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Homem e Sociedade
Professora conteudista: Kênia Kemp
Sumário
Homem e Sociedade
Unidade I
1 SER HUMANO, CULTURA E SOCIEDADE ....................................................................................................2
1.1 A relação entre indivíduo e sociedade ............................................................................................8
1.2 A questão da influência da natureza sobre a cultura ............................................................11
2 O SURGIMENTO DA CULTURA .................................................................................................................... 18
2.1 A teoria da evolução ........................................................................................................................... 18
2.2 O aparecimento do Homo Sapiens - uma espécie que trabalha ...................................... 21
2.3 A cultura do Homem – uma espécie que troca e se organiza ........................................... 27
3 O SENSO COMUM E A CIÊNCIA ANTROPOLÓGICA EXPLICAM A CULTURA ............................. 36
3.1 A cultura explicada pelo senso comum ...................................................................................... 38
3.2 O conceito antropológico de cultura ........................................................................................... 39
4 A COMUNICAÇÃO HUMANA É SIMBÓLICA .......................................................................................... 49
4.1 O símbolo, o ato de simbolizar e a cultura ................................................................................ 50
Unidade II
5 AS RELAÇÕES HUMANAS DEPENDEM DE VALORES E REGRAS ................................................... 69
5.1 As mudanças de regras e valores ................................................................................................... 75
6 CADA POVO UMA CULTURA, CADA CULTURA UMA SENTENÇA: A DIVERSIDADE 
CULTURAL ............................................................................................................................................................. 84
6.1 A diversidade cultural ......................................................................................................................... 85
6.2 Cultura e visão de mundo ................................................................................................................. 92
7 DIFERENTES CULTURAS, CARACTERÍSTICAS HUMANAS UNIVERSAIS ....................................... 99
7.1 A pesquisa de campo produz o conhecimento antropológico ........................................101
8 QUEM SOMOS, QUEM SÃO ELES: ADMIRAÇÃO E PRECONCEITO NA ALDEIA GLOBAL .....107
8.1 Globalização e diversidade cultural ............................................................................................107
8.2 Identidade cultural em tempos de globalização ................................................................... 110
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Unidade I
Apresentação
A Antropologia Social é uma das ciências da sociedade, voltada à compreensão do comportamento 
humano orientado pela cultura. 
A disciplina Homem e Sociedade baseia-se na antropologia como uma ciência fundamental para que 
você possa compreender como nossas relações sociais são profundamente influenciadas pelo conjunto 
complexo que forma a cultura.
Em nossa convivência com outros, podemos perceber como os objetivos pessoais ou dos grupos 
aos quais pertencemos se chocam o tempo todo com limites, conflitos ou falta de compreensão. 
Compreender a cultura leva a uma nova postura que permite perceber nossa vida em sociedade como 
uma fonte inesgotável de estabelecimento de regras e padrões, e suas constantes mudanças. A isso 
chamamos diversidade. 
Conhecer o comportamento humano da perspectiva da cultura nos possibilita analisar muitas 
situações de uma perspectiva enriquecida pela diversidade. Trabalho em equipe, capacidade comunicativa 
e desenvoltura social são habilidades que podem ser desenvolvidas conforme ampliamos a compreensão 
sobre a cultura e a diversidade.
Você terá a oportunidade de entrar em contato com conceitos da antropologia, tais como socialização, 
diversidade cultural, etnocentrismo, relativismo cultural, identidade cultural, reciprocidade, e perceber 
como se aplicam à nossa vida cotidiana e ao mundo do trabalho e das relações interpessoais.
Iniciando com o conhecimento sobre as origens humanas e o surgimento da cultura, chegaremos a 
questões atuais como a globalização e as relações entre diferentes povos.
Objetivos gerais
Apoiada na antropologia, a disciplina Homem e Sociedade vai possibilitar o desenvolvimento de 
muitas habilidades profissionais e pessoais. A partir de seus conceitos será possível compreender a vida 
cotidiana, além de:
• Proporcionar enriquecimento social, cultural, afetivo e cognitivo ao estudante.
• Comparar, contrastar e desenvolver temáticas ou perspectivas presentes em outras áreas do 
conhecimento de sua formação específica.
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• Proporcionar a integração e o aproveitamento de saberes, tradições e experiências dos vários 
membros componentes das comunidades de seu trabalho, moradia ou lazeres.
• Desenvolver capacidades como autonomia para a seleção, avaliação e utilização das informações 
obtidas, possibilitando uma maior capacidade crítica na tomada de decisões em vários contextos 
da vida.
• Ampliar a participação cidadã do estudante por meio de aprofundamento das capacidades 
críticas para avaliar a importância das mudanças e das reproduções de situações no mundo 
atual.
• Valorizar a importância da diversidade cultural, do conhecimento mútuo e da autonomia, visando 
incrementar a consciência da diferença e o respeito pela mesma.
O FENÔMENO SER HUMANO – UMA ESPÉCIE DIFERENTE
1 SER HUMANO, CULTURA E SOCIEDADE
Objetivos
Neste item será abordada a natureza social do ser humano, e vamos observar nas características 
de comportamento de nossa espécie, o que é inato (de nossa natureza) e o que é adquirido a partir 
da experiência social. Esse debate é comum em nossa vida social, pois procuramos respostas para 
fenômenos como criminalidade, genialidade ou heroísmo. O que determina que algumas pessoas 
desenvolvam comportamentos desses tipos? É a sua “natureza”? É a influência do meio social? 
Para as ciências sociais, somos “animais culturais”, capazes de produzir conhecimento, mas 
dependentes do aprendizado social que é a socialização. Por meio da compreensão de conceitos 
como cultura, natureza e socialização é possível uma nova perspectiva do comportamento 
humano. 
Introdução
Desde o surgimento de nossa espécie no planeta, temos observado que o ser humano surpreende 
por suas capacidades de inteligência, de organização social e de adaptação em diferentes ambientes 
naturais. Essa diferença em relação às outras espécies foi garantida pelo desenvolvimento de nossas 
habilidades sociais e culturais.
Veremos como a cultura, a natureza humana e os processos de socialização se relacionam em nossa 
espécie para determinar nosso comportamento.
Principais conceitos
Cultura, natureza e socialização.
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Ser Humano, Cultura e Sociedade
Atualmente, somos seis bilhões e oitocentos milhões de habitantes no planeta. Devemos 
essa condição aos nossos ancestrais que há milhões de anos desenvolveram a capacidade de se 
adaptar a novos ambientes e de vencer predadores mais fortes e velozes com armas sociais que os 
fizeram imbatíveis: a comunicação,a cooperação, a capacidade de estabelecer regras de convívio 
coletivo etc. Tudo isso só foi possível uma vez que o comportamento humano, diferentemente de 
outras espécies que vivem coletivamente, foi orientado pela cultura ao invés do instinto.
Atualmente, cercados pelas comodidades culturais em uma sociedade moldada pela tecnologia e 
pelo mercado, fica difícil nos imaginarmos como de fato somos: um animal cultural. Somos a única 
espécie a desenvolver um ambiente totalmente controlado para sobreviver, que são as cidades, e, talvez 
por isso, esquecemos uma dimensão constitutiva de nosso ser: os instintos. 
Somos uma espécie modelada pela cultura. Substituímos o comportamento dos impulsos instintivos 
(preservação da espécie por meio da alimentação, reprodução e abrigo) pelas regras de conduta social. 
Apenas dessa forma nossos antepassados puderam deixar uma herança importantíssima baseada na 
acumulação de conhecimentos, nas tradições e nos laços sociais. 
O comportamento humano baseado na cultura e na troca de conhecimento (aprendizagem) 
é o que nos distingue das demais espécies. Não dependemos apenas da herança biológica e 
do comportamento também herdado geneticamente para evoluir. Precisamos de história, das 
experiências das gerações passadas, da capacidade de nos educarmos mutuamente. Portanto, 
dependemos da cultura.
Antropologicamente, a cultura foi definida pela primeira vez no século XIX (1871), por Edward Tylor, 
como “um conjunto complexo que inclui os conhecimentos, as crenças, a arte, a lei, a moral, os costumes 
e todas as outras capacidades e hábitos adquiridos pelo homem enquanto membro de uma sociedade”.
É importante ressaltar, nessa definição já antiga de Tylor, que a caracterização da cultura é o resultado 
de processos de aprendizagem. 
Nenhum de nossos padrões de comportamento coletivo é herdado geneticamente, eles são 
adquiridos, e para isso dependemos do convívio com o meio social. Quando nascemos não temos 
“tendências naturais” em relação à crença, bem como a qualquer tipo de alimentação. Tudo 
em nossa vida coletiva, desde a língua com a qual nos comunicamos, os hábitos rotineiros de 
alimentação e vestuário, nossa noção de moral, enfim, tudo o que compartilhamos ao viver em 
sociedade e que podemos observar que se repete na maioria dos indivíduos de nosso grupo, é 
resultado de um processo de aprendizagem da cultura, e a isso denominamos socialização.
Vamos compreender melhor o importante conceito de socialização.
Comecemos pela definição de autores importantes para as ciências da sociedade. Peter e Brigitte 
Berger afirmam que:
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 “O processo por meio do qual o indivíduo aprende a ser um membro da sociedade, 
designado pelo nome de socialização, não tem fim e pode dividir-se em socialização 
primária e socialização secundária. A família é tradicionalmente a instituição responsável 
pela socialização primária e a escola, o trabalho e as demais instituições são responsáveis 
pela socialização secundária.1”
Esses autores exploraram os processos de aprendizagem da vida social, demonstrando que quase 
tudo em nosso comportamento precisa ser modelado desde os primeiros momentos de vida, e que esse 
processo não termina nunca. Em cada fase de nossa vida social, somos exigidos a adquirir novos padrões 
que nos permitem conviver em coletividade. 
Podemos concluir que a socialização compreende todas as formas de aprendizado em sociedade. 
Tem início com as exigências de condutas dentro da família, que é nossa primeira experiência de vida 
social, se estendendo depois aos contatos sociais cada vez mais amplos como a escola, a vizinhança, 
as amizades, o ambiente profissional, a vida religiosa, a participação em associações ou clubes, os 
lazeres etc.
Você percebe que quando começa o convívio em um novo grupo social existe uma tendência a 
observar o comportamento dos outros? Esse processo vai criando referências sobre como devemos nos 
comportar, como os outros reagem a determinadas situações. Assim, podemos agir com mais segurança 
dentro dessas situações, pois aos poucos as coisas vão se tornando mais previsíveis a medida que nos 
habituamos e incorporamos muito dessa dinâmica coletiva.
Pode-se dizer, ainda, que a socialização é uma forma de educação, mas vai para além dela. Mesmo 
em contextos nos quais as pessoas não têm consciência de que estão se educando mutuamente, o 
contato social indica formas esperadas de comportamento.
Assim, podemos interagir com os outros sabendo seguramente que de acordo com nossa conduta 
pessoal podemos esperar um ou outro tipo de resposta. Por exemplo: se nos dirigimos com bons modos a 
alguém, esperamos ter o mesmo tipo de tratamento, ao passo que, ao sermos agressivos, podemos esperar 
também uma reação agressiva. Quando, por exemplo, professamos determinada religião, entramos para 
uma nova turma de amigos ou um grupo praticante de determinado esportes, aprendemos como nos 
comportar, como pensar sobre aquele assunto, como interagir com os outros membros do grupo. Mesmo 
sem termos consciência, estamos sendo socializados nesses meios.
De acordo com a nossa cultura e a socialização, controlamos até mesmo os horários de fome, a 
postura corporal e os gestos, os hábitos de higiene pessoal e as formas de tratamento de saúde etc. 
Ou seja, cada cultura corresponde a um padrão diferente de realizar todas essas coisas necessárias à 
vida social, e que consideramos ser “normal” todos fazerem. E nenhuma dessas condutas é inata, ou 
seja, componente da nossa natureza. Aprendemos cada um dos procedimentos de conduta pessoal 
que possibilite o convívio coletivo de acordo com padrões herdados e modificados constantemente.
1 (BERGER, P., BERGER, B. “Socialização: como ser um membro da sociedade”. In: FORACCHI, M.; MARTINS, J. S. 
(Org.). Sociologia e sociedade. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos, 1977).
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Voltando ao conceito de cultura de Edward Tylor, podemos perceber que, apesar da cultura ser um todo 
complexo adquirido por cada um de nós “enquanto membros da sociedade”, esquecemos que somos um 
“animal cultural”. A cultura tem uma influência tão profunda em 
nossa forma de encarar o mundo que pensamos, durante a maior 
parte do tempo, que tudo é muito “natural”. De fato, um indivíduo 
da espécie homo sapiens é dotado de potencialidades inatas, 
como linguagem, inteligência, postura bípede etc. Entretanto, 
nenhuma dessas características se desenvolve “naturalmente”. 
Precisamos, portanto, dos estímulos do meio para que cada uma 
delas seja utilizada, desenvolvida e lapidada.
Existem alguns exemplos históricos capazes de sugerir que nossa espécie é totalmente dependente da 
influência do meio para desenvolver comportamento humano, são as chamadas “crianças selvagens” ou 
“meninos-lobo”. Essas crianças foram assim denominadas, pois em decorrência de razões desconhecidas, 
foram abandonadas em florestas ou lugares isolados, sem qualquer contato com nenhum outro ser 
humano, talvez desde que eram ainda bebês. Encontradas em idades mais avançadas, elas costumam 
apresentar um comportamento totalmente “animal”, sem nenhum traço que permita lembrar que são 
seres humanos.
Os casos mais conhecidos são as irmãs Amala e Kamala, encontradas na Índia em 1920. Ambas 
se alimentavam de carne crua ou podre, emitiam ruídos ao invés de utilizarem linguagem, andavam 
apoiadas nos quatro membros, usavam os cotovelos para trajetos curtos e não apresentavam sinais de 
afetividade.
Veja o trecho de um artigo científico de resenhas que trata do desenvolvimento da linguagem humana:
Em 1920, chamado por um vilarejo a sudoeste de Calcutá para exorcizar fantasmas,o 
reverendo Singh teria descoberto que os “fantasmas” não passavam de duas meninas, que 
dormiam, comiam e, enfim, viviam para todas as finalidades com um grupo de lobos. Tendo-
as seguido até a toca em que moravam, Singh teria cavado um buraco até resgatar as duas 
crianças. A mais velha teria por volta de oito anos e a mais nova, um ano e meio. O reverendo 
as levou para viver no orfanato que administrava juntamente com sua esposa, e protegeu as 
crianças da curiosidade da imprensa e da ciência enquanto pôde. Mas ele próprio coletou e 
registrou muitas informações sobre as meninas.
Segundo ele, elas não tinham senso de humor, tristeza ou curiosidade e nem senso de ligação 
afetiva a outras pessoas. Elas nunca riam; e as únicas lágrimas derramadas pela mais velha, 
Kamala, aconteceram na ocasião da morte de sua pequena irmã, devido a uma grave diarreia 
causada por uma infestação de vermes.
Para o casal Singh, embora se parecesse fisicamente com qualquer outra criança de oito 
anos, Kamala se comportava como um bebê de um ano e meio. Mas, apesar de seu silêncio, 
começou pouco a pouco a entender palavras. Logo depois, começou a pronunciar algumas 
dessas palavras: Kamala estava adquirindo linguagem.
O curioso sobre a socialização é que, 
a partir do momento em que tornamos 
rotina ou hábito cada um desses 
procedimentos, passamos a encarar 
com naturalidade, e esquecemos 
que dependemos do contato com a 
sociedade para adquirir conhecimentos, 
crenças, moral, leis etc.
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Por oito anos, Kamala viveu no orfanato; mas, como nos relatos (reais ou fictícios, que acabaram 
por inspirar a criação da personagem Mogli, de Rudyard Kipling) de outras crianças-lobo 
indianas e como no caso de sua irmã Amala, ela não estava destinada a uma vida longa. Em 
1928, sua saúde começou misteriosamente a declinar, culminando seu sofrimento em sua 
morte, no ano seguinte.
(Massini-Cagliari, Gladis. DELTA, São Paulo, v. 19, n. 1, 2003). 
Analisando esses casos, muitos cientistas concluem que o ser humano é um “animal cultural” em 
potencial, pois nascemos com todas as características que nos habilitam ao comportamento que nos 
caracteriza. Entretanto, precisamos do estímulo da vida em sociedade que exige o desenvolvimento de 
capacidades como inteligência, comunicação e cooperação. Para exercitar essas capacidades, precisamos 
de modelos, exemplos que podem ser seguidos. A cultura é exatamente esse modelo. 
Em quais aspectos esse “exercício de capacidades” nos afeta? Pense sobre sua vida social, 
como, por exemplo, o fato de estar em contato com alguém para uma simples conversa nos fazer 
exercitar não apenas o nosso modo de agir de acordo com as regras, como ser alguém conveniente 
com a situação. 
 Cada um de nós ao ser socializado em uma cultura, passa a aprender sempre e gradativamente 
como utilizar coisas como o corpo, o intelecto, a emoção e as regras de convívio social. Quando 
esse aprendizado funciona de forma interativa, faz com que cada um de nós saiba como se 
comportar. 
Vamos trabalhar alguns exemplos sobre a socialização e o aprendizado das atitudes sociais. Para 
um mulçumano, por exemplo, faz sentido se autoflagelar quando morre um líder político, expressando 
todo seu pesar e sofrimento; todos esperam de seus colegas esse comportamento. Entretanto, em nossa 
cultura, os padrões, valores e hábitos são bem diferentes, e nossa reação diante da morte de políticos não 
segue esse tipo de conduta. Podemos citar muitos outros exemplos como este, e com isso percebemos 
como a cultura e os processos de socialização modelam nossa forma de perceber o mundo e agir em 
cada situação.
Quanto mais somos expostos a situações, mais a compreendemos, e nos tornamos pessoas mais 
seguras de nossas atitudes.
As pessoas aprendem como e em que momento podem utilizar as emoções. Durante uma cerimônia 
de casamento as pessoas não agem da mesma forma como em uma torcida de jogo. Em cada uma 
dessas situações é necessário saber como e em que momento expressar as emoções (como rir, chorar, 
gritar, levantar, sentar etc.).
Em cada cultura, esses padrões de comportamento coletivo variam imensamente, e quase não temos 
exemplos que nos permitam afirmar que cultura faz parte da nossa natureza. Se fosse “natural” o nosso 
comportamento, ele não sofreria tanta variação de um lugar para o outro, e de uma época para a outra, 
pois seguiríamos uma orientação única. 
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Entretanto, a imensa diversidade cultural humana reforça a tese segundo a qual a cultura é resultado 
da interação do indivíduo com seu grupo social. Ao mesmo tempo em que aprendemos e reproduzimos 
nossa cultura, colaboramos para suas mudanças ou para manter hábitos e tradições.
Você poderá constatar, nas próximas unidades, que de uma cultura para outra há variações em situações 
idênticas, que algumas vezes podem ser bem pequenas, mas outras vezes podem ser imensas.
As fronteiras entre o inato e o adquirido são extremamente tênues e vacilantes. 
Pode-se dizer que todo comportamento humano, do mais simples ao mais complexo, 
contém um pouco de cada uma dessas duas dimensões. Geertz2 nos traz o exemplo da 
anatomia humana: natural e fisiologicamente preparada para a fala, de nada serviria 
se vazia de cultura, uma vez que é ela que nos fornece as línguas, os idiomas e os 
dialetos a falar. (Leitão, Débora K. A arte de sensibilizar o olhar, ou por que ensinar 
antropologia)
Pense no caso dos funerais. A dor da perda de um 
indivíduo tem sido, ao longo da história humana, um caso de 
exemplo de diversidade. Os funerais são rituais que expressam 
diferentes questões humanas com relação à inevitabilidade da 
morte, dos medos sobre a condição do morto após a morte, 
da putrefação do corpo, da perda de um ente querido, enfim, 
de uma infinidade de coisas que cada cultura responde de 
uma forma diferente.
A cremação e o canibalismo do corpo do indivíduo 
morto são formas de solucionar a sua decomposição 
física. Os egípcios desenvolveram o embalsamento para 
evitar esse processo. Já o sepultamento é uma forma de 
afastar os vivos dos mortos.
Há rituais fúnebres tradicionais, como os excêntricos realizados na cidade de New Orleans nos 
Estados Unidos. Há uma procissão que leva o corpo até o cemitério, acompanhada de uma banda de 
jazz, que segue entoando canções tristes e cheias de lamento. Os parentes e amigos que seguem a 
procissão a pé demonstram tristeza, perda e consternação.
Entretanto, ao sair do cemitério, a procissão faz o caminho inverso, retornando. E de fato, tudo se 
inverte. A música se torna alegre e agitada, e as pessoas que seguem a procissão dançam, demonstram 
muita alegria e satisfação.
Isso é um exemplo de diversidade, e de como dependemos de um aprendizado social para dar sentido 
a tais ações.
2 Geertz, Clifford. A interpretação das culturas. Rio de Janeiro: LTC. 1989.
Leitura complementar: procure pelo 
artigo de Roseney Bellato e Emília 
Campos de Carvalho, chamado “O jogo 
existencial e a ritualização da morte”, 
conforme indicação eletrônica abaixo:
BELLATO, Roseney; Carvalho, Emília 
Campos de. O jogo existencial e a 
ritualização da morte. Rev. Latino-Am. 
Enfermagem, Ribeirão Preto, v. 13, n. 
1, fev. 2005. 
Disponível em: em <http://www.
sc ie lo .br /sc ie lo .php?scr ip t=sc i_
arttext&pid=S0104-116920050001000
16&lng=pt&nrm=iso>. acesso em: 12 
de outubro de 2010.
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Na ciência, em geral, não há uma ideia única ou provas que garantam quais traços decada indivíduo 
seriam “inatos” e quais teriam sido “adquiridos”. A “filosofia do homem comum” também não apresenta 
um consenso. 
Você já percebeu frases muito comuns em nosso dia a dia, que ora defendem que somos fruto de 
uma herança genética e ora defendem a importância do aprendizado? 
Vamos ver alguns exemplos:
• “Tal pai, tal filho”. — Não parece que há uma crença na herança genética como 
fator que determina, e, portanto, que nosso comportamento é inato?
• “É de pequenino que se torce o pepino.” — Há uma defesa da importância do 
comportamento adquirido, e, portanto, do aprendizado.
• “Diga-me com quem andas, e direi quem és.” — Novamente percebemos a 
importância da influência da sociedade e da socialização.
• “A fruta nunca cai longe do pé.” — Esse exemplo retoma a defesa das características 
inatas.
 Portanto, quando você tiver a sua próxima atitude social, seja ir buscar um café para dar uma pausa 
nos estudos ou no trabalho, seja responder a um pedido de seu chefe, você poderá se lembrar que somos 
resultado de uma cultura, e que compreender seus mecanismos nos possibilita uma nova visão sobre os 
fenômenos humanos.
Síntese
Perceber que não somos apenas guiados pela genética e pelas chamadas características inatas é 
muito importante para valorizar os processos de convívio social.
Aprender a conviver em grupo e conhecer as regras desse convívio é essencial para 
desenvolvermos nossas potencialidades como humanos. Muito pouco de nossas habilidades 
são comprovadamente inatas, ou seja, herança de uma carga genética. A maior parte do que 
realizamos ao longo de nossas vidas dependem de processos de convivência em grupo e de troca 
de conhecimentos.
1.1 A relação entre indivíduo e sociedade
É possível afirmar que cada indivíduo é produto do meio, ou o produto de uma herança genética? 
Bem, qualquer cientista da área das ciências médicas e biológicas tende a dar uma resposta com 
ênfase às nossas características inatas, ou seja, que nascem conosco e podem definir tendências de 
comportamento.
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Por outro lado, as ciências humanas procuram enfatizar a importância do meio social como 
modelador das capacidades inatas, que podem ou não ser desenvolvidas ao longo da vida de cada um. 
Para resolver esse impasse, precisamos considerar que nenhuma dessas ciências pode afirmar com plena 
certeza a respeito de todas as características do comportamento humano, pois ainda há muito a ser 
pesquisado e compreendido. Uma posição que pondere ambos os pontos de vista pode responder de 
forma satisfatória nossos questionamentos.
Sem dúvida cada um de nós carrega potencialidades diferentes para esta ou aquela tarefa, 
mas precisamos fazer escolhas ao longo de nossas vidas, e elas sempre são limitadas por condições 
socioeconômicas, oportunidades, contatos sociais etc. Portanto, não há como verificar “se tivesse 
escolhido outra carreira, como teria me saído?”
Nosso comportamento é resultado da combinação 
entre a influência de nossa cultura, nossas capacidades 
inatas e a história de vida pessoal. Para nos desenvolvermos 
plenamente como seres humanos, precisamos da referência 
de comportamento dado pela sociedade. É a partir dessa 
perspectiva que podemos reconhecer que cada um de nós é 
um “indivíduo-social”. 
Para refletir sobre a imensa variedade de comportamentos individuais, que levam algumas pessoas 
a se revelarem “gênios”, outras “heróis”, outras “criminosos”, temos que recorrer tanto às ciências 
sociais quanto às biociências. Sob o enfoque da perspectiva antropológica, obviamente nossa herança 
genética é importante e deve ser considerada como um fator que pode facilitar ou impedir certos 
comportamentos. Entretanto, essa herança por si só, não garante necessariamente a tendência aos 
indivíduos desenvolverem hábitos e características tão marcantes.
Vamos refletir mais sobre isso. Suponha que um cientista vá fazer uma pesquisa em favelas urbanas, 
onde os recursos materiais de sobrevivência são mínimos e as crianças têm pouco acesso à educação. 
Suponha que ele verifique que em um ambiente de cem crianças, cinco possuem o que chamamos de 
“ouvido absoluto”, uma capacidade de distinguir com absoluta precisão as notas musicais emitidas. 
Apesar de possuírem essa capacidade, essas crianças dificilmente terão oportunidades sociais de 
desenvolver essa habilidade. Portanto, a habilidade inata, nesse caso, será de pouca valia para a vida 
pessoal dessas crianças.
Podemos desdobrar esse exemplo para outras 
características, tais como o Q.I. (Quociente de Inteligência), 
habilidade para expressão corporal, memória etc. 
Podemos citar também características tais como o gene 
da obesidade ou da dependência química. O fato de um 
indivíduo ser portador de qualquer uma dessas heranças 
genéticas não é suficiente para garantir que ele vá 
desenvolver um comportamento para utilizar bem esses 
recursos.
A questão importante nesse item 
é: o ser humano é produto do meio ou 
produto de sua própria natureza?
Um indivíduo pode ter uma carga 
genética que o destaca dos demais, 
como inteligência acima da média 
ou habilidade artística de excelência, 
mas, sem as condições sociais para 
desenvolver suas potencialidades, de 
nada adianta.
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Assim, para a antropologia, a experiência estimulada e garantida pelo meio social pode ser 
muito mais determinante do que qualquer característica inata. O aprendizado, o reforço, o 
estímulo e o reconhecimento de nossas atitudes e habilidades por parte do grupo social são de 
extrema importância para o desenvolvimento de características desejadas. Todos gostam de ser 
premiados, elogiados e reconhecidos, assim buscamos demonstrar empenho no desenvolvimento de 
habilidades esperadas pelo grupo social. Mas, ao contrário, quando somos reprimidos, repreendidos, 
tolhidos em certos comportamentos, sendo excluídos do bom convívio social, procuramos evitar 
esse comportamento.
A sociedade está o tempo todo nos apoiando ou reprimindo, e isso é necessário para que possamos 
ter uma garantia de que todos se comportem de forma ética e dentro dos padrões aceitos. 
Certamente, os padrões mudam de uma época para outra, pois a sociedade é dinâmica e está em 
constante mudança. Portanto, temos que ter bom senso em relação à aceitação ou não de certas 
repressões e também de certos estímulos.
Como indivíduo, cada um de nós passa a vida sendo influenciado e influenciando a sociedade. É um 
processo recíproco do qual não temos como fugir, pois precisamos do convívio social.
Agora vamos pensar. A recíproca é verdadeira? Quanto é que cada um de nós pode interferir em 
nossa sociedade?
Isso é muito interessante. A resposta é sim. O grupo sofre a interferência de seus indivíduos. Uma 
sociedade que cria condições favoráveis, por meio de instituições e de sua determinação coletiva, ou de 
seus valores, para permitir que um número cada vez maior de indivíduos possa desenvolver plenamente 
suas potencialidades, se tornará uma sociedade melhor.
Isso acontece em qualquer grupo social, assim como na família ou nas empresas. As características 
de um grupo dependem das características de seus indivíduos, mas um e outro não podem fazer muita 
coisa isoladamente.
As realizações de uma coletividade estão sempre relacionadas com a possibilidade de seus 
indivíduos realizarem conquistas, que vão interferir diretamente na condição de todos. Claro 
que há os “gênios” que surgem em todos os momentos da história. Gênios dos esportes, da 
intelectualidade, das artes, da religião, da política etc. Mas essa não é a realidade de todos os dias 
para todos os povos.
Para finalizar, portanto, consideramos “indivíduo”e “sociedade” aspectos inseparáveis para falarmos 
de seres humanos.
Para ilustrar essa discussão, leia um trecho do livro de Roque de Barros Laraia:
Em outras palavras, não basta a natureza criar indivíduos altamente inteligentes, isto 
ela o faz com frequência, mas é necessário que coloque ao alcance desses indivíduos o 
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material que lhes permita exercer a sua criatividade de uma maneira revolucionária. Santos 
Dumont (1873-1932) não teria sido o inventor do avião se não tivesse abandonado a sua 
pachorrenta Palmira, no final do século XIX, e se transferido em 1892 para Paris. Ali teve 
acesso a todo o conhecimento acumulado pela civilização ocidental. Em Palmira, o seu 
cérebro privilegiado poderia talvez realizar outras invenções, como, por exemplo, um eixo 
mais aperfeiçoado para carros de bois, mas jamais teria tido a oportunidade de proporcionar 
à humanidade a capacidade da locomoção aérea. Albert Einstein (1879-1955) não teria 
desenvolvido a teoria da relatividade se tivesse nascido em uma distante localidade do 
Himalaia e lá permanecido. Mas, por outro lado, se Alberto Santos Dumont tivesse morrido 
em sua primeira infância, fato comum no lugar e época em que nasceu, e se Albert Einstein 
tivesse sido consumido pela voragem de uma das guerras europeias do final do século XIX, a 
humanidade teria que esperar um pouco mais, talvez, pelas suas descobertas. Mas certamente 
não ficaria privada da teoria da relatividade e do aeroplano, pois outros cientistas e inventores 
estariam aptos para utilizar os mesmos conhecimentos e realizar as mesmas façanhas.
(Laraia, R. B. Cultura, um conceito antropológico. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2006, p. 46-47)
Síntese
Portanto, para as ciências da sociedade, a herança genética dos indivíduos não é garantia para 
determinar seu desenvolvimento ao longo da vida. Essa natureza que dá características únicas a 
cada indivíduo depende de sua condição social e de sua interação com o meio. Os indivíduos sofrem 
interferência de seu meio social, e, por outro lado, o meio sofre a influência de cada um. Por isso, quanto 
mais a sociedade der condições de desenvolvimento das potencialidades de cada um, mais irá realizar 
feitos e conquistas.
1.2 A questão da influência da natureza sobre a cultura
É bastante comum a ideia de que o comportamento de um povo possa sofrer influências de elementos 
da natureza, como a genética ou o meio ambiente.
Há uma grande polêmica na ciência, mas de uma forma geral, há também um consenso que gira 
em torno da afirmação que elementos naturais podem influenciar, mas nunca são os únicos fatores a 
determinar o comportamento de um povo.
Apesar desse consenso, existem ainda aqueles que retiram a importância da cultura e explicam 
o comportamento humano apenas por fatores que não fazem parte de escolhas humanas, como a 
genética ou o ecossistema3. Para os que defendem que a cultura é um mero reflexo das condições 
naturais de um povo (sua genética e seu ecossistema), há as teses que chamamos de “determinismo 
biológico” ou, ainda, o “determinismo geográfico”.
3 As características genéticas fazem parte de uma herança biológica que os indivíduos não podem controlar, por 
isso afirma-se que são influências das quais não podemos fazer escolhas; o mesmo se dá com o meio ambiente e as 
características naturais do território que abriga um povo. Populações inteiras precisam se adaptar ao deserto, enquanto 
outras possuem florestas e rios. Nada disso é resultado das escolhas humanas.
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Roque de Barros Laraia, antropólogo brasileiro, demonstra em seus capítulos iniciais do livro 
Cultura: um conceito antropológico, que essas teses são equivocadas e não consideram dados 
importantes. A antropologia preocupa-se em demonstrar a importância da cultura e minimizar 
coisas como nossas características físicas ou o clima e a geografia do lugar em que nascemos.
Ao discordar das teses deterministas, ele argumenta que mesmo em ambientes muito semelhantes, 
mas distantes geograficamente, os grupos humanos desenvolvem hábitos muito diferentes. 
Assim, não é “natural” que em um lugar muito frio as pessoas criem casas de peles de animais para se 
aquecerem, como fazem os lapões (ou também o povo sami) no extremo norte da Europa. Os esquimós, 
por exemplo, vivem em um clima idêntico, mas desenvolveram casas feitas com blocos de gelo, os 
famosos iglus. 
Leia esse trecho para perceber a importância desse debate sobre a relação natureza versus 
cultura:
São velhas e persistentes as teorias que atribuem capacidades específicas inatas a “raças” 
ou a outros grupos humanos. Muita gente ainda acredita que os nórdicos são mais inteligentes 
do que os negros; que os alemães têm mais habilidade para a mecânica; que os judeus 
são avarentos e negociantes; que os norte-americanos são empreendedores e interesseiros; 
que os portugueses são muito trabalhadores e pouco inteligentes; que os japoneses são 
trabalhadores, traiçoeiros e cruéis; que os ciganos são nômades por instinto, e, finalmente, 
que os brasileiros herdaram a preguiça dos negros, a imprevidência dos índios e a luxúria dos 
portugueses. 
Os antropólogos estão totalmente convencidos de que as diferenças genéticas não são 
determinantes das diferenças culturais.
(Laraia, Roque de Barros. Cultura – um conceito antropológico, Jorge Zahar. 2006, 19 Ed, pg. 17)
Os antropólogos reforçam a tese de que não existem determinismos, a cultura não é uma 
mera herança natural e a espécie humana é mais complexa do que a combinação entre genes e 
clima.
De todas as pesquisas desenvolvidas pela antropologia entre diferentes povos, há uma única 
e primeira proposição que nos faz pensar que eles têm razão. Por exemplo, tome um bebê de 
qualquer origem genética, mas o leve a ser criado em uma cultura, entre um povo bem diferente 
de sua origem.
Essa criança, com toda certeza, vai desenvolver linguagem, valores e hábitos cotidianos que são 
compatíveis com seu lugar de desenvolvimento, e não de seu lugar de origem. Não há facilidade ou 
dificuldade para aprender qualquer língua, hábito alimentar ou crença, quando crescemos com tudo 
isso como algo normal.
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Assim, por exemplo, se um casal da Dinamarca adotar um bebê japonês, e jamais ensinar a essa 
criança como comer com “palitos”, ela vai ter tanta dificuldade em aprender isso quanto qualquer 
ocidental que aprendeu a comer com talheres.
Por isso, não é correto confundir características de comportamento que são culturais e 
desenvolvidas pela história de um povo, com uma espécie de “essência”, como se fosse sua natureza 
que determina.
O comportamento cultural é um conjunto complexo de conhecimentos desenvolvidos ao longo de 
gerações, como necessidades, crenças, valores e ética de vida coletiva, entre outras coisas. 
Por isso, julgar uma cultura é uma operação que requer, antes de mais nada, que se conheça suas 
razões. O julgamento sem conhecimento de causa se chama preconceito.
Para enriquecer esse debate, leia o trecho abaixo em que os autores demonstram os erros do 
pensamento determinista.
O determinismo biológico
No século XIX e na primeira metade do século XX, o conceito de raça fazia parte da centralidade 
do debate em torno do determinismo biológico. Nessa época, fervilhavam teorias que defendiam 
a existência de capacidades específicas, inatas de determinadas raças. Assim, era comum a defesa 
de teorias que se baseavam na existência da superioridade-inferioridade dos povos,ignorando por 
completo as suas diferenças como elemento fundamental da diversidade humana. Essa condição se 
reproduziu dentro de lógicas racistas e de intolerância face às diferenças culturais, políticas, sociais, 
econômicas e ambientais.
Apesar da perplexidade de parte da sociedade, foi possível, em pleno século XX, o redescobrimento 
de atitudes refletindo o velho pensamento sobre inferioridade-superioridade das raças. Mas existem 
aqueles que ainda acreditam na diferença inata entre “povos do norte” e “povos do sul”.
Baseados em concepções em que os fatores de ordem biológica determinam o comportamento 
humano, muitos chegaram a defender verdadeiros absurdos que, drasticamente, ganharam corpo e 
ressonância em nível mundial. Na Alemanha, a concepção da superioridade da raça adquiriu status 
de uma ideologia de Estado (o nazismo), atingindo proporções avassaladoras a partir de 1939. Uma 
concepção de cultura local ou regional que se elevou a um sistema de explicação justificando uma 
doutrina de Estado.
(Canto, Otavio; Almeida, Jacione. Meio ambiente: determinismos, metamorfoses e relação sociedade-natureza. Texto disponível 
em: <www6.ufrgs.br/pgdr/arquivos/746.pdf> , pp. 6-7)
As ciências, de forma geral, e as ciências humanas, em particular, exigem atitudes de imparcialidade. 
Julgar populações inteiras e seus costumes não faz parte de uma atitude científica. Grande parte 
do conhecimento da antropologia procura demonstrar a falta de fundamentos válidos em atitudes 
preconceituosas que estão presentes no costume de “julgar os outros”.
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Até mesmo a “guerra dos sexos”, que é uma reação feminina ao machismo predominante em nossa 
sociedade, usa a tese do determinismo biológico para desfavorecer o sexo feminino. Vale lembrar que, 
muitas vezes, há um reforço de que “a natureza feminina” e a “natureza masculina” sejam a explicação 
para situações criadas ao longo da história, e que servem para reforçar a ideia de que deve existir um 
sexo submisso (feminino) e um sexo dominante (masculino).
Mas, mesmo sobre essas ideias preconceituosas, a antropologia procura demonstrar que não há 
verificação válida para sustentar a relação desigual entre os sexos.
Leia abaixo um trecho do livro de Roque de Barros Laraia.
A verificação de qualquer sistema de divisão sexual do trabalho mostra que ele é 
determinado culturalmente e não em função de uma racionalidade biológica. O 
transporte de água para a aldeia é uma atividade feminina no Xingu (como nas favelas 
cariocas). Carregar cerca de vinte litros de água sobre a cabeça implica, na verdade, um 
esforço físico considerável, muito maior do que o necessário para o manejo de um arco 
(arma de uso exclusivo dos homens). Até muito pouco tempo, a carreira diplomática, 
o quadro de funcionários do Banco do Brasil, entre outros exemplos, eram atividades 
exclusivamente masculinas. O exército de Israel demonstrou que a sua eficiência bélica 
continua intacta, mesmo depois da maciça admissão de mulheres soldados.
(Laraia, Roque de Barros. Cultura – um conceito antropológico. Jorge Zahar, 2006)
É importante lembrar que todo tipo de tese que procura explicar características de comportamento 
humano por meio de uma única explicação pode ser questionada. 
O ser humano é um fenômeno bastante complexo para ser explicado apenas por meio de sua biologia, 
ou de sua localização geográfica, de sua influência em relação aos outros. A antropologia procura 
demonstrar que a vida social permite uma grande riqueza 
de interpretações e abordagens sobre o comportamento 
humano.
A diversidade cultural demonstra essa complexidade. Em 
todos os lugares em que se forma um grupo humano há a 
tendência à inovação, à criação de novas condutas e formas 
de pensar o mundo.
Se não há determinismos, o que explica a diversidade cultural?
O ser humano é uma espécie moldável e criativa. Em cada grupo social, as respostas às 
necessidades resultam em uma história que é única para aquele grupo. Portadores das marcas da 
história, das experiências coletivamente vividas, das soluções criadas, os grupos vão construindo um 
conjunto absolutamente único que é sua cultura. 
A cultura é um processo e não resultado de um único fator.
Sugestão de leituras:
Canto, Otavio; Almeida, Jacione. Meio 
ambiente: determinismos, metamorfoses 
e relação sociedade-natureza.
Texto disponível em: <www6.ufrgs.
br/pgdr/arquivos/746.pdf>
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Saiba Mais
O que são as teses “deterministas”?
• São teses que procuram explicar o comportamento de populações humanas, a partir da 
determinação de um ou dois únicos fatores. 
• Chamam-se deterministas porque pretendem que a biologia ou a geografia de um povo 
determine todo o seu comportamento.
Em nosso conteúdo tratamos de duas dessas teses:
• “Determinismo biológico”, que pretende que as características biológicas de um povo 
determinem seu comportamento.
• “Determinismo geográfico”, que pretende que as características do ecossistema de um povo ou 
os elementos de sua geografia determinem seu comportamento.
A antropologia e todas as ciências da sociedade discordam dessas teses deterministas e procuram 
demonstrar que, na maior parte das vezes, a biologia e a geografia influenciam certos comportamentos, 
mas nunca os determinam.
Uma cultura é sempre o conjunto de muitos fatores, como a história desse povo, suas 
necessidades e formas de supri-las; os valores e conhecimentos transmitidos; o conjunto de 
hábitos e regras sociais etc.
Síntese
O ser humano depende da cultura para realizar suas capacidades inatas, como inteligência 
e comunicação. É por meio da socialização que nos tornamos membros de uma sociedade. Não 
existem indivíduos que não sejam parte de uma sociedade. Somos, ao mesmo tempo, modelados 
por ela e podemos transformá-la, pois a cultura é dinâmica e está sempre sendo modificada pelos 
indivíduos.
Apesar de nascermos com algumas características inatas, ao longo de nossas vidas, as 
oportunidades sociais para desenvolvê-las serão extremamente importantes. Não adianta nascer 
com um “Q.I.” de gênio e, por necessidade ou opção, desenvolver uma carreira que depende do 
desempenho físico e não do cérebro. 
EXERCÍCIOS
1) Segundo Laraia (2004), o primeiro escritor a definir o conceito de cultura foi Edward Tylor em 
1871. Na verdade, ele sintetizou ideias sobre o tema que já existiam, pelo menos, desde Locke (1632 
– 1704). Desta forma, Tylor definiu o termo da seguinte forma:
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Culture, que “tomado em seu amplo sentido etnográfico é este todo complexo que inclui 
conhecimentos, crenças, arte, moral, leis, costumes ou qualquer outra capacidade ou hábitos adquiridos 
pelo homem como membro de uma sociedade”. 
Assinale a alternativa correta. O conceito de cultura de Tylor traz a noção de:
a) Aquisição inata.
b) Fruto da ação mecânica da natureza sobre uma humanidade receptiva.
c) Aprendizado em oposição à ideia de aquisição inata.
d) Resultado da ação do homem como ser sobrenatural.
e) Um processo estático que se reproduz a cada geração.
2) A socialização é um processo que habilita qualquer indivíduo a participar de um grupo social. 
Sobre o conceito de socialização, assinale a alternativa correta.
a) Trata-se de uma forma de aprendizado que depende da boa qualidade da escola.
b) É um processo que, para ser bem sucedido, depende da natureza de cada indivíduo, por isso os 
mais inteligentes são mais bem socializados.
c) Como faz parte do convívio social, a socialização afetaapenas os indivíduos que convivem em 
grupos fora da família.
d) É uma forma de aprendizado da forma como cada um deve se comportar em situações sociais, 
portanto começa na família e continua ao longo da vida.
e) A socialização é necessária apenas quando os indivíduos não se comportam de forma adequada 
em alguma situação.
3) Leia a afirmação a seguir: “As crianças japonesas são naturalmente mais inteligentes para a 
matemática”.
De acordo com a antropologia, assinale a alternativa correta.
a) A afirmação está errada, pois é necessário considerar a cultura desse povo e não apenas suas 
capacidades inatas.
b) A afirmação está correta, pois não há outra forma de explicar o bom desempenho das crianças 
japonesas.
c) A afirmação está correta e pode ser comprovada pelo fato de que, mesmo não sendo ensinadas 
em matemática, elas apresentam bom desempenho na disciplina.
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d) A afirmação está errada, pois nunca foi constatado um bom desempenho das crianças japonesas 
em matemática.
e) A afirmação está parcialmente correta, mas precisa ser complementada com a informação que as 
crianças japonesas estudam apenas matemática.
4) O determinismo geográfico afirma que a cultura (que é o conjunto de hábitos e saberes de um 
povo) é resultado do meio ambiente no qual um povo se desenvolve. Fatores como o clima e a oferta de 
recursos naturais, portanto, são suficientes para determinar uma cultura.
Segundo a antropologia, a afirmação acima está:
a) Errada, porque é possível encontrar populações distantes com um mesmo tipo de clima e recursos, 
mas com culturas complemente diferentes.
b) Errada, porque o que determina a cultura de um povo é muito mais sua herança genética, 
responsável por características como a inteligência e a capacidade para o trabalho.
c) Correta, por isso povos de climas mais quentes são menos trabalhadores, enquanto os de clima 
frio se desenvolvem mais por meio do trabalho.
d) Correta, tanto que é fácil constatar que dependendo da geografia e dos recursos do meio ambiente, 
algumas populações não conseguem se adaptar, mesmo habitando esse local há muito tempo.
e) Correta em termos, pois a geografia é um fator de extrema importância na cultura de um povo, 
mas a biologia também pode ter o mesmo peso.
Resolução dos exercícios
1)
c) Aprendizado em oposição à ideia de aquisição inata.
2)
d) É uma forma de aprendizado da forma como cada um deve se comportar em situações sociais, 
portanto começa na família e continua ao longo da vida.
3)
a) A afirmação está errada, pois é necessário considerar a cultura desse povo e não apenas suas 
capacidades inatas.
4)
a) Errada, porque é possível encontrar populações distantes com um mesmo tipo de clima e recursos, 
mas com culturas complemente diferentes.
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2 O SURGIMENTO DA CULTURA
Objetivos
Voltar às origens da cultura é também voltar à origem da humanidade. Ter costumes e hábitos 
aprendidos é um comportamento relacionado com a nossa sobrevivência e evolução enquanto 
espécie.
O tema possibilita uma abordagem que ressalta a importância da compreensão do ser humano 
como um ser bio-psico-social, ou seja, somos seres cujo comportamento é determinado ao mesmo 
tempo por nossas características orgânicas (o tipo de aparelho físico que temos e como podemos 
utilizá-lo), por nossas experiências pessoais racionais ou afetivas de mundo, e, finalmente, pelo meio 
social onde vivemos.
Introdução
Parece que todo ser humano tem como qualidade inata (que nos pertence desde o nascimento) 
certos comportamentos, como preferir alguns tipos de roupas ou alimentos, e, ainda, se comunicar por 
meio desta ou daquela língua? 
Pois a Antropologia, junto com outras ciências como a Arqueologia, a Paleontologia e a 
História, explorou profundamente essa questão sobre a diferença do homem em relação ao resto 
do mundo animal, e pôde concluir que nosso comportamento é fruto de um processo histórico 
no qual a biologia e a cultura modelaram nossos ancestrais. Esse trabalho conjunto entre nosso 
desenvolvimento biológico e a cultura foi responsável por tamanhas mudanças em nossa espécie, 
que hoje achamos um fato “natural” não necessitarmos entrar na “luta pela sobrevivência”, na “lei 
da selva”. 
Quem começou a inventar palavras para dar nomes às coisas, ou saber quais alimentos são 
comestíveis e como devemos prepará-los? Quem inventou o primeiro tipo de calçado, ou descobriu 
como fabricar o vidro? Enfim, como surgiu a cultura? Que importância decifrar esse fato pode ter para 
nossa compreensão de ser humano?
Essas questões devem ser respondidas ao longo desse tema.
Principais conceitos
Biologia, cultura, evolução, adaptação, troca, reciprocidade, sociedade.
2.1 A teoria da evolução
No séc. XIX Charles Darwin (biólogo), afirmou que todas as espécies vivas resultam de uma 
evolução ao longo do tempo. Isso significa, que se retornássemos em nosso planeta milhões de anos 
atrás não encontraríamos as espécies conforme as vemos hoje. 
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Cada ser vivo, para chegar até hoje, passou por sucessivas e pequenas transformações que 
possibilitaram sua sobrevivência; esse processo de mudanças orgânicas ocorre por necessidade 
de adaptação ao meio. Essas mudanças ocorrem em conjuntos, em populações de uma espécie, então 
é necessário considerar cada uma delas como grupo, e não apenas as características individuais. 
Certo?
Junto com a necessidade de adaptação ao meio vem a outra exigência para uma espécie evoluir, 
que é a seleção natural. A seleção natural significa que sobrevivem por mais tempo os indivíduos 
mais aptos a sobreviver. Como são mais aptos, por estarem mais adaptados, eles têm mais chances de 
reproduzir e deixar essa carga genética para a próxima geração. Assim, os indivíduos gerados pelos que 
passaram por essa seleção, serão ainda mais privilegiados a sobreviver, pois já nascem com “vantagens 
genéticas” e passam mais uma geração adiante essa vantagem adaptativa.
Vamos ver como a adaptação ao meio e a seleção natural funcionam em conjunto?
Consideremos que as condições do meio como clima, quantidade na oferta de alimentos e todas 
as questões relacionadas às condições ambientais estão em constante mudança. Pois bem, as formas 
de vida existentes precisam acompanhar essas mudanças, estando sujeitas, segundo Darwin, a dois 
destinos: a) podem se adaptar e, ao longo de muitas gerações, apresentarem mudanças visíveis; b) não 
conseguirem se adaptar, entrando em extinção.
Quais são as espécies que conseguem se adaptar? São as que possuem alguns indivíduos de seu 
grupo dotados de características tais que o permitem sobreviver e gerar uma prole (conjunto de filhos) 
que dá continuidade a essas características. Os outros indivíduos da mesma espécie que não possuem 
tais características, não conseguindo “lutar” pela sobrevivência, têm mais chances de morrer sem deixar 
descendentes. Assim, após muitas gerações, temos uma espécie que já não se parece com seus primeiros 
indivíduos. 
Atenção: Falar em evolução e adaptação não significa que sempre sobrevivem os mais fortes. 
A força pode ser uma necessidade para sobreviver, mas muitas vezes são outras as exigências. Pode 
ser a habilidade para enxergar no escuro, ou a capacidade de voar mais alto, ou mesmo ter que voar 
bem baixinho. Pode, ainda, ser a habilidade de pensar.
Veja que da perspectiva evolucionista, adaptação significa basicamente ser dotado de uma 
habilidade qualquer, mas que é fundamental para os indivíduosde uma população sobreviverem de 
forma ótima. E ainda por cima, transmitirem seus genes para a próxima geração.
Quer um exemplo? Suponhamos que como consequência de uma terrível guerra, um povo não tivesse 
alternativa a não ser passar a viver em uma imensa caverna. Eventualmente alguns indivíduos saem 
para buscar alimentos, mas procuram fazê-lo no período noturno, quando ficam menos expostos. 
Com certeza os indivíduos que tenham como características próprias a facilidade de enxergar 
um pouco mais que os outros no escuro, facilidade em passar longos períodos em ambientes 
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fechados e autocontrole para não provocar conflitos com outros seriam indivíduos mais bem 
adaptados. 
Essa “vantagem” lhes proporcionaria maior probabilidade 
de sobrevivência, e, por isso, teriam maiores chances 
reprodutivas, podendo transmitir certas características para a 
próxima geração. Enquanto isso, os que não demonstrassem 
adaptabilidade pereceriam.
Pois bem, após muitas e muitas gerações vivendo 
sob essas circunstâncias, as características físicas desse 
grupo, comparadas ao outro inicial, devem ser tão 
diferentes, que poderíamos dizer não se tratar da mesma 
família ou espécie. Enxergariam perfeitamente no escuro, 
ao contrário dos outros humanos que continuaram 
na superfície. Talvez até mesmo isso resultasse em um 
formato de fossa orbital (esse “buraco” em nosso crânio 
onde se alojam os olhos) completamente diferente.
A possibilidade da geração de uma prole com 
características que permitam a adaptação ao meio é, para os evolucionistas, chamada de “seleção 
natural” – sobrevivem apenas aqueles indivíduos com traços que os permitam sobreviver. Ao lado da 
seleção natural, as mutações aleatórias também são responsáveis pelas modificações de um organismo 
ao longo do tempo.
Uma das dificuldades do senso-comum em aceitar as 
ideias evolucionistas, está no fato de que não podemos 
“ver” a evolução acontecendo – apesar de ela estar sempre 
acontecendo - isto é, não testemunhamos alterações 
expressivas, pois as mudanças são muito sutis e ao longo de 
um período de tempo que é muito longo do ponto de vista 
do ser humano. 
As alterações podem ser consideradas em intervalos de 
tempo não inferiores a cem ou duzentos mil anos. Portanto, 
muito além de qualquer evento que possamos acompanhar. 
Mas podemos acompanhar a luta pela sobrevivência e a 
mudança de hábitos em muitas espécies, como os pombos 
que povoam as cidades, mas não estão tão concentrados 
demograficamente nos campos. Essa espécie encontrou um 
ambiente ótimo nas cidades construídas pelos seres humanos, 
aprendendo rapidamente como obter abrigo e alimento, com 
a vantagem de estar livre de predadores como nas florestas e 
campos. Faz parte de sua evolução esse novo ambiente. 
Leituras e pesquisas 
complementares:
Cantarino, Carolina. Natureza, 
cultura e comportamento humano 
<http://www.comciencia.br/200407/
reportagens/07.shtml>
Bussab, Vera S. R.; Ribeiro, Fernando 
L. Biologicamente Cultural
<h ttp : / / pe t . ve t . b r / puc / ve r a% 
20bussab.pdf>
Discovery Channel e a Evolução 
Humana, vídeo originalmente produzido 
pela Discovery Channel e disponibilizado 
no portal YouTube, narrado em 
português. 
http://www.youtube.com/watch?v=4
X2GLDPA82A&p=2262F83EEA6687F0
&playnext=1&index=1
A teoria da evolução é um assunto 
bastante específico de interesse 
para quem segue as áreas de saber 
relacionadas com a biologia. Por isso, se 
você tem interesse em ler mais sobre o 
assunto, há algumas indicações abaixo:
Marcondes, Ayrton. Teoria é a 
plataforma básica para os estudos 
biológicos. Portal UOL Educação. 
Disponível em: <http://educacao.
uol.com.br/biologia/ult1698u40.jhtm>, 
acesso em 12 de outubro de 2010.
Araguaia, Mariana. Evolução. Verbete 
do Portal Brasil Escola. 
Disponível em: <http://www.
brasilescola.com/biologia/evolucao.htm>, 
acesso em 12 de outubro de 2010.
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Assim, entendemos que a evolução biológica de todas as espécies vivas não acontece sem a influência 
de muitos fatores, não acontece de forma “mágica” e independente do tipo de meio e hábitos que 
podemos observar.
Hoje em dia o darwinismo está com uma nova roupagem e temos teorias como o pós-
darwinismo ou neo-darwinismo, que são consequência do desenvolvimento de nossa tecnologia 
de pesquisa, e do próprio conhecimento, cujas portas foram abertas por Charles Darwin para seus 
sucessores.
2.2 O aparecimento do Homo Sapiens - uma espécie que trabalha
O homem descende do macaco. Essa foi a afirmação polêmica de Darwin na segunda metade 
do século XIX e que dividiu opiniões na sociedade moderna. Essa polêmica permanece até hoje, pois 
encontrou como opositor o ponto de vista de uma prática humana muito mais antiga que a teoria da 
evolução: a religião. 
Não conhecemos nenhuma crença em nenhuma cultura que coincida e concorde totalmente com 
a afirmação de Darwin. Da perspectiva das crenças, a criação da vida é atribuída a um “ser criador”, a 
algo externo e superior a toda a vida existente. Pois bem, para pensar como Darwin, e a maior parte dos 
cientistas até hoje, esqueça suas crenças. 
A ciência não reconhece como possível a existência de seres superiores que tenham dado 
origem à vida, e muito menos entende que o ser humano é uma espécie “privilegiada” ou “superior”, 
seja pela capacidade de raciocínio, seja pela capacidade 
de criar crenças.
Para os evolucionistas, todas as espécies vivas foram 
surgindo das transformações de outras já existentes, dando 
origem a novas espécies, enquanto outras se extinguiram. 
Os primeiros humanos, chamados cientificamente de 
hominídeos, surgiram das transformações de algumas 
famílias de símios que fazem parte dos chimpanzés.
Nossa espécie surgiu devido às mudanças biológicas e ao surgimento da cultura. Que 
mudanças biológicas são essas que nos diferenciam dos símios? O aumento da caixa craniana 
que nos dotou de um volume cerebral muitas vezes maior que o de um macaco. A postura ereta, 
que possibilita utilizarmos apenas os membros inferiores para nos locomover. E o surgimento 
do polegar opositor, que possibilita à nossa espécie a capacidade do chamado “movimento 
de pinça”. É a partir dessas três características básicas que desenvolvemos inúmeras outras 
características fascinantes como a capacidade da fala ou, ainda, de fabricar instrumentos para 
nossa sobrevivência.
Mas essas características como inteligência, fala e indústria não teriam surgido em nossos ancestrais 
se não fosse a presença de um tipo de comportamento que ajudou a modelar o corpo de nossos ancestrais, 
Veja: a ciência entende o desenvol-
vimento da vida biológica como algo 
sobre o qual não cabe fazer juízo de 
valor. Ou seja, não existem formas 
de vida “melhores” ou “piores”. 
Não existe uma hierarquia que seja 
comprovável e que permita dizer 
que uma espécie seja “superior” às 
outras. 
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que é o comportamento baseado na cultura. Ou seja, a necessidade de comunicação, cooperação e 
divisão de tarefas facilitou o desenvolvimento dessas características biológicas.
• Características biológicas: forma, funcionamento e estrutura do corpo. É a nossa 
anatomia, características herdadas biologicamente e que não são resultado da nossa 
escolha pessoal.
• Características culturais: todo comportamento que não é baseado nos instintos, mas 
nas regras de comportamento em grupo que nos permite transformar a natureza para a 
sobrevivência (trabalho), e nos permite atribuir significadose sentidos ao mundo por meio 
dos símbolos (a cor branca, por exemplo, simboliza a paz, ou um tipo de vestimenta que 
simboliza status).
Durante muito tempo pensou-se que o ser humano já teria surgido plenamente dotado dessas 
características em conjunto. 
Hoje sabemos que nossa cultura foi determinante para modelar nossas características 
biológicas ao longo do tempo, e vice-versa. Nossos ancestrais foram lentamente se transformando 
em humanos, e essa espécie que somos agora, foi aos poucos sofrendo pequenas transformações 
que ao longo de milhões de anos nos diferenciaram totalmente de qualquer ancestral símio.
A questão evolutiva humana mais básica é:
Por que nossa espécie mudou tanto? 
A resposta é que a biologia e a cultura colaboraram ao mesmo tempo para as 
grandes mudanças em nossos ancestrais. Veja o esquema abaixo:
Mudanças culturais:
- Fabricar instrumentos;
- Comunicação;
- Trabalhar em grupo.
Mudanças biológicas:
- Uso do polegar opositor;
- Postura ereta libera laringe 
para a fala;
- Aumento da caixa craniana.
Novo estágio evolutivo:
- Ser humano com maior 
capacidade anatômica de 
desenvolver mais cultura.
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A necessidade de agir de forma cada vez mais humana (distante dos “macacos”) afeta a seleção 
natural. A seleção natural permite que indivíduos mais preparados para que se tornem humanos 
sobrevivam, acentuando o ritmo evolutivo.
No início da história humana, nossos ancestrais eram muito semelhantes a um macaco. 
Tinham mais pelos no corpo, o cérebro era menor e a mandíbula maior. A postura não era 
totalmente ereta e as mãos não tinham muita habilidade, pois o polegar ficava mais próximo 
dos outros dedos. 
O tamanho do cérebro foi aumentando muito devagar, 
como também a postura ereta surgiu gradualmente, e 
igualmente o polegar opositor não surgiu repentinamente. A 
cada geração, mudanças muito sutis transformaram a espécie, 
e nesse processo a cultura teve um papel fundamental, pois 
possibilitou ou exigiu que nosso ancestral desenvolvesse 
comportamentos capazes de mudar nossa estrutura biológica. 
Segundo uma grande quantidade de pesquisas 
arqueológicas, que consistem na teoria científica mais aceita, 
a origem dos primeiros humanos ocorreu no continente 
africano entre 200 e 100 mil anos atrás.
Esse grupo teria começado sua migração para fora da África entre 65 e 50 mil anos atrás, povoando 
os outros continentes. Nesse longo caminho, as famílias humanas foram adquirindo características 
físicas diferentes em função tanto da necessidade de adaptação a novos meios, como pela combinação 
da carga genética de cada grupo.
A evolução humana ou antropogênese é a origem e a evolução do Homo Sapiens como espécie 
distinta de outros hominídeos, dos grandes macacos e mamíferos placentários. O estudo da evolução 
humana engloba muitas disciplinas científicas, incluindo a antropologia física, primatologia, arqueologia, 
linguística e genética.
O termo “humano” no contexto da evolução humana, refere-se ao gênero Homo, mas os estudos 
da evolução humana usualmente incluem outros hominídeos, como os australopitecos. O gênero 
Homo se afastou dos Australopitecos há cerca de 2,3 e 2,4 milhões de anos na África. Os cientistas 
estimam que os seres humanos ramificaram-se de seu ancestral comum com os chimpanzés - o 
único outro hominins vivo - cerca de 5-7 milhões anos atrás. Diversas espécies de Homo evoluíram e 
agora estão extintas. Estas incluem o Homo erectus, que habitou a Ásia, e o Homo neanderthalensis, 
que habitou a Europa. O Homo sapiens arcaico evoluiu entre 400.000 e 250.000 anos atrás.
(fonte: Wikipedia)
É importante compreender que nossa espécie não é fruto de coisas inexplicáveis, mas resulta de um longo e 
lento processo de evolução, que significa mudanças ao longo do tempo. Essas mudanças, por sua vez, são fruto 
Exemplo: sabemos que o 
surgimento da fala tem relação com 
duas características que são a posição 
da laringe resultante da postura ereta e 
a utilização das mãos para trabalhos de 
fabricação de instrumentos. Ao fabricar 
os chamados instrumentos de “pedra 
lascada”, nossos ancestrais permitiram 
operações mais complexas e passaram 
a utilizar uma área do cérebro, que é a 
mesma que nos permite falar.
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de uma dura luta por parte de nossos ancestrais para sobreviver em condições pouco favoráveis e convivendo 
com espécies mais fortes e predadores mais bem preparados fisicamente para tal. Nossos ancestrais não tinham 
a mesma caixa craniana que temos hoje, e não eram tão inteligentes; não tinham a postura totalmente ereta, 
e não viviam em cidades. Eram mais uma espécie entre tantas outras, e o pouco que puderam fazer então 
determinou sua sobrevivência, e mais que isso, determinou como somos hoje4.
Sobreviveram lascando uma pedra na outra para conseguir objetos pontiagudos e cortantes que 
serviam como arma de caça, como raspador de alimentos ou qualquer utilidade para a vida humana. 
Dormiam em cavernas, ao invés de fabricar abrigos. Durante muito tempo o domínio do fogo era um 
mistério, portanto, não comiam muitos alimentos cozidos. 
Nessa época não havia escrita, e os únicos vestígios de comunicação encontrados são as pinturas em 
cavernas (arte rupestre) e pequenas estatuetas representando figuras femininas. Eram organizados em bandos 
que praticavam caça e coleta, por isso, dependiam de deslocamentos constantes em busca de alimento. 
Durante quase quatro milhões de anos sobreviveram dessa forma, e nesse período de tempo a forma física foi 
se alterando, até que no chamado período “neolítico” (Idade da pedra polida) houve uma revolução. 
A “revolução neolítica” foi um período marcante em nossa evolução, durante o qual o ser humano 
desenvolveu técnicas determinantes para a história de nossa espécie: 
• a agricultura;
• a domesticação de animais. 
Essas mudanças no estilo de vida permitiram o sedentarismo; nosso ancestral humano começou a 
construir abrigos e povoados ao invés de habitar em abrigos naturais como cavernas e rochas.
Principais mudanças que surgiram no período neolítico – aproximadamente de 12.000 
a 6.000 a.C.
- a sociedade se divide em camadas sociais;
- primeiras manifestações religiosas, crenças em divindades;
- sedentarismo;
- surgem a cerâmica e a tecelagem;
- surge o comércio e o uso de moeda (inicialmente eram sementes e não metal cunhado);
- começa a divisão sexual do trabalho, que determina as tarefas masculinas e as femininas; 
- fundição de metais;
- surge a propriedade privada.
O período Neolítico termina quando surge o domínio da escrita.
4 Essas afirmações são baseadas em evidências como: achados fósseis e todo tipo de material arqueológico; pesquisas do 
conjunto das ciências que estudam a história da vida em nosso planeta como a geologia, a biologia e a física. 
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A agricultura e a domesticação de animais significaram a garantia de alimentação dos grupos humanos, 
independentemente do sucesso na caça e na coleta. Isso permitiu à nossa espécie se fixar por períodos 
prolongados em determinados lugares, formando aldeias, o que colaborou para o crescimento demográfico.
É nesse momento que o ser humano começa a trabalhar, e não mais viver da caça/coleta que o 
tornava dependente dos recursos nos territórios habitados. 
A introdução do trabalho como estratégia de sobrevivência depende de um padrão estabelecido em 
nossa evolução, que se baseia em: 
• divisão de tarefas; 
• cooperação com o grupo;
• especialização.Trabalhar dessa forma permite produzir mais do que o necessário para a sobrevivência, pois pode estabelecer 
troca com outras comunidades humanas. Surge, então, a produção de excedentes.
Essas características são importantes, uma vez que possibilita que cada um de nós realize apenas um 
tipo de tarefa. Não é possível produzir sozinho tudo o que necessitamos em nossa vida. Se a capacidade 
de trabalho, baseada nos princípios acima, não tivesse sido desenvolvida, provavelmente nossos 
ancestrais não teriam tido sucesso em sua evolução e nenhum de nós estaria aqui hoje, compartilhando 
a condição de seres humanos.
Leia o trecho abaixo em que o autor demonstra como o trabalho e os rituais coletivos são uma forma 
de especialização desde o princípio da humanidade. E como esses atos implicam em uma relação de 
ensino-aprendizagem que se encontra “imerso”.
Durante quase toda a história social da humanidade a prática pedagógica existiu sempre, mas 
imersa em outras práticas sociais anteriores. Imersa no trabalho: durante as atividades de caça, 
pesca e coleta, depois, de agricultura e pastoreio, de artesanato e construção. Ali os mais velhos 
fazem e ensinam e os mais moços observam, repetem e aprendem. lmersa no ritual: seja no 
enterro de um morto (os homens do paleolítico superior já faziam isto com todo o cuidado), 
num rito de iniciação, ou em outra qualquer celebração coletiva, as pessoas cantam, dançam e 
representam, e tudo o que fazem não apenas celebra, mas ensina. E não ensina apenas as artes do 
canto, da dança e do drama. Ritos são aulas de codificação da vida social e de recriação, através 
dos símbolos que se dança, canta e representa, da memória e da identidade dos grupos humanos. 
Imersa nos diferentes trabalhos do viver o cotidiano da cultura: aparentemente espontâneas e 
desorganizadas, as situações de brincadeiras de meninos, as tropelias de adolescentes e as trocas 
do amor entre jovens são momentos de trocas de condutas e significados, regidas por regras e 
princípios que, aos poucos, incorporam à pessoa de cada um os códigos das diferentes outras 
situações da vida social. Incorporam, no seu todo, a própria estrutura simbólica da sociedade no 
universo pessoal de ideias, ações e sentimentos de cada pessoa.
(Brandão, Carlos Rodrigues. O processo geral do saber (a educação popular como saber da comunidade). In: Educação popular.
São Paulo: Brasiliense, 1997). 
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Até os dias de hoje utilizamos essas habilidades de trabalho em grupo para viabilizar nossa 
existência social. A capacidade de dividir tarefas, cooperar e se especializar permite atingir 
objetivos com resultados mais efetivos e também possibilita um conjunto social com melhor 
qualidade de vida.
O conjunto de tudo que o grupo social produz torna viável uma existência cultural, nos libertando 
da “lei da selva”. O trabalho humano se fundamenta em características básicas como comunicação e 
cooperação5. Fixando-se em um lugar, inaugurando o sedentarismo, o ser humano passa a viver em uma 
sociedade organizada.
Mais alimentos disponíveis, mais segurança com as casas fabricadas, maior permanência do grupo, 
isso tudo levou a uma maior reprodução da espécie. Tais condições permitiram aos nossos ancestrais 
uma organização social mais complexa baseada na sociedade, e não mais em bandos. A comunicação 
também sofre uma revolução que foi o surgimento da escrita.
A partir da escrita e do surgimento das grandes civilizações da Antiguidade, como Egito, Grécia e 
China, conhecemos exatamente como a humanidade se desenvolveu. Os registros escritos permitem um 
conhecimento detalhado da vida nessas sociedades.
Para chegar até as grandes civilizações, nossos ancestrais percorreram um longo caminho. Ele é o 
resultado de um processo muito longo no tempo, e para os quais foram determinantes: a postura ereta, 
a capacidade craniana, o polegar opositor e a aquisição da fala. 
Nesse esquema abaixo, perceba como habilidades que são de ordens distintas colaboram para formar 
o complexo fenômeno que denominamos humanidade.
HUMANIDADE = sociedade 
baseada em regras de 
conduta ética, história e 
inventidade
capacidade de dividir 
tarefas, cooperar e de 
se especializar
comunicação através 
da fala e da escrita
postura ereta; 
capacidade craniana; 
polegar apositor; 
aquisição da fala
5 É sabido que muitas espécies trabalham de forma organizada e com divisão de tarefas especializadas. Esse é o 
caso das abelhas e das formigas, por exemplo. A diferença entre o mundo animal e a humanidade, é que essas espécies 
agem de acordo com seus instintos, já o Homem tem atitude intencional. A formiga cortadeira traz em seus genes a 
habilidade para cortar; a abelha rainha já nasce rainha. Some a isso o fato que o trabalho dessas espécies está regido 
pelo instinto da sobrevivência, enquanto o Homem possui objetivos e intenções; temos visão de processo e capacidade 
de relacionar eventos de ordens diferentes. Sobretudo, o ser humano tem capacidade de escolhas.
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Humanidade é uma soma de características que unem habilidades físicas, comportamento coletivo, 
valores e ética de mundo, e, enfim, a história de uma espécie.
Cada uma dessas características depende da existência das outras. São inseparáveis.
Entretanto, nenhuma dessas características nos valeria muita coisa se não tivéssemos desenvolvido 
um tipo de comportamento baseado em regras de convivência social, divisão de grupos em parentesco, 
divisão do trabalho e uma mente dotada de raciocínio lógico e abstrato ligado à criatividade e à 
imaginação. Foram nossas capacidades de organização e comunicação que definiram tal resultado, 
afastando nossa espécie do comportamento instintivo e determinando essa longa e rica viagem chamada 
humanidade.
2.3 A cultura do Homem – uma espécie que troca e se organiza
Um antropólogo francês muito famoso, Claude Lévi-Strauss, defende que a proibição do incesto 
(relações sexuais entre indivíduos com parentesco próximo) foi a primeira “atitude cultural” do ser 
humano, e que permitiu uma mudança fundamental no comportamento do animal humano: as trocas. 
Que tipo de trocas? 
Quando nós vamos às compras, trocamos dinheiro (valor) por mercadorias. Essa é uma das muitas 
formas de troca que nos permite afirmar que o mundo do mercado é o mundo das trocas. Mas o mundo 
do mercado e dos negócios só passou a existir a partir do momento em que o ser humano, em sua 
evolução, começou a praticar esse tipo de atitude como algo rotineiro. Então, é necessário que tenha 
havido um tipo de troca original, que fundou na sociedade essa atividade como algo aceito por todos, 
como uma convenção. Foi necessário fundar a lógica das trocas.
Vamos refletir sobre outras formas de troca para chegar à origem delas. Quando presenteamos 
alguém, estamos fazendo uma “troca simbólica”: damos algo e recebemos amizade, consideração, carinho. 
Muitas vezes, ao dar estamos sinalizando que esses sentimentos são mútuos. As trocas simbólicas estão 
muito presentes em nosso dia a dia. Além dos presentes, podemos nos lembrar dos cumprimentos que 
trocamos, das orações seguidas de pedidos, dos grandes e pequenos favores, entre tantas outras.
Pois bem, as trocas foram determinantes na evolução de nossa espécie. Pense que antes de vivermos 
em sociedade, éramos nada mais do que um “bando” de humanos. O bando tem como característica 
o fato de ser uma coletividade, um ajuntamento sem grande organização e carente de laços que 
o torne definitivo. 
Quando um “bando” de humanos dependia apenas de seu próprio sucesso na coleta ou caça, as 
coisas podiam se complicar em longo prazo. Muitos bandos humanos devem ter seextinguido por 
dificuldades de sobrevivência, e em casos de diminuição demográfica intensa, por dificuldades também 
de reprodução. Nesse período dos bandos, não existia mercado, e muito menos troca, o que dificultava 
imensamente a sobrevivência, pois cada bando deveria assegurar apenas com seus recursos o abrigo e 
os alimentos para todos.
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Nossos ancestrais tiveram nesse ponto um momento crítico em sua evolução. De nada adiantaria 
a postura ereta e as habilidades para fabricar instrumentos, se não houvesse também a evolução de 
seu comportamento para uma nova forma de organização coletiva. Começa a surgir o comportamento 
orientado pela cultura, ocupando o lugar dos instintos.
A seguir vamos relacionar todo esse processo de reciprocidade, troca e parentesco com a ideia 
inicial de Lévi-Strauss sobre o incesto ter sido, simbolicamente, a “primeira” regra cultural da 
humanidade.
A proibição do incesto indica que em determinado momento da nossa evolução começou a existir a 
noção de família e parentesco. Os outros mamíferos não possuem essa noção e, eventualmente, pode 
haver cruzamentos entre irmãos ou entre pais e filhos. 
Ao proibir o incesto, os bandos eram obrigados a abrir mão de suas fêmeas, pois muitas eram irmãs 
ou filhas com quem já não era mais permitida e tolerada a relação sexual. Assim, eram obrigados a 
“trocar mulheres” com outros bandos. Sim, segundo a Antropologia, as mulheres foram as primeiras 
“coisas” trocadas pela humanidade, muito antes de qualquer mercadoria. Questão de sobrevivência, pois 
sem sua presença não haveria descendentes. 
As mulheres passaram, então, por uma grande mudança histórica em seu papel para o grupo humano, 
pois serem trocadas implicava que os homens criariam laços de parentesco com o outro bando. Elas 
passam a ser o que há de maior valor para a sociedade6. 
“Se a minha irmã está casada com o guerreiro do bando vizinho, seus filhos serão meus sobrinhos, e 
teremos uma convivência pacífica e solidária garantida por muito tempo; eu não os atacarei, eles não me 
atacarão”. Assim, espalhando parentes por aí, as mulheres garantiram trocas que não se limitavam a elas. 
Trocando mulheres e formando grupos de parentesco, os bandos foram se transformando em 
sociedade, organizando melhor a produção e a distribuição de alimentos e recursos. 
É a regra da reciprocidade, característica de nosso comportamento, que orienta nossa conduta para 
recompensar quem nos dá ou presenteia com alguma coisa. Portanto, a ideia de troca traz consigo a 
ideia de reciprocidade, ou seja, devolver, de alguma forma, o que foi recebido. 
Recíproco (adj.) – que se faz ou que se dá em recompensa ou em troca de algo similar; mútuo. 
(Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, Rio de Janeiro: Objetiva. 2001.)
Em qualquer situação na qual um indivíduo recebe algo de alguém, o mesmo se vê na obrigação de 
retribuir. Essa é a verdadeira lógica da troca, e é o que chamamos reciprocidade. Os presentes dados em 
6 A proibição do incesto como fenômeno humano tem muita importância, pois representa que nossa espécie 
abandonou o impulso sexual instintivo. Vamos lembrar que os instintos básicos de sobrevivência de qualquer espécie 
são: alimentação, abrigo e reprodução. O fato de o ser humano estabelecer uma noção moral sobre os instintos indica a 
relevância de compreender cientificamente suas origens e seu impacto em nosso comportamento.
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aniversários e casamentos são retribuídos imediatamente com festas que envolvem a comensalidade 
(camaradagem à mesa). Aos poucos são retribuídos com presentes dados por quem antes recebeu, 
além, é claro, de servirem para reforçar os laços de amizade e solidariedade. Amizade e solidariedade 
pressupõem troca.
A noção sobre os valores das coisas trocadas são muito contextuais e podem variar imensamente. 
A forma como aqueles que trocam se sentem recompensados, muitas vezes, não faz sentido para 
quem não está envolvido na situação. A noção de valor não é um dado objetivo: é cultural, 
histórica, subjetiva e contextual.
A troca de mulheres proporcionou uma mudança histórica para a Humanidade. Os laços de 
reciprocidade entre pessoas antes estranhas, que através do casamento se tornam solidários por toda 
a sua vida. Isso é o parentesco – um grupo social solidário que garante aos seus membros não quebrar 
o “contrato” de reciprocidade por qualquer desavença ou desacordo, como é possível entre parceiros/
sócios, amigos ou estranhos. A família – mesmo em tempos de mudança como agora – ainda é um grupo 
de apoio mútuo e com forte solidariedade, que garante aos seus membros uma duração e permanência 
muito maior do que laços eventuais com não parentes. Podemos abandonar um sócio ou amigo, mas é 
muito mais raro e difícil abandonar um filho.
Bem, se quisermos fazer um exercício e perceber como até hoje o funcionamento do 
mercado utiliza e se beneficia de nossas aptidões para a reciprocidade, vamos pensar sobre os 
programas de “fidelização” incorporados por muitas empresas modernas. São promoções em 
que a empresa “presenteia” o cliente com algum beneficio extraordinário, e em troca o cliente 
se torna fiel por mais tempo à marca ou ao produto. Os resultados são bastante interessantes 
do ponto de vista dos empresários, tanto que esse tipo de ação tem se tornado cada vez mais 
recorrente.
Dinheiro, mercado e capitalismo dependem de fundamentos da lógica humana, que são muito mais 
antigas que este fenômeno moderno.
Vamos retomar os aspectos mais importantes vistos neste tema. Compreender o processo da 
origem e evolução de nossa espécie possibilita o entendimento de que todos nós somos resultado 
de um meio social. De um indivíduo para outro encontramos pequenas diferenças biológicas, muitas 
delas dadas pela herança genética que recebemos ao nascer, mas isso não é determinante de nosso 
comportamento. Muito mais que genes, o meio social vai 
influenciar profundamente cada um de nós durante toda a 
vida. 
O ser humano depende do modelo encontrado no meio 
social como um reforço e uma rotinização de comportamentos. 
Seguimos regras de comportamento coletivo, e, ao fazê-lo, 
construímos a sociedade. 
Evoluir não significa que certos traços 
de comportamento humano “sumiram”. A 
maior parte de nossa lógica humana tem 
um fundamento, que é muito antigo e 
vai apenas mudando de aparência ou se 
tornando mais sofisticada.
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Nossas capacidades de organização em grupos, divisão de tarefas, especialização em diferentes áreas 
de atuação, planejamento e visão estratégica, flexibilidade de comportamento e adaptação a mudanças, 
nossa tendência à reciprocidade nas trocas, foram determinantes na evolução de símios para seres 
humanos. 
• Para haver sociedade humana precisa haver parentesco e regras.
• Para haver parentesco precisa haver compromisso e responsabilidade baseados em 
reciprocidade e troca (uns dão cuidados e recebem carinho).
• Para haver mercado, emprego e produção de riqueza, é necessário reconhecer regras, reconhecer 
a importância das trocas e contar com a reciprocidade.
• Nada surge por acaso em nossa cultura.
Quando realizamos essas capacidades, mais que colocar em prática “dons naturais”, estamos 
utilizando recursos evolutivos que determinaram a diferença entre o Homem e todas as outras 
espécies vivas. E, ao fazer isto, nossa espécie interfere nos futuros passos dessa evolução. 
A organização social e a participação individual ativa e 
consciente definem que tipode sociedade se constrói dia 
após dia como modelo de referência para o conjunto de 
indivíduos do grupo.
Concluindo, vivemos em sociedade porque somos 
capazes de nos organizar e seguir regras. Nossa organização 
e a obediência às regras são um recurso evolutivo que nos 
capacitou na luta pela sobrevivência. 
Para realizar a sociedade dependemos uns do trabalho 
especializado dos outros, cujos produtos precisam ser 
trocados constantemente. A lógica das trocas não é meramente a lógica do lucro, muitas vezes 
trocamos coisas simbolicamente para poder manter laços de solidariedade e dar significado à 
nossa sociedade, pois não somos peças em um mecanismo, somos humanos com necessidades 
afetivas tanto quanto racionais.
Assim, a organização da sociedade humana é baseada em princípios bastante diferentes 
das sociedades animais. As abelhas e formigas, também seres trabalhadores e organizados, 
seguem simplesmente o instinto de sobrevivência. Uma formiga cortadeira jamais almejará ser 
a rainha, e mesmo que tivesse desejo, seu aparelho biológico não permitiria. Os animais nascem 
determinados a certas tarefas, e se adaptam ou não às condições de seu ambiente de acordo com 
seu instinto.
As trocas podem finalizar em:
1- reciprocidade equivalente (ou 
simétrica, ou igual) – quando o que é 
trocado entre as pessoas possui igual 
valor; 
2 - reciprocidade não equivalente 
(ou assimétrica, ou desigual) – quando 
uma das partes não recebe o equivalente 
à sua dádiva, ao que foi dado.
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No caso humano, a sociedade pressupõe não apenas organização para realizar tarefas, mas também 
as necessidades subjetivas como realizar tarefas de acordo com a oportunidade de desenvolver 
habilidades; os desejos e sonhos de crescimento pessoal; os objetivos que associam os lucros materiais 
com a realização pessoal, e, acima de tudo, o sentimento de pertencer em algum momento a um grupo 
de apoio, aceitação, defesa e que nos faz sentir um indivíduo único e insubstituível.
• A cultura é um conjunto complexo que organiza e dá sentido à vida social. 
• Mas mesmo pertencendo a um grupo, nossa individualidade tem seu espaço.
• Em cada esfera da vida social – família, trabalho, lazer, religião – podemos manifestar nossas 
características pessoais e nos realizar individualmente.
Por isso, nos dividimos em diferentes esferas de participação social, tais como o mundo do 
trabalho, do lazer, das amizades, da família e assim por diante. Em cada um deles realizamos 
diferentes tarefas, e nos mantemos como membro participante por meio das trocas.
Abaixo você pode ler um trecho de um antropólogo brasileiro comentando sobre a diferença 
entre as sociedades animais e a humana, destacando a importância das tradições culturais.
“...entre as formigas (e outros animais sociais) existe sociedade, mas não existe cultura. Ou 
seja, existe uma totalidade ordenada de indivíduos que atuam como coletividade. Existe 
também uma divisão de trabalho, de sexos e idades. Pode haver uma direção coletiva e uma 
orientação especial em caso de acidentes e perigos - tudo isso que sabemos ser essencial 
nas definições de sociedade. Mas não há cultura porque não existe uma tradição viva, 
conscientemente elaborada, que passe de geração para geração, que permita individualizar 
ou tornar singular e única uma dada comunidade relativamente às outras (constituídas de 
pessoas da mesma espécie).
Sem uma tradição, uma coletividade pode viver ordenadamente, mas não tem consciência do seu 
estilo de vida. (DaMatta, Roberto. Relativizando – uma introdução à antropologia social. Rio de Janeiro: 
Rocco, 2000)
Vamos compreender como a “lógica das trocas” está presente nas culturas humanas? 
No trabalho trocamos tarefas realizadas por salário, e temos oportunidade de realizar certos aspectos 
psíquicos como empenho, desafios e reconhecimento. 
No mundo do lazer trocamos experiências que podem ser práticas ou de sociabilidade7 para 
recebermos o tempo livre como forma de descanso e complemento das relações sociais. 
7 Sociabilidade – característica do que é sociável; prazer em levar vida em comum, inclinação a viver em 
companhia dos outros; domínio e exercício das regras de boa convivência; civilidade; afabilidade; urbanidade. Fonte: 
Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, Rio de Janeiro: Objetiva. 2001.
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Já no complexo mundo da família, considerada a célula fundamental da sociedade, tudo que há 
na vida coletiva se realiza de forma intrincada: investimos uns nos outros - tempo, recursos materiais, 
educação, carinho e dedicação para garantirmos laços indissolúveis que nos realizam como indivíduos. 
O que há de intrincado na família é que esses investimentos mútuos normalmente são desiguais, pois a 
noção de valor tende a ser mais afetiva.
Os princípios humanos que nos fazem estabelecer trocas e relações de reciprocidade permitem a 
cada indivíduo estabelecer um maior equilíbrio entre as condutas individualistas e as altruístas8.
Se agíssemos o tempo todo apenas pensando de forma individualista, não realizaríamos uma grande 
parte de nossas necessidades materiais e emocionais.
Sem organização não há sociedade, e sem trocas não há humanidade.
Saiba Mais 
Por que a antropologia afirma que a proibição do incesto é importante para entender a cultura 
humana?
O humano é a única espécie que tem como princípio em seu comportamento sexual/reprodutivo 
evitar contato com pessoas que são consideradas parente. É uma regra universal. Mas essa proibição 
não atinge todas as culturas da mesma forma, pela simples razão de que a atribuição de parentesco 
não é universal.
A consanguinidade biológica não é o único fator para afirmar quem é ou não parente entre si. 
Leia o trecho abaixo:
A proibição do incesto: passagem da natureza para a cultura
Dois dos mais influentes pensadores do século XX procuraram dar uma resposta à questão 
sobre a regra fundadora da cultura: Claude Lévi-Strauss e Sigmund Freud - ainda que 
fundadores de escolas de pensamento tão distintas, como a antropologia estruturalista e a 
psicanálise, e partindo de pressupostos teóricos diversos - reconheceram na proibição das 
relações sexuais incestuosas a regra que é o principio de uma ordem que leva o ser humano 
a superar suas condições naturais de existência, resultando no surgimento da cultura como 
condição da espécie.
(Passador, Luiz H. “A noção de regra”, in Guerriero, S. Antropos e psique – o outro e sua subjetividade. 
São Paulo: Olho d´Água, 2005)
8 Altruísmo – segundo o pensamento de Comte (1798-1857), tendência ou inclinação de natureza instintiva que 
incita o ser humano à preocupação com o outro. Ação antagônica dos instintos naturais do egoísmo, Fonte: Dicionário 
Houaiss da Língua Portuguesa, Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.
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Sintese
Somos resultado de uma longa evolução que modelou nossas características biológicas e 
nosso comportamento em grupo. Somos seres naturalmente gregários, precisamos conviver em 
grupo para sobreviver. A cultura representou uma conquista evolutiva importante em nossa 
espécie, e é por meio dela que podemos realizar plenamente nossas potencialidades humanas 
que envolvem as trocas sociais, a organização coletiva e o comportamento baseado em regras e 
não no instinto.
A organização social do trabalho e os princípios que orientam nossa conduta para uma parcela 
maior de coletivismo e menor de individualismo são importantes traços das culturas humanas.
Na cultura humana, todosos elementos se relacionam 
formando um sistema. Por isso, as noções morais de 
responsabilidade e reciprocidade são reforçadas nas relações 
de parentesco e podem ser compreendidas como uma lógica 
que permite as trocas presentes nas relações comerciais e 
produtivas.
Sugestão de sites para leituras complementares:
Tema - A evolução humana
http://pt.wikipedia.org/wiki/Evolu%C3%A7%C3%A3o_humana
http://www.scribd.com/doc/6454529/Evolucao-Humana
Tema - A primeira brasileira (Luzia)
http://www.lagoasanta.com.br/homem/index.htm
http://veja.abril.com.br/250899/p_080.html
Tema - A história do Paleolítico ao Neolítico
http://www.notapositiva.com/trab_professores/textos_apoio/historia/dopaleoaoneol.htm
Tema - História humana e divisão do saber:
http://pedagogia.incubadora.fapesp.br/portal/DISCIPLINAS%20-%20Elie%20Ghanem/BRAND_
c3_83OCarlosRodriguesOProcessoGeralDoSaberAEduca_c3_a7_c3_a3oPopularComoSaberDaC
omunidadeInEduca_c3_a7_c3_a3oPopularS_c3_a3oPauloBrasiliense1997P1426
 
Sugestão de leitura:
Guerriero, Silas. “As origens do 
antropos”, in Antropos e psique – o outro 
e sua subjetividade. São Paulo: Olho 
d´Água, 2005.
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EXERCÍCIOS
1) Sobre a origem biológica e geográfica do ser humano, a ciência afirma que:
a) Nossa origem pode ser explicada a partir de um ancestral comum, que se desenvolveu na África 
e, posteriormente, migrou para os outros continentes.
b) A antropologia afirma que nossa origem é biológica e cultural, não podendo determinar em que 
região exatamente esse processo teve início.
c) Descendemos de algumas espécies de símios que habitavam todo o globo, e se adaptaram 
constantemente às mudanças climáticas de cada lugar.
d) Descendemos de espécies menos evoluídas que surgiram em regiões menos povoadas pelos 
grandes mamíferos.
e) O homem descende de um tipo de macaco diferente, em cada parte do planeta, o que explica as 
diferenças raciais.
2) Segundo a teoria da evolução, a adaptação ao meio e a seleção natural são os fatores 
necessários à sobrevivência de uma espécie. São as “regras” da vida, que permitem as 
transformações dos seres vivos ao longo do tempo. Sobre a seleção natural, assinale a alternativa 
correta.
a) Seleção natural é sinônimo de “sobrevive o mais forte”, uma vez que na luta pela sobrevivência os 
mais fracos sempre acabam sendo extintos.
b) Para ser selecionado, um indivíduo de qualquer espécie precisa demonstrar maior inteligência 
como forma de superioridade.
c) A natureza seleciona os indivíduos que estão mais bem adaptados a um meio, pois eles têm 
maiores chances de se reproduzir e passar à próxima geração suas características.
d) Os mecanismos de seleção natural dependem de cada espécie; para algumas a seleção significa 
lutar para se adaptar às condições do meio, e para outras significa impor superioridade e extinguir 
indivíduos inferiores.
e) Quem seleciona as espécies não é a natureza e o meio ambiente do qual dependem para sobreviver, 
e sim alguma divindade superior.
3) Assinale a alternativa correta. De acordo com as descobertas da arqueologia e da 
paleontologia, o Homo sapiens sapiens se desenvolveu e evoluiu:
a) A partir da criação de uma espécie dotada de capacidades especiais, reproduzidas à imagem e 
semelhança de formas superiores e sobrenaturais, tendo permanecido estável e imutável através 
dos tempos, com o destino de povoar e dominar o planeta.
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b) Como a forma mais sofisticada de evolução, sendo, portanto, o resultado de um processo 
contínuo de progresso das espécies em direção a uma forma definitiva e superior de vida 
biológica, podendo ser tomada como modelo do projeto evolutivo pelo qual todas as espécies 
devem passar.
c) Como resultado de uma evolução prevista, pois nenhuma outra espécie teria tido a capacidade de 
desenvolver raciocínio, postura ereta e comportamento modelável pela cultura.
d) A partir de transformações anatômicas sucessivas e formas de adaptação ao meio e às demais 
espécies, pertencendo a um grupo de espécies que desenvolveram uma capacidade simbólica 
como instrumento adaptativo e de organização das relações com o ambiente e com os demais 
indivíduos da espécie.
e) A partir da evolução casual de uma família de símios que começou a gerar uma prole com cérebro 
avantajado e a postura ereta.
4) Para a evolução humana, o trabalho desempenhou um importante papel no 
desenvolvimento de nossas características sociais e nos diferenciou ainda mais das outras 
espécies. Assinale a alternativa incorreta.
a) O trabalho humano depende de características como cooperação, divisão de tarefas e sua 
especialização; produz excedente e estabelece relações de troca.
b) As outras espécies são capazes de produzir de forma mais organizada que o ser humano, 
pois não dependem dos instintos; a criatividade não permite ao humano respeitar sempre as 
regras.
c) O ser humano depende de uma organização social baseada em regras para realizar o trabalho; a 
obediência às regras e não aos instintos revela nossa diferença.
d) Ao realizar o trabalho de uma forma socialmente organizada, o ser humano demonstra que não 
depende do instinto de sobrevivência.
e) As tarefas organizadas intencionalmente pelo ser humano e sua capacidade de cooperar e trocar o 
que produz são características que surgem com nossa evolução física, como habilidades manuais, 
postura ereta e caixa craniana maior.
5) Explique o que são as relações de reciprocidade, e ressalte seus elementos importantes 
em nossa cultura, comentando suas características.
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Resolução dos exercícios
1) 
a) Nossa origem pode ser explicada através de um ancestral comum, que se desenvolveu na África e, 
posteriormente, migrou para os outros continentes.
2) 
c) A natureza seleciona os indivíduos que estão mais bem adaptados a um meio, pois eles têm 
maiores chances de se reproduzir e passar à próxima geração suas características.
3) 
d) A partir de transformações anatômicas sucessivas e formas de adaptação ao meio e às demais 
espécies, pertencendo a um grupo de espécies que desenvolveram uma capacidade simbólica como 
instrumento adaptativo e de organização das relações com o ambiente e com os demais indivíduos da 
espécie.
4) 
b) As outras espécies são capazes de produzir de forma mais organizada que o ser humano, pois não 
dependem dos instintos; a criatividade não permite ao humano respeitar sempre as regras.
5) 
Relaçõesde reciprocidade são baseadas na noção moral da troca mútua, quando há uma noção 
moral de doação ou recompensa ao outro. Esse tipo de relação está presente em muitos aspectos de 
nossa cultura como nas relações de parentesco, na troca de presentes entre amigos ou mesmo nas 
relações comerciais e do mercado como em programas de fidelização. 
3 O SENSO COMUM E A CIÊNCIA ANTROPOLÓGICA EXPLICAM A CULTURA
Objetivos
A cultura determina hábitos e rotinas, conceitos e formas de encararmos o mundo. Cada povo 
desenvolve um conjunto diferente de formas de pensar o mundo e de agir, e o resultado é que para uma 
mesma situação temos tantas soluções e julgamentos de acordo com quantas culturas existirem. 
E a cultura não muda apenas de um lado do mundo para o outro, Oriente e Ocidente. Ela muda de uma região 
para outra dentro de um mesmo país, e muda, até mesmo, de uma cidade para outra na mesma região.
De um lugar para outro, quando muda a cultura, muda também a forma como o ser humano interfere 
na natureza para utilizar seus recursos, mas mudam também os conceitos por meio dos quais pensamos 
sobre o mundo material e os sentimentos.
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A palavra “cultura” é usada com diferentes significados, conforme o contexto. Podemos encontrá-
la em nosso dia a dia, fazendo parte da forma como tratamos os outros e reagimos a certas situações. 
É possível lembrar algumas frases que ouvimos repetidamente no cotidiano, onde aparece a palavra 
“cultura”. Refletir sobre seus significados rotineiros pode revelar os valores presentes em nossas relações 
sociais. 
Mas não é só em nosso dia a dia que essa palavra pode ser encontrada. Cultura é o conceito central 
da ciência antropológica, em que há um significado que enfatiza outros aspectos bem diferentes desse 
cotidiano e possibilita um tipo de visão sobre o ser humano e suas relações bem diferente do uso 
comum.
Nosso objetivo, ao confrontar esses dois usos da palavra cultura, é ultrapassar as armadilhas e os 
limites provocados pelo preconceito que o senso comum pode nos conduzir. O preconceito presente 
no senso comum não proporciona oportunidades para que as pessoas resolvam problemas e situações 
sociais instaladas por choques culturais ou qualquer outro fenômeno. Ele nos faz, simplesmente, 
rejeitar os outros e impede a reflexão produtiva socialmente sobre essas situações. Apenas por meio 
do pensamento reflexivo e da aceitação de novos valores e verdades podemos superar a atitude 
preconceituosa e conduzir a soluções dinâmicas e originais. Para isso, confrontar nosso conhecimento 
comum com o científico pode ser valioso. 
Introdução
Na maior parte do tempo o ser humano tende a agir em situações cotidianas de acordo com rotinas 
que aprendemos a repetir mecanicamente, sem questionar muito o porquê de cada uma delas. Quem 
nos ensina esses hábitos é o chamado senso comum. Ter reações que proporcionam soluções imediatas 
para situações cotidianas é uma das funções do senso comum. Saber avaliar prontamente uma atitude 
como correta ou errada, ou ainda, saber técnicas rotineiras de como cozinhar, tomar banho ou arrumar 
uma casa fazem parte de seu repertório. 
Chamado pelos pensadores e intelectuais de “filosofia do povo”, e popularmente de “escola da vida”, 
nem sempre o senso comum nos proporciona soluções eficientes no que se refere aos contatos sociais. 
É de responsabilidade do senso comum o conjunto de preconceitos e ideias equivocadas sobre questões 
complexas cuja polêmica exigiria reflexão, interação e ponderação.
Conhecendo o que o senso comum afirma sobre o conceito de cultura e confrontando com um 
oposto a ele, que é a ciência, temos a oportunidade de abrir espaço para essa reflexão.
É importante no mundo atual, que os indivíduos adquiram sempre maior capacidade crítica. Essa 
capacidade crítica deveria ser mais aplicada em nossas experiências cotidianas, e não apenas nos estudos 
e na formação profissional. Isso porque muitas vezes é nos contatos mais rotineiros que podemos definir 
resultados de processos, e é muitas vezes na capacidade crítica de perceber essas rotinas que podemos 
planejar, redirecionar e avaliar de forma mais eficiente e consistente. Por isso, ao discutir o conceito de 
cultura, devemos manter essa perspectiva de aprendizado, levando-o do cotidiano e estendendo até a 
literatura antropológica.
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Principais conceitos
Cultura e socialização, senso comum, ciência, civilização, valores, simbolização, diversidade 
cultural.
3.1 A cultura explicada pelo senso comum
A palavra cultura é utilizada em nosso dia a dia com significados diferentes. Por causa desse uso 
definimos e julgamos pessoas e povos, situações vividas e criamos heróis admirados e respeitados. A essa 
capacidade das pessoas de aplicarem palavras e conceitos para explicar algo que viveram, sem recorrer 
a livros, instrução ou reflexão, chamamos senso comum. A seguir, discutiremos algumas utilizações do 
nosso senso comum e suas implicações.
Vamos ver em que situações diárias o conceito cultura surge, e o que ele vem a significar em cada 
um dos casos. Quando ouvimos alguém pronunciar a frase: “Fulano tem muita cultura”, o que isso 
significa? A capacidade de ter acumulado conhecimentos por meio da chamada “cultura letrada” (livros 
e instrução) foi atribuída a uma pessoa. Assim, “ter cultura” significa ter estudado muito e dominar 
uma grande variedade de temas e áreas do conhecimento letrado. Segundo esse tipo de raciocínio, são 
poucas as pessoas que “têm muita cultura”, enquanto a maioria delas se classificaria como tendo “pouca 
cultura” ou sendo “sem cultura”. O que podemos perceber nesse uso do conceito de cultura é que ele 
serve para criar distinção entre pessoas “especiais” e o restante delas que, por muitas razões, não tiveram 
acesso ao mesmo tipo de instrução letrada. 
Isso é criar uma hierarquia, onde uma minoria está ocupando posições superiores e uma 
maioria está ocupando posições inferiores. Nesse caso, a cultura é algo que pode ser adquirida 
em maiores ou menores quantidades, e é isso que vai determinar o julgamento que se faz dos 
outros. Normalmente as pessoas utilizam essa ideia para julgar pessoas ou povos. “Que povo sem 
cultura!” é uma frase recorrente e que reproduz essa mesma ideia. Quando utilizam esse tipo de 
julgamento, as pessoas querem dizer, na verdade: “Que povo sem a minha cultura!”, assim, cada 
vez que não encontramos nos outros o que achamos certo, achamos por bem apontar que os 
outros são errados.
Essa definição de cultura, que pode ser encontrada no senso comum, recebeu muita influência da 
tradição francesa do século XVIII, quando o conceito de cultura passou a ser associado à “civilização” 
e às “letras”. Para os pensadores franceses daquela época era correto pensar que algumas pessoas ou 
povos tinham “civilização” e, portanto, cultura. A ideia de cultura estava para eles associada aos hábitos 
de sua própria elite; e algumas pessoas ou povos não tinham civilização, pois careciam das influências 
de comportamento e pensamento da intelectualidade francesa e nesse caso, deveriam ser educados 
e submetidos à boa “educação / civilização”. Tanto o senso comum de hoje quanto essa herança 
francesa veem a cultura como algo que deve ser adquirido, por meio, por exemplo, de boas condições 
financeiras.
Uma segunda situação é quando nos referimos às culturas de outros povos, em frases como: “no 
costume deles é assim”. Nesse caso, as pessoas comparam situações nas quais elas não agiriam da 
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mesma forma, mas tentam justificar a atitude de outra(s) pessoa(s). Nesse segundo caso, a cultura é 
associada a costumes diferentes, com os quais as pessoas tentam um diálogo, seja para aprovar como 
para reprovar.
Como a Antropologia define o conceito de cultura?
3.2 O conceito antropológico de cultura
Antropologia é uma ciência dedicada ao estudo do Homem. O radical latino “anthropos” significa 
Homem, e “logia” significa estudo. Surgiu no século XIX, empenhada em aprofundar o conhecimento 
científico sobre as “sociedades primitivas” (como eram chamadas as tribos e os povos não europeus - os 
nativos das Américas, Austrália e África). Para explicar a grande diferença de comportamento entre esses 
povos e os povos europeus, a Antropologia acabou se concentrando no conceito de cultura. 
Atualmente, essa ciência não estuda apenas as tribos ou pequenas comunidades distantes dos centros 
desenvolvidos, mas qualquer ambiente social. Isso ocorreu, pois ficou comprovado que a diversidade 
cultural não gira apenas em torno de “povos primitivos” e “povos civilizados”, mas está em toda parte 
onde haja contato entre dois povos que cultivam costumes e valores diferentes. 
Em nossa história, com o início da chamada “globalização”, o contato entre pessoas e organizações 
com diferentes referenciais de mundo e diferentes culturas intensificou-se num ritmo frenético. Por 
isso, compreender o conceito científico de cultura é tão importante.
Anteriormente, apresentamos a primeira conceituação de cultura na Antropologia, feita por Edward 
Tylor, no final do século XIX. Retomando, vimos que esse autor definiu cultura como “um conjunto 
complexo que inclui os conhecimentos, as crenças, a arte, a lei, a moral, os costumes e todas as outras 
capacidades e hábitos adquiridos pelo homem enquanto membro de uma sociedade”. 
Após essa definição seguiram-se muitas outras, e hoje podemos encontrar centenas de formas 
diferentes para fazer referência ao mesmo conceito. Mas, por que a Antropologia não chega a uma 
definição única para esse fenômeno? Porque a cultura, como um fenômeno humano complexo, 
permite ao cientista abordar suas manifestações a partir de diferentes ângulos. Assim, os autores 
que dão maior importância aos atos práticos das culturas, como o trabalho e a tecnologia, definem 
cultura de um jeito. Já para os autores que apontam que o importante mesmo, nas culturas 
humanas, é revelar a capacidade de nossa espécie em interpretar e comunicar suas experiências 
por meio dos símbolos, a definição de cultura é outra.
Vamos, então, ver a definição de cultura feita por alguns dos principais autores, para compreender 
a complexidade do tema.
Franz Boas (1930) - “A cultura inclui todas as manifestações dos hábitos sociais de uma 
comunidade, as reações do indivíduo na medida em que são afetadas pelos costumes do grupo 
em que vive, e os produtos das atividades humanas na medida em que são determinados por tais 
costumes”.
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B. Malinoswki (1931) - “Esta herança social é o conceito central da antropologia cultural (...). 
Normalmente é chamada de cultura na moderna antropologia e nas ciências sociais. (...) A cultura inclui 
os artefatos, bens, procedimentos técnicos, ideias, hábitos e valores herdados. Não se pode compreender 
verdadeiramente a organização social senão como uma parte da cultura”.
W.H. Goodenough (1957) - “A cultura de uma sociedade consiste em tudo aquilo que se conhece 
ou acredita para influenciar de uma maneira aceitável os seus membros. A cultura não é um fenômeno 
material: não consiste em coisas, pessoas, condutas ou emoções. Mas em uma organização de tudo isso. 
É a forma das coisas que as pessoas têm em sua mente, seus modelos de percebê-las, de relacioná-las 
ou de interpretá-las.”
Clifford Geertz (1966) - “Se compreende melhor a cultura não como complexos de esquemas 
concretos de conduta – costumes, usos, tradições, conjuntos de hábitos – mas sim como planos, receitas, 
fórmulas, regras, instruções (o que os engenheiros de computação chamam de ‘programas’) e que 
governam a conduta”.
Clifford Geertz (1973) - “Cultura é um sistema simbólico, característica fundamental e comum da 
humanidade de atribuir, de forma sistemática, racional e estruturada, significados e sentidos às coisas 
do mundo”. 
M. Harris (1981) – “A cultura se refere a um corpo de tradições sociais adquiridas que 
aparecem de forma rudimentar entre os mamíferos, especialmente entre os primatas. Quando 
os antropólogos falam de uma cultura humana, normalmente se referem ao estilo de vida total, 
socialmente adquirido, de um grupo de pessoas, que inclui os modos pautados e recorrentes de 
pensar, sentir e atuar”.
Anthony Giddens (1989) - “Cultura se refere aos valores que compartilham os membros de 
um grupo, às normas que estabelecem e aos bens materiais que produzem. Os valores são ideais 
abstratos, enquanto que as normas são princípios definidos ou regras que as pessoas devem 
cumprir”.
Nas diferentes colocações acima o que há em comum é a tentativa de abarcar todas as realizações 
humanas, representadas em dois níveis complementares que são as realizações materiais e as imateriais. 
Entre as realizações materiais podemos citar todo o universo de coisas fabricadas pelo ser humano, de 
arados até ônibus espaciais. Entre as imateriais estão nossas crenças, conhecimento, arte, ideias e todos 
os sentimentos. 
Os autores que enfatizam os aspectos materiais argumentam que eles são importantes uma vez 
que somos a única espécie a transformar a natureza de forma sistemática, mesmo quando não haja 
necessidades que afetem a sobrevivência. 
Outros autores, entretanto, entendem que as maiores realizações humanas estão contidas 
nos aspectos imateriais, uma vez que somos a única espécie dotada de capacidade de abstração 
(pensar em coisas que não estão presentes, criar, imaginar). Mas não usamos essas capacidades 
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realizadoras de qualquer forma, e sim de acordo com regras, normas e hábitos estabelecidos 
coletivamente.
Podemos dividir todas as definições vistas em dois grandes grupos, conforme sua “concepção de 
Homem”.
O Homem como produtor do mundo material 
Aqueles que dão maior importância às nossas realizações materiais procuram ressaltar a nossa 
capacidade adaptativa, mostrando a cultura como sendo uma forma de solução da sobrevivência, em 
que grupo social, recursos e meio ambiente se combinam para determinar os hábitos de um povo. Para 
eles, as técnicas desenvolvidas para solucionar todos os tipos de empresa humana, que vão de uma 
simples pescaria às necessidades comunicativas, passando por todo tipo de engenhos que nos cercam é 
que definem propriamente a cultura. Aqui, podemos dizer que cultura equivale a soluções práticas para 
a existência humana.
O Homem como produtor do mundo imaterial
 Outros autores entendem que a solução prática para a vida humana é uma consequência de outras 
capacidades, que muito mais do que nos fazer capazes de fabricar instrumentos, nos faz diferentes de 
todas as outras espécies existentes. São as capacidades de criar, planejar, prever, avaliar, imaginar, atribuir 
significado e modificar a natureza não apenas por necessidade de sobrevivência, mas por necessidade de 
se sentir bem. Isto chamamos de capacidade de simbolização. 
Não construímos o mesmo tipo de prédio para servir a qualquer uso, pois para cada fim encontramos 
uma arquitetura. Não é apenas pelos aspectos práticos que o fazemos, mas porque cada espaço deve 
carregar significados que orientem os indivíduos e os faça compreender como devem se comportar. 
Os templos são diferentes dosteatros, as casas são diferentes dos escritórios (ou pelo menos deveriam 
ser). A funcionalidade de cada um desses espaços é tão importante quanto o que nos faz sentir por 
meio de suas formas e cores. As formas de nossa casa nos transmitem sensações de pensamentos 
diferentes de um escritório ou de um templo, por causa dos símbolos que criamos para cada um deles. 
Para os autores que defendem a preponderância desse aspecto, cultura equivale à nossa incansável 
capacidade intelectiva de carregar o mundo de símbolos e seus significados.
Vamos ver mais adiante, que algumas regras presentes 
nas culturas podem ser modificadas, suprimidas, desgastadas; 
enquanto outras são mais difíceis de negociar. “É assim, e 
pronto”. Ou seja, há aspectos mais dinâmicos e outros mais 
permanentes em cada cultura.
Concluindo essa discussão, entre todas as definições de 
cultura que foram apresentadas, atualmente há uma ênfase 
maior em torno de nossa capacidade de simbolização. Temos 
Respostas às necessidades 
práticas, ou respostas às necessidades 
intelectivas, a cultura é sempre uma 
forma de estarmos no mundo. Ela nos 
orienta em cada situação da vida social, 
como um modelo que recebemos e 
sobre o qual passamos a vida operando 
pequenas modificações. 
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necessidades tão importantes quanto a sobrevivência orgânica e a reprodução da espécie, que são 
necessidades psíquicas, intelectuais, espirituais, ou como você prefirir chamá-las. Não somos apenas um 
“animal fabril”, somos um “animal simbólico”.
Leia o trecho em que Laraia cita um famoso antropólogo americano, Leslie White, para demonstrar 
a importância da capacidade de simbolizar para a espécie humana.
Todo comportamento humano se origina no uso de símbolos. Foi o símbolo que transformou 
nossos ancestrais antropóides em homens e fê-los humanos. Todas as civilizações se 
espalharam e perpetuaram somente pelo uso de símbolos. Toda cultura depende de símbolos. 
É o exercício da faculdade de simbolização que cria a cultura e o uso de símbolos que torna 
possível a sua perpetuação. Sem o símbolo não haveria cultura, e o homem seria apenas 
animal, não um ser humano. O comportamento humano é o comportamento simbólico. 
Uma criança do gênero Homo torna-se humana somente quando é introduzida e participa 
da ordem de fenômenos superorgânicos que é a cultura. A chave deste mundo, e o meio de 
participação nele, é o símbolo.
(White, Leslie, 1955 apud Laraia, R.B. – Cultura, um conceito antropológico. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005)
Vamos retomar a visão do senso comum a respeito de cultura. No uso cotidiano, cultura é um bem 
que pode ser adquirido, acumulado e, assim, distinguir as pessoas umas das outras. “Fulano tem muita 
cultura”. Essa frase exemplifica a ideia do senso comum9.
Na ciência esse pensamento é considerado equivocado. 
Se cultura é algo que define nossa espécie, não existe ser 
humano que tenha ou não cultura, como não existe ser 
humano que tenha mais cultura que os outros. A cultura é 
algo que se realiza na vida social, que define a qualidade que 
essa convivência vai adquirindo, em um processo que nunca 
cessa. Portanto, não existe um povo que tenha “mais cultura” 
ou uma “cultura mais avançada”. 
Por que é incorreto afirmar que há culturas evoluídas e culturas atrasadas?
Para afirmar isso, teríamos que escolher entre todas as culturas humanas, uma única que fosse tomada 
como medida e parâmetro para julgarmos todas as outras. E, cientificamente, isso não é possível. 
Afirmar que a cultura do povo norte-americano é a melhor, por exemplo, significa colocar um único 
povo no centro da história e afirmar que todos os outros deveriam seguir seu modelo, em todos os seus 
aspectos descritos acima como valores, ideias, soluções práticas etc. 
Explicando melhor
Esse uso do senso comum que 
atribui mais ou menos culturas às 
pessoas e sociedades humanas não 
está “errado”. É uma das formas como a 
palavra cultura é entendida e explicada 
pelas pessoas em geral. O importante é 
perceber que a ciência não utiliza esse 
conceito do mesmo jeito.
9 A noção do senso comum sobre a cultura tem uma origem, que pode ser apontada a partir do século XVIII, 
quando a palavra cultura passou a ser compreendida como sinônimo de “erudição”, ou seja, uma pessoa que cultiva o 
estudo e o domínio da cultura letrada, que constitui os estudos de um conhecimento especializado.
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Então, aqueles que mais se aproximam da cultura deles seriam “avançados”, e aqueles que 
estivessem perdendo a corrida para se assemelhar seriam “atrasados”. Isso é um pensamento 
equivocado, pois será que a cultura tomada em sua totalidade pode ser julgada “boa” ou 
“avançada”? 
Em todas as culturas há aspectos que alguns podem considerar como “bons”, mas outros podem 
julgar como “ruins”. Não há uma cultura “perfeita”, mesmo porque a perfeição é um conceito relativo. 
Correto?
Ao fazer julgamentos sobre uma cultura, o senso comum não esclarece quais foram os critérios 
morais ou da ordem da razão e que orientaram as conclusões.
Quando uma única cultura passa a ser modelo e referência para o comportamento de todas as 
outras, o que temos não é um consenso. Mas, sim, um problema. Julgar de forma preconceituosa uma 
cultura pode levar a atos de intolerância e conflitos que poderiam ser evitados e solucionados de outras 
formas.
Evolucionismo social ou darwinismo social
A ideia presente no senso comum e que faz com que as pessoas julguem culturas e indivíduos 
como portadores de mais ou de menos cultura é consequência de uma teoria científica do século 
XIX, que ficou conhecida como evolucionismo social ou, ainda, darwinismo social.
Essa teoria surge em função do impacto da teoria da evolução de Charles Darwin para explicar 
a transformação da vida em nosso planeta ao longo do tempo. Fundada em conceitos da biologia, 
essa teoria adquiriu tanta importância que passou a ser um paradigma, ou seja, influenciou todo o 
pensamento da época.
O antropólogo inglês Lewis Henry Morgan e o filósofo, também, inglês Herbert Spencer são 
alguns dos responsáveis pela incorporação das ideias darwinistas nas ciências humanas.
Esses e outros autores começaram a utilizar a teoria da evolução como forma de explicar a diversidade 
cultural. Assim, da mesma forma como os seres vivos evoluem, também as sociedades passariam por 
estágios evolutivos.
Esses estágios iriam das sociedades mais primitivas para as mais civilizadas10, passando por 
alguns estágios intermediários. Essa “linha evolutiva” poderia revelar as sociedades com mais 
capacidade evolutiva, que corresponderia, naquele momento, às sociedades de países da Europa 
como a Inglaterra, França ou Alemanha. E também revelaria aquelas sem a mesma capacidade, e 
que corresponderiam aos povos mais primitivos como as tribos africanas, os povos indígenas das 
Américas e os aborígenes australianos.
10 Note que “civilização” era tomada como sinônimo de sociedade mais evoluída. 
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Essa capacidade evolutiva seria consequência direta da condição biológica dessa população, que 
determinaria coisas como a capacidade intelectual e mesmo o caráter moral.
Considerado, hoje, um equívoco científico, o evolucionismo social deixou marcas no pensamento 
ocidental e podemos encontrá-las em frases do senso comum, e mesmo em parte da comunidade 
científica que reproduz ainda essas ideias.
O trecho a seguir, retirado do livro O que é cultura, de José Luiz dos Santos, nos esclarece a questão 
do evolucionismosocial.
Tais esforços de classificação de culturas não implicavam apenas a justificação do domínio 
das sociedades capitalistas centrais, que naqueles esquemas globais apareciam no topo da 
humanidade, sobre o resto do mundo. Ideias racistas também se associaram àqueles esforços; 
muitas vezes os povos não europeus foram considerados inferiores, e isso era usado como 
justificativa para seu domínio e exploração. (...)
Estudos sistemáticos e detalhados de muitas culturas permitiram destruir os falsos argumentos 
dessas concepções preconceituosas. (...)
A ideia de uma linha de evolução única para as sociedades humanas é, pois, ingênua e esteve 
ligada ao preconceito e à discriminação racial.
(Santos, José L. O que é cultura, São Paulo: Brasiliense, 1983)
Fica evidente que é uma teoria que privilegia a sociedade de quem a produziu, em detrimento das 
outras.
Muitas pessoas se perguntam quando essa questão é discutida, porque não é correto para 
a ciência reconhecer a imensa diferença de forma de vida entre um indivíduo que vive em um 
confortável bairro parisiense e outro que se encontra em uma tribo indígena isolada em meio à 
floresta amazônica? 
Perceba que reconhecer que as diferenças existem não é o problema, mas pretender que a 
“civilização” e o “progresso”, tais como foram construídos por um tipo de cultura, é sinal da maior 
capacidade evolutiva e nos traz o problema das “raças humanas”.
Quando a diversidade cultural passa a ser explicada pelas características biológicas de seus indivíduos, 
entramos no perigoso terreno do racismo científico. Para superar esse momento em que a ciência passou 
a servir como recurso de justificativa do poder econômico de alguns povos sobre outros, as ciências 
humanas substituíram o conceito de raça pelo de cultura, ou mesmo o de etnia.
O darwinismo social predominou durante o século XIX e início do XX, sendo a raiz do racismo 
científico e dos estudos de evolução cultural. (...) Nesse contexto, raça surgiu como categoria 
científica para explicar as diversidades. A civilização ocidental, caucasiana, vitoriosa no 
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processo de colonização e ungida pelos benefícios tecnológicos e econômicos gerados pela 
Revolução Industrial, passou a ver-se como o mais alto grau de evolução humana (...).
(Passador, L. H. “O campo da antropologia”, in Antropos e psique – o outro e sua subjetividade. São Paulo: Olho d´Água, 2003)
A reação dos cientistas a esse momento surge no início do século XX com o pensamento relativista, 
que veremos mais adiante.
Por enquanto é importante compreender que o trabalho de investigação dos antropólogos 
representou uma contribuição imensa para superar o racismo científico. Quando cientistas europeus 
e norte-americanos passaram a conviver entre as tribos e povos em questão, passaram a formular um 
pensamento que rejeita qualquer tipo de teoria evolucionista para explicar a sociedade.
Em pleno século XX foi possível perceber os equívocos das teorias evolucionistas, reforçadas pelas 
teses deterministas, como, principalmente, o determinismo biológico.
O fato de existir uma cultura diferente em cada lugar não é algo que tenha que ser solucionado, 
isso é próprio de nossa espécie. A cada experiência social deve corresponder um conjunto de valores 
e práticas únicos. Nenhum povo pode repetir a história dos outros como se fosse uma receita. O mundo 
do trabalho no Brasil é diferente do argentino, do americano ou do europeu, e todos são diferentes entre 
si. O que promove essa diferença é a cultura.
Vamos fazer uma metáfora usando a informática para auxiliar no aprofundamento dessa questão. A 
mente humana corresponde a um “disco rígido” (hardware), que apesar de capaz de muitas tarefas, não 
consegue realizar nada sem um programa (software). Esse programa é a cultura. Cada sociedade desenvolve 
um tipo diferente de programa para disponibilizar aos seus indivíduos, que aprendem como operá-lo por 
meio dos processos que denominamos anteriormente de socialização e endoculturação11.
É por isso que em cada cultura os indivíduos reagem mais ou menos da mesma forma em relação 
a uma situação. Faz parte da cultura brasileira torcer para os times e pela seleção de futebol. Já nos 
Estados Unidos, esse esporte não mobiliza o interesse da população, que se interessa muito mais por 
um esporte quase ausente no Brasil que é o beisebol. Interesse é uma das formas de expressão do que 
chamamos de valores. Cada cultura valoriza o interesse de seus indivíduos por certos tipos de esportes, 
alimentos, vestimentas, crenças etc. Não é possível nos dedicarmos a tudo ao mesmo tempo.
Cada povo possui uma cultura. Cada cultura possui um conjunto diferente de valores. Isso é o que 
chamamos de diversidade cultural.
11 Esse conceito será aprofundado adiante, no item 6 “Cada povo uma cultura, cada cultura uma sentença: a 
diversidade cultural”. Para fazer sentido agora, resumidamente, endoculturação ou enculturação é um conceito utilizado 
para designar os processos sociais que transformam o aprendizado sobre o comportamento social em algo que é assimilado 
pelos indivíduos como parte de sua personalidade ao atingir a idade adulta. A maioria dos autores usa como sinônimo de 
socialização.
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Você pode estar se perguntando se é correto afirmar que alguns animais têm cultura.
Sim, atualmente muitas ciências demonstram em suas observações do comportamento animal 
alguns traços de hábitos coletivos, mas em nada se equivalem à complexidade das culturas 
humanas.
Leia o trecho abaixo:
De nada adianta o corpo de Homo sapiens somente. É necessária a cultura para nos completar. 
Somos seres em aberto. As determinações instintuais acabam sobrepujadas pelas marcas da cultura, 
das escolhas que os grupos humanos realizaram ao longo de sua história. Se o código genético não 
define o nosso comportamento, é necessária a cultura para nos orientar e dizer como devemos nos 
comportar. Através de escolhas proporcionadas pelo livre arbítrio, cada grupo humano foi tecendo um 
conjunto de códigos e normas de conduta que compõe a cultura. Desta maneira, os grupos foram se 
diferenciando, estabelecendo marcas distintivas, construindo identidades e modos diferenciados de 
se relacionar. Seja o relacionamento com a natureza, através de técnicas e ferramentas específicas, 
seja entre seus integrantes, por meio de linguagens distintas, ou ainda com o mundo do imaginário, 
através de mitologias próprias (...).
A capacidade de simbolização e criação cultural permitiu-nos constituir uma extraordinária 
característica: pensar no que não está presente, diante de nossos olhos. Essa capacidade de abstração 
e transcendência possibilitou superar as limitações impostas pela natureza.
(Guerriero, Silas. As origens do antropos, in Antropos e psique – o outro e sua subjetividade. São Paulo: Olho d´Água, 2003.)
Concluindo, o conceito de cultura é utilizado em dois registros bem diferentes: o do 
senso comum e o da ciência antropológica. No primeiro caso, podemos notar que cultura é 
utilizada para distinguir numa sociedade aqueles que receberam uma educação mais refinada, 
e, portanto, podemos discriminar pessoas ao dizer que “não têm cultura”. Para a antropologia, 
cultura é um conceito que define nossa imensa capacidade de criar diferentes soluções para 
a vida humana.
Criar soluções significa utilizar nosso potencial para 
transformar o mundo material e também o mundo das ideias, 
incluindo nossa comunicação, crenças, hábitos e valores.
Ao criar essas soluções, cada sociedade contribui para 
gerar a diversidade cultural.
EXERCÍCIOS
1) O comportamento humano está intimamente associado à presença da cultura.Sobre a 
importância desse fato, assinale a alternativa correta.
Sugestão de leitura:
Laraia, Roque de Barros. Cultura – um 
conceito antropológico. Rio de Janeiro: 
Jorge Zahar. 2006.
Rocha, Everardo. O que é etnocentrismo. 
São Paulo: Brasiliense, 1998. 
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a) A cultura garante que o ser humano evolua, por isso podemos encontrar alguns povos menos 
evoluídos que outros.
b) A cultura garante que cada geração receba todo o conhecimento produzido anteriormente, 
por meio da educação e da comunicação, por isso não dependemos dos instintos para 
sobreviver.
c) Podemos afirmar que existe relação entre a diversidade cultural e o determinismo biológico.
d) A cada geração a cultura evolui mais, garantindo ao ser humano que nossos descendentes recebam 
um mesmo padrão biológico.
e) A cultura está associada à capacidade de inteligência, por isso temos o fenômeno da diversidade 
cultural.
2) Sobre o conceito de cultura, aponte nas frases abaixo com a letra “S” quando se tratar de uma 
afirmação do senso-comum e com a letra “C” quando se tratar de um pensamento científico.
a) Os franceses têm uma cultura refinada, enquanto que os brasileiros têm uma cultura informal. ( )
b) A diversidade cultural é resultado das diferentes capacidades que cada povo possui para se 
desenvolver. ( )
c) Quanto mais civilizado um povo, melhor é a sua cultura. ( )
d) A cultura é responsável pelos julgamentos e pelas escolhas que os indivíduos fazem ao 
longo da vida. ( )
e) Para julgar as culturas devemos deixar claros os critérios morais e racionais que foram utilizados. ( )
3) Existe um marco na história da Antropologia que é representado pelo momento em que 
o conceito de “raça” é abandonado e substituído pelo de “cultura” ou “etnia”. Esse momento 
se encontra expresso na obra de muitos autores e pode ser associado corretamente em qual 
afirmação?
a) Representou o final do paradigma evolucionista e abriu perspectiva para investigações científicas 
mais imparciais.
b) Foi um passo necessário para criar os conceitos de endoculturação e etnocentrismo, ampliando o 
conhecimento sobre os processos culturais.
c) Gerou uma divisão na Antropologia atual, colocando de um lado os defensores das teorias 
da cultura como expressão material e de outro os que defendem a cultura como expressão 
imaterial.
d) Representou a ampliação dos estudos evolucionistas e permitiu que as investigações sobre a 
relação entre herança genética e herança cultural fossem aprofundadas.
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e) Seguindo orientação de Darwin, a partir desse momento os antropólogos passaram a aceitar 
que somos fruto de uma longa e lenta evolução na qual a herança cultural e a herança genética 
colaboraram mutuamente.
4) Se uma criança brasileira indígena for criada no Japão, ela crescerá como uma criança 
japonesa, aprendendo a língua, os hábitos, as crenças e os valores dos japoneses. Isso se dá 
porque:
a) O ambiente físico explica a diversidade cultural.
b) A cultura japonesa é muito mais adiantada do que a indígena.
c) A capacidade de aprendizado é própria das crianças. 
d) Há uma teoria que afirma que os homens da América, inclusive os índios brasileiros, vieram da 
Ásia, daí a facilidade do aprendizado.
e) As características biológicas não são determinantes nas diferenças culturais. 
5) Atualmente, nas ciências humanas, o conceito de “raça” está em desuso para fazer referência 
às populações humanas. Em seu lugar aparece o conceito de “etnia”. Sobre isso, assinale a alternativa 
correta.
a) O conceito de raça é mais adequado para explicar os fenômenos da diversidade cultural humana, 
mas é menos abrangente e, por isso, foi substituído pelo conceito de etnia.
b) Etnia é um conceito mais adequado para explicar a diversidade cultural das sociedades humanas, 
pois privilegia alguns povos mais evoluídos e, por isso, permite uma teoria mais adequada à nossa 
realidade.
c) O desuso do conceito de raça se deve ao fato de ser antiquado e não considerar aspectos mais 
modernos das culturas humanas.
d) Ao utilizar o conceito de etnia, os cientistas conseguiram acabar com o preconceito e o racismo 
ainda presentes no senso comum.
e) O conceito de raça foi muito utilizado para justificar o domínio de uma sociedade sobre 
muitas outras e, além disso, mostrou-se sem fundamento, pois é resultado do determinismo 
biológico. 
Resolução dos exercícios
1) 
b) A cultura garante que cada geração receba todo o conhecimento produzido anteriormente, por 
meio da educação e da comunicação, por isso não dependemos dos instintos para sobreviver.
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2) 
a) (S)
b) (C)
c) (S)
d) (C)
e) (C)
3) 
a) Representou o final do paradigma evolucionista e abriu perspectiva para investigações científicas 
mais imparciais.
4) 
e) As características biológicas não são determinantes nas diferenças culturais.
5) 
e) O conceito de raça foi muito utilizado para justificar o domínio de uma sociedade sobre muitas outras 
e, além disso, mostrou-se sem fundamento, pois é resultado do determinismo biológico.
CULTURA, CULTURAS – CIÊNCIA, RELAÇÕES HUMANAS, SÍMBOLOS E 
COMUNICAÇÃO
4 A COMUNICAÇÃO HUMANA É SIMBÓLICA
Objetivo
Ao entrar em contato com esse fenômeno que se chama comunicação, sob o enfoque da 
Antropologia, é possível ampliar capacidades comunicativas e também a capacidade de 
compreensão do outro. Ao se comunicar, o ser humano utiliza símbolos que significam algo para 
ele. Quando esses significados não são os mesmos, podem surgir problemas no diálogo entre 
pessoas e sociedades diferentes.
Atribuir significado ao mundo é parte de um processo relacionado à cultura e nos auxilia nos 
processos de relacionamento humano.
Introdução
Sem a comunicação, nossa sociedade seria mais semelhante a uma sociedade de outros animais 
que vivem em coletividade, como abelhas, formigas e leões. A cultura humana tem características 
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que diferenciam nossa forma de vida coletiva. Para expressar a cultura, dependemos da utilização 
dos símbolos. Língua, conceitos, valores, ideias, crenças, tudo que faz parte da cultura humana 
é baseado em símbolos que, por meio de uma convenção social, são associados pelos indivíduos 
a um determinado significado, e isso faz com que seja possível a interpretação dos conteúdos 
comunicados.
Entretanto, de uma cultura para outra esses significados variam imensamente, o que torna 
necessária a compreensão do contexto cultural em que os símbolos são criados e utilizados para 
que nossa comunicação seja eficaz e consiga atingir seus objetivos. 
Principais conceitos
Símbolo, comunicação, cultura.
4.1 O símbolo, o ato de simbolizar e a cultura
A cultura depende dos símbolos, a comunicação humana é baseada na simbolização. Mas o que é 
símbolo?
Segundo o “Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa” (edição de 2001):
1 aquilo que, por um princípio de analogia formal ou de outra natureza, substitui ou sugere 
algo 1.1 aquilo que, num contexto cultural, possui valor evocativo, mágico ou místico (...) 2 
aquilo que, por pura convenção, representa ou substitui outra coisa.
Normalmente, pensamos que símbolos são aquelas placas com figuras indicativas como “proibido 
fumar”; ou ainda pensamos em imagens religiosas como cruzes e estrelas; pensamos também em sinais 
da matemática utilizadasnas operações de divisão e multiplicação. 
Mas o universo dos símbolos inclui todas as formas de comunicação humana e também nossa vida 
social. O símbolo é uma ferramenta humana para pensar e agir, e simbolizar nada mais é do que criar 
um símbolo para as convenções sociais.
O mundo à nossa volta é “traduzido” em pensamentos que precisam ser comunicados. Assim, a 
capacidade de simbolizar é inata à nossa espécie, todo ser humano cria e utiliza símbolos. 
A linguagem, a escrita, a forma de associar datas a sentimentos e a eventos coletivos muda de uma 
cultura para outra. Claro que podemos fazer com que alguns símbolos sejam universais, por exemplo: a 
propagação da religião ou da ciência; por isso os símbolos da química e da matemática são os mesmos 
para todo mundo.
A maior parte de nossa comunicação social e de nossas convenções é desenvolvida localmente, e, 
muitas vezes, acreditamos que estamos “falando uma linguagem universal” com gestos e sinais, mas 
não é isso!
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Vamos fazer um exercício: nós convencionamos que a palavra “flor” simboliza aquela coisa que 
encontramos na natureza e que é uma das partes do organismo de algumas plantas. 
Apesar de existir um imenso número de flores, quando pensamos em uma flor para comunicar uma 
situação corriqueira envolvendo flores, não pensamos em flores de tipos muito específicos e em suas 
qualidades. Quando pensamos em uma flor e queremos comunicar essa ideia básica, temos que recorrer 
a um som, uma palavra que, ao ser pronunciada, faça com que todos os presentes entendam em que o 
comunicador estava pensando. 
Portanto, a palavra flor não é a “coisa real” que existe na natureza, mas um som que representa essa 
realidade. Esse é um primeiro passo para entendermos o processo de simbolização, e até agora foi possível 
entender que sem símbolos não conseguiríamos sequer compartilhar o que se passa em nossas mentes.
Mas observe que a palavra flor é um dos símbolos para a coisa em si, a própria flor. Para cada coisa 
existente, o ser humano cria muitos símbolos. Temos, por exemplo, a representação da flor por meio dos 
desenhos, que é também um símbolo. Assim:
 Essa imagem fotográfica, apesar de parecer a própria flor, ou 
uma delas, não é a flor em si. É uma representação da “flor”, pois já 
deixou de ser a própria flor, e é simbolizada em uma imagem que 
não é tridimensional, mas, sim, bidimensional, criando algo que a 
representa, mas que não é ela mesma. Ou seja, é um símbolo.
Essas imagens são desenhos, ou seja, representações artísticas 
da flor, e, portanto, também não são a flor em si, mas formas 
simbólicas para elas. A arte é, em sua essência, simbólica. O artista 
procura sempre “representar algo”. Na pintura, na música, na 
dança, o artista procura através da forma obtida (a forma plástica, 
a sonoridade ou o movimento) criar um símbolo para algo visto, 
percebido, sentido ou experimentado antes.
Todas essas imagens são símbolos para a coisa “flor”. Então, podemos compreender que as “coisas 
em si” são transportadas para a nossa mente, e podemos pensar nelas, mesmo quando não estamos em 
sua presença. 
A maior parte de nossa comunicação diária tem como finalidade narrar, descrever, lembrar e 
conceituar coisas que não estão presentes. Ao fazer isso, retiramos todas as coisas de seus contextos 
originais, que não pode ser reproduzido em toda a sua riqueza e complexidade, e escolhemos alguns de 
seus aspectos a serem ressaltados. 
Assim é que nós simbolizamos as experiências vividas, e por meio dessa comunicação simbólica 
podemos atribuir qualidades ao mundo. “Essa flor é alegre”, “esse cheiro me lembra a infância”, “as 
cores desta bandeira simbolizam a paz e a riqueza”, “o crucifixo identifica os cristãos”, são formas de 
simbolizar experiências e sensações. 
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Não está na “flor em si” ser alegre ou triste, mas o ser humano identifica certas qualidades. Não 
existe “cheiro de infância”, mas aromas que são convencionalmente usados em bebês, ou, ainda, aromas 
de um lugar que marcaram a infância de determinada pessoa etc. 
O correto é observarmos que na natureza não existem qualidades que são criadas pelo Homem, 
como bondade/maldade, justiça/injustiça, beleza/feiura. Uma catástrofe da natureza, como um 
terremoto, não é ruim senão do ponto de vista dos prejuízos que possa causar aos seres humanos. 
Para a terra, onde ele se originou, não existe esse tipo de julgamento. 
Bondade, justiça e beleza, bem como todos os conceitos de valor que dispomos são resultados da 
criação das culturas humanas, e não da natureza. Portanto, são valores, que se expressam por meio de 
símbolos. Um céu escuro e carregado de nuvens pode simbolizar preocupações e problemas, ou um 
terremoto pode ser utilizado para simbolizar alguém inquieto, agitado.
Abaixo você pode ler um trecho do livro Cultura - um conceito antropológico, e perceber a importância 
cultural da capacidade humana de simbolizar:
Com efeito, temos de concordar que é impossível para um animal compreender os significados 
que os objetos recebem de cada cultura. Como, por exemplo, a cor preta significa luto entre 
nós e entre os chineses é o branco que exprime esse sentimento. Mesmo um símio não saberia 
fazer a distinção entre um pedaço de pano, sacudido ao vento, e uma bandeira desfraldada. 
Isto porque, como afirmou o próprio White, “todos os símbolos devem ter uma forma física, 
pois do contrário não podem penetrar em nossa experiência, mas o seu significado não pode 
ser percebido pelos sentidos”. Ou seja, para perceber o significado de um símbolo é necessário 
conhecer a cultura que o criou.
(Laraia, R. B. Cultura – um conceito antropológico. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003.)
Ao utilizar um crucifixo, uma pessoa é identificada pelos 
outros como “cristão”, pois a cruz simboliza um evento da 
figura fundadora dessa fé, que é Cristo. Essa é outra associação 
possível com os símbolos. Os símbolos representam coisas, 
ideias e pessoas que não estão presentes. 
Cada profissão elege seu símbolo; os times utilizam 
brasões, cores e emblemas; placas de trânsito são símbolos; 
placas de “proibido fumar”, “proibido cães” e outras regras de 
uso do espaço são símbolos. O símbolo facilita e agiliza a 
comunicação, transmite ideias complexas e sentimentos, 
e tudo isso é possível porque, como afirma Geertz, “a 
humanidade atribui, de forma sistemática, racional e 
estruturada, significados e sentidos às coisas do mundo”. 
Portanto, tudo na comunicação é símbolo? Sim!
Para dominar coletivamente o 
significado dos símbolos, e compartilhar 
com as pessoas de nossa cultura, 
precisamos:
1 – atribuir significados de forma 
coletiva às coisas do mundo. Uma pessoa 
pode “inventar” um símbolo, mas, para 
que todos compreendam da mesma 
forma e queiram utilizá-lo, é necessário 
haver participação, ou seja, uma forma 
de “adoção” coletiva dos símbolos. 
2 – repetir cotidianamente o uso 
dos símbolos e seus significados para 
que se tornem rotina/hábito, e sejam 
incorporados como parte da cultura.
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Os símbolos são frutos da persistência humana em olhar para o mundo e ver significados, 
em tornar rotineiras as soluções racionalmente pensadas12, cheias de significados coletivamente 
construídos. 
A cada cultura corresponde um processo coletivo 
único de criar símbolos, portanto, a maioria dos símbolos 
cotidianos tem um significado apenas local. Mas alguns 
símbolos, por efeito da sistemática e da rotina de 
circulação emoutros meios, conseguem ter significado 
para praticamente a humanidade toda. Assim, ocorreu 
com a logomarca da “Coca-Cola”, presente em todo o 
mundo como um ícone de prazer e do mercado, ou com o 
símbolo da juventude dos anos 1960 para “paz e amor”.
A atuação do mercado, que intensifica e aumenta a necessidade humana de fazer trocas, 
é a responsável atualmente por esse deslocamento dos símbolos de seu contexto original e 
pela incorporação de significados extralocais. Ou seja, os símbolos passam de uma cultura para 
outras, sem carregar necessariamente seus significados originais e atribuídos localmente.
A cultura caracteriza a espécie humana e nos dota de infinitas possibilidades. Somos indivíduos 
em aberto, modeláveis, com plasticidade, que aceitam mudanças e têm capacidade de refletir e 
escolher. 
Necessitamos participar de uma coletividade, necessitamos de referências para saber como 
nos comportar e, sobretudo, precisamos organizar nossa coletividade de forma a permitir um 
comportamento mais voltado para o grupo e menos voltado para satisfações individuais. 
Se cada um de nós agisse o tempo todo apenas de acordo com sua própria vontade, a sociedade 
entraria em colapso.
Isso é interessante, pois ao mesmo tempo em que somos criativos, plenos de possibilidades, 
somos também bons aplicadores de regras. Aliás, necessitamos delas, para que o mundo da 
coletividade se torne possível. Somos seres complexos, entre outras coisas, porque somos dotados 
de criatividade e, ao mesmo tempo, precisamos de regras, pois elas permitem nossa convivência, 
nossa interação. 
Essa complexidade só é possível, pois o pensamento e a comunicação humanos são estruturados 
em um conjunto de símbolos. Vamos retomar uma das definições de cultura aplicada acima, 
de Clifford Geertz, que diz que: “Cultura é um sistema simbólico, característica fundamental e 
12 Rotina é o mesmo que fazer algo sempre da mesma maneira, portanto, é um hábito. Os significados dos símbolos 
culturais dependem de uma rotinização, ou seja, precisam ser incorporados de maneira mecânica em nossas atitudes, de 
forma que não precisamos raciocinar o tempo todo para compreender as linguagens à nossa volta.
Simbolização – ato ou efeito de 
simbolizar; processo que procura 
expressar o raciocínio por meio de um 
sistema simbólico.
(fonte: Dicionário Houaiss da Língua 
Portuguesa, Rio de Janeiro: Objetiva)
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comum da humanidade de atribuir, de forma sistemática, racional e estruturada, significados e 
sentidos às coisas do mundo”.
A comunicação humana é tão complexa que existem várias ciências dedicadas a estudar e a 
compreender esse universo. Para que você entenda que há muitas formas de comunicar e que 
dependem do uso dos símbolos, vamos lembrar que há basicamente duas formas de comunicação 
humana: a verbal e a não verbal. 
Na comunicação verbal precisamos de palavras, da nossa língua, que traduz em sons e 
organiza, por meio da sintaxe, as regras de comunicação. Na comunicação não verbal há todo o 
universo de símbolos que não dependem das palavras, como os sons sem palavras, os gestos e 
as cores13.
Comunicação é o processo de troca de informações entre um emissor e um receptor. Um dos 
aspectos que podem interferir nesse processo é o código a ser utilizado, que deve ser entendível para 
ambos.
Para compreender melhor a divisão entre linguagem verbal e não verbal leia o texto abaixo.
Quando falamos com alguém ou lemos um livro ou uma revista, estamos utilizando a 
palavra como código. Esse tipo de linguagem é conhecido como linguagem verbal, 
sendo a palavra escrita ou falada, a forma pela qual nos comunicamos. Certamente, essa 
é a linguagem mais comum no nosso dia a dia. Quando alguém escreve um texto, por 
exemplo, está usando a linguagem verbal, ou seja, está transmitindo informações através 
das palavras.
A outra forma de comunicação, que não é feita nem por sinais verbais nem pela escrita, é a 
linguagem não verbal. Nesse caso, o código a ser utilizado é a simbologia. A linguagem não 
verbal também é constituída por gestos, tom de voz, postura corporal etc. Se uma pessoa 
está dirigindo e vê que o sinal está vermelho, o que ela faz? Para. Isso é uma linguagem não 
verbal, pois ninguém falou nem estava escrito em algum lugar que ela deveria parar, mas 
como ela conhece a simbologia utilizada, apenas o sinal da luz vermelha já foi suficiente 
para que ela compreendesse a mensagem. 
(disponível em: <http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/redacao/linguagemverbal-e-nao-verbal.php>,
acesso em 25 de outubro de 2010)
Vamos exercitar um pouco nosso pensamento sobre a realidade para perceber como utilizamos os 
símbolos para quase tudo.
13 A linguagem dos gestos e as expressões faciais também não são universais, podendo variar imensamente de uma 
cultura para outra. “Os gestos são compreendidos de diversas formas nas diferentes culturas. Só existe um gesto semelhante em 
qualquer lugar do mundo, o sorriso, muito embora essa semelhança não deva ser entendida como uma expressão invariável de 
prazer ou alegria, uma vez que seu significado difere de cultura para cultura e, ainda, conforme o contexto da situação, pode 
significar surpresa, prazer, desaprovação, ironia, superioridade, desprezo, agressividade, maldade etc.” (Silva, Lúcia Marta Giunta et 
al. Comunicação não verbal: reflexões acerca da linguagem corporal. Rev. Latino-Am. Enfermagem, Ribeirão Preto.)
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O uso da comunicação não verbal é uma rica fonte de simbolização, utilizamos, por 
exemplo, os recursos do corpo para expressar ideias. Leia o trecho abaixo para esclarecer 
melhor sobre esse assunto.
A comunicação é fundamental nas relações pessoais, empresarias e educacionais.
Pode ser feita de várias maneiras, entretanto, só existe realmente entendimento 
quando a mensagem é recebida com o mesmo sentido com o qual ela foi 
transmitida.
A comunicação não é somente a linguagem verbal, ela é feita em grande parte pela 
linguagem não verbal. O importante é que uma esteja em concordância com a outra, 
de forma que a comunicação seja um processo completo e coerente. Contudo, os seres 
humanos, em sua complexidade, muitas vezes transmitem sem perceber uma mensagem 
verbal diferente da mensagem corporal, o que poderá dificultar a compreensão da sua 
mensagem. O nosso corpo fala todo tempo, as expressões do rosto, os olhares, os gestos, 
as posturas, o tom e o ritmo da voz. 
(Schelles. Suraia. A importância da linguagem não verbal nas relações de liderança nas organizações.
Revista Esfera, nº1 Jan/Jun 2008.) 
O ser humano fabrica um instrumento qualquer, por exemplo: uma faca. Mesmo pensando 
apenas em seu aspecto utilitário, que deve ser a preocupação com o formato da lâmina e o fio 
para cortar, a maioria das facas que são fabricadas traz algo para além da utilidade; elas trazem 
também a preocupação ornamental/estética.
Por que precisamos que objetos utilitários como facas, louças e móveis tenham uma expressão 
estética? 
Vamos exercitar refletindo sobre isso apenas da perspectiva cultural, pois a necessidade estética 
humana trata-se de um assunto bastante amplo.
Pois bem, os objetos dos quais nos cercamos, como o vestuário e os adornos corporais possuem 
uma função social, que é demarcar identidades. Por isso, existe não apenas a diversificação do 
material que é utilizado na fabricação das coisas, mas também uma simbologia relacionada a 
essas coisas.
Então, objetos utilitários como as facas podem servir também para demarcar posições de 
status social ou de especialização de funções. Assim, existem as facas com cabos adornados 
com madre pérola, ou com pequenos encraves depedras preciosas e ouro. Nesse caso, não há 
uma utilidade no adorno do cabo, mas uma função social simbólica. Quando vemos o objeto, 
mesmo longe de seu proprietário, sabemos se tratar de algo que pertence a alguém com 
posição social privilegiada.
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A estética, a ornamentação das facas, como de qualquer objeto utilitário que está a nossa 
disposição, também simboliza e expressa as características da forma de organização de uma 
sociedade.
Isso porque, nós “atribuímos significado às coisas do 
mundo”, e percebemos que a quase totalidade do que 
vemos, ouvimos e sentimos adquirem significado. Assim, 
as facas trazem ornamentos como pedras ou formas 
adicionadas ao cabo, que as tornam atraentes ou únicas.
As cores têm significado: o branco pode simbolizar a paz, o preto pode simbolizar tristeza 
ou mistério, o vermelho a sensualidade ou o amor. Os sons têm significado: o badalar dos sinos 
em uma igreja podem simbolizar comemoração ou morte, o som da água em uma fonte pode 
simbolizar tranquilidade e, por isso, é utilizado terapeuticamente para acalmar. 
Os alimentos precisam ter significado: não comemos qualquer alimento de qualquer 
jeito, eles precisam receber cores, formas de apresentação para se tornarem convidativos à 
degustação. 
A culinária e as regras sociais relacionadas ao ato de comer são uma forma de simbolização. 
Uma receita de bolo recebe um tratamento quando este é servido em um lanche para a família, e 
outro completamente diferente quando é servido como comemoração festiva de aniversários ou 
casamentos.
Quando pensamos sobre qualquer coisa no mundo que nos cerca externamente, e também em nossa 
vida interior, damos significados a elas. Associamos coisas a sentimentos e ideias, e assim elas passam a 
significar algo.
Vamos pensar em exemplos? Os “amuletos” são em princípio simples objetos, mas em cada cultura 
atribuímos a eles uma “aura” que nos faz encará-los como objetos “de poder” para trazer proteção, sorte 
ou fortuna.
Quando associada a uma cultura, a simbolização pode ser percebida como um conjunto de sentimentos, 
valores e ideias que atribuem o mesmo significado a certas “coisas do mundo” e que valem para a média de 
indivíduos do grupo e que se repetem nas rotinas sociais. Em uma mesma cultura, existe a tendência a utilizar 
o mesmo “repertório simbólico”, e esse repertório pode mudar em outras culturas.
O que é exatamente esse “repertório simbólico”?
É um conjunto de símbolos e os significados que atribuímos às coisas. 
Nossa vida coletiva é simbolizada. 
Objetos, vestuário, construções e mesmo 
aromas se tornam símbolos de nossas 
relações sociais. A simbolização é uma 
das características básicas das culturas 
humanas.
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Exemplos:
Coração
Como muitas palavras e coisas das culturas, coração não é uma “coisa em si”, mas um conjunto 
de ideias e valores, que chamamos aqui de repertório.
1) coração como o órgão do corpo humano;
2) coração como um sentimento de ternura;
3) coração como o centro de alguma coisa;
4) coração como um complexo de emoções que podem ser até contraditórias, como dor, amor, 
apego ou memória.
Perceba como uma única coisa (coração) forma um conjunto, um repertório de significados para 
nossas ideias?
Isso acontece do mesmo jeito com muitas outras coisas às quais associamos mais de um significado. 
Para fazer um exercício mental, podemos pensar em exemplos: doente, amargo, pedra, estrada etc.
Estar doente, ou “doente de paixão”, “doente de vontade de comer algo”.
Ser “uma derrota amarga”, “amargo para o paladar”, “amargo de doer”.
Ter uma “pedra no sapato”, ser uma “rocha” ou uma “pedreira”, ter uma “pedra preciosa”, ou 
apenas uma pedra.
Pegar uma estrada, caminhar na “estrada da vida”.
Quando vistas da perspectiva da cultura, as coisas da vida se transformam em conjuntos, repertórios 
simbólicos que podem ter seu pleno sentido compreendido apenas se olharmos o todo funcionando.
Por isso, dizemos que a cultura é um “sistema simbólico”, uma vez que os exemplos acima fazem 
parte de nossa cultura, ou seja, da sociedade brasileira. Portanto, esse repertório se modifica de uma 
cultura para a outra.
Vamos nos debruçar sobre exemplos que envolvem não apenas a linguagem e nossa forma de 
expressar as coisas, mas também valores sociais.
A começar pela noção de liderança. 
O líder, na cultura japonesa, é alguém que não precisa, necessariamente, ter atributos de “simpatia” 
ou “iniciativa” para receber de seus liderados tratamento de confiança, admiração ou qualquer outra 
reação de reconhecimento. Para a tradição japonesa, o líder, apenas por ocupar certa posição na 
hierarquia profissional, é “naturalmente” encarado como aquele que deve ser respeitado, deve servir de 
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modelo e referência a todos os seus subordinados. Isso se deve ao fato de que, na cultura japonesa, ao 
contrário da cultura ocidental, a hierarquia é tradicionalmente encarada como algo a ser respeitado em 
qualquer circunstância, e independentemente das características pessoais de quem ocupa as posições 
mais superiores. Nos países ocidentais, a hierarquia, e como consequência, a liderança são fenômenos 
que mobilizam sentimentos e reações bem diferentes da japonesa. Entre nós, o líder precisa “demonstrar” 
merecimento do lugar que ocupa, “conquistar” a confiança de seus liderados. Precisa ter atributos 
pessoais que tornem legítima sua posição. Para os japoneses isso não é necessário.
Portanto, os significados relacionados ao conceito de liderança, como muitas outras atribuições e 
qualidades sociais, mudam dependendo da cultura. O repertório simbólico, portanto, é o que nos orienta 
a compreender os sentidos da vida social em cada cultura.
Assim, vemos que a simbolização acompanha o ser humano. Mesmo em suas realizações materiais 
o ser humano pensa simbolicamente. Não nos abrigamos de qualquer forma, não nos alimentamos de 
qualquer forma, não fabricamos as coisas de qualquer forma. 
Desenvolvemos cores, linhas, texturas e densidades para nos cercar de significado. Tomamos as 
coisas da natureza e passamos a organizá-las de tal forma que estas já não lembram a matéria-prima 
inicial. A madeira é transformada em mobiliário, as plantas em jardins, o barro em cerâmica.
As vestimentas que usamos não são apenas utilitárias, 
servindo para nos proteger do frio ou do calor. Elas são 
carregadas de simbologias sociais. Por meio delas comunicamos 
nossa posição social, nossa identidade, nossos estilos de 
vida, nossa condição emocional. Para cada contexto social 
inventamos uma roupagem adequada, e esperamos encontrar 
todos seguindo a regra. Quem iria fantasiado a uma festa se 
soubesse que ninguém mais seguiria essa indicação? 
Os símbolos são socialmente inventados e mantidos. Não é possível saber quem foi o primeiro a 
praticá-los, como um movimento de dança, ou o uso de uma gíria, ou expressões faciais e gestos. O 
que importa é a necessidade do grupo em manter e reproduzir esse significado, e não saber quem o 
“inventou”. 
O símbolo é a mais antiga forma de expressar a cultura de um povo. A simbolização 
permite ao homem transmitir os seus conhecimentos adquiridos e acumulados no decorrer 
do tempo. Os símbolos conservam os valores básicos para que a cultura de uma sociedade 
seja perene. 
Os símbolos são constituídos de várias coisas concretas ou abstratas e lhes são atribuídos valores 
ou significados específicos, dentro de um contexto cultural, por meio de atos, atitudes e sentimentos.A criação deles consiste, basicamente, na associação de significados daquilo que pode ser percebido 
pelos sentidos. 
Os símbolos estão presentes em 
todas as nossas experiências sociais. 
Precisamos deles para nos comunicar, 
para dar significado às nossas 
ações, para nos sentir parte de uma 
comunidade.
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Sabemos que as culturas mudam continuamente, assimilam novos traços ou abandonam 
os antigos, por meio de diferentes formas. Toda sociedade está sujeita a essas modificações 
pelo próprio processo de desenvolvimento, pelos contatos com povos de culturas diferentes, 
pelas inovações científicas e tecnológicas, interferindo nas artes, no artesanato e em sua 
cultura como um todo. 
(Medeiros, Albertina P. Padrões gráficos para aplicação em revestimentos cerâmicos baseados na cultura do litoral sul de Santa 
Catarina. Dissertação apresentada no Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção da Universidade Federal de Santa 
Catarina para obtenção do grau de Mestre em Engenharia. Disponível em: http://www.eps.ufsc.br/disserta98/albertina/, acesso 
em 22 de outubro de 2010)
Quando nos comunicamos, seja pela linguagem escrita, falada, filmada, ou pelas artes, o conteúdo 
do que é comunicado é sempre algo que precisa ser interpretado. Interpretar é dar sentido, entender, 
julgar. 
A maior parte de nossa comunicação é composta de conteúdos que se tornaram convenção social. 
Serem membros da mesma cultura é uma garantia de que todos estejam interpretando de forma muito 
semelhante os conteúdos comunicados. 
Claro que isso não garante eventuais desentendimentos, 
os chamados “erros de comunicação”, ou “mal entendidos”. 
Mas garante que não tenhamos que explicar minuciosamente 
o tempo todo nosso uso dos conteúdos comunicativos.
Os símbolos podem “sair do lugar”, podem ser transportados para um contexto social diferente do 
convencional?
Sim!
Como os símbolos cotidianos dependem desse consenso em torno da interpretação, é muito 
comum que quando usados em um contexto diferente do original, eles sejam interpretados de formas 
completamente diferentes da convenção da cultura que lhe deu origem.
 Isso porque ao saírem de sua cultura original, podem ir parar em lugares onde não há essa convenção 
sobre como ele deve ser interpretado. Então, o que acontece é que as pessoas tendem a dar o sentido 
mais apropriado ao seu próprio contexto. O que os indivíduos fazem, nesse caso, é idêntico ao trabalho 
feito pelo tradutor, ou seja, as pessoas tentam adequar os símbolos de outras culturas à sua própria 
linguagem e vida social.
Ou seja, quando se “adota” símbolos de outras culturas, de outras convenções sociais, a tendência 
é que as pessoas façam um esforço para adaptar os significados possíveis desse símbolo à sua própria 
realidade.
Hoje em dia esse fenômeno é muito comum no mundo da moda e das tendências de 
comportamento. 
A língua, toda comunicação e os 
hábitos mantidos entre as pessoas de 
uma cultura, depende das convenções 
sociais. 
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Vamos pensar em um exemplo: o modismo que envolve 
atualmente as tatuagens faz com que seus adeptos se 
especializem em buscar inspiração para traçados e desenhos 
originais nas tribos e povos que utilizam a tatuagem há 
séculos. 
Um desses povos é os Maoris, que habitam a Nova 
Zelândia, e são conhecidos pelo costume milenar de utilizar 
a tatuagem facial como uma forma de comunicar seu nome e sua linhagem ancestral. São traços 
geometricamente complexos desenhados no rosto das pessoas, e são chamados de moko. Muitos jovens 
norte-americanos têm aderido a esse costume, tatuando toda a área do rosto. A esse tipo de prática, um 
jovem chefe Maori chamado George Nuku trás seu ponto de vista em entrevista à National Geographic. 
Leia abaixo um trecho da reportagem.
Chefe Maori fala de tatuagens faciais e orgulho tribal
Ryan Mitchell
National Geographic News - 14 de outubro de 2003
George Tamihana Nuku é um orador notável e entusiástico do orgulho reemergente entre muitas 
culturas indígenas ao redor do mundo. Sua tatuagem facial elaborada, ou Moko, distintamente 
o identifica como membro de uma tribo Maori, um homem, isto é, cuja própria identidade está 
indissoluvelmente ligada a seus antepassados e suas tradições seculares (...).
- Como você responderia aos não nativos que estão usando alguns dos desenhos que são 
similares ao moko?
- Se você não vive aquilo que está em você, então isto é apenas um desenho. Não é um moko. 
Antes de mais nada, ele (o moko) vem da sua linhagem. Ele define quem são (ou eram) seus pais e 
avós desde o princípio dos tempos. Isso é só a primeira coisa.
(disponível em: <http://news.nationalgeographic.com/news/2003/10/1014_031014_georgenuku.html>. “Tradução própria”) 
Vamos avaliar melhor essa situação. Do ponto de vista de um nativo maori, os significados de uma 
tradição são reduzidos a um desenho, pois deixaram de transmitir seus símbolos originais. 
Já para os jovens modernos das grandes cidades que optam por reproduzir esse costume em outro 
contexto, fazer uma tatuagem tribal no rosto pode significar que ele não se sente alguém comum, 
parecido com a maioria de seu grupo, e ao expressar sua identidade procura se diferenciar da “massa”. 
Ele, de alguma forma, procura se aproximar do primitivo, da tribo, mas com sua própria história. A 
história de um “primitivo moderno”14.
A moda, o cinema, a publicidade e 
os meios eletrônicos de comunicação 
que disponibilizam uma quantidade 
cada vez maior de informação simbólica 
sobre muitas culturas, permitem uma 
“migração” de símbolos cada vez mais 
intensa.
14 “primitivos modernos” é o nome dado a uma das muitas tribos urbanas da atualidade. Consiste em uma 
coletividade que se inspira nas práticas de modificação corporal dos povos ditos “primitivos” para compor um visual 
atualizado, de acordo com as influências da cultura contemporânea. Tatuagens, piercings, alargadores, implantes sob a pele 
e outros tipos de modificação fazem parte dessa cultura. 
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Como esse caso descrito acima, há muitos outros exemplos de como os símbolos são apropriados 
e “traduzidos” para uma linguagem local. Para aqueles que vivem na zona rural, alguns objetos como 
latões de leite, carroças e carriolas, ou mesmo chapéus são coisas utilitárias, necessárias o dia a dia. 
Mas na cidade existe o costume de utilizar essas mesmas coisas como objetos decorativos em algumas 
residências.
Durante muito tempo, o uso de marcas famosas através de seus “logos”, como a da fabricante 
de motocicletas Harley Davidson ou como a fabricante de carros Ferrari, eram utilizadas apenas 
nos próprios produtos ou pela própria empresa em sua comunicação. Atualmente há uma 
enormidade de itens no mercado que utilizam essas marcas, e são vendidas mesmo para quem 
não tem o próprio objeto que originou a marca. Não é incomum encontrar essas logomarcas em 
copos, roupas, canecas, chaveiros, cadernos etc. Deixaram de ser apenas símbolos corporativos e 
se transformaram em símbolos de status.
Tente pensar em outros exemplos dessa “migração” dos símbolos para contextos diferentes do 
original.
Pensemos em outros tipos de símbolos, como, por 
exemplo, os religiosos, ou os de grupos institucionalizados 
(como associações, clubes, escolas, partidos e fraternidades), 
ou de movimentos sociais que não “sofrem” essas mesmas 
distorções ou, como chamamos, re-significações. Isso porque 
quando migram para outras culturas, seguem junto com 
outras ações quefazem com que sejam incorporados dentro 
de certos parâmetros de interpretação.
Os “portadores” desses símbolos institucionais promovem a cultura das ideias a eles 
relacionadas, de forma que produzem um contexto transportado, e não apenas o símbolo 
“descolado” de seu contexto. As instituições precisam garantir que seus princípios sejam garantidos, 
independentemente da cultura em que se estabeleçam. No caso institucional, a liberdade dos 
indivíduos para interpretar livremente os símbolos é bem menor que no caso do mercado ou da 
moda, por exemplo.
Quando se trata de instituições, junto com os símbolos estão os indivíduos responsáveis por 
disseminar os conceitos, ideias e valores. Não é possível haver a propagação dos símbolos de 
uma instituição sem o conjunto dela. Há um maior controle social no processo de utilização dos 
símbolos.
Já no mercado, na moda e na comunicação cotidiana não há esse processo que envolve a 
participação dos sujeitos comprometidos com valores, e não com vendas. Mas é possível que 
alguns símbolos, como a cruz cristã ou os símbolos comunistas da cruz com o martelo, a estrela 
de Davi ou o símbolo da maçonaria sejam utilizados fora de seu contexto, e, portanto, ganhem 
outro significado? Sim, temos alguns exemplos disso, apesar de pouco comuns. 
Quando uma instituição faz o 
trabalho de propagar seus símbolos, 
a possibilidade de que eles sofram 
mudanças em seus significados é 
menor, pois ela precisa manter seus 
princípios básicos para não haver 
discordâncias que a descaracterize.
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Leia o trecho abaixo para compreender a importância da simbolização para a humanidade.
Para Geertz, o homem encontraria sentido nos acontecimentos através dos quais ele vive 
por intermédio de padrões culturais, que seriam amontoados e ordenados de símbolos 
significativos. O homem é um animal amarrado a teias de significado que ele mesmo teceu, 
sendo a cultura estas teias. Os indivíduos sentem, percebem, raciocinam, julgam e agem 
sob a direção destes símbolos. A experiência humana é assim uma sensação significativa, 
interpretada e aprendida.
(disponível em: <http://ppgas2004.br.tripod.com/geertz.html>, acesso em 22 de outubro de 2010.)
 
Alguns fatores colaboram para a possibilidade ou impossibilidade de símbolos serem utilizados 
por pessoas fora de seu contexto. Primeiro, vemos que os símbolos são “denunciadores” da 
identidade dos indivíduos que pertencem a determinado grupo. Um coletivo é organizado em torno 
de características formais como tradições, hierarquia, crenças, ideologias, práticas coletivas. Os 
participantes dessa comunidade gostam de utilizar seus símbolos como forma de se reconhecerem e 
serem reconhecidos.
Desse fato, podem decorrer situações como as descritas a seguir, e que envolvem a interpretação 
dos símbolos de um grupo social. 
A primeira situação trata o caso de os símbolos serem “secretos”, e seu significado partilhado apenas 
pelos iniciados. Nesse caso, sua divulgação é sempre muito restrita, e sua pouca exposição social pode 
dificultar durante algum tempo sua apropriação por pessoas “estranhas” a esse coletivo. 
A segunda situação ocorre com os símbolos “não secretos”, principalmente os símbolos 
relacionados a ideologias políticas, movimentos coletivos ou eventos polêmicos. Eles são divulgados 
como forma de afirmação de uma coletividade em torno de suas ideias e princípios, mas dependem 
de situações históricas que podem torná-los aceitos e desejáveis, ou, pelo contrário, reprovados e 
indesejáveis. 
É o caso da suástica nazista, que no período de prevalência desse regime na Alemanha, era um símbolo 
de poder. Enquanto a II Grande Guerra estava em processo havia uma nação e todos os simpatizantes ao 
redor do mundo interpretavam a suástica como afirmação de ideais.
Com o final da II Grande Guerra, e conhecendo os crimes do “holocausto” contra os judeus, ela, 
passou a ser evitada, transformada em símbolo de terror e sua utilização foi evitada. 
Como nossa memória mantém o registro dos eventos, nenhum indivíduo utiliza uma suástica 
inconsequentemente, ou para significar outra coisa que não a concordância com as ideias nazistas.
Um “caso brasileiro” de uma prática social e os símbolos a ela relacionados é o da capoeira. Ao ler 
esse trecho citado abaixo temos a dimensão de como a cada época as interpretações que envolvem os 
mesmos rituais e símbolos sociais podem levar à rejeição ou à aceitação.
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A capoeira é uma manifestação popular que possui um importante registro histórico na 
corporeidade brasileira, representando modos de ser de nossos antepassados africanos. Estes 
povos, que para cá vieram na condição de escravos, foram submetidos a um processo desumano e 
exploratório de suas capacidades. Diante desta situação, utilizando-se de elementos de sua cultura 
de origem, criaram estratégias para resistir e lutar contra o sistema que os oprimia. Nesse contexto, 
situamos a capoeira. Um misto de luta, dança e jogo, que se materializou como uma arma na busca 
pela liberdade.
Esta manifestação cultural, ao longo da história de nosso País, sofreu modificações na sua 
constituição, na maneira de se interpretá-la, praticá-la e difundi-la, acompanhando mudanças 
políticas, econômicas e sociais. Foi considerada de contravenção penal a símbolo da identidade 
nacional. Devido à sua origem no interior das senzalas, com raízes na cultura africana, e por ser 
a maioria de seus praticantes negros, durante o período Imperial e princípio da República, sua 
prática foi considerada contravenção penal. Desta condição foi criminalizada e incorporada ao 
Código Penal (1890), destacando mais uma vez a posição do negro na sociedade como ameaça à 
ordem e aos cidadãos de bem. Assim, atravessou a mudança de regime, de Monarquia à República, 
até meados de 1930 quando se instalou no país uma política nacionalista comandada por Getúlio 
Vargas (Reis, 199715).
Naquele momento a manifestação da capoeira foi legalizada, podendo ser praticada em ambientes 
fechados, passando a ser tratada como ginástica nacional e símbolo da cultura brasileira.
(disponível em <www.revistas.ufg.br/index.php/fef/article/viewFile/91/86>, acesso em: 25 de outubro de 2010)
Entretanto, na medida em que um símbolo se distancia 
de seu registro original, perdendo para a maioria de 
uma sociedade seus significados, ou ainda quando ele 
é “importado” de outra cultura ou tempo, ele pode ser 
utilizado livremente, comunicando novas ideias ou sendo 
usado com outras finalidades16.
O que aprendemos sobre os símbolos até aqui? Primeiramente, que a comunicação humana é 
baseada na criação, divulgação, incorporação e rotinização de símbolos. 
A linguagem falada é simbólica, a linguagem escrita é simbólica, assim como a linguagem gestual, 
ou, ainda, a comunicação audiovisual. Para que nossa comunicação seja eficaz, precisamos dominar e 
compartilhar os mesmos símbolos. 
15 Reis, Letícia V. S. O mundo de pernas para o ar: a capoeira no Brasil. São Paulo: Publisher Brasil, 1997.
16 Na verdade há uma exceção a esse fato, que teve no Movimento Punk, na década de 1970, um contraponto. Os 
integrantes dessa tribo urbana utilizavam de forma irônica as suásticas, pois eram contrários a qualquer identificação com 
as ideias nazistas. Obviamente, nem sempre eram interpretados da forma como desejavam, trazendo ainda mais polêmica 
ao irreverente movimento cultural daquele momento.
Os símbolos podem ser utilizados 
mesmo fora dos contextos originais 
para os quais foram criados. Quando 
isso acontece, pode haver mudança 
em seus significados.
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Em segundo lugar, os símbolos comunicam não apenas o mundo exterior à nossa mente, que é o 
mundo que nos rodeia, mas comunicam também coisas imateriais, como sentimentos, ideias abstratas 
e conceitos. Por isso, utilizamos os símbolos para comunicar quem somos, o que fazemos, nossas 
preferências, nossa condição etc. A partir dos símbolos, materializamos aquilo que é interior à nossa 
mente. Sem tal comunicação não realizaríamos nenhuma de nossas capacidades, como raciocínio, 
criatividade, emotividade etc. Portanto, sem os símbolos não haveria cultura humana.
Saiba mais
Os sistemas simbólicos criados no processo de vida coletiva em uma cultura formam um todo 
integrado, cujas “partes” devem se relacionar e manter uma coerência. Leia abaixo:
Toda cultura pode ser considerada como um conjunto de sistemas simbólicos, à frente dos quais 
situam-se a linguagem, as regras matrimoniais, as relações econômicas, a arte, a ciência, a religião. 
Todos esses sistemas visam a exprimir certos aspectos da realidade física e da realidade social, e, 
mais ainda, as relações que esses dois tipos de realidade mantêm entre si e que os próprios sistemas 
simbólicos mantêm uns com os outros.
(Lévi-Strauss, C. Introdução in Mauss, M. Sociologia e antropologia. São Paulo: Cosac Naify, 2005)
Síntese
Para concluirmos, podemos afirmar que para viver em 
sociedade é necessário se comunicar. A comunicação é 
a base de todas as culturas humanas e só é possível por 
sermos capazes de criar e interpretar símbolos. Os símbolos 
comunicam o que pensamos, as técnicas que inventamos 
e utilizamos para modificar o mundo à nossa volta, 
e até como nos sentimos. Para uma boa comunicação, 
precisamos conhecer as convenções sociais criadas para 
interpretar adequadamente as mensagens.
Os símbolos são um aspecto dinâmico das culturas 
humanas. Eles dependem do contexto em que são 
utilizados, mas podem ser incorporados por outras 
culturas, criando novos significados ou reproduzindo os 
já conhecidos.
EXERCÍCIOS:
1) Sobre os símbolos, assinale a alternativa incorreta. 
a) São invenções pelas quais o humano lida abstratamente com o mundo.
Sugestão de links para estudar o 
tema cultura e antropologia:
Wikipedia – a enciclopédia eletrônica 
<http : / /p t .wik ibooks.org /wik i /
Antropologia>
Blog de J. Francisco Saraiva de 
Sousa
“Antropologia Simbólica, Comunicação 
e Educação”
<http://wwwsebantropologiacom.
blogspot.com/2008/09/antropologia-
simblica-comunicao-e.html>
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b) Quando compartilhados por um grupo, possibilitam o diálogo entre os membros do grupo.
c) Possibilitam aos seres humanos representar o mundo e as relações sociais.
d) Possibilitam aos humanos transformar a natureza por meio do trabalho e criar a cultura.
e) Dificultam o acesso do ser humano à realidade, pois ao se colocarem entre o humano e a realidade 
deformam a realidade para o humano. 
2) Os símbolos são recursos de comunicação das culturas humanas, e permite que todos os indivíduos 
de um mesmo grupo compartilhem os significados das coisas. Sobre isso, assinale a alternativa correta.
a) Símbolos são apenas os sinais utilizados na matemática e as placas indicativas de regras; a exceção 
são os símbolos religiosos como cruzes, estrelas e outros.
b) Os símbolos são todas as convenções sociais relacionadas às regras de comportamento e resultam 
de nossas características genéticas ou inatas; por isso, a cada povo corresponde uma língua 
diferente.
c) Para ser incluído na categoria de símbolos é necessário haver um símbolo visual e material, como 
no caso da escrita ou das cores; não é possível afirmar que os sons ou os gestos, que são coisas 
imateriais, sejam símbolos.
d) Os símbolos são todas as convenções sociais que se criam como forma de permitir a comunicação 
entre os seres humanos; essas convenções mudam a cada cultura e, por isso, não há uma única 
linguagem para todos os seres humanos.
e) Cada símbolo deve seguir o padrão de sua época, por isso os símbolos mudam a cada geração, e 
não é possível que permaneçam os mesmos durante muito tempo.
3) O uso cultural dos símbolos como forma de comunicação depende da rotinização dos significados 
atribuídos a cada um deles (tornar rotineiro). Essa afirmação está:
a) Correta, pois apenas utilizamos símbolos em hábitos rotineiros, como os rituais, por meio dos 
quais expressamos as nossas crenças.
b) Correta, pois os símbolos são uma construção cultural e não um conteúdo inato, por isso dependem 
do aprendizado e do uso rotineiro para serem compreendidos.
c) Incorreta, uma vez que os símbolos não dependem da rotinização, e sim das tradições de um povo.
d) Dependendo do contexto a afirmação pode estar correta ou incorreta; está correta apenas 
quando nos referimos aos símbolos como forma de comunicação e está incorreta quando nos 
referimos aos símbolos como recurso para os indivíduos poderem se relacionar uns com os 
outros.
e) Incorreta, pois os símbolos dependem apenas de sua coerência uns com os outros e seus 
significados são sempre óbvios, evidentes.
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4) As bandeiras podem ser de uma nação, de um Estado, de um município, ou, ainda, de uma 
equipe esportiva. São elementos simbólicos que representam uma coletividade. Sobre isso, assinale a 
alternativa correta.
a) O uso de bandeiras como forma de representar uma comunidade pode ser utilizado como 
exemplo de que nas culturas humanas existe necessidade de simbolizar o comportamento e a 
vida social.
b) Utilizar bandeiras é necessário, pois não existem outros símbolos para comunicar aos outros a 
existência de uma comunidade que pode ser definida como nacional, estadual, municipal ou de 
uma equipe esportiva.
c) Ao usar bandeiras para comunicar a existência de uma comunidade, o ser humano pretende fugir 
da linguagem verbal para não sofrer rivalidades.
d) As bandeiras representam uma forma de comunicação verbal que pode ser utilizada para 
simbolizar a existência de uma comunidade que tem em comum o fato de manter uma 
tradição.
e) O uso das bandeiras como forma de representar uma comunidade pode ser utilizado como exemplo 
de que nas culturas humanas os símbolos criados para a vida social são universais.
5) A capacidade de simbolização e criação cultural pode ser associada à seguinte afirmação:
a) A criação cultural depende do criacionismo, que decorre de nossa imensa capacidade de simbolizar 
tudo que está à nossa volta.
b) Simbolizar significa acreditar em coisas que não estão presentes, que não são palpáveis.
c) Simbolização é uma forma de garantir a evolução de nossa espécie, gerando uma prole cada vez 
mais adaptada a qualquer meio ambiente.
d) Aprender a simbolizar nos deu uma vantagem em relação às outras espécies vivas, pois é uma 
herança genética.
e) A simbolização e a criação da cultura nos possibilitam pensar no que não está presente, e comunicar 
nossa experiência aos próximos; ao simbolizar atribuímos significados ao mundo.
6) É possível que encontremos os mesmos símbolos sendo utilizados por diferentes culturas ou 
em diferentes contextos ao mesmo tempo. Nesse caso, há a possibilidade de algumas mudanças 
na forma de interpretá-los e utilizá-los. Explique essa ideia e dê, pelo menos, um exemplo para 
ilustrar sua resposta.
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7) Os símbolos institucionais apesar de presentes em muitas culturas e contextos sociais, são menos 
sujeitos às grandes mudanças na forma como podem ser interpretados. Julgue essa afirmação como 
correta ou incorreta, conforme as proposições abaixo:
a) A afirmação está incorreta, porque sempre que os símbolos passam de uma cultura para outra, ou 
de um contexto para outro, há uma mudança em seus significados.
b) A afirmação está correta e, para uma evidência dessa afirmação, podemos apontar os exemplos do 
mundo da moda e do mercado como as logomarcas ou os estilos para cada estação.
c) A afirmação está correta, uma vez que as instituições se constituem de um conjunto de pessoas 
responsáveis por disseminar conceitos e valores; nesse caso, o uso dos símbolos é feito dentro de 
um contexto social mais controlado.
d) A afirmação está incorreta e, como forma de comprovar isso, há a simbologia religiosa, que a cada 
época recebe novas interpretações e significados; dessa forma, há a garantia de que os valores 
não serão perdidos com o tempo.
e) A afirmação está correta em termos, porque dependendo da cultura que incorpora esses símbolos 
pode haver muitas mudanças; é o caso das sociedades secretas que mudam os significados das 
instituições para confundir os curiosos.
Resolução dos exercícios
1) 
e) Dificultam o acesso do ser humano à realidade, pois ao se colocarem entre o humano e a realidade 
deformam a realidade para o humano.
2) 
d) Os símbolos são todas as convenções sociais que se criam como forma de permitir a comunicação 
entre os seres humanos; essas convenções mudam a cada cultura e, por isso, não há uma única 
linguagem para todos os seres humanos.
3) 
b) Correta, pois os símbolos são uma construção cultural e não um conteúdo inato, por isso dependem 
do aprendizado e do uso rotineiro para serem compreendidos.
4) 
a) O uso de bandeiras como forma de representar uma comunidade pode ser utilizado como 
exemplo de que nas culturas humanas existe necessidade de simbolizar o comportamento e a 
vida social.
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5) 
e) A simbolização e a criação da cultura nos possibilitam pensar no que não está presente, e 
comunicar nossa experiência aos próximos; ao simbolizar atribuímos significados ao mundo.
6) 
As pessoas precisam adaptar os símbolos à linguagem local e também às necessidades e 
aos conceitos próprios. Por isso, quando os símbolos de uma cultura são incorporados em um 
contexto diferente do original podem sofrer alterações nos significados que lhe são atribuídos. 
Você pode dar muitos exemplos como objetos que são utilitários em um lugar e passam a ser 
decorativos em outros; temos os bonés que foram adotados pelos adolescentes como forma 
de identidade. Podem ser citados exemplos de marcas do mercado que atribuem status para as 
pessoas, entre outros.
7) 
c) A afirmação está correta, uma vez que as instituições se constituem de um conjunto de pessoas 
responsáveis por disseminar conceitos e valores; nesse caso, o uso dos símbolos é feito dentro de um 
contexto social mais controlado.
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5 AS RELAÇÕES HUMANAS DEPENDEM DE VALORES E REGRAS
Objetivos
Todos nós enfrentamos diariamente situações em que existe a necessidade de conhecermos e nos 
conformarmos com as regras. Outras vezes, somos responsáveis por criá-las ou, até mesmo, por zelar pela 
conduta de todos. Compreender como e por que a sociedade cria regras, ou qual sua importância em nossas 
relações sociais, cria habilidades de relacionamento com o grupo, promovendo integração e bem estar.
Evitar conflitos ou solucionar as situações conflituosas exige um amadurecimento que pode ser 
obtido com as reflexões propostas nesse item. 
Introdução
As relações sociais em qualquer cultura são mediadas por valores, normas e regras. Assim, quando 
nos relacionamos uns com os outros, precisamos recorrer a formas de conduta que orientem nosso 
comportamento e que nos tornem menos individualistas e mais coletivistas. 
Se cada um de nós obedecesse apenas aos impulsos pessoais o tempo todo, ou aos instintos de nossa 
espécie, fazendo apenas aquilo que “der na telha”, não seria possível existir sociedade, pois cada um 
gostaria de fazer prevalecer sua própria vontade e não a dos outros.
Esse é o papel das regras sociais, que aprendemos repetitivamente durante a vida, até que se tornem 
hábitos. O que torna possível essa educação para agir de acordo com as regras de uma sociedade é a 
socialização. Aprendemos regras do mundo doméstico, da escola, do convívio com amigos, do trabalho, 
da religião etc. Em cada universo social existem os valores que são mantidos pelo grupo e fazem parte 
das condutas pessoais. 
As regras não existem apenas no tratamento com os outros, elas fazem parte também de todo o 
universo cultural de forma a organizar a vida. Para dar exemplos – como preparar alimentos, servir e 
comê-los, como tomar banho e manter a higiene pessoal, como arrumar uma casa, como se vestir para 
cada ocasião social, como se comportar no trabalho, tudo em nossa cultura possui uma regra ou uma 
forma de normalizar o comportamento, que é transformada em hábito. 
Por isso, de uma cultura para outra tudo isso se modifica, e quando mudamos de uma cultura para 
outra precisamos nos adaptar às novas soluções para a vida pessoal e coletiva.
Principais conceitos
Regras, valores, normas, hábitos, socialização.
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Valores e regras – desenvolvimento 
O que nos torna humanos não é apenas a inteligência, mas o conjunto de nossas capacidades 
biológicas somado às nossas tendências de comportamento social. Para participar de um grupo 
precisamos abrir mão da maior parte dos impulsos individualistas e do que a nossa natureza, através de 
seus instintos, nos ordena.
 Para isso, é necessário entrar em uma lógica que pressupõe uma forma de controle do grupo sobre 
os indivíduos. Esse controle se dá por meio da aplicação das normas e dos valores sociais. 
Normas e valores são orientações para a conduta social e prevalecem em um grupo social. Os valores 
são responsáveis por noções coletivas que possibilitam aos indivíduos considerar/julgar as atitudes dos outros 
como “boas” ou “ruins”, “certas” ou “erradas”, “justas” ou “injustas”, comportamentos desejáveis e indesejáveis.
Já as normas nos ajudam a diferenciar entre condutas 
“próprias” ou “impróprias”. As regras são conjuntos de normas 
que regulam o nosso comportamento. Para todas as ocasiões 
sociais, aprendemos a segui-las e, sem perceber, exigimos dos 
outros que também o façam. 
Não existe necessidade de que todos os indivíduos concordem e obedeçam a totalidade do conjunto 
de valores e normas de seu grupo social. Muitas vezes, discordamos de alguns valores que orientam a 
conduta das pessoas e procuramos seguir um senso próprio. 
Mas, na maior parte do tempo percebemos que certos valores prevalecem em nossa sociedade, 
e que não é possível individualmente mudá-los. É importante lembrar também que a sociedade 
é dinâmica, e que, ao longo do tempo, os valores e as normas tendem a mudar de acordo com a 
vontade coletiva. 
Até a décadade 1960 era considerada imoral a atitude de um casal de namorados se beijar na boca 
em público. Atualmente, essa norma está bastante flexibilizada. Ainda nesse assunto, é sabido que a 
virgindade feminina era um valor social. As mulheres tinham que se casar virgens obrigatoriamente. A 
virgindade deixou de ser um valor.
Mas o que exatamente é uma regra? 
Vamos começar com o auxílio do Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa.
Regra s.f. 1 aquilo que regula, dirige, rege; princípio, norma, preceito 2 norma, fórmula que 
indica o modo apropriado de falar, pensar, agir em determinados casos (r. de gramática, de 
um jogo) 3 aquilo que foi determinado, ou se tem como obrigatório pela força da lei, dos 
costumes etc.; lei, princípio, norma (r. de conduta, de boa educação); (...)
O que é possível perceber nessa definição de nosso dicionário sobre a regra?
Valores são modelos de referência 
para a nossa moral, enquanto as normas 
garantem que nosso comportamento 
seja adequado ao do grupo.
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Para nosso estudo, é importante ressaltar que há duas dimensões das regras. Uma de caráter formal, 
que está relacionada com normas e leis. É o conjunto de regras como as leis de um povo, ou as regras 
de um tipo de jogo.
Há também as regras mais informais, que não estão registradas de forma escrita e que não precisam 
ser “estudadas” ou conhecidas pela escrita. São as regras que permeiam nossa vida cotidiana, que 
regulam nossa conduta.
Será que podemos equivaler hábitos a regras? Vamos 
pensar nisso! Hábitos são formas repetitivas e regulares 
de fazer certas coisas. Quando a maioria dos indivíduos de 
uma sociedade possui os mesmos hábitos, eles passam a ser 
compreendidos como regras.
Pois bem, nossa cultura está cheia de hábitos que aprendemos com os outros. Comer com talheres 
ou palitos, tomar banho em chuveiros ou de imersão, horários de refeições, dormir em camas ou redes, 
e uma infinidade de coisas diárias que nos ocupam. 
Quando uma regra é insistentemente repetida, ela se transforma em hábito, então percebemos que 
não precisamos pensar em “como eu devo fazer isso, mesmo?” Quer dizer que essas ações como o jeito 
de comer, dormir ou tomar banho são regras? 
De certa forma sim! Quando você testemunha alguém em sua cultura fazendo as “coisas habituais”, 
como preparar alimentos ou mesmo escrever de outra forma que não aquela usual, a tendência é você 
se manifestar e reprimir o comportamento do outro. Claro que isso depende da situação e da intimidade 
possível, mas, no geral, nos espantamos, por exemplo, se uma 
pessoa em um jantar não familiar resolve pegar os alimentos 
servidos à mesa com as mãos, ou se leva seu próprio talher 
que está sendo usado na tigela comum para se servir.
Transformamos algumas regras em hábitos, e alguns 
hábitos em regras. Tudo depende de qual situação está sendo 
analisada.
Para cada cultura existe apenas um único conjunto de 
valores e normas? Sim e não. Ocorre que existem valores 
e regras muito gerais, que nos dão noção de como agir “em 
qualquer situação”. 
Entretanto, quando participamos de grupos dentro dessa 
cultura, como grupos religiosos, profissionais, esportivos, 
acadêmicos etc., percebemos que a cada âmbito social 
correspondem valores e normas específicos para aquele 
contexto.
Existem diferentes “universos” de 
regras. As regras de jogos, que são 
necessárias conhecer apenas para poder 
jogar ou torcer, e as regras do cotidiano 
social, que precisamos aprender para 
poder viver em coletividade.
As regras se transformam 
em hábitos quando repetimos 
exaustivamente seu uso e deixamos 
de pensar que esse comportamento 
é uma forma de regrar a vida 
coletiva.
Há regras e normas que devem 
ser seguidas por todos os indivíduos 
de uma sociedade, e há aquelas que 
são aplicadas apenas a alguns grupos 
específicos. Clubes, instituições 
religiões, associações e partidos são 
bons exemplos desses grupos.
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A tendência de um pequeno grupo social é estabelecer seu próprio conjunto de valores, que pode 
estar em acordo com a sociedade, como pode estar em grande desacordo. 
Tudo depende da relevância e da legitimidade que esse grupo possa adquirir perante o resto 
da sociedade. Quando ele se torna muito influente, pode mudar coisas consideradas impossíveis. É 
importante ressaltar que, estando ou não de acordo com o conjunto de valores, é necessário que ele 
exista. É a partir de um modelo que os indivíduos e os grupos podem estabelecer concordância ou 
discordância com a totalidade da sociedade. 
As normas e os valores precisam ser mantidos, e, 
para isso, há uma espécie de “vigilância”. Existem vários 
níveis de “vigilância” que a sociedade cria para zelar pelo 
cumprimento dos valores e das normas. Um é o institucional. 
Existem instituições para punir quem não se comporta 
“adequadamente”, como escolas, prefeituras, a polícia, as leis 
e a jurisdição, além do Estado. 
Também existe outro nível de “vigilância”, que é o convívio social. Em todos os nossos contatos 
podemos observar como as pessoas julgam todo o tempo a conduta uns dos outros. Frases como: 
“mas também, mereceu!”, “fulano é muito fofoqueiro”, “eu não faria isso”, “você pode me explicar 
por que fez isso?” entre tantas outras, são uma forma que os indivíduos demonstram que é 
preciso que todos participem de alguma forma do conjunto de valores, e que as normas devem 
valer para todos. Os que não seguem as normas e os valores são repreendidos, e recebem um tipo 
de punição moral, psicológica.
Então, vamos retomar um pouco nesse ponto. Vimos que há uma norma mais geral, que há normas 
que valem apenas em alguns grupos, e que os grupos que conseguem se tornar mais influentes podem 
determinar, para os outros, algumas normas e valores.
É possível afirmar que o estabelecimento de normas e valores em uma sociedade é sempre resultado 
de uma disputa em torno do consenso? Sim, a sociedade está o tempo todo debatendo sobre seus 
próprios valores, e a maior parte deles dificilmente é um consenso absoluto, mas apenas corresponde a 
uma maioria.
Aprendemos o “jogo social” de seguir regras desde muito cedo. Além, é claro, da educação oferecida 
pelos pais, que nos proporcionam a primeira socialização em nossas vidas, temos outras formas de 
introjetar17 a lógica das regras. Os jogos são bons exemplos disso. Para participar, aprendemos desde 
cedo que é necessário seguir as regras, do contrário, o jogo não se desenrola. E se as regras de um 
jogo mudassem sempre e a cada vez que fosse jogado, não seria mais esse mesmo jogo, mas um jogo 
diferente. 
17 Introjeção designa em psicologia e, mais especificamente, na teoria psicanalítica o processo pelo qual a 
criança incorpora os valores dos pais e da sociedade, transformando-os em seus. (fonte: Wikipedia)
O consenso, em relação aos 
valores, é obtido quando a grande 
maioria da sociedade concorda 
com alguma atitude e lhe atribui 
importância.
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Observe que é lento o processo de mudança de valores em uma sociedade. E para que ele aconteça, 
é necessária a participação, a discussão, os exemplos contrários, até que o coletivo perceba que não tem 
nada a perder, que não “acabaria o jogo” se abrisse mão de um ou outro valor ou se transformasse essa 
ou aquela regra. 
Dentro de pequenos grupos sociais essa mudança é mais fácil. O coletivo torna-se mais acessível 
a todos que participam, e é viável um debate constante. Em clubes, empresas, associações, escolas, a 
mobilização paraa discussão é um processo mais rápido e mais efetivo. 
Já para mobilizar toda a sociedade, o processo é bem mais lento, pois pode haver um longo período 
de transição sem muito consenso em torno de determinado valor ou norma. Daí, o que normalmente 
ocorre é muito conflito em relação a como todos devem agir.
As regras enquadram o comportamento humano, no sentido de que não permitem qualquer forma 
de conduta o tempo todo. Muitas vezes os indivíduos não podem fazer certas coisas como de fato 
gostariam, e acabam abrindo mão de suas vontades em função do que os outros iriam falar ou pensar.
Mas, as regras são, necessariamente, algo que “aprisiona” ou “limita” os indivíduos? Não! Seguir 
regras é um atributo humano, e tudo em nossa cultura depende delas. A linguagem falada/escrita é 
um conjunto de regras. Não seria possível nos comunicarmos se não as seguíssemos. Para formular 
qualquer pensamento em sua mente, você precisa recorrer à linguagem que aprendeu. Você já percebeu 
que pensamos por meio de palavras? E que se não houvesse palavras, seu pensamento seria algo 
absolutamente incomunicável?
A língua, como todas as formas de linguagem, é um corpo repleto de regras que garantem 
a produção de sentido pela sua ordem lógica e gramatical. Permitindo aos seres humanos 
o uso dessa lógica na produção e ordenação de seus pensamentos, emoções e expressões, 
de forma individual ou coletiva. Os princípios lógicos dessa ordem são as regras que ela 
contém (Passador, L. H. A noção de regra, in Antropos e psique – o outro e sua subjetividade. 
São Paulo: Olho d´Água, 2003). 
Então, a exemplo da linguagem, podemos dizer que tudo, mas tudo mesmo, em nossa cultura é 
uma aplicação de regras. Para falar uma língua, é necessário dominar todas as regras de formulação do 
pensamento a partir de frases com coerência, coesão e de acordo com a norma dessa língua. Apenas 
assim, é possível comunicar tudo o que passa em nossa mente.
Língua e cultura não existem separadamente. Uma depende da outra, pois sem o desenvolvimento 
de uma língua, os indivíduos de um grupo não se comunicariam, e sem a cultura a linguagem seria 
limitada às necessidades de nosso instinto.
Até mesmo para expressar sentimentos como ciúme, amor ou ódio, não o fazemos a partir de algo 
inato em nosso ser, e sim a partir da forma como é aprendido em nossa cultura que é correto fazê-lo. 
Os sentimentos são inatos, mas a forma que encontramos para expressá-los não são. Vamos pensar em 
exemplos?
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Pois bem, vamos falar de amor materno. Será que é algo que toda mulher tem “dentro dela”? 
Infelizmente não. O amor materno é um valor reforçado socialmente, e que algumas mulheres seguem 
com maior rigor e outras menos. Instinto materno seria mais apropriado para falarmos de natureza. Se 
amor fosse algo natural, será que encontraríamos bebês abandonados em lixeiras e em outros locais 
impróprios, como é comum vermos em noticiários? 
Está bem, você pode argumentar que nesses casos o “desespero” foi maior que o amor dela 
por seu bebê, mas então é possível que a condição social/cultural se sobreponha a sentimentos 
inatos? 
Sim, e muitos bebês são abandonados não apenas for falta de condição material da mãe para criá-
lo; é comum mulheres de classes sociais privilegiadas, por questões morais, acabarem optando por essa 
prática. Moral, dinheiro ou tantas outras coisas podem se sobrepor ao “amor materno natural”? Apenas 
entendendo que esse sentimento é resultado de um valor social, podemos explicar tantas exceções. Na 
hora de tomar uma decisão, os valores são ponderados, e a moral pode prevalecer sobre o amor ou a 
vontade pessoal.
As línguas são parte das culturas e, como os demais sistemas culturais (religião, economia, 
moral, arte, etc.), guardam relação intrínseca com as formas de vida e pensamento culturais. 
O fato de serem ordenadas a partir de regras, que se constituem como seus princípios de 
ordenação lógica, assim como qualquer sistema simbólico, revela que as culturas como um 
todo são ordenadas a partir de regras, que se constituem como seus princípios de ordenação 
lógica, possibilidade de produção e troca de significados compartilhados e, portanto, de 
comunicação e compreensão. (Passador, L. H. A noção de regra, in Antropos e psique – o outro 
e sua subjetividade. São Paulo: Olho d´Água, 2003.)
Bem, continuaremos falando sobre outro sentimento, o ciúme. Em cada cultura, é reforçado que 
em alguns contextos é considerado apropriado “sentir ciúme”. Em nossa cultura, em que a forma de 
casamento é monogâmica, é muito comum vermos cenas de ciúme de namorados e de casais. 
Os parceiros expressam com certa “naturalidade” esse sentimento frente aos outros, e em certa 
medida são apoiados em suas atitudes. A monogamia é uma regra e pressupõe a fidelidade conjugal. 
Pois bem, existem culturas onde a regra de casamento é a poligamia18. 
Será que esse tipo de coisa acontece? Não! Em lugares onde o casamento pressupõe vários parceiros 
legalmente constituídos, as cenas de ciúme conjugal não são vistas, e, de fato, as pessoas são estimuladas 
desde cedo a reprimir esse tipo de atitude.
Assim, como o amor e o ciúme, todos os sentimentos humanos recebem influência da cultura de um 
povo para que adquiram expressão. A expressão de sentimentos humanos recebe uma forte carga da 
cultura de cada povo.
18 A poligamia é uma instituição presente em muitas sociedades, e supõe que o casamento pode e deve se 
realizar entre um marido e mais de uma esposa (poliginia) ou, ainda, uma esposa e mais de um marido (poliandria).
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Esses são exemplos de como, ao longo da vida, os indivíduos respondem às influências de sua cultura 
e transformam em coisas naturais as regras que são sociais, ou seja, externas a cada um de nós. As regras 
se tornam hábitos, e, por isso, quando estes são confrontados com hábitos de outras culturas, surge uma 
tendência a considerar errado o que é apenas estranho.
O mesmo acontece no mundo do trabalho. Cada um 
de nós se habitua às regras e formas de procedimento em 
uma certa organização, e, ao mudarmos de emprego, seja 
com outras funções, seja em outra empresa, precisamos 
passar por um período de adaptação, e isso é uma forma 
de socialização.
As regras são a garantia do grupo social de que cada um de nós tome atitudes, a maior parte do tempo, 
de acordo com a convenção coletiva, e não com os impulsos pessoais. Ao repetirmos os hábitos sociais, 
realizamos a possibilidade de convivência em grupo, evitando atitudes conflituosas e individualistas que 
exigiriam uma constante negociação das partes envolvidas até chegarem a um acordo. Já pensou como 
isso tornaria impossível a sociedade?
5.1 As mudanças de regras e valores
O conjunto de valores e regras de uma cultura está em constante transformação.
Não é possível manter indefinidamente o mesmo conjunto de valores e regras, porque tudo em 
uma cultura se transforma com o tempo. Se há uma transformação de hábitos, por exemplo, no uso da 
tecnologia, isso terá impacto em outros âmbitos da vida social, assim como na família ou no trabalho.
Você pode estar se perguntando: mas hábitos no uso da tecnologia podem mudar valores 
familiares? Sim! É muito claro isso em nossa própria cultura. Os membros de uma família tendem 
a empregar cada vez mais tempo interagindo com aparelhos eletrônicos do que com os próprios 
familiares. Por conta da importância dada à tecnologia, o ritmo das relações familiares face a face 
perdeu espaço na vida das pessoas.
Com relação aos valores e às regras no mundo do trabalho, 
há uma grande quantidade de transformações, que vão desde 
as exigências na formação até os hábitosque precisam ser 
coibidos por superiores, como o desperdício de tempo das 
pessoas com a interatividade social eletrônica.
 Segundo Laraia (2006), as mudanças podem resultar de dois fatores principais, internos e externos. 
As transformações são geradas a partir da vida coletiva de um povo que se transforma dinamicamente 
com o tempo, mesmo sem qualquer influência de eventos ou povos externos a ela. O choque de gerações 
é um bom exemplo para perceber esse fenômeno. Mas, muitas vezes, são transformações mais lentas 
para serem notadas e que podem ser aceleradas com eventos históricos como uma grande descoberta 
tecnológica ou mesmo uma guerra.
Se os valores são um conjunto de 
ideias que um grupo social considera 
desejável no comportamento de seus 
indivíduos, as normas são regras de 
conduta baseada nesses valores.
Uma transformação de valores leva 
à outra, porque a cultura funciona em 
conjunto. É um todo interligado e não 
há como isolar algum de seus aspectos 
e garantir que não haverá mudanças.
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Já as externas são mais repentinas e normalmente resultam do contato com uma cultura alheia. Um 
caso exemplar em nossa história foi a chegada dos europeus ao continente americano, na época das 
Grandes Navegações, a partir de 1500 d.C. 
Dizer que é um caso exemplar se justifica, pois hoje há um intenso contato entre culturas do mundo 
todo, a ponto de tornar mais difícil para as pessoas leigas perceberem os impactos de uma cultura sobre 
outra.
Já no caso dos povos nativos das Américas, os chamados indígenas, as transformações 
decorrentes do contato com culturas alheias foi um fato inegável. Isso ocorreu devido ao 
isolamento dos indígenas, que viviam em nosso continente há séculos, sem qualquer influência 
de povos não americanos.
Atualmente, não é tão nítida essa influência, pois quase 
não existem mais povos isolados, e as culturas passaram a ter 
cada vez mais valores que são mundiais, sendo o processo de 
influência perceptível apenas para os estudiosos das ciências 
sociais.
Portanto, as influências que resultam de fatores externos 
continuam a acontecer com frequência em nosso mundo 
cada vez mais globalizado. 
A diferença é que atualmente há uma confusão sobre as fronteiras. Não há mais como afirmar o que 
é apenas interno e aquilo que, sem sombra de duvidas, é algo apenas externo.
O importante em diferenciar essas fronteiras é compreendermos que fazemos parte de um processo 
de transformações que tendem a ampliar a consolidação de valores mundiais, mas que não impedem 
de haver regras e valores locais. Afinal de contas, nossa vida cotidiana se faz, ainda, no convívio com o 
“nosso povo” e com o “nosso lugar”.
Essa questão das tendências que denominamos de globalização será tratada de forma mais 
aprofundada na próxima unidade.
Por enquanto, nos interessa compreender como essa dinâmica de transformações de valores e regras 
ocorre, e quais seus impactos na vida de cada um de nós individualmente.
 As regras e os valores se formam conjuntamente. Sim, não é possível aplicar regras que ferem 
valores, como não é possível manter valores se não há regras a eles associados.
Pois bem, em cada sociedade há uma enormidade de valores que podem estar presentes 
em pequenos grupos ou comunidades, mas que não, necessariamente, representam o conjunto 
dessa sociedade. Entretanto, sempre há uma norma vigente, um desses conjuntos de valores que 
atravessa toda a sociedade, independentemente de sexo, classe social ou religião.
A palavra “tradição” deriva do latim 
traditio, que significa transmissão, 
algo que é transmitido do passado 
ao presente. Por isso, chamamos de 
tradição cultural um conjunto de valores 
e práticas que se mantém e atravessa 
muitas gerações. 
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 É o que denominamos de valores predominantes ou valores vigentes. Eles se encontram 
dispersos na sociedade e são defendidos pela maioria de seus membros. Eles, portanto, caracterizam 
uma cultura.
A transformação desse conjunto predominante de valores é o nosso foco de interesse nesse momento. 
Como é que uma sociedade vivencia a transformação de valores que são tão importantes para a maioria 
de seus membros?
Toda transformação de valores acarreta em consequências desagradáveis para algumas pessoas. Isso 
porque há um controle social sobre nosso comportamento individual. Quando alguém age de forma 
considerada inadequada ou imoral, fica sujeito a punições de ordem pessoal. Essas punições atingem a 
vida desses indivíduos por meio da desmoralização pública, do isolamento ou mesmo da perseguição 
moral. 
Ser chamado de nomes vexatórios e humilhantes, receber tratamento desprezível ou ser ignorado 
são recursos de punição moral que o grupo pode utilizar quando alguém age fora dos padrões 
convencionais. 
Nesse momento, torna-se claro quem são os 
conservadores, aqueles que defendem a manutenção de 
uma ordem de valores; e quem são os inovadores, que 
apesar dos custos para sua vida pessoal e social assumem 
as consequências em nome das mudanças.
Segundo Laraia (2006), a sociedade pode ser vista como um 
palco de embate entre essas duas tendências e “as primeiras 
pretendem manter os hábitos inalterados, muitas vezes atribuindo aos mesmos uma legitimidade de 
ordem sobrenatural. As segundas contestam a sua permanência e pretendem substituí-los por novos 
procedimentos”.
Esse autor chama atenção para o fato de que ir contra regras morais vigentes coloca a sociedade em 
situações de conflito.
Assim, uma moça pode hoje fumar tranquilamente em público, mas isto somente é possível 
porque antes dela numerosas jovens suportaram as zombarias, as recriminações, até que estas 
se esgotaram diante da nova evidência. Por isto, num mesmo momento é possível encontrar 
numa mesma sociedade pessoas que têm juízos diametralmente opostos sobre um novo fato. 
(Laraia, 2006)
Os conservadores representam a ordem de valores que está instituída e, portanto, têm apoio e poder 
para julgar e reprimir os inovadores. E para obter transformação, os inovadores precisam enfrentar as 
situações de constrangimento até que sua conduta não seja mais percebida como uma ameaça ao 
grupo.
O processo de transformação 
de valores e regras pode gerar duas 
reações básicas no grupo social: os 
que as aceitam (podemos chamá-
los de inovadores); e os que as 
rejeitam (podemos chamá-los de 
conservadores).
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Como todo sistema, a cultura e os valores vigentes também têm dois níveis de existência, que são o 
ideal e o real. O ideal corresponde àquilo que as pessoas idealizam, portanto, não é algo concreto, mas 
uma abstração, uma construção mental.
Já o real corresponde à forma como as pessoas colocam em prática, de fato, os valores vigentes. Sabe 
aquela velha frase: “na prática a teoria é outra”?19 Apesar de seus equívocos, essa frase nos serve para 
ilustrar a questão de como a sociedade, às vezes, é bastante dúbia. 
É que mesmo entre os defensores da moral vigente, é possível perceber que há muitas exceções, 
e, ainda muitas vezes, as regras são aplicadas de forma equivocada. Vamos pensar em um exemplo 
bem simples para uma colocação que pode lhe parecer tão complicada: o caso da regra de fidelidade 
matrimonial.
Em nossos valores vigentes, idealmente, o casamento deve ser uma instituição monogâmica, dentro 
da qual os parceiros devem manter esse preceito da fidelidade. Entretanto, mesmo entre pessoas muito 
conservadoras, não é incomum encontrarmos casos de infidelidade, o que muitas vezessão conduzidos 
de forma muito danosa afetivamente e moralmente para o outro cônjuge.
O ideal é um, a prática é outra.
Mas os valores não são referentes apenas a esse tipo de questão relacionada à moral sexual ou 
de comportamento em público. Todo tipo de ideia que carrega consigo uma importância para nossa 
consciência é um valor. 
Vamos citar exemplos bem atuais. A preservação do meio ambiente passou a ser um valor para a 
humanidade quando se percebeu a falta de sustentabilidade do modelo que utiliza de forma abusiva os 
recursos do meio ambiente, gerando poluição, extinção e desequilíbrio.
Há aspectos da vida social em torno dos quais não existe um consenso de valores, e é possível 
encontrarmos coisas opostas. Por exemplo, sobre o tema “trabalho”, podemos levantar uma multiplicidade 
de valores, como dignidade e esperança, realização e motivação. Mas também encontramos o trabalho 
relacionado a valores como sofrimento, mal necessário, martírio.
Você consegue pensar em outros exemplos que ilustrem essa ideia sobre as regras e valores de nossa 
sociedade atualmente? Faça esse exercício por alguns instantes. Relacione aspectos de nossa vida social, 
como a família, as amizades, o lazer, e procure fazer uma lista dos valores relativos a cada um deles.
Depois de fazer isso, você vai perceber como os valores vão mudando com o passar do tempo e como 
é necessário que se compreenda esse movimento da cultura em torno dos valores e das regras.
19 Essa frase representa certas falácias sociais, uma vez que essa divisão é inexistente e foi construída pela 
sociedade que dá supremacia a resultados práticos, não discutiremos aqui todo o problema que envolve tal afirmação 
pelo senso comum. Mas é importante que você saiba que ela está sendo usada como recurso de lógica e não no seu 
sentido literal, e que as ideias embutidas nela são errôneas.
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Toda cultura sofre uma constante transformação, a cultura é algo vivo e dinâmico. Por mais que 
uma sociedade pareça “congelada”, há sempre algumas coisas que mudam com o tempo.
Estar preparado para entender as mudanças de nossa época, e se posicionar como indivíduos capazes 
de construir uma opinião é um grande desafio.
Concluindo, cada sistema cultural está sempre em mudança. Entender esta dinâmica 
é importante para atenuar o choque entre as gerações e evitar comportamentos 
preconceituosos. Da mesma forma que é fundamental para a humanidade a 
compreensão das diferenças entre povos de culturas diferentes, é necessário saber 
entender as diferenças que ocorrem dentro do mesmo sistema. Este é o único 
procedimento que prepara o homem para enfrentar serenamente este constante e 
admirável mundo novo do porvir. (Laraia, R. B. Cultura: um conceito antropológico. 
Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005)
Ser conservador sempre pode transformar uma pessoa em inflexível e preconceituosa. Por 
outro lado, não refletir sobre as mudanças e abraçar todas as novas causas pode transformar 
uma pessoa em alguém pouco confiável para tecer julgamentos, por incapacidade de se 
posicionar.
Um bom caminho para saber se posicionar, em relação às atitudes muito simples do cotidiano até 
as questões maiores que colocam em risco a ordem das coisas, é tentar ponderar considerando os 
seguintes aspectos.
As mudanças/inovações beneficiam a quem e por quê?
As mudanças/inovações prejudicam a quem e por quê?
Assim, podemos considerar, de forma mais justa, a necessidade ou não da defesa das inovações ou 
da manutenção da ordem.
Saiba mais:
Na antropologia, a discussão a respeito da manutenção da tradição cultural ou de sua 
transformação tem uma longa lista de autores e pesquisas. 
Normalmente, a importância dessa discussão se deve aos fenômenos do contato entre 
diferentes culturas, a que denominamos “contato cultural” ou “contatos inter étnicos”. Os 
cientistas procuram compreender qual o impacto desse contato com o diferente em uma 
tradição.
Leia o trecho, a seguir, em que o autor Mércio Pereira Gomes coloca algumas observações importantes.
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Além do aspecto físico, a cultura se reproduz, para usarmos um raciocínio tautológico, por 
meios próprios, culturais. O principal meio cultural de reprodução é a transmissão de significados 
culturais não só de geração a geração, mas no espaço de uma mesma geração, no cotidiano. 
Isso se dá por meio da linguagem e do comportamento ensinado, emulado e aprendido pelos 
novos membros da coletividade. Ao transmitir os significados que a caracterizam, a cultura 
ao mesmo tempo se mantém. No processo de transmissão, que se dá no tempo, ela pode criar 
novos significados e, portanto, mudar. A cultura tem meios e instituições de autopreservação 
e conservação que lhe permitem funcionar com estabilidade – e, por conseguinte, dar 
confiança aos indivíduos que a vivenciam. São meios de conservação a língua, entendida aqui 
como o compartilhamento dos significados das palavras para a transmissão de mensagens; os 
modos de educação, formais e informais, que também podemos chamar de “enculturação”20, 
isto é, o tornar-se membro de uma cultura; as maneiras de sociabilidade; as instituições 
como casamento e família. Os rituais de solidariedade social, e muito mais. (Gomes, Mércio P. 
Antropologia – ciência do homem, filosofia da cultura. São Paulo: Contexto, 2009)
Síntese
Para ser possível a vida em sociedade, precisamos 
de valores comuns e regras que orientem nossa 
conduta pessoal. Ao longo de nossas vidas, aprendemos 
constantemente as formas mais adequadas de conduta 
em cada ambiente social por meio dos processos de 
socialização. 
Os valores e regras estão em constante mudança, e 
são uma importante referência para o comportamento 
dos indivíduos em relação às suas consciências. Cada 
indivíduo procura agir de acordo com o que entende ser 
correto, também emite julgamentos ou toma exemplos 
alheios como lições de boa conduta social.
EXERCÍCIOS
1) As regras de uma sociedade estão relacionadas com os seguintes fenômenos:
a) Necessidade do grupo de impor sua vontade sobre as vontades individuais, para conseguir, assim, 
anular nosso lado pessoal.
b) Apenas existem regras aplicadas aos interesses que são mais importantes, enquanto coisas como 
sentimentos ou ideias estão livres de regras.
c) As regras existem para que o grupo social permaneça sempre o mesmo.
20 Enculturação é o mesmo que endoculturação, conceito utilizado.
Sugestão de leitura complementar
Gomes, Mércio P. Antropologia – 
ciência do homem, filosofia da cultura. 
São Paulo: Contexto, 2009.
Laraia, Roque de Barros. Cultura – um 
conceito antropológico. Rio de Janeiro: 
Jorge Zahar, 2006.
Passador, Luiz Henrique. ”A noção de 
regra: princípio da cultura, possibilidade 
de humanidade”, in Guerriero, Silas. 
Antropos e psique – o outro e sua 
subjetividade. São Paulo: Olho d’Água. 
2005.
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d) As regras possibilitam que cada indivíduo consiga estabelecer uma comunicação com o mundo, 
dando sentido a tudo que o cerca.
e) As regras são resultado de nossa comunicação de massa, que tornou os símbolos cada vez mais 
semelhantes em todos os lugares.
2) Ao analisar as funções das regras na cultura, está incorreto afirmar que:
a) As culturas como um todo são ordenadas a partir de regras que possibilitam comportamentos 
padronizados que se tornam habituais.
b) As regras possibilitam a produção e a troca de significados compartilhados e, portanto, de 
comunicação e compreensão.
c) As regras retiraram o serhumano dos domínios e das imposições da natureza por meio dos 
instintos, colocando-o nos domínios da cultura.
d) Os homens produzem formas de organizações coletivas fundamentadas num corpo de regras 
compartilhadas.
e) As regras servem apenas para limitar a atividade humana e punir os que não obedecem.
3) Normas e valores são conceitos que se referem a diferentes fenômenos do comportamento 
humano. A respeito da relação entre normas e valores, assinale a alternativa correta.
a) Os valores não influenciam nas normas, uma vez que as normas são regras de conduta em 
sociedade, e os valores são apenas ideias.
b) As normas de uma sociedade são sempre produzidas pelos valores, pois as normas são a garantia 
da sociedade para que todos tenham atitudes desejáveis.
c) Os valores influenciam as normas apenas em pequenos grupos dentro de uma sociedade, garantindo 
o consenso entre seus indivíduos.
d) A única relação entre normas e valores em uma sociedade acontece no momento em que os 
indivíduos não agem de acordo com as regras, sendo punidos moralmente em seus valores por 
isso.
e) A relação entre normas e valores é definida quando um pequeno grupo consegue ser o mais 
influente dentro de uma sociedade e os impõe aos demais.
4) Segundo o antropólogo Roque de Barros Laraia, a mudança de valores e hábitos em uma cultura 
pode ter duas fontes, uma interna e outra externa. A esse respeito, assinale a alternativa correta.
a) As mudanças internas são provocadas pelo contato com uma cultura diferente, enquanto as 
externas são causadas por fenômenos que não dependem da vontade dos indivíduos, como 
catástrofes climáticas.
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b) Mudanças internas resultam sempre e unicamente do choque de gerações, enquanto as externas 
são resultantes das influências de novas descobertas revolucionárias.
c) As internas seriam aquelas que resultam da ação do tempo em uma sociedade, sem qualquer 
influência de fora e que podem ser aceleradas por grandes descobertas tecnológicas; já as externas 
resultam do contato com outros povos.
d) Chamamos “mudanças internas” aquelas que são resultantes das guerras e revoluções sociais 
dentro de uma sociedade; já as “mudanças externas” são resultado do choque de gerações e das 
descobertas de povos antes desconhecidos.
e) Internas seriam as mudanças que acontecem naturalmente, ou seja, sem que as pessoas percebam, 
e que não precisam de conflitos; já as externas são mudanças que exigem disputas dentro da 
sociedade, resultando normalmente na vitória de um grupo externo à tradição.
5) Toda cultura está em constante mudança, não apenas em sua tecnologia, mas também em suas 
regras e valores. Podemos perceber isso através das condutas de seus indivíduos. A esse respeito, assinale 
a alternativa incorreta.
a) Toda mudança de valores afeta as relações sociais, pois muitas vezes um comportamento que vai 
contra as regras instituídas gera conflito entre os indivíduos, podendo resultar em tratamentos 
desmoralizantes.
b) As mudanças de valores costumam ocorrer após disputas em um grupo social, pois uma parte dele 
pode defendê-las, enquanto outros resistem e não as aceita.
c) Os conservadores sempre aceitam melhor as mudanças, enquanto os grupos mais abertos às 
inovações resistem e costumam rejeitá-las.
d) Os grupos mais abertos às inovações sempre aceitam melhor as mudanças, enquanto os 
conservadores resistem e costumam rejeitá-las.
e) As mudanças de regras e valores demonstram que toda cultura é dinâmica, viva.
6) A língua e a cultura são conceitos que correspondem a fenômenos sociais importantes para 
compreender a sociedade humana. Sobre a relação entre língua e cultura, assinale a alternativa correta.
a) Língua e cultura são sistemas que dependem de regras e não existem separadamente; as línguas 
humanas são uma forma de dar expressão à cultura de um povo, e as culturas precisam da língua 
para permitir a interação entre seus membros.
b) A língua é anterior à cultura e não depende dela, pois em sua evolução o ser humano desenvolveu a 
linguagem para permitir que os indivíduos tivessem liberdade de pensamento e não dependessem 
apenas das regras sociais.
c) A cultura depende de regras sociais para padronizar a conduta dos indivíduos de um grupo social, 
enquanto a língua depende da criatividade e da ausência de regras.
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d) Tanto a língua como a cultura são fenômenos que podem ser observados apenas através do 
comportamento coletivo, pois os indivíduos não podem interferir em nenhuma delas.
e) Língua e cultura dependem de uma evolução de padrões; essa evolução, às vezes, pode resultar 
de descobertas individuais, mas geralmente ocorre quando uma sociedade é mais bem preparada 
para inovar e liderar o ritmo das mudanças.
7) Considerando que as regras e os valores de uma cultura são formas de orientar as condutas 
de cada indivíduo, e que são fatores dinâmicos em constante mudança, responda a questão a 
seguir.
Como o grupo social pode reagir às tentativas de mudanças nas regras e valores instituídos? Em sua 
explicação, dê exemplos de como isso pode ser percebido no dia a dia.
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Resolução dos exercícios
1) 
d) As regras possibilitam que cada indivíduo consiga estabelecer uma comunicação com o mundo, 
dando sentido a tudo que o cerca.
2) 
e) As regras servem apenas para limitar a atividade humana e punir os que não obedecem.
3) 
b) As normas de uma sociedade são sempre produzidas pelos valores, pois as normas são a garantia 
da sociedade para que todos tenham atitudes desejáveis.
4) 
c) As internas seriam aquelas que resultam da ação do tempo em uma sociedade, sem qualquer 
influência de fora e que podem ser aceleradas por grandes descobertas tecnológicas; já as externas 
resultam do contato com outros povos.
5) 
c) Os conservadores sempre aceitam melhor as mudanças, enquanto os grupos mais abertos às 
inovações resistem e costumam rejeitá-las.
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6) 
a) Língua e cultura são sistemas que dependem de regras e não existem separadamente; as línguas 
humanas são uma forma de dar expressão à cultura de um povo, e as culturas precisam da língua 
para permitir a interação entre seus membros.
7) 
A sociedade reage às mudanças nas regras e valores, basicamente, de duas formas: aceitação, 
defendida pelos inovadores; e rejeição, defendida pelos conservadores. É possível perceber no dia a dia 
que muitas vezes os inovadores são repreendidos e até humilhados, enquanto os conservadores são os 
que humilham.Você pode ter citado exemplos relacionados à sexualidade, ao uso de tecnologias ou ao 
vestuário etc.
6 CADA POVO UMA CULTURA, CADA CULTURA UMA SENTENÇA: A 
DIVERSIDADE CULTURAL
Objetivos
Tentar compreender outra cultura é um exercício muito parecido com o de tentar compreender o 
outro, ou seja, alguém que pensa bem diferente de você.
Entrar em contato com diferentes perspectivas ou formas de reagir ao contato com as 
diferenças culturais traz um aprendizado maior do que pode parecer. Possibilita uma flexibilidade 
pessoal para compreender que, ao aceitar o ponto de vista do outro, pode-se enriquecer a visão 
de mundo pessoal.
Assim é quando aprendemos a compreender o diferente, desde outra pessoa até outro povo.
Aprender com o relativismo cultural essa possibilidade de se colocar no lugar do outro, é ampliar as 
possibilidades de soluções criativas.
Introdução 
Existe uma tendência no senso comum a classificar as diferentes culturas em graus evolutivos. Frases 
como: “que povo atrasado!”, “isso sim é um povo evoluído!” são corriqueiras em nosso cotidiano. Mas 
dificilmente nos questionamos sobre o que estamos considerando para julgar alguém dessa forma. 
A antropologia entrou nesse debate na segunda geração de pesquisadores21, que ao conhecer mais 
profundamente a diversidade cultural por meio da pesquisa de campo, apontou a impossibilidade de 
tais julgamentos.
21 A chamada primeira geração de antropólogos inclui os primeiros pesquisadores do século XIX, que jamais 
saíram da Europa para conhecer os povos sobre os quais teorizavam. Já a chamada “segunda geração” chegou logo 
depois, a partir dos primeiros anos do século XX, e praticavam a “pesquisa de campo”, que supõe a permanência entre 
os membros da cultura observada.
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Principais conceitos
Etnocentrismo, relativismo cultural, diversidade cultural, alteridade, cultura evaluída versus cultura 
primitiva, endoculturação, aculturação.
Ao formar uma coletividade, o ser humano desenvolve hábitos de convívio e soluções para sua vida 
social que podem ser extremamente variados. A isso denominamos diversidade cultural. Nossa reação 
perante as diferenças de comportamento de um lugar para outro podem ser orientadas de duas formas: 
ou pelo etnocentrismo ou pelo relativismo cultural. Neste item serão abordadas a rejeição do diferente 
(representada pelo etnocentrismo) e a aceitação do diferente (representada pelo relativismo).
Estamos o tempo todo em contato com universos culturais diferentes do nosso, seja com outros 
povos, seja com costumes regionais. Por isso, é importante exercitarmos nossa capacidade de relativizar 
as diferenças, considerando a perspectiva a partir da qual o “outro” vê o mundo. 
A antropologia nega a existência de culturas em estágios de evolução ou primitivismo, e desenvolveu 
o relativismo cultural para refletir sobre as diferenças entre as muitas culturas humanas.
6.1 A diversidade cultural
Vamos nos dedicar a refletir sobre a diversidade cultural.
Vimos, nos itens anteriores, que a cultura é um fenômeno produzido pelo ser humano, mas 
que depende da condução da coletividade, ou seja, ela é construída socialmente, e não herdada 
biologicamente. Isso faz com que em cada lugar e em cada época histórica, exista uma imensa 
diversidade de regras, símbolos e formas de conduzir a vida coletiva. É o que chamamos de 
diversidade cultural.
Podemos considerar algumas consequências deste fato. O primeiro deles, é que em cada cultura o ser 
humano desenvolve respostas e soluções, às vezes, completamente originais e diferentes para sua vida 
em sociedade. Isso acontece tanto em relação às técnicas de sobrevivência e transformação da natureza 
à sua volta, como nas regras de convívio social. 
Vimos anteriormente em outros itens, que mesmo em meio ambientes muito semelhantes, podemos 
encontrar exemplos de formas culturais bastante diferentes entre si. 
A outra consequência da diversidade cultural é que, quando colocadas em contato, as diferenças 
culturais suscitam reações que podem ir da simples admiração ou humor até o ódio mais violento. 
Quando essa reação ao diferente faz com que as pessoas julguem a sua própria cultura como sendo 
superior à outra, chamamos a isso etnocentrismo. 
Etnocentrismo é uma visão do mundo em que o nosso próprio grupo é tomado como centro de 
tudo e todos os outros são pensados e sentidos a partir dos nossos valores, nossos modelos e nossas 
definições do que é a existência. 
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No plano intelectual, esse pensamento pode ser visto como a dificuldade em aceitar que a diferença 
de lógicas e sentidos possa existir; no plano afetivo, o etnocentrismo pode ser percebido em sentimentos 
de estranheza, medo, hostilidade etc. 
Para compreender o conceito de etnocentrismo, vemos que “etno” vem da palavra etnia, que 
significa um povo que compartilha a mesma base cultural – língua, tradições, religião – e “centrismo” 
significa colocar no centro. Portanto, praticar o etnocentrismo é o mesmo que colocar minha própria 
cultura como centro do mundo, a partir da qual todas as outras são comparadas inferiormente, nunca 
se igualando à superioridade da minha.
Todos nós somos, em alguma medida, etnocêntricos, pois é natural preferirmos nosso próprio 
modo de encarar o mundo ao de qualquer outro povo. Portanto, guardadas as devidas proporções, o 
etnocentrismo nada mais é que uma forma de valorizar a própria identidade cultural.
Mas o etnocentrismo pode ser um problema quando se torna uma forma sistemática e repetitiva 
para enfrentarmos a diferença, pois assim nos tornamos incapazes de ser flexíveis e admitir novas 
formas de solucionar as coisas. 
Ou pior ainda, quando o etnocentrismo se torna tão radical que uma etnia deseja exterminar 
a outra simplesmente por não tolerar seus costumes e sua forma de encarar o mundo, ou quer 
dominar o outro, sufocando suas regras, leis e costumes até que nada de sua originalidade tenha 
sobrevivido. 
Atualmente, temos vários exemplos de “guerras étnicas” no mundo, tanto guerras de fato – para 
citar a Bósnia, ou a Tchetchênia – quanto guerras que acontecem por causa do “imperialismo cultural”, 
que é quando uma cultura se impõe sobre outras exercendo influências no cotidiano e se utilizando 
do mercado, dos meios de comunicação ou qualquer outra forma de participar dos hábitos de seus 
indivíduos e influenciá-los a agir de outra forma.
O fato de que o homem vê o mundo através de sua cultura tem como consequência a 
propensão em considerar o seu modo de vida como o mais correto e o mais natural. Tal 
tendência, denominada etnocentrismo, é responsável em seus casos extremos pela ocorrência 
de numerosos conflitos sociais. 
O etnocentrismo, de fato, é um fenômeno universal. É comum a crença de que a própria 
sociedade é o centro da humanidade, ou mesmo a sua única expressão. As autodenominações 
de diferentes grupos refletem este ponto de vista. Os Cheyene, índios das planícies norte-
americanas, se autodenominavam “os entes humanos”; os Akuáwa, grupo Tupi do Sul do Pará, 
consideram-se “os homens”; os esquimós também se denominam “os homens”; da mesma 
forma que os Navajo se intitulavam “o povo”. (...)
Tais crenças contêm o germe do racismo, da intolerância, e, frequentemente, são utilizadas 
para justificar a violência praticada contra os outros (Laraia, R. B. Cultura, um conceito 
antropológico, Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003).
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A diversidade cultural pode ser encontrada não apenasde um povo para outro, de um lugar para 
outro, mas, por exemplo, dentro de um mesmo país. Aqui no Brasil, conhecemos o fenômeno dos 
“regionalismos”, que são costumes que mudam de uma região para outra, e como resultado temos um 
país rico em culturas locais. 
Além disso, sentimos as diferenças culturais entre 
pessoas que moram em grandes centros urbanos e aquelas 
que habitam em pequenas cidades do interior. Mudam 
alguns aspectos da cultura brasileira entre esses diferentes 
ambientes sociais (de uma região para outra, da cidade para 
o campo).
Os cidadão urbanos, tendem a achar “atrasadas” as localidades em que ainda não chegaram os 
shopping centers, as grandes avenidas, os viadutos, o aglomerado humano e cultural das grandes 
cidades. A vida no interior tem outros hábitos, outro ritmo, outras preocupações cotidianas. Assim, de 
forma etnocêntrica, as pessoas tendem a achar que falta “agitação”, “opção”, como se não houvesse “o 
que fazer” em um lugar menos denso populacionalmente.
A diversidade cultural existe em dois níveis, de uma grande 
cultura para outras e dentro de uma mesma cultura. Esses 
níveis são percebidos na experiência social quando se sente 
que, independentemente do Estado de origem, temos muita 
coisa em comum, que nos fazem pertencer a um mesmo 
complexo cultural, uma nacionalidade. 
Entretanto, de uma região para outra ou de um tipo de ambiente social para outro, existem variações 
que tornam esse povo único, especial. Existe uma imensa variação possível dos hábitos culturais dentro 
de um único país: O uso da linguagem, a alimentação, o trato social, o tipo de humor etc.
Na linguagem antropológica, quando estamos lidando com uma pessoa com hábitos diferentes do 
nosso, com outra cultura, estamos perante o “outro”. Esse outro pode ser alguém que não fala a minha 
língua, que não se veste como eu, mas também pode ser alguém que compartilha muitos hábitos 
semelhantes aos meus, e outros nem tanto. 
A nossa capacidade em nos relacionar com o “outro” é chamada de alteridade. Essa capacidade nos 
torna pessoas mais flexíveis e mais criativas em soluções, pois ampliamos nosso universo de visão do 
mundo, saindo da própria “casca”. 
Alteridade (ou outridade) é a concepção que parte do pressuposto básico de que 
todo homem social interage e interdepende de outros indivíduos. Assim, como muitos 
antropólogos e cientistas sociais afirmam, a existência do “eu-individual” só é permitida 
mediante um contato com o outro (que em uma visão expandida se torna o Outro - a 
própria sociedade diferente do indivíduo).
É possível perceber a diversidade 
cultural quando um grupo social tem 
dificuldades em aceitar o modo dos 
“outros” fazerem as coisas.
A diversidade cultural existe tanto 
de um povo para outro ou de uma nação 
para outra, como dentro de uma mesma 
cultura.
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Dessa forma eu apenas existo a partir do outro, da visão do outro, o que me permite 
também compreender o mundo a partir de um olhar diferenciado, partindo tanto do 
diferente quanto de mim mesmo, sensibilizado que estou pela experiência do contato 
(fonte: Wikipedia, disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Alteridade>, acesso em 02 
de novembro de 2010).
Quanto mais fechados em nosso próprio universo cultural menos possibilidades temos de 
compreender a riqueza humana em criar diferentes perspectivas para uma mesma questão.
Para compreender a importância de aprofundar a reflexão sobre o contato com o outro ou com a 
diferença, leia esse trecho, a seguir, em que a autora Neusa M. M. de Gusmão, demonstra que os tempos 
mudaram, e isso exige uma conduta diferente por parte da sociedade.
Se no passado o outro era de fato diferente, distante e compunha uma realidade diversa 
daquela de meu mundo, hoje, o longe é perto e o outro é também um mesmo, uma imagem do 
eu invertida no espelho, capaz de confundir certezas, pois não se trata mais de outros povos, 
outras línguas, outros costumes. O outro, hoje, é próximo e familiar, mas não necessariamente é 
nosso conhecido. O desafio da alteridade é assim, mais contundente agora do que no passado, 
em que a imposição pela força era suficiente para definir hierarquias e papéis, subjugando em 
nome de princípios científicos, morais e religiosos. (Gusmão, Neusa M. M., Linguagem, cultura 
e alteridade: imagens do outro, in Cadernos de Pesquisa, nº 107, julho/1999, p.41-78, texto 
disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/cp/n107/n107a02.pdf>, acesso em 02 de novembro 
de 2010)
Você considera o brasileiro etnocêntrico? 
Pense um pouco sobre essa questão. Normalmente o brasileiro se julga pouco patriota e muito 
aberto às influências externas. O brasileiro sabe que aceita a presença de outros povos de forma muito 
mais cordial que a população de muitos outros lugares. Pensando assim, nos falta etnocentrismo, é 
bem verdade.
Entretanto, o brasileiro se julga o povo mais receptivo, informal e alegre do mundo. Isso é uma forma 
de etnocentrismo. Negamos a outros povos a alegria, nos colocando como superiores nessa questão. 
Ou, ainda, podemos lembrar que em relação aos outros povos da América Latina, o brasileiro se 
considera “melhor” ou “superior”. Por isso, somos etnocêntricos sim! E vale lembrar que o etnocentrismo 
pode acontecer dentro de um mesmo país, como o nosso, que comporta diferentes regiões culturais. 
O paulista, por suas próprias razões, se considera “melhor” ou “mais trabalhador” que o carioca, 
e vice-versa; “nordestino” ou “baiano” virou apelido pejorativo no Centro-Sul, utilizado de forma 
preconceituosa e ofensiva. Os baianos por sua vez, acusam os paulistas de serem um povo sem tradições 
próprias ou identidades, e assim seria possível seguir com muitos exemplos. Todas essas são formas de 
etnocentrismo.
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Veja o que Roque de Barros Laraia coloca sobre o assunto: “Comportamentos etnocêntricos 
resultam também em apreciações negativas dos padrões culturais de povos diferentes. Práticas 
de outros sistemas culturais são catalogadas como absurdas, deprimentes e imorais (Laraia, R. B. 
Cultura – um conceito antropológico. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005).
Existe uma oposição ao etnocentrismo? Sim, é o que chamamos de relativismo cultural. 
Quando somos capazes de avaliar uma cultura alheia, sem utilizar o tempo todo a nossa própria 
cultura como parâmetro de comparação, estamos relativizando. O relativismo cultural faz parte da 
antropologia desde meados do século XX, quando muitos pensadores passaram a defender que não era 
correto um cientista julgar algumas culturas como “evoluídas” ou “atrasadas” em relação às outras. Para 
isso, usaram argumentos sobre a falta de imparcialidade nesse tipo de pensamento.
Quando julgamos a totalidade de uma cultura como 
“evoluída”, sugerimos que ela está avançada ou melhorada 
em relação às outras que devem seguir esse mesmo rumo de 
modificações. 
A pergunta que a antropologia colocou é: existe uma 
única forma de evolução cultural? Todas as culturas devem, 
necessariamente, evoluir na mesma direção? Se a resposta 
que você der for afirmativa, então, deveremos levantar alguns 
problemas. 
O que podemos considerar como evolução? 
O relativismo cultural rompe com a noção de uma história e uma cultura únicas e comuns a todos 
os povos, assumindo que cada povo tem sua história particular, relativa às experiências que cada 
um viveu naquele tempo e espaço em que se inserem (Passador, L.H. O campo da antropologia, in 
Antropos e psique - o outro e sua subjetividade. São Paulo: Olho d´Água, 2003).
Podemos dizer que evolução são conquistas tecnológicas? Será que a tecnologia é um quesito 
suficiente para garantir que uma cultura sejasuperior? 
Nas sociedades de tecnologia avançada, atualmente, os indivíduos trabalham pelo menos oito 
horas diárias para sobreviver, e necessitam de, pelo menos, 15 anos de estudos para garantir um nível 
“médio” de qualidade de vida. Quanto menor for o investimento de tempo e recursos para os estudos, 
menor serão os rendimentos garantidos para a família. Assim, se não quisermos nos submeter a uma 
vida materialmente difícil e com poucos recursos, temos que investir bastante em nossa qualificação 
profissional.
Essa situação é completamente diferente em uma tribo, em que a tecnologia se resume aos 
instrumentos de sobrevivência, como arados, machados e teares. Um indivíduo de uma tribo brasileira, 
O relativismo cultural é uma 
atitude que exige que o observador 
se coloque no lugar do outro para 
julgar as situações a partir de uma 
perspectiva relativa ao outro, e 
não a si mesmo. Por isso, exige a 
alteridade.
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por exemplo, trabalha, em média, três horas diárias, e não frequenta um dia sequer em escolas. Ele 
não precisa se preocupar com sua qualidade de vida, pois todos em uma tribo possuem exatamente o 
mesmo nível econômico22. Sua qualificação para o trabalho se dá durante seus contatos com indivíduos 
mais experientes, e as crianças participam com os adultos de todas as atividades, sendo submetidas 
desde cedo às estratégias de sua cultura para sobreviver. Como a sociedade não conhece diferenças 
econômicas, não existe criminalidade, violência ou problemas sociais, como drogas, prostituição e 
doenças mentais. 
Você pode ter uma ideia de como uma economia como a dos índios, que nos acostumamos 
a chamar de “economia de subsistência”, por não produzir excedentes para o mercado, pode ser 
encarada de forma muito contrária à ideia de “miséria” ou de “condição precária”. Leia abaixo:
Os índios, efetivamente, só dedicavam pouco tempo àquilo a que damos o nome de trabalho. 
E apesar disso, não morriam de fome. As crônicas da época são unânimes em descrever a 
bela aparência dos adultos, a boa saúde das numerosas crianças, a abundância e variedade 
dos recursos alimentares. Por conseguinte, a economia de subsistência das tribos indígenas 
não implicava, de forma alguma, a angustiosa busca, em tempo integral, por alimento. Uma 
economia de subsistência é, pois, compatível com uma considerável limitação do tempo 
dedicado às atividades produtivas (Clastres, P. A sociedade contra o Estado. Rio de Janeiro: 
Francisco Alves, 1990).
O trecho demonstra que não há, entre os indivíduos das sociedades de economia de subsistência, 
qualquer sentimento ou evidência de escassez ou penúria. O autor, Pierre Clastres defende que 
essas sociedades não são incapazes de desenvolver tecnologia e não desejam produzir excedentes. 
Para eles, o valor fundamental é o tempo livre, e não a riqueza acumulada individualmente 
(Clastres, 1990).
Jacques Lizot, que vive há muitos anos entre os índios Yanomami da Amazônia venezuelana, 
estabeleceu, cronometricamente, que a duração média do tempo que os adultos dedicam todos 
os dias ao trabalho, incluídas todas as atividades, mal ultrapassa três horas. Não chegamos, 
pessoalmente, a realizar cálculos desse gênero entre os Guayaki, caçadores nômades da floresta 
paraguaia. Mas pode-se assegurar que os índios - homens e mulheres passavam pelo menos a 
metade do dia em quase completa ociosidade, uma vez que a caça e a coleta se efetuavam, e não 
todos os dias, entre, mais ou menos, 6 e 11 horas da manhã. É provável que estudos desse gênero, 
levados a efeito entre as últimas populações primitivas, resultassem - consideradas as diferenças 
ecológicas - em resultados muito parecidos (Clastres, P. A sociedade contra o Estado. Rio de Janeiro: 
Francisco Alves, 1990).
22 Denomina-se “sociedades de economia igualitária” os modelos de organização social e econômica que não 
geram desigualdades e hierarquia entre os indivíduos, em termos de poder econômico; e “sociedades de economia 
desigualitária” aqueles modelos que geram essa desigualdade. A nossa sociedade é desigualitária. Para aprofundar 
esse assunto, é recomendada a leitura de: Gomes, Mércio P. Antropologia. São Paulo: Contexto, 2009 (Especialmente o 
capítulo “Antropologia Econômica”).
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23 Há hoje na antropologia um intenso debate sobre o valor do relativismo cultural. Isso porque se considera que 
seu uso é exagerado e se levado à risca, impede o debate da ética entre as diferentes culturas. Assim, não poderíamos 
jamais julgar o outro como errado, pois não existiriam princípios éticos universais, como os Direitos Humanos. Mas, 
guardados esses radicalismos, o relativismo cultural cumpre um importante papel científico e humano ao valorizar a 
existência dos “outros”.
Desse ponto de vista, será que ainda é sustentável afirmarmos que a tecnologia é o quesito mais 
importante para tornar uma sociedade evoluída? Podemos mesmo sustentar que evolução pode ser 
resumida em avanço tecnológico? 
A antropologia defende que isto não é possível, e que precisamos considerar cada aspecto de uma 
cultura dentro de seu próprio contexto, comparativamente a outras, mas cada uma dentro de seus 
próprios valores. Portanto, existem tecnologias e tecnologias. Quando o conceito de tecnologia vem 
associado à destruição ambiental, à exclusão social, ao monopólio de conhecimentos e à acumulação de 
riquezas, podemos afirmar que acontece evolução? As ciências sociais afirmam que não. 
Assim, não podemos generalizar nossas comparações, não podemos julgar com preconceitos, ou 
seja, antes é necessário conhecer e ponderar as implicações e os aspectos de cada traço de uma cultura, 
como sua tecnologia, seu conhecimento, suas leis ou suas crenças. 
Isso é relativizar, analisar cada aspecto de uma cultura de acordo com seu próprio contexto. Por isso, 
a antropologia nega a existência de uma hierarquia de culturas, que começaria com as mais “primitivas” 
ou “atrasadas” e iria até o topo das mais “avançadas” e “evoluídas”. 
Essa escala única, dentro da qual teríamos que encaixar e classificar cada cultura, só faz 
sentido se aceitarmos que um índio precisa se transformar no futuro em um operário, em um 
executivo engravatado ou em um cientista. As culturas não precisam produzir, necessariamente, o 
mesmo tipo de sociedade, cada uma vai construindo sua própria história e suas próprias soluções 
de mundo. Cada uma “evolui” ao seu próprio modo.
Relativizar é aceitar outras soluções de mundo, sem querer transpor de forma simples essa solução para um 
contexto onde ela não se encaixa. Os brasileiros não se adaptam à forma de trabalhar dos orientais, mas podem 
usar seus conceitos, adaptando-os às suas características, trazendo-os ao seu contexto23. 
O valor da hierarquia para os orientais é tão fundamental, 
que muitas vezes não compreendemos sua obsessão em 
obedecê-la. Acabamos chamando a isto de “submissão”, 
quando na verdade é um fenômeno mais complexo que isto. 
Se não compreendemos a importância da hierarquia para os 
orientais em toda sua profundidade, podemos valorizar uma 
chefia que conduz sua equipe a um trabalho bem sucedido, ou 
um subordinado que desempenha brilhantemente suas tarefas. 
Valorizar e respeitar alguém superior ou inferior na escala de 
divisão de tarefas são componentes da hierarquia.
O etnocentrismo e o relativismo 
cultural são formas opostas de agir 
em relação ao “outro”. Pode haver uma 
gradação ao utilizá-los. Não devemos 
ser tão etnocêntricos a ponto de odiar 
o outro, e não devemos relativizar 
princípios que são universais e 
preservam a integridade de qualquer 
ser humano.
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Quanto mais exposta à diversidade cultural, mais exercícios de 
alteridade uma pessoa precisa desenvolver. Aprendemos a julgar 
o mundo a partir dos valores de nossa cultura, e isto é necessário 
em nossas vidas. Mas nenhum de nós possui a totalidade do 
conhecimento de nossa própria cultura, e nenhuma cultura 
é isoladamente perfeita. Portanto, a riqueza da diversidade 
cultural está em mostrar diferentes pontos de vista para questões 
semelhantes. 
A diversidade cultural é tão importante para a humanidade quanto a diversidade biológica. Sem o 
equilíbrio e a convivência entre as diferentes culturas, teríamos, com certeza, uma humanidade mais 
pobre, na qual a troca de experiências se limitaria a repetir sempre as mesmas soluções. Respeitar e 
saber aproveitar a diversidade são desafios para o mundo futuro.
Abaixo, você tem a oportunidade de ler um trecho do documento produzido pela 31ª Conferência Geral 
da Unesco, ocorrida, em Paris, em novembro de 2001. Trata-se da “Declaração Universal sobre a Diversidade 
Cultural”. O documento é disponibilizado para consulta eletrônica e é apresentado como: “um instrumento 
legal que reconhece, pela primeira vez, a diversidade cultural como ‘patrimônio comum da humanidade’ e 
considera sua guarda um imperativo concreto, inseparável do respeito à dignidade humana”24.
Identidade, diversidade e pluralismo
Artigo 1 – A diversidade cultural, patrimônio comum da humanidade.
A cultura adquire formas diversas através do tempo e do espaço. Essa diversidade se manifesta 
na originalidade e na pluralidade de identidades que caracterizam os grupos e as sociedades que 
compõem a humanidade. Fonte de intercâmbios, de inovação e de criatividade, a diversidade 
cultural é, para o gênero humano, tão necessária como a diversidade biológica é para a natureza. 
Nesse sentido, constitui o patrimônio comum da humanidade e deve ser reconhecida e consolidada 
em benefício das gerações presentes e futuras (disponível em: <http://unesdoc.unesco.org/images/
0012/001271/127160por.pdf>, acesso em 03 de novembro de 2010).
Na última década, a diversidade cultural se tornou um tema importante em muitos setores da sociedade. 
O tema “diversidade” pode ser encontrado em artigos que procuram desenvolver novas condutas em muitas 
esferas de atuação profissional. Como, por exemplo, as áreas de gestão e administração de empresas, educação, 
publicidade, jornalismo, marketing, arquitetura, design, entre outras.
6.2 Cultura e visão de mundo
A cultura humana, em sua diversidade, não se expressa apenas através de diferentes formas de 
vestuário, culinária, hábitos cotidianos e rituais. Pois é, sobretudo, através dos conceitos que aprendemos 
em nossa endoculturação que somos capazes de atribuir qualidades e significados à vida.
É preciso considerar que em 
qualquer sociedade todos os indivíduos 
são influenciados pela visão de mundo 
de sua cultura para fazer julgamentos.
24 Tradução livre do original em inglês. Disponível em: <http://portal.unesco.org/culture/en/ev.php-URL_
ID=2977&URL_DO=DO_TOPIC&URL_SECTION=201.html>, acesso em 03 de novembro de 2010.
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Endoculturação se refere aos processos de aprendizado 
dos valores e hábitos de nossa cultura, do lugar onde 
nascemos. Você se lembra do conceito de socialização, não 
é mesmo? A socialização nos capacita a sermos membros 
de uma sociedade, a nos comportar coletivamente. Já a 
endoculturação é um processo em que, alguns valores, ideias, 
hábitos e crenças de nossa cultura são tão internalizados 
por cada indivíduo, que se tornam quase inconscientes. 
Inconsciente, no contexto, significa que o indivíduo não 
percebe como algo foi aprendido, e esse aprendizado está 
tão inculcado que parece fazer parte de nossa natureza, ou 
personalidade.
A antropóloga Ruth Benedict é autora de uma frase muito explicativa e poética para definir cultura. 
Ela afirma que cultura “são as lentes através das quais vemos o mundo”. 
Pois bem, em sua afirmação podemos compreender que entre o mundo que nos rodeia e seu 
intérprete (nossa mente) existem lentes, uma espécie de “filtro” que possibilita conceituar, qualificar 
e dar sentido a tudo que nossa mente apreende. Essa lente nunca é neutra, e a cultura a carrega com 
seus valores. Em cada uma delas, o ser humano interpreta de forma diferente o que vê, como entender 
fenômenos e situações, como julgar e conceituar tudo que acontece à sua volta, e até mesmo em sua 
própria mente.
O que se afirma é que não existe uma total objetividade na forma como o ser humano observa, 
apreende e conceitua o mundo. Existem, na verdade, métodos de conhecimento que podem chegar 
a uma maior objetividade, como a ciência ou a filosofia. Já o senso comum e as religiões não exigem 
objetividade, pois são formas de conhecimento atravessadas por valores muito próprios, dos quais 
não podem abrir mão. No caso do senso comum, as afirmações são feitas sem qualquer pesquisa ou 
indagação; para as religiões, existem os princípios de fé em preceitos e dogmas que afirmam verdades 
sobre o mundo.
• Visão de mundo e senso comum: Quando conversamos sobre o mundo baseados no senso 
comum, afirmamos aquilo que nossa cultura nos ensina ser verdadeiro, pois tudo é visto através 
de suas lentes. 
• Visão de mundo e religião: Quando conversamos sobre o mundo baseados em uma religião, 
afirmamos aquilo que nossa fé nos ensina ser verdadeiro. 
• Visão de mundo e ciência ou filosofia: Quando conversamos sobre o mundo baseados na 
ciência ou na filosofia, precisamos aceitar certas verdades, mesmo que não sejam adequadas à 
nossa moral, aos nossos princípios religiosos ou preconceitos.
Ao passarmos por processos de 
endoculturação, estamos nos tornando 
membros desta cultura, sendo aceitos 
como “iguais”, por compartilharmos, 
em grande parte, a mesma visão de 
mundo. Não temos consciência de que 
certas condutas foram aprendidas, por 
isso, passam a nos parecer naturais, 
pertencentes de nossa própria vontade 
e de nossos próprios impulsos.
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Cada cultura possui uma forma específica de ver o mundo. No México, por exemplo, o 
catolicismo tem uma forte influência sobre a cultura popular e um grande sincretismo25 com 
crenças astecas. Para a população desse país, o dia de finados, que na tradição católica é um 
dia de tristeza pela dor da perda, na cultura mexicana recebe o tratamento de uma festa alegre, 
com muita dança, música e culinária. É o chamado “dia dos mortos”, cujas crenças afirmam que 
os antepassados adquirem vida e vêm visitar os lares de seus entes queridos. Por isso, eles “são 
recebidos” com muita alegria e fartura.
Para o povo havaiano, antes da colonização inglesa, as erupções vulcânicas eram explicadas como 
sendo uma forma de comunicação dos deuses com a tribo, e não como fenômeno da natureza. 
Esses povos, e todos os outros com suas características marcantes, estão errados? Partindo da 
perspectiva de outras culturas, podemos afirmar que sim. Partindo da perspectiva de suas culturas, 
podemos afirmar que não. Pois visão de mundo é a forma como as pessoas interpretam o mundo de 
acordo com seus valores e reagem da forma adequada ao seu grupo social. 
Existe a possibilidade de mudança nessas visões de mundo? Sim, a cultura é algo que está o 
tempo todo em transformação. Ao entrar em contato com outro povo, vários tipos de mudanças 
são possíveis, bem como o reforço de antigos valores culturais às vezes esquecidos ou “fora de 
moda”.
Para uma parte dos antropólogos, quando uma cultura se modifica em funçãodo contato 
com o “outro”, seja em pequenos aspectos ou mesmo de forma avassaladora, podemos denominar 
aculturação. Isso acontece quando substituímos valores de nossa cultura original pelos valores de 
outras culturas. Este caso poderia ser aplicado ao exemplo acima do povo havaiano. Atualmente, 
após séculos de colonização inglesa e depois norte-americana, os havaianos já não explicam 
erupções como sendo “castigos dos deuses”. Os índios brasileiros também sofreram alterações 
comportamentais, pois foram obrigados a substituir as línguas nativas pelo português, e a nudez 
pelas roupas europeias. Esses seriam exemplos de aculturação. Entretanto, muitos antropólogos 
não concordam com essa perspectiva. 
Aculturação significa, literalmente, negar a cultura; perder a cultura. O prefixo “a” é ausência, 
negação. Utilizado por muitos cientistas sociais para descrever fenômenos de perda de tradições, de 
referenciais próprios. Mas muitos antropólogos entendem que não existe cultura totalmente pura, 
isolada ou que não aproveite traços e se deixe influenciar por outras. Afirmamos sempre que a cultura 
é dinâmica. Pois bem, se formos pensar rigorosamente, qual cultura não seria jamais aculturada? 
Nenhuma cultura cria sozinha, a não ser por total e completo isolamento, todo o conhecimento e 
técnicas de mundo.
As expressões “troca cultural”, “empréstimo cultural”, “aculturação, transculturação”, 
“acomodação”, “assimilação”, “sincretismo” e outros termos correlatos foram muito utilizados 
25 Sincretismo é um fenômeno cultural e designa um processo em que um povo mescla diferentes influências religiosas e 
crenças ou misticismos, apesar da não aceitação por parte dos representantes oficiais dessas instituições e grupos.
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pelos antropólogos norte-americanos, no sentido de que a cultura dominada adota 
características da cultura dominante. Estas categorias, usadas até os anos de 1960, depois 
caíram de moda quando se passou a refletir mais sobre o colonialismo e a dominação (Ferretti, 
Sergio. Multiculturalismo e sincretismo. Disponível em: <www.gpmina.ufma.br/.../Multicultur
alismo%20e%20Sincretismo.pdf, acesso em 02 de novembro de 2010).
Apesar desse debate, podemos recorrer corretamente ao conceito de aculturação para muitos 
fenômenos que pretendemos explicar. Por exemplo, a influência da televisão sobre os valores de 
sociedades tradicionais, como os moradores do campo e das pequenas comunidades rurais, que passam 
a pensar como os moradores dos grandes centros urbanos. 
Isto seria uma forma de aculturação? Sim, pois esses valores não estão sendo mudados em função 
de uma dinâmica própria, ou de necessidades reais, mas de um contato que se impõe por meio de um 
instrumento (televisão) sobre as comunidades locais, que não escolhem temas, produzem programas ou 
se qualificam para administrar essas empresas de comunicação. 
Saiba Mais
Os indivíduos se relacionam e interagem socialmente a partir de valores e hábitos culturais. 
Portanto, quando pessoas de culturas diferentes interagem, é correto afirmar que as culturas estão 
se relacionando. Leia o texto abaixo de Mércio P. Gomes.
Aqui chegamos ao importante tema do relacionamento entre culturas. Podemos dizer, com 
um pouco de licença poética, que as culturas se relacionam umas com as outras. Por exemplo, 
a cultura brasileira se relaciona com a cultura norte-americana ou com as culturas indígenas. 
É certo que são os indivíduos que se relacionam uns com os outros; mas ao fazerem, ao 
lado de trocarem bens e produtos, transmitem e recebem valores, ideias, pensamentos, 
modos de comportamento que são absorvidos, isto é, “emprestados”, de propósito ou até 
inconscientemente (...) (Gomes, M. P. Antropologia. São Paulo: Contexto, 2009).
Para aprofundar as questões levantadas pelo contato entre as diferentes culturas, e a interferência 
da visão de mundo de um povo, você pode ler o capítulo “A cultura condiciona a visão de mundo 
do homem”, no livro Cultura – um conceito antropológico, de Roque de Barros Laraia, citado na 
bibliografia.
Síntese
A diversidade cultural expressa a infinita capacidade 
humana em produzir diferentes visões de mundo. Não existem 
culturas atrasadas ou avançadas, mas, sim, uma multiplicidade 
de soluções para a vida humana. Somos seres endoculturados 
e nossa visão de mundo equivale grandemente aos valores 
de nossa própria cultura. Podemos reagir ao contato com o “outro” etnocentricamente ou a partir do 
relativismo cultural. O etnocentrismo revela a incapacidade de se colocar no lugar do outro, por julgá-
Leitura complementar:
Conceitos básicos da Antropologia e 
da Sociologia: http://universia.com.br/mit/
21/21A219/PDF/hobasicconcepts.pdf
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lo preconceituosamente como inferior. Quando nos colocamos no lugar do outro, é estabelecido o que 
se denomina relação de alteridade. O relativismo cultural e a postura de alteridade agregam valores ao 
ser humano, e o torna mais flexível ao debate, à convivência e a um tratamento mais justo em relação 
à diferença.
EXERCÍCIOS
1) A cultura interfere em nossa “visão de mundo”. Essa afirmação pode ser confirmada porque:
a) Apesar de a realidade ser a mesma tanto para as culturas urbanas como para as indígenas, estas 
últimas acreditam que entendem menos da realidade do que a nossa sociedade.
b) Em todas as culturas existe uma tendência de o ser humano explicar a realidade sempre de forma 
mística ou religiosa, por isso, nossa visão de mundo tende à busca pela espiritualidade.
c) Todas as culturas têm a mesma visão de mundo, entretanto seus indivíduos não a conhecem, pois 
apenas os antropólogos são capazes de estudá-las.
d) Em cada cultura, os indivíduos transformam em realidade um conjunto de conceitos diferentes, 
assim, para alguns o mesmo fenômeno pode ter caráter místico, enquanto para outros ele é 
apenas um evento natural.
e) A visão de mundo não tem relação com as crenças, apenas com a realidade, que é objetiva e 
concreta (pode ser percebida pelos sentidos).
2) Perceber a importância de estudar as culturas humanas nos seus particulares. Perceber 
que cada grupo produz, a partir de suas condições históricas, climáticas, linguísticas etc, uma 
determinada cultura, que se caracteriza como única e específica. Estudar tais culturas a partir de 
seus contextos próprios, sem a interferência de visões estranhas. Todo esse panorama mostra o 
surgimento do(a):
a) Etnocentrismo brando.
b) Diálogo entre as etnias.
c) Relativismo cultural.
d) Liberdade de expressão.
e) Respeito pelos grupos primitivos e menos desenvolvidos.
3) Para a antropologia, diante de uma cultura diferente da nossa, podemos ter uma atitude 
etnocêntrica, ou praticar o relativismo cultural. Nesse sentido, relativizar é:
I. Não transformar a diferença em hierarquia, mas vê-la na sua dimensão de riqueza por ser 
diferente.
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II. Exclusivo de uma determinada época, como, por exemplo, nos anos 1960 com a expansão das 
comunidades hippies que usavam influências orientais nas roupas.
III. A visão que entende que as verdades da vida são uma questão de essência.
IV. Compreender o “outro” no seu próprio contexto e nos seus próprios valores.
Assinale a alternativa correta.
a) II, III e IV estão corretas.
b) I e IV estão corretas.
c) I, III e IV estão corretas.
d) I, II e IV estão corretas.
e) III e IV estão corretas. 
4) Para uma pessoa que habita a cidade, a floresta é um conjunto desordenado de árvores, ao passo 
que osíndios que nela vivem lhe dão um significado qualitativo (lendas, receitas) e veem nela também 
uma referência espacial (apontam caminhos, marcam lugares).
O oposto também é verdadeiro, ou seja, uma pessoa que habita a mata vê na cidade uma coleção 
confusa de ruas e edifícios, além de um movimento desordenado de pessoas e automóveis. Ao passo 
que para as pessoas que nela vivem, a cidade possui uma ordem física e espacial, e o movimento possui 
um sentido lógico.
A afirmação acima está corretamente associada ao fato de:
a) A cultura influenciar em nossa visão de mundo, portanto em nossa percepção das coisas. 
b) Em cada meio diferente (campo, floresta ou cidade), o indivíduo estar sujeito a uma forma diferente 
de lógica, que é determinada exteriormente.
c) Existir na afirmação uma nítida diferença de evolução entre cada cultura, e como a cultura urbana 
é mais evoluída, apenas quem participa de sua vida pode se habituar a compreender a cidade.
d) A afirmação estar errada, pois não existem diferenças na percepção que o ser humano pode ter 
de seu ambiente, já que a realidade é única para todos nós.
e) Faltar informações sobre as florestas nos meios de comunicação de massa, por isso existe dificuldade 
para uma pessoa do meio urbano se orientar espacialmente nelas.
5) Quando um povo expressa sentimento de superioridade em relação aos outros, desvalorizando 
qualquer elemento de outras culturas, o conceito correto é: 
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a) Diversidade cultural.
b) Etnocentrismo.
c) Endoculturação.
d) Tradição cultural.
e) Radicalismo cultural.
6) Endoculturação é um processo relacionado à seguinte afirmação:
a) Quando precisamos expressar sentimento de superioridade em relação às culturas alheias.
b) Em cada cultura somos incentivados a transformar nossa herança cultural, pois ela não é resultado 
de determinações biológicas.
c) Em cada cultura somos ensinados a agir e a pensar de forma coerente com os valores e princípios 
coletivos e os transformamos em nossos próprios valores.
d) É característico de culturas onde a tradição é mais importante que a transformação.
e) Quando precisamos explicar porque o comportamento individual às vezes não está de acordo com 
a expectativa do grupo.
Resolução dos exercícios
1) 
d) Em cada cultura, os indivíduos transformam em realidade um conjunto de conceitos diferentes, 
assim, para alguns, o mesmo fenômeno pode ter caráter místico, enquanto para outros ele é 
apenas um evento natural.
2) 
c) Relativismo cultural.
3) 
b) I e IV estão corretas.
4) 
a) A cultura influenciar em nossa visão de mundo, portanto em nossa percepção das coisas.
5) 
b) Etnocentrismo.
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6) 
C) Em cada cultura somos ensinados a agir e a pensar de forma coerente com os valores e princípios 
coletivos e os transformamos em nossos próprios valores.
7 DIFERENTES CULTURAS, CARACTERÍSTICAS HUMANAS UNIVERSAIS
Objetivo
Diferenciar o que é universal no comportamento humano e o que é particular.
Introdução
O ser humano produz diversidade cultural. Você pode aprender como é importante constatar essa 
diversidade e se habilitar a lidar com ela em situações de contato com a diferença.
Entretanto, o ser humano não é apenas diverso. Somos uma espécie que compartilha características 
que nos assemelham, nos tornando iguais e não diferentes. Por isso esse item trabalha os conceitos de 
“características universais”.
 
Características universais são aquelas que não se alteram em função do contexto ou da condição 
momentânea. Características particulares são aquelas que encontramos apenas em determinados 
contextos, seja de um lugar para outro, seja de uma época para outra.
As culturas humanas são, sem sombra de dúvida, plenas em particularidades. Mas dar atenção ao 
que é universalizado em nossa espécie também é fundamental.
Principais conceitos
Simbolização, estruturalismo, pesquisa de campo, diversidade cultural.
Diversidade cultural, relações humanas
A humanidade sempre conviveu, se espantou e reagiu à diversidade cultural. Temos registros 
de povos muito antigos curiosos por solucionar dilemas, como: “teria existido um dia uma língua 
universal?”, “existe uma cultura primeira, que deu início a todas as outras?”, “por que os outros 
povos não acreditam no meu Deus?” etc. Na verdade, esses dilemas demonstram, em alguns casos, 
etnocentrismo, em outros espanto ou indignação, e fazem parte da eterna inquietação humana 
por responder a tudo. Para a antropologia, esses dilemas apresentam questões equivocadas, pois 
todas pretendem chegar a uma cultura primordial, perfeita ou que explique que os povos que não 
a seguiram são inferiores ou errados.
Para as ciências sociais, o ser humano é um animal cultural, ou seja, jamais será capaz de viver em 
sociedade sem produzir símbolos, interpretar ao seu modo o mundo que o rodeia, e, assim, produzir uma 
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cultura original. Se vivemos em uma tribo ou em uma grande metrópole como São Paulo ou Nova York, 
somos o mesmo ser humano e o que muda é a forma exterior da cultura que nos rodeia. 
Vamos mudar nossa lógica anterior, que era a de evidenciar a diversidade cultural, e vamos olhar para 
os recursos e as capacidades humanas que produzem essa diversidade. Em certas culturas, os indivíduos 
adoram a alguém ou a algo, que podem chamar de “Alá” ou de “Deus”, em outras, ainda, não existe um 
único deus, mas vários deuses. Bem, independentemente do nome e da forma como ritualizamos essa 
fé, o que leva o ser humano a fixar um nome ou um ritual é a nossa capacidade, totalmente idêntica 
para todas as culturas, de ter crenças. Assim, independentemente da forma desenvolvida, somos seres 
dotados da capacidade de acreditar em coisas que transcendem, que vão para além da matéria.
Outro exemplo: em certas culturas o trabalho agrícola é uma tarefa feminina, e em outras, masculina. 
Independentemente da forma como cada cultura o faz, temos uma mesma capacidade, a de dividir 
socialmente as tarefas. 
Seguindo com nossos exemplos, podemos afirmar que nas tribos não existe a noção de mercado, que 
é uma forma de organizar as trocas materiais, com objetivo de lucro para quem oferece a mercadoria ou 
o serviço. O que eles possuem são as trocas baseadas em “escambo”, onde inexiste a moeda, e ambas as 
partes oferecem algo que consideram de comum acordo, ou seja, equivalentes. Independentemente da 
forma como é realizada existe nossa capacidade de avaliar trocas.
Apesar de você achar que isso não existe mais, o escambo ainda é uma forma de troca realizada em 
muitas partes do mundo, e em muitos lugares a moeda é algo raro e ausente das relações sociais. 
Os indivíduos que vivem em grandes cidades têm à sua disposição uma grande quantidade de 
meios de comunicação, mas desconhecem realidades sociais que não fazem parte do que chamamos 
“modernidade”. De fato, o que nos dá a sensação de que o mundo inteiro vive da mesma forma como 
nós vivemos é o etnocentrismo. Ele nos joga numa forma de isolamento de realidades alheias à nossa 
própria, e nos faz julgar como “atrasados” os povos que ainda não aderiram totalmente à nossa forma 
de vida social.
Não é incomum encontrarmos termos como “povos esquecidos”, ou “povos primitivos” para nos 
referirmos àquelas sociedades que ainda vivem de forma tradicional, sem os valores e recursos da vida 
moderna.
Apesar de vivermos de formas muito diferentes de um lugar para o outro, temos as mesmas necessidades, 
enquanto seres da mesma espécie. Nos organizamoscoletivamente, criamos instituições capazes de 
resolver certos problemas, dividimos socialmente as tarefas, criamos grupos de apoio e de exercício 
de nossas habilidades sociais, defendemos nossa cultura, 
educamos as novas gerações de acordo com nossos valores, 
ritualizamos nossas crenças e ouvimos os nossos chefes. Não 
existe sociedade perfeita. Em todas elas encontramos algum 
tipo de decisão que gera problemas, e aprendemos que nem 
sempre solução significa que tudo está resolvido.
Há elementos particulares às 
culturas humanas, mas também temos 
muitas coisas em comum, que são os 
elementos universais da humanidade.
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Das tribos às metrópoles, o que muda é a quantidade de terra asfaltada e a quantidade de especialistas 
possíveis para resolver uma única questão, mas os princípios de organização são os mesmos. Lévi-
Strauss, um grande antropólogo francês, comparou a diversidade cultural a um caleidoscópio. Nele, 
temos sempre uma mesma quantidade e cores de pedrinhas, mas a cada vez que viramos o caleidoscópio, 
o que vemos no fundo é um arranjo completamente original de cores e formas, como se tudo tivesse 
sido trocado, mas não foi. 
O mesmo acontece com o ser humano. Somos dotados das mesmas necessidades e capacidades, mas 
produzimos arranjos sociais bem originais e diferentes entre si. Essa perspectiva explicativa criada por 
Lévi-Strauss é conhecida como estruturalismo. Compartilhamos uma estrutura mental que é universal, 
entretanto nos expressamos de formas diferentes.
Para Lévi-Strauss, essa estrutura mental comum a toda a humanidade explica o fato de ser possível 
encontrar elementos e traços de uma cultura semelhantes ou, até mesmo, idênticos a outras tão 
distantes; o que nos abriga a descartar a influência como forma de “imitação” entre elas.
Ele explica que a diversidade cultural é apenas a aparência, uma forma de expressão diferente, de 
uma estrutura mental que é universal à nossa espécie. Assim, os rituais, os hábitos e as línguas são 
apenas uma forma diferente de expressar as categorias mentais do Homem. Essas categorias estão 
“ocultas”, não sendo perceptíveis, mas podem ser percebidas por meio da pesquisa comparativa 
entre as culturas que demonstre uma espécie de “lógica” única, uma ferramenta humana de estar 
no mundo.
7.1 A pesquisa de campo produz o conhecimento antropológico
Todo o conhecimento antropológico e as novas formas de conceituar a diversidade cultural, que 
extrapolam imensamente o senso comum e a forma como nos relacionamos com as diferenças culturais, 
resultam de uma sistemática metodologia de pesquisa.
Para descrever, compreender e conceituar todo o universo cultural humano, os pesquisadores 
desenvolveram o que chamamos “pesquisa de campo”, ou “pesquisa de observação participante”. 
Basicamente, o pesquisador permanece durante um longo período de tempo convivendo com 
a cultura que deseja conhecer, abandonando sua mera condição de “observador alheio”. O 
antropólogo faz um mergulho profundo na visão de mundo e no cotidiano do “outro”. Quem criou 
os mecanismos desse tipo de pesquisa foi B. Malinowski26. Isso possibilita uma mudança profunda 
na forma de interpretar o mundo por parte do pesquisador, pois ele deixa de ver o mundo com 
suas lentes anteriores, e passa a ver o mundo através da perspectiva do outro. Ele se coloca no 
lugar do outro.
26 Segundo a enciclopédia eletrônica Wikipedia: “Bronisław Kasper Malinowski (Cracóvia, 7 de Abril de 1884 — New 
Haven, 16 de Maio de 1942) foi um antropólogo polaco. Ele é considerado um dos fundadores da antropologia social. Fundou a 
escola funcionalista. A principal contribuição de Malinowski para a antropologia foi o desenvolvimento de um novo método de 
investigação de campo, cuja origem remonta à sua intensa experiência de pesquisa na Austrália, inicialmente com o povo Mailu 
(1915) e posteriormente com os nativos das Ilhas Trobriand (1915-1916, 1917-1918).”
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A observação participante é uma das técnicas muito utilizada pelos pesquisadores que 
adotam a abordagem qualitativa e consiste na inserção do pesquisador no interior 
do grupo observado, tornando-se parte dele, interagindo por longos períodos com os 
sujeitos, buscando partilhar o seu cotidiano para sentir o que significa estar naquela 
situação.
(Queiroz, Danielle T. et alli. Observação participante na pesquisa qualitativa: conceitos e aplicações na área da saúde. Rio de Janeiro: 
Rev Enferm UERJ, 2007 - abr/jun; disponível em <http://www.facenf.uerj.br/v15n2/v15n2a19.pdf>, acesso em 05 de novembro de 
2010)
Após esse período de permanência em um universo completamente estranho, o pesquisador se 
retira e coloca em avaliação tudo que conseguiu registrar daquela cultura por meio de anotações, 
fotos, filmes, entrevistas, memórias, que normalmente se concentram no que chamamos “caderno 
de campo”. 
Então, não mais “contaminado” pela perspectiva alheia, mas capaz de refletir sobre ela de forma 
mais imparcial, o pesquisador apresenta ao leitor uma nova forma de interpretar essa cultura, baseada 
nos princípios científicos de objetividade e experimentação.
Esse tipo de pesquisa é que apontou as falhas do etnocentrismo, e criou o relativismo cultural. A 
proposta do relativismo é, basicamente, uma nova atitude de relação cultural com a diferença. Indo para 
além das estatísticas e mergulhando nas razões mais profundas do comportamento do outro, passamos 
a ter uma nova compreensão sobre a diversidade cultural.
Dentro da ciência antropológica, o relativismo teve um grande impulso durante o século XX, sendo 
também bastante criticado e debatido. Isso aconteceu porque:
...em 1947, um grupo de antropólogos, liderados por Herskovits, é convidado pela ONU 
para escrever o relatório preparatório à carta dos Direitos Humanos. (...) Seus autores se 
debatem entre a afirmação dos direitos universais e o horizonte relativista dos valores 
(Ortiz, 2009).
Os postulados no documento redigido davam margens para concluir que, de acordo com a 
antropologia, não seria possível estabelecer conceitos legais que tivessem validade universal, uma vez 
que tudo era relativo e particular. 
Isso simplesmente invalidaria a Declaração Universal dos Direitos Humanos, e colocava os 
antropólogos que defendessem radicalmente o relativismo em uma fronteira moral complicada. Não 
se poderia julgar o nazismo ou mesmo o infanticídio e a mutilação sexual das mulheres em nome do 
respeito à diversidade.
Não é a totalidade dos antropólogos que defende o relativismo interpretado dessa forma. “O 
relativismo cultural possui um mérito, ele inocula no pensamento uma sensibilidade pelo diverso. Isso 
não é pouco.” (Ortiz, R. op.cit) 
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Ainda comentando os méritos do relativismo cultural, o autor Ortiz enfatiza que é necessário 
“percebermos que o particular é sempre tensionado pelo contexto no qual se insere”, e que no contexto 
atual “os direitos humanos não são universais, mas pertencem ao destino comum no âmbito da 
modernidade-mundo27” (Ortiz, R. op.cit). Ou seja, mesmo que certos países não reconheçam alguns 
direitos humanos, há um clima crescente de pressão mundial para dialogar e interferir em casos 
considerados como atentados aos direitos humanos. 
É o caso de uma mulher iraniana chamada Sakineh Ashtiani. Leia a reportagem reproduzida abaixo.
Sakineh Ashtiani será executada na quarta-feira no Irã, diz ONG
O caso de Sakineh, de 43 anos, atraiu a atenção do mundo inteiro, em uma campanhaque 
mobilizou inúmeros governos e entidades humanitárias. Considerada culpada de adultério 
pela Justiça iraniana, ela foi condenada à morte por apedrejamento, mas a pena acabou 
sendo suspensa no início de setembro.
No final do mês passado, autoridades locais anunciaram o castigo de enforcamento 
como punição pela participação na morte do marido. A medida foi logo retificada pela 
Chancelaria do Irã, a qual afirmou que as formalidades legais do processo ainda não 
estavam concluídas.
Entre os que tentaram intervir estiveram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que pediu a 
libertação de Sakineh e ofereceu-lhe asilo. Em resposta, o governo de Mahmoud Ahmadinejad 
afirmou que o brasileiro estava “desinformado” sobre o caso. 
No dia 5, Sajjad informou ter pedido a interferência do papa Bento 16 a favor de sua mãe e 
solicitou asilo político à Itália. Na ocasião, o jovem afirmou que ele e a irmã, Sahideh, temiam 
ser presos em seu país, e que Kian também corria esse risco.
(fonte: Folha.com, caderno Mundo, 02/11/2010, disponível em <http://www1.folha.uol.com.br/mundo/824273-sakineh-ashtiani-sera-
executada-na-quarta-feira-no-ira-diz-ong.shtml>, acesso em 05 de novembro de 2010)
Independentemente desse debate em torno dos usos 
do relativismo cultural, a pesquisa desenvolvida pelos 
antropólogos tem resultado em um conhecimento cada 
vez mais profundo de todas as culturas do mundo. 
Atualmente, compreendemos melhor como podemos 
promover um contato mais equilibrado entre as 
diferentes nações.
Sugestão de leitura complementar
Ortiz, Renato. Sobre o relativismo cultural. 
Revista Alambre, Nº 2, março de 2009. 
Disponível em <http://www.revistaalambre.
com/Articulos/Articuloprint.asp?Id=33>, 
acesso em 05 de novembro de 2010.
Rocha, Everardo. O que é etnocentrismo, 
São Paulo: Brasiliense, 1998. 
27 Para Renato Ortiz, o termo “modernidade-mundo” é equivalente ao que todos conhecem por “globalização”. Mas 
em sua teoria ele defende que globalização é um termo inadequado para se referir aos fenômenos de inter-relação entre 
todos os países atualmente, preferindo a ideia de mundialização.
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Sabemos que, hoje em dia, a pesquisa antropológica é utilizada inclusive como recurso de exploração 
de nichos de mercado, para lançamento de novos produtos ou mudança de imagem institucional. 
Conhecendo a forma como o outro vê o mundo, é possível lhe apresentar soluções muito mais bem 
aceitas e adequadas aos seus padrões e valores.
Síntese
A questão sobre o que é universal e o que é particular no ser humano suscita curiosidade 
desde os primeiros pensadores das civilizações humanas. Apesar de afirmar o caráter da imensa 
diversidade cultural humana, a antropologia realça a existência de estruturas que nos fazem 
igual. 
Saiba Mais
A seguir, você pode ler algumas frases em artigos científicos de diferentes áreas do conhecimento 
humano, nas quais a preocupação em lidar com a diversidade cultural está presente:
O conceito de diversidade está relacionado ao respeito à individualidade dos empregados e 
ao reconhecimento desta; gerenciar a diversidade implica o desenvolvimento das competências 
necessárias ao crescimento e sucesso do negócio. 
(Fleury, Maria Tereza L. Gerenciando a diversidade cultural: experiências de empresas brasileiras, RAE - Revista de Administração 
de Empresas, Jul./Set. 2000, v. 40 . n. 3)
Reconhecer que a sociedade brasileira é multicultural significa compreender a diversidade étnica 
e cultural dos diferentes grupos sociais que a compõem. Entretanto, significa também constatar as 
desigualdades no acesso a bens econômicos e culturais por parte dos diferentes grupos, em que 
determinantes de classe social, raça, gênero e diversidade cultural atuam de forma marcante. 
(Canen, Ana. Universos culturais e representações docentes: subsídios para a formação de professores para a diversidade cultural, 
Educação & Sociedade, ano XXII, no 77, Dezembro/2001)
A cultura brasileira é o resultado de misturas entre os diferentes povos que para o Brasil vieram, 
de forma espontânea ou não, e aqui se estabeleceram, escolhendo-o como o seu lugar de viver. Fica 
claro o quanto é importante e pertinente que o Brasil mostre ao mundo a sua diversidade cultural 
como atrativo de visitação turística.
(Dias, Kátia M.; Borda, Gilson Z. A diversidade cultural na comunicação visual - o caso EMBRATUR. Monografia para especialista 
em gestão de negócios em turismo, Universidade de Brasília, 2005. Disponível em <http://bdm.bce.unb.br/bitstream/10483/631/1/
2005_KatiaMacedoDias.pdf> , acesso em 05 de novembro de 2010)
As organizações do futuro, mais que as atuais, irão operar em um ambiente de negócio incerto, 
complexo e altamente competitivo. As organizações cada vez mais trabalharão com equipes 
heterogêneas em termos de raça, etnia, gênero e outros grupos culturalmente diversos.
(Hanashiro, Darcy M. M.; Carvalho, Sueli G. Diversidade cultural: panorama atual e reflexões para a realidade brasileira, REA 
– Edição 47, Vol. 11, No. 5, Set/Out-2005. Disponível em <http://www.seer.ufrgs.br/index.php/read/article/viewFile/15190/8959>, 
acesso em 05 de novembro de 2010)
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EXERCÍCIOS
1) A observação participante faz parte da pesquisa de campo em antropologia. Assinale a alternativa 
que descreve corretamente esse método.
a) O antropólogo faz um levantamento bibliográfico para poder fundamentar a comparação entre 
diferentes culturas.
b) O antropólogo entrevista as pessoas de acordo com seu nível cultural.
c) O pesquisador permanece durante um longo período convivendo com a cultura que pretende 
conhecer, mergulhando profundamente no universo alheio.
d) O pesquisador deve se preparar através do etnocentrismo e da socialização para enfrentar a 
diversidade cultural.
e) O antropólogo precisa exercitar o preconceito para depois conhecer cientificamente a cultura a 
ser estudada.
2) A pesquisa de campo realizada pelos antropólogos, que convivem com os indivíduos de outra 
cultura, participando de sua vida cotidiana, mudou a forma como encaramos atualmente a diversidade 
cultural. A esse respeito, assinale a alternativa correta.
a) Por meio desse tipo de pesquisa, compreendeu-se que não é possível uma cultura 
influenciar outras, pois cada uma tem sua própria totalidade, impedindo qualquer forma de 
multiculturalismo.
b) Com essas pesquisas pudemos concluir que a diversidade cultural impede a evolução cultural da 
humanidade.
c) Como resultado das pesquisas de campo, foi possível constatar que o determinismo biológico é 
uma tese correta, mas o determinismo geográfico deixou de influenciar as diferentes culturas 
com o passar do tempo.
d) Ao realizar essa pesquisa, o antropólogo não deve se envolver com os hábitos da cultura estudada, 
mas deve manter uma postura de julgamento a partir de seus próprios valores.
e) Ao realizar essa pesquisa, o antropólogo deve se colocar no lugar do outro para relativizar 
seus julgamentos e poder compreender profundamente os valores alheios e sua visão de 
mundo.
3) É sabido que o ser humano vive em uma diversidade cultural, e que em cada sociedade são 
desenvolvidos recursos e valores muito próprios para as relações sociais. Sobre essa diversidade, assinale 
a alternativa correta.
a) Apesar da imensa diversidade cultural, a humanidade se relaciona e cria alguns conceitos, valores, 
e até soluções práticas de mundo que podem ser universais.
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b) A diversidade cultural impede qualquer forma deuniversalidade humana, e isso pode ser 
constatado pelo fato de algumas culturas aceitarem o infanticídio, que deveria ser evitado por 
todas as culturas existentes.
c) A universalização de alguns valores, como os direitos humanos, deve acabar com a diversidade 
cultural em pouco tempo.
d) O esforço mundial pela modernização de todas as culturas demonstra que não há como defender 
a diversidade cultural.
e) O relativismo cultural condena a diversidade cultural por não respeitar alguns direitos 
fundamentais da humanidade.
4) A respeito da relação entre diversidade cultural e universais humanos, o estruturalismo de Lévi-
Strauss é uma teoria que defende um ponto de vista importante na antropologia. Sobre o estruturalismo, 
assinale a alternativa incorreta.
a) A teoria defende que apesar da imensa diversidade cultural humana, é possível encontrar pontos 
de coincidência ou semelhança entre culturas que jamais tiveram contato entre si.
b) Lévi-Strauss propõe que a mente humana possui uma estrutura única, por isso, a diversidade 
cultural é apenas uma aparência que oculta o que há de universal em nossa espécie.
c) Para o estruturalismo, a diversidade cultural é consequência do relativismo cultural, que defende 
que não podemos comparar as culturas entre si.
d) O estruturalismo entende a cultura como se fosse um conjunto de categorias mentais, comum a 
toda a humanidade, mas que, em cada cultura, se expressam de uma forma diferente.
e) Lévi-Strauss compara a cultura a um caleidoscópio, explicando que o material que a constitui é 
universal e único à nossa espécie, mas que proporciona diferentes soluções e arranjos.
Resolução dos exercícios
1) 
C) o pesquisador permanece durante um longo período convivendo com a cultura que pretende 
conhecer, mergulhando profundamente no universo alheio.
2) 
e) Ao realizar essa pesquisa, o antropólogo deve se colocar no lugar do outro, para relativizar seus 
julgamentos e poder compreender profundamente os valores alheios e sua visão de mundo.
3) 
a) Apesar da imensa diversidade cultural, a humanidade se relaciona e cria alguns conceitos, valores, 
e até soluções práticas de mundo que podem ser universais.
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c) Para o estruturalismo a diversidade cultural é consequência do relativismo cultural, que defende 
que não podemos comparar as culturas entre si.
8 QUEM SOMOS, QUEM SÃO ELES: ADMIRAÇÃO E PRECONCEITO NA ALDEIA 
GLOBAL
Objetivos
Conhecer as características das culturas atuais, considerando as novas tecnologias e os meios 
de comunicação interativos. Refletir sobre as novas formas de construção de identidades culturais 
que passam pelo mundo real-presencial e também pelo mundo virtual.
Introdução
Com o imenso desenvolvimento dos meios de comunicação e transporte, as culturas humanas se 
aproximaram como nunca na história da humanidade.
Esse contato com a diferença trouxe importantes questões que afetaram a política, o mundo dos 
negócios, o desenvolvimento de valores, a totalidade das culturas humanas etc.
Com a proximidade entre as diferentes culturas, pode-se notar uma reação das pessoas, que oscila 
entre atitudes de admiração em relação aos outros ou de preconceito.
Neste item será desenvolvida a reflexão sobre como a globalização afeta o processo de identidade 
cultural de todos nós.
Principais Conceitos
Globalização, inclusão, exclusão, identidade cultural, desenraizamento, tradição.
8.1 Globalização e diversidade cultural
A globalização é um fenômeno que coloca em contato 
constante um número cada vez maior de povos e pessoas 
do mundo todo. Para a globalização, contribuíram de forma 
decisiva a intensificação de atividades como o comércio 
exterior, a transnacionalização das grandes indústrias e 
empresas, o turismo, a valorização de serviços como a 
gastronomia, a disseminação dos meios de comunicação 
de massa, ou, ainda, a valorização da escola como forma de 
educação no mundo todo.
Sugestão de bibliografia básica: 
Santos, Rafael J. “Tão diferentes, 
tão tribais: somos todos tão iguais”, 
in Antropologia para quem não vai 
ser antropólogo. Porto Alegre: Tomo 
Editorial, 2005. 
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Os grandes avanços nos meios de transporte e comunicação tiveram um papel fundamental para 
permitir ampliar imensamente as fronteiras comerciais entre os países, bem como estreitar suas relações 
culturais e políticas.
 A consequência direta da intensificação de tais atividades foi colocar em contato cada vez mais direto 
culturas que antes viviam relativamente isoladas. Por causa do aumento da circulação de bens e de pessoas, 
aumentou também a circulação de informações, ideias e conceitos entre povos do mundo inteiro. 
Portanto, a chamada globalização é um fenômeno que inclui aspectos econômicos, tecnológicos, 
culturais e políticos.
Entretanto, sabemos que essa circulação intensa de bens e ideias acaba impondo certo 
modelo de cultura que é considerada “melhor” e “mais avançada”, em detrimento de outras 
consideradas “exóticas”, “atrasadas” ou “piores”. Atualmente, a língua universal, não por acaso, é 
o inglês, e o que se globalizou, sendo encontrado em esquinas do mundo todo, foram as redes de 
sanduíches fast food de marcas como McDonald´s, e não o famoso pão de queijo mineiro ou os 
tacos mexicanos. Portanto, sabemos que o país dominante economicamente, se torna dominante 
também culturalmente.
Os costumes da cultura norte-americana são extremamente mais divulgados e disseminados que os 
de qualquer outra, e tornou-se o modelo ou a referência a partir da qual todos os povos precisam se 
comparar, ou tentar se equivaler. Nisso não há nenhuma novidade, não é mesmo? O que há de novidade 
na globalização, quando falamos a respeito da diversidade cultural, é que agora, mais do que em qualquer 
outro momento histórico, temos a oportunidade de que pessoas comuns e costumes de culturas não 
dominantes, também sejam conhecidos globalmente. Hoje em dia, até mesmo os norte-americanos 
perceberam a importância de dar atenção a conceitos, métodos e técnicas de trabalho de países como o 
Japão, a Tailândia, a Índia ou a China. Procura-se na literatura especializada, tanto quanto na literatura 
tradicional desses povos, inspiração para planejar, solucionar, criar, relacionar ou reconstruir métodos e 
técnicas de trabalho, formas de nos relacionarmos uns com os outros, ou, ainda, estruturas mentais que 
possibilitem novas soluções pessoais/coletivas.
Para Octávio Ianni, a globalização que se acha em curso nesta altura da história apresenta 
características muito especiais, primeiro por ter a energia nuclear se tornado a mais poderosa 
técnica de guerra; segundo, pela excepcional capacidade de formar e informar, induzir e seduzir 
da revolução informática, base encontrada na microeletrônica; terceiro, pela organização 
de um sistema financeiro internacional, em conformidade com as exigências da economia 
capitalista mundial; quarto, pelo fato de as relações econômicas mundiais estarem amplamente 
influenciadas pelas exigências das empresas, corporações ou conglomerados multinacionais, 
transnacionais, mundiais, globais, planetários; quinto, pela reprodução ampliada do capital, 
recriando relações nos quatro cantos do mundo; sexto, pela transformação do inglês na língua 
universal, por meio da qual se articulam e expressam indivíduos, grupos e classes, em suas 
relações sociais, políticas, econômicas e culturais e, sétimo, pela resposta do capital à crise.
(Alves, P. et alli, Neoliberalismo e a desterritorialização dos espaços. Publicado eletronicamente por: e-revista.unioeste.br, p.2)
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Ao mesmo tempo em que admiramos e tomamos como exemplo certas condutas culturais “novas” para 
a maioria de nós, e que sempre foram tradição para outros povos, temos um conflito, pois também temos 
preconceito e não sabemos como enfrentar o diferente. É comum os alunos indagarem, “mas o que é que 
podemos aprender, por exemplo, com os índios?”, pois ainda pensam as culturas de forma etnocêntrica, 
considerando os povos indígenas como “primitivos”, povos que “não têm nada”.
A resposta da antropologia é simples. Essas são sociedades onde há hierarquia e divisão de tarefas, 
mas onde não há desigualdade social. Vamos explicar melhor isso? As tribos são socialmente organizadas, 
e possuem figuras sociais como “pajé”, “cacique” ou “guerreiro”. Até aqui nenhuma novidade, não é? 
Entretanto, apesar dessa organização, não existe diferença econômica entre seus membros, eles formam 
o que denominamos de “sociedade planificada”, onde todos estão em um mesmo plano de recursos 
econômicos. Portanto, não existem classes sociais. O cacique ocupa o mesmo tipo de moradia e dispõe 
da mesma quantidade de alimentos que qualquer indivíduo de seu grupo, portanto, o fato de ocupar 
uma função de influência e importância não lhe dá prerrogativas de maior conforto material, a não ser 
em ocasiões rituais.
Quando alguém exerce poder, não está, necessariamente, criando uma superioridade de condição 
em relação aos dominados? 
Pois bem, no caso das tribos, esse tipo de poder inexiste. As figuras de grande importância social, e 
que influenciam as tomadas de decisão do grupo, não são pessoas que desfrutam de privilégios materiais. 
Assim, o reconhecimento social da autoridade está baseado em coisas como a tradição, as habilidades 
pessoais demonstradas pelo indivíduo, a linhagem de seus ancestrais, ou, ainda, eventos místicos. As 
tribos não são sociedades perfeitas, mas o fato de se organizarem sem criar grandes diferenciações 
sociais gera um grupo no qual existe a total ausência de fenômenos como: criminalidade, prostituição, 
trabalho infantil, violência urbana; e onde são desnecessárias instituições como: asilos, abrigos de 
menores e moradores de rua, manicômios, prisões etc.
O que temos a aprender com os índios? Eles conseguiram produzir uma sociedade em que existe 
respeito, autoridade, liderança e organização, sem haver discriminação, autoritarismo, imposição e 
exclusão. O que se propõe, não é uma volta “à idade da pedra”, mas que nossa sociedade possa 
tomar como exemplo não apenas o modelo de sucesso mercadológico americano, mas um pouco, 
também, do modelo de sucesso social de nossos índios. Concluindo, o ser humano pode produzir uma 
sociedade mais justa, se conseguir por meio do debate, da exposição de conteúdos culturais cada vez 
mais diversificados e da reflexão coletiva, chegar às soluções menos etnocêntricas e mais originais. 
A globalização pode nos oferecer ferramentas para esse tipo de conduta. Os povos tradicionais da 
América Latina, da África, da Ásia e da Europa têm muito mais a oferecer à humanidade do que pratos 
exóticos e danças admiráveis. Existe uma sabedoria acumulada por séculos e séculos de culturas que 
são ricas para todos nós.
Atualmente, muitas pessoas estão abertas a esse tipo de atitude. Muitas vezes começa com 
oportunidades de exploração de nichos de mercado, como oferecer uma culinária exótica ou espetáculos 
artísticos tradicionais. Mas isso pode ser aproveitado, também, de forma a sensibilizar as pessoas a 
desenvolverem atitudes que respeitem a diversidade cultural, que agucem a curiosidade de conhecimento 
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dos outros povos, e que defenda a preservação dessa diversidade. Afinal, a cultura é algo que está o 
tempo todo em transformação. 
Inclusão social deve ser um conceito não apenas de políticas que possibilitem educação, acesso 
às tecnologias e qualificação profissional para todos, mas, também, de políticas do mercado e das 
estratégias de consumo. Desenvolvimento de produtos baseados em tradições e necessidades locais, 
valorização da estética e dos valores locais e aproveitamento dos recursos comunicativos locais são 
apenas alguns exemplos de como o mundo da produção, das organizações, da publicidade e do mercado 
podem promover inclusão e respeito à diversidade cultural.
8.2 Identidade cultural em tempos de globalização 
Com o fenômeno da globalização, que coloca num ritmo acelerado de contato um grande número 
de culturas, podemos nos questionar a respeito do processo de construção das identidades culturais. 
Ainda existem identidades próprias, ou somos resultado de um grande e flexível mercado global?
Para começar essa reflexão, é interessante pontuar algumas características da globalização, cujos 
fenômenos culturais são denominados na antropologia de “pós-modernidade”. Essa época está sendo 
caracterizada por um fenômeno original em relação às identidades culturais, pois até a modernidade, 
antes da globalização, as culturas eram mais enraizadas, faziam parte da história de um povo e de um 
lugar. Agora, em tempos de globalização e pós-modernidade, os símbolos de muitas culturas migram 
por meio do mercado, do turismo, da aceleração do contato mundial.
A globalização pode permitir a emergência de novas formas de identificação coletiva, as 
quais, por não mais se definirem em função de um pertencimento territorial, ou de uma tradição 
imemorial, mas em função de questões de relevância global, se subtraem às exigências de lealdade 
tradicional ou de atuação localizada. 
(Burity, Joanildo A. Globalização e identidade: desafios do multiculturalismo.
Disponível em: <http://www.fundaj.gov.br/geral/textos%20online/ciencia%20politica/jburity02.pdf>)
O termo “desenraizamento” cultural significa falar de uma cultura, com seus hábitos, símbolos e 
identidades coletivas, que deixa de ter um único território e se “desenraiza” para levar suas influências 
para muitas outras culturas que participam do processo de globalização.
Portanto, hoje em dia, não é apenas a influência do “jeito de ser” americano que pode atingir pessoas 
do mundo inteiro com o cinema ou os produtos que vendem. Mesmo culturas antes desconhecidas têm 
seus símbolos e hábitos “migrando” por todo o mundo, porque estes estão desenraizados. Isso mudou 
nossa forma de julgar a diversidade cultural.
Vamos compreender melhor. Antes da globalização, as culturas rotuladas de “atrasadas” eram 
submetidas aos símbolos das culturas dominantes, na tentativa de incorporar uma identidade de 
“avançados”, “evoluídos”. Os “povos atrasados” tinham, necessariamente, que “imitar” ou seguir as 
culturas tidas como mais avançadas.
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 Assim, havia uma “mão única” de influência cultural. Era questão de status se parecer e se comportar 
como um europeu ou um norte-americano. Eles levavam seus símbolos e costumes para os países sob 
sua influência, e isso era considerado sinal de progresso, avanço e modernidade.
Agora, a diferença é que esse tipo de procedimento tem uma “mão dupla”. Em tempos de pós-
modernidade, os europeus e norte-americanos passam a utilizar símbolos e costumes de culturas 
tradicionais, sem que isso fosse considerado sinal de “atraso” ou “esquisitice”. 
Vamos pensar em alguns exemplos: a indumentária africana tradicional passou a ser valorizada 
como artigo “étnico” por grifes bem posicionadas no mercado. Os objetos de artesanato dos índios sul-
americanos ou dos orientais passaram a ser disputados por decoradores e lojas voltadas a um público 
consumidor de alto poder aquisitivo em países da Europae nos Estados Unidos. O hábito de comer peixe 
cru, o famoso sushi, passou a fazer parte do cotidiano de pessoas do mundo todo, bem como a culinária 
chinesa, que se tornou rede de fast food.
Antes da globalização, isto seria considerado sinal de mau gosto, esquisitice ou falta de adequação 
aos padrões “normais”. A pós-modernidade trouxe a possibilidade da migração dos símbolos culturais, de 
sua utilização em novos e originais contextos, provocando seu desenraizamento.
Vamos comparar agora:
Até a Modernidade, Pré-Globalização:
Um povo Uma cultura
Um lugar
Características da identidade cultural:
• Baseada na tradição local, enraizamento.
• Os indivíduos possuem um único modelo de socialização-endoculturação.
• Transformações em ritmo lento, decorrente da valorização das tradições locais.
• A cultura se desenvolve em um território geograficamente delimitado, real.
• A cultura se desenvolve como resultado da interação de um povo.
Após a Globalização, Pós-Modernidade:
Um povo 
real, muitos 
povos 
virtuais
Muitas 
culturas
Um lugar 
real, lugares 
virtuais
Características da identidade cultural:
• Baseada na velocidade de transformação, desenraizamento.
• Os indivíduos possuem muitos modelos de socialização-endoculturação através 
dos meios de comunicação.
• Transformações em ritmo acelerado, decorrente da valorização das “novidades”, 
ou seja, das mudanças.
• A cultura se desenvolve em dois tipos de territórios, o real, geograficamente 
delimitado, e o virtual, que é o mundo do consumo e das comunicações 
interativas como a Internet e os celulares.
• A cultura se desenvolve como resultado da interação de vários povos.
• Os indivíduos são produtos de muitas influências, como uma bricolagem 
(aqueles trabalhos manuais que utilizamos materiais procedentes de diferentes 
recursos para compor uma coisa original).
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Em tempos de globalização, todos os lugares estão se comunicando culturalmente e mutuamente, e 
os símbolos culturais flutuam livremente em lugares virtuais, como o mercado e os objetos de consumo 
e as comunicações virtuais não presenciais e interativas.
Em função disso, podemos observar alguns fenômenos, com, por exemplo, os símbolos. 
Antes da pós-modernidade, apenas as pessoas que tivessem uma motocicleta Harley Davidson 
se interessavam em utilizar essa logomarca ou toda a estética de motociclista que foi 
culturalmente construída em torno desse produto. Atualmente, essa marca se transformou 
em símbolo de liberdade e forma de expressão, sendo incorporada e utilizada por pessoas que, 
sequer, possuem uma motocicleta, e, muito menos, uma Harley. A estética do motociclista, 
ou suas partes, estão presentes em vários grupos e podem ser usados apenas como recurso 
visual. 
O mesmo ocorre com os automóveis que antes eram meramente utilitários, os chamados off road. 
Desenvolvidos inicialmente para servirem as tarefas do campo ou os militares, foram, a princípio, 
incorporados por esportistas. Em tempos de globalização, pessoas que sequer se interessam em dirigir 
em estradas de terra, e, muito menos, são esportistas, militares ou trabalhadores do campo, consomem 
avidamente esses veículos para expressar status, identidade ou, simplesmente, para se sentirem 
“diferentes”.
Você pode perceber como símbolos e coisas se unem? Um não existe sem o outro. Estamos vivendo, 
atualmente, fenômenos que ainda prometem uma infinidade de manifestações culturais em função do 
desenraizamento simbólico.
Muitos autores veem no desenraizamento cultural uma ameaça às certezas humanas, que antes 
tinham seus territórios onde fincavam suas raízes.
A importação de modelos globais, em todas as dimensões da vida humana, pulveriza 
a dimensão simbólica de forma violenta, transformando os modos de produção, 
os hábitos, os valores etc., promovendo um desenraizamento cultural, gerando um 
mundo de incertezas e de riscos produzidos, o qual se desdobra na perda da liberdade 
e da identidade humana.
(Andrade, Angela; Bosi, Maria Lúcia M. Mídia e subjetividade: impacto no comportamento alimentar feminino. Rev. Nutr. 
Campinas, jan./mar., 2003. Disponível em <http://www.scielo.br/pdf/rn/v16n1/a11v16n1.pdf>, acesso em 05 de novembro de 
2010)
Podemos dizer que na pós-modernidade as tradições sumiram? Não, elas se transformaram 
em espetáculos de mídia e turísticos, e muitas foram revividas e retomadas após um longo 
abandono e falta de valorização. Atualmente, as tradições são mais respeitadas, pois já não 
significam “coisa de gente atrasada”. Ao mesmo tempo, os símbolos, que antes eram apenas 
tradicionais, estão migrando por todas as partes, perdendo seu significado original. A 
antropologia, como ciência, não se preocupa em julgar se isto é “bom” ou “ruim”. Cabe, sim, 
uma reflexão sobre o novo papel da cultura em nossas vidas como cidadãos, profissionais e 
pessoas comuns.
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Comentando a questão da importância da diversidade cultural e o relativismo em tempos de 
globalização (nota-se que o autor usa o termo mundialização), Renato Ortiz defende que:
Dizer que as culturas são um “patrimônio da humanidade” significa considerar a diversidade 
enquanto valor universal. Todos devemos cultivá-la e respeitá-la. A crítica ao etnocentrismo, 
assimilada, na maioria das vezes, à dominação ocidental, somente pode ser validada quando 
se manifesta como algo que transcende a província de cada cultura, de cada identidade. 
É isso que nos permite dizer: “as culturas 
minoritárias correm o risco de desaparecer, por isso, 
necessitamos preservá-las”; “as culturas precisam 
ser consideradas nos contextos aos quais elas 
pertencem”; “precisamos valorizar todas as facetas 
da memória coletiva da humanidade”; “o respeito 
a todas as culturas é um direito de reconhecimento 
à diferença”. Há nessa operação semântica uma 
redefinição do que seria impensável nos marcos 
anteriores: o diverso torna-se um bem comum. 
(Ortiz, Renato. Revista Brasileira de Educação, v. 
12, n. 34, jan./abr. 2007)
Saiba mais
A globalização e o contato com a imensa diversidade cultural trouxe a necessidade de respostas 
para o relacionamento humano em todos os níveis. Ética, política, negócios, comunicação e crenças 
são alguns exemplos possíveis de ordens de nossa existência que são afetadas por esse contato.
As pesquisas que têm sido desenvolvidas sobre o mundo dos negócios e sua administração 
seguem esse exemplo.
Atualmente, questiona-se até mesmo as metodologias de pesquisa desenvolvidas em países 
de capitalismo avançado que, quando aplicadas em outras realidades socioculturais, deixam como 
resultado conclusões que induzem a pensar, por exemplo, que os japoneses ou os chineses não são 
éticos.
Abaixo, você pode ler um trecho da conclusão de um trabalho científico que propõe a necessidade 
de que se desenvolvam métodos de pesquisas adequados às realidades culturais locais, para que não 
se crie mais preconceitos.
Por isso um processo, uma norma ou uma atitude não pode ser considerada como justa 
ou injusta sem uma criteriosa análise da cultura ou culturas envolvidas no processo de 
definição de justiça.
O que ocorre com elevada frequência é que uma escala é construída para medir constructos 
como “comprometimento” ou “ética”, baseados em um contexto norte-americano, medindo
Leitura complementar:
Tessarotto, Thaís de O. “Novos 
horizontes antropológicos: indivíduo, 
cultura e globalização”, CAOS, Revista 
Eletrônica de Ciências Sociais, nº 07, 
setembro de 2004. 
Texto eletrônico disponível em: 
<http: / /www.cchla .ufpb.br /caos/
thaisoliveira.pdf>
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o que acreditam que seja ética, ou comprometimento, ou qualquer outro conceito na 
visão do país de origem, e, posteriormente, passa pelos procedimentos de “adaptação 
cultural” e é aplicada, por exemplo, em um contexto chinês ou japonês. O resultado 
da pesquisa? Têm como conclusão que os chineses e japoneses são pouco éticos, 
utilizam favorecimento arbitrário, procedimentos e regras não “justas” etc. (...)
Isso acontece, pois, embora se reconheça que existem tais diferenças culturais, 
não se utiliza destes conceitos ao aplicar pesquisas e analisar resultados como se 
tais diferenças não existissem e os conceitos fossem os mesmos em toda parte do 
mundo (...).
Considerando estas dificuldades e limitações dos instrumentos utilizados, precisa-se 
considerar a utilização de metodologias alternativas de pesquisa (...).
Em um processo complexo como este, podemos verificar que valores como a verdade, o bem 
e o mal, a justiça, o comprometimento, a lealdade e a ética não são conceitos absolutos, 
dependendo de como cada cultura entende o que é desejável e o que é inaceitável em 
termos de comportamento de seus membros, e tais diferenças devem ser levadas em 
consideração na análise e utilização de dados e pesquisas que tenham como objetivo 
realmente entender o conceito em um contexto estrangeiro e não só replicar estudos 
realizados nos países dominantes.
(Almeida, Gustavo de Oliveira; Zouain, Deborah M. Culture Free a valores específicos: a importância do contexto cultural na 
gestão internacional. Artigo apresentado ao SEGeT (Simpósio de Excelência em Gestão e Tecnologia), disponível em: http://www.
aedb.br/seget/artigos09/453_453_artigo-GI.pdf, acesso em 11 de dezembro de 2010)
Síntese
A globalização tem como um dos resultados mais importantes, a intensa aproximação entre as 
diferentes culturas de todo o mundo.
Essa aproximação afeta a todos, tanto países mais desenvolvidos e dominantes desse processo, 
quanto países mais frágeis que precisam se adaptar à nova ordem mundial.
A intensificação desse contato tem promovido a necessidade de uma compreensão sobre a diversidade 
menos baseada em preconceitos e no etnocentrismo, e mais amadurecida e aberta às novas soluções.
Surgem novas formas de identidade cultural, que são fortemente influenciadas pela diversidade e 
que exigem uma mentalidade baseada em novos valores mais inclusivos e democráticos.
Em nosso cotidiano, seja no âmbito doméstico, como no mundo do trabalho, das relações de amizade, 
na educação ou ainda na produção de conhecimento, o tema da diversidade e das novas formas de 
relacionamento estão em pauta. 
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EXERCÍCIOS
1) Uma característica marcante das sociedades globalizadas é o “desenraizamento” cultural. Sobre 
esse conceito, é correto afirmar que:
a) O que está em processo de desenraizamento, atualmente, é a aparência social, capaz de atribuir 
status aos indivíduos; por isso, elementos culturais como o vestuário e os artigos de consumo são 
retirados de seu contexto original.
b) Desenraizamento significa que os referenciais culturais estão sem raízes em seus lugares de 
origem e, sendo apropriados por muitas culturas, eles, ganham novos significados.
c) Faz parte de uma estratégia de mercado para aumentar o consumo de itens de beleza e 
tecnologia.
d) Podemos observar que o desenraizamento tem promovido perdas culturais, pois os símbolos são 
retirados de seu local de origem, perdendo qualquer significado.
e) É uma característica das sociedades onde os indivíduos não têm mais nenhuma referência 
cultural, “emprestando” ou importando hábitos e formas de comportamento para criar uma 
identidade social.
2) Sobre o processo de globalização que afeta a maior parte das sociedades atualmente, é correto 
afirmar que:
a) É um processo que pode ser associado apenas aos aspectos culturais das sociedades 
contemporâneas, e está pouco presente nas sociedades tradicionais.
b) A globalização é um fenômeno político, pois pode ser claramente percebido como estratégia de 
dominação de uma única cultura sobre todas as outras.
c) Globalizar significa transformar o tradicional em exótico e o moderno em moda.
d) É um processo que atinge as esferas da economia, da política, da tecnologia, do mercado e da 
cultura; por causa da intensificação da circulação de pessoas, bens e ideias ela se faz presente nas 
mais diferentes sociedades.
e) Atinge apenas as sociedades mais pobres, que não têm interesse em manter as tradições.
3) O(s) elemento(s) que compõe(m) a globalização da cultura, permitindo que seus produtos sejam 
cada vez mais universalizados é(são):
a) A indústria cultural que se tornou global através da mídia televisiva, jornalística, do cinema 
e das gravadoras musicais; a comunicação promove mundialmente novos valores que são 
fortalecidos, como o respeito universal pela diversidade cultural e pela autonomia dos 
povos.
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b) O crescimento do relativismo cultural, que defende que as culturas que não se globalizaram 
não devem ser respeitadas em seus valores.
c) O comércio de produtos tradicionais e locais que passam a ser mais valorizados que os industrializados 
na economia mundializada.
d) A mundialização da dimensão econômica voltada para a necessidade de remodelarmos o mercado, 
tornando-o menos agressivo com as pequenas economias.
e) As trocas, o uso do mercado financeiro e a moda.
4) A globalização interfere na identidade cultural que os indivíduos constroem atualmente. A esse 
respeito, assinale a alternativa correta.
a) As identidades culturais são afetadas pela globalização, pois existe uma única cultura mundial de 
referência para todos os povos atualmente, que é a cultura norte-americana.
b) O processo de globalização só interfere nas identidades culturais dos povos considerados mais 
primitivos, pois os povos mais avançados já se globalizaram.
c) Como existe um desenraizamento cultural não há mais uma única referência territorial para 
as raízes de uma cultura; assim, os indivíduos têm muitos referenciais simbólicos de diferentes 
culturas para compor suas identidades.
d) Com o desenraizamento cultural, as tradições deixaram de existir, e as identidades culturais 
deixaram de ser afetadas pela globalização.
e) Todas as culturas estão sendo mais influenciadas pelos padrões de culturas consideradas 
exóticas e primitivas, pois na globalização esses povos ganharam mais espaço na mídia e na 
moda.
Resolução dos exercícios
1) 
b) Desenraizamento significa que os referenciais culturais estão sem raízes em seus lugares de origem 
e sendo apropriados por muitas culturas eles ganham novos significados.
2) 
d) É um processo que atinge as esferas da economia, da política, da tecnologia, do mercado e da 
cultura; por causa da intensificação da circulação de pessoas, bens e ideias ela se faz presente nas 
mais diferentes sociedades.
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3) 
a) A indústria cultural que se tornou global através da mídia televisiva, jornalística, do cinema 
e das gravadoras musicais; a comunicação promove mundialmente novos valores que são 
fortalecidos, como o respeito universal pela diversidade cultural e pela autonomia dos 
povos.
4) 
c) Como existe um desenraizamento cultural não há mais uma única referência territorial para 
as raízes de uma cultura; assim, os indivíduos têm muitos referenciais simbólicos de diferentes 
culturas para compor suasidentidades.
Referências bibliográficas
CLASTRES, P. A sociedade contra o Estado. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1990.
FORACCHI, M.; MARTINS, J. S. Sociologia e sociedade. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos, 
1977.
GEERTZ, Clifford. A interpretação das Culturas. Rio de Janeiro: LTC. 1989.
GOMES, M. P. Antropologia. São Paulo: Contexto, 2009.
GUERRIERO, Silas. Antropos e psique – o outro e sua subjetividade, São Paulo: Olho d´Água, 2004.
LARAIA, Roque de Barros. Cultura – um conceito antropológico, Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2006.
MAUSS, M. Sociologia e antropologia. São Paulo: Cosac Naify, 2005.
REIS, Letícia V. S. O mundo de pernas para o ar: a capoeira no Brasil. São Paulo: Publisher Brasil, 1997.
ROCHA, Everardo. O que é etnocentrismo, São Paulo: Brasiliense, 1998.
SANTOS, José L. O que é cultura. São Paulo: Brasiliense, 1983.
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