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1 Circulação Interna PSICOMOTRICIDADE MANUAL BÁSICO Aládia Cristina Rosa Grispe 2 APRESENTAÇÃO Este material tem como objetivo principal, entender a história e a origem no Brasil da psicomotricidade, seu conceito, evolução, etapas, vertentes, contribuições dos autores, para o reconhecimento da Psicomotriciade, atividades e formas de avaliação, para serem utilizados e inseridos no cotidiano escolar, entender a sua importância no desenvolvimento infantil. Procurando apresentar, a partir de uma perspectiva histórica, uma breve narrativa do desenvolvimento da Psicomotricidade e alguns de seus principais autores. Constata-se através do discurso destes autores e das diversas instituições mencionadas, que não há um conceito único e, sim, olhares plurais sobre a Psicomotricidade. Tais olhares encontram-se fundamentados em pressupostos teóricos comuns e onde se cruzam contribuições científicas vindas da filosofia, psicologia, psicanálise, psiquiatria, biologia, neurologia, pedagogia. A Psicomotricidade é apresentada, assim, como uma ciência que pretende transformar o corpo em um instrumento de relação e expressão com o outro, através do movimento dirigido ao ser em sua totalidade, em seus aspectos motores, emocionais, afetivos, intelectuais e sociais. Considerando o homem como único, em constante evolução e essencialmente um ser interativo, o movimento corporal, como abordado pela Psicomotricidade, facilita Seu acesso ao funcionamento psíquico normal otimizado (FONSECA, 1988). A história do saber da psicomotricidade representa já um século de esforço de ação e de pensamento. A sua cientificidade na era da cibernética e da informática, vai-nos permitir certamente, ir mais longe da descrição das relações mútuas e recíprocas da convivência do corpo com o psíquico. Esta intimidade filogenética e ontogenética representam o triunfo evolutivo da espécie humana, um longo passado de vários milhões de anos de psicomotoras. (FONSECA, 1988, p. 99.) Bom estudo a todos! Biblioteca online- sem valor comercial. Proibida a venda e a reprodução. 3 Sumário UNIDADE 1.............................................................................................................................7 1. HISTÓRIA DA PSICOMOTRICIDADE.................................................................................7 1.1. O SURGIMENTO DA PSICOMOTRICADADE E A CONTRIBUIÇÃO DOS ESCRITORES...................................................................................................................7 1.2. PSICOMOTRICIDADE NO BRASIL................................................................9 1.3. CONCEITO DE PSICOMOTRICIDADE ........................................................11 Atividade de conclusão da Unidade 1 ..............................................................................14 UNIDADE 2...........................................................................................................................16 2. A IMPORTÂNCIA DA PISCOMOTRICIDADE NA EDUCAÇÃO INFANTIL.............................16 2.1 COMO DESENVOLVER AS CAPACIDADES PSICOMOTORAS ................18 2.2 EXEMPLOS DE EXERCÍCIOS PSICOMOTORES: .......................................22 Atividade de conclusão da Unidade 2:.............................................................................27 UNIDADE 3...........................................................................................................................28 3. VERTENTES DA PSICOMOTRICIDADE............................................................................28 3.1 AS PRINCIPAIS VERTENTES DA PSICOMOTRICIDADE ..........................28 3.2 REEDUCAÇÃO PSICOMOTORA..................................................................29 3.3 TERAPIA PSICOMOTORA............................................................................31 3.4 EDUCAÇÃO PSICOMOTORA.......................................................................33 3.4.1 Psicomotricidade Funcional .............................................................................34 3.4.2 Psicomotricidade Relacional ............................................................................36 Atividade de conclusão da Unidade 3 ..............................................................................41 UNIDADE 4...........................................................................................................................42 4. ETAPAS DA PSICOMOTRICIDADE..................................................................................42 4.1 COORDENAÇÃO GLOBAL ..........................................................................42 4.2 COORDENAÇÃO FINA E ÓCULO-MANUAL..............................................43 4.3 ESQUEMA CORPORAL ................................................................................43 4.3.1. Perturbações do esquema corporal....................................................................45 4.4 LATERALIDADE ...........................................................................................46 4.1 HEREDITARIEDADE ....................................................................................48 4.2 HIPOTÉSE DA DOMINÂNCIA CEREBRAL.................................................48 4.3 INFLUÊNCIA DO MEIO PSICOSOCIAL E EDUCACIONAL.......................48 4.4 ESTRUTURAÇÃO ESPACIAL ......................................................................48 4.4.1. Definição de estruturação espacial....................................................................48 4 4.4.2. Desenvolvimento da Estruturação Espacial ......................................................49 4.4.3. Dificuldades na estruturação espacial ...............................................................51 4.5 ESTRUTURAÇÃO TEMPORAL ....................................................................53 4.5.1. Importância da Estruturação Temporal .............................................................54 4.5.2. Etapas da Estruturação Temporal .....................................................................54 4.5.3. Principais Conceitos Que As Crianças Devem Adquirir ....................................55 4.6 DIFICULDADES EM ESTRUTURAÇÃO TEMPORAL.................................57 Atividades Avaliativas .....................................................................................................64 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .....................................................................................62 5 FICHA TÉCNICA DO MÓDULO: Psicomotricidade manual básico. EMENTA: As bases teóricas da Psicomotricidade sua história e a colaboração no processo de ensino aprendizagem. As atividades motoras instrumentos para avaliar as capacidades motoras, coordenação motora, fina e grossa e orientação espacial e temporal. A psicomotricidade em seu movimento dinâmico. O cérebro na Aprendizagem. A Psicomotricidade e Educação: contribuições de Wallon, Piaget e Le Boulch e vários outros autores que discutem e defendem a psicomotricidade, suas vertentes. As bases do desenvolvimento psicomotor. OBJETIVOS: · Conhecer os aspectos históricos e conceituais da Psicomotricidade · Refletir sobre a importância do estudo da psicomotricidade e a contribuição de vários autores na trajetória da psicomotricidade como eixo de desenvolvimento infantil · Conhecer as vertentes e as etapas da psicomotricidade, com o objetivo de ampliar o conhecimento e colocar em prática, sabendo onde e como aplicá-las. METODOLOGIA: Será conduta de trabalho aplicar questões teóricas à prática, bem como resgatar a experiência educacional dos alunos na atuação na Educação Infantil. Além disso, será possibilitado ao aluno o contato com teóricos que defendem o Psicomotricidade como uma área importante no desenvolvimento da criança, como um todo, de modo a romper com a visão brincar por brincar e que movimento só nas aulas de Educação Física. Serãopropostos textos para leitura e vídeos sobre as temáticas; e/ou bibliográfica e a resolução de exercícios ao final de cada unidade. “A criança responde às impressões que as coisas lhe causam com gestos dirigidos a elas”; Biblioteca online- sem valor comercial. Proibida a venda e a reprodução. 6 “O indivíduo é social não como resultado de circunstâncias externas, mas em virtude de uma necessidade interna”. Henri Wallon A psicomotricidade tem sua origem no termo grego “psyché”,que significa alma, e no verbo latino “moto” que significa“mover” frequentemente, agitar fortemente. Negrine BIBLIOGRAFIA BÁSICA: FONSECA, V. Psicomotricidade, psicologia e pedagogia. São Paulo: Martins Fontes, 1993. __________, Psicomotricidade, perspectivas multidisciplinares. Porto Alegre: Artmed, 2004. LE BOULCH J. O desenvolvimento psicomotor de 0 a 6 anos. Porto Alegre: Artmed, 1982. WALLON, H. A evolução psicológica da criança. Lisboa: Edições 70,2005. BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR: FREIRE, João Batista. Educação de corpo inteiro: Teoria e prática da Educação física. São Paulo: Scipione, 1997. LAPIEERE, André. A Educação psicomotora na escola maternal. São Paulo: Manole, 1986. LE BOULCH, Jean. O desenvolvimento psicomotor: Do nascimento aos 6 anos.Porto Alegre:Artes Médicas,1982. LEVIN, Esteban. A clínica psicomotora: O corpo na linguagem. Petrópolis: Vozes, 2000. OLIVEIRA, Gislene de Campos. Psicomotricidade: Educação e reeducação num enfoque psicopedagógico. 9 ed. Petrópolis: Vozes, 2004. 7 UNIDADE 1 1. HISTÓRIA DA PSICOMOTRICIDADE 1.1. O SURGIMENTO DA PSICOMOTRICADADE E A CONTRIBUIÇÃO DOS ESCRITORES. Ao dar início a um estudo sobre a Psicomotricidade, é de grande importância expor alguns aspectos que permitam a elaboração de um referencial histórico sobre o assunto, com muita clareza e sucintamente, para não se tornar exastusivo. Historicamente o termo "Psicomotricidade" aparece a partir do discurso médico, mais precisamente neurológico, quando foi necessário, no início do século XIX, nomear as zonas do córtex cerebral situadas mais além das regiões motoras. Só no século XIX o corpo começa a ser estudado, em primeiro lugar, por neurologistas, por necessidade de compreensão das estruturas cerebrais, e posteriormente por psiquiatras, para a classificação de fatores patológicos. É justamente a partir da necessidade médica de encontrar uma área que explique certos fenômenos clínicos que se nomeia, pela primeira vez, a palavra PSICOMOTRICIDADE, no ano de 1870. No século XIX, com o desenvolvimento e as descobertas da neurofisiologia, é possível constatar que há diferentes disfunções graves sem que o cérebro esteja lesionado ou sem que a lesão esteja localizada claramente. Biblioteca online- sem valor comercial. Proibida a venda e a reprodução. 8 E Dupré, neurologista francês que, em 1907, a partir de seus estudos clínicos, que define a síndrome da debilidade motora, composta de sincinesias (movimentos involuntários que acompanham uma ação), paratomias (incapacidade para relaxar voluntariamente uma musculatura) e inabilidades, sem que lhes sejam atribuídos danos ou lesão extrapiramidal. Henry Wallon (1879-1962), médico, psicólogo e pedagogo, é provavelmente, o grande pioneiro da psicomotricidade, vista como campo científico. Segundo Fonseca (1988), forneceu observações definitivas acerca de desenvolvimento neurológico do recém- nascido e da evolução psicomotora da criança. Wallon diz que “o movimento é a única expressão e o primeiro instrumento do psiquismo”. O movimento (ação), pensamento e linguagem são unidades inseparáveis. O movimento é o pensamento em ato, e o pensamento é o movimento sem ato. Piaget (1896-1980) foi um dos autores que mais estudou as inter-relações entre a psicomotricidade e a percepção, através de ampla experimentação. Descreve a importância do período sensório-motor e da motricidade principalmente antes da aquisição da linguagem, no desenvolvimento da inteligência. O desenvolvimento mental se constrói, paulatinamente. É uma equilibração progressiva, uma passagem contínua, de um estado de menor equilíbrio para um estado de equilíbrio superior. A inteligência, portanto, é uma adaptação ao meio ambiente. Para que isso possa ocorrer, é necessário, inicialmente, a manipulação dos objetos do meio com a modificação dos reflexos primários ( OLIVEIRA, 2007,p.31). Em 1947-1948 Ajuriaguerra e Datkine (apud FONSECA,1988) provocaram uma mudança na história da psicomotricidade e redefiniram o conceito de debilidade motora considerando-a como uma síndrome de propriedades particulares. Na década de 70, devido à influência dos trabalhos de Wallon, surgem os trabalhos na educação psicomotora, por Le Boulch, que desde 1966, em seu livro “A Educação pelo Movimento”, tinha como objetivo inicial sensibilizar os professores do primeiro grau, quanto ao problema da educação psicomotora na escola, pois era um contexto desfavorável à pedagogia da época, centrada na aquisição das “Habilidades Escolares de Base”. Somaram-se a estes os trabalhos de L. Pick, P. Vayer, André Lapierre, Bernard Auconturier, Defontaine, J. C. Coste e outros que percebiam nesse momento a educação psicomotora, enquanto maneira original de ajudar a criança inadaptada a desenvolver suas potencialidades e ter acesso ao mundo escolar. Os autores trouxeram conhecimentos e soluções inspiradas na psicologia genética, a qual evidencia que a criança desenvolve o conhecimento de si mesma e do mundo que a cerca através de sua ação. Com estas novas contribuições, a psicomotricidade diferencia-se de outras disciplinas adquirindo sua própria especificidade e autonomia. Sendo assim a psicomotricidade incorporam em suas construções teóricas vários conceitos psicanalíticos, tais como inconsciente, transferência, imagem corporal, 9 sublimação e outros, formando um esboço de uma teoria psicanalítica de psicomotricidade. Ainda em 1974, Delia de Vitadoro imprime o que viria a ser o único número do caderno de terapia psicomotora (número especial da Sociedade Internacional de Terapia Psicomotora para a língua espanhola). Por volta de 1975, na Argentina, Lydia F. De Coriat propõe, por escrito, às autoridades educativas, a necessidade da existência da carreira de psicomotricidade na Universidade de Buenos Aires. Le Camus em 1986 comenta a permissão de Ajuriaguerra, afirmando os grandes eixos de psicomotricidade dos tempos modernos: coordenação estático-dinâmica e óculo- manual; organização espacial e temporal da gestualidade instrumental; estrutura do esquema corporal, afirmação da lateralidade e domínio tônico. Afirma também, que Ajuriaguerra procurou caracterizar distúrbios psicomotores de síndromes psicomotoras que não correspondem a uma lesão focal, com as que provocam as síndromes neurológicas clássicas, mas, sem, certas formas de debilidades psicomotoras, inibições psicomotoras, certas faltas de destreza de origem emocional ou devido à desordem da caracterização, dispraxias, tiques, gagueira e outras formas de desorganização. Nesta época dá-se uma nova definição a psicomotricidade: “uma motricidade em relação”, o que no pensamento de Levin (1995) é onde se opera uma passagem no enfoque do olhar do psicomotricista, não mais voltado ao plano motor, mas direcionado a um corpo em movimento. Sendo assim, não se trata mais de uma reeducação, mas de uma terapia psicomotora, que se ocupa, observa e opera num corpo em movimento que se desloca e que constrói a realidade, à medida que se emociona e cuja emoção manifesta-se tonicamente. 1.2. PSICOMOTRICIDADE NO BRASIL A Psicomotricidade no Brasil foi norteada pela escola francesa. Durante as primeiras décadas do século XX, época da primeira guerra mundial, quando as mulheres adentraram firmemente no trabalho formal enquanto suas crianças ficavam nas creches, a escola francesa também influenciou mundialmente a psiquiatria infantil,a psicologia e a pedagogia. No Brasil, a história da psicomotricidade vem acontecendo de maneira semelhante à história mundial. Os primeiros documentos registram seu nascimento na década de 50, quando Gruspun, psiquiatra da infância, e Lefévre, neurologista, enfatizaram o movimento para os processos terapêuticos da criança excepcional, caracterizando distúrbios psiconeurológicos. Gruspun mencionava atividades psicomotoras indicadas no tratamento de distúrbios de aprendizagem. De acordo com a Sociedade Brasileira de Psicomotricidade (SBP) em Porto Alegre/RS foi criado serviço de Educação Especial, dentro da Secretaria de Educação do Estado, 10 dirigido por Rosat, psicóloga, inserindo no atendimento a Ortopedia mental e a Educação Física para os excepcionais. Posteriormente, inúmeros outros pesquisadores realizaram importantes estudos que se refletem até os dias atuais, no âmbito da psimotricidade. Foram muito significativos os trabalhos de Claparède, Monterssori, Shilder, Gesell, Wallon, Piaget, Désobeau, Ajuriaguerra e outros autores, alguns de publicações mais recentes. Cabe ressaltar as obras de alguns desses autores, que tanto contribuíram para os estudos e reconhecimento da importância da Psicomotricidade como um campo tão importante na Educação. Em 1925, Henry Wallon, médico psicólogo, é provavelmente o grande pioneiro da psicomotricidade, pois se ocupa do movimento humano dando-lhe uma categoria fundante como instrumento na construção do psiquismo. Wallon integrou ao lado de Piaget e de determinados psicanalistas seguidores de Freud, a escola mais representativa da chamada Psicologia Genética. Esta diferença permite a Wallon relacionar o movimento ao afeto, à emoção, ao meio ambiente e aos hábitos do indivíduo. As primeiras pesquisas que dão origem ao campo psicomotor correspondem a um enfoque eminentemente neurológico. No campo patológico destaca-se a figura de Dupré (1909), neuropsiquiatra, de fundamental importância para o âmbito psicomotor, já que é ele quem afirma a independência da debilidade motora (antecedente do sintoma psicomotor, para ele, o movimento é a única expressão, e o primeiro instrumento do psiquismo, e que o desenvolvimento psicológico da criança é o resultado da oposição e substituição de atividades que precedem umas as outras). Através do conceito do esquema corporal, introduz, provavelmente, dados neurológicos nas suas concepções psicológicas, motivo esse que o distingue de outro grande vulto da psicologia, Piaget, que muito influenciou também a teoria e prática da psicomotricidade. Wallon refere-se ao esquema corporal não como uma unidade biológica ou psíquica, mas como a construção, elemento de base para o desenvolvimento da personalidade da criança. Ele dedicou especial atenção ao estudo da função tônica da musculatura e sua relação coma esfera emocional, identificou um tipo de simbiose que denominou “afetiva” e que sucede à simbiose fisiológica primária entre a criança e a mãe, dando origem ao que chamou “diálogo tônico- emocional”, onde sorrisos, sinais de contentamento, choro etc. são significativas expressões gestuais afetivas. Considera-se que a partir de 1968, foi realmente difundida a psicomotricidade no Brasil, através de cursos e cadeiras de psicomotricidade em universidades de diversos estados brasileiros. A princípio, a psicomotricidade foi introduzida nas escolas especializadas como um recurso pedagógico que visava corrigir distúrbios e preencher lacunas de desenvolvimento das crianças excepcionais. Na década de 70 a Psicomotricidade, que já tinha sido introduzida no Brasil através dos profissionais que traziam informações da Europa, desde o final da década de 1960, 11 aparece definitivamente. As práticas se voltavam para a 'Reeducação' e 'Educação' Psicomotora. Em 1976, com a estada de Françoise Désobeau, introduziu-se uma nova ótica, denominada 'Terapia Psicomotora'que propunha a substituição das técnicas instrumentais por atividades livres, valorizando o jogo e o brincar. Em 1980 é fundada a Sociedade Brasileira de Psicomotricidade, com apoio de Françoise Désobeau, presidente da Sociedade Internacional de Terapia Psicomotora, nesta época. Com os variados encontros e congressos, a SBP proporcionou a disseminação da Psicomotricidade e o surgimento de um curso de graduação em vários cursos de pós – graduação. Em 19 de abril de 1980 é fundada a Sociedade Brasileira de Psicomotricidade, tendo como presidente Beatriz do Rego Saboya com a participação de Françoise Desobeau, tendo conseguido, ser integrada a Sociedade Internacional de Psicomotricidade, que era sediada em Paris/França. Entidade de caráter científico cultural sem fins lucrativos, promovendo congressos, encontros científicos, cursos, entre outros. Já em 1982, a Sociedade Brasileira de Psicomotricidade (SBP), organiza seu primeiro congresso no Rio de Janeiro. Em abril de 2012, na XXXVI AGOE da Sociedade Brasileira de Psicomotricidade (SBP), foi instituído o Dia do Psicomotricista no Brasil, 19 de abril, data da fundação da SBP. A partir dessa época começaram a surgir às primeiras publicações brasileiras na área da psicomotricidade. Inicialmente, foram publicados os Anais do referido congresso e mais tarde, as monografias apresentadas à Sociedade, o primeiro exemplar do IPERA e a revista Corpo e Linguagem, dirigida por Sônia Pereira Nunes. Em 1983, acontece o curso de Pós Graduação em Psicomotricidade, na Universidade Estácio de Sá e no Instituto Brasileiro de Medicina de Reabilitação IBMR, ambos na cidade do Rio de Janeiro. Vários Congressos ocorreram no Brasil promovido pela Sociedade Brasileira de Psicomotricidade abordando diversos temas, sendo o mais recente o X Congresso com o tema “Interfaces da Psicomotricidade”, em 2007, realizado em Fortaleza/CE. SBP, (1999). Atualmente, a Sociedade Brasileira de Psicomotricidade vem empreendendo esforços para que os profissionais que atuam com essa abordagem caminhem de forma séria e estruturada. Para a Sociedade Brasileira de Psicomotricidade, esta é definida como “uma ciência que tem por objetivo o estudo do homem por meio do seu corpo em movimento, nas relações com seu mundo interno e externo”. 1.3. CONCEITO DE PSICOMOTRICIDADE Psicomotricidade é o estudo da influência do movimento sobre o desenvolvimento do ser humano. Em outras palavras, é através do movimento que as pessoas transmitem emoções, sentimentos, comunicam suas descobertas e criações. Sendo assim, a http://pt.wikipedia.org/wiki/19_de_abril 12 Psicomotricidade é concebida como uma ciência que contém conceitos teóricos e aplicações práticas de várias ciências, que convergem seus interesses no estudo do movimento com o objetivo de dar qualidade de vida ao ser humano. O conceito de psicomotricidade é mais visível do ponto de vista do desenvolvimento infantil, pois as crianças aprendem muito através do movimento, do toque, do observar e tentar fazer. Toda vez que agimos, ocorre um complexo planejamento neural prévio, ou seja, para coordenarmos qualquer movimento precisamos antes de tudo aprender, para depois automatizar. Nos dias atuais, a Psicomotricidade foi elevada ao nível de ciência, pois possui crescente importância nos trabalhos que se relacionam com o desenvolvimento infantil, tanto na fase pré- escolar, como posteriormente. Por se tratar da relação entre o homem, seu corpo e o meio físico e sociocultural no qual convive, a Psicomotricidade é fundamentada e estudada por amplo conjunto de campos científicos, onde se pode destacar a Neurofisiologia, a Psiquiatria, a Psicologia e a Educação, imprimindo cada uma dessas áreas enfoques que lhes são específicos. Embora a origem da Psicomotricidade esteja vinculada ao campo da Medicina, a partir de inúmeros estudos neste século, surgiu uma concepção cientificamente respaldada, pela qual o movimento não pode ser tratado sobe um prisma puramente anatômico e mecanicista.Embora de fundamental importância no diagnóstico de inúmeras perturbações das funções nervosas, os mecanismos dos sistemas piramidal, extrapiramidal e cerebelar não são suficientes para responder pela completa execução de movimentos e por vários distúrbios psicomotores. É muito importante termos uma gama de conceitos sobre a Psimotricidade, diante disso, encontramos várias definições para a Psicomotricidade. Cada autor expõe o seu olhar para defini-la, a ISPE-GAE e a SBP definem respectivamente a Psicomotricidade e o emprego de seu termo como: “Psicomotricidade é uma neurociência que transforma o pensamento em ato motor harmônico. É a sintonia fina que coordena e organiza as ações gerenciadas pelo cérebro e as manifesta em conhecimento e aprendizado”. É uma ciência terapêutica adotada na Europa há mais de 60 anos, principalmente na França, que instituiu o primeiro curso universitário de Psicomotricidade em 1963 (ISPE-GAE, 2007). “Psicomotricidade, portanto, é um termo empregado para uma concepção de movimento organizado e integrado, em função das experiências vividas pelo sujeito cuja ação é resultante de sua individualidade, sua linguagem e sua socialização” (SBP, 2003). “A Psicomotricidade se conceitua como” ciência da Saúde e da Educação, pois indiferente das diversas escolas, psicológicas, condutistas, evolutistas, http://www.bbel.com.br/ 13 genéticas, etc. ela visa à representação e a expressão motora, através da utilização psíquica e mental do indivíduo (AJURIAGUERRA apud ISPE-GAE, 2007). “É a ciência que tem como objeto de estudo o homem, por meio do seu corpo em movimento, e em relação ao seu mundo interno e externo bem como suas possibilidades de perceber, atuar e agir com o outro, com os objetos e com sigo mesmo” (SOCIEDADE BRASILEIRA DE PSICOMOTRICIDADE 1999). Já Fonseca afirma que se deve tentar evitar uma análise desse tipo para não cair no erro de enxergar dois componentes distintos: o psíquico e o motor, pois ambos são o mesmo (FONSECA apud OLIVEIRA, 2001). A psicomotricidade para Fonseca não é exclusiva de um novo método ou de uma “escola” ou de uma “corrente” de pensamento, nem constitui uma técnica, um processo, mas visa fins educativos pelo emprego do movimento humano (ibidem, 2001). Além disso, a forma como o sujeito se expressa com o corpo traduz sua disposição ou sua indisposição nas relações com coisas ou pessoas. Esse aspecto psicológico, muito importante, ajuda-nos a identificar melhor certas perturbações devidas a fatores afetivos. Chama também nossa atenção para a possibilidade de melhorar a vida social e afetiva das crianças, tornando precisas suas noções corporais e fazendo com que adquiram gestos precisos e adequados (DE MEUR e STAUS, 1991, p.10). Para se conhecer mais sobre a opinião e a história de vida, dos escritores entre neste site e veja as contribuições e suas definições mais detalhadas: http://www.ispegae-oipr.com.br/ http://www.ispegae-oipr.com.br/ 14 Atividade de conclusão da Unidade 1 1) Em que momento da história, a psicomotricidade passa a contribuir para que as crianças desenvolvam suas potencialidades? ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ 2) Em sua opinião, qual dos autores e pesquisadores se destaca no estudo da psicomotricidade. E por quê? ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ 3) A partir do pensamento de Levin (1995), foi dada uma nova definição a psicomotricidade. Por que deu se essa mudança? ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ 4) A Psicomotricidade teve seu início no Brasil, a partir de que momento na história e onde ela foi difundida? ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ 5) A partir de tantos conceitos sobre a Psicomotricidade, como você a definiria e sua importância no cotidiano escolar? ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ 15 ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ 6) Psicomotricidade é estudada por que campos científicos e quais são eles? ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ 7) Qual a opinião de Fonseca sobre a Psicomotricidade? ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ 16 UNIDADE 2 2. A IMPORTÂNCIA DA PISCOMOTRICIDADE NA EDUCAÇÃO INFANTIL É de suma importância salientar que o movimento é a primeira manifestação na vida do ser humano, pois desde a vida intrauterina realizamos movimentos com o nosso corpo, no qual vão se estruturando e exercendo enormes influências no comportamento. A partir deste conceito e através da nossa prática no contexto escolar, consideramos que a psicomotricidade é um instrumento riquíssimo que nos auxilia a promover preventivos e de intervenção, proporcionando resultados satisfatórios em situações de dificuldades no processo de ensino-aprendizagem. Segundo Assunção & Coelho (1997, p.108) a psicomotricidade é a “educação do movimento com atuação sobre o intelecto, numa relação entre pensamento e ação, englobando funções neurofisiológicas e psíquicas”. Além disso, possui uma dupla finalidade: “assegurar o desenvolvimento funcional, tendo em conta as possibilidades da criança, e ajudar sua afetividade a se expandir e equilibrar-se, através do intercâmbio com o ambiente humano”. Os movimentos expressam o que sentimos nossos pensamentos e atitudes que muitas vezes estão arquivadas em nosso inconsciente. Estruturas o corpo com uma atitude positiva de si mesma e dos outros, a fim de preservar a eficiência física e psicológica, desenvolvendo o esquema corporal e apresentando uma variedade de movimentos. Através da ação sobre o meio físico com o meio social e da interação como ambiente social, processa-se o desenvolvimento e a aprendizagem do ser humano. É um processo complexo, em que a combinação de fatores biológicos, psicológicos e sociais, produz nele transformações qualitativas. Para tanto desenvolvimento envolve aprendizagem de vários tipos, expandindoe aprofundando a experiência individual. Biblioteca online- sem valor comercial. Proibida a venda e a reprodução. 17 O professor deve estar sempre atento às etapas do desenvolvimento do aluno, colocando-se na posição de facilitador da aprendizagem e calcando seu trabalho no respeito mútuo, na confiança e no afeto. Ele deverá estabelecer com seus alunos uma relação de ajuda, atento para as atitudes de quem ajuda e para a percepção de quem é ajudado. Diante disso, percebe-se a importância do trabalho da psicomotricidade no processo de ensino-aprendizagem, pois a mesma está intimamente ligada aos aspectos afetivos com a motricidade, com o simbólico e o cognitivo. De acordo com Assunção & Coelho (1997, p 108) a psicomotrocidade integra várias técnicas com as quais se pode trabalhar o corpo (todas as suas partes), relacionando-o com a afetividade, o pensamento e o nível de inteligência. Ela enfoca a unidade da educação dos movimentos, ao mesmo tempo em que põem em jogo as funções intelectuais. As primeiras evidências de um desenvolvimento mental normal são manifestações puramente motoras. Diante desta visão, as atividades motoras desempenham na vida da criança um papel importantíssimo, em muitas das suas primeiras iniciativas intelectuais. Enquanto explora o mundo que a rodeia com todos os órgãos dos sentidos, ela percebe também os meios como quais fará grande parte dos seus contatos sociais. Portanto, a educação psicomotora na idade escolar deve ser antes de tudo uma experiência ativa, onde a criança se confronta com o meio. A educação proveniente dos pais e do âmbito escolar, não tem a finalidade de ensinar à criança comportamentos motores, mas sim permite exercer uma função de ajustamento individual ou em grupo. As atividades desenvolvidas no grupo favorecem a integração e a socialização das crianças com o grupo, portanto propicia o desenvolvimento tanto psíquico como motor. Os movimentos, as expressões, os gestos corporais, bem como suas possibilidades de utilização (danças, jogos, esportes...), recebem um destaque especial em nosso desenvolvimento fisiológico e psicológico. Com base neste contexto, percebemos a importância das atividades motoras na educação, pois elas contribuem para o desenvolvimento global das crianças. Entretanto, as crianças passam por fases diferentes uma das outras e cada fase exige atividades propicias para cada determinada faixa etária. A psicomotricidade precisa ser vista com bons olhos pelo profissional da educação, pois ela vem auxiliar o desenvolvimento motor e intelectual do aluno, sendo que o corpo e a mente são elementos integrados da sua formação. Assista aos vídeos intitulados, Psicomotricidade Unidade 1 e unidade 2. Você consegue acesso a ele por meio do link: http://www.youtube.com/watch?v=7ygkAzx7_EI&hd=1, http://www.youtube.com/watch?v=Z_tRz2rLOVU&hd=1 http://www.youtube.com/watch?v=7ygkAzx7_EI&hd=1 18 Em seguida, reflita sobre alguns questionamentos apresentados e observe as explicações, que serão muito interessantes para a utilização no seu cotidiano escolar. Registre suas conclusões a seguir: ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ 2.1 COMO DESENVOLVER AS CAPACIDADES PSICOMOTORAS As crianças nos proporcionam inúmeros momentos de diversão e através destes momentos, aproveitamos para observarmos e explorarmos tudo que for possível, para favorecer no processo de aprendizagem, pois a brincadeira e as atividades lúdicas são de suma importância para inserirmos os primeiros passos da alfabetização e a socialização com o grupo. A Psicomotricidade contribui de maneira expressiva para a formação e estruturação do esquema corporal e tem como objetivo principal incentivar a prática do movimento em todas as etapas da vida de uma criança. Por meio das atividades, as crianças, além de se divertirem, criam, interpretam e se relacionam com o mundo em que vivem. Por isso, cada vez mais os educadores recomendam que os jogos e as brincadeiras ocupem um lugar de destaque no programa escolar desde a Educação Infantil. A Psicomotricidade nada mais é que se relacionar através da ação, como um meio de tomada de consciência que une o ser corpo, o ser mente o ser espírito, o ser natureza e o ser sociedade. A Psicomotricidade está associada à afetividade e à personalidade, porque o indivíduo utiliza seu corpo para demonstrar o que sente. Vitor da Fonseca (1988) comenta que a "PSICOMOTRICIDADE" é atualmente concebida como a integração superior da motricidade, produto de uma relação inteligível entre a criança e o meio. Na Educação Infantil, a criança busca experiências em seu próprio corpo, formando conceitos e organizando o esquema corporal. A abordagem da Psicomotricidade irá permitir a compreensão da forma como a criança toma consciência do seu corpo e das possibilidades de se expressar por meio desse corpo, localizando-se no tempo e no 19 espaço. O movimento humano é construído em função de um objetivo. A partir de uma intenção como expressividade íntima, o movimento transforma-se em comportamento significante. É necessário que toda criança passe por todas as etapas em seu desenvolvimento. O trabalho da educação psicomotora com as crianças deve prever a formação de base indispensável em seu desenvolvimento motor, afetivo e psicológico, dando oportunidade para que por meio de jogos, de atividades lúdicas, se conscientize sobre seu corpo. Através da recreação a criança desenvolve suas aptidões perceptivas como meio de ajustamento do comportamento psicomotor. Para que a criança desenvolva o controle mental de sua expressão motora, a recreação deve realizar atividades considerando seus níveis de maturação biológica. A recreação dirigida proporciona a aprendizagem das crianças em várias atividades esportivas que ajudam na conservação da saúde física, mental e no equilíbrio sócio-afetivo. Segundo Barreto (2000), “O desenvolvimento psicomotor é de suma importância na prevenção de problemas da aprendizagem e na reeducação do tônus, da postura, da direcional idade, da lateralidade e do ritmo”. A educação da criança deve evidenciar a relação através do movimento de seu próprio corpo, levando em consideração sua idade, a cultura corporal e os seus interesses. A educação psicomotora para ser trabalhada necessita que sejam utilizadas as funções motoras, perceptivas, afetivas e sócio-motoras, pois assim a criança explora o ambiente, passa por experiências concretas, indispensáveis ao seu desenvolvimento intelectual, e é capaz de tomar consciência de si mesma e do mundo que a cerca. O jogo é uma atividade criativa, pois permitem à criança viver e reviver, ativamente as situações dolorosas que viveu passivamente, modificando os enlaces dolorosos e ensaiando na brincadeira as suas experiências da realidade (FREUD, 1976 Vol. XVII 1917, p. 159). Constitui-se numa importante via de acesso ao saber. No jogo se faz próprio o conhecimento que é do outro, construindo o saber. Conforme aponta Fernandes (1990, p.165), “não pode haver construção do saber se não se joga com o conhecimento”, pois o saber é a incorporação do conhecimento numa construção pessoal relacionada com o fazer. Piaget (1998,p.58) afirma que o jogo simbólico, que surge ao redor dos 2 anos permite à criança assimilar o mundo à medida do seu, deformando-o para atender os seus desejos e fantasias. Afirma também que o jogo tem uma evolução, começando com exercícios funcionais (correr, saltar, jogar bolinha, etc.) e seguidos pelos jogos simbólicos (imitar, dramatizar). Aparecem depois os jogos de construção, que vão aproximando-se cada vez mais do modelo, e os jogos de regras, introduzidos à lógica operatória. Como observa Paín (1986, p. 50) o exercício de todas as funções semióticas que supõe a atividade lúdica possibilita uma aprendizagem adequada, na medida em que através dela que se constroem os códigos simbólicos e dos sinais e se processam os paradigmas do 20 conhecimento conceitual, ao se possibilitar através da fantasia e do tratamento de cada objeto nas suas múltiplas circunstância possíveis. Do ponto de vista afetivo, considera-se que os jogos infantis reproduzem situações psíquicas estruturantes na constituição do eu. Podemos criar, por exemplo, os jogos de esconder-aparecer, que é muito apreciado pelas crianças num determinado momento de suas vidas. Esses jogos significariam a expressão do primeiro vínculo, ou seja, o vínculo mãe-filho, e a descoberta pela criança da mãe como objeto de amor separado de si. Os jogos orais como “as brincadeiras de fazer comidinha”, também muito apreciados pelas crianças, na perspectiva psicanalítica, simbolizam as possibilidades internalizadas de dar e receber amor. Um cenário simbólico em relação à alimentação é construído a partir da forma como são vivenciadas as questões da oralidade. Estrutura-se, então, uma modalidade de incorporação. Remetendo-se às questões de aprendizagem, o que temos é uma relação entre a modalidade de incorporação e o processo de aprendizagem. Já vimos que aprender pressupõe a construção do saber e que esta por sua vez, demanda a incorporação do conhecimento. A atribuição simbólica pessoal de significado ao processo de aprendizagem vai recorrer como o faz o sonho, aos restos diurnos, a um reservatório de cenas em movimento que tem a ver com a alimentação: movimento de incorporação, receber, mastigar o alimento com prazer [...]. Além dos jogos orais, também os jogos com argila, água, areia, tinta plástica, etc., como representantes excrementícios em forma de substantivos socialmente aceitos; os jogos com bonecas e animais como expressão da fantasia da criança sobre a relação dos pais e os jogos com veículos simbolizando as fantasias de penetração e representando a forma de controle pulsional fornecem ao psicopedagogo elementos de análise. Todos esses jogos tomados como referência ao campo da aprendizagem dizem de como a criança aprende, que coisas aprendem qual o significado do aprender, como ela se defende do objeto do conhecimento e que operações mentais utilizam no jogo. Fernández, ao propor a hora do jogo psicopedagógico como estratégia para compreender os processos que podem ter levado à estruturação de uma patologia no aprender, afirma que tal atividade possibilita o “desenvolvimento e posterior análise das significações do aprender para a criança” (1990, p.171), além de permitir, conforme aponta Paín (1986), conhecer a aptidão da criança para criar, refletir, organizar, integrar. Quatro aspectos fundamentais da aprendizagem podem ser extraídos da observação do jogo: “distância de objeto, capacidade de inventário; função simbólica, adequação significante-significado; organização, construção de sequência; integração, esquemas de assimilação” (1986, p.54). A psicopedagogia utiliza-se do jogo como estratégia de intervenção e é muito importante mencionar os elementos de intervenção que essa atividade nos oferece, já que é a maneira de nos assegurarmos da eficiência dos procedimentos adotados. 21 Além disso, o efeito terapêutico está implícito no próprio ato de jogar e, mais precisamente, na interpretação do psicopedagogo, quando este, devidamente preparado, pode inferir o sentido latente que se mostra no jogo, pois ele funciona como uma via de expressão metonímica do desejo. Portanto, em todas as circunstâncias em que é indicada a intervenção psicopedagógica, é importante que o psicopedagogo possa jogar o jogo da criança, sem, no entanto perder de vista o seu compromisso com a aprendizagem e lembrando que toda relação do sujeito com o mundo, depois que deixa de ser consequência de um reflexo, demanda aprendizagem. “O meu corpo fala. O seu corpo fala. Ambos se comunicam e se relacionam, especialmente ao nascer, mediante a linguagem corporal”. Noêmia A. Lourenço Segue anexo um vídeo, intitulado, Psicomotricidade de 0 a 6 anos, com algumas atividades motoras, a sua visualização é mera forma de aquisição de conhecimento. http://www.youtube.com/watch?v=psU9gOuIbRk http://www.youtube.com/watch?v=psU9gOuIbRk 22 Ao assistir o vídeo reflita sobre alguns questionamentos apresentados explicações, que e registre suas conclusões a seguir: ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ É pela motricidade e pela visão que a criança descobre o mundo dos objetos e é manipulando-os que ela redescobre o mundo; porém, esta descoberta a partir dos objetos só será verdadeiramente frutífera quando a criança for capaz de segurar e de largar, quando ela tiver adquirido a noção de distância entre ela e o objeto que ela manipula, quando o objeto não fizer mais parte de sua simples atividade corporal indiferenciada. A psicomotricidade não é exclusiva de um método, ou de uma “escola” ou de uma “corrente” de pensamento, nem constitui uma técnica, um processo, mas visa fins educativos pelo emprego do movimento humano. (AJURIAGUERRA, apud FONSECA, 1998 p.332 2.2 EXEMPLOS DE EXERCÍCIOS PSICOMOTORES: a) ANDAR 23 . Andar de lado (passos laterais) . Andar de lado (passos cruzados) . Correr com as mãos na cabeça . Correr com as mãos nos quadris . Correr com as mãos nas costas . Saltitar com 2 pés . Saltitar em um pé só . Saltitar pra frente . Saltitar pra trás . .Saltitar pra direita .Saltitar pra esquerda. b) EQUILÍBRIO . Se a criança tiver bom equilíbrio, amplia sua capacidade de concentração. . Subir escadas elevando o joelho bem alto . Passo de elefante . Andar de joelhos com as mãos no ar . Pulo do coelho (com os 2 pés e apoio das mãos no solo) . Passo de caranguejo (sentado no solo, palma das mãos para trás, elevar os quadris caminhando para frente e para trás) . Ficar na ponta dos pés de olhos abertos em cima de um banco . Ficar na ponta dos pés de olhos fechados por 10 segundos . Ficar na ponta dos pés de olhos abertos por 10 segundos . Caminhar na ponta dos pés . Agachar, abrir os braços e imitar um avião, 10 segundos de olhos abertos . Agachar, abrir os braços e imitar um avião, 10 segundos de olhos fechados . Andar na ponta dos pés com a mão na nuca . Com os calcanhares e os braços cruzados nas costas 24 . Com passos largos e mão na cintura . De lado com as mãos na cabeça . Ir de cócoras e voltar . Caminhar normalmente . Ir e voltar de costas . Ir correndo e voltar andando . Ir andando e voltar correndo . Ir saltitando com os doispés e voltar andando . Andar em câmera lenta . Andar rápido . Andar devagar c) COORDENAÇÃO ÓCULO MANUAL . Lançar bolas ou sacos de areia num balde ou caixa com abertura igual da bola . Encaixar pinos de diferentes tamanhos numa tábua com formas variadas de orifícios . Tocar a bola pendurada por um fio ou barbante . Bilboquê d) ATIVIDADES DE COSCIENTIZAÇÃO DO CORPO As crianças necessitam fazer experiências com a utilização do corpo de ambos os lados (direito e esquerdo). Para muitas crianças a diferença entre os dois lados ainda não está definido, devido a ênfase dada ao usar somente UM DOS LADOS DO CORPO. Uma vez que o corpo apresenta simetria lateral, acredita-se que ambos os lados devem ser desenvolvidos a fim de se obter o máximo de influência nos movimentos. . De olhos fechados, deitados no solo, tocar as partes do corpo citadas. Recortar várias partes do corpo e colar num caderno . Fazer experiências em frente o espelho com as partes do corpo . Usar partes do corpo no ambiente e (tocar a mesa com o nariz, a parede com as costas, o chão com o joelho, com o cotovelo...) . Deitar de barriga pra cima e fazer círculos com os pés para o alto 25 . Com uma bexiga, tocar a parte do corpo solicitada. . Recortar bonecos de papel e colocar cada um num envelope separado, pedir que arrumem de novo o boneco. e) CONSCIÊNCIA ESPACIAL . Procure ser a pessoa mais alta . Procure ser a pessoa mais baixa . Procure ser a pessoa mais magra . Procure ser uma bola . Como a bola rola? . Apontar para a parede mais distante . Apontar para parede mais próxima . Sem sair do lugar, movimentas os pés rapidamente. . Rolar como um tronco . Arrastar para frente e para trás . Rolar pra frente/trás . Caminhar ajoelhada . Brincar de combate (arrastar-se) . Andar sobre as mãos e pés (macaquinho) f) COORDENAÇÃO MOTORA FINA . Parafusos com porcas (rosquear e desrosquear) . Passar água de uma bacia pra outra com uma esponja . Massa de modelar (fazer bolas, salsichas, fazer buracos com todos os dedos) . Pegar bolas de gude ou outros objetos com um pegador de salada/macarrão . Colocar sementes ou outros objetos dentro de garrafas de refrigerante. . Com uma colher, carregar bolas de pingue pongue de um lado para outro ou apenas repassá-las de uma bacia para outra. . Abotoar e desabotoar . Abrir e fechar zíperes 26 . Jogo 60 segundos da Grow (encaixar formas geométricas em tempo determinado) . Rasgar papel com a mão . Despejar líquido de uma garrafinha no copo . Usar uma seringa para puxar água e colocar dentro de outro recipiente . Passar líquido de um copinho pra outro utilizando um conta gotas . Usando uma raquete de pingue pongue, bater a bolinha pra cima sem deixar cair. . Usando a mesma raquete e batendo a bolinha, andar devagar e rápido. Pode-se afirmar, então, que a recreação, através de atividades afetivas e psicomotoras, constitui-se num fator de equilíbrio na vida das pessoas, expresso na interação entre o espírito e o corpo, a afetividade e a energia, o indivíduo e o grupo, promovendo a totalidade do ser humano. Autor desconhecido 27 Atividade de conclusão da Unidade 2: 1) Leia: “O esquema corporal especifica o indivíduo enquanto representante da espécie, seja qual for o lugar, a época, ou as condições que vive (...) A imagem do corpo, pelo contrário, é própria de cada um: está ligada ao sujeito e à sua história” (Françoise Dolto, La imagem inconsciente Del cuerpo, Buenos Aires, Paidós, 1986. Em: Levin, Esteban. A clínica psicomotora: o corpo e a linguagem. Petrópolis, RJ: Vozes, 1995). A partir da proposição, defina “esquema corporal e imagem do corpo”. ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ 2) Psicomotricidade para que e para quem? ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ 3) Quais os benefícios dos jogos no processo de aprendizagem? ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ 4) Quais os benefícios da psicomotricidade no processo de aprendizagem e no desenvolvimento infantil? ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ 28 UNIDADE 3 3. VERTENTES DA PSICOMOTRICIDADE Atualmente existem diversas escolas de distintas vertentes na área da Psicomotricidade. A história da Psicomotricidade nos conta que, por um largo tempo, tratou o ser humano de forma fragmentada, baseada nos princípios fundamentais do dualismo cartesiano, que consistem em separar o corpo e a alma. Descartes (1999) prediz que o corpo é apenas uma coisa externa que não pensa, e que a alma, não participa de nada daquilo que pertence ao corpo. Posteriormente passou-se a considerá-lo em sua totalidade, isto é, o corpo começa a ser visto como uma unidade que expressa sentimentos e emoções que movem suas ações, essa unidade veio para nos explicar e citar quais são as vertentes e como elas podem colaborar para o nosso conhecimento, psicomotor. 3.1 AS PRINCIPAIS VERTENTES DA PSICOMOTRICIDADE Com o intuito de facilitar a compreensão das características das principais vertentes da Psicomotricidade, algumas características são analisadas e destacadas em cada uma delas. No desenvolvimento deste exercício de categorização é necessário um prévio entendimento a respeito do que cada um destes aspectos possibilita entender e que são: a) Finalidade: procuramos entender o objetivo principal das distintas vertentes, ou seja, o propósito de sua prática; b) Área de base: compreender qual área do conhecimento originou seus fundamentos, visto que a Psicomotricidade busca constantemente um fundamento teórico em outras áreas do conhecimento; Biblioteca online- sem valor comercial. Proibida a venda e a reprodução. 29 c) Autores de base: são os autores clássicos que nortearam as bases teóricas de cada vertente; d) Principais autores e obras e publicações: destacam os autores que foram destaques em suas ideias e pesquisas para as modificações e contribuições da Psicomotricidade, suas obras são referências originais para a compreensão da evolução e da dinâmica da práxis da Psicomotricidade. Outro polo de categorias analisa e descreve os aspectos práticos da Psicomotricidade, caracterizados pela influência de distintos estudos e fundamentos na Psicomotricidade que são: a relação adulto/criança; a composição dos grupos; a organização e proposição da prática; o desenvolvimento das rotinas; avaliação/acompanhamento e postura corporal diante da criança. 3.2 REEDUCAÇÃO PSICOMOTORA A vertente denominada Reeducação Psicomotora destina-se a crianças que apresentam déficit em seu funcionamento motor. Essa abordagem tem por finalidade ajudar a criança a reaprender como se executam ou se desenvolvem determinadasfunções motoras. Para isso, avalia-se o perfil psicomotor da criança, utilizando métodos que consistem na aplicação de baterias de testes psicomotores (PICQ e VAYER, 1985). Após o diagnóstico, a criança é submetida a um programa de sessões que tem como objetivo suprir as dificuldades aparentes (NEGRINE, 2002). Esta abordagem tem como base estudos da neuropsiquiatria infantil. Com abordagem centrada no desenvolvimento motor e entende o ser humano como um corpo instrumental, isto é, uma “máquina de movimento”, que, caso não estiver funcionando, deve ser reparada (LEVIN, 1995). Le Camus ao analisar os estudos de Guilmain explica que a sessão de reeducação psicomotora destina-se,a três propósitos principais: reeducar a atividade tônica (com exercícios de atitude, de equilíbrio e de mímica); melhorar a atividade de relação (com os exercícios de dissociação e de coordenação motora com apoio lúdico); desenvolver o controle motor (com exercícios de inibição para os instáveis e de desinibição para os emotivos) (1986, p. 27). 30 Um aspecto importante a destacar é que Guilmain deu início à tentativa de acoplar a psicologia à educação física, devido ao fato de ter como base teórica os estudos de Wallon (1995), que relacionam motricidade e caráter. Com isso, surge um paralelismo entre fenômenos psicológicos e fenômenos motores (LE CAMUS, 1986). O início da reeducação psicomotora esteve centrado em uma prática focada no desempenho da criança frente aos seus métodos. Tratava-se de uma prática diretiva, mecanicista e dualista, com controles em relação aos sentimentos e emoções da criança em suas ações. Aucouturier (1986), em conjunto com outros estudiosos do tema, começou a sentir a necessidade da evolução de seus ensinamentos e de suas práticas. O grupo estava preocupado em trabalhar com uma abordagem relacional. A respeito disso, Aucouturier destaca que: Quando falo de globalidade da criança, falo de respeitar sua senso-motricidade, sua sensorialidade, sua emocionalidade, sua sexualidade, tudo ao mesmo tempo, falo de respeitar a unidade de funcionamento da atividade motora, da afetividade e dos processos cognitivos; falo de respeitar o tempo da criança, sua maneira totalmente original de ser no mundo, de viver, de descobrir, de conhecê-lo, tudo simultaneamente (1986, p. 17). A principal mudança na evolução da reeducação psicomotora está na compreensão do corpo como uma unidade e cujo movimento possui significado. Com isso a postura do reeducador frente à criança toma outra direção: ele passa a entendê-la como um ser de expressividade psicomotora. Sua relação com a criança passa a ser de empatia, de escuta, de interação e de ajustamento constante (AUCOUTURIER, DARRAULT e EMPINET, 1986). Outro aspecto importante que é citado nesta nova fase da reeducação psicomotora é que a formação do reeducador é composta por uma trilogia efetuada simultaneamente: a formação pessoal, a formação teórica e a formação prática. Ambas completam-se e enriquecem-se umas às outras (AUCOUTURIER, DARRAULT e EMPINET, 1986). A formação pessoal tem como objetivo melhorar a disponibilidade corporal do adulto a partir de vivências corporais. Mobiliza as áreas da afetividade, da sexualidade e dos “fantasmas”, proporcionando mudanças de atitude e de tomadas de consciência. A 31 formação teórica surge da necessidade que o psicomotricista tem em justificar, analisar e refletir sobre as principais teorias que baseiam seus procedimentos. E a formação prática oportuniza a vivência concreta de seus estudos com as crianças (AUCOUTURIER, DARRAULT e EMPINET, 1986). Esses mesmos autores determinam que a reeducação psicomotora é destinada a crianças com idade até oito anos, pois entendem que, após essa idade, a prática psicomotora passa a ser uma prática corporal composta de atividades físicas com outras finalidades e não mais reeducativas. A evolução que a reeducação psicomotora passou foi o primeiro passo de uma trajetória que a Psicomotricidade ainda percorre, isto é, o desenvolvimento de uma abordagem cada vez mais preocupada com o ser humano em sua totalidade inserido em um contexto sociocultural. 3.3 TERAPIA PSICOMOTORA A vertente chamada de Terapia Psicomotora é um desdobramento da vertente da reeducação psicomotora. Esta vertente se originou da compreensão de que o movimento é linguagem e, portanto, expressa os sentimentos, emoções, desejos e demandas do ser humano. É destinada às crianças “normais” e com necessidades especiais que apresentam dificuldades de comunicação, de expressão corporal e de vivência simbólica (NEGRINE, 2002). Através da avaliação, diagnóstico e tratamento, esta abordagem possibilita, por meio da relação terapêutica, a compreensão das patologias psicomotoras e suas consequências 32 relacionais, afetivas e cognitivas, tendo sempre como referência o desenvolvimento psicodinâmico da motricidade da criança (CARNÉ, 2002). Expoentes desta vertente é o estudo de caso clássico de Aucouturier e Lapierre com o menino Bruno, bem como Vecchiatto que descreveu um processo original da terapia psicomotora com um menino com síndrome de Down. A terapia psicomotora utiliza-se das contribuições da teoria psicanalítica. Nesta vertente os psicomotricistas estão atentos à vida emotiva de seus pacientes, delegando importância à emoção, à expressão e à afetividade. O corpo é considerado como uma unidade que conjuga a emoção e a motricidade (LEVIN, 1995). Ajuriaguerra (1984) explica que a terapia psicomotora não se restringe somente a modificar o tônus de base e as habilidades de posição e rapidez, mas modificar o corpo em seu conjunto, no modo de perceber e apreender as aferências emocionais. Para Aucouturier e Lapierre (1977), a criança possui “problemas, deficiências e falhas”. Cabe ao terapeuta reconhecer suas potencialidades e trabalhar com o que há de positivo na criança, partindo daquilo que ela faz espontaneamente, daquilo que sabe fazer, do que gosta de fazer. A formação do terapeuta é composta pela mesma trilogia que foi citada e explicada na reeducação psicomotora, adicionando-se, ainda, formação continuada e supervisão permanente, pois estas é que lhe possibilitam bases para o desenvolvimento de sua prática (AUCOUTURIER, DARRAULT e EMPINET, 1986). A sessão de terapia psicomotora se desenvolve de forma individualizada. A relação que o terapeuta estabelece com a criança é de sintonia, escuta, empatia e o seu corpo é o depósito das emoções da criança. Neste caso o tempo da sessão é de acordo com a disponibilidade da criança (AUCOUTURIER e LAPIERRE, 1977). Levin (1995) explica que a terapia psicomotora centra o seu olhar a partir da comunicação e da expressão do corpo, no intercâmbio e no vínculo corporal, na relação corporal entre a pessoa do terapeuta e a criança em diálogo de empatia tônica. Na forma de pensar de Negrine (2002), o trabalho terapêutico, a partir da perspectiva lúdica, requer disponibilidade corporal do psicomotricista com a criança com necessidades especiais, pois através dos estímulos e intervenções sistemáticos, tem a 33 possibilidade de criar atitudes comportamentais na criança. Este nível de intervenção do psicomotricista é que diferencia a Psicomotricidade terapêutica da educativa. Nesta abordagem cabe ao terapeuta uma constante adaptação à evolução da criança, um domínio na trilogia da formação, uma forte capacidade de escuta e o mais importante, não impor às crianças os seus desejos e sim ajudá-las na evolução e na criação de seus próprios desejos. É pela motricidade e pela visão que a criança descobre o mundo dos objetos e é manipulando-os que ela redescobre o mundo; porém, esta descoberta a partir dos objetos só será verdadeiramente frutífera quando a criança for capaz de segurar e de largar, quando ela tiver adquirido a noção de distânciaentre ela e o objeto que ela manipula, quando o objeto não fizer mais parte de sua simples atividade corporal indiferenciada. A psicomotricidade não é exclusiva de um método, ou de uma “escola” ou de uma “corrente” de pensamento, nem constitui uma técnica, um processo, mas visa fins educativos pelo emprego do movimento humano. ( AJURIAGUERRA, apud FONSECA, 1998 p.332) 3.4 EDUCAÇÃO PSICOMOTORA A vertente denominada Educação Psicomotora surge embalada pela dinâmica evolução das vertentes reeducativa e terapêutica. A Educação Psicomotora vem com a finalidade 34 de ocupar os espaços educativos com grupos de crianças. Os psicomotricistas perceberam que esta vertente poderia vir a se constituir no processo inicial da educação da criança, justamente por compreender o período da infância como aquele que constitui e alicerça as bases emocionais e afetivas do ser humano. As bases educativas empreendidas pela Educação Psicomotora são as mais diversas, porém vamos apresentar duas concepções contemporâneas, a partir de dois estudiosos da temática, que ilustram o desdobramento que se seguiu nesta vertente. De um lado Le Boulch (1983) que explica que a Educação Psicomotora é formadora de uma base indispensável a toda criança, pois tem como objetivo assegurar o desenvolvimento funcional, de outro lado Negrine (2002) compreende a Educação Psicomotora como o meio lúdico-educativo para a criança expressar-se por intermédio do jogo, do exercício e da comunicação entre crianças por intermédio da expressividade motriz. A Educação Psicomotora atualmente se divide em dois eixos: a Psicomotricidade Funcional e a Psicomotricidade Relacional. Negrine define o aspecto que diferencia as duas práticas, elucidando-nos que “(...) o ponto fundamental da passagem da Psicomotricidade Funcional à Relacional é a utilização do jogo (brincar da criança) como elemento pedagógico” (1995, p. 74). 3.4.1 Psicomotricidade Funcional Para Negrine (2002), a Psicomotricidade Funcional compreende o desenvolvimento psicomotriz a partir de bases teóricas de neuroanatomia funcional. Tal fundamento se situa na concepção de que o processo de desenvolvimento humano é decorrente dos processos de maturação. Neste prisma as habilidades motrizes seguem um padrão evolutivo e poderiam ser avaliadas através de exercícios testes padronizadas para as diferentes idades. Variáveis como sexo, fatores culturais, experiências vivenciadas, não são levadas em conta. Na avaliação do perfil psicomotor da criança algumas variáveis são analisadas, como por exemplo: equilíbrio estático e dinâmico, coordenação viso manual (movimentos finos e delicados), sincinesias, paratonias, lateralidade e orientação espacial (NEGRINE, 2002). Este mesmo autor explica que a Psicomotricidade Funcional se sustenta em diagnósticos do perfil psicomotriz e na prescrição de exercícios para sanar possíveis descompassos 35 do desenvolvimento motriz. A estratégia pedagógica baseia-se na repetição de exercícios funcionais, criados e classificados constituindo as famílias de exercícios para as finalidades de equilíbrios estáticos e dinâmicos, de flexibilidade, agilidade, destreza e outras funções psicomotoras. Picq e Vayer (1985) explicam que, após a análise dos problemas encontrados, a Psicomotricidade Funcional tem a finalidade de educar sistematicamente as diferentes condutas motoras, permitindo assim uma maior integração escolar e social. Em suas primeiras obras, Aucouturier e Lapierre explicam que a “(...) organização espaço gráfica, necessária para a aquisição da leitura e da escrita, necessitava da prévia organização do espaço de modo geral e inicialmente corporal” (1985a, p.09), com isso determinam como objeto de sua prática, crianças com algum grau de dificuldade de aprendizagem (disléxicos, disgráficos, agitados), traçando o perfil psicomotor da criança para, depois, apresentar tabelas de exercícios com o objetivo de sanar os problemas. Igual como Lapierre e Aucouturier, Negrine também se dedicou aos estudos e a prática da Psicomotricidade Funcional. As sessões eram destinadas à crianças com problemas de aprendizagem, mais especificamente na leitura, na escrita e no cálculo matemático.Tal método se sustenta no discurso de que o desenvolvimento de certas habilidades motrizes permite a melhora do desempenho nas aprendizagens cognitivas (NEGRINE, 1986). O desenvolvimento da sessão de Psicomotricidade Funcional é estruturado de forma que o aluno imite os modelos de exercícios pré-programados, que são propostos pelo professor “(...) a criança não tem escolha, todas ao mesmo tempo devem realizar os exercícios que são propostos” (NEGRINE, 2002, p.117). O professor utiliza-se de métodos diretivos, tornando seu aluno dependente de suas ações, não dando espaço para que a criança realize atividades que permitam explorar o mundo simbólico, impedindo a exteriorização de sua expressividade motriz. Em relação aos métodos diretivos, Negrine (2002) chama a atenção para o fato de que estes estão relacionados a estratégias pedagógicas voltadas à correção. O gesto motriz que não é realizado conforme a solicitação do professor é considerado errado. Deste modo, criam-se inibições e resistências de exteriorização corporal, e, devido a isso, a 36 avaliação se torna uma ação puramente quantitativa, valorizando a correta execução dos exercícios propostos. A relação que o psicomotricista funcional tem com a criança é uma relação de comando “(...) é uma intervenção no corpo de forma mecânica” (NEGRINE, 1995, p. 56), e o contato corporal entre eles ou com outras crianças só ocorre se estiver determinado no exercício proposto. É importante salientar que existem vários autores que estudam e aplicam a Psicomotricidade Funcional, tais como: Le Boulch, Picq, Vayer, Costallat, Velasco e outros. Este eixo da Educação Psicomotora é seguido por professores de Educação Física, mas o desenvolvimento dessa prática se assemelha muito a forma tradicional de uma aula de ginástica. 3.4.2 Psicomotricidade Relacional Na origem da Psicomotricidade Relacional sua abordagem se fundamentou particularmente nos aspectos psicanalíticos da relação do adulto com a criança. Tal fundamento se baseia na relação primária, da mãe com a criança, temática tão bem explorada pelos psicanalistas Winnicott, Dolto, Mahler, Klein, Spitz para citar aqueles que influenciaram a Psicomotricidade Relacional. Apesar desta forte origem Negrine também compreendeu que esta prática deveria se fundamentar na psicopedagogia, uma vez que se trata de uma prática educativa. Lapierre (1988) ensina que a Psicomotricidade Relacional é o inverso da expressão corporal, pois na expressão corporal o sujeito conhece o tema sobre o qual interpreta com o corpo. Em Psicomotricidade Relacional ocorre o contrário, pois a tarefa do psicomotricista é de descobrir o tema sobre o qual o corpo está espontaneamente expressando. Nesse sentido a Psicomotricidade Relacional potencia a comunicação do adulto com as crianças e entre elas, engloba uma série de estratégias de intervenções e de ações pedagógicas que servem como meio de ajuda aos processos de desenvolvimento e de aprendizagem da criança. Negrine (2002) explica que a Psicomotricidade Relacional utiliza-se da ação do brincar como elemento motivador para provocar a exteriorização corporal da criança, pois entende que a ação de brincar impulsiona processos de desenvolvimento e de 37 aprendizagem. Essas estratégias de intervenções pedagógicas criam, também, condições favoráveis para a construção de um vocabulário psicomotor amplo e diversificado e servem como meio de melhora das relações da criança com o adulto, com os iguais, com os objetos e consigo mesma. A utilização de métodos não diretivos permite que a criança manifeste todo seu interesse, atitudes e valoresque retratam as emoções e os sentimentos de cada momento vivido. Tal atitude pedagógica permite que o psicomotricista faça interpretações significativas das ações que a criança experimenta quando se exterioriza, seja através da mímica, dos gestos ou das produções plásticas. Para isso é necessário que tenha uma atenção maior, pois deve observar e identificar as crianças que mais necessitam de seu auxílio (NEGRINE, 2002). No que diz respeito à relação adulto/criança é fundamental que o psicomotricista ajude a criança a realizar tudo aquilo que ainda não é capaz de realizar sozinha; é necessário ele exerça um papel de mediador, seja para provocar a sua exteriorização, seja para dar segurança, seja para determinar limites à criança. Na relação do psicomotricista com a criança, o toque corporal é um forte aliado, pois com ele vínculos afetivos são estabelecidos, dando segurança e ajuda à criança. “O papel do psicomotricista é de ajuda, entretanto ele também interage, sugere, propõe, estimula e escuta a criança” (NEGRINE, 2002, p.124). É importante ressaltar que existem nuances dentro da psicomotricidade relacional, e que autores que tiveram a mesma formação inicial, no decorrer de seus estudos acabam, seguindo linhas diferentes, como por exemplo: Aucouturier, Lapierre e Negrine. Aucouturier determina que, na sessão, o jogo de pulsão (jogo sensório-motor – classificação de Piaget) deve ser potencializado, e a prática da psicomotricidade tem sua função até os oito anos, por outro lado Lapierre entende que o jogo simbólico é que deve ser potencializado, e que a Psicomotricidade deve se aplicar às crianças, aos adolescentes e também aos adultos. Uma característica importante a respeito da Psicomotricidade Relacional de Aucouturier, que é seguida por diversos psicomotricistas, é que a organização da sessão segue uma sequencia temporal, isto é, a criança deve seguir uma determinada ordem para executar os jogos: momento inicial ou ritual de entrada; jogos de segurança 38 profunda, jogos de prazer sensório-motor; jogos simbólicos; narração de história, atividades de representação e momento final ou ritual de saída (MARTÍNEZ, PEÑALVER e SANCHEZ, 2003). Outro aspecto importante a ressaltar, que é bem diferente do contexto escolar brasileiro, é que a sessão é realizada somente em ambientes fechados (sala de Psicomotricidade) que possuem materiais fixos (escadas, barra de equilíbrio, tatames) e diversos materiais complementares (blocos de espuma, aros, bola grande bichos de pelúcia, cordas, fantasias). Estes ambientes possuem também mesa com cadeiras e material audiovisual e musical, e o grupo de crianças é em número bem reduzido (MARTÍNEZ, PEÑALVER e SANCHEZ, 2003). Apesar de Negrine obter uma formação na Escola de Expressão e Psicomotricidade de Barcelona cujos pressupostos seguem as orientações de Bernard Aucouturier, a sua linha de pensar a Psicomotricidade está configurada dentro de uma perspectiva educativa e preventiva. É importante destacar que este destacado autor nacional se diferencia dos demais autores devido a alguns fatores como: a) utilizar referencial teórico com elementos da antropologia, da psicopedagogia que contribuem e enriquecem à tradicional visão psicanalista; b) inovar com a utilização dos referenciais teóricos de Vygotsky, que contribui para uma mudança na compreensão psicopedagógica do desenvolvimento e aprendizagem infantil; c) explicar que em um ambiente lúdico a criança faz uma trajetória denominada de trajetória lúdica e o seu movimento flutua entre o movimento técnico e o faz de conta, isto é jogar simbolicamente; d) estruturar a organização da prática psicomotriz educativa com grupos de crianças, adequada para o ensino regular e os diversos contextos que promovem. 39 QUADRO 1: Características dos fundamentos das vertentes da Psicomotricidade REEDUCAÇÃO PSICOMOTORA TERAPIA PSICOMOTORA PSICOMOTRICIDA DE FUNCIONAL PSICOMOTRICIDADE RELACIONAL FINALIDADE Reeducação das funções psicomotoras Tratar patologias psicomotoras, afetivas, relacionais e cognitivas Sanar problemas motores, melhorar as aprendizagens cognitivas e o comportamento da criança Desenvolver as potencialidades relacionais da criança utilizando a ação do brincar ÁREA DE BASE Biomédica neuropsiquiatria infantil Psicanálise Psicopedagogia Psicopedagogia AUTORES DE BASE Dupré Wallon Rogers Wallon Piaget Winnicott Vygotsky PRINCIPAIS AUTORES Guilmain, Defontaine Empinet e Darrault Ajuriaguerra Levin Le Boulch Picq e Vayer Aucouturier Lapierre Negrine OBRAS E PUBLICAÇÕES Manual de reeducación psicomotriz 1º, 2º, 3º anos La educacion psicomotriz como terapia “Bruno” A clínica psicomotora A educação pelo movimento Educação psicomotora e retardo mental Simbologia do Movimento Aprendizagem e desenvolvimento infantil vols 1, 2 e 3 40 Quadro 2: Procedimentos didáticos das vertentes da Psicomotricidade REEDUCAÇÃO PSICOMOTORA TERAPIA PSICOMOTORA PSICOMOTRICIDADE FUNCIONAL PSICOMOTRICIDADE RELACIONAL RELAÇÃO ADULTO/CRIANÇA Comando, não interage. Escuta, ajuda interação e disponibilidade corporal. Comando e direção é o modelo da criança Ajuda, escuta, estímulo, interação e intervenção COMPOSIÇÃO DOS GRUPOS Grupos pequenos, Individual. Individual Grupos em um mesmo nível de desenvolvimento Grupos de diferentes níveis de desenvolvimento ORGANIZAÇÃO E PROPOSIÇÃO DA PRÁTICA Programa de sessões de exercícios conforme a necessidade da criança Atividades em que objetos e o corpo do terapeuta se tornem o depósito das emoções da criança Atividades pré-programadas, famílias de exercícios. Proposição de circuito sensório motriz Ritual de entrada; atividades livres de expressão, construção e comunicação; Ritual de saída DESENVOLVIMENTO DAS ROTINAS Método diretivo Método não diretivo Método diretivo Método não diretivo AVALIAÇÃO/ ACOMPANHAMENTO Bateria de testes que determinam o perfil psicomotor Avalia conforme a evolução da criança Correção do erro, padrão de movimento certo e errado. Despertar de zonas proximais na criança POSTURA CORPORAL DIANTE DA CRIANÇA Não ocorre contato corporal Ocorre contato corporal Raramente ocorre contato corporal Ocorre contato corporal 41 Atividade de conclusão da Unidade 3 1) A reeducação psicomotora é uma vertente destinada a qual público? E como é diagnosticado? ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ 2) O papel do educador físico é muito importante no processo de reeducação psicomotora. Qual o autor defende esse trabalho, segundo o texto acima e quais seus argumentos? ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ 3) Cite os autores que defendem uma faixa etária, limite, para se trabalhar a reeducação psicomotora e, qual é a idade e por quê? ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ 4) Qual a importância da educação psicomotora?E quais são seus eixos? ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ Não se passa do mundo concreto para a representação mental senão por intermédio da ação corporal. A criança transforma em símbolos aquilo que pode vivenciar corporalmente: o que ela vê, cheira pega, chuta aquilo de que corre e assim por diante (FREIRE, 1991, p. 20). 42 UNIDADE 4 4. ETAPAS DA PSICOMOTRICIDADE Nesta unidade, veremos as etapas da psicomotricidade e suas especificações, facilitando assim entender melhor como devemos criar atividades e agregarmos conhecimentos sobre essa área tão importante para nossas crianças e alunos. 4.1 COORDENAÇÃO GLOBAL A coordenação global diz respeito à atividade dos grandes músculos e depende da capacidade de equilíbrio postural do indivíduo. Através da movimentação e da experimentação, o indivíduo procura seu eixo corporal, vai se adaptando e buscando um equilíbrio cada vez melhor. Consequentemente, vai coordenando seu movimento vai se conscientizando de seu corpo e das posturas. Quanto maior o equilíbrio, mais econômico será a atividade do sujeito e mais coordenadas serão as suas ações. Biblioteca online- sem valor comercial. Proibida a venda e a reprodução. 43 A coordenação global e a experimentação levam a criança adquirir a dissociação de movimentos. Isto significa que ela deve ter condições de realizar múltiplos movimentos ao mesmo tempo, cada membro realizando uma atividade diferente, havendo uma conservação de unidade de gesto. Exemplo: quando uma pessoa toca piano, a mão direita executa a melodia, à esquerda o acompanhamento e o pé direito à sustentação. São três movimentos diferentes que trabalham junto para conseguir uma mesma tarefa. 4.2 COORDENAÇÃO FINA E ÓCULO-MANUAL Coordenação fina diz respeito à habilidade e destreza manual e constitui um aspecto particular da coordenação global. Só possuir uma coordenação fina não é suficiente. É necessário que haja também um controle ocular, isto é, a visão acompanhando os gestos da mão. Chamamos isto de coordenação óculo-manual ou viso-motor. Exemplo: Escrita. O desenvolvimento da escrita depende de diversos fatores: Maturação geral do sistema nervoso; Desenvolvimento psicomotor geral; Coordenação global do ato de sentar; Desenvolvimento da motricidade fina dos dedos da mão; Dissociação e controle dos movimentos; Controlar a pressão gráfica exercida sobre o lápis e o papel, para alcançar maior destreza e consequentemente maior velocidade no movimento. Portanto, a escrita implica, em uma aquisição de destreza manual organizada a partir de certos movimentos, a fim de reproduzir um modelo. 4.3 ESQUEMA CORPORAL A criança percebe-se e percebe as coisas que a cercam em função de seu próprio corpo. Portanto, o desenvolvimento de uma criança é o resultado da interação de seu corpo 44 com os objetos de seu meio, com as pessoas com quem convive e com o mundo onde estabelece ligações afetivas e emocionais. O corpo deve ser entendido não somente como algo biológico e orgânico que possibilita a visão, a audição, o movimento, mas é também um lugar que permite expressar emoções. Esquema corporal – resulta das experiências que possuímos provenientes do corpo e das sensações que experimentamos. Não é um conceito aprendido e que depende de treinamento. Ele se organiza pela experienciação do corpo da criança. É uma construção mental que a criança realiza gradualmente, de acordo com o uso que faz de seu corpo. Um esquema corporal organizado, portanto, permite a uma criança se sentir bem, na medida em que seu corpo lhe obedece, em que tem domínio sobre ele, em que o conhece bem, em que pode utilizá-lo para alcançar um maior poder cognitivo. A criança deve ter o domínio do gesto e do instrumento que implica em equilíbrio entre as forças musculares, domínio de coordenação global, boa coordenação óculo-manual. A descoberta pela criança de sua imagem no espelho se dá por volta de seis meses de idade. Inicialmente a criança sente-se surpresa com a imagem que vê. Às vezes tenta pegar seu reflexo, sorri para ele sem reconhecer que é sua própria imagem refletida. Um animal não consegue ultrapassar a visão de sua imagem no espelho. Já a criança ao contrário, usa o espelho como fator de conhecimento de si, raciocina, descobre seu eu, desenvolve seu esquema corporal. Segundo Dolto, a criança cega que não tem oportunidade de se confrontar com sua imagem visual, levaria a supor que teria dificuldade em assimilar o esquema corporal. Porém para a autora, a criança cega conserva uma imagem inconsciente do corpo mais rica, mas permaneceria inconsciente mais tempo do que nas crianças que enxergam. Etapas do esquema corporal – proposta por Le Boulch 1984 1ª etapa: corpo vivido (até 3 anos de idade) Corresponde à fase de inteligência sensória motora de Piaget. O bebê sente o meio ambiente como fazendo parte dele mesma. À medida que cresce, com um maior amadurecimento de seu sistema nervoso, vai ampliando suas 45 experiências e passa, pouco a pouco a diferenciar de seu meio ambiente. Nesse período a criança tem uma necessidade muito grande de movimentação e através desta vai enriquecendo a experiência subjetiva de seu corpo e ampliando a sua experiência motora. Suas atividades iniciais são espontâneas 2ª Etapa: corpo percebido ou descoberto (3 a 7 anos) Corresponde à organização do esquema corporal devido à maturação da “função de interiorização” que é definida como a possibilidade de deslocar sua atenção do meio ambiente para seu próprio corpo a fim de levar à tomada de consciência. A função de interiorização permite a passagem do ajustamento espontâneo, a um ajustamento controlado que, propicia um maior domínio do corpo, culminando em uma maior dissociação dos movimentos voluntários. A criança com isso passa a aperfeiçoar e refinar seus movimentos adquirindo uma maior coordenação dentro de um espaço e tempo determinado. Descobre sua dominância e com ela seu eixo corporal. O corpo passa a ser um ponto de referência para se situar e situar os objetos em seu espaço e tempo. Neste momento assimila conceitos como embaixo, acima, direita, esquerda e adquire também noções temporais como a duração dos intervalos de tempo e de ordem e sucessão, isto é, primeiro e ultimo. No final dessa fase, a criança pode ser caracterizada como pré-operatória, porque está submetida à percepção num espaço em parte representado, mas ainda centralizado sobre o próprio corpo. 3ª Etapa: corpo representado (7 a 12 anos) Nesta etapa observa-se a estruturação do esquema corporal. No início desta fase a representação mental da imagem do corpo consiste numa simples imagem reprodutora e é uma imagem de corpo estática. A criança só dispõe de uma imagem mental do corpo em movimento a partir de 10/12 anos, significando que atingiu uma representação mental de uma sucessão motora, com a introdução do fator temporal. Sua imagem do corpo passa a ser antecipatória, e não mais somente reprodutora revelando um verdadeiro trabalho mental devido à evolução das funções cognitivas correspondentes ao estágio preconizado por Piaget de operações concretas. Os pontos de referência não estão mais centrados no corpo próprio, mas são exteriores ao sujeito, podendo ele mesmo criar os pontos de referência que irão orientá-lo. 4.3.1. Perturbações do esquema corporal 46 Crianças que não tem consciência de seu próprio corpo podem experimentar algumas dificuldades como insuficiência de percepção ou de controle de seu corpo, incapacidade de controle respiratório, dificuldadesde equilíbrio e de coordenação. Elas podem também, apresentar dificuldades em se locomover em um espaço predeterminado e em situar-se em um tempo, pois o esquema corporal está intimamente ligado à orientação espaço-temporal. Uma criança com grandes problemas de esquema corporal manifesta normalmente dificuldade de coordenação dos movimentos, apresentando certa lentidão que dificulta a realização de gestos harmoniosos simples, como abotoar uma roupa. A criança se confunde em relação às diversas coordenadas de espaço, como em cima, embaixo, ao lado, linhas horizontais e verticais, e também não adquire o sentido de direção devido a confusões entre direita e esquerda. Uma perturbação de esquema corporal pode levar a uma impossibilidade de se adquirirem os esquemas dinâmicos que correspondem ao hábito viso motores e também intervém na leitura e escrita. Uma consequência séria da falta de esquema corporal é o não desenvolvimento dos instrumentos adequados para um bom relacionamento com as pessoas e como seu meio ambiente, e pior ainda, leva a um mau desenvolvimento da linguagem. 4.4 LATERALIDADE A lateralidade é a propensão que o ser humano possui de utilizar preferencialmente mais um lado do corpo que o outro em três níveis: mão, olho e pé. Isto significa que existe um predomínio motor, ou melhor, uma dominância de um dos lados. O lado dominante apresenta maior força muscular, mais precisão e mais rapidez. É ele que inicia e executa a ação principal. O outro lado auxilia esta ação e é igualmente importante. Na realidade os dois não funcionam isoladamente, mas de forma complementar. Exemplo: quando pregamos um prego em uma parede, a mão auxiliar segura o prego enquanto a outra, com precisão e força muscular suficiente, bate o martelo. A dominância ocular pode ser percebida quando pedimos para a criança que olhe por um caleidoscópio ou um buraco de fechadura. É preciso tomar muito cuidado ao afirmar qual é a dominância ocular, pois, às vezes, um problema na vista pode mascarar essa percepção. Podemos observar a dominância dos membros inferiores quando pedimos à criança que brinque de amarelinha com um pé e depois com o outro. Verificamos então, qual o lado 47 que teve mais facilidade, isto é, qual apresentou mais precisão, mais força, mais rapidez e também mais equilíbrio. Se uma pessoa tiver a mesma dominância nos três níveis – mão, olho e pé – do lado direito, diremos que é destra homogênea, e canhota ou sinistra homogênea, se for o lado esquerdo. Se a criança possuir dominância espontânea nos dois lados do corpo, isto é, executar os mesmo movimentos tanto um lado como com o outro, o que não é muito comum, é chamada de ambidestra. Podem ocorrer, alguns casos em que a criança contrarie essa tendência natural e passe a utilizar a mão não dominante em detrimento da dominante. Diremos que tem lateralidade cruzada, quando usa a mão direita, o olho e o pé esquerdo ou qualquer outra combinação. Motivos que ocasionam um desvio da lateralidade: Um acidente que provoque uma amputação ou uma paralisia no lado dominante faz com que a pessoa possa a usar o outro lado. Podem ocorrer, casos em que esta mudança de prevalência manual modifique-se por motivo de identificação com alguém ou por imposição dos pais ou professores ou por motivo afetivo ou por qualquer outro. Hipóteses sobre a prevalência manual Visão histórica Havia igual número de destros e canhotos na idade da pedra. A supremacia da destralidade aponta que, na idade do bronze, os camponeses tiveram que se adaptar a ferramentas que não era mais feita por eles, mas por pessoas específicas. Outra teoria aponta para as técnicas guerreiras pelas quais se ensinavam os homens a pegar a espada ou a lança com a mão direita enquanto a esquerda protegia o coração com o escudo. 48 4.1 HEREDITARIEDADE Esta teoria tenta explicar a referência lateral pela transmissão hereditária. 4.2 HIPOTÉSE DA DOMINÂNCIA CEREBRAL Existe uma dominância em um dos lados do cérebro, e que funciona de forma cruzada. Isto quer dizer que, no destro, encontramos uma dominância do córtex cerebral esquerdo; e no canhoto, o hemisfério cerebral direito controla e coordena as atividades do lado esquerdo. 4.3 INFLUÊNCIA DO MEIO PSICOSOCIAL E EDUCACIONAL A preferência por uma determinada lateralidade se dá através do aprendizado. Aprendemos a escrever com a mão direita ou esquerda, de acordo com o nosso meio, seja por imposição, por imitação, por questão afetiva, etc. Alguns autores acreditam que nenhumas dessas teorias sozinhas são suficientes para explicar o fenômeno da lateralização. Ela é o resultado da associação de diversos fatores. 4.4 ESTRUTURAÇÃO ESPACIAL A estruturação espacial é essencial para que vivamos em sociedade. É através do espaço e das relações espaciais que nos situamos no meio em que vivemos em que estabelecemos relações entre as coisas, em que fazemos observações, comparando-as, combinando-as, vendo as semelhanças e diferenças entre elas. As relações espaciais são mantidas por meio do desenvolvimento de uma estrutura de espaço. Sem esta estruturação, nós nos perdemos ou distorcemos muitas dessas relações e nosso comportamento sofre por receber informações inadequadas. Em primeiro lugar, a criança percebe a posição de seu corpo no espaço. Depois, a posição dos objetos em relação a si mesma e, por fim, aprende a perceber as relações das posições dos objetivos entre si. Todas as percepções sensoriais (visão, audição, tato) nos levam às propriedades dos diversos objetos e nos permitiria uma catalogação, uma classificação, um agrupamento deste no sentido de uma maior organização do espaço. 4.4.1. Definição de estruturação espacial 49 A tomada de consciência da situação de seu próprio corpo em um meio ambiente, isto é, do lugar e da orientação que pode ter em relação às pessoas e coisas; A tomada de consciência da situação das coisas entre si; A possibilidade, para o sujeito, de organizar-se perante o mundo que o cerca, de organizar as coisas entre si, de colocá-las em um lugar, de movimentá-las. 4.4.2. Desenvolvimento da Estruturação Espacial A estruturação espacial não nasce com o indivíduo. Ela é uma elaboração e uma construção mental que se opera através de seus movimentos em relação aos objetos que estão em seu meio. O mundo interna e externa são indistintos para o recém-nascido. Aos três meses, sua imagem de corpo começa a se elaborar. Entre o sexto e nono mês, se percebe uma primeira separação entre seu corpo e o meio ambiente. Aos três anos, a criança já tem uma vivência corporal. A exploração do espaço inicia-se, desde o momento em que ela fixa o olhar em um determinado objeto e tenta agarrá-lo. Depois a locomoção permite-lhe dirigir-se aos locais ou aos objetos que quer alcançar. A verbalização que auxiliará na designação dos objetos constitui um fator muito importante para a organização da vivência do espaço e, também, para um melhor conhecimento das diferentes partes do corpo e de suas posições. Todo objeto, desde o momento em que ele é nomeado, faz o papel de organizador do espaço próximo circundante, permitindo construir o espaço que o rodeia. Para que uma criança perceba a posição dos objetos no espaço, precisa, primeiramente, ter uma boa imagem corporal, pois usa seu corpo como ponto de referência. Ela só se organiza quando possui um domínio de seu corpo no espaço. Isto significa que ela apreende o espaço através de sua movimentação e é a partir de si mesma que ela se situa em relação ao mundo circundante. Numa verdadeira exploração motora inicial, ela necessita pegar os objetos, manuseá-los, jogá-los, agarrá-los, lançá-los para frente, para trás, para dentro e fora de determinado lugar. Para a criança assimilar os conceitos espaciais precisa, também, ter uma lateralidade bem definida, o que se dá por volta de 6 anos. Ela torna-se capaz de diferenciar os dois50 lados de seu eixo corporal e consegue verbalizar este conhecimento, sem o que fica difícil distinguir a diferentes posições que os objetos ocupam no espaço. A criança aprende também as noções de: · Situações (dentro, fora, no alto, abaixo, longe, perto); · Tamanho (grosso, fino, grande, médio, pequeno, estreito, largo); · Posição (em pé, deitado, sentado, ajoelhado, agachado, inclinado); · Movimento (levantar, abaixar, empurrar, puxar, dobrar, estender, girar, rolar, cair, levantar-se, subir, descer); · Formas (círculo, quadrado, triângulo, retângulo); · Qualidade (cheio, vazio, pouco, muito, inteiro, metade); · Superfícies; · Volumes. Ao aprender estes conceitos, diremos que ela atingiu a etapa da orientação espacial. Isto significa que a criança tem acesso a um “espaço orientado a partir de seu próprio corpo multiplicando suas possibilidades de ações eficazes”. Os pontos de referência do tipo alto/baixo são absolutos, pois acima sempre se subentende o teto e, embaixo o solo. Os conceitos direito-esquerda e adiantes/atrás dependem, para muitas crianças, da posição de seu próprio corpo no espaço. Uma pessoa que já possua uma orientação espacial bem definida a dará mesma as coordenadas para que saibamos quais são seus pontos de referências. Normalmente, temos consciência dos objetos que se situam em nosso espaço, tanto os que estão do nosso lado, quanto os que estão longe, a nossa frente e também os que se situam atrás de nós. Não podemos vê-los, mas sabemos que existem que existe uma “estruturação espacial” atrás de nós, e mantemos, portanto, uma relação bem viva com todos eles. A criança pequena e a retardada apresentam dificuldade em perceber este espaço existente atrás delas. Quando elas se voltam, os objetos e as situações localizadas atrás de si deixam de existir para elas. Um indivíduo que possui orientação espacial no papel mentalmente organiza sua folha ao escrever ou ao desenhar, antes de passar para estas atividades. 51 Depois desta fase em que o indivíduo aprende a orientar os objetos, ele passa a organizá-los, a combinar as diversas orientações. Isto significa que ele não mais toma seu próprio corpo como ponto de referência, mas escolhe ele mesmo outros pontos, e os colocará segundo diversas orientações. Ele chega, então, às noções de distância, de direção; passa a prever, antecipar e transpor. Depois que as diferentes direções são conquistadas pelo indivíduo, a transposição sobre o outro e sobre os objetos é possível. Ele desenvolve também a memória espacial, o que lhe possibilita descobrir os objetos que estão faltando em determinado lugar e reproduzir um desenho previamente observado. Além disso, se ele tiver uma memória espacial desenvolvida, não “se esquecerá” dos símbolos gráficos e nem das direções a seguir. A partir desta organização espacial a criança chega a compreensão das relações espaciais. Estas relações espaciais são obtidas graças a uma estrutura de espaço, sem a qual não conseguiríamos manter relações ao nosso redor. Esta etapa das relações espaciais baseia-se unicamente no raciocínio a partir de situações bem precisas, como perceber a relação existente entre diversos elementos, a relação de simetria, oposição, inversão. Torna-se capaz de trabalhar com as progressões de tamanho, de quantidade e transposição. Para Piaget, esta organização aparece com 8 ou 9 anos, época em que ela é capaz de situar direita e esquerda sobre os objetos em relação a um ponto de vista exterior. 4.4.3. Dificuldades na estruturação espacial São diversos os motivos que impedem ou retardam o pleno desenvolvimento da criança, como por exemplo: Limitação de seu desenvolvimento mental e psicomotor; Crianças tolhidas em suas experiências corporais e espaciais e que não têm oportunidades de manipular os objetos ao seu redor; As que não desenvolveram a noção de esquema corporal, acarretando prejuízo na função de interiorização; As que não conseguiram ainda estabelecer a dominância lateral e nem assimilaram as noções de direita e esquerda através da internalização de seu eixo corporal; Insuficiência ou déficit da função simbólica. A criança é incapaz de associar termos abstratos como direita e esquerda, puramente convencionais, ao que sente ao nível proprioceptivo; Dificuldade de representação mental das diversas noções. 52 OBS: as causas não se esgotam nestas. As consequências são às vezes desastrosas nas aprendizagens escolares. Muitas crianças não conseguem assimilar os termos espaciais e confundem-se quando se exige uma noção de lugar, de orientação, tanto no recreio, quanto nas salas de aulas. Às vezes, conhecem os termos espaciais, mas não percebem as posições. Muitas têm dificuldades em perceber as diversas posições, colocando em risco sua própria aprendizagem, pois não discriminam as direções das letras. Ex: “n” e “u”, “ou” e “on”, “b” e “p”, “6″ e “9″, “b” e “d”, “p” e “q”, “15″ e “51″. Crianças que, embora percebam o espaço que as circundam, não tem memória espacial. Algumas esquecem, ou confundem os significados dos símbolos representados pelas letras gráficas. A falta de organização espacial é um fator muito encontrado, inclusive nos adultos. Significa que o indivíduo está constantemente se chocando e esbarrando nos objetos. Apresenta muitas vezes indecisões quando tem que se desviar de um obstáculo, não sabendo para que lado deva ir. Além disso, não consegue ordenar e organizar seus objetos pessoais dentro de um armário ou uma gaveta. Não consegue prever a trajetória de uma bola ou de um objeto qualquer quando este é atirado em determinado alvo. Pode possuir falta de orientação espacial no papel. Na escrita não respeita a direção horizontal do traçado, ocorrendo movimentos descendentes ou ascendentes e não consegue escrever em cima da pauta. Na leitura e na escrita, tem dificuldades em respeitar a ordem e a sucessão das letras nas palavras e das palavras nas frases. Possui incapacidade em locomover os olhos durante a leitura obedecendo ao sentido esquerdo-direita e chegando mesmo a saltar uma ou mais linhas. Na matemática, poderá apresentar dificuldades em organizar seus números em fileiras e acaba misturando o que é dezena, centena e milhar. Terá dificuldade em classificar e agrupar os elementos. 53 Dificuldade em reversibilidade e transposição (conseguida a partir de 8 anos). A noção de reversibilidade possibilita, pouco a pouco, às crianças a compreensão de igualdades como: 8 + 5 = 3 + 10 7 X 3 = 3 X 7 10 – 3 = 7 Dificuldade para compreender relações espaciais. A criança não percebe o que muda de uma figura para outra nas representações espaciais. Não percebe as relações como a simetria, inversão, transposição, elementos adicionados ou subtraídos. Não consegue realizar desde progressões mais simples como tamanho, quantidade, ritmos e cores, como progressões mais complexas, como a variação de dois ou mais elementos numa ordem de sucessão e simultaneidade, ou mesmo compreensão das relações existente entre as diversas orientações junta. OBS: A criança deve adquirir a orientação espacial, quando age e interage com o meio. Intimamente ligada a ela está a orientação temporal. Uma pessoa só se movimenta em um espaço e tempo determinados. Não se pode conceber um sem falar no outro. 4.5 ESTRUTURAÇÃO TEMPORAL As noções de corpo, espaço e tempo têm que estar intimamente ligadas se quiser entender o movimento humano. O corpo coordena-se, movimenta-se continuamente dentro de um espaço determinado, em função do tempo, em relação a um sistema de referência. É por esta razão que sempre nos referimos à orientação espaço-temporal de forma integrada. Existem dois tipos de tempo: estático e dinâmico. Quando um autor de um romance histórico, fixa como presente uma sequencia de eventos em um determinado tempo na história, está trabalhando com o tempo estático. Todos os acontecimentos terãorelação de precedência e subsequência com este presente estático e é este final do tempo histórico relatado por ele. Nós vivemos no tempo dinâmico, onde o fluxo do tempo perpassa pelas noções de passado, presente e futuro. Este fluxo do tempo significa que os acontecimentos do passado são conhecidos, os do futuro, desconhecidos ou então podem ser previstos, e os do presente podem ser experimentados diretamente. Esse fluxo é contínuo no qual os acontecimentos do futuro passam pelo presente e se torna passado. Possuímos e vivenciamos um horizonte temporal. 54 4.5.1. Importância da Estruturação Temporal Para uma criança aprender a ler, é necessária que possua domínio do ritmo, uma sucessão de sons no tempo, uma memorização auditiva, uma diferenciação de sons, um reconhecimento das frequências e das durações dos nos das palavras. Pode-se perceber uma grande ligação entre a orientação temporal e a linguagem. A aquisição da palavra supõe uma passagem no tempo, uma vez que a linguagem é uma sucessão de fonemas no tempo; supõe também uma melodia das palavras e das frases, uma variação em frequência e em intensidade e enfim uma organização dos elementos percebidos. Um indivíduo deve ter capacidade para lidar com conceitos de ontem, hoje e amanhã. Uma criança pequena não consegue extrapolar suas ações para o passado ou o futuro. O seu presente é o que está vivenciando. Os acontecimentos passados normalmente se encontram enevoados e entrelaçados com as noções de presente. Ela não percebe as sequencias dos acontecimentos. É a orientação temporal que lhe garantirá uma experiência de localização dos acontecimentos passados, e uma capacidade de projetar-se para o futuro, fazendo planos e decidindo sobre sua vida. A dimensão temporal não só deve auxiliar na localização de um acontecimento no tempo, como também proporcionar a preservação das relações entre os fatos no tempo. A palavra tempo é empregada para indicar os momentos de mudança. O homem se insere no tempo. Ele nasce, cresce e morre e sua atividade é uma sequencia de mudanças. O seu organismo vive em função de certo “relógio interno”, condicionado pelas suas atividades diárias. Normalmente dormimos à noite e de dia trabalhamos. Isto significa que, quando chega à noite, temos uma necessidade enorme de nos recolhermos. A hora de dormir é tão determinada pela quantidade de sono como pelo hábito. Nunca vemos nem percebemos o tempo como tal, uma vez que, contrário ao espaço ou à velocidade, ele não é evidente. Percebemos somente os acontecimentos, ou seja, os movimentos e as ações, suas velocidades e seus resultados. 4.5.2. Etapas da Estruturação Temporal A estruturação temporal tem que ser construída e exige um esforço, um trabalho mental da criança que ela só conseguirá realizar quando tiver um desenvolvimento cognitivo mais avançado. 55 De início a criança vivência seu corpo, tentando conseguir harmonia em seus movimentos. Mas este corpo não existe isolado no espaço e tempo e a criança vai, pouco a pouco, captando essas noções. Este etapa é caracterizada pela aquisição dos elementos básicos. Seus gestos e seus movimentos vão se ajustando ao tempo e aos espaços exteriores. Depois desta fase, vai assimilando também os conceitos que lhe permitirão se se movimentar livremente neste espaço-tempo. Assimilará noções de velocidade e de duração próprias a seu dia-a-dia. Numa etapa posterior, ele passa a tomar consciência das relações no tempo, irão trabalhar as noções e relações de ordem, sucessão, duração e alternância entre objetos e ações. Irá perceber as noções dos momentos do tempo, por exemplo, o instante, o momento exato, a simultaneidade e a sucessão. A partir dessa fase, ela começa a organizar e coordenar as relações temporais. Pela representação mental dos movimentos do tempo e suas relações, ela atinge uma maior orientação temporal e adquire a capacidade de trabalhar ao nível simbólico. Ela terá então maiores condições de realizar as associações e transposições necessárias aos ensinamentos escolares, principalmente em relação à leitura, à escrita e à matemática. 4.5.3. Principais Conceitos Que As Crianças Devem Adquirir Simultaneidade – é vivenciada inicialmente através do movimento, de forma motora. São movimentos que, para serem realizados, têm que aparecer. Por exemplo, um bebê que move seus braços e pernas ao mesmo tempo. Depois, passa a se movimentar mais ou menos de forma alternada e em seguida, sequenciada. É exatamente ao relacionar seus movimentos juntos e sequenciados, um após o outro, que uma criança desenvolve o conceito de simultaneidade. A simultaneidade requer, para sua realização, que a pessoa possua uma boa coordenação (salvo o bebê). 56 Ordem e sequencia – sequencia é denominada como a disposição dosa acontecimentos em uma escala temporal, de modo que as relações de tempo e a ordem dos acontecimentos evidenciam-se. As nossas atividades cotidianas requerem uma sucessão de movimentos. Para uma criança conseguir colocar em ordem cronológica suas ações do dia-a-dia precisa ter noção de antes e depois, da ordem em que seus gestos podem ser realizados (como por exemplo, colocar um sapato). Uma criança pequena tem condições de perceber a ordem e a sequencia de acontecimentos, mas só aos 5 anos adquire a noção de sequencia lógica. Uma pessoa precisa, pois, adquirir a noção de escala temporal para assimilar as noções de sequencia. Duração dos intervalos – os fenômenos que acontecem no tempo apresentam certa duração – tempo curto e tempo longo – e envolvem as noções de hora, minuto e segundo, isto é, o tempo. Uma criança vive o tempo subjetivo. Isto significa que o tempo é determinado pela sua própria impressão e emotividade. Uma atividade que lhe dá prazer terá um tempo menor e passará mais rapidamente (pois ela não verá o tempo passar), do que uma que lhe seja desagradável (que transcorrerá lentamente e terá um caráter interminável). Os adultos, também vivem este tempo subjetivos quando assistimos a uma palestra monótona e sem sentido para nós, ou quando estamos em uma reunião agradável. Entretanto, não perdemos de vista o outro tempo, o tempo matemático, sempre idêntico representado pelo tempo objetivo. Este tempo é fundamental para uma maior organização do mundo em que vivemos. Renovação cíclica de certos períodos – é a percepção de que o tempo é determinado por dias (manhã, tarde e noite), semanas e estações. Ritmo – é um dos conceitos mais importantes da orientação temporal. O ritmo está ligado também ao espaço e a combinação dos dois dá origem ao movimento. O ritmo não é o movimento, mas o movimento é meio de expressão do ritmo. Toda criança tem um ritmo natural, espontâneo. Seu grito e suas manifestações são ritmados. Tem horas de repouso e horas de impulsos e se manifesta através delas. A vida moderna impede-nos de aflorar o nosso ritmo natural. Estamos constantemente sendo cobrados através do relógio, do tempo, a realizar tarefas em determinados prazos. Mesmo assim, muito de nosso ritmo natural se conserva conosco. Cada um tem um ritmo de trabalho, uns são mais rápidos do que outros. 57 Temos um relógio corporal do qual normalmente não tomamos conhecimento. As células e as substâncias químicas de nosso organismo trabalham com precisão, dentro de um determinado ritmo. Possuímos um ritmo endógeno, automantido pelo organismo e que é influenciado pelo ritmo exógeno, ou estímulo externo. Existem três tipos de ritmos: motor, auditivo e visual. O ritmo motor está ligado ao movimento do organismo que e realiza em um intervalo de tempo constante. Andar, nadar, correr são exemplos de ritmos motores. O ritmo auditivo normalmente é trabalhado em associação com algum movimento. Muitas crianças não percebem os ritmos auditivos a não ser que estejam realmente unidos ao componente motor. O ritmo visual envolvea exploração sistemática de um ambiente visual muito amplo para ser incluído no campo visual em uma só fixação. Por exemplo, muitas vezes, os olhos de uma criança, não leem cm ritmo constante, isto é, uma palavra atrás da outra. Na escrita, também verificamos o ritmo quando a criança respeita os espaços entre as palavras e quando consegue ordenar as letras dentro das palavras e as palavras na frase. Uma letra deve suceder a outra. A pontuação e a entonação que acompanham uma leitura e uma escrita são consequências das nossas habilidades rítmicas. O ritmo envolve a noção de ordem, de sucessão, de duração e de alternância. O ritmo permite uma maior flexibilidade de movimentos, um maior poder de atenção e concentração, na medida em que obriga a criança a seguir uma cadência determinada. Outro fator fundamental é a aquisição de automatismo elementar. A percepção de alternância de tempos fortes e fracos leva à percepção do relaxamento e das pausas. Além disso, habitua o corpo a responder prontamente às situações imprevistas. A atividade psicomotora não tem por objetivo fazer a criança adquirir os ritmos, senão favorecer a expressão de sua motricidade natural, cuja característica essencial é a psicomotricidade. 4.6 DIFICULDADES EM ESTRUTURAÇÃO TEMPORAL Uma criança com problemas de orientação temporal pode não perceber os intervalos de tempo, isto é, não perceber os espaços existentes entre as palavras. Não percebe também o que vai mais depressa e mais devagar. Normalmente esta criança escreve as palavras de forma ininterrupta, sem espaço entre elas, além de misturar os fatos. A criança pode apresentar confusão na ordenação e sucessão dos elementos de uma sílaba, isto é, não percebe o que é primeiro e o que é último, não se situa antes e depois. 58 A criança não se organiza, também, na direção esquerdo-direito. Pode haver problema na falta de padrão rítmica constante. A falta de ritmo motor ocasiona uma falta de coordenação na realização dos movimentos. Uma criança que tenha falta de padrão rítmico visual, ao ler algum trecho, seus olhos “grudam” em um canto da página e não se movem visualmente nem para frente, nem para trás, tornando a leitura pobre e comprometida. Dificuldade na organização do tempo. A criança não prevê suas atividades. Demora muito em uma tarefa e não consegue terminar as outras por falta de tempo. Muitas vezes não tem noções de horas e minutos. Uma organização espaço-temporal inadequada pode provocar também um fracasso em matemática, pois os alunos precisam ter noção de fileira e coluna para organizar os elementos de uma soma: 250 ao invés de 250 - 22 – 22 Eles podem apresentar, também, má utilização dos termos verbais. A criança deve saber distinguir: “ontem eu fui ao cinema” de “amanhã irei ao teatro”. Dificuldades em representação sonora. As crianças se esquecem da correspondência dos nos com as respectivas letras que os representam, especialmente quando se trata de realizar ditados. Quando a criança desenvolveu as estruturas espaciais, mas não tem ainda as temporais, torna-se uma “repetidora de palavras”. Isto evidencia que reconhece as relações espaciais existentes na página, identifica as palavras, mas não consegue integrá-las no tempo; elas ficam separadas e, portanto, a criança não percebe o sentido. Acaba, consequentemente, compreendendo muito mal o conteúdo. Sua escrita também fica comprometida, pois esta envolve uma sequencia de acontecimentos no tempo. A criança apresenta, então, inversões, omissões e adições. Quando a criança é organizada no tempo, mas não no espaço, torna-se uma leitora pobre, demora muito tempo para ler e, portanto, fica muito dependente do contexto. Muitas vezes substitui sinônimos que preservam o contexto, mas não reproduzem o que está na página. Ela odeia ler, mas assimila um vasto número de informações auditivas, a qual pode manipular com grande facilidade. Sequencias complexa não lhe causam problema, mas exibições visuais simples frustram-na. Discriminação Visual 59 Um aparelho visual e auditivo íntegro é um pré-requisito muito importante para a aprendizagem da leitura e da escrita. Mas isso não é suficiente. Quando uma criança nasce, seus neurônios ligados à retina estão ainda muito imaturos. Ela só reage à luz muito forte, não percebe as nuanças luminosas. As informações visuais que seus receptores externos levam ao córtex cerebral são geralmente distorcidas. Com o amadurecimento do sistema nervoso, seu aparelho visual vai também amadurecendo e a criança vai conseguindo distinguir os objetos e pessoas de seu meio de maneira satisfatória. Ela consegue isto através da associação com outros dados receptores. Mas só isto não é suficiente. A criança precisa também aprender a controlar o movimento de seus olhos. Ela precisa ser capaz de dirigi-los para um determinado ponto, precisa direcioná-los intencionalmente para algum lugar. Para isto precisa ter um controle rigoroso e preciso dos músculos extraoculares. Kephart afirma que o problema é aprender a controlar um mecanismo que está trabalhando com perfeição. Isto significa que, mesmo com uma estrutura muscular do olho perfeita, é necessário construir um padrão de impulsos neurológicos que a capacitará a controlar este mecanismo com precisão, que a auxiliará a desenvolver uma maior percepção visual. A acuidade visual é a capacidade de ver e diferenciar objetos apresentados no seu campo visual com significado e precisão. O que a pessoa vê é o resultado de um processo psicofísico que integra forças gravitacionais, ideação conceitual, orientação perceptivo-espacial e funções de linguagem. Um exercício que é aplicado em crianças e pedir para elas procurarem palavras nos caça-palavras. Esse exercício tem como objetivo, proporcionar um maior controle ocular, estimular a atenção e concentração e, compreender os objetos apresentados em seu campo visual. Outra habilidade que a criança precisa desenvolver é a retenção dos símbolos visuais apresentados, tais como letras, palavras, sinais de transito; isto é, desenvolver a memória visual. É também pela memória visual, que uma criança consegue discernir letras que possuem o mesmo som, como por exemplo, as que pode ser representado por ssa como por ça. A palavra a ser escrita deve estar retida em nossa memória visual. A partir do momento em que a criança tem condições de discriminar as diversas letras, integrar os símbolos, desenvolver a memória visual, ela atinge a etapa de organização visual. O aspecto perceptivo-lingüístico, chave da organização visual, é a integração significativa do material simbólico com outros dados sensoriais. 60 Uma criança que possua discriminação visual pobre pode apresentar uma maior incidência na confusão de letras simétricas como, por exemplo, na forma das letras d e b, n e u, p e q. Outro tipo de troca pode ser registrado quanto às letras que diferem em pequenos detalhes: o e e, f e t, c e e, h e b, a e o. Algumas palavras podem ser sujeitas a confusões, por exemplo, preto em vez de prato. Essa confusão se dá porque a criança não percebe os detalhes internos das palavras. Outro problema registrado decorrente de uma discriminação visual pobre é a movimentação dos olhos de forma desordenada, pois as crianças não conseguem mantê- los na mesma direção quando leem. Acabam lendo várias vezes as mesmas linhas sem perceber, ou pulam frases inteiras, numa verdadeira falta de controle ocular. Discriminação Auditiva A discriminação auditiva é passível de aprendizagem. Esta capacidade de responder aos estímulos auditivos é o resultado de uma integração das experiências com a organização neurológica. Os nossos receptores auditivos têm que ser capazes de mandar as estimulações sonoras para o cérebro que processará, selecionará e armazenará as informações na memória. Se estas informações forem distorcidas, océrebro também processará informações distorcidas. A discriminação auditiva está muito ligada à atividade motora, mais precisamente com a escrita e particularmente o ditado. Uma perfeita discriminação auditiva pressupõe uma acuidade auditiva íntegra, mas uma acuidade íntegra não implica na perfeita discriminação auditiva. Discriminação auditiva significa a capacidade de sintetizar os sons básicos da linguagem, a habilidade de perceber a diferença existente entre dois ou mais estímulos sonoros. Acuidade auditiva seria a capacidade do indivíduo de captar e notar a diferença entre vários sons e entre intensidades diferentes. Capacidade de captar e diferenciar sons e a intensidade e a altura que lhes correspondem. A leitura exige a associação do som percebido a uma grafia. É necessário que para isto eles tenham verdadeiramente uma boa discriminação auditiva, além de uma capacidade de simbolização, decodificação e memorização. Quando as crianças decodificam, estão dando um significado a muitos sons que ouviram. 61 A memória auditiva é também muito importante, pois favorece a retenção e recordação das palavras captadas auditivamente. Muitas crianças têm dificuldades de discriminação porque se esquecem do som que as letras representam. As principais letras que são passíveis de serem confundidas pelo som pela criança que não tenha uma discriminação auditiva satisfatória. Trocas de: F por V; B ou J (foi por voi, ou joi) P por B (ponte por bonte) CH por J, ou V (chapa por japa) D por B, ou T (dado por bado ou tado) T por D (tatu por dadu) S por Z (sonho por zonho) C por G (cartaz por gartaz) Algumas vogais nasais (exemplo: na, en, in, on, un) também são confundidas pelas orais correspondentes (a, e, i, o, u); exemplos: então (etão); inverno (iverno). 62 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AJURIAGUERRA, J. Manual de psiquiatria infantil. São Paulo: Masson,1983. CONGRESSO BRASILEIRO de PSICOMOTRICIDADE. Psicomotricidade: uma realidade transdisciplinar: Anais. Sociedade Brasileira de Psicomotricidade, Olinda: Nove 2004. FONSECA, Vitor DA. Desenvolvimento psicomotor e aprendizagem. Porto Alegre: Artmed, 2008. ROSA NETO, F. Manual de avaliação motora. Porto Alegre: Artmed, 2002. SBP. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PSICOMOTRICIDADE. Disponível em: WWW.psicomotricidade.com.br. Acesso em: Agosto de 2009. OLIVEIRA, Gislene de Campos. Psicomotricidade: Educação e reeducação num enfoque psicopedagógico. Petrópolis: Vozes, 2002. (Cap.2. Desenvolvimento da psicomotricidade. p. 41-103). ALVES, Fátima. Psicomotricidade: corpo, ação e emoção. Rio de Janeiro: Wak, 2003. DE MEUR, A. & STAES, L. Psicomotricidade: Educação e reeducação – níveis maternal e infantil. Editora Manole, 1991. FONSECA, Vítor da. Manual de obsevação psicomotora: significação psiconeurológica dos fatores psicomotores. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995. _________. Psicomotricidade: filogênese, ontogênese e retrogênese. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998. ISPE-GAE. Instituto Superior de Psicomotricidade e Educação e Grupo de Atividades Especializadas. Disponível em: http://www.ispegae-oipr.com.br. Acessado em 08 outubros 2007. LE BOULCH, Jean. O desenvolvimento psicomotor: do nascimento aos 6 anos. Trad. Por Ana Guardiola Brizolara. 7ª edição. Porto alegre: Artes Médicas, 1992. MELLO, Alexandre Moraes de. Psicomotricidade: Educação Física: Jogos Infantis. 4ª edição. Ibrasa, 2002. 63 NICOLA, Mônica. Psicomotricidade – Manual Básico. Rio de Janeiro: Revinter, 2004. TOJAL, João Batista. Motricidade Humana: O paradigma emergente. Campinas, SP: editora UNICAMP, 1994. BIBLIOGRAFIA DE CONSULTA ______ . Associações de contrastes: estruturas e ritmos. São Paulo: Manole, 1985 c. GONÇALVES, FÁTIMA. Psicomotricidade e Educação Física, quem quer brincar põe o dedo aqui. São Paulo. MMX LAPIERRE, André. A educação psicomotora na escola maternal. São Paulo: Manole, 1986. ____________, Aprendizagem e desenvolvimento infantil: perspectivas psicopedagógicas. Porto Alegre: Prodil, 1994 v. 2. VAYER, Pierre. O diálogo corporal – a ação educativa para a criança de 2 a 5 anos. São Paulo: Manole, 1984. ______ . A criança diante do mundo - na idade da aprendizagem escolar. 3. ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1986. WINNICOTT, Donald. O brincar e a realidade. São Paulo: Ícone, 1975. 64 Atividades Avaliativas Psicomotricidade: Manual Básico 1) Qual a importância de se proporcionar atividades, onde se desenvolva a coordenação global da criança? ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ 2) Qual a postura do professor diante de um aluno, que apresente um distúrbio motor, e quais as suas atribuições? ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ 3) O que vem a ser o esquema corporal e qual a importância da criança ter um esquema bem definido? ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ 4) Segundo Le Boulch, (1984,p.2350) A educação psicomotora deve ser considerada como uma educação de base na escola primária. Ela condiciona todos os aprendizados pré-escolares; leva a criança a tomar consciência do seu corpo, da lateralidade, a situar-se no espaço, a dominar o tempo, a adquirir habilmente a coordenação de seus gestos e movimentos. A educação psicomotora deve ser praticada desde a mais tenra idade; conduzida com perseverança, permite prevenir inadaptações, difíceis de corrigir quando já estruturadas. De acordo com essa afirmação, quais as mudanças na rotina escolar, deve-se fazer para que a psicomotricidade possa colaborar mais no seu cotidiano? ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ Bom desempenho! Este material tem como objetivo principal, entender a história e a origem no Brasil da psicomotricidade, seu conceito, evolução, etapas, vertentes, contribuições dos autores, para o reconhecimento da Psicomotriciade, atividades e formas de avaliação, para serem utilizados e inseridos no cotidiano escolar, entender a sua importância no desenvolvimento infantil. Este material tem como objetivo principal, entender a história e a origem no Brasil da psicomotricidade, seu conceito, evolução, etapas, vertentes, contribuições dos autores, para o reconhecimento da Psicomotriciade, atividades e formas de avaliação, para serem utilizados e inseridos no cotidiano escolar, entender a sua importância no desenvolvimento infantil. Este material tem como objetivo principal, entender a história e a origem no Brasil da psicomotricidade, seu conceito, evolução, etapas, vertentes, contribuições dos autores, para o reconhecimento da Psicomotriciade, atividades e formas de avaliação, para serem utilizados e inseridos no cotidiano escolar, entender a sua importância no desenvolvimentoinfantil. Este material tem como objetivo principal, entender a história e a origem no Brasil da psicomotricidade, seu conceito, evolução, etapas, vertentes, contribuições dos autores, para o reconhecimento da Psicomotriciade, atividades e formas de avaliação, para serem utilizados e inseridos no cotidiano escolar, entender a sua importância no desenvolvimento infantil. Este material tem como objetivo principal, entender a história e a origem no Brasil da psicomotricidade, seu conceito, evolução, etapas, vertentes, contribuições dos autores, para o reconhecimento da Psicomotriciade, atividades e formas de avaliação, para serem utilizados e inseridos no cotidiano escolar, entender a sua importância no desenvolvimento infantil. Procurando apresentar, a partir de uma perspectiva histórica, uma breve narrativa do desenvolvimento da Psicomotricidade e alguns de seus principais autores. Constata-se através do discurso destes autores e das diversas instituições mencionadas, que não há um conceito único e, sim, olhares plurais sobre a Psicomotricidade. Tais olhares encontram-se fundamentados em pressupostos teóricos comuns e onde se cruzam contribuições científicas vindas da filosofia, psicologia, psicanálise, psiquiatria, biologia, neurologia, pedagogia. A Psicomotricidade é apresentada, assim, como uma ciência que pretende transformar o corpo em um instrumento de relação e expressão com o outro, através do movimento dirigido ao ser em sua totalidade, em seus aspectos motores, emocionais, afetivos, intelectuais e sociais. Considerando o homem como único, em constante evolução e essencialmente um ser interativo, o movimento corporal, como abordado pela Psicomotricidade, facilita Seu acesso ao funcionamento psíquico normal otimizado (FONSECA, 1988). A história do saber da psicomotricidade representa já um século de esforço de ação e de pensamento. A sua cientificidade na era da cibernética e da informática, vai-nos permitir certamente, ir mais longe da descrição das relações mútuas e recíprocas da convivência do corpo com o psíquico. Esta intimidade filogenética e ontogenética representam o triunfo evolutivo da espécie humana, um longo passado de vários milhões de anos de psicomotoras. (FONSECA, 1988, p. 99.) 1. HISTÓRIA DA PSICOMOTRICIDADE 1.1. O SURGIMENTO DA PSICOMOTRICADADE E A CONTRIBUIÇÃO DOS ESCRITORES. 1.2. PSICOMOTRICIDADE NO BRASIL 1.3. CONCEITO DE PSICOMOTRICIDADE Atividade de conclusão da Unidade 1 2. A IMPORTÂNCIA DA PISCOMOTRICIDADE NA EDUCAÇÃO INFANTIL 2.1 COMO DESENVOLVER AS CAPACIDADES PSICOMOTORAS 2.2 EXEMPLOS DE EXERCÍCIOS PSICOMOTORES: 3. VERTENTES DA PSICOMOTRICIDADE 3.1 AS PRINCIPAIS VERTENTES DA PSICOMOTRICIDADE 3.2 REEDUCAÇÃO PSICOMOTORA 3.3 TERAPIA PSICOMOTORA 3.4 EDUCAÇÃO PSICOMOTORA 3.4.1 Psicomotricidade Funcional 3.4.2 Psicomotricidade Relacional Atividade de conclusão da Unidade 3 UNIDADE 4 4. ETAPAS DA PSICOMOTRICIDADE 4.1 COORDENAÇÃO GLOBAL 4.2 COORDENAÇÃO FINA E ÓCULO-MANUAL 4.3 ESQUEMA CORPORAL 4.3.1. Perturbações do esquema corporal 4.4 LATERALIDADE 4.1 HEREDITARIEDADE 4.2 HIPOTÉSE DA DOMINÂNCIA CEREBRAL 4.3 INFLUÊNCIA DO MEIO PSICOSOCIAL E EDUCACIONAL 4.4 ESTRUTURAÇÃO ESPACIAL 4.4.1. Definição de estruturação espacial 4.4.2. Desenvolvimento da Estruturação Espacial 4.4.3. Dificuldades na estruturação espacial 4.5 ESTRUTURAÇÃO TEMPORAL 4.5.1. Importância da Estruturação Temporal 4.5.2. Etapas da Estruturação Temporal 4.5.3. Principais Conceitos Que As Crianças Devem Adquirir 4.6 DIFICULDADES EM ESTRUTURAÇÃO TEMPORAL REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Atividades Avaliativas