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1 Cagliari defende a ideia de estimular as crianças na alfabetização através de duas fases, a primeira a oralidade para a escrita a segunda decifração da escrita, no primeiro momento da alfabetização os alunos devem ser orientados a produzir textos espontâneos tomando como base as habilidades já existentes com a língua oral, ali ela torna a representação da linguagem para a escrita. Os textos espontâneos permitem que as crianças exprimam suas ideias por escrito, mesmo que não tenham o domínio por completo, neste momento a criança escreve como fala e ela não possui o conhecimento entre a relação de som e letra. Neste momento ela aprende que o ato de falar nem sempre é correspondido na transposição do escrever e assim aprende no processo de aprendizagem ao escrever uma palavra as várias formas de escrita e as convenções estabelecidas ortográficas. O autor também ressalta que a decodificação no segundo estágio e codificação não pode ser um ato mecânico. O processo de decifrar a escrita, de ter o entendimento do que se escreve, pois, a escrita só é registro do pensamento quando o significado tornar-se significante. O processo da linguagem começa ao analisar como a linguística pode contribuir no processo de alfabetização das crianças na alfabetização; verificar como as crianças relacionam a oralidade e a escrita, considerando na oralidade a presença da marca fonêmica alfabética e na escrita a marca ortográfica, a categorização das letras e a relação do fonema e grafema que, e qual é a categorização produzida , analisar quais s concepções da escrita que o professor quer pôr em prática em sala de aula, organizar possíveis intervenções e análises que as crianças promovem sobre o funcionamento da língua. Então através das interações vivenciadas em casa e na escola, a criança constrói seu acervo de conhecimento, em um primeiro momento a criança inicia com grafismos, reproduz alguns traços da escrita, mas relaciona fala e escrita. Na fase seguinte as formas de grafismos são parecidas com letras , na terceira fase já existe a noção de representação silábica e elação de fala e escrita, posteriormente silábico-alfabético, passagem das hipóteses silábica para a alfabética, acontece um conflito entre as formas gráficas e por último a criança a criança esta alfabetizada podendo ocorrer alguns erros ortográficos. Esta fase conhecida como construtivismo mostrar que a criança possui um pré-conhecimento adquirido , possui uma bagagem antes de entrar na escola e que o professor tem a oportunidade de atuar como mediador entre o aluno e o conhecimento, onde este deixa de ser passivo e passa a buscar novos conhecimentos. 2 Para entender melhor o processo de educação brasileira devemos estudar a evolução da educação no Brasil que foi iniciada na época dos jesuítas no período colonial, em 1759 com as expulsão dos mesmo a estrutura educacional só possuía menos de 1% da população instruída , assim quase 100 anos depois inicia-se os primeiros movimentos da formação pública. Foi a primeira fase dos primeiros métodos de ensino de leitura que se baseava pelos métodos alfabéticos através de sintéticos, já na segunda fase em 1890 os professores defendiam o “como ensinar” formando os métodos analíticos e o foco permaneceu em ensinar os alunos a ler e a caligrafia continuava ligada a escrita, na terceira fase nasceram os métodos mistos , neste momento os ensinamentos ficaram direcionados para “quem ensinamos” e houve um conflito do sintético com o analítico dando uma fragilidade no ensino e que teve grande influência nos níveis atuais de desempenho dos alunos, no momento seguinte foi marcado por mudanças sociais e políticas surgindo o construtivismo um foco totalmente diferente da tradição behaviorista. O construtivismo inicialmente possuía uma desvantagem, pois ainda não possuía um método de ensino-aprendizagem que hoje vem sendo estruturada por alguns autores neste processo de métodos. Os equívocos da educação vêm de um fruto de uma tradição histórica, montada em uma concepção clássica do ensino da língua desde a época dos jesuítas. Em outras palavras essa tradição de ensino que era focada no aperfeiçoamento gramatical evitando qualquer alternativa, faz com que o professor que só havia aprendido gramática, focasse na estrutura em si, fechando assim um círculo vicioso, com poucas perspectivas de mudanças. As cartilhas e os livros didáticos fizeram, ou fazem parte, da estrutura educacional assim dificultando o processo de ensino aprendizagem, sendo uma das causas ou parte dela no baixo rendimento escolar , se distanciando do método construtivista elencado por Cagliari e outros estudiosos. 3 Os aspectos sonoros de uma língua formam a primeira realidade linguística com a qual construímos nossa língua ou fala. Por esse motivo a fonética e a fonologia disciplinas que oferecem a compreensão de conceitos fundamentais que se referem não apenas aos atos de fala, mas também à estrutura do sistema da língua que se pretende aprender. Ao tratar da fonética e fonologia que são áreas da linguística desenvolvidas no estudo dos sons da fala. Por terem o mesmo objeto de estudo, são ciências relacionadas com pontos de vista diferente que focam especificamente a fonética articulatória e acústica, tratando também da prosódia e seus elementos. A prosódia corresponde à musicalidade da fala (entonação e tons), harmonia (acento e ritmo). O professor será um auxiliador para os alunos orientando de que maneira se possa compreender os segmentos fônicos na produção da fala, como é o processo da realização deles, observando os órgãos que contribuem para a produção, como e de que modo são produzidos. Dessa forma, o aluno aprende utilizando conscientemente o processo de produção dos sons da fala. A consciência fonológica e a fonologia estudam o processo pelo qual a criança adquire os sons e padrões sonoros da língua materna e que passam por muitas fases como: reconhecimento da fala, reconhecer frases, ter consciência de rima, mistura de silabas até a chegar na consciência fonêmica, e é nesta fase que inicia-se o processo de alfabetização e a entrada no primeiro ano. Como já foi falado o primeiro estágio da alfabetização se encontra na parte da fala e é nela que o trabalho construtivista começa a ser desenvolvido. Na iniciação da alfabetização a criança pode identificar oralmente os sons iniciais e finais das palavras, além de dividir em seus sons individuais( não representação escrita da palavra), no próximo estagio é capaz de substituições , onde cria e entende a exclusão de um som de uma palavra, na próxima etapa aprende sobre fonema e grafema e o entendimento da representação sonora de uma letra, reconhece algumas letras e por último utiliza a fonética para ajudar a decodificar palavras para leitura e auxiliar na codificação de palavras para escrita. As teorias da alfabetização e os estudos da fonética e fonologia mostram os “erros” referente a escrita e que podem ser identificados como sendo uma variação linguística. As variações linguísticas trazem características próprias que enriquecem a pluralidade cultural do nosso país. É através delas que há a expressão de diversas formas, aplicando-as em diversos contextos sociais. Então as variantes linguísticas, poderiam ser abordados pela fonética e fonologia, que são consideradas como relevante na prática do professor e do aluno que está em processo de formação, onde os conhecimento destas variantes auxiliará o estudante a entender qual a diferença entre escrita e fala (pronúncia), incentivará a escolher uma das variantes na sua prática oral possibilitando a compreensão de que não há variante superior. Essa escolha não pode ser inconsciente e ela se torna inconsciente quando o aluno reproduz a variação do professor por não conhecer as demais. 4 São várias as práticas e analises de uma estruturação construtivista na área da alfabetização alguns conceitos como projeto de letramento que visa a pratica social , utiliza-se da escrita para outros objetivos transformadores, outra ferramenta interessanteé a sequência didática que auxiliam na construção que envolve etapas interligadas , tornando o resultado mais eficiente e por fim as práticas de letramento , que mobiliza o individuo na reflexão da construção dos valores ideológicos , são formas culturais através da leitura e escrita. O letramento na alfabetização é o modo de produção em supor um uso de escrita que permita aos indivíduos operar com as instruções de trabalho e normas de conduta e de vida. A necessidade de desenvolver no aluno através da leitura, interpretação e produção de diferentes gêneros de textos, habilidades de leitura e escrita que funcionem dentro da sociedade, assim a leitura e a escrita têm valor social e se inter-relacionam com um conhecimento linguístico, vivências pessoais e práticas discursivas. É aqui que os gêneros textuais entram, eles proporcionam a construção de um conceito, uma dinâmica com olhar social que deve fundamentar a ação pedagógica com a língua, fornecendo um contato do estudante com a multiplicidade dos textos produzidos nas inúmeras esferas sociais. Os gêneros textuais é um dos vetores da proposta das Diretrizes Curriculares Estaduais e visa a ampliação do usa das linguagens, a variação da diversidade textual e a reflexão das diferentes formas de usa da escrita e da fala. O letramento é função de todos os professores, uma equipe de bons leitores e bons produtores de textos pode formar alunos letrados capazes de enfrentar as transformações sociais, assim letrar é mais do que alfabetizar, é ensinar a ler e escrever dentro de um contexto onde a escrita e a leitura tenham sentido e façam parte da vida do aluno, nesse processo não basta apenas juntar letras para formar palavras e reunir palavras para compor frases, deve-se compreender o que se lê, assimilar diferentes tipos de textos e estabelecer relações entre eles. O professor através do letramento envolve múltiplas capacidades e conhecimentos, muitos dos quais não têm necessariamente relação com a leitura escolar, e sim com a leitura de mundo, o letramento inicia-se muito antes da alfabetização quando uma pessoa começa a interagir socialmente com práticas de letramento no seu mundo social. Os gêneros textuais permitem a exploração do mundo nas mas diversas escritas e formas orais, o docente deve ter domínio nas habilidades da linguagem para que possa fazer um trabalho construtivista através de gêneros textuais relacionando habilidades de linguagem sequenciais para que possa construir um individuo critico e que consiga construir a habilidade de se comunicar dentro da sociedade que pertence. 5 6 Todo indivíduo está inserido em uma comunidade que abrange uma variação linguística e como já vimos a alfabetização se inicia na oralidade, padronizar a escrita sem levar em consideração as variações e o processo de aquisição da escrita e deixar de lado a multipluralidade social e focar somente nas técnicas ortográficas, deixando de lado todo o contexto que o indivíduo se insere se torna um erro. As diferentes formas textuais que envolve o dia a dia dos estudantes as variações tanto orais e escritas através das mais diferentes formas de expressão abrem um leque muito grande na formação escrita e social de cada aluno, focar somente na padronização na escrita foge completamente do foco de construção crítica do indivíduo. Os desafios dos professores é quebrar esses paradigmas estruturalistas que são ensinados nas faculdades, métodos como cartilhas e livros didáticos, abrangendo pedaços de saberes sem uma totalidade de aprendizado. A construção do processo alfabetizador passa por esses obstáculos, mas o desenvolvimento das árias formas de construção formam uma base , como o letramento e as sequências didáticas. 7 Com as novas diretrizes da PNLD o foco não está mais na “decoreba” dos saberes, o livro didático está mais direcionado na variação dos gêneros textuais e suas aplicações no cotidiano dos alunos, mas a utilização exclusiva deste material restringe o uso das variações sociais existentes de cada indivíduo, alguns livros, apesar de revistos segundo a PNLD usam alguns métodos tradicionais, as frustrações do pouco desenvolvimento dos alunos nos dias atuais vem se estendendo devido ao contexto histórico da alfabetização e que ainda se mantem vinculado a alguns professores e que são passados aos alunos dentro de sala de aula. A estruturação do construtivismo dentro da sala de aula é árdua, pois ainda está inserido para alguns profissionais o método antigo de memorização, não conseguem enxergar as variações linguísticas e a preconização e padronização que certas esferas delimitam, os vários meios de comunicação e a expansão da internet proporcionou um aumento de indivíduos letrados que contribuem para o desenvolvimento humano de cada indivíduo. 8 Sou professora do ensino médio, apesar de não ver como posso aplicar as fases do desenvolvimento alfabetizador para dentro da sala de aula, pois só irei lecionar do 6 ano até o ensino médio, consegui alguns pontos bem interessantes que me fizeram refletir sobre a construção do conhecimento dos alunos Partir do ponto que cada aluno traz a bagagem cultural e desenvolver o senso critico e humanizador de cada aluno , nos diferentes tipos textuais. Utilizar as formas apontadas de Magda Soares e Luis Carlos Cagliari, me remete ao pensamento da dificuldade que enfrento dentro de sala de aula com o desenvolvimento dos alunos, a restrição da pratica construtivista na fase de alfabetização repercute diretamente no desenvolvimento do letramento. A utilização dos livros didáticos me chamaram a atenção, pois como fui formada e orientada na escola através dos métodos Behavoristas de cartilhas, manuais e decoração, possuía uma certa resistência nas novas formas de aprendizado. Com a leitura e constante formação pude notar como o processo através de estímulos textuais surtem efeitos positivos na construção de saberes.