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ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL SECRETARIA DA SEGURANÇA PÚBLICA BRIGADA MILITAR EsFES MONTENEGRO CBFPM/2016-2017 TAREFA DE ESTUDO: ANÁLISE DA VIABILIDADE DE SUBSTITUIÇÃO DO CALIBRE .40 S&W PELO CALIBRE 9MM NAS POLICIAS MILITARES AL SD GLAUBER, AL SD GERSON, AL SD MEDEIROS, AL SD MOTTA, AL SD QUADROS 5º PELOTÃO EsFES-Mn 2017 ANÁLISE DA VIABILIDADE DE SUBSTITUIÇÃO DO CALIBRE .40 S&W PELO CALIBRE 9MM NAS POLICIAS MILITARES. Al Sd Glauber, Al Sd Gerson, Al Sd Quadros, Al Sd Motta, Al Sd Medeiros RESUMO: O presente trabalho tem por propósito a elaboração de um paper, requisito obrigatório para complementação da nota da Tarefa de Estudo, na disciplina de Uso Diferenciado da Força e da Arma de Fogo. Tendo como objetivo mensurar as características e especificidades do calibre .40S&W e do calibre 9mm, e pôr seguinte fazer a análise da viabilidade de substituição do calibre .40 S&W pelo calibre 9mm nas Policias Militares. Conclui-se então que não é viável fazer essa transição de calibres, visto que ambos os calibres têm características balísticas bem próximas, e o calibre .40S&W já faz parte da atividade policial, sendo o mesmo de todas as pistolas usadas pela Brigada Militar. Outro ponto positivo desse calibre é tanto usado em pistolas como também em submetralhadoras, a exemplo disso é o caso da submetralhadora Taurus, calibre .40 S&W, diversificando dessa forma sua empregabilidade. Palavras Chave: Calibre .40 S&W. Calibre 9mm.Policias Militares. 1 INTRODUÇÃO A Polícia Militar é o órgão que tem como missão constitucional a preservação da ordem pública e a polícia ostensiva. As Policiais militares, no intuito de cumprirem seus deveres, possuem diversos poderes conferidos pelo Estado, dentre eles destacamos o poder de polícia. O poder de polícia administrativa relaciona-se ao controle exercido pelo Estado aos interesses, direitos e atividades individuais, em benefício da coletividade ou do próprio Estado. Desta forma, apresenta como características específicas e peculiares ao seu exercício, dentre outras, a coercibilidade. Por meio de tal característica, é permitido ao agente público utilizar-se da força para o cumprimento de um ato de polícia. Há inúmeros instrumentos legais que norteiam e balizam a faculdade do uso da força pelas autoridades da aplicação da lei. Esses instrumentos devem serem aplicados respeitando os princípios de aplicação da força, quais sejam: legalidade, necessidade, proporcionalidade e conveniência. A maioria das ocorrências policiais são sanadas por meio da verbalização e aplicação de instrumentos menos letais, entretanto, é ingenuidade, achar que o policial, em sua atividade, nunca fará uso da força letal. Contudo, poderá haver situações extremas em que a agressão sofrida pelo policial somente poderá ser neutralizada por intermédio do emprego da força letal, e para efetivar esta reação é necessário que o policial tenha em mãos uma arma com calibre de melhor stoping power (poder de parada), ou seja, o poder que um calibre de arma de fogo possui para pôr fora de combate um oponente atingido com um único disparo, e preferencialmente sem necessidade de matá-lo. Partindo desse pressuposto, o presente paper tem por objetivo mensurar as características e especificidades do calibre 9mm e do calibre .40 S&W, o primeiro é exclusivo das Forças Armadas e da Polícia Federal, enquanto o segundo é restrito as Policias Militares, tendo em contraponto chegar há uma análise da viabilidade de substituição do calibre .40 S&W pelo calibre 9mm nas Policias Militares. 1.1 JUSTIFICATICAS No Brasil, a Polícia Militar, é responsável pelo exercício da polícia ostensiva e da preservação da ordem pública. Para atingir tais objetivos, os agentes públicos utilizam-se do poder de polícia, conferido pelo Estado. Dentre um dos atributos deste poder de polícia encontra-se a coercitividade, que permite o uso da força pelo policial militar quando no objetivo de garantir a preservação da ordem pública. Partindo desse pressuposto, busca-se saber se é a viável substituir o calibre .40S&W pelo calibre 9mm para as atividades de policiamento ostensivo no âmbito das Policias Militares. 1.2 OBJETIVOS 1.2.1 Geral Mensurar as características e especificidades do calibre 9mm e do calibre .40 S&W. 1.2.2 Específicos Estudar a viabilidade de substituição do calibre .40 S&W pelo calibre 9mm nas Policias Militares. 1.3 METODOLOGIA DA PESQUISA Utilizou-se a pesquisa bibliográfica e documental. Segundo Markoni e Lakatos (2006) a pesquisa documental caracteriza-se pela fonte de coleta de dados estar restrita a documentos, escritos ou não, chamados fontes primárias. O método utilizado foi o dedutivo, que segundo Fachin (2001, p. 30), se caracteriza por ser um "[...] procedimento do raciocínio que, a partir de uma análise de dados gerais, se encaminha para noções particulares". Diferencia-se do método indutivo, pois deste se obtém uma conclusão a partir de suas proposições, dos aspectos particulares para os aspectos gerais. 1.4 REFERENCIAL TEÓRICO 1.4.1 O PAPEL DESEMPENHADO PELAS POLÍCIAS MILITARES 1.4.1.1 MISSÃO CONSTITUCIONAL DAS POLÍCIAS MILITARES Com o advento da Constituição do Brasil de 1988 (BRASIL, 1988), as Polícias Militares passaram a ser um dos órgãos responsáveis pela segurança pública, tendo como competência constitucional a polícia ostensiva e a preservação da ordem pública. Art. 144 - A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos seguintes órgãos: I - polícia federal; II - polícia rodoviária federal; III - polícia ferroviária federal; IV - polícias civis; V - polícias militares e corpos de bombeiros militares. [...] § 5º - às polícias militares cabem a polícia ostensiva e a preservação da ordem pública; aos corpos de bombeiros militares, além das atribuições definidas em lei, incumbe a execução de atividades de defesa civil. (BRASIL, 1988). Em consonância com a Constituição Federal de 1988, a Constituição do Estado do Rio Grande do Sul, em seu art. 129, traz o seguinte: Art. 129. À Brigada Militar, dirigida pelo Comandante-Geral, oficial do quadro da Polícia Militar, do último posto da carreira, de livre escolha, nomeação e exoneração pelo Governador do Estado, incumbem a polícia ostensiva, a preservação da ordem pública, a guarda externa dos presídios e a polícia judiciária militar. (RIO GRANDE DO SUL, 1989). Percebe-se que tanto a Constituição do Brasil quanto a Constituição do Estado do Rio Grande do Sul, assinalam como competências da Polícia Militar a polícia ostensiva e a preservação da ordem pública. 1.4.2 PODER DE POLÍCIA Segundo Meirelles (2003, p. 127), o poder de polícia é conceituado como sendo “[...] a faculdade de que dispõe a Administração Pública para condicionar e restringir o uso e gozo de bens, atividades e direitos individuais, em benefício da coletividade ou do próprio Estado”. O conceito legal de Poder de Polícia está contido no Código Tributário Nacional, Lei nº 5.172, de 25.10.1966, que em texto do Art. 78 dispõe de forma ampla e explicativa: Art. 78 - Considera-se poder de polícia a atividade da administração pública que, limitando ou disciplinando direito, interesse ou liberdade, regula a prática de ato ou abstenção de fato, em razão de interesse público concernente à segurança, à higiene, à ordem, aos costumes, à disciplina da produção e do mercado, ao exercício de atividades econômicas dependentes de concessão ou autorização do Poder Público, à tranqüilidade pública ou ao respeito à propriedade e aos direitos individuais ou coletivos. Em análise legal, ambos conceitos trazem como elementares a privação do direito ou liberdade individual,em razão do interesse coletivo e público. 2 DESENVOLVIMENTO Para fazer a análise da viabilidade de substituição dos calibres citados anteriormente, devemos antes discorrer sobre as características e especificidades dos calibres .40S&W e 9mm. A Tabela 1 mostra as características e especificidades dos calibres .40S&W e 9mm, de acordo com a marca e projétil empregado: Tabela 1: CAL. M/ T C/ P V/S (fps) E/S (ft. lbs.) P/Gel 10% TMI % P/ 1º DISP. CANO TEST. .40S &W Glaser Blue 105gr.Fr ag 1449 490 6″ 5.34 seg. 91%est. 4″ S&W .40S &W Cor-Bon 135gr.J HP 1300 507 9.8″ n/a 96% 4″ S&W .40S &W MagSafe Defender +P 84gr.Fra g> 1800 n/a 13″ n/a 91% 4″ S&W .40S &W Federal Hydra- Shok 180gr.J HP 950 361 15″ 8.32 seg. 89% 4″ S&W .40S &W Federal Hydra- Shok 155gr.J HP 1140 448 13.3″ n/a 94% 4″ S&W .40S &W Rem.Golden Saber 165gr.J HP 1150 485 12″ n/a 94% 4″ S&W .40S &W Remington 155gr.J HP 1140 447 n/a 8.40 seg. 86%est. 4″ S&W 9×19 Glaser Blue 80gr.Fra g. 1555 430 6″ 7.42 seg. 94%est. 4″ S&W 9×19 Cor-Bon +P 115gr.J HP 1321 454 14.2″ 8.92 seg. 91% 4″ Glock 9×19 MagSafe Stealth +P 64gr.Fra g. 1950 461 10″ 4.74 seg. 90%est. 4.25″ SIG 9×19 Winchester 115gr.S THP 1225 383 8″ n/a 83% n/a 9×19 Rem.Golden Saber+P 124gr.J HP 1180 384 12″ n/a 83% n/a 9×19 Remington +P 115gr.J HP 1288 399 12.7″ 8.98 seg. 89% 4″ S&W 9×19 Federal 115gr.J HP 1175 341 14.5″ 9.36 seg. 81% 4″ S&W Fonte: Instituto Defesa, adaptado pelo autor. A Tabela 2 refere-se as siglas usadas na Tabela 1: Tabela 2 SIGLA SIGNIFICADO CAL. Calibre M/ T Marca e Tipo C/ P Carga e Projétil. V/S (fps) Velocidade de saída do projétil. E/S (ft. lbs.) Energia saída do projétil. P/Gel 10% Penetração em gel 10%. TMI Experimento europeu realizado com bodes. % P/ 1º DISP Porcentagem de parada no primeiro disparo. Fonte: Autor. A Tabela 3 mostra a média de “stoping power” dos calibres .40S&W e 9mm, em concordância com os dados da Tabela 1: Tabela 3: CAL. Média de parada 1º disparo .40S&W 91,57 9×19 87,28 Fonte: Instituto Defesa, adaptado pelo autor. Conforme os dados da Tabela 1, a penetração em gel 10% de ambos os calibres, e de acordo com as melhores munições empregadas, são suficientes para penetrar profundo o suficiente dentro do corpo para alcançar os grandes órgãos vitais, ou seja, coração, pulmões, da aorta, a veia cava e a um menor grau fígado e baço, de modo a provocar hemorragia rápida. Existe uma tese de profissionais médicos especialistas em avaliação de feridas causadas por projéteis balísticos, que a penetração ideal para o alcance dos órgãos vitais deve ser no mínimo de 12 polegadas, dependendo do tamanho do indivíduo e o ângulo da trajetória da munição. A Figura 1 a seguir vai mostrar o nível de penetração e dano causado no corpo humano ao ser transfixado por um projétil expelido por uma arma calibre 9mm e uma arma calibre .40S&W. (Handgun Wounding Factors and Effectiveness: Firearms Training Unit, Ballistic Research Facility, 1989.) Figura 1: Fonte: Instrutor de Tiro, adaptado pelo autor. Conforme a Figura 1, ambos os calibres atingiram 12 polegadas de penetração, ou seja, foram capazes de atingir os órgãos vitais do ser humano. Porém, o calibre .40S&W em relação ao calibre 9mm causa um maior poder de dilatação no corpo humano. Tendo como base o TMI, exposto na Tabela 1, o tempo máximo de incapacitação do calibre .40 e do calibre 9 mm foi de 8,40 seg. e 9,36 seg., e mínimo 5,34 seg. e 4,74 seg. respectivamente. Desta forma, ambos os calibres tem um poder de parada semelhantes, e tudo depende da munição mais adequada em relação a distância que for efetuar o disparo. De acordo com a Tabela 3, a média de “stoping power” do calibre .40S&W sobrepõe ao calibre 9mm, com 91,57 e 87,28 respectivamente. Todavia, o poder de parada é um dado extremamente duvidoso, o qual depende de cada situação, de cada atirador e de cada agressor. Pois envolve diversos fatores, como o estado mental, porte físico, região do corpo que foi atingida pelo projétil e http://3.bp.blogspot.com/-o6WyA8XcDz4/ViUDlKPVNaI/AAAAAAAAAGA/7pJjtSrSnuM/s1600/compara%C3%A7%C3%B5es.jpg http://3.bp.blogspot.com/-o6WyA8XcDz4/ViUDlKPVNaI/AAAAAAAAAGA/7pJjtSrSnuM/s1600/compara%C3%A7%C3%B5es.jpg inúmeras outras variáveis que tornam esse dado quase que irrelevante para uma análise mais concreta. Além da análise desses fatores, a escolha de calibre deve levar em conta a sua aversão ao recuo, precisão, peso, capacidade, facilidade de achar a munição (para poder praticar), custo, emprego em sua filosofia de uso. No quesito recuo, o calibre .40 perde para o calibre 9mm. E isso tem que ser levado em consideração, pois aversão ao recuo é um dos principais fatores que impedem um atirador em colocar disparos rápidos e precisos em um alvo. A precisão é pessoal, pois cada um atira melhor com um calibre diferente. Esse item é o mais importante de todos, pois é o que define se o agressor vai parar só com um único disparo. Contudo, um bom treinamento, prática, sangue frio, agressividade, e todo o resto do conjunto de habilidades necessárias para entrar em combate, é o principal fator em questão, e não exclusivamente a escolha do calibre a ser empregado. Definições correspondentes as nomenclaturas da Tabela 1: “Calibre” é o nome comum para o cartucho testado; “Marca / Tipo” é a marca da munição testada; “Carga / Projétil” é o peso (em grains) e a configuração do projétil (JHP, por exemplo, significa Jacketed Hollow Point. “Penetração (gel 10%)” é a penetração medida do projétil quando disparado contra um bloco de gelatina balística padronizada, que é usada para simular pele e carne. “TMI (bodes de Estramburgo)” refere-se a um famoso experimento europeu onde um grande número de bodes de tamanho e capacidade vascular parecidas com a de um humano foram baleados no peito com uma grande variedade de munições e o “Tempo médio de incapacitação” (em segundos) foi medido entre o momento do disparo e o momento em que o animal entrou em colapso (caiu incapacitado); “Percentual de parada no primeiro disparo” é o percentual das vezes em que um único disparo é suficiente para deter uma pessoa, sendo estes dados coletados dos registros policiais por Marshall e Sanow; “Tamanho do cano” refere-se ao tamanho do cano da arma utilizada. A Tabela 4 relata os tipos de projéteis e suas características, em concordância com a Tabela 1: Tabela 4: Nome Descrição RN / LRN – (Lead) Round Nose RNL – Round Nose Lead Ponta arredondada HP / LHP – (Lead) Hollow Point Ponta oca (munição expansiva) TCHP – Truncated Cone Hollow Point Ponta oca e cone truncado JHP – Jacketed Hollow Point Ponta oca jaquetada – Possui camada de cobre revestindo o chumbo na parte externa. Dentro da ponta oca, não há cobre. Ex. Pt. – Expansion Point Ponta expansiva. FMJ – Full Metal Jacket Projétil de chumbo completamente coberto com cobre. Frag – Pré-Fragmented Projétil é um envólucro para pequenos fragmentos de chumbo. Ao atingir o alvo, os fragmentos se espalham. STHP – Silvertip Hollow Point Apesar do nome, não há o metal “prata” nesta munição. É apenas o nome comercial de um tipo de munição da Winchester, caracterizada pela cor prateada. SJHP – Semi Jacketed Hollow Point Projétil de ponta oca semi-jaquetado. A “jaqueta” de cobre só é aplicada em parte da superfície do projétil, sendo a ponta dele de chumbo. LSWC- Lead Semiwad Cutter Projétil com a ponta achatada e com “ombro” sobressaltado (canto vivo). Fonte: Instituto Defesa. 3 CONSIDERAÇÕES FINAIS Contudo, não é muito propício para as Policias Militares optarempela substituição do calibre .40S&W pelo calibre 9mm, devido ao fato de terem características e especificidades bem próximas e depender totalmente de uma boa prática e treinamento por parte do atirador, pois o que realmente vai cessar a agressão do inimigo é o local transfixado no corpo humano pelo projétil, já que ambos calibres têm poder de penetração acima de 12 polegadas de acordo com o projétil usado e sua finalidade. Outra particularidade é que o calibre .40S&W foi desenvolvido especificamente para a atividade policial e é o mesmo de todas as pistolas usadas pela Brigada Militar. Essa particularidade é uma vantagem econômica, e uso do mesmo tipo de munição representa facilidade logística e economia na administração do mesmo calibre. Além de usado em pistolas, esse calibre também é usado em submetralhadoras, como é o caso da Submetralhadora Taurus, calibre .40 S&W, fabricada pela Empresa Gaúcha Taurus, diversificando dessa forma sua empregabilidade. Portanto, fica inviável a substituição do calibre .40S&W pelo calibre 9mm, além do que já foi explanado anteriormente, as Instituições Militares iriam necessitar de uma gama de recursos financeiros para poder realizar essa transição de calibres. REFERÊNCIAS BIBLIGRÁFICAS Código Tributário Nacional: atualizado até 31.12.2001. 7. ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Revista dos Tribunais , 2002, p. 265. Constituição da República Federativa do Brasil, de 5 de outubro de 1988. 6. ed. atual. até 31.01.2005. São Paulo: RT, 2005. FACHIN, Odília. Fundamentos de Metodologia. 3ª edição. São Paulo: Saraiva, 2001. 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