa. [...]
Dos antigos colonizadores, Nova Orleans herdara a 
tolerância católica a manifestações dos escravos – bem 
diferente do resto do país, protestante. Aos domingos, os 
escravos podiam exibir suas danças e cantos em Congo 
Square. Desde o século XVIII, ainda sob o domínio dos 
franceses, o carnaval, chamado de Mardi Gras, era 
tradicionalíssimo. Um jornal de 1838 revelava a nova mania 
de trompetes e cornetas que tomava conta da cidade. 
Nova Orleans tinha tanta fama de licenciosidade que um 
bairro foi criado em 1897, Storyville, para abrigar a zona de 
meretrício. [...]
A musicalidade da cidade não se restringia aos trompetes 
e atingia as camadas mais miseráveis da população. 
Os escravos se esqueciam da expectativa de 36 anos 
entoando as chamadas canções de trabalho, as canções 
religiosas de fé ou de lamentação e um tipo de interação 
aprendido nas igrejas, o “chamado e resposta”, em que o 
pastor conclamava, e os fiéis respondiam. De uma fusão 
dos elementos musicais africanos com o som de bandas 
militares e a tradição erudita europeia, ensinada a colonos 
e créoles (os filhos livres dos antigos colonos europeus com 
suas amantes negras), nasciam os embriões de um gênero 
musical que tornaria a vida dos negros de lá mais feliz.
SEBBA, J. Aventuras na História. São Paulo, ano 6, n. 62, p. 37-38, 
set. 2008. [Fragmento]
47EX
YB9Z
De acordo com o texto, o que tornou possível o surgimento 
do jazz na cidade de Nova Orleans foi o
A. 	 comportamento tolerante dos ex-colonizadores, que 
permitiam aos escravos expressar sua cultura e credo.
B. 	 pioneirismo cultural dos habitantes, que influenciavam 
os hábitos até mesmo dos colonizadores vindos de 
Paris.
C. 	 medo de uma morte prematura por parte dos escravos, 
que almejavam ser lembrados por meio da arte.
D. 	 número elevado de zonas boêmias, que funcionavam 
como antro da prostituição, mas também da criação 
artística.
E. 	 Mardi Gras, que oferecia grandes oportunidades aos 
artistas locais de mostrar seus trabalhos.
Alternativa A
Resolução: Logo no início do segundo parágrafo, é afirmado 
que os antigos colonizadores de Nova Orleans toleravam 
a religião e as manifestações culturais dos escravos. 
Esse traço sociocultural se manteve, sendo a fagulha para 
o desenvolvimento do jazz, originário das comunidades 
afrodescendentes. Portanto, a alternativa correta é a A. 
Já a alternativa B está incorreta porque influenciar outras 
sociedades culturais não era um objetivo dos artistas, ou 
mesmo das pessoas que cantavam durante o trabalho ou 
nas igrejas da cidade, ainda que 100 anos depois isso tenha 
ocorrido, como mencionado no texto. A alternativa C está 
incorreta porque os escravos não tinham medo da morte 
prematura ou pretensão de ser lembrados no futuro; seu 
canto era parte de rituais religiosos ou funcionava como 
forma de distração durante as ostensivas horas de trabalho. 
A alternativa D está incorreta porque o texto-base não 
menciona manifestações artísticas em zonas licenciosas da 
cidade. A alternativa E também está incorreta porque o Mardi 
Gras não é citadocomo o evento em que floresciam talentos 
artísticos na cidade, ainda que fosse uma festa bastante 
tradicional.
QUESTÃO 09 
Como se não bastasse não entendermos as letras 
das receitas médicas, é possível ouvir palavras que nem 
sabemos de onde vieram durante uma consulta. E você não 
está sozinho nessa situação. Dependendo do médico, fica 
bem difícil entender tudo o que ele diz. Mas, em qualquer 
circunstância, na dúvida, pergunte! Nada de ficar com 
vergonha. É da sua saúde que estamos falando. [...]
Por mais que essa ferramenta possa ser útil, nem 
sempre os dados encontrados se aplicam a seu caso 
específico. A ideia inicial das idas tanto ao pronto-socorro 
quanto em uma visita a um especialista é que você saia de 
lá com todas as questões sanadas. Afinal, todos os médicos 
são treinados para isso! 
Cláudia Vasconcellos, professora da Faculdade de 
Medicina de Petrópolis (FMP), conta que “esse processo 
se inicia com o estudante de Medicina entendendo o novo 
termo e, a partir daí, ele deve fazer uma tradução para que 
qualquer paciente possa compreendê-lo”. Cláudia lembra 
que essas traduções são também exploradas durante as 
aulas de semiologia – que é a parte da Medicina relacionada 
ao estudo de sinais e sintomas de patologias –, em que o 
futuro médico aprende a fazer a história com o paciente 
e examiná-lo. 
Disponível em: <http://revistavivasaude.uol.com.br>. 
Acesso em: 29 jul. 2016. [Fragmento]
UCAH
ENEM – VOL. 2 – 2020 LCT – PROVA I – PÁGINA 9BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
Baseando-se no texto, pode haver, na comunicação 
entre médico e paciente, um problema de compreensão 
relacionado à
A. 	 informatividade, pois o uso da linguagem médica faz 
com que o paciente não receba ideias inéditas durante 
a comunicação. 
B. 	 aceitabilidade, visto que o paciente que não tem 
conhecimento de termos da área da saúde pode ter 
dificuldade de entender as informações. 
C. 	 coerência, haja vista que é inadequado que os 
pacientes busquem uma consulta médica sem o 
conhecimento de determinadas palavras. 
D. 	 intencionalidade, porque o médico que utiliza o 
“mediquês” tem o objetivo de poupar o paciente de 
notícias desagradáveis sobre a sua saúde. 
E. 	 situacionalidade, já que, em uma consulta, é coerente 
utilizar o “mediquês” quando faltam palavras que 
substituam termos médicos. 
Alternativa B
Resolução: O texto fala sobre a dificuldade de alguns pacientes 
compreenderem a linguagem utilizada pelos médicos e sobre 
a orientação recebida pelos estudantes de Medicina para 
evitarem a falta de comunicação entre médico e paciente. 
Deve-se então identificar qual fator textual contribui para essa 
falta de comunicabilidade. A alternativa B está correta, pois, 
a aceitabilidade indica que se espera do paciente a busca 
de conhecimentos prévios sobre o assunto para fazer as 
inferências necessárias à compreensão das informações. 
Assim, o paciente que não conhecer alguns termos médicos 
pode ter dificuldades para compreender a mensagem. Por 
isso, no texto é indicado que o paciente esclareça todas as 
dúvidas com o médico. A alternativa A está incorreta, pois o fator 
informatividade não é inerente ao texto, e sim definido de acordo 
com o conhecimento de mundo e nível de interesse do receptor. 
A alternativa C está incorreta, pois a falta de conhecimento de 
determinadas palavras não deve ser impedimento para que 
o paciente procure um médico. A alternativa D está incorreta, 
porque não há indícios no texto que mostrem que os médicos 
utilizam uma linguagem técnica com a intenção proposital 
de que o paciente não compreenda o que está sendo dito. 
A alternativa E está incorreta, pois a situacionalidade está 
relacionada à adequação do texto à situação de fala. Para 
isso, os médicos são treinados para falar de maneira que os 
pacientes compreendam.
QUESTÃO 10 
Consoada
Quando a indesejada das gentes chegar 
(Não sei se dura ou caroável), 
Talvez eu tenha medo. 
Talvez sorria, ou diga: 
– Alô, iniludível! 
O meu dia foi bom, pode a noite descer. 
(A noite com seus sortilégios.) 
Encontrará lavrado o campo, a casa limpa, 
A mesa posta, 
Com cada coisa em seu lugar.
BANDEIRA, M. Consoada. In: Poesia completa e prosa. 
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2009.
IYTX
No texto de Manuel Bandeira, a iminência da morte é 
encarada de forma debochada pelo eu lírico, no entanto 
eufemismos são empregados para se referir a ela. O uso 
dessa figura de linguagem no poema se justifica pelo(a)
A. 	 apelo estético do autor, que preferiu uma expressão 
mais longa para caracterizar a morte.
B. 	 convocatória por parte do autor para que os leitores 
reflitam sobre a efemeridade da vida. 
C. 	 necessidade do autor de sensibilizar seu leitor ao tratar 
de tema tão controverso na literatura.
D. 	 desconforto do eu lírico pela morte, ainda que demonstre 
alguma proximidade dela em sua abordagem.
E. 	 comparação que o eu lírico faz entre a morte e a 
passagem do tempo, vista na dicotomia dia / noite.
Alternativa D
Resolução: Eufemismos são empregados para atenuar o 
uso de uma palavra ou expressão que possa, por qualquer 
motivo, causar um impacto no ouvinte além ou aquém 
do pretendido pelo enunciador. Sendo a morte um tema 
polêmico no dia a dia, causando medo em muitas pessoas, 
e também no eu lírico de Manuel Bandeira, o autor se refere 
a essa temática por meio de vocábulos que a suavizem, 
como “indesejada” e “iniludível”. O fato de a voz poética 
apresentar alguma proximidade e aceitação em relação 
à morte, porém, não a impede de usar um eufemismo, 
dado o temor natural dos seres humanos pelo fim da vida, 
como visto no terceiro verso do poema: “Talvez eu tenha 
medo.”. Portanto, a alternativa correta é a D. A alternativa 
A está incorreta porque o emprego do eufemismo não 
se deu pelo fato de o autor escolher um termo maior ou 
menor, já que a necessidade de suavizar a morte tem 
relação direta com a temática do texto. A alternativa B 
está incorreta porque não há convocatória por parte do eu 
lírico, apenas uma reflexão quanto ao tema. A alternativa 
C está incorreta porque o autor não busca sensibilizar 
seus leitores nem é a morte tema controverso na arte da 
literatura, sendo abordado por diferentes autores em todas 
as épocas. Sobre as alternativas de A a C também deve ser 
acrescentado que podem ser invalidadas porque relacionam 
o uso do eufemismo ao autor do texto, que deve ser separado 
do eu lírico no poema. Por fim, E está incorreta porque a 
dicotomia dia / noite presente no poema representa o início e 
o fim da vida, o nascimento e a morte, a juventude e a velhice, 
e não é expressa por eufemismos, mas por uma metáfora; 
além disso, a comparação é uma figura de linguagem usada 
com outro fim.
QUESTÃO 11 
Disponível em: <http://www.soportugues.com.br>. Acesso em: 01 nov. 2016.
VEML
LCT – PROVA I – PÁGINA 10 ENEM – VOL. 2 – 2020 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
A placa apresenta erro de acentuação na palavra “proibido”. 
De acordo com a norma-padrão da língua, a inadequação 
justifica-se porque o(a)
A. 	 vocábulo classifica-se como proparoxítono.
B. 	 hiato nas vogais “o” e “i” não é tônico.
C. 	 vogal tônica no ditongo “proi” é o “o”. 
D. 	 sílaba tônica dessa palavra é “-do”.
E. 	 acento diferencial não é necessário.
Alternativa B
Resolução: Na palavra “proibido”, há um hiato nas vogais 
“o” e “i”, no entanto, por não ser tônico, não deve acentuado, 
como é o caso de “proíbo”. Portanto, a alternativa correta é 
a B. A alternativa A está incorreta porque o vocábulo não é 
proparoxítono, mas paroxítono. C, porque não há ditongo em 
“proibido”. D, porque a sílaba tônica é “bi”, uma vez que a 
palavra é paroxítona, e não oxítona. Por fim, a alternativa E 
está incorreta porque não há um caso de acento diferencial.
QUESTÃO 12 
Todo azul do mar
Daria pra beber todo azul do mar 
Foi quando mergulhei no azul do mar 
Onda que vem do azul, todo azul do mar
VENTURINI, F.; BASTOS, R. Todo azul do mar. In: Flávio Venturini. 
Ao vivo. LP. Som Livre, 1991. [Fragmento]
Umamesma palavra pode pertencer a classes gramaticais 
distintas, dependendo do contexto da frase em que está 
inserida. O trecho de música que apresenta o uso da palavra 
“azul” equivalente a seu uso na canção anterior é:
A. 	Você pega o trem azul 
O sol na cabeça 
O sol pega o trem azul 
Você na cabeça 
O sol na cabeça
Disponível em: <http://www.letras.com.br>. Acesso em: 12 dez. 2016.
B. 	Mas quem sofre sempre tem que procurar 
Pelo menos vir a achar 
Razão para viver 
Ver na vida algum motivo pra sonhar 
Ter um sonho todo azul 
Azul da cor do mar
Disponível em: <http://www.timmaia.com.br>. Acesso em: 12 dez. 2016.
C. 	Se acaso anoitecer 
E o céu perder o azul 
Entre o mar e o entardecer 
Alga marinha, vá na maresia 
Buscar ali um cheiro de azul
Disponível em: <http://www.djavan.com.br>. Acesso em: 12 dez. 2016.
D. 	E esse amor é azul 
Como o mar azul 
Como no coração 
Uma doce ilusão
Disponível em: <http://www.letras.com.br>. Acesso em: 12 dez. 2016.
9ØN5
E. 	Eu não sei 
Se vem de Deus 
Do céu ficar azul 
Ou virá 
Dos olhos teus 
Essa cor 
Que azuleja o dia...
Disponível em: <https://www.vagalume.com.br>. 
 Acesso em: 12 dez. 2016.
Alternativa C
Resolução: A questão traz o trecho da música “Todo azul do 
mar”. Nela, a palavra “azul” exerce a função de substantivo em 
todas as ocorrências, pois, no contexto em que está inserida, 
ela é tratada como um ser, e não como a cor que caracteriza 
algum objeto (adjetivo). Deve-se, então, identificar qual das 
alternativas apresenta o uso da palavra “azul” equivalente ao 
trecho de Venturini, ou seja, em qual das músicas a palavra 
é usada como substantivo. A alternativa correta é a C, 
pois “azul” não está caracterizando substantivos. No verso 
“E o céu perder o azul”, a palavra “azul” é acompanhada 
por um artigo, característica dos substantivos. No verso 
“Buscar ali um cheiro de azul”, o cheiro é de alguma coisa. 
“De azul”, embora seja uma locução adjetiva, apresenta a 
palavra “azul” com significado equivalente ao emprego na 
música de Venturini, já que essa expressão é formada pela 
junção de uma preposição (de) e de um substantivo (azul). 
A alternativa A está incorreta, pois “azul” está caracterizando 
o substantivo “trem”, portanto a palavra é um adjetivo. 
A alternativa B também traz a palavra “azul” como 
adjetivo nas duas ocorrências, pois, na música, o sonho 
é azul, e “azul da cor do mar” é a reiteração dessa cor. 
A alternativa D está incorreta porque “azul” caracteriza o 
amor e o mar. Por fim, a alternativa E está incorreta porque 
“azul” caracteriza o céu.
QUESTÃO 13 
Meu povo preste atenção
O que agora vou contar
De um homem muito valente
Que morava num lugar –
Até o próprio governo
Tinha medo de o cercar
O seu nome era Vilela
Do Sertão pernambucano,
E ele desde pequenino
Que tinha o gênio tirano:
Só com dez anos de idade
Vilela mata o seu mano
Os dois estavam brincando
Na véspera de São João.
Vilela mais o seu mano
Tiveram uma discussão –
Só por causa de um cachimbo
Vilela mata o seu irmão.
ATHAYDE, J. M. História do Valente Vilela. Ceará: José Bernardo da 
Silva, 1975. [Fragmento]
NDVV
ENEM – VOL. 2 – 2020 LCT – PROVA I – PÁGINA 11BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
O texto de João Martins Athayde é um exemplar da literatura 
de cordel, tipicamente nordestina. Uma característica desse 
gênero identificada no texto é a
A. 	 banalização da violência para retratar a difícil realidade 
dos sertanejos.
B. 	 incorporação da literatura como meio para alertar os 
leitores sobre um criminoso.
C. 	 caracterização de Vilela num texto que tem como fim 
biografar figuras importantes.
D. 	 reação de protesto do cordelista contra o governo, que 
nada faz para prender Vilela.
E. 	 apresentação da personagem Vilela como um temido 
herói do Sertão pernambucano.
Alternativa E
Resolução: No texto do cordelista João Martins Athayde, 
infere-se que Vilela é um homem temido por todos por 
causa de seu comportamento violento, no entanto, ainda 
assim ele não é descrito pelo eu lírico como um bandido 
ou vilão, como indicado por sua principal característica, 
a valentia. É comum na literatura de cordel a presença de 
figuras ambíguas, regidas pelo temor causado por crimes 
cometidos e pela admiração popular ao combater as 
injustiças da vida sertaneja, como Lampião, Maria Bonita 
e Antônio Conselheiro. Nesse sentido, a alternativa E 
descreve bem o gênero. A alternativa A está incorreta porque 
a violência não é tratada no texto de forma corriqueira, mas 
sim com temor pelas personagens, que condenam Vilela 
e desejam que ele seja preso. B, porque não é intenção 
do cordelista alertar a população sobre um criminoso, 
mas apenas recontar uma história de caráter fantasioso, 
em que não se pode atestar a veracidade dos fatos. 
C, porque não é objetivo da literatura de cordel biografar 
figuras da sociedade, mas sim recontar relatos orais em 
que as personagens enfrentam dilemas na resolução 
de problemáticas; além disso, a caracterização de 
personagens está presente em diversos – senão em todos – 
gêneros literários. D, porque o cordelista, como narrador do 
relato, não se pronuncia quanto ao fato de o governo não 
conseguir prender Vilela, assumindo uma postura neutra.
QUESTÃO 14 
O projeto Viva Rugby, que visa divulgar o esporte 
e apresentar os valores da modalidade, esteve nessa 
sexta-feira, 14, na Satc. O atleta Daniel Xavier, da Seleção 
Brasileira, conversou com os estudantes sobre a prática que 
vem crescendo no Brasil.
O jogador falou com os estudantes durante palestra onde 
apresentou o esporte e a trajetória do rúgbi como esporte 
olímpico. “Nossa intenção com o projeto é tornar a modalidade 
conhecida, já que está se popularizando país afora. Além 
disso, queremos propagar valores importantes como respeito, 
amor ao próximo e disciplina”, destacou o atleta.
Além de visitar a Satc, o projeto desenvolvido pelo 
Criciúma Rugby Clube esteve no bairro da Juventude. Os 
treinos da equipe criciumense ocorrem nos campos da Satc.
Disponível em: <http://www.portalsatc.com>. Acesso em: 28 out. 2016.
3ZEZ
Embora sua história no Brasil date do século XIX, somente 
nas últimas décadas o rúgbi tem se disseminado pelo 
país, conquistando adeptos de todas as idades. O projeto 
desenvolvido na cidade catarinense de Criciúma busca 
difundir a prática do rúgbi, mas também tem a finalidade de
A. 	 incorporar esse esporte como uma prática de prestígio 
perante a sociedade.
B. 	 aperfeiçoar as táticas empregadas pela equipe local 
durante os treinamentos.
C. 	 associar esse esporte a uma manifestação corporal 
necessária a um grupo social.
D. 	 levar às pessoas que praticam atividades físicas uma 
nova opção de lazer.
E. 	 conquistar a mesma estima associada ao futebol como 
esporte olímpico. 
Alternativa C
Resolução: Na fala do jogador Daniel Xavier, estão expostos 
os objetivos do projeto Viva Rugby: “Nossa intenção com 
o projeto é tornar a modalidade conhecida, já que está se 
popularizando país afora. Além disso, queremos propagar 
valores importantes como respeito, amor ao próximo e 
disciplina”. Partindo daí, infere-se que o rúgbi é entendido 
pelos membros do projeto como uma manifestação corporal 
necessária a um grupo social por causa de seus princípios 
éticos comunitários. Portando, a alternativa C é a correta. 
As alternativas A e E estão incorretas porque não se fala no 
texto sobre elevar o prestígio desse esporte no país, mas 
sobre popularizá-lo. A alternativa B está incorreta porque não 
é objetivo do projeto treinar o time da cidade de Criciúma; 
da mesma forma, o projeto também não visa oferecer apenas 
uma nova opção de lazer aos cidadãos, mas sim difundir e 
profissionalizar o rúgbi, o que invalida a alternativa D.
QUESTÃO 15 
Capítulo III
Um criado trouxe o café. Rubião pegou na xícara e, 
enquanto lhe deitava açúcar, ia disfarçadamente mirando 
a bandeja, que era de prata lavrada. Prata, ouro, eram os 
metais que amava de coração; não gostava de bronze, 
mas o amigo Palha disse-lhe que era matéria de preço,e 
assim se explica este par de figuras que aqui está na sala: 
um Mefistófeles e um Fausto. Tivesse, porém, de escolher, 
escolheria a bandeja, – primor de argentaria, execução fina 
e acabada. O criado esperava teso e sério. Era espanhol; e 
não foi sem resistência que Rubião o aceitou das mãos de 
Cristiano; por mais que lhe dissesse que estava acostumado 
aos seus crioulos de Minas, e não queria línguas estrangeiras 
em casa, o amigo Palha insistiu, demonstrando-lhe a 
necessidade de ter criados brancos. Rubião cedeu com 
pena. O seu bom pajem, que ele queria pôr na sala, como 
um pedaço da província, nem o pôde deixar na cozinha, onde 
reinava um francês, Jean; foi degradado a outros serviços.
ASSIS, M. Quincas Borba. In: Obra completa. V.1. Rio de Janeiro: 
Nova Aguilar, 1993. [Fragmento]
Quincas Borba situa-se entre as obras-primas do autor 
e da literatura brasileira. No fragmento apresentado, 
a peculiaridade do texto que garante a universalização 
de sua abordagem reside
K43W
LCT – PROVA I – PÁGINA 12 ENEM – VOL. 2 – 2020 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
A. 	 no conflito entre o passado pobre e o presente rico, 
que simboliza o triunfo da aparência sobre a essência.
B. 	 no sentimento de nostalgia do passado devido 
à substituição da mão de obra escrava pela dos 
imigrantes.
C. 	 na referência a Fausto e Mefistófeles, que representam 
o desejo de eternização de Rubião.
D. 	 na admiração dos metais por parte de Rubião, que 
metaforicamente representam a durabilidade dos bens 
produzidos pelo trabalho.
E. 	 na resistência de Rubião aos criados estrangeiros, que 
reproduz o sentimento de xenofobia.
Alternativa A
Resolução: A relutância de Pedro Rubião em aceitar as 
sugestões de seu amigo Cristiano Palha mostra o conflito 
que vive o protagonista do romance de Machado de Assis. 
Rubião sente-se incomodado por ter de tomar atitudes para 
aparentar ser alguém importante e que siga as tendências 
comportamentais da alta sociedade. Como consequência, 
pensa estar deixando de ser quem era quando levava uma 
vida humilde em Minas Gerais. Esse conflito entre o passado 
comedido e o presente próspero do protagonista universalizam 
Quincas Borba, já que é um sentimento comum a pessoas de 
muitos lugares e épocas, causando aproximação em leitores de 
diferentes perfis. A alternativa correta, então, é a A. As demais 
alternativas tratam temas incomuns a toda a humanidade ou 
apontam sentimentos que não podem ser inferidos do texto, 
por isso estão incorretas. 
QUESTÃO 16 
Cidadezinha qualquer
Casas entre bananeiras
mulheres entre laranjeiras
pomar amor cantar.
 
Um homem vai devagar.
Um cachorro vai devagar.
Um burro vai devagar.
Devagar... as janelas olham.
Eta vida besta, meu Deus.
ANDRADE, C. D. Antologia poética. 12. ed. Rio de Janeiro: 
José Olympio, 1978.
Para retratar a paisagem de uma cidade, o autor utiliza 
elementos que reforçam as características interioranas 
encontradas nesse lugar. Entre esses recursos, destaca-se a
A. 	repetição do advérbio “devagar”, que dá a ideia de 
mesmice, rotina comum de quem vive no interior.
B. 	representação da paisagem natural, única imagem 
presente nos ambientes desse tipo de cidade.
C. 	enumeração de substantivos, que representam os 
pacatos habitantes de uma cidade do interior.
D. 	reiteração do uso do artigo, que indica a quantidade 
reduzida de habitantes de pequenas cidades.
TL7W
E. 	reprodução da fala de um morador da cidade do interior, 
indicada pela marca de regionalismo.
Alternativa A
Resolução: O poema de Drummond “Cidadezinha qualquer” 
apresenta um retrato da vida em uma pequena cidade. 
O autor utiliza elementos que ajudam a construir a atmosfera 
de tranquilidade característica desses locais. No texto, 
a repetição do advérbio “devagar” transmite a ideia de 
calmaria, da monotonia do dia a dia de uma cidade do interior, 
onde a rotina se desenvolve de maneira lenta e repetitiva. 
A alternativa correta, portanto, é a A. A alternativa B está 
incorreta, pois a paisagem natural apresentada não é única 
nas cidades pequenas do interior, que podem apresentar 
também paisagens urbanas, como visto nas imagens da 
casa, da janela. A alternativa C está incorreta, pois o uso dos 
substantivos não se limita à apresentação dos habitantes da 
cidade. A alternativa D está incorreta, pois o artigo “um” não 
tem a função de quantificar os habitantes da cidade, mas sim 
a de indefinir quem são eles. A alternativa E também está 
incorreta, pois embora a variante regional seja um elemento 
marcante nas cidades do interior, o verso final do poema não 
retrata a paisagem, visto que o regionalismo não faz parte 
da paisagem visualizada pelo eu lírico.
QUESTÃO 17 
“Se a minha vida não vale, que produzam sem mim.”
A frase no cartaz de uma manifestante nas ruas de 
Buenos Aires, em 19 de outubro [2016], expressa um ponto 
de inflexão nos protestos contra a violência sofrida pelas 
mulheres. Não são apenas mulheres no lado de dentro 
das ruas, mas mulheres fora da produção. Ao relacionar 
corpos violados com corpos que se recusam a produzir, pela 
declaração de greve geral, o potencial de questionamento e 
de rebelião amplia-se. Não é uma fagulha, mas um incêndio. 
Este não é um outubro qualquer no campo dos feminismos.
BRUM, E. Disponível em: <http://brasil.elpais.com>. 
Acesso em: 08 nov. 2016. [Fragmento]
O texto debate as manifestações de mulheres ao redor 
do mundo, em especial na Argentina. Sobre o excerto, 
depreende-se que explicita, principalmente,
A. 	 a crítica à precária situação das mulheres empregadas. 
B. 	 o menosprezo governamental às mulheres que 
reivindicam.
C. 	 o incentivo à greve pelo aumento da violência contra 
mulheres.
D. 	 a ampliação dos motes e das reivindicações de 
protestos feministas.
E. 	 o aprofundamento da crise social das mulheres que 
não produzem.
Alternativa D
Resolução: O texto mostra que as reivindicações feministas 
estão indo além do protesto contra a violência que as 
mulheres sofrem. Um dos motes das manifestantes em 
Buenos Aires era o fato de as mulheres serem importantes 
para economia do país, já que também produzem 
por meio de seu trabalho, constituindo-se assim novo 
argumento para o tratamento igualitário na sociedade. 
MQ32
ENEM – VOL. 2 – 2020 LCT – PROVA I – PÁGINA 13BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
Portanto, vê-se a ampliação das questões feministas, o que 
torna correta a alternativa D. A alternativa A está incorreta 
porque o trecho não critica a situação vivenciada por 
mulheres que estão empregadas, mas mostra que uma greve 
geral de mulheres afetaria substancialmente a economia. 
A alternativa B está incorreta porque a autora mostra 
a insatisfação das mulheres com o posicionamento de 
toda a sociedade, não somente do governo; além disso, 
nada no texto denota um menosprezo governamental 
tangível. A alternativa C está incorreta porque a autora não 
conclama seus leitores a protestar nem demonstra apoio 
às reivindicações; ela mostra um novo ponto insurgente no 
feminismo, buscando apontar sua pertinência. A alternativa E 
está incorreta porque o texto não indica a existência de 
crise de mulheres desempregadas, mas mostra que, 
se as mulheres empregadas se rebelassem e parassem de 
produzir, então surgiria uma crise.
QUESTÃO 18 
TEXTO I
Books de cachorros resgatados fazem o número de 
adoções aumentar
Uma iniciativa simples impulsionou a adoção de 
cachorros resgatados pela Prefeitura de Piraquara, na 
Região Metropolitana de Curitiba. O setor de comunicação 
da administração municipal se mobilizou para fazer uma 
campanha diferente: alguns dos cães ganharam um ensaio 
fotográfico.
Os dois books foram postados na página da prefeitura no 
Facebook e repercutiram rapidamente. O primeiro, divulgado 
em fevereiro, teve quase dez mil compartilhamentos e quatro 
mil curtidas, além de centenas de comentários, mais de 500. 
O interesse pela adoção foi tão grande que a administração 
municipal decidiu fazer uma campanha de adoção logo 
depois do lançamento do ensaiofotográfico na rede social.
KANIAK, T. Disponível em: <http://g1.globo.com/>. 
Acesso em: 31 out. 2016. [Fragmento adaptado]
TEXTO II
Campanha realizada pelo shopping Golden Square, em 
São Bernardo do Campo.
Disponível em: <http://www.abcdoabc.com.br/>. Acesso em: 31 out. 2016.
VTGV
A notícia e o cartaz tratam da adoção de cachorros. Quanto 
à abordagem, o texto II apresenta um posicionamento que
A. 	 invalida o texto I, pois, se aumentam as adoções, as 
campanhas tornam-se desnecessárias. 
B. 	 desvirtua o texto I, pois é uma campanha de iniciativa 
privada, visando, portanto, ao lucro.
C. 	 reforça o texto I, pois, bem como a notícia, o cartaz tem 
o objetivo de promover mais adoções.
D. 	 completa o texto I, pois o fato noticiado somente se legitima 
pela exposição do cartaz.
E. 	 apoia o texto I, pois a adoção de animais tende a 
aumentar por meio de campanhas.
Alternativa E
Resolução: A relação existente entre ambos os textos é 
de apoio, visto que o cartaz promove uma feira de adoção 
a ser realizada, enquanto a notícia informa a respeito de 
uma campanha bem-sucedida realizada pela Prefeitura 
de Piraquara, no Paraná. Assim, infere-se que, havendo 
campanhas, o ato de adotar animais também se tornará 
frequente, portanto a alternativa correta é a E. A alternativa 
A está incorreta porque o cartaz não invalida a notícia, já que 
as adoções aumentaram na cidade de Piraquara, ao passo 
que a campanha visa atingir os habitantes de São Bernardo 
do Campo, em São Paulo; além disso, o aumento das 
adoções não dispensa a existência de campanhas com esse 
objetivo, sendo estas o principal meio de divulgação para as 
pessoas encontrarem um animal de estimação para adotar. 
A alternativa B está incorreta porque a campanha promovida 
pelo shopping não busca lucro, mas sim que as pessoas 
adquiram um animal sem ter de comprá-lo. A alternativa C 
está incorreta porque nenhum dos textos tem o objetivo de 
promover mais adoções: a notícia tem caráter informativo e 
relata um acontecimento; o cartaz divulga uma campanha 
que se realizará num shopping de São Bernardo do Campo. A 
alternativa D está incorreta porque os acontecimentos por trás 
dos textos (o aumento da adoção em Piraquara, no texto I; 
e a campanha promovida pelo shopping, no texto II) não se 
relacionam diretamente, sendo, portanto, independentes.
QUESTÃO 19 
Fora da ordem
Em 1588, o engenheiro militar italiano Agostinho Romelli 
publicou Le Diverse er Artficiose Machine, no qual descrevia 
uma máquina de ler livros. Montada para girar verticalmente, 
como uma roda de hamster, a invenção permitia que o leitor 
fosse de um texto ao outro sem se levantar de sua cadeira.
Hoje podemos alternar entre documentos com muito mais 
facilidade – um clique no mouse é suficiente para acessarmos 
imagens, textos, vídeos e sons instantaneamente. Para 
isso, usamos o computador, e principalmente a Internet – 
tecnologias que não estavam disponíveis no Renascimento, 
época em que Romelli viveu.
BERCITTO, D. Revista Língua Portuguesa, ano II, n. 14.
O inventor italiano antecipou, no século XVI, um dos princípios 
definidores do hipertexto: a quebra de linearidade na leitura 
e a possibilidade de acesso ao texto conforme o interesse 
do leitor. Além de ser característica essencial da Internet, do 
ponto de vista da produção do texto, a hipertextualidade se 
manifesta também em textos impressos, como
2IU1
LCT – PROVA I – PÁGINA 14 ENEM – VOL. 2 – 2020 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
A. 	 dicionários, pois a forma do texto dá liberdade de 
acesso à informação.
B. 	 documentários, pois o autor faz uma seleção dos fatos 
e das imagens.
C. 	 relatos pessoais, pois o narrador apresenta sua 
percepção dos fatos.
D. 	 editoriais, pois o editorialista faz uma abordagem 
detalhada dos fatos.
E. 	 romances românticos, pois os eventos ocorrem em 
diversos cenários.
Alternativa A
Resolução: Entre os gêneros textuais mencionados nas 
alternativas, somente o dicionário atende aos pré-requisitos 
do hipertexto, já que os leitores podem ler a definição dos 
verbetes que quiserem, quando quiserem e na ordem que 
quiserem. Portanto, a alternativa correta é a A. As demais 
alternativas apresentam gêneros cuja construção se dá 
somente por parte de seus autores, o que impede os leitores 
de romperem a linearidade da leitura e de acessarem o texto 
de acordo com seu interesse.
QUESTÃO 20 
Vambora
Entre por essa porta agora 
e diga que me adora 
Você tem meia hora 
pra mudar a minha vida 
Vem vambora 
que o que você demora 
é o que o tempo leva 
 
Ainda tem o seu perfume pela casa 
ainda tem você na sala 
porque meu coração dispara 
quando tem o seu cheiro 
dentro de um livro 
Dentro da noite veloz
CALCANHOTO, A. Vambora. In: Adriana Calcanhoto. Maritmo. CD. 
Sony Music, 1998. [Fragmento]
Em textos literários, é recorrente o uso de figuras de 
linguagem para a expressão de ideias. Na letra da canção, 
a autora emprega a figura de linguagem
A. 	 metonímia, em “você tem meia hora”.
B. 	 antítese, em “Vem vambora”.
C. 	 sinestesia, em “Ainda tem o seu perfume pela casa”.
D. 	 metáfora, em “porque meu coração dispara”.
E. 	 prosopopeia, em “Dentro da noite veloz”.
Alternativa D
Resolução: Entre as alternativas propostas, a correta é a D, 
já que em “porque meu coração dispara” vê-se o verbo 
“disparar” empregado num contexto diferente de seu sentido 
denotativo, expandindo seu significado. Na acepção da 
letra, por meio de uma metáfora, é indicado que o coração 
do eu lírico bate muito rápido por causa das exaltações 
amorosas, diferentemente de “correr ou pôr-se a correr”, 
o sentido denotativo desse verbo. A alternativa A está incorreta 
porque não há metonímia em “você tem meia hora”, já que 
os termos são usados em seu contexto semântico regular. 
21T3
A alternativa B está incorreta porque as ideias de vir para 
depois ir embora não são contrastantes; “vem” é usado 
como forma para se chamar o interlocutor. A alternativa C 
está incorreta porque não há fusão de sensações em “Ainda 
tem o seu perfume pela casa”, apenas a indicação de que 
o cheiro da pessoa permanece no recinto. A alternativa E 
está incorreta porque a menção ao livro Dentro da noite 
veloz, do poeta Ferreira Gullar, não apresenta prosopopeia 
ou personificação; a atribuição da característica “veloz” ao 
substantivo “noite” denota a rápida passagem do tempo.
QUESTÃO 21 
Alguns episódios que reforçam a sina de agosto, 
o mês do cachorro louco
A história brasileira deu sua contribuição para reforçar 
a crendice em torno do “mês do desgosto”, mas sua origem 
vem, como boa parte das coisas boas e ruins da pátria, 
de Portugal.
Segundo o folclorista Mário Souto Maior, as mulheres 
portuguesas não casavam em agosto porque este era o mês 
preferido para os navios deixarem o país em busca de novos 
territórios para o reino.
Como casar neste mês significava ficar sem lua de 
mel ou mesmo viúva logo após o matrimônio, cunhou-se a 
expressão: “Casar em agosto traz desgosto”. A superstição 
veio para a colônia e persiste em várias regiões do país 
(os destemidos que ousam contrariá-la podem, inclusive, 
conseguir bons descontos).
Em seu Dicionário do Folclore Brasileiro, Câmara Cascudo 
define agosto como “o mês das desgraças e das infelicidades” 
nos países latinos.
VISEU, R. Disponível em: <http://ahistoriacomoelafoi.blogfolha.uol.
com.br>. Acesso em: 27 out. 2016. [Fragmento]
Ao longo do texto, que trata do misticismo que cerca o mês 
de agosto, muitos substantivos que carregam conotações 
negativas são usados para traçar a origem da crença de 
que esse período do ano é cercado de maus agouros. 
No entanto, outros vocábulos são empregados com acepção 
positiva no texto, como é o caso de
A. 	 “sina”.
B. 	 “cachorro”.
C. 	 “contribuição”.
D. 	 “pátria”.
E. 	 “territórios”.
Alternativa C
Resolução: Das palavras mencionadas nas alternativas, 
apenas “contribuição” carrega sentido positivo, conforme 
a definição do Dicionário Caldas Aulete: “Participação 
colaborativa numa atividade,na fundação, elaboração, 
construção ou resolução de algo etc.” Dessa forma, 
a alternativa correta é a C, já que, de acordo com o texto, 
a história brasileira ajudou a reforçar a crendice do mês de 
agosto. Entre as demais alternativas, “sina” carrega valor 
negativo (de acordo com o mesmo dicionário: “Fatalidade 
ou predestinação a que qualquer pessoa está supostamente 
sujeita.”); “cachorro” vem acompanhada do adjetivo “louco”; 
e “pátria” e “territórios” foram empregados de forma neutra, 
não carregando juízo de valor algum do autor.
Ø3NB
ENEM – VOL. 2 – 2020 LCT – PROVA I – PÁGINA 15BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
QUESTÃO 22 
A curiosidade de um ouvinte belo-horizontino foi 
despertada após escutar o slogan de uma estação de rádio 
de sua cidade natal. Ele pensou, então, que haveria duas 
possibilidades de escrita, grafadas a seguir:
 I. Alvorada, 94,9 FM. Você sabe por que ouve.
 II. Alvorada, 94,9 FM. Você sabe, porque ouve.
A diferença na escrita das palavras em destaque implica à 
interpretação dos slogans
A. 	 duplicidade de sentidos, pois o texto I exprime a ideia 
de “razão”, e o II a de explicação.
B. 	 ideia de consequência de um fato no texto I, e noção 
de causa no texto II.
C. 	 incoerência, posto que os pronomes relativos nos 
textos I e II estão mal-empregados.
D. 	 redundância, já que existe certeza do informado nos 
dois textos.
E. 	 semelhança de sentido, mas classificações 
morfológicas diferentes.
Alternativa A
Resolução: A frase ouvida no rádio pode ser interpretada de 
duas maneiras diferentes, dependendo de como transcrita. 
Em “Você sabe por que ouve”, o “por que” é equivalente 
a “motivo pelo qual”, impondo uma razão para a ação de 
ouvir, ou seja, os ouvintes sabem o motivo de ouvir à rádio. 
Já em “Você sabe, porque ouve”, o “porque” é uma conjunção 
coordenativa explicativa, equivalendo-se a “pois”, ou seja, 
a explicação de o ouvinte saber das coisas do mundo é o fato 
de ele ouvir à rádio. A alternativa A, portanto, está correta. 
A alternativa B está incorreta porque interpreta erroneamente 
os “porquês” em ambas as frases. C, porque sequer foram 
empregados pronomes relativos; na primeira frase o “que” 
é um pronome indefinido, e na segunda o “porque” é uma 
conjunção. D e E estão incorretas, porque, como exposto, 
os sentidos das frases são diferentes, além disso, pode-se 
afirmar que há redundância apenas na primeira frase, em 
que o ouvinte já saberia de antemão a razão de ouvir à 
rádio.
QUESTÃO 23 
Múmia de 3 mil anos passa por tomografia
Como estudar uma múmia de quase 3 mil anos dentro 
de um sarcófago, quando só o fato de abrir o invólucro, 
colocando-a em contato com o ar, pode transformar em pó 
os restos conservados por milênios? Aliando a tecnologia 
médica com estudos arqueológicos, o Museu Oriental da 
Universidade de Chicago conseguiu obter uma imagem 
tridimensional da múmia Meresamun sem violar seu sarcófago.
Pesquisadores supõem que Meresamun foi sacerdotisa 
de um templo de Tebas em 800 a.C. Sua urna funerária é 
decorada com elaboradas pinturas e está em ótimo estado 
de conservação. Por isso, depois de descoberta, passou 
80 anos lacrada. Segundo os cientistas da universidade, 
com as informações obtidas no exame será possível estudar 
como Meresamun vivia, e continuar deixando-a descansar 
em paz dentro de seu sarcófago.
BETING, G. História viva. São Paulo, ano 6, n. 66, p. 13, abril. 2009.
5FZN
VUHC
O texto anterior é informativo, por isso sua abordagem é 
objetiva, estruturada em relatos hierarquizados pelo nível de 
importância dentro do contexto. Com base nisso, a autora 
privilegia a informação de que o
A. 	 estudo das múmias deve ser feito por especialistas 
para que elas não se deteriorem.
B. 	 museu usou recursos tecnológicos atuais para estudar 
uma múmia sem degradá-la.
C. 	 sarcófago encontrado pertenceu a uma personagem 
de relativo destaque na sociedade egípcia.
D. 	 contato do ar com achados arqueológicos pode 
desgastar ou até destruir relíquias milenares. 
E. 	 tempo por que ficou lacrada a urna funerária depois de 
descoberta denota sua conservação.
Alternativa B
Resolução: O título da notícia aponta qual é a informação 
mais importante que o texto carrega. Dessa forma, a 
tecnologia usada pelo museu para estudar a múmia é o foco 
no texto. Portanto, a alternativa correta é a B. As demais 
alternativas são factíveis e estão de acordo com o texto, 
no entanto nenhuma delas traz a principal informação que a 
autora leva aos leitores da revista, por isso estão incorretas.
QUESTÃO 24 
Guardar
Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.
Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por admirá-la, 
isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.
Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por ela, isto 
é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela, isto é, estar 
por ela ou ser por ela.
Por isso melhor se guarda o voo de um pássaro
Do que um pássaro sem voos.
Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica, por 
isso se declara e declama um poema:
Para guardá-lo:
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
Guarde o que quer que guarda um poema:
Por isso o lance do poema:
Por guardar-se o que se quer guardar.
MACHADO, G. In: MORICONI, I. (org.). Os cem melhores poemas 
brasileiros do século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.
A memória é um importante recurso do patrimônio cultural de 
uma nação. Ela está presente nas lembranças do passado 
e no acervo cultural de um povo. Ao tratar o fazer poético 
como uma das maneiras de se guardar o que se quer, o texto
A. 	 ressalta a importância dos estudos históricos para a 
construção da memória social de um povo. 
B. 	 valoriza as lembranças individuais em detrimento das 
narrativas populares ou coletivas.
C. 	 reforça a capacidade da literatura em promover a 
subjetividade e os valores humanos.
LDNC
LCT – PROVA I – PÁGINA 16 ENEM – VOL. 2 – 2020 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
D. 	 destaca a importância de reservar o texto literário 
àqueles que possuem maior repertório cultural.
E. 	 revela a superioridade da escrita poética como forma 
ideal de preservação da memória cultural.
Alternativa C
Resolução: No texto, os versos “Por isso se escreve, 
por isso se diz, por isso se publica, por / isso se declara 
e declama um poema: / Para guardá-lo: / Para que ele, 
por sua vez, guarde o que guarda:” comprovam o valor da 
literatura de promover, exaltar a subjetividade e os valores 
humanos. Isso significa dizer que, de acordo com o eu lírico, 
um poema é a melhor forma de se guardar uma sensação, 
uma lembrança, um momento, pois as palavras usadas ali 
preservam o mesmo sentimento experienciado no ato da 
escrita. A alternativa correta, portanto, é a C. As alternativas 
A e E estão incorretas porque o texto não fala do ato de 
guardar os eventos históricos de um povo ou sua memória 
cultural, mas sim as memórias individuais, os momentos 
especiais para cada uma das pessoas. Na alternativa B, 
a incorreção está em afirmar que o fazer poético sobrepõe-se 
às narrativas populares ou coletivas, já que isso não pode 
ser inferido do texto, que se limita a mostrar o impacto que 
causa um poema. Finalmente, a alternativa D está incorreta 
porque o poema não permite a interpretação de que o texto 
literário deve ser reservado à elite cultural; ao contrário, ele 
deve ser produzido por qualquer pessoa que queira “guardar 
o que quer que guarda um poema:”.
QUESTÃO 25 
Pacutiguibê Iaô
Pacutiguibê macumba Iaê! 
Pacutiguibê macumba Iaô! 
Hoje tem festa no terreiro 
De Maria Cotia 
Pois hoje é dois de fevereiro 
Para felicidade minha 
Hoje eu vou me mandar 
É pra lá 
Já levo atabaque 
Afinado enfeitado inteiro 
Já levo zamba minha nêga 
Um batuque pro sinhô 
Já levo a fita rubro-negra 
Pra ofertar pra Iaô 
Iaô chegou pra comemorar 
Iaô entrou na roda de zambar bonito 
Iaô chegou do mar
RIBAS, M. Pacutiguibê Iaô. In: Marku Ribas. Underground. LP. 
Copacabana,1973. [Fragmento]
Uma nação é formada por aspectos sociais, econômicos 
e políticos, que estão diretamente relacionados às formas 
de expressão e à língua. A canção de Marku Ribas trata da 
cultura afrodescendente, empregando versos que destacam a
A. 	 dificuldade do negro de se inserir social e culturalmente 
hoje no Brasil. 
7V7U
B. 	 oposição da crença e fé europeias em relação à 
religiosidade africana. 
C. 	 festividade de origem negra, envolvendo dança e 
instrumentos musicais.
D. 	 diversidade dos idiomas africanos em relação àqueles 
falados na Europa.
E. 	 participação de negros em rituais conhecidos como de 
origem portuguesa.
Alternativa C
Resolução: Na letra, versos como “Hoje tem festa no terreiro”, 
“Já levo atabaque” e “Iaô entrou na roda de zambar bonito” 
empregam termos que retomam a cultura africana num 
ambiente festivo de dança e música, portanto a alternativa 
correta é a C. A alternativa A está incorreta porque a letra fala 
da festividade africana manifestada no Brasil, o que se opõe 
à dificuldade de inserção do negro social e culturalmente 
no país; ainda que os obstáculos enfrentados sejam reais, 
não é esse o tema de “Pacutiguibê Iaô”. A alternativa B está 
incorreta porque a letra não descreve europeus com atitude 
de enfrentamento à religiosidade africana. A alternativa D 
está incorreta porque há o enaltecimento da cultura e dos 
idiomas africanos sem oposição às línguas europeias. E a 
alternativa E está incorreta porque os rituais a que o autor 
se refere não são de origem europeia.
QUESTÃO 26 
DAHMER, André. Disponível em: <http://www.malvados.com.br/>. 
Acesso em: 10 dez. 2014.
A tirinha aborda uma prática recorrente na contemporaneidade: 
a utilização das redes sociais virtuais. A fala do terceiro 
quadrinho contém uma crítica à(ao)
A. 	 democratização dos aparatos virtuais na 
contemporaneidade. 
B. 	 existência da escravidão em tempos remotos.
C. 	 possibilidade de escravos terem acesso às redes 
sociais.
D. 	 tempo disponibilizado na utilização das redes virtuais.
E. 	 tempo gasto pelos escravos na construção das 
pirâmides. 
Alternativa D
Resolução: A personagem da tirinha infere que se existisse 
Internet no tempo da construção das pirâmides, elas 
nunca terminariam de ser construídas pelos escravos, que 
trabalhariam pouco por acessar muito o Facebook. Para a 
interpretação correta do texto, é necessário contextualizar 
o conteúdo da tirinha com o fato de que, atualmente, 
muitas pessoas apresentam baixo nível de concentração 
ou dedicação em suas atividades diárias, como estudo 
e trabalho, por causa do acesso exacerbado à Internet 
e às redes sociais. Portanto, a alternativa correta é a D. 
EE8M
ENEM – VOL. 2 – 2020 LCT – PROVA I – PÁGINA 17BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
A alternativa A está incorreta porque a crítica do autor não se 
volta para o fato de todas as camadas da população de hoje 
terem acesso à Internet, mas sim ao fato de como pessoas 
de todas as camadas a utilizam de forma exagerada; para 
aproximar o Egito Antigo ao leitor, ele faz uma analogia, em 
que os trabalhadores são os escravos. B, porque o autor 
problematiza o uso da Internet, não lançando olhar crítico 
à existência da escravidão no Egito Antigo. C, porque, 
como explicado, o autor não critica a inclusão digital, mas o 
comportamento inadequado de muitos usuários das redes 
sociais. Por fim, a alternativa E está incorreta porque o autor 
critica o tempo que supostamente os escravos despenderiam 
no celular, acarretando atraso na construção das pirâmides; 
ainda que haja relação de causa e consequência entre 
esses eventos, deve-se perceber que a crítica não foca 
o tempo de construção das pirâmides, mas aquele gasto 
nas redes sociais.
QUESTÃO 27 
GALHARDO. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br>. Acesso 
em: 14 nov. 2016.
Com frequência, as tirinhas servem-se de poucos elementos 
composicionais para despertar reflexões sobre a vida 
humana. Nesse sentido, os recursos verbo-visuais no texto 
anterior apontam, simbolicamente, a 
A. 	 condição das pessoas com deficiência. 
B. 	 dúvida existencial de muitas pessoas. 
C. 	 complexidade de questionamentos abstratos. 
D. 	 hipocrisia nos julgamentos dos indivíduos. 
E. 	 ignorância do sujeito sobre sua condição.
Alternativa D
Resolução: A tirinha começa lançando uma pergunta aos 
leitores: “Afinal, o que é um pescoçudo?”. Do segundo ao 
quarto quadrinho, três personagens surgem para respondê-la, 
no entanto nenhum deles sabe a resposta (e um deles diz 
ter medo), ainda que tenham como característica física o 
pescoço alongado. Pela atitude arredia das personagens, 
que afirmam não saber o que é um pescoçudo, mesmo 
o sendo, infere-se que o autor da tirinha faz uma crítica 
à hipocrisia que muitas pessoas demonstram ao julgar 
o próximo, embora apresentem a mesma característica 
ou comportamento. Pode-se chegar a essa interpretação 
mesmo que não se conheça o termo “pescoçudo”, pois a 
relação entre textos visuais e verbais na tirinha induzem 
os leitores a isso. A alternativa correta, portanto, é a D. 
A alternativa A está incorreta porque o texto não leva o leitor 
a refletir sobre a condição de pessoas deficientes, já que, 
no universo criado pelo autor, ter o pescoço demasiadamente 
longo não é deficiência. A alternativa B está incorreta porque 
a indagação no primeiro quadrinho não corresponde 
a uma dúvida existencial, mas a um questionamento 
simbolicamente respondido pelo próprio autor do texto. 
QDWF
A alternativa C está incorreta porque o fato de as 
personagens não responderem à pergunta não aponta a 
complexidade de se encontrar respostas para questões 
subjetivas, ainda que a dificuldade em respondê-las 
seja real para muitas pessoas. Além disso, a tirinha 
não trata de assuntos intangíveis ao conhecimento. 
A alternativa E está incorreta porque o comportamento das 
personagens denota antes hipocrisia que ignorância: elas 
giram o pescoço, fazendo, simbolicamente, rodeios para 
responder à pergunta; e, no último quadrinho, o rapaz afirma 
ter medo, mesmo sem saber do que se trata.
QUESTÃO 28 
BROWNE, D. Disponível em: <http://planetatirinhas.wordpress.com>. 
Acesso em: 22 dez. 2016.
Na tirinha, as personagens dialogam, até que, no último 
quadrinho, algo inesperado acontece. A atitude da 
personagem principal revela, supostamente, sua intenção 
de demonstrar a
A. 	sabedoria dos anciãos.
B. 	esperteza dos adultos.
C. 	negligência dos jovens.
D. 	humildade das crianças.
E. 	determinação dos pais.
Alternativa B
Resolução: De acordo com a definição do Dicionário 
Michaelis para os termos empregados nas alternativas, 
vê-se que “esperteza” pode denotar “habilidade maliciosa”. 
Como Hagar é um adulto e visa ensinar a Hamlet, seu 
filho, a suposta malícia necessária para se encarar a vida, 
a resposta correta é a B. A alternativa A está incorreta porque 
a personagem de Hagar não representa um ancião; além 
disso, ainda que um dos significados de “sabedoria” seja 
“habilidade de enganar ou dissimular”, quando associada a 
pessoas mais velhas, denota “acúmulo de conhecimentos 
sobre assuntos diversos”. A alternativa C está incorreta 
porque Hamlet não se comporta com “falta de vigilância; 
descuido, desídia, desleixo”, mesmo que essas possam ser 
características atribuídas aos jovens pelo senso comum; 
ele foi antes ingênuo que negligente. A alternativa D está 
incorreta porque Hamlet não apresenta “demonstração 
de respeito, de submissão aos superiores”; além do mais, 
Hagar busca apontar uma característica de si mesmo, 
não de seu filho. Por fim, a atitude de Hagar não mostra 
a Hamlet “qualidade do que é inabalável; ânimo, firmeza, 
denodo”, já que se vê um pai, numa brincadeira, enganando 
o filho, por isso a alternativa E está incorreta.
7NØK
LCT – PROVA I – PÁGINA 18 ENEM – VOL. 2 – 2020 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
QUESTÃO 29 
O mundo se tornava fascista. Num mundo assim, 
que futuro nos reservariam? Provavelmente não havia 
lugar para nós, éramos fantasmas, rolaríamosde cárcere 
em cárcere, findaríamos num campo de concentração. 
Nenhuma utilidade representávamos na ordem nova. 
Se nos largassem, vagaríamos tristes, inofensivos 
e desocupados, farrapos vivos, velhos prematuros; 
desejaríamos enlouquecer, recolher-nos ao hospício ou 
ter coragem de amarrar uma corda ao pescoço e dar o 
mergulho decisivo. Essas ideias, repetidas, vexavam-me; 
tanto me embrenhara nelas que me sentia inteiramente 
perdido. Afligia-me especialmente supor que não me seria 
possível nunca mais trabalhar; arrastando-me em ociosidade 
obrigatória, dependeria dos outros, indigno e servil.
RAMOS, G. Memórias do cárcere. São Paulo: José Olympio, 1953. 
Graciliano Ramos apresenta um relato sobre sua prisão 
durante o Estado Novo, no qual narra as situações com que 
se deparou naquele período. No fragmento apresentado, o 
autor 
A. 	 denuncia o modo como o Brasil que surgia tratava os 
cidadãos com ideologias contrárias à Ditadura. 
B. 	 expõe, com a menção a assassinatos ou suicídios, 
uma constante sensação de que a morte se aproxima.
C. 	 afirma que os presos eram inúteis e loucos, sem 
condições dignas de trabalhar e sustentar a si mesmos.
D. 	 faz uma equiparação das pessoas que se encontram 
em cárcere, seja em cadeias, seja em hospícios. 
E. 	 reflete sobre os sentimentos de perdição e ócio 
causados por sua incapacidade de trabalhar na cadeia.
Alternativa A
Resolução: A questão apresenta um trecho da obra 
Memórias do cárcere, de Graciliano Ramos. Nela, o autor 
revela como foi o período em que esteve preso por ser 
acusado de estar envolvido com o Partido Comunista. 
A obra é um relato de sofrimento e humilhações que 
marcaram os presos políticos da ditadura Vargas. Portanto, 
deve-se relacionar o fragmento com a intenção manifestada 
pelo autor ao escrever suas memórias e percepções acerca 
da experiência vivida. A alternativa A está correta, pois o autor 
condena o tratamento dado aos presos, que não teriam mais 
função na nova sociedade que se instaurava. A alternativa B 
está incorreta, pois o autor se refere à morte com um possível 
refúgio final, já que não suportaria viver no cárcere; ainda, o 
autor não menciona medo do suicídio, de assassinato ou de 
outro tipo de morte física, apenas intelectual. A alternativa C 
está incorreta, pois em momento algum é afirmado que os 
presos são inúteis e loucos, mas que, nessa nova condição 
e situação do país, eles desejariam enlouquecer; além disso, 
o autor confessa sentir-se aflito com a possibilidade de 
não poder trabalhar novamente e de perder sua dignidade. 
A alternativa D está incorreta, pois no trecho apresentado 
o autor não compara o cárcere em prisões à reclusão em 
hospícios, mas conclui que estar louco ou morto é melhor que 
estar preso. A alternativa E está incorreta, pois o sentimento 
de perdição e ócio é decorrente da total privação de liberdade 
do autor; além disso, uma vez preso, ele não é incapaz de 
trabalhar, mas impedido de tal.
VZ98 QUESTÃO 30 
Fechado após ser destruído durante um incêndio no fim 
do ano passado [2015], o Museu da Língua Portuguesa fará 
exposições itinerantes do seu acervo no estado de São Paulo 
em 2016. A mostra de “Estação da Língua” será aberta no dia 
4 de março, em Araraquara, interior paulista, e depois passará 
por outras cidades durante o ano, como Pirassununga. 
O fogo destruiu parte do prédio da Estação da Luz, onde 
funciona o Museu da Língua Portuguesa, região central da 
capital paulista, em 21 de dezembro.
Segundo a Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, a 
exposição itinerante em 2016 seguirá o conceito central do Museu 
da Língua Portuguesa, propondo interatividade e tecnologia como 
veículos para apresentar o idioma ao público, nos seus mais 
variados sotaques e evoluções. Como o acervo do museu é digital, 
ele pode ser aplicado e adaptado para outros espaços.
Disponível em: <http://g1.globo.com/>. Acesso em: 14 nov. 2016. 
[Fragmento]
Segundo a notícia, o Museu da Língua Portuguesa destaca-se 
ao preservar o patrimônio linguístico nacional sobretudo por 
A. 	 oferecer interatividade efetiva ao público que o visita. 
B. 	 possibilitar a flexibilidade e a segurança de seu acervo. 
C. 	 promover o acesso à investigação dos variados sotaques.
D. 	 retratar cronologicamente a evolução do português 
brasileiro. 
E. 	 simbolizar a identidade brasileira por meio da língua 
padrão. 
Alternativa B
Resolução: No último parágrafo da notícia, é afirmado que o 
acervo do museu é digital, podendo ser exposto em diferentes 
espaços. O texto visa destacar esse aspecto, apontando ser 
este o responsável por manter o museu funcionando de maneira 
itinerante, já que o incêndio destruiu parte do prédio da Estação 
da Luz. A alternativa correta, portanto, é a B. A alternativa A 
está incorreta porque, ainda que as exposições itinerantes 
ofereçam interatividade, a notícia não ressalta esse fato, já que, 
anteriormente, na Estação da Luz, o museu também era interativo. 
O foco da notícia é mostrar que o Museu da Língua Portuguesa 
pode funcionar independentemente de seu prédio original. 
As alternativas C e D estão incorretas porque os variados sotaques 
da Língua Portuguesa, com sua consequente investigação por 
parte dos visitantes e pesquisadores, e a exibição da evolução 
do Português brasileiro também configuram um aspecto anterior 
ao incêndio, não sendo a inovação proposta pela Secretaria da 
Cultura do Estado de São Paulo. Por fim, a alternativa E está 
incorreta porque o texto não fala de língua padrão representando 
a identidade brasileira; na realidade, isso entraria em conflito com 
o estudo da língua, que deve respeitar todas as suas variações, 
mesmo que não sigam a norma estabelecida como padrão.
QUESTÃO 31 
“Ler para uma criança é uma atitude transformadora. Por 
meio da leitura, a criança desenvolve a criatividade e adquire 
cultura, conhecimento e valores”, afirma a educadora Ana 
Teberoski, professora da Universidade de Barcelona e uma das 
pesquisadoras mais respeitadas quando o tema é alfabetização.
FLEURY, Y. Disponível em: <http://www.curtamais.com.br>. 
Acesso em: 07 dez. 2016.
FTZ2
UXL7
ENEM – VOL. 2 – 2020 LCT – PROVA I – PÁGINA 19BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
Quanto mais cedo a leitura começar, melhor será para a 
criança, de acordo com a pesquisadora entrevistada na 
reportagem. Nessa reflexão, sua fala apoia-se em
A. 	 permitir o contato com um mundo completamente 
desconhecido.
B. 	 apontar para os pais quais são os interesses futuros 
de seu filho.
C. 	 ampliar o potencial de descobertas e a compreensão 
da ética pela criança.
D. 	 buscar o contato com o multiculturalismo para o futuro 
leitor.
E. 	 aumentar logo cedo as chances de uma alfabetização 
eficiente.
Alternativa C
Resolução: A educadora Ana Teberoski afirma que a 
leitura desenvolve a criatividade na criança, que adquire 
cultura, conhecimento e valores, portanto seu potencial 
de descobertas e senso ético são ampliados. A alternativa 
correta, então, é a C. As demais alternativas trazem 
afirmações factíveis, e que indicam benefícios da leitura 
para crianças, porém nenhuma delas pode ser extraída da 
fala da pesquisadora, portanto estão incorretas.
QUESTÃO 32 
O quereres
Ah! Bruta flor do querer 
Ah! Bruta flor, bruta flor 
 
Onde queres comício, flíper-vídeo 
E onde queres romance, rock ‘n’ roll 
Onde queres a Lua, eu sou o Sol 
Onde a pura natura, o inseticídio 
Onde queres mistério, eu sou a luz 
E onde queres um canto, o mundo inteiro 
Onde queres quaresma, fevereiro 
E onde queres coqueiro, eu sou obus
VELOSO, C. O quereres. In: Caetano Veloso. Totalmente demais. LP. 
Phillips Records, 1986. [Fragmento]
Caetano Veloso utiliza na canção figuras de linguagem para 
falar da expectativa que pessoas afetivamente envolvidas 
têm uma da outra. Para construir o sentido do texto, 
a principal figura de linguagem presente no trecho é o(a)
A. 	antítese, porque existe uma relação de sentidos opostos 
entre as palavras para reforçar a ideia das diferenças 
enfrentadaspelo par. 
B. 	eufemismo, pois são utilizados termos que amenizam a 
situação problemática que envolve a expectativa de um 
em relação ao outro.
C. 	metáfora, porque as palavras permitem inúmeras 
possibilidades de leitura, construindo uma comparação 
implícita entre as pessoas.
D. 	metonímia, porque há termos empregados no lugar de 
outros, com proximidade de ideias, representando as 
diferenças do par.
E. 	paradoxo, pois as combinações de ideias expressas 
pelas palavras são inconcebíveis, sugerindo a 
incompatibilidade entre as pessoas.
Z2QM
Alternativa A
Resolução: Na canção, o eu lírico fala sobre o que ele e seu par 
querem na relação amorosa que vivem. Os versos desdobram-se 
formando o sentido do todo e possibilitando a interpretação. 
Deve-se, então, identificar qual figura de linguagem predomina 
na letra. A alternativa A está correta, porque durante todo o texto 
as palavras usadas expressam oposição de ideias. De um 
lado, uma pessoa quer comício (que pode ser compreendido 
como politização), do outro, a outra pessoa quer flíper-vídeo 
(um videogame, que pode ser compreendido na música como 
alienação); de um lado romance (calmaria), do outro, rock’ n’ roll 
(agito); de um lado a Lua (noite), do outro, Sol (dia); etc. 
Os versos não são constituídos de palavras antônimas, mas 
de ideias contrárias. A alternativa B está incorreta, pois as 
palavras não foram usadas com o objetivo de amenizar o 
discurso do interlocutor. Não há razão para seu uso, pois o que 
está sendo dito na música não é algo agressivo, grosseiro ou 
desagradável a ponto de precisar ser dito de um modo mais 
brando. A alternativa C também é incorreta, pois, embora as 
vontades estejam sendo conotativamente representadas pelas 
palavras, não é a metáfora que constrói o sentido do texto, 
e sim a relação antagônica do par. A alternativa D está incorreta, 
pois não existe metonímia no texto, isto é, não há a substituição 
de uma palavra que representa uma parte pelo todo, nem 
relações de semelhança entre elas. A alternativa E também 
está incorreta, porque as oposições não são absurdas, mas 
contradições possíveis. 
QUESTÃO 33 
Arrumação
Josefina sai cá fora e vem vê
olha os fôrro ramiado vai chovê
vai trimina riduzi toda a criação
das banda da lá do ri Gavião
chiquêra prá cá já ronca a truvão
Futuca a tuia, pega o catadô 
Vamo plantá feijão no pó
Mãe Purdença inda num culheu o ai
o ai rôxo essa lavora tardâ
diligença pega panicum balai
vai cum tua irmã, vai num pulo só
vai colhê o ai, ai da tua avó
[...]
MELO, E. F. Arrumação. In: Elomar. Na quadrada das águas perdidas. 
LP. Seminário Música de Agora na Bahia, 1978.
A letra da canção manifesta aspectos do repertório linguístico 
e cultural do Brasil. Para expressar melhor esse repertório o 
compositor faz uso de vários recursos, como a(o)
A. 	 adoção de uma ordem cronológica na narrativa, 
impedindo, assim, a construção de sentido da letra da 
canção.
B. 	 citação de vários elementos típicos da paisagem 
urbana para expressar a cultura regional brasileira.
C. 	 emprego da norma-padrão da Língua Portuguesa para 
garantir a expressão cultural do tema retratado pela 
canção.
D. 	 omissão de alguns elementos da narrativa, como o 
uso de personagens para retratar vários aspectos da 
cultura brasileira.
E. 	 utilização de expressões regionais que, embora 
possam inicialmente dificultar o entendimento, não 
impedem a construção de sentido da canção.
TFXG
LCT – PROVA I – PÁGINA 20 ENEM – VOL. 2 – 2020 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
Alternativa E
Resolução: Na letra de “Arrumação”, o autor emprega 
elementos de um dialeto regional para manifestar a cultura 
nacional. As expressões escolhidas por ele, no entanto, não 
prejudicam a compreensão dos ouvintes, que conseguem 
perceber a história relatada, ainda que um ou outro termo 
possa lhes ser desconhecido. A alternativa correta é a E, 
portanto. As alternativas A e D estão incorretas porque 
a ordem cronológica do relato ou a omissão de alguns 
elementos da narrativa não são identificados como parte do 
repertório linguístico cultural do Brasil. B, porque não há na 
letra menção a aspectos urbanos, somente rurais; mesmo se 
houvesse, ainda assim, apenas a citação desses elementos 
não representaria o rico repertório linguístico do Brasil. 
Por fim, a alternativa C está incorreta porque a linguagem 
empregada pelo eu lírico na canção é informal, não se 
adequando, portanto, à norma-padrão; além disso, a riqueza 
linguística do Brasil está nos muitos dialetos existentes.
QUESTÃO 34 
Tá faltando eu
Preciso me curtir bem mais 
É pena que só olho pros lados 
Se a alma quer um banho de sais 
O corpo quer me ver apaixonado 
O medo aguça a atração 
A solidão na pele arde 
Espero que quando eu me ver 
E acordar não seja tarde
LEÃO, F. Tá faltando eu. In: Gusttavo Lima. Buteco do Gusttavo. CD. 
Som Livre, 2015. [Fragmento]
Em letras de músicas, a linguagem informal é usada para 
aproximar a canção dos ouvintes. No entanto, ao se analisar 
o texto pelo viés da norma-padrão, inadequações podem ser 
identificadas, como visto no(a)
A. 	 colocação do pronome “me” no primeiro verso.
B. 	 ausência de um artigo indefinido antes de “pena”.
C. 	 uso da preposição que antecede “atração”.
D. 	 conjugação do verbo “ver” na segunda estrofe.
E. 	 emprego do advérbio de negação após o verbo.
Alternativa D
Resolução: No verso “Espero que quando eu me ver”, 
há uma inadequação quanto ao uso do verbo “ver”. Sua 
conjugação na primeira pessoa do singular do futuro do 
subjuntivo é “vir”, portanto o verso reescrito pela norma- 
-padrão fica: “Espero que quando eu me vir”. Assim sendo, 
a alternativa correta é a D. A alternativa A está incorreta porque 
o pronome oblíquo átono “me” pode vir em posição proclítica 
antes de verbos no infinitivo. A alternativa B está incorreta 
porque o artigo indefinido “um” não é obrigatório na expressão 
“É pena”. A alternativa C está incorreta porque o vocábulo 
“a”, antes de “atração”, é um artigo definido feminino, que 
determina o substantivo. A alternativa E está incorreta porque 
o advérbio de negação “não” está ligado ao verbo “seja” em 
uma oração diferente da qual se encontra o verbo “acordar”.
KJQO
QUESTÃO 35 
Como as novas gerações vão expandir a energia solar
O Greenpeace Brasil e a NESsT Brasil lançaram um 
desafio: convocar universitários de todo o país para trazerem 
suas ideias de como democratizar a energia solar. O concurso 
Desafio Solar para Negócios Sociais teve mais de 250 inscrições 
e mostrou que há muitos jovens com boas ideias por aí. 
Ao longo de cinco meses, grupos selecionados participaram 
de seminários, palestras e mentorias com profissionais do 
mercado. Assim, eles receberam informações valiosas para 
conseguir tirar suas ideias do papel.
Segundo Rodrigo Sauaia, presidente executivo da 
Associação Brasileira de Energia Fotovoltaica (ABSOLAR), 
é muito importante ouvir esses jovens e incentivá-los, ainda 
mais quando o interesse é por uma fonte limpa e renovável 
de energia.
Disponível em: <http://www.greenpeace.org>. 
Acesso em: 26 out. 2016. [Fragmento]
Quando lançou o concurso em busca de soluções de 
expansão do uso de energia solar, a organização do desafio 
visou
A. 	 divulgar as boas ideias sustentáveis das instituições.
B. 	 chamar a atenção das universidades para o problema.
C. 	 avaliar o desempenho dos futuros profissionais da área.
D. 	 buscar investimentos em diversos eventos acadêmicos.
E. 	 convidar os jovens a contribuir com propostas 
atualizadas.
Alternativa E
Resolução: O primeiro período do texto expõe o objetivo do 
concurso: ouvir ideias de jovens de todo o país para uma 
melhor disseminação da energia solar, o que está de acordo 
com a alternativa E. A alternativa A está incorreta porque não 
é um objetivo das instituições divulgar suas ideias, mas sim 
trabalhar naquelas criadas pelos universitários. A alternativa 
B está incorreta porque não se pretende sensibilizar as 
universidades brasileiras; o projeto está para além disso,buscando soluções para a expansão da energia solar. 
A alternativa C está incorreta porque o projeto não é obrigatório 
a todos os estudantes, não se configurando, portanto, como 
método avaliativo de desempenho profissional. A alternativa 
D também está incorreta porque as organizações envolvidas 
no projeto não o criaram para atrair novos investimentos; 
os eventos acadêmicos serviram para informar e instruir os 
universitários participantes.
QUESTÃO 36 
Disponível em: <http://www.alwaysbrasil.com.br>. Acesso em: 27 out. 2016.
DJ9M
6VP1
ENEM – VOL. 2 – 2020 LCT – PROVA I – PÁGINA 21BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
Textos publicitários exploram diferentes recursos para o 
convencimento do público-alvo. A mensagem transmitida 
pelo anúncio anterior estrutura-se pela confluência do texto 
verbal com o texto não verbal, uma vez que o(a)
A. 	corte na frase e o chute na caixa refutam papéis sociais 
atribuídos à mulher.
B. 	produto anunciado cessa os limites sociais historicamente 
impostos ao gênero feminino.
C. 	radicalismo de movimentos feministas do século XXI é 
enaltecido pelo anunciante.
D. 	estampa da camiseta denota que o produto anunciado 
tem respaldo científico.
E. 	igualdade de gêneros torna-se tangível com a existência 
e a venda do produto. 
Alternativa A
Resolução: A frase escrita na caixa representa um lugar 
comum que visa limitar o papel social da mulher na 
sociedade. O fato de a menina ter riscado a frase e aparecer 
chutando a caixa indica um posicionamento que refuta tal 
lugar comum, portanto A é a alternativa correta. A alternativa 
B está incorreta porque não é o absorvente que cessa as 
imposições sociais, mas sim o comportamento da garota. 
A alternativa C está incorreta porque o anunciante não se 
posiciona a respeito de movimentos feministas, limitando-se 
apenas a apoiar igualdades sociais para ambos os gêneros. 
A alternativa D está incorreta porque a estampa da camiseta 
da menina tem, na verdade, o objetivo de contrariar os limites 
impostos ao gênero feminino, mostrando que mulheres, além 
de corajosas, também se interessam por ciência, assunto 
normalmente associado a homens. Por fim, a alternativa 
E está incorreta porque não será o produto anunciado o 
responsável por pregar a igualdade de gêneros.
QUESTÃO 37 
Crônica da abolição
[...] Toda a história desta lei de 13 de maio estava por mim 
prevista, tanto que na segunda-feira, antes mesmo dos debates, 
tratei de alforriar um molecote que tinha. [...]
Disse-lhe com rara franqueza: 
– Tu és livre, podes ir para onde quiseres. Aqui tens casa amiga, 
já conhecida, e tens mais um ordenado, um ordenado que... 
– Oh! meu senhô! Fico. 
– Um ordenado pequeno, mas que há de crescer. Tudo 
cresce neste mundo: tu cresceste imensamente. Quando 
nasceste eras um pirralho deste tamanho; hoje estás mais alto 
que eu. Deixa ver; olha, és mais alto quatro dedos... 
– Artura não qué dizê nada, não, senhô... 
– Pequeno ordenado, repito, uns seis mil-réis: mas é de 
grão em grão que a galinha enche o seu papo. Tu vales muito 
mais que uma galinha. 
– Eu vaio um galo, sim, senhô. 
– Justamente. Pois seis mil-réis. No fim de um ano, se 
andares bem, conta com oito. Oito ou sete. 
Pancrácio aceitou tudo: aceitou até um peteleco que lhe dei 
no dia seguinte, por me não escovar bem as botas; efeitos da 
liberdade. Mas eu expliquei-lhe que o peteleco, sendo um impulso 
natural, não podia anular o direito civil adquirido por um título 
que lhe dei. Ele continuava livre, eu de mau humor; eram dois 
estados naturais, quase divinos. Tudo compreendeu o meu bom 
Pancrácio: daí para cá, tenho-lhe despedido alguns pontapés.
MACHADO DE ASSIS. Crônica da abolição. 
Disponível em: <http://portal.mec.gov.br>. Acesso em: 07 ago. de 2014. 
A5V4
Com um objetivo marcadamente irônico, Machado de Assis 
publicou essa crônica poucos dias depois da abolição da 
escravatura no Brasil. O discurso e a atitude do “dono” de 
Pancrácio, que o alforria para contratá-lo como assalariado, 
são os elementos que sustentam a ironia do texto. 
A fala que melhor revela a hipocrisia desse personagem é:
A. 	 “Toda a história desta lei de 13 de maio estava por mim 
prevista, tanto que na segunda-feira, antes mesmo dos 
debates, tratei de alforriar um molecote que tinha.”
B. 	 “Tu és livre, podes ir para onde quiseres. Aqui tens 
casa amiga, já conhecida, e tens mais um ordenado.”
C. 	 “Um ordenado pequeno, mas que há de crescer. 
Tudo cresce neste mundo: tu cresceste imensamente. 
Quando nasceste eras um pirralho deste tamanho; 
hoje estás mais alto que eu.”
D. 	 “Pequeno ordenado, repito, uns seis mil-réis: mas é de 
grão em grão que a galinha enche o seu papo. Tu vales 
muito mais que uma galinha.”
E. 	 “Pois seis mil-réis. No fim de um ano, se andares bem, 
conta com oito. Oito ou sete.”
Alternativa C
Resolução: No trecho “Um ordenado pequeno, mas que há de 
crescer. Tudo cresce neste mundo: tu cresceste imensamente. 
Quando nasceste eras um pirralho deste tamanho; hoje estás 
mais alto que eu.”, identifica-se ironia vinda do narrador quando 
este afirma que o salário de Pancrácio crescerá como um bebê 
cresce até se tornar adulto. A quantia paga a ele é pouca, 
e o trabalhador recém-liberto não conseguirá juntar dinheiro 
para tornar-se, de fato, um homem livre, independente; além 
disso, é improvável que, com o passar dos anos, o valor pago 
aumente. A atitude do narrador é hipócrita, portanto, porque ele 
mesmo sabe que o que está dizendo não é verdade e que está 
apenas abusando da ingenuidade de Pancrácio. Dessa forma, 
a alternativa correta é a C. As demais alternativas estão 
incorretas porque os trechos não apresentam ironia ou hipocrisia 
por parte do narrador. Em A, B e E, veem-se declarações de 
sentido denotativo, sem tom hipócrita ou irônico, já que é dito 
o que de fato se pretende dizer, sem falsidade. Na alternativa 
D, também não se vê ironia ou hipocrisia na fala do narrador, 
pois, por meio de uma metáfora e de uma comparação, ele faz 
uma declaração positiva sobre Pancrácio.
QUESTÃO 38 
 – Aí, beleza? Você joga bola?
 – Jogo.
 – A gente tá precisando de um lateral direito pra 
completar o time da turma, tá afim?
 – Tô dentro.
 – Aí, gente, fechamos o time! Qual é seu nome?
 – É Léo.
 – Vem pra cá, Léo! Chega mais! – chamou um outro garoto.
REBOUÇAS, T. Ela disse, ele disse. Rio de Janeiro: Rocco, 2011.
Por causa de influências históricas, sociais, regionais, entre 
outras, a variação linguística do Brasil é rica e retrata a 
diversidade de seu povo. No trecho apresentado, à procura 
de mais um jogador de futebol, um garoto convida Léo para 
completar o time. A linguagem utilizada
A. 	pertence à variedade culta da língua e está adequada 
ao contexto, pois os garotos acabaram de se conhecer.
B. 	representa o modo de falar dos garotos daquela idade, 
pois a informalidade é comum nesse grupo de falantes.
ØY7C
LCT – PROVA I – PÁGINA 22 ENEM – VOL. 2 – 2020 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
C. 	está em desacordo com o contexto, pois a informalidade 
do ambiente pede que a linguagem seja coloquial.
D. 	reforça a ideia de como os jovens se expressam mal, 
pois esse modo de falar não condiz com a norma-padrão.
E. 	dificulta a compreensão dos garotos, pois as abreviações 
das palavras e o uso de gírias são inadequados.
Alternativa B
Resolução: Um diálogo entre dois garotos exemplifica a 
variedade linguística presente na fala das pessoas. É importante 
lembrar que a relação entre fala e contexto é o que define o bom 
uso da língua. Dessa forma, deve-se relacionar a fala à situação 
em que as personagens estão inseridas. A alternativa B é a 
correta, pois a linguagem utilizada, com expressões coloquiais, 
representa o modo de falar dos jovens. Além disso, o contexto 
em que estão inseridos (ambiente informal e descontraído) 
os desobriga a utilizar a norma-padrão. A alternativa A está 
incorreta, pois os garotos não estão falando de acordo com a 
variedade culta. Na conversa, termos como “tá afim” e “tô dentro” 
não pertencemà norma-padrão da língua. A alternativa C 
está incorreta, porque a linguagem não está em desacordo 
com o contexto, visto que a coloquialidade pode estar inserida 
em contexto informal. A alternativa D também está incorreta, 
pois falar de maneira coloquial não significa se expressar mal. 
Para aquele momento, a linguagem, embora fuja à norma- 
-padrão, estava sendo utilizada adequadamente. Além disso, 
é equivocado afirmar que a variedade linguística, seja qual 
for, interfira na qualidade da Língua Portuguesa. A alternativa 
E está incorreta porque as palavras “tá” e “tô” e as gírias 
“tá afim” e “chega mais”, além de serem adequadas para o 
contexto, não dificultam a compreensão dos garotos, já que 
essa é normalmente a forma como os jovens comunicam-se 
em seu grupo.
QUESTÃO 39 
O Brasil figura entre os países de maior diversidade 
linguística. Estima-se que, atualmente, são faladas mais de 
200 línguas. A partir dos dados levantados pelo Censo IBGE 
de 2010, especialistas calculam a existência de pelo menos 
170 línguas ainda faladas por populações indígenas. 
Embora não contabilizadas pelo Censo, pesquisas na 
área de linguística também apontam para outras línguas 
historicamente “situadas” e amplamente utilizadas no 
Brasil, além das indígenas: línguas de imigração, de sinais, 
de comunidades afro-brasileiras e línguas crioulas. Esse 
patrimônio cultural é desconhecido ou mesmo ignorado 
por grande parte da população brasileira.
A historiografia do país demonstra que foi necessário 
considerável esforço do colonizador português em impor 
sua língua pátria em um território tão extenso. Trata-se 
de um fenômeno político e cultural relevante o fato de, 
na atualidade, a Língua Portuguesa ser a língua oficial e 
plenamente inteligível de norte a sul do país, apesar das 
especificidades e da grande diversidade dos chamados 
“sotaques” regionais. Esse empreendimento relacionado à 
imposição da Língua Portuguesa foi adotado enquanto uma 
das estratégias de dominação, ocupação e demarcação 
das fronteiras do território nacional, sucessivamente, em 
praticamente todos os períodos e regimes políticos. Da 
Colônia ao Império, da República ao Estado Novo e daí 
em diante.
GARCIA, M. V. C. Disponível em: <http://www.ipea.gov.br>. 
Acesso em: 21 out. 2016. [Fragmento]
WYS4
Em um país territorialmente tão grande como o Brasil, é 
impossível não haver variedade linguística. Sobre essa 
diversidade exposta no texto, conclui-se que 
A. 	as influências de outras culturas no país contribuíram 
para que a Língua Portuguesa alcançasse todos os 
falantes do território brasileiro.
B. 	os sotaques interferem na compreensão e na qualidade 
da Língua Portuguesa, apesar de esta ser falada de 
norte a sul do país.
C. 	as outras línguas, embora plenamente usadas, são 
irrelevantes, visto que a maioria da população usa a 
Língua Portuguesa.
D. 	as línguas faladas pela minoria são desvalorizadas pela 
população geral, que sabe muito pouco ou nada sobre 
a existência e a importância delas.
E. 	os portugueses esforçaram-se para que a Língua 
Portuguesa dominasse o Brasil por considerarem 
inferiores as outras línguas.
Alternativa D
Resolução: O texto fala sobre a diversidade linguística do 
Brasil, que, embora tenha a Língua Portuguesa como oficial, 
também possui várias outras línguas que são amplamente 
utilizadas, como as indígenas. Deve-se interpretar o texto 
observando sua organização e objetivo, que é esclarecer que 
essa diversidade se configura como importante patrimônio 
nacional a ser preservado, pois revela a identidade e a 
memória do povo brasileiro. A alternativa D é a correta, pois 
o texto afirma que esse patrimônio ainda é desconhecido 
por grande parte da população brasileira. Desse modo, 
é possível afirmar que essas línguas não são valorizadas. 
A alternativa A está incorreta, pois, de acordo com o texto, 
a Língua Portuguesa alcançou todo território brasileiro por 
causa da imposição dos portugueses, e não pela contribuição 
de outras culturas. A alternativa B está incorreta porque, 
apesar de existirem muitos sotaques regionais, a Língua 
Portuguesa é plenamente inteligível em todo o país, de norte 
a sul. A alternativa C está incorreta porque a diversidade 
linguística é considerada um patrimônio cultural brasileiro, 
ou seja, é reconhecida pela sua importância, mesmo sendo 
a Língua Portuguesa a mais utilizada no país. A alternativa E, 
por fim, está incorreta, pois os portugueses esforçaram-se 
para introduzir a Língua Portuguesa em todo o Brasil não 
por considerarem as outras línguas inferiores, e sim porque 
queriam dominar e ocupar o território. 
QUESTÃO 40 
TE
XT
O 
AS
SI
NA
TU
RA
= CONFIRMO MINHA PRESENÇA JANTAR DIA TRES VG QUANDO TEREI 
SEMPRE RENOVADO PRAZER ABRACAR VELHOS ET PREZADOS AMIGOS 
PRESTIGIOSO PT CORDIALMENTE =
HABITUE-SE A INDICAR NO RECIBO DO SEU TELEGRAMA A HORA EM QUE 
O RECEBER. COM ESSA PROVIDÊNCIA, AUXILIARÁ O DEPARTAMENTO NA 
FISCALIZAÇÃO DA ENTREGA DOS TELEGRAMAS
Disponível em: <http://www.anosdourados.blog.br>. 
Acesso em: 27 out. 2016 (Adaptação).
M8W6
ENEM – VOL. 2 – 2020 LCT – PROVA I – PÁGINA 23BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
O telégrafo foi um meio de comunicação popular no Brasil 
ao longo dos séculos XIX e XX. Um dos gêneros textuais 
decorrentes dele era o telegrama, correspondência social 
caracterizada pela pronta-entrega e por seu texto curto, 
já que a cobrança era feita por palavra. A necessidade de 
compor um texto simples inovou a língua, como comprovado, 
no texto anterior, pela
A. 	 dispensa de todos os sinais diacríticos.
B. 	 supressão de preposições e conjunções.
C. 	 omissão do sujeito em todas as orações.
D. 	 utilização de abreviações em termos longos.
E. 	 ausência de marcadores de pausa na escrita.
Alternativa B
Resolução: A principal inovação na língua identificada no 
texto-base é a supressão de preposições e conjunções 
na articulação de palavras ou orações. Isso se dava para 
economizar dinheiro, uma vez que a cobrança do telegrama 
era feita por palavra. Dessa forma, preposições e conjunções 
não eram usadas quando a ideia pretendida pelo emissor 
estava subentendida. A alternativa correta, então, é a B. 
A alternativa A está incorreta porque a dispensa dos sinais 
diacríticos – acentos e cedilha – não aponta inovação 
na língua trazida pelo telegrama, pois já eram postas em 
prática anteriormente em textos informais, como bilhetes, 
por exemplo; além disso, esses sinais não eram usados nos 
telegramas por uma limitação dos aparelhos de telegrafia. 
A alternativa C está incorreta porque a omissão do sujeito 
também já existia previamente ao uso do telegrama, sendo 
um recurso da Língua Portuguesa, uma vez que é possível 
identificar o sujeito pelas desinências do verbo. A alternativa D 
também está incorreta porque no texto apresentado não há 
abreviações de termos longos; “vg” é “vírgula”, “pt” é “ponto-final”, 
e “et” é uma adaptação da conjunção aditiva “e” a fim de 
que não seja confundida com o verbo “ser” conjugado 
na terceira pessoa do singular do modo indicativo, “é”. 
Por fim, a alternativa E está incorreta porque no texto há 
sim marcadores de pausa: a vírgula e o ponto-final são 
representados, respectivamente, por “vg” e “pt”.
QUESTÃO 41 
Oceano
Vem me fazer feliz 
Porque eu te amo 
Você deságua em mim 
E eu oceano 
Esqueço que amar 
É quase uma dor
 
Só sei 
Viver 
Se for 
Por você
DJAVAN. Oceano. In: Djavan. Djavan. LP. Luanda Edições Musicais, 
1989. [Fragmento]
No texto da canção, como recurso estrutural, o autor muda a 
classe gramatical de um dos vocábulos. Essa estratégia implica 
subjetividade temática, demonstrando que o compositor 
5KQ9
A. 	 identifica semelhança sonora entre o substantivo “oceano” 
e a desinência número-pessoal de “amo”. 
B. 	 associa uma ideia de ação ao substantivo concreto 
“água”, inserindo-o entre dois pronomes pessoais.
C. 	 percebe a semelhança de som nos vocábulos terminados 
em “r”, empregando-os todos como verbos.
D. 	 impõe noção de experiênciano lugar de ação ao utilizar 
o verbo “viver” como um substantivo. 
E. 	 trabalha a ambiguidade apresentada pelo vocábulo 
“por”, sendo tanto um verbo como uma preposição.
Alternativa A
Resolução: O substantivo “oceano”, no texto, é empregado 
como verbo conjugado na primeira pessoa do singular do 
presente do indicativo: “eu oceano”. O vocábulo que rima 
com “oceano” é “amo”, verbo “amar” conjugado na primeira 
pessoa do singular do presente do indicativo. Dessa forma, 
por notar a semelhança sonora entre esses vocábulos, 
o autor estruturou a rima dos versos em que aparecem, 
portanto a alternativa A é a correta. B está incorreta porque 
não é atribuída ação a “água”, que não é verbo, embora 
esteja na composição do verbo “desaguar”; além disso, o fato 
de esse substantivo estar entre pronomes não tem relação 
com a classe gramatical a que pertence. A alternativa C está 
incorreta porque nem todos os vocábulos terminados em “r” no 
trecho são verbos, já que “dor” é substantivo. A alternativa D 
está incorreta porque “viver” é empregado, no texto, como 
verbo, não como substantivo. Por fim, a alternativa E está 
incorreta porque não há duplo sentido no vocábulo “por”, 
que é uma preposição, já que há o acento diferencial na 
grafia do verbo “pôr”.
QUESTÃO 42 
Linha de frente
O nó da tua orelha ainda dói em mim 
E Cebolinha mandou avisar 
Quando a “fleguesa” chegar 
Muitos pãezinhos há de degustar 
Magali faz a cadência da situação 
É que essa padaria nunca vendeu pão 
E tudo que é de ruim sempre cai pra cá 
Tem pouca gente na fronteira, então é só chegar 
O dinheiro vem pra confundir o amor 
O santo pesado que tá sem andor 
Na turma da Mônica do asfalto 
Cascão é rei do morro e a chapa esquenta fácil 
Quem tá na linha de frente 
Não pode amarelar 
O sorriso inocente 
Das crianças de lá
Disponível em: <http://www.letras.com.br>. Acesso em: 20 out. 2016. 
O rapper Criolo evidencia, em seu discurso, a preocupação 
com o povo brasileiro, levando para suas canções a realidade 
das periferias. Em “Linha de frente”, o cantor refere-se à 
Turma da Mônica, conhecida história em quadrinhos de 
Mauricio de Sousa, para 
MI2R
LCT – PROVA I – PÁGINA 24 ENEM – VOL. 2 – 2020 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
A. 	 denunciar o trabalho infantil presente nas favelas 
brasileiras, em que crianças se sujeitam a empregos 
no comércio local em troca de um salário ínfimo, pois 
estão na linha de frente do sustento da família.
B. 	 refletir sobre o abandono das crianças de periferia, 
que vivem ociosas, observando o movimento da rua 
e do comércio sem fregueses, e conscientes de sua 
condição, sem dinheiro e assistência.
C. 	 falar da realidade das crianças envolvidas com o tráfico 
no Brasil, que utilizam os comércios de fachada para a 
venda de drogas, as quais entram facilmente no país 
porque as fronteiras são pouco vigiadas.
D. 	 homenagear as personagens, fazendo uma menção 
ao seu papel de representantes das crianças, tanto 
do morro quanto dos grandes centros, mesmo sendo 
essas realidades tão diferentes.
E. 	 mostrar como a realidade das crianças da periferia é 
difícil, pois, como há policiamento na fronteira, o que 
há de pior na sociedade vai para lá, afastando-as das 
pessoas que evitam frequentar esses locais.
Alternativa C
Resolução: A questão apresenta a música “Linha de frente”, 
do cantor e compositor Criolo, cujo discurso está muito 
ligado à situação do povo pobre, dos moradores de favelas 
e periferias do Brasil. Deve-se atentar para a utilização da 
figura de linguagem metáfora, que dá a uma palavra uma 
nova significação em sentido conotativo. No caso da música, 
ele utiliza a imagem da Turma da Mônica para retratar 
a realidade das crianças brasileiras que vivem em situação 
de vulnerabilidade social. A alternativa C é a correta, pois 
o autor fala sobre a realidade vivida pelas crianças no tráfico. 
Na música, a padaria serve de fachada para um ponto de 
venda de drogas (os “pãezinhos” que os fregueses vão 
degustar). Outro indício importante sobre o tráfico está no 
trecho “Tem pouca gente na fronteira, então é só chegar”, 
que mostra que as fronteiras do Brasil são mal vigiadas, 
o que facilita a entrada de drogas no país. A alternativa A 
está incorreta, pois, embora haja uma referência a um tipo de 
trabalho, este não é no comércio. A padaria citada na música 
não existe de fato, servindo apenas de fachada para a ação 
de criminosos (“É que essa padaria nunca vendeu pão”). 
Além disso, “linha de frente” não significa a responsabilidade 
pelo sustento da família, mas relaciona-se às brigadas 
policiais que vão enfrentar manifestações nas favelas. 
A alternativa B está incorreta, pois, como citado anteriormente, 
a música não fala sobre o comércio. A alternativa D está 
incorreta, pois a intenção não é homenagear a Turma da 
Mônica, e sim usar sua imagem para retratar as crianças 
do tráfico. Por fim, a alternativa E está incorreta, pois, como 
especificado, a fronteira refere-se às regiões de divisa do 
país, não à entrada da favela.
QUESTÃO 43 
O meu nirvana
No alheamento da obscura forma humana, 
De que, pensando, me desencarcero, 
Foi que eu, num grito de emoção, sincero 
Encontrei, afinal, o meu nirvana!
Nessa manumissão schopenhauereana, 
Onde a vida do humano aspecto fero 
Se desarraiga, eu, feito força, impero 
Na imanência da ideia soberana!
Destruída a sensação que oriunda fora
Do tato – ínfima antena aferidora
Destas tegumentárias mãos plebeias –
Gozo o prazer, que os anos não carcomem,
De haver trocado a minha forma de homem
Pela imortalidade das ideias
ANJOS, A. O meu nirvana. In: Eu e outras poesias. 3. ed. São Paulo: 
Livraria Martins Fontes Editora, 2011.
No soneto de Augusto dos Anjos, o eu lírico reflete acerca 
de sua imortalidade como poeta. O gênero literário em que 
esse poema se enquadra é o lírico, pois a voz poética
A. 	usa da confluência de tempos, espaços, ações e vozes 
na construção do texto.
B. 	busca homenagear o autor Schopenhauer por meio de 
linguagem grandiloquente.
C. 	dá vazão à sua subjetividade num texto em que 
prevalecem rima e musicalidade.
D. 	trabalha uma temática cotidiana numa ordem sequencial 
e progressiva de tempo.
E. 	narra seus grandes feitos, citando o autor Schopenhauer, 
aqui visto como o herói.
Alternativa C
Resolução: O enunciado da questão afirma que o texto de 
Augusto dos Anjos enquadra-se no gênero literário lírico. 
Partindo daí, deve-se buscar a justificativa de tal afirmação. 
Como no texto o autor expõe impressões sobre si mesmo e o 
mundo que o cerca, confirma-se a existência de subjetividade; 
por fim, tratando-se de um poema estruturado num soneto, 
vê-se que os versos rimam, criando a musicalidade natural 
ao gênero lírico. Portanto, a alternativa correta é a C. 
A alternativa A descreve o gênero épico, mais especificamente 
os textos em prosa, como romance ou conto. B descreve uma 
elegia, que se enquadra no gênero lírico, no entanto o texto 
de Augusto dos Anjos é um soneto e não visa homenagear o 
autor alemão. D está incorreta porque, como a alternativa A, 
descreve os textos em prosa do gênero épico; além 
disso, não há, no soneto em questão, temas cotidianos 
apresentados em ordem cronológica. Por fim, a alternativa 
E está incorreta porque o gênero que apresenta os grandes 
feitos de um herói é o épico, mais especificamente a epopeia.
KWN5
ENEM – VOL. 2 – 2020 LCT – PROVA I – PÁGINA 25BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
QUESTÃO 44 
Disponível em: <www.ivancabral.com>. Acesso em: 27 fev. 2012.
O efeito de sentido da charge é provocado pela combinação 
de informações visuais e recursos linguísticos. No contexto 
da ilustração, a frase proferida recorre à
A. 	 polissemia, ou seja, aos múltiplos sentidos da expressão 
“rede social” para transmitir a ideia que pretende veicular.
B. 	 ironia para conferir um novo significado ao termo 
“outra coisa”.
C. 	 homonímia para opor, a partir do advérbio de lugar, o 
espaço da população pobre e o espaço da população 
rica.D. 	 personificação para opor o mundo real pobre ao mundo 
virtual rico.
E. 	 antonímia para comparar a rede mundial de 
computadores com a rede caseira de descanso da 
família.
Alternativa A
Resolução: O humor da charge advém da polissemia da 
expressão “rede social”. Uma rede social, pelos paradigmas 
socioculturais do século XXI, é uma estrutura social formada por 
pessoas ou organizações, conectadas por um ou vários tipos 
de relações; no entanto, a personagem na charge, associando 
o termo à sua realidade – uma família humilde, com muitos 
filhos, e sem acesso à Internet –, usa uma outra acepção da 
palavra “rede”: leito composto por um tecido resistente que 
geralmente é pendurado em paredes ou troncos de árvores. 
Além disso, o termo “social” é empregado pelo pai da família porque 
a rede é usada por muitas pessoas ao mesmo tempo, inferindo 
até mesmo que esse seja o único lugar disponível para a família 
dormir. Da polissemia usada para provocar humor o chargista 
faz uma dura crítica à desigual distribuição de renda no Brasil. 
A alternativa correta, portanto, é a A. A alternativa B está incorreta 
porque o termo com dois significados no texto é “rede social”; 
além disso, a duplicidade de sentido é não decorrente de ironia 
alguma. C, porque não é o termo com valor de advérbio de lugar 
(“aqui em casa”) que opõe ricos e pobres, mas toda a confluência 
do texto verbo-visual na tirinha; além disso, o caso de homonímia 
ocorre na palavra “rede”. Por fim, D e E estão incorretas porque 
não há no texto ocorrências de personificação, já que nenhum 
objeto inanimado recebe atributos de ser humano; ou antonímia, 
pois a rede de computadores e a rede de descanso não são 
comparadas entre si, e, caso fossem, não seria por meio de 
antonímia, mas de comparação.
YQ7Ø QUESTÃO 45 
Disponível em: <http://www.ebah.com.br>. Acesso em: 08 nov. 2016.
A linguagem publicitária visa atrair vendas para o produto que 
anuncia usufruindo de recursos linguísticos e expressivos 
variados. A forma e o vocabulário apresentados no texto, 
que divulga um jornal impresso, têm como objetivo
A. 	 alertar os leitores sobre o problema da comunicação 
no país, apresentando como solução o uso de termos 
coloquiais na publicação.
B. 	 esclarecer que os jornalistas preferem a linguagem 
informal por não causar polêmicas ou distorções na 
intenção discursiva.
C. 	 convidar o leitor a ler o periódico, já que neste é 
empregada uma linguagem acessível e popular para 
relatar os fatos acontecidos.
D. 	 demonstrar que a informalidade, juntamente com os 
regionalismos, também é tema de notícias, mesmo 
aparentando não ser.
E. 	 divulgar que a “língua da gente” é a informal, embora 
haja normas e convenções em textos de outros jornais 
em circulação.
Alternativa C
Resolução: Quando emprega termos coloquiais e regionais 
no anúncio, com o texto saindo de uma ilustração da boca 
de uma pessoa, o jornal busca conquistar o leitor mostrando 
que fala a mesma língua que ele, ou seja, usa uma linguagem 
acessível, com palavras que estão na “boca do povo”. 
A alternativa C, dessa forma, está correta. A alternativa A 
está incorreta porque o anúncio não sugere haver problema 
de comunicação nem propõe medidas que o resolvam. 
Alternativa B está incorreta porque o anúncio também não 
levanta o posicionamento dos jornalistas a respeito de qual 
linguagem eles preferem usar. A alternativa D está incorreta 
porque a linguagem informal do jornal anunciado não é tema 
de uma notícia, mas o meio escolhido pelo veículo para 
levar os fatos a seus leitores. Por fim, a alternativa E está 
incorreta porque, mais uma vez, nem os jornalistas nem o 
jornal demonstram juízo de valor a respeito das linguagens 
formal ou informal; o que fazem é usar de coloquialismos 
para atrair um público-alvo determinado.
EWTP
LCT – PROVA I – PÁGINA 26 ENEM – VOL. 2 – 2020 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
TEXTO I
O atual conceito de família valoriza a dignidade da pessoa 
humana, no momento em que tutela o afeto como o ponto 
central, o próprio coração de uma legítima família. A família 
é um vínculo de afeto e é protegida constitucionalmente, 
considerada como a base da sociedade. A diversidade sexual 
com a sua pluralidade afetiva deve ser compreendida como 
um elemento de integração social.
SENA, M. T. C. Novas formas de família. Disponível em: 
<http://ambito-juridico.com.br>. Acesso em: 14 nov. 2016.
TEXTO II
O projeto de lei 6 583 / 13 [Estatuto da Família], de autoria 
do deputado Anderson Ferreira (PR-PE), [...] apresenta, 
logo no artigo 2º, a definição de família: “define-se entidade 
familiar como o núcleo social formado a partir da união entre 
um homem e uma mulher, por meio de casamento ou união 
estável, ou ainda por comunidade formada por qualquer dos 
pais e seus descendentes.”
A proposta está de acordo com o que diz a Constituição 
Federal de 1988, mas vai de encontro a uma decisão do 
Supremo Tribunal Federal brasileiro de 2011. [...] Neste 
ano, ministros do STF reconheceram por unanimidade 
a união entre pessoas do mesmo sexo como família, 
igualando direitos e deveres de casais heterossexuais e 
homossexuais. E, em 2013, o CNJ (Conselho Nacional de 
Justiça) regulamentou a união homoafetiva por meio de 
resolução que obriga os cartórios a realizar o casamento 
civil entre pessoas do mesmo sexo.
Disponível em: <http://noticias.uol.com.br>. Acesso em: 14 nov. 2016. 
[Fragmento] 
TEXTO III
Composição das famílias brasileiras
Casal sem filhos
Casal sem filhos e com parentes
Casal com filhos
Casal com filhos e com parentes
Mulher sem cônjuge com filhos
Mulher sem cônjuge com filhos e com parentes
Homem sem cônjuge com filhos
Homem sem cônjuge com filhos e com parentes
Outros
4,2%
6,3%
2000 2010
13%
1,9%
56,4%
7,2%
11,6%
3,7%
1,5%
0,4%
0,6%
1,8%
4%
12,2%
5,5%
49,4%
2,5%
17,7%
Disponível em: <http://g1.globo.com>. Acesso em: 06 dez. 2016.
TEXTO IV
[...] De acordo com o IBGE, que elaborou o estudo 
Estatísticas de Gênero, em 2000, as mulheres chefiavam 
24,9% dos 44,8 milhões de domicílios particulares. 
Em 2010, 38,7% dos 57,3 milhões de domicílios registrados 
já eram comandados por mulheres. Segundo a Secretaria 
de Políticas para as Mulheres (SPM), em mais de 42% 
destes lares, a mulher vive com os filhos, sem marido ou 
companheiro. Neste cenário de dificuldades e desafios, elas 
conquistaram muito, mas é preciso avançar mais. [...]
Disponível em: <http://www.brasil.gov.br>. Acesso em: 14 nov. 2016. 
[Fragmento]
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E
INSTRUÇÕES PARA A REDAÇÃO
1. O rascunho da redação deve ser feito no espaço apropriado. 
2. O texto definitivo deve ser escrito à tinta, na folha própria, em até 30 linhas. 
3. A redação que apresentar cópia dos textos da Proposta de Redação ou do Caderno de Questões terá o número de 
linhas copiadas desconsiderado para efeito de correção.
4. Receberá nota zero, em qualquer das situações expressas a seguir, a redação que: 
4.1. tiver até 7 (sete) linhas escritas, sendo considerada “texto insuficiente”. 
4.2. fugir ao tema ou que não atender ao tipo dissertativo-argumentativo. 
4.3. apresentar parte do texto deliberadamente desconectada com o tema proposto.
4.4. apresentar nome, assinatura, rubrica ou outras formas de identificação no espaço destinado ao texto.
6PJX
PROPOSTA DE REDAÇÃO
A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, 
redija texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da Língua Portuguesa sobre o tema 
“Pluralidade familiar no Brasil: desafios e perspectivas”, apresentando proposta de intervenção que respeite 
os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para 
defesa de seu ponto de vista.
TEXTOS MOTIVADORES
ENEM – VOL. 2 – 2020 LCT – PROVA I – PÁGINA 27BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
A proposta de redação orienta-se por uma temática geral: 
PLURALIDADE FAMILIARNO BRASIL: DESAFIOS E PERSPECTIVAS
Toda a coletânea apresenta informações referentes a esse tema e, de modo geral, também oferece elementos para que os 
alunos consigam problematizar seu enfoque. A proposição de um título não é obrigatória na redação do Enem. No entanto, 
caso os alunos optem por colocar um título, a correção deve penalizar apenas aqueles alunos que colocaram o tema como 
título (em contexto algum o TEMA deve ser usado como TÍTULO). 
Itens de correção de acordo com a grade Enem: 
I. Item destinado à avaliação da composição linguística do texto (uso da norma-padrão). Para isso, são considerados os 
aspectos de domínio gramatical explorados na estruturação do raciocínio: uso de concordância verbo-nominal, acentuação 
gráfica, ortografia, variedade vocabular, pontuação, entre outros recursos que, caso sejam mal utilizados, devem ser 
penalizados. Vale ressaltar que o aspecto linguístico deve ser considerado em função do conteúdo do texto. Desse modo, 
se o texto for claro, mas apresentar algumas falhas gramaticais, estas devem ser penalizadas de forma moderada ou não 
devem ser penalizadas (caso não haja prejuízos para o conjunto textual). 
•	 Número máximo de erros linguísticos para obtenção de nota total nessa competência: dois erros (acima disso, penalizar 
na correção). ATENÇÃO: este item é avaliado em consonância com o item IV. 
II. Na compreensão do tema, os alunos devem explorar as variadas composições familiares no Brasil. Para isso, é interessante 
que se contextualize, inicialmente, a diversidade na constituição dos núcleos familiares brasileiros contemporâneos e a 
complexidade prática de se definir um conceito de família. Com relação ao cumprimento do objetivo, os alunos devem perceber 
a necessidade de criar um enfoque problematizador do tema (desafios e perspectivas), já que é solicitada a criação de uma 
proposta de intervenção. Desse modo, os alunos podem propor uma tese de raciocínio relacionada, por exemplo, às tensões 
sociais e jurídicas derivadas do entendimento restrito do pluralismo familiar, dando especial destaque ao contexto de discriminação 
e luta por direitos de certos modelos que fogem à família tradicional, como os núcleos homoafetivos ou monoparentais. 
•	 Sinalizar, na correção, existência ou ausência da tese de raciocínio. Caso não haja TESE no texto dos alunos, este 
item deve ser penalizado com maior rigor (nota mínima ou ZERO). Penalizar também a presença de trechos mais longos 
que escapem às tipologias argumentativa e expositiva (como os de cunho narrativo). ATENÇÃO: este item é avaliado em 
consonância com o item III. 
III. Com relação à terceira habilidade avaliada, domínio da estrutura textual argumentativa, os alunos devem confirmar ou 
discutir sua tese por meio de estratégias argumentativas diversificadas, com certo grau de ineditismo e autoria, procurando 
fugir, ao menos parcialmente, de uma abordagem atrelada ao senso comum. No caso desta proposta, os alunos podem utilizar, 
por exemplo, alusões históricas que ajudem a discutir a inevitável expansão do conceito de família (a desconstrução da família 
patriarcal pelas conquistas feministas e dos grupos LGBTs é uma possibilidade), definições (o conceito jurídico moderno de 
família, como pessoas que convivem sob o mesmo lar, com laços afetivos e não necessariamente consanguíneos, é um 
caminho possível), dados concretos (como as estatísticas do IBGE, no texto IV, de que quase 40% dos lares brasileiros são 
de famílias monoparentais lideradas por mulheres, ou mesmo a menção à problemática tramitação do Estatuto da Família 
no Congresso Nacional). Em sua problematização, os alunos podem enfocar, especialmente, as famílias homoafetivas e as 
dificuldades que vivenciam na conquista efetiva de seus direitos (resistência de certos setores conservadores da sociedade, 
apesar das garantias legais; maior burocracia no processo de adoção e registro de seus filhos, etc.), assim como as famílias 
monoparentais lideradas por mulheres (pensar no preconceito e abandono que as mães solteiras ainda enfrentam, aliados à 
dificuldade jurídica para reconhecimento da paternidade, por exemplo). 
•	 A ausência de problematização do enfoque deve ser penalizada (nota igual ou inferior a 50%). ATENÇÃO: este item deve 
ser avaliado em conexão com o item II, para que não haja penalização dupla dos mesmos problemas. 
IV. Na quarta habilidade, domínio da estrutura linguístico-semântica, os alunos devem demonstrar uso coerente de 
sequências discursivas, especialmente no que diz respeito às cadeias coesivas construídas no texto, com o auxílio de 
determinadas ferramentas da norma-padrão (pontuação, uso correto de conectores, etc.). As relações coesivas devem ser 
avaliadas entre as sentenças e entre os parágrafos. 
•	 ATENÇÃO: este item deve ser avaliado em conexão com o item I, para que não haja penalização dupla dos mesmos 
problemas. 
V. Na quinta habilidade avaliada, proposta de intervenção, os alunos devem propor algumas estratégias para tentar solucionar 
as situações-problema apresentadas ao longo do texto. Este item é muito importante na prática de redação do Enem, portanto 
deve haver detalhamento e variedade nas propostas apresentadas. Os alunos podem, por exemplo, propor que ONGs que 
militam pela causa homoafetiva mobilizem a sociedade civil para exercer uma pressão popular contrária à aprovação do 
Estatuto da Família ou a qualquer outro instrumento jurídico que contribua para a diferenciação dos núcleos familiares. 
Também é viável que escolas e universidades, órgãos midiáticos e instituições religiosas contribuam para a discussão em 
defesa do respeito à pluralidade familiar, à parte de convicções ideológicas. Pode-se, além disso, mencionar a necessidade 
de um maior aporte financeiro, jurídico e emocional às famílias monoparentais de baixa renda por meio de políticas públicas 
ou de projetos sociais voluntários. 
•	 A intervenção proposta pelos alunos deve estar em conformidade com a tese e a argumentação desenvolvidas ao 
longo do texto. Do contrário, deve haver penalização.
LCT – PROVA I – PÁGINA 28 ENEM – VOL. 2 – 2020 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
CIÊNCIAS HUMANAS E SUAS TECNOLOGIAS
Questões de 46 a 90
QUESTÃO 46 
Assim formou-se a Liga de Delos, com Atenas 
encarregando-se de garantir a proteção das cidades que 
dela faziam parte mediante um tributo destinado a financiar 
a constituição e o funcionamento da frota.
MARITAIN, J. A filosofia da natureza. São Paulo: Edições Loyola. p. 27. 
A Liga de Delos, importante instrumento na luta contra os 
persas, assumiu dimensão distinta da destacada no texto, 
na medida em que os(as)
A. 	 cidades gregas propunham um papel agressivo na 
busca da formação de um império. 
B. 	 pitonisas de Delfos profetizaram a ameaça proveniente 
da Guerra do Peloponeso. 
C. 	 espartanos compreenderam o papel militar decisivo 
dos povos de origem dória. 
D. 	 gregos foram invadidos pelas tropas militares 
macedônicas de Alexandre, o Grande. 
E. 	 recursos arrecadados foram desviados para os 
interesses exclusivos da pólis ateniense. 
Alternativa E
Resolução:
A) As cidades gregas formaram a Liga de Delos com a 
finalidade de garantir a defesa de seus territórios, não de 
atacar outros povos e formar um império.
B) O domínio ateniense provocou insatisfação não apenas 
das cidades que compunham a Liga de Delos, mas 
também das cidades aristocráticas do Peloponeso, que 
não se alinhavam com Atenas. Esse fato deu origem à Liga 
do Peloponeso, ou seja, uma aliança entre essas cidades- 
-estados insatisfeitas, sob a liderança de Esparta. 
Portanto, essa alteração sugerida pelo enunciado não se 
relaciona a profecias, mas a problemas internos.
C) A dimensão da Liga de Delos foi alterada por questões 
internas, como os abusos que a pólis ateniense foi 
acusada de cometer, não pelos interesses espartanos.
D) Os gregos foram invadidos pelas tropas militares 
macedônicas após o enfraquecimento das poleis gregas, 
provocado pela longa Guerra do Peloponeso.Logo, esse 
fato não se relaciona aos problemas internos da Liga de 
Delos.
E) A Liga de Delos enfrentou problemas em decorrência 
do questionamento das cidades aliadas sobre o uso do 
tesouro da Liga em benefício de Atenas. Desse modo, 
o objetivo firmado entre as poleis não foi cumprido, 
assumindo, assim, uma dimensão diferente.
81KV
QUESTÃO 47 
Disponível em: <http://www.italiamedievale.org>. Acesso em: 19 out. 2016.
A imagem retrata figuras femininas do século XIV na defesa 
de um castelo. Essa representação questiona a 
A. 	versão de que as mulheres eram consideradas inferiores 
pelos homens medievais.
B. 	definição tradicional de sociedade estamental justificada 
ideologicamente pela Igreja.
C. 	concepção de que as mulheres tinham papéis sociais 
ligados ao trabalho doméstico.
D. 	interpretação historiográfica que limita aos homens a 
participação nos combates.
E. 	visão que restringe os papéis sociais exercidos pelas 
mulheres no Período Medieval.
Alternativa E
Resolução:
A) Apesar de as mulheres exercerem variados papéis sociais, 
além do tradicional papel doméstico, os homens medievais 
consideravam-se superiores a elas. Portanto, a imagem não 
problematiza essa versão histórica, isto é, combatendo ou 
não, as mulheres eram consideradas inferiores na sociedade 
medieval.
B) As mulheres da Idade Média foram realmente muito 
diferentes da tradicional imagem difundida pela Igreja ou pela 
literatura, e que se perpetuou ao longo dos tempos. Contudo, 
apesar da possibilidade de participarem de combates, 
a organização estamental da sociedade medieval, que era 
justificada pela Igreja, não pode ser negada, sobretudo 
porque essa divisão tradicional não se relaciona à questão 
de gênero, mas sim aos grupos sociais (clero, nobreza e 
trabalhadores).
C) As mulheres medievais exerciam papéis sociais ligados ao 
trabalho doméstico, seja como filhas, esposas ou mães, 
de modo que a participação nos combates não anula o 
exercício de outras funções.
D) Não existe uma interpretação historiográfica que 
desconsidera a participação das mulheres nos 
combates, apesar de esse universo ser composto 
predominantemente pelos homens. Um exemplo 
clássico da História é a participação da guerreira Joana 
D’Arc na Guerra dos Cem Anos (1337-1453).
QRZD
ENEM – VOL. 2 – 2020 CH – PROVA I – PÁGINA 29BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
E) Ao longo dos tempos, foram reproduzidos estereótipos 
acerca da figura feminina na Idade Média, que se limita a 
associá-la ao papel doméstico e de mãe, completamente 
submissa ao homem. Entretanto, a historiografia atual 
destaca que as condições da mulher no plano social podiam 
ter muitas variações, isto é, a História rechaça qualquer 
generalização. Além das mulheres guerreiras retratadas 
na imagem, temos diversos exemplos do papel feminino 
medieval que extrapolam o campo doméstico: mulheres 
artesãs, pintoras, parteiras, cabeleireiras, artistas, rainhas, 
entre outros papéis. Pode-se ainda destacar que muitas 
esposas, na ausência do marido (como no caso das 
Cruzadas), tornavam-se responsáveis pela administração 
das propriedades.
QUESTÃO 48 
Talvez não haja melhor lugar para se observar o 
impacto inicial da queda das taxas de fertilidade da Europa 
nas últimas décadas que a zona rural alemã, um problema 
com implicações assustadoras para a economia e a psique 
do continente.
[...]
Em seu censo mais recente [2013], a Alemanha 
descobriu que havia perdido 1,5 milhão de habitantes. 
Segundo especialistas, em 2060, a população do país poderá 
ter encolhido outros 19%, chegando a cerca de 66 milhões. 
Disponível em: <http://economia.estadao.com.br>. 
Acesso em: 01 dez. 2015 (Adaptação).
Entre as medidas adotadas por alguns países europeus para 
evitar a grande escassez de mão de obra, destacam-se o(a) 
A. 	redução do tempo de permanência dos trabalhadores 
em atividade.
B. 	contenção do fluxo migratório proveniente de países 
mais pobres.
C. 	limitação do número de mulheres no mercado de trabalho.
D. 	estímulo à natalidade por meio de subsídios financeiros 
aos pais.
E. 	geração de emprego para a população ativa em 
idade adulta.
Alternativa D
Resolução: Os países europeus têm taxas de natalidade 
insuficientes para manter o mesmo nível populacional. 
A Alemanha tem a menor taxa de natalidade do mundo, 
o que despertou preocupações de escassez de mão de obra 
e prejuízo à economia nacional. Para evitar isso, o país tem 
políticas governamentais de estímulo ao aumento da taxa 
de fecundidade com subsídios aos pais. 
A alternativa A está incorreta, pois a tendência em países 
com envelhecimento populacional é o prolongamento da 
idade de aposentadoria. A alternativa B está incorreta, 
pois a chegada de jovens imigrantes é uma maneira de 
preencher as lacunas no mercado de trabalho. A alternativa C 
está incorreta porque, nesse caso, é necessário a inserção 
de mais mulheres na População Economicamente Ativa. 
A alternativa E está incorreta, pois a geração de emprego 
para a população ativa em idade adulta não é uma medida 
para evitar a grande escassez de mão de obra.
W55F
QUESTÃO 49 
As três viagens de que Américo [Vespúcio] participou, 
realizadas entre 1499 e 1503, tiveram o mérito de invalidar 
Colombo. Depois delas, ficou claro que as novas terras 
[compunham] um continente desconhecido. Mesmo sem 
ter sido responsável direto por essa descoberta, Américo foi 
recebido na Corte como autoridade na matéria.
GOMES, P. F. Américo antes da América. 
Disponível em: <http://www.revistadehistoria.com.br>. 
Acesso em: 23 out. 2015.
No contexto da Expansão Marítima, o continente que 
os europeus encontraram recebeu o nome de América, 
em homenagem ao florentino Américo Vespúcio, mesmo 
Colombo tendo sido o primeiro europeu a desembarcar 
oficialmente na região. Essa homenagem está relacionada 
com o fato de que Américo Vespúcio
A. 	 invalidou a “descoberta” de Colombo, uma vez que 
o florentino realizou mais viagens que o navegante 
genovês.
B. 	 possuía mais conhecimentos geográficos do que 
Colombo, pois aquele se apoiava na cartografia do 
geógrafo grego Ptolomeu.
C. 	 refutou, por meio de relatos detalhados, a tese de 
Colombo, o qual acreditava ter chegado ao Extremo 
Oriente. 
D. 	 estudou em Florença, fato que lhe conferiu legitimidade, 
pois a cidade era considerada uma referência em 
assuntos náuticos.
E. 	 promoveu uma conquista bem-sucedida da América 
do Sul, ao contrário de Colombo, que fracassou nesse 
intento.
Alternativa C
Resolução: Após três viagens ao “novo mundo”, entre 1499 
e 1503, Américo Vespúcio, por meio de relatos detalhados, 
refutou a tese de Colombo, que afirmava ter chegado ao 
Extremo Oriente. Os apontamentos feitos por Vespúcio 
renderam-lhe o reconhecimento na Corte como autoridade 
na matéria, e, em sua homenagem, o “novo continente” foi 
batizado de América, o que torna correta a alternativa C. 
Entretanto, contrariamente ao que afirma a alternativa A, 
o apontamento de Vespúcio não invalidou a “descoberta” de 
Colombo, pois ela foi fundamental para as viagens posteriores, 
que reconheceriam as terras encontradas como pertencentes 
a um continente até então desconhecido e para a própria 
colonização da América. Além disso, Colombo teria feito 
quatro viagens às novas terras, enquanto Vespúcio teria feito 
apenas três, o que corrobora para invalidar a alternativa A. 
Apesar de ter constatado a “descoberta” de um “novo 
continente”, Vespúcio não empreendeu de fato um processo 
de conquista da América do Sul, e Colombo, em suas 
viagens, não alcançou as terras correspondentes à região 
meridional do continente americano, o que vai de encontro à 
alternativa E. Por fim, não há dados históricos ou informações 
no texto que permitam afirmar que Vespúcio, por se apoiar 
na cartografia de Ptolomeu, possuía mais conhecimentos 
geográficos do que Colombo nem que o fato de ter estudado 
em Florença conferia ao florentino legitimidade, o que torna 
inválidas as alternativas B e D.
644X
CH – PROVA I – PÁGINA30 ENEM – VOL. 2 – 2020 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
QUESTÃO 50 
Eternos moradores do luzente 
Estelífero polo, e claro assento, 
Se do grande valor da forte gente 
De luso não perdeis o pensamento, 
Deveis de ter sabido claramente, 
Como é dos fados grandes certo intento, 
Que por ela se esqueçam os humanos 
De assírios, persas, gregos e romanos.
CAMÕES, L. Os Lusíadas. Disponível em: <http://www.dominiopublico.
gov.br>. Acesso em: 23 nov. 2016. [Fragmento]
Um argumento baseado no trecho do poema épico de Camões 
e outro fundamentado pela atual Historiografia, que buscam 
justificar o pioneirismo português nas viagens ultramarinas, 
são, respectivamente:
A. 	Capacidade técnica dos cosmógrafos / Financiamento 
dos grupos mercantis.
B. 	Heroísmo de figuras públicas / Domínio português da 
navegação de cabotagem.
C. 	Vocação marítima do povo português / Vasta experiência 
dos navegadores.
D. 	Posição geográfica de Portugal / Desenvolvimento das 
ciências da navegação.
E. 	Surgimento de novos instrumentos náuticos / Fundação 
da Escola de Sagres.
Alternativa C
Resolução: Para a solução desta questão, o aluno precisa 
não apenas compreender o trecho do poema de Luis de 
Camões como estar atento às interpretações acerca dos 
motivos que garantiram a primazia portuguesa na conquista 
dos mares durante a Expansão Marítima. Por isso, não basta 
que o aluno perceba que o texto-base sugere que tais feitos 
estariam intrinsicamente ligados a uma espécie de vocação, 
que condicionava o destino de todo o povo português, mas 
também saber reconhecer razões tradicionalmente postas 
como fundamentais para a concretização daquele projeto, 
como a importância da posição geográfica ou a atuação de 
grandes personagens, como D. Henrique, por muito tempo 
tratado como o principal responsável por esse acontecimento. 
Sendo assim, a única alternativa correta é a C, que apresenta 
a principal justificativa utilizada pelo poeta – uma espécie de 
vocação marítima portuguesa –, além da razão que, atualmente, 
a Historiografia trata como a mais plausível para justificar 
o sucesso português: o conhecimento dos cosmógrafos e, 
especialmente, a experiência de navegadores que, muitas vezes, 
não eram capazes de interpretar as cartas e os instrumentos de 
orientação náutica desenvolvidos naquela época.
QUESTÃO 51 
[...] Os europeus pensaram que a América lhes 
estava destinada. De início, o Novo Mundo constituiu um 
país de sonho, o Eldorado, e de aventuras. O sonho se 
desfez depressa, a aventura permaneceu durante muito 
tempo a regra. A rápida derrocada dos impérios indígenas 
deu aos europeus a impressão de que se encontravam 
diante de uma natureza virgem que poderiam modelar. 
Como a América oferecia menos obstáculos e mais 
interesses que a África, projetaram transplantar para 
essa região sua civilização e engrandecer sua pátria. 
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A América foi o continente das novas províncias: Novas 
Castela, Galiza, Granada, Espanha, [...]. Realmente [...], as 
sociedades constituídas pelos europeus diferenciavam-se 
sensivelmente das de seus países. 
CORVISIER, A. História Moderna. São Paulo: Difel, 1980. p. 256. 
[Fragmento]
A expectativa inicial dos europeus, de que a América era 
um território virgem onde poderiam reproduzir fielmente 
sua própria civilização, não se concretizou. Um aspecto que 
corrobora essa originalidade da sociedade colonial que se 
constituiu na América Espanhola foi a
A. 	 adoção de aspectos da cultura nativa pelos colonos. 
B. 	 adesão do catolicismo por parte da população ameríndia.
C. 	 rejeição dos valores europeus pelos povos nativos.
D. 	 miscigenação entre colonos e nativos incentivada 
pela Coroa.
E. 	 imposição de critérios elitistas de organização social. 
Alternativa A
Resolução:
A) O contato entre os colonos europeus e a população nativa 
promoveu um forte intercâmbio cultural entre esses povos. 
Apesar da imposição dos valores espanhóis à América, 
os colonos também receberam influência da cultura 
local, promovendo, assim, a formação de uma sociedade 
original, diferente daquela projetada pelos dominadores.
B) A adesão do catolicismo pela população nativa fazia 
parte do projeto espanhol de “transplantar” para a 
América a sua civilização. Logo, esse fator não se 
relaciona ao fracasso desse projeto.
C) Apesar de a resistência indígena estar presente 
durante todo o processo de conquista e de colonização 
da América, ela não foi capaz de superar a extrema 
violência que marcou esse processo. Essa violência do 
dominador foi responsável pela imposição da cultura 
europeia, que hoje se manifesta nas línguas oficiais dos 
países latino-americanos, na forte religiosidade cristã, 
nos hábitos alimentares, entre outros aspectos impostos.
D) A miscigenação entre os colonos e nativos existiu, mas 
não foi incentivada pela Coroa. Se esse incentivo oficial 
tivesse ocorrido, seria uma contradição ao projeto de 
“transplantar” para a América a sua civilização.
E) A imposição de critérios elitistas de organização social 
fazia parte do projeto espanhol, logo esse fator não se 
relaciona ao fracasso desse projeto.
QUESTÃO 52 
O conceito de lugar sempre esteve presente na análise 
geográfica, sofrendo amplas considerações em diferentes 
épocas. Por muito tempo, a Geografia tratou o lugar como 
uma expressão do espaço geográfico sob uma dimensão 
pontual (localização espacial absoluta). Para ultrapassar 
esta ideia, a discussão de lugar tem sido realizada sob duas 
acepções: lugar e experiência e lugar e singularidade.
GIOMETTI, S.; PITTON, S. E.; ORTIGOZA, S. A. G. Leitura do 
espaço geográfico através das categorias: lugar, paisagem e território. 
Disponível em: <http://www.acervodigital.unesp.br>. 
Acesso em: 05 dez. 2016 (Adaptação).
U6AU
ENEM – VOL. 2 – 2020 CH – PROVA I – PÁGINA 31BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
A Geografia, como ciência social, utiliza, em sua análise, um 
conjunto de categorias que expressam sua identidade, ao 
discutir a ação humana no ato de ocupar, modificar e modelar 
a superfície terrestre. Dessa forma, a análise do lugar como 
experiência pessoal caracteriza-se principalmente pela 
A. 	 valorização da afetividade em relação ao ambiente.
B. 	 definição do espaço como realidade socialmente 
construída.
C. 	 interpretação da noção coletiva da análise espacial.
D. 	 inserção da noção de território como algo particular.
E. 	 redução dos limites entre tudo que é público e individual.
Alternativa A
Resolução: Deve-se completar o enunciado com um 
aspecto fundamental da categoria lugar. Essa característica 
corresponde à alternativa A, que apresenta a importância da 
experiência pessoal de cada um na definição de lugar – um 
espaço vivenciado pelos seres humanos e relacionado aos 
significados e à afetividade. A alternativa B está incorreta, 
pois diz respeito à produção do espaço. A alternativa C 
também está incorreta, pois o enunciado cita a experiência 
pessoal, e não a experiência grupal de espaço. A alternativa 
D está incorreta porque a noção de território é diferente da 
de lugar. A alternativa E está incorreta, pois não se relaciona 
à caracterização de lugar.
QUESTÃO 53 
Uma das revoltas de escravos mais conhecida é 
a de Espártaco, ocorrida no ano 70, a partir da fuga 
de um grupo de gladiadores na Campânia [...]. Outras 
revoltas igualmente famosas foram as da Sicília de 
136 a 133 [...]. Estes dois movimentos, não obstante 
terem provocado, pelas suas dimensões, o pânico 
entre os romanos, não foram capazes de ameaçar 
verdadeiramente a ordem estabelecida (escravista) [...]. 
É deste ângulo que também deve ser abordada a 
participação dos escravos urbanos nas lutas políticas entre 
os cidadãos durante o último século da República; lutas que, 
como se sabe, degeneraram em verdadeiras guerras civis. 
Os escravos que se envolveram nestes conflitos na verdade 
serviam de massa de manobra aos políticos ambiciosos e 
não apresentavam um programa político próprio.
FLORENZANO, M. B. O mundo antigo: economia e sociedade.São Paulo: Brasiliense, 1982. p. 75-77.
Os exemplos mencionados no texto evidenciam que as lutas 
escravistas ocorridas em Roma, na Antiguidade, foram
A. 	 incapazes de desestabilizar a ordem política dos 
governos romanos.
B. 	 fragilizadas pelo distanciamento dos demais grupos 
sociais subalternos.
C. 	 ineficientes em relação às conquistas de alforrias de 
pessoas escravizadas.
D. 	 limitadas pela falta de uma proposta alternativa à 
estrutura social vigente.
E. 	 irrelevantes historicamente pela incapacidade de 
combater o escravismo.
QZAM
Alternativa D
Resolução:
A) O texto-base mostra que as revoltas escravistas da 
Antiguidade “degeneraram em verdadeiras guerras civis”; 
logo, elas foram capazes de desestabilizar a ordem 
política, por isso, muitas vezes, os escravos envolvidos 
nas revoltas serviam de “massa de manobra aos políticos 
ambiciosos”.
B) Geralmente, as lutas escravistas da Antiguidade contavam 
com a participação de outros grupos sociais, como 
camponeses e trabalhadores urbanos pobres. Além disso, 
o texto-base evidencia que o grande problema dessas 
revoltas era a falta de um programa político próprio.
C) O texto-base não discute sobre conquistas de alforrias, mas 
sobre as limitações das revoltas escravistas em relação 
ao combate da ordem escravista vigente. Além disso, era 
comum, nesse contexto, as pessoas escravizadas obterem 
a liberdade.
D) O texto-base destaca que as lutas escravistas da Antiguidade 
foram incapazes “de ameaçar verdadeiramente a ordem 
estabelecida (escravista)”, afirmando, ainda, que os escravos 
que se envolveram nesses conflitos “não apresentavam um 
programa político próprio”. Essas informações evidenciam 
que as revoltas eram limitadas por não apresentarem uma 
organização capaz de alterar a estrutura social vigente, ou, 
ao menos, uma proposta para isso.
E) Apesar de o texto-base discutir a limitação das revoltas 
escravistas, em razão de elas não conseguirem combater 
a ordem escravista, não se pode afirmar que sejam 
insignificantes historicamente. Em outros aspectos, 
elas tiveram grande importância no mundo antigo.
QUESTÃO 54 
[Tom] Standage, editor de conteúdo do site da 
revista britânica The Economist, afirma que redes sociais 
como Facebook, Twitter e Tumblr podem ser as últimas 
encarnações de uma prática que começou por volta do ano 
51 a.C., na Roma Antiga. 
O autor relata como Cícero usava um escravo, 
que posteriormente tornou-se seu escriba, para redigir 
mensagens em rolos de papiro que eram enviados a uma 
espécie de rede de contatos. Essas pessoas, por sua 
vez, copiavam seu texto, acrescentavam seus próprios 
comentários e repassavam adiante.
Disponível em: <https://noticias.terra.com.br>. 
Acesso em: 18 out. 2016. [Fragmento adaptado]
Os meios de comunicação foram fundamentais para a 
construção da vida social na Roma Antiga, cujos cidadãos
A. 	 compartilhavam mensagens com pessoas de outros 
países, da mesma forma como se faz atualmente. 
B. 	 foram os precursores do uso das atuais redes sociais, 
utilizando-as para se comunicar com seus escravos.
C. 	 faziam uso de ferramentas de interação social por meio 
das quais compartilhavam mensagens entre si. 
D. 	 redigiam mensagens em rolos de papiro, considerados 
encarnações das redes sociais utilizadas nos dias 
de hoje. 
8C9D
CH – PROVA I – PÁGINA 32 ENEM – VOL. 2 – 2020 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
E. 	 usavam meios de comunicação similares aos atuais 
para enviar mensagens às suas redes de contatos.
Alternativa C
Resolução: Apesar de Tom Standage comparar as redes 
de comunicação desenvolvidas na Roma Antiga às mais 
hodiernas redes sociais, ele não afirma que os antigos 
romanos foram de fato os precursores do uso, tampouco que 
suas ferramentas de interação eram similares, por exemplo, 
ao Facebook, ao Twitter ou ao Tumblr, invalidando, assim, 
as alternativas B e E. Ele também não diz que a forma 
como os romanos compartilhavam mensagens era a mesma 
utilizada atualmente, o que torna a alternativa A incorreta. 
Por fim, o editor não diz que os antigos rolos de papiro eram 
encarnações das redes sociais utilizadas nos dias de hoje, 
invalidando, assim, a alternativa D. Mas ele relata que as 
atuais redes sociais podem ser encarnações das antigas 
ferramentas usadas pelos romanos para compartilhar 
mensagens entre si, o que torna a alternativa C correta.
QUESTÃO 55 
Mapa é a representação no plano, normalmente em 
escala pequena, dos aspectos geográficos, naturais, 
culturais e artificiais de uma área tomada na superfície de 
uma figura planetária, delimitada por elementos físicos, 
político-administrativos e destinada aos mais variados usos, 
temáticos, culturais e ilustrativos.
IBGE. Noções de cartografia. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br>. 
Acesso em: 28 out. 2016 (Adaptação).
Considerando os aspectos de elaboração de um mapa 
político, a finalidade de sua construção reside no fato de 
ele ser
A. 	aplicado em trabalhos de fotointerpretação e atualização 
de cartas topográficas já existentes devido a seu caráter 
minucioso.
B. 	útil na compreensão da correspondência entre 
dimensões verticais e horizontais, pois retrata elementos 
espaciais tridimensionalmente.
C. 	destinado à verificação precisa de curtas distâncias, 
direções e localização de pontos e áreas, uma vez que 
prioriza a descrição de detalhes.
D. 	eficiente na exata transposição de uma superfície 
esférica para uma superfície plana, visto que a técnica 
cartográfica dispensa distorções.
E. 	capaz de demonstrar com clareza aspectos 
selecionados de um espaço delimitado, pois estabelece 
uma abordagem que utiliza a generalização.
Alternativa E
Resolução: A alternativa E é a correta. Um mapa consiste 
em uma representação plana de uma área delimitada por 
aspectos político-administrativos ou por formações naturais 
(hidrográfico, geológico, geomorfológico, etc.), geralmente 
em escala pequena, remetendo a propósitos temáticos, 
culturais ou ilustrativos. O mapa político indica a divisão 
administrativa de países, estados, províncias e cidades, 
ou seja, ele privilegia a generalização dos elementos 
a serem representados. A alternativa A está incorreta, 
pois descreve a fotografia aérea. Esta é usada na 
cartografia, sobretudo para levantamentos fotogramétricos, 
que são usualmente a base das cartas topográficas. 
OZ2N
A alternativa B está incorreta, pois refere-se a um perfil 
topográfico, que é encontrado na carta topográfica, e não no 
mapa político. A alternativa C está incorreta, pois descreve 
as funções e características da carta. A alternativa D está 
incorreta, pois a representação de uma superfície esférica 
em um plano sempre possuirá alguma distorção, seja no 
ângulo, na forma ou na distância.
QUESTÃO 56 
TEXTO I 
Nosso mundo acaba de descobrir um outro, não 
menos povoado e organizado que o nosso. Os que o 
subjugaram usavam coletes de uma pele luminosa e 
dura e armas cortantes e resplandecentes para quem, 
pelo milagre da luz de um espelho ou de uma faca, iam 
trocando uma grande riqueza em ouro e pérolas. Quantas 
cidades arrasadas, quantas nações exterminadas, 
quantos milhões de povos passados a fio de espada: 
vitórias mecânicas. 
ENSAIOS. Tradução de Rosemary Costhek Abílio. 
São Paulo: Martins Fontes, 2000/2001. 
TEXTO II 
Assim, não pense que foram tirados o poder, os bens e 
a liberdade dos indígenas, e sim que Deus lhes concedeu 
a graça de pertencerem aos espanhóis, que os tornaram 
cristãos e que os tratam e os consideram exatamente 
como digo. 
GÓMARA, F. L. História general de las Índias: coletânea 
de documentos para a história da América. São Paulo: CENP, 1978. 
Os textos apresentam visões diferentes em relação à 
conquista e à colonização da América pelos espanhóis. 
Isso acontece porque os autores dão foco, respectivamente, 
A. 	às vitórias mecânicas e às injustiças sociais. 
B. 	à aculturação indígena e às prerrogativas religiosas. 
C. 	à imposição cultural e ao extermínio em massa. 
D. 	ao humanismo e ao podermilitar. 
E. 	à dominação militar e ao eurocentrismo. 
Alternativa E
Resolução:
A) O texto II não apresenta foco nas injustiças sociais, mas 
procura justificar a dominação espanhola por meio de uma 
concepção eurocêntrica.
B) O texto I destaca a violência e o domínio militar exercidos 
pelos espanhóis em relação aos povos da América, isto é, 
seu foco não é a aculturação indígena, que também foi 
uma marca desse processo.
C) O texto I destaca a violência e o domínio militar exercidos 
pelos espanhóis em relação aos povos da América, isto 
é, seu foco não é a imposição cultural.
D) O conceito de humanismo não se aplica explicitamente 
ao texto I, nem o poder militar é o foco do texto II, que 
justifica a dominação espanhola mediante prerrogativas 
religiosas.
E) O texto I descreve o processo de dominação militar 
espanhol sobre a América, enfatizando a truculência 
dos conquistadores. Já, no texto II, o espanhol procura 
justificar a dominação sob o olhar eurocêntrico, como se 
esse processo de conquista atendesse à vontade divina. 
H71J
ENEM – VOL. 2 – 2020 CH – PROVA I – PÁGINA 33BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
QUESTÃO 57 
Nessa projeção, os paralelos e os meridianos são linhas 
retas que se cruzam formando ângulos retos. Pertence ao 
tipo chamado conforme, porque não deforma os ângulos. 
Em compensação, as áreas extensas ou situadas em 
latitudes elevadas aparecem nos mapas com dimensões 
exageradamente ampliadas.
Disponível em: <http://www.ead.uepb.edu.br>. 
Acesso em: 21 out. 2016.
Qual é a projeção conforme caracterizada no texto anterior?
A. 	Goode.
B. 	Azimutal.
C. 	Mercator.
D. 	Afilática.
E. 	Peters.
Alternativa C 
Resolução: A projeção conforme de Mercator representa 
todos os ângulos sem deformação, embora haja grande 
distorção de áreas afastadas do Equador. Assim, 
a alternativa correta é a C. Goode (alternativa A) traz as 
massas continentais e oceânicas descontínuas, e, para 
ter maior exatidão, os meridianos centrais da projeção 
correspondem aos meridianos quase centrais dos continentes. 
Uma projeção azimutal (alternativa B) tem paralelos em 
círculos concêntricos e meridianos retos. Uma projeção 
afilática (alternativa D) não tem nenhuma das propriedades 
dos outros tipos. A projeção de Peters é equivalente, por 
isso não pode ser conforme, o que torna a alternativa E 
também incorreta. 
QUESTÃO 58 
TEXTO I
Só é possível aprender a filosofar, ou seja, exercitar 
o talento da razão, fazendo-a seguir os seus princípios 
universais em certas tentativas filosóficas já existentes, mas 
sempre reservando à razão o direito de investigar aqueles 
princípios até mesmo em suas fontes, confirmando-os ou 
rejeitando-os.
KANT, I. Crítica da razão pura. Tradução de Valerio Rohden e Udo B. 
Moosburger. 2. ed. São Paulo: Abril Cultural, 1983. p. 407-408.
TEXTO II
A razão é, sem dúvida, um princípio ativo que não 
deve tomar nada emprestado da autoridade alheia e, em 
se tratando de seu uso puro, nem sequer da experiência. 
A indolência faz, porém, que um número muito grande de 
homens prefira seguir as pegadas de outrem ao invés de 
empenhar as forças da própria inteligência. Homens desse 
jaez só podem se tornar sempre cópias de outros, e, se todos 
fossem dessa espécie, o mundo permaneceria eternamente 
em um só e mesmo lugar. É, por isso, de alta necessidade 
e importância que a juventude não se mantenha, como 
costuma ocorrer, a imitar pura e simplesmente.
KANT, I. Manual dos cursos de lógica geral. Tradução de Fausto 
Castilho. 2. ed. Campinas: Editora da UNICAMP, 2003. p. 155.
ITTG
MF88
Kant foi um importantíssimo pensador do século XVIII que, 
entre muitos outros temas, refletiu sobre a questão do 
filosofar e que formulou uma famosa concepção acerca do 
tema. Com base nos textos I e II, a postura própria da atitude 
filosófica em Kant consiste em 
A. 	rejeitar os conhecimentos de outros pensadores, já que 
aceitá-los significa tornar-se uma cópia intelectual de outrem.
B. 	confiar na autoridade das experiências que levam às 
verdades, uma vez que o conhecimento depende da empiria.
C. 	confirmar as tentativas filosóficas anteriores, pois são 
princípios universais da razão e devem ser reconhecidas 
como autoridades.
D. 	duvidar da possibilidade de se alcançar verdades sobre 
o mundo, considerando a dificuldade de se chegar a um 
conhecimento certo.
E. 	investigar criticamente as teorias filosóficas da História, 
evitando a aceitação irrefletida de autoridades.
Alternativa E
Resolução: Kant afirma que não se deve “imitar pura e 
simplesmente” as ideias de outros pensadores e exorta 
para que se faça uma crítica racional desses conhecimentos 
preestabelecidos, aplicando-se “as forças da própria 
inteligência” e evitando a aceitação irrefletida de teorias 
filosóficas da História, o que não implica, necessariamente, 
a prévia rejeição desses conhecimentos, indo, assim, 
ao encontro da alternativa correta E e invalidando a 
alternativa A. De acordo com o texto II, “a razão não deve 
tomar nada emprestado da autoridade alheia e nem sequer 
da experiência”, não sendo possível, portanto, confiar na 
autoridade das experiências como forma de se alcançar 
verdades, contrariando a alternativa B. Ainda segundo Kant, 
é preciso investigar as “tentativas filosóficas já existentes”, 
para então confirmá-las ou rejeitá-las, o que torna incorreta 
a alternativa C. Além disso, os textos não fornecem 
informações que permitam afirmar que, para Kant, haja uma 
impossibilidade de se alcançar verdades sobre o mundo, 
invalidando a alternativa D.
QUESTÃO 59 
Uma turista planeja visitar Meca, na Arábia Saudita, 
localizada no fuso 45° L. Sua viagem tem início às 13 horas 
do dia 22 de setembro, na cidade de Cuiabá, Brasil, 
localizada no fuso 60° O. A duração do trajeto é de 10 horas.
Considerando o percurso e o tempo de viagem, o horário de 
chegada à cidade de Meca é às
A. 	5 horas do dia 23 de setembro. 
B. 	6 horas do dia 23 de setembro. 
C. 	7 horas do dia 23 de setembro. 
D. 	13 horas do dia 23 de setembro. 
E. 	14 horas do dia 24 de setembro. 
Alternativa B
Resolução: A turista se deslocará de Cuiabá, a 60º O, 
para Meca, a 45° L. Cuiabá está a oeste do Meridiano 
de Greenwich; sendo assim, tem sua hora atrasada 
em relação à Meca, que está localizada a leste. 
As cidades estão em hemisférios diferentes, então os 
valores das longitudes são somados: 60º + 45º = 105º. 
Ao dividir esse somatório por 15º, o resultado é 
J6LZ
CH – PROVA I – PÁGINA 34 ENEM – VOL. 2 – 2020 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
7 horas. Dessa forma, a diferença horária entre 
Cuiabá e Meca é de 7 horas a mais: 13 h + 7 h = 20 h. 
A isso acrescenta-se a duração de 10 horas da viagem: 
20 h + 10 h = 6 h. Portanto, a turista chegará a Meca 
às 6 horas do dia 23 de setembro.
QUESTÃO 60 
Nessa época (meados do século XX a.C.), foram 
chegando à região vários povos que, em ondas sucessivas, 
ocuparam a península. Aos poucos, fundaram dezenas de 
núcleos populacionais, os “genos”, que mais tarde deram 
origem às pólis, as cidades-estados gregas. As pólis eram 
autônomas, com governos locais e leis próprias. Não havia 
um Estado grego unificado. Cada uma possuía sua própria 
assembleia de cidadãos para debater e decidir questões 
de interesse. 
As Olimpíadas [...] eram festivais religiosos que reuniam, 
de quatro em quatro anos, atletas de todas as pólis para 
homenagear os deuses do Olimpo com competições 
esportivas. [...] As comunidades da Hélade também 
compartilhavam a admiração e o fascínio pelos heróis, pelos 
deuses e pelas batalhas narradas na Ilíada e na Odisseia, 
poemas épicos atribuídos a Homero.
REVISTA DESVENDANDO A HISTÓRIA. São Paulo: 
Editora Escala, ano I, n. 1, p. 19.
A descrição contida no texto sobre aspectos da Grécia 
Clássica destaca o seguinte fato:
A. 	 A presença de uma religião politeísta engendrou a 
descentralização política.
B. 	 As competições esportivas acirravam as rivalidades 
políticas das cidades-estados.
C. 	 O espírito guerreiro resultouno confronto expansionista 
das pólis.
D. 	 A diversidade cultural dos “genos” impediu a unificação 
política. 
E. 	 A inexistência de unidade política não impediu a 
unidade cultural.
Alternativa E
Resolução: As Olimpíadas, de acordo com o texto, 
“eram festivais de caráter religioso que reuniam atletas 
de todas as pólis para homenagear os deuses do 
Olimpo com competições esportivas”. Assim, a religião 
politeísta e as competições esportivas das Olimpíadas 
aproximavam, em alguma medida, as poleis, não podendo, 
portanto, ser apontadas como causa, respectivamente, 
da descentralização política e do acirramento das rivalidades 
políticas das cidades-estados, o que invalida as alternativas 
A e B. Os conflitos entre as poleis, contrariamente ao que 
afirma a alternativa C, não resultaram do espírito guerreiro de 
seus povos, mas suas origens estão ligadas às hostilidades, 
à desconfiança entre as principais cidades-estados gregas, 
sobretudo Atenas e Esparta, e ao desejo de expandir seus 
próprios regimes de governo, respectivamente, democrático 
e oligárquico, que inviabilizava a unificação das poleis. 
O texto-base ainda afirma que “as comunidades da 
Hélade também compartilhavam a admiração e o fascínio 
pelos heróis, deuses e pelas batalhas narradas na Ilíada 
e na Odisseia, poemas atribuídos a Homero”. Portanto, 
os gregos, das diferentes poleis, reconheciam os mesmos 
heróis, partilhavam de uma mesma religião e participavam 
dos Jogos Olímpicos, o que indica que, apesar de não haver 
uma unidade política entre as diversas cidades-estados, 
havia uma unidade cultural entre elas, o que torna correta a 
alternativa E e invalida a alternativa D.
IL8T
QUESTÃO 61 
Os 168 espanhóis que com tanta rapidez derrotaram e 
capturaram Atahualpa também contaram com muita sorte, 
pois tal conquista aparentemente fácil logo se transformaria 
numa tarefa complexa, já que agora eles tinham que 
aprender a governar o [Império Inca].
STERN, S. J. Los pueblos indígenas del Peru y el desafio de la conquista 
española. In: PORTUGAL, A. R. Mitos e fatos nas crônicas da conquista 
do Antigo Peru. Revista de História Unisinos, v. 20, maio 2016.
A conquista da América pelos europeus é um episódio 
marcado por diversos relatos que, quase sempre, tendem 
à parcialidade. O trecho anterior considera que a conquista 
do Império Inca pelos espanhóis resultou na
A. 	consolidação do poder espanhol por meio da sua 
capacidade bélica.
B. 	imposição dos valores culturais ocidentais aos nativos 
da América.
C. 	redução populacional dos incas em virtude de guerras 
e de doenças.
D. 	criação de um desafio administrativo aos conquistadores 
espanhóis.
E. 	consagração dos envolvidos na conquista após o 
retorno à Espanha.
Alternativa D
Resolução: Apesar de a conquista espanhola ser marcada 
pela superioridade bélica dos europeus, pela imposição dos 
valores culturais ocidentais, pela redução populacional dos 
incas e pela consagração dos envolvidos nesse processo, 
o texto-base não tem como foco esses fatos, mas chama a 
atenção para a complexidade da tarefa de governar o Império 
Inca. Desse modo, a alternativa D é a correta, uma vez que 
o texto-base destaca que os espanhóis tiveram de enfrentar 
o desafio de se administrar o império conquistado. 
QUESTÃO 62 
Disponível em: <http://www.umsabadoqualquer.com>. Acesso em: 29 
dez. 2016.
Para a Filosofia, as perguntas apresentam-se mais 
importantes do que as respostas obtidas. A atitude filosófica 
exemplificada na charge pela figura de Sócrates mostra-se 
contrária ao conhecimento
A. 	 mítico, recusando qualquer ponto de convergência 
entre o conhecimento mítico e o filosófico.
B. 	 dogmático, pois a sabedoria está centrada na busca 
contínua da verdade, não em sua posse.
C. 	 científico, pois este impõe verdades que são tão 
inquestionáveis quanto aquelas impostas pelo mito.
D. 	 crítico, na medida em que este confia nos conhecimentos 
adquiridos por meio da tradição sem questioná-los. 
E. 	 cético, visto que este recusa a possibilidade de se 
alcançar a verdade, defendendo a prática de suspensão 
do juízo.
714Ø
DR5Ø
ENEM – VOL. 2 – 2020 CH – PROVA I – PÁGINA 35BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
Alternativa B
Resolução: No texto-base, a figura de Sócrates exemplifica uma atitude alinhada à corrente de pensamento filosófico 
conhecida como ceticismo, que tem como pressuposto a suspeição quanto à possibilidade de se alcançar o conhecimento 
verdadeiro. Daí a opção pela suspensão do juízo e pela dúvida permanente. Em oposição ao ceticismo, o dogmatismo afirma 
a viabilidade de se chegar ao conhecimento verdadeiro e confiável acerca das coisas por meio da percepção do mundo. 
Portanto, a resposta correta à questão é a alternativa B.
QUESTÃO 63 
Taxa de fecundidade total e diferença relativa, segundo as Grandes Regiões (2000 / 2010)
Grandes Regiões
Taxa de fecundidade total
Diferença relativa 2000 / 2010 (%)
2000 2010
Brasil 2,38 1,90 –20,1
Norte 3,16 2,47 –21,8
Nordeste 2,69 2,06 –23,4
Sudeste 2,10 1,70 –19,0
Sul 2,24 1,78 –20,6
Centro-Oeste 2,25 1,92 –14,5
IBGE. Censo Demográfico 2000 / 2010. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br>. Acesso em: 26 out. 2016.
Entre o Censo de 2000 e o de 2010, a mudança do principal indicador da dinâmica demográfica é notável. O declínio da taxa 
de fecundidade foi mais expressivo na região 
A. 	 Norte, e, em 2000, esta ainda possuía taxa de fecundidade acima do nível de reposição.
B. 	 Sudeste, e, em 2010, a taxa de fecundidade estava acima do nível de reposição em duas regiões.
C. 	 Centro-Oeste, e, em 2000, todas as regiões estavam acima do nível de reposição.
D. 	 Sul, e, em 2010, a fecundidade foi insuficiente para assegurar a reposição populacional.
E. 	 Nordeste, e, em 2010, quatro regiões tinham taxas de fecundidade abaixo do nível de reposição. 
Alternativa E
Resolução: O grau de dificuldade da questão relaciona-sebasicamente com a leitura e a interpretação da tabela do IBGE. 
Nota-se que o maior decréscimo na taxa de fecundidade entre 2000 e 2010, expresso na tabela pela diferença relativa (%), foi 
na região Nordeste. Percebe-se também que, em 2010, a taxa de fecundidade de quase todas as grandes regiões do Brasil, 
inclusive a taxa total do país, com exceção do Norte, estava abaixo do nível de reposição, que é de 2,1 filhos.
QUESTÃO 64 
Diante da fraqueza do poder público e da necessidade de segurança, desenvolveram-se as relações pessoais, diretas, 
sem intermediação do Estado. Estreitaram-se os laços de sangue, as relações dentro das linhagens, grupos cuja solidariedade 
podia proteger melhor os indivíduos dos perigos de fora. De acordo com essa forma de pensar, a morte violenta de uma pessoa 
atingia todo o grupo, o que punha em ação a faide, “a vingança dos parentes”. Ou seja, na falta de instituições públicas que 
pudessem punir o agressor, os amigos e parentes da vítima faziam justiça pelas próprias mãos. Como os laços familiares 
não bastavam, criaram-se laços artificiais, uns ligando homens livres entre si, outros ligando homens livres a dependentes. 
Este último – relação de nobre-camponês – baseava-se na desigualdade, estabelecendo complexos vínculos econômicos, 
políticos e religiosos; o senhor era um misto de protetor e propiciador. 
FRANCO JÚNIOR, H. Feudalismo: uma sociedade religiosa, guerreira e camponesa. São Paulo: Moderna,1999. 
A situação do poder público na sociedade medieval, retratada no texto, teve como consequência o
A. 	 alastramento das tradições populares. 
B. 	 nascimento da desigualdade nobre-camponês. 
C. 	 fortalecimento dos poderes locais. 
D. 	 desenvolvimento da justiça social. 
E. 	 desaparecimento da figura dos reis.
Alternativa C
Resolução:
A) O texto-base não apresenta a expansão das tradições populares como consequência da fraqueza do poder público, mas sim 
o fortalecimento dos laços familiares e “artificiais”, que pode ser associado à ação dos poderes locais.
B) O texto-base relata a relação nobre-camponês baseada na desigualdade, embora seja incorreto afirmarque essa 
característica nasceu nesse contexto.
C) O texto-base destaca uma das características do chamado Sistema Feudal – o fortalecimento dos poderes locais, decorrente 
da crescente fraqueza do poder público. De acordo com o texto, “na falta de instituições públicas que pudessem punir o 
agressor, os amigos e parentes da vítima faziam justiça pelas próprias mãos”. 
ØRF6
JWFR
CH – PROVA I – PÁGINA 36 ENEM – VOL. 2 – 2020 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
D) O conceito de justiça social não pode ser relacionado à 
ideia de “justiça pelas próprias mãos” ou de “a vingança 
dos parentes”.
E) Apesar da descentralização do poder ou do enfraquecimento 
do poder público, os reis continuaram a ser figuras atuantes 
no Período Medieval.
QUESTÃO 65 
Queridos compatriotas, concidadãos,
Tendo em vista a situação criada com a formação da 
Comunidade de Estados Independentes (CEI), concluo 
minha atividade como presidente da União Soviética. 
Tomo esta decisão por questões de princípio. [...] Impôs-se 
a linha de fragmentação do país e desunião do Estado, 
o que não posso aceitar... [...] O destino quis que, ao 
me encontrar à frente do Estado, já estivesse claro 
que nosso país estava doente. [...] Tudo devia mudar. 
[...] Hoje estou convencido da razão histórica das 
mudanças iniciadas em 1985. [...] Acabamos com a 
Guerra Fria, deteve-se a corrida armamentista e a 
demente militarização do país que havia deformado 
nossa economia, nossa consciência social e nossa moral. 
Acabou-se a ameaça de uma guerra nuclear. [...] Abrimo-nos 
ao mundo, e responderam-nos com confiança, solidariedade e 
respeito. Mas o antigo sistema desmoronou antes que o novo 
começasse a funcionar. [...] Deixo meu cargo com preocupação, 
mas também com esperança, com fé em todos vocês, 
na sua sabedoria e na sua força de espírito. [...] Meus 
melhores votos a todos. 
GORBATCHEV, M. Discurso de despedida. 
Moscou, 25 de dezembro de 1991. In: CORTÁZAR, F. G.; 
ESPINOSA, J. M. Historia del mundo actual (1945-1995). 
Madrid: Alianza Editorial, 1996.
No discurso do ex-presidente da URSS, identifica-se um 
ponto de grande preocupação mundial durante a segunda 
metade do século XX. Tal ponto é caracterizado pelo(a)
A. 	 consolidação do bloco econômico CEI e pela 
acentuação da crise na URSS.
B. 	 finalização da Guerra Fria e pela instauração da 
hegemonia dos Estados Unidos.
C. 	 desmonte do socialismo e pela implantação de uma 
economia de mercado. 
D. 	 corrida belicista das superpotências e pela utilização 
de armas nucleares. 
E. 	 fragmentação territorial da Rússia e pela intensificação 
migratória na Europa.
Alternativa D
Resolução: O ponto de preocupação mundial durante a 
segunda metade do século XX, isto é, no período da Guerra 
Fria, mencionado no discurso de renúncia de Gorbachev, 
o último líder da União Soviética (URSS), são a corrida 
armamentista e a utilização das armas nucleares. Isso é 
identificado em: “Acabamos com a Guerra Fria, deteve-se a 
corrida armamentista e a demente militarização do país que 
havia deformado nossa economia, nossa consciência social 
e nossa moral. Acabou-se a ameaça de uma guerra nuclear.” 
A alternativa A está incorreta, pois a formação da Comunidade 
dos Estados Independentes (CEI) ocorreu nos anos 1990, 
com a dissolução da URSS. O desfecho da crise na URSS 
foi o seu término no dia seguinte à renúncia de Gorbatchev 
e o fim da Guerra Fria. Sendo assim, isso não era uma 
preocupação global durante a Guerra Fria. As alternativas B, 
C e E estão incorretas pelo mesmo motivo: essas apreensões 
não foram citadas pelo líder soviético. 
PX65
QUESTÃO 66 
Vai, orgulhosa, querida 
Mas aceita esta lição: 
No câmbio incerto da vida 
A libra sempre é o coração
O amor vem por princípio, a ordem por base 
O progresso é que deve vir por fim [...]
ROSA, N.; BARBOSA, O. Positivismo. Disponível em: 
<https://www.letras.mus.br>. Acesso em: 24 out. 2016. [Fragmento]
A canção anterior demarca a influência da corrente positivista, 
e sua letra remete ao(à)
A. 	questão do progresso, linear e particular de cada sociedade. 
B. 	ideia central da religião positivista, proposta por Durkheim.
C. 	busca por leis sociais não universais, porém regulares. 
D. 	fórmula sagrada do positivismo de Auguste Comte. 
E. 	projeto positivista de revolução social no Brasil.
Alternativa D
Resolução: O texto-base consiste em um trecho da canção 
de Noel Rosa, “Positivismo”. Nela, Noel utiliza uma frase 
extremamente importante da teoria de Comte. 
Para a solução da questão, o aluno deve ter em mente 
os principais ideais do positivismo de Comte, isto é: 
as concepções de progresso, a busca por leis universais que 
regem os fenômenos sociais e os elementos participantes 
da construção do catecismo positivista.
Auguste Comte foi o maior expoente do positivismo. Para 
o autor, a humanidade é entendida com o grande ser e 
está fundada na “fórmula sagrada do positivismo: O amor 
por princípio, a ordem por base e o progresso por fim” 
(COMTE, A. Catecismo positivista. São Paulo: Abril Cultural, 
1978. p. 145. Coleção Os Pensadores). Do ponto de vista 
comteano, o amor deve ser o princípio das ações, sejam 
elas individuais, sejam elas coletivas; a ordem tange a 
manutenção e a conservação daquilo que é belo e positivo; 
e, por fim, o progresso consiste em corolário da apuração 
e do desenvolvimento da ordem. É importante lembrar 
também que a busca por leis universais que regem todos 
os fenômenos da sociedade é característica do pensamento 
de Auguste Comte. Portanto, a alternativa correta é a D.
QUESTÃO 67 
A primeira roupa de que a América se travestiu, aos 
olhos do europeu, foi dada por Colombo através da palavra 
Índias. Colombo pensou ter chegado às Índias, e, portanto, 
tudo o que viu correspondia a um indício capaz de comprovar 
sua hipótese [...]. Colombo se esquiva de analisar a flora 
americana, pois não podia identificá-la com a flora das 
Índias ou das Moluscas. [...]. O seu imaginário era regido por 
inúmeras informações, trazidas por viajantes (como Marco 
Polo) que gostavam de contar suas façanhas, sem que os 
interlocutores estivessem interessados em pedir provas. 
O prazer de produzir uma narração, de acordo com as suas 
expectativas, construídas bem antes da viagem, era superior 
à sua capacidade de descrever um continente desconhecido. 
SILVA, J. T. Revista de História Brasileira. Disponível em: 
<www.anpuh.org>. Acesso em: 27 out. 2016 (Adaptação).
7LØT
3ABJ
ENEM – VOL. 2 – 2020 CH – PROVA I – PÁGINA 37BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
O texto sugere uma incapacidade de Cristóvão Colombo de 
descrever as terras do Novo Mundo, uma vez que, para o 
navegador genovês, a “descoberta” da América
A. 	 significava uma conquista inacreditável para o europeu 
dotado de conhecimentos limitados. 
B. 	 precisava legitimar aquilo que ele e seus 
contemporâneos europeus imaginavam.
C. 	 confrontava com o seu projeto baseado no 
conhecimento pré-existente das novas terras.
D. 	 fundamentava o discurso dos viajantes acerca das 
características das terras encontradas.
E. 	 invalidava a existência do paraíso terrestre ambicionado 
desde os tempos medievais.
Alternativa B
Resolução:
A) A “descoberta” da América não foi considerada “inacreditável” 
por Colombo – que era dotado de conhecimentos 
revolucionários para época –, uma vez que ele idealizava 
esse território, mas sob a roupagem das Índias.
B) A América incorporou-se ao imaginário de Colombo e 
de outros europeus com uma série de atributos que já 
haviam sido delegados ao Novo Mundo muito antes do 
seu “descobrimento”. Desse modo, Colombo buscou 
descrever as novas terras com base nos relatos medievais 
sobre as Índias e no imaginário europeu, procurando 
associar tudo o que via ao Oriente. No entanto, quando 
ele se deparou com características que não condiziam 
com o território que imaginara ter encontrado (como a 
flora americana), preferiu não se expressar.
C) O projeto de Colombo era baseado no conhecimento 
pré-existente doOriente, não das novas terras, isto é, 
da América.
D) A flora americana é um exemplo apresentado no texto de 
que a “descoberta” do continente não fundamentava os 
viajantes europeus, como Marco Polo. 
E) Para Colombo, as terras encontradas representavam o 
Paraíso Terrestre, apesar de esse “paraíso” apresentar 
algumas características divergentes dos relatos que 
inspiraram o navegador.
QUESTÃO 68 
O homem é não apenas como ele se concebe, mas 
como ele quer que seja, como ele se concebe depois da 
existência, como ele se deseja após este impulso para a 
existência; o homem não é mais que o que ele faz. [...] Mas 
se realmente a existência precede a essência, o homem é 
responsável pelo que é. Desse modo, o primeiro passo do 
existencialismo é o de pôr todo homem na posse do que ele 
é, de submetê-lo à responsabilidade total de sua existência.
SARTRE, J. P. O existencialismo é um humanismo. 
3. ed. São Paulo: Nova Cultural, 1987. (Coleção Os Pensadores).
O tema da autodeterminação representa o cerne das 
discussões sobre a liberdade humana. A afirmação que 
caracteriza a noção de liberdade, em sentido filosófico, como 
o apresentado por Sartre, é:
Ø7U3
A. 	 A minha liberdade termina onde começa a do outro.
B. 	 O dinheiro não escraviza, ele torna as pessoas mais 
livres.
C. 	 O advogado de João está pleiteando a sua liberdade 
condicional.
D. 	 Júnia escolheu não estudar, mesmo sabendo do risco 
de fracassar nas provas.
E. 	 Considero-me uma adolescente livre, pois meus pais 
não me impedem de sair.
Alternativa D
Resolução: Para o pensamento filosófico, a noção de 
liberdade está associada à possibilidade de o indivíduo 
se autodeterminar, ou seja, as ações humanas não 
estariam sujeitas aos condicionamentos da natureza. 
Para o filósofo existencialista francês Jean Paul Sartre, 
a liberdade é uma condição da existência humana. 
O ser humano é como ele deseja ser, e suas ações são 
sempre intencionais e pautadas em escolhas conscientes. 
A liberdade de escolha do ser humano, para Sartre, implica 
a responsabilidade pelo que ele é e por sua existência. 
Portanto, para resolução da questão, é preciso identificar, 
entre as assertivas, aquela que estabelece uma relação entre 
a liberdade de escolha e a responsabilidade revelada por essa 
escolha. Essa relação só pode ser observada na alternativa D, 
sendo essa, portanto, a resposta correta à questão. 
QUESTÃO 69 
TEXTO I
A exclusão das mulheres da Igreja militante tem como 
base os mesmos fundamentos teóricos que a descartam 
da vida pública. Para alcançar plena eficácia, as orações 
das mulheres devem se dar no isolamento. Mosteiros e 
conventos mendicantes femininos são os locais apropriados.
Ai daquelas que escapam a seus muros para manifestar-se 
em público: acabarão, não raro, na fogueira, acusadas de heresia.
Disponível em: <http://www2.uol.com.br>. Acesso em: 08 nov. 2016.
TEXTO II
Apesar de terem vivido numa época em que a condição 
feminina era encarada como uma carga negativa, e com 
a Igreja apregoando a necessidade de enclausurar as 
mulheres, as monjas não se deixaram intimidar por estas 
teorias. A clausura jamais foi respeitada, e as cistercienses 
dos séculos XII e XIII faziam ouvidos surdos às interdições e 
ameaças. As frequentes saídas do mosteiro eram justificadas 
com os motivos mais variados: a administração dos domínios 
senhoriais, os cuidados que exigia a gerência do patrimônio 
pessoal das religiosas, visitas a parentes, problemas de 
saúde, etc. 
Disponível em: <http://periodicos.unb.br>. Acesso em: 08 nov. 2016. 
[Fragmento]
O texto II, ao refutar as ideias expressas no texto I, indica que 
as mulheres que viveram na Idade Média estavam incluídas 
em contextos que negavam qualquer generalização porque 
A. 	evidencia a exclusão das mulheres na vida pública 
medieval imposta pelos homens, principalmente por 
aqueles ligados à Igreja. 
B. 	contesta a noção de que, embora as mulheres 
vivessem em uma sociedade machista, desrespeitavam 
o enclausuramento a elas imposto. 
1KJW
CH – PROVA I – PÁGINA 38 ENEM – VOL. 2 – 2020 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
C. 	afirma que as mulheres que se manifestavam em 
público acabavam na fogueira da Inquisição, geralmente 
acusadas de heresia. 
D. 	demonstra a resistência das mulheres medievais em 
submeter-se ao controle e às regras impostas pelos 
homens desse contexto.
E. 	apresenta o papel das mulheres na sociedade medieval, 
já que, enclausuradas ou livres, dependiam da vontade 
dos homens.
Alternativa D
Resolução: O texto I reitera a premissa de que as mulheres 
medievais, coagidas pelo patriarcado e pelos dogmas 
católicos, reduziam-se ao espaço privado, sobretudo 
aquelas ligadas às instituições religiosas. Essa máxima, 
todavia, passa a ser questionada por meio da validação de 
documentos históricos que evidenciam que muitas delas 
não respeitavam a moral e as regras a elas impostas, 
mesmo que isso pudesse gerar retaliações de toda 
ordem, até mesmo a morte nas fogueiras da Inquisição. 
Nesse sentido, a alternativa D se apresenta correta, 
já que o texto II reflete a resistência das medievalistas aos 
desmandos dos homens daquela época, principalmente 
daqueles ligados à Igreja, expressos no texto I.
QUESTÃO 70 
Fazemos ciência com fatos, assim como construímos 
uma casa com pedras, mas uma acumulação de fatos não é 
ciência; assim como não é uma casa um monte de pedras.
POINCARÉ, H. A ciência e a hipótese. Brasília: Editora UnB, 1984. p. 115.
Uma das marcas do ser humano é a necessidade de 
compreender o mundo que o rodeia. Uma dessas formas de 
conhecimento é a ciência. Para que um conhecimento seja 
considerado científico, ele deve basear-se em
A. 	argumentos sobrenaturais e na fé.
B. 	métodos empíricos e na objetividade.
C. 	experiências pessoais e na subjetividade. 
D. 	crenças e na aceitação acrítica de ideias. 
E. 	interpretações sensíveis e na imaginação.
Alternativa B
Resolução: Na tentativa de compreender o mundo, a ciência 
prima pela busca do conhecimento objetivo, em oposição 
à possibilidade de conclusões subjetivas do cientista, 
e utiliza métodos empíricos sistemáticos de investigação 
para confirmação de suas hipóteses. Portanto, a resposta 
correta à questão é a alternativa B.
QUESTÃO 71 
Uma mãe para todos os povos, que sabe falar a cada 
cultura: é assim que ainda hoje se apresenta a Virgem de 
Guadalupe, verdadeiro eixo espiritual da América Central e 
do Sul. O seu santuário, no México, é anualmente visitado 
por mais de 20 milhões de peregrinos, sendo o mais 
frequentado daquelas regiões. A padroeira da América Latina 
apareceu num local perto da cidade do México, entre 9 e 
12 de dezembro de 1531, a um índio mexicano, Juan Diego 
Cuauhtlatoatzin, santo desde 2002. No tempo das aparições, 
o México era terra de conquista, mas também de afronta à 
dignidade humana, porque muitas vezes os colonizadores 
espanhóis não tiveram piedade dos índios. 
Disponível em: <http://www.snpcultura.org>. Acesso em: 24 out. 2016.
SVZØ
AGQS
A cultura religiosa descrita no texto transmite uma concepção 
diferente da tradicional sobre o processo de colonização da 
América ao sinalizar que a
A. 	 constituição da religiosidade cristã no território 
americano foi reflexo da violência dos colonizadores.
B. 	 imposição cultural europeia provocou a eliminação das 
antigas e tradicionais crenças nativas.
C. 	 adesão ao cristianismo no continente ocorreu também 
por iniciativa dos próprios indígenas.
D. 	 transposição da cultura ibérica aos trópicos foi 
dificultada pelo sincretismo religioso praticado pelos 
índios. 
E. 	 adoração aos ícones católicos pelos nativos foi decorrente 
da atuação dos missionários europeus.
Alternativa C
Resolução: 
A) O texto-base defende que o início do culto à Virgem de 
Guadalupe pelos povos latino-americanos, especialmente 
os mexicanos, ocorreu a partir de sua aparição a um 
indígena. Em outras palavras, o texto não afirma que 
essa crença foi decorrente da violência dos colonizadores. 
Alémdisso, a imposição da cultura europeia faz parte da 
concepção tradicional sobre o processo de colonização 
da América.
B) Além de ser incorreto afirmar que a imposição cultural 
europeia eliminou as antigas crenças nativas, o texto-base 
não tem como foco essa questão.
C) De acordo com a tradição religiosa mexicana, o culto 
à Virgem de Guadalupe teria se iniciado a partir de 
uma aparição da santa a um indígena, Juan Diego 
Cuauhtlatoatzin, que, a partir de então, passou a contribuir 
com a difusão do culto a Guadalupe. Essa tradição 
demonstra que a adesão ao cristianismo não ocorria só 
por meio da violência, mas também mediante a iniciativa 
dos próprios nativos. Muitas vezes, essa adesão ocorria 
na tentativa dos indígenas de obter melhores posições 
sociais ou até mesmo por acreditarem na eficácia da 
religião do colonizador.
D) O sincretismo religioso não é o foco do texto-base; 
além disso, apesar da ocorrência desse sincretismo 
e da permanência de práticas tradicionais nativas na 
América, aconteceu realmente uma transposição da 
cultura ibérica, que pode ser identificada na própria 
religiosidade cristã dos povos latino-americanos, nos 
hábitos, na língua oficial dos países, etc.
E) A ação dos missionários foi fundamental para a imposição da 
cultura cristã na América colonial, no entanto o texto-base 
não destaca esse papel dos religiosos, assim como não 
ressalta o fato de esse acontecimento fazer parte da 
versão tradicional sobre o processo de colonização.
QUESTÃO 72 
Queridos americanos, com grande pesar, e em 
necessário cumprimento do meu juramento presidencial, 
ordenei, e as Forças Aéreas americanas realizaram 
operações militares baseadas somente no uso de armas 
convencionais para eliminar um enorme depósito de armas 
nucleares no território de Cuba.
Disponível em: <https://noticias.terra.com.br>. 
Acesso em: 31 out. 2016 (Adaptação).
RQRS
ENEM – VOL. 2 – 2020 CH – PROVA I – PÁGINA 39BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
As palavras anteriores são de um discurso que o ex-presidente 
dos Estados Unidos, John F. Kennedy, não chegou a pronunciar 
em 1962, sendo publicado em 2012 pela Biblioteca Presidencial 
John F. Kennedy, entre outros documentos inéditos dos arquivos 
pessoais do ex-presidente. Esse discurso foi escrito em um 
dos momentos mais tensos da Guerra Fria, conhecido como 
A. 	 Revolução Cubana.
B. 	 Crise dos Mísseis.
C. 	 Guerra do Vietnã.
D. 	 Doutrina Truman.
E. 	 Pacto de Varsóvia.
Alternativa B
Resolução: A Crise dos Mísseis de Cuba (alternativa B) 
é considerada a grande demonstração de força do Governo 
Kennedy. Aviões de reconhecimento dos Estados Unidos (EUA) 
descobriram, em Cuba, mísseis soviéticos de médio alcance, 
em outubro de 1962. No mesmo dia, os EUA decretaram 
um bloqueio naval à ilha de Fidel Castro, exigiram que a 
União Soviética (URSS) retirasse os mísseis e ameaçaram 
invadir a ilha caso o bloqueio falhasse. Nikita Kruschev, líder 
da URSS à época, cedeu à pressão dos EUA, retirou os 
mísseis e aceitou a inspeção da Organização das Nações 
Unidas (ONU). A Revolução Cubana de 1959 (alternativa A) 
aconteceu com a queda do ditador Fulgêncio Batista e 
com a tomada de poder por Fidel Castro. A Guerra do 
Vietnã (alternativa C) estendeu-se de 1959 a 1975, e, 
crendo que evitariam o avanço do comunismo, os EUA 
entraram definitivamente nessa guerra, em 1965, sofrendo, 
posteriormente, sua maior derrota militar pelas forças 
comunistas do Vietnã do Norte. O antigo Vietnã do Sul 
era apoiado pelos EUA, e o Vietnã do Norte pela URSS. 
A Doutrina Truman (alternativa D) foi um conjunto de medidas 
políticas e econômicas, em vigor a partir de 1947, com as 
quais os EUA assumiram o compromisso de combater o 
comunismo no mundo. O Pacto de Varsóvia (alternativa E) 
foi uma aliança militar de países socialistas firmada em 
1955, em oposição à Organização do Tratado do Atlântico 
Norte (OTAN).
QUESTÃO 73 
A conceituação de tempo liberado, livre e de lazer 
faz parte da transformação pela qual a sociedade passa 
com a Revolução Industrial. Porém as mudanças não se 
restringem a uma nova organização temporal da vida do 
trabalhador, mas também são alteradas as relações do 
homem com sua mão de obra e com o produto produzido. 
[...] A busca do melhor padrão de vida das cidades 
impunha um preço duro. Isso é facilmente compreendido 
quando observamos as linhas de montagem e as longas 
jornadas de trabalho que não obedecem à ordem natural 
de trabalho e repouso. Além disso, os gestos artificiais e 
repetitivos rompem com a relação de tempo e produto do 
trabalho, pois esse passou a ser fragmentado e de difícil 
compreensão. O trabalhador não é mais responsável pelo 
produto, mas sim por parte dele. Podemos sugerir que, 
em síntese, há um tempo natural, humano, uno, integral, 
do campo que a indústria opôs a um tempo artificial, 
alienado da produção, que não se integra nem à dinâmica 
familiar. [...] Trabalhar, antes da Revolução Industrial, tinha 
um significado que extrapolava os limites da produção. 
G81I
Na fase artesanal, a mão de obra buscava suprir apenas as 
necessidades; era um sistema de trocas das mercadorias, 
ou de produção interna do que era preciso na família e na 
comunidade.
NETTO, A.; NETO, S.; HUNGER, D. Modernidade, transformações 
sociais e o desenvolvimento da cultura de tempo livre do trabalho 
rio-clarense. In: Efdeportes.com. Revista Digital. Buenos Aires, ano 14, 
n. 133, jun. 2009. Disponível em: <http://www.efdeportes.com>. 
Acesso em: 29 nov. 2016 (Adaptação).
A Revolução Industrial converteu os aspectos relacionados 
ao modo de realizar o trabalho e de se relacionar com ele. 
Desse conjunto de transformações, oriundas da alteração 
do modo de produção, destaca-se a
A. 	 racionalização do conhecimento produtivo, sistematizado 
pelo aprendizado proveniente das relações familiares 
vinculadas ao trabalho.
B. 	 institucionalização do conhecimento produtivo, 
apreendido essencialmente por intermédio da prática da 
atividade laboral do proletariado.
C. 	 divisão e a racionalização da produção por meio 
da absorção do conhecimento familiar e de sua 
transmissão para as atividades laborais industriais. 
D. 	 sistematização e a racionalização da produção, 
transformadas em conhecimento técnico, sem que o 
proletário tenha acesso ao resultado final do produto.
E. 	 fragmentação da produção por intermédio do conhecimento 
do processo produtivo, que continua sendo compreendido 
em sua totalidade pelo proletariado.
Alternativa D
Resolução: O texto-base concede informações sobre as 
transformações no mundo do trabalho após o advento da 
Revolução Industrial. Alteração do modo de produção, do 
tempo gasto para o trabalho e da relação do trabalhador com 
o produto final são mudanças abordadas no texto. 
Para a solução da questão, o aluno deve mobilizar seus 
conhecimentos sobre a Revolução Industrial, assim como 
sua compreensão sobre as alterações das relações de 
trabalho e de produção após esse período.
A mudança do modo de produção, do feudalista para o 
capitalista, alterou a forma como se produziam as coisas. 
A produção tornou-se cada vez mais racionalizada e 
sistematizada graças às linhas de produção, afastando 
o trabalhador do resultado final do seu trabalho. 
No feudalismo, aprendia-se a produzir, normalmente, por meio 
da passagem do conhecimento de geração para geração, e o 
trabalhador tinha a consciência de todo o processo produtivo. 
No capitalismo, a produção passou a ser feita em larga escala, 
de modo que o trabalhador é responsável por uma etapa da 
produção. Assim, ele não tem consciência de todo o processo 
produtivo nem acesso ao resultado final do produto.
Analisaremos as demais alternativas: 
A) A racionalização do conhecimento da produção é, 
de fato, fruto da Revolução Industrial, pois, com a 
racionalização da produção, o modo de como produzir 
também é racionalizado por meio das chamadas “linhas 
de produção”, por exemplo. Entretanto, tal processo não 
é relacionado às atividadesfamiliares, como o era no 
feudalismo. 
B) A institucionalização do conhecimento da produção 
não se completa por meio da prática do trabalho pelo 
CH – PROVA I – PÁGINA 40 ENEM – VOL. 2 – 2020 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
proletariado. Sendo assim, “o ofício deixa de ser aprendido 
prioritariamente através da prática, pois as habilidades 
passam a ser envolvidas por um conhecimento teórico.” 
(NETTO; NETO; HUNGER, 2009). 
C) Como dito anteriormente, a utilização do conhecimento 
familiar para a aplicação no processo de produção era 
característica do feudalismo. No capitalismo, suplanta-se 
essa particularidade, uma vez que o trabalhador não tem 
acesso a toda cadeia produtiva. 
E) Com a fragmentação da produção, o processo que 
envolve seu conhecimento também tornou-se fracionado. 
Em outras palavras, o trabalhador não conhece todas 
as etapas do processo de produção do produto feito por 
ele. Posteriormente, Marx desenvolverá o conceito de 
alienação para explicar o afastamento do conhecimento 
do trabalhador do processo de produção.
QUESTÃO 74 
Cientistas observam a natureza, fazem medições, 
e depois tentam aceitar ou rejeitar hipóteses referentes 
a esses fenômenos. A coleta de dados pode ocorrer 
diretamente no campo (chamada coleta de dados in situ ou 
in loco), ou a alguma distância remota do objeto em apreço 
(referida como sensoriamento remoto do ambiente).
JENSEN, J. R. Sensoriamento remoto do ambiente: uma perspectiva 
em recursos terrestres. Tradução de José Carlos Neves Epiphanio. 
São José dos Campos, SP: Parêntese, 2011. p. 1.
Os avanços do sensoriamento remoto têm acompanhado 
o desenvolvimento técnico-científico informacional. 
Um progresso científico proporcionado por essa ferramenta 
é o sucesso na 
A. 	exploração da estrutura interna do planeta Terra, a começar 
pela crosta, a camada mais fina, o manto, a camada mais 
espessa, e o núcleo, a maior entre as camadas.
B. 	obtenção de informações analógicas na coleta e na 
interpretação de dados climáticos, em escala global, 
suficientes para suspender o uso das informações digitais.
C. 	opção de um cientista fazer uma completa investigação 
de áreas fragmentadas, identificando o continente do qual 
fazem parte sem saber qual é a sua exata localização.
D. 	possibilidade de obtenção de quaisquer informações 
necessárias à condução de pesquisas biológicas ou 
sociais a baixo custo.
E. 	capacidade de extrair dados qualitativos de fenômenos 
dinâmicos, mesmo em tempo real, com a utilização de 
dispositivos localizados a grandes distâncias da área 
de interesse.
Alternativa E
Resolução: A alternativa E está correta, pois é possível 
extrair dados qualitativos de fenômenos dinâmicos, a todo 
momento, mesmo com captação de sensores distantes 
do objeto (ciclones captados por satélites, por exemplo). 
A alternativa A está incorreta, pois, além das limitações 
à exploração da estrutura interna do planeta, o manto é 
reconhecidamente a maior camada. A alternativa B está 
incorreta, pois a grande evolução do sensoriamento remoto 
consiste no desenvolvimento digital, isto é, aperfeiçoando 
o uso de imagens de radar e satélites, por exemplo, 
associados a equipamentos analógicos (fotografias aéreas 
em papel ou em vídeo). A alternativa C está incorreta, pois, 
IØHO
para uma análise correta, é preciso saber qual é a área 
investigada (imagens de radar, por exemplo). A alternativa D 
está incorreta, pois a totalidade dos dados de sensoriamento 
remoto não é de livre acesso, seja pelos custos da tecnologia 
empregada, seja por questões geopolíticas de sigilo e de 
controle de informações.
QUESTÃO 75 
A segunda grande revolução teve início na Grã- 
-Bretanha em finais do século XVIII, antes de se verificar 
noutros locais da Europa, na América do Norte e noutros 
continentes. Ficou conhecido como Revolução Industrial 
o conjunto amplo de transformações econômicas e sociais 
que acompanharam o surgimento de novos avanços 
tecnológicos [...]. O surgimento da indústria conduziu a uma 
migração em grande escala de camponeses, que deixaram as 
suas terras e se transformaram em trabalhadores industriais 
em fábricas, o que causou uma rápida expansão das áreas 
urbanas e introduziu novas formas de relacionamento social. 
A Revolução Industrial mudou de forma dramática a face do 
mundo social, incluindo muitos dos nossos hábitos pessoais. 
A maior parte da comida que ingerimos e das bebidas que 
tomamos – o café, por exemplo, – são atualmente produzidos 
por meio de meios industriais. 
GIDDENS, A. Sociologia. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 
2008. p. 6 (Adaptação).
O trecho destaca alguns exemplos de mudanças sociais 
ocorridas a partir do século XVIII. Uma das consequências 
que acompanharam esse processo foi o(a)
A. 	 nascimento de uma nova ciência cujo objetivo era 
buscar um meio para frear as mudanças inseridas por 
essa revolução.
B. 	 empreendimento acadêmico e intelectual inédito 
realizado para entender as causas e as consequências 
das novas relações sociais. 
C. 	 surgimento do proletariado, vinculado às boas 
condições de trabalho que eram organizadas em torno 
de suas demandas. 
D. 	 modernização da agricultura, com o investimento 
de novos capitais, o que provocou um êxodo urbano 
bastante expressivo. 
E. 	 declínio do capitalismo no continente europeu, assim 
como das crenças religiosas, morais, filosóficas e 
jurídicas.
Alternativa B
Resolução: O texto-base demonstra algumas transformações 
inseridas no mundo social pela Revolução Industrial. 
Para a solução da questão, o aluno deve ter em mente o contexto 
de surgimento da Sociologia, assim como as transformações 
ocorridas por meio da inserção de novas tecnologias pela 
Revolução Industrial. Essa ciência nasce justamente para ser 
específica e apta a analisar os acontecimentos do mundo social, 
uma vez que, anteriormente, os fatos do domínio social eram 
explicados pelas ciências naturais.
Analisaremos as demais alternativas: 
A) O nascimento de uma nova ciência refere-se à Sociologia. 
Contudo, o objetivo de criar uma ciência voltada ao estudo 
do social não era o de frear as mudanças, mas de explicá-las 
mediante uma análise científica.
JPHS
ENEM – VOL. 2 – 2020 CH – PROVA I – PÁGINA 41BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
C) O surgimento do proletariado é contemporâneo da 
Revolução Industrial, porém suas condições de trabalho 
eram extremamente degradantes e baseavam-se em 
uma relação de exploração por parte da classe burguesa. 
D) A modernização da agricultura, por meio de novos 
investimentos e tecnologias, não provocou um êxodo 
urbano, mas sim um êxodo rural, conforme demonstra 
o texto-base. 
E) O capitalismo não entrou em declínio no período 
determinado, mas conseguiu sustentar melhor suas bases, 
dada a evolução das tecnologias e da industrialização.
QUESTÃO 76 
Os produtos chamados de especiarias eram algo 
muito mais relevante e significativo nos períodos medieval 
e renascentista do que podemos supor hoje em dia [...]. 
Combinadas com o vinho, constituíam a bebida chamada 
hipocraz, cujas virtudes agiam de forma semelhante às 
chamas, não só expulsando os humores corrompidos do 
organismo, mas queimando-os. Essa força de comoção 
dos sentidos, de choque sensorial aromático e gustativo, 
combatia as doenças, as fraquezas, o envelhecimento, 
ajudava nos partos e nos coitos e servia para afastar a 
peste e os venenos. [...]. As especiarias eram, portanto, 
[...] verdadeiras joias da saúde, pois expulsavam venenos, 
demônios e maus humores. 
CARNEIRO, H. Um sabor de riqueza para o Ocidente. In: HISTÓRIA 
VIVA. Grandes temas: mar português. São Paulo: Editora Duetto, 
[s.d.]. p. 80. [Fragmento]
Além das suas utilidades ainda hoje conhecidas, os 
europeus, ancorados no imaginário medieval, conferiam usos 
subjetivos às especiarias asiáticas, que, segundo o texto,
A. 	 desempenhavam papel de condimento, já que, na 
Europa, os alimentos eram, em sua maioria, insossos.
B. 	 tinham valor medicinal, já que eram consideradas,por 
exemplo, rejuvenescedoras e caloríferas.
C. 	 significavam elemento de distinção social, pois eram 
demasiadamente valiosas, como o ouro e a prata.
D. 	 eram utilizadas como veneno para ratos, a fim de evitar 
a chegada da peste à Europa vinda do Oriente.
E. 	 serviam para conservar os alimentos, sobretudo nas 
viagens marítimas, já que inexistiam refrigeradores.
Alternativa B
Resolução: As Grandes Navegações foram impulsionadas 
pela busca de novas rotas comerciais que levassem os 
europeus às áreas de produção das lucrativas especiarias 
asiáticas, já que, no século XV, os caminhos tradicionais 
estavam sob o domínio de árabes e de italianos. 
Além de suas utilidades pragmáticas, como temperar e 
conservar alimentos, descritos nas alternativas A e E, 
respetivamente, os europeus conferiam usos subjetivos 
a esses produtos, como elemento de distinção social, 
apresentado na alternativa C. No entanto, a única finalidade 
descrita no texto é o valor medicinal – “combatia as doenças, 
as fraquezas, o envelhecimento” –, tornando, assim, correta 
a alternativa B. A alternativa D é incorreta, uma vez que o 
texto-base não afirma que as especiarias eram usadas como 
veneno, o que também não é evidenciado historicamente. 
PKW7
QUESTÃO 77 
Toda hora eu vejo, em jornais, revistas, televisão e na 
rua, pessoas cada vez mais “livres” de preconceitos e... 
E, no entanto, todas estão convencidas de que a Terra 
gira em torno do Sol. Por quê? Pergunte a elas e elas 
responderão: “Ué, Galileu provou isso há muito tempo”. 
Mas provou isso pra quem? O homem comum e mesmo 
nós, os pejorativamente chamados intelectuais, aceitamos 
e pronto. [...] Mas entre Galileu – de cujas provas nunca 
tomamos conhecimento, muito menos sabemos dizer quais 
são – e a realidade, que literalmente salta (gira) a nossos 
olhos, temos que acreditar é em nossos olhos. Nossos olhos 
veem, com absoluta certeza, que o Sol nasce ali [...] e morre 
do outro lado.
FERNANDES, M. Veja, São Paulo, n. 48, p. 34, dez. 2007.
A crônica apresentada faz referência aos conhecimentos
A. 	 epistemológico e artístico.
B. 	 científico e do senso comum.
C. 	 estético e racional.
D. 	 filosófico e pragmático.
E. 	 mítico e empírico. 
Alternativa B
Resolução: Muitos são os modos de se conhecer o mundo e 
a si mesmo, os quais dependem das ferramentas utilizadas, 
sejam elas a razão ou a imaginação. O “conhecimento mítico” 
confere significado ao mundo por meio da fé, não obedecendo 
aos critérios da razão empírica ou científica, aproximando-se, 
assim, do mágico. O “conhecimento estético”, oriundo da 
arte, nasce da sensibilidade interpretativa do artista, que, 
ao transportar sua percepção de mundo para a obra, reitera 
a experiência vivida e aproxima o observador do concreto. 
O “conhecimento filosófico” busca, com rigor, compreender 
o mundo e o ser humano por meio de um exame crítico, 
sistemático e racional das ideias. O “conhecimento 
científico”, por sua vez, procurando compreender a natureza, 
prima pela objetividade – em oposição à subjetividade 
do cientista – e pela racionalidade, utilizando-se de 
métodos empíricos para a confirmação de suas hipóteses. 
Já o conhecimento adquirido pelo senso comum nasce 
das tradições transmitidas pelos grupos sociais aos quais 
pertencem os indivíduos e caracteriza-se pela ausência de 
crítica às afirmações herdadas. No texto-base apresentado, 
as ações de Galileu para a compreensão dos fenômenos 
astronômicos estão alinhadas, portanto, ao “conhecimento 
científico”, enquanto a ideia das pessoas em geral a 
respeito do movimento dos corpos celestes está associada 
ao conhecimento adquiro pelo senso comum. Portanto, 
a resposta correta à questão é a alternativa B.
QUESTÃO 78 
© WWF-Brasil.
UEC2
TTJZ
CH – PROVA I – PÁGINA 42 ENEM – VOL. 2 – 2020 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
A imagem refere-se a um conceito recente que aborda a 
atuação da sociedade sobre os recursos naturais renováveis. 
Observando a importância desse conceito para a temática 
ambiental atual, o cálculo do nível de interferência antrópica 
tem o intuito de demonstrar a extensão de território 
necessária para a 
A. 	 criação de reservas extrativistas.
B. 	 manutenção de estilos de vida.
C. 	 redução do custo de produção.
D. 	 contenção do uso de água potável.
E. 	 medição do uso de agrotóxicos.
Alternativa B
Resolução: A alternativa B é a correta. A questão faz 
referência ao conceito de pegada ecológica da sociedade. 
A pegada ecológica contém a quantidade de recursos 
naturais renováveis para sustentar o estilo de vida atual. 
Fundamentalmente, tudo o que a humanidade utiliza para 
viver vem da natureza, e, mais tarde, retornará para o meio 
ambiente. Em outras palavras, essa é a pegada. 
As demais alternativas são incorretas, pois, apesar de 
fazerem referência a questões ambientais importantes, não 
correspondem ao conceito de pegada ecológica.
QUESTÃO 79 
Transição demográfica: a experiência brasileira
A evolução das taxas de mortalidade, natalidade 
e fecundidade a partir de 1950 caracteriza o processo 
de transição demográfica no Brasil. De uma população 
predominantemente jovem em um passado nem tão distante, 
observa-se, nos dias atuais, um contingente, cada vez mais 
importante, de pessoas com 60 anos ou mais de idade.
VASCONCELOS, A. M. N; GOMES, M. M. F. (2012). 
Transição demográfica: a experiência brasileira. Epidemiologia e 
serviços de saúde. Disponível em: <http://dx.doi.org>. 
Acesso em: 30 ago. 2016. [Fragmento adaptado]
Considerando o processo descrito pelo texto, uma condição 
que propicia a mudança no perfil da população brasileira é o(a)
A. 	 incentivo governamental à fecundidade, que garante o 
pré-natal no Sistema Único de Saúde e as vagas nas 
escolas de Ensino Infantil.
B. 	 falta de controle sobre doenças infecciosas e 
parasitárias que acarretam altas taxas de mortalidade, 
sobretudo no Sudeste do Brasil.
C. 	 urbanização e a modernização da sociedade, que 
experimenta atualmente uma desaceleração do ritmo 
de crescimento demográfico.
D. 	 gestação precoce de mulheres que privilegiam a 
maternidade em detrimento da inserção e permanência 
no mercado de trabalho.
E. 	 aumento exponencial do número de jovens que se 
inserem no mercado de trabalho, com a consequente 
queda na razão de dependência.
Alternativa C
Resolução: O texto-base ilustra a mudança de perfil 
demográfico brasi leiro, que está em um estágio 
intermediário da transição demográfica, com uma população 
prioritariamente adulta, e que possuirá, em algumas décadas, 
um contingente populacional significativamente idoso. 
ØO61
Esse panorama só é possível devido aos processos de 
urbanização e de modernização da sociedade, com a 
inserção significativa das mulheres no mercado de trabalho 
associada ao planejamento familiar, que reduz ou posterga 
a maternidade. 
A alternativa A está incorreta, pois o Governo não garante 
as vagas para crianças no Ensino Infantil. 
A alternativa B está incorreta, pois as medidas de controle 
de doenças infecciosas e parasitárias têm sido mais 
eficientes no Sudeste do Brasil.
A alternativa D está incorreta, pois o que se observa é um 
comportamento contrário em relação à maternidade.
A alternativa E está incorreta, pois não corresponde ao 
movimento posterior de envelhecimento populacional 
descrito na situação-problema, que é caracterizado pelo 
aumento da razão de dependência devido ao crescimento 
do número de idosos.
QUESTÃO 80 
O fim do horário de verão, que terminou à 0h deste 
domingo [21/02/2016], muda o horário de funcionamento dos 
parques estaduais Mãe Bonifácia, Zé Bolo Flô e Massairo 
Okamura, em Cuiabá, que volta a ser das 6h às 18h. Esse 
horário estava alterado desde outubro de 2015, quando teve 
início o horário de verão, com os parques abrindo mais cedo 
e fechando mais tarde.
Disponível em: <http://g1.globo.com>. Acesso em: 21 out. 2016 
(Adaptação).
Sabendo a época do ano e quanto tempo durou o horário 
de verão, qual é o motivo de os parques de Cuiabá abriremmais cedo e fecharem mais tarde? 
A. 	 Aproveitar ao máximo os dias mais longos do ano 
proporcionados pela maior incidência de radiação solar 
no Hemisfério Sul. 
B. 	 Aumentar a quantidade de frequentadores do parque 
na primavera – estação do ano em que os índices 
pluviométricos são os mais elevados. 
C. 	 Marcar o início do verão e o dia mais longo no 
Hemisfério Sul e o início do inverno e o dia mais curto 
no Hemisfério Norte.
D. 	 Dispor da luminosidade da estação do ano em que o 
dia e a noite têm durações iguais tanto no Hemisfério 
Norte quanto no Sul.
E. 	 Utilizar o afélio, momento em que o planeta está mais 
distante do Sol, para gerar energia nos espaços públicos. 
Alternativa A
Resolução: O horário de verão vigora na primavera e no 
verão – período em que os dias passam a ser mais longos 
por causa do aumento da incidência dos raios solares no 
Hemisfério Sul nessa época do ano (alternativa A). A estação 
do ano em que os índices pluviométricos são os mais elevados 
no clima tropical, típico da região de Cuiabá, é o verão, 
e não a primavera, como diz a alternativa B. Além disso, 
o aumento das chuvas desfavorece as visitas aos parques. 
A mudança do horário de funcionamento dos parques não 
marca o início do verão e do inverno, diferentemente do 
que diz a alternativa C. A duração igual do dia e da noite 
define os equinócios de primavera e de outono, o que torna 
a alternativa D incorreta. O afélio e a geração de energia 
nos espaços públicos não se associam como afirma a 
alternativa E.
G93J
ENEM – VOL. 2 – 2020 CH – PROVA I – PÁGINA 43BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
QUESTÃO 81 
Para concorrer com eles [portugueses], os espanhóis, 
seguidos de perto pelos ingleses, franceses e demais, 
procurarão outro caminho para o Oriente; a América, com 
que toparam nesta pesquisa, não foi para eles, a princípio, 
senão um obstáculo oposto à realização de seus planos, 
que devia ser contornado. Todos os esforços se orientam 
então no sentido de encontrar uma passagem, cuja 
existência se admitiu a priori. Os espanhóis [...] descobrirão 
o México; [...] mas a passagem não será encontrada. [...]. 
Magalhães [...] encontrará o estreito que constituiu afinal 
a famosa passagem tão procurada; mas ela se revelará 
pouco praticável e se desprezará. [...] Enquanto isso [...] 
as pesquisas se ativam para o norte; a iniciativa cabe aí 
aos ingleses, embora tomassem para isto o serviço de 
estrangeiros [...]. Os portugueses também figurarão nessa 
exploração do Extremo Norte americano com os irmãos 
Corte Real, que descobrirão o Labrador. Os franceses 
encarregarão o florentino Verazzano de iguais objetivos. 
PRADO JÚNIOR, C. Formação do Brasil contemporâneo. 
São Paulo: Brasiliense, 1977. p. 23. 
O texto sinaliza que a Expansão Marítima europeia teve 
como motivação o interesse
A. 	 comercial. 
B. 	 político. 
C. 	 religioso. 
D. 	 científico. 
E. 	 civilizatório.
Alternativa A 
Resolução: O texto-base informa o interesse dos reinos 
europeus (como os espanhóis, ingleses e franceses) de 
procurar “outro caminho para o Oriente” para “concorrer” 
com o Estado português, que iniciara de forma pioneira suas 
expedições marítimas em direção às Índias. Desse modo, 
evidencia-se, por meio dessas palavras-chaves, o interesse 
econômico desses reinos, uma vez que o Oriente era 
cobiçado devido ao rentável comércio de especiarias. Já os 
demais aspectos apresentados nas alternativas incorretas – 
político, religioso, científico e civilizatório – não podem ser 
identificados por meio do texto-base.
QUESTÃO 82 
No início do século XXI, encontramo-nos num mundo em 
que as operações armadas já não estão essencialmente nas 
mãos dos governos ou dos seus agentes autorizados, e as 
partes distantes não têm características, status e objetivos 
em comum, exceto quanto à vontade de utilizar a violência.
HOBSBAWM, E. J. Globalização, democracia e terrorismo. 
São Paulo: Companhia das Letras, 2007. p. 23.
Considerando a caracterização do período citado, são 
motivos recorrentes dos conflitos após o fim da Guerra Fria:
A. 	 Recursos humanos, fundamentalismo político e 
rivalidades tribais.
B. 	 Recursos energéticos, separação Igreja-Estado e 
rivalidades culturais.
C. 	 Recursos minerais, laicidade estatal e rivalidades 
esportivas.
D. 	 Recursos tecnológicos, liberdade religiosa e 
rivalidades regionais.
E. 	 Recursos naturais, fundamentalismo religioso e 
rivalidades étnicas.
62B3
3NXM
Alternativa E
Resolução: Após o fim da União Soviética, esperava-se 
que as lutas e as guerras teriam fim ou se reduziriam 
a níveis pouco significativos no panorama mundial. 
No entanto, os conflitos continuaram na forma de guerras 
civis, ações terroristas relacionadas ao fundamentalismo 
religioso, disputa por recursos naturais, rivalidades étnicas 
e nacionalismos (alternativa E). As alternativas A, B, C e D 
associam temas que não caracterizam as guerras atuais.
QUESTÃO 83 
TEXTO I
Plebiscito e referendo são consultas ao povo para decidir 
sobre matéria de relevância para a nação em questões 
de natureza constitucional, legislativa ou administrativa. 
A principal distinção entre eles é a de que o plebiscito é 
convocado previamente à criação do ato legislativo ou 
administrativo que trate do assunto em pauta, e o referendo 
é convocado posteriormente, cabendo ao povo ratificar ou 
rejeitar a proposta. Ambos estão previstos no art. 14 da 
Constituição Federal e regulamentados pela Lei n. 9 709, 
de 18 de novembro de 1998.
Disponível em: <http://www.tse.jus.br>. Acesso em: 09 dez. 2015.
TEXTO II
Os Tribunos da Plebe, a princípio dois e mais tarde dez, 
eram invioláveis. Tinham direito de poder socorrer o cidadão 
ameaçado por um magistrado e interceder ou anular atos ou 
decisões que julgassem prejudiciais aos plebeus. Podiam 
reunir a assembleia da plebe e fazer votar o que tinha valor 
de lei para os plebeus.
KOSHIBA, L. História: origens, estruturas e processos. São Paulo: 
Atual Editora, 2000. p. 83.
As análises dos textos e da História revelam a relação 
de herança de práticas políticas romanas na estrutura 
brasileira atual. Na construção de uma mentalidade cada 
vez mais cidadã, a semelhança entre as duas experiências 
se encontra no(a)
A. 	 exploração dos plebeus romanos e do povo brasileiro 
contemporâneo.
B. 	 conquista do direito de decisão em situações 
consideradas polêmicas.
C. 	 superioridade incontestável do Poder Legislativo sobre 
o Poder Executivo.
D. 	 restrição democrática garantida apenas aos grupos 
privilegiados em cada contexto.
E. 	 poder da coesão popular em manifestações pelos 
direitos de todos.
Alternativa B
Resolução: O texto I apresenta alguns instrumentos 
políticos que estão previstos na Constituição Federal e dos 
quais dispõe o povo brasileiro, o que lhe permite participar 
de processos decisórios sobre assuntos de interesse 
público. Assim, o plebiscito e o referendo, tal como os 
Tribunos da Plebe, que, de acordo com o texto II, eram 
magistrados que atuavam em defesa dos direitos e dos 
interesses da plebe, correspondem à conquista do direito 
de decidir do povo em situações consideradas polêmicas 
e revelam, portanto, uma relação de herança de práticas 
políticas romanas na estrutura brasileira atual. Logo, a única 
alternativa que apresenta semelhança entre a experiência 
romana e a brasileira é a B.
G2S5
CH – PROVA I – PÁGINA 44 ENEM – VOL. 2 – 2020 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
QUESTÃO 84 
População muçulmana no mundo
Disponível em: <http://image.slidesharecdn.com>. Acesso em: 01 nov. 2016.
A religião islâmica apresenta, nos últimos anos, grande 
crescimento no número de adeptos, que estão distribuídos 
pelo globo de maneira heterogênea. Considerando a imagem 
anterior e pensando no objetivo de sua representação, a 
anamorfose foi escolhida porque expressa 
A. 	 características de diversos temas simultaneamente.
B. 	 ausência de comprovação da veracidade dos dados.
C. 	 negligência dos elementos básicos de um mapa.
D. 	 imprecisão na definiçãode distâncias latitudinais.
E. 	 deformações proporcionais aos dados apresentados.
Alternativa E
Resolução: A alternativa E é a correta. As anamorfoses 
são representações gráficas simplificadas, sem escala 
cartográfica e sem os demais elementos básicos de um 
mapa. Trata-se de um registro de comunicação, e não uma 
representação do mundo real. As deformidades apresentadas 
não são aleatórias, mas propositais e calculadas com 
precisão, tornando-se diretamente proporcionais à variável 
considerada: a população muçulmana.
QUESTÃO 85 
Sem a escravidão, não haveria o Estado grego; não 
haveria arte nem ciências gregas [...]. É muito fácil estar 
contra a escravidão [...], e manifestar a imoralidade dessa 
instituição. Infelizmente, porém, agir dessa maneira não 
explica e nada nos ensina de importante sobre a origem de 
semelhante instituição, as razões de sua duração e o papel 
que representou na História. 
ENGELS, F. A revolução na ciência de Herr Dühring. In: MARX, K.; 
ENGELS, F. Sobre literatura e arte. São Paulo: Global, 1979. p. 79-80 
(Adaptação). 
De acordo com a análise anterior, na Grécia Antiga, o papel 
representado pela escravidão está associado à
A. 	 necessidade de garantir o povoamento das regiões 
conquistadas pelos gregos. 
B. 	 valorização da ociosidade como condição do 
desenvolvimento intelectual.
C. 	 escassez de mão de obra qualificada para a produção 
agrária e artesanal. 
D. 	 deficiência do ensino das artes e das ciências praticado 
pelas pessoas livres.
E. 	 indolência das camadas populares urbanas e rurais 
das poleis gregas.
8U2E
HCZQ
Alternativa B
Resolução:
A) O texto-base destaca a importância da prática escravista 
para o desenvolvimento das artes e das ciências, não a 
relacionando ao povoamento das regiões conquistadas 
pelos gregos.
B) O texto-base destaca que “sem a escravidão, não haveria 
o Estado grego; não haveria arte nem ciências gregas”. 
Desse modo, o papel representado pela escravidão pode 
ser associado à valorização da ociosidade, isto é, os 
gregos, sobretudo os atenienses, consideravam o tempo 
livre importante para o desenvolvimento intelectual e para 
o exercício de outras atividades, como as políticas.
C) As pessoas escravizadas na Grécia Antiga eram, 
sobretudo, prisioneiras de guerras, englobando, assim, 
diversos ofícios ou especialidades, não formando 
necessariamente mão de obra qualificada. 
D) Na Antiguidade, foi comum o aproveitamento das 
especialidades das pessoas escravizadas, por exemplo, 
alguns escravos exerciam funções na área de ensino. 
Entretanto, não se pode afirmar que essa situação ocorria 
devido a uma incapacidade das pessoas livres. 
E) A escravidão foi comum na Antiguidade por diversos 
fatores: escassez de mão de obra, necessidade de 
aumentar a produção e valorização do ócio – como 
no caso da Grécia apresentado. Desse modo, está 
incorreto associar o papel da escravidão à “indolência” 
das camadas populares, que exerciam suas atividades 
independente da prática escravista.
QUESTÃO 86 
Mas o início da Revolução Industrial contou também 
com o alto avanço tecnológico, que possibilitou a troca das 
ferramentas e da energia humana pelas máquinas. Foi 
uma fase de encerramento da transição entre o feudalismo 
e o capitalismo, em que o capitalismo se tornou o sistema 
financeiro e econômico vigente, e novas relações entre 
capital e trabalho foram impostas. A burguesia industrial 
buscava maiores lucros, com menores custos e uma 
produção acelerada. Primeiramente, a revolução afetou 
a produção de bens de consumo e, depois, os bens de 
produção.
REVOLUÇÃO INDUSTRIAL. Disponível em: <http://revolucao-
industrial.info>. Acesso em: 30 jan. 2017 (Adaptação).
O trecho anterior descreve o período no qual foi inserida 
uma série de mudanças no mundo do trabalho, entre as 
quais se destaca a
A. 	 introdução do uso de combustíveis fósseis, concedendo 
dinâmica a toda a produção.
B. 	 incorporação do uso de tecnologias nucleares, 
modificando o processo de produção.
C. 	 inclusão da máquina a vapor, dinamizando todo o 
processo de produção industrial.
D. 	 redução da divisão do trabalho social, acarretando na 
queda do número de empregos.
E. 	 diminuição da carga horária de trabalho, fruto de 
disputas entre os patrões e os empregados.
57KD
ENEM – VOL. 2 – 2020 CH – PROVA I – PÁGINA 45BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
Alternativa C
Resolução: O texto-base aborda as mudanças provocadas 
pelo início da Revolução Industrial, isto é, sua primeira fase, 
e mostra a amplitude dessa transformação, que afetou de 
forma brusca o mundo ocidental, alterando as bases do 
trabalho, do Estado e da sociedade. 
Para a solução da questão, o aluno deve saber que, na 
Primeira Revolução Industrial, a introdução da máquina a 
vapor na produção foi a referência tecnológica fundamental. 
“Na primeira fase, entre 1750 e 1800, desenvolve-se a 
máquina a vapor, que vai substituir diretamente o trabalho 
humano e a tração animal; na segunda, entre 1850 e 1870, 
a eletricidade e os combustíveis fósseis passam a alimentar 
as novas máquinas; e já no século XX, após as duas grandes 
guerras, tem lugar a chamada Terceira Revolução Industrial, 
com o advento da energia nuclear e das tecnologias de 
informação.” (DELAZARI, F. Positivismo e Revolução 
Industrial. In: ______. Coleção Estudo 6V. Belo Horizonte: 
Bernoulli Sistema de Ensino, 2017. v. 1. p. 4).
Analisaremos as demais alternativas: 
A) A introdução do uso dos combustíveis fósseis acontece na 
segunda fase da Revolução Industrial, em paralelo com a 
utilização da eletricidade, ao passo que o texto-base se 
refere ao início do referido processo.
B) A introdução das tecnologias nucleares se dá a partir da 
Terceira Revolução Industrial, juntamente com o advento 
das tecnologias de informação, ao passo que o texto-base 
se refere à primeira fase da Revolução Industrial.
D) Ao contrário, houve um aumento da divisão do trabalho 
social, conforme autores clássicos da Sociologia (Marx, 
Weber e Durkheim) demonstram em suas análises. 
E) Os operários, na primeira fase da Revolução Industrial, 
trabalhavam de 12 a 15 horas diárias “[...] em condições 
de trabalho precárias e por salários aviltantes [...]”. 
(MERLO; LAPIS, op. cit., p. 61).
QUESTÃO 87 
Era sempre assim que começava a conversa, cada 
um tinha algo a dizer, enquanto o querosene do candeeiro 
viciava o ar da sala já empesteada pelo cheiro de cebola frita. 
[...] trabalhavam como bestas numa coisa que antes só era 
feita pelos condenados às grilhetas, morriam ali, muito antes 
de ter chegado a sua hora, e tudo isso para nem sequer terem 
carne no jantar. [...] aos domingos sucumbiam, exaustos. 
Os únicos prazeres eram embriagar-se e fazer filhos na 
mulher. E ainda por cima a cerveja fazia crescer a barriga, 
e os filhos, mais tarde, renegavam os pais. Não, não, a vida 
não tinha graça alguma. 
ZOLA, É. Germinal. São Paulo: Martin Claret, 2001. p. 130.
O processo de exclusão social que ocorre concomitantemente 
ao desenvolvimento industrial da Europa no século XIX 
reflete o
A. 	 rompimento das relações produtivas e das instituições 
sociais que vigoravam na sociedade europeia 
pré-capitalista.
B. 	 surgimento de um modo de produção que conjugava 
o progresso tecnológico com a utilização de trabalho 
escravo. 
K4OF
C. 	 desaparecimento quase completo das garantias 
trabalhistas que protegiam os operários contra os 
efeitos da industrialização.
D. 	 envolvimento das classes trabalhadoras com teorias 
sociais que pregavam a desordem e a destruição das 
máquinas como forma de protesto.
E. 	 aumento da cobrança de impostos por parte do Estado 
para o financiamento da produção em detrimento de 
investimentos sociais.
Alternativa A
Resolução: Germinal, romance de Émile Zola, aborda 
as relações de trabalho no processo de consolidação do 
capitalismo. Podemos perceber, por meio da leitura do texto- 
-base, a situação em que os trabalhadores encontravam-se 
no processo de produção. Tal condição foi vivenciadapessoalmente por Zola, que, para escrever seu livro, chegou 
a trabalhar dois meses na extração de carvão como mineiro. 
Para responder corretamente, o aluno deve perceber, 
primeiramente, que o texto-base trata de uma questão recorrente 
durante a Revolução Industrial: as péssimas condições de 
trabalho. Paralelamente, deve-se recordar que a Revolução 
Industrial modificou por completo a estrutura econômica da 
sociedade europeia, desestruturando as bases do feudalismo. 
Com essa desestruturação, ocorre o rompimento com 
as instituições sociais e com as relações produtivas que 
vigoravam na sociedade pré-capitalista. Assim, o modo 
de produção capitalista começa a se consolidar de forma 
definitiva. Em outras palavras, “o desenvolvimento do 
sistema capitalista, ao se constituir em torno da exploração 
do trabalho assalariado, na posse da propriedade e da 
constante criação de necessidades, rompe com a lógica 
que até então dominava a vida em sociedade nos períodos 
pré-capitalistas [...]”. (DELAZARI, F. Positivismo e Revolução 
Industrial. In: Coleção Estudo 6V. Belo Horizonte: Bernoulli 
Sistema de Ensino, 2017. v. 1. p. 4). Portanto, a alternativa A 
é a correta. 
QUESTÃO 88 
Se cada dia cai
Se cada dia cai, dentro de cada noite, 
há um poço 
onde a claridade está presa.
há que sentar-se na beira 
do poço da sombra 
e pescar luz caída 
com paciência.
NERUDA, P. Disponível em: <http://www.poesiaspoemaseversos.com.br>. 
 Acesso em: 30 ago. 2016.
O poema do chileno Pablo Neruda descreve um fenômeno 
diário de natureza geográfica. Nesse contexto, considerando 
que a situação apresentada ocorre na cidade de Santiago, 
no Chile, o trecho “Se cada dia cai dentro de cada noite” 
é interpretado, geograficamente, como uma referência ao 
A. 	retorno da fase da Lua nova. 
B. 	surgimento da aurora boreal.
C. 	giro oeste-leste do eixo terrestre.
D. 	período do Sol da meia-noite.
E. 	equinócio de verão nos trópicos.
9N3Q
CH – PROVA I – PÁGINA 46 ENEM – VOL. 2 – 2020 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
Alternativa C
Resolução: O verso do poema descrito no enunciado da 
questão refere-se a um intervalo com ausência de luz, ou seja, 
ao período da noite. Quando o autor diz que “cada dia cai dentro 
de cada noite”, refere-se a um ciclo. Em outras palavras, basta 
esperar, pois a luz tornará a surgir. Isso se trata do fenômeno 
de rotação terrestre – corretamente exposto na alternativa C –, 
no qual o planeta realiza um giro ao redor de seu próprio eixo, 
o que possibilita a existência dos dias e das noites.
QUESTÃO 89 
Pensando nas correntes e prestes a entrar no braço 
que deriva da Corrente do Golfo para o norte, lembrei-me de 
um vidro de café solúvel vazio. Coloquei no vidro uma nota 
cheia de zeros, uma bola cor rosa-choque. Anotei a posição 
e data: Latitude 49°49’ N, Longitude 23°49’ W. Tampei e 
joguei na água. Nunca imaginei que receberia uma carta 
com a foto de um menino norueguês, segurando a bolinha 
e a estranha nota.
KLINK, A. Parati: entre dois polos. São Paulo: Companhia das Letras, 
1998 (Adaptação).
No texto, o autor anota sua coordenada geográfica, que é
A. 	 a relação que se estabelece entre as distâncias 
representadas no mapa e as distâncias reais da 
superfície cartografada.
B. 	 o registro de que os paralelos são verticais e convergem 
para os polos, e os meridianos são círculos imaginários, 
horizontais e equidistantes.
C. 	 a informação de um conjunto de linhas imaginárias que 
permitem localizar um ponto ou acidente geográfico na 
superfície terrestre.
D. 	 a latitude como distância em graus entre um ponto 
e o Meridiano de Greenwich, e a longitude como a 
distância em graus entre um ponto e o Equador.
E. 	 a forma de projeção cartográfica, usada para 
navegação, onde os meridianos e paralelos distorcem 
a superfície do planeta.
Alternativa C
Resolução: O enunciado é completado com a definição 
de coordenada geográfica, constituída por paralelos 
e meridianos que possibilitam o posicionamento de 
qualquer ponto sobre a superfície da Terra. Sabendo disso, 
a alternativa A está incorreta, pois descreve a noção de 
escala. A alternativa B também está incorreta porque 
a definição de paralelos e meridianos está invertida. 
A alternativa D está incorreta porque a definição de longitude 
e de latitude está invertida. A alternativa E está incorreta, 
pois descreve a projeção cartográfica.
QUESTÃO 90 
Geografia é a ciência da organização do espaço. Logo, 
os fenômenos, as relações, as categorias e as percepções 
espaciais são do interesse dos geógrafos, embora não 
somente deles.
KALIL, T. O vinho em Andradas (MG): sabor, paisagem, lugar, memória 
e perspectivas na percepção dos produtores. Geograficidade, v. 6, 
 n. 2, maio 2016. Disponível em: <http://www.uff.br>. 
Acesso em: 28 out. 2016.
YUTP
MLK2
São categorias espaciais definidas e estudadas pela 
Geografia:
A. 	 Espaço geográfico, modificado pela ação humana; 
lugar, relacionado à vivência afetiva; território, 
estabelecido por relações de poder.
B. 	 Espaço natural, delimitado por processos sociais; lugar, 
compreendido pela vivência afetiva; território, instituído 
por relações de poder.
C. 	 Espaço geográfico, estabelecido pelos elementos 
artificiais; lugar, abrangido em um lance de vista; 
território, marcado por relações de poder. 
D. 	 Espaço natural, criado por elementos naturais e sociais; 
lugar, percebido por um lance de vista; território, 
determinado por relações de poder. 
E. 	 Espaço geográfico, apropriado por certo grupo; lugar, 
demarcado por fronteiras políticas; território, formado 
por relações de poder. 
Alternativa A
Resolução: Algumas das mais importantes categorias 
espaciais, que servem como instrumento à análise espacial 
na Geografia, são lugar, paisagem, região e território. 
A alternativa A define corretamente o espaço geográfico, 
o lugar e o território. Essas categorias são identificadas 
no espaço geográfico, o qual resulta das relações entre 
sociedade e natureza, isto é, o espaço transformado 
pela ação humana diferente do espaço natural em que 
predominam os elementos naturais não modificados pelo ser 
humano. O lugar pode ser definido pelo vínculo afetivo entre 
o sujeito e o meio em que vive. A paisagem é compreendida 
pela visão e pelos demais sentidos. Já o território é instituído 
pelas relações de poder estabelecidas, que determinam o 
seu uso.
ENEM – VOL. 2 – 2020 CH – PROVA I – PÁGINA 47BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO

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